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Numero do processo: 10183.005593/92-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1992
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO.
COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovada a contradição
no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir o vício apontado, sobretudo na parte substantiva do voto, rerratificando o resultado do julgamento levado a efeito por ocasião do primeiro julgado.
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. NORMAS PROCEDIMENTAIS. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. AUSÊNCIA IDENTIFICAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. NULIDADE. SÚMULA.
De conformidade com a jurisprudência consolidada neste Colegiado,
inclusive objeto da Súmula CARF n° 21, a qual é de observância obrigatória pelos julgadores administrativos, é nula, por vício formal, a Notificação de Lançamento desprovida da identificação da autoridade fazendária que a expediu.
Embargos acolhido
Numero da decisão: 9202-001.853
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para rerratificar o acórdão embargado.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovada a contradição no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõese o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir o vício apontado, sobretudo na parte substantiva do voto, rerratificando o resultado do julgamento levado a efeito por ocasião do primeiro julgado. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. NORMAS PROCEDIMENTAIS. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. AUSÊNCIA IDENTIFICAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. NULIDADE. SÚMULA. De conformidade com a jurisprudência consolidada neste Colegiado, inclusive objeto da Súmula CARF n° 21, a qual é de observância obrigatória pelos julgadores administrativos, é nula, por vício formal, a Notificação de Lançamento desprovida da identificação da autoridade fazendária que a expediu. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para rerratificar o acórdão embargado. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 02/12/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório RAMEZ ABOU RIZK, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrada Notificação de Lançamento, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício 1992, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Guapore R.R.”, localizado no município de Vila Bela Santíssima Trindade/MT, cadastrado na RFB sob o nº 10914560, conforme peça inaugural do feito, de fl. 02, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Turma DRJ em Campo Grade/MS, Acórdão n° 02.518/2003, às fls. 30/34, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 3ª Câmara, em 26/01/2006, por maioria de votos, achou por bem ANULAR O LANÇAMENTO FISCAL, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 30332.759, sintetizados na seguinte ementa: “ITR. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. É nula por vício formal a Notificação de Lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu, requinte essencial prescrito em lei. ANULADO O PROCESSO “AB INITIO”. Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 98/104, com arrimo no artigo 5º, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 55/1998, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10183.005593/9217 Acórdão n.º 920201.853 CSRFT2 Fl. 154 3 Acórdão nº 30234.831, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência arguida. Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, eis que não acolhe a nulidade do lançamento suscitada pela contribuinte em razão da ausência de identificação da autoridade fiscal lançadora, entendimento de deverá prevalecer, igualmente, na hipótese dos autos, mormente quando não se constata qualquer prejuízo à defesa da notificada. Contrapõese ao Acórdão atacado, aduzindo para tanto que anular o lançamento, pela simples circunstância de inexistir a identificação da autoridade que a expediu, se traduzirá inequivocamente como um prestígio inadequado da forma documental em detrimento a verdade real dos fatos, impondo seja observado, por analogia, o princípio da instrumentalidade das formas, desapegandose do formalismo em homenagem do atingimento da finalidade do processo. Assevera que as Notificações de Lançamento formalizadas até 31 de dezembro de 1996 foram atípicas, não se referindo a um único imposto (ITR e Contribuições Sindicais), ao contrário dos preceitos inscritos no artigo 9° do Decreto n° 70.235/72, não se caracterizando, portanto, como uma das formas de exigência de crédito tributário, inobservando, inclusive, os ditames do CTN e do processo administrativo fiscal. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 3ª Câmara do 3º Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado no paradigma, Acórdão nº 30234.831, relativamente à nulidade do lançamento por ausência de identificação da autoridade lançadora, conforme Despacho nº 144/2006, às fls. 114/116. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 126/130, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. Incluído na pauta de 12/11/2007, a Colenda 3a Turma da CSRF, achou por bem conhecer do Recurso da Fazenda Nacional e NEGARLHE PROVIMENTO, por unanimidade de votos, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº CSRF/0305.519, da lavra da Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, com sua ementa abaixo transcrita: “ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA – Comprovada a existência das áreas de preservação permanente e reserva legal declaradas pelo contribuinte, devem as mesmas ser excluídas da incidência do ITR em apreço ao Princípio da Verdade Material que rege o Processo Administrativo Fiscal. Recurso especial negado.” Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO 4 Ainda inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, às fls. 146/148, fundamentado no artigo 57 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, pugnando pela reforma do Acórdão embargado, em virtude das contradições a seguir apontadas. Opõese à conclusão levada a efeito pelo Acórdão atacado, sustentando ter decidido fora do pedido insculpido no Recurso Especial da Procuradoria, em verdadeira decisão extra petita, nula de pleno direito. Em defesa de sua pretensão, transcreve as ementas dos Acórdãos recorrido e do embargado, com o fito de comprovar a discrepância entre os julgados, uma vez que o primeiro anulou o lançamento por vício formal e o segundo negou provimento ao recurso da Fazenda Nacional, admitindo a comprovação material das áreas de preservação permanente e reserva legal, matérias não aventadas em sede da peça recursal da Procuradoria. Por derradeiro, pretende sejam os Embargos de Declaração acolhidos, objetivando sanear a contradição suscitada, de maneira a reconhecer a prover o seu Recurso Especial. Submetido a exame preliminar dos pressupostos para conhecimento dos Embargos opostos pela Fazenda Nacional, o ilustre Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, entendeu que a embargante logrou demonstrar a contradição arguida, razão pela qual propôs o acolhimento do seu pleito, com a devida reinclusão em pauta de julgamento, como se extrai do Despacho n° 241/08, às fls. 150/152, sendo a este Conselheiro distribuído o processo para as devidas providências. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, por ser tempestivo e comprovada à contradição apontada pela Embargante, acolho os Embargos de Declaração, pelas razões de fato e de direito a seguir esposadas. Preliminarmente, impende esclarecer a contradição suscitada pela Procuradoria, motivo da oposição dos presentes Embargos, de maneira a demonstrar estarem atendidos os requisitos regimentais para conhecimento deste recurso. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, constatase que a pretensão da Fazenda Nacional merece acolhimento, impondo sejam conhecidos os Embargos de Declaração com o fito de sanear a contradição incorrida no Acórdão guerreado. Com efeito, o Relatório e Voto condutor do decisum embargado trazem em seu bojo questões fáticas e de direito totalmente estranhas à hipótese dos autos. O simples cotejamento dos Acórdãos recorrido e Embargado nos leva a conclusão que não tratam dos mesmos fatos e temas. Destarte, em suma, enquanto o Acórdão recorrido anulou, por vício formal, a Notificação de Lançamento em razão da ausência da identificação da autoridade que a expediu, o decisum embargado negou provimento ao Recurso da Procuradoria, admitindo a Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10183.005593/9217 Acórdão n.º 920201.853 CSRFT2 Fl. 155 5 comprovação material das áreas de preservação permanente e reserva legal, matérias não contempladas no decisório originalmente atacado e, bem assim, da peça recursal da Fazenda Nacional. Acrescentase a isso, a qualificação equivocada do imóvel rural objeto do lançamento, reforçando a nulidade do Acórdão embargado. Nesse sentido, procedem os Embargos de Declaração opostos pelo douto representante da Fazenda Nacional, devendo ser acolhido o seu pleito de maneira a sanear aludida contradição, para que seja proferida nova decisão por esta Egrégia Turma da CSRF na boa e devida forma. Ultrapassada a preliminar de conhecimento dos Embargos de Declaração, passamos à análise meritória da demanda, contemplando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em confronto com as alegações recursais da Procuradoria da Fazenda Nacional. Como se verifica do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras do Terceiro Conselho a respeito da mesma matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado no Acórdão nº 30234.831, ora adotado como paradigma, deixou de acolher a nulidade do lançamento em razão da ausência de identificação da autoridade fiscal lançadora, mormente quando não se constatou qualquer prejuízo à defesa da notificada, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Sustenta que anular o lançamento, pela simples circunstância de inexistir a identificação da autoridade que a expediu, se traduzirá inequivocamente como um prestígio inadequado da forma documental em detrimento a verdade real dos fatos, impondo seja observado, por analogia, o princípio da instrumentalidade das formas, desapegandose do formalismo em homenagem do atingimento da finalidade do processo. Assevera que as Notificações de Lançamento formalizadas até 31 de dezembro de 1996 foram atípicas, não se referindo a um único imposto (ITR e Contribuições Sindicais), ao contrário dos preceitos inscritos no artigo 9° do Decreto n° 70.235/72, não se caracterizando, portanto, como uma das formas de exigência de crédito tributário, inobservando, inclusive, os ditames do CTN e do processo administrativo fiscal. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a respeito da nulidade da Notificação de Lançamento em epígrafe, em razão da ausência da identificação da autoridade lançadora, malferindo a legislação de regência, especialmente o disposto no artigo 11 do Decreto n° 70.235/72, que assim prescreve: “Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO 6 IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico.” Afora a vasta controvérsia a propósito da matéria, o certo é que o Pleno do CARF aprovou a Súmula n° 21, afastando definitivamente qualquer dúvida quanto ao assunto, conforme se extrai do seguinte Enunciado: “É nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu.” Assim, despiciendas maiores elucubrações quanto ao tema, tendo em vista que a jurisprudência consolidada neste Egrégio Conselho oferece guarida ao pleito do contribuinte, consoante Súmula CARF n° 21 encimada, a qual, segundo o artigo 72, § 4º do Regimento Interno do CARF, é resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, e de aplicação obrigatória por este Conselho, inexistindo razão para maiores discussões nos presentes autos. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantida nulidade ao lançamento, na forma decidida pela 3ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE ACOLHER OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, para sanear a contradição apontada no Acórdão Embargado, nº CSRF/0305.519, rerratificando, porém, o resultado do julgamento levado a efeito no decisum guerreado, por outros fundamentos, de maneira a CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA E NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo incólume a decisão recorrida pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004864/2005-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF
Exercício: 1999, 2000
Ementa:
RETIFICAÇÃO VOTO VENCEDOR E EMENTA
O acórdão embargado deu provimento integral ao recurso voluntário. Como ficou vencido o relator quanto aos juros e à Parte da multa, o voto vencedor deveria ter expressamente afastado as referidas exigências. Todavia, assim não procedeu relativamente à multa por ter equivocadamente entendido que o
voto vencido já a havia afastado integramente. Desse modo, o voto vencedor deve ser retificado para expressamente afastar de forma integral a multa. De igual modo, a ementa deve ser retificada, uma vez que havia sido elaborada em parte com os fundamentos superados, constantes no voto vencedor.
Numero da decisão: 1201-000.575
Decisão: Acordam os membros do colegiado. Por unanimidade de votos,
ACOLHERAM os embargos para rerratificar o Acórdão nº 103-22.890,
de 28.02.2007, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Como ficou vencido o relator quanto aos juros e à Parte da multa, o voto vencedor deveria ter expressamente afastado as referidas exigências. Todavia, assim não procedeu relativamente à multa por ter equivocadamente entendido que o voto vencido já a havia afastado integramente. Desse modo, o voto vencedor deve ser retificado para expressamente afastar de forma integral a multa. De igual modo, a ementa deve ser retificada, uma vez que havia sido elaborada em parte com os fundamentos superados, constantes no voto vencedor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, ACOLHERAM os embargos para rerratificar o Acórdão nº 10322.890, de 28.02.2007, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/10/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 10830.004864/200502 Acórdão n.º 1201000.575 S1C2T1 Fl. 1.522 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Gabriela Maria Hilu da Rocha Pinto e Regis Magalhães Soares de Queiroz . Relatório Mediante a peça de fls. 1.492 a 1496, o sujeito passivo opõe embargos de declaração ao acórdão de fls. 1.393 a 1.416, admitido pelo Presidente desta Câmara por meio do despacho de fls. 1.519 e 1.520. Nos referidos embargos, foram aduzidas as seguintes razões, in verbis: BREVE RELATO DOS FATOS Tratase de autuação ultimada com base no artigo 61 da Lei n° 8.981/2005, centrada em suposto pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Ainda, foi aplicada a multa isolada pela ausência de retenção do IRRF sobre os valores pagos aos sócios a titulo de prólabore. Ao julgar a tributação relativa ao IRRF, centrada no artigo 61 da Lei n° 8.981/1995, o Acórdão embargado o fez de forma precisa, não merecendo qualquer reparo tanto no mérito quanto na sua estruturação. Vale dizer, a decisão ora embargada, no ponto que afastou o lançamento de IRRF, é clara, precisa e irretocável sob qualquer ângulo de análise. No tocante à multa isolada, porém, existe ponto a ser aclarado por esse E. Colegiado. (...) DO PONTO A SER DECLARADO 1. OBSCURIDADE EM RELAÇÃO AO FUNDAMENTO PARA A CORRETA EXONERAÇÃO DA MULTA ISOLADA. Em seu recurso voluntário, o ora Embargante refutou a aplicação da multa isolada por ausência de retenção de valores pagos a sócios, eis que tais valores correspondem a lucros distribuídos pela pessoa jurídicas aos seus sócios. Por entender que a referida multa passou a ter previsão legal tãosomente depois da entrada em vigor da Medida Provisória n° 16/2001, o Relator originário (vencido) determinou a exclusão da referida penalidade sobre os fatos geradores ocorridos até 30.11.2001, inclusive. Portanto, nos termos do voto vencido, a exclusão da referida penalidade ocorreu de forma parcial, uma vez que a autuação alcançava fatos geradores ocorridos até maio de 2004. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/10/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 10830.004864/200502 Acórdão n.º 1201000.575 S1C2T1 Fl. 1.523 3 O voto vencedor, que representa a posição soberana do Colegiado, por sua vez, traz os seguintes dizeres: "De outra parte, embora haja afastado a multa isolada aplicada pela não retenção do imposto relativo aos pagamentos feitos aos sócios, o voto vencido manteve, equivocadamente, a exigência dos juros de mora (...) Aliás, o PN COSIT n° 01, de 24 de setembro de 2002, expressamente determina que a fonte pagadora somente se sujeita ao pagamento dos juros de mora e da multa de oficio pela não retenção do imposto se esta for verificada antes do prazo para a entrega da declaração de ajuste anual." Em sua parte dispositiva, o Acórdão embargado apresentase assim redigido: "Diante disso, além da exigência da multa isolada, já afastada pelo voto vencido, dou provimento ao recurso para afastar as demais exigências, quais sejam, o imposto de renda na fonte sobre os pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados e os juros de mora pela não retenção do imposto sobre os pagamentos feitos a sócios." Embora para a Embargante esteja claro que o afastamento da multa isolada, pelo voto vencedor, se deu por fundamento diverso daquele invocado pelo voto vencido, que a afastava somente em relação aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2001, pode ser que a parte dispositiva seja interpretada equivocadamente pela autoridade encarregada de executar o acórdão, ocasionando sérios problemas de ordem processual à defesa da Contribuinte. Destarte, ao se referir à exigência de multa isolada "já afastada pelo voto vencido", o voto vencedor poderia dar margem ao entendimento de que o fundamento é o mesmo invocado pelo Relator vencido, o que não é verdade. Com efeito, apenas supondo que esse entendimento pudesse prevalecer, a Embargante estaria impossibilitada de reabrir essa discussão, eis que atingida pelo fenômeno da preclusão consumativa. Assim, para evitar problemas dessa ordem, a Embargante entende que se faz necessário o aclaramento do Acórdão embargado — que no mérito é irretocável — para fazer constar em sua parte dispositiva que a multa isolada foi afastada INTEGRALMENTE com base no PN COSIT n° 01, de 24 de setembro de 2002, e não parcialmente conforme consta no voto vencido do Acórdão embargado. IV — DO PEDIDO Diante de todo o acima exposto, requerse sejam acolhidos os presentes Embargos de Declaração, para que essa Câmara enfrente a questão em que o Acórdão restou obscuro, analisando Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/10/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 10830.004864/200502 Acórdão n.º 1201000.575 S1C2T1 Fl. 1.524 4 tais questões sob todos os aspectos possíveis, inclusive para eventual retificação do Acórdão e para os devidos fins de pré questionamento. É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Conforme alegado nos embargos, é nítida a contradição entre o voto vencido e o voto vencedor relativamente à questão da multa isolada. O primeiro deu provimento parcial para afastar a multa de ofício pela não retenção de IRRF sobre valores entregues aos sócios, conforme podemos constatar pelo trecho abaixo transcrito: A retroatividade da punição pareceme estar caracterizada. De fato, ainda que a ausência de retenção na fonte sempre tenha sido tratada como irregularidade, não existia na legislação uma penalidade especifica para essa infração, até o advento da Medida Provisória nº 16/2001 que em seu art. 9º estabeleceu a incidência da multa isolada de que tratam os incisos e II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, nos casos de falta de retenção do IRRF. Publicada a MP em 27/12/2001, a penalidade nela estabelecida vale para os períodos de apuração posteriores. Assim, inaplicável a multa aos fatos geradores ate 30/11/2001, inclusive. Já o segundo partiu do pressuposto de que o voto vencido já havia afastado a multa isolada integralmente e divergiu apenas em relação à manutenção dos juros isolados. Segue abaixo o trecho em que podemos verificar o equívoco do voto vencedor que produziu a contradição: De outra parte, embora haja afastado a multa isolada aplicada pela não retenção do imposto relativo aos pagamentos feitos aos sócios, o voto vencido manteve, equivocadamente, a exigência dos juros de mora, pois como a constatação da não retenção se deu após a data prevista para a entrega do ajuste anual, o destinatário da exigência já era o contribuinte e não mais a fonte pagadora, da qual, por essa razão, nada mais podia ser exigido. Alias, o PN COSIT n° 01, de 24 de setembro de 2002, expressamente determina que a fonte pagadora somente se sujeita ao pagamento dos juros de mora e da multa de oficio pela não retenção do imposto se esta for verificada antes do prazo para a entrega da declaração de ajuste anual. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/10/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 10830.004864/200502 Acórdão n.º 1201000.575 S1C2T1 Fl. 1.525 5 Diante disso, alem da exigência da multa isolada, já afastada pelo voto vencido, dou provimento ao recurso para afastar as demais exigências, quais sejam, o imposto de renda na fonte sobre pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados e os juros de mora pela não retenção do imposto sobre os pagamentos feitos a sócios". (nossos destaques) O Conselheiro redator do voto vencedor partiu equivocadamente do pressuposto de que o fundamento adotado no voto vencido teria sido suficiente para afastar a multa isolada, mas não os juros, em razão do que aduziu outro fundamento, o qual apenas reforçaria a improcedência da multa e conduziria à não procedência dos juros. Essa contradição é ampliada na medida em que a ementa, relativamente à multa isolada, foi redigida com o fundamento do voto vencido e não com aquele adotado pelo voto vencedor. Para resolver essa contradição, devemos levar em consideração que o voto vencedor efetivamente deu provimento integral ao recurso, ainda que tenha se equivocado ao afirmar que o voto vencido já teria afastado integralmente a multa isolada, e expressamente aduziu que o fundamento que serviu para afastar os juros também se aplica à multa isolada. Também devemos levar em consideração que o Colegiado deu, nos termos do voto vencedor, provimento integral ao recurso. Desse modo, para eliminarmos a contradição, devem ser corrigidos tanto o voto vencedor, quanto a ementa. Em relação ao voto vencedor, o trecho: De outra parte, embora haja afastado a multa isolada aplicada pela não retenção do imposto relativo aos pagamentos feitos aos sócios, o voto vencido manteve, equivocadamente, a exigência dos juros de mora, pois como a constatação da não retenção se deu após a data prevista para a entrega do ajuste anual, o destinatário da exigência já era o contribuinte e não mais a fonte pagadora, da qual, por essa razão, nada mais podia ser exigido. Alias, o PN COSIT n° 01, de 24 de setembro de 2002, expressamente determina que a fonte pagadora somente se sujeita ao pagamento dos juros de mora e da multa de oficio pela não retenção do imposto se esta for verificada antes do prazo para a entrega da declaração de ajuste anual. Diante disso, alem da exigência da multa isolada, já afastada pelo voto vencido, dou provimento ao recurso para afastar as demais exigências, quais sejam, o imposto de renda na fonte sobre pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados e os juros de mora pela não retenção do imposto sobre os pagamentos feitos a sócios. Deve ser substituído por: Em relação à multa isolada e aos juros aplicados pela não retenção do imposto relativo aos pagamentos feitos aos sócios, Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/10/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 10830.004864/200502 Acórdão n.º 1201000.575 S1C2T1 Fl. 1.526 6 ambos não merecem prosperar, pois como a constatação da não retenção se deu após a data prevista para a entrega do ajuste anual, o destinatário da exigência já era o contribuinte e não mais a fonte pagadora, da qual, por essa razão, nada mais podia ser exigido. Alias, o PN COSIT n° 01, de 24 de setembro de 2002, expressamente determina que a fonte pagadora somente se sujeita ao pagamento dos juros de mora e da multa de oficio pela não retenção do imposto se esta for verificada antes do prazo para a entrega da declaração de ajuste anual. Diante disso, dou provimento integral ao recurso. E no lugar dos seguintes trechos da Ementa: MULTA ISOLADA — NÃO RETENÇÃO DO IMPOSTO — Instituída que foi a penalidade pela Lei n° 10.426 de 24/04/2002, não pode ser aplicada a fatos geradores anteriores A. edição da lei que a instituiu. JUROS DE MORA — NÃO RETENÇÃO DO IMPOSTO — A fonte pagadora não se sujeita ao pagamento de juros de mora quando a não retenção do imposto é verificada após a data para entrega da declaração anual de ajuste. Deve constar: MULTA ISOLADA – JUROS DE MORA — NÃO RETENÇÃO DO IMPOSTO — A fonte pagadora não se sujeita à multa isolada e ao pagamento de juros de mora quando a não retenção do imposto é verificada após a data para entrega da declaração anual de ajuste. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo acolhimento dos embargos para retificar o Acórdão 103 22.890, nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/10/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME
score : 1.0
Numero do processo: 16370.000173/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
DESNECESSIDADE DE INTIMAÇÃO PRÉVIA AO CONTRIBUINTE PARA AUTUÁ-LO,
DESDE QUE O FISCO TENHA TODAS AS PROVAS PARA TANTO. A Receita Federal do Brasil, por seus Auditores Fiscais, não está obrigada a prestar esclarecimentos aos contribuintes no tocante ao
processamento de suas declarações, antes de autuá-lo.
Pode processar as declarações de ajuste anual e proceder às autuações diretamente, sem qualquer intimação, desde que tenha elementos de prova e convicção para tanto. Este entendimento está cristalizado na Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DECLARAÇÃO RETIFICADORA. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL.
Apresentada a declaração de ajuste anual, incorrendo ela em parâmetros da Malha Fiscal, deve ficar retida para trabalho do Auditor Fiscal.
Este, ao revisar a declaração, pode alterar quaisquer dos dados informados, indo além daqueles do parâmetro, pois a autoridade não pode ficar inerte quando se deparar com uma infração. É dever dela constituir o crédito tributário pelo lançamento, na forma do art. 142 do CTN, não sendo mais permitido ao contribuinte retificar sua declaração, após o início do lançamento fiscal
(inteligência da Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício).
DEPENDENTE INFORMADO EM DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
NECESSIDADE DE COLAÇÃO DOS RENDIMENTOS DO DEPENDENTE NO MONTE TRIBUTÁVEL. A opção de inclusão de dependente na declaração de imposto de renda tem bônus e ônus. O bônus é a possibilidade de dedução das despesas do dependente previstas na legislação
do imposto de renda da base de cálculo do IR do declarante; o ônus é ter que colacionar ao monte tributável do declarante os rendimentos do dependente.
Aberto o procedimento de ofício, tal opção torna-se definitiva.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.579
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 DESNECESSIDADE DE INTIMAÇÃO PRÉVIA AO CONTRIBUINTE PARA AUTUÁ-LO, DESDE QUE O FISCO TENHA TODAS AS PROVAS PARA TANTO. A Receita Federal do Brasil, por seus Auditores Fiscais, não está obrigada a prestar esclarecimentos aos contribuintes no tocante ao processamento de suas declarações, antes de autuá-lo. Pode processar as declarações de ajuste anual e proceder às autuações diretamente, sem qualquer intimação, desde que tenha elementos de prova e convicção para tanto. Este entendimento está cristalizado na Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Apresentada a declaração de ajuste anual, incorrendo ela em parâmetros da Malha Fiscal, deve ficar retida para trabalho do Auditor Fiscal. Este, ao revisar a declaração, pode alterar quaisquer dos dados informados, indo além daqueles do parâmetro, pois a autoridade não pode ficar inerte quando se deparar com uma infração. É dever dela constituir o crédito tributário pelo lançamento, na forma do art. 142 do CTN, não sendo mais permitido ao contribuinte retificar sua declaração, após o início do lançamento fiscal (inteligência da Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício). DEPENDENTE INFORMADO EM DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. NECESSIDADE DE COLAÇÃO DOS RENDIMENTOS DO DEPENDENTE NO MONTE TRIBUTÁVEL. A opção de inclusão de dependente na declaração de imposto de renda tem bônus e ônus. O bônus é a possibilidade de dedução das despesas do dependente previstas na legislação do imposto de renda da base de cálculo do IR do declarante; o ônus é ter que colacionar ao monte tributável do declarante os rendimentos do dependente. Aberto o procedimento de ofício, tal opção torna-se definitiva. Recurso negado.
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A Receita Federal do Brasil, por seus AuditoresFiscais, não está obrigada a prestar esclarecimentos aos contribuintes no tocante ao processamento de suas declarações, antes de autuálo. Pode processar as declarações de ajuste anual e proceder às autuações diretamente, sem qualquer intimação, desde que tenha elementos de prova e convicção para tanto. Este entendimento está cristalizado na Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Apresentada a declaração de ajuste anual, incorrendo ela em parâmetros da Malha Fiscal, deve ficar retida para trabalho do AuditorFiscal. Este, ao revisar a declaração, pode alterar quaisquer dos dados informados, indo além daqueles do parâmetro, pois a autoridade não pode ficar inerte quando se deparar com uma infração. É dever dela constituir o crédito tributário pelo lançamento, na forma do art. 142 do CTN, não sendo mais permitido ao contribuinte retificar sua declaração, após o início do lançamento fiscal (inteligência da Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício). DEPENDENTE INFORMADO EM DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. NECESSIDADE DE COLAÇÃO DOS RENDIMENTOS DO DEPENDENTE NO MONTE TRIBUTÁVEL. A opção de inclusão de dependente na declaração de imposto de renda tem bônus e ônus. O bônus é a Fl. 58DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 possibilidade de dedução das despesas do dependente previstas na legislação do imposto de renda da base de cálculo do IR do declarante; o ônus é ter que colacionar ao monte tributável do declarante os rendimentos do dependente. Aberto o procedimento de ofício, tal opção tornase definitiva. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 10/10/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face da contribuinte MARIA ANTONIETA NASSAR E SILVA, CPF/MF nº 187.597.93953, já qualificada neste processo, foi lavrado, em 28/01/2008, auto de infração (fls. 07 a 10), com ciência postal em 19/02/2008 (fl. 12), decorrente da revisão da declaração de ajuste anual do anocalendário 2006. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 7.431,15 MULTA DE OFÍCIO R$ 5.573,36 À contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos, conduta essa apenada com multa de ofício de 75% sobre o imposto lançado, com a seguinte motivação (fl. 08): Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vinculo e/ou sem Vinculo Empregatício Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 27.222,88 recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do Fl. 59DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 16370.000173/200815 Acórdão n.º 210201.579 S2C1T2 Fl. 2 3 imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, com os seguintes fundamentos: a) Os valores considerados como omitidos referemse aos rendimentos dos filhos Felipe Nassar Scoralick e Silva e Gabriela Nassar Scoralick e Silva. b) Por um lapso do escritório de contabilidade, foram incluídos como dependentes, o que não é correto, pois jamais usaria uma dedução de R$ 7.780,32 e tributaria R$ 27.222,88. c) Além disso, Felipe Nassar Scoralick e Silva, CPF no 005.441.93954, por estar obrigado a elaborar declaração, entregoua via interne em 11/03/2008, recibo n° 37.71.21.96.77 04, regularizando, pois sua situação perante o Fisco. d) Por fim, requer a retificação do lançamento para a exclusão dos referidos dependentes e o refazimento dos cálculos. A 6ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0628.847, de 15 de dezembro de 2010 (fls. 20 e 21), que restou assim ementado: RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. EXCLUSÃO DE DEPENDENTE. Depois de iniciado o procedimento fiscal, só é possível a retificação da declaração de ajuste anual, com o intuito de se excluir dependente informado pelo contribuinte, quando houver provas efetivas do erro cometido. A contribuinte foi intimada da decisão a quo em 20/12/2010 (fl. 24). Irresignada, interpôs recurso voluntário em 04/01/2011 (fl. 25). No voluntário, a recorrente alega, em síntese, que estava em malha fiscal no parâmetro "Fonte Pagadora informou Rendimentos maior do que o declarado pelo contribuinte”, tendo enviado ofício ao Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil para esclarecer a situação. Apesar de receber uma resposta que não esclareceu a pendência, pois foi informada que deveria aguardar a intimação da Malha Fiscal, terminou sendo autuada, como se viu nestes autos, quando era dever do fisco ter informado ao contribuinte qual o equívoco cometido, que poderia ter sido sanado com uma declaração retificadora. Ademais, foi surpreendida com a colação dos rendimentos dos filhos, quando o parâmetro indicava uma divergência em relação a seus próprios rendimentos. Como já solicitado, pugna pela exclusão dos dependentes, incluídos na declaração auditada equivocadamente, pois as despesas dedutíveis deles são inferiores aos rendimentos respectivos, não fazendo sentindo tal opção. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que a contribuinte foi intimada da decisão recorrida em 20/12/2010 (fl. 24), segundafeira, e interpôs o recurso voluntário em 04/01/2011 (fl. 25), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 19/01/2011, quartafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Antes de tudo, devese anotar que a Receita Federal do Brasil, por intermédio de seus auditoresfiscais, não está obrigada a prestar esclarecimentos aos contribuintes no tocante ao processamento de suas declarações, antes de autuálo. Pode processar as declarações de ajuste anual e proceder às autuações diretamente, sem qualquer intimação, desde que tenha elementos de prova e convicção para tanto. Este entendimento está cristalizado na Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Dito isto, rejeitase a pretensão da contribuinte de ter sido previamente intimada do processamento de sua declaração, para, então, poder efetuar espontaneamente as retificações necessárias. Ora, acatar a pretensão da contribuinte esvaziaria completamente a força da Malha Fiscal, pois, se fosse assim, os contribuintes poderiam informar quaisquer dados indevidos e aguardariam sossegadamente a intimação da Malha Fiscal para efetuar as correções devidas, de forma espontânea. Se, por outro lado, a fortuna batesse em sua porta, as declarações seriam processadas com os dados “equivocados”, com pagamento de restituições indevidas ou redução do imposto a pagar. Com esse procedimento, por que o contribuinte iria informar os dados corretos nas declarações de ajuste anual, se poderia fazêlo quando intimado, não sofrendo o ônus de suas escolhas? Apresentada a declaração de ajuste anual, incorrendo ela em parâmetros da Malha Fiscal, deve ficar retida para trabalho do AuditorFiscal. Este, ao revisar a declaração, pode alterar quaisquer dos dados informados, indo além daqueles do parâmetro, pois a autoridade não pode ficar inerte quando se deparar com uma infração. É dever dela constituir o crédito tributário pelo lançamento, na forma do art. 142 do CTN, não sendo mais permitido ao contribuinte retificar sua declaração, após o início do lançamento fiscal (inteligência da Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício). No caso destes autos, irrelevantes as argumentações de que a contribuinte equivocouse ao declarar como dependentes os filhos com rendimentos, pois no procedimento de ofício não se perscruta os elementos volitivos do acusado, mas apenas, objetivamente, a infração, como se apreende do art. 136 do CTN (Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato), ou seja, eventuais equívocos do declarante não tem o condão de afastar sua responsabilidade tributária. Dessa forma, quando a contribuinte fez a opção de colocar os filhos como dependentes, como faculta o art. 35 da Lei nº 9.250/95, por óbvio deveria estar ciente de que tal procedimento teria bônus (dedutibilidade das despesas dos dependentes) e ônus (colação dos Fl. 61DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 16370.000173/200815 Acórdão n.º 210201.579 S2C1T2 Fl. 3 5 rendimentos dos dependentes ao monte tributável do declarante), não sendo agora o momento de se arrepender de sua escolha, pois teve sua declaração revisada pela autoridade competente, devendo se submeter ao imposto apurado de acordo com sua opção. Aceitar a pretensão da contribuinte, como já dito alhures, daria azo a que os contribuintes informassem quaisquer pessoas como dependentes e, intimados a comprovar o vínculo de dependência, pugnar pela exclusão deles, em total subversão dos trabalhos de auditoria, que não podem privilegiar condutas como a aqui em debate. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 62DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10166.907499/2009-95
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 15/08/2003
COEFICIENTE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS À SAÚDE.
A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido de 32% para 8%.
Numero da decisão: 1801-000.792
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS À SAÚDE. A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido de 32% para 8%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Fl. 52DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa em epígrafe emitiu diversas Declarações de Compensação eletrônicas – Dcomp pleiteando a restituição/compensação de parte dos valores recolhidos por DARF, a título de IRPJ, durante os anoscalendários de 1999, 2000, 2001 e 2002 por entender que fez pagamentos maiores que os devidos. Explica que se enquadra no conceito de empresa que exerce atividades hospitalares e, portanto, fez jus ao coeficiente de 8% para apuração do lucro presumido naqueles anos e não 32%, como equivocadamente procedeu nos cálculos de IRPJ. As Dcomp foram emitidas para solicitar a restituição/compensação das diferenças entre os valores que entende devidos e aqueles efetivamente recolhidos. A empresa apresenta manifestação de inconformidade à fl. 01 e o despacho eletrônico de não homologação da compensação veiculada na Dcomp de fls. 12 a 16 encontra se às fls. 02 dos autos. Neste despacho está consignado que o valor pleiteado na Dcomp – referente ao recolhimento de IRPJ efetuado em 15/08/2003 – está devidamente alocado como pagamento do tributo devido, não havendo qualquer saldo a ser restituído. A fiscalização intimou a empresa a apresentar cópia do Contrato Social e alterações, entre outros documentos, às fls. 03 (Intimação nº 129/2010), ao que juntouse ao processo as referidas cópias às fls. 05 a 10. A Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Brasília/DF exarou o Acórdão nº 0339.709/10 não reconhecendo o direito creditório em litígio. Assim restou ementado o aresto: “LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS NÃO HOSPITALARES. Auferindo a empresa receita de atividade médica ambulatorial restrita a consultas, que não se enquadra no conceito de serviços hospitalares estabelecido pela legislação tributária, a base de cálculo do lucro presumido deve ser apurada com a aplicação do percentual de 32%.” Aquela turma de julgamento fundamentou o votocondutor no fato de a clínica em apreço ter sua atividade econômica enquadrada expressamente como “ambulatorial restrita a consultas (CNPJ) e constar na cláusula 3ª do Contrato Social, como objetivo social: Prestação de serviços de segurança e medicina do trabalho, clínica médicaambulatorial, ginecologia, cardiologia, oftamologia, otorrinolaringologia, psiquiatria, psicologia, fonoaudiologia (exclusivamente para audiometria ocupacional) e pequenas cirurgias; sem internação e sem raio X no local. Invocou o Ato Declaratório Interpretativo – ADI/RFB nº 19/07 que cuida dos aspectos conceituais de “serviços hospitalares”. Tempestivamente, a clínica médica interpôs o Recurso de fls. 29 e ss, instruído com a consolidação do Contrato Social. Reprisa os termos da exordial e enfatiza: “Extraise dos autos que o Relator do Acórdão, com base no art. 106 do CTN, aplicou retroativamente o Ato Declaratório Interpretativo RFB n° 19, de 2007 para julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório que não homologou a compensação efetuada pela Recorrente através do PER/DCOMP. Fl. 53DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.907499/200995 Acórdão n.º 180100.792 S1TE01 Fl. 46 3 A Recorrente é empresa que atua na área de "atendimento médico ambulatória!, atendimento médico ocupacional, programa de prevenção de riscos ambientais, elaboração do Itcat (laudo técnico de condições ambientais do trabalho), assessoria na elaboração do PPP (perfil prossiográfico previdenciário) e PCMAT (programa de condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção. Consta do Contrato social que a empresa "tem por objetivos a prestação de serviços de Segurança e Medicina do Trabalho,, Clínica Médica Ambulatoriál, Ginecologia, Cardiologia, Oftamologia, Otorrinolaringologia, Psiquiatria, Psicologia, Fonoaudiologia (exclusivamente para Audiometria Ocupacional) e pequenas cirurgias, sem internação e sem Raio X no local"e apresentou pedido de compensação oriundo de CSLL, no regime de tributação do lucro presumido, pelo percentual de 32% sobre a receita bruta trimestral. Respalda seu entendimento na Instrução Normativa – IN SRF nº 306/03 que classificou como serviços hospitalares o que segue, conforme cita: "Art. 23 . Para os fins previstos no art. 15, § 1º inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de UMA DAS ATIVIDADES ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II. Capitulo 2. da Portaria GM 1.884. de 11 de novembro de 1994. do Ministério da Saúde, relacionadas nos incisos seguintes: (...) II prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial. compreendendo as seguintes atividades: a) recepcionar, registrar e fazer marcação de consultas; c) proceder a consulta médica, odontológica, psicológica, de assistência social, de nutrição, de fisioterapia, de terapia ocupacional, de fonoaudiologia e de enfermagem: Observese que esses conceitos relativos ao que se enquadra como serviços hospitalares e extraídos da Portaria GM/1.884, do Ministério da Saúde, mencionada na INSRF n.° 306/2003 já haviam sido mantidos e reproduzidos, em termos idênticos, na Resolução RDC n.° 50, de 21.02.2002, da Diretoria Colegiada da ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária.” Cita, ainda, a Solução de Divergência em Consulta CST nº 11/2003 editada no sentido de admitir a natureza hospitalar das clínicas médicas (para os serviços médicos prestados por clínicas de ortopedia, traumatologia e radiológicas) e decisões judiciais que entende corroborar seu entendimento sobre a abrangência da expressão “serviços hospitalares”: 1999.01.1.0149015 TJDFT e Resp STJ nº 380.584/02 – este último sobre sociedades civis prestadoras de serviços médicos de hemodiálise. É o relatório. Passo à análise das razões recursais. Fl. 54DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A recorrente pleiteia a restituição de valores de IRPJ que entende haverem sido pagos a maior indevidamente, por enquadrarse nas pessoas jurídicas que prestam serviços hospitalares, estando sujeita ao coeficiente para apuração do lucro presumido no percentual de 8% e não 32%, conforme houvera procedido aos efetivos recolhimentos via DARF. Respalda seu entendimento no artigo 23 da IN SRF nº 306/03, cujo texto parcial transcreveu no recurso interposto e foi acima reproduzido. Divirjo da interpretação dada pela recorrente ao texto do caput do referido artigo 23. A administração tributária ao redigir o referido preceito infralegal deixou claro que a pessoa jurídica para ser considerada como prestadora de serviços hospitalares deve necessariamente possuir estrutura física condizente com a execução de uma das atividades elencadas nos incisos I, II, III, IV e V que esmiuça. Cada inciso traz as atividades que devem ser desenvolvidas pela pessoa jurídica conjuntamente, não uma de cada, como interpretou equivocadamente a recorrente. O inciso I, por exemplo, exige: I realização de ações básicas de saúde, compreendendo as seguintes atividades: a) ações individuais ou coletivas de prevenção à saúde tais como: imunizações, primeiro atendimento, controle de doenças transmissíveis, visita domiciliar, coleta de material para exames, etc.; b) vigilância epidemiológica por meio de coleta e análise sistemática de dados, investigação epidemiológica, informação sobre doenças, etc.; c) ações de educação para a saúde, mediante palestras, demonstrações e treinamento in loco, campanhas, etc.; d) orientar as ações em saneamento básico por meio de instalação e manutenção de melhorias sanitárias domiciliares relacionadas com água, dejetos e lixo; e) vigilância nutricional por meio das atividades continuadas e rotineiras de observação, coleta e análise de dados e disseminação da informação referente ao estado nutricional, desde a ingestão de alimentos à sua utilização biológica; f) vigilância sanitária, por meio de fiscalização e controle que garantam a qualidade aos produtos, serviços e do meio ambiente. O inciso II, ad exemplum: II prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial, compreendendo as seguintes atividades: Fl. 55DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.907499/200995 Acórdão n.º 180100.792 S1TE01 Fl. 47 5 a) recepcionar, registrar e fazer marcação de consultas; b) realizar procedimentos de enfermagem; c) proceder a consulta médica, odontológica, psicológica, de assistência social, de nutrição, de fisioterapia, de terapia ocupacional, de fonoaudiologia e de enfermagem; d) recepcionar, transferir e preparar pacientes; e) assegurar a execução de procedimentos préanestésicos e realizar procedimentos anestésicos nos pacientes; f) executar cirurgias e exames endoscópios em regime de rotina; g) emitir relatórios médico e de enfermagem e registro das cirurgias e endoscopias realizadas; h) proporcionar cuidados pósanestésicos; i) garantir o apoio diagnóstico necessário. E assim por diante. Todas as atividades que encabeçam os incisos exigem a prestação de serviços que em algum momento diferenciam as clínicas de atendimento meramente ambulatorial, consultas etc daqueles estabelecimentos médicos que possuem leitos, internações, disponibilidade para atendimento de urgência (24h), realização de exames de raio X, endoscopias, realização de hemodiálises. É suficiente a leitura acurada de cada atividade descrita nos incisos. Por isto, correta era a interpretação do caput do referido artigo 23 determinando que para a pessoa jurídica se enquadrar como prestadora de “serviços hospitalares” deve exerce pelo menos uma das atividades (descrita no inciso e não nas alíneas somente), podendo ainda combinar outras atividades das alíneas dos demais incisos. Assim a norma interpretativa faz o sentido lógico, considerandose a interpretação sistemática das normas, sem a qual qualquer consultório médico, desde que com mais de um profissional, se enquadraria no conceito super relativizado que a recorrente pretendeu atribuir à IN SRF. Ademais, o mais importante é que esta IN SRF nº 306 foi expressamente revogada pela nº 480/2004, e essa, por sua vez, foi posteriormente alterada pela IN SRF nº 500/2005, que em seu artigo 27 incluiu mais algumas exigências para o conceito de “serviços hospitalares”, grifei. Mas as instruções normativas não servem para legislar. Somente elucidam a norma tributária e constituem fonte secundária do Direito Tributário, pois, por serem normativas, são as denominadas normas complementares previstas no artigo 100, mais especificamente inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN. Todavia, frisese, são atos interpretativos não podendo ir além das normas tributárias. Fl. 56DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Para o mesmo fim, no entanto sem a referida força normativa, servem os atos expedidos interna corporis pela Administração Tributária, cuja principal meta é homogeneizar o entendimento da própria administração sobre determinado assunto, sempre à luz da norma tributária. Dito isto, prossigamos para a norma insculpida no artigo 15, da Lei nº 9.249/95, que dispõe: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981 de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; [...] Há uma questão de pura semântica aqui envolvida. A norma tributária, vigente à época, não disse que os demais serviços ligados à área da saúde, desvinculados dos hospitais, fossem tratados como serviços hospitalares. E quando a norma não diz, não cabe aos intérpretes o fazer, quando mais se trata de normas tributárias, cuja tipicidade é cerrada. Ao revés do que pretende a recorrente, como visto, inúmeros atos administrativos, Soluções de Consulta e inclusive decisões judiciais versaram sobre esta matéria. E nem hoje a norma tributária igualou os serviços hospitalares aos demais serviços prestados na área da saúde. Pelo contrário, esse assunto foi amplamente debatido pelo Superior Tribunal de Justiça. A jurisprudência da Corte Superior foi pacificada no mesmo sentido ora sustentado. A exemplo, citese o acórdão extraído do REsp nº 925.175/SC, da lavra do ministro Castro Meira: Ementa : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. LABORATÓRIOS DE ANÁLISES CLÍNICAS. ATIVIDADES HOSPITALARES. ART. 15, § 1º, III, "A", DA LEI Nº 9.249/95. 1. O art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.249/95, que diminui a base de cálculo, resultando em menor valor a recolher de pessoas jurídicas que desenvolvem atividades hospitalares, deve ser interpretado restritivamente, para abranger, além Fl. 57DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.907499/200995 Acórdão n.º 180100.792 S1TE01 Fl. 48 7 dos próprios hospitais, apenas os estabelecimentos que dispõem de "estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes" (REsp 786.569/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 30.10.06). 2. No caso concreto, não podem ser enquadrados no conceito de serviços hospitalares os exames realizados em laboratórios de análises clínicas, porquanto os favores fiscais não comportam interpretação analógica. Precedentes da Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Eliana Calmon e João Otávio de Noronha votaram com o Sr. Ministro Relator. Sustentou oralmente Dr. Marcos Cardoso Resende, pela parte: RECORRIDO: LABORATÓRIO FLEMING S/S LTDA. (grifos não pertencem ao original) Trago à luz da discussão, por oportuno, para demonstrar que não possuo entendimento isolado sobre a questão proposta, o Projeto de Lei nº 1.716/071, no qual o deputado Júlio Delgado e o relator, deputado Luiz Carlos Hauly, teceram questões a respeito da inclusão das empresas que desenvolvem as atividades laboratoriais no texto das empresas favorecidas pelo coeficiente do lucro presumido a 8%: PROJETO DE LEI Nº 1.716, de 2007 (Apensado: PL 1.777, de 2007) Altera a Lei nº 9.249, de 1995, no que respeita ao coeficiente de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pelo regime do Lucro Presumido, para os laboratórios de Análises Clínicas. AUTOR: Deputado JÚLIO DELGADO RELATOR: Deputado LUIZ CARLOS HAULY I RELATÓRIO O Projeto de Lei nº 1.716, de 2007 pretende equiparar os laboratórios de análise clínica aos hospitais, para efeito do cálculo do lucro presumido sujeito à tributação pelo Imposto de Renda e pela Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL. 1 http://www.camara.gov.br/sileg/integras/553012.pdf Fl. 58DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Segundo o Autor da proposição, atualmente a Lei nº 9.249, de 1995 institui o coeficiente de 8% do faturamento para calcular o lucro presumido das prestadoras de serviços hospitalares, com exceção das empresas do setor de serviço, cujo coeficiente é de 32%. A presente Medida visa, deste modo, equiparar os laboratórios de análise clínica com os serviços hospitalares. [...] É o relatório. II VOTO Cabe a esta Comissão, além do exame de mérito, inicialmente apreciar as proposições quanto à sua compatibilidade ou adequação com o plano plurianual, a lei de diretrizes orçamentárias e o orçamento anual, nos termos do Regimento Interno da Câmara dos Deputados (RI, arts. 32, IX, "h", e 53, II) e de Norma Interna da Comissão de Finanças e Tributação, que "estabelece procedimentos para o exame de compatibilidade ou adequação orçamentária e financeira". A Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2008, no seu artigo 98, condiciona a aprovação de lei ao cumprimento do art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, nos seguintes termos: O art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101, de 04.05.2000) determina: "Art. 14. A concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária da qual decorra renúncia de receita deverá estar acompanhada de estimativa do impacto orçamentário financeiro no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes, atender ao disposto na lei de diretrizes orçamentárias e a pelo menos uma das seguintes condições: [...] § 1º A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado. § 2º Se o ato de concessão ou ampliação do incentivo ou benefício de que trata o caput deste artigo decorrer da condição contida no inciso II, o benefício só entrará em vigor quando implementadas as medidas referidas no mencionado inciso. .............................................................................................." Contudo, entendemos que a aplicação de tais dispositivos deve aterse a uma interpretação finalística da própria Lei de Responsabilidade Fiscal LRF. Em seu artigo 1º, ela estabelece que seu escopo é a determinação de normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal, entendida esta Fl. 59DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.907499/200995 Acórdão n.º 180100.792 S1TE01 Fl. 49 9 responsabilidade como a “ação planejada e transparente, em que se previnem riscos e corrigem desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas”. De tal conceito depreendemos que somente aquelas ações que possam afetar o equilíbrio das contas públicas devem estar sujeitas às exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal. Assim, entendemos que as proposições que tenham impacto orçamentário e financeiro de pequena monta não ficam sujeitas ao disposto no art 14 da LRF, já que não representam qualquer risco para a obtenção dos resultados fiscais definidos nas peças orçamentárias. É precisamente essa a característica do PL nº 1.716, de 2007, que possibilita aos laboratórios de análises clínicas se enquadrarem no regime do lucro presumido. Além disso, devese esclarecer que até novembro de 2007, os laboratórios de análise clínicas e os serviços de auxílio diagnóstico estavam enquadrados no regime de lucro presumido. Assim, está receita não estava prevista para o ano 2008 e seguintes, não podendo se falar em renúncia fiscal efetiva. Quanto ao mérito, tratase de matéria que preserva a isonomia de tratamento entre os prestadores de serviço de saúde à população A redução da carga tributária poderá beneficiar a toda sociedade prestandose um serviço de melhor qualidade a menor custo. Além disso, a similitude e o caráter de complementação dos serviços laboratoriais aos de natureza médicohospitalar exigem um tratamento isonômico na parte tributária. De modo a aprimorar o presente projeto, alteramos a redação inicialmente proposta pelo AUTOR, acrescentando os serviços de auxilio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e de análises e patologia clínicas, que se constituem em serviços subsidiários e complementares das atividades hospitalares, assim como aqueles de análises clínicas. (grifos não pertencem ao original) É importante ressaltar que o presente projeto de lei, retrato da mens legis da norma tributária, não precisou ser votado, pois em 2008 a Lei nº 11.727, cuja proposição original foi a Medida Provisória nº 413/08 (que recebeu diversos aditivos no deputado HAULY), assim dispôs em seu artigo 29: Art. 29. A alínea a do inciso III do § 1º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15. Fl. 60DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 [...] a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (grifos não pertencem ao original) Eis que somente a partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, a prestação de serviços de auxílio diagnóstico, terapia e outras foram alçadas pela exceção referida na alínea “a” do inciso III do § 1º da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sujeitandose, portanto, ao coeficiente de 8% (oito por cento) incidente sobre a receita bruta para apuração do lucro presumido. Por conseguinte, considerando que a lei tributária não retroage (exceto nas hipóteses elencadas no artigo 106, o que não é o caso), antes da vigência do artigo 29 da Lei nº 11.727, as pessoas jurídicas que prestam serviços à saúde, mas sem prestarem serviços hospitalares sujeitamse ao coeficiente de 32% para determinar o seu lucro. Colaciono, por derradeiro, ao presente voto para corroborar o entendimento ora esposado, a ementa do Acórdão nº 10323.236, de 18/10/07, cuja lavra do votocondutor é do conselheiro Antonio Carlos Guidoni Fº: “SERVIÇOS HOSPITALARES. CARACTERIZAÇÃO. A presunção de lucratividade reduzida prevista na Lei n. 9.249/95 está intimamente ligada à existência de custos relevantes com instalações, equipamentos e mãodeobra qualificada inerente a um hospital, compreendendo tanto a parte médica especializada quanto os serviços de hotelaria e fornecimento de produtos. A prestação pessoal de serviços médicos, por si só, não corresponde ao conjunto de serviços e custos inerentes a um centro hospitalar, traduzindose meramente em um exercício de profissão regulamentada.” Transcrevo, por oportuno, trecho do voto: “A presunção de lucratividade reduzida prevista na Lei n. 9.249/95 (artigo 15, § 1°, III), está intimamente ligada à existência de custos relevantes com equipamentos e mãodeobra qualificada inerente a um hospital, compreendendo tanto a parte médica especializada quanto os serviços de hotelaria e fornecimento de produtos. A aplicação do percentual de 8% apenas se justifica quando presentes fatores de custos relevantes, como os que ocorrem em um hospital. A prestação pessoal de serviços médicos, por si só, não corresponde ao conjunto de serviços e custos inerentes a um centro hospitalar, traduzindose meramente em um exercício de profissão regulamentada.” (grifos não pertencem ao original) Comungo com as colocações do r. conselheiro em todos os aspectos, precipuamente quando faz a distinção entre os demais serviços prestados pelas pessoas jurídicas ligadas à área da saúde (mera receita de prestação de serviços em geral – 32%) e aqueles prestados pela entidade hospitalar (receita de serviços hospitalares – 8%). De todo o exposto, verifico dos autos que é fato incontroverso no presente caso que a recorrente tem como objetivo social: Fl. 61DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.907499/200995 Acórdão n.º 180100.792 S1TE01 Fl. 50 11 “Cláusula Terceira Alteram também neste ato os objetivos da Sociedade, que passam a ser: Prestação de serviços de Segurança e Medicina do Trabalho, Clinica Médica Ambulatorial, Ginecologia, Cardiologia, Oftalmologia, Otorrino laringologia, Psiquiatria, Psicologia, Fonoaudiologia (exclusivamente para Audiometria Ocupacional) e pequenas cirurgias; sem internação e sem Raio X no local.” (grifos não pertencem ao original) Entendo que estes serviços não podem ser considerados como serviços hospitalares da recorrida. São serviços que consistem em outra atividade que não a de oferecer ou disponibilizar internação em seu estabelecimento, pelo que justa a aplicação do coeficiente de 32% para a apuração do lucro presumido. Tratase de mera prestação de serviços, em geral, na área de saúde, no entanto, sem natureza hospitalar. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso, por não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação pleiteada. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 62DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10865.003878/2008-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO. MULTA DE MORA COM EFEITO DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
Não constitui confisco a imputação de penalidade pecuniária em razão de não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária.
Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88.
CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE
Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei 8.212/91, podendo ser exigida também do empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55.
A contribuição destinada ao INCRA tem caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural.
SALÁRIO EDUCAÇÃO. LEI nº 9.424/96. CONSTITUCIONALIDADE.
É constitucional a cobrança da contribuição do salário educação,
seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, assim como no regime da lei 9.424/96. Súmula 732 do STF.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos
termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo
em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.324
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. O Conselheiro Eduardo Augusto Marcondes de Freitas acompanhou pelas conclusões.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ALEGAÇOES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO. MULTA DE MORA COM EFEITO DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a imputação de penalidade pecuniária em razão de não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei 8.212/91, podendo ser exigida também do empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55. A contribuição destinada ao INCRA tem caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural. SALÁRIO EDUCAÇÃO. LEI nº 9.424/96. CONSTITUCIONALIDADE. É constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, assim como no regime da lei 9.424/96. Súmula 732 do STF. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. O Conselheiro Eduardo Augusto Marcondes de Freitas acompanhou pelas conclusões. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.003878/200846 Acórdão n.º 230201.324 S2C3T2 Fl. 114 3 Relatório Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 Data de lavratura da NFLD : 13/11/2008 Data da Ciência da NFLD : 14/11/2008. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições a cargo da empresa destinadas a outras entidades e fundos, a saber : INCRA (0,2%), SESI (1,5%), SENAI (1,0%), SEBRAE (0,6%) e FNDE (Salário Educação 2,5%), incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 16/18. Informa a Autoridade Lançadora que os fatos geradores foram apurados a partir das informações registradas nas folhas de pagamento da empresa, e não declaradas em GFIP. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 36/64. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou Decisão Administrativa a fls. 73/80, julgando procedente o presente lançamento, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 05/05/2009, conforme Aviso de Recebimento a fl. 81. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 82/106, deduzindo seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: • Ilegalidade da cobrança de juros calculados pela Taxa SELIC; • Estar sendo duplamente penalizado, uma vez que já sofreu aplicação de multa, aplicada mediante o Auto de Infração DEBCAD 37.132.8110, por estarem os seus documentos em desacordo com a legislação fiscal; • Que a multa aplicada tem caráter confiscatório e abusivo; • Que é inviável a cobrança do SAT em virtude de sua ilegalidade, pois a legislação instituidora de seu recolhimento não definiu exaustivamente elementos necessários sua cobrança atividade preponderante, risco leve, médio e grave; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 • Que houve equívoco no enquadramento do grau de risco da atividade da autuada, tendo em vista o fato de a maioria de seus funcionários estarem alocados e trabalharem no setor administrativo; • Que a cobrança da contribuição denominada "salário educação" é inconstitucional, por não ter sido recepcionada pela atual Constituição Federal; • Que a cobrança da contribuição para o INCRA é inválida, pelo fato de a impugnante exercer atividade nitidamente urbana; • Requer a produção de todas as provas necessárias e de direito reconhecidas para a demonstração do direito alegado; Ao fim, requer a declaração de nulidade do Auto de Infração em debate. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.003878/200846 Acórdão n.º 230201.324 S2C3T2 Fl. 115 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 05/05/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 29 do mesmo mês e ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 2.1. DA TAXA SELIC Rebelase o Recorrente contra a utilização da taxa SELIC como juros de mora na esfera tributária, alegando sua contrariedade ao princípio da legalidade. Tal insurgência é improcedente. De plano, cumpre trazer à baila que os juros representam a remuneração do capital investido. Esmiuçando o conceito, juros representam o rendimento que o detentor do capital aufere em troca da colocação de um quantitativo à disposição de uma outra pessoa/entidade. Iluminese que um investidor poderia empregar seu patrimônio financeiro em uma atividade econômica qualquer que lhe rendesse lucro. Pode, todavia, essa pessoa abdicar de seu capital, ofertandoo a outra pessoa, mediante a cobrança de uma taxa de remuneração, compensatória pela perda da oportunidade de produzir lucro, na forma da hipótese anterior. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 A taxa de juros figura, então, como o quantum relativo que o titular do capital exige do tomador deste, num horizonte temporal, pela utilização do montante tomado. Nesse quadro, o índice nominal da taxa pode ser fixado unilateralmente pelo capitalista, ou, em comum acordo com aquele que se apodera da riqueza por empréstimo. É importante ressaltar que, em qualquer caso, a fixação da taxa de juros prescinde da edição de lei formal, como assim acredita piamente o Recorrente, até porque tal exigência culminaria por emperrar a atividade financeira do país – extremamente dinâmica em sua natureza , paralizandoo. Isso porque cada investidor, banco ou demais instituições financeiras possuem seus critérios próprios para o computo dos juros na atividade financeira, os quais são extremamente influenciados pelo mercado, pela oferta e procura de capital, pela taxa de crescimento da economia, pelo risco da inadimplência, etc., o que gera uma saudável concorrência entre os detentores do livre numerário. Diante desse panorama mostrase evidente que a exigência de lei stricto sensu a que se refere o CTN, não é para a fixação da taxa de juros (esta flui ao sabor das correntes do mercado), mas, sim, para a indicação de qual taxa de juros será a utilizada na remuneração do capital de titularidade da Fazenda, ainda nos cofres do sujeito passivo. Com efeito, num mundo globalizado, em que qualquer evento econômico ocorrido no polo norte produz efeitos imediatos, da mesma de ordem de grandeza, no polo sul, seria impensável que, para se alterar uma taxa de juros em, digamos, vinte e cinco centésimos por cento, como é extremamente comum em nossa economia, com a velocidade e prontidão que o mercado exige hodiernamente, fosse exigível a edição de uma lei ordinária, haja vista o trâmite procedimental exigido pela CF/88. Nessa perspectiva, avulta, portanto, que o requisito da legalidade, na espécie, foi de fato adimplido, senão vejamos: A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar do crédito tributário, já no âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Capítulo que versa sobre a Extinção do Crédito Tributário, estabeleceu que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis: Código Tributário Nacional Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.003878/200846 Acórdão n.º 230201.324 S2C3T2 Fl. 116 7 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifos nossos) §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (grifos nossos) §2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Salientese que o percentual enunciado no parágrafo primeiro acima transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da seguridade social disciplinou inteiramente a matéria relativa aos acessórios financeiros do crédito previdenciário em constituição e de forma distinta, devendo esta ser observada em detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao proferir, ipsis litteris: “Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de caráter complementar, não proíbe a capitalização de juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário. Assim, não tendo o Código Tributário Nacional determinado a necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1º do CTN, donde se conclui que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo próprio (lei ordinária) sem importar qualquer afronta à Constituição Federal” (TRF 4ª Região, Apelação Cível 200471100006514, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira; 1ª Turma; DJ de 15/06/2005, p. 552). Com efeito, as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social estão sujeitas não só à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à época da lavratura do presente débito. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 caráter irrelevável. (redação dada pela Lei nº 9.528/97) (grifos nossos) A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante, o que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante dai previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também , há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. Em reforço a tal assertiva jurisdicional, iluminese o Enunciado da Súmula nº 03 do Segundo Conselho de Contribuintes, vazado nos seguintes termos: SÚMULA CARF nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. A propósito, repisese que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pela Lei nº 8.212/91 plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Atentese que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.003878/200846 Acórdão n.º 230201.324 S2C3T2 Fl. 117 9 declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessarte, se nos afigura correta a incidência de juros moratórios à taxa SELIC, haja vista terem sido aplicados em conformidade com o comando imperativo fixado no art. 34 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 161 caput e §1º do CTN, em afinada harmonia com o ordenamento jurídico. 2.2. DA DUPLA PENALIZAÇÃO Alega o Recorrente estar sendo duplamente penalizado, uma vez que já sofreu aplicação de multa, aplicada mediante o Auto de Infração DEBCAD 37.132.8110, por estarem os seus documentos em desacordo com a legislação fiscal. Razão não lhe assiste. De fato, conforme dessai dos termos expostos no item 16 do Relatório Fiscal, a fl. 18, como resultado da ação fiscal foram lavrados os documentos de crédito a seguir alinhados: DOCUMENTO DESCRIÇÃO AI 37.132.8110 Contribuições a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração de empregados. AI 37.132.8128 Contribuições para terceiros incidentes sobre a remuneração de empregados. AI 37.132.8136 Deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados. AI 37.132.8144 Deixar de entregar GFIP. AI 37.132.8152 Deixar de declarar em GFIP fatos geradores de contribuição previdenciária. AI 37.132.8160 Deixar de declarar em GFIP de acordo com o respectivo manual. Informação de idêntico teor encontrase disposta a fl. 23, no Termo de Encerramento de Ação Fiscal, ao rótulo de Informações Complementares. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 É certo que, em desfavor do Recorrente, na mesma ação fiscal, foram lavrados os Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.132.8110 e nº 37.132.8128. Ocorre, no entanto, que tal ocorrência não importa em bis in idem, uma vez que aquela autuação contempla as contribuições sociais devidas pela empresa, destinadas ao custeio da seguridade social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, nos termos dos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, enquanto que a presente autuação congrega, tão somente, as contribuições sociais a cargo da empresa destinadas a outras entidades e fundos, de acordo com a sua lei específica. 2.3. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O INCRA Protesta o Recorrente contra a cobrança da contribuição para o INCRA, pelo fato de exercer atividade nitidamente urbana; Tal argumento não encontra imagem no espelho do ordenamento jurídico nacional. Merece ser enaltecido, de plano, que uma contribuição pode ser conceituada como uma espécie de tributo, de natureza autônoma, caracterizada por uma destinação social particularizada em lei, desvinculada de atuação estatal específica, com hipótese de incidência própria, e não restituível. A doutrina elege três modalidades de contribuições: Sociais; coorporativas e interventivas. A investigação a respeito da natureza jurídica da contribuição para o INCRA tem sido por demais tormentosa ao longo dos últimos anos. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento de Ag. Regimental no Agravo de Instrumento de despacho que inadmitiu Rec. Extraordinário contra Acórdão do TRF da 3ª Região , ementado como se segue : TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AO INCRA E AO FUNRURAL – EMPREGADOR URBANO – CONSTITUCIONALIDADE. A exação de que trata o artigo 15, II da Lei Complementar nº 11/71, destinada parte ao FUNRURAL (2,4%) e parte ao INCRA (0,2%), pode ser exigida de empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55, em benefício do então criado Serviço Social Rural. Constitucionalidade. Precedentes Jurisprudenciais desta Corte. Apelação Improvida. pacificou o entendimento no sentido da inexistência de qualquer empecilho constitucional que obste a cobrança das contribuições das empresas urbanas para o INCRA e para o FUNRURAL, consoante se depreende da ementa da decisão exarada: EMENTA: Contribuição para o FUNRURAL: empresas urbanas: acórdão recorrido que se harmoniza com o entendimento do STF, no sentido de não haver óbice a que seja cobrada, de empresa urbana, a referida contribuição, destinada a cobrir os riscos a que se sujeita toda a coletividade de trabalhadores: precedentes. (STF, AIAgRg nº 334.360/SP; Rel. Min. Sepúlveda Pertence; 1ª Turma; DJ 25.02.2005) Fl. 10DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.003878/200846 Acórdão n.º 230201.324 S2C3T2 Fl. 118 11 O Superior Tribunal de Justiça, por seu turno, após um longo período em que oscilou sua jurisprudência, sedimentou o entendimento de que a contribuição destinada ao INCRA ostenta natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, no adorno moldado pelo art. 149 da CF/88, não sendo tal contribuição sujeita às normas inscritas nas Leis nº 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91, podendo ser exigida também das empresas urbanas. VIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEIS Nº 7.789/89 e 8.212/91. DESTINAÇÃO DIVERSA. EMPRESAS URBANAS. ENQUADRAMENTO. I A Primeira Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe qualquer óbice para a cobrança da contribuição destinada ao INCRA também das empresas urbanas. Precedentes: EDcl no AgRg no REsp nº 716.387/CE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 31/08/06 e EDcl no REsp nº 780.280/MA, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 25/05/06. II Este Superior Tribunal de Justiça, após diversos pronunciamentos, com base em ampla discussão, reviu a jurisprudência sobre o assunto, chegando à conclusão que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta, nem com a Lei nº 7.787/89, nem pela Lei nº 8.212/91, ainda estando em vigor. III Tal entendimento foi exarado com o julgamento proferido pela Colenda Primeira Seção, nos EREsp nº 770.451/SC, Rel. p/ac. Min. CASTRO MEIRA, Sessão de 27/09/2006. Naquele julgado, restou definido que a contribuição ao INCRA é uma contribuição especial de intervenção no domínio econômico, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares. Assim, a supressão da exação para o FUNRURAL pela Lei nº 7.787/89 e a unificação do sistema de previdência através da Lei nº 8.212/91 não provocaram qualquer alteração na parcela destinada ao INCRA. IV Agravo regimental improvido. (STJ; AgRg no AgRg no REsp 894345 / SP; Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO; T1 PRIMEIRA TURMA; DJ 24/05/2007, p. 331) TRIBUTÁRIO. INCRA. CONTRIBUIÇÃO. NATUREZA. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 66, § 1º DA LEI Nº 8.383/91. INAPLICABILIDADE. 1. O INCRA foi criado pelo DL 1.110/70 com a missão de promover e executar a reforma agrária, a colonização e o desenvolvimento rural no País, tendolhe sido destinada, para a consecução de seus objetivos, a receita advinda da contribuição incidente sobre a folha de salários no percentual de 0,2% fixada no art. 15, II, da LC n.º 11/71. 2. Essa autarquia nunca teve a seu cargo a atribuição de serviço previdenciário, razão porque a contribuição a ele destinada não foi extinta pelas Leis 7.789/89 e 8.212/91 ambas de natureza Fl. 11DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 previdenciária , permanecendo íntegra até os dias atuais como contribuição de intervenção no domínio econômico. 3. Como a contribuição não se destina a financiar a Seguridade Social, os valores recolhidos indevidamente a esse título não podem ser compensados com outras contribuições arrecadadas pelo INSS que se destinam ao custeio da Seguridade Social. 4. Nos termos do art. 66, § 1º, da Lei nº 8.383/91, somente se admite a compensação com prestações vincendas da mesma espécie, ou seja, destinadas ao mesmo orçamento. 5. Embargos de divergência improvidos. STJ; EREsp 770.451/SC; R.P/ACÓRDÃO Min. CASTRO MEIRA; DJ: 11/06/2007) Em aditamento ao voto proferido no EREsp 770.451/SC; a Min. Eliane Calmon sublinhou os traços fundamentais da espécie tributária em exame, rememorando magnífico trabalho doutrinário contido na tese apresentada pelo Dr. Luciano Dias Bicalho Camargo, em curso de doutorado da Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, o qual pedimos venia para transcrevêlo. “As contribuições interventivas têm como principal traço característico a finalidade eleita e explicitada na consequência da norma de incidência tributária. (...) Assim, para a perfeita compreensão da norma de incidência tributária das contribuições de intervenção sobre o domínio econômico, especificamente aquelas que se prestam à arrecadação de recursos para o custeio dos atos interventivos, há de se prever uma circunstância intermediária a vincular a hipótese de incidência e a consequência tributária, sem a qual não há de se falar da existência de norma de incidência válida. Assim, nas contribuições de intervenção sobre o domínio econômico deverá coexistir, para a sua perfeita incidência, os dois núcleos da hipótese de incidência: o "fato do contribuinte", relacionado ao domínio econômico, e os atos interventivos implementados pela União. (...) Assim, no caso específico das contribuições para o INCRA, elas somente se mostram válidas na medida em que o INCRA, efetivamente, promove desapropriações para fins de reforma agrária (circunstância intermediária), visando alterar a estrutura fundiária anacrônica brasileira, conforme minudentemente visto no capítulo 3, aplicandose, assim, os recursos arrecadados na consecução dos objetivos constitucionalmente previstos: função social da propriedade e diminuição das desigualdades regionais. Salientese, por relevante, que as contribuições devidas ao INCRA, muito embora não beneficiem diretamente o sujeito ativo da exação (empresas urbanas e algumas agroindustriais), beneficiam toda a sociedade, por ter a sua arrecadação destinada a custear programas de colonização e reforma agrária, fomentam a atividade no campo, que é de interesse de toda a sociedade (e não só do meio rural), tendo em vista a redução das desigualdades e a fixação do homem na terra. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.003878/200846 Acórdão n.º 230201.324 S2C3T2 Fl. 119 13 Não há que se falar da existência de uma referibilidade direta, que procura condicionar o pagamento das contribuições às pessoas que estejam vinculadas diretamente a determinadas atividades e que venham a ser beneficiárias da arrecadação. Ora, o princípio da referibilidade direta, como defendido por vários autores, simplesmente não existe no ordenamento jurídico pátrio, especialmente no que se refere às contribuições de intervenção no domínio econômico. Tratase de mera criação teórica e doutrinária, sem respaldo no texto da Constituição Federal. (...) Com efeito, a exação em tela é destinada a fomentar atividade agropecuária, promovendo a fixação do homem no campo e reduzindo as desigualdades na distribuição fundiária. Consequentemente, reduzse o êxodo rural e grande parte dos problemas urbanos dele decorrentes. Não pode ser negado que a política nacional de reforma agrária é instrumento de intervenção no domínio econômico, uma vez que objetiva a erradicação da miséria, segundo o preceituado no §1º do art. 1º da Lei nº 4.504/64 Estatuto da Terra. Dessa forma, a referibilidade das contribuições devidas ao INCRA é indireta, beneficiando, de forma mediata, o sujeito passivo submetido a essa responsabilidade”. Cumpre neste comenos destacar que escapa à competência deste Colegiado a sindicância relativa à adequação da norma legal aos princípios norteadores do ordenamento jurídicos que permeiam a Constituição Federal, eis que tal tarefa foi outorgada, por Ulisses et alli, ao Poder Judiciário, exclusivamente. A esta 2ª Seção foi deferida, tão somente, a competência para perscrutar a conformidade do lançamento formalizado pela autoridade fiscal à legislação tributária vigente e eficaz, em honra ao Princípio Constitucional da estrita legalidade. Assentado que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituemse prerrogativas outorgadas pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podem os agentes da Administração Pública imiscuíremse sponte propria nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Devese atentar para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilhando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e propalar declarações de inconstitucionalidade, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 2.4. DO SALÁRIO EDUCAÇÃO Insurgese o Recorrente em face da cobrança do salárioeducação, sob o argumento de não ter sido recepcionada pela atual Constituição Federal. Tal repúdio é imotivado. Instituído em 1964, pela Lei nº 4.440, de 27/10/64, figura o salárioeducação como uma contribuição social destinada ao financiamento de programas, projetos e ações voltados para o financiamento da educação básica pública, podendo ser aplicada na educação especial, desde que vinculada àquela. A contribuição social do salárioeducação está prevista no artigo 212, §5º da Constituição Federal, regulamentada pelas leis nº 9.424/96 e 9.766/98 e pelo Decreto nº 6.003/2006, sendo calculada mediante a incidência da alíquota de 2,5% sobre o montante total das remunerações pagas, creditadas ou juridicamente devidas pelas empresas, a qualquer título, aos segurados empregados. Sua arrecadação e fiscalização e cobrança judicial monta a cargo, nos dias atuais, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, do Ministério da Fazenda (RFB/MF). Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino. § 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salárioeducação, Fl. 14DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.003878/200846 Acórdão n.º 230201.324 S2C3T2 Fl. 120 15 recolhida pelas empresas na forma da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53/2006) LEI Nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996. Art. 15. O SalárioEducação, previsto no art. 212, §5º, da Constituição Federal e devido pelas empresas, na forma em que vier a ser disposto em regulamento, é calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (grifos nossos) São contribuintes do salárioeducação as empresas em geral e as entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social, entendendose como tal qualquer firma individual ou sociedade que assuma o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, sociedade de economia mista, empresa pública e demais sociedades instituídas e mantidas pelo poder público, nos termos do §2º, art. 173 da Constituição, ressalvadas as exceções expressamente assentadas na lei. DECRETO Nº 6.003, de 28 de dezembro de 2006. Art. 2º São contribuintes do salárioeducação as empresas em geral e as entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social, entendendose como tais, para fins desta incidência, qualquer firma individual ou sociedade que assuma o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem assim a sociedade de economia mista, a empresa pública e demais sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público, nos termos do art. 173, § 2o, da Constituição. Parágrafo único. São isentos do recolhimento da contribuição social do salárioeducação: I a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações; II as instituições públicas de ensino de qualquer grau; III as escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, devidamente registradas e reconhecidas pelo competente órgão de educação, e que atendam ao disposto no inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991; IV as organizações de fins culturais que, para este fim, vierem a ser definidas em regulamento; V as organizações hospitalares e de assistência social, desde que atendam, cumulativamente, aos requisitos estabelecidos nos incisos I a V do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991; Reiteradas alegações de inconstitucionalidade impeliram o Procurador Geral da Republica a ajuizar, perante o Supremo Tribunal Federal, a Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 3, cuja decisão, de relatoria do Min. Nelson Jobim, publicada no Diário Fl. 15DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 da Justiça de 10/12/1999, pautouse pela constitucionalidade do art. 15 da Lei nº 9.424/96, atribuindolhe efeitos ex tunc. ADC 3 / UF UNIÃO FEDERAL AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE Relator(a): Min. NELSON JOBIM Julgamento: 01/12/1999 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação : DJ 09052003 PP EMENTA: CONSTITUCIONAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 15, LEI 9.424/96. SALÁRIOEDUCAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PARA O FUNDO DE MANUTENÇÃO E DESENVOLVIMENTO DO ENSINO FUNDAMENTAL E DE VALORIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO. DECISÕES JUDICIAIS CONTROVERTIDAS. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL E MATERIAL. FORMAL: LEI COMPLEMENTAR. DESNECESSIDADE. NATUREZA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. § 5º, DO ART. 212 DA CF QUE REMETE SÓ À LEI. PROCESSO LEGISLATIVO. EMENDA DE REDAÇÃO PELO SENADO. EMENDA QUE NÃO ALTEROU A PROPOSIÇÃO JURÍDICA. FOLHA DE SALÁRIOS REMUNERAÇÃO. CONCEITOS. PRECEDENTES. QUESTÃO INTERNA CORPORIS DO PODER LEGISLATIVO. CABIMENTO DA ANÁLISE PELO TRIBUNAL EM FACE DA NATUREZA CONSTITUCIONAL. INCONSTITUCIONALIDADE MATERIAL: BASE DE CÁLCULO. VEDAÇÃO DO ART. 154, I DA CF QUE NÃO ATINGE ESTA CONTRIBUIÇÃO, SOMENTE IMPOSTOS. NÃO SE TRATA DE OUTRA FONTE PARA A SEGURIDADE SOCIAL. IMPRECISÃO QUANTO A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. A CF QUANTO AO SALÁRIOEDUCAÇÃO DEFINE A FINALIDADE: FINANCIAMENTO DO ENSINO FUNDAMENTAL E O SUJEITO PASSIVO DA CONTRIBUIIÇÃO: AS EMPRESAS. NÃO RESTA DÚVIDA. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI AMPLAMENTE DEMONSTRADA. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE QUE SE JULGA PROCEDENTE, COM EFEITOS EXTUNC. A cobrança das contribuições sociais do salárioeducação revelase, pois, perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal, nocauteando de uma vez por todas qualquer dúvida que ainda pudesse ser suscitada a respeito, fez publicar a Súmula nº 732, a qual transcrevemos adiante. SÚMULA STF Nº 732 É CONSTITUCIONAL A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIOEDUCAÇÃO, SEJA SOB A CARTA DE 1969, SEJA SOB A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, E NO REGIME DA LEI 9.424/96. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.003878/200846 Acórdão n.º 230201.324 S2C3T2 Fl. 121 17 O Verbete da Sumula nº 732 do STF atira a última pá de cal sobre qualquer ainda possível alegação de inconstitucionalidade da contribuição social do Salário Educação, fechando definitivamente o esquife. 2.5. DA APLICAÇÃO DE MULTA DE MORA COM EFEITO DE CONFISCO Argumenta o Recorrente que a multa aplicada tem natureza confiscatória e abusiva. O clamor do Recorrente não merece acolhida. Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Imerso na Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de multa de mora decorrente do descumprimento tempestivo de obrigações tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujos artigos 34 e 35 estatuem, de forma objetiva, que as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a multa de mora de caráter irrelevável. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 17DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do Fl. 18DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.003878/200846 Acórdão n.º 230201.324 S2C3T2 Fl. 122 19 vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Conforme articulado, escapa da competência deste Colegiado a análise da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações e princípios constitucionais aviados nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Ademais, perfilhando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou Fl. 19DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Igualmente, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa aplicada nos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV da Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 2.6. DA PRODUÇÃO DE PROVAS Requer ainda o Recorrente a produção de todas as provas necessárias e de direito reconhecidas para a demonstração do direito alegado. Tal pedido não pode ser agraciado. A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o foro apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Previdência Social a disciplina do rito processual em tela, à época da lavratura da NFLD em estudo, restou a cargo da Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004, cujo art. 9º assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004. Art. 9 A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (grifos nossos) IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a Fl. 20DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.003878/200846 Acórdão n.º 230201.324 S2C3T2 Fl. 123 21 formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. §1° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos §2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifos nossos) §3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. §4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contrarrazões, se houver recurso. §5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. §6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. (grifos nossos) §7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. §8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. Registrese, a título de mera reflexão, se que os preceptivos encartados na norma de regência aqui enunciada não se contrapõem às normas estampadas no Decreto nº 70.235/72, que hoje rege o Processo Administrativo Fiscal nas ordens do Ministério da Fazenda, antes, sendo, destas, espelho. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; Fl. 21DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas Fl. 22DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.003878/200846 Acórdão n.º 230201.324 S2C3T2 Fl. 124 23 necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais no processo administrativo, mas, sim, por disposição legal, que produzilas, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão. 2.7. DA COBRANÇA DO SAT Pondera o Recorrente ser inviável a cobrança do SAT em virtude de sua ilegalidade, pois a legislação instituidora de seu recolhimento não definiu exaustivamente elementos necessários sua cobrança atividade preponderante, risco leve, médio e grave. Aduz, em ádito, ter havido equívoco, por parte da fiscalização, no enquadramento do grau de risco da atividade da autuada, tendo em vista o fato de a maioria de seus funcionários estarem alocados e trabalharem no setor administrativo. Tais alegações, no entanto, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não integram o litígio em julgamento. O Recorrente aproveitou a oportunidade concedida pela lei para se manifestar nos autos para deduzir extenso arrazoado sobre o que entende a respeito da legalidade da cobrança das contribuições sociais destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Ocorre que, no rito do Processo Administrativo Fiscal, a fase litigiosa do procedimento é instaurada mediante o oferecimento tempestivo de Impugnação à exigência fiscal, cujo instrumento de bloqueio deve mencionar, no mérito, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta bem como os pontos de discordância. Nessa perspectiva, para que se instaure o litígio, é imperioso o confrontamento de posições entre o fisco e o sujeito passivo, sendo, por tal motivo, consideradas como não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante. Também não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento, como se consubstanciam, exatamente, as alegações deduzidas pelo Recorrente no parágrafo preambular deste tópico. No caso presente, o objeto do Auto de Infração de Obrigação Principal em apreciação é constituído por contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos, a saber: INCRA, SESI, SENAI, SEBRAE e FNDE (Salário Educação, incidentes sobre a Fl. 23DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 24 remuneração de segurados empregados mediante as seguintes alíquotas, respectivamente: 0,2%, 1,5%, 1,0%, 0,6% e 2,5%. Conforme demonstrado, no crédito tributário objeto do presente lançamento não se encontra incluída qualquer contribuição social destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, tampouco o enquadramento no grau de risco grave, médio ou leve influencia o quantum debeatur da exação em constituição. Por tais motivos, esquivamonos de deliberar sobre questões aventadas no primeiro parágrafo deste tópico, eis que, em seu louvor, não se instaurou qualquer controvérsia no presente processo a ser dirimida por este Colegiado. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva. Fl. 24DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 15504.010717/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 27/06/2008
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
Ao deixar de apresentar documentos relacionados a registros contábeis, incorreu a empresa em inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CARRETEIROS
A contratação de trabalhadores transportadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA
CONFISCATÓRIA PREVISÃO LEGAL PARA MULTA.
O Auto de Infração ao ser aplicado não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.031
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Ao deixar de apresentar documentos relacionados a registros contábeis, incorreu a empresa em inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CARRETEIROS A contratação de trabalhadores transportadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA CONFISCATÓRIA PREVISÃO LEGAL PARA MULTA. O Auto de Infração ao ser aplicado não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza Fl. 92DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 93DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.010717/200821 Acórdão n.º 240102.031 S2C4T1 Fl. 93 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação acessória, lavrado sob n. 37.170.7838, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 33, §2º da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de apresentar os lançamentos contábeis descritos no Termo de Intimação para apresentação de documentos. Mais precisamente, segundo relatórios fiscal da infração, a empresa deixou de apresentar os seguintes documentos relacionados no Termo de Intimação para Apresentação de Documento datado em 27 de maio de 2.008, conforme número de ordem da relação: 2 a 5, 8 a 10, 13 a 16, 19, 21 e 22, 25, 27 a 30, 33 a 36, 39 a 42, 45 a 47, 49, 51 a 53, 56 a 58, 61 a 64, 66 a 68, 70 a 73. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 27/06/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 03/07/2008. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 26 a 32. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 73 a . Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 73 a 76. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega ser a multa indevida, senão vejamos: 1. Insubsistência da autuação, considerando a apresentação de documentos semelhantes, que servem aos mesmos fins listados pelo fisco como nãoapresentados; 2. Entende a Recorrente que a multa aplicada é fundamentalmente confiscatória, além de não atender ao princípio da Capacidade Contributiva. 3. Conforme demonstrado, a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória possui caráter meramente sancionatório. Logo, é injustificável a pretensão fiscal em receber a integralidade do crédito apurado a título de sanção. 4. Note bem: não se está aqui a discutir a incidência de multa em sede de tributos recolhidos a destempo. Isto, se aplicável, já foi feito e exigido na via própria. O que se discute é a desarrazoada incidência de multa decorrente de obrigação acessória (não elaboração de folhas de pagamentos), multa esta quantificada em R$ 1.254,89 (mil duzentos e cinqüenta e quatro reais e oitenta e nove centavos). 5. Se a multa sancionatória há de servir para fins de induzir comportamentos, não se pode olvidar que sua quantificação deve se dar na exata medida do comportamento almejado, e nunca arruinando a propriedade de sociedade. Fl. 94DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 6. Por fim, a multa aplicada fere também o princípio da capacidade contributiva, eis que o montante aplicado vai muito além da simples tentativa de coibir a infração de obrigação acessória, importando, na verdade, em majoração de tributo para além da capacidade econômica adquirida pela empresa, além de majorar a própria alíquota, de forma indireta. 7. Requer seja a multa alterada, levandose em consideração os princípios da Proporcionalidade, Capacidade Contributiva e do NãoConfisco. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.010717/200821 Acórdão n.º 240102.031 S2C4T1 Fl. 94 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 80 e 81. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiuse a atacar que apresentou documentos similares, bem como argumenta acerca da validade da multa aplicada, destacando ferir princípios constitucionais, sem refutar, qualquer das faltas que ensejaram a autuação. Dessa forma, em relação as faltas que lhe foram imputadas, objeto da presente autuação, como não houve recurso expresso aos pontos da DecisãoNotificação (DN) presumese a concordância da recorrente com a DN. Contudo, competenos apreciar a argumentação quanto a impropriedade da multa aplicada, por ferir princípios constitucionais, o que de pronto entendo não assistir razão ao recorrente. O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Conforme prevê o art. 33, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado a exibir os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art.33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9/07/2001) (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Fl. 96DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Assim, a exigência da fiscalização não foi desmedida, pois a solicitação foi realizada no prazo estabelecido na legislação. A AuditoraFiscal agiu de acordo com a norma aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, uma vez que sua atividade é vinculada. Quanto ao argumento de que apresentou documentos semelhantes, entendo que essa questão já restou afastada pela autoridade julgadora de primeira instância, o qual transcrevo, A empresa declarou que apresentou à Fiscalização um relatório detalhado contendo as informações referentes aos Conhecimentos de Transporte emitidos em 2004 e pretendia que tal documentação, por possuir a mesma finalidade que teriam os documentos ora exigidos fosse acatada em substituição à exigência fiscal, já que as informações contidas no referido relatório são as necessárias para dar seguimento ao processo fiscalizatório. Entretanto, a pretensão da empresa não se aplica à situação verificada nesses autos, por inexistir determinação legal nesse sentido, fazendose necessária a apresentação dos documentos hábeis a comprovar os fatos contábeis relacionados. A contabilidade é amparada em documentos que comprovem ou evidenciem fatos e a prática de atos administrativos (alínea "e" do item 2.1.2 da Norma Brasileira de Contabilidade NBC T2), e documento contábil, estritosenso, é aquele que comprova os atos e fatos que originaram lançamentos na escrituração contábil da entidade (item 2.2.1.1 da NBC T2.2). A falta de documentação adequada e idônea que dê suporte aos fatos ofende o princípio contábil da Legitimidade dos Registros, ficando, assim, em dúvida a veracidade das operações contábeis da impugnante. Quando não são apresentados os documentos originais contendo valores de "Fretes combinados com carreteiros durante o mês", obviamente fica dificultada a apuração exata do montante de possíveis contribuições previdenciárias devidas, em prejuízo para otrabalho de fiscalização, ficando dificultada também a verificação da regularidade da situação dos diversos segurados a serviço da empresa em relação à Previdência Social. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela Fl. 97DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.010717/200821 Acórdão n.º 240102.031 S2C4T1 Fl. 95 7 previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Quanto à argumentação da recorrente de que a multa aplicada possui valor exacerbado, tendo a autoridade fiscal aplicado penalidade de forma mais gravosa, também não lhe confiro razão. O Auto de Infração ao ser aplicado no presente caso, não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. Nesta última hipótese, o infrator não pagará nenhum valor, desde que cumpridas as disposições legais Nesse sentido, dispõe o art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. § 2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. § 3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificamse pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas em prol da Previdência Social. Quanto aos valores da multa aplicada, onde questiona o recorrente serem indevidos, ressaltese: Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Fl. 98DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Portanto, conforme dispôs a Lei n° 8.212/91, artigos 92 e 102 e seu decreto regulamentador acima descrito, a Portaria Interministerial MPSMF n. 77 de 11/03/2008 reajustou os valores da multa: Conforme descrito pela autoridade julgadora de primeira instância podese verificar a correção da penalidade aplicada que tomou o valor mínimo atualizado (R$ 1.254,89). Assim, o valor da multa aplicada obedece estritamente os ditames legais, não havendo em se falar desobediência aos princípios constitucionais, posto inclusive a possibilidade de relevação. Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. Desse modo, a autuação deve persistir. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 99DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13811.000503/2003-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
Ementa:
Somente são passiveis de compensação créditos que tenham sido declarados em DCOMP vinculandoos aos débitos declarados, não assistindo direito à contribuinte requerer a compensação dos débitos com suposto créditos que não constavam anteriormente nas DCOMP apresentadas.
Numero da decisão: 1202-000.583
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, rejeitar a proposta de converter o julgamento em diligência.Vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Gilberto Baptista e Geraldo Valentim Neto. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, rejeitar a proposta de converter o julgamento em diligência.Vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Gilberto Baptista e Geraldo Valentim Neto. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Geraldo Valentim Neto, Eduardo Monteiro Neiva Neto, Gilberto Baptista. Fl. 793DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /10/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 13811.000503/200333 Acórdão n.º 1202000.583 S1C2T2 Fl. 2 2 Relatório Trata o presente de Declaração de Compensação de Saldo Negativo de Imposto de Renda com débitos referentes ao PIS e a COFINS do período de apuração 01/2003, contudo as fls. 01 observase que fora preenchido o campo “3” – Crédito Utilizado, como pagamento a maior ou indevido. Em despacho decisório as fls. 43 houve a não homologação da compensação, com o fundamento de que o valor original informado na Declaração de Compensação seria decorrente de pagamento maior ou indevido, e, diante das características do DARF de fls. 03, discriminado na Declaração de Compensação foi localizado pagamento realizado e integralmente utilizado para a quitação de débito do contribuinte, nos autos do processo administrativo nº 13811.000503/200333, não restando assim, crédito disponível para a compensação dos débitos informados na Declaração de Compensação vinculados ao referido processo. No mesmo sentido, não haveria crédito disponível para compensar os débitos informados nas Declarações de Compensação nos 19198.77842.250906.1.7.046681 e 17812.25146.250906.1.7.043730, que apesar de não vinculadas ao presente processo possuem a mesma origem do crédito neste pleiteado, conforme pesquisa de fls. 30 e extratos de fls. 31/40. Não se conformando com a referida decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve por parte da contribuinte um equivoco formal ao formular declaração de compensação, assinalando no campo “3. Crédito Utilizado”, como origem a rubrica “pagamento a maior ou indevido”. Tal equívoco não prejudicaria a existência de outro crédito que possuiria, e que poderia ser utilizado para a compensação. Alega, que na verdade deveria ter assinalado a rubrica “Saldo Negativo de IRPJ”, pois diante dos dados constantes em sua DIPJ 2003, constatase à página 11 da ficha 12 A, linha 18, saldo negativo de IRPJ. Deste saldo negativo já teriam havido duas compensações, porém restaria ainda saldo passível de utilização na presente Declaração de Compensação, conforme o DARF anexado ao pedido. De tal sorte, requereu que, diante de seu equivoco em não considerar no seu pedido de Compensação o seu crédito pelo saldo negativo de IRPJ, fosse reapreciado o pedido para que fosse homologado, reconhecendose em favor da contribuinte saldo credor a título de IRPJ, nos termos do art. 73 da Lei 9.430/96, vez que ausentes as hipóteses de vedação do §3º do art. 74. Diante das razões apresentadas a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I, proferiu a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Fl. 794DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /10/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 13811.000503/200333 Acórdão n.º 1202000.583 S1C2T2 Fl. 3 3 Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO Somente são passiveis de compensação créditos que tenham sido declarados em DCOMP vinculandoos aos débitos declarados, não assistindo direito à contribuinte em Manifestação de Inconformidade exigir a compensação dos débitos com suposto créditos que não constavam anteriormente nas DCOMP apresentadas. Compensação não Homologada Tal decisão teve por fundamento, o fato de o Despacho Decisório se restringir ao exame do crédito indicado pela contribuinte, levando em consideração as argumentações trazidas na inicial, não sendo examinados pedidos adicionais de créditos não anteriormente solicitados. Entendeu por não haver qualquer correção a ser feita a respeito do suposto saldo credor do anocalendário 2002, somente apurado em setembro de 2006, ao apresentar nova DIPJ, não cabendo naquele momento processual a alteração do que fora declarado anteriormente. Diante disto, indeferiuse qualquer alteração a destempo requerida pela contribuinte, restringindose a lide ao que foi declarado na DECOMP, apresentada até a data do despacho decisório. Como os créditos apontados em sede de impugnação não apresentados através de DCOMP retificadora anterior ao despacho decisório, não poderia mais ser aproveitado no presente processo administrativo Destaca que a contribuinte também não poderá apresentar nova DCOMP relacionando os mesmos débitos do presente processo administrativo diante do disposto no inciso V do §3º da Instrução Normativa nº 900/2008, que regulamentou os artigos 73 e 74 da lei nº 9.430/96. Rejeitou, por fim, a requisição da contribuinte de analisar a Manifestação de Inconformidade em conjunto com os processos administrativos n°13811.000375/200328 e 13811.000184/200366, pois somente seriam analisados em conjunto, processos que tenham a mesma origem de crédito declarada na DCOMP. A contribuinte inconformada com a decisão proferida pela Autoridade Julgadora a quo, apresentou tempestivamente (fls. 392) Recurso Voluntário a este Conselho. Em sede de Recurso Voluntário a contribuinte informa que formalizou na data de 13/02/2003 declaração de compensação de Saldo Negativo de Imposto de Renda com débitos de PIS e COFINS do período de apuração 01/2003, nos valores de R$ 176.057,66 e R$ 421.630,45, respectivamente, sendo que apontou como lastro do seu crédito (saldo negativo do IRPJ) o DARF do recolhimento do IRPJ calculado pela estimativa, referente ao mês de 07/2002, promovendo ainda a juntada da DCTF e DARF. Fl. 795DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /10/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 13811.000503/200333 Acórdão n.º 1202000.583 S1C2T2 Fl. 4 4 Quanto ao mérito, inicialmente aponta a existência de crédito passível de restituição, a desinfluência da imprecisão na indicação da origem do crédito e a prevalência da verdade material e da instrumentalidade do processo. Neste tópico, reitera ter havido imprecisão na indicação da origem do crédito, posto que indicou pagamento indevido quando deveria ter assinalado saldo negativo de IRPJ, mas que esta desarmonia não compromete seu direito incontrastável ao crédito decorrente de antecipações do IRPJ no anocalendário de 2002. Reitera ter promovido recolhimento a maior do IRPJ no anocalendário de 2002, devidamente demonstrado tanto na DIPJ original, quanto na retificadora. Esclarece que o valor indicado como crédito consiste no recolhimento de que compôs saldo negativo do ano calendário de 2002. Aduz que o fato de ter indicado em 13/02/2003 um DARF da estimativa IRPJ do mês de 07/2002 seria suficiente para demonstrar que se tratava de saldo negativo de IRPJ, o que se torna evidente por ter a compensação sido procedida após a apuração do saldo devedor de IRPJ. Sustenta que a decisão recorrida deixou de observar a verdade material, se atendo a um “singelo desalinho” quanto a indicação da origem do crédito para negar o direito da contribuinte. Desta feita, expõem que em homenagem aos princípios constitucionais da eficiência e da boafé a Administração e a DRJ deveriam ter convertido o julgamento em diligência com vistas à busca da verdade material. Anexa demonstrativos contábeis comprobatórios de que a compensação utilizou o crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ, na forma autorizada pela IN 210/2002, atual IN 900/2008. Dando suporte ao seu entendimento de que a verdade material deve prevalecer se socorre de doutrina, bem como de jurisprudência deste Conselho. Em um segundo momento alega equivoco na decisão recorrida por ter esta sustentado que o saldo negativo teria sido descoberto apenas em 2006. Aponta que de um exame de sua DIPJ verificase que tal afirmação não seria verdadeira, posto que na página 11, ficha 12, linha 18 da DIPJ transmitida em 24/06/2003 consta valor de R$ 8.602.686,39, e na DIPJ retificadora, transmitida em 22/09/2006, o saldo fora ajustado para R$ 8.602.235,02. Ao final, por entender ter utilizado efetivamente o saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2002 e que o “singelo desalinho” no preenchimento da Declaração de Compensação não pode implicar na denegação do direito de compensar legítimo crédito decorrente da antecipação do saldo negativo de IRPJ, anocalendário 2002, na forma autorizada em Instrução Normativa, em consonância com o princípio da verdade material e da instrumentalidade do processo. Requer sejam acolhidas suas razões para que seja reformada a decisão combatida, sendo reconhecido o direito à compensação promovida. Fl. 796DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /10/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 13811.000503/200333 Acórdão n.º 1202000.583 S1C2T2 Fl. 5 5 Por fim, requer diante do principio da eventualidade seja anulada a decisão combatida e remetidos os autos para instância a quo para que aprecie as questões abordadas determinando as diligência cabíveis e proferindose nova decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno O recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Inicialmente, a contribuinte sustenta a imprecisão na indicação da origem do crédito, tendo indicado pagamento indevido quando o correto seria saldo negativo de IRPJ. Contudo entende que tal erro não compromete seu direito ao crédito, decorrente de antecipações de IRPJ no anocalendário de 2002. Em que pese o esforço em demonstrar seu direito creditório, sempre com vistas a concretização do princípio da busca da verdade material, inclusive carreando julgados deste Conselho, no presente caso há obstáculo invencível para o provimento de sua pretensão. Isto porquanto o Despacho Decisório se restrinja a apreciação do crédito indicado no pedido de restituição ou compensação, atendose ao que consta da inicial, permitindose sua retificação, desde que anterior a apreciação. Há prazo legal para que a retificação do pedido seja efetuada, o que não observou a contribuinte. As alterações efetuadas extemporaneamente requeridas pela contribuinte devem ser indeferidas. Isto em razão de o presente processo limitarse aquilo que fora declarado no pedido de compensação, apresentado até a data da decisão proferida, ou seja, do Despacho Decisório. Bem se vê no referido despacho que o DARF apresentado como pago a maior ou indevidamente fora utilizado pela contribuinte para a quitação de débitos no anocalendário de 2002, não restando crédito a ser compensado. Destaquese que até a data do Despacho Decisório a contribuinte restou inerte, sem buscar retificar seu pedido, o que impõe obstáculo a apreciação neste momento de seu suposto direito creditório. Esse é o comando dos artigos 57, 58 e 59, da Instrução Normativa nº. 600/05: Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no Fl. 797DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /10/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 13811.000503/200333 Acórdão n.º 1202000.583 S1C2T2 Fl. 6 6 que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 59. Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. (grifei) É de se destacar que essa matéria já encontravase pacificada no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, de acordo com os Acórdãos números 10809.604, sessão de 17/04/2008 e nº 10517.130, sessão de 13/08/2008, cuja ementa abaixo se transcreve, dentre outros: DCOMP RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO À COMPENSAÇÃO DESCABIMENTO – É inadmissível a retificação de DCOMP para alterar o exercício de apuração do saldo negativo de IRPJ informado, quando a declaração retificadora é apresentada posteriormente à ciência da decisão administrativa que negou homologação à compensação originalmente declarada. Quanto a arguição de que a decisão recorrido resta equivocada quanto ao argumento de que o crédito de saldo negativo teria sido descoberto apenas em 2006, é irrelevante para apreciação da matéria de fundo, como já demonstrado. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 798DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /10/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 13811.000503/200333 Acórdão n.º 1202000.583 S1C2T2 Fl. 7 7 Fl. 799DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /10/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O
score : 1.0
Numero do processo: 14033.001006/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Quando a Fiscalização demonstra claramente os motivos que a levaram a
concluir pela improcedência de valores objeto de pedido de ressarcimento,
cuja documentação que embasou a conclusão (notas fiscais e livros fiscais)
está em poder do contribuinte, não há que se falar em cerceamento do direito
de defesa ou nulidade do ato administrativo.
JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE
INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a
constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes
Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação.
GLOSA DE CRÉDITOS. PERIFÉRICOS DE COMPUTADORES.
Não gera direito a crédito a aquisição de bens e equipamentos periféricos de
computadores, pois a este não se integram no processo de industrialização,
não sendo, portanto, matérias primas, produtos intermediários ou materiais de
embalagem.
RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES.
Por expressa determinação legal, as aquisições de produtos de empresas
optantes pelo Simples não ensejarão, aos adquirentes, direito a escrituração
ou a fruição de créditos do IPI.
AQUISIÇÃO DE COMERCIAL VAREJISTA. CRÉDITOS.
Inexiste previsão legal para fruição de créditos de IPI nas aquisições de
produtos de estabelecimento comercial varejista.
PRODUTO NÃO INCLUÍDO EM PORTARIA CONCESSIVA DE
BENEFÍCIO FISCAL. Restando provado que não há portaria concessiva da isenção do IPI para os
produtos saídos sem o lançamento do imposto, é procedente a glosa no
crédito pleiteado.
IMPORTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SAÍDA DOS
PRODUTOS. INCIDÊNCIA DO IPI.
A empresa que importar produtos tributados é equiparada a industrial e é
contribuinte do IPI, devendo destacar o imposto na saída dos produtos do
estabelecimento, independente de haver ou não qualquer processo de
industrialização.
LOCAÇÃO. FATO GERADOR DO IPI.
A primeira saída do produto. do estabelecimento equiparado a industrial a
título de locação caracteriza a ocorrência do fato gerador do IPI, nos termos
dos artigos 34, inciso II, e 37, inciso II, letra "a", do RIPI/2002, aprovado
pelo Decreto n° 4.544, de 2002.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.278
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Quando a Fiscalização demonstra claramente os motivos que a levaram a concluir pela improcedência de valores objeto de pedido de ressarcimento, cuja documentação que embasou a conclusão (notas fiscais e livros fiscais) está em poder do contribuinte, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa ou nulidade do ato administrativo. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação. GLOSA DE CRÉDITOS. PERIFÉRICOS DE COMPUTADORES. Não gera direito a crédito a aquisição de bens e equipamentos periféricos de computadores, pois a este não se integram no processo de industrialização, não sendo, portanto, matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES. Por expressa determinação legal, as aquisições de produtos de empresas optantes pelo Simples não ensejarão, aos adquirentes, direito a escrituração ou a fruição de créditos do IPI. AQUISIÇÃO DE COMERCIAL VAREJISTA. CRÉDITOS. Inexiste previsão legal para fruição de créditos de IPI nas aquisições de produtos de estabelecimento comercial varejista. PRODUTO NÃO INCLUÍDO EM PORTARIA CONCESSIVA DE BENEFÍCIO FISCAL. Restando provado que não há portaria concessiva da isenção do IPI para os produtos saídos sem o lançamento do imposto, é procedente a glosa no crédito pleiteado. IMPORTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SAÍDA DOS PRODUTOS. INCIDÊNCIA DO IPI. A empresa que importar produtos tributados é equiparada a industrial e é contribuinte do IPI, devendo destacar o imposto na saída dos produtos do estabelecimento, independente de haver ou não qualquer processo de industrialização. LOCAÇÃO. FATO GERADOR DO IPI. A primeira saída do produto. do estabelecimento equiparado a industrial a título de locação caracteriza a ocorrência do fato gerador do IPI, nos termos dos artigos 34, inciso II, e 37, inciso II, letra "a", do RIPI/2002, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 2002. Recurso Voluntário Negado
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CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Quando a Fiscalização demonstra claramente os motivos que a levaram a concluir pela improcedência de valores objeto de pedido de ressarcimento, cuja documentação que embasou a conclusão (notas fiscais e livros fiscais) está em poder do contribuinte, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa ou nulidade do ato administrativo. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação. GLOSA DE CRÉDITOS. PERIFÉRICOS DE COMPUTADORES. Não gera direito a crédito a aquisição de bens e equipamentos periféricos de computadores, pois a este não se integram no processo de industrialização, não sendo, portanto, matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES. Por expressa determinação legal, as aquisições de produtos de empresas optantes pelo Simples não ensejarão, aos adquirentes, direito a escrituração ou a fruição de créditos do IPI. AQUISIÇÃO DE COMERCIAL VAREJISTA. CRÉDITOS. Inexiste previsão legal para fruição de créditos de IPI nas aquisições de produtos de estabelecimento comercial varejista. PRODUTO NÃO INCLUÍDO EM PORTARIA CONCESSIVA DE BENEFÍCIO FISCAL. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Restando provado que não há portaria concessiva da isenção do IPI para os produtos saídos sem o lançamento do imposto, é procedente a glosa no crédito pleiteado. IMPORTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SAÍDA DOS PRODUTOS. INCIDÊNCIA DO IPI. A empresa que importar produtos tributados é equiparada a industrial e é contribuinte do IPI, devendo destacar o imposto na saída dos produtos do estabelecimento, independente de haver ou não qualquer processo de industrialização. LOCAÇÃO. FATO GERADOR DO IPI. A primeira saída do produto. do estabelecimento equiparado a industrial a título de locação caracteriza a ocorrência do fato gerador do IPI, nos termos dos artigos 34, inciso II, e 37, inciso II, letra "a", do RIPI/2002, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 2002. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 14/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Alexandre Gomes. Ausente, justificadamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) transmitido pela NOVADATA SISTEMAS E COMPUTADORES LTDA., para aproveitamento de créditos do IPI, oriundos de aquisição de insumos utilizados na fabricação de bens de informática, relativo ao 3° trimestre de 2005. Nos termos do Despacho Decisório de fls. 221/223, a DRF em Ilhéus BA deferiu parcialmente o pedido da recorrente em face da constatação das seguintes irregularidades: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14033.001006/200714 Acórdão n.º 330201.278 S3C3T2 Fl. 329 3 (i) aproveitamento indevido de créditos referentes a bens que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem (teclados, mouse, monitores, microfones com pedestal, mouse pad, CDR, caixas acústicas, transformadores, cadeados, estabilizadores de tensão, suporte de fixação vertical, etc.); (ii) aproveitamento indevido de créditos de compras oriundas de optantes pelo SIMPLES; (iii) aproveitamento indevido de créditos de compras oriundas de comércio varejista nãocontribuinte do IPI; (iv) notas fiscais de saída escrituradas com IPI nulo Isenção; (v) notas: fiscais de saída escrituradas com IPI nulo revenda de mercadorias importadas; e (vi) Notas fiscais de saída escrituradas no livro registro de saída com IPI nulo remessa para locação. Ciente da decisão acima, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade, cujos argumentos estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. A 4a Turma de Julgamento da DRJ em Salvador BA indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1523.283, de 31/03/2010, cuja ementa abaixo transcrevo: NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar as argüições de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de normas regularmente editadas. GLOSA DE CRÉDITOS. Correta a glosa de créditos de produtos que, embora necessários ao pleno funcionamento do equipamento, a ele não se integram, não se constituindo em matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES. As aquisições de produtos de empresas optantes pelo Simples não ensejarão, aos adquirentes, direito a escrituração ou a fruição de créditos do imposto. AQUISIÇÃO DE COMERCIAL VAREJISTA. CRÉDITOS. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Inexiste previsão legal para fruição de créditos de IPI nas aquisições de produtos de estabelecimento comercial varejista. PRODUTO NÃO INCLUÍDO EM PORTARIA CONCESSIVA DE BENEFÍCIO FISCAL. Restando provado que não há, no período autuado, portaria concessiva da isenção do IPI para os produtos objeto da autuação, é procedente o lançamento do crédito tributário decorrente da indevida utilização do benefício. IMPORTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SAÍDA DOS PRODUTOS. INCIDÊNCIA DO IPI. A empresa que importar produtos tributados é equiparada a industrial e é contribuinte do IPI, tanto no desembaraço aduaneiro como na saída destes do estabelecimento, ainda que tais produtos não sejam submetidos a qualquer processo de industrialização. DÉBITOS. Constatada a saída de produtos do estabelecimento industrial sem o devido destaque do imposto deve ser lançado o imposto devido na escrita fiscal da contribuinte e apurado o tributo devido por período de apuração considerando o sistema de débitos e créditos do IPI. LOCAÇÃO. FATO GERADOR DO IPI. A primeira saída do produto. do estabelecimento equiparado a industrial a título de locação caracteriza a ocorrência do fato gerador do IPI. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. As provas devem ser produzidas juntamente com a impugnação, exceto nos casos previstos no inciso III, do art. 16, do Decreto n° 70.235, de 1972, situação não demonstrada pela contribuinte. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 16/04/2010, conforme AR de fl. 283v, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 14/05/2010, com o recurso voluntário de fls. 286/324, no qual alega, em apertada síntese, que: 1) preliminarmente, o relatório de diligência fiscal que baseou a decisão ora contestado é nulo de pleno direito, uma vez que não foi acompanhado de nenhum documento probatório das alegações do fisco que comprovassem a glosa de créditos efetuada e a suposta falta de recolhimento do IPI nas saídas destacadas. Deve o CARF reconhecer a nulidade do relatório do despacho decisório e da decisão recorrida; 2) ainda preliminarmente, a administração deve apreciar os argumentos de inconstitucionalidade posto que suscitados para contestar o relatório fiscal; 3) a incorporação de novos componentes ao produto final da impugnante é considerada como industrialização pelo conceito legalmente definido. Para comprovar sua tese cita o § único do art. 46 do CTN e o art. 4° do Decreto n° 4.544/02; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14033.001006/200714 Acórdão n.º 330201.278 S3C3T2 Fl. 330 5 4) a agregação de componentes eletrônicos é forma de industrialização, pois gera um novo produto. Tratase de espécie de montagem, já reconhecida pela jurisprudência administrativa como forma de industrialização; 5) não resta dúvida de que os teclados, mouse, caixas acústicas, transformadores, monitores, microfones com pedestal, cadeados, etc. são, na verdade, insumos adquiridos pela Novadata para a industrialização, na modalidade montagem, dos equipamentos fabricados, que compõem o produto final "computador"; 6) tem direito ao crédito na aquisição de produtos de empresas optantes pelo SIMPLES que, apesar de escrituração diferenciada e unificada de seus impostos, não são desonerados do IPI, o que leva ao fato de que os preços dos produtos adquiridos destas empresas estão com os valores dos tributos neles inseridos. Também nesse aspecto se revela improsperável a pretensão da fiscalização de glosa dos créditos relativos aos insumos adquiridos de comerciantes supostamente varejistas. 7) o auditor deixou de observar a distinção entre modelo e configuração, na verdade os produtos comercializados pela impugnante são os mesmos que constam na relação emitida pelo MCT, divergindo apenas quanto à descrição, sendo que as Portarias descrevem o modelo, mais amplo e genérico, e as notas fiscais descrevem a configuração específica dos aparelhos industrializados; 8) os créditos decorrentes da suposta falta de recolhimento do IPI nas revendas de mercadorias importadas foram estornados pois não se tratavam de matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. Assim, pela não apropriação dos créditos nestas operações, não houve destaque do imposto nas conseqüentes saídas, não havendo o que se falar em falta de recolhimento do IPI; 9) em relação às mercadorias que saíram do estabelecimento da impugnante para locação, também não procedem as alegações fiscais, posto que configuram operações que não estão abrangidas pela hipótese de incidência do IPI. Para configurar incidência do IPI, deve estar atrelada a um negócio jurídico que acarrete em transferência de titularidade, ou seja, uma operação mercantil; 10) as mercadorias importadas incorporaram o ativo permanente da impugnante e sofreram incidência do IPI no desembaraço aduaneiro. Logo, as saídas subseqüentes à primeira, assim considerada a importação, pela equiparação à estabelecimento industrial, fogem do campo de incidência do tributo, pela própria definição do artigo citado; É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e, portanto, dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está postulando o ressarcimento de crédito básico de IPI na aquisição de insumos empregados na fabricação de bens de informática, basicamente computadores. A RFB reconheceu a legitimidade de parte do crédito pleiteado em face das seguintes irregularidades na apropriação de créditos e na saída dos produtos importados ou industrializados: (i) aproveitamento indevido de créditos referentes a bens que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem (teclados, mouse, monitores, microfones com pedestal, mouse pad, CDR, caixas acústicas, transformadores, cadeados, estabilizadores de tensão, suporte de fixação vertical, etc.); (ii) aproveitamento indevido de créditos de compras oriundas de optantes pelo SIMPLES; (iii) aproveitamento indevido de créditos de compras oriundas de comércio varejista nãocontribuinte do IPI; (iv) notas fiscais de saída escrituradas com IPI nulo Isenção; (v) notas: fiscais de saída escrituradas com IPI nulo revenda de mercadorias importadas; e (vi) Notas fiscais de saída escrituradas no livro registro de saída com IPI nulo remessa para locação. Em sua defesa a recorrente alega, preliminarmente, a nulidade do relatório fiscal que embasou a decisão da autoridade da RFB. Entende a recorrente que o referido relatório não estava acompanhado de documentação comprobatório. Também em sede de preliminar entende que deve ser apreciado suas alegações de inconstitucionalidade para anular o referido relatório fiscal. No mérito, defende a regularidade de suas operações pelas razões que anotaremos na apreciação de cada infração. Quanto à preliminar de nulidade do relatório fiscal não assiste razão à recorrente pelas razões constante do acórdão recorrido, ou seja, no referido relatório fiscal está descrito, em pormenores, as infrações apuradas e toda a documentação (livros fiscais e notas fiscais de compra e de venda e as declarações de importação) que amparou o mesmo está em poder a recorrente. Não há que se falar, portanto, em falta de documentação. Relativamente aos argumentos de inconstitucionalidade da legislação tributária, com qualquer finalidade, este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 08/12/2009, decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2o; Emenda Constitucional no 3/1993). Tal decisão resultou na edição da Súmula no 2, abaixo reproduzida, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14033.001006/200714 Acórdão n.º 330201.278 S3C3T2 Fl. 331 7 cuja adoção é obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF1: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ultrapassado as preliminares, passemos ao mérito. Quanto ao mérito, melhor sorte não tem a recorrente. Sobre a impossibilidade do aproveitamento de créditos referentes a bens que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, este Colegiado já se manifestou em outro processo da recorrente (Processo nº 10508.000182/200584 Acórdão nº 330201.117). No processo acima referido, este Conselheiro Relator adotou as razões de decidir do voto do Acórdão nº 380301.473, proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento deste CARF, ao julgar o recurso voluntário constante do Processo nº 10508.001046/200773, também de interesse da Recorrente, cujos fundamentos estão abaixo reproduzidos: Argumenta o Recorrente que os produtos por ele adquiridos, cujos créditos do IPI foram glosados pela Fiscalização, seriam partes integrantes dos equipamentos fabricados pela empresa, que se constituiriam de microcomputadores acompanhados de periféricos, resultantes da industrialização na modalidade montagem. Das cópias de notas fiscais emitidas pelo Recorrente (fls. 216 a 256), é possível constatar que os computadores são vendidos juntamente com outros equipamentos (estabilizadores, impressoras, etc.), algumas vezes discriminados de forma individualizada, demonstrando tratarse de diferentes equipamentos de informática comercializados em conjunto. Durante os procedimentos de fiscalização, a autoridade fiscal detectara que os créditos de IPI escriturados pelo contribuinte se referiam à aquisição de teclados, caixas acústicas, transformadores, impressoras, cartuchos de tinta (toners), estabilizadores de tensão, conversores e balanças eletrônicas. Tais produtos, como é do conhecimento geral, são comercializados, ainda que conjuntamente, enquanto unidades autônomas, não se configurando montagem nos termos previstos na legislação do IPI, pois no Regulamento do Imposto (atual Decreto nº 7.212/2010) prevêse que tal modalidade de industrialização requer que o produto final decorra da reunião de produtos, peças ou partes e que resulte em um novo produto 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 8 ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal. É importante anotar que o entendimento acima coadunase com a Nota 5.D) do Capitulo 84 da Tabela de Incidência do IPI TIPI, aprovada pelo Decreto n° 3.777, de 23 de março de 2001. Portanto, sem reparos a fazer na decisão recorrida, neste particular. Quanto ao aproveitamento de créditos de IPI de compras feitas junto a empresas optantes pelo SIMPLES não tem a administração tributária competência para afastar a vedação contida no art. 5º, §5º, da Lei nº 9.317/96, como bem disse a decisão recorrida. Portanto, à mingua de amparo legal, não prospera o entendimento da recorrente sobre a existência de crédito básico de IPI nas aquisições feita junto a pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES. Também por absoluta falta de amparo legal, como bem disse a decisão recorrida, não merece prosperar os argumentos da recorrente sobre o suposto direito de aproveitar créditos de compras feitas no comércio varejista, estabelecimentos nãocontribuintes do IPI; Com relação a saída, com isenção de IPI, de produtos não habilitados pelo MCT, ficou provado nos autos que os produtos objeto da glosa não constavam nas Portarias MCT/MDIC/MF nºs. 06/2002, 519/2002 e 895/2003. A alegação de erro no preenchimento das notas fiscais não procede porque, além do que disse a decisão recorrida sobre a sua retificação, não há prova indiciária de que os produtos saídos, objeto da glosa, constavam nas referidas portarias. Portanto, correto o procedimento fiscal de não reconhecer a isenção dos referidos produtos. Quanto à tributação dos produtos importados e revendidos pela recorrente não há qualquer sombra de procedência dos argumentos da recorrente. Como bem disse a decisão recorrida, o importador que revende mercadorias importadas é contribuinte do IPI (art. 51, inciso I, do CTN, c/c art. 9º, inciso I, art. 24, incisos I e III, art. 34 e art. 38, todos do RIPI/2002). Portanto, nas saídas de produtos importados deve ser destacado o valor do IPI, o que não fez a recorrente. A primeira saída de produtos (importados ou de fabricação própria, integrante ou não do ativo imobilizado) para locação enseja a ocorrência do fato gerador do IPI e, consequentemente, nasce a obrigação do contribuinte pagar a exação, conforme já disse a decisão recorrida (art. 34, inciso II, e art. 37, inciso II, alínea “a”, ambos do RIPI/2002). Sem razão, portanto, a recorrente quando alega que somente nas saídas a título de venda de produtos de fabricação própria é que ocorre o fato gerador do IPI. Como acima se disse, o fato gerador do IPI é a “saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial” e não a venda, ou a saída a título de venda, de produtos (importados ou de fabricação própria). Não é preciso haver a transferência de propriedade do bem para ocorrer o fato gerador do IPI. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] Fl. 8DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14033.001006/200714 Acórdão n.º 330201.278 S3C3T2 Fl. 332 9 Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11128.001873/2005-32
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 07 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Dec 07 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PIS-IMPORTAÇÃO E COFINS-IMPORTAÇÃO
Fato gerador: 07/12/2004
PIS E COFINS IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO PARA EVITAR A DECADÊNCIA. EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. NÃO APLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO. REGISTRO DA DI. NÃO CONFIGURAÇÃO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE OFÍCIO. ART. 63 DA LEI N° 9.430/96. O registro da Declaração de Importação, nos tributs sujeitos a lançamento por homologação, não configura início de procedimento de ofício. Incidente, assim, o artigo 63 da Lei n° 9.430/96, que obsta a aplicação de multa de ofício na
constituição de crédito tributário destinado a prevenir a decadência.
Numero da decisão: 9303-001.285
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TECONDI TERMINAL PARA CONTÊINERES DA MARGEM DIREITA S.A. ASSUNTO: PISIMPORTAÇÃO E COFINSIMPORTAÇÃO Fato gerador: 07/12/2004 PIS E COFINS IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO PARA EVITAR A DECADÊNCIA. EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. NÃO APLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO. REGISTRO DA DI. NÃO CONFIGURAÇÃO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE OFÍCIO. ART. 63 DA LEI N° 9.430/96. O registro da Declaração de Importação, nos tributs sujeitos a lançamento por homologação, não configura início de procedimento de ofício. Incidente, assim, o artigo 63 da Lei n° 9.430/96, que obsta a aplicação de multa de ofício na constituição de crédito tributário destinado a prevenir a decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 11128.001873/200532 Acórdão n.º 9303001.285 CSRFT3 Fl. 2 2 Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Nayra Bastos Manatta, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, a fim de que seja cassado o acórdão recorrido, proferido por maioria de votos, em razão de contrariedade à legislação tributária, restaurandose o conteúdo da decisão de primeira instância. Temse, à vista do auto de infração constante de fls. 01/07 dos autos, que o contribuinte registrou declaração de importação de dois guindastes, ambos da marca Reach Stacker, em 07/12/2004. A importação deuse sob o regime de admissão temporária, com o pagamento do II e do IPI proporcionalmente ao tempo de permanência dos produtos no país. Tais impostos foram regularmente recolhidos. Contudo, nesse momento não houve o recolhimento do PIS importação e do COFINS importação. Em 27/12/2004, foi apresentada liminar concedida em favor do contribuinte, em sede de mandado de segurança, determinando se a abstenção, por parte da autoridade fiscal, de inclusão na base de cálculo daqueles dois tributos do valor referente ao ICMS; de modo que o importador recolheu o PIS importação e o COFINS importação sem a inclusão do valor do ICMS nas respectivas bases de cálculo. Diante disso, posto que suspensa a exigibilidade por força da liminar, lavrou se o auto de infração para a formalização do crédito tributário referente à diferença das contribuições do PIS e do COFINS, com a inclusão do ICMS em suas bases de cálculo, a fim de se evitar a decadência. Houve, ainda, a imposição de multas de lançamento de ofício (proporcional e isolada) previstas no art. 44, inciso I, da lei n° 9430/96, sobre o valor pago em 28/12/2004, com base no art. 63, §1°, do mesmo diploma legal, tendo em vista que a liminar mencionada foi concedida no curso do despacho aduaneiro de importação; além da cobrança de juros de mora. O contribuinte (164/171) defendeu a tese da inaplicabilidade das referidas multas, tendo em vista que, quando do início do procedimento fiscal de ofício, o crédito tributário já estava suspenso por medida liminar, aplicandose à hipótese o artigo 36 da lei n° 9.430/96. Sustentou que, ainda que se entendesse cabível a aplicação da multa de ofício, não poderia incidir em duplicidade, como multa isolada (75% sobre o valor das quantias recolhidas) aliada à multa proporcional (equivalente a 75% do valor das diferenças questionadas), tendo em vista que apenas uma teria sido a conduta imputada pela autoridade fiscal como ensejadora das sanções, além do fato de que o art. 44 da lei 9.430/96 não prevê a Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 11128.001873/200532 Acórdão n.º 9303001.285 CSRFT3 Fl. 3 3 possibilidade de aplicação de multa em duplicidade. Eventual aplicação de multa somente poderia incidir sobre o valor não recolhido, e não sobre o valores devidamente pagos. Atacou, por outro lado, os juros moratórios impostos no auto de infração, por não ter havido mora de sua parte, em virtude da suspensão da exigibilidade do crédito tributário antes do lançamento de ofício. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento proferiu decisão (fls. 224/230) de procedência da ação fiscal, em relação às contribuições incidentes sobre a importação de bens, e não conheceu da impugnação no que concerne à matéria levada à apreciação do Poder Judiciário. Relativamente à multa, com base no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 18/2004, julgou cabível a sua aplicação, baseandose no fato de que a impetração do mandado de segurança e, pois, a concessão da liminar somente teria ocorrido após já se ter iniciado o procedimento fiscal de ofício, o que teria se dado com o registro da DI e o despacho aduaneiro. Finalmente, fundamentou os juros de mora no art. 61, §3°, da lei n° 9.430/96. Em recurso voluntário, o contribuinte renovou os argumentos já expostos na impugnação (fls. 242/248). O acórdão recorrido (fls. 360/367) deu parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a multa aplicada, sob o entendimento, em síntese, de que o crédito tributário já tinha a sua exigibilidade suspensa por medida liminar quando do início do procedimento fiscal, o qual não se confunde com o registro da DI, que é atividade exclusiva do contribuinte, mas sim com o lançamento ora discutido. O recorrente (fls. 372/376) sustentou que a multa de ofício pode ser aplicada, já que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, por intermédio da concessão da liminar no âmbito do mandado de segurança impetrado pelo contribuinte, somente ocorreu após iniciado o procedimento fiscal, que se deu com o registro da DI e, pois, com o início do despacho aduaneiro. Em contrarazões de recurso especial (fls. 387/391), o contribuinte reiterou os seus argumentos já expendidos no decorrer do processo. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que não houve, na decisão recorrida, unanimidade de votos. A alegada contrariedade da decisão à legislação tributária diz respeito ao art. 63 da lei n° 9430/96, com a redação dada pelo art. 70 da medida provisória n° 215835 de 2001 que prevê: Art. 63. Não caberá lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinado a prevenir a Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 11128.001873/200532 Acórdão n.º 9303001.285 CSRFT3 Fl. 4 4 decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. A liminar que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário foi concedida em 22/12/2004. O registro da declaração de importação deuse em 07/12/2004. Diante desses marcos cronológicos, o recorrente defende que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário ocorreu depois de se ter iniciado o procedimento de ofício. Com efeito, baseandose no art. 7°, inciso III, e §1°, do Decreto n° 70.235/72; e no art. 485 do Decreto n° 4543/2002; o recorrente parte da premissa de que o registro da declaração de importação configura o marco inicial do despacho aduaneiro, e que o começo deste deflagra um procedimento fiscal, excluindo a espontaneidade do sujeito passivo. Destarte, como a concessão da liminar sucedeu ao registro da declaração de importação, resta inaplicável o art. 63 da lei n° 9430/96. Por outro lado, adotouse, no acórdão recorrido, o posicionamento de que “é equivocado o entendimento de que a DI é considerado procedimento de ofício, já que a apresentação da mesma é atividade exclusiva do contribuinte, não havendo nenhum procedimento do fisco em sua elaboração e entrega” (fls. 373 dos autos). Diante desse panorama, verificase que o deslinde do caso deve emergir, sobretudo, da interpretação do que se entende por “início de qualquer procedimento de ofício, ou a ele relativo”, conforme dispõe o art. 63, §1°, da lei 9430/96. Para tanto, impende perquirirse a modalidade de lançamento envolvida na hipótese. No caso em julgamento, constituiuse, para precaverse da decadência do respectivo direito, o crédito tributário relativo às diferenças não recolhidas do PIS e COFINS importação, com a incidência do valor do ICMS nas suas bases de cálculo. Consoante se depreende do auto de infração, o contribuinte registrou a Declaração de Importação no dia 07/12/2004. Em 28/12/2004, recolheu os valores referentes ao COFINS importação e ao PIS/PASEP importação, à proporção do tempo de permanência da mercadoria no Brasil, sem o valor do ICMS nas suas bases de cálculo, com respaldo em liminar concedida no dia 27 do mesmo mês, em sede de Mandado de Segurança. Os tributos em questão, inequivocamente, submetemse ao lançamento por homologação. Nos exatos termos do art. 150, caput, do CTN: “O lançamento por homologação, que ocorre quantos aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 11128.001873/200532 Acórdão n.º 9303001.285 CSRFT3 Fl. 5 5 antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa” O lançamento por homologação diferenciase do lançamento direto ou de ofício, na medida em que neste a iniciativa é da própria autoridade administrativa, quando dispõe de dados suficientes para efetuar a cobrança do tributo, dispensando o auxílio do sujeito passivo. Diante dessa simples distinção de espécies de lançamento tributário, é de se concluir, já numa análise até mesmo superficial, que o contribuinte, ao perpetrar o recolhimento dos tributos em questão, age por conta própria, sem participação da Administração. É ele quem faz a declaração de importação e é ele quem recolhe o tributo. E, diante desse fato, a Administração Tributária dispõe de um prazo para homologar, ou não, expressa ou tacitamente, aquele valor pago pelo contribuinte. A Administração, no lançamento por homologação, por disposição expressa do Código Tributário Nacional, não age de ofício; o ordenamento comete ao sujeito passivo movimentarse, e não o Poder Público. Este não inicia qualquer procedimento de ofício, pois que a ele é trazida a situação a ser apurada, sobre a qual incidirá a homologação ou não. É da essência do agir de ofício a ausência de provocação. A homologação pode ou não ocorrer. Existe a possibilidade de homologação tácita. O lançamento de ofício, por sua vez, não comporta omissão, não é passível de inércia. É o que se infere do art. 142, parágrafo único, do CTN: “Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Devese partir dessas conclusões para se avaliar a tese do recorrente. Particularmente, impõese a análise do art. 7°, inciso III e §1° do Decreto n° 70.235/72. Vejase o seu conteúdo: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Já o art. 485 do Decreto 4.543/02, também suscitado pelo recorrente, tinha o seguinte teor: Art. 485. Temse por iniciado o despacho de importação na data do registro da declaração de importação. Na espécie, devese expor, desde já, que a pretensão do recorrente não merece acolhimento. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 11128.001873/200532 Acórdão n.º 9303001.285 CSRFT3 Fl. 6 6 Realmente, o Decreto 70.235/72, ao determinar o termo inicial do procedimento fiscal e excluir a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos pretéritos, acaba por diminuir consideravelmente a efetividade do artigo 63 da lei n° 9.430/96, transbordando, nesse ponto específico, dos limites inerentes à natureza do Decreto dentro da ordem jurídica brasileira. Tal ato normativo, que rege o procedimento administrativo fiscal, foi editado no ano de 1972, sob a égide da ordem constitucional passada. Não obstante o regime ditatorial que imperava na época, em termos formais, aquele meio normativo cercavase, em linhas gerais, das mesmas características e instrumentalidade existentes hodiernamente. É dizer, regulamentar, fielmente, a lei, sem inovar a ordem jurídica. Com efeito, determina o art. 84, inciso IV, da Constituição Federal de 1988: Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para a sua fiel execução. A Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 01/69, tinha idêntica disposição no seu art. 81, inciso III. Ressaltese, o decreto serve para regulamentar a lei, estritamente dentro da moldura normativa estabelecida pela lei, não podendo inovar, em qualquer aspecto, a ordem jurídica, sob pena de transmudarse, o Presidente da República, em verdadeiro legislador. Tal fato iria frontalmente de encontro ao princípio republicano e ao princípio da separação dos poderes. No caso vertente, o recorrente suscita uma interpretação aparentemente sistemática, utilizandose de um decreto que, além de anterior, não regulamenta a matéria tratada no texto legal (lei 9.430/96), sobre o qual pretendese que aquele incida. Uma interpretação assim deve, por cotejar um decreto com uma lei, também enquadrarse naquilo que a norma constitucional determina. É dizer, não se pode pretender dar uma interpretação a uma lei, valendose de um decreto, cujo resultado consubstancie inovação de conteúdo daquela lei. Uma interpretação que tal poderia, quando muito, dar contornos de regulamentação, num eventual ponto vago da lei; jamais poderia criar, estender o grau de rigor com que o contribuinte é tratado, especialmente em se cuidando de norma legal que lhe assegura importante garantia: não incidência da multa de ofício no caso de constituição de crédito tributário para prevenir a decadência quando a sua exigibilidade já estiver suspensa por medida liminar em mandado de segurança, antes de qualquer procedimento de ofício. Com efeito, a lógica hermenêutica alinhavada pelo recorrente, malgrado guarnecida por uma suposta e até mesmo inteligente sistematicidade, não resta bem sucedida. Cai por terra na medida em que constrói um raciocínio que leva à restrição de uma lei, ato normativo primário, cujo fundamento de validade reside diretamente na Constituição Federal, por um Decreto, ato normativo secundário, que tem como fundamento de validade direto a lei, e apenas indiretamente a Constituição. Ademais, o decreto utilizado, conforme já mencionado, é anterior à lei 9430/96 e não regulamenta a matéria nela versada. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 11128.001873/200532 Acórdão n.º 9303001.285 CSRFT3 Fl. 7 7 Diante dessas considerações, não se pode admitir o registro da declaração de importação por parte do contribuinte como início do procedimento fiscal de ofício. Isto porque as contribuições tratadas nos autos sujeitamse à modalidade de lançamento por homologação, em que a declaração de importação e o recolhimento do tributo se dá por iniciativa do próprio contribuinte, e não do Fisco. Em face do exposto, nego provimento ao recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, a fim de que seja confirmado o afastamento da multa aplicada no auto de infração. Sala das Sessões, em 07 de dezembro de 2010. (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO
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Numero do processo: 13839.000434/2001-98
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES – EXCLUSÃO DÉBITO JUNTO A PFN AUSÊNCIA DA DESCRIMINAÇÃO DO DÉBITO – Não há como subsistir a exclusão do contribuinte do SIMPLES, quando o mesmo não é devidamente cientificado do débito que originou a sua exclusão.
Numero da decisão: 9101-001.072
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional, vencida a Conselheira Viviane Vidal Wagner.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Frutas Atacado e Varejo Ltda ME SIMPLES – EXCLUSÃO DÉBITO JUNTO A PFN AUSÊNCIA DA DESCRIMINAÇÃO DO DÉBITO – Não há como subsistir a exclusão do contribuinte do SIMPLES, quando o mesmo não é devidamente cientificado do débito que originou a sua exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional, vencida a Conselheira Viviane Vidal Wagner. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 116DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.000434/200198 Acórdão n.º 9101001.072 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela D. Procuradora da Fazenda Nacional, contra decisão da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, conforme Acórdão n° 30237.368, assim ementado: SIMPLES. EXCLUSÃO. Quando o contribuinte, no curso do processo, faz prova da quitação do débito apontado no ato declaratório deve ser mantido no regime. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A Procuradora da Fazenda Nacional recorre à instância especial, nos termos do artigo 5°, inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 55, de 16 de março de 1998, e alterações posteriores, que atribui competência à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra decisão não unânime de Câmara de Conselho de Contribuintes, quando for contrária à lei ou à evidência de prova. A Procuradora requer a reforma do acórdão recorrido, alegando contrariedade à legislação tributária, com a argumentação de que a interessada não demonstrou a sua regularidade fiscal junto à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), no momento da exclusão, deixando de afastar a existência das pendências que motivaram o ato de exclusão do SIMPLES. Acrescenta que a teor do art. 9º, XV, da Lei 9.317/96, não pode optar pelo mencionado programa simplificado de tributação a pessoa jurídica que tenha débito inscrito em Divida Ativa da União ou do INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Aduz que o Ato Declaratório de Exclusão expressou a situação da contribuinte no momento de sua expedição e, portanto, plenamente válido e legítimo. Conclui dizendo que não se discute a possibilidade de nova adesão do contribuinte ao SIMPLES , mas como subsiste o argumento de que a contribuinte tinha débitos inscritos em Dívida Ativa da União, quando da edição do Ato Declaratório de Exclusão, o acórdão deve ser reformado, para fazer valer a exclusão determinada pelo referido ato. A Segunda Câmara decidiu que quando o contribuinte, no curso do processo, faz prova da quitação do débito apontado no ato declaratório deve ser mantido no regime. A interessada apresentou contrarrazões, nas quais alega que o débito não poderia ser inscrito na dívida ativa, pois não havia decisão definitiva na esfera administrativa, e assim o desenquadramento do simples teria sido precipitado, e pede a manutenção da decisão por ser questão de justiça. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.000434/200198 Acórdão n.º 9101001.072 CSRFT1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O presente recurso atende os pressupostos legais para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório, a contribuinte foi excluída do Simples mediante expedição do Ato Declaratório n.° 410.096, de 02 de outubro de 2000, motivada por pendências da empresa e/ou sócios junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN. Tendo sido indeferida sua SRS, requereu, em manifestação de inconformidade, a revisão de sua exclusão alegando que os débitos acusados (de IRPJ e de PIS) decorreram de ter cometido erro no preenchimento de declaração de IRPJ, o qual só foi percebido quando da cobrança pela Procuradoria. Disse ter protocolado uma Declaração Retificadora, e juntou requerimento datado de 13/09/2000 endereçado à PGFN. Alegou que a exclusão do Simples foi procedida sem que se aguardasse a decisão final do Processo que corre perante a Procuradoria, onde procurou justificar o débito inscrito como decorrente de erro de preenchimento de Declaração. A Delegacia de Julgamento indeferiu a manifestação de inconformidade, por não ter a interessada provado estar o débito com sua exigibilidade suspensa. O voto condutor assenta que a empresa reconhece a existência da pendência junto à PGFN, e que seu pleito no sentido de aguardar a decisão final no processo relacionado com o débito inscrito na PFN não tem razão de ser, pois, a justificativa para o indeferimento da SRS foi a existência do despacho no Processo n. 13839.001335/9801, que trata da Retificação da Declaração — IRPJ, que propõe a continuidade da cobrança do débito inscrito. A Câmara agora recorrida, antes de proferir a decisão, converteu o julgamento em diligência para que fosse esclarecido se persistem os débitos inscritos em Divida Ativa da União. Em cumprimento, foi informado que os débitos foram incluídos no PAES em 31/07/2003. A 2ª Câmara do terceiro Conselho, por maioria de votos decidiu que: SIMPLES. DÉBITOS PERANTE A PGFN. Quando o contribuinte, no curso do processo, faz prova da quitação do débito apontado no ato declaratório deve ser mantido no regime. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. O voto condutor expressa entendimento de que milita em favor do contribuinte o fato de ele ter diligenciado no curso do processo, no sentido de regularizar a pendência. E que, quando o contribuinte, no curso do processo, faz prova da quitação do débito apontado no Ato Declaratório deve ser mantido no regime. Fl. 118DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.000434/200198 Acórdão n.º 9101001.072 CSRFT1 Fl. 4 4 Esse entendimento, todavia, não encontra respaldo legal. Os artigos 9°, inciso XV, art. 13, inc. II, alínea "a", e 14, inciso I, da Lei nº 9.317/96 dispõem: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XV que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darse á: I por opção. II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art.9º; (...) Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica;” Nos termos do art. 14, inciso I, da Lei nº 9.317/96, a autoridade administrativa deve, obrigatoriamente, excluir do sistema a pessoa jurídica que, tendo incorrido em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9º, não houver comunicado sua exclusão. Por outro lado, por ocasião da exclusão do contribuinte do SIMPLES, não lhe foi informado junto com o ato da exclusão, qual débito que se encontrava pendente de pagamento, o que se impõe a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. É como voto. Sala das Sessões, em 28 de junho de 2011. (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 119DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.000434/200198 Acórdão n.º 9101001.072 CSRFT1 Fl. 5 5 Fl. 120DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI
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