Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10680.918609/2011-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 01/02/2005
DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA.
O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento.
A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN.
Numero da decisão: 3302-005.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo (relator), José Renato P. de Deus, Diego Weis Junior e Raphael M. Abad que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 01/02/2005 DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA. O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.918609/2011-40
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5887649
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.487
nome_arquivo_s : Decisao_10680918609201140.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALKER ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10680918609201140_5887649.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo (relator), José Renato P. de Deus, Diego Weis Junior e Raphael M. Abad que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida - Redator designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
dt_sessao_tdt : Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7375777
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588435972096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1657; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.918609/201140 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.487 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2018 Matéria PEDIDO DE COMPENSAÇÃO PIS/PASEP Recorrente CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 01/02/2005 DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA. O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo (relator), José Renato P. de Deus, Diego Weis Junior e Raphael M. Abad que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 86 09 /2 01 1- 40 Fl. 181DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso fls. 108113: Contra a contribuinte precitada foi emitido o Despacho Decisório à fl. 95, por meio do qual foi parcialmente homologada a compensação efetuada por meio de PER/Dcomp. A homologação parcial foi motivada pela insuficiência do crédito utilizado para compensar integralmente os débitos informados. O crédito utilizado se refere a pagamento indevido ou a maior de PIS, código de receita 6912. A contribuinte declarou que pretende compensar referido crédito com débitos de PIS, código de receita 8109, relativos aos meses de março a maio de 2005. Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: arts. 165 e 170 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN) e art. 74 da Lei n.º 9.430, 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 26/09/2011, fl. 106, em 25/10/2011 a interessada apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 2 a 18, acompanhada dos documentos às fls. 19 a 105, alegando, em síntese, que a administração fazendária incorreu em erro ao considerar a compensação pleiteada por meio da PER/Dcomp nº 31269.23052.281105.1.3.043303, uma vez que o crédito não foi utilizado para quitação do débito nela constante, de modo que essa merece ser cancelada. Aduz que a cobrança de multa de mora é indevida, posto que não houve ausências de recolhimento mas tão somente pagamento em modalidade distinta. Acrescenta que, ainda que assim não fosse, houve denúncia espontânea da infração nos termos do art. 138 do CTN, de modo que o débito merece ser cancelado e transcreve doutrina, jurisprudência e julgados administrativos que entende virem ao encontro de seus argumentos. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 01/02/2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO. A desistência do pedido de compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/Dcomp, o qual somente será deferida caso o pedido de compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento. COMPENSAÇÃO E ACRÉSCIMOS LEGAIS. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10680.918609/201140 Acórdão n.º 3302005.487 S3C3T2 Fl. 3 3 do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Intimada da decisão de piso em 10.09.2012 (fls. 120), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 10.10.2012 (fls.121137), reproduzindo os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Em 30.08.2017, o processo foi convertido em diligência para que fosse juntado aos autos, cópias das DCTF´s transmitidas pela Recorrente relativos aos meses de março a maio de 2005 e eventuais retificações ocorridas em data anterior a entrega da PER/DCOMP nº 26878.75001.031007.1.7046452. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 10.09.2012 (fls.120) e protocolou Recurso Voluntário em 10.10.2012 (fls.121137), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito II.1 O cancelamento do PER/DCOMP nº 31269.23052.281105.1.3.04 3303 Não utilização do Crédito Declarado Revogação Homologação Compensação A Recorrente propugna pela anulação da DCOMP de nº 31269.23052.281105.1.3.043303, com o cancelamento de ofício, por motivo da não utilização do crédito declarado e, a homologação integral da compensação do débito informado PER/DCOMP nº 26878.75001.031007.1.7.046452. Quanto ao pedido de anulação/cancelamento do pedido de compensação realizado pela Recorrente, a DRJ afastou a pretensão do contribuinte, por entender que este procedimento deveria ter sido realizado pela parte interessada e, antes de qualquer manifestação do fisco, sendo, incabível, realizálo de ofício, a saber: Alega a contribuinte que a administração fazendária incorreu em erro ao considerar a compensação pleiteada por meio da PER/Dcomp nº 31269.23052.281105.1.3.043303, uma vez que o crédito não foi utilizado para 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 183DF CARF MF 4 quitação do débito nela constante. Entretanto, dispõe a Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, em seu art. 62, que “a desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF do pedido de cancelamento gerado a partir do Programa PER/Dcomp ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento”. Referido artigo, em seu parágrafo único, determina que o pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Essas regras constam também do art. 82 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, atualmente em vigor. Dessa forma, correta a decisão da administração fazendária em considerar a compensação pleiteada pela contribuinte por meio da PER/Dcomp nº 31269.23052.281105.1.3.043303, uma vez que a contribuinte não cuidou de providenciar o seu cancelamento em tempo hábil, consoante legislação mencionada. Entendo correta a decisão proferida pela DRJ. Isto porque, o Recorrente deveria ter observado os procedimentos necessários para cancelar o pedido de compensação. Ao fisco, cabe unicamente, a análise quanto a existência ou não de crédito para quitação de débitos. No presente caso, se houve homologação parcial do pedido de compensação DCOMP nº 31269.23052.281105.1.3.043303, fato este incontroverso nos autos, temse que o crédito informado pelo contribuinte fora devidamente utilizado para quitação dos débitos lá apurados. Logo, impossível utilizar o mesmo crédito para pagamento de outros débitos. Neste cenário, entendo que a decisão de piso não merece reforma, razão pela qual a adoto como fundamento de decidir. II.2 Denúncia Espontânea Em síntese apartada, a Recorrente argumenta que houve denúncia espontânea da infração nos termos do art. 138 do CTN, de modo que o débito merece ser cancelado. Pois bem. O art. 161 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN, estatui que o “crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta lei ou em lei tributária.” Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina que os “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso”. Em se tratando de compensação, dispõe o art. 28 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 e o art. 36 da Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008 que “os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10680.918609/201140 Acórdão n.º 3302005.487 S3C3T2 Fl. 4 5 Neste cenário, evidenciase que a exigência de multa de mora quando de recolhimento em atraso consiste na regra geral a ser observada, em obediência aos dispositivos legais citados, sem prejuízo de outros que também a prevêem. Por outro lado, há causa excludente de penalidade prevista no artigo 138, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Em relação a matéria concernente a aplicação denúncia espontânea, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial no nº 1.149.022/SP, realizado sob o regime do recurso repetitivo, disciplinado no art. 543C do Código de Processo Civil (do antigo CPC), já pacificou seu entendimento nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008) 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. Fl. 185DF CARF MF 6 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; Resp 1.149.022; Relator: Ministro Luiz Fux; Data do julgamento: 09.06.2010) Do que se infere da decisão supra citada, é que o benefício da denúncia espontânea será aplicado aos casos em que não houver declaração do débito e, quando o contribuinte realizar o pagamento antes de qualquer procedimento fiscal. A respeito disso, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional lavrou os Pareceres PGFN/CRJ nºs 2.113 e 2.124, de 10 de novembro de 2011, aprovados pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda consoante despachos publicados em 15 de dezembro de 2011, os quais, amparados em pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sobre o tema, admitem, respectivamente, inexistir diferença entre multa moratória e multa punitiva, vez que ambas são excluídas em caso de configuração da denúncia espontânea e que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento fiscal), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Em conseqüência, tais pareceres recomendam sejam autorizadas a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos nas ações judiciais correspondentes, desde que inexista outro fundamento relevante. Assim sendo, em 20 de dezembro de 2011 foram lavrados os Atos Declaratórios PGFN nºs 4 e 8, que declaram que ficam autorizadas a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “com relação às ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da exclusão da multa moratória quando da configuração da denúncia espontânea, ao entendimento de que inexiste diferença entre multa moratória e multa punitiva, nos moldes do art. 138 do Código Tributário Nacional” e “nas ações judiciais que discutam a caracterização da denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente”, nessa ordem. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10680.918609/201140 Acórdão n.º 3302005.487 S3C3T2 Fl. 5 7 Nesse contexto, quanto à exclusão da multa pela denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, inferese que essa somente se aplica, data venia, em circunstâncias bastante específicas, cumprindo verificar ou não a sua ocorrência em cada caso concreto. Compulsandose os autos, verificase que a Recorrente apresentou a Dcomp nº 26878.75001.031007.1.7046452 para compensar os débitos relativos aos meses de março a maio de 2005, com crédito oriundo de pagamento a maior a título de PIS/Pasep nãocumulativo (código de receita 6912) do período de fevereiro de 2005, conforme se verifica na planilha abaixo: PER/DCOMP 26878.75001.031007.1.7.046452 Débito valor multa juros total mar/05 80.441,63 28.146,53 108.588,16 abr/05 239.251,85 80.125,45 319.377,30 mai/05 154.701,35 49.349,74 204.051,09 Consultando as DCTF´s entregues pela Recorrente, carreadas às fls. 161177 constatase que os débitos de PIS, código de receita 8109, do período entre março a maio de 2005, não haviam sido declarados quando foram objeto de pedido de compensação por meio da Dcomp, conforme se verifica na planilha abaixo: Descrição Folhas Período Data da Transmissã o Recibo Declaração Retificada Débito Valor Original 5255 fev/05 06/04/2005 27.18.03.07.6 322 691201 3.578.272,50 691201 2.288.456,91 Retificadora 5658 fev/05 02/10/2008 00.72.19.99.9 055 32.86.17.72.3590 810902 183.123,60 Retificadora 8183 mar/05 02/10/2008 17.94.28.74.2 042 25.44.70.97.2167 810902 80.441,63 Retificadora 168 abr/05 17/05/2006 810902 6.714,96 Retificadora 169 abr/05 02/10/2008 01.55.63.51.5 234 04.71.07.81.3293 810902 245.966,81 Retificadora 174 mai/05 17/05/2006 810902 91.176,71 Retificadora 175 mai/05 02/10/2008 34.27.52.22.9 120 19.84.90.31.8190 810902 276.638,52 Adicionalmente, não há notícia de nenhum procedimento fiscal com relação aos débitos sob análise, o qual, conforme já mencionado, também não haviam sido previamente confessado por meio de DCTF. Assim, considerando que a Recorrente efetuou o pagamento do débito não declarado antes de qualquer procedimento fiscalizatório e, com base no entendimento proferido pelo Ministro Luiz Fux no RESP anteriormente citado, reconheço o benefício da denúncia espontânea, descabendo a exigência de multa de mora em relação aos débitos sob análise. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. É como voto. Fl. 187DF CARF MF 8 (assinado digitalmente) Walker Araujo Voto Vencedor Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Redator designado Com as vênias de praxe, dissinto do entendimento do eminente Relator no sentido de reconhecer o benefício da denúncia espontânea, cancelando a exigência de multa de mora em relação aos débitos exigidos nos meses apontados. Entendo, inclusive, no mesmo sentido de precedentes desta e de outras Turmas, ao final reproduzidos, que o art. 138, da Lei n° 5.172/66, exclui a responsabilidade pela denúncia espontânea, mas, quando acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora. Pagamento. Não compensação como é o caso. Aplicase ao caso, o teor do julgamento do REsp 1.149.022/SP, submetido ao rito dos recursos repetitivos, do art. 543C, do CPC/1973, determinandose que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente; decisão judicial de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09/06/15). PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10680.918609/201140 Acórdão n.º 3302005.487 S3C3T2 Fl. 6 9 Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. SÚMULA STJ nº. 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Aplicando o instituto da denuncia espontânea, à caso concreto semelhante, sob o aspecto da existência de compensação, ao invés de pagamento, o voto vencedor da Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, no Acórdão nº 3302002.772, de 13/11/2014, abaixo transcrito, adotadas suas razões de decidir para o presente processo: "Denúncia Espontânea Fl. 189DF CARF MF 10 O CTN somente excluiu, em seu art. 138, a responsabilidade tributária em razão de denúncia espontânea quando esta for acompanhada do pagamento do tributo devido com os respectivos juros moratórios. O comando do art. 138, do CTN, visa incentivar a regularização fiscal e o incremento da arrecadação, por meio da concessão de incentivo (qual seja, a exclusão da responsabilidade por infração) pelo pagamento de tributos em atraso espontaneamente denunciados. E como a compensação seja aos moldes pretéritos (em que era objeto de pedido e era passível de eventual posterior indeferimento), seja aos moldes atuais (em que é declarada e está sujeita, dentro do prazo de 5 anos, a ser fortuitamente não homologada na forma do art. 74, §1º, da Lei nº 9.430/96) –, trata de forma precária (não definitiva) da extinção do crédito tributário, não goza do benefício conferido por sobredito art. 138. O entendimento acima se afina com a jurisprudência do STJ a respeito desta questão peculiar, conforme patenteia a ementa do acórdão, recentemente publicado no DJE de 26/08/2010, proferido AgRg no Agravo de Instrumento nº 1.303.103/RS, no qual foi Relatora a Exma. Sra. Ministra Eliana Calmon: “TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL DENÚNCIA ESPONTÂNEA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO PRINCIPAL E DOS JUROS DE MORA DEVIDOS NÃO CONFIGURAÇÃO. 1. A configuração da denúncia espontânea pressupõe o pagamento do principal da dívida acompanhado dos juros de mora devidos antes de qualquer procedimento fiscal, o que não ocorreu na espécie, na qual houve mero pedido de compensação. 2. Agravo regimental não provido.” (g.n.) De se ver que a jurisprudência colacionada pela contribuinte em suas peças de defesa atestam como requisitos para a não incidência de multa moratória em face da denúncia espontânea o atendimento de dois requisitos: a existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e a inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A contribuinte não atendeu ao primeiro dos requisitos mencionados. (grifei/sublinhei) No mesmo sentido, o voto condutor do Conselheiro Luiz Roberto Domingo, no Acórdão nº 3101001.631, de 27/03/2014, abaixo transcrito, por unanimidade, entendo não ser cabível a exclusão da penalidade, nos termos do art. 138 do CTN, no casos de mera compensação: "É pacífica a jurisprudência, inclusive com diversos precedentes do E. STJ, no sentido de que é possível ao contribuinte sanar o inadimplemento de crédito tributário, ainda que a destempo, sem que haja aplicação da sanção legal, desde que mediante PAGAMENTO. Está assim pacificada a jurisprudência no âmbito do STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PRETENSÃO QUE ENCONTRA ÓBICE NA SÚMULA N. 7 DO STJ. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. 1. A revisão da conclusão do acórdão recorrido, no sentido da ausência de direito líquido e certo a ser amparado pelo mandamus, importaria em novo exame do conjunto fáticoprobatório dos autos. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10680.918609/201140 Acórdão n.º 3302005.487 S3C3T2 Fl. 7 11 Precedentes: AgRg no AREsp 144.012/MA, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 15/05/2012; AgRg no AREsp 98.066/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/04/2012; REsp 1206178/DF, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/11/2011; AgRg no Ag 1378589/DF, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 13/09/2011. 2. A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 174.514, Rel. Min. Benedito Gonçalves, 1A T, julg. 04/09/2012) Como no presente caso, diferentemente dos demais que foram por mim analisado, a Recorrente realizou a compensação dos débitos liquidados em atraso, conforme se verifica da planilha transcrita no relatório acima, entendo não ser cabível a exclusão da penalidade nos termos do art. 138 do CTN." (grifei) Portanto, no presente caso, inaplicável o instituto da denuncia espontânea, nos termos do art. 138, do CTN, e indevida a exclusão da penalidade da multa de mora. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905740/2008-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
Ementa:
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE.
Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal.
Numero da decisão: 3402-005.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE. Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.905740/2008-67
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5880578
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.360
nome_arquivo_s : Decisao_10980905740200867.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIEGO DINIZ RIBEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10980905740200867_5880578.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7363899
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588440166400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1430; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 463 1 462 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.905740/200867 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.360 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria PIS Recorrente Garagem Moderna Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE. Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 40 /2 00 8- 67 Fl. 463DF CARF MF 2 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados emprego como meu o Relatório desenvolvido por este Tribunal administrativo quando da resolução n. 3402000442 (fls. 153/155), da lavra do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, o qual adoto como meu nos termos abaixo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que a origem de seus créditos tem amparo na Lei 10.485/2002, por se tratar de produtos monofásicos que teriam sido incluídos indevidamente nas bases de cálculo do PIS e da Cofins. A DRJ em Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que as alegações trazidas pela interessada constituem fatos que não foram apreciados pela autoridade originalmente competente, posto que resultam de retificação de DCTF feita somente após a ciência do despacho decisório, além de não ter sido trazida aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado de forma genérica na manifestação de inconformidade. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade, ressaltando que os fundamentos jurídicos que sustentam seu pleito derivam de sua atividade societária, comerciante de autopeças, cuja Lei nº 10.485/2002 reduziu a zero a alíquota a ser aplicada na receita bruta auferida na venda destes produtos. O Recurso Voluntário foi analisado e foi proposta uma resolução para fins de identificar o objeto da sociedade, o valor da receita auferida com a comercialização de produtos relacionados nos anexos I e II da Lei nº 10.485/2002, o valor da base de cálculo tributável e o valor dos recolhimentos efetuados pelo recorrente. O processo retornou da origem acompanhado por várias planilhas, além do contrato social. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba não produziu o termo final de diligência analisando os dados constantes nos documentos acostados aos autos pelo recorrente. (...). 2. Diante deste quadro, o processo foi novamente baixado em diligência por intermédio da resolução acima mencionada, determinado que a unidade preparadora formulasse relatório fiscal com base nos documentos fiscais apresentados pelo contribuinte e, nesse sentido, indicasse a existência ou não de crédito a ser compensado. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10980.905740/200867 Acórdão n.º 3402005.360 S3C4T2 Fl. 464 3 3. Referida diligência foi cumprida, gerando relatório fiscal elaborado pela unidade preparadora, a respeito do qual o contribuinte apresentou manifestação. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O recurso sub judice preenche os pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual passo ao seu conhecimento. I. Do crédito compensado 6. Em suma, o contribuinte apresentou pedido de compensação (DCOMP) alegando que recolheu valores que não eram devidos a título de PIS, ao fundamento que na operação perpetrada haveria incidência monofásica da tributação, nos termos da lei n. 10.485/02. 7. Em sede de diligência fiscal, assim apurou a unidade preparadora: (...). 6. A planilha elaborada por esta fiscalização levou em conta que: 6.1 – A tabela apresentada pelo contribuinte relacionando os produtos que vende, e respectiva classificação TIPI, não abrange todos os produtos que vende, conforme acima já se referiu e exemplificou. 6.2 Há produtos listados pelo contribuinte com cuja classificação TIPI não se concorda, mas que, ainda assim, se enquadram em classificação da TIPI cujo código também se encontra entre os que são beneficiados com a alíquota zero. Outros (pneus e câmaras de ar) que, não relacionados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, ainda assim fazem jus à alíquota zero do PIS, conforme previsto no parágrafo único, art. 5°, daquela mesma Lei. 6.3 Levouse em conta, também, que o contribuinte, tal como consta na trigésima alteração de seu Contrato Social (fls. 134 a 138), Cláusula Terceira, tem por objeto social a exploração do ramo de comércio de peças e acessórios, serviços de manutenção e reparação mecânica de veículos auto motores, locação de automóveis sem condutor (49.3.02/0100), transporte de pessoal e pequenos volumes, e estacionamento para veículos e congêneres. 6.3.1 Ou seja, usando de bomsenso, considerouse que, se o contribuinte faturou uma mercadoria com o nome “borracha”, e esta designação, pura e simples, seja insuficiente para saber do que exatamente se trata, que, ainda assim, deve tratarse de Fl. 465DF CARF MF 4 produto para aplicação em um carro, ou seja, que não se trata de “borracha escolar”, por exemplo, embora também a possa vender. 6.4 O fato de se ter chegado à conclusão que determinado produto não se enquadra entre os listados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, a isso se limita. Não se considerou necessário determinar em que código da TIPI tal produto se enquadra. A decisão se deu por exclusão – se o produto não se enquadra entre os previstos nos referidos Anexos, não é relevante determinar em qual se enquadra. Cabe ao contribuinte, isso sim, em não concordando com tal conclusão, indicar em que código da TIPI, previsto naqueles Anexos I e II, se enquadraria o produto, fazendo sua exata descrição, não se admitindo descrição como, por exemplo, sikaflex (NF n° 10349 – Proc. 10 980.905727/200816), que outra coisa não é que não uma marca de produto, embora por ele se presuma tratarse de produto da linha “selantes e correlatos”, que não é peça para automóvel, e, portanto, também não faz jus à alíquota zero do PIS. 6.5 A planilha abrange todas, e tão somente, as notas fiscais em face das quais o contribuinte identificou produtos contemplados com a alíquota zero, por ele demonstradas na relação, de fls. 141 a 146. Não se faz qualquer observação em relação àquelas sobre as quais não se observou divergência de entendimento quanto ao valor beneficiado pela alíquota zero ou não, só o fazendo em relação àquelas cujo valor não beneficiado com a alíquota zero fosse maior que o encontrado pelo contribuinte, neste caso referindo, na coluna “produtos não beneficiados c/ alíq. 0”, o nome dos produtos cuja classificação TIPI não corresponde a nenhuma daquelas constantes nos Anexos I e II da Lei 10.485/2002, para que o contribuinte, querendo, possa refutar o entendimento desta fiscalização, porém, identificando o produto com a correta nomenclatura, o código TIPI em que o considera enquadrado, bem como a defesa/esclarecimento de assim considerar, tal como já alertado no subitem precedente. 7. Dado o acima exposto, confirmase que o crédito utilizado na compensação em causa neste processo está restrito ao valor de R$ 1.096,62 (item 5 e seus subitens, acima). (...) (grifos nosso). 8. Referida diligência foi conclusiva no sentido de que, diante da análise perpetrada pela unidade preparadora, o contribuinte possuía algum crédito de PIS em razão de um indevido pagamento em operações ora sujeitas à monofasia ora subordinadas à alíquota zero, o que redundou em parte do crédito utilizado na presente compensação e glosado pela fiscalização. 9. Logo, há que se reconhecer como válido parte do crédito tomado pelo contribuinte, nos exatos termos em que constatado no sobredito relatório fiscal. Dispositivo Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10980.905740/200867 Acórdão n.º 3402005.360 S3C4T2 Fl. 465 5 10. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, de modo a reconhecer o crédito pleiteado pelo contribuinte no montante de R$ 1.096,62, nos exatos termos do relatório fiscal elaborado pela unidade preparadora. 11. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 467DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.907409/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1201-002.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Barbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10840.907409/2009-67
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894418
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.218
nome_arquivo_s : Decisao_10840907409200967.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10840907409200967_5894418.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Barbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima.
dt_sessao_tdt : Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7403279
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588442263552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1360; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.907409/200967 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1201002.218 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de junho de 2018 Matéria PER DCOMP IRPJ Recorrente CENTRO AVANÇADO EM ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA S/C LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Barbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 74 09 /2 00 9- 67 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10840.907409/200967 Acórdão n.º 1201002.218 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração(ões) de Compensação PER/DComp, em que o contribuinte requer o crédito de pagamento indevido ou a maior 2089 IRPJ Lucro Presumido, para a compensação de débitos. 2. O Despacho Decisório não homologou a compensação declarada porque identificou que o pagamento efetuado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. 3. O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, em relação à qual a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP DRJ/RPO emitiu Acórdão, considerandoa improcedente, nos seguintes termos: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: (...) DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. 4. Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivo recurso voluntário resumido a seguir. 5. Alega que identificou, depois de ter entregado a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, que os valores que havia confessado e pago via DARF eram indevidos; por isso apresentou a PEr/Dcomp requerendo o crédito para fins de compensação; e que a RFB interpretou incorretamente, dado que apresentou DCTF retificadora, conforme anexa ao processo; afirma que o Despacho Decisório tomou por base a DCTF original e não considerou a retificadora. 6. Discorda que não tenha apresentado documentação comprobatória suficiente de que os recolhimentos foram indevidos; afirma anexar documentos que comprovam a alegação. 7. É o relatório. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10840.907409/200967 Acórdão n.º 1201002.218 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.210, de 11/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.906603/2009 25, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.210): "1 Paradigma de lote. 7. A interessada informou na DIPJ, o código da atividade 85.138/01 atividades de clínica médica (clínicas, consultórios e ambulatórios); o objeto social é "Serviços Médicos de ortopedia e traumatologia, bem como pronto socorro"; declarou o IRPJ pelo regime do Lucro Presumido, apurado mediante o percentual de 8% sobre a Receita Bruta. 8. Este processo foi distribuído à Relatora, visando que sua análise e conclusões sirvam como paradigma para os Acórdãos a serem proferidos nos demais processos do lote, cuja composição consta da tabela na sequência deste voto. 9. Verificouse que tanto os despachos decisórios como os Acórdãos DRJ dos processos que compõem este lote são de teor idêntico. 10. A DRJ/RPO, explicou a necessidade de a interessada apresentar provas de que efetuou recolhimentos a maior: Vale ressaltar que as informações prestadas à RFB por meio de declarações previstas na legislação (DCTF, DIPJ ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo artigo 16, inciso III, do Decreto n.° 70.235/72 (PAF). Assim, uma vez constatada incongruência entre informações prestadas em diferentes declarações, ou entre informações prestadas em declarações originais e retificadores, cabe ao contribuinte trazer aos autos os elementos probatórios hábeis a evidenciar a realidade dos fatos. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10840.907409/200967 Acórdão n.º 1201002.218 S1C2T1 Fl. 5 4 No presente caso, consta do despacho decisório recorrido que o pagamento indicado pela postulante em PER/DCOMP foi integralmente exaurido por vinculação, em DCTF, a débito de igual valor, não restando qualquer saldo compensável. A interessada, por seu turno, sustenta que o valor do imposto devido seria inferior ao valor do débito (e respectivo pagamento) informado em DCTF. A diferença resultaria saldo a restituir/compensar. Ante tal situação, caberia à própria contribuinte fazer prova do suposto crédito decorrente de recolhimento a maior. Todavia, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou documentos hábeis à comprovação do alegado direito. Com efeito, não foram juntados aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar o quantum e a composição da base de cálculo do imposto no período em questão, os critérios adotados para aplicação, sobre a receita bruta mensal, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a apuração do imposto devido e eventuais deduções. A ausência de tais elementos, nos autos, impossibilita exame da apuração do imposto na contabilidade da interessada; e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. 11. Os dados dos processos que compõem o lote, com os respectivos documentos são os apresentados na tabela a seguir: DIPJ retif nº processo crédito PA dta arrec Darf pago Crédito requer data ciê DD data DIPJ retif Receita Bruta IRPJ a pagar 10840.907398/200915 03/2001 30/04/2001 3.725,11 1.099,66 26/06/2009 06/07/2005 290.538,25 764,28 10840.907603/200925 3.725,11 26/06/2009 10840.907129/200959 06/2001 31/07/2001 4.013,55 337,81 26/06/2009 06/07/2005 301.734,50 857,04 10840.907399/200960 3.675,74 26/06/2009 10840.907130/200983 09/2001 31/10/2001 4.109,02 152,23 26/06/2009 06/07/2005 280.798,50 805,71 10840.907131/200928 12/2001 31/01/2002 5.291,18 1.921,13 26/06/2009 06/07/2005 274.914,51 813,00 10840.907132/200972 03/2002 30/04/2002 4.262,97 709,99 26/06/2009 06/07/2005 128.981,22 380,35 10840.907133/200917 06/2002 31/07/2002 5.026,96 829,26 26/06/2009 06/07/2005 151.694,50 434,05 10840.907409/200967 1.006,67 26/06/2006 10840.907410/200991 2.030,70 26/06/2009 10840.907411/200936 1.092,13 26/06/2009 10840.907412/200981 68,20 26/06/2009 DCTF retif A B nº processo Data IRPJ a pagar IRPJ a pagar REC Bruta IRPJ a pagar 10840.907398/200915 16/07/2009 não consta 314,50 112.211,52 314,50 10840.907603/200925 10840.907129/200959 16/07/2009 não consta 334,17 120.769,93 334,17 Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10840.907409/200967 Acórdão n.º 1201002.218 S1C2T1 Fl. 6 5 10840.907399/200960 10840.907130/200983 16/07/2009 não consta 347,65 123.796,19 347,65 10840.907131/200928 16/07/2009 não consta 441,20 159.232,99 441,20 10840.907132/200972 14/07/2009 não consta 380,36 128.981,22 380,36 10840.907133/200917 14/07/2009 não consta 434,63 151.694,50 434,63 10840.907409/200967 10840.907410/200991 10840.907411/200936 10840.907412/200981 A Demonstrativo de apuração do IRPJ anexado ao Recurso Voluntário B Demonstr de IRPJ Devido/Recolh/A recuperar anexado c/ Rec Voluntário 12. Da análise dos A Demonstrativo de apuração do IRPJ anexado ao Recurso Voluntário, da DIPJ e dos dados supra, verificase: a. A interessada apresentou DIPJs dos anoscalendário 2001 e 2002, retificadoras, em 06/07/2005; os Despachos Decisórios lhe foram cientificados em 26/06/2009; a entrega da DCTF retificadora foi posterior, em 14 e 16/07/2009, não espontânea; b. Os "A Demonstrativo de apuração do IRPJ" dos trimestres do ano 2001, apresentam valores de Receita Bruta e Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF divergentes dos da DIPJ; os referentes aos 1º e 2º trim/2002, são coincidentes; c. em todos os trimestres, a apuração do IRPJ a pagar negativo resultou da dedução de IRRF; d. apesar da explicação da DRJ, da necessidade de documentos comprobatórios, o contribuinte não apresentou os Comprovantes de Rendimentos Pagos e de retenção de IR na fonte, que as fontes pagadoras lhe teriam fornecido e que comprovariam os valores de IRRF deduzidos nas apurações retificadoras; e. em todos os trimestres em análise, a soma dos valores de créditos requeridos nas PER/Dcomp supera o SN de IRPJ que informou; por exemplo, tomandose o 2º trim/2002 (06/2002), temse que o Darf cód 2089 IRPJ Lucro Presumido, recolhido em 31/07/2002, totalizou R$5.026,96; o SN IRPJ constante tanto da DIPJ como dos "A Demonstrativo de apuração do IRPJ", foi R$()434,63, e a soma dos créditos requeridos nas PER/Dcomp foi R$5.026,96, ou seja, a totalidade do recolhimento. Conclusão. Voto por NEGAR PROVIMENTO, ao Recurso Voluntário." Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10840.907409/200967 Acórdão n.º 1201002.218 S1C2T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.005157/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 15/04/2005
PROVAS. INQUÉRITO. COMPARTILHAMENTO. DECISÃO JUDICIAL.
As provas coletadas no âmbito do inquérito policial, que foram compartilhadas com a Receita Federal por expressa ordem do Poder Judiciário, podem e devem ser usadas para instruir as exigências fiscais. A legitimidade do uso dessas provas não pode ser questionada administrativamente enquanto vigente a referida ordem judicial de compartilhamento de provas.
DECADÊNCIA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. NORMA ESPECIAL.
A decadência do direito de impor penalidades em matéria aduaneira é regida por normas especiais, cujos mandamentos dispõem que o prazo é de cinco anos a contar da data da infração.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3302-005.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência quanto às penalidades impostas na forma de multas aduaneiras isoladas.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 15/04/2005 PROVAS. INQUÉRITO. COMPARTILHAMENTO. DECISÃO JUDICIAL. As provas coletadas no âmbito do inquérito policial, que foram compartilhadas com a Receita Federal por expressa ordem do Poder Judiciário, podem e devem ser usadas para instruir as exigências fiscais. A legitimidade do uso dessas provas não pode ser questionada administrativamente enquanto vigente a referida ordem judicial de compartilhamento de provas. DECADÊNCIA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. NORMA ESPECIAL. A decadência do direito de impor penalidades em matéria aduaneira é regida por normas especiais, cujos mandamentos dispõem que o prazo é de cinco anos a contar da data da infração. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13971.005157/2010-76
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5879226
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.584
nome_arquivo_s : Decisao_13971005157201076.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 13971005157201076_5879226.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência quanto às penalidades impostas na forma de multas aduaneiras isoladas. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7362343
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588499935232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1661; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 487 1 486 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.005157/201076 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.584 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO II Recorrente PLANETA DA INJECAO COM.IMP.EXP. DE PECAS AUTOM. E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 15/04/2005 PROVAS. INQUÉRITO. COMPARTILHAMENTO. DECISÃO JUDICIAL. As provas coletadas no âmbito do inquérito policial, que foram compartilhadas com a Receita Federal por expressa ordem do Poder Judiciário, podem e devem ser usadas para instruir as exigências fiscais. A legitimidade do uso dessas provas não pode ser questionada administrativamente enquanto vigente a referida ordem judicial de compartilhamento de provas. DECADÊNCIA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. NORMA ESPECIAL. A decadência do direito de impor penalidades em matéria aduaneira é regida por normas especiais, cujos mandamentos dispõem que o prazo é de cinco anos a contar da data da infração. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência quanto às penalidades impostas na forma de multas aduaneiras isoladas. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 51 57 /2 01 0- 76 Fl. 487DF CARF MF Processo nº 13971.005157/201076 Acórdão n.º 3302005.584 S3C3T2 Fl. 488 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Versa o presente sobre Autos de Infração (fls.1 153/244), lavrados em 26/11/2010, e cientificados pessoalmente, em 03/12/2010, ao contribuinte BLUMENAU COMERCIO EXTERIOR LTDA (importador constante da DI) e ao responsável solidário PLANETA DA INJEÇÃO COM. IMP. EXP. DE PECAS AUTOM. (real adquirente das mercadorias), para exigência de créditos tributários relativos ao Imposto de Importação – II (R$1.612,68); ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI (R$1.585,79); ao PIS Importação (R$201,89); e ao COFINSImportação (R$929,94); acrescidos da multa de ofício qualificada (150%) e dos juros de mora; em razão de declaração de preços inexatos (subfaturados) em relação aos preços efetivamente praticados; além de multa por subfaturamento, de 100% da diferença apurada entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado (R$8.959,30); multa substitutiva de perdimento, das mercadorias não localizadas e/ou consumidas (R$21.324,06), em razão de interposição fraudulenta; e multa regulamentar do IPI (R$21.324,06), por consumo ou entrega a consumo das mercadorias, conforme DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS) dos Autos de Infração. A autuação fiscal foi assim descrita e resumida no relatório da decisão recorrida (fls. 333/336): "Nos termos da autuação fiscal e dos documentos que instruem o processo, expuseram e constataram as Autoridades Aduaneiras que a subscreveram, em apertada síntese, o que abaixo se expõe. 1. “A presente fiscalização originouse da análise de documentos apreendidos quando da realização da operação denominada "Ouro Verde", desencadeada em 30/03/2007. Os referidos documentos foram remetidos à Secretaria da Receita Federal do Brasil pelo Departamento de Policia Federal através do Oficio n.° 4064/200802— DPF/JVE/SC, que remete à decisão judicial relativa ao compartilhamento das provas obtidas, constantes do Inquérito Policial Federal n.° 0295/2006DPF/ JVE/SC — autos do processo n.°2006.72.00.0104884 — fls. 002 a 012. Da análise da documentação produzida, procedemos à revisão das Declarações de Importação onde a empresa Planeta permaneceu oculta, no caso concreto deste pólo passivo, 01 (uma) Declaração de Importação (DI) fraudulenta. Assim, foi possível desvelar a prática do Subfaturamento do real valor de transação desta DI, com vistas à redução do valor aduaneiro (CIF), sobre o qual incidem todos os impostos federais na importação — II, IPI, COFINS, PisPasep e ICMS estadual — , conforme veremos. Tal prática foi acompanhada de outra: a chamada Interposição Fraudulenta de pessoas em operações de comércio exterior, ambas de extremo dano ao Erário. 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 488DF CARF MF Processo nº 13971.005157/201076 Acórdão n.º 3302005.584 S3C3T2 Fl. 489 3 2. A autuação apresenta detalhamento cronológico dos atos da fiscalização, resumindo: “Em 29/10/2009: Ciência postal da empresa Planeta do inicio da ação fiscal, sob o n.° 0920400200900486, onde também foi intimada a apresentar seu contrato social e livros contábeis — fls. 025 a 026; Em 03/11/2009: Entrega de parte da documentação, seguida de solicitação de prorrogação de prazo para apresentação dos documentos restantes, posteriormente entregues em 13/11/2009 — fls. 027 a 029; Em 21/12/2009: Ciência à empresa Planeta da conversão do MPFD n. 200900486 no MPFF n.° 200900598, com a intimação para apresentação dos extratos bancários — fls. 069 a 070; Em 07/04/2010: Envio à empresa Planeta de Termo de Constatação e Intimação, com a discriminação dos extratos bancários recebidos em 08/01/2010 e solicitação de notas fiscais de saída ali especificadas — fls. 071 a 072; Em 14/04/2010: Recebimento das notas fiscais solicitadas no item anterior — fls. 073; Em 28/08/2010: Envio de Termo de Intimação, à empresa Planeta, para apresentação das mercadorias constantes das DIs importadas mediante fraude, para fins de aplicação da penalidade de perdimento. Em 08/09/2010 a Planeta apresentou resposta, dizendo não reconhecer tais DIs e alegando não ter realizado importações nos períodos solicitados — fls. 074 a 076”. 3. Com o fito de esclarecer as razões que levaram, conforme constatado pela autuação, a empresa Planeta a cometer as infrações que capitula, consta do Auto de Infração o seguinte: “... a empresa Planeta registrou a sua primeira importação, como adquirente formal, em 17/07/2008 10. Todavia, a documentação ora analisada indica que a empresa almeja o comércio exterior desde 25/08/2004, quando protocolou seu primeiro requerimento de habilitação ordinária ao Siscomex: indeferido, por falta de atendimento à intimação. Na seqüência dos fatos, a indigitada empresa apresentou novo requerimento de habilitação, em 27/12/2005, desta feita em Guarulhos/SP, visando à habilitação simplificada; tentativa novamente infrutífera, também por falta de atendimento à intimação. Todavia, a documentação trazida à luz pela Operação Ouro Verde, indica frenética e oculta atividade da empresa no comércio exterior, à época — abril de 2005 a julho de 2007 — , seja através de recônditas remessas de divisas a fornecedores chineses, seja através de importações realizadas fraudulentamente através de empresas habilitadas a operar no comércio exterior, a emprestarlhe o nome, descortinando extensa burla ao Fisco, fraude duplamente qualificada, tanto no subfaturamento como na interposição de pessoas; esta emerge de forma a suprir sua incapacidade de habilitarse ao Siscomex, frustrada após duas tentativas.”(fl. 164 do e processo). Os documentos atinentes ao afirmado são anexados aos autos pela Fiscalização. Assevera, ainda, que “Tendo esta prática sob mira, veremos que a importadora (“BLUMENAU”) serviu para ocultar a empresa Planeta, de forma a permitir o registro das operações de importação sob a importadora "prestanome".” (fl. 170 do eprocesso). 4. Acerca da infração denominada subfaturamento de preços, e também da interposição fraudulenta, a autuação expõe que: “A partir do compartilhamento judicial das provas levantadas pelo Departamento de Polícia Federal, foi possível formar plena convicção acerca da prática do Fl. 489DF CARF MF Processo nº 13971.005157/201076 Acórdão n.º 3302005.584 S3C3T2 Fl. 490 4 subfaturamento, a partir de um quadro probante completo e irreprochável, mais que suficiente para lavratura do presente Auto de Infração. A partir do envio de dólares efetuado pela Planeta, à margem das vias legais, referente às diferenças dos valores remetidos através do contrato de câmbio — valor declarado na DI, subfaturado— , temos, por óbvio, um profundo contato entre a Planeta e os fornecedores chineses (exportadores). Entretanto, a Planeta não registrou sequer uma única Declaração de Importação (DI), por não estar habilitada, A. época, a importar (habilitação ao Siscomex). Logo, o mesmo documento probante do subfaturamento, também é prova inequívoca da interposição fraudulenta, já que a Planeta era quem promovia as importações, através de seus estreitos contatos com os exportadores chineses, utilizando uma interposta pessoa no intuito fraudulento de registrar as DIs formalmente em nome desta, permanecendo oculta ao Fisco.” (fls. 170 e 171 do e processo). 5. Em relação às provas materiais dos autos, a Autoridade Aduaneira frisa que “é imperioso destacar várias interceptações telefônicas autorizadas pela justiça, efetuadas entre integrantes da empresa Planeta e o grupo do doleiro ROGER, onde as partes tratam da remessa de dólares da Planeta a fornecedores chineses, inclusive com a obtenção do banco de dados do doleiro, onde consta o extrato da contacorrente de seu cliente (numerada sob o código 2474 — INJEÇÃO — USD) — fls. 013 a 014 e figuras abaixo.” (fl. 171 e 172 do eprocesso). 6. De se destacar excerto do relatório do Escritório de Pesquisa e Investigação na 9ª. Regido Fiscal (ESPEI/09), órgão de Investigação da RFB, por permitir a compreensão das operações e infrações em exame: “Quanto à relação entre a PLANETA DA INJEÇÃO LTDA e a ROGER TUR, observouse que a primeira utiliza a segunda para realizar remessas ao exterior, provavelmente para pagamento de fornecedores, referentes a importações subfaturadas. O esquema funciona da seguinte forma: o representante da empresa PLANETA DA INJEÇÃO LTDA solicita aos operadores do Grupo ROGER TUR que realizem depósitos no exterior, fornecendo nome e dados bancários dos beneficiários. Para atender à solicitação, os operadores da ROGER TUR ordenam pagamentos por seus próprios meios, ou mediante apoio de outros doleiros, com maior capacidade financeira. No caso em tela foi possível interceptar várias conversações telefônicas que tratam do esquema...” (fl. 174 do eprocesso). 7. As Autoridades Aduaneiras autoras da autuação fiscal tecem informações com alto nível de detalhamento, das quais se impende trazer à lume, por exemplo, que: documentação acima evidencia a fraude perpetrada ao longo do tempo, inclusive posterior ao caso concreto deste pólo passivo solidário (a DI n.° 05/03882890), mas é imprescindível para demonstrar o modus operandi da organização. Em resumo, a documentação acima comprova a remessa ilegal a fornecedores chineses da Planeta, tratada por Reinaldo ou Sérgio, com a utilização dos serviços do doleiro Roger. E necessário abrir um parêntesis para citar que os referidos negociadores da Planeta junto ao doleiro foram plenamente identificados como Reinaldo Dreger, sócioadministrador da Planeta, e Sérgio José Dalapria, CPF 470.621.50053. Ambos aparecem Fl. 490DF CARF MF Processo nº 13971.005157/201076 Acórdão n.º 3302005.584 S3C3T2 Fl. 491 5 juntos em bilhete de viagem à China, em 16/11/2006 — fls. 106. Há ainda um documento subscrito por Sérgio J. Dalapria e endereçado ao "dono" da Planeta, onde, em resumo, faz um certo desabafo sobre as suas condições de trabalho, sua retirada da empresa e transmite noticias de uma feira então realizada na China, onde se encontrava em contato com fornecedores — fls. 107. Vale reiterar que em 2006 a Planeta não possuía habilitação para importar; porém, a atividade negocial internacional demonstrada aflora como intensa, o que nos remete mais uma vez à fraude da interposição, pois seria necessário uma empresa habilitada, para registrar formal e fraudulentamente em seu nome as importações negociadas. Há documentação que demonstra ainda que tais negociações com fornecedores chineses já eram efetuadas no distante ano de 2005, através da empresa interposta Blumenau, pivô da presente autuação fls. 109 a 114”. (pp. 183 do eprocesso). 8. Pontos relevantes da análise do conjunto dos elementos probatórios, são, por exemplo, os seguintes: “Na esteira da segunda documentação acima, do subfaturamento, temos solicitação, de Ademar Dagnoni (Blumenau) para Reinaldo Dreger (Planeta), em 29/03/2005, do depósito no valor de R$ 8.020,04 para remessa cambial através do contrato de câmbio n.° 05/001691 — fls. 127 a 128. Assim, temos o contrato de câmbio elaborado em nome da Blumenau; porém, suportado pela Planeta. Nesse passo, temos as prestações de contas enviada por Ademar Dagnoni (Blumenau) à Reinaldo Dreger (Planeta), em 10/05/2005 e 13/05/2005, com a discriminação minuciosa das despesas e dos adiantamentos recebidos — fls. 130 a 133. E de se destacar a diferença apontada naquele documento: de US$ 3.500,00 (fls. 131, item 4), ou seja, a diferença à margem da remessa oficial, o valor subfaturado”. (pp. 193 do eprocesso). 9. De relevo ímpar, o documento trasladado à página 194 do eprocesso: tratase de uma prestação de contas da empresa Blumenau para a empresa Planeta, na qual fica claro – até mesmo para um leigo pleno no assunto – que se cuida ali de subfaturamento. São individualizados a fatura verdadeira, a fatura falsa (de menor valor, ou seja, subfaturada), o contrato de cambio e a diferença apurada, a ser remetida ao exterior de modo ilegal. 10. Em sede de conclusão, as Autoridades Aduaneiras asseveram que: “a mesclada documentação de fls. 136 a 149, por si só, seria suficiente a apontar a interposição fraudulenta da empresa Blumenau, considerando que todos aqueles documentos dizem respeito apenas àqueles responsáveis por promover a importação, jamais devendo ser encontrados na posse de meros adquirentes de mercadorias no mercado interno, como fez crer formalmente a Planeta. Tais documentos são: o conhecimento de embarque (B/L), documentos de despesas de despachantes aduaneiros, de transportadoras, de armazenagem (infraero), guias de recolhimento, tela de sistema no mantra (situação da carga), cotações de prego de frete; enfim, vasta documentação, que, devido A sua natureza peculiar, não se sustentam sob a posse de uma prosaica adquirente de mercadorias no mercado nacional..” (fl. 196 do e processo)." (grifei) Fl. 491DF CARF MF Processo nº 13971.005157/201076 Acórdão n.º 3302005.584 S3C3T2 Fl. 492 6 Cientificados pessoalmente dos Autos de Infração, em 03/12/2010, apresentaram Impugnações, em 23/12/2010 (fls. 253/263) e 04/01/2011 (fls. 284/307), alegando, em síntese, emprestada da decisão recorrida (fls. 336/380): "O impugnante BLUMENAU COMERCIO EXTERIOR LTDA, doravante em regra designada "Blumenau", autuado na qualidade de contribuinte, apresentou sua impugnação às fls. 253 a 263, e anexos, na qual alega, em resumo: 1. Em preliminar, a decadência do direito de a Fiscalização impor a pena de perdimento e cobrar tributo, por haver transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos do registro da DI; o que ocorreu em 15 de abril de 2005 e que portanto transcorreram 5 anos 6 meses e 3 dias até a data da ciência do impugnante. Para tanto, invoca a letra do art. 139 do Decretolei n. 37, de 1966, e do art. 753 do Regulamento Aduaneiro vigente à época, pelos quais o prazo para e impor penalidade extinguese em 5 anos contados da data da infração. Nessa mesma preliminar, aduz que em se cuidando de Revisão Aduaneira, o prazo é igualmente de 5 anos contados da data do registro da DI; 2. Alega também ser a autuação nula, tendo em vista que um único Auto de Infração foi lavrado contra duas pessoas jurídicas distintas (a BLUMENAU e a PLANETA). Invoca o art. 142 do CTN para afirmar que o Auto de Infração deve ser individualizado. Que o Fisco autuou as duas empresas conjuntamente, na condição de contribuinte, sem qualquer distinção; que o fato de um único Auto de Infração haver sido lavrado contra duas pessoas jurídicas distintas contraria o art. 9º., parágrafo 1º., do Decretolei n. 70.235, de 1972. E que “...como se sabe, o perdimento caracterizase pela pessoalidade e pela intransmissibilidade da pena...” (v. fl. 258 do e processo). 3. Defende não incidir tributos e contribuições (I.I., P.I.S. e Confins) sobre a mercadoria objeto de pena de perdimento, nos termos do art. 1º., parágrafo 4º., inciso III do Decretolei n. 37, de 1966 (em relação ao I.I.), e no art. 2º., inciso III, da Lei n. 10.865/2004 (em relação ao P.I.S. e à COFINS). Esta, a síntese das alegações do impugnante BLUMENAU, acima qualificado. O impugnante, “PLANETA DA INJEÇÃO”, autuado na qualidade de responsável solidário, e doravante designada simplesmente “PLANETA”, apresentou sua impugnação, às fls. 284 a 307, e anexos (do eprocesso), na qual alega, em apertado resumo: 1. Que a Impugnante é empresa comercial do ramo de autopeças, especializada em injeção eletrônica de veículos e sediada na cidade de Blumenau/SC. Atua com vendas de autopeças tanto no varejo quanto no atacado como distribuidor. Adquire suas mercadorias no mercado interno. 2. Alega, preliminarmente, a decadência do direito de a Fiscalização impor a pena de perdimento e cobrar tributo, por haver transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos do registro da DI; o que ocorreu em 15 de abril de 2005; e que portanto transcorreram 5 anos 7 meses e 18 dias até a data da ciência do impugnante. Para tanto, invoca a letra do art. 139 do Decretolei n. 37, de Fl. 492DF CARF MF Processo nº 13971.005157/201076 Acórdão n.º 3302005.584 S3C3T2 Fl. 493 7 1966, e do art. 753 do Regulamento Aduaneiro vigente à época, pelos quais o prazo para e impor penalidade extinguese em 5 anos contados da data da infração. Nessa mesma preliminar, aduz que em se cuidando de Revisão Aduaneira, o prazo é igualmente de 5 anos contados da data do registro da DI; 3. Alega também ser a autuação nula, tendo em vista que um único Auto de Infração foi lavrado contra duas pessoas jurídicas distintas (a BLUMENAU e a PLANETA). Invoca o art. 142 do CTN para afirmar que o Auto de Infração deve ser individualizado. Que o Fisco autuou as duas empresas conjuntamente, na condição de contribuinte, sem qualquer distinção; que o fato de um único Auto de Infração haver sido lavrado contra duas pessoas jurídicas distintas contraria o art. 9º., parágrafo 1º., do Decretolei n. 70.235, de 1972. E que “...como se sabe, o perdimento caracterizase pela pessoalidade e pela intransmissibilidade da pena...” (v. fl. 289 do e processo). 4. Argumenta haver sido a fiscalização irregular, em face da ausência de Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF). Afirma que a autoridade fiscalizadora deixou de cientificar os sujeitos passivos das devidas alterações e prorrogações realizadas nos Mandados de Procedimentos Fiscais (MPFs), conforme determina a lei” (v. fls. 291 e 292 do eprocesso). 5. Adentrando ao mérito da autuação, afirma não ter havido interposição fraudulenta, mas importação direta pela empresa BLUMENAU. Na apresentação da tese da inocorrência de interposição fraudulenta, afirma que todos os requisitos previstos no art. 2º. do ADN (Ato Declaratório Normativo) SRF n. 7, de 2002, foram cumpridos, embora a norma considere suficiente a ocorrência de apenas um deles, quais sejam: a) conste como adquirente no contrato de câmbio; b) conste como adquirente na fatura comercial internacional (invoice); c) emita nota fiscal de venda; ou d) contabilize entrada ou saída de mercadoria importada como compra ou venda. Nessa linha, argumenta que, de acordo com os documentos carreados aos autos, está comprovado que os 4 requisitos acima foram cumpridos, demonstrado que a propriedade das mercadorias é da empresa BLUMENAU, não lhe sendo aplicável a pena de perdimento. 6. Alega também a ausência de prova de que teria havido o efetivo consumo das mercadorias; que tal é mera presunção da Autoridade Aduaneira. 7. Defende a inaplicabilidade da multa por consumo de mercadorias estrangeiras "introduzidas fraudulentamente no país", prevista no art. 631 do dec. 4.543/02 (antigo Regulamento Aduaneiro), tendo em vista haver sido aplicada a pena de perdimento da mercadoria, e que o parágrafo primeiro do referido art. 631 veda sua aplicação na hipótese de conversão da pena de perda. 8. Defende não incidir tributos e contribuições (I.I., P.I.S. e Confins) sobre a mercadoria objeto de pena de perdimento, nos termos do art. 1º., parágrafo 4º., inciso III do Decretolei n. 37, de 1966 (em relação ao I.I.), e no art. 2º., inciso III, da Lei n. 10.865/2004 (em relação ao P.I.S. e à COFINS). Fl. 493DF CARF MF Processo nº 13971.005157/201076 Acórdão n.º 3302005.584 S3C3T2 Fl. 494 8 9. Suscita a nulidade da autuação, ao argumento de que as provas emprestadas são ilícitas; que não foram submetidos ao contraditório e à ampla defesa; que a impugnante (PLANETA) não figura no rol (da decisão judicial) das empresas em que houve quebra de sigilo; que somente poderia ser utilizada após o “trânsito em julgado da ação penal” (SIC). 10. Ainda quanto à alegação de nulidade das provas, invoca excerto da decisão judicial, na qual o magistrado afirma:“Afasto o sigilo fiscal, das pessoas abaixo relacionadas, compreendidos nos últimos 5 anos, para ação conjunta entre as autoridades policial e fiscal”. Frisa que tal despacho se deu em 8 de agosto de 2005, e que, portanto, as provas ali mencionadas somente poderiam ser datadas entre os anos de 2000 e 2005, não de 2006 e anos seguintes, como foi o caso das provas utilizadas nos presentes autos. Esta, a síntese apertada das alegações apresentadas pelo impugnante “PLANETA” acima qualificado, na qual requer a declaração de nulidade dos Autos de Infração e face das preliminares suscitadas e, no mérito, o cancelamento da autuação. É o breve relato do essencial." A decisão de primeira instância, proferida em 30/09/2013 (fls. 330/359) foi pela improcedência da impugnação, em decisão cuja ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 15/04/2005 SUBFATURAMENTO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. CASO DE FRAUDE, DOLO E SIMULAÇÃO. INICIO DO PRAZO: 1° DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO FATO GERADOR. A regra é a contagem do prazo de decadência, nos casos de lançamento por homologação, a partir do fato gerador: art. 150, caput, do CTN. Entretanto, o § 4° do mesmo artigo ressalva os casos de dolo, fraude e simulação. Nestes, o dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte ao fato gerador (art. 173, I, CTN). Apenas não se aplicar o supracitado § 4° nos casos em que o dolo, a fraude ou a simulação não é comprovada, o que não é o caso destes autos. MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE. ENTREGA A CONSUMO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR DA MERCADORIA. NÃO OCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM EM RELAÇÃO À PENA DE PERDIMENTO E SUA CONVERSÃO EM MULTA, SE DUAS FRAUDES DISTINTAS HÁ. GRADAÇÃO LÓGICA DO DANO AO ERÁRIO. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. Gradação do dano ao Erário. Se há duas fraudes distintas e uma não absorve a outra, caso de subfaturamento e de interposição fraudulenta, o dano ao Erário é logicamente maior do que se uma apenas Fl. 494DF CARF MF Processo nº 13971.005157/201076 Acórdão n.º 3302005.584 S3C3T2 Fl. 495 9 houvesse. Não ocorrência de bis in idem entre aquela e a multa de conversão da pena de perda. Incabível a aplicação do Princípio da Absorção. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). REVISÃO ADUANEIRA. Art. 10 da Portaria 3014/2011. A ciência eletrônica das prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) garante sua validade. Os procedimentos relativos à revisão aduaneira não requerem, para sua realização, emissão de MPF. Igualmente, prescinde desse instrumento a lavratura de Auto de Infração decorrente de procedimentos dessa natureza. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA ORIUNDA DE JUDICIAL QUEBRA DE SIGILO. ACEITABILIDADE. EXEGESE DO ART. 5º, XII, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. Sendo a prova fruto de quebra de sigilo telefônico ou de dados e tendo esta sido obtida originalmente para fins de investigação criminal ou instrução processual penal, não há impedimento para sua utilização em processo administrativo fiscal, ressalvada a autorização por magistrado competente. BUSCA E PERDIMENTO DAS MERCADORIAS. Se fungível é a mercadoria, incabível exigirse que a Autoridade Aduaneira proceda à sua busca, em sede de diligência, bastando a intimação para que o importador ou real adquirente a apresente. Descumprida a intimação, é de se reputar não localizada, ou consumida, para efeito da inflicção da pena de multa, em conversão à pena de perdimento. INFRAÇÃO. MULTA. SOLIDARIEDADE. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. Exegese do art. 95 do Decretolei 37/1966. QUESTIONAMENTO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO. A ilegalidade e a inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ciências ao acórdão de impugnação (AR à fl. 370 e EDITAL à fl. 482), em 28/11/2013 e 03/01/2004, PLANETA DA INJEÇÃO COM. IMP. EXP. DE PECAS AUTOM., apresentou o recurso voluntário de fls. 436/475, em 23/12/2013, em essência, reiterando a argumentação expressa na impugnação apresentada. É o Relatório Fl. 495DF CARF MF Processo nº 13971.005157/201076 Acórdão n.º 3302005.584 S3C3T2 Fl. 496 10 Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. RECURSO VOLUNTÁRIO DA PLANETA DA INJEÇÃO Preliminares Quanto às preliminares suscitadas pela Recorrente PLANETA DA INJEÇÃO entendo que todas foram bem e corretamente enfrentadas pelo acórdão recorrido. Vejase: Ainda em preliminar, consignese que os impugnantes alegam nulidade da autuação, por haver sido lavrado um único auto de infração; em um único processo; para dois contribuintes distintos. Não prospera tal assertiva, haja vista que não se cuidam, nestes autos, de dois contribuintes, mas de um contribuinte (BLUMENAU) e um responsável solidário (PLANETA), por ser este último o real e oculto adquirente das mercadorias, nos termos da autuação. Dessa forma, não se deve confundir: é de rigor tal distinção (entre contribuinte e responsável solidário), conforme se verifica, por exemplo, da letra do art. 31 do Decerto– lei 37, de 1966. A análise dos arts. 124 e 125 do CTN (Código Tributário Nacional), acerca do instituto da solidariedade tributária, são também essenciais para evitar tal equívoco; tal confusão. Rejeito também, portanto, tal preliminar de nulidade da autuação, pois aqui há um contribuinte e um responsável solidário; não dois contribuintes. Preliminar de Nulidade da autuação por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal próprio à fiscalização (MPFF). Também preliminarmente, é argüida a nulidade do lançamento, cuja validade estaria, nos termos das alegações, comprometida em decorrência de vícios que eivam os Mandados de Procedimento Fiscal emitidos para autorizar a ação fiscalizadora e para amparar a lavratura do Auto de Infração impugnado. Fl. 496DF CARF MF Processo nº 13971.005157/201076 Acórdão n.º 3302005.584 S3C3T2 Fl. 497 11 A esse respeito, cumpre esclarecer que o Mandado de Procedimento Fiscal expedido inicialmente (MPFD) o foi em correta e boa forma, tendo sido, inclusive, objeto de ciência tempestiva à fiscalizada. Dessa forma, a ação fiscal empreendida no estabelecimento da impugnante foi devidamente amparada no Mandado de que se trata. As prorrogações desse Mandado cumpriram apenas norma interna, uma vez que dali em diante, os trabalhos fiscais se concentraram no exame do material apreendido no estabelecimento da autuada e demais documentos carreados aos autos. Depois dessas prorrogações, efetuadas por meio eletrônico, nenhum procedimento fiscal foi levado a efeito junto à fiscalizada, o que dispensa sua ciência pessoal desses atos. Na seqüência, o Mandado de Procedimento Fiscal de fiscalização (MPFF) que amparou a fiscalização e a efetiva autuação dos impugnantes foi regularmente emitido. Ademais, o Mandado de Procedimento Fiscal, em que pese prestarse à relevante função de permitir ao contribuinte verificar, com uma senha pela internet, a veridicidade do procedimento fiscal, e a autenticidade da identificação das Autoridades Fiscais, o fato é que tal instrumento é mero controle interno, de estirpe infralegal, e que não pode se sobrepor às prerrogativas legais das Autoridades Fiscais de exercer a fiscalização tributária (exegese do art. 142 do CTN c/c art. 6.º, I, da Lei 10593/2002 c/c art. 37, XVIII e XXII da CR/1988). De mais a mais, apenas se concebe uma nulidade se desrespeitada uma formalidade LEGAL. O MPF (Mandado de Procedimento Fiscal) nunca foi e não é um requisito legal para o que quer que seja, mas uma mera criação de nível infralegal, como acima salientado. No entanto, ainda que tudo o que se disse acima, acerca do MPF, estivesse incorreto, nulidade alguma e também irregularidade alguma haveria, ainda que simples, em face disso, no caso destes autos. Vejamos. Conforme os próprios impugnantes admitem (por exemplo, à fl. 257 e à fl. 288 do eprocesso), cuidase nestes autos de Procedimento de Revisão Aduaneira – no que está literalmente correto. Dessa forma, o procedimento de fiscalização que veio a ensejar o presente lançamento reportase a ato de revisão aduaneira cuja prática está formal e explicitamente dispensada do instrumento (mandado) em apreço, nos Fl. 497DF CARF MF Processo nº 13971.005157/201076 Acórdão n.º 3302005.584 S3C3T2 Fl. 498 12 termos do art. 10, inciso II, da norma infralegal que o rege, qual seja, a Portaria RFB n.º 3.014, de 2011 (que não alterou as normas anteriores sobre a mesma matéria, a exemplo do art. 11, inciso II, da Portaria SRF nº 6.087, de 21 de novembro de 2005). Ad argumentandi, não existe determinação legal de prévia notificação do sujeito passivo ao lançamento. Ademais, os procedimentos de fiscalização e lançamento não estão regidos pelo princípio do contraditório, prevalecendo o princípio da inquisitoriedade. É que o procedimento de fiscalização assemelhase ao inquérito policial, por se caracterizar pela inquisitoriedade, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa, pois nada foi ainda imputado ao contribuinte (até o momento da lavratura do Auto de Infração). A defesa é exercida no processo administrativo fiscal (PAF), que se inicia com a apresentação da impugnação da exigência fiscal, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Isso porque, o direito à ampla defesa e ao contraditório, previsto no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, é uma garantia do processo administrativo, isto é, da fase litigiosa do procedimento fiscal, que só se inicia com a impugnação ao lançamento efetuado. Não antes. Sendo assim, por entender que os argumentos expendidos pelo impugnante não procedem, rejeito, também, essa preliminar de nulidade. Preliminar de Nulidade por utilização de Provas Emprestadas da Investigação Criminal. Alega o impugnante “PLANETA” que seria vedada a utilização das provas obtidas durante as investigações da“Operação Ouro Verde” para instrução do presente processo administrativofiscal. Tal vedação estaria exposta no art. 5º, XII, da Constituição da República: “XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; A Carta Magna e a Lei nº 9.296/1996 exigem que a quebra do sigilo de dados e comunicações seja feita com autorização judicial e para fins de investigação criminal ou Fl. 498DF CARF MF Processo nº 13971.005157/201076 Acórdão n.º 3302005.584 S3C3T2 Fl. 499 13 instrução processual penal. Os dois requisitos para a quebra do sigilo foram respeitados. O que se questiona então é se, posteriormente à regular quebra do sigilo, tais dados poderiam ser utilizados como prova emprestada para instrução do presente processo administrativofiscal. No entendimento deste Relator, não há restrição legal para essa posterior utilização das provas. Nesse sentido, filiome à seguinte jurisprudência do STF e do CARF: “EMENTA: PROVA EMPRESTADA. Penal. Interceptação telefônica. Escuta ambiental. Autorização judicial e produção para fim de investigação criminal. Suspeita de delitos cometidos por autoridades e agentes públicos. Dados obtidos em inquérito policial. Uso em procedimento administrativo disciplinar, contra os mesmos servidores. Admissibilidade. Resposta afirmativa a questão de ordem. Inteligência do art. 5º, inc. XII, da CF, e do art. 1º da Lei federal nº 9.296/96. Voto vencido. Dados obtidos em interceptação de comunicações telefônicas e em escutas ambientais, judicialmente autorizadas para produção de prova em investigação criminal ou em instrução processual penal, podem ser usados em procedimento administrativo disciplinar, contra a mesma ou as mesmas pessoas em relação às quais foram colhidos. (Inq 2424 QO / RJ RIO DE JANEIRO), Relator(a): Min. CEZAR PELUSO Julgamento: 25/04/2007; Órgão Julgador: Tribunal Pleno”. (g.n.). Pacífico, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), o entendimento sobre a utilização de prova emprestada no processo administrativo fiscal: “Contribuição para o PIS/Pasep. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. REVENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. O produto da revenda de cartões telefônicos, adquiridos por contrato de compra e venda de empresa de telefonia, integra a base de cálculo da contribuição como receita de vendas. COFINS. OMISSÃO DE RECEITA. PROVA. INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR SECRETARIA DE ESTADO. A omissão de receita apurada com base em informações fornecidas por Secretaria de Estado, referentes a declarações prestadas pelo contribuinte ao Fisco Estadual, faz PROVA das Fl. 499DF CARF MF Processo nº 13971.005157/201076 Acórdão n.º 3302005.584 S3C3T2 Fl. 500 14 operações comerciais e financeiras do contribuinte, mormente quando, na fase impugnatória, o interessado não apresentar provas suficientes para descaracterizar a autuação, devendo ser mantida a exigência tributária. Não se pode negar valor probante à PROVA EMPRESTADA, coligida mediante a garantia do contraditório. Precedentes. Recursos de ofício e voluntário negados. Acórdãos CARF/Conselhos Nº 20181083 de 2008” (g.n.). “CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. O produto denominado comercialmente ZINTEK 200 é uma preparação anticorrosiva, constituída de composto inorgânico à base de zinco e alumínio, disperso em composto inorgânico à base de formaldeído e 70,4% de solvente, classificandose no código NCM 3824.90.41. PROVA EMPRESTADA. LAUDO TÉCNICO. Não há impedimento à aplicação no processo administrativo do instituto da PROVA EMPRESTADA, a teor da norma contida no art. 30, § 3.º, do Decreto n.º 70.235/1972, alterado pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Acórdãos CARF/Conselhos Nº 30134304 de 2008” (g.n.). Pelo exposto, sendo a prova fruto de quebra de sigilo telefônico e de dados e tendo esta sido obtida originalmente para fins de investigação criminal ou instrução processual penal, não há impedimento para sua utilização em processo administrativo fiscal, ressalvada a autorização por magistrado competente. Lícitas, portanto, as provas utilizadas pela Fiscalização. De relevo observarse, ainda, uma singela – e improcedente – alegação da impugnante “PLANETA” acerca da nulidade das provas, ao invocar excerto da decisão judicial, na qual o magistrado afirma: “Afasto o sigilo fiscal, das pessoas abaixo relacionadas, compreendidos nos últimos 5 anos, para ação conjunta entre as autoridades policial e fiscal”. A impugnante, como base nesse dispositivo judicial, afirma que, como tal despacho se deu em 8 de agosto de 2005, as provas ali mencionadas somente poderiam ser datadas entre os anos de 2000 e 2005, não de 2006 e anos seguintes, como foi o caso das provas utilizadas nos presentes autos. Por evidente que tal alegação é de clara improcedência. A ordem judicial, no citado excerto, referese à quebra de Fl. 500DF CARF MF Processo nº 13971.005157/201076 Acórdão n.º 3302005.584 S3C3T2 Fl. 501 15 sigilo fiscal, vale dizer, ao descortinar dos dados fiscais (declarações, movimentações, importações) dos contribuintes ali mencionados à autoridade policial. Não fosse assim, não haveria que se outorgar mandado de busca e apreensão, nem a quebra também do sigilo telemático. Ademais, não existe sigilo fiscal para a própria autoridade fiscal (o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil). Assim, não o fosse, para todas as Fiscalizações que realiza, haveria o AuditorFiscal que requerer ordem ou autorização judicial para utilizar os dados constantes dos sistemas informáticos da própria RFB (Receita Federal do Brasil), o que seria, além de sistemas da RFB existem para que estejam à disposição plena e irrestrita das Autoridades Fiscais, ou seja, dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil. Sem o que não haveriam sequer que haver. Duas outras alegações da impugnante “PLANETA”, em relação à suposta ilicitude das provas, merecem especial e derradeiro destaque e análise. A primeira, de que impugnante (PLANETA) não figura no rol (da decisão judicial) das empresas em que houve quebra de sigilo. A segunda, de que somente poderia ser utilizada após o“trânsito em julgado da ação penal”. Com todo o acatamento devido, mas tais alegações beiram ao limite do ilógico. No mínimo. Ora, se a empresa “PLANETA” é aqui neste processo autuada justamente por ter sido a adquirente real e OCULTA de mercadorias em que figurou ostensivamente nas Declarações de importação de uma outra empresa (a BLUMENAU), é óbvio que a empresa “PLANETA” não poderia ter constado mesmo da decisão judicial, exarada anteriormente às buscas e apreensões de documentos por ela própria autorizada, e anteriormente à fiscalização aduaneira. Sobre as provas somente virem a poder ser utilizadas após o “trânsito em julgado da ação penal”, tal equivaleria, se fosse verídico, à outorga de um “salvo conduto tributário eterno” (o que sequer existe do Direito Pátrio), pois é notório que uma ação penal não transita em julgado em menos do que 5 (cinco) anos, quando então todos os ilícitos fiscais e aduaneiros estariam decaídos. Decerto que jamais uma autoridade judicial decidira dessa forma. E, de fato, não foi o que fez. Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade suscitada. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 13971.005157/201076 Acórdão n.º 3302005.584 S3C3T2 Fl. 502 16 Preliminar de Nulidade da autuação quanto à conversão da Pena de Perdimento em multa no valor da mercadoria, por inocorrência de busca pela Autoridade Aduaneira. Alegase na peça impugnatória que a conversão da pena de perdimento em multa seria nula, pois que tal somente seria juridicamente possível se comprovada a impossibilidade de apreensão física das mesmas mercadorias. Ocorre que, no caso concreto, as mercadorias são eminentemente fungíveis (tratamse de peças para veículos). Dessa forma, incabível exigirse que a Autoridade Aduaneira proceda à sua busca, em sede de diligência, bastando a intimação para que o importador ou real adquirente a apresente. Descumprida a intimação, é de se reputar não localizada, ou consumida, para efeito da inflicção da pena de multa, em conversão à pena de perdimento. Isso porque, se a Autoridade Fiscal fosse diligenciar no estabelecimento comercial, obviamente que iria, possivelmente, encontrar diversas (dezenas, ou centenas) de peças, dentre os quais certamente as “do tipo” importadas pelas DIs em apreço. No entanto, ficaria evidentemente refém das informações do próprio contribuinte (ou responsável), acerca de serem aquelas exatamente as peças objeto de importação das específicas DIs, ou de outras. Daí a razão de se reputar suficiente a intimação ao importador, para que proceda à entrega das mercadorias e, diante de seu silencio e de seu descumprimento à intimação, corretamente presumir que tais foram consumidas, utilizadas, e, portanto, impossíveis de lhes ser aplicada a pena de perdimento. Rejeito, nessa linha, a preliminar de nulidade suscitada." Não tendo a ora Recorrente, nesses pontos preliminares, apresentado novas razões de defesa perante a segunda instância, proponho a confirmação e adoção da decisão recorrida, nos moldes do §3º, do art. 57, da Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 RICARF/2015, introduzido pela Portaria MF nº 329, de 4 de junho de 2017; e dos §§1º e 2º, do art. 50, da Lei n. 9.784/99, para não acolher a defesa da Recorrente nesses pontos preliminares. Quanto à outras matérias preliminares, somente trazidas à discussão administrativa em grau de recurso voluntário, operouse a preclusão, por aplicação do art. 17, do Decreto nº. 70.235/72 (PAF): Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 13971.005157/201076 Acórdão n.º 3302005.584 S3C3T2 Fl. 503 17 Mérito Decadência Reiterouse na peça recursal tese no sentido de que haveria ocorrido a decadência dos créditos tributários lançados: tributos e multas. Fundase a tese nos arts. 54 e 139, do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966: Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. A decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, relativamente ao Imposto de Importação II, foi objeto de disposição especifica no art. 138, do Decretolei n° 37, de 18/11/1966, na redação que lhe deu o art. 1°, do Decretolei n° 2.472, de 01/09/1988, tratando, no caput, da situação de não lançamento do tributo e da inexistência de pagamento antecipado; e, em seu parágrafo único, da existência de pagamento antecipado, relacionados com os arts. 173, inc. I, e 150, § 4°, da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (CTN), respectivamente. Da mesma forma ocorre com o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, em relação às disposições expressas no art. 129, do Decreto n° 4.544, de 26/12/2002 (RIPI/2002), cujas bases legais são os mesmos arts. 173, inc. I, e 150, § 4°, do CTN, aplicáveis, também, ao PISimportação e à COFINSimportação, incidentes sobre a importação de bens e serviços, da Lei nº 10.865, de 30/04/2004, tratandose de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Entendo que, como a hipótese em exame — interposição fraudulenta — diz respeito à fraude ocorrida em operação de comércio exterior, resta deslocarse os fatos apuráveis ao comando do caput, do art. 138, do DL nº 37/66, em sintonia com o arts. 173, inc. I, e 150, §4°, do Código Tributário Nacional CTN. No mesmo sentido da decisão recorrida, entendo que embora o CTN estabeleça normas gerais em matéria tributária, possui em seu bojo norma legal específica, a ser aplicada em casos de dolo, fraude ou simulação, deslocandose a contagem do prazo do 150, §4º, para o 173, I, assim como nos casos de ausência de pagamento antecipado do tributo (REsp nº 973.733/SC). Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) Fl. 503DF CARF MF Processo nº 13971.005157/201076 Acórdão n.º 3302005.584 S3C3T2 Fl. 504 18 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; E a leitura, com um olho nos arts. 54, 138 e 139, do DL nº 37/66 e o outro nos arts. 150 e 173, do CTN, no sentido de auferir a máxima eficácia e harmonia ao sistema jurídico vigente, não deixa dúvidas da plena compatibilidade das normas contidas nos (micro)sistemas do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, e o da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Assim, não entendo possível negar eficácia à tudo isso e fazer prevalecer o comando isolado dos arts. 54 e 139, do DL nº 37/66, obstando a apuração e constituição de credito tributário, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ou ausência de pagamento antecipado do tributo, em conflito hermenêutico interno, com o art. 138, do mesmo DL, e externo, com o arts. 173, I, e 150, §4º, do CTN. Assim, dada a ciência da autuação em 2010 e sendo os fatos geradores mais antigos em discussão relativos ao ano de 2005, não há que se falar em decadência, até o primeiro dia do ano de 2011. Rejeito, portanto, a alegação de decadência, quanto aos tributos e respectivas multas proporcionais constituídos de ofício. Já quanto às infrações aduaneiras, resultantes em imposições de penalidades, materializadas em multas isoladas, entendo deva prevalecer a legislação específica às matérias, aplicandose o artigo 139, do DecretoLei nº 37/1966, para a multa por subfaturamento, de 100% da diferença apurada entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado e para a multa substitutiva de perdimento; além do artigo 78 da Lei nº 4.502/19642, para a multa regulamentar do IPI, por consumo ou entrega a consumo das mercadorias. Assim, dada a ciência da autuação em 03/12/2010 e sendo as infrações penalizadas relativas à DI nº 05/03882890, registrada em 15/04/2005 e desembaraçada em 03/05/2005, entendo alcançadas pela decadência, a multa por subfaturamento, de 100% da diferença apurada entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado (R$8.959,30); a multa substitutiva de perdimento, das mercadorias não localizadas e/ou consumidas (R$21.324,06), em razão de interposição fraudulenta; e a multa regulamentar do IPI (R$21.324,06), por consumo ou entrega a consumo das mercadorias. Acato, portanto, a alegação de decadência, quanto às penalidades impostas na forma de multas isoladas constituídas de ofício. 2 Art . 78. O direito de impôr penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração. Fl. 504DF CARF MF Processo nº 13971.005157/201076 Acórdão n.º 3302005.584 S3C3T2 Fl. 505 19 Incidência de tributos em razão de declaração de preços inexatos (subfaturados) em relação aos preços efetivamente praticados Aqui a acusação fiscal afirma que restou constatada a fraude do Subfaturamento de Preços na importação realizada, com a remessa explicita dos valores à margem legal, através de doleiros, o que resultou em nova valoração dos preços das mercadorias (fl. 220). Quanto às questões de mérito suscitadas pela Recorrente PLANETA DA INJEÇÃO, da mesma forma que as questões preliminares, entendo que todas foram bem e corretamente enfrentadas pelo acórdão recorrido. Vejase às conclusões alcançadas: Mérito. Há nos presentes autos vasto e robusto conjunto probatório, tanto do subfaturamento, quanto da interposição fraudulenta. Além disso, há minudente detalhamento da forma como eram operadas as infrações. Desnecessário in casu trasladálas para este Acórdão, pois as Autoridades Aduaneiras tiveram o cuidado e a presteza de, ao analisarem a DI objeto da autuação, não apenas acostaremna aos autos, como transcreverem (copiarem) os documentos ou partes destes (principalmente a fatura – “invoice”) para o próprio corpo do Auto de Infração, permitindo, ao mesmo tempo, tanto o esclarecimento detalhado das infrações e fraudes à legislação aduaneira, quanto a prova material de sua ocorrência. Há provas robustas do relacionamento da empresa Planeta com o grupo “Roger Tur”, no sentido de que a primeira solicitava remessa de dólares ao exterior, que era promovida e executada pelo segundo. Como exemplo a se consignar, as transcrições das interceptações telefônicas, às fls. 182 e ss. Excerto de destaque à compreensão do conjunto probatório da autuação é o estampado à fl. 25 (eprocesso) que evidencia: “A planeta em seu site www.planetadainjeção.com.br fala claramente em importações, que em 2005 foi ativado o departamento de importação, viagens ao exterior, contato com fornecedores e etc. Ocorre que nos sistemas da SRF não consta nenhuma importação em nome próprio e nem por conta e orcem de terceiros. A Planeta utiliza do esquema da Roger para pagamento de importações, conforme áudios e faxes acima, para um dos seus fornecedores, Wenzhou Ruian Jinjia Automobile Parts Co China para onde faz remessas com a indicação referencia: TREMBLAY – MONTEVIDEU – URUGUAI”. Assim, diante dos esclarecimentos, das provas juntadas aos autos e em parte trasladadas aos próprios Autos de Infração, é formada a convicção deste Relator acerca da prática das Fl. 505DF CARF MF Processo nº 13971.005157/201076 Acórdão n.º 3302005.584 S3C3T2 Fl. 506 20 infrações capituladas nesta autuação. Concluo que a autuação demonstrou e provou, de modo até mais do que seria o suficiente, a ocorrência das fraudes e dos ilícitos tributários nela mencionados. Nesse ponto do mérito, a única alegação recursal diz respeito à não incidência de tributos sobre mercadorias objeto de pena de perdimento, matéria tratada expressamente no §4°, do artigo 1º, do DL nº 37/66, cujo inciso III, subsumise exatamente ao presente caso, autorizando a cumulação do perdimento da mercadoria estrangeira com tributos, na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida. § 4o O imposto não incide sobre mercadoria estrangeira: (Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) III que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Não havendo discussão quanto à quantificação dos valores e acompanhando as razões da acusação fiscal e do voto condutor da decisão recorrida quanto à ter restado constatada a fraude do Subfaturamento de Preços na importação realizada, entendo deva ser mantida a exigência dos créditos tributários relativos ao Imposto de Importação – II (R$1.612,68); ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI (R$1.585,79); ao PIS Importação (R$201,89); e ao COFINSImportação (R$929,94); acrescidos da multa de ofício qualificada (150%) e dos juros de mora. Com estas considerações, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, no que referese à alegação de decadência, quanto às penalidades impostas na forma de multas isoladas, mantendose a exigência dos créditos tributários relativos ao tributos e respectivas multas proporcionais. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 506DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.911511/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 31/07/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
I - Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II - A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III - O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo.
Numero da decisão: 2401-005.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 31/07/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. ÔNUS DA PROVA. I - Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II - A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III - O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13839.911511/2009-94
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5887166
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.642
nome_arquivo_s : Decisao_13839911511200994.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 13839911511200994_5887166.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7374907
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588515663872
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-24T13:19:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-07-24T13:19:54Z; Last-Modified: 2018-07-24T13:19:54Z; dcterms:modified: 2018-07-24T13:19:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-07-24T13:19:54Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-24T13:19:54Z; meta:save-date: 2018-07-24T13:19:54Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-24T13:19:54Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-07-24T13:19:54Z; created: 2018-07-24T13:19:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2018-07-24T13:19:54Z; pdf:charsPerPage: 2005; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-07-24T13:19:54Z | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 173 1 172 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.911511/200994 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.642 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de julho de 2018 Matéria IRRF PER/DCOMP DCTF Recorrente HUF DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 31/07/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. ÔNUS DA PROVA. I Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 15 11 /2 00 9- 94 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13839.911511/200994 Acórdão n.º 2401005.642 S2C4T1 Fl. 174 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU compensação do crédito original (utilizado) no valor de R$ 19.446,76, a partir de pretenso Pagamento Indevido/a Maior de Imposto de Renda Retido na Fonte (cód 0422, PA 31/07/2006) veiculado na PER/DCOMP 07950.71705.291106.1.3.046604, em razão de o pagamento ter sido utilizado na extinção de débitos declarados em DCTF. Intimado do Despacho Decisório em 24/07/2009, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 19/08/2009 alegando, em síntese: a) O recolhimento do IRRF incidente sobre Royalties foi efetuado de forma antecipada nos períodos compreendidos entre Junho a Dezembro de 2006. Entretanto, a ausência de averbação do contrato de Royalties pelo INPI Instituto Nacional de Propriedade Industrial impossibilitou o pagamento. b) Não havendo pagamento de Royalties, a retenção de imposto de renda na fonte foi indevida. Intimado em 24/08/2009 a regularizar a representação, o contribuinte apresentou em 04/09/2009 cópia de alteração contratual, bem como cópia da conta "Royalties a Pagar" do Livro Razão, copia de Certificado de Averbação n° 070437/02, referente ao aditivo de 10/01/2008 ao Contrato de 01/04/2007, e cópia de Contrato de Royalties firmado em 01/04/2007 e Aditivo de 10/01/2008 com prazo de 30/05/2007 a 29/05/2012. Em 22/05/2014, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente. Do Acórdão, em síntese, se extrai: a) O Requerente sustenta a existência do indébito tributário amparandose com cópia de razão consolidado da movimentação da conta de royalties a pagar no ano de 2006, cópia de contrato e aditivo de licença de tecnologia firmado com a Huf Husbeck & Furst GmbH & Co sem tradução juramentada e da cópia do Certificado de Averbação emitido pelo INPI em fevereiro/2008. b) O recolhimento noticiado encontrase integralmente alocado ao débito de IRRF (Código de Receita 0422) especificado do despacho decisório. O contribuinte efetuou a transmissão da DCTF retificadora após a ciência do despacho decisório. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13839.911511/200994 Acórdão n.º 2401005.642 S2C4T1 Fl. 175 3 b) A matéria em litígio exigia do requerente a apresentação de amplo conjunto probatório à plena demonstração da pertinência do crédito reivindicado, entre os quais: (i) cópia integral dos Contratos de Licença de Transferência e Exploração de Tecnologia e seus aditivos depositados no INPI, acompanhados dos correspondentes Certificados de Averbação naquele órgão de registro; (ii) cópias das faturas (invoice) de prestação de serviço; e (iii) cópias das operações de fechamento de câmbio destinadas ao pagamento das operações de royalties e dos Registros Declaratórios Eletrônicos – RDE correlatos (CartaCircular Bacen nº 2.816, de 15/04/1998), tudo devidamente acompanhado de todo acervo documental suplementar, se for o caso, e da escrituração contábil (contas patrimoniais e de resultado) que permitam a averiguação das alusões que propugnam o lapso no preenchimento da DCTF (CTN, art. 165, I). Documentos em língua estrangeira devem observar a disciplina do art. 224 do Código Civil, do art. 157 do Código de Processo Civil, dos arts. 129 e 148 da Lei nº 6.015, de 31/12/1973 (Lei de Registros Públicos). c) A comprovação da verdade material relacionada ao direito creditório sob litígio, bem como o ônus da prova, devem obedecer aos ditames fixados no art. 9º, §1º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, regulamentado pelo art. 923 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), condições estas que não ficaram configuradas no momento do ingresso da manifestação de inconformidade. Cientificado em 27/06/2014, o contribuinte interpôs em 25/07/2014 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) A empresa apresentou impugnação alegando pagamento antecipado de IRRF sobre Royalties e Assistência Técnica, referente a uma eventual e futura prestação de serviços por terceiro, fato que não aconteceu a caracterizar o pagamento indevido. Ante a ausência de averbação do contrato de Royalties pelo INPI, impossibilitouse o pagamento dos mesmos pela inocorrência do fato gerador. b) Ainda que os documentos apresentados com a manifestação de inconformidade fossem insuficientes, o julgador não poderia decidir mediante simples aplicação do ônus da prova, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. Cabia diligência para que o contribuinte complementasse a documentação ou apresentasse esclarecimentos (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 18) Doutrina e jurisprudência respaldam esse entendimento. O mesmo dever jurídico se impõe ao CARF. A documentação acostada com a manifestação de inconformidade já era suficiente. Mas, para não haver dúvidas apresenta documentação complementar. c) Pede a reforma integral do Acórdão da DRJ, bem como o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Por fim, requer diligência caso seja necessária. É o Relatório. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13839.911511/200994 Acórdão n.º 2401005.642 S2C4T1 Fl. 176 4 Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Presentes os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Com lastro no art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, a autoridade julgadora pode realizar diligência de ofício, mas tratase de providência complementar à instrução probatória e não destinada a retirar das partes o ônus de provar suas alegações. Esse entendimento tem prevalecido no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como bem ilustram as seguintes ementas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. (Processo n° 10120.907657/200933; Acórdão nº 3001000.312 – 3ª Seção/Turma Extraordinária/1ªTurma; Sessão de 11 de abril de 2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORME DE RENDIMENTOS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA REJEITADO. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13839.911511/200994 Acórdão n.º 2401005.642 S2C4T1 Fl. 177 5 Nos autos do processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de compensação tributária. O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito creditório pleiteado, consoante Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015, art. 373, I) de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário federal, e com observância do Decreto nº 70.235/72 (arts. 15 e 16). Incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas, da existência do crédito que alega possuir contra Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Os requisitos ou atributos de liquidez e certeza quanto ao crédito objetado contra a Fazenda Nacional devem estar preenchidos ou satisfeitos quando da transmissão da DCOMP, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória. A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. (Processo n° 10880.997365/200982; Acórdão nº 1301002.908 – 1ª Seção/3ªCâmara/1ªTurma Ordinária; Sessão de 16 de março de 2018) Acrescentese que a simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II1). Novamente, invocase atual e iterativa jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. 1 Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Lei n° 5.869, de 1973 Código de Processo Civil REVOGADO Art. 333. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Lei n° 13.105, de 2015 Código de Processo Civil VIGENTE Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Art. 373. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13839.911511/200994 Acórdão n.º 2401005.642 S2C4T1 Fl. 178 6 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Processo n° 15374.903703/200886; Acórdão nº 2201004.420 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2010 MERA ALEGAÇÃO DE ERRO MATERIAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A alegação de que houve erro material no preenchimento da DCTF, mesmo que posteriormente retificada, e que determinado débito de IRRF teria sido pago a maior, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de prova cabal e inconteste do alegado erro material. (Processo n° 16327.910429/200919; Acórdão nº 2201004.442 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) Destarte, incumbe ao contribuinte a prova da existência do crédito liquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69)2, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória. Além disso, em procedimento de análise da compensação do crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo, ou seja, do alegado erro na DCOMP original (Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II). Portanto, não tendo o requerente se desincumbindo de seu ônus probatório, correta a decisão veiculada no Acórdão de piso ao compreender como não provados os pressupostos de existência e validade do crédito postulado e como não comprovada sua disponibilidade para amparar o exercício da compensação declarada. As provas documentais do contribuinte devem ser apresentadas com a manifestação de inconformidade (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°)3. Em 2 Lei n° 9.784, de 1999. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. 3 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13839.911511/200994 Acórdão n.º 2401005.642 S2C4T1 Fl. 179 7 homenagem ao princípio da verdade material, se admite a juntada após a manifestação de inconformidade nas hipóteses das alíneas a, b e c do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, mediante requerimento à autoridade julgadora de primeira instância devidamente fundamentado (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §5°)4 ou, após a decisão de primeira instância, mediante juntada aos autos e a instruir recurso (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §6°)5, devendo, a rigor, se observar as mesmas hipóteses das alíneas do referido § 4° (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §§ 4°, 5° e 6°). No caso concreto, não restou demonstrada nenhuma das situações previstas nas alíneas a, b e c do §4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Por conseguinte, a documentação que instrui o recurso voluntário não mereceria ser conhecida como prova do contribuinte. Ainda que se entenda que o princípio da verdade material autoriza o julgador a conhecer de ofício de tais documentos, eles não têm o condão de comprovar as alegações do contribuinte, como a seguir será demonstrado. Além disso, eventual diligência a ser promovida com lastro em tais documentos não versaria sobre questões pontuais a serem esclarecidas por quesitos específicos (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, IV), mas na simples intimação do contribuinte para que produzisse prova que legalmente já deveria ter instruído a manifestação de inconformidade (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §4°). Logo, não é cabível a conversão do presente julgamento em diligência. O recurso foi instruído com procuração, cópia do contrato social, cópias dos Termos de Abertura e Encerramento dos Livros Diário 036 a 042 e do que supostamente seriam algumas páginas desses livros; cópia de Contrato de Licença firmado em 01/04/2007; e cópia de Certificado de Averbação INPI 070437/01 com prazo de cinco anos a partir de 27/12/2007. No prazo para comprovar a regularidade da representação em relação à manifestação de inconformidade, já haviam sido carreados aos autos cópia da conta "Royalties a Pagar" do Livro Razão, copia de Certificado de Averbação n° 070437/02, referente ao aditivo de 10/01/2008 ao Contrato de 01/04/2007, e cópia de Contrato de Royalties firmado em 01/04/2007 e Aditivo de 10/01/2008 com prazo de 30/05/2007 a 29/05/2012. De plano, ressaltese que a integralidade dos Livros Diário pertinentes às alegações do contribuinte deveriam ter sido apresentada para se comprovar todos os montantes efetivamente escriturados como pagos a título de Royalties e todos os valores retidos e recolhidos, bem como excertos dos Livros Razão com as contas pertinentes. a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) 4 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16 (...) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) 5 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16 (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13839.911511/200994 Acórdão n.º 2401005.642 S2C4T1 Fl. 180 8 Em relação ao excerto do Livro Diário não foram apresentados os respectivos Termos de Abertura e Encerramento. De qualquer forma, a força probatória do Livro Razão é reflexa ao respectivo Livro Diário devidamente formalizado e registrado. Os Termos de Abertura e Encerramento apresentados em cópia com o recurso voluntário foram datados e firmados entre junho e dezembro de 2006, tendo sido levados a registro em 2007 e em Cartório de Registro de Pessoas Naturais. As cópias do que se supõe serem folhas escolhidas desses livros atestam como data de elaboração os dias 25, 28 ou 29 de 05/2007 ou 04/06/2007. Logo, as folhas dos livros teriam sido elaboradas após a data de conclusão dos mesmos, constante dos respectivos Termos de Encerramento. Diante da impossibilidade jurídica de um Livro Diário ser confeccionado após a data de lavratura de seu termo de encerramento, tais documentos são destituídos de valor probatório, bem como o excerto do Livro Razão apresentado por não poder ser confrontado com os respectivos Livros Diário. Acrescentese ainda que, além de não se ter apresentado a integralidade dos Livros Diários, não foi exibido o Plano de Contas e os históricos dos lançamentos, inclusive do excerto do Livro Razão, são extremamente lacônicos e/ou codificados não havendo como os compreender adequadamente estando desacompanhados dos documentos que lhes deram suporte. O Contrato de Licença e Aditamento (em inglês e vernáculo sem tradução juramentada, não há como se afirmar com segurança serem duas versões de um mesmo contrato) e os Certificados de Averbação apresentados apresentam validade a partir de 30/05/2007. Como consta da PER/DCOMP e do DARF, o IRRF 0422 se refere ao período de apuração 31/07/2006. Os poucos documentos apresentados não permitem se concluir acerca dos valores que deveriam ter sido retidos e recolhidos em relação ao período de apuração e nem delimitar na esfera dos fatos concretos o alegado erro (antecipação de pagamento e inocorrência do fato gerador). Como bem destacou o Acórdão da DRJ, todos os Contratos de Licença e Contratos de Câmbio celebrados pelo contribuinte; os Certificados de Averbação INPI; invoices; DARFs; Livros e Demonstrações Contábeis etc, bem como os devidos esclarecimentos para se explicitar em tal documentação os fatos dela alegados, deveriam ter sido apresentados desde a manifestação de inconformidade. As provas constantes dos autos são incapazes de gerar a convicção acerca dos fatos e argumentos alegados, não tendo o recorrente se desincumbido de seu ônus probatório. Isso posto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000926/2006-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004 LUCRO REAL. ATIVIDADE DE INTERMEDIAÇÃO. GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS. COMPROVAÇÃO. Diante da constatação de que a única atividade exercida pela interessada era a de servir de ligação entre sua controladora no exterior (a tomadora dos serviços) e a prestadora de serviços no Brasil, recebendo da primeira e repassando à segunda os valores devidos a título de comissões pela intermediação de negócios, correta a decisão de primeira instância que restringiu a exigência de comprovação dos custos/despesas à efetividade das transferências de recursos. É esse o esforço despendido pela interessada, a ser confrontado com as receitas auferidas para fins de determinação do lucro tributável. Por idêntico fundamento deve ser afastada a tributação também para o ano-calendário 2001, à vista da complementação das provas trazidas aos autos.
Numero da decisão: 1301-00.563
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar o recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Valmir Sandri.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004 LUCRO REAL. ATIVIDADE DE INTERMEDIAÇÃO. GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS. COMPROVAÇÃO. Diante da constatação de que a única atividade exercida pela interessada era a de servir de ligação entre sua controladora no exterior (a tomadora dos serviços) e a prestadora de serviços no Brasil, recebendo da primeira e repassando à segunda os valores devidos a título de comissões pela intermediação de negócios, correta a decisão de primeira instância que restringiu a exigência de comprovação dos custos/despesas à efetividade das transferências de recursos. É esse o esforço despendido pela interessada, a ser confrontado com as receitas auferidas para fins de determinação do lucro tributável. Por idêntico fundamento deve ser afastada a tributação também para o ano-calendário 2001, à vista da complementação das provas trazidas aos autos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 18471.000926/2006-18
conteudo_id_s : 5884476
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-00.563
nome_arquivo_s : Decisao_18471000926200618.pdf
nome_relator_s : Waldir Veiga Rocha
nome_arquivo_pdf_s : 18471000926200618_5884476.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar o recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Valmir Sandri.
dt_sessao_tdt : Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
id : 7370676
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588523003904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1880; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 575 1 574 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000926/200618 Recurso nº 504.549 De Ofício e Voluntário Acórdão nº 130100.563 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de maio de 2011 Matéria IRPJ Recorrentes PARTICIPAÇÕES LIM LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004 LUCRO REAL. ATIVIDADE DE INTERMEDIAÇÃO. GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS. COMPROVAÇÃO. Diante da constatação de que a única atividade exercida pela interessada era a de servir de ligação entre sua controladora no exterior (a tomadora dos serviços) e a prestadora de serviços no Brasil, recebendo da primeira e repassando à segunda os valores devidos a título de comissões pela intermediação de negócios, correta a decisão de primeira instância que restringiu a exigência de comprovação dos custos/despesas à efetividade das transferências de recursos. É esse o esforço despendido pela interessada, a ser confrontado com as receitas auferidas para fins de determinação do lucro tributável. Por idêntico fundamento deve ser afastada a tributação também para o anocalendário 2001, à vista da complementação das provas trazidas aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar o recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Valmir Sandri. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.000926/200618 Acórdão n.º 130100.563 S1C3T1 Fl. 576 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório PARTICIPAÇÕES LIM LTDA., já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 3.486.037,14, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 02. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: I) Dos lançamentos 1. Trata o presente processo de autos de infração lavrados pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro, amparados nos fatos descritos no Termo de Constatação de fls. 312/320, consubstanciando lançamentos de exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 448.984,11 (fls. 321/328), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$ 187.554,26 (fls. 329/336), e do Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 837.297,56 (fls. 337/344), referentes aos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, com o acréscimo da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e dos juros moratórios. 2. De acordo com os levantamentos efetuados pela Fiscalização, a interessada, optante pela tributação com base no lucro real anual nos períodos fiscalizados (DIPJ, fls. 07/148), teria praticado as seguintes infrações à legislação tributária, ensejando o lançamento do IRPJ e, em decorrência, da CSLL, por falta de recolhimento, e, ainda, do IRRF: A) CUSTOS OU DESPESAS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NÃO COMPROVADOS Períodobase de 01/01/2001 a 31/12/2001: IRPJ CSLL Valor da Infração : R$ 508.852,91 R$ 508.852,91 Prejuízo/Base de Cálculo compensados no período : R$ 2.854,71 R$ 2.854,71 Valor tributável : R$ 505.998,20 R$ 505.998,20 Alíquota : 15% 8% Imposto/Contribuição apurados : R$ 75.899,73 R$ 40.479,85 Imposto/Contribuição adicional devidos : R$ 26.599,82 R$ 5.059,98 Imposto/Contribuição devidos : R$ 102.499,55 R$ 45.539,83 B) PAGAMENTOS SEM CAUSA Períodobase de 01/01/2002 a 31/12/2002: Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.000926/200618 Acórdão n.º 130100.563 S1C3T1 Fl. 577 3 IRPJ CSLL IRRF Valor tributável : R$ 996.727,12 R$ 996.727,12 R$ 1.511.727,35 Alíquota : 15% 8% 35% Imposto/Contribuição apurados : R$ 149.509,06 R$ 79.738,16 R$ 529.104,57 Imposto/Contribuição adicional devidos : R$ 75.672,71 R$ 9.967,27 Imposto/Contribuição devidos : R$ 225.181,77 R$ 89.705,43 Períodobase de 01/01/2003 a 31/12/2003: IRPJ CSLL IRRF Valor tributável : R$ 581.211,18 R$ 581.211,18 R$ 880.551,75 Alíquota : 15% 9% 35% Imposto/Contribuição apurados : R$ 87.181,67 R$ 52.309,00 R$ 308.193,11 Imposto/Contribuição adicional devidos : R$ 34.121,12 R$ Imposto/Contribuição devidos : R$ 121.302,79 R$ 52.309,00 [...] II) Do Termo de Constatação 3. Os fatos relatados no referido Termo (fls. 312/320) são os seguintes: 3.1. a interessada registrou no livro Razão (conta nº 4.1.1.3.01, fls. 237) e na DIPJ do anocalendário de 2002 (Ficha 06A, Linha 08, fls. 46) Receita da Prestação de Serviços totalmente originada de serviços prestados à LINTEC TESTING SERVICES LIMITED, empresa sediada no Reino Unido, no montante de R$ 1.057.839,12, assim como, Despesa Operacional com Prestação de Serviços por Pessoa Jurídica (Ficha 05A, Linha 04, fls. 45), no valor de R$ 996.727,12; 3.2. as cópias das folhas dos livros Diário e Razão apresentados em resposta ao Termo de Início de Fiscalização (fls.195/196) revelam que a rubrica de despesa operacional referida apresenta a seguinte composição para o ano calendário de 2002 (conta nº 3.1.1.8.01, fls. 236): INFINIUM EMPREENDIMENTOS LTDA (v. Notas Fiscais, fls. 214, 217, 219, 221, 223, 225 e 227): R$ 958.875,82 ACAL CONSULTORIA E AUDITORIA S/C (v. Notas Fiscais, fls. 215, 216, 218, 220, 222, 224, 226 e 228): R$ 37.824,00 Serviços Gerais: R$ 27,40 Total: R$ 996.727,22 3.3. intimada a apresentar documentação comprobatória da efetiva prestação desses serviços, por meio do Termo de Intimação de 16/03/2006 (fls. 197/198), com ciência em 22/03/2006, a interessada apresentou em 07/04/2006 (fls. 205/206) os seguintes documentos: a) notas fiscais emitidas pela interessada, ainda sob sua antiga denominação social – LINTEC DO BRASIL LTDA – contra a empresa inglesa LINTEC TESTING (fls. 207/213); b) notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela INFINIUM (fls. 214, 217, 219, 221, 223, 225 e 227), contra a interessada, e os Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.000926/200618 Acórdão n.º 130100.563 S1C3T1 Fl. 578 4 respectivos comprovantes de pagamento na forma de boletos de depósito bancário (fls. 229/232); c) notas fiscais emitidas pela ACAL (fls. 215, 216, 218, 220, 222, 224, 226 e 228), contra a interessada; d) tradução juramentada de contrato firmado entre a interessada, a INFINIUM e a empresa inglesa LINTEC GROUP LIMITED (fls. 238/243); e e) cópia dos livros Diário e Razão relativos ao anocalendário de 2002 (fls. 233/237); 3.4. a interessada limitouse, entretanto, a descrever a sistemática da prestação dos serviços, bem como das respectivas cobrança e liquidação, sem, contudo, esclarecer, de forma inequívoca quanto a real e efetiva prestação de serviços; 3.5. todos os elementos apresentados foram produzidos e extraídos de sua própria escrituração contábil e fiscal ou dos prestadores de serviços, beneficiários dos créditos pecuniários e respectivos pagamentos, não tendo feito menção à natureza exata da prestação dos serviços, quais empresas brasileiras foram objeto de intermediação e/ou diligência comercial (v. item “a”, fls. 205), descrição ou relação dos materiais e recursos humanos utilizados, correspondências trocadas, relação das empresas destinatárias finais dos serviços prestados, dentre outras formas factíveis de comprovação da efetiva prestação dos serviços; 3.6. almejavase, em síntese, obter a correlação de um conjunto de circunstâncias fáticas e materiais, como as citadas acima, com os elementos da escrituração contábil e fiscal apresentados; 3.7. essas observações constam do Termo de Intimação lavrado em 12/04/2006 (fls. 244 e 245), com ciência em 18/04/2006 (AR, fls. 246), por meio do qual reintimouse a interessada a comprovar a efetiva prestação dos aludidos serviços; 3.8. na resposta apresentada, a interessada apresentou diversos documentos em idioma estrangeiro, que, por essa razão, não puderam ser aproveitados no procedimento fiscal; 3.9. apesar de louvável o esforço da interessada em expor detalhadamente a sistemática da operação efetuada, a comprovação da efetiva prestação de serviços não se consumou após a análise da resposta apresentada, pelos seguintes motivos: a) todos os elementos mencionados (notas fiscais e contratos) foram produzidos pela interessada ou pelas prestadoras dos serviços que mantinham interesse nos créditos pecuniários e nos respectivos pagamentos, quais sejam, as empresas INFINIUM e ACAL (fls. 207/228); b) não esclarecimento, com exatidão, da natureza dos serviços prestados pela INFINIUM (v. itens 5 e 8, fls. 248); Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.000926/200618 Acórdão n.º 130100.563 S1C3T1 Fl. 579 5 c) não apresentação de informações ou disponibilização de documentos com vistas a permitir a verificação da efetiva prestação dos serviços; d) não esclarecimento dos clientes receptores finais dos serviços prestados (v. item 12, fls. 250); e e) ausência de comprovação da efetiva prestação dos serviços por parte da ACAL; 3.10. em face da falta de comprovação da efetiva prestação dos serviços e da alíquota do IRRF incidente nos respectivos pagamentos efetuados, efetuou se diligência no contribuinte INFINIUM, conforme consta do Termo de Diligência Fiscal de 11/05/2006 (fls. 267 e 268), com ciência em 18/05/2006 (AR, fls. 269); 3.11. do exame da resposta oferecida pela INFINIUM (fls. 270/274), além do fato de diversos anexos virem grafados em língua estrangeira, impossibilitando seu aproveitamento, dificuldades similares às já expostas se apresentaram com relação à caracterização da efetiva prestação dos serviços, a saber: a) seu signatário, procurador da diligenciada prestadora de serviços (v. procuração, fls. 335), Sr. Cícero Augusto Oliveira de Alencar (CPF nº 268.425.05704), é sóciogerente da interessada (v. Contrato Social, fls. 345); b) informando atuar na intermediação de serviços, não foi apresentada qualquer comprovação da efetiva execução dos negócios inerentes à interessada os quais se referem a serviços de inspeção efetuados em navios da PETROBRÁS (v. itens 3, 4 e 6, fls. 270 e 271); c) dos serviços de inspeção de navios citados, não há determinação de sua exata natureza, dos contratos firmados, das embarcações objeto de inspeção e de suas datas e locais; d) ausência de funcionários na diligenciada (v. item 5, fls. 271); e) intermediações de negócios efetuada de forma “automática”, impossibilitando sua comprovação de “maneira tradicional” (v. item 11, fls. 272); 3.12. em suma, das respostas apresentadas pela INFINIUM não há qualquer indicação de informações ou documentação comprobatória da efetiva prestação dos serviços, além daquelas inicialmente apresentadas, a saber: contratos de prestação de serviços e notas fiscais, todas, sem exceção, produzidas pela interessada ou pelas empresas com interesse no recebimento dos recursos pagos; 3.13. em razão das respostas e esclarecimentos trazidos tanto pela interessada como pela diligenciada (v. correspondências, fls. 205, 206, 247/251, 270 e 274), que informam sobre o início das operações em anoscalendário anteriores a 2000 (v. item 10, fls. 249 e itens 11 e 12, fls. 272), requereuse autorização para extensão da verificação para os anoscalendário de 2001 e 2003 (fls. 03 e 04), sendo lavrado Termo de Intimação em 31/07/2006 (fls. 279), com ciência em 03/08/2006 (AR, fls. 280), para que a interessada Fl. 220DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.000926/200618 Acórdão n.º 130100.563 S1C3T1 Fl. 580 6 disponibilizasse os elementos necessários, ensejando, de sua parte, a juntada dos documentos de fls. 281/311; 3.14. das verificações efetuadas, não foi possível determinar a efetiva prestação dos serviços relacionados na rubrica “Serviços Prestados PJ” (cadastrada na contabilidade sob o nº 3.1.1.8.01), que de forma indevida foram deduzidos da apuração do lucro real, o que enseja a glosa dos seguintes valores: Anocalendário Valor (R$) DIPJ, fls. Livro Razão, fls. 2001 509.852,91 10 285 2002 996.727,12 45 236 2003 581.211,18 91 288 3.15. de forma reflexa, os pagamentos efetuados por conta das despesas glosadas carecem de determinação da causa ou da operação que os justifique, de modo que, as incidências do IRRF sobre os mesmos se submetem ao disposto no “caput” e § 1º, do artigo 61, da Lei nº 8.981/1995; 3.16. em conseqüência, efetuouse o lançamento de ofício para retificação da alíquota do IRRF de pagamentos de valores a pessoas jurídicas cuja operação ou a sua causa não restou comprovada, conforme demonstrado no Anexo I ao Termo de Constatação (fls. 320). III) Da impugnação 4. Inconformada com os lançamentos, dos quais tomou ciência em 19/09/2006, nos próprios autos de infração (fls. 321, 329 e 337), apresentou a interessada, em 19/10/2006, a impugnação de fls. 363/372, instruída com os documentos de fls. 373/480, alegando, em síntese, que: 4.1. sua incorporação teve a finalidade precípua de servir como meio para a efetivação de pagamentos por serviços prestados pela INFINIUM para a LINTEC GROUP (antiga controladora da interessada); 4.2. a LINTEC GROUP é uma sociedade prestadora de serviços de certificação e controle de perdas marítimas, decorrentes de carregamento e descarregamento de navios, tendo como clientes, dentre outras, empresas brasileiras; 4.3. a LINTEC GROUP contratou os serviços da INFINIUM para a intermediação de contatos comerciais no território nacional, bem como para realizar diligências visando a garantia do recebimento de suas faturas, ou seja, os pagamentos das empresas brasileiras pelos serviços prestados; 4.4. para evitar complicações de controle cambial, a INFINIUM solicitou que os pagamentos pela prestação de seus serviços ocorressem em moeda local; 4.5. desse modo, foi constituída a sociedade LINTEC DO BRASIL LTDA – antiga razão social da interessada – para servir apenas e tãosomente como pagadora dos serviços prestados pela INFINIUM para sua controladora LINTEC GROUP; 4.6. por essa razão, a interessada nunca teve um único empregado e também nunca exerceu, por si, uma atividade econômica, eis que, recebia apenas o que lhe era devido por sua controladora, apurava os impostos incidentes na operação e efetuava os pagamentos à INFINIUM pela prestação Fl. 221DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.000926/200618 Acórdão n.º 130100.563 S1C3T1 Fl. 581 7 dos serviços, observando todas as normas legais e tributárias aplicáveis à operação; 4.7. em 12/10/1999, a interessada firmou contrato de serviços de marketing com a INFINIUM (fls. 380/385), traduzido por tradutor público da língua inglesa para a portuguesa, em 11/07/2000, por meio do qual formalizou se a transferência dos direitos de prestação dos serviços nele descritos, retroativos a 1º/07/1999; 4.8. o citado contrato teve por finalidade dar transparência e formalismo legal ao que de fato já ocorria, ou seja, a interessada agia como mero agente intermediário para pagamento dos serviços que, concretamente, eram prestados pela INFINIUM para a LINTEC GROUP; 4.9. a interessada, na prática, não exercia ou praticava os serviços contratados com a LINTEC GROUP, mas tais serviços eram de fato e de direito prestados pela INFINIUM; 4.10. reiterando o que já foi dito à Fiscalização com relação à Nota Fiscal de Serviços nº 106, emitida pela INFINIUM, em 28/08/2002, no valor bruto de R$ 138.921,28, o histórico da prestação dos serviços é o seguinte: a) baseado nos controles dos serviços prestados pela LINTEC GROUP a clientes angariados pela INFINIUM e tendo havido confirmação de que tais serviços já haviam sido pagos pelos clientes brasileiros à LINTEC GROUP, a interessada emitiu em 1º/08/2002 a fatura nº 004/2002, no valor de U$ 50,250.00 (fls. 386), cujo texto, que é o mesmo da fatura traduzida (fls. 380/385), diz literalmente: “Prestação de Serviços de Marketing sub contratados à INFINIUM EMPREENDIMENTOS LTDA, conforme contrato de Marketing de junho de 1999”; b) em 13/08/2002, a LINTEC GROUP envia fax (fls. 387) para o Sr. Cícero Alencar – sócio da ACAL, prestadora de serviços de gestão e contabilidade das empresas nacionais LINTEC DO BRASIL e INFINIUM, bem como representante legal da primeira – notificandoo de que, em 15/08/2002 estaria enviando para a LINTEC DO BRASIL o montante de U$ 50,250.00 relativamente ao pagamento das faturas nos 402 a 433, inclusive; c) deve ser observado, que a numeração das faturas não é coincidente, pois, para fins internos a remissão da LINTEC GROUP é por navio inspecionado e para fins contábeis e fiscais no Brasil, o controle da interessada é por remessa de recursos, que abrange várias faturas individualmente; d) em 28/08/2002, a remessa efetuada pela LINTEC GROUP é convertida em reais e um demonstrativo do valor a ser contabilizado é preparado (fls. 388), por meio do qual apurouse que, da receita gerada e recebida pela LINTEC DO BRASIL, no valor de R$ 151.755,00 (decorrente da conversão dos U$ 50,250.00 recebidos), deduzidas as despesas e impostos diretamente relacionadas com a atividade da interessada, há um montante de R$ 138.921,28 a ser repassado a INFINIUM pela subcontratação dos serviços de marketing; Fl. 222DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.000926/200618 Acórdão n.º 130100.563 S1C3T1 Fl. 582 8 e) na mesma data, a LINTEC DO BRASIL emite a Nota Fiscal nº 103, no valor de R$ 151.755,00, contra a LINTEC GROUP, para dar cobertura ao valor recebido (fls. 389); f) ainda na mesma data, a INFINIUM emite a Nota Fiscal nº 106, no valor de R$ 138.921,28, contra a interessada, em virtude de receita da prestação de serviços de marketing prestados conforme subcontratação (fls. 390); 4.11. o ciclo da operação real encerrase, pois, eis que o pagamento teve por origem a efetiva prestação dos serviços por parte da INFINIUM; 4.12. para comprovação da efetiva prestação dos serviços correspondentes a cada uma das Notas Fiscais emitidas pela interessada, desde junho/1999, existe o mesmo conjunto de documentos que comprovam a realização dos serviços, os quais foram disponibilizados para a auditoria fiscal, tendo sido apresentado em sua defesa apenas um exemplo ilustrativo da operação real, sendo certo que todas as contabilizações de receita e despesa da interessada são suportadas por idênticos documentos e provas; 4.13. diante do exposto, resta claro e inquestionável que os serviços de marketing subcontratados pela interessada, como demonstrado, foram efetivamente realizados pela prestadora de serviços INFINIUM, caindo por terra a tese da autuação de despesas não comprovadas e pagamentos sem causa; 4.14. todos os documentos apresentados à Fiscalização são idôneos, hábeis, apropriados e necessários à comprovação dos pagamentos pelos serviços prestados; 4.15. a mais inequívoca comprovação da efetiva prestação dos serviços é a concordância da LINTEC GROUP em realizar a remessa dos honorários devidos, baseada em uma fatura onde explicitamente é mencionada a subcontratação integral; 4.16. dita subcontratação corresponde a comissionamento por serviços de atração de clientes, ou seja, a cada trabalho realizado pela LINTEC GROUP a um cliente que tenha sido angariado pela subcontratada INFINIUM, um percentual de comissão lhe é devido; 4.17. quando o faturamento da LINTEC GROUP é recebido, esta repassa a comissão devida para a INFINIUM por intermédio de sua subsidiária no Brasil – a LINTEC DO BRASIL LTDA – atualmente denominada PARTICIPAÇÕES LIM LTDA; 4.18. desta forma, resta comprovado e documentado que: a) a atividade da interessada é de mero agente de pagamento das comissões devidas pela LINTEC GROUP para a INFINIUM, não possuindo atividade econômica, pois toda sua atividade é subcontratada com terceiros; b) não há qualquer subtração ou redução de impostos de qualquer natureza na forma da operação estruturada pelas empresas, pelo contrário, existe um sobrepagamento de tributos na operação, procedimento esse aceito pelas sociedades envolvidas, considerando as comodidades de cada uma; Fl. 223DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.000926/200618 Acórdão n.º 130100.563 S1C3T1 Fl. 583 9 c) caso o faturamento fosse feito diretamente pela INFINIUM contra a LINTEC a carga tributária total seria de R$ 21.943,77 (14,46% do valor total faturado) contra R$ 33.323,06 (21,96% do valor total faturado) efetivamente pagos, tomandose como exemplo o faturamento de agosto/2002; 4.19. a autuação afirma, ainda, de forma equivocada, que não há qualquer comprovação acerca da efetiva prestação de serviços pela ACAL, porém, não deve pairar qualquer dúvida a respeito, visto que são serviços de natureza contábil, conforme se verifica das notas fiscais que instruem sua impugnação (fls. 392/407); 4.20. tratandose de pessoa jurídica que executa atividades de contabilidade, conforme consta de seu CNPJ (fls. 408), a ACAL foi contratada pela interessada para a prestação de serviços de gestão e de contabilidade, sendo responsável pelo gerenciamento de pagamentos, recebimentos, conta corrente bancária, dentre outras atividades a estas relacionadas, necessárias e indispensáveis a qualquer empresa, até mesmo por determinação legal, porquanto o artigo 819, do RIR/1999, dispõe que, os balanços, demonstrações do resultado e quaisquer documentos de contabilidade deverão ser assinados por bacharéis em ciências contábeis legalmente registrados; 4.21. ademais, no curso da ação fiscal o fiscal autuante foi atendido por profissionais contadores da ACAL, inclusive em sua sede, motivo pelo qual é impossível concluirse pela não comprovação da efetividade das prestações dos serviços; 4.22. sua contabilidade e o correspondente suporte documental estão em conformidade com a legislação pertinente (artigos 276 e 845, do RIR/1999), porém, apesar de tudo, não foi suficiente para convencer a Fiscalização de sua necessidade; 4.23. a INFINIUM e a ACAL prestaram, efetivamente, todos os serviços, os quais foram fartamente comprovados, assim como a sua necessidade, durante todo o período em que esteve (a interessada) sob ação fiscal, nos termos do artigo 299, do RIR/1999; 4.24. mantém seus registros em estrita consonância e obediência com as disposições contábeis e fiscais, suportados por documentos hábeis, tendo apurado o lucro líquido de acordo com as disposições do Regulamento do Imposto de Renda; 4.25. a Fiscalização em momento algum provou ou apontou qualquer indício falso ou inexato, como determina a legislação e conforme entendimento da doutrina, baseando a autuação em afirmativa vaga, genérica e subjetiva de que não houve a comprovação da prestação dos serviços, não competindo, todavia, à autoridade fiscal atribuir tal juízo de valor; 4.26. durante todo o período em que perdurou a ação fiscal demonstrou e provou a necessidade e a realização dos serviços prestados pelas empresas INFINIUM e ACAL, desse modo, caberia à Fiscalização provar de maneira cabal a inexistência daqueles serviços, o que não foi feito, entretanto; 4.27. por todo o exposto, requer o acolhimento de suas razões e, por conseguinte, a improcedência dos autos de infração, requerendo a juntada de novos documentos aos autos, caso se façam necessários. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.000926/200618 Acórdão n.º 130100.563 S1C3T1 Fl. 584 10 A 4ª Turma da DRJ no Rio de JaneiroI/RJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1221.694, de 31/10/2008 (fls. 483/498), considerou procedente em parte o lançamento, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 LUCRO REAL ANUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DEDUÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS. GLOSA. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Somente são passíveis de exclusão da tributação os pagamentos a título de “Prestação de Serviço por Pessoa Jurídica”, efetuados por meio de notas fiscais, escriturados no livro Razão e deduzidos do lucro líquido na apuração do lucro real, cuja comprovação seja atestada mediante a apresentação de extratos bancários e/ou recibos de depósito em conta corrente. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 2001, 2002, 2003 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. FALTA DE RECOLHIMENTO. Aplicase ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento matriz (IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF Anocalendário: 2002, 2003 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PAGAMENTOS SEM CAUSA. COMPROVAÇÃO. Os pagamentos efetuados a pessoa jurídica por serviços prestados, cuja causa seja devidamente comprovada, não se sujeitam à tributação. Por oportuno, esclareço que o provimento parcial alcançou as exigências por fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2002 e 2003, tidos os pagamentos por integralmente comprovados, inclusive no que concerne à sua causa, pela maioria da Turma Julgadora. No que toca ao anocalendário 2001, a decisão foi no sentido de manter as exigências, e assim concluiu o ilustre Relator, ao final de seu voto: [...] quanto aos pagamentos realizados durante o anocalendário de 2001, a interessada somente apresentou as notas fiscais e a sua contabilização no livro Razão, não trazendo à colação os extratos bancários e/ou recibos de depósito em conta corrente, carecendo ainda de comprovação, portanto, as despesas deduzidas na DIPJ correspondente. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.000926/200618 Acórdão n.º 130100.563 S1C3T1 Fl. 585 11 Ciente da decisão de primeira instância em 27/11/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 502v, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 26/12/2008 conforme carimbo de recepção à folha 506. No recurso interposto (fls. 506/508), a interessada afirma que “a cobrança do ano calendário 2001 foi mantida por entender a fiscalização ainda não estarem devidamente comprovadas os pagamentos realizados pela Recorrente, tais como extratos bancários e/ou recibos de depósito em conta corrente”. Diante disso, apresenta demonstrativo no qual relaciona cada nota fiscal às respectivas escrituração e comprovação de pagamento, indicando as folhas do processo e fazendo, ainda, acostar aos autos os documentos intitulados doc. 03 a 11 (fls. 518/544). Pede, então, o cancelamento definitivo da cobrança restante de IRPJ e CSLL relativas ao anocalendário 2001. À fl. 564 encontro expediente, recebido pela Administração Tributária em 26/01/2009, no qual a interessada pede que sejam juntadas aos autos as cópias de cheques que especifica (fls. 565/568), relacionados à nota fiscal 13.294 e ao doc. 09. Como a exoneração de crédito tributário superou o limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora também recorreu de ofício a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 3/2008. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator RECURSO DE OFÍCIO Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, transcrevo a seguir o art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância (demonstrativo às fls. 504/505), verifico que montam exatos R$ 2.320.143,96, superando o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Concluo, assim, que o recurso de ofício é cabível, e dele conheço. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.000926/200618 Acórdão n.º 130100.563 S1C3T1 Fl. 586 12 Quanto ao mérito, o deslinde da questão passa pela correta identificação de qual era, de fato, a atividade operacional da interessada Participações LIM Ltda., à época dos fatos chamada Lintec do Brasil Ltda. A escrita contábil da interessada, acostada aos autos, corroborada pelos extratos bancários por ela apresentados, além do fato de não possuir funcionários nem ativo, não levam a outra conclusão senão a de que a empresa foi, como afirma, constituída exclusivamente para servir de intermediária entre sua controladora no exterior, a Lintec Testing Services Limited, e a empresa brasileira Infinium Empreendimentos Ltda. Sua movimentação financeira, facilmente identificável nos extratos bancários, consiste tão somente em receber recursos da Lintec no exterior e repassálos à Infinium, após descontar os valores dos tributos devidos e das despesas com serviços contábeis. O contrato cuja tradução juramentada se encontra às fls. 259/264 foi firmado entre a interessada (então Lintec do Brasil) e a Infinium, e tem por objetivo a prestação de “serviços de marketing das Atividades do Lintec Group Limited no Brasil” (item 3.5), ou seja, a subsidiária brasileira contratou a Infinium para prestar serviços a sua matriz. Diante disso, considero que a interessada cumpriu o papel que lhe cabia, recebendo os recursos da matriz, verdadeira tomadora dos serviços, e remunerando a prestadora dos serviços, Infinium. Desde que tanto a tomadora quanto a prestadora dos serviços se encontravam de acordo que os serviços teriam sido prestados e a comissão era devida, não cabia à intermediária exigir quaisquer outras comprovações. O papel do Fisco, então, ao verificar o cumprimento das obrigações tributárias do IRPJ e da CSLL, deveria ser o de confrontar as receitas auferidas pela interessada com o esforço que despendeu para tanto. Não houve qualquer questionamento quanto às receitas, pelo que considero estreme de dúvidas que os créditos bancários, contabilizados integralmente como receitas, tiveram sua origem na matriz, no exterior. Os custos/despesas incorridos foram de natureza tributária e contábil e, principalmente, o repasse à Infinium. Insisto, a atividade exercida pela interessada foi de intermediação entre a Matriz e a prestadora Infinium, e é essa comprovação que deve ser exigida. Sua atividade não foi a de intermediação comercial entre a Lintec (exterior) e as empresas brasileiras que necessitavam de serviços de inspeção de navios e controle de perda marinha. Descabe a pretensão de verificar se os serviços prestados pela Infinium à Lintec (exterior) foram efetivamente prestados, desde que a interessada se situa como mera intermediária dessa relação. Quanto aos serviços contábeis prestados pela ACAL, a situação se afigura mais simples, especialmente diante do fato de que a interessada não possuía funcionários e que seria necessário que alguém fizesse os controles de recebimento, pagamento, incidência tributária e escrituração contábil e fiscal. Tais foram os serviços prestados pela ACAL, conforme as notas fiscais que constam do processo, e a efetividade dos pagamentos somente reforça a dedutibilidade das despesas incorridas. Nesse sentido, a conclusão da Turma Julgadora em primeira instância não merece reparos. Para a validação, para fins tributários, dos custos e despesas contabilizados pela interessada, somente se pode exigir que comprove a efetividade dos pagamentos efetuados à Infinium, pois era esse seu papel. O exame dos documentos acostados aos autos, sintetizados nos quadros que constam do acórdão recorrido às fls. 497 e 498, conduzem à conclusão de que as despesas questionadas pelo Fisco se encontram comprovadas para os anoscalendário 2002 e Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.000926/200618 Acórdão n.º 130100.563 S1C3T1 Fl. 587 13 2003, inclusive quanto a sua causa, devendo a tributação ser integralmente afastada para esses períodos. Finalmente, um comentário adicional. Embora a autuação não tenha sido assim conduzida, poderseia argumentar que o valor recebido do exterior não seria integralmente receita da interessada, sendo parte correspondente a numerário pertencente a terceiros (Infinium). A aplicação desse raciocínio, em tese correto, a meu ver, levaria a que a parcela repassada não seria receita da interessada, nem despesa dedutível, não transitando de qualquer forma pelo resultado. Com isso, a receita seria tão somente a parcela que não foi repassada, a ser confrontada com as despesas tributárias e contábeis próprias, com resultado fiscal idêntico àquele apurado pela interessada. Diante do exposto, nego provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo, e dele conheço. A matéria do recurso voluntário é, em essência, a mesma de que se tratou no recurso de ofício, com a diferença de que se trata do anocalendário 2001, além do que não houve lançamento do imposto de renda na fonte (IRF), para esse ano. A decisão de primeira instância manteve a exação, ao argumento de que “quanto aos pagamentos realizados durante o anocalendário de 2001, a interessada somente apresentou as notas fiscais e a sua contabilização no livro Razão, não trazendo à colação os extratos bancários e/ou recibos de depósito em conta corrente, carecendo ainda de comprovação, portanto, as despesas deduzidas na DIPJ correspondente”. Em sede de recurso, a interessada complementa, para o anocalendário 2001, a documentação apresentada com a impugnação, mediante demonstrativo no qual relaciona cada nota fiscal às respectivas escrituração e comprovação de pagamento, indicando as folhas do processo e fazendo, ainda, acostar aos autos os documentos intitulados doc. 03 a 11 (fls. 518/544) e, ainda, os documentos de fls. 565/568. Todas as considerações tecidas por ocasião da apreciação do recurso de ofício são plenamente aplicáveis ao recurso voluntário, pelo que me eximo de aqui reproduzilas. O que cumpre é, então, verificar se os documentos trazidos aos autos com o recurso voluntário são aceitáveis, à luz das normas que regem o processo administrativo fiscal, e se cumprem o papel a que se propõem, qual seja, o de comprovar o efetivo pagamento das despesas contabilizadas no anocalendário 2001. Quanto ao primeiro questionamento, muito embora, por uma análise muito estreita, já houvesse precluído o direito da interessada de acostar provas ao processo, a preclusão tem sido aplicada com moderação por este Conselho, sempre temperada pelo princípio da verdade material, que deve nortear o processo administrativo fiscal e, especialmente, na situação vertente, em que se trata de mera complementação de provas tempestivamente apresentadas com a peça impugnatória e que foram tidas por insuficientes pela Autoridade Julgadora em primeira instância. Não se trata, a rigor, de novas provas, nem de novos argumentos de defesa. Admito a documentação, portanto. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.000926/200618 Acórdão n.º 130100.563 S1C3T1 Fl. 588 14 De seu exame, especialmente dos extratos bancários da interessada, cujas saídas coincidem em datas e valores com os ingressos na contacorrente bancária da Infinium e com as notas fiscais por esta emitidas e, ainda, à vista dos comprovantes de depósitos bancários e cópias de cheques, verifico que restam comprovados os pagamentos questionados pelo Fisco. Desta forma, a conclusão quanto aos anoscalendário 2002 e 2003 deve ser estendida também ao anocalendário 2001, com o que resta integralmente afastada a exigência do presente processo. Em conclusão, voto por negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915896/2008-84
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e Cofins, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 9303-006.393
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que não conheceram do recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e Cofins, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.915896/2008-84
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874083
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.393
nome_arquivo_s : Decisao_10880915896200884.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10880915896200884_5874083.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que não conheceram do recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7350242
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588545024000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1654; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.915896/200884 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.393 – 3ª Turma Sessão de 13 de março de 2018 Matéria PIS/COFINS. INCIDÊNCIA. VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. Recorrente SPECTRUM BRANDS BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e Cofins, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que não conheceram do recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 58 96 /2 00 8- 84 Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10880.915896/200884 Acórdão n.º 9303006.393 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pelo Contribuinte contra o Acórdão nº 3803004.520, de 24/09/2013, proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que negou provimento ao recurso voluntário. No Recurso Especial, o contribuinte insurgiuse contra o não reconhecimento da isenção/imunidade das receitas decorrentes de vendas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus (ZFM) ao pagamento da contribuição, alegando, em síntese, que as vendas realizadas para empresas localizadas naquela Zona Franca, para todos os efeitos fiscais, se equiparam a exportações e, por forca do disposto no art. 4º, do Decretolei nº 288/1967, c/c o art. 40 do ADCT da CF/1988, e, portanto, são isentas do PIS, nos termos do art. 14, II, c/ o § 1º da Medida Provisória nº 2.15835/2001, desde fevereiro de 1999. Por meio de despacho de exame de admissibilidade, o Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção deu seguimento ao recurso especial do contribuinte. Intimada do recurso especial do contribuinte e do despacho de sua admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.390, de 13/03/2018, proferido no julgamento do processo 10880.915948/200812, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.390): "O recurso apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10880.915896/200884 Acórdão n.º 9303006.393 CSRFT3 Fl. 4 3 Consoante o acórdão recorrido, o recurso voluntário do contribuinte foi improvido sob dois fundamentos a saber: i) falta de comprovação da certeza e liquidez do indébito reclamado, ou seja, não apresentou as notas fiscais (cópias) das vendas de mercadorias para empresas localizadas na ZFM nem documentos de suas internações naquela Zona Franca; e, ii) o não reconhecimento da isenção/imunidade das receitas de vendas de mercadorias para aquela Zona Franca ao pagamento do PIS e da Cofins. No entanto, o contribuinte, em seu recurso especial, suscitou divergência apenas em relação ao fundamento II: o não reconhecimento da isenção do PIS e da Cofins sobre as receitas de vendas à ZFM. Este fato, por si só, implicaria o não conhecimento do presente recurso, tendo em vista que apenas um dos fundamentos é suficiente para o indeferimento do ressarcimento pleiteado e, consequentemente, a não homologação da Dcomp em discussão. Contudo, por força do princípio da ampla defesa, entendo que o recurso deve ser conhecido. Como se trata de matéria recorrente nesta 3ª Turma da CSRF, adoto como fundamento para decidir, com base no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/1999, o Acórdão de nº 9303004.932, que proferi nos autos do processo nº 10380.008890/200202, na sessão realizada em 10 de abril de 2017, reproduzido a seguir: "O Sujeito Passivo sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Entendo que esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Deste modo, em relação ao período de apuração objeto do presente processo, o art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999 que passou a disciplinar os casos de isenção da contribuição cumulativa dispõe, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas de sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10880.915896/200884 Acórdão n.º 9303006.393 CSRFT3 Fl. 5 4 IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronave em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtor/vendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo Tribunal Federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10880.915896/200884 Acórdão n.º 9303006.393 CSRFT3 Fl. 6 5 Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Vale lembrar que esse status somente foi modificado pela Medida Provisória nº 202/2004, publicada em 26/7/2004, convertida na Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2º Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Tal matéria já foi objeto de discussão neste Colegiado, razão pela qual adoto como fundamentos para decidir, com base no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784, de 1999, o entendimento aplicado no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, no qual foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, proferido pela CSRF no julgamento do processo 10650.902444/201141, conforme reproduzido abaixo: A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10880.915896/200884 Acórdão n.º 9303006.393 CSRFT3 Fl. 7 6 da MP nº 2.03724/ 00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/ 2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/ 2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais, nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10880.915896/200884 Acórdão n.º 9303006.393 CSRFT3 Fl. 8 7 vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia –pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decreto lei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10880.915896/200884 Acórdão n.º 9303006.393 CSRFT3 Fl. 9 8 algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10880.915896/200884 Acórdão n.º 9303006.393 CSRFT3 Fl. 10 9 entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10880.915896/200884 Acórdão n.º 9303006.393 CSRFT3 Fl. 11 10 E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10880.915896/200884 Acórdão n.º 9303006.393 CSRFT3 Fl. 12 11 o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte." Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir. Como visto, com a edição da Medida Provisória nº 202/2004, publicada em 26/7/2004, convertida na Lei nº 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, o legislador, de forma acertada, reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu o Sujeito Passivo. Assim, até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada nos termos da legislação de regência." À luz do exposto, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, negolhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido mas, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 257DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13828.000095/2010-60
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA PRECLUSA.
Questões não suscitadas em sede de impugnação constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal.
ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA VEDADA À ANÁLISE DO CARF.
Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIMOF. REGULAÇÃO POR INSTRUÇÃO NORMATIVA. EXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL. LEGITIMIDADE.
É cabível a imposição de penalidade quando da apresentação extemporânea da DIMOF, haja vista que a obrigação de sua entrega, bem como a aplicação de penalidade pelo seu descumprimento, regulamentadas pela IN/SRF n° 811/2008, têm fundamento de validade no art. 16 da Lei n. 9.779/1999 e no artigo 30 da Lei nº 10.637/02.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DA DIMOF. INCIDÊNCIA.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
Numero da decisão: 1002-000.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer, por preclusão, da alegação de que "pela atividade preponderante, a contribuinte estaria sujeita a alíquota de 1% (um por cento), já que o maior número de segurados exerce atividades relacionadas à educação" e, no mérito, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA PRECLUSA. Questões não suscitadas em sede de impugnação constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA VEDADA À ANÁLISE DO CARF. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIMOF. REGULAÇÃO POR INSTRUÇÃO NORMATIVA. EXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL. LEGITIMIDADE. É cabível a imposição de penalidade quando da apresentação extemporânea da DIMOF, haja vista que a obrigação de sua entrega, bem como a aplicação de penalidade pelo seu descumprimento, regulamentadas pela IN/SRF n° 811/2008, têm fundamento de validade no art. 16 da Lei n. 9.779/1999 e no artigo 30 da Lei nº 10.637/02. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DA DIMOF. INCIDÊNCIA. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13828.000095/2010-60
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893596
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.259
nome_arquivo_s : Decisao_13828000095201060.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : AILTON NEVES DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 13828000095201060_5893596.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer, por preclusão, da alegação de que "pela atividade preponderante, a contribuinte estaria sujeita a alíquota de 1% (um por cento), já que o maior número de segurados exerce atividades relacionadas à educação" e, no mérito, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7398277
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588552364032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1498; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 2 1 1 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13828.000095/201060 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.259 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO Recorrente COOP CRED M SERV PUBL M LPTA COOPERSERV Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA PRECLUSA. Questões não suscitadas em sede de impugnação constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA VEDADA À ANÁLISE DO CARF. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIMOF. REGULAÇÃO POR INSTRUÇÃO NORMATIVA. EXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL. LEGITIMIDADE. É cabível a imposição de penalidade quando da apresentação extemporânea da DIMOF, haja vista que a obrigação de sua entrega, bem como a aplicação de penalidade pelo seu descumprimento, regulamentadas pela IN/SRF n° 811/2008, têm fundamento de validade no art. 16 da Lei n. 9.779/1999 e no artigo 30 da Lei nº 10.637/02. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DA DIMOF. INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 8. 00 00 95 /2 01 0- 60 Fl. 87DF CARF MF 2 Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer, por preclusão, da alegação de que "pela atividade preponderante, a contribuinte estaria sujeita a alíquota de 1% (um por cento), já que o maior número de segurados exerce atividades relacionadas à educação" e, no mérito, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 71 à 84) interposto contra o Acórdão n° 0242.939, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (fls. 64 à 65), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 DIMOF. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Por economia processual, peço vênia para transcrever e adotar o relatório produzido pela instância a quo no acórdão de impugnação: Contra o sujeito passivo foi lavrada notificação de lançamento relativa a FALTA/ATRASO NA ENTREGA DA DIMOF com exigência de crédito tributário no valor de R$ 5.000,00 e acréscimos legais, período de apuração 02/2009. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 218) contra o lançamento alegando que o lançamento está eivado de vícios, pois a instituição de obrigação tributária acessória deve Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13828.000095/201060 Acórdão n.º 1002000.259 S1C0T2 Fl. 3 3 ser feita por meio de lei em sentido estrito, portanto a IN 811/2008 que deságua na inexigibilidade da Dimof é ilegal e a multa é confiscatória e violadora dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Cita jurisprudência. Requer seja declarado nulo o lançamento. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário, no qual reitera argumentos apresentados em sede de impugnação, dos quais são destacados os pontos que seguem (grifos do original). Alega que "a autuação fiscal é indevida, haja vista que, considerando a atividade preponderante do recorrente, a mesma está sujeita à 'alíquota de 1% (um por cento), já que o maior número de segurados exerce atividades relacionadas à educação." Afirma que "a obrigação acessória em questão não encontra suporte jurídico LEGAL em nosso ordenamento, o que viola o principio da estrita legalidade previsto nos artigos 5o, inciso II, da Constituição Federal, e art. 113, § 2o, do Código Tributário Nacional" porque "sua instituição se deu por meio da Instrução Normativa n° 811/2008." Pontua que "a Lei n° 9.779/99 é clara ao dispor que 'compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável'." Entretanto, entende "que o artigo 16 da Lei n° 9.779/99 não ampara a edição da referida instrução normativa, porquanto a instituição da obrigação acessória não está prevista e nem autorizada pelo referido artigo,disciplinando tão somente '(...) a forma, prazo, condições para seu cumprimento e responsável'." Reafirma que "a Instrução Normativa n° 811/2008, apesar de referir a textos legais, não tem previsão em lei, especialmente no que se refere à instituição da Dimof." Conclui afirmando que a multa é confiscatória e que "fere o Princípio Constitucional da Capacidade Contributiva, Razoabilidade e Proporcionalidade, devendo ser expurgada de plano anulandose o lançamento." É o Relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Apesar de tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, conheço parcialmente do presente Recurso Voluntário, eis que contém matéria nova, não suscitada em sede de impugnação consubstanciada na afirmação de que "a autuação fiscal é indevida, haja vista que, considerando a atividade preponderante do recorrente, a mesma está Fl. 89DF CARF MF 4 sujeita à 'alíquota de 1% (um por cento), já que o maior número de segurados exerce atividades relacionadas à educação". Tal matéria não pode ser analisada por este colegiado por falta de prequestionamento, em razão de não ter sido apresentada no momento processual oportuno, caracterizandose como matéria preclusa, a teor do disposto no artigo art.16, III e 17 do Decreto 70.235/72: “Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;” Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, considerando que o referido argumento é totalmente novo em relação aos apresentados pelo Recorrente em sede de impugnação, o recurso voluntário não será conhecido nesta parte, eis que não cabe a esta instância recursal o reexame de matéria não julgada pela DRJ, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório. Quanto ao mérito, observo inicialmente que não há discussão quanto ao atraso na entrega da DIMOF ter efetivamente ocorrido. De igual modo, não há qualquer contestação quanto ao cálculo do valor da multa exigida. Os argumentos do Recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, baseiamse essencialmente na alegação de ilegalidade e inconstitucionalidade dos atos normativos que instituíram a multa pelo atraso na entrega da DCTF. Para melhor enfrentamento da questão da (i)legalidade na instituição da DIMOF, trago a baila os dispositivos legais e normativos que consubstanciaram a presente autuação: Lei n. 9.779/1999 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Lei nº 10.637/02 Art. 30. A falta de prestação das informações a que se refere o art. 5o da Lei Complementar no 105, de 10 de janeiro de 2001, ou sua apresentação de forma inexata ou incompleta, sujeita a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I R$ 50,00 (cinqüenta reais) por grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas; II R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no inciso I, na hipótese de atraso na entrega da declaração que venha a ser instituída para o fim de apresentação das informações. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13828.000095/201060 Acórdão n.º 1002000.259 S1C0T2 Fl. 4 5 § 1o O disposto no inciso II do caput aplicase também à declaração que não atenda às especificações que forem estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, inclusive quando exigida em meio digital. § 2o As multas de que trata este artigo serão: I apuradas considerando o período compreendido entre o dia seguinte ao término do prazo fixado para a entrega da declaração até a data da efetiva entrega; II majoradas em 100% (cem por cento), na hipótese de lavratura de auto de infração. § 3o Na hipótese de lavratura de auto de infração, caso a pessoa jurídica não apresente a declaração, serão lavrados autos de infração complementares até a sua efetiva entrega. Instrução Normativa/SRF nº 811/2008 Art. 7º A não apresentação da Dimof ou sua apresentação de forma inexata ou incompleta sujeitará a instituição às seguintes penalidades: I R$ 50,00 (cinqüenta reais) por grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas; II R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no inciso I, na hipótese de atraso na entrega da Dimof. § 1º As multas de que trata este artigo serão: I apuradas considerando o período compreendido entre o dia seguinte ao término do prazo fixado para a entrega da declaração até a data da efetiva entrega; II majoradas em 100% (cem por cento), na hipótese de lavratura de auto de infração. § 2º Na hipótese de que trata o inciso II do § 1º deste artigo, caso a instituição não apresente a declaração, serão lavrados autos de infração complementares até a sua efetiva entrega. Observase que o inciso II do artigo 30 da lei nº 10.637/02 é claro ao estabelecer a multa de R$ 5.000,00 por mês ou fração de atraso na entrega da declaração que venha a ser instituída para o fim de apresentação das informações. Duas importantes ilações podem ser extraídas do dispositivo sob análise. A primeira é que nele foi estabelecida a regra matriz de incidência da multa decorrente do atraso na entrega da declaração que viria a ser instituída para o fim de apresentação das informações; a segunda, é que a declaração a que se refere o dispositivo é justamente a DIMOF, que teve como fundamento de validade o artigo 16 da lei n° 9.779/99. Fl. 91DF CARF MF 6 Improcede, portanto, a alegação do Recorrente de que a instituição da obrigação acessória não está prevista e nem autorizada pelo artigo 16 da lei n° 9.779/99, porque a IN/SRF n° 811/2008 limitouse a reproduzir os valores das multas constantes no artigo 30 da lei n° 10.637/02 e delinear os aspectos jurídicos da obrigação tributária acessória atinentes à forma, prazo e responsável, de modo a viabilizar as condições para o seu adimplemento. Aliás, numa interpretação literal, verifico que o verbo "dispor" empregado no artigo 16 da lei n° 9.779/99, tem, dentre um rol de acepções possíveis no dicionário Michaellis, exatamente o significado de "estabelecer normas e instruções; decidir, determinar", o que nos leva ao reconhecimento da higidez da IN/SRF n° 811/2008. Não constitui afronta a legalidade, portanto, a instituição da DIMOF por meio da IN/SRF n° 811/2008, eis que foi resultante do exercício da competência prevista no artigo 16 da lei n° 9.779/99 pela SRF. Com relação aos argumentos constantes da decisão da DRJ sobre essa matéria, vejo que apresentam estreita sintonia com a jurisprudência do CARF, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, ancorado no §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e no §3º do art. 57, do RICARF: (...) No Direito Tributário, devese observar o princípio da responsabilidade objetiva do sujeito passivo em relação às suas obrigações tributárias e ao cometimento de infrações, ou seja, a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). (...) É fato não contestado que a entrega se deu fora do prazo. Assim sendo, a multa foi aplicada conforme previsto na legislação tributária. De acordo com o inciso VI do art. 97 do Código Tributário Nacional, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de dispensa ou redução de penalidades. Não há lei que contemple a hipótese invocada como razão para a dispensa da multa em lide. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN, parágrafo único). Assim, constatado o atraso ou a falta na entrega da declaração/demonstrativo, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Com base nesses argumentos nego provimento à pretensão do Recorrente com relação ao tema sob análise. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13828.000095/201060 Acórdão n.º 1002000.259 S1C0T2 Fl. 5 7 No que cinge aos questionamentos de inconstitucionalidade de lei tributária levantados pelo Recorrente, registro que é vedado ao CARF pronunciarse sobre questões dessa natureza, conforme enunciado sumular a reger o tema: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Relator Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10670.001374/2004-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.680
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e José Alfredo Duarte Filho.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10670.001374/2004-45
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894236
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-000.680
nome_arquivo_s : Decisao_10670001374200445.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CLEBERSON ALEX FRIESS
nome_arquivo_pdf_s : 10670001374200445_5894236.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e José Alfredo Duarte Filho.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7402509
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588606889984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1175; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 454 1 453 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10670.001374/200445 Recurso nº Embargos Resolução nº 2401000.680 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 5 de julho de 2018 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado FLÁVIO PENTAGNA GUIMARÃES Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e José Alfredo Duarte Filho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 70 .0 01 37 4/ 20 04 -4 5 Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10670.001374/200445 Resolução nº 2401000.680 S2C4T1 Fl. 455 2 Relatório Cuidamse de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, às fls. 437/438, contra o Acórdão nº 30239.456, julgado na sessão de 20/05/2008, proferido pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, o qual está juntado às fls. 423/433. 2. Alega a embargante que o acórdão apresenta contradição entre a ementa e os fundamentos do voto exarado no tocante ao reconhecimento da área de reserva legal, haja vista o requisito de averbação dessa área à margem da matrícula do imóvel até a data do fato gerador do imposto. 3. Os autos foram recepcionados pela Procuradoria da Fazenda Nacional em 21/11/2008, que interpôs os embargos de declaração em 25/11/2008 (fls. 434/436). 4. A admissão dos embargos declaratórios se deu através de despacho do Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção, em 18/06/2010 (fls. 440/441). 5. Posteriormente, a unidade da RFB responsável pelo acompanhamento do crédito tributário comunicou a adesão do contribuinte ao parcelamento especial de que trata a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, solicitando a devolução dos autos para os procedimentos de acerto nos sistemas informatizados do órgão fazendário (fls. 442/445). 6. Por fim, tendo em conta a interposição de embargos contra decisão de Turma extinta, assim como a relatora originária não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, procedeuse a novo sorteio, com vistas à inclusão em pauta e apreciação do recurso para saneamento do vício apontado (fls. 445). É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 7. Em cognição não exauriente, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade dos embargos. 8. Pois bem. Foi dado parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte para excluir a tributação sobre a área de reserva legal. 9. Em que pese as notícias do pedido de parcelamento com amparo na Lei nº 11.941, de 2009, não está claro se a desistência do recurso administrativo foi total ou parcial, haja vista a existência de decisão parcialmente favorável ao contribuinte proferida na sessão do 20/05/2008 e, portanto, anterior ao pedido de parcelamento. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10670.001374/200445 Resolução nº 2401000.680 S2C4T1 Fl. 456 3 10. Com a interposição dos embargos de declaração pela Fazenda Nacional, a decisão no recurso voluntário não restou alcançada pela definitividade administrativa, diante da possibilidade de efeitos infringentes (art. 42, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). 11. Por essa razão, a confirmação se a desistência é parcial ou total é providência indispensável para a correta definição das próximas etapas processuais. Na hipótese da desistência integral do sujeito passivo, as decisões que lhe são favoráveis tornamse insubsistentes, o que significa prejudicado o exame dos declaratórios da Fazenda Nacional. Entretanto, caso tenha havido apenas a desistência parcial, caberá o juízo de avaliação de mérito dos embargos de declaração. 12. Dessa feita, VOTO PELA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a unidade preparadora da RFB esclareça se parcial ou total a desistência do recurso administrativo, considerando a adesão ao parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009, e o débito discutido no presente processo. Em qualquer caso, anexar os documentos comprobatórios. 13. Após as providências acima, retornese o processo administrativo para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Conclusão Voto, portanto, por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 456DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.908644/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/09/2006
COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO
Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento.
Numero da decisão: 1302-002.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, para dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 29/09/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13819.908644/2009-11
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878864
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.857
nome_arquivo_s : Decisao_13819908644200911.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 13819908644200911_5878864.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, para dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7360275
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588627861504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.908644/200911 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.857 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS Recorrente YAKULT S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/09/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, para dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 86 44 /2 00 9- 11 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13819.908644/200911 Acórdão n.º 1302002.857 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Nos termos consignados nos autos, o presente processo administrativo se iniciou pelo indeferimento, via Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo, de pedido de compensação, no qual o ora Recorrente, Yakult S/A Indústria e Comércio, pretendia quitar débitos próprios com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativas. No Despacho Decisório proferido, aquela douta Delegacia, não reconhecendo o direito creditório do contribuinte, assim se manifestou, in verbis: Analisadas as informações prestadas no documento acima Identificado, foi constatada a Improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Desta feita, como não foi reconhecido o direito creditório, o pedido de compensação não foi homologado, sendo cobrado, por consequencia, o débito que se pretendia quitar, acrescido de multa e juros. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual defendeu o seu direito creditório. Suas alegações foram bem colocadas no acórdão recorrido. Assim, pedese venia para transcrever trecho do relatório daquele acórdão, na parte em que são expostas as razões defendidas pelo Recorrente: Em direito tributário, a compensação depende de lei (art. 170 do Código Tributário Nacional). Portanto, data vênia, não da ao FISCO o direito de enriquecerse ilicitamente em detrimento dos contribuintes. A compensação, notadamente no âmbito tributário, é instrumento moralizador, porquanto afasta o contribuinte dos transtornos inerentes à restituição em espécie. O que ocorre é que as compensações, por força dos art. 74, §§1° e 14, da Lei 9.430/96, têm, necessariamente, que ser declaradas ao Fisco, na forma que foi regulamentada. A Instrução Normativa RFB 900, de 30 de dezembro de 2008, é que regulamenta a compensação, e estabelece que sera efetuada mediante a utilização do programa PER/DCOMP (art. 34, §1°). O problema é que o dito PER/DCOMP não distingue os débitos de IRPJ/Estimativa e CSLL/Estimativa calculados com base na receita bruta (Lei 9.430/96, art.2°) ou com base no balanço/balancete de suspensão/redução (Decreto 3.000/99, art. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13819.908644/200911 Acórdão n.º 1302002.857 S1C3T2 Fl. 4 3 230). Em ambos os casos, o código da receita, estipulado pela Receita Federal do Brasil (RFB) é o mesmo. Assim sendo, decorre que o programa gerador de compensação (PER/DCOMP) não pode fazer a distinção entre débitos de estimativa calculados com base na receita bruta (Lei 9.430/96, art. 2°) e débitos de estimativas calculados com base no balanço/balancete de suspensão/redução (Decreto 3.000/99, art. 230), o que ocasiona a errônea analise do FISCO, conforme decisão de IMPROCEDÊNCIA. A contribuinte esta devidamente amparada pela citada legislação em vigor e atende os requisitos legais para seja concedido e deferido o presente pedido de compensação. Ressaltando novamente que os pagamentos efetuados foram efetuados com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, de acordo com o que foi declarado da DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, na ficha 11 (IRPJ), e na ficha 16 (CSLL). Ao analisar a Manifestação de Inconformidade do Recorrente, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) indeferiu o pleito do contribuinte, sob o mesmo argumento que motivou o Despacho Decisório. Citase trecho do acórdão neste sentido: (...) Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação de IRPJ/CSLL a serem apurados ao final do anocalendário, pois somente no final do exercício, em face do balanço patrimonial levantado, é que o crédito tributário se exteriorizará, fruto da aplicação da respectiva alíquota sobre uma base de cálculo tributável, decorrente do lucro contábil ajustado pelas adições e exclusões impostas pela lei fiscal, confrontado com a somatória das parcelas recolhidas e retidas ao longo do período, no caso o ano civil, podendo dessa operação aflorar a situação de ter sido antecipado e retido mais que o devido, o que passou a ser chamado de saldo negativo. Argumentou ainda, aquela d. DRJ, que seria ônus do contribuinte comprovar o seu direito creditório, com a apresentação de livros contábeis e fiscais, com a composição e cálculo dos valores recolhidos. Neste sentido, alegou que o contribuinte não fez prova do seu direito creditório. Vejase mais um trecho do acórdão: Além do mais, é oportuno registrar que, ainda que se pudesse admitir o recolhimento a maior de estimativa como pagamento indevido ou a maior de tributo, esta Turma de Julgamento tem consignado que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13819.908644/200911 Acórdão n.º 1302002.857 S1C3T2 Fl. 5 4 fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Devidamente, intimado da decisão proferida pela DRJ em 02/06/2015, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 29/06/2015, no qual repisou os argumentos para sustentar o seu direito creditório, além de ter acostado aos autos cópias do LALUR, livros contábeis e fiscais e DARF´s de pagamento, que, a princípio, comprovariam o direito creditório invocado no pedido de compensação que não foi homologado pela Receita Federal do Brasil. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.855, de 13/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13819.908642/2009 22, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.855): Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado eletronicamente do teor do acórdão recorrido, em 02/06/2015, apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 29/06/2015, ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Como demonstrado acima, o Recorrente, em pedido de compensação apresentado, indicou como crédito o pagamento indevido ou a maior de estimativas, de acordo com o regime de apuração do lucro real do IRPJ. A Delegacia da Receita Federal, em despacho decisório emitido, entendeu que não estava configurado o direito creditório, sob o argumento de que as estimativas pagas a maior só poderiam ser utilizadas para compor o saldo negativo do IRPJ e da CSLL. Ou seja, a princípio, pelo entendimento exarado, não foram analisados os livros contábeis e fiscais do contribuinte, para se verificar se o crédito invocado no pedido de compensação era legítimo. Tendo em vista o entendimento pela impossibilidade de compensação das estimativas, o pedido de compensação não foi homologado. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13819.908644/200911 Acórdão n.º 1302002.857 S1C3T2 Fl. 6 5 E a DRJ, apesar de ter alegado em argumento subsidiário que o contribuinte não comprovou o seu direito creditório, deixou bem claro o seu entendimento: as estimativas pagas a maior ou indevidamente só podem compor o saldo negativo, não podendo ser compensadas no mesmo exercício. Pois bem. No que tange à motivação do despacho decisório, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem posição consolidada e sumulada diametralmente oposta ao que restou consignado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Bernardo do Campo (SP). Vejase, neste sentido, o teor da Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. E quando se analisa os acórdãos que deram origem ao entendimento sumulado, fica fácil perceber o equívoco daquele Despacho Decisório. Como exemplo, citase trecho extraído do acórdão CARF nº 1202000.458, no qual é externado, inclusive, o entendimento da Receita Federal do Brasil, em que admite a compensação das estimativas, sem a vinculação à composição do saldo negativo, como restou assentado equivocadamente, data venia, no Despacho Decisório exarado: A própria Receita Federal do Brasil já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta 285 – SRRF/9ª RF/Disit de 17/07/2009, assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Por outro lado, a Solução de Consulta COSIT nº 19, de 05 de Dezembro de 2011, ao analisar questionamento interno que tem o mesmo objeto da presente discussão, assim concluiu: Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13819.908644/200911 Acórdão n.º 1302002.857 S1C3T2 Fl. 7 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Portanto, a motivação para indeferir o direito creditório do contribuinte não deve prevalecer. Por outro lado, como relatado acima, a DRJ, em argumento subsidiário, após aderir ao equivocado entendimento consignado no Despacho Decisório, afirmou que o contribuinte não havia feito prova do seu direito creditório, o que reforçaria a manutenção da decisão combatida pelo Recorrente. Contudo, a Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente, até mesmo porque, como mencionado, o crédito não foi analisado pela Delegacia da Receita Federal que não homologou a compensação. A possibilidade de a instância julgadora determinar, de ofício, a realização de diligências esta prevista no artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13819.908644/200911 Acórdão n.º 1302002.857 S1C3T2 Fl. 8 7 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A interpretação que se pode fazer do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo federal é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos de James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13819.908644/200911 Acórdão n.º 1302002.857 S1C3T2 Fl. 9 8 Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, no presente caso, é patente o equivoco do acórdão recorrido, que, partindo de uma premissa há muito superada por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (vide o teor da Súmula nª 84 acima transcrita), manteve o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação do contribuinte, e, por consequencia, por argumento subsidiário (inovação), não analisou a legitimidade do crédito indicado na PerDcomp transmitida. Desta feita, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para que reconhece a possibilidade de se compensar o pagamento indevido ou a maior das estimativas, reformando se o acórdão neste ponto. Por consequência, ANULO PARCIALMENTE, no que se refere à inovação, o acórdão proferido, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que esta analise, com base nos documentos acostados aos autos e outros que entender necessários, o direito creditório do Recorrente, podendo, Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13819.908644/200911 Acórdão n.º 1302002.857 S1C3T2 Fl. 10 9 inclusive, determinar a realização de diligências para um melhor entendimento do crédito indicado no pedido de compensação. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto acima transcritos. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
