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Numero do processo: 10580.722071/2008-01
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Exercício: 2006
DILIGÊNCIA. PROVA TESTEMUNHAL. VALORAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA .
As provas testemunhais têm valor probatório restrito em face às provas documentais e servem apenas como subsidiárias para completar aquilo que aquelas são insuficientes a esclarecer, sendo prescindíveis quando os fatos já estão suficientemente provados documentalmente. Irrelevantes para a autuação em apreço. Não há cerceamento de defesa em não sendo deferida a sua produção, pela autoridade fiscal ou de julgamento.
SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. OMISSÃO DE COMPRAS.
Não é capaz de ilidir a tributação erguida sobre a presunção de omissão de receitas evidenciada pela omissão de compras, fato este comprovado pela emissão de Notas Fiscais de fornecedor em favor da autuada, as alegações de que repassa as mercadorias a terceiros e que o lucro é ínfimo.
SIMPLES. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA.
A base de cálculo para a apuração do lucro na sistemática diferenciada, simplificada e favorecida - Simples - é a receita bruta auferida, comportando se apenas as deduções pelas vendas canceladas e/ou descontos incondicionais concedidos, nos termos da norma tributária.
SIMPLES. OPÇÃO. PRODUTOS SUJEITOS À SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA E ISENÇÃO DE ICMS.
Ao optar pela sistemática do Simples, na apuração do lucro, o contribuinte renuncia aos benefícios da comercialização de produtos isentos de ICMS ou sujeitos à substituição tributária, deduções possíveis no regime de apuração pelo Lucro Real.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. FRAUDE. ERRO.
Verificada a possibilidade de erro na escolha do regime de tributação, descabe a qualificação da multa de ofício.
NORMAS TRIBUTÁRIAS. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE.
Súmula CARF nº 2 - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. FATURAMENTO ACIMA DO LIMITE. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS.
A presunção de omissão de receitas não ilidida pela contribuinte gera o efeito de estipular-se a receita bruta anual da empresa neste mesmo valor. Ultrapassado o limite legal anual para se manter no Simples, correta a sua exclusão.
Numero da decisão: 1801-000.404
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, rejeitar o pedido de diligências, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício qualificada (150%) para a regular (75%), nos termos do voto do relator. Ausente momentaneamente o conselheiro Rogério Garcia Peres
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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PROVA TESTEMUNHAL. VALORAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA . As provas testemunhais têm valor probatório restrito em face às provas documentais e servem apenas como subsidiárias para completar aquilo que aquelas são insuficientes a esclarecer, sendo prescindíveis quando os fatos já estão suficientemente provados documentalmente. Irrelevantes para a autuação em apreço. Não há cerceamento de defesa em não sendo deferida a sua produção, pela autoridade fiscal ou de julgamento. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. OMISSÃO DE COMPRAS. Não é capaz de ilidir a tributação erguida sobre a presunção de omissão de receitas evidenciada pela omissão de compras, fato este comprovado pela emissão de Notas Fiscais de fornecedor em favor da autuada, as alegações de que repassa as mercadorias a terceiros e que o lucro é ínfimo. SIMPLES. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. A base de cálculo para a apuração do lucro na sistemática diferenciada, simplificada e favorecida - Simples - é a receita bruta auferida, comportando- se apenas as deduções pelas vendas canceladas e/ou descontos incondicionais concedidos, nos termos da norma tributária. SIMPLES. OPÇÃO. PRODUTOS SUJEITOS À SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA E ISENÇÃO DE ICMS. Ao optar pela sistemática do Simples, na apuração do lucro, o contribuinte renuncia aos benefícios da comercialização de produtos isentos de ICMS ou sujeitos à substituição tributária, deduções possíveis no regime de apuração pelo Lucro Real. Fl. 376DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. FRAUDE. ERRO. Verificada a possibilidade de erro na escolha do regime de tributação, descabe a qualificação da multa de ofício. NORMAS TRIBUTÁRIAS. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. Súmula CARF nº 2 - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. EXCLUSÃO DO SIMPLES. FATURAMENTO ACIMA DO LIMITE. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. A presunção de omissão de receitas não ilidida pela contribuinte gera o efeito de estipular-se a receita bruta anual da empresa neste mesmo valor. Ultrapassado o limite legal anual para se manter no Simples, correta a sua exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, rejeitar o pedido de diligências, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício qualificada (150%) para a regular (75%), nos termos do voto do relator. Ausente momentaneamente o conselheiro Rogério Garcia Peres. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora EDITADO EM: 17/12/2010 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Sandra Maria Dias Nunes, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa em epígrafe foi autuada a recolher os tributos federais apurados pela sistemática do Simples, relativos ao ano-calendário de 2005, pelas seguintes razões, consoante texto explicativo dos Autos de Infrações lavrados às fls. 05 a 74, e relatório do acórdão ora combatido, que aproveito: “Consta da descrição dos fatos que a empresa foi autuada por omissão de receitas não escrituradas (infração 001) e insuficiência de recolhimento (infração 002), porque: (i) a empresa estava inscrita no Simples no período fiscalizado, apresentando incompatibilidade entre a receita declarada (R$ 187.064,38) e sua movimentação financeira e econômica, conforme pesquisa interna; (ii) feita a circularização junto ao fornecedor Souza Cruz S/A, CNPJ n° 33.009.911/0001-39, constatou-se a omissão de compras de cigarros, e conseqüente omissão de vendas, pelo confronto entre as notas fiscais de venda à fiscalizada, lançamentos no Livro Caixa e receita declarada em DSPJ-Simples; (iii) a Fl. 377DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.722071/2008-01 Acórdão n.º 1801-00.404 S1-TE01 Fl. 377 3 escrituração do Livro Caixa não obedece ao disposto no art. 7°, § 1°, da Lei n° 9.317, de 1996, pois a movimentação bancária não está escriturada, notando-se ainda lançamentos de empréstimos fictícios em montante exato para complementar os valores de vendas e zerar o saldo devedor no final do mês; (iv) a omissão de compras de mercadorias e a conseqüente omissão de vendas configurou induvidosamente a redução dos tributos a pagar. Em decorrência do procedimento fiscal, houve lavratura de Representação Fiscal para Exclusão do Simples, que resultou no Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 004, de 20 de novembro de 2008 (vide fl. 273), excluindo a empresa do sistema a partir de 01/01/2006.” (grifos não pertencem ao original) Destaco que sobre a Infração ‘001’ a fiscalização aplicou a multa de ofício qualificada (150%), enquanto com relação à Infração ‘002’ a multa de ofício regular (75%). O Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 004/08 pertinente à exclusão da empresa do Simples, a partir do ano-calendário de 2006, encontra-se às fls. 273 destes autos. A empresa insurgiu-se contra os lançamentos tributários, fls. 93 a 103, alegando, em apertada síntese: ignorância quanto à carga tributária que a venda de cigarros acarreta; que a margem de lucro na comercialização desta mercadoria é de 2,5% e que age como revendedora para a Cia de Cigarros Souza Cruz; que a legislação do Simples ao impor a alíquota de 7% para as empresas de pequeno porte inviabilizou a sua atividade, tendo que permanecer recolhendo os tributos como micro empresa; é pessoa de idade, lutando pela sobrevivência, requerendo, ao fim, a redução da penalidade imposta, a não exclusão do Simples, a baixa do débito, sob pena de encerrar as atividades e voltar à informalidade. A Quarta Turma da DRJ em Salvador/Ba exarou o Acórdão nº 15-18.974/09, fls. 276 a 280, mantendo integralmente os lançamentos tributários e a exclusão da empresa do Simples. O aresto restou assim ementado: “OMISSÃO DE RECEITA NÃO ESCRITURADA A constatação de omissão de receita, decorrente da não escrituração de vendas de cigarros, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais pertinentes. EXCLUSÃO DO SIMPLES. RECEITA BRUTA. LIMITE LEGAL É válida a exclusão da pessoa jurídica que no ano-calendário ultrapassou o limite de receita bruta que lhe permitiria permanecer no Simples como empresa de pequeno porte no ano-calendário seguinte. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” Após esclarecer sobre a natureza vinculada da atividade administrativa do lançamento tributário às normas tributárias vigentes, a turma julgadora de primeira instância esclarece: “Portanto, a despeito da queixa da impugnante sobre as dificuldades que enfrenta no ramo de comércio de distribuição de cigarros, e da especificidade dessa atividade, não há previsão legal que ampare o pedido de baixa do crédito tributário exigido ou Fl. 378DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 a redução substancial do seu valor para que fosse possível à interessada liquidá-lo mediante pagamento em parcelas. [...] Ademais, não compete à instância administrativa julgar alegações sobre suposta incoerência entre margem de lucro com a venda de cigarros e alíquota aplicável à empresa optante pelo Simples, na condição de EPP, que explore tal atividade. O exame da isonomia ou equidade entre contribuintes é uma atribuição que remete ao legislador, que na elaboração da lei deve avaliar esses aspectos, bem como a capacidade contributiva, a fim de não criar tributos que fomentem a desigualdade, o confisco e a injustiça tributária. Mas, uma vez positivada a norma, caberá apenas à administração tributária zelar pelo seu fiel cumprimento, sob pena de responsabilidade funcional. Afinal de contas, a inscrição na sistemática do Simples não é obrigatória, é uma opção da pessoa jurídica, cabendo a esta avaliar se vale a pena ou não aderir ao sistema, levando em conta as características e especificidades do seu ramo de atividade. Note-se, a propósito, que as alíquotas do Simples incidem sobre a receita bruta mensal auferida, abatendo-se somente os descontos incondicionais concedidos e as vendas canceladas, e vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem como apropriação ou transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS, conforme dispõe o art. 5°, § 5°, da Lei n° 9.317, de 5 dezembro de 1996, ipsis litteris: [...] Como se vê, e não é demais repetir que as únicas exclusões da receita bruta permitidas, para as empresas inscritas no Simples, são os descontos incondicionais concedidos e as vendas canceladas. Para fins de determinação da receita bruta mensal, é vedado proceder-se, mesmo no caso de substituição tributária e naqueles casos de tributação concentrada, a qualquer outra exclusão, em virtude da alíquota favorecida e do tratamento tributário diferenciado facultado aos optantes do Simples. Também não haverá redução do percentual a ser aplicado sobre a receita bruta mensal. Como a defendente não anexou qualquer elemento de prova que pudesse contradizer a base de cálculo utilizada nos lançamentos, tendo até assumido que as diferenças apresentadas foram de fato originadas pela venda de cigarros, e que desconhecia o acréscimo de impostos originados por esse tipo de comercialização, não há como acatar o seu pedido de baixa do crédito tributário exigido, ou a substancial redução do mesmo, para que pudesse fazer o pagamento em parcelas coerentes com a alegada condição financeira da empresa. [...]” No que respeita à exclusão do Simples, a turma julgadora fundamenta a exclusão no fato inarredável de que a empresa auferiu, para o ano-calendário de 2005, a receita bruta no valor de R$ 3.514.102,55 (fls. 61), ultrapassando, pois, o limite legal para se manter na sistemática diferenciada, simplificada e favorecida. Inconformada, tempestivamente, a empresa apresenta o Recurso Voluntário de fls. 294 a 302 pelas seguintes razões: 1) a recorrente é micro empresa individual e não auferiu a receita bruta apurada no montante de R$3.514.102,55; embora seja a destinatária das Notas Fiscais da “Souza Fl. 379DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.722071/2008-01 Acórdão n.º 1801-00.404 S1-TE01 Fl. 378 5 Cruz” apenas repassa aos demais feirantes as mercadorias, ficando com o percentual de 2,5%; 2) descabe a autuação no montante exigido, sendo devido apenas o valor dos 2,5% dos valores das Notas Fiscais anexadas aos autos, sob pena de ferir-se os princípios da capacidade contributiva e da verdade real dos fatos; 3) o julgador deve buscar a verdade real além dos elementos do processo, buscando outros, cabendo a si determinar a realização de diligências, conforme dispõe o artigo 29 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), o que não foi feito pela turma julgadora de primeira instância; 4) a maioria dos contratos entre os comerciantes varejistas é feito de forma verbal, devendo a empresa “Souza Cruz” ser ouvida; pública e notória é a prática comercial adotada por estas empresas que possuem o verdadeiro intuito de burlar o fisco, iludindo os pequenos empresários, comerciantes, feirantes, que desconhecem as normas tributárias; 5) requer seja convertido o julgamento em diligência para a oitiva de testemunhas e da empresa “Souza Cruz” sobre estes fatos, sob pena de ferir-se o princípio constitucional da ampla defesa; 6) o artigo 112 do Código Tributário Nacional (CTN) impõe que na dúvida quanto às circunstâncias materiais dos fatos e sua imputabilidade, deve-se interpretar a norma de maneira mais favorável à contribuinte; 7) os poderes do fisco devem ser mitigados pelas garantias constitucionais, sob pena da autuação padecer de vício insanável; 8) o art. 145 da Constituição Federal, em seu § 1º, garantiu a pessoalidade dos impostos através da capacidade contributiva; desta forma é inconcebível exigir-se IRPJ, INSS, PIS e Cofins dos valores cheios das Notas Fiscais, sem considerar-se que a recorrente recebia apenas 2,5% da empresa “Souza Cruz”; 9) a multa aplicada no percentual de 150% é confiscatória, portanto, inconstitucional; ofende a moralidade pública, a legalidade e enseja o enriquecimento ilícito do fisco; se não remida, deve ser reduzida em vista dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade e em face da boa fé da contribuinte; Fl. 380DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 10) requer, novamente, a conversão do julgamento em diligência. É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES, Relatora Conheço do recurso voluntário, por tempestivo. Da Realização de Diligência Preliminarmente, cumpre decidir sobre a realização da diligência requerida pela recorrente. Não vejo razão para o deferimento do pedido por várias razões. Primeiramente, nos autos foram juntadas mais de 140 Notas Fiscais de venda de pacotes de cigarros para a empresa recorrente, que constituem prova documental incontestável de ser a empresa a destinatária dos produtos vendidos pela empresa “Souza Cruz”. A recorrente não explicita quais as diligências que pretende sejam efetuadas no sentido de tornar imprestáveis as informações inseridas nas referidas Notas Fiscais. Limita- se a solicitar provas testemunhais, entre elas a oitiva da empresa “Souza Cruz”, sem especificar quais os quesitos que deveriam ser feitos àquela ou quais documentos solicitados para desconstituir a prova já acostada aos autos. Por sua vez, a recorrente não possui contabilidade apta, nem quaisquer documentos, que comprovem as suas alegações de que apenas opera como ‘repassadora’, ou distribuidora, destas mercadorias para outros comerciantes ou feirantes. Sequer uma Nota de revenda foi juntada aos autos. Sequer a sua movimentação financeira foi devidamente registrada no Livro Caixa, o que é o mínimo a exigir-se e esperar-se ainda que das pequenas empresas. A alegação recorrente de que lucra apenas 2,5% dos valores espelhados nas Notas Fiscais de venda juntadas aos autos carece de documentação comprobatória e de forma alguma poder-se-á opor às provas documentais as provas meramente testemunhais que requer. É cediço que para contrapor a prova documental, somente outra prova de mesma natureza pode ser oposta. A oitiva de testemunhas serve para aclarar fatos obscuros, o que, definitivamente, no presente caso não se identifica. As compras existem e estão comprovadas pelos documentos acostados aos autos pela fiscalização. Assim preceitua sobre a prova testemunhal o Direito Processual Civil: Código de Processo Civil Art. 400. A prova testemunhal é sempre admissível, não dispondo a lei de modo diverso. O juiz indeferirá a inquirição de testemunhas sobre fatos: Fl. 381DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.722071/2008-01 Acórdão n.º 1801-00.404 S1-TE01 Fl. 379 7 I - já provados por documento ou confissão da parte; II - que só por documento ou por exame pericial puderem ser provados. (grifos não pertencem ao original) E o fato gerador da obrigação tributária, no presente caso, restou expressamente esclarecido e documentalmente comprovado no procedimento fiscal. É a omissão de receitas evidenciada pela omissão de compras comprovada pelas Notas Fiscais juntadas aos autos – artigo 281, inciso II, do RIR/99. Daí que indefiro o pedido de realização de diligências pelo fato de o ilícito tributário estar documentalmente e de forma farta comprovado nos autos, sendo desnecessária para o deslinde do litígio. E saliento que o princípio da ampla defesa e do contraditório em nada são atacados por este indeferimento, dada a inexistência de provas documentais (sequer início) que poderiam ter sido apresentadas pela recorrente, a quem foi disponibilizado prazo suficiente neste processo. Ademais, adiante acrescentam-se razões que, no presente caso, torna realmente improfícuo qualquer outro esforço em buscar a verdade material dos fatos que não aquela estampada nos autos. Do Mérito – Da Autuação pela Omissão de Compras e Da Opção pelo Simples Como explicitado no item acima, o fato gerador da obrigação tributária, no caso em concreto, é a omissão de receitas evidenciada pela omissão de compras, nos registros contábeis, como explicitados nos Autos de Infração. Esta presunção é legal e para ser ilidida a contribuinte deve provar – documentalmente – que as compras não foram realizadas. O que é impossível em face às Notas Fiscais de venda emitidas em seu favor e que fazem parte deste processo. Inarredável o fato de haver efetuado as compras em seu nome, inarredável a autuação pela omissão de receitas presumida pela norma tributária. Outro fato merece destaque neste litígio. Ainda que a recorrente mantivesse a contabilidade completa – Livros Diário, Razão, Auxiliares etc – e houvesse optado pelo Simples, teria que arcar com a sua escolha, pois esta é irretratável após o início do procedimento fiscal. A contribuinte diversas vezes se contradiz na peça recursal, pois ao mesmo tempo em que insiste em dizer que é varejista individual, reitera que repassa os cigarros adquiridos em seu nome a terceiros comerciantes (pequenos ou feirantes). Mas não traz quaisquer documentos que prove esta condição. Neste caso, se de fato age como distribuidora, age como atacadista. Então deveria ter optado por outro regime de tributação, no caso pelo Lucro Real, pelo qual pudesse Fl. 382DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 registrar contabilmente todos os repasses e inclusive impostos já recolhidos por substituição tributária. Havendo feito a opção pela sistemática diferenciada, favorecida e simplificada - Simples, assumiu o ônus de calcular os tributos federais sobre a receita bruta auferida (no caso, evidenciada pela omissão das compras). Assim determina a Lei nº 9.317/96 e alterações, em seus artigos 2º, § 2º e 5º: Art. 2º Para os fins do disposto nesta Lei, considera-se: [...] § 2º Para os fins do disposto neste artigo, considera-se receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. [...] Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) [...] (grifos não pertencem ao original) E nesta sistemática não pode usufruir do instituto da substituição tributária, ainda que a empresa “Souza Cruz” tenha recolhido qualquer importância a título de PIS e Cofins na qualidade de responsável e substituto tributário. Destarte, nem o ICMS de produtos isentos, se fosse o caso, nem as parcelas recolhidas pelos fornecedores de PIS e Cofins no regime de substituição tributária podem ser excluídas do conceito de receita bruta para fins do cálculo do Simples, exceto as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, por força legal. Assim também orienta a pergunta nº 422 do “Perguntas e Respostas” disponível no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil: 422. Como deve proceder a pessoa jurídica optante pelo Simples, em relação à receita bruta auferida com a venda de cigarros ou veículos novos, que tenham sido na aquisição submetidos ao regime de substituição do PIS/Pasep e da Cofins pelo fabricante ou importador? O fabricante e o importador de cigarros e dos veículos classificados nos códigos 8432.30 e 87.11, da TIPI, são obrigados a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, o PIS/Pasep e a Cofins devidas pelos comerciantes varejistas, mesmo que estes sejam optantes pelo Simples. Os comerciantes varejistas optantes pelo Simples, não poderão excluir da base de cálculo do Simples, a receita auferida com a venda dos produtos que tenham sido objeto de substituição (MP Fl. 383DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.722071/2008-01 Acórdão n.º 1801-00.404 S1-TE01 Fl. 380 9 nº 2.158-35, de 2001, art. 43; Lei nº 10.637, de 2002, art. 64; e IN SRF nº 247, de 2002, art. 5º). (grifos não pertencem ao original) A Instrução Normativa SRF retro citada assim interpreta a norma legal: Art. 4º Os fabricantes e os importadores de cigarros são contribuintes e responsáveis, na condição de substitutos, pelo recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins devidos pelos comerciantes varejistas, nos termos do art. 48. Parágrafo único. A substituição prevista neste artigo não alcança o comerciante atacadista de cigarros, que está obrigado ao pagamento das contribuições incidentes sobre sua receita de comercialização desse produto. Por todo o exposto, precipuamente: (i) pela omissão reiterada do registro contábil das Notas Fiscais de compras de cigarros pela recorrente – fato que acarreta a presunção de omissão de receitas, consoante artigo 281, inciso II, do RIR/99 – e (ii) pela opção inequívoca ao Simples, DECIDO que os lançamentos tributários para a exigência do Simples, no ano-calendário de 2005, foram realizados nos estritos moldes das normas tributárias, não podendo ser ilididos por razões subjetivas ou circunstâncias que documentalmente não podem ser comprovadas. Da Multa de Ofício No que concerne à qualificação da multa de ofício, todavia, entendo que verifica-se, neste caso, a ocorrência de erro quanto à escolha do melhor regime de tributação para a empresa, ficando prejudicada a certeza do evidente intuito de fraude com que teria agido a contribuinte. A multa de ofício, pois, deverá ser reduzida à regular, no percentual de 75%. Da Ofensa aos Princípios Constitucionais Quanto às argumentações de que a presente autuação fere o princípio da capacidade contributiva, o artigo 145 da Carta Magna é dirigido aos legisladores e não aos operadores do direito, aos quais compete tão somente observar quanto à correta aplicação das normas vigentes, nem tampouco às autoridades administrativas responsáveis pelo lançamento tributário a quem a norma impõe o dever de aplicar as normas tributárias em vigor, sob pena de responsabilidade funcional – artigo 142, § único do CTN (Código Tributário Nacional): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 384DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 (grifos não pertencem ao original) E não cabe às autoridades administrativas de julgamento negar vigência às normas tributárias não consideradas inconstitucionais pela Corte Suprema. Seria usurpação de competência, delegada pela Carta Magna, com exclusividade, ao Supremo Tribunal Federal. Esta questão está pacificada na jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e está, inclusive, sumulada. A súmula nº 2 do CARF dispõe: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da Exclusão do Simples A recorrente apenas alega que não auferiu receita bruta acumulada da ordem de mais de R$3.000.000,00. A omissão de compras detectada pela fiscalização, consoante acima explicitado, evidencia omissão de receitas no mesmo valor apurado. Se a recorrente não consegue comprovar que as Notas Fiscais emitidas em seu favor, proveniente da venda de cigarros, não foram compras suas, não consegue arredar esta presunção legal de que obteve receitas neste mesmo montante. Destarte ter sido tributada a pagar as diferenças de tributos federais e ter sido excluída do Simples por haver extrapolado o limite legal anual para se manter nesta sistemática de apuração dos referidos tributos. Mantenho a exclusão do Simples. Das Diferenças de Alíquotas em Face da Omissão de Receitas – Infração 002 Não ilidida a presunção de omissão de receitas, correta a exigência das diferenças devidas pela alteração do valor da alíquota a que se sujeita a empresa, pelo Simples. CONCLUSÃO Voto em preliminar, rejeitar o pedido de diligências, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício qualificada (150%) para a regular (75%). (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 385DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.722071/2008-01 Acórdão n.º 1801-00.404 S1-TE01 Fl. 381 11 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 17 de dezembro de 2010. _____________________________ Moema Nogueira de Souza – Secretário da Câmara Ciência Data: ____/___________/________ _____________________________ Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. [ ] _________________________ Fl. 386DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 15868.001078/2009-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2007
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.248
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2007 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.
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score : 1.0
Numero do processo: 13016.000258/2004-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.344
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente MADEM SA INDUSTRIA E COMERCIO DE MADEIRAS E EMBALAGENS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 02 58 /2 00 4- 11 Fl. 282DF CARF MF Processo nº 13016.000258/200411 Acórdão n.º 9303005.344 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão 330101.348, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que, no período de apuração destes autos, a cessão onerosa de créditos do ICMS deve compor a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. O contribuinte requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão de créditos onerosa de créditos de ICMS não tem natureza jurídica de receita, tratando se de mera mutação patrimonial, não podendo, assim, compor a base de cálculo da contribuição, mesmo antes da eficácia da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 13016.000258/200411 Acórdão n.º 9303005.344 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 13016.000258/200411 Acórdão n.º 9303005.344 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 285DF CARF MF Processo nº 13016.000258/200411 Acórdão n.º 9303005.344 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 286DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912113/2012-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/10/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.827
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 21 13 /2 01 2- 82 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.912113/201282 Acórdão n.º 3301003.827 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.854, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912113/201282 Acórdão n.º 3301003.827 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912113/201282 Acórdão n.º 3301003.827 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912113/201282 Acórdão n.º 3301003.827 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912113/201282 Acórdão n.º 3301003.827 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912113/201282 Acórdão n.º 3301003.827 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912113/201282 Acórdão n.º 3301003.827 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.912113/201282 Acórdão n.º 3301003.827 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.000609/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008
PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa, quando comprovado que os dispositivos foram apontados no lançamento, além de o recorrente demonstrar, em seu recurso, conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas.
GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. TERRA NUA.
Na apuração do ganho de capital decorrente de alienação da terra nua, não há que se cogitar de cômputo das despesas com benfeitorias como custo de aquisição, se levadas à apuração do resultado da atividade rural.
ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE.
À esfera administrativa não cabe conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo, por se tratar de atribuição reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário.
Numero da decisão: 2402-005.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Fernanda Melo Leal.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti e Jamed Abdul Nasser Feitosa.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007, 2008 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa, quando comprovado que os dispositivos foram apontados no lançamento, além de o recorrente demonstrar, em seu recurso, conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. TERRA NUA. Na apuração do ganho de capital decorrente de alienação da terra nua, não há que se cogitar de cômputo das despesas com benfeitorias como custo de aquisição, se levadas à apuração do resultado da atividade rural. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. À esfera administrativa não cabe conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo, por se tratar de atribuição reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário.
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NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa, quando comprovado que os dispositivos foram apontados no lançamento, além de o recorrente demonstrar, em seu recurso, conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. TERRA NUA. Na apuração do ganho de capital decorrente de alienação da terra nua, não há que se cogitar de cômputo das despesas com benfeitorias como custo de aquisição, se levadas à apuração do resultado da atividade rural. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. À esfera administrativa não cabe conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo, por se tratar de atribuição reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 06 09 /2 01 0- 12 Fl. 112DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Fernanda Melo Leal. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti e Jamed Abdul Nasser Feitosa. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13558.000609/201012 Acórdão n.º 2402005.965 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Cuida o presente de Auto de Infração lavrado em 10.06.2010, para constituição de IRPF no valor principal de R$ 192.869,99, acrescido da multa de ofício (75%) e dos juros legais Selic. A autuação decorre da constatação da infração a seguir: 1 Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos Falta de recolhimento do imposto sobre o ganho de capital, relacionado ao imóvel rural de NIRF 5.552.8830 Fazenda Agropecuária Vale do Rio Verde. Quando ao fatos apurados pela Fiscalização, valhome do excerto abaixo, extraído do Relatório Fiscal de fls.11/14. (...) 1) Que o contribuinte vendeu um imóvel rural, de nome "Fazenda Agropecuária Vale do Rio Doce", à empresa "Farms Investimentos Agrícolas Ltda", CNPJ 09.106.487/000166, conforme se comprova em suas DIRPF 2008 (fls. 54 a 61) e 2009 (fls. 62 a 68), e, também, através do documento "Convênio Particular de Intenção de Compra de Imóvel Rural" (fls. 22 a 26); 2) Que a data de celebração do "Convênio Particular de Intenção de Compra de Imóvel Rural" se deu em 05/11/07 (fls. 26); 3) Que ficou convencionado que o preço fechado, total, justo e irreajustável do negócio foi de R$ 3.200.000,00 (três milhões e duzentos mil reais), sendo R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais) pelo imóvel e R$ 1.200.000,00 (hum milhão e duzentos mil reais) pelas benfeitorias (fls. 23); 4) Que as datas e valores do pagamento dos R$ 3.200.000,00, conforme fls. 23 do documento "Convênio Particular de Intenção de Compra de Imóvel Rural", seriam: a. 05/11/07: R$ 1.000.000,00 b. 01/02/08: R$ 2.000.000,00 c. 15/02/08: R$ 200.000,00 5) Que as datas e valores anteriormente descritos estão confirmados nas DIRPF 2008 (fls. 54 a 61) e 2009 (fls. 62 a 68); 6) Que o valor do bem constava na DIRPF do contribuinte com os seguintes valores: Código 14 (Terra Nua): R$ 30.000 (trinta mil reais) (fls. 57) Fl. 114DF CARF MF 4 Código 17 (Benfeitorias): R$ 270.000 (duzentos e setenta mil reais) (fls. 57) 7) Que o Valor da Terra Nua (VTN), declarado pelo contribuinte no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Rural DIAT (NIRF 5.552.8830) (fls. 39 a 41), no ano da aquisição, foi de R$ 10.000,00 (fls. 41). Aqui, vale dizer que, apesar do contribuinte ter declarado junto ao IRPF a propriedade apenas a partir de sua DIRPF 2008 (AC 2007) e informado ter adquirido em 18/12/2005, com VTN de R$ 30.000,00 (fls. 57), em suas Declarações junto ao ITR, consta VTN de R$ 10.000,00, e, desde o ano de 2001, em seu nome (fls. 39 a 41), ano que será considerado para efeito de cálculo do Ganho de Capital. 8) Que não se constatou nos sistemas da RFB (fls. 47), nem foi apresentado pelo contribuinte qualquer comprovação de pagamento de IR sobre o ganho de capital auferido. Regulamente intimado da autuação, apresentou Impugnação, que foi julgada improcedente pela competente Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ. Em resumo, a Fiscalização apurou o ganho de capital na alienação do imóvel rural Fazenda Agropecuária Vale do Rio Doce valendose como custo de aquisição do VTN declarado no DIAT apresentado para o exercício 2001 (tomando o dia primeiro do ano), na medida em que teria sido o primeiro DIAT identificado nos sistemas da RFB para o CPF do sujeito passivo e, como valor de alienação, o valor do imóvel, descartadas as benfeitorias, que constou do Convênio Particular de Intenção de Compra de Imóvel Rural de 05/11/07, posto que, segundo o evidenciado pela DRJ, não teria havido a apresentação do DIAT para 2007, ano da alienação. Extraise das telas de fls. 44 e 48 que não houve apresentação de Diat/Diac relativo ao exercício de 2007, razão pela qual foi computado como valor de alienação da terra nua o constante do “Convênio Particular de Intenção de Compra de Imóvel Rural”, já referido acima. Consignou ainda a DRJ, que não houvera apuração de ganho de capital na alienação das benfeitorias, vez que foram consideradas como investimento na atividade rural, conforme previsto no artigo 6º da Lei n° 8.023, de 1990. E transcreveu o dispositivo: Art. 6º Considerase investimento na atividade rural, para os propósitos do art.4º, a aplicação de recursos financeiros, exceto a parcela que corresponder ao valor da terra nua, com vistas ao desenvolvimento da atividade para expansão da produção ou melhoria da produtividade agrícola. (Destaques da transcrição) Nas razões de seu Recurso Voluntário de fls. 100/106, sustenta, em síntese: a) A nulidade do lançamento em virtude da forma de apuração do IRPF Equiparação dos Conceitos de Entradas x Renda Impossibilidade; b) A não indicação do dispositivo que descreve a hipótese de incidência do tributo Cerceamento de Defesa; e c) A natureza confiscatória da multa de ofício, aplicada em 75% Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13558.000609/201012 Acórdão n.º 2402005.965 S2C4T2 Fl. 4 5 É o relatório. Fl. 116DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti Relator. O sujeito passivo tomou ciência do Acórdão da DRJ em 04.07.2014 e apresentou seu Recurso Voluntário tempestivamente em 25.07.2014. Preenchidos os demais requisitos formais, dele passo a conhecer. Em preliminar de mérito, alega cerceamento de defesa pela suposta não indicação do dispositivo que descreveria a hipótese de incidência do tributo. Como bem destacado no Acórdão de 1ª instância, os fundamentos de fato expostos no Relatório Fiscal foram claros e suficientes à demonstrar a infração apurada e consignada no Auto de Infração como sendo "GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE GANHOS DE CAPITAL". Ademais, os artigos citados no Auto de Infração, à exceção do 53 da Lei 8.383/91, que trata da conversão dos tributos em quantidade de UFIR, sustentam o lançamento efetuado. Nesse sentido, ao suscitar questão de mérito em sua defesa, demonstra o contribuinte conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, não havendo que se falar, desta feita, em cerceamento do seu direito de defesa. Quanto ao mérito, insurgese o recorrente, basicamente, quanto ao valor atribuído pela fiscalização ao custo de aquisição do imóvel, nos termos a seguir: Há de ser comprovado pelo Auditor Fiscal o nexo causal entre o suposto acréscimo patrimonial e a desconsideração do valor de aquisição do imóvel no montante de R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais). Desse modo, com base no princípio da verdade material devese considerar como valor de aquisição constante nos documentos em anexo, que deverá deduzido do valor de venda para apuração do ganho de capital; Nesse ponto, cumpre destacar que o valor do custo de aquisição utilizado o VTN foi aquele que constou do DIAT apresentado pelo próprio contribuinte, a teor do caput do artigo 19 da Lei 9.393/96. Ademais, em que pese referirse a "documentos em anexo", sua peça recursal, ora em análise, foi acosta aos autos sem qualquer anexo. Registrese que o artigo 9º, §§ 1º e 2º da Instrução Normativa SRF nº 84/2001, autoriza sejam adicionados para fins de determinação do custo de aquisição os dispêndios com benfeitorias (construções, instalações e melhoramentos), com culturas permanentes e temporárias, com as árvores e florestas plantadas e com as pastagens cultivadas e melhoradas, desde que não tenham sido utilizados na apuração do resultada da atividade rural e, por óbvio, devidamente comprovados por meio de documentação hábil e idônea. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13558.000609/201012 Acórdão n.º 2402005.965 S2C4T2 Fl. 5 7 Entretanto, inferese que a pretensão do contribuinte reside em que seja adicionado ao valor de custo adotado pela fiscalização, o valor de aquisição de outro imóvel rural (NIRF 1.134.0134), adquirido de outra contribuinte (Maria José Andrade), cuja transação é retratada no contrato Particular de Promessa de Compra e Venda de 05.11.2007, acostado às fls. 29/33. Tal pleito não encontra amparo da legislação aplicada, em especial pelo que dispõe o artigo a seguir, da Lei 9.393/96: Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. No que toca à alegação de ser confiscatória a multa de ofício aplicada em seu patamar de 75%, em afronta ao inciso IV do artigo 150 da CRFB/88, cumpre esclarecer que não compete a este colegiado pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, consoante o que dispõe a Súmula CARF nº 2, c/c o artigo 72 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A seu turno, compete ao julgador, em última análise, apreciar se o fato concreto imputado se subsume à norma abstrata vigente a seu tempo. Com efeito, verificada a não declaração e o não recolhimento do tributo então lançado em procedimento de ofício, temse por aplicada a multa prevista no inciso I, do artigo 44 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 11.488/2007. Pelo exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso do contribuinte, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, em NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.014101/2007-16
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2005
SIMPLES. EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÕES.
Procede a exclusão da empresa da sistemática do Simples comprovado que reiteradamente omitiu, na DSPJ e na contabilidade, receitas recebidas, não oferecendo-as à tributação.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2005
NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS.
Constatado nos autos que a descrição dos fatos que ensejaram a autuação, bem como a matéria tributada de ofício, e todo o procedimento fiscal foram objeto do Relatório Fiscal parte integrante dos Autos de Infração, todos cientificados ao contribuinte, descabe a alegação de nulidade por cerceamento de defesa.
MULTA QUALIFICADA.
A prática reiterada de omitir receitas caracterizada pela não contabilização de recebimentos via cartão de crédito e a manutenção de conta bancária à margem da escrituração comprovam a conduta dolosa do contribuinte em fraudar o fisco pela evasão de tributos.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
Numero da decisão: 1801-000.360
Decisão: Acordam os membros do colegiado: I - por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidades suscitadas pela recorrente; II - no mérito: a) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário mantendo a exclusão do Simples e os lançamentos tributários para a exigência dos tributos federais; b) por voto de qualidade, manter a multa qualificada, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Rogério Garcia Peres
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÕES. Procede a exclusão da empresa da sistemática do Simples comprovado que reiteradamente omitiu, na DSPJ e na contabilidade, receitas recebidas, não oferecendo-as à tributação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005 NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS. Constatado nos autos que a descrição dos fatos que ensejaram a autuação, bem como a matéria tributada de ofício, e todo o procedimento fiscal foram objeto do Relatório Fiscal parte integrante dos Autos de Infração, todos cientificados ao contribuinte, descabe a alegação de nulidade por cerceamento de defesa. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de omitir receitas caracterizada pela não contabilização de recebimentos via cartão de crédito e a manutenção de conta bancária à margem da escrituração comprovam a conduta dolosa do contribuinte em fraudar o fisco pela evasão de tributos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 425DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Acordam os membros do colegiado: I - por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidades suscitadas pela recorrente; II - no mérito: a) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário mantendo a exclusão do Simples e os lançamentos tributários para a exigência dos tributos federais; b) por voto de qualidade, manter a multa qualificada, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Rogério Garcia Peres. (assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES – Presidente e Relatora EDITADO EM: 16/11/2010 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório Iniciada a fiscalização na empresa em epígrafe, optante do Simples, constatou-se relevantes omissões de receitas em todos os meses do ano-calendário de 2005, ensejando a representação fiscal de fls. 02 a 06, objetivando a exclusão da empresa do regime de tributação simplificado, diferenciado e favorecido. A fiscalização propôs a exclusão da empresa do Simples pela prática reiterada de infração tributária – pelas omissões sistemáticas das receitas evidenciadas pelos depósitos bancários e pelos créditos por recebimentos via cartões (Visa, Redecard, American, entre outros) em confronto com os valores informados ao fisco em DSPJ e contabilizados – com fulcro no artigo 14, inciso V, c/c o art. 15, V, ambos da Lei nº 9.317/96. Na representação fiscal retro referenciada os fatos, circunstâncias e fundamentação legal foram expostos, bem como planilhas demonstrativas dos valores considerados como evidência das omissões cometidas pela empresa fiscalizada. Consta do presente autos cópia da DSPJ/06, dos balancetes mensais, dos extratos bancários e movimentos de vendas emitidos pelas administradoras de cartões de créditos, entre outros documentos. Em decorrência à representação fiscal e dos documentos que do processo consta, foi emitido o Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/POA nº 171, em 13 de dezembro de 2007, excluindo a empresa pela prática reiterada de infrações tributárias (art. 14, V, da Lei nº 9.317/96) com efeitos retroativos a 01/01/2005 (art. 15, V, da Lei nº 9.317/96) – fls. 297. Cientificada a empresa do ato, a fiscalização procedeu à autuação para a exigência do IRPJ, PIS, CSLL e Cofins relativos ao ano-calendário de 2005. Fl. 426DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.014101/2007-16 Acórdão n.º 1801-00.360 S1-TE01 Fl. 406 3 Às fls. 301 consta Termo de Intimação pelo qual a empresa foi instada a esclarecer qual o regime de tributação adotado para o ano-calendário sob fiscalização – 2005, sob pena de sofrer a autuação pelo regime do lucro arbitrado. A empresa apresentou manifestação de inconformidade contra o ADE de exclusão do Simples às fls. 304 a 311, argumentando, em síntese, que o ADE é nulo por não explicitar qual a motivação da exclusão da empresa do regime favorecido e diferenciado, não suprindo a omissão a representação fiscal; a omissão de receitas cometida não representa valores relevantes e nem foi cometida em um lapso temporal extenso, e sequer ultrapassou o limite anual para não mais poder optar pelo Simples, fato este que não legitima a sua exclusão do Simples; invoca os princípios da razoabilidade e proporcionalidade para ser mantido no Simples; alega que colaborou com a fiscalização fornecendo todos os documentos conforme solicitado. Os Autos de Infração lavrados contra a empresa, para exigência dos tributos federais, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, da ordem total de crédito tributário de R$ 133.307,24 (incluídos os acréscimos legais), foram acostados aos autos às fls. 329 a 354, devidamente explicitada a autuação no Relatório Fiscal de fls. 355 a 360. A multa de ofício foi qualificada em vista das seguintes razões: “...reiterada prática de ocultar valores recebidos dos clientes através de cartões de crédito e de débito, não oferecendo tais valores à tributação, fato amplamente comprovado por esta fiscalização, além de não escriturar em sua contabilidade a movimentação financeira de uma das contas-correntes bancárias de sua titularidade e de escriturar somente parte da movimentação verificada na outra, configura a situação prevista no artigo 71 da Lei n° 4.502164, o que justifica a qualificação da multa.” As receitas obtidas mensalmente foram consolidadas de forma trimestral para as exigências de IRPJ e CSLL, e mensal para as exigências de PIS e Cofins, tendo sido considerados e deduzidos os recolhimentos efetuados pelo contribuinte a título de Simples, consoante planilhas descritivas de valores de fls. 361 a 364, também partes integrantes dos Autos de Infração. A empresa apresentou a impugnação à autuação sofrida às fls. 368 a 376. A primeira Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS exarou o Acórdão nº 10-17.152/08 indeferindo o pedido para ser mantida no Simples, bem como mantendo os lançamentos tributários realizados de ofício – fls. 388 a 392. Reproduzo, por oportuno, trechos do acórdão combatido no que se refere à sua fundamentação: “A reclamação de que o Ato Declaratório Executivo de fl. 297 estaria eivado de vício de nulidade, haja vista a suposta ausência dos motivos de fato e de direito que ensejam a exclusão do SIMPLES, é improcedente. À vista do texto contido no referido ato administrativo (ver fl. 297), verifica-se que há referência expressa de que a exclusão operou-se "conforme o processo n° 11080.014101/2007-16". O referido processo tem como peças inaugurais o MPF de fl. 01 e, principalmente, a representação fiscal de fl. 02, onde consta a descrição detalhada das infrações cometidas pela interessada. Ademais, a Notificação Fl. 427DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 300/2007/Secat/CNPJ de fl. 298, por meio da qual foi cientificado à contribuinte o Ato Declaratório em questão, registra expressamente que os motivos que levaram à exclusão da contribuinte do SIMPLES encontram-se contidos no "Processo de Exclusão n° 11080.014101/2007-16 originário de Representação Fiscal do Serviço de Fiscalização", configurando o pleno atendimento dos requisitos previstos na legislação de referência, em especial os artigos 12 e 14 da Lei n°9.31711996. De outro lado, a interessada demonstra total conhecimento das razões que levaram à expedição do Ato Declaratorio, o que certifica a inexistência de cerceamento a seu direito de defesa. [...] A exclusão do SIMPLES teve fundamento legal no art. 14, V, da Lei 9.317/1996, matriz legal do art. 195 do RIR/99, verbis: [...] Trata-se de dispositivo legal de natureza eminentemente tributária, que dispensa norma complementadora para estabelecer sua integração. O texto legal configura uma proposição jurídica completa, com exegese facilmente depreendida por interpretação literal. Se não vejamos: a) O significado e alcance da expressão prática reiterada, utilizada no art. 15, V, da Lei n° 9.317/96, é dado por seu próprio sentido semântico. Reiterar significa repetir, renovar, iterar (ibidem). Portanto, prática reiterada é a ação que se repete, conforme entendimento reiterado pelo Conselho de Contribuintes, exemplificado nas ementas a seguir: [...] Ou seja, materializada a repetição consecutiva da mesma infração à legislação tributária, o contribuinte deve ser excluído do sistema de tributação favorecido, por expressa determinação legal. A circunstância material que deu origem à exclusão — prática reiterada de infração à legislação tributária — está inequivocamente demonstrada na representação fiscal para exclusão do SIMPLES de fls. 02/07. As planilhas de fls. 04/05, que têm substrato na farta documentação juntada aos autos, evidenciam, de maneira inarredável, a sistemática omissão de receitas levada a efeito pela contribuinte, de janeiro a dezembro de 2005. O exercício repetido dessas infrações no período fiscalizado configura, sim, prática reiterada de infração à legislação tributária, motivo de exclusão do Simples. [...] A alegação de que o ato administrativo ocorreu à revelia do limite previsto no art. 9°, II, da Lei n°9317/1996 é totalmente improcedente, haja vista que o motivo da exclusão no caso concreto — aquele previsto no art. 14, V, da mesma lei n°9.317/1996 (prática reiterada de infração à legislação tributária) — independe do montante da receita auferida no período. A exclusão independe, tampouco, do "animus do Impugnante em recolher os tributos", conforme alegado à fl. 310. Note-se que as decisões administrativas referidas às fls. 307/308 não corroboram a tese da impugnante, não obstante as respectivas ementas possam assim aparentar: (a) o acórdão nº 303-33288 simplesmente não trata de exclusão havida com base no art 14, V, como sugere a contribuinte; (b) já o voto do relator do acórdão if 101-96025 (citado à fl. 308), cujo inteiro teor está disponível no site do Conselho de Contribuintes [...] tampouco está alinhado com a linha de defesa adotada pela interessada. Fl. 428DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.014101/2007-16 Acórdão n.º 1801-00.360 S1-TE01 Fl. 407 5 [...] Nos termos do art. 15, § 3°, da Lei n° 9.317/1996 (acrescido pelo art. 3° da Lei n° 9.732/1998), a exclusão de ofício dar-se-á mediante ato declaratorio da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Não há no Decreto n° 70.235/1972, que regula o processo administrativo tributário, norma que contemple a atribuição de efeito suspensivo ao recurso. O art. 151 do CTN não se aplica à exclusão do SIMPLES, já que trata de suspensão da exigibilidade do crédito tributário e não da suspensão de efeitos de ato administrativo. [...] Improcedentes, pois, as questões pertinentes ao suposto efeito suspensivo decorrente da manifestação de inconformidade ao ato de exclusão. Adiante, a contribuinte reclama que "sobre os valores recolhidos referentes à tributação do ano-calendário de 2005 não é legitima a incidência de multa e taxa SELIC". Ocorre, contudo, que não houve constituição de crédito tributário ou aplicação de multa qualificada sobre os valores recolhidos. Conforme evidenciado no item "4. COMPENSAÇÃO DE VALORES" do relatório fiscal (ver fl. 358), os valores recolhidos pela contribuinte foram todos devidamente compensados antes da lavratura dos autos de infração. Quanto às alegações pertinentes à "efetiva ocorrência de sonegação fiscal descrita pelo artigo 71 da Lei n° 4.502/64", é flagrante que a fiscalizada, ao omitir parcela significativa de suas receitas, ao longo de vários períodos de apuração, prestou de forma sistemática informações totalmente distorcidas à RFB, algo que seguramente não ocorreu como resultado de mero erro, face à total discrepância com a realidade. O levantamento apresentado pela fiscalização nas planilhas de fls. 356/357 não deixa dúvidas quanto à magnitude e sistematicidade das infrações cometidas. Perfeitamente caracterizada, portanto, a prática pela autuada da conduta tipificada no art. 71, I, da Lei 4.502/1964 2, tal qual descrito pela fiscalização à fl. 360, do que decorre a aplicação da multa qualificada de que trata o art. 44, II, da Lei n° 9.430/1996.” Tempestivamente, a empresa apresenta o Recurso Voluntário de fls. 396 a 403, pelas seguintes razões de defesa: I) Da Exclusão do Simples: I.a) inexistência de razoabilidade – o ato administrativo baseou-se nos demonstrativos de receitas apresentados pela contribuinte, afirmando que teria omitido receita no exercício (sic) de 2005; mas não basta para a hipótese do artigo 14, V, da Lei nº 9.317/96 se concretizar a omissão, mas deve ocorrer omissão reiterada o que não ocorreu; I.b) os atos administrativos devem ser realizados mediante juízo de razoabilidade e o fisco deve procurar meios menos gravosos para o contribuinte a fim de promover a arrecadação tributária; I.c) a aplicação do postulado da proporcionalidade deve ser aplicado porque a recorrente omitiu receitas de valor não elevado, durante curto lapso temporal Fl. 429DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 e ainda assim, se tivesse escriturado a receita omitida, estaria albergado pelo Simples; I.d) os valores não ultrapassam o enquadramento do recorrente em empresa de pequeno porte; faz remissão em aberto a acórdãos, não citando números, nem transcrevendo ementas; I.e) reitera sobre a aplicação do princípio da proporcionalidade e a interpretação da Lei nº 9.317/96, citando doutrina de Humberto Ávila; alega que colaborou com a fiscalização; se mantido no Simples haverá menor prejuízo a recorrente e não afetará o Erário. II) Nulidade dos Autos de Infração II.a) o auto de infração (sic) sequer mencionou adequadamente a matéria tributária referindo tão somente o número do processo administrativo e o ato declaratório; há falta de descrição minuciosa a fim de se evitar o cerceamento de defesa da recorrente; cita acórdão administrativo a respeito desta matéria; III) Da Multa Qualificada e dos Juros Selic III.a) o Auto de Infração (sic) não bastasse a alíquota elevadíssima, pretende cobrar a multa e taxa Selic não só pela diferença do que foi pago, mas sobre os valores integrais; III.b) improcedem as incidências de multa de ofício e juros moratórios sobre os valores já recolhidos; III.c) não houve comprovação de dolo por parte da recorrente; não ocorreu a hipótese legal inserida no artigo 71 da lei nº 4.502/64; a multa deve ser afastada; cita acórdãos do Conselho de Contribuintes neste sentido. É o relatório. Passo a análise das razões recursais. Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES, relatora Conheço do recurso voluntário, por tempestivo. I) Da Exclusão do Simples A recorrente alega que a exclusão da recorrente ocorreu ao arrepio das disposições contidas no artigo 14, inciso V, da Lei nº 9.317/96, pois: a) as omissões de receitas cometidas não foram reiteradas; b) os valores omitidos ainda que tivessem sido escriturados permitiriam que a recorrente continuasse no Simples, em vista dos limites legais; c) a exclusão fere os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, pois os atos administrativos não devem procurar agravar a situação dos contribuintes e devem promover a arrecadação tributária. Dispõe o artigo 14, inciso V, da Lei nº 9.317/96: Fl. 430DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.014101/2007-16 Acórdão n.º 1801-00.360 S1-TE01 Fl. 408 7 Art. 14. A exclusão dar-se-á de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: [...] V - prática reiterada de infração à legislação tributária; (grifos não pertencem ao original) A recorrente confessa que omitiu receitas, mas argumenta que não o fez de forma repetida. Vejamos os fatos, portanto. De plano, saliente-se que o fato gerador do Simples é a percepção mensal das receitas auferidas. No caso, a omissão da empresa ocorreu porque não contabilizou os recebimentos via cartões de créditos e/ou depósitos advindos de seus clientes. As omissões ocorreram nos seguinte meses do ano-calendário de 2005 e nas seguintes proporções entre os valores declarados ao fisco e os valores efetivamente recebidos, fatos, destaco, incontroversos no presente litígio: Meses/2005 Percentual omitido Percentual declarado Janeiro 83% 17% Fevereiro 88% 11% Março 65% 35% Abril 45% 55% Maio 69% 31% Junho 70% 30% Julho 56% 44% Agosto 38% 62% Setembro 23% 77% Outubro 54% 56% Novembro 64% 36% Dezembro 53% 47% *valores extraídos da tabela de fls. 05 que demonstram a receita total apurada pelos recebimentos em depósitos e cartões de créditos X valores informados na DSPJ/06. Nota-se que a empresa omitiu, efetivamente, receita em doze meses, sendo que em nove dos meses a omissão ultrapassou 50% da receita efetivamente informada ao fisco e oferecida à tributação. Tais omissões não podem ser consideradas eventuais, mas foram, sim, praticadas de forma reiterada e é patente o prejuízo ao erário, caso a fiscalização não comparecesse para auditar a empresa. Destarte, a prática reiterada da infração tributária está constatada e correta a tipificação legal como causa excludente da empresa do Simples. Fl. 431DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 No que respeita aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e ao objetivo precípuo da fiscalização, que ao ver da recorrente, deve ser arrecadatório, equivoca-se totalmente, sendo descabidas as alegações neste sentido. O objetivo fundamental da ação fiscal do Estado é coibir a evasão fiscal e o ato administrativo tributário deve se pautar rigidamente nas disposições legais, sendo defeso à autoridade fiscal aplicar os referidos princípios invocados. A fiscalização não pode escolher em aplicar ou não a legislação tributária e deparando-se com a ocorrência da hipótese preceituada na norma legal deve aplicá-la, incontinente. Em assim sendo, não há alternativa para a autoridade administrativa ao constatar as relevantes e reiteradas omissões de receitas perpetradas pela empresa a não ser excluí-la do regime de apuração diferenciado, favorecido e simplificado – Simples, consoante impõe o artigo 14, inciso V, da Lei nº 9.317/96. Observa-se, ainda, pela redação do caput do artigo 14 que em “qualquer” das hipóteses elencadas pelo dispositivo o contribuinte faltoso deve ser excluído da sistemática, pelo que afasta-se, de pronto, as argumentações de defesa de que os valores omitidos, ainda que declarados não sobrepujam o limite anual estipulado na norma legal para aqueles que podem optar pelo Simples. O Simples trata de regime de apuração de tributos de forma favorecida e esta benesse do Estado implica que o tratamento àqueles que optam por este seja realizado de forma rigorosa, privilegiando os princípios da isonomia entre os contribuintes e da justiça fiscal. O contribuinte que despreza as condições para recolher tributos com alíquotas diferenciadas dos demais contribuintes deve ser excluído do sistema e passar à condição igualitária aos demais, perdendo, de vez, o favorecimento fiscal. Sobretudo, ao meu ver, ao omitir consideravelmente as receitas obtidas, em flagrante evasão fiscal, como no presente caso. Voto, pelo exposto, em manter a exclusão do Simples. II) Da Preliminar de Nulidade dos Autos de Infração A recorrente equivoca-se ao alegar que os Autos de Infração lavrados para as exigências de IRPJ, PIS, CSLL e Cofins não se reportaram à descrição minuciosa dos fatos imputados contra a empresa fiscalizada e que ensejaram a sua autuação. Está relatado acima que a fiscalização acostou ao processo os Autos de Infração às fls. 329 a 354, nos quais constou expressamente na descrição dos ilícitos tributários que ensejou cada autuação:“...conforme relatório em anexo”, sendo que o Relatório Fiscal foi devidamente anexado aos Autos – fls. 355 a 360. O referido Relatório esmiúça todo o procedimento fiscal, situações de fato constatadas que constituíram os ilícitos tributários, fundamentação legal tanto para a exclusão do Simples quanto para as autuações realizadas, fundamentação da qualificação da multa de ofício e valores dos créditos tributários lançados, inclusive dos valores compensados e recolhidos espontaneamente pela empresa a título de Simples. Ao final do Relatório Fiscal consta a ciência da recorrente, ocorrida na mesma data da ciência dos Autos em questão, bem como do Termo de Encerramento da ação fiscal. Fl. 432DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.014101/2007-16 Acórdão n.º 1801-00.360 S1-TE01 Fl. 409 9 Por isto, totalmente descabida a alegação da recorrente de que faltou clareza na exposição dos fatos ou quanto à matéria tributada, de ofício, que ensejaram a tributação, sendo improfícuo o arrazoado de cerceamento de defesa. III) Da Multa Qualificada e dos Juros Moratórios Incabível a alegação da recorrente de que a multa de ofício e os juros incidentes sobre os valores lançados de ofício incluem os valores recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples. Aliás esta argumentação já foi rechaçada no acórdão de primeira instância que explicou à recorrente que a fiscalização procedeu à compensação dos valores pertinentes. Repriso o já relatado concernente a esta matéria: “Adiante, a contribuinte reclama que "sobre os valores recolhidos referentes à tributação do ano-calendário de 2005 não é legitima a incidência de multa e taxa SELIC". Ocorre, contudo, que não houve constituição de crédito tributário ou aplicação de multa qualificada sobre os valores recolhidos. Conforme evidenciado no item "4. COMPENSAÇÃO DE VALORES" do relatório fiscal (ver fl. 358), os valores recolhidos pela contribuinte foram todos devidamente compensados antes da lavratura dos autos de infração.” Transcrevo, ainda, o teor do Relatório Fiscal, parte integrante dos Autos de Infração lavrados: 4. COMPENSAÇÃO DE VALORES O contribuinte efetuou alguns recolhimentos utilizando o código de receita 6106 (SIMPLES) no ano-calendário de 2005, conforme pesquisa realizada no banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (folhas 324 a 326), fazendo jus, deste modo, à compensação oriunda desses créditos. Foi elaborada uma planilha anexa a este relatório fiscal, em que o valor recolhido a título do SIMPLES foi repartido em valores de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, em conformidade com o Artigo 23 da Lei n°9.317/96, com as alterações da Lei n° 9.732/98. Os valores do IRPJ e da CSLL foram compensados conforme demonstrativo específico parte integrante destes Autos de Infração, e os relativos ao PIS e à COFINS, compensados conforme planilhas anexas a este relatório. (grifos não pertencem ao original) Por fim, cabe analisar se a qualificação da multa de ofício é aplicável ao presente caso, ou não. A recorrente entende que a sua ação não pode ser considerada dolosa, ou seja, intencional em fraudar o fisco. Discordo, frontalmente. Não se trata no presente caso de mera omissão de receitas, simples, eventual. Já está amplamente discorrido neste voto que a conduta reiterada da contribuinte em omitir em todos os meses do ano calendário de 2005 valores recebidos por Fl. 433DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 pagamentos efetuados por cartões de créditos, principalmente, não podem ser considerados como erros ou omissões sem a consciência da fraude fiscal. Está patente nos autos que a empresa elegeu, em percentuais superiores a 50%, na maior parte dos meses, não oferecer à tributação receitas relevantes para o seu porte. Não se trata de conduta negligente, mas sim de ação volitiva do agente, que sabe estar cometendo a evasão fiscal. Mormente por se tratar de empresa que optou pelo Simples, repito. É inconcebível que ao aderir à sistemática favorecida de tributação o contribuinte sonegue tributos. Irretocavelmente a fiscalização justificou a aplicação da multa na forma qualificada, in verbis – Relatório Fiscal, fls. 360: “6. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Estabelece o parágrafo 1° do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007, de 15 de junho de 2007, que a multa de ofício aplicada nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, será de 150%. O artigo 71 dessa lei caracteriza a sonegação como toda ação ou omissão tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Entende esta fiscalização, salvo melhor juízo, que a reiterada prática de ocultar valores recebidos dos clientes através de cartões de crédito e de débito, não oferecendo tais valores à tributação, fato amplamente comprovado por esta fiscalização, além de não escriturar em sua contabilidade a movimentação financeira de uma das contas-correntes bancárias de sua titularidade e de escriturar somente parte da movimentação verificada na outra, configura a situação prevista no artigo 71 da Lei n° 4.502/64, o que justifica a qualificação da multa.” (grifos não pertencem ao original) O dolo, com a devida vênia às argumentações da recorrente, está plenamente demonstrado pelas atitudes inequívocas da empresa em: (a)“...ocultar valores recebidos dos clientes através de cartões de crédito e de débito ...”; (b) “...não escriturar em sua contabilidade a movimentação financeira de uma das contas-correntes bancárias...”; (c) “...escriturar somente parte da movimentação verificada na outra...”. Deve, pois, ser mantida a qualificação da multa de ofício. Observo, por oportuno, que os lançamentos tributários de IRPJ e autuação reflexa de CSLL, PIS e Cofins, devidos pela omissão de receitas constatadas não constituíram matéria litigiosa desta processo, à exceção da defesa de permanecer no Simples. Fl. 434DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.014101/2007-16 Acórdão n.º 1801-00.360 S1-TE01 Fl. 410 11 Superada esta questão, restando devida a exclusão da empresa do Simples, os lançamentos tributários foram realizados em conformidade com o que reza a legislação tributária vigente à época dos fatos, não merecendo qualquer reparo. CONCLUSÃO Voto em afastar as preliminares de nulidade suscitadas pela recorrente, para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, devendo ser mantidos a exclusão do Simples e os lançamentos tributários. (assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES – Relatora Fl. 435DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 12448.725973/2011-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. CARACTERIZAÇÃO. DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. IRPF. LANÇAMENTO SUPLEMENTAR. PROCEDÊNCIA.
É procedente o lançamento suplementar de IRPF quando caracterizada omissão de rendimentos em virtude de comprovação parcial de dedução de honorários advocatícios.
Numero da decisão: 2402-005.967
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho e Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Mauricio Nogueira Righetti.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. CARACTERIZAÇÃO. DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. IRPF. LANÇAMENTO SUPLEMENTAR. PROCEDÊNCIA. É procedente o lançamento suplementar de IRPF quando caracterizada omissão de rendimentos em virtude de comprovação parcial de dedução de honorários advocatícios.
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CARACTERIZAÇÃO. DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. IRPF. LANÇAMENTO SUPLEMENTAR. PROCEDÊNCIA. É procedente o lançamento suplementar de IRPF quando caracterizada omissão de rendimentos em virtude de comprovação parcial de dedução de honorários advocatícios. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 59 73 /2 01 1- 46 Fl. 68DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho e Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza – Relator (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Mauricio Nogueira Righetti. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 12448.725973/201146 Acórdão n.º 2402005.967 S2C4T2 Fl. 68 3 Relatório Para retratar as primeiras etapas do processo, adotaremos o relatório da decisão recorrida, o qual passamos a transcrever: "Tratase de impugnação apresentada pela interessada contra lançamento de ofício formalizado na Notificação de Lançamento de fls. 11/14, que alterou o resultado da Declaração de Ajuste Anual relativa ao exercício 2009, ano calendário 2008, de saldo inexistente de imposto a restituir ou a pagar para saldo de imposto de renda a pagar de R$ 8.259,81. O valor lançado corresponde ao imposto de renda pessoa física suplementar (código 2904) de R$ 8.259,81 que, acrescido de multa de ofício de 75% e de juros de mora calculados até abril de 2011, perfaz crédito tributário de R$ 16.005,02. O lançamento decorreu de procedimento de revisão interna da declaração de ajuste anual apresentada em 28/03/2009 – DAA/2009 (fls. 20/24), em que foi apurada a seguinte infração: Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação da Justiça Federal – omissão de rendimentos pagos pela Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 52.447,39, decorrentes de ação judicial federal. Na apuração do imposto devido, foi compensado o imposto de renda retido na fonte (IRRF), no valor de R$ 1.573,42, que incidiu sobre os rendimentos omitidos. Cientificada do lançamento em 13/04/2011 (AR à fl. 33), a interessada apresentou, em 09/05/2011, a impugnação à fl. 02/03, na qual, em síntese: Diz que não tinha conhecimento da necessidade de declarar o valor recebido judicialmente, uma vez que os rendimentos sofreram retenção de imposto de renda na fonte; Alega que houve pagamento de honorários advocatícios a Luiz Gonçalves da Luz, no valor de R$ 13.111,84, conforme recibo anexado, o qual pode ser deduzido do montante bruto recebido, conforme faculta a legislação; Requer correção do montante considerado omitido de R$ 52.447,39 para R$ 39.335,55, que corresponde ao valor líquido dos honorários advocatícios. À fl. 04, a interessada esclarece que está impugnando parcialmente o lançamento e solicita o parcelamento da parte não contestada do crédito tributário, que, segundo seus cálculos, corresponde ao imposto de R$ 4.654,06." Fl. 70DF CARF MF 4 Inconformada com a decisão, apresentou Recurso Voluntário de fls. 55/56, oposto contra o Acórdão da 7ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1, em que, por unanimidade, julgouse parcialmente procedente a Impugnação (fls. 2/4), sendo mantido o imposto suplementar no valor de R$ 7.538,66, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Como apenas parte dos valores que alega terem sido pagos a títulos de honorários foi aceito pela DRJ como dedutíveis, a recorrente insiste na persecução de sua pretensão de dedução integral. Para defesa de sua tese, argui ser o art. 56, parágrafo único do Regulamento de Imposto de Renda de 1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000 de março de 1999, cabível no presente caso, para que o imposto seja apurado na base de R$ 39.335,55, ao invés de R$ 49.825,02, conforme apurado no acórdão, às fls. 43. Requer, portanto, seja acolhido seu recurso para a modificação do julgado guerreado. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 12448.725973/201146 Acórdão n.º 2402005.967 S2C4T2 Fl. 69 5 Voto Vencido Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, voto por dele conhecer. O rendimento declarado pela recorrente foi de R$ 39.335,55, resultando da dedução de R$ 13.111,84 que a recorrente alega ter pagado a titulo de honorários incidentes sobre o valor de R$ 52.447,39, informado em Dirf (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte) entregue pela Caixa Econômica Federal – CEF e sobre o qual contou retenção de imposto de renda de R$ 1.573,42. Dada essa conformação, os valores em questão foram considerados como omitidos. A decisão recorrida considerou que as despesas com honorários, embora dedutíveis na forma prevista no parágrafo único do artigo 56 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, devem ser devidamente comprovadas, o que, para a DRJ, não ocorreu no presente caso. O pagamento em questão, conforme consulta de andamento judicial à fl. 15, e o comprovante de pagamento à fl. 16 da CEF, tem origem no Processo da Justiça Federal de nº 93.00067087 de natureza previdenciária, na qual atuou como advogado LUIZ GONÇALVES DA LUZ. Constam no PAF (fl. 19) recibo emitido pelo patrono LUIZ GONÇALVES DA LUZ ter recebido R$ 2.622,37, em 29/01/2008, por serviços prestados à interessada referentes à mencionada ação judicial. Constam ainda as Fls 17 e 18 recibos emitidos por Luiz Antônio Carneiro da Luz e Flávia Carneiro da Luz no mesmo valor. Contudo a DRJ entendeu não estar comprovada a participação dos patronos no referido processo judicial, razão pela qual não deferiu o pedido de dedução relativo a tais pagamentos. Em nosso sentir, a visão fiscal neste caso foi restritiva e incompatível com a atividade de advocacia. Advogados podem atuar em processos sem nem constar nos autos. Os autos são o ápice de um trabalho prévio que ocorre no âmbito do escritório de advocacia como pesquisas, elaboração de teses e peças. Outrossim, os recibos em questão estão devidamente assinados pelos patronos e, assim, são prova de que fizeram jus ao seu recebimento, não sendo o fato de não constarem nos autos do processo judicial elemento suficiente para inferir que os mesmos não tenham tido atuação e não façam jus ao recebimento de honorários advocatícios. Considerando ser objeto do recurso o reconhecimento do pagamento de honorários advocatícios referentes aos recibos de Fls. 17 e 18, voto por dar total provimento, devendo ser mantidas os demais elementos do lançamento como juros, multa de mora e de oficio, eis que, independente da dedução de honorários ter sido reconhecida por este relator, Fl. 72DF CARF MF 6 isto não altera o fato de ter havido omissão de rendimentos no presente caso, situação que não foi objeto do recurso. Conclusão Por todo exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 73DF CARF MF Processo nº 12448.725973/201146 Acórdão n.º 2402005.967 S2C4T2 Fl. 70 7 Voto Vencedor Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Redator Designado. Não obstante os fundamentos apresentados no voto do r. Relator, divirjo quanto ao encaminhamento apresentado no voto vencido em relação ao Recurso Voluntário de fls. 55/56, vez que não representa a melhor solução para a presente lide tributária pelas razões de fato e direito que passo a expor. Consoante relatado, o objeto do Recurso Voluntário de fls. 55/56 concentra se no reconhecimento de pagamento de honorários advocatícios no valor total de R$ 13.111,84. A considerar a totalidade da dedução de honorários advocatícios ora pleiteada, haveria, ipso facto, reflexo na omissão de rendimentos apurada pela Fiscalização da RFB mediante a Notificação de Lançamento IRPF n. 2009/107360775121911 R$ 52.447,39 (fls. 10/14), visto que seria reduzida ao valor de R$ 39.335,55 (diferença entre R$ 52.447,39 e R$ 13.111,84). Todavia, a despeito da alegação da recorrente no sentido de ter pago a quantia de R$ 13.111,84 a título de honorários advocatícios ao patrono LUIZ GONÇALVES DA LUZ indicado como seu advogado no Processo n. 000670844.1993.4.02.5101 Número antigo: 93.00067087 13ª. Vara Federal do Rio de Janeiro (fl. 15), restou comprovado tão somente o valor de R$ 2.622,37, consoante denunciado no recibo de fl. 19. Os recibos de fls. 17 e 18 ambos no valor de R$ 2.622,37 e emitidos por LUIZ ANTONIO CARNEIRO DA LUZ e FLÁVIA CARNEIRO DA LUZ, respectivamente não se prestam como elemento de prova de pagamento de honorários advocatícios, tendo em vista referiremse a profissionais não vinculados à causa em apreço, conforme sobejamente evidenciado no documento de fl. 15. Nessa perspectiva, considerandose os rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação da Justiça Federal no valor de R$ 52.447,39 IRRF R$ 1,573,42 (DIRF/AC 2008 fl. 38), resta caracterizado como omissão de rendimentos o valor de R$ 49.825,02 diferença entre R$ 52.447,39 e R$ 2.622,37 (honorários advocatícios fl. 19) que somados aos rendimentos declarados pela recorrente na DIRPF/2009 ND 07/24.323.607 no valor de R$ 7.258,67, alcançase o total de rendimentos tributáveis no AC 2008 na ordem de R$ 57.083,69, decorrendo imposto suplementar de R$ 7.538,66 Código de Receita 2904 sujeito à multa de ofício de 75%, exatamente como apurado na decisão recorrida de fls. 40/43. Desta forma, nenhum reparo merece a decisão consubstanciada no Acórdão n. 1251.064 7a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) fls. 40/43, vez que amparada no que dispõe o art. 12 da Lei n. 7.713/1988 (vigente à Fl. 74DF CARF MF 8 época dos fatos) c/c art. 56, parágrafo único, do Decreto n. 3.000/99 RIR/99 e nos elementos de prova acostados aos autos. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário de fls. 55/56. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000063/2006-84
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário:1999 INGRESSO E PERMANÊNCIA NO SIMPLES. VEDAÇÃO. SERVIÇOS RELACIONADOS A ATIVIDADES DE PROFISSIONAIS LEGALMENTE HABILITADOS. É vedado o ingresso e a permanência no SIMPLES de pessoa jurídica que exerça atividades, consignadas no objeto social de seus atos constitutivos formalizados em registros públicos e em notas fiscais de prestação de serviços de ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, corretor, representante comercial ou assemelhados e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida.
Numero da decisão: 1801-000.668
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário:1999 INGRESSO E PERMANÊNCIA NO SIMPLES. VEDAÇÃO. SERVIÇOS RELACIONADOS A ATIVIDADES DE PROFISSIONAIS LEGALMENTE HABILITADOS. É vedado o ingresso e a permanência no SIMPLES de pessoa jurídica que exerça atividades, consignadas no objeto social de seus atos constitutivos formalizados em registros públicos e em notas fiscais de prestação de serviços de ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, corretor, representante comercial ou assemelhados e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário:1999 INGRESSO E PERMANÊNCIA NO SIMPLES. VEDAÇÃO. SERVIÇOS RELACIONADOS A ATIVIDADES DE PROFISSIONAIS LEGALMENTE HABILITADOS. É vedado o ingresso e a permanência no SIMPLES de pessoa jurídica que exerça atividades, consignadas no objeto social de seus atos constitutivos formalizados em registros públicos e em notas fiscais de prestação de serviços de ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, corretor, representante comercial ou assemelhados e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Fl. 251DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Pelo Ato Declaratório Executivo no. 106.669, da DRF em Joinville/SC, datado de 09/01/1999 (fl. 06), a empresa contribuinte foi excluída da sistemática simplificada de pagamento de impostos e contribuições – Simples, por praticar atividade considerada vedada para ingresso e permanência nessa sistemática, qual seja, “prestação de serviços e assessoria de vendas” Notificada da exclusão a interessada apresentou a SRS de fl. 04 alegando prestar apenas serviços de preenchimento de documentos relacionados a exportação de mercadorias para outras empresas, atividade que não necessitaria de profissional com formação em curso superior. Com base em diligência fiscal efetuada no sentido de esclarecer a atividade praticada pela empresa o órgão de origem julgou improcedente a SRS sob o argumento de que, “de acordo com o Contrato Social apresentado após Intimação Fiscal, a atividade econômica exercida pela empresa a partir da segunda alteração contratual referese a "prestação de serviços de assessoria, supervisão e inspeção na venda de mercadorias destinadas a exportação", o que configura claramente exercício de atividade vedada a empresas optantes do SIMPLES, tendo em vista as restrições impostas pela legislação que rege a matéria”. Formalizada manifestação de inconformidade tempestiva, a DRJ em Florianópolis/SC indeferiu a solicitação da empresa para permanecer no Simples, ao fundamento de que as atividades descritas no objeto social da empresa seriam típicas ou assemelhadas às de consultor, vedadas para ingresso e permanência nessa sistemática. Intimada da decisão em 04/09/2009, como comprova o AR à fl. 35 a interessada apresentou, em 05/10/2009 o recurso voluntário de fls. 36/37. Depois de demonstrar seu faturamento com o objetivo de motivar sua permanência no simples, consignou, em suas palavras: Nesta data estamos anexando cópias dos documentos de vários clientes para demonstrar o que realmente a empresa acima qualificada, presta de serviços que são o preenchimento de vários documentos e formulários necessários para o cliente exportar. São dados informados pelos clientes, agentes, despachantes e bancos e de posse destes dados, preenchemos a documentação necessária para liberar os produtos que serão enviados aos despachantes e em seguida para o porto onde será o contêiner carregado no navio com destino ao porto que o cliente importador autorizou. Fl. 252DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 13976.000063/200684 Acórdão n.º 180100.668 S1TE01 Fl. 240 3 Desta forma queremos dizer que, entendemos que a empresa acima qualificada, mesmo com a sua atividade vedada, mencionado no contrato social, mas os serviços prestados não são de necessidade de profissional de profissão regulamentada, possa realmente estar enquadrada e utilizando os benefícios do Simples Nacional e para não ter nenhuma dúvida, em 05 de Dezembro de 2007, fizemos a 4a. Alteração do Contrato Social da empresa alterando a denominação social para "RDJ PRESTADORA DE SERVIÇOS LTDA. ME., e alterando também o objeto da sociedade para "PREPARAÇÃO DE DOCUMENTOS E PREENCHIMENTO DE FORMULÁRIOS PARA EMPRESAS EM GERAL", Código de Atividade Econômica Principal: 82.19999, (cópias em anexo). Pede pela reforma da decisão de 1a. instância. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. O cerne do litígio diz respeito às atividades exercidas pela empresa excluída da sistemática simplificada de pagamento de impostos e contribuições federais – Simples Federal – se seriam vedadas para ingresso e permanência nesse sistema ou, ao contrário, se não estariam entre as vedações impostas pelo inciso XIII do artigo 9o. da Lei no. 9.317, de 1996. A clausula 5a. da 2a. Alteração e Consolidação do Contrato Social da empresa, datado de 27/01/1993 (fls. 16/17), prevê como objeto social as seguintes atividades: prestação de serviços de assessoria, supervisão e inspeção na venda de mercadorias destinadas a exportação; Já a 4a. alteração, às fls. 44/50, datada de 05/12/2007 e arquivada na JUCESC 08/08/2008, estabelece na clausula 3a., que a “sociedade terá por objeto a exploração do ramo de: "PREPARAÇÃO DE DOCUMENTOS E PREENCHIMENTO DE FORMULÁRIOS PARA EMPRESAS EM GERAL A empresa apresenta farta documentação (fls. 51 a 236) a fim de demonstrar que praticaria apenas serviços de preenchimento de formulários. Entretanto, as faturas de prestação de serviços emitidas pela interessada nada esclarecem pois no campo destinado à descrição dos serviços prestados trazem a vaga informação: “Pagamento Prestação de Serviços Referente Faturas No. s ...” Fl. 253DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 Contudo, é essa documentação, acostada aos autos pela recorrente, que demonstra claramente que a pessoa jurídica pratica atividades típicas de despachante. Os documentos se referem a comercial invoices, packing lists, conhecimentos de fretes e transportes, “borderôs” de exportação, instruções de embarque (bill of lading), dentre outros. Tomando por exemplo o borderô de exportação acostado à fl. 55, que consigna todos os dados atinentes à exportação para o Reino Unido de móveis da empresa “Móveis Katzer Ltda.”, verificase, no campo denominado “para esclarecimentos falar com” o nome de “RD” Rosangela – fax 633.5457”. O que denota que a funcionária da RD chamada Rosangela não seria apenas uma mera digitadora de formulários e que os serviços prestados pela RD não se restringiram a simples preparação de documentos e preenchimento de formulários. As atividades praticadas pela empresa estão literalmente previstas nas vedações impostas pela Lei no. 9.317, de 1996, que instituiu o Simples Federal, no artigo 9o. Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica: XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; O Simples Federal é sistemática benéfica de pagamento de impostos e contribuições federais destinada a propiciar economia tributária, a título de incentivo fiscal, às microempresas e empresas de pequeno porte para que tenham condições de adentrar e permanecer no mercado econômico com mínimas condições de competição. Nesse contexto, para que a empresa possa usufruir de tais benefícios, é necessário que sejam rigorosamente observados todos os requisitos e condições impostos pela legislação para sua fruição. Não é o caso da empresa recorrente, por tudo o que restou analisado e constatado nestes autos. Pelo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 254DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 13976.000063/200684 Acórdão n.º 180100.668 S1TE01 Fl. 241 5 Fl. 255DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
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Numero do processo: 15504.725981/2011-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2007, 2008
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA.
A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências, inclusive perícias quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Art. 18 do Decreto nº 70.235/72.)
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. CARF. INCOMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2.)
PROCESSO ADMINISTRATIVO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. CARF. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Súmula CARF nº 28, vinculante.)
RELAÇÃO DE VÍNCULOS E RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS.
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88)
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula Carf nº 01.)
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL PELA MEDIDA PROVISÓRIA 794, DE 1994 .
Segundo jurisprudência do plenário do Supremo Tribunal Federal (tema de Repercussão Geral 344), a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF - inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários - depende de regulamentação, que só se operou com a edição da Medida Provisória 794, de 1994 (convertida na Lei 10.101, de 2000).
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM VALORES FIXOS. ASSINATURA DO ACORDO APÓS O PERÍODO DE AFERIÇÃO DOS RESULTADOS. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE EMPRESA E SEUS EMPREGADOS COM PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. NÃO ATENDIMENTO DA LEI Nº 10.101, DE 2000. TRIBUTAÇÃO.
O valor pago ao segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias.
O pagamento em valores fixos desvinculados de qualquer meta ou resultado previamente pactuado configura parcela com nítida natureza salarial submetida à incidência das contribuições previdenciárias.
A participação nos lucros ou resultados que não foi objeto de negociação prévia entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos previstos nos incisos I e II do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, com a participação obrigatória do sindicato da respectiva categoria, sujeita-se à incidência das contribuições previdenciárias.
O instrumento de negociação deve estar assinado antes do início do período de apuração dos lucros ou resultados. Não atende aos requisitos legais a assinatura apenas no último mês do período de apuração, pois tal situação revela-se similar à assinatura em data posterior ao término do período de apuração.
Numero da decisão: 2301-005.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) NÃO CONHECER das questões atinentes (a.1) à representação fiscal para fins penais e (a.2) ao controle repressivo de constitucionalidade; (b) REJEITAR (b.1) o pedido de diligência e (b.2) as preliminares de nulidade; e no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Acompanharam pelas conclusões, no mérito, os conselheiros Fábio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni.
Acompanhou o julgamento o Dr. Tiago Conde Teixeira, OAB/DF 24.259.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2007, 2008 PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Art. 18 do Decreto nº 70.235/72.) INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. CARF. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2.) PROCESSO ADMINISTRATIVO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. CARF. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Súmula CARF nº 28, vinculante.) RELAÇÃO DE VÍNCULOS E RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88) PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 59 81 /2 01 1- 69 Fl. 2918DF CARF MF 2 do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula Carf nº 01.) PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL PELA MEDIDA PROVISÓRIA 794, DE 1994 . Segundo jurisprudência do plenário do Supremo Tribunal Federal (tema de Repercussão Geral 344), a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários depende de regulamentação, que só se operou com a edição da Medida Provisória 794, de 1994 (convertida na Lei 10.101, de 2000). PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM VALORES FIXOS. ASSINATURA DO ACORDO APÓS O PERÍODO DE AFERIÇÃO DOS RESULTADOS. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE EMPRESA E SEUS EMPREGADOS COM PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. NÃO ATENDIMENTO DA LEI Nº 10.101, DE 2000. TRIBUTAÇÃO. O valor pago ao segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O pagamento em valores fixos desvinculados de qualquer meta ou resultado previamente pactuado configura parcela com nítida natureza salarial submetida à incidência das contribuições previdenciárias. A participação nos lucros ou resultados que não foi objeto de negociação prévia entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos previstos nos incisos I e II do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, com a participação obrigatória do sindicato da respectiva categoria, sujeitase à incidência das contribuições previdenciárias. O instrumento de negociação deve estar assinado antes do início do período de apuração dos lucros ou resultados. Não atende aos requisitos legais a assinatura apenas no último mês do período de apuração, pois tal situação revelase similar à assinatura em data posterior ao término do período de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) NÃO CONHECER das questões atinentes (a.1) à representação fiscal para fins penais e (a.2) ao controle repressivo de constitucionalidade; (b) REJEITAR (b.1) o pedido de diligência e (b.2) as preliminares de nulidade; e no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Acompanharam pelas conclusões, no mérito, os conselheiros Fábio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni. Acompanhou o julgamento o Dr. Tiago Conde Teixeira, OAB/DF 24.259. Fl. 2919DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 3 3 JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 3255.455, exarado pela 6ª Turma da DRJ em Belo Horizonte (efls. 2.823 a 2.850). O processo administrativo é constituído pelos Auto de Infração Debcad n° 37.331.4051, que formaliza exigências relativas a contribuições destinadas às “Outras Entidades e Fundos” (FNDE, Senai, Sesi, Sebrae e Incra), incidentes sobre diferenças apuradas com despesas realizadas com custo de seus empregados e diretores, constantes das folhas de pagamento, especificamente com as rubricas 894 – PLR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS, 866 – PME – PLANO DE METAS POR EQUIPE, creditadas a seus funcionários e 1578 – BÔNUS PLR, creditadas a funcionários e diretores, em desacordo com a legislação. Os valores das referidas rubricas pagas a contribuintes individuais não foram incluídos no lançamento em questão. Em sede de impugnação foi solicitada a realização de perícia; a autoridade julgadora de primeira instância solicitou diligência fiscal (efl. 1100). O resultado dessa diligência (efls. 1105 a 1120) foi cientificado à contribuinte que sobre ela se manifestou às efls. 1135 a 1158. A DRJ julgou a impugnação improcedente, em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 RELATÓRIO DE VÍNCULOS. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. O anexo Relatório de Vínculos tem finalidade meramente informativa, não atribui responsabilidade tributária às pessoas nele indicadas e nem comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal. IMPUGNAÇÃO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS FEITA EM PROCESSO DE DÉBITO. NÃO CABIMENTO. É obrigação legal do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais sempre que, no exercício de suas funções, constatar a ocorrência, em tese, de crime contra a Seguridade Social. Fl. 2920DF CARF MF 4 O processo de exigência de crédito fiscal não é o fórum adequado para apresentação de impugnação à processo de Representação Fiscal para Fins Penais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PREVISÃO CONSTITUCIONAL. O dispositivo constitucional que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros e resultados desvinculada da remuneração é de eficácia limitada, eis que expressamente prevê regulamentação por meio de lei ordinária, em conseqüência, a citada verba só deixou de integrar a base de contribuição a partir da edição da norma infraconstitucional e desde que em cumprimento da mesma. NATUREZA SALARIAL DE PARCELA. INCIDÊNCIA. Verificandose que, embora denominada "participação nos lucros", a parcela paga ao trabalhador tem natureza remuneratória, não se enquadrando nas hipóteses legalmente excluídas da tributação, deve ser reconhecida como integrante do salário de contribuição, base de incidência da contribuição exigida, não sendo admissível a prevalência do rótulo sobre o conteúdo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência dessa decisão ocorreu em 16/05/2014 (efl. 2.852). Em 16/06_/2014, foi apresentado recurso voluntário (efls. 2.855 a 2.883), sendo alegado, em síntese: I) dever serem excluídos os corresponsáveis; II) a nulidade da representação fiscal para fins penais; III) dever ser deferida a realização de prova pericial; IV) a ausência de natureza salarial das verbas pagas e a não incidência das contribuições à seguridade social; V) o cumprimento dos ditames constitucionais e legais da verba paga a título de participação nos lucros e resultados; VI) equívocos nas premissas da fiscalização e reiterados pelo acórdão da DRJ. O mérito do recurso voluntário tem seu teor resumido no relatório do acórdão recorrido, que peço vênia para reproduzir: Verba paga a título de Participação nos Lucros e Resultados Transcrevendo o art. 7º, XI, da CF/88 diz que, sendo um comando constitucional, sua interpretação deve ser ampla, pois nem a interpretação e nem tampouco a regulamentação podem restringir o alcance constitucional. Cita decisão do CARF. Fl. 2921DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 4 5 Alega que ainda que se interprete a não tributação das parcelas da PLR como um incentivo fiscal, nos termos do art. 111 do CTN, a literalidade ali empregada não pode levar à falta de lógica no sistema. Cita decisão do STJ. Argumenta que a Lei 10.101/00 não pode restringir o alcance do Texto Constitucional, nem tampouco ser regulamentadora dos limites ao poder de tributar, pois não se trata de lei complementar. Desta forma, os ditames da referida lei não podem ser tomados como obrigatórios, mas indutivos, ou seja, comprovada a natureza de participação nos lucros nada pode obstar a vontade constitucional e deixar de compor tais parcelas na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Cita decisão do STJ. Diz que a autuação ofende à Constituição Federal, pois, a fiscalização pretende desconfigurar as parcelas pagas a título de participação nos lucros e resultados pela impugnante, nos exercícios de 2007 e 2008, respaldandose em requisitos legais que sequer existem. Alega que a estrutura do programa espontâneo e posteriormente convalidado pela negociação coletiva, resta inabalável, cumpre os requisitos legais e, de fato, remunera os empregados pelo plus além das obrigações contratuais, visando à melhoria dos resultados e/ou lucros da empresa. Possui indubitavelmente a natureza jurídica de PLR, uma vez que funciona como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação, serve de incentivo à produtividade e está vinculado à existência de resultados positivos, são fixadas regras claras e objetivas, com ampla divulgação aos funcionários atingidos e existem claros mecanismos de aferição de resultados. Discorre sobre o modelo de gestão da impugnante denominado GPS (Gestão Para o Sucesso), onde as metas da diretoria são desdobradas em projetos, estudos, melhorias do dia a dia, e este resultado alimenta o processo de carreira e remuneração da empresa (PME e GEDP). Diz que apesar deste desdobramento, o GPS é um programa geral para toda a Companhia, uma vez que todos os empregados são avaliados tanto individualmente quanto por equipe, sendo que o PME e o GEDP influenciam diretamente os grupos apenas no momento do pagamento da PLR. Relata toda a sistemática do PME (Programa de Metas por Equipe), concluindo que todos os requisitos constantes da Lei 10.101/00 são atingidos, visto que todas as metas são previamente pactuadas, os resultados acompanhados, nenhuma meta tem relação com a obrigação contratual e laboral direta. O GEDP é utilizado para o pagamento da PLR para os demais empregados não participantes do PME (técnicos especializados, gerentes e diretores) que é composto por metas individuais e metas corporativas. Exemplifica com a apuração do valor a ser pago a título de PLR para o empregado Eduardo Mesquita no ano de 2006. Diz que, assim como ocorre no PME, todas as metas são previamente negociadas, e a forma de cálculo tem a Fl. 2922DF CARF MF 6 sua devida publicidade, sendo ao final divulgado os resultados para as pessoas avaliadas. Alega que a não incidência de contribuições previdenciárias para pagamentos de PLR feitos de acordo com a legislação, possui a condição de não ser mero disfarce de remuneração habitual pelo trabalho do segurado e visa a ampliação da renda dos trabalhadores, oriunda do atendimento de metas desejadas pelas empresas, e o aumento de produtividade destas, com a conseqüente ampliação da produtividade e da competitividade do país. Prossegue argumentando que, neste sentido, os programas da empresa e, conseqüentemente, os valores pagos a título de PLR cumprem essas funções, pois não podem ser conceituados como remuneração habitual, e buscam a ampliação da renda do trabalhador e o aumento da produtividade da impugnante assim como possibilitam que os segurados empregados, mediante negociação com participação do sindicato, tenham ciência, previamente ao esforço e seu conseqüente resultado, do quanto será destinado ao pagamento de PLR, qual seu ganho individual (direitos substantivos) e as regras, objetivos, formas, meios para se atingir esse ganho. Entende que se a essência do programa está satisfeita, se demonstrado de forma cabal que a natureza é de PLR, não há sentido querer a tributação, pois esta fere a segurança jurídica e macula o sistema tributário, nele não podendo efetivamente confiar. Diz, ainda, que além de tais programas, quando da negociação coletiva (que se inicia bem antes do que a fiscalização imagina), o Sindicato e a Empresa negociam, diante do resultado auferido pela empresa, valores adicionais e que passam a compor o conjunto dos valores de PLR pagos no período. Dos equívocos nas premissas cometidos pela fiscalização em suas premissas a Não apresentação de instrumento de negociação coletiva Aduz que a fiscalização incorre em grave equívoco quando alega que a empresa não apresentou qualquer instrumento de negociação coletiva que justificasse o pagamento das rubricas “PLR – PME – Rubrica 886” e “Bônus – PLR – Rubrica 1578”: primeiro, pela vontade constitucional, se demonstrado que na essência o pagamento é eventual, desindexado das funções laborais, mas buscam outros resultados ou mesmo o lucro, não há que se falar em incidência das contribuições previdenciárias; segundo, o programa espontâneo feito pela empresa é compensado quando da negociação coletiva, cumprindo, assim, todos os requisitos também impostos pela Lei 10.101/00. Diz que durante a fiscalização foram apresentados todos os acordos referentes ao período autuado e, em todos estes acordos podese verificar a efetiva participação do sindicato, que por intermédio de seu representante, assinou os mencionados acordos, concordando com todos os termos lá expostos. Fl. 2923DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 5 7 Argumenta que em que pese os ACT’s não apresentarem de forma detalhada e exaustiva a definição das metas de resultados e as formas de avaliação de atendimento das metas, isto não significa que todos os programas existentes na companhia não são previamente negociados e estabelecidos com todos os empregados, o que já restou inclusive demonstrado e comprovado no tópico anterior, ao serem anexados à impugnação alguns PME’s com a aquiescência dos empregados que são a ele submetidos. Alega que o exame dos instrumentos de acordo coletivo firmados pela impugnante e a METASITA (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Siderúrgicas, Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Belo Horizonte e Contagem) de 2006 a 2008, revelam que se trata de exteriorização das importâncias a serem pagas aos empregados a título de PLR, apurada de conformidade com os Programas de Gestão detalhados no tópico antecedente. Diz que a Lei 10.101/00 visa a que os segurados empregados, mediante negociação com participação do sindicato, tenham ciência, previamente ao esforço e seu conseqüente resultado, do quanto será destinado ao pagamento de PLR, qual seu ganho individual (direitos subjetivos) e as regras, objetivos, formas, meios para se atingir este ganho. Prossegue argumentando que os instrumentos de acordo não podem ser interpretados isoladamente, mas em confronto com os demais dados que conduziram à apuração do quantum da PLR paga a cada empregado. Além disto, para a fiscalização do programa, a impugnante obrigase a reunir a comissão dos empregados para acompanhar os resultados que afetam a participação e publica relatórios periódicos para distribuição a todos os segurados a seu serviço, com os percentuais de atingimento de metas, apurados para cada área de atuação. Conclui que não há razão no argumento da fiscalização para desconstituir a natureza de PLR dos pagamentos realizados. Embora entenda que os ditames da Lei 10.101/00 são meramente indutivos de comportamento, mas não mandatórios, fica evidente, pela análise feita, que tais programas estavam de conformidade com o que determina o art. 2º, § 1º da referida lei: • os direitos substantivos da participação estão definidos: na condição para pagamento da PLR, na definição do montante a ser distribuído, e no conhecimento prévio da fórmula de cálculo, para que os segurados empregados tenham ciência de quanto vão auferir; • as regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, estão dispostas: na obrigatoriedade de que as metas sejam quantificáveis, de forma a possibilitar avaliação objetiva do percentual de atingimento de cada resultado; nas formas de acompanhamento e fiscalização do acordado; na definição Fl. 2924DF CARF MF 8 prévia das metas por área de atuação e do conseqüente pagamento e na publicação periódica de atingimento de metas. Diz ser evidente que todos os pagamentos de PLR constam do ACT, seja por homologação ao que se manteve espontaneamente, seja pelo que se negociou com o Sindicato quando da negociação coletiva. Conclui que a forma de condução do Plano de PLR da empresa não encontra nenhum óbice legal, sendo totalmente lícita, possível e estimulada, consoante previsão contida no art. 3º, parágrafo 3º, da Lei 10.101/00. Transcreve pronunciamento do STJ e ementa de julgado do CARF. b Pagamentos realizados no próprio mês da assinatura dos acordos No que toca ao argumento da fiscalização de que “os pagamentos foram realizados no próprio mês da assinatura dos acordos ou pagos em até 7 dias úteis após a assinatura do acordo”, diz que no item anterior ficou demonstrado que os programas PME e GEDP são previamente ajustados e com o acompanhamento constante pelos empregados e quando da negociação coletiva eles são apenas incluídos na negociação e homologados, nos exatos termos do art. 3º, § 3º, da Lei 10.101/00. Quanto ao plus fixo negociado nos Acordos Coletivos de Trabalho, conforme se comprova pelos informativos juntados, a negociação entre a empresa e os sindicatos começa muito antes da sua assinatura, não havendo sentido na afirmação fiscal. Destaca que os documentos em anexo, comprovam de forma irrefutável as metas estabelecidas e a forma de avaliação, inclusive as fichas administrativas estão postas com a assinatura dos avaliados, o que demonstra que o sistema implantado para a mensuração de desempenho e tratamento dos resultados era de pleno conhecimento dos empregados. A confecção de um manual tanto para o PME/PEGD também confirma que a empresa se preocupou efetivamente com a adoção de um método justo e público para todos os funcionários. c Ferimento da periodicidade Diz que os pagamentos residuais ocorreram nas hipóteses de rescisão do contrato de trabalho, conforme demonstrado na planilha que anexa, devendo ser anulada a autuação, pois, a fiscalização descaracterizou tais pagamentos como PLR, desincumbindose do seu mister, qual seja, a busca da verdade material. Conforme levantamento realizado pelo próprio fiscal, não há nenhum segurado que tenha recebido mais de duas parcelas ao ano, ainda que pelo referido motivo, a periodicidade tenha sido inferior a um semestre civil. Fl. 2925DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 6 9 Diz que da análise da legislação, não há motivo para a descaracterização da verba quando o pagamento realizado em períodos inferiores a seis meses, desde que ocorram no máximo duas vezes ao ano (art. 3º, § 2º da Lei 10101/00). Este também é o entendimento oficial do INSS conforme a Consulta Técnica 507, publicada em 21/07/2004. Conclui que não houve ferimento à periodicidade posta em lei, apenas pagamentos a empregados distintos ou resíduos por conta de afastamento, aumentos, etc. d Pagamentos fixos e sem metas a serem alcançadas Quanto ao argumento do fisco de que nos acordos há a previsão do pagamento de valores, independente do atingimento de metas ou resultados, como mera liberalidade da empresa, diz que conforme demonstrado estes valores são bônus, previstos nos acordos coletivos após uma ampla negociação entre o sindicato, empregados e a empresa. Alega que tais valores estão atrelados ao PME e são pagos levando em consideração os resultados da empresa no período. Havendo um bom resultado, além da PLR, os trabalhadores, em geral, recebem um bônus, o qual é objeto de negociação com o sindicato, conforme demonstrado. (...) Da quantificação equivocada do crédito tributário a) Divergência quanto à base de cálculo das contribuições Diz que o laudo do Escritório de Contabilidade do Sr. Rodrigo Assunção de Oliveira, contratado para verificar a base de cálculo considerada pela fiscalização, concluiu que existe excesso de cobrança da ordem de R$659.712,41 (base de cálculo apurada pela fiscalização (R$56.188.702,21) e a fornecida pela APERAM (R$55.528.989,80)), cabendo à fiscalização corrigir a base de cálculo. Foi alegado ainda, somente por ocasião do recurso voluntário, erro na quantificação do crédito tributário, uma vez que ao calcular a alíquota do SAT sobre a base de cálculo foi adotado o percentual de 3% (risco máximo) para todas as unidades, sem a ponderação do risco da atividade preponderante de cada estabelecimento; a alíquota do SAT deve ser calculada com base no grau de risco da atividade desenvolvida em cada um dos estabelecimentos da empresa, jamais podendo ser arbitrada com base na atividade preponderante quando há mais de um CNPJ envolvido, como restou assentado pela Súmula 351 do STJ, sendo a lei – neste ponto – absolutamente inconstitucional por conta da natureza securitária do referido adicional. Afirma que, no presente caso, a nulidade do arbitramento é ainda mais evidenciada pela coisa julgada obtida nos autos do Mandado de Segurança n° 1997.38.000432120 (doc. 16 da impugnação), por decisão definitiva proferida no âmbito do STJ, que garantiu a si o direito ao recolhimento do SAT conforme o grau de risco avaliado em Fl. 2926DF CARF MF 10 cada estabelecimento (doc. 17 da impugnação), concluindo que, além da insubsistência do crédito tributário, padece ele de tais defeitos de quantificação. Foram feitos os seguintes pedidos: a) em preliminar: (a.1) suspender o Processo de Representação Fiscal para Fins Penais até o término do presente Processo Administrativo; (a.2) anular o auto de infração por ausência de motivação da autoridade administrativa; (a.3) deferir a realização de prova pericial nos termos requeridos na impugnação administrativa; (a.4) o trâmite conexo deste processo com os Autos de Infração Debcads 37.331.4043, 37.331.4060 e 51.015.3860; b) no mérito, declarar a insubsistência total da autuação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARES DA EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS A recorrente requer a exclusão dos diretores, presidentes, administradores e conselheiros de administração informados no Relatório de Vínculos, em razão da ausência dos requisitos do art. 135, III, do CTN. No entanto, “a Relação de CoResponsáveis – CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa”. (Súmula CARF nº 88.) Assim, denego o pedido pela sua impossibilidade jurídica: não é possível excluir a responsabilidade tributária de pessoas a quem tal responsabilidade não é atribuída. DA NULIDADE DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS É arguida a nulidade da representação fiscal para fins penais; pedese a sua suspensão até o término do presente processo administrativo fiscal. Porém, de acordo com a Súmula CARF nº 28 (vinculante), “o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais”, pelo que não conheço desta questão. Fl. 2927DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 7 11 DA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL A recorrente sustenta seja deferida a realização de prova pericial nos termos requeridos na impugnação, haja vista que a perícia é essencial a referendar os fatos e fundamentos apresentados. Em sede de impugnação fora indicada a perita Magda Regina Sant'Ana Plair e formulados os seguintes quesitos: • informar se a empresa possuía, no período autuado, Acordo Coletivo de Trabalho prevendo o pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados. Informar, ainda, os valores acordados e quais os empregados que são atingidos pelo pagamento; • informar se consta do programa PME/GEDP regras claras e objetivas quanto à fixação do direito à Participação dos empregados nos Lucros e Resultados a serem obtidos e ali especificados; • informar se há algum pagamento individual de PLR realizado em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes ao ano; • informar se os pagamentos realizados em competências diversas das designadas para o pagamento da PLR (incluindo PME/GEDP) são todas decorrentes de rescisão do contrato de trabalho; • informar como o programa PME/GEDP é desenvolvido, incluindo, mas não se esgotando: quais os objetivos do Programa (se ligados aos resultados empresariais e individuais), qual a fórmula de cálculo da PLR, quais as metas gerais e quais as metas individuais e como estas são aferidas; • informar se há um acompanhamento e a devida publicidade das metas estipuladas nos planos espontâneos no decorrer do período de apuração; • para os diretores, favor informar se a empresa pagou tal parcela nos limites e forma da Lei 6.404/76; • informar se a própria Lei 10.101/00 prevê a possibilidade da empresa manter os seus planos espontâneos. No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligência ou perícia requeridas. A teor do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, tais pedidos somente são deferidos quando necessários à formação de convicção do julgador. Ou seja, a perícia ou a diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. Além do mais, descabe diligência ou perícia para averiguação de fato que possa ser comprovado com a juntada de prova documental, cuja guarda e comprovação está a cargo do sujeito passivo, como se dá no presente caso. Entendo que não há elemento probatório a ser esclarecido por meio de perícia/diligência, a qual entendo desnecessária para o julgamento do recurso voluntário. Isso porque os quesitos tratam ou de questões envolvendo meras provas documentais, que podem e devem ser juntadas aos autos pela defesa – como os acordos coletivos, programas de Fl. 2928DF CARF MF 12 participação nos lucros ou resultados, planos de metas e mecanismos de aferição, planilhas de avaliação e controle de desempenho dos trabalhadores, atas de participação formal do sindicato da categoria ou da comissão paritária nas negociações – ou se trata de interpretação de lei, como na questão de informar se a Lei 10.101/00 prevê a possibilidade da empresa manter os seus planos espontâneos. PEDIDO DE CONEXÃO Quanto ao pedido de trâmite conjunto dos processos relativos aos Autos de Infração a seguir citados, a matéria concernente à vinculação de processos por conexão, decorrência ou por serem reflexos se encontra na atribuição administrativa do Presidente de Câmara ou Seção (Ricarf, art. 6º, § 3º), não sendo esta Turma de julgamento competente para deferir ou indeferir tal pedido. Debcad 37.331.4043 (obrigação principal – contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre o valor das rubricas pagas ou creditadas aos segurados empregados e diretores na forma dos arts. 22, item I, da Lei 8.212/91 e contribuições relativas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, incidentes sobre o total das contribuições pagas ou creditadas aos segurados empregados. Fatos geradores: 01/2007 a 13/2008.), Debcad 37.331.4060 (obrigação acessória Apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n° 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3o, acrescentados pela Lei n° 9.528, de 10.12.97, com fatos geradores não correspondentes a todas as contribuições previdenciárias.) e Debcad 51.015.3860 (obrigação acessória deixar a empresa de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à Fiscalização, conforme previsto na Lei 8.212, de 24.07.91.), Mesmo que assim não fosse, não estão indicados a quais processos administrativos se relacionam os citados debcad, o que, por si só seria impeditivo do deferimento do pedido, uma vez que não existe controle de processos administrativos fiscais em face do debcad que lhe deu origem. Ademais, pesquisando no sítio eletrônico do CARF pelo valor do crédito tributário indicado para cada debcad no recurso voluntário (respectivamente, R$43.214.549,57, R$1.280.521,20 e R$15.244,14), verifico que, apesar de não citar o debcad a que se refere, o processo administrativo 15504.725977/201109 trata dos mesmos anoscalendários e constitui crédito tributário de R$43.214.549,57; o processo foi julgado em 28/11/2016 pelo Acórdão 2401004.509, o qual recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. AVALIAÇÃO DO JULGADOR. NECESSIDADE E VIABILIDADE. Fl. 2929DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 8 13 Desde que fundamentado pelo julgador, o indeferimento da perícia é motivo insuficiente para a declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não constituindo a realização do exame pericial um direito subjetivo do interessado. Tampouco a perícia é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM VALORES FIXOS. ASSINATURA DO ACORDO APÓS O PERÍODO DE AFERIÇÃO DOS RESULTADOS. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE EMPRESA E SEUS EMPREGADOS COM PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. NÃO ATENDIMENTO DA LEI Nº 10.101, DE 2000. TRIBUTAÇÃO. O valor pago ao segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O pagamento em valores fixos desvinculados de qualquer meta ou resultado previamente pactuado configura parcela com nítida natureza salarial submetida à incidência das contribuições previdenciárias. A participação nos lucros ou resultados que não foi objeto de negociação prévia entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos previstos nos incisos I e II do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, com a participação obrigatória do sindicato da respectiva categoria, sujeitase à incidência das contribuições previdenciárias. O instrumento de negociação deve estar assinado antes do término do período de apuração dos lucros ou resultados. Não atende aos requisitos legais a assinatura apenas no último mês do período de apuração, pois tal situação revelase similar à assinatura em data posterior ao término do período de apuração. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA. REMUNERAÇÃO PELO TRABALHO. INCIDÊNCIA. A Lei nº 10.101, de 2000, é aplicável apenas no caso de pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados pactuados entre empresa e seus empregados. A parcela paga a título de participação estatutária a diretores não empregados, nos termos do art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Fl. 2930DF CARF MF 14 EXPOSIÇÃO A AGENTES NOCIVOS. RUÍDO. ADICIONAL DESTINADO AO FINANCIAMENTO DO BENEFÍCIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. INEFICÁCIA. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário com Agravo nº 664.335/SC, com repercussão geral reconhecida, assentou o entendimento de que o uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI) não afasta a contagem de tempo de serviço especial para aposentadoria na hipótese de exposição do trabalhador ao agente nocivo ruído acima dos limites legais de tolerância. Tal posição jurisprudencial deve ser aplicada em relação à exigência do adicional para financiamento do benefício da aposentadoria especial. EXPOSIÇÃO A AGENTES NOCIVOS. CALOR. ADICIONAL DESTINADO AO FINANCIAMENTO DO BENEFÍCIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. O adicional destinado ao financiamento do benefício de aposentadoria especial incide sobre a remuneração dos segurados empregados expostos ao agente nocivo calor, quando constatada a medição acima do limite de tolerância avaliado segundo o Anexo 3 da NR15. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. Afastase a sujeição passiva solidária quando não caracterizada pela autoridade lançadora a existência de grupo econômico entre as empresas. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ENUNCIADO DA SÚMULA CARF Nº 28. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre controvérsias referentes à representação fiscal para fins penais elaborada pela fiscalização. (Súmula Carf nº 28) Recurso Voluntário Provido em Parte Fica assim prejudicado o pedido de conexão entre os processos. À vista do exposto, denego o pedido de encaminhamento do pedido ao Sr. Presidente de Seção. Fl. 2931DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 9 15 MÉRITO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS A Constituição Federal, no art. 7°, XI, instituiu a participação dos trabalhadores nos lucros e resultados da empresa, a desvinculando da remuneração e, portanto, da base de cálculo das contribuições previdenciárias, nos termos da lei: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; O Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 569.441/RS (com repercussão geral conhecida, tema 344) decidiu que (a) tal norma é de eficácia limitada, dependendo de regulamentação, “inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários” e (b) “a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94”. O acórdão recebeu a seguinte ementa: CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL. 1. Segundo afirmado por precedentes de ambas as Turmas desse Supremo Tribunal Federal, a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários depende de regulamentação. 2. Na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94 e que o fato gerador em causa concretizouse antes da vigência desse ato normativo, deve incidir, sobre os valores em questão, a respectiva contribuição previdenciária. 3. Recurso extraordinário a que se dá provimento. (Grifouse.) Tal acórdão transitou em julgado em 23/02/2015. A seu turno, a Lei 8.212, de 1991 (art. 28, § 9°, “j”), ao tratar do saláriode contribuição, também previu a necessidade de lei específica para que as importâncias recebidas pelos segurados a título de participação nos lucros e resultados não integrem o salário de contribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 2932DF CARF MF 16 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei: (...) j — a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando para ou creditada de acordo com a lei específica. (Grifouse.) Assim, apenas com a Medida Provisória 794, de 1994, convertida na Lei nº 10.101, de 2000, a matéria foi regulamentada. Ou seja, de acordo com o entendimento do STF expresso no julgamento de acórdão submetido ao rito da repercussão geral – de utilização compulsória por este CARF, a teor do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf) – não há falar em participação nos lucros e resultados decorrentes do art. 7º, XI, da Constituição Federal anteriormente à edição da Medida Provisória 794, de 1994 (friso a data de 1994, que, por si só, exclui a pretensão de alguns que vêem na Lei 6.404, de 1976 a regulamentação de PLR a serem pagos a administradores). Assim, de acordo com o texto da Lei nº 10.101, de 2000, a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa é (a) instrumento de integração entre o capital e o trabalho e (b) incentivo à produtividade: Art.1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Como instrumento de incentivo à produtividade, (a) a pactuação do pagamento de lucros ou resultados deve ser anterior ao período aquisitivo a que se refere Fl. 2933DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 10 17 (a partir deste ponto, o texto negritado e marcado por letras sequenciais lista os requisitos para o exercício do pagamento da PLR). Nesse sentido, a jurisprudência deste CARF: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS ACORDO PRÉVIO ASSINATURA DE ACORDO NO FIM DO EXERCÍCIO. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, sem a existência de acordo prévio o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. (Ac. 9202004.347) (Grifouse.) PLANO NOS LUCROS E RESULTADOS SEM PACTUAÇÃO PRÉVIA. IRREGULARIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NOS VALORES PAGOS A ESTE TÍTULO. Consta nos autos que não se teve pactuação prévia dos PLR's em estudo, eis que a distribuição de lucros e resultados para pagamentos aos funcionários foram albergados aos planos distintos para cada funcionário, dado a sua especificidade laboral. No caso em tela informa a Recorrente que ela optou por adotar uma política que considera que a participação de cada funcionário no PLR são auferidos no desempenho pessoal de suas funções e para isto criou a "Ficha de Avaliação de Performance', onde ela foi estabelecida antes da data do pagamento da PLR, ou seja, cada funcionário agraciado com o beneficio tinha o conhecimento do seu dever a cumprir para fazer jus ao benefício. Entretanto, isto não é possível para ter em valia o PLR porque a lei de regência, em seu artigo 2º diz que o PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante procedimentos escolhidos pelas partes de comum acordo, podendo ser 1) instrumentos decorrentes de negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições; ou 2) em a negociação não prosperando poderá ser utilizado a mediação e ou arbitragem. (Ac. 2301004.361) (Grifouse.) PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ACORDO POSTERIOR AO PERÍODO DE AFERIÇÃO DOS RESULTADOS. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE EMPRESA E SEUS EMPREGADOS. PAGAMENTOS EM DESACORDO COM AS FINALIDADES DA LEI Nº 10.101, DE 2000. INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. Fl. 2934DF CARF MF 18 Integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de participação nos resultados em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000. Está sujeita à tributação a participação nos lucros ou resultados que não foi objeto de negociação prévia entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos previstos na Lei nº 10.101, de 2000. Da mesma maneira, o acordo firmado quando os resultados já foram alcançados, cujos pagamentos ocorrem em função da comparação entre o volume de vendas previsto e o realizado no período, não atende ao estabelecido na Lei nº 10.101, de 2000, pois não há como incentivar e aferir algo que já foi alcançado. (AC. 2401004.411) (Grifouse.) No mesmo sentido, a jurisprudência do STJ: (...)PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA. REQUISITOS DO ART. 2º DA LEI 10.101/2000. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO COLETIVA PRÉVIA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO (...) (...) 8. O acordo coletivo sobre participação nos lucros deve ser prévio, estabelecendo os critérios de distribuição dos lucros, para evitar que a negociação tardiamente entabulada possa ser utilizada pela empresa como válvula de escape para a sonegação fiscal. (REsp 1216838 / RS, julgado em 06/12/2011) (Grifouse.) O art. 2º prevê os requisitos para que se possa excluir do saláriode contribuição os valores pagos a título de participação nos lucros: (b) negociação entre empresa e empregados, mediante um dos procedimentos escolhidos pelas partes de comum acordo (b.1) comissão escolhida pelas partes (a partir de 1º/01/2013, comissão paritária) com a participação de representante do sindicato da respectiva categoria, mediante acordo, ou (b.2) mediante acordo ou convenção coletiva (art. 2º, I e II); (c) dos instrumentos decorrentes da negociação (acordo entre empresa e empregados ou no acordo ou convenção coletiva) deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação (b.1) dos direitos substantivos (participação nos lucros ou resultados) e (b.2) das regras adjetivas (condições a serem satisfeitas) (art. 2º, § 1º); (d) necessariamente deverão ser convencionados: mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo (art. 2º, § 1º); (e) entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente (art. 2º, § 1º, I e II); (f) o acordo deverá ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores (art. 2º, § 3º). Fl. 2935DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 11 19 Ainda, de acordo com o art. 3º da Lei 10.101, de 2000: (g) a participação nos lucros ou resultados não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado (art. 3º, caput); (h) é vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a titulo de participação de lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (A partir de 1º/01/2013, a vedação tem como objeto o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil.) (art. 3º, § 2º); (i) os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações (não com os pagamentos) decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados (art. 3º, § 3º). Se a empresa instituir a participação nos lucros ou resultados deverá atender todos os requisitos expostos na Lei nº 10.101, de 2000 (letra “a” a “g” retro); por outro lado, a fiscalização não pode exigir o cumprimento de pressupostos que nela não constam. Nas palavras do Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes (Acórdão 2301 004.728), as quais tomo como minhas, mutatis mutandis: Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. (Grifos no original.) (...) Quanto aos mecanismos de aferição das informações para fins de comprovação do cumprimento dos critérios para a participação, não há qualquer previsão na lei no sentido de se exigir metas individualizadas para os trabalhadores. E nem poderia. Caso adote o aumento da lucratividade da empresa ou o alcance de outras metas organizacionais, critérios esses exemplificados na lei, não vejo como se exigir a aferição da contribuição de cada trabalhador para o cumprimento dessas metas. Como se poderia aferir a parcela do lucro de uma empresa de grande porte atribuída individualmente a um trabalhador da linha de produção? E mais. A exigência por Fl. 2936DF CARF MF 20 parte da fiscalização de metas individualizadas vai de encontro ao que se procurou evitar na regulamentação da participação nos resultados e lucros – PLR, que é afastálo do conceito de salário. Em razão de tudo aqui exposto, vêse que prevalece a livre negociação para a participação nos lucros ou resultados. Porém, é possível que esse importante direito trabalhista seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. São reiteradas as manifestações do Superior Tribunal de Justiça pela obrigatoriedade de observância das disposições contidas na Lei nº 10.101, 2000: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA DE 40% SOBRE OS DEPÓSITOS DO FGTS. CARÁTER INDENIZATÓRIO. AUSÊNCIA DE HABITUALIDADE E LIBERALIDADE. NÃO INCIDÊNCIA. PARTICIPAÇÃO SOBRE OS LUCROS. NÃO INCIDÊNCIA QUANDO OBSERVADOS OS LIMITES DA MP 794/94 E DA LEI 10.101/00. (...) Nesse diapasão, abstratamente consignou a Corte de origem que "as verbas percebidas a título de participação nos lucros da empresa, que não estão sujeitas à contribuição previdenciária, na medida em que também não integram o salário de contribuição, nos termos do art. 28, §9º, 'j' e 's', da Lei nº 8.212/91", o que se coaduna com a jurisprudência do STJ, desde que o pagamento de tais parcelas observem as disposições legais específicas, quais sejam, os limites da lei regulamentadora (MP 794/94 e Lei 10.101/00). (AgRg no REsp 1561617 / PE) (Grifou se.) RECURSO DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. OCUPANTES DE CARGO DE DIREÇÃO. DISTRIBUIÇÃO EM DESACORDO COM A LEI N. 10.101/200 E O PPR. NECESSIDADE DE REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO PROBATÓRIO. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO. SÚMULAS 7/STJ E 283/STF. 1. A Segunda Turma firmou orientação no sentido de que as empresas não se submetem à contribuição previdenciária quando da distribuição dos lucros entre seus empregados, desde que a referida distribuição seja realizada na forma da Lei n. 10.101/2000 (AgRg no Resp 1.381.374/RJ, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 02/10/2014, DJe 13/10/2014; REsp 1.216.838/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 06/12/2011, DJe 19/12/2011). (REsp 1452527 / RS) Feitas essas colocações, analisemos o caso concreto. Fl. 2937DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 12 21 A litigante argumenta que os valores recebidos a título de Participação nos Lucros e Resultados não podem ser tributadas, uma vez que a Constituição Federal declara, de forma peremptória, que tal parcela não tem caráter salarial. Não lhe assiste razão. Como visto, o STF (RE 569.441/RS, tema 344 da Repercussão Geral) entende diferentemente: o inciso XI do art. 7º da Constituição não é autoaplicável, eis que expressamente prevê regulamentação por meio de lei ordinária; por sua vez, como também já abordado, é firme a jurisprudência do STJ e deste CARF no sentido de que os requisitos e condições da Lei 10.101, de 2000 devem ser observados. De acordo com o auto de infração, a verba Participação nos Lucros e Resultados paga pela recorrente não atende os requisitos da Lei 10.101, de 2000, uma vez que: (a) não foi estabelecido previamente o "programa de metas, resultados e prazos" a ser atingido pelos empregados; (b) não há outros acordos que justifiquem o pagamento das rubrica 1578 (BÔNUS PLR); (c) há previsão de pagamento fixo (rubrica 894), independentemente de avaliação. Conforme descrito no Relatório Fiscal (efls. 25 a 40), a autuada faz o pagamento do programa de PLR nas seguintes rubricas: • PLR – PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS – rubrica 894: um pagamento em valor fixo para os empregados e não apresentou nenhuma outra pactuação além dos acordos coletivos de trabalho (ACT); • PME – PLANO DE METAS POR EQUIPE – rubrica 886 e BÔNUS PLR – rubrica 1578: o PME é desdobrado em dois modelos denominados "PME" para empregados de nível operacional/administrativo até o nível técnico médio e superior (inclusive sênior) (rubrica 886) e "GEDP" para os demais empregados da empresa não participantes do PME (técnicos especializados, gerentes, diretores) (rubrica 1578). A empresa possui formulários para a aferição dos valores de cada trabalhador e esta forma de aferição não está inserida nos ACT. Reproduzo os ACT em questão: Acordo Coletivo de Trabalho de 2006/2007 (efls. 696 a 708) Vigência: 1º/11/2006 a 31/10/2007 Não datado. Registro no Ministério do Trabalho e Emprego – Delegacia Regional em Minas Gerais: 29/1/2007 CLÁUSULA 14ª PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS 2006: As partes estabelecem o pagamento de uma parcela fixa, no valor de R$ 3.100,00 (três mil e cem reais), mais o valor correspondente a 80% (oitenta por cento) do salário nominal de cada empregado, garantindose um valor Fl. 2938DF CARF MF 22 mínimo de R$ 4.370,00 (quatro mil e trezentos e setenta reais) a ser pago no mês de janeiro de 2007. Deste total será deduzido o valor de R$ 1.100,00 (mil e cem reais) adiantados em julho de 2006. § 1º Fazem parte desta cláusula os valores do PME Plano de Metas por Equipe, referentes ao primeiro semestre de 2006, pagos no mês de julho de 2006 e os valores do segundo semestre de 2006, que serão pagos no mês de janeiro de 2007. § 2º Não se incluem nesta cláusula os Aprendizes de Ofício. § 3º O valor pago a título de participação nos lucros não integrará o salário para qualquer efeito, não sendo incorporado pra efeito de cálculo de parcelas rescisórias, benefícios e/ou demais consectários. Acordo Coletivo de Trabalho de 2007/2008 (efls. 709 a 721) Vigência: 1º/11/2007 a 31/10/2008 Assinatura: 6/3/2008 CLÁUSULA 13ª PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS 2007: As partes estabelecem o pagamento de uma parcela fixa, no valor de R$ 3.600,00 (três mil e seiscentos reais), mais o valor correspondente a 80% (oitenta por cento) do salário nominal de cada empregado, garantindose um valor mínimo de R$ 4.800,00 (quatro mil e oitocentos reais) a serem pagos até 7 (sete) dias úteis após a assinatura do Acordo. Deste total será deduzido o valor de R$ 1.300,00 (mil e trezentos reais) adiantados em julho de 2007. § 1º Fazem parte desta cláusula os valores do PME Plano de Metas por Equipe, referentes ao primeiro semestre de 2007, pagos no mês de julho de 2007 e os valores do segundo semestre de 2007, pagos no mês de janeiro de 2008. § 2º Não se incluem nesta cláusula os Aprendizes de Ofício. § 3º O valor pago a título de participação nos lucros não integrará o salário para qualquer efeito, não sendo incorporado pra efeito de cálculo de parcelas rescisórias, benefícios e/ou demais consectários. Acordo Coletivo de Trabalho de 2008/2009 (efls. 722 a 733) Vigência: 1º/11/2008 a 31/10/2009 Assinatura: 5/12/2008 CLÁUSULA 13ª PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS 2008: As partes estabelecem o pagamento de uma parcela fixa, no valor de R$ 3.600,00 (três mil e seiscentos reais), mais o valor correspondente a 80% (oitenta por cento) do salário nominal de cada empregado, garantindose um valor mínimo de R$ 4.800,00 (quatro mil e oitocentos reais) a serem pagos até a segunda semana de janeiro. Deste total será Fl. 2939DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 13 23 deduzido o valor de R$ 1.400,00 (mil e quatrocentos reais) adiantados em julho de 2008. § 1º Fazem parte desta cláusula os valores do PME Plano de Metas por Equipe, referentes ao primeiro semestre de 2008, pagos no mês de julho de 2008 e os valores do segundo semestre de 2008, a serem pagos no mês de janeiro de 2009. § 2º Não se incluem nesta cláusula os Aprendizes de Ofício. § 3º O valor pago a título de participação nos lucros não integrará o salário para qualquer efeito, não sendo incorporado pra efeito de cálculo de parcelas rescisórias, benefícios e/ou demais consectários. De plano, verificase a inexistência, nos ACT, de qualquer menção ao Programa GEDP (rubrica 1578), o que lhe retira, de imediato, a possibilidade de os valores pagos a esse título serem considerados como devidos ao PLR, por falta de negociação coletiva. A recorrente alega que o GEDP é um programa de gestão de resultados mantido de forma espontânea, encontrando apoio no § 3º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, que permite expressamente a existência de planos espontâneos para pagamento da participação nos lucros ou resultados. Nessa questão, assumo como minhas as razões do voto vencedor do Acórdão 2401004.509, que analisou os mesmos ACT (processo 15504.725977/201109): Ocorre que, como visto, os incisos I e II do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, autorizam apenas duas hipóteses de procedimento para elaboração de planos de participação nos lucros ou resultados. Ao reportar a programas mantidos espontaneamente pela empresa, é de se convir que a lei pretendeu fazer alusão à participação oriunda da comissão paritária escolhida pela empresa e empregados, integrada, também por um representante indicado pelo sindicato da categoria (inciso I), em contraposição às obrigações surgidas dos acordos ou convenções coletivas de trabalho firmados pelas partes (inciso II). Tal interpretação sistemática possibilita a coexistência, para o mesmo período de aferição, de dois distintos planos de participação nos lucros ou resultados livres de tributação, desde que no âmbito do regramento da Lei nº 10.101, de 2000. Evidentemente, não há óbice para que a empresa implemente facultativamente uma participação dos empregados nos lucros, mediante uma iniciativa unilateral, como previsto, por exemplo, no art. 58 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: Art 58 Podem ser excluídas do lucro líquido do exercício, para efeito de determinar o lucro real, as participações nos lucros da pessoa jurídica: I atribuídas a seus empregados segundo normas gerais aplicáveis, sem discriminações, a todos que se encontrem na mesma Fl. 2940DF CARF MF 24 situação, por dispositivo do estatuto ou contrato social, ou por deliberação da assembléia de acionistas ou sócios quotistas; (...) Porém, nessa última hipótese, será um participação alheia aos benefícios da Lei nº 10.101, de 2000. Em relação ao GEDP, portanto, estão ausentes elementos de convicção que possam atestar com segurança que a fixação dos critérios e das condições do plano ocorreu mediante negociação entre a empresa e os empregados, na forma prevista na Lei nº 10.101, de 2000. A falta de negociação com participação do sindicato da respectiva categoria implica considerar a parcela GEDP como integrante da remuneração e do saláriodecontribuição do trabalhador. Quanto às demais rubricas, observase que em todos os ACT a participação nos lucros ou resultados consiste em uma parcela fixa e outra variável. A parcela fixa (rubrica 894 – PLR) independe do cumprimento de metas, o que descaracteriza tais pagamentos para fins de PLR, pois desvirtuam a própria essência do instituto da participação nos lucros ou resultados, visto que independem de quaisquer esforços dos trabalhadores para o alcance de índices de produtividade, metas ou resultados, os quais deveriam ser aferidos para fins de cumprimento do pactuado previamente entre as partes. É evidente sua natureza de complemento salarial. A parcela variável (rubrica 886) é resultado da apuração do PME de cada equipe; fica garantido, independentemente do cumprimento de metas, um pagamento mínimo, quando o somatório das partes variável e fixa resultar em montante inferior ao valor de referência estabelecido, o que descaracteriza também estes pagamentos para fins de PLR, pelas mesma razões expostas em relação à parcela fixa. Ademais, o PME não resultou de negociação entre a empresa e seus trabalhadores, através de comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria ou através de Convenção ou Acordo Coletivo de Trabalho, mas de estipulação unilateral do empregador. Gizo que não consta dos autos qualquer indício de que tenha havido a participação do sindicato na negociação. Desse modo, o conteúdo do referido programa não é capaz de suprir as exigências do art. 2º da Lei 10.101, de 2000. Nas palavras do já referido voto vencedor do Acórdão 2401004.509, que assumo como se minhas fossem: Por derradeiro, aprecio o que dispõe os acordos coletivos a respeito da parcela variável correspondente ao PME. Consoante os textos reproduzidos, o único aspecto que vem especificado nos acordos coletivos é a previsão de seu pagamento aos trabalhadores no anocalendário. Nada mais. Se de um lado é impraticável, em princípio, o acordo coletivo conter o detalhamento integral de metas, critérios e condições acordados entre as partes, de outro é inaceitável a inexistência de qualquer disciplinamento no instrumento decorrente da Fl. 2941DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 14 25 negociação quanto à explicitação da regras a que estarão submetidos a empresa e os seus empregados para fins da participação nos lucros ou resultados. A Lei nº 10.101, de 2000, é clara quando afirma que do resultado da negociação, que deve ser formalizado mediante documento, deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e quanto à fixação das regras adjetivas, com previsão de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado (art. 2º, § 1º). Nos acordos coletivos nem mesmo houve preocupação em se estabelecer as condições e os critérios genéricos do PME, em que se faz a opção de transferir a descrição pormenorizada das regras para atos internos que são elaborados em separado, sem prejuízo do aval do sindicato. A recorrente sustenta que os planos de participação nos lucros ou resultados, tal como o PME, são objeto de prévias discussões e que o acordo coletivo tão somente homologa e ratifica os termos negociados antecipadamente entre as partes. Vale dizer, há participação direta dos sindicatos dos trabalhadores na negociação muito antes do fechamento do acordo. Ainda que se admita, em regime de exceção, e não como regra, a possibilidade de o sindicato delegar ou consentir, explícita ou implicitamente, que alguns critérios e condições do PME possam ser acordados entre empresa e empregados sem a sua participação, não há como validar a elaboração integral do plano de participação nos lucros ou resultados, como aparenta ocorrer, restrita apenas às tratativas diretas entre patrão e empregados, sem a intermediação do sindicato. Há, no caso, uma visível e indesejável afronta explícita ao previsto na Lei nº 10.101, de 2000, em desprezo à finalidade das suas normas de garantia, cuja manifestação posterior do sindicato, com o agravante do seu caráter superficial, não tem o condão de legitimar a assinatura do acordo. Quanto ao tempo do pagamento, não foi cumprido o requisito do acordo prévio: os pagamentos da rubrica 894 (PLR) foram realizados no próprio mês da assinatura dos acordos ou pagos em até 7 dias úteis após a assinatura do acordo; os pagamentos da rubrica 886 (PME) foram feitos antes mesmo da assinatura dos acordos (em média seis meses antes). Como já mencionado, o acordo deve ser assinado antes do início do cumprimento das metas, ou seja, antes de iniciado o período de apuração da PLR, não se aceitando a assinatura depois que parte das metas já foram cumpridas ou quando os resultados já são conhecidos, pois tal fato é incompatível com o objetivo a ser atingido com o PLR, que é o aumento da lucratividade (art. 1º da Lei 10.101, de 2000). No caso concreto, fica evidente que os empregados desconheciam as regras para concessão da PLR durante o ano no qual os objetivos deveriam ser atingidos. Fl. 2942DF CARF MF 26 Também nesse sentido o já citado Acórdão 2401004.509, que trata do Debcad 37.331.4043, referente ao mesmo contribuinte e períodos: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM VALORES FIXOS. ASSINATURA DO ACORDO APÓS O PERÍODO DE AFERIÇÃO DOS RESULTADOS. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE EMPRESA E SEUS EMPREGADOS COM PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. NÃO ATENDIMENTO DA LEI N° 10.101, DE 2000. TRIBUTAÇÃO. O valor pago ao segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a Lei n° 10.101, de 2000, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O pagamento em valores fixos desvinculados de qualquer meta ou resultado previamente pactuado configura parcela com nítida natureza salarial submetida à incidência das contribuições previdenciárias. A participação nos lucros ou resultados que não foi objeto de negociação prévia entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos previstos nos incisos I e II do art. 2° da Lei n° 10.101, de 2000, com a participação obrigatória do sindicato da respectiva categoria, sujeitase à incidência das contribuições previdenciárias. O instrumento de negociação deve estar assinado antes do término do período de apuração dos lucros ou resultados. Não atende aos requisitos legais a assinatura apenas no último mês do período de apuração, pois tal situação revelase similar à assinatura em data posterior ao término do período de apuração.(Grifouse.) Em assim sendo, a verba sobre a qual estão sendo exigidas as contribuições lançadas foi paga em desconformidade com os requisitos da Lei nº 10.101, de 2000, não se enquadra nas hipóteses de exclusão contempladas no § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91 e tem natureza remuneratória. Em conseqüência, deve ser reconhecida como parcela integrante do salário de contribuição, assim definido no inciso I do art. 28 da Lei 8.212/91. DA DIVERGÊNCIA QUANTO À BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES Às efls. 774/775, em sua impugnação, a recorrente transcreve as conclusões do Sr. Rodrigo Assunção de Oliveira, autodenominado de “perito judicial” (efl. 1289), por ela contratado no sentido de que existe: “Soma de Base de cálculos utilizada pelo INSS de R$56.188.702,21 contra base de cálculos fornecida pela APERAM de R$55.528.989,80, denunciando excesso de cobrança da ordem de R$659.712,41. Vide quadro demonstrativo anexo em excel, denominado "Lista Oficial Receita", onde na tarja do excel se encontra discriminado o arquivo "Planilha Trabalhada (2)". Favor não digitar nada neste arquivo, pois se trata de uma planilha macro de alta Fl. 2943DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 15 27 complexidade, envolvendo cruzamento de informações do sistema SAP mais 9 (nove) outras planilhas, o que possibilitou identificar individualmente cada diferença em cada rubrica cobrada a maior pela fiscalização do INSS. Sobre esta diferença incidem as alíquotas pertinentes ao INSS patronal. Isto vale dizer que o INSS de 23% cobrado pelo Agente Fiscal é de R$12.923.401,51, contra um INSS calculado de R$12.771.667,65. Há excesso de cobrança, em tese, de R$151.733,86 (Grifouse.) Tal conclusão é reiterada por ocasião do recurso voluntário. À efl. 2881, temos nova manifestação, no sentido de que: "A planilha que serviu de base para meus levantamentos é exatamente aquela adotada pelo DD. Auditor Fiscal da Receita, todavia, trabalhada com os devidos filtros, no intuito de separar as informações corretas daquelas incorretas. Reafirmo a diferença de R$659.712,41, todavia, quanto aos valores negativos salientados pelo DD. Auditor Fiscal, estes não se devem a valores devidos pelos empregados à empresa como tenta supor. O que de fato apurei foi o excesso de cobrança, ou seja, "o valor cobrado a maior pelo INSS". Se o valor na citada planilha resultou negativo, quer dizer que a diferença a favor do fisco é positiva e não o contrário. Desta maneira, somados os valores negativos, documento anexo, estes montam a R$1.858,96, contra um excesso de R$661.571,37. A diferença entre o excesso apurado pelo INSS (R$661.571,37) e os valores supostamente negativos (sobre os quais o fisco tem razão, quantia de R$1.858,96), redundam na diferença de R$659.712,41, valor pretendido em excesso pela ação fiscal." (Grifos no original.) No que toca à base de cálculo apurada pelo Sr. Rodrigo Assunção de Oliveira, autodenominado “perito judicial”, verifico que a pretensa diferença se origina dos seguintes fatos: (a) os valores pagos a título de PLR desaparecem de suas planilhas, sem qualquer explicação para isso e (b) a diferença entre o valor de base de cálculo apurada pelo perito e pela fiscalização é duplicado pelo perito. Vejamos. As planilhas elaboradas pelo Sr. Rodrigo Assunção de Oliveira foram juntadas aos autos às efls. 1290 a 2821, a seguir de sua contestação à diligência fiscal (relatório da diligência às efls. 1105 a 1120). A primeira planilha (efls. 1290 a 1608) possui uma relação nominal dos trabalhadores da recorrente, acompanhada pelos valores pagos a título de cada PLR (PME E GEDP), bem como suas rubricas e alguns códigos de controles. Por exemplo (efl. 1392): 33390170001312 200708 01001512 ADAO CANUTO DOS REIS 10873684629 1.034,55 886 PME 4629 1.034,55 886 PME 33390170001312 200708 01001679 ALMIRO MONTEIRO DOS SANTOS 10515353229 700,88 886 PME 353229 700,88 886 PME 33390170001312 200708 01002461 AMILTON SANTOS DE SOUZA 12212421003 1.218,19 886 PME 1003 1.218,19 886 PME 33390170001312 200708 01001535 ANDRACI OLIVEIRA DE ANDRADE 10759230207 683,25 886 PME 230207 683,25 886 PME 33390170001312 200708 01001469 ANTONIO CARLOS TAVARES 10271536389 695,34 886 PME 536389 695,34 886 PME 33390170001312 200708 01003130 CLENIO DA SILVA SANTOS 12382877504 545,80 886 PME 877504 545,80 886 PME 33390170001312 200708 01001629 DANIEL CORREIA MEIRELES 10789634772 264,95 886 PME 634772 264,95 886 PME 33390170001312 200708 01001831 EDIO GOMES DA SILVA 12023065943 277,30 886 PME 065943 277,30 886 PME 33390170001312 200708 01001277 EDSON DE LACERDA BRAGA 10758978453 720,64 886 PME 978453 720,64 886 PME 33390170001312 200708 01001888 EPIFANIO MAGELA TEIXEIRA DE SOUZA 10843296205 88,63 886 PME 3296205 88,63 886 PME 33390170001312 200708 01003824 ERALDO LOPES MARTINS 12530439100 184,37 886 PME 439100 184,37 886 PME Fl. 2944DF CARF MF 28 33390170001312 200708 01004354 EVERTON BARAKY SPINOLA 12784180125 353,67 886 PME 180125 353,67 886 PME 33390170001312 200708 01001273 FERNANDINE DE ARAUJO 10758978887 849,38 886 PME 978887 849,38 886 PME 33390170001312 200708 01001717 FERNANDO CARLOS DE SOUZA 10789724151 389,89 886 PME 724151 389,89 886 PME 33390170001312 200708 01001250 FIGENIO FERREIRA DOS SANTOS 10554021118 805,43 886 PME 021118 805,43 886 PME 33390170001312 200708 01004768 FILIPE DE OLIVEIRA DRUMOND 12703968096 84,08 886 PME 3968096 84,08 886 PME 33390170001312 200708 01003775 FLAVIO JOSE DE ASSIS BARONY 12588087096 399,59 886 PME 087096 399,59 886 PME 33390170001312 200708 01001497 GERALDO ASSUNCAO DE BRITO 10650557732 2.892,36 886 PME 7732 2.892,36 886 PME 33390170001312 200708 01001805 GERALDO SAMPAIO DE OLIVEIRA FILHO 10450285771 2.228,32 886 PME 5771 2.228,32 886 PME 33390170001312 200708 01004709 GLAUCO NEVES NASCIMENTO 12787527118 317,32 886 PME 527118 317,32 886 PME 33390170001312 200708 01004128 HERALDO DE SOUZA RIBEIRO 12686956099 117,24 886 PME 956099 117,24 886 PME 33390170001312 200708 01001633 HUDSON VIEIRA 10776698467 325,97 886 PME 698467 325,97 886 PME 33390170001312 200708 01001123 JAIME GOMES GONCALVES 10253176430 918,74 886 PME 176430 918,74 886 PME 33390170001312 200708 01001103 JOAO CARLOS PARREIRAS DOS SANTOS 10615181055 1.886,16 886 PME 1055 1.886,16 886 PME 33390170001312 200708 01001898 JOAO ROBERTO DA SILVA 10738751860 826,02 886 PME 751860 826,02 886 PME 33390170001312 200708 01001421 JOSE ALEXANDRE GOMES 10109769454 938,68 886 PME 769454 938,68 886 PME 33390170001312 200708 01001606 JOSE APOLINARIO DA SILVA 10745262586 663,25 886 PME 262586 663,25 886 PME 33390170001312 200708 01001295 JOSE GERALDO ASSIS QUINTAO 10263068509 1.111,45 886 PME 8509 1.111,45 886 PME 33390170001312 200708 01001099 JOSE JOAO MARQUES 10019405046 1.382,33 886 PME 5046 1.382,33 886 PME 33390170001312 200708 01001138 JOSE SOARES CALDAS 10038124057 1.515,96 886 PME 4057 1.515,96 886 PME 33390170001312 200708 01001234 LAERCIO MORAIS MARTINS 10254634645 1.091,97 886 PME 4645 1.091,97 886 PME Assim, vemos, por exemplo, que o Sr. ADAO CANUTO DOS REIS teria recebido R$1.034,55 a título de PME, rubrica 886. Percebase que as informações referentes ao PLR, sua rubrica e o valor de pagamento aparecem tanto na quarta coluna quanto nas colunas quinta a sétima (as três primeiras colunas, referentes ao código do estabelecimento, à competência do pagamento e ao código do trabalhador, são excluídas para facilitar a visualização): ADAO CANUTO DOS REIS 10873684629 1.034,55 886 PME 4629 1.034,55 886 PME Na segunda planilha (efls. 1609 a 1972) tais informações se repetem. Apenas os códigos da quinta coluna foram excluídos, mas permanecem as informações referentes ao PLR, sua rubrica e o valor de pagamento (efls. 1725 e 1726): 33390170001312 200708 01001512 ADAO CANUTO DOS REIS 10873684629 1.034,55 886 PME 1.034,55 886 PME 33390170001312 200708 01001679 ALMIRO MONTEIRO DOS SANTOS 10515353229 700,88 886 PME 700,88 886 PME 33390170001312 200708 01002461 AMILTON SANTOS DE SOUZA 12212421003 1.218,19 886 PME 1.218,19 886 PME 33390170001312 200708 01001535 ANDRACI OLIVEIRA DE ANDRADE 10759230207 683,25 886 PME 683,25 886 PME 33390170001312 200708 01001469 ANTONIO CARLOS TAVARES 10271536389 695,34 886 PME 695,34 886 PME 33390170001312 200708 01003130 CLENIO DA SILVA SANTOS 12382877504 545,80 886 PME 545,8 886 PME 33390170001312 200708 01001629 DANIEL CORREIA MEIRELES 10789634772 264,95 886 PME 264,95 886 PME 33390170001312 200708 01001831 EDIO GOMES DA SILVA 12023065943 277,30 886 PME 277,3 886 PME 33390170001312 200708 01001277 EDSON DE LACERDA BRAGA 10758978453 720,64 886 PME 720,64 886 PME 33390170001312 200708 01001888 EPIFANIO MAGELA TEIXEIRA DE SOUZA 10843296205 88,63 886 PME 88,63 886 PME 33390170001312 200708 01003824 ERALDO LOPES MARTINS 12530439100 184,37 886 PME 184,37 886 PME 33390170001312 200708 01004354 EVERTON BARAKY SPINOLA 12784180125 353,67 886 PME 353,67 886 PME 33390170001312 200708 01001273 FERNANDINE DE ARAUJO 10758978887 849,38 886 PME 849,38 886 PME 33390170001312 200708 01001717 FERNANDO CARLOS DE SOUZA 10789724151 389,89 886 PME 389,89 886 PME 33390170001312 200708 01001250 FIGENIO FERREIRA DOS SANTOS 10554021118 805,43 886 PME 805,43 886 PME 33390170001312 200708 01004768 FILIPE DE OLIVEIRA DRUMOND 12703968096 84,08 886 PME 84,08 886 PME 33390170001312 200708 01003775 FLAVIO JOSE DE ASSIS BARONY 12588087096 399,59 886 PME 399,59 886 PME 33390170001312 200708 01001497 GERALDO ASSUNCAO DE BRITO 10650557732 2.892,36 886 PME 2.892,36 886 PME 33390170001312 200708 01001805 GERALDO SAMPAIO DE OLIVEIRA FILHO 10450285771 2.228,32 886 PME 2.228,32 886 PME 33390170001312 200708 01004709 GLAUCO NEVES NASCIMENTO 12787527118 317,32 886 PME 317,32 886 PME 33390170001312 200708 01004128 HERALDO DE SOUZA RIBEIRO 12686956099 117,24 886 PME 117,24 886 PME 33390170001312 200708 01001633 HUDSON VIEIRA 10776698467 325,97 886 PME 325,97 886 PME 33390170001312 200708 01001123 JAIME GOMES GONCALVES 10253176430 918,74 886 PME 918,74 886 PME 33390170001312 200708 01001103 JOAO CARLOS PARREIRAS DOS SANTOS 10615181055 1.886,16 886 PME 1.886,16 886 PME 33390170001312 200708 01001898 JOAO ROBERTO DA SILVA 10738751860 826,02 886 PME 826,02 886 PME 33390170001312 200708 01001421 JOSE ALEXANDRE GOMES 10109769454 938,68 886 PME 938,68 886 PME 33390170001312 200708 01001606 JOSE APOLINARIO DA SILVA 10745262586 663,25 886 PME 663,25 886 PME 33390170001312 200708 01001295 JOSE GERALDO ASSIS QUINTAO 10263068509 1.111,45 886 PME 1.111,45 886 PME 33390170001312 200708 01001099 JOSE JOAO MARQUES 10019405046 1.382,33 886 PME 1.382,33 886 PME 33390170001312 200708 01001138 JOSE SOARES CALDAS 10038124057 1.515,96 886 PME 1.515,96 886 PME 33390170001312 200708 01001234 LAERCIO MORAIS MARTINS 10254634645 1.091,97 886 PME 1.091,97 886 PME Excluindo as três primeiras colunas, para melhor visualização, temse o seguinte: ADAO CANUTO DOS REIS 10873684629 1.034,55 886 PME 1.034,55 886 PME Na terceira planilha (efls. 1972 a 2215), após a coluna denominada “Nome / NIT / Valor Rubrica / Rubrica” temos as colunas “Vr Informado Auto” (valor informado no auto de infração), “Vr Informado Empresa” (valor informado pela empresa) “Rubrica”, “Descrição Rubrica” e “Diferença”. Excluindo as primeiras colunas (referentes à chavebusca, ao código do estabelecimento, à competência do pagamento e ao código do trabalhador) e as colunas referentes à “Rubrica”, “Descrição Rubrica”, temos (efl. 2097): Fl. 2945DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 16 29 Nome / NÍT / Valor Rubrica / Rubrica Vr Informado Auto Vr informado Empresa Diferença ADAO CANUTO DOS REIS 10873684629 1034,55 886 PME 1.034,55 1.034,55 0,00 ALMIRO MONTEIRO DOS SANTOS 10515353229 700,88 886 PME 700,88 700,88 0,00 AMILTON SANTOS DE SOUZA 12212421003 1.218,19 886 PME 1.218,19 1.218,19 0,00 AN D R AC! OLIVEIRA DE ANDRADE 10759230207 683,25 886 PME 683,25 683,25 0,00 ANTONIO CARLOS TAVARES 10271536389 695,34 886 PME 695,34 695,34 0,00 CLENIO DA SILVA SANTOS 12382877504 545,80 886 PME 545,80 545,80 0,00 DANIEL CORREIA MEIRELES 10789634772 264,95 886 PME 264,95 264,95 0,00 EDIO GOMES DA SILVA 12023065943 277,30 886 PME 277,30 277,30 0,00 EDSON DE LACERDA BRAGA 10758978453 720,64 886 PME 720,64 720,64 0,00 EPIFÂNIO MAGELA TEIXEIRA DE SOUZA 10843296205 88,63 886 PME 88,63 88,63 0,00 ERALDO LOPES MARTINS 12530439100 184,37 886 PME 184,37 184,37 0,00 EVERTON BARAKY SPÍNOLA 12784180125 353,67 886 PME 353,67 353,67 0,00 FERNANDINE DE ARAUJO 10758978887 849,38 886 PME 849,38 849,38 0,00 FERNANDO CARLOS DE SOUZA 10789724151 389,89 886 PME 389,89 389,89 0,00 FIGENIO FERREIRA DOS SANTOS 10554021118 805,43 886 PME 805,43 805,43 0,00 FILIPE DE OLIVEIRA DRUMOND 12703968096 84,08 886 PME 84,08 84,08 0,00 FLÁVIO JOSE DE ASSIS BARONY 12588087096 399,59 886 PME 399,59 399,59 0,00 GERALDO ASSUNÇÃO DE BRITO 10650557732 2.892,36 886 PME 2.892,36 2.892,36 0,00 GERALDO SAMPAIO DE OLIVEIRA FILHO 10450285771 2.228,32 886 PME 2.228,32 2.228,32 0,00 GLAUCO NEVES NASCIMENTO 12787527118 317,32 886 PME 317,32 317,32 0,00 HERALDO DE SOUZA RIBEIRO 12686956099 117,24 886 PME 117,24 117,24 0,00 HUDSON VIEIRA 10776698467 325,97 886 PME 325,97 325,97 0,00 JAIME GOMES GONCALVES 10253176430 918,74 886 PME 918,74 918,74 0,00 JOÃO CARLOS PARREIRAS DOS SANTOS 10615181055 1.886,16 886 PME 1.886,16 1.886,16 0,00 JOÃO ROBERTO DA SILVA 10738751860 826,02 886 PME 826,02 826,02 0,00 JOSE ALEXANDRE GOMES 10109769454 938,68 886 PME 938,68 938,68 0,00 JOSE APOLINÁRIO DA SILVA 10745262586 663,25 886 PME 663,25 663,25 0,00 JOSE GERALDO ASSIS QUINTÃO 10263068509 1 111,45 886 PME 1.111,45 1.111,45 2.222,90 JOSE JOÃO MARQUES 10019405046 1.382,33 886 PME 1.382,33 1.382,33 0,00 JOSE SOARES CALDAS 10038124057 1.515,96 886 PME 1.515,96 1.515,96 0,00 LAÉRCIO MORAIS MARTINS 10254634645 1.091,97 886 PME 1.091,97 1.091,97 0,00 (Grifouse.) As planilhas seguintes (efls. 2216 a 2821) seguem o modelo dessa última. Percebase que, ao que tange a maior parte dos trabalhadores, o valor que consta no auto de infração corresponde ao que a recorrente reconhece ter pago aos trabalhadores a título de PLR (diferença entre o valor do auto de infração e informados pela contribuinte = R$0,00). No entanto, em relação ao Sr. Jose Geraldo Assis Quintão, para a qual foi apontada diferença na planilha do recorrente, a coluna “Nome / NIT / Valor Rubrica / Rubrica” indica como pago pela autuada ao funcionário o valor de R$1.111,45, exatamente o valor que consta no auto de infração; por sua vez, a coluna “Vr Informado Empresa” aponta tal valor com o sinal invertido. Ora, essa é uma informação inconsistente. Como pode a recorrente ter recebido de seu trabalhador tal diferença, a título de PME (rubrica 886)? No máximo – o que não foi alegado –, não teria sido pago nenhum valor a título de PLR. Mais inconsistente ainda é o resultado da coluna “Diferença”: ora, se não tivesse sido pago qualquer valor ao Sr. Jose Geraldo Assis Quintão, a diferença deveria corresponder a R$1.111,45, e não a duas vezes esse valor. Tais inconsistências são as responsáveis pelas alegadas “Diferenças”. Demonstro: Nome / NÍT / Valor Rubrica / Rubrica (efl. 2198) Vr Informado Auto Vr informado Empresa Diferença ANETE BRAGANÇA TORRES PROCOPIO 12135219195 526,58 886 PME 526,58 ‐526,58 1.053,16 ANTONIO DE ASSIS SILVA 10734699791620,44 886 PME 620,44 ‐620,44 1.240,88 ARCELINO ALVES DE SOUZA 12311899564 1 464,35 886 PME 1 464,35 ‐1464,35 2.928,70 Fl. 2946DF CARF MF 30 CLAUDEIR SERGIO RODRIGUES DE SOUZA 12661223136 525,25 886 PME 525,25 ‐525,25 1.050,50 DARCY VIEIRA DE FREITAS 12202767918 522,78 886 PME 522,78 ‐522,78 1.045,56 DAVI PENA LARA RESENDE 12781523099 1.354,03 886 PME 1 354,03 ‐1 354,03 2.708,06 DEIVISON GONCALVES SILVA 12740169118 390,13 886 PME 390,13 ‐390,13 780,26 DEOCLECIANO MORESRA DE OUVESRA 12071387688 527,40 886 PME 527,40 ‐527,40 1.054,80 EDMUNDO DA SILVA BRANDÃO 12495372629 137,07 886 PME 137,07 ‐137,07 274,14 EDSON GOMES DA SILVA 12337304495 286,88 886 PME 286,88 ‐286,88 573,76 EUGLACYO LUIZ DE MOURA 12725944122 326,08 886 PME 326,08 ‐326,08 652,16 EVANILDO FERNANDES 12782317123 370,13 886 PME 370,13 ‐370,13 740,26 FRANCIS EUZEBIO PEREIRA 12725890103 575,49 886 PME 575,49 ‐575,49 1.150,98 GERALDO ASSUNÇÃO DE BRITO 10650557732 33,41 886 PME 33,41 ‐33,41 66,82 ÍZABEL FRANCISCA DA CUNHA 10834783972 786,83 886 PME 786,83 ‐786,83 1.573,66 JOÃO MARCELO DE CASTILHO 12792957583 689,34886 PME 689,34 ‐689,34 1.378,68 JORGE HENRIQUE DACUNHA10746062432 150,89 886 PME 150,89 ‐150,89 301,78 JOSE GERALDO DA SILVA 10843213342 565,00 886 PME 565,0C ‐565,00 1.130,00 JOSE GERALDO DA SILVA 12219576878 488,62 886 PME 488,62 ‐488,62 977,24 JOSE RAIMUNDO CARDOSO 10254635889 1 288,88 886 PME 1 288,88 ‐1 288,88 2.577,76 JUCIANO LOPES PAZ 12600039106 79,50 886 PME 79,50 ‐79,50 159,00 JUVENCIO DE ASSIS CASTRO 10845888916 210,92 886 PME 210,92 ‐210,92 421,84 LAUDECI JOSE ALVES NOGUEIRA 12022840889 1.561,45 886 PME 1 561,45 ‐1 561,45 3.122,90 LUIZ FERNANDO DE MELO BARROS 10262956664 2 378,40 886 PME 2 378,40 ‐2 378,40 4.756,80 VIÁRIA DE FÁTIMA GODÓI 12204665136 377,69 886 PME 377,69 ‐377,69 755,38 VIÁRIA IMACULADA CONCEIÇÃO CAMPOS TOSTES 12239342082 1 262,18 886 PME 1 262,18 ‐1 262,18 2.524,36 ROBSON MARTINS SOARES 17000428870 1.844,94 886 PME 1 844,94 ‐1 844,94 3.689,88 ROGÉRIO VIEIRA 12234810770 55,91 886 PME 55,91 ‐55,91 111,82 ROSEMBERG FERNANDES MARTINS JÚNIOR 12774030112 388,29 886 PME 388,29 ‐388,29 776,58 SANDRO HENRIQUE PEREIRA SANTOS 12859777093 496,60 886 PME 496,60 ‐496,60 993,20 WARLEY FERREIRA DIAS 12195293138 972,96 886 PME 972,96 ‐972,96 1.945,92 Nome / NÍT / Valor Rubrica / Rubrica (e‐fl. 2198) Vr Informado Auto Vr informado Empresa Diferença LAMARTÍNE LEOPOLDO COSTA 10777069552 3 095,25 894 PLR 3 095,25 ‐3 095,25 6.190,50 MARCOS FARIA BELLOSE 10604521852 2 995,20 894 PLR 2 995,20 ‐2 995,20 5.990,40 RONDON MAIA 10718903525 3.914,88 894 PLR 3 914,88 ‐3 914,88 7.829,76 JOSE GERALDO ASSIS QUINTÃO 10263068509 2 254,53 894 PLR 2 254,53 ‐2 254,53 4.509,06 WESLIDEY RIBEIRO DE CASTRO 12606694106 2 400,00 894 PLR 2.400,00 2 400,00 4.800,00 WARLEY FERREIRA DIAS 12195293138 5 480,00 894 PLR 5 480,00 5 480,00 10.960,00 SANDRO HENRIQUE PEREIRA SANTOS 12859777093 4.000,00 894 PLR 4 000,00 4 000,00 8.000,00 ROSEMBERG FERNANDES MARTINS JUNÍOR 12774030112 3.600,00 894 PLR 3 600,00 3 600,00 7.200,00 ROGÉRIO VIEIRA 12234810770 2.400,00 894 PLR 2.400,00 2 400,00 4.800,00 ROBSON MARTINS SOARES 17000428870 6.779,60 894 PLR 6 779,60 6 779,60 13.559,20 VIÁRIA IMACULADA CONCEIÇÃO CAMPOS TOSTES 12239342082 5 716,26894 PLR 5 716,26 5 716,26 11.432,52 MARIA DE FÁTIMA GODÓI 12204665136 2 800,00 894 PLR 2 800,00 2 800,00 5.600,00 LUIZ FERNANDO DE MELO BAR RO S 10262956664 7 827,01 894 PLR 7 827,01 7 827,01 15.388,80 LAUDECI JOSE ALVES NOGUESRA 12022840889 6.194,40 894 PLR 6 194,40 6 194,40 12.388,80 JUVENCIO DE ASSIS CASTRO 10845888916 3.200,00 894 PLR 3 200,00 3 200,00 6.400,00 JUCIANO LOPES PAZ 12600039106 2 800,00 894 PLR 2.800,0C 2 800,00 5.600,00 JOSE RAIMUNDO CARDOSO 10254635889 5 503,60 894 PLR 5 503,60 5 503,60 11.007,20 Nome / NIT / Valor Rubrica / Rubrica (efl. 2360) Vr Informado Auto Vr Informado Empresa Diferença Fl. 2947DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 17 31 Assim, considerando a inconsistência das planilhas apresentadas pela recorrente, caberia a ela comprovar que as alegadas diferenças possuem base fática ou jurídica, o que não foi feito. Destaco, ainda, que de acordo com o item 6 do relatório fiscal, o lançamento se fundamentou em Guias da Previdência Social (GPS); Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (Gfip); Lançamentos Contábeis, Folhas de Pagamento; os PPRAs, PCMSO, LEVANTAMENTO AMBIENTAL, FICHAS DE CONTROLE DE ENTREGA DE EPIs e outros documentos apresentados em meio digital, autenticados conforme Recibo de Entrega de Arquivos Digitais, gerados pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais – SVA; e, por óbvio, nos Acordos Coletivos de Trabalho 2006, 2007 e 2008, assinados entre a empresa e o METASITA. Ademais, no curso da diligência fiscal, foi verificado que os valores constantes do auto de infração corresponde aos valores declarados em Dirf pela recorrente, o que por si só afasta o pretenso erro da fiscalização e confirma, mais uma vez, a inconsistência das planilhas apresentadas. Descabe também a realização de perícia ou diligência para esse fim. Tais procedimentos têm por finalidade firmar o convencimento do julgador, ficando a seu critério indeferir o seu pedido se entendêla desnecessária, conforme art. 18 do Decreto 70.235/72. No presente caso, os elementos constantes nos autos são suficientes para o julgamento da lide. Nome (efl. 2693) DANIEL BOREM COSINI FERNANDA DE FARIA PENNA JOSE DA SILVA VIANA JULIANA CONRADO PASCHOAL MARTA REGINA PINTO LEITE PAULO MAURÍCIO OLIVEIRA DA SILVA RONY VON RODRIGUES FROES SERVILIO ÂNGELO GONÇALVES SILVANA TORRES DE CASTRO TELMA FELIX LORENZATO DA FONSECA THAIS HERTHEL CANDIAN WAGNER NUNES MOREIRA WILKERSON RODRIGO GOMES 3.217,01 3.217,01 6.434,02 3.740,61 3.740,61 7.481,22 3.740,61 3.740,61 7.481,22 4.274,98 4.274,98 8.549,96 4.274,98 4.274,98 8.549,96 4.274,98 4.274,98 8.549,96 3.877,16 3.877,16 7.754,32 4.102,50 4.102,50 8.205,00 2.215,52 2.215,52 4.431,04 4.274,98 4.274,98 8.549,96 4.102,50 4.102,50 8.205,00 4.790,08 4.790,08 9.580,16 Vr Informado Auto Vr Informado Empresa Diferença 3.750,08 3.750,08 7.500,16 Nome (efl. 2696) SATURNINO P DE ALVARENGA CARLOS RICARDO SAUERESSIG 5.763,94 5.763,94 11.527,88 5.228,90 5.228,90 10.457,80 Vr Informado Auto Vr Informado Empresa Diferença WESLIDEY RIBEIRO DE CASTRO 2.400,00 2.400,00 4.800,00 WARLEY FERREIRA DIAS 5.480,00 5.480,00 10.960,00 SANDRO HENRIQUE PEREIRA SANTOS 4.000,00 4.000,00 8.000,00 ROSEMBERG FERNANDES MARTINS JÚNIOR 3.600,00 3.600,00 7.200,00 ROGÉRIO VIEIRA 2.400,00 2.400,00 4.800,00 ROBSON MARTINS SOARES 6.779,60 6.779,60 13.559,20 MARIA IMACULADA CONCEIÇÃO CAMPOS TOSTES 5.716,26 5.716,26 11.432,52 MARIA DE FÁTIMA GODOI 2.800,00 2.800,00 5.600,00 LUIZ FERNANDO DE MELO BARROS 7.827,01 7.827,01 15.654,02 Nome (efl. 2819) Vr Informado Auto Vr Informado Empresa Diferença Fl. 2948DF CARF MF 32 DA ALÍQUOTA DO SAT A recorrente alega que a Fiscalização não quantificou corretamente o crédito tributário ao calcular a alíquota do SAT sobre a base de cálculo adotando o percentual de 3% (risco máximo) para todas as unidades, sem ponderar o risco da atividade preponderante de cada estabelecimento. Cita posicionamento do STJ a respeito e o enunciado da Súmula 351: A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Afirma que a alíquota do SAT deve ser calculada com base no grau de risco da atividade desenvolvida em cada um dos estabelecimentos da empresa, jamais podendo ser arbitrada com base na atividade preponderante quando há mais de um CNPJ envolvido (caso dos autos), sendo a lei – neste ponto – absolutamente inconstitucional por conta da natureza securitária do referido adicional. Assevera, ainda, que a nulidade do arbitramento encontrase ainda mais evidenciado em virtude da coisa julgada obtida nos autos do Mandado de segurança n° 1997.38.000432120 (doc. 16 da impugnação), por decisão definitiva proferida no âmbito do STJ, que garantiu à empresa autuada o direito ao recolhimento do SAT conforme o grau de risco avaliado em cada estabelecimento da empresa (doc. 17 da impugnação). Assim, são apresentados como argumentos o entendimento do STJ, a inconstitucionalidade de lei e a coisa julgada. Porém, no presente auto de infração NÃO HÁ LANÇAMENTO relativo ao SAT, o qual se encontra no AI Debcad 37.331.4043, Processo Administrativo Fiscal 15504.725977/201109, cujo recurso voluntário foi julgado em 20/09/2016 pela 1ª Turma da 4ª Câmara (Acórdão 2401004.509), pelo que tal questão deve ter seu recurso rejeitado. Conclusão Voto, portanto, por NÃO CONHECER da questões atinentes à representação fiscal para fins penais e ao controle repressivo de constitucionalidade, REJEITAR o pedido de diligência e as preliminares de nulidade, e no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 2949DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 18 33 Fl. 2950DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16152.000065/2009-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
VALOR DE TRIBUTO INCLUÍDO EM PROGRAMA ESPECIAL DE QUITAÇÃO (REFIS). RECEITA NÃO OPERACIONAL. EXCLUSÃO DO PROGRAMA. ESTORNO.
A redução do passivo tributário pela inclusão da dívida no REFIS gera acréscimo patrimonial representando receita não operacional. Entretanto, a exclusão do programa retorna os débitos à situação anterior e implica no estorno da receita correspondente.
Numero da decisão: 1402-002.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto- Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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RECEITA NÃO OPERACIONAL. EXCLUSÃO DO PROGRAMA. ESTORNO. A redução do passivo tributário pela inclusão da dívida no REFIS gera acréscimo patrimonial representando receita não operacional. Entretanto, a exclusão do programa retorna os débitos à situação anterior e implica no estorno da receita correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 2. 00 00 65 /2 00 9- 06 Fl. 755DF CARF MF 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto trechos do Relatório da Resolução 110100.059 prolatada pela antiga 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção: Tratase de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente impugnação. Conforme consta dos autos, o presente processo é reconstituição do processo n° 11080.006582/200442. As DRFs e DRJ envolvidas forneceram os documentos que possuíam para remontar o processo. O contribuinte foi intimado a apresentar os documentos que possuísse, mas apenas forneceu o relatório de auditoria, o auto de infração, impugnação e recurso voluntário, registrando sua perplexidade com o desaparecimento do processo. Em 13/09/2009, é lavrado termo de constatação e auto de infração . Conforme a fiscalização, a empresa apurou no anocalendário de 1999 pelo sistema do lucro real trimestral e a partir de 2000 pelo lucro real anual. O fiscal verificou que, no 4 o trimestre de 1999, a base de cálculo do IRPJ foi de R$ 134.921.984,07 e a da CSLL foi R$ 134.861.335,07, correspondendo a um valor devido de R$ 33.724.487,02 e R$ 16.183.360,21 respectivamente. Adiciona que, apesar do contribuinte ter declarado esses tributos na DIPJ, os débitos não foram formalizados pela declaração na DCTF e nem foram pagos. [...] Por tais razões, faz o lançamento de ofício dos dois tributos, e informa que o presente processo só controla o IRPJ lançado. Na impugnação, o contribuinte reclama que o auditor lançou um tributo "declarado, consolidado, e pago". Também explica que, como tinha aderido ao Refis, registrou no ano de 1999 a redução do seu exigível tributário a longo prazo, em razão das características do Refis. Informa que tal redução foi de R$ 151.855.000,00 e foi levada ao resultado, implicando em um lucro ficto. Conclui que as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL indicadas pela fiscalização só estarão corretas se a empresa se mantiver no Refis por todo o prazo de parcelamento, estimado em 170 anos. Diz que a redução futura do passivo não é renda e não pode ser tributada. Acrescenta que pode ser excluído a qualquer momento ou mesmo pode quitar antecipadamente a dívida do Refis, e por isso não pode ser tributado agora. Alega que só seria admissível a tributação do ganho, correspondente à redução do passivo tributário, se esta fosse mês a mês, conforme os pagamentos do Refís que efetuasse. Informa que, tirando o ganho projetado em razão do Refis, a empresa tem prejuízo. O contribuinte insiste que os débitos de 1999 foram incluídos no Refis e foram declarados em DIPJ. Alega que a declaração de dívida no Refis é confissão de dívida e, por isso, tal declaração absorve o conteúdo prático da DCTF. Em 11/05/2005, a 5a Turma da DRJ em Porto Alegre julga procedente o lançamento. A turma julgadora considera não formulado pedido de perícia e analisa quatro argumentos do contribuinte. Diz que "a autuada teve, sim, ciência do ato do Comitê Gestor do Refis. Isso é comprovado às fls. 24, pelo "ciente" aposto em 17/06/2004 no parecer por Evanir Pedroso Domeles, que, de acordo com a procuração das fls. 40, datada de 29/10/2003, tinha poderes para representar a autuada junto a SRF até 31/12/2004". Informa que quem pode decidir sobre inclusão Fl. 756DF CARF MF Processo nº 16152.000065/200906 Acórdão n.º 1402002.691 S1C4T2 Fl. 755 3 de débito é o Comitê Gestor do Refis e a DRJ tem de acatar tal decisão, que no caso deixa o débito exigível. 0 voto condutor também diz que não é possível retificar declaração depois de efetuado o lançamento, nos termos da IN SRF n° 185, de 2002. [...] A turma julgadora conclui que "a fiscalização procedeu a um lançamento de oficio com base em informações constante na DIPJ da autuada e, assim sendo, não é mais aceitável que se alterem tais informações com vistas a reduzir o valor lançado". Diz que "não há mais espaço para discutir o quando ocorreu o fato gerador do tributo em exame, com pretende autuada, pois tratase de matéria informada em DIPJ". Informa que o fiscal está certo em dizer que a DIPJ não formaliza o crédito tributário e que este papel é da DCTF. O contribuinte é cientificado e apresenta recurso voluntário. Diz que a turma julgadora não examinou a materialidade do lançamento, ou seja, se a fiscalização podia ou não lançar o ganho em razão do passivo tributário entrar para o Refis. Adiciona que a dívida havia sido confessada no Refis e por isso não podia ter sido lançada. O processo foi levado a julgamento no Primeiro Conselho de Contribuinte e, conforme Resolução 10102565, de 21/09/2006, o julgamento foi convertido em diligência. Despacho da DRF de São Paulo, lavrado em 22/04/2009, informa que o julgamento no Conselho de Contribuintes foi convertido em diligência, mas que "em face do extravio/desaparecimento do processo não temos outros elementos para informar, proponho o retorno ao Primeiro Conselho de Contribuintes — Ia Câmara". O colegiado converteu novamente o recurso em diligência para que fosse apurada a origem efetiva do lucro declarado pelo sujeito passivo na DIPJ. Cumprida a solicitação, retornaram os autos para julgamento. É o Relatório. Fl. 757DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O recurso voluntário foi tempestivo e interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. A lide envolve a cobrança do IRPJ (e adicional) sobre o lucro apurado pelo sujeito passivo no 4º trimestre de 1999 no montante de R$ 134.921.948,07; informado na DIPJ. Ratificase aqui o entendimento da autoridade lançadora confirmado pela decisão recorrida no sentido de que o tributo em questão não pode ser tido como declarado, eis que informado exclusivamente em DCTF. Em primeiro lugar porque a DIPJ tem natureza exclusivamente informativa e não representa confissão de dívida, nos termos da legislação que estabeleceu essa Declaração (IN/SRF nº 127/98). Em segundo lugar porque a inclusão do débito no REFIS foi rejeitada conforme Parecer nº 34/2004 prolatado pelo Comitê Gestor. Assim, a princípio, não tendo sido recolhido o tributo caberia o lançamento de ofício nos moldes efetuados. No que concerne à composição do lucro real do período sob exame, mostra se relevante a observação prolatada na informação fiscal decorrente da diligência: Importa ressaltar, portanto, que o valores sob discussão representam o ganho financeiro correspondente ao ajuste ao valor presente (AVP) das multas e juros incidentes sobre os débitos incluídos no REFIS. Não está em discussão a parcela equivalente à redução dos acréscimos legais como decorrência da adesão ao programa, valor esse não incluído no resultado tributável da pessoa jurídica, por expressa definição legal. A Instrução Normativa CVM nº 346/2000 tratou da contabilização, para as companhias abertas, dos efeitos decorrentes da adesão ao REFIS. Em relação ao AVP da dívida, o referido normativo estabeleceu tal possibilidade sob algumas condições: [...] II – o montante da dívida consolidada, sujeita à liquidação com base em percentual da receita bruta, poderá ser registrado pelo seu valor presente, quando relevante e desde que: a) seja demonstrado que a companhia possui capacidade operacional para geração, em bases contínuas, de receitas e de Fl. 758DF CARF MF Processo nº 16152.000065/200906 Acórdão n.º 1402002.691 S1C4T2 Fl. 756 5 fluxos positivos de caixa, em montante suficiente para o cumprimento das suas obrigações perante ao REFIS; b) as projeções, prazos, taxas, montantes e demais premissas utilizadas para determinação do valor presente sejam aprovados pelo Conselho de Administração e submetidos à apreciação dos auditores independentes; e c) seja utilizada, para desconto, taxa de juros reais compatível com a natureza, o prazo e os riscos relacionados à dívida [...]. A Instrução Normativa determina o reconhecimento como receita dos valores em questão, nos seguintes moldes: [...] III – por caracterizar ganho cuja realização depende de eventos futuros incertos, a contrapartida do ajuste a valor presente referido no inciso II deve ser registrada como Receita Diferida e apresentada, de forma destacada, no grupo do Exigível a Longo Prazo. IV – a receita referida no inciso III deve ser reconhecida no resultado do exercício, no grupo operacional, na proporção e nos prazos em que a dívida for sendo liquidada [...] Vêse, portanto, que a CVM estabelece o reconhecimento da receita na proporção da liquidação da dívida. A Nota Explicativa detalha: [...] 7. Portanto, considerando os aspectos acima referidos, a CVM entendeu que não deveria vedar a adoção do conceito do ajuste a valor presente, desde que a companhia aberta evidencie possuir condições para o cumprimento de todas as obrigações previstas no Programa. Dessa forma, o inciso II do art. 1o estabelece que a companhia deverá apresentar o montante do seu passivo fiscal pelo seu valor possível de realização (valor presente). Entretanto, dadas as condições e restrições impostas pelo Programa, e tendo em vista que os reflexos econômicos positivos decorrentes da adesão não se processam necessariamente a curto prazo, não é prudente o reconhecimento imediato e integral de um ganho em virtude da possibilidade de redução da dívida ao seu valor presente. Nesse caso, para atendimento das convenções do Conservadorismo e da Objetividade, a Instrução estabelece um critério mais prudente de reconhecimento desses ganhos. De acordo com os incisos III e IV do art. 1o , esses ganhos deverão ser diferidos, para reconhecimento no resultado do exercício à medida em que a companhia estiver gerando os recursos necessários para liquidação da dívida e cumprindo todas as obrigações assumidas ao aderir ao REFIS. Fl. 759DF CARF MF 6 Não vislumbrei nos autos os detalhes da apuração do AVP para atestar com absoluta certeza se o reconhecimento foi diferido, como recomendado pela CVM, ou integral. Pareceme que ocorreu a segunda hipótese o que por si só já demandaria um questionamento quanto à apuração fiscal. Mesmo superada tal questão, restaria o fato de que a empresa foi excluída do Refis conforme Portaria nº 204/2003 do Comitê Gestor do REFIS. Como efeito dessa exclusão, a interessada perdeu os benefícios do programa e portanto, caberia o estorno dos valores do AVP contabilizados como receitas. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário e cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 760DF CARF MF
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