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Numero do processo: 10480.721459/2011-18
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IRPF. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. AUSÊNCIA DA DATA DO RESPECTIVO PAGAMENTO.
As despesas médicas do contribuinte e de seus dependentes são dedutíveis na apuração do imposto de renda, quando restarem comprovados os requisitos estabelecidos na legislação de regência (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a").
A mera falta da indicação da data nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas não são, por si só, fato que autoriza à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas médicas declaradas.
Imperioso se faz, nos termos do art. 73 do Decreto nº 3.000/99, a intimação do contribuinte para comprovar as despesas realizadas, e não simplesmente descartar os recibos apresentados, cujos pagamentos foram atestados pelo profissional prestador dos serviços médicos contratados.
Numero da decisão: 2003-000.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso.
Francisco Ibiapino Luz - Presidente.
Wilderson Botto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. AUSÊNCIA DA DATA DO RESPECTIVO PAGAMENTO. As despesas médicas do contribuinte e de seus dependentes são dedutíveis na apuração do imposto de renda, quando restarem comprovados os requisitos estabelecidos na legislação de regência (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). A mera falta da indicação da data nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas não são, por si só, fato que autoriza à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas médicas declaradas. Imperioso se faz, nos termos do art. 73 do Decreto nº 3.000/99, a intimação do contribuinte para comprovar as despesas realizadas, e não simplesmente descartar os recibos apresentados, cujos pagamentos foram atestados pelo profissional prestador dos serviços médicos contratados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso. Francisco Ibiapino Luz Presidente. Wilderson Botto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 14 59 /2 01 1- 18 Fl. 179DF CARF MF 2 Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de IRPF apurada no ano calendário de 2008, exercício de 2009, no valor de R$ 13.383,55, já acrescido de multa de ofício e juros de mora, conforme se depreende na notificação de lançamento constante dos autos (fls. 118/122). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 0954.271, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora DRJ/JFA (fls. 151/156), transcrito a seguir: A contribuinte retro identificada impugna o lançamento formalizado pela Notificação de fls. 117/122 lavrada pela DRF/Recife/PE em 31/01/2011, decorrente da revisão efetuada pela autoridade lançadora em sua Declaração de Ajuste Anual IRPF/2009, cópia apensada às fls.145/150, que apurou “dedução indevida de despesas médicas” e “dedução indevida de despesas de livro caixa”, nos valores de R$ 6.597,14 e R$ 26.933,92, respectivamente, resultando, em consequência, a exigência de imposto de renda suplementar (código 2904), no valor de R$ 7.001,60, acrescido de multa de ofício de 75% (passível de redução), no valor de R$ 5.251,20, além de juros de mora, no valor de R$ 1.130,75, calculados até janeiro de 2011. Conforme expresso no item “descrição dos fatos e enquadramento legal” da Notificação contestada, a autoridade fiscal assim justificou o procedimento adotado: Dedução indevida de despesas médicas. Regularmente intimada, a contribuinte não atendeu à intimação fiscal até a presente data. Em decorrência do nãoatendimento da referida intimação, foi glosado valor de R$ 10.600,00 por falta de comprovação. Dedução indevida de despesas de Livro Caixa. Regularmente intimada, a contribuinte não atendeu à intimação fiscal até a presente data. Em decorrência do nãoatendimento da referida intimação, foi glosado valor de R$ 16.359,28 por falta de comprovação. Em sua peça impugnatória de fls.02, instruída com os elementos de fls.08/116, a interessada, por meio de seus procuradores nomeados pelos instrumentos de fls.04/07, contesta o lançamento efetuado, quando, após afirmar que “encontrase em viagem de estudos desde novembro/2010 e tal intimação não lhe foi entregue pela pessoa que a recebeu”, argumenta, em síntese, que está apresentando agora os documentos requeridos pelo Fisco, juntamente com as justificativas para pleitear as deduções em foco. Embora ausente a documentação requerida em momento anterior ao lançamento, os elementos apresentados juntamente com a peça contestatória de fls.02 foram analisados, mediante revisão de Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10480.721459/201118 Acórdão n.º 2003000.108 S2C0T3 Fl. 179 3 ofício promovida pela Fiscalização da DRF/Recife/PE, em cumprimento à Instrução Normativa RFB nº 958/2009, em seu artigo 6ºA, com nova redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1061/2010, no propósito de se observar a adequação desses documentos aos termos que estampa a pertinente legislação tributária. A par disso, foi lavrado em 06/03/2013 o Despacho Decisório SEFIS/DRF RECIFE nº 113/2013, anexado às fls.124/125, cuja conclusão foi pela alteração parcial do lançamento em foco, mantendo em parte a glosa da dedução requerida a título de “despesas médicas” e da dedução pleiteada a título de “Livro Caixa” na Declaração de Ajuste Anual IRPF/2009 da interessada, objeto da Notificação de fls.117/122, passando o imposto de renda suplementar para o valor de R$ 4.199,35 (quatro mil cento noventa e nove reais e trinta e cinco centavos), sujeito a multa de ofício (passível de redução), no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), além dos juros de mora a serem calculados segundo a legislação de regência. A justificativa da revisão de ofício, foi assim explanada: DESPESAS MÉDICAS – Comprovouse as despesas com o Instituto de Olhos do Recife (R$ 3.440,00) e com a profissional Idalina A. Ferreira (R$ 160,00). A despesa com a profissional Rosa Maria de Lima Reis (R$ 7.000,00) não pode ser aceita. Os recibos apresentados não foram devidamente datados, não consta o mês de emissão dos documentos. Assim, não se pode comprovar o efetivo pagamento da despesa (confronto de datas e valores). DESPESAS DE LIVRO CAIXA – Os rendimentos percebidos de entidades governamentais em face de trabalho assalariado (código 0561) não possibilitam deduções com o Livro Caixa. No presente caso, a contribuinte somente pode deduzir o valor de R$ 6.590,00, que se refere a toda a receita recebida de pessoa física. Cientificada do Despacho Decisório acima mencionado, mediante recebimento da Comunicação SECAT/DRF/RECIFE nº 189/2013 apensada a fls.129, em 20/03/2013, segundo ARAviso de Recebimento a fls.130, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade de fls.132/136, acompanhada dos elementos apensados às 137/141. Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/CGE, por unanimidade de votos, julgou improcedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário lançado, correspondente ao imposto de renda pessoa física no valor de R$ 4.199,35, a ser acrescido de multa de mora e de juros de mora calculados conforme legislação de regência, ao teor do despacho decisório SEFIS/DRF/Recife nº 113/2013 (fls. 124/125). Fl. 181DF CARF MF 4 Recurso Voluntário Cientificada da decisão em 10/10/2014 (fls. 162/163), a contribuinte interpôs, em 07/11/2014, recurso voluntário (fls. 165/175), insurgindose somente contra a glosa mantida em relação a despesa médica realizada com a profissional Rosa Maria de Lima Reis, no valor de R$ 7.000,00, nada trazendo em relação à glosa parcial das despesas de livrocaixa. Para tanto, apenas reiterou e ratificou as alegações lançadas na impugnação e na manifestação de inconformidade (fls. 2/116 e 130/141), conforme a seguir brevemente sintetizado: DOS FATOS: Para mantimento da glosa o órgão fiscalizador entendeu que os recibos de despesas médicas com tratamento psicoterapêutico, efetuado pela Dra. Rosa Maria de Lima Reis no valor de R$ 7.000,00 (divididos em 05 recibos, por atendimentos no decorrer de 12 meses do ano de 2008) não poderiam ser aceitos, sobre alegação que “tais recibos não foram devidamente datados. Não consta o mês da emissão de documentos”. Com o fito de esclarecer e por fim as quaisquer dúvidas e entendimentos diversos sobre a veracidade das despesas médicas com seu tratamento psicoterapêutico durante o ano de 2008, a Recorrente colacionou em sua Manifestação de Inconformidade, declaração assinada pela Dra. Rosa Maria de Lima Reis a qual afirma ter recebido da contribuinte o valor de R$ 7.000,00 (divididos em 05 recibos) durante o ano de 2008. DA EFETIVA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO: Todos os recibos apresentados possuem as seguintes informações: nome, endereço e CPF da psicoterapeuta que recebeu os pagamentos, tipo do serviço (CRP 02/0522 – serviço profissional de psicologia) e nome da paciente que efetuou o pagamento. Todos os recibos atendem os critérios de dedutibilidade previstos no art. 80, § 1II, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). O Manual de Preenchimento da DIRPF esclarece às fls. 55 que “as despesas médicas são comprovadas mediante documentos contendo o nome, o endereço e o número de inscrição no CPF ou no CNPJ do beneficiário dos pagamentos, podendo ser substituídos por cheque de sua própria emissão, do cônjuge ou do dependente, nominativo ao beneficiário”. DA IDONEIDADE DOS RECIBOS APRESENTADOS: insta salientar que o imposto de renda pessoa física é calculado em função dos rendimentos anuais, e que a mera ausência da indicação do mês a que se refere o recibo (exigência essa não prevista em lei) não pode ter o condão de invalidar os recibos e que tampouco representa quaisquer prejuízos ao erário. DA DECLARAÇÃO MÉDICA E O PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL: a Recorrente colacionou em sua Manifestação de Inconformidade, uma declaração assinada pela profissional onde afirma ter recebido da contribuinte o valor de R$ 7.000,00 durante o ano de 2008. Considerando que não caberia a Contribuinte alterar e adulterar os recibos médicos, sob pena de tornálos inidôneos, a presente declaração visa suprir quaisquer dúvidas que possam surgir em relação ao período a que se referem essas despesas e trazer a Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10480.721459/201118 Acórdão n.º 2003000.108 S2C0T3 Fl. 180 5 verdade material incontestável. Para o mantimento da glosa seria necessário à autoridade fiscal comprovar materialmente que os serviços não foram prestados, o que não foi realizado durante o presente processo. Suplica seja considerado o princípio da verdade material, a qual o julgador fica adstrito na busca da verdade dos fatos não se baseando em meras suposições, e, portanto considere a presente declaração como elemento de prova material dos fatos. Por fim, requer a reforma parcial da decisão recorrida, para que seja reconhecida a improcedência da autuação e o consequente arquivamento dos autos. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Inicialmente, vale salientar, que nessa seara, a Recorrente não se insurgiu contra a glosa da dedução das despesas de livrocaixa remanescentes, alusivas aos “rendimentos percebidos de entidades governamentais em face de trabalho assalariado (código 0561)”, razão pela qual tornouse definitiva a decisão no particular, importando na manutenção e subsistência da autuação em relação ao aludido ponto ora incontroverso. Da glosa das despesas médicas: A Recorrente deduziu, na declaração de rendimentos (fls. 145/150), o valor de R$ 7.000,00, em face das despesas com tratamento psiquiátrico por ela Fl. 183DF CARF MF 6 realizado. A fiscalização, por seu turno, não acatou os recibos apresentados – uma vez que não foram devidamente datados, por não registrarem o mês de suas respectivas emissões – qualificandoos como não hábeis a comprovar a data do pagamento das despesas realizadas, não possuindo, por esse fato, efeitos probantes perante o Fisco. Visando suprir o ônus que lhe competia, a Recorrente instruiu os autos com declaração prestada pela profissional contratada, que certificou ter recebido o valor declarado, o qual se referiu a sessões de psicanálise por ela realizadas, no período de janeiro a dezembro de 2008 (fls. 172). Não houve questionamentos acerca da idoneidade da declaração prestada. A DRJ, por seu turno, houve por bem ratificar o entendimento da fiscalização contido no despacho decisório nº 113/2013 (fls. 124/125), onde em nenhum momento solicitouse a comprovação dos dispêndios, restando operada a glosa tão somente na ausência de “data completa” nos recibos (fls. 155): Portanto, podem ser deduzidos os gastos efetuados com profissionais liberais da área de saúde e com entidades prestadores dos serviços de saúde, sendo imprescindível que, se exigido pelo Fisco, o interessado faça prova desses gastos com documentação hábil e idônea que traga informações que permitam a perfeita identificação: 1) do responsável pelo pagamento efetuado; 2) da data e condição de pagamento; 3) do tipo de serviço realizado; 4) do beneficiário do serviço, caso não seja o responsável pelo pagamento e 5) do emitente: nome, endereço, além de CNPJ, no caso de pessoa jurídica, e de CPF, registro de habilitação no Conselho Regional de sua classe e respectiva assinatura, no caso de profissional autônomo (pessoa física). Conforme relatado pela autoridade revisora, ao apreciar a impugnação de fls.02 e os documentos apresentados pela notificada, a glosa da importância de R$ 7.000,00 (sete mil reais) pleiteada como dedução de “despesas médicas” foi mantida porque “os recibos apresentados não foram devidamente datados, não consta o mês de emissão dos documentos”. Ou seja, ainda que neles constem todos os requisitos listados pela notificada em sua manifestação de inconformidade de fls.132/136, é evidente que os recibos em foco, por não estarem devidamente datados, não são elementos hábeis a comprovar a data do pagamento porventura efetuado pela contribuinte à profissional emitente do recibo. A data de emissão de qualquer documento (seja recibo, cheque, nota fiscal, etc.) é requisito indispensável para assinalar quando ocorreu o fato nele descrito, no presente caso quando foi efetuado o pagamento questionado pelo Fisco. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10480.721459/201118 Acórdão n.º 2003000.108 S2C0T3 Fl. 181 7 A ausência do mês na “data de recebimento” aposta nos 05 (cinco) recibos apensados às fls.11/13 não permitiu à autoridade revisora, conforme por ela relatado, averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos correspondentes, mediante o “confronto de datas e valores”. Juntamente com sua manifestação de inconformidade de fls.132/136, a notificada trouxe aos autos, para apreciação da autoridade julgadora, a declaração de fls.138, emitida em “03 de abril de 2013” pela psicanalista Rosa Maria de Lima Reis. Contudo, a mencionada profissional liberal, apesar de afirmar textualmente no documento em pauta “que recebi de Eliane Moura Souza Barbosa, CPF 126.008.49491, a importância de R$ 7.000,00 (sete mil reais) relativa a sessões de psicanálise no período de janeiro a dezembro do ano de 2008”, não sanou a falha apontada nos recibos de fls.11/13, os quais continuam, assim, carentes de efeito probante perante o Fisco. Podese observar do acima transcrito que os recibos apresentados foram considerados imprestáveis, diante da ausência do mês dos dispêndios, não possuindo, por conseguinte, efeito probante perante o Fisco. Contudo em nenhum momento os mesmos foram considerados inidôneos. Não houve questionamento algum sobre os dispêndios realizados, mas tão somente a impossibilidade de averiguar sua efetiva ocorrência mediante confronto de datas e valores. Pois bem. Entendo que razão assiste a Recorrente. A dedução de despesa médica, de fato, depende de comprovação por hábil e idônea documentação que atenda aos requisitos legais, nos exatos termos da legislação de regência. O recibo de pagamento, via de regra, não tem valor absoluto para comprovação das despesas realizadas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Contudo, a recusa da aceitação dos aludidos recebidos deve estar fundamentada, mediante clara demonstração dos indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. No caso dos autos, não foram solicitados de maneira objetiva outros elementos de prova, que demonstrassem a origem dos dispêndios, e o fundamento para lançar limitou em apenas afirmar que os recibos não comprovaram pagamento de despesas médicas, requisito indispensável para assinalar quando ocorreu o fato nele descrito, ou seja, a época em que foram efetuados os pagamentos questionados pelo Fisco. Nesta esteira, e lastreado pelo princípio da verdade material, os requisitos legais restaram supridos com a declaração prestada pela psicanalista e prestadora dos serviços, atestando o recebimento dos valores declarados, em cujo documento estão presentes os requisitos hábeis a comprovar a despesa realizada, calhando o reconhecimento da idoneidade dos recibos anteriormente ofertados à fiscalização e constantes da impugnação. Fl. 185DF CARF MF 8 E como argumentou a Recorrente em sua peça recursal (fls. 169), “não caberia a contribuinte alterar e adulterar os recibos médicos, sob pena de tornálos inidôneos, a presente declaração visa suprir quaisquer dúvidas que possam surgir em relação ao período a que se referem essas despesas e trazer a verdade material incontestável”. Não se pode olvidar, que nos recibos glosados estão descritos os requisitos necessários constantes do art. 80, § 1º, III, do RIR/99 (redação dada pelo art. 8º, § 2º, III, da Lei 9.250/95), que são: indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu. E, digase novamente, não foram questionadas a idoneidade dos recibos, mas tão somente sua imprestabilidade para os fins a que se destinavam (comprovação dos dispêndios), o que restou suprido com a declaração prestada pela profissional médica, restando assim, no meu entender, indevida a glosa das despesas médicas operadas. Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO do Recurso Voluntário, nos termos do voto em epígrafe, para restabelecer as deduções remanescentes de despesas médicas glosadas, no valor de R$ 7.000,00, da base de cálculo do imposto de renda, anocalendário 2008, exercício 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.723601/2015-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto).
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos acumulados ao final do primeiro trimestre de 2010 da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativa, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .7 23 60 1/ 20 15 -5 1 Fl. 3490DF CARF MF Processo nº 10920.723601/201551 Resolução nº 3201001.981 S3C2T1 Fl. 3.491 2 vinculados às receitas de mercado interno não tributável, no valor de R$ 1.592.754,01, formulado mediante PER/DCOMP nº 09510.39179.270514.1.5.110370. Do Relatório Fiscal Consta do Despacho Decisório que: a autoridade fiscal reconheceu o crédito no valor de R$ 1.200.248,03; o valor total das glosas foi de R$ 392.505,98, que é o valor contestado. A análise do crédito se deu a partir da análise da documentação e das informações apresentadas pelo Contribuinte para comprovação do direito aos créditos pleiteados em confronto com os dados nas bases da RFB, SPED Fiscal e SPED Contribuições. Foram glosados da base de cálculo informada em Dacon, os valores que seguem, indicados conforme a linha do respectivo demonstrativo: (i) Linha 02 do Dacon Bens Utilizados como Insumos as entradas não enquadradas como insumos, tais como pneus, produtos para tratamento de efluentes, lonas, pallets, fretes na aquisição de produtos de pessoa física, frete entre filiais, óleo diesel, entre outros; as notas fiscais com data de emissão fora dos períodos em análise; (ii) Linha 03 Serviços Utilizados como Insumos – as entradas não enquadradas como insumos, tais como manutenção veicular/predial, controle de pragas, cursos, despesas de importação, serviços de classificação, comissões de compras/vendas, fretes entre filiais e de aquisição de pessoas físicas, mão de obra temporária (promotoras), entre outros (guincho, vacinas, despesas médicas, etc.); as notas fiscais com data de emissão fora dos períodos em análise; (iii) Linha 04 – Energia Elétrica/Térmica – os valores das faturas de energia elétrica não incluídos na base de cálculo do ICMS (COSIP, correção monetária, multas, juros, tarifas postais); as notas fiscais com data de emissão fora dos períodos em análise; (iv) Linha 06 – Despesas Aluguéis Máquinas e Equipamentos – os valores referentes a manutenção de empilhadeira, IPTU, e os documentos com data fora do período em análise; (v) Linha 07 – Armazenagem e Frete na Operação de Venda – as despesas com fretes entre filiais, fretes na importação, fretes aquisição pessoa física, fretes não referentes a aquisição de insumos ou a operação de vendas; (vi) Linha 03/Importação – Serviços Utilizados como Insumos– despesas com fretes que não se enquadram nas hipóteses legais de crédito (quais sejam, aquisição de bens adquiridos para revenda, serviço utilizado como insumo, frete na operação de venda); Fl. 3491DF CARF MF Processo nº 10920.723601/201551 Resolução nº 3201001.981 S3C2T1 Fl. 3.492 3 (vii) Linha 26 – Crédito Presumido Agroindústria – as notas fiscais com data de emissão fora dos períodos em análise/apuração. Da Manifestação de Inconformidade No tópico d) Da Verdade Material a Recorrente manifestase contra a regularidade do procedimento fiscal argumentando, em síntese, que, em nome do Princípio da Verdade Material, ao Auditor Fiscal cabia, ao verificar inconsistência nos documentos fiscais apresentados, perquirir exaustivamente a fim de confirmar a existência e legitimidade do crédito por ela informado em Dacon e no Pedido de Ressarcimento. Nesse sentido dizse o agente fazendário ao identificar que parte das notas fiscais oriundas de aquisições de bens ou serviços não foram encontradas no SPED Fiscal, ou que a descrição supostamente estava equivocada, deveria ter buscado/solicitado documentos complementares no intuito de confirmar o procedimento praticado pela Manifestante. Aduz que, entretanto, o “Fisco Federal preferiu glosar os créditos sem a correta análise completa dos fatos em questão”. Argumenta que o princípio da verdade material em matéria tributária determina que a autoridade fiscal tem o dever de buscar a verdade, sendo que o processo fiscal tem a finalidade de garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador bem como da constituição do crédito tributário, cabendo ao fiscal/julgador buscar de forma exaustiva o que realmente ocorreu de modo a não prejudicar o direito do contribuinte. Acrescenta que restará ao julgador, a análise do processo administrativo, com todos as informações e documentos que aqui constam, para que assim, possa, observando o princípio da verdade material e levando em consideração os fatos mencionados pela Manifestante, bem como pela legislação aplicável ao caso, inicialmente reanalisar os documentos e dar seu parecer. Em contestação às glosas, a interessada no tópico b) Do conceito de insumos, inicialmente discorre sobre o princípio da não cumulatividade e sobre o conceito de insumo no âmbito da incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins para fundamentar o argumento de que o legislador não quis restringir o creditamento do Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apenas às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem – alcance de insumos na legislação do IPI – utilizados, diretamente, na produção industrial; ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Aduz que a materialidade das contribuições em tela é mais próxima daquela estabelecida ao IRPJ do que daquela prevista ao IPI e conclui que, portanto, o termo “insumo” deve necessariamente compreender os custos e Fl. 3492DF CARF MF Processo nº 10920.723601/201551 Resolução nº 3201001.981 S3C2T1 Fl. 3.493 4 despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito aplicável a legislação do IPI. Traz jurisprudência administrativa e excertos doutrinários. Glosas efetuadas da Linha 02 do Dacon Bens Utilizados como Insumo A Recorrente contesta as glosas efetuadas pela autoridade fiscal no item c) Das glosas efetuadas pela autoridade fiscal de sua Manifestação de Inconformidade. Em relação aos de créditos informados como decorrentes de bens utilizados como insumo (linha 02), manifestase no tópico c.1) Dos bens utilizados como insumos. Inicialmente contesta os gastos com aquisição de pneus, alegando que estes foram adquiridos para serem utilizados em “veículos próprios da companhia que se destinam ao transporte de produção e comercial”. Diz que o critério estabelecido para transporte de produção seriam todas as movimentações de compras de matériasprimas e insumos que fazem parte do processo de produção dos produtos acabados”. Argumenta ainda que “nos termos do previsto no objeto social da empresa, esta possui frota própria, inclusive realizando fretes a terceiros, caracterizando assim como uma atividade fim da empresa”. Contra a glosa das aquisições de produtos para tratamento de efluentes, alega que “as despesas incorridas na aquisição de produtos utilizados tanto no processo de Afluentes, como no processo de Efluentes, todos dizem respeito ao processo produtivo”. Em relação aos produtos para tratamento de efluentes informa que são aplicados no processo de “tratamento da água suja” utilizada “no processo produtivo dos Tanques de Encharques da parbolização” a fim de tornar essa água “apta, sem impurezas, sendo destinada posteriormente ao rio”. Em relação aos materiais para embalagem, explica que: os pallets são utilizados para manter a ordem no armazenamento dos produtos acabados, facilitando os carregamentos e descarregamentos nos clientes; as lonas servem para proteger os produtos acabados destinados ao transporte da indústria até o cliente, de forma a protegêlos contra as intemperes durante o percurso traçado, tais como chuva, sol, poeira, altas e baixas temperaturas, entre outros. Defende o crédito em relação a tais produtos alegando: que estes são necessários a manutenção da integridade e qualidade do bem transportado; que a legislação que conceitua matériaprima, material intermediário e material de embalagem não trazer quaisquer distinções acerca da utilização dos materiais de embalagens, se para apresentação ou transporte. Quanto às despesas com fretes entre filiais, a Recorrente alega: que existe previsão legal para tomada de créditos sobre os “serviços” utilizados para a produção ou fabricação dos produtos destinados a venda; que o frete realizado na transferência de uma unidade de produção à outra compõe a Fl. 3493DF CARF MF Processo nº 10920.723601/201551 Resolução nº 3201001.981 S3C2T1 Fl. 3.494 5 etapa de produção sendo essencial para a complementação da atividade econômica da empresa. Em relação gastos com os serviços de frete tomados de pessoa física, a Recorrente defende que o direito ao crédito existe por consistirem de custos de industrialização por estarem relacionados a aquisição de insumos. A recorrente contesta a glosa dos valores das aquisições de óleo diesel alegando que os combustíveis são utilizados como insumos da atividade da contribuinte. Aduz que não há justificativa específica para a motivação da glosa referente a este item, atendose a Autoridade Fiscal somente a informar que não constituem insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens. Ressalta, ainda, que o preço do serviço de transporte, usualmente, está contido também no valor das mercadorias e, por evidente, representa um custo para a empresa que efetua o transporte. Alega que, além disso, referidos combustíveis “também são utilizados nos geradores de energia, empilhadeiras, plataforma tombador, turbina da usina e compressores de Ar”, equipamentos, que segundo alega, seriam todos e utilizados em seu processo produtivo. Contra a glosa dos valores das notas fiscais com data de emissão de períodos anteriores, aduz trataremse de levantamento extemporâneo de créditos, que foram aproveitados dentro do prazo decadencial, nos termos do disposto na legislação. Diz que as disposições contidas nos artigos 3º, § 4º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/03, não se prestam a fazer quaisquer restrições temporais ao direito de crédito, exceto a já conhecida e determinada pela legislação tributária, qual seja, de cinco anos. Afirma ser cabível o direito de crédito do PIS e da Cofins quando os valores não foram aproveitados no mês, passando para os períodos subsequentes os valores apurados, conforme exposto anteriormente. Glosas efetuadas da Linha 03 do Dacon Serviços Utilizados como Insumos (mercado interno) A Recorrente contesta as glosas efetuadas pela autoridade fiscal de créditos informados como decorrentes de serviços utilizados como insumo (linha 03), no tópico c.2) Serviços utilizados como insumos de sua Manifestação de Inconformidade. Em relação aos serviços de manutenção veicular/predial, a Recorrente alega: tratamse de manutenções realizadas devido a reparos necessários em veículos que se referem a transportes de produção e transportes comerciais, conforme já devidamente esclarecidos e descritos no item “pneus” anteriormente exposto; utiliza de manutenções preventivas na estrutura da empresa, para conservação desta estrutura predial específica da produção. Conclui que, portanto, ambas as despesas estão diretamente relacionadas ao seu custo de produção. Em relação aos cursos, diz que são para os funcionários do setor da produção, relacionados a sua atividade fim. Fl. 3494DF CARF MF Processo nº 10920.723601/201551 Resolução nº 3201001.981 S3C2T1 Fl. 3.495 6 Sobre as despesas com importação, explica que são oriundas de fretes de importação de matériaprima, bem como de despesas com desembaraço aduaneiro destas mercadorias do Porto até o efetivo internamento no estabelecimento da empresa. Argumenta que devem ser consideradas como insumos para a atividade, pois, excluindo esta etapa do processo produtivo, seu produto simplesmente não é produzido. Segundo alega, isso comprovaria e a necessidade destes insumos na sua cadeia produtiva. Explica que os gastos com comissões de compras/vendas, tratamse de valores pagos a profissionais que intermediam algumas compras de matériaprima para o processo produtivo, consistindo, portanto de um custo de aquisição. E sobre os serviços de mãodeobra temporária, estas dizem respeito às promotoras de vendas, as quais prestam referido serviço de caráter temporário, visando a apresentação dos produtos comercializados, como se publicidade fosse. Glosa efetuadas da Linha 26 – Crédito Presumido Agroindústria A Recorrente contesta essa glosa (no item c.3) Crédito Presumido Agroindústria) alegando que no parecer do fiscal não há qualquer questionamento da RFB quanto à legitimidade/existência dos créditos, mas sim apenas a alegação de que os mesmos já teriam sido utilizados em períodos anteriores. Mas que comprovandose a existência dos créditos presumidos suficientes, além daqueles já utilizados inicialmente, comprovase o correto procedimento de ressarcimento efetuado. Reclama da fragilidade do procedimento fiscal que negou o direito ao reconhecimento de crédito presumido sob o argumento, tão somente de que os créditos já teriam sido utilizados anteriormente. Argumenta que, contudo, não traz a RFB uma evolução da apuração dos créditos para justificar seu posicionamento. Afirma que, mesmo considerando o crédito extemporâneo, pelo simples fato de não ter sido utilizado no mês das aquisições, seu aproveitamento ocorreu dentro o prazo legal previsto pela legislação, inocorrendo assim a incidência do instituto da decadência. Reclama que os artigos 3º § 4º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/03, não se prestam a fazer quaisquer restrições temporais ao direito de crédito; menciona que a própria legislação autoriza o aproveitamento extemporâneo, nos moldes do citado anteriormente. Conclui que, comprovando o equívoco fiscal, apresenta uma planilha que demonstra os saldos de cada período, inclusive com as notas fiscais que originaram o crédito de 2007 a 2009 utilizados naquele período, bem como a relação das notas fiscais de aquisição de 2007 a 2009 utilizadas nos períodos de 2010 a 2013 ora questionados. Afirma que com isto, comprovase que não se está a falar dos mesmos créditos, devendo estes serem analisados como extemporâneos, utilizados dentro o período decadencial permitido. Fl. 3495DF CARF MF Processo nº 10920.723601/201551 Resolução nº 3201001.981 S3C2T1 Fl. 3.496 7 Ao final defende que tem direito ao ressarcimento dos créditos acrescidos dos acréscimos de correção monetária e juros correspondentes. Requer a produção de todas as provas em direito admitidas, sejam estas mediante a juntada de novos documentos no decorrer no presente procedimento administrativo, quanto a trazer novos argumentos e informações aos autos. É o relatório A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão está assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2010 a 31/03/2010 DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. MATÉRIA INCONTESTE. O julgador administrativo é impedido de manifestarse em relação a matéria contra a qual o impugnante não se manifestou expressamente, pelo que se reputa definitivo, na esfera administrativa, o feito fiscal na parte relacionada a tal matéria. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2010 a 31/03/2010 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. LEGISLAÇÃO. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, Fl. 3496DF CARF MF Processo nº 10920.723601/201551 Resolução nº 3201001.981 S3C2T1 Fl. 3.497 8 aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A adoção do regime de competência na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins e dos correspondentes créditos da não cumulatividade decorre da legislação tributária, sendo, portanto, de observação obrigatória pelos contribuintes. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESCONTO DE CRÉDITOS DE PERÍODOS ANTERIORES. DACON. A apuração e utilização dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, não cumulativas, é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com o desconto, no Dacon do período corrente, de créditos ditos como sendo de períodos anteriores, mas que não foram apurados e informados no Dacon do respectivo período. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. DIREITO A CREDITO. INEXISTÊNCIA. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, não há possibilidade de creditamento na modalidade aquisição de insumos e na modalidade frete na operação de venda, em relação aos dispêndios com serviços de transporte suportados pela pessoa jurídica no deslocamento de produtos acabados ou em elaboração entre os seus diferentes estabelecimentos. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. Por disposição expressa em lei, o contribuinte não tem direito a créditos calculados a alíquota regular da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativa sobre as aquisições de pessoas físicas. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. TRATAMENTO DE EFLUENTES. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os produtos químicos utilizados no tratamento da água de efluentes não são considerados insumos à produção para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins no regime de apuração não cumulativo. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. EMBALAGEM. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. Somente geram créditos, por consistirem de insumo da produção de bem destinado à venda, as embalagens a este incorporadas durante o seu processo produtivo, a ele se agregando e que o acompanha até o consumidor final. Fl. 3497DF CARF MF Processo nº 10920.723601/201551 Resolução nº 3201001.981 S3C2T1 Fl. 3.498 9 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM IMPORTAÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No regime de apuração não cumulativa, não é admitido o desconto de créditos em relação ao pagamento de serviços aduaneiros e de frete interno referente ao transporte de mercadoria importada do ponto de fronteira, porto ou aeroporto alfandegado até o estabelecimento da pessoa jurídica no território nacional. É possível o desconto de crédito em relação a despesas com armazenagem do produto importado. O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: II – Dos Fatos A Recorrente informa que a fiscalização glosou os créditos de (i) bens utilizados como insumos; (ii) serviços utilizados como insumos; (iii) energia elétrica/Térmica; (iv) despesas com alugueis, máquinas e equipamentos; (v) armazenagem e frete na operação de venda; (vi) importação – serviços utilizados como insumos e (vii) crédito presumido da agroindústria, todos oriundos do seu Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 09510.39179.270514.1.5.110370. III – Preliminar a) Da indispensável conversão do julgamento em diligência A Recorrente alega ausência de motivação do ato fiscal para as glosas dos créditos cujo ressarcimento foi requerido por meio de PER/DCOMP. Sustenta que os itens de créditos glosados são considerados insumos, e assim são classificados em vista do entendimento adotado ao termo e já pacificado no âmbito desse Tribunal Administrativo. Ademais alega que a glosa foi realizada sem a devida motivação. Como reforço ao argumento, cita doutrina, jurisprudência e faz menção ao princípio da verdade material. Nessa mesma linha acredita que seria o caso de nulidade das decisões. Percebese então a necessidade iminente, bem como o direito da Contribuinte, de anularemse as decisões então proferidas, sob pena de manterse a afronta aos Princípios da Legalidade, do contraditório e ampla defesa, além da verdade material. Aliás, diante da ausência de análise quanto ao seu processo produtivo e da utilização de tal ponto para justificar inúmeras glosas praticadas, entende prudente a Recorrente pela conversão do presente julgamento em diligência para fins de apuração da efetiva relação dos créditos postulados com o seu processo produtivo. (efl. 3401) Ao final desse ponto, a Recorrente conclui quanto a necessidade de conversão do julgamento em diligência, a fim de confirmar a relação dos itens glosados com o processo produtivo da Recorrente. IV – Do Direito a) Do crédito de PIS/COFINS – Princípio da nãocumulatividade – Conceito de Insumos Fl. 3498DF CARF MF Processo nº 10920.723601/201551 Resolução nº 3201001.981 S3C2T1 Fl. 3.499 10 A Recorrente afirma que o conceito de insumos utilizado pela fiscalização está superado. Assim, o entendimento das Instruções Normativas nº 247/2002 (PIS) e nº 404/2004 (COFINS) não mais subsiste. Ou seja, ao contrário do entendimento já superado por essa E. Corte, o voto então proferido adotou como conceito de insumo aquele então resultante do cruzamento dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 com o artigo 66 da Instrução Normativa SRF nº 247/2002 e com o artigo 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, assim o considerando apenas aqueles que estejam intrinsecamente associados ao processo produtivo da empresa produtora. (efls. 3403 e 3404) Nessa linha, afirma que as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 admitem a não cumulatividade das parcelas de PIS/COFINS, como forma primordial de promover a redução da carga tributária buscando a desoneração pelo pagamento destas contribuições. Reforça o argumento com jurisprudência da CSRF deste CARF. Sustenta que na lógica atual devese analisar o conceito de insumo sob a ótica da essencialidade/necessidade. Cita trecho do REsp nº 1.221.170, proferido em 23/09/2015. Colaciona doutrina. b) Das glosas efetuadas pela fiscalização A Recorrente relaciona as glosas efetuadas pela fiscalização, a saber: (i) Bens utilizados como insumos: entradas de bens não enquadrados como insumos, dentre eles: aquisição de pneus; produtos para tratamento de efluentes; materiais de embalagem; despesas com serviços de frete entre filiais, despesas com serviços tomados de pessoa física, aquisições de combustíveis; (ii) Serviços utilizados como insumos – entradas se serviços não enquadrados como insumos; (iii) Crédito extemporâneo; (iv) Crédito Presumido Agroindústria. (efl. 3413) Em seguida aborda cada uma das glosas. b.1) Dos bens utilizados como insumos A Recorrente elenca bens que teriam sido glosados, dentre os quais: b.1.1) pneus; b.1.2) produtos para tratamento de efluentes; b.1.3) lonas, pallets; b.1.4) frete entre filiais; b.1.5) fretes na aquisição de produtos de pessoa física; e b.1.6) óleo diesel (combustível). Em sua defesa, para reverter as glosas cita extensa jurisprudência do CARF. c) Do Crédito Extemporâneo A Recorrente contesta a glosa dos créditos extemporâneos. Nesse ponto alega que a apuração dos créditos da contribuição em voga toma por base as despesas ocorridas no Fl. 3499DF CARF MF Processo nº 10920.723601/201551 Resolução nº 3201001.981 S3C2T1 Fl. 3.500 11 mês de apuração, conforme indicam os incisos I a IV do § 1º do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Faz referência a orientação prevista no § 4º do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Dessa maneira, não subsiste o entendimento do fisco de que não há possibilidade de solicitação de créditos extemporâneos ao trimestre em análise, uma vez que é certo o direito de o contribuinte aproveitar os créditos em meses subsequentes, haja vista que tal garantia está expressamente prevista na legislação supratranscrita, não podendo a fiscalização tentar limitar o que é permitido expressamente pela Lei (no caso Leis 10.637/02 e 10.833/03), sob pena de violação ao princípio da legalidade. (e fl. 3443) Cita o Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010. Alega que fez a utilização dos créditos tidos por extemporâneos dentro do prazo estabelecido no art. 1º do Decreto nº 20.910/32. Faz referência ao Acórdão nº 3403002.420. Defende que não haveria necessidade de prévia retificação do DACON por parte do contribuinte. d) Serviços Utilizados como Insumos A Recorrente deseja afastar a alegação fazendária quanto a preclusão atinente a supostas glosas não contestadas. Discorre sobre os créditos relativos a: d.1) manutenção predial/veicular Quanto ao item manutenção, temse que correspondem a reparos necessários em veículos utilizados nos transportes de produção e transportes comerciais, conforme já devidamente esclarecido e descrito no item “pneus” anteriormente exposto. No mesmo sentido, a Manifestante também se utiliza de manutenções preventivas na estrutura da empresa, para conservação desta estrutura predial específica da produção. (e fl. 3455) d.2) Cursos Mesmo entendimento se aplicam aos cursos, posto que relacionado a qualificação dos funcionários do setor da produção, que aplicam o conhecimento adquirido na execução dos trabalhos produtivos, tal como: habilitação para exercer a atividade de Operador de Empilhadeira, Operador de Caldeira, etc (efl. 3455) d.3) Despesas de importação frete/despachante Dito isso, cabe ainda à Recorrente demonstrar seu inconformismo quanto às glosas efetuadas pela Autoridade Pública no que tange às despesas oriundas de fretes de importação de matériaprima, bem como de despesas com desembaraço aduaneiro destas mercadorias do Porto até o efetivo internamento no estabelecimento da empresa. (efl. 3456) Fl. 3500DF CARF MF Processo nº 10920.723601/201551 Resolução nº 3201001.981 S3C2T1 Fl. 3.501 12 d.4) Energia elétrica e térmica Relata o Termo de Informação Fiscal a glosa parcial de créditos apurados pela Recorrente sobre despesas relacionadas à aquisição de energia elétrica, na medida em que tais valores não refletiriam a energia elétrica efetivamente consumida, mas sim valores relativos à Cosit, juros e multas. Tal entendimento não merece prosperar, na medida em que tais valores integram, de maneira indissociável, o custo de aquisição da energia elétrica, não sendo possível se cogitar da impossibilidade de apuração do crédito correspondente sobre a totalidade do valor pago na operação. A cobrança da taxa de iluminação pública, assim como a aquisição de energia elétrica por meio de demanda contratada em tensão previamente estabelecida, serve de valioso exemplo para a análise da medida em questão, uma vez que tais despesas não podem ser dissociadas da fatura corresponde à remuneração paga pela energia elétrica efetivamente consumida. (efl. 3459) d.5) demais glosas No mesmo item referente aos “Serviços utilizados como insumos”, a Autoridade Pública informa outras glosas, quais sejam, de comissões de compras/vendas, mãodeobra temporária, dentre outros. Por consequência, a sua manutenção no acórdão recorrido também se operou devido ao conceito aplicado a termo insumo. e) Crédito Presumido Agroindústria A Recorrente alega que a fiscalização glosou de forma equivocada as aquisições referentes à emissão fora dos períodos em análise/apuração. Seriam as notas fiscais com emissão de 2007 a 2009. Ou seja, o que se pretende com tal argumentação é demonstrar a fragilidade do contribuinte face ao procedimento adotado pela fiscalização que negou direito ao reconhecimento de crédito presumido de PIS e Cofins, seja ele sob o argumento, tão somente de que os créditos já teriam sido utilizados anteriormente, seja porque não teria retificado as correspondentes declarações. (efl. 3463) V – Da Ausência de preclusão no Processo Administrativo Fiscal | Princípio da Verdade Material A Recorrente argumenta quanto a ausência de preclusão no Processo Administrativo Fiscal e sobre o princípio da verdade material. VI – Da Atualização Monetária/Incidência da SELIC Fl. 3501DF CARF MF Processo nº 10920.723601/201551 Resolução nº 3201001.981 S3C2T1 Fl. 3.502 13 A Recorrente alega que quando do ressarcimento dos créditos faz jus aos acréscimos de correção monetária e juros correspondentes, sob pena de constituir evidente enriquecimento sem causa da Administração em prejuízo ao contribuinte. VII – Dos Pedidos Ao final pede: i) Preliminarmente, em razão da ausência de motivação, bem como da análise efetiva da essencialidade dos insumos no processo produtivo da Recorrente, determinar a anulação dos despachos/decisões proferidas, determinando o retorno dos autos à Autoridade Fiscal para fins da conferência pormenorizada dos itens glosados e o efetivo cotejo com o processo produtivo da contribuinte. Caso assim não o seja, ii) No Mérito, postula pelo reconhecimento da totalidade do direito creditório em evidência, relativos aos créditos de COFINS do 1º trimestre de 2010, devidamente atualizados pela Selic, tendo em vista restar comprovada a legítima existência dos mesmos, com a consequente homologação das compensações declaradas. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Em apertada síntese, a Recorrente sustenta que a fiscalização: a) glosou os créditos de PIS/COFINS sem analisar efetivamente o processo produtivo da empresa; b) aplicou o conceito restritivo de insumo para glosar créditos; c) negou a utilização de créditos extemporâneos; d) glosou indevidamente serviços utilizados como insumos; e) negou equivocadamente crédito presumido da agroindústria. De forma geral, no tocante a reversão das glosas, cabe razão a recorrente. O STJ, por meio do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, em decisão de 22/02/2018, proferida na sistemática dos recursos repetitivos, firmou as seguintes teses em relação aos insumos para creditamento do PIS/COFINS: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem Fl. 3502DF CARF MF Processo nº 10920.723601/201551 Resolução nº 3201001.981 S3C2T1 Fl. 3.503 14 ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Assim, em vista do disposto pelo STJ no RE nº 1.221.170/PR quanto a ilegalidade das Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, bem como da jurisprudência deste CARF, a discussão seria centrada na análise dos para verificar se atendem ou não aos requisitos da essencialidade, relevância ou imprescindibilidade conforme ensinamento do superior tribunal. Entretanto, quando do início do julgamento do processo na sessão de abril de 2019, foi suscitada dúvida na parte relativa a linha 26 crédito presumido agroindústria. Nesse ponto a Recorrente alega que a fiscalização glosou de forma equivocada as aquisições referentes à emissão fora dos períodos em análise/apuração. Seriam as notas fiscais com emissão de 2007 a 2009. De um lado, a decisão de primeira instância leva a crer que o problema estaria na retificação do demonstrativo da Dacon para ter direito ao crédito. Notese que a menção de que “os créditos presumidos de agroindústria, calculados à época, foram utilizados para desconto das próprias contribuições em seus respectivos períodos” importa na medida em que demonstra que houve a apuração e o desconto deste tipo de crédito no Dacon referente à época da emissão das notas ora glosadas. Assim, se àquela época, a interessada, como alega, não as incluiu na base de cálculo do crédito presumido demonstrado no Dacon daquele período, cabia então retificar tal demonstrativo e somente então trazer o eventual crédito remanescente para desconto no Dacon ora em análise. (efl. 3379) (...) E o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon é o instrumento que a legislação estabelece como meio através do qual o contribuinte deve informar ao Fisco, entre outros dados, os montantes das receitas auferidas (tributada no mercado interno, não tributada no mercado interno e de exportação) e demonstrar a apuração do valor devido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas e dos créditos que entende possuir. No que se refere à base de cálculo dos créditos, o referido demonstrativo possui fichas e linhas específicas para cada hipótese legalmente prevista de geração de crédito, que devem necessariamente refletir a real composição da base de cálculo do crédito apurado, identificando corretamente os custos e despesas que a compõem, ocorridos ao longo do respectivo período de apuração; ou seja, os custos que compõem a base de cálculo de cada tipo de crédito apurado no Dacon devem estar corretamente neste informados, conforme a sua natureza, a fim de que reste perfeitamente demonstrada a origem do crédito a que o contribuinte declara ter direito, para fins de viabilizar a oportuna e necessária análise e conferência deste pela autoridade administrativa fazendária competente para deferir ou Fl. 3503DF CARF MF Processo nº 10920.723601/201551 Resolução nº 3201001.981 S3C2T1 Fl. 3.504 15 não o pleito do contribuinte, no caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF com jurisdição no domicílio fiscal do contribuinte/pleiteante. Assim é que não se pode prescindir das informações que estão declaradas no Dacon e das formalidades de que se reveste este demonstrativo/declaração. A declaração válida à época do pedido tem que ser considerada para todos os efeitos legais, visto que os fatos ali descritos devem representar de forma inequívoca o direito da contribuinte e a sua natureza, a fim possibilitar a confirmação, pela DRF, de seu valor e forma de apuração, bem como o meio possível de utilização pelo contribuinte. Em situações como esta, em que os dados utilizados pela Receita Federal para analisar a procedência do crédito e sua utilização são extraídos de registros informatizados baseados em valores declarados pelo sujeito passivo, cabe ao próprio sujeito passivo o ônus de retificar as declarações incorretas anteriormente encaminhadas. Portanto, como o crédito e a apuração deste deve estar perfeitamente demonstrada no Dacon, havendo qualquer eventual erro de declaração é ônus do contribuinte corrigilo em tempo hábil, a fim de se assegurar que a análise de seu pleito seja realizada de fato sobre o direito creditório que acredita possuir. Por conta disso, não resta dúvidas que a análise do pedido formulado (PER/DCOMP) limitase ao escopo do que consta no Dacon. E esta é a razão pela qual, ao contrário do que entende a Recorrente, a Autoridade Administrativa pode perfeitamente negar o direito ao crédito incluído no pedido, mas informado de forma diversa ou não constante deste demonstrativo, em respeito à sua função precípua, visto que se assim não fosse, ao Fisco restaria inviabilizada a correta aferição da certeza e liquidez do crédito e o controle do real aproveitamento deste pelo contribuinte. Portanto, ao não informar nos Dacon anteriores créditos remanescentes passíveis de desconto no Dacon ora em análise, a contribuinte retirou a possibilidade de análise e reconhecimento pela DRF da procedência e legitimidade de eventual crédito existente à época. (efl. 3380) Diante disso, é que não cabe à Autoridade Administrativa julgadora assentir com o desconto de créditos de períodos anteriores, não informados no respectivo Dacon, em detrimento da natureza deste demonstrativo e, sobretudo, da competência originária da DRF para analisar e decidir sobre a existência e procedência do crédito declarado pelo contribuinte ao Fisco. Salientese que não se está aqui a negar eventual direito de crédito a que a contribuinte tenha direito em relação as notas fiscais em tela, mas apenas negando que seus valores possam integrar a base de cálculo do crédito do período ora em análise. Fl. 3504DF CARF MF Processo nº 10920.723601/201551 Resolução nº 3201001.981 S3C2T1 Fl. 3.505 16 Diante disso, não há como restabelecer a presente glosa. (efl. 3381) De outro lado, a Recorrente alega a possibilidade de comprovação da existência dos créditos presumidos. Ou seja, comprovandose a existência dos créditos presumidos suficientes, além daqueles já utilizados inicialmente, comprova se o correto procedimento de ressarcimento efetuado pela Recorrente, devendo os mesmos serem reconhecidos e deferidos em sua integralidade. (efl. 3462) É que não se fale em retificação da DACON, pois, quando do aproveitamento destes créditos presumidos, os mesmos são tratados como extemporâneos pela Recorrente e são devidamente lançados em DACON’s dos períodos ora analisados. Ou seja, utilizou a Recorrente os créditos presumidos de 2007 a 2009 para desconto das contribuições dos períodos de 2010 a 2013, além daqueles já anteriormente utilizados como afirmado pelo fiscal, mas, não sendo os mesmos já utilizados anteriormente. (efl. 3464) Portanto, estamos falando de créditos distintos, conforme relação de notas fiscais apresentadas na manifestação anterior. Por consequência, e a fim de justificar o equívoco fiscal, apresentou a Recorrente planilha demonstrando os saldos de cada período, inclusive com as notas fiscais que originaram o crédito de 2007 a 2009 utilizados naquele período, bem como a relação das notas fiscais de aquisição de 2007 a 2009 utilizadas nos períodos de 2010 a 2013 ora questionados. Tratase de prova produzida em sede de Manifestação de Inconformidade, mas não apreciada no acórdão recorrido. (efl. 3465) Diante das colocações de ambos os lados, a turma julgadora considerou por bem converter o julgamento em diligência para verificar se realmente sobrou crédito para ser utilizado. A conversão em diligência é para apurar nas NFs e livros de entrada o valor do crédito presumido e confrontar tais valores com os créditos utilizados no próprio período e nos períodos subsequentes. A Recorrente informa que fez o controle dos créditos presumidos no livro de entrada e que produziu prova em sede de manifestação de inconformidade que não fora apreciada. O CARF possui o reiterado entendimento de ser possível a conversão do feito em diligência, com base no artigo 29, combinado com artigo 16, §§4º e 6º, do PAF– Decreto 70.235/72, com a produção de relatório conclusivo sobre o assunto. Assim, entendo que no presente processo há dúvida razoável acerca de tais créditos, justificando a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da Recorrente, sem que a questão levantada seja dirimida. Fl. 3505DF CARF MF Processo nº 10920.723601/201551 Resolução nº 3201001.981 S3C2T1 Fl. 3.506 17 Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que aprecie a documentação de comprovação da existência dos alegados créditos, bem como, caso necessário, proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Ao final deve a autoridade da repartição de origem informar se há ou não o direito creditório alegado pela Recorrente. Isto posto, deve ser oportunizada à Recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período, para que se manifeste, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Fl. 3506DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.900700/2016-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.025
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: (...) DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do despacho decisório. Se RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 00 70 0/ 20 16 -3 3 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10840.900700/201633 Resolução nº 3402002.025 S3C4T2 Fl. 3 2 entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos que fundamentam a retificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário alegando a procedência de seu pedido de restituição e compensação, pela existência do direito creditório pleiteado, mesmo considerado o erro no preenchimento da DCTF já retificada, com base nos demonstrativos fiscais anexados. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402002.017, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10840.900702/201622. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402002.017): "A questão trazida ao julgamento referese a alegado direito creditório decorrente de recolhimento a maior de PIS e COFINS, e compensação com débitos diversos. A unidade de origem não homologou a compensação pleiteada tendo em vista a utilização do valor indicado na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando saldo a compensar. A recorrente alega que cometeu um erro no preenchimento da DCTF, retificandoa posteriormente ao despacho decisório com a informação correta da apuração das contribuições. Teria recolhido as contribuições pelo regime não cumulativo, sendo que sua atividade (construção civil) seria pelo regime cumulativo das contribuições, restando saldo a restituir da contribuição paga indevidamente no código de apuração do regime não cumulativo. Apresenta, como prova de suas alegações, notas fiscais de serviço, registros de notas fiscais, relatório de retenção na fonte, memória de cálculo e comprovante de arrecadação. Dessa forma, entendo que é necessária a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem verifique as alegações da recorrente, determine o regime de apuração das contribuições conforme as atividades comprovadas da recorrente, e apure saldo passível de restituição. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10840.900700/201633 Resolução nº 3402002.025 S3C4T2 Fl. 4 3 Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: (i) analise as informações contidas no Recurso Voluntário e manifestese, de forma conclusiva, acerca do alegado direito creditório da recorrente, com relação aos regimes de apuração das contribuições e o perfeito enquadramento da recorrente em cada regime com base em suas atividades comprovadas, os valores devidos e aqueles comprovadamente recolhidos a maior; (ii) apresente um demonstrativo retificador, caso entenda cabível, discriminando os valores passíveis de ressarcimento e compensação. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É como voto." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: (i) analise as informações contidas no Recurso Voluntário e manifestese, de forma conclusiva, acerca do alegado direito creditório da recorrente, com relação aos regimes de apuração das contribuições e o perfeito enquadramento da recorrente em cada regime com base em suas atividades comprovadas, os valores devidos e aqueles comprovadamente recolhidos a maior; (ii) apresente um demonstrativo retificador, caso entenda cabível, discriminando os valores passíveis de ressarcimento e compensação. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.908874/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Incumbe à contribuinte a prova da liquidez e certeza do crédito utilizado em Declaração de Compensação.
SERVIÇOS HOSPITALARES. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA.
Incumbe à contribuinte comprovar que efetivamente desenvolve as atividades que se subsumem à hipótese de serviços hospitalares para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ no Lucro Presumido.
Ausentes as provas, o crédito objeto de pleito repetitório carece de liquidez e certeza e deve ser indeferido.
Numero da decisão: 1401-003.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10840.908872/2009-26, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheirosAbel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2002 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS PROBATÓRIO. Incumbe à contribuinte a prova da liquidez e certeza do crédito utilizado em Declaração de Compensação. SERVIÇOS HOSPITALARES. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. Incumbe à contribuinte comprovar que efetivamente desenvolve as atividades que se subsumem à hipótese de serviços hospitalares para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ no Lucro Presumido. Ausentes as provas, o crédito objeto de pleito repetitório carece de liquidez e certeza e deve ser indeferido.
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ÔNUS PROBATÓRIO. Incumbe à contribuinte a prova da liquidez e certeza do crédito utilizado em Declaração de Compensação. SERVIÇOS HOSPITALARES. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. Incumbe à contribuinte comprovar que efetivamente desenvolve as atividades que se subsumem à hipótese de serviços hospitalares para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ no Lucro Presumido. Ausentes as provas, o crédito objeto de pleito repetitório carece de liquidez e certeza e deve ser indeferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10840.908872/200926, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheirosAbel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 88 74 /2 00 9- 15 Fl. 254DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente de Pedido de Restituição/Ressarcimento de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, que a contribuinte utilizou para compensar com débitos por meio de Declaração de Compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto indeferiu o pleito repetitório e não homologou as compensações em função da constatação de que o valor do DARF indicado como origem do crédito havia sido integralmente utilizado para pagamento do débito de IRPJ do respectivo período de apuração. Não havendo saldo de pagamento indevido ou a maior, não haveria crédito a reconhecer e compensação a homologar. Na manifestação de inconformidade, a contribuinte informou que realizou auditoria interna e identificou que havia realizado pagamentos a maior de IRPJ porque havia apurado equivocadamente o Lucro Presumido com o percentual de presunção de 32%, enquanto o correto seria 8%. Alegou que havia retificado a DCTF de forma a refletir os valores corretos dos débitos de IRPJ e que a fiscalização não havia levado em consideração a DCTF retificadora. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão de piso baseouse na falta de liquidez e certeza do crédito pleiteado pela contribuinte, uma vez que esta não havia apresentado documentação hábil e idônea que comprovasse o erro no preenchimento da DCTF. Irresignada, a contribuinte manejou o recurso voluntário, por meio do qual, em síntese, reeditou de forma mais detalhada as alegações da manifestação de inconformidade, com destaque para a alegação de que, em homenagem ao princípio da verdade material, os erros de fato cometidos nas declarações originais não justificariam o indeferimento do pleito repetitório. Desta feita, para comprovar seu crédito, juntou cópias da DIPJ e da DCTF retificadoras, do DARF em questão e do Razão da conta Receita Bruta. Em síntese, era o que havia a relatar. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.472, de 16/05/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10840.908872/2009 26, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401003.472): Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10840.908874/200915 Acórdão n.º 1401003.474 S1C4T1 Fl. 3 3 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos legais. Dele, tomo conhecimento. Conforme relatado, a DRJ delineou de forma correta a controvérsia posta para solução. Tratase de matéria probatória. Tratase de determinar a liquidez e certeza do crédito objeto do pedido de repetição, com declaração de compensação, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. No recurso voluntário, a contribuinte não traz maiores considerações acerca da aplicação do percentual de 8% sobre a receita bruta para a apuração do Lucro Presumido, que serve de base de cálculo para o IRPJ. Informa apenas que realizou uma auditoria interna e que chegou à conclusão de que teria direito a apurar o imposto com o percentual mais benéfico. Em nenhum momento, a recorrente informa o fundamento normativo que, em seu entendimento, justificaria a aplicação do percentual de 8% ao invés de 32%. O que se pode inferir a partir dos contrato social é que talvez o objeto social ("Prestação de Serviços Médicos Hospitalares na área de imagenologia (radiologia e diagnóstico por imagem)") corresponda à hipótese de serviços hospitalares de que tratava o artigo 23 da IN SRF nº 306/2003 e, depois, o artigo 27 da IN SRF nº 480/2004. Contudo, a questão posta desde o início é a desconstituição de débito constituído por meio de DCTF, que requer a comprovação de qual é o débito condizente com a verdade material. Em outras palavras, se o contribuinte equivocou se na DCTF e na DIPJ originais e declarou débitos maiores do que os devidos, deve comprovar qual o montante efetivamente devido e, por consequência, comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. É preciso lembrar que, de acordo com artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, o contribuinte deve apresentar na manifestação de inconformidade "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". No mesmo sentido, o artigo 373, I, do Código de Processo Civil determina que incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Não é demais lembrar, também, que a determinação da aplicação dos percentuais de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL) é dirigida à atividade e não à pessoa que desenvolve serviços hospitalares. É o que se depreende da dicção do artigo 15, § 1º, III, "a", e § 2º, da Lei nº 9.249/95, verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Fl. 256DF CARF MF 4 (...) 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. (...)”. grifei. Assim, não basta que a contribuinte faça prova, por meio do contrato social, de que tem como objeto social atividades que podem estar enquadradas no conceito de serviços hospitalares para que, automaticamente, à receita operacional auferida sejam aplicados os percentuais de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). É preciso que a contribuinte junte elementos para vincular a receita à atividade de serviço hospitalar. Para comprovar a verdade material acerca das atividades efetivamente desempenhadas, podese utilizar notas fiscais, com a descrição efetiva dos serviços prestados, contratos, relatórios. Também é preciso juntar elementos de prova da contabilidade para se determinar se as receitas declaradas estão de acordo com a escrita comercial (ou Livro Caixa), todavia, a mera apresentação do Razão da conta de receita não tem o condão de demonstrar que as atividades desempenhadas são enquadráveis na hipótese de Serviços Hospitalares para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ no Lucro Presumido. Sem a apresentação de tais elementos probatórios, o pedido da contribuinte carece de liquidez e certeza. Conclusão. Portanto, não tendo a contribuinte logrado apresentar elementos mínimos de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 257DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000334/2006-17
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAI,
Período de apuração: 01/01/1988 a 31/12/1 996
PASEP. PEDIDO RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA
DE CRÉDITOS CONTRA A FAZENDA NACIONAL.
É inepto o pedido de restituição desacompanhado de documentos que
demonstrem o recolhimento do tributo e o montante dos valores
indevidamente pagos.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 2102-000.096
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: JOSÉ ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAI, Período de apuração: 01/01/1988 a 31/12/1 996 PASEP. PEDIDO RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITOS CONTRA A FAZENDA NACIONAL. É inepto o pedido de restituição desacompanhado de documentos que demonstrem o recolhimento do tributo e o montante dos valores indevidamente pagos. Recurso voluntário negado
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CCINFEIRE COM O ORIGINAL S2-C1T2 Brasília, P Fl. 53 MINISTÉRIO DA FAZENDA rait, 05. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO• Processo n° 10925.000334/2006-17 Recurso n° 139.030 Voluntário Acórdão n° 2102-00.096 — i a Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2009 Matéria Pasep - restituição Recorrente Prefeitura Municipal de Lacerdópolis - SC Recorrida DRJ Florianópolis / SC ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAI, Período de apuração: 01/01/1988 a 31/12/1 996 PASEP. PEDIDO RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITOS CONTRA A FAZENDA NAC IONAL. É inepto o pedido de restituição desacompanhado de documentos que demonstrem o recolhimento do tributo e o montante dos valores indevidamente pagos. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, ern negar provirnento ao recurso. • • OÁOCOda-- leSE ' A MARIA COELHO MAR_Q ES - Presidente JOS 05-K‘29 ISCO R or Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Mauricio Taveira e Silva., Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Processo n° 10925.000334/2006-17 S2-C1T2 r,-,. SEGUNDO CONSELHO COM O ORIGINAL SELHO DE CONTRIBUIN I L- Acórdão n.° 2102-00.096 Fl. 54 CONFERE Brasília. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 22 a 33) apresentado em 22 de dezembro de 2006 contra o Acórdão n° 07-8.706, de 20 de outubro de 2006, da DRJ Florianópolis / SC (fls. 15 a 17), do qual tomou ciência a Interessada em 16 de novembro de 2006 e que, relativamente a pedido de restituição de Pasep dos períodos de janeiro de 1988 a março de 1996, indeferiu a solicitação de Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/1988 a 31/03/1996 RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITOS CONTRA A FAZENDA NACIONAL. O deferimento de pedidos de restituição do indébito tributário depende da comprovação, por parte do sujeito passivo, da existência dos créditos contra a Fazenda Nacional. Solicitação Indeferida O pedido, apresentado em 23 de fevereiro de 2006, foi considerado não formulado pelo despacho de fls. 4 a 6, de 8 de março de 2006, por falta de comprovação da existência de indébitos e alegações baseadas em ilegalidades e inconstitucionalidade de leis, matéria que não poderia ser apreciada no âmbito administrativo. No pedido de fl. 1, a Interessada alegou, indicando importância de R$ 201.658,56, haver recolhido valores a maior do Pasep, em face da inconstitucionalidade dos Decretos-Lei n. 2.445 e 2.449, de 1988, e da semestralidade da base de cálculo da contribuição, reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça. A DRJ, conforme ementa anterionnente reproduzida, considerou que, da forma como efetuado o pedido, a Interessada apenas teria requerido da Administração manifestação acerca de direito, que deveria ser efetuada por meio de processo de consulta, quando cabível. No recurso, a Interessada apresentou "extrato fornecido pelo Banco do Brasil S/A, (d)onde consta a relação de pagamentos indevidos realizados pelo Município de Lacerdópolis, por conta de retenções feitas em sua conta do FPM". Abordou a questão da decadência, afirmando que o prazo para o pedido seria de dez anos, em razão da IN SRF n. 247, de 2002, e citou acórdão do STJ sobre a Lei Complementar n. 118, de 2005. A seguir, tratou da legislação do Pasep, defendeu o direito de compensação e citou jurisprudência sobre a base de cálculo da contribuição. Acompanhou o recurso a cópia de chamado "Extrato FPM" (fls. 34 a 48), com logotipo do Banco do Brasil S/A, contendo "valor distribuição" relativo a IPI, IR e Pasep, entre 13 de janeiro de 1988 e29 de março de 1996. di01Ái 2 Processo n° 10925.000334/2006-17 - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRISUIN S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.096 1 CONFERE COM O ORIGINAL Fl. 55 Grasib, (3-5 -É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. O pedido de restituição, conforme esclarecido pelas decisões anteriores pronunciadas nos presentes autos, deve ser relativo a valor líquido e certo, de forma que cabe ao contribuinte demonstrar o seu direito e quantificá-lo. No caso dos autos, embora a Interessada tenha apresentado no recurso "extrato FPM", com logotipo do Banco do Brasil, tal documento não se reveste de características que demonstrem o direito da Interessada. Primeiramente, trata-se de documento não assinado e que apenas contém uma relação de supostas valores que comporiam o FPM da Interessada. Entretanto, a contribuição objeto do pedido de restituição teria sido a paga pela Interessada em relação a seus funcionários, conforme previsto na Lei Complementar n. 8, de 1970, e não a valores a ela repassados. Assim, não existe prova alguma nos autos do montante que a Interessada recolheu e, além disso, sequer foi apresentado um demonstrativo de cálculo dos indébitos. Dessa forma, embora tenha apresentado alegações de direito que, em tese, poderiam indicar direito a restituição, a Interessada não demonstrou por meio de documentos hábeis ser detentora de direito de crédito contra a União. Por fim, ressalte-se que, embora a decadência não tenha sido analisada nos autos, em função da inépcia do pedido formulado pela Interessada, o prazo para pedido seria de cinco anos contados dos recolhimentos a maior, descabendo à autoridade administrativa afastar a aplicação de lei em razão de inconstitucionalidade não declarada definitivamente pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. Adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 55, 1°, da Lei n. 9.784, de 1998, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 08 de maio de 2009 JOSE CISCO *ai 3
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900645/2014-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900562/2014-54, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schluckin.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/12/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900562/2014-54, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schluckin. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 06 45 /2 01 4- 43 Fl. 68DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.254 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900645/2014-43 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.246, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900562/2014-54, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 69DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.254 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900645/2014-43 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.246, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900562/2014-54, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.246, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.246 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 70DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.254 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900645/2014-43 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 71DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.254 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900645/2014-43 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 72DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.254 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900645/2014-43 Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004198/2005-02
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/2004
BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP. CONCEITO DE FATURAMENTO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718/98 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral, tendo como leading cases os Res nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR.
Portanto, ficou estabelecido o conceito de faturamento como decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, não sendo abrangidas quaisquer outras receitas da pessoa jurídica.
TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF.
Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
Numero da decisão: 9303-008.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/2004 BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP. CONCEITO DE FATURAMENTO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718/98 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral, tendo como leading cases os Res nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR. Portanto, ficou estabelecido o conceito de faturamento como decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, não sendo abrangidas quaisquer outras receitas da pessoa jurídica. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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CONCEITO DE FATURAMENTO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718/98 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral, tendo como leading cases os Res nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR. Portanto, ficou estabelecido o conceito de faturamento como decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, não sendo abrangidas quaisquer outras receitas da pessoa jurídica. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 41 98 /2 00 5- 02 Fl. 973DF CARF MF Processo nº 10830.004198/200502 Acórdão n.º 9303008.522 CSRFT3 Fl. 974 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (efls. 915 a 929) com fulcro no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, vigente à época, buscando a reforma do Acórdão nº 340300.101 (fls. 91 a 95) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 17 de setembro de 2009, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/2004 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. Restando configurado o lançamento por homologação, o prazo de decadência do direito do Fisco lançar a contribuição regese pela regra do art. 150,§4º do CTN, operandose em cinco anos contados da data do fato gerador. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de Fl. 974DF CARF MF Processo nº 10830.004198/200502 Acórdão n.º 9303008.522 CSRFT3 Fl. 975 3 mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. IMUNIDADE. ART. 195, §7º, DA CF/88. ISENÇÃO LEI COMPLEMENTAR Nº 7/70, ART. 62, III. Para fazer jus à imunidade constitucional prevista no art. 195, § 6° da Constituição, deve a entidade preencher todos os requisitos estatuídos pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. ISENÇÃO. MEDIDA PROVISÓRIA N2 2.15835/2001, ART. 14, X. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. A receita da atividade própria de uma entidade, cuja finalidade social é a difusão do ensino, é composta pelas doações, contribuições, mensalidades e anuidades recebidas de associados, mantenedores e colaboradores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao custeio e manutenção das suas atividades sem fins lucrativos. Recurso provido em parte. (grifouse) Não resignada com a decisão, a FAZENDA NACIONAL insurgese por meio de recurso especial (efls. 915 a 929) alegando divergência jurisprudencial quanto aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, sem que tenha havido a publicação de Resolução do Senado Federal suspendendo a eficácia da norma declarada inconstitucional. Para comprovar o dissenso interpretativo, reportase ao acórdão n.º 20401.643. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do despacho nº. 34001013, de 19 de julho de 2010 (efls. 933 a 934), proferido pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte, embora tenha sido devidamente cientificada do acórdão de recurso voluntário e da interposição do recurso especial pela Fazenda Nacional, não apresentou contrarrazões e/ou interpôs apelo especial da parte que foi decidida de forma desfavorável (efls. 946 a 951). O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 975DF CARF MF Processo nº 10830.004198/200502 Acórdão n.º 9303008.522 CSRFT3 Fl. 976 4 Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, vigente à época, e reproduzido pela Portaria MF nº 343/15, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese à aplicação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal e a possibilidade de exclusão da tributação sobre as receitas que não se enquadram no conceito de receita bruta. Da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral, tendo como leading cases os Res nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR. Os fundamentos da decisão foram sintetizados na seguinte ementa, in verbis: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nºs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Fl. 976DF CARF MF Processo nº 10830.004198/200502 Acórdão n.º 9303008.522 CSRFT3 Fl. 977 5 (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 2711 2008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL 0020802 PP00871 ) (grifouse) Pertinente, ainda, colacionar a ementa de julgado do leading case RE nº 357.950/RS, refletindo a posição predominante na Corte Suprema confirmada em sede de repercussão geral: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 390840, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) Nessa linha relacional, as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal que tenham sido afetadas à sistemática da repercussão geral são de observância obrigatória por este órgão administrativo de julgamento, conforme redação do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, atualmente em vigor e que obriga os Conselheiros à sua aplicação: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] Fl. 977DF CARF MF Processo nº 10830.004198/200502 Acórdão n.º 9303008.522 CSRFT3 Fl. 978 6 b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Frente à declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS estabelecida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ficou estabelecido o conceito de faturamento como decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, não sendo abrangidas outras receitas. No caso dos autos, tratase de instituição de educação, que tem como atividade fim a prestação de serviços educacionais. Conforme bem delimitado no acórdão recorrido, devem ser excluídas da base de cálculo do PIS as receitas referentes às seguintes rubricas: “[...] 1) Aluguel; 2) Rendimentos sobre aplicações financeiras; 3) Juros; 4) Outras rendas; 5) Receitas diversas; 6) Descontos obtidos; 7) Juros ativos; 8) Juros sobre atrasos; e 9) Juros ativos e multas”, pois não são decorrentes da prestação de serviços e/ou venda de mercadorias pelo Sujeito Passivo. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 978DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.013028/99-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 21/04/1995 a 30/04/1995
LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA.
Cabe à Primeira Seção do CARF processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre a aplicação da legislação dos demais tributos, quando derivados de procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3403-002.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: Alexandre Kern
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1630; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 268 1 267 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13807.013028/9969 Recurso nº 151.804 Voluntário Acórdão nº 3403002.774 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2014 Matéria IPI AUTO DE INFRAÇÃO OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente METALCAR INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 21/04/1995 a 30/04/1995 LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Cabe à Primeira Seção do CARF processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre a aplicação da legislação dos demais tributos, quando derivados de procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 30 28 /9 9- 69 Fl. 268DF CARF MF 2 METALCAR INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. teve contra si lavrado o Auto de Infração de Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI — de fls. 13 e 14, para a constituição do crédito tributário no montante de R$ 25.811,78, incluindo o imposto, a multa de oficio, bem como os juros de mora calculados até 30/09/1999, em decorrência de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, consubstanciado no processo nº 13807.013029/9921. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 08 e 09, apurouse a existência de lançamento contábil a titulo de suprimento de caixa, no valor de R$ 178.000,00, efetuado em 30/04/1995, sem a comprovação da origem e da efetiva entrega dos recursos, caracterizando tal fato omissão de receita, o que faz presumir a ocorrência de saída de produtos tributados sem lançamento do imposto, nos termos dos artigos 55, inciso I, alínea "b", e inciso II, alínea "c", e 107, inciso II, combinado com o artigo 343, § 2 °, artigo 29, inciso II, 112, inciso IV, e 59, todos do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23 de dezembro de 1982 – RIPI/82. O feito foi impugnado, fls. 18 a 46. O autuado alega que o lançamento em conta corrente de empréstimo no valor de R$ 178.000,00 estaria correto, uma vez que tal aporte teria origem em empréstimo de terceiros. No seu entender, mesmo que se admita que o aludido empréstimo não comprova o aporte de fluxo de caixa, os tributos não poderiam ser arbitrados sobre a integralidade do montante desconsiderado como mútuo, já que a tributação deveria levar em conta o índice de 50%. Reproduz jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Tribunal Regional Federal da 5ª Região acerca da matéria. Argúi também a ilegalidade e a inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC como juros de mora, e o caráter confiscatório da multa de lançamento de ofício. A 3ª Turma da DRJ/SPOI julgou o lançamento procedente. O Acórdão nº 05.748, de 18 de agosto de 2004, fls. 70 a 74, teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Data do fato gerador: 30/04/1995 Ementa: DECORRÊNCIA. A decisão proferida em relação ao lançamento principal se aplica, no que couber, as exigências dele decorrentes. Lançamento Procedente Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/SPOI. O arrazoado de fls. 70 a 102, após síntese dos fatos relacionados com a lide, repisa os argumentos da impugnação. A 4ª Câmara do antigo do 2º Conselho de Contribuintes resolveu converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, para que se aguardasse a decisão administrativa definitiva proferida no processo administrativo nº 13807.013029/9921, o que foi feito às fls. 253 a 260 (Acórdão nº 120100.076, de 14 de maio de 2009 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária). O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 13807.013028/9969 Acórdão n.º 3403002.774 S3C4T3 Fl. 269 3 Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Conforme relatado, tratase de lançamento de ofício que guarda intima relação de causa e efeito com o lançamento de IRPJ, uma vez que os elementos de comprovação são os mesmos que fundamentaram a exigência principal. Aplicase ao lançamento de IPI, no que couber, o que foi decidido relativamente ao do IRPJ. Não foi por outra razão, a 4ª Câmara do antigo Conselho de Contribuintes resolveu aguardar o julgamento do lançamento principal para dar ao decorrente a mesma consequência, em procedimento respaldado pelo Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 222, de 4 de setembro de 2007 – RICC. Entretanto, os casos da espécie merecem tratamento diverso sob a égide do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010. O inc. IV do art. 2º prevê expressamente que cabe à 1ª Seção de Julgamento do CARF processar e julgar recurso voluntário de decisão de primeira instância que verse sobre aplicação da legislação de qualquer tributo, quando resultante de procedimento decorrente, assim compreendido o referente à exigência que esteja lastreada em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Com essas considerações, voto por não conhecer do recurso voluntário e declinar a competência para seu julgamento para a 1ª Seção de Julgamento do CARF. Sala de sessões, em 25 de fevereiro de 2014 Fl. 270DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13701.001057/2006-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF)
Ano-calendário: 2008
PROVENTOS DE REFORMA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇAO.
Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria ou reforma e pensão e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial.
Restando comprovado, nos autos, o atendimento às exigências fiscais, impõe-se o não reconhecimento da isenção no caso concreto.
Numero da decisão: 2402-007.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) Ano-calendário: 2008 PROVENTOS DE REFORMA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇAO. Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria ou reforma e pensão e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial. Restando comprovado, nos autos, o atendimento às exigências fiscais, impõe-se o não reconhecimento da isenção no caso concreto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
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MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇAO. Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria ou reforma e pensão e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial. Restando comprovado, nos autos, o atendimento às exigências fiscais, impõe- se o não reconhecimento da isenção no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Trata-se de recurso voluntário em face da decisão da 2ª Tuma da DRJ/RJOII, consubstanciada no Acórdão nº 13-23.260 (fl. 41), que julgou procedente em parte o lançamento fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 1. 00 10 57 /2 00 6- 74 Fl. 53DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-007.469 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13701.001057/2006-74 Nos termos do relatório da r. decisão, tem-se que, em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos (DIRPF/2005 retificadora de fls. 21/23), foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 02/04, relativa ao exercício 2005/ano-calendário 2004, em que foi apurada restituição indevida a devolver de R$ 1.644,03 (fl. 02). Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação de fl. 01, juntamente com os documentos de fls. 05/1 l, alegando, em síntese, ser isento do pagamento do imposto de renda em virtude de ser portador de moléstia grave, conforme documentos em anexo. A DRJ, por meio do despacho de fls. 33 / 34, converteu o julgamento do feito em diligência, para que o contribuinte fosse intimado a apresentar os originais ou cópias, com autenticidade reconhecida em cartório ou por servidor da Secretaria da Receita Federal - SRF, de documento que comprove a data de concessão da reforma do interessado (ex: Diário oficial). Cumprida a diligência, a DRJ, por meio do Acórdão nº 13-23.260, julgou procedente em parte o lançamento fiscal, nos seguintes termos, em síntese: Cabe destacar que o contribuinte, no caso em tela, apresentou o documento de fl. 09, comprovando ser portador de neoplasia maligna, doença isentiva do pagamento do imposto de renda, desde 02/01/2004, ano-calendário de que trata a presente lide. Todavia, ressalte-se que, no que 'tange à outra condição cumulativa, ou seja, à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, verifica-se que o contribuinte não comprovou estar reformado em 2004. A despeito de intimado a tanto, conforme Despacho DRJ/RJO-II/Secoj n° 03438/2006, de fls. 31 e 32, apresentou os documentos de fls. 34/36 que referem-se a sua transferência para a reserva remunerada, não fazendo qualquer menção à reforma. Cumpre notar que os rendimentos provenientes de reserva remunerada não estão abarcados pela isenção, conforme prescrito pela legislação de regência anteriormente reproduzida. Quanto à documentação de fls. 06/09, referem-se ao contribuinte como 1° Tenente Reformado, porém sem especificar quando esta teria ocorrido. Ademais tais documentos foram emitidos, respectivamente, em maio/2006, setembro/2005 e agosto/2005, ou seja, em anos subsequentes ao do lançamento, concluindo-se, assim, que o contribuinte só teria obtido a reforma posteriormente ao ano-calendário de 2004. (...) Portanto, não cabe o pleito do interessado quanto à restituição de R$ 7.244,77. Em contrapartida, há que se ressaltar ser indevida a cobrança da restituição de R$ 1.644,03, por meio da notificação em análise, em face do rendimento de R$ 59.094,40 e do imposto de renda retido na fonte de R$ 7.244,77 já terem sido declarados corretamente na DIRPF/2005 original (fls. 25/27). Cientificado da decisão de primeira instância, o Contribuinte apresentou o recurso voluntário de fl. 48, solicitando a reconsideração da sua restituição, tendo em vista a comprovação da reforma, conforme diário oficial anexo. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Fl. 54DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-007.469 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13701.001057/2006-74 Conforme exposto no relatório supra, a controvérsia objeto do presente PAF cinge-se à verificação se o contribuinte fazia jus (ou não) à isenção do IR no ano-calendário de 2004, por ser portador de moléstia grave. No caso em análise, a DRJ concluiu que o Contribuinte comprovou ser portador de neoplasia maligna, doença isentiva do pagamento do imposto de renda, desde 02/01/2004, ano-calendário de que trata a presente lide. Todavia, no que tange à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, entendeu o órgão julgador de primeira instância que o contribuinte não comprovou estar reformado em 2004, razão pela qual concluiu que o Interessado não fazia jus à isenção do IR no caso concreto. Pois bem! Sobre o tema, faz-se mister salientar que a isenção por moléstia grave encontra-se regulamentada pela Lei nº 7.713, de 1988, em seu artigo 6º, inciso XIV, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, nos termos abaixo: Art.6 (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; A partir do ano-calendário de 1996, deve-se aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei nº 9.250, de 26/12/1995. Vejamos, in verbis, o teor do artigo 30 da referida lei: Art. 30 – A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001, ao normatizar o disposto no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, e alterações posteriores, assim esclarece: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...) XII - proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia (...) 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam-se aos rendimentos recebidos a partir: I - do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II - do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III - da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Fl. 55DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-007.469 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13701.001057/2006-74 De acordo com o texto legal, depreende-se que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reporta-se à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, pensão ou reforma, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal. No que tange à existência de moléstia grave tipificada no texto legal, através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, tal matéria já restou superada pela própria DRJ, não sendo objeto de análise no presente acórdão. Com relação à comprovação da natureza dos rendimentos recebidos, conforme visto linhas acima, concluiu o colegiado de primeira instância que, no caso em análise, o Contribuinte não comprovou estar reformado em 2004, a despeito dos documentos acostados aos autos junto com a impugnação apresentada se referirem ao Interessado como Tenente Coronel Reformado. Neste contexto, com vistas a afastar o fundamento adotado pelo DRJ para não reconhecer o seu direito à isenção, o Contribuinte trouxe aos autos junto com o recurso voluntário cópia do Diário Oficial da União nº 227, edição de 21 de novembro de 2003, com a publicação da sua reformar, conforme imagem abaixo reproduzida: Conforme se infere, verifica-se que o Recorrente encontra-se reformado desde 17/08/2002. Neste contexto, sendo o Recorrente portador de moléstia grave prevista na legislação de regência da matéria e sendo os rendimentos por si percebidos proventos de reforma, impõe-se o reconhecimento do seu direito à isenção do IR no caso concreto. Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.901556/2009-41
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2005
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL.
Diante da falta de similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária, não é conhecido o recurso especial.
Numero da decisão: 9101-004.204
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2005 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Diante da falta de similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária, não é conhecido o recurso especial.
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nome_relator_s : CRISTIANE SILVA COSTA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2005 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Diante da falta de similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária, não é conhecido o recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 15 56 /2 00 9- 41 Fl. 127DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.204 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10660.901556/2009-41 Relatório Trata-se de processo originado pela apresentação de declaração de compensação (PER/DCOMP) de indébito de CSLL (DARF de estimativa arrecadada em 30/11/2005) com débito do contribuinte de estimativa mensal de IRPJ, de outubro de 2005 transmitida em 28/06/2006 (fls. 16). A compensação não foi homologada pela Delegacia da Receita Federal em Varginha (fls. 13). Tendo sido indeferida a compensação pela DRF (fls. 13), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2), julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (fls. 33): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2005 ESTIMATIVA CSLL. COMPENSAÇÃO. Pagamento efetuado a título de estimativa de CSLL não pode ser objeto de compensação, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 39) ao qual a 1ª Turma da 3ª Câmara da Primeira Seção negou provimento. O acórdão restou assim ementado (acórdão 1301- 01.013, fls. 55): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INEXIGIBILIDADE. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 2006 Ementa: ESTIMATIVA MENSAL. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Nos termos do art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996, o imposto pago a título de estimativa mensal poderá ser compensado se o saldo, em 31 de dezembro, for negativo. Na forma do disposto no Ato Declaratório SRF nº 3, de 2000, os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do ano- calendário subsequente ao do encerramento do período de apuração. Tal disposição, inclusive, guarda consonância com o art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, que estabelece que a compensação só é possível com importância correspondente a período subseqüente, isto é, o débito deve ser superveniente ao crédito. O contribuinte foi intimado em 17/2/14 (fls. 62), apresentando recurso especial em 05/03/2014 (fls. 64). Neste recurso, alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito da necessidade de retorno à 1ª instância para análise do crédito diante de erro material, identificando como paradigmas os acórdãos 1801-001.323, 1801-001325. Mencionou outros acórdãos do CARF. O recurso especial foi admitido pela então Presidente da 3ª Câmara (fls. 120). Fl. 128DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.204 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10660.901556/2009-41 A Procuradoria foi intimada quanto ao recurso e despacho que o admitiu, apresentando contrarrazões (fls. 123), pleiteando a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Em que pese a Procuradoria não tenha questionado o conhecimento do recurso especial, entendo que deve ser reapreciado o conhecimento. O Colegiado a quo decidiu, no acórdão recorrido, conforme voto condutor do ex-Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, por rejeitar recurso voluntário do contribuinte: À evidência, não estamos diante de erro de fato, mas, sim, de compensação não autorizada pela legislação de regência. Como acertadamente destacado pela decisão recorrida, o pagamento efetuado em 30 de novembro de 2005 foi feito em observância à legislação aplicável e foi devidamente declarado em DCTF, não havendo que se falar, pois, em pagamento indevido ou maior que o devido. Como é cediço, o que é passível de compensação é o saldo (negativo) apurado ao final do período de apuração, logo, se a sua constituição só se dá, no caso, em 31 de dezembro, somente a partir daí pode-se falar em sua utilização, e, tratando-se de compensação, somente envolvendo débitos supervenientes. No presente caso, ainda que se considerasse o saldo negativo apurado em 31 de dezembro de 2005 como líquido e certo, não se pode admitir a sua compensação com débito de outubro de 2005, eis que, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, a compensação só é possível com importância correspondente a período subseqüente, isto é, o débito deve ser superveniente ao crédito. A Turma a quo, portanto, entendeu que inexistiria recolhimento indevido, além de entender que o saldo negativo só poderia ser compensado depois de 31/12/2005, ou seja, após o final do ano calendário. Assim, não seria possível a compensação com débito vencido anteriormente, em outubro de 2005. Não houve qualquer pronunciamento sobre a necessidade – ou não – de baixa dos autos para a DRJ, ou para a unidade de origem. Transcrevo trecho do primeiro acórdão paradigma (1801-001.323): A Turma Julgadora de 1ª instância indeferiu o pleito ao único argumento de que, nos termos da IN/SRF n º 600, de 2005, seria vedada a utilização de estimativas mensais recolhidas no curso do ano-calendário como direito creditório em compensações. A questão quanto a possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no curso do ano-calendário gerando um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação, encontra-se superada, inclusive no que diz respeito à legislação complementar. As justificativas encontram-se pormenorizadas no Acórdão n º 18010000.486, desta 1a. Turma Especial da 3a. Câmara – 1a. Seção do CARF, de relatoria desta Conselheira. Entretanto, a interessada, na manifestação de inconformidade, já dera indícios de que pleiteava como indébito, em verdade, o saldo negativo de CSLL do ano-calendário 2005, para fazer frente à desejada compensação. Vejamos suas alegações à fl. 03: (...) Fl. 129DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.204 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10660.901556/2009-41 A Turma Julgadora de 1a. instância, contudo, não apreciou as alegações da defesa a respeito da ocorrência de erro no preenchimento da Declaração de Compensação Eletrônica, no tipo de crédito indicado. Desta feita, nas razões de defesa deduzidas no recurso voluntário, a interessada reprisa que teria errado no preenchimento da referida DCOMP e que o indébito pleiteado é o saldo negativo de CSLL apurado ao final do ano-calendário 2005. Entretanto, esta Turma Julgadora do CARF não pode analisar as razões meritórias de defesa, não analisadas pela autoridade julgadora “a quo”. A autoridade julgadora “a quo”. centrou sua decisão em questão prejudicial e assim não analisou integralmente os argumentos da defesa, no que toca à ocorrência de erro no preenchimento da DCOMP, assim como também não analisou a efetiva existência e procedência do crédito. É necessária a apreciação do mérito pela autoridade julgadora competente, quanto aos demais aspectos das argüições de defesa, para homologação das compensações, além do que é imperiosa a análise da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado e da possibilidade de sua utilização na compensação de débitos de estimativa de IRPJ apuradas como devidas no curso do ano-calendário 2005. O caso julgado dos presentes autos é distinto. Lembro que apenas em recurso voluntário, tendo compreendido o indeferimento da compensação por se tratar de estimativa mensal, o contribuinte alegou que haveria erro material no preenchimento da DCOMP, alegando que o seu crédito seria de saldo negativo. Nesse sentido, reproduziu a planilha constante da Manifestação de Inconformidade, demonstrando valores de estimativas pagas, para então sustentar a existência de seu crédito. Nota-se que o primeiro acórdão paradigma (1801-001.323) apenas analisa a alegação de erro no preenchimento de PER/DCOMP. O Colegiado prolator do citado paradigma, superando prejudicial analisada pela DRJ (IN SRF nº 600), decidiu pela baixa dos auto à primeira instância para análise do crédito. Assim, constata-se que não há similitude entre fatos analisados pelo Colegiado a quo e pelo primeiro paradigma. As razões jurídicas adotadas pelo Colegiado a quo tampouco se comunicam com as razões jurídicas do acórdão paradigma. Assim, não conheço do recurso quanto ao primeiro paradigma. O segundo acórdão paradigma (1801-001325) foi proferido pela mesma Turma do primeiro paradigma, tendo redação idêntica. A Turma Julgadora de 1a. instância indeferiu o pleito ao único argumento de que, nos termos da IN/SRF n º 600, de 2005, seria vedada a utilização de estimativas mensais recolhidas no curso do ano-calendário como direito creditório em compensações. A questão quanto a possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no curso do ano-calendário gerando um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação, encontra-se superada, inclusive no que diz respeito à legislação complementar. As justificativas encontram-se pormenorizadas no Acórdão n º 18010000.486, desta 1a. Turma Especial da 3a. Câmara – 1a. Seção do CARF, de relatoria desta Conselheira. (...) Adotando as razões acima expostas quanto ao primeiro paradigma, também não conheço do recurso especial quanto ao segundo paradigma, considerando a falta de similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária. Por tais razões, não conheço do recurso do contribuinte. Fl. 130DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.204 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10660.901556/2009-41 Conclusão: Diante disso, voto por não conhecer do recurso especial do contribuinte. (documento assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 131DF CARF MF
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