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Numero do processo: 13706.003003/2001-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO
Tendo o ato sido emitido por autoridade competente e obedecido o regramento legal, não há que se falar em nulidade.
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA
Praticados pela autoridade fiscal os atos administrativos dentro do interregno temporal de cinco anos, descabe argüir possível decadência.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Comprovada a regularidade exigida, o direito creditório há que ser reconhecido na parte inconteste.
Numero da decisão: 1402-003.958
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, i) por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade/decadência suscitada acerca do prazo para que o Poder Público possa rever seus atos, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que acolhiam a preliminar arguida; ii) por voto de qualidade, rejeitar, com supedâneo na Súmula STF nº 473, de 03/12/1969, a preliminar de nulidade do ato administrativo da Autoridade Tributária jurisdicionante da contribuinte que inicialmente homologara a compensação intentada, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Qintella, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Junia Roberta Gouveia Sampaio e André Severo Chaves (suplente convocado) que davam provimento; iii) por unanimidade de votos, iii.i) não conhecer do recurso voluntário relativamente aos argumentos opostos contra o indeferimento da retificação do pedido de compensação tendo por objeto os débitos de Contribuição ao PIS e de COFINS de março/2002; iii.ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para, iii.ii.i) determinar que o Processo Administrativo nº 15374.723624/2009-74, apenso a este PA, seja desapensado e desvinculado da presente demanda, devendo retornar à unidade de origem jurisdicionante da contribuinte a fim de ser analisado o pedido de compensação nele contido, com prolatação de novo Despacho Decisório que analise a existência e quantificação de possível direito creditório Adicional de R$.2.000.869,98, retomando, a partir de tal decisão, o rito procedimental previsto no Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), com observância de todas as instâncias administrativas; e, iii.ii.ii) reconhecer o direito creditório e homologar as compensações até limite do referido reconhecimento, relativamente aos seguintes períodos e valores: 1999 (R$ 65.965,80); 2000 (R$ 1.628.522,24) e 2001 (R$ 1.881.915,07). O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva não participou do julgamento em relação aos itens i e ii, tendo participado nestas votações os Conselheiros Bárbara Santos Guedes e André Severo Chaves, respectivamente.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA Praticados pela autoridade fiscal os atos administrativos dentro do interregno temporal de cinco anos, descabe argüir possível decadência. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Comprovada a regularidade exigida, o direito creditório há que ser reconhecido na parte inconteste. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, i) por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade/decadência suscitada acerca do prazo para que o Poder Público possa rever seus atos, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que acolhiam a preliminar arguida; ii) por voto de qualidade, rejeitar, com supedâneo na Súmula STF nº 473, de 03/12/1969, a preliminar de nulidade do ato administrativo da Autoridade Tributária jurisdicionante da contribuinte que inicialmente homologara a compensação intentada, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Qintella, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Junia Roberta Gouveia Sampaio e André Severo Chaves (suplente convocado) que davam provimento; iii) por unanimidade de votos, iii.i) não conhecer do recurso voluntário relativamente aos argumentos opostos contra o indeferimento da retificação do pedido de compensação tendo por objeto os débitos de Contribuição ao PIS e de COFINS de março/2002; iii.ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para, iii.ii.i) determinar que o Processo Administrativo nº 15374.723624/2009-74, apenso a este PA, seja desapensado e desvinculado da presente demanda, devendo retornar à unidade de origem jurisdicionante da contribuinte a fim de ser analisado o pedido de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 30 03 /2 00 1- 99 Fl. 2979DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 compensação nele contido, com prolatação de novo Despacho Decisório que analise a existência e quantificação de possível direito creditório Adicional de R$.2.000.869,98, retomando, a partir de tal decisão, o rito procedimental previsto no Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), com observância de todas as instâncias administrativas; e, iii.ii.ii) reconhecer o direito creditório e homologar as compensações até limite do referido reconhecimento, relativamente aos seguintes períodos e valores: 1999 (R$ 65.965,80); 2000 (R$ 1.628.522,24) e 2001 (R$ 1.881.915,07). O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva não participou do julgamento em relação aos itens i e ii, tendo participado nestas votações os Conselheiros Bárbara Santos Guedes e André Severo Chaves, respectivamente. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 2980DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 15ª Turma da DRJ/RJO em sessão de 20 de abril de 2016 (fls. 2745/2774) 1 que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada e manteve o Despacho Decisório proferido pela Unidade de Origem – Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 7ª Região Fiscal – SRRF07 Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes Demac/RJO/Diort em 29/01/2016 (fls. 2582/2591) que deferiu parcialmente pedido de restituição/direito creditório da interessada, em decisão abaixo reproduzida: “Em conformidade com o Parecer DIORT/DEMAC/RJO nº 094/2010 (fls. 1668/1671), e também de acordo com relatório (alcance do direito creditório) nas folhas 2547/2553, os quais aprovo e passam a fazer parte integrante deste Despacho Decisório, considerando tudo mais que do processo consta; considerando a competência disposta no artigo 302, inciso VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012; em consonância com o que dispõem os artigos 69 e 75 da Instrução Normativa RFB nº 1300, de 20 de dezembro de 2012, DECIDO: 1.RETIFICAR o Despacho Decisório (Parecer conclusivo 279/2009) de folhas 1059/1060 no seguinte: •Em seu item “1”, o direito creditório reconhecido, relativo ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário 1999, passa a ser R$ 8.847.770,13 (oito milhões, oitocentos e quarenta e sete mil, setecentos e setenta reais, e treze centavos), em vez de que R$ 9.085.009,98; •Em seu item “1”, o direito creditório reconhecido, relativo ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário 2001, passa a ser R$ 22.942.950,91 (vinte e dois milhões, novecentos e quarenta e dois mil, novecentos e cinquenta reais, e noventa e um centavos), em vez de que R$ 25.198.355,45; •Em seu item “4”, o direito creditório remanescente, relativo ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário 1999 passa a ser R$ 1.697.834,75 (um milhão, seiscentos e noventa e sete mil, oitocentos e trinta e quatro reais, e setenta e cinco centavos), em vez de que R$ 1.935.074,06; •Em seu item “4”, o direito creditório remanescente, relativo ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário 2001, passa a ser R$ 2.371.566,01 (dois milhões, trezentos e setenta e um mil, quinhentos e sessenta e seis reais, e um centavos), em vez de que R$ 4.626,970,55; 2.MANTER as demais conclusões dos itens “2” e “3” do Despacho Decisório de folhas 1059/1060”. 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 2981DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 De seu turno, os itens “2” e “3” do citado Despacho Decisório (fls. 1059/1060), exprimem a seguinte informação: “2. Convalidar os valores restituídos referentes aos saldos negativos dos anos de 1999 e 2001 nos montantes de R$ 7.149.935,38 e R$ 20.571.384,90; 3. Convalidar parcialmente a restituição do saldo negativo de 2000, no valor de R$ 23.428.549,79, mantendo a cobrança da parcela indevidamente restituída de R$ 3.467.223,50”. Com isso, o resumo do pleito requerido e deferido está expresso inicialmente no Parecer Conclusivo nº 279/2009, de 01/07/2009 (fls. 1006/1060): Números retificados após elaboração do Parecer Conclusivo nº 094/2010, de 19/11/2010 (fls. 1668/1673), conforme assentado na sua finalização: Fl. 2982DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 Assim resumido: Para melhor entendimento de todas as nuances envolvendo estes autos (e outros processos que com este tem conexão) 2 , insta ver os eventos que se sucederam ao longo do tempo e que culminaram nos números acima apontados. 2 13706.002249/2002-24, 13706.000106/2003-69, 13706.000516/2003-18, 13706.000550/2003-84, 13706.000613/2003-01, 13706.000637/2003-51, 13706.000688/2003-83, 13706.000707/2003-71, 13706.000755/2003-60, 13706.000872/2003-23, 13706.001261/2003-01, 13706.004981/2002-39, Fl. 2983DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 Por bem resumir a longa refrega travada, sirvo-me do relatório da decisão recorrida (fls. 2745/2774): “Trata-se de pedidos de restituição e de declaração de compensações carreadas nestes autos e nos processos apensos, relacionados às fls. 1.361. Em 21/10/2010, a Digra/PRFN/2ª Região fez constar dos autos o documento de fls. 1.361 e ss, que bem sintetiza os fatos ocorridos até data próxima a sua lavratura, valendo, por conseguinte a transcrição do seguinte trecho: “A Secretaria da Receita Federal, no decorrer de 2002, emitiu diversos Pareceres Conclusivos e Despachos Decisórios que culminaram por reconhecer direitos creditórios em favor da embargante, dos quais, após a compensação com débitos próprios e débitos de terceiro (TV GLOBO Ltda. CNPJ 33.252.156/0001-19), restou em seu favor um saldo no valor originário de R$ 54.617.093,57 (cinqüenta e quatro milhões, seiscentos e dezessete mil, noventa e três reais e cinqüenta e sete centavos), que acrescidos de juros resultou na restituição da quantia de R$ 67.994.429,13 (sessenta e sete milhões, novecentos e noventa e quatro mil, quatrocentos e vinte e nove reais e treze centavos), através da ordem bancária n° 2002 OB 001595, depositada na conta bancária da embargante n° 0169005, agência 1852 do Banco Bradesco, em 26/09/2002. Os Pareceres Conclusivos da SRF são os seguintes (todos emitidos no ano de 2002): 135,136,137,138,139,140,141 e 160. Todavia, considerando a ocorrência de irregularidades em procedimentos administrativos da Secretaria da Receita Federal à época, relativas ao reconhecimento indevido de direitos creditórios de contribuintes, foram instaurados diversos procedimentos de auditoria pela própria SRF, para reavaliar o reconhecimento de tais direitos creditórios e verificar a sua licitude. Com efeito, foi editada a Portaria SRR07 n° 460, de 17/11/2005, que constituiu um grupo de trabalho para realizar auditoria de procedimentos na área de administração tributária (processo n° 10168.004321/2005-47). O grupo de trabalho iniciou em 21/11/2005 a análise dos processos administrativos que reconhecerem o suposto direito creditório da embargante e em 05/01/2006 concluiu pela recomendação de refazer e retificar os procedimentos de restituição e compensação dos processos em questão, ainda que tal medida implicasse: a elaboração de novo parecer conclusivo em que sejam propostos: anulação dos pareceres emitidos até então; declaração da inexistência do crédito de saldo negativo de IRPJ; não homologação das compensações realizadas; informação ao contribuinte do teor do novo despacho decisório, cabendo manifestação de inconformidade, no prazo de 30 dias; adoção das providências cabíveis para cobrar o crédito tributário indevidamente compensado, lavrando auto de infração quanto aos débitos não declarados em DCTF, se fosse o caso e cobrança do crédito que tenha sido indevidamente restituído, lavrando-se auto de infração para tanto. Assim, formou-se uma equipe multidisciplinar através da Portaria SRRF07 n° 119, de 14/03/2007, com prazo de atuação prorrogado pela Portaria SRRF07 n° 539, de 13706.005451/2002-16, 13706.005918/2002-10, 13706.006019/2002-34, 15374.723624/2009-74, 13706.001214/2003-59, 13706.000496/2003-77, 13706.000588/2003-57, 13706.000658/2003-77, 13706.000723/2003-64, 13706.005637/2002-67, 15374.720119/2009-78. Fl. 2984DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 29/08/2007 e composição alterada pela Portaria SRRF07 n° 488, de 06/08/2007 para realizar os procedimentos indicados acima pela equipe de auditoria no Relatório Final de Auditoria de Procedimentos emitido pela DIAUP/CORAT, em 05/01/2006, nos autos do processo administrativo de n° 10168.004321/2005-47. A reanálise dos processos em questão, procedida a partir das recomendações e conclusões do Relatório Final de Auditoria de Procedimentos emitido pela DIAUP/CORAT resultou na emissão de novos Pareceres Conclusivos pelo grupo de trabalho, que determinaram a anulação dos Pareceres Conclusivos anteriores e tornaram sem efeito a restituição e as compensações realizadas com os direitos creditórios anteriormente reconhecidos. Ato continuou, foi determinada também na Portaria SRRF07 n° 119 de 2007 que os processos administrativos acima elencados fossem encaminhados para a Delegacia de Fiscalização da RFB, a fim de fossem realizadas diligências necessárias à apuração da existência e do alcance do direito creditório a que o contribuinte faz jus. Os Novos Pareceres Conclusivos anteriormente citados são os seguintes (todos do ano de 2007): 67 (referente à anulação do Parecer 160 de 2002); 88 (referente à anulação dos Pareceres 135 e 136 de 2002); 129 (referente à anulação dos Pareceres 137, 138 e 139 de 2002) e 176 (referente à anulação dos Pareceres 140 e 141 de 2002). Diante dos novos Pareceres Conclusivos e respectivos despachos decisórios restou caracterizada como indevida a compensação tributária realizada pela embargante e a restituição creditada em sua conta bancária, no valor atual de RS 174.046.700,12 (cento e setenta e quatro milhões, quarenta e seis mil, setecentos reais e doze centavos). Por conta disso foi emitida notificação de cobrança para a devolução da quantia indevidamente restituída à embargante, formalizada através dos autos do processo administrativo de n° 15374.002309/2007-48. Não tendo sido paga e nem dado provimento aos recursos administrativos da interessada, o débito foi encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União e cobrança judicial. A cobrança judicial do débito é objeto dos processos de execução fiscal de n° 2009.51.01.503546-4 e de embargos à execução de n° 2009.51.01.522594-0, da 4ª Vara Federal de Execução Fiscal desta Seção Judiciária. Posteriormente, nova decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária no Rio de Janeiro, baseada no Parecer Conclusivo n° 279/09 da Divisão de Orientação e Análise Tributária - DIORT (fls. 821 a 848) reconheceu a quase totalidade do crédito pleiteado pelo contribuinte, concluindo ser indevida apenas a quantia de R$ 3.467.223.50, do total de R$ 67.994.429.13 originalmente restituída ao contribuinte no ano de 2002. Assim, considerando a vultosa quantia objeto de cobrança judicial (R$ 174.046.700.12) e a possibilidade da União arcar com os ônus da sucumbência proporcional ao débito anulado. Considerando, ainda, que o contribuinte está hoje sobre o acompanhamento especial da Divisão dos Maiores Contribuintes da Receita Federal do Brasil - DEMAC/RFB, devem os autos deste processo ser encaminhados para a DEMAC/RFB para apreciação e ratificação, da nova decisão nele proferida, dando-se ciência desse despacho, se cabível, ao Ilustríssimo Senhor Procurador- Fl. 2985DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 Regional da Fazenda Nacional da 2a Região e a Ilustríssima Senhora Superintendente da Receita Federal do Brasil da 7a Região Fiscal.” Em 14/10/2010, a interessada já havia interposto a manifestação de inconformidade de fls. 1.377 e s, contra o Despacho Decisório de 13/07/2009, que aprovou o Parecer Conclusivo nº 279/2009, e do qual informa ter tomado ciência em 15/09/2010, sem que tenha sido localizado nos autos nenhum elemento que contrarie tal afirmação. Na peça de defesa, argumenta a interessada: que, contra o Parecer conclusivo nº 176/2007, que teria proferido decisão anulatória sobre as decisões favoráveis proferidas nos processos 13706.003003/2001- 99 (presentes autos) e 13706.001214/2003-59 (um dos apensos) interpôs recurso administrativo, cuja competência para apreciação entende ser da SRRF/07, com fulcro nos artigos 53, 54 e 56 da Lei nº 9.784/99, e que tal recurso ainda aguarda resposta. Sintetizou os argumentos lá declinados; que, independentemente das questões de ilegalidade que argüiu à SRRF/07, ocorreu a homologação tácita de diversas compensações, tanto pedidas quanto declaradas, apresentadas até 15/09/2015; que, apesar de haver considerado os débitos das compensações encartadas no processo nº 15374.723624/2009-74 (em apenso), a Derat/RJ, em seu despacho de fls. 1.100/1.103, desprezou o crédito de valor histórico igual a R$ 2.000.869,98; que, embora a autoridade fiscal tenha desconsiderado diversos valores de IRRF para a formação dos saldos negativos do período, sob a justificativa de que as respectivas receitas estavam sujeitas ao regime de tributação exclusiva na fonte, a legislação em vigor no período (Lei n.º 8.981/95, artigo 76) tratava a matéria de forma diversa, em nada influenciando a denominação equivocada constante dos informes de rendimento; que a fiscalização entendeu que parte dos saldos negativos em questão já teria sido utilizada “em compensações em DCTF ou com estimativas de IRPJ devidas em anos posteriores”, não podendo, portanto, ser empregada nas compensações destes autos. Porém, os créditos empregados nas aludidas compensações advêm de períodos bases distintos e anteriores aos aqui empregados, precisamente dos saldos negativos dos anos 1996 e 1997, como defendido no processo nº 13706.004532/99-70; que, como aconteceu relativamente ao saldo negativo de 1999, limitar o crédito passível de restituição ao saldo negativo declarado em DIPJ, mesmo com o reconhecimento, no Parecer Conclusivo, que as retenções de IRRF informadas nos comprovantes apresentados pela interessada seriam “suficientes para respaldar o crédito pleiteado”, não é correto, “uma vez que meros equívocos no cumprimento de obrigações acessórias, como é o caso da elaboração de DIPJ, não pode prevalecer quando demonstrado que o montante real de IRF convolado em saldo negativo do ano- calendário de 1999 é superior ao montante então declarado”; que, “tendo em vista que os valores dos débitos de PIS e COFINS originalmente declarados em DCTF, maiores do que os efetivamente devidos, constaram de algumas compensações analisadas nos processos n°s 13706.003 003/2001-99 e Fl. 2986DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 13706.005451/2002-16, a INTERESSADA apresentou requerimentos para que tais compensações fossem canceladas ou alteradas (diminuindo-se o valor dos débitos quitados por compensação), reincorporando-se à INTERESSADA os créditos indevidamente utilizados”. Ocorre que “o novo Despacho Decisorio não aceitou o cancelamento das compensações relativas aos débitos de PIS e COFINS de março de 2002, bem como a redução do débito de COFINS de dezembro de 2002. 0 motivo alegado foi o de que os extratos do SIEF de fls. 699/702 (débitos de PIS e COFINS de março de 2002) e aqueles de fls. 738/742 (débito de COFINS de dezembro de 2002), constantes do processo 13706.003003/2001-99, mantiveram inalterados os débitos em causa, porquanto não estariam eles com a exigibilidade suspensa por qualquer medida judicial, em particular a tutela antecipada e sentença favorável proferidas na ação judicial n° 99.0009117-5”. Em 19/11/2010, a Diort/Demar/RJO proferiu o Parecer Conclusivo nº 094/2010 (fls. 1.668 e ss), por meio do qual retificou o Parecer Conclusivo nº 279/2009, que deu base ao Despacho Decisório ora recorrido, motivando o ato na existência de erros na “transcrição de valores” no parecer retificado, conforme o seguinte: O saldo negativo de IRPJ de 1999 é R$ 12.040.305,76 e não R$ 12.277.545,61, pois no parecer anterior na teria sido “diminuída a diferença de R$ 237.239,85 (R$ 1.564.718,36 - R$ 1.327.478,51) encontrada nas retenções efetuada pela Caixa Econômica Federal”. “E, por conseqüência, o direito creditório relativo ao saldo negativo de 1999, após expurgadas as parcelas utilizadas em compensações sem processo, passa de R$ 9.085.009,98 para R$ 8.847.770,13”. No que concerne ao saldo negativo de 2001, “o indébito reconhecido é de R$22.942.950,91 (fl. 837). Contudo, na conclusão final, foi informado como crédito em favor do sujeito passivo o valor do saldo credor de IRPJ encontrado, R$25.198.355,45, do qual ainda não tinham sido subtraídas as importâncias usadas em compensações sem processo”. No mesmo dia 19/11/2010, a Diort/Demac/RJO emitiu a informação fiscal de fls. 1.672 e ss, para declarar que “em face do exposto, no que tange à solicitação da PRFN da 2a Região, verifica-se inexistir qualquer correção a ser efetuada no valor da parcela considerada indevidamente restituída, R$ 3.467.223,50, visto que o direito creditório relativo ao ano calendário 2000 não sofreu qualquer modificação e nos anos de 1999 e 2001 foram apurados indébitos tributários em, valores superiores às restituições efetuadas”. No mesmo documento, em quadro elaborado com este fim, a autoridade fiscal demonstra saldos de direito creditório em 1999 e 2001 respectivamente iguais à R$ 1.697.834,75 e R$ 2.371.566,01, oriundos da diferença entre os saldos negativos apurados e os restituídos.”. (...) Às fls. 2.582 e ss, a Demac/RJO/Diort prolatou despacho decisório em que decide: “1.RETIFICAR o Despacho Decisório (Parecer conclusivo 279/2009) de folhas 1059/1060 no seguinte: Fl. 2987DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 •Em seu item “1”, o direito creditório reconhecido, relativo ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário 1999, passa a ser R$ 8.847.770,13 (oito milhões, oitocentos e quarenta e sete mil, setecentos e setenta reais, e treze centavos), em vez de que R$ 9.085.009,98; •Em seu item “1”, o direito creditório reconhecido, relativo ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário 2001, passa a ser R$ 22.942.950,91 (vinte e dois milhões, novecentos e quarenta e dois mil, novecentos e cinquenta reais, e noventa e um centavos), em vez de que R$ 25.198.355,45; •Em seu item “4”, o direito creditório remanescente, relativo ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário 1999 passa a ser R$ 1.697.834,75 (um milhão, seiscentos e noventa e sete mil, oitocentos e trinta e quatro reais, e setenta e cinco centavos), em vez de que R$ 1.935.074,06; •Em seu item “4”, o direito creditório remanescente, relativo ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário 2001, passa a ser R$ 2.371.566,01 (dois milhões, trezentos e setenta e um mil, quinhentos e sessenta e seis reais, e um centavos), em vez de que R$ 4.626,970,55; 2.MANTER as demais conclusões dos itens “2” e “3” do Despacho Decisório de folhas 1059/1060.” Os itens “2” e “3” supramencionados são os seguintes: “2. Convalidar os valores restituídos referentes aos saldos negativos dos anos de 1999 e 2001 nos montantes de R$ 7.149.935,38 e R$ 20.571.384,90; 3. Convalidar parcialmente a restituição do saldo negativo de 2000, no valor de R$ 23.428.549,79, mantendo a cobrança da parcela indevidamente restituída de R$ 3.467.223,50;” O mais recente despacho decisório também relacionou as compensações que: foram homologadas totalmente (parágrafo 3.1 de fls. 2.583), homologada parcialmente (parágrafo 3.2 de fls. 2.583) e não homologadas (parágrafo 3.3 de fls. 2.584/2.586); foram homologadas totalmente (parágrafo 4.1 de fls. 2.587), homologada parcialmente (parágrafo 4.2 de fls. 2.587/2.588) e não homologadas (parágrafo 4.3 de fls. 2.588/2.591). Cientificada do mais recente despacho decisório em 02/02/2016 (fls. 2.599), a interessada interpôs, em 02/03/2016 (fls. 2.601), a manifestação de inconformidade de fls. 2.602 e ss, pela qual narrou sua versão dos fatos, reprisou os argumentos da manifestação de inconformidade de fls. 1.377 e ss, pugnou pelo julgamento conjunto do pp e do processo nº 15374.907215/2008-48 – pleiteando “parcela remanescente do saldo negativo de 2000, no montante de R$ 142.338,27” –, e argüiu a validade do que denominou “decisões favoráveis”, com base no seguinte: “a análise de todo e qualquer pedido de compensação/restituição pressupõe a verificação de quanto tributo seria efetivamente devido pelo contribuinte e quanto foi Fl. 2988DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 por ele pago no período em que apurado o crédito, o que tipicamente configura o procedimento de lançamento previsto no art. 142 do CTN”, sendo certo que, por essa razão, o feito fiscal estaria precluso, tanto em razão dos artigos 149 e 150, § 4º, ambos do CTN, como diante do artigo 54 da Lei nº 9.784/99; “decisões favoráveis” “é inválida por ter sido proferida sem a prévia garantia à interessada ao direito de contraditório e de ampla defesa”, conforme jurisprudência do STJ e do STF, e também “porque o vício de legalidade que lhe daria amparo não foi demonstrado de forma cabal, já que, de um lado, ela reconhece que o direito creditório da interessada ainda deve ser analisado; daí ter determinado a elaboração de novo Parecer Conclusivo e Despacho Decisório”. Quanto ao teor do “terceiro despacho decisório” disse: “atos administrativos vinculados, como é o caso do despacho decisório que homologa ou não compensações declaradas pelo sujeito passivo, não podem ser retificados quando há evidente erro material, que é vício insanável. Nesses casos, o ato administrativo viciado somente pode ser anulado”, o que, no p.p. significaria a homologação tácita de todas as compensações, posto que declaradas antes de 01/02/2011, dia que seria o termo a quo para o prazo legal de cinco anos (artigo 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96), tomando como referência a data da sua ciência do terceiro despacho decisório, 02/02/2016; “caso se admita (...) que o terceiro despacho decisório não anulou o segundo despacho decisório, mas que apenas o complementou, não se poderia chegar a outra conclusão que não a nulidade do próprio terceiro despacho decisório”. “Isso porque o despacho decisório somente pode ser reformado por iniciativa do sujeito passivo, nunca em procedimento de revisão de ofício”, em razão do que dispõe o artigo 27 da Lei nº 10.522/02; “ainda que ultrapassadas todas as questões acima postas, tem-se que a alteração do segundo despacho decisório, proferido em 10.09.2010, pelo terceiro despacho decisório, de 02.02.2016, também não seria possível porque já decaído o direito de a RFB revisar os seus próprios atos no prazo de cinco anos, como dispõe o art. 54 da Lei nº 9.784/99”; Reforçando os argumentos já trazidos na manifestação de inconformidade anterior, disse: -calendário 1999, a afirmação da autoridade fiscal, quanto ao montante passível de restituição ou compensação ser limitado ao valor desse saldo informado em DIPJ (R$ 12.287.583,50) não procede, posto que consta dos autos informes de rendimentos que comprovam retenções na fonte num total superior (R$ 12.342.902,67). E, ainda com relação ao tema, “a justificativa apresentada pelo terceiro parecer conclusivo para não reconhecer o referido IRF na composição do saldo negativo de 1999 foi a de que, apesar de o Informe de Rendimentos apresentado pela CEF indicar rendimentos no valor de R$ 7.868.843,35 e retenções de IRF de R$ 1.564.718,36, a interessada somente teria contablizado rendimentos de R$ 5.941.267,51 e retenções de IRF no montante de R$ 1.327.478,51; daí ter reduzido o saldo negativo apurado pela interessada em 1999 o valor de R$ 237.239,85”. Contudo, “o fato de, por mero equívoco, a interessada ter deixado de contabilizar a totalidade do IRF dela retido pela Fl. 2989DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 CEF não pode prevalecer quando comprovado que o montante real de IRF convolado em saldo negativo do ano-calendário de 1999 é superior ao montante registrado”; relação à suposta diferença não oferecida à tributação em 1999, trata-se de receita financeira, que, por sua natureza, é tributada em regime de competência, enquanto o correspondente IRF é levado a ajuste no regime de caixa, entendimento que extrai dos artigos 65, §§ 1º e 2º, e 76, § 2º, ambos da Lei nº 8.981/95, o que seria causa de uma correlação imperfeita entre uma grandeza e outra; de 1999 a 2001 diversos IRF, sob a justificativa de serem retenções atreladas a rendimentos sujeitos à tributação exclsuiva, contrariou o disposto no artigo 76 da Lei nº 8.981/95; foram utilizadas em compensações de estimativas ou realizadas em DCTF, em ambos os casos, sem processo. Porém, tal consideração partiu da premissa de que saldos negativos anteriores a 1999 já teriam sido utilizados anteriormente e, por isso, não poderiam compor saldos de anos posteriores, a teor de despacho decisório autuado no processo nº 13706.004532/99-70, que fora anulado em julgamento no CARF, de cujo acórdão consta voto vencido que restabelecia essa parcela do direito creditório; de 2001 não levou em consideração “credito adicional” pleiteado em Dcomp autuada no processo nº 15374.723624/2009-74, sendo que outras Dcomp, dos mesmos autos, tiveram todos os débitos declarados considerados. Assim, “se as autoridades administrativas entendem que os débitos constantes das declarações de compensações do processo nº 15374.723624/2009-74 podem ser exigidos, por óbvio que o crédito adicional pleiteado nesse processo também deve ser considerado, adicionando-se ao montante do saldo negativo do ano-calendário 2001 reconhecido o valor histórico de R$ 2.000.869,98”; de êxito em ação judicial que lhe garantiu o direito de recolher PIS e Cofins apenas sobre o faturamento, “suspendendo a exigibilidade dos débitos calculados sobre as demais receitas (receitas financeiras, variações cambiais ativas outras)”, status que não fora aceito pela autoridade fiscal em razão de no extrato SIEF não constar a exigibilidade suspensa, embora tal informação constasse das DCTF retificadoras”. De sua parte, a DRJ/RPO, iniciando por trazer um breve relato de todos os acontecimentos que envolveram o presente processo, assim se manifestou: “1. No decorrer de 2002, o Fisco prolatou diversos Despachos Decisórios que reconheceram, em favor da interessada, direitos creditórios que, após consumidos em compensações diversas, ainda lhe favorecia numa quantia a restituir igual à R$ 54.617.093,57, em valor originário. 2. Na data do efetivo crédito da restituição, o valor montou R$ 67.994.429,13. Fl. 2990DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 3. Dentre os diversos Pareceres Conclusivos que embasaram os despachos aludidos acima, importam para o presente processo os de número 140/2002 e 141/2002. 4. Como fruto de procedimentos de auditoria interna nesta Secretaria, a autoridade competente para o feito houve por bem constituir um grupo de trabalho (Portarias SRRF07 nº 460/2005, 119/2007, 539/2007, 488/2007) para a revisão das decisões em questão. 5. O Parecer Conclusivo nº 176/2007 fundamentou Despacho Decisório de mesmo número, para declarar como indevidas as compensações realizadas pela interessada, bem assim a restituição que já havia lhe sido creditada e que, na data de tal parecer, montava R$ 174.046.700,12. 6. A cobrança de tal direito creditório revertido culminou no processo de execução fiscal nº 2009.51.01.503546-4 e nos embargos à execução de nº 2009.51.01.522594-0. 7. Posteriormente, a Diort/Derat/RJ lavrou novo Despacho Decisório, que, com fulcro em novo Parecer Conclusivo, de nº 279/2009, reconheceu como indevido apenas o direito creditório de R$ 3.467.223,50, tomando como referência os R$ 67.994.429,13 creditados em favor da interessada. 8. Em 14/10/2010, a interessada impugnou o Despacho Decisório referido acima. 9. Em 21/10/2010, atenta à vultosa quantia objeto de cobrança judicial e às possíveis decorrências sucumbenciais, a Digra/PRFN/2ª Região solicitou o encaminhamento do presente processo à Demac/RJO para “apreciação e ratificação da nova decisão nele proferida, dando-se ciência desse despacho, se cabível, ao Ilustríssimo Senhor Procurador-Regional da Fazenda Nacional da 2ª Região e a Ilustríssima Senhora Superintendente da Receita Federal do Brasil da 7ª Região Fiscal”. 10. Em 19/11/2010, a Diort/Demac/RJO proferiu o Parecer Conclusivo nº 094/2010, por meio do qual propôs a retificação do Parecer Conclusivo nº 279/2009. A autoridade parecerista motivou o feito em supostos erros na transcrição de valores no parecer anterior e concluiu propondo, dentre outras ações: (i) a redução dos saldos negativos de 1999 e 2001; (ii) a confirmação do saldo negativo de 2000; (iii) a manutenção da cobrança da parcela indevidamente restituída igual à R$ 3.467.223,50, referente ao saldo negativo de 2000; (iv) o encaminhamento do processo “ao Grupo de Execução desta Diort a fim de refazer a operacionalização das compensações em tela, para dessa forma identificar quais débitos não estão abarcados pelo direito creditório reconhecido. Retornando em seguida ao Grupo de Pareceristas desta Divisão para elaboração do despacho decisório”. 11. Ainda em 19/11/2010, a Diort/Demac/RJO, prestou informação fiscal à Digra/PRFN/ 2ª Região. Fl. 2991DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 12. Em 12/11/2012, a EAT/Demac/RJO encaminhou os autos ao Sepol/Demac/RJO “para digitalização, importação no e-Processo e posterior devolução no e-Processo para esta mesma Divisão e para a Equipe, Atividade e Servidor relacionados abaixo: Equipe: DIORT EXECUÇÃO-DEMAC-RJO Atividade: RECEBER PROCESSO TRIAGEM Servidor: Octávio Félix”. 13. Em 21/02/2013, o Sepol/Demac/RJO inseriu o Termo de Ressalva de fls. 1.677, onde fez constar rol de supostos procedimentos de formalização de processos que teriam sido descumpridos – tais como rasura na numeração de folhas – e, sem despacho para tanto, os autos chegaram conclusos a esta DRJ/RJO. 14. Em 07/07/2015, esta 15ª Turma de Julgamento RESOLVEU, quanto ao mérito: “Por maioria de votos, determinar o retorno do feito à unidade de origem, para que seja emitido despacho decisório referente ao Parecer Conclusivo DIORT/DEMAC/RJO nº 094/2010 (fls. 1668/1671), e para que, em seguida, se dê ciência deste despacho à Interessada, concedendo-lhe prazo de trinta dias para complementação de sua defesa (...)”. 15. Em cumprimento à Resolução acima referida, a Demac/RJO/Diort lavrou o Despacho Decisório de fls. 2.582 e ss em que ratifica, com força de decisão, as razões do Parecer Conclusivo nº 094/2010. Tal despacho fora assinado digitalmente por seu subscritor em 29/01/2016 e cientificado à interessada em 02/02/2016”. Sequencialmente, o Relator proferiu seu voto, afastando as preliminares de nulidade e de conexão e, no mérito, aduzindo (fls. 2768/2774): “No caso em tela, a interessada argui (i) a ocorrência de homologação tácita de compensações que efetuou, ante ao suposto decurso do prazo de cinco anos para a Fazenda se manifestar quanto ao feito, e (ii) a decadência do direito do Fisco revisar a composição de seus saldos negativos. A inocorrência da homologação tácita é patente, ante o simples cotejo entre a data de ciência do último despacho decisório (02/02/2016) e o rol de Dcomp’s não homologadas e homologadas parcialmente constante de tal ato administrativo. Em nenhum caso, a data declaração/pedido da compensação é anterior a cinco anos daquela ciência. No que concerne à decadência, a interessada confunde o direito do fisco de constituir o crédito tributário pelo lançamento e a obrigação fazendária de verificar a certeza e liquidez do crédito alegado pelo contribuinte. De certo, não há que se cogitar a perpetuação do direito de a Fazenda revisar uma compensação realizada, para, na hipótese de não homologá-la, exigir o débito remanescente, situação que afrontaria o comando aposto no § 5º do art. 74 da Lei n.º 9.430/96. Senão vejamos: (...) A ratio de tal dispositivo é garantir a segurança jurídica da relação entre a Fazenda e o contribuinte, que certamente seria abalada se ausente um marco Fl. 2992DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 temporal para a exigência de débitos. Não por acaso, esta norma se alinha àquela que traz a restrição à atividade de lançamento, limitada pelo decurso do prazo decadencial, seja na forma do art. 150, § 4°, seja de acordo com o art. 173, inciso I, ambos do CTN. Contudo, a despeito de ter apurado saldos negativos menores que os declarados pela interessada, o Fisco não deduziu qualquer pretensão de cobrança do valor que encontrou. A revisão do pretenso crédito em anos anteriores serviu apenas para dar cumprimento à verificação da certeza e da liquidez de existência do crédito empregado na compensação, na forma preconizada pelo art. 170 do CTN, in verbis: (...) Para tal procedimento não há restrição temporal ao poder de investigação do Fisco, já que a iniciativa de suscitar o direito creditório é sempre do contribuinte, ao declarar a compensação promovida. Nesse sentido, o art. 264 do RIR/1999 preceitua que a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. A contrário senso, exigir que a Fazenda tome como crédito valores sabidamente inexistentes seria beneficiar o sujeito passivo por sua própria torpeza, prática que não se compraz com a estrutura principiológica do ordenamento jurídico pátrio. Ou seja: o direito creditório pleiteado pelo contribuinte deve ser declarado líquido e certo pela autoridade administrativa e, para tanto, ela pode e deve investigar a origem do alegado crédito, qualquer que seja o tempo decorrido, devendo o contribuinte manter em boa ordem a documentação pertinente, de sorte a fazer prova de suas alegações. Do direito creditório. Embora tenha contabilizado apenas parte dos rendimentos auferidos, a interessada pugna pelo reconhecimento de toda a retenção sofrida na fonte, correspondente a tais rendimentos. Tal conduta viola, a toda evidência, a premissa estabelecida na alínea “c” do parágrafo 3º do artigo 37 da Lei nº 8.981/95: (...) Além disso, a interessada agiu como se ignorasse o teor do Decreto n.º 3.000/99, no dispositivo em que estabelece que a a escrituração contábil faz prova em favor do sujeito passivo (artigo 923). Assim, no mérito, a questão se revela, antes de tudo, probatória, escopo em que, por si só, a defesa restou insuficiente, em que pese a alentada e robusta peça de bloqueio. É que, por mais esmerada e bem desenvolvida que seja a manifestação de inconformidade, como é o caso dos autos, é forçoso reconhecer que alegar sem provar é o mesmo que não alegar, ex vi o art. 373 do NCPC. Sem escrituração que lhe ateste o direito que alega, inclusive quanto a ter tributado os rendimentos em regime de competência e a retenção ter se dado em regime de caixa, a interessada combate o teor de sua DIPJ, que espontaneamente entregou, operando mutatis mutandis verdadeira venire Fl. 2993DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 contra factum proprium em sede tributária. Não bastasse, o Parecer Conclusivo nº 279/09 (fls. 1.006 e ss) informa que “a diligência fiscal realizada ratificou os valores informados pela contribuinte em sua DIPJ/2000 e, por conseqüência, a base de cálculo apurada pela empresa, bem como confirmou que as receitas sobre as quais incidiram o fonte compuseram o Lucro Real”. Essa constatação se repetiu relativamente a DIPJ/2001, sendo certo que o saldo negativo correspondente (ano-calendário 2000) não fora integralmente reconhecido como direito creditório por já ter sido, em parte, utilizado em compensações sem processo, nos exatos termos em que descritos no aludido parecer conclusivo e que se deu também com créditos afetos a 1999 e a 2001. Outra questão é a alegação de serem rendimentos financeiros com retenção sujeita a ajuste aqueles objeto da controvéria. Mais uma vez, o cerne da controvérsia recai em matéria de prova, vez que os informes de rendimento e as DIRF entregues pelas fontes pagadoras deixam clara a natureza de pagamentos feitos a titulo de receita sujeita a tributação exclusiva na fonte e a interessada não trouxe aos autos nenhum elemento, que não de sua própria lavra, capaz de falar ao contrário. Nesta seara, entre os elementos que prima facie asseguram a ocorrência do fato, tem-se o comprovante de retenção fornecido pela fonte pagadora ao beneficiário da renda, por imposição do art. 942 do Decreto n.º 3.000/99 (RIR/99). Na falta daquele comprovante, um elemento suficientemente probante da retenção é observado nos próprios sistemas de informação da Receita Federal, na medida em que as fontes pagadoras também são obrigadas à entrega anual da DIRF, com a relação de todos os pagamentos por elas feitos e que porventura sofreram alguma retenção de tributos na fonte. Tal obrigação acessória viabiliza o cotejo entre o efetivo recolhimento e a retenção declarada, que, se coincidentes, reforçam a veracidade da presunção do quantum do tributo retido. A força probatória dessas informações muito se deve ao fato de esses documentos serem produzidos por pessoa, a fonte pagadora, que não a beneficiária de seu conteúdo, in casu, o favorecido pelo pagamento alvo da retenção do tributo. É prova produzida por terceiro em favor de quem dela se beneficia. Mas é o comprovante de rendimento que a legislação elege como documento principal para que o sujeito passivo sustente, perante o Fisco, a efetividade do pagamento e da retenção correspondente. Essa é a inteligência do § 2º do art. 943 do RIR/99, senão vejamos: (...) Especificamente com relação ao ano-calendário 2001, a interessada defende a existência de “crédito adicional”, sob o argumento central de ser este crédito oriundo de DComp encartada em processo onde o objeto de todas as demais DComp’s fora homologado, aduzindo a impossibilidade de reconhecimento pela Fazenda, num mesmo processo, de apenas parte do teor de declarações de compensação distintas. Fl. 2994DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 Com a máxima vênia, é tautológico que cada declaração realizada pelo sujeito passivo fala por si. Quando Per/DComp’s são autuadas no mesmo processo, o são apenas em razão de empregarem a mesma matriz de direito creditório, o que não quer dizer que a extensão deste será suficiente para todas as compensações e restituições ali pretendidas. Por todo o exposto, ficam mantidos os valores determinados no último despacho decisório como “direito creditório reconhecido” e “direito creditório remanescente” para os anos-calendário 1999 a 2001, com plena consideração e acolhimento das razões e cálculos explicitados nos Pareceres Conclusivos nº 279/09/ e 094/2010”. O acórdão recorrido tem a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 DESPACHOS DECISÓRIOS DISTINTOS. COEXISTÊNCIA. No exercício do poder-dever de rever de ofício os seus atos, afim de corrigi-los quando passíveis de saneamento, a Administração Pública pode exarar despacho decisório que complemente, ainda que para retificar, outro emitido anteriormente. PROCESSOS. CONEXÃO. EXISTÊNCIA DE DECISÃO PRÉVIA. São conexos processos em que haja identidade entre seus pedidos ou causas de pedi r, devendo ser reunidos, por conexão, para decisão conjunta, salvo se um deles já houver sido julgado. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Faz-se mister que os créditos empregados em compensação de tributos gozem de liquidez e certeza. CRÉDITO. EXISTÊNCIA. DECADÊNCIA. Para a verificação da existência de crédito alegado por contribuintes, não há restrição temporal ao poder de investigação da Fazenda Pública. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Não há falar em homologação tácita quando o sujeito passivo foi cientificado da denegação inicial de seu intento em prazo inferior ao limite legal de cinco anos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada em 09/06/2016 (fls. 2853) da decisão de 1º Piso, a contribuinte acostou recurso voluntário (fls.2914/2971) em 06/07/2016 no qual fez longa explanação acerca dos eventos envolvendo estes autos, especialmente os Despachos Decisórios exarados e retificados, rebateu pontualmente as colocações do acórdão recorrido e, no mérito, ratificou o que já havia esposado na manifestação de inconformidade. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 2995DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone - Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência da decisão recorrida em 09/06/2016 – fls. 2853) e protocolização da peça recursal em 06/07/2016 – fls. 2972), sua representação está corretamente formalizada (fls. 2652/2654) e os demais pressupostos exigidos para admissibilidade foram atendidos, de modo que o recebo e dele conheço. Antes, analiso as preliminares envolvendo os Pareceres Conclusivos nº 279/2009 e 094/2010 que modificaram parcialmente o Despacho Decisório original. Segundo a recorrente, de forma sintética (RV – fls. 2971), haveria de se reconhecer tacitamente as homologações das compensações efetuadas por meio das DCOMPs vinculadas aos referidos processos, “seja pelo fato de o TERCEIRO DESPACHO DECISÓRIO ter anulado o SEGUNDO DESPACHO DECISÓRIO, seja pelo fato de aquele ter apenas complementado este” (destaque no original). Ou seja, para a recorrente, como o terceiro despacho anulou o segundo despacho que, por sua vez, havia anulado o primeiro, este (primeiro despacho) teria ressurgido integralmente; com isso, teria transcorrido o lustro temporal para que a Autoridade Tributária revisasse o DD. Divirjo deste pensamento por entender que a Administração Pública tem o poder-dever de rever de ofício seus atos a fim de corrigi-los quando passíveis de saneamento, como o fez através do Parecer Conclusivo nº 094/2010, que teve o intuito de retificar, em parte, o Parecer Conclusivo nº 279/2009. E este, por sua vez, voltou-se contra posicionamentos expressos nos Pareceres Conclusivos da RFB n٥s 135,136,137,138,139,140,141 e 160, (todos emitidos no ano de 2002). Na sequência, considerando a ocorrência de irregularidades nestes procedimentos administrativos, relativamente ao reconhecimento indevido de direitos creditórios de contribuintes, foram instaurados diversos procedimentos de auditoria pela própria Autoridade Tributária destinados a reavaliar o reconhecimento de tais direitos creditórios e verificar a sua licitude, tudo conforme Portaria SRR07 n° 460, de 17/11/2005, que constituiu um grupo de trabalho para realizar auditoria de procedimentos na área de administração tributária (processo n° 10168.004321/2005-47). Este grupo de trabalho iniciou em 21/11/2005 a análise dos processos administrativos que reconheceram o suposto direito creditório em 05/01/2006 e concluiu pela recomendação de refazer e retificar os procedimentos de restituição e compensação dos processos em questão, ainda que tal medida implicasse a elaboração de novo parecer conclusivo em que sejam anulação dos pareceres emitidos até então; declaração da inexistência do crédito de saldo negativo de IRPJ; não homologação das compensações realizadas; informação ao Fl. 2996DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 contribuinte do teor do novo despacho decisório, cabendo manifestação de inconformidade, no prazo de 30 dias; adoção das providências cabíveis para cobrar o crédito tributário indevidamente compensado, lavrando auto de infração quanto aos débitos não declarados em DCTF, se fosse o caso e cobrança do crédito que tenha sido indevidamente restituído, lavrando- se auto de infração para tanto. Assim, formou-se uma equipe multidisciplinar através da Portaria SRRF07 n° 119, de 14/03/2007, com prazo de atuação prorrogado pela Portaria SRRF07 n° 539, de 29/08/2007 e composição alterada pela Portaria SRRF07 n° 488, de 06/08/2007 para realizar os procedimentos indicados acima pela equipe de auditoria no Relatório Final de Auditoria de Procedimentos emitido pela DIAUP/CORAT, em 05/01/2006, nos autos do processo administrativo de n° 10168.004321/2005-47. Ato contínuo, foi determinado pela Portaria SRRF07 n° 119 de 2007 que os processos administrativos acima elencados fossem encaminhados para a Delegacia de Fiscalização da RFB, a fim de se realizar as diligências necessárias à apuração da existência e do alcance do direito creditório a que o contribuinte faz jus. Finalmente, emitiram-se os Pareceres Conclusivos nºs 279/2009 e 094/2010 que delinearam a linha que foi seguida pelo Despacho Decisório proferido pela Unidade de Origem – Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 7ª Região Fiscal – SRRF07 Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes Demac/RJO/Diort, em 29/01/2016 (fls. 2582/2591) e que aqui é analisado. Então, em todo o período envolvendo a matéria (de 2001, quando da protocolização do presente processo e pedido de restituição, até o DD definitivo em 2016), em momento algum a Autoridade Fiscal quedou-se silente e deixou transcorrer in albis o intervalo temporal para análise do pleito da recorrente, sempre lembrando que, nos casos de restituição/compensação cabe à autora, no caso a recorrente, municiar o ente Público com as informações requeridas, de modo ser impossível aceitar-se que, nestas condições, pela própria imprecisão de valores apontados, se possa entender como transcorrido o prazo para verificação da liquidez e certeza do pleito firmado. Não se olvide, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Consequentemente, os pedidos de restituição devem estar necessariamente instruídos com as devidas provas contábeis e fiscais do indébito tributário, sob pena de não reconhecimento do direito creditório pleiteado. Adicione-se, ainda, que os procedimentos relatados versam sobre decisões proferidas acerca dos pedidos de restituição/compensação, sendo que tais procedimentos foram objeto de auditoria interna da qual resultou a recomendação do seu refazimento e retificação. Executadas estas análises, a autoridade fiscal competente descreveu as irregularidades que determinariam a desconstituição do ato anterior e a produção de nova decisão acerca dos procedimentos da contribuinte. Por absoluta relevância, veja-se que todo este procedimento – repita-se – de natureza interna, consta do Parecer Conclusivo nº 176/2007 finalizado em 20/09/2007 (fls. 969/1003 – numeração manual, do Processo º 13706.002249/2002-24 apensado a este e que com Fl. 2997DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 este tem vinculação direta), assinado pelo Chefe da Unidade na mesma data (fls. 1004 – idem) e cientificado à recorrente em 21/09/2007 (fls. 1010 ibidem). Fl. 2998DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 De outro lado, como corolário do Parecer Conclusivo nº 141/2002 (posteriormente revogado), foi determinada a restituição do valor pleiteado pela recorrente, o que se deu mediante a emissão da Ordem Bancária n° 2002 OB 001595 que disponibilizou o valor originário de R$ 54.617.093,57 (cinquenta e quatro milhões, seiscentos e dezessete mil, noventa e três reais e cinquenta e sete centavos), que acrescidos de juros resultou na restituição da quantia de R$ 67.994.429,13 (sessenta e sete milhões, novecentos e noventa e quatro mil, quatrocentos e vinte e nove reais e treze centavos) creditada a favor da contribuinte através da ordem bancária n° 2002 OB 001595, DEPOSITADA na conta bancária da recorrente no Banco Bradesco, c/c n° 0169005, agência 1852, NA DATA DE 26/09/2002. Relevante destacar que inexistiu, neste caso, qualquer litígio, isto é, o pedido da recorrente foi integralmente deferido, de modo que a exteriorização do ato administrativo consumou-se na data em que a interessada veio a tomar conhecimento do deferimento de seu pleito, ou seja, a data do crédito em sua conta bancária da OB emitida pelo Poder Público, o que, como visto, deu-se em 26/09/2002. Nessa linha, datando o Parecer Conclusivo nº 176/2007 de 20/09/2007 (que anulou o Parecer Conclusivo nº 141/2002), com ciência da contribuinte em 21/09/2007, posto que alterado o anterior deferimento obtido, inocorreu o lustro decadencial pretendido pela recorrente (fls. 1010 do Processo nº 13706.002249/2002/24): Certo que a recorrente traz alegações no sentido de que o Parecer Conclusivo nº 141/2002 (anulado) teria sido emitido em 04/09/2002 (fls. 524 do PA nº 13706.002249/2002/24) o que daria azo à decadência suscitada. Fl. 2999DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 Porém, com a devida vênia, vejo que TODOS OS ATOS ANTECEDENTES E POSTERIORES ao Parecer Conclusivo, até a sua implementação (que se deu com o crédito na conta bancária da contribuinte), são tidos, para este Relator, como procedimentos-meios para se chegar ao fim colimado, como ocorre, por exemplo, com a análise interna na repartição federal de um despacho decisório ou preparo de um auto de infração que só ganham vida com sua exteriorização. Para melhor visualização, veja-se a sequência de despachos e manifestações até culminar com a emissão da OB antes citada: Fl. 3000DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 Fl. 3001DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 Fl. 3002DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 Fl. 3003DF CARF MF Fl. 26 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 Fl. 3004DF CARF MF Fl. 27 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 Nessa linha, diversamente do entendimento da recorrente, penso que o prazo para eventual questionamento sobre decadência fluiu a partir de 26/09/2002, findando-se em 26/09/2007. Em síntese, a anulação foi promovida por autoridade competente, está devidamente motivada e ainda não estava alcançada pelo prazo decadencial, por isso, sua validade se estampa integralmente. De outro giro, ao revés do manifestado pela recorrente, em nenhum lugar dos autos consta que o Parecer Conclusivo nº 279/2009 tenha revogado expressamente qualquer parecer anterior e que o de nº 094/2010 tenha expurgado o de 2009. Na verdade, eles se complementam e se completam à medida que ajustam valores de um e de outro, bastando a singela reprodução do DD (fls. 2582) para se confirmar esta realidade: Fl. 3005DF CARF MF Fl. 28 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 De sua parte, os números apontados no item 2, acima, são os seguintes (fls. 1059/1060): De qualquer modo, analisando sob a ótica da contribuinte, ainda que se possa entender ter havido a anulação a que alude a recorrente, resta claro nos autos que tal procedimento foi promovido por autoridade competente, estava devidamente motivado e não Fl. 3006DF CARF MF Fl. 29 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 teria ocorrido a decadência, inexistindo qualquer vício formal que pudesse prejudicar a validade do ato posteriormente emitido em desfavor do sujeito passivo. Ademais, ainda a se seguir tal entendimento, a motivação para a anulação foi fartamente demonstrada nos autos e diz respeito aos fatos nos quais se basearam a homologação pretendida pela contribuinte. Segundo a doutrina de Maria Sylvia di Pietro (Direito Administrativo. 23ª ed. São Paulo: Atlas, 2010. p. 242), “os vícios podem atingir os cinco elementos do ato administrativo, caracterizando-se quanto à competência, à capacidade, à forma, ao objeto, ao motivo e à finalidade, os quais se encontram definidos no artigo 2º da Lei de ação popular”: “A lei n. 4.717/65 fala em apenas em inexistência de motivos e diz que esse vício ocorre “quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamento o ato é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido” Mais a mais, é impositivo o poder-dever da Administração de anular o ato administrativo que homologara a compensação pleiteada, sob pena de violação ao princípio da legalidade, da indisponibilidade do interesse público e do enriquecimento ilícito. Tanto assim que, neste sentido, dispõe a Sumula STF n. 473, aprovada na sessão plenária de 3/12/1969, sendo este poder decorrência do regime jurídico administrativo. Portanto, muito antes de se cogitar da Lei n. 9.874/99, e que assim dispõe: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque dêles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Assim, sob qualquer aspecto que se analise, não há que se falar em nulidade das decisões exaradas, por isso, mantidas. Passo ao mérito. Por economia processual e para evitar repetições cansativas e neste momento desnecessárias, em vista de tudo o que já se consignou no relato dos fatos, passo à apreciação do litígio ainda em discussão, ou seja, o montante pretendido pela recorrente como “direito creditório” que entende possuir, os Despachos Decisórios, Pareceres Conclusivos e decisões exaradas que alteraram o pedido inicial e o que remanesce pendente em termos monetários. Para melhor visualização, reproduz-se novamente os quadros elaborados pela Autoridade Tributária nos Pareceres Conclusivos nºs 279/2009 (fls. 1006/1060) e 094/2010 (fls. 1668/1673) e que deram suporte ao DD (fls. 2582/2591): Fl. 3007DF CARF MF Fl. 30 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 Números devidamente retificados e ajustados após elaboração do Parecer Conclusivo nº 094/2010, de 19/11/2010 (fls. 1668/1673), conforme assentado na sua finalização: Fl. 3008DF CARF MF Fl. 31 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 Assim resumido: Pois bem, com base nestas informações extraídas dos autos, é possível compor o seguinte quadro dos valores requeridos, deferidos e ainda em litígio: Ano-Calendário 1999 DIREITO CREDITÓRIO 1 2 3 4 5 = (3-4) Origem Data Vlr. Requerido Vlr. Deferido (DD) (*) Vlr. Indeferido (Negado) Saldo Negativo 1999 31/12/1999 12.287.583,50 8.847.770,13 3.439.813,37 Implementação do Direito Creditório (*) 1. Restituído 7.149.935,38 2. A Utilizar 1.697.834,75 3. TOTAL (1+2) 8.847.770,13 Ano-Calendário 2000 DIREITO CREDITÓRIO 1 2 3 4 5 = (3-4) Origem Data Vlr. Requerido Vlr. Deferido (DD) (*) Vlr. Indeferido (Negado) Saldo Negativo 2000 31/12/2000 26.895.773,29 23.428.549,79 3.467.223,50 Implementação do Direito Creditório (*) 1. Restituído 26.895.773,29 2. A Utilizar - 3. TOTAL (1+2) 26.895.773,29 Fl. 3009DF CARF MF Fl. 32 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 Ano-Calendário 2001 DIREITO CREDITÓRIO 1 2 3 4 5 = (3-4) Origem Data Vlr. Requerido Vlr. Deferido (DD) (*) Vlr. Indeferido (Negado) Saldo Negativo 2001 31/12/2001 26.673.083,63 22.942.950,91 3.730.132,72 Implementação do Direito Creditório (*) 1. Restituído 20.571.384,90 2. A Utilizar 2.371.566,01 3. TOTAL (1+2) 22.942.950,91 Neste ponto é preciso registrar: 1. em relação aos saldos negativos de 1999 e 2001, os valores requeridos, deferidos e já restituídos ou cujo direito creditório foi reconhecido apontam, ao final, para os montantes indeferidos, portanto ainda em litígio, de R$ 3.439.813,37 e R$ 3.730.132,72, respectivamente.; 2. para o ano de 2000, o valor negado foi R$ 3.467.223,50. Porém, quando se concluiu a análise e se emitiu o DD de 29/01/2016 (fls. 2582/2591) já havia sido restituído o montante integral do pedido da recorrente, ou seja, valor de R$ 26.895.773,29, quando o correto seria R$ 23.428.549,79. Com isso, a diferença (R$ 3.467.223,50), salvo se modificada por este Acórdão, deverá ser objeto de cobrança por parte da Fazenda Nacional, tendo em vista estar configurada “restituição indevida”. Feitas estas observações, passo à analise dos argumentos e das provas. Inicio pelo ano de 1999, cujo valor em litígio é de R$ 3.439.813,37. De acordo com a decisão recorrida (fls. 2771/2772), “embora tenha contabilizado apenas parte dos rendimentos auferidos, a interessada pugna pelo reconhecimento de toda a retenção sofrida na fonte, correspondente a tais rendimentos. Tal conduta viola, a toda evidência, a premissa estabelecida na alínea “c” do parágrafo 3º do artigo 37 da Lei nº 8.981/95 (...). Assim, no mérito, a questão se revela, antes de tudo, probatória, escopo em que, por si só, a defesa restou insuficiente, em que pese a alentada e robusta peça de bloqueio. É que, por mais esmerada e bem desenvolvida que seja a manifestação de inconformidade, como é o caso dos autos, é forçoso reconhecer que alegar sem provar é o mesmo que não alegar, ex vi o art. 373 do NCPC. Sem escrituração que lhe ateste o direito que alega, inclusive quanto a ter tributado os rendimentos em regime de competência e a retenção ter se dado em regime de caixa, a interessada combate o teor de sua DIPJ, que espontaneamente entregou”. Ou seja, a recorrente não teria se safado de comprovar haver oferecido à tributação os valores dos rendimentos sobre os quais incidiram o IRRF que pretende utilizar. Fl. 3010DF CARF MF Fl. 33 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 Como é cediço, esta divergência entre os regimes de competência (adotado pelas empresas para reconhecer suas receitas) e o de caixa, assumido pelas fontes pagadoras que efetuam a retenção no momento do resgate, é matéria rotineiramente enfrentada em procedimentos como esse, cabendo não só à interessada demonstrar a correção de seu procedimento como ao Fisco aferi-la. Neste caso, com a devida vênia ao posicionamento da decisão a quo, penso que a recorrente logrou demonstrar e comprovar estas divergências, fazendo os ajustes necessários e, mais que isso, a informação constante do Relatório Fiscal de 02/04/2009 (fls. 767/772) caminha no sentido de atestar referido procedimento. Excertos mostram o quadro: “Com relação a totalidade de receitas financeiras oferecidas à tributação foi constatado algumas divergências de valores encontrados nos informes de rendimentos fornecidos pelas instituições financeiras e o total de rendimentos oferecidos a tributação oriundos de aplicação financeira. Conforme constatamos anteriormente a diferença verificada consiste na forma de contabilização das receitas, uma vez que o contribuinte acima qualificado realiza sua escrituração pelo regime de competência, e os informes de rendimentos apresentados e anexados ao processo que são emitidos pelas instituições financeiras são realizados pelo regime de caixa. Diante da documentação entregue pelo contribuinte e análise realizada em relação aos demais anos-calendário relativos a presente diligência entendemos que a amostragem realizada foi suficiente para acreditar que o sujeito passivo vem fazendo suas Declarações de Imposto de Renda de Pessoa J u r í d i c a em comum acordo com os valores registrados em livros comerciais e fiscais. (...) No doc. 06 encontramos a resposta ao solicitado com relação às receitas s financeiras auferidas e contabilizadas, com o indicativodas respectivas instituições financeiras e o IRFonte de swap, aplicações financeiras e prestação de serviços, bem como sobre os juros s/ patrimônio líquido. (...) Foi questionando o motivo pelo qual o sujeito passivo não preencheu os valores das linhas 21, 22, 23, 25, 27, 28 e 29 da ficha de demonstração do resultado (06A). Ao analisarmos a resposta do contribuinte, verificamos que existe coerência dos valores lançados na linha 24(outras receitas financeiras), cujo valor total é de R$ 320.806.896,38, que na realidade é dentro deste valor que encontramos aqueles que poderiam constar das linhas supra mencionadas. Desta forma, os valores que deixaram de ser lançados nas respectivas linhas 21, 22, 23, 25, 27, 28 e 29 não estão alterando o resultado do exercício. Fl. 3011DF CARF MF Fl. 34 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 (...) Ao constatarmos que os valores correspondestes a cada uma dessas linhas foram agrupados e declarados na linha 24 (Outras Receitas Financeiras),solicitamos ao contribuinte que elaborasse um demonstrativo com todas as contas que integrassem o valor de R$505.884.911,27 (doe.05). O sujeito passivo também apresentou o balancete de verificação de Dez/2001, discriminando, linha por linha, todos os valores declarados em DIPJ na ficha 06A(docs.03 e 04). Foi apresentado também pelo contribuinte, em atendimento, ao item 03 do Termo de Intimação o demonstrativo das receitas financeiras em mercado aberto (does. 06, 07, 08, 09 e 10), acompanhados de documentação, probante contendo os registros contábeis de todas as contas objeto de averiguação”. Quadro que se ratifica pelo literal dizer da Autoridade Tributária em diversas oportunidades quando da elaboração do Parecer Conclusivo nº 279/2009 (fls. 1029/1030 e 1034): “Além dessa divergência, ainda foram observadas possíveis irregularidades: na contabilização de receitas auferidas em operações de swap, operações day-trade e operações de mercado de renda variável e no registro de juros sobre o capital próprio e receitas de serviços prestados. Sobre as referidas incongruências, a DEFIS/RJO/DIFIS I, após diligência realizada, asseverou que a divergência apresentada "consiste na forma de contabilização das receitas, uma vez que o contribuinte acima qualificado realiza sua escrituração pelo regime de competência, enquanto que os informes de rendimentos apresentados e anexados ao processo que são emitidos pelas instituições financeiras são realizados pelo regime de caixa". O agente fiscal responsável pela diligência ainda destacou que: "Diante da documentação apresentada pelo contribuinte e análise realizada em relação aos demais anos calendário relativos a presente diligência, entendemos que a amostragem realizada foi suficiente para acreditar que o sujeito passivo vem fazendo suas Declarações em comum acordo com os valores registrados em seus livros comerciais e fiscais". (...) Assim, a diligência fiscal ' realizada ratificou os valores informados pela contribuinte em sua DIPJ/2000 e, por conseqüência, a base de cálculo apurada pela empresa, bem como confirmou que as receitas sobre as quais incidiram o fonte compuseram o Lucro Real. (...) Como anteriormente registrado, a DEFIS/RJO/DIFIS I, após diligência realizada, afirmou que: i) a divergência apresentada decorria da diferença entre os regimes contábeis adotados na contabilidade da contribuinte e na DIRF, uma vez que a primeira é feita de acordo com o regime de competência e a segunda pelo regime de caixa; e ii) a partir da documentação apresentada, infere-se que o sujeito passivo vem fazendo suas declarações de acordo com os valores registrados em seus livros comerciais e fiscais. Fl. 3012DF CARF MF Fl. 35 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 (...) Em suma, a diligência fiscal acabou corroborando os valores informados pela contribuinte em sua DIPJ/2001. Desta forma, restou confirmada a tributação das receitas sobre as quais incidiram o Fonte retido durante o ano 2000”. Afastada a restrição imposta, enfrento o segundo óbice trazido na decisão de 1º Piso (fls. 2772/2773), verbis: “Outra questão é a alegação de serem rendimentos financeiros com retenção sujeita a ajuste aqueles objeto da controvérsia. Mais uma vez, o cerne da controvérsia recai em matéria de prova, vez que os informes de rendimento e as DIRF entregues pelas fontes pagadoras deixam clara a natureza de pagamentos feitos a titulo de receita sujeita a tributação exclusiva na fonte e a interessada não trouxe aos autos nenhum elemento, que não de sua própria lavra, capaz de falar ao contrário. Nesta seara, entre os elementos que prima facie asseguram a ocorrência do fato, tem-se o comprovante de retenção fornecido pela fonte pagadora ao beneficiário da renda, por imposição do art. 942 do Decreto n.º 3.000/99 (RIR/99). Na falta daquele comprovante, um elemento suficientemente probante da retenção é observado nos próprios sistemas de informação da Receita Federal, na medida em que as fontes pagadoras também são obrigadas à entrega anual da DIRF, com a relação de todos os pagamentos por elas feitos e que porventura sofreram alguma retenção de tributos na fonte. Tal obrigação acessória viabiliza o cotejo entre o efetivo recolhimento e a retenção declarada, que, se coincidentes, reforçam a veracidade da presunção do quantum do tributo retido. A força probatória dessas informações muito se deve ao fato de esses documentos serem produzidos por pessoa, a fonte pagadora, que não a beneficiária de seu conteúdo, in casu, o favorecido pelo pagamento alvo da retenção do tributo. É prova produzida por terceiro em favor de quem dela se beneficia. Mas é o comprovante de rendimento que a legislação elege como documento principal para que o sujeito passivo sustente, perante o Fisco, a efetividade do pagamento e da retenção correspondente”. Certamente, posição fundamentada nos dizeres do Parecer Conclusivo nº 279/2009 (fls.1031 – AC/1999 – fls. 1034 - AC/2000 e fls. 1037 – AC/2001) e que delimitou os valores e comprovantes não acolhidos: “Assim, não podem ser aceitos os IRF retidos: pela Morgan Guaranty Trust Compâny of New York, na quantia de R$ 27.626,40 (fls. 34); pelo Banco Santos, no valor de R$ 14.242,54 (fl. 49); e pela Votorantim Corretora, na importância de R$ 24.096,86, posto que se trata de tributação exclusiva na fonte. (...) Fl. 3013DF CARF MF Fl. 36 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 Assim, não pode ser aceito o IRRF retido pela Morgan Guaranty Trust Company of New York, na quantia de R$ 1.628.522,24 (fls. 175), posto que se trata de tributação exclusiva na fonte. (...) Assim, não podem ser aceitos os valores de IRRF retido: pela Morgan Guaranty Trust Company of New York, na quantia de R$ 11.257,93 (fls. 284); pelo Banco BBM, no total de R$ 1.595.572,44 (fl. 304); pelo Banco Fininvest, R$ 275.084,70 (fls. 310, 311 e 312), posto que se trata de tributação exclusiva na fonte”. De seu turno, contrapõe-se a defesa alegando (RV – fls. 2948/2955): (...) (...) Fl. 3014DF CARF MF Fl. 37 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 (...) (...) (...) Em suma, a divergência se resume em definir se referidos rendimentos seriam exclusivo de fonte, como sustentam a decisão recorrida e o Parecer Conclusivo nº 279/2009, sob Fl. 3015DF CARF MF Fl. 38 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 o argumento de que os “informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras traziam esta definição” ou se, como defende a recorrente, tratar-se-iam de retenções a serem aproveitadas no ajuste anual, com a devida inclusão dos rendimentos nos resultados da companhia. Pois bem, que a legislação que originalmente tratava da matéria (Lei nº 8.541, de 1992) foi alterada com a edição da Lei nº 8.981/1995, inexistem dúvidas, de modo que, por se estar diante de fatos geradores de 1999, 2000 e 2001, a eles se aplica, in totum, mencionado mandamento legal, especificamente, artigo 76, I e § 2º): Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) I - deduzido do apurado no encerramento do período ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real; § 2º Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos produzidos a partir de 1º de janeiro de 1995 integrarão o lucro real. Resta então ver se procede a posição da Autoridade Fiscal e da decisão recorrida de que “o cerne da controvérsia recai em matéria de prova, vez que os informes de rendimento e as DIRF entregues pelas fontes pagadoras deixam clara a natureza de pagamentos feitos a titulo de receita sujeita a tributação exclusiva na fonte e a interessada não trouxe aos autos nenhum elemento, que não de sua própria lavra, capaz de falar ao contrário”. Passa-se, assim, à análise dos documentos acostados pela defesa (informes de rendimentos não aceitos pelo DD e decisão a quo): fls. 2907 - Ano-calendário: 1999 - Nome do Declarante: VOTORANTIM C.T.V.M. LTDA. Nome do Beneficiário: GLOBO COMUNICAÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA. Código da Receita: 3426 - IRRF - APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA - PESSOA JURÍDICA Rendimento Bruto R$ 120.484,34 Imposto Retido R$ 24.096,86 Obs.- Embora o Informe de Rendimentos contenha outros valores, a análise limitou-se ao montante que foi indeferido fls. 2908 - Ano-calendário: 1999 - Nome do Declarante: MORGAN GUARANTY TRUST CO OF NEW YORK SAO PAULO Nome do Beneficiário: GLOBO COMUNICAÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA. Fl. 3016DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9065.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9065.htm#art1 Fl. 39 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 Código da Receita: 5273 - IRRF - OPERAÇÕES DE SWAP (ART. 74 L 8981/95) Rendimento Bruto R$ 138.132,02 Imposto Retido R$ 27.626,40 fls. 2909 - Ano-calendário: 1999 - Nome do Declarante: BANCO SANTOS S/A Nome do Beneficiário: GLOBO COMUNICAÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA. Código da Receita: 3426 - IRRF - APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA - PESSOA JURÍDICA Rendimento Bruto R$ 71.212,72 Imposto Retido R$ 14.242,54 fls. 2910 - Ano-calendário: 2000 - Nome do Declarante: MORGAN GUARANTY TRUST CO OF NEW YORK Nome do Beneficiário: GLOBO COMUNICAÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA. Código da Receita: 3426 - IRRF - APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA - PESSOA JURÍDICA Rendimento Bruto R$ 4.311.978,65 Imposto Retido R$ 862.395,73 Código da Receita: 5273 - IRRF – RENDIMENTOS DE CAPITAL OPERAÇÕES DE SWAP Rendimento Bruto R$ 3.830.632,78 Imposto Retido R$ 766.126,51 TOTAL DO INFORME DE RENDIMENTOS Rendimento Bruto R$ 8.142.611,43 Imposto Retido R$ 1.628.522,24 fls. 2911 - Ano-calendário: 2001 - Nome do Declarante: BANCO BBM S.A Nome do Beneficiário: GLOBO COMUNICAÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA. Código da Receita: 3426 - IRRF - APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA - PESSOA JURÍDICA Rendimento Bruto R$ 7.977.862,45 Imposto Retido R$ 1.595.572,44 Fl. 3017DF CARF MF Fl. 40 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 fls. 2912 - Ano-calendário: 2001 - Nome do Declarante:MORGAN GUARANTY TRUST COMPANY OF NEW YORK Nome do Beneficiário: GLOBO COMUNICAÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA. Código da Receita: 3426 - IRRF - APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA - PESSOA JURÍDICA Rendimento Bruto R$ 56.289,65 Imposto Retido R$ 11.257,93 fls. 2913 - Ano-calendário: 2001 - Nome do Declarante: BANCO FININVEST S/A Nome do Beneficiário: GLOBO COMUNICAÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA. Código da Receita: 3426 - IRRF - APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA - PESSOA JURÍDICA Rendimento Bruto R$ 1.375.423,65 Imposto Retido R$ 275.084,70 Tem-se, assim, a comprovação documental de todos os valores glosados. Resta ver o que os códigos de retenção revelam, se rendimentos exclusivos de fonte ou sujeitos a adição ao lucro real. De acordo com o MAFON elaborado pela própria Receita Federal, dentro do PIR – Programa Imposto de Renda, atualizado até fevereiro de 2001, portanto abrangendo os fatos geradores aqui tratados, segue a identificação de cada código: CÓDIGO 3426 - RENDIMENTOS DE CAPITAL APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA, EXCETO EM FUNDOS DE INVESTIMENTO FATO GERADOR Rendimentos produzidos por aplicações financeiras de renda fixa, decorrentes de alienação, liquidação (total ou parcial), resgate, cessão ou repactuação do título ou aplicação. BENEFICIÁRIO Pessoas jurídicas, inclusive as isentas, e as instituições de educação ou de assistência social ( ver Esclarecimentos Adicionais). REGIME DE TRIBUTAÇÃO Pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado: os rendimentos integrarão o lucro real, o lucro presumido ou o lucro arbitrado. O imposto retido será deduzido do apurado no encerramento do período de apuração, trimestral ou anual. Fl. 3018DF CARF MF Fl. 41 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 CÓDIGO 5273 - RENDIMENTOS DE CAPITAL OPERAÇÕES DE SWAP FATO GERADOR Rendimentos auferidos em operações de swap, inclusive nas operações de cobertura (hedge), realizadas por meio de swap. BENEFICIÁRIO Pessoas físicas e jurídicas, inclusive as isentas, e as instituições de educação ou de assistência social.( Ver Esclarecimentos Adicionais ) REGIME DE TRIBUTAÇÃO Pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado: os rendimentos integrarão o lucro real e serão adicionados ao lucro presumido ou ao lucro arbitrado. O imposto retido será deduzido do apurado no encerramento do período de apuração, trimestral ou anual. Induvidoso, portanto, que os rendimentos devem compor o Lucro Real e os valores retidos podem ser utilizados para compensação ou estruturação de saldo negativo, como no caso em pauta. Deste modo, sem maiores delongas, tendo em vista a comprovação do oferecimento à tributação dos rendimentos e a correta identificação dos valores e códigos nos informes de rendimentos, atendendo ao que dispõem os artigos 37, § 3º, “c”, da Lei nº 8.981/95 e 943, do RIR/1999, há que DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário de modo a reconhecer o direito creditório pleiteado relativamente aos períodos e valores abaixo: Período FONTE PAGADORA IRRF Deferido TOTAL 1999 VOTORANTIM C.T.V.M. LTDA. 24.096,86 1999 MORGAN GUARANTY TRUST CO OF NEW YORK SAO PAULO 27.626,40 1999 BANCO SANTOS S/A 14.242,54 65.965,80 2000 MORGAN GUARANTY TRUST CO OF NEW YORK 1.628.522,24 1.628.522,24 2001 BANCO BBM S.A 1.595.572,44 2001 MORGAN GUARANTY TRUST COMPANY OF NEW YORK 11.257,93 2001 BANCO FININVEST S/A 275.084,70 1.881.915,07 DO INDEFERIMENTO DAS RETIFICAÇÕES DE DCTF PROMOVIDAS EM RELAÇÃO DOS DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS A recorrente também discorda do indeferimento das retificações de DCTF promovidas em relação dos débitos de Contribuição ao PIS e COFINS referentes a março/2002, manifestando-se contra a falta de apreciação de seus argumentos na decisão recorrida (RV – fls. 2968/2970) argumentando: Fl. 3019DF CARF MF Fl. 42 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 A respeito, por com ele concordar integralmente, sirvo-me do voto exarado pela Conselheira Edeli Pereira Bessa no Processo nº 13706.004532/99-70, de interesse da mesma contribuinte e que trata de igual matéria: “Contudo, a restauração do saldo negativo, como acima mencionado, somente se verifica e passa a ser objeto de discussão se a retificação pleiteada for deferida. Por sua vez, a apreciação desta retificação não está contemplada, na lei, como ato sujeito à discussão no contencioso administrativo especializado. Isto porque, com a edição da Lei nº 9.784/99, o contencioso administrativo passou a observar suas regras, exceto quando disciplinados por lei própria: Art. 1 o Esta Lei estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. [...] Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a reger-se por lei própria, aplicando-se-lhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. E, até então, o Decreto nº 70.235/72 tratava, apenas, da discussão dos lançamentos tributários no âmbito das instâncias administrativas especializadas (DRJ, Conselhos de Contribuintes, Câmara Superior de Recursos Fiscais): Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Parágrafo único. Na hipótese de devolução do prazo para impugnação do agravamento da exigência inicial, decorrente de decisão de primeira Fl. 3020DF CARF MF Fl. 43 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 instância, o prazo para apresentação de nova impugnação, começará a fluir a partir da ciência dessa decisão. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Art.25.O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I - em primeira instância: a) aos Delegados da Receita Federal, titulares de Delegacias especializadas nas atividades concernentes a julgamento de processos, quanto aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) b) às autoridades mencionadas na legislação de cada um dos demais tributos ou, na falta dessa indicação aos chefes da projeção regional ou local da entidade que administra o tributo, conforme for por ela estabelecido. II - Em segunda instância, aos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, com a ressalva prevista no inciso III do § 1º. § 1° Os Conselhos de Contribuintes julgarão os recursos, de ofício e voluntário, de decisão de primeira instância, observada a seguinte competência por matéria: [...] III - 3° Conselho de Contribuintes: tributos estaduais e municipais que competem à União nos Territórios e demais tributos federais, salvo os incluídos na competência julgadora de outro órgão da administração federal; [...] § 4º O recurso voluntário interposto de decisão das Câmaras dos Conselhos de Contribuintes no julgamento de recurso de ofício será decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Com a alteração da Lei nº 9.430/96 pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, passou a existir previsão legal expressa no sentido de que a não-homologação de compensações também seria objeto de apreciação no contencioso administrativo especializado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 3021DF CARF MF Fl. 44 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 § 1 o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 7 o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8 o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7 o , o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9 o . (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9 o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7 o , apresentar manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] O ato de não-homologação de DCOMP ou de indeferimento de pedido de compensação é formalizado em face de uma determinada compensação declarada ou pleiteada considerada sujeita à apreciação da autoridade administrativa competente. O ato de indeferimento de retificações ou cancelamentos de pedidos de compensação ou DCOMP é anterior a esta apreciação, e presta-se, justamente, a impedi-la em relação às novas informações ali veiculadas, fazendo prevalecer o pedido ou declaração anterior. Assim, o ato de indeferimento de retificações ou cancelamentos não integra o ato de não-homologação passível de discussão no contencioso administrativo especializado. Trata-se de providência paralela, que pode até repercutir no ato de não-homologação da compensação, mas que se sujeita à discussão administrativa no âmbito do contencioso administrativo geral. Caso houvesse recurso pendente de apreciação pelas autoridades administrativas definidas na Lei nº 9.784/99, poderia até se cogitar de sobrestar o presente julgamento, para se aguardar a definição acerca de qual pedido de compensação/DCOMP deveria prevalecer como veículo da compensação promovida pela contribuinte. Todavia, a contribuinte não apresentou tempestivamente seu questionamento, razão pela qual o indeferimento tornou-se definitivo. Fl. 3022DF CARF MF Fl. 45 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 Todavia, registre-se que, caso presente causa de nulidade absoluta, sua declaração se imporia independentemente de recurso do interessado. De fato, neste sentido é a Lei nº 9.784/99: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má- fé. § 1 o No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência contar-se-á da percepção do primeiro pagamento. § 2 o Considera-se exercício do direito de anular qualquer medida de autoridade administrativa que importe impugnação à validade do ato. Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. No presente caso, porém, não se vislumbra qualquer defeito insanável que pudesse ensejar a ilegalidade do ato de indeferimento de retificação/cancelamento das DCOMP, dado que este: foi praticado por autoridade competente (Delegado da Receita Federal da DERAT/RJ); enuncia motivos coerentes com as provas reunidas, no sentido de que a retificação não deveria ter alcançado as parcelas dos débitos vinculados ao crédito aqui em debate, mas sim outra parcelas dos mesmos débitos compensados nos autos do processo administrativo nº 13706.003003/2001-99; foi regularmente cientificado ao interessado. Portanto, mesmo para além das atribuições legalmente previstas, não há motivos para se representar à autoridade competente para revisão de ofício do ato de indeferimento de parte das retificações pleiteadas pela contribuinte, porque nenhum vício nele se verifica. Por estas razões, o presente voto é no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, na parte em que questiona o indeferimento da retificação do pedido de compensação dos débitos de Contribuição ao PIS e COFINS devidos em março/2002”. DO SALDO NEGATIVO ADICIONAL DE 2001, PLEITEADO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 15374.723624/2009-74 Ao longo de sua explanação, inclusive na tribuna por ocasião da sustentação oral, a recorrente, por seus advogados, insiste na análise individualizada de um possível saldo Fl. 3023DF CARF MF Fl. 46 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 negativo adicional do ano-calendário de 2001, no importe de R$ 2.000.869,98 e formalizado no Processo nº 15374.723624/2009-74. A respeito, tratou a recorrente do assunto no RV acostado a este PA (fls. 2966/2968), onde assentou: Fl. 3024DF CARF MF Fl. 47 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 De fato, compulsando referido PA (que é um dos Processos apensos a este que está em julgamento), verifica-se que não houve, efetivamente, a análise do pleito da contribuinte sequer na unidade de origem e, por consequência, nem na DRJ, o que torna impraticável a sua apreciação, nesta oportunidade, por este Colegiado de 2º Grau. Assim, imperioso que os autos relativos ao Processo nº 15374.723624/2009- 74 sejam apartados deste PA (nº 13706.003003/2001-99, agora em julgamento) para encaminhamento à unidade de origem e que jurisdiciona a recorrente a fim de que seja analisado e quantificado o possível direito creditório pleiteado decorrente do alegado saldo negativo adicional do ano-calendário de 2011 no montante de R$ 2.000.869,98 e o pedido de compensação nele contido, com prolatação de novo Despacho, retomando, a partir de tal decisão, o rito procedimental previsto no Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), com observância de todas as instâncias administrativas. É nesse sentido, pois, que encaminho meu voto em relação a este tópico. CONCLUSÃO Por todo o exposto, VOTO por, i) afastar as preliminares suscitadas; ii) NÃO CONHECER do recurso voluntário relativamente aos argumentos opostos contra o indeferimento da retificação do pedido de compensação tendo por objeto os débitos de Contribuição ao PIS e de COFINS de março/2002; e, iii) DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para, iii.i) determinar o apartamento destes autos, do Processo nº 15374.723624/2009-74 com o retorno à unidade de origem e que jurisdiciona a recorrente a fim de que seja analisado o direito creditório pleiteado decorrente do alegado saldo negativo Fl. 3025DF CARF MF Fl. 48 do Acórdão n.º 1402-003.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.003003/2001-99 adicional do ano-calendário de 2011 no montante de R$ 2.000.869,98 e o pedido de compensação nele contido, com prolatação de novo Despacho Decisório, retomando, a partir de tal decisão, o rito procedimental previsto no Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), com observância de todas as instâncias administrativas; e, iii.ii) reconhecer o direito creditório e homologar as compensações até limite do referido reconhecimento, relativamente aos seguintes períodos e valores discutidos neste PA (nº 13706.003003/2001-99): 1999 R$ 65.965,80 2000 R$ 1.628.522,24 2001 R$ 1.881.915,07 É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 3026DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.723126/2013-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
MULTA QUALIFICADA. SIMPLES DECLARAÇÃO INEXATA. INAPLICABILIDADE.
A simples constatação de declaração inexata, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
Diferentemente da multa de oficio de 75%, que é objetiva, decorre do tipo (lei) e é imposta com culpa ou dolo, a multa qualificada de 150% necessita da aferição do aspecto subjetivo do infrator, consistente na vontade livre e consciente, deliberada e premeditada de praticar a conduta ou de assumir o risco da sonegação
Numero da decisão: 9202-008.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em exercício.
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela conselheira Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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SIMPLES DECLARAÇÃO INEXATA. INAPLICABILIDADE. A simples constatação de declaração inexata, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Diferentemente da multa de oficio de 75%, que é objetiva, decorre do tipo (lei) e é imposta com culpa ou dolo, a multa qualificada de 150% necessita da aferição do aspecto subjetivo do infrator, consistente na vontade livre e consciente, deliberada e premeditada de praticar a conduta ou de assumir o risco da sonegação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Mário Pereira de Pinho Filho Presidente em exercício. Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 31 26 /2 01 3- 15 Fl. 1064DF CARF MF 2 Reis da Costa Bacchieri, Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela conselheira Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, efls. 1.027/1.045, contra o acórdão nº 2201003.580, proferido na sessão do dia 06 de abril de 2017 pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, que restou assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MULTA QUALIFICADA. 150%. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE DOLO. Indevida a qualificação da penalidade de ofício se não restar demonstrada, inequivocamente, a presença do elemento subjetivo na conduta do contribuinte, com a qual tenha objetivado alcançar os resultados elencados noS art. 71 e 72 da Lei 4.502/64. Como descrito pela Câmara a quo: O presente processo trata de lançamento de ofício de créditos tributários relativos a contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, apuradas para o período de 01 a 12/2009, a partir do cotejo das informações contidas na contabilidade, folhas de pagamentos e GFIP. Da ação fiscal resultaram os DEBCAD abaixo discriminados, os quais consideram multa de ofício qualificada ( 150%): AIOP–Patronal DEBCAD: 51.033.1505 – R$ 5.403.180,59, fl. 640/672; AIOP–Segurados DEBCAD: 51.033.1513 – R$ 10.673.274,19, fl. 673/693; AIOP–Terceiros DEBCAD: 51.033.01521 – R$ 3.674.406,11, fl. 694/734. Ciente do lançamento em 09 de janeiro de 2014, conforme fl. 812, inconformado, o contribuinte formalizou, em 07 de fevereiro de 2014, a impugnação de fl. 813/815, na qual insurgiuse, exclusivamente, contra o percentual da multa de ofício aplicada. Na análise da impugnação, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, por unanimidade de votos, consideroua procedente, lastreada nas conclusões que podem ser assim resumidas: (...)9.3. Do exposto nos textos legais acima, extraise que sempre que um tributo for objeto de lançamento de ofício (aquele que Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 19515.723126/201315 Acórdão n.º 9202008.070 CSRFT2 Fl. 1.065 3 compete à autoridade fiscal realizar diretamente a constituição do crédito devido) o percentual da multa de ofício a ser aplicada será de 75% do valor do tributo lançado (nos casos de mero inadimplemento, não declaração ou declaração inexata). 9.4. Vale ressaltar, no entanto, que se constatada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio na conduta do sujeito passivo, tal multa deve ser aplicada na sua forma qualificada, ou seja, o seu percentual deve ser duplicado e fixado em 150% do tributo devido. (...) 9.6. No caso em apreço, entretanto, a autoridade fiscal limitou se a relatar que qualificava a multa de ofício aplicada ante a constatação de que o contribuinte havia incorrido, em tese, no delito de Apropriação Indébita Previdenciária (...) fl. 978 9.12. Diante disso, ante a não comprovação pela autoridade fiscal autuante do animus do contribuinte em cometer as condutas descritas no Arts. 71, 72 e 73 da Lei nº4.502/64, o percentual referente à qualificação da multa de ofício deve ser afastado. fl. 980. Da decisão acima, a Autoridade Julgadora de 1ª Instância recorreu de ofício. Ciente do Acórdão da DRJ em 28 de outubro de 2014, fl. 1005, não houve qualquer manifestação do contribuinte. Inconformada com a decisão que negou provimento ao Recurso de Ofício, a Fazenda Nacional interpôs o presente Recurso Especial de efls. 1.027/1.045, visando rediscutir a qualificação da multa de ofício. Apresenta como paradigma o acórdão nº 2401 003.178: Acórdão n.º 2401003.178 QUALIFICAÇÃO DA MULTA APROPRIAÇÃO INDÉBITA DEMONSTRAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. A qualificação da multa imposta não nasce do mero inadimplemento do recorrente, ou mesmo da mera emissão da Representação fiscal, quando não evidenciado pela autoridade fiscal a intenção de agir com dolo, fraude ou mesmo simulação. No presente lançamento, é fácil identificar tratarse de conduta dolosa (apropriarse da contribuição descontada dos segurados empregados, já que é esse o objeto do presente AIOP)) que acaba por ser ratificada pela ausência de informações em GFIP no claro intuito de omitir perante o fisco a ocorrência do fato gerador. Ao contrário de outros lançamentos, não é a simples ausência de informação em GFIP de uma verba, cuja incidência de contribuições é duvidosa. Estamos falando de contribuição do próprio segurado, cuja obrigação da empresa é cristalina: reter, informar e recolher a contribuição descontada. AGRAVAMENTO DA MULTA ART. 44, § 2o DA LEI 9430. O dispositivo legal que autoriza o agravamento é claro, sempre que não atender o contribuinte, intimações, com vistas a melhor Fl. 1066DF CARF MF 4 esclarecer a pratica adotada pela empresa no cumprimento da legislação tributária, procederá a autoridade fiscal ao agravamento da multa. Não estamos falando no presente caso de mera não apresentação de documento, que pode ser facilmente substituído por outro entregue pela empresa, mas sim, de não apresentação de qualquer outro documento fiscal, contábil, oportunizando ao fisco fácil acesso as bases de cálculo e fatos geradores decorrente do exercício de sua atividade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Em seu Recurso Especial, a Fazenda Nacional destaca que o Contribuinte: i) praticou atividade ilícita comprovada, descrita no auto de infração e confirmada no termo de verificação fiscal, observada a partir da falta de recolhimento do valor descontado dos segurados aliada à falta de declaração em GFIP, em atividade que indica o intuito de fraude, motivo pelo qual foi aplicada a multa de 150%; ii) como resultado de sua conduta dolosa, houve diminuição do efetivo valor da obrigação tributária, com o conseqüente pagamento a menor do tributo devido, em evidente prejuízo ao erário; iii) a conduta foi sempre resultado de sua vontade, livre e consciente, objetivando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal; iv) a conduta demonstrou desprezo ao cumprimento da obrigação fiscal, ao princípio da solidariedade de matriz constitucional e ao dever legal de participação, indicando a intensidade do dolo. Conforme despacho de efls. 1.048/1.056, o Recurso foi admitido, conforme trecho transcrito abaixo: Com efeito, o cotejo realizado pela Fazenda Nacional demonstra a divergência suscitada, conforme resumida adiante. De um lado, há o paradigma no qual se considerou que o não recolhimento de contribuições descontadas dos segurados aliado à ausência de informações em GFIP caracteriza o dolo e, consequentemente, a qualificação da multa de ofício, sendo irrelevante que o dolo não tenha sido evidenciado pela autoridade fiscal autuante, pois para a finalidade de aferir a aplicação da qualificação devese analisar o relatório fiscal e demais documentos que compõem o lançamento. De outro lado, em situação similar de não recolhimento de contribuições descontadas de segurados concomitantemente com a ausência de informação em GFIP, encontrase o recorrido no qual entendeuse que não era cabível a qualificação da multa de ofício, porque a autoridade lançadora fundamentou a exasperação da penalidade, exclusivamente, no fato de a empresa ter recolhido valores inferiores àqueles retidos dos segurados, sem qualquer apontamento que demonstrasse que tal fato foi resultado de ação dolosa. Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 19515.723126/201315 Acórdão n.º 9202008.070 CSRFT2 Fl. 1.066 5 Diante do exposto, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, proponho que seja DADO SEGUIMENTO ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que seja rediscutida a qualificação da multa de ofício. Intimado, conforme termo de ciência de efls. 1.061, o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e, conforme despacho de admissibilidade de efls. 1.048/1.056, preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A matéria em discussão é a qualificação da multa de ofício O Fiscal autuante justificou a aplicação da multa qualificada no patamar de 150% apenas ter constatado que o Contribuinte recolheu valores inferiores àqueles retidos dos segurados, conforme consta do relatório fiscal de efls. 603/639, do qual eu destaco o trecho contido nas efls. 624, que diz respeito a qualificação da multa: 3.3 Para a apuração dos valores devidos no período de 01/2009 a 12/2009, a empresa tem GPS pagas, em valores inferiores ao que foi retido dos segurados em folha de pagamento. Fato este, que caracteriza ausência do repasse à previdência social das contribuições descontadas dos segurados empregados, constitui, em tese, crime de APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA, (art. 168 A do Código Penal, com redação do art. 1º da Lei 9.983/00). Diante disso, estamos qualificando a aplicação da Multa em 150%. A fundamentação legal para esta multa está descrita no relatório FLD Fundamentos legais do débito. Verificase na autuação, que o fiscal não demonstrou em momento algum que o recolhimento a menor realizado pelo Contribuinte foi resultado de uma ação dolosa, destaco o que foi consignado na decisão recorrida: A leitura integrada dos dispositivos legais supracitados evidencia que, seja no caso de sonegação, fraude ou conluio, indispensável que, inequivocamente, esteja presente o elemento subjetivo (dolo) na conduta do contribuinte; de forma a demonstrar que este quis, de fato, alcançar os resultados capitulados pelo artigo 71 e 72 da Lei 4.502/64. Ainda que seja difícil aferir o ponto a partir do qual uma conduta deixa de constituir mera infração à legislação tributária e passa ser uma conduta dolosa, punível com a qualificação da Fl. 1068DF CARF MF 6 multa de ofício, é certo que, no caso em tela, a Autoridade Fiscal apenas justificou a duplicação do percentual da penalidade pelo fato de ter constatado que a empresa recolheu valores inferiores àqueles retidos dos segurados, sem, contudo, dedicar uma única linha parar demonstrar que tal fato foi resultado de ação dolosa, praticada pelo contribuinte com o objetivo de reduzir o tributo devido ou impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador. Assim, entendo correta a decisão da DRJ que afastou a qualificação de multa de ofício. Destaco o próprio entendimento da DRJ, que julgou improcedente a qualificação da multa de ofício no presente caso: 9.3. Do exposto nos textos legais acima, extraise que sempre que um tributo for objeto de lançamento de ofício (aquele que compete à autoridade fiscal realizar diretamente a constituição do crédito devido) o percentual da multa de ofício a ser aplicada será de 75% do valor do tributo lançado (nos casos de mero inadimplemento, não declaração ou declaração inexata). 9.4. Vale ressaltar, no entanto, que se constatada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio na conduta do sujeito passivo, tal multa deve ser aplicada na sua forma qualificada, ou seja, o seu percentual deve ser duplicado e fixado em 150% do tributo devido. 9.5. Para tanto, considerando que a tipificação das condutas descritas nos Arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64 exigem dolo específico, cabe à autoridade fiscal autuante o ônus de demonstrar a ocorrência, no caso concreto, da vontade do sujeito passivo direcionada à sonegação, fraude ou conluio, de forma a motivar a sua decisão de dobra do percentual da penalidade de ofício. 9.6. No caso em apreço, entretanto, a autoridade fiscal limitou se a relatar que qualificava a multa de ofício aplicada ante a constatação de que o contribuinte havia incorrido, em tese, no delito de Apropriação Indébita Previdenciária (Art. 168 A, do Código Penal), por haver deixado de recolher parte da contribuição previdenciária retida de seus segurados, in verbis: (...) 9.7. Tal motivação, no entanto, não justifica a qualificação da multa de ofício prevista no Art. 44, I, da Lei 9430/96, pois a Lei que disciplina a matéria estabelece que somente deve ser qualificada tal multa nos casos em que a conduta do contribuinte se dê mediante sonegação, fraude ou conluio, fatos que, em absoluto, a auditoria não demonstra terem ocorrido no caso sob exame, ao contrário, a autoridade fiscal afirma que localizou o valor das contribuições retidas na própria contabilidade (folha de pagamento) da empresa, in verbis: Assim, diferente da multa d a multa de oficio de 75%, que é objetiva, decorre do tipo (lei) e é imposta com culpa ou dolo, a multa qualificada de 150% necessita da aferição Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 19515.723126/201315 Acórdão n.º 9202008.070 CSRFT2 Fl. 1.067 7 do aspecto subjetivo do infrator, consistente na vontade livre e consciente, deliberada e premeditada de praticar a conduta ou de assumir o risco da sonegação. Diante de todo exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional Patrícia da Silva Fl. 1070DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724542/2014-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
ART. 24 DA LINDB. INAPLICABILIDADE.
O art. 24 da LINDB, com a redação dada pela Lei nº 13.655/2018, não é apto a regular a atividade de lançamento, bem como o processo administrativo fiscal dele decorrente.
CORRETOR DE IMÓVEIS. IMOBILIÁRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Quando o conjunto probatório que instrui os autos revela que o corretor de imóveis não mantém uma relação de parceria ou associação com a imobiliária, executando serviços que são essenciais à própria atividade fim da pessoa jurídica, a remuneração percebida pelo corretor autônomo pela comercialização de imóvel refere-se à prestação de serviços para a empresa imobiliária, na condição de contribuinte individual, hipótese de incidência da contribuição previdenciária.
CIRCULARIZAÇÃO.
Correto o procedimento de diligência que encaminha questionário a ser respondido por trabalhadores ligados a fato a ser analisado, a fim de entender as circunstâncias que ocorreram as prestações de serviço, mormente quando a empresa fiscalizada é omissa em prestar informações ao fisco.
ARBITRAMENTO
Correto o procedimento de arbitramento realizado por critério objetivo e lógico ante a omissão do contribuinte em fornecer informações.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADOS CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LIMITA DO TETO DO BENEFÍCIO.
Ao lançar de ofício a contribuição previdenciária do segurado contribuinte individual, deve a autoridade fiscal respeitar o teto do benefício.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO DE COMPROVAÇÃO DE DOLO.
No lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, quanto aos fatos geradores ocorridos a partir da competência 12/2008, é devida a multa de ofício de 75% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado, sendo cabível a sua qualificação apenas quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei li0 4.502/64.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
Em relação à multa de oficio não recolhida no prazo legal incidem juros de mora à taxa Selic.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS.
A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com fundamento nos arts. 124, I, e 135, III, do CTN, impõe sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. CONTROLADORA.
É considerada responsável solidária no polo passivo da obrigação tributária a empresa controladora quando resta comprovada a existência de interesse comum de que trata o art. 124 do CTN, decorrente do liame inequívoco presente nas atividades desempenhadas pelas empresas envolvidas (Controlada e Controladora).
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário da autuada quanto à Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) e quanto à alegada não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e, também, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário da autuada quanto à cota dos segurados, para que seja excluída do lançamento apenas a parcela que tiver excedido ao teto do salário de contribuição. Por voto de qualidade, negado provimento ao recurso voluntário da autuada quanto ao arbitramento da base de cálculo e negado provimento ao recurso voluntário da responsável solidária, LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, quanto a sua exclusão do pólo passivo. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Gabriel Tinoco Palatnic, Renata Toratti Cassini (Relatora) e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento aos recursos. Por maioria de votos, negado provimento ao recurso voluntário da autuada quanto à circularização. Vencido o conselheiro Gregório Rechmann Junior, que deu provimento ao recurso. Por maioria de votos, dado provimento ao recurso voluntário da autuada quanto à qualificação da multa aplicada, sendo reduzido seu percentual ao patamar ordinário de 75%. Vencidos os conselheiros Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. Por maioria de votos, dado provimento aos recursos voluntários das pessoas físicas, Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini, excluindo-as do pólo passivo. Vencido o conselheiro Luís Henrique Dias Lima, que negou provimento aos recursos. Quanto à LINDB, votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Maurício Nogueira Righetti, Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira, tendo o conselheiro Maurício Nogueira Righetti manifestado intenção de apresentar declaração de voto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Sérgio da Silva.
Numero da decisão: 2402-007.293
Decisão: (assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio da Silva - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 ART. 24 DA LINDB. INAPLICABILIDADE. O art. 24 da LINDB, com a redação dada pela Lei nº 13.655/2018, não é apto a regular a atividade de lançamento, bem como o processo administrativo fiscal dele decorrente. CORRETOR DE IMÓVEIS. IMOBILIÁRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Quando o conjunto probatório que instrui os autos revela que o corretor de imóveis não mantém uma relação de parceria ou associação com a imobiliária, executando serviços que são essenciais à própria atividade fim da pessoa jurídica, a remuneração percebida pelo corretor autônomo pela comercialização de imóvel referese à prestação de serviços para a empresa imobiliária, na condição de contribuinte individual, hipótese de incidência da contribuição previdenciária. CIRCULARIZAÇÃO. Correto o procedimento de diligência que encaminha questionário a ser respondido por trabalhadores ligados a fato a ser analisado, a fim de entender as circunstâncias que ocorreram as prestações de serviço, mormente quando a empresa fiscalizada é omissa em prestar informações ao fisco. ARBITRAMENTO Correto o procedimento de arbitramento realizado por critério objetivo e lógico ante a omissão do contribuinte em fornecer informações. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADOS CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LIMITA DO TETO DO BENEFÍCIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 45 42 /2 01 4- 46 Fl. 3184DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.139 Ao lançar de ofício a contribuição previdenciária do segurado contribuinte individual, deve a autoridade fiscal respeitar o teto do benefício. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO DE COMPROVAÇÃO DE DOLO. No lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, quanto aos fatos geradores ocorridos a partir da competência 12/2008, é devida a multa de ofício de 75% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado, sendo cabível a sua qualificação apenas quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei li0 4.502/64. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Em relação à multa de oficio não recolhida no prazo legal incidem juros de mora à taxa Selic. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com fundamento nos arts. 124, I, e 135, III, do CTN, impõe sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. CONTROLADORA. É considerada responsável solidária no polo passivo da obrigação tributária a empresa controladora quando resta comprovada a existência de interesse comum de que trata o art. 124 do CTN, decorrente do liame inequívoco presente nas atividades desempenhadas pelas empresas envolvidas (Controlada e Controladora). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário da autuada quanto à Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) e quanto à alegada não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e, também, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário da autuada quanto à cota dos segurados, para que seja excluída do lançamento apenas a parcela que tiver excedido ao teto do salário de contribuição. Por voto de qualidade, negado provimento ao recurso voluntário da autuada quanto ao arbitramento da base de cálculo e negado provimento ao recurso voluntário da responsável solidária, LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, quanto a sua exclusão do pólo passivo. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Gabriel Tinoco Palatnic, Renata Toratti Cassini (Relatora) e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento aos recursos. Por maioria de votos, negado provimento ao recurso voluntário da autuada quanto à circularização. Vencido o conselheiro Gregório Rechmann Junior, que deu provimento ao recurso. Por maioria de votos, dado provimento ao recurso voluntário da autuada quanto à qualificação da multa aplicada, sendo reduzido seu percentual ao patamar ordinário de 75%. Vencidos os conselheiros Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. Por maioria de votos, dado provimento aos recursos voluntários das pessoas físicas, Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini, excluindoas do pólo passivo. Vencido o conselheiro Luís Henrique Dias Lima, que negou provimento aos recursos. Quanto à Fl. 3185DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.140 LINDB, votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Maurício Nogueira Righetti, Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira, tendo o conselheiro Maurício Nogueira Righetti manifestado intenção de apresentar declaração de voto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Sérgio da Silva. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora (assinado digitalmente) Paulo Sérgio da Silva Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recursos voluntários interpostos pela contribuinte LPS BRASÍLIA CONSULTORIA DE IMÓVEIS LTDA. e pelos responsáveis solidários Wildemar Antônio Demartini, Marco Antônio Moura Demartini e LPS BRASIL Consultoria de Imóveis S/A, em face do Acórdão da 13ª Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) que julgou parcialmente procedentes os autos de infração DEBCAD nºs 51.040.9466 e 51.040.9628 por meio dos quais foram lançadas, respectivamente, contribuições devidas à Seguridade Social pela empresa incidentes sobre pagamento (comissões) realizado a contribuintes individuais nas competências 01/2010 a 12/2011 não declarados em GFIP (contribuição patronal) e contribuições devidas à Seguridade Social pelos segurados contribuintes individuais não retidas pela empresa contratante dos serviços não repassadas ao órgão arrecadador incidentes sobre aquele mesmo pagamento realizado a contribuintes individuais nas competências 01/2010 a 12/2011 não declarados em GFIP. Segundo o relatório fiscal, ambas autuações dizem respeito a pagamentos de comissão/premiação de vendas realizados a corretores que prestaram serviços à autuada (LPS Brasília Consultoria de Imóveis Ltda.) na intermediação imobiliária vinculada aos empreendimentos das empresas Apex Incorporadora SPE 02 Ltda (CNPJ: 09.516.787/0001 13), Apex Incorporadora SPE 03 Ltda (CNPJ: 09.566.285/000105), Apex Incorporadora SPE 04 Ltda (CNPJ: 09.632.239/000159) e Apex Incorporadora SPE 08 Ltda (CNPJ: 09.559.202/000142). Fl. 3186DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.141 O crédito tributário totalizou, na data de consolidação (08/09/2014), o valor de R$ 404.942,77 (quatrocentos e quatro mil, novecentos e quarenta e dois reais e setenta e sete centavos). A ação fiscal teve por objeto a verificação do cumprimento de obrigações principais e acessórias relativas a contribuições previdenciárias. Sendo a atividade principal da empresa a intermediação ou comercialização de imóveis ou unidades imobiliárias autônomas, a autoridade fiscal relata as tentativas de obter a documentação comprobatória dos serviços prestados por contribuintes individuais, incluindose comprovantes das remunerações pagas, devidas ou creditadas a corretores ou consultores imobiliários pessoas físicas, bem como discriminativo dos valores pagos, com identificação de nome, CPF, NIT, CRECI e competência. Em resposta às intimações, dia que a fiscalizada apresentou esclarecimentos no sentido de que não toma serviços de corretores de imóveis independentes, nem efetua pagamentos em favor destes. Tais corretores seriam contratados e remunerados diretamente por seus clientes, compradores dos imóveis. Ao explicar suas atividades, a fiscalizada afirma que auxilia o incorporador a definir as características mercadológicas do produto e, com o seu lançamento, é autorizada a tornálo acessível ao mercado. Por sua vez, o corretor independente faz a intermediação da transação, associandose à LPS Brasília. Por fim, o comprador assume 3 obrigações distintas no ato da contratação, quais sejam de pagar o preço do imóvel, de remunerar a LPS Brasília e de remunerar o corretor independente. Entendendo que a fiscalizada não apresentou documentos e esclarecimentos suficientes para comprovar a veracidade dessas informações, a autoridade fiscal realizou diligências junto a incorporadoras/construtoras para as quais a fiscalizada prestou serviços de intermediação imobiliária, a prestadores de serviços pessoas físicas, (entre diretores, coordenadores, supervisores e corretores integrantes das equipes de venda da autuada) e a compradores de imóveis da carteira de negócios imobiliários da empresa, emitindo termos de intimação para fins específicos de prestação de informações e esclarecimentos de interesse do Fisco como forma de subsídio à ação fiscal desenvolvida na empresa LPS Brasília. Diz que os esclarecimentos prestados pelos compradores de imóveis foram consistentes no sentido de que os corretores que os atenderam se identificaram como representantes da imobiliária LPS Brasília e, em geral, usavam crachá, camiseta e/ou cartão de identificação dessa empresa, que emitiram vários cheques para fins de pagamentos diversos, inclusive do sinal e da comissão/premiação pela intermediação imobiliária realizada pelo corretor e pelos demais membros integrantes da equipe de vendas da LPS Brasília (corretor, supervisor/coordenador, gerente, diretor, LPS) e que a concretização do negócio ocorreu nos stands de venda da imobiliária e/ou da incorporadora/construtora, geralmente no local da obra, ou ainda na sede da empresa LPS Brasília. Relata que os corretores circularizados, por sua vez, esclareceram, em síntese, que embora assinassem praticamente todos os documentos relacionados à venda do imóvel, toda a documentação era entregue ao supervisor/coordenador de equipe e/ou diretor da LPS Brasília para análise e somente após a assinatura do contrato de compra e venda entre as partes (construtora/incorporadora e o comprador), a área financeira da Lopes Royal, entregava os cheques do pagamento da comissão de corretagem aos diversos integrantes das equipes de venda, aí incluídos os corretores de imóveis autônomos, que as comissões/premiações de vendas eram definidas pelas construtoras/incorporadoras em conjunto com a imobiliária LPS Fl. 3187DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.142 Brasília, que prestavam serviços geralmente em stands de vendas ou na sede da imobiliária LPS Brasília, que fornecia toda a infraestrutura e materiais necessários, sendo obrigatório o cumprimento das escalas de plantões de venda e a participação em reuniões e treinamentos determinados pelos representantes da imobiliária. Por fim, relata a fiscalização que as pessoas jurídicas diligenciadas esclareceram, resumidamente, ser praxe no mercado imobiliário do Distrito Federal a concessão de autorizações de intermediação com base no princípio da informalidade e da boa fé entre as incorporadoras/construtoras e as imobiliárias e que após a imobiliária prestar consultoria mercadológica à incorporadora, esta define o preço do imóvel e o valor da corretagem que, conforme costume adotado no mercado, varia entre 3,5% a 5,0%; que afirmaram, ainda, que a ligação incorporadoramercado é feita pela imobiliária e a relação compradorincorporadora é feita por meio de corretores independentes e que o sinal ou preço total do imóvel e as parcelas de corretagem devidas à imobiliária e aos corretores independentes são pagas diretamente pelos compradores àqueles. Esclarece a fiscalização que diante dos fatos apurados, considerando ainda os esclarecimentos insuficientes e insatisfatórios da empresa fiscalizada sobre a sistemática e a documentação empregada na comercialização de imóveis relativos aos empreendimentos da sua carteira de negócios imobiliários, concluiu que a autuada participa ativamente de todas as etapas da intermediação imobiliária, que vai desde o preenchimento da ficha cadastral, da emissão da proposta de compra e venda com recibo de sinal, da emissão do RPA e da nota fiscal para pagamento da comissão de venda até a coleta final da assinatura do contrato de compra e venda entre as partes (comprador e vendedor, em geral, a incorporadora). Entendeu a auditoria fiscal que a fiscalizada, quer na condição de prestadora de serviço às incorporadoras/construtoras, quer na condição de tomadora de serviço dos profissionais pessoas físicas, atua no intuito de fragmentar as etapas da comercialização de imóveis por meio de atos simulados/dissimulados, com a finalidade de vincular os corretores autônomos diretamente aos compradores de unidades imobiliária, sendo que todo esse processo de intermediação, apesar das afirmativas em contrário da fiscalizada, é executado sob a sua orientação, coordenação, controle, supervisão e direção, responsabilizandose pelo fornecimento dos materiais e de toda a estrutura de apoio aos profissionais pessoas físicas para que estes prestem um bom serviço de atendimento aos clientes compradores. Concluiu que o adquirente não toma conhecimento antecipado, adequado e transparente de boa parte de seus direitos e obrigações para a formação de seu livre convencimento, a não ser de forma superficial, no momento da assinatura da proposta de compra e venda. Afirma que esses procedimentos, adotados pelos entes imobiliários (incorporadora e/ou imobiliária), além de ferirem a legislação tributária, também contrariam o disposto nos arts. 6°, IV e V, 7°, p. ún., 39, I, 42, p. ún. e 51 do Código de Defesa do Consumidor. Acrescenta que os adquirentes de imóveis afirmaram que o corretor já se encontrava nos locais de venda designados pela fiscalizada, identificandose como representante da LPS. Os corretores de imóveis diligenciados, por sua vez, também esclareceram que cumpriam plantões nos pontos de venda ou stands da LPS (ou da incorporadora/construtora contratante), que a imobiliária fornecia toda a estrutura e documentação necessárias para a conclusão da venda de imóvel e que recebiam o pagamento da corretagem (em geral cheque emitido pelo comprador) da Tesouraria/setor financeiro da Fl. 3188DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.143 LPS após a assinatura final do contrato entre o comprador e o vendedor (incorporadora/construtora). Conclui estar demonstrado o procedimento ilícito da fiscalizada em consolidar no seu processo de intermediação imobiliária a transferência da responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação de venda para os compradores de imóveis, fazendo crer que o corretor autônomo presta serviço para esses adquirentes, com objetivo de se eximir do pagamento dos encargos tributários devidos na operação, principalmente no que tange às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos corretores e demais pessoas físicas pelos serviços de intermediação imobiliária que foram prestados para a empresa autuada, o que também caracterizaria tentativa de modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias, o que é vedado pelo art. 123 do CTN. Diante dos fatos apurados, o AuditorFiscal considerou fato gerador da obrigação principal a prestação de serviços de intermediação imobiliária mediante o pagamento de remuneração, a título de comissão/premiação de venda, a segurados contribuintes individuais (corretores, coordenadores, diretores etc.) pela comercialização de imóveis ou fração ideal de terrenos vinculada a uma unidade autônoma integrantes dos empreendimentos imobiliários sob a responsabilidade da empresa LPS Brasília – Consultoria de Imóveis Ltda. Em razão do sujeito passivo deixar de entregar os principais documentos solicitados e de prestar esclarecimentos deficientes, insatisfatórios e/ou que não mereçam fé quanto ao pagamento de comissão/premiação aos profissionais responsáveis pela comercialização de imóveis pertencentes à carteira de negócios da autuada, a autoridade administrativa, com fundamento no art. 148 do CTN, arbitrou as remunerações (bases de cálculo) pagas, devidas ou creditadas aos corretores autônomos/demais membros das equipes de vendas como contrapartida pelos serviços prestados nas transações imobiliárias. Para tanto, utilizouse do procedimento de aferição indireta, tendo como parâmetro os valores de comissão/premiação de corretagem recebidos pela fiscalizada e informados por ela nas Declarações de Informação sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB anoscalendário 2010 e 2011) e na conta contábil 311000 (Intermediação de Venda). Considerando a previsão de divisão de comissão entre corretores e/ou empresa imobiliária em 50% para cada parte, conforme Tabela de Honorários publicada no sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região (CRECI/DF), considerou como remuneração paga aos corretores e demais pessoas físicas o mesmo valor da comissão/premiação recebida pela empresa Lopes Royal e registrado na DIMOB 2010 e 2011 e na mencionada conta contábil. Informa a autoridade fiscal que, uma vez que os valores pagos aos corretores e demais pessoas físicas não foram informados pela fiscalizada, não foram declarados em folhas de pagamento nem em GFIP, nem lançados em títulos próprios da contabilidade, não foi observado o limite máximo do salário de contribuição no cálculo das contribuições a cargo dos segurados contribuintes individuais. Entende que por ter a fiscalizada agido no sentido de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias apuradas e de impedir ou retardar o conhecimento da sua condição pessoal de contribuinte, tendo, com isso, afetado a obrigação tributária principal, a Fl. 3189DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.144 multa de ofício de 75% foi aplicada em dobro (qualificada em 150%), nos termos do art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96. Foram arrolados como responsáveis solidários os sócios da autuada, quais sejam LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, Wildemir Antonio Demartini e Marco Antônio Moura Demartini. Relata a autoridade fiscal que a LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A se trata de sócia majoritária da autuada, com 51% de participação no seu capital social, e tem participação permanente em aproximadamente 23 empresas coligadas/controladas em outros Estados e no Distrito Federal, sendo a fiscalizada uma das integrantes desse grupo econômico, que tem como principal objeto a prestação de serviço de consultoria e intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis ou de direitos e obrigações a eles relativos. Aponta que existem diversos interesses comuns entre essas duas empresas, tais como controle acionário, administradores, atividade econômica e entende que também têm interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, qual seja a prestação de serviços remunerados de intermediação imobiliária por corretores pessoas físicas, tão determinantes e imprescindíveis para que a fiscalizada LPS Brasília auferisse expressivas receitas brutas de vendas de imóveis. Cita o art. 30, X, da Lei nº 8.212/91, c.c. o art. 222 do Decreto nº 3.048/99, que determinam que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da citada lei e regulamento. Quanto a Wildemir Antonio Demartini, informa a autoridade fiscal que se trata de sócio da empresa desde o início de sua atividade e sempre exerceu o papel de Diretor Geral e Responsável Técnico junto ao CRECI. Sobre o Marco Antônio Moura Demartini, sócio minoritário, informa que sempre se manteve no exercício do cargo de Diretor Administrativo, com poderes para praticar todos os atos necessários ao bom e regular funcionamento da empresa, inclusive com participação na comissão de venda destinada à Lopes Royal, conforme informações prestadas pelos corretores e coordenadores/diretores diligenciados. Fundamentandose na documentação apresentada quanto à comercialização de unidades imobiliárias, a fiscalização concluiu que as pessoas jurídicas integrantes do grupo econômico Real Engenharia, por contratarem os serviços da empresa LPS Brasília para a intermediação da comercialização de diversos imóveis ou fração ideal de terreno vinculada a uma unidade autônoma (vendas na planta ou em lançamento) da sua carteira de negócios imobiliários e por participaram, de forma isolada e/ou conjuntamente com a empresa autuada, da transferência, ao comprador do imóvel, da responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos, foram arroladas como responsáveis solidárias dos créditos tributários lançados na fiscalizada LPS BRASÍLIA. Por fim, informa o auditor fiscal que emitiu representação fiscal para fins penais, a ser encaminhada à autoridade competente, em razão da não inclusão dos segurados contribuintes individuais que prestaram serviços de intermediação imobiliária à autuada e as respectivas remunerações pagas, devidas ou creditadas nas folhas de pagamento e nas GFIP, bem como por ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios da contabilidade as contribuições previdenciárias devidas e as remunerações pagas, o que caracterizaria, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária previsto no art. 337A do Código Penal. Fl. 3190DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.145 Tanto a autuada quanto os responsáveis solidários apresentaram impugnações tempestivamente, que foram sintetizadas pela decisão recorrida, e de que pedimos vênia para reproduzir nos valermos: IMPUGNAÇÕES A LPS BRASÍLIA Consultoria de Imóveis S/A., após breve relato dos fatos e das conclusões da autoridade fiscal, argumenta que o AuditorFiscal não identificou a roupagem jurídica de que se reveste a relação estabelecida entre a empresa e os Corretores independentes, regida pelo art. 6º da Lei n° 6.530/78 e pelo art. 728 do Código Civil, o que afasta esta relação do modelo de contrato de prestação de serviços. Sustenta, com base no disposto no art. 722 do Código Civil, que o corretor não se encontra vinculado ao incumbente “em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência”. Assim, o corretor é “agente auxiliar do comércio” que tem por objetivo um resultado, qual seja a conclusão do negócio intermediado, e não o que se deve fazer ou deixar de fazer para obter esse resultado. Afirma que o corretor não se confunde com o “vendedor”, que é mero preposto do empresário, que atua em nome e por conta deste e não corre nenhum risco da atividade por este explorada. Nesse sentido, diz que a afirmação da autoridade lançadora de que a atividade dos corretores independentes se desenvolveria sob orientação, coordenação e controle da impugnante é inócua, uma vez que os corretores independentes correm, como os empresários, todos os riscos associados às suas atividades. Argumenta que as normas que regulamentam a relação entre corretores de imóveis pessoas física e jurídica, quais sejam o Código Civil, a Lei nº 6.530/78 e o Decreto nº 81.871/78, que a regulamenta, estabelece uma relação horizontal entre esses atores, nos moldes de uma associação ou parceria. Tal interpretação foi consagrada no art. 728 do Código Civil de 2002: Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. Nesta relação de associação ou parceria, a impugnante capta autorizações/permissões de produtos imobiliários e os oferece para uma universalidade de potenciais compradores. Os corretores independentes se dedicam à captação do comprador específico com perfil adequado para o produto imobiliário anunciado e, quando atinge esse resultado, aproximam o cliente conquistado para fazer negócios em parceria com a impugnante. Assim, não existe, na associação, nenhuma delegação, por parte da imobiliária, de uma atividadefim ou atividademeio cuja titularidade necessariamente lhe incumba. Ao revés, as atividades da imobiliária e do corretor independente são distintas e complementares, correndo cada qual seus próprios e distintos riscos econômicos de suas atividades. Ressalta, ainda, o interesse específico do corretor no estabelecimento da associação: embora assuma riscos próprios de um empresário, recebe uma parcela dos lucros da intermediação, auferindo honorários que superam, substancialmente, aqueles que seriam recebidos sob outra estrutura contratual, como a prestação de serviços ou a relação de emprego. Alega ser plenamente possível que a impugnante dê orientações, compartilhe knowhow, e ofereça certa estrutura de trabalho aos corretores independentes, com o objetivo de coordenar (não controlar) a atividade destes com a sua própria. Semelhante coordenação, aliás, é muito comum numa sociedade, que também possui causa associativa: um sócio pode Fl. 3191DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.146 oferecer informações e ferramentas de trabalho a outro sócio, sem que com isto um se torne prestador de serviços contratado pelo outro. O que subjaz à base da coordenação é o fato de que as contribuições feitas pelos envolvidos sempre são direcionadas à persecução de objetivos comuns. No caso concreto, afirma que o comprador de imóveis remunera o corretor independente em razão do atendimento prestado. Por sua vez, o corretor independente, em contraprestação ao acesso à autorização de corretagem dada pela incorporadora/vendedora e a determinada infraestrutura para a captação de clientela (telefone, cartões de visita, etc.), “remunera” a imobiliária. Afirma não existir o pagamento de remunerações entre impugnante e os corretores independentes, mas sim rateio (como prevê o art. 728 do Código Civil) de valores pagos diretamente pelos beneficiários da intermediação levada a efeito. E sobre a questão, pondera que a autoridade fiscal não afirma nem comprova, em momento algum, a realização de pagamentos pela impugnante. Alega ser descabida a afirmação da fiscalização no sentido de “falta de livre convencimento”, por parte dos compradores de imóveis, quanto a estarem contratando os corretores independentes no ato do fechamento do contrato. Argumenta que todos os compradores receberam os recibos de pagamento autônomo emitidos pelos corretores independentes, e contra os fatos atestados em tal documento não se insurgiram. O recibo de pagamento autônomo formaliza não apenas o pagamento, como a própria relação de corretagem estabelecida entre o cliente e o corretor independente. Ainda que assim não fosse, nada impede que o contrato de corretagem seja celebrado verbalmente entre as partes, ou, ainda, que a sua existência seja deduzida a partir do comportamento concludente dos envolvidos. Ressalta que o próprio fiscal admitiu a possibilidade do contrato de corretagem ser celebrado tacitamente. Argumenta que também não se sustenta a acusação de simulação. Neste ponto, há contradição no raciocínio da autoridade fiscal: embora afirme que o negócio simulado teria o objetivo de aparentar a realização de pagamentos por parte dos compradores de imóveis, com o objetivo de encobrir o negócio dissimulado pelo qual seria a impugnante a efetiva pagadora das citadas remunerações, a própria autoridade fiscal defende ter ocorrido uma ilegal transferência do ônus de pagar a corretagem, transferência esta real e efetiva. Ora, se há transferência do ônus de pagar a corretagem, não se pode dizer que os pagamentos realizados pelos compradores são meramente aparentes. Ou bem a suposta transferência de ônus é apenas aparente e, neste caso, nada caberia dizer sobre a sua legalidade ou ilegalidade, pois ela sequer existiria ou ela é real e efetiva, e não haveria como negar que, concretamente, os pagamentos aos corretores independentes foram realizados pelos compradores. Ressalta que a acusação de simulação somente faria sentido se a autoridade fiscal tivesse afirmado e demonstrado o conluio entre a impugnante e o comprador, não sendo aplicável a mera presunção de que todos os compradores de imóveis teriam ajustado acordos simulatórios com a impugnante e os corretores independentes. Sustenta que o tema da responsabilidade pelo pagamento da corretagem é objeto de discussão no âmbito do direito do consumidor, e que tem prevalecido o entendimento de que não existe empecilho à contratação da corretagem pelo comprador, com o consequente pagamento, por este, da remuneração devida aos intermediadores. Colaciona julgado. Fl. 3192DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.147 Portanto, conclui que não é verdadeira a afirmação do relatório fiscal de que haveria inequívoca ilegalidade no modelo contratual adotado comumente no âmbito da corretagem de imóveis, argumentando que mesmo que a ilegalidade da prática comercial em questão fosse confirmada, isso não teria o condão de ocasionar a requalificação dos fatos, de modo a ficarem configurados os suportes fáticos referidos na legislação tributária. Acrescenta que a autoridade fiscal não nega que os compradores efetuaram os pagamentos devidos aos corretores independentes, limitandose a afirmar que estes pagamentos foram ilegais, abusivos, lesivos etc., como se tivesse legitimidade para pleitear eventuais direitos alheios, em matéria de direito do consumidor. Alega que ainda que admitida, esta discussão somente pode repercutir no âmbito da responsabilidade civil e não importa ao direito tributário. Argumenta que ao cogitar da transferência da sujeição passiva, a autoridade fiscal desenvolve uma narrativa que contraria a lógica formal, uma vez que o art. 123 do CTN, como regra geral, nega eficácia às convenções que tenham este escopo. Ainda, em que pese a autoridade fiscal não ter comprovado a efetiva realização de pagamentos pela impugnante em favor dos corretores independentes, a impugnante comprova a inexistência do fato tributável discutido mediante a apresentação de cópias de recibos de pagamentos autônomos emitidos por compradores em favor de corretores independentes, documentos estes que alega terem sido obtidos com muito custo, haja vista não manter a guarda de documentos relativos à atividade de terceiros. Aduz que esta controvérsia já foi objeto de decisões deste Conselho, que negou ter havido pagamento de corretagem pela impugnante em benefício dos corretores independentes, assim como negou que o modelo de negócios correntemente adotado pelos integrantes do mercado de corretagem imobiliária fundarseia sobre um planejamento tributário abusivo. Isto porque, ao não realizar os pagamentos aos corretores independentes, a imobiliária perde a possibilidade de realizar deduções para fins de apuração do imposto de renda. Quanto aos elementos probatórios colhidos pela autoridade fiscal mediante circularização, sustenta se tratar de provas ilícitas, uma vez que a sua produção não foi submetida ao contraditório. Ainda que assim não fosse, se o auto de infração pudesse ser fundamentado nas declarações unilaterais colhidas pela autoridade fiscal, há diversas declarações que comprovam a narrativa dos fatos e a interpretação jurídica da impugnante. Embora tenha recebido dos corretores independentes e das incorporadoras submetidos à circularização importantes esclarecimentos contrários à sua tese, a autoridade fiscal os ignorou. Afirma que há de se diferenciar a aparência que o empresário quer conferir ao seu negócio, única conhecida pelo consumidor, da essência jurídica que ele possui e que deve ser buscada pelo Fisco. O consumidor, na maioria das vezes, não tem condições de realizar uma análise técnicojurídica do negócio de que participa. Exemplifica, didaticamente, dizendo que diria que fulano ou cicrano trabalha “para” o McDonald’s ou “para” a Casa do Pão de Queijo, quando, na realidade, trabalha para outra empresa, que não se chama nem uma coisa, nem outra. Nessa linha, argumenta que a autoridade fiscal não se limitou a coletar fatos puros quando indagou da existência de “trabalho”, “serviço”, ou “vinculação” aos compradores Fl. 3193DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.148 de imóveis, que emitiram suas opiniões quando da circularização acerca da relação dos corretores independentes com a impugnante baseadas exclusivamente na aparência do negócio da impugnante, que jamais pode ser pressuposto de incidência tributária. Entende que a autoridade fiscal ignorou esclarecimentos prestados pelos corretores independentes, bem como cláusulas integrantes dos contratos firmados entre estes e a autuada, os quais deixam bastante claro o objeto da parceria e a inexistência de prestação ou tomada de serviços. De forma análoga, deixou de considerar os esclarecimentos prestados por algumas incorporadoras e contratos de corretagem disponibilizados por outras. Refuta o procedimento adotado pela autoridade fiscal de definir a base de cálculo do auto de infração com base no procedimento de arbitramento sem observar as diretrizes procedimentais estabelecidas pela legislação de regência. No caso de falta de informações sobre fatos tributáveis, alega que a autoridade fiscal pode, observadas as condições legais específicas, valerse do procedimento de arbitramento, mas nada a autoriza da descumprir o teto do salário de contribuição. Sustenta ser ônus do auditor fiscal a identificação dos beneficiários das remunerações discutidas para que restassem cumpridas as exigências mínimas necessárias para a apuração de base de cálculo legalmente válida. Ao contrário, a autoridade fiscal optou por se utilizar da criatividade e adotar um procedimento de arbitramento sem nenhuma base legal, motivo pelo qual o lançamento deverá ser cancelado. Diz ser relevante o fato de a autoridade fiscal ter adotado a Tabela de Honorários do CRECI para definir, a partir do percentual previsto de 50% para rateio da comissão entre imobiliária e corretores independentes, o valor da remuneração que a impugnante teria pago a estes. No entanto, considerando que o CRECI, seguindo o entendimento previsto na legislação especial, decorrente dos usos e costumes vigentes e da prática da corretagem imobiliária vigentes há décadas, entende que este rateio não diz respeito a pagamento de remuneração, mas a corretagem, a Autoridade Fiscal se utilizou, para a aferição indireta, de um documento que nega a sua tese. A par da ilegalidade do arbitramento, argumenta que é de se levar em conta que a alíquota aplicável, no caso da contribuição do segurado, é de 11%, não de 20%, como propôs a autoridade fiscal. Discorda da interpretação do auditor fiscal ao § 4º do art. 30 da Lei nº 8.212/91, que acarretou a inaplicabilidade da dedução de 45% da contribuição devida pela impugnante, limitada a 9% do saláriodecontribuição, vez que não teriam sido as contribuições declaradas. Subsidiariamente, requer seja afastado o agravamento da multa de ofício com base na acusação de evidente intuito de fraude de sua parte. Alega que a adoção de procedimento fiscal indevido, porém praticado de boafé e devidamente embasado em práticas e costumes socialmente consolidados há anos, consiste no chamado "erro de proibição", situação bem diferente daquela em que o sujeito passivo está ciente da sua obrigação para com o fisco, porém age de forma consciente e voluntária com o intuito de não recolher tributo que entende ser devido, o que não é a hipótese tratada. No presente caso, o modelo de negócio adotado pela impugnante está embasado em procedimento em uso e consolidado há décadas no ambiente do mercado Fl. 3194DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.149 imobiliário, adotado sistematicamente pelas imobiliárias e pelos corretores independentes, e contra o qual apenas muito recentemente se insurgiu a RFB. Assim, é absurda a acusação de que a fiscalizada teria adotado um procedimento sabidamente incorreto. Em tal contexto, a agravamento da multa de ofício fere o bom senso e a correta interpretação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, além de contrariar toda a jurisprudência do CARF sobre o tema. Defende o entendimento de que a expressão “crédito”, contida no art. 161 do CTN, abrange tão somente aqueles créditos tributários que, por sua natureza, possam estar sujeitos a penalidades, ou seja, aqueles decorrentes do descumprimento da obrigação tributária. Assim, estaria excluído deste conceito o crédito tributário decorrente da obrigação penal tributária, devendose concluir no sentido da impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Por fim, a impugnante (i) requer seja o Auto de Infração julgado integralmente improcedente; (ii) protesta pela produção de todas as provas admitidas em direito; (iii) solicita que todas as intimações e comunicações referentes ao presente processo administrativo sejam remetidas ao endereço da impugnante, constante do cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), bem como para o escritório de seus advogados infra assinados. IMPUGNAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS SÓCIOS PESSOAS FÍSICAS Os sócios da autuada, Wildemir Antônio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini, responsabilizados solidariamente, protocolizaram Impugnações tempestivas e em peças distintas que, porém, por terem sido subscritas pelo mesmo patrono e conterem idêntico teor, serão analisadas conjuntamente. Após breve relato dos fatos, apontam que o Termo de Sujeição Passiva Solidária tem como fundamento legal o artigo 124, I, bem como o artigo 135, III, do CTN, imputando aos impugnantes o dever de solver o crédito tributário principal, acrescido de juros, e multa de ofício qualificada. Aduzem que a expressão “interesse comum” contida na norma deve ser interpretada de forma técnica. Nesse sentido, o “interesse comum” sempre será o interesse jurídico compartilhado por dois ou mais sujeitos, partícipes de uma mesma relação jurídica, de modo que estes possuam, com relação à coisa ou atividade que constitui fato gerador, direitos e deveres iguais. Salientam que a existência de meros interesses econômicos, conforme apontado no relatório fiscal, não autoriza a instauração da solidariedade, sob pena de se ampliar indevidamente a possibilidade de atribuição de responsabilidade a pessoas alheias ao fato gerador tributário. Entendem que a autoridade fiscal não comprovou que os impugnantes e a LPS Brasília teriam agido, conjuntamente, nas relações jurídicas de que teriam resultado os supostos fatos geradores tributários, sendo a qualidade de sócio insuficiente para ensejar a responsabilidade solidária. Isto porque o relatório fiscal indica como interesse comum a expectativa de que a LPS Brasília auferisse receitas mediante a prática de suposto ilícito Fl. 3195DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.150 tributário. Este argumento, porém, confunde o interesse comum a que faz referência o art. 124, I, do CTN, com o interesse meramente econômico que todo sócio nutre com relação à sociedade investida. Essa tese, caso aceita, implicaria em tratar todo sócio como solidariamente obrigado pelos débitos das sociedades das quais participasse, o que é um equívoco. Relembram que solidariedade não se presume e citam decisão do CARF que considera a confusão patrimonial como requisito para caracterizar o interesse comum. Acrescentam que não restou demonstrado nenhum indício sequer de confusão patrimonial entre os impugnantes e a LPS Brasília, o que afasta a aplicabilidade do artigo 124, I do CTN ao presente caso concreto. Refutam, também, a caracterização da solidariedade como sanção, uma vez que se trata de uma situação objetiva, derivada da indivisibilidade da obrigação tributária. Um mesmo fato impõe, a dois ou mais sujeitos, ao mesmo tempo, a condição de contribuinte, não havendo extensão desta condição por força de qualquer fato que extrapole o fato gerador, como ocorreria, por exemplo, com a vinculação do interesse comum a uma noção genérica de conluio. Apontam inconsistência no relatório fiscal ao chamar os impugnantes a responderem pelo crédito tributário, simultaneamente, de forma solidária e como responsável pessoal. Consideram que a responsabilidade pessoal do agente exclui a responsabilidade solidária porque, antes disso, exclui a responsabilidade da própria pessoa jurídica autuada. Nesses termos, impõese o cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva Solidária uma vez que o artigo 135, III, do CTN é incompatível com a responsabilidade da própria LPS Brasília (autuada). Alegam que o relatório fiscal não comprovou que os impugnantes teriam agido de forma ilegal ou com excesso de poderes, ou de forma contrária ao estatuto social da LPS Brasília. A incidência do dispositivo em questão requer prova de dolo específico do sócio, manifestado por deliberação ou outro ato de sua incumbência, que sabidamente contraria a lei e objetiva a obtenção de vantagem tributária indevida. Afirmam que a autoridade fiscal pretende arrolar os impugnantes entre os responsáveis pelo crédito tributário lançado sem fazer nenhuma prova de que teriam incorrido nas hipóteses ensejadoras da responsabilidade pessoal previstas no art. 135 do CTN. A inexistência dos requisitos autorizadores da aplicação do artigo 124, I, bem como do art. 135, III do CTN impõe o cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva Solidária. Ainda que assim não se entenda, sustentam que os impugnantes não podem figurar como devedores solidários da multa de ofício aplicada, uma vez que o art. 124 do CTN é claro quanto a alcançar somente a obrigação tributária principal, excluída a multa. Também não se sustenta a responsabilidade dos impugnantes pela multa caso seja adotado como fundamento o art. 135 do CTN, pois somente responde pela penalidade o agente infrator, sendo indispensável a comprovação de que este agiu com dolo específico, conforme dispõe o art. 137 do CTN, o que não ocorreu no presente caso. Por fim, requerem (i) sejam os Termos de Sujeição Passiva julgados integralmente improcedentes; (ii) a produção de todas as provas admitidas em direito; (iii) que todas as intimações e comunicações referentes ao presente processo administrativo sejam Fl. 3196DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.151 remetidas aos endereços dos impugnantes, constantes do cadastro da RFB, bem como para o escritório de seus advogados infraassinados. IMPUGNAÇÃO DA RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA SÓCIA PESSOA JURÍDICA A sócia pessoa jurídica da autuada, LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, responsabilizada solidariamente pelas autuações em exame, apresentou as seguintes alegações em sua impugnação, resumidamente: Após breve relato dos fatos, aponta que o Termo de Sujeição Passiva Solidária tem como fundamento legal o artigo 124, I do CTN, bem como o artigo 30, IX, da Lei nº 8.212/91, imputando lhe o dever de solver o crédito tributário principal, acrescido de juros, e multa de ofício qualificada. Aduz que a expressão “interesse comum” contida na norma deve ser interpretada de forma técnica. Nesse sentido, o “interesse comum” sempre será o interesse jurídico compartilhado por dois ou mais sujeitos partícipes de uma mesma relação jurídica, de modo que estes possuam, com relação à coisa ou atividade que constitui o fato gerador, direitos e deveres iguais. Assim, a existência de meros interesses econômicos, conforme apontado no Relatório fiscal, não autoriza a instauração da solidariedade, pena de se ampliar indevidamente a possibilidade de atribuição de responsabilidade a pessoas alheias ao fato gerador tributário. Entende que a autoridade fiscal não comprovou que a impugnante e a LPS Brasília teriam agido, conjuntamente, nas relações jurídicas de que teriam resultado os supostos fatos geradores tributários, sendo a qualidade de sócio insuficiente para ensejar a responsabilidade solidária. Isto porque o Relatório fiscal indica como interesse comum da impugnante a expectativa de que a LPS Brasília auferisse receitas mediante a prática do suposto ilícito tributário. Este argumento, porém, confunde o interesse comum a que faz referência o art. 124, I, do CTN, com o interesse meramente econômico que todo sócio nutre em relação à sociedade investida. Essa tese, se aceita, implicaria em tratar todo sócio como solidariamente obrigado pelos débitos das sociedades das quais participasse. Relembra que solidariedade não se presume e cita decisão deste Conselho que considera a confusão patrimonial como requisito para caracterizar o interesse comum. Acrescenta que não restou demonstrado nenhum indício de confusão patrimonial entre a impugnante e a LPS Brasília, o que afasta a incidência do artigo 124, I do CTN, ao presente caso concreto. Refuta a caracterização da solidariedade como sanção, vez que se trata de uma situação objetiva, derivada da indivisibilidade da obrigação tributária. Um mesmo fato impõe, a dois ou mais sujeitos, ao mesmo tempo, a condição de contribuinte, não havendo extensão desta condição por força de qualquer fato que extrapole o fato gerador, como ocorreria, por exemplo, com a vinculação do interesse comum a uma noção genérica de conluio. Defende não estarem presentes as condições que autorizam a aplicação ao caso do art. 30, IX, da Lei n° 8.212/91, pois a obrigação solidária com fundamento neste dispositivo exige que haja verdadeira unicidade do poder decisório e administrativo entre as Fl. 3197DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.152 sociedades de um grupo econômico e que o grau da centralização decisória alcance as decisões sobre a realização ou não dos atos e negócios que correspondam aos fatos geradores, bem como que alcance a decisão acerca do cumprimento das obrigações tributárias. Dentro dessa moldura deve ser feita a análise dos elementos que darão azo à solidariedade, não sendo lícita a interpretação meramente literal de que em havendo grupo econômico, de direito ou de fato, automaticamente responderão solidariamente todas as pessoas integrantes desse grupo. Nessa linha, o artigo 30, IX, da Lei n° 8.212/91 atribui obrigação solidária àqueles que possuem competência decisória concreta e determinante sobre os atos que correspondem ao fato gerador, bem como ao cumprimento das obrigações tributárias, e não em função do simples pertencimento ao grupo econômico. Argumenta que a fiscalização não comprovou que a impugnante exerce sobre a LPS Brasília poder decisório capaz de determinar a prática dos atos que teriam constituído o suposto crédito tributário lançado, tampouco que teria tido ingerência sobre o cumprimento ou descumprimento das obrigações tributárias que a fiscalização pretende imputar à LPS Brasília. Portanto, não restou demonstrada a caracterização de situação que autoriza a imputação de obrigação solidária à impugnante com fundamento no art. 30, IX da Lei n° 8.212/91. Ainda que não se entenda pelo cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária pelas razões acima, sustenta que a impugnante não pode figurar como devedora solidária da multa de ofício aplicada, uma vez que o art. 124 do CTN é claro quanto a alcançar somente a obrigação tributária principal, excluída, pois, a multa. Também não se sustenta a responsabilidade da impugnante pela multa caso seja adotado como fundamento o art. 135, III do CTN, pois somente responde pela penalidade o agente infrator, sendo indispensável a comprovação de que teria agido com dolo específico, conforme dispõe o art. 137, também do CTN, o que não se verificou no presente caso. Por fim, requer (i) seja o Termo de Sujeição Passiva julgado integralmente improcedente; (ii) a produção de todas as provas admitidas em direito; (iii) que todas as intimações e comunicações referentes ao presente processo administrativo sejam remetidas ao endereço da impugnante, constante do cadastro da RFB, bem como para o escritório de seus advogados infraassinados. IMPUGNAÇÃO DAS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIAS INCORPORADORAS/VENDEDORAS As responsáveis solidárias Apex Incorporadora SPE 02 Ltda, Apex Incorporadora SPE 03 Ltda, Apex Incorporadora SPE 04 Ltda e Apex Incorporadora SPE 08 Ltda impugnaram tempestivamente as autuações por meio dos instrumentos de fls. 1981/2134 nas quais apresentam as seguintes alegações, resumidamente: que são pessoas jurídicas totalmente distintas da autuada, com inscrição própria no CNPJ. Em nada se confundem com a empresa fiscalizada, existindo entre esta e as impugnantes a casualidade de terem realizado negócio jurídico dentro dos seus respectivos campos de atividade. nesse sentido, não reconhecem os débitos lançados contra a LPS Brasília Consultoria de Imóveis Ltda, pois desconhecem os pormenores do atual funcionamento, Fl. 3198DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.153 organização administrativa e a amplitude de trabalho da referida pessoa jurídica indicada como sujeito passivo principal. ressaltam que para fins da aplicação da responsabilidade solidária prevista no art. 124, inciso I, do CTN, não basta a verificação de mero interesse social, moral ou econômico, mas sim o interesse jurídico comum que surge a partir da existência de direitos e deveres idênticos entre pessoas situadas no mesmo polo da relação jurídica de direito privado tomado pelo legislador como suporte factual da incidência do tributo. Colaciona doutrina e jurisprudência. afirma que o AuditorFiscal utilizouse de ilações e presunções visando imputar responsabilidade a outras empresas, distintas da pessoa jurídica diretamente fiscalizada, por supostas infrações à legislação tributária, em razão de manterem ligações negociais entre si. No entanto, esse procedimento da fiscalização não tem nenhum fundamento. descreve o modelo de negócio celebrado com a LPS Brasília – Consultoria de Imóveis Ltda, afirmando que o contrato entre as partes observa todos os princípios gerais dos contratos presentes no Código Civil Brasileiro, especialmente o Princípio da Autonomia da Vontade. Além disso, as estipulações contratuais são perfeitamente lícitas, em nada ofendendo a normas gerais ou específicas do nosso Ordenamento Jurídico. afirma que toda a documentação pertinente ao negócio praticado foi apresentada à Fiscalização. Nesse sentido, os instrumentos de promessa de compra e venda das unidades imobiliárias, avençados entre as Impugnantes e os clientes apresentados através da coordenação da LPS Brasília, gozam de plena legalidade, não tendo sofrido contestação ou alegação de nulidade pelos adquirentes dos imóveis, os quais possuíam pleno conhecimento de que o valor da unidade a ser pago à incorporadora, não englobava a parcela da comissão devida ao profissional autônomo responsável pela corretagem. Colaciona decisões judiciais que reconhecem a possibilidade da corretagem ser paga diretamente pelos compradores. ressalta que as informações prestadas estão em consonância com a sua escrituração, com os instrumentos particulares de promessa de compra e venda e, esses últimos, por sua vez, conferem com as receitas reconhecidas e declaradas nas escrituras públicas de comercialização dos imóveis aos adquirentes. ainda que se admitisse a ocorrência dos fatos geradores, a base imponível adotada utilizase de metodologia de cálculo sem previsão legal. afirma que em momento algum agiu com fraude, dolo ou simulação, eis que seu relacionamento com a pessoa jurídica promotora da etapa de vendas estava perfeitamente definido em cláusulas contratuais, que foram colocadas à disposição da autoridade. Em momento algum buscou ocultar o fato gerador de contribuições previdenciárias quando presente sua participação na relação jurídicotributária enquanto sujeito passivo direto ou indireto, nesse último caso segundo as prescrições legais pertinentes. Apresentou todas as suas declarações mensais sem ocultar esse fato do Fisco. Colaciona julgados do CARF. não comprovada conduta dolosa, fraudulenta, dissimulada, deve ser afastada a multa de ofício aplicada sobre o valor principal das citadas contribuições (150%). a multa tal como fixada no Auto de Infração infringe o princípio da vedação ao confisco ao atingir direta e injustamente o patrimônio da impugnante, além de não se Fl. 3199DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.154 subsumir às hipóteses legais do art. 44, § 1º, da Lei n° 9.430/96, ante a inocorrência de fraude nos moldes em que definida nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. sobre os juros de mora, questiona a aplicação da taxa SELIC para cálculo de juros moratórios, considerando a sua falta de consonância com os princípios de nosso sistema constitucional tributário, uma vez que essa taxa sequer foi instituída por lei, mas sim por circulares do Banco Central do Brasil, além de se constituir em aplicação de juros sobre juros (anatociscmo), em percentuais muito mais elevados do que os permitidos pela ordem constitucional (limite de 12% estabelecido pelo art. 192, § 3º, da Lei Maior). Afirmam ainda que a taxa SELIC se constitui em verdadeira aplicação de juros sobre juros (anatociscmo), em percentuais muito mais elevados do que os permitidos pela ordem constitucional (limite de 12% estabelecido pelo art. 192, § 3º, da Lei Maior). Por fim, requer o acolhimento de suas razões de defesa para determinar sua exclusão do pólo passivo dos Autos de Infração, o direito de produzir todas as provas admitidas em Direito e que seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário em litígio, com fundamento no artigo 151, III, do CTN. A DRJ julgou improcedentes as impugnações da autuada LPS BRASÍLIA Consultoria de Imóveis Ltda., mantendose os créditos tributários exigidos por meio dos autos de infração DEBCAD nºs 51.040.9580 (contribuição patronal) e 51.065.2808 (contribuição dos segurados), das responsáveis solidárias LPS BRASIL Consultoria de Imóveis S/A, Wildemir Antônio Demartini e Marco Antônio Moura Demartini, sócios da autuada, para mantêlos nos polo passivo como responsáveis solidários pelos créditos tributários constituídios, e julgou procedente em parte a impugnação das responsáveis solidárias Real Engenharia S/A, Real Celebration Engenharia Ltda., Real Evolution Engenharia Ltda., Real Ilhas Mauricio Engenharia Ltda. e Real Splendor Engenharia Ltda. para, unicamente, excluílas do polo passivo como responsáveis solidários. A autuada e os responsáveis solidários LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, Marco Antônio Moura Demartini e Wildemir Antônio Demartini interpuseram seus recursos voluntários aos 10/05/2016, (fls. 2410 s.s., 2677 s.s., 2605 s.s. e 2767 s.s.) respectivamente), nos quais foram repisadas, em linhas gerais, as alegações constantes das impugnações e contestados certos pontos da argumentação da DRJ. Também foram juntados aos autos parecer de renomado jurista, dois Laudos Técnicos elaborados por empresas de consultoria e auditoria (“Laudo Técnico – Pesquisas respondidas pelo público de stands” e laudo de avaliação da LPS Brasília) e, em reunião realizada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aos 08/05/2018, foram apresentados memoriais a esta relatora e ao presidente deste Colegiado, que sintetizam alguns pontos dos recursos voluntários e, especialmente, apontam julgados recentes deste tribunal favoráveis à tese defendida proferidos em casos semelhantes ao ora tratado, bem como decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.599.511/SP, processado sob o rito do art. 1036 e seguintes do NCPC (recurso representativo da controvérsia), julgamento este que se deu posteriormente à interposição os recursos voluntários. Sem contrarrazões. Iniciado o julgamento do recurso em seção realizada aos 14/09/18, em sustentação oral, o patrono da recorrente invocou a aplicação, ao caso, das recentes alterações havidas na Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro DecretoLei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942, especialmente do seu artigo 24 e, nesse sentido, que o processo fosse Fl. 3200DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.155 analisado à luz da jurisprudência vigente nos anos de 2010 e 2011, quando da ocorrência dos supostos fatos geradores, bem como das orientações que lhe teriam sido prestadas pela Fazenda Pública, como determina o mencionado dispositivo legal. Nesse contexto, houve por bem o Colegiado julgador retirar o processo de pauta para verificação de procedimento de modo que o contribuinte pudesse instruIr os autos com manifestação formal no sentido de sua postulação na tribuna. Aos 27/09/18, o recorrente juntou aos autos a petição e documentos de fls. 2945 e seguintes. Devidamente intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou manifestação de fls. 3101/3111. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Renata Toratti Cassini, Relatora. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS Os recursos voluntários são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que deles conheço. Inicialmente, anoto que os protestos por produção de todas as provas admitidas em direito foram formulados nos recursos sem nenhuma fundamentação, em desacordo com o disposto no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72, pelo que são incabíveis. Igualmente, não tem cabimento o pedido de ciência pessoal do patrono dos recorrentes, uma vez que o art. 23, I a III do Decreto nº 70.235/72 estabelecem que as intimações no decorrer do processo administrativo tributário federal serão destinadas ao sujeito passivo, não a seu advogado, e não existe, tampouco, previsão nesse sentido no RICARF. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA AUTUADA LPS BRASÍLIA CONSULTORIA DE IMÓVEIS LTDA. DO ART. 24 DA LINDB Inicialmente, a recorrente requer a aplicação ao presente caso do art. 24 da Lei de Introdução às Normas de Direito da Brasileiro Decretolei nº 4.657/52, a ele recentemente introduzido pela Lei nº 13.655, de 25 de abril de 2018, que dispõe o seguinte: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado Fl. 3201DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.156 levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. Conforme argumenta a recorrente, a finalidade desse dispositivo é dar segurança jurídica ao administrado, impedindo a retroatividade de novas interpretações e construções jurisprudenciais para fatos jurídicos perfeitos que levaram em consideração orientação jurisprudencial e das autoridades fiscais quando constituídos. Nesse contexto, esclarece que foi cientificado do lançamento de ofício aos 26/09/2014 e que na data da ocorrência dos fatos geradores (2010 e 2011), não havia orientação jurisprudencial contrária à possibilidade de adoção do modelo de negócios de corretagem adotado e quanto à existência de vínculo entre ela e o corretor independente. Prossegue dizendo que aos 19/03/2014, seis meses antes do lançamento, foram proferidas duas decisões por este tribunal administrativo em processos da própria recorrente (Acórdãos nº 2403002.509 e 2403002.508) que tiveram decisões integralmente favoráveis para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre comissão de vendas recebidas pelo corretor independente paga pelo comprador, mas cujo pagamento, tal como no presente caso, houvera sido a ela atribuído. Informa que essas decisões transitaram em julgado uma vez que os recursos especiais delas interpostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional tiveram seguimento negado, conforme despacho proferido aos 04/12/16 pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, anexado a fls. 2952. Colaciona, ainda, nova decisão, proferida em 2016 (Acórdão nº 2402 005.271), também transitada em julgado, que confirma o entendimento de que o modelo de negócios de corretagem não leva à conclusão sobre a existência de vínculo empregatício entre o corretor independente e a recorrente e esclarece que no momento da ocorrência do fato gerador (2010 e 2011) não havia jurisprudência no CARF sobre a possibilidade de adoção do modelo de negócios de corretagem da recorrente e a existência ou não de vínculo entre ela e o corretor independente. Argumenta que os acórdãos colacionados são os únicos que tiveram decisão definitiva irrecorrível na esfera administrativa sobre o tema, de forma que adotou prática válida de negócio, ao final confirmada pelo trânsito em julgado daquelas decisões. Por essas razões, diz ser o art. 24 da LINDB de aplicação obrigatória ao presente caso, de modo que seja ele analisado a partir do contexto jurisprudencial de 2010 e 2011 e das orientações recebidas da Fazenda. A Procuradoria da Fazenda Nacional, por sua vez, argumenta, em síntese, que: Fl. 3202DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.157 · o artigo 24 da LINDB não tem por objeto regulamentar o lançamento fiscal e as decisões proferidas no Processo Administrativo Fiscal; · o ato do lançamento não consubstancia “revisão” de ato da Administração, não sendo possível concluir, do art. 24 da LINDB, que o auditorfiscal, ao efetuar o lançamento, esteja amarrado à jurisprudência administrativa ou judicial existente à época dos fatos geradores; ademais, apenas Lei Complementar poderia dispor sobre norma geral afeta à atividade do lançamento; · tampouco faz sentido, diante do texto normativo, concluir que os órgãos responsáveis pelo julgamento de recursos administrativos, ao “revisar o lançamento” estejam vinculados à jurisprudência majoritária existente à época dos fatos geradores; · o artigo 24 simplesmente determina que, se a Administração pratica ato que gera uma situação consolidada (por exemplo, emite uma licença de funcionamento, assina um contrato, autoriza um pagamento), a mudança posterior de entendimento sobre a validade deste ato não pode afetar a situação consolidada que a própria Administração gerou; · o Código Tributário Nacional (CTN) possui regramento próprio e particular sobre os atos e decisões dotados de caráter normativo (art. 100, I a IV), sobre as consequências de sua observância pelo administrado (art. 100, parágrafo único), bem como sobre o efeito intertemporal da introdução de novos critérios jurídicos – leiase, nova interpretação – no processo de constituição do crédito tributário (art. 146). Tratase de normatização específica quanto às questões que o art. 24 (norma geral) se propõe a regulamentar; · a Lei 13.655/2018 não atribui eficácia normativa à jurisprudência majoritária vigente à época dos fatos geradores, não a enquadrando no conceito de decisão normativa, nos termos do art. 100, II, do CTN. Inicialmente, para nós não há dúvida sobre a incidência das normas da Lei de Introdução ao Direito Brasileiro – inclusive das recentemente introduzidas ao texto original pela Lei nº 13.655/18 – no âmbito da atividade judicante deste tribunal administrativo. Digo isso por conta do argumento de partida da D. Procuardoria Geral da Fazenda Nacinal em sua manifestação juntada aos autos, bem como de recentes decisões proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Tribunal. Segundo entendimento exarado nos expedientes mencionados, os novos dispositivos inseridos na LINDB pela Lei nº 13.655/18 (arts. 20 a 30) teriam se baseado na obra dos Professores Carlos Ari Sundfeld e Floriano de Azevedo Marques Neto, denominada "Contratações Públicas e Seu Controle", o que não deixaria margem de dúvida acerca de sua natureza essencialmente administrativa. Assim, os destinatários desses dispositivos seriam apenas os administradores públicos e os órgãos de controle da Administração Pública, inclusive do Judiciário. Nessa linha, a PGFN afirma, em sua manifestação: Fl. 3203DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.158 As alterações promovidas na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) pela Lei 13.655/2018 tiveram por objetivo, como indica a Justificativa do Projeto de Lei (PL), “incluir na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (Decretolei 4.657/1942) disposições para elevar os níveis de segurança jurídica e de eficiência na criação e aplicação do direito público”. Em que pese a pretensão de irradiar efeitos sobre todos os ramos do Direito e sobre todos os procedimentos da Administração Pública, não há dúvida de que as inovações promulgadas foram elaboradas tendo como pano de fundo os processos de controle das contratações públicas, em especial aqueles das instâncias de controle dos gastos públicos, como o TCU e a CGU. Com efeito, o PL é, declaradamente, fruto de projeto de pesquisa publicado na Obra “Contratações Públicas e Seu Controle”, dedicada exclusivamente ao tema. Em uma das decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais a que fizemos referência (proferida nos autos do processo administrativo de nº 19515.003515/200774), restou decido que em nenhum momento a lei sinaliza que seria dirigida à atividade judicante administrativa, como é o caso do CARF, de modo que “Quando muito, a aplicação desta lei no CARF restringirseia às atividades essencialmente administrativas, afetas à sua Secretaria Executiva, quanto a eventuais contratos, convênios e atos congêneres, inerentes ao próprio funcionamento do Órgão”. A PGFN, igualmente, como relatado, trouxe vários outros argumentos, aliás, muito bem fundamentados, para justificar a não aplicação do LINDB ao PAF. Com todo o respeito, ousamos discordar. A antiga Lei de Introdução ao Código Civil é uma norma de sobredireito, ou seja, uma norma jurídica que visa a regulamentar outras normas jurídicas. O seu estudo sempre foi comum na disciplina de Direito Civil pela sua posição topográfica, à frente do Código Civil de 1916, tradição que foi mantida no Código Civil de 2002. No entanto, apesar disso, a antiga LICC, como era conhecida, nunca foi uma norma exclusiva de Direito Privado, e bem por essa razão é que a Lei nº 12.376/10 tratou de alterar a sua denominação para Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro uma vez que ela muito mais se aplica a outros ramos do Direito do que ao próprio Direito Civil. O seu conteúdo, na realidade, é muito mais afeto à Teoria Geral do Direito. Assim, como esclarece o prof. Carlos Ari Sundfeld aliás, autor do projeto de lei que resultou na Lei nº 13.655/18, juntamente com o prof. Floriano de Azevedo Marques Neto comentando o mencionado julgado de nº 19515.003515/200774 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, acima mencionado: “a ampla incidência sempre foi característica da antiga Lei de Introdução. Seu art. 1º, caput, diz que “salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada”. E nunca houve dúvida de que essa regra deveria incidir sobre leis tributárias, Fl. 3204DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.159 leis funcionais, leis sobre serviços públicos, leis previdenciárias, enfim, quaisquer leis. O mesmo ocorre com seus arts. 2º (“a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue”), 3º (“ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece”), 4º (sobre a “lei omissa”), 5º (relevância dos “fins sociais” e “exigências do bem comum”), 6º (“efeito imediato e geral” da lei, salvo “o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada”), e assim por diante. Justamente por isso se diz, e é certo, que a Lei de Introdução é uma lei de sobredireito. Esses antigos dispositivos não têm, como se sabe, qualquer referência expressa ao direito tributário ou à atividade administrativa tributária, judicante ou não. Nem por isso há incerteza quanto à vinculação a eles dos julgadores administrativotributários. Normas gerais de interpretação e aplicação de Direito obrigam a todos que interpretam e aplicam o Direito, independentemente de citação nominal. De resto, se a atividade judicante do Judiciário está vinculada à Lei de Introdução, porque atividade judicante de simples autoridade administrativa estaria isenta? A resposta quanto ao âmbito de incidência dos novos arts. 20 a 30 da Lei de Introdução é bem clara, a começar da ementa da lei que a alterou. Tratase de “disposições sobre segurança jurídica e eficiência na criação e aplicação do direito público”. Os dispositivos da lei 13.655 não são de direito administrativo em sentido estrito (isto é, sobre contratos administrativos, servidores públicos, serviços públicos e outros temas a cargo dos professores desse ramo), tampouco sobre controle da administração; a lei é geral de direito público. Seus dispositivos são abrangentes e serão observados nas operações jurídicas envolvendo o direito público em geral. (...) Quanto à esfera administrativa, a lei não fez distinções nem previu tratamento especial ou imunidades para suas subdivisões. Logo, a Lei de Introdução reformada tem de ser observada por todas as autoridades administrativas, seja qual for sua atuação material específica (ativa, consultiva, controladora, licenciadora, reguladora, sancionadora, etc.), a legislação setorial a que está sujeita (contratual, concorrencial, tributária, etc.), sua vinculação organizacional (autoridades singulares, membros de colegiado, etc.) ou seu nível hierárquico (primeira instância, órgãos recursais, Chefe do Executivo, etc.). (...) (destacamos) (Disponível em https://www.jota.info/opiniaoe analise/artigos/lindbdireitotributarioestasujeitoaleide introducaoreformada10082018) Realmente, para nós, não há como uma lei que inclui na Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro “disposições sobre segurança jurídica e eficiência na criação e Fl. 3205DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.160 na aplicação do direito público” possa estar dirigida a um ou outro segmento da Administração Pública com exclusão de outros, ou do Judiciário, por exemplo, e não a todos eles, cada qual no exercício de todas as suas funções, sejam típicas ou atípicas, sempre que estejam no exercício de criar e aplicar o direito público. Com efeito, quando os dispositivos legais inseridos se referem às esferas administrativas, controladora e judicial, estão a se referir ao exercício de todas as funções a cargo dessas “esferas”, o que, no âmbito administrativo, também inclui a de julgar. Desse modo, data venia, não é que a lei, em nenhum momento, sinaliza que seria dirigida à atividade judicante administrativa e, via de consequência, ao Processo Administrativo Fiscal. Entendemos que uma vez que ela é dirigida, dentre outras, à “esfera administrativa”, ela já contempla a atividade judicante como exercício de função administrativa atípica. Como nos ensina Carlos Maximiliano, “no âmbito do mais sempre se compreende também o menos” (MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 200). Em uma determinada passagem de sua manifestação, a D. PGFN argumenta o seguinte: "Se o enquadramento do lançamento e do PAF nas disposições do art. 24 demanda tamanho malabarismo exegético, isso é a prova cabal de que o legislador não o idealizou para essa finalidade. E porquê? Justamente porque o PAF já é suficientemente regulamentado por legislação específica." Nessa linha, há inúmeros outros ramos do Direito, tais como, só para citar alguns, Consumidor, Infância e Juventude, Registros Públicos, Execução Penal, Separação e Divórcio, Relações de Trabalho, Eleitoral, dentre vários outros que também gozam de regulamentação suficientemente específica e que, nem por isso, passam ao largo das disposições da Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro. Assim, com todo o respeito, o que há, em verdade, parafraseando a D. PGFN, são "malabarismos exegéticos" (muito bem feitos, é verdade!) para justificar, desde logo, a não aplicação da LINDB uma norma de sobredireito ao Direito Tributárito e ao Processo Administrativo Fiscal, o que, como já exposto, entendemos não ser o caso. Superada a questão quanto à aplicação dos novos dispositivos inseridos na Lei de Introdução à Normas de Direito Brasileiro pela Lei nº 13.655/18 à atividade julgadora deste tribunal administrativo, cumpre analisar a pretensão do recorrente de aplicação do art. 24 da LINDB ao presente caso. Neste ponto, entendemos não lhe assistir razão. Com efeito, o art. 24, “caput”, da LINDB é claro ao dispor que a revisão, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já houver se completado levará em consideração as orientações gerais da época, sendo vedado que se considerem inválidas essas situações já plenamente constituídas com base em mudança posterior de orientação geral. O parágrafo único, por sua vez, explica que consideramse “orientações gerais” as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. Fl. 3206DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.161 No presente caso concreto, esses requisitos não estão preenchidos. Como observa a recorrente, à época do fato gerador, não havia jurisprudência deste tribunal em sentido contrário à possibilidade de adoção do modelo de negócios praticado. Mas não havia porque a discussão sequer aqui havia sido instalada. Quando a matéria chegou para ser enfrentada neste tribunal, a questão passou, então, a ser objeto de debate, havendo decisões em sentidos diversos, de modo que ainda hoje o endentimento acerca do tema é controverso. Na esfera judicial, esse assunto foi ainda mais debatido e controvertido, tanto que acabou resultando no julgamento do REsp repetitivo nº 1.599.511, publicado aos 06/09/2016. Assim, seja à época do fato gerador, seja à época do lançamento, não havia jurisprudência majoritária, administrativa ou judicial, acerca da questão debatida nestes autos. Não se pode dizer, como todo o respeito, que há jurisprudência majoritária, como exige o dispositivo em tela, com base em apenas dois julgados favoráveis à tese defendida, ainda que já transitados em julgado. Também o fato de não haver orientação jurisprudencial deste tribunal em sentido contrário à possibilidade de adoção do modelo de negócios praticado pelo recorrente na data do fato gerador não pode ser entendido como anuência tácita a esse modelo, até porque, como dito, sequer havia jurisprudência deste tribunal à época, seja num sentido ou noutro. Assim, entendemos que embora a LINDB seja aplicável aos julgamentos no âmbito deste tribunal, o art. 24, invocado pela recorrente, não tem aplicação a este caso específico por não estarem preenchidos os seus requisitos. DA RELAÇÃO JURÍDICA EXISTENTE ENTRE A RECORRENTE E OS CORRETORES INDEPENDENTES CORRETAGEM X PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Como se verifica do relatório, o cerne da discussão travada nos autos diz respeito à natureza da relação jurídica existente entre a autuada e os corretores independentes e à alegada simulação/dissimulação que haveria em relação ao pagamento da respectiva remuneração destes profissionais relativamente à comissão de corretagem por eles recebida. A recorrente afirma que a relação jurídica que estabelece com os corretores independentes se trata de uma relação de parceria. Segundo relata a autoridade fiscal, existe entre eles, na verdade, uma relação jurídica de prestação e tomada de serviços travestida de parceria. Por conseguinte, afirma que a recorrente teria efetivado pagamentos de remuneração, qual seja comissões, em benefício dos corretores independentes, que constituiriam fatos geradores de contribuições previdenciárias a cargo da empresa e destes segurados. Melhor explicando, afirma a fiscalização que os pagamentos que a recorrente alega serem recebidos pelos corretores independentes dos compradores dos imóveis quando da efetivação dos negócios intermediados em razão de serviços de corretagem prestados a estes últimos, tratarseia, na verdade, de remuneração (comissão de corretagem) paga indiretamente pela LPS Brasília aos corretores pela sua atuação no negócio, mas por ela simulados/dissimulados mediante sua transferência aos compradores dos imóveis procurando Fl. 3207DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.162 fazer crer, com esse expediente, que os corretores autônomos teriam prestado serviços para estes últimos, não para a recorrente. A recorrente, por sua vez, contesta essa afirmação, e alega que não há prestação de serviços na relação firmada com os corretores independentes. Argumenta que a legislação vigente – arts. 6º da Lei nº 6.530/78, Decreto 81.871/78, que a regulamenta, e 722 e seguintes do Código Civil que rege a relação jurídica entre imobiliária (corretor pessoa jurídica) e corretores independentes (corretor pessoa física), é incompatível com o modelo de contrato de prestação de serviços. Relembra que desde o tempo do agora derrogado Código Comercial, o corretor é descrito como agente auxiliar do comércio, que não se vincula, no exercício de sua atividade específica, mediante relação de mandato, serviço, ou dependência, conforme expressamente reconhecido pelo art. 722 do Código Civil em vigor. Nessa linha, afirma que a relação que se estabelece entre ela e os corretores independentes é uma relação de parceria entre iguais, que atuam conjuntamente, sob a forma de associação, na intermediação de um mesmo negócio imobiliário. Acrescenta que os corretores independentes, profissionais liberais que são, e as imobiliárias, são juridicamente equiparados pela legislação vigente, e entre eles há uma relação horizontal, não vertical. Pois bem. Entendemos que não há prestação de serviços na corretagem. O objeto da atividade do corretor é aproximar pessoas que pretendem celebrar negócios jurídicos. O corretor é um mediador de negócios e, portando, de fato, um agente auxiliar do comércio. Conforme ensina Pontes de Miranda, “a corretagem é a atividade intermediatriz entre pessoas que desejam contratar, ou praticar para outrem algum ato; é intermediação, em senso largo, assalariada, nas negociações de caráter civil ou mercantil, mas, de ordinário, importa comercialidade dos atos de corretagem, pela natureza dos negócios jurídicos visados. Qualquer corretor que pratique, habitual e profissionalmente, atos de intermediação. É comerciante. O negócio jurídico que resulta do ato de corretagem, é ato de comércio. (Tratado de Direito Privado, vol. 43, Rio de Janeiro: Borsai, p. 333334) (destacamos). No mesmo sentido, esclarece Arnold Wald que “o objeto do contrato de corretagem ou de mediação não é um serviço propriamente dito que o mediador tem de prestar, mas o resultado desse serviço”. Acresce o autor que “os comercialistas reconhecem que ocorre, no caso, uma obrigação de resultado, e não uma simples obrigação de meios”. ("A remuneração do corretor", in Revista dos Tribunais, vol. 561, p. 910). Maria Helena Diniz, por sua vez, ensina: "Os corretores são considerados auxiliares do comércio, ante a acessoriedade de sua atividade de intermediação, que procura estimular o interesse das partes, levandoas a um acordo útil. Os corretores emprestariam uma colaboração técnica à empresa, aproximando comerciantes. O corretor terá a função de aproximar pessoas que pretendam contratar, aconselhando a conclusão do negócio, informando as condições de sua celebração, procurando conciliar os seus interesses. Realizará, portanto, uma intermediação, Fl. 3208DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.163 colocando o contratante em contato com pessoas interessadas em celebrar algum ato negocial, obtendo informações ou conseguindo o que aquele necessita. O contrato de corretagem ou mediação é a convenção pela qual uma pessoa, sem qualquer relação de dependência, se obriga, mediante remuneração, a obter para outrem um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas, ou a fornecerlhe as informações necessárias para a celebração do contrato. O objetivo do contrato de corretagem ou de mediação não é propriamente o serviço prestado pelo corretor, mas o resultado desse serviço. Daí ser uma obrigação de resultado e não de meio.” (Curso de Direito Civil Brasileiro. Volume 3. São Paulo: Saraiva, 2015, p. 471472) Para Washington de Barros Monteiro: “O contrato de corretagem, dadas as suas características, não se confunde com prestação de serviços, o mandato, a comissão ou outro contrato em que haja vínculo de subordinação ou dependência. Sobreleva notar que o contrato de corretagem não tem objeto em si próprio, mas a formação de outro contrato. Cuida o contrato de corretagem de obrigação de resultado, uma vez que o corretor obrigase perante o comitente a obter para este um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas. A remuneração ao corretor só será devida uma vez que tenha conseguido o resultado previsto no contrato de mediação (art. 725 do Cód. Civil de 2002)”. (MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de Direito Civil. Vol. 5. São Paulo: Saraiva, 2009, 337) (destacamos). O contrato de corretagem, assim, é um contrato típico, que tem o seu próprio perfil jurídico. O que se pretende por meio da corretagem não é o "serviço" do corretor, mas o resultado da mediação, isto é, a conclusão do negócio. E a remuneração do corretor somente ocorrerá diante do resultado obtido. Pois bem. Por outro lado, o mesmo Washington de Barros Monteiro esclarece, agora ao tratar do contrato de prestação de serviços, que: "Efetivamente, na prestação de serviços, o trabalhador põe sua atividade à inteira disposição do locatário, mediante remuneração, por conta e risco deste." (Op. cit., p. 231) Ora, percebese nitidamente que o contrato de corretagem não se confunde, em absoluto, com o contrato de prestação de serviços, notadamente no que diz respeito à remuneração. Como vimos, o objeto do contrato de corretagem não é a "atividade" do corretor, mas o resultado dessa atividade, qual seja, a mediação, estando a sua remuneração sujeita ao sucesso do negócio intermediado. A remuneração do corretor somente ocorrerá diante do resultado obtido. Jamais o corretor será remuneradopor ter posto sua atividade à disposição de quem quer que seja e independentemente da obtenção ou não do resultado dessa atividade, como ocorre na prestação de serviços. Assim, não há prestação de serviços na corretagem porque não há uma troca entre a atividade do corretor e a obrigação do incumbente de pagar a corretagem, uma vez que o seu objeto não é o "serviço" que tem que prestar o corretor, a atividade que tem de desenvolver a fim de viabilizar o negócio perseguido, mas sim o resultado dessa atividade, que pode ser alcançado ou não. Fl. 3209DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.164 A atividade do corretor de imóveis é regida pela Lei nº 6.530/78, pelo Decreto nº 81.871/78, que a regulamenta, e pelos artigos 722 e seguintes do Código Civil. O art. 3º, “caput”, da Lei nº 6.530/78 dispõe que “compete ao Corretor de Imóveis exercer a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, podendo, ainda, opinar quanto à comercialização imobiliária”. Ou seja, desempenha o corretor de imóveis, nos termos da lei, atividade de natureza tipicamente mercantil. O art. 722 do Código Civil, por sua vez, dispõe: Art. 722. Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obrigase a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas. Parágrafo único. As atribuições constantes deste artigo poderão ser exercidas, também, por pessoa jurídica inscrita nos termos desta lei. (destacamos) Vejase que a lei é clara no sentido de que na corretagem não há prestação de serviço, assim como não há mandato nem relação de dependência. E onde a lei é expressa, não há lugar para interpretações, como adverte Carlos Maximiliano, citando o catedrático da Faculdade de Direito de Recife, Professor Paula Batista: “Interpretação é a exposição do verdadeiro sentido de uma lei obscura por defeitos de sua redação, ou duvidosa, com relação aos fatos ocorrentes ou silenciosa. Por conseguinte, não tem lugar sempre que a lei, em relação aos fatos sujeitos ao seu domínio, é clara e precisa. Interpretatio cessat in claris". (destacamos) (MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 29) Assim, não há como afirmar que o contrato de corretagem é hipótese de prestação de serviços quando o Código Civil, expressamente, afirma que não é. Atentese para o fato de que esse diploma legal, em seu Título VI, que trata “Das Várias Espécies de Contrato”, regulou em capítulos distintos, quais sejam os capítulos VII e XIII, respectivamente, o contrato de prestação de serviços, a que nos referimos brevemente linhas acima, e o contrato de corretagem, o primeiro disciplinado nos artigos 593 a 609 e o segundo, nos artigos 722 a 729, deixando bem claro que se trata de institutos que, absolutamente, não se confundem nem se relacionam, a não ser pelo fato de se tratar de espécies do mesmo gênero, qual seja contrato. Necessário lembrar, neste ponto, que o Código Tributário Nacional, por sua vez, em seu art. 110, estabelece que a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado. Se nem mesmo a lei tributária pode fazêlo, com muito maior razão não pode haver ampliação do raio de incidência de um tributo com base em interpretação por parte do aplicador do direito. Este tribunal, aliás, já se manifestou no sentido de que não há prestação de serviços na corretagem, conforme se verifica do acórdão de nº 2803003.816: Fl. 3210DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.165 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. CONSTRUÇÃO CIVIL. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS X CONTRATO DE CORRETAGEM. FATO GERADOR NÃO CARACTERIZADO. CONFLITO DE NORMAS. INOBSERVÂNCIA, PELA FISCALIZAÇÃO, DOS COMANDOS DOS ARTIGOS 109, 110 E 142 DO CTN. 1. O cerne da discussão entre as partes litigantes diz respeito a contratos de prestação de serviços (tácitos) firmados pela recorrente e corretores ou consultores imobiliários, sob a ótica da lei previdenciária (art. 22 da Lei nº 8.212/91), conforme entendimento da fiscalização/julgadores de primeira instância, e contratos de corretagem (também tácitos) firmados pelos corretores/consultores imobiliários e os adquirentes de imóveis por intermédio da recorrente, sob a ótica do art. 723 do Código Civil/Lei 6.530/79, que define a área de atuação do corretor imobiliário. 2. Não tendo a autoridade administrativa, verificado, efetivamente, a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como impõe o art. 142 do CTN, tendo em vista que a relação existente entre o sujeito passivo e os corretores/consultores imobiliários não decorre de contrato de prestação de serviço, mas de contrato de corretagem, na forma estabelecida no art. 722 do Código Civil, bem como na Lei nº 6.530, de 1979, a constituição do crédito tributário está eivada de vício material insanável, não merecendo, desse modo, prosperar. 3. Além de a fiscalização ter inobservado a regra matriz para a constituição do crédito tributário, como prevê o art. 142 do CTN, ela também desconsiderou solenemente as previsões contidas nos artigos 109 e 110 do mesmo diploma legal. (...) Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. Compareceu a sessão de julgamento o Advogado Dr. Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/RJ 41.765. Nesse passo, além do art. 722 do Código Civil, necessário transcrever os seguintes dispositivos da legislação que disciplina a atividade do corretor de imóveis: Código Civil Art. 725. A remuneração é devida ao corretor uma vez que tenha conseguido o resultado previsto no contrato de mediação, ou ainda que este não se efetive em virtude de arrependimento das partes. Art. 728. Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. (destacamos) Lei nº 6.530/78 Art 6º As pessoas jurídicas inscritas no Conselho Regional de Corretores de Imóveis sujeitamse aos mesmos deveres e têm os mesmos direitos das pessoas físicas nele inscritas. § 1o As pessoas jurídicas a que se refere este artigo deverão ter como sócio gerente ou diretor um Corretor de Imóveis individualmente inscrito. § 2o O corretor de imóveis pode associarse a uma ou mais imobiliárias, mantendo sua autonomia profissional, sem qualquer outro vínculo, inclusive empregatício e previdenciário, mediante contrato de associação específico, registrado no Fl. 3211DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.166 Sindicato dos Corretores de Imóveis ou, onde não houver sindicato instalado, registrado nas delegacias da Federação Nacional de Corretores de Imóveis. § 3o Pelo contrato de que trata o § 2o deste artigo, o corretor de imóveis associado e a imobiliária coordenam, entre si, o desempenho de funções correlatas à intermediação imobiliária e ajustam critérios para a partilha dos resultados da atividade de corretagem, mediante obrigatória assistência da entidade sindical. 4o O contrato de associação não implica troca de serviços, pagamentos ou remunerações entre a imobiliária e o corretor de imóveis associado, desde que não configurados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício previstos no art. 3o da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1o de maio de 1943. Decreto n° 81.871/78 Art 2º Compete ao Corretor de Imóveis exercer a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis e opinar quanto à comercialização imobiliária. Art 3º As atribuições constantes do artigo anterior poderão, também, ser exercidas por pessoa jurídica, devidamente inscrita no Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Jurisdição. Parágrafo único. O atendimento ao público interessado na compra, venda, permuta ou locação de imóvel, cuja transação esteja sendo patrocinada por pessoa jurídica, somente poderá ser feito por Corretor de Imóveis inscrito no Conselho Regional da jurisdição. Neste ponto, cumprenos anotar que a fiscalização aponta elementos que entende que caracterizariam a relação de prestação e tomada de serviços entre a recorrente e os corretores independentes, como o fato de os corretores cumprirem plantão em stands ou pontos de vendas, de as atividades/cronograma nesses plantões serem coordenados pela recorrente, dos corretores utilizarem camisetas/crachás e se apresentarem como representantes da LPS Brasília aos compradores, bem como de a empresa fornecer toda a estrutura para o desempenho da atividade de venda pelos corretores, o que entende que implica em subordinação desses profissionais em relação a ela. Entendemos que não se deve confundir o regramento das condições que viabilizem a própria realização da atividade buscada, no caso a corretagem imobiliária, com disposições que, necessariamente, subordinem juridicamente os corretores independentes à recorrente. Parecenos natural a necessidade de diretrizes a serem seguidas pelos corretores no atendimento ao público interessado nos imóveis anunciados, tais como uso de crachá, escalas a serem seguidas, revezamento, até para acomodar interesses dos próprios profissionais relativamente a preferências no horário de atendimento em plantões, por exemplo. Também a existência de treinamentos e a uniformidade de procedimentos apenas se traduzem em elementos que visam a padronização de atividades que reforçam a credibilidade transmitida aos potenciais clientes. Assim, o regramento da atividade nos plantões nos parece bastante compreensível, pois caso o esforço de vendas não se concretize de forma satisfatória, a própria Fl. 3212DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.167 recorrente ficará comprometida perante a incorporadora, que poderá não mais requerer os seus serviços. Por outro lado, retornando aos argumentos da defesa, a recorrente procura elucidar no que consiste esse modelo de negócio contestado pela autoridade fiscal, que pratica há anos no mercado imobiliário com a intervenção dos corretores independentes, conforme segue: Em linhas gerais, quando a imobiliária é procurada pelo vendedor do imóvel, a intermediação abrange uma série de prestações acessórias (consultoria, divulgação via internet, desenvolvimento de estratégias comerciais etc.) que contribuem com o posicionamento mercadológico do produto do cliente – isto é, contribuem para o produto tornarse visível ao mercado (ou melhor, acessível ao mercado). Pode suceder, no entanto, de a imobiliária – que recebeu, previamente, uma simples “autorização” do vendedor do imóvel, para anunciar a oferta do negócio ao público – ser procurada pelo comprador do imóvel, hipótese em que a intermediação, além de viabilizar o negócio (pois o comprador, em regra, não possui acesso direto ao vendedor), equivale a um atestado de qualidade quanto ao bem objeto da transação. A intermediação, de fato, não se concretiza apenas com o posicionamento de mercado ou atestado de qualidade (o “patrocínio” realizado pela imobiliária). Não se pode esquecer que todo contrato é, antes de mais, uma relação que se estabelece entre pessoas (pessoas naturais, ou entre pessoas naturais e pessoas jurídicas, ou entre pessoas jurídicas), e é por isto que o parágrafo único do artigo 3º [do Decreto n° 81.871/78] menciona o “atendimento” ao público. É nesta etapa que, como bem notado pelo legislador regulamentar, entra em ação o Corretor Independente. Realizando o corpoacorpo, o contato direto com o cliente comprador, o Corretor Independente concretiza a aproximação daquele com o vendedor (papel que não cabe à imobiliária “patrocinadora”). Daí ter sido perspicaz o legislador ao positivar, por meio do artigo 728 do Código Civil, a relação típica que se estabelece entre os dois tipos de corretores que trabalham, lado a lado, e, sobretudo, por conta própria, correndo os seus próprios e distintos riscos econômicos. (destacamos) Esta última questão, a dos riscos econômicos, é importante para ratificar a consistência da exegese até aqui exposta. Nos casos em que há preposto, o risco da atividade de corretagem é sempre imputado ao preponente. Mas isto não sucede na corretagem imobiliária. A imobiliária “patrocinadora” não responde pelos atos do Corretor Independente, que, agindo como vero corretor de imóveis – não simples “instrumento” de outrem – assume todos os riscos inerentes à sua atividade. Não há como deixar de notar o interesse específico demonstrado pelo corretor com relação ao estabelecimento da associação. Segundo este modelo de negócios, aquele assume riscos próprios de um empresário; todavia, em contrapartida, colocase em posição de receber uma parcela dos lucros da intermediação, auferindo, desse modo, honorários que superam, substancialmente, aqueles que seriam recebidos sob outra estrutura contratual, como, por exemplo, a prestação de serviços ou a relação de emprego. (...) Fl. 3213DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.168 Deve, assim, restar claro que as atividades do corretor pessoa jurídica não coincidem com as do Corretor Independente, como sucederia se houvesse, entre eles, mera prestação de serviços. Não existe, na associação de que ora se trata, qualquer delegação, pela imobiliária, de uma atividadefim ou atividademeio cuja titularidade necessariamente lhe incumbisse. Ao revés, são, as atividades da imobiliária e do Corretor Independente, distintas e complementares. Analisando esse modelo de negócio e cotejandoo com a legislação de regência da atividade dos corretores de imóveis, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas, acima transcrita, constatase que ele se amolda perfeitamente aos aludidos dispositivos legais. No modelo de negócios apresentado, parecenos, de fato, haver uma relação de associação ou parceria, em que a recorrente capta autorizações/permissões para a negociação de produtos imobiliários junto às incorporadoras e, relativamente a elas, assume o compromisso de envidar os esforços de venda das unidades imobiliárias, que pode ou não resultar em efetivo negócio. Tendo em vista a necessidade de que o atendimento ao público comprador seja realizado por corretores pessoas físicas, conforme disposto no art. 3º, p. ún., do Decreto 81.871/78, a empresa efetiva suas vendas em parceria com corretores independentes na intermediação imobiliária, que se dedicam à captação do comprador específico com perfil adequado para o produto imobiliário anunciado. A álea contratual típica do contrato de corretagem se verifica pelo atingimento ou não da meta visada, a venda do imóvel. Ou seja, as atividades da imobiliária e do corretor independente são bem distintas e complementares, e cada um corre os seus próprios riscos econômicos do negócio, uma vez que o contrato de corretagem é um contrato aleatório, que depende de um acontecimento falível, qual seja a concretização do negócio intermediado, para que, nos termos do art. 725 do Código Civil, a remuneração daqueles que atuam na sua intermediação, qual seja a corretagem, seja exigível. E aqui transcrevemos um pequeno trecho do parecer do prof. Marco Aurélio Greco, anexado aos autos pela recorrente, cujo conhecimento não é vedado a este tribunal, uma vez que se trata de tese doutrinária, meramente opinativa. Aludindo ao modelo de negócio praticado pela recorrente, manifestase o professor no sentido de que “esta é a figura de reunião de esforços adotada pela consulente há anos. Somamse esforços de divulgação, exibição, informação tendo por objetivo comum intermediar negócios imobiliários, sem que exista qualquer garantia de que o negócio final venha a ocorrer.” Pois bem. Neste ponto, ainda que a fiscalização não concorde com este modelo de negócio, fato que ele foi validado pelo Superior Tribunal de Justiça recentemente em sede do julgamento do REsp 1.599.511, processado sob o regime do NCPC 1036 (recurso representativo de controvérsia), com publicação aos 06/09/2016, cuja ementa foi assim redigida: RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. DIREITO CIVIL E DO CONSUMIDOR. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. VENDA DE UNIDADES AUTÔNOMAS EM STAND DE VENDAS. CORRETAGEM. CLÁUSULA DE TRANSFERÊNCIA DA OBRIGAÇÃO AO CONSUMIDOR. VALIDADE. PREÇO TOTAL. DEVER DE INFORMAÇÃO. SERVIÇO DE ASSESSORIA TÉCNICOIMOBILIÁRIA (SATI). ABUSIVIDADE DA COBRANÇA. Fl. 3214DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.169 I TESE PARA OS FINS DO ART. 1.040 DO CPC/2015: 1.1. Validade da cláusula contratual que transfere ao promitentecomprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem nos contratos de promessa de compra e venda de unidade autônoma em regime de incorporação imobiliária, desde que previamente informado o preço total da aquisição da unidade autônoma, com o destaque do valor da comissão de corretagem. 1.2. Abusividade da cobrança pelo promitentevendedor do serviço de assessoria técnicoimobiliária (SATI), ou atividade congênere, vinculado à celebração de promessa de compra e venda de imóvel. II CASO CONCRETO: 2.1. Improcedência do pedido de restituição da comissão de corretagem, tendo em vista a validade da cláusula prevista no contrato acerca da transferência desse encargo ao consumidor. Aplicação da tese 1.1. 2.2. Abusividade da cobrança por serviço de assessoria imobiliária, mantendose a procedência do pedido de restituição. Aplicação da tese 1.2. III RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. Desse modo, as alegações da fiscalização e da tese vencedora no julgamento de primeiro grau, de que seria ilegal e abusiva a transferência da obrigação de pagar a corretagem, do vendedor (incorporadora/imobiliária) ao comprador, mediante cláusula contratual, e de que assim, haveria indevida alteração do responsável pelo pagamento da remuneração (corretagem), restou superada por essa decisão do STJ. Considerando os termos do art. 62, § 2º do RICARF, e que essa decisão foi proferida sob o procedimento do art. 1036 do NCPC (recursos representativos de controvérsia), deve ser reproduzida pelos conselheiros nos âmbito dos julgamentos deste Tribunal, pelo que também não há falar em indevida alteração, ainda que indireta, do responsável pelo comprimento da obrigação tributária em decorrência da transferência dessa responsabilidade pelo pagamento da corretagem ao comprador do imóvel, já reconhecida como lícita pelo E. Superior Tribunal de Justiça. Assim, constatase que o modelo de negócio praticado pela recorrente é legítimo, não havendo nada de ilegal no fato de o pagamento da corretagem ser efetivado pelos compradores de imóveis. Também não se há falar em transferência simulada/dissimulada desses pagamentos, até porque há recibos emitidos por corretores juntados aos autos pela recorrente na Impugnação que demonstram que o pagamento da corretagem era efetivado diretamente pelos compradores dos imóveis a esses profissionais (fls. 19701975). Por outro lado, a fiscalização não fez nenhuma prova de que a recorrente tenha, de alguma forma, remunerado os corretores. Nesse mesmo sentido, precedente recente deste tribunal, julgado em janeiro/2018, que tem por objeto a cobrança de IRPF sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas a título de comissão de venda ao profissionais corretores de imóveis e demais pessoas físicas que prestaram serviços à autuada no período de 2010 e 2011, cujo lançamento teve origem na mesma ação fiscal: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2010, 2011 TEMPESTIVIDADE. Sem que haja intimação válida e eficaz conforme o art. 23. do Decreto 70.235/72, considerase válida a intimação somente a partir do momento em que o contribuinte Fl. 3215DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.170 toma ciência do conteúdo do Acórdão de forma eficiente com a abertura de sua caixa postal, não basta a sua remessa na forma de comunicado (documento com caráter meramente informativo, sem trava de funcionamento do sistema), já que este procedimento prejudica de certa maneira a ciência eficiente do contribuinte, quanto ao início do prazo recursal. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. NÃO CABIMENTO. Não há fundamentos para exigir da Recorrente qualquer valor a título de IRRF, pois na situação fática versada nos autos não se trata de pagamentos a profissionais autônomos que tenham recebido por serviços prestados. A Recorrente não é contribuinte ou responsável tributária relativamente às obrigações principais ou mesmo IRRF. Razão pela qual, impossível dela exigir o pagamento do crédito tributário em questão. Quanto a aplicação da multa prevista no inciso I do artigo 44 da Lei n.º 9.430/96, a que faz remissão o artigo 9º da Lei nº 10.426/02, com as alterações constantes da Lei n.º 1.488/200, entendo que ela somente é aplicada quando exigida juntamente com o imposto. Atentese para o fato de que o art. 22, III da Lei nº 8.218/91, dispõe: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (...)." (destacamos e grifamos) Vêse que a hipótese de incidência tributária está absolutamente alinhada com o conceito legal de prestação de serviços do Código Civil, do trabalhador que põe sua força de trabalho à disposição do tomador em troca de remuneração. Ocorre que conforme consta do relatório fiscal, a fiscalização considerou como "fato gerador da obrigação principal a prestação de serviços de intermediação imobiliária mediante o pagamento de remuneração, a título de comissão/premiação de venda, a segurados contribuintes individuais (pessoas físicas: corretores, coordenadores, diretores...) pela comercialização de imóveis ou fração ideal de terrenos vinculada a uma unidade autônoma integrantes dos empreendimentos imobiliários sob a responsabilidade da empresa LPS BRASÍLIA CONSULTORIA DE IMÓVEIS LTDA." (fls. 81). Ou seja, a atividade identificada pela autoridade lançadora como fato gerador, que ela mesma descreve, tratase, em verdade, de corretagem, não de prestação de serviços. Assim, sob qualquer aspecto, não há fundamento para exigir da recorrente nenhum valor a título de contribuição previdenciária, pois na situação fática versada nos autos, não se trata de pagamentos a profissionais autônomos que tenham recebido por serviços prestados, mas pela intermediação imobiliária, pagamentos estes que sequer foram efetivados pelo recorrente, mas pelos compradores dos imóveis. Fl. 3216DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.171 A recorrente, assim, não é contribuinte ou responsável relativamente a obrigações principais relativas a contribuições previdenciárias, razão pela qual é impossível dela exigir o pagamento do crédito tributário em questão. Portanto, não há fato gerador passível de incidência de contribuições previdenciárias no presente caso, pelo que não há o que sustente os autos de infração que, dessa forma, devem ser cancelados. Neste ponto, pedimos vênia para transcrever trecho do Acórdão nº 1201 002.487, da 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária, relatora a Conselheira Eva Maria Los, julgado aos 19 de setembro de 2018, cujo objeto é IRPJ, CSLL, PIS e COFINS decorrentes da mesma fiscalização (mesmos fatos geradores/anoscalendário) que gerou a autuação ora em debate. O acórdão em questão houve por bem dar provimento ao Recurso Voluntário da recorrente e negar provimento ao Recurso de Ofício. E no que entendemos ser relevante para o julgamento do presente caso concreto, pedimos vênia para reproduzir o seguinte trecho da mencionada decisão para que venha integrar este voto como razões de decidir: 48. Verificouse que a Autuada era contratada por empresas construtoras/incorporadoras, para a realizar as vendas das unidades imobiliárias vendidas. (...) 52. Verificouse que tanto a Autuada como os Corretores receberam comissões referentes às vendas efetuadas de imóveis, ou seja, a remuneração foi pelos resultados dos negócios fechados; não há comprovação de pagamentos de salários fixos pelo fato de ficarem os Corretores disponíveis para a Autuada; a tabela montada pelo Autuante e a análise das duas vendas deixaram claro que as comissões recebidas tanto pela Autuada como pelos Corretores, em última análise, saíram do bolso dos compradores, assim como todo o pagamento pela compra, sendo que: a. em alguns casos a Autuada recebeu a comissão da Incorporadora/Construtora que a contratou e os Corretores (o que negociou, mais o coordenador de produto e o coordenador da equipe) receberam o pagamento da comissão pelo comprador; b. em outros, tanto a Autuada como os Corretores foram pagos pelo comprador; c. em outros, a Autuada recebeu a comissão da Incorporadora/Construtora que a contratou, e recebeu também uma parcela do pagamento efetuado pelo comprador, enquanto os Corretores receberam do comprador; d. assim, concluise que a partilha das comissões foi definida para cada negócio, não sendo igual para todos os negócios. e. Eis que o art. 728 do Código Civil, Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002: Fl. 3217DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.172 Art. 728. Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. (...) 55. A atividade imobiliária tem tido desempenho bastante variável no País: 1 (...) 57. A legislação vigente a partir de 2015, veio [ao] encontro [da] forma de atuação mediante a associação entre o corretor de imóveis e as imobiliárias, que já era praticada. 58. De fato, muitas vezes a legislação disciplina situações que se consolidaram, o que é o caso (...). 59. Daí resultou que o arranjo mediante associações entre os Corretores e as pessoas jurídicas imobiliárias, na qual dividem o trabalho e os ganhos resultantes das vendas concretizadas, é o mais vantajoso, dada a flexibilidade; as equipes de vendas são formadas e dissolvidas sem maiores formalidades. (...) 61. A decisão citada do STJ deixou claro que não há ilegalidade em o comprador pagar a comissão diretamente ao Corretor, desde que isso lhe seja esclarecido previamente; nos exemplos descritos nestes autos, evidenciouse que esse esclarecimento é bastante tortuoso, pois, primeiramente, o comprador é informado do preço do imóvel (no qual está embutido o valor da comissão ao Corretor) e, quando do 1 Fonte: Balanço Nacional da Indústria da Construção 2013. CBIC Câmara Brasileira da Indústria de Construção Fl. 3218DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.173 fechamento, toma conhecimento de que o preço efetivo do imóvel é menor e a diferença se trata de comissão ao Corretor de qualquer forma, o comprador fecha o negócio ciente do total que irá desembolsar (que inclui a comissão); quanto à eventual futura apuração de um ganho de capital, se este comprador revender o imóvel, cabe esclarecer que o custo do imóvel será o preço efetivo do imóvel, acrescido da comissão ao Corretor, que pagou, desde que lhe seja fornecido o correspondente Recibo ou Nota Fiscal, o que segundo os autos, é feito. No mais, em que pese as demais discussões a seguir restarem prejudicadas à vista de todos os fundamentos expostos ao longo deste voto, caso esta relatora reste vencida no encaminhamento proposto, cumprenos enfrentar os argumentos subsidiários trazidos para recorrente em seu recurso. Do procedimento de circularização Prosseguindo, a recorrente defende a ilegalidade material do procedimento de circularização levado a efeito pela autoridade fiscal para a coleta de depoimentos de corretores, de compradores de imóveis e de incorporadores que serviram de base para as autuações. Argumenta que essa prova não foi submetida ao contraditório, que testemunhos colhidos sem contraditório não gozam de confiabilidade, podem ser induzidos, que a amostragem foi bastante reduzida, não foi selecionada com base em nenhum critério estatístico válido, dentre outras alegações. A decisão recorrida sustenta que o processo administrativo fiscal é precedido de uma fase inicial, a que chama de inquisitorial, na qual a autoridade administrativa pratica atos de ofício tendentes a verificar a correta aplicação da legislação tributária à situação de fato que podem resultar no lançamento tributário e/ou na aplicação de penalidades. Afirma que nessa fase preliminar, os atos praticados pela autoridade fiscal são unilaterais e não se há falar em contraditório, que somente se instaura após o ato de lançamento regulamente cientificado ao sujeito passivo. Entendemos que se por um lado, os depoimentos colhidos mediante o aludido procedimento de circularização não estão fulminados pelo vício da ilegalidade, por outro lado, eles devem ser tomados com parcimônia, posto que, parafraseando o nobre colega Ronnie Soares Anderson em voto proferido em caso semelhante a este, mas ali se referindo aos laudos técnicos juntados àqueles autos pela recorrente (quais sejam “Laudo Técnico – Pesquisas respondidas pelo público de stands” e laudo de avaliação da LPS Brasília), “é de se ressaltar que não teria[m] sido submetido[s] ao crivo do contraditório, o que implicaria em necessária e considerável cautela ante a sua pretensa utilidade para fins probatórios”. E aqui lembramos, mais uma vez, do que nos ensina Carlos Maximiliano: “onde existe a mesma razão fundamental, prevalece a mesma regra de Direito” (Op. cit., p. 200). Vejase que a jurisprudência de nossos tribunais superiores é firme no sentido de que mesmo as provas colhidas no inquérito policial, procedimento inquisitivo por excelência, devem ser posteriormente corroboradas por provas produzidas durante instrução processual ou desde que sejam repetidas em juízo, mediante procedimento contraditório. No processo administrativo fiscal, em que o contraditório se instaura com a notificação do sujeito passivo do lançamento e consiste apenas em juntar alegações escritas e Fl. 3219DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.174 documentos no exíguo prazo de 30 dias, impõese que a cautela na análise de provas produzidas unilateralmente por qualquer dos envolvidos seja redobrada. Assim, entendemos que não há ilegalidade na prova em si, porém, ela não pode servir de base fundamental à autuação, como parece ter sido o caso dos autos. Reforça, ainda, nosso entendimento o fato de que há depoimentos colhidos na procedimento de circularização contrários à tese defendida pela autoridade fiscal que foram, de fato, desprezados sem que ela, ao menos, declinasse o porquê. Com efeito, a autoridade fiscal alega que os corretores circularizados esclareceram que prestavam serviços à recorrente, geralmente em stands de vendas ou na sede da empresa, dentre outros argumentos que a levaram a concluir que entre eles haveria uma relação de prestação e tomada de serviços. Pois bem. Ocorre que dentre os depoimentos coletados, também há os que são no sentido de que os corretores não prestavam serviços à recorrente, mas sim de que mantinham com ela uma relação de parceria comercial (fls. 2338/2344). Não há sequer menção a respeito desses depoimentos no relatório fiscal, o que era de rigor, caso se pretendesse atribuir confiabilidade à mencionada prova. Mas não foi o que aconteceu. Assim, entendemos que não há ilegalidade que macula a prova produzida via procecimento de circularização, porém há uma série de senões que, no nosso entendimento, colocamna, no mínimo, sob suspeição. Do arbitramento No que diz respeito à ilegalidade do arbitramento, entendemos que assiste razão à recorrente. Com fundamento no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, c.c. o art. 148 do CTN, ao argumento de que houve apresentação deficiente dos elementos solicitados via intimação, a autoridade fiscal lançou os valores devidos, arbitrando a remuneração que teria sido paga pela recorrente aos corretores, base de cálculo das contribuições. Valeuse do procedimento de aferição indireta, utilizando como parâmetro os valores de comissão/premiação de corretagem recebidos pela recorrente relativos à intermediação imobiliária promovida para as incorporadoras/vendedoras Real Engenharia S/A, Real Celebration Engenharia Ltda., Real Evolution Engenharia Ltda., Real Ilhas Mauricio Engenharia Ltda. e Real Splendor Engenharia Ltda. informados por ela nas Declarações de Informação sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) dos anoscalendário 2010 e 2011 e na conta contábil 311000 (Intermediação de Venda). Considerando a previsão de divisão de comissão entre corretores e/ou empresa imobiliária em 50% para cada parte, conforme Tabela de Honorários publicada no sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região (CRECI/DF), considerou como remuneração paga aos corretores e demais pessoas físicas o mesmo valor da comissão/premiação recebida pela empresa Lopes Royal e registrado na DIMOB 2010 e 2011 e na mencionada conta contábil. Ocorre que o critério utilizado não tem relação lógica com a realidade. Segundo se pode extrair do Relatório fiscal, a autoridade fiscal sugere que as remunerações dos corretores independentes seriam exatamente iguais àquelas da recorrente, pois haveria um Fl. 3220DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.175 sistema de rateio de 50%/50%, empregado no mercado de corretagem imobiliária. Segundo a autoridade fiscal, este critério de rateio está previsto na Tabela de Honorários do CRECI. De fato, o CRECI estabelece uma razão (percentual) para divisão da corretagem entre imobiliária e Corretores Independentes. No entanto, “corretagem” não é “remuneração” e “divisão” não é “pagamento”; como bem esclarece a recorrente, na fixação desses percentuais, o CRECI acolheu o entendimento da legislação especial e dos usos e costumes da prática da corretagem imobiliária, segundo o qual há rateio no valor da comissão de corretagem quando intervenha imobiliária (corretor pessoa jurídica) e corretores independentes na intermediação do negócio imobiliário. Não se está tratando, no caso, de pagamento de remuneração, porque não há prestação de serviços que enseje o pagamento de remuneração. Assim, se a fiscalização afirma veementemente haver prestação de serviços na relação havida entre corretores independentes e a recorrente, não poderia se valer do valor de corretagem para arbitrar o suposto valor recebido a título de remuneração pelos supostos serviços prestados, pois implica em superavaliação da base da cálculo do tributo exigido. Com efeito, a própria natureza de uma relação de prestação de serviços, em que o profissional exerce sua atividade sem assunção dos riscos do negócio, ou seja, sem compromisso quanto à obtenção do resultado, evidentemente implica em auferir ganho muito menor a título de remuneração em comparação àquele profissional que assume os riscos de sua atividade para, em contrapartida, receber uma parcela dos lucros do negócio, no caso, da intermediação, como no caso dos corretores. Vejase que isso não destoa da lição de Washington de Barros Monteiro acerca do que consiste a prestação de serviços, que pedimos vênia para reproduzir novamente, por sua relevância no entendimento da questão ora enfrentada: na prestação de serviços, o trabalhador põe sua atividade à inteira disposição do locatário, mediante remuneração, por conta e risco deste. Assim, se há, de fato, relação de prestação e tomada de serviços entre a recorrente e os corretores independentes, tomar como parâmetro para a fixação da remuneração por supostos serviços prestados àquela por estes o valor da corretagem recebida pela intermediação nos negócios efetivados no período fiscalizado afronta o princípio da razoabilidade/proporcionalidade por se revelar, no mínimo, evidentemente, excessiva. A Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispõe, em seu art. 2°, que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Vejase que a própria fiscalização argumenta, seguida pela decisão recorrida, que considerando que os valores pagos a título de comissão/premiação para os integrantes das equipes de venda (corretores pessoa física) são normalmente superiores aos valores pagos à imobiliária (corretor pessoa jurídica), o critério de aferição indireta adotado para apurar o valor da remuneração paga aos corretores e demais profissionais pessoas físicas se demonstra justo, razoável, prudente. Donde se conclui, à luz do se tem, efetivamente, por prestação de serviços, que a situação retratada, de fato, se trata, de parceria, e a "remuneração" a que alude a fiscalização é, na verdade, rateio de corretagem, pelo que o critério adotado para arbitramento da suposta "remuneração" é desproporcional e, consequentemente, ilegal. Fl. 3221DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.176 Do lançamento da cota dos segurados A recorrente também alega improcedência do lançamento da cota dos segurados em razão da inobservância do limite do salário de contribuição. A autoridade fiscal argumenta que não foi observado o limite máximo do salário de contribuição para o cálculo das contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais (corretores, coordenadores, diretores...) em função da empresa ter deixado de apresentar a relação individualizada dos corretores e demais membros das equipes de venda (nome, CPF, CRECI etc.) com as respectivas remunerações pagas/creditadas ou qualquer documentação comprobatória do pagamento da premiação/comissão de corretagem a esses profissionais. A DRJ respaldou o procedimento adotado pela fiscalização argumentando que a própria recorrente a ele deu causa com a sua omissão em fornecer os documentos e esclarecimentos necessários para que fosse possível a apuração individualizada dos valores pagos aos corretores e, consequentemente, para que pudesse ser calculada a contribuição dos segurados e obedecido o referido limite. Discordamos desse posicionamento. Com efeito, a observância do salário de contribuição é mandamento legal insculpido no art. 258, III e § 5º da Lei nº 8.212/91, que dispõe: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; (...) §5º O limite máximo do saláriodecontribuição é de Cr$ 170.000,00 (cento e setenta mil cruzeiros), reajustado a partir da data da entrada em vigor desta Lei, na mesma época e com os mesmos índices que os do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (…)". No caso de falta de informações, a autoridade fiscal poderia, observados os parâmetros legais, valerse do procedimento de arbitramento, tal como fez para arbitrar a base de cálculo do tributo cobrado. Mas não está autorizada a descumprir o teto do salário de contribuição, como se essa providência se tratasse de penalidade pela não apresentação de documentos à fiscalização, o que não é o caso, razão pela qual deve ser dado provimento ao recurso da recorrente neste ponto. Da multa de ofício A recorrente contesta, ainda, a qualificação da multa de ofício, com fundamento no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c.c. arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Fl. 3222DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.177 A autoridade fiscal justifica a qualificação da multa ao argumento de que a recorrente teria atuado “no intuito de fragmentar as etapas de comercialização de imóveis (...) por meio de atos simulados/dissimulados, ao agir no sentido de fazer crer que os corretores autônomos prestam serviços para os compradores de unidades imobiliárias (...)”. Afirma, ainda, que a transferência da responsabilidade pelo pagamento da comissão da venda aos compradores dos imóveis tem "o claro objetivo de se eximir do pagamento dos encargos tributários devidos na operação", especialmente de contribuições previdenciárias. No entanto, nos termos dos dispositivos legais mencionados, a qualificação da multa exige sejam demonstrados suficientes indícios de ação dolosa do agente que se ajuste, ao menos, a um daqueles casos, que preveem hipóteses de sonegação, fraude e conluio. Porém, a validade da transferência de responsabilidade pelo pagamento da comissão de corretagem da incorporadora/imobiliária ao comprador do imóvel é matéria sobre a qual havia considerável controvérsia, seja na esfera administrativa, seja na judicial, tanto que ensejou a afetação do julgamento da questão pelo Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática do art. 1036 do NCPC e seguintes, que traça o procedimento para o julgamento dos ditos “recursos repetitivos”, recursos múltiplos que têm por objeto a discussão da mesma questão de direito. Percebese, assim, que a questão debatida estava sujeita a discussão jurídica relevante e interpretações divergentes, de modo que não se pode imputar à recorrente atuação dolosa visando a sonegar tributos, até porque tanto a tese por ele defendida é muito razoável, que foi reconhecida em 2016 pelo STJ, no aludido julgamento, em recurso repetitivo, a validade da cláusula contratual que prevê o pagamento da comissão ao corretor pelo comprador do imóvel, desde que previamente informado o preço do total da aquisição, com destaque do valor da comissão. Desse modo, as alegações da autoridade fiscal, de que essa prática teria natureza simulatória voltada à elisão fiscal, não se sustenta. Tratase, assim, de prática que foi reconhecida como legítima e no que se refere à informação prévia ao comprador, é questão que só pode ser avaliada em cada caso concreto, o que extrapola os limites desta lide. Desse modo, não há elementos no auto de infração para respaldar a qualificação da multa de ofício. Dos juros de mora sobre a multa de ofício No que concerne aos juros sobre a multa de ofício, art. 161, “caput” do CTN dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. O art. 142, “caput”, também do CTN, por sua vez, dispõe que “compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato Fl. 3223DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.178 gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. Pois bem. Conforme se extrai do dispositivo legal acima, o crédito tributário compreende o “montante do tributo devido” e, quando aplicada, também a “penalidade”, qual seja a multa. Assim, é a esse “crédito” a que, mais adiante, alude o art. 161, referindose ao crédito tributário que, não pago no vencimento, está sujeito aos encargos da mora. Portanto, a incidência dos juros sobre as multas que eventualmente componham o crédito tributário está prevista no CTN. A jurisprudência do STJ firmouse nesse sentido, conforme precedente abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Do REsp nº 1.129.990/PR (2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 14/9/2009 (AgRgREsp nº 1335688/PR, 1ª Turma, rel. Min. Benedito Gonçalves, j. 04/12/2012, DJe 10/12/2012) Transcrevemos, a seguir, trecho do voto condutor do acórdão: De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. É dizer, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Este, aliás, é o entendimento consolidado deste tribunal administrativo, constante do enunciado de nº 108 da súmula de sua jurisprudência, de teor vinculante, abaixo reproduzido: Fl. 3224DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.179 Enunciado nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA LPS BRASIL CONSULTORIA DE IMÓVEIS S/A. De acordo com o relatório fiscal e termo de sujeição passiva solidária, foi imputada responsabilidade tributária à LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A., com fundamento nos arts. 124, I do CTN e art. 30, IX da Lei nº 8.212/91. De acordo com o art. 124, I do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e, a esse respeito, ensina Hugo de Brito Machado que “o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação, cuja presença cria a solidariedade, não é um interesse meramente de fato, e sim um interesse jurídico”. (Curso de direito tributário. São Paulo: Malheiros, 2004, p. 151). Ou seja, a atribuição de responsabilidade solidária com fundamento no interesse comum demanda elementos adicionais que não a mera participação societária, ainda que majoritária, de uma pessoa jurídica em outra. O interesse comum se verifica a partir do vínculo de cada sujeito com o fato jurídico tributário. Há de haver vínculo direto e estreito com tais fatos. Não há como pressupor que o fato de ser sócio de uma empresa, que denota identidade de interesse econômico entre os sócios e a sociedade, implique necessariamente na existência de interesse jurídico comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária em discussão nestes autos, decorrente da efetiva venda de unidades imobiliárias, uma vez que se fosse assim, em todo lançamento tributário, a solidariedade entre sócios e sociedades haveria de ser suscitada, o que não acontece na realidade. Com relação ao art. 30, IX da Lei nº 8.212/90, que dispõe que “as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei”, entendemos que também à luz deste dispositivo, a sujeição passiva somente pode alcançar aqueles que tenham praticado ato ou negócio que constitua fato gerador da obrigação tributária ou que na sua prática tenham participado de forma concreta. Nesse sentido, ensina a doutrina que: “o art. 30, IX da Lei 8.212/91 apenas pode ser utilizado para impor a responsabilidade tributária solidária à sociedade controladora ou ao órgão de direção do grupo, com fundamento no art. 124, II e 128 do CTN, quando constatado, mediante provas concretas a cargo do Fisco, que elas atuaram concretamente junto à sociedade contribuinte de forma a determinar a realização do fato gerador e decidir pelo (des)cumprimento das obrigações tributárias. Preconizase assim a interpretação do art. 30, IX da Lei 8.212/91 em conformidade com as normas constitucionais de imposição do encargo tributário e com o CTN (art. 124, II c/c art. 128), para admitir que esse dispositivo legal imputa responsabilidade solidária apenas às sociedades de um mesmo grupo que concretamente participaram da ocorrência do fato gerador e do cumprimento das respectivas obrigações tributárias, por meio de determinações concretas junto à sociedade contribuinte tomadas na qualidade de centro decisório, não bastando, para tanto, a atuação meramente diretiva e indicativa dos objetivos do grupo sem Fl. 3225DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.180 interferência direta na administração das sociedades integrantes.” (BREYNER, Frederico Menezes. Responsabilidade tributária das sociedades integrantes de grupo econômico. Revista Dialética de Direito Tributário, v. 186, São Paulo, 2011) Este tribunal também já se manifestou nesse sentido, conforme precedente a seguir citado: NÃO COMPROVAÇÃO DE CIENTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE ACERCA DA AUTUAÇÃO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. É nula a decisão na qual não se tenha dado ao contribuinte a possibilidade de exercício do seu direito de defesa, não constando nos autos cópia do AR no caso de intimação postal. MÉRITO. DECISÃO EM FAVOR DO SUJEITO PASSIVO A QUEM APROVEITARIA A DECLARAÇÃO DE NULIDADE. Não será decretada a nulidade do auto de infração em razão do disposto no art. 59, parágrafo 3º, do Decreto 70.235/72 que informa que, quando se puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, bem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. Existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. Recurso voluntário Provido (Acórdão nº 2403002.180) Assim, não deve ser mantida a imputação de responsabilidade solidária à LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS DE WILDEMAR ANTONIO DEMARTINI E MARCO ANTONIO MOURA DEMARTINI A atribuição de responsabilidade solidária aos sócios da autuada Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini, fundamentada nos arts. 124, I, e 135, III do CTN, foi fundamentada da seguinte maneira no relatório fiscal: 78. O sr. Wildemir Antonio Demartini, sócio da LPS Brasília desde o início de sua atividade, sempre exerceu o papel de Diretor Geral e Responsável Técnico da empresa junto ao CRECI, bem como o sócio minoritário Marco Antônio Moura Demartini sempre se manteve no exercício do cargo de Diretor Administrativo, com poderes para praticar todos os atos necessários ao bom e regular funcionamento da empresa sob ação fiscal. Já o sr. Marcello Rodrigues Leone exerce o cargo de Diretor financeiro na LPS Brasília e de Diretor sem vínculo empregatício na LPS Brasil. Fl. 3226DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.181 79. Sendo assim, as sócias pessoas físicas e jurídica demonstradas na planilha acima por integrarem o quadro Societário e participarem do Capital Social e da Administração da empresa LPS BRASÍLIA, assim como, por participarem conjuntamente com a empresa autuada da ilegalidade e abusividade ao transferir para o comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos, foram arroladas como responsáveis solidárias dos créditos tributários lançados no contribuinte ora fiscalizado. Como já expusemos linhas acima, segundo o art. 124, I do CTN são solidariamente obrigadas apenas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal, interesse comum este que há de ser um interesse jurídico e não meramente econômico. O art. 135, III do CTN, por sua vez, estabelece a reponsabilidade pessoal dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Assim, verificase que o mencionado dispositivo legal exige, para que seja aplicável, a comprovação da prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos que resulte em obrigações tributárias. Não há, nos autos, menção expressa à atuação dos sócios com excesso de poder ou em desconformidade com os estatutos sociais da empresa, restando, assim, a prática de atos com infração à lei como fundamento a solidariedade tributária. Ocorre que o procedimento que lhes é imputado e tido pela autoridade fiscal como ilegal, e que justificou a responsabilidade solidária, qual seja “participarem conjuntamente com a empresa autuada da ilegalidade e abusividade ao transferir para o comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos”, teve sua legalidade reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de julgamento de recurso repetitivo. Desse modo, também neste caso, a imputação de responsabilidade solidária aos sócios da autuada não deve ser mantida. Conclusão Assim, diante de todo exposto, voto por dar provimento aos recursos voluntários de LPS BRASÍLIA Consultoria de Imóveis Ltda., Wildemir Antônio Demartini, Marco Antônio Moura Demartini e LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 3227DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.182 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio da Silva Redator Designado Não obstante os fundamentos do voto condutor, pedese vênia para discordar parcialmente da ilustre relatora, especificamente i) quanto à natureza da relação estabelecida entre a autuada e os profissionais corretores de imóveis pessoas físicas envolvidos; ii) quanto ao critério de arbitramento da base de cálculo utilizada; e iii) quanto à indicação de responsável solidário. Quanto à natureza da relação entre a autuada e os corretores de imóveis contratados As circunstâncias da relação de trabalho sob exame assemelhase ao caso objeto de decisão no Acórdão de Recurso Voluntário 2401005.661, de 07 de agosto de 2018, envolvendo a imobiliária LPS SUL Consultoria de Móveis Ltda, cujo preciso voto vencedor, de lavra do Conselheiro Cleberson Alex Friess, decidiu pela ocorrência de prestação de serviço envolvendo corretores de imóveis pessoas físicas e outra imobiliária pertencente à mesma rede, classificando os profissionais envolvidos como contribuintes individuais pessoas físicas, prestadores de serviço da citada imobiliária. Aqui, como naquele caso, é importante direcionar a análise da matéria controvertida aos fatos efetivamente ocorridos, privilegiando a verdade real, foco do processo administrativo, sem se prender a maiores digressões ou justificativas teóricas quanto ao vinculo formal declarado nos feitos firmados entre as partes envolvidas. Não se discorda da possibilidade que a relação entre imobiliária e corretores, em tese, possa resultar num efetivo contrato de parceria ou associação, consubstanciado na existência de uma efetiva cooperação e independência entre as partes envolvidas, sem que haja qualquer controle ou ingerência da pessoa jurídica nas atividades de corretagem executada pelos contratados, de forma a afastar de tal relação o conceito de prestação de serviços. No entanto, não é o que se verifica do caso vertente, que deu ensejo à lavratura do auto de infração, por meio do qual a fiscalização lançou de oficio o crédito previdenciário discutido, relacionadoo a rendimentos pagos em decorrência de efetiva relação de trabalho (prestação de serviços) entre a imobiliária e corretores pessoas físicas a seu serviço, na condição de contribuintes individuais autônomos. A recorrente é uma empresa que faz parte de um grande grupo nacional da área imobiliária (cuja controladora é a LPS Brasil), exercendo a atividade de intermediação de compraevenda de imóveis de terceiros, na região do Distrito Federal. Para viabilizar a sua atividade negocial, a recorrente firmou com um grande número de corretores autônomos o denominado "instrumento particular de parceria comercial", atribuindo a tais profissionais o adjetivo de "corretores parceiros". Entretanto, ao examinar o conjunto probatório coletado no procedimento fiscal, verificase o acerto da fiscalização ao concluir que, na prática, os corretores contratados não atuavam efetivamente em regime de parceria com a imobiliária, mas sim como prestadores de serviços autônomos, envidando esforços, em nome da fiscalizada, na aproximação entre comprador e vendedor, mediante o recebendo de retribuição variável. Fl. 3228DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.183 A fiscalização junta aos autos, por amostragem, diversos instrumentos contratuais relacionados à suposta parceria comercial firmada entre a imobiliária e os corretores envolvidos, documentos estes que estampam cláusulas idênticas, sempre voltadas a resguardar a imobiliária em relação à autuação dos corretores contratados, evidenciando, assim, não se tratar de efetiva relação de parceria, firmada entre iguais, mas de estipulações impostas unilateralmente pela parte mais forte, como prérequisito autorizativo para os corretores exercerem suas atividades em nome da empresa. A verticalidade da relação entre imobiliária e os corretores contratados (relação hierárquica) resta clara ao analisar as respostas ofertadas aos questionamentos encaminhados pela auditoria em diligencia realizada junto aos compradores de imóveis, corretores e demais profissionais que aturam na venda dos imóveis no período. Nessas respostas ficam claras as seguintes circunstâncias da atividade exercida: Os corretores identificavamse como representantes da imobiliária (informação ratificada em diligência junto aos compradores); A imobiliária não entregava ao corretor cópia do "contrato de parceria" com ele firmado; O corretor usava camiseta, crachá, cartão de visitas, material de divulgação e formulários com logotipo da imobiliária (informação ratificada em diligência junto aos compradores); Os corretores eram escalados pela empresa para permaneceram em plantão nos estandes de venda da imobiliária (estandes personalizado com logotipo da imobiliária); Os corretores recebiam treinamentos obrigatórios prestados pela imobiliária e também eram obrigados a participar de reuniões na sede da empresa; Os serviços de corretagem dos profissionais eram prestados com exclusividade perante a imobiliária; Havia uma linha hierárquica funcional na empresa, onde existiam coordenadores, gerentes e diretores de venda, de forma que os corretores restavam naturalmente inseridos no contexto da atividade da empresa. obs: De todos os questionários retornados pelos corretores diligenciados, somente dois corroboram a tese de defesa da empresa, vale destacar: a resposta ofertada pelo Sr. ROGÉRIO DE OLIVEIRA (que ocupava o cargo de diretor empresa ao tempo do envio de sua resposta) e a encaminhada pelo Sr. CARLOS HENRIQUE PEIXOTO DE ALMEIDA, único profissional que apresentou a sua cópia do contrato de parceria firmado com a imobiliária (documento não entregue pela empresa aos demais contratados), evidenciando, assim, trataremse de pessoas da confiança da direção da fiscalizada. É de se destacar que a realidade acima resumida, obtida a partir de vários elementos que a fiscalização reuniu durante a auditoria, implica um contexto fático que não coaduna com a ideia de coordenação horizontal entre as partes independentes. Fl. 3229DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.184 Por certo a organização, o gerenciamento e a padronização de serviços prestados traziam maior credibilidade junto aos potenciais compradores, caracterizandose como algo imprescindível para o desenvolvimento das funções de intermediação da imobiliária, cujo trabalho executado de outra forma resultaria infrutífero, gerando insatisfação das incorporadoras e construtoras contratantes. De acordo com o modelo de negócios da recorrente, os pagamentos das comissões aos corretores de imóveis eram efetuados pelos próprios compradores, geralmente por intermédio de cheques, não havendo saída de recursos do caixa da imobiliária, porém, conforme foi relatado nas respostas obtidas nas diligências, tais valores eram mantidos sob a guarda da imobiliária até o momento do efetivo fechamento do negócio, sendo só então repassado ao corretor responsável pela intermediação. A sujeição passiva da contribuição previdenciária patronal diz respeito ao tomador de serviço, para o qual o segurado contribuinte individual presta efetivamente sua atividade remunerada no decorrer do mês (art. 22, inciso III, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991) e pela regra matriz de incidência, o tomador de serviço mantém relação pessoal e direta com a situação que constituí o fato gerador, isto é, com a prestação de serviço pelo trabalhador. Nesse contexto, a pessoa que efetua o pagamento da remuneração ao corretor de imóveis, por si só, é irrelevante para alterar o polo passivo da relação tributária e a obrigação pelo recolhimento do tributo. O ônus financeiro suportado pelo comprador, por convenção entre as partes, é resultado da assunção do custo da comissão de corretagem devida pela imobiliária e caso o adquirente não pague diretamente a corretagem, o custo estará embutido no preço total da compra e venda, de maneira análoga ao que acontece tantas situações do cotidiano do consumidor. A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial (REsp) n° 1.599.51 l/SP, julgado em 24/08/2016, de fato, proferiu decisão pela validade da transferência para o adquirente do encargo relativo à comissão de corretagem nos contratos de promessa de compra e venda de unidade imobiliária, desde que prevista de forma clara e transparente no contrato, no entanto, vale ressaltar, o Tribunal não decidiu que o corretor de imóveis executa serviços para o adquirente ou que entre corretores e imobiliárias não pode haver relação de prestação de serviços. Assim, não há dúvidas que os corretores autônomos no caso em apreço prestaram serviços à LPS Brasília, posto que tais profissionais representavam a imobiliária contratante, conforme evidencia os uniformes, crachás, cartões de visita, reuniões e cursos patrocinados pela empresa, enfim, de acordo com todas as circunstâncias envolvendo a atividade prestada, estando o corretor, por certo, impedido de oferecer imóveis da carteira de outras imobiliárias, com as quais eventualmente mantinha relação, aos interessados que o procuravam no plantão da imobiliária contratante, fato que por si só afasta a sua independência. Ao lado disso, é certo e a experiência comum mostra que o comprador não se desloca a um "plantão de vendas" com o objetivo de contratar serviços de intermediação de um corretor de imóveis, mas sim porque efetivamente está interessado em adquirir um imóvel, sendo inadequado afirmar que tal corretor presta serviços ao comprador, quando a imagem, o local de trabalho e atuação do profissional demonstram que está a serviço da imobiliária. Ademais, o conjunto probatório trazido aos autos pela empresa não evidência a independência e a coordenação nas funções de intermediação que deve permear a Fl. 3230DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.185 relação entre imobiliária e corretor de imóveis associado, pelo contrário, conforme demonstrado, os fatos narrados e documentos juntados aos autos acentuam a ligação dos corretores à imobiliária na condição de prestadores de serviço autônomo. Assim, devese entender que a remuneração percebida pelos corretores ante as vendas dos imóveis envolvidos (comissão), referese à prestação de serviços para a empresa imobiliária, na condição de segurado contribuinte individual, nos termos do art. 22, III,da Lei n° 8.212/91, e não para o cliente comprador. Quanto ao critério de arbitramento da base de cálculo Quanto ao arbitramento da base de cálculo, consta dos autos que a auditoria objetivamente intimou a fiscalizada a apresentar o valor da comissão paga aos corretores que intermediaram as operações de compraevenda de imóveis (fls 648), sem que a fiscalizada se dispusesse a colaborar com o fisco, sob o argumento de que não dispunha de tais informações, já que se tratavam de corretores independentes e, como tais, remunerados pelos seus clientes. Tal argumento da empresa, no entanto, mostrouse falacioso ao analisar as respostas dos trabalhadores diligenciados ao longo da fiscalização, pois, conforme consta de tais respostas (e documentos constantes dos autos), o efetivo pagamento do trabalho dos corretores era realizado pela própria imobiliária, que retinha os valores pagos pelo compradores até o fechamento do negócio, para então, ela própria, proceder o repasse do valor ao corretor responsável. Vale ressaltar, no entanto, que mesmo que a empresa efetivamente não dispusesse de tais informações para repassar ao fisco, nos termos do 33, §3º e 6º, da Lei 8212/91, seria obrigatório realizar o arbitramento da base de cálculo, por meio de aferição indireta. Art. 33.(....) § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (....) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração Fl. 3231DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.186 dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (...) Assim, a fim de evitar que a fiscalizada tirasse proveito de sua própria omissão, não restou alternativa à auditoria que não escolher um meio objetivo para aferir o valor repassado aos corretores e, para tanto, mantendo coerência com a forma de remuneração alegada pela própria empresa (que afirmou que a remuneração dos corretores se deu em regime de parceria), utilizou a Tabela de Honorários extraída do sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região (CRECI/DF), que prevê o rateio da comissão de vendas entre imobiliária e corretor no percentual de 50% para cada lado. Vale destacar que a empresa poderia, nas diversas oportunidades de defesa apresentadas, juntar provas que demonstrassem os efetivos valores pagos aos trabalhadores, mas preferiu indisporse tãosomente contra o critério de arbitramento utilizado, sem trazer aos autos elementos que demonstrassem o desacerto da auditoria quanto à base de cálculo utilizada. Sendo assim, entendese que não cabe correção ao critério de arbitramento adotado pela auditoria. Quanto à responsabilidade solidária da LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A Sobre a questão da responsabilização solidária, embora este Conselheiro tenha votado pelo afastamento da responsabilidade das pessoas físicas e demais empresas apontadas pela auditoria, entendese correta a inclusão e manutenção da LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A como responsável solidária da fiscalizada no caso sob exame, uma vez que se trata de empresa controladora de todas as demais empresas do grupo, de forma que reflete em sua demonstração todo o resultado positivo obtido pelas empresas sob seu controle. Vale ressaltar, ainda, que a conduta perpetrada pela fiscalizada no caso em apreço não foi isolada, isto é, existem diversos outros lançamentos fiscais similares a este (P.Ex. 11080.725464/201591) realizados em outras empresas do grupo, fazendo crer que se trata de procedimento realizado por orientação dos controladores da empresa. Assim, nos termos do art 124, I, do Código Tributário Nacional, entendese correto o enquadramento da LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A como devedora solidária da obrigação lançada. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de considerar ocorrido o fato gerador, correto o critério de arbitramento utilizado pela auditoria e pela manutenção da responsabilidade solidária da LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, dando assim PROVIMENTO PARCIAL aos recursos voluntários apresentados, acompanhando a Sra. Conselheira relatora quanto às demais matérias examinadas. (Assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva – Redator designado Fl. 3232DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.187 Declaração de Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. Em que pese as bem fundamentadas razões de decidir da Conselheira Relatora quanto ao tema relacionado à aplicação o artigo 24 da LINDB ao caso em tela, dela ouso a discordar. Em resumo, entendeu a relatora que embora o dispositivo supra citado não tivesse trazido proveito concreto ao recorrente, seria admissível sua aplicabilidade ao contencioso fiscal. Não vejo dessa forma. No intuito de expressar meu posicionamento quanto à matéria, peço licença para colacionar excerto do voto do Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, lido na sessão de 7/5/19, relativo ao acórdão 2402007277 (PAF 16327.720633/201580). Confirase: Basicamente, e no entender da recorrente, a revisão quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, deve levar em consideração as orientações gerais da época, entre as quais se incluiria a jurisprudência judicial ou administrativa, tendo em vista a norma do art. 24 da LINDB. Vejase o texto legal: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas.(Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público.(Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Em sendo assim, e de acordo com a tese do sujeito passivo, a observância do artigo retro mencionado implicaria afastar os efeitos do lançamento. No entanto, entendo que o Código Tributário Nacional tem norma específica que regulamenta os efeitos das decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, os quais, inclusive, não coincidem com os efeitos a que se pretende atribuir através do art. 24 da LINDB. Fl. 3233DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.188 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Sobre esse dispositivo, segue a inexcedível doutrina do Prof. Luís Eduardo Schoueri: Devese atentar que meras decisões de órgãos julgadores administrativos não são as "normas complementares" a que se refere o Código. Apenas aquelas cuja eficácia normativa seja assegurada por lei é que ali estariam. Assim, por faltar lei federal que dê eficácia normativa às decisões administrativas, em processos administrativos em geral não pode o contribuinte invocar, como razão para a adoção de determinado comportamento, o fato de um colegiado administrativo, em determinado caso, ter adotado tal entendimento. A tal contribuinte não virá em socorro o parágrafo único do artigo 100 do Código Tributário Nacional. Sua adoção consistente, entretanto, poderá indicar "prática reiterada", como se verá abaixo. Tratandose solução de consulta Cosit ou solução de divergência, seu efeito vinculante é assegurado no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, respaldando o sujeito passivo que a aplicar, independentemente de ser o consulente, nos termos do artigo 9º da Instrução Normativa (RFB) n. 1.396/2013, na redação dada pela Instrução Normativa (RFB) n. 1.434/20132. 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 133. Fl. 3234DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.189 Quer dizer, em confronto com o art. 100, a recorrente pretende atribuir eficácia normativa às decisões do Conselho, com efeitos ainda mais extensos do que aqueles atribuídos pelo Código (o art. 24 afastaria todo o lançamento, diferentemente do art. 100), o que me parece equivocado. Vejase que a observância das decisões a que a lei atribua eficácia normativa excluiria a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização monetária, mas não o próprio tributo; e a doutrina retro mencionada evidencia que, "por faltar lei federal que dê eficácia normativa às decisões administrativas, em processos administrativos em geral não pode o contribuinte invocar, como razão para a adoção de determinado comportamento, o fato de um colegiado administrativo, em determinado caso, ter adotado tal entendimento". O art. 146, inc. III, da Constituição Federal, preleciona que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, entre as quais se inclui a norma do art. 100 do CTN, que enumera as normas complementares das leis, das convenções internacionais e dos decretos. Além disso, o próprio art. 146 do Código é claro ao determinar que a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução, de tal forma que tal modificação tem efeitos prospectivos, e não retroativos, ao contrário do que pretende fazer crer a recorrente. Por outro lado, a interpretação da recorrente não resiste às normas processuais que tratam, entre outras questões, das decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade, dos enunciados de súmula vinculante, dos acórdãos em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos, etc, estes sim de observância obrigatória por parte deste Conselho, ex vi do disposto no art. 62 do seu Regimento Interno. No mais, adiro às seguintes razões de decidir, do voto proferido pelo ilustre Conselheiro Daniel Ribeiro Silva, no PAF 16561.720065/201382, neste ponto julgado por unanimidade de votos: Não há como negar que o valor que se busca com tal norma é nobre, qual seja, o de garantir a segurança jurídica, em especial aos contribuintes que acabam por serem obrigados a interpretar e aplicar uma legislação tributária absolutamente complexa. Entretanto, entendo que não se pode buscar, sob esse pretexto, ampliar o alcance ou impor a aplicação de uma norma (expressiva de um valor jurídico importante), sobre outras normas jurídicas já postas e absolutamente aplicáveis. Seria, a meu ver, buscar a segurança gerando Fl. 3235DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.190 ainda mais insegurança ao próprio sistema jurídico. É fato conhecido que o contexto de criação da norma tiveram como pano de fundo os processos de controle das contratações públicas, em especial aqueles das instâncias de controle dos gastos públicos, como o TCU e a CGU. Tal fato é manifestado claramente quando se aprecia a justificação do PL, de autoria do Senador Antônio Anastasia: Como fruto da consolidação da democracia e da crescente institucionalização do Poder Público, o Brasil desenvolveu, com o passar dos anos, ampla legislação administrativa que regula o funcionamento, a atuação dos mais diversos órgãos do Estado, bem como viabiliza o controle externo e interno do seu desempenho. Ocorre que, quanto mais se avança na produção dessa legislação, mais se retrocede em termos de segurança jurídica. O aumento de regras sobre processos e controle da administração têm provocado aumento da incerteza e da imprevisibilidade e esse efeito deletério pode colocar em risco os ganhos de estabilidade institucional. Outrossim, exatamente por isso que o texto da norma fala em ato administrativo, contrato administrativo, ajuste administrativo, processo administrativo ou norma administrativa. É a conclusão que se chega da concordância verbal do dispositivo, bem como da interpretação sistemática do seu parágrafo único e demais artigos inseridos da alteração legislativa. [...] Como bem manifestado pela Conselheira Livia Di Carli em voto sobre o tema: A entrega de declaração pelo contribuinte, pelo que se opera o "autolançamento" ou o "lançamento por homologação", não gera situação plenamente constituída, já que por definição a apuração feita pelo contribuinte é sempre provisória e precária, sujeita a homologação da autoridade competente, não havendo que se falar em "situação plenamente constituída" antes da homologação (expressa ou tácita) pela autoridade fiscal. Fl. 3236DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.191 [...] Entretanto, ressalto que o direito processual já estabelece uma lógica de precedentes (baseado no mesmo valor de segurança jurídica), a exemplo de decisões com repercussão geral ou as próprias súmulas administrativas vinculantes deste CARF. Entretanto, em todos esses casos há um procedimento específico para sua produção, e defender a aplicação direta do art. 24 da LINDB me parece ser tentar burlar um sistema de precedentes já posto. Ainda, necessário lembrar que o direito tributário possui regramento próprio na Constituição Federal que não pode ser ignorado, em especial quando se analisa a hierarquia das fontes normativas. O artigo 146 da Constituição Federal estabelece que a edição de normas gerais em matéria tributária é matéria reservada à lei complementar. E tem uma razão de ser em função da repartição de competências tributárias entre diversos entes federativos. É esse o status do Código Tributário Nacional e de qualquer norma que pretenda veicular norma geral em matéria tributária. Assim, já causa estranheza que o legislador tenha pretendido o alcance que defende a Recorrente por meio da edição de uma lei ordinária federal. Ademais, merece menção que o Núcleo de Estudos Fiscais (NEF) da FGV Direito SP realizou recente colóquio com o objetivo de debater os possíveis impactos da Nova Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro (LINDB) no direito tributário (https://direitosp.fgv.br/evento/nova leideintroducaonormasdireitobrasileirolindbobjeti vandoprincipiosestruturantesd). No referido evento, um dos idealizadores do projeto de lei que gerou a alteração da LINDB (Prof. Carlos Ari Sundfeld) ao ser indagado sobre a aplicação do art. 24 da LINDB ao processo administrativo tributário, foi contundente ao afirmar que no direito tributário já existem os artigos 100 e 146 do CTN que trazem o "mesmo valor" buscado pela LINDB, e que o art. 24 não se prestaria como algo novo, mas sim um reforço de aplicação à norma já existente. Isto porque que o CTN possui regramento específico sobre a matéria, estabelecendo o artigo Fl. 3237DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.192 100 que a observância das chamadas normas complementares (das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos) exclui tão somente a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Jamais o principal de tributo. Da mesma forma, o artigo 146 do CTN traz regramento próprio sobre o efeito intertemporal da introdução de novos critérios jurídicos – leia se, nova interpretação – no processo de constituição do crédito tributário. Ou ainda, o próprio art. 112 do CTN determina a interpretação mais benéfica ao contribuinte de normas que cominem penalidade. Diante disso, dar ao artigo 24 da LINDB o alcance que a Recorrente pretende é, ao fim e ao cabo, acreditar que lei ordinária federal poderia trazer uma espécie de exceção à norma do artigo 100 do CTN, o que vai de encontro a regras básicas de interpretação das normas em um sistema constitucional complexo como o brasileiro. Permitome citar, novamente, trecho de voto da Conselheira Livia Di Carli sobre o tema: o alcance pretendido pela Recorrente em nome da "segurança jurídica" acabaria por "engessar" o contencioso administrativo, impossibilitandoo de evoluir com eficiência, retirando dos debates tributários a tecnicidade da especialização dos Tribunais/Conselhos de Recursos Fiscais, que diuturnamente lidam com casos que envolvem critérios contábeis, situações e documentos específicos que o Poder Judiciário não tem condição (e nem estrutura) para analisar, o que acabaria por aumentar a vulnerabilidade dos contribuintes trazendo, veja só, insegurança jurídica. Nesse contexto, entendo que uma interpretação do sistema jurídico constitucional, tributário e processual resulta na conclusão de que o art. 24 não tem os efeitos pretendidos pela recorrente. " Ainda nesse mesmo sentido, adiro à conclusão do Conselheiro Relator Pedro Paulo Pereira Barbosa, no acórdão 9202007145, de 29/8/18, nos autos do PAF 16327.001389/200912. Vejase: (...) "Eis o teor do referido dispositivo: Fl. 3238DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.193 Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. Não assiste razão ao Recorrente. O dispositivo claramente dirigese ao controle interno de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, daí dirigido às esferas administrativas, “controladoras ou juridiciais”. Vale dizer, visa proteger a decisão de autoridade administrativa praticada conforme orientação vigente à época de sua prática. Há uma enorme diferença com o que ocorre com o processo administrativo tributário em que se analisa a validade de ato praticado pela autoridade administrativa (lançamento, por exemplo) à luz do contraditório, devendo o julgador administrativo, singular ou colegiado, decidir conforme sua convicção. Vincular a decisão presente ao que fora decidido no passado em outros processos é absolutamente incompatível com os princípios que regem o processo administrativo tributário. Tal posição implica em atribuir aos órgãos julgadores administrativos o poder de determinar, em cada caso e de maneira definitiva, a posição a ser adotada por toda a administração tributária. No caso presente significaria atribuir aos colegiados do CARF – supondo ser verdadeiro o fato alegado de que a jurisprudência do CARF era predominante no sentido pretendido pelo Contribuinte, o que se admite apenas para argumentar – o poder de decidir de forma definitiva e vinculante a toda a administração tributária, a interpretação quanto à desnecessidade de pactuação prévia no PLR. Para isso existem outros instrumentos, como a súmula, à qual pode ser atribuída força vinculante, por ato do Ministro da Fazenda. Registro, por fim, que a prevalecer a interpretação proposta pelo Recorrente – o que se admite apenas para argumentar – a regra valeria tanto para decisões favoráveis quanto desfavoráveis aos contribuintes. Isto é, jurisprudências predominantes num determinado sentido, favorável ou contrária aos interesses dos contribuinte, não poderia ser alterada posteriormente em relação a práticas realizadas durante a predominância dessa jurisprudência, o que configuraria, para o contribuinte prejudicado cerceamento de direito de defesa. Fl. 3239DF CARF MF Processo nº 10166.724542/201446 Acórdão n.º 2402007.293 S2C4T2 Fl. 3.194 Não bastasse isso, o conceito de jurisprudência predominante é, no mínimo vago, para ser definidor da validade ou não de condutas em matéria tributária. Para isso, repito, existe as sumulas, que nada mais são do que a consolidação, num ato, aí sim, vinculante aos órgãos julgadores, de jurisprudência predominante. Penso que a pretensão do Recorrente é uma tentativa de restringir a atuação do Colegiado no exercício de sua livre convicção quanto ao mérito da questão posta em julgamento, com base em numa interpretação extensiva de norma que, a meu juízo, tem destinação específica outra que não o contencioso administrativo tributário. Não conheço, portanto, da preliminar. Ante o exposto, VOTO por rejeitar a preliminar suscitada por entender que o dispositivo invocado não se aplica ao contenciosos tributário nesta fase recursal. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 3240DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.900586/2006-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Data do fato gerador: 03/05/2003
PER/DECOMP. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO DO ÔNUS
O sujeito passivo que efetuou retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição
Numero da decisão: 1402-003.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 16327.900581/2006-32, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) Participou do julgamento a Conselheira Mauritânia Elvira de Souza Mendonça (suplente convocada em substituição ao Conselheiro José Roberto Adelino da Silva que se declarou impedido neste julgamento).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO DO ÔNUS O sujeito passivo que efetuou retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 16327.900581/2006-32, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) Participou do julgamento a Conselheira Mauritânia Elvira de Souza Mendonça (suplente convocada em substituição ao Conselheiro José Roberto Adelino da Silva que se declarou impedido neste julgamento). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 05 86 /2 00 6- 65 Fl. 157DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-003.999 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.900586/2006-65 Relatório Trata-se de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que negou a compensação pleiteada, uma vez que "a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, ter havido erro no preenchimento da DCTF referente ao Segundo Trimestre do ano-calendário de 2003 e no recolhimento efetuado no referido período. Informa que a DCTF do período mencionado foi retificada (retificação transmitida em 02/06/2008). A contribuinte informa que o erro ocorreu porque "ao elaborar a folha de pagamento de seus assistidos durante o mês de abril de 2003 efetuou os recolhimentos do IRRF cód. 0561, conforme estabelecido na legislação vigente. Ocorre que, conforme laudos médicos em anexo (doc. 04), um de seus assistidos, o Sr. Delcio Astolpho, tinha a isenção do IRRF conforme disposto no artigo 6º da Lei nº 7.713" Em 03 de novembro de 2008, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador:03/05/2003 PER/DECOMP. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO PELA FONTE PAGADORA. ASSUNÇÃO DO ENCARGO. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo. Cientificada em 01/12/2008, a contribuinte apresentou, em 23 de janeiro de 2008, o recurso voluntário, no qual alega que assumiu o encargo do IRRF relativo ao seu beneficiário e que só não tinha juntado à referida comprovação aos autos porque a referida alegação só surgiu quando da decisão da DRJ. Junta as provas do depósito dos valores aos Sr. Délcio Astolpho. É o relatório Fl. 158DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-003.999 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.900586/2006-65 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 1402-003.994, de 18 de julho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 16327.900581/2006-32, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402-003.994): O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. Conforme visto pelo relatório, a origem do crédito objeto da compensação pretendia pela Recorrente refere-se aos valores de IRRF indevidamente recolhidos do seu beneficiário Sr. Délcio Astolpho, uma vez que, tendo sido este acometido de moléstia grave, faria jus à isenção do imposto de renda pessoa física. A decisão recorrida, depois de discorrer sobre as hipóteses de moléstias grave que conferem direito à isenção do IRPF, concluiu que: Pela leitura do dispositivo acima transcrito, interpretado pelo "Perguntas e Respostoas IRPF 2004 e tendo em vista o documento de fls. 14 (laudo) juntado pela Manifestante, verifica-se que o Sr. Dilcio Astolpho tem direito à isenção de Imposto de Renda. No entanto, por tratar-se de indébito de IRRF que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro, deverão ser observadas, ainda, as exigências previstas no artigo 166 do Código Tributário Nacional (CTN) Decreto Lei nº 5.172/66 (...) Tendo em vista o dispositivo acima transcrito, a fim de que a fonte pagadora KPMG - SOCIEDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA fizesse jus à restituição pleiteada, além de provar que o pagamento do referido tributo foi indevido, deveria apresentar expressa autorização para receber a restituição, saldo se comprovasse ter assumido o encargo financeiros pela devolução da importância retida à pessoa física em questão. Em seu recurso voluntário, a Recorrente alega que "logo que tomou conhecimento do fato de o Sr. Delcio Astholpho ser portador de doença que lhe tornava isento da incidência do IRPF sobre rendimentos de aposentadoria, a Recorrente imediatamente devolveu-lhe a integralidade dos valores de IRRF retidos, assumindo, dessa forma, o ônus pelo imposto." Ocorre que, independente da comprovação do repasse dos valores do IRRF ao contribuinte, não poderia a Recorrente ter procedido à compensação pleiteada. Isso porque, ao contrário do que afirma a decisão recorrida, não se trata apenas de comprovar que assumiu o encargo financeiro. O artigo 166 do Código Tributário Nacional aplica-se àqueles tributos cujo denominado "contribuinte de direito" tem a obrigação jurídica (e não apenas econômica) de repassar o ônus do tributo, o que ocorre nos denominados impostos indiretos (IPI e ICMS). Nesse sentido, esclarecedoras as palavras de MISABEL DERZI: Fl. 159DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-003.999 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.900586/2006-65 Juridicamente, somente existem dois impostos "indiretos" por presunção: o imposto sobre produtos industrializados - IPI - de competência da União, e o imposto sobre operações de circulação de mercadorias e prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação - ICMS - de competência dos Estados. O caráter "indireto" dos demais tributos, como que Aliomar Baleeiro, é apenas uma especulação econômica, pois muitas as variáveis (condições de mercado, competitividade, de estrutura e incidência da exação, natureza do produto, etc) , que podem desencadear ou não a translação (...)Portanto, a presunção de transferência somente se coloca em relação àqueles impostos, cabendo ao solvens que fez o pagamento indevido, demonstrar que tem legitimidade para pleitear a devolução, por ter suportado o encargo, relativamente ao ICMS e ao IPI. Tem assim o art. 166 aplicação muito restrita, pois, juridicamente, transferíveis. Segundo o artigo 166, o ônus de prova para o contribuinte somente existe em relação aos "tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro"... Mas que natureza? Evidentemente a natureza jurídica. E somente existem dois tributos que, de acordo com sua peculiar natureza jurídica, desencadeiam a transferência do respectivo encargo financeiro, ou seja, o ICMS e o IPI. (...) Mas o que interessa é a repercussão jurídica, que é sempre certa no IPI e no ICMS, podendo corresponder ou não à econômica. (BALEEIRO, Aliomar, Direito Tributário Brasileiro, 11ª edição, ed. Forense, Atualizadora - Misabel Abreu Machado Derzi, p.866) (grifamos) Sendo assim, inaplicável à hipótese dos autos a norma do artigo 166 do CTN. Em primeiro lugar, porque não se trata dos denominados impostos indiretos. Em segundo lugar, porque o contribuinte efetua a retenção da qualidade de responsável e não de contribuinte. O contribuinte, como reconhece a própria Recorrente, é a pessoa física à quem ela efetuava o pagamento. Todavia, como visto, a lide acabou por se circunscrever à necessidade de comprovação, por parte, da Recorrente de que assumiu o ônus do IRRF cujo contribuinte era seu beneficiário. E, nesse sentido, se desincumbiu do referido ônus. Embora a legislação vigente à época em que efetuada a compensação (IN nº 600/05) fosse omissa quanto a possibilidade de restituição em situações como a dos autos, as instruções normativas posteriores trataram da questão, como se verifica pela Seção IX, da IN nº 1.717/2017 abaixo transcrito: Seção IV Da Restituição da Retenção Indevida ou a Maior Art. 18. O sujeito passivo que efetuou retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição, na forma estabelecida no § 1º do art. 7º, ressalvada a hipótese de que trata o art. 31. § 1º A devolução a que se refere o caput deverá ser acompanhada: I - do estorno, pela fonte pagadora e pelo beneficiário do pagamento ou crédito, dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior; II - da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à RFB e dos demonstrativos já entregues à pessoa física ou jurídica que sofreu a retenção, nos quais a referida retenção tenha sido informada; e III - da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito, das declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido informada ou utilizada na dedução de tributo. Fl. 160DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-003.999 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.900586/2006-65 § 2º O sujeito passivo poderá utilizar o crédito correspondente à quantia devolvida na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB na forma estabelecida no art. 65. § 3º O disposto no caput e no § 2º aplica-se à Contribuição para o Plano de Seguridade Social do Servidor (CPSS), de qualquer dos Poderes da União, incluídas suas autarquias e fundações.(grifamos) É bem verdade que a IN 1.717/2017 acima transcrita estabelece, em seu artigo 18, §1º, o cumprimento de algumas obrigações acessórias que não foram trazidas aos autos. Tais exigências, todavia, não devem ser consideradas como óbice ao reconhecimento do direito creditório, uma vez que, como já dito, à época em que pleiteada a compensação, não havia a regulamentação desses procedimentos por parte da Receita Federal. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.720326/2010-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
REVISÃO DE MATÉRIA COM DECISÃO DEFINITIVA NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
Ementa:
A decisão definitiva do processo administrativo fiscal impede a rediscussão das matérias de fato e de direito em outro processo na esfera administrativa, o que seria muito mais que uma simples coisa julgada formal, a qual só impede a continuação da discussão no mesmo processo. A legislação que rege o processo administrativo fiscal, não prevê nenhuma possibilidade de revisão de matéria já decidida em última instância administrativa.
Numero da decisão: 3302-007.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Walker Araújo e Jorge Lima Abud.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Gerson Jose Morgado de Castro, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 REVISÃO DE MATÉRIA COM DECISÃO DEFINITIVA NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Ementa: A decisão definitiva do processo administrativo fiscal impede a rediscussão das matérias de fato e de direito em outro processo na esfera administrativa, o que seria muito mais que uma simples coisa julgada formal, a qual só impede a continuação da discussão no mesmo processo. A legislação que rege o processo administrativo fiscal, não prevê nenhuma possibilidade de revisão de matéria já decidida em última instância administrativa.
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Ementa: A decisão definitiva do processo administrativo fiscal impede a rediscussão das matérias de fato e de direito em outro processo na esfera administrativa, o que seria muito mais que uma simples coisa julgada formal, a qual só impede a continuação da discussão no mesmo processo. A legislação que rege o processo administrativo fiscal, não prevê nenhuma possibilidade de revisão de matéria já decidida em última instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Walker Araújo e Jorge Lima Abud. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Gerson Jose Morgado de Castro, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos, colaciono o relatório da Resolução nº 3803-000.237, de 22 de agosto de 2012, in verbis: A empresa DIAGEO BRASIL LTDA., já qualificada nos autos, ingressou com pedido de ressarcimento de créditos básicos de IPI, combinado com declaração de compensação, previsto no art. 11 da Lei no 9.779/99 e na IN SRF no 33/99, relativo ao 2º trimestre de 2007. A DRF em Campinas SP deferiu, em parte, o pleito da Recorrente, alegando que parte dos créditos foram consumidos em razão da glosa efetuado quando da lavratura do auto AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 03 26 /2 01 0- 22 Fl. 514DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.517 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.720326/2010-22 de infração controlado no Processo nº 10830.003785/2010-33 e, também, porque os créditos escriturados na forma do inciso I, § 1º, do art. 143 do RIPI/2002 (retorno de produtos industrializados por encomenda) somente podem ser utilizados para dedução do imposto devido nas saídas tributadas. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com manifestação de conformidade, defendendo o direito ao ressarcimento dos créditos do retorno de produtos industrializados por encomenda porque assim reconheceu a SRRF 8ªRF em solução de consulta formalizada por ela Recorrente e, também, que as glosas efetuadas no auto de infração eram improcedentes e foram objeto de impugnação, devendo o julgamento da manifestação de inconformidade ser sobrestado até o deslinde final do auto de infração. A 8a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão preto SP deferiu, em parte, o pleito da Recorrente, para reconhecer o direito ao ressarcimento dos créditos objeto de retorno de produtos industrializados por encomenda, nos termos do Acórdão no 1431.632, de 24/11/2010. A empresa interessada tomou ciência da decisão de primeira instância em 22/03/2011 e interpôs recurso voluntário no dia 19/04/2011, no qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade sobre a improcedência das glosas efetuadas que resultaram na lavratura do auto de infração e sobre a necessidade de sobrestar o julgamento do recurso voluntário até o trânsito em julgado da decisão administrativa do Processo nº 10830.003785/201033. O julgamento foi convertido em diligência para aguardar a decisão definitiva do processo nº 10830.003785/2010-33. Após se tornar definitiva a decisão proferida nos autos do processo nº 10830.003785/2010-33, o Serviço de Fiscalização da Receita Federal em Campinas elaborou relatório fiscal, no qual informa que não houve alteração em relação aos valores originalmente reconhecidos no despacho decisório pela DRF/Campinas. Em resposta ao relatório fiscal elaborado em resposta à diligência, a recorrente afirmou que ajuizou ação anulatória de débito fiscal para combater a decisão proferida no processo nº 10830.003785/2010-33. Solicitou o sobrestamento do julgamento até a decisão final da mencionada ação anulatória. E, no mérito, buscou demonstrar o seu direito baseado nos fatos constantes e discutidos naquele processo administrativo. É o breve relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. Preliminarmente, ressalto que não há previsão regimental para o sobrestamento do julgamento até a decisão judicial de ação anulatória de processo que possa agir como prejudicial de outro processo administrativo. Portanto, nego o sobrestamento requerido. Mérito Lembro que a única matéria ainda em discussão se refere à improcedência das glosas efetuadas que resultaram na lavratura do auto de infração, objeto do processo nº 10830.003785/2010-33. A recorrente defende no recurso voluntário e na resposta ao resultado da diligência, razões de fato e de direito já discutidas e decididas no mencionado processo administrativo. É noção cediça que não se pode rediscutir matérias já decididas Fl. 515DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.517 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.720326/2010-22 administrativamente em outro processo, em respeito à segurança jurídica. Cabe a esse colegiado apenas aplicar o que lá foi decidido, para não provocar uma confusão jurídica, fato combatido pelo ordenamento jurídico. Cravada essa premissa, reproduzo trechos do relatório fiscal que resume o que foi decidido no processo nº 10830.003785/2010-33 e que tem relação direta com o mérito a ser decidido no processo ora em julgamento. Em decorrência da apuração de débitos de IPI por falta ou insuficiência de lançamento de IPI em saídas tributadas houve o lançamento de ofício dos valores apurados pela fiscalização. Em razão da existência de créditos de IPI em sua escrita fiscal, em atendimento ao princípio constitucional da não-cumulatividade, foi elaborado o demonstrativo “Reconstituição da Escrita Fiscal”, para possibilitar a utilização destes créditos para dedução do IPI lançado de ofício. Como consequência deste procedimento de Reconstituição da Escrita Fiscal anexo ao Auto de Infração de IPI, processo nº 10830.003785/2010-33, houve alteração dos saldos credores de IPI apurados pelo estabelecimento equiparado a industrial, resultando em redução no direito creditório pretendido nos PERDCOMP de ressarcimento de IPI, conforme abaixo resumido: (...) Ao apreciar o Recurso interposto contra o referido Auto de Infração de IPI a 8ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP julgou parcialmente procedente o lançamento, para reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar a glosa do saldo credor do IPI existente em 31/12/2004, nos termos do Acórdão no 14- 31.316 de 26/10/2010. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF por sua vez entendeu por reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar lançamento para fatos geradores anteriores a 26/03/2005, nos termos do Acórdão nº 3302-01.766 de 22/08/2012. Os valores exonerados após as decisões de 1ª e de 2ª instância são bastante irrisórios em relação ao total dos valores dos débitos apurados no Auto de Infração de IPI representando valor inferior a 2% e restringiu-se aos lançamentos efetuados no período de 01/01/2005 a 25/03/2005 É importante salientar que em razão de o estabelecimento equiparado a industrial ter apurado (em sua escrita fiscal) saldos devedores de IPI no 1º e 2º decêndios de abril/2005 e considerando que os ajustes decorrentes das decisões dos órgãos julgadores referem-se a fatos geradores anteriores a esta data, constata-se que a partir do 3º decêndio de abril de 2005 não há nenhuma alteração nos valores constantes do demonstrativo “Reconstituição da Escrita Fiscal”, doc. fls. 173/177. Tendo em vista que o demonstrativo “Reconstituição da Escrita Fiscal” foi utilizado para fins de determinação do direito creditório dos PERDCOMP/processos acima referidos, concluímos que apenas o processo referente ao 4º trimestre-calendário de 2004 foi afetado pelas decisões acima referidas. O Despacho Decisório relativo à Declaração de Compensação com crédito oriundo de Ressarcimento de IPI relativo ao 4º trimestre de 2004 – processo nº 10880.973080/2009-56 já foi revisto tendo sido homologada a compensação declarada. No que concerne aos demais processos relativos a Ressarcimento de IPI (acima mencionados), inclusive o presente processo, não houve nenhuma alteração em relação aos valores originalmente reconhecidos pela DRF/Campinas. Esclarecemos, ainda, que nos termos do Acórdão 14-31.632 da 8ª Turma da DRJ/RPO, doc. Fls. 396/403, os créditos escriturados sob o CFOP 1124/1125 foram considerados passíveis de ressarcimento de IPI, entretanto, estes créditos foram integralmente consumidos para dedução do IPI devido em saídas tributadas, lançados de ofício, Fl. 516DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.517 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.720326/2010-22 conforme consta do através do Auto de Infração de IPI e respectivo demonstrativo “Reconstituição da Escrita Fiscal”. Observe que o saldo reconstituído da escrita fiscal apurado no demonstrativo de “Reconstituição da Escrita Fiscal” ao final de dezembro/2018 é devedor (coluna F do demonstrativo), o que indica a inexistência de quaisquer resíduos de saldos passíveis de ressarcimento IPI. Portanto concluímos que o valor do direito creditório, de que trata o presente processo, relativo a ressarcimento de IPI do 2º TRIMESTRE 2007, reconhecido pela DRF/Campinas, nos termos do Despacho Decisório de fls. 189/190, não foi alterado em razão do que foi definitivamente decidido pela DRJ e pelo CARF. Portanto, nos termos do relatório fiscal acima reproduzido, não haviam créditos a serem ressarcidos além daqueles que já foram. Sendo assim, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 517DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.005751/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2007
MULTA ISOLADA COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CABIMENTO.
Possível a aplicação de multa quanto ao descumprimento de norma impeditiva de apresentação de crédito não permitido em norma. Utilização de crédito vedado implica em considerar não declarada a compensação e em consequente aplicação de multa punitiva pelo descumprimento da legislação.
COMPENSAÇÃO. OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. PERCENTUAL. BASE DE CÁLCULO.
Considerada não declarada a compensação cm face de pretensão de utilização de créditos advindos de obrigações da Eletrobrás, cabível a aplicação da multa isolada, no percentual de 75%, sendo impingida a multa qualificada de 150% somente na hipótese de ser caracterizado o evidente intuito de fraude, que não pode ser presumida em função apenas da natureza da matéria.
MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. INCOMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. SÚMULA CARF N. 02. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, nos termos da sua Súmula n. 2.ASSUNTO:
Numero da decisão: 1401-003.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, substituído pela Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2007 MULTA ISOLADA COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CABIMENTO. Possível a aplicação de multa quanto ao descumprimento de norma impeditiva de apresentação de crédito não permitido em norma. Utilização de crédito vedado implica em considerar não declarada a compensação e em consequente aplicação de multa punitiva pelo descumprimento da legislação. COMPENSAÇÃO. OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. PERCENTUAL. BASE DE CÁLCULO. Considerada não declarada a compensação cm face de pretensão de utilização de créditos advindos de obrigações da Eletrobrás, cabível a aplicação da multa isolada, no percentual de 75%, sendo impingida a multa qualificada de 150% somente na hipótese de ser caracterizado o evidente intuito de fraude, que não pode ser presumida em função apenas da natureza da matéria. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. INCOMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. SÚMULA CARF N. 02. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, nos termos da sua Súmula n. 2.ASSUNTO:
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, substituído pela Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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CABIMENTO. Possível a aplicação de multa quanto ao descumprimento de norma impeditiva de apresentação de crédito não permitido em norma. Utilização de crédito vedado implica em considerar não declarada a compensação e em consequente aplicação de multa punitiva pelo descumprimento da legislação. COMPENSAÇÃO. OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. PERCENTUAL. BASE DE CÁLCULO. Considerada não declarada a compensação cm face de pretensão de utilização de créditos advindos de obrigações da Eletrobrás, cabível a aplicação da multa isolada, no percentual de 75%, sendo impingida a multa qualificada de 150% somente na hipótese de ser caracterizado o evidente intuito de fraude, que não pode ser presumida em função apenas da natureza da matéria. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. INCOMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. SÚMULA CARF N. 02. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, nos termos da sua Súmula n. 2.ASSUNTO: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 57 51 /2 00 8- 50 Fl. 341DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.594 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.005751/2008-50 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, substituído pela Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Fl. 342DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.594 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.005751/2008-50 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do v. acórdão n. 06-06.21347 - 3” Turma da DRJ/CTA, de 18 de março de 2009, que por maioria de votos manteve o lançamento, por entender que nos casos de compensação não-declarada, verificada a ocorrência das hipóteses previstas na legislação, aplica-se a multa isolada no percentual de 150% sobre o valor total do débito indevidamente compensado, com a manutençao do auto de infração. Por bem descrever os fatos ocorridos até aquele momento, adoto e transcrevo o Relatório do Acórdão DRJ, no trecho que interessa a melhor solução da controvérsia. Através do auto de infração .de fls. 53/64 foi constituída Multa Exigida Isoladamente no percentual de 150%, no montante de R$ 69.632,69, sobre débitos que a interessada intentou extinguir por meio de declarações de compensação, que foram consideradas não-declaradas conforme Despacho Decisório de fls. 02/09, emitido no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF) n." 10920.000782/2007-33. Instruindo a autuação, no Termo de Verificação Fiscal e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 57/64, parte integrante do auto de infração, a autoridade lançadora tece comentários e adota esclarecimentos comidos no mencionado despacho decisório. Dessa forma, é. dada noticia de que as precitadas declarações de compensações, protocolizadas no PAF n." 10920.000782/2007-33, tinham por origem de crédito um pedido de restituição formalizado no PAF n." 13973.000151/2006-14 (cópia de peps às fls. 10/50), c visavam a quitação de débitos fiscais de PIS e Cofins; foi verificado, ainda, que o pedido de restituição formalizado referia-se à cautela n." 000087004-8 de 800 obrigações emitidas pelas Centrais Elétricas Brasileiras S/A, e que o pedido não foi conhecido (cópia do despacho decisório As fls. -16/30, tendo sido o contribuinte cientificado de tal decisão em 13/04/2006, conforme cópia de AR de 11. 31). Assim, por meio do precitado despacho decisório de fls. 02/09, a Saort/DRF/Joinville decidiu considerar não declaradas (art. 74, § 12, 11. "e" da Lei n.° 9.430. de 1996, com a redação introduzida pela Lei n." 11.051, de 2004) as compensações dos débitos a seguir relacionados: Fl. 343DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.594 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.005751/2008-50 Falando sobre a multa qualificada, o autuante diz que no caso cm tela 6. Aplicável O constante do inciso II do § 4" do art. 18 da Lei n." 10.833, de 2003, com a redação dada pela Lei n.° 11.196, de 2005, que manda incidir a multa prevista no inciso II do art. 44 da Lei n. 9.430, de 1996, ou seja, 150% nos casos de evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71 a 73 da Lei n» 4.502, de 1964; diz, ainda, que a contribuinte, em 13/04/2006 (fl. 3 -1), tomou ciência do despacho decisório contido no PAF n." 13973.000151 12006-14 (fls. 16/30), no qual a DRF/Joinville não conheceu de seu pedido de restituição de obrigações emitidas pela Eletrobrás, e considerou não declaradas as compensações solicitadas processo informo, também, que a interessada apresentou recurso, que não foi conhecido pela SRRF/9ª. Região, em razão de sua intempestividade; na seqüência a contribuinte apresentou recurso, o qual foi desdobrado pela SRRF/9ª. e remetido para a SRF(COSIT). onde se concluiu que tal recurso, apresentado com base na Lei n." 9.784, de 1999, por não possuir rito processual especifico, deve ser decidido, em última instância, pelo competente Superintendente da Receita Federal, sendo que dessa decisão a interessada foi cientificada em 10/11/2006. Informa, ainda, que 29/06/2007, a contribuinte apresentou petição, requerendo a remessa do processo à DRJ, sendo a mesma indeferida pela Saort/DRF/Joinville. nos termos do despacho cuja cópia encontra-se as fls. 46/49. Transcreve, na seqüência, trechos do despacho decisório proferido no PAF 10920.000782/2007-33, que considerou não declaradas as precitadas compensações, com ênfase nos trechos em que se considera haver fraude no procedimento da interessada. Consta, ainda, que no processo administrativo n. 10920.005752/2008-02, foi lavrada representação fiscal para fins penais, de acordo com o art. 1" da Portaria RFB n. 665/2008. Apreciados os argumentos da impugnação, onde a recorrente alega seu direito ao à compensação e o caráter confiscatório da multa, o lançamento foi mantido integralmente, inclusive com a qualificação da multa, ao entender pela presença de fraude, por parte da Recorrente, conforme Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/05/2007 COMPENSAÇÃO NÃO-DECLARADA. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. Nos casos de compensação não-declarada, verificada a ocorrência de hipótese prevista na legislação, aplica-se a multa isolada no perceptual de 150 (.7c sobre o valor total do débito indevidamente compensado. MULTA DE OFICIO. NORMAS LEGAIS. EXAME DE VALIDADE. COMPETÊNCIA. A exigência de multa de oficio está prevista em normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo competência para apreciar arguições de invalidade e/ou inconstitucionalidade contra a sua cobrança. Inconformada com o resultado do julgamento, interpôs Recurso Voluntário, no qual, requer o cancelamento de multa, pois entende ter direito ao crédito pleiteado, alegando subsidiariamente a inocorrência de fraude a suportar a aplicação da multa no percentual de 150%, que argumentou ser ainda confiscatório. Fl. 344DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.594 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.005751/2008-50 É o breve relatório. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora. O Recurso de Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, por isto dele conheço. A questão a ser analisada, diz respeito à aplicação da multa isolada nos casos de compensação considerada não declarada nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96, duplicada em razão da acusação de fraude. As compensações teriam sido consideradas não declaradas em virtude de o crédito informado se referir à “Obrigações dos Centrais Elétricas Brasileiras S/A-Eletrobrás”, considerados títulos públicos. Neste sentido assim determina a Lei 9.430/96: Art. 74 (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses (...) II - em que o crédito: (...) c) refira-se a título público; e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal - SRF. O pedido de compensação foi alvo de análise por parte da Receita Federal e julgados nos termos do art. 74, § 13º da Lei 9.430/96. A aplicação das multas isoladas sofreu inúmeras alterações no decorrer dos anos e na época em que as compensações foram apresentadas sofreu modificação que deve ser observada. A partir da redação dada pela Lei nº 11.051/04, de 30/12/2004, o dispositivo sob análise assim previa: Art. 25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão da não- homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro Fl. 345DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-003.594 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.005751/2008-50 de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (...) § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996." (NR) Assim, a multa isolada passou a somente ser aplicada nos casos de: (i) não homologação com pratica de sonegação, fraude ou conluio sendo aplicável somente com o percentual de 150%; e, (ii) compensação considerada não declarada nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/64, ou seja, com sonegação, fraude ou conluio, também sendo aplicável somente com o percentual de 150%. Posteriormente, com o advento da Lei 11.196/05 que entrou em vigor em 14/10/2005, a aplicação das multas isoladas sofreu nova alteração: "Art. 18. ........................................................... § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando- se os percentuais previstos: I - no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; II - no inciso II do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 5o Aplica-se o disposto no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no § 4o deste artigo." (NR) Neste momento, a multa isolada passa a ser aplicada nos casos de: não homologação com prática de sonegação, fraude ou conluio (150%); compensação considerada não declarada sem fraude (75%); e ou compensação considerada não declarada com fraude (150%) Conforme relatado, as Declarações de compensação vinculadas neste processo foram: Fl. 346DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-003.594 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.005751/2008-50 Os pedidos foram indeferidos, e a Declaração Compensação foi considerada como não declarada por referir-se à títulos públicos. Isto porque, se o impugnante entende deter uma divida certa, liquida e exigível em face da Eletrobrás e da Unido Federal, mas esta não é decorrente de tributos administrados pela Receita Federal, deve exercer seu direito na forma que a legislação lhe autoriza: executando a Unido Federal, peticionando administrativamente o pagamento de seu crédito, ou peticionando judicialmente o direito de deixar de recolher tributos em valor correspondente, dada a alegada identidade entre devedor e credor, apresentando os mencionados títulos como garantia, com vistas a futura dação em pagamento. Ao efetivar a compensação mediante DCOMP, o contribuinte angariou para si todos os efeitos dai decorrentes, como por exemplo, o direito à Certidão Negativa de Tributos e Contribuições Federais, se inexistentes outros débitos exigíveis, até que um ato administrativo firmasse a impropriedade da compensação veiculada. Evidente, neste contexto, a inadmissibilidade do uso da DCOMP, especificamente criada para outros fins, de modo que a negativa apresentada pelos órgãos da Receita Federal, nestas circunstâncias, apenas implementam o principio da legalidade. Conclui-se, dai, que o contribuinte descumpriu as determinações legais ao efetivar compensações mediante DCOMP tendo por referência supostos créditos que não decorrem de tributos ou contribuições administrados pela antiga Secretaria da Receita Federal. Com evidente abuso de forma, veiculou compensações indevidas, e assim conseguiu postergar o pagamento de tributos. Reconhecendo que os supostos créditos decorrentes de obrigações da Eletrobrás não são tributos ou contribuições administrados pela antiga Secretaria da Receita Federal, temos a Súmula CARF 24. Súmula CARF nº 24: Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 347DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-003.594 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.005751/2008-50 Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 303-32277, de 10/08/2005 Acórdão nº 301-32112, de 13/09/2005 Acórdão nº 301-32156, de 19/10/2005 Acórdão nº 302-37140, de 10/11/2005 Acórdão nº 303- 32636, de 10/12/2005 Assim, com base nesses fundamentos foi mantida a multa isolada, contudo entendo que para o caso dos autos, ela deve ter seu percentual reduzido de 150% para 75%, face a inexistência de demonstração por parte da autoridade autuante da presença do elemento fraude. Isto porque, no Termo de Verificação Fiscal, os fundamentos apresentados para qualificação da penalidade são, apenas, a compensação de crédito de natureza não tributária (obrigações ao portador emitidas pela Eletrobrás), também considerados não passíveis de restituição em razão de sua prescrição, tudo sem qualquer amparo legal, com o intento de criar subterfúgios, objetivando abster-se de pagar dividas tributárias liquidas e certas, atitudes que corroborariam a ocorrência de fraude, como previsto no Ato Declaratório Interpretativo SRF no 17/2002. Ou seja, a penalidade foi qualificada porque o contribuinte efetuou compensações ao arrepio da lei. Considerando que a autoridade lançadora apenas questionou a natureza do crédito alegado, firmando a impossibilidade de sua compensação com tributos administrados pela Receita Federal, além da prescrição do titulo, sem nada opor A sua efetiva existência e titularidade pelo contribuinte, somente se pode concluir que a inadmissibilidade da compensação resulta de sua natureza não tributária, e, em conseqüência, que a aplicação do percentual de 150% está fundada na presunção de fraude antes referida, em razão da natureza do crédito utilizado na compensação. Assim, ausente demonstração de que o contribuinte, ao realizar a compensação indevida, ainda que nas hipóteses agora previstas no inciso II do § 12° do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, agiu com evidente intuito de fraude, devem ser acolhidos os argumentos do impugnante, mas apenas para afirmar que não há motivo para a duplicação da multa isolada de 75%, impondo-se a redução do valor lançado. Neste sentido segue o precedente do Acórdão nº 9101003.109, de 14/09/2017 COMPENSAÇÃO. OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. PERCENTUAL. BASE DE CÁLCULO. Considerada não declarada a compensação cm face de pretensão de utilização de créditos advindos de obrigações da Eletrobrás, cabível a aplicação da multa isolada, no percentual de 75%, sendo impingida a multa qualificada de 150% somente na hipótese de ser caracterizado o evidente intuito de fraude, que não pode ser presumida em função apenas da natureza da matéria. Acórdão nº 9101003.109, de 14/09/2017. Razão pela qual, consoante o acima demonstrado, entendo que assiste parcial razão ao contribuinte apenas quanto à impossibilidade de qualificação da multa relativa às compensações apresentadas, devendo ser reduzido o percentual aplicado para 75%. No que diz respeito às alegações de inconstitucionalidade da multa em razão de seu caráter confiscatório, verifica-se que, a despeito da extensa argumentação apresentada pelo Fl. 348DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-003.594 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.005751/2008-50 recorrente não é possível a este CARF cancelar ou reduzir o valor das multas lavradas contra o contribuinte em relação ao descumprimento de suas obrigações acessórias. Neste sentido: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 101-94876, de 25/02/2005 Acórdão nº 103-21568, de 18/03/2004 Acórdão nº 105-14586, de 11/08/2004 Acórdão nº 108-06035, de 14/03/2000 Acórdão nº 102- 46146, de 15/10/2003 Acórdão nº 203-09298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201-77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 202-15674, de 06/07/2004 Acórdão nº 201-78180, de 27/01/2005 Acórdão nº 204-00115, de 17/05/2005 Pelo exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora. Fl. 349DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.909478/2012-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O reconhecimento de direito creditório em pedido de compensação está condicionado à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito, cujo ônus é do contribuinte.
Deverá ser indeferido o pleito do contribuinte quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim.
Numero da decisão: 3002-000.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O reconhecimento de direito creditório em pedido de compensação está condicionado à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito, cujo ônus é do contribuinte. Deverá ser indeferido o pleito do contribuinte quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 63/64 dos autos: Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 42846.49658.270412.1.3.04-3403, transmitida eletronicamente em 27/04/2012, com base em créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 94 78 /2 01 2- 11 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10920.909478/2012-11 Acórdão n.º 3002-000.845 S3-TE02 Fl. 1,5 A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 03/01/2013, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 32), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 1.654,32. Cientificado dessa decisão em 21/01/2013, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 29/01/2013, manifestação de inconformidade à fl. 30 e 31, acrescida de documentação anexa. Em suma, a contribuinte esclarece que cometeu um equívoco no preenchimento da DCTF do período. Acrecenta que retificou a referida declaração no intuito de demonstrar a existência do crédito pleiteado. Ao final, entendendo ter demonstrado a insubsistência e improcedência do Despacho Decisório, requer que seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. O contribuinte juntou, com a manifestação de inconformidade, despacho decisório, DCTF retificadora, comprovante de arrecadação e recibo de entrega de declaração de compensação (fls. 32/56). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada (fls. 62/66): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10920.909478/2012-11 Acórdão n.º 3002-000.845 S3-TE02 Fl. 2 A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 30/06/14 (vide AR à fl. 67 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 30/07/14, Recurso Voluntário (fls. 69). Em seu recurso, o contribuinte alegou que “é uma cooperativa e conforme a legislação, a apuração correta do PIS e COFINS é através da cumulatividade”. Reafirmou a realização do pagamento do DARF em questão, em 20/11/08, período de apuração 31/10/08, no valor de R$ 5.853,57, que seria proveniente de apuração incorreta pela não cumulatividade. Assim, afirmou que refez a apuração e retificou a DCTF em 22/01/13, e que não estaria de acordo com a cobrança do despacho decisório 041992623, cujo débito teria sido compensado através do PER/DCOMP em foco, e que o DARF teria sido pago indevidamente ou a maior. Pediu deferimento e anexou ao processo com o recurso: procuração, documento de identificação do procurador, estatuto social, despacho decisório e acórdão recorrido, recibo de entrega da declaração de compensação, comprovante de arrecadação e DCTF retificadora (fls. 71/187). Os autos, então, vieram-me conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, o cerne da presente contenda consiste em identificar se o contribuinte se desincumbiu do seu ônus probatório no presente caso, no que tange à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Ao analisar o caso, assim se manifestou a DRJ: Pela análise dos autos, observa-se que o PER/DCOMP nº 42846.49658.270412.1.3.04- 3403, objeto dos autos, foi transmitido em 27/04/2012, pleiteando a utilização de um crédito decorrente de Contribuição para o PIS/Pasep. No entanto, na data de transmissão deste PER/DCOMP, a DCTF apresentada pela contribuinte continha a informação de que o pagamento que teria utilizado o crédito pleiteado foi integralmente utilizado para extinguir débito da contribuinte apurado no período, de modo que não existia crédito disponível para ser utilizado na compensação declarada. Nota-se, então, que o crédito que a interessada alega possuir seria decorrente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais e que o crédito pleiteado não tinha liquidez e certeza no momento da transmissão do PER/DCOMP. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10920.909478/2012-11 Acórdão n.º 3002-000.845 S3-TE02 Fl. 2,5 A declaração do contribuinte em DCTF é confissão de dívida, que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. Neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábil-fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Ainda, neste caso, o ônus da prova recai sobre a contribuinte interessada, que deve trazer aos autos elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Logo, a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em sua Declaração de Compensação. As informações prestadas à RFB por meio de declarações ou demonstrativos previstos na legislação (DCTF, DIPJ, Dacon ou PER/DCOMP) situam-se na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo já citado artigo 16, inciso III, do PAF. Dessa forma, na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade. No caso em concreto, a manifestante não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou comprovar inclusão indevida de valores na base de cálculo, erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo de débito confessado em DCTF. Portanto, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. Conclusão Por tudo que foi exposto, VOTO pela improcedência da Manifestação de Inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado. Da leitura da passagem acima, extrai-se que a DRJ deixou bastante clara a razão do indeferimento do pleito do Recorrente, tendo destacado que a mera transmissão de DCTF retificadora não seria suficiente para fins de comprovar o erro na apuração da contribuição devida, fazendo-se imprescindível a apresentação de documentação contábil/fiscal apta a este fim. E, ao analisar a documentação anexada pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade, verifica-se que assiste razão à DRJ em sua razão de decidir. Isso porque, o contribuinte juntou, com a manifestação de inconformidade, apenas os seguintes documentos: despacho decisório, DCTF retificadora, comprovante de arrecadação e recibo de entrega de declaração de compensação (fls. 32/56). É certo, contudo, que tais documentos não possuem o condão de comprovar o direito creditório alegado, o que torna escorreita a decisão recorrida. Acontece que a Recorrente, embora ciente das razões de decidir da DRJ, interpôs recurso voluntário por meio do qual limita-se a reproduzir os fundamentos constantes da manifestação de inconformidade apresentada, não tendo anexado aos autos qualquer Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10920.909478/2012-11 Acórdão n.º 3002-000.845 S3-TE02 Fl. 3 documentação adicional à já apresentada naquela oportunidade. Para que não reste qualquer dúvida quanto ao aqui exposto, registre-se novamente a documentação anexada pelo Recorrente por meio do recurso voluntário interposto: procuração, documento de identificação do procurador, estatuto social, despacho decisório e acórdão recorrido, recibo de entrega da declaração de compensação, comprovante de arrecadação e DCTF retificadora (fls. 71/187). Sendo assim, não resta alternativa a este Colegiado senão negar provimento ao recurso voluntário interposto, face à ausência de comprovação da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Até porque, como é cediço, o ônus probatório compete ao autor (no caso ora analisado ao contribuinte que iniciou o processo de compensação) quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). Em outras palavras, em casos de pedidos de compensação, o ônus probatório é do Recorrente. É o que se extrai tanto do teor do art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da administração pública federal, quanto o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, in verbis: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. *** Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse contexto, verificando-se que a Recorrente não se desincumbiu do seu ônus probatório, penso que a conclusão constante da decisão recorrida há de ser mantida por seus próprios fundamentos. Da conclusão Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.905154/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010
CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE
Por integrar o valor do estoque de matéria-prima, é possível a apuração de crédito a descontar das contribuições não-cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de matéria-prima entre estabelecimentos da mesma empresa.
FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para formação de lote de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao crédito em relação à contribuição.
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS.
Para o aproveitamento de créditos extemporâneos, não é necessária retificar as DACON´s do período em que eles poderiam ter sido lançados, tampouco as respectivas DCTF´s do período de sua apuração.
CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INSUMO. BIODIESEL.
A possibilidade de apuração de crédito presumido a partir da aquisição de "sebo" utilizado na produção de biodiesel, nos termos do art. 47 e 47-B da Lei nº 12.546/2011, de 14 de dezembro de 2011, não produziu efeitos retroativos.
CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INSUMO. PRODUTOS DESTINADOS A ALIMENTAÇÃO.
O crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é apurado somente em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos capítulos e posições da NCM nele previstos.
ESTORNO DE CRÉDITO PRESUMIDO. VENDA COM SUSPENSÃO. FARELO DE SOJA
É vedado o aproveitamento de créditos em relação a receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas sujeitas ao crédito presumido de farelo de soja (NCM 23.04) e de farelo de girassol (NCM 23.06) anteriormente à publicação da Lei nº 12.431/2011 (Publicada em 27.06.2011)
Numero da decisão: 3401-006.124
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para manter a decisão de piso no que se refere a despesas de frete entre estabelecimentos da empresa, relacionadas à formação de lote de exportação, vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado, Rodolfo Tsuboi e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto; e (b) por unanimidade de votos, para (i) reconhecer como possível a apropriação extemporânea de créditos das contribuições, observados os demais requisitos legais para seu creditamento; (ii) admitir os créditos referentes à Nota Fiscal nº 180; (iii) admitir os créditos em relação a aquisições de insumos via industrialização por encomenda; (iv) admitir os créditos referentes a fretes entre estabelecimentos na movimentação de matéria-prima; (v) admitir o crédito presumido em relação a aquisição do sebo com a suspensão de PIS/COFINS, atestada em diligência; e (vi) negar provimento em relação aos demais itens recursais.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto.
Nome do relator: Tiago Guerra Machado
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE Por integrar o valor do estoque de matéria-prima, é possível a apuração de crédito a descontar das contribuições não-cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de matéria-prima entre estabelecimentos da mesma empresa. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para formação de lote de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao crédito em relação à contribuição. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Para o aproveitamento de créditos extemporâneos, não é necessária retificar as DACON´s do período em que eles poderiam ter sido lançados, tampouco as respectivas DCTF´s do período de sua apuração. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INSUMO. BIODIESEL. A possibilidade de apuração de crédito presumido a partir da aquisição de "sebo" utilizado na produção de biodiesel, nos termos do art. 47 e 47-B da Lei nº 12.546/2011, de 14 de dezembro de 2011, não produziu efeitos retroativos. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INSUMO. PRODUTOS DESTINADOS A ALIMENTAÇÃO. O crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é apurado somente em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos capítulos e posições da NCM nele previstos. ESTORNO DE CRÉDITO PRESUMIDO. VENDA COM SUSPENSÃO. FARELO DE SOJA É vedado o aproveitamento de créditos em relação a receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas sujeitas ao crédito presumido de farelo de soja (NCM 23.04) e de farelo de girassol (NCM 23.06) anteriormente à publicação da Lei nº 12.431/2011 (Publicada em 27.06.2011)
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para manter a decisão de piso no que se refere a despesas de frete entre estabelecimentos da empresa, relacionadas à formação de lote de exportação, vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado, Rodolfo Tsuboi e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto; e (b) por unanimidade de votos, para (i) reconhecer como possível a apropriação extemporânea de créditos das contribuições, observados os demais requisitos legais para seu creditamento; (ii) admitir os créditos referentes à Nota Fiscal nº 180; (iii) admitir os créditos em relação a aquisições de insumos via industrialização por encomenda; (iv) admitir os créditos referentes a fretes entre estabelecimentos na movimentação de matéria-prima; (v) admitir o crédito presumido em relação a aquisição do sebo com a suspensão de PIS/COFINS, atestada em diligência; e (vi) negar provimento em relação aos demais itens recursais. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE Por integrar o valor do estoque de matériaprima, é possível a apuração de crédito a descontar das contribuições nãocumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de matériaprima entre estabelecimentos da mesma empresa. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para “formação de lote” de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao crédito em relação à contribuição. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Para o aproveitamento de créditos extemporâneos, não é necessária retificar as DACON´s do período em que eles poderiam ter sido lançados, tampouco as respectivas DCTF´s do período de sua apuração. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INSUMO. BIODIESEL. A possibilidade de apuração de crédito presumido a partir da aquisição de "sebo" utilizado na produção de biodiesel, nos termos do art. 47 e 47B da Lei nº 12.546/2011, de 14 de dezembro de 2011, não produziu efeitos retroativos. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INSUMO. PRODUTOS DESTINADOS A ALIMENTAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 51 54 /2 01 3- 18 Fl. 3507DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Acórdão n.º 3401006.124 S3C4T1 Fl. 3 2 O crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é apurado somente em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos capítulos e posições da NCM nele previstos. ESTORNO DE CRÉDITO PRESUMIDO. VENDA COM SUSPENSÃO. FARELO DE SOJA É vedado o aproveitamento de créditos em relação a receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas sujeitas ao crédito presumido de farelo de soja (NCM 23.04) e de farelo de girassol (NCM 23.06) anteriormente à publicação da Lei nº 12.431/2011 (Publicada em 27.06.2011) Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para manter a decisão de piso no que se refere a despesas de frete entre estabelecimentos da empresa, relacionadas à formação de lote de exportação, vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado, Rodolfo Tsuboi e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto; e (b) por unanimidade de votos, para (i) reconhecer como possível a apropriação extemporânea de créditos das contribuições, observados os demais requisitos legais para seu creditamento; (ii) admitir os créditos referentes à Nota Fiscal nº 180; (iii) admitir os créditos em relação a aquisições de insumos via industrialização por encomenda; (iv) admitir os créditos referentes a fretes entre estabelecimentos na movimentação de matéria prima; (v) admitir o crédito presumido em relação a aquisição do sebo com a suspensão de PIS/COFINS, atestada em diligência; e (vi) negar provimento em relação aos demais itens recursais. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ/RPO, que manteve o despacho decisório que não homologou créditos relativos ao PIS/COFINS, na modalidade não cumulativa. Diante da decisão de primeiro grau, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a esse Tribunal administrativo, reprisando as seguintes teses da impugnação: (a) Das despesas com fretes entre estabelecimentos Fl. 3508DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Acórdão n.º 3401006.124 S3C4T1 Fl. 4 3 Informa que as transferências entre estabelecimentos da pessoa jurídica tiveram por escopo o armazenamento das mercadorias com destino certo à exportação e já negociada; que o frete contratado confere à empresa o direito ao aproveitamento do crédito, porque é decorrente de operação de venda para o exterior, onde o transporte é realizado em duas etapas, sendo a primeira até o porto — que corre às expensas do vendedor —; e a outra do porto de origem até o destino final — que é de responsabilidade do comprador. Ressalta que "se é certo que se deve considerar a remessa para exportação "frete na operação de venda", a remessa anterior para a formação de lote deve ser incluída no mesmo conceito, pois este frete nada mais é do que uma primeira etapa do transporte definitivo da mercadoria para o seu destino final". Informa que o seu estabelecimento industrial está situado no centrooeste, distante do embarque dos produtos para o exterior, realizados em Santos/SP e que, antes de chegar no Porto de Santos, os produtos são transportados por via rodoviária ou aquaviária, desde as fábricas localizadas no Estado de Goiás, até as filiais localizadas em Pederneiras/SP ou Anhembi/SP. A partir das filiais, as mercadorias são transportadas até o porto de Santos pela via ferroviária; c. o frete entre estabelecimentos tem por finalidade precípua colocar os produtos vendidos em condições de serem embarcados/vendidos para o exterior. E conclui: (...) Ainda que se entendesse que os fretes contratados pela Impugnante não se encartassem no conceito de "fretes sobre venda", tais gastos encontram amparo no inciso I do art. 3o, das L eis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, por serem gastos necessários à colocação do bem em condições de venda (tem natureza de custo), tal como definido na legislação do Imposto de Renda (art. 289 do RIR/1999); Por fim, reforçar que direito ao crédito é garantido pela leitura do artigo 3º, das Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003, seja como despesa com venda, seja como custo a ser incorporado ao bem em estoque (neste caso se não houvesse contratado previamente a venda); (b) Despesas de armazenagens e fretes extemporâneos A contribuinte diz que o art. 3o, § 4o, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, prescreve, sem fazer qualquer ressalva quanto ao prazo e formalidades para o creditamento e de forma clara e taxativa, que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. No que tange ao crédito presumido extemporâneo, assevera que o § 2º, do art. 8o, da Lei n° 10.925/2004 manda aplicar o § 4o, do art. 3o, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não havendo disposição expressa em sentido contrário. Vejamos: "(...) tendo em conta que inexiste no ordenamento jurídico qualquer previsão legal que vede, de forma expressa, o aproveitamento extemporâneo, é de se concluir, reprisese, que autorizado está o contribuinte à recuperação de créditos que não foram aproveitados no passado". Prossegue afirmando que o § 8o, do art. 3o, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, não fixaram regime de competência para apropriação de créditos do PIS/PASEP e da COFINS, mas tão somente definiram critério de cálculo desses mesmos créditos, sendo Fl. 3509DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Acórdão n.º 3401006.124 S3C4T1 Fl. 5 4 que o momento da apropriação continua a ser disciplinado pelo § 1° do aludido art. 3o, de sorte que, em não havendo o aproveitamento em tal ocasião, o contribuinte pode fazêlo em período posterior, por força do permissivo contido no § 4o também daquele comando legal. Após citar um trecho do Manual de Preenchimento do DACON que estabelece: "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, sem atualização monetária ou incidência de juros" e dizer que este manual se enquadra na definição de "norma complementar" estabelecida no art. 96 do Código Tributário Nacional CTN, diz que a glosa de créditos extemporâneos se afigura um ato abusivo e ilegal, motivo que desautoriza o lançamento. (c) Das despesas de armazenagem prescritas Quanto à prescrição de parte do crédito relativo às despesas de armazenagens, a recorrente alega que os créditos do PIS e da COFINS não sofre qualquer hipótese de prescrição, mesmo porque as Leis federais 10.637/2002 e 10.833/2003 não preveem qualquer prazo para a fruição dos créditos (d) Aquisição de Bens usados como insumos Sobre as glosas realizadas, o contribuinte juntou documentação suporte para comprovar tais dispêndios, que não teriam sido apresentadas durante o procedimento fiscal. (e) Aquisição de Bens que seriam ativo imobilizado Reproduziu a Resolução CFC nº 1.177/2009 e citar o art. 301 do RIR, que possibilita reconhecer como despesa bem cujo valor unitário se mostre elevado, desde que o prazo de vida útil seja inferior a um ano, e a Solução de Consulta DISIT/SRRF06, de 13 de maio de 2015, diz que a obrigatoriedade de imobilização de gastos realizados em bens do imobilizado é bastante restrita, pois somente se aplica quando o bem beneficiário da reforma alcançar nova vida útil. No caso em tela é diferente, são peças que se desgastam ou deterioram rotineiramente, sem, contudo, elevar a vida útil da máquina ou equipamento, não se mostrando suficiente para concederlhes o tratamento de imobilizado. Arguiu que, caso se admita o enquadramento dos materiais adquiridos como bem do imobilizado, os bens conferem créditos sobre os encargos de depreciação, com observância da metodologia adotada pela Lei nº 11.774/2008. (f) Do direito ao crédito presumido de PIS/PASEP e Cofins nas aquisições de "sebo" para a produção de biodiesel Afirmou que o insumo "sebo" é utilizado unicamente para a produção de biodiesel e que "as aquisições realizadas pela Impugnante do insumo "sebo", destinadas a fabricação de biodiesel, ocorridas anteriormente a 15/12/2011, são abarcadas pelo direito ao crédito presumido de PIS/PASEP e COFINS, por força do que prevê o art. 34 da Lei n° 12.058/2009(...)”. (g) Do direito ao crédito presumido de PIS/PASEP e Cofins nas vendas no mercado interno de "farelo de girassol" Fl. 3510DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Acórdão n.º 3401006.124 S3C4T1 Fl. 6 5 Ressalva que a fiscalização teria erroneamente desconsiderou os créditos de contribuições relativos à venda no mercado interno de farelo de girassol, haja vista o contido nos arts. 54 e 55, § 5º, inciso II, da Lei nº 12.350/2010. Nesse contexto, assegura que o "farelo de soja" é obtido por meio da industrialização da "semente de girassol" e é vendido com o benefício da suspensão de PIS e Cofins a destinatários que irão utilizálos na alimentação animal; e que “a semente de girassol utilizada para produzir o "farelo de girassol", por ser adquirida das pessoas indicadas no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, garante à impugnante o direito de se apropriar dos créditos presumidos de PIS e Cofins”, e por fim, “o fato de o "farelo de girassol" ser comercializado com o benefício da suspensão de PIS e Cofins, não impõe à contribuinte a obrigação de promover o estorno dos créditos presumidos anteriormente apropriados, pois inexiste na lei nº 10.925/2004 tal previsão; (h) Do estorno do crédito presumido decorrente de venda com suspensão no mercado interno de farelo de soja Quanto ao estorno de créditos presumidos decorrentes de venda de farelo de soja com suspensão de PIS e Cofins no mercado interno, a contribuinte diz que, nos termos da Lei Complementar nº 95/1998, a vigência da lei será sempre indicada de forma expressa e as disposições normativas serão regidas com clareza, precisão e ordem lógica; Conclui que tem direito ao crédito presumido, nos termos do art. 64 da Lei nº 12.350/2010 e art. 22 da Instrução Normativa nº 1.157/2011. (i) Da glosa parcial de crédito presumido da soja adquirida para produção de farelo A contribuinte rejeitou a glosa parcial dos créditos presumidos da soja adquirida, na medida em que afirma que a parcela de soja utilizada na produção de biodiesel não proporciona o direito de a empresa se beneficiar dos créditos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Buscou demonstrar documentalmente que toda a soja fora utilizada na produção de mercadoria destinada à alimentação humana ou animal, “sendo que o óleo resultante do mesmo processo não interferiu na produção do farelo de soja, produto este que faz jus ao crédito.“ Afirmou também que que não há previsão legal que ampare o rateio de crédito empregado pela fiscalização e que a analogia não pode criar restrições, nem resultar em cobrança de tributos não previsto em lei. Por fim, rejeitou a aplicação de juros sobre a multa de ofício durante o curso do processo para atualização do crédito ora constituído, por falta de embasamento legal para aplicação da Taxa SELIC sobre essa parcela. Ainda apresentou documentos adicionais para comprovar suas alegações, em especial sobre os créditos sobre frete entre estabelecimentos e sobre o crédito presumido decorrente de sua atividade agroindustrial, entre outros. É o relatório. Fl. 3511DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Acórdão n.º 3401006.124 S3C4T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.115, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10120.720057/201420. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.115): "Do mérito O Recurso Voluntário se insurge contra o entendimento da decisão de primeiro grau que manteve as glosas de créditos delineadas no MPF nº 0120100201300983 a respeito das seguintes rubricas: (a) Despesas de frete entre estabelecimentos da empresa, relacionados à formação de lote de exportação; (b) Despesas de armazenagens e fretes sobre venda, cujos créditos foram tomados após o período de competência contábil em que foram registradas; (c) Despesas de armazenagem, cujos créditos foram considerados prescritos pois tomados após cinco anos da emissão dos respectivos documentos; (d) Insumos. Falta de comprovação; (f) Despesas relativas a manutenção de máquinas e equipamentos (partes e peças de reposição); (g) Do crédito presumido na aquisição de sebo para produção de biodiesel; (h) Do estorno do crédito presumido decorrente de venda com suspensão no mercado interno de farelo de soja; (i) Crédito presumido nas vendas no mercado interno de "farelo de girassol"; (j) Crédito presumido sobre a soja adquirida para produção de farelo. Passo a expor: Fl. 3512DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Acórdão n.º 3401006.124 S3C4T1 Fl. 8 7 (a) Despesas de frete entre estabelecimentos da empresa, relacionados à formação de lote de exportação; 1 Já tive a oportunidade de me manifestar sobre o tema quando da prolação do Acórdão no 3403002.681, do qual extraí a ementa proposta ao colegiado: “COFINS. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para “formação de lote” de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao creditamento em relação à contribuição.” (Acórdão n. 3403002.681, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014) O dispositivo legal que rega a matéria nas leis de regência das contribuições (art. 3o das Leis no 10.637/2003 e no 10.833/2003) contempla as operações de venda e as aquisições de insumos. As transferências entre estabelecimentos da empresa de mercadorias acabadas, contudo, não encontram, na legislação de regência, previsão de geração de créditos. Como destacamos no citado acórdão, remetendo a voto do Cons. Marcos Tranchesi Ortiz: “Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode (sic) se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3o, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3o. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido.” (Acórdão n. 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25.abr.2012) Assim, a transferência a estabelecimento filial para “formação de lote”, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação. 1 Transcritos apenas os entendimentos que prevaleceram na decisão sobre o tema. Deixouse de transcrever o entendimento vencido, que pode ser consultado, na íntegra, no processo paradigma. Fl. 3513DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Acórdão n.º 3401006.124 S3C4T1 Fl. 9 8 Mais enfático, ainda o Acórdão no 3403003.164, no qual se asseverou o colegiado, também unanimemente, e com minha participação, que: “CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para “formação de lote” de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao creditamento em relação à contribuição.” (Acórdão n. 3403001.556, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) Incumbe registrar que mantenho tal entendimento mesmo após a reversão pontual, por maioria, do resultado de um dos precedentes citados (Acórdão no 3403002.681) na Câmara Superior de Recursos Fiscais, que entendeu ser a “formação de lotes de exportação” uma operação de venda (vencidos, neste tema, os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira santos e Jorge Olmiro Lock Freire). Isso porque a “formação de lotes de exportação” é etapa que antecede uma possível (mas, ainda não efetivada) exportação, e não envolve nem compra nem venda, mas mero acúmulo de mercadorias para venda futura (a menos que se demonstre documentalmente o oposto, o que não ocorre no presente processo). Não vemos, assim, como possa se amoldar a situação ao disposto no art. IX do art. 3o da lei de regência, que trata de frete na operação de “venda”, visto que “venda” não houve, nesta operação de transferência para “formação de lotes de exportação”. (b) Despesas de armazenagens e fretes sobre venda, cujos créditos foram tomados após o período de competência contábil em que foram registradas; O entendimento fazendário, que restou confirmado na decisão recorrida, direcionase no sentido de que os bens e serviços somente poderiam ter seus créditos imputados ao período de competência em que foram adquiridos. Contudo, não comungo do mesmo posicionamento. Primeiramente, vejamos o que diz o citado artigo 3º, em seu caput e no parágrafo quarto: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 3514DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Acórdão n.º 3401006.124 S3C4T1 Fl. 10 9 § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. Vejam que, em interpretação literal e sistemática, o parágrafo quarto estabeleceu o direito de o contribuinte apropriar crédito que eventualmente não tenha sido utilizado para desconto da base de cálculo em um determinado mês em períodos de apuração subsequentes. Caso o legislador fizesse menção ao excesso de créditos, ou mesmo a expressão “saldo credor” – como o faz em diversos outros normativos relativos às contribuições sociais – ele teria o feito. Desse modo, não caberia restrição ao Poder Executivo restringir esse direito quando estabeleceu normas relativas à gestão da fiscalização e arrecadação desses tributos, como faz crer a decisão ora recorrida. É claro que o direito original aos créditos das contribuições parte do pressuposto de que eles devam ser registrados simultaneamente à escrituração dos documentos que embasam a aquisição de bens e serviços, ou ainda que venha a ser apropriado nos períodos em que determinados custos e despesas forem considerados incorridos. Todavia, o parágrafo quarto acima mencionado possibilitou ao contribuinte vir a registrar extemporaneamente os créditos de PIS e COFINS registrados na sistemática não cumulativa das referidas contribuições, vindo a aproveitálos para desconto das contribuições sociais em períodos de apuração distintos (futuros) dos quais se originaram. Esse entendimento vem sendo unânime nessa turma, que aduziu dessa mesma maneira, no Acórdão 3401004.022, proferido em outubro/2017, de relatoria do Conselheiro Robson Bayerl. Vejamos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/04/2011 a 30/06/2011, 01/08/2011 a 31/08/2011, 01/11/2011 a 30/11/2011 PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo “insumo”, insculpido no art. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não pode ser equiparado restritivamente aos conceitos de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, próprios da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, tal como detalhado no PN CST 65/79, tampouco extenso como os conceitos de custo de produção e despesas operacionais da legislação do IRPJ, arts. 290 e 299 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), consistindo em bens e serviços, inerentes e necessários à atividade da empresa, adquiridos e empregados Fl. 3515DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Acórdão n.º 3401006.124 S3C4T1 Fl. 11 10 diretamente na área de produção, desde que sofram a incidência das contribuições não cumulativas na etapa anterior da cadeia produtiva. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha a retificação das DACONs para que seja alocado no período de apuração a que se refira o dispêndio. ALUGUÉIS. DIREITO DE CRÉDITO. DELIMITAÇÃO. O direito de crédito relativo aos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na empresa, previsto no art. 3º, IV das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, compreende apenas a retribuição pelo uso e gozo da coisa não fungível, nos contratos de locação, como regulado pelo art. 565 e ss. do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), não englobando as despesas condominiais e demais taxas sob responsabilidade dos locatários, bem assim, as contraprestações financeiras, a cargo dos parceiros públicos, nos contratos administrativos de concessão das parcerias públicoprivadas. BENEFÍCIO FISCAL ESTADUAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCIDÊNCIA. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Afastada a hipótese de caracterização do crédito presumido concedido pelo Estado do Bahia, através do Decreto nº 6.734/97, como subvenção para investimento, inaplicável as disposições do art. 21 da Lei nº 11.941/2009, então vigente, enquadrandose o benefício fiscal em comento no conceito amplo de receita veiculado no art. 1º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, submetendose à incidência das contribuições de que tratam. Recurso voluntário provido em parte. Em seu voto, o Ilustre Conselheiro destaca: Esta interpretação atribuída aos dispositivos é plausível, porém, não é a única aceitável, pois, tanto as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, como as INs RFB 247/02 e 404/04 que as normatizam, não distinguem o crédito, como espécie, do saldo credor, preferindo a adoção do termo “crédito” indistintamente para uma e outra finalidade, razão porque a interpretação do contribuinte é também acertada, mormente pela sua dicção literal, consoante a qual “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. Fl. 3516DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Acórdão n.º 3401006.124 S3C4T1 Fl. 12 11 Ora, os créditos da não cumulatividade podem ser pleiteados a qualquer tempo, enquanto não decaído o direito ao seu exercício, não havendo norma clara que imponha a retificação das DACONs para inclusão de créditos nos períodos de apuração a que se refiram, de maneira que não haveria obstáculo ao aproveitamento a destempo sem observância estrita do regime de competência, como exigiram a DRF/DRJ, eis que se trataria de situação esporádica, valendo a analogia com o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, onde os créditos alegados extemporaneamente não impõem a reescrituração do livro, bastando sua indicação em campo próprio. Assim, o aproveitamento de créditos fora dos períodos de apuração a que se referem é possível, como defendido pelo contribuinte, cumprindo à fiscalização a verificação se, de fato, este crédito não foi aproveitado anteriormente e observada a delimitação do conceito de insumo formulada no presente acórdão. Entendo não ser possível criar uma vedação, por meio de interpretação, onde a lei, ou mesmo os atos administrativos correlatos, não expressamente o fizeram. Desse modo, deve ser acolhida a pretensão do contribuinte. Diante do exposto, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada para considerar possível a apropriação extemporânea de créditos das contribuições sociais, observados os demais requisitos legais para seu creditamento. (c) Despesas de armazenagem, cujos créditos foram considerados "prescritos" pois tomados após cinco anos da emissão dos respectivos documentos; Nesse item, a Recorrente alega que o Relatório Fiscal que ensejou o lançamento de ofício considerou ter havido dois tipos de "prescrição": (i) dispêndios ocorridos antes de julho de 2006; (ii) dispêndios ocorridos após julho de 2006. Analisando o aludido Relatório, vêse que isso não é exatamente verdade. O que ocorreu é que a fiscalização considerou prescritos os créditos decorrentes de dispêndios realizados após cinco anos contados de cada período de apuração das contribuições sociais, de de maneira que houve glosas "por prescrição" separados mês a mês, sendo certo que o espaço temporal objeto daquele MPF de aproximadamente dois anos. Por outro lado, aduz a Recorrente que não há, na legislação das contribuições, tampouco na legislação complementar (CTN), previsão legal para a decadência do direito de escriturar os créditos extemporâneos em cinco anos, dado que o artigo 168, do CTN trata de crédito tributário e não de créditos escriturais, Fl. 3517DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Acórdão n.º 3401006.124 S3C4T1 Fl. 13 12 como é o caso da nãocumulatividade do PIS e da COFINS; tampouco restaria aplicável o Decreto 20.910/1932, porque esse estaria tratando de prescrição do direito de ação perante a Fazenda Pública, o que também não seria o caso dos créditos escriturais. Ora, de fato, as Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003 estabelecem a possibilidade de apuração de créditos a serem utilizados para desconto do valor devido ao PIS e à COFINS, calculados na modalidade nãocumulativa, sendo certo que são, indubitavelmente, "direitos creditórios" que reduzem o valor devido a título das contribuições sociais; indo mais além, quando há saldo credor decorrem do "excesso" de créditos em comparação aos respectivos débitos, é possível até o mesmo o seu ressarcimento. É verdade, porém, que houve um silêncio nesses textos normativos quanto ao prazo prescricional para a apropriação dos créditos escriturais, o que não significa dizer, aprioristicamente, que não há um termo inicial ou que não há limite temporal para o exercício dessa faculdade do contribuinte. O ordenamento jurídico deve ser analisado como um sistema entrelaçado de normas, princípios e valores que não permite a aplicação nua e crua de um determinado texto normativo sem avaliar todos os seus aspectos ascendentes e descendentes. O intérprete que assim o fizer colocará em risco toda a efetividade do ordenamento, deixando margem para que a atividade de interpretação deixe de ter sua função de uniformizar igualitariamente os direitos e obrigações entre os membros da sociedade sujeita àquele ordenamento, para ser uma ferramenta de legitimação da imposição individual de vontades. Dito isso, reconheço que há certa concordância na afirmação de que o direito ao aproveitamento desses créditos não pode se confundir com o direito à restituição de tributo pago indevidamente ou a maior, não se ensejando a aplicação do artigo 168, do CTN; contudo, não há como afastar a aplicação subsidiária do Decreto 20.910/1932, plenamente em vigor, cujo artigo 1º afirma: Art. 1º As dividas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Vêse que o espectro alcançado pelo citado artigo é absolutamente amplo, comportando, no trecho grifado, uma gama enorme de "direitos" atribuíveis ao administrado contra a fazenda pública, não havendo qualquer restrição semântica à Fl. 3518DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Acórdão n.º 3401006.124 S3C4T1 Fl. 14 13 aplicação ao caso dos créditos escriturais decorrentes da não cumulatividade das contribuições sociais. Desse modo, adaptandose ao nosso tema, é imperioso entender que o artigo 1º, do Decreto 20.910/1932, implica na observância do prazo prescricional de cinco anos contado da competência tributária em que aquela crédito poderia ter sido escriturado. Essa discussão não é novidade e já foi objeto de avaliação pela CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT), que entendeu de modo idêntico quando da Solução de Divergência COSIT 21/2011: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EMENTA: EXISTÊNCIA E TERMO DE INÍCIO DO PRAZO PRESCRICIONAL DOS CRÉDITOS REFERIDOS NO ART. 3º DA LEI Nº 10.637, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2001; E NO ART. 3º DA LEI º 10.833, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2003. Os direitos creditórios referidos no art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, estão sujeitos ao prazo prescricional previsto no art. 1º do Decreto nº 20.910, de 06 de janeiro de 1932. Os fatos geradores dos direitos creditórios referidos no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, têm natureza complexiva e aperfeiçoamse no último dia do mês da apuração. O termo de início para contagem do prazo prescricional relativo aos direitos creditórios referidos no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, é o primeiro dia do mês subsequente ao de sua apuração; DISPOSITIVOS LEGAIS: art. 1º do Decreto nº 20.910, de 06 de janeiro de 1932; art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2001; art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Assim, como o direito ao crédito extemporâneo se expira após cinco anos contados do momento da aquisição das mercadorias e/ou serviços (fato gerador dos créditos), não há que se reformar o lançamento de ofício quanto se particular, mantendose a decisão recorrida (d) Insumos. Falta de Comprovação A Recorrente apresenta nos itens 2.5.4 a 2.5.9 do seu Recurso as razões para se reformar a decisão recorrida dado que teria havido um erro material nos demonstrativos de crédito relativos a fornecedor, em decorrência de informação quanto ao CNPJ. Fl. 3519DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Acórdão n.º 3401006.124 S3C4T1 Fl. 15 14 No caso, foi informado o CNPJ 05.252.578/000159, enquanto o correto seria o CNPJ 88.370.945/000146. Feito esse esclarecimento, e admitindo a regularidades de tais notas fiscais, verificase que se referem à industrialização por encomenda contratada pela Recorrente, relacionadas ao produto “Ácido Graxo Vegetal”, contudo, diante da insuficiência de esclarecimentos quanto ao uso desse item nas atividades desempenhadas pela Recorrente, não é possível admitir a possibilidade de apropriação de créditos . De tal sorte, deve ser mantida a decisão recorrida, por carência probatória da Recorrente fundar seus argumentos, com relação a esses itens. Quanto às glosas impugnadas nos itens 2.5.10 e 2.5.11, sendo juntado o documento fiscal comprobatório da despesa, e esclarecida a natureza do serviço (carga e descarga de mercadorias em transporte multimodal, nas operações de venda) e sua vinculação e essencialidade em relação à atividade desempenhada pela Recorrente, é de se admitir créditos nesse particular, devendo a decisão ser reformada. Quanto às glosas mencionadas nos itens 2.5.12 a 2.5.17 e 2.6.1, a fiscalização efetuou a glosa simplesmente em razão de haverem sido apresentados documentos fiscais comprobatórios, o que foi feito já na impugnação e ignorado pela decisão recorrida. Tratamse de aquisições de insumos via industrialização por encomenda de diversos produtos que são posteriormente revendidos pela Recorrente, como pipoca, farinhas, amendoim, entre outros. Havia, ainda, no Relatório que deu azo ao lançamento, menção a aquisições de insumos de pessoas físicas. Contudo, a Recorrente rebate essa conclusão afirmando que as notas fiscais glosadas eram de pessoas jurídicas, juntandoas desde a impugnação, e que tal equívoco decorreu de o Excel desconsiderar os “zeros” à esquerda do CNPJ 00.048.496/0001 73, fazendoo parecer ser um número de CPF (484.960.00173). Diante desses esclarecimentos, devese reconhecer que as glosas foram indevidas e que, portanto, a decisão também deve ser reformada. (e) Despesas relativas a manutenção de máquinas e equipamentos (partes e peças de reposição); A Recorrente refuta as alegações da fiscalização referentes à glosa de créditos relacionadas à manutenção de máquinas e equipamentos, que foram efetuadas considerando que tais dispêndios deveriam ser registrados como ativo imobilizado (“nãocirculante”), haja vista que os valores adquiridos ou contratados eram superiores ao montante máximo estabelecido à época pela legislação do Imposto de Renda para o registro como despesa dedutível em detrimento do registro como ativo imobilizado (“nãocirculante”) e sujeito, assim, a depreciação/amortização. Fl. 3520DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Acórdão n.º 3401006.124 S3C4T1 Fl. 16 15 Ora, de fato, o valor do item adquirido ou serviço contratado para realizar a manutenção de bens do seu ativo permanente não é o único elemento a ser considerado para definir se tais dispêndios serão tratados como despesa ou como ativo imobilizado. O conceito de ativo imobilizado encontrase na Lei nº 6.404/1976 (Lei das S.A.), com as alterações promovidas pela Lei nº 11.638/2007, que em seu artigo 179, IV, estabelece que devem ser registrados no ativo imobilizado os “direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens”. Por seu turno, em linha com o que estabelece o Manual de Contabilidade da FIPECAFI2, podemos depreender desta definição legal que devem ser classificados como ativo imobilizado “(...) os bens de permanência duradoura, destinados ao funcionamento normal da sociedade e de seu empreendimento, assim como os direitos exercidos com essa finalidade”. Na prática, as premissas para o registro contábil de um determinado dispêndio como ativo imobilizado sempre foi encontrado na Resolução CFC nº 1.025/20053, até 31.12.2009, e desde então no Pronunciamento nº 27 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC4, aprovado pela Deliberação CVM nº. 583/09 e pela Resolução CFC nº. 1.177/09. O referido CPC nº 27, em seu item 6, define ativo imobilizado conforme abaixo: (...) Ativo imobilizado é o item tangível que: é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços, para aluguel a outros, ou para fins administrativos; e 2 IUDÍCIBUS, Sérgio de, MARTINS, Eliseu e GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, 7ª Ed. São Paulo: Atlas, 2009. p. 190. 3 (...) 19.1.2.4. Ativo imobilizado, objeto desta norma, compreende os ativos tangíveis que: a) são mantidos por uma entidade para uso na produção ou na comercialização de mercadorias ou serviços, para locação, ou para finalidades administrativas; b) têm a expectativa de serem utilizados por mais de doze meses; c) haja a expectativa de auferir benefícios econômicos em decorrência da sua utilização; e d) possa o custo do ativo ser mensurado com segurança. (...) 4 Com a reforma da Lei das S.A. pela Lei nº 11.638/2007, criouse a possibilidade de que a competência para regulação de matéria contábil fosse legalmente delegada ao Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC, órgão que se tornou responsável pela emissão de pronunciamentos que versam sobre princípios, normas e padrões de contabilidade, os quais vêm sendo adotados pela Comissão de Valores Mobiliários CVM. Fl. 3521DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Acórdão n.º 3401006.124 S3C4T1 Fl. 17 16 se espera utilizar por mais de um período. Mais adiante, o mencionado CPC nº 27 trata das hipóteses em que um bem deve ser reconhecido como um item do ativo imobilizado: 7. O custo de um item de ativo imobilizado deve ser reconhecido como ativo se, e apenas se: (a) for provável que futuros benefícios econômicos associados ao item fluirão para a entidade; e (b) o custo do item puder ser mensurado confiavelmente. 8. Sobressalentes, peças de reposição, ferramentas e equipamentos de uso interno são classificados como ativo imobilizado quando a entidade espera usálos por mais de um período. Da mesma forma, se puderem ser utilizados somente em conexão com itens do ativo imobilizado, também são contabilizados como ativo imobilizado. Ora, consoante a definição acima, para que a fiscalização ousasse desconsiderar os valores registrados na contabilidade como despesas, deveria ter sido feita uma análise pormenorizada de cada item glosado, com o intuito de identificar os casos em que os dispêndios representaram um aumento da vida útil dos equipamentos que foram objeto de manutenção, ou, ainda, que viessem a aumentar a capacidade ou funcionalidade desses equipamentos. Não é o que restou demonstrado no Relatório Fiscal, que, em um parágrafo, justificou sucintamente a glosa, sem muita convicção. Diante disso, carecendo de suporte argumentativo e probatório por parte da fiscalização, não se admite ignorar a escrita contábil da Recorrente, que registrou tais dispêndios como despesas de manutenção de equipamentos industriais, de modo que, mais uma vez, deve ser reformada a decisão, afastandose as glosas de créditos dessa natureza. (f) Da despesa de fretes entre estabelecimentos na movimentação de matériaprima Insurgese a Recorrente contra a glosa efetuada pela fiscalização relativa aos fretes contratados para a movimentação de matériaprima entre seus estabelecimentos, por suposta ausência de permissão legal. Fl. 3522DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Acórdão n.º 3401006.124 S3C4T1 Fl. 18 17 Todavia, ainda que a legislação da modalidade nãocumulativa das contribuições sociais não tenha previsto a possibilidade de desconto de créditos sobre os serviços de frete decorrentes da movimentação de insumos, tal menção nem fosse necessária. Isso porque, o regime nãocumulativo das contribuições está sensivelmente ligado à dualidade custoreceita; não há a menor dúvida que o frete suportado pelo adquirente na compra de insumos deve ser integrado ao custo de aquisição desses últimos. Vejamos o Pronunciamento Técnico CPC 16, aprovado pelo CFC pela NBC TG 16: 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. Além disso, é possível inferir que tenha havido silêncio eloquente pelas normas que regulam as contribuições, ao não vetar expressamente essa possibilidade, vis a vis ser absolutamente claro que, como regra, os gastos na movimentação de insumos até o seu efetivo consumo serem integrantes do saldo do estoque. Dessa forma, as despesas incorridas na movimentação de matériaprima e outros insumos até sua utilização, por compor o valor do seu estoque, implica no direito ao crédito das contribuições. Nesse sentido, a glosa mencionada no Relatório Fiscal, e que foi confirmada na decisão ora recorrida, deve ser afastada. (g) Do crédito presumido na aquisição de sebo para produção de biodiesel; Com relação aos itens que tratam das hipóteses de apropriação de crédito presumido na atividade agroindustrial, é importante destacar que, nos termos do art. 47 e 47B da Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011, e publicada no DOU de 15.12.2011, c/c o art. 8º da lei nº 10.925/2004, acompanhando integralmente a conclusão do acórdão da DRJ, que não há direito de crédito nas aquisições de sebo para produção de biodiesel. Tal como destacado pela fiscalização no seu Relatório Fiscal, “não obstante o crédito presumido do art 47 da Lei n° 12.546/2010 nunca ter tido eficácia, posto que foi revogado pela Lei n° 12.865/2013 antes que fosse regulamentado pela RFB, conforme determinava seu § 6o, a Lei n° 12.995/2014 introduziu naquela primeira lei o art. 47B, que convalidou os créditos do art. 47 realizados durante sua vigência (caput) e também convalidou os créditos do art. 8o da Lei n° 10.925/2004 (§ 1o) em relação à aquisição de soja in natura por produtores de Fl. 3523DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Acórdão n.º 3401006.124 S3C4T1 Fl. 19 18 biodiesel, contudo o § 2o do citado art. 47B proibiu o crédito simultâneo do art. 47 da mesma lei e do art. 8o da Lei n° 10.925/2004 em relação à mesma operação”. Assim reproduzo, por entender irretocável, a decisão ora recorrida, vez que não foram trazidos novos elementos no Recurso que pudessem afastar aquela conclusão: Já em relação à alegação da contribuinte que o insumo "sebo" é utilizado unicamente para a produção de biodiesel e que teria direito ao crédito presumido do PIS e da Cofins nas aquisições deste, nos termos do artigo 34 da Lei nº 12.058/2009, e nas redação dada pelas Leis nºs 12.350/2010 e 12.839/2013, fazse necessário, antes de enfrentar o mérito, a reprodução dos arts. 32 e 34 da referida lei: (...) Da leitura dos artigos acima reproduzidos, verificase/concluise que: a) O direito ao crédito presumido somente se aplica à aquisição de sebo com suspensão das contribuições, no mesmo período de apuração, de pessoa jurídica residente ou domiciliada no País. b) A suspensão aludida é obrigatória quando a venda for efetuada por pessoa jurídica que revenda o sebo bovino ou que industrialize os produtos classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02, da NCM, para outra pessoa jurídica, desde que a venda não seja no varejo; c) Sendo o sebo bovino adquirido com a incidência de suspensão do pagamento da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, e utilizado como insumo na industrialização de biodiesel, cabe ao adquirente o direito de apuração dos créditos presumidos tratados no art. 34 da Lei nº 12.058, de 2009. Como dito alhures, a contribuinte para usufruir do direito ao crédito presumido precisa, além ser pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real, demonstrar que a aquisição de sebo foi com suspensão das contribuições e de pessoa jurídica residente ou domiciliada no País. Contudo, na impugnação apresentada, a contribuinte não demonstrou que cumpriu todos os requisitos, principalmente se a aquisição de sebo foi de pessoa jurídica e com suspensão. Assim, cabendo o ônus da prova em contrário à empresa, nos termos dos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/197217; art. 36 da Lei nº 9.784/199918; e art. 373 da Lei nº 13.105/200519, e esta, em sua impugnação, não demonstrando o cumprimento dos demais requisitos para usufruir do direito ao crédito presumido estabelecido pela Lei nº 12.058/2009, não há motivos para rever o lançamento(glosa de crédito) da matéria tratada neste tópico. Fl. 3524DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Acórdão n.º 3401006.124 S3C4T1 Fl. 20 19 Assim, mantenho a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. (h) Do crédito presumido decorrente de venda com suspensão no mercado interno de “farelo de soja” e de "farelo de girassol" Tampouco merece reforma o entendimento trazido pelo acórdão recorrido concernente à possibilidade de crédito presumido com a venda do produto agroindustrial estava sujeito à suspensão das contribuições. A recorrente pleiteia que sejam considerados, nas apurações de janeiro a junho de 2011, a inclusão de crédito presumido concedido pela Lei Federal 12.431/2011, cuja vigência expressamente se iniciou em 27.06.2011, quando fora publicada no DOU. Ora, não há como conceber a possibilidade de vigência retroativa à lei, sem que essa estabeleça tal aplicação, de modo que deve ser mantida a decisão da DRJ que não considerou tais créditos até a entrada em vigor daquele ato normativo. (i) Crédito presumido sobre a soja adquirida para produção de farelo. Com relação a esse item, por entender ter a decisão a quo escrutinado a questão de maneira definitiva, creio que o acórdão de primeiro grau merece ser mantido na sua integralidade, de forma que acompanho tal entendimento, aproveitando os fundamentos do voto do relator que cito: A fiscalização glosou parcialmente créditos presumidos da soja adquirida, por entender que a parcela de soja utilizada na produção de biodiesel não proporciona o direito de a empresa se beneficiar dos créditos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. O entendimento da fiscalização foi no sentido de que há direito ao crédito apenas quando aplicada à soja na produção de mercadoria de origem animal ou vegetal destinada à alimentação humana ou animal). Em sua impugnação, a fiscalizada contesta a glosa realizada, afirmando que toda soja, sem exceção foi empregada na produção de mercadoria destinada à alimentação humana ou animal, sendo que o óleo resultante do mesmo processo não interferiu na \produção do farelo de soja, produto este que faz jus ao crédito. Afirma que o aproveitamento parcial dos créditos somente seria aplicado se a empresa destinasse uma parte da soja para produção de farelo e a outra para produção de Fl. 3525DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Acórdão n.º 3401006.124 S3C4T1 Fl. 21 20 biodiesel e que, por se tratar de norma especial, a única exceção (vedação ao aproveitamento do crédito presumido) encontrase taxativamente prevista no §4º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; e não há previsão legal que imponha o aproveitamento proporcional em razão da pluralidade de produtos resultantes do mesmo processo e matériaprima, é de se concluir que a Impugnante tem direito ao crédito presumido integral. Em outras palavras, o que a impugnante defende é que toda a aquisição de soja é para a produção de "farelo de soja", sendo o biodiesel o subproduto. De acordo com o "Memorial Descritivo do Processo de Produtivo Soja decepção / Preparação / Extração / Lecitina" apresentado pela contribuinte, diferentemente do alegado, fica evidente que a soja adquirida é para a produção de óleo/biodiesel/lecitina, sendo o subproduto da industrialização o "farelo de soja". Contudo, não é o fato de o "farelo de soja" ser, ou não, o subproduto do esmagamento da soja que determina a existência do direito ao crédito presumido, mas sim o fato de as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, produzirem (a partir da soja) mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal (art. 8º da Lei nº 10.925/2004). Desse modo, inexistindo o direito ao crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei 10.925/2004 em relação a insumos aplicados na fabricação de biodiesel — produto este não destinado à alimentação humana e animal — há que se excluir/glosar os valores dos insumos a eles aplicados da base de cálculo do crédito presumido informado pela contribuinte em seu Dacon. Quanto ao rateio proporcional dos valores glosados conforme a proporção das receitas da empresa, esta é a forma correta de realizar as glosas, haja vista ter sido este o método adotado na apropriação dos créditos realizada pela interessada em Dacon. Portanto, com base nos dispositivos acima expostos a glosa do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 proporcional à produção de biodiesel, merece ser mantido. Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e doulhe parcial provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do Recurso Voluntário e darlhe parcial provimento. Fl. 3526DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Acórdão n.º 3401006.124 S3C4T1 Fl. 22 21 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 3527DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Acórdão n.º 3401006.124 S3C4T1 Fl. 23 22 Fl. 3528DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.002096/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004
MATÉRIA NÃO TRAZIDA NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Não devem ser conhecidas matérias não aduzidas na defesa inicial em razão da preclusão consumativa.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2004
COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. SERVIÇOS PRESTADOS PESSOALMENTE PELOS ASSOCIADOS A PESSOA JURÍDICA COMPENSAÇÃO.
A legislação permite que cooperativa de trabalho compense o imposto de renda retido na fonte incidente sobre os valores pagos a seus cooperados com o imposto de renda retido na fonte sobre as importâncias recebidas de pessoas jurídicas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados desta.
Como no presente caso não existe relação direta entre os valores recebidos, que geraram as retenções sofridas, e os valores pagos aos profissionais, que ocasionaram as retenções, as compensações não se enquadram na previsão legal do art. 45 da Lei n° 8.541/1992, não havendo previsão legal para a compensação realizada.
DIREITO CREDITÓRIO - COMPROVAÇÃO - AUSÊNCIA . NÃO HOMOLOGAÇÃO.
A ausência de comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta no indeferimento do pleito.
Numero da decisão: 1302-003.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13984.000024/2010-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 MATÉRIA NÃO TRAZIDA NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não devem ser conhecidas matérias não aduzidas na defesa inicial em razão da preclusão consumativa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2004 COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. SERVIÇOS PRESTADOS PESSOALMENTE PELOS ASSOCIADOS A PESSOA JURÍDICA COMPENSAÇÃO. A legislação permite que cooperativa de trabalho compense o imposto de renda retido na fonte incidente sobre os valores pagos a seus cooperados com o imposto de renda retido na fonte sobre as importâncias recebidas de pessoas jurídicas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados desta. Como no presente caso não existe relação direta entre os valores recebidos, que geraram as retenções sofridas, e os valores pagos aos profissionais, que ocasionaram as retenções, as compensações não se enquadram na previsão legal do art. 45 da Lei n° 8.541/1992, não havendo previsão legal para a compensação realizada. DIREITO CREDITÓRIO - COMPROVAÇÃO - AUSÊNCIA . NÃO HOMOLOGAÇÃO. A ausência de comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta no indeferimento do pleito.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-09-17T16:28:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-09-17T16:28:07Z; Last-Modified: 2019-09-17T16:28:07Z; dcterms:modified: 2019-09-17T16:28:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-09-17T16:28:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-09-17T16:28:07Z; meta:save-date: 2019-09-17T16:28:07Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-09-17T16:28:07Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-09-17T16:28:07Z; created: 2019-09-17T16:28:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-09-17T16:28:07Z; pdf:charsPerPage: 1871; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-09-17T16:28:07Z | Conteúdo => S1-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13984.002096/2008-21 Recurso Voluntário Acórdão nº 1302-003.876 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de agosto de 2019 Recorrente UNIMED DE LAGES - COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO DA REGIAO DO PLANALTO SERRANO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 MATÉRIA NÃO TRAZIDA NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não devem ser conhecidas matérias não aduzidas na defesa inicial em razão da preclusão consumativa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2004 COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. SERVIÇOS PRESTADOS PESSOALMENTE PELOS ASSOCIADOS A PESSOA JURÍDICA COMPENSAÇÃO. A legislação permite que cooperativa de trabalho compense o imposto de renda retido na fonte incidente sobre os valores pagos a seus cooperados com o imposto de renda retido na fonte sobre as importâncias recebidas de pessoas jurídicas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados desta. Como no presente caso não existe relação direta entre os valores recebidos, que geraram as retenções sofridas, e os valores pagos aos profissionais, que ocasionaram as retenções, as compensações não se enquadram na previsão legal do art. 45 da Lei n° 8.541/1992, não havendo previsão legal para a compensação realizada. DIREITO CREDITÓRIO - COMPROVAÇÃO - AUSÊNCIA . NÃO HOMOLOGAÇÃO. A ausência de comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta no indeferimento do pleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 20 96 /2 00 8- 21 Fl. 345DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.876 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13984.002096/2008-21 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13984.000024/2010-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório A recorrente apresentou Declaração de Compensação na qual pretende utilizar crédito do Imposto de Renda Retido na Fonte de Cooperativas. Após análise, a Delegacia da Receita Federal de Lages/SC homologou parcialmente a compensação. De acordo com a decisão, a cooperativa de trabalho pode compensar, durante o ano-calendário, créditos relativo ao código de retenção 3280 (retenções sofridas pela cooperativa de trabalho) com débitos relativos aos códigos de retenção 3280 ou 0588 (retenções sobre rendimento de trabalho sem vínculo empregatício). Entretanto, verificou- se que nem todos os créditos corresponderiam ao código de retenção 3280, razão pela qual foram glosados. Também foram glosados os créditos que não foram confirmados nas DIRF (Declaração do Imposto de Retido na Fonte), ou que foram declarados na DCOMP em valor superior ao confirmado na citada declaração. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando resumidamente: => que todos os créditos estão devidamente comprovados na escrituração contábil, não podendo ser penalizada pelo fato de que o imposto que lhe foi retido, ou seja, efetivamente pago, não tenha sido recolhido aos cofres públicos por quem a Lei atribuiu a obrigação de reter e recolher. => não pode ser glosado a compensação do imposto que lhe foi retido, crédito líquido e certo, pelo fato de que o mesmo tenha sido recolhido com código incorreto (no caso, 1708 em vez de 3280), pois se trata de erro de terceiro, sem nenhuma interferência e/ou responsabilidade da interessada. => não há na Legislação Tributária nenhuma vinculação para a compensação do IRRF, em especial ao que se refere este processo, com o efetivo recolhimento dos valores retidos, que cabe única e exclusivamente à Pessoa Jurídica que promoveu a retenção, sendo que o mesmo se aplica no que se refere a eventual recolhimento em código incorreto. Fl. 346DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.876 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13984.002096/2008-21 => a permanecer este entendimento, a Receita Federal estará transferindo ao contribuinte a responsabilidade de fiscalizar o efetivo recolhimento e a correção do código utilizado. => para facilitar a análise, junta planilha analítica de todos os créditos utilizados, bem como o CNPJ da Pessoas Jurídicas contratantes e os números das faturas, com o que a Receita Federal do Brasil poderá buscar junto a estes os créditos tributários que lhe são de direito. A 4ª Turma da DRJ/São Paulo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2004 Ementa: DCOMP. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. A alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória da totalidade da compensação. O recurso voluntário foi apresentado trazendo as seguintes alegações: => o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material, devendo a Administração apreciar todos os dados e fatos que envolvem o problema a si submetidos. => a recorrente junta, muito embora em segunda instância, os documentos que fazem prova do valor total dos serviços prestados e do valor efetivamente recebido de seus clientes. => junta as faturas que originaram os créditos, cópia do Livro Diário/Razão comprovando os valores efetivamente recebidos, bem como planilha discriminando o CNPJ do cliente, as faturas, o valor bruto e líquido, a retenção na NF, data do recebimento. => em razão do grande volume de dados, parte das planilhas e documentos serão complementados em momento seguinte ao protocolo do recurso, mas antes de seu julgamento. => de acordo com o artigo 45 da Lei nº 8.541/1992 e do artigo 41 da IN SRF nº 900/2008, conclui-se que a responsabilidade de recolhimento do tributo transmuda-se do Contribuinte ao Responsável. => o valor retido e não pago não implica em responsabilidade do Contribuinte, pois não lhe foi dado poder de polícia nem o direito de obrigar o Responsável a recolher o tributo. => conforme planilha anexada, há recolhimentos por parte do tomador de serviços tanto no código 3280 e 1708. Fl. 347DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.876 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13984.002096/2008-21 => trata-se de evidente erro material os valores recolhidos com código 1708, vez que a recorrente se enquadra no código 3280 por conta de sua atividade de cooperativa de trabalho. => requer que sejam considerados válidos os créditos alusivos aos códigos 1708, até porque recolhidos, reduzindo-se a exação fiscal, bem como seus acessórios (multa, etc) => já foram apresentadas provas na manifestação de inconformidade, motivo pelo qual também devem ser reconhecidos os créditos demonstrados naqueles documentos. => com a glosa dos créditos que não foram repassados ao Fisco pelo tomador do serviço, a recorrente está sendo penalizada com aplicação de multa, sofrendo as consequências pela prática de ato de terceiro, inobservando o Princípio da Individualização da Pena. => assim, caso seja mantida a glosa, requer que seja excluída a multa aplicada. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 1302-003.853, de 15 de agosto de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13984.000024/2010-64, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302-003.853): DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Entretanto, com relação ao item da defesa “2.5 – Da impossibilidade de se exigir penalidade de quem não é responsável pelo recolhimento pelo tributo”, requerendo a exclusão da multa aplicada (a multa de mora dos débitos cuja compensação não foi homologada), cumpre verificar que não foi aduzida na manifestação de inconformidade. Logo, com base nos artigos 14 e 16, inciso III do Decreto nº 70.235/72, concluo que ocorreu a preclusão consumativa para esta matéria, não devendo ser conhecida. Do exposto, conheço em parte o recurso voluntário. DO MÉRITO A recorrente afirma em sua defesa que o processo administrativo deve observar o Princípio da Verdade Material, motivo pelo qual apresenta provas, muito embora em segunda instância, que demonstram a higidez do crédito. Alega que não é sua obrigação a comprovação da retenção na fonte, e que as fontes pagadoras incorreram em equívoco em informar na DIRF o código 1708. Fl. 348DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-003.876 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13984.002096/2008-21 Passo a julgar. Com relação às provas trazidas em sede de recurso voluntário, entendo que as mesmas devem ser apreciadas em razão da dialética que ocorre no processo administrativo fiscal, já que foi a decisão de piso que instou a recorrente a fazê-lo, ao afirmar que caberia a recorrente trazer, além da escrituração contábil, todas as Notas Fiscais, comprovante de pagamento líquido com as respectivas retenções, comprovantes de retenção do imposto de renda retido na fonte, etc. Entendo que, nestes casos, se aplica o disposto do artigo 16, § 4º, alínea “c” do Decreto nº 70.235/72. Quanto a mérito propriamente, a Declaração de Compensação pretende compensar os créditos de IRRF, incidentes sobre o montante pago por pessoas jurídicas, com os débitos de IRRF incidente sobre os pagamentos de rendimentos aos seus cooperados. Ao analisar o pleito, a unidade de jurisdição limitou o crédito aos valores de IRRF confirmados em DIRF e com código de retenção fosse o 3280. A base legal para esta compensação está no artigo 45 da Lei nº 8.541/92, que assim dispõe: Art. 45. Estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de 1,5%, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) § 1º O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) § 2º O imposto retido na forma deste artigo poderá ser objeto de pedido de restituição, desde que a cooperativa, associação ou assemelhada comprove, relativamente a cada ano-calendário, a impossibilidade de sua compensação, na forma e condições definidas em ato normativo do Ministro da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) Da leitura do dispositivo, verifica-se que a legislação restringe a compensação do imposto incidente sobre o montante pago ou creditado por pessoas jurídicas à cooperativa de trabalho (como é o caso da recorrente) quando se trata de serviços pessoais que lhes foram prestados pelos seus associados, que devem ser retidos com o código de receita 3280. A própria recorrente traz no recurso voluntário a especificação deste código de receita, vinculando ao artigo 45 da Lei nº 8.541/92) Feito este introito, a defesa alega, resumidamente, que (i) os documentos comprovariam os valores retidos, (ii) que não lhe caberia a demonstração do recolhimento do IRRF e (iii) a fonte pagadora se equivocou ao informar código de retenção 1708. As provas apresentadas são: Planilha elaborada pela recorrente; Fl. 349DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-003.876 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13984.002096/2008-21 Comprovantes de Rendimentos e Razão com saldo diário da conta “Contas a receber”. Ocorre que estes documentos não comprovam que os valores retidos pelas fontes pagadoras, sob o código 1708, estariam equivocados. Isto porque é possível que uma cooperativa preste serviços diretamente a terceiros não associados, situação cuja compensação prevista no artigo 45 da Lei nº 8.541/92 não abarca. Tanto que, em alguns comprovantes de rendimentos, a fonte pagadora teve o cuidado de informar as retenção sob os dois códigos (1708 e 3280). Logo, caberia à recorrente demonstrar o equivoco da fonte pagadora, e não apenas alegar que, por se tratar de cooperativa, toda retenção deveria se dar com o código 3280. Com relação a obrigatoriedade de comprovação da retenção, vale citar o artigo 55 da Lei nº 7.450/85, que determina que a pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda retido na fonte se possuir o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora. Logo, para os casos em que a retenção do imposto não foi confirmado pela DIRF (Declaração do Imposto de Retido na Fonte), é obrigação da recorrente a apresentação do comprovante de rendimentos. Concluo, portanto, que planilha elaborada pela própria recorrente, bem a apresentação da escrituração contábil desacompanhada de provas de que os serviços prestados seriam aqueles prestados pessoalmente pelo cooperado, não são suficientes para formação da convicção desta conselheira. CONCLUSÃO Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, na parte conhecida. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, na parte conhecida. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 350DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.002582/2004-25
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2000
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DINHEIRO EM ESPÉCIE.
Devem ser aceitos como origem de recursos aptos a justificar acréscimos patrimoniais os valores informados a título de dinheiro em espécie, em declarações de ajuste anual entregues tempestivamente, salvo prova inconteste em contrário, produzida pela autoridade lançadora.
MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ-LEÃO. DECLARAÇÃO ESPONTÂNEA DOS RENDIMENTOS.
A multa isolada pela ausência do carnê-leão deve ser cobrada quando não concomitante com multa de ofício, em virtude de o contribuinte haver declarado os referidos rendimentos na correspondente declaração de ajuste anual, mas não haver pago o tributo devido no momento adequado.
Numero da decisão: 2102-001.525
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência do imposto apurado em decorrência do acréscimo patrimonial a descoberto, e manter a exigência da multa isolada devida por falta de recolhimento do imposto a título de carnê-leão, conforme os valores calculados pela decisão proferida pela DRJ.
Nome do relator: Carlos André Rodrigues Pereira Lima
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2000 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DINHEIRO EM ESPÉCIE. Devem ser aceitos como origem de recursos aptos a justificar acréscimos patrimoniais os valores informados a título de dinheiro em espécie, em declarações de ajuste anual entregues tempestivamente, salvo prova inconteste em contrário, produzida pela autoridade lançadora. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ-LEÃO. DECLARAÇÃO ESPONTÂNEA DOS RENDIMENTOS. A multa isolada pela ausência do carnê-leão deve ser cobrada quando não concomitante com multa de ofício, em virtude de o contribuinte haver declarado os referidos rendimentos na correspondente declaração de ajuste anual, mas não haver pago o tributo devido no momento adequado.
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DINHEIRO EM ESPÉCIE. Devem ser aceitos como origem de recursos aptos a justificar acréscimos patrimoniais os valores informados a título de dinheiro em espécie, em declarações de ajuste anual entregues tempestivamente, salvo prova inconteste em contrário, produzida pela autoridade lançadora. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ LEÃO. DECLARAÇÃO ESPONTÂNEA DOS RENDIMENTOS. A multa isolada pela ausência do carnêleão deve ser cobrada quando não concomitante com multa de ofício, em virtude de o contribuinte haver declarado os referidos rendimentos na correspondente declaração de ajuste anual, mas não haver pago o tributo devido no momento adequado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência do imposto apurado em decorrência do acréscimo patrimonial a descoberto, e manter a exigência da multa isolada devida por falta de recolhimento do imposto a título de carnêleão, conforme os valores calculados pela decisão proferida pela DRJ. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente. Fl. 350DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14411.UMM9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10283.002582/200425 Acórdão n.º 2102001.525 S2‐C1T2 Fl. 344 2 Assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. EDITADO EM: 26/10/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 327 a 341, interposto contra decisão da DRJ em Belém/PA, de fls. 314 a 322, que julgou procedente em parte o lançamento de IRPF de fls. 245 a 255 dos autos, lavrado em 20/05/2004, relativo ao anocalendário 2000, com ciência do RECORRENTE em 07/06/2004 (fl. 258). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 92.600,54, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%, bem como a multa exigida isoladamente. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 246 a 250, o lançamento teve origem nas seguintes infrações: “001 – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO (...) Pelo Termo de Início de Fiscalização, datado de 17/11/03, foi o contribuinte intimado, em 19/11/03, a apresentar, entre outros elementos, documentação comprobatórias dos valores declarados a titulo de rendimentos isentos e/ou nãotributáveis, nas Declarações de Ajuste Anual , dos anoscalendário de 1999 e 2000. Em 09/12/2003, atendendo à intimação, o contribuinte apresentou os seguintes documentos relativos aos anos calendários acima mencionados: informes de Rendimentos Financeiros dos Bancos Itaú e Bandeirantes e da Caixa Econômica Federal, a fim de Fl. 351DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14411.UMM9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10283.002582/200425 Acórdão n.º 2102001.525 S2‐C1T2 Fl. 345 3 comprovar os valores declarados como rendimentos de caderneta de poupança; extrato de conta e comprovante de pagamento de FGTS, como prova do valor declarado a esse titulo no anocalendário de 2000. Quanto às transferências patrimoniais, o contribuinte informou que os valores declarados nos anoscalendário de 1999 e 2000 foram doados por sua genitora, apresentando Instrumento Particular de Doação dos valores que teriam sido doados no anocalendário de 1999. Nessa mesma data em que recebemos os documentos acima mencionados (09/12/2003), lavramos Termo de Intimação Fiscal, do qual tomou ciência o contribuinte em 10/12/2003, solicitando, entre outros elementos, documentação bancária referente à doação recebida de sua genitora, nos anos calendário de 1999 e 2000, coincidente em data e valor, tanto do doador quanto do donatário (cópia do cheque ou microficha bancária, frente e verso, que foi utilizado pela doadora para fazer o repasse do montante doado; extrato bancário da doadora e do contribuinte). Em correspondência datada de 30/12/2003, o contribuinte afirma que já entregara os contratos de doação e que estava providenciando a documentação bancária. Pelo Termo de Intimação Fiscal datado de 26/01/2004, cuja ciência se deu via postal em 05/02/2004, conforme Aviso de RecebimentoAR, o contribuinte foi intimado a apresentar os documentos ali relacionados, tendo respondido à intimação através da correspondência datada de 20/02/2004, pela qual apresenta os seguintes documentos: comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte, anoscalendário 1999 e 2000, fornecido pela fonte pagadora Simões Participações S/A; recibos de rendimentos obtidos a título de aluguéis no ano calendário 2000; comprovantes de despesas médicas e com instrução referentes aos anoscalendário de 1999 e 2000; contrato e recibo de pagamento de aluguéis a Simões Participações S/A, nos anoscalendário 1999 e 2000; comprovantes de aquisição de imóveis nos anoscalendário de 1999 e 2000; comprovante de alienação do veiculo Brasinca, modelo Andaluz; Fl. 352DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14411.UMM9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10283.002582/200425 Acórdão n.º 2102001.525 S2‐C1T2 Fl. 346 4 instrumento particular de doação referente a valores que teria recebido a esse titulo nos anoscalendário de 1999 e 2000. Em 29/03/04 o contribuinte foi intimado a apresentar os seguintes elementos: 1) Documentação comprobatória dos valores lançados a título de Rendimentos Tributáveis Recebidos da empresa SIMÕES PARTICIPAÇÕES S/A, nas Declarações de Ajuste Anual dos anoscalendário de 1999 e 2000. 2) Documentação comprobatória dos valores lançados a título de Rendimentos Tributáveis Recebidos da empresa SENAS CABELEIREIROS LTDA, na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 1999. 3) Documentação bancária referente à doação que teria recebido de sua genitora, no anocalendário de 1999, coincidente em data e valor, tanto da doadora quanto do donatário (cópia do cheque ou microficha bancária, frente e verso, que foi utilizado pela doadora para fazer o repasse do montante doado; extrato bancário da doadora e do contribuinte), visto que somente o Instrumento Particular de Doação, não era suficiente para comprovar a transação; 4) Documentação bancária referente à doação que teria recebido de sua genitora, no anocalendário de 2000, coincidente em data e valor, tanto da doadora quanto do donatário (cópia do cheque ou microficha bancária, frente e verso, que foi utilizado pela doadora para fazer o repasse do montante doado; extrato bancário da doadora e do contribuinte), visto que os comprovantes de depósitos bancários apresentados à fiscalização atestavam depósitos na conta do contribuinte, no valor total de R$189.132,00, enquanto o valor declarado como doação importava R$259.132,00. Atendendo à Intimação, o contribuinte apresenta, em 08/04/2004, os seguintes documentos: Extratos de conta corrente do banco Bandeirantes, referente aos meses de 01/1999 a 12/2000; Recibos relativos a aluguéis pagos ao contribuinte pela empresa Senas Cabeleireiros Ltda, no período de 01/99 a 12/99; Extratos de conta corrente do banco Itaú dos meses de 11 e 12/99 e o correspondente documento de processamento da transação bancária. Por fim, afirma que houve erro no preenchimento da Declaração de Ajuste anual do anocalendário 2000, visto que o valor recebido como doação foi de R$189.132,00. Como já mencionado acima, nas Declarações de Ajuste Anual dos anoscalendário de 1999 e 2000, o contribuinte informou Fl. 353DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14411.UMM9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10283.002582/200425 Acórdão n.º 2102001.525 S2‐C1T2 Fl. 347 5 rendimentos isentos e nãotributáveis, nos valores de R$768.292,83 e R$259.132,00, respectivamente, que, segundo afirmou no decorrer do procedimento fiscal, teria recebido de sua genitora a título de doação. A genitora do contribuinte (Sra. Walderez de Paula Simões) apresentou Declaração de Ajuste Anual, referente aos anos calendário em questão, no modelo simplificado, no qual não existe a Relação de Pagamentos e Doações Efetuados, deixando, portanto, de informar a questionada doação. Nesse caso, o documento intitulado Instrumento Particular de Doação, apresentado inicialmente pelo contribuinte, sem respaldo em documentação hábil e idônea que ateste a efetiva transação, não é suficiente para comprovar a doação perante o fisco. Para que sejam aceitas as doações declaradas pelo contribuinte é necessário que fique demonstrada, de maneira inequívoca, a transferência do numerário do doador para o donatário. Relativamente ao anocalendário de 1999, o contribuinte apresenta 04 (quatro) Instrumentos Particulares de Doação, nos valores de R$330.625,00, R$200.100,00, R$152.344,71 e R$85.223,12, totalizando o montante de R$768.292,83, informado na Declaração de Ajuste Anual. Como prova da efetiva doação, o contribuinte disponibiliza dois cheques, no valor de R$330.625,00 e R$152.344,71, datados de 09/03/99 e 25/11/99, respectivamente, em nome de sua genitora, cujos valores constam como depósitos em conta corrente do contribuinte nas mesmas datas. Embora o contribuinte não tenha disponibilizado o cheque no valor de R$85.223,12, o depósito em sua conta corrente, na mesma data e valor do Instrumento Particular é capaz de justificar a doação pretendida. De forma contrária às outras parcelas, a suposta doação no valor de R$200.100,00 não possui respaldo em documentação bancária, capaz de comprovar que efetivamente a genitora do contribuinte lhe transferiu essa quantia em dinheiro. Quanto ao anocalendário de 2000, o contribuinte apresenta Instrumento Particular de Doação no valor de R$189.132,00, depósitos bancários no valor de R$15.761,00 cada um e extratos mensais de sua conta corrente, comprovando depósitos em seu nome, cujo total no ano é exatamente igual ao montante mencionado no referido Instrumento. Sendo assim, a documentação disponibilizada pelo contribuinte comprova somente a doação desse valor, que é inferior ao rendimento informado a titulo de doação na Declaração de Ajuste Anual daquele ano, fato reconhecido pelo próprio contribuinte, ao afirmar que houve erro no preenchimento na Declaração. Verificado que o contribuinte não foi capaz de comprovar o total dos rendimentos declarados como recebidos a título de doação e com base na documentação por ele apresentada no decorrer do Fl. 354DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14411.UMM9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10283.002582/200425 Acórdão n.º 2102001.525 S2‐C1T2 Fl. 348 6 procedimento fiscal, bem como nos dados internos disponíveis, foi elaborado Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial, que evidenciou variação patrimonial a descoberto no mês de dezembro dos anoscalendário de 1999 e 2000. Através do Termo de Ciência e de Solicitação de Esclarecimentos, cuja ciência ocorreu em 05/05/2004, o contribuinte foi cientificado dos referidos Demonstrativos Mensais de Evolução Patrimonial e intimado a prestar justificativas referentes aos valores e elementos especificados nessas planilhas, sendo concedido o prazo de dez dias para apresentar documentos modificativos ou complementares aos referidos demonstrativos. Respondendo à Intimação, em 14/05/2004, o contribuinte apresenta comprovante de depósito bancário no valor de R$200.100,00, extrato de contacorrente onde consta o referido depósito em sua conta bancária do Itaú e extrato de conta corrente do Banco Safra em nome de sua genitora, demonstrando a compensação do cheque, no mesmo valor e data do depósito. Alega que em 31/12/99 tinha disponível, em espécie, a quantia de R$200.000,00, que teria utilizado durante o ano calendário 2000, o que justificaria o crescimento patrimonial naquele ano. A inclusão do valor de R$200.100,00 a titulo de doação, na correspondente planilha de evolução patrimonial do ano calendário de 1999, justifica os dispêndios no referido ano calendário, deixando de ocorrer variação patrimonial a descoberto anteriormente apurada. Quanto ao anocalendário de 2000, é inaceitável que o valor declarado como ‘dinheiro em espécie’ sirva para acobertar acréscimo patrimonial, sem que haja prova inconteste de sua existência. Na Declaração de Ajuste do IRPF, exercício 2000/anocalendário 1999, o contribuinte informa possuir, em 31/12/98, ‘dinheiro em espécie’ no montante de R$200.000,00. Tal quantia, segundo declara o contribuinte, teria permanecido em seu poder em 31/12/99, sendo utilizado somente no ano calendário de 2000. Argumento inaceitável sob ponto de vista lógico, posto que inconcebível a idéia de significativa quantia permanecer em poder do contribuinte por tão prolongado período, principalmente quando tem a pretensão de acobertar variação patrimonial a descoberto. De acordo com o art. 806 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3000/99, o acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação, quando esse aumento não corresponder aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte comprovar que teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. Não logrando o contribuinte justificar o acréscimo patrimonial com rendimentos dessa natureza, Fl. 355DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14411.UMM9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10283.002582/200425 Acórdão n.º 2102001.525 S2‐C1T2 Fl. 349 7 procedemos ao lançamento de oficio para exigir o imposto de renda sobre omissão de rendimentos, caracterizada pela variação patrimonial a descoberto nos mês de dezembro do ano calendário de 2000, conforme Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial e notas explicativas em anexo, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados. Fato Gerador 31/12/2000 Valor Tributável ou Imposto R$ 146.003,92 Multa(%) 75,00 Enquadramento Legal: Arts. 1º, 2º, 3°, e §§, da Lei nº 7.713/88; Arts. 1º e 2º , da Lei n° 8.134/90; Arts. 55, inciso XIII, e parágrafo único, 806 e 807 do RIR/99; Art. 1° da Lei n° 9.887/99. 002 MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARNÊ LEÃO De acordo com o art. 8° da lei n° 7.713, de 22/12/88, fica sujeito ao pagamento mensal do imposto de renda, a pessoa física que receber de outra pessoa física, rendimentos que não tenham sido tributados na fonte. Conforme dispõe a legislação, o contribuinte estava sujeito ao pagamento mensal do imposto de renda, calculado sobre os rendimentos recebidos das pessoas físicas, a título de aluguel de imóveis, no anocalendário 2000, cujos valores foram informados na correspondente Declaração de Ajuste Anual. Como o contribuinte deixou de efetuar, na época própria, o pagamento mensal do imposto de renda devido a titulo de carnê leão, fica sujeito ao lançamento da multa de que trata o art.44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27/12/96, c/c o inciso III do §1°, do mesmo artigo. Data 31/05/2000 30/06/2000 31/07/2000 31/08/2000 30/09/2000 31/10/2000 30/11/2000 Valor da Multa Isolada R$ 28,12 R$ 28,12 R$ 28,12 R$ 28,12 R$ 28,12 R$ 28,12 R$ 28,12 Multa(%) 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 Fl. 356DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14411.UMM9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10283.002582/200425 Acórdão n.º 2102001.525 S2‐C1T2 Fl. 350 8 31/12/2000 R$ 28,12 75,00 Enquadramento Legal: Art. 8° da Lei n° 7.713/88 c/c arts. 43 e 44, § 1º , inciso III, da Lei n° 9.430/96; Art. 957, parágrafo único, inciso III, do RIR/99.” Munida das informações prestadas pelo RECORRENTE, a autoridade fiscal elaborou o Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial de fls. 238 a 240, e concluiu pela ocorrência de variação patrimonial a descoberto no valor de R$ 146.003,92 em dezembro do anocalendário 2000. A Declaração de Ajuste Anual do RECORRENTE encontrase acostada às fls. 200 a 204. DA IMPUGNAÇÃO Em 30/06/2004, o RECORRENTE apresentou, tempestivamente, sua impugnação de fls. 265 a 279, alegando, em síntese, que: I. A atividade da autoridade administrativa deve obedecer aos contornos legais, em respeito ao princípio da legalidade. Deste modo, a autoridade administrativa, tem o dever de praticar atos em conformidade com os comandos legais, visando a segurança ao contribuinte. No caso vertente, o procedimento fiscal instaurado contra o defendente afronta aos princípios da legalidade e da segurança do contribuinte; II. Os agentes do poder tributante devem afastar as hipóteses presuntivas, no que diz respeito ao acontecimento do fato jurídico tributário. A doutrina concorda que, quando o Fisco acusa, a prova da acusação ou do alegado cabe à autoridade tributária; III. Deste modo, na configuração do lançamento o procedimento administrativo deve ser fundamentado, o que significa dizer que o Fisco tem que oferecer prova concludente da ocorrência do evento que configura a hipótese de incidência do tributo; IV. No presente caso, o agente do fisco, ampliando o campo de incidência do imposto de renda, cujos contornos precisos estão definidos pelo artigo 43 do Código Tributário, presumiu a ocorrência de aumento patrimonial a descoberto porque não aceitou o valor de R$ 200.000,00 declarado como “dinheiro em espécie” desde a declaração de ajuste referente ao ano calendário 1999; Fl. 357DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14411.UMM9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10283.002582/200425 Acórdão n.º 2102001.525 S2‐C1T2 Fl. 351 9 V. Alegou que a matéria fática que teria dado nascimento à obrigação tributária expressa no auto de infração, seria a existência de dinheiro em espécie na declaração de bens, parte integrante da declaração de rendimentos relativa ao ano calendário de 2000; VI. A quantia mantida em espécie (R$200.000,00), em seu poder em 31/12/98 e 31/12/99, está plenamente provada e justificada pelos valores declarados em suas declarações de rendimentos dos anoscalendário 1999 e 2000; VII. Por mera presunção, o agente do fisco entendeu inaceitável que tal quantia tenha sido mantida pelo Defendente em 31/12/98 e 31/12/99 e a desconsiderou quando elaborou os demonstrativos mensais de evolução patrimonial. Alegou que tal quantia não se manteve estática durante o ano de 1999 e o de 2000, pois, no período, o Defendente a movimentou, uma vez que, sendo um empresário, é de sua atividade realizar negócios. Tanto isto é verdade que a sua declaração de bens, durante o período de 1998, 1999 e 2000 sofreu mutações patrimoniais; VIII. Caso o agente do fisco tivesse incluído o valor de R$200.000,00 no giro mensal durante o ano de 2000, por certo não teria apurado qualquer aumento patrimonial uma vez que o apurado ( R$146.003,92) é inferior ao valor disponível (R$200.000,00) como se constata da declaração de bens do anocalendário de 1999 e da evolução patrimonial do Defendente em 2000; IX. Inexiste lei que proíba o particular de manter, em seu poder, moeda nacional, em espécie. A Secretaria da Receita Federal admite tal prática, tanto que no Manual de Preenchimento de Declaração de Ajuste Anual por ela editado, consta na parte que dá orientação para o preenchimento da declaração de bens, uma tabela de códigos onde consta o código 63, para identificar dinheiro em espécie moeda nacional, na declaração de bens. Portanto, há previsão normativa para o procedimento adotado pelo Defendente. Alegou também que tal quantia não se mostra excessiva, pois não representa nem 1,2% do seu patrimônio; X. Apresentou jurisprudências do antigo Conselho de Contribuintes no sentido de que os valores declarados como “dinheiro em espécie”, “dinheiro em caixa”, e outras rubricas semelhantes devem ser aceitos para acobertar acréscimo patrimoniais, salvo prova inconteste de sua inexistência, produzida pela autoridade lançadora. Portanto, afirmou que os valores declarados como possuídos em espécie, na declaração de bens, serve para justificar aumentos patrimoniais ocorridos no anocalendário, e cabe ao fisco fazer prova contrária ao que foi oportunamente declarado pelo contribuinte; XI. No que diz respeito à aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento do imposto devido a título de carnêleão, o RECORRENTE alegou que, antes de qualquer procedimento Fl. 358DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14411.UMM9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10283.002582/200425 Acórdão n.º 2102001.525 S2‐C1T2 Fl. 352 10 administrativo, incluiu espontaneamente na sua declaração de rendimento e pagou o imposto de renda devido sobre os valores recebidos de pessoas físicas, a título de aluguéis, durante o ano calendário de 2000. Assim, é evidente que houve a denúncia espontânea por parte do RECORRENTE, conforme estabelece o art. 138 do Código Tributário Nacional. Por tais razões, o RECORRENTE requereu fosse julgado improcedente o auto de infração. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 314 a 322 dos autos, julgou procedente em parte o lançamento do imposto de renda, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, como é exemplo a edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do Decreto n° 70.235/1972 (incluído pela Lei n° 11.196/2005). DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, desde que não tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. APLICAÇÕES. ORIGENS. Fl. 359DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14411.UMM9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10283.002582/200425 Acórdão n.º 2102001.525 S2‐C1T2 Fl. 353 11 Em se tratando de acréscimo patrimonial a descoberto, ao Fisco cabe demonstrar as aplicações, enquanto que ao contribuinte cumpre a prova das origens. Lançamento Procedente em Parte” Nas razões do voto, a autoridade julgadora, esclareceu que a presunção de acréscimo patrimonial a descoberto decorre de lei e não do arbítrio da autoridade fiscal. Afirmou que, como o “dinheiro em espécie” no valor de R$ 200.000,00 representa uma “origem”, caberia ao sujeito passivo a sua demonstração, pois a simples informação na declaração de rendimentos é insuficiente como força probante. No que diz respeito à multa isolada pela falta de recolhimento do imposto (carnêleão), a autoridade julgadora reduziu tal multa para 50%, em observância à alteração do art. 44 da Lei nº 9.430/96, promovida pela Medidas Provisórias nºs 303 e 351. Assim, reduziu a multa isolada pelo fato da nova regra estabelecer penalidade menos severa, conforme tabela abaixo: Período de Apuração mai/2000 jun/2000 jul/2000 ago/2000 set/2000 out/2000 nov/2000 dez/2000 IRPF – CarnêLeão não recolhido 37,50 37,50 37,50 37,50 37,50 37,50 37,50 37,50 Multa Isolada – lançamento (75%) R$ 28,12 R$ 28,12 R$ 28,12 R$ 28,12 R$ 28,12 R$ 28,12 R$ 28,12 R$ 28,12 Multa Isolada após Julgamento (50%) 18,75 18,75 18,75 18,75 18,75 18,75 18,75 18,75 DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ no mês de junho de 2008 (fl. 323v), apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 327 a 341, em 24/06/2008. Em suas razões de recurso, o RECORRENTE reitera os termos de sua impugnação ao alegar que o lançamento baseouse em presunções. Não concordou com o fato da autoridade julgadora ter desconsiderado o “dinheiro em espécie”, e afirmou que não é proibido que alguém poupe e guarde dinheiro em residência, pois não é obrigatório o uso de instituição financeira. Portanto, entendeu que não houve acréscimo patrimonial a descoberto, e requereu fosse julgado improcedente o auto de infração. Fl. 360DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14411.UMM9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10283.002582/200425 Acórdão n.º 2102001.525 S2‐C1T2 Fl. 354 12 Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Tratase de acréscimo patrimonial a descoberto – APD, apurado pela autoridade lançadora quando da elaboração do demonstrativo mensal de evolução patrimonial, referente ao anocalendário 2000 (fls. 238 a240). Na ocasião, foi verificado APD no valor de R$ 146.003,92 no mês de dezembro de 2000. Toda a questão gira em torno da aceitação do valor de R$ 200.000,00, o qual o RECORRENTE declarou possuir em espécie desde 31/12/1998 (fl. 197) e que, segundo o mesmo, foi totalmente consumido no anocalendário 2000 (fl. 203). Tal valor, segundo o RECORRENTE, justificaria o acréscimo patrimonial calculado pela autoridade lançadora. Contudo, a referida quantia não foi aceita como recurso/origem no cálculo da evolução patrimonial, pois o RECORRENTE não conseguiu comprovar a sua existência. É que, como se pode observar das declarações de ajuste referente aos anos calendário 1999 e 2000 (fls. 194 a 204), o RECORRENTE informou possuir a referida quantia em espécie desde 31/12/1998 e, posteriormente, informou que em 31/12/2000 tal quantia foi inteiramente consumida. Ambas as declarações foram entregues tempestivamente, e antes do início do procedimento fiscal, e não se tratam de retificadoras. Portanto, para poder desconsiderar tal quantia como recurso/origem, caberia à autoridade lançadora demonstrar de forma inequívoca que o “dinheiro em espécie”declarado pelo RECORRENTE não existiu, ou seja, deveria motivar o seu ato, sob pena deste ser considerado como arbitrário. Sobre a arbitrariedade do ato administrativo, transcrevo abaixo as lições de Celso Antônio Bandeira de Mello: “89. A situação é bastante diversa quando a lei deixa ao Poder Público certa margem de discricionariedade por ocasião da prática do ato. Assim, considerese o caso da autorização do Fl. 361DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14411.UMM9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10283.002582/200425 Acórdão n.º 2102001.525 S2‐C1T2 Fl. 355 13 porte de arma. Se o particular o solicita, a Administração deferirá ou não, posto que a lei não constrange à prática do ato, dado que faculta ao Poder Público examinar no caso se convém ou não atender ao pretendido pelo interessado.(...) 90. Em suma: discricionariedade é liberdade dentro da lei, nos limites da norma legal, e pode ser definida como: ‘ margem de liberdade conferida pela lei ao administrador a fim de que este cumpra o dever de integrar com sua vontade ou juízo a norma jurídica, diante do caso concreto, segundo critérios subjetivos próprios, a fim de dar satisfação aos objetivos consagrados no sistema legal’. 91. Não se confundem discricionariedade e arbitrariedade. Ao agir arbitrariamente o agente estará agredindo a ordem jurídica, pois terá se comportado fora do que lhe permite a lei. Seu ato, em conseqüência, é ilícito e por isso mesmo corrigível judicialmente. (...) 98. Assim, a discricionariedade existe, por definição, única e tãosomente para proporcionar em cada caso a escolha da providencia ótima, isto é, daquela que realize superiormente o interesse público almejado pela lei aplicanda. Não se trata, portanto, de uma liberdade para a Administração decidir a seu talante, mas para decidirse do modo que torne possível o alcance perfeito do desiderato normativo. (...)” (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 22ª ed. rev. São Paulo: Malheiros, 2007. p.413 a 418). Sobre o tema, importante transcrever ementa de acórdão proferido pela antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, verbis: “ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO SALDOS REMANESCENTES EXISTENTES AO FINAL DO ANO FALTA DE COMPROVAÇÃO EFEITOS Os saldos remanescentes não comprovados ao final de cada anocalendário consideram se consumidos dentro do próprio ano, não servindo como recursos para justificar acréscimo patrimonial apurado no ano calendário subseqüente. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO DINHEIRO EM ESPÉCIE DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL ENTREGUES TEMPESTIVAMENTE Devem ser aceitos como origem de recursos aptos a justificar acréscimos patrimoniais os valores informados a título de dinheiro em espécie, em declarações de ajuste anual entregues tempestivamente, salvo prova inconteste em contrário, produzida pela autoridade lançadora, no sentido da inexistência dos numerários quando do término dos anos calendário em que foram declarados. Fl. 362DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14411.UMM9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10283.002582/200425 Acórdão n.º 2102001.525 S2‐C1T2 Fl. 356 14 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. EMPRÉSTIMO O mútuo deve ser comprovado mediante documentação hábil e idônea, não sendo suficiente estar consignado nas declarações do mutuante e do mutuário. MÚTUO ENTRE CÔNJUGES Quanto a empréstimos efetuados entre ascendentes/descendentes e cônjuges, basta que mutuante e mutuário os declarem e que o primeiro disponha de condições de efetuar o mútuo e ainda, que as respectivas declarações tenham sido entregues dentro do prazo legal, para que o respectivo valor seja aceito para cobrir acréscimo patrimonial. GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE BENS São tributáveis os ganhos auferidos na alienação de bens, representados pela diferença entre o valor da venda e o custo de aquisição. Preliminares rejeitadas Recurso parcialmente provido. (recurso voluntário nº 151465; 4ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; julgamento em 07/11/2007)” Também é importante destacar que o Conselho de Contribuintes entende que o valor declarado como dinheiro em espécie pelo contribuinte pode ser considerado como aplicação de recursos (conforme ementa abaixo), visto que as informações registradas na declaração de ajuste anual devem ser consideradas como expressão da verdade, até prova em contrario, verbis: “ACRÉSCIMO PATRIMONIAL GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA LEVANTAMENTO PATRIMONIAL FLUXO FINANCEIRO BASE DE CÁLCULO APURAÇÃO MENSAL ÔNUS DA PROVA O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, onde serão considerados todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributada ou tributada exclusivamente na fonte). Todas as informações registradas pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual, até prova em contrário, são consideradas como a expressão da verdade. Assim, é perfeitamente justificável como aplicação de recursos, no mês de dezembro do anocalendário, o valor tempestivamente declarado como dinheiro em espécie. Recurso negado. Fl. 363DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14411.UMM9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10283.002582/200425 Acórdão n.º 2102001.525 S2‐C1T2 Fl. 357 15 (recurso voluntário nº 148226; 4ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; julgamento em 06/12/2006)” Com base no acórdão acima, e em respeito ao princípio da isonomia, entendo que o valor declarado como “dinheiro em espécie”, totalmente consumido durante o ano calendário, deve(ria) ser considerado como recurso/origem quando da apuração do demonstrativo de evolução patrimonial. Computandose como recurso/origem a quantia de R$ 200.000,00 na planilha de fl. 238, concluise que o RECORRENTE não obteve acréscimo patrimonial a descoberto no anocalendário 2000. Portanto, entendo que deve ser reformado o lançamento para desconsiderar a infração de acréscimo patrimonial a descoberto e, consequentemente, seja cancelada a exigência do imposto a ela atrelado. Contudo, deve ser mantido o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Como se conclui do lançamento, não houve apuração de imposto sobre o valor dos aluguéis, pois antes do procedimento fiscal o RECORRENTE declarouos. Sendo assim, não há que se falar em dupla penalidade em face de uma mesma infração. É o que se conclui de diversos precedentes deste CARF, a exemplo daquele que segue transcrito: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPFExercício: 2001, 2002, 2003, 2004Ementa: MULTA ISOLADA DE OFÍCIO. CARNÊLEÃO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO CONSECTÁRIA DO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL EM DECORRÊNCIA DA COLAÇÃO DO RENDIMENTO QUE NÃO FOI OBJETO DO RECOLHIMENTO MENSAL OBRIGATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. Mansamente assentada na jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada do carnêleão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre o imposto lançado, em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo, implicando em uma dupla penalidade em decorrência da omissão de um mesmo rendimento, conduta vedada em nosso ordenamento.Recurso provido.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Processo n.º 10820.001477/200525; julgado em 14/04/2011; relatoria do conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos). Importante destacar que os valores das multas foram reformados pela autoridade julgadora de primeira instância, por aplicação do princípio da retroatividade benigna, cujo cálculo é: Período de Apuração mai/2000 IRPF – CarnêLeão não recolhido 37,50 Multa Isolada após Julgamento da DRJ (50%) 18,75 Fl. 364DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14411.UMM9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10283.002582/200425 Acórdão n.º 2102001.525 S2‐C1T2 Fl. 358 16 jun/2000 jul/2000 ago/2000 set/2000 out/2000 nov/2000 dez/2000 37,50 37,50 37,50 37,50 37,50 37,50 37,50 18,75 18,75 18,75 18,75 18,75 18,75 18,75 Ante o acima exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar a exigência do imposto apurado em decorrência do acréscimo patrimonial a descoberto, e manter a exigência da multa isolada devida por falta de recolhimento do imposto a título de carnêleão, conforme os valores calculados pela decisão proferida pela DRJ. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Fl. 365DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14411.UMM9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA em 26/10/2011 17:23:42. Documento autenticado digitalmente por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA em 26/10/2011. Documento assinado digitalmente por: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS em 31/10/2011 e CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA em 26/10/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 20/08/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP20.0819.14411.UMM9 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 8D7AC33DAA83BF5D7DE0015EB40435AF54D7A556 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10283.002582/2004-25. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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