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Numero do processo: 36100.003203/2006-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2001 a 30/03/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 10 0. 00 32 03 /2 00 6- 71 Fl. 812DF CARF MF Processo nº 36100.003203/200671 Acórdão n.º 9202004.773 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 813DF CARF MF Processo nº 36100.003203/200671 Acórdão n.º 9202004.773 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 814DF CARF MF Processo nº 36100.003203/200671 Acórdão n.º 9202004.773 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 815DF CARF MF Processo nº 36100.003203/200671 Acórdão n.º 9202004.773 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 816DF CARF MF Processo nº 36100.003203/200671 Acórdão n.º 9202004.773 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 817DF CARF MF Processo nº 36100.003203/200671 Acórdão n.º 9202004.773 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 818DF CARF MF Processo nº 36100.003203/200671 Acórdão n.º 9202004.773 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 819DF CARF MF Processo nº 36100.003203/200671 Acórdão n.º 9202004.773 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 820DF CARF MF Processo nº 36100.003203/200671 Acórdão n.º 9202004.773 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 821DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.916316/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO.
A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.940
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS ANOCALENDÁRIO: 2002 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 63 16 /2 01 1- 41 Fl. 71DF CARF MF 2 Relatório Por trazer clara síntese do processo até a interposição da Manifestação de Inconformidade, adoto o relatório da decisão de primeira instância, no Acórdão da DRJ em Florianópolis: "Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC decidiu indeferilo (...), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados se referem a pagamentos a maior originados da declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal, em 9 de novembro de 2005. A contribuinte alega, ainda, a nulidade do Despacho Decisório, por ausência de diligência sobre o crédito pleiteado, nos termos do artigo 65 da Instrução Normativa nº 900/2008." (grifei) A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente naquela oportunidade, tendo sido o referido acórdão ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 PRELIMINAR. NULIDADE. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A autoridade competente para decidir sobre restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos, bem como tem a faculdade de determinar a realização de diligência. Se pela DCOMP apresentada já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Intimada pessoalmente desta decisão, foi apresentado Recurso tempestivo no qual a Recorrente alega, em síntese, a validade do crédito de COFINS objeto do Pedido de Restituição, vez que calculado com base nas receitas não operacionais auferidas pela empresa, que não podem ser consideradas como base de cálculo do PIS e da COFINS como reconhecido Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13971.916316/201141 Acórdão n.º 3402003.940 S3C4T2 Fl. 3 3 pelo Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840. Alega ainda a nulidade do despacho decisório, por ausência de diligência prévia para verificação da validade do crédito. Anexou ao Recurso Voluntário cópia do livro razão e planilha com a composição do crédito apurado. Em seguida, os autos foram remetidos a esse Conselho. É o relatório. Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.923, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 13971.916330/201144, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.923): "Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, adentrando em suas razões. Em recente julgado desta turma relatado pela Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, foi reconhecimento o cabimento dos pedidos de restituição que, tal como o presente, se respaldam na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Tratase do acórdão n.º 3402003.399, ementado nos seguintes termos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF." (Número do Processo 10980.911525/201010. Data da Sessão 29/09/2016 Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz. Acórdão n.º 3402003.399) Fl. 73DF CARF MF 4 A situação trazida sob julgamento nos presente autos é idêntica àquela julgada naquela oportunidade, razão pela qual adoto integralmente as razões delineadas por aquela Ilustre Conselheira Relatora, à luz do art. 50, §1º da Lei n.º 9.784/99, cujo voto foi acompanhado por unanimidade por esta Turma: "A questão de direito controversa no presente processo é amplamente conhecida. Tratase do inconstitucional alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (“Cofins”), sobre o qual cumpre tecer algumas breves explanações. A Cofins, sucessora do FINSOCIAL, foi disciplinada pela Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998 (“Lei n. 9.718/98”). Nos termos do artigo 3º da citada Lei, ficou estabelecido que a Cofins incidiria sobre a receita bruta de pessoa jurídica. Por sua vez, o §1º do mesmo artigo veio definir o que abrangia o termo "receita", dispondo que: entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Contudo, à época da edição da Lei n. 9.718/98, a Constituição da República brasileira, em seu artigo 195, estabelecia que as Contribuições Sociais a serem recolhidas aos Cofres da União pelos empregadores, dentre as quais se enquadra a Cofins, somente poderiam incidir sobre o “faturamento”. Diante dessa delimitação constitucional, o Supremo Tribunal Federal (“STF”) declarou que o §1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98 é inconstitucional, no julgamento dos Recursos Extraordinários (“RE”) n. 357950, 390840, 358273, 346084 e 336134 em 09 de novembro de 2005. Posteriormente, o Pretório Excelso, no julgamento do RE n. 585.235, publicado em 28/11/2008, julgou pela aplicação da repercussão geral sobre matéria em exame, reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. A ementa do referido julgado foi lavrada nos seguintes termos: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Isto porque, segundo o entendimento dos Ministros do STF, esse dispositivo alargou indevidamente a base de cálculo da Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13971.916316/201141 Acórdão n.º 3402003.940 S3C4T2 Fl. 4 5 COFINS, uma vez que igualou o conceito de faturamento (ou receita operacional) ao conceito de receita . Explicase. Enquanto o faturamento é constituído pelas receitas advindas da venda de bens e serviços, a receita compreende "entrada de recursos financeiros remuneradores dos diferentes negócios jurídicos da atividade empresarial”, segundo a lição de José Antonio Minatel. 1 Assim, o faturamento (espécie) é menos amplo que a receita (gênero). Ocorre que tais conceitos não podem ser livremente manejados pelo legislador, pois o artigo 110 do Código Tributário Nacional determina que: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Destarte, se a Constituição determinava que a COFINS somente poderia incidir sobre o faturamento; e o faturamento constitui as receitas provenientes da venda de bens e serviços pela pessoa jurídica; concluise pela inconstitucionalidade da lei que determina a incidência sobre a receita sem sentido amplo, pois essa é mais abrangente que o faturamento2. Buscando solucionar os vícios constitucionais de que padecia a Lei n. 9.718/98, o Poder Legislativo editou a Emenda Constitucional n. 20, de 15 de dezembro de 1998 (“EC n. 20/98”). Tal Emenda alterou o texto do artigo 195 da Constituição, o qual restou positivado nos seguintes dizeres: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) 1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora. São Paulo, 2005, p. 132. 2 Ademais, há de se ressaltar que a Lei n. 9.718/98 tem status jurídico de lei ordinária, o que torna ainda mais patente a sua inconstitucionalidade, tendo em vista que somente por meio de lei complementar é que poderia ser criada outra fonte de custeio da seguridade social (incidente sobre outra materialidade), nos termos do artigo 195, §4 e do artigo 154, inciso I, ambos da Constituição. Disto depreendese que somente seria legítima a cobrança da COFINS sobre a receita, hipótese que na época não estava prevista no rol de incisos do artigo 195 da Constituição, caso tal situação tivesse sido instituída por meio de lei complementar. Afinal, tratarseia de nova fonte de custeio da seguridade social. Como a Lei n. 9.718/98 foi votada e publicada pelo rito legislativo próprio das leis ordinárias, mais uma vez concluise pela inconstitucionalidade da exação. Fl. 75DF CARF MF 6 a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). Em síntese, a EC n. 20/98 alargou a hipótese de incidência das contribuições sociais devidas pelo empregador, uma vez que a partir de então não só o faturamento pode ser tributado, como também a receita em sentido amplo. Entretanto, essa mudança no texto da Constituição não teve o poder de convalidar os dizeres da Lei n. 9.718/98, pois o sistema jurídico brasileiro não admite a constitucionalidade superveniente, vale dizer, tendo sido promulgada e publicada lei que contraria a Constituição, não é possível que posterior alteração da própria Constituição, por via de emenda, traga de forma retroativa a validade da lei. Foi assim que decidiu o STF. Pois bem. Tendo sido decidida a questão em sede de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, torna se imperioso o seu acatamento por este Conselho, nos moldes do artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática da repercussão geral: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse sentido, é tranquila a jurisprudência do Conselho a respeito da necessidade de reprodução das decisões proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins – citadas alhures aos processos administrativos fiscais, nos quais os contribuintes formulam pedidos de restituição de valores indevidamente pagos a título da contribuição social em questão, exatamente como ocorre no presente caso. Destaco a seguir alguns julgados representativos do entendimento sobre a matéria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. 10 ANOS. PEDIDO REALIZADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13971.916316/201141 Acórdão n.º 3402003.940 S3C4T2 Fl. 5 7 O prazo decadencial para o direito de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador quando o pedido for realizado antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005, conforme entendimento do STF. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido (Processo 11618.002043/200519, MARCOS ANTONIO BORGES, Nº Acórdão 3801001.835) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/1999 a 31/05/2000 DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. O prazo estabelecido na Lei Complementar 118/05 somente se aplica para os processos protocolizados a partir 9 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de dez anos, contado de seu fato gerador, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de Fl. 77DF CARF MF 8 mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido. (Processo 13855.001146/200586, Relator(a) FLAVIO DE CASTRO PONTES, Nº Acórdão , 3801001.722) COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §1o, I, do RICARF. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62A do RICARF. COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Em face da inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo da contribuição a COFINS, promovida pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 19.718/98, é cabível o deferimento da restituição do indébito, devendo a autoridade preparadora verificar a comprovação do pagamento indevido ou a maior para compor o crédito a ser deferido ao contribuinte. Sobre o crédito apurado incide correção pela incidência da SELIC desde a data do pagamento indevido ou a maior, na forma do §4º, do Art. 39, da Lei nº 9.250/95. Recurso Parcialmente Provido. (Processo 10950.000184/200626, Relator(a) JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Acórdão 3402001.697) COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantémse o lançamento quando constatada a falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no período compreendido pelo auto de infração. COFINS. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO PRÓPRIO. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13971.916316/201141 Acórdão n.º 3402003.940 S3C4T2 Fl. 6 9 Eventual direito à compensação da COFINS, em razão de recolhimento indevido ou efetuado a maior, deve ser apreciado no procedimento administrativo próprio de restituição/compensação, e não em processo de formalização de exigência de crédito tributário. Todavia, nada impede Requerê la em procedimento próprio. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. O conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para apreciar pedidos de restituição/compensação. A competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (art. 1º da Portaria MF nº 256/2009) MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido em Parte (Processo 10680.006962/200880, Relator(a) JOSE LUIZ BORDIGNON, Acórdão 3801000.984) Portanto é incontroverso o bom direito da Recorrente em relação à restituição dos recolhimentos indevidamente feitos a título de Cofins, no período de apuração em questão, haja vista que a presente lide administrativa tem como objeto principal a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento inconstitucional da base de cálculo da Cofins). Com efeito, como já tive a oportunidade de destacar em dissertação sobre o tema: Fl. 79DF CARF MF 10 Tanto a edição de leis inconstitucionais como a cobrança de tributos com base em tais leis tributárias inconstitucionais são atos ilícitos praticados pelo Poder Público. O primeiro constitui ilícito constitucional (edição de lei contrária aos dizeres da Constituição), enquanto o segundo caracteriza ilícito tributário (cobrança pelo Estado e consequente pagamento pelo contribuinte de tributo inválido). Lembrando que as normas jurídicas em sua feição completa são impreterivelmente dotadas de uma sanção em caso de descumprimento, aos citados atos ilícitos o ordenamento jurídico atrela as respectivas sanções: a declaração de inconstitucionalidade, com o objetivo de preservar a integralidade e coerência da ordem jurídica; e a restituição de tributos inconstitucionais, cuja função é conferir segurança jurídica e isonomia aos administrados. 3 Cumpre ainda salientar que à restituição de tributos inconstitucional, cuja natureza e regime jurídico são tributários, são totalmente aplicáveis as regras relativas às demais hipóteses de repetição de indébito dispostas no CTN (artigo 165 a 169). Entretanto, com relação ao quantum devido como restituição do tributo inconstitucional, compete à autoridade administrativa preparadora, com base na documentação apresentada pelo contribuinte no decorrer do processo administrativo, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Por fim, saliento que apurado o crédito, os valores originais devem sofrer correção pela incidência da SELIC, desde a data do pagamento indevido, como impõe o artigo 39, §4º da Lei nº 9.250/95, até a data do efetivo aproveitamento dos créditos pelo contribuinte. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, haja vista a necessidade de liquidação do julgado, nos termos descritos acima." (grifos no original) Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de COFINS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela empresa com fulcro no dispositivo inconstitucional da Lei n.º 9.718/98 (dentre as quais as receitas financeiras mencionadas pela Recorrente de "JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL" e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS")." Importante consignar que os documentos analisados no julgamento do paradigma (razão e planilha de apuração) encontram correspondência com os documentos juntados ao presente processo, variando apenas o período de apuração e os valores envolvidos. 3 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13971.916316/201141 Acórdão n.º 3402003.940 S3C4T2 Fl. 7 11 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de COFINS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela empresa com fulcro no dispositivo inconstitucional da Lei nº 9.718/98 (dentre as quais as receitas financeiras mencionadas pela Recorrente de "JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL" e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS"). assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000889/2003-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO.
1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente EUGÊNIO BACOCCINA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. 1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. 2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 08 89 /2 00 3- 60 Fl. 289DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10865.000889/200360 Acórdão n.º 2402005.630 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até então: O contribuinte acima qualificado insurgese contra auto de infração que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 326.562,37, sendo R$ 132.141,94 de imposto; R$ 95.313,98 de juros de mora (calculados até 30/05/2003) e 99.106,45 de multa de oficio (fls. 05/10). 0 auto de infração apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada no ano calendário 1998 com aplicação da multa de oficio de 75% (fl. 07), em conformidade com o relato contido no Termo de Verificação Fiscal de fls. 11/14. Em 18/06/2003, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 05/10, juntamente com o relato contido no Termo de Verificação Fiscal de fls. 11/14 dos quais o contribuinte foi cientificado em 27/07/2003 (fl. 100). A impugnação foi apresentada em 24/07/2003 (fls. 101/112), por meio de seu representante legalmente constituído (fl. 113), com os argumentos que passamos a relatar em síntese e na ordem em que aparece naquele documento. Inicia discordando da ocorrência do fato gerador do lançamento ora questionado, relatando que nem todo rendimento é tributável e conclui suscitando a nulidade do auto de infração e do lançamento correspondente. Prossegue aduzindo que no "ônus probandi" as partes não tem obrigação ou dever de produzir as provas, em razão disso não sofreriam sanção alguma, apenas deixam de auferir a vantagem que decorreria do implemento da prova, cujo intuito é atribuir o ônus da prova ao Fisco. Considera ter havido duplicidade do lançamento, uma que foi usada a mesma base de calculo já que os valores eram depositados em conta conjunta no Banco Real, mesmo porque a pessoa física não se confunde com a pessoa do produtor agrícola, que por ser pessoa jurídica exige contabilidade. Insurgese também contra a aplicação dos juros de mora e da multa proporcional, por entender que os percentuais aplicados não poderiam ser superiores aos limites previstos na Constituição Federal e na legislação de regência. Traz à colação doutrina e ementas de jurisprudência judicial e administrativa, no intuito de embasar seus argumentos de defesa. Fl. 291DF CARF MF 4 Suscita ainda o beneficio do efeito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário até a decisão final na esfera administrativa, a fim de evitar sua inscrição do crédito tributário em divida ativa, nos termos previstos no inciso III do artigo 151 do CTN. Por fim, requer que sua impugnação seja deferida e julgada procedente e em caso de procedência parcial seja refeito o lançamento com a classificação dos valores corretos. Em sessão realizada em 18 de setembro de 2008, a DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal e que permitiram o amplo conhecimento das infrações apuradas por parte do contribuinte interessado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A Lei n° 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A multa de oficio prevista na legislação de regência é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de oficio, não podendo a autoridade lançadora furtarse à sua aplicação. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Ê legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros morat6rios para recolhimento do crédito tributário em atraso. Lançamento Procedente. O recorrente foi intimado da decisão em 20/10/2008 (fl. 262) e interpôs recurso voluntário em 12/11/2008 (fls. 267 e seguintes), alegando em síntese que: (a) segundo o art. 42, § 3º, da Lei 9.430/1996, os depósitos devem ser analisados individualmente; (b) os depósitos representam marco inicial da investigação, pois podem ser atinentes a empréstimo, doação, etc; (c) deve ser aferida a real natureza dos depósitos bancários sob suspeita; Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10865.000889/200360 Acórdão n.º 2402005.630 S2C4T2 Fl. 4 5 (d) os depósitos bancários, por si só, não caracterizam disponibilidade de rendimentos; (e) cita a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos e outros precedentes jurisprudenciais. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 293DF CARF MF 6 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da origem dos recursos O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receitas ou rendimentos omitidos. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. O § 3º do citado artigo, ao prever que os créditos serão analisados individualizadamente, corrobora a afirmação acima e não estabelece, para o Fisco, a necessidade de comprovar o acréscimo de riqueza nova por parte do fiscalizado. A título ilustrativo, segue o texto da regra: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10865.000889/200360 Acórdão n.º 2402005.630 S2C4T2 Fl. 5 7 II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19971) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 612. A não comprovação da origem dos recursos viabiliza a aplicação da norma presuntiva, caracterizando tais recursos como receitas ou rendimentos omitidos. Destarte, e de acordo com a regra legal, não é que os depósitos bancários, por si só, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização. Expressandose de outra forma, o sujeito passivo pode comprovar, como sugerido pelo recorrente, que o recurso é atinente a uma doação ou a um empréstimo. Não o fazendo, aplicase o consequentemente normativo da presunção, com a consequente constituição do crédito tributário dela decorrente. Mutatis mutandis, o verbete sumular CARF nº 26 preceitua o seguinte: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda 1 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. 2 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 295DF CARF MF 8 representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O Superior Tribunal de Justiça reconhece a legalidade do imposto cobrado com base no art. 42, como se vê no precedente abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015) Mais ainda, aquele Tribunal Superior vem consignando a inaplicabilidade da Súmula 182/TRF, que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242). Assim sendo, deve ser negado provimento ao recurso. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 296DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004065/2007-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OBSCURIDADE.
Não há obscuridade na decisão embargada quando esta dispensa adendos ou esclarecimentos adicionais por sua própria clareza.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO.
Saneia-se a omissão verificada, decidindo-se a questão não solucionada no acórdão embargado.
Numero da decisão: 1301-002.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em ACOLHER PARCIALMENTE os embargos, vencido o Conselheiro Relator Hélio Eduardo de Paiva Araújo nos seguintes termos: (1) REJEITAR as alegações de obscuridade sobre o tema Decadência e de omissão sobre o tema SCCI; (2) RECONHECER a existência de omissão sobre a infração 2 e supri-la, sem efeitos modificativos; e (3) RECONHECER a existência de omissão quanto ao pedido de perícia e supri-la, sem efeitos modificativos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Flávio Franco Corrêa. Designado redator ad hoc (Portaria CARF nº 107/2016) o Conselheiro Flávio Franco Corrêa.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
Hélio Eduardo de Paiva Araújo
(documento assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator ad hoc e Redator designado
O julgamento teve início na sessão de 10 de agosto de 2016, sob a relatoria do Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, sendo naquela ocasião interrompido por pedido de vista. Diante do afastamento definitivo do Conselheiro relator, o julgamento prosseguiu nesta sessão nos termos da Portaria CARF nº 107/2016.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Corrêa Marcelo Malagoli da Silva e Waldir Veiga Rocha. A Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto não participou deste julgamento.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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ALEGAÇÃO DE OBSCURIDADE. Não há obscuridade na decisão embargada quando esta dispensa adendos ou esclarecimentos adicionais por sua própria clareza. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO. Saneiase a omissão verificada, decidindose a questão não solucionada no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em ACOLHER PARCIALMENTE os embargos, vencido o Conselheiro Relator Hélio Eduardo de Paiva Araújo nos seguintes termos: (1) REJEITAR as alegações de obscuridade sobre o tema Decadência e de omissão sobre o tema SCCI; (2) RECONHECER a existência de omissão sobre a infração 2 e suprila, sem efeitos modificativos; e (3) RECONHECER a existência de omissão quanto ao pedido de perícia e suprila, sem efeitos modificativos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Flávio Franco Corrêa. Designado redator ad hoc (Portaria CARF nº 107/2016) o Conselheiro Flávio Franco Corrêa. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente Hélio Eduardo de Paiva Araújo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 40 65 /2 00 7- 37 Fl. 5126DF CARF MF Processo nº 19515.004065/200737 Acórdão n.º 1301002.178 S1C3T1 Fl. 5.127 2 (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator ad hoc e Redator designado O julgamento teve início na sessão de 10 de agosto de 2016, sob a relatoria do Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, sendo naquela ocasião interrompido por pedido de vista. Diante do afastamento definitivo do Conselheiro relator, o julgamento prosseguiu nesta sessão nos termos da Portaria CARF nº 107/2016. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Corrêa Marcelo Malagoli da Silva e Waldir Veiga Rocha. A Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto não participou deste julgamento. Relatório Tratase de apreciar embargos de declaração opostos por TRANSCONTINENTAL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, em face do acórdão nº 1301001.768, proferido por esta turma na sessão de 05/02/2015, no qual este colegiado decidiu, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário interposto. Alega a ora embargante que o acórdão combatido incorreu em obscuridade quanto à preliminar de decadência relativa aos tributos que deveriam ser recolhidos nos três primeiros trimestres de 2002. Ademais, alega quanto ao mérito omissão, obscuridade e contradição, principalmente omissão quanto aos cálculos para fins de determinação do lucro arbitrado, pois, caso admitido o arbitramento, o mesmo só poderia ser efetuado respeitandose os termos do art. 534, inciso II, do RIR/99. Alega que nenhuma palavra foi dita no acórdão embargado quanto à necessária aplicação das prescrições contidas no já citado artigo 534, já que a interessada se dedica à venda de imóveis. Tendo sido apresentados tempestivamente, os embargos foram objeto de despacho de admissibilidade da lavra do Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, o qual entendeu que haviam sido atendidos os requisitos estampados no art. 65 do Regimento Interno (ANEXO II) do CARF, submetendo proposta ao Presidente desta 1ª Turma Ordinária, no sentido de que ele seja admitido e submetido à apreciação do Colegiado. Tal proposta foi aceita pelo Presidente e incluídos os autos em pauta para regular julgamento por este Colegiado. É o relatório. Fl. 5127DF CARF MF Processo nº 19515.004065/200737 Acórdão n.º 1301002.178 S1C3T1 Fl. 5.128 3 Voto Vencido Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Relator. Reprodução do voto do Relator, proferido na sessão de julgamento de 10 de agosto de 2016. Os embargos são tempestivos e, em face de despacho no sentido de sua admissibilidade, deles conheço. A embargante insurgese contra a decisão quanto à obscuridade no que diz respeito à preliminar de decadência e, no mérito, obscuridade quanto à aplicação dos ditames do art. 534 do RIR/99 para fins da determinação do lucro arbitrado. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Alega a embargante que o acórdão combalido foi obscuro quanto à alegada preliminar de decadência. Entende ter demonstrado que o seu regime de apuração era o do lucro real trimestral, sujeito ao lançamento por homologação, razão pela qual o termo inicial da contagem do prazo decadencial só poderia ser computado imediatamente após o encerramento do trimestre de apuração, nos termos do art. 150 do CTN. Entende que esta Turma Julgadora teria inicialmente acolhido os seus argumentos para, ao final, manter a conclusão da DRJ, em razão da ausência de qualquer pagamento, o que, consoante o inarredável posicionamento jurisprudencial vigorante e que vincula este órgão colegiado administrativo, transferiria a contagem do início do prazo decadencial do art. 150 para o 173, ambos do CTN. Ocorre que, no entendimento da embargante, não haveria que se falar em pagamento, dado o fato de que nos trimestres em questão, teria apurado prejuízo fiscal, portanto não haveria necessidade de se efetuar qualquer pagamento. Assim, percebese que o que se discute nestes autos é o alcance do vocábulo homologação. Ou ainda, se a homologação tácita, que se opera sobre os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, se dá somente sobre o pagamento ou sobre toda a atividade do contribuinte, o que incluiria o próprio pagamento, mas não se limitando a ele. Ou seja, cabenos decidir se inexistente o pagamento, em razão de ter apurado o contribuinte prejuízo fiscal, ainda assim estaria o mesmo sujeito às regras do lançamento por homologação previstas no art. 150 do CTN ou se, contrario sensu, o não pagamento deslocaria referida contagem para as regras do art. 173 do mesmo diploma legal. Aqui filiome à tese defendida pelo Prof. Sacha Calmon, conforme excerto abaixo transcrito: 2. A extensão do vocábulo homologação. O CTN parece vincular o lançamento por homologação à necessidade de antecipação do pagamento pelo sujeito passivo. De fato, nos dizeres do código, Fl. 5128DF CARF MF Processo nº 19515.004065/200737 Acórdão n.º 1301002.178 S1C3T1 Fl. 5.129 4 ocorrerá o lançamento por homologação quando o contribuinte, sem análise prévia da autoridade administrativa, antecipa o pagamento1. Todavia, como será visto adiante, o ato administrativo2 do lançamento por homologação é confirmatório, e tem por objeto os atos praticados pelo contribuinte relativos à apuração e recolhimento do tributo. Ou seja, diante dos atos materiais de lançamento3 praticados pelo contribuinte (apuração do crédito tributário), e levados a conhecimento do Fisco por meio de declarações e demonstrativos fiscais, caberá à autoridade administrativa a posterior verificação destes atos, dentro do prazo decadencial estabelecido pelo CTN. Daí ser relevante a resposta à seguinte pergunta: Qual é o objeto da homologação (ainda que tácita) pela autoridade fiscal: o pagamento efetuado pelo contribuinte ou toda a atividade de apuração e recolhimento do tributo? A resposta correta nos parece ser a atividade de apuração e recolhimento do tributo. Com efeito, no regime do lançamento por homologação, cabe ao contribuinte fazer o acertamento da obrigação tributária, ou seja, identificar o fato gerador, determinar a base de cálculo (com as adições e exclusões previstas para cada tributo) e sobre ela fazer incidir o tributo na alíquota prevista na lei. Somente após a conclusão desta atividade é que se poderá calcular o valor do tributo devido, a ser recolhido voluntariamente no prazo estabelecido na lei. Caberá ainda ao sujeito passivo a obrigação acessória de apresentar ao Fisco declaração fiscal contendo todos os elementos que foram considerados na apuração do crédito tributário. Tais declarações fiscais são apresentadas justamente para permitir que o Fisco tome conhecimento dos resultados apurados, de modo que possa avaliar se a obrigação tributária foi integralmente adimplida pelo sujeito passivo. Entretanto, há casos em que a apuração realizada pelo contribuinte, e informada nas declarações fiscais, poderá concluir pela inexistência de tributo devido para determinado período. Como exemplo, tomese a hipótese de apuração de prejuízo fiscal em um determinado exercício, situação na qual o contribuinte, além de nada ter a recolher a título de IRPJ, terá ainda crédito a seu favor a ser compensado com lucros futuros. Neste caso, apesar de não haver tributo a ser recolhido, caberá ao contribuinte a obrigação de realizar toda a apuração do período, que deverá ser devidamente registrada em declaração entregue à autoridade fiscal. Caberá ao Fisco, por sua vez, analisar as informações declaradas pelo contribuinte, até mesmo para fins de retificação da declaração e lançamento de diferenças que julgar existentes. Isto é, mesmo em casos em que não há o recolhimento de tributo, ainda assim estará caracterizado o “lançamento por homologação”. 1 De fato, é esse o entendimento mais recente do Superior Tribunal de Justiça e de autores consagrados, como Luciano Amaro. 2 Não é objeto do presente trabalho a discussão sobre a natureza do lançamento, se ato ou procedimento administrativo. A esse respeito, ver José Souto Maior Borges, em seu Lançamento Tributário. 3 Ver, TROIANELLI, Gabriel Lacerda. Lançamento por homologação e decadência do direito deconstituir o crédito. In. Revista Dialética de Direito Tributário n. 151. Abril de 2008. Ed.Dialética. p. 31. Fl. 5129DF CARF MF Processo nº 19515.004065/200737 Acórdão n.º 1301002.178 S1C3T1 Fl. 5.130 5 Logo, a conclusão a que se chega é a de que a “homologação” da autoridade administrativa, seja ela formal ou tácita (pelo decurso do prazo decadencial), atinge não apenas o pagamento antecipado pelo sujeito passivo, mas sim toda a apuração prévia realizada e informada em declaração do contribuinte. Esta conclusão é confirmada pela leitura atenta do art. 150 do CTN: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.” Invertendo a ordem do período, observase a seguinte redação: o lançamento por homologação operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. A homologação expressa incidirá sobre a atividade que se levará ao conhecimento do Fisco. É o que ensina Souto Maior Borges4: “ (...) Compete à autoridade administrativa, ex vi do artigo 150, caput, homologar a atividade previamente exercida pelo sujeito passivo, atividade que em princípio implica, embora não necessariamente, em pagamento (...) (...) A atividade homologável não corresponde necessariamente ao pagamento. Conseqüentemente, a terminologia contemplada no CTN é, sob esse aspecto, feliz: homologase a ‘atividade’ do sujeito passivo, não necessariamente o pagamento do tributo. O objeto da homologação não será então necessariamente o pagamento.” As lições acima são profundamente esclarecedoras. Andou bem o legislador ao fazer referência a uma atividade exercida pelo contribuinte. E é esta atividade que se sujeita à homologação, sendo o pagamento apenas a conseqüência desta atividade, e não condição essencial para a existência do lançamento por homologação5. Não há razão para reduzirse a homologação à verificação do pagamento. A atividade de apuração é muito mais abrangente do que o mero pagamento, envolvendo a identificação do fato gerador, a determinação da matéria tributável, a apuração e o recolhimento, caso tenha sido apurado tributo a recolher. Neste particular, destaquese que há diversos precedentes do Eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no sentido de que a homologação alcança toda a atividade exercida pelo contribuinte. Vejase: “IRPJ – ANOCALENDÁRIO DE 1992 – DECADÊNCIA. Como o advento da Lei n°8.383, de 30/12/1991, o imposto de renda das pessoas jurídicas melhor se amolda à sistemática de lançamento 4 BORGES, José Souto Maior. Lançamento Tributário. In NOVELLI, Flávio Bauer (coord.) Tratado de Direito Tributário Brasileiro. Rio de Janeiro: Forense, 1981, p. 440441 e 444445. 5 “O pagamento efetuado pelo contribuinte não é condicional: o que pode ocorrer é que, num controle ‘a posteriori’, ele seja reconhecido como correto (caso em que há homologação expressa com efeito de quitação), insuficiente (caso em que há lugar a um lançamento de ofício), ou excessivo (caso em que há lugar a uma restituição)”. Alberto Xavier, Do lançamento no Direito Tributário Brasileiro. p. 89. Fl. 5130DF CARF MF Processo nº 19515.004065/200737 Acórdão n.º 1301002.178 S1C3T1 Fl. 5.131 6 denominada de homologação onde a contagem do prazo decadencial deslocase da regra geral prevista no art. 173 do CTN, para encontrar respaldo no § 4° do art. 150 do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. A ausência de recolhimentos não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo contribuinte, da qual pode resultar ou não recolhimentos de tributo. Recurso da PFN negado.” (Ac. CSRF/0104.410, de 24.02.2003 sublinhamos) Fixada esta premissa – a de que toda a atividade de apuração do contribuinte é objeto da homologação pelo Fisco (ainda que tácita), mesmo nos casos de inexistência de recolhimento – partese agora para a análise dos efeitos do decurso do prazo decadencial nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, especialmente no que toca a apuração registrada e declarada pelo contribuinte. Ou seja, concordo com a tese acima de que o que se homologa, ainda que tacitamente, é a atividade do contribuinte e não o efetivo pagamento. Penso que tal assertiva seja lógica e evidente, pois, uma vez confirmado pelo fisco o pagamento insuficiente, ainda assim não poderia este lançar a parte não adimplida, a menos que tenha havido dolo, fraude ou simulação, situação que compete ao Fisco provar. Ou seja, ainda que o pagamento seja insuficiente, caso se estivesse homologando tão somente tal ato (o pagamento), creio que não haveria óbice para que se lançasse eventuais diferenças apuradas. Contudo, o que se homologo é toda a atividade do contribuinte, razão pela qual, efetuado pagamento, ou este não sendo realizado em razão da existência de prejuízo fiscal, toda a atividade do interessada estaria abarcada pela homologação tácita. Na verdade, o que se homologa, como já dito alhures, é toda a atividade do contribuinte, e não apenas o pagamento. Ora, inúmeras ocasiões podem ocorrer em que o contribuinte simplesmente não apura tributo a pagar (no caso do IRPJ, base negativa, prejuízo fiscal, etc.)6. Por esse motivo deve ele ser penalizado com um prazo maior para ser fiscalizado? Entendemos que não. Alberto Xavier7 tem ainda outro argumento que parece ser insuperável: condicionar o prazo decadencial a uma atividade do contribuinte daria ao sujeito passivo o poder de alterar o termo inicial do referido prazo em seu benefício, pelo pagamento de uma quantia simbólica. Por exemplo, caso o contribuinte não apure tributo a pagar em determinado período, ao se aproximar do 5º ano subseqüente ao fato gerador, basta declarar como valor devido uma quantia irrisória, o que pode encurtar o prazo decadencial em até um ano, dependendo do período de apuração. Entendo mais acertada a posição de Alberto Xavier, segundo a qual o Fisco homologa toda a atividade do contribuinte, inclusive a apuração das bases, e não apenas o pagamento8. Em outras palavras, a contagem do prazo decadencial decorre do regime jurídico a que o tributo está submetido, e não da existência ou não de pagamento. 6 Sobre o tema vale conferir: FONSECA, Fernando Daniel de Moura. “Aspectos controvertidos do lançamento. O regime jurídico da homologação” in Revista Brasileira de Direito Tributário e Finanças Públicas, nº 14, ed. Magister, maio/junho, 2009, p. 1430. 7 Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro, Forense, São Paulo, 2005, p. 100. 8 Loc. Cit. Fl. 5131DF CARF MF Processo nº 19515.004065/200737 Acórdão n.º 1301002.178 S1C3T1 Fl. 5.132 7 Assim, por entender que a homologação tácita dos tributos sujeitos a lançamento por homologação recai sobre toda a atividade do contribuinte, encaminho o meu voto no sentido de reconhecer a preliminar de decadência suscitada pelo contribuinte/embargante. DO MÉRITO No mérito, insurge a embargante quanto a omissão no acórdão embargado quanto a aplicação das regras dispostas no art. 534, II do RIR/99 para as suas receitas oriundas da atividade imobiliária (item 02 do Auto de Infração de IRPJ e CSLL) Alega que, em seu entendimento, o acórdão embargado deixou de enfrentar e decidir sobre sua argüição de que, se cabível o arbitramento, que este deveria se dar em estrita obediência ao já citado art. 534 do RIR para as receitas oriundas da atividade imobiliária. De fato, ao analisar o acórdão embargado, verifico que a mesmo não tratou da matéria ora tida como omissa. Compulsando os autos, vejo que o Auto de Infração de IRPJ (fls. 1055 a 1063) e de CSLL (fls. 1064 a 1070), tratou de três tipos de receitas distintas que foram objeto do arbitramento: 1. Receita da Atividade (Prestação de Serviços em Geral): Enquadramento Legal: Art. 532 do RIR/99; 2. Receita da Atividade Imobiliária (Venda de Imóveis): Enquadramento Legal: Art. 534 do RIR/99; e 3. Outras Receitas: Enquadramento Legal: Art. 536 do RIR/99. Entendo que dentre as três, apenas são objeto destes embargos as receitas da atividade imobiliária contidas no item 2 acima, haja vista que a alegada omissão se deu quanto aos termos do referido art. 534 do RIR/99, o qual trata das atividades imobiliárias. Desta forma, deixo de analisar os ítens 01 e 03 do auto de infração, passando a debruçarme apenas sobre o item 2 e a omissão alegada pela embargante. Compulsando os autos, comprovo o enquadramento legal utilizado para o Item 02 do auto de infração, qual seja, receitas da atividade imobiliária. Contudo, não verifico qualquer fundamento ou explicação quanto à metodologia de cálculo adotada pela fiscalização para fins de se determinar o lucro arbitrado da atividade imobiliária. Após minuciosa leitura do Termo de Verificação Arbitramento de fls. 1027 1051, verifico que a fiscalização faz extenso arrazoado sobre os vícios encontrados na escrituração contábil da interessada (falta de apresentação/escrituração de livros auxiliares apesar da utilização de lançamentos globais mensais) e da incorreta contabilização quando da retomada por dação, distrato ou adjudicação, de imóveis anteriormente vendidos, porém não encontro qualquer menção à forma de cálculo utilizada para que se chegasse ao lucro arbitrado das receitas oriundas da atividade imobiliária. Fl. 5132DF CARF MF Processo nº 19515.004065/200737 Acórdão n.º 1301002.178 S1C3T1 Fl. 5.133 8 Ademais, noto que no TVA não há sequer uma única menção ao artigo 534 do RIR/99, nem mesmo no item 2 que trata do Direito, onde o auditor transcreve dispositivos legais e regulamentares vigentes à época de ocorrência dos fatos gerados (2002) e que têm relação com a matéria que está sendo tributada. Concluo, pois, por presunção, que o agente autuante tenha utilizado os percentuais sobre a receita bruta conhecida, nos moldes do artigo 532 do RIR/99, posto que não há qualquer referência à metodologia contida no artigo 534 do mesmo Regulamento.. Assim, entendo que não poderia ter sido aplicado o referido artigo 532, devendo ser, obrigatoriamente, aplicado, para as atividades imobiliárias, os ditames do artigo 534. Nesse particular, valhome das palavras do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, exarado no acórdão n° 1402001.425, em sessão realizada no dia 06/08/2013, verbis: 3.2 DA APLICAÇÃO SIMULTÂNEA DOS ARTIGOS 532 E 534 DO RIR/99 Conforme dito, a questão da aplicação simultânea dos artigos 532 (coeficientes de arbitramento) e 534 (regra específica para arbitramento de lucros de empresas que desenvolvam “atividades imobiliárias”), ambos do RIR/99, foi o principal motivo da exoneração de crédito tributário na decisão recorrida. À fl. 595 do julgado de primeira instância (item 27), mostrase evidente que entendeu a Turma julgadora ser possível a aplicação concomitante de ambos os dispositivos. Aliás, mais evidente ainda é o entendimento firmado pela autoridade a quo de que se aplica o art. 532 do RIR/99 (coeficientes de arbitramento) para determinação da base de cálculo arbitrada do IRPJ das pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, ao loteamento de terrenos e à incorporação de prédios em condomínio. Entendo, contudo, que há norma específica a regular a determinação da base de cálculo do IRPJ arbitrado das pessoas jurídicas que se dediquem a “atividades imobiliárias”. Neste contexto, o arbitramento do lucro deve ser procedido nos termos do art. 534, caput e parágrafo único, do mesmo RIR/99, sem a aplicação dos coeficientes de arbitramento de lucro de que trata o art. 532, c/c arts. 518 e 519, todos do RIR/99, tal qual realizado pela Fiscalização. As regras de apuração da base de cálculo do lucro arbitrado de que tratam os artigos 532 e 534 do RIR/99 não são aplicáveis simultaneamente, o que reforça a insubsistência da tese defendida pela decisão recorrida. Nesse sentido, há farta jurisprudência do CARF, conforme se observa a seguir: ARBITRAMENTO DE LUCROS ATIVIDADE IMOBILIÁRIA BASE DE CÁLCULO As regras legais que permeiam o arbitramento de lucros na esfera do IRPJ não se confundem com as que regem outros regimes de tributação. Sobrelevase na atividade imobiliária um tratamento pontual mais distante do que se empresta às outras atividades. Diversamente das demais em que a legislação estabelecera um coeficiente que deveria incidir sobre a integralidade da base de cálculo, desconsiderandose inclusive quaisquer custos, na hipótese de Fl. 5133DF CARF MF Processo nº 19515.004065/200737 Acórdão n.º 1301002.178 S1C3T1 Fl. 5.134 9 pessoas jurídicas que se dedicam à venda de imóveis o legislador permitira a dedutibilidade do custo do imóvel, desde que comprovado. 1º CC. / 7ª Câmara / ACÓRDÃO 10707.676 em 16.06.2004. Publicado no DOU em: 02.03.2005. ARBITRAMENTO CONSTRUÇÃO DE PRÉDIOS DE APARTAMENTOS PARA VENDA DE UNIDADES IMOBILIÁRIAS AUTÔNOMAS As pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de unidades autônomas de prédios residenciais por elas construídos, tendo seus resultados arbitrados por falta de escrituração comercial, adotarão como base de cálculo do IRPJ o valor da receita bruta deduzido dos custos devidamente comprovados. 1º CC. / 5ª Câmara / ACÓRDÃO 10515.303 em 13.09.2005. Publicado no DOU em: 07.03.2006 Ressalto excerto do voto condutor do primeiro aresto transcrito acima (Acórdão 10707.676), de lavra do então Conselheiro Neicyr de Almeida: “Em relação ao custo irrisório, reiterase que somente são aproveitados os custos lastreados em documentos hábeis e idôneos. Portanto mais do que argumentos, imporseia a juntada dos elementos críveis para que se apreciasse o apelo recursal nesse âmbito.” A respeito do tema, a doutrina também se manifesta sobre a prevalência da norma específica sobre a regra geral. Hiromi Higuchi, por exemplo, conclui que “O art. 16 da Lei nº 9.249, de 1995, apesar de ter regulado inteiramente a matéria para determinação do lucro arbitrado, quando a receita da atividade da pessoa jurídica é conhecida, o art. 534 do RIR/99 manteve o arbitramento diferenciado para as empresas imobiliárias. 9” A esse respeito, outros pontos merecem destaque. A decisão recorrida considerou que a receita bruta das atividades imobiliárias, em caso de lucro arbitrado, seria calculada com base no art. 534 do RIR/99 (receita menos custo devidamente comprovado). É possível extrair tal conclusão pelo fato de a Turma julgadora entender que sobre o valor calculado com base em tal dispositivo deverseia aplicar os coeficientes de arbitramento de lucro. Contudo, convém relembrar que: o art. 518 do RIR/99 dispõe que a base de cálculo do lucro presumido será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração; o caput do art. 519 do regulamento determina que considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único, o qual, por sua vez, reza que a receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, não se incluindo as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário; 9 HIGUCHI, Hiromi; HIGUCHI, Fábio Hiroshi; HIGUCHI, Celso Hiroyuki. Imposto de Renda das Empresas. Interpretação e prática. Atualizado até 10012007. 32. ed. São Paulo: IR Publicação Ltda, 2007, p. 499. Fl. 5134DF CARF MF Processo nº 19515.004065/200737 Acórdão n.º 1301002.178 S1C3T1 Fl. 5.135 10 os parágrafos do art. 519 do mesmo diploma relacionam os coeficientes de presunção de lucro para as diversas atividades, sempre aplicáveis, conforme determina o art. 518, sobre a respectiva receita bruta; já o art. 532 do regulamento determina que o lucro arbitrado será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento. Obviamente, tais coeficientes são aplicáveis sobre a receita bruta, tal qual determinam os demais dispositivos sobre o lucro presumido; conforme se observa, tanto para o lucro presumido (arts. 518 e 519, em todos os casos), quanto para o lucro arbitrado (regra geral), determinase a base de cálculo presumida ou arbitrada mediante a aplicação de coeficientes determinados por lei sobre a receita bruta auferida em cada período de apuração (trimestral), acrescidos das demais receitas não contidas na receita bruta; por outro lado, determina o art. 534 que “as pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, ao loteamento de terrenos e à incorporação de prédios em condomínio terão seus lucros arbitrados, deduzindose da receita bruta trimestral o custo do imóvel devidamente comprovado”. (grifo nosso) Ora, se o art. 534 determina que as “empresas imobiliárias” terão seus lucros arbitrados consideradose a diferença entre a receita bruta e o custo do imóvel devidamente comprovado, incorreta a conclusão de que tal diferença seja a própria receita bruta. Contudo foi isso que fez a decisão recorrida ao concluir que devese aplicar os coeficientes de determinação do lucro arbitrado sobre tal diferença, uma vez que os arts. 518 e 519 do RIR/99 determinam que tais coeficientes são aplicáveis sobre a receita bruta. Além disso, importante salientar que a base legal do art. 534 do RIR/99 é o art. 49 da Lei nº 8.981, de 1995, período em que era vedada a opção pelo lucro presumido às “empresas imobiliárias” (na realidade, o art. 36, IV, da mesma Lei nº 8.98/95 impunha a tais empresas a obrigação de adotarem a tributação com base no lucro real). Tal obrigatoriedade de tributação pelo lucro real somente teve fim com o advento da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que revogou o art. 36, IV, da Lei nº 8.981/95 e passou a possibilitar, a partir de 1 º de janeiro de 1999, que as “empresas imobiliárias” fossem tributadas com base no lucro presumido. Desse modo, impossível, portanto, que se aplicasse o acréscimo de vinte por cento sobre o coeficiente de lucro presumido para determinação dos coeficientes de arbitramento de lucro de tais atividades. Como se aplicaria, então, o art. 534 durante a vigência do art. 36, IV, da Lei 8.981/95? Obviamente, o lucro arbitrado era a diferença entre a receita bruta e o custo devidamente comprovado (interpretação literal do art. 534). Pois bem, se o art. 49 da Lei nº 8.981/95 não foi revogado (tanto que compõe o art. 534 do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/99), como alterar sua aplicação com o simples fato de as empresas imobiliárias passarem a poder optar pelo lucro presumido? Como transformar “receita bruta menos custo devidamente comprovado” (art. 534 do RIR/99) em receita bruta para fins de aplicação dos coeficientes de arbitramento? (arts. 518, 519 e 534 do RIR/99) Há de se traçar, ainda, importante paralelo entre o art. 534 do RIR/99 e o art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998. Nesta, ao contrário daquela, o legislador explicitamente equiparou o “lucro bruto” nas operações de compra e venda de veículos usados às operações de consignação para fins de tributação, ou seja, a diferença entre o preço de venda e o custo de aquisição de veículos usados é considerada receita, nos Fl. 5135DF CARF MF Processo nº 19515.004065/200737 Acórdão n.º 1301002.178 S1C3T1 Fl. 5.136 11 mesmos moldes aplicáveis às receitas auferidas em operações de consignação. Quisesse o legislador que o “lucro bruto” das operações imobiliárias tivesse tratamento análogo, certamente adotaria expediente similar ao praticado nas operações de revenda de veículos usados. Ademais, mesmo a regra geral do art. 532 do RIR/99 impõe que a base de cálculo do IRPJ no lucro arbitrado será, em regra, 20% superior à base do lucro presumido. Aplicandose o entendimento da decisão recorrida de se aplicar primeiro o art. 534 do RIR/99, e após o art. 532 do mesmo diploma, implicaria que, para as empresas imobiliárias, seria mais vantajoso optar pelo lucro arbitrado do que se manter tributado pelo lucro presumido. Ora, qual a lógica que haveria no sistema de se excluir determinado contribuinte do lucro presumido, por descumprimento de suas obrigações acessórias ou por opção vedada em lei, para incluílo em outro regime – lucro arbitrado – se este último redundaria em menor carga tributária? Isso posto, entendo que a conclusão da decisão a quo merece ser reformada, restabelecendose a autuação, nesse ponto, conforme realizada pela autoridade lançadora. Art. 534. As pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, ao loteamento de terrenos e à incorporação de prédios em condomínio terão seus lucros arbitrados, deduzindose da receita bruta trimestral o custo do imóvel devidamente comprovado (Lei nº 8.981, de 1995, art. 49, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Parágrafo único. O lucro arbitrado será tributado na proporção da receita recebida ou cujo recebimento esteja previsto para o próprio trimestre (Lei nº 8.981, de 1995, art. 49, parágrafo único, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Pois bem, não encontro, como já dito, qualquer menção, seja no TVF, na decisão da DRJ ou no próprio acórdão combalido de que foram obedecidas as regras do art. 534 do RIR/99 para fins de se chegar ao lucro arbitrado do contribuinte. Assim, entendo que o lançamento seria nulo, quanto a este item pois que não preenchidos os requisitos legais para o seu lançamento. Dessa forma, por todo o acima exposto, voto no sentido de CONHECER dos embargos, ACOLHENDOOS, para corrigir omissão existentes, conferindolhes efeitos infringentes. Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator . Fl. 5136DF CARF MF Processo nº 19515.004065/200737 Acórdão n.º 1301002.178 S1C3T1 Fl. 5.137 12 Voto Vencedor Conselheiro Flávio Franco Corrêa. Primeiramente, manifesta o relator que, de acordo com a Embargante, esta Turma Julgadora teria inicialmente acolhido os argumentos manejados em sede de recurso voluntário para, ao final, manter a conclusão da DRJ, em razão da ausência de qualquer pagamento, o que, consoante o entendimento jurisprudencial vigorante e que vincula este órgão colegiado administrativo, transferiria a contagem do início do prazo decadencial do art. 150 para o 173, ambos do CTN. Ocorre, todavia, que não haveria que se falar em pagamento, dado o fato de que, nos trimestres fiscalizados, apurouse prejuízo fiscal. Aí, então, residiria, a obscuridade alegada quanto à preliminar aduzida, relativamente aos tributos que deveriam ser recolhidos nos três primeiros trimestres de 2002. No entanto, não há obscuridade na decisão embargada, que dispensa adendos ou esclarecimentos adicionais por sua própria clareza. Reparese no teor da decisão da qual se reproduz o trecho abaixo: "Conquanto o fundamento da decisão recorrida não seja suficiente a validar suas conclusões, é fato que foi acertada a contagem do prazo pela regra do artigo 173, I, do CTN, porquanto não há nos autos, consoante exigese o inarredável posicionamento jurisprudencial vigorante e que atrela este pronunciamento administrativo, prova do efetivo pagamento no período em questão. Sendo assim, é irretorquível a conclusão de que não há falar em decadência, porquanto o período de apuração mais distante remonta ao 1º trimestre de 2002 e a intimação do presente auto de infração ocorreu em 13 de dezembro de 2007. Rejeito, portanto, a preliminar de parcial extinção do crédito tributário, eis que não foi comprovado nos autos os critérios para contagem do prazo decadencial na forma do artigo 150, § 4º, do CTN." (grifei) Portanto, à luz do que restou acima destacado, a falta de comprovação de pagamento sujeita o início do prazo decadencial ao artigo 173, inciso I, do CTN, conclusão absolutamente alinhada ao pronunciamento do STJ no julgamento do REsp nº 973.733, submetido ao rito dos recursos repetitivos de que trata o artigo 543 C do CPC/1973. Assim, a decisão embargada não se refere à apuração de prejuízo fiscal, porquanto tal fato é irrelevante para a fixação da regra jurídica determinante do dies a quo da contagem do prazo decadencial, segundo a interpretação do STJ, no antedito aresto vinculante. Cabe, pois, rejeitar a omissão alegada. Em outro ponto, a Embargante defende que o acórdão embargado é obscuro, ao tratar da utilização do Sistema de Controle de Crédito Imobiliário – SCCI. Isso porque já manifestara, no recurso voluntário, que o SCCI é o conjunto de registros que supre a necessidade de livros auxiliares, ao passo que a Turma deixou a assentada de que a exigência daqueles livros é necessária para confrontar informações que estão no próprio SCCI. Diante disso, anota que não haveria sentido em se firmar a necessidade de livros auxiliares para confirmar informações registradas no SCCI. Em razão do exposto, requer que sejam explicados os motivos por que a decisão embargada desconsiderou o SCCI como registro cabível, nos termos do artigo 265 do RIR/99. Fl. 5137DF CARF MF Processo nº 19515.004065/200737 Acórdão n.º 1301002.178 S1C3T1 Fl. 5.138 13 Não obstante a alegação de obscuridade quanto à utilização do SCCI, impende receber os Embargos, nesse ponto, com a asserção de que teria havido omissão na exposição dos motivos pelos quais a Turma não considerou o SCCI como meio hábil, para fins do disposto no artigo 265 do RIR/99. Em nenhum momento, tratouse, no acórdão embargado, dos fins almejados pelo artigo 265 do RIR/99, que se refere às pessoas jurídicas que, de acordo com o balanço encerrado no período de apuração imediatamente anterior, possuírem patrimônio líquido superior a um milhão seiscentos e trinta e três mil, setenta e dois reais e quarenta e quatro centavos e utilizem sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal. Nesses casos, a pessoa jurídica está obrigadas a manter, em meio magnético ou assemelhado, à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil, os respectivos arquivos e sistemas durante o prazo de cinco anos. Todavia, a utilização do sistema de processamento eletrônico, bem como a conservação dos arquivos de dados relacionados àqueles sistemas, não suprem a necessidade da manutenção de livros auxiliares, quando os registros contábeis são efetuados em prazo superior a um dia, conforme § 1º do artigo 258 de RIR/99. Não foi outra a explicação dada pelo acórdão embargado: “Neste propósito, registro que bem anotou a decisão recorrida que a contribuinte foi intimada (fl. 248/252), a apresentar relatórios de seu Sistema de Controle de Crédito Imobiliário — SCCI e os Livros Auxiliares do Diário, uma vez que havia em sua escrituração lançamentos contábeis cujos históricos mencionavam o tal sistema, bem como se identificavam lançamentos globais, no último dia do mês, mais precisamente aqueles identificados nas contas 1.1.3.03.006, 1.1.3.03.007, 1.1.3.03.009 e 1.1.3.03.005, representativas de ativos correspondentes a créditos a receber em situação de liquidação . [...] Ora, bem alertou a decisão recorrida que a escrituração resumida é mesmo facultada, mas não se pode também arredar da conclusão, corolário, por sinal, de que é dever do contribuinte que adotar tal procedimento, manter escriturados os livros auxiliares que viabilizem a identificação individuada dos lançamentos que compõem o valor total registrado, nos termos do disposto no art. 257 do RIR/99. Por fim, importa relembrar que a própria contribuinte (fls. 266 – 268), afirmou que não possuía os mencionados Livros Auxiliares, ou seja, não dispunha a Fiscalização de método seguro a confrontar os lançamentos resumidos levados a efeito no último dia do mês, de sorte que impunhase mesmo o arbitramento do lucro, que conforme assentado e pacificado, não é senão forma de apuração legítima, não se caracterizando como sanção ao contribuinte.” (grifei) Em outra senda, mostrase transparente que o acórdão embargado não rejeitou a validade do SCCI nem seu emprego como fonte das informações a serem transplantadas para a escrituração eletrônica. O que ficou evidente, a tal respeito, é que, malgrado a existência de documentos e relatórios gerados pelo SCCI, as informações eventualmente geradas por esses meios não podiam ser confrontadas com a escrituração dos livros auxiliares, já que esses livros não existiam: “Entendo, relativamente a este ponto, que a decisão recorrida e a Fiscalização conferiram correta interpretação aos fatos, porquanto, em verdade, não se rechaçou a utilização do dito sistema, tampouco afirmouse que não seria ele idôneo para fins de escrituração eletrônica ou controle da contribuinte, antes disso, o que se proclamou, e aí para mim reside o acerto, foi que os documentos e relatórios gerados a partir desse sistema e apresentados pela contribuinte não continham com o que se confrontar, no âmbito de escrituração da Fl. 5138DF CARF MF Processo nº 19515.004065/200737 Acórdão n.º 1301002.178 S1C3T1 Fl. 5.139 14 contribuinte, ou seja, os registros contábeis que pudessem suprir a os livros auxiliares que deveriam estar em poder da recorrente e que não foram apresentados.” (grifei) À vista do exposto, devese rejeitar a omissão sobre o tema SCCI. Em seguida, a Embargante retrata que o acórdão embargado deixou de responder à arguição de que, se cabível, o arbitramento, deverseia obedecer o artigo 534 do RI/99. De fato, a Embargante incitou a discussão, no recurso voluntário, sobre a aplicação do artigo 534 do RIR/99 às receitas de atividade imobiliária (infração de nº 2 do auto de infração), ao passo que a Turma omitius na apreciação da questão formulada, quanto ao tema ventilado. Contudo, a matéria em referência não fora atacada na oportunidade da impugnação tempestiva, o que leva a Embargante, na via estreita dos Embargos, a defrontarse com os limites demarcados pela preclusão temporal. Nesses termos, suprese a omissão apontada, decidindose, sem efeito modificativo, no sentido de que o julgamento da questão suscitada esbarra no disposto no artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972. Por fim, a Embargante revela que também arguiu, no recurso voluntário, a nulidade do feito por ausência de perícia. Entretanto, percebo, nitidamente, que a Turma embargada não tratou do assunto, o que a reclama atenção dos julgadores dos presentes Embargos, tendo em vista a necessidade de entregar à Embargante a resposta ajustada às disposições legais. Quanto ao tema em lume, sou da opinião de que a DRJ já anunciara o entendimento jurisprudencial que orienta as instâncias julgadoras, em face da matéria suprarreferida, verbis: “A prova pericial é possível quando se faz necessário um conhecimento técnico especifico, diverso daquele legalmente exigido do ocupante de cargo de AuditorFiscal da Receita Federal ou, ainda, quando sua produção, se deixada exclusivamente às forças do contribuinte, exigisselhe um esforço desmesurado que inviabilizasse sua consecução. Depreendese da leitura dos quesitos formulados pela Impugnante que o objeto da perícia consistiria em produzir provas que já poderiam ter sido carreadas aos autos diretamente por ela, eis que se pretende demonstrar fatos atinentes a sua escrituração contábil e fiscal, prováveis mediante a apresentação de documentos que deveriam estar sob sua guarda. Por sua vez, a matéria que seria abordada na perícia está compreendida no campo de conhecimento e competência funcional da autoridade julgadora, uma vez que bastaria a contribuinte apresentar sua escrituração e os elementos que lhe dariam suporte, acompanhados dos demonstrativos e explicações necessários.” Nessas circunstâncias, suprese a omissão, no que se refere ao pedido de perícia, sem efeitos modificativos. Em síntese, proponho ao Colegiado REJEITAR as alegações de obscuridade sobre o tema decadência e de omissão sobre o tema SCCI; RECONHECER a existência de omissão sobre a infração 2 e suprila, sem efeitos modificativos; e RECONHECER a existência de omissão quanto ao pedido de perícia e suprila, sem efeitos modificativos. (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa – Relator designado Fl. 5139DF CARF MF Processo nº 19515.004065/200737 Acórdão n.º 1301002.178 S1C3T1 Fl. 5.140 15 Fl. 5140DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.721533/2012-07
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007, 2008
CSLL. ACORDOS DE BITRIBUTAÇÃO. ABRANGÊNCIA.
Os acordos e convenções internacionais celebrados pelo Governo da República Federativa do Brasil para evitar dupla tributação da renda abrangem a CSLL. Efeitos retroativos da Lei n. 13.202, de 8.12.2015, expressamente interpretativa.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
PAT. DEDUTIBILIDADE.
A dedutibilidade das despesas com o Programa de Alimentação do Trabalhador é regulada pelo o art. 1º, § 2º, do Decreto n. 5/91. Impossibilidade de seu afastamento, na via administrativa. Normas regimentais.
Numero da decisão: 9101-002.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa e André Mendes de Moura. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Adriana Gomes Rego. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro suplente Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa.
(assinatura digital)
Carlos Alberto Freitas Barreto, Presidente.
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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Acordos internacionais. Recorrentes DURATEX S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008 CSLL. ACORDOS DE BITRIBUTAÇÃO. ABRANGÊNCIA. Os acordos e convenções internacionais celebrados pelo Governo da República Federativa do Brasil para evitar dupla tributação da renda abrangem a CSLL. Efeitos retroativos da Lei n. 13.202, de 8.12.2015, expressamente interpretativa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 PAT. DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade das despesas com o Programa de Alimentação do Trabalhador é regulada pelo o art. 1º, § 2º, do Decreto n. 5/91. Impossibilidade de seu afastamento, na via administrativa. Normas regimentais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa e André Mendes de Moura. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Adriana Gomes Rego. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro suplente Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 15 33 /2 01 2- 07 Fl. 3592DF CARF MF Processo nº 19515.721533/201207 Acórdão n.º 9101002.598 CSRFT1 Fl. 3.593 2 (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto, Presidente. (assinatura digital) Luís Flávio Neto, Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recursos especiais interpostos pela PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL (doravante “PFN”) e pela DURATEX S/A (doravante “contribuinte”), em face do acórdão nº 1302001.620 (doravante acórdão a quo ou acórdão recorrido), proferido pela então 2ª Turma Ordinária, 3ª Câmara, 1ª Seção (doravante “Turma a quo”). Em brevíssima síntese, há dois temas sob discussão neste processo administrativo: Se a CSLL está abrangida pelos acordos de dupla tributação celebrados pelo Brasil com a Áustria e a Espanha: A Fiscalização apurou que a Duratex mantinha aplicações financeiras em títulos no exterior, das quais teria recebido rendimentos de juros, nos anos calendário de 2007 e 2008. Entretanto, tais receitas teriam sido excluídas do lucro líquido para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, conforme registros LALUR; Se a tutela do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) realizada pelo Decreto n. 5/1991 está em conformidade com os limites legais pertinentes: “O contribuinte excluiu do Lucro Real, nos anos calendário 2007 e 2008, valores correspondentes a suas despesas com fornecimento de alimentação enquadrados no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, conforme descritivo do Programa apresentado pelo contribuinte e juntado ao presente processo”. Em face da impugnação administrativa (efls. 3.238 e seg.) apresentada pelo contribuinte, a 7ª Turma da DRJ/SP1 proferiu o acórdão n. 1649.501 (efls. 3.310 e seg.), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 Fl. 3593DF CARF MF Processo nº 19515.721533/201207 Acórdão n.º 9101002.598 CSRFT1 Fl. 3.594 3 PAT. Limite de custo por refeição. De acordo com o Ato Declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional PGFN nº 13 de 01/12/2008, e os preceitos do art. 19, II, §5º da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, devem ser cancelados os lançamentos fundados na inobservância aos valores máximos para refeições, oferecidas no âmbito do Programa de Alimentação do Trabalhador, fixados através da Portaria Interministerial MTB/MF/MS nº 326/77, da Instrução Normativa SRF nº 143/86, e posteriormente, da Instrução Normativa SRF nº 267, de 23 de dezembro de 2002. PAT. Exclusão do Lucro Líquido versus Dedução do Imposto Devido. Mantémse a exigência do adicional do IRPJ, por haver a contribuinte descumprido as determinações regulamentares quanto à forma de fruição do benefício, que deveria ter sido efetivada mediante dedução do IRPJ devido, e não de exclusão do lucro líquido para fins de determinação do lucro real, o que afetou indevidamente a base de cálculo do adicional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008 Tratados Internacionais para Evitar a Bitributação. Aplicabilidade à CSLL. Para serem aplicadas à CSLL, as regras decorrentes dos Acordos para Evitar a Dupla Tributação em Matéria de Imposto sobre a Renda devem conter previsão expressa em seu texto. PAT. Exclusão Indevida. Falta de Comprovação. Cancelase a exigência diante da falta de suporte documental nos autos para a acusação de exclusão indevida da base de cálculo da CSLL das despesas incorridas no âmbito do PAT. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Nesse seguir, o contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 3.357 e seg.), em face do qual foi proferida a decisão ora recorrida, que restou assim ementada (efls. 3.440 e seg.): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 RECURSO DE OFÍCIO. IN SRF Nº 267/2002. INAPLICÁVEL. Tem força vinculante para este Colegiado as conclusões do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2623/2008, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, em razão do disposto no art. 13 combinado com o art. 42 da Lei Complementar nº 73/93. Com base no PGFN/CRJ/Nº 2623/2008, este Colegiado está obrigado a afastar a aplicação da Instrução Normativa SRF nº 267/ 2002. RECURSO VOLUNTÁRIO. O Decreto nº 5/91 apenas trouxe uma forma alternativa de se chegar ao desideratum da Lei por ele regulamentada, razão pela qual nem o Decreto é ilegal nem a contribuinte estava impedida de optar pelo aproveitamento do incentivo fiscal do PAT na forma como previsto no art. 1º da Lei 6.321/76. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008 RECURSO DE OFÍCIO. PAT. EXCLUSÃO INDEVIDA Os documentos acostados aos autos não demonstram que houve exclusão indevida do lucro líquido, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, nos anoscalendário de 2007 e 2008, a título de despesas com o Programa de Fl. 3594DF CARF MF Processo nº 19515.721533/201207 Acórdão n.º 9101002.598 CSRFT1 Fl. 3.595 4 Alimentação do Trabalhador PAT, razão pela deve ser cancelado o lançamento nesse item. RECURSO VOLUNTÁRIO. CSLL. ADTs BRASILESPANHA E BRASIL ÁUSTRIA. INAPLICÁVEIS. Nada impede que a CSLL passe a ser incluída no rol dos tributos visados nos ADTs em tela, mas, para tanto, há necessidade que o Estado Brasileiro notifique o outro país signatário, pois os ADTs celebrados anteriormente à instituição da CSLL não poderiam lhe ser aplicados automaticamente, sem que as partes anuíssem com tal inclusão da CSLL. A PFN interpôs, então, recurso especial (efls. 3.458 e seg.), o qual foi integralmente admitido por despacho (efls. 3.466 e seg.). Em apertada síntese, sustenta a PFN que: O Decreto nº 5/91 traz forma alternativa de se cumprir o objetivo da Lei nº 6.321/76, motivo pelo qual ele não seria ilegal; Outras Turmas do CARF entenderam que se deve seguir exclusivamente os cálculos do benefício fiscal do PAT previstos pelo Decreto nº 5/91 (acórdão 910100.147 e acórdão 9101 00.335); O referido Decreto foi editado com o objetivo de “operacionalizar o cálculo do limite legal sobre o lucro tributável”. A contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (efls. 3.567 e seg.), arguindo, em apertada síntese, que: O Decreto nº 5/91 contraria a lei que ele busca regulamentar, pois a Lei nº 6.321/76 “permite a dedução do Lucro Tributável”; O contribuinte não teria efetuado qualquer dedução do adicional do Imposto de Renda, mas sim observado os ditames legais. Destacase que o contribuinte não se opôs, em suas contrarrazões, à admissibilidade do recurso especial interposto pela PFN. O contribuinte também interpôs recurso especial (efls. 3.481 e seg.), o qual foi integralmente admitido por despacho (efls. 3.578 e seg.), quanto à abrangência dos tratados internacionais para evitar a bitributação em relação à CSLL. Em apertada síntese, sustenta o contribuinte que: O art. 11 da Lei nº 13.102/2015 busca uniformizar a interpretação dos tratados internacionais para evitar bitributação, prescrevendo a abrangência não apenas do IRPJ, mas também da CSLL. Por ser regra expressamente interpretativa, ela possuiria efeito retroativos, conforme art. 106, I, do CTN. Desta forma, encerrarseia a discussão sobre a incidência da CSLL no presente caso; Com a edição da referida lei, tornarseia indiferente o fato do Brasil ter, ou não, informado os signatários dos acordos sobre a instituição da CSLL; A destinação do produto arrecadado seria indiferente para definição da semelhança dos tributos que incidem sobre a renda, os quais são abarcados pelos acordos para evitar a dupla Fl. 3595DF CARF MF Processo nº 19515.721533/201207 Acórdão n.º 9101002.598 CSRFT1 Fl. 3.596 5 tributação. Assim, tanto o IRPJ como a CSLL estariam abrangidos pelos acordos com a Espanha e com a Áustria. A PFN apresentou contrarrazões ao recurso especial (efls. 3.587 e seg.), arguindo, em apertada síntese, que: O recurso especial do contribuinte não deveria ser conhecido, pois não teria indicado as disposições normativas interpretadas de forma divergente pelo acórdão recorrido; O Brasil não teria notificado a Espanha e a Áustria sobre a criação de novo tributo (CSLL), conforme determinaria os acordos internacionais celebrados; O contribuinte não teria trazido prova do alegado com relação à alegação de que aqueles países já considerariam o crédito da CSLL recolhida; O Brasil teria realizado ressalva ao art. 2º, parágrafo 2º, da Convenção Modelo da OCDE, no sentido de não alargar o conceito de imposto de renda; Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, o relator. CONHECIMENTO O recurso da PFN busca a reforma do acórdão recorrido, de forma que seja realizada a glosa das deduções realizadas pelo contribuinte em decorrência do aproveitamento do Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Por sua vez, o recurso do contribuinte busca reformar o acórdão recorrido, de forma que seja reconhecida a abrangência da CSLL pelos tratados de bitributação. Compreendo que ambos os recursos são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, de forma que devem ser conhecidos, não merecendo reparos o despacho de admissibilidade. Notese que, em relação ao recurso do contribuinte, a PFN alegou, em suas contrarrazões, que não teria sido cumprido o art. 67, §1, do RICARF, pois não teria sido demonstrado, de forma objetiva, qual a legislação interpretada de forma divergente. Contudo, não lhe assiste razão. O contribuinte aponta, de forma clara e objetiva, tratarse de divergência de interpretação quanto à extensão do art. 2o dos acordos de bitributação celebrados pelo Brasil com a Áustria e a Espanha. Voto, portanto, para conhecer os recursos especiais da PFN e do contribuinte. MÉRITO 1. Recurso especial do contribuinte: o escopo dos acordos de bitributação e a CSLL. A Lei n. 13.202, de 8.12.2015, prescreve: Fl. 3596DF CARF MF Processo nº 19515.721533/201207 Acórdão n.º 9101002.598 CSRFT1 Fl. 3.597 6 Art. 11. Para efeito de interpretação, os acordos e convenções internacionais celebrados pelo Governo da República Federativa do Brasil para evitar dupla tributação da renda abrangem a CSLL. Parágrafo único. O disposto no caput alcança igualmente os acordos em forma simplificada firmados com base no disposto no art. 30 do DecretoLei no 5.844, de 23 de setembro de 1943. Aplicase ao referido enunciado legal o art. 106 do CTN, que assim dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Desse modo, é necessário reconhecer que a CSLL encontrase indubitavelmente incluída no escopo dos acordos de dupla tributação celebrados pelo Brasil, independentemente do outro país contratante ou do período em que houver sido celebrado o acordo, tendo em vista a eficácia retroativa do art. 11 da Lei n. 13.202/2015. Voto, portanto, pelo PROVIMENTO do recurso especial do contribuinte. 2. Recurso especial da PFN: dedutibilidade de despesas com Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). A Lei n. 6.321/76 instituiu o benefício fiscal do Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT: Art. 1º As pessoas jurídicas poderão deduzir, do lucro tributável para fins do imposto sobre a renda o dobro das despesas comprovadamente realizadas no período base, em programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho na forma em que dispuser o Regulamento desta Lei. Por sua vez, o art. 1º, § 2º, do Decreto n. 5/91 assim tratou da matéria: Art. 1° A pessoa jurídica poderá deduzir, do Imposto de Renda devido, valor equivalente à aplicação da alíquota cabível do Imposto de Renda sobre a soma das despesas de custeio realizadas, no períodobase, em Programas de Alimentação do Trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social MTPS, nos termos deste regulamento. (...) § 2º A dedução do Imposto de Renda estará limitada a 5% (cinco por cento) do imposto devido em cada exercício, podendo o eventual excesso ser transferido para dedução nos 2 (dois) exercícios subseqüentes. Nesse contexto, sustenta o contribuinte que o aludido Decreto teria excedido o seu poder regulamentar, com a restrição do benefício fiscal estatuído por decisão expressa do legislador. Tratarseia, portanto, de limitação ofensiva ao princípio da legalidade em matéria tributária. Contudo, ainda que a tese sustentada pelo contribuinte possa ser coerente, o provimento de seu pedido exige que seja afastado o conteúdo de Decreto por ofensa ao princípio da legalidade tributária. Ocorre que o art. 62 do RICARF exclui da competência dos Fl. 3597DF CARF MF Processo nº 19515.721533/201207 Acórdão n.º 9101002.598 CSRFT1 Fl. 3.598 7 julgadores deste Tribunal afastar a aplicação do aludido Decreto, editado pelo Presidente da República. Na ausência de alguma das normas referidas pelo § 1º do art. 62 do RICARF, a competência para julgar, no caso concreto, a ofensa do referido Decreto ao princípio da legalidade. Voto, portanto, para DAR PROVIMENTO aos recursos do contribuinte e da PFN. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Declaração de Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Acompanhei o relator pelas conclusões porque, em acórdão de minha relatoria, esta 1ª Turma da CSRF, de forma unânime, concluiu que o conflito entre o Decreto nº 5, de 1991, e o art. 1º da Lei nº 6.321, de 1976, é apenas aparente, uma vez que o Decreto não extrapola os limites da lei mas regulamenta sua disposição. Confirase a ementa do julgado (acórdão nº 910100.335, de 25 de agosto de 2009), o qual é, aliás, um dos paradigmas trazidos pela Fazenda Nacional no presente recurso especial: PAT. CONFLITO APARENTE DE NORMAS. LEI N° 6.321/76 E DECRETO N° 5/91. Existe um conflito aparente entre o disposto do art. 1° do Decreto n° 5/91 e o art. 1° da Lei n° 6.321/76, que se resolve quando se verifica a impossibilidade de se auferir o limite de que trata o parágrafo 10 do art. 1° da Lei, se exclusão da base de cálculo fosse. Corrobora tal entendimento, a impossibilidade legal de redução do adicional do imposto de renda. Entendeuse nesse julgado que "interpretar o art. 1° da Lei como uma exclusão da base de cálculo, é conferir um tratamento cíclico para auferição do limite de que trata o parágrafo primeiro da lei, pois significaria dizer que a dedução é do lucro mas o limite é de 5% desse lucro, que por sua vez é deduzido dessa dedução". Assim, não é possível auferir o limite de que trata o § 1° do art. 1° da Lei, como se exclusão da base de cálculo fosse. Transcrevo o art. 1º da Lei e do Decreto: Lei nº 6.321, de 1976: Art. 1°. As pessoas jurídicas poderão deduzir, do lucro tributável para fins do imposto sobre a renda, o dobro das despesas comprovadamente realizadas no período base, em programas de alimentação do trabalhador, previamente Fl. 3598DF CARF MF Processo nº 19515.721533/201207 Acórdão n.º 9101002.598 CSRFT1 Fl. 3.599 8 aprovados pelo Ministério do Trabalho na forma em que dispuser o regulamento desta Lei. §1° A dedução a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder em cada exercício financeiro, isoladamente, a 5% (cinco por cento) e cumulativamente com a dedução de que trata a Lei n° 6.297, de 15 de dezembro de 1975, a 10% (dez por cento) do lucro tributável. Decreto n° 5, de 1991: Art. 1° A pessoa jurídica poderá deduzir, do imposto de renda devido, valor equivalente à aplicação da alíquota cabível do imposto de renda sobre a soma das despesas de custeio realizadas, no períodobase, em Programas de Alimentação do Trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social MTPS, nos termos deste regulamento. § 1° As despesas realizadas durante o períodobase da pessoa jurídica, além de constituírem custo operacional, poderão ser consideradas em igual montante para o fim previsto neste artigo. § 2°A dedução do imposto de renda estará limitada a 5% (cinco por cento) do lucro tributável em cada exercício, podendo o eventual excesso ser transferido para a dedução nos 2 (dois) exercícios subseqüentes. A corroborar tal entendimento, o julgado em questão também assinala a impossibilidade legal de redução do adicional do imposto de renda, trazendo a posição externada pelo Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior no acórdão n° 10807.564. Confira se: Além disso, há ainda um argumento jurídico, muito bem observado pelo Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior no acórdão n° 108 — 07.564, trazido não só pela Procuradoria da Fazenda Nacional, como pela decisão de primeira instância, segundo o qual, por força do DecretoLei n° 1.704, de 1979, e demais atos legais que regulamentaram o adicional do imposto de renda, o referido adicional tern como característica a sua irredutibilidade e, para se garantir que esta ocorra, a única interpretação possível ao art. 1° da Lei n° 6.321/76 é a que confere que a despesa com o PAT é dedutível do imposto de renda, tal como preconizado no Decreto n° 5/91, pois, de outra forma, ou seja, se tratasse de uma exclusão da base de cálculo, teria o efeito de reduzir também o adicional devido. Vale assinalar, por outro lado, que no outro paradigma trazido pela Fazenda, esta 1ª Turma da CSRF também decidiu no sentido de manter os limites nos termos da regulamentação trazida pelo Decreto n° 5, de 1991, muito embora ali o argumento tenha sido a aplicação da Súmula nº 2 do 1º CC ("o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária"). Confirase a ementa do julgado (acórdão nº 9101 00.147, de 15 de junho de 2009, Relator Antonio Carlos Guidoni Filho): Fl. 3599DF CARF MF Processo nº 19515.721533/201207 Acórdão n.º 9101002.598 CSRFT1 Fl. 3.600 9 Por essas razões, dei provimento ao Recurso Especial da Fazenda pelos fundamentos acima expostos e acompanhei o relator no tocante ao Recurso Especial do Contribuinte. (assinatura digital) Adriana Gomes Rêgo. Fl. 3600DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.003479/2002-63
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
RETROATIVIDADE BENIGNA
O art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, restringiu as hipóteses de aplicação da multa de que tratava o art. 90 da MP Nº 2.158, de 2001. Se à luz da nova legislação a hipótese não é mais passível de multa de ofício, opera-se a retroatividade benigna em favor do contribuinte.
Numero da decisão: 9101-002.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), André Mendes de Moura e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rego.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), André Mendes de Moura e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rego. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO INTERCAP S/A ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 RETROATIVIDADE BENIGNA O art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, restringiu as hipóteses de aplicação da multa de que tratava o art. 90 da MP Nº 2.158, de 2001. Se à luz da nova legislação a hipótese não é mais passível de multa de ofício, operase a retroatividade benigna em favor do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), André Mendes de Moura e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rego. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego – Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 34 79 /2 00 2- 63 Fl. 361DF CARF MF Processo nº 16327.003479/200263 Acórdão n.º 9101002.563 CSRFT1 Fl. 3 2 Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente ao afastamento da multa de ofício que estava sendo exigida juntamente com tributo lançado com base no art. 90 da MP nº 2.15835/2001. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 1102451, de 26/05/2011, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de excluir a multa de ofício que incidia sobre o débito de IRPJ apurado no ajuste anual referente ao anocalendário de 1998. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva transcritas abaixo: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 1998 Ementa: LANÇAMENTO DE OFICIO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA DE OFICIO. Aplicase retroativamente o art. 18 da Lei n° l0.833, de 29 de dezembro de 2003, que, em irregularidades decorrentes de compensação indevida, limita o auto de infração à imposição de multa de oficio isolada e apenas nos casos nele previstos. Não se enquadrando nessas hipóteses, a multa deve ser exonerada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir a multa de oficio. A Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto acompanhou pelas conclusões. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quando afastou a multa de ofício que estava sendo exigida juntamente com tributo lançado com base no art. 90 da MP nº 2.15835/2001. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: tratase de auto de infração lavrado para a exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e consectários legais por não terem sido confirmados os créditos vinculados em DCTF; Fl. 362DF CARF MF Processo nº 16327.003479/200263 Acórdão n.º 9101002.563 CSRFT1 Fl. 4 3 o valor original do débito corresponde ao IRPJ referente ao anocalendário de 1998, que o sujeito passivo teria quitado mediante compensação com créditos de terceiros cuja liquidez e certeza restaram incomprovados; a Segunda Turma da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial à insurgência do contribuinte para cancelar a multa de oficio, em face de suposta retroatividade benigna encartada no art. 18 da Lei nº 10.833/2003; DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL POR DIVERGÊNCIA o entendimento adotado pela e. Câmara a quo diverge frontalmente do consubstanciado nos Acórdãos paradigmas nºs 20402.808 e 20309.707; entendeu o colegiado a quo que é indevida a multa de ofício sobre débitos declarados em DCTF ainda que não confirmados os créditos vinculados em face de suposta retroatividade benigna prevista no art. 18 da Lei 10.833/03; em contraponto, no Acórdão nº 20402.808, a Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, decidiu em direção oposta. O Colegiado firmou orientação no sentido de ser inaplicável a suposta retroatividade benigna do art. 18 da Lei 10.833/2003, pois havendo lançamento de ofício, com formalização de auto de infração, temse, como consectário lógico, a cobrança do tributo e da multa de oficio: Acórdão nº 20402.808 COFINS/PIS. MULTA DE OFÍCIO ART. 90 MP 2.15835 ART. 18, LEI 10.833. A redação do artigo 18 da Lei 10.833 não excluiu a multa de ofício quando o lançamento desta natureza tenha como causa a ilegitimidade da compensação (artigo 90 da MP 2.15835), mas sim que, nas hipóteses graves arroladas pela norma, o lançamento será da multa isolada, sendo então indevido o lançamento de ofício do principal. Recurso de ofício provido. noutro giro, o julgado hostilizado também diverge da interpretação conferida pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes no tocante à necessidade de aplicação da multa, em situação fática similar a dos presentes autos. Enquanto o acórdão recorrido entendeu ser indevida a multa de ofício, no acórdão paradigma decidiuse que, na hipótese de valores para os quais foram vinculados créditos indevidos, informados em DCTF, resultando em saldo a pagar zero, é imprescindível o lançamento do tributo devido, acompanhado da multa de oficio respectiva: Acórdão nº 20309.707 IPI. DCTF. DÉBITOS INFORMADOS COM VINCULADO DE CRÉDITOS INDEVIDOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. Nem todos as valores informados em DCTF constituem confissão de dívida. Nos termos da IN SRF nºs 45/98 e 126/98, somente os valores dos saldos a pagar de tributos informados em DCTF é que são confessados, não carecendo de lançamentos de ofício para serem cobrados. Diferentemente, valores para os quais foram vinculados créditos indevidos, de forma a resultar em saldos a pagar nulos, necessitam de lançamentos de ofício, ACOMPANHADOS DA MULTA DE OFÍCIO Fl. 363DF CARF MF Processo nº 16327.003479/200263 Acórdão n.º 9101002.563 CSRFT1 Fl. 5 4 (Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, Recurso Voluntário n.” 125167, Terceira Câmara, Relatora Maria Tereza Martinez López, Acórdão nº 920309707). de forma semelhante à situação do acórdão paradigmático, na hipótese dos autos, a DCTF apresentada contém saldo a pagar zero, eis que o contribuinte vinculou ao débito apurado créditos cuja existência não restou comprovada; nesse contexto, partindose da interpretação adotada pelo julgado paradigmático (Acórdão nº 20309707), face à inexistência de débitos confessados, o que impossibilitou a cobrança imediata do tributo devido, o lançamento do crédito tributário se fez necessário e, por conseqüência, deve ser acompanhado da respectiva multa de ofício (art. 44, inciso I, Lei nº 9.430/96); assim, demonstrada a divergência quanto à correta interpretação da legislação tributária aplicável à espécie e considerando que os julgados paradigmas não foram reformados pela Câmara Superior, o presente especial deve ser conhecido; DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO EM DECORRÊNCIA DA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO DEVIDO sobreleva notar, na esteira dos votos proferidos nos acórdãos paradigmas, que o caso dos autos está abarcado, em verdade, pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430/96; resta evidente que o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que, quando constatada a falta de pagamento ou recolhimento do tributo, será exigida a multa de 75% no lançamento de oficio, e não há previsão legal para a autoridade fiscal dispensar a imposição dessa multa; vejase que o fundamento tático para lançamento da multa de oficio é a declaração inexata e a falta de pagamento. O fato de o contribuinte ter informado os valores em DCTF, e repitase que no caso presente não existe confissão de divida haja vista o saldo a pagar ser igual a zero, não o exime da aplicação da penalidade quando devidamente comprovado que apresentou declaração inexata e não recolheu na integralidade o tributo devido; tendo ocorrido declaração inexata, recolhimento insuficiente do tributo e uma compensação inválida em virtude da qual se deixou de recolher IRPJ, a exação deve ser lançada de oficio, com acréscimo da multa prevista no art. 44, inc. I, da Lei 9.430/96; DA AUSÊNCIA DE RETROATIVIDADE BENIGNA em face do que estatui o art. 106 do Código Tributário Nacional, calha registrar que apenas existe retroatividade benigna nas hipóteses em que a lei nova: a) deixa de definir o ato como infração; b) deixa de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão c) comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática; transpondo a referida lição para o caso em testilha, importa que se detalhe a evolução legislativa do instituto da compensação, a fim de se estabelecer se, em algum momento, houve a retroatividade benigna defendida; Fl. 364DF CARF MF Processo nº 16327.003479/200263 Acórdão n.º 9101002.563 CSRFT1 Fl. 6 5 cotejando o panorama dos autos, é possível verificar que o fundamento da multa de oficio ora aplicada, na realidade, é o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96; o r. acórdão recorrido entendeu por afastar a multa de ofício do lançamento por concluir que, após o advento do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, não mais teria subsistido a hipótese de incidência da referida penalidade; o acórdão recorrido incorre em equívoco manifesto ao pressupor a retroatividade benéfica do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, tendo em vista que a situação prevista no referido dispositivo de lei não é a mesma que fundamentou a exigência da multa de ofício no presente caso; sabese que o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 foi introduzido no ordenamento jurídico para complementar a sistemática criada pela Lei nº 10.637/2002, que, mediante alteração do art. 74 da Lei nº 9.430/96, instituiu a Declaração de Compensação DCOMP, permitindo ao contribuinte efetuar a compensação de crédito relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria de Receita Federal SRF com débitos próprios de mesma natureza, sob condição resolutória de posterior homologação pela autoridade administrativa competente, substituindo assim o regime anterior, no qual a compensação só se efetivava depois de deferido requerimento apresentado pelo contribuinte perante a repartição pública respectiva; diante de tais alterações, foi editada a Lei de nº 10.833/2003, que acrescentou novos dispositivos ao art. 74 da Lei n° 9.430/96, atribuindo à DCOMP a natureza de instrumento de confissão de dívida, fixando prazo para a sua homologação pelo Fisco e disciplinando o procedimento e os efeitos para o caso da nãohomologação da compensação declarada, como também no caput do seu art. 18 autorizou o lançamento da multa de oficio isolada quando fosse o caso de compensação indevida; posteriormente, a Lei nº 11.051/2004 estabeleceu regime diferenciado para as compensações ditas "nãohomologadas” e "nãodeclaradas”, pelo que restringiu o cabimento da multa isolada prevista no caput do art. 18 agora para os casos de compensação “não homologada”, em que tenha ficado caracterizada a prática das infrações dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964; recentemente, a Lei nº 11.488/2007 alterou o caput do dispositivo apontado, prevendo o cabimento da multa isolada aos casos de compensação "nãohomologada” quando se comprove falsidade da declaração do contribuinte; a sistemática introduzida pelas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 e posteriores alterações, ao considerar a DCOMP como verdadeira confissão de dívida, previu, em relação à compensação “nãohomologada”, o lançamento da multa de oficio, de forma isolada e desde que configurada a infração do contribuinte, dado que o principal declarado em DCOMP, nesses casos, pode ser imediatamente exigido do devedor respectivo, prescindindo de lançamento, conforme autoriza o §6º do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Assim, nos casos de compensação indevida, enquanto a nova sistemática previu a imposição de multa isolada, já que prescindível o lançamento do principal, a anterior previa a exigência de multa juntamente com o principal lançado; a hipótese dos autos não se subsume à contemplada pelo art. 74 da lei nº 9.430/96 após as alterações da MP nº 135/2003, atual Lei nº 10.833/2003; Fl. 365DF CARF MF Processo nº 16327.003479/200263 Acórdão n.º 9101002.563 CSRFT1 Fl. 7 6 o auto de infração foi lavrado por não terem sido confirmados os créditos vinculados em DCTF, com a conseqüente constatação de insuficiência de recolhimento do IRPJ, pelo que foram levados à autuação valores do principal, juros de mora e multa de oficio. A autuação teve como base o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96; o novo regime instaurado pela Lei nº 10.833/2003, que atribuiu à DCOMP os efeitos de confissão de dívida, somente passou a viger a partir de 30/10/2003. Dessa maneira, só a partir de 30/10/2003, quando não homologada a DCOMP apresentada após essa data, é que se tornou possível a cobrança imediata do principal, ao mesmo tempo em que se previu o lançamento da multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº 10.833/2003, acaso configurados os seus pressupostos; no presente Caso, primeiramente, há que se fazer a ressalva de que a autuação decorreu da não confirmação de créditos vinculados em DCTF, declarados pela contribuinte antes mesmo da vigência da Lei nº 10.637/2002, que instituiu a própria DCOMP. Em hipóteses tais, exigese, como efetivamente foi feito, o lançamento do principal, acrescido da multa de ofício, que tem por fundamento o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96; assim sendo, não há que se falar em incidência do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 no caso em alusão, porquanto não há DCOMP apresentada pela contribuinte com efeito de confissão de divida, pressuposto imprescindível para incidência do referido dispositivo, pelo que o lançamento da multa se faz perfeitamente possível com base no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96; no caso em comento, os requerimentos de compensação apresentados pela contribuinte não produzem os efeitos de confissão de dívida de que trata o §6º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, nem tampouco ocasionam o lançamento da multa isolada do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, tanto é que a referida autuação contemplou o valor do tributo devido, acrescido dos juros de mora e multa de oficio correspondente, tudo de acordo com a autorização do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96; em todo caso, é de se verificar que, tendo havido a autuação do principal e juros, que, inclusive, restou mantida nesse particular pela decisão recorrida, não há como se furtar à aplicação da multa de ofício, dado que aquela pressupõe esta, especialmente quando se constata declaração indevida e falta de recolhimento de tributo; no mais, é preciso realizar interpretação sistemática do art. 74 da Lei nº 9.430/96 com o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 para entender o caráter manifesto de norma especial destes dispositivos, que só contempla as situações de DCOMP "nãohomologada”, surgidas após a edição da Lei nº 10.833/2003. Nos demais casos, especialmente de requerimentos de compensação indeferidos que tenham sido apresentados antes da edição das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, conforme já se salientou, a multa de ofício sempre foi e continuará sendo devida, e seu fundamento é o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Sendo assim, não há que se falar em retroatividade benigna; PEDIDO em face do exposto, tendo em vista os dissídios jurisprudenciais apontados, requer a União (Fazenda Nacional) seja admitido o presente recurso, pugnando para que, no mérito, lhe seja dado provimento, reconhecendose que não houve retroatividade benigna e fazendose incidir, na hipótese, a multa de ofício prevista no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430/96. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 16327.003479/200263 Acórdão n.º 9101002.563 CSRFT1 Fl. 8 7 Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 17/04/2015, admitiu o recurso especial com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] No Acórdão n° 20402.808, conforme destacado pela recorrente, o Colegiado “firmou orientação no sentido de ser inaplicável a suposta retroatividade benigna do art. 18 da Lei 10.833/2003, pois havendo lançamento de ofício, com formalização de auto de infração, temse, como consectário lógico, a cobrança do tributo e da multa de oficio.” De fato, a análise do inteiro teor do acórdão confirma a assertiva da recorrente. No caso, a Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso de ofício, restabelecendo a multa de ofício que havia sido exonerada pela decisão de primeira instância pelos mesmos fundamentos, em síntese, utilizados no acórdão ora recorrido (110200.451). [...] No Acórdão n° 20309.707, conforme destacado pela recorrente, a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes decidiu “que, na hipótese de valores para os quais foram vinculados créditos indevidos, informados em DCTF, resultando em saldo a pagar zero, é imprescindível o lançamento do tributo devido. acompanhado da multa de oficio respectiva.” [...] A divergência, portanto, encontrase plenamente demonstrada pela recorrente. Enquanto o acórdão recorrido excluiu a multa de ofício na situação em que o lançamento de ofício decorreu da constatação de compensação indevida, nos termos do art. 90 da MP nº 2.15835/2001, por força do comando contido no art. 18 da Lei 10.833/03 (interpretado como norma de retroatividade benigna), os paradigmas, diante da mesma situação fática e arcabouço legal, adotaram entendimento diametralmente oposto, defendendo a manutenção da multa aplicada. Em 22/05/2015 (sextafeira), a contribuinte foi cientificada do Acórdão nº 1102451, do recurso especial da PGFN e do despacho que admitiu esse recurso, e em 08/06/2015 (segundafeira) ela apresentou tempestivamente suas contrarrazões, com os argumentos descritos a seguir: PRELIMINARMENTE DO EQUIVOCADO ENTENDIMENTO MANIFESTADO NO DESPACHO DE ADMISSÃO DO RECURSO ESPECIAL DA AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL é essencial elucidar a extensão da matéria a ser objeto do suposto dissídio jurisprudencial trazido pela Recorrente e a ser enfrentada por esta E. Câmara Superior, haja vista fazer parecer que a ora Recorrida teria se utilizado de crédito de terceiro indevidamente, o Fl. 367DF CARF MF Processo nº 16327.003479/200263 Acórdão n.º 9101002.563 CSRFT1 Fl. 9 8 que não corresponde à verdade dos fatos, vez que quando apresentou sua compensação a utilização de crédito de terceiro não encontrava qualquer embaraço na legislação pátria; a recorrida não se utilizou de crédito indevido, não prestou declaração falsa e tampouco o crédito utilizado, ainda que de terceiros, estava desautorizado pela legislação, donde se pode concluir ser indevida a multa de ofício, em razão da aplicação do art. 106 do CTN; com a devida vênia ao entendimento do despacho de admissão, a Recorrente não demonstrou o suposto dissídio jurisprudencial; a divergência não é patente, na medida em que não houve a indicação no recurso ora contraarrazoado das semelhanças e divergências das situações fáticas que culminaram com decisões distintas; o primeiro paradigma afasta a retroatividade benigna quando ilegítima a compensação, o que difere do presente caso, quando a compensação realizada era permitida pela legislação e apenas não se consumou porque foi erroneamente aplicada a decadência ao crédito requerido; o segundo paradigma, por sua vez, simplesmente não trata da aplicação do instituto da retroatividade benigna ao contribuinte; o primeiro acórdão sequer poderia ter sido utilizado como paradigma haja vista esta E. Câmara Superior ter decisão em sentido oposto, não atendendo, portanto, o previsto no § 10 do art. 67 do RICARF; não se presta o Acórdão n° 20402.808 a servir de paradigma apto a basear um recurso especial de divergência, na medida em que divergiu de acórdão proferido por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 33010313); o segundo acórdão dissidente informa que nem todos os débitos declarados em DCTF representam confissão de dívida, mas apenas os valores dos saldos a pagar teriam esta característica, o que imporia a necessidade do lançamento com a conseqüente culminação da multa de ofício; merece destaque o fato de no segundo paradigma (203011.707) nem o artigo 18 da Lei n° 10.833/03, nem a aplicação da retroatividade benigna, sequer serem objeto de análise, restringindose o referido acórdão, proferido por maioria, a imputar multa de ofício sobre valores declarados em DCTF; não se discute neste paradigma a retroatividade benigna encartada no art. 18 da Lei n° 10.833/03, a discussão, ainda que envolva a legalidade da imputação da multa de ofício em valores regularmente declarados em DCTF, não traz em nenhuma linha esta questão e sobre a qual deveria tratar o acórdão paradigma. Logo, não poderia a Recorrente, de fato, proceder ao cotejo analítico entre ele e o v. acórdão recorrido, porque tratam matérias diversas; portanto, não atendida a similitude fática necessária e indispensável para fundamentar um recurso por divergência jurisprudencial. Fato este, aliás, que também foi ignorado pelo r. despacho de admissão; Fl. 368DF CARF MF Processo nº 16327.003479/200263 Acórdão n.º 9101002.563 CSRFT1 Fl. 10 9 o § 6º do art. 67 do RICARF é expresso ao determinar que a divergência deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido, obrigação esta da qual não se desincumbiu a Recorrente, vez que no primeiro paradigma tal análise não foi realizada; e no segundo, ela não poderia ser realizada, por não versar sobre a mesma matéria objeto do acórdão recorrido; convém destacar que a Recorrida declarou como saldo a pagar o valor total da DCTF, o que retira, por completo, o interesse da autoridade fiscal de realizar o presente lançamento. Bastaria inscrever os valores cuja compensação não ocorreu, sem aumentar indevidamente a dívida da Recorrida; não bastassem estas arbitrariedades, o art. 18 da Lei n° 10.833/2003 é cristalino ao informar que no lançamento de tributo decorrente de compensação realizada aplicarseia apenas a multa isolada se baseada em declaração falsa do contribuinte ou em ato fraudulento, ou ainda se a lei vedasse a utilização de débito ou crédito, materialidades estas que não se adequam ao presente caso, razão que impediria inclusive a imputação da multa isolada; cabe ainda ressaltar que o afastamento da multa de ofício é entendimento pacificado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sendo o primeiro paradigma de 2008, manifestando entendimento já superado por esta E. Câmara Superior; outro aspecto regimental desconsiderado pela Fazenda Nacional não observado pelo despacho de admissão está no fato de não ter sido comprovado pela Recorrente que a matéria objeto dos paradigmas não foi superada por esta E. Câmara Superior, o que também é expressamente exigido pelo RICARF; cabe ressaltar quanto a este aspecto específico que a Recorrente também não conseguiria atender ao requisito regimental, haja vista essa E. Câmara Superior ter decisões no sentido de aplicarse a retroatividade benigna para excluir a multa de ofício (Acórdão nº 9101001.557); desta forma, ainda que em cognição sumária, não se encontram preenchidos os requisitos para admissão, conhecimento e eventual provimento do recurso especial, previstos pelo RICARF, razão pela qual não merecia o referido recurso sequer ser admitido; DA AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO ANALÍTICA DO ALEGADO DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL exigem os §§ 4º e 6º do artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria n° 256, de 22.06.2009), para que o recurso especial seja admitido e conhecido, que o Recorrente demonstre analiticamente o dissídio jurisprudencial alegado, ou seja, não basta indicar as ementas divergentes, deve também demonstrar a similitude fática e indicar os pontos dos acórdãos paradigmas que divergem do acórdão recorrido; a Recorrente restringiuse a alegar que os acórdãos paradigmas decidiram em direção oposta ao sustentado na decisão recorrida; vejase que o primeiro paradigma (20402.808) conflita com decidido por esta E. Câmara Superior, no Acórdão n° 3301001.662, que determina aplicação da retroação Fl. 369DF CARF MF Processo nº 16327.003479/200263 Acórdão n.º 9101002.563 CSRFT1 Fl. 11 10 benigna para afastar aplicação de penalidade menos gravosa ao contribuinte. Logo, não restou atendida a exigência do RICARF acerca da aplicação de lei mais benéfica ao contribuinte quanto a penalidades; a Procuradoria da Fazenda Nacional apenas citou o que havia sido decidido pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes e o que havia sido decidido no acórdão recorrido, sem realizar qualquer cotejo entre estes e aquele; é de absoluta importância a demonstração da divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas, não podendo ser afastada tal exigência, haja vista tratarse o recurso interposto pela Recorrente de recurso especial de divergência; a essencialidade deste cotejo analítico já está assentada na jurisprudência desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se verifica nas ementas a seguir reproduzidas (ementas transcritas); cabe, ainda, registrar que a Recorrente não comprovou que os acórdãos paradigmas não sofreram modificação posterior nesta E. Câmara Superior, outro requisito indispensável à demonstração do eventual dissídio e previsto no RICARF; outro aspecto que fulmina a pretensão da Recorrente está no fato de o segundo paradigma (20309707) não abordar a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 18 da Lei n° 10.833/03, motivo pelo qual seria impossível realizar o cotejo analítico com o acórdão recorrido; comprovado, então, que a ora Recorrente não realizou o cotejo analítico exigido pelo Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, demonstrando o dissídio jurisprudencial entre os fundamentos do acórdão recorrido e dos acórdãos paradigmas que basearam seu recurso, bem como não comprovou que os acórdãos paradigmas não foram posteriormente alterados, não merece ser a peça recursal conhecida, haja vista o flagrante desacato aos §§ 4° e 10 do art. 67, do Regimento Interno deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; DAS RAZÕES PARA A MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. a Fazenda Nacional alega que a multa de ofício deve ser mantida, defendendo que seja aplicado no presente caso o inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, o qual determina aplicação da multa de 75% no lançamento de ofício, quando constatado a falta de pagamento ou recolhimento de contribuição/imposto, não devendo ser aplicado o artigo 18 da Lei n° 10.833/2003 a fatos pretéritos à sua publicação; é totalmente equivocado este entendimento, pois não houve falta de pagamento no presente caso, como faz crer a Recorrente. Isto porque o pagamento dos débitos da Recorrida, no período base de 1998, foi realizado por meio do pedido de compensação formulado nos autos do Processo Administrativo n° 16327.000372/9942 com crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI da empresa coligada Nova América S/A Agroenergia (atual denominação social de Usina Nova América S.A.), por sua vez discutidos nos autos do Processo Administrativo n° 13826.000412/9883, compensação esta não homologada; Fl. 370DF CARF MF Processo nº 16327.003479/200263 Acórdão n.º 9101002.563 CSRFT1 Fl. 12 11 demais disso, a retroatividade benigna, inserta no art. 106 do CTN, se baseia exatamente na aplicação retroativa de lei que reduziu ou extinguiu penalidade, trazendo tratamento mais benéfico ao contribuinte. Desta forma, absolutamente impertinente tal argumento da Fazenda Nacional; a Recorrida não pode ser penalizada na forma do inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, na medida em que quando do seu pedido de compensação o crédito era passível de ser utilizado por terceiros e o foi regularmente, estando, inclusive, com a sua exigibilidade suspensa à época do presente lançamento; restou amplamente demonstrado que a Recorrida poderia se utilizar de crédito de terceiros para compensar débitos próprios, os quais não foram homologados pelo simples fato de entender a autoridade administrativa que o crédito requerido tinha sido alcançado pela decadência. Assim, quando do presente lançamento nem sequer poderia ter sido imputada qualquer penalidade, considerando que a compensação originária (13826.000412/98 83) ainda pendia de apreciação e teria reflexo direto e imediato sobre a exigência aqui constituída; no decorrer dos anos, o caput do artigo 18 da Lei n° 10.833/03 foi sendo alterado (textos legais transcritos); a redação do caput do referido art. 18, com todas as alterações sofridas, apesar de alterada sua materialidade, restringe a imputação da multa isolada apenas se verificado que a compensação se baseou em declaração falsa, o que não se adequa aos fatos relatados neste processo; ainda que a ora Recorrida tenha tido seu pedido de compensação indeferido, visto que quitou seus débitos com créditos de terceiros cuja liquidez e certeza não foram reconhecidas pela autoridade fiscal, tal conduta, nos termos do artigo 18 da Lei n° 10.833/03, não constitui em infração apenada com multa de ofício, nem com a isolada, a se considerar o princípio da legalidade; obrigatoriamente, há de se aplicar ao presente caso a Lei mais benéfica, em face do princípio da retroatividade benigna, insculpido no artigo 106 do Código Tributário Nacional; o art. 106 do Código Tributário Nacional é plenamente aplicável ao presente caso, visto que, em face das alterações legislativas promovidas no artigo 18 caput da Lei n° 10.833/03, deixouse de caracterizar a conduta praticada pela Recorrida como infração; em face do princípio da retroatividade benigna, previsto no art. 106, inc. II, alínea "a", do CTN, há de se excluir a multa em comento, uma vez que a hipótese de sua incidência em que se fundamenta o lançamento (vedação de utilização de crédito de terceiros) foi afastada pelo art. 18, caput, da Lei n° 10.833/2003 pela Lei n° 11.051/2004; no mesmo sentido, por se tratar de compensação não homologada, e sem a imputação da falsidade de declaração, aplicável a retroatividade benigna conforme a lei que menos penalizou, no período vigente entre o ato de lançamento e o julgamento; pelo exposto, considerando as alterações trazidas pela Lei nº 11.051/2004, e, posteriormente pela Lei n° 11.488/07, à Lei n° 10.833/03, resta clara a necessidade de Fl. 371DF CARF MF Processo nº 16327.003479/200263 Acórdão n.º 9101002.563 CSRFT1 Fl. 13 12 adoção ao caso concreto da retroatividade benigna, prescrita no artigo 106 do Código Tributário Nacional, conforme restou decidido, visto não haver no presente caso nenhuma das situações previstas no atual artigo 18 caput da Lei nº 10.833/03 para que seja mantida a multa de ofício, devendo, dessa forma, o recurso especial da Recorrente ser julgado improcedente. Finalmente, vale registrar que além das contrarrazões ao recurso espacial da PGFN, a contribuinte também apresentou o seu próprio recurso especial contra o Acórdão nº 1102451, suscitando divergência jurisprudencial em relação à aplicação de multa isolada, com o argumento de que não caberia sua incidência nos casos de simples não homologação de compensação. O recurso especial da contribuinte não foi admitido, por absoluta falta de objeto. Verificouse que não foi efetuado qualquer lançamento de multa de ofício isolada, mas apenas de multa de ofício vinculada (art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996), multa essa que, por ter sido exonerada pela decisão recorrida, foi objeto do recurso especial da Fazenda Nacional, já admitido e contraarrazoado, nos termos acima mencionados. A negativa de seguimento do recurso especial da contribuinte foi confirmada, em caráter definitivo, por despacho de reexame de admissibilidade exarado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 16327.003479/200263 Acórdão n.º 9101002.563 CSRFT1 Fl. 14 13 Voto Vencido Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto lançamento para exigência do IRPJ referente ao ajuste anual do anocalendário de 1998, acrescido da multa de ofício de 75% e dos juros de mora. A autuação decorreu da não confirmação das vinculações informadas em DCTF. O sujeito passivo tentou quitar o referido débito mediante compensação com crédito de terceiros, cuja liquidez e certeza restaram incomprovados. Em razão do indeferimento do pedido de compensação, a fiscalização efetuou o lançamento de ofício do referido débito, nos termos do comando contido no art. 90 da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. O acórdão recorrido aplicou retroativamente o art. 18 da Lei n° l0.833/2003, e exonerou a multa de ofício que foi lançada juntamente com o débito. E o recurso especial da Fazenda Nacional objetiva restabelecer a exigência da multa de ofício. PRELIMINARES DE NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO Em sede de contrarrazões, a contribuinte apresenta preliminares de não conhecimento do recurso especial da PGFN, alegando primeiramente que os acórdãos paradigmas não serviriam para a comprovação da alegada divergência jurisprudencial. Quanto a essas preliminares, é importante ressaltar novamente que o lançamento do débito e da multa de ofício se deu nos termos do art. 90 da MP nº 2.158 35/2001, c/c o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996: MP nº 2.15835/2001 Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Lei nº 9.430/1996 (redação original) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 373DF CARF MF Processo nº 16327.003479/200263 Acórdão n.º 9101002.563 CSRFT1 Fl. 15 14 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; No contexto jurídico das normas acima transcritas, não havia nenhuma penalidade específica em função das circunstâncias em que se operava uma determinada compensação. Foi precisamente a Lei nº 10.833/2003 que introduziu a aplicação de multa isolada para alguns tipos de compensação (aquela em que o crédito ou o débito não era passível de compensação por expressa disposição legal; em que o crédito era de natureza não tributária; ou em que ficasse caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964): Lei nº 10.833/2003 (redação original) Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. É importante perceber que antes da Lei nº 10.833/2003, essas distinções pautadas pelo tipo de crédito/débito envolvido no encontro de contas, e também por outras circunstâncias em que se dava a compensação (ocorrência de fraude, p/ ex.), eram irrelevantes. Aliás, à época dos fatos aqui em análise (compensação para quitação de débito do anocalendário de 1998), nem mesmo havia o instrumento jurídico da "declaração de compensação", que surgiu apenas com as alterações promovidas pela Lei nº 10.637/2002 no art. 74 da Lei nº 9.430/1996. O que havia eram "pedidos de compensação", apresentados nos termos da redação original do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, que podiam ser deferidos ou indeferidos pela administração tributária. E o indeferimento do pedido, naquela época, resultava em um débito em aberto, ainda não constituído, que carecia de lançamento de ofício para a sua formalização. Tais observações são fundamentais para balizar o cotejo a ser feito entre o acórdão recorrido e os paradigmas, com a finalidade de verificar se a alegada divergência jurisprudencial está ou não caracterizada. O primeiro acórdão paradigma (Acórdão nº 20402.808), examinando situação equivalente à analisada pelo acórdão recorrido, rejeitou expressamente a aplicação da retroatividade benigna e restabeleceu a multa de ofício que foi lançada juntamente com o débito que estava sendo exigido naqueles autos. Mas a contribuinte (recorrida), procurando apontar diferenças entre os contextos enfrentados por esse paradigma e pelo acórdão recorrido, alega que não se utilizou de crédito vedado, que não prestou declaração falsa e que tampouco o crédito por ela utilizado, Fl. 374DF CARF MF Processo nº 16327.003479/200263 Acórdão n.º 9101002.563 CSRFT1 Fl. 16 15 ainda que proveniente de terceiros, estava desautorizado pela legislação da época, de modo que sua situação seria diferente daquela tratada no primeiro paradigma. Ocorre que a divergência suscitada pela PGFN não envolve uma análise que procura identificar a ocorrência de algum dos tipos previstos no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, para fins de se aplicar retroativamente penalidade que antes não existia. Não é esse o caso. Vêse que o primeiro paradigma, ao mencionar que tratava de créditos calcados em decisão judicial e utilizar a expressão "ilegitimidade da compensação", não fundamentou sua decisão em nenhuma circunstância específica atinente ao pedido de compensação indeferido, que pudesse prejudicar a comprovação de divergência em relação ao acórdão recorrido, dado o contexto jurídico da época. Com efeito, a manutenção/restabelecimento da multa de ofício, naquele caso, não se deu em razão de uma identificação com a tipologia prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003 para subsunção, a esta norma, de fatos pretéritos a ela: [...] Em meu entender ou o lançamento levado a efeito com arrimo no referido artigo 90 da MP 2.158 tem como objeto do lançamento a imposição de multa isolada no percentual de 150% nas hipóteses indevidas que o legislador as tem por graves como fraude, v.g, ou, embora ilegítimas mas não tipificas no artigo 18 referido, terá como objeto a cobrança de ofício da diferença impaga em virtude da ilegitimidade da compensação. Contudo, nessa última hipótese, não vejo como essa cobrança, por força da vinculação à lei, não esteja acompanhada da aplicação da multa de ofício no percentual definido na lei. E, tenho convicção, esse foi o caso do lançamento. (grifos acrescidos) O que o referido paradigma fez, aliás, foi justamente esclarecer que a multa de ofício naqueles autos não estava vinculada à tipologia do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, deixando claro que a multa ali tratada era a prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996, que foi restabelecida por aquela decisão. É justamente essa interpretação normativa que a PGFN reivindica em seu recurso especial de divergência, independentemente de que seja identificada qualquer uma das situações previstas no texto do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, acima transcrito. Portanto, as diferenças apontadas pela contribuinte (recorrida) em relação aos contextos fáticos examinados pelas decisões cotejadas é completamente irrelevante para fins de caracterização da divergência jurisprudencial. Quanto ao segundo paradigma (Acórdão nº 20309.707), a contribuinte alega que ele não tratou especificamente da retroatividade benigna do referido art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Constato, entretanto, que as situações fáticas lá examinadas são ainda mais semelhantes às do acórdão recorrido. É que esse outro paradigma tratou de lançamento de débito que a contribuinte pretendeu quitar por compensação, e em que o pedido de compensação foi indeferido apenas Fl. 375DF CARF MF Processo nº 16327.003479/200263 Acórdão n.º 9101002.563 CSRFT1 Fl. 17 16 porque não houve a comprovação da certeza e liquidez dos créditos (simples indeferimento de pedido de compensação, como a contribuinte alega ter ocorrido com ela). O que distingue as duas decisões (acórdão recorrido e o segundo paradigma) é que o paradigma, embora tratando de situação em tudo semelhante à do recorrido, manteve a incidência da multa de ofício prevista art. 44, I, da Lei 9.430/1996. Tratase aqui de um caso de silêncio eloquente, pois o paradigma, ao silenciar sobre o art. 18 da Lei nº 10.833/2003, entendeu que este dispositivo não produziu qualquer modificação na ordem jurídica que pudesse impactar àquele caso (observe que o mesmo já estava vigente à época), ou seja, entendeu que este dispositivo não teve força de retroatividade benigna, o que diverge frontalmente do entendimento do recorrido. Enfim, o que interessa para o cotejo destas decisões é que diante da não confirmação de vinculações em DCTF feitas a título de compensação, a fiscalização realizou lançamentos para constituir débitos que não constavam de um instrumento de confissão de dívida hábil à execução fiscal. O lançamento desses débitos era feito com o acréscimo da multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, e há decisões que mantiveram essa multa (paradigmas), e outras que a afastaram em razão de retroatividade benigna (acórdão recorrido). É exatamente aí, no cabimento ou não da exigência da multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, que reside a divergência a ser examinada nos presentes autos. E quanto a esse aspecto, que é o que interessa no caso do recurso sob exame, a divergência está devidamente comprovada. Em sede de preliminar, a contribuinte também alega que a PGFN não comprovou que a matéria objeto dos paradigmas não foi superada por esta E. Câmara Superior, e que a Câmara Superior tem decisões no sentido de aplicar a retroatividade benigna para excluir a multa de ofício, no caso, o Acórdão nº 9101001.557, o que, segundo ela, também inviabilizaria o processamento do recurso especial. Tais aspectos, entretanto, não implicam na negativa de seguimento do recurso especial. Isso somente ocorreria se houvesse Súmula ou Resolução do Pleno do CARF sobre a matéria, coincidente com o entendimento manifestado pela contribuinte, o que não é o caso. Desse modo, rejeito as preliminares de não conhecimento do recurso especial da PGFN. O recurso deve mesmo ser conhecido, porque ele preenche os requisitos para a sua admissibilidade. MÉRITO A questão a ser aqui examinada é se, por força do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, cabe ou não a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, para fins de exonerar a multa de 75% que foi lançada de ofício juntamente com o IRPJ referente ao ajuste anual do anocalendário de 1998, com base no art. 90 da MP nº 2.158 35/2001, c/c o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, em razão do indeferimento de pedido de compensação que fora apresentado para a quitação desse débito. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 16327.003479/200263 Acórdão n.º 9101002.563 CSRFT1 Fl. 18 17 Para tanto, é preciso averiguar em que medida há sobreposição dos campos normativos constantes do art. 90 da MP nº 2.15835/2001 e do art. 18 da Lei n° l0.833/2003, uma vez que só faz sentido falar em retroatividade benigna se as normas anterior e posterior estiverem tratando de penalidade sobre o mesmo tipo de ato (conduta, infração). O ato apenado é o elemento comum, o elo entre os diferentes contextos normativos, que viabiliza a aplicação da retroatividade benigna. Nesse passo, é preciso registrar que o art. 90 da MP nº 2.15835/2001, transcrito anteriormente, tratou da sistemática para lançamento de "tributo" em algumas situações, mas não estipulou nenhuma penalidade como veio a fazer posteriormente o art. 18 da Lei nº 10.833/2003. O art. 90 da MP nº 2.15835/2001 foi introduzido num contexto em que as DCTF só se constituíam como confissão de dívida e instrumento hábil à execução fiscal pelos valores de saldo a pagar, conforme as normas da Receita Federal que tratavam do conteúdo jurídico dessa declaração à época (IN SRF nº 45/1998 e IN SRF nº 126/1998). As diferenças de tributos apuradas em decorrência das vinculações realizadas pelo contribuinte (a título de pagamento, compensação, etc.) tinham que ser lançadas de ofício, por meio de auto de infração. Do contrário, a União não disporia de instrumento para promover a cobrança do tributo. Foi exatamente isso que motivou o lançamento de ofício para exigência do IRPJ referente ao ajuste anual do anocalendário de 1998, acompanhado da multa prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996. No decorrer do tempo, entretanto, ocorreram mudanças na legislação que alteraram bastante esse contexto jurídico. A Lei nº 10.637/2002, ao implementar modificações no art. 74 da Lei 9.430/1996, instituiu a "Declaração de Compensação", instrumento jurídico que passou a produzir o efeito de extinguir o débito compensado, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. A referida Lei nº 10.833/2003 também implementou outras importantes modificações no mesmo art. 74 da Lei 9.430/1996, para que a "Declaração de Compensação" passasse a constituir confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Nesse conjunto de mudanças, vale ainda mencionar as implementadas pela IN SRF nº 255/2002, a partir da qual os débitos apurados em procedimentos de auditoria interna de DCTF, inclusive aqueles relativos às diferenças apuradas em decorrência de compensação que não foi reconhecida pelo Fisco, apuradas em decorrência de pagamento que não foi confirmado, etc., passaram a ser enviadas para inscrição em Dívida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos, não havendo mais a necessidade de lançamento de ofício para esses casos (art. 8º, §3º). Diante disso, tem razão a PGFN quando argumenta que a hipótese dos autos, cujo lançamento se deu com base no art. 90 da MP nº 2.15835/2001, c/c o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, não se subsume às regras introduzidas pela Lei nº 10.833/2003. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 16327.003479/200263 Acórdão n.º 9101002.563 CSRFT1 Fl. 19 18 Já se disse anteriormente que a retroatividade benigna depende de uma sobreposição, no que diz respeito à matéria de penalidade, entre os campos normativos constantes do art. 90 da MP nº 2.15835/2001 (c/c art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996) e do art. 18 da Lei n° 10.833/2003. Isto porque, na lógica do art. 106 do CTN, é preciso que a norma posterior, no caso, a introduzida pelo art. 18 da Lei nº 10.833/2003, trate do mesmo tipo de ato/infração que foi apenado nestes autos, deixando de definilo como infração, ou lhe cominando penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (art. 90 da MP nº 2.15835/2001, c/c o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996). Não há dúvidas de que o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 limitou o âmbito de abrangência do referido art. 90 da MP nº 2.15835/2001, no que diz respeito à realização de lançamento de ofício em decorrência de trabalhos de auditoria interna de DCTF, ao mesmo tempo em que instituiu multa isolada para punir especificamente contribuintes que realizam compensações indevidas em determinados contextos que agravam as suas condutas. Mas o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 não extinguiu nenhuma penalidade que era prevista anteriormente. Primeiro, porque o art. 90 da MP nº 2.15835/2001 nem mesmo estabelecia qualquer penalidade, ele apenas elencava situações em que os trabalhos de auditoria interna de DCTF deveriam ensejar lançamento de ofício de tributo, justamente os casos em que a referida declaração não configurava confissão de dívida. Em segundo lugar, porque a penalidade prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, que acompanha todos os lançamentos de ofício para exigência de tributo devido e não confessado, sempre esteve e continua em plena vigência até os dias de hoje. O que o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 fez foi criar penalidade nova, inexistente até então, para apenar contribuintes que realizam determinados tipos de compensação, dependendo do tipo de crédito/débito envolvido no encontro de contas e também de outras circunstâncias (ocorrência de fraude, p/ ex.). Não se desconhece que com as modificações legislativas mencionadas acima, deixou de haver lançamento de ofício para os casos em que a compensação simplesmente não é homologada (em razão do não reconhecimento do direito creditório). Para esses casos, não há lançamento de ofício, nem do tributo e nem da multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, mas isso decorre apenas do fato de que os débitos indevidamente compensados já estão confessados, já constam de instrumento hábil à execução fiscal, e não porque houve a alegada retroatividade benigna do art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Não se nega também que há alguns aspectos comuns entre os contextos normativos cotejados, abrangendo períodos anteriores e posteriores à Lei 10.833/2003. Tanto antes quanto depois dessa lei existiam débitos que os contribuintes pretendiam quitar por compensação, antes com a apresentação de "Pedido de Compensação", e depois com a entrega da "Declaração de Compensação". Outro aspecto comum é que tanto antes quando depois da referida lei, os débitos indevidamente compensados podiam estar declarados em DCTF. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 16327.003479/200263 Acórdão n.º 9101002.563 CSRFT1 Fl. 20 19 Mas estes pontos comuns não são suficientes para a aplicação da regra de retroatividade benigna, porque as diferenças entre os contextos normativos nos diferentes momentos são bem mais relevantes. São enormes as diferenças entre os antigos "Pedidos de Compensação" e a atual "Declaração de Compensação". A principal delas, no âmbito desse debate, é que o mais antigo não configurava instrumento de confissão de dívida. E as DCTF no contexto anterior não produziam o mesmo efeito que as DCTF apresentadas de 2003 em diante, embora sua designação e sigla não tenham sido modificadas. Na época anterior (que é a época dos fatos sob exame), a referida declaração não constituía confissão de dívida relativamente aos débitos cuja compensação não era confirmada. Tanto era assim, que a lei ordenava que fosse realizado o lançamento de ofício, com a respectiva multa de 75%, que sempre acompanha esse tipo de lançamento. De 2003 em diante, a DCTF e a DCOMP configuram confissão de dívida para os débitos cuja compensação não é homologada, o que dispensa a realização de lançamento de ofício (tanto do tributo, quanto da multa vinculada), conforme já mencionado, mas isso não implica em afastar a multa que foi aplicada no contexto anterior, com base no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. Finalmente, vale registrar que há situações na legislação atual, abrangendo procedimentos de compensação, que indicam a possibilidade de incidência conjunta da multa prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003 e da multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. É o caso da compensação que é considerada como "não declarada", cujo instrumento de formalização (declaração) não constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados (art. 74, §§ 6º, 12 e 13, da Lei 9.430/1996). Nesse tipo de situação, a exigência dos débitos indevidamente compensados (e que também não tenham sido declarados em DCTF) depende da realização de lançamento de ofício, acompanhado da multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, sem prejuízo da aplicação da multa isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Essa possibilidade de cumulatividade das multas demonstra que não há a mencionada sobreposição normativa. Revela ainda que o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 não veio para afastar (ou substituir) a aplicação da multa prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996, e, finalmente, evidencia a improcedência da argumentação que sustenta a tese da retroatividade benigna tentando fazer um paralelo entre a multa do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996 e a tipologia introduzida pelo art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Se tal argumentação fosse procedente, haveria incidência de apenas uma das multas para os casos de compensação considerada como "não declarada" (em que o débito não está confessado), a multa do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 em detrimento da multa do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, mas não é o que ocorre. A possibilidade de cumulação das referidas multas se dá justamente porque a "declaração de compensação", nas hipóteses do §12 do art. 74 da Lei 9.430/1996, não constitui confissão de dívida, e foi justamente essa mesma circunstância que ensejou o lançamento de Fl. 379DF CARF MF Processo nº 16327.003479/200263 Acórdão n.º 9101002.563 CSRFT1 Fl. 21 20 ofício nos presentes autos. Obviamente, não houve aqui o lançamento de multa isolada porque os fatos são anteriores à Lei 10.833/2003. Mas o que interessa é realçar a independência das normas punitivas em comento, ou seja, a ausência de sobreposição dos campos normativos destas normas, o que muito reforça o argumento de que o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 não derrogou a multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, especialmente nos casos em que os débitos objeto da tentativa frustrada de compensação não constam de instrumento de confissão de dívida. Se houve alguma derrogação do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996 (admitindose que isso possa ser dito dessa forma), ela é uma só: a multa do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996 não incide sobre débito confessado, aquele que consta de declaração que constitui confissão de dívida (instrumento hábil e suficiente para a sua exigência). Para débito confessado, não há lançamento de ofício, nem do tributo e nem da multa do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. O débito confessado é sempre exigido com multa de mora, e essa é a única razão pela qual o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996 deixou de incidir sobre débitos cuja compensação é simplesmente não homologada. A multa do art. 44 , I, da Lei nº 9.430/1996 não incide atualmente nos casos de simples não homologação da "Declaração de Compensação" porque tanto esta declaração quanto as atuais DCTF configuram confissão de dívida, dispensando o lançamento de ofício (tanto do tributo, quanto da multa a ele vinculada), o que não acontecia na época dos fatos sob exame. Entretanto, para os débitos cuja compensação não é confirmada pela Administração Tributária, e que não constam de instrumento de confissão de dívida, cabe a aplicação da multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, tenham os fatos ocorridos antes ou depois da Lei nº 10.833/2003. Acaso vencedor, proponho a seguinte ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA EXIGÊNCIA DE DÉBITO NÃO CONFESSADO E COM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIDO. APLICAÇÃO DO ART. 90 DA MP Nº 2.15835/2001, C/C ART. 44, I, DA LEI Nº 9.430/1996. CABIMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. INOCORRÊNCIA DE RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003 PARA AFASTAR A MULTA DE OFÍCIO. Só faz sentido falar em retroatividade benigna se as normas anterior e posterior estiverem tratando de penalidade sobre o mesmo tipo de ato (conduta, infração). Não há dúvidas de que o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 limitou o âmbito de abrangência do referido art. 90 da MP nº 2.15835/2001, no que diz respeito à realização de lançamento de ofício em decorrência de trabalhos de auditoria interna de DCTF, ao mesmo tempo em que instituiu multa isolada para punir especificamente contribuintes que realizam compensações indevidas em determinados contextos que agravam as suas condutas. Mas o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 não extinguiu nenhuma penalidade que era prevista anteriormente. A penalidade prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, que acompanha todos os lançamentos de ofício para exigência de tributo devido e não confessado, sempre esteve e continua em Fl. 380DF CARF MF Processo nº 16327.003479/200263 Acórdão n.º 9101002.563 CSRFT1 Fl. 22 21 plena vigência até os dias de hoje. Se não havia um instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito indevidamente compensado (ausência de confissão de dívida), era (e ainda é) cabível o lançamento de ofício, tanto do tributo, quanto da multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para restabelecer a multa de ofício que tinha sido afastada pela decisão recorrida. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 381DF CARF MF Processo nº 16327.003479/200263 Acórdão n.º 9101002.563 CSRFT1 Fl. 23 22 Voto Vencedor Conselheira Adriana Gomes Rego, Redatora Designada No mérito divirjo do I. Relator, no sentido de negar provimento ao recurso especial da PGFN, mantendo a decisão recorrida, que excluiu a multa de ofício. Entendo que não deve prevalecer a multa de ofício aplicada em face da retroatividade benigna de legislação superveniente. Ao contrário do relator, entendo que há, sim, a “sobreposição dos campos normativos” entre o art. 90 art. 90 da MP nº 2.15835/2001 e art. 18 da Lei n° l0.833/2003. Isto porque foi editado o art. 18 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, esta convertida na Lei nº 10.833/2003, cuja redação original, dispunha: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. O referido artigo limitou a aplicação do art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001, à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida – nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Até essa redação, ainda seria possível dizer que a multa estava mantida, porque a hipótese dos autos é de compensação com crédito de terceiro, ou seja, crédito não passível de compensação por expressa disposição legal, nos termos do art. 170 do CTN, verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e Fl. 382DF CARF MF Processo nº 16327.003479/200263 Acórdão n.º 9101002.563 CSRFT1 Fl. 24 23 certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Ocorre que a atual redação do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, restringiu ainda mais as hipóteses de aplicação do art. 90, senão vejamos: Lei 10.833/2003 Redação atual Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ................................................................................................................................... § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Negritei) Inferese que a intenção do legislador, já na redação original, foi a de punir, com multa isolada, o sujeito passivo que apresentou declaração de compensação sabidamente em desconformidade com o disposto na legislação, pois o tributo já se encontrava constituído, ou seja, confessado por força do art. 17 da Lei nº 10.833, de 2003, que, ao adicionar o § 6º ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, atribuiu à Dcomp a natureza de confissão de dívida. Ou seja, primeiro foi editado o art. 90 da MP nº 2.15835, determinando a constituição do crédito tributário relativo às compensações indevidas, por meio do qual cobravase o tributo, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Depois, com a MP nº 135, de 2003, dispensouse a constituição do crédito tributário relativo ao tributo nas hipóteses ali mencionadas, e passouse a exigir tãosomente a multa isolada. Contudo, a redação atual restringiu a imposição da multa isolada para ser aplicada quando a não homologação decorre de falsidade na declaração e nos casos de compensação considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do §12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. E, analisando o caso dos autos, verificase que se trata de um pedido de compensação formulado pelo contribuinte, relativo a crédito de terceiros, não estando tal hipótese contemplado pela sistemática introduzida a partir da Medida Provisória nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002, que deu nova redação ao art.74 da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios Fl. 383DF CARF MF Processo nº 16327.003479/200263 Acórdão n.º 9101002.563 CSRFT1 Fl. 25 24 relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (...)(Negritei) Com efeito, a leitura do caput do dispositivo acima transcrito permite verificar que está expressamente previsto que a compensação ali disciplinada referese tão somente àquela efetuada entre créditos e débitos próprios, de onde se conclui ser imprescindível tal condição para que ao pedido de compensação pendente de apreciação à época da alteração legislativa seja aplicável a nova disciplina das declarações de compensação (Dcomp) introduzida pelo art. 74, no caput e seus parágrafos. No presente caso, vêse, portanto, que não estão caracterizadas as circunstâncias previstas na nova redação do caput do art. 18, pois, além de ausente qualquer imputação referente à prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, também não se cogita de nãohomologação de compensação declarada, haja vista a inaplicabilidade dos efeitos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, como já dito. Daí que, em face do princípio da retroatividade benigna (art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional), no julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP nº 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas deveriam ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei no 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não fossem fundamentadas nas hipóteses versadas no “caput” desse artigo. Em outras palavras, entendo que a retroatividade benigna somente não se operaria se o lançamento de ofício tivesse ocorrido com fundamento nas mesmas hipóteses hoje admitidas pelo o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003. Assim, impõese a exoneração da multa de ofício aplicada. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 384DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.903013/2009-67
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2002
PRELIMINAR DE NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO.
DESCABIMENTO.
Tendo sido o Despacho Decisório prolatado por autoridade para tanto competente [Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB)] e com fundamento em informações prestadas pela própria Recorrente (DComp x Darf x DCTF), descabe se falar em nulidade por incompetência ou por cerceamento do direito de defesa.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2002
SERVIÇOS HOSPITALARES. LEI Nº 9.249, DE 1995. DEFINIÇÃO DA
EXPRESSÃO.
Devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, “em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos” (STJ Recurso Repetitivo).
Numero da decisão: 1803-001.185
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, para homologar a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido (R$ 6.188,95), nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 PRELIMINAR DE NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. DESCABIMENTO. Tendo sido o Despacho Decisório prolatado por autoridade para tanto competente [AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB)] e com fundamento em informações prestadas pela própria Recorrente (DComp x Darf x DCTF), descabe se falar em nulidade por incompetência ou por cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002 SERVIÇOS HOSPITALARES. LEI Nº 9.249, DE 1995. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO. Devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, “em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos” (STJ Recurso Repetitivo). Fl. 64DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/02/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10725.903013/200967 Acórdão n.º 180301.185 S1TE03 Fl. 65 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para homologar a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido (R$ 6.188,95), nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e João Carlos Figueiredo Neto. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/02/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10725.903013/200967 Acórdão n.º 180301.185 S1TE03 Fl. 66 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 42): Tratase de manifestação de inconformidade apresentada em face de despacho decisório eletrônico, por meio do qual não foi homologada compensação declarada pela interessada acima identificada na DCOMP retificadora de nº 14031.99272.240809.1.7.047581, indicando suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de imposto de renda – IRPJ, cód 2089, no valor de R$ 6.188,95, do período de apuração (PA) 1º trimestre de 2001, para compensar débitos do PA 1º trimestre de 2005, de CSLL, cód. 2372, no valor de R$ 282,66. 2. A compensação não foi homologada pela autoridade fazendária, pelo Despacho Decisório nº 848589999, de 7/10/2009, sob o argumento de que, a partir das características do DARF discriminado na DCOMP acima identificada, foram localizados um ou mais pagamentos que foram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. 3. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade aos fls. 1 e 2, alegando em síntese que: 3.1. o crédito pleiteado de pagamento a maior ou indevido existe e foi informado ao fisco; 3.2. que o IRPJ supostamente devido pelo contribuinte no 1º trimestre de 2001 se constata pela DCTFretificadora entregue em 14/08/2009; 3.3 que a impugnante não apurou IRPJ a pagar em 30/04/2001, tendo realizado um pagamento indevido no valor de R$ 6.188,95, gerando por conseguinte o crédito de mesmo valor; 3.4. concluise que o débito satisfeito com o valor pago que consta do DARF discriminado na DCOMP inexiste, pois o contribuinte nada devia a título de IRPJ no 1º trimestre de 2001, conforme DCTFretificadora; 3.5. de todo o exposto, requereu para ser recebida a manifestação de inconformidade, por sua tempestividade, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário, e considerandoa procedente e reformando a decisão que não homologou a compensação. 2. A decisão da instância a quo foi assim fundamentada (fls. 42 a 44): 5. O contribuinte recolheu aos cofres públicos, em 30/04/2001, o DARF com as seguintes características: PA de 31/03/2001, cód. receita 2089, de R$ 6.188,95. O pagamento foi confirmado no sistema eletrônico da Receita Federal, cf. consta do Extrato Sistêmico RFB do 1º trimestre do ano calendário de 2001, fl. 37. 6. Em DCTF retificadora datada de 28/05/2003 (fl. 40), o mesmo contribuinte declarou um débito de IRPJ, cód. receita 2089, no valor de R$ 5.803,16 (fl. 40, verso), mas em 14/08/2009 apresentou nova DCTF retificadora (fl. 38, vs) Fl. 66DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/02/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10725.903013/200967 Acórdão n.º 180301.185 S1TE03 Fl. 67 4 declarando que não mais existia o débito anteriormente informado do mesmo IRPJ, cód. 2089 (fls. 39 e vs), sem juntar qualquer documentação comprobatória da veracidade das informações nela contidas. 7. Consultada a declaração do imposto de renda da pessoa jurídica (DIPJ) do exercício de 2002, ano base de 2000, vemos, no Extrato Sistêmico RFB, fls. 37 verso e 38, que não há DIPJ retificadora e a única DIPJ, original, apresentada sob o nº 0959726, acusava para o trimestre 1 do ano calendário de 2001 um imposto de renda a pagar de R$ 6.188,95. 8. A restituição/compensação de tributos no âmbito da Receita Federal do Brasil é regida pelos artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional – C.T.N.) que assim dispõe: [...]. 9. Quanto à retificação da DCTF efetuada pelo contribuinte, o mesmo CTN assim dispõe: [...]. 10. Temos que, por um lado, o contribuinte vem afirmando, em DCTF retificadora apresentada em 14/08/2009, que no 1º trimestre de 2001 não havia IRPJ, cód. 2089, a pagar; por outro lado, a DIPJ originalmente apresentada, ativa e única, aponta para um IRPJ a pagar de R$ 6.188,95, valor idêntico ao que foi recolhido em DARF pelo contribuinte. 11. Ainda que houvesse coerência nas declarações prestadas pelo contribuinte (pois não há), deveria ele provar, com a apresentação de sua escrituração contábil e fiscal, as razões da mudança do seu entendimento quanto ao real valor devido de IRPJ cód. 2089 do PA 1º trimestre de 2001, para que o crédito alegado pudesse gozar de certeza e liquidez, o que não ocorre no presente caso. 12. Não havendo certeza e liquidez do crédito alegado pelo contribuinte em seu favor, não é possível homologar a compensação por ele declarada. 13.Assim, entendo que não deve ser dado provimento à manifestação de inconformidade apresentada e voto pela manutenção da conclusão contida no Despacho Decisório combatido. 3. Cientificada da referida decisão em 12/08/2011 (fls. 56 numeração digital ND), a tempo, em 08/09/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 57 a 61 (ND), nele argumentando, em síntese: a) que o despacho decisório que não homologou a compensação sofre de inafastáveis vícios de nulidade, quais sejam, inexistência de fundamentação e cerceamento de defesa, por não ter oportunizado ao contribuinte a possibilidade de comprovar o seu crédito, matéria de ordem pública que pode ser alegada e reconhecida em qualquer fase processual, inclusive na segunda instância, mesmo não tendo sido alegada expressamente na defesa inicial apresentada na primeira instância administrativa; b) que não há, no despacho decisório, sequer, referência à DCTF que teria dado margem à alocação do pagamento arguido, muito embora a DCTF Fl. 67DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/02/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10725.903013/200967 Acórdão n.º 180301.185 S1TE03 Fl. 68 5 retificadora, que permite aferir a existência do crédito do contribuinte em face do fisco federal, já tivesse sido transmitida; c) que não poderia o despacho decisório, sem uma motivação razoável e congruente, desconsiderar as informações transmitidas através da DCTF retificadora, declaração capaz de demonstrar o crédito oposto; d) que, em que pese a divergência existente entre a DCTF retificadora e a DIPJ, tal situação, no fundo, exige (ou teria exigido à época) que o fisco federal intime (ou tivesse intimado) o contribuinte para explicar a origem e a regularidade do seu crédito e as alterações promovidas na DCTF retificadora, o que não foi feito; e) que, realmente, a Recorrente opôs crédito regular em face da Fazenda Pública Federal, para efetivar a compensação promovida via DCOMP; f) que, durante o período referente à DCTF retificadora, apurou e recolheu valores a maior a título de imposto de renda (IRPJ), visto que, no citado período, apurou o imposto pelo regime do lucro presumido, aplicando o percentual equivocado de 32% sobre a sua receita bruta, para efeitos de identificação da base de cálculo, enquanto o correto, por se dedicar à prestação de serviços hospitalares, seria o percentual de 8%, conforme previa o art. 15, § 1º, inciso III, alínea “a”, da Lei nº 9.249, de 1995, c/c o art. 25 da Lei nº 9.430, de 1996; g) que, diante de tais recolhimentos indevidos a título de IRPJ, apurou o seu crédito e o utilizou para promover a compensação de seus tributos federais, consoante declarado na DComp relacionada ao presente feito, meio adequado para instrumentalizar o ajuste de contas no âmbito administrativo, conforme preceitua a sistemática tratada no art. 74 e parágrafos da Lei nº 9.430, de 1996; e h) que eis, então, a origem do crédito da Recorrente, crédito este que a própria RFB, em nome do princípio da legalidade, pode e deve apurar e reconhecer de ofício, caso não seja reconhecida a nulidade do despacho decisório de acordo com os argumentos demonstrados acima. Em mesa para julgamento. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/02/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10725.903013/200967 Acórdão n.º 180301.185 S1TE03 Fl. 69 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório 4. Argui a Recorrente, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório, ao fundamento de que sofreria, este, de inafastáveis vícios, quais sejam: (a) inexistência de fundamentação; e (b) cerceamento de defesa, por não ter oportunizado a ela a possibilidade de comprovar o seu crédito. 5. Inicialmente, quanto ao tema de nulidade, convém reproduzir o art. 59 do PAF (Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972): Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 6. São, portanto, apenas duas as espécies de irregularidades, elencadas nos incisos do dispositivo retro transcrito, que possuem o condão de contaminar de nulidade as peças que compõem o processo administrativo. 7. Observese que a discordância quanto aos fatos e/ou capitulação legal não é causa de nulidade. 8. No presente caso, de ato decisório (Despacho Decisório eletrônico), foi este prolatado por autoridade para tanto competente [AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB)] e com fundamento em informações prestadas pela própria Recorrente (DComp x Darf x DCTF), não havendo, pois, que se falar em nulidade por incompetência ou por cerceamento do direito de defesa. 9. Há que se ressaltar, ainda, que referido Despacho Decisório eletrônico também procede ao cruzamento de informações entre a DComp e a DIPJ e, não tendo sido esta retificada pela Recorrente, como por ela mesma reconhecido (fls. 59ND, item 7), outro não poderia ter sido o resultado daquela análise de compensação. 10. Rejeito a preliminar de nulidade arguida. Mérito 11. Constou da decisão recorrida o seguinte (fls. 44): Fl. 69DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/02/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10725.903013/200967 Acórdão n.º 180301.185 S1TE03 Fl. 70 7 10. Temos que, por um lado, o contribuinte vem afirmando, em DCTF retificadora apresentada em 14/08/2009, que no 1º trimestre de 2001 não havia IRPJ, cód. 2089, a pagar; por outro lado, a DIPJ originalmente apresentada, ativa e única, aponta para um IRPJ a pagar de R$ 6.188,95, valor idêntico ao que foi recolhido em DARF pelo contribuinte. 11. Ainda que houvesse coerência nas declarações prestadas pelo contribuinte (pois não há), deveria ele provar, com a apresentação de sua escrituração contábil e fiscal, as razões da mudança do seu entendimento quanto ao real valor devido de IRPJ cód. 2089 do PA 1º trimestre de 2001, para que o crédito alegado pudesse gozar de certeza e liquidez, o que não ocorre no presente caso. 12. Não havendo certeza e liquidez do crédito alegado pelo contribuinte em seu favor, não é possível homologar a compensação por ele declarada. 12. Em seu Recurso, afirma a Recorrente que o crédito alegado é decorrente da apuração do imposto pelo regime do lucro presumido, com a aplicação do percentual equivocado de 32% sobre a receita bruta, para efeitos de identificação da base de cálculo, enquanto o correto, por se dedicar à prestação de serviços hospitalares, seria o percentual de 8%. Recursos repetitivos (STJ) 13. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 14. Relativamente à questão da definição da expressão “serviços hospitalares”, prevista na Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, é o seguinte o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC): DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/02/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10725.903013/200967 Acórdão n.º 180301.185 S1TE03 Fl. 71 8 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, “em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do Fl. 71DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/02/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10725.903013/200967 Acórdão n.º 180301.185 S1TE03 Fl. 72 9 IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010) 15. No presente caso, conforme se verifica do próprio Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), faz jus a Recorrente ao percentual de presunção do lucro de 8% (fls. 10): 16. Procedendose, por conseguinte, ao recálculo do imposto devido relativo ao 1º trimestre do anocalendário de 2001 (fls. 37verso e 38), obtémse o seguinte demonstrativo: DIPJ 2002/2001 ENTREGUE RETIFICADA PAGO A MAIOR RECEITA BRUTA 181.320,44 181.320,44 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/02/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10725.903013/200967 Acórdão n.º 180301.185 S1TE03 Fl. 73 10 PERCENTUAL 32% 8% BASE CÁLCULO 58.022,54 14.505,63 ALÍQUOTA 15% 15% IRPJ DEVIDO 8.703,38 2.175,84 IRRF (2.514,43) (2.514,43) IRPJ A PAGAR 6.188,95 (338,59) 6.188,95 17. Dessa forma, é de ser reconhecido à Recorrente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 6.188,95. 18. Com relação à afirmação da Recorrente de que “não poderia o despacho decisório, sem uma motivação razoável e congruente, desconsiderar as informações transmitidas através da DCTF retificadora”, cumpre ressaltar que, entregue em 14/08/2009, não poderia essa DCTF pretender retificar dados relativos ao anocalendário de 2001, daí a sua total desconsideração por aquele despacho decisório. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO, para homologar a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido (R$ 6.188,95), atentandose, ainda, para a existência de outras compensações, objeto de outros processos, que também utilizam o mesmo crédito ora reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 73DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/02/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10183.003462/2007-16
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2003
EXCLUSÃO DO SIMPLES. ARBITRAMENTO DO LUCRO.
Confirmada a exclusão do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96) e ante a ausência de escrituração na forma da legislação comercial e fiscal, impõe se o arbitramento do lucro do período de apuração com as conseqüentes repercussões concernentes a este regime de tributação.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário: 2003
EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS RECOLHIDOS.
Confirmada a exclusão do SIMPLES FEDERAL e alterado o regime de
tributação do período de apuração dos tributos, impõe se a compensação dos valores já recolhidos de acordo com a espécie de tributos contidos na sistemática de recolhimento simplificado.
LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES.
Aplica se ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL o decidido em relação ao lançamento principal de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-000.869
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à compensação dos valores recolhidos à título de IRPJ e CSLL na sistemática do SIMPLES FEDERAL nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Confirmada a exclusão do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96) e ante a ausência de escrituração na forma da legislação comercial e fiscal, impõe se o arbitramento do lucro do período de apuração com as conseqüentes repercussões concernentes a este regime de tributação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS RECOLHIDOS. Confirmada a exclusão do SIMPLES FEDERAL e alterado o regime de tributação do período de apuração dos tributos, impõe se a compensação dos valores já recolhidos de acordo com a espécie de tributos contidos na sistemática de recolhimento simplificado. LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Aplica se ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL o decidido em relação ao lançamento principal de IRPJ.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1717; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 210 1 209 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.003462/200716 Recurso nº 507.064 Voluntário Acórdão nº 180300.869 – 3ª Turma Especial Sessão de 30 de março de 2011 Matéria AI IRPJ E OUTROS Recorrente AERO AGRICOLA SAPEZAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Confirmada a exclusão do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96) e ante a ausência de escrituração na forma da legislação comercial e fiscal, impõese o arbitramento do lucro do período de apuração com as conseqüentes repercussões concernentes a este regime de tributação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS RECOLHIDOS. Confirmada a exclusão do SIMPLES FEDERAL e alterado o regime de tributação do período de apuração dos tributos, impõese a compensação dos valores já recolhidos de acordo com a espécie de tributos contidos na sistemática de recolhimento simplificado. LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Aplicase ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL o decidido em relação ao lançamento principal de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à compensação dos valores recolhidos Fl. 228DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 23/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10183.003462/200716 Acórdão n.º 180300.869 S1TE03 Fl. 211 2 à título de IRPJ e CSLL na sistemática do SIMPLES FEDERAL nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior, Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório AERO AGRICOLA SAPEZAL LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ CAMPO GRANDE (MS), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. AERO AGRÍCOLA SAPEZAL LTDA., empresa acima qualificada, foi lançada no valor total do crédito tributário de R$ 188.965,80 relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora calculados até 31/08/2007, conforme Auto de Infração e demonstrativos de fls. 123128. O lançamento ocorreu em virtude dos seguintes fatos: omissão de receitas operacionais (atividade não imobiliária), prestação de serviços gerais, tendo em vista o valor apurado conforme lucro arbitrado, uma vez que a contribuinte foi excluída de oficio do Simples por exercer atividade vedada e intimada a apresentar escrituração contábil respondeu ser impossível atendêla. Enquadramento legal: 532 do RIR11999 (fls. 125); Foi a empresa lançada, em procedimentos decorrentes, a recolher a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor total do crédito tributário de R$ 40.458,30 (fls. 129133), conforme a fundamentação legal constante na referida autuação. O total do crédito tributário no processo é de R$ 229.424,10 (fls. 03). Intimada em 10/09/2007 (fls. 134), a interessada apresentou impugnação em 10/10/2007 (fls. 146152), alegando, após historiar a autuação, o seguinte: a) preliminarmente, que foi autuada em decorrência do processo 10183.002447/200751, sendo excluída do Simples conforme Ato Declaratório Executivo 14 DRF/CGE n° 92, de 22 de junho de Fl. 229DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 23/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10183.003462/200716 Acórdão n.º 180300.869 S1TE03 Fl. 212 3 2007, nos termos do art. 9º, inciso XIII da Lei n° 9.317/1996, alterado pelo art. 6°, da Lei n°9.779/99 e etc; b) o seu objeto é a exploração de serviços aéreos de aviação agrícola e prestação de serviços para a agricultura, e em determinadas atividades tem a obrigação de contratar entre outros profissionais, pilotos e engenheiros agrônomos, os quais são responsáveis pela execução de alguns trabalhos. Assim, não há como enquadrála na hipótese prevista no art. 9° inciso XIII, da Lei n°9.317/96; c) a contratação de pilotos é engenheiros é meio para a execução dos serviços, e se fosse fim, ou seja, se fosse uma prestadora de serviços profissionais de pilotos e engenheiros, não poderia optar pelo Simples, como não é, enquadrase na Lei n° 9.317/96; d) dedicase à atividade de aviação agrícola, atua como mera executora n emprego de defensivos e fertilizantes, cujo receituárioprescrição é da responsabilidade de engenheiro agrônomo vinculado à área cultivada, o piloto da aeronave executa o trabalho aplicando o defensivo ou fertilizante receitado; e) inexiste vinculação entre o engenheiro agrônomo que prescreve o defensivo ou fertilizante a ser empregado na área cultivada e a empresa de aviação agrícola que executa a tarefa de aplicação de defensivos, logo, sua exclusão do Simples viola o art 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/1997; salientando que recentemente foi intimada da decisão de exclusão do Simples, e que apresentou impugnação pleiteando reinclusão no sistema. Por fim requereu seja: determinada a suspensão do presente processo até que seja proferida decisão definitiva do processo 10183.002447/200751, e se for mantida a decisão no processo acima referido, requer a apreciação da presente impugnação ou, alternativamente, que se mantida, que sejam compensados os valores recolhidos pelo Simples. Juntou cópia do contrato social de (fls. 153162). Posteriormente, foi juntada cópia do Acórdão DRJ/CGE n°04 17.512 de 8 de maio de 2009, proferido na autos do processo n° 10183.002447/200751 que excluiu a empresa do Simples (fls. 167170). A DRJ CAMPO GRANDE/MS, através do acórdão 0418.572, de 11 de setembro de 2009 (fls. 172/174), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 EMPRESA EXCLUÍDA DO SIMPLES. LUCRO ARBITRADO. DIFERENÇAS APURADAS. Fl. 230DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 23/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10183.003462/200716 Acórdão n.º 180300.869 S1TE03 Fl. 213 4 Tendo a empresa sido excluída do Simples, é devido imposto apurado pêlo lucro arbitrado, na falta de apresentação dos livros fiscais e contábeis que permitissem apurar o lucro tributável por outra forma de tributação. AUTUAÇÃO REFLEXA: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento reflexo o decidido no principal. Ciente da decisão em 05/10/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 180), apresentou o recurso voluntário em 03/11/2009 fls. 181/189, onde reitera os argumentos da inicial de que não deve ser excluída do SIMPLES FEDERAL e alternativamente, a compensação dos tributos já recolhidos. É o relatório. Fl. 231DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 23/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10183.003462/200716 Acórdão n.º 180300.869 S1TE03 Fl. 214 5 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de lançamentos de IRPJ e CSLL decorrentes do arbitramento do lucro no ano calendário 2003 em virtude da exclusão do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), pelo exercício de atividade vedada. A interessada em seu recurso pugna pela sua manutenção na sistemática de recolhimento simplificado por não exercer atividade vedada (serviços de aviação agrícola) e alternativamente, a compensação dos tributos já recolhidos. Com relação à sua pretensão de renovar a discussão quanto a sua exclusão do SIMPLES (Lei nº 9.317/96) não é possível conhecer da matéria pois a mesma já foi objeto de discussão no processo de exclusão (10183.002447/200751), que nesta mesma sessão teve reconhecida a sua perempção, tornando definitiva a decisão de primeira instância que manteve a exclusão da sistemática de recolhimento simplificado. Diante do exposto, não conheço das alegações relativas à exclusão do SIMPLES FEDERAL em decorrência do exercício de atividade vedada. Quanto à pretensão alternativa de compensação dos tributos já recolhidos, entendo que assiste razão à interessada. Com efeito, ao contrário do que entendeu a decisão de primeira instância relevar a matéria para futuro pleito junto à Administração Tributária local, poderá ocasionar evidentes prejuízos à recorrente pois poderá ser argüida a prescrição do direito à compensação entre outros óbices. Assim, conforme a própria Coordenação da Fiscalização já reconheceu em diversos pronunciamentos internos, também entendo que no caso de lançamento de ofício decorrente de exclusão do SIMPLES (no caso o SIMPLES FEDERAL – Lei nº 9.317/96), deve ser reconhecida no próprio procedimento fiscal a compensação dos tributos já recolhidos, de acordo com a distribuição legal prevista na própria norma tributária. Ante o exposto, voto por não conhecer da matéria relativa a exclusão do SIMPLES e dar provimento parcial para reconhecer o direito à compensação do IRPJ e CSLL já recolhidos na sistemática do SIMPLES FEDERAL no ano calendário 2003. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 232DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 23/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10183.003462/200716 Acórdão n.º 180300.869 S1TE03 Fl. 215 6 Fl. 233DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 23/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH
score : 1.0
Numero do processo: 10983.005453/98-65
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2004
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, DÚVIDA OU CONTRADIÇÃO. Incabíveis os embargos de declaração por inexistência de obscuridade, dúvida ou contradição no voto proferido. A embargante, alegando omissão, almeja discutir matéria já analisada quando do julgamento do recurso voluntário, algo impossível em sede de embargos de declaração, porquanto não são o recurso adequado.
Embargos rejeitados
Numero da decisão: 203-08.357
Decisão: DECIDEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração no Acórdão n° 203-08.357, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Maria Tereza Martinez Lopez
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INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, DÚVIDA OU CONTRADIÇÃO. Incabíveis os embargos de declaração por inexistência de obscuridade, dúvida ou contradição no voto proferido. A embargante, alegando omissão, almeja discutir matéria já analisada quando do julgamento do recurso voluntário, algo impossível em sede de embargos de declaração, porquanto não são o recurso adequado. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes embargos de declaração interpostos por: DRF EM FLORIANÓPOLIS — SC. DECIDEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração no Acórdão n° 203-08.357, nos termos do voto da Relatora. Sala das Sessões, em 28 de janeiro de 2004 ()Maio D. s Cartaxo Presidente — Marteresa Martinez López Rel tora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Antonio Zomer (Suplente), César Piantavigna, Valmor Fonsêca de Menezes, Valdemar Ludvig, Luciana Pato Peçonha Martins e Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Maria Cristina Roza da Costa. Imp/cUovrs CC-MF 'Et ery. Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO 1N2 203-08.357 Processo nQ : 10983.005453198-65 Recurso n9 : 118.482 Embargante : DRF EM FLORIANÓPOLIS - SC RELATÓRIO E VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA MARIA TERESA MARTINEZ LÓPEZ Trata-se de embargos de declaração ao Acórdão n° 203-08.357, Sessão de 20/08/2002, interpostos pela DRF em Florianópolis - SC, com fundamento no art. 27, e seu 51°, do vigente Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sob a principal alegação de que teria havido contradição entre a fundamentação e sua decisão. Consta dos Embargos de Declaração apresentados o que a seguir reproduzo: "DO ACÓRDÃO E SUAS CONTRADIÇÕES Os presentes embargos de declaração são interpostos para o esclarecimento de aparente contradição relativa à exclusão do lançamento dos fatos geradores entre 1° de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996. A exclusão, não solicitada pelo contribuinte, foi fundamentada na Instrução Normativa SRF n° 6, de 19/01/2000, composta dos seguintes artigos; Art. 1° Fica vedada a constituição de crédito tributário referente à contribuição para o PIS/PASEP, baseado nas alterações introduzidas pela Medida Provisória n° 1.212, de 1995, no período compreendido entre 1° de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996, inclusive. Parágrafo único. Aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1° de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996 aplica-se o disposto na Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, e n°8, de 3 de dezembro de 1970. Art. 20 Os Delegados e Inspetores da Receita Federal deverão rever, de oficio, os lançamentos referentes à matéria mencionada no artigo anterior, para fins de alterar, total ou parcialmente, o respectivo crédito tributário. Art. 3° Os Delegados da Receita Federal de Julgamento subtrairão a aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1.212, de 1995, quando o crédito tributário tenha sido constituído com base em sua aplicação, no período referido no art. 1°, cujos processos estejam pendentes de julgamento. Art. 4° Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. A Instrução Normativa SRF n° 6/2000 foi motivada pelo julgamento do Recurso Extraordinário STF n° 232.896-3-PA que, em 02/08/1999, declarou CC-MF Ministério da Fazenda t., Fl. Yr, ir Segundo Conselho de Contribuintes t,„9< EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N2 203-08.357 Processo n2 : 10983.005453/98-65 Recurso e : 118.482 inconstitucionais os artigos 15 da Medida Provisória 1.212/95, e artigo 18 da Lei n°9.715, de 25/11/1995, que desrespeitavam o prazo nonagesimat Quando da edição da Instrução Normativa, o processo já estava em julgamento, não cabendo mais o disposto no artigo 2° da IN SRF n° 6/2000, mas somente a subtração, pela autoridade julgadora (artigo 3°), da aplicação da Medida Provisória n° 1.212/95. Não se trata, portanto, da exclusão dos débitos lançados, condição não contemplada na IN SRF n° 6/2000, mas tão somente da solicitação da revisão pela autoridade lançadora, em consonância com o disposto no artigo 2°. O próprio acórdão, ao tratar da subtração dos Decretos -Leis es. 2.445 e 2.449, evoca a aplicação da legislação não contaminada. Assim sendo, segundo a fundamentação presente no acórdão, decorre que: "... o sistema de cálculo do PIS, consagrado nas Leis Complementares n's. 7/70, art. 3, "b", e 17/73, art. 1°, parágrafo único, encontram-se plenamente em vigor e a Administração está obrigada a exigir a contribuição, nos termos deste diploma." Se a Medida Provisória n° 1.212/95 não estava em vigor entre 1° de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996, tem-se a mesma situação que para os períodos anteriores, sendo os débitos exigíveis segundo a Lei Complementar n° 7/70 e alterações posteriores não contaminadas, também em conformidade com o parágrafo único do artigo primeiro da Instrução Normativa SRF n° 6/2000. Então como simplesmente excluir os lançamentos de PIS do período se a Administração está obrigada a exigi-los? A mesma revisão que se dará ao lançamento para a aplicação do princípio da semestralidade para os períodos anteriores, é igualmente legítima para rever os lançamentos do período de 1° de outubro de 1995 a 29 de fevereiro de 1996, também os ajustando à Lei Complementar n° 7/70. Este é o entendimento que não resulta em contradições em relação aos fundamentos apresentados no acórdão embargado REQUERIMENTO Em razão do exposto, Senhor Presidente, a autoridade encarregada da execução da Decisão Administrativa prolatada por esse Conselho requer que o Acórdão n° 203.08-357, de 20/08/2002, seja reformado para tornar-se coerente com os fundamentos nele aplicados." CONSTA DA DECISÃO EMBARGADA O QUE A SEGUIR SE TRANSCREVE: "9 - EXCLUSÃO DE PERÍODOS 3; ... , .1' .4s.,. 2g CC-MF -e li-sy i Ministério da Fazenda ite lliwIl. Fl 1" . Zt Segundo Conselho de Contribuintes EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N2 203-08.357 Processo to : 10983.005453/98-65 Recurso n' : 118.482 Ainda que não solicitado pela contribuinte, de oficio, e conforme entendimento já manifestado por este Colegiado, e à luz do disposto na Instrução Normativa n° 06/2000, há de ser excluído do lançamento fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1° de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996. No caso dos autos 11/95,12/95, 01/96 e 02/96." Verifico, às fls. 163 — apuração do débito do PIS —, para os meses de 10/95 a 02/96, a utilização da aliquota e 0,65% e, portanto, a aplicação da Medida Provisória n° 1.212/95. Portanto, outro desfecho teria se tivesse sido utilizada a LC n° 7/70. Dessa forma, penso estar correta a posição externada por este Colegiado, ao excluir do lançamento os meses mencionados. No mais, há de se observar que os declaratórios se prestam ao aprimoramento do julgado e não como meio de a parte demonstrar, mais uma vez, a sua irresignação com o que decidido foi "ex lege", visando à sua modificação. Forte nas razões externadas, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração, mantendo o acórdão recorrido, uma vez que não se vislumbrou a contradição alegada. 1 Sala das Sessões, em 28 de janeiro de 2004 --- MARIA TERARTINEZ LÓPEZ(S.". , 1 4
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Numero do processo: 16327.910633/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. ERRO NA APURAÇÃO DO DÉBITO. COMPROVAÇÃO.
No caso de erro a maior na apuração do débito, é dever do contribuinte comprovar o erro e demonstrar o valor correto, sem o que não pode ser admitida a correção. No entanto, diligência fiscal conclusiva no sentido de reconhecer o erro do contribuinte e indicar o valor correto do débito a ser compensado é fundamento suficiente para reconhecimento do direito do contribuinte.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS COMPENSAÇÃO.
É pré-requisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. No entanto, diligência fiscal conclusiva no sentido de reconhecer o valor correto do crédito é fundamento suficiente para reconhecimento do direito do contribuinte.
Numero da decisão: 3301-003.221
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a correção do valor do débito e o direito de crédito nos termos da diligência efetuada.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a correção do valor do débito e o direito de crédito nos termos da diligência efetuada. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. ERRO NA APURAÇÃO DO DÉBITO. COMPROVAÇÃO. No caso de erro a maior na apuração do débito, é dever do contribuinte comprovar o erro e demonstrar o valor correto, sem o que não pode ser admitida a correção. No entanto, diligência fiscal conclusiva no sentido de reconhecer o erro do contribuinte e indicar o valor correto do débito a ser compensado é fundamento suficiente para reconhecimento do direito do contribuinte. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS COMPENSAÇÃO. É prérequisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. No entanto, diligência fiscal conclusiva no sentido de reconhecer o valor correto do crédito é fundamento suficiente para reconhecimento do direito do contribuinte. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a correção do valor do débito e o direito de crédito nos termos da diligência efetuada. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Liziane Angelotti Meira Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 33 /2 00 9- 21 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 16327.910633/200921 Acórdão n.º 3301003.221 S3C3T1 Fl. 191 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Por economia processual, adoto o relatório deste Tribunal administrativo constante da Resolução nº 3301000.127 – 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária (fls. 90/99): ITAÚ UNIBANCO S.A., já qualificado nos autos, recorre a este Conselho (Recurso Voluntário de fls. 66 e seguintes) contra o acórdão nº 05.32.448, de 07 de fevereiro de 2011, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP (fls. 54 e seguintes), que não reconheceu o direito creditório alegado, não homologando a compensação declarada, através de PERDCOMP (fls.), relativo a crédito de CPMF, conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte alegou que a não homologação da compensação teve como motivo a entrega a DCTF original com informações equivocadas. Informa que apresentou DCTF retificadora que já apresentaria o crédito em disputa. Continuando, a interessada aponta que o pagamento indevido teria como motivo a retenção de CPMF sobre entidades isentas em virtude de seu caráter assistencial (...). Para comprovação do alegado, a contribuinte diz juntar aos autos as correspondentes certidões emitidas pelo Conselho Nacional de Assistência Social, bem como estratos das contas correntes que teriam sofrido a retenção indevida e que também comprovariam os respectivos estornos. Pleiteia ao fim a reforma do despacho decisório.. A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório, sob a seguinte Ementa: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS DE NATUREZA FiNANCEIRA CPMF Anocalendário: 2006 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 16327.910633/200921 Acórdão n.º 3301003.221 S3C3T1 Fl. 192 3 O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente a legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Extraise do v. Acórdão o seguinte trecho (destaques acrescentados): Importante, de início, destacar que o tratamento da declaração de compensação transmitida pela contribuinte se deu de forma eletrônica. A não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de o DARF indicado na DCOMP como origem do crédito aproveitado na compensação ter sido integralmente utilizado na quitação de débitos informados pela própria contribuinte. Vale lembrar que a partir da redação conferida pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002 ao art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, a compensação tributária passou a ser implementada pelo sujeito passivo mediante a entrega de declaração de compensação (DCOMP), da qual constariam informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos. O efeito imediato da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição. Nesses termos, a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. lnconsistentes as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica e a compensação não é homologada. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejando os com os demais por ela informados à Receita Federal em outras declarações (DCTFS, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc.), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Em sede de manifestação de inconformidade, a interessada alega que a DCTF que serviu de base para o despacho de não homologação continha erros que, corrigidos, dariam suporte ao direito de crédito a seu favor aproveitado na compensação declarada. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 16327.910633/200921 Acórdão n.º 3301003.221 S3C3T1 Fl. 193 4 Assim instalada a discussão, o sucesso da contribuinte em ver homologada a compensação declarada nesta instância administrativa, já fora da órbita do tratamento eletrônico, condicionase à comprovação da liquidez e certeza do direito de crédito. A retificadora que pretendeu demonstrar a existência do crédito por si só, não tem o condão de fazer nascer o direito de crédito e de comprometer a decisão que não homologou a declaração de compensação. Lembrese que a entrega da declaração de compensação instrumento que a partir da edição da MP n° 66, de 2002, passou a integrar a própria essência do instituto da compensação, não prescinde da necessidade de que o credor da Fazenda Pública possa comprovar a liquidez e certeza do direito de crédito, nos termos do art. 170, da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN). No caso em foco, em que o crédito aproveitado em declaração de compensação teria suposta origem em pagamento maior que o apurado e devido, a comprovação da certeza e liquidez do direito atase intimamente à necessária comprovação do erro presente em declaração prestada à Administração Tributária. Vale destacar que essa exigência está expressa no artigo 147 do Código Tributário Nacional: Lei nº 5.172, de 1966 (CTN): Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1° A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (...) Notese que, embora tratando de lançamento de oficio, o parágrafo que condiciona a admissão da retificadora à comprovação do erro presente em declaração anterior também se aplica aos casos em que a redução de tributo a pagar tem como efeito a desvinculação de pagamento à dívida anteriormente confessada, como veio a ser a pretensão da contribuinte. No caso dos autos, a afirmação da contribuinte é a de que o pagamento indevido teria origem em retenção de tributo sobre movimentações financeiras praticas por entidades de assistência social imunes à contribuição. Documentação com o fim específico de comprovar essa alegação compõe as fls. 26 a 51 dos autos. A contribuinte trouxe ao exame administrativo certidões emitidas pelo Conselho Nacional de Assistência Social, bem como os extratos bancários das entidades que teriam sofrido a indevida retenção. As citadas certidões, para fins de atestar a não submissão dos correntistas à retenção da CPMF, devem ser examinadas tendo por norte o disposto no § 2o do art. 1o da IN SRF nº 531, de 2005 e art. 1o da Instrução Normativa SRF nº 544, de 2005: IN nº 531, de 2005 Art. 1o. Para efeito do disposto no inciso V do art. 3o da Lei nº 9.311, de 1996, a entidade beneficente de assistência social deverá apresentar â instituição responsável pela retenção da Contribuição Provisória Sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), declaração, na forma do Anexo I, assinada pelo seu representante legal. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 16327.910633/200921 Acórdão n.º 3301003.221 S3C3T1 Fl. 194 5 § 2o A instituição responsável pela retenção da contribuição deverá exigir do interessado cópia autenticada do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social nos termos do Decreto nº 2.536, de 6 de abril de 1998, válido para o período objeto da não incidência da contribuição, que será arquivado juntamente com a declaração de que trata este artigo. IN SRF 544, de 2005 Art. 1o. Na hipótese de não apresentação pelo interessado do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social de que trata o § 2odo art. 1o da Instrução Normativa SRF nº 531, de 30 de março de 2005, poderá ser aceita pela instituição financeira responsável pela retenção da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF) certidão expedida pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) que comprove a situação de pedido de renovação do Certificado ainda pendente de análise no âmbito daquele órgão. § 1o Para os fins do disposto no caput, a instituição financeira deverá exigir nova certidão expedida pelo CNAS a cada seis meses, enquanto não for expedido o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social válido para o período objeto da não incidência da CPMF. È de se reconhecer que as certidões de fls. 26/35, cumprem o disposto nos comandos acima transcritos. Para avançar na análise das provas, importa colocar em foco que o pagamento reclamado como indevido, conforme fl. 10, referese a CPMF para em relação ao período de apuração finalizado em 31/07/2006. Nos termos da Portaria MF nº 244, de 2004, alterada pela Portaria MF nº 433, de 2005, o período de apuração corresponde à movimentação financeira havida entre 21 e 31/07/2006. Assim, relevante para fins de comprovação de retenção indevida de CPMF em relação ao DARF indicado é a indicação de retenção de CPMF em relação a esse período e a prova do correspondente estorno, atestando que a interessada assumiu o ônus financeiro do recolhimento. Nos termos da Portaria MF nº 244, de 2004, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 433, de 2005, a retenção da contribuição poderia ocorrer de duas formas: diariamente ou a cada lançamento, nos termos do inciso I, art. 1o; ou até o segundo dia útil posterior ao término de cada decêndio, caso a instituição assumisse a responsabilidade pelo pagamento da contribuição, como reza o § 1o do mesmo art. 1o. Examinando os extratos juntados aos autos, percebese que essa última foi a forma adotada pela interessada para promover a retenção da CPMF devida pelas citadas instituições. Chegase à essa conclusão porque a inspeção dos registros não aponta a retenção diária de CPMF ou a cada lançamento: a retenção de CPMF é promovida de maneira concentrada após o fim do encerramento do período de apuração. Nesse contexto, a pesquisa da retenção de CPMF em relação ao período de apuração de 21 a 31/07/2006 deve voltarse para o dia 02/08/2006, segundo dia útil após o encerramento do período base . Percorrendo os extratos apresentados pela instituição financeira, verificase que aquele referente à movimentação da conta corrente ... (fls. 36/37) exibe apenas retenção de CPMF ocorrida em 25/07, retenção essa que, à luz do exposto acima, não se refere ao período de apuração origem do direito de crédito aproveitado em Fl. 194DF CARF MF Processo nº 16327.910633/200921 Acórdão n.º 3301003.221 S3C3T1 Fl. 195 6 DCOMP. O mesmo se observa em relação aos extratos dos correntistas...: nenhum deles demonstra retenção efetuada em 02/08/2007. Assim, faltando aos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. Não se conformando com a decisão, o contribuinte protocolizou recurso voluntário, de onde se extrai, em síntese, os seguintes pontos (destaques acrescidos): A não homologação da compensação pleiteada no PER/DCOMP em referência, decorrente de despacho eletrônico, ocorreu por conta de erro do Recorrente, qual seja, a entrega de DCTF original sem a contemplação do valor do crédito. Essa DCTF original, todavia, foi retificada e já comporta o crédito controvertido. O Recorrente, na qualidade de substituto tributário, efetuou retenção e o respectivo recolhimento de Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF sobre diversas operações praticadas pelos seus clientes. No caso em tela, o crédito ora requerido tem como origem o estorno de CPMF de 05 clientes que sofreram retenções indevidas, que somadas, atingem o valor de R$ ..., conforme explicitado na tabela abaixo:... Todavia, cumprenos assinalar que as entidades das quais se reteve a CPMF, dentre as quais, destacamse, ..., não mereciam sofrer tal retenção, uma vez que se tratam de entidades que gozam de imunidade tributária, em virtude do seu caráter assistencial, conforme disposto no artigo 195, § 7o da Constituição Federal. Notese, ainda, que tal imunidade encontrase, também, disciplinada no artigo 3o , V, da Lei 9311/96, conforme transcrição abaixo: (...) Sobredemais, vale registrar que nos termos das anexas Resoluções CNAS nos 3/2009 e 7/2009 (doc. 3), as referidas entidades comprovaram devidamente, através de certidão, o seu caráter beneficente de assistência social. Assim, verificado que tais entidades gozavam do benefício da imunidade tributária, o Recorrente estornou o valor do imposto recolhido indevidamente. Esta afirmativa pode ser comprovada pelos extratos anexos (doc. 4), que comprovam que os clientes receberam o estorno dos valores retidos indevidamente a título de CPMF Destarte, se o valor do imposto já foi estornado para os clientes, resta cristalino que a ora Recorrente foi quem assumiu o encargo financeiro e, consequentemente, faz jus à restituição do indébito tributário ora declarado, nos termos do artigo 166 do CTN, “verbis”: (...) Portanto, não restam dúvidas acerca da existência do direito creditório apresentado pelo Recorrente. Todavia, comprovada a existência de direito líquido e certo a compensação efetuada, a não homologação da compensação pleiteada no Per/Dcomp em referência, decorrente de despacho eletrônico, parece ter ocorrido pela entrega de DCTF Fl. 195DF CARF MF Processo nº 16327.910633/200921 Acórdão n.º 3301003.221 S3C3T1 Fl. 196 7 original sem a contemplação do valor desse crédito. Essa DCTF, entretanto, já foi retificada e já contempla o crédito controvertido. Sendo assim, o erro no preenchimento da DCTF não pode ser utilizado como fundamento para o não reconhecimento de seu crédito e o indeferimento da compensação pretendida. Ademais, em observância ao princípio da verdade material, as provas trazidas aos autos devem ser acolhidas, pois demonstram o recolhimento a maior e o erro no preenchimento da DCTF. Ao final pede a reforma da decisão recorrida, com a homologação da compensação e o cancelamento da cobrança.. (grifos no original) Uma vez distribuído o recurso voluntário interposto neste Tribunal, o então Relator do caso, acompanhado pela turma julgadora, baixou o processo diligência nos seguintes temos (fls. 90/99): Portanto, tendo em vista a plausibilidade das alegações do Recorrente e, em homenagem à busca da verdade real e da economia do processo, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a DRF de origem analise os documentos acostados aos presentes autos e, caso entenda necessário, intime a contribuinte a comprovar a pertinência e veracidade das suas alegações, de modo a demonstrar e existência do indébito alegado. Posteriormente, o fiscal diligente deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo nas PER/Dcomp apresentadas. Na sequência a contribuinte deverá ser intimada para que, no prazo de trinta dias, caso entenda conveniente, apresente manifestação, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolver os autos para este Conselho, para conclusão do julgamento. Realizada a diligência, assim concluiu a fiscalização (fl. 173): O presente processo foi encaminhado a esta DEINF/SPO/DIORT em diligência pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme resolução nº 3301000.127 de fls. 90 a 99, para que a autoridade fiscal “analise os documentos acostados aos presentes autos (fls. 67 a 88), e caso entenda necessário, intime o contribuinte a comprovar a pertinência e veracidade das alegações, de modo a demonstrar a existência do indébito alegado”. Intimado, conforme Termo de Intimação nº 32 de fls. 101 e102, o interessado apresentou a documentação de fls. 104 a 172. Esta documentação comprova a cobrança indevida da CPMF dos clientes Hospital de Caridade Nossa Senhora da Aparecida, CNPJ nº 81.636.979/000190, Associação Santo Agostinho ASA, CNPJ nº 62.272.497/000154, Associação Pais e Amigos dos Excepcionais de Indaiatuba, CNPJ nº 48.175.871/000172, e do Liceu Coração de Jesus, CNPJ nº 60.463.072/000601, bem como o estorno destes valores na conta dos clientes, no valor total de R$ 49.983,43. Respondendo ao quesito do Conselho, é legítimo o crédito de pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 49.983,43 relativo ao Fl. 196DF CARF MF Processo nº 16327.910633/200921 Acórdão n.º 3301003.221 S3C3T1 Fl. 197 8 recolhimento realizado em 07/08/2006, utilizado na PER/DCOMP nº 10044.22394.080906.1.3.044007. Em seguida, o contribuinte foi intimado (fls.174/175 ) e se manifestou nos seguintes termos (fls. 176/177): Assim sendo, diante dos esclarecimentos prestados pelo Recorrente, foi proferido o parecer de fls. 173, reconhecendo ser "é legítimo o crédito de pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 49.983,43 relativo ao recolhimento realizado em 07/08/2006, utilizado na PER/DCOMP nº 10044.22394.080906.1.3.044007" Ou seja, como se vê, restaram esclarecidos todos os questionamentos suscitados pelo CARF, razão pela qual restou demonstrado o pagamento indevido de CPMF de agosto de 2006, o que confirma as alegações trazidas no recurso voluntário. (grifos no original) É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. O objeto deste processo corresponde às questões respondidas na diligência solicitada por meio da Resolução nº 3301000.127– 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária. A diligência foi conclusiva no sentido de que é legítimo o crédito de pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 49.983,43, relativo ao recolhimento realizado em 07/08/2006, utilizado na PER/DCOMP nº 10044.22394.080906.1.3.044007. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, de modo a reconhecer o crédito de pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 49.983,43. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 197DF CARF MF Processo nº 16327.910633/200921 Acórdão n.º 3301003.221 S3C3T1 Fl. 198 9 Fl. 198DF CARF MF
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