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Numero do processo: 10950.902525/2010-86
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita a homologação.
ALEGAÇÕES E PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues (Relator) e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: João Alfredo Eduão Ferreira
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita a homologação. ALEGAÇÕES E PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita a homologação. ALEGAÇÕES E PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente da 3ª Câmara (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 25 25 /2 01 0- 86 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 01/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10950.902525/201086 Acórdão n.º 3803005.034 S3TE03 Fl. 113 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues (Relator) e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Em 21 de outubro de 2014, a repartição de origem devolveu a este Colegiado os presentes autos em razão da detecção de equívoco na anexação, ao presente processo, do acórdão da 3ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF. Em razão desse fato e por se tratar de acórdão da relatoria de Conselheiro que não mais compõe o Colegiado, fui designado como relator ad hoc neste processo, em razão do quê reproduzo o relatório elaborado pelo relator original e adoto o voto por ele redigido, bem como a ementa, com as devidas correções das inexatidões materiais detectadas pela repartição de origem, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento. Trata o processo de manifestação de inconformidade, apresentada em face da não homologação da compensação declarada por meio de Per/Dcomp nos termos do despacho decisório 887103419 emitido pela DRF em Maringá/PR. Segundo o despacho decisório, do qual o contribuinte foi cientificado, a compensação não foi homologada porque o crédito indicado já se encontrava integralmente utilizado. Manifestando a sua inconformidade, a contribuinte, após breve relato dos fatos, suscitou a título de premissas as seguintes questões: (i) a LC nº 70/91, por ser materialmente lei ordinária, poderia ter sido alterada e até revogada pela Lei 9.718/98; (ii) a LC nº 70/91 foi legitimamente revogada (por incompatibilidade) pela Lei 9.718/98; (iii) como a Lei nº 9.718/98 era vigente (sentido amplo) e eficaz desde a sua publicação, foi nessa data que ocorreu a revogação da LC 70/91; (iv) a Lei nº 9.718/98 não foi recepcionada pelo artigo 195, I, da CF, pela redação dada pela EC 20/98; e, (v) não ficou restabelecida a LC 70/91 anteriormente revogada. Consubstanciada em tais premissas a Manifestante observou que havendo a LC nº 70/91 sido revogada legitimamente pela Lei nº 9.718/98, na data de sua publicação, não existia norma válida impondo a exigência da COFINS, seja sobre o faturamento, seja sobre a totalidade das receitas, para concluir pela inconstitucionalidade das modificações de base de cálculo. Ademais, aduziu a contribuinte que a Lei nº 9.718/98, ao tentar fazer incidir a contribuição sobre a totalidade das receitas, mesmo com as exclusões de que trata o § 2º do art. 3º, acabou por alargar o conceito de faturamento para receitas que extrapolavam aquelas decorrentes da venda de mercadorias e serviços. Postulou ao final pela reforma da decisão proferida pela DRF MaringáPR, para homologação integral da compensação pleiteada, e para determinação: a) da suspensão dos valores compensados na presente DComp até que houvesse o julgamento definitivo na esfera administrativa do presente processo, ao qual se encontrava vinculada a presente compensação, por força do previsto no art. 48, § 3º, I, da IN SRF nº 600/05 e § 5º do art. 66 da IN RFB nº 900/08, bem como do art. 151, III, do CTN; b) que a autoridade administrativa se Fl. 113DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 01/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10950.902525/201086 Acórdão n.º 3803005.034 S3TE03 Fl. 114 3 abstivesse de emitir auto de infração e de exigir a aplicação de multa moratória, seja o percentual limitado a 20% legais, seja superior a este; e c) não fosse aplicada multa isolada punitiva, tendo em vista que o crédito tributário ainda se encontrava sob análise do processo de compensação, tendo em vista as implicações que dela pudessem advir. A decisão da DRJ Curitiba/PR, em seu acórdão de n. 0640.386, de 18 de abril de 2013 assim julgou: Assunto: Normas da Administração Tributária Período de Apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. O Julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Quanto ao efeito suspensivo da manifestação apresentada, são oportunas as seguintes considerações da Delegacia de Julgamento: Segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, as declarações de compensação constituem confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados (§ 6º). Essas declarações, acaso não homologadas, são passíveis, em relação à decisão denegatória, de apresentação de manifestação de inconformidade, que, a propósito, deve obedecer ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972, e se enquadrar no disposto no inc. III do art. 151 do CTN, relativamente ao objeto da compensação. Assim, à vista da legislação de regência, uma vez apresentada a manifestação de inconformidade, a exigência do “débito objeto da compensação” encontrase temporariamente suspensa, cabendo à DRF competente observar os efeitos pertinentes. Quanto ao pedido para que não fosse lavrado auto de infração para exigir multa (moratória ou isolada punitiva), tratase de questão que vai além do litígio presente nos autos e que, portanto, não pode ser apreciada no presente âmbito. No que tange à alegação de inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da Cofins pela Lei nº 9.718, de 1998, também não há como analisála no âmbito administrativo. Com efeito, por conta do caráter vinculado da atividade administrativa, considerações sobre a inconstitucionalidade de dispositivos legais não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando, portanto, margem a conjecturas atinentes a juízos de valor. Nesse contexto, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, no caso o Poder Judiciário. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 01/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10950.902525/201086 Acórdão n.º 3803005.034 S3TE03 Fl. 115 4 Em sede de Recurso Voluntário a contribuinte usou os mesmos argumentos usados em sua Manifestação de Inconformidade, qual seja: a inconstitucionalidade da Lei 9.718/98. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Conforme apontado no Relatório supra, tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, adoto o voto redigido pelo relator original, bem como a ementa, com as devidas correções das inexatidões materiais detectadas pela repartição de origem, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. A matéria devolvida para apreciação por esta Corte resumese à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, pois tal premissa serviu como pressuposto ensejador do recolhimento realizado a maior ou indevido pela contribuinte, eis que do aludido alargamento resultaram créditos que foram utilizados em pedido de compensação, com débitos próprios, bem assim à comprovação de liquidez e certeza do crédito tributário alegado pelo sujeito passivo. O alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins foi matéria analisada em definitivo no âmbito do Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a repercussão geral para a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 e, dentre os precedentes destacase aquele cuja ementa transcrevese adiante: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). Por sua vez a Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, introduziu nova redação ao artigo 62 e 62A do RICARF/2009, notadamente ao parágrafo único e inciso I, respectivamente, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 115DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 01/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10950.902525/201086 Acórdão n.º 3803005.034 S3TE03 Fl. 116 5 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. (Grifei). Inferese do texto acima transcrito que a decisão do STF é vinculativa para os órgãos judicantes integrantes do CARF, portanto devendo ser reproduzida pelos seus conselheiros, ex vi da orientação normativa contida no RICARF/09. Os efeitos jurídicos decorrentes dessa decisão também trouxeram implicações em relação ao conceito de faturamento instituído pela LC nº 70/91, que houvera sido alterado com o advento da Lei nº 9.718/98, notadamente no que pertine ao alargamento da base de cálculo, ou seja, a referida decisão devolveu o entendimento dado à definição de faturamento àquele já consagrado pelo artigo 2º do DL nº 70/91, que compreende tão somente o ingresso de receitas provenientes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, ou da combinação de ambos. A este entendimento me filio em observância ao disposto nos artigos 62 e 62 A do RICARF/09, ao contido nos artigos 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97, e no art. 79, XII, da Lei nº 11.941/09. De outra parte, há o tema acerca da não homologação do Per/DComp por meio de despacho decisório eletrônico, que compreende a insuficiência de saldo credor para solver os débitos informados na aludida DComp, sendo certo que a este respeito esteve silente a Recorrente, tanto por ocasião da manifestação de inconformidade aviada, quanto no recurso voluntário interposto, inclusive não constando dos autos os elementos de prova que deveriam consubstanciar os argumentos probantes da liquidez, certeza e exigibilidade do crédito vindicado, o que deveria ocorrer sob à égide do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 (ressalvadas as hipóteses previstas no seu § 4º), eis que cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado, haja vista que tal procedimento é de iniciativa exclusivamente sua. Em contrapartida cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. Com estas observações, em face do disposto no princípio da verdade material, oriento o meu voto pelo desprovimento do recurso, por não restar demonstrada a existência do crédito alegado. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 116DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 01/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10950.902525/201086 Acórdão n.º 3803005.034 S3TE03 Fl. 117 6 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 01/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10580.726305/2009-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Dec 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A
PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA.
INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua
natureza remuneratória.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra que negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 14/12/2015
Participaram da sessão de julgamento o Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Recurso especial provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra que negaram provimento. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator EDITADO EM: 14/12/2015 Participaram da sessão de julgamento o Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra que negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 63 05 /2 00 9- 61 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.726305/200961 Acórdão n.º 9202003.662 CSRFT2 Fl. 1.062 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 14/12/2015 Participaram da sessão de julgamento o Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Trata o presente processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada, tendo em vista classificação indevida de rendimentos na declaração de imposto de renda de pessoa física DIRPF, conforme auto de infração de efls. 2 a 11, cientificado em 30/10/2009. O contribuinte teria classificado indevidamente como rendimentos isentos e não tributáveis os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora Os referidos rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. O agente fiscal entendeu que estas verbas têm natureza eminentemente salarial e que a competência legislativa dos estados não permite que estes emitam normas sobre isenção de imposto de renda, sendo irrelevante que a lei complementar estadual denominasse essas verbas como isentas. O auto de infrações foi objeto de impugnação pelo contribuinte, em 16/11/2009, anexada às efls. 49 a 88 dos autos. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ em Salvador que, por unanimidade, em 07/04/2010, julgou o lançamento impugnado improcedente, mantendo o crédito tributário lançado, conforme acórdão n° 1523.322, às efls. 95 a 100. Inconformado, o contribuinte, em 23/07/2010, apresentou recurso voluntário, às efls. 103 a 139, no qual sustentou, em resumo: Fl. 200DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.726305/200961 Acórdão n.º 9202003.662 CSRFT2 Fl. 1.063 3 · que apenas seguiu a legislação pertinente ao classificar os rendimentos como isentos, em face da lei baiana vigente, devendo o estado da Bahia o responsável pelo tributo que tenha deixado de ser recolhido; · que considerandose entendimentos expressos em resposta do Ministério da Fazenda à Consulta Administrativa feita pelo Tribunal de Justiça do estado da Bahia, com base em nota da AGU, n° 12/2007 e Parecer PGFN/CAT/ n° 179/2009, a aplicação da multa seria indevida e a resposta à consulta vincularia o fisco a esse entendimento; · a nulidade do lançamento pela utilização de base de cálculo incorreta para apuração dos impostos devidos, pela falta de consideração do total dos valores recebidos no período e das despesas e deduções correspondentes; · a indevida tributação dos juros moratórios decorrentes da aplicação da URV. · a natureza indenizatória dos valores recebidos, referentes a diferenças de URV, que foi informada pela própria fonte dos pagamentos e adotada pelo Conselho Federal de Justiça, acórdãos do Poder Judiciário de Rondônia, de dois acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes e Parecer do Ministério Público do Maranhão, por isso seriam tais quantias isentas; · a ilegitimidade ativa da União para exigir o imposto de renda retido na fonte cujo produto pertence ao estado da Bahia, de acordo com o art, 157, inc, I, da CRFB, que estaria abdicando ao seu recebimento por meio de lei estadual; · a existência de quebra do princípio constitucional da isonomia entre o Ministério Público Estadual e o Federal, bem como à Magistratura Federal aos quais se aplica o entendimento da citada Resolução n° 245/2002. A 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara do Conselho de Contribuintes julgou o recurso voluntário em 25/10/2011, resultando no acórdão n° 210201.613, às efls. 143 a 150, que deu a ele provimento, por unanimidade. Esse acórdão recebeu a seguinte9 ementa: RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos membros da magistratura local, as quais, no caso dos membros do ministério público federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Fl. 201DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.726305/200961 Acórdão n.º 9202003.662 CSRFT2 Fl. 1.064 4 Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos membros da magistratura da Bahia, na forma Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido A Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, às efls. 153 a 165, em 03/01/2012, entendendo que o acórdão recorrido merece ser reformado, tendo em vista que a concepção aludida diverge da interpretação proferida no Acórdão nº 220201.213 (acórdão paradigma), da 2ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF. Por isso, a controvérsia apresentada pela recorrente ficou delimitada à tributação pelo IRPF das diferenças de rendimentos pagos aos membros dos ministérios públicos estaduais. Em 20/05/2012, o atual relator, na competência de Presidente da 1ª Câmara, da 2ª Seção do CARF, deu seguimento ao recurso, por entender que, a interpretação dada à lei tributária nos acórdãos recorrido e paradigma é divergente, na forma dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Cientificado, em 31/07/2012, do provimento de seu recurso voluntário e da interposição do recurso especial da Procuradora da Fazenda, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso da Fazenda em 08/08/2012, às efls. 171 a 196. Em seu contra arrazoado, ela retoma a discussão repisando os mesmos argumentos do recurso voluntário: violação ao princípio da isonomia; existência de lei estadual, válida e eficaz, que a isenta do tributo, sendo este pertencente ao estado da Bahia; a natureza indenizatória dos pagamentos, reconhecida por diversos órgãos, jurisprudência administrativa e doutrina; imprestabilidade da base de cálculo utilizada pela fiscalização; e não incidência do imposto sobre juros moratórios por terem também natureza indenizatória. Pelas razões expostas, pleiteia a denegação do Recurso Especial da Fazenda. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Em face do RE e do conteúdo do acórdão recorrido, cingese a discussão ao caráter indenizatório dos rendimentos relativos aos pagamentos recebidos pelo contribuinte, pois algumas matérias trazidas no contraarrazoado nem mesmo foram abordadas pela turma na decisão recorrida ou sequer foram mencionadas naquele RE. A Lei Complementar n° 20, de 08/09/2003, do Estado da Bahia, consignaria o caráter indenizatório dos rendimentos, todavia, a competência legislativa relativa ao imposto de renda é da União, de acordo com o art. 153, inciso IV, da Carta Magna. Dessa forma, é imprescindível que se realize a análise da natureza jurídica dos valores recebidos, de forma a se determinar seu caráter indenizatório ou salarial. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.726305/200961 Acórdão n.º 9202003.662 CSRFT2 Fl. 1.065 5 Questão idêntica já foi trazida, em 03/03/2015, à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim os transcrevo: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: Fl. 203DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.726305/200961 Acórdão n.º 9202003.662 CSRFT2 Fl. 1.066 6 “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. As contrarrazões apresentadas que tratam de matérias distintas do caráter indenizatório dos rendimentos são também conteúdo do recurso voluntário, assim como outras, e não foram apreciadas no acórdão combatido. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 204DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.726305/200961 Acórdão n.º 9202003.662 CSRFT2 Fl. 1.067 7 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 16643.000428/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros deste Colegiado, por unanimidade, SOBRESTAR o presente julgado, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Cristiane da Silva. e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente momentaneamente Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Declarou-se impedido o Conselheiro Valmir Sandri.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros deste Colegiado, por unanimidade, SOBRESTAR o presente julgado, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Cristiane da Silva. e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente momentaneamente Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Declarou-se impedido o Conselheiro Valmir Sandri.
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Resolvem os membros deste Colegiado, por unanimidade, SOBRESTAR o presente julgado, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Cristiane da Silva. e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente momentaneamente Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Declarouse impedido o Conselheiro Valmir Sandri. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 43 .0 00 42 8/ 20 10 -1 5 Fl. 657DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16643.000428/201015 Resolução nº 1301000.140 S1C3T1 Fl. 12 2 RELATÓRIO Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte, acima identificada, foi autuada, em 28/12/2010 (fls. 376 e 384), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), multa de ofício e juros de mora, referente a fatos geradores ocorridos em 31/12/2005 e 31/12/2006. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 389 a 402), a fiscalizada é sucessora por incorporação, ocorrida em 28 de abril de 2006, da empresa VCP Exportadora e Participações Ltda., CNPJ 04.200.557/000127. A VCP deixou indevidamente de adicionar ao lucro líquido apurado em 31/12/2005, para a determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, os lucros auferidos em 2005 por sua controlada (100% do capital) Newark Financial Inc., estabelecida nas Ilhas Virgens Britânicas, no montante de U$ 55.769.817,16 equivalentes a R$130.540.411,03 à taxa de câmbio de R$2,3407 (cotação de fechamento Ptax/venda em 31/12/2005). Devido à matéria tributável apurada em 31/12/2005, os “estoques” de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL compensados em 31/12/2006 mostraramse insuficientes cada um no montante de R$12.232.475,97, o que também foi objeto do lançamento de ofício. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes autos de infração: 3.1. IRPJ (fls. 375 a 378) com base nos artigos 25, §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, 16 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, 3º da Lei nº 9.959, de 27 de janeiro de 2000, 21 e 74 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, 247, 249, inciso II, 250, inciso III, 251, 394, 509 e 510 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), formalizando crédito tributário, calculado até 30/11/2010, no montante de R$58.769.052,34; e 3.2. CSLL (fls. 383 a 386) com base nos artigos 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, 58 da Lei nº 8.981, de 22 de janeiro de 1995, 16 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996, 28 da Lei nº 9.430/1996 e 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, formalizando crédito tributário, calculado até 30/11/2010, no montante de R$21.175.428,77. 4. O enquadramento legal dos juros de mora é o artigo 6º, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 e da multa de ofício é o artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996 (fls. 374 e 382). 5. Irresignada, a empresa, representada por procuradores (fls. 419 a 436), apresentou a impugnação de fls. 407 a 419, protocolizada em 26/01/2011 e instruída com os documentos de fls. 420 a 492, na qual alega, em síntese, que: 5.1 a fiscalização deixou de considerar os prejuízos fiscais acumulados em anos anteriores pela controlada no exterior, conforme documentos de fls. 469 a 486, que podem Fl. 658DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16643.000428/201015 Resolução nº 1301000.140 S1C3T1 Fl. 13 3 compensar o resultado apurado em 2005 no montante de R$130.540.411,03, na forma do artigo 4º da Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal (IN/SRF) nº 213, de 07 de outubro de 2002; 5.2. assim não há lucros no exterior relacionados à controlada Newark Financial Inc. a computar no lucro real da controladora “pela simples razão de que os resultados desta controlada são negativos no período sob exame”; 5.3. se não forem suficientes os documentos apresentados, requer que se converta o julgamento em diligência para apuração dos valores dos prejuízos fiscais acumulados da Newark Financial Inc. a serem compensados com o resultado de R$130.540.411,03 apurado em 2005; 5.4. a existência destes prejuízos restou devidamente comprovada no processo administrativo 16561.000177/200775 objeto de julgamento pela 1ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, na sessão iniciada em 15/12/2010 e retomada em 27/01/2011, cabendo registrar que os documentos de fls. 469 a 486, que instruem esta impugnação, foram coletados naquele processo administrativo; 5.5. a fiscalização se limitou a adicionar ao lucro real da impugnante o lucro líquido contábil da controlada no exterior, no montante de R$130.540.411,03, sem proceder aos ajustes determinados pela legislação brasileira a despeito do mandamento legal expresso neste sentido contido no artigo 25, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.249/1995; 5.6. “estivesse correta a pretensão do auto ora impugnado de adicionar o lucro líquido contábil de controlada, sem os ajustes exigidos pela legislação brasileira, consagrada estaria a utilização desenfreada de paraísos fiscais, visto que, apurado o lucro, poderseia deduzir a sua quase totalidade a título de ‘pagamento a beneficiários não identificados’ que, segundo a legislação brasileira seria não dedutível, mas que constituiria fator de redução do lucro contábil a praticamente zero, lucro contábil este que, no querer da Fazenda Nacional, constituiria o montante a ser computado na determinação do lucro real do investidor brasileiro”; 5.7. a legislação brasileira citada no inciso I do § 2º do artigo 25 da Lei nº 9.249/1995 compreende não somente a lei comercial aplicável à apuração do lucro contábil, mas também a legislação fiscal, como era a dicção expressa do projeto de lei originalmente encaminhado ao Congresso Nacional pelo Poder Executivo (artigo 24, § 2º, do Projeto de Lei nº 913B, de 1995, do Poder Executivo, mensagem nº 932/95); 5.8. quanto à equivalência patrimonial, cabe lembrar a ponderação feita no Parecer da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados em torno da redação final do artigo 25, parágrafo 6º, da Lei nº 9.249/95, segundo a qual “pelas normas propostas, os resultados da avaliação do investimento pelo método da equivalência patrimonial continuarão excluídos da tributação”; 5.9. “a única interpretação do art. 7º da IN/SRF n. 213/02 compatível com o texto legal do art. 25, parágrafo 6º, da Lei n. 9.249/95 é a de que, a norma isencional relacionada ao resultado da equivalência patrimonial, não elide a tributação dos lucros auferidos no exterior, no sentido de que os resultados de equivalência patrimonial não constituem parcela a deduzir dos lucros auferidos no exterior apurados em consonância com a legislação de regência (art. 25, parágrafo 2º, da Lei n. 9.249/95)”; Fl. 659DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16643.000428/201015 Resolução nº 1301000.140 S1C3T1 Fl. 14 4 5.10. “a adequada interpretação do dispositivo contido no art. 7º da IN SRF n. 213/02 é no sentido de que a equivalência patrimonial foi lembrada na regulamentação administrativa 1º) porque ela integra (é parte de) o lucro, 2º) para que não fosse subtraída do montante dos lucros auferidos no exterior a pretexto de ser isenta e 3º) para regular os efeitos temporais inerentes às diversas sistemáticas de apuração do lucro real (trimestral, anual ou com base em balancete de verificação)”, não havendo como se cogitar que a disposição contida no artigo 7º da IN/SRF nº 213/02 possa ser fundamento autônomo do lançamento ex officio relacionado à autuação sob exame; 5.11. em se tratando de subsidiárias indiretas, a disposição aplicável é o § 6º do artigo 1º da IN/SRF nº 213/02 que determina a consolidação dos resultados das subsidiárias indiretas com o da controlada direta, inexistindo base legal para acrescentar aos lucros auferidos pela controladora brasileira a parcela de equivalência patrimonial correspondente à participação que a controlada no exterior detém em sociedade coligada; 5.12. a autuação adicionou ao lucro real da impugnante não somente a equivalência patrimonial de controlada no exterior, mas também a equivalência patrimonial nela contida de coligada da controlada domiciliada no Brasil, em contradição manifesta com as disposições regulamentares, que determinam a consolidação dos resultados na hipótese de participações indiretas relativamente aos lucros auferidos no exterior, não se aplicando aos resultados apurados por coligadas ou controladas domiciliadas no Brasil, por não se subsumir a regra do artigo 25 da Lei nº 9.249/1995 que manda tão somente tributar os lucros auferidos no exterior e também porque esta sociedade brasileira já foi submetida à tributação no Brasil; 5.13. integram o resultado de R$130.540.411,03 parcela de R$191.746.756,00 correspondente à participação de 12,5% da controlada no capital da coligada Aracruz Celulose S.A, sociedade constituída e domiciliada no Brasil (CNPJ 42.157.511/000161, conforme documento de fls. 490 a 492), líquida da respectiva variação cambial (R$200.832.232,00 – R$9.085.567,00); 5.14. cobrar sobre a receita da Aracruz os mesmos tributos já anteriormente cobrados fere o princípio da capacidade contributiva; 5.15. se prevalecerem os fundamentos da autuação, como o artigo 26 da Lei nº 9.249/1995 prevê a compensação contra os impostos devidos no Brasil dos créditos fiscais correspondentes aos impostos pagos pelas coligadas e controladas estrangeiras, a impugnante requer diligência para apurar os valores do IRPJ e da CSLL pagos pela Aracruz a serem compensados contra os tributos objetos dos lançamentos impugnados; 5.16. requer que, na hipótese de ser declarada a inconstitucionalidade dos artigos 21 e 74 da MP n. 2.15835/ 01 pelo Supremo Tribunal Federal na ADI 2.588, seja declarada a correspondente nulidade da presente autuação, fundada que está nos dispositivos em questão, inexistindo no presente feito qualquer alegação, muito menos comprovação, de que tenha ocorrido qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na Lei nº 9.532/1997; 5.17. deve ser rechaçada a pretensão, contida no auto de infração, de fazer incidir multa de ofício sobre os supostos créditos tributários devidos por empresa incorporada pela impugnante, com a justificativa de que as empresas envolvidas na incorporação são controladas pelos mesmos sócios e/ou administradores, visto que em 2009 ocorreu a incorporação da Aracruz Celulose S.A à impugnante, o que fez com que a impugnante seja Fl. 660DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16643.000428/201015 Resolução nº 1301000.140 S1C3T1 Fl. 15 5 companhia com quadro acionário inteiramente diverso do anterior, sendo atualmente o BNDES seu maior acionista; 5.18. ao interpretar sistematicamente o artigo 132 do CTN, o autuante se esqueceu de promover também a integração do artigo 139 do CTN que esclarece que o crédito fiscal diz respeito exclusivamente à obrigação principal, relacionada ao pagamento do tributo; 5.19. o Supremo Tribunal Federal já se pronunciou em diversos julgados no sentido de afastar a penalização da sucessora por infração cometida pela sucedida; e 5.20. em homenagem ao princípio da verdade material, protesta por todos os meios de prova em Direito admitidos. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/SPI), decidiu a matéria por meio do Acórdão 1632.374, de 28/06/2011 (fls. 497), julgando a impugnação improcedente e crédito tributário mantido. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16643.000428/201015 Resolução nº 1301000.140 S1C3T1 Fl. 16 6 Voto O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Tratase de autos de infração de IRPJ e CSLL, anos calendário 2005 e 2006, com notificação em 28/12/2010, cumulados com multa de ofício e juros de mora, em face de Fibria Celulose S.A. Segundo a Fiscalização, a autuada é sucessora por incorporação da empresa Votorantim Exportadora e Participações Ltda (VCP Exp), a qual deixou indevidamente de adicionar ao lucro líquido apurado em 31/12/2005, para a determinação do lucro real e base de cálculo da CSLL, os lucros auferidos em 2005 por sua controlada (100% do capital) Newark Financial Inc., estabelecida nas Ilhas Virgens Britânicas, no montante de U$ 55.769.817,16 equivalentes a R$ 130.540.411,03 à taxa de câmbio de R$ 2,3407 (cotação de fechamento “Ptax/venda” em 31/12/2005). A Fibria Celulose S/A é a atual denominação da Votorantim Celulose e Papel S.A, sucessora por incorporação da Votorantim Celulose e Papel Exportadora e Participações Ltda (VCP Exp), ocorrida em 28 de abril de 2006, CNPJ 04.200.557/0001 27. A VCP Exp declarou em suas DIPJ (s) de 2004 a 2006 a participação de 100% na Newark Financial Inc. (Newark). Devido à matéria tributável apurada em 31/12/2005, os “estoques” de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL compensados em 31/12/2006 mostraram se insuficientes cada um no montante de R$ 12.232.475,97, o que também foi objeto do lançamento de ofício. Segundo a Fiscalização, o valor de R$ 130.540.411,03 deveria ter sido disponibilizado para a sua controladora no Brasil, Votorantim Exportadora e Participações Ltda (VCP Exp), conforme o art. 74 da MP 2.158 35/2001. Como a Votorantim Exportadora e Participações Ltda (VCP Exp) foi incorporada à Votorantim Celulose e Papel S.A (VCP S.A), atual Fíbria Celulose S.A, em 28 de abril de 2006, os autos de infração foram lavrados em face da Fíbria, nos termos do art. 129 e 132 do CTN, referentes à responsabilidade por sucessão incorporação. No recurso interposto a interessada repete as argumentações iniciais, aduzindo pela nulidade da presente autuação, pelos próprios motivos a saber: 5.1 a fiscalização deixou de considerar os prejuízos fiscais acumulados em anos anteriores pela controlada no exterior, conforme documentos de fls. 469 a 486, que podem compensar o resultado apurado em 2005 no montante de R$130.540.411,03, na forma do artigo 4º da Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal (IN/SRF) nº 213, de 07 de outubro de 2002; 5.2. assim não há lucros no exterior relacionados à controlada Newark Financial Inc. a computar no lucro real da controladora “pela simples razão de que os resultados desta controlada são negativos no período sob exame”. Estando a matéria pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal em âmbito de Repercussão Geral, existindo representativo da controvérsia, presente a regra contida Fl. 662DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16643.000428/201015 Resolução nº 1301000.140 S1C3T1 Fl. 17 7 nos §§ 1º e 2º do artigo 62A, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, impõese, de ofício, sobrestarse o feito até que sobrevenha decisão definitiva no Leadin Case, de forma a pacificar o entendimento prestigiandose o entendimento da Corte Suprema e evitandose discussões desnecessárias. Confirase abaixo a regra regimental aludida: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Sendo assim, decido de ofício o sobrestamento do feito. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Fl. 663DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA
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Numero do processo: 10925.720113/2014-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2014
INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CONDUTA. ADEQUAÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA PENAL. OCORRÊNCIA.
No âmbito administrativo, à autoridade julgadora cumpre, tão somente, aferir se a conduta descrita na peça de autuação amolda-se à prevista na norma de sanção que serviu de suporte para a aplicação da penalidade, circunstância que, no caso sob apreciação, resta indubitável.
Numero da decisão: 1301-001.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luís Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2014 INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONDUTA. ADEQUAÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA PENAL. OCORRÊNCIA. No âmbito administrativo, à autoridade julgadora cumpre, tão somente, aferir se a conduta descrita na peça de autuação amolda-se à prevista na norma de sanção que serviu de suporte para a aplicação da penalidade, circunstância que, no caso sob apreciação, resta indubitável.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1868; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 260 1 259 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.720113/201461 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.850 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de dezembro de 2015 Matéria MULTA REGULAMENTAR COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Recorrente VALPASA INDÚSTRIA DE PAPEL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2014 INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONDUTA. ADEQUAÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA PENAL. OCORRÊNCIA. No âmbito administrativo, à autoridade julgadora cumpre, tão somente, aferir se a conduta descrita na peça de autuação amoldase à prevista na norma de sanção que serviu de suporte para a aplicação da penalidade, circunstância que, no caso sob apreciação, resta indubitável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luís Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 01 13 /2 01 4- 61 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10925.720113/201461 Acórdão n.º 1301001.850 S1C3T1 Fl. 261 2 Relatório Cuida o presente processo de exigência de MULTA REGULAMENTAR, formalizada em decorrência da constatação de COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. Em sede de impugnação (fls. 126/138), a autuada trouxe alegações direcionadas para as seguintes matérias: violação ao direito de petição e ao direito de propriedade (multa confiscatória); violação ao postulado da proporcionalidade; e inexistência de ato ilícito a ser penalizado. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, Minas Gerais, apreciando as razões trazidas pela defesa, decidiu, por meio do acórdão nº 09 52.534, de 26 de junho de 2014, pela procedência do lançamento tributário. Referida decisão foi assim ementada: COMPENSAÇÃO Compensação que utiliza crédito oriundo de titulo público deve ser considerada como não declarada. MULTA REGULAMENTAR O destino da multa regulamentar está intimamente ligado ao dos processos que guardam os PER/Dcomps. Ou seja, se não declaração dqa compensação for mantida naqueles processos, a multa há que ser mantida. Se for derrubada total ou parcialmente, a multa deve acompanhar esta decisão1 Às fls. 197/213, foi juntado o recurso voluntário protocolizado em 28 de julho de 2014, em que, basicamente, a contribuinte renova a argumentação expendida na peça impugnatória. É o Relatório. 1 Transcrição literal. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10925.720113/201461 Acórdão n.º 1301001.850 S1C3T1 Fl. 262 3 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Em conformidade com a peça de autuação, à contribuinte, ora Recorrente, foi imputada a realização de COMPENSAÇÃO CONSIDERADA COMO NÃO DECLARADA nos termos da legislação de regência. Em virtude de tal imputação, foi aplicada a multa de ofício de 75%, com suporte no disposto no § 4º do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, abaixo transcrito. Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) O inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, estabelece: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) ... § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) ... II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 262DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10925.720113/201461 Acórdão n.º 1301001.850 S1C3T1 Fl. 263 4 d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) No caso vertente, o crédito indicado pela contribuinte para fins de compensação tributária está representado por valores correspondentes a imóveis de sua propriedade que foram desapropriados pelo IBAMA, restando evidente, assim, que ele, o crédito, não se refere a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Em sede de recurso voluntário, repisando argumentos veiculados por meio da peça impugnatória anteriormente apresentada, a contribuinte tece considerações no sentido de que a multa aplicada representa violação aos seus direitos fundamentais, tais como: devido processo legal; ampla defesa e contraditório; e vedação ao confisco. Em suma, a contribuinte sustenta que o dispositivo legal que serviu de lastro à aplicação da penalidade colide com a Constituição Federal. Tais questionamentos, como é cediço, não podem ser objeto de apreciação em seara administrativa, conforme súmula CARF nº 2, abaixo transcrita. SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Adiante, a Recorrente declina argumentos com intuito de demonstrar que, no caso, inexiste ato ilícito a ser penalizado. Alega que "a multa prevista no art. 18 § 4º da Lei nº 10.833/03 impõe pena aos contribuintes pelo simples exercício regular dos seus direitos, qual seja, o de peticionar aos entes da administração pública, e não por ato ilícito por eles praticados". Mais uma vez, a argumentação expendida pela Recorrente direcionase no sentido de contestar o dispositivo legal, sem, contudo, negar que adotou a conduta nele prevista e autorizadora da aplicação da sanção. No caso vertente, a contribuinte apresentou declaração de compensação indicando como crédito disponibilidades que não guardam qualquer relação com tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal, motivo pelo qual referida compensação foi considerada como NÃO DECLARADA. A referida COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA em virtude da indicação de crédito não se refira a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, tem tratamento específico na legislação tributária, qual seja, aplicação de penalidade, nos exatos termos do disposto no § 4º do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003. Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 263DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10925.720113/201461 Acórdão n.º 1301001.850 S1C3T1 Fl. 264 5 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 16643.720032/2013-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
LUCROS NO EXTERIOR. COLIGADAS. PARAÍSOS FISCAIS. NÃO SITUADA.
Em face da decisão proferida pelo STF no julgamento da ADI nº 2.588, afasta-se a tributação efetuada com base no artigo 74 da MP nº 2.158-35/01 sobre lucros auferidos no exterior por empresas coligadas não situadas em paraísos fiscais.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 1401-001.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Tributação de lucros obtidos no exterior. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CERVEJARIAS REUNIDAS SKOL CARACU S.A. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 LUCROS NO EXTERIOR. COLIGADAS. PARAÍSOS FISCAIS. NÃO SITUADA. Em face da decisão proferida pelo STF no julgamento da ADI nº 2.588, afastase a tributação efetuada com base no artigo 74 da MP nº 2.15835/01 sobre lucros auferidos no exterior por empresas coligadas não situadas em “paraísos fiscais”. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 72 00 32 /2 01 3- 22 Fl. 918DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16643.720032/201322 Acórdão n.º 1401001.497 S1C4T1 Fl. 919 2 Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso. Tratase de recurso de ofício contra acórdão proferido pela DRJ/Brasília que concluiu pela improcedência total dos lançamentos efetuados. No mesmo acórdão, recorreuse de ofício em face da exoneração de crédito tributário que superou o limite previsto na Portaria MF nº 03/2008. Os créditos tributários lançados, no âmbito da Demac/SP, referentes ao IRPJ e à CSLL, devidos nos períodos de apuração correspondentes aos anoscalendário de 2008 a 2010, totalizaram o valor de R$ 161.560.093,58. A autuação foi motivada pela não computação dos lucros auferidos no exterior nas bases de cálculo daqueles tributos. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: É detalhado que o sujeito passivo, nas datas autuadas, detinha participação no capital das investidas HOHNECK S/A e LAMBIC HOLDING S/A, ambas com sede na Argentina, nos percentuais de 49,31% e 21,90%, respectivamente, e, assim, os ganhos produzidos por esses investimentos societários, avaliados pelo método da equivalência patrimonial, devem ser computados nos valores tributáveis pelo IRPJ e pela CSLL, na forma da Lei nº. 9.249, de 1995, art. 25 e §§ 2º e 3º; Instrução Normativa SRF nº. 213, de 2002, art. 6º; e Medida Provisória nº. 2.15835, de 2001, arts. 21 e 74. Consta a ressalva de que a pretensão do fisco brasileiro não recai sobre os contribuintes domiciliados na Argentina, e sim sobre o acréscimo patrimonial obtido pela investidora nacional, que se consideram disponibilizados na data do balanço, conforme art. 74 da precitada MP nº. 2.15835, de 2001, de forma que, nesta circunstância, não se está atropelando a Convenção para Evitar a Dupla Tributação em Matéria de Impostos sobre a Renda e o Capital BrasilArgentina (Dec. nº. 87.896, de 1982). A contribuinte foi cientificada das exigências por via postal em 19/07/2013 (AR à fl. 777), e, irresignada com a acusação fiscal, apresentou em data de 19/08/2013 a impugnação acostada às fls. 804/825, da qual se extrai a síntese exposta a seguir. DA INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO LEGAL Frisa que, consoante detalha textualmente o TFV, o sustentáculo jurídico da exigência tributária é a disponibilidade ficta dos lucros auferidos por investidas da impugnante com domicílio no exterior, nos termos definidos pelo art. 74 da MP nº. 2.15835, de 2001, a respeito do qual, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº. 2.588, julgou parcialmente procedente a ação para, com eficácia erga omnes e efeito vinculante, conferir Fl. 919DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16643.720032/201322 Acórdão n.º 1401001.497 S1C4T1 Fl. 920 3 interpretação conforme, no sentido de que o art. 74 da MP nº. 2.15835/2001 não se aplica às empresas coligadas localizadas em países sem tributação favorecida (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei). No caso concreto, conforme é reconhecido pela própria autoridade fiscal, a impugnante era detentora de 49,31% do capital da HOHNECK e de 12,90% do capital da LAMBIC, sendo as investidas, portanto, coligadas e localizadas na Argentina (não paraíso fiscal), aplicandose, assim, a decisão da Corte Maior, a qual entendeu que tais investimentos não são alcançados pela incidência da tributação prevista no art. 74 da MP nº. 2.15835/2001. Destaca que, nos moldes proferidos, a decisão do STF produz de imediato a eficácia prevista no art. 102, § 2º., da Constituição Federal, assim como no art. 28 da Lei nº. 9.868, de 1999, parágrafo único, reproduzindo excertos doutrinários a respeito da matéria. DO TRATADO FIRMADO ENTRE BRASIL E ARGENTINA Diante da remota eventualidade de rejeição do argumento supra, aponta que há outros motivos para não prevalecerem os lançamentos, em vista das disposições expressas na Convenção firmada entre o Brasil e a Argentina para Evitar a Dupla Tributação e prevenir a Evasão Fiscal (aprovada pelo Decreto Legislativo nº. 74, de 1981 e promulgada pelo Decreto Presidencial nº. 87.896, de 1982), isto porque o art. 98 do CTN estabelece de forma clara que os tratados e convenções internacionais prevalecem sobre a legislação tributária interna, e, no mesmo sentido, o art. 997 do RIR/99. Nesse contexto, ainda que se entenda que, como sustenta a fiscalização, o que está sendo tributado não é o lucro das empresas argentinas (o que seria vedado pelo art. 7º do Tratado), mas sim o lucro da empresa brasileira, de qualquer modo no caso específico do Tratado BrasilArgentina e dos investimentos detidos pela impugnante, mesmo como ficção de dividendos, esta tributação é expressamente vedada. Cita em defesa de sua tese a redação dos arts. 10, §§ 1º e 2º e 23, § 2º, do referido Tratado, para concluir que mesmo que válida fosse a ficção de pagamento dos dividendos, estes teriam sido tributados na Argentina, e, por conseqüência, estariam isentos de tributação do IRPJ no Brasil, estendendose esse entendimento também à CSLL, por ser exação de natureza semelhante ao IRPJ, trazendo a esse respeito citações da jurisprudência e da doutrina. DA NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Admitindo, apenas a título de argumentação, que ainda assim prevaleça a exigência fiscal, desde já impugna a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, argumentando que, seja por enfoque literal, teleológico ou sistemático, a única interpretação possível do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, é que o dispositivo autoriza a incidência de juros somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de ofício lançada, até porque referido artigo disciplina os acréscimos moratórios incidentes sobre os débitos em atraso que ainda não foram objeto de lançamento. Ilustra sua defesa com jurisprudência administrativa, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, acrescentando que o art. 43, parágrafo único, da mesma Lei nº. 9.430, de 1996, corrobora o entendimento de que os juros não Fl. 920DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16643.720032/201322 Acórdão n.º 1401001.497 S1C4T1 Fl. 921 4 incidem sobre a multa de ofício não isolada, pois caso contrário haveria violação não só ao próprio dispositivo como também aos arts. 5º, II e 150, I, da CF/88 e ao art. 97 do CTN. Ao apreciar a impugnação apresentada, a 2ª Turma da já mencionada DRJ/Brasília proferiu o Acórdão nº 0354.935, de 13 de setembro de 2013, por meio do qual decidiu pela improcedência total dos lançamentos efetuados. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 ADI. EFEITOS. EMPRESAS COLIGADAS. PAÍS SEM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. Por força do efeito da decisão proferida pelo STF no julgamento da ADI nº. 2.588, cabe afastar a tributação efetuada com base no art. 74 da MP nº. 2.15835, de 2001, sobre a equivalência patrimonial de investimentos de empresa nacional no capital de coligadas localizadas na Argentina. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento da CSLL o decidido em relação ao IRPJ exigido a partir de infrações da mesma natureza. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O valor do crédito tributário exonerado pela decisão de primeira instância supera aquele previsto no artigo 2º da Portaria MF nº 375/2001, com o valor alterado pela Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008 (tributos e encargos de multa superior a R$ 1.000.000,00), motivo pelo qual o recurso de ofício interposto deve ser conhecido. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16643.720032/201322 Acórdão n.º 1401001.497 S1C4T1 Fl. 922 5 A exigência do presente processo foi fundamentada no comando legal veiculado no artigo 74 da MP nº 2.15835/01, verbis: Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Como se sabe, a constitucionalidade desse artigo foi analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ADI nº 2.588 e seu julgamento definitivo veio a ser conhecido na sessão plenária de 10/04/2013, com resultado publicado em 18/04/2013, com o seguinte teor: Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria, julgou parcialmente procedente a ação para, com eficácia erga omnes e efeito vinculante, conferir interpretação conforme, no sentido de que o art. 74 da MP nº 2.15835/2001 não se aplica às empresas “coligadas” localizadas em países sem tributação favorecida (não “paraísos fiscais”), e que o referido dispositivo se aplica às empresas “controladas” localizadas em países de tributação favorecida ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei), vencidos os Ministros Marco Aurélio, Sepúlveda Pertence, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. O Tribunal deliberou pela não aplicabilidade retroativa do parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15835/ 2001. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa, que lavrará o acórdão. Não participaram da votação os Ministros Teori Zavascki, Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli e Cármen Lúcia, por sucederem a ministros que votaram em assentadas anteriores. Impedido o Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 10.04.2013. (grifei) Portanto, no caso de lucros auferidos por coligadas localizadas em países sem tributação favorecida, o STF declarou que o artigo 74 da MP nº 2.15835/01 é inconstitucional. Os lançamentos, conforme explicitado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 764 a 776), decorrem de lucros auferidos pelas empresas HOHNECK S.A. e LAMBIC HOLDING S.A., cujas participações societárias detidas pela empresa autuada eram, respectivamente, de 49,31% e 12,90%. Fl. 922DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16643.720032/201322 Acórdão n.º 1401001.497 S1C4T1 Fl. 923 6 As hipóteses de controle e coligação1, estão reproduzidas no Regulamento do Imposto de Renda (aprovado pelo Decreto nº 3.000/99) com o seguinte conteúdo: Art.384. Serão avaliados pelo valor de patrimônio líquido os investimentos relevantes da pessoa jurídica (Lei nº 6.404, de 1976, art. 248, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 67, inciso XI): I em sociedades controladas; e II em sociedades coligadas sobre cuja administração tenha influência, ou de que participe com vinte por cento ou mais do capital social. §1º São coligadas as sociedades quando uma participa, com dez por cento ou mais, do capital da outra, sem controlála (Lei nº 6.404, de 1976, art. 243, §1º). §2º Considerase controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores (Lei nº 6.404, de 1976, art. 243, §2º). (grifei) Assim, quaisquer participações superiores a 10% do capital da investida configuram a coligação, desde que a investidora não possua direitos que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. Esta última circunstância, no entanto, não foi apontada pela fiscalização. Ao contrário, sempre que fez referência, no Termo de Verificação Fiscal, à hipótese do artigo 25 da Lei nº 9.249/95 que deveria ser aplicada ao caso, destacou os trechos que tratavam das “coligadas” (fls. 767 e 774). Além disso, nas três DIPJ entregues pela empresa, o percentual sobre o capital votante é sempre idêntico ao percentual sobre o capital total (49,3% e 12,9% Vide fls. 213, 249 e 287). Ademais, os demonstrativos da estrutura societária do grupo empresarial apresentados à fiscalização indicam que o controle das empresas HOHNECK ARGENTINA e LAMBIC ARGENTINA deveriam ser exercidos pela empresa AMBEV (detentora das participações societárias equivalentes, respectivamente, à 50,7% e 87,1% (fls. 447 a 449). Por outro lado, para conferir praticabilidade à aplicação das regras que definem os chamados “paraísos fiscais” (países ou dependências com tributação favorecida e regimes fiscais privilegiados), a Instrução Normativa SRF nº 188/02, depois revogada, bem como a Instrução Normativa nº 1.037/10, listaram essas hipóteses. Em ambos os textos, a Argentina não se encontra na lista dos países com tributação favorecida. 1 Como a empresa foi optante pelo RTT nos anos de 2008 (fls. 184) e 2009 (fls. 218) e a opção era obrigatória no ano de 2010, não se aplicavam à época dos fatos as novas alterações sobre as regras de coligação e controle promovidas pela Lei nº 11.638/07 e 11.941/09. Fl. 923DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16643.720032/201322 Acórdão n.º 1401001.497 S1C4T1 Fl. 924 7 Resta, então, claro o enquadramento do presente caso na situação declarada inconstitucional pelo STF. O afastamento da aplicação de dispositivo de lei que já tenha sido declarado inconstitucional com eficácia erga omnes e efeito vinculante pelo STF é uma medida que se impõe para toda a Administração Pública. No âmbito deste Colegiado, confirase o que dispõe o artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (...) Portanto, correta a decisão recorrida que afastou a tributação de caso que se enquadra na hipótese de artigo declarado inconstitucional com eficácia erga omnes e efeito vinculante. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso necessário. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 924DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 19515.721417/2013-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007, 2008
PAGAMENTOS SEM CAUSA. INCIDÊNCIA DO IRRF.
Ficam sujeitos à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
Numero da decisão: 1402-002.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada e ao recurso voluntário do coobrigado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Mateus Ciccone, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Aplicase a norma de decadência do art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN) aos casos de tributos submetidos ao regime de lançamento por homologação quando o sujeito passivo não realizar os pagamentos ditos antecipados, contandose o prazo qüinqüenal a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. No caso de tributos em relação aos quais o sujeito passivo é responsável tributário pela retenção, esse procedimento não equivaleria à antecipação de pagamento realizada pelo próprio contribuinte, referida no art. 150 do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007, 2008 PAGAMENTOS SEM CAUSA. INCIDÊNCIA DO IRRF. Ficam sujeitos à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada e ao recurso voluntário do coobrigado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 14 17 /2 01 3- 61 Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Mateus Ciccone, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721417/201361 Acórdão n.º 1402002.118 S1C4T2 Fl. 1.738 3 Relatório Tratase de auto de infração à legislação do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, lavrado em 20/06/2013, pela Delegacia Especial de Fiscalização – DEFIS em São Paulo/SP, para constituir o crédito tributário no total de R$ 10.681.062,26 (incluídos o principal, a multa de ofício de 75% e a multa qualificada de 150%, e os juros de mora devidos até a data da lavratura), tendo em conta as irregularidades apuradas, nos anoscalendário 2007 e 2008, descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 195/206, parte integrante da peça acusatória. Foram analisados extratos bancários de titularidade do sujeito passivo em diversas instituições financeiras. Após intimações para que fosse justificados pagamentos e transferências para diversas pessoas físicas e jurídicas, restaram diversos pagamentos não justificados e não escriturados que sofreram a incidência do IRRF como pagamentos sem causa, nos termos do art. 674 do RIR/99. As irregularidades referentes aos pagamentos registrados na contabilidade foram apenadas com multa de 75% e as demais com multa de 150%. Em impugnação a autuada sustenta, sinteticamente: A ocorrência da decadência; Excesso na utilização do MPF; Não houve omissão de receita e nem há justificativa para a imputação da multa qualificada, pois foram prestados todos os esclarecimentos requeridos; Não se justifica a tributação do IRRF pois todos os pagamentos guardam relação com as atividades exercidas pela autuada; e: Não caberia a responsabilidade solidária do sócio, pois não ocorreu o fato imputado e o art. 135 do CTN deveria ser analisado em conjunto com o art. 134, implicando que a responsabilização do sócio só poderia ocorrer na liquidação da sociedade A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento prolatou o Acórdão 1656.3330 acolhendo parcialmente a decadência. Nas demais questões, manteve o lançamento. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorre a este Colegiado ratificando as razões expedidas na peça impugnatória. É o relatório. Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso voluntário da pessoa jurídica autuada e do coobrigado foram apresentados tempestivamente e por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual deles conheço. Registrese que a impugnação da pessoa jurídica, supostamente não apresentada, foi trazida por cópia junto com o recurso voluntário. A arguição de decadência já foi enfrentada pela decisão recorrida tendo sido parcialmente provida e objeto de recurso de ofício, em relação ao qual voto por negarlhe provimento, eis que o acórdão questionado aplicou corretamente a regra do inciso I, do art. 173 do CTN. Registrese que, diversamente do suscitado em sede de recurso voluntário, a regra aplicada pela decisão recorrida não teve por base a ocorrência de fraude. Assim se manifestou o acórdão; [...] Na verdade, a apuração de pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa constituise em indício de irregularidades, alçado ao status de presunção legal que permite concluir que, até prova em contrário, os pagamentos se encontram no campo de incidência do IRRF, configurandose claramente como hipóteses de incidência de tributo, sujeitas a lançamento de ofício, e não a lançamento por homologação, sendo aplicável o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN, tendo por termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. [...] Mesmo que assim não o fosse, a manutenção da multa qualificada, como se verá em momento posterior deste voto, levaria a contagem do prazo para o inciso I, do art. 173, nos moldes decididos pela decisão recorrida. Sendo assim, rejeitase a arguição de decadência suscitada no recurso voluntário. O suposto excesso em relação ao MPF não ocorreu, pois houve a devida alteração para inclusão do IRRF, conforme documento de fl.3. A questão da omissão de receita é estranha ao feito e tratada no processo 19515.721416/201316. Também naquele processo foi abordada a questão do sigilo bancário nos seguintes termos: O fornecimento de informações bancárias pelas instituições financeiras à autoridade fiscalizadora não constitui quebra de sigilo, nos termos do inciso III, do § 3º, do artigo 1º da Lei Complementar nº 105/01, observadas as disposições do artigo 6º dessa mesma norma. Com previsão expressa, não há ilegalidade na obtenção dessas informações: Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721417/201361 Acórdão n.º 1402002.118 S1C4T2 Fl. 1.739 5 Art. 1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (......) § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: (.......) III – o fornecimento das informações de que trata o § 2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; (......) (grifo acrescido) Por sua vez, a Lei nº 10.174/01 deu nova redação ao art. 11 da Lei nº 9.311/96 de forma a permitir que as informações bancárias fossem utilizadas na constituição de crédito tributário relativo a outros tributos administrados pela Receita Federal, além da CPMF: Art. 1o O art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 11................................................................. ............................................................................" "§ 3o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores." (NR) (grifo acrescido) A aplicabilidade dos dispositivos legais em comento só poderia ser afastada por decisão judicial nesse sentido específica para o sujeito passivo ou Acórdão do STF proferido em caráter definitivo com eficácia universal. No mérito, a interessada sustenta que todos os pagamentos guardam relação com as atividades da empresa. Entretanto não apresentou qualquer documento na impugnação ou no recurso. Ressaltese que tal procedimento foi mantido mesmo após a decisão recorrida ter se manifestado de forma esmiuçada sobre cada um dos valores questionados e justificado plenamente o posicionamento de não acatálos. Por questões práticas não transcreverei a criteriosa análise feita pela decisão recorrida mas adoto aqui as mesmas razões de decidir quanto à não aceitação dos pagamentos. Em relação à multa qualificada, todos os pagamentos foram feitos à margem da escrituração de forma a ocultar as operações e os impactos tributários. Correta a imputação da exasperadora. A sujeição passiva solidária justificase pelo fato do sócio ter praticados atos lesivos à pessoa jurídica com impactos tributários qual seja, a utilização de recursos da Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 empresa para pagamento de despesas particulares, enquadrandose perfeitamente no art. 135, do CTN. De todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica e do coobrigado. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 19515.001862/2002-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
LEI COMPLEMENTAR Nº 105 de 2001. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS AO FISCO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL.
A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º).
O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, facultou à Receita Federal a utilização de informações sobre movimentação financeira, resguardado o devido sigilo, para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. Jurisprudência do STJ, em sede de recursos repetitivos (REsp 1134665 SP).
APLICAÇÃO DA LEI. RETROATIVIDADE.
O artigo 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Súmula CARF nº 35.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO DE TODOS OS CO-TITULARES. NECESSIDADE. SÚMULA CARF Nº 29.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do total lançado como omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, o valor de R$ 79.951,29, relativo à conta corrente no Banco Itaú S/A, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, que declarou a nulidade por vício formal em relação a essa conta corrente.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS AO FISCO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, facultou à Receita Federal a utilização de informações sobre movimentação financeira, resguardado o devido sigilo, para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. Jurisprudência do STJ, em sede de recursos repetitivos (REsp 1134665 SP). APLICAÇÃO DA LEI. RETROATIVIDADE. O artigo 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Súmula CARF nº 35. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 62 /2 00 2- 58 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001862/200258 Acórdão n.º 2202003.068 S2C2T2 Fl. 243 2 instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES. NECESSIDADE. SÚMULA CARF Nº 29. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do total lançado como omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, o valor de R$ 79.951,29, relativo à conta corrente no Banco Itaú S/A, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, que declarou a nulidade por vício formal em relação a essa conta corrente. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Fl. 243DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001862/200258 Acórdão n.º 2202003.068 S2C2T2 Fl. 244 3 Em desfavor do contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, do exercício de 1999, ano calendário de 1998, onde lhe foram exigidos R$ 121.171,09 a título de imposto, acrescido de multa de ofício proporcional, no percentual de 75%, e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. No Termo de verificação Fiscal, que consta da folha 168 e seguintes, narra a Autoridade Fiscal que Roberto José de Araújo entregou tempestivamente sua DIRPF/1999, incluindo como dependentes o cônjuge Etelvina Gabriel de Almeida e os filhos Luciane Gabriel de Almeida Araújo, Rodrigo Gabriel de Almeida Araújo e Fernando Gabriel de Almeida Araújo. O procedimento fiscal foi instaurado inicialmente em nome de Etelvina, a fim de verificar movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados, no ano em questão, sendo posteriormente estendido a Roberto José, considerando que ele apresentara a DIRPF, informando Etelvina como dependente. Informou ainda a Fiscalização, na folha 170, que: Conforme informação fornecida pelo Banco Itaú S/A em 15/05/2002 (doc. de fls. 123), a conta corrente n° 215468 é titulada pelo cônjuge Etelvina Gabriel de Almeida e cotitulada pelo fiscalizado, e a conta corrente n° 409376, titulada pelo cônjuge Etelvina Gabriel de Almeida e cotitulada pela filha Luciane Gabriel de Almeida Araújo e por Delvair Luiza Almeida. A cotitular Luciane Gabriel de Almeida Araújo, todavia, conforme se observou, foi incluída como dependente na Declaração de Ajuste Anual do fiscalizado, porém, indevidamente, uma vez que foi apresentada por esta, Declaração de Ajuste Anual do ano calendário de 1998 como proprietária de microempresa (doc. de fls. 164).(grifei) E na folha 171, continuou: O fiscalizado e cônjuge, regularmente intimados, não lograram apresentar, até a presente data, qualquer documento capaz de justificar a origem dos recursos utilizados nas operações discriminadas nas relações de fls. 129 a 136.(destaquei) Tendo em vista que a conta corrente n° 409376 mantida no Banco Itaú S/A, conforme informação prestada pela instituição financeira, é titulada pelo cônjuge do fiscalizado, e cotitulada por Luciane Gabriel Almeida Araújo e Delvair Luiza Almeida, foi atribuído à titular, a terça parte dos recursos depositados/creditados nessa conta corrente (relação de fls. 161 a 163), com base no artigo 1° , parágrafo 2° da IN n° 246 de novembro de 2002 . Tais valores, adicionados aos recursos não comprovados, depositados/creditados na conta corrente n° 215468 do Banco Itaú S/A, foram caracterizados como omissão de rendimentos, na forma do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, alterado pelo artigo 4° da Lei n° 9.481/97 e artigo 849 do RIR/99. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001862/200258 Acórdão n.º 2202003.068 S2C2T2 Fl. 245 4 Bem, em resumo, a Fiscalização apurou duas infrações, que restringiramse: 1) à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários em contas correntes mantidas no Banco Itaú S/A (encerramento do Termo, fl. 173) cuja origem dos recursos não foi comprovada e 2) glosa de dedução correspondente à dependente Luciane Gabriel Almeida Araújo, uma vez que a mesma apresentara declaração em separado. Inconformado com o lançamento tributário, o Contribuinte apresentou Impugnação, conforme fl. 182 e seguintes, onde alegou em suma que a autuação caracterizava "verdadeiro confisco" a seu patrimônio; a exigência de tributo com base em depósitos bancários era "condenada" na doutrina e jurisprudência; a presunção legal poria em risco princípios constitucionais e a Fiscalização não estabeleceu qualquer nexo entre os valores apurados e fatos que pudessem representar omissão de rendimentos. Sua manifestação foi tratada pela DRJ II em São Paulo/SP, que, em suma, assentou não ter sido Impugnada a matéria relativa à glosa de dependente, estando, portanto, fora do litígio; defendeu a manutenção do lançamento com base na presunção legal estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tratando da ausência de apresentação de documentos pelo Contribuinte, da inversão do ônus da prova e dos princípios da legalidade e capacidade contributiva. Discorreu ainda sobre as posições doutrinárias e jurisprudenciais que foram citadas e colacionadas pelo Impugnante. Assim, deuse a decisão de 1ª instância, para considerar procedente o lançamento. Cientificado em 14/08/2008, conforme Aviso de Recebimento na folha 214, o Contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/09/2008, com protocolo na folha 215. Em sede de recurso, assim, em resumo, repisa os argumentos da Impugnação, para manifestar sua inconformidade: a) Constatada a movimentação de recursos em montantes incompatíveis com aqueles informados em sua declaração, a Fiscalização solicitou documentos relativos às contas correntes de sua titularidade/cônjuge, mas ocorre que, além dos extratos de movimentação, que apresentou conforme requerido, não possui qualquer outro documento que pudesse servir aos esclarecimentos solicitados; b) Diz que a movimentação financeira constatada decorre de revenda de "produtos do Paraguai", pertencentes a terceiros, pelo cônjuge e filhos, e que cabialhes um percentual de 20% sobre o valor da venda. Propõe que se considere apenas 20% do valor dos depósitos e o divida por 4, para esposa e três filhos, chegandose a uma renda "inexpressiva". c) Transcreve o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, negritando os parágrafos 3º, II, 5º e 6º; d) Fala da imposição da multa de ofício e transcreve jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes que se refere a "qualificação da multa"; e) Copia, então, tudo o que já dissera na Impugnação. PEDE o acolhimento e o provimento de seu recurso para julgar improcedente a autuação fiscal ou, alternativamente, que a autuação seja proporcional à renda auferida, excluindose inclusive a multa de 75%. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001862/200258 Acórdão n.º 2202003.068 S2C2T2 Fl. 246 5 É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Conheço do recurso, uma vez que tempestivo, conforme relatado, e com condições de admissibilidade. Esclareço que a ciência foi dada no dia 14 de agosto de 2008 e o término da contagem do prazo para a interposição do recurso caiu em 13 de setembro, um dia de sábado, transferindose, portanto, para 15 de setembro, dia da apresentação do recurso. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a existente após a digitalização do processo, transformado em meio magnético. (formato .pdf) Bem, como já assentado pela DRJ, a infração correspondente à glosa de dedução relativa a uma dependente que apresentou declaração em separado, naquele exercício, está fora do litígio, uma vez que não questionada pelo Recorrente e, inclusive, já foram adotadas as medidas para a transferência da parcela do crédito para outro processo. De início, como o lançamento objeto do presente processo versa sobre depósitos bancários de origem não comprovada, esclareço que o contribuinte, regularmente intimado, apresentou à fiscalização os extratos que serviram de base à apuração fiscal, como ele mesmo diz no recurso. A matéria relativa à utilização de informações bancárias por parte da RFB encontrase pacificada no STJ, que decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105 de 2001, ainda que sem o crivo do Poder Judiciário. A ementa do acórdão submetido ao rito do art. 543C do CPC está assim redigida: QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. ... 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a Fl. 246DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001862/200258 Acórdão n.º 2202003.068 S2C2T2 Fl. 247 6 impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. ... 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). ... 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. ... 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(REsp 1134665 SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Outrossim, esclareço que conforme artigo 72 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, as "decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória" pelos seus membros. Sobre a matéria relativa à tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada há várias delas em vigor, que indicam entendimentos convergentes, em inúmeros julgamentos. A utilização de súmulas, que também são aplicadas pelos Tribunais Judiciários, visa a conferir confiança, segurança e eficiência aos julgamentos administrativos, dentre outros princípios a serem observados pela Administração Pública. Diz a Súmula CARF nº 35: O artigo 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001862/200258 Acórdão n.º 2202003.068 S2C2T2 Fl. 248 7 MÉRITO OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O Contribuinte também reconhece que ele e sua esposa, cotitulares de contas bancárias, foram regularmente intimados a comprovar, mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos depositados. Porém, diz que não possui, nem nunca possuiu, qualquer documentação. Os recursos seriam provenientes da revenda de produtos provenientes do Paraguai, sendo que a atividade proporcionaria à esposa e as três filhos apenas "20% de rendimentos" sobre o valor da venda. Primeiro não se tem nenhuma prova de que a origem dos depósitos seria a revenda de tais produtos, segundo, muito menos, que o rendimento seria de 20%. Quanto aos argumentos do Recorrente no sentido de que não é possível a autuação com base apenas nos depósitos bancários, sem que o Fisco demonstre a existência de renda, no conceito dado pelo artigo 43 do CTN, diz o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001862/200258 Acórdão n.º 2202003.068 S2C2T2 Fl. 249 8 § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Ainda tocante a essa matéria, relativa a autuação com base apenas em presunção de renda caracterizada pelos depósitos bancários, baseada exclusivamente nos extratos, destaco que já há entendimento pacificado no âmbito do CARF, com a seguinte Súmula, que é de aplicação obrigatória por estes Conselheiros: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Isso porque existe, no caso, a inversão do ônus da prova, não necessitando o Fisco demonstrar que aquele depósito tratase de ingresso patrimonial inédito na esfera de disponibilidade do contribuinte, portanto passível de tributação, cabendo ao sujeito passivo demonstrar o contrário. As presunções legais são admitidas em diversos casos para fins de tributação e isso não é inovação ou exclusividade da legislação brasileira. Assim, os extratos bancários constantes dos autos (fls. 38 ss.) são suficientes para a comprovação dos depósitos bancários e sobre estes é correta a aplicação da presunção de omissão de rendimentos, quando o contribuinte, regularmente intimado, não demonstra, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. A comprovação da origem dos recursos deve ser feita "individualizadamente", como expressamente prescrito no § 3º do artigo 42, da Lei em comento. Ou seja, feito o lançamento fiscal, onde se demonstra a existência de depósitos em conta corrente de titularidade do contribuinte, no auto de infração lavrado com observância da legislação tributária, cabe a esse, conforme dispositivo legal acima transcrito, identificar, individualizadamente, a origem de cada depósito. Se era revenda de produtos, com rendimento de 20%, onde estão identificadas as entradas e saídas do numerário, quem são os clientes e fornecedores, como se chegou a esse percentual? Isso é o que estabelece a lei, não sendo possível ilidir o lançamento fiscal, que apontou um a um os créditos a serem justificados, com uma alegação genérica. O contribuinte diz que devese basear o lançamento proporcionalmente a sua disponibilidade patrimonial, mas a Súmula CARF nº 26, acima transcrita, que consolida o entendimento jurisprudencial deste CARF, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001862/200258 Acórdão n.º 2202003.068 S2C2T2 Fl. 250 9 Ou seja, a jurisprudência antiga que só aceitava a autuação com base em depósitos bancários se houvesse a demonstração de consumo da renda ou acréscimo patrimonial está superada, prevalecendo a presunção legal e a inversão do ônus da prova. De fato, a presunção legal aqui discutida é relativa, mas o ônus de provar a origem dos depósitos é do Contribuinte, no caso. Quanto à inexistência de recibos de depósitos ou cópias dos cheques ou controles referentes a suas contas correntes, vejamos em destaque a parte do caput do artigo 42: "... regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." Ora, se não fosse obrigado a manter qualquer documentação que desse suporte à sua movimentação bancária, para, quando intimado, comprovar ao Fisco sua atividade informal de revenda de mercadorias, que sentido teria essa parte sublinhada do dispositivo legal? DA TITULARIDADE DAS CONTAS BANCÁRIAS Preceitua o artigo 124, I, do CTN que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Obviamente que o casal, aqui nestes autos, enquadrase nessa situação, ambos interessados na movimentação da conta da qual eram cotitulares. Diz BECHO: “Que é ter interesse comum no fato gerador? Parecenos ser quando há mais de uma pessoa ocupando o mesmo pólo de uma relação jurídica....Há situações econômicas em que mais de uma pessoa ocupa uma mesma posição em relação a outras. É o que ocorre na copropriedade. Quando houver mais de um proprietário (contribuinte), haverá solidariedade entre eles. (BECHO, Renato Lopes. A Responsabilidade Tributária dos Sócios tem fundamento legal? RDDT 182/107, nov/2010, apud PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.952) E arremata o parágrafo único do artigo 124 do CTN que “a solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem”. No caso da conta nº 215468, que conforme o Termo de verificação Fiscal era titulada pelo Contribuinte e seu cônjuge, ambos foram regularmente intimados a comprovar a origem dos depósitos e, considerando que apresentaram declaração em conjunto, figurando um como dependente do outro, a apuração deuse naquele que apresentouse como titular na declaração de rendimentos. Não é o caso, portanto, de se falar no § 6º do artigo 42, porque ele aplicase apenas quando os cotitulares apresentam declaração em separado: § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (sublinhei) Fl. 250DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001862/200258 Acórdão n.º 2202003.068 S2C2T2 Fl. 251 10 Entretanto, para a conta nº 409376, a Fiscalização apontou que eram co titulares Etelvina, Luciane (filha) e Delvair Luiza de Almeida (Termo, fl. 170). Nesse caso, importante transcrever Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (sublinhei) Tendo a Fiscalização, no curso do procedimento fiscal, constatado que a conta pertencia às três titulares acima citadas, tinha por obrigação intimar as três, para a comprovação da origem dos depósitos. Não o fez. Isso decorre da exigência contida no parágrafo 6º acima destacado. A Fiscalização dividiu por três o valor dos depósitos para efetuar a apuração do tributo, mas não intimou todas as cotitulares, não se encontrando nos autos prova da intimação tampouco menção a isso no Termo de Verificação Fiscal. É de se destacar que tal parágrafo só foi incluído pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e o Auto de Infração foi lavrado em 08/01/2003, mas a lei estava em vigor e produzindo efeitos. Também, ressalto que a Fiscalização estava ciente que Luciane Almeida Araújo apresentara declaração em separado, sendo esse inclusive o motivo da outra infração apontada no Auto, para a glosa de dedução com dependente, e que Delvair Luiza não figura como dependente na declaração do Contribuinte sob fiscalização. Por fim, em relação à conta ter sido usada "por terceiros", dizendo que seriam eles sua esposa e filhos, primeiro não traz, como já se disse, nenhuma prova, segundo a esposa é uma das titulares da conta, não podendo ser dita "terceiro". Preceitua o artigo 121 do CTN que contribuinte é aquele que tenha relação pessoal e direta como o fato gerador da obrigação tributária. No caso, a obrigação apurada decorre dos depósitos e quem seriam os contribuintes, na ausência de qualquer prova em contrário, que não os titulares da conta bancária? Esse é o entendimento também já sumulado desta instância recursal: Súmula CARF nº 32: A titularidade das depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.(sublinhei) DOS LIMITES PARA A TRIBUTAÇÃO COM BASE NOS DEPÓSITOS, NO CASO DE PESSOA FÍSICA Verifico no rol de depósitos (fl. 132 e ss.) na conta nº 215468 sobre os quais os Contribuintes foram intimados a apresentar comprovação da origem que apenas um valor é superior a R$ 12.000,00, qual seja, um depósito de R$ 20.000,00 em 11/09/1998. Considerando que o total de depósitos cuja origem não foi comprovada na conta com dois cotitulares foi de R$ 359.590,85 (fl. 171), estão observados os limites estabelecidos no inciso II, do parágrafo 3º Fl. 251DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001862/200258 Acórdão n.º 2202003.068 S2C2T2 Fl. 252 11 do dispositivo legal em comento, não havendo razão para o destaque que fez o Contribuinte, na peça recursal. Vejamos a interpretação dada pela jurisprudência consolidada deste CARF, para os limites do art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/96, conforme Súmula CARF nº 61: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Os depósitos iguais ou inferiores a R$ 12.000,00, no caso, importam em R$ 339.590,85 (o total apurado menos o citado depósito de R$ 20.000,00) e, mesmo considerando a existência de dois titulares, a soma para cada um ainda é bem maior que R$ 80.000,00. DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA Neste aspecto, importante frisar que a falta de recolhimento do imposto constatada nos autos enseja sua exigência por meio de lançamento de ofício, com a aplicação da multa de ofício de 75%, prevista na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44, inciso I, que dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” A jurisprudência colacionada pelo Recorrente referese à multa qualificada, que tem seu percentual dobrado, para 150%, quando se constata a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que não foi o caso. Portanto, falar aqui em "qualificação da multa" é totalmente descabido, bastando observar que a Fiscalização não a aplicou, no auto de infração. Portanto, a cobrança da multa lançada de 75% está devidamente amparada no dispositivo legal citado e importante lembrar da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto a tratarse de "confisco", importante esclarecer que o princípio da vedação de tributo confiscatório não é um preceito matemático, envolve conceito jurídico indeterminado, é critério informador da atividade do legislador e do Poder Judiciário, a quem caberia reconhecer eventual inconstitucionalidade de tributo ou penalidade, a pretexto de serem confiscatórios. CONCLUSÃO Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, considerando que a conta nº 409376 no Banco Itaú S/A tinha três titulares bem identificadas no Termo de Verificação Fiscal e, na ausência de intimação das três para justificar a origem dos depósitos, Fl. 252DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001862/200258 Acórdão n.º 2202003.068 S2C2T2 Fl. 253 12 aplicandose a Súmula CARF nº 29, VOTO por dar provimento parcial ao recurso para excluir do total lançado como omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, o valor de R$ 79.951,29, da referida conta, discriminado mensalmente na folha 172. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 19515.003080/2006-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
AMOSTRA GRÁTIS. BRINDES. DESPESAS. DEDUTIBILIDADE.
A dedução de despesas com amostra grátis na apuração do lucro real é permitida, observando o limite de 5% da receita líquida obtida na venda dos produtos, situação não aplicada ao gasto com brindes, cuja dedução é expressamente vedada.
DESPESA COM COMBUSTÍVEL. GLOSA IMPROCEDENTE.
É improcedente a glosa da despesa com combustível, fundamentada apenas na ausência de menção à placa do veículo abastecido no campo de descrição da nota fiscal.
ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. GLOSA IMPROCEDENTE.
Improcedente a glosa de encargos de depreciação quando verificado que o sistema de controle do ativo imobilizado e de sua respectiva depreciação está adequado à legislação fiscal.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido quanto à infração que além de implicar o lançamento de IRPJ provoca o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a este outro lançamento naquilo em que for cabível.
Numero da decisão: 1401-001.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas-Bôas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas-Bôas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
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BRINDES. DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. A dedução de despesas com amostra grátis na apuração do lucro real é permitida, observando o limite de 5% da receita líquida obtida na venda dos produtos, situação não aplicada ao gasto com brindes, cuja dedução é expressamente vedada. DESPESA COM COMBUSTÍVEL. GLOSA IMPROCEDENTE. É improcedente a glosa da despesa com combustível, fundamentada apenas na ausência de menção à placa do veículo abastecido no campo de descrição da nota fiscal. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. GLOSA IMPROCEDENTE. Improcedente a glosa de encargos de depreciação quando verificado que o sistema de controle do ativo imobilizado e de sua respectiva depreciação está adequado à legislação fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto à infração que além de implicar o lançamento de IRPJ provoca o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a este outro lançamento naquilo em que for cabível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 30 80 /2 00 6- 87 Fl. 4885DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.579 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar VillasBôas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 4886DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.580 3 Relatório Tratase de recurso de ofício no Acórdão nº 1624.165, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo ISP. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo parte deste relatório apenas naquilo que é pertinente ao exame do recurso de ofício: Tratase de impugnação a auto de infração lavrado com fundamento em glosa de despesas, em que foi constituído crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$ 14.820.346,03 e, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$ 5.335.324,53, neles incluídos a multa e o juros moratórios devidos até 30.11.2006 (As. 1.008/1.019). Os enquadramentos legais encontramse grafados nos campos específicos do auto de infração. " A autuação está fundamentada em três "Termos de 'Apresentação de Documentos e de Constatação", numerados de 01 a 03. Cada um desses termos, por sua vez, estão acompanhados por três anexos, sendo que nos de n° 01 de cada um deles estão discriminados os lançamentos contábeis de despesas que a contribuinte conseguiu demonstrar a dedutibilidade com documentação hábil. Já nos Anexos 02 e 03 estão relacionados valores de despesas não comprovados, pelos motivos que se seguem: I) Termo de Apresentação de Documentos e de Constatação n° 01 (fls. 471/479): Conta "41812990 Propagandae Publicidade Outras", no montante de R$ 993.684,91, uma vez que não foi apresentado qualquer comprovante (Anexo 2); Conta "ST421501 Máquinas e Equipamentos (Statutory)", no montante de R$ 12.487.117,43, uma vez que não foi apresentado qualquer comprovante e, no caso de depreciações, faltou apresentar os demonstrativos de cálculos (Anexo 2); . Conta "ST421504 Máquinas de Escritório (Statutory)", no montante de R$ 1.269.212,24, uma vez que não foi apresentado qualquer comprovante e, no caso de depreciações, faltou apresentar os demonstrativos de cálculos (Anexo 2); • Conta "41812990 Propaganda e Publicidade Outras", no montante de R$ 942.246,28, uma vez que os comprovantes apresentados foram considerados inábeis (Anexo 3); II) Termo de Apresentação de Documentos e de Constatação n° 02 (fls. 969/982): Contas "41410301 Manutenção de Software", "41710103 Combustíveis e Óleos Lubrificantes", "41810310 Material de Campanha em TV", "41810910 Promoção Escrit. Literat. Impressa", "41410902 Manutenção de Instal, e Equiptos", "41412901 Ativos Imobilizados de Baixo Valor Outr", "41811110 Amostra Distribuída ICMS/IPI", "41811610 Congressos", no montante.de R$ 1.857.442,63, uma vez que não foi apresentado qualquer comprovante (Anexo2); • Contas "41410301 Manutenção de Software", "41710103 ', Combustíveis, e Óleos Lubrificantes", "41810910 Promoção Escrit. Literat. Impressa", "41.410902 — Manutenção de Instal, e Equiptos.", "41811610 Congressos", no montante de R$ 3.618.137,13, uma vez que os comprovantes apresentados foram , , considerados inábeis (Anexo 3); Fl. 4887DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.581 4 III) Termo de Apresentação de Documentos e de Constatação n° 03 (fls. 999/1005): • Contas "41710101 Hospedagem" e "41710102 Alimentação", no montante de R$ 424.263,61, uma vez que não foi apresentado qualquer documento (Anexo 2); ¡ • Conta "41710101 Hospedagem", no montante de~ R$ 1.373.604,56, uma vez que os documentos apresentados foram considerados inábeis (Anexo 3); Intimada da autuação em'28.12.2006, a contribuinte apresentou a peça impugnatória (fls. 1030/1114) em 22.01.2007, cujas alegações, em síntese, são as que.se seguem: , , (i) Merece ser anulada a autuação ou retificado seu valor, uma vez que a contribuinte apresentou, no anocalendário de 2001, saldos negativos de IRPJ (R$ 3.296.740,92) e de CSLL (R$ 1.386.099,95), que sequer foram mencionados na presente autuação, conforme atesta sua DIPJ (Doc. 7); (ii) A Impugnante atua no ramo farmacêutico, cabendo aos médicos a prescrição de medicamentos, de modo que o trabalho de promoção institucional ou dos produtos junto a esses profissionais é essencial, haja vista que a propaganda de medicamentos é vedada; (iii) As verbas de marketing com eventos e congressos/passagens, hospedagens, elaboração de materiais promocionais, sejam catálogos, livros sobre matéria médica, etc. estão estritamente vinculadas às atividades da empresa e são absolutamente necessárias para sua sobrevivência; (iv) A fiscalização, em momento algum, levantou, qualquer suspeita em relação a favorecimento indevido de terceiros, inexistindo alegação de que as notas seriam inidôneas ou que haveria indícios de fraude, ao contrário, as despesas foram registradas, os "valores são consentâneos com os tipos de produtos e serviços envolvidos; (v) As despesas de publicidade glosadas e discriminadas no Anexo 2 do Termo n° 01 foram comprovadas pelos documentos numerados de 1 a 13 [vols. 7 e 8], colocados à disposição da fiscalização, mas que não foram objeto de análise; (vi) Os encargos de depreciação glosados e elencados no Anexo 2 do Termo n° 01 poderiam ser comprovados se a fiscalização tivesse requisitado o relatório de qualquer lançamento de seu software que controla o imobilizado e que contém o registro do valor de depreciação apropriado em relação a cada um dos itens do ativo imobilizado ("LITs"), mas que não foi feito; (vii) Contudo, não seria materialmente possível imprimir os relatórios de todos os itens do imobilizado, fazer referência com todos os "LITs", demonstrar as taxas adotadas para cada um e segregar todas as notas fiscais, identificando cada item do imobilizado, uma vez que a quantidade de documentos e referências seria "monstruosa". (viii) Não obstante, a impugnante fez juntar, por amostragem, notas fiscais e demonstrativos de cálculos de alguns dos itens que compõem cada um dos tipos de bens elencados pela autoridade autuante (docs. "REFERÊNCIA A" até "REFERÊNCIA I", bem como doCs. "PROVA 01" até "PROVA 24"), cujas despesas de depreciação foram objeto de glosa [vols. 9 e 10]; (ix) As glosas referentes ao Anexo 3 do Termo n° 01 (documentação supostamente inábil), não se justificam por qualquer das hipóteses indicadas pelo agente fazendário, sendo a seguir apresentados os argumentos que apontam a incorreção do lançamento efetuado e documentos 1 a 17 [vols. 10 e 11]; Fl. 4888DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.582 5 (x) A Impugnante, em relação às despesas glosadas por ausência de tradução juramentada, traz os seguintes documentos: propostas, invoices e contratos de câmbio, sendo que a tradução juramentada está sendo providenciada. As despesas comprovadas estão relacionadas a (Documento 1) patrocínio de site que congrega artigos médicos e estudos de casos, entre outros, para que médicos "patrocinados" pela empresa tenham acesso a esses dados, em um ambiente personalizado que permita a divulgação de dados da Impugnante; (Documento 2) prestação de serviços pela MediTech, empresa que presta serviços de assessoria de marketing e treinamento a empresa da área farmacêutica; e (Documentos 3 e 4) prestação de serviços com GardinerCaldwell Communications Ltd, em relação à publicação de material vinculado a tratamento e estudos de caso vinculados ao câncer; (xi) Em relação à glosa decorrente da ausência de apresentação do contrato de prestação de serviço ou proposta de prestação de serviço com pedido de compra, dos comprovantes de pagamento, do relatório para justificativa da despesa e de evidências da realização do serviço, a Impugnante apresenta os Documentos n° 5, 8,9, 10, l1e 13; (xii) Quanto à glosa decorrente de ausência de apresentação de folha de pagamento de salários e demais proventos para comprovação das despesas (documentos comprobatórios da realização da despesa), a Impugnante apresenta os Documentos 6, 7 e 12; (xiii) Em relação à glosa com fundamento em ausência de apresentação do contrato de prestação de serviço, dos comprovantes de pagamento e de evidências da realização do serviço, a Impugnante junta, os Documentos 14, 16 e 17; (xiv) Já a glosa decorrente da divergência entre o valor do documento 15 apresentado com os registros contábeis decorre do fato da diferença de R$ 5.819,55, entre o valor constante do recibo, de R$ 29.096,00, e do lançamento contábil de R$ 34.915,55, corresponder áo percentual exato de 20% referente à contribuição da empresa ao INSS; (xv) Quanto às glosas referentes ao Anexo 2 do Termo n° 02, .constituídas sob a alegação de que não foram apresentados quaisquer documentos capazes de validar seus lançamentos, foram apresentados os documentos numerados de 1 a 33 [vols. 11 e 12] que demonstram a necessidade, efetividade e usualidade dos valores glosados, observando que o lançamento referente ao documento 1 foi glosado em duplicidade; (xvi) As glosas relativas ao Anexo 3 do Termo n° 02 correspondem a despesas relativas, em sua maioria, a Congressos, além daquelas atinentes a Promoção Literária, Manutenção de Software, Manutenção de Instalação .de Equipamento e Combustíveis e óleos realizadas durante o anocalendário de 2001, estando comprovadas pelos Documentos de n° 1 ao 70 [vols. .12 ao 21]; (xvii) Quanto às glosas referentes ao Anexo 2 do Termo n° 03, constituídas sob a alegação de que não foram apresentados quaisquer documentos capazes de validar seus lançamentos, referentes a gastos com viagens e representações, foram apresentados os documentos numerados de 1 a 13 [vols. 21 e 22] dão lastro a esses gastos; (xviii) Relativamente às glosas relativas ao Anexo 3 do Termo n° 03, também referentes a viagens e representações, os gastos estão amparados pelos Documentos'de n°s. 1 ao 25 [vols. 22 e 23]; A contribuinte trouxe com sua impugnação planilha contendo encargos de depreciação de alguns itens de seu ativo imobilizado, escolhidos aleatoriamente, a título exemplificativo, tendo aduzido que cada uma das rubricas de despesas de depreciação discriminadas pela autoridade fazendária abarcaria uma infinidade de itens de seu imobilizado, razão pela qual os correspondentes relatórios provocariam uma produção de material tão vultosa, a ponto de tornar inexequível a auditoria, em tempo razoável, de todo a documentação gerada. Fl. 4889DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.583 6 Dado o caso concreto, entendeu esse relator ser necessária a realização de diligência para verificar a regularidade desse item de despesa com base em amostragem, tendo sido os autos encaminhados à Delegacia de Fiscalização em São Paulo, com a solicitação de que a autoridade fiscal analisasse os documentos de fls. 1.533/1.874, bem como requisitasse da contribuinte quaisquer outras informações e documentos necessários ao esclarecimento da regularidade dos gastos incorridos com despesas de depreciação, conforme despacho de fls. 4505/4506. Às fls. 4631/4634, o autor do feito fiscal e diligenciante elaborou relatórios em que concluiu que as depreciações reconhecidas pela contribuinte, no montante de R$ 13.756.329,67, foram^adequadas. Notificada do relatório de diligência, a contribuinte manifestouse às fls. 4635/4636, em que afirma a correção de seus procedimentos e pede que seja julgada improcedente a autuação. A DRJ, por unanimidade de votos, considerou PROCEDENTE EM PARTE o lançamento e RECORRENDO DE OFÍCIO da parte CANCELADA, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 DIPJ. SALDOS NEGATIVOS. COMPENSAÇÃO POSTERIOR. LANÇAMENTO. RETIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Verificado que saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados em Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica referentes ao ano fiscalizado foram/Compensados com débitos de períodosbase posteriores, improcedente a alegação de retificação do lançamento. | TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto à infração que além de implicar o lançamento de IRPJ provoca o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a este outro lançamento naquilo em que for cabível. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 COMPROVANTES DE PAGAMENTO. NATUREZA DO GASTO. É mantida a glosa de despesas quando o contribuinte deixa de apresentar ^comprovantes de pagamento ou documentos necessários para se verificar a natureza do gasto e aferir sua necessidade, usualidade e normalidade para a manutenção das atividades da pessoa jurídica. AMOSTRA GRÁTIS. BRINDES. DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. A dedução de despesas com amostra grátis na apuração do lucro real é permitida, observando o limite de 5% da receita líquida obtida na venda dos produtos, situação não aplicada ao gasto com brindes, cuja dedução é expressamente vedada. DESPESA COM COMBUSTÍVEL. GLOSA IMPROCEDENTE. É improcedente a glosa da despesa com combustível, fundamentada apenas na ausência de menção à placa do veículo abastecido no campo de descrição da nota fiscal. Fl. 4890DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.584 7 ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. GLOSA IMPROCEDENTE. Improcedente a glosa de encargos de depreciação quando verificado que o sistema de controle do ativo imobilizado e de sua respectiva depreciação está adequado à legislação fiscal. É o relatório. Fl. 4891DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.585 8 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade. O Contribuinte, conforme petição de fls.4860 e documentos acostados, abdica da discussão administrativa na matéria remanescente do recurso voluntário em caráter irrevogável e irretratável, ao ingressar no parcelamento, nos seguintes termos: Tendo em vista a manutenção de parcela do crédito tributário e a reabertura do prazo para adesão ao programa de parcelamento e pagamento à vista com os benefícios previstos na Lei n.° 11.941/09, por força do artigo 17 da Lei n.° 12.865/131, a Requerente efetuou o pagamento dos débitos nos termos abaixo: a) Débito de IRPJ Código 2917: o valor principal de R$1.996.616,57 e o valor dos juros de R$2.217.472,31, já considerando a redução de 45% prevista pela lei, foram devidamente quitados conforme guia DARF (Doe. 01); b) Débito de CSLL Código 2973: o valor principal de R$718.781,03 e o valor dos juros de R$798.290,03, já considerando a redução de 45% prevista pela lei, foram devidamente quitados conforme as guia DARF (Doe. 01) Sendo assim, em cumprimento aos requisitos legais, mais precisamente ao artigo 14 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 07/2013, a Requerente desiste da discussão tão somente acerca dos débitos mantidos pela DRJ e regularmente quitados conforme documentos de arrecadação acostados à presente petição. Portanto, a lide circunscrevese apenas à análise do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO TERMO DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E DE CONSTATAÇÃO N° 01 Anexo 2 O único item que foi cancelado desse Termo (Anexo 2) foi o que se refere à glosa de depreciação. Glosa de depreciação Uma das glosas efetuadas foi sobre os encargos de depreciação que não teriam sido comprovados, segundo o fiscal, pela falta de apresentação de demonstrativos de cálculos que pudessem demonstrar o cumprimento das normas regulamentares, especificamente, o disposto nos artigos 307 a 313 do RIR/99 (fls. 471/479). Fl. 4892DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.586 9 A contribuinte em sua impugnação alegou que a fiscalização poderia terlhe requisitado o relatório de qualquer lançamento do sistema que conteria o registro do valor de depreciação apropriado em relação a cada um dos itens do ativo imobilizado ("LITs"), mas que não foi feito. Complementa que não seria materialmente possível imprimir os relatórios de todos os itens do imobilizado, fazer referência com todos os "LITs", demonstrar as taxas adotadas para cada um e segregar todas as notas fiscais, identificando cada item do imobilizado, uma vez que a quantidade de documentos e referências seria "monstruosa". A fim de provar que suas alegações eram consistentes, juntou, por amostragem, notas fiscais e demonstrativos de cálculos de alguns dos itens que compõem cada um dos tipos de bens elencados pela autoridade autuante (fls. 1.533/1.874), cujas despesas de depreciação foram objeto de glosa. A DRJ, por sua vez, sensibilizouse com o pleito do contribuinte e com o conjunto de provas carreado aos autos e baixou o processo em diligência para que o autuante fizesse uma amostragem de dados e aprofundasse a auditoria, bem assim analisasse os documentos juntados (fls. 1.533/1874). O diligenciante elaborou relatório cujas conclusões, juntadas às fls. 4633/4634, dão total razão ao contribuinte: "(...) III DAS CONCLUSÕES Em decorrência desta diligência, concluímos, com relação às despesas de Depreciação de R$ 13.756.329,67, que: a) Pelos documentos e explicações apresentadas pelo contribuinte os valores das depreciações 'glosadas" pela fiscalização, objeto parcial dos Autos de Infração às fls. 1008 a 1018 (Volume 6), foram realizadas" por processamento eletrônico de dados, pelo aplicativo denominado 'SAP R/3'. b) As explicações e demonstrações realizadas pelo contribuinte durante esta diligência, deramnos a convicção de que o aplicativo software') 'SAP R/3', cumpriu adequadamente em 2001, o Regulamento de Imposto de Renda, no que se refere a incorporação de bens no Ativo Imobilizado e a realização das depreciações. Isto posto, considerando que, S.M.J., o Sistema de Processamento de Dados utilizado para realização das imobilizações.e depreciações, no curso do ano de . 2001, adequouse às regras estabelecidas pela Receita Federal, e que os testes de validação dos valores das depreciações, igualmente revelaram serem consistentes, concluímos, dentro dessa premissa estatística, que o montante de R$ 13.756.329.67. correspondente a parte das depreciações realizadas em 2001. também foi adequado. (...)" Portanto, revisados os autos e não tendo nada a reparar na decisão de piso que considerou também o resultado de diligência em sentido favorável ao contribuinte, NEGO provimento a este item do Recurso de ofício. Fl. 4893DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.587 10 ANEXO 3 Ainda referente ao Termo de Constatação nº1: A Contribuinte ainda na fase impugnatória trouxe documentos para comprovar as despesas de publicidade referentes à conta "41812990 Propaganda e Publicidade", relacionadas no Anexo 3, não aceitas pelo fiscal porque os documentos apresentados durante a fase de fiscalização foram considerados inábeis, conforme os seguintes critérios: As glosas foram efetivadas porque o contribuinte não apresentou os seguintes documentos: (4) os contratos, os comprovantes de pagamento e, tampouco, as evidências dos serviços prestados; (5) os respectivos contratos de prestação de serviços ou proposta de prestação de serviços com pedido de compra; (7) os comprovantes de pagamentos; (8) tradução juramentada dos contratos, uma vez que estão em língua estrangeira, com respectivos valores em moeda estrangeira; (10) relatório explicativo para justificar a despesa como necessária às atividades da empresa; (16) evidências da realização dos serviços contratados; (18) não apresentou a "folha de pagamento" de salários e demais proventos, para comprovar a despesa; (19) o valor do documento apresentado não confere com os registros contábeis. Despesa Data doe. Valor Motivo da glosa N* Docs. Publicidade 03.05.2001 89.373,75 8 1 Publicidade 30.07.2001 116.008,52 8 2 Publicidade 02.11.2001 41.559,47 8 3 Publicidade 02.11.2001 40.356,88 8 4 Publicidade 24.04.2001 68.965,52 5,7,10 e 16 5 Publicidade 29.11.200! 48.000,00 18 6 Publicidade 01.11.2001 48.000,00 18 7 Publicidade . 09.01.2001 61.166,55 5.7,10 e 16 8 Publicidade 05.01.2001 33.413,00 5,7,10 e 16 9 Publicidade 27.03.2001 68.965,52 5,7,10 e 16 10 Publicidade 11.10.2001 76.826,00 5,7,10 e 16 11 Publicidade 17.07.2001 37.950,00 18 12 Publicidade 11.12.2001 34.020,00 5,7, 10 e 16 13 Publicidade 15.10.2001 43.760,00 4 14 Publicidade 23.07.2001 34.915,55 19 15 Publicidade 24.05.2001 68.965,52 4 16 Publicidade 24.08.2001 30.000,00 4 17 A DRJ cancelou apenas o lançamento referente ao doc. 15 porque o contribuinte justificou a incoerência inicial de dados apresentados inicialmente ao fiscal, nos seguintes termos: O doc. 15 é composto de um Recibo de Pagamento .a Autônomo RPA, no valor bruto de R$ 29.096 (centavos ilegíveis) que, depois das deduções de R$ 7.641,48 e R$ indicam um valor líquido de R$ 20.000,00. Também foi juntado comprovante, bancário do referido pagamento. A glosa foi motivada porque o valor contabilizado de despesa, de R$ 34,915,55, não conferia com aquele constante do recibo, de R$ 29.096. Sucede que a diferença de R$ 5.819,5 corresponde a exatamente ao valor da contribuição da empresa ao INSS incidente em V/i obre R$ 29.096. Fl. 4894DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.588 11 Portanto, sendo plausível a explicação dada pelo contribuinte e, uma vez que a glosa foi motivada unicamente em razão da referida diferença, essa despesa de R$ 34.915,55 deve ser considerada dedutível. Sendo pertinente a explicação trazida pelo contribuinte para justificar a diferença, adoto as mesmas razões de decidir do voto condutor, negando provimento ao recurso de ofício neste item. TERMO DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E DE CONSTATAÇÃO N° 02 Anexo 2 O Anexo 2 deste Termo de Constatação referese à glosa de despesas efetuadas sob o fundamento de que a fiscalizada não apresentou, durante a fiscalização, qualquer documento comprobatório dos respectivos lançamentos contábeis. A Contribuinte então juntou na fase impugnatória os documentos de n°s. 1/33 (fls. 2055/2314) e os relacionou a cada um dos lançamentos discriminados no Anexo 2 Desses documentos a DRJ acatou apenas os docs 18 a 25, que se referem a saídas de mercadorias a título de amostra grátis, nos seguintes termos: Os docs. 18 a 25 são relatórios e notas fiscais correspondentes a saídas de mercadorias a título de amostra grátis. Fazse necessário diferenciar brindes de amostras e determinar a natureza da despesa em comento, uma vez que a lei a Lei n° 9.249, de26 de dezembro de 1995, no art. 13, VII, tornou as despesas com brindes indedutíveis. _ Considerase brinde a mercadoria que não constitua objeto normal da atividade da empresa, adquirida com a finalidade'específica de distribuição gratuita ao consumidor ou ao usuário final. O brinde se destina a promover a empresa, e não necessariamente o produto, conforme analisado no item 7 do Parecer Normativo CST n° 15, de 1º de abril de 1976: "7. Os 'brindes' se destinam a promover a organização ou empresa e não necessariamente seus produtos, distinguindose, portanto, das "amostras". Podem, todavia, ser a elas assemelhados, desde que representados, exclusivamente, por objetos distribuídos gratuitamente, com a finalidade de promoção, e que sejam de "diminuto ou nenhum valor comercial", conforme em relação àquelas" estabelece o artigo 9o, inciso IV, do Regulamento do Imposto Sobre Produtos Industrializados (Decreto n° 70.172, de i 18.02.1972), podendo ter, não obstante, alguma utilidade." Já a amostra visa à promoção do produto. A definição de amostra, constante do Novo'Dicionário Eletrônico Aurélio versão 6.0.1, esclarece o que aqui foi dito: '"2: Porção, fragmento ou unidade de um produto natural ou fabricado destituído de valor comercial, e apresentado para demonstrar sua natureza, qualidade ou tipo: amostra grátis\amostra de trigo, de aço, de azulejo.'' No presente caso, as despesas correspondem . a porções de produtos produzidos pela empresa (Saridon, Softclix II), constituindose, portanto, em Fl. 4895DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.589 12 amostras, cujas condições de dedutibilidade estão regulamentadas pelo RIR/1999, art. 366, V,'alíneas "a" a "c", in verbis: "Art. 366. São admitidos, como despesas de propaganda, desde que diretamente relacionados com a atividade explorada pela empresa e respeitado o regime de competência, observado, ainda, o disposto no art. 249, parágrafo único, inciso VIII (Lei n°'4.506, de 1964, art. 54, e Lei nº 7.450, de 1985, art. 54): . . V o valor das amostras, tributáveis ou não pelo imposto sobre produtos 1 industrializados, distribuídas gratuitamente por laboratórios químicos ou farmacêuticos e por outras empresas que utilizem esse sistema de promoção de venda de seus produtos, sendo indispensável: a) que a distribuição das amostras seja contabilizada, nos livros de escrituração da empresa, pelo preço de custo real; b) que a saída das amostras esteja documentada com a emissão das correspondentes notas fiscais; c) que o valor das amostras: distribuídas em cada anocalendário não ultrapasse os limites estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, tendo em vista a natureza do negócio, até o máximo de cinco por cento da receita obtida na venda dos produtos. (...) Resta claro ser dedutível, como despesa de propaganda, o valor das amostras distribuídas, até o máximo de 5% (cinco por cento) da receita líquida que, segundo entendimento fixado pela Receita Federal, mediante o Parecer Normativo CST n° 17, de 27 de fevereiro de 1976, é aquela obtida na venda de todos os produtos da mesma linha (farmacêuticos), consoante consignado em sua ementa: "EMENTA O percentual de 5 % limitativo da despesa de propaganda com amostras, aplicase à receita bruta global dos produtos elaborados (art. 191., e, III, do Regulamento do Imposto de Renda/75). 0 valor das amostras è o do seu custo de produção, conforme o disposto no art. 161:, do Regulamento do Imposto, de Renda/75." A despesa correspondente a esses lançamentos (docs. 18/25) totalizou R$ 396.993,89 (...). Por sua vez, a Demonstração do Resultado da contribuinte (fls. 259) aponta que o montante de despesas com amostras distribuídas foi de R$ 10.430.309,43 que, para ser dedutível, deveria a empresa contar com uma receita líquida de no mínimo R$ 208.606.188,60. A receita líquida constante da declaração da interessada no anocalendário de 2001 (fls. 20) totalizou R$ 752.204.183,52, bem acima daquele mínimo. Dessa forma, não prospera a glosa levada a efeito de R$ 396.993,89. Nada a reparar na decisão de piso que acatou os documentos comprobatórios das amostras grátis e verificou ainda os demais critérios para o aceite das mesmas, tudo conforme legislação de regência. Portanto, nego provimento ao recurso de ofício em relação a este item. Fl. 4896DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.590 13 ANEXO 3 do TC nº 2 . ^ A contribuinte trouxe, na fase impugnatória, sob os n°s. 01/70 (fls. 2315/4048), documentos para comprovar as despesas.atribuídas às contas "41810910 Promoção Escrit. Literat Impressa", "41811610 Congressos", "4140301 Manutenção de Software", "41410902 Manutenção de Instal. e Equiptos." e "41710103 Combustíveis e Óleos Lubrificantes", relacionadas.no Anexo 3, que foram rejeitadas porque os documentos apresentados durante a fase de fiscalização foram considerados inábeis pelo autuante, a partir das seguintes justificativas: (1) Todos os tíquetes de passagens e nem os relatórios para todas as despesas de passagens e seguros; (2) As Notas Fiscais, os relatórios de despesas de cada hóspede, a identificação dos hóspedes, as justificativas das despesas e os recibos de pagamento; (3) Os comprovantes de reembolsos das diárias extras e. despesas dos acompanhantes, não participantes diretos do evento; (4) Os contratos, os comprovantes de pagamento e, tampouco, as evidências dos serviços prestados; (5) Os respectivos contratos de prestação de serviços ou proposta de prestação de serviços com pedido de compra; (6) Os contratos de participação nos eventos e as respectivas justificativas; (7) Os comprovantes de pagamentos; (8) Tradução juramentada dos contratos, uma vez que estão em língua estrangeira, com respectivos valores em s moeda estrangeira; (9) Contrato de câmbio, comprovando a remessa dos valores, via Banco Central do Brasil; (10) Relatório explicativo para justificar a despesa como necessária às atividades da empresa; (16) Evidências da realização dos serviços contratados; (17) Contrato de patrocínio, comprovando, dentro das normas legais, a dedutibilidade da despesa; (18) Não apresentou a "folha de pagamento" de salários e demais proventos, para comprovar a despesa; (19) O valor do documento apresentado não confere com os registros contábeis; (20) Cessão gratuita a diversos médicos, de passagens aéreas, fretamento de aviões e hospedagens, no Brasil e no exterior, para a participação em Congressos (não,constou, sequer, a identificação completa e nem a especialidade dos médicos beneficiados, suas funções nesses congressos e a contrapartida para a empresa); (21) Na respectiva nota fiscal do combustível a placa do veículo; (22) Apenas a nota fiscal do fornecedor, sem especificar o evento. Os motivos que foram alvos do recurso de ofício estão negritados. Conta data doe. • Valor Motivos Documentos Literat. Impressa 21.02.2001 48.400,00 (21) 1 LU at.lmpressa 26.06.2001 33.824,00 (21) 2 O lançamento foi cancelado para os docs 1 e 2, pela DRJ, nos seguintes termos: Os documentos 01 e 02 consistem em notas fiscais emitidas por "MARPRINT EDITORA, FOTOLITO E GRÁFICA LTDÁ." que teriam sido recusadas pelo autuante sob o fundamento n° 21, qual seja "Na respectiva Nota Fiscal do Combustível, a placa do veículo ..." Fl. 4897DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.591 14 O nome da conta "41810910 Promoção Escrit. Literat. Impressa" e os documentos apresentados indicam que se trataria de dispêndio com serviços de impressão e não, de aquisição de combustível. Assim, ante a impropriedade do fundamento deduzido pelo atuante para rejeitar as notas fiscais não pode prosperar as glosas efetuadas de R$ 48.400,00 e R$ 33.824,00. Como se vê, a DRJ acertadamente cancelou o lançamento por absoluta impropriedade na fundamentação aduzida pela fiscalização. Portanto, NEGO provimento ao Recurso de ofício para este item também. Conta data doe. • Valor Motivos DocumeDocumentos (...) Congressos . 05.04.2001 39.600,00 (7) 32 Congressos 03.09.2001 44.000,00 (5)e(16) 33 Congre Congressos 08.01.2001 27.658,80 (7) (7)* 34 Congressos 11.04.2001 25.000,00 (7) 35 Congressos 12.09.2001 34.500,00 (7) 36 Congressos 22.01.2001 48.640,00 (7) 37 Congressos 22.01.2001 41.640.00 (7) 37 Congressos 22,03.2001 0 87.000,00 (7) 38 C Congressos 23.03.2001 3333333 32.400,00 (7) 39 Congressos 24.04.2001 50.000,00 (7) 40 41 Congressos ► 31.07.2001 72C000.00 (7) 42 Os docs. 32, 34, 35, 36, 37, 38, 39, 40 e 42, foram cancelados pela DRJ, nos seguintes termos: O doc. 32 consiste em contrato em que a Impugnante se compromete a patrocinar evento em"Florianópolis ligado à Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica SBOC, tendo como contrapartida o direito de ocupar e expor seus produtos em um stand de 56 m2, localizado em área de realização do acontecimento, conforme consta do item 2 do referido instrumento. Às fls. 3511 consta relatório de pagamentos do Itaú em que consta o pagamento efetuado pela Impugnante do valor estabelecido no contrato em favor da SBOC. Assim, entendo que restou comprovada a despesa de R$ 39.600,00. (...) Os docs.34, 35, 36, 37, 38, 39, 40 e 42 também são compostos de instrumentos contratuais em que a Impugnante loca espaço para montagem de stands em eventos da área de saúde para divulgação institucional e de produtos, estando todos eles acompanhados dos relatórios de pagamentos do Itaú para as entidades organizadoras, conforme se verifica, respectivamente, às fls. 3534 (R$ 27.658,80), 3542 (R$ 25.000,00), 3548 (R$ 34.500,00), 3555 (R$ 48.640,00 e R$ 41.640,00), 3566 (R$ 87.000,00), 3574 (R$ 32.400,00), 3580 (R$50.000,00) e 3595 (R$ 72.000,00). Assim, entendo que restaram comprovadas tais gastos no montante de R$ 418.838,80. Fl. 4898DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.592 15 Como se vê, o contribuinte desincumbiuse perfeitamente ao trazer aos autos a prova apontada pela fiscalização que faltava para comprovar as respectivas despesas, que no caso foi apenas a prova do dispêndio financeiro. Nada a reparar, portanto, na decisão de piso. Nego provimento ao recurso de ofício nesses itens. Doc 33 Conforme tabela acima, o item 33 (doc 33) sofreu glosa motivado pelas seguintes justificativas do fiscal: (5) Os respectivos contratos de prestação de serviços ou proposta de prestação de serviços com pedido de compra; (6) Os contratos de participação nos eventos e as respectivas justificativas A DRJ, acertadamente, considerou as provas trazidas aos autos como suficientes para provar a despesas: O doc. 33 consiste em nota fiscalfatura de serviços de cenografia de evento realizado na "Casa das Caldeiras", duplicata emitida pelo mesmo emitente da nota fiscal "DAPEMA PRODUÇÕES CINEMATOGRÁFICAS LTDA.", pedido de compra do serviço em que consta a informação "REF. A CENÁRIO CONVENÇÃO IXEL", orçamentos de outras empresas,1 cópias de mensagens eletrônicas a respeito desse evento trocadas por pessoas que teriam cuidado desse assunto dentro da ROCHE. O Ixel é um medicamento produzido pela contribuinte e o evento teria a finalidade de divulgálo. À época da fiscalização foram apresentadas a nota fiscal e a duplicata, sendo que a ausência do pedido de compra desse serviço foi um dos motivos da rejeição desse lançamentos. Entendo que a juntada desse documento em sede de impugnação e das mensagens eletrônicas das pessoas envolvidas nas negociações do evento são suficientes para aceitar comprovação do gasto, não devendo se sustentar a glosa levada a efeito de R$ 44.000,00. Por não ter nada a reparar na decisão de piso, nego provimento ao recurso de ofício neste item também. Docs 47 e 53 Conta data doc. • Valor Motivos DocumeDocumentos (...) Congressos 13.08.2001 26.000,00 (5)e(l6) 47 Congressos 13.08.2001 43.547.00 (5)e(16) 53 Conforme tabela acima, o item 47 e 53 (docs 47 e 53) sofreram glosas motivadas pelas seguintes justificativas do fiscal: (5) Os respectivos contratos de prestação de serviços ou proposta de prestação de serviços com pedido de compra e (16) Evidências da realização dos serviços contratados. Fl. 4899DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.593 16 A DRJ, acertadamente considerou o conjunto dos documentos que vieram em complemento como suficientes para superar os motivos ensejadores das glosas: O doc. 47 é composto por nota fiscal, pedido de compra referente a locação de stand nox Congresso Brasileiro de Obesidade, proposta do prestador de serviços e mensagens eletrônicas entre funcionários da contribuinte versando sobre a contratação do serviço. Entendo que esses documentos são suficientes para superar os motivos que levaram à glosa da respectiva despesa que, assim, deveser considerada comprovada no valor de R$ 26.000,00. (...) O doc. 53 consiste em nota fiscal relativo a adiantamento de metade do valor do custo de locação de satélite e equipamentos em evento realizado na "Casa das Caldeiras", no dia 14.09.2001, para lançamento do medicamento Ixel. Também está juntado o pedido de compra desse serviço, orçamentos, mensagens eletrônicas entre funcionários envolvidos no processo de compra do serviço. Entendo que os documentos apresentados superam os motivos que levaram à glosa da despesa registrada no respectivo lançamento contábil e ela deve ser considerada como comprovada no valor de R$ 43.547,00. Nego provimento a este recurso de ofício. Docs. 68, 69 e 70 Combustíveis 02.01.2001 1,559.50 (21) 68 Combustíveis 01.11.2001 1.384,56 (21) 69 Combustíveis 01.02.2001 1.268,57 (21) 70 Conforme tabela acima, os itens 68,69 e 70 (docs 68,69 e 70) sofreram glosas motivada pela seguintes justificativa do fiscal: (21) Na respectiva nota fiscal do combustível [falta constar a] placa do veículo ... A DRJ cancelou os lançamentos , nos seguintes termos: Os lançamentos relativos aos docs. 68; 69 e 70 correspondem a despesas com combustíveis. Os documentos apresentados em impugnação são cópias de notas fiscais que já haviam sido apresentadas ao autuante em.fase de fiscalização, conforme consta de fls. 966, 967 e 968. O autuante glosou essas despesas sob o único fundamento de que não constava das notas fiscais apresentadas o número da placa dos veículos abastecidos. As notas fiscais foram emitidas por "AUTO POSTO DA PRAÇA LTDA.", sendo identificável a razão social da Impugnante como destinatária das mercadorias fornecidas. Consta da descrição das notas fiscais que elas se referem a abastecimento de combustível referente ao mês anterior em que elas foram emitidas. . Certamente, se o número dá placa do veículo já estivesse contida na descrição da nota fiscal, a presunção da legitimidade do gasto descrito no documento fiscal seria mais evidente. Todavia, não é condição de dedutibilidade de despesas com combustíveis que conste da nota fiscal o número da placa do veículo abastecido. Caso remanescesse dúvida acerca desses eventos ou dos veículos abastecidos, o autuante poderia ter intimado a contribuinte a apresentar relatórios de utilização Fl. 4900DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.594 17 dos veículos, e outros documentos que permitissem vinculálos ou não,aos referidos abastecimentos. Todavia, como isso não se sucedeu durante a ação fiscal, as notas fiscais, em princípio,, são, instrumentos hábeis a demonstrar a compra dos produtos nelas descritos e, se o autuante não as desabilitou como documentos fiscais idôneos, a mera ausência de menção à placa do veículo abastecido não é fundamento suficiente par a. afastar o reconhecimento do gasto. Também concordo que não é motivo bastante o suficiente para proceder com a glosa o fundamento único de que não constava das notas fiscais apresentadas o número da placa dos veículos abastecidos. O fiscal autuante deveria ter aprofundado mais as investigações, solicitando, como foi referenciado pela DRJ, a apresentação de relatórios de utilização de veículos ou outros controles gerenciais a mais, o que não foi feito. Portanto, nego provimento também a este item. TERMO DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E DE CONSTATAÇÃO N° 03 Anexo 2 O Anexo 2 do TC n° 03 referese à glosa de despesas relativas às contas "41710101 Hospedagem" e "41710102 Alimentação", sob o fundamento de que a fiscalizada não apresentou qualquer documento para comprovar os respectivos lançamentos contábeis. A contribuinte juntou os documentos de n°s. 1/13 (fls. 4050/4400) e os relacionou a cada um dos lançamentos discriminados no Anexo 2, destacandose abaixo apenas os registros que digam respeito ao recurso de ofício: Despesa Data doc. Valor N° doe. (...) Viagens e representações 10.10.2001 12.057,33 4 Viagens e representações 14.03.2001 107.844,19 7 A DRJ cancelou acertadamente as respectivas glosas, uma vez que foi identificado que tais registros haviam sido alvos de estornos. Eis as palavras da DRJ: Doc 04 consiste em impressão de telas do sistema "SAP" que registram o estorno do lançamento de despesa de R$ 12.057,33, de 10.10.2001, objeto da glosa do auditorfiscal. Entendo que os documentos' apresentados são suficientes para comprovar o estorno e, assin é indevida a glosa. O doc. 07 consiste em impressão de telas do sistema "SAP" que registram o lançamento, em 26.03.2001, de despesa de R$ 107.844,19 e, na mesma data, estorno de idêntico valor. Entendo que os documentos apresentados são suficientes para comprovar o estorno e, assim, é indevida a glosa. Fl. 4901DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.595 18 Portanto, nego provimento a estes itens do recurso de ofício. TERMO DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E DE CONSTATAÇÃO N° 03 ANEXO 2 DOC. 04 Despesa Data doc. Valor Motivos Doc. Viagens e representações 05.11.2001 12.679,52 13 4 O lançamento foi cancelado para o doc. 04, pela DRJ, nos seguintes termos: O doc. 4está vinculado ao lançamento de R$ 12.679,52, do dia 05.11.2001, que traz o histórico "PROV. REF. HOSPEDAGEM MARA RÚBIA DOS SANTOS" e aponta o motivo (13) para sua glosa. Às fls. 1004/1005, onde se encontra a relação dos lançamentos glosados do Anexo 3, percebese que o motivo (13) não consta da nota que descreve o fundamento das glosas. Portanto, ante a inexistência de fundamento para a referida glosa, ela não deve prosperar e o gasto deve ser considerado dedutível. Como se vê, a DRJ acertadamente cancelou o lançamento por absoluta impropriedade na fundamentação aduzida pela fiscalização, eis que o motivo apontado (13) é inexistente na tabela de motivos elaborada pelo fiscal autuante. Portanto, NEGO provimento ao Recurso de ofício para este item também. Tributação reflexa O decidido quanto à infração que além de implicar o lançamento de IRPJ provoca o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a este outro lançamento naquilo em que for cabível. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 4902DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.011169/2005-88
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos da Súmula nº 11 do CARF, não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-004.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015)
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim (presidente), Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da Súmula nº 11 do CARF, não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Recurso a que se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015) Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim (presidente), Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 IMPUGNAÇÃO. ARGUMENTOS JÁ ADUZIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A opção pela via judicial importa em renúncia à instância administrativa, tornando definitivo o crédito tributário lançado, cuja legitimidade obedecerá ao decidido pelo Poder Judiciário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da Súmula nº 11 do CARF, “não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 11 69 /2 00 5- 88 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim (presidente), Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Preliminarmente, ressalto que, nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc para a formalização do acórdão, considerando o resultado do julgamento nos termos da ATA da correspondente sessão de julgamento. Por bem retratar os fatos, reproduzo, abaixo, o relatório que foi objeto da decisão recorrida: Tratase de Auto de Infração de fls. 03/43, para exigir a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, no período de apuração de janeiro de 1999 a dezembro de 2003, no valor de R$ 663.935,86 correspondente à contribuição, acrescida de multa de oficio e juros de mora, haja vista que da análise do Mandado de Segurança n° 2002.33.000073660, impetrado pelo SINDHOSBA, relativo a cobrança da Cofins das sociedades civis, ficou constatado que o Tribunal Regional Federal reformou a sentença a quo, dando provimento ao apelo da Fazenda Nacional. Consta ainda, na Descrição dos Fatos, que as quantias pagas e informadas nas DCTF foram consideradas conforme arquivos da RFB. O enquadramento legal do lançamento, fl. 07, inclui: arts. 1°, 2°, da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; arts. 2°, 3° e 8° da Lei n° 9.718, de 1998, com as alterações da Media Provisória n° 12.807, de 1999 e reedições, art. 2°, II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524, de 2002. Cientificada desse Auto de Infração em 12/12/2005, a interessada apresentou a Impugnação (fls.52/64) alegando que: • a Secretaria da Receita Federal lavrou o auto de infração visando a cobrança dos valores recolhidos relativos a Cofins, informados em DCTF, sob o fundamento de reforma pelo TRF da sentença exarada em favor da interessada no MS n° 2002.33.000073660, que levou à juízo a ilegalidade na cobrança desta contribuição; • o auditor fiscal valeuse apenas da cópia de consulta processual adquirida na internet, que além de falta de embasamento legal, demonstra atitude arbitrária do fisco que exige multa de 75% mesmo sabendo da existência de ação judicial que discute a mesma matéria; • com a Lei Complementar n° 70/91 o legislador isentou determinadas sociedades do recolhimento da Cofins nos termos o art. 6°, conforme teor do Decreto 2.397/87, mas para surpresa, a Lei n° 9.430/96, dispôs no art. 56 o contrário, revogando a norma isencional, o que representa ilegalidade no sistema jurídico, conforme entendimento pacificado do STJ, Súmula 276; conforme transcrição de jurisprudência; • não havendo dúvidas quanto a isenção da Cofins, discutese quanto a decisão judicial em nome do SINDHOSBA em beneficio de seus associados, que se encontra em pleno vigor, em favor da impugnante, Fl. 359DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10580.011169/200588 Acórdão n.º 3802004.024 S3TE02 Fl. 344 3 pois não tendo tal veredicto sido publicado, o que existe é vaga informação, constante do acompanhamento processual de reforma da sentença. Tal afirmação não pode prosperar, não se sabendo ao certo que entendimento foi adotado pelo TRF ou se este apreciou o mérito da questão; • em data posterior a lavratura do auto de infração, o próprio TRF expediu certidão de objeto e pé, doc. 03, nesta não constando a informação de que a sentença fora reformada, sendo assim o auto de infração é nulo de pleno direito, lavrado na vigência da sentença judicial que autorizou a suspensão do recolhimento, bem como descumprimento judicial pelo auditor que assinou o auto de infração; • o raciocínio da autuação se baseia no entendimento de que inexistindo sentença favorável por suposta reforma pelo TRF, cabe considerar o período objeto da suspensão tributária como falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, mas os supostos débitos ainda não existem, pois sua existência é intrinsecamente relacionada com a decisão judicial definitiva a ser proferida na mencionada ação judicial coletiva, logo a questão se encontra sub judice; • estando pendente a discussão meritório sobre a legitimidade de tais valores, encontrase o contribuinte regular, e a precipitação do auditor fiscal poderia resultar no absurdo de concluir a discussão administrativa antes mesmo do trânsito em julgado do processo judicial; • inexistência de dolo, fraude ou simulação, cancelamento da multa imposta, vincular a multa ao valor da movimentação comercial que já foi objeto de tributação, além de trazer possibilidade de dupla tributação, fere os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, conforme transcrição; • o artigo 150, IV, CR estabelece a utilização do tributo com efeito de confisco, sendo que a multa e os juros decorrentes de descumprimento da obrigação tributária também se submetem a esses patamares constitucionais válidos para tributação, conforme citações que transcreve; • requer o julgamento pela improcedência e arquivamento deste processo. A primeira instância, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de nulidade argüidas, não conheceu da impugnação quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e conheceu da impugnação concernente ao questionamento da penalidade para excluir a multa de ofício calculada no percentual 75%. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Tratandose de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, não se conhece da impugnação, quanto ao mérito, Fl. 360DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI 4 por ter o mesmo objeto da ação judicial, em respeito ao princípio da unicidade de jurisdição contemplado na Carta Magna. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Incabível o lançamento da multa de ofício na constituição de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa na forma do art. 151, inciso IV, do Código Tributário Nacional. Lançamento Procedente em Parte Cientificado da referida decisão em 11/05/2009 (fls. 152), o sujeito passivo apresentou, em 10/06/2009 (fls. 178), o recurso voluntário de fls. 178/185 onde defende a possibilidade de utilização simultânea das vias judicial e administrativa, a extinção dos créditos executados anteriores a 12 de dezembro de 2000 por força da decadência (artigo 173 do CTN), e à suposta existência de ação judicial em seu favor, o que impossibilitaria a cobrança dos créditos tributários objeto do lançamento. Diante o exposto requer seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios, redator ad hoc designado para formalizar a decisão, uma vez que o conselheiro relator, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, não mais compõe este colegiado, retratando, assim, a hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015: O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual há que ser conhecido. Não resta dúvida de que a exigência objeto do presente processo administrativo foi submetida ao Poder Judiciário, conforme reconhece o próprio sujeito passivo. Nesse sentido, esclarecedora a informação exarada pelo SECAT às fls. 340/341, abaixo transcrita parcialmente: [...] 4. Não obstante decisão da DRJ/SDR relativa à concomitância entre processos administrativo e judicial, por meio da qual suscita o princípio da unicidade de jurisdição, o contribuinte optou por discutir o tema por ocasião da interposição de Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) do Ministério da Fazenda, apresentado em 10/06/2009. Conforme se verifica no documento de fls. 178 a 185, além de discutir a possibilidade de simultaneidade entre as vias, o recorrente suscita dois outros pontos que até então não haviam sido prequestionados. Resolve, então, argüir decadência relativamente à parte do crédito tributário lançado, bem como se aproveita de suposta decisão judicial a seu favor, nos autos de outro processo judicial, de n° 2004.33.00.0183790/BA, até então desconhecido, para pleitear a nulidade do lançamento e a suspensão da cobrança. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10580.011169/200588 Acórdão n.º 3802004.024 S3TE02 Fl. 345 5 5. Por meio do Mandado de Segurança Coletivo n° 2002.33.00.0073660, o contribuinte buscou o afastamento da exigência da Cofins de seus associados, ao argumento de que a Lei n° 9.430/96, Lei Ordinária, não poderia ter revogado a isenção concedida pela Lei Complementar n° 70/91, no seu art. 6°, II, às sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, uma vez que Lei Ordinária não pode revogar Lei Complementar sem implicar desrespeito ao princípio da hierarquia das Leis. 6. O processo judicial já transitou em julgado, em 25/06/2008, em sede de Apelação em Mandado de Segurança, desfavoravelmente ao impetrante, ao fundamento de que não restou demonstrada a satisfação das exigências do DecretoLei n° 2.397/87, referentes ao registro civil das pessoas jurídicas e à constituição exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no país, não podendo prosperar tal pleito proposto por sindicato de categoria sem identificação e qualificação dos seus associados (fls. 330 a 332). 7. No mesmo sentido, por meio do Mandado de Segurança Coletivo nº 2004.33.00.0183790/BA, impetrado pela Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado da Bahia (AHSEB), buscouse igualmente o reconhecimento da isenção concedida pela LC n° 70/91, tendo havido a concessão da segurança em primeira instância e posterior reforma pelo TRF, que deu provimento à Apelação interposta pela Fazenda Nacional, com publicação da decisão em 05/02/2010 (fls. 333 a 340). 8. Diante do exposto, tendo em vista inexistência de qualquer provimento judicial favorável ao contribuinte, a consequência teórica seria a reativação da cobrança administrativa, uma vez que não constam informações de depósitos judiciais ou pagamentos relacionados ao CT lançado. No entanto, pelo fato de o contribuinte ter interposto Recurso Voluntário ao CARF, conforme já relatado, por meio do qual pretende discutir outros pontos além do que é objeto das referidas ações judiciais, conforme descrito no item 4, proponho o encaminhamento do presente PAF ao Contencioso deste Secat, com o fim específico de: atualizar o sistema Profisc para a situação "suspensão de exigibilidade por interposição de Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos fiscais"; e encaminhar o processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para apreciação. (grifos nossos) Em vista da concomitância entre as demandas judicial e administrativa, a autoridade recorrida não se manifestou sobre tal questão de direito em respeito ao princípio da unidade de jurisdição, previsto no artigo 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Para questões como essa a Secretaria da Receita Federal do Brasil determina sejam adotadas as providências contempladas no Ato Declaratório Normativo SRF/COSIT nº 03, de 14/02/1996, cujas partes de interesse estão seguem abaixo reproduzidas: [...] Fl. 362DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI 6 a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto; [...] c) no caso da letra 'a', a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito [...]; (grifo nosso) Importa ressaltar que referido Ato Declaratório se fundamenta no artigo 62, parágrafo único, do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, bem como do artigo 1º, § 2º, do Decretolei nº 1.737, de 20 de dezembro de 1979, e ainda do artigo 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980. Portanto, dada a renúncia à instância administrativa no que concerne à exigência da COFINS, resta apreciar unicamente o argumento (de ordem pública) relativo à extinção, por decadência, dos créditos tributários anteriores a 12 de dezembro de 2000. Na ocasião da sessão de julgamento (em 27/01/2015), essa questão foi levada à Turma pelo conselheiro relator como relativa a prescrição intercorrente, conforme minuta do voto apresentado à época, abaixo transcrita: Verificase que o presente Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os seus requisitos positivos. Portanto, dele tomo conhecimento e passo analisar o mérito. A lide administrativa se limita aos pedidos de reconhecimento de prescrição intercorrente e ao reconhecimento da prescrição do direito de ação executiva dos créditos tributário por parte da Fazenda Nacional. Em que pese a matéria trazida ao presente recurso ser uma inovação recursal, nada impede, ao meu ver, o seu conhecimento para debate, já que tratase de matéria de ordem pública e pode ser reconhecida, de ofício, em qualquer fase do processo. E, nesse sentido, a primeira questão: prescrição intercorrente, não há como ser provida. Conforme se infere da Súmula Carf nº 11 “não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. Portanto, não há como reconhecêla. Com relação ao reconhecimento da prescrição do direito de ação executiva fiscal, ao meu ver, não se aplica ao caso porquanto necessário se faz a constituição definitiva do crédito tributário (artigo 174 do CTN). Veja: o prazo de decadência começa a correr desde o momento em que o direito nasce; a prescrição, por sua vez, desde o momento em que o direito é violado, ameaçado ou desrespeitado. A decadência supõe um direito que, embora nascido, não se tornou efetivo pela falta de exercício. De outro, a prescrição supõe um direito nascido e efetivo, mas que pereceu pela falta de proteção pela ação judicial cabível. O Código Tributário Nacional prevê dois prazos preclusivos: surgindo a obrigação tributária, nasce para a Fazenda Pública o direito formativo de constituir o crédito tributário, no prazo de decadência de cinco Fl. 363DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10580.011169/200588 Acórdão n.º 3802004.024 S3TE02 Fl. 346 7 anos, não sujeito a interrupção ou suspensão (CTN, art. 173); constituído o crédito tributário, a Fazenda Pública tem o direito de haver a prestação tributária, direito que se extingue (prazo de decadência, portanto), decorridos outros cinco anos (CTN, art. 174). Este segundo prazo, impropriamente denominado de prescricional, está, porém, sujeito a interrupção (CTN, art. 174, § único) e à suspensão. Feita as considerações acima, concluo que, no presente caso, nenhuma razão assiste ao contribuinte. Conclusão Posto isto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e NEGOLHE provimento para manter a decisão ora combatida nos seus exatos termos. Este, portanto, foi o entendimento proferido pelo conselheiro relator na ocasião em que o feito foi julgado, entendimento o qual reproduzo por força do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc Fl. 364DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 15504.726536/2011-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-003.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 65 36 /2 01 1- 16 Fl. 809DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 810 2 Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2402004.062, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 15 de abril de 2014 (efls. 775 a 782). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e a decisão a seguir: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 USO DE VEÍCULO DE EMPREGADO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE RESSARCIMENTO DE DESPESAS. NÃO CONFIGURAÇÃO DE LOCAÇÃO. INTEGRAÇÃO DO SALÁRIOCONTRIBUIÇÃO. Não houve a devida comprovação do ressarcimento de despesas por uso de veículo de empregado, não configurando a hipótese do art. 28, § 9º, alínea s da lei 8.212/91. PAGAMENTO POR SUPOSTOS SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOAS JURÍDICAS QUE O FISCO ENTENDEU SEREM PRESTADOS POR PESSOAS FÍSICAS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRÁRIO. Deixando de comprovar que os pagamentos foram, de fato, para pessoas jurídicas, presumese, com base nos documentos acostados, tratarse de pessoas físicas. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade ou ilegalidade, salvo nos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF. RECÁLCULO DAS MULTAS. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. Tendose em conta a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, devese analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 811 3 ALUGUEL DE VEÍCULOS COM MOTORISTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REDUÇÃO DE BASE DE CÁLCULO. Em vista da contratação de fretes e carretos, incide contribuição previdenciária sobre base de cálculo reduzida a 20% sobre os valores pagos a título de alugueis de veículos com motorista. Recurso Voluntário Provido em Parte. DECISÃO: Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, quanto à parcela relativa ao fretes e carretos, seja ajustada a base de cálculo desse lançamento ao percentual de 20% em substituição aos 100% utilizados pela autoridade fiscal; e: a) com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996; e b) com relação ao auto de infração de obrigação acessória, para adequação da multa aplicada ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. Enviados os autos à Fazenda Nacional em 05/09/2014 (efl. 783) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra esta, sua Procuradoria apresenta, em 06/10/2014 (efl. 796), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 784 a 795). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, decidido pela 6ª Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 206001.782, datado de 04 de fevereiro de 2009 e pela 1a. Turma Ordinária da 4a. Cãmara da 2a. Seção deste CARF no Acórdão 240100.127, de 06 de maio de 2009, cujas ementas e decisões estão a seguir transcritas: Acórdão 206001.782 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 27/10/2006 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI Nº 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO Nº 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP CORESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS MULTA RETROATIVIDADE A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999: “informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de Fl. 811DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 812 4 contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa Incentive House é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. A fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: Por unanimidade de votos, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para adequar o valor da multa ao disciplinado pela MP n° 449/2008. Acórdão CSRF 240100.127 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, tratase de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória decorrente de Notificação Fiscal, onde fora reconhecida a decadência do artigo 150, § 4º, do CTN, impondo seja levada a efeito a mesma decisão nestes autos em face da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação Fl. 812DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 813 5 acessória, a empresa apresentar a GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA APLICAÇÃO Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplicase o princípio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Decisão: I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas ate a competência 11/2000; II) Por maioria de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2001. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira (relatora), que votaram por declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000; e III) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa de acordo com o disciplinado 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a titulo de multa nas NFLD correlatas. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente à decadência o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) haveria de se aplicar, à situação fática, o art. 35A da Lei no. 8.212, de 24 de julho de 1991, quando da comparação da penalidade mais benéfica ao contribuinte. devendo ser efetuado o seguinte cálculo: somar as multas aplicadas na sistemática antiga (art. 35, II e art. 32, IV, da norma revogada) e comparar o resultado desta operação com a multa prevista no art. 35A da mesma Lei no. 8.212, de 1991, introduzido pela Medida Provisória no. 449, de 2008, e que remete ao art. 44, inciso I da Lei no. 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (percentual de 75%). Rejeita, assim, a comparação feita separadamente pelo vergastado: a) entre a multa prevista no art. 32, IV da norma revogada como o novo art. 32A da Lei no. 8.212, de 24 de 1991, aplicandose aqui a norma mais benéfica ao contribuinte e, separadamente, b) entre a multa prevista no art. 35, II da mesma Lei, revogado e o percentual de 75%. b) Entende restringirse o art. 32A do diploma, citado pelo vergastado, ao lançamento de multa isolada quando houver tãosomente o descumprimento da obrigação acessória prevista no inciso IV do caput do art. 32 da mesma Lei no. 8.212, de 1991, não cabendo sua aplicação simultânea ao art. 35A citado, sob pena de bis in idem. Entende que, sempre que houver lançamento das contribuições previdenciárias vinculado ao descumprimento das obrigações principal e acessória, há que se utilizar, agora, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, o teor do art. 35A daquele diploma, consoante o cálculo Fl. 813DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 814 6 acima mencionado. Ressalta, ainda, entender que o art. 44, I da Lei no. 9.430, de 1996, referenciado pelo mencionado art. 35A, abarca tanto a conduta de descumprimento da obrigação principal como da acessória e a consonância de tal entendimento com o estabelecido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, em seu art. 4o. inciso I, utilizada de forma plena no lançamento e que respalda a comparação defendida pela recorrente. Requer, assim, que seja conhecido o recurso e lhe seja dado provimento recurso, a fim de que prevaleça a forma de cálculo da retroatividade benéfica em conformidade com o que dispõe a mencionada Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 2010. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 3503 a 3507. Encaminhados os autos à autuada para fins de ciência, ocorrida em 27/01/2015 (efl. 805), a contribuinte quedou inerte quanto à apresentação de Recurso Especial de sua iniciativa e/ou contrarrazões, permanecendo, assim, sob apreciação, tão somente o pleito fazendário. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Sob análise, a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 814DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 815 7 dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições Fl. 815DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 816 8 geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 816DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 817 9 pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 817DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 818 10 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se Fl. 818DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 819 11 refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por segregar o referido recálculo da seguinte forma: a) para as competências de fevereiro, março, agosto, setembro e outubro de 2008 (02/2008, 03/2008, 08/2008, 09/2008 e 10/2008), comparação entre a multa estabelecida pelo art. 35, II da Lei no. 8.212, de 1991, com o percentual de 75%, estabelecido pelo art. 44, inciso I da Lei no. 9.430, de 1996, mantendose dos dois o menor (aplicação mais benéfica); b) para a competência 01/2008, comparação a ser realizada entre o disposto no art. 32, IV e § 5o. da redação anterior da mesma Lei no. 8.212, de 1991, antes da edição da MP, e o disposto no art. 32A da referida Lei no. 8.212, de 1991, mantendose, também, das duas multas a mais benéfica ao contribuinte. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, no sentido de que se deva fazer a comparação de forma segregada, ouso discordar. Entendo a propósito que, em verdade, o referido art. 35 da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter, agora a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo tanto a constatação, através de procedimento de ofício, de falta de pagamento, como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Fl. 819DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 820 12 Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as Fl. 820DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 821 13 prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de Fl. 821DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 822 14 infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. No caso sob análise, verifico que permanecem em em litígio, quanto à aplicação da retroatividade benéfica: a) a multa aplicada aos débitos cujos fatos geradores ocorreram antes da vigência da MP no, 449, de 2008, constantes dos AIs 37.358.4598, 37.358.4601 e 37.358.4644 (débitos de obrigação principal) e b) a multa aplicada através do AI 37.358.4560, aplicada por haver a empresa infringido o disposto no inciso IV do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, também para competências (fatos geradores) anteriores à vigência Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado, agora ao caso sob análise, entendo que, para todos os débitos cujos fatos geradores ocorreram antes da vigência da MP no. 449. de 2008, devase restabelecer as penalidades originalmente lançadas nos AIs em questão, limitada, desta forma, a soma das penalidades aplicáveis à cada competência ao percentual de 75% dos valores devidos a título de obrigação principal, na forma de demonstrativo de efl. 372, sem que se deva falar em comparação segregada de multas, na forma proposta pelo vergastado. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 823 15 Este percentual é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, restabelecendose as penalidades na forma que lançadas nos autos de infração sob análise no presente feito. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 823DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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