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Numero do processo: 10825.723448/2014-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DEDUÇÃO. DESPESA DE INCENTIVO. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. BENEFÍCIO CONDICIONADO POR REQUISITOS LEGAIS. ENTIDADE BENEFICIADA NÃO CONTROLADA POR CONSELHO MUNICIPAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE OU DO IDOSO. INDEDUTIBILIDADE.
Do imposto apurado para a pessoa física poderão ser deduzidas as contribuições feitas aos Fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente e pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional do Idoso. Não sendo a entidade beneficiada controlada por Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente ou do Idoso, as doações feitas em seu benefício não atendem os requisitos legais expressos na legislação fiscal para a sua dedução da base de cálculo do IRPF.
DEDUÇÃO. DESPESA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA COMPLEMENTAR. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DE DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE PARA ALOCAR CORRETAMENTE DESPESA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR LANÇADA COMO DESPESA COM PREVIDÊNCIA SOCIAL OFICIAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. POSSIBILIDADE. DEDUTIBILIDADE.
A retificação de ofício da declaração do contribuinte para corrigir DIRPF, com fundamento no Princípio da Verdade Material, pode ser efetuada pela autoridade administrativa quando restar comprovado efetivo erro de fato no preenchimento da declaração, enquanto o crédito tributário não estiver extinto.
Numero da decisão: 2201-003.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 05/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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DESPESA DE INCENTIVO. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. BENEFÍCIO CONDICIONADO POR REQUISITOS LEGAIS. ENTIDADE BENEFICIADA NÃO CONTROLADA POR CONSELHO MUNICIPAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE OU DO IDOSO. INDEDUTIBILIDADE. Do imposto apurado para a pessoa física poderão ser deduzidas as contribuições feitas aos Fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente e pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional do Idoso. Não sendo a entidade beneficiada controlada por Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente ou do Idoso, as doações feitas em seu benefício não atendem os requisitos legais expressos na legislação fiscal para a sua dedução da base de cálculo do IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA COMPLEMENTAR. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DE DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE PARA ALOCAR CORRETAMENTE DESPESA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR LANÇADA COMO DESPESA COM PREVIDÊNCIA SOCIAL OFICIAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. POSSIBILIDADE. DEDUTIBILIDADE. A retificação de ofício da declaração do contribuinte para corrigir DIRPF, com fundamento no Princípio da Verdade Material, pode ser efetuada pela autoridade administrativa quando restar comprovado efetivo erro de fato no preenchimento da declaração, enquanto o crédito tributário não estiver extinto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 34 48 /2 01 4- 69 Fl. 113DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 05/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJBelo Horizonte/MG que julgou improcedente a Impugnação e manteve o crédito tributário lançado através da Notificação de Lançamento nº 2013/274539228232400 (fls. 11/16), relativa à Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF) do exercício 2013, anocalendário 2012, do Recorrente, que desconstituiu a restituição de R$ 1.465,09 e passou a exigir “imposto suplementar” no valor de R$ 1.899,34, com multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) – R$ 1.424,50; e juros de mora de R$ 305,98, no valor total de R$ 3.629,82. O lançamento é decorrente das seguintes condutas: Dedução indevida de despesas com previdência social oficial, no valor tributável de R$ 10.925,22 (fls. 13). Dedução indevida de despesa com incentivo, no valor tributável de R$ 360,00 (fls.14). O Recorrente apresentou Impugnação tempestiva (fls. 02/03), esclarecendo que: i. se equivocou ao preencher sua DIRPF, pois indicou os descontos em seus proventos de aposentadoria recebidos do Instituto de Pagamentos Especiais de São Paulo (IPESP) como sendo “despesa de previdência oficial”, quando na verdade deveriam ter sido lançados como “despesa de contribuição complementar à previdência e ao Fundo de Aposentadoria Programada – FAPI”. Frisou, porém, que esse erro de fato não altera o resultado da sua DIRPF e afirmou a legitimidade da dedução declarada; ii. a dedução com incentivo justificase pois o estabelecimento denominado Centro Espírita Antoninho Marmo, localizado em Piratininga/SP, é o local onde são atendidos Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10825.723448/201469 Acórdão n.º 2201003.543 S2C2T1 Fl. 105 3 os casos de menores tutelados pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) no município, por determinação judicial; A Impugnação foi julgada improcedente e manteve o crédito tributário, sob a fundamentação de que a dedução de incentivo não atendeu os requisitos legais, bem como que a dedução com previdência complementar é condicionada ao fato do contribuinte ser optante do regime geral ou próprio de previdência social ou ser beneficiário de aposentadoria ou pensão concedidos por estes regimes, conforme assim ementado pela DRJRJ: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÃO DE INCENTIVO. Fica mantida a glosa da dedução de incentivo quando não demonstrado o atendimento às exigências previstas na legislação tributária. PREVIDÊNCIA PRIVADA. As contribuições para planos de previdência complementar e para FAPI somente podem ser deduzidas se o declarante for contribuinte do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) ou, quando for o caso, para Regime Próprio de Previdência Social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (RPPS), ou beneficiário de aposentadoria ou pensão concedida por RGPS ou por RPPS. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” Cientificado da decisão de primeira instância em 26/12/2014 (fls. 54), o Recorrente interpôs tempestivamente, em 20/03/2015, Recurso Voluntário (fls. 57/59), sustentando que: i) concorda com a glosa de incentivo pois, para a fruição do benefício da dedução, os valores doados deveriam ter sido entregues a fundos controlados por conselhos municipais competentes; e ii) o que ocorreu, na realidade, não se tratou de uma dedução indevida, mas sim de erro de fato no preenchimento da sua DIRPF, por lançamento equivocado. Ao final, requer a manutenção da glosa de incentivo e o reconhecimento da dedução com previdência complementar, haja vista que a dedução declarada não ultrapassa o limite de 12% dos seus rendimentos. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 115DF CARF MF 4 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Dedução de Incentivo MATÉRIA NÃO IMPUGNADA O Recorrente não contestou os fundamentos da decisão de primeira instância que mantiveram a glosa dos valores deduzidos como “incentivo”. Pelo contrário, reconheceu o equívoco da sua dedução, concordando com a mencionada glosa. Conforme dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72 (Regulamento do Processo Administrativo Fiscal), considerase não impugnada a matéria que não foi expressamente objeto de contestação, na forma adiante: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” A concordância do Recorrente no recurso, a respeito das razões da exigência do crédito tributário decorrente da glosa de incentivo, leva ao reconhecimento e à consolidação administrativa do crédito tributário lançado sob essa rubrica. Assim, a glosa de incentivo deverá ser mantida, bem como ser exigido o crédito tributário decorrente. Dedução de Contribuições à Previdência Complementar Pela análise dos documentos acostados aos autos, em especial o Informe de Rendimentos Pagos e de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (fls. 06) emitido pelo IPESP, constatase que houve “descontos” relativos a contribuições para previdência cpmplementar dos proventos de aposentadoria do Recorrente, fato que, segundo a legislação fiscal, são passíveis de dedução da base de cálculo do imposto de renda, conforme dispõe o artigo 4º, IV, da Lei nº 9.250/, abaixo transcrito: “Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) V as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social;” Portanto, entendo que o contribuinte logrou apresentar documentos que fundamentam seu direito à dedução de valores da base de cálculo do IRPF, sob o título de “contribuições à previdência complementar”. No entanto, por comprovado erro material, constatase que ao preencher sua DIRPF, o Recorrente o fez de forma equivocada no que tange à seleção do “campo” onde deveria ter sido declarada a dedução com previdência complementar. Assim, verificase que, ao indicar a dedução pretendida, relativa aos descontos que sofreu em seus proventos de aposentadoria relacionados à previdência complementar, o Recorrente o fez no campo dedicado a informar dedução com “previdência social oficial”, quando na verdade, repitase, Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10825.723448/201469 Acórdão n.º 2201003.543 S2C2T1 Fl. 106 5 deveria ter imputado informação no campo correto da declaração competente para receber valores dedutíveis que foram pagos a título de previdência complementar. Para casos como este, em que o contribuinte comprova ter havido erro de fato no preenchimento da declaração, a análise da matéria posta a julgamento deve considerar, com fundamento nos documentos apresentados, o Princípio da Verdade Material, com a finalidade de se conhecer a realidade dos fatos e decidir baseado nela, em respeito, igualmente, aos Princípios da Administração Pública, em especial os primados da Legalidade, Moralidade, Eficiência e Probidade, sob pena de, não assim agindo, estarse mutilando direito do contribuinte. Vejamos. As declarações acessórias entregues ao Fisco pelos contribuintes podem ser objeto de retificação por estes próprios ou pela própria autoridade administrativa fiscal, de ofício, quando se observar erro de fato no preenchimento desses documentos. É o que se extrai das normas aplicadas à matéria, em especial o Parecer COSIT nº 32, de 30/11/2010 e o Parecer Normativo COSIT nº 8, de 03/09/2014, transcritos respectivamente abaixo: “Parecer COSIT nº 32/2010 “Retificação de ofício de débito confessado em declaração 36. As declarações entregues para comunicar a existência de crédito tributário, representando confissão de dívida nos termos do DecretoLei nº 2.214, de 1984, tais como DCTF, DIRPF, DITR e GFIP, podem ser retificadas espontaneamente pelo sujeito passivo atendidos limites temporais estabelecidos em normas específicas (§ 2º do art. 9º da IN RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 – DCTF, art. 5º da IN RFB nº 958, de 15 de julho de 2009 – DIRPF e DITR, art. 463 da IN RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009 – GFIP), respeitado o prazo decadencial de cinco anos para retificação (conforme Parecer Cosit nº 48, de 07 de julho de 1999). (grifos nossos) 37. Não mais sendo possível retificação por iniciativa do sujeito passivo, esta poderá ser realizada de ofício pela autoridade administrativa da unidade local de jurisdição para reduzir os débitos a serem encaminhados ao órgão da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa, haja vista orientação contida na Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1, de 1999, antes referida. Nos termos desta portaria, mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa, e ainda que iniciada a execução fiscal, a retificação de ofício poderá ser efetuada se comprovado o erro de fato no preenchimento da declaração. (grifos nossos) (...) Conclusão (...) b) a retificação de ofício de declaração para reduzir o saldo a pagar confessado a ser encaminhado à PGFN para inscrição na Dívida Ativa pode ser efetuada pela autoridade administrativa local (i) enquanto o crédito tributário não estiver extinto nos termos do art. 156 do CTN, e (ii) na hipótese de ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração;” Fl. 117DF CARF MF 6 “Parecer Normativo COSIT nº 8, de 03/09/2014 Retificação de ofício de débito confessado em declaração 41. As declarações entregues para comunicar a existência de crédito tributário, representando confissão de dívida nos termos do §1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, tais como DCTF, DIRPF, DITR e GFIP, podem ser retificadas espontaneamente pelo sujeito passivo, com espeque no art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001, atendidos os limites temporais estabelecidos em normas específicas (§ 2º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010 – DCTF, art. 5º da IN RFB nº 958, de 15 de julho de 2009 – DIRPF e DITR; art. 463 da IN RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009 – GFIP), respeitado o prazo de cinco anos para retificação (conforme Parecer Cosit nº 48, de 07 de julho de 1999). 42. Não mais sendo possível retificação por iniciativa do sujeito passivo, esta poderá ser realizada de ofício pela autoridade administrativa da unidade local de jurisdição para reduzir os débitos a serem encaminhados ao órgão da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa, haja vista orientação contida na Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1, de 1999, antes referida. Nos termos desta portaria, mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa, e ainda que iniciada a execução fiscal, a retificação de ofício poderá ser efetuada se comprovado o erro de fato no preenchimento da declaração. (...) Conclusão: (...) b) a retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração;” A própria Receita Federal do Brasil (RFB) se comprometeu em observar e adotar como razão de proceder o Princípio da Verdade Material, garantindo que a tributação se dê dentro das bases legais, permitindo a retificação quando apresentada prova inequívoca de erro, como se percebe pela leitura da Solução de Consulta nº 146, de 28/11/2006, abaixo colacionada: “ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: REVISÃO DE “DÉBITO INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA. Em obediência ao princípio da verdade material, cabe a retificação de débitos inscritos em Dívida Ativa da União quando o sujeito passivo apresentar prova inequívoca de ocorrência de erro, nos termos do art. 147 do CTN. Inexiste prazo para que a autoridade administrativa reveja de ofício o lançamento ou retifique de ofício a declaração do sujeito passivo a fim de eximilo total ou parcialmente do crédito tributário não extinto.” (grifos nossos) Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10825.723448/201469 Acórdão n.º 2201003.543 S2C2T1 Fl. 107 7 A retificação de ofício de declaração entregue por contribuinte é também prevista e autorizada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), em norma resposta à consulta formulada pelas PGFN da 3ª e 4ª Regiões, consubstanciada no Parecer PGFN/CAT/Nº 591, de 17/04/2014, abaixo transcrito: “Conclusão: Desse modo, respondendo a consulta formulada pelas Procuradorias Regionais da 3ª e 4ª Regiões, quanto a necessidade de correção do lançamento, entendemos que a melhor interpretação quanto à correção do erro no lançamento previsto no Art. 149, Inciso VIII do CTN, em função de fato não conhecido ou não provado na ocasião do lançamento, é de que esse erro deve ser entendido em sua concepção mais ampla, relativa ao fato como um todo que ensejou a incidência, incluindo aquele decorrente da não apresentação tempestiva de documentos legítimos que alterem o montante devido, devendo a administração promover a correção do erro, ainda que tenha sido ocasionado pelo administrado.” De igual forma, o Colendo Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconhece a necessidade de prevalência do Princípio da Verdade Material na esfera tributária, entendimento que se pode extrair dos julgados transcritos abaixo, que demonstram o posicionamento do mencionado órgão julgador, a saber: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (ART. 543C, § 1º, DO CPC). AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO COM BASE EM DECLARAÇÃO EMITIDA COM ERRO DE FATO NOTICIADO AO FISCO E NÃO CORRIGIDO. VÍCIO QUE MACULA A POSTERIOR CONFISSÃO DE DÉBITOS PARA EFEITO DE PARCELAMENTO. POSSIBILIDADE DE REVISÃO JUDICIAL. 1. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o lançamento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória (art. 145, III, c/c art. 149, IV, do CTN). 2. A este poder/dever corresponde o direito do contribuinte de retificar e ver retificada pelo Fisco a informação fornecida com erro de fato, quando dessa retificação resultar a redução do tributo devido. (...) (REsp 1.133.027/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, Rel. p/ Acórdão Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, Primeira Seção, julgado em 13/10/2010, DJe 16/03/2011)” (grifos nossos) “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ESCRITURAÇÃO IRREGULAR. SALDO CREDOR EM CAIXA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. FACULDADE DO CONTRIBUINTE PRODUZIR PROVA CONTRÁRIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. SUCUMBÊNCIA. PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. (...) Fl. 119DF CARF MF 8 2. O princípio da verdade real se sobrepõe à presuntio legis, nos termos do § 2º, do art. 12 do DL 1.598/77 (art. 281 RIR/99 Decreto 3.000/99), ao estabelecer ao contribuinte a faculdade de demonstrar, inclusive em processo judicial, a improcedência da presunção de omissão de receita, considerada no auto de infração lavrado em face da irregularidade dos registros contábeis, indicando a existência de saldo credor em caixa. Aplicação do princípio da verdade material. (...) (REsp 901.311/RJ, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, Rel. p/ Acórdão Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 18/12/2007, DJe 06/03/2008)” (grifos nossos) Por sua vez, este nobre Conselho Administrativo partilha do mesmo entendimento, exarado no julgado adiante: “PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL. MERO ERRO MATERIAL NÃO É SUFICIENTE PARA LEGITIMAR A EXAÇÃO. Considerando o poderdever de agir da Administração Pública, em busca da verdade real, como ampliação do princípio da verdade material que norteia o processo administrativo, as alegações de mero erro material nas declarações fornecidas pelo contribuinte devem ser objeto de devida averiguação, a fim de que seja avaliada a sua veracidade. Os registros contábeis do contribuinte, bem como a sua DIPJ, confirmam que os lançamentos efetuados pela fiscalização não encontram suporte, comprovandose, assim, a tese do mero erro formal. (CARF. Primeira Seção. 3ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Ac. 1301001.876. Seção de 19/01/2016)” (grifos nossos) Retornando ao âmbito interno da PGFN, cabe frisar a existência de norma própria deste órgão orientando a atuação dos seus membros, bem como da RFB, quando defrontados com matérias desfavoráveis ao seu entendimento e que tenham sido objeto de decisões proferidas em sede de recursos repetitivos pelo STJ ou de repercussão geral pelo STF. Tratase do Parecer/PGFN/CDA/CRJ Nº 396, de 11/03/2013, que dentre as matérias que especifica, dispensa a PGFN e a RFB de impugnarem ou contestarem casos nos quais a retificação de ofício da declaração do contribuinte, viabilizada por erro de fato comprovado, reduz ou afasta crédito tributário confessado por declaração errônea, como ocorreu no presente caso, a saber: “4.1. DISPENSA DE IMPUGNAÇÃO JUDICIAL FUNDADA EM PRECEDENTE DO STF OU DO STJ JULGADO NA SISTEMÁTICA DOS ARTS. 543B E 543C DO CPC. REPERCUSSÃO NO ÂMBITO DAS ATRIBUIÇÕES INSTITUCIONAIS DA RFB. Possibilidade de revisão de ofício dos lançamentos já efetuados e retificação de ofício das declarações do sujeito passivo. A introdução do novo entendimento jurídico mais benéfico ao contribuinte deve aplicarse retroativamente aos lançamentos já efetuados (ou às declarações já apresentadas) sob a regência da interpretação mais gravosa, de modo a afastar a exigência tributária em desacordo com a nova exegese. Inteligência dos arts. 146 e 149 do CTN. Possibilidade do exercício da autotutela. Não há prazo para que a Administração Tributária proceda, de ofício, à revisão dos lançamentos já efetuados ou à retificação das declarações do sujeito passivo, a fim de eximilo do crédito tributário não extinto e indevido. Nas hipóteses em que extinto o direito de crédito, a atuação de ofício da autoridade administrativa não se mostra mais cabível, haja vista a incidência específica do art. 168 do CTN, que condiciona a correção do erro e a devolução do Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10825.723448/201469 Acórdão n.º 2201003.543 S2C2T1 Fl. 108 9 indébito à apresentação de requerimento pelo contribuinte, dentro dos prazos expressamente previstos.” Em resumo, temse que Administração deve se pautar no Princípio da Verdade Material, com a finalidade de buscar a otimização da incidência tributária, de acordo com os fatos que aconteceram na realidade. No caso em apreço, levandose em conta o conjunto probatório acostado, em especial o Informe de Rendimentos Pagos e de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (fls. 06) expedido pelo IPESP, entendo que o contribuinte logrou comprovar seu direito à dedução de pagamentos efetuados às “contribuições para previdência complementar” da base de cálculo do IRPF, mesmo tendo ocorrido erro de fato no preenchimento da sua DIRPF. Dessa forma, no exercício da autotutela administrativa em respeito a Princípios da Legalidade, Moralidade, Eficiência e Probidade – determino a retificação de ofício da declaração transmitida pelo Recorrente, para alocar a despesa de “contribuição previdenciária complementar” no campo próprio e competente da DIRPF, bem como para subtrair o lançamento indicado erroneamente no campo da “contribuição à previdência social oficial”. Conclusão Diante do exposto, com fundamento na legislação competente e nas disposições acima mencionadas, voto por conhecer e DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para reformar a decisão de primeira instância e determinar a restituição da dedução das contribuições à previdência complementar. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720104/2009-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-002.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSÉ LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAÚJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Data do fato gerador: 15/05/2004, 31/05/2004, 15/06/2004, 30/06/2004, 15/07/2004, 31/07/2004 COMPETÊNCIA DA DELEGACIA REGIONAL DE JULGAMENTO. Em razão da súmula Carf n.º 102, que determina a validade da decisão de Delegacia Regional de Julgamento de localidade diversa do domicílio fiscal do contribuinte, não há disposição expressa que permita a anulação do Acórdão unicamente por ter sido proferido em localidade diversa. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. POSSIBILIDADE. A anterioridade nonagesimal, princípio consagrado no Direito Tributário Brasileiro, também denominado princípio da não surpresa, tem sua aplicação garantida no âmbito administrativo de recursos fiscais, ainda que a majoração tenha sido criada por decreto que prevê vigência imediata, dispositivos como os Art. 97, 99, 108 e 112 do CTN garantem a aplicação do princípio positivado no Art. art. 150, III, “c” da Constituição Federal. Não se trata de "declarar a inconstitucionalidade" dos Decretos 5058/04 e 5072/04 que majoraram as alíquotas de IPI para as mercadorias em questão, inclusive porque os decretos continuarão a viger, se trata somente de reconhecer a aplicação da anterioridade nonagesimal em detrimento do dispostivo do decreto que trata de sua vigência imediata, conforme decidido pelo STF na ADI 4661 MC/DF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 01 04 /2 00 9- 89 Fl. 366DF CARF MF 2 WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSÉ LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAÚJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 324 em face da decisão de primeira instância deste procedimento administrativo fiscal, a DRJ/PA de fls. 312, que manteve o lançamento de IPI (vide fls. 2 e 17) em sua integralidade, com juros e multa, em razão de produto saído do estabelecimento com erro de alíquota de IPI. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. 312 apontadas acima: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado pela DRF Recife/PE contra a empresa acima identificada, em que foi lançado crédito de IPI no valor total de R$ 34.235,71, incluídos multa proporcional e juros de mora. 2. Segundo a descrição dos fatos, a empresa lançou a menor o imposto nos períodos de apuração acima citados, em função do erro de aplicação de alíquotas dos produtos lá relacionados, conforme Decretos nº 5.058/2004 e nº 5.072/2004. 3. Cientificada em 16.04.2009 (AR fl. 15), a empresa apresentou, tempestivamente, em 20.05.2005, impugnação (fls. 244/262) na qual alega, em síntese, ofensa ao princípio da anterioridade nonagesimal previsto no art. 150, III, “c” da Constituição Federal. Segundo entende, especificamente no caso do IPI, o art. 153, IV, da CF, excepcionou a aplicação da anterioridade anual, não fazendo menção à anterioridade nonagesimal. 4. No caso concreto, prossegue, os decretos em questão, em que pese preverem data específica para entrada em vigor, deveriam, por obediência ao art. 150 da CF, irradiar seus efeitos somente após noventa dias da sua publicação, no caso, agosto de 2004, devendo a prerrogativa do Poder Executivo para alterar as alíquotas do IPI estar submetida às limitações impostas pela CF. 5. Cita, ao final, decisões judiciais que vão ao encontro do seu entendimento, requerendo a improcedência do auto." Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10480.720104/200989 Acórdão n.º 3201002.450 S3C2T1 Fl. 367 3 Este Acórdão de primeira instância da DRJ/PA foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. Data do fato gerador: 15/05/2004, 31/05/2004, 15/06/2004, 30/06/2004, 15/07/2004, 31/07/2004. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. INAPLICABILIDADE. As alterações de alíquota de IPI, promovidas via Decreto, com fundamento legal no DecretoLei nº 1.199, de 1971, são atos administrativos discricionários, submetidos aos critérios de oportunidade e conveniência da administração, plenamente legais e cumprem papel determinante no cumprimento dos objetivos da política econômica governamental. As mudanças havidas na Carta Magna, com a publicação da Emenda Constitucional nº 42, de 2003, em nada alteraram a discricionariedade prevista no DecretoLei nº 1.199, de 1971. O prazo nonagesimal ali previsto aplicase exclusivamente em casos de majoração de alíquotas implementadas por meio de lei específica. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O processo digital foi distribuído e pautado em acordo com o regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase e relatase o seguinte Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser reconhecido. Com relação a solicitação preliminar do contribuinte pela anulação do Acórdão de primeira instância da DRJ/PA de fls. 312, verificase que este Conselho possui a Súmula n.º 102 sobre esta matéria, o que vincula os julgamentos. Segue a súmula transcrita a seguir: Fl. 368DF CARF MF 4 Súmula CARF nº 102 É válida a decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ de localidade diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo. Portanto, a alegação preliminar do contribuinte não merece provimento. Já com relação à solicitação de mérito do contribuinte, verificase nos autos que a autoridade fiscal realmente cobrou o período em que o contribuinte alegou não ter cumprido com a majoração das alíquotas em razão da anterioridade nonagesimal: maio, junho e julho de 2004. Conforme AI de fls. 2 e Rel. Fisc. de fls 17, os Decretos 5.058/04 e 5.072/04 majoraram as alíquotas do IPI dos produtos em questão, como cremes de beleza, condicionadores e desodorantes, para citar alguns. Segundo o lançamento, publicados em 31/04/04 e 11/05/05, respectivamente, tais majorações teriam vigência imediata conforme disposto nos próprios decretos, com início exato em 01/05/04 e 12/05/04 (conforme autoridade fiscal). É fato que o princípio da anterioridade nonagesimal é princípio consagrado do Direito Tributário, também chamado de princípio da não surpresa. Isto porque o contribuinte precisa de tempo hábil para se adaptar estruturalmente e financeiramente para arcar com majorações de alíquotas, ou seja, precisa renegociar acordos com clientes, aumentar o preço do produto ou diminuir gastos para arcar com os gastos adicionais da majoração das alíquotas. Do contrário, o contribuinte seria prejudicado ainda mais, considerando a já elevada carga tributária e enorme falta de qualidade na prestação dos serviços públicos, que em muitos casos são mesmo arcados pela própria iniciativa privada, como a segurança e o transporte por exemplo (vide estudos do Departamento de Competitividade e Tecnologia DECOMTEC/FIESP, "Carga Extra na Indústria Brasileira"). Logo, em primeiro plano, é preciso deixar claro que este Conselho não tem competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária, logo, não há como reconhecer a inconstitucionalidade dos decretos em questão. Segue transcrita a seguir a Súmula n.º 2 deste Conselho que trata do assunto: "Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Partindo desta premissa, será necessário expor as razões e motivos pelos quais entendese que o princípio da não surpresa, tem sua aplicação garantida no âmbito administrativo de recursos fiscais. Assim, ainda que a majoração tenha sido criada por decreto que prevê vigência imediata, dispositivos como os Art. 97, 99, 108 e 112 do CTN garantem a aplicação do princípio positivado no Art. 150, III, “c” da Constituição Federal. Não se trata de "declarar a inconstitucionalidade" dos Decretos 5.058/04 e 5.072/04 que majoraram as alíquotas de IPI para as mercadorias em questão, inclusive porque os decretos continuarão a viger, se trata somente de reconhecer a aplicação da anterioridade nonagesimal em detrimento do dispositivo do decreto que definiu sua vigência imediata, conforme decidido pelo STF na ADI 4661 MC/DF, com ementa transcrita a seguir: "AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE – DECRETO – ADEQUAÇÃO. Surgindo do decreto Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10480.720104/200989 Acórdão n.º 3201002.450 S3C2T1 Fl. 368 5 normatividade abstrata e autônoma, temse a adequação do controle concentrado de constitucionalidade. TRIBUTO – IPI – ALÍQUOTA – MAJORAÇÃO – EXIGIBILIDADE. A majoração da alíquota do IPI, passível de ocorrer mediante ato do Poder Executivo – artigo 153, § 1º –, submetese ao princípio da anterioridade nonagesimal previsto no artigo 150, inciso III, alínea “c”, da Constituição Federal. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE – IPI – MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA – PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL – LIMINAR – RELEVÂNCIA E RISCO CONFIGURADOS. Mostrase relevante pedido de concessão de medida acauteladora objetivando afastar a exigibilidade da majoração do Imposto sobre Produtos Industrializados, promovida mediante decreto, antes de decorridos os noventa dias previstos no artigo 150, inciso III, alínea “c”, da Carta da República." Destacase também, a exemplo do Acórdão 2301002.661 deste Conselho, que há precedentes da aplicação do princípio no âmbito administrativo de recursos fiscais, assim como a aplicação a anterioridade nonagesimal é assunto majoritário na doutrina tributária brasileira, a exemplo, a doutrina do respeitado e admirado Hugo de Brito Machado que, entre muitas condecorações, é Juiz aposentado do Tribunal Regional Federal da 5.ª Região. Diante de todo exposto e, também em razão do princípio da economia processual, visto que é assunto já superado no Supremo Tribunal Federal a vigência imediata de decreto que majora a alíquota de IPI, com fundamento na ADI 4661 MC/DF, nos Art. . 97, 99, 108 e 112 do CTN e no Art. 150, III, “c” da Constituição Federal, votase para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário em razão da aplicação da anterioridade nonagesimal, exonerando todo a cobrança e cancelando multas e juros. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Fl. 370DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13411.000773/2005-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9303-004.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinaldo digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinaldo digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI. Recurso Especial do Contribuinte Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinaldo digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinaldo digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI TIPI. Recurso Especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinaldo digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinaldo digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 41 1. 00 07 73 /2 00 5- 19 Fl. 294DF CARF MF Processo nº 13411.000773/200519 Acórdão n.º 9303004.619 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pelo contribuinte com fundamento no art. 67 do anexo II da Portaria MF nº 256/2009, antigo Regimento do CARF, contra o Acórdão nº 3801000.743, de 05/05/2011, proferido pela 1ª Turma Especial da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, condicionase a que os produtos exportados estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo beneficio aqueles não tributados (NT). A recorrente é uma sociedade que se dedica à produção e comercialização de frutas e destina considerável parcela de sua produção ao mercado internacional. Nesta condição, com base na Lei nº 9.363/96, requereu crédito presumido de IPI decorrente da exportação de frutas relativo ao terceiro trimestre de 2003. Seu pedido foi indeferido pela DRF/PetrolinaPE com o fundamento de que a exportação de produtos NT não gera direito ao referido crédito presumido. Por esse mesmo motivo a DRJ/Recife, no Acórdão nº 1124.912 5ª Turma, julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade. Em seu recurso especial, fls. 227/237, o contribuinte combate os argumentos da decisão recorrida. Afirma em síntese que a Lei nº 9.363/96 não restringiu o aproveitamento do crédito presumido do IPI às pessoas jurídicas contribuintes deste tributo ou que produza produtos tributados pelo IPI. Bastaria para tanto que a pessoa jurídica fosse produtora e praticasse qualquer das ações previstas no art. 3º do RIPI, o qual conceitua o processo de industrialização. O recurso especial foi admitido, por meio do despacho de fls. 278/279. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou as contrarrazões de fls. 281/292. É o relatório. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 13411.000773/200519 Acórdão n.º 9303004.619 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. O recurso especial do contribuinte é tempestivo e atende aos requisitos formais de admissibilidade. Em suas contrarrazões, a Fazenda Nacional defende o não conhecimento do recurso especial com base no § 2º do art. 67 do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, que assim dispunha: §2º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Camara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar decida pela anulação da decisão de primeira instância. Afirmou que o CARF sedimentou entendimento a esse assunto nos termos da Súmula CARF nº 19, in verbis: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Equivocase a Fazenda Nacional. Esta súmula não foi a razão de decidir do acórdão recorrido. No presente processo não há a discussão se houve ou não contato dos insumos utilizados na produção ou fabricação dos produtos exportados. Não é esta a discussão levada a efeito no presente processo e ora submetida ao julgamento desse colegiado. A discussão trazida a lume é se é possível a concessão de crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363/96, quando da exportação de produtos classificados na TIPI Tabela do IPI como NT (Não Tributados). Os acórdãos paradigmas apresentados representam bem a divergência de interpretação e, portanto, o recurso especial do contribuinte deve ser conhecido. Porém, quanto ao mérito, entendo que não cabe razão ao recurso especial, devendo ser mantida a decisão recorrida. Tratase de matéria antiga no âmbito do contencioso administrativo e a controvérsia resumese em saber se há a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, na produção e exportação de produtos classificados na Tabela do IPI com notação "NT" (não tributados). Analisemos então o que consta da Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido: Fl. 296DF CARF MF Processo nº 13411.000773/200519 Acórdão n.º 9303004.619 CSRFT3 Fl. 5 4 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º .... Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nesse momento é importante destacar que a lei determinou o benefício para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Se quisesse abarcar todos os exportadores, não necessitaria de incluir a palavra produtora. Seria inócuo. E ao incluir a palavra produtora, determinou no parágrafo único do art. 3º que deve ser utilizada a legislação do IPI para a busca da definição do que se entende por produção. Como é sabido, a lei que trata de concessão de benefícios fiscais deve ter sua aplicação restritiva, com interpretação literal, para atingir somente os casos expressamente permitidos. É o que se extrai, por exemplo, do disposto da leitura do art. 111 do CTN. Sendo assim, a legislação do IPI não considera estabelecimento industrial, ou produtor, para fins do tributo, aqueles que produzem produtos que estão fora do seu campo de incidência. Veja como o Regulamento do IPI disciplina a matéria. Transcrevese abaixo artigos do RIPI/2002 que era o vigente à época dos fatos, mas nada mudou a respeito deste assunto no atual regulamento: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 10.451,de 10 de maio de 2002, art. 6º). (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, Fl. 297DF CARF MF Processo nº 13411.000773/200519 Acórdão n.º 9303004.619 CSRFT3 Fl. 6 5 ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Assim vem decidindo este colegiado. Para um melhor entendimento transcrevo abaixo trecho de um voto do exConselheiro Henrique Pinheiro Torres proferido no Acórdão nº 20216.066: (...) A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 10 da Lei n° 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque os estabelecimentos processadores de produtos NT não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do art. 3º da Lei nº 4.502/1964, considera se estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtoresexportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal beneficio, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à aliquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto créditoprêmio de IPI conferido ao industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do art. 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos Fl. 298DF CARF MF Processo nº 13411.000773/200519 Acórdão n.º 9303004.619 CSRFT3 Fl. 7 6 produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. (...) Cumpre lembrar também recente decisão desta CSRF no Acórdão nº 9303 003.462, de 23/02/2016, relatoria do Presidente da 3ª Seção de Julgamento, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.363/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Diante de tudo exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 299DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.002173/2001-16
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1995 a 31/12/1999
DECISÃO PROFERIDA COM FALTA DE CIÊNCIA DE DECISÃO DA TURMA A QUO A UMA DAS PARTES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. NULIDADE INSANÁVEL. RETOMADA PROCESSUAL.
Decisão recursal proferida com falta de ciência da parte de decisão proferida pela turma a quo e de recurso extraordinário apresentado pela outra parte, consumou cerceamento do direito de defesa e do contraditório, vez que não foi dada oportunidade para a contraposição de argumentos e provas. A decisão torna-se eivada de nulidade insanável, devendo os autos retornarem para a unidade preparadora para a retomada do rito processual a partir da devida ciência de decisão da turma a quo e do recurso extraordinário.
Numero da decisão: 9900-000.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional e, por maioria de votos, em acolhê-los, com efeitos infringentes, nos termos do voto vencedor, vencido o conselheiro Júlio César Alves Ramos (relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(Assinado Digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
(Assinado Digitalmente)
ANDRÉ MENDES DE MOURA - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Rodrigo da Costa Possas
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/1995 a 31/12/1999 DECISÃO PROFERIDA COM FALTA DE CIÊNCIA DE DECISÃO DA TURMA A QUO A UMA DAS PARTES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. NULIDADE INSANÁVEL. RETOMADA PROCESSUAL. Decisão recursal proferida com falta de ciência da parte de decisão proferida pela turma a quo e de recurso extraordinário apresentado pela outra parte, consumou cerceamento do direito de defesa e do contraditório, vez que não foi dada oportunidade para a contraposição de argumentos e provas. A decisão torna-se eivada de nulidade insanável, devendo os autos retornarem para a unidade preparadora para a retomada do rito processual a partir da devida ciência de decisão da turma a quo e do recurso extraordinário.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. NULIDADE INSANÁVEL. RETOMADA PROCESSUAL. Decisão recursal proferida com falta de ciência da parte de decisão proferida pela turma a quo e de recurso extraordinário apresentado pela outra parte, consumou cerceamento do direito de defesa e do contraditório, vez que não foi dada oportunidade para a contraposição de argumentos e provas. A decisão tornase eivada de nulidade insanável, devendo os autos retornarem para a unidade preparadora para a retomada do rito processual a partir da devida ciência de decisão da turma a quo e do recurso extraordinário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional e, por maioria de votos, em acolhê los, com efeitos infringentes, nos termos do voto vencedor, vencido o conselheiro Júlio César Alves Ramos (relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (Assinado Digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 21 73 /2 00 1- 16 Fl. 768DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900000.990 CSRFPL Fl. 769 2 (Assinado Digitalmente) JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. (Assinado Digitalmente) ANDRÉ MENDES DE MOURA Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Rodrigo da Costa Possas Relatório Este processo teve julgado, em agosto de 2012, recurso extraordinário da Fazenda Nacional, ao qual se deu provimento consoante acórdão 9900000.349. A Derat São Paulo, incumbida de sua execução, ao invés de dar ciência ao contribuinte daquela decisão, veio aos autos relatar: A Câmara Superior de Recursos Fiscais, através do Acórdão CSRF/0202.717, negou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e deu provimento ao Recurso Especial do interessado, reconhecendo a decadência no período de janeiro a setembro/96. A Fazenda Nacional ainda apresentou Embargos de Declaração, os quais foram declarados improcedentes. A União interpôs então Recurso Extraordinário, insurgindose contra a declaração de decadência de janeiro a setembro/96. Em 05/04/2011, o processo foi encaminhado à ARF de Pindamonhangaba, que providenciou a intimação para ciência das últimas peças processuais. Como a correspondência voltou, a ciência foi dada por edital em 25/05/2011. Não houve apresentação de contrarrazões; o processo foi digitalizado e retornado ao CARF para julgamento. Após este encaminhamento, a ARF de Pindamonhangaba percebeu que este contribuinte não estava mais sob sua jurisdição desde 29/03/2011. Por meio de dossiê, foi encaminhado um despacho ao CARF solicitando o retorno do processo para encaminhamento à DRF Guarulhos, jurisdição do contribuinte naquele momento. O dossiê foi recebido pelo CARF e anexado Fl. 769DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900000.990 CSRFPL Fl. 770 3 ao presente processo mas não foram tomadas providências em relação a ele. Em 28/08/2012, sobreveio o Acórdão n° 9900000.354 – Pleno, dando provimento ao Recurso Extraordinário para afastamento da decadência no período de janeiro a setembro/96. O processo foi encaminhado à DERATSP, jurisdição do interessado após nova mudança de endereço registrada em 29/10/2012. II – DA OMISSÃO Conforme transcrito anteriormente, a ARF de Pindamonhangaba informou ao CARF sobre erro de procedimento na ciência do acórdão que analisou os recursos especiais interpostos tanto pela União quanto pelo contribuinte, assim como da interposição de Recurso Extraordinário pela PFN. Conclui a petição: III – DO PEDIDO Face ao exposto, requer sejam conhecidos e providos os Embargos de Declaração opostos, para que a E. Câmara Superior De Recursos Fiscais se manifeste quanto à omissão acima apontada, a fim de possibilitar o correto andamento do processo administrativo fiscal, evitando futura alegação de cerceamento do direito de defesa. Os "embargos" foram admitidos por despacho do sr. Presidente da CSRF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Consoante o despacho que a admitiu, a peça elaborada pela Derat atendeu aos requisitos do art. 65 do RICARF. Assim não penso, no entanto. É que cerceamento de direito de defesa, em meu entender, tem de ser aduzido por quem o tenha sofrido e nunca, jamais, pela unidade da RF que deve dar cumprimento às decisões do CARF. E assim o é, porque, entre outros motivos, a apresentação de defesa no âmbito do processo administrativo traz, sim, um custo ao autuado: além da perda de eventual redução da penalidade, o acréscimo da selic ao débito lançado. Esse custo precisa, portanto, ser ponderado pelo interessado com a probabilidade de êxito em sua demanda. Por óbvio, cabe unicamente a ele tal ponderação. É certo que houve uma falha na intimação do sujeito passivo quanto ao resultado na Câmara Superior e quanto ao extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional. E Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900000.990 CSRFPL Fl. 771 4 não menos certo que isso foi avisado ao CARF antes do julgamento do extraordinário. Certo, também, por consequência, que os autos deveriam ter retornado à unidade preparadora para reparar o seu erro. E, certo, por fim, que nada disso foi feito, tendo o Pleno examinado, e provido, o extraordinário. Ainda assim, pergunto: e se, em 2002, quando da decisão prolatada pelo Pleno, feito aquele cotejo custobenefício acima mencionado, o contribuinte concluísse, simplesmente, pela conveniência, para si, do imediato encerramento do processo? Notese que a decisão apenas deu a obrigatória aplicação ao entendimento do STJ, nos termos do art. 62A do RICARF, o que, a princípio, a faria irreformável administrativamente. Tudo o que se conseguiu, então, foi retardar em quatro anos aquele encerramento, com os custos daí decorrentes. Ademais, atendose à omissão apontada, entendoa inexistente, ou, ao menos, não comprovada nos autos. E isso porque, nos termos regimentais, ela somente se materializa quanto a "ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma". Entendo que dela somente se poderia cogitar, no caso presente, se na data em que o Conselheiro Francisco Maurício recebeu os autos para relatar neles já constasse o despacho que solicitava sua devolução em face do erro cometido. Ou seja, se quando proferida a decisão, fosse do conhecimento da turma, ou ao menos do relator, que o processo caminhara tropegamente. Mas essa prova não se encontra nos autos. Com efeito, neles não consta, sequer, o despacho que encaminhou os autos ao conselheiro. Em reforço, sabemos todos, até recentemente, petições que chegavam ao CARF após a distribuição por sorteio costumavam aí aguardar até que o relator os devolvesse a fim de serem juntadas, sem que a ele, relator, qualquer notícia fosse dada. Nesse diapasão, somente se o despacho da unidade houvesse dado entrada no CARF enquanto o processo ainda aguardava distribuição é que seria garantido o seu correto processamento. A ausência do despacho que os encaminhou ao relator, porém, impede essa verificação. Nesses termos, não vejo configurada a omissão alegada e não acolho os embargos, devendo os autos retornar à unidade preparadora para imediata ciência da decisão proferida, quatro anos atrás, pelo Pleno da CSRF. E é assim que voto. (Assinado Digitalmente) JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura Redator designado. Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900000.990 CSRFPL Fl. 772 5 Não obstante os sólidos fundamentos apresentados pelo i. Relator, peço vênia para divergir do seu entendimento. Isso porque, conforme relatado com bastante clareza, a decisão do Pleno (Acórdão n° 9900000.354) foi proferida sem que a Contribuinte tivesse sido cientificada de decisão proferida pela turma a quo (Acórdão nº 0202.717, da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF). A ciência da decisão da CSRF não foi dada porque a Contribuinte mudou de domicílio fiscal (para a DRF/Guarulhos), de maneira regular, o que não foi constatado pela unidade preparadora anterior (ARF de Pindamonhangaba). Por consequência, as tentativas de cientificar a parte não lograram sucesso, e os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento. Como se não bastasse, posteriormente, a ARF de Pindamonhangaba, ao verificar o erro, encaminhou despacho ao CARF para solicitar retorno dos autos para a DRF/Guarulhos, para que pudesse ser providenciada a ciência da decisão. Contudo, nenhuma providência nesse sentido foi tomada, e o processo foi pautado para julgamento no Pleno, sem que a Contribuinte tivesse oportunidade de apresentar contrarrazões em face do recurso extraordinário interposto pela PGFN. Fato é que o rito do contencioso administrativo tributário foi seguido adequadamente até o despacho de admissibilidade do recurso extraordinário interposto pela PGFN (efls. 744). A partir deste momento processual, sucederamse uma série de atos que partiram de uma premissa equivocada, a de que a jurisdição fiscal da Contribuinte seria a ARF de Pindamonhangaba, e que consumaram um ato eivado de irregularidade insanável, qual seja, a decisão proferida pelo Pleno (Acórdão n° 9900000.354), vez que não foi dada a ciência da decisão da turma a quo e tampouco do recurso extraordinário da PGFN, em nítido cerceamento do direito de defesa e do contraditório. Os embargos opostos pela DERATSão Paulo discorrem com precisão sobre o art. 44 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que determinam a respeito da ciência do sujeito passivo para que tome ciência do recurso extraordinário interposto pela PGFN para que possa apresentar contrarrazões no prazo de quinze dias. E, além disso, deveria ter sido dada ciência da decisão proferida pela Segunda Turma da CSRF. E, apesar de a decisão do Pleno ter aplicado entendimento compatível com o repetitivo do STJ (Resp nº 973.733/SC) em relação à decadência, para determinar a contagem do prazo previsto no art. 173, inciso I do CTN, foi proferida pressupondo a ausência de pagamento, acompanhando argumento apresentado pelo Recurso Extraordinário interposto pela PGFN (efls. 726/739). Ou seja, caso a Contribuinte tivesse sido devidamente cientificada, poderia, ao apresentar contrarrazões, apresentar prova em contrário, até porque a presença/ausência de pagamento só passou a ser discutida nos autos a partir do recurso extraordinário interposto pela PGFN. Basta verificar o teor da decisão da turma a quo, da Segunda Turma da CSRF, que deu provimento ao recurso especial da Contribuinte para reconhecer a decadência de janeiro a setembro de 1996 porque afastou a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991 e aplicou o art. 150, § 4º do CTN por entender que se tratava de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ou seja, não se falou em pagamento em nenhum momento, fato compreensível porque o acórdão foi proferido em 24/04/2007. Portanto, voto no sentido de (1) declarar nula a decisão proferida no Acórdão n° 9900000.354 (efls. 755/757), e (2) retomar o rito do contencioso administrativo a partir da efl. 745, (2.1) para determinar o retorno dos autos para a unidade preparadora para Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900000.990 CSRFPL Fl. 773 6 que providencie a ciência da Contribuinte do Acórdão nº 0202.717 e do recurso extraordinário interposto pela PGFN; (2.2) em seguida, com base nas providências tomadas pelas partes, os presentes autos devem retornar ao CARF, para julgamento no Pleno. (Assinado Digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 773DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.010270/2007-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2005
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2402-005.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Julgado em 07/04/2017, no período da manhã.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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DIVERGÊNCIA GFIPXGPS Recorrente CENTRO DE DIAGNOSE E TERAPIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2005 JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 02 70 /2 00 7- 83 Fl. 151DF CARF MF 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Julgado em 07/04/2017, no período da manhã. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10580.010270/200783 Acórdão n.º 2402005.789 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Está em julgamento recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo acima contra decisão de primeira instância que declarou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n.º 37.054.6105. O lançamento em questão, nos termos do relatório fiscal de fls. 19/23, visa à exigência da contribuição dos segurados da Previdência Social, as quais não foram descontadas pela empresa. Os fatos geradores contemplados na NFLD foram aqueles declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, apurandose as contribuições dos segurados a partir das informações prestadas pelo sujeito passivo com dedução das quantias recolhidas em nome do sujeito passivo. O sujeito passivo impugnou o lançamento, contestando a aplicação da taxa de juros Selic, por entendêla inconstitucional e ilegal, além exclusão da multa, uma vez que ao caso deverseia aplicar o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. As alegações da defesa foram integralmente afastadas pelo órgão de primeira instância, que exarou o acórdão de fls. 67/81, onde entendeuse que a taxa Selic tem respaldo legal para sua aplicação, não havendo qualquer decisão do STF, declarandoa inconstitucional. Quanto à exclusão da multa, restou consignado na decisão da DRJ que não seria aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, uma vez que a apresentação da GFIP não foi acompanhada do pagamento do tributo. Inconformado com esta decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário, fls. 86/106 apresentando argumentos apenas contra a aplicação da taxa Selic para fins tributários, além de pedido o processamento do recurso independentemente do arrolamento de bens. É o relatório. Fl. 153DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade A ciência da decisão da DRJ ocorreu em 06/05/2008, fl. 109, e o recurso foi apresentado pelo sujeito passivo em 04/06/2008, fl. 86, portanto, dentro do prazo legal. Assim, a peça merece conhecimento, posto que atende aos requisitos de tempestividade e legitimidade, uma vez que foi saneada a falta de mandato conferindo poderes para o advogado interpor o presente recurso. A necessidade arrolamento de bens para seguimento de recurso contra decisões administrativas da Receita Federal do Brasil RFB não é mais exigível, conforme Ato Declaratório Interpretativo n.º 09/2007, exarado pelo Secretário da RFB. Merece conhecimento o apelo. Juros Selic Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1., não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10580.010270/200783 Acórdão n.º 2402005.789 S2C4T2 Fl. 4 5 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Afastase, assim, esse argumento. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.721414/2011-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA.
Estando corretos os montantes de créditos tributários exonerados apontados no acórdão embargado, revela-se insubsistente a acusação de obscuridade, devendo ser rejeitados os embargos.
Numero da decisão: 1302-002.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos interpostos, nos termos do voto do relator. Ausente momentaneamente os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Talita Pimenta Félix.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: Luiz Tadeu Matosinho Machado
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. Estando corretos os montantes de créditos tributários exonerados apontados no acórdão embargado, revela-se insubsistente a acusação de obscuridade, devendo ser rejeitados os embargos.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. Estando corretos os montantes de créditos tributários exonerados apontados no acórdão embargado, revelase insubsistente a acusação de obscuridade, devendo ser rejeitados os embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos interpostos, nos termos do voto do relator. Ausente momentaneamente os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Talita Pimenta Félix. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 14 14 /2 01 1- 87 Fl. 460DF CARF MF Processo nº 11040.721414/201187 Acórdão n.º 1302002.050 S1C3T2 Fl. 451 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 1103000.823, de 06/03/2013. proferido pela 3ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, mediante o qual o colegiado decidiu, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos de ofício e voluntário. Encaminhados os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional em 24/08/2012, para fins de ciência do acórdão, nos termos do § 3º do art. 81 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF aprovado pea Portaria MF. nº 256/2009, restou configurada a intimação do Procurador da Fazenda Nacional em 23/09/2012, nos termos do § 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972. Cientificada da decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração em 11/09/2015, que restou admitido por despacho do Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que transcreveu as razões recursais, verbis: DAS RAZÕES PARA A INTEGRAÇÃO DO JULGADO Tratase de lançamento decorrente de omissão de receita apurada nos anos calendário de 2007 e 2008. Em sede de recurso de ofício, este colegiado decidiu manter a exoneração da exigência fiscal no valor de R$ 1.799.960,40, sob seguinte fundamentação: [...] Conforme se lê acima, no julgamento do recurso de ofício, o relator adotou as mesmas razões de decidir da DRJ, que reduziu a exigência tributária, por ter identificado erro material na transcrição no faturamento apurado em março de 2008, para o qual a autoridade fiscal teria registrado o valor de R$ 20.663.842,64, enquanto as GIAS indicam o valor de R$ 2.663.842,64 para o mesmo mês. Identificado o erro de fato no faturamento do mês de março de 2008, do qual teria resultado um acréscimo de R$ 18.000.000,00 à base de cálculo do IRPJ e da CSLL no 1º Trimestre de 2008, a DRJ procedeu ao ajuste na exigência fiscal na forma do quadro abaixo reproduzido: [...] Da análise do quadro acima, verificase que procedida a exclusão de R$ 18.000.000,00 da apuração do IRPJ do 1º Trimestre de 2008, chegouse à base de cálculo de R$ 749.784,49, sobre a qual aplicada o percentual de 15%, obtêmse o imposto de R$ 112.467,67. Considerado ainda o imposto adicional de R$ 74.978,46, obtido pela aplicação de 10% sobre a mesma base de cálculo, obtémse um imposto total de R$ 187.446,13 para o 1º Trimestre de 2008. Contudo, no campo específico para o IRPJ apurado sobre a omissão, a tabela registra o valor de R$ 181.446,12. Esta divergência resulta necessariamente em outras diferenças quanto aos valores Esta divergência resulta necessariamente em outras diferenças quanto aos valores a serem exonerados, tanto do IRPJ quanto de seus consectários, conforme se demonstra no quadro delineado abaixo, em que as alterações se encontram destacadas por negrito: [...] Assim, o total exonerado seria de R$ 1.224.110,97, enquanto a DRJ indica, em sua tabela do IRPJ, o valor total de R$ 1.241.352,00 a ser exonerado. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 11040.721414/201187 Acórdão n.º 1302002.050 S1C3T2 Fl. 452 3 Considerado ainda o total a ser exonerado de CSLL e seus acréscimos legais no montante de R$ 558.608,40, acrescido do valor de R$ 1.224.110,97, montante a ser exonerado de IRPJ e acréscimos, resulta no montante de R$ 1.782.719.37 ser exonerado do crédito tributário. Neste ponto, o acórdão embargado incorre em obscuridade quando chancela a exoneração de R$ 1.799.960,40 do crédito tributário sob exigência. DO PEDIDO Face ao exposto, requer a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) que sejam recebidos e providos os presentes embargos de declaração, para sanar o vício acima apontado. O presidente da 1ª Câmara proferiu despacho admitindo os embargos, concluindo, verbis: A situação de obscuridade está apontada objetivamente. Verificase que não há de clareza na redação do julgado, tornando difícil dele terse a verdadeira inteligência ou exata interpretação. Por todo o exposto, ADMITO os embargos de declaração interpostos. Tendo em vista a extinção do colegiado que proferiu o acórdão embargado, o presente processo foi sorteado para julgamento por este colegiado, nos termos do art. 49, § 6º do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. É o relatório. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 11040.721414/201187 Acórdão n.º 1302002.050 S1C3T2 Fl. 453 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Os embargos interpostos são tempestivos e devem ser conhecidos, nos termos do despacho de admissibilidade proferido pelo presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento. A embargante alega a existência de obscuridade no acórdão embargado que, ao manter a decisão de primeiro grau que exonerou parcialmente a exigência, chancelou erro material que teria sido cometido pela autoridade julgadora a quo na apuração do IRPJ devido, após as exclusões dos valores exonerados. No acórdão de primeiro grau consta que ocorreu um erro na base de cálculo do IRPJ, quanto ao faturamento do apurado em março/2008, da ordem de 18.000.000,00, de que resultou numa redução do valor (original) do IRPJ lançado de R$ 613.446,12 para R$ 181.446,12, resultando numa exoneração total do lançamento (tributo mais encargos legais) no montante de R$ 1.799.960,40, conforme demonstrado na tabela abaixo reproduzida: 1º TRIM/2008 IRPJ LANÇADO MANTIDO EXONERADO OMISSÃO RECEITA LANÇADA 25.810.255,14 7.810.255,14 18.000.000,00 BASE DE CÁLCULO IRPJ 2.477.784,49 749.784,49 1.728.000,00 IRPJ SOBRE OMISSÃO 613.446,12 181.446,12 432.000,00 IRPJ DECLARADO 9.846,34 9.846,34 IRPJ APÓS VALOR COMPENSADO 603.599,78 171.599,78 432.000,00 IRPJ EXONERADO 432.000,00 Multa Exonerada (150%) Juros de Mora (37,35%) (*) TOTAL EXONERADO 648.000,00 161.352,00 1.241.352,00 CSLL LANÇADO MANTIDO EXONERADO OMISSÃO RECEITA LANÇADA 25.810.255,14 7.810.255,14 18.000.000,00 BASE DE CÁLCULO CSLL 3.097.230,62 937.230,62 2.160.000,00 CSLL SOBRE OMISSÃO 278.750,76 84.350,76 194.400,00 CSLL EXONERADA 194.400,00 Multa Exonerada (150%) Juros de Mora (37,35%) (*) TOTAL EXONERADO 291.600,00 72.608,40 558.608,40 Fl. 463DF CARF MF Processo nº 11040.721414/201187 Acórdão n.º 1302002.050 S1C3T2 Fl. 454 5 CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO TRIBUTOS (IRPJ E CSLL) JUROS MULTA TOTAL 626.400,00 233.960,40 939.600,00 1.799.960,40 (*) JUROS ATUALIZADOS ATÉ DATA DO LANÇAMENTO A embargante alega que houve um erro no cálculo do IRPJ devido, que acrescido dos encargos legais teria resultado na apuração incorreta do valor exonerado do lançamento de IRPJ (que seria de R$ R$ 1.224.110,97 e não de R$ 1.241.352,00 conforme apurado no acórdão) e do valor total exonerado no processo (IRPJ + CSLL), que seria de R$ 1.782.719,376 e não de R$ 1.799.960,40, conforme calculado pela DRJ e chancelado pelo colegiado embargado, verbis: [...] Da análise do quadro acima, verificase que procedida a exclusão de R$ 18.000.000,00 da apuração do IRPJ do 1º Trimestre de 2008, chegouse à base de cálculo de R$ 749.784,49, sobre a qual aplicada o percentual de 15%, obtêmse o imposto de R$ 112.467,67. Considerado ainda o imposto adicional de R$ 74.978,46, obtido pela aplicação de 10% sobre a mesma base de cálculo, obtémse um imposto total de R$ 187.446,13 para o 1º Trimestre de 2008. Contudo, no campo específico para o IRPJ apurado sobre a omissão, a tabela registra o valor de R$ 181.446,12. Esta divergência resulta necessariamente em outras diferenças quanto aos valores a serem exonerados, tanto do IRPJ quanto de seus consectários, conforme se demonstra no quadro delineado abaixo, em que as alterações se encontram destacadas por negrito: [...] (tabela omitida) Assim, o total exonerado seria de R$ 1.224.110,97, enquanto a DRJ indica, em sua tabela do IRPJ, o valor total de R$ 1.241.352,00 a ser exonerado. Considerado ainda o total a ser exonerado de CSLL e seus acréscimos legais no montante de R$ 558.608,40, acrescido do valor de R$ 1.224.110,97, montante a ser exonerado de IRPJ e acréscimos, resulta no montante de R$ 1.782.719.37 ser exonerado do crédito tributário. Neste ponto, o acórdão embargado incorre em obscuridade quando chancela a exoneração de R$ 1.799.960,40 do crédito tributário sob exigência. Examinando os cálculos realizados pela autoridade julgadora a quo, confirmados pelo colegiado embargado ao examinar o recurso de ofício, verificase que os mesmos estão corretos. Equivocase a embargante na apuração do valor devido a título de adicional do IRPJ (10%), ao aplicálo sobre a base de cálculo apurada (R$ 749.784,49), pois olvidouse de descontar da mesma a parcela de R$ 60.000,00, que está sujeita somente à alíquota de 15%. Daí a divergência de R$ 6.000,00 entre o IRPJ apurado pela DRJ e confirmado no recurso de ofício (R$ 181.446,12) e o calculado pela embargante (R$ 187.446,13). As demais divergências apontadas pela embargante, quanto aos montantes totais exonerados a título de IRPJ e do lançamento total, decorrem apenas da aplicação dos consectários legais (juros de mora e multa de ofício) sobre a diferença de imposto (R$ 6.000,00) apurada de forma equivocada. Destarte, inexiste a obscuridade/erro material apontados pela embargante. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 11040.721414/201187 Acórdão n.º 1302002.050 S1C3T2 Fl. 455 6 Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos interpostos. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 465DF CARF MF
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Numero do processo: 11610.003912/2007-56
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2001
MULTA DE MORA. DESCABIMENTO. Comprovado que o recolhimento foi efetuado dentro do prazo de vencimento é incabível a multa de mora.
Numero da decisão: 1803-001.044
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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DESCABIMENTO. Comprovado que o recolhimento foi efetuado dentro do prazo de vencimento é incabível a multa de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Processo nº 11610.003912/200756 Acórdão n.º 180301.044 S1TE03 Fl. 70 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Tratase de impugnação a autuação eletrônica decorrente de auditoria interna em DCTF, de acordo com IN SRF n°s 45/98 e 77/98, que constatou pagamentos de IRPJ, código 2089, do ano calendário de 2002, após o vencimento (fls.20), sem o recolhimento da respectiva multa de mora, consoante o demonstrativo consolidado no Anexo IV de fls.21. 0 presente lançamento de oficio exige o recolhimento de crédito tributário no valor total de R$2.986,97, com base na capitulação legal descrita no quadro 10 do auto de infração (fls.18), a saber: Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor (RS) Multa paga a menor Art.160 da Lei n° 5.172/66; art. 43 e 61, e §§1° e 2°, da Lei n° 9.430/96; art. 9° e parágrafo único da Lei n° 10.426/2002. 2.986,97 TOTAL 2.986,97 DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou em 03/05/2007 a impugnação de fls.01/05, acompanhada dos documentos de fls.06/23, alegando em síntese que: 1. 0 presente auto de infração foi lavrado eletronicamente e encontrase eivado de vício por não conter todos seus requisitos obrigatórios, conforme previstos nos incisos III e IV do art.10, do Decreto n°70.235/72. 1.1. A descrição dos fatos, a disposição legal infringida e a capitulação da penalidade aplicável não foram dispostas de maneira clara e precisa, impedindo assim a reunião de elementos para a defesa da autuada. 2. 0 valor cobrado é indevido porque foi pago, conforme copias dos comprovantes de pagamentos anexos. 2.1. Os débitos estão sendo analisados pela PGFN, por meio do pedido de revisão de débitos inscritos em Divida Ativa da União (envelopamento — lote n° 2005.05 conforme os documentos de fls.14/15. 2.2. Tendo em vista que perduram dúvidas sobre a exigibilidade dos valores cobrados e que existe pedido de revisão ainda pendente de apreciação por parte da Receita Federal para Processo nº 11610.003912/200756 Acórdão n.º 180301.044 S1TE03 Fl. 71 3 analisar os pagamentos realizados, requer a suspensão deste auto de infração até ulterior verificação da existência ou não dos débitos cobrados. DAS PETIÇÕES APRESENTADAS PELA CONTRIBUINTE Em 23/03/2010, a contribuinte apresentou a petição de fls.27/28, acompanhada dos documentos de fls.29/32, alegando em resumo que: 1. 0 presente auto de infração lavrado eletronicamente é decorrente do processo administrativo autuado sob o n° 10880.523585/200540 (pedido de revisão —envelopamento — referente aos exercícios de 2000 a 2004) e que posteriormente gerou a execução fiscal n°2005.61.82.0260859. 1.1. Ocorre que a Receita Federal por meio do Oficio 405/2007 EQDAU reconheceu que a autuada comprovou os recolhimentos dos tributos antes da inscrição na Divida Ativa da União, recomendando seu cancelamento (fls.29/30). 1.2. Tendo em vista a perda do objeto da ação o juiz decidiu pela extinção da execução fiscal, o que resultou no arquivamento do feito (fls.31/32). 1.3. A impugnante requer o cancelamento do presente auto de infração, tendo em vista a perda do objeto pelo reconhecimento dos recolhimentos efetuados conforme o Oficio 405/2007 — EQDAU. Ainda, em 27/05/2010, a contribuinte apresentou a petição de fls.35/36, acompanhada dos documentos de fls.37/50, alegando em resumo que: 1. Os débitos que deram origem às cobranças do presente processo estão vinculados à análise do processo administrativo n° 10880.536028/200670 (processo de revisão— envelopamento), ainda pendente de julgamento. 1.1. Os mesmos débitos estão sendo cobrados por meio da execução fiscal n° 2006.61.82.0325214, conforme demonstrativo da PFN (fls.37/50), atualmente com a exigibilidade suspensa face ao parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009. 1.2. A impugnante requer que seja extinta a exigência do presente processo.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, em decisão assim ementada (fls. 52/67): “AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, e incabível cogitar a nulidade do Auto de Infração. Processo nº 11610.003912/200756 Acórdão n.º 180301.044 S1TE03 Fl. 72 4 PEDIDO DE REVISÃO DE DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 0 pedido de revisão não suspende a exigibilidade do credito tributário, pois não é considerado recurso administrativo nos termos do art. 151, III, do Código Tributário Nacional. Em realidade, corresponde apenas a uma provocação de revisão de oficio pela Administração, que, com fundamento no poder de rever seus próprios atos, procederá à nova verificação de um crédito já devidamente constituído.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, acrescenta as seguintes considerações: a) Informa que o PA 01/10/01 está vinculado à análise do processo administrativo n° 10880.536028/200670 (processo de revisão — Envelopamento), ainda pendente de julgamento, onde a impugnante apresenta provas do único débito que possui no trimestre em questão, que é uma diferença de R$ 741,49, e não do valor que está sendo cobrado em tal processo no Termo de Intimação Fiscal n° 946/2010. b) No mérito ratifica as considerações feitas em preliminar, ressaltando uma vez mais, que além da pendência de julgamento do processo administrativo n° 10880.536028/200670 (Pedido de revisão — Envelopamento), o referido débito de R$ 2.986,97 exigido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil através do processo n° 11610.003912/200756, não é devido, por se tratar de multa por pagamento em atraso da l° parcela do 3 ° trimestre de 2001, que de fato ocorreu no prazo, conforme comprovação por documentos juntados. c) Requer a correção do período de apuração da guia, que pode ter causando a cobrança indevida da multa, e que este respeitável órgão analise o pleito da impugnante, requerendo desde já seja extinta a exigência. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 16/08/2010 (AR de fls. 61). O recurso foi protocolado em 20/08/2010, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A recorrente alega que o débito objeto da presente autuação está vinculado à análise do processo administrativo n° 10880.536028/200670. Conforme extrato da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (fls. 41/42), nele está sendo cobrado o seguinte débito, relativo ao 4° trimestre de 2001: Natureza: IMPOSTO IRPJ Data Vencimento: 31/01/2002 Processo nº 11610.003912/200756 Acórdão n.º 180301.044 S1TE03 Fl. 73 5 P. Apur Base/Ex: 01102001 Multa Mora: 20% Valor Originário: R$ 741,49 Valor Remanescente: R$ 741,49 Não há qualquer relação entre o débito cobrado no presente processo multa de mora isolada sobre os recolhimentos de IRPJ lucro presumido, efetuados em 28/02/2002 e 28/03/2002, relativos ao 4° trimestre de 2001 – e a diferença exigida no processo citado pela recorrente. Naquele processo está sendo cobrado saldo remanescente de tributo no valor de R$ 741,49, conforme demonstrativo elaborado pela própria recorrente (fls. 64). Logo, é perfeitamente possível fazer a análise do presente processo, independentemente do desfecho ou da decisão a ser proferida no processo n° 10880.536028/200670. No tocante ao mérito, foram anexados aos autos os seguintes comprovantes de pagamento (fls. 13 e 65): Cód.receita Per. Apur. Vencimento Valor (R$) Pagamento 2089 31/10/2002 31/01/2002 10.775,55 31/01/2001 2089 30/11/2001 28/02/2002 10.775,55 28/02/2002 2089 30/12/2001 28/03/2002 10.775,55 28/03/2002 No demonstrativo do auto de infração (fls. 20) fica evidenciado que o valor total do débito foi cobrado em uma única quota. As multas de mora foram consideradas devidas em relação aos pagamentos realizados em 28/02/2002 e 28/03/2002. Ocorre porém que a legislação permite o pagamento em até três quotas mensais, iguais e sucessivas, in verbis: “Art. 856. O imposto devido, apurado na forma do art. 220, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração (Lei nº 9.430, de 1996, art. 5º). § 1º À opção da pessoa jurídica, o imposto devido poderá ser pago em até três quotas mensais, iguais e sucessivas, vencíveis no último dia útil dos três meses subseqüentes ao de encerramento do período de apuração a que corresponder (Lei nº 9.430, de 1996, art. 5º, § 1º). (nosso grifo) § 2º Nenhuma quota poderá ter valor inferior a um mil reais e o imposto de valor inferior a dois mil reais será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração (Lei nº 9.430, de 1996, art. 5º, § 2º). § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do Processo nº 11610.003912/200756 Acórdão n.º 180301.044 S1TE03 Fl. 74 6 mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 5º, § 3º).” A contribuinte efetuou o pagamento do débito de R$ 33.068,13, em três quotas, acrescidas de juros de mora, e sempre no último dia útil dos três meses subsequentes ao de encerramento do 4° trimestre de 2001. Por conseguinte, não há que se falar em atraso no recolhimento, sendo incabível a exigência da multa de mora isolada. Por fim, deve ser reconhecido que é evidente o erro no preenchimento do Darf relativo à primeira quota, uma vez que o período de apuração informado (31/10/2002) é posterior à data de pagamento. Ante todo o exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes
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Numero do processo: 10882.000971/2005-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004
Ementa:
RETORNO SOBRESTAMENTO. REPERCUSSÃO GERAL. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÙMULA 2-CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, os retornos de sobrestamento sem decisão definitiva do STF (em matérias de reconhecida repercussão geral) devem ser julgados tomando como constitucionais as leis a respeito das quais ainda se aguarda o posicionamento do STF.
Numero da decisão: 3401-003.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, negando-se provimento ao recurso voluntário interposto.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Hélcio Lafetá Reis (suplente), André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: Rosaldo Trevisan
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, negando-se provimento ao recurso voluntário interposto. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Hélcio Lafetá Reis (suplente), André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 Ementa: RETORNO SOBRESTAMENTO. REPERCUSSÃO GERAL. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÙMULA 2CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, os retornos de sobrestamento sem decisão definitiva do STF (em matérias de reconhecida repercussão geral) devem ser julgados tomando como constitucionais as leis a respeito das quais ainda se aguarda o posicionamento do STF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, negandose provimento ao recurso voluntário interposto. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Hélcio Lafetá Reis (suplente), André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 09 71 /2 00 5- 48 Fl. 1005DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre os Autos de Infração de fls. 202 a 215 e fls. 598 a 6101, com ciência à empresa em 02/05/2005 (fls. 214 e 598), lavrados, respectivamente, para exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, e da Contribuição para o PIS/PASEP (originalmente no processo administrativo no 10882.000967/200580, apenso), de janeiro de 2001 a dezembro de 2004, nos valores originais de R$ 5.279.639,71, e R$ 375.553,25, a serem acrescidos de juros de mora e da multa de ofício (75%) prevista no art. 44, I da Lei no 9.430/1996. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 183 a 190, a fiscalização narra que: (a) cotejando as bases de cálculo informadas pela empresa em planilhas apresentadas como resposta a intimação e registros contábeis e DCTF, apurandose diferenças; (b) a empresa, em resposta a nova intimação, informou que as planilhas anteriormente apresentadas à fiscalização deveriam ser desconsideradas, por conterem incorreções, e enviou novas planilhas; (c) cotejandose a nova planilha foram também apuradas diferenças, e reintimada a empresa a justificálas; (d) a empresa informou que as diferenças se referiam à inclusão indevida, pela fiscalização, de valores não tributados, como recuperação de IPI e variação cambial ativa; (e) efetuada nova apuração pelo fisco, verificouse que: (e1) em 2001 e 2002, não foram incluídas “outras receitas operacionais”, e houve divergências em relação a DCTF entregues pela empresa; (e2) em 2003, houve informação de vendas para o mercado externo que não encontram correspondência no Livro Razão, havendo ainda aproveitamento indevido de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP (referentes a energia elétrica, manutenção de equipamentos, e alíquota de 1,65% indevidamente aplicada sobre o estoque de 31/12/2002 durante o anocalendário de 2003); (e3) em 2004, houve divergência entre as informações prestadas em resposta à intimação e aquelas declaradas em DCTF, aproveitamento indevido do crédito de COFINS sobre estoque em 01/01/2004, e aproveitamento indevido do crédito de ambas as contribuições sobre manutenção de equipamentos; e (e4) no que se refere à ação judicial (mandado de segurança) no 2000.61.00.0215157, a empresa obteve decisão de primeiro grau assegurando o recolhimento da COFINS nos moldes estabelecidos na Lei Complementar no 70/1991, revertida no TRF da 3ª Região, estando pendentes de apreciação os embargos de declaração apresentados pela empresa naquele tribunal, mas efetuou depósitos judiciais, sendo, nesse ponto, a autuação lavrada em processo apartado (processo administrativo no 10882.000966/200535), com suspensão da exigibilidade do crédito, objetivando prevenir decadência. A empresa apresenta impugnação em 31/05/2005 (fls. 217 a 272, e 512 a 663), em relação ao presente processo, e também aos processos administrativos no 10882.000966/200535 e no 10882.000967/200580, alegando, em síntese, que: (a) as autuações são nulas, pois fundadas em presunções, havendo ausência de detalhada e minuciosa fundamentação; (b) os órgãos da administração pública podem deixar de aplicar norma inconstitucional; (c) a Lei no 9.718/1998 é inconstitucional; (d) a possibilidade de crédito em relação a energia elétrica tem expressa previsão legal, e, em relação a manutenção de equipamentos, encontra guarida em Soluções de Consulta; (e) o momento de entrada em vigor das alíquotas das contribuições está previsto expressamente nos arts. 68 e 93 das Leis no 10.637/2003 e no 10.833/2003; (f) não cabe a aplicação de multa no caso de débito sub judice; (g) a multa de 75% é confiscatória; e (h) a Taxa SELIC é inaplicável para correção de débitos tributários. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 10882.000971/200548 Acórdão n.º 3401003.445 S3C4T1 Fl. 1.006 3 Em 12/09/2006 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 761 a 770), no qual se acorda unanimemente em julgar procedentes os lançamentos, concluindo que: (a) não houve litígio em relação às vendas para o exterior, não contestadas pela impugnante; (b) não houve presunção, mas autuação com base em informações prestadas pela própria empresa; (c) o fato de estar a matéria sub judice não é empecilho para a lavratura da autuação, de ofício, e a matéria referente à impossibilidade de aplicação de multa deve ser discutida no processo no 10882.000966/200535, que trata da autuação com exigibilidade suspensa; (d) a alegação de inconstitucionalidade da Lei no 9.718/1998 não pode ser analisada administrativamente, seja pela incompetência do órgão para se pronunciar sobre constitucionalidade, seja pelo fato de já ter sido submetida ao crivo do Poder Judiciário; (e) em relação a energia elétrica, a empresa não atentou para a vigência do dispositivo no qual alegou estar amparada; (f) sobre créditos com manutenção de equipamentos, a consulta e a legislação mencionadas tratam de retenção na fonte; (g) sobre a alíquota em relação a estoques a empresa desconsiderou o art. 11 da Lei no 10.637/2002 e o art. 12 da Lei no 10.833/2003; e (h) as discussões sobre a confiscatoriedade da multa e a impossibilidade de aplicação da Taxa SELIC remetem a exame de constitucionalidade, tema que não é passível de ser apreciado administrativamente. Na tentativa de intimar a empresa, em seu endereço cadastral fornecido ao fisco, sobre a decisão de piso, em 04/10/2006, o Aviso de Recebimento retornou com a informação “mudouse” (fl. 776). Não obstante, consta ter havido vista do processo a procurador da empresa em 24/10/2006 (fl. 784), após o julgamento de piso. Em 16/11/2006, a empresa apresenta recurso voluntário (fls. 790 a 822), alegando, basicamente, que: (a) há divergência entre os objetos da ação judicial (desobrigar a empresa de recolher futuros valores das contribuições, com as majorações introduzidas pela Lei no 9.718/1998), impetrada antes de qualquer procedimento fiscalizatório, e do processo administrativo (defesa contra auto de infração referente a diferenças em relação às contribuições); (b) a Lei no 9.718/1998 é inconstitucional, e não se deseja que a instância administrativa aprecie constitucionalidade, mas somente que aplique o entendimento que vem sendo dado ao tema pelo STF; e (c) tratandose de “processos reflexivos”, a decisão tomada no processo referente a COFINS deve ser alastrada à Contribuição para o PIS/PASEP. Às fls. 900 a 906, a empresa colaciona decisão do STF, com trânsito em julgado, do Mandado de Segurança no 2000.61.00.0215157, na qual se verifica que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, que determinou o alargamento da base de cálculo das contribuições. Em 19/09/2007, é proferido o Acórdão no 20312.405, do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 908 a 912), no qual se nega provimento ao recurso voluntário, sob o fundamento de existência de concomitância de objeto entre os processos judicial e administrativo, ressalvando que a autoridade competente para a execução do julgado deveria levar em consideração, quando da sua execução, a existência da mencionada decisão transitada em julgado. Intimada da decisão de segundo grau novamente no endereço cadastral fornecido à RFB, o AR retorna igualmente com a informação “mudouse” (fl. 918). Intimado o responsável pela empresa, o AR retorna com a informação “ausente três vezes” (fl. 926). Em 17/12/2007, a empresa peticiona (fls. 932 a 933), informando que o imóvel onde se encontra estava em reformas, e que as intimações deveriam ser direcionadas à filial. Foi, então, dada ciência ao representante da empresa no estabelecimento da filial (fls. 951 Fl. 1007DF CARF MF 4 a 954), em 26/02/2008, tendo sido, na mesma data, interpostos os embargos de declaração de fls. 956 a 975, no qual se afirma que a autoridade responsável pela execução do acórdão desconsiderou a decisão judicial em favor da empresa, e que o acórdão foi omisso em relação às seguintes razões de defesa: (a) creditamento de valores relativos a manutenção de maquinário; (b) aplicação de alíquota correta sobre o estoque de abertura em 31/12/2002; (c) aproveitamento de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP sobre energia elétrica; e (d) lançamento fundado em presunções. Afirma a empresa que apenas reiterou as razões em seu recurso voluntário, sem transcrever novamente seus argumentos, por já estar o conteúdo presente em sua impugnação, e, na peça referente aos embargos, traz novamente os argumentos em relação a tais temas às fls. 964 a 975. Pela Resolução no 3401000.691, de 21/03/2013, os embargos são admitidos, já no âmbito da Terceira Seção de Julgamento do CARF, reconhecendose omissões em relação aos quatro argumentos de defesa, e o direito de a empresa ter assegurado administrativamente o cumprimento da decisão judicial, mas o julgamento é sobrestado, por estar a matéria atrelada à incidência das contribuições sobre estoque de abertura com repercussão geral reconhecida pelo STF (tema 179), e em virtude da Portaria MF no 586, de 21/12/2010. Tendo sido revogada a determinação regimento do CARF para que houvesse sobrestamento, pela Portaria MF no 545, de 18/11/2013, o processo foi destinado a sorteio em 07/01/2014 (fl. 998). O processo é, então, distribuído e devolvido à Secretaria em 18/12/2014, por prevenção (fl. 999). O processo é, então, novamente distribuído em 10/12/2015 (fl. 1002), e devolvido, por ter sido o relator designado para função diversa, em 08/07/2016 (fl. 1004). Em 22/07/2016 o processo foi a mim distribuído, não tendo sido indicado para pauta nos meses novembro e dezembro de 2016, por estarem as sessões suspensas por determinação do CARF. O processo, derradeiramente, não foi indicado para o mês de janeiro de 2017, por ser a pauta mera reprodução da referente ao mês de outubro de 2016, que também teve a sessão suspensa por determinação do CARF. Em fevereiro de 2017, o processo foi retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no exame efetuado pelo colegiado na Resolução no 3401000.691, passase diretamente à análise das omissões objetivamente apontadas, e também já reconhecidas na citada resolução. Recordese que a apreciação dos embargos só não foi concluída, complementandose o julgamento anterior, no qual se detectou a existência de omissões, pelo fato de haver matéria submetida ao STF com reconhecida repercussão geral, o que constituía, regimentalmente, à época, óbice à análise administrativa. O posicionamento inicial deste colegiado, de sobrestamento, foi mitigado em função da revogação dos §§ 1o e 2o do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF pela Portaria MF no 545, de 18/11/2013, demandando o prosseguimento da apreciação dos embargos, em relação às omissões reconhecidas. Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 10882.000971/200548 Acórdão n.º 3401003.445 S3C4T1 Fl. 1.007 5 Importante também destacar que, com o novo RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015, mais precisamente com seu art. 65, § 8º, passou a existir expressa previsão de sustentação oral pelas partes no julgamento de embargos de declaração. Ainda em sede preliminar, antes de ingressar no mérito da análise dos quatro temas para os quais foram detectadas omissões, convém destacar que nenhum desses quatro assuntos foi objeto de argumentação específica no recurso voluntário, constando apenas dos argumentos da empresa que figuram na impugnação, endossados pelo seguinte parágrafo do recurso voluntário (fl. 820): Assim, os argumentos a serem analisados, a seguir, para verificar se a acolhida dos embargos se dará com efeitos infringentes, são os presentes na impugnação da empresa, genericamente endossados no recurso voluntário, e reproduzidos nos embargos. Da omissão em relação a ter sido o julgamento fundado em presunções Alega a empresa que o lançamento foi efetuado com base em presunções, em detrimento das informações prestadas pela empresa ao longo da ação fiscal. No entanto, não é isso que se vê nos autos. A empresa foi intimada a prestar esclarecimentos e informações por diversas vezes ao longo da fiscalização, e o lançamento é objetivamente fundado nas informações por ela fornecidas, cotejadas com suas declarações e registros contábeis, como se esclarece no Termo de Verificação Fiscal, sendo cada um dos itens detalhados em planilhas específicas, permitindo amplo conhecimento da matéria contenciosa, e da formação das bases de cálculo. Não traz a empresa, em síntese, nenhum item específico em que tenham sido ignoradas as informações por ela prestadas, limitandose a apresentar doutrina e jurisprudência que pouco se amoldam ao caso concreto. Pelo contrário, ao longo do contencioso, é a própria empresa que presta informações para em seguida desdizêlas, apresentando novas informações, que, destaquese, são tomadas em conta pelo fisco, como se percebe do Termo de Verificação Fiscal (fls. 185/186): Fl. 1009DF CARF MF 6 (...) Assim, improcedente o argumento de que o lançamento foi fundado em presunções, devendo ser mantida a autuação, nesse tópico. Da omissão em relação ao aproveitamento de créditos relativos a manutenção de máquinas Insurgese a empresa contra o não reconhecimento, com fundamento na inexistência de previsão legal, de créditos das contribuições relativos a manutenção de equipamentos. Em relação a tal tópico específico, a argumentação externada pela empresa em sede de impugnação, que, por ser sintética, merece ser integralmente transcrita, foi a seguinte (fls. 250/251): Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 10882.000971/200548 Acórdão n.º 3401003.445 S3C4T1 Fl. 1.008 7 Sobre tais argumentos, destaca a DRJ, no julgamento de piso, que a empresa se equivoca ao mencionar o artigo 30 da Lei no 10.833/2003, e colacionar soluções de consulta referentes a retenção na fonte, por tratar a autuação de matéria diversa. Com razão o julgador de piso, visto que sequer se discute retenção na fonte no presente processo. A defesa, assim, é alheia ao lançamento. E, recordese, no recurso voluntário, é apenas genericamente endossada, não podendo os embargos de declaração suprirem a deficiência do recurso voluntário. Afinal de contas, o julgamento não poderia ter sido omisso sobre o que sequer foi alegado. Podese, em nome da verdade material, acrescer que os argumentos inovadores trazidos pela empresa nos embargos, de que os incisos II e IV do art. 3o das leis de regência (Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003) asseguram o direito ao crédito, assim como decisões em processos de consulta administrativa, são igualmente insuficientes para afastar as razões da autuação. Isso porque novamente trata a empresa de matéria alheia à autuação, com dispositivos normativos que se prestam a outras situações, sem demonstrar como tais enquadramentos (referente a insumos e aluguéis) se conectam com o que se discute nos autos, e com decisões ilustrativas em relação a terceiros, em casos com características próprias, que não vinculam o julgador. Assim, não merecem prosperar as alegações de defesa, também neste tópico. Fl. 1011DF CARF MF 8 Da omissão em relação ao aproveitamento de créditos relativos a energia elétrica Alega a empresa, em sua impugnação, com reiteração genérica na peça recursal, que há expressa previsão legal para os créditos referentes a energia elétrica (art. 3o, IX da Lei n o 10.637/2002, e art. 3o, III, e art. 30, da Lei no 10.833/2003, este último tratando de retenção na fonte, tema alheio à autuação), que deveriam ser aceitos pela fiscalização (fl. 250): Sobre o tema, não atentou a recorrente para a data de entrada em vigor dos dispositivos citados, cotejandoa com o período lançado, como bem advertiu o julgador de piso (fl. 769): Não havia, então, previsão legal para o crédito, á época em que utilizado pela empresa, sendo correto o lançamento. Da omissão em relação à alíquota aplicável aos estoques de abertura A impugnação específica em relação à aplicação de alíquotas também é sintética (fl. 251) a ponto de ser integralmente transcrita, a seguir: Também em relação a estoques de abertura, o julgamento de piso esclarece que há dispositivos específicos sobre o tema em cada uma das leis de regência (artigo 11, § 1o Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 10882.000971/200548 Acórdão n.º 3401003.445 S3C4T1 Fl. 1.009 9 da Lei no 10.637/2002, e artigo 12, § 1o da Lei no 10.833/2003), que não se confundem, nem contrariam o teor dos artigos 68 e 93, referentes à vigência das leis. Analisemos tais dispositivos, em cotejo com os indicados pela empresa em sua defesa. Na Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP, há expressa previsão da alíquota para créditos referentes a estoque de abertura: “Art. 11. A pessoa jurídica contribuinte do PIS/Pasep, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3o, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II desse artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes em 1o de dezembro de 2002. § 1o O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) sobre o valor do estoque. (...) Art. 68. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: (...) II – a partir de 1o de dezembro de 2002, em relação aos arts. 1o a 6o e 8o a 11; (...)” (grifo nosso) De forma semelhante, na Lei no 10.833/2003, referente à COFINS, o tema referente aos estoques de abertura é assim tratado: “Art. 12. A pessoa jurídica contribuinte da COFINS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3o, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II daquele mesmo artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data de início da incidência desta contribuição de acordo com esta Lei. § 1o O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 3% (três por cento) sobre o valor do estoque. (...) Art. 93. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos, em relação: I aos arts. 1o a 15 e 25, a partir de 1o de fevereiro de 2004; (...)” (grifo nosso) Fl. 1013DF CARF MF 10 Contudo, a DRJ não adentra na discussão sobre a constitucionalidade de tais dispositivos (artigo 11, § 1o da Lei no 10.637/2002, e artigo 12, § 1o da Lei no 10.833/2003), limitandose a acolhêlos ambos como constitucionais, por ser um tribunal administrativo sem competência para se pronunciar sobre (in)constitucionalidade de lei vigente. No entanto, o STF está justamente a discutir a constitucionalidade de tais dispositivos legais, referentes a estoques de abertura, no Recurso Extraordinário no 587.108/RG, tendo sido reconhecida a repercussão geral da matéria, em 2009, como assinalou a Resolução no 3401000.691, que sobrestou o julgamento do processo, destacando que o tema sob repercussão recebeu, na suprema corte, o número 179: “179 Aproveitamento de créditos calculados com base nos valores dos bens e mercadorias em estoque, no momento da transição da sistemática cumulativa para a nãocumulativa da contribuição para o PIS e da COFINS. EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. BENS EM ESTOQUE. CRÉDITO. ALÍQUOTA. LEI 10.637/2002, ART. 11, § 1o, E LEI 10.833/2003, ART. 12, § 1o. RELEVÂNCIA JURÍDICA E ECONÔMICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 587108 RG, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 14/08/2009, DJe162 DIVULG 27082009 PUBLIC 28082009 EMENT VOL0237109 PP01799 LEXSTF v. 31, n. 368, 2009, p. 315323)” O cerne da questão discutida no Supremo Tribunal Federal, que é nossa corte constitucional, é bem descrito na coluna “descrição tema” da planilha “Temas com determinação de suspensão nacional”, constante na página eletrônica do tribunal (http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciarepercussao/listarrepercussaogeral.asp): Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5o, caput; 150, II; e 195, § 12, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do § 1o do art. 11 da Lei no 10.637/2002 e do § 1o do art. 12 da Lei no 10.833/2003, que disciplinam o direito de aproveitamento de créditos calculados com base nos valores dos bens e mercadorias em estoque, no momento da transição da sistemática cumulativa para a não cumulativa da contribuição para o PIS e da COFINS. (grifo nosso) Pesquisandose, no mesmo sítio eletrônico, o andamento do processo, percebese que, em 26/10/2016, foi determinado o envio de ofícios aos órgãos do sistema judicial pátrio para suspensão do processamento dos feitos pendentes que versem sobre a questão, que ainda não foi decidida pelo STF. Tal suspensão, porém, não afeta a apreciação dos processos administrativos pelos tribunais administrativos – especialmente do CARF, após a publicação da Portaria MF no 545, de 18/11/2013, que revogou os §§ 1o e 2o do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF então vigente. Assim, ainda não há manifestação definitiva do STF sobre a matéria, existindo tão somente o reconhecimento da repercussão geral da questão, sendo cabível, destarte, a imediata análise da questão por este tribunal administrativo. Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 10882.000971/200548 Acórdão n.º 3401003.445 S3C4T1 Fl. 1.010 11 É de se destacar, contudo, o teor da Súmula no 2 deste CARF (que comunga com o teor do art. 26A do Decreto no 70.235/1972): “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, a matéria em apreciação pelo STF, de repercussão geral e trato constitucional reconhecidos, será analisada por este tribunal administrativo sem que seja possível o entendimento pela inconstitucionalidade de lei tributária. O silogismo é inevitável: se o STF reconhece a repercussão geral, por óbvio que há discussão sobre constitucionalidade. E se há discussão sobre constitucionalidade, o CARF é incompetente para manifestarse negativamente, devendo acolher todas as leis tributárias como constitucionais. E, como não há mais a possibilidade de sobrestamento, o CARF deve julgar a matéria, sempre considerando as leis (cuja constitucionalidade o STF está a apreciar) como constitucionais. São, assim, tomados como constitucionais o artigo 11, § 1o da Lei no 10.637/2002, e o artigo 12, § 1o da Lei no 10.833/2003. No presente contencioso administrativo, adicionese que a empresa sequer alega serem inconstitucionais o artigo 11, § 1o da Lei no 10.637/2002, e o artigo 12, § 1o da Lei no 10.833/2003. Argumenta tãosomente que os artigos aplicáveis ao caso são o artigo 68 da Lei no 10.637/2002, e o artigo 93 da Lei no 10.833/2003. Como exposto, no entanto, os artigos 68 e 93 não conflitam com os artigos 11 e 12, a menos que se queira, sob o manto da inconstitucionalidade, com fundamento em eventual irretroatividade, impossibilitar a aplicação a estoques de abertura já existentes. Mas tal matéria, destaquese, é exatamente aquela sob exame da suprema corte, não podendo este tribunal administrativo afastar norma de estatura legal vigente, com fundamento em inconstitucionalidade, exceto nas situações expressamente catalogadas no artigo 26A do Decreto no 70.235/1972, entre as quais não se encontra a tratada nestes autos. Pelo exposto, deve ser mantida a autuação também em relação a este tópico. Das conclusões Complementando o julgamento dos embargos, que foi objeto de sobrestamento, pela Resolução no 3401000.691, é de se concluir pela acolhida dos embargos de declaração, para sanar as omissões, sem efeitos infringentes, negando provimento ao recurso voluntário apresentado. Cabe, derradeiramente, manifestarse sobre demanda inicial nos embargos para que a unidade desse cumprimento à decisão transitada em julgado na execução administrativa do acórdão embargado. Tal pleito, que revela preocupação da empresa com eventual descumprimento de decisão judicial pela unidade local, a nosso ver, não merece tratamento aqui, seja pelo fato de haver consequências próprias para o descumprimento de decisão judicial (como destacado na mencionada resolução), seja por já ter sido mencionada a questão expressamente no acórdão embargado, ou mesmo porque a unidade local já declarou neste processo, em data anterior à interposição dos embargos, a ciência da existência da Fl. 1015DF CARF MF 12 decisão judicial e da necessidade de seu cumprimento, como se percebe na informação de fls. 949/950: (...) Diante do exposto, devem ser acolhidos os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, negandose provimento ao recurso voluntário interposto. Rosaldo Trevisan Fl. 1016DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.000713/2004-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que a situação enfrentada no acórdão apresentado como paradigma é diferente da situação enfrentada no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9202-004.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos que conheceram. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que a situação enfrentada no acórdão apresentado como paradigma é diferente da situação enfrentada no acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos que conheceram. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 07 13 /2 00 4- 81 Fl. 164DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2801002.864, fls. 129 a 135 do eprocesso, que, por unanimidade, deu provimento ao Recurso Voluntário para aplicação do art. 150, §4º do CTN, como regra de contagem do prazo decadencial. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4º, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado do IRPF do exercício de 1999, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4º, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido. Na origem, tratase de Auto de Infração de fls. 20/24 do eprocesso, em que o lançamento ocorreu em virtude da revisão das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Física – DIRPF, referentes aos exercícios de 1999 – anocalendário 1998 e 2000 ano calendário 1999 que constatou a omissão de rendimentos recebidos de Fabio Correa Ayrosa Galvão, CPF 804.836.58804, a titulo de Pensão Alimentícia Judicial e a falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a titulo de carnêleão pelos rendimentos decorrentes da referida Pensão Alimentícia. A 8ª Turma da DRJ em São Paulo/SP julgou procedente em parte o lançamento fiscal, conforme Acórdão nº 1729.011 de fls. 72/89 do eprocesso, para retificar os valores relativos a omissão de rendimentos de pensão alimentícia judicial e reduzir o percentual da multa exigida isoladamente para 50%. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10882.000713/200481 Acórdão n.º 9202004.532 CSRFT2 Fl. 19 3 A interessada, inconformada com tal decisão, interpôs Recurso Voluntário de fls. 96/107 do eprocesso, o qual foi julgado procedente pela 1ª Turma Especial da 2ª Seção, no dia 22 de janeiro de 2013, conforme Acórdão nº 2801002.864 de fls. 129/135 do eprocesso. Cabe destacar que o contribuinte pediu a desistência parcial do Recurso Voluntário, quanto ao IRPF do anocalendário de 1999, referente ao lançamento de R$ 14.394,19, conforme fls. 117/118 do eprocesso. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial com fundamento no art. 67, do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009 (vigente a época dos fatos), alegando que o referido acórdão merece reforma, entendendo pela aplicação do art. 173, I do CTN, citando como paradigma o Acórdão nº 230101.568, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/08/2005 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS, DISCUSSÃO DO DIES A QUO DESNECESSÁRIA NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante IV 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4" em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente, independentemente de ter ocorrido ou não o pagamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, temos omissões e dolo no não pagamento das contribuições previdenciárias retidas dos empregados, o que fixa a regra decadencial no art. 173, inciso Ido CTN. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL, AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. O Principio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála Além disso, é de se ressaltar que a multa de oficio é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art, 150 da Constituição Federal. Fl. 166DF CARF MF 4 TAXA SELIC.. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula 4 deste Colegiado, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91,0 art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Sebe, Recurso Voluntário Provido em Parte. Conforme despacho de admissibilidade de fls. 143/146, foi dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, sendo a Contribuinte intimada via correspondência, conforme AR de fls. 153. A Contribuinte, em suas contrarrazões, alegou, em síntese que o acórdão paradigma utilizado pela Fazenda Nacional não pode ser utilizado como paradigma, pois, o acordão paradigma trata de contribuições previdenciárias descontadas na fonte dos empregados. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando inquirir acerca do cumprimento dos demais pressupostos de admissibilidade. O presente caso tratase de Auto de Infração oriundo de revisão das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Física – DIRPF, conforme relatado pela DRJ: O auto de infração de fls. 17/21, lavrado em 05/04/2004, exige do sujeito passivo, já qualificado nos autos, o recolhimento do crédito tributário de R$ 368.808,94, sendo imposto devido no valor de R$ 114.123,62; juros de mora (calculados até 31/03/2004) no valor de R$ 88.990,01; multa proporcional no valor de R$ 85.592,71 e multa isolada no valor de R$ 80.102,60. O lançamento, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls.18/21, originouse da revisão das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Física — DIRPF, referentes aos exercícios de 1999 — anocalendário 1998 e 2000 — ano calendário 1999 que constatou a omissão de rendimentos recebidos de Fabio Correa Ayrosa Galvão, CPF 804.836.58804, a titulo de Pensão Alimentícia Judicial e a falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a titulo de carnê leão pelos rendimentos decorrentes da referida Pensão Alimentícia. A 1ª Turma Especial da 2ª Seção deu provimento ao Recurso Voluntário, aplicando o art. 150, §4º do CTN para fixar o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10882.000713/200481 Acórdão n.º 9202004.532 CSRFT2 Fl. 20 5 A Fazenda Nacional, por sua vez, pede a aplicação do art. 173, I do CTN, indicando como paradigma o Acórdão nº 230101.568. Em sede de contrarrazões, a Contribuinte pede o que seja negado provimento ao Recurso Especial alegando, em síntese que a situação fática do paradigma indicado pela Fazenda Nacional não seria similar a do acórdão recorrido. O paradigma utilizado pela Fazenda Nacional é referente a omissões encontradas em GFIPs e falta de recolhimento de contribuições previdenciárias da parte retida do empregado, conforme ementa e parte do relatório: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/08/2005 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS, DISCUSSÃO DO DIES A QUO DESNECESSÁRIA NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante IV 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4" em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente, independentemente de ter ocorrido ou não o pagamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, temos omissões e dolo no não pagamento das contribuições previdenciárias retidas dos empregados, o que fixa a regra decadencial no art. 173, inciso Ido CTN. (...) Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) 37.871.1630, lavrada em 28/07/2006, por terem sido encontradas omissões nas GPIPs e falta de recolhimento de contribuições previdenciárias da parte retida do empregado, fls. 58/60, tendo resultado na constituição do crédito tributário de RS 63.609,92, fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 01/08/2006, a recorrente apresentou impugnação, fls. 62/86, em 16/08/2006, protestando pela nulidade da NFLD por cerceamento de defesa, ilegalidade de sua exclusão do SIMPLES, efeito confiscatório da multa e inconstitucionalidade da Taxa Selic. Fl. 168DF CARF MF 6 Assim, o paradigma apontado pela Fazenda Nacional apresenta situação fática diferente do caso em análise, razão pelo fato que não deve ser conhecido conforme julgados dessa E. CSRF: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, por falta de similitude fática entre os julgados em confronto. Recurso Especial do Procurador não conhecido. (Acórdão nº 9202004.300, referente ao processo nº 11052.000744/201015, julgado na sessão do dia 20 de julho de 2016). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, por falta de similitude fática entre os julgados em confronto. Recurso Especial do Procurador não conhecido. (Acórdão nº 9202004.298, referente ao processo nº 19515.002202/200618, julgado na sessão do dia 20 de julho de 2016). Neste sentido, destaco o voto da Ilma. Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, proferido nos autos do processo nº 11052.000744/201015, cuja ementa foi reproduzida acima: Por outro lado, a divergência jurisprudencial somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. No presente caso, as situações fáticas em confronto efetivamente não guardam a necessária similitude, a ponto de caracterizarse o alegado dissídio interpretativo, no que tange à determinação do momento de ocorrência dos fatos geradores do IRRF, já que o paradigma apresenta especificidades inexistentes no acórdão recorrido. Assim, não há como concluirse que os Colegiados que infirmaram o lançamento efetuado no processo ora em julgamento (DRJ e CARF), fariam o mesmo em face da situação do paradigma. Da mesma forma, não há no paradigma elementos que permitam deduzir que aquele Colegiado também manteria a autuação, se tivesse de julgar o caso do acórdão recorrido, simplesmente porque a discussão travada fora ancorada em fatos distintos daqueles observados no julgado guerreado. (...) Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10882.000713/200481 Acórdão n.º 9202004.532 CSRFT2 Fl. 21 7 Com efeito, resta claro que, no que tange ao momento de ocorrência do fato gerador do IRRF, o cerne da discussão, no caso do paradigma, não foi "meros registros contábeis pelo regime de competência versus exigibilidade dos pagamentos" (como se verifica no acórdão recorrido), e sim "crédito dos juros versus efetiva remessa dos juros para o exterior". Afinal, essa era a alegação do Contribuinte, naquele caso concreto, ou seja, o seu principal argumento fora no sentido de que o fato gerador não teria ocorrido, uma vez que nenhum valor fora efetivamente remetido ao exterior. Em face de tal alegação, aquele Colegiado concluiu que a efetiva remessa não constituiria condição para a exigência do tributo. Naquela assentada sequer se discutiu acerca de eventual liame entre registros contábeis e exigibilidade dos pagamentos, que foi a tônica da discussão verificada no acórdão recorrido. (Grifei) Diante do exposto, tendo em vista a ausência de similitude fática entre o paradigma e o acórdão recorrido, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 170DF CARF MF 8 Declaração de Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Em sessão plenária de 22/01/2013, foi julgado o Recurso Voluntário em epígrafe, prolatandose o Acórdão nº 2801002.864 (fls. 129 a 135), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado do IRPF do exercício de 1999, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4º, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido." O processo foi encaminhado à PGFN em 08/01/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 136) e, na mesma data, foi interposto o Recurso Especial de fls. 137 a 141 (Despacho de Encaminhamento de fls. 142). O Recurso Especial fundamentouse no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 2009. O apelo visa discutir a espécie de evento a ser considerado, para que a decadência não seja consumada data de ciência do lançamento ou do termo de início da fiscalização. Como paradigma, a Fazenda Nacional indica o Acórdão nº 230101.568 e descreve o ponto de divergência da forma abaixo: Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10882.000713/200481 Acórdão n.º 9202004.532 CSRFT2 Fl. 22 9 "No paradigma, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, ao analisar a contagem do prazo decadencial de tributo sujeito a lançamento por homologação, firmou o entendimento de que, segundo a literalidade do art. 150, parágrafo 4º, a fiscalização tem o prazo de 5 cinco para se pronunciar sobre o pagamento antecipado, a partir da ocorrência do fato gerador. Sob tal perspectiva, o aludido órgão julgador deixa clara sua posição de que o pronunciamento em questão ocorre quando a administração tributária inicia a fiscalização, ou seja, uma vez iniciado o procedimento fiscal em face do contribuinte antes do prazo legal de cinco anos, não se opera a decadência. Diante da tese firmada na decisão paradigma, fica patente a divergência sobre a aplicação do art. 150, parágrafo 4°, do CTN, porquanto o acórdão recorrido considera a ciência do lançamento como o pronunciamento tratado na norma referida, de modo que declara a decadência do IRPF apurado no ano calendário de 1998." A Fazenda Nacional transcreve as seguintes passagens do paradigma: Paradigma Acórdão 230101.568 Ementa "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/08/2005 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS, DISCUSSÃO DO DIES A QUO DESNECESSÁRIA NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante IV 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN), O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 17.3, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de, lançamento por homologação. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente, independentemente de ter ocorrido ou não o pagamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, temos omissões e dolo no não pagamento das contribuições previdenciárias retidas dos empregados, o que fixa a regra decadencial no art. 173, inciso I do CTN. Fl. 172DF CARF MF 10 DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL, AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. O Principio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála Além disso, é de se ressaltar que a multa de oficio é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art, 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula 4 deste Colegiado, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. Acrescente se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91. O art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Sebe, Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos." Voto "Então, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso 1 do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública 'considerase homologado' é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco 'se tenha pronunciado'. A Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10882.000713/200481 Acórdão n.º 9202004.532 CSRFT2 Fl. 23 11 interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de oficio com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão 'pronunciado' não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, 'emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente'. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo e um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art, 142 do CTN. Caso o §4° do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão 'pronunciado'. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art, 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável." (destaques da Recorrente) A leitura dos trechos transcritos pela Fazenda Nacional poderia levar ao entendimento de que haveria divergência entre os julgados em confronto, porém tal conclusão não resiste à análise do inteiro teor do paradigma, que possibilita a compreensão do contexto em que o aresto foi proferido. Nesse passo, verificase que, enquanto o acórdão recorrido aplicou o entendimento do STJ proferido no RESP 973.933SC, sob regime de recursos repetitivos, por imposição de norma regimental (art. 62A, incluído pela Portaria MF 586, de 21/12/2010), o paradigma foi proferido em 08/07/2010, portanto em data anterior à existência da norma regimental que tornou obrigatória a reprodução do referido entendimento. Assim, são diversos os contextos dos dois julgamentos, não sendo possível saber qual seria o entendimento manifestado no paradigma, se na ocasião do julgamento já vigorasse a obrigação de reproduzir o entendimento firmado pelo STJ. Confirase trecho do voto condutor do paradigma, que denota não estar o relator meramente reproduzindo entendimento do RESP 973.933/SC, e sim o seu próprio entendimento: "No Resp 973.933SC, o STJ entendeu que o lançamento poderia ser efetuado a partir da ocorrência do fato gerador, mas não partilhamos desse entendimento." (grifei) Releva notar que o Recurso Especial foi interposto em 08/01/2015, portanto poderia ter sido indicado paradigma em que, mesmo sujeito à reprodução obrigatória do RESP 973.933/SC, se chegasse a conclusão diversa. Entretanto, o paradigma indicado, repitase, foi proferido em contexto normativo anterior àquele que orientou o recorrido, quando a norma regimental citada no recorrido sequer existia no mundo jurídico. Fl. 174DF CARF MF 12 O ordenamento jurídico tem buscado a evolução e, no que tange à prestação jurisdicional, tanto a esfera administrativa como a judicial têm adotado providências no sentido da celeridade e praticidade dos julgamentos. Nessa direção podem ser citadas soluções tais como as decisões judiciais na sistemática dos artigos 543B e 543C, do CPC, e no que tange ao CARF, destacamse os comandos do artigo 62 do RICARF. Entretanto, tais medidas revelarseão inócuas, se a cada julgamento a Instância Especial tiver de retroceder a fases anteriores do arcabouço normativo, em que tais mecanismos ainda não tinham seu lugar no mundo jurídico. Assim sendo, não restou demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. Não fosse esse óbice à demonstração de divergência o que se admite apenas para argumentar compulsandose o inteiro teor do paradigma, constatase que o ponto de divergência descrito pela Fazenda Nacional não foi o fundamento da decisão, mas apenas uma exposição do entendimento do relator em tese. Confirase o voto condutor do paradigma: "Então, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso 1 do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: (...) Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública "considerase homologado" é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco "se tenha pronunciado". A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de oficio com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão "pronunciado" não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de oficio. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, "emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente". Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo e um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão "pronunciado". Com Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10882.000713/200481 Acórdão n.º 9202004.532 CSRFT2 Fl. 24 13 esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso 1. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 20(XX 5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art.173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto." (grifei) Assim, constatase que a análise do caso concreto não foi abordada nos trechos colacionados pela Fazenda Nacional, assim como o fundamento da decisão adotada no paradigma também não está contido nos trechos reproduzidos no Recurso Especial e sim em outras passagens do acórdão paradigma. Confirase: Ementa "DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS, DISCUSSÃO DO DIES A QUO DESNECESSÁRIA NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante IV 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN), O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de, lançamento por homologação. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente, independentemente de ter ocorrido ou não o pagamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, temos omissões e dolo no não pagamento das contribuições previdenciárias retidas dos empregados, o que fixa a regra decadencial no art. 173, inciso I do CTN." (grifei) Voto Fl. 176DF CARF MF 14 "Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso 1 para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso 1. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4° referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso 1, precisamos tornar seu conteúdo para prosseguirmos: (...) A recorrente, após ter sido excluída do SIMPLES, foi flagrada em omissão de recolhimento de contribuições previdenciárias retidas de seus empregados, bem como foram constatadas omissões em algumas GFIPs. No caso da retenção e não recolhimento, temos uma clara situação de dolo, pois se realizou o desconto dos empregados a empresa tinha conhecimento de sua obrigação de repassar tais valores ao fisco Ao não fazêlo agiu de forma consciente e intencional, o que caracteriza o dolo. Quanto às omissões, é fácil concluir que tudo o quanto foi omitido não fez parte da atividade do sujeito passivo que precedeu ao pagamento antecipado, não havendo, nessa parte o que homologar. Ou seja, a falta de recolhimento do tributo não decorreu de divergência de interpretação da legislação sobre aspectos dos fatos geradores considerados pelo sujeito passivo e que estariam aguardando a homologação do fisco, mas decorreu de omissão culposa ou dolosa. Somente a ação do fisco por meio do lançamento de oficio permitiu que os fatos geradores omitidos fossem atingidos, pela tributação. Portanto, seja pela ocorrência de dolo quanto aos valores retidos e não recolhidos ou quanto à omissão nas GFIPs, temos que a regra decadencial a ser aplicada é aquela do art. 173, inciso I do CTN." (grifei) Com efeito, o paradigma rechaçou a alegação de decadência por aplicação do art. 173, I do CTN, em virtude de ter havido dolo (na parte relativa às contribuições retidas e não recolhidas) e por ter aplicado o entendimento de que não é qualquer antecipação de pagamento que autoriza a contagem com base no art. 150, §4º do CTN, mas somente o pagamento antecipado que se relacione aos fatos geradores considerados pelo Contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Essas questões são completamente diversas das que foram enfrentadas no recorrido e evidenciam que a matéria suscitada pela Fazenda Nacional não constituiu fundamento da decisão adotada no paradigma, de sorte que a divergência alegada não foi demonstrada. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10882.000713/200481 Acórdão n.º 9202004.532 CSRFT2 Fl. 25 15 Ademais, mesmo que fosse possível superar os impedimentos já registrados o que se admite apenas por amor ao debate ainda seria necessário ultrapassar outro óbice adiante explicitado. Com efeito, o dispositivo que a Fazenda Nacional quer ver aplicado no presente processo é o parágrafo único, do art. 173, do CTN: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." (grifei) Nesse sentido, cabe consignar que em questão similar, por meio do Acórdão 9202003.670, de 09/12/2015, a CSRF apontou como um dos fundamentos para não conhecer de Recurso Especial da Fazenda Nacional a necessidade de aferir o cabimento ou não da medida preparatória ao lançamento de acordo com a norma de incidência de cada tributo. Confirase: Ementa "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1995 a 30/11/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Recurso Especial do Procurador não conhecido" Decisão "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso." Voto "Tratase do dispositivo que a Fazenda Nacional quer ver aplicado no presente processo, que é o parágrafo único, do art. 173, do CTN: Fl. 178DF CARF MF 16 'Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.' Assim, ainda haveria a necessidade de se perquirir se a medida preparatória seria indispensável ao lançamento, o que diz respeito à norma que regula cada incidência específica. Nesse passo, observase que, na maciça maioria das incidências, a medida preparatória não é indispensável ao lançamento, uma vez que o procedimento fiscal é inquisitorial, podendo a Fiscalização lavrar o Auto de Infração sem a oitiva do sujeito passivo, desde que já disponha de todos os elementos para efetuar o lançamento. Com efeito, a medida preparatória indispensável ao lançamento diz respeito às autuações por presunção juris tantum, já que esse tipo de autuação comporta a apresentação de prova em contrário, daí a imprescindibilidade de intimação ao autuado. Aliás, esse é o caso do paradigma, cuja fiscalização teve início com o exame de extratos bancários. Confirase: (...)" (negrito e sublinhado simples constam do original, sublinhado duplo acrescido) (Disponível em www.carf.fazenda.gov.br) Assim, ainda haveria a necessidade de se perquirir se a medida preparatória seria indispensável ao lançamento, o que diz respeito à norma que regula cada incidência específica. Nesse passo, conforme assentado no referido julgado da CSRF, em geral, a medida preparatória não é indispensável ao lançamento, uma vez que o procedimento fiscal é inquisitorial, podendo a Fiscalização lavrar o Auto de Infração sem a oitiva do sujeito passivo, desde que já disponha de todos os elementos para efetuar o lançamento. Destarte, a presente análise não pode se dissociar das questões específicas de cada norma de incidência tributária cada uma delas com suas nuances logo somente seria possível a demonstração de divergência se houvesse sido indicado paradigma que tratasse da mesma incidência tributária, o que não ocorreu no presente caso. De fato, enquanto o acórdão recorrido diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física, o paradigma é relativo a Contribuições Sociais Previdenciárias. Portanto, constatandose que os acórdãos confrontados tratam de leis diferentes, aplicando regras matrizes de incidência diversas, cada qual com suas peculiaridades, concluise que o paradigma não se presta a demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. Assim, quer seja porque o paradigma foi proferido em contexto normativo anterior àquele que orientou o recorrido, quando a norma regimental citada no recorrido sequer existia no mundo jurídico, quer seja porque a matéria suscitada pela Fazenda Nacional não Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10882.000713/200481 Acórdão n.º 9202004.532 CSRFT2 Fl. 26 17 constituiu fundamento da decisão adotada no paradigma, ou ainda porque, ao tratar de incidência tributária diversa, o paradigma não se presta a demonstrar a divergência suscitada. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 180DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.721501/2006-12
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2006 MULTA REGULAMENTAR. INTIMAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO. O não atendimento à intimação para prestar informações de que disponha em relação a terceiros, enseja a aplicação de multa regulamentar estabelecida na legislação. NULIDADE. VISTA DO DOSSIÊ A TERCEIRO NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. INOCORRÊNCIA. A falta de acesso a dossiê do contribuinte fiscalizado pelo terceiro obrigado a prestar informações não configura hipótese de nulidade, por cerceamento do direito de defesa.
Numero da decisão: 1803-001.209
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2006 MULTA REGULAMENTAR. INTIMAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO. O não atendimento à intimação para prestar informações de que disponha em relação a terceiros, enseja a aplicação de multa regulamentar estabelecida na legislação. NULIDADE. VISTA DO DOSSIÊ A TERCEIRO NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. INOCORRÊNCIA. A falta de acesso a dossiê do contribuinte fiscalizado pelo terceiro obrigado a prestar informações não configura hipótese de nulidade, por cerceamento do direito de defesa. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.721501/200612 Acórdão n.º 180301.209 S1TE03 Fl. 126 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.721501/200612 Acórdão n.º 180301.209 S1TE03 Fl. 127 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 92): Trata o presente processo de auto de infração para exigência de multa, com fundamento legal nos arts. 927, 928 e 968 do RIR/99, por falta de atendimento de intimação fiscal. A interessada apresentou impugnação (fls. 16/24), pedindo, preliminarmente, a tempestividade da impugnação e a nulidade do auto de infração por falta de numeração ou sequencial que o identifique, como até, nenhum parâmetro ou justificativa à imposição da multa fixada e, no mérito, o cancelamento da exigência, sob a argumentação de que nunca se eximiu da obrigação de prestar as informações e esclarecimentos exigidos pela fiscalização; apenas e tão somente requereu vistas do procedimento fiscal e do dossiê que o acompanha. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 91): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2006 OBRIGATORIEDADE DE PRESTAR INFORMAÇÃO AO FISCO. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. PENALIDADE. Diante da falta ou do atraso no atendimento de intimação para prestar esclarecimentos sobre terceiros, é cabível a aplicação da multa correspondente prevista na legislação tributária. Lançamento Procedente. 3. Cientificada da referida decisão em 19/11/2009 (fls. 97verso), a tempo, em 10/12/2009, apresenta a interessada Recurso de fls. 100 a 106, instruído com os documentos de fls. 107 a 123, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.721501/200612 Acórdão n.º 180301.209 S1TE03 Fl. 128 4 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. No processo relativo à mesma empresa, em que se discute a mesma multa regulamentar, já então majorada, decidiu esta Turma, à unanimidade, da seguinte forma (Acórdão nº 180300.956, sessão de 28 de junho de 2011): Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 28/01/2008 MULTA REGULAMENTAR. INTIMAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO. O não atendimento à intimação para prestar informações de que disponha em relação a terceiros, enseja a aplicação de multa regulamentar estabelecida na legislação. Havendo reincidência no descumprimento da obrigação acessória, cabível é a majoração da multa. NULIDADE. VISTA DO DOSSIÊ NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. INOCORRÊNCIA. O direito ao contraditório e à ampla defesa é exercido após a instauração da fase litigiosa, com a impugnação ao lançamento, não cabendo cogitarse de cerceamento do direito de defesa no curso da ação fiscal. A falta de acesso a dossiê do contribuinte fiscalizado pelo terceiro obrigado a prestar informações não configura hipótese de nulidade, por cerceamento do direito de defesa. 5. Por ter acompanhado integralmente o voto da ínclita Relatora, Dra. Selene Ferreira de Moraes, transcrevoo na íntegra, como razões de decidir: Argumenta preliminarmente a recorrente que há vício de nulidade no auto de infração, por falta de numeração e justificativa da imposição da multa fixada. Isso não é verdade. Com efeito, houve a correta descrição dos fatos, pois no termo de fls. 8/10, o fiscal narrou minuciosamente os acontecimentos e os fundamentos da autuação. A capitulação legal é a correta, inclusive a da penalidade, pois trata do não atendimento a intimações de fiscal da Receita Federal, em desobediência aos arts. 927 e 928 do RIR/99. A alegação de falta de sequenciamento e numeração do auto de infração é totalmente improcedente. Consta dos autos Mandado Fl. 282DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.721501/200612 Acórdão n.º 180301.209 S1TE03 Fl. 129 5 de Procedimento Fiscal Extensivo, emitido nos termos do art. 8º da Portaria SRF nº 6.087/2005, in verbis: Art. 8º A diligência para coletar informações e documentos destinados a subsidiar procedimento de fiscalização relativo a outro sujeito passivo será realizada mediante a apresentação de Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo (MPFEx), do qual será fornecida cópia ao sujeito passivo diligenciado. A decisão recorrida não merece reparos no tocante à preliminar de nulidade. O art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, enumera quais os elementos indispensáveis que um auto de infração deve conter, cuja inobservância pode acarretar nulidade do ato por vício formal: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. No presente caso, constatamos que o auto de infração lavrado contém todos os elementos obrigatórios, não se vislumbrando a ocorrência de cerceamento do direito de defesa, uma vez que a contribuinte entendeu perfeitamente o conteúdo da infração que lhe foi imputada, impugnandoa integralmente. Por conseguinte, rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração. No tocante ao mérito, a recorrente alega que deixou de prestar as informações solicitadas por não lhe ter sido dada vistas dos autos e dos dossiês relativos ao procedimento de fiscalização junto ao contribuinte AM Informática Ltda. Os arts. 927 e 928 do RIR/1999 assim dispõem: Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Art.928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as Fl. 283DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.721501/200612 Acórdão n.º 180301.209 S1TE03 Fl. 130 6 informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, DecretoLei nº 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 197). § 1º O disposto neste artigo aplicase, também, aos Tabeliães e Oficiais de Registro, às empresas corretoras, ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial, às Juntas Comerciais ou repartições e autoridades que as substituírem, às caixas de assistência, às associações e organizações sindicais, às companhias de seguros e às demais pessoas, entidades ou empresas que possam, por qualquer forma, esclarecer situações de interesse para a fiscalização do imposto (DecretoLei nº 1.718, de 1979, art. 2º). § 2º Se as exigências não forem atendidas, a autoridade fiscal competente cientificará desde logo o infrator da multa que lhe foi imposta (art. 968), fixando novo prazo para o cumprimento da exigência (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, § 1º). § 3º Se as exigências forem novamente desatendidas, o infrator ficará sujeito à penalidade máxima, além de outras medidas legais (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, § 2º). A fiscalização solicitou informações e documentação comprobatória relativa a pagamento que a recorrente efetuou para a empresa AM Informática Ltda., tais como nota fiscal, contrato, fatura ou duplicata, cópia do livro Diário ou Caixa onde se encontra o registro da operação, identificação do local de entrega da mercadoria ou serviço prestado. Ora, o fornecimento de tais informações independe de vista ao procedimento de fiscalização levado a efeito quanto à empresa beneficiária do pagamento. Todos os elementos solicitados referemse à escrituração da recorrente, e estão sob sua guarda. Os empresários têm o dever de manter a escrituração dos negócios de que participam, nos termos do art. 1.179 do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), e do art. 10 do Código Comercial (Lei nº 556/1850, revogado pela Lei nº 10.406/2002): Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. [...]. Art. 10 Todos os comerciantes são obrigados: 1 a seguir uma ordem uniforme de contabilidade e escrituração, e a ter os livros para esse fim necessários; 2 a fazer registrar no Registro do Comércio todos os documentos, cujo registro for expressamente exigido por este Código, dentro de 15 (quinze) dias úteis da data dos mesmos Fl. 284DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.721501/200612 Acórdão n.º 180301.209 S1TE03 Fl. 131 7 documentos (artigo nº. 31), se maior ou menor prazo se não achar marcado neste Código; 3 a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondências e mais papéis pertencentes ao giro do seu comércio, enquanto não prescreverem as ações que lhes possam ser relativas (Título XVII); 4 a formar anualmente um balanço geral do seu ativo e passivo, o qual deverá compreender todos os bens de raiz móveis e semoventes, mercadorias, dinheiro, papéis de crédito, e outra qualquer espécie de valores, e bem assim todas as dívidas e obrigações passivas; e será datado e assinado pelo comerciante a quem pertencer. A fiscalização apenas solicitou elementos que o empresário tem de manter por expressa disposição legal. Por outro lado, há farta jurisprudência deste Conselho no sentido de que o direito ao contraditório e à ampla defesa é exercido após a instauração da fase litigiosa, com a impugnação ao lançamento, não cabendo cogitarse de cerceamento do direito de defesa no curso da ação fiscal, conforme precedentes abaixo citados: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa só se manifestam com o processo administrativo, iniciado com a impugnação do auto de infração. Não existe cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização, procedimento inquisitório que não admite contraditório. (Acórdão nº 20181.498, sessão em 10/10/2008). NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA Não há cerceamento do direito de defesa do contribuinte em lançamento originado de auditoria interna de DCTF, situação em que todas as informações necessárias já se encontram em poder do Fisco e se faz prescindível o procedimento de fiscalização externa, preparatório do lançamento. O direito ao contraditório e à ampla defesa é exercido após a instauração da fase litigiosa, com a impugnação ao lançamento. Inexiste, assim, causa de nulidade. (Acórdão nº 10517.234, sessão em 18/09/2008). Por conseguinte, a falta de acesso ao dossiê e aos documentos relativos a procedimento fiscal executado contra outro sujeito passivo, não acarreta cerceamento do direito de defesa da pessoa jurídica obrigada a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções. Enfim, pela falta de elemento que infirme a acusação fiscal e estando corretamente capitulado o comportamento do Fl. 285DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.721501/200612 Acórdão n.º 180301.209 S1TE03 Fl. 132 8 contribuinte, inclusive sua reincidência, deve ser integralmente mantida a decisão recorrida. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 286DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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