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Numero do processo: 10855.724641/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A compensação, na legislação tributária e previdenciária, é procedimento facultativo pelo qual o sujeito passivo pode se ressarcir de valores recolhidos indevidamente deduzindo-os das contribuições devidas à Previdência Social, reservando-se ao sujeito ativo o direito de conferir e homologar ou glosar e lançar os valores indevidamente compensados.
SELIC. LEGALIDADE.
É legítima a aplicação da SELIC para fixação dos acréscimos incidentes sobre o crédito previdenciário lançado pela fiscalização.
ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE.
A autoridade administrativa não possui competência para apreciar a legalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, cabendo tal prerrogativa exclusivamente ao Poder Judiciário.
DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, preenchidos os requisitos previstos na legislação, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. ENDEREÇAMENTO DE INTIMAÇÃO A REPRESENTANTE.
O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais ou eletrônico autorizado.
Numero da decisão: 2302-003.057
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Credito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Credito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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A compensação, na legislação tributária e previdenciária, é procedimento facultativo pelo qual o sujeito passivo pode se ressarcir de valores recolhidos indevidamente deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social, reservandose ao sujeito ativo o direito de conferir e homologar ou glosar e lançar os valores indevidamente compensados. SELIC. LEGALIDADE. É legítima a aplicação da SELIC para fixação dos acréscimos incidentes sobre o crédito previdenciário lançado pela fiscalização. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar a legalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, cabendo tal prerrogativa exclusivamente ao Poder Judiciário. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, preenchidos os requisitos previstos na legislação, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. ENDEREÇAMENTO DE INTIMAÇÃO A REPRESENTANTE. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais ou eletrônico autorizado. Recurso Voluntário Negado Credito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 46 41 /2 01 1- 17 Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10855.724641/201117 Acórdão n.º 2302003.057 S2C3T2 Fl. 3 2 ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD nº 51.017.1249, consolidado em 26/09/2011, em face da PRATIC SERVICE E TERCEIRIZADOS LTDA, no valor de R$ 903.614,95 (novecentos e três mil, seiscentos e quatorze reais e noventa e cinco centavos), referentes ao não recolhimento de valores devidos a título de contribuição previdenciária, parte patrona, e ao RAT incidentes sobre remunerações pagas a contribuintes individuais e segurados empregados; a valores relativos à glosa de compensações efetuadas pela empresa com valores de retenções sobre notas fiscais de prestação de serviços; com também, ao erro de enquadramento de alíquota para as contribuições sociais devidas referentes ao RAT, no período de 01/2009 a 12/2009. Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD nº 51.017.1257, consolidado em 26/09/2011, em face da PRATIC SERVICE E TERCEIRIZADOS LTDA, no valor de R$ 108.240,22 (cento e oito mil, duzentos e quarenta reais e vinte e dois centavos), referentes ao não recolhimento de valores devidos a título de contribuição previdenciária, parte dos segurados, incidentes sobre remunerações pagas a contribuintes individuais e segurados empregados, no período de 01/2009 a 12/2009. Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD nº 51.017.1265, consolidado em 26/09/2011, em face da PRATIC SERVICE E TERCEIRIZADOS LTDA, no valor de R$ 575.696,06 (quinhentos e setenta e cinco mil, seiscentos e noventa e seis reais e seis centavos), referentes ao não recolhimento de valores devidos a título de contribuição previdenciária, para outras entidades/terceiros, incidentes sobre remunerações pagas a contribuintes individuais (pessoa física e administradores) e segurados empregados, como também, a valores referentes a erro de enquadramento do código para “outras entidades”, no período de 01/2009 a 12/2009. Tratase, ainda, dos Autos de Infrações por Descumprimento de Obrigações Acessórias, todos também consolidados em 26/09/2011 e em face da PRATIC SERVICE E TERCEIRIZADOS LTDA, a seguir: (a) DEBCAD nº 51.016.0794 (CFL 30): A empresa deixou de lançar em folha de pagamento e agrupar por categoria, os valores pagos aos Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10855.724641/201117 Acórdão n.º 2302003.057 S2C3T2 Fl. 4 3 segurados contribuintes individuais e administradores. Em virtude da existência de AIOA de mesmo CFL, lavrado contra a contribuinte ora Recorrente em ação fiscal em período inferior a cinco anos, configurouse a ocorrência de agravante específica, o que elevou em três vezes o valor da multa aplicada, perfazendo o valor de R$ 4.573,29, a título de multa; (b) DEBCAD nº 51.016.0786 (CFL 34): A empresa deixou de registrar, em contas individualizadas de sua escrituração contábil, no período de 01/2008 a 12/2009, as rubricas integrantes do salário de contribuição, as contribuições descontadas dos segurados, os totais recolhidos por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Em virtude da existência de AIOA de mesmo CFL, lavrado contra a contribuinte ora Recorrente em ação fiscal em período inferior a cinco anos, configurouse a ocorrência de agravante específica, o que elevou em três vezes o valor da multa aplicada, perfazendo o valor de R$ 45.732,42 (quarenta e cinco mil, setecentos e trinta e dois reais e quarenta e dois centavos), a título de multa; (c) DEBCAD nº 51.016.0808 (CFL 35): A empresa deixou de apresentar, mesmo intimada para fazêlo, os esclarecimentos e documentos sobre os registros efetuados, em 2008 e 2009, na conta contábil “2.01.001.0009.00028 – Serviços Prestados por Terceiros Pessoa Física”, sem identificar, de forma clara, os beneficiários e, na conta “4.01.001.0001.0008”, pagamentos efetuados aos sócios administradores (Pro Labore). Em virtude da existência de AIOA de mesmo CFL, lavrado contra a contribuinte ora Recorrente em ação fiscal em período inferior a cinco anos, configurouse a ocorrência de agravante específica, o que elevou em três vezes o valor da multa aplicada, perfazendo o valor de R$ 45.732,42 (quarenta e cinco mil, setecentos e trinta e dois reais e quarenta e dois centavos), a título de multa; (d) DEBCAD nº 51.016.0816 (CFL 37): A empresa deixou de registrar o destaque de 11% em diversas notas fiscais de prestação de serviço identificadas no anexo RL – Relatório de Lançamentos que integram os AIOP Debcad n.º 37.365.2518 (2008) e Debcad n.º 51.017.1249 (2009). Em virtude da existência de AIOA de mesmo CFL, lavrado contra a contribuinte ora Recorrente em ação fiscal em período inferior a cinco anos, configurouse a ocorrência de agravante específica, o que elevou em duas vezes o valor da multa aplicada, perfazendo o valor de R$ 3.048,86 (três mil e quarenta e oito reais e oitenta e seis centavos) a título de multa; e (e) DEBCAD nº 51.016.0778 (CFL 78): A empresa apresentou GFIP´s, nas competências 11/2008, 12/2008, 13/2008 e de 01/2009 a 13/2009, com informações inexatas referentes ao Número de Identificação do Trabalhador – NIT de diversos empregados, bem como ao Código de Recolhimento de Terceiros. O valor da multa foi calculado conforme planilha de fls. 112, resultando no valor de R$ 8.000,00 (oito mil reais). Segundo relatório fiscal, no período de 01/2008 a 12/2009 (existem dois processos distintos, um para o ano de 2008 e outro para o ano de 2009), foram encontradas diferenças entre as bases de cálculo das Folhas de Pagamento / Contabilidade Digital e as informadas em GFIPs, incluindo os valores referentes ao 13º (décimo terceiro) salário e valores descontados dos empregados. Verificouse que a empresa efetuou pagamento de “prolabore” a seus administradores e não os incluiu nas Folhas de Pagamentos e nas GFIPs; que efetuou compensação de valores referente à retenção de 11% (onze por cento) sobre notas fiscais de prestação de serviços sem que ela tenha realizado o destaque referente à retenção, conforme determinação legal; que aplicou alíquota de 2% (dois por cento) para o RAT, quando seria cabível a alíquota de 3% em razão da natureza da atividade desenvolvida pela empresa; e, ainda, que a empresa informou nas GFIPs o código de outras entidades e fundos/terceiros “0016 (1%)”, quando o correto seria o 0115 (5,8%), tendo em vista que a empresa não comprovou ter convênio com outras entidades e fundos. Apresentada impugnação pela empresa, carreada de documentos e de alegações da existência de erros de procedimento, a fiscalização foi intimada através do despacho nº Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10855.724641/201117 Acórdão n.º 2302003.057 S2C3T2 Fl. 5 4 10/2012 (fls. 1256/1258) para prestar esclarecimentos, o que foi feito através da Informação Fiscal (fls. 1350/1356). Consequentemente, instada a se manifestar sobre as declarações do fisco, a Recorrente apresentou a petição de fls. 1361/1370 onde evidenciou o seu inconformismo, porém não inovou ou rebateu pontualmente as alegações, limitandose a reiterar os pontos levantados na impugnação. Após a análise da impugnação, o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. A compensação, na legislação tributária e previdenciária, é procedimento facultativo pelo qual o sujeito passivo pode se ressarcir de valores recolhidos indevidamente deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social, reservandose ao sujeito ativo o direito de conferir e homologar ou glosar e lançar os valores indevidamente compensados. SELIC. LEGALIDADE. É legítima a aplicação da SELIC para fixação dos acréscimos incidentes sobre o crédito previdenciário lançado pela fiscalização. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar a legalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, cabendo tal prerrogativa exclusivamente ao Poder Judiciário. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, preenchidos os requisitos previstos na legislação, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. ENDEREÇAMENTO DE INTIMAÇÃO A REPRESENTANTE. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais ou eletrônico autorizado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10855.724641/201117 Acórdão n.º 2302003.057 S2C3T2 Fl. 6 5 Irresignada com a decisão, a Empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese que: a) A glosa da compensação de contribuições sociais foi equivocada. É patente o erro de cálculo na apuração do quantum devido pela empresa posto que realizouse a diferença entre o valor informado como retido do valor efetivamente retido, desconsiderand0se o valor real a ser recolhido. Ademais, o sistema da RFB é falho, por não reconhecer que o saldo a pagar negativo, é, em verdade, crédito pro contribuinte. b) A não apreciação da prova apresentada pela Recorrente, qual seja, o laudo técnico contábil, sem qualquer justificativa se mostra flagrante cerceamento do direito de defesa da Recorrente. Tal laudo é prova consistente para mostrar o erro material do cálculo efetuado. c) Da mesma forma, a não admissão da realização do levantamento in loco, bem como, da perícia, conforme requerido pela Recorrente, também configura o cerceamento do direito de defesa e contraditório; d) A “preclusão temporal” apontada para a não recepção de prova documental apresentada pela Recorrente fulminou o princípio da busca da verdade material, eficiência. É necessário que se admita e se analise toada e qualquer prova, a qualquer tempo, para que seja possível demonstrarse o vício ou erro no lançamento. e) O Sistema utilizado pela RFB, é falho, e a prova técnica, desconsiderada, viria demonstrar isso: primeiro, para auferir os débitos, tal sistema não visualiza os valores pagos e parcelados anteriormente, assim, foi utilizada como base a última GFIP, sem descontar o valor pago nas GFIPs anteriores; segundo, não considerou os créditos havidos, passíveis de compensação. f) Para a aplicação de alíquota de 3%, no que concerne ao benefício em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, seria necessária uma avaliação muito criteriosa. A Empresa não possui muitos casos de Acidente de Trabalho, afastamento, e, pelo contrário, investe em segurança e qualidade de vida dos seus funcionários. g) Tendo em vista que não houve a apreciação das severas questões levantadas pela autuada na impugnação, as multas aplicadas não devem prevalece. h) Aduz que ante a não estando presente qualquer intenção de dolo, mas a simples reincidência de infração em obrigações acessórias, a empresa não pode ser apenada com o agravamento das multas administrativas, posto que isto fere os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e da capacidade contributiva. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10855.724641/201117 Acórdão n.º 2302003.057 S2C3T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentando os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Competência do auditor fiscal As atribuições dos auditores fiscais estão claramente elencadas no art. 2º do Decreto n.º 6.641/08, onde se lê que, em caráter privativo, o auditor no exercício de sua competência na Secretaria da Receita Federal do Brasil, deve, dentre outras atribuições “examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1,192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal”. Desta maneira, o auditor fiscal, para verificação se as contribuições previdenciárias foram devidamente recolhidas pelo contribuinte, não está adstrito à análise de folhas de pagamento e GFIPs, como alega a Recorrente, podendo efetuar a verificação contábil da empresa, e o faz por ser a autoridade legalmente habilitada a proceder com à fiscalização da empresa e exigir o cumprimento das exigências previstas na legislação pertinente. Juntada de documentos De acordo com o art. 5.º da Portaria Ministerial 10.875/07 (DOU 24/08/2007) que trata do Contencioso Administrativo no âmbito das contribuições previdenciárias, as provas documentais devem ser apresentadas pela autuada no momento da apresentação da impugnação sob pena de preclusão do direito: “Art. 5º A impugnação ou manifestação de inconformidade, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do procedimento a ser impugnado.” Da mesma forma, o art. 7.º, III e § 1° da Portaria 10.875/07 delimita que a apresentação de prova documental deverá ocorrer no momento da apresentação da impugnação e traz as únicas situações em que será admitido o exercício deste direito em momento outro: “Art 7.º (...) (...) § 1° A prova documental será apresentada na impugnação precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos auto” Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10855.724641/201117 Acórdão n.º 2302003.057 S2C3T2 Fl. 8 7 Não restando demonstrada e comprovado pela Recorrente a ocorrência de qualquer uma das hipóteses excepcionais descritas no excerto legal supra, todas as provas a seu favor que entendia cabível deveriam ter sido apresentadas juntamente com a impugnação ou Recurso Voluntário. Envio de decisões a representante legal Verificase que ao longo de todo o curso do procedimento fiscal todas intimações, solicitações e decisões, foram recebidas pessoalmente pelo representante legal da autuada, o Sr. Paulo Stefanius Lopes, sócio da empresa, tendo sido observadas as disposições do art. 23 do Decreto n.º 70.235/72. Não desconto de valores recolhidos e parcelados A fim de dirimir quaisquer dúvidas em relação a alegação da Recorrente de que na Planilha acostada ao Relatório Fiscal não foram descontados os valores das GFIPs pagas, bem como supostamente os valores incluídos em parcelamento, a fiscalização foi intimada para manifestação, tendo em vista essas alegações, e por meio de Informação Fiscal esclarecido que os valores constantes no presente Auto de Infração se referem a salários de contribuição não informados em GFIP e diferenças quanto ao incorreto enquadramento no FPAS, ressaltando ainda, que todas as GPS apresentadas com a Impugnação dizem respeito a recolhimentos de valores informados em GFIP. Percebese que, mais uma vez, a Recorrente limitase a repetir as alegações feitas na impugnação e mantidas em sua manifestação, não trazendo em sede de recurso argumentos suficientes para rebater as justificativas apesentadas pelo Fisco. Em sendo assim, não merece qualquer reparo o lançamento. Diferença de GIILRAT Neste ponto, a Recorrente questiona o fato de, em fiscalização anterior, ter sido enquadrada, pelo auditor responsável, na alíquota de 2% (dois por cento) e, na atual autuação, o auditor responsável ter “alterado” seu enquadramento, cobrando a alíquota de 3% (três por cento) à titulo de contribuição para o SAT/RAT. Afirma em seu Recurso que deve ser considerado orisco da atividade desempenhada pela maioria dos seus empregados, bem como, que a criação do Fator Acidentário de Prevenção – FAP feriu o princípio da legalidade, por ter sido instituído por Decreto e ter majorado a alíquota de GIILRAT. Como corretamente posto no acórdão de primeiro grau, até 12/02/2007, a atividade principal da empresa, qual seja, limpeza e manutenção em edifícios, enquadrava se no Código Nacional de Atividade Econômica item 74.705, que possuía grau de risco 2 e, assim sendo, alíquota a ser utilizada era efetivamente de 2% (dois por cento). Entretanto, a partir de 13/02/2007, com a publicação do Decreto n.º 6.042, o Anexo V do Regulamento da Previdência Social – RPS passou a vigorar com nova redação, passando a ser utilizado, para a atividade principal da empresa o código “8121 4/00” referente Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10855.724641/201117 Acórdão n.º 2302003.057 S2C3T2 Fl. 9 8 à limpeza em prédios e em domicílios, o que, a partir da competência 06/2007, alterou a alíquota de GIILRAT de 2% (dois por cento) para 3% (três por cento). Quanto ao Fator Acidentário de Prevenção – FAP, esclarecese que, este fator multiplicador variável a ser aplicado à alíquota do GIILRAT apenas começou a produzir efeitos a partir de janeiro de 2010. Desta maneira, considerandose que o período de apuração da presente ação fiscal é de janeiro de 2009 a dezembro de 2009, não há que se falar em aplicação do FAP. Diferença para outras entidades ou fundos (terceiros) Pois bem. Neste ponto, a Recorrente aponta que a indevida inserção de código de terceiros incorreto(0016, quando deveria ser 0115), foi decorrente de “mero” erro de digitação, que não traz quaisquer consequências, uma vez que, mesmo tendo o código sido inserido incorretamente na folha de pagamento, como isto é feito pelo “Sped”, o valor apurado é o mesmo apontado pela fiscalização. Ocorre que, o módulo relativo às obrigações previdenciárias do chamado “Sped” ainda não estava implementado e com vigência à época do lançamento, logo a mera alegação da Recorrente de que o errôneo preenchimento quanto a inserção do código para a contribuição a terceiros não acarretaria divergência no valor devido, pelos motivos acima, não deve prosperar. Outrossim, a GFIP é, até o presente momento, o instrumento pelo qual são declaradas pela empresa todas as informações relativas às contribuições sociais previdenciárias devidas e, ao contrário do que afirma a Recorrente, a inserção de códigos incorretos ocasionam sim alterações nos valores devidos, o que sujeita a declarante as penalizações através de autos de infração de obrigações acessórias, como também, o lançamento da diferença dos valores apurados a menor em função de tal “erro”. Desta feita, agiu corretamente a fiscalização ao efetuar o lançamento dos valores devidos a terceiros em função da inserção de código incorreto em GFIP. Juros moratórios e multa moratória. Bis in idem Observase que, os juros e multas cobrados estão expressamente previstos em Lei e não cabe a este órgão julgador afastálos, ou mesmo reduzilos, já que a Administração Pública está vinculada à lei, e não pode deixar de aplicála. Quanto à solicitação de levantamentos dos valores devidos a título de juros e multa através de perito contábil / não se vislumbra a necessidade deste expedientes, tendo em vista que os documentos constantes nos autos são suficientes para a convicção necessária ao julgamento administrativo do feito. Da utilização da taxa SELIC como taxa de juros moratórios Entendo ser possível e correta a aplicabilidade da Taxa SELIC nos casos de atraso no pagamento de importâncias devidas ao INSS, haja vista sua previsão legal estar Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10855.724641/201117 Acórdão n.º 2302003.057 S2C3T2 Fl. 10 9 devidamente fundamentada no art. 58, inc. II do Decreto nº 2.173/97, consoante se pode observar: Art. 58. Para o pagamento de valores das contribuições e demais importâncias devidas à seguridade social, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS e não recolhidas até a data de seu vencimento, inclusive dos débitos objeto de parcelamento, incidirão: [...] II juros de mora: a) um por cento no mês do vencimento; b) equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC nos meses intermediários; c) um por cento no mês do pagamento; Além do mais, ressalto que recentemente o Segundo Conselho aprovou a Súmula nº 03 que assim dispôs sobre a matéria: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Relembrese, mais uma vez, no que tange à alegada inconstitucionalidade da taxa, a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, ao Poder Judiciário. Ofensa a princípios constitucionais É cediço que as alegações de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de dispositivo de lei ou ato normativo com plena vigência não podem ser apreciadas na esfera administrativa, pois os mecanismos controle de constitucionalidade e da legalidade passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa, não competindo à autoridade administrativa apreciar a arguição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. O acórdão de impugnação, de forma esclarecedora e acertada recorda que “A atividade administrativa tributária é plenamente vinculada, na estrita observância do art. 142, § único do CTN”. Por oportuno transcrevese, ainda, os dispositivos legais apontados no acórdão (art. 26A do Decreto n.º 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal federal e atr. 18 da Portaria RFB n.º 10.875/2007, que também regula o processo administrativo fiscal previdenciário) que corroboram o entendimento exposto: Decreto n.º 70.235/72: “Art.26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Portaria RFB n.º 10.875/2007: Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10855.724641/201117 Acórdão n.º 2302003.057 S2C3T2 Fl. 11 10 “Art. 18. É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional, lei, decreto ou ato normativo em vigor, ressalvados os casos em que: I tenha sido declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução do Senado Federal que suspender a sua execução; II haja decisão judicial, proferida em caso concreto, afastando a aplicação da norma, por ilegalidade ou inconstitucionalidade, cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República ou, nos termos do art. 4º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, pelo Secretário da Receita Federal do Brasil ou pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional.” (g.n.) Diante do exposto, é vedado à autoridade administrativa afastarse das supra citadas normas legais, ainda que, como alegado em sede de impugnação e reiterado no recurso voluntário pela autuada, estas disposições afrontem o Código Tributário nacional CTN ou a Constituição Federal. Decisões proferidas em outros processos A Recorrente, como matéria de defesa, colaciona aos seus instrumentos de defesa decisões proferidas em outros processos. Esclarecese que, como posto no acórdão de impugnação, “as decisões apresentadas, além de tratarem de situações diversas daquelas da presente ação fiscal, são aplicáveis somente aos processos a que se referem, produzindo efeito apenas entre as partes envolvidas, não sendo extensivas ao presente”. Autos de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória DEBCAD n.º 51.016.0778 CFL 78 Em relação ao Auto de Infração de Descumprimento de Obrigação Acessória (fundamento legal AI 78), cujo objeto foi a não informação em GFIP de todos os fatos geradores de Obrigações previdenciárias, verificase que já fora aplicada pela fiscalização a penalidade mais benéfica ao contribuinte, e como não houve qualquer provimento quanto ao mérito do recurso, deve se mantido integralmente esse DebCad. DEBCAD n.º 51.016.0786 – CFL 34 A empresa foi autuada por ter deixado de registrar, em contas individualizadas de sua escrituração contábil, as rubricas integrantes do salário de contribuição, as contribuições descontadas dos segurados, os totais recolhidos por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. O principal argumento de defesa da autuada é a alegação de que não cabe aos auditores fiscais a verificação contábil das empresas, estando estes profissionais limitados apenas a verificação das folhas de pagamento e GFIPs, para verificação da regularidade da empresa em relação ao pagamento das contribuições previdenciárias. A questão foi enfrentada no tópico “Competência do auditor fiscal”. Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10855.724641/201117 Acórdão n.º 2302003.057 S2C3T2 Fl. 12 11 Ademais, vale ressaltar que a obrigação de que o contribuinte faça, em títulos próprios da contabilidade, o lançamento das informações relativas às contribuições sociais, bem como, a forma como deve ser feito o registro, está disciplinado na Lei 8.212/1991 e no Decreto nº 3.048/1999: Lei n.º 8.212, de 24 de julho de 1991: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos;” Decreto n.º 3.048, de 6 de maio de 1999: “Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriam ente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como a contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. § 14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. § 15. A exigência prevista no inciso II do caput não desobriga a empresa do cumpri mento das demais normas legais e regulamentares referentes à escrituração contábil. ” Assim, as afirmações do Recorrente de que observou as determinações do sindicato dos contadores para efetuar os seus lançamentos nos livros contábeis e que cabe apenas aos órgãos da JUCESP e afins, como o Conselho de Contabilidade, regular como será efetuada a operação não merece guarida, tendo o lançamento sido efetivado corretamente. DEBCAD n.º 51.016.0794 CFL 30 O objeto deste auto de infração é o fato da empresa ter deixado de incluir em folhas de pagamento e também em GFIPs os pagamentos efetuados a título de ProLabore a seus Administradores. Em sua defesa, a Recorrente aduz unicamente que efetuou os lançamentos de forma correta e que erroneamente o auditor não os aceitou. Adiciona que, mesmo não aceitando a forma como foram efetuados os lançamentos, não houve prejuízo ao auditor que conseguiu aferir os valores por ele considerados devidos à Seguridade Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10855.724641/201117 Acórdão n.º 2302003.057 S2C3T2 Fl. 13 12 Social, logo descabida a multa imposta. Porém, a empresa não traz aos autos fatos que possam comprovar a regularidade de seus lançamentos. Logo, o lançamento deverá ser mantido. DEBCAD n.º 51.016.0808 – CFL 35 Como principal matéria de defesa neste auto de infração, a empresa alega que não pode ser autuada por deixar de prestar informações cadastrais, financeiras e contábeis à Receita Federal, e cumulativamente por não ter prestado esclarecimentos contábeis, haja vista que as duas autuações têm o mesmo motivo, caracterizando o bis in idem. Nos autos do presente procedimento fiscal foi lavrado o presente Auto de Infração com Debcad nº 51.016.0808 (CFL 35), lavrado em face da não apresentação de esclarecimentos e documentos sobre os registros efetuados pela empresa, no período de janeiro de 2008 a dezembro de 2009, em contas contábeis referentes a serviços prestados por terceiros e a pagamentos efetuados aos sócios administradores (Pro Labore) e o Auto de Infração com Debcad nº 51.016.0786 (CFL 34), por ter a autuada deixado de registrar, em contas individualizadas de sua escrituração contábil, no mesmo período, as rubricas referentes às contribuições descontadas dos segurados, os totais recolhidos por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, já analisado alhures. Como acertadamente posto no acórdão de impugnação, não ocorre o bis in idem, haja vista que, embora os dois autos de infração de obrigação acessória sejam relacionados à contabilidade da empresa, “referemse a obrigações acessórias totalmente distintas, sendo um relativo a registros efetuados e outro relativo à falta de registro contábil deeventos que obrigatoriamente devem ser feitos, caracterizandose situações totalmente diversas”. Portanto, não há qualquer fundamento a alegação da ocorrência do bis in idem no presente caso. DEBCAD n.º 51.016.0816 CFL 37 A empresa contesta a autuação sofrida por ter deixado de destacar nas notas fiscais ou faturas emitidas em função das prestações de serviços os 11% (onze por cento) à título de contribuição social previdenciária, alegando substancialmente que, mesmo não tendo sido efetuados os destaques em nota fiscal, a Receita Federal não teve qualquer prejuízo porque as retenções foram efetivadas pelos tomadores de serviço quando do pagamento das referidas notas. Ocorre que, o presente auto de infração se refere a não cumprimento de obrigação acessória imposta pelo art. 31, § 1.º da Lei n.º 8.212/91 c/c o art. 219, § 4.º do Decreto n.º 3.048/99. Lei nº 8.212/1991 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10855.724641/201117 Acórdão n.º 2302003.057 S2C3T2 Fl. 14 13 da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei (...) § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados Decreto n º 3.048/99 Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (...) § 4º O valor retido de que trata este artigo deverá ser destacado na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, sendo compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa contratada quando do recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados. Sendo assim, constatase que não basta a retenção e o recolhimento, a empresa deverá destacar na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços a ocorrência da retenção dos 11% (onze por cento) a título de contribuição previdenciária, sendo o descumprimento desta obrigação acessória por si só motivo de autuação fiscal, ainda que o desconto tenha sido efetuado quando da quitação das notas fiscais. Protesta a empresa aindcontra o agravamento da multa, alegando não ter sido autuada anteriormente por deixar de destacar os 11% (onze por cento) em notas fiscais. Verificase pela leitura do Relatório Fiscal que o fisco elevou o valor da multa em duas vezes por ter a empresa incorrido na mesma capitulação legal em período inferior a 05 (cinco) anos. Portanto, embora não tenha ocorrido a circunstância agravante específica que agravaria em 03 (três) vezes o valor da multa aplicada, ocorreu a agravante genérica sendo a elevação do valor da multa em 02 (duas) vezes cabível para o caso. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do recurso, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o lançamento em relação a todos os Debcadas oriundos do presente processo. É como voto. Sala das Sessões, em 18 de março de 2014. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10855.724641/201117 Acórdão n.º 2302003.057 S2C3T2 Fl. 15 14 Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 13888.908789/2012-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 87 89 /2 01 2- 02 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13888.908789/201202 Acórdão n.º 3301002.436 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de compensação formulado pela Recorrente que foi não homologado diante da inexistência de crédito A Recorrente apresentou em face do indeferimento, Manifestação de Inconformidade alegando que o seu crédito é oriundo de bens e serviços utilizados como “insumos” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda e que após um levantamento contábil minucioso apurou um crédito que não havia sido anteriormente aproveitado. A DRJ de Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em Recurso Voluntário a Recorrente aponta que possui os créditos pleiteados, que o seu crédito é oriundo de bens e serviços utilizados como “insumos” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda e que após um levantamento contábil minucioso apurou um crédito que não havia sido anteriormente aproveitado e que somente não retificou as declarações de modo que os mesmos devem ser homologados. É o que importa relatar. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13888.908789/201202 Acórdão n.º 3301002.436 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. No presente caso, apesar da contribuinte reiteradamente se manifestar acerca do seu direito creditório e ter sido avisada pela DRJ de que deveria comproválo, conforme consta reiteradamente no acórdão da Manifestação de Inconformidade, a mesma não apresentou nenhuma prova. Prova conforme o velho e conhecido Aurélio Buarque de Holanda é aquilo que atesta a veracidade ou a autenticidade de alguma coisa; uma demonstração evidente. Prova, portanto, serve para demonstrar uma verdade, quer da Fazenda, quer da Contribuinte com relação aos fatos apresentados. Lembremonos que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte administrado apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, na hipótese da compensação pleiteada, recairia sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida; provar que tinha o crédito para realizar a compensação declarada. Logo, seria imprescindível que provas e argumentos fossem carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, e que essas provas se revestissem de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Consignese que o artigo 170 da Lei n.º 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito. Nesse sentido voto por julgar improcedente o presente Recurso Voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13888.908789/201202 Acórdão n.º 3301002.436 S3C3T1 Fl. 5 4 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10735.001309/2005-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
DEDUÇÕES. LIVRO CAIXA. DESPESAS NÃO COMPROVADAS.
O contribuinte deve comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas em livro-caixa, mediante documentação idônea, mantida em seu poder, à disposição da fiscalização. A falta de comprovação implica glosa das despesas deduzidas.
MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. OMISSÃO. GLOSA DO LIVRO-CAIXA. MESMA BASE DE CÁLCULO DO AJUSTE. INAPLICABILIDADE.
É improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física devido a título de carnê-leão, decorrente da apuração de glosas indevidas do livro-caixa e omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, quando incide sobre a mesma base de cálculo da multa de ofício apurada no ajuste anual.
Numero da decisão: 2201-002.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que excluiu apenas a multa isolada relativa à omissão de rendimentos.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que excluiu apenas a multa isolada relativa à omissão de rendimentos. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
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LIVRO CAIXA. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. O contribuinte deve comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas em livrocaixa, mediante documentação idônea, mantida em seu poder, à disposição da fiscalização. A falta de comprovação implica glosa das despesas deduzidas. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. OMISSÃO. GLOSA DO LIVROCAIXA. MESMA BASE DE CÁLCULO DO AJUSTE. INAPLICABILIDADE. É improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física devido a título de carnêleão, decorrente da apuração de glosas indevidas do livrocaixa e omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, quando incide sobre a mesma base de cálculo da multa de ofício apurada no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que excluiu apenas a multa isolada relativa à omissão de rendimentos. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 13 09 /2 00 5- 07 Fl. 945DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Fl. 946DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10735.001309/200507 Acórdão n.º 2201002.600 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração do Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 601 a 605), exercício 2002, por glosa de despesas escrituradas no livro caixa, no qual se apurou o imposto de valor de R$ 21.426,94, acrescido da multa de ofício de 75% e da multa isolada de 75% pela falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a título de CarnêLeão e dos respectivos juros de mora. O interessado apresentou a impugnação (fl. 619) com diversos documentos em anexo (fls. 620 a 855), argumentando que a fiscalização teria considerado o total dos créditos recebidos, sem a exclusão dos repasses feitos aos respectivos locatários nos meses de dezembro/2000 a janeiro a julho/2001, e que seus rendimentos se restringiam às taxas de administração. Solicita juntada dos respectivos comprovantes que, por motivos alheios a sua vontade, não foi possível apresentar em tempo hábil, requerendo, por conseqüência, o cancelamento do Auto de Infração. Os membros da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG), por meio do Acórdão nº 0230.817 (fls. 863 a 870), de 7 de fevereiro de 2011, consideraram a impugnação procedente em parte, reduzindo a multa isolada para a alíquota de 50%. Cientificado, por meio postal em 25 de abril de 2011 (fl. 878), o contribuinte interpôs o recurso voluntário em 25 de maio (fls. 884 a 887), no qual rebate a decisão recorrida, cujos argumentos podem ser assim resumidos: 1 Em sede de preliminar, argui a demora excessiva para a conclusão de processo administrativo, o que violaria os princípios da razoabilidade e da eficiência e descumpriria a garantia fundamental à razoável duração do processo. 2 No mérito, que: a) não houve intempestividade na entrega da documentação e que deve ser juntados aos autos os comprovantes das despesas escritório, do livro caixa, que, por razões desconhecidas, não foram até o presente momento efetivamente anexadas. Cita as despesas de luz, condomínio, telefone, notas fiscais de despesas de escritório e guias de recolhimento de FGTS; b) autoridade fiscal equivocouse ao lançar em dezembro o valor de R$ 86.121,96 como rendimentos tributáveis, quando deveria manter o valor apurado, de R$ 20.040,77, dando a entender que o recorrente, ao receber durante o exercício de 2001 os aluguéis, não os teria repassado aos locadores (proprietários), porém, a taxa de administração seria de apenas 10% do aluguel recebido mensalmente, como facilmente observado nos recibos anexados; Fl. 947DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 c) a multa de 50% em razão do atraso no recolhimento estaria em dissonância com a legislação aplicável aos débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal; É o relatório. Fl. 948DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10735.001309/200507 Acórdão n.º 2201002.600 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. O auto de infração contempla as glosas das despesas deduzidas no livro caixa, sendo, no caso específico destes autos, porque o contribuinte não apresentou a comprovação documental. A alegação referente à tempestividade na entrega da documentação não merece apreciação, já que, conforme consta no Relatório de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal, diante do recebimento da referida documentação, reabriu o prazo da intimação. Também, descabe a preliminar relacionada à razoável duração do processo, a qual é desprovida de fundamento legal para o seu amparo. Em relação às despesas passíveis de dedução por meio de livro caixa, elas estão disciplinadas no art. 6°, I a III e §§ da Lei n° 8.134, de 14 de abril de 1990, que assim dispõe: Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: (Vide Lei nº 8.383, de 1991) I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias a percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. § 1° O disposto neste artigo não se aplica: a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos; b) as despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo. (Redação dada pelo art. 34 da Lei n° 9.250, de 1995). [...] § 2° O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livrocaixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não decorrer a prescrição ou decadência. Como dispõe a lei, as despesas escrituradas no Livro Caixa são passíveis de aferição pelo Fisco, por ocasião da verificação de ofício, quanto às características intrínsecas ou extrínsecas essenciais definidas na legislação, de modo a verificar se são ou não dedutíveis. Assim, não basta escriturar as despesas no livro para o gozo da dedução da base de cálculo do imposto de renda, é preciso que elas comprovadamente existissem e que sejam dedutíveis. Como base nos documentos apresentados pelo contribuinte, a autoridade fiscal verificou inexatidão no ajuste anual e nas antecipações legais, apurando dedução indevida de Fl. 949DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 despesas escrituradas no livro caixa, por não haver correlação entre os valores contabilizados no livro caixa e os informados na declaração de ajuste. Na ocasião, a autoridade lançadora optou por analisar detalhadamente a escrituração ajustando os valores aos efetivamente apurados no livro caixa e na documentação apresentada e, por fim, adotou a forma de tributação mais benéfica ao contribuinte, que seria trazer para o último mês (dezembro de 2001) a diferença de rendimentos declarada e não comprovada documentalmente ou justificada. Os valores declarados – extraídos da Declaração de Ajuste Anual, fls. 3 a 5 – e os ajustados pela auditoria – extraídos do quadro de detalhamento incluso no Termo de Verificação Fiscal, fls. 588 a 596 – estão transcritos no quadro a seguir: Mês Receita na DAA Livro Caixa na DAA Base/cálc. na DAA Receita Apurada *1 Livro Caixa Apurado *2 Base/cálc. Lançamento jan 17.000,00 15.136,11 1.863,89 290,00 261,00 29,00 fev 19.000,00 18.888,55 111,45 13.003,28 11.578,13 1.425,15 mar 20.500,00 20.250,44 249,56 12.074,10 10.926,52 1.147,58 abr 21.000,00 20.600,00 400,00 12.199,41 11.137,81 1.061,60 mai 22.000,00 21.700,00 300,00 11.460,74 10.283,97 1.176,77 jun 22.500,00 21.950,00 550,00 16.564,99 14.790,32 1.774,67 jul 23.000,00 22.100,00 900,00 21.782,42 19.783,50 1.998,92 ago 23.000,00 22.213,00 787,00 19.399,12 17.872,66 1.526,46 set 21.000,00 20.313,25 686,75 17.768,09 16.430,69 1.337,40 out 20.500,00 20.360,51 139,49 21.249,74 19.522,86 1.726,88 nov 21.600,00 19.358,48 2.241,52 21.186,15 19.498,05 1.688,10 Dez*3 22.000,00 18.231,27 3.768,73 86.121,96 18.529,74 67.592,22 253.100,00 241.101,61 253.100,00 170.615,25 82.484,75 *1 Receita apurada pela fiscalização com base no livro caixa e documentação apresentada; *2 Despesa apurada pela fiscalização com base na documentação apresentada; *3 No mês de dezembro foi incluída a diferença da receita declarada e não comprovada. Observase nos autos que a fiscalização solicitou, ainda, os recibos do mês de dezembro de 2000 pagos em janeiro de 2001, referente àqueles percebidos e repassados a título de administração de imóveis em locação. Entretanto, a resposta a essa intimação não agregou valor algum ao procedimento fiscal. O contribuinte alega que não foram anexados os comprovantes de despesas de manutenção do escritório e que a autoridade teria se equivocado no valor lançado em dezembro. Ao recurso juntou cópias de duas guia do FGTS, competência 11/2001, quitada em 5/12/2011, de R$ 28,05, e competência 10/2001, quitada em 13/11/2001, de R$ 19,73; extratos do Condomínio Calçadão Shopping, dos meses outubro, novembro e dezembro; nota de pedido/orçamento de confecções de placas “alugase”, no valor de R$ 50,00; nota fiscal de gaveteiro, mesa e suporte para CPU, no valor de R$ 676,90; boleto pago a Editora Síntese Ltda., pagos em 28/12/2001, nos valores de R$ 34,00 e R$ 130,00. Entretanto esses recibos não servem para alterar o lançamento. As despesas com FGTS e as taxas de condomínio foram acatadas pela auditoria, conforme se vê às folhas 592 a 595. Para as demais despesas, independentemente de constarem ou não na planilha, não há previsão legal para a dedução ou os documentos não são suficientes para comprovar a efetiva despesa. Também não se verifica o alegado equivoco da autoridade fiscal em lançar o valor do recibo pelo bruto. O que ocorreu foi a postergação da tributação realizada pela auditoria para os rendimentos declarados no ajuste sem comprovação documental. Estes foram considerados como recebidos no mês de dezembro, considerando o ajuste anual, imputando ao recorrente uma tributação mais benéfica. Fl. 950DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10735.001309/200507 Acórdão n.º 2201002.600 S2C2T1 Fl. 5 7 Em relação à multa isolada, filiome ao entendimento proferido no Acórdão nº 9202003.163 que, em situação similar, por maioria de votos, em negou provimento ao recurso da Fazenda Nacional, conforme ementa a seguir: IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnêleão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas. Recurso especial negado. (Acórdão nº 9202003.163 – REsp da Fazenda Nacional) O lançamento objeto da decisão acima exigia o crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas e glosa de dedução de despesas de Livro Caixa, bem como multa exigida isoladamente pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de CarnêLeão, em relação aos exercícios 1999, 2000, 2001 e 2002. Entretanto, o escopo do recurso especial foi unicamente a última infração citada. No REsp, a Procuradoria da Fazenda Nacional considera legítima a aplicação cumulativa das duas multas de ofício, não se cogitando em bis in idem, eis que, apesar de incidirem sobre a mesma base de cálculo, decorreram de infrações diversas. Outras decisões recentes da CSRF, apesar de não tratarem especificamente de glosas do LivroCaixa, mas de omissão de rendimentos sujeitos ao CarnêLeão, adotam o mesmo entendimento, como os Acórdãos nºs 920202.196 (entre outros, omissão de rendimentos sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas sujeitos ao CarnêLeão), 9202002.297 (omissão de Rendimentos de Fontes no Exterior), 9202002.743 (entre outros, omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, decorrentes de trabalho sem vinculo empregatício), relatados, respectivamente, pelos Ilustres Conselheiros Relatores Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage (relator designador) e Gustavo Lian Haddad, em cujas decisões têm prevalecido que, havendo diferença de imposto a ser cobrada com a aplicação da multa de ofício, e sendo a mesma base de cálculo, não há que se falar em multa isolada, sendo esta devida apenas quando o imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual houver sido pago, mas havendo omissão do recolhimento do CarnêLeão. Nesses termos, entendo que deve ser reconhecida a impertinência do lançamento concomitante da multa vinculada ao imposto e da multa isolada pelo não recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física devido a título de carnêleão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas e glosas indevidas do livrocaixa. Assim sendo, voto em rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada pelo não recolhimento do CarnêLeão. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 951DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 8 Fl. 952DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 13971.003940/2008-81
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/05/2003
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento.
Em atenção ao Auto de Infração em questão, tratar-se de lançamento de ofício conforme estipula o art. 142, II do CTN, fundado em descumprimento de obrigação acessória de informação na forma da legislação tributária, aplica-se a contagem do prazo de 5(cinco) anos na forma do artigo 173, inciso I, do CTN.
LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Créditos tributários (contribuições previdenciárias) constituídos por ofício em razão de exclusão do SIMPLES, por Ato Declaratório precluso, objetos de recurso apenas questionando tal fato não podem ser apreciados pela 3a Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF/MF, em razão de incompetência.
MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica.
Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-003.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. Em atenção ao Auto de Infração em questão, tratarse de lançamento de ofício conforme estipula o art. 142, II do CTN, fundado em descumprimento de obrigação acessória de informação na forma da legislação tributária, aplicase a contagem do prazo de 5(cinco) anos na forma do artigo 173, inciso I, do CTN. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 39 40 /2 00 8- 81 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13971.003940/200881 Acórdão n.º 2803003.072 S2TE03 Fl. 119 2 Créditos tributários (contribuições previdenciárias) constituídos por ofício em razão de exclusão do SIMPLES, por Ato Declaratório precluso, objetos de recurso apenas questionando tal fato não podem ser apreciados pela 3a Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF/MF, em razão de incompetência. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13971.003940/200881 Acórdão n.º 2803003.072 S2TE03 Fl. 120 3 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls.84 e SS dos autos digitais) foi interposto contra decisão da DRJ(fls. 73 do processo digital), que manteve o crédito tributário oriundo da aplicação de multa por ter entregue GFIP com informações inexatas em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, o que constitui infração ao art. 32, inciso IV e § 6°, em razão de exclusão do SIMPLES, em que a incorreção seria o campo “simples”, no período de 01/12/2002 a 31/05/2003. A multa aplicada foi do valor de R$ 376,44. A ciência do auto de infração inaugural foi em 20.10.2008 (fls. 27 dos autos digitais). Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: questiona a confiscatoriedade da multa de R$ 150%, ilegalidade da Taxa Selic, em que as contribuições decadência e prescrição qüinqüenal dos créditos lançados, aplicação de solução de divergência da COSIT, Pareceres 15 e 16 de 2005, referentes à IRPJ , PIS, COFINS, não comprovação de dolo ou sonegação fiscal, ilegalidade da exclusão da empresa do SIMPLES, aplicação mais benéfica da multa e aplicação retroativa do disposto na Medida Provisória n. 4492009. Esse é o relatório. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13971.003940/200881 Acórdão n.º 2803003.072 S2TE03 Fl. 121 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II – Preliminarmente, não vislumbrase que no presente caso há ocorrência de extinção por decadência. Observese que por se tratar de constituição de crédito tributário oriundo de aplicação de sanção por descumprimento de obrigação instrumental (acessória) o lançamento de crédito tributário é realizado de ofício, em especial nos casos de declarações incorretas ou omissas, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária (art. 149, II, do CTN). Assim, no presente caso, as regras de decadência do crédito tributário a serem aplicadas não são as definidas para os casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação de pagamento (art. 150, § 4º e art. 156, VII, do CTN), mas das regras destinadas a reger a decadência dos créditos tributários sujeitos ao lançamento de ofício, devendo assim ser observado o disposto nos arts. 156, V, e 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o direito de constituição do crédito tributário será extinto ao termo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Essa é inclusive a orientação jurisprudencial de vários julgados do 2º Conselho de Contribuintes e da 2ª Sessão de Julgamento do CARF/MF, a exemplo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 40, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n os 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, tratandose de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, aplicase o artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez que a contribuinte omitiu informações ao INSS, caracterizando lançamento de oficio. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Ac. 240100.567, ,Rel.Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira da 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF/MF, sessão de 03.12.2009 – no mesmo sentido Ac Ac. 20601.698 do 2º CC) Fl. 121DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13971.003940/200881 Acórdão n.º 2803003.072 S2TE03 Fl. 122 5 Por fim, tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo processual e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos O aspecto temporal da hipótese de incidência da norma sancionatoria é o momento de desobediência da norma tributária de obrigação acessória, que se dá no momento em que ela deveria ser cumprida, mas não é. Assim, consoante a regra retro citada, e a data de ciência do lançamento, no dia 20.10.2008, efetivamente houve a decadência referente ao créditos com base em fatos geradores de períodos anteriores a 11/2002, inclusive esta e a competência 13/2002. Contudo, os créditos lançados referemse à entrega incorreta da GFIP 12/2003 que é entregue em janeiro de 2003, ou seja o ato infracional ocorre posterior a data de corte, e competências posteriores. Logo, neste ponto, não deve ser acolhido o recurso por ocorrência da decadência. III – Quanto às alegações de inconstitucionalidade da a confiscatoriedade da multa de R$ 150%, ilegalidade da Taxa Selic, aplicação de solução de divergência da COSIT, Pareceres 15 e 16 de 2005, referentes à IRPJ , PIS, COFINS, não serão apreciadas pois não dizem respeito ao lançamento questionado. Logo, não conhecese tais argumentos. IV – Quanto à exclusão do SIMPLES, essa matéria também não pode ser apreciada, pois a presente Turma Especial é incompetente em anular o crédito tributário questionado com fundamento apenas na ilegalidade ou nulidade do ato de exclusão da Recorrente do SIMPLES (Lei n° 9.317/96 SIMPLES e a partir de 01/07/2007, vigência da LC n° 123/06 Simples Nacional). O ato de exclusão e sua possível anulação fora apreciado em procedimento próprio e diverso, como observado pela decisão a quo, não podendo ser rediscutido dentro do procedimento de lançamento de contribuições previdenciárias, porque conforme o art. 2º, inciso V, do Regimento Interno do CARF/MF, a competência para processamento e julgamento de recursos que discutam propriamente essa matéria é da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13971.003940/200881 Acórdão n.º 2803003.072 S2TE03 Fl. 123 6 Tal incompetência para apreciação inclui inclusive quanto aos efeitos da retroatividade das decisões de exclusão, pois são matérias atinentes às próprias causas da mesma. Inclusive, os artigos 13 e 15 da Lei n° 9.317/96 e artigos 28 e 31 da LC n° 123/06. Assim, as alegações da ilegalidade da exclusão da Recorrente do SIMPLES, bem como a extensão temporal de seus efeitos, conhecendose apenas as demais matérias devolvidas à apreciação. V – Quanto à aplicação mais benéfica, na forma do art. 106, do CTN, o agente lançador aplicou art. 32, §6º, da Lei n. 8.212/1991 na redação anterior ada Lei n. 11.941/2009, às fls. 23 dos autos digitais. No Relatório Fiscal da Multa Aplicada, a multa aplicada foi apurada em sua totalidade de R$ 376,44, para as seis competência objetos da autuação, bem inferior que o valor de R$ 500,00 por competência, que é o valor mínimo aplicável na forma da nova norma sancionadora ao caso (art. 32A, Lei 8212/1991, red. da Lei n. 11.941/2009). Assim, por ser a forma lançada a mais benéfica, negase acolhimento neste ponto. VI – Isso posto, voto para conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 123DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 13888.903952/2009-37
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
SERVIÇOS DE RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE 8%. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO COMPROVADO.
Estando comprovada a existência do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1802-002.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE 8%. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO COMPROVADO. Estando comprovada a existência do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 39 52 /2 00 9- 37 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.903952/200937 Acórdão n.º 1802002.467 S1TE02 Fl. 307 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1430.992, às fls. 71 a 76: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJlucro presumido, código de arrecadação 2089), concernente ao período de apuração 09/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que o crédito informado em PER/DCOMP estaria correto, todavia teria incorrido em erro ao não efetuar a retificação das informações prestadas em DCTF, considerando suposta apuração incorreta do imposto devido no período de apuração em questão. Ao final, requer seja acolhida a manifestação de inconformidade, declarada a insubsistência e improcedência da decisão recorrida. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.903952/200937 Acórdão n.º 1802002.467 S1TE02 Fl. 308 3 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 07/01/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/02/2011, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS o crédito utilizado na compensação é referente a pagamento indevido/a maior realizado pela Recorrente por meio de guia DARF, recolhida no código 2089, haja Vista apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ, pelo lucro presumido, no percentual de 32% (trinta e dois por cento), quando os serviços prestados pela mesma se enquadram em serviços hospitalares, impondose a aplicação do beneficio fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a conseqüente utilização da alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo; PRELIMINARMENTE DA COMPROVAÇÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE RADIOLOGIA PELA RECORRENTE de início, cumpre expor que a Recorrente é sociedade empresária limitada, fornada da reunião de profissionais da medicina, todos inscritos no CRM/SP, tendo por objeto a “prestação de serviços radiológicos em geral” enquadrados na “ATRIBUIÇÃO 4: PRESTAÇÃO DE ATENDIMENTO DE APOIO AO DIAGNÓSTICO E TERAPIA” da Resolução RDC 50/2002 da ANVISA, prestação que depende de qualificação pessoal e maquinário especializado e de alto custo para seu desenvolvimento, envolvendo maquinário tecnológico e específico para consecução de seu objeto social; em síntese, a Recorrente presta os seguintes serviços, com discriminação arrolada nos documentos anexos, extraídos do site da empresa (www.cparadiologia.combr): 1) Radiologia Digital; 2) UltraSonografia — 3D; 3) Doppler Color; 4) Mamografia Digital; 5) Densitometria Óssea; Fl. 308DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.903952/200937 Acórdão n.º 1802002.467 S1TE02 Fl. 309 4 6) Tomografia Computadorizada Multi Slice. atualmente, exerce as atividades em seus estabelecimentos localizados na cidade de Piracicaba/SP, sendo a matriz inscrita no CNPJ nº 55.361.117/000192, com endereço na Avenida Independência, nº 940, 12° andar, e sua filial, inscrita no CNPJ n° 55.361.117/000435, localizada no Hospital — Clínica Amalfi, na Rua Saldanha Marinho, n° 817; conforme documentos anexos, o estabelecimento matriz possui inscrição perante a Receita Federal do Brasil sob o CNAE principal 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante exceto tomografia” e CNAE'S secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, bem como licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária nesta atividade econômica; no mesmo sentido, sua filial encontrase devidamente inscrita junto à Receita Federal sob o CNAE principal n° 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante — exceto tomografia” e CNAE's secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, e licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária, com atividade econômica — CNAE n° 86305/02 — “atividade médica ambulatorial com recursos para realização de exames complementares”; consoante anteriormente explicitado, o exercício do objeto social da Recorrente requer maquinário de alto custo, tecnologia e de uso específico que deve ser renovado e atualizado periodicamente, que fazem parte de seu ativo imobilizado, conforme se comprova com a relação de bens da empresa, relativa ao patrimônio adquirido no transcorrer de suas atividades no período de apuração de 01/1999 a 12/2003, que engloba a competência discutida nos presentes autos; ainda, corroborando tal assertiva, demonstrase que a Recorrente detém todas as licenças emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária para utilização do maquinário supramencionado, conforme documentos anexos; não obstante, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; desta feita, transparente por toda documentação anexa, bem como a já existente nos arquivos da Receita Federal e em toda sua contabilização, que a Recorrente exerce a prestação de serviços Radiológicos em geral, de alta complexidade, não se enquadrando em simples consultas médicas, o que se demonstrará relevante pelos argumentos que seguem adiante; DO DIREITO IMPOSTO DE RENDA — LUCRO PRESUMIDO — PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES — APLICAÇÃO OBJETIVA DO BENEFICIO FISCAL CONCEDIDO PELA LEI 9.249/95 — 1) IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 — 2) ILEGALIDADE DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.903952/200937 Acórdão n.º 1802002.467 S1TE02 Fl. 310 5 RECONHECIDA PELA 1ª SEÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA NO RESP N° 951.251/PR E RATIFICADA NO RESP 1.116.399/BA, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA E SOB O REGIME VINCULATIVO DO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL pela execução de serviços de Radiologia, ainda que não prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas sim em clínica especializada para tanto, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, a Recorrente exerce atribuição que a princípio é de competência do Poder Público, que por não cumprila eficazmente, concede benefícios tributários ao particular para sua satisfação perante a sociedade; este é o caso do beneficio fiscal trazido pela Lei 9.249 em seu artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a”, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, que de forma objetiva aliviou a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; prestadora de serviços hospitalares desde sua instituição, a Recorrente sempre fez jus ao beneficio conferido legalmente, entretanto, de forma equivocada apurou a base de cálculo do lucro presumido utilizandose da alíquota de 32% (trinta e dois por cento) em diversos períodos de apuração, inclusive na competência objeto destes autos, ocasionando num recolhimento a maior do IRPJ que por conseqüência enseja em direito a ser ressarcida do indébito; como de praxe, a Receita Federal editou diversas normas objetivando regulamentar a quem se destinaria o benefício concedido, mas na realidade legislou ao seu bel prazer, com a imposição de diversas restrições de intuito meramente arrecadatório; desde a edição da Lei 9.249/95, até o inicio de 2003, não existiu qualquer regulamentação da Receita Federal acerca do tema, o que veio a ocorrer em março do citado ano, com a publicação da IN 306/2003; nessa primeira regulamentação, não houve nenhuma referência à internação de pacientes como condição para fazer jus ao benefício. Nos termos da lei, a IN 306/2003 limitouse a focar a análise do benefício a partir, primordialmente, da natureza dos serviços prestados, e não das características dos contribuintes que os realizam; todavia, em 15 de dezembro de 2004, foi editada a IN 480, que revogou a norma precedente, passando a exigirse, para a configuração da prestação de um “serviço hospitalar”, que o contribuinte tivesse, ao menos, cinco leitos para a internação de pacientes. Na realidade, a IN 480/2004, a pretexto de regulamentála, deixou em segundo plano as atividades a serem realizadas e preocupouse em estabelecer condições a serem preenchidas pelos contribuintes; posteriormente, em 25 de abril de 2005, foi editada a IN 539/2005, atualmente em vigor, a qual fez uma mescla entre as regulamentações previstas nas IN's 306/2003 e 480/2004. Quanto aos serviços a serem executados, foram expandidos, abarcando uma gama de atividades, a teor do que constava da IN 306. Entretanto, exigiuse que a realização dessas atividades fosse feita por contribuinte que possuísse estrutura física capaz de internar pacientes; Fl. 310DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.903952/200937 Acórdão n.º 1802002.467 S1TE02 Fl. 311 6 por primeiro, cumpre asseverar acerca da inaplicabilidade das referidas instruções normativas, por vedação expressa do artigo 150, inciso III, “a”, da Constituição Federal, haja vista que a competência do recolhimento indevido é anterior à edição destas normas. a irretroatividade das normas tributárias apresentase como instrumento de concretização do principio da segurança jurídica, garantindo ao contribuinte em face do arbítrio estatal o conhecimento prévio da carga tributária a que estará sujeito; no sentido da irretroatividade de instrução normativa restringindo direito dos contribuintes, colacionase julgados do Conselho de Contribuintes (ementas transcritas no recurso); afora a violação da Carta Maior em eventual aplicação pretérita das Instruções Normativas 480/04 e 539/05 ao caso da Recorrente, ainda que aplicáveis, verificase a impossibilidade das imposições restritivas em desacordo com o contido na Lei 9.249/95; isto porque é de fácil visualização que o disposto no artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, veio de forma objetiva aliviar a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; o Poder Legislativo, no exercício de sua competência e autonomia, decidiu manter o beneficio destinado aos “serviços hospitalares” e não especificamente aos “hospitais”, senão assim o faria, como sempre pretendeu a Receita Federal; é obvio que a intenção era prestigiar de forma objetiva os serviços destinados à saúde e não o contribuinte e suas especificações quanto a custos, estrutura física para internação e dimensionamento, conforme restrições contidas nas IN's 480/04 e 539/05; o objetivo da lei sempre foi fornecer aos necessitados de prestação de serviços médicos, o livre arbítrio de buscar seu atendimento necessário seja em hospitais e/ou clínicas especializadas para tanto; se houvesse diferença de tributação entre hospitais e clinicas/consultórios especializadas, no exercício de atividade idêntica, notoriamente os hospitais ficariam ainda mais abarrotados, pois diante de um menor custo pela carga tributária reduzida, teriam condições mais chamativas com preços menores, afora a violação do princípio constitucional da isonomia e não obstante a concorrência desleal em face de outros estabelecimentos prestadores dos serviços; a jurisprudência administrativa deste Conselho já solidificou entendimento acerca do tema (ementas transcritas); ao decidir o Resp 951251/PR, a 1ª Seção do STJ pacificou o tema, no sentido da aplicação objetiva do beneficio da Lei 9.249/95, ou seja, para todos os prestadores de serviços destinados à saúde, não incluídas apenas as simples consultas, declarando ainda a ilegalidade das Instruções Normativas de n° 480/04 e 539/05; Fl. 311DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.903952/200937 Acórdão n.º 1802002.467 S1TE02 Fl. 312 7 para efeito vinculativo, a questão foi levada novamente à análise do C. STJ, que nomeou o Recurso Especial n° 1.116.339/BA como representativo da controvérsia, e o julgou sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ, que ratificou o posicionamento adotado no Resp 951.251/PR, vinculando todos os demais processos acerca da matéria; verificase perfeitamente que diante do enquadramento da Recorrente, impõese a apuração da base de cálculo para o lucro presumido com a alíquota de 8% (oito por cento), nos termos do artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, sendo que os valores excedentes recolhidos a título do IRPJ sob a alíquota de 32% (trinta e dois por cento) devem ser ressarcidos na forma pleiteada, devidamente atualizados desde o indevido desembolso, ensejando na homologação da compensação realizada em sua integralidade; DA COMPROVAÇÃO DO CARÁTER EMPRESARIAL DA RECORRENTE de plano, verificase a caracterização de sociedade empresária da Recorrente, que exerce atividades de profissionais empresários, organizada e para prestação de serviços radiológicos, com fins lucrativos, constituída sob o regime de Sociedade Limitada, consoante artigo 1.052 do Código Civil; conforme se extrai do próprio contrato social da Recorrente, a empresa não se. figura como uma simples reunião de profissionais da medicina para prestação de serviços de caráter pessoal, pois detém capital social integralizado no importe de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), filiais para consecução de suas atividades, divisão de prólabore para os sócios, não obstante a existência de ativo imobilizado de alto custo para o exercício de sua atividade; a contabilização da Recorrente é toda apurada como sociedade empresarial, sendo que todos os serviços prestados são realizados em nome da pessoa jurídica, que responde com seu patrimônio integral por eventual perdas e danos em face dos clientes. Inexiste prestação de serviços pessoais por conta dos sócios, somente pela empresa, sendo óbvio que por intermédio de pessoas naturais; o fato de que a prestação de serviços realizada pela Recorrente se perfaz por intermédio de profissionais da medicina não afasta seu caráter empresarial, nos termos do parágrafo único do artigo 966 do Código Civil; no caso em exame, o exercício da medicina, especificamente na prestação de serviços radiológicos, constitui elemento essencial da empresa ora Recorrente, pois confundese com seu próprio objeto social, sendo pressuposto de sua existência; não obstante, conforme já arrolado na comprovação dos serviços prestados pela Recorrente, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para a consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO DA RECORRENTE QUANTO À COMPENSAÇÃO REALIZADA Fl. 312DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.903952/200937 Acórdão n.º 1802002.467 S1TE02 Fl. 313 8 o recolhimento do DARF mencionado fora reconhecido no próprio despacho decisório da Receita Federal, e sequer levado à dúvida no teor da decisão recorrida, portanto insuscetível de discussão, ou seja, a prova do recolhimento sempre foi de ciência tanto do Contribuinte quanto da Receita Federal, restando somente a análise quanto a ser pagamento indevido/a maior ou não; quanto ao ponto relativo a existir pagamento indevido ou a maior, a Recorrente sempre deteve direito líquido e certo, haja vista que fazia jus ao benefício concedido objetivamente pela Lei 9.249/95, cabendolhe compensar na forma da legislação em vigor os valores recolhidos em apuração da base de cálculo do IRPJ, no lucro presumido, sob a alíquota de 32%, conforme corretamente procedeu; DOS PEDIDOS de todo o exposto, requer deste Conselho a total procedência do presente recurso voluntário para: 1) que seja reformada a decisão recorrida, com o conseqüente reconhecimento do crédito em exame, haja vista o enquadramento da Recorrente no artigo 15, §1º, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que concede beneficio fiscal de caráter objetivo em virtude da prestação de serviços hospitalares, nos quais se enquadram os serviços de radiologia prestados, procedendose com a homologação integral da compensação realizada, diante de toda documentação anexa e nos termos amplamente fundamentados; 2) caso se entenda necessário, que seja determinada a conversão do julgamento em diligência nos estabelecimentos da Recorrente, para que sejam corroboradas todas as assertivas constantes desta peça recursal; RELAÇÃO DE DOCUMENTOS ANEXOS 1. Procuração original com reconhecimento de firma e Cópia autenticada do contrato social da empresa; 2. Cópia da PER/DCOMP, DARF recolhido, DIPJ e DCTF retificadoras; . 3. Discriminação dos serviços prestados pela Recorrente extraída do site da empresa (www.cparadiologia.com.br); 4. Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral da Recorrente (matriz e filial) perante a Receita Federal do Brasil, com os devidos CNAE's principal e secundários; 5. Cópia das licenças de funcionamento emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde Vigilância Sanitária, com os respectivos CNAE's; 6. Relação de bens do ativo imobilizado da Recorrente, adquiridos no período de 01/1999 a 12/2003; 7. Licenças de utilização dos mencionados bens; 8. Cópias do livro razão e planilha de insumos utilizados na competência de 01/1999 a 12/2003, para consecução das atividades da Recorrente, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como Mão de Obra de Terceiros; Fl. 313DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.903952/200937 Acórdão n.º 1802002.467 S1TE02 Fl. 314 9 9. Cópia do despacho decisório da RFB em Piracicaba; 10. Cópia da decisão recorrida. Na sessão realizada em 06/11/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.393 (fls. 241 a 259), solicitando realização de diligência à DRF Piracicaba/SP, para onde os autos foram encaminhados. O Processo foi devolvido ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 283 a 296, e com a manifestação da Contribuinte às fls. 300 a 302. Este é o Relatório. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.903952/200937 Acórdão n.º 1802002.467 S1TE02 Fl. 315 10 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 19/05/2006 (fls. 65 a 69), na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de pagamento a maior referente ao IRPJ/Lucro Presumido do 3º trimestre de 2001. O DARF gerador do crédito foi recolhido em 31/10/2001 e possui o valor total de R$ 30.429,27. A compensação abrange débito de PIS do mês de abril/2006, no valor de R$ 1.697,97 (rubrica principal). A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 30.429,27 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (declarado em DCTF), conforme consta do Despacho Decisório de fls. 61. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, informando que havia erro no preenchimento da DCTF, no que se refere à apuração do IRPJ; que a DIPJ tinha sido retificada (em 2004) para a correção do problema, mas que a DCTF continuou errada até a elaboração do despacho decisório (em 2009). Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação, entendendo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, nos seguintes termos: [...] Vale ressaltar que as informações prestadas à RFB por meio de declarações previstas na legislação (DCTF, DIPJ ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo artigo 16, inciso II1,do Decreto n.° 70.235/72 (PAF). Assim, uma vez constatada incongruência entre informações prestadas em declarações originais, e aquelas prestadas nas respectivas declarações retificadoras, cabe ao contribuinte trazer aos autos os elementos probatórios hábeis a evidenciar a realidade dos fatos. No presente caso, caberia à interessada fazer prova do suposto recolhimento a maior do imposto que, no seu entender, decorreria de errônea mensuração da base de cálculo por aplicação indevida do percentual de 32% sobre a receita bruta, Fl. 315DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.903952/200937 Acórdão n.º 1802002.467 S1TE02 Fl. 316 11 na determinação do IRPJ devido pela sistemática do lucro presumido, nos termos do art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a seguir transcrito: [...] Todavia, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou documentos hábeis à comprovação do alegado direito. Com efeito, não foram juntados aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar o quantum e a composição da base de cálculo do imposto no período em questão, os critérios adotados para aplicação, sobre a receita bruta mensal, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a apuração do imposto devido e eventuais deduções. A ausência de tais elementos, nos autos, impossibilita exame da apuração do imposto na contabilidade da interessada, e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. As cópias de DCOMP, DIPJ e DCTF, e planilha de compensações, juntadas à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: [...] Nesse sentido, quanto à declaração de compensação em foco, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. A Contribuinte, então, apresentou recurso voluntário ao CARF, procurando esclarecer que o crédito utilizado na compensação era referente a pagamento indevido/a maior realizado por meio de DARF, recolhido no código 2089, ocasionado por apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ pelo lucro presumido, no percentual de 32% (trinta e dois por cento), quando os serviços prestados por ela se enquadravam como serviços hospitalares, impondose a aplicação do beneficio fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a conseqüente utilização da alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo. O recurso voluntário começou a ser examinado em 06/11/2013, e sua análise resultou na mencionada Resolução nº 1802000.393. Naquela ocasião, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF teceu vários comentários sobre os aspectos abordados na decisão de primeira instância Fl. 316DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.903952/200937 Acórdão n.º 1802002.467 S1TE02 Fl. 317 12 administrativa, sobre a dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, e sobre a evolução da jurisprudência relativa à tributação dos serviços hospitalares no regime de presunção dos lucros, para, então, demandar prestação de informações à Delegacia de origem, nos seguintes termos: Primeiramente, é importante registrar que ao não retificar a DCTF antes de enviar o PER/DCOMP, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio do PER/DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não a declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo, conforme a regra prevista no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN, porque o exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º deste mesmo dispositivo, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – PER/DCOMP (19/05/2006), que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado indevidamente, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática de parte do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Não há, portanto, que se pensar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou à Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Além de ter enviado o PER/DCOMP, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, vem informando que ocorreu Fl. 317DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.903952/200937 Acórdão n.º 1802002.467 S1TE02 Fl. 318 13 erro na apuração e recolhimento do IRPJ, e que a DIPJ retificadora (apresentada bem antes do despacho decisório) havia corrigido o problema, evidenciando o alegado direito creditório. Não considero que a divergência entre as informações deve ser solucionada graduando a importância destas declarações. Se uma é confissão de dívida (DCTF), a outra traz informações e detalhes sobre a apuração dos tributos (DIPJ). No que toca à comprovação de um indébito, também é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Além disso, não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado Fl. 318DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.903952/200937 Acórdão n.º 1802002.467 S1TE02 Fl. 319 14 acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário os documentos mencionados no final do relatório acima. Tais documentos indicam que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.903952/200937 Acórdão n.º 1802002.467 S1TE02 Fl. 320 15 Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/0006481 0) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se Fl. 320DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.903952/200937 Acórdão n.º 1802002.467 S1TE02 Fl. 321 16 mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifo acrescido) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no julgamento do RESP 951.251PR, conforme mencionado acima. Também é interessante transcrever a ementa desta decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.903952/200937 Acórdão n.º 1802002.467 S1TE02 Fl. 322 17 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃO OBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃOPROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.903952/200937 Acórdão n.º 1802002.467 S1TE02 Fl. 323 18 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. (grifos acrescidos) Fl. 323DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.903952/200937 Acórdão n.º 1802002.467 S1TE02 Fl. 324 19 Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. Como mencionado anteriormente, os documentos apresentados com o recurso voluntário indicam em uma primeira análise que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. Mas ainda faltam elementos para embasar a conclusão sobre a ocorrência de pagamento indevido ou a maior causado pela utilização equivocada do coeficiente de 32%. Em primeiro lugar, não há como confrontar a DIPJ/retificadora com a DIPJ/original, porque esta não foi juntada aos autos. Aparentemente, a redução no valor do IRPJ não decorreu apenas da modificação do coeficiente de 32% para 8%, e isto precisa ser esclarecido. É que partindo da receita bruta constante da DIPJ/retificadora, e refazendo o cálculo com o coeficiente de 32%, com a devida variação do adicional do IRPJ e mantendo os mesmos valores para as demais rubricas constantes da DIPJ/retificadora (outras receitas, retenções, etc.), não se obtém o valor do IRPJ original, que foi pago através de DARF. Outro aspecto relevante, é que a Contribuinte zerou o valor do IR a pagar no período em questão com deduções a título de IR retido na fonte, exatamente no mesmo valor do imposto apurado. Por estas razões, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.903952/200937 Acórdão n.º 1802002.467 S1TE02 Fl. 325 20 É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Piracicaba/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos apresentados pela Recorrente, de sua escrituração contábil e fiscal, das declarações e informações constantes dos sistemas de informação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e de outros que se entenda necessários: 1) junte aos autos cópia da DIPJ original referente ao ano calendário de 2001; 2) acrescente, se entender oportuno, outras informações a respeito da atividade da Recorrente, no intuito de subsidiar a decisão sobre a definição do coeficiente para a presunção do lucro; 3) verifique e informe: a receita bruta, a base de cálculo e o respectivo IRPJ do 3º trimestre de 2001; e o valor a ser considerado como saldo a pagar, após as deduções legais; 4) esclareça os critérios de cálculo e rubricas que geraram a diferença entre a DIPJ/original e a DIPJ/retificadora quanto à apuração do saldo a pagar de IRPJ, intimando a Contribuinte para tanto, se entender necessário; 5) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos mencionados acima, esclarecendo se há crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, e qual o seu valor; 6) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Piracicaba/SP atenda ao acima solicitado. Em resposta à diligência que lhe foi demandada pelo CARF, a DRF/Piracicaba/SP prestou a Informação Fiscal de fls. 283 a 296. Essa informação abrangeu vários processos de compensação com créditos de mesma origem, ou seja, fundados em recolhimento indevido ou a maior de IRPJ ocasionado por equivocada aplicação do coeficiente para presunção do lucro (32% em vez de 8%). Foram apresentados vários quadros demonstrativos para o IRPJ referente aos trimestres dos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002. Especificamente em relação ao IRPJ do 3º trimestre de 2001, que dá origem ao crédito objeto deste processo, a Delegacia de origem informou: que a apuração do IRPJ na DIPJ/original e na DIPJ/retificadora partiram dos mesmos valores de receita bruta; Fl. 325DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.903952/200937 Acórdão n.º 1802002.467 S1TE02 Fl. 326 21 que na DIPJ/retificadora, a Contribuinte deduziu o IRfonte somente até o valor do imposto a pagar quando poderia ter aproveitado todo o imposto retido no trimestre, o que teria gerado “saldo negativo” de IRPJ; que por se tratar do anocalendário de 2001, não era mais possível retificar novamente a declaração para fins de aproveitamento destas retenções; que se for reconhecido o direito à aplicação do coeficiente de 8% para a apuração do lucro presumido, prevalece o IRPJ apurado nas declarações retificadoras; que para o período em questão, a Contribuinte apurou imposto zero a pagar, e que, sendo assim, o recolhimento feito pela declaração original seria considerado como recolhimento indevido, passível de restituição. Intimada do resultado da diligência fiscal, a Contribuinte apresentou a manifestação de fls. 300 a 302, alegando que o Relatório Circunstanciado de diligência legitima integralmente as informações prestadas pela Recorrente durante o deslinde processual, sobretudo quanto à origem e valores do direito creditório informado; que a análise realizada pela Autoridade Administrativa confirma que o debate travado se limita exclusivamente à matéria de direito envolvida, qual seja, a aplicação do percentual reduzido na hipótese de prestação de serviços hospitalares; e que a Recorrente confirma a total pertinência das informações constantes do referido relatório circunstanciado, o qual traduz e confirma exatamente a origem e o valor do direito creditório pleiteado, bem como confere pleno subsídio para o exato julgamento da matéria sob exame. A farta documentação apresentada com o recurso voluntário já indicava que a Contribuinte possuía o direito à aplicação do coeficiente de 8% para a apuração do lucro presumido, como já havíamos registrado na elaboração da Resolução nº 1802000.393. E a diligência fiscal não trouxe nenhum dado que pudesse apontar para uma conclusão diferente. Os documentos apresentados juntamente com o recurso voluntário, e que estão expressamente citados no relatório que antecede este voto, indicam que a Contribuinte presta efetivamente serviços na área da radiologia (diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante, tomografia, radioterapia, etc.), que estão submetidos ao coeficiente de 8%, nos termos da jurisprudência do STJ, acima transcrita. A informação fiscal prestada pela DRF de origem informou que a apuração do IRPJ na DIPJ/original e na DIPJ/retificadora partiram dos mesmos valores de receita bruta. Os dados trazidos pela diligência esclareceram a razão pela qual a apuração a partir da receita declarada na DIPJ/retificadora não resultava no IRPJ recolhido em DARF (que havia sido apurado na DIPJ/original). Tal problema foi ocasionado pela diferença no cômputo das retenções de IR, entre a declaração original e a retificadora. Contudo, quando se computa os mesmos valores de retenção para as duas declarações, percebese que a controvérsia em relação ao valor do crédito se resume apenas ao coeficiente para presunção do lucro. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.903952/200937 Acórdão n.º 1802002.467 S1TE02 Fl. 327 22 Quanto às retenções na fonte, é importante registrar que elas configuram antecipação de pagamento do imposto, e que seu cômputo deve ser dar até mesmo de ofício, conforme determina o art. 837 do Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda: Art.837. No cálculo do imposto devido, para fins de compensação, restituição ou cobrança de diferença do tributo, será abatida do total apurado a importância que houver sido descontada nas fontes, correspondente a imposto retido, como antecipação, sobre rendimentos incluídos na declaração (DecretoLei nº94, de 30 de dezembro de 1966, art. 9º). Não é preciso uma nova retificação da DIPJ para que a Contribuinte tenha o direito de ver deduzidas as retenções que restaram reconhecidas pela própria Fiscalização. Os demonstrativos trazidos pela diligência fiscal indicam que as retenções de IR superam o valor do IRPJ apurado a partir do coeficiente de 8%, de modo que todo o recolhimento realizado por DARF, com base na declaração DIPJ original, mostrase indevido e passível, portanto, de compensação. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 327DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 10940.905534/2009-12
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. NULIDADE OCORRÊNCIA.
É nula a decisão de primeira instância que, em detrimento dos princípios do devido processo legal e ampla defesa, é proferida sem a devida intimação do contribuinte do resultado de diligência requerida pela autoridade julgadora após interposição de impugnação.
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 1803-002.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento, em parte, ao recurso
(assinado digitalmente)
CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, ANTÔNIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS, MEIGAN SACK RODRIGUES e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI.
Nome do relator: ARTHUR JOSE ANDRE NETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. NULIDADE OCORRÊNCIA. É nula a decisão de primeira instância que, em detrimento dos princípios do devido processo legal e ampla defesa, é proferida sem a devida intimação do contribuinte do resultado de diligência requerida pela autoridade julgadora após interposição de impugnação. Decisão Recorrida Nula
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento, em parte, ao recurso (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente. (assinado digitalmente) ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, ANTÔNIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS, MEIGAN SACK RODRIGUES e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI.
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DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. NULIDADE OCORRÊNCIA. É nula a decisão de primeira instância que, em detrimento dos princípios do devido processo legal e ampla defesa, é proferida sem a devida intimação do contribuinte do resultado de diligência requerida pela autoridade julgadora após interposição de impugnação. Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento, em parte, ao recurso (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA Presidente. (assinado digitalmente) ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, ANTÔNIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS, MEIGAN SACK RODRIGUES e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 55 34 /2 00 9- 12 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 08/02/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão prolatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, no qual foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, que pleiteava a homologação de pedidos de compensação. A recorrente apresentou a PER/DCOMP de nº 26497.77829.220409.1.3.04 6298, na qual pretendia ver compensado débito de IRPJ e com base negativa de CSLL . A Autoridade Fazendária ao analisar a declaração de compensação, prolatou despacho decisório nos seguintes termos: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Contra o despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, onde foi arguido, em apertada síntese, o que se segue: a) No 2° trimestre de 2007, a Recorrente apurou débito de CSLL no valor de R$ 98.188,17, tendo optado pelo pagamento do tributo em 3 quotas, conforme lhe permitia a legislação em vigor à época. b) Que efetuou o recolhimento de 3 quotas no valor de R$ 32.129,39, sendo a primeira sem acréscimos de juros e as demais acrescidas de juros SELIC, tendo os referidos recolhimentos sido informados na DCTF do 1º semestre de 2007. c) Que em março de 2009 a recorrente constatou equívoco na apuração da CSLL reltiva ao 2º trimestre de 2007, tendo apurado débito de R$ 48.300,69, em vez de débito de R$ 98.188,17 originalmente declarado na DIPJ 2008 e na DCTF do 1º semestre de 2007. d) Que apresentou retificadora informando a apuração correta da CSLL. Tendo apurado o pagamento a maior, apresentouse PER/DECOMP. e) No presente caso, o crédito pleiteado referese à 2a quota, recolhida em 31/08/2007, no valor total de R$ 33.056,68. Como o débito apurado no período foi de R$ 16.100,23, que acrescido de juros SELIC totaliza R$ 16.261,63, o crédito resultante é de R$ 16.795,451. f) Que a compensação não pode ser impedida por mero erro formal, no cumprimento de obrigação acessória, devendo ser aplicado o princípio da verdade real. g) Em seu pedido final foi requerida a homologação das PER/DECOMPS. A DRJ competente prolatou acórdão no qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade, tendo sido ementado da seguinte forma: Fl. 292DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 08/02/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10940.905534/200912 Acórdão n.º 3803002.449 S3TE03 Fl. 3 3 “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 PERDCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ALEGAÇÃODE ERRO DE PREENCHIMENTO NA DCTF E DIPJ. MOTIVOALEGADO DO ERRO NÃO PROCEDENTE. Não pode prosperar a alegação de erro de preenchimento na DCTF e na DIPJ, onde constou valor de Débito que se pretende diminuir, quando o motivo alegado do erro não encontra guarida na interpretação da legislação tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” No voto, ressaltouse o seguinte: “Mas, comparandose a DIPJ original, de fls. 39, com a DIPJ retificadora, de fls. 59, constatase que o motivo da diminuição do valor da CSLL A PAGAR foi a representativa reclassificação da Receita Bruta Sujeita ao Percentual de 32%, em Receita Bruta Sujeita ao Percentual de 12%. Assim, a decretação da procedência ou improcedência do Direito Creditório alegado pelo interessado passava necessariamente pela análise da reclassificação que o mesmo perpetrou em suas Receitas Brutas, quanto à submissão aos percentuais de tributação de 12% ou 32%. Isto posto, nos termos do artigo 18 do Decreto 70.235/72, para subsídio deste órgão julgador quanto à apreciação das provas, propusemos que fosse realizada diligência pelo órgão preparador, para que se auditasse as Receitas Brutas em questão, aferindo a correção da aplicação das alíquotas de 12% e 32%, em relação à legislação regente da matéria, e, após, requereuse que se trouxessem aos autos relatório fiscal fundamentado e conclusivo, quanto à procedência ou improcedência da tributação informada na DIPJ Retificadora. O órgão executor produziu o relatório de fls. 217220, onde deixou registrado que restou comprovado o fornecimento de materiais concomitantemente com a prestação dos serviços de concretagem e fornecimento de argamassa, o que, num primeiro momento, habilitaria o interessado em utilizarse da alíquota de 12%; mas, também deixou assente que referido fornecimento de material é parcial em relação à obra total, não se operando a modalidade total de emprego de materiais, necessários à execução da obra por completo. O acórdão teve como fundamento o Parecer Técnico – SAORT/SACAT DRF/PTG Nº 5/2012 de fls. 217/220, emitido pelo Auditor Fiscal Chefe da EAT 2, o qual concluiu pela improcedência da reclassificação da Receita Bruta Informada na DIJ e DCTF retificadoras. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 08/02/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 O Recorrente foi intimado do acórdão no dia 08/03/2012 e apresentou recurso voluntário tempestivamente, dia 05/04/2012, alegando em apertada síntese o que segue: a) preliminarmente, sustenta a nulidade da decisão de 1ª instância dada a ausência de intimação da recorrente quanto ao resultado da diligência fiscal realizada; b) no mérito, em busca da homologação da Declaração de Compensação e aplicação do percentual de 12% para o cálculo da CSLL a recorrente alega a existência de manifestação expressa da Receita Federal do Brasil no que tange ao resultado da consulta administrativa nº 13936.000173/200370, postulada pela recorrente; c) Que houve equívoco cometido pelos julgadores de 1ª instância ao afastarem a aplicação da IN nº 11/96, do ADN nº 06/97 e da consulta administrativa nº 13936.000173/200370; d) Argui que não deve existir tratamento diferenciado entre a atividade fim da recorrente e outras atividades de prestação de serviços, pois em ambas há o fornecimento de materiais; e e) Por fim, sustenta a existência do crédito objeto da declaração de compensação não homologada. 7. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento do Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Arthur José André Neto DA NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Em sede de preliminar, a recorrente suscita a nulidade da decisão proferida pela instância a quo, sob o argumento de que não teria sido intimada da diligência realizada nos autos. Consta dos autos, às fls. 95/96, que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, considerou necessária e imprescindível ao deslinde da controvérsia, a realização de diligência. Em resposta, a DRF de Ponta Grossa emitiu o Parecer Técnico – SAORT/SACAT DRF/PTG nº 6/2012 (fls. 217/220) o qual concluiu pela improcedência da reclassificação da Receita Bruta informada na DIPJ e DCTF retificadoras para todo o período de apuração com fornecimento de materiais. Compulsando os autos, percebese que após a emissão do referido Parecer, não constam dos autos nenhum documento que ateste a ciência da recorrente quanto ao resultado deste último ato. Tampouco houve a reabertura do prazo, para que a empresa apresentasse sua defesa quanto à conclusão da diligência. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 08/02/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10940.905534/200912 Acórdão n.º 3803002.449 S3TE03 Fl. 4 5 Cumpre mencionar que, segundo os artigos 26 e 28 da Lei nº 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da administração pública federal, o contribuinte deve ser devidamente intimado de quaisquer decisões ou diligências que ocorram no decorrer do processo. “Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência da decisão ou a efetivação de diligências. (...) Art. 28. Devem ser objeto de intimações os autos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrições ao exercício de direito e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse.” O crédito fiscal cristalizado no ato de lançamento e notificado ao contribuinte exprime pretensão do ente tributante sobre o patrimônio do cidadão. Ressaltese que tal pretensão submete à cláusula constitucional segundo a qual ninguém será privado de seus bens sem o devido processo legal e tal ato, somente será válido no universo jurídico quando obedecer às garantias materiais e processuais dos contribuintes. Um processo administrativo constitucionalmente válido deve ensejar ao particular a possibilidade de ver conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter formal e material e de produzir todas as provas necessárias à comprovação de suas alegações. Assim, em atenção aos princípios do contraditório e da ampla defesa, manifestandose o Fisco após a impugnação, deve ser dada ciência desse ato ao contribuinte, com a consequente abertura de prazo para que, caso queira, apresente novos argumentos impugnatórios. Nesse sentido cumpre mencionar o que determina o artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, o qual considera nulos os despachos e decisões proferidas com preterição do direito de defesa, como no caso dos autos. Dessa forma, quando patente a ofensa a princípios constitucionais, não resta outra medida, senão anular a decisão proferida de forma viciada. CONCLUSÃO Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para acolher a preliminar apresentada pela recorrente, a fim de ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, por vício formal, haja vista a ausência de intimação da empresa quanto ao resultado da diligência efetuada pela Receita Federal. Assim, sejam os presentes autos, remetidos à origem para intimar a recorrente acerca do Parecer Técnico – SAORT/SACAT DRF/PTG nº 6/2012 (fls. 217/220), com a consequente reabertura do prazo de defesa, para que seja proferida nova decisão pela autoridade julgadora de primeira instância. Relator Fl. 295DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 08/02/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 6 (assinado digitalmente) Arthur José André Neto Fl. 296DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 08/02/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 11516.721837/2013-25
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2011 a 31/12/2011
GRUPO ECONÔMICO
Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizá-lo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes.
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. POSSIBILIDADE.
Restou devidamente comprovado a utilização indevida de empresa com o desiderato único de obter benefício tributário indevido, há de se aplicar o instituto da desconsideração da personalidade jurídica.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses previstas em lei.
Numero da decisão: 2803-003.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. POSSIBILIDADE. Restou devidamente comprovado a utilização indevida de empresa com o desiderato único de obter benefício tributário indevido, há de se aplicar o instituto da desconsideração da personalidade jurídica. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses previstas em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 18 37 /2 01 3- 25 Fl. 473DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11516.721837/201325 Acórdão n.º 2803003.925 S2TE03 Fl. 474 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa Kansas Alimentos LtdaME, em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o crédito Tributário. Contra a contribuinte foram lavrados os seguintes Autos de Infração: a) Debcad n. 51.043.2522 referente as contribuições previstas nos incisos I a III do art. 22 da Lei nº 8.212/91, incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e aos sócios da empresa, a título de pro labore, no período de fevereiro a dezembro de 2011, inclusive a título de 13º salário; b) Debcad nº 51.043.2530 referente as contribuições destinadas a terceiros (SalárioEducação, SENAC, SESC, INCRA e SEBRAE), incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados no período de fevereiro a dezembro de 2011, inclusive a título de 13ºsalário. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. ), foram identificados elementos aptos a demonstrar que a Kansas Alimentos Ltda. – ME (naõ optante pelo Simples Nacional) e a Arizona Alimentos Ltda. – ME (optante pela referida sistemática) constituem, de fato, uma única empresa, pelo que a fiscalizac ão: emitiu representac ão administrativa para a baixa de ofício da inscric ão da “ARIZONA” no CNPJ Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas; considerou os empregados e sócios formalmente vinculados a ̀“ARIZONA” como empregados e sócios da “KANSAS”; e em conseque ncia disto, lavrou em nome da “KANSAS” os Autos de Infrac ão no 51.043.2522 e 51.043.2530, relativos às contribuic ões incidentes sobre as remunerac ões pagas aos mencionados trabalhadores. Devidamente intimado do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação tempestiva às fls 242/282, alegando, em síntese: a) a intimac ão dos Sr. Valter Moises Viezzer, Miriam Regina Konrad Viezzer, Juliaõ Konrad e Marlene Cecília Konrad, para integrarem este processo fiscal por serem os administradores anteriores das duas empresas; b) a declarac ão de nulidade do procedimento fiscal por não conter a indicação do endereço funcional do responsável pela equipe a que esta vinculado o auditor fiscal, bem como pela expiração do prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscalçc) c) ae improcede ncia dos lanc amentos, com o consequente cancelamento dos Autos de Infrac ão por serem pessoas jurídicas com personalidades diferentes, não havendo qualquer confusão entre elas; c) a inaplicabilidade da multa, seja pela não comprovac ão de dolo da impugnante, seja pelo fato desse acréscimo ser inconstitucional e confiscatório; Fl. 475DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 d) a produc aõ de todos os meios de prova, inclusive com a baixa dos autos em dilige ncia. A DRJ houve por bem em não acolher as ponderações trazidas na impugnaçãoo, mantendo na íntegra os lançamentos efetuados em acõrdão que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2011 a 31/12/2011 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclama a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal em vigor, posto que tal mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. JUNTADA APÓS O PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE RESTRITA ÀS HIPÓTESES LEGAIS. No processo administrativo fiscal disciplinado pelo Decreto federal nº 70.235/72, a regra é de que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto nas hipóteses do § 4º do art. 16 do referido normativo. PERÍCIA REQUERIDA PELO SUJEITO PASSIVO. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. A autoridade julgadora de primeira instância poderá indeferir a perícia solicitada pelo sujeito passivo, quando entender que tal medida é prescindível ou impraticável. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POLO PASSIVO. INCLUSÃO DOS ADMINISTRADORES COM BASE NO ART. 134 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. É incabível a colocação dos administradores da pessoa jurídica no polo passivo do processo administrativo fiscal da União com base no art. 134 do Código Tributário Nacional, sobretudo porque tais pessoas físicas não são mencionadas em qualquer dos incisos daquele dispositivo. PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO DE PRAZO. FORMALIZAÇÃO. UTILIZAÇÃO DO PRÓPRIO MPF. A prorrogação do prazo do procedimento fiscal, inicialmente estabelecido pela autoridade administrativa competente, é formalizada mediante registro no próprio instrumento denominado “Mandado de Procedimento Fiscal”, sendo desnecessária, portanto, a emissão de documento específico para tal finalidade. PESSOA JURÍDICA. INEXISTÊNCIA DE FATO. BAIXA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11516.721837/201325 Acórdão n.º 2803003.925 S2TE03 Fl. 475 5 Constatada a inexistência de fato da pessoa jurídica, deve a fiscalização tomar as medidas tendentes à sua baixa de ofício, bem como proceder ao lançamento, em nome da empresa com real existência, das contribuições previdenciárias cujos fatos geradores foram praticados sob a denominação da primeira. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. ENDEREÇAMENTO. LOCAL DIVERSO DO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO. DESCABIMENTO. Quando utilizada a via postal, as intimações do sujeito passivo devem ser realizadas no endereço correspondente ao domicílio tributário por ele eleito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão proferida, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 417/463, aduzindo, em apertado escorço: a) a nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal, por ter sido emitido em desrespeito às formalidade legais, em desrespeito à ampla defesa e ao contraditório; b) a nulidade do v. acórdão da DRJ por ausência de intimação do contribuinte para participar do julgamento colegiadoç c) que as empresas Kansas e Arizona são pessoas jurídicas diversar e ao considerar que constituem uma única empresa, a fiscalização acabou se sobrepondo a esta realidade jurídicaç d) a necessidade de intimação dos advogados da contribuinte em seu endereço profissionalç e) a responsabilidade tributária deve ser imposta a administração anterior; f) o caráter confiscatório da multa aplicada. Sem contrarrazões fiscais, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Da Responsabilidade Solidária As recorrentes insurgemse contra a configuração de grupo econômico, nos termos em que realizado pela fiscalização tributária. Afirmam que não formam grupo econômico, que não há elementos nos autos que permitam essa conclusão O grupo econômico é aquele composto de duas ou mais empresas, que estejam sob direção única, onde uma, a principal, controla as demais (art. 30, IX da Lei n° 8.212/91 c/c art. 2º, § 2º da CLT), verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Art. 2º. Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. [...] § 2º. Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Em outras palavras, grupo econômico é aquele “que se forma entre dois ou mais entes favorecidos direta ou indiretamente pelo mesmo contrato de trabalho em decorrência de existir entre esses laços de direção ou coordenação em face de atividades industriais, comerciais, financeiras, agroindustriais ou de qualquer outra natureza econômica” (Maurício Godinho Delgado. Introdução ao Direito do Trabalho. 2.ed. São Paulo: LTr, 1999, p. 334). No caso concreto, a fiscalização logrou êxito em delinear os requisitos ensejadores do grupo econômico com relação às empresas recorrentes. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11516.721837/201325 Acórdão n.º 2803003.925 S2TE03 Fl. 476 7 Conforme foi descrito no relatório fiscal (fls. 41/54) e na decisão recorrida a fiscalização apresentou todos os elementos de formação e alterações contratuais das recorrentes. Ora, as duas empresas atuam no ramo da alimentação efuncionam no mesmo endereço, possuindo os mesmo procuradores. A Kansas iniciou sua atividade em 01.09.2010 nas lojas 233 e 234 do Shoppin Floripa, enquanto a Arizona iniciou suas atividade em 01.12.2010, na loja 232 do mesmo estabelecimento comercial. Ressaltase, ainda, que ambas compartilham o mesmo endereço eletrônico na rede virtual, sendo que o mesmo gerente atende às duas empresas Observase ainda que os sócios da Kansas são casados com os sócios da Arizona, sendo que a Sra. Viviane Cristina da Silva Cavalli recebeu o auditor fiscal afirmando que era responsável pelas duas empresas. Assim sendo, concluise que essa empresa Arizona sempre gravitou junto à Kansas, posto que desde a sua fundação sempre ocupou as mesmas instalações físicas, ao longo de todo o período ora fiscalizado, compartilhando sempre os mesmos sócios. Compõe grupo econômico de fato as empresas controladas e administradas conjunta e unitariamente, de forma que se confunde em um grupo de pessoas a administração e controle interno, e a própria atuação de mercado. Foi verificada a confusão na participação acionária, o controle comum da atividade empresarial e a identidade de sede das sociedades. Assim, entendo que houve a demonstração dos requisitos necessários do grupo econômico (art. 30, IX da Lei n° 8.212/91 c/c art. 2º, § 2º da CLT). Devese, portanto, neste ponto, se manter a decisão recorrida lavrada contra o contribuinte. Da Desconsideração da Personalidade Jurídica Podese conceituar a desconsideração da personalidade jurídica como sendo na essência, que em determinada situação fática a Justiça despreza ou “desconsidera” a pessoa jurídica, visando a restaurar uma situação em que chama a responsabilidade e impõe punição a uma pessoa jurídica, que seria autêntico obrigado ou o verdadeiro responsável, em face da lei ou do contrato. Dessa forma, a desconsideração da personalidade é essencial para punir abusos e impedir práticas ilícitas. No Brasil, a desconsideração da personalidade jurídica deu seus primeiros passos com o Código de Defesa do Consumidor, que em seu art. 28, autoriza sua utilização quando houver infração da ordem econômica. Após o Código de Defesa do Consumidor, o segundo dispositivo legal do ordenamento jurídico pátrio a tratar da desconsideração foi a Lei Antitruste (8884/94) que em seu artigo 18 condena as infrações de ordem econômica impondolhes aplicação das devidas sanções. Seguido pelo artigo 4º da Lei 9605/98, que dispõe acerca da responsabilidade por lesões ao meio ambiente. Depreendese dessas elementos normativos, elementos essenciais que são considerados como caracterizadores da desconsideração da pessoa jurídica em favor do consumidor, tais como: abuso de personalidade jurídica, sagradas no desvio de finalidade e na confusão patrimonial; comportamento doloso e fraudulento. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 8 Nessa senda, destacase o art. 50 do Código Civil, em destaque: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. Depreendese da dicção do referido artigo que é necessário utilizarse desse aparato jurídico em algumas situações definidas em Lei. Dessa maneira, as hipóteses de aplicação da desconsideração da personalidade jurídica merecem apreciação. Como acima descrito, as hipóteses da aplicação podem ser: abuso de personalidade jurídica desvio de finalidade e confusão patrimonial; comportamento doloso e fraudulento. Na hipótese de desvio de finalidade e confusão patrimonial. Considerase que o desvio de finalidade concretizase no objetivo diferente do ato constitutivo para prejudicar alguém; mau uso da finalidade social, ou seja, é a ação contrária à prevista em nosso ordenamento, tentando protegerse através da figura pessoa jurídica. Por outro lado, a confusão patrimonial existente entre o sócio e a pessoa jurídica consiste na mistura do patrimônio social com o particular do sócio, causando dano a terceiro, de tal modo que é essencial para utilização da desconsideração, pois, sua ação incide diretamente nessa separação patrimonial. Frisese que esses atos advêm diretamente da utilização abusiva da pessoa jurídica e a desconsideração da personalidade jurídica visa possibilitar a transferência da responsabilidade para aqueles que a utilizarem indevidamente. De tal modo, temse que o ato de constituição da pessoa jurídica é um ato jurídico, com isso, é regido pelo Ordenamento pátrio, portanto, são embasados na licitude. Dessa forma, a constituição da pessoa jurídica ou sua utilização para a prática de atos ilícitos é hipótese de desconsideração da pessoa jurídica. Por conseguinte, quando o administrador ou sócios fazem mau uso da finalidade social da pessoa jurídica através de ação danosa ou fraudulenta e causam dano a outrem, usase a desconsideração para penalizálo. Assim sendo, eles serão responsabilizados e seus bens poderão ser atingidos, sem confusão com os bens de patrimônio da pessoa jurídica. Devese respeitar os ditames principiológicos da autonomia patrimonial e admitir o uso desse instituto somente em casos de repressão à fraudes ou de coibição ao mau uso da forma da pessoa jurídica. Ademais, temse o entendimento de que, apesar da possibilidade de aplicação do art. 50 do Código Civil de 2002, a autoridade fiscal possui o poder de apurar o crédito tributário de maneira a afastar a personalidade jurídica face à autorização proveniente do próprio Código Tributário Nacional. Assim, prepondera que essa atitude revela as nuanças de utilização do afastamento da personalidade jurídica. Logo, também, entendese que para a o Ordenamento jurídico Brasileiro, assim como para o direito tributário, fazse presente a possibilidade de aplicação da desconsideração ou da personalidade jurídica. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11516.721837/201325 Acórdão n.º 2803003.925 S2TE03 Fl. 477 9 Ressalto, contudo, que entendo que a desconsideração só pode ser utilizada em casos extremos, que fique devidamente comprovada a má utilização de estruturas societárias com o escopo de lesar o Fisco ou obter vantagem indevida. Ocorre que, no caso ora em apreço restou devidamente comprovado que a empresa Live utilizouse indevidamente da empresa GMJ com o desiderato único de obter benefício tributário indevido, conforme bem descrito no Relatório Fiscal (fls. 16/38), há de se aplicar o instituto da desconsideração da personalidade jurídica. 33. Outro aspecto preliminar relevante à caracterização da unicidade do empreendimento é alegada inexistência de contratos de locação do imóvel ocupado por ambas. Vejase que na resposta aos respectivos Termos de Intimação Fiscal, ambas alegaram a inexistência de contrato de locação. Quando questionado a esse respeito, o Sr. Gabriel Goulart Sens nos informou que existe um “Comodato” formalizado com o seu pai, Sr. Moacyr Rogerio Sens, porém não apresentou e não soube dizer se havia documento escrito. 34. Obviamente que, em se tratando de duas empresas dos mesmos donos e gestores; para o exercício de mesma atividade industrial; nas mesmas instalações físicas; nítido tartarse de uma só empresa, como adiante se confirmará ante a análise dos demais livros e documentos apresentados: 35. A escrituração contábil dessa empresa aponta o seguinte volume de receitas anuais auferidas pela venda de produtos de fabricação própria e/ou venda de mercadorias (fonte: Livro Diário Geral nº 8, fls. 29 (2008) e Escrituração Contábil Digital (2009 a 2011): 36. O demonstrativo acima aponta um volume de receitas que – por um lado – comprova a impossibilidade da empresa ser optante do SIMPLES NACIONAL e – por outro lado – nos parece compatível com a estrutura operacional ali identificada e, principalmente, com o volume de pessoas que ali trabalhava, quando de nossa visita inicial. 37. Todavia, analisando as despesas apresentadas nos balancetes anuais (2008 a 2011) vimos que aqueles trabalhadores não aparecem na contabilidade pois não encontramos contas de despesas com pessoal (nem folhas de pagamentos de salários) . 38. Em contrapartida isto é, em substituição às despesas com salários, encontrase o registro contábil de despesas com serviços de industrialização, em montantes anuais compatíveis com o volume de mão de obra empregada pelo sujeito passivo, como a seguir demonstramos (fonte razão das contas citadas): 39. Dentre os custos com serviços de industrialização lançados nestas contas, podemos ver que sua quase totalidade – em valor – diz respeito a faturamento de serviços de industrialização prestados pela GMJ, senão vejamos o ano 2011 (amostragem) onde estão contabilizadas as seguintes notas fiscais emitidas pela GMJ que somam R$ 2.150.957,50 e representam Fl. 481DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 10 99,14% do saldo da conta no valor de R$ 2.169.667,84 (fonte: excerto do razão da conta citada cujo número estruturado é 05.1.5.03.024):” Assim sendo, não merece guarida as alegações dos recorrentes, sendo corretamente aplicada a simulação, afastandose, também, a decadência pleiteada, uma vez que não se aplica o disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Da Multa Qualificada Atualmente, a lei nº. 9.430/96 é a principal norma disciplinadora das multas punitivas a serem aplicadas no descumprimento das obrigações tributárias federais, nos casos de lançamento de ofício, calculadas sobre a totalidade ou diferença do tributo. Prevê multa de 75%, nos casos de falta de pagamento, recolhimento após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, nos termos do art. 44, I. O inciso II, do art. 44 do mesmo diploma legal ainda impõe a aplicação de multa equivalente a 150% do valor do tributo devido, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. O §2º do mesmo dispositivo ainda prevê o agravamento das multas previstas nos incisos I e II, impondo sanções de 112,5% e 225%, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimações para prestar esclarecimentos e fornecer arquivos e documentos que a Receita Federal exige que sejam guardados pelo contribuinte. O art. 46 estabelece multas de 112,5% e 225% se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos acerca da falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou justificar a falta de recolhimento do imposto lançado ou seu recolhimento após o vencimento sem o acréscimo da multa de mora. Já a lei nº. 10.852/04, artigo 2º, dispõe que as multas a que se referem os incisos I e II do art. 44 da Lei no 9.430/96, serão de 150% e de 300% respectivamente, nos casos de utilização diversa da prevista na legislação das contas correntes de depósito sujeitas ao benefício da alíquota zero de que trata o art. 8º da Lei no 9.311/96, bem como da inobservância de normas baixadas pelo Banco Central do Brasil de que resultar falta de cobrança da CPMF devida. Como se vê, as leis federais tipificam pesadíssimas multas que podem chegar a até 300% do tributo devido. Com efeito, pela observância das normas descritas, verificase que, somente em caso de comprovação, pelo Fisco, do intuito sonegador, do evidente intuito de fraude, poderá a fiscalização impor sanções qualificadas, agravadas. E não poderia ser diferente em um Estado de Direito. Como já dizia o saudosos mestre Rui Barbosa, "não sigais os que argumentam com o grave das acusações, para se armarem de suspeita e execração contra os acusados. Como se, pelo contrário, quanto mais odiosa a acusação não houvesse o juiz de se precaver mais contra os acusadores, e menos perder de vista a presunção de inocência, comum a todos os réus, enquanto não liquidada a prova e reconhecido o delito." Todavia, no caso em questão, correta a multa aplicada pela fiscalização. Conclusão Fl. 482DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11516.721837/201325 Acórdão n.º 2803003.925 S2TE03 Fl. 478 11 Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 483DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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Numero do processo: 10380.010810/2002-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado Digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
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Recorrida DRJ FORTALEZA CE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Adotase o relatório. “Tratase auditoria fiscal determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 0310100/2002/006045, relativo ao anocalendário 1997, tendo como sujeito passivo a pessoa jurídica CIAVEL COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE AVES LTDA., CNPJ 07.679.288/000107, empresa dedicada à atividade de “criação de aves, exceto galináceos”, CNAE 0155504, que redundou no lançamento de ofício da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) no valor de R$ 48.165,75 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 10 81 0/ 20 02 -7 1 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10380.010810/200271 Resolução nº 3302000.393 S3C3T2 Fl. 3 2 (quarenta e oito mil, cento e sessenta e cinco reais e setenta e cinco centavos). Tendo sido observada a apresentação de DCTF em que consta que os valores devidos a título de Cofins, fatos geradores novembro e dezembro de 1997, se encontravam com a exigibilidade suspensa por medida judicial, processo 91/127388, fls. 11/12, o contribuinte foi intimado, em 28/06/2002, a apresentar a documentação concernente à tutela judicial, fl. 10. Em resposta, foram apresentados os documentos de fls. 13/66. Segundo afirmado pela autoridade lançadora, conforme registrado na descrição dos fatos, “a ação judicial de que trata o processo nº 91.00127388 – 3ª Vara SJCE, já transitada em julgado, não autoriza ao contribuinte o direito de compensar créditos de PIS com a COFINS, conforme documento em anexo”, em razão do que procedeu à constituição do crédito tributário tendo por enquadramento legal os arts. 1º e 2º da Lei Complementar nº 70/91;arts. 2º, 3º e 8º da Lei nº 9.718, de 1998, com as alterações da MP nº 1.807, de 1999 e reedições; e o art. 889, incs. III e IV do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99). A ciência do lançamento, na pessoa do representante legal da pessoa jurídica, deuse em 14/08/2002. Inconformado com a exigência fiscal, em 02/09/2002 o contribuinte impugnou o lançamento sob a alegação de que “já foi feito Pedido de Restituição/Compensação junto a este órgão, referente a este tributo, conforme processo n. 10380.012179/200163 de 06/09/2001”. Juntamente com a petição retro, a autuada apresentou cópia do protocolo do processo 10380.012179/200163, do Pedido de Restituição e dos Pedidos de Compensação, fls. 70/73. Os períodos albergados pelo lançamento, registrese, estão inseridos nos débitos relacionados no Pedido de Compensação de fl. 73. Chegando o processo a esta DRJ, foi editada a Resolução DRJ/FLA nº 344, de 22/04/2005, em que a autoridade julgadora reconheceu a existência do Pedido de Compensação acima referenciado. Tendo comprovado que o pedido foi formulado em data anterior à da lavratura do auto de infração, determinou o sobrestamento do julgamento da demanda neste processo tratada, até que houvesse, na DRF de origem, uma definição quanto ao Pedido de Compensação. Passo subsequente, o processo foi encaminhado à unidade de origem. Em resposta, a DRF Fortaleza, por meio da chefia do Secat daquela unidade, afirmou em documento datado de 14/02/2011 que “(...) verificase que a compensação, pleiteada pelo contribuinte, de indébito do PIS, oriundo dos pagamentos a maior, efetuados a título de PIS, recolhidos com base nos decretos leis 2.445 e 2.449, ambos de 1988, com débitos de COFINS, não possui amparo na decisão judicial, transitada em julgado, exarada nos autos da ação judicial nº 91.00127388, que autorizou somente a compensação dos créditos de PIS com débitos do próprio PIS”. Em seguida, devolveu o processo à esta Delegacia de Julgamento, para prosseguimento. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10380.010810/200271 Resolução nº 3302000.393 S3C3T2 Fl. 4 3 Anotese que o trânsito em julgado, conforme anotado na Informação Fiscal de fl. 116, deuse no dia 01/03/1994. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário.” Intimada em 04.05.2012, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 04.06.2012. É o relatório. Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Tratase de Recurso Voluntário apresentado tempestivamente, fls. 206/219, contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, fls. 191/199, que reconheceu parcialmente o direito pleiteado para exonerar a multa de ofício e o restabelecimento dos encargos moratórios. O Recorrente, por sua vez recorre, alegando que a decisão não merece prosperar, pois ao julgar fatos referentes ao processo nº 10380.012179/200163 extrapolou os limites objetivos deste processo. Não entendo que o objeto seja o mesmo nos dois processos administrativos. No processo 10380.012179/200163 estáse discutindo o direito à compensação ali pleiteada, de créditos de PIS com débitos da COFINS. Todavia, a Fazenda Nacional alega que a decisão judicial não permite tal compensação, e que, somente seria possível compensar PIS com PIS. O que atualmente estaria superado. Dentre o período abrangido por essa ação está o 4º trimestre de 1997. Dai é que surge o problema, no meu entendimento. No processo presente (10380.010810/200271) questionase o período de novembro e dezembro/1997, que é abrangido pelo outro processo. Pelo que pude compreender, se o outro processo for procedente, e for autorizada a compensação, os débitos de novembro e dezembro de 1997 não mais existirão, já que referemse a esse período. Nas fls. 77/79 há uma decisão da própria DRF reconhecendo que o processo deve ficar sobrestado em face do pedido de restituição e compensação feito no outro processo, pois um inclui o crédito tributário do outro. Também, nas fls. 70/73 encontramos o pedido de restituição referente ao outro processo, onde está descrito o período por ele abrangido, o qual inclui os referidos períodos. Por tudo isso, entendo que o processo deve permanecer sobrestado. Por fim, pelo andamento na internet, fls. 226, o processo alternativo ainda não alcançou o CARF. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10380.010810/200271 Resolução nº 3302000.393 S3C3T2 Fl. 5 4 Ao decidir a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Fortaleza, entendeu que a decisão judicial proferida no processo nº 91.00127388 não autorizava a compensação de débitos da Cofins com crédito obtido pelo contribuinte, correspondente ao PIS, naquela ação judicial. Ora, conforme exposto pela Recorrente “...o cerne da questão dessa impugnação diz respeito a possibilidade de exigência da Cofins referentes aos meses de novembro e dezembro de 1997. O fato de tais débitos terem sido objetos de pedido de compensação surte o único efeito de sobrestar o lançamento aqui consubstanciado até decisão final sobre aquele requerimento de compensação”. Veja que, a questão da possibilidade de compensação de Cofins com os créditos de PIS, provenientes do processo judicial nº 91.00127388, é matéria que deverá ser discutida e analisada no processo nº 10380.012179/200163, e não nesses autos, onde se discute a possibilidade de exigir Cofins referente aos meses de novembro e dezembro de 1997. Assim, se o processo nº 10380.012179/200163 for julgado procedente, certo que a cobrança nestes autos não deverá proceder, pois um está diretamente relacionado ao outro. Neste sentido, resta evidente que do resultado daquele julgamento é que será conhecido o saldo a restituir ou compensar, havendo a necessidade de vir julgado o processo principal, para após ser aplicado o seu resultado, ao presente processo que lhe é reflexo. Portanto, a solução do litígio no presente processo está vinculada a decisão processo nº 10380.012179/200163, dada a relação de causa e efeito entre ambos, pois a confirmação da autuação é conseqüência do reconhecimento de que os débitos apurados pela Fiscalização estão corretos. Dessa forma, resta clara a conexão entre ambos os processos, ocasionando uma relação de causa e efeito entre eles, sendo necessário o sobrestamento de um em favor de outro, aplicandose no presente caso, analogicamente o artigo 265, IV, “a”, do Código de Processo Civil: Art. 265 – Suspendese o processo: IV – quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente.” Por todo exposto, frente à necessidade de evitar uma possível decisão conflitante, proponho a conversão do presente julgamento em diligência, para seja remetido à Delegacia da Receita Federal em Fortaleza, onde se encontra o processo alternativo, para que ao final sejanos informado o resultado do julgamento ainda por ser profertido nos autos da loide no. 10380.012179/200163, que poderá influenciar na decisão a ser tomada nos presentes autos, no que tange a restituição ou não dos valores ora questionados. É como voto. Sala das Sessões, em 27 de fevereiro de 2014. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10380.010810/200271 Resolução nº 3302000.393 S3C3T2 Fl. 6 5 (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 236DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 10245.900194/2009-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Considera-se homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Provas apresentadas e comprovadas em diligência.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.491
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, que integra o presente julgamento.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Considerase homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Provas apresentadas e comprovadas em diligência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, que integra o presente julgamento. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 90 01 94 /2 00 9- 72 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 28 /01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10245.900194/200972 Acórdão n.º 3301002.491 S3C3T1 Fl. 301 2 Relatório JOÃO EVANGELISTA FERREIRA DE SOUSA & CIA LTDA., já qualificado nos autos, recorre a este Conselho (Recurso Voluntário de fls. 96 e seguintes) contra o acórdão nº 0118.650,de 03 de agosto de 2010, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA (fls. 92 e seguintes), que não reconheceu o direito creditório alegado, não homologando a compensação declarada, através de PERDCOMP (fls.), conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Tratase de declaração de compensação transmitida em 19/10/2006 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 316,07, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2172, do período de apuração de 30/06/2002, no valor originário de R$ 1.367,92. A Delegacia de origem, em análise datada de 25.05.2009 (fl. 03), constatou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 03/06/2009, a interessada apresentou, em 26.06.2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 01/02): "Os créditos oriundos dos pedidos de compensação se originaram na elaboração das listas positivas e negativas com base na Lei n°10.147/2000, que foram elaboradas após o pagamento das contribuições, gerando assim um crédito a ser compensado posteriormente. Quando foi retificada a DIPJ 2003, por esquecimento não foi alterada a ficha da COFINS, sendo alterada apenas a do PIS. Em 21/06/2009, procedemos à alteração da referida ficha, transmitindo uma nova declaração retificadora. (.) Entendemos que, após os esclarecimentos que estão ao nosso alcance, não vemos mais motivos para o indeferimento da PER/DCOMP. Nos colocamos à disposição para fazermos qualquer modificação que se faça necessária para que seja efetuada a devida compensação.(.) Como pode ser constatado, nossa empresa recolheu as referidas contribuições a maior, portanto, nos é permitida a compensação com os débitos vencidos.(.) À vista de todo o exposto, está sobejamente demonstrada a insubsistência e a improcedência do Despacho Decisório.” A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório, sob a seguinte Ementa: Fl. 301DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 28 /01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10245.900194/200972 Acórdão n.º 3301002.491 S3C3T1 Fl. 302 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Ano calendário: 2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ONUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Entre outras alegações constantes do v. Acórdão extraise o seguinte trecho: No caso presente, ao efetivar sua compensação, por intermédio de DCOMP, a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo receita de código 2172, do período de apuração de 06/2002. Ocorre que, em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil, constatouse que o referido DARF encontravase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito passivo, não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. Neste ponto, cumpre referir que o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado a divida ativa da Unido sem que se faça necessário o lançamento de oficio. O valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. Assim, é condição necessária — embora não suficiente — a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. E nos termos da legislação que rege a matéria, a alteração de informações prestadas em DCTF efetuase mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Esclareçase, ainda em relação ao tema, que a desconstituição do crédito confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTF Retificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e Fl. 302DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 28 /01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10245.900194/200972 Acórdão n.º 3301002.491 S3C3T1 Fl. 303 4 idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. Ou seja, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário vinculado ao pagamento antecipado (lançamento por homologação'), não se mostra suficiente que o contribuinte promova a redução do débito confessado em DCTF (e menos ainda que o faça apenas em declaração de informações econômico fiscais da pessoa jurídica), fazendose necessário, notadamente, que demonstre, por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o pagamento foi realmente indevido. Desta feita, ambas as condições devemse encontrar presentes para que possa ser reconhecida a pretensão creditória do sujeito passivo. No caso concreto, como permanece válida a confissão de divida originalmente efetuada pela contribuinte, haja vista a não apresentação, ao que consta dos autos, de DCTF Retificadora, resulta notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão. Assinalese que em se tratando de pedido de restituição o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. Acrescendo a tudo o que se afirmou até aqui, o Decreto n° 70.235, de 1972, assim dispõe: "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.° da Lei n.° 8.748/1993) (grifouse) Constatase, pois, que figura como ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, já com sua peça impugnatória, as provas cuja produção encontrese em sua esfera de responsabilidade. Tempestivamente, o contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 95 e seguintes, alegando, sumariamente, que “Os créditos oriundos dos pedidos de compensação se originaram na elaboração das listas positivas e negativas com base na Lei n° 10.147/2000 que foram elaboradas após o pagamento das contribuições, gerando assim créditos a serem compensados posteriormente. Quando foi retificada a DIPJ 2003, por esquecimento não foi alterada a ficha da COFINS, sendo alterada apenas a ficha do PIS. Em 21/0612009, procedemos a alteração da referida ficha, transmitindo uma nova declaração retificadora.0 fato de não termos feito a DCTF retificadora no tempo hábil, não impede que os créditos existentes sejam identificados.Na confecção da PERDCOMP 03016.07170.191006.1.3.043068 foi utilizado do total de créditos referente ao COFINS de junho/2002 que é de R$ 1.049,28, apenas R$316,07 do valor original que sobrou na PERDCOMP Fl. 303DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 28 /01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10245.900194/200972 Acórdão n.º 3301002.491 S3C3T1 Fl. 304 5 n°30766.87463.191006.1.3.040059”. A Empresa reconhece a falha por não ter retificado a DCTF, mas apresenta os documentos contábeis que – no seu entender – comprovam o alegado crédito. Por fim, requer seja cancelado o débito fiscal reclamado. O julgamento do presente recurso foi convertido em diligência a fim de que a DRF de origem examinasse as alegações do Contribuinte e os documentos juntados, e também para que se verificasse se realmente existe pagamento a maior do tributo e suas conseqüências no PER/DCOMP apresentado. A diligência foi realizada. É o Relatório. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 28 /01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10245.900194/200972 Acórdão n.º 3301002.491 S3C3T1 Fl. 305 6 Voto Conforme constatado anteriormente, o recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos na lei e deve ser conhecido. O contribuinte, que atua no ramo farmacêutico, teria declarado em DCTF débito relativo à COFINS, período de apuração de junho de 2002, no valor de R$ 1.367,92, quitado através de DARF. Desse valor existiria um crédito de R$ 1.049,28 e teria utilizado apenas R$ 316,07. para compensação através da PER/DCOMP objeto deste processo. O Despacho Decisório não homologou a compensação declarada, pela inexistência de crédito, pois os pagamentos realizados teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O Contribuinte informa ter apresentado apenas DIPJ retificadora, esquecendo se de apresentar DCTF retificadora. Em sede de recurso, como já havia feito quando da sua Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte argumenta que, quando apurou a contribuição originalmente teria incluído indevidamente valores que, pela Lei 10.147/00, deveriam ser excluídos da base de cálculo, surgindo aí o valor a ser compensado. De início deve ser ressaltado, como constou no Despacho Decisório, que o Contribuinte deveria ter observado o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, segundo o qual as alegações e provas devem ser apresentadas em primeira instância. Entretanto, o presente processo decorre de Despacho Decisório eletrônico, o qual tem origem nas informações prestadas pelo próprio Contribuinte. Nessas situações, não há uma fase de instrução, antes do mencionado Despacho Eletrônico. É feita apenas uma verificação nos registros do sistema da Receita Federal e aí é gerado, eletronicamente, o Despacho. Não se pode menosprezar a possibilidade de erro nas Declarações e até por esse motivo é prevista a retificação, no prazo legal. Mas, iniciado o procedimento fiscal, não mais é permitida a alteração da Declaração ou, se efetuada, a retificação não produz nenhum efeito, nos termos da Súmula do CARF nº 33. Como se aduz dos autos, o Contribuinte apresentou a justificativa para o seu erro já na sua Manifestação de Inconformidade, e essa justificativa, como se verá a seguir, não chegou a ser analisada pelo Despacho Decisório. Na apresentação do seu Recurso Voluntário, os documentos juntados aos autos podem confirmar as alegações do Contribuinte e a existência do crédito. Neste processo, o Acórdão Recorrido prendeuse apenas e tão somente à declaração constante da DCTF e ao fato do Contribuinte não ter apresentado na Manifestação de Inconformidade as provas das alegações. Todavia, como mencionado, o Contribuinte desde o início apresentou os seus motivos para o erro na declaração e se colocou à disposição para apresentar quaisquer elementos necessários. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 28 /01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10245.900194/200972 Acórdão n.º 3301002.491 S3C3T1 Fl. 306 7 Outro aspecto relevante é que, conforme se verifica de seu Contrato Social, a área de atuação da Recorrente é exatamente o ramo farmacêutico e perfumaria, alcançado pelas disposições da Lei 10.147/00 (alíquota zero ou isenção). Tal documento foi apresentado já na manifestação de inconformidade, mas este e outros aspectos não foram apreciados ou verificados pelo Despacho Decisório. O julgamento do presente recurso foi convertido em diligência a fim de que a DRF de origem examinasse as alegações do Contribuinte e os documentos juntados, para que se verificasse se realmente existe pagamento a maior do tributo e suas conseqüências no PER/DCOMP apresentado. A diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal de origem chegou a seguinte conclusão: Foram confrontados os valores informados na DIPJ, referentes à receita bruta, às Vendas de Produtos/Mercadorias sujeitas à substituição tributária e a base de cálculo da Cofins, fls. 302/303, com os valores apurados nas Listas Positivas e Negativas apresentadas pelo interessado, fls 108/180. Foi verificado o total da receita bruta escriturado no Livro Caixa, fls 239/243, com os valores escriturados no Livro Registro de Saídas, fls 191/193. Percebe se que todos guardam compatibilidade entre si. A verificação foi feita desta forma, uma vez que a pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido está dispensada da escrituração contábil, desde que mantenha o livro Caixa, regime no qual se enquadra a interessada. Ressaltese que, segundo a DIPJ vigente para o anocalendário 2002, transmitida em 17/06/2009, por ser retificadora, a COFINS apurada monta R$ 318,64, compatível com a apuração efetuada por meio desta diligência. Diante das verificações efetuadas, a diligência constatou que o valor do crédito que pode ser reconhecido é de R$ 1.049,28. Esse valor é resultado do cálculo demonstrado abaixo: Valor recolhido em 15/07/2002: R$ 1.367,92 () Valor devido da Cofins (período apuração 06/2002): R$ 318,64 (=) Crédito de pagamento indevido/a maior: R$ 1.049,28 Importa alertar a Delegacia da Receita Federal que será responsável pela operacionalização da compensação de que há mais de um débito a ser compensado com esse crédito. Em face do exposto, considerando que a turma designada para o julgamento no CARF determinou, por unanimidade, a conversão do julgamento em diligência, para que se buscasse a verdade real dos fatos e, que, assim, o resultado da diligência realizada pela Fl. 306DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 28 /01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10245.900194/200972 Acórdão n.º 3301002.491 S3C3T1 Fl. 307 8 Delegacia da Receita Federal de origem foi de que, realmente o contribuinte tem direito ao crédito, dou provimento ao recurso voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 307DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 28 /01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 15504.020214/2009-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
NÃO INSCRIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 56. ART. 17 DA LEI Nº 8.213/91. PROCEDÊNCIA.
Constitui-se infração à obrigação acessória prevista no art. 17 da Lei nº 8.213/91 deixar a empresa de inscrever segurado empregado no Regime Geral de Previdência Social, sujeitando o infrator à penalidade pecuniária cominada nos artigos 133 e 134 da Lei nº 8.213/91 c.c. art. 283, § 2º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99.
ESTAGIÁRIOS. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS.
A relação de estabelecida pelo contrato de estágio sempre ostenta os requisitos do vínculo, mas há o afastamento ex lege, por exceção, do vínculo de emprego. Todavia, a relação jurídica que deixa de ocorrer na forma excepcional, em razão do descumprimento dos pressupostos legais, passa a seguir a regra (vínculo empregatício). Assim, conclui-se que a conseqüência natural do descumprimento dos pressupostos legais, no caso do estágio, é o estabelecimento do vínculo empregatício.
COMPETÊNCIA. JUSTIÇA DO TRABALHO. LANÇAMENTO.
A competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar ações e controvérsias oriundas ou decorrentes da relação de trabalho (artigo 114, I e IX, da CF) não se confunde e nem se sobrepõe à competência privativa de constituição de crédito tributário estabelecida no art. 142 do CTN.
CONTRATO DE APRENDIZAGEM. VÍNCULO DE EMPREGO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Nos termos do art. 428 da CLT, contrato de aprendizagem é contrato de trabalho, ainda que tenha como objetivo a aprendizagem, a formação técnico-profissional metódica. Ademais, o art. 65 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n° 8.069/90) também é claro no sentido de que, ao adolescente aprendiz, maior de quatorze anos, são assegurados os direitos trabalhistas e previdenciários. Incidem, portanto, as contribuições previdenciárias sobre a remuneração auferida pelo aprendiz.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a autuação relativa a não inscrever segurado empregado a seu serviço, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 56. ART. 17 DA LEI Nº 8.213/91. PROCEDÊNCIA. Constituise infração à obrigação acessória prevista no art. 17 da Lei nº 8.213/91 deixar a empresa de inscrever segurado empregado no Regime Geral de Previdência Social, sujeitando o infrator à penalidade pecuniária cominada nos artigos 133 e 134 da Lei nº 8.213/91 c.c. art. 283, § 2º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. ESTAGIÁRIOS. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. A relação de estabelecida pelo contrato de estágio sempre ostenta os requisitos do vínculo, mas há o afastamento ex lege, por exceção, do vínculo de emprego. Todavia, a relação jurídica que deixa de ocorrer na forma excepcional, em razão do descumprimento dos pressupostos legais, passa a seguir a regra (vínculo empregatício). Assim, concluise que a conseqüência natural do descumprimento dos pressupostos legais, no caso do estágio, é o estabelecimento do vínculo empregatício. COMPETÊNCIA. JUSTIÇA DO TRABALHO. LANÇAMENTO. A competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar ações e controvérsias oriundas ou decorrentes da relação de trabalho (artigo 114, I e IX, da CF) não se confunde e nem se sobrepõe à competência privativa de constituição de crédito tributário estabelecida no art. 142 do CTN. CONTRATO DE APRENDIZAGEM. VÍNCULO DE EMPREGO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Nos termos do art. 428 da CLT, contrato de aprendizagem é contrato de trabalho, ainda que tenha como objetivo a aprendizagem, a formação técnicoprofissional metódica. Ademais, o art. 65 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n° 8.069/90) também é claro no sentido de que, “ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 02 14 /2 00 9- 45 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 adolescente aprendiz, maior de quatorze anos, são assegurados os direitos trabalhistas e previdenciários”. Incidem, portanto, as contribuições previdenciárias sobre a remuneração auferida pelo aprendiz. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a autuação relativa a não inscrever segurado empregado a seu serviço, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.020214/200945 Acórdão n.º 2302003.385 S2C3T2 Fl. 309 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 269 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos: De acordo com os elementos constitutivos do presente processo, o MUNICÍPIO DE OURO PRETO PREFEITURA MUNICIPAL foi autuado por ter deixado de inscrever segurados empregados no período de 01/2004 a 12/2005. Segundo a fiscalização, no Relatório de fls. 87/90, o Município de Ouro Preto remunerou diversos servidores, estagiários e adolescentes inscritos no Programa Jovens de Ouro, sem observância da legislação pertinente. Em relação aos estagiários, ficou registrado o pagamento de bolsas de complementação educacional em desacordo com a Lei n° 6.494, de 7 de dezembro de 1977, revogada pela Lei n° 11.788, de 25 de setembro de 2008. Já, quanto aos adolescentes do Programa Jovens de Ouro, a fiscalização entendeu serem aprendizes, que, por força da Lei n° 8.069, de 13 de julho de 1990, possuem direitos trabalhistas e previdenciários. Nos autos de infração AIs n° 37.234.9897 e 37.234.9900, lavrados na mesma ação fiscal, nos quais se exigem as obrigações principais correspondentes, foram detalhadas as circunstâncias pelas quais a fiscalização considerou aqueles servidores como segurados do Regime Geral de Previdência Social RGPS na condição de empregados. Nos Relatórios daqueles AI´s, ficou consignado que o Fundo Previdenciário Municipal de Ouro Preto, criado pela Lei Municipal n° 58, de 23.12.1997, foi extinto por força do art. 1' da Lei 40, de 22.11.2000, retornando o Município ao Sistema Geral de Previdência. Não há circunstâncias agravantes previstas no artigo 290 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999. No cálculo da multa, demonstrado no Relatório de fls. 92/93, a fiscalização considerou 687 (seiscentos e oitenta e sete) servidores sem inscrição como empregados, para efeitos previdenciários, sendo estes listados no Anexo I, As fls. 94/115. Impugnando o auto de infração, às fls. 119/129, o Município de Ouro Preto Prefeitura Municipal diz ser indevida a autuação, Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 devendo a mesma ser julgada improcedente, como já exposto contra os Als n° 37.234.9897 e 37.234.9900, uma vez que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre as bolsas de estagio e as bolsas por atividades laborais dos integrantes do Programa Jovens de Ouro. (...) (destaques nossos) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 279 e seguintes, no qual renovou os argumentos de defesa, defendendo não haver vínculo com estagiários e integrantes do Programa Jovem Ouro. É o relatório. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.020214/200945 Acórdão n.º 2302003.385 S2C3T2 Fl. 310 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi CFL 59. Cabimento da Autuação. A recorrente, em suas alegações, contesta que houvesse necessidade de inscrição como segurados dos estagiários (vínculo de emprego reconhecido pela fiscalização) e dos integrantes do Programa Jovem Ouro. Assim, a autuação não poderia prosperar. Assim, para justificar se a presente autuação deve prevalecer, é preciso atestar a correção do lançamento das obrigações principais relativas aos estagiários e integrantes do Programa Jovem Ouro, conforme decidido nos processos n°s. 15504.020113/200974 e 15504.020111/200985. Bolsas de estagiários. Descumprimento da legislação. Aduz a recorrente que os estagiários não mantinham vínculo empregatício (ausência de seguro contra acidentes pessoais). Afirma ainda que houve indicação da legislação não vigente à época dos fatos geradores (Lei no 11.788/08). Em verdade, de acordo com o Relatório Fiscal, item 2.3.2, "as contribuições devidas incidiram sobre remunerações pagas a diversos estagiários contratados e remunerados sem obediência às determinações legais contidas na Lei no 6.494, de 7 de dezembro de 1977, regulamentada pelo Decreto de n° 87.497/82". No item seguinte do Relatório, escreveu que "a Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, de forma clara, no art. 28, parágrafo 9o, 1, determina que não integra o salário de contribuição para os fins desta Lei, a importância recebida a titulo de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei 6.494, de 7 de dezembro de 1997, revogada pela Lei 11.788, de 25 de setembro de 2008, que dispõe sobre estágios de estudantes de ensino superior e ensino profissionalizante de segundo grau e supletivo e dá outras providências". Portanto, a menção à Lei no 11.788, de 2008, apenas reforçou a base jurídica existente e mencionada relativamente à época dos fatos geradores. Assim, percebese, da narrativa fiscal, a perfeita descrição das razões de fato e de direito. Quanto ao vínculo reconhecido, a conseqüência natural do descumprimento dos pressupostos legais, como visto, é o estabelecimento do vínculo empregatício. Portanto, não tendo a recorrente celebrado seguro de acidentes pessoais, a relação jurídica deixa de ocorrer na forma excepcional (estágio – que sempre ostenta os requisitos do vínculo, mas cuja relação é determinada ex lege, por exceção) para seguir a regra (vínculo empregatício). Quanto ao argumento de que a competência para o estabelecimento de vínculo de emprego seria exclusiva da Justiça do Trabalho, cumpre ressaltar que a atribuição ofertada pela Constituição Federal à Justiça do Trabalho para processar e julgar ações e controvérsias oriundas ou decorrentes da relação de trabalho (artigo 114, I e IX, da CF) não se Fl. 312DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 confunde e nem se sobrepõe à competência privativa de constituição de crédito tributário estabelecida no art. 142 do CTN, não assistindo razão à recorrente. Sendo assim, procede o lançamento quanto ao vínculo reconhecido com os estagiários, pelo descumprimento dos pressupostos legais. Programa Jovem Ouro. Assevera a recorrente a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as bolsas por atividades laborais (programa jovem ouro – natureza indenizatória) pela não demonstração dos requisitos da relação de emprego. Neste particular, adotamos, integralmente, os argumentos da decisão de origem, bastantes para responder aos argumentos recursais: No artigo 4° da Lei n° 67, de 26 de agosto de 1992, do Município de Ouro Preto, consta que o Fundo Municipal de Recursos, destinado ao atendimento dos direitos da Criança e do Adolescente, obedecerá aos artigos e incisos estabelecidos na Lei 8.069, de 1990. Os direitos trabalhistas e previdenciários ao adolescente aprendiz estão assegurados no artigo 65 da Lei n° 8.069, de 13 de julho de 1990, que é o Estatuto da Criança e do Adolescente. Para efeito de incidência de contribuições previdenciárias, o § 4o do artigo 28 da Lei n°8.212, de 1991, escreve que o limite mínimo do salário de contribuição do menor aprendiz corresponde à sua remuneração mínima definida em lei. A Prefeitura Municipal de Ouro Preto, segundo o Relatório Fiscal, contrata e coloca jovens adolescentes, com idade entre 16 a 18 anos, à disposição de empresas privadas e de órgãos públicos, aos quais é garantida uma bolsa por atividades laborais. Assim, a fiscalização apenas constatou que o Município de Ouro Preto tem como segurados do Regime Geral de Previdência Social RGPS menores aprendizes, eis que o próprio Município, em sua Lei 67, de 1992, dispõe sobre fundo financeiro dentro das diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente, das quais ressaltamos os direitos trabalhistas e os previdenciários do adolescente aprendiz. Em outra análise, agora com base na Consolidação das Leis do Trabalho CLT, DecretoLei n° 5.452, de 1° de maio de 1943, especificamente em seu artigo 428, abaixo transcrito, verificamos direitos trabalhistas a menor aprendiz. Art. 428 Contrato de aprendizagem é o contrato de trabalho especial, ajustado por escrito e por prazo determinado, em que o empregador se compromete a assegurar ao maior de quatorze e menor de dezoito anos, inscrito CM programa de aprendizagem, formação técnicoprofissional metódica, compatível com o seu desenvolvimento físico, moral e psicológico, e o aprendiz, a executar, com zelo e diligência, as tarefas necessárias a essa formação. (Redação dada pela Lei 10.097, de 19.12.2000). (g.n.). Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.020214/200945 Acórdão n.º 2302003.385 S2C3T2 Fl. 311 7 § 1° A validade do contrato de aprendizagem pressupõe anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social, matricula e freqüência do aprendiz à escola, caso não haja concluído o ensino fundamental, e inscrição em programa de aprendizagem desenvolvido sob a orientação de entidade qualificada em formação técnicoprofissional metódica. (incluído pela Lei . n" 10.097, de 19.12.2000). (g.n.). § 2° Ao menor aprendiz, salvo condição mais favorável, será garantido o saláriomínimo hora. (Incluído pela Lei n" 10.097, de 19.12.2000). (g. mi.). § 3°. O contrato de aprendizagem não poderá ser estipulado por mais de dois anos. (Incluído pela Lei n" 10.097, de 19.12.2000). De acordo com a CLT, contrato de aprendizagem também é contrato de trabalho, onde é garantido salário mínimo hora. Com isso, o valor pago pela prestação dos serviços, ainda que na formação técnicoprofissional, não é de natureza indenizatória, mas sim remuneratória, porque salário retribuição pelo trabalho e não uma indenização ou reparação de dano, ou ajuda de custo para a realização das atividades laborativas. É improcedente, portanto, falar que os valores recebidos pelos menores seriam para transporte, alimentação e aquisição de equipamentos, necessários às atividades do Programa Jovens de Ouro. Da legislação acima, percebese que o empregador é aquele que remunera por serviços prestados face ao contrato de trabalho de aprendizagem, sendo que os pagamentos foram verificados na escrituração contábil do Município de Ouro Preto. Então, o Município é que é responsável pelas contribuições previdenciárias devidas, e não empresas e órgãos públicos contratantes de serviços Programa Jovens de Ouro. Quanto à questão colocada pela impugnante da necessidade de realização de entrevistas junto aos participantes do Programa Jovens de Ouro para possível verificação da relação de emprego com o Município de Ouro Preto Prefeitura Municipal, temos que isso ocioso, uma vez que a legislação trabalhista, de forma literal, estabelece esta relação entre o menor aprendiz e o contratante. É uma questão unicamente de direito (inciso I do artigo 330 do Código Processo Civil, Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973), não havendo a necessidade da autoridade fiscal de produzir provas daquela relação. Portanto, deve prosperar o lançamento quanto ao Programa Jovem Ouro. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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