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Numero do processo: 15956.000407/2007-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. POSSIBILIDADE.
É cabível a imputação de multa isolada por falta de recolhimento do imposto de renda mensal devido a título de carnê-leão, ainda que os rendimentos tenham sido oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual.
MULTA ISOLADA. PREVISÃO LEGAL. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
A multa isolada por falta de recolhimento do imposto de renda devido a título de carnê-leão tem base legal e o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Inteligência da Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 2402-007.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. POSSIBILIDADE. É cabível a imputação de multa isolada por falta de recolhimento do imposto de renda mensal devido a título de carnê-leão, ainda que os rendimentos tenham sido oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. MULTA ISOLADA. PREVISÃO LEGAL. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. A multa isolada por falta de recolhimento do imposto de renda devido a título de carnê-leão tem base legal e o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Inteligência da Súmula CARF nº 2.
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CARNÊLEÃO. MULTA ISOLADA. Recorrente CARMEM SILVIA BETIOLI TEIXEIRA DE MENDONÇA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. POSSIBILIDADE. É cabível a imputação de multa isolada por falta de recolhimento do imposto de renda mensal devido a título de carnêleão, ainda que os rendimentos tenham sido oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. MULTA ISOLADA. PREVISÃO LEGAL. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. A multa isolada por falta de recolhimento do imposto de renda devido a título de carnêleão tem base legal e o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Inteligência da Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 04 07 /2 00 7- 08 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 15956.000407/200708 Acórdão n.º 2402007.536 S2C4T2 Fl. 85 2 João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada contra lançamento suplementar de multa isolada decorrente da falta de recolhimento do imposto de renda pessoa física devido a título de carnê leão. Segue a ementa da decisão: Intimado da decisão em 11/8/8, através de correspondência com aviso de recebimento (fl. 77 do eProcesso), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 10/9/9 (fls. 78 e seguintes), no qual reiterou as seguintes teses de defesa: realizou o recolhimento do imposto de renda devido na declaração de ajuste anual, de forma que o Fisco não sofreu qualquer prejuízo; com esse recolhimento, ocorreu denúncia espontânea; a multa é confiscatória. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 15956.000407/200708 Acórdão n.º 2402007.536 S2C4T2 Fl. 86 3 Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais pressupostos de admissibilidade, de tal forma que deve ser conhecido. 2 Multa isolada Ao contrário do que alega a contribuinte, é cabível a imputação de multa isolada por falta de recolhimento do imposto de renda mensal devido a título de carnêleão, ainda que os rendimentos tenham sido oferecidos à tributação na sua declaração de ajuste anual. Na dicção do art. 44, inc. II, da Lei 9430/96, a multa é exigida isoladamente, e inclusive pode ser exigida caso não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração (vide alínea “a” do inc. II do art. 44). Eis o entendimento deste Conselho a respeito da matéria: MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. POSSIBILIDADE. É devida multa isolada de 50% sobre o valor do imposto mensal quando o contribuinte deixa de recolher o valor correto do tributo devido (carnêleão), ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. (CARF, Acórdão 2201004.136, julgado em 07/02/2018) Conforme preleciona o art. 8º da Lei 7713/88: Art. 8º Fica sujeito ao pagamento do imposto de renda, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei, a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no País. E não ocorreu denúncia espontânea. Ela teria ocorrido se o sujeito tivesse pagado o carnêleão com o acréscimo dos juros de mora, conforme determina o art. 138 do CTN, abaixo transcrito, e informado tal pagamento na declaração de ajuste anual. Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. No mais, considerações relativas à equidade não podem ser levadas em consideração nesta instância administrativa, pois a multa em referência tem amparo legal e, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 15956.000407/200708 Acórdão n.º 2402007.536 S2C4T2 Fl. 87 4 para afastála, seria necessário declarar a inconstitucionalidade da lei, o que é defeso em grau administrativo, conforme será visto no tópico seguinte. Logo, improcedem as alegações da recorrente acerca da equidade e da denúncia espontânea. 3 Multa confiscatória A cláusula de não confisco está prevista na Constituição Federal e, para se concluir pela existência de sanção confiscatória, seria necessário declarar a inconstitucionalidade da Lei 9430/96. Como sabido, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vejase, nesse sentido, a Súmula CARF 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Isto é, a verificação de que a norma implicaria infringência ao desenho constitucional da exação tributária exacerba a competência originária desta Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal, negandose provimento ao recurso neste particular. 4 Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.733888/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2006
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano-calendário de 2006 deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente, não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
Numero da decisão: 2401-006.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência).
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano-calendário de 2006 deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente, não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
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REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano-calendário de 2006 deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente, não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 73 38 88 /2 01 1- 17 Fl. 56DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.758 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.733888/2011-17 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 47/52) interposto em face de decisão da 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (e-fls. 33/39) que, por unanimidade de votos, julgou a impugnação improcedente, mantendo Notificação de Lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física, ano-calendário 2006, que, em procedimento de revisão de Declaração de Ajuste Anual, constatou a omissão de rendimentos (R$ 66.084,70) e de imposto retido (R$ 1.982,54), em face de Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf). O Acórdão considerou a impugnação tempestiva, bem como que o imposto de renda incide, na fonte e na declaração de rendimentos anual, por ocasião da efetiva percepção dos rendimentos pela pessoa física (“regime de caixa”), inclusive no caso de rendimentos percebidos acumuladamente (RRA). Intimada em 17/10/2017 (e-fls. 44), a contribuinte interpôs em 31/10/2017 (e-fls. 47) recurso voluntário (e-fls. 47/52), acompanhado de documento (e-fls. 53), em síntese, alegando: (a) a omissão consiste em diferenças salariais mensais adimplidas de forma acumulada por força de decisão judicial (ação ordinária n° 95.003851-4 e execução 1998.34.00.028629-9); (b) o pleito de ser observado o regime de competência (SRL e impugnação) foi negado, contudo o RE n° 614.406/RS vincula o CARF (Regimento Interno - Anexo II, art. 62, §2°), devendo ser observadas as datas e as alíquotas vigentes ao tempo em que as verbas deveriam ter sido pagas (princípios isonomia, capacidade jurídica e vedação ao aproveitamento da própria torpeza); (c) sendo o art. 12 da Lei n° 7.713, de 1988, inconstitucional, ainda que sem redução de texto, todo e qualquer ato administrativo que tiver por fundamente a interpretação desse artigo é inválido por empregar critério jurídico equivocado (vício material). Não há como se substituir alíquota e base de cálculo (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 2°, parágrafo único, VII, e 50; Decreto n° 70.235, de 1972, art. 10, IV; e CTN, art. 142); e (d) antes de 2011, o programa da declaração não permitia lançamento de remuneração recebida acumuladamente, logo não há que se falar em omissão de receita e, ainda que caracterizada, não cabe aplicação de multa por regime de tributação em dissonância com os princípios constitucionais; Por fim, a recorrente pede a declaração de nulidade do lançamento e, subsidiariamente, a observância do regime de competência e o afastamento da multa pela suposta omissão de receita. É o relatório. Fl. 57DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.758 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.733888/2011-17 Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Relator. Admissibilidade. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Mérito. O art. 12 da Lei n° 7.713, de 1988, determinava que o imposto incidiria no mês do recebimento dos valores acumulados, utilizando-se as tabelas e alíquotas vigentes na época do recebimento dessas parcelas, independentemente do período que deveriam ter sido adimplidos, adotando-se como base de cálculo o montante global pago. Contudo, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário - RE nº 614.406/RS, em sede de repercussão geral, afastou a aplicação do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, quanto à sistemática de cálculo para a incidência do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, por violar os princípios da isonomia e da capacidade contributiva. O Regimento Interno do CARF - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3/5/16, dispõe que: Art. 62. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, deve ser adotado por este órgão julgador o entendimento exarado pelo STF, afastando-se o regime de caixa e determinando-se a aplicação do regime de competência para o cálculo mensal do imposto sobre a renda devido pela pessoa física, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Note-se que a posição tanto do STJ no REsp nº 1.118.429/SP como do STF no RE 614.406/RS não foi no sentido de inexistência ou inconstitucionalidade do dispositivo que definia os valores dos rendimentos recebidos acumuladamente como fato gerador de IR, mas tão somente no sentido de que a apuração da base de cálculo do imposto devido não seria pelo regime de caixa (na forma como descrito originalmente na lei, art. 12 da Lei 7783/88) já que conferiria tratamento diferenciado e prejudicial ao contribuinte, já definindo o novo regime a ser aplicável para apuração do montante devido. Não se trata de alteração de critério jurídico aplicado pela fiscalização, mas de aplicação dos termos de lei, que posteriormente por decisão judicial deixa claro qual a melhor interpretação acerca do regime aplicável. (Acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais n° 9202-006.876 e nº 9202003.695). Não se pode interpretar isoladamente o art. 142 do CTN. Devem também ser considerados os arts. 145, I, e 146 do CTN. Logo, a autoridade julgadora pode alterar o lançamento, desde que não introduza novos critérios jurídicos. Reitere-se que, em momento algum, STJ e STF afirmaram a não incidência do imposto, não impondo o efeito vinculante do REsp nº 1.118.429/SP e do RE 614.406/RS a necessidade de se declarar a nulidade do Fl. 58DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.758 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.733888/2011-17 lançamento, mas apenas de afastar a apuração segundo o regime de caixa. Nesse sentido, destaco do voto vencedor do Acórdão n° 9202-007.830, de 25 de abril de 2019: Como referido acima, o art. 145, I, do CTN, combinado com as normas que regem o processo administrativo fiscal, confere aos órgãos julgadores administrativos, quando provocados pela impugnação do sujeito passivo, competência para promover a necessária alteração do lançamento quando, dando razão ao sujeito passivo, entender que o mesmo está em desconformidade com as normas de incidência. E, com ainda mais razão, quando a decisão deste órgão administrativo está vinculada a algum comando que imponha uma específica interpretação, como neste caso. No presente caso, vale repisar, a controvérsia cingia-se à definição do critério de apuração, se com base no regime de caixa ou no regime de competência. Diante da afirmação de que o procedimento adotado pela fiscalização, que apurou o imposto com base no regime de caixa, foi irregular, compete à autoridade julgadora, no dizer de Eurico De Santi, alterar o ato-norma de lançamento mediante a edição de outro ato- norma. Nada que justifique, em casos como este, em que há apenas desconformidade parcial do ato com os requisitos instituídos pelo Direito Positivo, e quando esta for sanável mediante correção, a nulidade do lançamento. Realizar essa correção é um dos misteres da autoridade julgadora administrativa. Por tudo o que foi dito acima, o cancelamento total do lançamento por suposta violação ao art. 142 do CTN carece de consistência jurídica. A um, porque o art. 142 do CTN descreve o procedimento do lançamento e não os seus requisitos de validade; a dois, porque o art. 145, I do próprio CTN prevê a hipótese de alterabilidade do lançamento pela autoridade julgadora administrativa, o que tem como pressuposto lógico a possibilidade da imperfeição do lançamento realizado pela autoridade lançadora. Ante esses pressupostos, a afirmação da impossibilidade de se alterar o lançamento em razão de as decisões dos tribunais superiores impactarem no se critério quantitativo não se sustenta. Por fim, ressalto que a posição ora esposada, com estes e outros fundamentos, tem prevalecido neste Colegiado. Cito, como exemplo, os Acórdãos nºs. 9202-004.518, Sessão de 26/10/2016, 9202-005.357, Sessão de 25/04/2017, 9202-006.415, Sessão de 29/01/2018 e 9202-006.706, Sessão de 18/04/2018. Não há que se falar, destarte, em vício material ou em nulidade e nem em ofensa aos arts. 2°, parágrafo único, VII, e 50 da Lei n° 9.784, de 1999, 10° do Decreto n° 70.235, de 1972, e 142 do CTN. Portanto, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente objeto do lançamento (percebidos no ano-calendário 2006 e na esfera da ação 95.003851-4/execução 1998.34.00.028629-9; e-fls.16/27), impõe-se o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). O fato de o programa gerador da declaração não permitir o cálculo segundo o regime de competência não justifica a omissão do rendimento e, tendo havido lançamento de ofício, restou preenchido o suporte legal para a aplicação da multa de ofício (Lei n° 9.430, de 1996, art. 44). Logo, não há como se afastar a incidência da multa prevista em lei vigente. Isso posto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL para determinar o recálculo do imposto de renda tomando como base Fl. 59DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.758 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.733888/2011-17 as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram os rendimentos tributáveis omitidos, observando a renda auferida mês a mês pela contribuinte (regime de competência). (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 60DF CARF MF
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Numero do processo: 10820.720445/2011-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PIS/COFINS. SUSPENSÃO AGROPECUÁRIA. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFEITOS A PARTIR DE 01/08/2004, NA SUA REDAÇÃO ORIGINAL, E A PARTIR DE 30/12/2004, EM RELAÇÃO ÀS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 11.051/2004.
Nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004 e do art. 5º da IN/SRF nº 636/2006, o art. 9º da mesma lei, que criou hipóteses de suspensão da incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep na atividade agropecuária, produziu efeitos a partir de 01/08/2004, relativamente às atividades previstas na sua redação original, e a partir de 30/12/2004, em relação àquelas incluídas pela Lei nº 11.051/2004, tendo exorbitado o poder regulamentar a IN/SRF nº 660/2006 ao estabelecer que a eficácia só se daria a partir da data da publicação (04/04/2006) da IN/SRF nº 636/2006, por ela revogada, e que já havia regulamentado o referido art. 9º (atendendo ao determinado no seu § 2º), com efeitos retroativos à primeira data legalmente prevista.
Numero da decisão: 9303-009.122
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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SUSPENSÃO AGROPECUÁRIA. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFEITOS A PARTIR DE 01/08/2004, NA SUA REDAÇÃO ORIGINAL, E A PARTIR DE 30/12/2004, EM RELAÇÃO ÀS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 11.051/2004. Nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004 e do art. 5º da IN/SRF nº 636/2006, o art. 9º da mesma lei, que criou hipóteses de suspensão da incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep na atividade agropecuária, produziu efeitos a partir de 01/08/2004, relativamente às atividades previstas na sua redação original, e a partir de 30/12/2004, em relação àquelas incluídas pela Lei nº 11.051/2004, tendo exorbitado o poder regulamentar a IN/SRF nº 660/2006 ao estabelecer que a eficácia só se daria a partir da data da publicação (04/04/2006) da IN/SRF nº 636/2006, por ela revogada, e que já havia regulamentado o referido art. 9º (atendendo ao determinado no seu § 2º), com efeitos retroativos à primeira data legalmente prevista. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 72 04 45 /2 01 1- 71 Fl. 111DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.122 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10820.720445/2011-71 Relatório Trata-se de pedido de ressarcimento e declarações de compensação de contribuição não cumulativa. A DRF de jurisdição emitiu despacho decisório, reconhecendo em parte o direito creditório, e homologando as compensações até o limite reconhecido. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade requerendo a reforma do despacho decisório, para o reconhecimento da totalidade do crédito. Alega, entre outros pontos, a suspensão da incidência da contribuição, pois afirma realizar venda de leite refrigerado vendido a granel, adquirido de produtores rurais e entende que a suspensão é prevista a partir de 2004, enquanto a fiscalização, a partir de 04/04/2006, com a vigência da Instrução Normativa SRF nº 636/2006. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade para manter o despacho decisório. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, repisando os argumentos da impugnação. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3402-005.123, que lhe deu parcial, provimento para reconhecer a vigência do benefício de suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 a partir de 1º de agosto de 2004, determinando que a unidade de origem analise se o contribuinte faz jus a esse benefício. Recurso especial da Fazenda Cientificada do acórdão de recurso voluntário, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, que se estribou no acórdão paradigma nº 3801-004.397, o qual expressa o entendimento de que até 4 de abril de 2006. data de publicação da IN-SRF nº 660 de 2006, não era possível a venda com suspensão prevista no art. 9° da Lei nº 10.925 de 2004, porque a IN-SRF nº 636, de 2006, foi revogada pela IN-SRF nº 660, de 2006, que estabeleceu expressamente em seu artigo 11 que a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins somente seria aplicada a partir de 4 de abril de 2006. Esse posicionamento é francamente dissonante daquela sufragado no acórdão recorrido. Tal recurso especial foi apreciado pelo Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, que deu-lhe seguimento, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015. Contrarrazões da contribuinte Cientificada do despacho de admissibilidade do recurso especial, a contribuinte não se manifestou no prazo regimental. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.122 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10820.720445/2011-71 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-009.117, de 17 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10820.720440/2011-48, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-009.117): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais, por isso dele conheço. A matéria já teve análise por esta Turma, em 22/01/2019, com posicionamento unânime, no acórdão nº 9303-007.851, quando se entendeu que a suspensão é aplicável a partir de agosto de 2004. Tendo participado daquela sessão, adoto o entendimento do voto condutor, da relatoria do i. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, e peço licença para a seguir reproduzí-lo: Vejamos a evolução legislativa de interesse: Lei nº 10.925/2004 Art. 9º A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa na hipótese de venda dos produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 09.01, 10.01 a 10.08, 12.01 e 18.01, todos da NCM, efetuada pelos cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, por pessoa jurídica e por cooperativa que exerçam atividades agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I - de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II - de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III - de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I - aplica-se somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II - não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicar-se-á nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) Art. 17. Produz efeitos: Fl. 113DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.122 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10820.720445/2011-71 (...) III - a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei; Instrução Normativa nº 636/2006 (Publicada em 04/04/2006) Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004. (...) Art. 5º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. Instrução Normativa nº 660/2006 (Publicada em 25/07/2006) Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004. (...) Art. 11. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I - em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2º, a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa nº 636, de 24 de março de 2006, que regulamentou o art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004; e II - em relação aos arts. 5º a 8º, a partir de 1º de agosto de 2004. Art. 12. Fica revogada a Instrução Normativa SRF nº 636, de 2006. É maciça (eu diria, praticamente toda no mesmo sentido) a jurisprudência do CARF no sentido de inadmitir que norma administrativa (no caso, a IN/SRF nº 660/2006), pudesse limitar a eficácia a partir de uma data bem posterior à prevista na própria lei instituidora do regime suspensivo – ainda mais quando outra norma do mesmo Órgão, revogada pouco depois, atribuía seus efeitos retroativamente à data estabelecida no diploma legal, como está retratado em recentíssimo Acórdão, unânime (nº 3402005.118, de 17/04/2018, que serviu inclusive de paradigma para diversos outros julgados naquela Sessão da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 SUSPENSÃO. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFICÁCIA DESDE 1º DE AGOSTO DE 2004. Em conformidade com o disposto no art. 17, III da Lei nº 10.925/2004, aplica-se desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. A ementa prende-se exclusivamente ao que dispõe a lei, e no Voto Condutor não é muito diferente, dada à clareza da norma legal e à vasta jurisprudência administrativa a que me referi: "A matéria não comporta maiores digressões, eis que a própria Lei nº 10.925/2004 determinou que o referido benefício produziria efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. Estando perfeitamente definida a data do início da suspensão pela Lei, é certo que a regulamentação reservada à Secretaria da Receita Federal, nos termos do § 2º do art. 9º da referida Lei, não dizia respeito a esse aspecto. Nesse sentido, a primeira regulamentação da suspensão, dada pela Instrução Normativa SRF nº 636/2006, já tinha reconhecido a sua produção de efeitos retroativa, a partir de 1º de agosto de 2004. A matéria já foi objeto de análise por esse CARF no Acórdão nº 3401002.078 da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária desta 3ª Seção, j. 28.11.2012..." Do Voto Condutor do citado Acórdão de 2012, extraio o seguinte excerto: Fl. 114DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.122 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10820.720445/2011-71 "Se por um lado é certo que “os termos e condições” estabelecidos pela RFB pode limitar a suspensão da incidência das duas Contribuições, na hipótese do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, por outro, tal limitação não pode impedir por completo a suspensão da incidência das duas Contribuições, a começar necessariamente em 1º de agosto de 2004. Muitos menos pode a RFB, ao deixar de regulamentar a norma, tornar nulos seus efeitos a partir do momento em que já tem alguma eficácia, segundo a Lei nº 10.925, de 2004." Naquele julgado é evocada decisão do STJ (não vinculante, é verdade, mas bem incisiva a respeito), qual seja, o Acórdão no REsp nº 1.160.835/RS, sendo que, em pesquisas no site daquele Tribunal Superior na Internet, encontrei o de nº 1.143.568/SC, que remete ao primeiro e cuja ementa transcrevo parcialmente a seguir (e que adoto como razões de decidir): PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP E COFINS NÃO- CUMULATIVOS. ARTS. 97, VI, 99 e 111, I, DO CTN ... E INÍCIO DA POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO AMBOS COM EFEITOS A PARTIR DE 1º/8/2004. INTERPRETAÇÃO DO ART. 17, III, DA LEI Nº 10.925/2004. LEGALIDADE DO ART. 5º DA IN SRF N. 636/2006. ILEGALIDADE DO ART. 11, I, DA IN SRF N. 660/2006 QUE FIXOU A DATA EM 4/4/2006. 1. Discute-se nos autos a possibilidade de aproveitamento simultâneo de crédito ordinário da sistemática não-cumulativa de PIS/PASEP e de COFINS, prevista no art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, com o crédito presumido previsto no art. 8º, § 1º, da Lei nº 10.925/2004, referente às aquisições feitas junto a pessoas jurídicas cerealistas, transportadoras de leite e agropecuárias que funcionam como intermediárias entre as pessoas físicas produtoras agropecuárias e as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, para o período de 1º/08/2004 a 03/04/2006. (...) 6. O crédito presumido e a suspensão da incidência das contribuições produziram efeitos conjuntamente a partir de 1º/8/2004, nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004, de forma que as INs SRF nºs 636/2006 e 660/2006, ainda que sob o pálio do § 2º do art. 9º da referida Lei nº 10.925/2004, não poderiam alterar a data de concessão da suspensão da incidência das contribuições, mas tão somente disciplinar sua aplicação mediante a instituição de obrigações tributárias acessórias. Nesse sentido, está conforme a lei o art. 5º da IN SRF 636/2006, que fixou a data do início do crédito presumido e da suspensão em 1º/8/2004, e ilegal o art. 11, I, da IN SRF 660/06, que revogou o artigo anterior e, de forma equivocada, fixou a data do início do crédito presumido e da suspensão em 4/4/2006. 7. Esta Corte já enfrentou o tema da revogação da IN SRF n 636/2006 pela IN SRF n. 660/2006 e concluiu que tal revogação não teve o condão de alterar de 1º/8/2004 para 4/4/2006 o início dos efeitos da suspensão da incidência das contribuições ao PIS e à COFINS prevista no art. 9º, da Lei nº 10.925/04. Precedente: REsp nº 1.160.835/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/4/2010. 8. Nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004 e do art. 5º da IN SRF 636/2006, tanto o direito ao crédito presumido de que trata o art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, quanto a suspensão da incidência das contribuições ao PIS e à COFINS prevista no art. 9º, da Lei nº 10.925/2004, produziram efeitos a partir de 1º/8/2004, relativamente às atividades previstas na redação original da Lei nº 10.925/2004, e a partir de 30/12/2004 em relação às atividades incluídas pela Lei nº 11.051/2004. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendo na íntegra o acórdão recorrido.” Fl. 115DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-009.122 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10820.720445/2011-71 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 116DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.986696/2012-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA.
Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a origem do pagamento indevido e a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme a legislação correlata, conforme Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72, Art. 170 do CTN e conforme inúmeros precedentes deste Conselho, o ônus da prova é do contribuinte ao solicitar o reconhecimento de créditos.
Numero da decisão: 3201-005.502
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a origem do pagamento indevido e a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme a legislação correlata, conforme Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72, Art. 170 do CTN e conforme inúmeros precedentes deste Conselho, o ônus da prova é do contribuinte ao solicitar o reconhecimento de créditos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 66 96 /2 01 2- 92 Fl. 104DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.502 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.986696/2012-92 Relatório Tratam os autos de PER/DCOMP não homologada por inexistência de crédito constatada pela unidade de origem, consoante Despacho Decisório carreado aos autos. Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que segue: - que não obstante a Intimação do DD ter sido emitida em total contradição com a legislação tributária, há de se observar o direito de a requerente ter o prosseguimento do seu recurso, assegurado pela Lei nº 9430/96; - que a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o DD; - que a autoridade administrativa quedou-se inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; - que o processo administrativo no âmbito federal tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade julgadora; - que a Lei 9784, de 1999, no art. 2, inciso VIII, dispõe, entre outros, sobre os princípios da Legalidade, Motivação e Observância das formalidades; - que se torna evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito nem sequer foi apreciado; - que a única conclusão que resta é a de que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido e o crédito declarado em DCTF; - que diversas situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo, hipóteses que são regulamentadas pela IN 900/2008; - que a autoridade administrativa furtou-se em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada; - que o despacho é totalmente nulo por ausência de motivação; - que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; - que houve cerceamento de direito de defesa, porque a autoridade nem sequer intimou a empresa a prestar os esclarecimentos necessários; - em observância ao princípio constitucional da eficiência, a administração está obrigada a intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas; - que a requerente, ao calcular a Cofins, utilizou-se de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, incluiu não só a receita decorrente de seu Fl. 105DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.502 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.986696/2012-92 faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compô-la; - que se utilizou de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável aos contribuintes; - que o pedido formulado tem como base a declaração de inconstitucionalidade, em total consonância com o disposto na Lei 9430, de 1996; - que a requerente postulou o reconhecimento do crédito somente pela via administrativa, já que a inconstitucionalidade desta ampliação já foi declarada e cuja ação já transitou em julgado; - que é legítima a pretensão da recorrente em ver-se restituída do que foi pago sobre base de cálculo indevidamente ampliada; - que ficou impossibilitada a oportuna apresentação de prova do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe o motivo do indeferimento, tampouco a impugnante; - há de ser aplicada a regra autorizadora da produção posterior de provas, para o momento em que a lide esteja delineada em seus termos. Ao final, pede-se que seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que seja acatada a preliminar de nulidade, que sejam promovidas as diligências necessárias à comprovação do crédito, que este seja reconhecido e que a compensação seja homologada.” O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do acórdão nº 02-059.242, face a inexistência de crédito líquido e certo. A contribuinte apresentou então seu recurso voluntário, onde essencialmente reforçou os argumentos da Manifestação de Inconformidade e contestou a necessidade de retificação da DCTF de modo prévio à fiscalização. Relatado o caso. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3201- 005.493, de 23 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.971/2012-07, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201-005.493): “Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se esta Resolução. Fl. 106DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.502 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.986696/2012-92 Por conter matéria preventa desta 3.º Seção de julgamento deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. O contribuinte pleiteou o reconhecimento de créditos mas sequer apontou a origem de seus créditos ou comprovou o pagamento indevido ou a origem do crédito. A decisão de primeira instância tratou de forma específica a respeito da não comprovação da origem, certeza e liquidez do crédito, conforme trechos selecionados e reproduzidos a seguir: “Se o Darf indicado como origem do crédito utilizado no PER/DCOMP foi anteriormente vinculado em DCTF pelo próprio sujeito passivo a um débito nela declarado, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. A DCTF tem a natureza jurídica de confissão de dívida e é instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito nela confessado. A declaração presume-se verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 219 e CPC, art. 368). A declaração válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Assim, para contestar o fundamento do despacho decisório, cabe ao recorrente demonstrar erro ou a falsidade de sua declaração. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. O contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento contábil ou fiscal que demonstrasse suas afirmações genéricas. Ele alega que há situações que podem dar ensejo à restituição, como a inclusão indevida de valores na base de cálculo, erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo que são autorizadas. Contudo, não prova nenhuma situação concreta que o favoreça e que não tenha sido considerada na apuração do débito confessado em DCTF. Alega, ainda, que se utilizou de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável aos contribuintes, mas não relata quais são essas ações judiciais e se faz parte delas. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo, apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, também não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. Quanto à DCTF e ao Dacon retificadores, pesa contra o manifestante o fato de as retificações terem ocorrido após a ciência do despacho decisório ora contestado. Nesse ponto, vale ressaltar que a declaração e o demonstrativo retificadores apresentados após a ciência do despacho decisório não têm nenhuma força de convencimento e não constituem prova do pagamento indevido ou a maior, uma vez que só foram elaborados em razão da não homologação da compensação pretendida. É bom lembrar ainda que a retificação desses documentos não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, no caso de DCTF; e art. 10, § 2o, I, c, da IN RFB nº 1.015, de 05/03/2010, no caso de Dacon). Assim sendo, diante da falta de prova efetiva da ocorrência do pagamento indevido ou a maior, não é possível acatar as retificações feitas após a ciência do despacho decisório, lembrando que é condição indispensável para a Fl. 107DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-005.502 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.986696/2012-92 homologação da compensação pretendida que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo (art. 170 do Código Tributário Nacional - CTN). Essa condição, no presente caso, não se verifica.” Verifica-se que a razão de decidir principal, que fundamentou a decisão de primeira instância, é a falta de certeza e liquidez do crédito tributário e não a questão da retificação da DCTF. Com relação à questão principal, não houve contestação. Conforme a legislação correlata, conforme Art. 170 do CTN e conforme inúmeros precedentes deste Conselho, o ônus da prova é do contribuinte ao solicitar o reconhecimento de créditos. A simples alegação de que possui o crédito, não é o mesmo que quantificar linha por linha e valor por valor o seu crédito, de forma que fique líquido e certo, conforme determinado no próprio Art. 170 do CTN. Portanto, a partir deste momento verifica-se que o contribuinte não cumpriu com os ditames estabelecidos nos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72, que regula o PAF, em especial com o determinado no §4.º (em negrito): "Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 108DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-005.502 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.986696/2012-92 b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)." Diante de todo o exposto, sobre os mesmo fundamentos utilizados na decisão de primeira instância, vota-se para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza. Fl. 109DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.903461/2014-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2008
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
Em face da comprovação de que o IRRF incidente em pagamento de juros sobre capital próprio não foi integralmente utilizado em compensação pelo contribuinte, é legítima sua utilização na dedução do IRPJ do respectivo período de apuração. Logo, cabível a homologação da declaração de compensação.
Numero da decisão: 1201-003.032
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para homologar a compensação até o limite do direito creditório reconhecido.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Efigênio de Freitas Junior, Gisele Barra Bossa, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada), Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo José Luz de Macedo (suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Ausente o conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira.
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Em face da comprovação de que o IRRF incidente em pagamento de juros sobre capital próprio não foi integralmente utilizado em compensação pelo contribuinte, é legítima sua utilização na dedução do IRPJ do respectivo período de apuração. Logo, cabível a homologação da declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para homologar a compensação até o limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Efigênio de Freitas Junior, Gisele Barra Bossa, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada), Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo José Luz de Macedo (suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Ausente o conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 34 61 /2 01 4- 05 Fl. 1099DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-003.032 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.903461/2014-05 Relatório 1. Trata o presente processo de análise da Declaração de Compensação n° 02573.46279.281112.1.7.02-8859, transmitida pela Internet em 28/11/2012, com o objetivo de promover o encontro de contas entre dívidas próprias e alegado crédito tributário proveniente da apuração de Saldo Negativo de IRPJ apurado no ano-calendário de 2008, exercício 2009, no montante de R$ 2.042.594,98. 2. Em 04/09/2014, a Deinf/SPO exarou Despacho Decisório (fl. 78), homologando em parte as compensações informadas pelo contribuinte no valor de R$ 225.699,82. Em consulta ao processo n° 10010.006704/081439, citado no Despacho Decisório, evidencia-se o motivo pelo qual as compensações foram parcialmente homologadas (Relatório Fiscal de fls. 69/71): "Restou comprovado que no ano-calendário de 2008 o contribuinte sofreu a retenção de Imposto de Renda na Fonte incidente sobre o recebimento de Juros sobre Capital Próprio no montante de R$ 134.621.497,13 e ofereceu integralmente a receita correspondente à tributação, poder-se-ia, em obediência ao que dispõe a legislação de regência, anuir com a utilização integral do Imposto retido na fonte no montante de R$ 20.193.224,51. Porém, como esse valor já foi utilizado em DCOMP de JCP homologada pela RFB, resta-nos tão somente deixar de reconhecer a liquidez e certeza do crédito pretendido". 3. Irresignada, a contribuinte apresentou, dentro do prazo legal, Manifestação de Inconformidade junto à Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 03/06). 4. Em sessão de 30 de abril de 2015, a 3ª Turma da DRJ/FNS, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, para não homologar a compensação, nos termos do voto relator, Acórdão nº 07-37.167 (e-fls. 91/100), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 IRRF. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. COMPENSAÇÃO. Em face da comprovação de que o IRRF incidente em pagamento de juros sobre capital próprio já fora utilizado em compensação pelo contribuinte, descabe sua utilização na dedução do IRPJ do respectivo período de apuração. 5. Contra essa decisão, a contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Voluntário (e-fls. 110/114) que foi recebido e conhecido por esta 1ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção deste E. CARF. Nessa ocasião, a ora Recorrente apresentou, conforme fls. 196 do processo n° 16327.903461/2014-05, o Balancete Prévio (12/2008) no qual consta IRRF sobre JCP no valor de R$ 1.439.024,55. 6. Diante das provas constantes dos autos, a Colenda Turma entendeu por bem, por meio da Resolução n° 1201-000.235 (e-fls. 227/235), converter o julgamento em Fl. 1100DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-003.032 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.903461/2014-05 diligência, a fim de que a DEINF/SPO, Unidade administrativa de origem, esclareça questões relacionadas ao feito, conforme voto, cuja conclusão, ora se transcreve: "Tendo em vista os argumentos e números apresentados pela Recorrente, entendo que, em homenagem ao princípio da verdade material, deve ser verificada a procedência de suas alegações". Assim, voto por converter o julgamento em diligência para que a repartição de Jurisdição da Recorrente: a) Analise os argumentos e documentos apresentados e informe, mediante relatório conclusivo, se existem créditos oriundos de retenções a título de JCP que possam ser efetivamente utilizados na declaração pleiteada, discriminando os valores porventura apurados; b) Após a análise, intime a interessada para apresentar, se assim desejar, suas considerações, no prazo de 30 dias. Com a adoção das providências acima os autos deverão retornar a este Conselho e Relator para apreciação. 7. O Relatório de Diligência Fiscal foi devidamente elaborado (e-fls. 1063/1068) e a contribuinte intimada do resultado (e-fls. 1069/1071). 8. Em vista da conclusão apresentada pela douta autoridade preparadora, a ora Recorrente apresentou a petição de e-fls. 1074/1076, para reforçar o necessário reconhecimento do direito creditório aqui pleiteado. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora. 9. Conforme relatado, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário em face da decisão da DRJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo, portanto, a totalidade do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP nº 02573.46279.281112.1.7.02-8859, sob a alegação de que o IRRF utilizado para compor o saldo negativo de IRPJ já havia sido “consumido” em outras DCOMPs. 10. Por sua vez, cumprindo o que determinado na r. Resolução n° 1201- 000.235 (e-fls. 227/235), a Delegacia de Origem reconheceu que não houve utilização em duplicidade do crédito oriundo de IRRF de Juros sobre o Capital Próprio (JCP) - R$ 20.193.224,55 (valor original) -, tendo em vista que o contribuinte utilizou apenas o valor de R$ 18.754.200,00 (valor original) para quitar débitos próprios, restando um saldo de R$ 1.439.024,55 (valor original). Confira-se: Em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil, verificamos que o contribuinte teve Imposto Retido (código de receita 5706 – Juros sobre o capital próprio) no ano-calendário de 2008 no valor de R$ 20.193.224,48, conforme itens “4.1 DIRF” e “4.2 DIRF” (anexos ao processo). Fl. 1101DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-003.032 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.903461/2014-05 Também em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil, verificamos que o contribuinte transmitiu, entre 01/01/2004 a 31/08/2018, cinco Declarações de Compensações – DCOMP (tipo de crédito: IRRF de Juros sobre o Capital Próprio), porém apenas “duas” Declarações referem-se ao ano-calendário 2008 (conforme item “1.5 Relação de perdcomp”, anexo ao processo). Nessas duas declarações foram indicados como crédito o Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre Receita de Juros sobre o capital próprio, as quais foram transmitidas no ano-calendário 2008 e são classificadas como DCOMP de JCP. Na primeira Declaração de Compensação de n° 07554.71998.051108.1.7.06-0902 o contribuinte declarou ser detentor de crédito decorrente de JCP no valor de R$ 16.148.650,20, contudo só relacionou débitos no valor de R$ 15.150.000,00, também correspondente a IRRF JCP (P.A. 3º Dec./Outubro/2008). Deixou, portanto, de utilizar na extinção de dívida própria o valor total do crédito relacionado. Portanto, existe saldo não utilizado, na ordem de R$ 998.650,20. Na segunda Declaração de Compensação de n° 20282.19464.021208.1.3.06-3053 declarou a título de crédito de IRRF-JCP o valor de R$ 4.044.574,35, contudo só relacionou débitos no valor de R$3.604.200,00, também correspondente a IRRF JCP (P.A. 3º Dec./Novembro/2008). Deixou, portanto, de utilizar na extinção de dívida própria o valor total do crédito relacionado. Portanto, existe saldo não utilizado, na ordem de R$440.374,35, o qual foi relacionado na Declaração de Compensação de Saldo Negativo, juntamente a outra parte do crédito (valor do crédito não utilizado demonstrado na Tabela nº 1 no valor de R$998.650,20), perfazendo um total de R$1.439.024,55. Fl. 1102DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-003.032 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.903461/2014-05 O valor total do crédito utilizado nas duas Declarações de Compensações relativo a Imposto Retido na Fonte, decorrente da percepção de Juros Sobre o Capital Próprio, pelo contribuinte foi na ordem de R$ 18.754.200,00. Este valor é compatível com o valor total das retenções do Imposto de Renda Declaradas pelos responsáveis tributários, conforme registrado nas DIRF entregues a RFB. O fato de o contribuinte ter informado, de forma errônea, crédito em valor superior aos débitos que pretendia extinguir tanto na primeira quanto na segunda Declaração de Compensação, levou a Autoridade Fiscal a concluir pela utilização em duplicidade, já que muito embora a legislação permita ao contribuinte detentor de crédito decorrente de Juros sobre o capital próprio, utilizar o valor não consumido no decorrer do ano- calendário, na declaração do ajuste anual, como antecipação do devido, não deve o contribuinte, indicar o mesmo crédito em mais de uma Declaração de Compensação. O uso dessa técnica, além de dificultar o cruzamento dos dados realizados pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações, induz a erro a autoridade fiscal, já que na Declaração de Compensação, analisa-se em primeiro plano a certeza e liquidez do crédito declarado, reconhecendo-o ou não, total ou parcialmente. E isso foi o que ocorreu quando da análise dessas Declarações de compensação, nas quais foram reconhecidos integralmente a liquidez e certeza do crédito (homologação total) no valor de R$ 20.193.224,55, não se atentando para o fato de o contribuinte ter vinculado débitos em valor inferior (R$ 18.754.200,00). Desta forma, verificou-se a existência de vício, por erro material, no que diz respeito as conclusões relacionadas a utilização do crédito em duplicidade, já que conforme acima explicitado, o contribuinte muito embora tenha declarado créditos tributários nas DCOMP`s n° 07554.71998.051108.1.7.06-0902 e 20282.19464.021208.1.3.06-3053 no valor de R$ 20.193.224,55, somente utilizou o valor de R$ 18.754.200,00, na extinção de dívida própria, restando-lhe um saldo de R$ 1.439.024,55 para ser utilizado na Declaração de Ajuste Anual. 11. Por fim, a autoridade preparadora assim conclui: O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, in fine subscrito, no uso das atribuições legais que lhe foram conferidas, considerando o acima exposto, com base na documentação anexada ao processo, nas pesquisas efetuadas nos sistemas de controle da Fl. 1103DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-003.032 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.903461/2014-05 RFB, com fundamento na legislação citada e considerando que houve erro no preenchimento da Declaração de Compensação por parte do contribuinte (tendo em vista que deveria ter declarado como crédito somente o saldo), opina no sentido de que resta um saldo de R$ 1.439.024,55. 12. Em vista do reconhecimento do crédito pela d. autoridade preparadora, não há dúvidas de que o crédito original de R$ 2.042.594,98, formado pelos saldos de IRRF de JCP (R$ 1.439.024,55 = R$ 20.193.224,57 - R$ 18.754.200,00) e IRRF sobre aplicações financeiras (R$ 603.570,43 = R$ 811.879,63 - R$ 208.309,24 - já reconhecido quando do Despacho Decisório 1 ), é suficiente para quitar a compensação pleiteada através do PER/DCOMP nº 02573.46279.281112.1.7.02-8859, conforme demonstrado abaixo pela ora Recorrente: Conclusão 13. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para homologar a compensação até o limite do direito creditório reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa 1 Com relação aos meses de novembro e dezembro de 2008, as estimativas, no total de R$ 208.309,24, foram quitadas com o IRRF do próprio ano, sobre aplicações financeiras (código 3426), que já foi reconhecido pela Receita Federal no despacho decisório proferido neste processo (total de R$ 811.879,63). Fl. 1104DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-003.032 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.903461/2014-05 Fl. 1105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.908002/2008-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IRRF.
Nos pedidos de compensação, uma vez não reconhecido o direito creditório, cabe ao contribuinte comprovar a origem do crédito indicado naquele pedido. Sendo demonstrado, através das declarações retificadoras e dos registros contábeis do contribuinte, o pagamento indevido do IRRF, deve-se reconhecer o direito creditório.
Numero da decisão: 1302-003.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro relator que propunha a realização de diligência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator
(documento assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IRRF. Nos pedidos de compensação, uma vez não reconhecido o direito creditório, cabe ao contribuinte comprovar a origem do crédito indicado naquele pedido. Sendo demonstrado, através das declarações retificadoras e dos registros contábeis do contribuinte, o pagamento indevido do IRRF, deve-se reconhecer o direito creditório.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro relator que propunha a realização de diligência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregorio - Relator (documento assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IRRF. Nos pedidos de compensação, uma vez não reconhecido o direito creditório, cabe ao contribuinte comprovar a origem do crédito indicado naquele pedido. Sendo demonstrado, através das declarações retificadoras e dos registros contábeis do contribuinte, o pagamento indevido do IRRF, deve-se reconhecer o direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro relator que propunha a realização de diligência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregorio - Relator (documento assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 80 02 /2 00 8- 33 Fl. 824DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.825 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.908002/2008-33 Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto (com eventual exceção dos trechos transcritos) dizem respeito à numeração do processo em papel que foi digitalizado para o sistema e-Processo. Trata-se de recurso voluntário interposto por BAKER HUGHES DO BRASIL LTDA contra acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada diante da homologação parcial, pela Derat/RJ, da compensação de crédito de pagamento indevido de IRRF sobre remessa ao exterior contabilizada em 20/06/2003 com débitos do próprio contribuinte. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: Versa este processo sobre compensação identificada pelo PER/DCOMP n° 32037.27465.080304.1.3.04-4209 (fls. 02 a 06). Por meio do Despacho Decisório n° 775528121 (fl. 07), exarado em 18/07/2008, não foram homologadas as compensações declaradas. O referido despacho contém a seguinte fundamentação: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 128.305,46. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Foi dada ciência ao interessado em 30/07/2008 (fl. 301), que apresentou, em 29/08/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 08/14, alegando, em síntese, que: 01. realizou contrato de aluguel e arrendamento mercantil de bens de capital com sua coligada Baker Hughes Nederland BV. 02. efetuou recolhimento de IRRF relativo à mencionada operação. 03. a operação foi cancelada, depois do recolhimento do IRRF. 04. efetuou a retificação da DCTF, excluindo o mencionado débito de IRRF. 05. em seguida, apresentou novas DCTF retificadoras, ora excluindo o débito de IRRF, ora incluindo o mesmo valor. A última DCTF entregue não vinculava mais o pagamento a débito de IRRF. 06. requer, por fim, a reforma integral do despacho decisório, assim como a realização de diligência para que sejam verificadas as vias originais dos documentos acostados aos autos. Fl. 825DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.825 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.908002/2008-33 A DRJRio de Janeiro I proferiu, então, acórdão cuja ementa assim figurou: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2003 POSTERIOR JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. A apresentação da impugnação é o momento de o interessado oferecer todos os elementos que possuir para a sua defesa, precluindo o seu direito de fazê-lo após o término do prazo legal. PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. Indefere-se o pedido para a realização de diligência, formulado sem a observância dos requisitos estabelecidos na lei de regência. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova, quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário onde repete suas alegações. Essencialmente, reforça o pedido de diligência no sentido de que se confirme o estorno dos valores que haviam sido contabilizados como remessa para o exterior. Para isso, inclui novas cópias de extratos do livro diário correspondente. Ademais, mediante petição juntada após o recurso voluntário, inclui extratos do livro razão para corroborar suas alegações. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Fl. 826DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.825 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.908002/2008-33 Sobre os documentos juntados com e após a apresentação do recurso voluntário, há que se lembrar a regra veiculada no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 (que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal - PAF) acerca da preclusão do direito do contribuinte apresentar prova documental após a impugnação (que, no caso presente, assume o papel de manifestação de inconformidade): § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Nada obstante, boa parte da jurisprudência atual do CARF, em homenagem ao princípio da verdade material, vem temperando a possibilidade de apresentação de novos elementos de prova após a impugnação ou, mesmo, o recurso. Particularmente, penso que esse “tempero” não pode extrapolar o sentido da própria norma. Explico. É que para a criação de uma regra, como a estabelecida pelo referido § 4º do artigo 16 do PAF, o legislador já sopesou os princípios e interesses coletivos normalmente relevantes para a maioria dos casos concretos que sobrevirão aos seus futuros aplicadores. Eventual superação da regra, sob a influência de princípios que pareçam acentuadamente ofendidos em determinados casos concretos, como pode ocorrer com a verdade material, só há de ser feita em especialíssimas situações, e, mesmo assim, pela autoridade judiciária (Cf. Ricardo Marozzi Gregorio, Preços de Transferência – Arm’s Length e Praticabilidade – São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 204). Sem embargo, muitas vezes, os elementos juntados após a impugnação revestem- se de características que permitem enquadrá-los na própria regra veiculada no § 4º do artigo 16. Isso porque as três alíneas que enumeram situações excludentes do dispositivo legal preveem conceitos abertos ou indeterminados que podem e devem ser objeto de interpretação pelo aplicador da lei. É o que ocorre com os conceitos de “força maior”, “fato ou direito superveniente” e “fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos”. No presente caso, há fatos/razões trazidas aos autos pela própria DRJ quando esta rejeita o direito creditório sob o fundamento de que não houve prova hábil e idônea capaz de comprovar o alegado erro no preenchimento da DCTF original. Trata-se, em verdade, do chamado "diálogo das provas" corriqueiramente suscitado neste Colegiado. Com efeito, o ilustre relator da decisão recorrida entendeu que o documento de fls. 95 não faz nenhuma referência ao documento de fls. 32, ou seja, a invoice que supostamente cancela a invoice anterior (de nº 1800003438) não faz nenhuma referência a esta última. Além disso, os valores seriam distintos entre si. Por isso, como o documento de fls. 97 (extrato de uma Fl. 827DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-003.825 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.908002/2008-33 folha de livro contábil) foi produzido pelo interessado e não havia outros documentos de suporte, carecia de força probatória. Contudo, o conjunto dos fatos alegados, complementado pelos documentos posteriormente juntados, revela suficiente verossimilhança para que seja atendido o pedido de diligência. Senão vejamos: a) A empresa apresentou uma DCTF original, referente ao 2º trimestre de 2003, em que constava o IRRF devido a título de “Aluguéis e arrendamento – residente no exterior”, com fato gerador em 20/06/2003, no valor de R$ 127.883,45 (fls. 93); b) Na retificadora apresentada em 13/01/2004, a empresa não mais incluiu o referido valor dentre os IRRF devidos para o mesmo fato gerador (fls. 158); c) As retificadoras que se seguiram, não mais incluíram o referido valor (Docs. 11 a 17 da manifestação de inconformidade); d) Em seu recurso, a empresa esclarece que a invoice apresentada posteriormente (fls. 95) refere-se a uma nota de crédito cancelando um conjunto de cobranças anteriormente enviadas, dentre as quais incluía-se aquela de US$ 289,263.76 (correspondentes a R$ 827.872,88) consignada na invoice nº 1800003438 (fls. 32); e e) Os extratos dos livros diário e razão (fls. 346 a 352; e 354 a 355), de fato, sugerem que houve estorno de lançamentos contábeis no valor de R$ 827.872,88. Ainda assim, restam dúvidas acerca da fidedignidade dos documentos juntados. Por exemplo, não se tem a certeza de que os lançamentos neles consubstanciados atuaram em contas que realmente relacionam-se com os fatos oportunamente contabilizados. Nem mesmo se tem como confirmar se os referidos lançamentos foram efetivamente incluídos na contabilidade que amparou a apuração informada na correspondente DIPJ. Diante disso, entendo que o presente julgamento deva ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique a autenticidade (perante a contabilidade da empresa) dos extratos juntados aos autos, bem como confirme se houve, de fato, o estorno dos lançamentos contábeis (correspondentes à invoice nº 1800003438) que haviam sido originalmente registrados em 20/06/2003. Concluída essa verificação, deve-se promover ciência à empresa dos elementos juntados na diligência, para que a mesma, querendo, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fl. 828DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-003.825 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.908002/2008-33 Ricardo Marozzi Gregorio Voto Vencedor Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias - Redator designado Em que pese ser, nas maioria das vezes, difícil divergir dos votos do ilustre Relator, Ricardo Marozzi Gregório, no presente caso, a maioria do colegiado entendeu por bem dar provimento ao apelo do contribuinte, sendo designada a esse Conselheiro a incumbência de formatar o voto vencedor. É o que se passa a fazer. Como demonstrado no relatório acima, o Recorrente apresentou declaração de compensação, no qual indicou crédito de IRRF para quitar débitos próprios de COFINS. O referido imposto teria sido recolhido indevidamente, uma vez que a operação que, a princípio, seria o fato gerador do tributo, foi cancelada. Por isso, houve um recolhimento indevido da exação. O argumento apresentado desde a Manifestação de Inconformidade, para justificar o recolhimento indevido do IRRF, é que “de forma conservadora e com o fito de evitar qualquer questionamento das Autoridades Fazendárias, a Recorrente adotava o procedimento de antecipar o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando do mero registro contábil destas operações, independente da efetiva remessa dos valores ao beneficiário no exterior.” Contudo, como houve o cancelamento da operação, a Recorrente optou por retificar suas declarações, em especial a DCTF, para que não constasse mais aquela operação com empresa domiciliada no exterior. Com as retificações, caracterizou-se o pagamento indevido do IRRF, que foi indicado como crédito no pedido de compensação. A DRJ do Rio de Janeiro entendeu, entretanto, que o direito creditório não havia sido suficientemente comprovado e, por isso, não haveria como se dar provimento ao apelo do Recorrente. Em especial, aquela Turma de Julgamento constatou que “o contribuinte não trouxe aos autos documentos hábeis e idôneos que comprovem o alegado erro no preenchimento da DCTF”. Entende-se, contudo, que assiste razão ao Recorrente, na medida em que consta dos autos elementos suficientes para se comprovar o direito creditório. Explica-se. Em primeiro lugar, pode-se verificar dos autos o DARF de recolhimento do IRRF (código 9478 - ALUGUEL E ARRENDAMENTO - RESIDENTES NO EXTERIOR) no valor de R$ 128.305,46, correspondente à operação de US$ 289,263.70, registrada na INVOCE de nº 1800003438. Da análise da DCTF original do 2º Trimestre de 2003 (de fls. 93 e seguintes), por outro lado, em especial a composição dos créditos ali constituídos, pode-se identificar que aquele valor de R$132.138,59 compunha o IRRF do período. Fl. 829DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-003.825 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.908002/2008-33 Contudo, houve o cancelamento da operação que daria origem ao fato gerador do IRRF, com se observa da nota de crédito nº 1600000828, em que consta o valor de US$3.489.558,58 como sendo o valor de todas as operações canceladas. O Recorrente, para comprovar que dentro nota de crédito nº 1600000828, que formalizou o cancelamento de várias operações, estaria também o cancelamento da INVOCE nº 1800003438, juntou ao Recurso Voluntário cópia do Livro Razão. Neste documento, pode-se identificar vários lançamentos a débito e a crédito, o que comprovaria o cancelamento das operações realizadas com a empresa Baker Hughes Nederland BV. No que tange à operação em análise, verifica-se o cancelamento da operação em reais, no valor de R$ 128.305,46, correspondente à operação de US$ 289,263.70. Ademais, com a juntada de cópia do livro Diário relativo ao mês de Dezembro de 2003, verifica-se, com certa tranquilidade, que houve o cancelamento das operações com a empresa Baker Hughes Nederland BV (representado pela nota de crédito nº 1600000828), no valor total de R$10.203.120,33. Por fim, ao contrário do que alegou a douta Turma de Julgamento a quo, em que pese na DCTF original do 2º Trimestre de 2003 constar o valor de R$ 128.305,46 compondo o IRRF do período, o que se observa das DCTFs retificadoras é que aquele valor deixou de compor o IRRF nas declarações da Recorrente. Assim, resta insofismável o direito creditório, sendo irrelevante, a este julgador, para análise do pleito do contribuinte, o fato de o registro contábil e o pagamento do IRRF ter sido realizado antes da ocorrência do fato gerador do IRRF em questão (remessa dos valores ao exterior). Sendo cancelada a operação, retificadas as declarações fiscais, devidamente lastreadas com os registros contábeis, não há dúvidas de que houve o pagamento indevido, que pode ser utilizado como crédito para quitar débitos próprios do Recorrente. Por todo exposto, no mérito, vota-se por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório no valor de R$128.305,46, homologando-se a compensação no limite do direito creditório ora reconhecido. (documento assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Fl. 830DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.002024/2001-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS DO CONTRIBUINTE COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. INAPLICABILIDADE DA HIPÓTESE NORMATIVA QUE TRATA DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.
A homologação tácita a que alude o § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 diz respeito unicamente aos casos em que a compensação pleiteada pode ser admitida como declaração de compensação, não alcançando os pleitos de compensação de créditos de terceiros com débitos próprios, eis que o caput daquele artigo 74, a partir da alteração trazida pela Medida Provisória nº 66/2002, se restringe à compensação de créditos do contribuinte com seus próprios débitos.
Numero da decisão: 9303-009.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS DO CONTRIBUINTE COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. INAPLICABILIDADE DA HIPÓTESE NORMATIVA QUE TRATA DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A homologação tácita a que alude o § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 diz respeito unicamente aos casos em que a compensação pleiteada pode ser admitida como declaração de compensação, não alcançando os pleitos de compensação de créditos de terceiros com débitos próprios, eis que o caput daquele artigo 74, a partir da alteração trazida pela Medida Provisória nº 66/2002, se restringe à compensação de créditos do contribuinte com seus próprios débitos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1788; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.686 1 1.685 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10283.002024/200117 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303009.276 – 3ª Turma Sessão de 13 de agosto de 2019 Matéria PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE TERCEIROS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VALFILM INDUSTRIA E COMERCIO DE PLASTICOS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS DO CONTRIBUINTE COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. INAPLICABILIDADE DA HIPÓTESE NORMATIVA QUE TRATA DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A homologação tácita a que alude o § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 diz respeito unicamente aos casos em que a compensação pleiteada pode ser admitida como declaração de compensação, não alcançando os pleitos de compensação de créditos de terceiros com débitos próprios, eis que o caput daquele artigo 74, a partir da alteração trazida pela Medida Provisória nº 66/2002, se restringe à compensação de créditos do contribuinte com seus próprios débitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 20 24 /2 00 1- 17 Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 10283.002024/200117 Acórdão n.º 9303009.276 CSRFT3 Fl. 1.687 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, em face do Acórdão n° 3302002.817, de 27 de janeiro de 2015, fls. 1.209 a 1.211, integrado pelo Acórdão nº 3302 005.462, de 22 de maio de 2018, fls. 1.605 a 1.610, cuja ementa está assim redigida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Ano calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PROCESSO CONEXO DECISÃO ÚNICA PROFERIDA NOS AUTOS DO PROCESSO PRINCIPAL – APLICAÇÃO Um vez que a complexidade da matéria fez com que a turma de julgamento analisasse os casos de forma concomitante e proferisse uma única decisão, adotase integralmente nos processos conexos a decisão proferida nos autos do processo principal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Consta do respectivo acórdão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, ás efls. 1605 1610, os quais foram rejeitados pela 3º Câmara/2º Turma Ordinária. Em seu apelo, a Fazenda Nacional aduz divergência quanto ao prazo de que dispõe a Administração Tributária para homologar compensações declaradas pelo contribuinte. O Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, nos termos do despacho de admissibilidade, ás efls. 16241627. A Contribuinte apresentou contrarrazões, ás efls. 1635 1648, pugna pelo não conhecimento do Recurso interposto, e caso conhecido negarlhe provimento. Regularmente processado o apelo, esta é a síntese do essencial, motivo pelo qual encerro meu relato. Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 10283.002024/200117 Acórdão n.º 9303009.276 CSRFT3 Fl. 1.688 3 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Decido. In caso, trata o presente processo de Pedidos de Compensação de Débitos Próprios com Crédito de Terceiros, protocolados em sua maioria entre março de 2001 e setembro de 2002, sendo que o último deles foi protocolado em outubro de 2002, onde a Contribuinte pretende compensar diversos débitos próprios com créditos da empresa Nitriflex S/A Industria e Comércio (CNPJ 42.147.496/000170) lastreados no processo administrativo n ° 10735.000001/9918 e apenso. A empresa Nitriflex S A Indústria e Comércio obteve os referidos créditos por meio da ação nº 99.00.60542 e estaria autorizada judicialmente a transferilos a terceiros em virtude de decisão favorável obtida no Mandado de Segurança nº 2001.02.01.0352326 (processo originário nº 2001.51.1.00010250), onde foi pedido o afastamento dos efeitos da IN SRF nº 41, de 2000, que vedava a utilização de créditos de terceiros em compensações tributárias. A mencionada ação judicial, contra a União Federal/Fazenda Nacional, autorizou o estabelecimento Nitriflex S A Indústria e Comércio a compensar créditos, sem a restrição, julgada ilegal, da Instrução Normativa SRF no 41, de 2000, a qual se contrapunha ao direito do referido estabelecimento, de compensar créditos do IPI, reconhecidos em ação judicial, com débitos de terceiros. Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 10283.002024/200117 Acórdão n.º 9303009.276 CSRFT3 Fl. 1.689 4 A decisão recorrida deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, considerando as razões de decidir do acórdão proferido nos autos do processo nº 10735.000001/9918, que acolheu parcialmente os embargos de declaração quanto à eficácia dos Mandado de Segurança de nº 2001.51100010250 e 2005.51.10.0026900, com efeitos infringentes, para, ao final, declarar a concomitância de discussão administrativa e judicial quanto às matérias objeto do acórdão embargado, à exceção das matérias "DÉBITOS (i) Homologação Tácita das Compensações de Terceiros e (ii) Preliminar de Nulidade Processos nº 11516.002703/200411, 10930.003102/200391 e 11610.001259/200367. Com efeito, esta matéria já foi enfrentada nesta E. Câmara Superior, o que retrato utilizando como razões de decidir o acórdão nº 9303008.536, de 15/05/2019, da lavra do Ilustre Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que passa fazer parte integrante do presente voto. Confirase: (...) O aresto recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário reconhecendo à empresa "o direito de a recorrente compensar os débitos do IPI discriminados nos autos do presente processo e dos processos a ele apensos, com créditos do mesmo imposto reconhecidos judicialmente em favor da pessoa jurídica Nitriflex S/A Indústria e Comércio, devendo a unidade de origem, na execução do acórdão, observar se os créditos judiciais em tela são suficientes para a liquidação do débito a compensar". A Fazenda não recorreu. Contudo, foi rejeitada a suposta homologação tácita, mesmo transcorrido prazo superior a 5 anos entre o protocolo do pedido e a ciência da decisão que não homologou a compensação. Assim, devolvido ao nosso conhecimento, unicamente, a questão quanto à possibilidade de homologação tácita de compensações, como em caso, protocoladas após a edição da MP 66/2002, tratandose de créditos de terceiros (Nitriflex S.A.). Impende registrar que estamos julgando o presente processo, relativo ao 3º decêndio de 09/2002, e os apensados, os quais se referem aos 2º decêndio de 10/2002 (13746.001291/200251), 3º decêndio de 10/2002 (13746.001328/200241), 2º decêndio 11/2002 (13746.001382/200297) e 3º decêndio de 11/2002 (13746.001448/200249). Os débitos da recorrente referemse ao IPI (código de receita 1097. O acórdão recorrido decidiu que as compensações com créditos de terceiros, autorizadas por decisão proferida no Mandado de Segurança 2001.02.01.0352326 (processo originário nº 2001.51.1.00010250),n não seriam convertidas em declaração de compensação e, conseqüentemente, não se sujeitariam a homologação tácita no prazo de cinco anos. Entendo correta a decisão a quo, da qual valhome em grande medida para fundamentar o presente voto, nos termos do art. 50 § 1º, da Lei 9.784/99. Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 10283.002024/200117 Acórdão n.º 9303009.276 CSRFT3 Fl. 1.690 5 O formulário em que o pleito foi formalizado, Pedido de Compensação den Crédito com Débito de Terceiros, não mais vigia à época da protocolização do pedido, ou seja, em 10/10/2002. Com efeito, no rodapé do formulário em tela (fls. 02) consta que aludido formulário foi "aprovado pela Instrução Normativa SRF/Nº 21/97 Anexo IV", em sintonia com o que dispunha o artigo 15 da citada Instrução Normativa, abaixo transcrito: COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE UM CONTRIBUINTE COM DÉBITO DE OUTRO Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. § 1º A compensação de que trata este artigo será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", de que trata o Anexo IV.§ 2º Se os contribuintes estiverem sob jurisdição de DRF ou IRFA diferentes, o formulário a que se refere o parágrafo anterior deverá ser preenchido em duas vias, devendo cada contribuinte protocolizar uma via na DRF ou IRFA de sua jurisdição. § 3º Na hipótese do parágrafo anterior, a via do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue à DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado. § 4º Na hipótese do § 2º, a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de que trata o § 2º do art. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito. § 5º Nas compensações de que trata este artigo, o Documento Comprobatório de Compensação de que trata o Anexo V será emitido em duas vias, devendo ser entregue uma via para cada contribuinte. § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. Muito embora a Instrução Normativa SRF nº 21/97 só tenha sido revogada em 01/10/2002 (data da publicação da IN SRF nº 210, de 30/09/2002, cujo artigo 46 revogou formalmente a citada IN 21/97), todo o artigo 15 da IN 21/97, ou seja, a integralidade do dispositivo que tratava da possibilidade de utilização de créditos de um contribuinte para compensação com débitos de outrem, já havia sido revogado pela IN SRF nº 41, de 07/04/2000 Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 10283.002024/200117 Acórdão n.º 9303009.276 CSRFT3 Fl. 1.691 6 (publicada no DOU de 10/04/2000), e que assim dispôs sobre a questão: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 170 da Lei Nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), no art. 66 da Lei Nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei Nº 9.069, de 29 de junho de 1995, e nos arts. 73 e 74 da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, resolve: Art. 1º É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros. Parágrafo único. A vedação referida neste artigo não se aplica aos débitos consolidados no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal REFIS e do parcelamento alternativo instituídos pela Medida Provisória Nº 2.0045, de 11 de fevereiro de 2000, bem assim em relação aos pedidos de compensação formalizados perante a Secretaria da Receita Federal até o dia imediatamente anterior ao da entrada em vigor desta Instrução Normativa. Art. 2º Fica revogado o art. 15, caput e parágrafos, da Instrução Normativa SRF Nº 021, de 10 de março de 1997. Art. 3º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Essa nova limitação à compensação que motivou a empresa Nitriflex S/A Indústria e Comércio a impetrar Mandado de Segurança (n° 2001.02.01.0352326 processo originário n° 2001.51.1.00010250), onde pleiteou o afastamento dos efeitos da IN SRF n° 41/2000. Reiterese que o Poder Judiciário, por força de decisão no Mandado de Segurança nº 98.00166580, transitada em julgado em 18/04/2001, já tinha reconhecido, em favor da Nitriflex, o direito ao crédito do IPI decorrente da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Segundo o artigo 74, § 1º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, "a compensaçãonde que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados". Tal dispositivo vigora desde 30/08/2002, data da publicação da Medida Provisória nº 66/2002, que incluiu aludido preceito. Quanto ao caput daquele art. 74, o mesmo, na redação à época vigente (dada pela MP nº 66/2002), já tratava exclusivamente da compensação de créditos com débitos próprios, o que pode ser conferido pela simples leitura do dispositivo em questão: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 10283.002024/200117 Acórdão n.º 9303009.276 CSRFT3 Fl. 1.692 7 utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002). Restrição nesse sentido de autorizar a compensação tributária somente com débitos próprios foi mantida na redação do preceito em comento desde então. Assim, não poderia ser dado ao pedido objeto dos autos efeito de compensação de crédito de terceiros com débito próprio a natureza da declaração a que alude o § 1º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 ("a compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados"). Também a realidade presente não se enquadra no disposto no § 4º do aludido dispositivo, segundo o qual "os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo". Primeiro porque o pleito envolve forma de compensação (de créditos com débitos de terceiros) não prevista pelo caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96; segundo, porque o pleito foi formalizado posteriormente à edição da MP nº 66/2002, ou seja, em 10/10/2002. E o art. 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela MP 66/2002, passou a explicitar que a compensação a que se refere é somente em relação a créditos próprios. E tal norma vige desde 30/08/2002, antes, portanto, das compensações em análise. Em conseqüência, não se aplica ao caso em exame o disposto no § 5º do mesmo artigo 74, segundo o qual "o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação". Resta claro que o preceito em evidência é restrito aos casos em que a compensação pleiteada pode ser admitida como declaração de compensação, que, como já consignado, aborda unicamente a compensação de débitos com créditos próprios, ou seja, a hipótese legal de que trata o caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 a partir da alteração trazida pela MP nº 66/2002. Não bastasse isso, o § 5º que trata do prazo de cinco anos para a homologação da compensação declarada só veio a ser incluído no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 pela Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003 (posteriormente convertida na Lei nº 10.833, publicada em 31/10/2003, a partir de quando o dispositivo em questão passou a viger. Ou seja, posteriormente à protocolização do pleito da interessada. Evidente, portanto, que o caso em exame não se subsume à homologação tácita a que se refere o artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Rejeitase, portanto, o argumento da recorrente nesse sentido. Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 10283.002024/200117 Acórdão n.º 9303009.276 CSRFT3 Fl. 1.693 8 Impende lembrar, por fim, que com o advento da Lei nº 11.051, de 29/12/2004 (que, dentre outras alterações, incluiu o § 12 no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 " será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: ...II em que o crédito...a seja de terceiros"), a apresentação de pedido de compensação de débitos próprios com débitos de terceiros passou a ser considerada como compensação não declarada. Tal preceito passou a viger a partir de 30/12/2004, data da publicação da referida norma. Sem embargo, não é razoável entender que, por conta do aludido preceito, até então todo o pedido de compensação deveria ser declarado como declaração de compensação. Por fim, ao contrário do que afirma a recorrente, não há decisão judicial que determine, na hipótese dos autos, que haverá homologação tácita dentro de cinco anos da data do protocolo do pleito de compensação. O que há é uma manifestação obter dictum do juízo ao se manifestar sobre a resposta da repartição fazendária sobre o ofício judicial (15792/ 0657/2004, de 04/08/2004), conforme reproduzido no recurso especial do contribuinte (fl. 440). Destarte, afastase tal alegação, pois não improcedente". Dispositivo Ex positis, dou provimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1693DF CARF MF
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Numero do processo: 10073.900289/2008-24
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-000.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta confirme o valor do débito e a disponibilidade dos DARF que compõem o valor do crédito alegado na DCOMP.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves.
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta confirme o valor do débito e a disponibilidade dos DARF que compõem o valor do crédito alegado na DCOMP. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves. Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 74/76) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 20, que não homologou a compensação declarada na DCOMP nº 34045.41018.260804.1.3.04-8379, de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior no valor original de R$ 3.191,82, período de apuração 31/03/1999, código de receita 2372, valor total do DARF R$ 3.191,82, data de arrecadação 31/08/1999, tendo em vista não ter sido confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF discriminado na DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Conforme extrato à folha 16, em 25/09/2006 a contribuinte foi comunicada, mediante o Termo de Intimação - Irregularidade no Preenchimento de PER/DCOMP à folha 14, de que o DARF informado na DCOMP em questão não tinha sido localizado nos sistemas da RFB. No referido termo, foi solicitado à contribuinte verificar se todos os dados da ficha DARF informados no PER/DCOMP conferiam com os dados do DARF original e, em caso de divergência, que fosse transmitido PER/DCOMP retificador, ou, caso contrário, que a contribuinte comparecesse à unidade da RFB de sua jurisdição apresentando o referido termo e o DARF original, no prazo de 20 dias contado da ciência da intimação. Diante da ausência de resposta a tal intimação, foi exarado o despacho decisório à folha 20, em 24/04/2008. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 73 .9 00 28 9/ 20 08 -2 4 Fl. 148DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 1001-000.124 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10073.900289/2008-24 Na manifestação de inconformidade (folhas 30/32), a contribuinte informou que havia cometido erro de preenchimento da DCOMP, tendo informado como crédito o valor de R$ 3.191,82, correspondente à soma de três DARF relativos a CSLL do 1º trimestre de 1999 nos montantes de R$ 2.169,27, R$ 101,63 e R$ 920,92, os quais, frente ao débito informado em DIPJ no montante de R$ 2.368,31, geravam um crédito de R$ 823,51. Apresentou, para comprovação, cópias dos três DARF mencionados. No acórdão a quo, a não homologação foi mantida por falta de comprovação do crédito alegado. Ciência do acórdão DRJ em 22/07/2010 (folha 90). Recurso voluntário apresentado em 23/08/2010 (folha 92). A recorrente, às folhas 92/98, em síntese, ratifica suas alegações anteriores e informa escrituração dos valores no Livro Diário, sem, contudo, anexar cópia de tais lançamentos aos autos. O documento contábil que anexa é o Balanço Geral realizado em 31 de dezembro de 1999, às folhas 124/128. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Apesar da escassez de documentos comprobatórios no processo, pôde-se observar que o valor calculado no recurso voluntário do processo 10073.901861/2008-72 (julgado na presente sessão) de CSLL a recuperar relativo ao ano-calendário 1999 (R$ 4.467,67) e, por uma diferença de poucos centavos, o valor calculado no recurso voluntário de CSLL devida no ano- calendário de 1999 (R$ 14.050,04 contra R$ 14.049,98), conferem com os valores consignados na cópia de Balanço Geral realizado em 31 de dezembro de 1999, às folhas 124/128. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que seja apurado o real valor da CSLL devida relativa ao primeiro trimestre do ano-calendário de 1999, bem como a situação alocativa dos três DARF às folhas 46, 48 e 50, nos valores de R$ 2.169,27, R$ 101,63 e R$ 920,92, isto é, seja informado se tais DARF encontram-se alocados a débitos ou disponíveis para restituição/compensação nos sistemas da RFB. A autoridade fiscal da unidade jurisdicionante da recorrente deverá examinar a escrituração contábil da recorrente e a situação dos DARF mencionados, produzindo relatório conclusivo que demonstre se há crédito líquido e certo de pagamento indevido ou a maior de CSLL relativa ao primeiro trimestre do ano-calendário de 1999 e informando seu eventual valor original. Fl. 149DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 1001-000.124 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10073.900289/2008-24 A recorrente deve ser cientificada, inicialmente, da presente resolução e, após as intimações próprias do procedimento, ao final, do referido relatório conclusivo para que, caso entenda necessário, adicione manifestação no prazo de 30 (trinta) dias a contar de sua ciência. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13629.002984/2010-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2008
ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS.
Incide contribuição social Previdenciária sobre os valores pagos ao empregado a título de alimentação em pecúnia.
Numero da decisão: 9202-007.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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CARÁTER REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Incide contribuição social Previdenciária sobre os valores pagos ao empregado a título de alimentação em pecúnia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 29 84 /2 01 0- 16 Fl. 1423DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial interposto pela Contribuinte contra o Acórdão n.º 2803004.007 proferido pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 22 de janeiro de 2015, no qual restou consignada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2008 AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA, POIS INCLUÍDO EM FOLHA DE PAGAMENTO. INTEGRA A BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI MUNICIPAL, QUE EM NADA ALTERA A COMPETÊNCIA FEDERAL EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA/PREVIDENCIÁRIA JUNTO AO RGPS. DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS PARA PROVA DE PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES JÁ CONSIDERADOS E UTILIZADOS QUANDO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ALEGAÇÃO DE QUE VERBAS TRIBUTADAS POSSUÍAM CARÁTER INDENIZATÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. VALORES PAGOS EM RAZÃO DA ATIVIDADE PROFISSIONAL. Recurso Voluntário Negado. No que se refere ao Recurso Especial interposto, fls. 1.323 e seguintes, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 1.383 e seguintes, para rediscutir a incidência de contribuições previdenciárias sobre auxílio alimentação em pecúnia. Em seu recurso, aduz a Contribuinte, em síntese, que: a) O benefício concedido em pecúnia aos servidores civis ativos para o custeio de suas despesas com alimentação possui natureza indenizatória, não incidindo sobre ele as contribuições previdenciárias, pois a forma utilizada para o fornecimento do benefício jamais pode ser utilizada para alterar sua natureza; b) É firme a jurisprudência do STF sobre o tema, razão pela qual impõese a reforma da decisão. Intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões, fls. 1.415 e seguintes, sustentando, em síntese: a) caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições previdenciárias a parcela paga em pecúnia referente ao auxílioalimentação teria feito menção expressa na legislação previdenciária, mas, ao contrário, fez menção expressa de que apenas a parcela paga “in natura” não integra o saláriodecontribuição; b) não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, deve persistir o lançamento. É o relatório. Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 13629.002984/201016 Acórdão n.º 9202007.967 CSRFT2 Fl. 3 3 Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do Recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF contempla o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.290.5340, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores das categorias de empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços a municipalidade, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – REFISC, de fls. 61 a 64, com período de apuração de 01/2007 a 12/2007, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 53 a 54. Conforme narrado, a matéria admitida para rediscussão referese à incidência das contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas a título de alimentação (em pecúnia), sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador. A matéria se encontra sedimentada nesse Conselho, considerando as normas atinentes ao tema (jurisprudências dos Tribunais Superiores, Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional e Jurisprudência do CARF). A Lei n° 8.212/1991 estabelece em seu artigo 28, parágrafo 9º, alínea “c”, que a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/1976 não integrará base de cálculo da contribuição previdenciária. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se manifestou no sentido de que, ainda que a empresa não esteja inscrita no PAT, não incide a contribuição previdenciária sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação. Em razão da jurisprudência pacífica do STJ, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) editou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.117/2011, esclarecendo que, esteja ou não o empregador inscrito no PAT, o auxílioalimentação pago in natura não ostenta natureza salarial e, portanto, não integra a remuneração do trabalhador. Nessa mesma manifestação, a PGFN recomendou a edição de Ato Declaratório nesse sentido. Acolhendo a sugestão, a Procuradora Geral da Fazenda Nacional editou o Ato Declaratório nº 3/2011, estabelecendo que “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. Nessa esteira, a Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil (IN RFB) nº 1.453/2014 alterou o inciso III do art. 58 da IN RFB nº 971/2009 para retirar o requisito de concordância com “os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)” para fins de tributação da alimentação in natura. É dizer: está claro para a Receita Federal que essas parcelas não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária, quando pagas in natura. Fl. 1425DF CARF MF 4 Mostrase incontroverso nos autos que o pagamento sob análise se deu em pecúnia, razão pela qual incide a contribuição social previdenciária, considerando que para a não incidência, consoante as razões expostas, é imprescindível que o pagamento seja in natura. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Contribuinte, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 1426DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721212/2012-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.224
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem analise a origem, natureza, validade dos créditos apropriados extemporaneamente, para quantificá-los e realize uma reapuração das contribuições nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 05/2018. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira e Salvador Cândido Brandão Junior, que votaram por somente baixar em diligência para reapuração das contribuições nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 05/2018.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Ari Vendramini - Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro e Ari Vendramini (Relator).
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem analise a origem, natureza, validade dos créditos apropriados extemporaneamente, para quantificálos e realize uma reapuração das contribuições nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 05/2018. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira e Salvador Cândido Brandão Junior, que votaram por somente baixar em diligência para reapuração das contribuições nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 05/2018. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Ari Vendramini Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro e Ari Vendramini (Relator). Relatório 1. Tratam os presentes autos de formalização de crédito tributário, por autos de infração, relativos á Contribuição para o PIS/PASEP e á COFINS, em virtude de desconto indevido de créditos na apuração das contribuições, e, ainda, a utilização de créditos extemporâneos, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 21 2/ 20 12 -8 4 Fl. 12285DF CARF MF Processo nº 16682.721212/201284 Resolução nº 3301001.224 S3C3T1 Fl. 12.286 2 ocasionando uma reapuração das respectivas bases de cálculo, no período de apuração 01/2008 a 12/2009 2. Adoto o relatório constante do Acórdão DRJ/RIO DE JANEIRO, por economia processual e por bem descrever os fatos até o presente momento : O presente processo foi formalizado em decorrência da lavratura dos autos de infração de PIS e de Cofins, fls. 7.102 a 7.168, em virtude da constatação de houve, por parte da interessada, desconto indevido de créditos na apuração das contribuições relativas aos períodos de apuração 01/2008 a 12/2009. Exigese, para o PIS, principal de R$ 2.231.943,65, que acrescido de multa de ofício e juros de mora perfaz R$ 4.812.601,37 e, no caso da Cofins, contribuição de R$ 10.706.172,92, totalizando, com multa de ofício e juros moratórios, R$ 23.090.565,51. Integra o auto de infração o “Termo de Verificação Fiscal” de folhas 6.989 a 7.100, no qual a autoridade fiscal informa que: ꞏ No curso da procedimento fiscal foram entregues pela fiscalizada planilhas de apuração de base de cálculo de PIS e COFINS onde existe indicação de PIS e COFINS devidos, não pagos e não declarados em DCTF em relação ao anocalendário 2008; ꞏ Foram identificados também valores descontados a título de crédito de PIS e COFINS, pela fiscalizada, na apuração do PIS e da COFINS a pagar nos anoscalendário 2008 e 2009 constatandose: a) utilização de créditos no mercado interno extemporâneos b) utilização de créditos no mercado interno comprovados, porém não autorizados na legislação correspondente. c) utilização de créditos no mercado interno acobertados por documentação não aceita como hábil e idônea d) utilização de créditos no mercado interno que não comprovados por documentação hábil e idônea ꞏ Do total de créditos utilizados pela fiscalizada relativos ao PIS e à COFINS, no montante de R$ 950.152,30 a título de PIS e de R$ 4.376.409,76 a título de COFINS, nos anoscalendário 2008 e 2009, somados, a fiscalizada somente apresentou documentação comprobatória de R$ 15.987,38 .a título de PIS e de R$ 73.638,84 a título de COFINS, correspondentes a 1,68% do total dos créditos declarados em relação ao PIS e também de 1,68% em relação à COFINS. ꞏ A fiscalizada não cumpriu a exigência de apresentar rol contendo a identificação (CNPJ ou CPF) dos fornecedores relacionados nos Anexos I e II aos Termos de Reintimação Fiscal TIF n° 10 e TIF n° 11; ꞏ Em relação às despesas com energia elétrica, serviços de comunicação e de locação a fiscalizada não cumpriu a exigência tal como foi formalizada. Pelo contrário, apresentou raríssimas Notas Fiscais relacionadas à locação e nenhuma relacionada gastos com energia elétrica ou serviços de comunicação, obstruindo desta forma a atividade de aprofundamento da fiscalização; ꞏ Dentre as Notas Fiscais apresentadas pela Fiscalizada, foram identificadas Notas Fiscais emitidas de competência diversa do período em análise (2008 e 2009), relacionadas na planilha de folhas 7.069 e Fl. 12286DF CARF MF Processo nº 16682.721212/201284 Resolução nº 3301001.224 S3C3T1 Fl. 12.287 3 7.070 e que não passíveis de utilização nos anoscalendário 2008 e 2009, para fins de apuração do PIS e da COFINS a pagar; ꞏ É de se ressaltar que no Demonstrativo de apuração das Contribuições Sociais DACON, do mês de janeiro de 2008, na ficha 14 linha 01, não consta saldo inicial de créditos remanescentes de meses anteriores. O mesmo se verificou na análise do Demonstrativo de apuração das Contribuições Sociais DACON, do mês de janeiro de 2009, na ficha 14 linha 01. Portanto, não foram registrados, no DACON, créditos a serem apropriados em 2008 e 2009, referentes a meses anteriores; ꞏ A Fiscalizada utilizou créditos de PIS e COFINS relacionados a serviços não enquadrados como insumos (em relação ao objeto da atividade da fiscalizada): a) Serviços de instalação de ar condicionado b) fornecimento e substituição de condicionadores split c) Serviços de transporte; ꞏ A Fiscalizada utilizou créditos de PIS e COFINS relacionados a bens não enquadrados como insumos em relação ao objeto da atividade da fiscalizada: a) lanterna tipo lampião b) bebedouro c) pneus d) combustíveis (só admitidos se enquadrados como insumos, o que, no caso, não se verifica); ꞏ A Fiscalizada utilizou créditos de PIS e COFINS relacionados a locação de veículos, portanto, serviços não autorizados para fins de apropriação de crédito de PIS e COFINS; ꞏ Dentre os documentos entregues pela Fiscalizada, há uma lista de documentos que não foram considerados hábeis e idôneos para comprovação dos créditos de PIS e COFINS, pelos motivos relacionados na planilha às folhas 7.075 e 7.076; ꞏ Em relação aos demais créditos (mercado interno) de PIS e COFINS declarados pela fiscalizada como tendo sido utilizados para os anoscalendário 2008 e 2009 e não incluídos nos itens já descritos, não houve entrega, pela fiscalizada, de documentação hábil e idônea, sendo, portanto, glosados, conforme demonstrado nas planilhas às folhas 7.077 a 7.079; ꞏ Os valores de PIS e COFINS retidos foram obtidos com base na documentação entregue pela fiscalizada, em resposta ao TIF n° 09, bem como também com base no Sistema DIRF; ꞏ Com relação aos créditos decorrentes da importação utilizados nas planilhas de "Apuração do PIS" e "Apuração da COFINS", (anoscalendário 2008 e 2009), informa que foram todos declarados pela própria fiscalizada, mediante planilha transcrita à folha 7.087; Fl. 12287DF CARF MF Processo nº 16682.721212/201284 Resolução nº 3301001.224 S3C3T1 Fl. 12.288 4 ꞏ A apuração do PIS e da COFINS resultou nos valores nominais a pagar a seguir discriminados, cuja apuração foi consolidada nas planilhas de folhas 7.089 a 7.095: a) Anocalendário 2008: PIS (R$ 1.476.715,45) e COFINS (R$ 7.226.922,89) b) Anocalendário 2009: PIS (R$ 755.228,20) e COFINS (R$ 3.479.250,01) Cientificada em 28/12/2012 a interessada, inconformada, apresentou em 28/01/2013 a impugnação de folhas 7.180 e ss, na qual alega, inicialmente, que reconhece como devidos parte dos valores cobrados de PIS e COFINS referentes ao anocalendário 2008. Por essa razão, a presente Impugnação é parcial, na medida em que os valores incontroversos dos débitos de PIS e COFINS, referentes ao ano de 2008, foram quitados via compensação, nos termos do artigo 156, inciso II, do CTN, tendo a Impugnante usufruído da redução de 50% da multa de ofício, conforme prevê o inciso I, do artigo 6º, da Lei n.° 8.218/91. Conforme se verifica dos PER/DCOMP's anexos, os valores quitados pela Impugnante correspondem a: PER/DCOMP PIS (2008) em R$ COFINS (2008) em R$ PRINCIPAL (ANO DE 2008) 694.655,32 3.631.751,81 MULTA (COM REDUÇÃO DE 50% ) 260.495,74 1.361.906,92 JUROS 316.774,66 1.641862,11 TOTAL 1.271.925,72 6.635.520,84 Diante do exposto, requer a Impugnante seja reconhecida a extinção parcial dos débitos de PIS e COFINS referentes ao anocalendário de 2008, lançados no presente Auto de Infração e quitados via compensação, conforme os PER/DCOMP's em anexo, prosseguindose a impugnação com relação às demais matérias controvertidas: (i) legitimidade dos créditos de PIS/COFINS apropriados, originários de aquisições no mercado interno; e (ii) valores retidos na fonte não considerados pela autoridade fiscal. a) DOS CRÉDITOS DESCONTADOS EM 2009 Dos créditos glosados por falta de documentos hábeis e idôneos Conforme consta do Termo de Verificação (item 151), durante a ação fiscal a Impugnante não teria apresentado documentação hábil e idônea, comprobatória de parte dos créditos referentes a aquisições no mercado interno. De fato, a Impugnante esclarece que não foi possível reunir toda a extensa documentação solicitada pela fiscalização no decorrer da ação fiscal em virtude do volume dos documentos. No entanto, tendo a Impugnante conseguido identificar boa parte das Notas Fiscais que respaldam parcela significativa desses créditos, vem, por oportuno, requerer a juntada dessas notas, as quais se encontram detalhadas nas planilhas às folhas 7.189 a 7.194. Fl. 12288DF CARF MF Processo nº 16682.721212/201284 Resolução nº 3301001.224 S3C3T1 Fl. 12.289 5 Conforme se verifica das planilhas citadas, as Notas Fiscais ora anexadas respaldam o aproveitamento de créditos nos seguintes montantes: VALORES EM REAIS (R$) NOTAS FISCAIS PIS (crédito mercado interno) COFINS (crédito mercado interno) ALUGUÉIS 6.344.751,27 104.688,40 482.201,10 BENS (INSUMOS) 4.691.383,54 77.407,83 356.545,15 SERVIÇOS (INSUMOS) 7.592.109,85 125.269,81 577.000,35 TOTAL 18.628.244,66 307.366,04 1.415.746,59 O CARF tem decidido que o conceito de "insumo", para fins da apropriação e desconto de créditos de PIS e COFINS, não se equipara àquele adotado na legislação do IPI (matériaprima, material de embalagem, produtos intermediários). Ao contrário, alcança todas as despesas e custos necessários para a manutenção da atividade da pessoa jurídica, seja a prestação de serviços ou a produção de bens para venda. O direito creditório da Impugnante é legítimo, uma vez que está respaldado no artigo 3º, das Leis n.° 10.637/02 e 10.833/03, mesmo tendo esses créditos sido descontados em período subsequente àqueles em que se originaram. b) DOS CRÉDITOS DESCONTADOS EM 2008 Dos Créditos Extemporâneos De acordo com o item 134 do Termo de Verificação, apesar de terem sido apresentadas as Notas Fiscais comprobatórias do direito da Impugnante aos créditos descontados, o fiscal procedeu à glosa dos mesmos pelo fato de não ter identificado, nas DACON, registros de créditos referentes a meses anteriores. Tal procedimento, contudo, representa demasiado apego a formalismos, em detrimento da verdade dos fatos que deve prevalecer no Processo Administrativo Fiscal. A toda evidência, a mera inobservância da obrigação acessória de declarar, externar, o direito creditório nas DACONs não tem o condão de macular os créditos legalmente apurados com a base legal dos artigos 3º, das Leis n.° 10.637/02 e 10.833/03. Isso porque, conforme exposto no tópico anterior, o artigo 3° de ambas asleis dispõe sobre a possibilidade de as pessoas jurídicas que apuram o PIS e a COFINS na sistemática não cumulativa descontarem, do valor apurado como devido, créditos referentes a determinadas despesas e custos suportados. Destacase, ainda, que de acordo com o § 4º, do referido artigo 3º, "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes." Dessa forma, verificase que a própria legislação autoriza o aproveitamento extemporâneo de créditos de PIS e COFINS não descontados em determinado período. E não será a mera inobservância a requisitos informadores (meramente instrumentais) que impedirá a fruição de tal direito. Portanto caso a Sociedade não tenha registrado o crédito de PIS/COFINS no respectivo período de apuração, poderá aproveitarse a posteriori desses Fl. 12289DF CARF MF Processo nº 16682.721212/201284 Resolução nº 3301001.224 S3C3T1 Fl. 12.290 6 créditos, seja porque este excedeu ao montante devido a título da referida contribuição apurada no mês, seja porque deixou de aproveitálo no período de origem. Dos Créditos referentes a Bens e Serviços que não foram considerados Insumos Como já demonstrado, sendo a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS a receita bruta, devem ser considerados insumos todos os gastos, custos e despesas incorridos pelas pessoas jurídicas para o auferimento de receitas. É o caso, por exemplo, das despesas com combustíveis, glosadas pelo fiscal autuante. Não há razão para se desconsiderar as despesas incorridas pela Impugnante com transporte e combustível, na medida em que consistem em despesas freqüentes, vultosas, e necessárias para o regular exercício das atividades da Impugnante (prestação de serviços em poços de petróleo). Dos créditos glosados por falta de documentos hábeis e idôneos: Conforme já mencionado, parte dos créditos de PIS e COFINS descontados pela Impugnante em 2008 foi glosada sob a alegação de que não teriam sido apresentados os documentos comprobatórios dos créditos. Novamente, a Impugnante esclarece que não foi possível reunir toda a vasta documentação solicitada pela fiscalização no decorrer da ação fiscal em virtude do grande volume de documentos. Contudo, a Impugnante acosta à presente defesa cópias das Notas Fiscais que não puderam ser apresentadas naquela ocasião (doc. 04), a fim de comprovar seu direito a créditos de PIS e COFINS no valor de R$ 29.179,91. É o que se verifica da planilha de folhas 7.212 a 7.215. Dos Créditos Retidos na Fonte Não Considerados pelo Fiscal Autuante A Impugnante identificou que, dentre os valores retidos por fontes pagadoras, não foram levadas em consideração as retenções realizadas no ano de 2008 em favor de sua filial inscrita no CNPJ/MF sob o n.° 15.680.333/000500. Conforme se depreende dos Comprovantes de Retenção anexos, bem como dos comprovantes de recebimento ora acostados por amostragem (doc. 05), no ano de 2008 o referido estabelecimento sofreu as seguintes retenções por seus tomadores de serviços. FILIAL / 000500 ANOCALENDÁRIO 2008 FONTE PAGADORA CNPJ VALOR RETIDO PIS COFINS PETROBRÁS 33.000.167/000101 R$ 1.437.115,47 R$ 159.679,55 R$ 736.982,52 MI SWACO/SHELL 15.185.358/000103 33.453.598/000123 R$ 237.954,57 R$ 33.262,47 R$ 153.519,09 PETROBRÁS 33.000.167/000101 R$ 2.928.417,75 R$ 201.425,59 R$ 929.656,58 TOTAIS R$ 394.367,61 R$ 1.820.158,19 Fl. 12290DF CARF MF Processo nº 16682.721212/201284 Resolução nº 3301001.224 S3C3T1 Fl. 12.291 7 Em que pesem as retenções acima demonstradas, cujo montante total corresponde ao valor de R$ 2.214.525,80, o fiscal autuante não as considerou quando da revisão da apuração do PIS e da COFINS a pagar no ano de 2008. Em 20/02/2012 a Demac providenciou o “desmembramento da parte compensada, que foi transferida para o processo nº 16682.720287/201329, segundo termo de transferência de crédito tributário de folha 7951/7952, conforme valores informados nas PER/DCOMP supracitadas, as quais constam anexadas às folhas 7317/7335” e posterior encaminhamento a esta DRJ para apreciação da impugnação. Em 12/06/2013 foi anexada a petição de folhas 7.975 a 7.977, na qual a interessada solicita a juntada de aproximadamente 4.000 notas fiscais, em anexo. Diz a petição: No prazo legal, a Impugnante apresentou sua defesa esclarecendo que não foi possível reunir toda a documentação solicitada pela fiscalização no decorrer da ação fiscal em virtude do seu grande volume. De todo modo, ainda assim a Impugnante logrou acostar à sua defesa cópias das Notas Fiscais comprovando o seu legítimo direito aos créditos de PIS e COFINS do ano de 2008, glosados por falta de documentos hábeis e idôneos, no valor de R$ 29.179,91 (vinte e nove mil,cento e setenta e nove reais e noventa e um centavos), retroativo Não obstante isso, a Impugnante montou uma equipe de trabalho interna e empreendeu esforços necessários para a localização da documentação fiscal que pudesse suportar a parcela remanescente dos créditos de PIS e COFINS referentes às aquisições no mercado interno do ano de 2008. Como resultado desse árduo trabalho, a Impugnante informa que logrou localizar em seus arquivos internos cópias de diversas Notas Fiscais que comprovam as despesas incorridas com a aquisição de bens e serviços necessários às suas atividades, no valor total de R$ 10.720.409,52, as quais são capazes de suportar o seu direito a créditos de PIS e COFINS no valor de R$ 991.637,88 (novecentos e noventa e um reais, seiscentos e trinta e sete reais e oitenta e oito centavos) v. planilha em anexo. Dessa forma, com fundamento no princípio da verdade material que deve nortear o processo administrativo, bem como no artigo 16, §4°, alínea "a", e §5°, do Decreto n° 70.235/72, c/c artigo 57, §4°, inciso I, e §6°, do Decreto n° 7.574/11, a Impugnante junta aos presentes autos cópias das Notas Fiscais em anexo, como forma de complementação da prova documental antes produzida, comprovando a legitimidade dos créditos relativos às aquisições no mercado interno descontados da base de cálculo do PIS e da COFINS em 2008. Na mesma data, o processo foi encaminhado a esta turma para julgamento. É o relatório. 6. Assim restou ementado o Acórdão exarado pela DRJ/RIO DE JANEIRO : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2008, 2009 Fl. 12291DF CARF MF Processo nº 16682.721212/201284 Resolução nº 3301001.224 S3C3T1 Fl. 12.292 8 APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. É exigida a entrega de DACON e DCTF retificadores quando houver aproveitamento extemporâneo de créditos da contribuição para o período. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. Há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelandoo à necessidade na fabricação do produto ou na prestação de serviço e na consecução de sua atividade fim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto fabricado ou à prestação de serviços. COFINS. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O direito estabelecido para o aproveitamento de créditos do PIS e da COFINS, na sistemática de nãocumulatividade, deve ser exercido pela pessoa jurídica, na forma determinada pela legislação, demonstrando, de forma individualizada e inequívoca, as aquisições que seriam passíveis de aproveitamento do crédito. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao próprio sujeito passivo o ônus de comprovar a existência do direito creditório, demonstrando a base de cálculo dos créditos aproveitados, vinculados aos respectivos elementos de prova. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2008, 2009 APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. É exigida a entrega de DACON e DCTF retificadores quando houver aproveitamento extemporâneo de créditos da contribuição para o período. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. Há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelandoo à necessidade na fabricação do produto ou na prestação de serviço e na consecução de sua atividade fim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto fabricado ou à prestação de serviços. PIS. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O direito estabelecido para o aproveitamento de créditos do PIS e da COFINS, na sistemática de nãocumulatividade, deve ser exercido pela pessoa jurídica, na forma determinada pela legislação, demonstrando, de forma individualizada e inequívoca, as aquisições que seriam passíveis de aproveitamento do crédito. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao próprio sujeito passivo o ônus de comprovar a existência do direito creditório, demonstrando a base de cálculo dos créditos aproveitados, vinculados aos respectivos elementos de prova. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 12292DF CARF MF Processo nº 16682.721212/201284 Resolução nº 3301001.224 S3C3T1 Fl. 12.293 9 3. . A DRJ/RIO DE JANEIRO decidiu por exonerar do lançamento o valor das contribuições retidos pelas fontes pagadoras. Assim se pronunciou o Ilustre Julgador Carlos Henrique Gomes, no voto condutor do Acórdão : Dos Créditos Retidos na Fonte Alega a Impugnante que, dentre os valores retidos por fontes pagadoras,não foram levadas em consideração as retenções realizadas no ano de 2008 em favor de sua filial inscrita no CNPJ/MF sob o n.° 15.680.333/000500, conforme atestam comprovantes de retenção trazidos às folhas 7.744 a 7.748. Tem razão a interessada. As consulta aos sistemas da Receita Federal por mim anexadas às folhas 12.188 a 12.192 atestam as retenções relacionadas pela interessada em favor da filial CNPJ 15.680.333/000500. Por outro lado, verifiquei que estas DIRF não se encontram entre as anexadas ao processo pela fiscalização (folhas 3.244 a 3.263) e não foram computadas na apuração dos valores de PIS e Cofins retidos no ano de 2008, constante do Termo de Verificação Fiscal, às folhas 7.080 e seguintes. Devese portanto, exonerar o lançamento dos montantes retidos, informados nas DIRF, consolidados na tabela abaixo. 4. A tabela citada consta de fls. 12.207/12.208 dos autos digitais, e possui os seguintes valores totais : VALORES RETIDOS PIS 0,65% COFINS 3,00% R$ 394.367,61 R$ 1.820.158,19 5. Na sua conclusão do voto condutor, o Ilustre Julgador assim se expressa : Por todo o exposto, voto por julgar procedente em parte a lançamento efetuado, ficando mantidos os valores abaixo relacionados, acompanhados de multa de ofício e juros moratórios. 6. Em tabela constante de fls. 12.208 dos autos digitais, assim o Ilustre Julgador consignou os valores : PIS COFINS LANÇADO MANTIDO LANÇADO MANTIDO 2.231.943,65 1.891.221,18 10.706.172,92 9.132.708,36 7. Em função da exoneração do crédito tributário, a DRJ/RIO DE JANEIRO recorreu de ofício a este CARF. Submetase à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. A exoneração do crédito procedida por este acórdão só será definitiva após o julgamento em segunda instância. É o relatório. Fl. 12293DF CARF MF Processo nº 16682.721212/201284 Resolução nº 3301001.224 S3C3T1 Fl. 12.294 10 Voto Conselheiro Ari Vendramini 8. Verificase, pela tabela constante do item 6 que o valor exonerado foi : PIS COFINS LANÇADO MANTIDO LANÇADO MANTIDO 2.231.943,65 1.891.221,18 10.706.172,92 9.132.708,36 VALOR EXONERADO = VALOR LANÇADO – VALOR MANTIDO PIS – 2.231.943,65 – 1.891.221,18 = 340.722,47 COFINS – 10.706.172,92 – 9.132.708,36 = 1.573.464,56 VALOR TOTAL EXONERADO = 1.914.187,03 9. O recurso de ofício foi interposto por força da determinação contida no artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, que assim dispunha : Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). 10. Entretanto, a Portaria MF nº 63, de 09/02/2017 revogou a Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. 11. Assim dispõe a nova determinação : Estabelece limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Fl. 12294DF CARF MF Processo nº 16682.721212/201284 Resolução nº 3301001.224 S3C3T1 Fl. 12.295 11 Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. 12. Portanto, o novo limite de alçada para interposição de recurso de ofício pelas DRJ, a partir de 10/02/2017, é de R$ 2.500.000,00. 13. O artigo 1º da Portaria MF nº 63/2017 estabelece que a DRJ recorrerá de ofício quando exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo mais encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00. 14. No caso em exame, a DRJ apenas indicou o valor do tributo exonerado, portanto, verifiquemos o valor do tributo mais encargos : VALORES EM REAIS (R$) VALOR EXONERADO TRIBUTO VALOR EXONERADO MULTA VALOR EXONERADO TOTAL PIS 340.722,47 255.541,85 596.264,32 COFINS 1.573.464,56 1.180.098,42 2.753.562,98 3.349.827,30 15. Portanto, o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. NO MÉRITO 16. Na origem, a controvérsia originouse da análise dos créditos pleiteados de PIS/COFINS nãocumulativos, (art. 3º e 5º da Lei nº 10.637/2002 e art. 3º e 6º da Lei nº 10.833/2003). A fiscalização procedeu à auditoria das rubricas das receitas e despesas, em especial os bens para revenda, bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, fretes. 17. Foram ainda solicitados ao longo da fiscalização: as notas fiscais de compras de insumos, prestação de serviços utilizados como insumos do creditamento. 18. Conforme relatado, foram diversos os motivos das glosas dos créditos pleiteados pela Recorrente, que podem ser separadas em dois grupos: i. Aproveitamento de créditos extemporâneos ii. Insumos da nãocumulatividade 19. Já a impugnante pleiteia todos créditos por entendêlos como essenciais para sua atividade. 20. Entretanto, o conceito de insumo que norteou a análise fiscal na origem e também no voto condutor do Acórdão DRJ/RIO DE JANEIRO, foi o restrito, veiculado pelas Instruções Normativas da RFB n° 247/2002 e 404/2004, segundo as quais o termo “insumo” Fl. 12295DF CARF MF Processo nº 16682.721212/201284 Resolução nº 3301001.224 S3C3T1 Fl. 12.296 12 não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. 21. Por outro lado, para a impugnante, o conceito de insumo é amplo, implicando na assertiva de que insumo equivale a “custo de produção”. 22. Esta 1ª Turma Ordinária de Julgamento adota a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, no regime da nãocumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser necessário e essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. 23. Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da nãocumulatividade, para se aferir o que é insumo. 24. Portanto, a contenda no presente caso gira em torno de dois polos, a uma se existe possibilidade aproveitamento de créditos extemporâneos, e a duas, da possibilidade de serem considerados como insumos os dispêndios incorridos no processo produtivo da recorrente, em sendo considerados insumos, se estes podem originar créditos a serem utilizados como determina a legislação da Contribuição ao PIS/PASEP, na sistemática da não cumulatividade. 25. De acordo com o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (fls. 7.226 dos autos digitais), suas atividades principais são atividades de apoio á extração de petróleo e gás natural, entre outras, e ás fls. 7.237, o Estatuto Social indica como objeto da sociedade : A Sociedade terá por objeto: (1) prestação de serviços, em poços de óleo e gás, de: (a) cimentação; (b) estimulação, compreendendo acidificação e fraturamento; (c) serviços auxiliares de injeção de óleo e de cimento e amortecimento de poço; (d) operações com obturador e tampão; (e) circulação de fluidos; (f) testes de formação através de tubulações; (g) bombeamento de químicos e solventes nas formações; (h) bombeamento de nitrogênio, gás natural e dióxido de carbono nas formações; reparos e serviços em poços com o uso de rolos de bombeamento; produção em poços de óleo (k) fornecimento de peças e materiais para completação de poços; e (l) outro serviços correlatos ou adicionais em poços de produção ou injeção de petróleo, gás, perfuração; (2) fornecimento de produtos químicos para aplicação nos serviços relacionados; (3) compra e venda, importação e exportação, formulação e manipulação dos produtos químicos aplicados e/ou correlacionados, com os serviços prestados com equipamentos, para a perfuração, operação e manutenção de poços petrolíferos, incluindo a representação comercial desses mesmos produtos e equipamentos; (4) participação em outras sociedades, como sóciaquotista ou acionista, bem como o consorciamento com empresas de qualquer tipo; (5) depósito de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guarda móveis; (6) transporte de cargas perigosas; (7) a prestação de serviços de consultoria técnica; (13) importação, exportação e comércio de equipamentos para perfuração e completa ção, operação e manutenção de poços petrolíferos; (9) comércio atacadista de quaisquer produtos químicos e petroquímicos; (10) atividades de apoio à extração de petróleo e gás natural; (11) fabricação de Fl. 12296DF CARF MF Processo nº 16682.721212/201284 Resolução nº 3301001.224 S3C3T1 Fl. 12.297 13 quaisquer produtos químicos; e (12) industrialização de produtos químicos compreendendo formulação, mistura e manuseio e venda direto ou associada a outros serviços prestados na industrie do petróleo." APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS 26. Observese a manifestação da fiscalização: 111.2.3. Dos Créditos descontados indevidamente na apuração d o PIS e da COFINS a pagar: 128. A fiscalizada utilizou créditos de PIS e COFINS descontados indevidamente na apuração do PIS a pagar e da COFINS a pagar, nos anos calendários 2008 e 2009, conforme se pretende demonstrar através: 1°. Créditos referentes a competência diversa do período em análise e não previstos como saldo remanescente de anos anteriores 2°. Créditos referentes a serviços não caracterizados como insumos 3°. Créditos referentes a bens não caracterizados como insumos 4°. Créditos referentes a locação de veículos 5°. Créditos referentes a documentação entregue não considerada hábil e idônea 6°. Créditos não comprovados mediante documentação hábil e idônea (…) 111.2.3.1. Créditos referentes a competência diversa do período em análise e não previstos como saldo remanescente de anos anteriores 129. Dentre as Notas Fiscais apresentadas pela Fiscalizada (itens 104 a 109), foram identificadas Notas Fiscais emitidas de competência diversa do período em análise (2008 e 2009), conforme planilha mais a seguir: (...) 130. "Os créditos não aproveitados em determinado mês poderão sêlo nos meses subsequentes, tendo como limite o prazo de cinco anos, contados da data do ato ou fato do qual se originou." (Processo de Consulta n° 143/2007 — SRRF / 10° Região Fiscal). 131. É de se ressaltar que no Demonstrativo de apuração das Contribuições SociaisDACON, do mês de janeiro de 2008, na ficha 14linha 01, não consta saldo inicial de créditos remanescentes de meses anteriores. (Vide DACON mês de janeiro de 2008 Doc anexo 66.). O mesmo se verificou na análise do Demonstrativo de apuração das Contribuições SociaisDACON, do mês de janeiro de 2009, na ficha 14linha 01. (Vide DACON mês de janeiro de 2009 Doc anexo .67) 132. Portanto, não foram registrados, no DACON, créditos a serem apropriados em 2008 e 2009, referentes a meses anteriores. Fl. 12297DF CARF MF Processo nº 16682.721212/201284 Resolução nº 3301001.224 S3C3T1 Fl. 12.298 14 133. No caso, em se tratando de créditos extemporâneos, "no entanto, o procedimento é retificar o DACON e DCTF, considerar o DARF pago como indevido ou a maior e utilizar o crédito do DARF por meio de PERDCOMP." (Solução de Consulta 480/2009 RF) 134. A seguir Planilha relacionando os créditos extemporâneos cuja documentação foi entregue pela fiscalizada e, portanto, não passíveis de utilização nos anos calendários 2008 e 2009, para fins de apuração do PIS e da COFINS a pagar: • PLANILHA "Base de Cálculo dos Créditos extemporâneos comprovados e glosados" (…) 111.2.4. Da totalidade dos créditos do mercado interno comprovados e dos créditos glosados: (...) 152. A seguir, será demonstrada planilha "CRÉDITOS MERCADO INTERNO PIS" e "CRÉDITOS MERCADO INTERNO COFINS" para os anoscalendário 2008 e 2009, contendo a totalidade dos valores de créditos de PIS e COFINS a serem glosados (demonstrados na coluna G), apurados pela soma dos créditos extemporâneos (demonstrado na coluna "C"), aos créditos não permitidos em lei (demonstrados na coluna "E") e também somados aos créditos não comprovados (demonstrados na coluna "F"). 152.1. A planilha citada neste item e demonstrada a seguir contém: a) Na coluna "A", a totalidade dos créditos do mercado interno declarados com tendo sido utilizados pela fiscalizada nos anos calendário 2008 e 2009 (de acordo com a resposta ao TIF n° 03) b) Na coluna "C", a totalidade dos créditos do mercado interno caracterizados como créditos extemporâneos (créditos de competência diversa dos períodos em referência 2008 e 2009) e não registrado no DACON como saldos de meses anteriores (vide item 111.2.3.1 item 129 a 134): (…) 111.2.5. Dos valores de PIS e COFINS a pagar, não declarados em DCTF, apurados após a glosa dos créditos indevidamente utilizados pela fiscalizada: (...) 153. A apuração do PIS e da COFINS a pagar, decorrente da glosa dos créditos indevidamente utilizados pela fiscalizada, para os anos calendários 2008 e 2009, resulta nos valores nominais a pagar a seguir discriminados: a) Ano calendário 2008: PIS (R$ 1.476.715,45) e COFINS (R$ 7.226.922,89) b) Ano calendário 2009: PIS (R$ 755.228,20) e COFINS (R$ 3.479.250,01) Fl. 12298DF CARF MF Processo nº 16682.721212/201284 Resolução nº 3301001.224 S3C3T1 Fl. 12.299 15 27. A DRJ/RIO DE JANEIRO, corroborando o entendimento da Fiscalização, assim se pronunciou : Dos créditos 2009 e créditos extemporâneos 2008 A interessada solicita, para o ano de 2009, o reconhecimento de créditos vinculados às Notas Fiscais listadas nas planilhas às folhas 7.189 a 7.194. Sem adentrar na apreciação dos documentos listados, constatase, preliminarmente, que todos eles referemse a anoscalendário anteriores a 2009. Assim como aconteceu com parte dos créditos de 2008, glosados pela fiscalização, tais créditos que não podem ser aceitos. É que não consta no Dacon 2009, assim como aconteceu em 2008, saldo inicial de créditos remanescentes de meses anteriores. Argumenta a impugnante que a legislação autoriza o aproveitamento extemporâneo de créditos de PIS e COFINS não descontados em determinado período e que a mera inobservância a requisitos informadores (meramente instrumentais) não pode impedir a fruição de tal direito. A negativa da empresa para a retificação do que ela própria afirma não tem como se sustentar. Não apropriou o crédito, em tese, no período em que incorreu e tempos depois afirma que não o utilizou à época, ao mesmo tempo em que seus demonstrativos e declarações enviados apresentam uma situação totalmente distinta dessa nova apuração efetuada pela empresa. Sem a correta informação dos créditos nos demonstrativos como poderia a administração confirmar que não houve a efetiva utilização destes nos períodos em que foram gerados? É claro que se o impugnante deixou de apurar créditos admissíveis no tempo correto, ou os apurou em montante menor, poderá realizar a correção a posteriori. Entretanto, para o período do litígio – 2008 e 2009 – deveria obrigatoriamente providenciar as retificações do seu Demonstrativo de Apuração das Contribuições (DACON) e das respectivas Declarações de Débitos e Créditos Federais (DCTF) referentes aos respectivos meses, pois é com base nesses elementos que se toma conhecimento do que o próprio contribuinte informa e declara como débito a recolher, servindo, inclusive, como controle da administração fazendária e confissão de dívida para fins de cobrança tributária. A Instrução Normativa SRF nº 590, de 22/12/2005, assim estabelecia em relação à necessidade de retificação do DACON e da DCTF: Art.11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. §1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. [...] §4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. [...] (gn) Fl. 12299DF CARF MF Processo nº 16682.721212/201284 Resolução nº 3301001.224 S3C3T1 Fl. 12.300 16 O mesmo dispôs a Instrução Normativa RFB nº 940, de 19/05/2010, e sua sucessora, a Instrução Normativa nº 1.015, de 05/03/2010: IN 940 Art. 14 . A alteração das informações prestadas em Dacon Mensal ou Semestral será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1 º O demonstrativo retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. .... § 6 º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. (gn) IN 1015 Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. ... § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Mesmo com o surgimento da Escrituração Digital (EFD Contribuições) é determinado que o período anterior somente poderia ter o reconhecimento de créditos extemporâneos com a retificação dos demonstrativos e declarações entregues pela empresa: Em relação aos procedimentos a serem adotados pela empresa, para o registro de créditos de períodos anteriores à obrigatoriedade da EFD Contribuições, ainda não apurados, devem ser adotados os seguintes procedimentos: 1. Retificar o Dacon do correspondente período de apuração, para constituir os créditos decorrentes de documentos não considerados na apuração inicial. Os saldos de créditos dos Dacon dos meses posteriores a constituição do crédito devem ser retificados para evidenciar o novo crédito. ... 4. Retificar a DCTF, caso seja apurado valor suplementar de PIS, Cofins, IRPJ e de CSLL a recolher, decorrente do ajuste referido nos itens acima. (gn) Fl. 12300DF CARF MF Processo nº 16682.721212/201284 Resolução nº 3301001.224 S3C3T1 Fl. 12.301 17 Na Solução de Consulta nº 73, da DISIT da 10ª RF, de 20/04/2012, também fica clara a necessidade de retificação do DACON e DCTF para o aproveitamento de créditos extemporâneos: INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. É exigida a entrega de Dacon e DCTF retificadoras quando houver aproveitamento extemporâneo de créditos da Cofins. Portanto, para o período aqui em litígio, os dispositivos normativos são claros em determinar que para a efetivação de qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores deveriam ter sido efetuadas as respectivas retificações. Obviamente essa apuração extemporânea e correspondentes retificações dos DACONs e DCTFs poderão ser feitas enquanto não extinto o direito de o contribuinte apresentar tal pleito, fato que ocorre no prazo de cinco anos, consoante dispõe o art. 1º do Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932. 28. Assiste razão à impugnante, quando afirma que a utilização de créditos extemporâneos não está vinculada à retificação de DCTF/DACON, e também equivocamse a Fiscalização e o Ilustre Julgador da DRJ na conclusão de que a apuração extemporânea de créditos somente poderia ser admitida mediante retificação das declarações e demonstrativos correspondentes, com fundamento apenas em atos normativos, pois se está diante de ausência de previsão legal para tal exigência. 29. A 3ª Turma da Câmara Superior de Recurso Fiscais, no Acórdão n° 9303 006.248, já se manifestou quanto à utilização de créditos extemporâneos independentemente de retificação da DCTF e do DACON: CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4°, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado nãocumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. As Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Também a EFDPIS/Cofins, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, prevê expressamente a possibilidade de lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (Cofins). 30. Com isso, é imperiosa a análise pela fiscalização da pertinência dos créditos apropriados extemporaneamente, tendo a impugnante apresentado o suporte documental, a ser verificado e auditado pela Fiscalização. 31. Diante do exposto, a unidade de origem deve analisar a origem, natureza, validade e pertinência dos créditos apropriados extemporaneamente, para quantificálos. Fl. 12301DF CARF MF Processo nº 16682.721212/201284 Resolução nº 3301001.224 S3C3T1 Fl. 12.302 18 O CONCEITO DE INSUMOS NA SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE PARA A CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP E A COFINS. 32. Tema polêmico que vem sendo enfrentado desde o surgimento do Princípio da Não Cumulatividade para as contribuições sociais, instituído no ordenamento jurídico pátrio pela Emenda Constitucional nº 42/2003, que adicionou o § 12 ao artigo 95 da Constituição Federal, onde se definiu que os setores de atividade econômica que seriam atingidos pela nova e atípica sistemática da não cumulatividade seriam definidos por legislação infraconstitucional, diferentemente da sistemática de não cumulatividade instituída para os tributos IPI e ICMS, que já está definida no próprio texto constitucional. Portanto, a nova sistemática seria definida por legislação ordinária e não pelo texto constitucional, estabelecendo a Carta Magna que a regulamentação desta sistemática estaria a cargo do legislador ordinário. 33. Assim, a criação da sistemática da não cumulatividade para a Contribuição para o PIS/Pasep se deu pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, onde o Inciso II do seu artigo 3º autoriza a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados á venda. 34. Mais tarde, muitos textos legais surgiram para instituir novos créditos, inclusive presumidos, para serem utilizados sob diversas formas : dedução do valor das contribuições devidas, apuradas ao final de determinado período, compensação do saldo acumulado de créditos com débitos titularizados pelo adquirente dos insumos e até ressarcimento, em, espécie, do valor do saldo acumulado de créditos, na impossibilidade ser utilizados nas formas anteriores. 35. Por ser o órgão governamental incumbido da administração, arrecadação e fiscalização da Contribuição ao PIS/Pasep, a Secretaria da Receita Federal expediu a Instrução Normativa de nº 247/2002, onde informa o conceito de insumos passíveis de creditamento pela Contribuição ao PIS/Pasep, sendo que a definição de insumos adotada pelo ato normativo foi considerada excessivamente restritiva, pois aproximouse do conceito de insumo utilizado pela sistemática da não cumulatividade do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no artigo 226 do Decreto nº 7.212/2010 – Regulamento do IPI , pois definia que o creditamento seria possível apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, sofrendo desgaste pelo contato com o produto a ser atingido ou com o próprio processo produtivo, ou seja, para que o bem seja considerado insumo ele deve ser matériaprima, produto intermediário, material de embalagem ou qualquer outro bem que sofra alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. 36. Consideramse, também, os insumos indiretos, que são aqueles não envolvidos diretamente no processo de produção e, embora frequentemente também sofram alterações durante o processo produtivo, jamais se agregam ao produto final, como é o caso dos combustíveis. 37. Mais tarde, evoluiuse no estudo do conceito de insumo, adotandose a definição de que se deveria adotar o parâmetro estabelecido pela legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, que tem como premissa os artigos 290 e 299 do Decreto nº Fl. 12302DF CARF MF Processo nº 16682.721212/201284 Resolução nº 3301001.224 S3C3T1 Fl. 12.303 19 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda, onde se poderia inserir como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens e serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. A doutrina e a jurisprudência concluíram que tal procedimento alargaria demais o conceito de insumo, equiparandoo ao conceito contábil de custos e despesas operacionais que envolve todos os custos e despesas que contribuem para atividade da empresa, e não apenas a sua produção, o que provocaria uma distorção na legislação instituidora da sistemática. 38. Reforçam estes argumentos na medida em que, ao se comparar a sistemática da não cumulatividade para o IPI e o ICMS e a sistemática para a Contribuição ao PIS/Pasep, verificase que a primeira tem como condição básica o destaque do valor do tributo nas Notas Fiscais de aquisição dos insumos, o que permite o cotejo destes valores com os valores recolhidos na saída do produto ou mercadoria do estabelecimento adquirente dos insumos, tendose como resultado uma conta matemática de dedução dos valores recolhidos na saída do produto ou mercadoria contra os valores pagos/compensados na entrada dos insumos, portanto os valores dos créditos estão claramente definidos na documentação fiscal dos envolvidos, adquirentes e vendedores. 39. Em contrapartida, a sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep criou créditos, por intermédio de legislação ordinária, que tem alíquotas variáveis, assumindo diversos critérios, que, ao final se relacionam com a receita auferida e não com o processo produtivo em si, o que trouxe a discussão de que os créditos estariam vinculados ao processo de obtenção da receita, seja ela de produção, comercialização ou prestação de serviços, trazendo uma nova característica desta sistemática, a sua atipicidade, pois os créditos ou valor dos tributos sobre os quais se calculariam os créditos, não estariam destacados nas Notas Fiscais de aquisição de insumos, o que dificultaria a sua determinação. 40. Portanto, haveria que se estabelecer um critério para a conceituação de insumo, nesta sistemática atípica da não cumulatividade das contribuições sociais. 41. Há algum tempo vem o CARF pendendo para a idéia de que o conceito de insumo, para efeitos os Inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com um critério próprio : o da essencialidade, ou seja, para a definição de insumo buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo, e a atividade realizada pelo seu adquirente. 42. Desta forma, para que se verifique se determinado bem ou serviço adquirido ou prestado possa ser caracterizado como insumo para fins de geração de crédito de PIS/Pasep, devem ser levados em consideração os seguintes aspectos : pertinência ao processo produtivo, ou seja, a aquisição do bem ou serviço para ser utilizado especificamente na produção do bem ou prestação do serviço ou, para tornálo viável. essencialidade ao processo produtivo, ou seja, a produção do bem ou a prestação do serviço depende diretamente de tal aquisição, pois, sem ela, o bem não seria produzido ou o serviço não seria prestado. possibilidade de emprego indireto no processo de produção, ou seja, não é necessário que o insumo seja consumido em contato direto com o bem produzido ou seu processo produtivo. Fl. 12303DF CARF MF Processo nº 16682.721212/201284 Resolução nº 3301001.224 S3C3T1 Fl. 12.304 20 43. Por conclusão, para que determinado bem ou prestação de serviço seja definido como insumo gerador de crédito de PIS/Pasep, é indispensável a característica de essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, para obtenção da receita da atividade econômica do adquirente, direta ou indiretamente, sendo indispensável a comprovação de tal essencialidade em relação á obtenção da respectiva receita. 44. Pondo um fim á controvérsia, o Superior Tribunal de Justiça assumiu a mesma posição, refletida no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, que se tornou emblemático para a doutrina e a jurisprudência, ao definir insumo, na sistemática de não cumulatividade das contribuições sociais, sintetizando o conceito na ementa, assim redigida : TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. 45.. Neste contexto histórico, a Secretaria da Receita Federal, vinculada a tal decisão por força do disposto no artigo 19 da lei nº 10.522/2002 e na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014, expediu o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018, tendo como objetivo analisar as principais repercussões decorrentes da definição de insumos adotada pelo STJ, e alinhar suas ações á nova realidade desenhada por tal decisão. 46. Interessante destacar alguns trechos do citado Parecer : 9. Do voto do ilustre Relator, Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, mostram se relevantes para este Parecer Normativo os seguintes excertos: Fl. 12304DF CARF MF Processo nº 16682.721212/201284 Resolução nº 3301001.224 S3C3T1 Fl. 12.305 21 “39. Em resumo, Senhores Ministros, a adequada compreensão de insumo, para efeito do creditamento relativo às contribuições usualmente denominadas PIS/COFINS, deve compreender todas as despesas diretas e indiretas do contribuinte, abrangendo, portanto, as que se referem à totalidade dos insumos, não sendo possível, no nível da produção, separar o que é essencial (por ser físico, por exemplo), do que seria acidental, em termos de produto final. 40. Talvez acidentais sejam apenas certas circunstâncias do modo de ser dos seres, tais como a sua cor, o tamanho, a quantidade ou o peso das coisas, mas a essencialidade, quando se trata de produtos, possivelmente será tudo o que participa da sua formação; deste modo, penso, respeitosamente, mas com segura convicção, que a definição restritiva proposta pelas Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, da SRF, efetivamente não se concilia e mesmo afronta e desrespeita o comando contido no art. 3º, II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que explicita rol exemplificativo, a meu modesto sentir'. 41. Todavia, após as ponderações sempre judiciosas da eminente Ministra REGINA HELENA COSTA, acompanho as suas razões, as quais passo a expor:(...)” (fls 24 a 26 do inteiro teor do acórdão) ………………………………….. 10. Por sua vez, do voto da Ministra Regina Helena Costa, que apresentou a tese acordada pela maioria dos Ministros ao final do julgamento, cumpre transcrever os seguintes trechos: “Conforme já tive oportunidade de assinalar, ao comentar o regime da não cumulatividade no que tange aos impostos, a nãocumulatividade representa autêntica aplicação do princípio constitucional da capacidade contributiva (...) Em sendo assim, exsurge com clareza que, para a devida eficácia do sistema de nãocumulatividade, é fundamental a definição do conceito de insumo (...) (...) Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (...) Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência.” (fls 75, e 79 a 81 da íntegra do acórdão) ………………………. 11. De outra feita, do voto original proferido pelo Ministro Mauro Campbell, é interessante apresentar os seguintes excertos: “Ressaltase, ainda, que a nãocumulatividade do Pis e da Cofins não tem por objetivo eliminar o ônus destas contribuições apenas no processo fabril, visto que a incidência destas exações não se limita às pessoas jurídicas industriais, mas a todas as pessoas jurídicas que aufiram receitas, inclusive Fl. 12305DF CARF MF Processo nº 16682.721212/201284 Resolução nº 3301001.224 S3C3T1 Fl. 12.306 22 prestadoras de serviços (...), o que dá maior extensão ao contexto normativo desta contribuição do que aquele atribuído ao IPI. Não se trata, portanto, de desonerar a cadeia produtiva, mas sim o processo produtivo de um determinado produtor ou a atividadefim de determinado prestador de serviço. (...) Sendo assim, o que se extrai de nuclear da definição de "insumos" (...) é que: 1º O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos (pertinência ao processo produtivo); 2º A produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e 3º Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto no processo produtivo). Ora, se a prestação do serviço ou produção depende da própria aquisição do bem ou serviço e do seu emprego, direta ou indiretamente, na prestação do serviço ou na produção, surge daí o conceito de essencialidade do bem ou serviço para fins de receber a qualificação legal de insumo. Vejase, não se trata da essencialidade em relação exclusiva ao produto e sua composição, mas essencialidade em relação ao próprio processo produtivo. Os combustíveis utilizados na maquinaria não são essenciais à composição do produto, mas são essenciais ao processo produtivo, pois sem eles as máquinas param. Do mesmo modo, a manutenção da maquinaria pertencente à linha de produção. Outrossim, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. (...) Em resumo, é de se definir como insumos, para efeitos do art. 3°, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3°, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.” (fls 50, 59, 61 e 62 do inteiro teor do acórdão) ……………………………………. 12. Já do segundo aditamento ao voto lançado pelo Ministro Mauro Campbell, insta transcrever os seguintes trechos: “Contudo, após ouvir atentamente ao voto da Min. Regina Helena, sensibilizeime com a tese de que a essencialidade e a pertinência ao processo produtivo não abarcariam as situações em que há imposição legal para a aquisição dos insumos (v.g., aquisição de equipamentos de proteção individual EPI). Nesse sentido, considero que deve aqui ser adicionado o critério da relevância para abarcar tais situações, isto porque se a empresa não adquirir determinados insumos, incidirá em infração à lei. Desse modo, incorporo ao meu as observações feitas no voto da Min. Regina Helena especificamente quanto ao ponto, realinhando o meu voto ao por ela proposto. Observo que isso em nada infirma o meu raciocínio de aplicação do "teste de subtração", até porque o descumprimento de uma obrigação legal obsta a própria atividade da empresa como ela deveria ser regularmente exercida. Registro que o "teste de subtração" é a própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.” (fls 141 a 143 da íntegra do acórdão) ………………………………………………………………….. 13. De outra banda, do voto da Ministra Assusete Magalhães, interessam particularmente os seguintes excertos: Fl. 12306DF CARF MF Processo nº 16682.721212/201284 Resolução nº 3301001.224 S3C3T1 Fl. 12.307 23 “É esclarecedor o voto da Ministra REGINA HELENA COSTA, no sentido de que o critério da relevância revelase mais abrangente e apropriado do que o da pertinência, pois a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.(...) Sendo esta a primeira oportunidade em que examino a matéria, convencime pedindo vênia aos que pensam em contrário da posição intermediária sobre o assunto, adotada pelos Ministros REGINA HELENA COSTA e MAURO CAMPBELL MARQUES, tendo o último e o Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO realinhado seus votos, para ajustarse ao da Ministra REGINA HELENA COSTA.” (fls 137, 139 e 140 da íntegra do acórdão) ……………………………………………... 19. Prosseguindo, verificase que a tese acordada pela maioria dos Ministros foi aquela apresentada inicialmente pela Ministra Regina Helena Costa, segundo a qual o conceito de insumos na legislação das contribuições deve ser identificado “segundo os critérios da essencialidade ou relevância”, explanados da seguinte maneira por ela própria (conforme transcrito acima): a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. 20. Portanto, a tese acordada afirma que são insumos bens e serviços que compõem o processo de produção de bem destinado à venda ou de prestação de serviço a terceiros, tanto os que são essenciais a tais atividades (elementos estruturais e inseparáveis do processo) quanto os que, mesmo não sendo essenciais, integram o processo por singularidades da cadeia ou por imposição legal. …………………………………………………………… 25. Por outro lado, a interpretação da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça acerca do conceito de insumos na legislação das contribuições afasta expressamente e por completo qualquer necessidade de contato físico, desgaste ou alteração química do beminsumo com o bem produzido para que se permita o creditamento, como preconizavam a Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, e a Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, em algumas hipóteses. ( grifos deste relator) 47. No âmbito deste colegiado, aplicase ao tema o disposto no § 2º do artigo 62 do Regimento Interno do CARF – RICARF : Artigo 62 (…...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei Nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 12307DF CARF MF Processo nº 16682.721212/201284 Resolução nº 3301001.224 S3C3T1 Fl. 12.308 24 48. Assim, são insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo ou da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica 49. Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerandose a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com a atividade desenvolvida pela empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep e da COFINS. Conclusão 50. Por todo o exposto, deve ser convertido o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem : a) analisar a origem, natureza, validade dos créditos apropriados extemporaneamente, para quantificálos; b) diante da nova interpretação dada ao conceito de insumos, realize uma reapuração das contribuições nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 05/2018. 51. Deve ser elaborado relatório da análise e da reapuração efetivadas. 52. Deve ser dada ciência á empresa do relatório, concedendolhe prazo para manifestação. 53. Após, os autos devem retornar a este colegiado para julgamento. É como voto Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 12308DF CARF MF
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