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Numero do processo: 14041.000640/2007-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.232
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Ana Maria Bandeira.
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1143; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 98 1 97 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.000640/200722 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.232 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 15 de maio de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente S/A CORREIO BRAZILIENSE Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Igor Araújo Soares – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Ana Maria Bandeira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .0 00 64 0/ 20 07 -2 2 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000640/200722 Resolução nº 2402000.232 S2C4T2 Fl. 99 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto por S/A CORREIO BRAZILIENSE em face do acórdão de fls. 59/64 que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.058.7235 lavrado para a cobrança de multa por ter deixado de informar em GFIP, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, no caso as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados empregados referentes a prêmios e bonificações, verificado nas Notas Ficais da empresa SPIRIT INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA. O período apurado compreende a competência de 11/2003, tendo sido o contribuinte cientificado em 17/08/2007. Consta do Relatório Fiscal que no período, a recorrente pagou aos seus funcionários prêmios e bonificações por meio diverso do registro normal em folha de pagamento conforme preceitua o RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99. Tais pagamentos foram realizados com base nas notas Fiscais da empresa SPIRIT INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA emitidas em 03 e 04/11/2003. Quando requisitada a apresentação de relação de beneficiários do referido pagamento, a recorrente não o fez tempestivamente. O auditor constatou que ao verificar a folha de pagamento da empresa e a GFIP, relativa ao período fiscalizado, a recorrente deixou de informar todos os valores supramencionados. De acordo com o agente fiscal, o valor da multa foi calculado por competência em que houve omissão, correspondente a 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, respeitado o limite máximo em função do número de segurados da recorrente – a autoridade fiscal verificou que no período fiscalizado constavam 804 funcionários –, conforme disposto na Lei n° 8.212, de 24.07.91, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 284, inc. II e art. 373. Valores atualizados pela Portaria MPS n°. 142 de 11/04/2007. Em seu recurso, a recorrente requer a reforma da decisão de primeira instância baseada no fato de estar sendo penalizada duas vezes pelo mesmo fato: a) Auto de Infração nº 37.058.7197: por violação ao disposto nos arts. 32, I, da Lei 8.212/1991 e 225, I, § 9 0, do Decreto 3.048/1999, com a agravante de reincidência genérica prevista no art. 290, V, do Decreto 3.048/1999. b) Auto de Infração n° 37.058.7235: por violação ao disposto nos arts. 32, IV, da Lei 8.212/1991 e 225, W, §§ 1° a 6°, do Decreto 3.048/1999 Explicou que possuía convicto desconhecimento que abonos/prêmios constituiriam fato gerador de contribuição previdenciária, ressaltando que seria a mesma matéria discutida nos três processos referentes aos Autos de Infração n° 37.058.7197, n° Fl. 182DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000640/200722 Resolução nº 2402000.232 S2C4T2 Fl. 100 3 37.058.7235 e n° 37.017.6723: exigibilidade ou não da contribuição previdenciária incidente sobre os abonos/prêmios pagos aos empregados e dirigentes da recorrente Segundo a recorrente, os abonos/prêmios não foram tributados porque a Lei 8.212/91, a qual definiu o fato gerador da contribuição, excluiu do campo de incidência "as importâncias recebidas a titulo de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário" (art. 28, § 8°, e, 7). Ainda em seu recurso, informou que a lei estabeleceu duas hipóteses de não incidência da contribuição: a título de ganhos eventuais e incidência nos abonos expressamente desvinculados do salário; aduziu que o prêmio encaixase como ganho eventual e como abono, respectivamente, por ter sido estipulado a ser pago em um programa de incentivo e condicionado a certos eventos ou condições e porque se inclui no conceito doutrinário trazido, do autor Arnaldo Süssekind. Esses programas, segundo a recorrente, encaixamse no chamado programa de marketing de incentivo. Ressalta a recorrente que os pagamentos não eram feitos de forma indiscriminada, e sim, para a grande maioria dos empregados, o abono/prêmio era pago anualmente se fossem cumpridas as metas estabelecidas pelo programa, inclusive nos anos de 2005 e 2006 não receberam. O Grupo Executivo recebia o abono anual com antecipação semestral e o Grupo Comercial mensalmente de acordo com o cumprimento das metas trimestrais. Amparado por doutrina e jurisprudência de Tribunais, a recorrente aduz ter o programa de incentivo o objetivo de aumentar o ganho do empregado e da eficiência empresarial e aumentar a lucratividade da empresa e permitir a participação dos empregados em parte desse lucro. Aduz ter a autoridade fiscal uma interpretação restritiva, procurando por meio de uma interpretação abrogante, revogar o texto que permitiria a nãoincidência tributária. Requer a reforma da decisão de primeira instância por considerar não ter observado que a imposição de penalidade em matéria tributária deve obedecer ao disposto no art. 136 do CTN, nos termos das regras previstas nos arts. 137 e 112, conforme jurisprudência do STJ. Caso seja negado provimento à impugnação da aplicação da multa, a recorrente que exclua a agravante de reincidência genérica prevista no art. 290, V, do Decreto 3.048/1999, sob pena de violação à garantia da reserva legal prevista no art. 5º, II, da Constituição. Por fim, pede que seja anulada a multa imposta. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eng. Conselho. É o relatório. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000640/200722 Resolução nº 2402000.232 S2C4T2 Fl. 101 4 VOTO Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator A analisar os argumentos de defesa objeto do presente processo, verifico que contra o contribuinte epigrafado foram lançadas, também, as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a título de premiação via cartão da empresa SPIRIT INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA. Referido lançamento foi efetuado nos autos do processo n. 14041.000639/2007 06 (DEBCAD n° 37.017.6723), conforme informações do próprio contribuinte, o qual não foi a mim distribuído e não pude localizar no sistema de andamentos. Em que pese se tratar no caso de obrigação acessória em decorrência da não informação em GFIP dos fatos geradores de contribuições, tenho que as alegações recursais constantes neste e nos demais processos os quais tramitam em conjunto com o presente e que a mim foram distribuídos devem guardar consonância com o julgamento do lançamento principal, até porque, se julgado improcedente o lançamento principal, também o serão os autos de infração a que ora me reporto, inclusive o presente. Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA determinando à secretaria desta Eg. 4a Câmara, 2a Turma Ordinária do CARF que promova o apensamento do presente processo ao de n. 14041.000639/200706. Após, retornem os autos para julgamento. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 184DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10280.000757/2003-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. PRESSUPOSTOS.
As obscuridades, dúvidas, omissões ou contradições contidas no acórdão podem ser saneadas por meio de Embargos de Declaração, previstos no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Não demonstrando a embargante a ocorrência de imperfeições no acórdão, rejeitam-se os embargos opostos.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 1202-000.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Nome do relator: NELSON LOSSO FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. PRESSUPOSTOS. As obscuridades, dúvidas, omissões ou contradições contidas no acórdão podem ser saneadas por meio de Embargos de Declaração, previstos no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Não demonstrando a embargante a ocorrência de imperfeições no acórdão, rejeitam-se os embargos opostos. Embargos Rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. PRESSUPOSTOS. As obscuridades, dúvidas, omissões ou contradições contidas no acórdão podem ser saneadas por meio de Embargos de Declaração, previstos no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Não demonstrando a embargante a ocorrência de imperfeições no acórdão, rejeitamse os embargos opostos. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 07 57 /2 00 3- 17 Fl. 451DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 452 2 Após o despacho do Presidente desta Colenda Câmara, retornam os autos para exame do pedido formulado pelo embargante, com base no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, denominado de “Embargos de Declaração”, por entender o peticionário existir omissão no Acórdão nº 120200.588, prolatado na sessão de 04 de outubro de 2011, apresentando em seu arrazoado de fls. 405/443 o seguinte: “Ocorre que o acórdão foi omisso sobre questão essencial ao deslinde da controvérsia. Com efeito, analisandose a peça de insurgência inaugural de fls. 116/128, verificase que o autuado não impugnou especificamente multa e as razões que levaram sua qualificação. Tal matéria, destaquese mais uma vez, não foi ventilada de forma explícita e específica, em sua impugnação, conforme se observa pelo teor da peça de fls. 116/128. Alí apenas há menções genéricas à falta de intenção de fraudar o Fisco e o pedido genérico de cancelamento da multa, que, portanto, não cumpre o ônus da impugnação especificada dos fatos. Em conseqüência, não se instaurou litígio em relação a matéria, em razão do quê não foi objeto de consideração, análise e decisão pela autoridade julgadora de primeira instância, no relatório de sua decisão. Noutros termos, como bem aduziu o voto condutor do aresto, no Relatório Fiscal de fls. 73 a 87 a autoridade fiscal trouxe os motivos que ensejaram a qualificação da multa. Logo, caberia ao autuado contraporse a cada um, de forma específica e fundamentada. Esse é o comando que se extrai do artigo 302, do Código de Processo Civil:"Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados". Ademais, é conclusão que deflui do princípio do devido processo legal, do contraditório e da paridade de armas, pois se por um lado deve o Fisco argüir e comprovar, de forma fundamentada, os motivos que ensejaram a qualificação da multa, deve o contribuinte arcar com o ônus da contestação específica de contradizêlos, também da mesma forma específica e fundamentada. Cabe observar, por exemplo, que o contribuinte nada aduz sobre a apresentação reiterada de declarações zeradas, somente argumentando que foram apresentadas declarações retificadoras já em sede recursal, o que ensejou inclusive o retardamento do feito com a conversão do julgamento em diligência. Logo, evidente a inovação de matéria que não foi especificamente impugnada: a multa e as razões que levaram à sua qualificação. Entretanto, inobstante as considerações acima tecidas de que a impugnação do sujeito passivo não ventila impugnação específica e pedido expresso referente à multa aplicada e os motivos que conduziram à sua qualificação, sendo tal insurgência objeto de inovação em sede de recurso voluntário, Fl. 452DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 453 3 observase que o acórdão embargado, bem como o teor do voto sagrado vencedor que dele faz parte integrante, em contrapartida, deu procedência ao recurso do interessado justamente em relação a essa matéria, sem se pronunciar expressamente sobre essas questões. Como se observa, operouse, no caso, a preclusão administrativa, na forma dos arts. 14, 16, e 17 do Decreto nº 70.235/72, fato este sobre o qual foi omissa a decisão deste Colegiado, pois a matéria relativa à multa e as razões para sua qualificação, não foi objeto de insurgéncia especifica na impugnação, sendo matéria objeto de inovação no recurso voluntário. É o teor dos dispositivos mencionados: "Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 16. A impugnação mencionara: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." Ora, sabese que o legislador não utiliza palavras em vão, pois todas têm sua razão de existir. E aqui não foi diferente. Nos dispositivos supracitados, estáse a indicar que o Processo Administrativo Fiscal seguirá os mesmos princípios adotados pelo Código de Processo Civil, dentre eles, o do ônus da impugnação específica dos fatos e da sanção processual pela inércia do interessado no momento adequado (preclusão). Freddie Diddier Júnior, em sua obra Curso de Direito Processual Civil, Vol. 1, 11ª edição, Salvador, Editora Juspodvim, 2009, p. 439, dispara no sentido de que "não se admite formulação dc defesa genérica. O réu não pode apresentar a sua defesa com a negativa geral dos fatos apresentados pelo autor (art. 302 do CPC). Cabelhe impugnálos especificadamente". Com base nisso, perdeu o sujeito passivo em epígrafe o momento processual oportuno de recorrer e/ou postular sobre matérias que não foram objeto de sua impugnação, como inevitável efeito da preclusão (que é "a perda de uma faculdade processual ou da possibilidade de se rediscutirem ou rejulgarem questões" — Diddier, op. cit., p. 54). E mais, permissa vênia, houve um julgamento extra petita por parte desta Câmara, pois os Il. julgadores analisaram argumentos que estão fora de alcance neste processo administrativo, tendo em vista que não foram objeto de Fl. 453DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 454 4 questionamento especifico e de pleito expresso pelo interessado, no momento processual oportuno. Sob o ângulo do Processo Civil, norma subsidiária do processo administrativo fiscal nos termos do art. 108, do CTN, "o juiz decidira a lide nos limites em que foi proposta, sendolhe defeso conhecer de questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte" (art. 128, CPC). De igual maneira, o art. 460, também do Código de Processo Civil prescreve que é "defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza diversa da pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado". Desse modo, o juiz ou qualquer autoridade administrativa deve aterse ao pedido do autor, sendo extra petita o julgado além de tais limites. Do contrário, bastaria ao impugnante dizer — impugno tudo o que for contrário ao ordenamento jurídico — e pronto:estaria o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais legitimado a manifestarse sobre qualquer assunto ligado ao processo. À luz do Decreto nº 70.235, de 1972, o legislador optou por restringir o campo de julgamento da autoridade administrativa, que só pode decidir dentro dos ditames legais. Inobstante todas essas considerações, o acórdão embargado deu provimento ao recurso voluntário no ponto, sem atentarse para essa questão da preclusão e do julgamento conforme os limites da demanda delimitados pelo pedido da parte (julgamento extra petita). Diante de todo o exposto, fazse necessário o pronunciamento deste Colegiado sobre as questões acima postas, tendo em vista que o autuado não questionou especificamente na impugnação de fls. 116/128, a exigência da multa aplicada e as razões que levaram à sua qualificação, não cumprindo, pois, o ônus da impugnação específica dos fatos, tendo como conseqüência a não instauração da fase litigiosa do procedimento com relação a tais matérias (preclusão) nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72. Há ainda outra omissão relevante. 0 voto condutor assentou quanto à desqualificação da multa: "Pela analise dos autos, vejo que não ficou caracteriza a situação de conduta dolosa praticada pela empresa, que motivasse a qualificação da multa de oficio para o percentual de 150%. O fato informado pela fiscalização teve por base o pressuposto de que a empresa teria apresentado a DIPJ dos anos de 1996 e 1997 com campos zerados e deixado de entregar a DIPJ do ano de 1998. Alem disso, teria sido a empresa repassada fraudulentamente a novos sócios sem capacidade financeira e que estes transferiram a sede da pessoa jurídica para local Fl. 454DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 455 5 inexistente, o que, por si só, não sustenta a aplicação da multa exacerbada. Com efeito, restou comprovado na diligência que a autuada retificou antes do inicio da fiscalização as DIRPJs apresentadas com os campos zerados, fato que a meu ver infirmaria a situação de dolo, regularizando sua situação fiscal.” Como visto, o acórdão não analisou a repercussão de fato narrado em diversos momentos do feito, inclusive pelo próprio contribuinte. De fato, em 02/04/2002 foi emitido o MPF de fl. 01. Consta no Relatório da Fiscalização que em 04/09/2002, antes da entrega das DIPJ Retificadoras (fato que ocorreu em 11/09/2002 — fl. 278), o auditor responsável pela fiscalização manteve contato telefônico com Lúcia Helena (ft. 73). O próprio contribuinte argumento esse contato telefônico feito pelo auditor com a Sra. Lúcia Helena em sua defesa, conforme se observa na impugnação as fls. 120/122: "Não se pode por isso exigir que os endereços dos sócios ora referidos, seja no terreno do EMAUS (cujo número provavelmente é outro). Contudo os sócios tiveram o cuidado de fornecer o telefone da Sra. Lúcia Helena Gomes (2252658) com residência fixa, para serem localizados na hipótese de mudança de endereço." (fl. 120) "Não se pode admitir o arbitramento (baseado em mapas demonstrativos de exportação que a Receita Federal possui), quando a autoridade fiscal após contato com a Sra. Lucia Helena Gomes veio, através dela, a conhecer os fatos reais por ela relatados. (...) Isso caracteriza cerceamento do direito de defesa. Por oportuno informamos que durante a visita a Sra. Lucia Helena Gomes, foi mostrado documento contábeis e fiscais da empresa ora autuada (...) A autoridade fiscal informa que o endereço da firma à Trav. Apinajes 1803 não existe assim como o dos sócios a Trav. Padre Eutíquio 2658 mas que telefonou para o nº (091) 2252658 que consta nos endereços dos sócios Maria de Fátima Miranda Lopes e Manoel Mendonça Dias e foi atendido em 04.09.02 pela Sra. Lúcia Helena que disse não conhecer os sócios ora referidos. No entanto em 31.03.2003 esteve no endereço da Sra. Lúcia Helena cujo telefone é 225.2658 e dela recebeu todos os esclarecimentos inclusive foi lhe sugerido que levasse os livros e documentos fiscais e contábeis para fiscalização, mas optou pela lavratura do auto de infração por arbitramento em virtude de decurso de prazo da ação fiscal segundo alegou a autoridade fiscal." (fls. 121/122) Vejase que o contribuinte atribui à Sra. Lucia Helena verdadeira condição de representante da empresa, chegando ao ponto de elegêla para apresentar esclarecimentos e documentos contábeis e fiscais ao Fisco. Vêse também que a referida pessoa Fl. 455DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 456 6 consta como testemunha em diversos atos contratuais registrados pela pessoa jurídica (fls. 10 a 22). O endereço dos novos sócios corresponde, de fato, ao da Sra. Lúcia Helena e o próprio contribuinte menciona reiteradamente o conhecimento da ação fiscal como ocorrido em 04/09/2002. Ocorre que no recurso voluntário o contribuinte adota conduta contraditória ao afirmar que a ação fiscal teve inicio com a afixação de edital em 04/12/2002 (ver fl. 176). Logo, aqui cabível o cotejo com o que dispõe o Decreto nº 70.235/72: "Art. 7 O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributaria ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° 0 inicio do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no §1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." Assim, tendo em vista a proibição do venire contra factum proprium, corolário do principio da boafé, da confiança e da lealdade processual, e tendo em vista o principio da verdade material, vê se que o Colegiado foi omisso sobre a questão, não tendo se pronunciado sobre essas particularidades que tem o condão de influir na fixação no inicio do procedimento fiscal. Registramse ainda outros vícios no acórdão embargado. Segundo a Lei nº 4.502/64, artigo 71, "Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária”. Logo, o acórdão foi omisso, pois não analisou a conduta do contribuinte sob a égide do referido dispositivo legal. É dizer: a norma também prevê como conduta ilícita o retardamento tendente a impedir o conhecimento do fato gerador. E, conforme aduzido pela autoridade fiscal, além da conduta reiterada de apresentar declarações com valores zerados, o contribuinte omitiu valores expressivos da tributação, razão que também conduz à qualificação da multa (por três anos seguidos a impugnante apresentou receitas de exportação acima de 1 milhão de reais (R$ 2.816.019,42 em 1996; R$ 1.996.099,34 em Fl. 456DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 457 7 1997 e R$ 7.350.274,91 em 1998), mas apresentou DIRJ indicando não haver qualquer receita tributável e sequer apresentou DIRPJ no anocalendário de 1998). As retificadoras somente foram apresentadas em 11/09/2002, após já ter se consumado a conduta reiterada de apresentar declarações zeradas com valores que não guardavam correspondência com a realidade e, que também consistiam na omissão reiterada de expressivos valores da tributação por diversos anoscalendário. Nesse momento (em 11/09/2002), a empresa já tinha conhecimento da ação fiscal, por meio da Sra. Lúcia Helena, conforme confessa às fls. 10/122 dos autos. Por fim, a autoridade autuante registra não só a prestação de informações divergentes de dados levantados pela fiscalização, como também inconciliáveis por si mesmas nas Declarações Retificadoras apresentadas pelo contribuinte. Ali o auditor afirma que as declarações retificadoras (apresentadas em dois momentos: 11/09/2002 e 07/01/2001) "apresentam inconsistência de lançamento e discrepância de valores tanto entre fichas de uma mesma declaração, quanto entre as próprias declarações”. Aí desponta, portanto, o vicio da omissão, tendo em vista que o Colegiado considerou que a apresentação das DIPJ Retificadoras em 11/09/2002 descaracterizaria o intuito doloso do contribuinte. Contudo, deixou de se manifestar sob outra ótica, qual seja, se ainda assim, diante mesmo das declarações apresentadas, persistiria (ou não) a conduta reiterada de declarações inexatas e/ou omissão reiterada de expressivos valores. Portanto, revelase a necessidade de se aclarar o decisum, sanando as omissões/contradições/obscuridades acima apontadas, a fim de que a decisão deste Colegiado mostrese consentânea com tudo o que destes autos consta, bem como para que seu conteúdo reste claro e completo, não deixando qualquer margem de dúvidas para a interposição de recurso especial e/ou execução do julgado.” No julgamento do mérito, deliberaram os julgadores “por unanimidade de votos, em desqualificar a multa de ofício e reduzir seu percentual a 75% e rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento ao direito de defesa. Por maioria de votos, acolher parcialmente a preliminar de decadência do IRPJ e da CSLL para os fatos geradores acontecidos até 30/09/1997, vencido o conselheiro Carlos Alberto Donassolo que acolhia a decadência apenas para o ano de 1996. Por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado”, como consta registrado naquela ata de julgamento, traduzida na folha de rosto do acórdão embargado, fls. 412. É o Relatório. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 458 8 Voto Conselheiro Nelson Lósso Filho Vieramme os autos, em atendimento ao despacho do Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para que seja examinado o pedido manifestado pela embargante às fls. 435/443, que vislumbrou ter ocorrido omissão no voto, conforme consta do Relatório. Rejeito os embargos opostos, em virtude de não restar configurada a irregularidade apontada. Vejo que o posicionamento adotado pela decisão do acórdão embargado foi resumido pela seguinte ementa: “Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Rejeitase preliminar de nulidade do lançamento quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, quando não restar comprovado no período em questão o pagamento do tributo sujeito ao lançamento por homologação. Tendo a ciência do auto de infração sido realizada em 29 de abril de 2003, cabível a decadência para os fatos geradores acontecidos até 30 de setembro de 1997. IRPJ. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. A falta de apresentação pela fiscalizada de livros contábeis e fiscais impossibilita a apuração do Lucro Real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. Inexistindo arbitramento condicional, o ato administrativo de lançamento não se modifica pela posterior apresentação de livros e documentos cuja inexistência e/ou recusa foi a causa do arbitramento. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE DOLO. Incabível a qualificação da multa de ofício quando não caracterizada nos autos a prática de dolo, fraude ou simulação por parte da autuada. A constatação de que os novos sócios que Fl. 458DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 459 9 ingressaram na empresa eram de baixo poder aquisitivo e a não localização da pessoa jurídica no seu novo endereço são indícios de fraude, que não justificam a aplicação da multa exacerbada. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada no dele decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Preliminar de decadência parcialmente acolhida. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Da leitura do Acórdão nº 120200.588, vejo que o voto proferido na sessão de 04/10/2011 foi no sentido de desqualificar a multa de ofício e reduzir seu percentual a 75%, como se observa do excerto que extraio: “O autuante justifica a imposição da multa qualificada com os fundamentos a seguir, descritos no Relatório de Fiscalização de fls. 073/87: “7) Descrição dos Fatos Caracterizadores do Ilícito: A pessoa jurídica fiscalizada incorreu em infração à legislação Tributária pelos motivos descritos a seguir:” 7.1 Entregou as declarações do Imposto de Renda, dos anos calendário de 1996 e 1997, totalmente em branco nos campos destinados as informações financeiras, como também deixou de entregar a declaração do Imposto de Renda do anocalendário de 1998, omitindo, dessa forma, a totalidade das operações realizadas nesses anoscalendários e os tributos incidentes sobre as mesmas. 7.2 Os sócios à época da ocorrência dos fatos geradores dos tributos, ESPEDITO SOUZA (único sóciogerente) e MARTA DE ARAUJO SOUZA, transferem a totalidade de suas cotas de capital para MANOEL MENDONÇA DIAS e MARIA DE FATIMA MIRANDA LOPES, pessoas que conforme consta no Cadastro de Pessoa Física, entregaram Declaração de Isentos do Imposto de Renda, evidenciando serem pessoas de baixa renda. 7.3 A sociedade, no mês da saída dos sócios ESPEDITO SOUZA e MARTA DE ARAUJO SOUZA, porém ainda na gestão do sócio gerente ESPEDITO SOUZA, transferem a sede da empresa para a Travessa Apinajés, nº 1803, em Belém/PA, endereço que constatamos ser inexistente conforme Termo lavrado em 08/09/2002. 7.4 Após a saída dos antigos sócios, a sociedade altera a razão social de BRASIL ESPESO COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, para AMERICAN COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 460 10 7.5 No Enquadramento de Microempresa, arquivado na JUCEPA está informado o endereço dos sócios MANOEL MENDONÇA DIAS e MARIA DE FATIMA MIRANDA LOPES, como sendo na Tv. Padre Eutiquio, nº 2658, nesta cidade de Belém, porém ficou constatado que o referido número não existe no aludido logradouro, no local onde poderia receber este número está instalada há anos o Movimento de EMAUS, tradicional organização beneficente. Assim, ao omitir a totalidade de suas receitas operacionais nas declarações do Imposto de Renda dos anoscalendários de 1996 e 1997, ao deixar de entregar a Declaração do Imposto de Renda do ano calendário de 1998 e, ao alterar a sua razão social, o contribuinte tentou escapar do lançamento dos tributos e da sua cobrança. Transferindo a totalidade das cotas do capital social para pessoas notoriamente incapacitadas financeiramente para adquirir o empreendimento e ao transferir o domicilio fiscal da empresa para um endereço inexistente, os sócios à época da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias tentaram esquivarse da responsabilidade do pagamento das referidas obrigações. Dessa forma sujeitouse à incidência da multa qualificada sobre os créditos tributários apurados, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9.430/90, como também ficou caracterizado, em tese, como Crime Contra a Ordem Tributária, previsto nos art. 10 e 2° da Lei 8.173/90.” Pela análise dos autos, vejo que não ficou caracteriza a situação de conduta dolosa praticada pela empresa, que motivasse a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150%. O fato informado pela fiscalização teve por base o pressuposto de que a empresa teria apresentado a DIPJ dos anos de 1996 e 1997 com campos zerados e deixado de entregar a DIPJ do ano de 1998. Além disso, teria sido a empresa repassada fraudulentamente a novos sócios sem capacidade financeira e que estes transferiram a sede da pessoa jurídica para local inexistente, o que, por si só, não sustenta a aplicação da multa exacerbada. Com efeito, restou comprovado na diligência que a autuada retificou antes do início da fiscalização às DIRPJs apresentadas com os campos zerados, fato que a meu ver infirmaria a situação de dolo, regularizando sua situação fiscal. A mudança do controle da empresa para sócios com pouca capacidade financeira e o novo endereço do domicílio fiscal não localizado, são indícios de fraude que estaria sendo perpetrada contra o Fisco, não sua comprovação. Quando muito poderia ser uma tentativa de fraude à execução fiscal, à cobrança do tributo pelo órgão competente, não restando configurada a intenção dolosa do contribuinte em Fl. 460DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 461 11 deixar de levar ao conhecimento do Fisco a ocorrência do fato gerador do tributo. A imposição da multa qualificada de 150% depende de procedimento adotado pela fiscalização que identifique e comprove a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O ônus da prova, quando da imposição de penalidades pela constatação de dolo, fraude ou simulação cabe a quem alega, à Fazenda Pública, o que não restou configurado no auto de infração. Paulo Celso B. Bonilha, em seu livro Da Prova no Processo Administrativo Tributário, pág. 76, 2ª Edição, Editora Dialética, afirma ao tratar de ônus da prova: “Sob esta perspectiva, a pretensão da Fazenda fundase na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores supõemse presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria fática com tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, incumbe à Fazenda o ônus de comprovar a sua existência. Esse é o teor da conclusão de Tesouro, que extrai da relação substancial a regra processual da carga da prova, “in verbis”: “No processo tributário, a prova deve resultar do fato em que é fundamentado o provimento (nos limites, obviamente, nos quais o recorrente contestou tal ou quais fatos); se o fato não resulta provado, o provimento é infundado e, portanto, deve ser anulado: essa regra substancial, da qual descende a regra processual do ônus da prova a cargo da Fazenda.” As infrações tributárias podem ser classificadas conforme a participação subjetiva do agente, sendo definidas como subjetivas ou objetivas. As infrações subjetivas são aquelas em que para ficar caracterizado o que exige a lei deve ser provado que o autor do ilícito tenha agido com dolo ou culpa. Paulo de Barros Carvalho, em seu livro Curso de Direito Tributário, 14ª edição, às pág. 510/511, conclui o seguinte quanto ao ônus da prova no caso de constatação de dolo fraude ou simulação: “O discrimine entre infrações objetivas e subjetivas abre espaço a larga aplicação prática. Tratandose da primeira, o único recurso de que dispõe o suposto autor do ilícito, para defender se, é concentrar razões que demonstrem a inexistência material do fato acoimado de antijurídico, descaracterizandoo em qualquer de seus elementos constituintes. Cabelhe a prova, com todas as dificuldades que lhe são inerentes. Agora, no setor das infrações subjetivas, em que penetra o dolo ou a culpa na compostura do enunciado descritivo do fato ilícito, a coisa se inverte, competindo ao Fisco, com toda a gama instrumental dos seus expedientes administrativos, exibir os fundamentos concretos que revelem a presença do dolo ou da culpa, como nexo entre a participação do agente e o resultado material que dessa forma produziu. Os embaraços dessa comprovação, que nem sempre é fácil, transmudamse para a atividade Fl. 461DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 462 12 fiscalizadora da Administração, que terá a incumbência intransferível de evidenciar não só a materialidade do evento como, também, o elemento volitivo que propiciou ao infrator atingir seus fins contrários às disposições da ordem jurídica vigente. As dificuldades a que nos reportamos, sejam as experimentadas pelo sujeito passivo, no caso de impugnar pretensões punitivas por ilícitos de natureza objetiva, sejam aquelas outras que os funcionários da fiscalização tributária enfrentam para certificar a infração subjetiva, nem sempre são adequadamente suplantadas. Nos autos de infração, o agente limitase a circunscrever os caracteres fácticos, fazendo breve alusão ao cunho doloso ou culposo da conduta do administrado. Isto não basta. Há de provar, de maneira inequívoca, o elemento subjetivo que integra o fato típico, com a mesma evidência com que demonstra a integração material da ocorrência fáctica. É justamente por tais argumentos que as presunções não devem ter admissibilidade no que tange às infrações subjetivas. O dolo e a culpa não se presumem, provamse.”(grifo nosso) Portanto, no caso de dolo, fraude ou simulação, a imputação de penalidades pelo Fisco necessita que estas ocorrências sejam provadas, independentemente da apuração da infração fiscal, sendo incabível como meio de prova para a imposição da multa qualificada a utilização de presunções, índices e ficções. No presente caso, deve ser desqualificada a multa de ofício exigida, por não provado o dolo específico, e reduzido o seu percentual de 150% para 75%”. Após analisar as argumentações anteriormente expostas e confrontálas com as alegações apresentadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional, concluo que não restou provada nenhuma imperfeição no voto proferido, não há omissão, dúvida, inexatidão ou contradição no julgado, que pudesse justificar o embargo aqui analisado. Incabível a afirmação de que matéria preclusa teria sido analisada no voto, não abordada pelo acórdão de primeira instância, porque o contribuinte em sua impugnação questiona a constatação de fraude, que tem como conseqüência direta a imposição da multa qualificada de 150%, como se verifica da impugnação de fls. 116/128: “Pelos fatos narrados não houve fraude a fiscalização. Fraude é ação ou omissão dolosa que não está comprovada na ação fiscal. Requer a ora autuada, PRELIMINARMENTE, a nulidade da ação pela nulidade das notificações e intimações e pela decadência do direito de constituir o crédito tributário. No MÉRITO, baseados na documentação fiscal e contábil da requerente, não há imposto a recolher (Imposto de Renda e Contribuição Social sobre Lucro) conforme se comprova com documentos da empresa. Por isso improcede o enquadramento Fl. 462DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 463 13 no art. 1º da Lei 8137/90. Não havendo imposto, improcede a multa e demais acréscimos.” Além disso, o Acórdão nº 1.774, fls. 155/165 enfrentou o agravamento da multa de ofício: “Ementa MULTA AGRAVADA Constatado no curso da fiscalização a existência de simulação tendente a subtrair responsabilidade dos sócios de fato quanto aos tributos devidos, procede o agravamento da penalidade imposta.” Também no corpo do acórdão recorrido é enfrentada a matéria agravamento da multa, o que possibilitou ao recurso especificar tal assunto: “MULTA AGRAVADA SIMULAÇÃO. 28. Na peça impugnatória é afirmado que não houve a intenção de burlar o Estado e que a mudança dos sócios se deu para "facilitar o trabalho de cancelamento" de empresa. Não se vislumbra de que forma o trabalho de cancelamento da impugnante tenha sido facilitado com a mudança de sócios. 29. Compulsando o processo, verificase que as providências tomadas pelos sócios de fato indicam a ocorrência de simulação de transferência de propriedade da empresa com o fito de transferir responsabilidade tributária. 30. A evidência materializase pelo conjunto das medidas adotadas após o anocalendário de 1998 quando a empresa exportou o equivalente e R$ 7.350.274,91 e sequer apresentou D1RPJ: 1) o endereço foi alterado para local inexistente; 2) alteração do quadro societário, sendo incluídos sócios que não dispõem de recursos financeiros suficiente para tal;3) o endereço dos novos sócios corresponde, da fato, ao da senhora Lúcia Helena; 4) por três anos seguidos a impugnante apresentou receitas de exportação acima de 1 milhão de reais (R$ 2.816.019,42 em 1996; R$ 1.996.099,34 em 1997 e R$ 7.350.274,91 em 1998), mas apresentou DIRPJ indicando não haver qualquer receita tributável e sequer apresentou DIRPJ no anocalendário de 1998. 31. Assim, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1995, está caracterizado o evidente intuito de fraude; fato que implica no agravamento da penalidade imposta e na representação fiscal para fins penais.” Os fundamentos utilizados pela embargante para justificar sua tese de que teria havido ciência pela empresa do início da fiscalização, antes da retificação das DIRPJs, por meio de comunicação verbal a Sr. Lúcia Helena, representante da pessoa jurídica, não resistem a uma simples leitura do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72. Com efeito, o processo administrativo fiscal exige que o início da ação fiscal seja comunicado por escrito ao fiscalizado, não se admitindo a comunicação verbal. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 464 14 Também não se sustenta a alegação da existência de omissão no acórdão embargado, quanto a ocorrência de infração continuada, de conduta reiterada de declarações inexatas e/ou omissão de expressivos valores, pois não consta da descrição dos fatos do Auto de Infração, fls. 88/98, ou do Relatório de Fiscalização, fls. 73/87, qualquer menção a esses motivos para a qualificação da multa, conforme se verifica pelo excerto a seguir: “7) Descrição dos Fatos Caracterizadores do Ilícito: A pessoa jurídica fiscalizada incorreu em infração à legislação Tributária pelos motivos descritos a seguir:” 7.1 Entregou as declarações do Imposto de Renda, dos anos calendário de 1996 e 1997, totalmente em branco nos campos destinados as informações financeiras, como também deixou de entregar a declaração do Imposto de Renda do anocalendário de 1998, omitindo, dessa forma, a totalidade das operações realizadas nesses anoscalendários e os tributos incidentes sobre as mesmas. 7.2 Os sócios à época da ocorrência dos fatos geradores dos tributos, ESPEDITO SOUZA (único sóciogerente) e MARTA DE ARAUJO SOUZA, transferem a totalidade de suas cotas de capital para MANOEL MENDONÇA DIAS e MARIA DE FATIMA MIRANDA LOPES, pessoas que conforme consta no Cadastro de Pessoa Física, entregaram Declaração de Isentos do Imposto de Renda, evidenciando serem pessoas de baixa renda. 7.3 A sociedade, no mês da saída dos sócios ESPEDITO SOUZA e MARTA DE ARAUJO SOUZA, porém ainda na gestão do sócio gerente ESPEDITO SOUZA, transferem a sede da empresa para a Travessa Apinajés, nº 1803, em Belém/PA, endereço que constatamos ser inexistente conforme Termo lavrado em 08/09/2002. 7.4 Após a saída dos antigos sócios, a sociedade altera a razão social de BRASIL ESPESO COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, para AMERICAN COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. 7.5 No Enquadramento de Microempresa, arquivado na JUCEPA está informado o endereço dos sócios MANOEL MENDONÇA DIAS e MARIA DE FATIMA MIRANDA LOPES, como sendo na Tv. Padre Eutiquio, nº 2658, nesta cidade de Belém, porém ficou constatado que o referido número não existe no aludido logradouro, no local onde poderia receber este número está instalada há anos o Movimento de EMAUS, tradicional organização beneficente. 9) Conclusão: Assim, ao omitir a totalidade de suas receitas operacionais nas declarações do Imposto de Renda dos anoscalendários de 1996 e 1997, ao deixar de entregar a Declaração do Imposto de Renda do ano calendário de 1998 e, ao alterar a sua razão Fl. 464DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 465 15 social, o contribuinte tentou escapar do lançamento dos tributos e da sua cobrança. Transferindo a totalidade das cotas do capital social para pessoas notoriamente incapacitadas financeiramente para adquirir o empreendimento e ao transferir o domicilio fiscal da empresa para um endereço inexistente, os sócios à época da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias tentaram esquivarse da responsabilidade do pagamento das referidas obrigações. Dessa forma sujeitouse à incidência da multa qualificada sobre os créditos tributários apurados, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9.430/90, como também ficou caracterizado, em tese, como Crime Contra a Ordem Tributária, previsto nos art. 10 e 2° da Lei 8.173/90.” Não considero como omissão o que a representante da Fazenda Nacional indicou existir no acórdão, pretendeu a Sra. Procuradora contrapor os fundamentos expostos na decisão prolatada por esta Turma, objetivando rediscutir questão de mérito e obter efeitos infringentes na esfera administrativa, situação que só poderia ocorrer caso as incorreções fossem de tal monta que maculassem o mérito decidido pelos membros desta Turma naquela data, fato que não vislumbro ter ocorrido. Os embargos de declaração não são o remédio adequado para tal situação. Caso não concordasse com o mérito do julgamento e constatasse divergência com decisão proferida por outra Turma, tinha a Embargante à sua disposição a possibilidade de submissão da controvérsia ao exame da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em conformidade com o Processo Administrativo Fiscal. Deve a embargante orbitar dentro dos limites determinados para a interposição de Embargos de Declaração, sua admissibilidade jamais poderá implicar em revisão do decidido no julgamento de recurso por este Colegiado. Trago à colação, por pertinente, julgado da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial 15.7740SPEdcl, em que foi relator o Min. Humberto Gomes de Barros: “Não pode ser conhecido recurso que, sob o rótulo de embargos declaratórios, pretende substituir a decisão recorrida por outra. Os embargos declaratórios são apelos de integração não de substituição.” (DJU de 22/12/93, pag. 24.895) Assim sendo, tendo em vista a inocorrência de omissão, contradição ou obscuridade no acórdão combatido, entendo devam ser rejeitados os embargos opostos. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Relator Fl. 465DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 466 16 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10240.003061/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
Ementa: TERCEIROS São devidas as contribuições arrecadadas para as terceiras entidades, FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira - Presidente. Liege Lacroix Thomasi - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silverio, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: TERCEIROS São devidas as contribuições arrecadadas para as terceiras entidades, FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 30 61 /2 00 8- 15 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silverio, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10240.003061/200815 Acórdão n.º 2302001.990 S2C3T2 Fl. 150 3 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado em 16/10/2008 e cientificado ao sujeito passivo em 23/10/2008, referente às contribuições destinadas às terceiras entidades, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados no período de 01/2004 a 12/2004. O relatório fiscal de fls. 33/37, diz que o levantamento foi efetuado por aferição indireta porque a contabilidade da recorrente não foi aproveitada como documento de prova a seu favor, devido a inconsistências apuradas, como a não escrituração do movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço e sua movimentação bancária. Foram solicitados documentos para comprovar as despesas que originaram a emissão de cheques bancos, mas nada foi apresentado. O fisco também faz referência à reclamação trabalhista com reconhecimento de vínculo empregatício, sem qualquer registro do segurado na contabilidade, nem apresentação dos recibos das remunerações. Os fatos ensejaram a lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, quanto à contabilidade e permitiram a aferição indireta do crédito lançado.Às fls.38/40, constam demonstrativos das remunerações aferidas. Após a impugnação, despacho de fls. 111/113, dispõe sobre a remessa ao contribuinte dos extratos disponibilizados pelos sistemas corporativos da Receita Federal do Brasil, nos quais se baseou o lançamento, com abertura de prazo para manifestação. Informação fiscal de fls.117/118, junta as informações solicitadas e é dada ciência ao contribuinte, que se manifesta às fls.127/129, após o que Acórdão de fls.132/139, pugna pela procedência do lançamento. Inconformado, o contribuinte apresenta recurso voluntário, onde diz que repisa as alegações apresentadas na defesa de que: a) é inaceitável e exagerada a quantificação dos valores levados à conta de salários; b) que as condições de trabalho do vendedor externo Timóteo dos Santos Gueiros não guardam semelhança com os demais vendedores da autuada; c) que colacionou na peça de defesa declarações de seus funcionários, onde atestam que seus ganhos são aqueles constantes das folhas de pagamento; d) que os valores lançados não representam a contribuição para a previdência social; e) que o lançamento carece de amparo legal; Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 f) que os documentos trazidos pelo fisco não esclarecem nem justificam os lançamentos e g) que o auditor fiscal em sua fúria arrecadatória lançou valores irreais e fictícios, sem qualquer respaldo legal. Por fim, requer a insubsistência do auto de infração por estar eivado de vícios insanáveis. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10240.003061/200815 Acórdão n.º 2302001.990 S2C3T2 Fl. 151 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Não vislumbro a tese de nulidade do Auto de Infração como quer a recorrente, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10240.003061/200815 Acórdão n.º 2302001.990 S2C3T2 Fl. 152 7 O lançamento referese às contribuições arrecadadas pela Receita Federal do Brasil para as Terceiras Entidades, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados aferida indiretamente, devido a falta de elementos hábeis e convincentes quanto aos valores de salários constantes da folha de pagamento da recorrente, frente à desconsideração de sua contabilidade. As alegações da recorrente quanto a valores irreais e fictícios são improcedentes, uma vez que o relatório fiscal explicita que o lançamento foi efetuado por aferição indireta, já que a contabilidade da empresa não refletia o movimento financeiro e o total das remunerações pagas aos segurados a seu serviço, indicando os valores que serviram de parâmetro para o levantamento e que se encontram discriminados nas planilhas de fls.39/43. Segundo o relatório, durante a auditoria fiscal foi constatado que apenas a movimentação financeira com o Banco Bradesco S/A, estava registrada na contabilidade, enquanto através dos sistemas corporativos da Receita Federal do Brasil, foi possível averiguar a movimentação financeira da empresa também com as instituições Banco da Amazônia S/A, Banco do Brasil S/A, Banco Itaú S/A, Banco Mercantil de São Paulo S/A e Cooperativa de Crédito Rural de Porto Velho. A recorrente foi intimada a apresentar os extratos bancários das contas correntes mantidas em todas as instituições financeiras, cujos cheques estavam lançados nos registros contábeis. As instituições financeiras foram discriminadas no TIAD emitido em 09/07/2008, mas somente foram apresentados os documentos referentes ao Banco Bradesco S/A e Banco da Amazônia S/A .Com relação a este último foram solicitados, em novo TIAD, datado de 16/09/2008, os documentos que deram suporte à emissão dos cheques constantes dos extratos, mas nada foi apresentado. Também não foram apresentados os recibos de pagamento do vendedor Timóteo dos Santos Gueiros , cuja relação de emprego foi reconhecida pela Justiça do Trabalho, conforme consta dos autos e tampouco há registro de suas remunerações na contabilidade da recorrente. Por este motivo, acertado o procedimento fiscal que aferiu o valor da remuneração dos demais vendedores que prestavam serviços à recorrente e do prolabore, conforme demonstrado nas planilhas de fls. 38/40, Anexo I do Relatório Fiscal, com base no último salário percebido pelo reclamante, sendo que o levantamento constante desta autuação incide sobre a diferença entre os valores de salários das folhas de pagamento do ano de 2004, e o valor do salário de vendedor reconhecido pela justiça trabalhista. Aos argumentos da recorrente de que não poderia haver comparação entre os vendedores externos e internos, tenho a dizer que ao não apresentar documentos hábeis a fazer prova a seu favor como a apresentação de contabilidade regular, atendendo à boa técnica contábil, a recorrente sujeitase à aferição indireta como procedido no presente levantamento, invertendose o ônus da prova. Ou seja, quando o fisco não dispõe de elementos para apurar regular e comprovadamente as contribuições previdenciárias devidas, a legislação lhe permite o arbitramento, cabendo ao contribuinte fazer prova de suas alegações. A contribuição previdenciária é espécie tributária cuja modalidade de lançamento é denominada por homologação ou autolançamento, com previsão legal no art. 150 do Código Tributário Nacional. Nessa modalidade, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, competindo a esta, posteriormente, conferir o procedimento e homologálo. No âmbito da Receita Federal do Brasil, o Auditor Fiscal examina diretamente documentos, livros contábeis e fiscais, bem como Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 outros elementos subsidiários, e, com estes elementos postos a sua disposição, verifica se o lançamento foi corretamente efetuado pelo contribuinte, homologandoo. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, o fisco deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A prerrogativa da Receita Federal do Brasil de arrecadar e fiscalizar as contribuições previdenciárias, bem como, aferir indiretamente a contribuição previdenciária devida e lançála de ofício, encontra embasamento legal no art. 148 do CTN, do qual o art. 33, §§ 3º, 4º e 6º da Lei n 8.212/91 são corolários: CTN "Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." Lei 8.212/91 "Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01) (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10240.003061/200815 Acórdão n.º 2302001.990 S2C3T2 Fl. 153 9 §6 Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, o faturamento e o lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário." Na análise da contabilidade de uma empresa a auditoria fiscal verifica a obediência às formalidades intrínsecas e extrínsecas determinadas pela legislação comercial, fiscal e resoluções do Conselho Federal de Contabilidade, que visam possibilitar que os usuários da mesma possam analisar a situação da empresa versando seus interesses e que a demonstração dos resultados seja correta para a apuração do tributos que forem previstos em lei. Os princípios contábeis que regem a contabilidade visam, justamente, que os demonstrativos reflitam a real situação da empresa no período analisado. Assim, quando a fiscalização se depara com uma escrita contábil onde não há o lançamento de todos os fatos geradores de contribuição é mister a lavratura do auto de infração, por descumprimento da obrigação acessória contida no artigo 33, parágrafos 2° e 3º, da Lei n° 8.212/91. O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, traz no seu artigo 233, parágrafo único, o que se considera documento deficiente: .Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Devese salientar que o direito tributário utilizase de institutos de outros ramos do direito, mormente do direito privado, para instituir as hipóteses de incidência tributária, bem como prescrever obrigações acessórias que, nos termos do art.115, do CTN Código Tributário Nacional, constituemse na imposição de prática ou abstenção de ato que não configure obrigação principal. Ao instituir obrigações acessórias o legislador visa permitir, aos órgãos competentes, uma eficaz administração tributária. Assim, não cabe, nem deve o legislador tributário disciplinar determinadas condutas, já reguladas no ordenamento jurídico, bastando, para tanto, incorporálas ao direito tributário. Isto significa que, quando a Lei 8.212/91 prescreve a exibição de livros e documentos relacionados a estas contribuições, é evidente que, nestes comandos, está implícito o dever da empresa de observar a legislação que rege a matéria. Portanto, está correto o lançamento com base na aferição dos salários de contribuição dos segurados empregados que prestaram serviços à recorrente, que não trouxe elementos capazes de ilidir a autuação. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Quanto à contribuição para os Terceiros, de acordo com o artigo 94 da Lei n.º 8.212/91, o INSS tinha a competência de arrecadar e fiscalizar as contribuições devidas por lei a terceiros. Com a edição da Lei n.º 11.098/2005, passou ao Ministério da Previdência Social a competência para arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento, em nome do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, bem como as demais atribuições correlatas e conseqüentes, inclusive as relativas ao contencioso administrativo fiscal, conforme disposto em regulamento e foi autorizada a criação da Secretaria da Receita Previdenciária. Posteriormente, com a Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, ocorreu a fusão entre a Secretaria da Receita Federal (SRF) e a Secretaria da Receita Previdenciária (SRP), sendo criada a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). E, a Lei n.º 11.457/2007, em seu artigo 3º, atribui competência à Secretaria da Receita Federal do Brasil para planejar , executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições de Terceiros, mediante retribuição do percentual de 3,5% do montante arrecadado: Art. 3o As atribuições de que trata o art. 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). § 1o A retribuição pelos serviços referidos no caput deste artigo será de 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) do montante arrecadado, salvo percentual diverso estabelecido em lei específica. § 2o O disposto no caput deste artigo abrangerá exclusivamente contribuições cuja base de cálculo seja a mesma das que incidem sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados do Regime Geral de Previdência Social ou instituídas sobre outras bases a título de substituição. § 3o As contribuições de que trata o caput deste artigo sujeitam se aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios daquelas referidas no art. 2o desta Lei, inclusive no que diz respeito à cobrança judicial. Portanto, o crédito referente às contribuições arrecadadas para o FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE está bem suportado na legislação vigente à época do fato gerador, não incorrendo em qualquer ilegalidade. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10240.003061/200815 Acórdão n.º 2302001.990 S2C3T2 Fl. 154 11 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 16327.001744/2010-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
ÁGIO. PROVISÃO. ATIVO DIFERIDO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. INEXISTÊNCIA.
A reclassificação, no ativo diferido, da provisão para redução do valor do ágio atende às normas contábeis e não representa acréscimo patrimonial tributável.
Numero da decisão: 1402-001.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza. Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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PROVISÃO. ATIVO DIFERIDO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. INEXISTÊNCIA. A reclassificação, no ativo diferido, da provisão para redução do valor do ágio atende às normas contábeis e não representa acréscimo patrimonial tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza. Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 44 /2 01 0- 89 Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 18/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Trata o presente processo dos autos de infrações lavrados pela Deinf (SP), referentes ao anocalendário de 2008, por meio dos quais são exigidos do interessado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ, no valor de R$ 87.582.758,17 (fls. 1060/1064) e termo de verificação às fls. 1038/1059 do volume 7), e a contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, no valor de R$ 52.549.654,90 (fls. 1065/1069 do volume 7), acrescidos da multa de 75% e dos encargos moratórios. 2 – Fundamentaram as exações – acréscimo patrimonial representado pela constituição de um ativo denominado ágio, sem a ocorrência deste. 2.1 Em 16/1/2007 foi constituída a empresa Marigane Participações Ltda (CNPJ 08.631.625/000163), com capital de R$ 1.000,00, tendo como sócios a pessoa física Sra. Diva Maria Batista Martins Ramalho (CPF 050.446.54817) e a pessoa jurídica S&A Serviços Empresariais Ltda. A seguir, em 7/3/2007, a Marigane é passada gratuitamente para o interessado, com alteração da denominação social para Trancoso Participações Ltda., com registro na Junta Comercial em 12/3/2007 (fls. 120/127 do volume 1). 2.2 Em 25/2/2007 o interessado firmou contrato de compra da totalidade do capital da empresa CACIPAR Comércio e Participações Ltda., no montante de R$ 850 milhões (fls. 140/181 do volume 1). Posteriormente, em 7/3/2007, o interessado cede para a empresa Trancoso os direitos do contrato de compra da CACIPAR (fls. 183/184 do volume 1). 2.3 – Em 30/11/2007, com protocolo e registro na Junta Comercial em 30/1/2008, o interessado promove um aporte de R$ 930.523.599, 00 no capital da Trancoso (fls. 551/557 do volume 4). Em seguida, a Trancoso efetua o pagamento pela aquisição da CACIPAR, registrando em sua contabilidade como custo do investimento o valor de R$ 317.809.235,11 e ágio de R$ 570.563.618,89. Ainda na mesma data, a Trancoso promove um aumento de capital na Cacipar, no valor de R$ 37.000.000,00, registrando o valor como custo do investimento. 2.4 – O fundamento do ágio teria sido a rentabilidade futura, tendo como base o relatório de avaliação econômicofinanceira emitido pela empresa KPMG Corporate Finance Ltda. 2.5 – Segundo a fiscalização a KPMG foi contratada em junho/2008 e procedeu a avaliação da CACIPAR na data base de 31/12/2007, posterior à data de pagamento do ágio (30/11/2007). O relatório foi entregue em 23/10/2008 (fls. 621/659 do volume 5). 2.6 – Na assembléia geral extraordinária do Banco Cacique, em 31/10/2008, são aprovados os protocolos de incorporações das empresas CACIPAR e Trancoso. Informa a fiscalização que ata só foi protocolizada na junta comercial em 23/4/2009 (fls. 745/751 do volume 5), bem como o aumento de capital provocado pela incorporação, no valor de R$ 88.009.961,93, com emissão de 22.465 ações, não constam do livro de transferência de ações (fl. 661 do volume 5) 2.7 – Em decorrência das operações acima, o interessado registrou o valor de R$ 930.523.600,00, em 30/11/2007, na conta 2.1.2.10.15.4.100.3 (Outras Participações MEP Trancoso – fl. 233 do volume 2). No decorrer do ano de 2007 e até agosto/2008 foram realizados lançamentos de ajustes pelo método de equivalência patrimonial, mas sem afetar o lucro real. Por conta da redução ocorrida Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 18/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001744/201089 Acórdão n.º 1402001.279 S1C4T2 Fl. 3 3 no patrimônio líquido da Trancoso, resultante da constituição de provisão para redução no valor do ágio lá registrado, o interessado transferiu para a conta 212101541004 (Ativo Permanente Outras participações MEP Trancoso), em 30/9/2008, R$ 350.331.032,71, tendo como crédito a primeira conta citada. Posteriormente, em 31/10/2008, tal lançamento foi reclassificado para a conta 241100000053 (Diferido Ágios de incorporação). 2.8 – No entender da fiscalização o lançamento correto seria em conta de despesa, como ajuste de equivalência patrimonial, sem afetar o lucro real. Consequentemente, prossegue a fiscalização, o balanço do interessado apresenta um acréscimo patrimonial não oferecido à tributação. 2.9 – Em função da incorporação da Trancoso pelo Banco Cacique, em 31/10/2008, o investimento na primeira empresa foi substituído pelo investimento no banco. O ágio foi transferido da conta 241100000053 (Diferido Ágios de incorporação) para a conta 251980070101 (Ágio por Expectativa Rendimento Futuro Cacique). No entender da fiscalização, por não ter sido o interessado mas a Trancoso que pagou o ágio no investimento feito na CACIPAR, o interessado não poderia contabilizálo em seu balanço. Ademais, o ágio já vem sendo amortizado pelo Banco Cacique, incorporador da Trancoso. 2.10 – O interessado constituiu em 31/12/2008 provisão para amortização do ágio, no valor de R$ 119.861.000,00, a débito de despesa (conta 818102020101) e a crédito da conta 251990060109 (Amortização ágio expectativa de rentabilidade futura Cacique). Tal lançamento não afetou a apuração do lucro real. 2.11 – Conclui a fiscalização que a lavratura do auto de infração decorre da glosa do ágio lançado pela troca do investimento na Trancoso pelo Banco Cacique, em decorrência da incorporação da primeira pelo segundo, proporcionando um aumento patrimonial no interessado, mas não oferecido à tributação, no valor de R$ 350.331.032,71 (base de cálculo do IRPJ e da CSLL). 3 – Ao impugnar as exigências, fls. 1075/1112 do volume 7 (documentos de fls. 1113/1220 dos volumes 7 e 8), o interessado alega, em síntese, que: o valor de R$ 350.331.032,71 é reflexo da provisão realizada pela Trancoso em obediência aos dispositivos da Instrução Normativa da Comissão de Valores Mobiliários (ICVM) nº 319, de 3/12/1999. Não obstante serem empresas de capital fechado (o interessado e a Trancoso), bem como o Banco Central do Brasil (Bacen) não disciplinar o tema, as empresas entenderam por bem seguir a norma da CVM; a mencionada instrução dispõe que as empresas incorporadas (no caso a Trancoso incorporada pelo Banco Cacique) devem constituir provisão no montante da diferença entre o valor do ágio pago (no caso na aquisição da CACIPAR) e do benefício fiscal decorrente de sua amortização; a provisão corresponde a 66% do ágio registrado, pois 34% equivalem ao crédito tributário que será aproveitado quando da incorporação, por amortização do ágio e que correspondem a efetivo ativo da sociedade incorporada; do ágio pago pela Trancoso na aquisição da CACIPAR, R$ 573.842.805,41, amortizouse R$ 43.038.210,41 até 30/9/2008, restando o saldo de R$ 530.804.595,00. Aplicandose o percentual de 66% sobre este saldo, obtémse o valor de R$ 350.331.032,70 correspondente à provisão; Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 18/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 tal provisão afetou negativamente o patrimônio da Trancoso, bem como o seu, por meio do resultado negativo da equivalência patrimonial; à luz da melhor interpretação das normas vigentes do Bacen (Carta Circular nº 3.357) e da CVM (nota explicativa à ICVM nº 349, de 6/2001), reclassificou o montante para a conta de ativo intangível, sob a rubrica de ágio; a citada nota explicativa dispõe que “concluído o processo de incorporação da empresa veículo, o investimento e, consequentemente, o ágio permanecem inalterados na controladora original. Dessa forma, tornase necessário que, na avaliação do investimento na controladora, sejam recompostos os montantes da equivalência patrimonial e do ágio remanescente”; ainda que se admitisse a inadequação dos lançamentos contábeis, não houve acréscimo patrimonial e não gerou qualquer vantagem tributária, pois todos os valores lançados em despesa pela amortização do ágio foram adicionados à base de tributável; a provisão, apurada com base em estudo técnico, teve por escopo ajustar o valor do ativo ao valor que se considera recuperável no futuro. Após o registro da provisão de R$ 119.861.407,49, restou um saldo de ágio de R$ 230.469.625,21; o valor registrado em conta de ativo intangível não se amolda ao conceito de renda ou de acréscimo patrimonial, bem como de reavaliação; reavaliação espontânea de ativos está vedado pelo art. 1º da Lei 11.638/2007 que alterou o art. 182 da Lei 6.404/1976; o reconhecimento de eventual mais valia no balanço em decorrência da reclassificação contábil, não deverá surtir efeitos tributários pela neutralidade garantida pelo regime tributário de transição RTT; se admitido que o investimento foi realizado diretamente pelo interessado, desconsiderando a estrutura que se apresenta, com muito menos propriedade poderia recair qualquer questionamento do valor registrado na contabilidade a título de ágio. Todo o valor aportado representaria custo de aquisição, com o desmembramento em valor do investimento e ágio pago, sem qualquer efeito tributário; os juros não podem ser exigidos sobre a multa de ofício, por falta de previsão legal. 4 Posteriormente, em 31/3/2011, o interessado solicita a juntada da cópia da impugnação apresentada no processo administrativo fiscal nº 16327.001743/201034, de interesse do Banco Cacique S/A, para que não permaneça qualquer dúvida quanto aos fatos que envolveram a operação como um todo (volume “documentos diversos”, fls. 2/67). 5 A competência do julgamento foi prorrogada da DRJ/SP1 para a DRJ/RJ1 por meio da Portaria Sutri nº 2.563, de 27 de abril de 2011 (DOU de 28/4/2011). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento prolatou o Acórdão 1237.202 por meio do qual deu provimento à impugnação apresentada e determinou o cancelamento dos Autos de Infração. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 18/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001744/201089 Acórdão n.º 1402001.279 S1C4T2 Fl. 4 5 INVESTIMENTO EM EMPRESA CONTROLADA. TROCA DA PARTICIPAÇÃO EM DECORRÊNCIA DE INCORPORAÇÃO. APURAÇÃO DE ÁGIO. Na troca de investimento em decorrência da incorporação da empresa investida por outra empresa, o novo investimento na empresa que procedeu a incorporação deverá ser desdobrado entre custo e ágio/deságio, tendo como base o saldo do investimento anterior registrado na contabilidade da empresa investidora. O ágio apurado na nova participação somente poderá afetar a tributação na alienação ou liquidação do investimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, o decidido no lançamento matriz aplicase ao lançamento reflexo. Dessa decisão o Órgão julgador de primeira instância recorreu de ofício a este Colegiado. É o relatório. Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 18/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Os lançamentos de que tratam os autos têm origem no procedimento de fiscalização no qual foi analisado a regularidade do ágio gerado na empresa Trancoso Participações Ltda. quando da aquisição da participação societária na Cacipar Comércio e Participações Ltda. Aquele procedimento resultou no processo administrativo 16327.001743/201034. Ainda que decorrente do mesmo procedimento, a questão aqui tratada não está vinculada ao resultado do julgamento do mencionado processo. A Trancoso foi incorporada pela sua controlada Banco Cacique que também incorporou a Cacipar. Sendo a recorrente controladora da Trancoso, a operação de incorporação reversa implicou nos lançamentos contábeis descritos no Relatório que geraram para a interessada, no entendimento da Fiscalização, ganho patrimonial não tributado. Em resumo dos fatos, como resultado da incorporação da Trancoso pelo Banco Cacique, em 31/10/2008, o investimento na primeira empresa foi substituído pelo investimento no banco. O ágio foi transferido da conta 241100000053 (Diferido Ágios de incorporação) para a conta 251980070101 (Ágio por Expectativa Rendimento Futuro Cacique). No entender da fiscalização, por não ter sido o interessado mas a Trancoso que pagou o ágio no investimento feito na CACIPAR, o interessado não poderia contabilizálo em seu balanço. Ademais, o ágio já vem sendo amortizado pelo Banco Cacique, incorporador da Trancoso. Pelo exame dos autos, entendo que a Fiscalização equivocouse no lançamento. A constituição da provisão na Trancoso (controladora incorporada), no montante de um percentual sobre o valor do ágio, atendeu às normas expedidas pela CVM com vistas a especificar o valor correto do ativo a ser aproveitado pelo Banco Cacique (incorporadora). Sob essa ótica, concordo com a inexistência de perda patrimonial na Trancoso, mas sim de um ajuste contábil voltado à proteção dos seus acionistas minoritários. Com isso, é correto que a interessada adeque sua escrituração e reverta a perda registrada como decorrência da provisão. Além disso, conforme reconhecido pela autoridade lançadora, os valores proporcionalmente amortizados do ágio foram acrescidos ao resultado, sendo injustificada a tributação. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 18/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001744/201089 Acórdão n.º 1402001.279 S1C4T2 Fl. 5 7 Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 18/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10580.901322/2006-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 31/12/2001
COMPENSAÇÃO. DESPACHO ELETRÔNICO. A falta de retificação da DCTF não pode ser oposta como óbice ao direito de compensação. CIDE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO IRRF. ILEGALIDADE. A base de cálculo da CIDE é o valor da remuneração do fornecedor domiciliado no exterior estipulada em contrato, sendo ilegal a adição do IRRF a sua base de cálculo. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3403-001.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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DESPACHO ELETRÔNICO. A falta de retificação da DCTF não pode ser oposta como óbice ao direito de compensação. CIDE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO IRRF. ILEGALIDADE. A base de cálculo da CIDE é o valor da remuneração do fornecedor domiciliado no exterior estipulada em contrato, sendo ilegal a adição do IRRF a sua base de cálculo. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 13 22 /2 00 6- 41 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de PER/DECOMP transmitido em 15/10/2003 para compensar crédito decorrente de pagamento indevido da CIDE realizado em 15/01/2002, relativo ao mês de competência de dezembro de 2001 (fl.01/03). Por meio do despacho decisório eletrônico de fl. 06, notificado ao contribuinte em 21/08/2008 (fl. 10), a compensação não foi homologada, sob o argumento de que o pagamento, embora confirmado, estava alocado para a quitação de débito do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação. Em sede de manifestação de inconformidade o contribuinte alegou o seguinte: 1) em dezembro de 2001 provisionou obrigação referente ao pagamento do contrato de assistência técnica celebrado com a empresa Iberdrola Energia S/A, no montante de R$ 8.654.891,59, relativo a materiais e serviços, e R$ 1.527.333,81 relativo ao IRRF, totalizando assim o valor de R$ 10.182.225,40, sobre o qual foi calculada a CIDE à alíquota de 10%, no valor de R$ 1.018.222,54, informado em DCTF e integralmente pago mediante DARF de R$ 1.012.629,52 (fl. 23) e de R$ 5.593,02 (fl. 24); 2) Contudo, em virtude da legislação que rege a matéria, a impugnante verificou que, equivocadamente, calculou a CIDE sobre o montante total da operação; incluindo o IRRF, quando a base de cálculo correta seria apenas o real valor da remessa no período, qual seja, R$ 8.654.891,59, conforme Consulta de Operação de Câmbio que demonstra a transferência para o exterior (fl.26); 3) sendo devida a CIDE no valor de R$ 865.489,16, e considerandose o pagamento no valor total de R$ 1.018.222,54, remanesceu um crédito de R$ 152.733,38, objeto da PER/DECOMP ora em litígio. Por meio do Acórdão nº 22.069, de 23 de dezembro de 2009, a 4ª Turma da DRJ Salvador indeferiu a manifestação de inconformidade com base nas seguintes razões de decidir: 1) os pagamentos da CIDE nos valores de R$1.012.629,52 e de R$ 5.593,02 estão vinculados ao débito informado na DCTF apresentada pelo contribuinte; 2) não restou comprovada a existência do suposto crédito, pois não foram juntadas cópias de nenhum documento hábil a comprovar o fornecimento do exterior e nem a remessa dos recursos; 3) não existe o direito de crédito alegado porque o IRRF integra o pagamento efetuado ao exterior e, sendo assim, deve integrar a base de cálculo da CIDE. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 08/03/2010 (fl. 49), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 31/03/2010 (fl. 50), onde reprisou as alegações contidas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Controvertese exclusivamente sobre matéria de direito. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.901322/200641 Acórdão n.º 3403001.732 S3C4T3 Fl. 11 3 No caso concreto, o contribuinte efetuou, em documentos de arrecadação distintos, um pagamento da CIDE no valor total de R$ 1.018.222,54, relativo ao mês de competência dezembro de 2001, a beneficiário localizado no exterior como contraprestação de um contrato de assistência técnica. A questão versada nos autos diz respeito à possibilidade jurídica da CIDE incidir sobre o valor pago ao fornecedor no exterior, adicionado do IRRF retido sobre o valor da remessa, cujo ônus foi assumido pelo tomador da tecnologia no Brasil. O art. 149 da CF/88 atribuiu à União a competência para instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais, observadas as limitações contidas no art. 146, III, e 150, I e III, quanto às duas últimas espécies. No julgamento do RE nº 451.915, o Supremo Tribunal Federal fixou entendimento segundo o qual as contribuições de intervenção no domínio econômico podem ser instituídas por lei ordinária. A menção à observância do art. 146, III pelo art. 149 da Constituição significa apenas que as contribuições de intervenção no domínio econômico estão sujeitas à lei complementar de normas gerais e não que a União deva lançar mão dessa espécie normativa para instituílas. Sendo assim, é perfeitamente válida a exigência da CIDE segundo os ditames do art. 2º da Lei nº 10.168, de 29/12/2000 (DOU 30/12/200 extra), com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.332, de 19/12/2001 (DOU de 20/12/2001), que para maior comodidade transcrevese a seguir: “Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. § 4º A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). § 5º O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subsequente ao mês de ocorrência do fato gerador.” Fl. 87DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Interessa ao deslinde da controvérsia instaurada nos autos desvendar o conteúdo do critério quantitativo do consequente da regramatiz de incidência do tributo. No caso da CIDE, o critério quantitativo é definido pela alíquota de 10%, prevista no § 4º, que deverá incidir sobre a base de cálculo prevista no § 3º. A base de cálculo está descrita no texto legal como sendo o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título da remuneração estipulada para as obrigações contraídas por meio de contratos que envolvam licença de uso ou transferência de conhecimentos tecnológicos. A palavra chave para definir a base de incidência da CIDE é remuneração. Isto porque “pagar”, “creditar”, “entregar”, “empregar” ou “remeter” quantias ao exterior como contraprestação dos contratos que envolvam uso ou transferência de tecnologia, significa o mesmo que remunerar o fornecedor domiciliado ou residente no exterior pelas obrigações contraídas. O estudo do critério quantitativo da hipótese de incidência revela que em momento algum a lei cogitou da incidência da CIDE sobre o IRRF, pois a incidência se dá somente sobre o valor da remuneração que foi estipulada em contrato, efetuada ao fornecedor domiciliado no exterior como contraprestação do uso ou da transferência do conhecimento tecnológico. A decisão de primeira instância entendeu que o valor do IRRF deveria ser adicionado ao valor transferido para o exterior a título de remuneração, pois no caso concreto, o tomador da tecnologia assumiu o ônus pelo pagamento do IRRF, cujo contribuinte é o fornecedor no exterior. Em outras palavras, entendeu a decisão recorrida que o pagamento efetivamente realizado teria sido maior do que os R$ 8.654.891,59, consistindo a base de cálculo efetiva na soma desta quantia com a quantia provisionada ou recolhida pelo tomador da tecnologia a título de IRRF. O entendimento da decisão recorrida é decorrente da comparação, por parte da turma de julgamento, de duas situações. A primeira, quando o ônus do IRRF é suportado pelo próprio contribuinte, qual seja, pelo beneficiário do pagamento no exterior. E a segunda, quando o ônus do IRRF é suportado pelo tomador da tecnologia, que não sendo contribuinte do IRRF, tem o mero dever de efetuar a retenção do imposto. Entendeu a 4ª Turma da DRJ Salvador, que na primeira situação, ocorre a incidência da CIDE sobre o IRRF, pois o valor desse imposto estaria “embutido” no valor da remuneração paga ao beneficiário no exterior, uma vez que após a retenção o valor líquido efetivamente enviado ao exterior é menor do que o valor da remuneração. Daí, se na primeira situação a CIDE incide sobre o IRRF “embutido” na remuneração, por uma questão de isonomia, deverá incidir também na segunda situação, a fim de que não haja diferença de tratamento entre beneficiários de pagamentos no exterior. Tendo em vista que no segundo caso o ônus do IRRF foi assumido pelo tomador da tecnologia, o seu valor deve ser adicionado ao valor da remuneração, a fim de que a CIDE incida sobre o IRRF, tal como na primeira situação. O raciocínio empregado no Acórdão de primeira instância é equivocado por dois motivos. Em primeiro lugar não se pode considerar que no valor da remuneração paga ao beneficiário no exterior está “embutido” o valor do IRRF, pois esta consideração tem natureza econômica e não jurídica. E, em segundo lugar, o aplicador do direito não pode estabelecer como premissa que o IRRF deve incidir antes da CIDE para, em seguida, concluir que a CIDE deve incidir sobre o IRRF. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.901322/200641 Acórdão n.º 3403001.732 S3C4T3 Fl. 12 5 A incidência tributária é um fenômeno puramente jurídico, não sendo lícito ao aplicador do direito utilizar dados econômicos (assunção do ônus do IRRF pelo tomador do serviço), para alterar a base de cálculo da CIDE, que se encontra prevista em lei. Nesse passo, não se pode assumir que o valor a ser pago ao beneficiário no exterior seja composto pela remuneração da tecnologia e pelo IRRF. Isto porque, num primeiro momento, o que existe é a apenas a remuneração estabelecida em contrato, ou seja, um valor único a ser pago a título de contraprestação por um bem ou serviço recebido. Somente após o pagamento, ou melhor, somente depois que o pagamento se transformar em rendimento do beneficiário no exterior é que será cabível falar em incidência de Imposto de Renda. Assim, embora sob o ponto de vista econômico seja possível sustentar que o valor do IRRF esteja contido no valor da remuneração, sob o ponto de vista jurídico o que existe é apenas a remuneração. E apenas a remuneração estipulada em contrato foi eleita pela lei como sendo a base de cálculo da CIDE. Nada mais. Por outro lado, o raciocínio do acórdão recorrido tem um vício de ordem lógica, pois estabeleceu como verdade a premissa no sentido de que o IRRF deve incidir antes da CIDE. É sabido que a incidência da norma jurídica não ocorre automaticamente, sendo necessária a intervenção humana. Assim, o aplicador do direito não pode estabelecer a priori que o IRRF deve incidir antes da CIDE, ou que esta deva incidir antes daquele. Isto porque as hipóteses de incidência dos dois tributos estão previstas em normas jurídicas de igual hierarquia, vigentes de forma concomitante no tempo e no espaço. Se as duas leis são concomitantes no tempo e no espaço, é necessário fazer as seguintes indagações: 1) com base em quê o aplicador do direito escolherá qual norma incidirá primeiro?; 2) por qual razão o IRRF deve incidir primeiro? 3) no caso do ônus pelo IRRF ser assumido pelo tomador do serviço, com base em qual razão jurídica o IRRF deve ser adicionado ao valor da remuneração para só então ocorrer a incidência da CIDE? Diante da inexistência de norma jurídica determinando a precedência de um tributo sobre o outro ou mesmo que um deva incidir em cascata sobre o outro, não cabe ao intérprete valerse de uma consideração econômica (o IRRF “estar embutido” na remuneração) para concluir que o valor desse imposto deva ser adicionado à base de cálculo da CIDE, sob pena de violação do princípio da legalidade. Tratandose de tributos cujas normas estão vigentes de forma concomitante no tempo e no espaço e diante da inexistência de norma jurídica, não só no sentido de determinar a precedência de um relação ao outro, mas também no sentido de que um deva integrar a base de cálculo do outro, só resta ao aplicador do direito fazer com que as normas incidam de forma isolada sobre as respectivas bases de cálculo. Não há como sustentar com argumentos jurídicos válidos a incidência de um tributo sobre o outro, sendo irrelevante para a incidência da CIDE e do IRRF que o tomador do serviço assuma ou não o ônus pelo IRRF. Se o aplicador do direito deve fazer com que a incidência seja concomitante, o IRRF e a CIDE devem incidir no mesmo instante sobre a remuneração que for destinada ao beneficiário no exterior, exatamente como determina o art. 682 do RIR/99, cuja matriz legal encontrase no art. 97, alínea “a”, do DecretoLei nº 5.844/43, e o art. 2º. § 3º da Lei nº 10.168/2000, respectivamente. A decisão recorrida invocou o art. 123 do CTN para tentar justificar o aumento da base de cálculo, uma vez que esta não poderia ficar ao sabor da vontade das partes, diante da faculdade de disporem contratualmente acerca da assunção do ônus do IRRF. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Ora, todos os elementos das hipóteses e dos consequentes normativos estão especificados nas leis que instituíram os dois tributos. No caso concreto, o contribuinte do IRRF continuará sendo o fornecedor da tecnologia no estrangeiro. E o contribuinte da CIDE continuará sendo o tomador da tecnologia no Brasil. O fato do tomador da tecnologia assumir o encargo pelo pagamento do IRRF, não o transforma em contribuinte desse imposto e não significa que está opondo à Fazenda Pública uma convenção particular para alterar a definição legal de sujeito passivo. Os valores a serem recolhidos a título de IRRF e de CIDE serão exatamente os mesmos, quer o IRRF seja pago pelo fornecedor da tecnologia, quer seja pago pelo tomador da tecnologia. Acrescentese, ainda, que é inaplicável à espécie o art. 725 do RIR/99, uma vez que essa regra se destina apenas ao reajustamento da base de cálculo do Imposto de Renda, não sendo possível aplicála por analogia à CIDE ou a qualquer outro tributo. Não se olvide que o art. 150, I da CF/88 e o art. 97, IV, do CTN estabelecem que somente a lei pode dispor sobre o critério quantitativo do consequente da regramatriz de incidência do tributo. No caso dos autos, o contribuinte comprovou o pagamento feito ao fornecedor domiciliado no exterior no montante de R$ 8.654.891,59, por meio do extrato do Banco Central no qual está registrada a operação de câmbio (fl. 16). Assim, é sobre esse valor que deve incidir a alíquota de 10%, prevista no § 3º, resultando no valor de R$ 865.489,16, que deveria ter sido recolhido em relação ao mês de dezembro de 2001. Em vez disso, o contribuinte recolheu R$ 1.018.222,54, conforme comprovantes de fls. 23 e 24, por ter adicionado ao valor da remuneração destinada ao exterior o valor do IRRF incidente sobre a mesma remessa. Desse modo, é evidente que existe um excesso de pagamento de R$ 152.733,38, em valor original, passível de ser compensado com débitos do próprio contribuinte. Relativamente ao fato da DCTF não ter sido retificada, este Colegiado tem decidido reiteradamente no sentido de que essa circunstância, de ordem meramente formal, não afasta a existência do pagamento indevido e, tampouco, impede o reconhecimento dos direitos de crédito e de compensação. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito do contribuinte compensar o indébito decorrente do pagamento indevido da CIDE e para cancelar a exigência albergada neste processo. Antonio Carlos Atulim Fl. 90DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 16327.000300/2010-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS DE INCORPORADA. DEDUÇÃO PELA INCORPORADORA. INEXISTÊNCIA DE PRAZO. Comprovada a observância dos requisitos legais de dedutibilidade, não há vedação legal para que as perdas no recebimento de crédito da incorporada sejam aproveitadas pela incorporadora. Isso porque a lei não estabelece prazo máximo para esse procedimento.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 1402-001.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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DEDUÇÃO PELA INCORPORADORA. INEXISTÊNCIA DE PRAZO. Comprovada a observância dos requisitos legais de dedutibilidade, não há vedação legal para que as perdas no recebimento de crédito da incorporada sejam aproveitadas pela incorporadora. Isso porque a lei não estabelece prazo máximo para esse procedimento. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 03 00 /2 01 0- 26 Fl. 4561DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.000300/201026 Acórdão n.º 1402001.127 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório COMPANHIA SECURITIZADORA DE CREDITOS FINANCEIROS RUBI recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 12771289, em fiscalização empreendida junto à contribuinte supramencionada, referente ao anocalendário (AC) de 2005, o AuditorFiscal constatou os fatos a seguir relacionados: 1. DESCRIÇÃO DOS FATOS 1.1. A COMPANHIA SECURITIZADORA DE CRÉDITOS FINANCEIROS RUBI, CNPJ 01.222.069/000122, sucessora por incorporação da COMPANHIA SECURITIZADORA DE CRÉDITOS FINANCEIROS BOAVISTA, CNPJ 02.749.220/000148, apurou Lucro Real Trimestral na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica do anocalendário de 2005. 1.2. Nos 1º e 2º trimestres de 2005, nos ajustes efetuados ao Lucro Líquido, dentre as exclusões, encontramos o item Outras Exclusões, linha 39 da ficha 09A – Demonstração do Lucro Real, declarados com os valores de R$132.528.350,00 e R$43.656.692,00 (fls. 1278). 1.3. Intimada em 08/09/2009 (fls. 02) a prestar esclarecimentos sobre as contas que compõem os valores lançados a título de Outras Exclusões na DIPJ para o período referido, a contribuinte apresentou em 07/10/2009 o “demonstrativo analítico referente às perdas em operações de crédito apuradas de acordo com o artigo 9º da Lei nº 9.430/96, no ano calendário de 2005, informadas na ficha 09A, linha 39, da DIPJ 2006” (fls. 0829). Tais operações originaramse de cessão de créditos. 1.4. No curso do procedimento fiscal foi solicitado à contribuinte, por meio das intimações de 14/10/2009 e 14/12/2009 (fls. 30 e 41) o fornecimento de documentação complementar ao demonstrativo apresentado em 07/10/2009, bem como: contratos de cessão de créditos contendo relação dos créditos objeto da cessão, respectivos mutuários e características específicas da operação; lançamentos contábeis escriturados pela contribuinte decorrentes das operações de crédito e razão das contas envolvidas. 1.5. Em 14/12/2009 a contribuinte apresentou os esclarecimentos a seguir (fls.4243, documentos anexos às fls. 44557), relativos às perdas em operações de crédito lançadas na ficha 09A, nos 1º e 2º trimestres de 2005: “1 – Contrato de Cessão de Créditos celebrados em 29/12/1999 (R$144.622.754,00) e 29/12/1998 (R$158.397.672,14), tendo como cedente o Banco Boavista Interatlântico S/A – CNPJ 33.845.541/000106 e como cessionária a Cia. Securitizadora de Créditos Financeiros Boavista – CNPJ 02.749.220/000148. As referidas cessões foram efetuadas tomandose por base os saldos contábeis das contas de Empréstimos e Financiamentos no BancoBoavista, nas datas de venda. Fl. 4562DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.000300/201026 Acórdão n.º 1402001.127 S1C4T2 Fl. 0 3 2 – Conforme registros constantes no Lalur nº 01 da Cia. Securitizadora de Créditos Financeiros Boavista, página nº 15 – Apuração do Lucro Real do anobase de 1999, foi procedida a adição da Provisão para Perdas com Operações de Crédito, no valor de R$275.992.277,16, procedendose o devido registro na parte B do Lalur. 3 – Conforme registros constantes no Lalur nº 02 da Cia. Securitizadora de Créditos Financeiros Boavista, página nº 13 – Apuração do Lucro Real do anobase de 2000, foi procedida a Adição da Provisão para Perdas com Operações de Crédito, no valor de R$2.488.530, 54, e exclusão de Reversão de Provisão para Operações de Crédito no valor de R$1.414.844,99, procedendose os devidos registros na parte B do Lalur, página 26, passando o saldo de R$275.992.117,16 para R$277.065.962,71. 4 – Conforme registros constantes nos Lalur nº 03 a 06 da Cia. Securitizadora de Créditos Financeiros Boavista, nas apurações do Lucro Real dos anosbase de 2001 a 2003, foram procedidas exclusões de Reversão de Provisão para Operações de Crédito no valor de R$14.000,09, procedendose os devidos registros na parte B do Lalur, passando o saldo em 31/12/2003 de R$277.065.962,71 para R$277.051.652,62. 5 – Conforme registros constantes no Lalur nº 07 da Cia. Securitizadora de Créditos Financeiros Boavista, página nº 17 – Apuração do Lucro Real do anobase de 2004, foi procedida exclusão de Reversão de Provisão para Operações de Crédito no valor de R$26.079.121,81, procedendose os devidos registros na parte B do Lalur, passando o saldo em 31/12/2003 de R$277.951.652,62 para R$250.972.530,81. 6 – Em 30/12/2004, a Cia. Securitizadora de Créditos Financeiros Boavista, conforme AGE em anexo, foi incorporada pela Cia. Securitizadora de Créditos Financeiros Interatlântico S/A, CNPJ 01.222.069/000122, assim o saldo da Provisão para Operações de Crédito no valor de R$250.972.530,81, da Cia. Securitizadora de Créditos Financeiros Boavista, foi transferido para o Lalur nº 08, da Cia. Securitizadora de Créditos Financeiros Interatlântico, página 17 – Parte B – Provisão para Operações de Crédito – Cia. Securitizadora de Créditos Financeiros Interatlântico. [Cia Securitizadora de Créditos Financeiros Interatlântico é a antiga denominação da Cia. Securitizadora de Créditos Financeitos Rubi]. 7 – Conforme registros constantes no Lalur nº 09 da Cia. Securitizadora de Créditos Financeiros Rubi, página nº 04 – Apuração do Lucro Real dos 1º e 2º trimestres de 2005, foram procedidas exclusões referentes à Dedutibilidade das Perdas com operações de Crédito – Lei 9.430/96, nos valores de R$132.528.350,00 e R$43.656.692,00, respectivamente, procedendose os devidos registros na parte B do Lalur, página 13, as referidas dedutibilidades foram devidamente registradas contabilmente, conforme razões em anexo.” 1.6. A contribuinte anexou cópias dos Livros de Apuração do Lucro Real citados (fls. 67–557), porém, com relação aos Contratos de Cessão de Créditos firmados entre o cedente Banco Boavista Interatlântico S/A – CNPJ 33.485.541/000106 e a cessionária Cia. Securitizadora de Créditos Financeiros Boavista – CNPJ 02.749.220/000148, foram enviadas apenas a primeira e última páginas de cada contrato (fls. 4447). 1.7. Intimado a apresentar cópia integral do Contrato de Cessão de Créditos celebrados em 29/12/98 e 29/12/99, assim como cópias de alguns contratos firmados Fl. 4563DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.000300/201026 Acórdão n.º 1402001.127 S1C4T2 Fl. 0 4 com os clientes e respectivas peças processuais e/ou comprovação de cobrança administrativa (fls. 558), a contribuinte apresentou a documentação anexada às fls. 5701189. 1.8. Analisando a planilha intitulada “Perdas dedutíveis em Operações de Crédito, art.9º da Lei nº 9.430/1996”, apresentada pela contribuinte às fls. 0829, cujos montantes totais foram excluídos do Lalur como perdas de recebimento de créditos, nos 1º e 2º trimestres de 2005, constatamos que todos os contratos apresentavam datas de vencimento nos anos de 1995, 1996, 1997 e 1998, e as datas em que foram iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento ocorreram em 1995, 1996, 1997, 1998, 1999 e 2000, conforme fls. 0829 e 1.2621.276. 1.9. Da análise dessas tabelas e da amostragem apresentada pela contribuinte entendemos que esses créditos já teriam atendido todas as condições legais para tornaremse dedutíveis na Boavista, de acordo com o artigo 9º da Lei nº 9.430/96. Ocorre que a Boavista manteve esses créditos controlados na Parte B do Lalur, desde a cessão até 2003, realizando pequenos ajustes. Em 2004, por ocasião de sua incorporação pela Rubi, realizou a exclusão parcial de R$26.079.121,81 a título de Reversão de Provisão para Operações de Crédito, procedendose os devidos registros na parte B do Lalur, que passou a contar com o saldo de R$250.972.530,81. Em 30/12/2004, por ocasião da incorporação da Boavista, houve a transferência via parte B do Lalur do saldo de R$250.972.530,81. No ano seguinte, 2005, a Rubi procedeu à exclusão dos valores de R$132.528.350,00 e R$43.656.692,00, nos 1º e 2º trimestres, respectivamente. 2. DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. 2.1. Do Fato Gerador do IRPJ. No âmbito tributário, a valoração jurídica de um fato concreto está adstrita à perfeita consonância com a regra tributária, geral ou especial, conforme o caso, que se coadune com a situação jurídica em causa, conforme art.109 do CTN: Art.109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. 2.2. Portanto, ao intérprete é vedado o uso dos princípios do direito privado para buscar os efeitos tributários de determinado fato. No campo tributário prevalece o princípio da estrita legalidade. Se um fato puder ser conceituado no direito privado e no direito tributário de formas diversas, haverá de prevalecer, para fins fiscais, o conceito fiscal, vedada qualquer pretensão de equiparálas, a partir do efeito econômico. Com isso, pode haver perda patrimonial, no âmbito do direito privado, provocada por determinada situação jurídica, cujo impacto negativo na base de cálculo de determinadas exações seja impedido pelo direito tributário. 2.3. Despesas Operacionais. Norma de caráter geral. A conceituação das despesas operacionais foi introduzida em 1964 pelo art.47 e §§ da Lei nº 4.506, inseridos atualmente no art.299 (fls. 1282) do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99). Tratase de norma geral que admite a dedutibilidade de certos dispêndios quando atendidos os requisitos de efetividade, necessidade e normalidade nas transações da contribuinte. Porém, a aplicação dessa norma só tem lugar quando não houver norma especial regendo a matéria de forma particularizada. 2.4. Perdas na realização de créditos. Norma de disciplinamento especial. Os art. 9º, 10, 11 e 12 da Lei nº 9.430/96 (fls. 12821284) versam sobre perdas no recebimento Fl. 4564DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.000300/201026 Acórdão n.º 1402001.127 S1C4T2 Fl. 0 5 de créditos, não podendo ser interpretados de forma isolada a partir de seus artigos e parágrafos. 2.5. A Lei nº 9.430/96 fixou critérios para que as despesas referentes a créditos de liquidação duvidosa fossem consideradas dedutíveis para efeitos de apuração do imposto sobre a renda. No caput do art.9º a expressão perdas no recebimento de créditos deve ser entendida como o resultado negativo apurado ao final de um conjunto de atos empreendidos para o recebimento do crédito frente ao devedor, e outros – insuficiência de bens arrestados em garantia, insolvência do devedor e outros resultados negativos do mesmo gênero; entretanto, nem toda perda é dedutível; somente aquelas que preencherem os requisitos dessa lei. 2.6. Conforme os art.9º a 12 da Lei nº 9.430/96, concluise que a norma diferencia: perdas efetivas: quando há declaração de insolvência do devedor emanada em sentença do Poder Judiciário; perdas temporárias: pressupõem a continuidade da cobrança pelo prazo de cinco anos para créditos acima de R$5.000,00; acontecem somente quando certas condições objetivas, como tempo decorrido de inadimplência, procedimentos judiciais ou de cobrança, forem atendidas pelo credor em relação a cada crédito, perdas definitivas: decorrente da perda temporária, ocorre quando o crédito não é liquidado pelo devedor no prazo de cinco anos do vencimento, ainda que mantidos os procedimentos de cobrança. A presente autuação inserese nesta modalidade de perda. 2.7. A Lei nº 9.430/96 fixou os critérios para que as perdas referentes a créditos de liquidação duvidosa fossem consideradas dedutíveis para efeitos do imposto de renda. Para ter direito a essas deduções, além de atender as condições contidas no art.9º dessa lei, a contribuinte deve contabilizálas conforme determina o art.10 da mesma lei. Notese que essa norma não prevê exceção nesta forma de contabilização. Não há, pois, nenhum impedimento para que sejam efetuadas provisões, desde que todo o valor provisionado seja adicionado ao lucro líquido a fim de se apurar o lucro real e, na medida em que os créditos de liquidação forem atendendo os requisitos exigidos pelo art.9º da Lei nº 9.430/96, deverão ser revertidos da provisão, contabilizandose como perda, conforme previsto no art.10º referido, excluindose tal valor para efeito de apuração do lucro real – Lalur. 2.8. No caso em questão já havia transcorrido o prazo de cinco anos de vencimento dos créditos elencados pela Rubi cujas perdas foram excluídas para apuração do lucro real, nos 1º e 2º trimestres de 2005. As datas de vencimento dos contratos, ocorreram em 1995, 1996, 1997 e 1998, conforme planilha apresentada pela contribuinte às fls. 12621276. Tais perdas, portanto, já haviam deixado de ser TEMPORÁRIAS para serem classificadas como PERDAS DEFINITIVAS antes do evento da incorporação da Boavista pela Rubi em 31/12/2004. 2.9. Concluise que a incorporada Boavista poderia, antes da incorporação, ter reconhecido os efeitos contábeis das PERDAS DEFINITIVAS, porém só o fez parcialmente em 2004, quando da incorporação pela Rubi. Em sua DIPJ/2004, por ocasião do evento de incorporação, abrangendo o período de 01/01/2004 a 31/12/2004, excluiu R$26.079.121,81 a título de “Reversão de Provisão de Operações de Crédito”, tendo apurado um lucro real de R$2.606,47. Nesse momento o saldo na parte B do Lalur passou de R$277.051.652,52 para R$250.972.530,81. Esse saldo da parte B do Lalur da Boavista foi integralmente transferido para a incorporadora. Fl. 4565DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.000300/201026 Acórdão n.º 1402001.127 S1C4T2 Fl. 0 6 2.10. O reconhecimento de perdas em períodos posteriores ao permitido pelo art.9º citado, em tese, é possível, desde que não produza efeitos fiscais diversos daquele que seria obtido se realizado no momento próprio, conforme preconiza o art.34 da IN SRF 11, de 21/02/96, que, embora anterior à lei, nesse particular com ela não colide: Art.34. Para efeito de determinação do lucro real, as exclusões do lucro líquido, em períodobase subsequente àquele em que deveria ter sido procedido o ajuste, não poderão produzir efeito diverso daquele que seria obtido, se realizadas na data prevista. 2.11. Na situação em análise, o que houve foi a postergação das baixas das perdas definitivas, produzindo efeito fiscal diverso daquele que seria obtido caso atendidas as condições previstas no art.9º e 10º da Lei nº 9.430/96. Se a Boavista procedesse à exclusão de todas as operações de créditos vencidas em diversas datas ao longo dos anos de 1995 a 1998, de acordo com as normas de dedutibilidade previstas na Lei nº 9.430/96, o resultado seria a apuração de prejuízo fiscal. Ocorre que com a incorporação pela Rubi, esse prejuízo não mais poderia ser compensado pela incorporadora. 2.12. A conduta adotada pela fiscalizada de transferir o saldo restante das perdas registradas na Parte B do Lalur da Boavista para a parte B do Lalur da Rubi, e excluir do lucro líquido apurado nos 1º e 2º trimestres de 2005 as perdas transferidas pela Boavista, culminou no citado efeito fiscal diverso, pois foi transferido o prejuízo de R$132.528.350,00 e R$43.656.692,00. Se não houvesse tal procedimento, a incorporadora Rubi não poderia absorver esse prejuízo, pois a pessoa jurídica sucessora por incorporação não pode compensar prejuízos fiscais da sucedida (art.514 do RIR/99, art.33, parágrafo único, do DecretoLei nº 2.341/87). 2.13. Notese que as empresas Rubi e Boavista, por ocasião da incorporação, tinham como único sócio o Banco Bradesco S/A, CNPJ 60.746.948/000112, e apresentavam os mesmos representantes (fls. 12361240). 2.14. Também no que concerne à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, está caracterizado o ilicito fiscal face ao disposto no art.28 da Lei nº 9.430/96: Art.28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos art. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. 3. DA BASE DE CÁLCULO TRIBUTÁVEL. 3.1. Em decorrência das infrações apuradas, elaboramos demonstrativos de recomposição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL para o anocalendário de 2005 (fls. 1288), adicionando os valores referidos, resultando em retificação do saldo de prejuízo fiscal e de base negativa da contribuição social sobre o lucro, conforme Demonstrativos das Compensações de Prejuízos Fiscais e de Bases Negativas (fls. 13021303). 4. DA PENALIDADE APLICÁVEL. 4.1. Ao valor da contribuição e do imposto devidos será acrescida multa de 75% e juros de mora, conforme art.44, I, e art.6º, §2º, ambos da Lei nº 9.430/96. 5. DO ENQUADRAMENTO LEGAL. Fl. 4566DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.000300/201026 Acórdão n.º 1402001.127 S1C4T2 Fl. 0 7 5.1. A contribuinte infringiu o disposto no art.250, I, e 514, do RIR/99; art.9º a 12 da Lei nº 9.430/96; e art.33 do DecretoLei nº 2.341/87. Será exigida CSLL com base no art.2º da Lei nº 7.689/98; art.28 da Lei nº 9.430/96; e art.37 da Lei nº 10.637/2002. 6. DO ENCERRAMENTO. 6.1. Encerrada a ação fiscal, fica a contribuinte intimado a retificar o saldo de prejuízo fiscal e da base negativa da contribuição social sobre o lucro em seus registros contábeis conforme demonstrativos de fls. 13021303, em decorrência da recomposição das bases de cálculo do IRPJ e CSLL. Os autos de infração (fls. 12901295 e 12961301) foram fundamentados nos seguintes dispositivos legais: (...) DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 13111323, acompanhada dos documentos de fls. 13241337, em síntese alegando que: 1. É falso o raciocínio da autoridade fiscal de que houve postergação em virtude de que a perda definitiva deveria ter sido deduzida numa data predeterminada, que seria após cinco anos do vencimento do crédito não recebido, a despeito de mantidos os procedimentos judiciais de cobrança. Não existe tal norma no ordenamento jurídico. 2. A afirmação de que “a perda definitiva é uma conseqüência da perda temporária e ocorre quando o crédito não é liquidado pelo devedor no prazo de cinco anos do vencimento” é improcedente, pois a redação dos §§1º e 4º do art.10 da Lei nº 9.430/96 não diz que, após cinco anos do vencimento, o crédito não recebido deve ser deduzido fiscalmente, obrigatoriamente nesse momento, e se for deduzido depois, terá sido extemporaneamente. Ela se dirige apenas aos casos em que tenha havido desistência da ação de cobrança de crédito cuja dedução antecipada foi autorizada pelos incisos II e III do §1º do art.9º da Lei nº 9.430/96, sob condição de terem sido iniciados e mantidos os procedimentos judiciais de cobrança. 3. A lei também não impede que as medidas judiciais de cobrança prossigam após o decurso do prazo de cinco anos do vencimento do crédito, e que, no futuro, a empresa desista dessas medidas, sem qualquer reflexo fiscal. 4. O final do prazo de cinco anos após o vencimento do crédito estabelece uma espécie de presunção legal de perda definitiva, contra a qual o fisco não pode se rebelar, mas não se trata de firmar uma data de dedução obrigatória, ou de dedução a ser feita obrigatoriamente ao término desse tempo. O que a lei faz é conceder à contribuinte uma faculdade de deduzir definitivamente a perda no prazo por ela fixado como razoável, caso ele tenha iniciado e mantido uma ação judicial de cobrança até o final desse tempo. 5. O caráter facultativo das deduções permitidas advém da própria redação do art.9º, o qual menciona que as perdas “poderão ser deduzidas como despesas”, ou que os créditos “poderão ser registrados como perda”. Esse caráter facultativo prolongase no tempo, pois após ser admitida a dedução provisória, resta ainda a possibilidade de dedução posterior, porque a lei se refere ao requisito temporal, aludindo ao vencimento ocorrido “há mais de” um tempo variável, conforme o caso. Consequentemente, mesmo depois do períodobase em que a contribuinte preenche os requisitos, o crédito continua vencido “há mais” do que o tempo requerido para Fl. 4567DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.000300/201026 Acórdão n.º 1402001.127 S1C4T2 Fl. 0 8 que a dedução provisória já possa ser tomada, havendo possibilidade de fazêla em períodobase posterior. O que o art.9º requer é um tempo mínimo a partir do qual, cumprida a condição de haver medida de cobrança, é possível a dedução provisória, mas não há imposição de dedução nesse momento. 6. A dedução facultativa das perdas, quando ainda consideradas provisórias, tem nítido caráter provisional, e a dedução fiscal de provisões sempre foi uma opção colocada à disposição dos contribuintes. A dedução antecipada da perda é faculdade legal que a contribuinte usa discricionariamente, sem comprometer o direito à dedução posterior da perda, quando ainda provisória, ou quando já definitiva, desde que observados os respectivos requisitos legais. Com o art.10 ocorre a mesma regra, eis que a permissão de baixa definitiva é concedida pelo § 4º mediante emprego do verbo “poder”, e não “dever”: “poderão ser baixados definitivamente.” 7. Portanto, não há qualquer obrigatoriedade de dedução imposta pela lei, e muito menos uma data por ela predeterminada para uma dedução, não se podendo dizer que a dedução foi postergada porque feita após a data prevista. 8. Sobre o verbo “poder” ser empregado para indicar faculdade, existem normas como os Pareceres Normativos CST nº 364/71 e 79/76, e art.305 do RIR/99, que tratam de depreciação/amortização, confirmam esse raciocínio. 9. Consta do TVF o art.47 da Lei nº 4.506 (art.299 do RIR/99). Não obstante, as perdas no recebimento de créditos atendem a todos os requisitos de dedutibilidade, eis que decorrem da atividade empresarial da impugnante, como também eram da empresa incorporada, sendo normais e usuais em suas atividades e operações. Assim não cabe, também sob essa norma, a glosa do prejuízo sofrido. 10. Em conclusão, não procedem os autos de infração, por não ser verdade que a dedução da perda definitiva dos créditos teria que ocorrer no final do prazo de cinco anos contados do vencimento de cada crédito, cujo prazo já se encerrara antes da incorporação da pessoa jurídica que os detinha. Todos os créditos questionados estavam sob medidas judiciais de cobrança na data da incorporação, como comprovado durante a fase de fiscalização, e não haviam sido objeto de dedução a título de perdas provisórias. 11. Requer o cancelamento integral dos autos de infração, bem como provar o que for necessário por todos os meios de prova, e que futuras intimações sejam efetuadas em nome dos advogados nomeados na procuração apresentada, no endereço indicado às fls. 1322. A decisão recorrida está assim ementada: PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. Não comprovada a observância dos requisitos legais de dedutibilidade, a perda registrada deverá ser adicionada ao lucro líquido para determinação do lucro real. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Não comprovada o observância dos requisitos legais de dedutibilidade, a perda registrada deverá ser adicionada ao lucro líquido para determinação da base de cálculo da CSLL. Fl. 4568DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.000300/201026 Acórdão n.º 1402001.127 S1C4T2 Fl. 0 9 NULIDADE. CANCELAMENTO. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, não há que se falar em anulação ou cancelamento da autuação. INTIMAÇÕES. ENDEREÇO POSTAL DO CONTRIBUINTE. As intimações devem ser enviadas ao endereço postal fornecido pelo contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Impugnação Improcedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta os fundamentos do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, conclui e requer (verbis): “(...) V — EM CONCLUSÃO Em conclusão, não procedem os autos de infração, por não ser verdadeira a sua premissa de que a dedução da perda definitiva dos créditos deveria ter ocorrido no exato encerramento do prazo de cinco anos contados do vencimento de cada um deles, cujo prazo já se encerrara antes da incorporação da pessoa jurídica que os detinha. Ao contrário, todos os créditos questionados estavam sob medidas judiciais de cobrança na data da incorporação, como comprovado durante a fase de fiscalização, e não haviam sido objeto de dedução a título de perdas provisórias, fatos estes não contestados pela digna AFRF, nem colocados em dúvida pela decisão ora recorrida. Deste modo, a recorrente pôde deduzilos em caráter definitivo posteriormente à incorporação, nos termos da lei. E foi assim que procedeu. VI — A DECISÃO RECORRIDA Como dito anteriormente, a r. decisão recorrida nada acrescentou ao que fora dito no TVF, em temos de fundamentação, havendo, pois, pouco a adicionar aos fundamentos deste recurso, retroexpostos. Realmente, à fls. 1352, diz a decisão: "De início, cabe salientar que a autuação no caso em tela decorreu de exclusão não autorizada na apuração do lucro real. No caso, tratase de perdas no recebimento de créditos que foram excluídas do lucro líquido em períodobase subsequente àquele em que deveria ter sido procedido o ajuste, produzindo efeito diverso daquele que seria obtido se realizadas na data prevista." Portanto, a decisão recorrida repisa na mesma tecla dos autos de infração, a qual não está conforme à lei, já que esta não tem uma "data prevista" em que a dedução deva ser obrigatoriamente tomada. A seguir, depois de transcrever os dispositivos legais envolvidos na lide — exatamente os art. 9o. e 10 da Lei n. 9430 — a decisão diz o seguinte (fls. 1354): Fl. 4569DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.000300/201026 Acórdão n.º 1402001.127 S1C4T2 Fl. 0 10 "Como se trata de dedução, não há obrigatoriedade para sua utilização, daí o parágrafo 1 0 do art. 90 da Lei n. 9430196 se utilizar do verbo poder', no sentido de haver a faculdade ou a possibilidade de se usar essa dedução. Porém, percebese que há uma data a partir da qual é prevista essa dedução." (grifo do recurso) Com o devido respeito, há uma contradição entre esses dois parágrafos, pois o primeiro reconhece não haver obrigatoriedade da dedução permitida pelo art. 9 0 , o que está absolutamente correto, mas torna sem sentido a afirmação de haver uma data prevista para a dedução. Talvez para afastar essa contradição se pudesse pensar que a faculdade haveria apenas para a dedução provisória sob o art. 9 11 , e não para a definitiva sob o art. 10, inclusive tendose em vista que, três parágrafos abaixo, está dito que "o art. 10 da mesma lei estabelece a obrigatoriedade de registro contábil das perdas". Ocorre, entretanto, que, não é esta a razão da decisão, como se verá logo adiante. Além disso, como já foi visto anteriormente, não há essa obrigatoriedade no art. 10, o qual, ademais, somente trata das baixas definitivas de créditos que tenham deduzidos provisoriamente segundo o art. 9 1, que não é o caso da recorrente nem da sua sucedida. Isto é, se tivesse havido a dedução provisória, a baixa definitiva poderia ser processada após cinco anos, sem qualquer conseqüência fiscal, mas não precisaria ser processada obrigatoriamente nessa data. Isto é assim porque a razão de a lei fixar o marco de cinco anos é apenas a de submeter os créditos deduzidos provisoriamente, sob cobrança judicial, à manutenção dessa medida por pelo menos cinco anos, e não há qualquer previsão, nem sequer implícita, de que eles devam ser obrigatoriamente baixados na exata data de encerramento desse prazo. Muito menos ainda quando se trata de créditos que não foram objeto de dedução provisória, e cujas ações de cobrança prosseguiram depois de encerrados os cinco anos. Sendo assim, a afirmação de que há uma data prevista para a dedução definitiva cai no vazio. De mais a mais e aqui não se pode negar a contradição da decisão recorrida—, a razão pela qual ela admitiu ser facultativa a dedução provisória está no verbo "poder', já que, como ela mesma diz, "como se trata de dedução, não há obrigatoriedade para sua utilização, dai o parágrafo 1o. do art. 9o. da Lei n. 9430/97 se utilizar do verbo 'poder"'. (grifado aqui) Ora, o mesmo verbo consta do parágrafo 4o. do art. 10, que diz literalmente que "os valores registrados na conta redutora do crédito referida no inciso 1 do 'caput' poderão ser baixados definitivamente". (grifado aqui) Em suma, se o antecedente da norma cobrisse a situação fática dos autos, ainda assim a baixa definitiva poderia, mas não precisaria ser feita obrigatoriamente na data referida por ela. A própria decisão recorrida vem neste sentido, pois, exatamente a respeito do art. 10, acrescenta nas mesmas fls. 1354: "Até aqui, não há discordância, visto que, como Fl. 4570DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.000300/201026 Acórdão n.º 1402001.127 S1C4T2 Fl. 0 11 dito, a legislação, ao usar o verbo 'poder', facultou a utilização dessa dedução a contribuinte". (grifado aqui) Se é assim, não há como justificar que havia uma data prevista para a dedução e que, tendo a dedução sido feita após essa data, ocorreu postergação indevida da mesma. Nem mesmo a alusão ao art. 34 da Instrução Normativa SRF n. 11196 vem em socorro da pretensão fiscal, uma vez que esta também pressupõe (como não poderia deixar de ser) a existência de um momento certo e determinado para a dedução, tal como o diz explicitamente: "Art. 34 Para efeito de determinação do lucro real, as exclusões do lucro líquido, em períodobase subsequente àquele em que deveria ter sido procedido o ajuste, não poderão produzir efeito diverso daquele que seria obtido, se realizadas na data prevista." (grifo do recurso) Na verdade, E. Conselho, essa disposição normativa, que não passa de reflexo da norma legal do art. 60 do Decretolei n. 1598, aplicase quanto à dedução de despesas incorridas em determinada data (a data em que forem definitiva e incondicionalmente devidas, segundo o lúcido esclarecimento do Parecer Normativa CST n. 58/77 ), hipótese em que, em obediência ao regime de competência, têm que ser reconhecidas nessa data, assim como as receitas devem ser obrigatoriamente computadas quando definitivamente adquiridas. Situação muito diversa é a das perdas no recebimento de créditos, que estão sujeitas à variáveis de possibilidades diversas quanto à sua realização. Neste quadro, não há como manter a afirmação da r. decisão recorrida, igual à do TVF, de que a dedução já deveria ter sido procedida pela pessoa jurídica incorporada pela recorrente, a fim de justificar a aplicação do disposto no art. 33 do Decretolei n. 2341. VII — PEDIDO FINAL Pelo exposto, requer o acolhimento deste recurso e o seu provimento para, revertendose a decisão recorrida, serem cancelados integralmente os autos de infração. Esclarece que continua não questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos. Face ao exposto, requer seja provido o presente recurso, por ser de DIREITO E JUSTIÇA. (...)” É o relatório. Fl. 4571DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.000300/201026 Acórdão n.º 1402001.127 S1C4T2 Fl. 0 12 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratamse de autos de infração do IRPJ e CSLL relativos ao anocalendário 2005, totalizando os créditos tributários o valor de R$ 72.083.060,94 e R$ 25.954.348,44, respectivamente, já incluídos juros de mora e multa de oficio. Narra a Fiscalização que a contribuinte apurou Lucro Real trimestral e no primeiro e segundo trimestres, nos ajustes efetuados ao Lucro Líquido, foram efetuadas as exclusões dos valores de R$ 132.528.350,00 e R$ 43.656.692,00, respectivamente. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal TVF, os valores excluídos se referem a perdas de recebimento de créditos, originárias de contratos de cessão de créditos firmados entre o Banco Boavista Interatlântico S/A (cedente) e a Companhia Securitizadora de Créditos Financeiros Boa Vista (cessionária), incorporada pela Companhia de Securitizadora de Créditos Financeiros RUBI (autuada), conforme Ata de 31/12/2004, cujos vencimentos ocorreram nos anos de 1995, 1996, 1997 e 1998 e as ações judiciais para recebimento dos valores foram iniciadas entre 1995, 1996, 1997, 1998, 1999 e 2000 (fls. 8 a 29 e 1.262 a 1.267). Observou a fiscalização que embora os créditos já tivessem atendido as condições legais para serem deduzidos pela BOAVISTA (art. 9º da Lei n.º9.430/97), antes do processo de incorporação pela RUBI, aquela os manteve controlados na Parte B do Lalur, desde a cessão até o ano de 2003, realizando apenas pequenos ajustes. Registra o auditor que por ocasião da incorporação, em 31/12/2004, a Companhia BOAVISTA realizou a exclusão parcial de R$ 26.079.121,81, a título de reversão de provisão para operações de créditos, transferido integralmente o saldo de R$ 250.972.530,81 para a incorporadora Companhia Securitizadora de Créditos Financeiros RUBI (então denominada Cia Securitizadora de Créditos Financeiros Interatlântico). Concluiu a autoridade lançadora que a conduta consistente em transferir o saldo restante das perdas registradas pela BOAVISTA para a RUBI e excluir do lucro apurado, culminou efeito fiscal diverso daquele que teria resultado, caso a BOAVISTA (incorporada) tivesse procedido à exclusão das perdas das operações de créditos ao tempo que preencheu as condições legais. Se a incorporada tivesse procedido segundo a Lei n.º 9.430/97, teria apurado prejuízo fiscal, o qual, porém, não poderia ser aproveitado pela incorporadora, nos termos do art. 514, do RIR/99, o qual veda expressamente à incorporadora compensar os prejuízos fiscais da incorporada Assim considerando, procedeu ao lançamento dos créditos tributários de IRPJ e CSLL, os quais são objeto de questionamento no presente processo administrativo fiscal. O lançamento foi mantido na integralidade pela DRJ, tendo a contribuinte repisado no recurso voluntário a alegação que “não procedem os autos de infração, por não ser verdadeira a sua premissa de que a dedução da perda definitiva dos créditos deveria ter ocorrido no exato encerramento do prazo de cinco anos contados do vencimento de cada um deles, cujo prazo já se encerrara antes da incorporação da pessoa jurídica que os detinha.” Fl. 4572DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.000300/201026 Acórdão n.º 1402001.127 S1C4T2 Fl. 0 13 Pois bem. A dedução de perdas em operações de crédito obedece às regras estabelecidas no artigos 9º e 10 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, a seguir reproduzidos: Dedução Art. 9º As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. § 1º Poderão ser registrados como perda os créditos: I em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário; II sem garantia, de valor: a) até R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; b) acima de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) até R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; c) superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; III com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias; IV contra devedor declarado falido ou pessoa jurídica declarada concordatária, relativamente à parcela que exceder o valor que esta tenha se comprometido a pagar, observado o disposto no § 5º. § 2º No caso de contrato de crédito em que o não pagamento de uma ou mais parcelas implique o vencimento automático de todas as demais parcelas vincendas, os limites a que se referem as alíneas a e b do inciso II do parágrafo anterior serão considerados em relação ao total dos créditos, por operação, com o mesmo devedor. § 3º Para os fins desta Lei, considerase crédito garantido o proveniente de vendas com reserva de domínio, de alienação fiduciária em garantia ou de operações com outras garantias reais. § 4º No caso de crédito com empresa em processo falimentar ou de concordata, a dedução da perda será admitida a partir da data da decretação da falência ou da concessão da concordata, desde que a credora tenha adotado os procedimentos judiciais necessários para o recebimento do crédito. § 5º A parcela do crédito cujo compromisso de pagar não houver sido honrado pela empresa concordatária poderá, também, ser deduzida como perda, observadas as condições previstas neste artigo. § 6º Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas. Fl. 4573DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.000300/201026 Acórdão n.º 1402001.127 S1C4T2 Fl. 0 14 Registro Contábil das Perdas Art. 10. Os registros contábeis das perdas admitidas nesta Lei serão efetuados a débito de conta de resultado e a crédito: I da conta que registra o crédito de que trata a alínea a do inciso II do § 1º do artigo anterior; II de conta redutora do crédito, nas demais hipóteses. § 1º Ocorrendo a desistência da cobrança pela via judicial, antes de decorridos cinco anos do vencimento do crédito, a perda eventualmente registrada deverá ser estornada ou adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao período de apuração em que se der a desistência. § 2º Na hipótese do parágrafo anterior, o imposto será considerado como postergado desde o período de apuração em que tenha sido reconhecida a perda. § 3º Se a solução da cobrança se der em virtude de acordo homologado por sentença judicial, o valor da perda a ser estornado ou adicionado ao lucro líquido para determinação do lucro real será igual à soma da quantia recebida com o saldo a receber renegociado, não sendo aplicável o disposto no parágrafo anterior. § 4º Os valores registrados na conta redutora do crédito referida no inciso II do caput poderão ser baixados definitivamente em contrapartida à conta que registre o crédito, a partir do período de apuração em que se completar cinco anos do vencimento do crédito sem que o mesmo tenha sido liquidado pelo devedor. Os dispositivos são igualmente aplicáveis à apuração da base de cálculo da CSLL, conforme prevê o art. 28 dessa mesma lei. Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. Em síntese: o art. 9º fixa as condições segundo as quais é possível (não obrigatória) a dedução provisória de perdas no recebimento de créditos; o art. 10, além de outras regras, prevê que, quanto aos créditos que “eventualmente” (confirmando o caráter facultativo) tenham sido deduzidos em caráter provisional segundo o art. 9º, caso haja desistência da respectiva cobrança judicial antes de cinco anos do vencimento, terão a dedução da perda estornada e tratada como postergada (parágrafos 1º e 2º); o mesmo art. 10 prescreve que, após cinco do vencimento, os créditos que tenham sido deduzidos em caráter provisional podem ser baixados definitivamente, devendose notar, incidentalmente, que, neste caso, não ocorre a dedução fiscal neste momento, pois ela já ocorreu anteriormente (parágrafo 4º). Fl. 4574DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.000300/201026 Acórdão n.º 1402001.127 S1C4T2 Fl. 0 15 A meu ver, caber razão a recorrente quando afirma que a dedução é opcional, e não obrigatória, em qualquer tempo. Vejase aqui a impropriedade de dizer que a dedução deveria ter ocorrido ao cabo de cinco anos. O próprio parágrafo 4º determina que a contrapartida da baixa seja à conta de ativo a receber, e não ao resultado Além de que todas as diretrizes legais retroresumidas utilizam o verbo “poder”, e não o verbo imperativo “dever”, o que bem fixa o caráter facultativo da dedução, notase nitidamente que o parágrafo 4º do art. 10, base central da autuação (segundo o TVF), não tem aplicação ao caso “sub judice”, além de não conter a norma que a fiscalização alega ter. Realmente, o parágrafo 4º pressupõe, como parte da sua hipótese de incidência, que tenha havido dedução antecipada e provisional do crédito nos termos do art. 9º, o que não ocorreu no caso da pessoa jurídica incorporada pela recorrente. Portanto, ele não se aplica na situação fática “sub judice”. Além disso, o parágrafo 4º, em combinação com os parágrafos 1º e 2º, mostra que, após cinco anos de vencimento não mais se aplica a norma de tributação aplicável quando haja desistência da cobrança antes desse prazo, hipótese em que a dedução antes tomada deve ser revertida. De mais a mais, o parágrafo 4º do art. 10 não obriga a: que o contribuinte deduza o valor do crédito nos termos do art. 9º; ou que o contribuinte, que não tiver deduzido o crédito nos termos do art. 9º, tome a dedução obrigatoriamente no término do quinto ano após o vencimento. Por isso, o parágrafo 4º do art. 10 também não impede que a dedução seja tomada em qualquer data futura quando a empresa, que por qualquer razão (inclusive por estar com prejuízo), não tiver utilizado a faculdade de deduzir antecipada e provisoriamente a perda meramente provável. Ou a empresa, ciente das suas conveniências e das possibilidades de realização do seu ativo, pode deixar para reconhecer a perda no momento em que tiver razoável previsão de que não recobrará o seu crédito, e este momento será o momento correto para tomar a dedução contabilmente e perante o IRPJ e a CSL. Isto é, a empresa pode deduzir a perda, desde que atendidos os requisitos do art. 9º, em qualquer momento posterior, antes ou depois de cinco anos do vencimento do crédito. Isto é assim porque, além das razões retroexpostas, o caráter facultativo, já afigurado a partir do momento em que os requisitos do art. 9º estão cumpridos, prolongase no tempo, isto no sentido de que, posteriormente ao primeiro momento em que a dedução provisória é admitida, que é o momento em que estão completas as condições de tempo de vencimento e de iniciação das medidas de cobrança, ainda resta a possibilidade de dedução posterior, isto porque a lei se refere ao requisito temporal, sempre aludindo ao vencimento ocorrido “há mais de” um determinado tempo por ela fixado Fl. 4575DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.000300/201026 Acórdão n.º 1402001.127 S1C4T2 Fl. 0 16 Conseqüentemente, mesmo depois do períodobase em que o contribuinte preenche os requisitos, o crédito continua vencido “há mais” do que o tempo requerido para que a dedução provisória já possa ser tomada, sendo, pois, mantida viva a possibilidade de exercer a faculdade em períodobase posterior. Ou seja, o que o art. 9º requer é um tempo mínimo a partir do qual, se cumprida a outra condição (haver medida de cobrança), é possível obter a dedução provisória, mas não há a imposição da dedução nesse momento. Apenas a título de observação, vejase que no caso “sub judice” havia créditos vencidos em 1995 e 1998, mas algumas ações de cobrança somente foram intentadas em 2000, o que significa que, para os créditos referidos a tais ações, embora vencidos há mais tempo, a segunda condição para a dedução temporária, se tivesse sido tomada, somente teria sido preenchida no ano de 2000. Verificase dos autos que as respectivas ações estavam em andamento, e que os valores envolvidos eram significativos e não haveria qualquer vantagem fiscal em tomar a dedução antecipada. Por sua vez, a a recorrente manteve as cobranças judiciais dos créditos que absorveu, tal como a pessoa jurídica incorporada teria feito se não tivesse sido extinta. Conforme asseverado pela recorrente, muitos anos depois da incorporação houve inúmeros eventos típicos de ações de cobrança que se prolongam no tempo, tais como início de execução, suspensão de execução, constrição para réu entregar bens sob pena de prisão, pedido de expedição de ofícios para a Receita Federal e o Detran, arquivamento de autos, extinção de ação por acordo judicial, tentativa de penhora “on line”, audiência de conciliação, extinção de feito revertida através de apelação, cobrança julgada indevida e objeto de apelação, prova pericial, penhora de bens, oferta de hipoteca de imóveis, reativação de processo com curso suspenso. Logo, a recorrente estava cumpridos os requisitos do art. 9º e para ela essa providência tinha efeito prático que era inexistente no caso da pessoa jurídica incorporada. Portanto, não é correta a afirmação do acórdão recorrido, de que “a autuação no caso em tela decorreu de exclusão não autorizada na apuração do lucro real”, eis que ela estava autorizada pelo preenchimento dos respectivos requisitos previstos no art. 9º. Há que se reconhecer o caráter facultativo da dedução, havendo uma a partir da qual é prevista essa dedução, mas não há prazo para efetivala. Realmente, a data a partir da qual a dedução é possível é aquela em que se dá o preenchimento das condições do art. 9º, desde quando o contribuinte pode exercer a faculdade de deduzir, sem haver qualquer outra exigência ou restrição legal. Equivocada também a afirmação de que “o art. 10 da mesma lei estabelece a obrigatoriedade de registro contábil das perdas”, pois não se encontra uma tal ordem no art. 10, o qual, como visto, permite a baixa definitiva da provisão, em contrapartida à conta de ativo a receber. Realmente, se não fosse assim, em todas as incorporações seria necessário investigar se todas as deduções facultativas (por exemplo, depreciações abaixo das taxas da Fl. 4576DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.000300/201026 Acórdão n.º 1402001.127 S1C4T2 Fl. 0 17 RFB) teriam deixado de ser tomadas, de modo a impedir sua posterior prática pela incorporadora. Em suma não há base legal para a glosa da exclusão feita pela contribuinte, haja vista que estavam sendo atendidos os requisitos do art. 9º, o que, inclusive não foi contestado pela fiscalização. Frisese que caso venha a reverter as perdas, a contribuinte deverá oferecer a tributação os valores recebidos. A bem da verdade, embora a recorrente tenha afirmado o contrário, a contribuinte promoveu um planejamento fiscal, que revelouse regular, aproveitandose das permissivas legais. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário e cancelar as exigências. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 4577DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10954.000032/2004-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
COFINS - REGIME NÃO-CUMULATIVO - CRÉDITO RELATIVO AOS SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA
Geram direito a crédito da contribuição à Cofins, apurado nos termos da Lei 10.833/03, os serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matérias-primas.
RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS APURADOS PELO REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. ACRÉSCIMO DA TAXA SELIC. VEDAÇÃO.
Especificamente no caso da COFINS e da contribuição ao PIS apurados pelo regime não-cumulativo, o ressarcimento de saldos credores admitido pelos artigos 5º, §§1o e §2o e 6o, §§1º e 2o das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente, não se sujeita à remuneração pela Taxa SELIC, em virtude de expressa vedação nesse sentido, contida no artigo 13 da Lei nº 10.833/03.
Numero da decisão: 3403-001.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: 1) por unanimidade de votos, reconheceu-se o direito de o contribuinte tomar o crédito relativo aos serviços de movimentação interna de matéria-prima durante o processo produtivo; 2) por maioria de votos, negou-se o direito à correção do ressarcimento da contribuição não cumulativa pela taxa Selic. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Raquel Motta Brandão Minatel (Relatora). Designado o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. O Conselheiro Domingos de Sá Filho acompanhou a relatora pelas conclusões quanto à negativa do direito de apurar créditos sobre o material refratário, argamassa aluminosa, massa de socar, Grafitap, Tape Hole e tubos de aço.
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Raquel Motta Brandão Minatel Relatora
Marcos Tranchesi Ortiz Relator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Domingos De Sa Filho e Liduina Maria Alves Macambira.
Nome do relator: RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS APURADOS PELO REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. ACRÉSCIMO DA TAXA SELIC. VEDAÇÃO. Especificamente no caso da COFINS e da contribuição ao PIS apurados pelo regime nãocumulativo, o ressarcimento de saldos credores admitido pelos artigos 5º, §§1o e §2o e 6o, §§1º e 2o das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente, não se sujeita à remuneração pela Taxa SELIC, em virtude de expressa vedação nesse sentido, contida no artigo 13 da Lei nº 10.833/03. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: 1) por unanimidade de votos, reconheceuse o direito de o contribuinte tomar o crédito relativo aos serviços de movimentação interna de matériaprima durante o processo produtivo; 2) por maioria de votos, negouse o direito à correção do ressarcimento da contribuição não cumulativa pela taxa Selic. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Raquel Motta Brandão Minatel (Relatora). Designado o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. O Conselheiro Domingos de Sá Filho acompanhou a relatora pelas conclusões quanto à negativa do direito de apurar créditos sobre o material refratário, argamassa aluminosa, massa de socar, Grafitap, Tape Hole e tubos de aço. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 4. 00 00 32 /2 00 4- 21 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Antonio Carlos Atulim Presidente Raquel Motta Brandão Minatel – Relatora Marcos Tranchesi Ortiz – Relator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Domingos De Sa Filho e Liduina Maria Alves Macambira. Relatório Tratase de pedido de Ressarcimento de Crédito da COFINS Não Cumulativa, formulado por DOW CORNING METAIS DO PARÁ INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., relativos ao segundo trimestre de 2004, no valor de R$ 910.197,79, apresentado em 26/08/2004. Consta, ainda, dos autos Declarações de CompensaçõesDcomp´s eletrônicas vinculadas aos créditos em exame. O pedido de ressarcimento foi analisado pela unidade da RFB de Marabá, PA, que expediu em 12 de fevereiro de 2010, Informações (fls. 105/119) e Despacho Decisório (fls. 122/123), os quais reconheceram apenas parcialmente o crédito reclamado pelo contribuinte, concedendolhe o valor de R$ 780.467,95, sob os seguintes fundamentos, conforme ressaltado pela autoridade julgadora da manifestação de inconformidade: “(...) (...) sabendo que o contribuinte noticiou vendas para o mercado externo através do demonstrativo supra referido, podemos afirmar que o método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito nos DACON (...) (fls. 90 a 92) do 2º trimestre de 2004 não se coaduna com as disposições regulamentes atinentes à matéria. Com efeito, este trabalho será orientado pelo método do rateio proporcional (Proporção da Receita Bruta Auferida). (...) Em consonância com o que foi exposto acima, apresentase a seguir a justificativa da glosa de cada produto que refletiu no saldo do Crédito da Contribuição para o PIS/PASEP apurado no 2º trimestrecalendário de 2004, tendo em vista a realidade fática de aplicação e utilização de cada um, com fulcro nas informações do processo produtivo apresentadas pelo contribuinte, por meio do Laudo Técnico (fls. 43 a 45): a) Concreto Refratário e respectivo frete (4276 PANMIX AC 2,5 e INTERCON 83 B/ISO 14): utilizado na tampa da panela, na estrutura lateral da panela, na bica e na proteção à coifa metálica que capta fumaça que sai na bica de corrida. Justificativa de glosa: esse material, quando é utilizado na Fl. 256DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10954.000032/200421 Acórdão n.º 3403001.594 S3C4T3 Fl. 256 3 tampa das panelas e na proteção à coifa metálica que capta fumaça na parte externa ao forno, não entra em contato físico com o silício metálico da produção. b) Pasta de Revestimento a frio e a quente e respectivo frete: Enquadrase no conceito de revestimento, conforme item anterior. c) Tap Hole e respectivo frete = Grafitap: utilizado para tamponar os furos de corrida. Justificativa de glosa: não entra em contato físico com o silício em produção. d) Tubo de Aço e respectivo frete: utilizado com insuflamento de 02 para desobstrução dos furos de corrida nos fornos. Justificativa de glosa: não entra em contato direto com o silício metálico da produção. e) Argamassa Aluminosa e respectivo frete: Esse material é utilizado nas panelas para revestir a região de aplicação do Plug e para assentamento de tijolos refratários. (...) a substituição da Argamassa se dará quando da substituição dos mesmos, o que ocorre em 5 a 20 anos. (...) f) Grafitap e respectivo frete: utilizado para tamponar os furos de corrida. Justificativa da glosa: não entra em contato físico com o silício em produção. g) Massa de Socar RAMFRAX 200R e respectivo frete: Utilizada no forno, por isso mantém as mesmas premissas para o concreto. (...) Percebemos que as atividades relacionadas na tabela fornecida (fls. 64 a 80) não se coadunam com o conceito de insumos na forma de serviços posto pela legislação, conforme esclarecem os parágrafos n° 27 a 33, desse parecer. Entretanto o crédito decorrente de serviço de extração de matéria prima e o de transporte de insumo será admitido e transferido para compor o valor relacionado aos bens utilizados como insumos, item anterior. Desconsideramos os serviços, relacionados pela interessada em planilha (fls. 64 a 80), discriminados como serviços de movimentação interna, conforme notas fiscais n° 036, 040 e 041 (abril, maio e junho de 2004), de 29/04/2004, 20/05/2004 e 25/06/2004 respectivamente, emitida pela P.H. Transportes e Construções Ltda, CNPJ 22.060.255/000425, todas no valor de R$ 299.506,50 (fls. 99 a 101), já que estes serviços não apresentam relação direta com a produção, não se enquadram no conceito de serviço de insumo, assim como não são serviços de extração de matéria prima ou de transporte. Ainda serão desconsiderados da relação em planilha (fls. 64 a 80) os valores referentes a aluguel dos meses de abril, maio e junho de 2004, pelos motivos idênticos aos mencionados no Fl. 257DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 parágrafo anterior, observando que esses valores já estão postos pela interessada no Dacon, linha 05, ficha 06. (...) A inserção no Dacon, pela interessada, das despesas com juros de contrato de câmbio, segundo as relações de folhas 50 a 52, do cômputo dos créditos da Cofins, constituiu procedimento equivocado, tendo em vista não existe previsão legal para aproveitamento de crédito da Cofins sobre despesas com juros de contrato de câmbio. Dessa maneira, os referidos dispêndios não se enquadram no conceito de crédito definido pela legislação tributária, por isso foram desconsiderados para o cálculo dos créditos da Cofins, elaborados nesse relatório (fls. 102 a 104). (...) Como é cediço que, no caso, a pessoa jurídica efetuou, concomitantemente, no período de referência deste pedido, operações de vendas de produtos no mercado interno e de exportação de produtos para o exterior, é obrigatório, na apuração dos créditos a serem descontados, informar de forma segregada os custos vinculados às receitas de exportação. Para tanto, o contribuinte poderia ter utilizado um dos seguintes métodos de determinação dos créditos: a) apropriação direta (...); ou b) rateio proporcional. Desta feita, por questões de simplificação utilizouse neste trabalho o método do rateio proporcional como critério para determinação dos créditos da Cofins. Em face do exposto, concluímos que, quando da protocolização deste processo, os montantes dos créditos da contribuição para a Cofins, regime de tributação nãocumulativo, apurados neste trabalho fiscal (...), os quais a Interessada faz jus, correspondem a R$ 780.467,95 (...).” Notificada do conteúdo do Despacho Decisório, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 136/153), em que buscou a reconsideração da decisão e, portanto, revisão do valor concedido a título de Ressarcimento de Crédito da COFINS Não Cumulativa, argumentando, conforme relato da decisão de primeira instância que: “a) No despacho decisório, a autoridade fiscal excluiu da base de cálculo utilizada para apropriação dos créditos alguns dos custos e despesas indicados pela contribuinte, gerando redução do valor pleiteado. Em síntese, o despacho decisório corroborou a maior parte dos dispêndios indicados pela contribuinte, discordando apenas de três hipóteses de apropriação: insumos para manutenção dos fornos industriais e panelas refratárias, serviços de movimentação interna dos insumos básicos, e serviços utilizados na extração, preparação, embalagem e movimentação de outros insumos utilizados na atividade. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10954.000032/200421 Acórdão n.º 3403001.594 S3C4T3 Fl. 257 5 b) Foram excluídos da base de cálculo: concreto refratário, pasta de revestimento, tap hole, tubo de aço, argamassa aluminosa, grafitap e massa de socar Ramfrax 200R. Ocorre que, dentro da sistemática nãocumulativa das Contribuições ao PIS e COFINS verificase que, considerando as Contribuições incidem sobre todas as “Receitas” auferidas, em contrapartida há que se considerar como conceito de Insumo não apenas a matériaprima consumida diretamente no processo produtivo, mas também os demais dispêndios envolvidos no referido processo de fabricação. Nesse sentido, é incontestável que os produtos utilizados na manutenção dos bens de produção, desconsiderados pela Autoridade Administrativa, são imprescindíveis à elaboração do produto final, conforme laudo técnico já trazido aos autos. Tanto o Forno Elétrico como as Panelas Refratárias, conforme descrição das atividades desenvolvidas pela Empresa, são o ponto convergente central do processo de fabricação do silício metálico e da sílicafumê. Logicamente que a conservação de tais bens de produção, especialmente em razão do constante desgaste dos mesmos diante das altas temperaturas a que são submetidos, é parte indissociável do conceito de "processo industrial" desenvolvido pela Contribuinte. Cita Soluções de Consulta. c) O desenvolvimento da atividade da Contribuinte demanda intensa movimentação de matériasprimas e insumos utilizados do processo produtivo. Para tais operações de movimentação interna de matériasprimas insumos e equipamentos, dado o significativo volume a Contribuinte contrata terceiras empresas especializadas. A contratação de tais serviços de movimentação interna é imprescindível e indissociável de todo o processo de produção. Nesse sentido, incontestável que os serviços ora desconsiderados caracterizamse como “fatores de produção” da fabricação do silício metálico e da sílicafumê, vez que estão presentes em quase todas as etapas da produção. Tal orientação encontrase inclusive consolidada através de Respostas em Soluções de Consultas extraídas do Site da Secretaria da Receita Federal, das quais refere uma. d) É necessária a reforma do despacho decisório na quantificação dos valores a ressarcir, mediante a aplicação da correção monetária dos valores a serem ressarcidos. Refere julgados administrativos. e) Na eventual hipótese da Delegacia de Julgamento entender pela necessidade de verificação de demais dados para concluir pela liquidez e certeza do crédito, requer seja convertido o julgamento em diligência, a fim de que seja examinada a sua escrituração e documentação contábil e fiscal, para a confirmação da regularidade, suficiência e real quantificação do valor passível de apropriação.” Fl. 259DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 Em que pese toda essa argumentação, a autoridade fiscal julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme se denota do acórdão n.º 0122.264, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de BelémPA, de fls. 202/211. Entendeu a referida turma que, apesar da notória relevância das decisões administrativas citadas na manifestação de inconformidade são relativas a terceiros, e não há que se falar que elas possuem eficácia normativa, já que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. Ademais, não atendeu o pleito de conversão do julgamento em diligência, por entender que o pedido formulado não atendeu os requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972. Além disso, julgou improcedente o pedido de reconsideração do valor apurado como passível de Ressarcimento de Cofins, vez que considerou os itens glosados não correspondem a insumos, pois não seriam aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Por fim, entendeu pela não incidência de juros compensatórios no Ressarcimento ou Compensação da Cofins. Cientificada do referido Acórdão em 06/09/2011, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 03/10/2011 (fls. 214/232), no qual manifestou sua irresignação com o teor da decisão proferida em primeira instância, que considerou ser passível de creditamento da Cofins apenas os bens aplicados diretamente na produção ou fabricação dos bens destinados à venda, é de entendimento extremamente restritivo e, no seu entender, contraria as atuais decisões desse CARF. Isto posto, passou a discorrer sobre sua atividade, com o fito de demonstrar que os itens glosados pelo agente fiscalizador e mantidas pela decisão da DRJ, integram seu processo produtivo e, por isso, seriam passíveis de creditamento. A Recorrente elencou os itens glosados, que no seu entendimento são utilizados na manutenção dos bens de produção (fornos industriais, panelas refratárias e casas de filtro) e atribuiulhes sua destinação específica no processo produtivo, elucidando que: 1) Concreto refratário: Utilizados como um dos revestimentos refratários das Panelas refratárias e das bicas de vazamento dos fornos. Tem como objetivo reter calor do metal líquido dentro da panela e das bicas, para aumentar a vida útil das mesmas. Com o tempo parte dos refratários são arrastados ou eruditos pelo metal líquido. 2) Pasta de Revestimento: Também é dos revestimentos refratários das Panelas e Bicas, com a diferença que pasta de revestimento tem contato direto com o metal líquido, ou seja, é o material que apresenta o maior desgaste em contato com o metal líquido. 3) Tap Hole: Massa grafitada para fechar ou tamponar as bicas de vazamento quando necessário em cada troca ou parada do processo de fundição para manutenção. 4) Tubos de Aço: Utilizado para abrir as bicas de vazamento com injeção de oxigênio. Parte do tubo acaba derretendo e Fl. 260DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10954.000032/200421 Acórdão n.º 3403001.594 S3C4T3 Fl. 258 7 se incorporando ao metal líquido quando utilizado para desobstruir a bica. 5) Argamassa Aluminosa: Material é utilizado nas panelas para revestir a região da aplicação do “Plug” e para assentamento de tijolos refratários. É também utilizado para assentamento de tijolos refratários utilizados no interior do altoforno. 6) Grafitap: Utilizado para tamponar os furos de corrida durante os intervalos em cada troca ou parada do processo de fundição para manutenção. Parte do produto, após o destamponamento, acaba se incorporando ao metal líquido. 7) Massa de Socar RAMFRAX 200R: Utilizada no forno como revestimento. Se danifica com o passar do tempo em razão da alta temperatura. Arrematando que tais itens são partes indissociáveis do seu processo industrial. Para corroborar o seu entendimento, citou soluções de consulta de terceiros, que garantiram o direito a crédito de PIS e Cofins de aquisição de partes e peças de reposição com serviços de manutenção de equipamentos empregados diretamente na produção. Além disso, a Recorrente em seu arrozado se insurgiu contra a parte do Acórdão que manteve a glosa dos serviços, contratados de pessoas jurídicas, empregados na movimentação interna de insumos utilizados na fabricação do silíciometálico e da Sílica Fumê. Elucidou a Recorrente que o desenvolvimento de sua atividade demanda intensa movimentação de matériasprimas e insumos utilizados no processo produtivo, ressaltando que todos os insumos, seja o minério de quartzo, o carvão mineral, o cavaco, o material lenhoso, os tijolos, a argamassa ou os tubos são materiais de enorme volume, que demandam perene movimentação durante o processo de transformação dos produtos. Ressaltou, ainda, que o transporte pósprodução da SílicaFumê e do Silício Metálico, seja para filtragem ou para acondicionamento, também são constantes e em imensa quantidade, o que, para ela, demonstra o quanto tais atividades caracterizamse como “fator de produção” da fabricação do Silício Metálico e da SílicaFumê. Citou soluções de consulta. Por fim, pleiteou a correção do crédito solicitado por meio do pedido de ressarcimento, uma vez que protocolizado há mais de 05 (cinco) anos. Para tanto, invocou o artigo 39 da Lei 9.250/96 e colacionou jurisprudência do Conselho para reforçar seu argumento acerca da possibilidade de correção monetária dos ressarcimentos pela taxa SELIC. Requereu, em conclusão, a reforma integral do acórdão proferido pela 3ª Turma da DJR de Belém/PA, para que seja reconhecido seu direito creditório e compensações, a correção monetária pela taxa SELIC, ou, se necessário, a conversão do julgamento em diligência para novo exame de sua escrituração e documentação contábil e fiscal. Ademais, clamou pela suspensão da exigibilidade dos tributos compensados com os créditos discutidos, com base no artigo 74, § 11, da Lei 9.430/06, cumulado com o artigo 151, inciso III, do CTN. Em síntese, é o relatório. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 Voto Vencido Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, Relatora. Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Crédito de bens utilizados na manutenção Primeiramente cumpre analisar as alegações da Recorrente no tocante à glosa dos itens que, segundo seu relato, seriam utilizados na manutenção e conservação dos bens de produção (fornos industriais, panelas refratárias e casas de filtro), a saber: 1) Concreto refratário; 2) Pasta de Revestimento; 3) Tap Hole; 4) Tubos de Aço; 5) Argamassa Aluminosa; 6) Grafitap; 7) Massa de Socar RAMFRAX 200R. Segundo relato da Recorrente todos esses materiais seriam empregados nos fornos e panelas destinados à produção do Silício na forma líquida. Ainda durante a fase de análise dos créditos pela DRFBelém, o contribuinte apresentou laudo técnico (fls. 43/45) que descreve as matériasprimas e insumos diretamente ligados à sua produção como sendo: (i) quartzo; (ii) carvão, (iii) cavaco, (iv) energia, (v) eletrodo. O referido laudo também descreve detalhadamente o processo de produção do “Silício Metálico”, e aponta que para a produção do “silício líquido” são necessários fornos e panelas refratárias, conforme se pode verificar do seguinte trecho: “O silício líquido junto com as impurezas, normalmente presentes nas matérias primas, é vazado continuamente através de bicas, localizadas na parte inferior dos fornos, em panelas refratárias...” (grifos acrescidos) Contudo, referido laudo não aponta se os itens ora explicitados pela Recorrente como sendo de manutenção das panelas e dos fornos (concreto refratário, pasta de revestimento, tubos de aço, massa de socar e tijolo), realmente se desgastam ou danificam com a utilização, e em quanto tempo isso ocorre, e também e se tais bens se incorporam, ou não, ao ativo imobilizado. A Recorrente alega ainda que tais itens seriam utilizados na manutenção dos bens de produção, e para corroborar que tais itens geram direito à crédito, colaciona soluções de consulta que garantem o crédito de PIS e COFINS em relação às despesas de manutenção de máquinas e equipamento. Porém, as próprias soluções de consulta trazidas pela Recorrente Fl. 262DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10954.000032/200421 Acórdão n.º 3403001.594 S3C4T3 Fl. 259 9 apontam que tais partes e peças de manutenção não estejam incluídas no ativo imobilizado, já que nesse caso a forma de aproveitamento do crédito se daria via amortização. No tocante a essa matéria, o Acórdão recorrido concluiu que não podem ser descontado créditos relativos a bens utilizados na manutenção de máquinas e peças, pois a “ação direta sobre o produto em fabricação é feita pela máquina e não pelas peças utilizadas em sua manutenção, não podendo tais peças serem (sic) consideradas insumos”. Assim, apesar de entender diferentemente do que foi decidido no Acórdão recorrido, pois no meu ver o conceito de insumo para o PIS e para a COFINS não é o mesmo que o do IPI, já que para o PIS e para a COFINS se exige a análise sobre a forma da utilização do “insumo” em cada caso, de maneira individualizada, valorizandose o exame do processo de aplicação dos “bens e serviços”, para se identificar em que etapa, e de que forma, os mesmos são utilizados, não significando dizer que o “bem ou serviço” deve se qualificar como “insumo”, mas que seja utilizado como tal. Entendo também, no presente caso, que o contribuinte não logrou comprovar que os referidos itens se enquadram também nesse conceito mais amplo. Assim, como em matéria de ressarcimento a prova deve ser produzida pelo contribuinte, no meu entendimento faltou a Recorrente comprovar, seja por meio da contabilidade, ou por meio de laudo, se os itens apontados se enquadrariam como custo de produção, ou como despesa operacional; ou ainda, se integraram ou não o imobilizado; ou se integram o custo de alguma máquina ou bem; ou se se desgastam durante o processo produtivo, e em caso afirmativo em quanto tempo isso ocorre. Desta forma, pela falta de provas para determinar a natureza dos itens elencados pela Recorrente (concreto refratário, pasta de revestimento, tubos de aço, massa de socar e tijolo), voto por negar provimento. Crédito sobre serviços contratados de pessoas jurídicas empregados na movimentação interna de insumos A Recorrente se insurge, também, contra a parte do Acórdão que manteve a glosa dos serviços contratados de pessoas jurídicas e que são empregados na movimentação interna de insumos utilizados na fabricação do silíciometálico e da SílicaFumê. A Recorrente alega que o desenvolvimento de sua atividade demanda intensa movimentação de matériasprimas e insumos utilizados no processo produtivo, ressaltando que todos os insumos, seja o minério de quartzo, o carvão mineral, o cavaco, o material lenhoso, os tijolos, a argamassa ou os tubos são materiais de enorme volume, que demandam perene movimentação durante o processo de transformação dos produtos. Ressaltou, ainda, que o transporte pósprodução da SílicaFumê e do Silício Metálico, seja para filtragem ou para acondicionamento, também são constantes e em imensa quantidade, o que, para ela, demonstra o quanto tais atividades caracterizamse como “fator de produção” da fabricação do Silício Metálico e da SílicaFumê. Para comprovar essas alegações, foram juntadas diversas notas fiscais (fls. 99/101) das empresas que prestaram serviços de: (i) carregamento de carvão, (ii) descarga de carvão, (iii) movimentação interna e (iv) empilhamento, corte e arrumação de serraria. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 10 Nos termos do inciso II do artigo 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, poderão ser descontados créditos em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Posteriormente vieram as Instruções Normativas SRF 246/02, com a redação dada pela IS SRF 358/03, e a 404/04, para melhor esclarecer a ideia de “insumo”, como se pode verificar dos seguintes dispositivos: IN SRF 247/02 (com redação dada pela IN SRF 358/03) Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I– das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do art. 19; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) IN SRF 404/04 § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (grifos acrescidos) Assim, como o laudo técnico (fls. 43/45) aponta que o carvão é insumo na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, assim como o quartzo e o minério, é natural que os serviços utilizados na movimentação desses insumos também devem gerar direito a crédito, nos exatos termos dos dispositivos legais transcritos. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10954.000032/200421 Acórdão n.º 3403001.594 S3C4T3 Fl. 260 11 Nesse sentido já existem soluções de consulta da própria Administração Federal: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 256 de 24 de Julho de 2007 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: SERVIÇOS DE INSPEÇÃO E MOVIMENTAÇÃO DE INSUMOS. SERVIÇOS DE EMBALAGEM DE PRODUTOS FINAIS. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Os serviços de inspeção física e de movimentação de insumos de produção e os serviços relativos à embalagem dos produtos finais em subconjuntos (“kits”) são considerados insumos para a fabricação de bens destinados à venda, para fins de creditamento na sistemática nãocumulativa. Todavia os serviços de movimentação de produtos finais para o depósito e para o carregamento não são considerados insumos e não podem ser descontados como crédito. Desta forma, voto por dar provimento ao recurso voluntário no tocante aos serviços tomados de pessoas jurídicas relativamente aos serviços contratados de pessoas jurídicas e que são empregados na movimentação interna de insumos utilizados na fabricação do silíciometálico e da SílicaFumê. Da análise do direito à correção monetária pela taxa SELIC do crédito pleiteado por meio de Pedido de Ressarcimento A Recorrente pleiteia a correção do crédito solicitado por meio do pedido de ressarcimento uma vez que fora protocolizado a mais de 05 (cinco) anos. Para corroborar seu pleito, invocou o artigo 39 da Lei 9.250/96 que expressamente garante a aplicação da SELIC nos casos de restituição e compensação. A DRJ, por seu turno, interpretou literalmente o texto do mencionado dispositivo legal, entendendo que só cabe atualização na restituição e na compensação, mas não no ressarcimento. No tocante a esse item também entendo contrariamente o que decidiu o DRJ/Belém, pois na esteira do que vem decidindo reiteradamente o STJ e o próprio CARF, a SELIC também incide no ressarcimento, sob pena de ensejar enriquecimento sem causa à Administração Pública Federal, que costumeiramente descumpre o prazo de análise dos pedidos que são formalizados em processos administrativos, cujo prazo máximo de análise é de 360 dias conforme prevê o art. 24 da Lei n° 11.457/07, que estabelece: “É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte”. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 12 A referida regra decorre de norma constitucional (art. 5°, inc LXXVIII – CF) que estabelece “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. Contudo, a despeito da previsão constitucional e legal, não é o que ocorre normalmente do âmbito do processo administrativo Federal, motivo pelo qual deve ser assegurado ao contribuinte ao menos a reconstituição do seu patrimônio por meio da taxa SELIC, que é mesma que corrige os débitos federais. Pela aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento também já vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, seguida pelas Turmas do CARF, conforme se depreende da ementa s seguir transcrita: TAXA SELIC Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, 4º da Lei nº 9.250/9.5, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recurso Fiscais no Acórdão CSRF/020 708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto nº 2.138/97 tratado restituição e ressarcimento da mesma maneira, a referida Taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento ( Acórdão CSRF/0201 983) Ademais, já decidiu o STJ, por meio do julgamento do Recurso Especial nº 1.035.847 produzido sob o rito do artigo 543C do CPC, ser possível a correção de crédito escritural, mesmo sem que haja previsão legal expressa: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (...). Fl. 266DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10954.000032/200421 Acórdão n.º 3403001.594 S3C4T3 Fl. 261 13 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (grifos acrescidos) É bem verdade que a decisão proferida pelo STJ referese ao IPI, contudo os seus fundamentos são perfeitamente aplicáveis aos ressarcimentos de PIS e COFINS não cumulativo, posto que a eles se aplicam os mesmo princípios contidos na citada decisão, quais sejam: a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, e igualmente havendo essa oposição postergase o reconhecimento do direito creditório, nascendo, da mesma forma, a obrigatoriedade de atualizálo sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Também entendo que não há que se falar em vedação expressa à atualização monetária dos créditos de PIS e COFINS em suas respectivas legislações, mais precisamente no artigo 13, da Lei nº 10.833/03 (COFINS), aplicável também ao PIS por força do artigo 15, inciso VI da mesma Lei, verbis: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária. Ocorre que todos os dispositivos citados nesse artigo 13 se referem à forma de apuração e aproveitamento dos créditos escriturais, que de fato não dão ensejo à atualização monetária. Porém, uma vez que tais créditos não venham a ser aproveitados na escrituração da pessoa jurídica, e por consequência venham a ser objeto de pedido de ressarcimento, e este sofra qualquer oposição por ato estatal, caberá atualização do ressarcimento sob os mesmos fundamentos externados pelo Superior Tribunal de Justiça no Resp n. 1.035.847/RS. O próprio STJ já estendeu o entendimento do citado Recurso Especial aos ressarcimentos de PIS e de COFINS, conforme se pode verificar do julgamento do REsp 1.268.980/SC, cujo trecho da ementa aqui se transcreve: ... 4. Embora o REsp paradigma 1.035.847/RS trate de crédito escritural de IPI, o entendimento nele proferido alberga o reconhecimento de que não incide correção monetária sobre os créditos escriturais em geral, salvo se o seu ressarcimento, compensação ou aproveitamento é obstado por resistência ilegítima do Fisco. 5. O termo inicial para a incidência da correção monetária é o do protocolo dos pedidos administrativos cuja fruição foi indevidamente obstada pelo Fisco.... (grifos acrescidos) Assim, como no caso em tela houve oposição estatal administrativa, indeferimento parcial do crédito pelo Fisco, voto por conceder a atualização pela taxa SELIC aos pedidos de ressarcimento da data do seu protocolo até a data da efetiva extinção do crédito, seja pelo efetivo ressarcimento (pagamento), seja pela compensação. Melhor elucidando, como no presente caso a Recorrente já vinculou, nos anos de 2005 e 2006, diversas declarações de compensação ao Pedido de Ressarcimento apresentado no ano de 2004, não há que se falar em Fl. 267DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 14 mora da administração, nem em atualização do crédito pela SELIC até a data do efetivo ressarcimento, mas sim até as datas dos protocolos das declarações de compensação. Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial a recurso voluntário para: 1) negar provimento no tocante aos créditos pleiteados relativamente a: concreto refratário, pasta de revestimento, Tap Hole, tubos de aço, argamassa aluminosa, Grafitap e Massa de socar RAMFRAX 200R; 2) dar provimento no tocante aos créditos relativos aos serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matérias primas; 3) Dar provimento para atualizar pela taxa SELIC o crédito pleiteado via Pedido de Ressarcimento, da data do protocolo do pedido até a data das declarações de compensação a ele vinculadas. Raquel Motta Brandão Minatel Voto Vencedor Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz: Embora bem articuladas as razões da relatora, Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, delas ouso divergir quanto a um único capítulo do seu voto, qual seja, aquele concernente à aplicação de remuneração, pela Taxa SELIC, aos créditos de PIS e COFINS apurados pelo regime da nãocumulatividade e pretendidos em ressarcimento. Refirome, neste particular, à regra contida no artigo 13, da Lei nº 10.833/03, aplicável também à contribuição ao PIS por imposição do artigo 15, inciso VI da mesma lei. Eis o dispositivo: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores”. Chamame à atenção, na dicção do enunciado, a expressa menção aos §§ 1o e 2o do artigo 6o do próprio diploma, a significar que a restrição ao acréscimo de juros e correção monetária se estende, inclusive, em caso de aproveitamento dos créditos por meio de ressarcimento e compensação e durante o prazo de tramitação destes feitos. Daí porque, a meu sentir, não há como assegurar semelhante pretensão ao contribuinte postulante sem incorrer em inobservância do preceito em exame. Penso, inclusive, que a orientação firmada pelo E. STJ ao ensejo do julgamento do recurso especial nº 1.035.847 não induza à conclusão diversa, mesmo se Fl. 268DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10954.000032/200421 Acórdão n.º 3403001.594 S3C4T3 Fl. 262 15 considerarmos o quanto dispõe o artigo 62A do RICARF e que o julgado em questão foi produzido sob o rito do artigo 543C do CPC. Vejase: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (...). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Como se vê, a hipótese levada a julgamento no precedente em questão respeitava ao ressarcimento de créditos de IPI, tributo de cuja legislação não consta preceito que, tal qual o artigo 13 da Lei nº 10.833/03, vede expressamente o acréscimo de juros ou correção monetária ao principal. Digo isso para concluir que, ante circunstâncias normativas diversas, uma em que a legislação silencie sobre o direito à remuneração dos saldos credores pleiteados e a outra em que vigore expressa vedação a respeito, diversas também podem ser as soluções exegéticas possíveis. Daí porque, a meu sentir, em se tratando especificamente de ressarcimentos em matéria de PIS e COFINS nãocumulativos, é incabível a aplicação de correção monetária e de juros ao respectivo principal, a despeito da orientação dominante no E. STJ quanto a pedido análogo formulado em relação ao IPI. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 16 Isso posto, nego, nesta parte, provimento ao recurso. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 13819.000510/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI. ÓBICE AFASTADO.
Em virtude do afastamento do óbice apontado pela Administração Tributária para a compensação aqui encetada - fruição cumulativa dos benefícios da Lei nº 9.440/97 e MP nº 2.158-35/2001 - pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processo conexo que tratava do mesmo substrato fático, cumpre acatar o recurso voluntário para legitimar o direito creditório glosado.
Numero da decisão: 3101-001.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Corintho Oliveira Machado - Relator.
EDITADO EM: 18/10/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres - Presidente. Corintho Oliveira Machado - Relator. EDITADO EM: 18/10/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado.
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RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI. ÓBICE AFASTADO. Em virtude do afastamento do óbice apontado pela Administração Tributária para a compensação aqui encetada fruição cumulativa dos benefícios da Lei nº 9.440/97 e MP nº 2.15835/2001 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processo conexo que tratava do mesmo substrato fático, cumpre acatar o recurso voluntário para legitimar o direito creditório glosado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 18/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 05 10 /2 00 9- 51 Fl. 524DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: O estabelecimento acima identificado formalizou pedido de ressarcimento de créditos presumido de IPI, decorrentes de benefício fiscal previsto no inciso IX, art. 1º da Lei nº 9.440, de 1997, e no art. 56 da MP nº 2.15835, 2001, relativo ao 3º trimestre de 2008, no valor de R$ 87.672.634,90, conforme Perdcomp nº 21239.25852.130409.1.1.016611, fls. 65/66, cumulado com as declarações de compensação relacionadas às fls. 322/323, constantes dos processos, nº 13502.001238/2009 90, 13502.001240/200969, 13502.001241/200911, 13502.001242/200958 e 13502.001243/200901, juntados por apensação, conforme termo de juntada à fl. 355. Consta do Relatório Fiscal, fls. 48/49, que: c em 29/12/2006, a Ford Motor Company Brasil Ltda., CNPJ nº 03.470.727/000120, incorporou a empresa Troller Veículos Especiais Ltda., CNPJ nº 00.059.993/000143, titular da habilitação ao Regime Automotivo regido pela Lei nº 9.440, de 14 de março de 1997, e pelo Decreto nº 3.893, de 22 de agosto de 2001, alterado pelo Decreto nº 5.710, de 24 de fevereiro de 2006, cuja titularidade foi assim transferida à Ford, conforme Despacho do Secretário do Desenvolvimento da Produção de 17 de janeiro de 2007, Nota Técnica nº 03/07 SDP/DIETE, Parecer MDIC/CONJUR/LGP nº 00338.4/2007, constante do processo nº 52000.000133/200764, fundamentada no art. 8º da Lei nº 11.434, de 28 de dezembro de 2006. c de acordo com o Termo de Compromisso e Rerratificação ao Termo Aditivo de Ratificação de Habilitação MDIC/SDP/Nº 168/I/02, a filial da Ford inscrita no CNPJ sob o nº 03.470.727/001607 foi habilitada ao Regime Automotivo da Lei nº 9.440, de 1997, passando a usufruir do benefício do crédito presumido do IPI de que trata a referida lei, em substituição ao Regime Automotivo da Lei nº 9.826, de 1999, ao qual a filial havia se habilitado originalmente. c assim, a partir de janeiro de 2007, a Ford passou a utilizar o benefício do crédito presumido do IPI previsto no inciso IX do art. 1º da Lei nº 9.440, de 1997, que corresponde ao dobro do valor das contribuições de que tratam as Leis Complementares nº 7, de 7 de setembro de 1970, nº 8, de 3 de dezembro de 1970, e Fl. 525DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13819.000510/200951 Acórdão n.º 3101001.236 S3C1T1 Fl. 525 3 nº 70, de 30 de dezembro de 1991 (PIS/COFINS), que incidirem sobre o faturamento do estabelecimento beneficiado. c além desse benefício, a contribuinte utiliza o benefício fiscal estabelecido pelo artigo 56 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que consiste no aproveitamento do crédito presumido do IPI em montante equivalente a 3% (três por cento) do valor do imposto destacado na nota fiscal de venda dos produtos cujos códigos estão enumerados no próprio artigo 56 da MP. c no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2008, o contribuinte infringiu o disposto no inciso II do art. 16 da Lei nº 9.440, de 1997, ao usufruir o benefício fiscal previsto nessa Lei cumulativamente com o benefício fiscal do crédito presumido do IPI previsto na MP nº 2.15835, de 2001; c a utilização do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.440/97 em desacordo com a norma do inciso II do art. 16 da referida Lei, que proíbe a acumulação, acarreta a imediata perda da habilitação e do incentivo fiscal, conforme cláusula nona do Termo de Compromisso de 17/01/2007, bem como a exigência do IPI que deixou de ser apurado em função desse creditamento, acompanhado dos acréscimos legais, conforme sanção prevista no art. 4º do Dec. nº 3.893, de 2001; c em função da utilização desses créditos, o contribuinte acumulou saldo credor durante o período. No entanto, em virtude da acumulação indevida de benefícios, os créditos oriundos do incentivo fiscal de que trata a Lei nº 9.440/97 foram desconsiderados, surgindo saldos devedores, cujos valores foram objeto do Auto de Infração protocolizado sob o nº 13502.001001/200917; c ao desconsiderar os valores creditados a título de crédito presumido de IPI com base na Lei nº 9.440/97, os saldos relativos ao 2º e 3º trimestres de 2008 passaram a ser devedores, não havendo, portanto, crédito a ser ressarcido. A Delegacia da Receita Federal em Camaçari, mediante Despacho Decisório nº 0104/2010, fls. 320 a 337, não reconheceu o direito creditório em favor da Ford Motor Company Brasil Ltda., relativo ao 3º trimestre de 2008, no valor de R$ 87.672.634,90, e não homologou as compensações dos débitos discriminados às fls. 322/323, nos termos do Relatório e Fundamentação deste Despacho Decisório. Cientificada do despacho decisório em 22/11/2010, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, em 17/12/2010, fls. 356 a 387, alegando, em síntese, que: ] com fundamento jurídico na suposta cumulação de benefícios fiscais (benefício da Lei nº 9.440/97 com o Regime Especial da MP nº 2.158/2001) foi lavrado auto de infração (nº 13502.001001/200917) devidamente impugnado; Fl. 526DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 ]com o lançamento de ofício do referido auto de infração, a autoridade fiscal entendeu por bem não reconhecer o direito creditório referente ao ressarcimento de IPI apurado no 3º trimestre de 2008, no valor de R$ 87.672.634,90 e não homologar a compensação dos débitos descriminados nos pedido de compensação manejados pela recorrente; ] inegável que mantido a glosa do crédito presumido apontado nos livros fiscais, objeto do processo administrativo em referência, seria a compensação impossível de homologação, por falta de crédito tributário. Porém, inegável da mesma maneira, que uma vez cancelado o lançamento de ofício e mantida a escrituração original dos créditos presumidos do contribuinte, estaria infundado o despacho ora impugnado; ]há uma litispendência do presente processo administrativo ao que será decidido no processo administrativo nº 13502.001001/200917, uma vez que mantido o lançamento objeto daquele processo, inegável a improcedência das compensações objeto do presente processo, porém, afastada àquele lançamento, insubsistente a decisão ora recorrida, pois válidos os créditos tributários do contribuinte utilizado para as compensações ora não reconhecidas; ] por esta razão, requer em sede de preliminar, que seja sobrestado o presente processo até o desfecho do processo administrativo nº 13502.001001/200917, como mecanismo de se evitar decisões contraditórias sobre a mesma matéria, merecendo o reconhecimento da litispendência, o que se quer; ] uma vez não suspenso o presente processo até o desfecho do outro, o que se admite apenas ad argumentandum tantum também seriam improcedentes as razões do indeferimento dos pedidos de compensação, pois mais uma vez fundamentase a referida decisão na suposta cumulação de benefícios fiscais da mesma natureza, que de fato não ocorre e não se sustenta, como a seguir amplamente demonstrado; ] nesse contexto, firmou com a União Federal o Termo de Compromisso de Rerratificação ao Termo Aditivo de Ratificação de Habilitação MDIC/SDP/Nº 168/I/02, tendo sido emitido o Certificado de Rerratificação de Habilitação ao Certificado Aditivo de Ratificação de Habilitação MDIC/SDP/Nº 168/I/02, ato que aprovou a fruição pela Ford Motor Company Brasil Ltda., em seu estabelecimento de Camaçari e Horizonte do benefício fiscal da Lei nº 9.440/97, certificando o atendimento de todos os requisitos para a sua fruição, de modo a assegurar o benefício a partir de 29/12/2006 até 31/12/2010, mediante atos de renovação a cada 12 meses; ] assim, a recorrente passou a usufruir do benefício descrito no art. 1º, inciso IX c/c art. 11, VI, regulamentado pelo Dec. nº 3.893, de 22 de agosto de 2001, consistente em crédito presumido de IPI correspondente ao dobro do valor das contribuições de que tratam as Lei Complementares nº 7 e 8, de 1970 e a Lei Complementar nº 70 de 1991 (Contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS), incidentes sobre o faturamento; Fl. 527DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13819.000510/200951 Acórdão n.º 3101001.236 S3C1T1 Fl. 526 5 ] desde o primeiro semestre de 2003, antes mesmo da aprovação pelo MDIC do seu direito ao benefício fiscal da Lei nº 9.440, de 1997, a recorrente adota o regime especial de apuração do IPI instituído pelo artigo 56 da MP nº 2.15835, de 2001; ] a inclusão do frete no preço do produto vendido (cláusula CIF) significaria um evidente aumento da base de cálculo do IPI a ser pago, o que sempre foi visto como um autêntico obstáculo por parte das montadoras para a adoção dessa modalidade de contrato, pois aumentaria o preço praticado ao consumidor final; ] o regime especial de apuração do IPI nas vendas de veículos das montadoras previsto no art. 56 da MP nº 2.158/2001 tem como função garantir a possibilidade de os fabricantes de veículos automotores, ao decidirem pela inclusão do custo do frete na nota fiscal dos seus veículos (o que gera um IPI adicional), ressarciremse do IPI incidente sobre o frete, por meio de um crédito presumido de 3%; ] mesmo ciente do disposto no art. 16, II da Lei nº 9.440, de 1997, que dispõe sobre a vedação ao usufruto cumulativo do tratamento fiscal ali instituído com outros da mesma natureza, nunca houve dúvida quanto a ser o ressarcimento do IPI sobre o frete um regime especial de apuração do IPI inconfundível com o tratamento daquela lei, que é um benefício fiscal para o desenvolvimento regional; ] essa suposta cumulação do benefício fiscal da Lei nº 9.440/97 com o regime especial veiculado pela MP nº 2.158/01, não pode subsistir, pois está maculado por diversos vícios que afetam sua validade; ] a legislação pertinente conferiu apenas ao Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior – MDIC a competência para, em nome da União Federal, avaliar, aprovar e fiscalizar a utilização do benefício fiscal em decorrência dos projetos habilitados, cabendo ao Poder Executivo estabelecer os requisitos para habilitação, bem como os mecanismos de controle ao cumprimento das condições do programa de incentivo, conforme art. 13 da Lei nº 9.440, de 1997; ] o Decreto nº 3.893, de 2001, também cuidou da matéria referente à concessão, acompanhamento (fiscalização) e eventual cassação do benefício fiscal em caso de descumprimento das regras do programa, sendo que seu art. 2º estabeleceu que o órgão responsável pela verificação das exigências legais e pela expedição da habilitação que reconhece o direito ao gozo do benefício é a Secretaria de Desenvolvimento da Produção do MDIC – SDP/MDIC; ] do teor do art. 5º do Decreto nº 3.893, de 2001, resta inequívoca a conclusão de que a fiscalização quanto ao cumprimento das condições relativas ao incentivo fiscal, inclusive a ausência de cumulação de benefícios fiscais, cabe Fl. 528DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 exclusivamente à SDP/MDIC, só podendo haver qualquer iniciativa da Receita Federal mediante prévia notificação daquele órgão, após, evidentemente, a aferição de eventual irregularidade no âmbito do procedimento específico ] constatase irremediável afronta ao devido processo legal, na medida em que foram desconsideradas, para fins de lavratura do auto de infração que glosou os créditos tributários ora compensados, todas as regras que disciplinam o processo de fiscalização e controle da correta fruição do benefício fiscal da Lei nº 9.440/97, afrontandose a própria esfera de atribuições da SDP/MDIC; ] a cassação do seu direito ao incentivo fiscal da Lei nº 9.440/97, concedido por atos administrativos da SDP/MDIC, sem que lhe tivesse sido dada a prévia oportunidade para formular e apresentar documentos comprobatórios do equívoco incorrido pelo ato de cassação, ofendeu ao art. 3º, inciso III, da Lei nº 9.784; ] na medida em que não foi dada qualquer oportunidade à recorrente na fase introdutória do procedimento administrativo que resultou na cassação do benefício fiscal, bem como não tendo sido intimada para apresentar manifestação no prazo de 10 dias antes de proferida a decisão que cancelou os atos concessivos e os homologatórios do usufruto do benefício em questão, restaram também violados os seguintes dispositivos da Lei nº 9.784/99: art. 2º, inciso X, art. 3º, incisos II e III, art. 38 e art. 44; ] a SDP/MDIC não foi conferida competência apenas para editar os atos concessivos do benefício fiscal da Lei nº 9.440/97, mas também para acompanhar e fiscalizar o cumprimento dos requisitos do programa; ] o Termo de Compromisso, o Certificado de Habilitação e os Certificados Aditivos de Habilitação emitidos entre os anos de 2006 e 2008, que concederam e renovaram o direito à fruição do benefício fiscal da Lei nº 9.440, de 1997, possuem natureza inequívoca de “atos administrativos”, percebendose que a maior parte deles assume forma de “habilitações”, produzidas em caráter originário sob o rótulo “certificado de habilitação”, e, em caráter de renovações da habilitação originária, sob a designação de “certificado aditivo de habilitação”; ] tratandose de benefício fiscal condicionado ao cumprimento de determinadas condições por parte da impugnante (benefício oneroso), estabeleceuse a necessidade de determinados atos certificatórios intermediários, praticáveis ano a ano, para fins de averiguar o pleno atendimento dos requisitos assumidos pelo particular com relação ao exercício pretérito, bem como conferir o direito ao exercício do benefício fiscal no tocante ao exercício subseqüente; ] o efeito de cassação ou invalidação de atos administrativos prévios inerente ao auto de infração é inequívoco, pois o direito à fruição do benefício fiscal da Lei nº 9.440, de 1997, não decorre pura e simplesmente da norma geral e abstrata, mas de atos certificatórios (e homologatórios) individuais e concretos, Fl. 529DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13819.000510/200951 Acórdão n.º 3101001.236 S3C1T1 Fl. 527 7 que possuíam, e ainda possuem, o condão de regular a situação individualizada da empresa no tocante à fruição do incentivo; ] assim, a conduta do Auditor Fiscal, ao efetivar o não reconhecimento dos créditos presumidos apurados pela recorrente cuida, pura e simplesmente, da constituição do crédito tributário, mas de autêntica e desmedida supressão da eficácia dos atos administrativos praticados pelo MDIC, não possuindo o auditor competência para cassar o benefício fiscal, que é privativa daquele ministério; ] em situações análogas – concessão e acompanhamento do incentivo fiscal feitos por órgão externo à estrutura da RFB –, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (então Conselho de Contribuintes) exarou reiteradamente seu posicionamento delimitando a competência do Auditor Fiscal para efetuar o lançamento se, e somente se, houver prévia manifestação do órgão competente para a concessão e gestão do programa de incentivo, conforme julgados mencionados pela impugnante; ] a penalidade aplicada diante da suposta cumulação de benefícios fiscais, consistente na cobrança de todo o IPI, desconsiderando o benefício fiscal, não está tipificada em lei, visto que a fiscalização aduz que a impugnante teria desrespeitado o disposto no art. 16, II da Lei nº 9.440, de 1997, e, por esta razão, aplicou a sanção prevista no art. 4º do Decreto nº 3.893, de 2001, e no art. 7º, parágrafo único, da Portaria MDIC/MF nº 258, de 2001; ] muito embora a impossibilidade de cumulação esteja tipificada em lei, a sanção pretensamente correlata não dispõe do mesmo status normativo, em clara ofensa ao princípio da legalidade, da tipicidade cerrada e da tripartição dos poderes, e jamais poderia ser instituída por meio de decreto, muito menos por intermédio de portaria, transcrevendo jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça – STJ que corroboraria seus argumentos; ] houve manifesto erro da fiscalização na interpretação dos conceitos de “benefício fiscal” e de “regime especial”, pois no caso da Lei nº 9.440, de 1997, temse a presença de uma espécie do gênero incentivo fiscal, da categoria dos condicionados e por prazo certo, ao passo em que, na figura criada pela referida MP nº 2.158, de 2001, vêse com nitidez um sistema especial de tributação, uma espécie do gênero regime especial, que apresenta como característica marcante a inexistência de renúncia fiscal, pois a finalidade imediata de sua instituição não foi promover a redução da carga tributária do contribuinte, mas instrumentalizar propósitos outros, relativos à política fiscal e à otimização dos mecanismos de arrecadação; ] o conceito nuclear da expressão “regime especial” consiste basicamente em um conjunto de normas cujo principal objetivo é aumentar a eficácia dos dispositivos que regem a incidência tributaria, não representando, necessariamente, uma redução da Fl. 530DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 carga fiscal imposta aos contribuintes, que pode eventualmente ocorrer, mas de forma meramente acidental; ] o regime especial da MP nº 2.158, de 2001, não implicou e nem visava qualquer desoneração ou redução na arrecadação do IPI, e se valeu de uma presunção legal, qual seja, a de que a inclusão do frete na base de cálculo do IPI tinha equivalência ou referência com o percentual de 3% sobre o valor das saídas, bastando, para tal conclusão, que se leia a exposição de motivos da referida MP e a manifestação da RFB na Ação Popular nº 2002.34.00.0023380; ] ainda que possa existir dúvida quanto à possibilidade de atribuição de créditos presumidos como mecanismo tanto para os sistemas especiais de tributação (regimes especiais) quanto para os benefícios fiscais onerosos e por prazo certo, o elemento essencial para se determinar a natureza jurídica do incentivo fiscal está relacionado às razões que levaram à criação deste, e a necessária redução na carga fiscal, nunca ao mecanismo adotado pela lei para sua implantação; ] na exposição de motivos da MP nº 2.158, de 2001 e conforme reconhece a própria RFB, a criação do regime especial não resultou em qualquer perda de receita para os cofres públicos, pois, ao propor ao Presidente a adoção da referida MP, o Ministro de Estado da Fazenda sublinhou que, na prática, o IPI incidente sobre os custos de frete não vinham sendo recolhidos pelas montadoras de veículos em razão de tais empresas estarem, então, vendendo veículos segundo a cláusula FOB e terceirizando o frete (o qual deve compor a base de cálculo do IPI somente quando o veículo é vendido de acordo com a cláusula CIF), restando claro que a principal preocupação do legislador era melhor controlar as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas dedicadas ao transporte de veículos, sem que isso implicasse qualquer incremento ou redução na carga fiscal suportada pelas montadoras de veículos; ] se, de um lado, a opção pelo regime especial resulta na adoção obrigatória da cláusula CIF sobre as vendas realizadas pelas montadoras de veículos, o que implica em aumento do IPI devido se comparado à cláusula FOB anteriormente utilizada, por outro lado o regime também concede créditos presumidos de IPI ao contribuinte a fim de que, por presunção jurídica, se possa neutralizar os efeitos negativos que a adoção da cláusula CIF poderia trazer ao preço final do veículo ao consumidor final, representando o índice de 3% a estimativa da carga adicional média do IPI imposta às montadoras de veículos em conseqüência da inclusão dos custos com o frete na base cálculo do IPI; ] a criação de benefícios fiscais deve vir, sempre, acompanhada de medidas de recomposição do equilíbrio orçamentário em função da renúncia de receita que lhe é inerente, conforme determina o art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF (Lei Complementar nº 101/2000) e, por serem desnecessárias no caso concreto, estas medidas não foram adotadas; Fl. 531DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13819.000510/200951 Acórdão n.º 3101001.236 S3C1T1 Fl. 528 9 ] a RFB, por meio de sua mais alta autoridade, bem como a União Federal, pela PGFN, expressamente se manifestaram acerca do regime Especial em questão nos autos da Ação Popular nº 2002.34.00.0023380, no sentido de que o referido regime não implica qualquer desoneração ou redução da arrecadação do IPI; ] logo, ou o regime especial não tem natureza jurídica de benefício fiscal ou, em se tratando de autêntico benefício fiscal, houve infração ao artigo 14 da LRF, estando os agentes públicos envolvidos na criação do referido regime sujeitos às sanções criminais e administrativas previstas no art. 73 da mesma Lei; ] em 30/01/2002, foi ajuizada Ação Popular em face do teor da IN nº 91, de 2001, cujo objeto consiste exatamente na regulamentação do Regime Especial da MP nº 2158, de 2001, alegandose, dentre os fundamentos do pedido da referida ação, que o citado regime consistiria em renúncia de receita e redução privilegiada de carga tributária para as montadoras de veículos; ] a impugnante transcreve trechos da Nota SRF/Asesp nº 5/2002 na qual a RFB confirma não ter havido redução do IPI a ser pago pelas montadoras em função do Regime Especial da MP nº 2.158, de 2001, e declara não existir qualquer renúncia de arrecadação por parte do Fisco, mas sim aumento da carga tributária, o que leva à conclusão de que a própria União Federal compareceu nos autos da Ação Popular, por meio do Procurador da Fazenda Nacional, e, ao contestar a ação, endossou as conclusões da RFB; ] a impugnante foi citada para integrar a referida ação na condição de litisconsorte passiva necessária, tomando inequívoca ciência das manifestações em apreço, elaboradas pelo Secretário da RFB e pela União Federal, momento a partir do qual ficou convicta e segura quanto à ausência de natureza jurídica de benefício fiscal relativamente ao regime especial em questão; ] após a migração da recorrente para o benefício fiscal da Lei nº 9.440, de 1997, a Administração exarou seu entendimento no sentido de renovar ano a ano esse benefício, diante da legislação de regência e do estrito cumprimento de todas as condições onerosas anteriormente estabelecidas, ciente de todas as circunstâncias e sabedora das inconfundíveis naturezas jurídicas entre o benefício fiscal da Lei nº 9.440 e do Regime Especial da MP nº 2.158, que a impugnante já gozava anteriormente à migração; ]a modificação de entendimento da Administração em hipótese alguma poderia ser aplicada para desconstituir os fatos pretéritos, concretizados sob o manto da interpretação vigente naquele momento. Qualquer entendimento diverso estaria endossando flagrante ofensa aos princípios da segurança jurídica, da proteção da confiança e da boafé dos administrados, da moralidade administrativa e também aos arts. 145, 146, 149 e 178 do CTN e ao art. 2º, parágrafo único, XIII Fl. 532DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 10 da Lei nº 9.784, de 1999, impondose, desta forma, o cancelamento integral da cobrança perpetrada pela Auto de Infração; ] a recorrente direcionou sua conduta com base no entendimento formalmente manifestado pela então RFB, nos autos da citada Ação popular, e também nos sucessivos atos de habilitação (homologação) oriundos do MDIC, razão pela qual não procede a cobrança em tela, na remota hipótese de entender que é devido algum tributo, devem ser afastados os juros, as penalidades e a atualização monetária, nos termos do que dispõe o parágrafo único do art. 100, incisos I e III, do CTN; ] se o verdadeiro objetivo do lançamento fosse o zelo pelo interesse público, o respeito à proporcionalidade na imposição de penalidade e a restauração do equilíbrio da arrecadação, o lançamento deveria se limitar ao valor, acaso existente, correspondente à diminuição da carga tributária verificada a partir do esforço comparativo entre os dois regimes de apuração – o anteriormente adotado – Cláusula FOB e o objeto da opção – Cláusula CIF neutralizada por crédito presumido de 3%; ] a recorrente, diante de todos os motivos de fato e de todas as razões de direito expostas na manifestação de incorformidade, requer: a) o reconhecimento da litispendência com o processo administrativo nº 13502.001001/200917, uma vez que o julgamento do auto de infração que glosou os créditos presumidos da recorrente em razão da suposta cumulação de benefícios fiscais, sendo favorável ao contribuinte, deverá reverter necessariamente a presente decisão recorrida, e sendo desfavorável, deverá manter na integra a decisão ora recorrida; b) reconhecida a litispendência, manter sobrestado o julgamento da presente manifestação de inconformidade até o transito em julgado da decisão do processo administrativo nº 13502.001001/200917, para que a decisão naquele produza os efeitos no presente procedimento compensatório; c) não reconhecida a litispendência, o que se admite apenas “ad argumentandum”, seja no mérito reconhecido que não houve nenhuma cumulação indevida de benefícios fiscais, devendo ser mantida a integralidade dos créditos presumidos da Lei nº 9.440, de 1997, lançados nos seus livros de registro e apuração de IPI, mantidos os saldos credores de IPI do 3º trimestre de 2008, de forma a garantir e reconhecer o direito creditório ora afastado pela decisão recorrida, para que sejam homologadas as compensações dos débitos discriminados nas DCOMP transmitidas pela interessada, dando integral provimento a presente MI; ] por fim, protesta pela juntada posterior de quaisquer documentos que se façam necessários e pela produção de todas as provas em direito admitidas. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13819.000510/200951 Acórdão n.º 3101001.236 S3C1T1 Fl. 529 11 A DRJ em SALVADOR/BA julgou a Manifestação de Inconformidade Improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. BENEFÍCIO FISCAL. GLOSA Restando provado o usufruto cumulativo de benefícios fiscais, em desacordo com as normas estabelecidas para fruição do incentivo fiscal, correta a glosa realizada pelo Fisco e a exigência do IPI com os acréscimos legais correspondentes. CRÉDITO PRESUMIDO. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPETÊNCIA DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A fiscalização e o lançamento de ofício do IPI decorrentes da utilização do crédito presumido em desacordo com as normas estabelecidas na legislação de regência encontramse inseridas dentre as competências exercidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. SALDO DEVEDOR. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A apuração de saldos devedores do IPI em reconstituição da escrita fiscal, decorrente da glosa de créditos indevidamente escriturados, impossibilita o reconhecimento do direito creditório originalmente apurado pela contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 435 e seguintes, onde alega usurpação de competência do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e vulneração do devido processo legal; discorre acerca da natureza jurídica do tratamento fiscal preconizado na Lei n° 9.440/97 e na medida provisória nº 2.15835/2001; evoca modificação de critérios jurídicos anteriormente adotados, com efeitos retroativos; aponta impossibilidade de imposição de penalidade prevista em norma regulamentar; e por fim, requer a reforma da decisão recorrida, para reconhecer o direito de crédito, com a conseqüente homologação das compensações efetuadas. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 12 Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase, de plano, ao mérito do contencioso. Tratase aqui da não homologação de compensação, em razão da fruição apontada como indevida pelo Fisco, porquanto teria havido cumulatividade de dois benefícios fiscais. Além do não reconhecimento do direito creditório, houve reconstituição da escrita fiscal da ora recorrente e lavratura de auto de infração, esse discutido até a última instância administrativa (Câmara Superior de Recursos Fiscais) sob o nº 13502.001001/200917, relativo ao débito de IPI apurado no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2008. Por ocasião do julgamento deste feito na Delegacia da Receita Federal de Julgamento em SALVADOR/BA, as decisões no indigitado processo 13502.001001/200917, tanto na Delegacia da Receita Federal de Julgamento (acórdão 1521.905 4ª Turma) quanto no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (acórdão 340101.084) eram desfavoráveis ao contribuinte, motivo por que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Todavia, em 04/10/2011, a Câmara Superior de Recursos Fiscais pronunciou se de forma favorável ao contribuinte, dandolhe provimento, em recurso especial, por unanimidade de votos (acórdão nº 930301.667 3ª Turma), que ficou com a seguinte dicção na respectiva ementa: Fl. 535DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13819.000510/200951 Acórdão n.º 3101001.236 S3C1T1 Fl. 530 13 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/07/2007 a 31/12/2008 BENEFÍCIOS FISCAIS. LEI N° 9.440/97, ART. 1°, IX, INCENTIVO A INSTALAÇÃO DE MONTADORAS DE AUTOMÓVEIS NO NORTE, NORDESTE E CENTROOESTE. MP 2.15835/2001, ART. 56. INCENTIVO A VENDA DE VEÍCULOS COM FRETE A CARGO DAS MONTADORAS. CUMULAÇÃO. POSSIBILIDADE. 0 beneficio gerado pela MP 215835, não tem o condão de se enquadrar como incentivo fiscal na conformidade do § 4° do art.56. 0 art. 2° da Lei n° 12.407/2011 acrescentou parágrafo único ao art. 16 da Lei n° 9.440 permitindo a fruição cumulativa dos benefícios fiscais ínsitos ao presente caso. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Em virtude de o presente processo ser consequência imediata daquela discussão travada naqueles autos, penso que o recurso voluntário merece acatamento, porquanto consubstanciado ilegítimo o óbice apontado pela Administração Tributária para a compensação aqui encetada. Posto isso, voto por PROVER o apelo da recorrente. Sala das Sessões, em 25 de setembro de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 536DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 14 Fl. 537DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 19515.005326/2009-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 11128.002804/2007-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 02/10/2004
MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. ART. 102, §2º, DO DECRETO-LEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350/2010. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro., em face da incidência do art. 102, §2º, do Decreto-Lei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas.
RETROATIVIDADE BENIGNA. Considerando que o dispositivo que autoriza a exclusão de multa administrativa em razão de denúncia espontânea entrou em vigor antes do julgamento da peça recursal, faz-se necessário observar o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional e afastar a multa prevista no art. 107, IV, e, do Decreto-Lei nº 37/66.
Numero da decisão: 3201-001.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente.
Daniel Mariz Gudiño - Relator.
EDITADO EM: 13/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice-presidente), Mércia Helena Trajano DAmorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sergio Celani e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 02/10/2004 MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. ART. 102, §2º, DO DECRETO-LEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350/2010. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro., em face da incidência do art. 102, §2º, do Decreto-Lei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas. RETROATIVIDADE BENIGNA. Considerando que o dispositivo que autoriza a exclusão de multa administrativa em razão de denúncia espontânea entrou em vigor antes do julgamento da peça recursal, faz-se necessário observar o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional e afastar a multa prevista no art. 107, IV, e, do Decreto-Lei nº 37/66.
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ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. ART. 102, §2º, DO DECRETOLEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350/2010. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro., em face da incidência do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas. RETROATIVIDADE BENIGNA. Considerando que o dispositivo que autoriza a exclusão de multa administrativa em razão de denúncia espontânea entrou em vigor antes do julgamento da peça recursal, fazse necessário observar o art. 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional e afastar a multa prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/66. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Daniel Mariz Gudiño Relator. EDITADO EM: 13/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 28 04 /2 00 7- 16 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vicepresidente), Mércia Helena Trajano D’Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sergio Celani e Daniel Mariz Gudiño. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões dos recursos voluntários apresentados pelas Recorrentes: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em face da contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência da multa pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada no prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, preceituada no art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto Lei n° 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10833/03. Relata a autoridade fiscal que as mercadorias objeto da Declaração de Exportação (DDE) n° 2041046103/2, foram embarcadas em 25/09/2004. No entanto, a empresa responsável pelo transporte das mercadorias só informou os dados de embarque, conforme extrato do Siscomex, em 14/12/2004, quando o prazo legal era de até 7 dias após o embarque. Intimada do Auto de Infração, a interessada apresentou impugnação e documentos, alegando em síntese: Inaplicabilidade da multa ao agente marítimo, fundamentando na sumula 192. Descabimento da multa em face da denúncia espontânea. Ordem de serviço n° 4 fere o princípio da reserva legal, instituído no artigo 97, V do CTN . Desproporção da multa, ferindo os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 24/02/2011, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) julgou improcedente a impugnação da Recorrente, conforme Acórdão n° 1748.756 de fls. 5865: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 02/10/2004 NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR. Cabível a multa pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, prevista no art. 107, inciso IV, alinea "e" do DL n° 37/66, com a redação dada pelo art. 61 da Medida Provisória n° 135/03. No caso, o registro dos dados do Fl. 121DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11128.002804/200716 Acórdão n.º 3201001.084 S3C2T1 Fl. 301 3 embarque marítimo da carga foi efetuado no Siscomex após o prazo de 7 (sete) dias, estabelecido no art. 37 da IN SRF n° 28/94, com a redação dada pela IN SRF nº 510/2005. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte A Recorrente foi cientificada do teor do acórdão por intimação postal, em 14/03/2011 (f1. 67v), tendo protocolado seu recurso voluntário em 17/03/2011 (fls. 69/81), o qual, em síntese, reitera os argumentos de sua impugnação (fls. 18/25), exceto quanto à ilegalidade da Taxa Selic, bem como acrescenta que estava munida de boa fé, razão pela qual deveria ser afastada a penalidade que lhe foi aplicada, inclusive porque não causou dano ao erário. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 11/08/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Por estarem presentes os pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, conheço o recurso voluntário e passo a analisálo. Na minha opinião, o cerne da disputa consiste em saber se a Recorrente poderia sofrer a penalidade aplicada pela fiscalização, considerando que se trata de uma penalidade aplicável à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. Os argumentos de que teria havido denúncia espontânea ou ausência de dano ao erário, parecemme secundários. Com efeito, a penalidade aplicada à Recorrente está fundamentada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação dada pela Lei nº 10.833 de 2003, que assim dispõe: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Fl. 122DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 (...) Segundo a Recorrente, “... a autuada NÃO é uma empresa de transporte internacional, nem tampouco um agente de carga (agente desconsolidador, que não se confunde com o agente marítimo)...” (fl. 77). Por essa razão, não haveria a subsunção do fato à norma, sendo inaplicável a penalidade por erro de sujeito. Contudo, em seu objeto social (fl. 27), percebo que as suas atividades no comércio exterior são amplas, contendo, entre outras, o afretamento ou arrendamento de navios e o papel de desconsolidador. Senão, vejamos: Artigo 3º A Sociedade tem por finalidade o agenciamento marítimo, a representação de companhias de navegação marítima e aérea, afretamento ou arrendamento de navios, Representação de N.V.O.C.C., Desconsolidador de N.V.O.C.C., operações portuárias de acordo com a Lei n°. 8.630/93, representação de agências de companhias de seguros, comissárias de despachos e quaisquer outras operações comerciais atinentes e complementares do comércio referido ou que a Diretoria julgar conveniente à Sociedade, podendo participar de outras Sociedades quer como sócia cotista ou acionista. Por outro lado, sendo amplo o rol de atividades que pode desempenhar, nada obsta que a Recorrente tenha sido um mero agente marítimo no caso concreto. Por essa razão, é importante que se verifique as informações do SISCOMEX para o Despacho de Exportação nº 2041046103/2 (fl. 12), abaixo reproduzido: A partir do cruzamento das informações acima, não há como aceitar a alegação de que a Recorrente não era o transportador das mercadorias em questão. Caso a informação contida no SISCOMEX estivesse equivocada, caberia à Recorrente provar tal equívoco. Porém, tanto na impugnação quanto no recurso voluntário, nada foi juntado ao processo nesse sentido. Quanto ao argumento da denúncia espontânea, é interessante notar que o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação dada pela Lei nº 12.350 de 2010, passou a prever a possibilidade de exclusão de multa administrativa decorrente de descumprimento de obrigação aduaneira. Há inclusive jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aplicando o referido dispositivo, a saber: MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A NAVIO OU A MERCADORIAS NELE EMBARCADAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.. POSSIBILIDADE. ART. 102, §2º DO DECRETOLEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12/2010. APLICAÇÃO RETROATIVA. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é Fl. 123DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11128.002804/200716 Acórdão n.º 3201001.084 S3C2T1 Fl. 302 5 administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro., em face da incidência do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas. (Acórdão nº 3101000.997, Rel. Cons. Luiz Roberto Domingo, Sessão de 25/01/2012) Para fácil referência, transcrevese a norma do art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação da Lei nº 12.350 de 2010, a saber: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) No caso concreto, o auto de infração foi lavrado em 11/04/2007 (fl. 1) e a Recorrente informou os dados de embarque no Siscomex em 14/12/2004 (fl. 13). Logo, assiste razão à Recorrente no tocante ao não cabimento da multa apesar do caráter objetivo da conduta prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28 de 1994 e da hipótese de aplicação da penalidade prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37 de 1966. E nem se diga que a hipótese dos autos está prevista no art. 102, § 2º, alínea “a”, do DecretoLei nº 37 de 1966, pois o despacho aduaneiro somente se concluiria com a averbação do embarque, nos termos do art. 46 da Instrução Normativa SRF nº 28 de 1994. O dispositivo legal estabelece que não se considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, porém, somente até o desembaraço da mercadoria. Em outras palavras, o referido dispositivo não abrange todo o despacho aduaneiro até a averbação do embarque. Ora, como a obrigação que a Recorrente cumpriu intempestivamente devia ser cumprida posteriormente ao embarque, e o desembaraço das mercadorias é pressuposto lógico para o seu embarque, nos termos do art. 29 da Instrução Normativa SRF nº 28 de 1994, não se aplica ao caso o art. 102, § 2º, alínea “a”, do DecretoLei nº 37 de 1966, sendo possível, sim, a denúncia espontânea da obrigação em tela. Desse modo, fazse necessário observar o disposto no art. 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional e aplicar a retroatividade benigna para contemplar a situação Fl. 124DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 vivenciada pela Recorrente. Sobre o assunto, a Câmara Superior deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se pronunciou. Confirase: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplicase a legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna. (Acórdão nº 910100344, Cons. Rel. Valmir Sandri, Sessão de 24/08/2009) Diante de todo o exposto, é de se dar provimento ao recurso voluntário, exonerando o crédito tributário na íntegra. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 125DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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