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Numero do processo: 16643.000338/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL20. IMPORTAÇÃO DE COMPRIMIDOS A GRANEL. BLISTERIZAÇÃO. EXIGÊNCIAS PARA A COMERCIALIZAÇÃO DOS PRODUTOS.
Conforme se verifica da análise dos elementos contidos nos autos, o simples processo de blisterização não se caracteriza como específico processo de produção a descaracterizar a possibilidade de aplicação do critério do PRL20 de que tratavam as disposições originárias do Art. 18, inciso II, alínea d, item 2 da Lei 9.430/96.
Tal procedimento, conforme se verifica, é exigência para a comercialização do produto importado no mercado interno, não compreendendo, dessa forma, qualquer ato de aplicação do produto importado na produção.
Numero da decisão: 1301-000.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, POR UNANIMIDADE, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Fez sustentação oral: Dra. Raquel do Amaral Santos, OAB/SP n° 171.622.
(Assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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PRL20. IMPORTAÇÃO DE COMPRIMIDOS A GRANEL. BLISTERIZAÇÃO. EXIGÊNCIAS PARA A COMERCIALIZAÇÃO DOS PRODUTOS. 1 Conforme se verifica da análise dos elementos contidos nos autos, o simples processo de “blisterização” não se caracteriza como específico processo de “produção” a descaracterizar a possibilidade de aplicação do critério do PRL20 de que tratavam as disposições originárias do Art. 18, inciso II, alínea d, item 2 da Lei 9.430/96. 2 Tal procedimento, conforme se verifica, é exigência para a comercialização do produto importado no mercado interno, não compreendendo, dessa forma, qualquer ato de aplicação do produto importado na produção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, POR UNANIMIDADE, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Fez sustentação oral: Dra. Raquel do Amaral Santos, OAB/SP n° 171.622. (Assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 03 38 /2 01 0- 16 Fl. 2026DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Da leitura da decisão de primeira instância, extraemse os seguintes apontamentos em relação aos autos: DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal de fls. 1220/1227, em fiscalização empreendida junto 5 empresa acima identificada, acerca da apuração dos preços de transferência nas importações, relativos ao anocalendário de 2006, constatouse o seguinte: DOS FATOS E DAS VERIFICAÇÕES FISCAIS No anocalendário sob exame, a contribuinte realizou operações de importação com pessoas vinculadas no exterior, estando sujeita ao controle fiscal dos preços de transferência. A fiscalização constatou, analisando as informações e os elementos apresentados pela contribuinte, que ela calculou um ajuste de R$ 269.852,59, usando o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro) com margem de lucro de 60% (PRL60). Destaca a fiscalização que a contribuinte não lhe forneceu os papéis de trabalho e memórias de cálculo para comprovação dos preços de transferência conforme determina os incisos I e II do artigo 40 da IN SRF n° 243/2002. DO CALCULO DO PREÇO DE TRANSFERENCIA PELA FISCALIZAÇÃO A fiscalização relaciona, às fls. 1220verso e 1221, os dados e informações fornecidos pela contribuinte no decorrer do procedimento fiscal, e apresenta, 5 fl. 1221verso, um fluxograma que demonstra o caminho percorrido pelo insumo, desde a importação até sua efetiva saída (revenda ou consumo interno na produção de produto intermediário ou acabado destinado à venda posterior). De posse dos dados fornecidos pela contribuinte, a fiscalização iniciou o trabalho de análise dos elementos apresentados. Diante do grande volume de dados relativos à importação, a fiscalização selecionou para análise, por amostragem, 80% dos itens importados de pessoas vinculadas. Da análise dos dados selecionados, a fiscalização constatou a ocorrência de importação de medicamento semielaborado na forma de comprimidos a granel, faltando a conclusão do processo de embalagem primária e secundária. Embalagem é o conjunto de operações, processos, materiais, equipamentos e mãode obra, utilizado com a finalidade de acondicionar, proteger, informar, facilitar o uso, Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301000.995 S1C3T1 Fl. 3 3 agregar valores, vender e transportar o produto acabado até os pontos de venda e utilização, atendendo às necessidades da população, proporcionando segurança à mesma. Embalagem primária: deve conter o medicamento, proteger o produto e fornecer inviolabilidade, informar e identificar o produto, o lote, a data de fabricação e validade, facilitar o uso com indicações para abertura. Um tipo de embalagem primária é o blist moldada com cavidades dentro das quais as formas farmacêuticas são armazenadas D ISPI Embalagem secundária: deve conter a embalagem primária. Tratase de uma caixa de apresentação do produto, com a aposição da marca, nome comercial do medicamento, instruções, bula. Embalagem terciária (embarque): é a embalagem que facilita o transporte e tem Por característica a integridade física da embalagem secundária. Destaquese que cada modelo de embalagem de apresentação recebe um código especifico de identificação. Os produtos importados pela contribuinte passam por etapas de produção no Brasil, havendo agregação de valor (embalagem primária e secundária). Por conseguinte, somente podem ser adotados os métodos PIC (Preços Independentes Comparados), CPL (Custo de Produção mais Lucro) e PRL60. DA INFRAÇÃO APURADA Para o cálculo dos preços de transferência relativos aos produtos supracitados, a fiscalização adotou o método PRL60. Os preços praticados foram calculados com os valores constantes dos documentos de importação (Declaração de Importação — DI), por código de produto. Os valores dos produtos importados de pessoa vinculada foram ponderados com os valores dos estoques iniciais registrados no Livro Registro de Inventário Modelo 7. Os cálculos foram realizados segundo os artigos 3° e 4°, § 40, da IN SRF no 243/2002. A fiscalização procedeu ao cálculo dos preçosparâmetro usando o método PRL60, previsto na alínea "b" do inciso IV do artigo 12 da IN SRF no 243/2002, pois tratase de bens importados aplicados à produção. A metodologia utilizada foi a prevista no § 11 do artigo 12 da IN SRF n° 243/2002. A contribuinte importou comprimidos a granel, que, pela peculiaridade do negócio farmacêutico, são consumidos na produção de um ou mais medicamentos com embalagem de apresentação. É normal a existência de embalagem de apresentação acondicionando 28 cápsulas (na forma de 4 blisteres x 7 cps) ou embalagem com 30 cápsulas (na forma de 3 blisteres x 10 cps). Para cada embalagem de apresentação, a contribuinte adotou uma codificação distinta, pois para cada embalagem temos um produto acabado diferente. É bastante comum na indústria farmacêutica a importação de produtos (principio ativo e semiacabado) de vinculada e sua aplicação na produção de produtos com diversas embalagens de apresentação. Desse modo, para um mesmo item importado, devese Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 4 calcular vários preçosparâmetro intermediários, pelo método PRL60, sendo o preçoparâmetro final determinado pela média ponderada em função das quantidades consumidas e vendidas para pessoas nãovinculadas, pois não se admite que um insumo importado tenha mais de um preçoparâmetro. Assim procedendo, a fiscalização apurou, utilizando o método PRL60, ajuste adicional no montante de R$ 117.636.473,39, já considerando os ajustes constantes da Processo 16643.000338/201016 DR /SP1 Acórdão n.° 1630.604 DIPJ/2007 relativos aos produtos objeto de autuação (produto Starlix FCT 1 141.656,32, fl. 106), conforme demonstrativo de fl. 1226verso. DOS LANÇAMENTOS Em face do exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao ano calendário de 2006: DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 07/12/2010 (fls. 1207 e 1212), a contribuinte, por meio de sua advogada, regularmente constituída (fl. 1390), apresentou, em 05/01/2011, a impugnação de fls. 1315/1359, alegando, em síntese, o seguinte: DESCABIMENTO DA DESCONSIDERAÇA0 DO METODO PRL20 NOS CASOS DE SIMPLES ACONDICIONAMENTO (EMBALAGEM, BULA E LACRE DE SEGURANÇA) Registrese, de inicio, que a adoção de procedimentos de acondicionamento somente é adotada pela contribuinte em razão de exigências da legislação brasileira, já que em outros países é permitida a venda de produto a granel para as farmácias, que efetuam as vendas exatamente nas quantidades indicadas para cada paciente. Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301000.995 S1C3T1 Fl. 4 5 A impugnante entende que o procedimento de embalagem do produto no Brasil, sem qualquer processo de transformação ou alteração em suas características, permite a aplicação do método PRL20, pois não há, propriamente, a "produção" a que alude o artigo 18, inciso II, alínea "d", item 1, da Lei n°9.430/96. Os dispositivos que tratam do método PRL não se referem à "industrialização” conceito estabelecido pelo artigo 4° do Regulamento do !PI (Decreto n° 4.544/2002) , e ao termo "produção", sem definilo. De qualquer forma, não há razão para se imaginar o conceito de "produção" tão amplo quanto o de "industrialização". É de se imaginar que a expressão "produção", mencionada pela lei, deva ser entendida como a etapa após a qual o produto importado sofra tamanha mudança, que já não mais é possível dizer que se trata daquele mesmo produto. Nesse sentido, não pode ser considerado "produção" o mero processo de acondicionamento, conquanto este seja um processo industrial. No caso vertente, é evidente a inexistência da alteração dos bens importados pela contribuinte, os quais, após serem alocados em blisteres e em caixa de papelão (no caso de comprimidos a granel), continuam sendo os mesmos. As embalagens em que a contribuinte alocou os produtos importados – em substituição às embalagens originais, utilizadas pelo exportador — não se destinam a complementar o produto, senão viabilizar a sua comercialização. Com relação ao critério de agregação de valor, todavia, devese têlo por estranho à caracterização da "produção". É que toda atividade desempenhada pela empresa, ainda que exclusivamente revendedora, implica agregação de valor. O trabalho, qualquer que seja, agrega valor ao bem, mesmo quando destinado à revenda. Descabe também a eventual argüição com base na diferença entre os "part number' relativos aos produtos importados antes e depois do acondicionamento. Se a contribuinte escolhe, em busca de melhor organização, classificar sob códigos diferentes os produtos acondicionados na embalagem original e aqueles acondicionados na nova embalagem, disso não decorre qualquer transformação no produto, que justifique a identificação de processo de produção. Cumpre, ainda, observar a Solução de Consulta Cosit n° 22/2008 (ementa às fls. 1326/1327), na qual o próprio Fisco asseverou que o acondicionamento não transforma o bem, não lhe agrega valor e, portanto, permitiria a aplicação do método PRL20. Essa conclusão poderia ser questionada, na linha da solução de consulta supracitada, se houvesse a aposição de marca, esta sim capaz de agregar valor a um produto. Mas, agregação de valor é irrelevante para a caracterização da produção. Ainda que houvesse a aposição de marca, com aumento do valor do bem, a produção não restaria caracterizada, ante a inexistência de transformação do produto. Mas, mesmo se assim não fosse, o acondicionamento realizado pela impugnante não envolve a aposição de merca. Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 6 Por fim, cumpre observar que o entendimento da contribuinte no sentido de que não há, no acondicionamento, qualquer alteração do produto, mas apenas na forma de sua apresentação ao consumidor, inexistindo agregação de valor — é confirmado pela doutrina (fl. 1329) e pela jurisprudência do Conselho de Contribuintes (ementa às fls. 1329/1330). ILEGALIDADE DA SISTEMÁTICA DE APLICAÇÃO DO MÉTODO 60 PREVISTA NA IN SRF N° 243/2002 A autoridade fiscal ignorou as memórias de cálculo apresentadas pela impugnante referentes à aplicação do método PRL60, elaborando um novo cálculo, de acordo com a metodologia prevista na IN SRF no 243/2002. O mesmo procedimento foi adotado quando da desconsideração, para alguns produtos, do PRL20 (item anterior). Ocorre que os ajustes com base na sistemática trazida pela IN SRF n° 243/2002 devem ser cancelados de plano, tendo em vista que tal sistemática constitui uma inovação ilegal em relação ao texto da Lei n° 9.430/96. As diferenças entre as sistemáticas da Lei n° 9.430/96 e da IN SRF n° 243/2002 acabam por gerar resultados distintos para o mesmo cálculo de preço de transferência segundo o método PRL60. Como resultado, despesas que são dedutiveis segundo uma sistemática passam a ser indedutiveis segundo a outra. Diante dessa divergência de sistemáticas, é inconteste a prevalência da sistemática estabelecida pelo texto legal (Lei n° 9.430/96), em razão do principio constitucional da estrita legalidade em matéria tributária. A MP n° 478/2009, que não foi convertida em lei, tentou incluir, no corpo da Lei n° 9.430/96, a sistemática de cálculo prevista na IN SRF n° 243/2002. Para a impugnante é claro que o intuito do legislador, ao editar a referida MP, foi o de criar uma disciplina jurídica nova, cuja vigência abrangeria apenas os fatos posteriores a sua entrada em vigor (ou, melhor dizendo, fatos ocorridos a partir do ano seguinte conversão da MP n° 478/2009 em lei, em atenção ao disposto no artigo 62, §2° da CF/88). Essa também é a conclusão a que se chega a partir da leitura da Exposição de Motivos da MP n° 478/2009, que indica a necessidade de "instituir, em dispositivo legal, essas medidas que hoje constam apenas em Instrução Normativa". Com isso, fica evidente que a sistemática de cálculo do método PRL60 prevista na IN SRF n° 243/2002 somente poderia prevalecer se a MP n° 478/2009 tivesse sido aprovada pelo Congresso Nacional e, ainda assim, para fatos ocorridos após a sua edição. A ilegalidade da referida sistemática já foi, inclusive, reconhecida pelo Poder Judiciário. Ao julgar a apelação cível n° 003404852.2007.4.03.6100/SP, o TRF da 3° Região afastou a aplicação da IN SRF n°243/2002 para o método PRL60 (fls. 1338/1339). SUBSIDIARIAMENTE: FRETE, SEGURO E IMPOSTOS Na remota hipótese de não se concluir pela ilegalidade da sistemática de cálculo do PRL60 prevista na IN SRF no 243/2002, ao menos os ajustes perpetrados no Auto de Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301000.995 S1C3T1 Fl. 5 7 Infração deverão ser reduzidos, a fim de que se considere, no preço praticado nas importações da impugnante, o preço FOB, ou seja, sem a inclusão dos custos relativos a tributos, frete e seguro, pois esses custos não estão sujeitos aos limites de dedutibilidade impostos pelo artigo 18 da Lei n° 9.430/96. A interpretação lógica do § 6° do artigo 18 da Lei n° 9.430/96 conduz à convicção de que a expressão "para efeito de dedutibilidade" indica, na verdade, uma confirmação da regra do caput, no seguinte sentido: já que os valores de frete, seguro e tributos sobre importações não estão sujeitos aos limites do caput, eles deverão integrar o custo, de apuração do lucro real. Há que se destacar, ainda, a ilegalidade da IN SRF no 243/2002, ao determinar a inclusão do custo CIF no preço praticado (artigo 4°, § 4°). No referido artigo 4°, § 40, da IN SRF n° 243/2002 omitiuse a expressão "para efeito de dedutibilidade", constante do § 6° do artigo 18 da Lei n° 9.430/96, e, ainda, trocouse a expressão "custo" (conceito contábil) por "preço praticado" (conceito de transação controlada pelos preços de transferência). Dessa forma, deve ser reconhecida, desde logo, a impossibilidade de se justificar a inclusão dos valores de frete, seguro e impostos no preço praticado, para fins de apuração do método PRL, com base na IN SRF n° 243/2002. Por fim, cumpre definir qual mecanismo deve ser adotado para que a neutralidade dos valores de frete, seguro e tributos seja alcançada. No caso do acórdão n° 10809763 (fls. 1340/1341), a Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes optou por adicionar os referidos valores ao preço parâmetro. A elucidação matemática do que determinou o referido acórdão está a seguir demonstrada: Com a adição do custo de frete, seguro e impostos sobre a importação incorridos na importação ao preçoparâmetro, assegurouse a neutralidade, a seguir demonstrada: Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 8 Vejase que os custos CIF incorridos na importação foram anulados pela adição determinada pelo julgador. E mais, o julgador pouco se importou com o CIFrep, pois ele naturalmente faz parte do preço de revenda. Ainda, considerandose que o § 6° do artigo 18 da Lei n° 9.430/96 não distingue qualquer método (aplicase igualmente a todos), somente seria possível concluir pela inclusão dos valores de frete, seguro e tributos no preço praticado se essa mostrasse sustentável para os 3 métodos (PIG, CPL e PRL). Mas a inclusão do custo CIF no preço praticado no caso do método CPL geraria situações absurdas, conforme demonstrado As fls. 1355/1356. Nesse caso, a equivalência das grandezas comparadas jamais seria atingida. Não bastasse isso, a inclusão de frete, seguro e tributos sobre as importações, até mesmo a importação a preço zero teria ajuste, conforme a seguir exemplificado: Por todo o exposto, concluise que devem ser excluídos os valores de frete, seguro e impostos que compuseram os preços praticados considerados pela autoridade fiscal para a aplicação do PRL60. Como conseqüência, a base de cálculo do Auto de Infração deverá ser reduzida, considerando o preçoparâmetro FOB. CONCLUSÕES E PEDIDO A impugnante apresenta suas conclusões 5 fl. 1358, e requer, por todo o exposto, que o Auto de Infração seja cancelado. Requer, ainda, que as intimações e notificações a serem feitas, relativamente às decisões proferidas neste processo, sejam encaminhadas aos seus procuradores, bem como enviadas cópias à impugnante, protestando, ainda, por todos os meios de prova em Direito admitidas, notadamente pela juntada de novos documentos. A par dessas considerações, analisando os termos da impugnação apresentada nos autos, a douta autoridade de primeira instância conclui sua decisão, julgando improcedente a impugnação e, assim, mantendo integralmente o lançamento efetivado, em acórdão que, inclusive, assim restara ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301000.995 S1C3T1 Fl. 6 9 PRODUTOS IMPORTADOS A GRANEL. AGREGAÇÃO DE VALOR. VEDAÇÃO DE UTILIZAÇÃO DO MÉTODO PRL20: O método do PRL20 (Prego de Revenda menos Lucro, com margem de 20%) não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no Pais, agregação de valor ao custo dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos. MÉTODO PRL60. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL, devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada a contribuinte no dia 19/08/2011 do inteiro teor da decisão proferida, apresentou então, no dia 19/09/2011 o seu respectivo Recurso Voluntário, pretendendo a reforma da decisão de origem, aduzindo, para tanto, os seguintes pontos: Que os procedimentos apontados pela fiscalização são obrigatórios para a comercialização daqueles produtos no Brasil; Que as operações apontadas não se subsumem ao conceito de “produção” apontado pelas disposições do Art. 18, II, ‘d’, item 1 da Lei 9.430/96; A distinção conceitual entre “produção” ( Art. 18, II, alínea ‘b’ da Lei 9.430/96) w “industrialização” (Decreto 4.544/02 – RIPI); A inexistência de alteração das qualidades do produto no caso tratado nos autos, tendo em vista sua efetivação apenas como exigência da legislação interna; Ilegalidade da sistemática de aplicação do método PRL60 da IN 243/2002; Em caráter subsidiário, a impossibilidade de inclusão dos custos de frete, seguro e tributos, em decorrência da aplicação do preço FOB. Após a interposição do recurso voluntário, verificase ainda a apresentação, pela PGFN, de suas competentes Contrarazões, destacando, dentre outros apontamentos, os seguintes: Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 10 A configuração do processo de “blisterização” como efetiva produção, nos termos apontados pela fiscalização; A existência de agregação de valor, independentemente da aposição da marca; A legalidade do PRL60 conforme a IN 243/2002; Aplicação do preço CIF, e não o preço FOB É o relatório. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Sendo tempestivo o recurso interposto, dele conheço. A discussão travada nos autos referese à validade, ou não, do ato praticado pela contribuinte que, quando da importação de produtos farmacêuticos de empresa a ela vinculada no exterior, promove processo específico, voltado à blisterização e à colocação de caixa de papelão – com a aposição da respectiva marca , para fins garantir a possibilidade de comercialização do produto no Brasil, aplicando, na apuração de preço de transferência, a sistemática indicada como PRL20 (Preço de Revenda menos o Lucro – margem de lucro 20%), ao passo que, no entender da fiscalização, sendo o mencionado processo específica hipótese de “produção”, não poderia ser aceita a aplicação da referida metodologia, mas sim a do PRL60, com as conseqüências, então, que se lhe fazem pertinentes. O cerne da questão, como se verifica, envolve a solução do debate quanto à caracterização – ou não – das operações praticadas pela empresa como se “produção” efetiva, ou se de mera adequação do produto para a comercialização interna, sendo daí, então, decorrente a solução para a questão apresentada. Tendo em vista a importância do dispositivo para o deslinde da questão, destacamos as disposições originárias do apontado Art. 18 da Lei 9.430/96, que, à época dos fatos tratados nos autos, assim se apresentavam: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301000.995 S1C3T1 Fl. 7 11 b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. § 1º As médias aritméticas dos preços de que tratam os incisos I e II e o custo médio de produção de que trata o inciso III serão calculados considerando os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. § 2º Para efeito do disposto no inciso I, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados. § 3º Para efeito do disposto no inciso II, somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados. § 4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 5º Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. § 7º A parcela dos custos que exceder ao valor determinado de conformidade com este artigo deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. § 8º A dedutibilidade dos encargos de depreciação ou amortização dos bens e direitos fica limitada, em cada período de apuração, ao montante calculado com base no preço determinado na forma deste artigo. § 9º O disposto neste artigo não se aplica aos casos de royalties e assistência técnica, científica, administrativa ou assemelhada, os quais permanecem subordinados às condições de dedutibilidade constantes da legislação vigente. Como se verifica da leitura dos dispositivos apresentados, a identificação do método de apuração de margem de lucro a ser aplicada na definição do chamado “preço de transferência” mantém íntima relação com a razão fundamental da importação realizada, sendo certo que, em caso de aplicação do bem importado à produção de bens/produtos no Brasil, aplicase a margem de 60% (sessenta por cento), ao passo que, em quaisquer outras hipóteses, a margem de lucro a ser considerada é, então, a de 20% (vinte por cento). Fl. 2036DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 12 A argumentação trazida pela contribuinte, a todo instante, voltase à impossibilidade de caracterização das operações por ela realizadas como se de efetiva “produção”, traçando relevante distinção entre esta e a “industrialização”, conforme, inclusive, antes especificamente destacado, ao passo que, na visão da Procuradoria, a hipótese apresentada amoldarseia, perfeitamente, à configuração da apontada “produção”, devendo, assim, ser mantido o lançamento efetivado. Destacado, então, o cerne da questão tratada nos presentes autos, imperiosa assim se faz a análise a respeito dos procedimentos promovidos pela contribuinte nos produtos importados, buscando identificar, assim, a adequada subsunção entre os conceitos do fato e da norma. A respeito das operações praticadas pela contribuinte e consideradas pela fiscalização, relevante se faz o destaque de que, tanto os argumentos apresentados pelas próprias autoridades fiscalizatórias quanto a contribuinte/fiscalizada apontam que, na importação de produtos advindos de empresas a ela ligadas, na forma de comprimidos a granel, à contribuinte impõese a necessidade de alteração da forma de apresentação do produto, referente à colocação em blísteres e caixas (embalagens primária e secundária). A questão então que se impõem é a de verificar se as operações, da forma como realizadas, caracterizam, ou não, efetiva “produção” – como continuidade/finalização, do processo de industrialização iniciado no exterior , ou se de mero acondicionamento para a comercialização no país. Analisando todas as considerações apresentadas, e, de acordo com as normas regentes da matéria, entendo, com a devida vênia, assistir razão à contribuinte, tendo em vista que, conforme restou amplamente demonstrado nos autos, não se trata, de forma alguma, em qualquer processo de alteração do produto final comercializado, mas sim, apenas e tão somente de procedimento voltado ao atendimento de normas internas aplicadas à comercialização específica do produto importado, que, em absolutamente nada, representa alteração em sua substância. Nessa linha, a par dos valorosos argumentos trazidos pela fiscalização, e, ainda, apresentados pela r. decisão de primeira instância ou mesmo nas razões aduzidas pela douta procuradoria, entendo que, na linha destacada pelas resposta de consultas trazidas pela contribuinte, e, ainda, de acordo com os argumentos por ela mesma apresentados, a introdução dos referidos comprimidos (importados à granel) em embalagens exigidas pela vigilância sanitária brasileira não pode, de forma alguma, ser considerada como procedimento de produção, agregando valor ao produto, a ponto de exigir a aplicação da sistemática do indicado PRL60, da forma como pretende a douta fiscalização. Diante dessas razões, concluo pela impossibilidade de configuração, na presente vertente, da hipótese de aplicação do produto importado na produção, da forma como apontado pelo art. 18, II, ‘d’ da Lei 9.430/96, sendo, portanto, inaplicável a margem de lucro sob o percentual de 60% (sessenta por cento), da forma como pretendido pela fiscalização, destacando, portanto, a completa improcedência do lançamento efetuado. Assim sendo, encaminho meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, desconstituindo, assim, integralmente, o lançamento efetivado, nos termos aqui especificamente destacados. É como voto Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301000.995 S1C3T1 Fl. 8 13 (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10120.003489/2005-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2002
Ementa: LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ATIVIDADE RURAL.
O lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada - com fundamento no art. 42, da Lei 9.430/996 - é incompatível com o reconhecimento, inclusive por parte da fiscalização, de que ditos depósitos tiveram origem no exercício da atividade rural. Nessa hipótese eventuais diferenças não tributadas devem ser exigidas com base na legislação especifica da atividade rural.
Numero da decisão: 9202-001.944
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - atividade rural
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ATIVIDADE RURAL. O lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada com fundamento no art. 42, da Lei 9.430/996 é incompatível com o reconhecimento, inclusive por parte da fiscalização, de que ditos depósitos tiveram origem no exercício da atividade rural. Nessa hipótese eventuais diferenças não tributadas devem ser exigidas com base na legislação especifica da atividade rural. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente Fl. 1DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado) Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire e eu, Afonso Antonio da Silva. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10120.003489/200581 Acórdão n.º 9202001.944 CSRFT2 Fl. 1.412 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 01269, interposto pela nobre PGFN contra acórdão, fls. 01257, que decidiu, por unanimidade de votos, acolher os embargos para retificar o Acórdão 10422.820, de 08/11/2007, e sanar o lapso manifesto apontado a fim de dar provimento ao recurso. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002 EMBARGOS INOMINADOS LAPSO MANIFESTO Verificada no julgado a existência de incorreções devidas a lapso manifesto, é de se acolher os Embargos Inominados. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DA ORIGEM ATIVIDADE RURAL – O lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada, com fundamento no art. 42, da Lei n". 9.430, de 1996, é incompatível com o reconhecimento, por parte da fiscalização, de que ditos depósitos tiveram origem no exercício da atividade rural. Nessa hipótese, eventuais diferenças não tributadas devem ser exigidas com base na legislação especifica da atividade rural. Embargos acolhidos. Acórdão retificado. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de Embargos Inominados opostos por NELSON MALLMANN. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER os Embargos Inominados para, retificando o Acórdão 10422.820, de 08/11/2007, sanar o lapso manifesto apontado para DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. Há interpretações divergentes sobre a questão, nas decisões constantes dos acórdãos 10615721 e 106 16134; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 2. Em casos idênticos as Turmas deste Conselho decidiram de forma divergente; 3. O contribuinte não trouxe aos autos qualquer comprovação da origem dos valores depositados, nem logrou demonstrar, por documentação hábil e idônea, que tais valores derivariam da atividade rural (em oposição ao que sustenta o acórdão recorrido); 4. Não se pode depreender, do conjunto probatório, quais eventos constituiriam a real origem dos montantes objeto da movimentação financeira, ônus este a cargo do contribuinte; 5. A afirmação, contida na decisão ora recorrida, de que a fiscalização teria "reconhecido" que "ditos depósitos tiveram origem no exercício da atividade rural" não encontra guarida nos autos; 6. Portanto, a reforma do julgado é medida que se impõe; 7. Ante o exposto, a PGFN requer seja conhecido e provido o presente recurso, para reformar o acórdão exarado pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, restabelecendose a decisão de primeira instância administrativa. Por despacho, fls. 01344, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, fls. 01349, argumentando, em síntese, que: 1. Nos autos está comprovado, como decidido pelo acórdão recorrido, que os depósitos eram originados da atividade rural; 2. Essa verdade é comprovada pela fiscalização, que dividiu os recursos pelo número de integrantes da atividade agrícola; 3. O próprio Art. 42 afirma que a tributação, quando comprovada a origem, deve ser feita em conformidade com a legislação específica; 4. As decisões dos acórdãos paradigmas deram razão aos seus respectivos recorrentes, conforme documentos em anexo; 5. Está comprovado nos autos que todos os valores são originários da atividade rural; 6. Por todo exposto, pedese que o recurso especial seja julgado totalmente improcedente. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10120.003489/200581 Acórdão n.º 9202001.944 CSRFT2 Fl. 1.413 5 Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Na análise dos autos chegase à conclusão que o acórdão recorrido chegou ao decidido pelo entendimento de que se o interessado possui como única fonte a atividade rural caberia ao Fisco – para utilizar a presunção prevista no Art. 42, da Lei 9.430/1996 – demonstrar que essa não é sua única fonte de renda ou tributálo pela legislação específica da área rural. Esse entendimento, a nosso ver, possui base na própria Lei 9.430/1996. Lei 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ... § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. O acórdão recorrido chegou à sua conclusão, em síntese: 1 Pelo Fisco não ter descaracterizado a fonte de rendimentos como rural; 2 Pela declaração de rendimentos do recorrente indicar como única fonte a atividade rural, fls. 0714; e 3 Pelo próprio Fisco informar que os valores são oriundos de conta de condomínio rural, fls. 0774. Portanto, como corretamente chegou à conclusão o acórdão recorrido, caberia ao Fisco descaracterizar a condição de que esses valores não eram da atividade rural, procedimento não adotado, a fim de não utilizar as normas presentes na legislação específica e utilizar a presunção da Lei 9.430/1996. Cabe destacar trecho do voto do acórdão recorrido, do ilustre Conselheiro Nelson Mallmann: Esta Quarta Câmara há muito vem decidido, por maioria de votos, que quanto se tratar de contribuinte com uma única fonte Fl. 6DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10120.003489/200581 Acórdão n.º 9202001.944 CSRFT2 Fl. 1.414 7 de rendimentos e seja esta, comprovadamente, decorrente da atividade rural os depósitos bancários devem ser tributadas comose oriundos desta. Não tenho dúvidas, que pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede à pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal. Sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada. É de se observar, que o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. No caso vertente, a própria fiscalização classificou como sendo os depósitos bancários oriundos de um condomínio de exploração agropastoril formado pelos cinco irmãos. Da análise dos autos, principalmente das declarações de imposto de renda dos exercícios questionados, se constata que os rendimentos tributáveis do contribuinte são originários da atividade rural e que todos os negócios desenvolvidos pelo suplicante tem relação direta com a atividade rural. Em assim sendo, não me parece correto tributar a totalidade dos depósitos bancários não comprovados como sendo omissão de rendimentos de uma outra atividade qualquer, quando o contribuinte, como é o caso em questão, tem rendimentos tributáveis originados exclusivamente da atividade rural, já que as receitas da atividade rural pelas suas peculiaridades gozam de tributação mais favorecida. Por fim, quanto às turmas terem decidido de forma diversa em casos idênticos, cabe ressaltar que esses casos poderão, ainda, ser apreciados pela CSRF, portanto, essas decisões não são definitivas, e mesmo que fossem, não possuem efeito vinculante. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso da nobre PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 8DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 13863.000309/99-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
Ementa: IRPJ. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO INDEVIDO.
Deve ser reconhecido o direito creditório apurado em diligência fiscal quando comprovado os recolhimentos indevidos do IRPJ, com base em elementos constantes dos DARFs e da DIRPJ.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1202-000.657
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Nelson Losso Filho
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1995 Ementa: IRPJ. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO INDEVIDO. Deve ser reconhecido o direito creditório apurado em diligência fiscal quando comprovado os recolhimentos indevidos do IRPJ, com base em elementos constantes dos DARFs e da DIRPJ. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto e André Almeida Blanco (conselheiro substituto). Ausente justificadamente o conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Fl. 257DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13863.000309/9987 Acórdão n.º 120200.657 S1C2T2 Fl. 258 2 Retorna o recurso a julgamento nesta E. Turma, após cumprimento de diligência determinada na sessão de 24 de maio de 2007, por meio da Resolução nº 108 00.448, fls. 195/203. A diligência foi solicitada para a constatação do direito creditório alegado pela recorrente, visto ser necessário o confronto entre os valores declarados na DIRPJ e aqueles recolhidos indevidamente pela empresa no ano de 1995. Por pertinente, para tornar mais compreensíveis as matérias em julgamento, a seguir reproduzo o relatório e voto apresentado naquela oportunidade: “Tratase de pedido de restituição/compensação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurado pelo Lucro Presumido, pago a maior no anocalendário de 1995. A empresa teve seu pedido indeferido em 30 de novembro de 2004 por meio do Despacho Decisório de fls. 86/88, que fundamentou sua decisão no fato de não ter sido o processo instruído com os documentos necessários ao seu exame e fornecida prova cabal da composição do faturamento, base de cálculo do IRPJ, tal como informado na declaração de rendimentos. Apresentou em 03 de janeiro de 2005 sua manifestação de inconformidade dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, onde, às fls. 97/114, alega em apertada síntese, o seguinte: 1 em novembro de 1999 a empresa recebeu aviso de cobrança de débitos do PIS, COFINS, IRPJ e CSL relativos ao ano calendário de 1995; 2 recolheu os débitos referentes ao PIS, a COFINS e ao IRPJ; 3 são devidas as diferenças apuradas pelo confronto entre os valores recolhidos a título de CSL, nos meses de janeiro a dezembro de 1995, e aqueles declarados na DIRPJ, tendo inclusive deixado de pagar integralmente o valor apurado de CSL no mês de março de 1995, quitado na ocasião por DARF próprio; 4 equívocos ocorreram também em relação ao IRPJ apurado pelo regime do Lucro Presumido nos meses do anocalendário de 1995, recolhido em montante superior ao declarado na DIRPJ; 5 se por um lado a empresa deixou de recolher parte da CSL nos meses de janeiro e fevereiro e abril a dezembro de 1995, por outro pagou IRPJ a maior que o devido no mesmo período; 6 mister se faz efetuar o encontro de contas, compensando a contribuição devida com o imposto pago a maior, conforme autoriza o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 e a IN SRF 460/2004; Fl. 258DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13863.000309/9987 Acórdão n.º 120200.657 S1C2T2 Fl. 259 3 7 de acordo com a legislação de regência, a empresa procedeu à compensação do crédito do IRPJ com o débito da CSL, recolhendo os valores de CSL mensais não cobertos; 8 considerando que o IRPJ pago a maior foi suficiente para quitar a CSL, restou saldo credor no valor R$ 283,65; 9 para a liberação do pedido, a Receita Federal condicionou que fossem apresentados dentre outros elementos as notas fiscais e o livro Diário, onde se encontram os registros contábeis dos períodos em questão; 10 a empresa solicitou prorrogação de prazo para atender à intimação, pois decorridos mais de 10 anos da ocorrência dos fatos geradores encontrou dificuldades para localizálos; 11 para surpresa da contribuinte, as suas solicitações para dilatação de prazo foram rejeitadas e o pedido de restituição/compensação indeferido; 12 o indeferimento dos pedidos de compensação e restituição se baseou: os valores têm como base de cálculo o faturamento, não tendo a empresa feito prova cabal de sua comprovação, não se pode reconhecer o direito creditório alegado e deferir a restituição pleiteada; 13 a autoridade administrativa ao negar o pedido de prorrogação de prazo, violou um dos mais importantes princípios constitucionais que permeiam a atividade administrativa, o Princípio da Razoabilidade; 14 algumas exigências constantes da intimação são desnecessárias, já outras foram atendidas e se encontram no corpo dos autos; 15 acompanha a manifestação de inconformidade a declaração de que não compensou o crédito pleiteado; 16 os fundamentos de fato que originaram o crédito, foram apresentados e constam das fls. 01/36 do processo. Já os fundamentos de direito são por demais conhecidos da Receita Federal, uma vez que emanam de normas legais tributárias como a Lei nº 9.430/96 e a IN/SRF nº 460/2004; 17 a planilha discriminatória da base de cálculo utilizada, tanto para o IRPJ quanto para a CSL, consta da DIRPJ tempestivamente apresentada, fls. 09/12. Nessas páginas da declaração está relacionada, mês a mês, a receita bruta, base de cálculo do imposto e da contribuição; 18 as notas fiscais de entrada e de saída relativas ao ano calendário de 1995 não foram encontradas. No entanto, são desnecessárias porque mesmo que fossem localizadas a autoridade administrativa não somaria as mais de vinte e cinco mil notas de vendas do período; Fl. 259DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13863.000309/9987 Acórdão n.º 120200.657 S1C2T2 Fl. 260 4 19 também o livro Diário, com os registros contábeis, não foi encontrado; 20 o fundamento utilizado pela autoridade julgadora para denegar os pedidos, restringiuse à falta de comprovação da composição da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica; 21 a composição da base de cálculo do IRPJ e da CSL, a receita bruta declarada mês a mês, está devidamente demonstrada na DIRPJ do anocalendário de1995; 22 ao intimar a empresa, por meio o Memo 312, a apresentar notas fiscais e o livro Diário relativo ao anocalendário de 1995 o Fisco deu início a procedimento de fiscalização que não estava amparado por Mandado de Procedimento Fiscal, sendo nula a intimação contida no referido memorando; 23 mesmo que fosse admitida a fiscalização sem a emissão de MPF, ainda assim o procedimento não prosperaria, pois estaria alcançado pela decadência, porque os tributos estão sujeitos ao lançamento por homologação, que leva em conta a ocorrência do fato gerador do tributo. Assim, o IRPJ relativo ao ano calendário de 1995 decaiu em janeiro de 2001; 24 não pode a administração tributária, por um lado acatar como correta as informações constantes da DIRPJ, notadamente a respeito da base de cálculo, que é a receita bruta, apenas e tão somente para cobrar diferenças de tributos, inclusive o próprio IRPJ relativo ao período de apuração 03/1995, e, por outro lado, suspeitar dessas mesmas informações, ou seja, a receita bruta informada na declaração de rendimentos. Em 19 de abril de 2005 foi prolatado o Acórdão nº 06.890, da 5ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo, fls. 145/153, que indeferiu o pedido, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1995 Ementa: RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA PAGO A MAIOR. Imposto de Renda apurado sob a modalidade do Lucro Presumido. Falta de apresentação da escrituração contábil e do suporte fiscal solicitados pela autoridade local, com o intuito de analisar a veracidade das bases de cálculo informadas pelo contribuinte em sua declaração de rendimentos. O evento atingido pelo prazo decadencial é o lançamento de ofício de crédito tributário. O contribuinte deve conservar os livros e documentos fiscais enquanto pendentes procedimentos que lhes sejam pertinentes. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13863.000309/9987 Acórdão n.º 120200.657 S1C2T2 Fl. 261 5 Não demonstrada a existência do direito creditório, não cabe homologar as declarações de compensação dele dependentes. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 1995 Ementa: MPF. ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. O condicionamento do deferimento da pretensão creditória à comprovação das bases de cálculo que lhe dão guarida não configura procedimento fiscal para o qual se exigiria emissão de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF.” Cientificada em 30 de agosto de 2005, AR de fls. 164, e novamente irresignada com o acórdão de primeira instância, apresenta seu recurso voluntário protocolizado em 22 de setembro de 2005, em cujo arrazoado de fls. 165/189 repisa os mesmos argumentos expendidos na peça impugnatória. É o Relatório. Voto O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A matéria em litígio diz respeito ao indeferimento do pedido de restituição e compensação de créditos do IRPJ referentes a meses do anocalendário de 1995, fundamentado na falta de apresentação das notas fiscais e livro Diário do período em voga. Em suas razões, a recorrente sustenta que seu direito a crédito é decorrente do recolhimento do IRPJ maior que o declarado na DIRPJ do exercício de 1996, anocalendário de 1995, e que a comprovação da base de cálculo do IRPJ é a receita bruta informada na declaração de rendimentos, que serviu de base para a cobrança da CSL e do IRPJ, referente ao mês de março de 1995, efetuada pela Receita Federal por meio de aviso de cobrança. Os documentos juntados aos autos não permitem o julgamento a respeito do recurso, visto ser necessária a confirmação dos valores declarados na DIRPJ e os recolhidos pela empresa relativamente ao meses de apuração do anocalendário de 1995. Assim, em respeito ao princípio do contraditório e da ampla defesa, voto no sentido de se converter o julgamento em diligência, com o retorno do processo à repartição de origem, para que seja proferido parecer conclusivo para a confirmação dos recolhimentos do IRPJ a maior, pela comparação dos montantes declarados no anocalendário de 1995 com os valores pagos por meio dos DARFs originais, ou, caso não seja possível, com os dados de recolhimentos constantes dos arquivos eletrônicos da Receita Federal do Brasil. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13863.000309/9987 Acórdão n.º 120200.657 S1C2T2 Fl. 262 6 Após a conclusão da diligência deve ser cientificada a interessada do seu resultado, abrindose prazo para sua manifestação.” Sobreveio o Termo de Diligência do encarregado da diligência, acostado aos autos às fls. 209/210, concluindo o seguinte: “TERMO DE DILIGÊNCIA RELATÓRIO CONCLUSIVO Concluímos a diligência determinada pelo RPF 08.1.06.00 2010006821, decorrente do processo 13863.000309/9987, cujo texto às fls. 202/203 requer sejam verificados os elementos contábeis do contribuinte que teve indeferido o seu pedido de restituição e compensação de créditos do IRPJ, por ele requerido sob a alegação de que os recolhimentos efetuados, referentes aos meses do anocalendário de 1995, foram em valores superiores aos lançados em sua DIRPJ, correspondente ao período em tela. Em decorrência, demos início a ação fiscal (diligência), intimando e reintimando o contribuinte, a fim de que apresentasse os elementos contábeis necessários para o cumprimento ao determinado no processo supracitado, a saber: “Os documentos juntados aos autos não permitem o julgamento do recurso, visto ser necessária a confirmação dos valores declarados em DIRPJ e os recolhidos pela empresa relativamente aos meses de apuração do anocalendário de 1995.” Assim, para analisar a consistência dos valores declarados, foi solicitada a apresentação de livros comerciais e fiscais (bem como documentação que serviram de base para os lançamentos neles efetuados), uma vez que os valores em DIRPJ devem refletir aqueles constantes dos referidos livros. O contribuinte esclareceu e justificou a impossibilidade de cumprir o que lhe fora solicitado pelas razões contidas em expediente, por escrito, devidamente acompanhado de documentos. Em conseqüência, utilizamonos dos documentos que já instruíram o processo, bem como dos dados (extratos) constantes dos arquivos da SRFB, conforme determinado, também, no despacho de fls. 202/203 do processo em questão a saber: “....pela comparação dos montantes declarados no ano calendário de 1995 com os valores pagos por meio de DARFs originais, ou, caso não seja possível, com os dados de recolhimentos constantes dos arquivos eletrônicos da Receita Federal do Brasil.” O resultado das providências por nós executadas está representado pela planilha em anexo, cujos cálculos apontam diferenças de valores pagos “a maior” de IRPJ, quando Fl. 262DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13863.000309/9987 Acórdão n.º 120200.657 S1C2T2 Fl. 263 7 comparados os valores recolhidos com aqueles declarados em DIRPJ.” É o Relatório. Voto Conselheiro Nelson Lósso Filho O recurso voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A matéria em litígio diz respeito ao indeferimento do pedido de restituição e compensação de créditos do IRPJ referentes a meses do anocalendário de 1995, fundamentado na falta de apresentação pela empresa das notas fiscais e livros Diário do período em voga, para a comprovação da base de cálculo do IRPJ. O fundamento do acórdão de primeira instância a esse respeito foi no sentido de que a empresa, com base no art. 264 do RIR/99, deveria conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. A pessoa jurídica alega em seu recurso que o Fisco, para a verificação do pedido de restituição/compensação referentes a períodos do anocalendário de 1995, não mais poderia no ano de 2004 exigir a apresentação de notasfiscais e livros Diários e demais documentos para confirmar a base de cálculo do Lucro Presumido, bem como o IRPJ lançado, como se fosse uma verdadeira fiscalização. Entendo assistir razão à recorrente. O procedimento de verificação de livros e documentos contábeis e fiscais é atividade típica de lançamento, que o Fisco deveria ter exercido dentro do prazo de cinco anos, a partir da ocorrência do fato gerador. Com efeito, aqui o que está sendo tratado é o recolhimento indevido ou a maior de tributo em comparação com àquele lançado na DIRPJ. Essa constatação pelo Fisco não pode, passados mais de cinco anos do fato gerador, ano de 2004, abranger uma verdadeira fiscalização para conferência da base de cálculo do lucro presumido de período já decaído, 1995, além de a empresa ter informado a ocorrência de fato fortuito, com a destruição de livros e documentos fiscais desse período. Decorridos mais de cinco anos do fato gerador, a auditoria se esgota na confirmação do valor recolhido a maior, pelo confronto entre os dados da DIRPJ versus os DARFs. Na situação descrita, em virtude dos fatos ocorridos, destruição de livros e documentos, essa era a prova necessária que a pessoa jurídica deveria guardar para justificar seu direito creditório. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13863.000309/9987 Acórdão n.º 120200.657 S1C2T2 Fl. 264 8 No caso específico, mesmo que fossem apresentados os documentos e livros solicitados, não mais poderia a autoridade fiscal lançar novo débito para reduzir o valor a restituir, em virtude de esgotado o lapso decadencial. Não sendo admitido, assim, que o Fisco, caso encontrasse divergências no valor a pagar do tributo, reduzisse a restituição pela exigência de débito não lançado. Após o cumprimento da diligência, com a produção do relatório de fls. 209 e o quadro de fls. 210, verifico que tem razão o pedido efetuado pela recorrente, confirmandose o recolhimento a maior de IRPJ referente ao ano de 1995, tendo o fiscal diligenciante levantado esse pagamento indevido. Assim, devem ser acatados como recolhimentos indevidos, com direito a restituição e compensação, as diferenças informadas pelo auditor no quadro demonstrativo de fls. 210. Pelos fundamentos expostos, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para acatar como direito creditório os montantes constantes do quadro de fls. 210, anexo ao resultado da diligência fiscal de fls. 209. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Relator Fl. 264DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13886.000229/00-88
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/1990 a 30/09/1995
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Recurso Extraordinário do Procurador Negado
Numero da decisão: 9900-000.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Extraordinário
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1990 a 30/09/1995 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Extraordinário do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Extraordinário OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 6. 00 02 29 /0 0- 88 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão proferido pelo colegiado a quo, que deu provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. A PGFN interpôs Recurso Extraordinário a este Pleno alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito, decorrente de pagamento indevido, é atribuído ao sujeito passivo, e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. O pedido de restituição foi apresentado em 10/05/2000, relativo ao período de apuração de 01/05/1990 a 30/09/1995. Não assiste razão à recorrente, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Com efeito, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13886.000229/0088 Acórdão n.º 9900000.675 CSRFPL Fl. 3 3 Assim, somente os pleitos referentes aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 10 anos da data do protocolo estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição. No presente caso, não houve a perda do direito a se pleitear a restituição em relação a todo o período objeto da solicitação. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. Ante o exposto, voto pelo não provimento do Recurso Extraordinário interposto pela PGFN, com a remessa dos autos à autoridade preparadora para a análise do mérito. Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 308DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10708.000263/97-20
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 1997
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO
Não havendo omissão, contradição ou divergência no acórdão embargado não podem ser opostos Embargos de Declaração que é o meio apropriado para apreciação ou modificação do mérito.
Numero da decisão: 1802-001.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR os Embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 1997 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO Não havendo omissão, contradição ou divergência no acórdão embargado não podem ser opostos Embargos de Declaração que é o meio apropriado para apreciação ou modificação do mérito.
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CABIMENTO Não havendo omissão, contradição ou divergência no acórdão embargado não podem ser opostos Embargos de Declaração que é o meio apropriado para apreciação ou modificação do mérito . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR os Embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 11 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10708.000263/9720 Acórdão n.º 180201.300 S1TE02 Fl. 210 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interposto contra o Acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente o Recurso Voluntário, mantendo a decisão da 8º Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro – RJ, que indeferiu o pleito do Embargante. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ. Ocupamonos de processo administrativo no qual se trata de pedido de restituição (fl. 01), protocolado em 14 de novembro de 1997, e de pedido de compensação de (fl. 31), protocolado em 05 de junho de 1997. Aludidos pedidos têm como objeto o mesmo crédito, no valor de R$ 110.346,60, referente a pagamento indevido ou a maior feito, sob o código 2362 (estimativas de IR) referente ao ano de 1996. Consta dos autos que tendo sido solicitada, em 14 de janeiro de 1998, a confirmação da liquidez e certeza do crédito pretendido (fl. 35), foi realizada diligência cujo relatório conclusivo, juntado às folhas 43 e 44, ratifica a existência de indébito no total de R$ 99.315,35. Tendo em vista o referido relatório, foi emitido em 04 de setembro de 2008 o despacho decisório de folhas 85 a 87, no qual se consignou que a recorrente fundamentou seus pedidos de compensação em pagamento de imposto de renda que teria sido feito a maior do que o devido no ano de 1996, entretanto, pelo teor de sua declaração de rendimentos de 1997, verificouse na ficha 08 (fls. 15) que o valor pleiteado correspondia ao saldo negativo apurado na linha 18, a título de imposto de renda a pagar e por isso, considerou que a recorrente, no preenchimento de seu pedido, cometeu um erro de fato, ao indicar o crédito pleiteado como pagamento indevido e não como saldo negativo de imposto de renda, tratando o dessa maneira, bem como conferindo ao pedido de compensação as inovações trazidas para o procedimento. Salientouse, no mérito, que de conformidade como que consta na ficha 08 da declaração de rendimentos de 1997, o saldo negativo de imposto de renda pagar, no montante de R$ 110.346,60, foi apurado, no encerramento do ano calendário 1996, a partir da dedução do imposto calculado (alíquota 15%), no valor de R$ 61.551,68 mais o adicional, (R$ 17.034,45), deduzidos do imposto de renda na fonte sobre operações com a Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 11 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10708.000263/9720 Acórdão n.º 180201.300 S1TE02 Fl. 211 3 Prefeitura de Angra dos Reis (R$ 18.480,06) e do imposto de renda mensal por estimativa, no valor de R$ 153.144,76 do imposto sobre o lucro real. Sendo assim, destacou a autoridade administrativa que conforme se verificaria no termo de diligência elaborado no âmbito da DRF em Nova Iguaçu, a recorrente considerou o valor de DARF pago em dezembro de 1996 como R$ 15.785,73 e o valor, comprovado (DARF) era de R$ 5.444,08 e por consequência a recorrente faria jus ao valor de R$ 99.315,35, em conformidade com o Termo de Diligência de folhas 43 a 45. Após essas claras e autoexplicativas conclusões, a Autoridade Administrativa afirmou expressamente que em nada obstante as considerações feitas acima, as compensações se encontravam homologadas tacitamente pelo decurso do prazo de 5 anos, com base no artigo 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96 e que, portanto, os débitos nela relacionados estavam extintos conforme disposto no artigo 156, II, do Código Tributário Nacional. Surpreendentemente, a parte dispositiva do Despacho Decisório fez constar a homologação das compensações até o limite do crédito reconhecido. Cientificada (fl. 113), a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 125 – 126), reiterando seus argumentos e pugnando pelo reconhecimento do direito creditório. Verificase que consta na ementa da decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ (fls. 143 – 148) o “status” de compensação homologada, consignandose que uma vez reconhecida a homologação tácita, a consequência que se impõe, independentemente da liquidez, certeza e quantificação do crédito pleiteado, é a extinção dos débitos que foram objeto da declaração atingida pelo prazo máximo de cinco anos estipulado pelo artigo 74, § 5º, da lei 9.430/1996. Registrou a decisão da DRJ, nessa toada, que da análise do despacho decisório depreendese que já se havia reconhecido a homologação tácita da declaração de compensação de folha 31, tendo, porém, sido atribuído a tal fato efeitos equivocado. Sublinhouse, portanto, que de conformidade com o comando do próprio ato decisório e demonstrativo de folhas 107 a 108, a extinção dos débitos que constam da declaração homologada foi operada, tão somente, até o limite do direito creditório então reconhecido e que nos termos do artigo 74, § 2° da Lei 9.430/1996, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, operando efeito o ato sob condição resolutória após o seu implemento, uma vez reconhecida a homologação tácita, se imporia, independentemente da liquidez, certeza e quantificação do crédito pleiteado, o reconhecimento da extinção dos débitos que foram objeto da declaração atingida pelo prazo máximo de cinco anos estipulado pelo artigo 74, § 5º da mesma lei 9.430/1996. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 11 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10708.000263/9720 Acórdão n.º 180201.300 S1TE02 Fl. 212 4 Concluiuse, destarte, pela extinção integral dos débitos que foram objeto da declaração de compensação de folhas 31. No intuito de manifestarse sobre os pontos abordados na Manifestação de Inconformidade, que surpreendentemente nada tratou acerca dos efeitos equivocados emprestados ao despacho decisório, a DRJ afirmou que de fato não existiria nenhum direito creditório além daquele já reconhecido, mas nada refletindo, por isso, na conclusão de homologarse tacitamente as compensações declaradas. Em vista dessas circunstâncias, a DRF devolveu o processo à DRJ para adequarse o julgamento, que modificou (fl. 160) o resultado do julgamento de favorável ao interessado para desfavorável ao interessado. Devidamente cientificada da decisão proferida pela DRJ (fl. 163), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 164 – 170), insistindo na existência integral do crédito, nada tratando acerca dos efeitos da já reconhecida homologação tácita. A 2º Turma Especial do Conselho de Contribuintes de Recursos Fiscais CARF, indeferiu a solicitação do ora Embargante, através do Acórdão n° 1802 00.788 de 22 de fevereiro de 2011, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 1997 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. EXTINÇÃO DE DÉBITOS. Uma vez reconhecida à homologação tácita, a consequência que se impõe, independentemente da liquidez, certeza e quantificação do crédito pleiteado, é a extinção dos débitos que foram objeto da declaração atingida pelo prazo máximo de cinco anos estipulado pelo art. 74, § 5 da lei 9.430/1996. Inconformado com a decisão, o Embargante apresentou os presentes embargos de declaração no qual aduziu, em síntese, a existência de omissão do julgador na declaração do direito de crédito remanescente que este acreditava fazer jus. É o relatório, passo a decidir. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 11 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10708.000263/9720 Acórdão n.º 180201.300 S1TE02 Fl. 213 5 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Nada obstante as alegações da Embargante, de que o Acórdão proferido no âmbito do Recurso Voluntário teria sido omisso quanto ao reconhecimento do seu direito de crédito, não coaduno do mesmo entendimento. A decisão, ora atacada, quando se pronunciou em relação ao mérito do pleito do Embargante, não foi omissa ou inconclusiva; os argumentos apresentados pelo órgão julgador foram extremamente claros e precisos em considerar a inexistência de crédito ao Embargante. O Acórdão embargado considerou a ocorrência da homologação tácita em decorrência do transcurso temporal, baseando sua decisão no artigo 74, § 5º, da lei nº 9.430/1996. Em decorrência deste fato, o direito de crédito pleiteado pelo Embargante estaria submetido aos mesmos efeitos da homologação tácita, como podemos extrair do trecho abaixo transcrito: Portanto, não há mais controvérsia nos autos, as compensações foram homologadas tacitamente no mesmo valor do credito pleiteado, extintos os débitos indicados pela contribuinte, não havendo mais crédito a ser reconhecido. Assim, como verificado, este fato foi objeto de claro pronunciamento do órgão julgador, ora Embargado, que decidiu pela homologação tácita, por decurso temporal, dos débitos e créditos declarados na obrigação acessória. Sendo assim, ao julgar a solicitação de reconhecimento de crédito remanescente suscitada pelo Embargante, o julgador argumentou que, conforme apurado em diligência no âmbito da DRF de Nova Iguaçu RJ, o crédito da Embargante seria de R$ 99.315,35, estando este compensado com os débitos declarados na obrigação acessória no mesmo valor. Diante do resultado da diligência, a decisão no âmbito da Delegacia Regional de Julgamento foi de considerar a homologação tácita do saldo apurado nesta diligencia, sendo este entendimento repetido no acórdão de julgamento do Recurso Voluntário, ora embargado, conforme se extrai do trecho abaixo transcrito: Quando ambas as decisões se manifestaram pela inexistência de parte do crédito, não o fizeram para atrelharlhe às homologações das compensações, mas sim, para fundamentar, alternativamente, suas razões de decidir. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 11 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10708.000263/9720 Acórdão n.º 180201.300 S1TE02 Fl. 214 6 Além disso, uma vez declarada à homologação tácita, este fato ocasiona a extinção dos débitos em favor dos créditos apresentados na declaração, independentemente da certeza e liquidez dos valores declarados. Sendo assim, com a ocorrência da extinção do crédito declarado, independente de sua certeza e liquidez, não se pode considerar a existência de saldo remanescente surgido da atualização deste pela taxa Selic. Este entendimento também se encontra explícito no acórdão como fica demonstrado no trecho abaixo transcrito: A propósito, a ementa da decisão recorrida prescinde de qualquer esforço hermenêutico, estatuindo que se homologavam as compensações, tacitamente, a independer da certeza e liquidez do crédito indicado. Assim, considero que em momento algum restou qualquer dúvida sobre o entendimento do julgador do Recurso Voluntário quanto a eventual crédito remanscente do Embargante. Ante os argumentos apresentados pelo Embargante, concluo que o motivo que ensejou a contestação do acórdão tem por objetivo o ataque ao mérito, ou seja, pretende modificação da decisão proferida para que fosse reconhecido seu “direito” a atualização de seus créditos, via selic, o que ensejaria apuração de crédito fiscal remanescente. Nessa esteira, conforme já decidido inúmeras vezes neste processo administrativo, não assiste razão ao embargante, entendimento com o qual coaduno. Ademais, os embargos de declaração não são o meio apropriado para apreciação ou modificação do mérito desse processo administrativo que é exatamente o que pretende a Embargante. Diante de todo o exposto, voto no sentido de REJEITAR os embargos interpostos. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 11 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10708.000263/9720 Acórdão n.º 180201.300 S1TE02 Fl. 215 7 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 11 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 10909.002162/2007-97
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Fez sustentação oral o Dr. Cicero Dittrich, OAB/SC no 13.467.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Fez sustentação oral o Dr. Cicero Dittrich, OAB/SC no 13.467.
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Fez sustentação oral o Dr. Cicero Dittrich, OAB/SC no 13.467. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 333/339), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada contra o indeferimento de pedido de ressarcimento do IPI, no valor de 124.240,38, correspondente ao primeiro trimestre de 2006. O pleito se alicerçou no artigo 11 da Lei n° 9.779/99. Segundo relatório que subsidiou a decisão de primeira instância, a contribuinte, em 15/05/2006, apresentou o pedido de ressarcimento/declaração de compensação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 09 .0 02 16 2/ 20 07 -9 7 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10909.002162/200797 Resolução nº 3802000.093 S3TE02 Fl. 389 2 PER/DCOMP n 17385.75904.150506.1.3.016511, no valor de R$ 52.458,65, relativo ao mesmo período de apuração. As compensações efetuadas encontramse discriminadas às fls. 236/237. Em exame do pedido, a DRF Itajaí glosou totalmente o crédito do IPI correspondente às notas fiscais de emissão da empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., CNPJ 65.727.711/000108, correspondente ao montante de R$ 172.890,12. A glosa foi motivada em decorrência das seguintes constatações relatadas pela autoridade fiscal (ver Parecer SARAC de fls. 219/225): a) a interessada não comprovou os pagamentos em favor da empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda.; b) também não apresentou os conhecimentos de transporte das compras efetuadas à Petropolímeros (apenas informou que o fornecedor seria o responsável pelo transporte); c) nas notas fiscais emitidas pela Petropolímeros não foi identificado o transportador (embora na maioria das notas tenham sido registradas as placas dos veículos, estas, contudo, mediante consulta ao RENAVAM, correspondiam a placas inexistentes ou a veículos que “não poderiam ter transportado as cargas”); e, d) ausência de carimbo da fiscalização estadual na transposição da fronteira. Inconformada com o indeferimento de seu pleito, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alegou o seguinte: a) que a maioria das transações que ocorrem no mercado atual são extintas por meio de pagamento em espécie e que tal constitui uso e costume; b) que a empresa dispunha de caixa excedente e que por muito tempo trabalhou adequando seu capital para que ficasse o mesmo consigo, não inserindo boa parte de seus recursos no sistema bancário objetivando economia com a contribuição provisória sobre movimentações financeiras; c) que em 2006 passou a efetuar seus pagamentos por boletos bancários e/ou TED´s, anexando notas fiscais de 2006; d) que o despacho decisório se assenta em presunção; e) que o transporte das mercadorias e o preenchimento das notas fiscais não são de sua responsabilidade; f) que a movimentação de seu estoque demonstra que adquiriu o produto PET virgem, código 678; e, g) que a legislação lhe dá direito à compensação tributária. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10909.002162/200797 Resolução nº 3802000.093 S3TE02 Fl. 390 3 A primeira instância, todavia, não acolheu os argumentos aduzidas pela reclamante em vista das “provas indiretas de inexistência das operações da Manifestante com a empresa PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA.”. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 04/06/2012 (fls. 343 do processo eletrônico). Inconformada, a mesma apresentou, em 04/07/2012, o recurso voluntário de fls. 344/367, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, ressaltando ainda: a) que o transporte foi feito mediante modalidade CIF, de forma que ao emitente incorrem as responsabilidade do transporte, bem como inerentes ao preenchimento das notas fiscais, na forma do Regulamento do ICMS; b) que a empresa não tem por hábito a recusa da entrega de mercadorias pela incompatibilidade de placas entre a nota fiscal e o veículo; e) quanto à falta de carimbo da fiscalização estadual ressalta que em nenhuma das notas fiscais emitidas pela Petropolímeros existe identificação do transportador e que o trajeto feito pelo veículo não é de sua responsabilidade; e, f) que, após o início deste processo administrativo, a empresa fora fiscalizada (processo no 10909.004957/200900), não tendo correspondente ação fiscal detectado nenhuma irregularidade nas transações entre a recorrente e a empresa Petropolímeros nos anos de 2004 a 2007; sobre a questão, apresenta documentação que, pede, seja aceita como prova suficiente para desconstituir o lançamento. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso com a correspondente homologação da compensação pleiteada. Instruem o recurso, além de documentos estatutários da recorrente, cópia de relatório de fiscalização inerente à ação fiscal/MPFF no 0920600/2009/000203 (v. fls. 383/386 do processo eletrônico). É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. O relatório da SARAC da DRF Itajaí, bem como o voto que direcionou a decisão de primeira instância apontam para a inexistência das transações comerciais que a recorrente diz ter celebrado com a empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda. Em contrapartida, a recorrente afirma que, após o início deste processo administrativo, foi fiscalizada pela Receita Federal, ocasião em que não teria sido detectado nenhum problema nas transações realizadas entre a recorrente e a empresa Petropolímeros nos anos de 2004 a 2007. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10909.002162/200797 Resolução nº 3802000.093 S3TE02 Fl. 391 4 A reclamante acosta aos autos cópia do relatório de fiscalização inerente à ação fiscal/MPFF no 0920600/2009/000203 (fls. 383/386 do processo eletrônico), objeto do processo administrativo no 10909.004957/200900. Em pesquisa realizada no eprocesso não localizei o processo indicado pela recorrente. Assim, a análise que segue é baseada unicamente na cópia anexada pela interessada em seu recurso. Segundo cópia do relatório fiscal acostada aos autos, consta que a recorrente, nos anos de 2004 a 2007, efetuou pagamentos através de cheques (sacados/compensados) nas contas de depósito mantidas em seu nome nos bancos do Brasil, Sudameris e Safra. A contabilização de tais pagamentos no livro Razão se deu a débito da conta Caixa e a crédito das respectivas contas bancárias, o que redundou em elevados saldos devedores diários na conta Caixa. Todavia, a inexistência de saídas diárias desses recursos demonstrou que a empresa “não necessitava de suprimentos diários para a realização de pagamentos no dia”. Não obstante, o item 3 do relatório fiscal em comento trata da “APURAÇÃO DA REGULARIDADE DAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA FISCALIZADA NOS ANOS DE 2004, 2005, 2006 E 2007 COM A EMPRESA PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA. – CNPJ no 65.727.711/000108”. Consta do relatório fiscal referenciado que a motivação para o exame em questão decorreu dos despachos decisórios proferidos pela SARAC da DRF Itajaí em resposta aos pedidos de ressarcimento do IPI conjugados com pedidos de compensação formalizados pela interessada. Na lista dos processos objeto do exame consta o presente processo. Segundo o relatório fiscal em evidência, Os procedimentos fiscais realizados e a análise fiscal estão descritos detalhadamente no Relatório Interno de Fiscalização e seus Anexos, não tendo sido verificadas irregularidades nas operações comerciais realizadas pela FISCALIZADA com a empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., CNPJ no 65.727.711/000108, nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, salvo os percentuais das alíquotas do IPI, constantes das notas fiscais abaixo relacionadas [...] (grifos do original) [...] Os procedimentos fiscais realizados e análise fiscal dos fatos verificados nos PERDCOMP’s abaixo relacionados, além de estarem descritas detalhadamente no Relatório Interno de Fiscalização, também estão descritos detalhadamente na Informação Fiscal prestada à Seção de Arrecadação e Cobrança da Delegacia da Receita Federal em Itajaí – SARAC, para fins de apoio aos despachos decisórios que posteriormente proferirá e dará a devida ciência à FISCALIZADA. [segue quadro demonstrativo que discrimina quatro PERDCOMP, com os respectivos processos (10909.720235/200998, 10909.720236/2009 32, 10909.720237/200987, 10909.720238/200921), todos, como se vê, formalizados em 2009, e, conforme mesma planilha, correspondentes ao anobase de 2007] Fl. 391DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10909.002162/200797 Resolução nº 3802000.093 S3TE02 Fl. 392 5 Consta do relatório fiscal em tela que a contribuinte foi cientificada do mesmo em 21/12/2009. Por sua vez, o processo que ora se examina foi formalizado em 2007 e corresponde ao período de apuração de 01/01/2006 a 31/03/2006. Portanto, quando do exame do presente processo, a correspondente ação fiscal reportada pela recorrente não tinha como ter sido considerada nos exames feitos pela SARAC da DRF Itajaí. Assim como ocorreu em relação ao processo no 10909.004957/200900 (referenciado no relatório de fiscalização acima citado), também não localizei no eprocesso nenhum dos processos administrativos discriminados no relatório fiscal em evidência (pesquisa realizada em 06/03/2012, às 11:00 hs). Logo, não se conseguiu ter acesso ao “Relatório Interno de Fiscalização”, muito menos à “Informação Fiscal prestada à Seção de Arrecadação e Cobrança da Delegacia da Receita Federal em Itajaí – SARAC”, os quais, conforme trecho acima reproduzido, devem ter instruído os processos de compensação formalizados em 2009. Diante do exposto, e considerando que a cópia do relatório fiscal juntado pela reclamante procura comprovar a regularidade das transações comerciais realizadas entre esta e a empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., e ainda, diante da indisponibilidade no eprocesso dos processos de compensação referenciados no sobredito relatório fiscal – que, possivelmente, poderiam trazer mais subsídios para o julgamento da presente lide – voto para que o presente julgamento seja convertido em diligência a fim de que sejam juntados aos autos: a) cópia do relatório de fiscalização objeto do processo no 10909.004957/2009 00 e seus correspondentes anexos; b) eventuais pareceres e despachos decisórios proferidos pela SARAC da DRF Itajaí nos autos dos processos nos 10909.720235/200998, 10909.720236/2009 32, 10909.720237/200987, 10909.720238/200921; e, c) demais informações que a unidade preparadora considerar como relevantes para o julgamento do presente feito. Instruído os autos com o resultado da diligência, e dada oportunidade de manifestação da interessada quanto ao seu teor, deverá o processo ser devolvido a esta 2a Turma Especial da 3a Seção do CARF para julgamento. Sala de Sessões, em 19 de março de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 392DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10675.001965/2008-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3102-000.214
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Adriana Oliveira e Ribeiro, Winderley Morais Pereira, Álvaro Lopes de Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo do pedido eletrônico de ressarcimento n° 10355.77621.270903.1.1.016886 (cópia resumida às fls. 01/02). no valor de R$21.727.63, relativo a saldo credor do IPI apurado no 1° trimestre de 2003 pelo estabelecimento 22.312.045/000134 (11. 02). O crédito informado no mencionado PER foi utilizado na compensação declarada por intermédio da DCOMP n° 26072.43398.281003.1.3.01 5074 (fls.03/05). O pleito da contribuinte foi analisado pela unidade de origem, que o indeferiu na sua totalidade. A autoridade competente fundamentou que o saldo credor relativo ao 1º trimestre de 2003 havia sido tratado no processo n° 10675.001350/200365 e que todo o direito creditório reconhecido em tal processo já havia sido aproveitado, tendo sido uma Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10675.001965/200804 Resolução n.º 3102000.214 S3C1T2 Fl. 2 2 parte utilizada para compensações e outra parte ressarcida à interessada. E o que consta do despacho decisório de fls. 13/14. A contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 20/31 por intermédio da qual discorda do indeferimento de seu pleito. Em preliminar, a manifestante alegou a prescrição quanto ao direito de a Fazenda Pública indeferir o saldo credor pleiteado em ressarcimento, que no seu entender, esgotase cinco anos após o encerramento do trimestrecalendário de apuração daquele saldo credor. No mérito, arguiu que. em razão de o processo n° 10675.001350/2003 65, que cuida do direito creditório relativo ao trimestrecalendário em apreço, encontrarse em fase de recurso a ser examinado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). "não poderia ler sido encerrada a fase administrativa deste recurso'' (do presente processo n° 10675.001965/200804). Aduziu, também, que teria ocorrido erro em decisão proferida naquele processo n° 10675.001350/200365. que lhe teria sido prejudicial. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pelo indeferimento do pedido de compensação, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 05/09/2003. 03/10/2003 COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO RECONHECIDO. Permanece não homologada a compensação vinculada a pedido de ressarcimento cujo direito creditório reconhecido não foi suficiente para a compensação dos débitos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. A verificação que a Administração deve promover, visando deferir ou indeferir pedidos de ressarcimento de créditos, não se subsume aos prazos decadenciais previstos nos artigos 150 e 173 do CTN por não se tratar de hipótese de constituição de crédito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10675.001965/200804 Resolução n.º 3102000.214 S3C1T2 Fl. 3 3 Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção. Penso, entretanto, que o presente processo não está em condições de ser julgado. Não há como há como ignorar que há evidente relação de prejudicialidade com o mérito do processo nº 10675.001350/200365, onde se discute o montante dos créditos que dariam suporte à compensação objeto do presente litígio em que se debate, como se viu, a suficiência dos créditos disponíveis para compensação. Não há, por outro lado, como redistribuir o presente processo a fim de que seja promovido o julgamento em conjunto, dado que o de nº 10675.001350/200365 já foi incluído em pauta. Inaplicável, portanto o § 7º do art. 49 do Regimento do CARF1. Assim, proponho a conversão do julgamento do recurso em diligência, a fim de que o processo seja encaminhado à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Jurisdição e que lá permaneça até o julgamento definitivo do recurso relativo ao processo nº 10675.001350/200365. Concluído tal julgamento, deve o órgão preparador apurar se o montante reconhecido naquele processo é suficiente para extinguir os créditos objeto de compensação no presente recurso e, caso não seja, informar o montante que remanesce devido. Findas tais providências, deve ser dada ciência dessa apuração ao sujeito passivo e concedidolhe o prazo de 30 dias para manifestação. Decorrido tal prazo, devem os autos retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. Sala das Sessões, em 24 de maio de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro 1 § 7º Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 19515.003249/2005-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.322
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Conselheira Relatora.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Conselheira Relatora. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Odmir Fernandes, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003249/2005-18 Resolução n.º 2202-00.322 S2-C2T2 Fl. 2 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 323 a 326, integrado pelos demonstrativos de fls. 320 a 322, pelo qual se exige a importância de R$297.080,06, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, em virtude da apuração de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, anos-calendário 2000 e 2001. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontra-se descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 317 a 319, no qual o autuante esclarece que: • o contribuinte foi intimado, em 13/07/2004, a apresentar os extratos das contas correntes e aplicações financeiras relativos aos anos-calendários 2000 e 2001, assim como comprovar, com documentação hábil e idônea, a natureza e a origem dos recursos creditados/depositados nas referidas contas; • em 24/08/04, por meio de seu procurador, o fiscalizado apresentou parte da documentação exigida (fls. 24 a 80); • em razão da ausência de parte dos extratos, foram emitidas Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira – RMF (fls. 82 a 86) solicitando às instituições financeiras, a totalidade dos extratos de contas correntes e aplicações financeiras (inclusive poupanças) do período fiscalizado; • foram encaminhados os seguintes extratos: Bank BOSTON S/A (fls. 116 a 125); Banco CIDADE S/A (fls. 144 a 189); Banco ITAU S/A (fls. 207 a 225); Banco SUDAMERIS S/A (fls. 226 e 238); e UNIBANCO S/A (fls. 234, 235, 241 e 242); • com base nos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, a fiscalização elaborou as planilhas de fls. 244 a 251, as quais foram encaminhadas ao contribuinte para que comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, as fontes de recursos que deram origem aos depósitos/créditos bancários efetuados em suas contas bancárias nos anos-calendário 2000 e 2001; • examinando a documentação apresentada pelo contribuinte (fls. 253 a 296, 302 e 303), a fiscalização efetuou diversas exclusões nas planilhas encaminhadas anteriormente, remanescendo sem comprovação os depósitos constantes dos quadros de fls. 306 a 314, os quais foram tributados como omissão de rendimentos, nos termos do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003249/2005-18 Resolução n.º 2202-00.322 S2-C2T2 Fl. 3 3 DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 335 a 380, instruída com os documentos de fls. 381 a 458, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 463 a 465): Regularmente cientificado do lançamento em 09/12/2005, conforme fl. 324, o interessado ingressou com a impugnação de fls. 335/380, em 10/01/2006, acompanhado de documentos (fls. 381/458), alegando, preliminarmente, que: a) A nulidade do auto de infração, por vício formal, posto que o Mandado de Procedimento Fiscal não obedeceu aos ditames do disposto no Decreto n° 3.724/2001, por não ter sido expedido por autoridade competente; b) A nulidade do procedimento administrativo, por cerceamento de defesa, decorrente da não entrega ao contribuinte dos extratos bancários obtidos através da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF); c) A nulidade do lançamento tributário e do auto de infração por arbitramento/presunção baseado exclusivamente em extratos bancários; os depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda; o Egrégio Tribunal Federal de Recursos já firmara o mesmo entendimento, conforme Súmula n° 182, bem como jurisprudência que citou; d) Houve a ofensa aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa; e) Houve a quebra do sigilo bancário sem autorização legal, citando doutrina e jurisprudência; f) A Lei Complementar n° 105/2001 e o Decreto n° 3.724/2001 são absolutamente inconstitucionais, porque afrontam os artigos 5°, incisos X, XII, XXII e LIV e 145, § 1°, da Constituição Federal vigente; g) É ilegal a utilização de dados da movimentação bancária do impugnante; h) O disposto no § 3° do art. 11 da Lei n°9.311/1996, com a redação dada pela Lei n° 10.174/2001, não pode ser aplicado retroativamente, sob pena de ofensa aos princípios da irretroatividade e anterioridade da lei tributária; i) É ilegal a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic, por ofensa ao princípio da isonomia; j) A multa de ofício aplicada é confiscatória e ofende o princípio da isonomia. Quanto ao mérito, alegou, em apertada síntese, que: a) Os valores creditados em suas contas correntes derivou de sua atividade laboral e do prestígio que gozou perante diversas instituições financeiras; b) Manteve estreita relação comercial com a empresa internacional Cellstar Corporation, maior distribuidora de aparelhos de telefonia celular do Estados Unidos da América tendo, na época, se estabelecido e constituído duas sociedades no Brasil; c) O impugnante foi diretor executivo da empresa Cellstar do Brasil Ltda., empresa brasileira e subsidiária da empresa americana, e captou empréstimos bancários Fl. 578DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003249/2005-18 Resolução n.º 2202-00.322 S2-C2T2 Fl. 4 4 perante o Banco Cidade S/A, que posteriormente foi incorporado pelo Banco BCN S/A e, por fim, pelo Banco Bradesco S/A; d) Estas instituições emprestaram valores que circularam em suas contas correntes, dentro dos exercícios de 2000 e 2001; e) À época dos fatos era possuidor junto ao Banco Cidade S/A de uma conta denominada "conta empréstimo", sendo creditada na sua conta corrente valores sob a sigla "Créd Conf Aviso", como ocorreu no mês de outubro/2000, nos montantes de R$ 30.480,00 e R$ 17.480,00, e novembro/2000, no importe de R$ 19.874,01; f) Nos anos de 2000 e 2001 viajou ao exterior várias vezes, à trabalho, e realizou despesas através de seus cartões de crédito pessoal, que foram reembolsados pela Cellstar mediante depósitos em conta corrente; g) Pelo cargo que ocupava Cellstar, realizou reuniões em almoços e jantares, que eram reembolsados através de depósitos em dinheiro e em cheque; h) Para comprovar o alegado, junta Relatório de Despesas elaborado em 31/01/2001, no montante de R$ 12.046,73 que, somado ao dispêndio do cartão de crédito de R$ 16.230,09, totaliza R$ 28.276,82, que foi depositado em sua conta corrente em 01/02/2001; i) Identicamente, em 30/03/2001 solicitou à Cellstar reembolso de R$ 992,20 que, somado ao dispêndio do cartão de crédito de R$ 3.407,80, perfaz o montante de R$ 4.400,00, que foi depositado em sua conta corrente no dia 30/03/2001; j) Houve outros reembolsos, conforme quadro demonstrativo anexo à impugnação; k) Alienou em 2001 diversos veículos, recebendo créditos na conta corrente do Banco Cidade S/A: R$ 20.000,00 em 01/03/2001; R$ 14.000,00 em 20/03/2001; R$ 5.000,00 em 17/08/2001; R$ 3.000,00 em 22/08/2001; R$ 2.600,00 em 27/08/2001; R$ 6.000,00 em 04/09/2001 e R$ 35.152,63 em 05/12/2001; 1) Assim, os valores depositados em sua conta corrente não podem ser considerados como "omissão de rendimentos", pois derivaram de origem lícita e não se prestaram a aumento patrimonial tributável; m) Houve equívoco na lavratura do auto de infração pois, apesar de reconhecerem que as contas correntes analisadas eram em conjunto com sua esposa Marisa Bertoldi Zampini, os auditores autuantes desconsideraram o disposto no artigo 58, § 6°, da Lei n° 10.637/2002; n) Outro equívoco, no cálculo do imposto supostamente devido, foi não terem considerado a parcela a deduzir de R$ 5.076,90 da tabela progressiva anual. Finalizou requerendo provar o alegado por todos os meios idôneos e moralmente legítimos, em Direito admitidos, tais como juntada de novos documentos e especialmente, prova pericial, esta requerida nos termos do artigo 18 da Lei n° 8.748/1993. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada pelo contribuinte, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande (MS) julgou procedente em Fl. 579DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003249/2005-18 Resolução n.º 2202-00.322 S2-C2T2 Fl. 5 5 parte o lançamento, proferindo o Acórdão no 04-16.187 (fls. 461 a 477), de 05/12/2008, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001 PRELIMINAR DE NULIDADE. Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento os elementos necessários para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, afastam-se as preliminares de nulidade argüidas. PRELIMINAR DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A instância .administrativa é incompetente para manifestar-se -sobre a constitucionalidade de leis. UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PELO FISCO. É lícita a utilização dos dados da CPMF para a apuração de outros tributos, após a edição da Lei Complementar n° 105/2001 e da Lei n° 10.174/2001. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. O sigilo bancário não é oponível ao Fisco ante ao contido na Lei Complementar n° 105/2001. MULTA DE OFÍCIO. JUROS SELIC. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. Foge ao campo decisório da autoridade administrativa investigar se a multa de ofício e os juros de mora calculados à taxa Selic, incidências previstas em lei, têm caráter confiscatório, ou ainda se são eles ilegais ou inconstitucionais, cabendo à autoridade administrativa apenas verificar a correção da incidência dessas exações, na forma da legislação que as instituiu. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo, quando não restar devidamente comprovada a fonte dos recursos. CONTA CONJUNTA. Comprovado que a conta bancária é de titularidade conjunta, fato não considerado quando do lançamento, os valores cuja origem não foi justificada devem ser divididos pelo número de titulares. A decisão a quo excluiu da base de cálculo 50% do valor apurado pela fiscalização por se tratar de contas bancárias conjuntas nas quais os titulares apresentaram declaração em separado (fl. 476). Fl. 580DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003249/2005-18 Resolução n.º 2202-00.322 S2-C2T2 Fl. 6 6 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 15/07/2009 (vide AR de fl. 480 verso), o contribuinte interpôs, em 12/08/2009, tempestivamente, o recurso de fls. 486 a 495, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 496), expondo as razões de sua irresignação, a seguir sintetizadas. 1. Preliminarmente, o contribuinte argúi a nulidade do lançamento, uma vez que sua esposa, não foi intimada a se manifestar quanto à movimentação financeira das contas conjuntas. 2. No mérito, o recorrente alega que: 2.1. A fiscalização teria se baseado em informações obtidas pelo cruzamento de dados da CPMF, fornecidos pelas instituições financeiras, com dados constantes no sistema de informações da SRF, o que era vedado pelo art. 11 da Lei no 9.311, de 1996. A alteração introduzida pela Lei no 10.174, de 2001, no referido artigo, autorizando o fornecimento de dados, desde que solicitados formalmente, não pode ser aplicada para retroagir seus efeitos em relação aos eventos ocorridos em 2000 e 2001. Da mesma forma a Lei Complementar no 105, de 2001, que autorizou a quebra do sigilo bancário, a pedido dos auditores fiscais, sem prévia autorização judicial, entrou em vigor apenas em 10 de janeiro de 2001. 2.2. Não restou comprovado que o recorrente possuía sinais exteriores de riqueza, ou que tivesse adquirido disponibilidade econômica, transcrevendo precedentes administrativos para corroborar seu entendimento. 2.3. Caso o lançamento seja mantido, entende que devem ser abatidas todas as despesas reembolsadas pela empresa CELL STAR (fls. 405 a 452 dos autos), pois essas foram desconsideradas pela decisão recorrida, tudo em homenagem ao princípio da verdade real. 2.4. Alega que a taxa SELIC tem caráter remuneratório e não moratório, violando o limite previsto no art. 161 do Código Tributário Nacional que fixou as taxas de juros a 12% ao ano, ou seja, 1% ao mês. Cita doutrina sobre o assunto. 2.5. O espólio não é “sucessor” da pessoa falecida no âmbito civil, mas é responsável pelos débitos tributários até a data da abertura da sucessão, pugnando pela aplicação da multa de mora de 20%, e “além da redução da multa de mora, mais importante ainda é a redução da multa punitiva, que merece ser reduzida, no mínimo, à metade.” (fl. 494). 3. Ao final requer que se acolha o presente recurso com o fim de (fl. 494): a) acolher a preliminar para declarar a nulidade do auto de infração, ante a inexistência da necessária intimação da cônjuge, à época; b) na remota hipótese de não acolhimento da preliminar e em homenagem ao princípio da eventualidade, que seja julgado totalmente improcedente o lançamento, uma vez que depósitos e/ou extratos bancários não podem servir de base de cálculo para o imposto sobre a renda, sem a correlata comprovação de omissão, bem como da efetiva renda auferida, o que não restou demonstrado no caso em tela; Fl. 581DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003249/2005-18 Resolução n.º 2202-00.322 S2-C2T2 Fl. 7 7 c) ou, subsidiariamente, reconhecer a violação ao princípio da irretroatividade da lei tributária, a necessidade de abatimento dos valores reembolsados pela empresa CELL STAR, a redução das multas de mora e punitiva, em homenagem ao princípio da proporcionalidade, em percentual equivalente a no máximo 10% (dez por cento) para multa de mora e de 35% (trinta e cinco por cento) para multa punitiva; d) fixar os juros de mora, de acordo com o artigo 161 do Código Tributário Nacional, em no máximo 1% ao mês. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 06, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 07/02/2011, veio numerado até à fl. 503 (última folha digitalizada)1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003249/2005-18 Resolução n.º 2202-00.322 S2-C2T2 Fl. 8 8 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. Trata de lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, em que o contribuinte argúi a nulidade do lançamento, alegando que sua esposa, co-titular das contas fiscalizadas, não foi intimada a se manifestar em relação a movimentação financeira das mesmas. Foram tributados os depósitos em três contas bancárias: Banco Cidade, agência no 2-7, conta corrente no 44587.40; Banco Itaú, agência no 1266, conta corrente no 1333-1; e Banco de Boston, agência no 28, conta corrente no 72.0896.06 (fls. 313 e 314). Como já observado pela decisão recorrida, as contas mantidas junto ao Banco Cidade e ao Banco Itaú são conjuntas com a Sra. Marisa Bertoldi Zampini, esposa do contribuinte, de acordo com as fichas cadastrais anexadas às fls. 135 e 194, respectivamente. No caso do banco de Boston, constata-se que a conta também é conjunta com o cônjuge, uma vez que na parte superior dos extratos consta o nome da Sra. Marisa Bertoldi Zampini (vide como exemplo os extratos de fls. 30 a 39). Conforme relatado pelo julgador a quo (fl. 476): [...] Nas declarações do impugnante (fls. 04 e 07) não consta a assinalação de que é em conjunto com o cônjuge. Consulta aos sistemas da RFB confirmam as declarações apresentadas pelo cônjuge do contribuinte, para os anos-calendário objeto de autuação, concluindo-se que as declarações do autuado foram apresentadas em separado. Destarte, para que se possa formar um juízo acerca da matéria em discussão, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora esclareça se a Sra. Marisa Bertoldi Zampini, co-titular das contas fiscalizados, foi instada a comprovar a origem dos depósitos nelas efetuados, anexando, se for o caso, cópia das intimações. Ao final, antes da devolução dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cientificar o contribuinte do resultado da diligência, para que se manifeste, se assim o desejar, no prazo de 30 dias. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 583DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 16024.000584/2007-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Nos tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação, expirado o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, sem que a Administração Tributária se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. De acordo com a jurisprudência do STJ, firmada em ação processada nos termos do artigo 543-C do Código de Processo Civil, o dies a quo do prazo decadencial se rege pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, quando não há pagamento antecipado, porém, este não é o caso dos autos.
FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. SIGILO. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em quebra de sigilo bancário quando o próprio sujeito passivo disponibiliza as informações financeiras, em atendimento a intimação regularmente expedida pela autoridade fiscalizadora.
Numero da decisão: 1102-000.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do voto do relator.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente e relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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Recorrentes ANGASIL COMÉRCIO, REPRESENTAÇÃO E TRANSPORTES LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação, expirado o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, sem que a Administração Tributária se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. De acordo com a jurisprudência do STJ, firmada em ação processada nos termos do artigo 543 C do Código de Processo Civil, o dies a quo do prazo decadencial se rege pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, quando não há pagamento antecipado, porém, este não é o caso dos autos. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. SIGILO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em quebra de sigilo bancário quando o próprio sujeito passivo disponibiliza as informações financeiras, em atendimento a intimação regularmente expedida pela autoridade fiscalizadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 05 84 /2 00 7- 60 Fl. 738DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16024.000584/200760 Acórdão n.º 1102000.858 S1C1T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ANGASIL COMÉRCIO, REPRESENTAÇÃO E TRANSPORTES LTDA, contra acórdão proferido pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ/Ribeirão Preto, que julgou parcialmente procedente a impugnação contra os autos de infração lavrados de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e reflexos (Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL), relativos ao ano calendário de 2002. A autuação se deu ante a constatação da existência de depósitos bancários de origem não comprovada. Tendo em vista que a receita bruta auferida no ano de 2001 excedera o limite para a manutenção da empresa no Simples, foi ela excluída deste regime com efeitos a partir de 1o de janeiro de 2002, por meio de Ato Declaratório Executivo, conforme consta no processo n° 10855.003520/200671 (Representação Fiscal). Em atendimento a intimações fiscais, apresentou a contribuinte os livros Registros de Entradas e de Saídas, o Livro Caixa, cópia do contrato social e suas alterações, e também os extratos bancários da conta corrente nº 2.1229, agência 24090, do Banco Bradesco S/A (fls. 48/205). A fiscalização elaborou a planilha denominada “Extrato de Crédito” (fls.210/235) na qual relacionou diversos depósitos/créditos que, segundo ela, não puderam ser identificados como transferências entre contas de mesma titularidade, estornos de cheques, resgates de aplicações financeiras, ou outra operação cuja natureza fosse evidente, e intimou a empresa a esclarecer referidos valores. Em resposta, a contribuinte discorreu sobre a sua atividade de exploração do comércio atacadista de produtos rurais, beneficiamento de produtos rurais, transportes de carga e representação comercial por conta de terceiros, e alegou que os depósitos bancários são, na sua quase totalidade, provenientes de recebimentos de pessoas jurídicas em que a ANGASIL figura como intermediária, percebendo comissão de 1% dos valores das vendas. Após sucessivas intimações, apresentação de documentação, e análise pelo fisco, a autoridade fiscal elaborou os demonstrativos de fls. 425461 detalhando e consolidando os valores submetidos à tributação. Em razão da exclusão da empresa do Simples, e da falta de apresentação dos livros contábeis e fiscais que permitiriam a tributação pelo lucro real, a empresa teve o seu lucro arbitrado pela fiscalização, tendo como base as receitas escrituradas no livro Caixa e os depósitos bancários de origem não comprovada. A contribuinte impugnou os lançamentos, aduzindo, em síntese, o seguinte: Fl. 739DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16024.000584/200760 Acórdão n.º 1102000.858 S1C1T2 Fl. 4 3 a) decadência do direito do Fisco de exigir os tributos relativamente aos fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2002 e 30 de outubro de 2002; b) cerceamento do direito de defesa, pois o Fisco apresentou apenas o total dos valores questionáveis mês a mês, não demonstrou como apurou o valor cobrado, e nem se desconsiderou ou não os valores referente ao ICMS da receita bruta; c) impossibilidade de tributação com base exclusivamente em depósitos bancários; d) inconstitucionalidade da taxa Selic como juros de mora. A 5ª Turma de Julgamento da DRJ/Ribeirão Preto reconheceu a decadência relativa aos três primeiros trimestres de 2002, para o IRPJ e CSLL, e aos meses de janeiro a outubro de 2002, para o PIS e a COFINS, e, no mérito, julgou procedentes os lançamentos, recorrendo de ofício de sua decisão (fls. 695709). Cientificada desta decisão por via postal (AR de fls. 717), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 25.06.2009, fls. 718731, no qual pugna pelo cancelamento dos autos de infração, por insanável vício, tendo em vista a inconstitucionalidade da quebra do seu sigilo bancário sem autorização judicial, tornando ilícitas e imprestáveis para quaisquer fins jurídicos as informações assim obtidas. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Inicialmente, observo que, embora o presente processo tenha sido a mim distribuído para relato em sorteio realizado em setembro de 2010, foi somente em 21 de janeiro de 2013 — conforme informação registrada no sistema eprocesso — que, após a digitalização de todas as peças processuais, o processo foi afinal disponibilizado ao relator, motivo pelo qual somente neste momento pode o mesmo ser incluído em pauta para julgamento. Recurso de ofício: Analisandose o extrato do processo de fls. 732 e seguintes, verificase que a decisão recorrida exonerou a contribuinte de tributo e encargos de multa em valor superior ao estabelecido pela Portaria MF nº 3 de 03.01.2008, pelo que deve ser conhecido o recurso de ofício interposto. O cancelamento das referidas parcelas se deu em face da decadência do fisco de efetuar os lançamentos relativos aos três primeiros trimestres de 2002, para o IRPJ e CSLL, e aos meses de janeiro a outubro de 2002, para o PIS e a COFINS. Não merece reforma a decisão recorrida. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16024.000584/200760 Acórdão n.º 1102000.858 S1C1T2 Fl. 5 4 No entendimento deste relator, e da majoritária jurisprudência do CARF (anterior ao julgamento pelo STJ do Recurso Especial 973.733), nos tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação, expirado o prazo previsto no parágrafo 4° do art. 150 do CTN sem que a Administração Tributária se tenha pronunciado, independente de ter havido ou não pagamento prévio, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, acusação esta que não foi imputada à recorrente. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento em sentido diverso, expresso no REsp 973.733, ao qual foi conferido o caráter de recurso repetitivo, nos termos do artigo 543C do Código de Processo Civil, tendo tal decisão transitado em julgado em 29/10/2009. Segundo o STJ, nos casos em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado, o dies a quo do prazo qüinqüenal da regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN. Nos termos do art. 62A, do vigente Regimento Interno do CARF, tal entendimento do STJ há de ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, o que torna obrigatório perquirir se houve ou não o efetivo pagamento antecipado. No caso dos autos, a contribuinte efetuou pagamento relativamente a todos os meses de 2002 na modalidade do Simples, conforme já deixara expressamente consignado a decisão recorrida. Portanto, a decadência é de fato regida pela regra do art. 150, §4º do art. 150 do CTN, o que demonstra o acerto da desoneração efetuada pela autoridade julgadora a quo. Pelo exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Recurso voluntário: O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Alega a recorrente a inconstitucionalidade dos dispositivos legais que visaram a autorizar a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. Com relação a este tema, é fato que o Colegiado tem reiteradamente decidido pelo sobrestamento dos feitos, em obediência ao que determinam o art. 62A, do Anexo II, Regimento Interno do CARF, e a Portaria CARF no 1, de 03 de janeiro de 2012, tendo em vista o mesmo estar pendente de julgamento no âmbito do STF em sede de repercussão geral. Neste sentido, por exemplo, as recentes resoluções 1102000.122, 1102000.125, 1102000.126, e 1102000.127. Por outro lado, a alegação de quebra de sigilo bancário revelase de todo improcedente nos casos em que os extratos bancários são apresentados ao fisco pelas próprias pessoas jurídicas fiscalizadas. A questão que se encontra pendente de apreciação pelo STF em sede de repercussão geral diz respeito somente aos casos de obtenção dos extratos bancários diretamente das instituições financeiras, ao abrigo das normas estabelecidas pela Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001 e legislação correlata. Neste sentido, por exemplo, os recentes julgados deste Colegiado nos acórdãos 1102000.667, 1102000.833, e 1102000.466, cuja ementa abaixo transcrevo: “FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. SIGILO. INEXISTÊNCIA. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16024.000584/200760 Acórdão n.º 1102000.858 S1C1T2 Fl. 6 5 Não há que falar em quebra de sigilo bancário quando o próprio sujeito passivo disponibiliza as informações financeiras, em atendimento à intimação regularmente expedida pela autoridade fiscalizadora.” (Acórdão 1102000466, relator Leonardo de Andrade Couto, sessão de 30 de junho de 2011) É verdade que no caso concreto a autoridade fiscal intimou a recorrente a apresentar os extratos bancários de diversas contas correntes, em mais de uma instituição financeira, conforme Termo de Intimação de fls. 208209, e que, não tendo sido integralmente atendida, expediu Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF àquelas instituições para a obtenção dos extratos bancários.relativos aos anos de 2002 a 2004. É o que está descrito no Termo de Constatação Fiscal de fls. 462466. Contudo, consta também no mesmo Termo lavrado que “no dia 11 de julho de 2007, o contribuinte forneceu os extratos bancários da conta corrente n° 2.1229, agência 24090, do Bradesco S/A, dos anoscalendários de 2002 a 2004.” Esta informação vem corroborada pelo documento de fls. 47 registrando o protocolo de entrega desses documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal de jurisdição do contribuinte. Nos presentes autos, todos os créditos com relação aos quais a recorrente foi intimada a comprovar a origem são de depósitos ocorridos exclusivamente na conta bancária n° 2.1229, agência 24090, do Bradesco S/A, no ano calendário de 2002. Ou seja, em que pese tenha havido a expedição de requisições de movimentação financeira a outras instituições financeiras, e abrangendo períodos diversos, o fato é que, com relação a todos os fatos geradores aqui discutidos, os elementos de prova (os extratos bancários) foram fornecidos pela própria recorrente, em atendimento a intimação regularmente expedida pela autoridade fiscalizadora no uso de sua competência legal. Portanto, não há que se falar em prova ilícita ou imprestável, nem tampouco em quebra de sigilo bancário. A defesa inicial, apresentada pela recorrente em sede de impugnação, conforme visto, abordava outras questões, as quais foram devidamente refutadas pela autoridade julgadora a quo. Contudo, nenhuma dessas questões foi renovada por ocasião da apresentação do recurso voluntário, no qual a recorrente limitouse, conforme relatado, a pugnar pelo cancelamento dos autos de infração exclusivamente em face da alegada inconstitucionalidade da quebra do seu sigilo bancário sem autorização judicial, alegação a qual foi aqui refutada, não restando mais nenhuma questão a ser apreciada por este Colegiado. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 742DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16024.000584/200760 Acórdão n.º 1102000.858 S1C1T2 Fl. 7 6 Fl. 743DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 10860.901783/2009-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2002
COFINS. VENDAS A ESTABELECIMENTO SITUADO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. TRATAMENTO EQUIVALENTE AO DISPENSADO ÀS EXPORTAÇÕES. DECRETO-LEI 288/67 E MP 2.037-25/00, ARTIGO 14.
O artigo 4o do Decreto-lei no. 288/67 equiparou as vendas de mercadorias nacionais à Zona Franca de Manaus às exportações, no que se refere ao regime tributário aplicável, equiparação esta válida, inclusive, para benefícios e incentivos instituídos posteriormente à edição do próprio Decreto-lei no. 288/67.
A Medida Provisória no. 2.037-25/00 e as demais que se lhe seguiram suprimiram a referência à Zona Franca de Manaus constante do artigo 14, nas primeiras edições do diploma e, desta maneira, evidenciaram a fruição do regime isencional, quanto à COFINS, às receitas de vendas a empresas ali estabelecidas, a partir de 21.12.2000.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3403-001.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2002 COFINS. VENDAS A ESTABELECIMENTO SITUADO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. TRATAMENTO EQUIVALENTE AO DISPENSADO ÀS EXPORTAÇÕES. DECRETOLEI 288/67 E MP 2.037 25/00, ARTIGO 14. O artigo 4o do Decretolei no. 288/67 equiparou as vendas de mercadorias nacionais à Zona Franca de Manaus às exportações, no que se refere ao regime tributário aplicável, equiparação esta válida, inclusive, para benefícios e incentivos instituídos posteriormente à edição do próprio Decretolei no. 288/67. A Medida Provisória no. 2.03725/00 e as demais que se lhe seguiram suprimiram a referência à Zona Franca de Manaus constante do artigo 14, nas primeiras edições do diploma e, desta maneira, evidenciaram a fruição do regime isencional, quanto à COFINS, às receitas de vendas a empresas ali estabelecidas, a partir de 21.12.2000. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 17 83 /2 00 9- 11 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Em 24.02.2005, a ora recorrente transmitiu DComp (fls. 1/3) objetivando extinguir obrigação tributária federal por meio de supostos créditos da COFINS, apurados em relação ao P.A. 03/2002. A DRF de origem, então, prolatou despacho decisório eletrônico (fls. 4) recusando a homologação da compensação com fundamento na alegada inexistência do direito creditório, eis que o pagamento efetuado pelo sujeito passivo se mantinha integralmente alocado para satisfação de obrigação confessada por ele próprio em DCTF nãoretificada. Tempestivamente, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade (fls. 6/10). Expôs que o crédito resultaria de pagamentos efetuados supostamente a maior no período de apuração, como decorrência da espontânea inclusão, na base de cálculo da exação, das receitas auferidas com a comercialização de mercadorias nacionais a adquirentes estabelecidos na Zona Franca de Manaus. Nesse sentido, sustentou, primeiro, a isenção do negócio ao tributo, em virtude do disposto nos artigos 4o, do Decretolei nº 288/67 e 40, do ADCT; depois, sustentou que, desde o advento da Emenda Constitucional nº 33/01, por obra da qual modificouse o artigo 149 da CF/88, as operações estariam albergadas por imunidade. Em primeira instância, a pretensão do sujeito passivo acabou desprovida. Os principais fundamentos da decisão foram construídos com base na Solução de Divergência COSIT nº 7/06. De acordo com o primeiro deles, o Decretolei nº 288/67 somente teria equiparado as vendas à Zona Franca de Manaus às exportações, no que respeitasse ao regime tributário em vigor à época em que promulgado referido diploma. Apenas os incentivos fiscais já fruíveis pelas exportações em fevereiro de 1967 seriam, nesta perspectiva, extensíveis às vendas que tivessem a Zona Franca de Manaus por destino. Como a própria instituição da COFINS somente se deu em 1991, por força da LC nº 70, o tratamento previsto pelo artigo 4o do mencionado Decretolei nº 288 seria inaplicável à isenção conferida, nesta espécie impositiva, para as receitas de exportação. O segundo argumento vem em consideração às hipóteses isencionais previstas, para a COFINS, na MP nº 18586/09, artigo 14. Por meio do dispositivo, o Executivo federal outorgou, a partir de 1o de fevereiro de 1999, isenção a uma série de ocorrências ali listadas, entre as quais às receitas de “exportação de mercadorias para o exterior”. E no §2o do mesmo artigo 14, previu expressamente que o tratamento favorecido ali instituído não Fl. 189DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10860.901783/200911 Acórdão n.º 3403001.930 S3C4T3 Fl. 10 3 alcançaria as vendas realizadas “a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio.” A desequiparação – consistente em sujeitar ao tributo as vendas à ZFM quando as exportações são desoneradas – foi objeto de impugnação via ação direta de inconstitucionalidade movida pelo Governador do Amazonas, constituindo fundamento do pedido o disposto no artigo 40, do ADCT, de acordo com o qual a Zona Franca de Manaus se manteria, até o ano de 2013, como área de livre comércio e de incentivos fiscais (ADI no. 2.348). Tendo o Plenário do Supremo Tribunal Federal deferido a liminar requerida com efeitos prospectivos em 18.12.2000, entendeu a COSIT que, a partir de então, as vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus fruiriam da isenção desde que caracterizada uma das hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do próprio artigo 14, da MP nº 1.8586/09, quais sejam: (a) receitas no fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; (b) receitas auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro – REB; (c) receitas de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei no. 1.248/72, destinadas ao fim específico de exportação; e (d) receitas de vendas efetuadas com fim específico de exportação para o exterior, às empresas comerciais exportadoras registradas na SECEX. Entendeu, ainda, a DRJ recorrida que, não fossem tais obstáculos normativos, a manifestação de inconformidade igualmente haveria de ser rejeitada em razão da prova insuficiente do alegado direito creditório. Sobreveio o recurso voluntário (fls. 76/105), cujos fundamentos repetem os da própria irresignação de origem. Em 8 de julho de 2011, este Colegiado determinou a conversão do julgamento em diligência para que a DRF de origem se manifestasse sobre documentos comprobatórios do crédito trazidos pela recorrente, bem como examinasse se as receitas supostamente auferidas com vendas à ZFM já não teriam sido prévia e espontaneamente excluídas da base de cálculo da contribuição. Cumprida a diligência, e dada ciência à recorrente, a DRF de origem elaborou relatório fiscal, por meio do qual chancelou o direito creditório pleiteado. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 190DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 O recurso é tempestivo e obedece às formalidades aplicáveis, de forma que dele se conhece. Foi o Decretolei no. 288, de 1967, que estabeleceu a equivalência de tratamento jurídico tributário entre as exportações e as vendas de mercadorias a estabelecimentos sediados na Zona Franca de Manaus. De acordo com seu artigo 4o: “Art. 4o. A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” Não há dúvida de que o preceptivo em questão tenha instituído verdadeira equivalência, em termos fiscais, entre as operações comerciais que destinassem bens à Zona Franca de Manaus e as exportações de mercadorias, de tal sorte que as desonerações válidas para a segunda espécie se aplicassem, também, para a primeira. O questionamento, quanto ao dispositivo, diz respeito à abrangência do seu significado, em termos temporais. Invocando a Solução de Consulta COSIT no. 7/06, a DRJ recorrida lê, na expressão “constantes da legislação em vigor” uma limitação da equiparação aos favores fiscais já existentes quando da edição do Decretolei no. 288/67. E por assim entender, conclui que isenções outorgadas às exportações por normatização posterior, entre as quais as relativas à COFINS, não seriam extensíveis às vendas internas, com destino à ZFM. O entendimento não me convence. Não me convence porque a fórmula legislativa, segundo penso, é indicativa do oposto, quer dizer, de que por seu intermédio se tenha pretendido colher, com a equiparação, também os incentivos fiscais que viessem a ser concedidos às exportações – e não apenas aqueles existentes em fevereiro de 1967. Fosse este o propósito da regra, e bastaria ao Executivo de então têla redigido de maneira a relacionar em lista as respectivas hipóteses. Realmente, circunscrevendose a equiparação a benefícios já existentes, seria perfeitamente possível têlo feito. Penso que a escolha da expressão “constantes da legislação em vigor” teve em mira efeito diverso. Justamente porque a equivalência recairia sobre os incentivos fiscais já existentes e, também, sobre outros que, no futuro, as exportações porventura usufruíssem, a solução foi o emprego da fórmula generalizante. Todo o tratamento fiscal, tal como dispensado pela legislação em vigor às exportações, seria extensível às vendas de mercadorias para a ZFM. Mais do que isso, a expressão “constantes da legislação em vigor” está a indicar que as remessas de mercadorias à Zona Franca de Manaus terão tratamento jurídico tributário equivalente àquele definido para as exportações concomitantemente praticadas. O regime jurídico das vendas à ZFM é, em suma, aquele definido pela legislação aplicável às vendas para o exterior. O debate não é novo, de modo que doutrina e jurisprudência já se debruçaram sobre a proposta exegética reproduzida pelo acórdão a quo. Refutamna, entre outros, Geraldo Ataliba e Cléber Giardino: “Resulta claro que a intentio legislatoris, aí, foi a de atribuir absoluta igualdade entre os regimes jurídicos das exportações para o exterior e das exportações para a Zona Franca de Manaus. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10860.901783/200911 Acórdão n.º 3403001.930 S3C4T3 Fl. 11 5 Tratase de conhecida técnica legislativa, estabelecendo presunção absoluta (praesumptio iuris et de iute), que não consente contrariedade pelo aplicador administrativo ou judicial, mesmo diante de todas as evidências em contrário. As normas que manifestam as chamadas presunções iuris et de iure não se distinguem de quaisquer outras normas jurídicas. In casu, a presunção estabelecida, como visto acima, tem conteúdo nítido: exportar para Manaus, para todos os fins fiscais, é o mesmo (ou seja, produz os mesmos efeitos) que exportar para o exterior. (...). Por outro lado, in casu, a intentio legislatoris coincide com a intentio legis. A esta, também, importou igualar, para efeitos fiscais – isto é, considerar como se fossem uma só e mesma situação – esses dois tipos de exportação” (Revista de Direito Tributário, no. 41, p. 206220). Assim também tem se pronunciado de longa data o E. STJ, entre cujos julgados o seguinte me pareceu revelador: “(...) o votocondutor do acórdão vergastado observou que, ao equiparar a exportação para o exterior à venda para a Zona Franca o legislador fez a seguinte ressalva: ‘para todos os efeitos fiscais constantes da legislação em vigor’. Isto significa, nos termos do voto, que seria imperioso que a legislação posterior reiterasse esse regime sempre que pretendesse mantê lo. Ocorre que, esta não é a interpretação mais adequada para se atribuir à referida norma legal. (...) Percebese com clareza absoluta que a expressão ‘constantes da legislação em vigor’ significa que a equiparação das operações relativas à exportação com as da Zona Franca de Manaus, é universal, abrangendo toda e qualquer espécie de tributo” (REsp no. 144.785, j. 21.11.2002, relator o Min. Paulo Medina). Sintomático disso é que a Corte Superior vem reconhecendo às vendas para a ZFM a aplicabilidade de regras dispensadas às exportações relativamente a espécies tributárias cuja própria instituição é posterior ao Decretolei no. 288/67, entre as quais a COFINS e ao PIS. Entre muitos precedentes, vejase somente o seguinte: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIVALÊNCIA. DL NO. 288/67. ACÓRDÃO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. SÚMULA 83/STJ. PRECEDENTES. (...) Esta Corte possui entendimento assente no sentido de que as operações envolvendo mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação, para efeitos fiscais, Fl. 192DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 conforme disposições do Decretolei no. 288/67”.(REsp no. 802.474, j. 05.11.2009, relator o Min. Mauro Campbell Marques) Isso significa que a comunicação do regime jurídicotributário das exportações às vendas para a ZFM é, desde o advento do Decretolei no. 288/67, automática. Não é preciso que, a cada nova imposição fiscal às exportações ou a cada nova desoneração que as favoreça disposições análogas sejam editadas para contemplar os negócios envolvendo a Zona Franca de Manaus. Uma vez definidas, para qualquer espécie impositiva, as regras regentes das exportações, o tratamento é imediatamente extensivo às operações com mercadorias nacionais destinadas à ZFM. Ao contrário do que propagado no aresto recorrido é a desequiparação – e não a equiparação – que estaria a requerer a edição de norma excepcional. E, ainda assim, apartar as duas realidades, no que se refere ao tratamento fiscal aplicável a cada qual, pode significar violação ao artigo 40, do ADCT. Vejamos. Quando da instituição da COFINS, a LC no. 70/91 conferiu disciplina diferenciada às exportações por meio de seu artigo 7o: “Art. 7o São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I – de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; (...) III – de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei no. 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV – de vendas, com fim específico de exportação, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; (...) VI – das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” Este contexto legislativo sobreviveu inalterado à promulgação da Lei no. 9.718/98 que, predisposta a disciplinar amplamente a COFINS, veiculou em seu artigo 2o regra que assegurava a coexistência das novas disposições com aquelas anteriores, com as quais não contrastassem: “As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observada a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta lei.” A próxima modificação veio somente em junho de 1999, quando da edição da Medida Provisória no. 1.8586, cujos artigos 14 e 23 respectivamente prescreveram: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) II – da exportação de mercadorias para o exterior; Fl. 193DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10860.901783/200911 Acórdão n.º 3403001.930 S3C4T3 Fl. 12 7 §2o As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I – a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio.” “Art. 23. Ficam revogados: (...) II – a partir de 30 de junho de 1999: (...) b) o art. 7o da Lei Complementar no. 70, de 1991, e a Lei Complementar no. 85, de 15 de fevereiro de 1996;” Revogando o tratamento dado à matéria pela LC no. 70/91, a MP no. 1.858 6/99 manteve a desoneração conferida às exportações propriamente ditas mas, em contrapartida, ressalvou expressamente do regime as vendas a estabelecimentos sediados na ZFM, submetendo ao tributo, portanto, as receitas daí advindas. Sucede que o Poder Judiciário repreendeu a iniciativa. Provocado via ação direta de inconstitucionalidade proposta pelo Governador do Amazonas, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, em decisão liminar, vislumbrou ofensa ao artigo 40, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, de acordo com o qual a Zona Franca de Manaus subsistiria incentivada por regimes fiscais diferenciados até o ano de 2013 (ADI 2.348). Eis o texto em questão: “Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais pelo prazo de vinte e cinco anos a partir da promulgação da Constituição.” Fato é que, por força da liminar, a expressão “a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus” constante do citado artigo 14, da MP n. 1.8586/99 – a esta altura reeditado na MP no. 203724 – foi suspensa com efeitos prospectivos. E aí vem o acontecimento decisivo: nas edições subseqüentes da mesma medida provisória, a começar pela MP no. 2.037 25, publicada em 21.12.2000, e em todas as demais, inclusive na MP no. 2.15835/01, cuja vigência tornouse definitiva com o artigo 2o, da EC no. 32/01, o Executivo removeu a referência à Zona Franca de Manaus da cláusula restritiva aos limites da isenção. Quer dizer, o artigo 14, reproduzido na MP no. 2.03725 e em todas as reedições do mesmo veículo, deixou de conter, no §2o, a menção à Zona Franca de Manaus. Vejase: “Art. 14. §2o As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I – a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio;” Fl. 194DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 Percebase que, não mais excepcionando da regra isencional as vendas para a ZFM, as receitas resultantes da operação acabaram favorecidas pela exoneração, dado que, como exposto, estão equiparadas às exportações por obra do Decretolei no. 288/67. Bastou que as novas edições da MP 2.037 removessem a norma distintiva para a equivalência de regimes imediatamente se estabelecer já em nível legal, sem que, para reconhecêla, seja preciso evocar o artigo 40, do ADCT. Foi possivelmente por este motivo – a omissão dos estabelecimentos da ZFM no §2o do artigo 14, da MP no. 2.037 – que o autor da ADI no. 2.348 deixou de aditar a petição inicial à medida que novas edições se superpunham. Nenhum sentido haveria em fazêlo, afinal, se a inconstitucionalidade apontada nas primeiras versões da medida provisória não fora cometida naquelas publicadas após o deferimento da liminar. E foi esta a razão pela qual o Supremo Tribunal Federal entendeu, anos depois, que a ADI perdera o objeto. A equiparação, todavia, vem sendo positivamente assegurada pelo artigo 14 da MP no. 2.03725, desde 21.12.2000, pouco importando, para estas considerações, que a liminar deferida na ADI no. 2.348 tenha perecido ante a extinção daquele processo. Neste sentido tem se posicionado parcela significativa dos julgadores deste Colegiado, entre os quais: “Ainda de acordo com este raciocínio, entendo que, a partir de dezembro de 2000, devese reconhecer a existência do benefício pretendido, sendo indiscutível a equiparação das remessas de mercadorias para a Zona Franca de Manaus à exportação.” (Acórdão no. 20179.407, Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas) Como o fato gerador objeto da DCOMP em questão é posterior a este marco temporal – 21.12.2000 – é de se admitir, ao menos em tese, o recolhimento a maior. Pois bem. Para documentar seu alegado direito, a recorrente produziu os seguintes elementos de prova: (a) planilha extracontábil, objetivando ilustrar o cálculo de apuração da COFINS no período de apuração e o montante das receitas auferidas com vendas à ZFM; (b) cópia da guia DARF com que efetuou o pagamento supostamente a maior do tributo; (c) relatório de auditoria fiscal contratada para a apuração do indébito; (d) cópia da primeira página da DCTF retificadora do débito de COFINS inicialmente confessado; (e) extrato de consulta à página da SUFRAMA na internet, onde consta relação de notas fiscais emitidas pela recorrente e internadas na ZFM no período de apuração; e, enfim, (f) cópia das próprias notas fiscais relacionadas no extrato acima, indicativas de operações comerciais alegadamente abrigadas pela regra isencional. Os documentos em questão, todavia, não chegaram a ser examinados pelas instâncias de origem – não por inteiro, ao menos – seja porque as decisões recorridas recusaram a pretensão sob argumentos que prescindiam da análise, seja porque parte da prova apenas foi trazida aos autos por ocasião da interposição do recurso voluntário. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10860.901783/200911 Acórdão n.º 3403001.930 S3C4T3 Fl. 13 9 E foi em razão da insuficiente análise a que haviam sido submetidas as provas produzidas pela parte que este Colegiado entendeu por bem converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, por meio da Resolução no. 3403000.240. Objetivavase que o órgão preparador identificasse a existência do suposto indébito e o mensurasse, sem objetar lhe os motivos em que se fundamentara a recusa da homologação. Particularmente, interessava a esse órgão julgador confirmar que a ora recorrente houvera, de fato, espontaneamente exposto à tributação as receitas obtidas com as vendas a adquirentes estabelecidos na ZFM, no período considerado. Ao cabo da diligência, a fiscalização elaborou relatório ao ensejo do qual reconstruiu a base de cálculo da COFINS para o período de apuração em cogitação, fazendoo a partir de dados extraídos da escrituração fiscal da recorrente, em especial, do LRAIPI e do LAICMS. No cálculo que efetuou, a autoridade encarregada da diligência identificou nos livros fiscais mencionados as categorias de receitas tributáveis pela exação por referência aos CFOPs das respectivas operações mercantis, incluindo, dentre eles, aqueles utilizados pela recorrente nas notas fiscais sacadas para documentar as vendas a estabelecimentos da ZFM. E o relevante é que, assim procedendo, a autoridade de origem determinou a base imponível do tributo em valor coincidente com aquele que a recorrente oferecera à incidência, a confirmar que a pessoa jurídica realmente recolheu a exação sobre as receitas auferidas com as vendas à ZFM no período. Sendo assim, comprovado o indébito e a sua origem, voto pelo provimento do recurso voluntário, a fim de que seja homologada a compensação declarada. É como voto. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 196DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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