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Numero do processo: 10930.907113/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1948; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 145 1 144 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.907113/201151 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.441 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 26 de setembro de 2018 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de contribuição (PIS/Cofins) formulado pela recorrente. A restituição foi indeferida porque o crédito pleiteado encontravase totalmente alocado a débito declarado pelo contribuinte. Na manifestação apresentada, a interessada afirma que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 teve a sua inconstitucionalidade declarada pelo STF. Salienta que a manifestação contida no despacho decisório decorre de informação prestada em DCTF nos anos de 2000 a 2004, ou seja, consoante previsão legal então vigente. Acredita que a conclusão deve ser a de procedência do pedido, afinal, nos termos das decisões existentes as receitas não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .9 07 11 3/ 20 11 -5 1 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10930.907113/201151 Resolução nº 3402001.441 S3C4T2 Fl. 146 2 operacionais devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Salienta que as declarações prestadas anteriormente devem ser revistas e diz que para ocorrer o deferimento bastará à Autoridade Julgadora proceder à análise das DCTF apresentadas, tendo por base planilha anexada à manifestação. Aduz, adicionalmente, que a discussão principal contida no processo diz respeito à matéria de direito, “devendo o órgão julgador apreciar a procedência da tese”, intimando a contribuinte a provar o direito mediante prova documental. A impugnação acima aludida foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, que não reconheceu o direito creditório face a ausência de sua comprovação. Cientificado desta decisão o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, onde alega que a decisão proferida pela DRJ teria alterado o critério jurídico do despacho de indeferimento atacado, o que implicaria a nulidade da decisão proferida, bem como apresenta documentos fiscais que atestariam a validade do seu crédito. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.422, de 26 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.907066/201146, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.422): "5. Conforme se observa dos autos, em despacho eletrônico de fls. 05/06, o crédito vindicado pelo contribuinte foi indeferido ao fundamento que: (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. (...). 6. Todavia, já em sede de julgamento de manifestação de inconformidade, o acórdão ora atacado entendeu por manter o indeferimento, mas agora sob o seguinte fundamento: (...). No caso, como a contribuinte nada apresentou no sentido de efetivamente comprovar que na composição da base de Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10930.907113/201151 Resolução nº 3402001.441 S3C4T2 Fl. 147 3 cálculo da contribuição relativa ao aludido período de apuração estavam incluídas receitas compreendidas no alargamento da base de cálculo, não há como reconhecer o direito creditório buscado. Em assim sendo, dada a ausência de provas sobre a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, entendese que devem ser mantidos em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado que, aliás, está fundamentado em informação prestada pela própria contribuinte em DCTF constante dos sistemas controlados pela RFB. (...) (grifos constantes no original). 7. Diante deste quadro, o contribuinte apresentou os documentos fiscais de fls. fls. 84/118, os quais compreendem guias DARF, livro razão e planilhas, que atestariam que o crédito vindicado é realmente decorrente do inconstitucional alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS veiculado pela lei n. 9.718/98 e rechaçado pelo STF no âmbito do julgamento do RE n. 585.235. 8. Percebese, portanto, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. 10. É a resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10930.907113/201151 Resolução nº 3402001.441 S3C4T2 Fl. 148 4 que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10315.720430/2017-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2001-000.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que lhe deu provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que lhe deu provimento parcial. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
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TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Os valores recebidos a título de décimo terceiro salário são tributados exclusivamente na fonte, já efetuadas as deduções legais, entre elas o desconto da pensão alimentícia, sendo vedada a inclusão destas despesas na Declaração de Ajuste Anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que lhe deu provimento parcial. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 72 04 30 /2 01 7- 16 Fl. 81DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2014, anocalendário de 2013. Foram objetos do lançamento a glosa de deduções com instrução, despesas médicas e pensão alimentícia. O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada procedente em parte, mediante Acórdão da DRJ Recife. A decisão manteve as glosas de despesas médicas e com instrução e restabeleceu a quase totalidade da dedução com pensão alimentícia. Neste item, manteve apenas a glosa da pensão devida sobre o décimo terceiro salário, haja vista se tratar de tributação exclusiva na fonte e, portanto, definitiva. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 62. Não questiona as glosas de despesas médicas e com instrução. Em síntese, alega que, apesar de o décimo terceiro salário ser tributado exclusivamente na fonte, o valor foi efetivamente deduzido de seus rendimentos e, portanto, faz jus a sua dedução. Pugna pelo cancelamento da exigência. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Conforme relatado, o recorrente não questiona as glosas de despesas médicas e despesas com instrução. Tratase, portanto, de matéria não impugnada, às quais se reconhece o efeito de concordância tácita, não sendo mais objeto de discussão na esfera administrativa. A questão aqui posta restringese à glosa, mantida pela DRJ, do valor de pensão pago sobre décimo terceiro salário, rendimento sujeito à tributação exclusiva. O recorrente insurgese contra a manutenção da glosa do valor da pensão incidente sobre o décimo terceiro. Alega que possui direito à dedução. Conforme já explanado na decisão de primeira instância, os proventos relativos ao décimo terceiro salário são tributados exclusivamente na fonte. Significa dizer que nem estes rendimentos, nem as deduções de imposto cabíveis sobre eles, serão levados à Declaração de Ajuste Anual. O recorrente equivocase ao dizer que não lhe foi reconhecido o direito à dedução à pensão sobre tais proventos. Ocorre que a fonte pagadora, ao efetuar o pagamento do décimo terceiro, já faz a dedução dos valores correspondentes à pensão alimentícia, da contribuição previdenciária e outras deduções legais cabíveis. Portanto, é incorreto afirmar que não lhe foi reconhecido o direito a dedução do valor descontado à título de pensão. Ocorre que a tributação de referidos rendimentos é feita de forma apartada e, acaso fosse aceita a dedução na Declaração, o contribuinte estaria se beneficiando do valor de forma duplicada. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10315.720430/201716 Acórdão n.º 2001000.663 S2C0T1 Fl. 3 3 Por estas razões, reiterando as razões expostas no Acórdão da DRJ, concluo pela manutenção da glosa questionada. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003247/2006-62
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2003
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS
Débitos não regularizados da pessoa jurídica interessada e contemporâneos à entrega da declaração de rendimentos impedem o deferimento ao pedido de revisão da ordem de emissão de incentivos fiscais.
Numero da decisão: 1201-000.480
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS Débitos não regularizados da pessoa jurídica interessada e contemporâneos à entrega da declaração de rendimentos impedem o deferimento ao pedido de revisão da ordem de emissão de incentivos fiscais.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto e Regis Magalhães Soares de Queiroz . Fl. 543DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10830.003247/200662 Acórdão n.º 120100.480 S1C2T1 Fl. 526 2 Relatório DO PEDIDO INICIAL, DO INDEFERIMENTO E DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O presente processo referese a pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais, que foi negado pela autoridade local, conforme despacho decisório de fls. 407 e 408. A manifestação de inconformidade foi apresentada às fls. 417 a 424. Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças: Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC (fls. 01), relativo ao ano calendário de 2002, protocolizado em 30/06/2006 pelo contribuinte acima identificado. Tal pleito decorre do contido no Extrato de Aplicações em Incentivos Fiscais — IRPJ/2003 — AnoCalendário 2002, onde apontadas as seguintes ocorrências: "11 — Contribuinte com débitos de tributos e contribuições federais (art. 60 da Lei 9069/95)", "13 — Contribuinte com pendências junto ao FGTS" e "15 — Sem efeito a opção em DIPJ/DARF onde não se enquadram no art. 9 Q da Lei 8167/91, conforme MP 219914, de 24/08/2001" (fls. 04). Conforme dados constantes da ficha 29 — "Aplicações em Incentivos Fiscais — Valor Declarado" da DIPJ/2002 (que abrangeu o período compreendido entre 01/01 a 31/08/2002, ocasião essa em que incorporada (fls. 475), o contribuinte optou por destinar parcela do IRPJ para aplicação no FINOR, num montante de R$ 425.286,59, equivalente a 18% do valor do IRPJ apurado a alíquota de 15%, excluídas as deduções e reduções (fls.476/479). Todavia, o direito ao referido incentivo fiscal não foi reconhecido, motivando, em razão disso, a apresentação do mencionado PERC; este, por sua vez, veio a ser indeferido em 05/09/2008, por meio do Parecer/Despacho Decisório de fls. 407/408, sob a seguinte fundamentação, verbis: “(...) Feita nova análise da regularidade fiscal, foi constatado que ainda havia pendências impeditivos a liberação do Incentivo, conforme consta no relatório à pagina 407. Tendo em vista que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficiário fiscali relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, Fl. 544DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10830.003247/200662 Acórdão n.º 120100.480 S1C2T1 Fl. 527 3 fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais (Lei 9069/95, art. 60), proponho que o processo de PERC — Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, do exercício de 1999, seja indeferido. (...)”. E citado Parecer/Despacho Decisório, por meio da Intimação nº 6426/2008 (fls. 411), veio a ser levado a conhecimento do contribuinte em 19/11/2008 (fls. 411v) que, com o mesmo não concordando apresentou, em 04/12/2008, por meio de seus representantes legais (fls. 451/453), Manifestação de Inconformidade (fls. 417/424) e anexos, alegando, em síntese, que: • a proposta de indeferimento da concessão do benefício se lastreou na alegada existência de pendências junto a SRF e a PGFN, fundamentandoa no disposto pelo art. 60 da Lei nº 9065/95. Em verdade, os supostos créditos estão com a exigibilidade suspensa, conforme prescreve os artigos 14, 15 e 16 do Decreto n g 70.235/72, combinados com o artigo 145, III, combinado com o inciso VIII, do artigo 140, todos do Código Tributário Nacional.; • tal alegação, além de amparada nos dispositivos retro, também se encontra escora em jurisprudência do Conselho de Contribuintes (reconhecimento deferido a empresa do mesmo grupo econômico do qual faz parte a Manifestante), que não vem aceitando o alcance do artigo 60 da Lei n 9 9.069/95, que a Receita Federal quer dar em suas decisões. E se a exigibilidade encontrase suspensa, não se pode falar em débito; • a decisão ora recorrida contraria, portanto, o entendimento majoritário da jurisprudência administrativa. Dessa forma, a concessão do benefício se impõe, visto que o presente se assemelha aqueles referidos acima, tendo a mesma causa e o mesmo incentivo fiscal; • e a situação da manifestante, tanto perante a Receita Federal como junto a Procuradoria Fazendária está regular, conforme se constata pela CERTIDÃO CONJUNTA POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA, expedida em 31/10/2008 (doc. 05).; • o Parecer que indeferiu a aplicação é, portanto, nulo, visto que manifestado sem que tenha dirimido ponto relevante da questão, a existência de garantias dadas nas exigências apontadas, o que, certamente, dariam dar (sic) outro rumo à decisão.; • aquele ato decisório não pode, e nem deve ser convalidado, uma vez que fere diretamente os princípios constitucionais, ao privar a manifestante de seu legítimo direito garantido pela CF/88. Cita doutrina, concluindo por repetir que o citado despacho decisório, que obstou a aplicação da manifestante em Fl. 545DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10830.003247/200662 Acórdão n.º 120100.480 S1C2T1 Fl. 528 4 Fundo de Investimento, não pode, nem deve receber guarida, porque a priva de seu direito, além de conflitar com jurisprudência do CC, ao limitar a interpretação da abrangência do art. 60 da Lei nº 9.069/95. Pleiteia, ao final, que seja rejeitado o Parecer/Despacho Decisório combatido, bem como que se conceda o direito a Manifestante de receber as quotas de aplicação dos Fundos de Investimento, uma vez que está demonstrada a regular situação perante a Receita Federal e a Procuradoria da Fazenda. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 480 a 484) negou provimento à defesa pelos motivos a seguir expostos. No entender da autoridade julgadora de primeiro grau, a regularidade fiscal deve ser aferida no instante da decisão. Desse modo, em razão das irregularidade relacionadas na fl. 407, o pedido foi corretamente indeferido. Antes da decisão, o contribuinte possuía certidão conjunta de débitos de tributos federais e da dívida ativa, mas permanece pendente de comprovação a regularidade atinente ao FGTS e ao INSS. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 486 a 499, mediante o qual aduz as razões que todos os débitos apontados pela autoridade estão suspensos, o que foi comprovado no curso do processo e, mais uma vez, no presente recurso pela apresentação das certidões negativas ou positivas com efeito de negativa; É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes DOS SUPOSTOS FATOS IMPEDITIVOS Antes de nos debruçarmos sobre os fatos que levaram às duas autoridades – a local e a julgadora de primeiro grau – a indeferir o pedido, vale transcrever a dicção da Súmula CARF nº 37 de aplicação obrigatória por este Colegiado, in verbis: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Fl. 546DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10830.003247/200662 Acórdão n.º 120100.480 S1C2T1 Fl. 529 5 Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº. 70.235/72. Mesmo antes da edição dessa súmula, eu, alinhado com a jurisprudência da época, já entendia que somente os débitos contemporâneos ao pedido impediam a sua concessão, como decidi, por exemplo, nos autos do processo nº 10768.014101/9962, cuja ementa transcrevo abaixo: INCENTIVOS FISCAIS PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS – somente débitos não regularizados da pessoa jurídica originalmente interessada e contemporâneos à entrega da declaração de rendimentos impedem o deferimento ao pedido de revisão da ordem de emissão de incentivos fiscais. Débitos posteriores ou relativos à incorporadora não valem de fundamento para o indeferimento do pedido. Ao analisar o despacho decisório, bem como a intimação para solução de irregularidade de fl. 198, constatei que o indeferimento não teve, como uma das razões, débitos de contribuições previdenciárias (INSS). Assim, restam as pendências relativas ao FGTS, em relação às quais não podemos garantir a sua regularidade. A única certidão apresentada (fl. 377) relativa ao CNPJ da incorporada (CNPJ nº 95.424.479/000108) não comprova a regularidade de FGTS, cuja comprovação foi solicitada pela autoridade local e reafirmada pela decisão de primeiro grau. No recurso voluntário, também não trouxe documento que comprovasse a regularidade em relação a essa exigência. Para não haver qualquer dúvida, pessoalmente, consultei o site www.caixa.gov.br com o CNPJ da incorporada e o resultado não foi de regularidade, conforme tela de pesquisa que reproduzo abaixo: Fl. 547DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10830.003247/200662 Acórdão n.º 120100.480 S1C2T1 Fl. 530 6 Dessarte, uma vez que o interessado não conseguiu comprovar, em nenhum momento processual, a sua regularidade fiscal, não faz jus ao incentivo fiscal. CONCLUSÃO Voto, pois, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 548DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME
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Numero do processo: 10783.904839/2009-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. Saldo credor reconhecido em diligência fiscal. Deve a unidade de origem, considerando o saldo credor legítimo comprovado em diligência fiscal, após confronto e análise dos débitos indicados, homologar a compensação.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-004.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento à preliminar de prescrição. Vencido o Conselheiro Marcelo Costa Marques D'Oliveira e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: Relator
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. Saldo credor reconhecido em diligência fiscal. Deve a unidade de origem, considerando o saldo credor legítimo comprovado em diligência fiscal, após confronto e análise dos débitos indicados, homologar a compensação. Recurso Voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento à preliminar de prescrição. Vencido o Conselheiro Marcelo Costa Marques D'Oliveira e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Granita Granitos Itabira Ltda. contra decisão proferida pela DRJ/JFA que, por unanimidade de votos, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a não homologação da compensação declarada nos PER/DCOMP n°: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 48 39 /2 00 9- 59 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10783.904839/200959 Acórdão n.º 3301004.589 S3C3T1 Fl. 240 2 · 31702.36470.010805.1.3.017868, · 39091.63860.150905.1.3.016743, · 22204.40862.150805.1.3.012901 e · 18459.74933.141005.1.3.018740. A Recorrente pleiteia a compensação de débitos próprios com o saldo credor de IPI do estabelecimento matriz relativo ao 1° trimestre do anocalendário de 2005, no montante de R$ 20.840,16, apurado segundo o art. 11 da Lei nº 9.799/1999. Por bem descrever os fatos, adoto parte do relatório do acórdão proferido pela DRJ/JFA: A análise da petição do interessado se deu por via eletrônica, de que resultou o Despacho Decisório de fl. 09, com o deferimento do saldo indicado homologação parcial das compensações, fundamentandose o ato nos seguintes termos: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 20.840,16 Valor do crédito reconhecido: R$0,00 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao semestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP 31702.36470.010805.1.3.017868, 39091.63860.150905.1.3.016743, 22204.4082.150805.1.3.012901 e 18459.74933.141005.1.3.018740. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos individualmente compensados, para pagamento até 30/04/2009. Inconformado, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01/03, onde vem argumentando que houve erro do sistema na apuração do saldo credor apurado ao final do 1° trimestre de 2005 (que será o saldo credor de período anterior do mês de abril de 2005). Segundo alega, o saldo credor do livro de registro e apuração de IPI era de R$ 62.920,11, sendo que o sistema apurou um saldo de R$ 11.358,32. No seu entendimento essa diferença, transportada para os períodos de apuração subsequentes, teria feito com que o saldo credor apurado em junho de 2005 fosse reduzido para R$ 0,00, quando o correto deveria ser R$ 51.561,79. A utilização deste saldo, que entende ser o correto, provocaria a superação do motivo do indeferimento. Alega ainda, que tal erro teria sido ocasionado pelo preenchimento errado do formulário PER/DCOMP 39595.13730.311005.1.3.019009, que continha a informação que foi corrigida no formulário retificador 07551.88741.270509.1.7.010775. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10783.904839/200959 Acórdão n.º 3301004.589 S3C3T1 Fl. 241 3 Ao final vem solicitar o reconhecimento do crédito com a consequente homologação da compensação e a suspensão da cobrança até o julgamento definitivo dos recursos administrativos. A decisão proferida pela DRJ/JFA foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração 01/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO. APURAÇÃO DO SALDO CREDOR. CRÉDITO JÁ RESSARCIDO. EXCLUSÃO. O saldo credor já ressarcido deve ser excluído da apuração do saldo credor dos períodos posteriores sob pena de se apurar erroneamente o valor a ser ressarcido. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR QUE PERMANECE NA ESCRITA. UTILIZAÇÃO NA AMORTIZAÇÃO DE DÉBITOS. O saldo credor que permanece na escrita deve ser utilizado, prioritariamente, na amortização dos saldos devedores eventualmente apurados no decorrer do tempo em que esse saldo permaneceu na escrita sem que fosse solicitado o seu ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Os fundamentos do indeferimento citados pela DRJ foram: · O erro de preenchimento alegado pela Recorrente não tem relação com a divergência de saldos para o final de mês de junho/2005, qual seja, R$ 51.561,79 no PER/DCOMP e R$ 0,00 na apuração pelo Sistema de Controle de Créditos (SCC). Dessa forma, mesmo após o formulário retificador, as referidas informações (valores dos créditos e débitos do período anterior) permaneceram idênticas, não podendo, assim, causar divergências entre as informações. · O SCC já faz a exclusão dos valores deferidos em ressarcimento no final do trimestre a que se refere o saldo credor, não importando o momento em que o ressarcimento foi solicitado, o que evita o aproveitamento dos créditos em duplicidade. · O saldo credor de período anterior da 1ª quinzena de janeiro/2004, que foi calculado pelo SCC, está correto, pois expurgou da apuração os valores que foram considerados deferidos para o 1°, 2° e 3° trimestres do ano de 2003, resultando, após a adição dos créditos e subtração dos débitos dos períodos de apuração envolvidos, no saldo R$ 0,00 para o mês de junho/2005. · O indeferimento do valor solicitado em ressarcimento ocorreu devido à existência de elevados lançamentos a débito no período de apuração de março e junho de 2005. Em seu recurso voluntário, a empresa alega: Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10783.904839/200959 Acórdão n.º 3301004.589 S3C3T1 Fl. 242 4 · O saldo inicial correto para o mês de janeiro de 2005 é de R$ 189.345,26, e não o valor de R$ 11.358,32 conforme informado no despacho decisório. · Os débitos informados na DCOMP sob análise estão prescritos, visto que a simples declaração de compensação não tem o condão de suspender o prazo prescricional. Dessa forma, os débitos estão prescritos desde 31.10.2010, o que impediria a cobrança destes, no caso de restar algum débito pendente. A Recorrente juntou ao seu recurso voluntário seu livro de apuração do IPI, que demonstra que nos DCOMPs e Livro de IPI para o período janeiro a março de 2005, há divergência entre o valor escriturado no livro e o valor declarado na DCOMP nº 31702.36470.010805.1.3.017868. No Livro de IPI não há débitos para o período em análise, no entanto, a DCOMP mostra débitos para o mesmo período. A 2ª Câmara da 2ª Turma Ordinária converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 3202000.084) para que fosse apurada a composição dos valores utilizados pela DRJ/JFA para determinar a suficiência ou não de créditos, com a consequente homologação ou não da DCOMP. Para tanto, a DRF competente deveria informar com precisão a origem e a formação dos saldos credores, com a apresentação de planilhas, cálculos, e as telas extraídas dos sistemas da Receita Federal, em especial, o sistema SCC. A diligência foi cumprida, remetese às planilhas produzidas pela DRF juntadas às fls. 190/195. Sobre o resultado da diligência, a empresa não se manifestou. Esta Turma de Julgamento converteu novamente o feito em diligência, Resolução n° 3301000.295, para que a unidade de origem esclarecesse a existência de saldo credor para o 1º Trimestre de 2015, o montante e se referidos créditos são suficientes para homologação da compensação declarada nas Dcomps objetos deste processo. O novo relatório fiscal consta nas efls. 226232. Sobre a segunda diligência, a Recorrente também não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Em primeiro lugar, quanto à alegação de prescrição, aduz a Recorrente que o período compreendido entre a apresentação do Dcomp e a ciência do despacho decisório, não suspende o prazo prescricional. Entende que a matéria em litígio estaria fulminada pela prescrição, nos termos do art. 174 do CTN, da Súmula Vinculante do STF nº 8 e da Súmula nº 409 do STJ. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10783.904839/200959 Acórdão n.º 3301004.589 S3C3T1 Fl. 243 5 Entendo que não assiste razão ao contribuinte, pois o art. 174 e a Súmula 409 referemse à prescrição do fisco para cobrança judicial de crédito tributário já constituído. Ao passo que a Súmula Vinculante do STF nº 8 referese à inconstitucionalidade dos art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 por tratarem de matéria sujeita a lei complementar (CTN). O que se discute nestes autos é a homologação de compensação efetuada pelo contribuinte, estando a presente discussão sujeita ao disposto no art. 151 do CTN. Não há constituição definitiva de créditos que ensejem a propositura de execução fiscal. Logo, há que ser indeferida a preliminar de prescrição. Quanto ao mérito da discussão, cumpre salientar que, no despacho da primeira diligência, a DRF assim se manifestou: (...) intimamos o contribuinte a apresentar o livro RAIPI e as notas fiscais de saídas do 1º e 2º trimestre de 2005, bem como informar a que se referiam os débitos informados nas PER/Dcomp e, caso estes valores não estivessem escriturados no livro RAIPI, que justificasse o porquê desta omissão. O contribuinte apresentou resposta à intimação com a informação de que os débitos constantes nos PER/Dcomp referiamse aos tributos compensados nas PER/Dcomp nº 28680.79175.300705.1.3.016310, 17077.49369.300705.1.3.01 7979, 41627.35357.300705.1.3.017185 e 31702.36470.010805.1.3.017868, que haviam sido estornados indevidamente nos meses de competência de cada tributo. Analisando o livro RAIPI apresentado, verificamos que não há informação de débitos de IPI para o período analisado. As notas fiscais de saídas também não possuem valores de IPI destacado, pois se referem à saída de produtos exportados ou de produtos não tributados. Verificamos também que a alegação do contribuinte de que os débitos informados nos PER/Dcomp referiamse aos tributos compensados em outros PER/Dcomp é consistente. Desta forma, concluímos que o contribuinte efetivamente equivocouse a informar os débitos nos PER/Dcomp. Por fim, visando cumprir o solicitado pelo CARF, anexamos três demonstrativos ao processo. O 1º demonstra a composição dos saldos do contribuinte a partir das informações do próprio contribuinte nos PER/Dcomp. O 2º demonstra a composição dos saldos do contribuinte feita pelo SCC. O 3º demonstra a composição dos saldos do contribuinte feita pelo SCC, mas com os ajustes (exclusão) dos débitos informados indevidamente pelo contribuinte nos PER/Dcomp do 1º e 2º trimestre de 2005 (de acordo com os dados do SCC até a data da emissão do despacho decisório). Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10783.904839/200959 Acórdão n.º 3301004.589 S3C3T1 Fl. 244 6 Observandose o 3º demonstrativo trazido aos autos pela DRF, na primeira diligência, a apuração feita demonstra a suficiência de créditos, saldo credor, para o 1º Trimestre de 2015, todavia os valores apontados diferiam completamente daqueles apontados pelo contribuinte como corretos em sua defesa. Por essa razão, o feito foi convertido novamente em diligência, para nova demonstração do montante do crédito legítimo do contribuinte. Na segunda diligência, a autoridade fiscal ratificou o resultado da primeira, apontou erros na escrituração do contribuinte e, demonstrou a existência de saldo credor para o 1º Trimestre de 2015, bem como aduziu: Com base em tudo o que foi acima exposto, concluímos que o contribuinte possuía um direito creditório de R$ 25.840,16 referente ao ressarcimento de IPI do 1º trimestre de 2005 e que compensou um total de R$ 20.840,16, ou seja, inferior ao direito creditório apurado, e que os saldos de crédito até a data da apresentação do último PER/Dcomp era superior ao valor compensado. Ressaltamos que o fato do direito creditório ser superior ao valor compensado não implica em que o valor total compensado será homologado, pois a homologação dependerá de outros elementos, tais como, no caso de créditos tributários compensados após a seu vencimento, se foram acrescidos os encargos legais. Do exposto, deve ser reconhecido o direito creditório total de R$ 25.840,16, saldo credor, para o 1º Trimestre de 2015. Assim, deve a unidade de origem, considerando o crédito legítimo de R$ 20.840,16 que fora utilizado e, após confronto e análise dos débitos indicados pelo contribuinte nos PER/DCOMP, homologar a compensação. Logo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10783.904839/200959 Acórdão n.º 3301004.589 S3C3T1 Fl. 245 7 Fl. 245DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.916958/2012-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/09/2010
JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA.
Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 29/09/2010
PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. PEDIDO COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Inexistindo prova capaz para infirmá-la, ainda que o contribuinte tenha sido provocado para tal providência pela decisão recorrida, mantém-se o que foi nesta foi decidido, em face da inexistência do crédito indicado no presente Per/Dcomp para acobertar débito nele confessado.
Numero da decisão: 3001-000.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/09/2010 PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. PEDIDO COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Inexistindo prova capaz para infirmála, ainda que o contribuinte tenha sido provocado para tal providência pela decisão recorrida, mantémse o que foi nesta foi decidido, em face da inexistência do crédito indicado no presente Per/Dcomp para acobertar débito nele confessado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 69 58 /2 01 2- 16 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10680.916958/201216 Acórdão n.º 3001000.539 S3C0T1 Fl. 184 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0955.686, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora DRJ/JFA que, em sessão de julgamento realizada no dia 26.11.2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado no Per/Dcomp 25267.24506.191211.1.3.040335. Da síntese dos fatos Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 82 a 86), verbis: Relatório Trata o presente processo da DCOMP eletrônica nº 25267.24506.191211.1.3.040335, transmitida com objetivo de declarar a compensação do(s) débito(s) nela apontado(s), com crédito no montante de R$ 4.049,88 proveniente de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins relativo a DARF no valor total de R$ 37.468,14 recolhido em 29/09/2010 e código de recolhimento 5856. A matéria foi objeto de análise dos elementos constitutivos do crédito pleiteado e, após as referidas verificações, foi proferida decisão por intermédio do Despacho Decisório eletrônico que concluiu: ... foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas contrarazões alegando: ... não há motivo para indeferimento da compensação pleiteada, vez que o que houve foi um erro meramente material, já corrigido por meio de retificação da DCTF. ... a MANIFESTANTE admite os erros que cometeu, tendo sido descumprido, de certa forma, o requisito previsto no § 1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Todavia, deve ser privilegiada, sempre que possível, a busca pela verdade material ..., uma vez que eventual preenchimento incorreto da PER/DCOMP ... ou da DCTF não retira, por si só, o direito de crédito ... Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10680.916958/201216 Acórdão n.º 3001000.539 S3C0T1 Fl. 185 3 É o relatório. Da ementa da decisão recorrida A 2ª Turma da DRJ/JFA, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/09/2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A inexistência de direito creditório impede a homologação da compensação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/09/2010 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, conforme depreendese do "TERMO DE CIÊNCIA E NOTIFICAÇÃO" (efls. 90/91) e Aviso de Recebimento AR (efls. 95/96), conheceu do teor do acórdão vergastado em 23.12.2014, razão pela qual, irresignado com a decisão recorrida, em 23.01.2015, registra a apresentação do presente recurso voluntário, é o que expressa o "TERMO DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA" (efls. 181). Do recurso voluntário Após ser cientificado da decisão vergastada, o recorrente comparece uma vez mais aos autos para, em sede de recurso voluntário (efls. 98 a 180), pleitear a reforma do referido acórdão de manifestação de inconformidade. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10680.916958/201216 Acórdão n.º 3001000.539 S3C0T1 Fl. 186 4 No entanto, destaquese, faz uso deste expediente recursal para tão somente reprisar os argumentos já tecidos em sede de manifestação de inconformidade; apresentando, afora a cópia da decisão recorrida, idêntica documentação, por entender tratarse de elementos de prova suficiente para o êxito em seu pleito. Do encaminhamento Em razão disso, na mesma data, ou seja, em 23.01.2015, os presentes autos ascenderam ao Carf (efl. 182), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo que, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017, este colegiado é competente para apreciar o presente feito. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado aos autos em 23.01.2015, depois da ciência do acórdão recorrido, ocorrida em 23.12.2014; portanto, a petição recursal é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Da jurisprudência administrativa Cabe esclarecer que, no que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos jurisprudenciais indicados pelo recorrente, somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do artigo 100 do Código Tributário Nacional CTN. Porém, não obstante essa observação, cabe aqui evidenciar que é assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente, entendimento este corroborado por robusta jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme exemplificam as seguintes ementas, verbis: DIREITO CREDITÓRIO RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO O sujeito passivo tem direito à restituição e/ou compensação de tributo pago/retido a maior que o devido em face da legislação tributária ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Entretanto, deve comprovar com documentos hábeis e idôneos o indébito efetivamente apurado. Recurso Voluntário Procedente em Parte (1º CC, 1ª Câmara, Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10680.916958/201216 Acórdão n.º 3001000.539 S3C0T1 Fl. 187 5 Rec. Voluntário nº 160140, Proc. nº 10283.001953/9814, Rel. Valmir Sandri, Acórdão nº 10197098, Sessão de 19/12/2008) COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVADA. A compensação de créditos tributários autorizada pela legislação fica condicionada à liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo com a Fazenda Pública. Ausência de prova cabal por parte do contribuinte da existência dos créditos compensados acarreta o indeferimento. Recurso provido em parte. (2º CC, 2ª Câmara, Rec. Voluntário nº 239449, Proc. nº 10580.012408/200436, Rel. Domingos de Sá Filho, Acórdão nº 20219119, Sessão de 02/07/2008") COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração contábil e fiscal e documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. (Acórdão 380302.491 3ª Turma Especial, Terceira Seção do CARF, processo administrativo 10467.902984/200988) Do mérito A 2ª Turma da DRJ/JFA proferiu decisão nos termos acima indicados, não reconhecendo o direito creditório pleiteado e não homologando a Per/Dcomp 25267.24506.191211.1.3.040335. Sintetizando os argumentos do recorrente, temos que defende a tese segundo a qual a apresentação do "Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais" Dacon e da "Demonstração de Débitos e Créditos Tributários Federais" DCTF, ambas retificadoras constituise em elementos de prova suficiente para comprovar a existência do crédito pleiteado. Não assiste razão ao recorrente. De outro modo, da decisão recorrida emergem trechos que infirmam o entendimento manifestado na presente petição recursal. De início, didaticamente, a relatora do voto condutor da decisão a quo pontua que o "processo trata de suposto excesso de pagamento de crédito tributário constituído por declaração do próprio contribuinte: a DCTF". Esclarece que a "apuração de tributos é realizada na contabilidade do contribuinte, sendo seu valor informado à Administração Tributária por meio de DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), declaração que constitui confissão de dívida nos termos do artigo 5º, § 1º, do Decretolei nº 2.124, de 1984, (...)". Ainda, de forma professoral, adverte que além "de confessar o débito nos valores constantes da DCTF, o contribuinte tomou a iniciativa de quitálo via pagamento do montante integral". Sendo que, em tais circunstâncias, "é incontestável que, segundo informações constantes da DCTF apresentada até a data entrega do PER/DCOMP e até a ciência do Despacho Decisório, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação". Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10680.916958/201216 Acórdão n.º 3001000.539 S3C0T1 Fl. 188 6 Diante desta premissa, a nobre relatora, de maneira absolutamente clara, concluiu que caberia "ao interessado a prova de que cometeu erro de preenchimento na DCTF original e que o valor efetivamente devido não é aquele declarado na DCTF", mas que, no entanto, nada "mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido". Finalizando sua apropriada linha de raciocínio, a relatora, em face das circunstâncias destes autos, assenta que "a DCTF retificadora foi entregue somente após a transmissão do PER/DCOMP e também após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação e, ainda, que não foram trazidos aos autos quaisquer elementos comprobatórios do crédito pleiteado, concluise que não há qualquer reparo a ser feito no Despacho Decisório sob análise e que não há direito creditório a ser reconhecido para a compensação pretendida". Além disso, não bastasse tudo o que já delineado, a relatora fez questão de ressaltar "que tanto a DIPJ como a Dacon tem natureza meramente informativa, não possuindo atributo de confissão de dívida". Portanto, constatase no caso ora sob exame que o acórdão recorrido, analisando em sua completude o conteúdo da manifestação de inconformidade que tratava da não homologação da compensação declarada, fez questão de esclarecer que não bastava ao contribuinte, para fins de averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, a trazida aos autos do "Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais" Retificador, referente ao mês/ano de apuração AGO/2010, recepcionado pelo Agente Receptor Serpro, em 13.06.2011, e da "Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais" Retificadora, também referente ao mês/ano de AGO/2010, recepcionado pelo Agente Receptor Serpro, em 30.11.2012, desacompanhado da escrituração contábil, dos documentos fiscais e/ou demais documentos hábeis e idôneos para comprovar o que constava registrado no Per/Dcomp 25267.24506.191211.1.3.040335. Neste contexto fático, faço absoluta questão de esclarecer que este Colegiado, atento à hodierna tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para o fim de acolher provas apresentadas nesta instância recursal, entende que para aplacarse tais regras, o comportamento do sujeito passivo é determinante. Melhor dizendo, estando o contribuinte, como é o caso em apreço, ciente dos motivos pelos quais os elementos de prova coligidos aos autos não foram considerados hábeis e suficientes para seu desiderato, era seu o dever demonstrar que envidou o esforço no sentido de sanar as lacunas probatórias aventadas na decisão recorrida. No entanto, o recorrente, ao manterse fiel à linha argumentativa, mesmo sabedor que o fundamento da decisão recorrida assentouse na ausência de documentos que corroborassem sua escrituração contábil fiscal, preferiu agir de forma não proativa, ao deixar de se empenhar em provar o direito que alega possuir, impedindo, in totum, que este julgador aventasse, quiçá, a hipótese de conversão deste julgamento em diligência, com supedâneo no novel princípio da cooperação, que atualmente tem redação implementada pelo artigo 6º da Lei nº 13.105, de 16.03.2015 Novo Código de Processo Civil, que afirma que "todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva". Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10680.916958/201216 Acórdão n.º 3001000.539 S3C0T1 Fl. 189 7 Em suma, constatase que no caso destes autos, o alegado indébito não foi correta e suficientemente demonstrado e provado. Estando o débito tributário formalmente constituído, para que se pudesse infirmálo seria necessária prova de sua inexatidão, pois, neste caso, o ônus da prova cabe ao interessado artigo 36 da Lei 9.784 de 31.01.1999 Lei de Procedimento Administrativo e inciso I do artigo 373 da Lei 13.105 de 16.032015 Código de Processo Civil CPC. Sem os devidos elementos de prova hábeis do direito creditório do recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN Lei 5.172 de 25.10.1966, mostrase impraticável desconstituir o que formalmente foi constituído, pelo próprio contribuinte, por meio da DCTF original e tempestivamente entregue. Dessa forma, entendo não haver qualquer reparo quanto à análise e consequente conclusão chegada pela instância a quo. Da conclusão Com estas considerações, voto por conhecer do Recurso Voluntário interposto, para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721725/2011-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Data do fato gerador: 01/07/2007
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTAS PESSOAS.
A evidência da interposição de pessoas no quadro societário da pessoa jurídica implica exclusão de ofício do Simples Nacional com efeitos retroativos ao mês da ocorrência, inclusive, inviabilizando a tributação dentro desta sistemática de tributação.
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. DISPONIBILIZAÇÃO DE TRABALHADORES. SERVIÇOS CONTÍNUOS. SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL.
A cessão de mão-de-obra caracteriza-se pela disponibilização de trabalhadores nas dependências do contratante, ou de terceiros, para a realização de serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação.
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL.
A falta de escrituração de pequena movimentação bancária no Livro Caixa, sem intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos, é insuficiente para justificar a exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional com fundamento no art. 29, inciso II, da Lei Complementar º 123, de 2006.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/07/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA.
Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo-fiscal.
ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02
Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1001-000.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Data do fato gerador: 01/07/2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTAS PESSOAS. A evidência da interposição de pessoas no quadro societário da pessoa jurídica implica exclusão de ofício do Simples Nacional com efeitos retroativos ao mês da ocorrência, inclusive, inviabilizando a tributação dentro desta sistemática de tributação. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. DISPONIBILIZAÇÃO DE TRABALHADORES. SERVIÇOS CONTÍNUOS. SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. A cessão de mão-de-obra caracteriza-se pela disponibilização de trabalhadores nas dependências do contratante, ou de terceiros, para a realização de serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. A falta de escrituração de pequena movimentação bancária no Livro Caixa, sem intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos, é insuficiente para justificar a exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional com fundamento no art. 29, inciso II, da Lei Complementar º 123, de 2006. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/07/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA. Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo-fiscal. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02 Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTAS PESSOAS. A evidência da interposição de pessoas no quadro societário da pessoa jurídica implica exclusão de ofício do Simples Nacional com efeitos retroativos ao mês da ocorrência, inclusive, inviabilizando a tributação dentro desta sistemática de tributação. CESSÃO DE MÃODEOBRA. DISPONIBILIZAÇÃO DE TRABALHADORES. SERVIÇOS CONTÍNUOS. SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. A cessão de mãodeobra caracterizase pela disponibilização de trabalhadores nas dependências do contratante, ou de terceiros, para a realização de serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. A falta de escrituração de pequena movimentação bancária no Livro Caixa, sem intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos, é insuficiente para justificar a exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional com fundamento no art. 29, inciso II, da Lei Complementar º 123, de 2006. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/07/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA. Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 17 25 /2 01 1- 11 Fl. 506DF CARF MF Processo nº 11516.721725/201111 Acórdão n.º 1001000.700 S1C0T1 Fl. 470 2 ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativofiscal. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02 Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Florianópolis (SC), mediante o Acórdão nº 0734.676, de 25/04/2014 (efls. 435/456), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos constam do original) Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 194, de 15/09/2011 (fls. 402), por meio do qual a empresa foi excluída do Simples Nacional, com efeitos a partir de 1º de julho de 2007 e com impedimento à nova opção até dezembro de 2012, conforme art. 29, § 1º, da Lei Complementar nº 123, de 2006, pelos seguintes motivos: a) por realizar cessão de mãodeobra e não comunicar à RFB a exclusão obrigatória; b) por ter sido constituída por interpostas pessoas; Fl. 507DF CARF MF Processo nº 11516.721725/201111 Acórdão n.º 1001000.700 S1C0T1 Fl. 471 3 c) pela falta de escrituração do livro caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária, caracterizando embaraço à fiscalização, consoante o disposto nos artigos 17, inciso XII, e 29, incisos I, II e IV, da Lei Complementar nº 123, de 2006. O referido Ato Declaratório foi expedido após representação fiscal em decorrência de constatações em auditoria desenvolvida na empresa, que teve como objeto a verificação do cumprimento das obrigações principais e acessórias contidas na legislação tributária, fiscal e previdenciária referentes à remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 07/2007 a 12/2009. Consta do relatório fiscal que foram identificadas pelo menos três situações que ensejavam a representação com vistas à exclusão de ofício do contribuinte do Simples Nacional, verbis (fls. 2 a 25): • Verificouse que a empresa, no período auditado, tinha como função precípua promover a cessão de mão de obra a terceiros, estes últimos empresas com sócios pertencentes à mesma unidade familiar que a Representada. A LAMINATEC, como única optante do SIMPLES Nacional dentre as empresas em questão, centralizava a mão de obra destinada a realizar os serviços de duas outras empresas: Incovisa Comércio Importação e Exportação Ltda. (CPNJ 07.756.543/000182) – doravante denominada INCOVISA – e Comercial de Vidros São Pedro Ltda. (CNPJ 83.285.585/000160) – doravante denominada COMERCIAL SÃO PEDRO. Assim que a empresa LAMINATEC passou a não estar vinculada ao regime tributário do SIMPLES Nacional, a mãodeobra foi transferida para as tomadoras de serviço do grupo, INCOVISA E COMERCIAL SÃO PEDRO (pois já não havia a vantagem em manter a mãodeobra na LAMINATEC); • Foram inseridas interpostas pessoas como sócios da LAMINATEC, no período onde foi constatada a mencionada cessão de mãodeobra (período auditado, julho de 2007 a dezembro de 2009). São eles os filhos dos proprietários das demais empresas, INCOVISA e COMERCIAL SÃO PEDRO. Assim que a empresa LAMINATEC passou a não estar vinculada ao regime tributário do SIMPLES Nacional, o quadro societário se restabeleceu, voltando a serem sócios, também da LAMINATEC, os proprietários da INCOVISA e da COMERCIAL SÃO PEDRO (já que a vedação imposta pelo SIMPLES Nacional –Lei Complementar n° 123, Art. 3°, § 4°, IV2 não fazia mais sentido); • Restou configurado que a LAMINATEC não informou a totalidade de sua movimentação financeira. Em 2007, os valores recolhidos a título de Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) trazem montantes não contabilizados.(grifos originais) [...] No citado relatório fiscal consta também a fundamentação legal e fática, acompanhada de documentos, gráficos e análises detalhadas que determinariam a exclusão obrigatória do contribuinte do Simples Nacional, a partir de julho de 2007, com impedimento à opção até dezembro de 2012, nos termos do artigo 29, § 1º, da Lei Complementar nº 123, de 2006. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade contra a sua exclusão do Simples Nacional, alegando, em síntese, que (fls. 414 a 421):As empresas Wilbert e Carmina são tributadas por regimes diferentes: A primeira obedece ao Simples Nacional, enquanto a Carmina é tributada pelo lucro presumido. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 11516.721725/201111 Acórdão n.º 1001000.700 S1C0T1 Fl. 472 4 · A realidade fática era diversa da narrada no relatório fiscal, pois a empresa foi constituída em 1987 e exerceu suas atividades até 2004, quando os proprietários, Sr. Carlos Alberto Ribeiro de Souza e sua esposa, Sra. Aseli Nieheus de Souza, resolveram encerrar suas atividades de varejo e se dedicar exclusivamente à importação de vidros e vendas no atacado; · Por solicitação do filho dos proprietários, Sr. Carlos Alberto de Souza Junior, resolveram continuar as atividades e ele ingressou na sociedade no início de 2005 para ir aprendendo sua nova tarefa de administrar a empresa; · Posteriormente, em outubro de 2005, a filha do casal, Sra. Kelly Cristina de Souza, ingressou como sócia da Laminatec e o casal se retirou do quadro societário para que pudesse realizar, exclusivamente, a importação de chapas de vidro, máquinas e equipamentos para vidros, o que se daria com a criação da empresa Incovisa, no mês seguinte; · Em meados de 2007, a Incovisa e a empresa Comercial São Pedro (ambas de propriedade do Sr. Carlos Alberto Ribeiro de Souza e sua esposa, Sra. Aseli Nieheus de Souza), passaram a ter um maior volume de vendas fracionadas, e a Laminatec passou a prestar serviços a elas de forma terceirizada; · A abertura e o fracionamento das cargas importadas eram realizados pela Laminatec que manobrava as carretas com a utilização dos cavalinhos da empresa Incovisa; · Tal procedimento justificaria a necessidade de a Laminatec manter em seu quadro de funcionários vários motoristas para manobrar os caminhões e as carretas da Incovisa; · Não merece prosperar a informação do AuditorFiscal de que os funcionários da Laminatec eram influenciados pelo volume de negócios da Incovisa; · Com relação à localização das empresas, alega que, em função dos serviços realizados pela Laminatec, dependese de grandes espaços físicos para manobra, posicionamento, carga e descarga de conteiners, motivo pelo qual a Incovisa, convenientemente, estabeleciase próxima da Laminatec; · Não seria plausível imaginar que os sócios da Incovisa e da Comercial São Pedro, pais dos sócios da Laminatec, deixassem de prestigiar os filhos com a contratação de outra empresa para lhes prestar serviço; · Não é possível se admitir como prova de cessão de mãodeobra somente a proximidade das empresas; · A alegação de interposta pessoa na sociedade não teria existido; · O Sr. Carlos Alberto de Souza Junior, desde o seu ingresso na sociedade da Laminatec, desenvolveu atividades relativas à execução dos serviços, deixando as atividades administrativas a cargo de sua sócia/irmã Kelly, que sempre contou com o auxílio da mãe no desenvolvimento de suas atividades, que era experiente naquela atividade; · A Sra. Aseli Nieheus de Souza, mãe dos então sócios da Laminatec, é pessoa de índole inquestionável e foi sim procuradora de seus filhos recém empresários, sempre que os mesmos precisaram ela os auxiliava, quer Fl. 509DF CARF MF Processo nº 11516.721725/201111 Acórdão n.º 1001000.700 S1C0T1 Fl. 473 5 disponibilizando recursos, quer emprestando seu nome, quer sendo procuradora de todas as necessidades de seus filhos; · É injusta a afirmação do AuditorFiscal relativamente à ocultação da movimentação financeira de uma contacorrente esquecida pela administração da Laminatec, pois ela havia solicitado o encerramento e lá depositou o valor solicitado pelo gerente na época; · O Ato Declaratório de Exclusão do Simples Nacional não estaria fundamentado, pois se limitou a transcrever conclusões equivocadas constantes do relatório fiscal, sem atacar especificamente o mérito, e que isso ofenderia o devido processo legal; · Teria havido ofensa aos Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade, pois o relatório fiscal e a decisão que a excluiu do Simples Nacional seriam incoerentes e desarrazoados. Ao final, requer sua manutenção no Simples Nacional, com a revogação do ADE que a excluiu daquele regime especial de tributação. É o relatório. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a exclusão do Simples Nacional "por realizar cessão de mãodeobra e não comunicar à RFB a exclusão obrigatória e por ter sido constituída por interpostas pessoas". Ciente da decisão de primeira instância em 14/05/2014, conforme Aviso de Recebimento à efl. 460, a recorrente apresentou recurso voluntário em 12/06/2014 (efls. 470/483), conforme carimbo à efl. 470. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade (efls. 470/483), ou seja, em suma, alega "que não há nenhuma prova cabal da interposição fraudulenta de pessoas"; "que a fraude ou simulação não podem ser presumidas" e que a cessão de mãodeobra "não corresponde a realidade fática". Ou seja, tratase de uma repetição dos argumentos utilizados na manifestação de inconformidade, que foram fundamentadamente afastados em primeira instância. Fl. 510DF CARF MF Processo nº 11516.721725/201111 Acórdão n.º 1001000.700 S1C0T1 Fl. 474 6 Neste sentido, com base no disposto no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF, por concordar com todos os seus termos e conclusões, adoto as razões de decidir do colegiado a quo, cujos excertos do voto transcrevo a seguir, completandoo ao final: (grifos constam do original) Conforme relatado, o contribuinte foi excluído do Simples Nacional, mediante Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 194, de 15/09/2011, partir de 1º de julho de 2007 e com impedimento à nova opção até dezembro de 2012, pelos seguintes motivos: por realizar cessão de mãodeobra e não comunicar à RFB a exclusão obrigatória; por ter sido constituída por interpostas pessoas, e pela falta de escrituração do livro caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária, caracterizando embaraço à fiscalização, consoante o disposto nos artigos 17, inciso XII, e 29, incisos I, II e IV, da Lei Complementar nº 123, de 2006. O contribuinte, por sua vez, alega que a motivação para tal exclusão do Simples Nacional é improcedente. Inicialmente serão transcritos a seguir os dispositivos da Lei Complementar nº 123, de 2006, que embasaram a Representação Fiscal e o Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 194, de 2011, que excluiu o contribuinte do Simples Nacional: [...] Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideramse microempresas ou empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: [...] § 4º Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: [...] III de cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empresário ou seja sócia de outra empresa que receba tratamento jurídico diferenciado nos termos desta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; IV cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa não beneficiada por esta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; V cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; [...]§ 6º Na hipótese de a microempresa ou empresa de pequeno porte incorrer em alguma das situações previstas Fl. 511DF CARF MF Processo nº 11516.721725/201111 Acórdão n.º 1001000.700 S1C0T1 Fl. 475 7 nos incisos do § 4º, será excluída do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, bem como do regime de que trata o art. 12, com efeitos a partir do mês seguinte ao que incorrida a situação impeditiva. [...] Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] XII que realize cessão ou locação de mãodeobra; [...] Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; II for oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar, e nas demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública; [...] IV a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas; [...] § 1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. [...] Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: [...] II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou [...] § 1º A exclusão deverá ser comunicada à Secretaria da Receita Federal: [...] II na hipótese do inciso II do caput deste artigo, até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que ocorrida a situação de vedação; [...] Fl. 512DF CARF MF Processo nº 11516.721725/201111 Acórdão n.º 1001000.700 S1C0T1 Fl. 476 8 Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: [...] II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; [...] Consta do relatório fiscal que foram identificadas pelo menos três situações que ensejavam a representação com vistas à exclusão de ofício do contribuinte. Analisaremos a seguir, então, os fatos narrados pela Administração Tributária e os argumentos de defesa trazidos aos autos (fls. 2 a 25): 1) Da constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas: Analisandose os atos impugnados, verificase que a DRF/Florianópolis procedeu à exclusão do Simples Nacional, entre outros motivos, pela constatação de que a empresa Laminatec Comércio de Vidros e Laminados Ltda teria sido constituída por interpostas pessoas. Tal fato afronta ao disposto no artigo 29, inciso IV, da Lei Complementar nº 123, de 2006, retrotranscrito. O conceito jurídico de simulação encontrase bem delimitado por De Plácido e Silva, entendendose esta como: [...] o artifício ou o fingimento na prática ou na execução de um ato, ou contrato, com a intenção de enganar ou de mostrar o irreal como verdadeiro, ou lhe dando aparência que não possui [...] No sentido jurídico, sem fugir ao sentido normal, é o ato jurídico aparentado enganosamente ou com fingimento, para esconder a real intenção ou para subversão da verdade. Na simulação, pois, visam sempre os simuladores a fins ocultos para engano e prejuízo de terceiros” (Silva, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. Ed. Forense, 1990). Luciano Amaro complementa que “a simulação seria reconhecida pela falta de correspondência entre o negócio que as partes realmente estão praticando e aquele que elas formalizam.” (Amaro, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 13ª Ed. Saraiva, 2007, p. 231) Ou seja, simular, no âmbito jurídico, significa aparentar algo que não existe, devendo, ainda, estar presente o aspecto volitivo, qual seja o intuito de provocar prejuízos a terceiros. A autoridade fiscal, ao verificar que o sujeito passivo utilizouse de simulação para esquivarse do pagamento de tributo, tem o dever de aplicar a legislação tributária de acordo como os fatos efetivamente ocorrem, em detrimento daquela verdade jurídica aparente. Ives Gandra e Paulo Lucena defendem esta posição, ressaltando que: No campo do direito tributário, portanto, a verdade material prevalece sobre a estrutura jurídica de direito privado adotada para encobrir a real intenção das partes, não obstante esta possa até ser válida, sob o prisma formal (Martins, Ives Gandra da Fl. 513DF CARF MF Processo nº 11516.721725/201111 Acórdão n.º 1001000.700 S1C0T1 Fl. 477 9 Silva e Menezes, Paulo Lucena de. Elisão Fiscal, em Revista Dialética de Direito Tributário nº 63, dezembro de 2000, p. 159) Caracterizado que a forma jurídica adotada não reflete o fato concreto, o fisco encontrase autorizado “a determinar os efeitos tributários decorrentes do negócio realmente realizado, no lugar daqueles que seriam produzidos pelo negócio retratado na forma simulada pelas partes” (Amaro, Luciano, ob. cit., p. 233/234) Esta determinação de efeitos tributários, no âmbito da legislação do Simples Nacional, impõe que, em sendo constatado que a constituição de pessoa jurídica ocorreu por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas, tratandose de ato ou negócio jurídico simulado, esta pessoa jurídica deve ser excluída do Simples. Uma questão a ser dirimida é a de se saber se houve, no procedimento fiscal, comprovação material da infração e, para tanto, algumas considerações iniciais acerca de direito probatório, ou mais especificamente sobre como se chega à comprovação material de um dado fato, são necessárias. Na busca pela verdade material, princípio este informador do processo administrativo fiscal, a comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma de duas vias: ou por uma prova única, direta, concludente por si só, ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. Não há, em sede de processo administrativo, uma hierarquização préestabelecida dos meios de prova, sendo perfeitamente regular o estabelecimento da convicção a partir do cotejamento de elementos de variada ordem, desde que estejam estes, por óbvio, devidamente juntados ao processo. É a consagração da chamada prova indiciária, de largo uso no direito. A comprovação fática do ilícito raramente é passível de ser produzida por uma prova única, isolada; aliás, só seria possível, praticamente, a partir de uma confissão expressa do infrator, coisa que dificilmente se terá, por mais evidentes que sejam os fatos. O uso de indícios não pode ser confundido com a utilização de presunções legais. Diferem a presunção e o indício pela circunstância de que àquele o direito atribui, isoladamente, o vigor de um verdadeiro conformador de uma outra situação de fato que a lei presume, por uma aferição probabilística que ocorra no mais das vezes. Já o indício não tem esta estatura legal, uma vez que a ele, isoladamente, pouca eficácia probatória é dada, ganhando ele relevo apenas quando, olhado conjuntamente com outros indícios, transfere a convicção de que apenas um resultado fático seria verossímil. Fazse necessário lembrar que no direito administrativo tributário é permitido, em princípio, todo meio de prova, uma vez que não há limitação expressa, ressaltando que predominam a prova documental, a pericial e a indiciária. Pois é exatamente a associação da primeira com a última que se permite concluir a respeito da correção e validade do lançamento. Desta forma, as provas indiretas – indícios e presunções simples – podem ser instrumentos coadjuvantes do convencimento da autoridade julgadora quando da apreciação do conjunto probatório do processo administrativo tributário. As presunções legais ou absolutas independem de prova, assim como a ficção jurídica. As presunções relativas admitem prova em contrário. As presunções simples devem Fl. 514DF CARF MF Processo nº 11516.721725/201111 Acórdão n.º 1001000.700 S1C0T1 Fl. 478 10 reunir requisitos de absoluta lógica, coerência e certeza para lastrear a conclusão da prova da ocorrência do fato gerador de tributo. Alberto Xavier, em “Do lançamento. Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário”, Ed. Forense, 2ª ed., 1998, pág. 133, ao tratar das presunções e da verdade material, assim se pronuncia: A questão está em saber se os métodos probatórios indiciários, aí aonde são autorizados a intervir, são, em si mesmo, compatíveis com o princípio da verdade material. Nos casos em que não existe ou é deficiente a prova direta pré constituída, a Administração Fiscal deve também investigar livremente a verdade material. É certo que ela não dispõe agora de uma base probatória fornecida diretamente pelo contribuinte ou por terceiros; e por isso deverá ativamente recorrer a todos os elementos necessários à sua convicção. Tais elementos serão, via de regra, constituídos por provas indiretas, isto é, por fatos indiciantes, dos quais se procura extrair, com o auxílio de regras da experiência comum, da ciência ou da técnica, uma ilação quanto aos fatos indiciados. A conclusão ou a prova não se obtém diretamente, mas indiretamente, através de um juízo de relacionação normal entre o indício e o tema da prova. Objeto de prova em qualquer caso são os fatos abrangidos na base de cálculo (principal ou substituta) prevista na lei: só que a verdade material se obtém de modo direto e nos quadros de um modo indireto, fazendo intervir ilações, presunções e juízos de probabilidade ou de normalidade. Tais juízos devem ser, contudo, suficientemente sólidos para criar no órgão de aplicação do direito a convicção da verdade. Esclarecese que a situação em comento não tem relação com o previsto no artigo 148 do CTN, que se refere à definição da base de cálculo de um lançamento tributário por meio de técnicas de aferição indireta. Aqui, o que se quer é definir, comprovar a existência de uma situação por meio de provas indiciárias que permitem alcançar a uma conclusão distinta daquela verdade aparente demonstrada nos atos negociais vistos sob seu aspecto meramente formal. Feitas estas considerações, podese voltar ao caso concreto que aqui se tem, analisandose os fatos trazidos pelas partes. A Laminatec foi constituída em 1987, tendo como proprietários até 2005 o Sr. Carlos Alberto Ribeiro de Souza e sua esposa, Sra. Aseli Nieheus de Souza. Em 2005 eles teriam se retirado da sociedade, cujos novos sócios seriam os seus filhos Carlos Alberto de Souza Junior e Kelly Cristina de Souza. Logo em seguida, ainda em 2005, o Sr. Carlos Alberto Ribeiro de Souza e sua esposa, Sra. Aseli Nieheus de Souza, criaram a empresa Incovisa Comércio Importação e Exportação Ltda. Eles já eram proprietários também da empresa Comercial de Vidros São Pedro Ltda. Após a referida alteração no quadro societário, a Laminatec se enquadrou no Simples e ficou no regime especial de tributação até o início de 2010, quando se fez Fl. 515DF CARF MF Processo nº 11516.721725/201111 Acórdão n.º 1001000.700 S1C0T1 Fl. 479 11 o caminho inverso: o Sr. Carlos Alberto Ribeiro de Souza e a Sra. Aseli Niehues de Souza voltaram a ser sóciosadministradores da Laminatec, e a Sra. Kelly Cristina foi retirada da sociedade. Com efeito, o conjunto de provas indiciárias sustentam que o Sr. Carlos Alberto Ribeiro de Souza e a Sra. Aseli Niehues de Souza não se afastaram da administração da Laminatec no referido período de 2005 a 2010. Tais alterações contratuais seriam simuladas para que a Laminatec pudesse ingressar no Simples, pois a Incovisa não poderia ter as mesmas pessoas físicas que a Laminatec como sócias, sob pena desta última ser excluída do Simples. Assim, a solução encontrada foi colocar interpostas pessoas no quadro societário da Laminatec, de forma a não incorrer na vedação expressa. A Fiscalização verificou, em farta documentação, provas de que a Sra. Aseli Niehues de Souza era quem efetuava o controle financeiro da Laminatec, realizando pagamentos, assinando cheques da Laminatec, sendo responsável também pela contratação de pessoal daquela empresa, mesmo não tendo nenhum tipo de vínculo com aquela pessoa jurídica. Constatouse, por exemplo, nas Fichas de Registro de Empregados, que era a Sra. Aseli Niehues de Souza a pessoa responsável pela contratação. Constatouse, também, que houve cessão de mãodeobra da Laminatec às outras duas empresas da unidade familiar, a Incovisa Comércio Importação e Exportação Ltda e Comercial de Vidros São Pedro Ltda. Tal motivo de exclusão do Simples Nacional será analisado no item 2 “Da Exclusão de ofício por realizar cessão de mãodeobra”. Estes fatos compreendem indícios fortes de que o Sr. Carlos Alberto Ribeiro de Souza e a Sra. Aseli Niehues permaneceram na sociedade da Laminatec também no período de 2005 a 2010. Tais fatos são corroborados, inclusive, pela própria interessada em sua Manifestação de Inconformidade, ao afirmar: [...]Ora, o que se tem aqui nem de longe se configura em interposta pessoa e sim, atos praticados por uma mãe que sempre trabalhou em prol do sustento de sua família no ramo de vidro, e estar sempre disponível para auxiliar nas atividades que sempre desempenhou com esmero, auxiliando os filhos que tanto a estavam orgulhando por seguirem seus passos. Pessoa de índole inquestionável e sim procuradora de seus filhos recém empresários, sempre que os mesmos precisaram a mesma os auxiliava, quer disponibilizando recursos, quer emprestando seu nome, quer sendo procuradora de todas as necessidades de seus filhos. (grifei) Não pode uma mãe ser penalizada por (i) prestar seu tempo e auxílio a seus filhos, (ii) por não vislumbrar a barreira de serem empresários ser barrada pelas circunstância do mercado, (iii) pela exclusão do simples que lhe lança uma pesada carga tributária da qual nunca deixou de pagar. [...] Fl. 516DF CARF MF Processo nº 11516.721725/201111 Acórdão n.º 1001000.700 S1C0T1 Fl. 480 12 É lisonjeável que os pais auxiliem seus filhos em todas as suas necessidades. Entretanto, tais atos não podem resultar infração à legislação tributária com atos simulados para se pagar menos tributos. Observese que o Sr. Carlos Alberto Ribeiro de Souza e a Sra. Aseli Niehues de Souza poderiam ter permanecido na administração e no quadro societário da Laminatec em 2005, juntamente com os filhos, e assim não precisariam emprestar o nome ou atuado como procuradores na administração da Laminatec no período fiscalizado. Tal fato, entretanto, implicaria na vedação da opção da Laminatec pelo Simples Nacional, nos termos da legislação retrocitada, por possuir sócios que tinham participação na Incovisa que possuía receita bruta superior aos limites legais para se optar por aquele regime especial de tributação. Sabese que o contrato de mandato está previsto no Código Civil, entretanto, na situação ora demonstrada, verificase não se tratar de “mera” outorga de procuração, mas sim, da constituição de empresa com interpostas pessoas, utilizandose de forma simulada do contrato de mandato, para atribuir aos proprietários de fato a gestão de sua própria empresa, constituída em nome de terceiros unicamente com o fim de obter favores fiscais de inclusão no Simples Nacional. Posto isso, entendo ser procedente a exclusão do Simples Nacional em relação ao sujeito passivo ter sido constituído por interpostas pessoas. 2) Da Exclusão de ofício do Simples Nacional por realizar cessão de mão deobra: Consta do relatório fiscal que a empresa, no período auditado, tinha como função precípua promover a cessão de mãodeobra a terceiros, estes últimos empresas com sócios pertencentes à mesma unidade familiar que a Representada. A Laminatec, como única optante do Simples Nacional dentre as empresas em questão, centralizava a mãodeobra destinada a realizar os serviços de duas outras empresas: Incovisa Comércio Importação e Exportação Ltda e Comercial de Vidros São Pedro Ltda. Tal procedimento estaria vedado para permanecer no Simples Nacional, conforme art. 17, XII, da Lei Complementar nº 123, de 2006. Foi constatado durante o procedimento fiscal que a maioria dos trabalhadores utilizados nas empresas Incovisa e Comercial São Pedro (ambas de propriedade dos exsócios da Laminatec e pais dos dois então sócios da Laminatec) possuía documentalmente seu vínculo estabelecido com a Laminatec. Constatouse que não era para atender às demandas de serviço da Laminatec que aqueles trabalhadores existiam, mas sim para prover a Incovisa e Comercial São Pedro. Tal conclusão resultou da análise da variação do número de empregados das três empresas; empregados contratatos pela Laminatec para exercerem funções incompatíveis com as atividades daquela empresa; análise das notas fiscais emitidas pela Laminatec; local de prestação de serviços; relação entre massa salarial e receita bruta e das atividades das empresas, conforme relatado pela AuditoriaFiscal: [...] a) Variação do número de segurados: o gráfico abaixo procura reproduzir a variação do número de segurados das empresas INCOVISA e LAMINATEC, as quais, tradicionalmente, ocuparam domicílios tributários avizinhados, conforme se demonstrará mais adiante: Fl. 517DF CARF MF Processo nº 11516.721725/201111 Acórdão n.º 1001000.700 S1C0T1 Fl. 481 13 (omissis) Percebase que até final de 2008 a INCOVISA simplesmente não possuía empregados. Muito embora sua receita fosse da ordem de dezenas de milhões de reais, a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) trazia apenas os dois sócios e administradores (CARLOS ALBERTO RIBEIRO DE SOUZA e ASELI NIEHUES DE SOUZA – esta última esposa do primeiro) como força de trabalho responsável por tamanha rentabilidade. Por outro lado, a LAMINATEC, optante pelo SIMPLES Nacional desde a primeira competência analisada (julho de 2007), sempre possuiu, durante o período auditado, mais de uma centena de segurados a seu serviço, tendo chegado inclusive perto de 200 (duzentos) segurados no final de 2008. O gráfico traz ainda uma grande variação no número de segurados entre o final de 2009 e início de 2010. O curioso é que a variação coincide justamente com o fato da LAMINATEC, a partir de janeiro de 2010, não ser mais optante do SIMPLES Nacional. Em janeiro de 2009 a LAMINATEC possuía 170 (cento e setenta) segurados; em fevereiro de 2010 esse número reduziu para 10% (dez por cento): restavam só 17 (dezessete). Em dezembro daquele ano, somente o sócio administrador (CARLOS ALBERTO RIBEIRO DE SOUZA JÚNIOR – filho de CARLOS ALBERTO RIBEIRO DE SOUZA e de ASELI NIEHUES DE SOUZA) permanecia declarado em GFIP. Já a variação da INCOVISA foi em sentido diametralmente inverso. Até outubro de 2008 só havia os sócios administradores em GFIP (CARLOS ALBERTO RIBEIRO DE SOUZA e ASELI NIEHUES DE SOUZA). Em janeiro de 2009 havia 16 (dezesseis) segurados ao todo. Em dezembro de 2009 eram 35 (trinta e cinco). Apenas dois meses após, em fevereiro de 2010, a GFIP indica vínculo com 143 (cento e quarenta e três) segurados. Em dezembro daquele ano, 166 (cento e sessenta e seis) segurados já compunham o quadro laboral da INCOVISA. Durante todo o período auditado, a empresa LAMINATEC teve vínculo com 438 (quatrocentos e trinta e oito) segurados empregados declarados em GFIP. Desses, impressionantes 113 (cento e treze) também tiveram vínculo com a INCOVISA. Ou seja, mais de 25% (vinte e cinco) de todas as pessoas que laboraram na LAMINATEC passaram a trabalhar, em algum momento, para a INCOVISA. Pois bem: dos 113 (cento e treze) segurados empregados que foram transferidos da LAMINATEC para a INCOVISA, 104 (cento e quatro) foram nas competências entre julho de 2009 e outubro de 2010, justamente o período de readequação da massa laboral em razão da desnecessária mantença da mãodeobra na LAMINATEC, já que a opção pelo SIMPLES Nacional não se mostrava mais presente. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 11516.721725/201111 Acórdão n.º 1001000.700 S1C0T1 Fl. 482 14 O gráfico acima apresenta, ainda, a variação de segurados total, ou seja, a soma da variação da INCOVISA e da LAMINATEC (curva amarela do gráfico). Percebase que é uma variação corriqueira, fruto das oscilações naturais de aporte de mãode obra. Tal situação não é equivalente a que observamos quando analisamos as empresas de forma individualizada. Há oscilações bruscas, atípicas, não encontradas em empresas “normais”. b) Empregados contratados na LAMINATEC para funções impossíveis de serem exercidas: durante todo o período auditado, a empresa LAMINATEC possuiu empregados contratados, para diversas funções. Em algumas situações, isso se mostrou francamente incompatível com outros aspectos identificados na pessoa jurídica em questão. Há duas situações que são passíveis de destaque: b.1) Motoristas “sem veículos”: durante todo o período auditado, a empresa LAMINATEC não contabilizou a existência de um veículo sequer em seu nome; não houve em seu Ativo qualquer bem dessa natureza. Tampouco existiu alguma contabilização significativa de gastos com aluguel de veículos. Para comprovar tal fato, anexamos Balancetes de Verificação de todo o período auditado, devidamente assinados pelo contador e pelo sócio administrador da empresa (Doc. 04). Lá pode ser observado que o único ativo imobilizado que a empresa teve naquele período são instalações industriais, em razão de uma nova sede que começou a ser construída em junho de 2008. Destarte, analisando os livros e fichas de registro de empregados da LAMINATEC, identificamos nada menos que 49 (QUARENTA E NOVE) vínculos diferentes da empresa, no período em questão, com segurados contratados para exercer a função de... MOTORISTA! O gráfico a seguir traz a variação do número de motoristas no período auditado: (omissis) Percebase que há competências em que o número de motoristas laborando simultaneamente ultrapassou duas dezenas, sem um veículo sequer para eles dirigirem... Na verdade os ditos motoristas eram cedidos para as empresas INCOVISA e COMERCIAL SÃO PEDRO, de modo a prestarem serviços para as quais efetivamente detinham veículos. [...] Foram juntados aos autos cópia das Fichas e de Livros de Registro de Empregados de diversos segurados contratados como motoristas, sendo que a empresa não tinha caminhões, não constava do seu objeto social ser destinada ao transporte rodoviário de cargas e não possuía receitas contabilizadas referentes a fretes, o que reforçou a conclusão de que toda essa mãodeobra contratada era cedida para terceiros. Enquanto isso, a Incovisa possuía vários caminhões sem ter segurados que os dirigissem. Tais fatos levaram à seguinte conclusão pela AuditoriaFiscal: Fl. 519DF CARF MF Processo nº 11516.721725/201111 Acórdão n.º 1001000.700 S1C0T1 Fl. 483 15 • durante o período em que houve auditoria (julho de 2007 a dezembro de 2009), a INCOVISA possuiu veículos de transporte (sendo que em grande parte do período não possuía motoristas para os mesmos); • em todas as competências do período auditado, a LAMINATEC possuía diversos motoristas empregados. Não sendo objeto social da LAMINATEC o transporte rodoviário, e tampouco possuindo ou locando veículos, para quem esses segurados prestavam serviço? Obviamente para terceiros (em especial as empresas de propriedade da família de Carlos Alberto Ribeiro de Souza), mediante necessária cessão de mão deobra. [...] b.2) Segurados empregados da filial 0004: no que se refere à comprovação da LAMINATEC realizar cessão de mãodeobra, chama também bastante atenção a situação da filial CNPJ 80.439.714/000482. Esta foi aberta em 03 de setembro de 2008, através da 10ª Alteração Contratual (anexo, Doc. 06). Seu endereço declarado, desde então é: Rua Hans Ditter Schimitz, 420 – Fundos – Distrito Industrial – Palhoça/SC (CEP 88104770). Quase que no mesmo endereço, mas na Rua Hans Ditter Schimitz, 420 – Frente –situouse a matriz da COMERCIAL SÃO PEDRO durante todo o período auditado. Esta empresa, também de propriedade de Carlos Alberto Ribeiro de Souza e sua família, é voltada à fabricação de maquinário. Seu nome fantasia inclusive é “Incovisa Máquinas”. Por meio do próprio sítio eletrônico da empresa (www.incovisa.com.br endereço eletrônico compartilhado pela COMERCIAL SÃO PEDRO e pela INCOVISA), percebese que a COMERCIAL SÃO PEDRO, a despeito de possuir a palavra “Comercial” em sua razão social, é uma indústria de equipamentos voltados à fabricação e corte do vidro. Anexamos cópia de algumas páginas do sítio eletrônico da COMERCIAL SÃO PEDRO (Doc. 07). Ela produz basicamente três equipamentos: um forno de têmpera que, como o próprio nome diz, destinase à produção de vidro temperado; uma mesa de corte de vidro; e uma lavadora horizontal, também de vidros. Já a LAMINATEC, conforme demonstram suas alterações contratuais e consolidações (anexas, Doc. 06), durante todo o período auditado teve como objeto social o comércio de vidro (atacadista ou varejista) e a colocação dos mesmos. Houve algumas alterações nesse aspecto (incluindo depósito, em uma oportunidade, e também lapidação, bisotagem e vitrificação e até a própria têmpera de vidros), mas o objeto sempre girou em torno do comércio de vidros e atividades afins para a realização da mercancia em questão. Fl. 520DF CARF MF Processo nº 11516.721725/201111 Acórdão n.º 1001000.700 S1C0T1 Fl. 484 16 Levandose em consideração esses aspectos (endereço da filial da LAMINATEC próximo à COMERCIAL SÃO PEDRO, bem como respectivos objetos sociais), chama a atenção a análise do Livro de Registro de Empregados da LAMINATEC filial CNPJ 0004. Lembremonos que ela é uma empresa voltada ao comércio de vidros (ou pelo menos deveria ser). O Livro em questão tem cópia integral anexa (Doc. 08). Relacionamos abaixo a função que consta para cada um dos segurados que efetivamente foram contratados para aquela filial, segundo o documento fiscal aqui analisado: Tendo em vista tratarse de empresa de comércio e instalação de vidros, concluiuse não ser razoável ter em seu quadro de empregados, por exemplo, vários soldadores, pintores, técnicos mecânico, dentre outros, que eram incompatíveis com as atividades da Laminatec mas condizentes com a atividade desempenhada pela Comercial São Pedro, que se avizinhava da Laminatec. Com base no conjunto de provas, a Fiscalização concluiu que aqueles segurados contratados para a Laminatec eram, de fato, destinados à prestação de serviço, mediante cessão de mãodeobra, para a empresa vizinha, a Comercial São Pedro, do mesmo núcleo familiar que a Laminatec. c) Notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela Laminatec A Fiscalização constatou que a Laminatec emitia rotineiramente duas notas fiscais de valor bem mais elevado que as demais: uma relativa à prestação de serviço para a Incovisa e a outra para a Comercial São Pedro, enquanto que as demais eram de valores irrisórios quando comparados a essas duas. Da análise das notas fiscais, foram destacados alguns aspectos considerados importantes: • As notas fiscais emitidas para a INCOVISA e COMERCIAL SÃO PEDRO têm, em regra, como histórico tão somente “mão de obra referente ao mês xxxxxx”. Já as demais, possuem histórico discriminado (Exemplo: mão de obra em vidro 10 mm incolor); • As notas fiscais de prestação de serviços emitidas para outros clientes têm, em geral, discriminação de se referirem a uma outra nota fiscal, só que mercantil (Exemplo extraído da NF Fl. 521DF CARF MF Processo nº 11516.721725/201111 Acórdão n.º 1001000.700 S1C0T1 Fl. 485 17 158: “Ref. NF 139 de 11/11/08”). Isso porque o cliente em questão comprava a mercadoria (vidro, basicamente) e a instalação. A LAMINATEC, então, emitia duas Notas Fiscais: uma de serviços e outra de venda da mercadoria. Já as Notas Fiscais para a INCOVISA e COMERCIAL SÃO PEDRO não possuem esse tipo de observação. Não havia, pois, venda conjunta de material. Isso porque o “material” realmente não existia, aqueles segurados estavam laborando em cessão de mãodeobra para as demais empresas da família de CARLOS ALBERTO RIBEIRO DE SOUZA (INCOVISA e COMERCIAL SÃO PEDRO); • O valor das notas fiscais emitidas para a INCOVISA e COMERCIAL SÃO PEDRO é infinitamente superior ao valor médio faturado para outras empresas. Não é incomum encontrarmos notas da ordem de R$ 20,00 (vinte reais) ou R$ 30,00 (trinta reais) para os clientes em geral. Para a INCOVISA e COMERCIAL SÃO PEDRO, essas nunca são inferiores a dezenas de milhares de reais, quando não centenas. Percebase que as notas fiscais emitidas para a INCOVISA e COMERCIAL SÃO PEDRO diferem sobremaneira das demais em inúmeros aspectos. Além do procedimento totalmente diferenciado, esse documento fiscal demonstra cabalmente que a LAMINATEC estava ocupando 99% (noventa e nove por cento) de sua força de trabalho na prestação de serviços para as empresas INCOVISA e COMERCIAL SÃO PEDRO. d) Relação entre massa salarial e receita bruta A Fiscalização analisou também a relação entre a Receita Bruta e a Massa Salarial no período auditado, tanto da Incovisa como da Laminatec. Enquanto a primeira se destacava por uma grande rentabilidade, a segunda mal conseguia pagar sua folha de empregados. Destacouse que até outubro de 2008 a Incovisa funcionou (e faturou) sem empregados, apenas declarando como massa salarial própria os dois administradores, enquanto que a Laminatec apresentou percentuais bem mais elevados no período. Tal fato reforçou a conclusão de que a Laminatec estava ali como cedente de mãodeobra para a Incovisa e Comercial São Pedro. Perceba que no ano de 2007 somente o pagamento das remunerações (sem considerar todos os encargos sociais e tributos inerentes à atividade econômica) já ultrapassou a receita bruta declarada em larga monta. A relação mais favorável é no ano de 2008, com massa salarial próxima a 70% da receita. Mesmo assim, é um índice extremamente elevado. Justificável, no entanto, pois aquela força humana tinha que ser capaz de atender a tomadores de faturamento e complexidade bem mais elevados que as necessidades da própria LAMINATEC na consecução tão somente do seu objeto constante em seu contrato social. [...] Fl. 522DF CARF MF Processo nº 11516.721725/201111 Acórdão n.º 1001000.700 S1C0T1 Fl. 486 18 e) Local de prestação dos serviços: em todo o período auditado, os administradores da LAMINATEC, da INCOVISA e da COMERCIAL SÃO PEDRO procuraram manter proximidade entre os domicílios tributários das empresas, com vistas a facilitar a prestação de serviços. Nada mais natural: afinal de contas, a INCOVISA e a COMERCIAL SÃO PEDRO eram, digamos assim, as maiores “clientes” da LAMINATEC. Ficava muito mais fácil esta prestar serviço para aquelas havendo proximidade entre os domicílios. [...] Com base no conjunto de provas e dos fatos narrados com detalhes nos autos do presente processo, entendo não restar dúvidas de que a maioria dos trabalhadores utilizados nas empresas Incovisa e Comercial São Pedro (ambas de propriedade dos exsócios da Laminatec e pais dos dois então sócios da Laminatec), no período auditado, possuía documentalmente seu vínculo estabelecido com a Laminatec. Assim, a Laminatec, como única optante do Simples Nacional dentre as empresas em questão, centralizava a mãodeobra destinada a realizar os serviços de duas outras empresas: Incovisa Comércio Importação e Exportação Ltda e Comercial de Vidros São Pedro Ltda. Tal procedimento era vedado para se permanecer no Simples Nacional, conforme art. 17, inciso XII, da Lei Complementar nº 123, de 2006. Os atos emitidos pela Administração Tributária para exclusão do contribuinte do Simples Nacional estão devidamente fundamentados, não havendo qualquer ofensa ao devido processo legal e aos Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade. Portanto, entendo ser procedente a exclusão do Simples Nacional também por realizar cessão de mãodeobra. 3) Exclusão de Ofício por movimentação financeira nãodeclarada pela Laminatec A Fiscalização verificou também que a Laminatec não informou a totalidade de sua movimentação financeira em 2007, pois os valores recolhidos a título de Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) indicavam a existência de montantes não contabilizados. Informa que a empresa só passou a contabilizar movimentação bancária, no período auditado, a partir de agosto de 2008. Destarte, o Banco do Brasil S/A declarou haver movimentação financeira pequena, mas existente, em nome da Laminatec, durante o ano de 2007. Com base no relatório da CPMF, consta movimentação financeira no Banco do Brasil, no ano de 2007, de R$ 665,71, sendo R$ 257,56 no período de julho a dezembro, período fiscalizado de 2007 (média de cerca de R$ 43,00 mensais). (omissis) O contribuinte se defende alegando que é injusta a acusação relativa à ocultação da movimentação financeira, pois se trata de uma conta esquecida pela administração da Laminatec, pois ela havia solicitado o encerramento e lá depositou o valor solicitado pelo gerente na época. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 11516.721725/201111 Acórdão n.º 1001000.700 S1C0T1 Fl. 487 19 Não foram localizadas nos autos intimações da AuditoriaFiscal para esclarecimento da origem dos recursos movimentados no período fiscalizado no anocalendário de 2007 no Banco do Brasil, nem comprovação da alegada solicitação de encerramento da conta pelo contribuinte. O enquadramento legal utilizado pela Administração Tributária para excluir o contribuinte do Simples Nacional pela falta de contabilização de tal movimentação financeira foi o art. 29, inciso II e § 1º, da Lei Complementar nº 123, de 2006, que assim dispõe: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...] II for oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar, e nas demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública; [...] § 1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. [...] No próprio relatório fiscal consta que o contribuinte tomou ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal e, no prazo estipulado, apresentou os respectivos documentos. Consta que no curso da ação fiscal foram emitidos também os Termos de Intimações Fiscais de números 01 a 07 e que, em duas oportunidades, o interessado apresentou pedido de prorrogação de prazo para apresentação de documentos, o que foi autorizado pelo AuditorFiscal. Não constam dos autos pedidos de esclarecimentos da origem dos recursos da referida movimentação financeira não contabilizada no período de julho a dezembro de 2007 (de R$ 257,56), nem relatos de que tenha havido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens e movimentação financeira, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública. Em consequência, frente à motivação estruturada nos termos antes transcritos, o ato de exclusão do contribuinte do Simples Nacional indicou como fundamento legal a ocorrência de “embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar, e nas demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública”. Fl. 524DF CARF MF Processo nº 11516.721725/201111 Acórdão n.º 1001000.700 S1C0T1 Fl. 488 20 Ocorre que ao estipular esta hipótese de exclusão do Simples Federal, o legislador incorporou o que, paralelamente, está previsto no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, como causa de regime especial de fiscalização: Art.33. A Secretaria da Receita Federal pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pelo sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: I – embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; [...] §1º O regime especial de fiscalização será aplicado em virtude de ato do Secretário da Receita Federal. §2º O regime especial pode consistir, inclusive, em: I manutenção de fiscalização ininterrupta no estabelecimento do sujeito passivo; II redução, à metade, dos períodos de apuração e dos prazos de recolhimento dos tributos; III utilização compulsória de controle eletrônico das operações realizadas e recolhimento diário dos respectivos tributos; IV exigência de comprovação sistemática do cumprimento das obrigações tributárias; V controle especial da impressão e emissão de documentos comerciais e fiscais e da movimentação financeira. [...] É neste contexto, portanto, que devem ser interpretadas as disposições do art. 29, inciso II, da Lei Complementar nº 123, de 2006. Ou seja, a exclusão do Simples Nacional pode ser promovida com efeitos imediatos quando o sujeito passivo pratica atos enquadrados na hipótese descrita no inciso I do art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, a qual, em outras condições, ensejaria uma ou mais das consequências expressas no §2º, do art. 33, da Lei nº 9.430, de 1996, com amparo no art. 200 do Código Tributário Nacional: Art. 200. As autoridades administrativas federais poderão requisitar o auxílio da força pública federal, estadual ou municipal, e reciprocamente, quando vítimas de embaraço ou desacato no exercício de suas funções, ou quando necessário à efetivação de medida prevista na legislação tributária, ainda que não se configure fato definido em lei como crime ou contravenção. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 11516.721725/201111 Acórdão n.º 1001000.700 S1C0T1 Fl. 489 21 Tendo em conta a gravidade das consequências estipuladas no §2º do art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, as hipóteses de sua aplicação devem ser interpretadas literalmente, o mesmo se verificando com o art. 29, inciso II, da Lei Complementar nº 123, de 2006. Significa dizer que a exclusão do sujeito passivo do Simples Nacional com esta motivação deve estar lastreada na efetiva negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, e/ou no não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado. Assim, entendo ter razão o recorrente quando contesta o fundamento legal (art. 29, inciso II, da Lei Complementar nº 123, de 2006) adotado para sua exclusão do Simples Nacional pela não contabilização da referida movimentação financeira entre julho e dezembro de 2007, com impedimento à nova opção até dezembro de 2010. Não há provas suficientes nos autos para caracterizar a ocorrência prevista em lei, de modo que a exclusão com base em tal dispositivo legal não pode subsistir. Diante do exposto, voto no sentido de manter a exclusão do Simples Nacional mediante Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 194, de 15/09/2011, com efeitos a partir de 01/07/2007 e com impedimento à nova opção até 31/12/2012, conforme art. 29, § 1º, da Lei Complementar nº 123, de 2006, por realizar cessão de mãode obra e não comunicar à RFB a exclusão obrigatória e por ter sido constituída por interpostas pessoas. Quando rebate a alegação do agente fiscal, quanto à cessão de mãodeobra, de que não compete ao mesmo desconsiderar vínculo laboral, mas sim aos AuditoresFiscais do Trabalho e quando aduz a ilegalidade da imposição de efeitos retroativos da exclusão do Simples Nacional e para tal cita os art. 5º, inc. XXXV, e art. 150, III, "a", ambos da CF, ocorre que a recorrente inova na argumentação de defesa, em relação à manifestação de inconformidade, o que não é admissível no processo contencioso administrativo, implicando a ocorrência da preclusão consumativa. Nos termos dos arts. 16, III e 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativofiscal, todos os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa deverão ser mencionados na impugnação, considerandose não impugnadas as matérias não expressamente contestadas. Na lição de Fredie Didier Júnior (Curso de Direito Processual Civil. Vol. I. 11ª edição, revista, ampliada e atualizada. Ed. JusPodium, Salvador: 2009. Pág. 283.), a preclusão consumativa consiste na perda da faculdade processual, por já haver sido exercida, pouco importando se bem ou mal. Uma vez praticado o ato processual, não mais é possível corrigilo, melhorálo ou repetilo, eis que já consumado. No caso dos autos, a discussão administrativa foi delineada pela manifestação de inconformidade, restando rechaçadas quaisquer outras teses defensivas eventualmente não expostas, por aplicação do princípio eventualidade, ressalva feita ao direito ou fato supervenientes, o que não é a hipótese. Quanto às jurisprudências citadas, não cabe ao agente do Fisco nem a este Carf deixar de aplicar a legislação tributária com base em decisões judiciais ou de seus próprios colegiados em que o sujeito passivo não foi parte do processo ou decisões sem efeito erga omnes. Esta última assertiva está reforçada no próprio Regimento Interno deste tribunal, em especial em seus artigos 62, 72 e 74. Fl. 526DF CARF MF Processo nº 11516.721725/201111 Acórdão n.º 1001000.700 S1C0T1 Fl. 490 22 Já em relação às supostas inconstitucionalidades alegadas, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF nº. 02: Súmula CARF nº. 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. A autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 e o mesmo se verifica quanto às doutrinas citadas. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, papel este incumbido aos tribunais competentes. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, entendo que a decisão recorrida não merece ser reformada quanto ao ponto alegado pela recorrente. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose a exclusão a empresa do Simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 527DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.724920/2010-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2006
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social.
A ausência da estipulação entre as partes trabalhadora e patronal, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso, a incidência de contribuição previdenciária sobre a verba.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKETS. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO.
A empresa deve comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT para que não incidam contribuições sociais sobre a alimentação fornecida mediante tickets aos seus empregados.
O Ato Declaratório PGFN Nº 03/2011 somente é aplicável quando demonstrado que, embora não tenha formalizado a adesão ao PAT, o sujeito passivo forneceu alimentação in natura, o que não abrange o pagamento em tickets.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-007.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. A ausência da estipulação entre as partes trabalhadora e patronal, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso, a incidência de contribuição previdenciária sobre a verba. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKETS. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO. A empresa deve comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT para que não incidam contribuições sociais sobre a alimentação fornecida mediante tickets aos seus empregados. O Ato Declaratório PGFN Nº 03/2011 somente é aplicável quando demonstrado que, embora não tenha formalizado a adesão ao PAT, o sujeito passivo forneceu alimentação in natura, o que não abrange o pagamento em tickets. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 49 20 /2 01 0- 49 Fl. 1466DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Cuidase de Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte em face do Acórdão nº 2302003.179, assim ementado: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2006 Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 10680.724920/201049 Acórdão n.º 9202007.142 CSRFT2 Fl. 3 3 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, § 4º DO CTN. ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. SÚMULA Nº 99 DO CARF. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência da norma tributária prevista no art. 150, §4º do CTN. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no §4° do art. 150 do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Encontrase finado pela homologação tácita parte do direito do Fisco de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores objeto do presente Auto de Infração. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. SOLIDARIEDADE. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes de lei. A solidariedade tal como disposta na lei, não deve ser aplicada discricionariamente. Para tanto, deve o auditor demonstrar os interesses em comum das empresas (exemplificativamente: confusão patrimonial ou concentração administrativa) ou a situação de fato que implique a responsabilização solidária. O dever de motivar é inerente a própria atividade administrativa. O art. 50, inciso I da Lei nº Fl. 1468DF CARF MF 4 9.784/99 determina que os atos administrativos devem ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos quando neguem, limitem ou afetem direito ou interesses. ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE TICKET ALIMENTAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores despendidos pelo empregador em dinheiro ou na forma de ticket/vale alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Recurso de Ofício Provido A decisão foi assim registrada: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso de Ofício, para manter o lançamento quanto à rubrica alimentação fornecida em tickets, sem a inscrição no PAT. Vencidos os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição. Por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e na parte conhecida darlhe provimento parcial para excluir do lançamento as competências até 11/2005, inclusive, pela homologação tácita exposta no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter a incidência da contribuição previdenciária sobre a rubrica AuxílioEducação, vencidos os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à verba Participação nos Lucros e Resultados, vencidos os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição. Os Conselheiros André Luiz Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes e Liege Lacroix Thomasi acompanharam pelas conclusões. Por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a multa como aplicada, vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa deve ser limitada ao percentual de 20%, em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). Por maioria de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário quanto à responsabilidade solidária, por não restar Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 10680.724920/201049 Acórdão n.º 9202007.142 CSRFT2 Fl. 4 5 demonstrado nos autos a existência de grupo econômico. Vencido na votação o Conselheiro Relator. A Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz fará o voto divergente vencedor. A Contribuinte interpôs Embargos de Declaração, os quais foram acolhidos, Proferindose o Acórdão de Embargos nº 2401004.766, na sessão de 08 de maio de 2017, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Acolhemse os embargos declaratórios para corrigir o vício apontado, sem atribuirlhes efeitos modificativos, para o fim de sanar as omissões e obscuridades apontadas. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, conhecer dos embargos declaratórios e darlhes provimento parcial, sem efeitos infringentes, para sanar as omissões e obscuridades existentes no Acórdão embargado. O recurso da Fazenda Nacional visa rediscutir a penalidade aplicável em razão da alteração introduzida na Lei nº 9.212, de 1991, pela Medida Provisória nº 449, de 2008 (retroatividade benigna). Em exame preliminar de admissibilidade a Presidente da Quarta Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo da Fazenda Nacional, nos termos do Despacho de efls. 1.387 a 1.397. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que antes da MP nº 449/2008, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei nº 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei nº 8.212/91 (multa isolada); que a MP nº 449/2008, instituiu uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei nº 8.212/91; que o art 32 A trata de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91; que o atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei nº 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida; Fl. 1470DF CARF MF 6 que a MP nº 449/2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35Ao qual remete à aplicação do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996; que a leitura do do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de tal dispositivo abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata); que se deve privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/91 ocorrerá quando houver tãosomente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas; que toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, sendo essa a conclusão a que chegou a eminente relatora do acórdão paradigma e que reflete a melhor interpretação da nova sistemática de lançamento das contribuições previdenciárias; que a autoridade fiscal deve aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte considerando os seguintes parâmetros: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009; que a respeito da forma correta para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, a Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 1.027, de 22/04/2010, explicando qual é o procedimento adequado a ser utilizado e que em seu inciso I define o critério ora defendido; que deve ser aplicado o disposto no inciso I, do art. 4º da citada Instrução Normativa. Cientificada do Acórdão de Embargos , do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento, em 20/10/2017 (Termo de Abertura de Documento, e fls. 1.405) a Contribuinte apresentou as contrarrazões de efls. 1.412 a 1.424, em que aduz, em síntese,. que assiste razão aos acórdãos paradigmas uma vez que não há motivos para se somar o valor das penalidades aplicadas, mas simplesmente comparar o valor da multa de mora (inadimplemento) conforme a legislação vigente em 2007, até novembro de 2008 e a nova multa de mora estipulada pela MP 449/2008; que, comparandose os valores descritos no anexo VIII, comprovase que, ao não ser feita a soma das penalidades, a multa de mora calculada conforme a legislação anterior (24%) é bem mais benéfica que a atual (75%); que não há motivos para se aplicar a multa de 75%, porque, com a edição da Lei 11.941/2009, os incisos e alíneas do art. 35 da Lei 8.212/91 que previam as multas de mora foram revogados e o caput do referido artigo 35 foi alterado para prever que a penalidade pela mora seria a prevista no artigo 61 da Lei 9.430/96 (limitada a 20%); Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 10680.724920/201049 Acórdão n.º 9202007.142 CSRFT2 Fl. 5 7 que o próprio Superior Tribunal de Justiça também vem adotando este entendimento, conforme Edcl no AgRg no Resp 1275297/SC; que nesse ponto, é importante destacar que citado entendimento restou disposto no voto vencido da Relatora Juliana Campos de Carvalho Cruz, que integra o acórdão recorrido: que nesse mesmo sentido é o Acórdão 2202.003.445. O Recurso Especial da Contribuinte, por sua vez, pretende rediscutir as seguintes matérias: a) auxílioalimentação em ticket e sem inscrição no PAT; b) Participação nos Lucros e Resultados; e c) Retroatividade benigna da multa aplicada. Em exame preliminar de admissibilidade, a Presidente da Quarta Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo, nos termos do Despacho de Admissibilidade de efls. 1.429 a 1.449. Em suas razões recursais a contribuinte aduz, quanto à matéria "a" auxílio alimentação sem inscrição no PAT, em síntese: que, conforme destacado nos acórdãos paradigmas, não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária quando o pagamento do auxílioalimentação se dá através de tickets alimentação; que se trata de hipótese de não incidência, ao invés de isenção, como afirmado no acórdão recorrido; que os valores recebidos em ticketalimentação (eletrônico/cartão ou vale) são destinados para o trabalho e não pelo trabalho, meio de favorecer e auxiliar o empregado no exercício de suas atividades, e não possui componente remuneratório, sendo parte descontada dos empregados; que é um regime compartilhado de custeio da alimentação, fato que restou bem comprovado pela fiscalização, tanto que ao elaborar os cálculos das contribuições, reconheceuse o valor global que é mensalmente descontado dos salários dos empregados da CEMIG; que citado entendimento restou disposto no voto vencido; que relevante precedente do STJ (REsp 1185685/SP) retira um dos argumentos do voto do Conselheiro Relator ao entender que o auxílioalimentação pago em ticket ou cartão não deve sofrer a tributação; que se trata de benefício previsto em Convenção Coletiva (acordos de 2006/2007 e 2007/2008), no qual a CEMIG concede tíqueterefeição e tíquetelanche a seus empregados, cuja cláusula 33ª prevê que “o valor facial do TíqueteRefeição equivalerá, Fl. 1472DF CARF MF 8 sempre, ao valor teto permitido pelo Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT – para a refeição, e será alterado no mês subsequente à publicação do novo valor.” que apesar de não haver prova de adesão ao PAT, a parcela foi fornecida para este fim e em razão de convenção coletiva, e esta não atribui feição salarial ao auxílio; que o fornecimento dessa parcela representa enorme avanço social, porque traduzse em inolvidável benefício para o trabalhador, que se alimenta melhor e em condições mais dignas; que o Tribunal Superior do Trabalho, em decisões proferidas no ano de 2010, também reconheceu que acordo coletivo pode tirar natureza salarial do auxílio alimentação (RR13774007.2003.5.13.0002); que em outro precedente, a 6ª Turma do TST decidiu que a parcela do auxílioalimentação perderá o caráter salarial se for instrumental à prestação do serviço, ou se for obrigação derivada de Contrato Coletivo de Trabalho ou Acordo Coletivo de Trabalho, cuja regra instituidora elimine sua natureza remuneratória (RR13020007.2005.02.0443, rel. Min. Maurício Godinho, j. 27.10.2010). que por tal razão, o recurso especial deve ser provido para determinar a não incidência de contribuição sobre as verbas pagas pela Recorrente a título de auxílio alimentação, haja vista que os tickets foram fornecidos para o trabalho. Sobre a matéria "b" Participação nos Lucros e Resultados a contribuinte aduz, em síntese, a lei exige que os instrumentos de negociação coletiva devem possuir regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, sendo certo que, pelo que se depreendeu da leitura do acórdão, essas regras existem; que, quanto à interpretação da Lei 10.101/2000 e dos requisitos exigidos para pagamento de PLR, merece destaque o recente Acórdão nº 9202003.370, julgado pela CSRF em setembro de 2014, que justamente afasta os argumentos mais restritos e exigentes do Fisco, tal qual nesse caso; que esse importante precedente trata não só da data de assinatura (todas feitas no curso do ano de pagamento), como da correta interpretação a ser dada aos requisitos exigidos pela lei para legitimar o pagamento de determinada verba como PLR; que tal entendimento reforça decisão proferida pelo CARF, em voto do Conselheiro Oseas Coimbra Junior, condutor do Acórdão nº 280300.254, transcrito no voto vencedor proferido no Acórdão nº 2301002.588 (3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 08/02/2012): que a fiscalização, de forma correta, em nenhum momento exigiu da CEMIG que comprovasse o resultado das avaliações de desempenho ou outra diligência no sentido de aferir se as regras e metas eram cumpridas pelos empregados; que a prova exigida pelo acórdão, com a devida licença, é impossível de ser feita, mesmo por amostragem; que, no caso, especialmente por se tratar de uma empresa de grande porte, com forte presença de elementos de controle gerencial (vide o próprio relatório da Conselheira Fl. 1473DF CARF MF Processo nº 10680.724920/201049 Acórdão n.º 9202007.142 CSRFT2 Fl. 6 9 Juliana), é bem razoável entender que se a CEMIG efetuou o pagamento é porque os empregados cumpriram as metas e regras pactuadas, do contrário, a empresa não teria tantos controles nem desembolsado vultosas quantias apenas por liberalidade e para atender aos interesses exclusivos de Sindicatos; que soa estranha a exigência de que o empregador comprove para o Fisco que todos os seus empregados cumpriram as metas, exigência não só desproporcional como ilegal, além de ser contrário à interpretação finalística que deve pautar a hermenêutica da lei em destaque, como bem reconheceu o CARF em outro precedente; que o procedimento outrora adotado pela CEMIG e pelo Sindicato cumprem os requisitos legais, pois as partes vincularam o pagamento da PLR a metas e resultados estipulados em documentos usuais de gestão, que são diuturnamente acessados e de conhecimento disseminado entre os empregados, desde os que ocupam as gerências e lideram as equipes àqueles que executam funções de campo; que a redação das cláusulas do acordo pode não ser considerada ideal, mas não é possível dizer que não existiam regras claras e objetivas que tratavam do direito à PLR e da forma do seu cálculo; que os critérios estipulados no acordo comprovam que houve a satisfação mínima do requisito legal de que os instrumentos de negociação coletiva devem possuir regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas; que, com a assinatura do acordo, o empregado já sabia, de antemão, que deveria seguir o planejamento estratégico; como seria calculada a PLR, o valor fixo e o percentual do montante variável, dependendo do resultado operacional (financeiro) ROC; a data do recebimento da parcela; quem possuía legitimidade para se habilitar ao recebimento; as ausências que iriam influir e as que não iriam influir no cálculo da PLR; que a vinculação das metas a planos de gestão adotados e disseminados pela empresa entre os seus funcionários não é prática ilegal nem proibida pela Lei 10.101/2000, que sequer exige que o ACT detalhe, neste instrumento, com riqueza de dados e informações, as metas a serem desenvolvidas no ano e que sejam relevantes para a formulação da PLR; que no caso dos autos, cabe a aplicação do cânone interpretativo – invocado pelo CARF em vários precedentes de que onde a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir, de modo a inserir na norma requisito não previsto; que estipular metas em uma empresa estatal com milhares de empregados e que exerce atividade altamente regulada e fiscalizada pelo Poder Público Federal não é tarefa simples nem pode ser resumida a uma pequena listagem; que também não é possível estipular metas e outros dados com o grau de detalhamento e sofisticação que a Fiscalização deseja; que a fiscalização interviu em matéria da qual não possui conhecimento técnico, indo muito além do exigido pela lei; Fl. 1474DF CARF MF 10 que ao contrário do alegado, não são os ACT’s que possuem critérios subjetivos, mas é o Fisco quem está interpretando os referidos acordos com elementos de extremo subjetivismo e rigor, conduta esta repudiado por este CONSELHO que, em outros casos julgados e envolvendo a PLR, decidiu em outro sentido; que, pelos argumentos desenvolvidos, não há dúvida que resta configurada a divergência entre decisões proferidas pelo CARF no que tange à matéria ora debatida, devendo o mesmo ser conhecido e provido para cancelar o lançamento quanto à referida rubrica. Finalmente, quanto à matéria "c" Retroatividade benigna da multa aplicada a Contribuinte aduz, em síntese, não há motivos para se somar o valor das penalidades aplicadas, mas simplesmente comparar o valor da multa de mora (inadimplemento) conforme a legislação vigente em 2007 até novembro de 2008 e a nova multa de mora estipulada pela MP 449/2008; que, nessa linha, comparandose os valores descritos no anexo VIII, comprovase que, ao não ser feita a soma das penalidades, a multa de mora calculada conforme a legislação anterior (24%) é bem mais benéfica que a atual (75%); que não há motivos para se aplicar a multa de 75%, porque, com a edição da Lei 11.941/2009, os incisos e alíneas do art. 35 da Lei 8.212/91 que previam as multas de mora foram revogados e o caput do referido artigo 35 foi alterado para prever que a penalidade pela mora seria a prevista no artigo 61 da Lei 9.430/96 (limitada a 20%); que o próprio Superior Tribunal de Justiça também vem adotando este entendimento (EDcl no AgRg no REsp 1275297/SC); que esse mesmo entendimento restou disposto no voto vencido da Relatora Juliana Campos de Carvalho Cruz, que integra o acórdão recorrido; que o presente recurso especial deve ser provido para que a multa seja aplicada tendo como parâmetro os novos patamares legais (20% art. 61 da Lei 9.430/96), tendo em vista a necessidade de retroatividade da lei penal mais benéfica (art. 106, II, CTN) e sucessivamente, nos caso até novembro de 2008, ser calculada exclusivamente com base na redação da Lei 8.212/91 sem a alteração feita pela MP 449/2008. Por fim, a Contribuinte formula pedido nos seguintes termos: Diante do exposto, a Recorrente requer sua admissão e processamento, de forma a ser julgado pela CSRF no sentido de, sucessivamente: 1 Reconhecer a existência de omissão e obscuridade no acórdão recorrido, de forma a reformar a decisão monocrática que não acolheu os embargos de declaração, e determinar que a Turma os julgue, de forma colegiada, enfrentando todos os pontos indicados na referida peça recursal, especialmente por se tratar de matéria de ordem pública e passível de conhecimento de ofício pela CSRF (na linha dos precedentes indicados) (item 5); 2 Ultrapassadas as questões processuais e preliminares acima destacadas, caso sejam rejeitadas, no mérito, o recurso especial deve ser provido para reformar o acórdão recorrido e anular o Fl. 1475DF CARF MF Processo nº 10680.724920/201049 Acórdão n.º 9202007.142 CSRFT2 Fl. 7 11 lançamento de oficio, de forma que, cumulativamente, sejam canceladas as cobranças de contribuição previdenciária sobre PLR, Auxílioalimentação e Auxílioeducação (itens 6, 7 e 8); 3 Por fim, ainda sucessivamente, caso o provimento do recurso não seja integral e reste, ainda que por eventualidade, a cobrança de alguma rubrica, o recurso especial também deverá ser provido para recalcular a multa de mora imposta, adotando se os parâmetros descritos no item 9 acima. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao Recurso Especial do contribuinte (fls. 1.450 a 1.465), na qual aduz, quanto ao auxílioalimentação pago em ticket e sem inscrição no PAT, que o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT não admite o fornecimento do auxílioalimentação em pecúnia/ticket, conforme se depreende do art. 4º do Decreto nº 5/1991; que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que não há incidência de contribuição previdenciária se o auxílioalimentação for pago in natura, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos trabalhadores; que para a não incidência da contribuição previdenciária é imprescindível que o pagamento seja feito in natura e em programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho; que descumpridos os requisitos legais, a verba paga a título de auxílio alimentação não está incluída na hipótese legal de isenção, prevista na alínea "c", § 9º, art. 28, da Lei nº 8.212/91; que a Lei nº 10.243/01 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, que é específica, sendo que o art. 458 da CLT referese a salário para efeitos trabalhistas, o que difere do conceito de saláriodecontribuição; que não havendo dispensa legal para incidência de contribuição previdenciária sobre verbas fornecidas a título de auxílioalimentação, quando pago por intermédio de ticket alimentação e sem inscrição do PAT, deve persistir o lançamento. Sobre a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas pagas a título de PLR, aduza Fazenda Nacional, em síntese, que no caso dos autos os pagamentos feitos a título de PLR se deram em desconformidade com a legislação de regência; que não houve celebração de acordo prévio ao exercício, o que impediu os funcionários de ter conhecimento prévio a respeito da relação entre sua dedicação e a participação nos resultados; que o acordo deve ser celebrado (e assinado) antes do início do período de competência; Fl. 1476DF CARF MF 12 que no caso sequer existiam metas de produtividade a serem cumpridas pelos empregados, o que distorce o intuito do instituto que pressupõe um incentivo às produtividade; Sobre a retroatividade da multa, aduz a Fazenda Nacional, em síntese, que no lançamento de ofício, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata é exigido, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias que no caso consistirá na multa de ofício; que a incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de ofício; que essa mesma sistemática deve ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP nº 449, de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, conforme se percebe da leitura do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, na nova redação; que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática distinta da multa de mora prescrita no art. 61, da Lei nº 9.430/96; que para a aplicação do art. 106 do CTN a comparação deve ser feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade; que o auto de infração deve ser mantido, devendo, no momento da execução, a autoridade administrativa apreciar qual a norma mais benéfica, se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e art. 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP 449/2008. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereir Barbosa Relator Por tratar da matéria de fundo, envolvendo a exigência da contribuição, examino, inicialmente, o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, o qual foi interposto tempestivamente e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Conheço, portanto, do recurso. Quanto ao mérito, relativamente à matéria "a" auxílioalimentação em ticket e sem inscrição no PAT a questão gira em torno de parcelas pagas a título de salário alimentação. A decisão de primeira instância afastou a exigência sob o fundamento, em síntese, de que segundo o Parecer PGFN/CRJ Nº 2117/2011 e o Ato Declaratório PGFN nº 3, de 2011, Fl. 1477DF CARF MF Processo nº 10680.724920/201049 Acórdão n.º 9202007.142 CSRFT2 Fl. 8 13 com força vinculante, não seria exigível contribuição previdenciária sobre o valor correspondente ao fornecimento de alimentação “in natura”, entendendo ser esse o caso do entrega do auxílio na forma de tickets. A 3ª Câmara, da 2ª Turma do CARF, todavia, deu provimento a recurso de ofício relativamente à matéria sob o fundamento, em síntese, de que não de trata no caso de fornecimento de alimentação “in natura”, isto é, fornecido pela própria empresa, mas na forma de tickets, o que não seria a hipótese contemplada nos atos da PGFN antes referidos, tampouco satisfariam as condições previstas na alínea “c”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212, de 1991. Pois bem, quanto aos atos da PGFN (Parecer PGFN (Parecer PGFN/CRJ Nº 2117/2011 e Ato Declaratório PGFN nº 3, de 2011) sua inaplicabilidade ao caso é patente: fornecimento de alimentação “in natura” e a entrega de valor, seja em moeda seja na forma de um crédito representado por um ticket não se confundem. No primeiro caso, envolvem a entrega diretamente do objeto alimentação, no segundo de um valor, representado por uma espécie de moeda, ainda que esta destinese especificamente à compra de alimentos. Aliás, como ressaltado pelo acórdão recorrido, os atos da PGFN acima referidos foram expedidos em razão de jurisprudência do STJ a qual referese estritamente aos casos de alimentação fornecida “in natura”, diretamente pelo empregador, conforme se verifica do seguinte julgado desse tribunal: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE PRÉ QUESTIONAMENTO.EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE AOS EMPREGADOS. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO DO FGTS. LEI Nº 6.321/76. LIMITAÇÃO. PORTARIA Nº 326/77. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS LEIS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS MORATÓRIOS PELA TR/TRD. APLICABILIDADE. [...] 3. O STJ, em inúmeros julgados, assentou o entendimento de que o pagamento in natura do auxílio alimentação não tem natureza salarial e, como tal, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Pela mesma razão, não integra a base de cálculo das contribuições para o FGTS, igualmente assentado no conceito de "remuneração" (Lei 8.036/90, art. 15). O auxílio alimentação pago em espécie e com habitualidade integra o salário e como tal sofre a incidência da contribuição previdenciária. Precedentes do STJ (REsp 674.999/CE, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, DJ de 30.05.2005; REsp 611.406/CE, Rel. Min. Franciulli Netto, 2ª Turma, DJ de 02.05.2005;EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, 1ª Seção, DJ de 08.11.2004; REsp 643.820/CE, Rel. Min. José Delgado, 1ª Turma, DJ de 18.10.2004; REsp 510.070/DF, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, DJ de 31.05.2004). Por tal razão, o auxílio alimentação pago em espécie com habitualidade também sofrerá a incidência do FGTS.4. "O pagamento in natura do auxílio alimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é Fl. 1478DF CARF MF 14 fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT" (EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, 1ª Seção, DJ de 08.11.2004).(...)Ex positis, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial.Publiquese. Intimações necessárias.Brasília (DF), 07 de maio de 2010.(REsp nº 1.119.787SP, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 13/05/2010). EMENTA: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES. 1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sócio executado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílio alimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária.2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílio alimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. (grifouse) [...] 5. Recurso especial parcialmente provido.(STJ, REsp 977.238/RS, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ 29/11/2007). Fl. 1479DF CARF MF Processo nº 10680.724920/201049 Acórdão n.º 9202007.142 CSRFT2 Fl. 9 15 DECISÃO [...] É pacífica neste Superior Tribunal de Justiça a orientação no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.( STJ, REsp 333.001/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJ 17/11/2008) TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. 1. O pagamento in natura do auxílio alimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho.2. Ao revés, quando o auxílio alimentação é pago em dinheiro ou seu valor creditado em conta corrente, em caráter habitual e remuneratório, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária.3. Precedentes da Seção.4. Embargos de divergência providos. (grifouse)( EREsp 476.194/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ 01.08.2005). Como se percebe, os julgados acima são unânimes no entendimento de que somente se considera o fornecimento in natura, quando a alimentação é fornecida diretamente pelo próprio empregador, o que exclui a entrega ao empregado de cartões ou tickets, para aquisição de produtos em estabelecimentos comerciais. Já a interpretação da Lei nº 8.212, de 1991 não leva a outra conclusão que não a de que a exclusão das parcelas pagas a título de auxílioalimentação compreende apenas o fornecimento do alimento in natura. A Lei nº 8.212, de 1991 assim dispõe sobre a questão: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos Fl. 1480DF CARF MF 16 termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sente (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; (grifos nossos) São, portanto, duas condições para que o auxílioalimentação não integre o saláriodecontribuição: a) se fornecido de acordo com programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho; e b) ser fornecido “in natura” Quanto ao primeiro requisito, embora este não tenha sido atendido no caso, incidiria a orientação da PGFN nos atos normativos citados. Portanto, a questão não está em causa. Assim, fosse esse o único requisito desatendido do dispositivo transcrito logo acima, a questão deveria ser resolvida mediante a aplicação da orientação da PGFN. Ocorre que também o segundo requisito foi desatendimento. Conforme relatório fiscal e de acordo com a própria argumentação do contribuinte, a vantagem era fornecida aos trabalhadores mediante ticket alimentação o que, conforme ressaltado acima, não se confunde com fornecimento de alimentação “in natura”. Essa tem sido a posição predominante neste Colegiado. Como exemplo, o Acórdão nº 9202006.222, Sessão de 28/11/2017, de relatoria da Conselheira Elaine Cristina Monteiro da Silva Vieira: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKETS. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO. A empresa deve comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT para que não incidam contribuições sociais sobre a alimentação fornecida mediante tickets aos seus empregados. O Ato Declaratório PGFN Nº 03/2011 somente é aplicável quando demonstrado que, embora não tenha formalizado a adesão ao PAT, o sujeito passivo forneceu alimentação in natura, o que não abrange o pagamento em tickets. Ante o exposto, nego provimento ao recurso nesta parte. Quanto à matéria “b” – Participação nos Lucros e Resultados – tratase de pagamentos ou créditos feitos pela empresa a seus empregados baseados nos Acordos Coletivos de Trabalho ACT dos anos 2004/2005, 2005/2006 e 2006/2007, firmados entre a empresa e os sindicatos. Segundo a autoridade lançadora nos referidos acordos estavam ausentes condições estabelecidas pela Lei nº 10.101/2000, que regula a matéria. Os ACTs foram realizados e assinados no mês de novembro de cada ano, ou seja, Acordo 2004/2005 Fl. 1481DF CARF MF Processo nº 10680.724920/201049 Acórdão n.º 9202007.142 CSRFT2 Fl. 10 17 assinado em 17 de novembro de 2004 (com pagamento da PLR em março/2005), acordo 2005/2006 assinado em 1º de novembro de 2005 (com pagamento da PRE em novembro e dezembro/2005 e PLR em março/2006) e Acordo 2006/2007 assinado em 30 de novembro de 2006 (com pagamento da PRE em dezembro/2006), o que implica na inexistência do estabelecimento prévio de “programas de metas, resultados e prazos”; que os referidos acordos, com relação ao pagamento da PLR, foram estabelecidos apenas para estipular valores e critérios para pagamento da mesma, ficando claro que estes pagamentos ou créditos não tinham qualquer pretensão ou objetivo de incentivar os trabalhadores a alcançar ganhos de produtividade no ano a que se referiam, visto que o mesmo já havia transcorrido; que no presente caso, a rubrica PLR poderia ser caracterizada como qualquer outra rubrica componente da remuneração dos segurados empregados, integrando o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos; que o valor a ser distribuído a cada trabalhador é composto de duas parcelas: a) parcela fixa, correspondente a 50% do valor a ser distribuído, dividido pelo número de empregados; b) Parcela variável, correspondente a 50% do valor a ser distribuído, multiplicado pelo salário base do empregado em dezembro de cada ano, dividido pelo total da folha de salários base de dezembro de cada ano. Decidiu o acórdão recorrido, em síntese, que os acordos não estipulavam qualquer objetivo extraordinário não habitual a servir de parâmetro de perseguição pelos trabalhadores, tampouco informavam como se daria a aferição dos resultados alcançados, limitandose a estipular que a participação corresponderia a 3% do Resultado Operacional da Cemig; que inexiste, igualmente, nos planos de PLR qualquer animus de incentivo à produtividade ou de dedicação de excelência, superior à habitual, por parte dos trabalhadores, na medida em que tal comprometimento pessoal com os resultados da empresa é irrelevante para o cálculo do ganho que cada trabalhador irá auferir; que a única regra existente que vincula a quota que cada um irá receber tem relação direta com a fração do ano que cada trabalhador esteve vinculado à empresa; que se trabalhou o ano inteiro, recebe o benefício integral, se trabalhou 03 meses, recebe 25% do valor do benefício, e assim por diante. E concluiu que tais condições contrariam o disposto no §1° do artigo 2° da Lei 10.101/2000, ao não fixar regras claras e objetivas quanto à fixação dos princípios, critérios e condições para o efetivo pagamento da participação nos lucros ou resultados, inclusive os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado e que, nessas condições, as participações nos lucros correspondem, em verdade, a um complemento salarial, sendo correta a exigência das contribuições previdenciárias sobre essas verbas. A Contribuinte, por sua vez, sustenta a denecessidade do estabelecimento de metas ou resultados; sustenta que a lei não determina que os critérios e condições a serem estabelecidos devam ser, obrigatoriamente, o estabelecimento de metas ou resultados. O cerne da questão a ser decidida, portanto, é se, nas condições específica do caso, atendeuse ou não às condições legalmente estabelecidas para a caracterização da distribuição de lucros e resultados e a sua exclusão do conceito de saláriodecontribuição. A Lei nº 8.212/1991, trouxe na alínea “j” do § 9º do seu art. 28 a hipótese de não incidência tributária contida no inciso XI, do art. 7º da CF/88, excluindo do campo de tributação das contribuições previdenciárias as importâncias pagas, creditadas ou devidas a título de PLR, sempre que estas verbas forem pagas de acordo com a lei própria de regência, in casu, a Lei nº 10.101/2000: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991: Fl. 1482DF CARF MF 18 Art. 28 – [...] §9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Por sua vez, a Lei nº 10.101, de 2000 regulou a participação dos trabalhadores nos lucros, e ao fazelo estabeleceu parâmetros bem definidos e que não podem ser desprezados. Confirase: Lei nº 10.101 de 19 de dezembro de 2000: Art.1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, O acordo deve ser assinado antes do início do cumprimento das metas, ou seja, antes de iniciado o período de apuração da PLR, não se aceitando a assinatura depois que parte das metas já foram cumpridas ou quando os resultados já são conhecidos. §2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. [...] Art. 3º A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1º Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Fl. 1483DF CARF MF Processo nº 10680.724920/201049 Acórdão n.º 9202007.142 CSRFT2 Fl. 11 19 §3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4º A periodicidade semestral mínima referida no §2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. §5º As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. §1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. §2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. §3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. §4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Como ressaltado anteriormente, a regra é a incidência da contribuição sobre os rendimentos pagos, o que pode se realizar sobre diferentes rubricas. A exclusão à regra geral, é exceção, regra especial. E, logicamente, aquilo que não está na exceção, está na regra geral. Ora, se, no caso, a norma especial prevê que somente se exclui do salário de contribuição os valores correspondentes a PLR distribuídos na forma preconizada em lei, qualquer pagamento feito fora dessas condições deve ser enquadrado na regra geral, isto é, integra o saláriodecontribuição. É a lei nº 10.101, de 2000 que estabece as condições para a participação dos empregados nos lucros das empresas. E, como vimos, o art. 28, § 9º, “j”, remete a hipótese de exclusão dos pagamentos do PLR à lei. E como vimos, no presente caso, as disposições dos Acordos Coletivos de Trabalho, quanto à participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, não atendem aos requisitos da lei. Logo, os pagamentos de parcelas referentes a essas parcelas devem integrar o saláriodecontribuição. Dessa forma, em relação ao PLR, entendo que restaram descumpridos os requisitos legais, razão pela qual nego provimento ao recurso também nesta parte. Fl. 1484DF CARF MF 20 Finalmente, quanto à matéria “c” – retroatividade benigna da multa aplicada a matéria em discussão diz respeito à definição da(s) penalidade(s) aplicável(eis) no caso de lançamento de ofício quando se apure infrações relacionadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, após as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, em razão da aplicação do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir reproduzido: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Como vimos do relatório, tanto a contribuinte quanto a Fazenda Nacional propuseram a rediscussão dessa matéria. Portanto, as considerações e conclusões a seguir aplicamse a ambos os apelos. Registrese, inicialmente, que o presente processo trata de lançamento para exigência de obrigação principal, acrescido de multa de ofício, multa de mora e juros de mora, conforme se verifica demonstrativo de débito do Auto de Infração, às efls. 05 a 17, relacionado aos mesmos fatos objeto do lançamento para formalização de exigência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória para o qual foi instaurado o processo nº 10680.724923/201082, apenso a este. Antes das alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, a Lei nº 8.212, de 1991 previa, para os casos de lançamentos de ofício de contribuições sociais de que trata os incisos “a”, “b” e “c”, do parágrafo único, do art. 11, a incidência de uma penalidade para o caso de falta de declaração em GFIP de verba tributável (art. 32, § 5º) e outra penalidade pelo recolhimento insuficiente (art. 35, II). Eis a redação dos referidos dispositivos, antes da MP nº 449, de 2008: Art. 32. A empresa é também obrigada a: [...] § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. [...] Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: [...] II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 1485DF CARF MF Processo nº 10680.724920/201049 Acórdão n.º 9202007.142 CSRFT2 Fl. 12 21 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Incidiam, portanto, duas penalidades para duas infrações materialmente distintas: a falta de declaração de verba tributável e o recolhimento insuficiente do tributo. A partir da vigência da Medida Provisória nº 449, de 2008, essas duas penalidades foram substituídas por uma só: a multa prevista no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. Vejamos: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, prevê: Art. 44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de Fl. 1486DF CARF MF 22 não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e II – (VETADO). Para aferir qual a penalidade mais benigna, se a prevista anteriormente à Medida Provisória nº 449, de 2008 ou a posterior à mudança legal, devemos sopesar, consideradas as naturezas materiais das infrações previstas, isto é, a relação entre as condutas e as infrações previstas, aquela menos onerosa para o infrator, conforme entendimento consolidado na Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016): AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Como, para as duas condutas: a falta de declaração e o pagamento insuficiente, para as quais a legislação anterior previa a incidência de duas penalidades, cumulativamente, a nova legislação prevê apenas a incidência de uma única penalidade, na aplicação da retroatividade benigna, devese comparar a soma das multas previstas (arts. 35, II, e 32, § 5o, da Lei n° 8.212, de 1991) à multa prevista na nova legislação (art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991). Fl. 1487DF CARF MF Processo nº 10680.724920/201049 Acórdão n.º 9202007.142 CSRFT2 Fl. 13 23 Mais especificamente, como a nova legislação prevê multa de 75%, na ausência de evidente intuito de fraude, haverá retroatividade benigna se a penalidade aplicável, segundo a legislação vigente à época do lançamento, ultrapassar esse percentual. No caso de incidência das multa previstas nos §§ 4º e 5º, do art. 32 e do art. 35, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, na redação anterior à MP nº 449, de 2008, se a soma das duas penalidades for superior a 75%. No caso de aplicação, por qualquer razão, de apenas uma das penalidades, a comparação deve ser feita com o valor desta. Esse é o entendimento compatível com a posição da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, segundo entendimento também consolidado neste Colegiado, conforme voto proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: Fl. 1488DF CARF MF 24 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 10680.724920/201049 Acórdão n.º 9202007.142 CSRFT2 Fl. 14 25 No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Fl. 1490DF CARF MF 26 A citada Portaria nº 14, de 2009, que, vale ressaltar, está em perfeita consonância com a jurisprudência do CARF, é clara quanto aos procedimentos a serem observados para aplicação, em cada caso, da retroatividade benigna. Vejamos: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 10680.724920/201049 Acórdão n.º 9202007.142 CSRFT2 Fl. 15 27 imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Assim, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Registrese, por fim, que o fato de os lançamentos referentes às exigências do imposto e da multa por descumprimento de obrigação acessória terem sido formalizadas em autos apartados, em nada altera o critério de aplicação da penalidade mais benéfica. Que fique claro, todavia, que o aqui decidido se aplica a este processo e ao processo nº 10680.724923/201082, que cuida do lançamento para exigência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, examinado conjuntamente. Em face ao exposto, conheço do recurso da Fazenda Nacional e doulhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, assim como lançado; consequentemente, nego provimento ao recurso da Contribuinte quanto a esta matéria. Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso interposto pela Contribuinte e negolhe provimento, e conheço do recurso interposto pela Fazenda Nacional, e doulhe provimento. Fl. 1492DF CARF MF 28 Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 1493DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.662119/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.
Numero da decisão: 1201-002.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 21 19 /2 01 2- 16 Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10880.662119/201216 Acórdão n.º 1201002.514 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Pedido de Restituição eletrônico PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte a fim de compensar pretenso saldo credor de IRPJ referente ao 4ª trimestre/2007. Por meio do despacho decisório de fls., o pedido foi indeferido, sob a alegação de que o DARF informado como origem do crédito já teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito declarado. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Alega, em síntese: (i) que o crédito é legítimo, uma vez que, por exercer atividade consistente na prestação de serviço hospitalar, faria jus ao direito de aplicação do percentual de presunção do lucro de 8% para IRPJ, e não de 32%, como equivocadamente considerou nas suas apurações; e (ii) que retificou as declarações (DIPJ e DCTF), ainda que em momento posterior ao despacho decisório. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que o contribuinte não faria jus ao enquadramento do percentual de presunção de 8%. Cientificada da decisão de piso, a empresa interpôs recurso voluntário por meio do qual reitera as razões de defesa, bem como alega que possui decisão judicial que reconheceu o direito de aplicar o percentual de 8%, e não 32%. É o relatório. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10880.662119/201216 Acórdão n.º 1201002.514 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.511, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.662116/2012 74, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.511): Conforme visto no tópico do relatório, o presente litígio diz respeito ao enquadramento ou não do objeto social da Recorrente no conceito de serviços hospitalares. Assim, caso seja verificado que a empresa presta serviço hospitalar, cabível o reconhecimento do direito creditório. Caso contrário, ou seja, uma vez verificado que a atividade desenvolvida é outra, correto o indeferimento do pedido de restituição. Nesse contexto, e por mais esforços que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento e a decisão da DRJ tenham empreendido no sentido de afastar o enquadramento da atividade da empresa enquanto serviço hospitalar, o fato é que a Recorrente ajuizou ação judicial que tem por objeto justamente o reconhecimento do direito de se valer do referido percentual de 8% às suas atividades. De fato, o contribuinte possui sentença que deu provimento à ação judicial por ele ajuizada e, inclusive, já transitou em julgado o reconhecimento do direito de se valer do percentual de 8% para fins de lucro presumido. Abaixo copio o quadro do movimento do processo disponibilizado eletronicamente e transcrevo o resumo da demanda, respectivamente: PROCESSO 002259987.2013.4.03.6100 MOVIMENTAÇÃO PROCESSUAL Todas as Movimentações Seq Data Descrição 40 23/01/2015 ARQUIVAMENTO DOS AUTOS Receb.Guia: 542/2014 (7a. Vara) Pac.: 610007000412 39 05/12/2014 BAIXA DEFINITIVA ARQUIVO conf. Guia n.542/2014 (7a. Vara) Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10880.662119/201216 Acórdão n.º 1201002.514 S1C2T1 Fl. 5 4 38 28/11/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: DESPACHO DE FLS. 91 37 30/10/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE DESPACHO/DECISAO ,PAG. 39/41 36 08/10/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE DESPACHO/DECISAO 35 08/10/2014 RECEBIMENTO DO JUIZ C/ DESPACHO/DECISAO 34 06/10/2014 AUTOS COM (CONCLUSAO) JUIZ PARA DESPACHO/DECISAO 33 06/10/2014 TRANSITO EM JULGADO Data do Último Prazo: 23/09/2014 Complemento Livre: PARA PARTES 32 27/08/2014 RECEBIMENTO DA FAZENDA NACIONAL 31 27/08/2014 RECEBIMENTO NA SECRETARIA 30 18/08/2014 REMESSA EXTERNA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL VISTA 29 12/08/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: 28 16/07/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE SENTENCA ,PAG. 35/55 27 02/07/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE SENTENCA Tratase de ação ordinária, com pedido de tutela antecipada, em que postula a autora a inexigibilidade do percentual de presunção de 32% na aplicação do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pelo regime de apuração do lucro presumido às atividades hospitalares, reconhecendose como corretos os percentuais de 8% e 12%, respectivamente.Alega que, por se tratar de pessoa jurídica prestadora de serviços médicos de pronto socorro junto ao Hospital São Luiz Unidade Itaim, atendendo em média 7.600 pacientes por mês, tem direito ao recolhimento dos tributos pelas alíquotas menores asseguradas aos prestadores de serviços hospitalares.Sustenta que a Receita Federal vinha reconhecendo às clínicas médicas o enquadramento tributário na qualidade de prestadores de serviços hospitalares, entendimento que foi alterado após a edição do Ato Declaratório Interpretativo 19/2007 e da Instrução Normativa RFB n 791/2007, com as alterações da IN n 1234/2012, que restringiram a possibilidade de enquadramento da grande maioria das clínicas na tributação presumida da renda sob os percentuais minorados.Entende que a Receita Federal não poderia criar um novo conceito de serviços hospitalares dissociado do Direito Privado, o que determina sejam afastados os atos impugnados. Como se nota, a discussão que foi travada no processo judicial direito à aplicação do percentual de 8% para fins de IRPJ no lucro presumido tem o mesmo objeto do que se postula no recurso voluntário ora interposto. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10880.662119/201216 Acórdão n.º 1201002.514 S1C2T1 Fl. 6 5 Nesses casos, cabível a aplicação da Súmula CARF nº 1, que assim dispõe: importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em razão, então, da concomitância apontada, NÃO CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.103648/2004-42
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2001
SIMPLES. EXCLUSÃO.
Constatado que o sócio ou titular da recorrente participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e que a receita bruta global ultrapassou o limite legal, correta a exclusão da contribuinte do Simples.
Numero da decisão: 1001-000.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2001 SIMPLES. EXCLUSÃO. Constatado que o sócio ou titular da recorrente participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e que a receita bruta global ultrapassou o limite legal, correta a exclusão da contribuinte do Simples.
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EXCLUSÃO. Constatado que o sócio ou titular da recorrente participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e que a receita bruta global ultrapassou o limite legal, correta a exclusão da contribuinte do Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 10 36 48 /2 00 4- 42 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 11080.103648/200442 Acórdão n.º 1001000.774 S1C0T1 Fl. 42 2 A recorrente postula pela reforma da decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Porto Alegre (RS), mediante o Acórdão nº 1020.043, de 24/06/2009 (efls. 24/25). Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos não constam do original) Trata o presente processo de exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples, promovida pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/POA n° 548.213, emitido em 0208 2004, fl. 19, sob o fundamento de o sócio ou titular da pessoa jurídica participar de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global ter ultrapassado o limite legal, fato que veda a opção pelo Simples, de acordo com o disposto na Lei n° 9.317/1996. Em 27092004, a interessada apresentou SRS, fl. 01, contestando a exclusão, alegando que a receita de equivalência patrimonial não integra a sua Receita Bruta global. Solicita a sua revisão. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme as fundamentações exaradas mediante o voto condutor, a seguir transcritas: Analisando a documentação acostada aos autos e os argumentos da contribuinte, observamos não serem procedentes suas alegações, tendo em vista que a sócia, Sra. Maria Aparecida Rotta Wagner, participava de outra sociedade com mais de 10% do capital social, fl. 01 a 07, cujo total das receitas ultrapassou o limite legal; portanto, não sendo permitido que a contribuinte fosse optante pelo sistema simplificado de tributação, conforme inciso IX do art. 9° Lei n° 9.317/1996. Ressaltamos que mesmo a receita de equivalência patrimonial não integrando a Receita Bruta, a empresa NR Administração participa em várias outras empresas, portanto também pertencentes, na sua proporção, à Sra. Maria Aparecida Rotta Wagner, sendo que a Receita Bruta global ultrapassa o limite legal, fl. 01. Diante do exposto e de tudo que do processo consta, voto no sentido de INDEFERIR a solicitação da contribuinte, mantendo o Ato Declaratório Executivo DRF/POA n° 548.213, fl. 19, e seus efeitos. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2001 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. PARTICIPAÇÃO DE SÓCIO EM OUTRA EMPRESA. Participando um sócio do capital Social de Outra pessoa jurídica com mais de 10% e a receita bruta global tendo ultrapassado o limite legal, não pode a empresa ser optante do SIMPLES. Solicitação Indeferida Fl. 42DF CARF MF Processo nº 11080.103648/200442 Acórdão n.º 1001000.774 S1C0T1 Fl. 43 3 Ciente da decisão de primeira instância em 08/09/2009, conforme Aviso de Recebimento à efl. 27, a recorrente apresentou recurso voluntário em 22/09/2009, (efls. 28/31), conforme carimbo aposto à efl. 28. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre a exclusão do Simples Federal, conforme dispôs o Ato Declaratório Executivo DRF/POA, n° 548213, de 02 de Agosto de 2004 (efl. 21) em virtude da seguinte situação excludente: sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no anocalendário de 2001 ultrapassou o limite legal. CPF 387.542.66068, CNPJ 87.339.776/000119 04.767.194/000106 Data da ocorrência: 31/12/2001" (grifei) As vedações à opção, a exclusão do Simples Federal bem como os seus efeitos estão regulamentados pelos artigos 9° e 12 a 15, todos da Lei nº 9.317/96, que assim dispõem: (grifos não constam do original) DAS VEDAÇÕES À OPÇÃO Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2° ; Aqui abro uma pausa para a transcrição do referido dispositivo quanto ao limite de receita: Art. 2° Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: II empresa de pequeno porte, a pessoa jurídica que tenha auferido, no anocalendário, receita bruta superior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) e igual ou inferior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998) E retornando à Lei nº 9.317/96, temos: DA EXCLUSÃO DO SIMPLES Fl. 43DF CARF MF Processo nº 11080.103648/200442 Acórdão n.º 1001000.774 S1C0T1 Fl. 44 4 Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; (...) Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; (...) Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º;(Redação dada pela Medida Provisória n°215835, de 2001) No recurso interposto a recorrente alega que "no caso em espécie somente poderia ter sido considerada, para fins de computo da receita bruta global, a receita bruta da recorrente..." e que "jamais poderia ter sido considerada a receita bruta de outras empresas, como se fosse parte da receita da empresa recorrente". Em sua argumentação, a recorrente cita o princípio da entidade, discorre sobre a definição da receita bruta e alega que "a receita de equivalência patrimonial não integra a receita bruta como bem salientado no voto do relator" Não encontra espeque na Lei nº 9.317/96 o argumento da recorrente de que "somente poderia ter sido considerada, para fins de computo da receita bruta global, a receita bruta da recorrente". No inciso IX, do artigo 9°, transcrito acima, está bem claro que a receita bruta global não pode ultrapassar o limite de que trata o inciso II do art. 2°, não cabendo, portanto, a aplicação do princípio da entidade. Portanto, não merece reparo a decisão de primeira instância, cuja razão de decidir adiro, em cumprimento ao disposto no §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999. Fl. 44DF CARF MF Processo nº 11080.103648/200442 Acórdão n.º 1001000.774 S1C0T1 Fl. 45 5 Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose a exclusão a empresa do Simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 45DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11618.000773/2006-58
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. COMPROVANTE DE RETENÇÃO.
O comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora em desacordo com a IN SRF nº 119/00 que possui todas as informações necessárias para verificação do rendimento auferido e da retenção efetuada, e que está em harmonia com as demais provas dos autos não obsta o reconhecimento do direito creditório nele lastreado.
Numero da decisão: 1302-000.629
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. O comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora em desacordo com a IN SRF nº 119/00 que possui todas as informações necessárias para verificação do rendimento auferido e da retenção efetuada, e que está em harmonia com as demais provas dos autos não obsta o reconhecimento do direito creditório nele lastreado.
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COMPROVANTE DE RETENÇÃO. O comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora em desacordo com a IN SRF nº 119/00 que possui todas as informações necessárias para verificação do rendimento auferido e da retenção efetuada, e que está em harmonia com as demais provas dos autos não obsta o reconhecimento do direito creditório nele lastreado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Fl. 304DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11618.000773/200658 Acórdão n.º 130200.629 S1C3T2 Fl. 296 2 Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade e Daniel Salgueiro da Silva. Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 3ª Turma da DRJ/REC, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2001 RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado se o contribuinte possuir comprovante hábil de retenção em seu nome. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: A interessada acima qualificada apresentou a Declaração de Compensação DCOMP retificadora de fls. 16/27, por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ com débitos de sua responsabilidade. O crédito inicial informado, no valor de R$ 160.380,40, seria decorrente de saldo negativo do imposto apurado em 31/12/2001. 2. Através do Despacho Decisório de fls. 171/172, o Delegado da Receita Federal em João Pessoa reconheceu parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 157.288,17, e homologou as compensações até o limite do crédito reconhecido. A decisão teve por base as Declarações de Imposto Retido na Fonte – DIRFs entregues pelas fontes pagadoras, conforme expresso no Parecer DRF/JPA/SAORT nº 395/2007 (fls. 164/169). 3. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 189/191), alegando, em síntese, que possui comprovantes das retenções nos valores informados na DIPJ e na DCOMP, pelo que requer o reconhecimento integral do crédito. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: o órgão colegiado a quo manteve decisão da DRF que glosou o direito creditório no valor de R$3.278,44 referente ao Imposto de Renda retido da recorrente pelo Unibanco, em razão do auferimento de rendimentos financeiros. Restou comprovado, todavia, Fl. 305DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11618.000773/200658 Acórdão n.º 130200.629 S1C3T2 Fl. 297 3 que o Unibanco realizou a retenção no montante de R$3.278,44 referente ao Imposto de Renda devido em virtude de rendimentos financeiros. Assim, não pode ser privada de seu direito por conduta a ela não imputada, mas ao Unibanco, que, nos termos do art. 733 do RIR/99, deve elaborar o documento. Mas, apesar de o documento não atender ao modelo aprovado na IN SRF nº 119/00, ele é hábil para demonstrar que a retenção do Imposto de Renda foi efetivamente realizada. Além disso, fez constar todas as informações necessárias à RFB para identificar o crédito objeto da presente demanda. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Comprovação de Retenção na Fonte por documento fornecido pela fonte pagadora em desacordo com a Instrução Normativa que aprova o modelo de comprovante de retenção de IRRF relativos a rendimentos pagos ou creditados O caso vertente trata de declarações de compensação que utilizam o crédito relativo a saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2001. O direito creditório pleiteado no valor de R$ R$ 160.380,40 foi reconhecido em parte (R$157.288,71). O despacho decisório indeferiu o crédito lastreado em retenções na fonte derivada de rendimentos em aplicações financeiras junto ao Unibanco, decorrentes da aquisições de CDB, no valor de R$ R$3.278,44, devido à ausência de DIRF relativa a tal retenção. O contribuinte alegou possuir comprovantes de retenção que demonstravam o valor efetivamente retido, mas o acórdão prolatado na DRJ manteve a decisão tomada no despacho decisório porque os documentos apresentados estão em desacordo com as norma administrativas da RFB que regem sua elaboração. A recorrente se insurgiu contra tal decisão, alegando que restou comprovado, todavia, que o Unibanco realizou a retenção no montante de R$3.278,44 referente ao Imposto de Renda devido em virtude de rendimentos financeiros. Assim, não pode ser privada de seu direito por conduta a ela não imputada, mas ao Unibanco, que, nos termos do art. 733 do Fl. 306DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11618.000773/200658 Acórdão n.º 130200.629 S1C3T2 Fl. 298 4 RIR/99, deve elaborar o documento. E, ainda, apesar de o documento não atender ao modelo aprovado na IN SRF nº 119/00, ele é hábil para demonstrar que a retenção do Imposto de Renda foi efetivamente realizada. Além disso, fez constar todas as informações necessárias à RFB para identificar o crédito objeto da presente demanda. Acostou cópia do livro razão (fl.293) que efetua a contabilidade das retenções mencionadas, bem como demonstrativo sintético (fl. 292) que resume as retenções já demonstradas nos documentos de fls.215/220. Afirma que inseriu os rendimentos na ficha 43B da DIPJ. Apesar de não constar do processo a DIPJ, nenhuma dúvida sobre tal inclusão foi aventada nem no despacho decisório nem no acórdão prolatado pela DRJ. As aplicações finaceiras, os rendimentos e as retenções a eles relativas objetos da presente contenda (fls. 215/220) são abaixo discriminados: Nº da Nota de Compra de Títulos Aplicação Resgate Valor da operação Rendimento IR retido Batimento 20% Calculado 240.558.064 05/06/01 06/07/01 54.382,77 771,54 154,30 154,31 240.570.260 05/06/01 06/08/01 53.358,70 1.536,62 307,32 307,32 240.596.430 05/06/01 04/09/01 53.136,64 2.329,20 465,84 465,84 240.599.929 05/06/01 03/10/01 52.545,91 3.067,61 613,52 613,52 240.619.559 05/06/01 08/11/01 51.843,82 3.945,22 789,04 789,04 240.636.226 05/06/01 11/12/01 51.206,32 4.742,10 948,42 948,42 Total 16.392,29 3.278,44 3.278,46 Os documentos apresentados pela recorrente, embora não sejam elaborados nos termos previstos na legislação infralegal, demonstram a efetividade das retenções. Por outro lado, ficou também demonstrada sua contabilização no livro razão. Além disso, o valor pleiteado está corretamente calculado, conforme somatória realizada na tabela acima. Não vejo, assim, razão para privalá do aproveitamento de tal direito, porquanto não pode o direito líquido de crédito relativo ao imposto retido ser obstado por inobservância da forma de prestação do documento que demonstra a ocorrência da retenção, especialmente porque não cabia a ela elaborálo, mas à fonte pagadora. Do contrário, seria a recorrente penalizada por falta que não se lhe pode atribuir. Além disso, estarseia privilegiando norma infralegal (IN SRF 119/00) em detrimento da norma legal (art.2º, §4º, III, da Lei nº 9430/96, in verbis): Lei nº 9.430/96 Art.2º... § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real;(grifo meu) Fl. 307DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11618.000773/200658 Acórdão n.º 130200.629 S1C3T2 Fl. 299 5 A jurisprudência desta Corte Administrativa coleciona precedente neste sentido, senão vejamos: Acórdão 10196897 Relator: Sandra Maria Faroni RESTITUIÇÃOCOMPENSAÇÃO Existindo o documento de pagamento e retenção fornecido pela fonte, e não havendo nos autos sequer indício de que o rendimento recebido e informado pela fonte pagadora no documento não tenha integrado a base de cálculo do período, descabe glosar a retenção compensada de acordo com o documento fornecido pela fonte, com base exclusivamente nos valores informados na DIRF. Assim, voto para dar provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório no valor de R$3.278,44, e homologando as compensações até este valor. Sala das Sessões, 30 de junho de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 308DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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