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Numero do processo: 10825.720693/2012-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/10/2009
PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT). APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT (Súmula CARF nº 20).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 30/10/2009 PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT). APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT (Súmula CARF nº 20). Recurso Voluntário Negado.
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INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 30/10/2009 PRODUTO NÃO TRIBUTADO (“NT”). APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT (Súmula CARF nº 20). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 06 93 /2 01 2- 52 Fl. 726DF CARF MF 2 Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue transcrito: Tratase de impugnação ao Auto de Infração das fls. 233/242, lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru/SP para formalizar a exigência da multa sobre o IPI não lançado com cobertura de créditos, no percentual de 75%, importando o crédito tributário em R$ 207.632,05, à época da autuação. Segundo o Termo de Verificação e Constatação Fiscal das fls. 265/272, o procedimento fiscal objetivou apurar a legitimidade dos créditos do IPI objeto de pedidos de ressarcimento, sendo apuradas em seu curso as seguintes infrações: a) falta de lançamento do imposto nas saídas de águas gaseificadas classificadas no código 2201.10.00 da TIPI, aprovada pelo Decreto n° 6.006, de 2006, que a fiscalização entendeu como não se enquadrarem na notação “NT” e sim estarem sujeitas à incidência do IPI por unidade nos termos da Nota Complementar [NC(222)] do respectivo capítulo; b) créditos básicos indevidos referentes a: i) aquisição de insumos para a fabricação de produtos “NT”; ii) aquisição de produtos diversos que não se enquadram como MP, PI e ME; e iii) aquisição de insumos utilizados em comum em produtos “NT” e tributados, que foram rateados de acordo com tabela de utilização fornecida pelo contribuinte. A fiscalização elaborou demonstrativos dos valores que deixaram de ser lançados por produto e por decêndio, das glosas de créditos, dos saldos da escrita fiscal antes da reconstituição e da reconstituição da mesma, conforme anexos das fls. 273/596 que compõe o presente auto de infração. O enquadramento legal das infrações se deu com base nos art°s. 24, inciso II e III, 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 127, 139, §§ 1° e 2°, 140, 142, 143, 149, 150, 199 e parágrafo único, 200, inciso IV, 202, inciso II, do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002). A multa de ofício está sendo exigida com arrimo no art. 80, inciso I e II, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelos art. 45 da Lei n° 9.430/96; art. 46, §§ 1º e 2º da da Lei n° 9.430/96; no art. 80 da Lei n° 4.502/64 com a redação dada pelo art. 13 da Medida Provisória nº 351, de 2007; e no art. 80 da Lei n° 4.502/64 com a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488, de 2007, conforme a época de ocorrência dos fatos geradores. Devidamente cientificada, a autuada vem, tempestivamente, por intermédio de seus procuradores credenciados pelos documentos das fls. 618/623, defenderse da imputação pelo arrazoado das fls. 602/, cujas alegações, em síntese se transcreve: (...) a) em relação aos valores da MULTA ISOLADA e dos débitos de IPI apurados, relativos ao período de janeiro de 2008 a outubro de 2009, o presente AUTO é improcedente , porque: Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10825.720693/201252 Acórdão n.º 3302005.329 S3C3T2 Fl. 727 3 a.i) a MULTA ISOLADA é descabida , na medida em que nenhuma obrigação acessória deixou de ser cumprida pela IMPUGNANTE, já que nas notas fiscais por ela emitidas o lançamento do IPI apenas não se materializou por entender a IMPUGNANTE que a água mineral natural gaseificada era (e é) produto não tributável pelo imposto (ou seja , não houve descumprimento de obrigação acessória por suposta ausência de lançamento do imposto , mas tãosomente a indicação de que o referido imposto não era devido, porquanto o produto era não tributável); a.ii) o produto comercializado pela IMPUGNANTE, qual seja , água mineral natural gaseificada, não é tributado pelo IPI , uma vez que o fato desse produto ser gaseificado artificialmente não descaracteriza a sua condição de água mineral natural, sendo também abrangido pela Ex 01 da subposição 2201.10.00 da TIPI , cuja notação é NT e b) em relação à glosa dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos empregados tanto na fabricação de água mineral natural quanto da água mineral natural gaseificada, relativos ao período de janeiro de 2008 a outubro de 2009, o presente AUTO é improcedente, porque a IMPUGNANTE tem direito ao crédito de IPI incidente na aquisição de insumos empregados na fabricação da água mineral natural e da água mineral natural gaseificada, em razão do princípio constitucional da não cumulatividade e c) ainda que seja mantido o auto de infração , o que se admite apenas para argumentar, deve ser mantido o crédito de IPI relativo à aquisição de insumos empregados na água mineral natural gaseificada, porque admitida a sua tributação pelo IPI. (...) Por fim, pede que seja cancelado o auto de infração e a ordem de estorno dos respectivos créditos. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, foi declarada definitiva na esfera administrativa a glosa não expressamente impugnada e julgada procedente em parte a impugnação, para cancelar integralmente a exigência da multa de ofício sobre o IPI não lançado com cobertura de créditos e manter parcialmente a determinação do estorno dos créditos glosados, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 30/10/2009 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. As águas minerais naturais, com ou sem gás, classificamse no código 2201.10.00, “ex” 01, da TIPI (RGI/SH 1 e 6 e RGC), que corresponde à notação NT na TIPI. CRÉDITOS DO IPI. PRODUTOS NT. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 728DF CARF MF 4 Os estabelecimentos industriais ou equiparados somente podem creditarse de insumos (MP, PI e ME) a serem aplicados em produtos tributados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Considerase não impugnada a matéria não expressamente contestada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Exonerado Em 20/12/2013, a recorrente foi cientificada da decisão. Inconformada com o provimento parcial da impugnação, em 26/12/2013, a recorrente juntou aos autos o recurso voluntário de fls. 676/683, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória quanto ao direito de creditarse do IPI pago na aquisição de insumos empregados na fabricação de produtos não tributados (“NT”). É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A matéria litigiosa remanescente cingese ao direito de creditarse do IPI pago na aquisição de insumos empregados na fabricação de produtos não tributados (“NT”). Nos presentes autos, embora o Colegiado de julgamento de primeiro grau tenha reconhecido e decidido, em caráter definitivo, que “às águas minerais naturais, com e sem gás, aplicase o ‘Ex’ 01 Águas minerais naturais”, que tem a anotação Não Tributado (“NT”) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), a glosa em apreço referese apenas aos créditos relativos às águas minerais naturais sem gás. E em relação à este último produto não há qualquer dissenso de que ele seja produto com anotação “NT” na TIPI. Sabese que o direito de apropriação de créditos do IPI na aquisição de insumos aplicados nos produtos classificados na TIPI como “NT” é matéria que se encontra pacificada no âmbito da jurisprudência deste Conselho. Aliás, a matéria foi objeto da Súmula CARF nº 20, que transcrita: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. O texto da referida Súmula não faz qualquer diferença entre os produtos classificados na TIPI como “NT”, logo significa que, diferentemente do alegado pela recorrente, com base no art. 195, II, do RIPI/2002, ela alcança todos os produtos com a anotação “NT” na citada Tabela, incluindo, os produtos imunes ao citado imposto. Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10825.720693/201252 Acórdão n.º 3302005.329 S3C3T2 Fl. 728 5 E diferentemente do que alegou a recorrente, os julgados paradigmas, que respaldaram a edição da referida súmula, induvidosamente, confirmam o entendimento aqui esposado de que o enunciado da citada súmula contempla, sem exceção, todos os produtos com a anotação “NT” na TIPI. A título de exemplo, mencionase o Acórdão nº 20216.141, que trata do aproveitamento de créditos do IPI destacados nas notas fiscais de aquisição de insumos utilizados na produção de água mineral natural com ou sem gás, classificada no código 2201.10.00 da NCM, e incluída no “Ex” 01 da TIPI com a anotação “NT”, o mesmo produto fabricado pela recorrente. Para que não reste qualquer dúvida a respeito, leiase o trecho extraído do voto condutor julgado que segue transcrito: Primeiramente registrase que não há controvérsia em relação a que o produto em relação ao qual postulase o ressarcimento de crédito dos insumos nele embutidos e classificado como não tributado (NT) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), sendo sua classificação fiscal, quer com relação à água natural ou gaseificada (água mineral natural adicionada de dioxido de carbono) 2201.10.00, EX 01. Esse entendimento está em consonância com o disposto no art. 6º da Lei 10.451/2002, a seguir reproduzido: Art. 6º O campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no4.070, de 28 de dezembro de 2001, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (não tributado). (grifos não originais) A simples leitura do citado preceito legal revela que todos os produtos com a anotação “NT” na TIPI estão fora do campo de incidência do imposto. E como a norma não fez qualquer exceção, certamente, não cabe ao intérprete fazêlo, especialmente, para fins de obtenção de benefício fiscal, que exige lei específica, nos termos do art. 150, § 6º, da Constituição Federal de 1988. No mesmo sentido, o entendimento manifestado no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 17 de abril de 2006, que segue transcrito: Art. 1º Os produtos a que se refere o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5ºdo Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002; Fl. 730DF CARF MF 6 II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na TIPI que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. De acordo com o citado ADI, em relação aos produtos amparados pela imunidade, o direito de apropriação de créditos do IPI, assegurado no art. 11 da Lei 9.779/1999 (matriz legal do art. 195, II, do RIPI/2002, citado pela recorrente) restringese aos produtos tributados na TIPI, que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Esse entendimento está em conformidade com o disposto no art. 6º da Lei 10.451/2002 e reflete a firme jurisprudência deste Conselho, explicitada por meio da Súmula CARF nº 20, de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, nos termos art. 45, VI, do Anexo II do RICARF/2015. Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 731DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.000761/2002-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1997, 1998
ERRO DE FATO.
Os erros de fato identificados devem ser corrigidos em novo Acórdão,
Numero da decisão: 1201-001.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, com efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente, Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Leonam Rocha de Medeiros; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1997, 1998 ERRO DE FATO. Os erros de fato identificados devem ser corrigidos em novo Acórdão,
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, com efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente, Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Leonam Rocha de Medeiros; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1341; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000761/200251 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.954 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de fevereiro de 2018 Matéria GLOSA DESPESAS/FALTA ADIÇÃO AO LUCRO REAL Recorrente GLAXO WELLCOME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1997, 1998 ERRO DE FATO. Os erros de fato identificados devem ser corrigidos em novo Acórdão, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, com efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente, Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Leonam Rocha de Medeiros; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório Trata o processo dos autos de infração de págs. 260/346: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 07 61 /2 00 2- 51 Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 18471.000761/200251 Acórdão n.º 1201001.954 S1C2T1 Fl. 3 2 a) que exige R$3.187.105,99 de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, devido às infrações: 001 CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS, GLOSA DE DESPESAS; 002 CUSTOS, DESPESAS PERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS; 003 BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO CUSTO OU DESPESA; 004 REMUNERAÇÃO INDIRETA A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO; 005 – ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NO LUCRO REAL, CONTRIBUIÇÕES E DOAÇÕES DEDUZIDAS INDEVIDAMENTE, sendo os fatos geradores em 31/12/1997 e 31/12/1998; b) que exige R$474.357,11 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, devido às mesmas infrações e fatos geradores; c) que exige R$110.797,90, de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, devido às infrações: 001 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE BENEFÍCIOS INDIRETOS, com fatos geradores em 31/12/1997 e 31/12/1998. 2. Cientificado em 19/04/2002, o contribuinte apresentou impugnação e a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasilia/DF DRJ/BSA, no Acórdão 10.810, de 20 de agosto de 2004, págs. 443/456, cancelou parte do lançamento da CSLL, relativo às glosa de despesas desnecessárias, por falta de previsão legal: 3. O contribuinte apresentou o recurso voluntário, págs. 465/485, que foi objeto do Acórdão n° 110100.026, de 13 de março de 2009, do Primeiro Conselho de Contribuintes CC, que reduziu a matéria tributável pelo IRPJ e pela CSLL, nos valores a seguir: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para reduzir da matéria tributável relativa ao IRPJ e à CSLL o valor de R$3.274.544,54 para o anocalendário de 1997e R$1.983,623,84, para o ano calendário de 1998. Vencido o Conselheiro José SérgioGomes (Suplente Convocado), que mantinha a glosa das despesas com remuneração indireta, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 18471.000761/200251 Acórdão n.º 1201001.954 S1C2T1 Fl. 4 3 4. As ementas explicam a decisão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997, 1998 Ementa: DESPESAS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOSDeve . ser cancelada a glosa de despesas de prestação de serviços contabilizadas com lastro em documentos hábeis, para os quais a fiscalização não levantou qualquer suspeita quanto à usa idoneidade. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS Em se tratando de despesas usuais e normais no ramo de atividade da empresa, legítima sua dedução na apuração da base de cálculo. ALEGAÇÕES SEM PROVAS Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados. REMUNERAÇÃO INDIRETA As despesas com imóveis e e veículos não relacionados com a produção e comercialização dos bens e serviços, mas de uso de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros, as despesas com o aluguel dos imóveis e com combustíveis e lubrificantes, pagas pela pessoa jurídica, se caracterizariam como remuneração indireta dos beneficiários (usuários dos imóveis ou veículos), sendo dedutíveis na forma do art. 47 da Lei n° 6.404/64. CSLL Aplicase à CSLL o decidido em relação ao IRPJ, quanto aos fatos que influenciam, da mesma forma, ambas as exações. IRRF REMUNERAÇÃO INDIRETANão tendo havido a j individualização dos beneficiários, os valores caracterizados como remuneração indireta são tributáveis exclusivamente na fonte, à alíquota de35%. Recurso Parcialmente Provido. 5. A PFN apresentou Embargos de Declaração, inadmitidos; em seguida apresentou Recurso Especial de Divergência à CSRF, admitido em 18/02/2010. 6. Em 26/02/2010, (ainda não cientificado do Acórdão do CC) o contribuinte manifestou desistência parcial, para aderir ao parcelamento Lei nº 11.941, de 2009, págs. 1007/1011: Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 18471.000761/200251 Acórdão n.º 1201001.954 S1C2T1 Fl. 5 4 7. Em 06/06/2011, págs. 1076/1081 (e 1120/1125), a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro DEMAC/RJ, elaborou Informação Fiscal, destinada ao Grupo de Cobrança, visando a adequação do Crédito Tributário do que trata o presente PAF referente a IRPJ, CSLL e IRRF com a decisão proferida pelo CARF, através do Acórdão N° 110100.026 e a desistência parcial ao lançamento de ofício pelo contribuinte; os Demonstrativos estão às págs. 1116/1119 (fls.976/978, numeração manual com carimbo). 8. Em 10/06/2011, págs. 1082 e 1086, o contribuinte foi cientificado do Acórdão CC, recebeu também cópia do Recurso Especial da União, cópia do Exame de Admissibilidade do Recurso Especial e cópia da Informação Fiscal da Demac/RJ DEMAC, com análise dos valores a serem cobrados, e apresentou Embargos de Declaração, págs. 1087/1093, tempestivos, em 17/06/2011. 9. O teor dos mesmos é no sentido de que, se o Acórdão CC reconheceu como comprovada a parte das despesas que haviam sido objeto de glosa doa infração 001 com base nas notas fiscais juntadas no recurso voluntário, então toda a infração 001 deve ser cancelada, haja vista que o Autuante havia examinado todas as notas fiscais, porém glosou as despesas ao argumento de que a prestação dos serviços constantes das notas fiscais que lhe foram todas disponibilizadas, não havia sido prestada, ou seja, não por falta de apresentação das notas Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 18471.000761/200251 Acórdão n.º 1201001.954 S1C2T1 Fl. 6 5 fiscais se o CC entende que as NF comprovam, toda a infração deve ser cancelada, pelo mesmo critério. 10. Em 20/06/2011, o contribuinte apresentou Petição, págs. 1113/1115. Com efeito, a Requerente somente foi intimada de referido acórdão em 10.06.2011, ou seja, muitos meses após a adesão ao parcelamento da Lei n.° 11.941/2009, o que impossibilitou a correta e definitiva definição dos itens do auto de infração que deveriam ser objeto do parcelamento. Conforme se verifica das tabelas anexas, o Item 001 (parte mantida pelo Conselho de Contribuintes) é o único que se encontra em cobrança imediata e, que, portanto, pode acarretar diversos danos à Requerente, como, por exemplo, a inscrição em dívida ativa, o ajuizamento de execução fiscal, a negativa de expedição de certidão positiva com efeitos de negativa e a impossibilidade da participação em licitações. Diante do exposto e considerando a finalidade da edição da Lei n.° 11.941/2009, que foi justamente permitir aos contribuintes a regularização de todos os débitos tributários, quitandoos com redução de multa e juros e em parcelas, requerse seja deferida a inclusão do Item 001 do auto de infração de IRPJ ao parcelamento previsto na Lei n.° 11.941/2011, permitindose que toda a autuação de IRPJ seja consolidada e quitada à luz do mencionado diploma legal. 11. Em 27/06/2011, pags. 1129/1130, a Demac/RJ, em atendimento à Petição do contribuinte de págs. 1113/1115, emitiu a Informação Fiscal, com os Demonstrativos refeitos às págs. 1126/1128 (fls. 1027/1029, na numeração manual com carimbo). 12. Em 21/06/2011, págs. 1131/1139, o contribuinte apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial de Divergência da PFN, tempestivamente. 13. Em 13/07/2011, págs. 1147/1148, a Equipe de Cobrança da Demac/RJ: O contribuinte protocolizou Embargos de Declaração, fls. 989 a 995, e posteriormente petição, requerendo a inclusão de todos os débitos de IRPJ no parcelamento da Lei 11.941/2009. O despacho de fls. 1030 e 1031, procedeu ao recalculo dos valores incluídos no parcelamento, referente ao item 01 do Auto de Infração, conforme demonstrativos fls. 1027 a 1029. De acordo com este despacho e o demonstrativo de fl. 1029, parte do débito de IRPJ do período de apuração 1997 deve ser excluído, qual seja, o valor de R$ 308.871,24 do total de R$ 1.282.306,60, permanecendo no processo para ser enviado ao parcelamento o valor de R$ 973.435,36. £ j O contribuinte, neste ínterim, protocolizou Contrarrazões ao Recurso Especial da União, fls. 1031 a 1039. Em consulta ao sistema, verificase que todos os débitos do presente processo foram incluídos no parcelamento da Lei 11.941/2009. conforme extrato Sief fls.1043 a 1044, e assim, de acordo com o art. 13. § 3°. da Portaria Conjunta n.° 02. De fevereiro de 2011. o contribuinte desistiu automaticamente dos recursos interpostos. Desta forma, com relação ao IRPJ/1997, já estando os débitos na situação "controle parcelamento" não é possível fazer a alteração determinada no despacho de fls.1030 a 1031 (Obs. Tratamse das fls. 1129/1130 do processo, sendo aquela numeração a manual no carimbo aposto a cada página), qual seja a exclusão de parte do débito, que somente poderá ser feita quando o sistema permitir alterações nos débitos parcelados. 14. Em 20/08/2015, págs. 1217/1218, a Dicat/Demac/RJ, com referência à litigante, GLAXO WELLCOME S/A, CNPJ: 33.172.560/000182 (BAIXADA INCORPORAÇÃO), sendo incorporadora: GLAXOSMITHKLINE BRASIL LTDA, CNPJ: 33.247.743/000110, expôs duvidas quanto ao entendimento do decidido no Acórdão n° 110100.026, do Primeiro Conselho de Contribuintes: Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 18471.000761/200251 Acórdão n.º 1201001.954 S1C2T1 Fl. 7 6 15. O processo estava aguardando sistema para que os débitos fossem desmembrados, parte para o parcelamento e parte para julgamento do Recurso Especial da PFN, operação que neste momento é possível, sendo que a fase atual no SIEF é “Suspenso Julgamento do Recurso Voluntário”. Desta forma tem que ser informado o resultado parcial do julgamento do Recurso Voluntário, assim como o Recurso Especial da PFN, e o desmembramento de parte dos débitos para o parcelamento. O processo foi encaminhado para a EAC proceder ao cálculo do resultado do julgamento no Recurso Voluntário, assim como a determinação da parte que foi recorrida pela PFN e da parte que seria encaminhada ao parcelamento, o que propugnou os despachos de fls. 1120 a 1125, e o recálculo em relação ao IRPJ às fls. 1129 a 1130. No entanto, neste momento em que se faz necessária a informação do resultado do julgamento no sistema, não restou claro a conclusão dos despachos anteriormente exarados, uma vez que no recálculo dos valores de IRPJ, através das tabelas de fls. 1126 a 1128, o valor do IRPJ para o período de 1997, de R$ 308.871,24 consta como EXCLUÍDO, mas não está definido se este valor excluído foi objeto de Recurso Especial da PFN e está em litígio, ou deve ser exonerado ou mesmo cobrado. Assim como não está claro em relação ao valor de CSLL da tabela anterior, fls.1124, em que aparece parte da CSLL em cobrança imediata, parte no parcelamento e parte em litigio, se a situação permanece, ou seja, se em virtude da nova análise para inclusão do item 001 do Auto de Infração no parcelamento, a CSLL estaria em cobrança imediata ou incluída no parcelamento. Desta forma, diante das dúvidas na conclusão dos despachos exarados pela EAC, proponho a devolução do processo àquela equipe, para que seja definido os valores, conforme extrato do processo no SIEF, que estão em litígio no Recurso Especial da PFN e os que seguem para o parcelamento, ou eventualmente que devem ser exonerados ou estão em cobrança imediata, conforme resultado de julgamento do Recurso Voluntário, interposição do Recurso Especial pela PFN, e do pedido de parcelamento do contribuinte. 16. Em 22/12/2015, págs. 1219/1223, a EAC2/Demac/RJ emitiu Despacho Decisório, com base no questionamento anterior, expondo os fatos e requerendo: Conclusão Pelas razões expostas acima e pelos poderes concedidos pela lei 10.593 de 2002, proponho: • Encaminhar este processo para o CARF para esclarecimentos dos itens 19 a 23 e subitens deste despacho. • Após pronunciamento do CARF, volte este processo a esta divisão para o devido e correto cálculo dos débitos sob litígio, parcelas exoneradas e débitos a serem incluídos no parcelamento. • Após correta inclusão dos débitos no parcelamento, encaminhar o processo ao CSRF para análise do litígio ainda em curso. 17. Págs. 1224/1227, o Despacho Decisório supra foi admitido como Embargos Inominados. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora Competência para relatar. 18. A Portaria CARF nº 34, de 31 de agosto de 2015, dispõe: Art. 4º Os embargos contra acórdão prolatado por colegiado extinto, opostos anteriormente à vigência da Portaria MF nº 343, de 2015, com Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 18471.000761/200251 Acórdão n.º 1201001.954 S1C2T1 Fl. 8 7 análise de admissibilidade pendente, terão o seguinte tratamento: [...] II se o conselheiro relator, ou redator do voto vencedor, não mais integrar a Seção de Julgamento: a) a admissibilidade dos embargos poderá ser realizada pelo Presidente da Câmara a que a Turma extinta estava vinculada e, se admitidos, o processo deverá ser sorteado, no âmbito da Seção, para relatoria. 19. O Ricarf determina da mesma forma: Art. 49. (...) §6º Os embargos de declaração opostos contra decisões e os processos de retorno de diligência de turmas extintas serão distribuídos ao relator ou redator, independentemente de sorteio ou, caso relator ou redator não mais pertencer à Seção, o Presidente da respectiva Câmara devolverá para sorteio no âmbito da Seção. (...) Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. 20. A admissibilidade foi examinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção/CARF/MF/DF; tendo sido distribuídos a esta relatora, no âmbito também da Primeira Seção, portanto da mesma Seção, passo à análise e relatoria. Itens 19 a 23 e subitens do Despacho Decisório Demac/RJ, admitidos como Embargos Inominados. 21. São os seguintes pontos a esclarecer/corrigir: 19. Na sessão ocorrida em 13 de março de 2009, conforme relatório e votos constantes das folhas 948 a 963, a Primeira Câmara do Conselho de Contribuintes proferiu decisão reduzindo da matéria tributável relativa ao IRPJ e a CSLL o valor de R$3.274.544,54 para o ano de 1997 e R$1.983.623,84 para o ano de 1998 (folha 963, final do voto). 20. Através de simples análise, chegase à conclusão que não é possível retirar da matéria tributável da CSLL (tabela 6) os valores do item 19 deste despacho pois o total da matéria tributável da CSLL em 1997 é de R$2.143.445,15 no Auto de Infração e de R$355.879,50 depois da decisão da DRJ, com o cancelamento das glosas de despesas desnecessárias da CSLL, item 14 deste despacho. 21. Isso se dá porque a matéria tributável do Auto de Infração do IRPJ é diferente da matéria tributável do Auto de Infração da CSLL tanto para o ano de 1997, quanto para o ano de 1998. Desta maneira, poderia se fundamentar as decisões tomadas sobre o IRPJ e a CSLL, conforme está dito no início do voto na folha 954: “Inicialmente, registro que o decidido em relação ao IRPJ se aplica, também, ao litígio relativo à CSLL, por influenciar igualmente a base de cálculo dos dois tributos.” Mas não é possível determinar os mesmos valores a serem retirados da matéria tributável de 1997 e 1998 de ambos os tributos se a matéria tributável dos dois é diferente. 22. Além de não ser possível aplicar a decisão da Primeira Câmara do Conselho de Contribuintes, sobre o valor de redução da matéria tributável dos dois tributos, verificamse outras inconsistências sobre os valores. 22.1. Nas folhas 954 a 958, tem a decisão sobre a glosa de despesas por falta de comprovação da efetividade da prestação dos serviços. Na página 958, no fim desta argumentação, tem uma soma aritmética sobre os valores a serem excluídos da matéria tributável até aquele ponto do voto, conforme abaixo: Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 18471.000761/200251 Acórdão n.º 1201001.954 S1C2T1 Fl. 9 8 1997: R$75.000,00 (folha 956) + R$21.052,63 (folha 956) + R$116.160,00 (folha 957) + R$170.091,01 (tabela da folha 957) = R$196.143,64. A soma está errada. 75.000 + 21.052,63 + 116.160 + 170.091,01 é igual a 382.303,64. Portanto não é possível saber se o valor da decisão final considera a soma errada ou a soma correta, já que o valor constante da decisão não está dividido e pormenorizado (folha 963, final). 22.2. Na folha 959, 4° parágrafo, fala do valor do papel de trabalho n° 10, conforme cópia abaixo: “O papel de trabalho n° 10 diz respeito às notas fiscais emitidas por Hotel Portobello e Hotel Portogalo, contabilizadas a título de “bolsas de estudo” e “despesas de viagemtreinamento”, nos montantes de R$72.454,88 em 1997 e R$94.227,73 em 1998.” Mas a folha de trabalho n° 10, constante das folhas 318 e 319 contém valor diferentes para os dois anos. No papel de trabalho n° 10 consta o valor de R$73.454,88 para o ano de 1997 e R$94.927,73 para o ano de 1998. Não é possível dizer se a decisão final da Primeira Câmara do Conselho de Contribuintes leva em consideração o valor contido na decisão ou o valor constante do papel de trabalho. 22.3. Na folha 961, existe referência ao papel de trabalho n° 012, conforme copio abaixo: “Portanto, quanto a este item, deve ser excluída da matéria tributável o montante constante do papel de trabalho n° 012, ou seja, R$1.235.484,95, no ano calendário de 1997.” Sendo que o papel de trabalho n° 012 está dividido em duas partes, o ano de 1997 (folhas 326 e 237) no valor de R$1.235.484,95 e do ano de 1998 (folhas 328 e 329), no valor de R$1.280.607,82. Não fica claro se a matéria tributável tem que ser reduzida do montante do papel de trabalho 12, R$2.516.092,77 ou se a redução é apenas do ano de 1997 no valor de R$1.235.484,95. 23. Portanto, os itens 2.3 e 4.2 deste despacho dos tributos IRPJ e CSLL, referentes a valores de serviços deduzidos indevidamente como custo ou despesa operacional, está dividido em partes exoneradas e mantidas: 23.1. Papéis de trabalho 001 e 006 com as glosas mantidas e papel de trabalho 12 com glosas exoneradas, mantida a observação do item 22.3 deste despacho. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ 22. Verificase que o Acórdão CC Cancelou os seguintes valores da base de cálculo do IRPJ: a. AI IRPJ, Infração 001 fato gerador 31/12/1997: i. papel de trabalho 002: R$75.000,00 ii. papel de trabalho 003: R$21.052,64 iii. papel de trabalho 007: R$116.160,00 iv. papel de trabalho 009: R$170.091,01 v. Total correto R$382.303,64,00 (a relatora consignou erradamente R$196.143,64) b. AI IRPJ, Infração 001 fato gerador 31/12/1998: i. papel de trabalho 002: R$30.000,00 ii. papel de trabalho 003: R$20.526,31 iii. papel de trabalho 009: R$136.452,73 Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 18471.000761/200251 Acórdão n.º 1201001.954 S1C2T1 Fl. 10 9 iv. Total R$186.979,04 c. AI IRPJ, Infração 002 fato gerador 31/12/1997: R$1.787.565,65 (isto é, a totalidade) d. AI IRPJ, Infração 002 fato gerador 31/12/1998: R$1.646.227,54 (isto é, a totalidade) i. Observação: haja vista ter sido cancelado esta infração, na totalidade, a inexatidão que transcrevese a seguir, deixa de ter relevância: 22.2. Na folha 959, 4° parágrafo, fala do valor do papel de trabalho n° 10, conforme cópia abaixo: “O papel de trabalho n° 10 diz respeito às notas fiscais emitidas por Hotel Portobello e Hotel Portogalo, contabilizadas a título de “bolsas de estudo” e “despesas de viagemtreinamento”, nos montantes de R$72.454,88 em 1997 e R$94.227,73 em 1998.” Mas a folha de trabalho n° 10, constante das folhas 318 e 319 contém valor diferentes para os dois anos. No papel de trabalho n° 10 consta o valor de R$73.454,88 para o ano de 1997 e R$94.927,73 para o ano de 1998. Não é possível dizer se a decisão final da Primeira Câmara do Conselho de Contribuintes leva em consideração o valor contido na decisão ou o valor constante do papel de trabalho. e. AI IRPJ, Infração 003 fato gerador 31/12/1997: i. papel de trabalho 012: R$1.235.484,95 f. AI IRPJ, Infração 004 fato gerador 31/12/1997: R$456.079,32 (isto é, a totalidade) g. AI IRPJ, Infração 004 fato gerador 31/12/1998: R$150.417,28 (isto é, a totalidade) 23. Em resumo, excluiu: a. da base de cálculo do IRPJ em 31/12/1997: R$3.861.433,56 (erroneamente informado no Acórdão, devido a erro de soma, como R$3.274.544,54 b. da base de cálculo do IRPJ em 31/12/1998: R$1.983.623,86. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. 24. São as seguintes: a. AI CSLL, Infração 001fato gerador 31/12/1997: i. papel de trabalho 002: R$75.000,00 Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 18471.000761/200251 Acórdão n.º 1201001.954 S1C2T1 Fl. 11 10 ii. papel de trabalho 003: R$21.052,64 iii. apenas estes dois papéis de trabalho apoiaram esta autuação de CSLL b. AI CSLL, Infração 001fato gerador 31/12/1998: i. papel de trabalho 002: R$30.000,00 ii. papel de trabalho 003: R$20.526,31 iii. apenas estes dois papéis de trabalho apoiaram esta autuação de CSLL c. AI CSLL, Infração 002 fato gerador 31/12/1997: excluído totalmente pela DRJ d. AI CSLL, Infração 002 fato gerador 31/12/1998: excluído totalmente pela DRJ e. AI CSLL, Infração 003 fato gerador 31/12/1998: i. manteve a base de cálculo integralmente. 25. Em resumo, excluiu: a. da base de cálculo da CSLL em 31/12/1997: R$96.052,64 b. da base de cálculo da CSLL em 31/12/1998: R$50.526,31 DEMONSTRATIVO. Data 19/04/2002 20/05/2002 22/11/2004 (Rec Vol) 26/02/2010 10/06/2011 AI IRPJ AI Ñ IMPUGN Acórdão DRJ Pedido parcelam Acórdão CC BC BC BC BC BC cancelou Infr 001 31/12/1997 2.051.300,87 2.051.300,87 1.668.997,23 382.303,64 01/01/1998 2.591.128,10 2.591.128,10 2.404.149,06 186.979,04 Infr 002 31/12/1997 1.787.565,65 1.787.565,65 1.787.565,65 0,00 1.787.565,65 01/01/1998 1.646.227,54 1.646.227,54 1.646.227,54 0,00 1.646.227,54 Infr 003 31/12/1997 1.235.484,95 1.235.484,95 1.235.484,95 0,00 1.235.484,95 01/01/1998 3.327.424,69 3.327.424,69 3.327.424,69 3.327.424,69 0,00 Infr 004 31/12/1997 456.079,32 456.079,32 456.079,32 0,00 456.079,32 01/01/1998 150.417,28 150.417,28 150.417,28 0,00 150.417,28 Infr 005 31/12/1997 95.524,63 95.524,63 95.524,63 01/01/1998 0,00 0,00 0,00 TOTAL 31/12/1997 5.625.955,42 95.524,63 5.530.430,79 3.574.654,55 1.668.997,23 3.861.433,56 01/01/1998 7.715.197,61 0,00 7.715.197,61 5.124.069,51 5.731.573,77 1.983.623,86 Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 18471.000761/200251 Acórdão n.º 1201001.954 S1C2T1 Fl. 12 11 AI CSLL AI NÃO IMPUGN Acórdão DRJ Pedido parcelam Acórdão CC BC BC BC BC BC cancelou Infr 001 31/12/1997 355.879,50 355.879,50 355.879,50 259.826,86 96.052,64 01/01/1998 93.064,44 93.064,44 93.064,44 42.538,13 50.526,31 Infr 002 31/12/1997 1.787.565,65 0,00 01/01/1998 1.646.227,54 0,00 Infr 003 31/12/1997 0,00 0,00 01/01/1998 2.046.726,87 2.046.726,87 2.046.726,87 2.046.726,87 0,00 Infr 004 31/12/1997 01/01/1998 Infr 005 31/12/1997 01/01/1998 TOTAL 31/12/1997 2.143.445,15 0,00 355.879,50 355.879,50 259.826,86 96.052,64 01/01/1998 3.786.018,85 0,00 2.139.791,31 2.139.791,31 2.089.265,00 50.526,31 AI IRRF AI NÃO IMPUGN Acórdão DRJ Pedido parcelam Acórdão CC BC BC BC BC BC cancelou Infr 001 31/12/1997 85.154,31 85.154,31 85.154,31 85.154,31 0,00 01/01/1998 231.411,17 231.411,17 231.411,17 231.411,17 0,00 Conclusão. Voto por ACOLHER os EMBARGOS INOMINADOS, com efeitos infringentes, para corrigir a conclusão do Acórdão n° 110100.026, de 13 de março de 2009, do Primeiro Conselho de Contribuintes CC, de: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para reduzir da matéria tributável relativa ao IRPJ e à CSLL o valor de R$3.274.544,54 para o anocalendário de 1997e R$1.983,623,84, para o ano calendário de 1998 para: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para reduzir da matéria tributável relativa ao IRPJ no valor de R$3.861.433,56 para o anocalendário de 1997 e R$1.983,623,86, para o ano calendário de 1998; e reduzir a matéria tributável de CSLL para o anocalendário 1997 em R$96.052,64, e a do ano 1998, em R$50.526,31. (assinado digitalmente) Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 18471.000761/200251 Acórdão n.º 1201001.954 S1C2T1 Fl. 13 12 Eva Maria Los Fl. 1244DF CARF MF
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Numero do processo: 10074.721542/2013-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012
Ementa:
REGISTRO ESPECIAL BRASILEIRO REB. FRUIÇÃO DOS BENEFÍCIOS DE ISENÇÃO. REQUISITO. ART. 136, II, "q" e 245, I, DO DECRETO nº 6.759/09 (II E IPI). ART. 8º, § 12, I da Lei nº 10.865/04 (PIS E COFINS).
Com fundamento expresso no Art. 2, II, j, da Lei 8032/90 (que estabelece a isenção do II e do IPI) e no Art. 118 do RA/09 que criou a exceção para dispensa de apuração da similaridade de produto nacional, no Art. 136, II, q, e Art. 245, I, do RA/09 e Art. 8.º, §12, I, da Lei 10865/04, DIs com bens destinados a embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro REB (instituído pela Lei 9432/97 como incentivo à retomada do crescimento Brasileiro) fazem jus à fruição dos benefícios de isenção para o II e IPI e de alíquota zero para o Pis e Cofins Importação.
Excetuamse do gozo da isenção, as importações em que não se comprovam/indicam a destinação dos bens na construção, modernização e conservação de embarcações com registro no REB (art. 136, II, "q" e 245, I do RA/2009; art 8º, § 12, I da Lei nº 10.865/04).
Numero da decisão: 3201-003.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que dava provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Vinicius Toledo Andrade que davam provimento ao recurso voluntário. Designado para o voto vencedor, quanto ao recurso voluntário, o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. A Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário julgou-se impedida, pelo que foi substituído pelo Conselheiro Rodolfo Tsuboi. Acompanhou o julgamento o patrono Rodrigo Gabriel Alarcon, OAB/DF 52.825, escritório Gaia, Silva, Gaede e Advogados.
(assinatura eletrônica)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura eletrônica)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
(assinatura eletrônica)
PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Rodolfo Tsuboi, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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FRUIÇÃO DOS BENEFÍCIOS DE ISENÇÃO. REQUISITO. ART. 136, II, "q" e 245, I, DO DECRETO nº 6.759/09 (II E IPI). ART. 8º, § 12, I da Lei nº 10.865/04 (PIS E COFINS). Com fundamento expresso no Art. 2, II, j, da Lei 8032/90 (que estabelece a isenção do II e do IPI) e no Art. 118 do RA/09 que criou a exceção para dispensa de apuração da similaridade de produto nacional, no Art. 136, II, q, e Art. 245, I, do RA/09 e Art. 8.º, §12, I, da Lei 10865/04, DIs com bens destinados a embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro REB (instituído pela Lei 9432/97 como incentivo à retomada do crescimento Brasileiro) fazem jus à fruição dos benefícios de isenção para o II e IPI e de alíquota zero para o Pis e Cofins Importação. Excetuamse do gozo da isenção, as importações em que não se comprovam/indicam a destinação dos bens na construção, modernização e conservação de embarcações com registro no REB (art. 136, II, "q" e 245, I do RA/2009; art 8º, § 12, I da Lei nº 10.865/04). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que dava provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Vinicius Toledo Andrade que davam provimento ao recurso voluntário. Designado para o voto vencedor, quanto ao recurso voluntário, o Conselheiro Paulo Roberto Duarte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 72 15 42 /2 01 3- 32 Fl. 4854DF CARF MF 2 Moreira. A Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário julgouse impedida, pelo que foi substituído pelo Conselheiro Rodolfo Tsuboi. Acompanhou o julgamento o patrono Rodrigo Gabriel Alarcon, OAB/DF 52.825, escritório Gaia, Silva, Gaede e Advogados. (assinatura eletrônica) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura eletrônica) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. (assinatura eletrônica) PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Rodolfo Tsuboi, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 3662 e Recurso de Ofício em face da decisão proferida pela DRJ/SC de fls. 3444, que manteve parcialmente o lançamento consubstanciado nos Autos de Infração de fls. 02/2573, lavrados para exigência de II, Imposto de Importação, Pis/Pasep Importação e Cofins Importação, por possível descumprimento de condições para o usufruto de benefícios fiscais. Como de costume nesta Turma de julgamento, para o acompanhamento inicial dos fatos, matérias, pedidos e trâmite dos autos, transcrevese o mesmo relatório apresentado em decisão de primeira instância: "O presente processo referese aos Autos de Infração de fls. 02/2573, lavrados para exigência de II, Imposto de Importação, Pis/Pasep Importação e Cofins Importação, acrescidos dos juros de mora e multa de mora, totalizando um crédito tributário exigível no valor de R$10.632.469,09. Segundo relato da fiscalização, a contribuinte acima qualificada foi selecionada para verificação do cumprimento dos requisitos e condições para fruição das isenções ou das reduções de tributos devidos em importações, concedidas a partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações (Lei n° 8.032/90). Foram revisadas importações efetuadas entre outubro/2008 e dezembro/2012. De acordo com a legislação vigente à época das importações fiscalizadas, o regime de isenção em questão somente beneficiaria mercadoria sem similar nacional (DecretoLei n° 37, de 1966, art. 17). Sendo assim, foram selecionadas as Declarações de Importação (DI) registradas pelo importador para as quais não foram encontradas licenças de importação Fl. 4855DF CARF MF Processo nº 10074.721542/201332 Acórdão n.º 3201003.275 S3C2T1 Fl. 4.855 3 (LI) vinculadas que atestassem a realização do exame de similaridade legalmente exigido. De acordo com o caput do artigo 17 do DecretoLei n° 37/66, a isenção do imposto de importação somente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado; e no parágrafo único deste mesmo artigo são apresentadas as exceções, onde no inciso I, combinado com o inciso VII do artigo 15 deste mesmo DecretoLei, fica concedida a isenção do imposto de importação aos materiais de reposição e conserto para uso em embarcações ou aeronaves estrangeiras. Em resposta à intimação, a NORSKAN alegou que “as informações requeridas não estão disponíveis porque inaplicáveis às importações em questão, conforme legislação de regência (a saber, Lei nº 9.493/97 e Lei 10.865/2004)”. Informou ainda que “a legislação supramencionada, dispõe sobre os benefícios fiscais aplicáveis as importações aqui tratadas e que, ao fazêlo, não menciona, entre os requisitos necessários à fruição de tais benefícios, qualquer previsão quanto à necessidade de comprovação da inexistência de similar nacional”. A fiscalizada fez referência também ao Mandado de Segurança nº 2816642.2012.4.01.3400 impetrado pelo Syndarma perante a 4ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, alegando que “se decidiu pela inexigibilidade da comprovação de ausência de similar nacional” (fl.2678). Assim, autoridade fiscal entendeu que não houve a necessária comprovação de inexistência de produto similar nacional para fazer jus à isenção das mercadorias importadas. A fiscalizada também foi intimada a comprovar o efetivo emprego dos bens importados nas finalidades que motivaram a concessão da isenção (fls.25742603). Em resposta, a NORSKAN apresentou a documentação de fls. 27163148, que consiste em diversas planilhas de controle administrativo, chamadas de “Relatório de Saída de Material”, onde supostamente estariam listados os materiais que foram encaminhados às embarcações. Entretanto, tais relatórios são imprecisos, genéricos e extremamente vagos com relação a descrição dos itens de cada DI (relacionadas na coluna NF), limitandose a descrever as mercadorias (na coluna Material) como “material importado”. Não foi relacionado e descrito qual o produto importado por DI teria sido enviado à embarcação, sendo impossível para a fiscalização se convencer que os bens foram efetivamente empregados nas finalidades que motivaram a concessão. Entendeu a autoridade fiscal que deveriam ter sido apresentadas Notas Fiscais de saída expedida pela fiscalizada, e alguma prova da entrada de tais mercadorias nas embarcações, tais como relação detalhada de recebimento destas mercadorias, recibadas Fl. 4856DF CARF MF 4 pelos comandantes dos navios ou outros membros da tripulação com a data que tais mercadorias vieram a bordo. Por fim, verificouse que na planilha contendo as DI’s analisadas na ação fiscal, anexa ao Termo de Início n° 06/2013 (fls. 25742603) enviado ao contribuinte, estão relacionadas 74 declarações de importação objeto desta fiscalização que sequer foram mencionadas nos Relatórios de Saída de Material apresentados (fl.3240). Concluiu a fiscalização que a NORSKAN não comprovou o efetivo emprego dos bens objeto deste auto nas finalidades que motivaram a concessão da isenção e redução dos tributos incidentes na importação. E, em se tratando de isenção não concedida em caráter geral, é do sujeito passivo da obrigação tributária o ônus da prova relativamente ao preenchimento das condições e ao cumprimento dos requisitos previstos em lei para concessão do benefício, conforme estabelecido no art. 179 do CTN. Em relação às contribuições Pis/PasepImportação e CofinsImportação exigidas neste auto, a autuante esclarece que a o artigo n.º 120 do Decreto n° 6.759/2009 (RA) estabelece o pagamento dos tributos no caso de descumprimento dos requisitos e das condições para fruição das isenções ou das reduções, que deixarem de ser recolhidos na importação. E a definição de Tributos estabelecida no artigo 3° do CTN, alcança as referidas contribuições. Os textos das Leis n° 10.865/2004 e n° 10.925/2004 e do Decreto n° 5.171/2004, que tratam das contribuições, revelam claramente que essas reduções de alíquotas do PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação também estavam, inicialmente, condicionadas única e exclusivamente à destinação dos bens. Somente materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou préregistradas no Registro Especial Brasileiro estariam isentos dos tributos, e como demonstrado nos autos, a autuada não comprovou o efetivo emprego dos bens objeto deste auto nas finalidades que motivaram a concessão da isenção e redução dos tributos incidentes na importação. Desta forma, a fiscalização revogou, nos termos dos artigos 155 e 179, § 2o, do CTN, a isenção e a redução das importações registradas listadas na planilha de fls. 2576/2603. Em conseqüência dessa revogação, estão sendo exigidos os tributos renunciados com base no estabelecido nos arts. 12 do DecretoLei n° 37/66, 118 e 120 do Decreto n° 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro RA), acrescidos dos juros e da multa de mora. Intimada da autuação, a interessada apresentou a impugnação de fls. 3271/3307, alegando em síntese, o que segue: 1Da inexigibilidade da prova da não similaridade na importação dos produtos beneficiados pelas leis n.° 8.032/90 e n.° 9.493/97: Fl. 4857DF CARF MF Processo nº 10074.721542/201332 Acórdão n.º 3201003.275 S3C2T1 Fl. 4.856 5 A fiscalização considera que a norma do artigo 118, do Regulamento Aduaneiro, ao restringir a isenção ou redução do Imposto de Importação a mercadorias sem similar nacional, aplicarseia a toda e qualquer isenção prevista nas mais diversas leis ordinárias. Também por força do parágrafo único, inciso I, do artigo 17, do DecretoLeí n.° 37/66, somente as importações de materiais destinados às embarcações estrangeiras estariam excluídas da necessidade de prévio exame de similaridade. Contesta a autuação primeiramente, porque o próprio artigo 118, do Regulamento Aduaneiro, quando dispôs que a isenção só beneficia produto sem similar nacional, ressalvou expressamente as exceções previstas em lei ou no próprio Regulamento Aduaneiro, o que é justamente o caso da Impugnante, cuja exceção à regra se encontra prevista na Lei n.° 8.032/90, bem como na Lei n.° 9.493/97. Em segundo lugar, porque a grande parte das isenções previstas no DecretoLei n.° 37/66, entre as quais se destaca a isenção que beneficiava embarcações estrangeiras, prevista no art. 15, VII do DecretoLei e mencionada no art. 17 do mesmo DecretoLei foi revogada pela própria Lei n.° 8.032/90, conforme se verifica de seu artigo 1.º Conforme se verifica do art. 2o, II, “j” da Lei n.° 8.032/90, a isenção conferida pelo legislador infraconstitucional é distinta daquela até então prevista no art. 15, VII do DecretoLei n.° 37/66. Enquanto a Lei n.° 8.032/90 não faz qualquer discriminação quanto à nacionalidade da embarcação e se aplica a partes e peças para fins de reparo, revisão ou manutenção das embarcações, a isenção do art. 15, VII do DecretoLei, por sua vez, se aplicava a embarcações estrangeiras e beneficiava materiais de reposição e conserto. Ora, conforme se verifica das DI’s autuadas, tendo a Impugnante lastreado suas importações na Lei n.° 8.032/90, a qual não faz qualquer distinção a respeito da nacionalidade das embarcações, cai por terra a conclusão constante do auto de infração no sentido de que somente estariam excluídas da regra do exame de similaridade os produtos importados destinados a embarcações estrangeiras. Também destaca que tendo em vista que a Lei n.° 8.032/90 não condicionou o benefício da isenção de II e IPI na importação dos produtos destinados a reparo, revisão, manutenção, conservação, modernização ou conversão de embarcações à apresentação de laudo de não similaridade com produto nacional, mediante formalização de Licença de Importação, não cabe às autoridades fiscais inovar, na tentativa de fazer as vezes do legislador ordinário, sob pena de violação ao artigo 150, § 6o da Constituição Federal e aos artigos 176 e 111, inciso II, ambos do CTN. Não obstante as importações realizadas pela Impugnante sejam beneficiadas pela isenção prevista no art. 2o, II, “j” da Lei n.° 8.032/90, a Impugnante ainda faz jus à isenção de II e IPI nas Fl. 4858DF CARF MF 6 referidas importações por força das disposições da Lei n.° 9.493/97, bem como ao benefício da alíquota zero das contribuições ao PIS/COFINSimportação, por força da Lei n.° 10.865/04. Isso porque, conforme se verifica das DI’s autuadas, a Impugnante expressamente consignou que os bens importados seriam destinados a embarcações registradas no REB (Registro Especial Brasileiro), tendo, inclusive, indicado os respectivos números de registro. Esse também foi o requisito adotado pela Lei n.° 10.865/04 quando estabeleceu que as alíquotas do PIS/COFINSImportação ficam reduzidas a zero nos casos de importação de "materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou préregistradas no Registro Especial Brasileiro. Dessa forma, é inconteste a improcedência do auto de infração que desconsiderou flagrantemente o fato das embarcações beneficiadas pelas importações estarem registradas no REB para afastar a legislação específica que regula os benefícios fiscais nas importações: Leis n.° 9.493/97 e 10.865/04. 2Da destinação das partes e peças importadas às embarcações registradas no REB: Do Princípio da Verdade Material: Da análise do relato acima transcrito, verificase que a fiscalização desconsiderou os documentos apresentados pela Impugnante durante a ação fiscal (Relatórios de Saída de Material) sob a alegação de que não teriam valor probante. Esperava a fiscalização que a Impugnante apresentasse Notas Fiscais de Saída das mercadorias importadas para fins de demonstração da destinação dos bens. Como não foram apresentadas, o i. agente fiscal presumiu que a Impugnante não teria destinado os bens importados às embarcações inscritas no REB e lavrou o presente auto de infração. Inicialmente, a Impugnante destaca que, por força do Princípio da Verdade Material que vigora no processo administrativo tributário, a documentação por ela apresentada em resposta aos termos de intimação fiscal possui sim valor probatório, não merecendo prosperar a desconsideração promovida pela fiscalização. A Impugnante esclarece que, por exercer a atividade de prestação de serviços de navegação de apoio marítimo para o setor de petróleo e gás, não é contribuinte habitual do ICMS, não possuindo Inscrição Estadual (I.E.) no cadastro de contribuintes do Estado do Rio de Janeiro (CADERJ). Por esse motivo, a Impugnante não está obrigada à emissão de Notas Fiscais (entrada ou saída) ou à escrituração de Livro de Registro de Entradas. Frisese que, em casos de mercadorias importadas, a própria legislação estadual do Rio de Janeiro autoriza que o transporte Fl. 4859DF CARF MF Processo nº 10074.721542/201332 Acórdão n.º 3201003.275 S3C2T1 Fl. 4.857 7 das mercadorias seja acobertado pela Declaração de importação – DI. Desse modo, não poderia a fiscalização federal exigir da Impugnante documentação que sequer está obrigada a emitir. Acresçase, ainda, que nem a Lei n.° 8.032/90, nem a Lei n.° 9.493/97, tampouco o Regulamento Aduaneiro, instituíram qualquer espécie de sistema próprio para informativo das mercadorias importadas e destinadas às embarcações inscritas no REB, tal como foi feito para o REPETRO, por exemplo, tendo a Impugnante adotado o referido "Relatório de Saída de Material", o qual deve ser aceito para todos os fins probatórios, por força do Princípio da Verdade Material. Desse modo, os "Relatórios de Saída de Material" apresentados pela Impugnante durante a ação fiscal devem, efetivamente, ser considerados como meios de prova idôneos, aptos a formar o convencimento dos Ilmos. Srs. Julgadores no sentido de que os bens importados foram, de fato, remetidos para as respectivas embarcações Somese a isso o fato de a Impugnante ter informado expressamente em suas DI’s autuadas quais eram as embarcações às quais se destinaram os bens importados, tendo, inclusive, mencionado nas DI’s os respectivos números de registro no REB. Vejase, então, que diante dos fatos caberá à fiscalização uma das seguintes alternativas: (i) reconhecer a efetiva destinação dos bens às embarcações mencionadas, com base na razoável fundamentação fornecida pelo contribuinte, com uso de todos os meios que se encontram à sua disposição (lembrese que o contribuinte não é contribuinte do ICMS, e desobrigado à emissão de NF, podendo remeter os bens às embarcações, inclusive, com a própria DI); (ii) provar (e não apenas supor) a grave acusação de desvio na destinação dos bens o que se imagina impossível, na medida em que não houve qualquer indicação de provas por parte do fisco; ou (iii) em homenagem à Verdade Material, converter este processo em diligência, instaurada para verificação do emprego físico dos bens nas respectivas embarcações, sendo certo que, desde já, a Impugnante afirma estarem franqueadas ao fisco para visitação suas instalações e embarcações. 3Da mudança no critério jurídico adotado para as importações amparadas pelas Leis n.° 8.032/90, n.° 9.493/97 e n.° 10.865/04: Conforme exposto, o presente auto de infração tem por objeto aproximadamente 1.900 DI’s, emitidas no período compreendido entre outubro/2008 e dezembro/2012, todas amparadas na isenção de II e IPI e na alíquota zero de PIS/COFINSImportação que beneficiam as partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão, manutenção, conservação, modernização e conversão das embarcações da Impugnante registradas no REB. Tal situação evidencia que, ao longo de todos esses anos, essas DI’s passaram pelo crivo das autoridades aduaneiras que, Fl. 4860DF CARF MF 8 cientes dos benefícios fiscais aplicados e cientes de que não havia laudo atestando a não similaridade do produto importado com o nacional, sempre desembaraçaram as mercadorias importadas. Ou seja, tais importações sempre contaram com a chancela, o aval, da própria fiscalização. Ora, tendo em vista que a comprovação de não similaridade não encontra respaldo nas legislações específicas que instituíram os benefícios de isenção de II e IPI e redução de alíquota do PIS/COFINSImportação, conforme acima demonstrado, tal exigência, caso admitida como válida o que se admite apenas para fins de argumentação configuraria nítida mudança de critério jurídico introduzido no exercício do lançamento que, conforme vedação expressa do CTN, não pode ser aplicada retroativamente em relação a um mesmo sujeito passivo, mas apenas em relação a fatos geradores futuros, nos termos do art. 146 do CTN. 4Da subsidiária aplicação do art. 100, Parágrafo Único, do CTN: Conforme exposto, ao longo dos últimos cinco anos a fiscalização aduaneira sempre procedeu ao desembaraço das mercadorias importadas pela Impugnante com isenção de II e IPI e alíquota zero de PIS/COFINSImportação com base nas Leis n.° 8.032/90, n.° 9.493/97 e n.° 10.865/04, sem qualquer questionamento ou exigência de comprovação de não similaridade. Verificase da análise do artigo 100 do CTN, que a observância, pelos contribuintes, às práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas tem o condão de afastar a imposição de quaisquer penalidades, bem como dos juros e correção monetária, justamente para evitar que se penalize o contribuinte que sempre confiou na própria administração. Evidente, portanto, que na remota hipótese de ser mantida a autuação, o que se admite apenas para fins de argumentação, eis que a afronta ao art. 146, do CTN, é igualmente flagrante, deve ser retificada a autuação para excluir os juros e a multa de mora cobrados da Impugnante, visto que tal cobrança viola claramente a norma do parágrafo único do artigo 100 do CTN. Ao final requer, preliminarmente, seja o presente auto de infração julgado improcedente, cancelandose os créditos tributários constituídos com base na mudança de critério jurídico adotada pelo Fisco no exercício do lançamento e, no mérito, seja o presente auto de infração julgado improcedente pelas razões expostas Alternativamente pugna pela exclusão da imposição de juros e multa de mora, por força do disposto no art. 100, parágrafo único, do CTN. Encaminhado a esta Delegacia para julgamento do feito e após análise do presente processo, se verificou através do relatório fiscal que acompanha os autos (fls. 2544/2545), dos documentos acostados ao mesmo (fls. 3150/3168) e da própria resposta da intimada à fiscalização às fls 2678, que o Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima – Syndarma impetrou o Fl. 4861DF CARF MF Processo nº 10074.721542/201332 Acórdão n.º 3201003.275 S3C2T1 Fl. 4.858 9 Mandado de Segurança de n.º 2816642.2012.4.01.3400, na Justiça Federal do Distrito Federal, para, aparentemente, pleitear a inexigibilidade de comprovação da não existência de produtos similares nacionais, requerendo, liminarmente, o desembaraço das importações em curso e das que venham a ser feitas durante o trâmite da ação com a suspensão dos tributos. Referida liminar foi indeferida mas, posteriormente, através do Agravo de Instrumento de n.º 004446342.2012.4.01.000/DF, foi concedida à agravante (extensivo as suas filiadas) o direito de desembaraçar regularmente as mercadorias independentemente do pagamento dos tributos. Dada a falta de elementos acerca da referida ação judicial foi realizada diligência nos termos do no artigo 18 do Decreto no 70.235, de 06 de março de 1972 (fls. 3340/3341), no sentido de se determinar que a unidade preparadora providenciasse a juntada aos autos da petição inicial do Mandado de Segurança em apreço e demais peças processuais que a autuada entendesse necessário, documento que comprove a filiação da mesma ao Syndarma e ainda informações quanto à utilização da medida judicial (desembaraço com suspensão de tributos) por parte da autuada em suas importações. Às fls. 3344/3351 a interessada prestou esclarecimentos quanto à ação judicial e seus efeitos, juntando os documentos de fls. 3352/3404, comprovando sua filiação ao Syndarma e a decisão favorável às representadas. Também esclareceu que o desembaraço das DI’s autuadas se deu sem a utilização da medida judicial e sim com o pedido de isenção previsto nas Leis n.ºs 8.032/90e 10.865/04. Reafirma seus argumentos de defesa trazendo a solução de Consulta n.º 16/2013 da SRRF/2.ª RF. É o relatório. A Ementa do Acórdão de primeira instância administrativa fiscal proferido por essa DRJ/SC, foi assim publicada: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 ISENÇÃO DE IMPOSTOS NA IMPORTAÇÃO. NORMAS APLICÁVEIS. As normas a serem observadas na concessão ou reconhecimento de isenção de impostos na importação de mercadorias são aquelas que regem a matéria específica. Cumpridos os requisitos específicos instituídos para a concessão ou reconhecimento da isenção esta deve ser deferida. ISENÇÃO DE IMPOSTOS NA IMPORTAÇÃO. EXAME DE SIMILARIDADE. EXIGÊNCIA. Fl. 4862DF CARF MF 10 Como regra geral, a isenção ou a redução de imposto de importação somente beneficiará mercadoria sem similar nacional e transportada em navio de bandeira brasileira. Excetuamse da regra geral os casos previstos em lei específica ou no Regulamento Aduaneiro. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte." Houve Recurso de Ofício em razão do valor exonerado e em Recurso Voluntário o contribuinte reforçou as argumentações de fundo da Impugnação, acrescentou o argumento de que seu modus operandi permite concluir que não houve qualquer desvio de finalidade das importações e solicitou que fosse realizada diligência para a verificação dos seus controles internos. Em fls. 3801 este Conselho analisou o caso e converteu o julgamento em diligência nos seguintes moldes: "Intime a Recorrente a apresentar: (i) documentos comprobatórios que transpareça o emprego dos bens em questão nas respectivas embarcações nacionais elencadas na planilha de fls. 3240 Observase que tal procedimento não impede a autoridade fazendária de diligenciar, se entender necessário, com a verificação do emprego físico dos r. bens à destinação que alega a recorrente; (ii) as 73 DI´s faltantes do Relatório de Saída de Material. A DRF analise à luz dos documentos se efetivamente os bens foram destinadas à embarcação; Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. A diligência foi parcialmente cumprida pela autoridade fiscal e o contribuinte ao se manifestar a respeito da diligência em fls. 4585, enriqueceu sua defesa, conforme trechos transcritos em print screen a seguir: Fl. 4863DF CARF MF Processo nº 10074.721542/201332 Acórdão n.º 3201003.275 S3C2T1 Fl. 4.859 11 Ao analisar novamente os autos, este Conselho proferiu a Resolução de fls. 4702, sob a premissa de que a autoridade fiscal não cumpriu a diligência ao não analisar o conteúdo e não dar valor probatório para os controles internos e provas apresentados pelo contribuinte, nos seguintes moldes: Diante do exposto, voto por CONVERTER O FEITO NOVAMENTE EM DILIGÊNCIA, desta feita para que a Fiscalização se atenha especialmente aos documentos fls. 3.8254.572, apresentados pela contribuinte durante a diligência fiscal, para responder aos quesitos formulados em resolução, a partir do conteúdo da documentação apresentada, uma vez que a força probatória dos documentos apresentados será objeto de exame quando do julgamento de recurso por este Colegiado. ∙ Intime a Recorrente a apresentar: (i) documentos comprobatórios que transpareça o emprego dos bens em questão nas respectivas embarcações nacionais elencadas na planilha de fls. 3240 Observase que tal procedimento não impede a autoridade fazendária de diligenciar, se entender necessário, com a verificação do emprego físico dos r. bens à destinação que alega a recorrente; (ii) as 73 DI´s faltantes do Relatório de Saída de Material. A DRF analise à luz dos documentos se efetivamente os bens foram destinadas à embarcação; ∙ Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; ∙ Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; ∙ Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Assim encerrando o trâmite processual, a autoridade fiscal apresentou sua resposta em fls. 4722 e o contribuinte manifestouse em fls. 4733, oportunidade em que ambos reiteraram sua posições e nada de novo foi trazido aos autos. Relatório proferido. Voto Vencido Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 4864DF CARF MF 12 Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção de Julgamento e presentes os requisitos de admissibilidade, tanto o tempestivo Recurso Voluntário quanto o Recurso de Ofício, devem ser conhecidos. DO RECURSO DE OFÍCIO. Para contextualizar o valor exonerado que justificou o Recurso de Ofício, primeiro é necessário recuperar nos autos alguns pontos do lançamento, como o emprego dos bens importados nas embarcações, conforme pode ser verificado em fls 2543 e 2547 do Relatório Fiscal: "Em 11/03/2013, a NORSKAN apresentou a documentação restante (fls.2715 3148). Entretanto, a fiscalização não considerou os documentos apresentados capazes de comprovar o emprego dos bens importados nas finalidades que motivaram a isenção; e através do Termo de Intimação nº 116/2012 (fl. 3149) solicitou outros documentos em que estivessem especificadas detalhadamente as mercadorias importadas relacionadas com a respectiva declaração de importação e embarcação a que foram destinadas." (...) Para aceitar comprovação de que os bens importados com isenção de tributos e redução de alíquotas de fato entraram no navio, esperavase que a NORSKAN efetuasse controle detalhado com descrição precisa das mercadorias importadas por DI, a fim de cumprir o requisito legal, já que o ônus de comprovar o emprego na finalidade é do contribuinte." Da mesma forma, para contextualizar a exoneração que justificou o Recurso de Ofício, trancrevese trechos da decisão de primeira instância que trataram da exoneração, conforme fls 3444 e seguintes: "(...) Ocorre que as importações em tela não foram realizadas ao amparo do art. 15 do Decreto lei nº 37/1966, como entendeu a fiscalização. De acordo com as informações fornecidas no Relatório Fiscal e na impugnação, a isenção pleiteada pela interessada e concedida por meio do desembaraço aduaneiro foi aquela prevista na Lei nº 8.032/1990, como constante nas DI’s. Referida Lei assim dispõe, in verbis: Art. 1º Ficam revogadas as isenções e reduções do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, de caráter geral ou especial, que beneficiam bens de procedência Fl. 4865DF CARF MF Processo nº 10074.721542/201332 Acórdão n.º 3201003.275 S3C2T1 Fl. 4.860 13 estrangeira, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos 2º a 6º desta lei. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase às importações realizadas por entidades da Administração Pública indireta, de âmbito federal, estadual ou municipal. Art. 2º As isenções e reduções do Imposto de Importação ficam limitadas, exclusivamente: (...) II aos casos de: (...) j) partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações; (...) (destaques acrescidos) Dos dispositivos transcritos inferese que: 1. A Lei nº 8.032/1990 revogou todas as isenções e reduções do imposto de importação e do imposto sobre produtos industrializados, de caráter geral ou especial, que beneficiavam bens de procedência estrangeira; e 2. Limitou as isenções e reduções de imposto de importação exclusivamente aos casos enumerados, dentre eles aquele relativo a partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de embarcações. No âmbito da isenção em apreço, cumpre ressaltar que a Lei nº 8.032/1990 não fez distinção em relação à nacionalidade da embarcação a que os bens importados seriam destinados, ou seja, os bens importados podem ser destinados a embarcações nacionais ou estrangeiras que, ainda assim, estão contempladas com a isenção do imposto de importação (art. 2º, inciso II, alínea “j” da Lei nº 8.032/1990). (...) Como se observa, as leis não fazem menção expressa quanto à necessidade de se comprovar a inexistência de similar nacional para fins de reconhecimento da isenção pretendida pela interessada. Como antes visto, as embarcações em tela são registradas no REB – Registro Especial Brasileiro e não houve questionamentos sobre a nacionalidade dos estaleiros nos quais foram realizados os serviços. O próprio art. 118 do Decreto nº 6.759/2009 – Regulamento Aduaneiro – estabelece a desnecessidade de apuração de similaridade ao dispor, in verbis: Fl. 4866DF CARF MF 14 Art. 118. Observadas as exceções previstas em lei ou neste Decreto, a isenção ou a redução do imposto somente beneficiará mercadoria sem similar nacional e transportada em navio de bandeira brasileira. (destaquei) Portanto, tanto sob a égide da Lei nº 8.032/1990, quanto da Lei nº 9.493/1997, as isenções de imposto de importação e imposto sobre produtos industrializados são aplicáveis ao caso em tela, independentemente da comprovação da inexistência de similar nacional. (...) Como se vê, as alíquotas de PIS/Pasep importação e de Cofins importação na importação de materiais, equipamentos, partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações foram reduzidas a zero, tendo como único requisito o fato de as embarcações serem registradas ou pré registradas no Registro Especial Brasileiro. Como visto, a interessada comprovou o atendimento do requisito disposto na lei para fins de obtenção da redução a zero das alíquotas de PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação, pois as embarcações a que se destinaram os bens importados estavam registradas no Registro Especial Brasileiro. Afasto, portanto, a exigência de comprovação da inexistência de similar nacional para as importações em tela. (...) Em que pese o entendimento da fiscalização, esse carece de amparo legal, pois não se pode exigir da interessada a apresentação de documento não previsto em lei ou mesmo em regulamento ou em qualquer norma infra legal. O que se tem é que os documentos apresentados pela interessada, até prova em contrário, são suficientes para se comprovar que os bens importados foram, de fato, empregados nas embarcações como declarado, inclusive, nas Declarações de Importação. A planilha referida, nos moldes como apresentada, gera uma presunção a favor da interessada, pois baseada em documentos válidos e não questionados pela fiscalização (DI’s e REB). Para se infirmar a veracidade das informações constantes de dita planilha e negar a destinação dos bens declarada pela interessada deveria a fiscalização diligenciar e determinar a realização de perícia, nos moldes do previsto no art. 133 do Decreto nº 6.759/2009, já transcrito. Todavia esse não foi o procedimento adotado, a fiscalização apenas afirmou, no relatório fiscal, que os documentos apresentados não comprovariam a destinação dos bens Fl. 4867DF CARF MF Processo nº 10074.721542/201332 Acórdão n.º 3201003.275 S3C2T1 Fl. 4.861 15 importados e sugeriu que outros documentos deveriam ter sido apresentados, documentos esses não previstos na legislação. Desta maneira, de se concluir que o fundamento utilizado para a autuação, de que os bens importados não foram efetivamente empregados nas finalidades que motivaram a isenção e redução de alíquotas dos tributos incidentes nas importações, não foi devidamente comprovado pela fiscalização frente aos documentos trazidos pela interessada (relatório de saída de material da empresa para as embarcações) e, portanto, não deve prevalecer tal argumento para as importações relacionadas em tal relatório. Salientese que ainda que referido relatório possa parecer precário por não conter ao menos a descrição das mercadorias importadas como enfatiza a fiscalização, o mesmo contém o número da DI onde constam as mercadorias e suas respectivas descrições. Também é de se ressaltar que além da falta de exigência legal para existência de determinado documento para esta finalidade a fiscalização ao exigir documento probatório da destinação das mercadorias, o que fez de modo também não específico, fez referência a notas fiscais de saída de mercadorias a que a impugnante não está obrigada a emitir. No entanto, e tendo como aceito o “Relatório de saída de material” para comprovação da destinação das mercadorias importadas, não se pode desconsiderar a acusação da fiscalização no tocante à falta da indicação de 73 DI’s no referido relatório (a fiscalização descreve como 74 DI’s, no entanto referida planilha de fls. 3240 relaciona 73 DI’s). Assim diante dos elementos que constam no processo, onde salientese, não foram juntadas as DI’s objeto da autuação, relatando apenas as informações registradas nas declarações, e ainda a falta de contestação da impugnante quanto a indicação feita pela autoridade fiscal das DI’s omitidas no Relatório de saída de material, seguindo a lógica do presente julgamento, há que se considerar não comprovado o efetivo emprego dos bens nas embarcações nacionais elencadas na planilha de fls. 3240. Concluise assim, que cabe razão em parte à interessada quando defende que as importações que realizou, de bens destinados a reparo, manutenção e conservação de embarcações nacionais, devem ter a isenção de imposto de importação e de imposto sobre produtos industrializados, bem como a redução de alíquotas de PIS/Pasep importação e Cofins importação, pois comprovado através dos documentos apresentados que atenderam aos requisitos impostos pela lei. Para aquelas DI’s que não constaram no Relatório de saída de material, deverá ser mantido o crédito tributário correspondente aos tributos que deixaram de ser recolhidos nas importações, com os acréscimos legais cabíveis. Por todo o exposto voto no sentido de considerar parcialmente procedente a impugnação, mantendo o crédito tributário Fl. 4868DF CARF MF 16 referente aos tributos das DI’s relacionadas abaixo, bem como os acréscimos legais decorrentes dos mesmos.” Exposto pela DRJ/SC de forma lógica, didática e amparada pela legislação, não é necessária a comprovação a respeito da destinação dos bens importados para o usufruto dos benefícios de isenção do II e IPI, conforme disposto no Art. 2, II, j, da Lei 8032/90 (que estabelece a isenção do II e do IPI). Da mesma forma, não há qualquer menção quanto à necessidade de comprovar a existência de similar nacional para fins de reconhecimento de isenção. Como as embarcações que receberam as DIs são todas registradas no Registro Especial Brasileiro REB (instituído pela Lei 9432/97 como incentivo à retomada do crescimento Brasileiro), assim como o Art. 118 do RA/09 criou a exceção para dispensa de apuração da similaridade de produto nacional, é possível manter o entendimento de que as partes, peças e componentes destinados ao emprego na conservação e modernização de embarcações, são isentos de II e IPI, independentemente da comprovação de inexistência de similar nacional. Ao final, ficou claro que basta o Registro Especial Brasileiro REB estar em ordem, para que a isenção (II e IPI) e a alíquota zero (Pis e Cofins Importação) sejam mantidas nestes casos. Aliás, na própria página do site da Receita Federal é disponibilizada a fundamentação legal deste entendimento, sendo que a isenção (II e IPI) em tela é ainda mais reforçada pelo previsto no Art. 136, II, q, e Art. 245, I, do RA/09 e a alíquota zero (Pis e Cofins Importação) no Art. 8.º, §12, I, da Lei 10865/04. A decisão de primeira instância registrou muito bem que a fiscalização não tem competência para exigir documentos ou criar requisitos não previstos em Lei, de forma que as DIs (com as mercadorias e descrições) e os registros no REB, comprovam a licitude das operações. Para desmerecer os registros, declarações, planilhas e documentos apresentados desde o início, a fiscalização deveria ter diligenciado e periciado, nos moldes do Art. 142 do Código Tributário Nacional e do Art. 133 do RA/09, mas assim não fez, porque limitouse a afirmar, sem comprovar o desvio da finalidade. Assim, com os mesmos fundamentos legais e de acordo com as mesmas razões expostas na decisão de primeira instância, toda a exoneração deve ser mantida. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. DAS PRELIMINARES O contribuinte pede aplicação dos Art. 100 e 146 do Código Tributário Nacional, por alteração de critério jurídico, visto que nunca foi cobrada a respeito do teste de similaridade ou do emprego das importações nas embarcações antes. Fl. 4869DF CARF MF Processo nº 10074.721542/201332 Acórdão n.º 3201003.275 S3C2T1 Fl. 4.862 17 Mas estas preliminares não podem ser acatadas, visto que, com fundamento na própria legislação que instrui a atividade fiscal, no Código Tributário e no Regulamento Aduaneiro, é previsto que a autoridade fiscal tem competência para revisar as importações. DO MÉRITO. Conforme relatado, a DRJ/SC somente não cancelou o lançamento que se refere às 73 DIs que não constaram nos relatórios e documentos apresentados pelo contribuinte, informações que resultariam na não comprovação de que as partes, peças e componentes foram destinados ao emprego na conservação e modernização de embarcações. Ora, a própria DRJ/SC reconhece que os registros do REB estão em ordem, assim como a legislação não exige a comprovação de que as partes, peças e componentes foram destinados ao emprego na conservação e modernização de embarcações na oportunidade em que os registros estão em ordem e não foi comprovado pela fiscalização o desvio da finalidade. Sendo esta a lide que está relacionada ao Recurso Voluntário, cabe registrar que em fls. 4585, logo após a primeira Resolução deste Conselho (fls. 3801), o contribuinte apresentou o seguinte: A autoridade fiscal negou a possibilidade de dar valor probatório para os documentos e planilhas apresentados e este Conselho novamente determinou a conversão do julgamento em diligência, conforme Resolução de fls. 4702. Assim, em uma última resposta fiscal, cabe destacar o seguinte trecho de fls. 4722, transcrito a seguir: 3) Caso entendase que os “Relatórios de Saída de Material” comprovam o efetivo emprego do bem na finalidade motivadora da isenção/redução dos tributos incidentes na fiscalização, o valor do crédito devido é o demonstrado na tabela de fl.4.576, já que 19 DIs permanecem sem nenhuma indicação de destinação, conforme documentação de fls. 3.825 4.572 (planilha de fl.3.829) e afirmação da própria autuada (fl.4.586). Fl. 4870DF CARF MF 18 Restou que, de um universo de 1.900 DIs, 19 não possuem o rastreamento exato, solicitado pela autoridade de origem. Cabe aqui, a este Conselho, considerar que o contribuinte realmente possui um modus operandi suficientemente válido e comprovado, de modo que a presente lide administrativa fiscal possa ser interpretada a seu favor. Em adição ao fato de que a fiscalização deixou de comprovar suas alegações e a legislação não ampara suas exigência, o modus operandi do contribuinte revela que não houve desvio de finalidade. Além das importações terem sido realizadas ao amparo da legislação tributária e aduaneira, o contribuinte apresentou a Solução de Consulta SRRF 16/13, que reforçou ainda mais o entendimento, com ementa transcrita a seguir: “IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO ISENÇÃO. EMBARCAÇÃO. REGISTRO ESPECIAL BRASILEIRO (REB) Para fins de reconhecimento da isenção prevista no art. 11 da Lei nº 9.493, de 1997, é admissível a importação de parte, peça ou componente destinado a utilização, conforme as necessidades de serviços de conservação, em mais de uma embarcação registrada no REB. É também compatível com a destinação do benefício fiscal a utilização dos bens importados em serviços de conservação de embarcação registrada no REB diversa daquela indicada na Declaração de Importação, observados os controles pertinentes.” DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei n º 9.493 de 1997, art. 1; Decreto nº 2.256, de 1997, art. 3º ;e Decreto nº 6.759 de 2009, arts.114, 136, II, “q”, 181 e 244.” Não é controverso nos autos que todas as embarcações beneficiadas pelas importações objeto das DIs autuadas se encontravam registradas no REB, conforme documentos de fls. 2605 e seguintes, com a confirmação da própria fiscalização neste fato. Assim, com fundamento expresso no Art. 2, II, j, da Lei 8032/90 (que estabelece a isenção do II e do IPI), DIs registradas no Registro Especial Brasileiro REB (instituído pela Lei 9432/97 como incentivo à retomada do crescimento Brasileiro), no Art. 118 do RA/09 que criou a exceção para dispensa de apuração da similaridade de produto nacional, no Art. 136, II, q, e Art. 245, I, do RA/09 e Art. 8.º, §12, I, da Lei 10865/04, as operações do contribuinte atendem os requisitos de fruição dos benefícios de isenção para o II e IPI e de alíquota zero para o Pis e Cofins Improtação. CONCLUSÃO. Diante do exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO e DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. Voto proferido. (assinatura digital) Fl. 4871DF CARF MF Processo nº 10074.721542/201332 Acórdão n.º 3201003.275 S3C2T1 Fl. 4.863 19 Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Voto Vencedor Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Redator designado. Discordo parcialmente do relator quanto ao provimento ao recurso voluntário que cancelou integralmente a exigência de tributos e acréscimos legais na importação de bens destinados ao emprego em embarcações registradas no REB Registro Especial Brasileiro, e que gozam do benefício da isenção nos termos da legislação apontada nos autos. Restou como matéria litigioso suscitada em recurso voluntário a comprovação fática de que os bens parte, peça ou componente foram destinados à utilização em embarcação registrada no REB para o gozo da isenção de II, e dos tributos vinculados à importação: IPI, PIS e Cofins. Após diligência procedida em determinação de Colegiado deste CARF, a unidade preparadora fez constar em seu relatório (fls. 4.722/4.724) que 19 (dezenove) DIs permanecem sem indicação da destinação às embarcações registradas no REB, conforme acusação dos próprios controles internos da contribuinte. Ou seja, no "Relatório de Saída de Material apresentado" não constam qualquer vinculação/destinação dos bens importados, carecendo de prova do atendimento a requisitos legais para fruição do benefício da isenção concedida. Conclusão Assim, no tocante ao recurso voluntário, o voto vencedor é para DAR PARCIAL PROVIMENTO mantendose somente o crédito tributário correspondente aos tributos que deixaram de ser recolhidos nas importações, com os acréscimos legais cabíveis, nas dezenove declarações de importação relacionadas na folha nº 4.576 destes autos. Paulo Roberto Duarte Moreira. Fl. 4872DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721217/2010-74
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
Não é possível o conhecimento do recurso especial do contribuinte quando não comprovada a divergência jurisprudencial. As situações fáticas e processuais devem ser pelo menos parecidas, para que se possa concluir que o colegiado paradigmático adotaria a mesma decisão no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9303-006.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. Não é possível o conhecimento do recurso especial do contribuinte quando não comprovada a divergência jurisprudencial. As situações fáticas e processuais devem ser pelo menos parecidas, para que se possa concluir que o colegiado paradigmático adotaria a mesma decisão no acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 12 17 /2 01 0- 74 Fl. 2072DF CARF MF Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 9303006.523 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte, com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 3302001.896, proferido pela 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em negar provimento ao Recurso Voluntário e rejeitar os embargos de declaração, para manter o lançamento originado do Auto de Infração que exige valores devidos de PIS e da COFINS, referentes aos períodos compreendidos entre 2006 e 2007, com fundamento de que a existência de cláusula contratual prevendo a aplicação do IGP M para a atualização do preço descaracterizaria o requisito do “preço predeterminado” contido no artigo 10, inciso XI, da Lei nº. 10.833/03. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Trata o presente processo de autos de infração através dos quais foram constituídos contra a interessada, acima identificada, créditos tributários decorrentes de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e Contribuição para Programa de Integração Social – PIS, relativos a fatos geradores ocorridos em 2006 e 2007. Relatório Fiscal Relata a Autoridade Fiscal que as irregularidades verificadas se deram em razão do entendimento da interessada, oposto ao da RFB, de que os contratos que vigoram no setor elétrico e que, portanto, a vinculam, se enquadrariam no conceito de contrato por preço predeterminado de que trata o art. 10, inciso XI, alínea “b” e “c”, da Lei n° 10.833/03 c/c o art. 109 da Lei n° 11.196/05, apesar de as tarifas acordadas se sujeitarem, por disposição contratual, a reajustes pelo IGPM e em função de alterações nas legislações tributárias. Esclarece: que a Eletrosul segue a orientação tributária da agência reguladora do setor presente em Resoluções Homologatórias e Notas Técnicas da ANEEL (fls. 731 a 853) que podem ser resumidas nos termos da Nota Técnica n° 224/2006 SFF/ANEEL (ANEXO I Nota Técnica ANEEL) – no sentido de que todos os contratos do setor elétrico cumulam as característica de serem “de fornecimento de bens” e “a preços predeterminados”; e que este suposto enquadramento daria a empresa o direito de tributar o faturamento decorrente dos contratos estabelecidos anteriormente a 31/10/2003 pelo regime da cumulatividade em vez do regime nãocumulativo, resultando em significativa redução das contribuições devidas. Afirma que, para a RFB os contratos do setor elétrico em geral não se enquadram na regra transitória que vislumbra a hipótese permissiva de Fl. 2073DF CARF MF Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 9303006.523 CSRFT3 Fl. 4 3 tributação pelo regime cumulativo para contratos de longo prazo de fornecimento de bens a preços predeterminados. E que para este órgão os cinco tipos de contratos utilizados atualmente para formalizar as relações entre as empresas geradoras, transmissoras e as usuárias do sistema (Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão, Contratos de Prestação de Serviço de Transmissão (CPST), Contratos Iniciais, Contratos Bilaterais e Contratos de Uso do Sistema de Transmissão (CUST)), ou não se subsumem nas características de "contrato de fornecimento de bens e serviços", ou não se caracterizam como "contratos a preços predeterminados". Para firmar o posicionamento da RFB sobre o assunto, a Autoridade Fiscal traz a Nota Técnica Cosit n° 1, de 16 de fevereiro de 2007 e, sobre a discordância da ANEEL quanto a este, o Parecer PGFN/CAT/ n° 1610, de 1º de agosto de 2007 (fls. 1.053 a 1.090). Diz que ambos os órgãos manifestam por meio desses documentos a sua compreensão sobre o completo desenquadramento das receitas oriundas dos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão, dos Contratos de Prestação de Serviço Público de Transmissão (CPST), assim como, dos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão (CUST) ao disposto nas alíneas "b" e "c", do inciso XI, do art. 10, da Lei n° 10.833/03. Informa, então: que a Eletrosul Centrais Elétricas S/A, é uma empresa que tem como principal objeto social a transmissão de energia, de forma que as receitas tributadas pela empresa pelo regime da cumulatividade dizem respeito a contratos de transmissão de energia; e que os contratos em foco na discussão são os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão (CUST) (fls. 861 a 957), o Contrato de Concessão do Serviço Público de Transmissão n° 057/2001 (fls. 119 a 147) e o Contrato de Prestação de Serviço Público de Transmissão (CPST) n° 011/1999 (fls. 958 a 1.052). Conclui que os contratos acima, que regulam a prestação de serviço de transmissão de energia da empresa, não se caracterizam como “contratos a preçopredeterminado”. Ressalta que: a variação nas tarifas pelo IGPM dos contratos vigentes para Eletrosul pode ser obtida na leitura do Parágrafo 3º da Cláusula 8ª do modelo de CUST exibido às fls. 861 a 957, combinado com, a Cláusula 6ª do Contrato de Concessão de Transmissão n° 057/2001 a inclusão do IGPM no cálculo dos reajustes é dada pela fórmula encontrada nesta cláusula; os próprios contratos que regulam a prestação de serviço de transmissão de energia prevêem a variabilidade (aumento ou diminuição) dos seus preços pela criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais Quinta Subcláusula da Cláusula Sexta do o Contrato de Concessão de Transmissão n° 057/2001 ANEELELETROSUL. Consta que foi requisitado ao sujeito passivo que apresentasse demonstrativo mensal do cálculo das contribuições devidas no regime nãocumulativo, incluindo as receitas dos contratos em questão, demonstrando todas as etapas das apurações mensais da "Contribuição Apurada", dos "Créditos Fl. 2074DF CARF MF Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 9303006.523 CSRFT3 Fl. 5 4 Descontados", assim como, das "Deduções". Em resposta a contribuinte trouxe os demonstrativos solicitados a partir dos quais se verificou que para todos os períodos de apuração compreendidos entre jan/2006 e dez/2007 houve redução das contribuições sociais devidas. Ante tal infração foi aplicada a multa de ofício prevista no art.44 da Lei n° 9.430/96. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006, 2007 SERVIÇO DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. DETERMINAÇÃO DO PREÇO. CONTRATO DE CONCESSÃO. RECEITA ANUAL PERMITIDA. FIXAÇÃO. REAJUSTES. O Contrato de Concessão (CCSPT) firmado pela recorrente com a União não fixa o preço do MW de energia injetado na rede do usuário do serviço. No entanto, fixa a Receita Anual Permitida (RAP) e os critérios de seu reajuste. O preço do serviço de injeção de energia elétrica em rede de terceiros é contrato pela concessionária com o usuário final do serviço e o seu valor é sempre variável, conforme Cláusula 9ª do Contrato de Uso do Sistema de Transmissão (CUST) firmado pela prestadora do serviço com o usuário final, seu cliente, independente dos critérios de reajuste da RAP (periodicidade e índice de reajuste). JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação. MULTA DE OFÍCIO. A multa a ser aplicada em procedimento exofficio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, qualquer que seja o motivo da mora. Legítimo, também, a utilização da taxa Selic no seu cálculo. Recurso Voluntário Negado". Fl. 2075DF CARF MF Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 9303006.523 CSRFT3 Fl. 6 5 Cientificada do resultado do julgamento, a Contribuinte opôs embargos de declaração, ás fls. 1687/1707, alegando que o julgado incorreu em erro/contradição quanto à matéria julgada e omissão quanto aos fundamentos de defesa apresentados. São eles:1. vício quanto à identificação da remuneração recebida pelas concessionárias de transmissão de energia elétrica; 2.erro quanto ao objeto do auto de infração as receita vinculadas ao litígio; 3.vício quanto à alteração do critério de lançamento quando do julgamento do recurso voluntário; 4.vício de omissão quanto aos fundamentos de defesa excesso de constituição do crédito tributário em razão da aplicação do art. 100 do CTN; 5.vício de omissão quanto a argumento de erro da quantificação do crédito tributário excesso de constituição do crédito tributário em razão da não consideração dos créditos de PIS e Cofins da não cumulatividade. Os embargos foram admitidos parcialmente em relação aos itens 167 a 206 do recurso voluntário, ou seja: 1. impossibilidade de exigência de juros de mora e multa, em razão do parágrafo único do art. 100 do CTN (itens 167 a 177 do Recurso Voluntário); 2. alternativamente, exigência de juros de mora e multa de mora apenas a partir de agosto de 2007 (tens 178 a 186 do Recurso Voluntário); 3. do caráter confiscatório da multa aplicada (itens 187 a 195 do Recurso Voluntário); 4. ilegalidade da incidência da taxa Selic sobre multa de ofício (itens 196 a 206 do Recurso Voluntário). A 2º Turma da 3º Câmara da 3º Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, admitiu, parcialmente, os embargos de declaração sem efeitos infringentes e, na parte admitida, rejeitálo, ratificando acórdão embargado. Restando assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser rejeitados os embargos de declaração em matéria sobre a qual não se constatou a existência de omissão em sua apreciação na decisão embargada. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, restando preclusa sua alegação em recurso voluntário. Embargos acolhidos parcialmente, sem efeitos infringentes. Crédito Tributário Mantido. Devidamente intimada do resultado do julgamento dos embargos, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Especial, às fls. 1787/1839, com objetivo de rediscutir toda matéria que foi bem decidida, tanto pela DRJ como pela turma a quo. Traz em sua peça recursal, toda matéria discutida, aduz que demonstrou em seu Recurso Especial que o v. acórdão que negou provimento ao seu Recurso Voluntário deveria ser reformado por estar em desacordo com o entendimento já manifestado por outras Fl. 2076DF CARF MF Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 9303006.523 CSRFT3 Fl. 7 6 turmas desse E. CARF em casos idênticos ao presente, que refletem o melhor entendimento jurídico quanto à descaracterização do preço predeterminado para fins de definição da sistemática de recolhimento do PIS e da COFINS. Essa divergência foi demonstrada por meio do v. acórdão paradigma no. 3402003.302, indicado expressamente como o prioritário para a análise da divergência apresentada, nos termos do artigo 67, g 50, do RICARF. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, aponta, como paradigmas, os acórdãos n°s 9303001.690, da CSRF e 320200.115, da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. Em seguida, o Presidente da 3º Câmara da 3º Seção do CARF, negou seguimento ao Recurso, por entender que não foi comprovada a divergência, conforme se extrai do despacho de admissibilidade, às fls. 1880/1883. Nada obstante, não se conformando com a negativa de seguimento do Recurso, a Contribuinte interpõe Agravo, ás fls. 1900/1935, com objetivo da reforma do despacho que negou seguimento ao Recurso. Do resultado da analise do Agravo interposto, o Presidente do CARF, decidiu o seguinte: "REJEITO o agravo relativamente à "Possibilidade de apuração do PIS e da Cofins pelo regime da cumulatividade". Confirmo a negativa de seguimento ao recurso especial nesta parte. ACOLHO o agravo e DOU seguimento ao recurso especial relativamente à matéria "Alteração de fundamento jurídico ". Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, às fls. 2063/2069, requer a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Vencido Demes Brito Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, Fl. 2077DF CARF MF Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 9303006.523 CSRFT3 Fl. 8 7 além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. Com efeito, a Contribuinte suscita divergência em relação a 2 (duas) matérias: i.) descaracterização do preço pré predeterminado para fins de definição da sistemática de recolhimento do PIS e da Cofins, aponta como paradigma o acórdão nº 3402 003.302, ii) alteração do critério jurídico, indica como paradigmas os acórdãos nºs 9303 001.690 e 3202.00.115. O Presidente da 3º Câmara da 3º Seção do CARF, negou seguimento ao Recurso, por entender que não foi comprovada a divergência jurisprudencial, conforme se extrai do despacho de admissibilidade, às fls. 1880/1883. Vejamos: "Como se pode depreender da leitura, os acórdãos paradigmas não comprovam divergência jurisprudencial. Os acórdãos paradigmas não trazem nada que possa se confrontar ao texto do acórdão recorrido. A Recorrente traz ao pp. Paradigmas que tratam de matéria que não foi em nenhum momento objeto de discussão no acórdão recorrido". Assim, não foi comprovada divergência jurisprudencial, não cabendo nova análise da questão pela CSRF" Como visto, pela leitura do Despacho de admissibilidade, ainda que tenha sido citados acórdãos da 1ª ( primeira) discussão trazida pela Contribuinte, acórdãos nºs 9303 001.690 e 3202.00.115– alteração do critério jurídico, em nenhum momento foi apresentada argumentações que pudessem suportar a não comprovação da divergência jurisprudencial. Ademais, nada trouxe qualquer debate a respeito da primeira discussão, considerando que não houve qualquer menção do acórdão nº 3402003.302, apontado como paradigma. Nada obstante, não se conformando com a negativa de seguimento do Recurso, a Contribuinte interpôs Agravo, ás fls. 1900/1935, com fundamento de que houve omissão em relação ao paradigma nº 3402003.302, bem como, fundamentou a evidente divergência quanto à matéria "alteração de critério jurídico. Do resultado da analise do Agravo interposto, o Presidente do CARF, decidiu o seguinte: Fl. 2078DF CARF MF Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 9303006.523 CSRFT3 Fl. 9 8 "REJEITO o agravo relativamente à "Possibilidade de apuração do PIS e da Cofins pelo regime da cumulatividade". Confirmo a negativa de seguimento ao recurso especial nesta parte. ACOLHO o agravo e DOU seguimento ao recurso especial relativamente à matéria "Alteração de fundamento jurídico ". À alteração de fundamento jurídico, foi dado seguimento ao recurso, conforme segue: [...] pelo simples cotejo entre o acórdão recorrido e o paradigma, resta evidente a similitude fática das matérias discutidas nos respectivos autos, com desfecho diametralmente opostos, fato que caracteriza a divergência jurisprudencial. Forte nestes argumentos, entendo comprovada a divergência quanto á impossibilidade de alteração de critério jurídico.[...]” Em atenção ao despacho do Presidente do CARF, entendo que o Recurso deve ser conhecido, relativamente á matéria "Alteração de fundamento jurídico ". Até porque, entendo que houve prejuízo do direito de defesa da contribuinte, tendo em vista, que o Colegiado não poderia analisar matéria que não foi admitida no despacho de admissibilidade, devendo apenas analisar matéria admitida pelo Presidente do CARF. Com efeito, entendo que o Recurso deve ser conhecido, em atenção ao princípio da Legalidade – art. 37, § 2º, inciso II, do Decreto 70.235/72, o recurso deveria ser conhecido em relação à 1ª discussão, Moralidade – analise de matéria decidida pelo Presidente do CARF, o mérito do recurso restou prejudicado, ampla Defesa – não foi respeitado matéria decida por meio de despacho de agravo, segurança Jurídica –os critérios de admissibilidade não foram observados, eficiência, a Contribuinte logrou êxito quanto ao conhecimento do Recurso por meio de despacho do Presidente do CARF, contudo, sem sucesso. Em vista de todo o exposto, conheço do recurso especial interposto pela Contribuinte, nos termos do despacho de Agravo. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 2079DF CARF MF Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 9303006.523 CSRFT3 Fl. 10 9 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Como todo respeito ao voto do ilustre relator, mas discordo da sua posição em relação ao conhecimento do recurso especial interposto pelo contribuinte. O presente processo trata de lançamento de ofício de PIS e Cofins decorrente de apuração de diferenças entre os valores devidos das contribuições sociais apuradas no regime nãocumulativo e os valores devidos das contribuições sociais no regime cumulativo, em razão da atualização dos preços predeterminados pelo IGPM (cláusula de reajuste). A acusação da fiscalização é que a utilização do IGPM como cláusula de reajuste de preços, descaracteriza o contrato como de preço predeterminado e as contribuições sociais lançadas deveriam ser apuradas no regime da não cumulatividade. Por seu lado, o contribuinte sempre defendeu, em síntese, que a utilização do IGPM é uma mera correção de custos, compatível com toda a legislação vigente no sentido de que os contratos são de preço predeterminado e sua tributação deveria ser no regime cumulativo. A matéria em análise no âmbito do presente recurso especial, admitida em sede de agravo, é referente à possibilidade de alteração do critério jurídico do lançamento pela autoridade julgadora, mas especificamente pelo acórdão recorrido. Apresentouse como acórdãos paradigmas da divergência os de nº 9303001690 e 320200115. A recorrente afirma que o redator do voto vencedor no acórdão recorrido teria afastadose da controvérsia submetida no recurso voluntário e inovado a acusação fiscal ao afirmar que as receitas auferidas não poderiam estar sujeitas ao regime cumulativo por serem variáveis em função dos MW injetados, sendo que esta questão nunca foi objeto de discussão. Afirma que a inovação do critério jurídico do lançamento contraria o disposto no art. 146 do CTN. Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Em princípio, e até para nos situarmos em relação aos acórdãos paradigmas, entendo que o acórdão paradigma não efetuou qualquer mudança no critério jurídico do lançamento. Veja como iniciou o voto vencedor do acórdão recorrido, com o trecho abaixo transcrito: Ouso discordar do entendimento esposado pela Ilustre Conselheira relatora porque comungo com os fundamentos da decisão recorrida, aos quais faço os seguintes esclarecimentos adicionais. (...) Fl. 2080DF CARF MF Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 9303006.523 CSRFT3 Fl. 11 10 Da leitura do voto resta cristalino que o redator designado negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, mantendo intacto, pelos próprios fundamentos, o acórdão da DRJ. Sendo claro que o acórdão da DRJ enfrentou todas as matérias postas no recurso voluntário. Desta forma, o acórdão recorrido manteve de forma intacta a acusação original e, adicionalmente, acrescentou outro motivo para manter a acusação de que o contrato não era de preço predeterminado. Acrescentou esse novo motivo a título de esclarecimentos adicionais. Por essa razão, apesar de ter trazido uma novidade ainda não enfrentada, da qual o contribuinte não teve oportunidade de se manifestar, o fato é que fez a argumentação a título de ad argumentandum tantum, no sentido de reforçar a correção do lançamento. Caso conhecido o recurso especial do contribuinte e afastássemos da decisão recorrida esses argumentos adicionais, mesmo assim prevaleceria as razões originais para manutenção do lançamento. Portanto, estamos analisando a admissibilidade de um recurso especial de uma decisão que manteve o lançamento intacto pelas razões originais e adicionou novas razões para manutenção deste lançamento. Assim, para que seja possível estabelecer a divergência de interpretação entre o acórdão recorrido e os paradigmas, é necessário que nestes tenha ocorrido situações semelhantes e tenha se decidido que os argumentos adicionais ou razões adicionais caracterizamse como inovação de critério jurídico do lançamento. Então, são com estas premissas que passamos a analisar os 2 acórdãos paradigmas apresentados. Acórdão Paradigma nº 9303001690 Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998 LANÇAMENTO ELETRÔNICO. DCTF. MOTIVAÇÃO INCONSISTENTE. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Deve ser cancelado o auto de infração quando a motivação do lançamento (“proc jud de outro CNPJ”) não se mostrou verdadeira, notadamente em face do conteúdo fáticoprobatório trazido aos autos. AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotandose um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Recurso Especial do Procurador Negado. Fl. 2081DF CARF MF Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 9303006.523 CSRFT3 Fl. 12 11 No trecho grifado da ementa fica evidente que a decisão da DRJ, considerada incorreta, alterou o fundamento do lançamento e adicionou um novo critério que foi diferente ao motivador do lançamento. Aqui sim, estamos diante de uma clara inovação do critério jurídico o que é proibido pelo art. 146 do CTN. Neste processo paradigma, a acusação inicial era de declaração inexata na DCTF de que a ação judicial informada pertencia a outro CNPJ. Comprovado em impugnação que a ação judicial efetivamente era do contribuinte, a DRJ manteve o lançamento com outro fundamento: "falta de trânsito em julgado da decisão judicial". As situações aqui somente se equivaleriam com o acórdão recorrido, se a decisão fosse da seguinte forma: "efetivamente a ação judicial não pertence ao CNPJ e além disso para que fosse aceita a compensação deveria haver o trânsito em julgado da ação judicial". Se a situação fosse essa, e o acórdão tivesse decidido que essa razão adicional configurasse alteração no critério jurídico, daí a divergência entre os acórdãos estaria perfeitamente demonstrada. Mas não é esse o caso e, definitivamente, o acórdão paradigma não adotou solução divergente ao presente caso. Acórdão paradigma nº 320200115 Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/04/2006, 02/05/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. ARBITRAMENTO DO VALOR ADUANEIRO. MULTA. PENA DE PERDIMENTO, ILEGITIMIDADE DE CRITÉRIO, ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE I a INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE, MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART, 146 DO CTN. O reconhecimento da ilegitimidade do arbitramento do valor aduaneiro para fins de aplicação da multa substitutiva da pena de perdimento não autoriza que, em julgamento de 1 instância, seja adotado um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Fazse necessário, assim, para apuração de uma nova base de cálculo, a lavratura de novo auto de infração, o que não é da competência das instâncias julgadoras. Afigurase incabível, portanto, o lançamento lastreado em arbitramento ilegítimo. Recursos Voluntários Providos, Aqui, cabem as mesmas observações do acórdão anterior. Foi criado pela DRJ um novo critério para manutenção do lançamento e abandonado o critério original. Portanto, diferente do nosso acórdão recorrido em que se manteve as mesmas motivações do lançamento original. Os seguintes trechos extraídos do voto do acórdão paradigma deixam evidentes que estamos tratando de situações fáticas diametralmente opostas. (...) Fl. 2082DF CARF MF Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 9303006.523 CSRFT3 Fl. 13 12 Com efeito, o que fez a decisão recorrida foi acolher parcialmente a argumentação das contribuintes, entendendo que o arbitramento realizado pela autoridade fiscal estava completamente equivocado, já que utilizou o valor aduaneiro de outro processo administrativo, que não guarda correlação com as partes envolvidas, tampouco com a operação aduaneira ocorrida. Adotar como nova base de cálculo, ao invés do arbitramento, o valor aduaneiro declarado nas DI's, significa alterar de maneira patente um dos critérios jurídicos do lançamento, em completa dissonância com o artigo 146 do Código Tributário Nacional. É fato que a Autoridade Fazendária cometeu erro de direito ao utilizar base de cálculo completamente ilegal e infundada. Isso, todavia, não legitima a decisão ora recorrida, neste particular. Ainda mais adotando os valores apresentados pelos contribuintes no bojo de um esquema presumidamente fraudulento. (...) O recurso especial de divergência está regulamentado pelo art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, o qual assim dispõe: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) Como visto acima, os fatos e as situações processuais ocorridas entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas são tão díspares, que não é possível estabelecer qualquer parâmetro a comprovar que tenha havido a divergência jurisprudencial necessária à admissibilidade do recurso especial do contribuinte. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso especial do contribuinte. (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 2083DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13795.000066/2007-27
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
ENTREGA DA DCTF. PROBLEMA TÉCNICO. ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE. RECONHECIMENTO POR ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. A isenção da responsabilidade do contribuinte deve vir ancorada na edição de Ato Declaratório Executivo reconhecendo a falha nos sistemas de recepção de dados eletrônicos.
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decreto-lei nº. 2.124, de 13/06/1984 e, posteriormente, na Lei nº 10.426/2002.
Numero da decisão: 1002-000.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: JULIO LIMA SOUZA MARTINS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 ENTREGA DA DCTF. PROBLEMA TÉCNICO. ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE. RECONHECIMENTO POR ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. A isenção da responsabilidade do contribuinte deve vir ancorada na edição de Ato Declaratório Executivo reconhecendo a falha nos sistemas de recepção de dados eletrônicos. DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decreto-lei nº. 2.124, de 13/06/1984 e, posteriormente, na Lei nº 10.426/2002.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 ENTREGA DA DCTF. PROBLEMA TÉCNICO. ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE. RECONHECIMENTO POR ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. A isenção da responsabilidade do contribuinte deve vir ancorada na edição de Ato Declaratório Executivo reconhecendo a falha nos sistemas de recepção de dados eletrônicos. DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decretolei nº. 2.124, de 13/06/1984 e, posteriormente, na Lei nº 10.426/2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 79 5. 00 00 66 /2 00 7- 27 Fl. 100DF CARF MF 2 Relatório Foram distribuídos os autos para análise de controvérsia envolvendo a cobrança de penalidade acessória, consubstanciada em multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF. In casu, há exigência vinculada ao 1º trimestre do anocalendário de 2006, perfazendo um total a pagar no valor de R$ 16.576,73 (dezesseis mil quinhentos e setenta e seis reais e setenta e três centavos) (efl. 16). Diante da constituição do lançamento, protocolouse impugnação (efls. 3) alegando em síntese a ocorrência de problemas técnicos durante a transmissão da declaração, uma vez que, ainda que ocorrida a tentativa de envio, não houve sucesso, mercê de erro durante o procedimento. A reclamação administrativa foi então conhecida, fazendo com que a 8ª Turma da DRJ/RJ1 proferise o Acórdão nº 1234.243 (efls. 26/29) que, por unanimidade de votos, determinou a manutenção integral das exigências. Ato contínuo, irresignada com a decisão a quo, a autuada interpôs recurso voluntário (efls. 33/37), reiterando os mesmos argumentos rechaçados na impugnação, acrescentando as seguintes argumentações: 1. O cumprimento das demais obrigações perante a RFB, sendo a cobrança ineficaz por tratarse de erro de recepção do órgão competente; 2. Ilegalidade das Instruções Normativas expedidas pela Administração tributária abordando a matéria, porquanto aparentemente serviram de fundamentação legal para a instituição das DCTF, bem como para a imputação de penalidade pela entrega em atraso. É o relatório. Voto Conselheiro Julio Lima Souza Martins Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Passo então a apreciar as alegações da recorrente. 1. Preliminar Como questão prévia a recorrente propõe inferência acerca da responsabilidade por erro na transmissão de dados eletrônicos a RFB. Afirmase então que diante da condição em que sempre adimpliu com obrigações tributárias, necessariamente o erro pela falha na transmissão da DCTF seria imputável à Administração Fazendária. Examinando essa possibilidade, compreendo que afastase do raciocínio dedutivo a proposição levantada, uma vez que inexista elementos que possam relacionar fatos Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13795.000066/200727 Acórdão n.º 1002000.099 S1C0T2 Fl. 3 3 que, por sua natureza, são desconexos. O correto adimplemento de obrigações tributárias pregressas de uma parte não resulta na imputabilidade de outra por falha na entrega de obrigação diversa. Ademais, constato que, somado ao fato de que a recorrente não teve êxito em transmitir a declaração no último dia de seu prazo, às 19:23 hs (como ela mesma descreve), não houve por parte da RFB a expedição de nenhum Ato Declaratório Executivo de reconhecimento de falha de recepção que pudesse afetar vários contribuintes diante da necessidade de prestar informações ao fisco federal. Em verdade, muito além de transferir a responsabilidade a terceiros, a questão mais transparece como uma falta de diligência da recorrente ao tentar transmitir a declaração nos últimos minutos de seu prazo regular de recepção. 2. Mérito Da fundamentação das multas por atraso na entrega da DCTF Mercê da casual leitura, pretendese o afastamento da multa, uma vez que os normas infralegais manejadas, IN SRF nº 73/96 e IN nº 126/98, elencadas no auto de infração, não detêm natureza de lei, por isso inaptas a produzirem os efeitos determinados pelo inc. V, do art. 97, do CTN. Compreendo, de antemão, que o raciocínio advogado não merece guarida. Em verdade, o cerne da questão gravita em aferir a relação de validade entre o veículo introdutório e a norma na perspectiva do ordenamento jurídico. A ideia, nesse caso, é verificar não apenas como se sucedeu a introdução normativa, mas também, se esta atende as regras e os princípios matizados pelo direito positivado. Nesse sentido, é consabido que qualquer ato desenvolvido sobre a égide de um sistema jurídico vigente coordenase pelo mecanismo de fundamentação hierárquica derivativo da norma imediatamente superior. Mais que isso, denotase a pertinência de que, mediante o percurso de degraus ascendentes, seja alcançado o cume de um sistema piramidal, ocupado em seu ápice pela Constituição Federal, sendo esta a base de validade de todas as demais normas em vigor. De fato, essa apertada síntese nada mais é do que a própria Teoria Kelseniana que acabou por aprimorar o Direito ao nível de Ciência, apresentando precisamente a proposta de um corte epistemológico, de onde configurase a norma como objeto de estudo. No contexto, para que se infirme as alegações da recorrente, imprescindível elaborar uma breve digressão histórica que permeia a evolução do dever instrumental consubstanciado na entrega da DCTF. Incumbe constatar, inicialmente, que a instituição da referida declaração, bem como a correspondente penalidade para sua entrega a destempo, decorre da norma extraída do § 3º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, que assim dispõe: “Art. 5º O Ministro de Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 102DF CARF MF 4 § 3º Sem prejuízo da penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decretolei nº. 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº. 2.065, de 26 de outubro de 1983.” Notadamente, o texto colacionado exprime a autorização legal atribuída ao Ministro da Fazenda para instituir ou extinguir obrigações acessórias. Ocorre que, além do decreto, constam outros atos normativos presentes na fundamentação legal do auto de infração. Com estrita relação ao Decreto, emerge a Portaria MF n.º 118, de 1984 (efl. 7) destinada a materializar a delegação desta competência ao Secretário da Receita Federal, permitindolhe regulamentar o regime jurídico que rege a matéria. É dizer com isso que, a partir da construção jurídica hierarquicamente validada, criouse fundamento para a expedição das Instruções Normativas nº 73/96 e 126/98. Por esses termos, a recorrente equivocase ao entender que a mera regulamentação confundese com a instituição da obrigação acessória instrumental. De fato, a cominação legal a que se refere o inc. III, do art. 97, do CTN, tomada para a aplicação da multa pela entrega em atraso da DCTF remonta como fundamentação legal o DecretoLei nº 2.124/84 e não as instruções normativas multicitadas. Reforçando e atribuindo legitimidade a esse raciocínio, acrescento que a inteligência perfilhada encontrase em consonância com os precedentes extraídos dos Tribunais Superiores: "A Primeira Turma desta Corte sedimentou entendimento no sentido de que a Instrução Normativa nº 129/86, alterada pela IN nº 126/98 e disciplinada pela IN SRF nº 73/96, não instituiu a penalidade por atraso na entrega da DCTF, penalidade que foi prevista no artigo 11 do Decretolei nº 2.065/83.” (REsp 602.641/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 10/10/2006, DJ 15/02/2007, p. 214)." "A instrução normativa 73/96 estabelece apenas os regramentos administrativos para a apresentação das DCTF's, revelandose perfeitamente legítima a exigibilidade da obrigação acessória, não havendo que se falar em violação ao princípio da legalidade.” (EDcl no AgRg no REsp 507.467/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/11/2003, DJ 09/12/2003, p. 225)." INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE (CF, ARTS. 5º, II; 150, I; CTN, ART. 97). “A expressão ‘legislação tributária’, contida no § 2º do art. 165, da Constituição Federal, tem sentido lato, abrangendo em seu conteúdo semântico não só a lei em sentido formal, mas qualquer ato normativo autorizado pelo princípio da legalidade a criar, majorar, alterar alíquota ou base de cálculo, extinguir tributo ou em relação a ele fixar isenções, anistia ou remissão.” (ADI 3949 MC, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 14/08/2008, DJe148 DIVULG 06082009 PUBLIC 07082009 EMENT VOL0236802 PP00248 RTJ VOL00212 PP00372). Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13795.000066/200727 Acórdão n.º 1002000.099 S1C0T2 Fl. 4 5 Ademais, muito embora não tenha sido levantado pela recorrente, mas ao mesmo tempo para que não pairem dúvidas sobre a extensão apreciativa deste Conselho, eventualmente qualquer argumentação acerca da constitucionalidade do referido Decreto afastase do âmbito de competência desta instância administrativa. Para tanto, basta a direta referência à Súmula Vinculante nº 2, de observação obrigatória no âmbito do CARF, para resolver em definitivo este aspecto, sendo oportuno a transcrição do verbete: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante ao enfretamento de todas as questões levantadas, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.723636/2017-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2016
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Súmula CARF nº98.
Numero da decisão: 2002-000.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL Recorrente CELIA ROSARIA RODRIGUES SCAVONE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2016 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Súmula CARF nº98. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 36 36 /2 01 7- 61 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10830.723636/201761 Acórdão n.º 2002000.011 S2C0T2 Fl. 113 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2016, ano calendário 2015, tendo em vista a apuração de dedução indevida de pensão alimentícia judicial. A contribuinte apresentou impugnação (fls.2/35), alegando, em síntese: atendeu ao solicitado nos termos de intimações recebidos, mas, por lapso, deixou de juntar cada comprovante da pensão paga. aponta que resta evidenciada sua obrigação legal de efetuar os pagamentos, decorrente de determinação judicial. aduz que os recibos firmados pela beneficiária dos pagamentos são hábeis a fazer a prova exigida. conclui que os pagamentos são fáticos, efetuados sob o manto da estrita legalidade, enquadrados na Lei Tributária do Imposto de Renda autorizativa de respectivos abatimentos. esclarecida a celeuma com a juntada dos recibos, entende que a glosa deve ser cancelada e os lançamentos anulados. Acrescenta que se trata de tributação atípica, não podendo ser convalidada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) negou provimento à Impugnação (fls. 94/96), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2015 DEDUÇÕES. PENSÃO JUDICIAL. Somente podem ser aceitas as deduções comprovadas por meio documentação hábil e idônea que estejam em conformidade com as regras contidas na legislação tributária de regência. Cientificada dessa decisão em 10/10/2017 (fl.101), a contribuinte formalizou, em 27/10/2017 (fl.105), Recurso Voluntário (fls. 105/109), no qual apresenta as seguintes alegações: Em sede de preliminar, afirma que, no Direito pátrio, os recibos fazem prova plena de quitação, reproduzindo o artigo 308 da Lei nº 10.406/02: "O pagamento deve ser feito ao credor ou a quem de direito o represente, sob pensa de só valer depois de por ele ratificado, ou tanto quanto reverter em seu proveito" Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10830.723636/201761 Acórdão n.º 2002000.011 S2C0T2 Fl. 114 3 Diz que quitou com recibos assinados pela beneficiada da pensão alimentícia e requer o aproveitamento e nulidade in totum do lançamento fiscal. Pede a análise como questão de mérito, caso assim entenda o Colegiado. Em sua argumentação quanto ao mérito, inicia explicando que foi condenada em ação judicial a prestar alimentos a sua ascendente, conforme sentença já transitada em julgado. Assim, entende que não há que se falar em falta de previsão legal. argumenta que, ao contrário do declarado na decisão de primeira instância, a recorrente sempre efetuou pagamento em dinheiro, mas não possuía em mãos os recibos, posto ser a beneficiária da pensão alimentícia sua mãe. ressalta que, tratandose de relação entre família, não raro, dispensamse formalidades entre os entes. intimada da decisão de primeira instância, diz que providenciou os comprovantes dos pagamentos efetuados em dinheiros, firmados e com firma reconhecida em cartório pela beneficiária. aponta os montantes pagos de 2013 a 2016. sustenta que os pagamentos são fáticos e legais. assevera que o próprio acórdão reconheceu o atendimento do disposto na Lei nº 9.250/95, artigo 8º, inciso II, alínea "f" . alega que o dispositivo citado combinado com o artigo 308 da Lei nº 10.406/02 faz prova plena de quitação e consequente abatimento da dedução. argumenta que nem a lei nem o acórdão obstam que os alimentos reconhecidos em sentença sejam efetuados em dinheiro. O que se discute é a apresentação dos recibos somente na fase de impugnação. afirma ser certo que a recorrente não juntou os recibos no curso da ação fiscal, mas não o fez por lapso, bem como pela absoluta boafé e simplicidade. Acrescenta que o que o acórdão denomina divergência, explicase por ser ela pessoa simples. Reconhece que não foi feliz nas informações prestadas, visto que não sabia o que é pagamento em "espécie". Se indagada em "dinheiro" teria sido mais feliz. Ainda que haja divergência, defende que o tributo deve atender à estrita tipicidade e legalidade, buscando a verdade real, que, no caso, é provada pelos recibos. Espera a declaração de inexistência tributária. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.110). É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10830.723636/201761 Acórdão n.º 2002000.011 S2C0T2 Fl. 115 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Preliminar A questão suscitada pelo sujeito passivo em sede de preliminar, acerca da força probante dos recibos juntados, se trata, em verdade, de argumento de mérito e assim será analisada. Mérito As deduções legais em Declaração de Ajuste se lastreiam no art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que, no tocante à dedução de pensão alimentícia assim dispõe: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: ... f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; ... Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10830.723636/201761 Acórdão n.º 2002000.011 S2C0T2 Fl. 116 5 § 3º As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II deste artigo. (destaques acrescidos) Acrescentese que o art 73 do RIR exige que o interessado faça comprovação das deduções pleiteadas em Declaração de Ajuste. Frisese que o Direito Tributário não inova, uma vez que é comum aos demais ramos do Direito a exigência de prova do direito pleiteado por todo aquele que o alega. Do regramento acima exposto, é possível extrair três condicionantes para a dedução de pensão alimentícia em Declaração de Ajuste, quais sejam: 1) o dever de pensionar decorre de decisão judicial; 2) o fundamento para pagamento da pensão deriva das normas do Direito de Família; e 3) deve haver prova do efetivo pagamento. No caso, no curso da ação fiscal, a contribuinte informou (fl. 45): Ao contrário do que alega em seu recurso, não vislumbro confusão decorrente da utilização dos termos "espécie" ou dinheiro. A contribuinte informou categoricamente que não efetua o pagamento da pensão em pecúnia, sendo responsável pelo fornecimento de remédios, alimentos, vestuário, lazer e demais despesas necessárias a beneficiária da pensão. Diante dessa afirmativa, a autoridade fiscal procedeu a glosa, uma vez que somente são dedutíveis as importâncias pagas em dinheiro (fl.8): A decisão de piso manteve a autuação, consignando que a contribuinte não comprovou o efetivo pagamento do valor declarado. Em seu recurso, a contribuinte alega que os recibos emitidos pela beneficiária da pensão seriam suficientes para fazer a prova exigida. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10830.723636/201761 Acórdão n.º 2002000.011 S2C0T2 Fl. 117 6 Como destacado na legislação transcrita, a dedução da pensão alimentícia judicial na Declaração de Imposto de Renda está sujeita à comprovação, havendo referência expressa a “importâncias pagas”. Nesse sentido, é o entendimento manifestado na Súmula CARF nº 98, que deve ser observado por este Colegiado: Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (destaques acrescidos) Sendo a inclusão da dedução na Declaração de Ajuste Anual um benefício concedido pela legislação, incumbe à interessada provar que faz jus ao direito pleiteado. O ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto a determinado fato questionado. Repisese que aqui o fato questionado, qual seja, o pagamento da pensão, decorre de informação prestada pela própria contribuinte no curso da ação fiscal. Quanto aos recibos, constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) O Código Civil, citado pela contribuinte em seu recurso, também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10830.723636/201761 Acórdão n.º 2002000.011 S2C0T2 Fl. 118 7 Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” (destaques acrescidos) Assim, os recibos de quitação emitidos pela beneficiária, desacompanhados de outros elementos, tais como saques ou transferências bancárias, não se revelam hábeis a respaldar a efetividade dos pagamentos questionados. Diante da ausência da comprovação do efetivo pagamento, não há reparos a se fazer a decisão de piso, que manteve a glosa dos valores deduzidos a título de pensão alimentícia judicial. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002603/2005-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 23/06/1999 a 15/03/2000
DECADÊNCIA. CABIMENTO EM PARTE.
O termo inicial de contagem do prazo fatal para a constituição do crédito tributário, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da CPMF, encontra-se pacificada na jurisprudência deste E. CARF que acolhe o entendimento disposto no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333-SC, na sistemática de recursos repetitivos.
Inexistindo pagamento referente ao fatos ocorridos até 22/12/1999, o lançamento quanto a esse período, está alcançado pela decadência, ex vi do artigo 173, I do CTN.
Numero da decisão: 3302-005.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência do direito de lançar relativo aos fatos geradores ocorridos até 22/12/1999.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 23/06/1999 a 15/03/2000 DECADÊNCIA. CABIMENTO EM PARTE. O termo inicial de contagem do prazo fatal para a constituição do crédito tributário, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da CPMF, encontra-se pacificada na jurisprudência deste E. CARF que acolhe o entendimento disposto no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333-SC, na sistemática de recursos repetitivos. Inexistindo pagamento referente ao fatos ocorridos até 22/12/1999, o lançamento quanto a esse período, está alcançado pela decadência, ex vi do artigo 173, I do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência do direito de lançar relativo aos fatos geradores ocorridos até 22/12/1999. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1765; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 672 1 671 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002603/200597 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.212 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de fevereiro de 2018 Matéria AI.CPMF Recorrente CHOCOLATES GAROTO SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 23/06/1999 a 15/03/2000 DECADÊNCIA. CABIMENTO EM PARTE. O termo inicial de contagem do prazo fatal para a constituição do crédito tributário, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da CPMF, encontrase pacificada na jurisprudência deste E. CARF que acolhe o entendimento disposto no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, na sistemática de recursos repetitivos. Inexistindo pagamento referente ao fatos ocorridos até 22/12/1999, o lançamento quanto a esse período, está alcançado pela decadência, ex vi do artigo 173, I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência do direito de lançar relativo aos fatos geradores ocorridos até 22/12/1999. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 26 03 /2 00 5- 97 Fl. 196DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Tratase de impugnação a exigência fiscal relativa à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e Créditos e Direitos de Natureza Financeira— CPMF, formalizada no auto de infração de fls. 24/32. 0 feito, relativo a fatos geradores ocorridos entre junho de 1999 e março de 2000, constituiu crédito tributário no montante de R$ 46.512,30, incluídos principal, multa de oficio e juros de mora. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 21/23 a autoridade autuante assim contextualiza os fatos que motivaram o lançamento: Em 09 de setembro de 2005, intimamos o contribuinte a apresentar medida judicial que justificasse o não recolhimento da CPMF pra o período de 06/1999 a 03/2000. Embora não tenha sido formalizada qualquer resposta ao referido termo de intimação, foramnos apresentados documentos atestando que a matriz (Chocolates Garoto S/A) desistira em 23 de julho de 2003 de ação judicial referente a CPMF impetrada anteriormente conforme petição remetida à 5ª vara da Seção Judiciária do Espírito Santo em Vitória — Autos 99.000.40007, fls. 08 e 09. Também foi protocolada petição junto à Procuradoria da Fazenda Nacional, em referencia a tal desistência. Tal procedimento visava a adesão da Empresa ao Programa de Parcelamento Especial — PAES, conforme cópia de confirmação do recebimento do pedido de parcelamento especial, em fls. 14. Ao checar, através da conta PAES 240300141368, os débitos confessados, foram 17 estabelecimentos vinculados a esta conta, especificamente para o CNPJ 28.053.619/000183 [querendo reportarse ao CNPJ 28.053.619/0016 60], objeto da presente ação fiscal, não há referência de confissão da CPMF, fls. 17, apenas de IPI e IRRF. (...) Por não identificarmos a confissão de débitos referentes a CPMF para o contribuinte em epígrafe, constituímos nesta data crédito tributário referente ao período de 06/1999 a 03/2000, no montante consolidado de R$ 46.512,30. Cientificada da exigência em 29/09/2005, em 31/10/2005 (segundafeira), a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 35/45. Na peça de defesa, inicialmente historia haver proposto, em 09/06/1999, ação de Mandado de Segurança (processo n° 99.00040007)contra a exigibilidade da CPMF. Liminar teria sido deferida em 16/06/1999 e em 25/01/2002 obteve a segurança pleiteada. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 19515.002603/200597 Acórdão n.º 3302005.212 S3C3T2 Fl. 673 3 Diz a empresa que a medida liminar, assim como a sentença de mérito permaneceram vigentes até 22/09/2005, data em que foi homologada a desistência do processo, que então aguardava julgamento do recurso de apelação interposto pela Unido. A desistência da causa teve por fundamento a instituição do PAES pela Lei n° 10.684, de 2003. Assim, conclui (fl. 38), ao tempo da fiscalização a Requerente estava efetivamente albergada por decisão judicial e sentença de mérito que a isentava do recolhimento do tributo. Nesse contexto, invocando o art. 63, da Lei n° 9.430, de 1996, combate o lançamento da multa de oficio (fl. 42): Na competência assinalada no lançamento fiscal realizado a Impugnante estava albergada pelas decisões judiciais que a isentavam do recolhimento. Considerandose a publicação da homologação da desistência judicial realizada em 22/09/2005, temse o término do prazo disposto no art. 63, §2° da Lei n° 9.430/96, somente em 21 de outubro de 2005, razão pela qual inaplicável a multa de oficio lançada. A interessada também investe contra o lançamento do principal do débito: 0 fato de a fiscalização observar o pedido de desistência judicial e a ausência de confissão de débitos referentes a CPMF no sistema 'Demonstrativo dos Débitos Consolidados', não é fator assaz de proporcionar a fiscalização o fundamento para a autuação realizada (.) (.) em 23 de setembro de 2003, a Impugnante protocolou na Agencia da Receita Federal em Vila Velha o pedido de parcelamento especial, juntando naquele termo a declaração de desistência devidamente preenchida e assinada, trazida no Anexo I da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 01 de 25 de julho de 2003, cópia da petição de desistência protocolada nos autos do mandado de segurança n° 99.00040007, e DARF de recolhimento da Parcela calculada (.) Assim, naquele tempo havia cumprido a Impugnante todas as prescrições legais concernentes a adesão ao Parcelamento Especial. Em seguida, recebeu a confirmação do recebimento do pedido de parcelamento especial (.) Até então não havia homologação judicial da desistência da ação requerida pela Impugnante. Em 28 de abril de 2004,a Requerente protocolou na Agencia da Receita Federal em Vila Velha/ES, a Declaração PAES instituída pela Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 03, de 2003. Tratase com efeito de uma apresentação intempestiva e de Fl. 198DF CARF MF 4 forma excepcional, haja vista ter sido realizada de forma impressa, ou seja, não sendo transmitida via internet. Por tal motivo, essa d. delegacia, ao consultar a declaração de débitos incluídos no PAES, não vislumbrou o parcelamento da CPMF não recolhida por decisão judicial. Contudo julgador, a falta cometida pela Impugnante ao deixar de transmitir via internet a declaração de débitos incutidos no PAES, não é suficiente para a autuação ora impugnada, onde entendeu a r. autoridade fiscal ter a Impugnante simplesmente deixado de recolher a CPMF na competência fiscalizada, sem qualquer fundamento judicial que a amparasse. (.) O fato de a Impugnante quedarse em mora com a especifica obrigação trazida pela Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 03/03 não possibilita a autuação aplicada, sendo no máximo aplicável sanção por descumprimento acessório. (.) Ademais, a Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 03, esta de 25 de agosto de 2004, possibilita ao contribuinte incluir, retroativamente ao Parcelamento Especial — PAES o débito que tenha sido formalizado nos termos do art. 2° da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 01 de 29 de junho de 2003. (.) Assim, se ao contribuinte que se encontre na situação da Impugnante é possibilitado a formalização do débito incurso no PAES nos termos do art. 2°, da Portaria Conjunta PGFN/SRF no 01 de 2003, não há razão julgador para a manutenção fiscal lavrada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 23/06/1999 a 15/03/2000 PAES. DÉBITOS FISCAIS NA() CONFESSADOS. INCLUSÃO. Somente por meio da Declaração Paes podiam ser incluídos no referido parcelamento os débitos não previamente confessados ou constituídos. MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUSPENSO POR MEDIDA JUDICIAL EM MANDADO DE SEGURANÇA. Não cabe a aplicação de multa de oficio na constituição do crédito tributário relativo a tributo cuja exigibilidade houver sido suspensa por decisão judicial em mandado de segurança. Lançamento Procedente em Parte Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 26/08/2009, conforme AR de fl. 158, apresenta em 24/09/2008, fl. 161/164 Recurso Fl. 199DF CARF MF Processo nº 19515.002603/200597 Acórdão n.º 3302005.212 S3C3T2 Fl. 674 5 Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, onde repisa os argumentos já colacionados em sede impugnatória. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da Decadência Embora não arguida em sede recursal, no entanto, tratandose de questão de ordem pública, por força do princípio da legalidade que informa todo ato administrativo, conhecese de ofício da referida matéria, conforme fundamentos a seguir. Encontrase pacificada na jurisprudência deste E. CARF que acolhe o entendimento disposto nos itens 1 e 3 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, na sistemática de recursos repetitivos, conforme excertos a seguir: 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 200DF CARF MF 6 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).(Grupo). Tendo em vista que se encontra pacificada na jurisprudência deste E. CARF que acolhe o entendimento disposto nos itens 1 e 3 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, na sistemática de recursos repetitivos, conforme excertos acima, verificase que, havendo pagamento antecipado, o prazo de decadência deve ser contado a partir da realização do fato gerador do tributo (artigo 150, §4º do CTN). A contrario sensu, o prazo deve ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ser cobrado (artigo 173, I, do CTN). No caso concreto, tendo a ciência do auto de infração ocorrido em 29/09/2005, fls.27 e 34, inexistindo pagamento, conforme relatado e em se tratando de fatos geradores ocorridos de 23/09/1999 a 15/03/2000, aplicase o disposto no 1artigo 173, I, do CTN, para reconhecer a decadência dos fatos ocorridos até 22/12/1999, fl.32. Quanto à parte dos créditos lançados no curso do prazo decadencial, esclareçase que apenas formalmente existe uma matéria contenciosa, porém materialmente conhecese em parte o recurso voluntário visto que toda a argumentação da peça recursal situa se no atendimento às condições exigidas pelo PAES, conforme legislação de regência, não cabendo à decisão de piso impor condições, não exigidas pela lei. Assim dispôs o TVF: Ao checar, através da conta PAES 240300141368, os débitos confessados, foram 17 estabelecimentos vinculados a esta conta, especificamente para o CNPJ 28.053.619/000183 [querendo reportarse ao CNPJ 28.053.619/0016 60], objeto da presente ação fiscal, não há referência de confissão da CPMF, fls. 17, apenas de IPI e IRRF.(grifei). Ocorre que a argumentação da decisão de piso permeou a legislação que dispunha à época quanto aos requisitos exigidos pelo PAES, em razão das questões trazidas em sede recursal. Destacase a seguir os pertinentes excertos quanto à questão extraídas da referida decisão Importante destacar, de inicio, que o auto de infração se dirige contra estabelecimento especifico da empresa, identificado sob o CNPJ n° 28.053.619/001660. Este é o estabelecimento em relação ao qual, no caso em exame, a instituição financeira informou falta de retenção de CPMF (fl. 19) e a fiscalização não localizou, na pesquisa de fl. 17, confissão de divida relativa à CPMF no demonstrativo consolidado dos débitos incluídos no PAES. A fim de dirimir o conflito, impõese tecer alguns comentários acerca da opção da interessada por aderir ao Programa PAES, instituído pela Lei no 10.684, de 2003, conforme protocolo de fl. 14. 1 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 201DF CARF MF Processo nº 19515.002603/200597 Acórdão n.º 3302005.212 S3C3T2 Fl. 675 7 Com o advento do Programa PAES, a contribuinte teve a oportunidade de parcelar débitos ainda que não constituídos, com vencimentos até 28 de fevereiro de 2003, como transcrito: (...) Para viabilizar a inclusão no PAES de débitos ainda não constituídos, como previsto no §2°, art. 1°, da Lei n° 10.684, de 2003, a Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 3, de 2003, instituiu a Declaração PAES. Citada Portaria, em seu art. 1°, II, assim dispôs: Portaria Conjunta PGFN/SRF n°3, de 2003: Art. 1° Fica instituída declaração — Declaração Paes — a ser apresentada até o dia 31 de outubro de 2003 pelo optante do parcelamento especial de que trata a Lei 10.684/03, pessoa física ou, no caso de pessoa jurídica ou a ela equiparada, pelo estabelecimento matriz, com a finalidade de: I confessar débitos com vencimento até 28 de fevereiro de 2003, não declarados ou não confessados à SRF, total ou parcialmente, quando se tratar de devedor desobrigado da entrega de declaração especifica; II confessar débitos em relação aos quais houve desistência de ação judicial, bem assim, prestar informações sobre o processo correspondente a essa ação; III prestar informações relativas aos débitos e aos respectivos processos administrativos, em relação aos quais houve desistência do litígio; IV confessar débitos, não declarados e ainda não confessados, relativos a tributos e contribuições correspondentes a períodos de apuração objeto de ação fiscal por parte da SRF, não concluída no prazo fixado no caput, independentemente de o devedor estar ou não obrigado é entrega de declaração específica. (...) O inciso II do art. 1° da citada portaria não deixa dúvidas. Os débitos em relação aos quais houve desistência de ação judicial, situação na qual se insere o caso em foco, "deveriam ser confessados em Declaração PAES. Apenas não deveriam ser informados na citada declaração os débitos já constituídos, ou seja, aqueles considerados pela RFB como objeto de confissão de dívida. Notese que o instrumento admitido pela administração tributária como próprio para a confissão de divida é a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Conforme pesquisa de fls. 120/121, nenhum débito de CPMF foi informado pela contribuinte em suas DCTF referentes aos Fl. 202DF CARF MF 8 períodos que percorrem o primeiro trimestre de 1999 até o quarto trimestre de 2003. Assim, era condição necessária para a inclusão, no PAES, dos débitos de CPMF que foram objeto de discussão judicial posteriormente renunciada, que a contribuinte apresentasse até 31 de outubro de 2003 a competente Declaração PAES tratada no art. 1° da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 3, de 2003. Não bastavam apenas a formalização de sua adesão ao programa ou a entrega de anexos informativos relativos aos processos judiciais dos quais a interessada desistira: era condição essencial que os débitos não confessados fossem incluídos na declaração própria. Vejase, ademais, que a confissão de débitos pela apresentação da Declaração PAES, não se condicionava A homologação judicial do pedido de desistência da ação, dai porque não se pode acatar como eventualmente confessados no PAES débitos de CPMF referidos em folhas impressas apresentadas extemporaneamente (protocolo de 28/04/2004, fl. 65) A administração tributária como postula a impugnante, referindose As fls. 66/67. Houve, no caso, inobservância da forma e do prazo prescritos na legislação para a confissão de débitos mediante entrega da Declaração PAES. (...) Assim, legitimo concluir que, se a contribuinte tinha débitos de tributos federais passíveis de inclusão no PAES e que ainda não haviam sido declarados, já que esta confissão não se formalizara por intermédio de DCTF, somente poderia incluir tais débitos no programa por meio da Declaração PAES, que deveria ser apresentada por meio eletrônico e até a data de 31/10/2003, condições não cumpridas pela autuada. Ainda nesse tópico, convém marcar que não socorre a impugnante a invocação do art. 1° da Portaria Conjunta PGFN/SRF no 03, de 2003 que tem a seguinte redação: Portaria Conjunta PGFN/SRF no 03, de 2003: Art. 1 º Será incluído retroativamente no Parcelamento Especial (Paes), de que trata a Lei n° 10.684, de 30 de maio de 2003, o sujeito passivo que provar ter formalizado seu requerimento nos termos do art. 2° da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° I, de 25 de junho de 2003, e ter efetuado o pagamento da primeira parcela até 29 de agosto de 2003. § 1° O pedido de inclusão retroativa deve ser formalizado perante a autoridade da Secretaria da Receita Federal (SRF) ou da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), nos termos desta portaria, e deverá conter as razões e provas que o fundamentem. § 2° Na hipótese de deferimento, será considerada como data da opção a data mais recente entre a formalização da inclusão pela Internet e a data do pagamento da primeira parcela. 0 artigo trata de inclusão retroativa no PAES do sujeito passivo e não de débitos que não tenham sido confessados por meio da Fl. 203DF CARF MF Processo nº 19515.002603/200597 Acórdão n.º 3302005.212 S3C3T2 Fl. 676 9 declaração PAES. No caso, a autuação reportase ã falta de recolhimento de tributo que também não foi objeto do parcelamento especial, não havendo sugestão de que o contribuinte não esteja regularmente incluído no PAES. Temse assim, em primeiro lugar, que os débitos de CPMF tratados no auto de infração não haviam sido previamente confessados. Por outro lado, também não foram tais débitos incluídos no âmbito do PAES. Diante da ausência de confissão dos valores da contribuição que remanesceram sem recolhimento, quer por meio da DCTF, quer pela Declaração PAES, foi correta a formalizado de oficio do crédito tributário. (...) MULTA DE OFÍCIO Alegou a impugnante que até 21 de outubro de 2005, ou sei a, até trinta dias depois de publicada a homologação da desistência da ação, estava amparada por decisão judicial que suspendia a exigibilidade da contribuição, sendo incorreta a imposição da multa de oficio de 75% no lançamento formalizado em 29/09/2005. À luz desses dispositivos, importa reconhecer que a contribuinte, ao tempo do inicio do procedimento fiscal, preenchia as condições que amparavam sua conduta de não recolher o tributo. Tais condições perduraram até a ciência do auto de infração. De fato em 09/09/2005 estava a contribuinte amparada pela segurança obtida em sentença de primeiro grau proferida nos autos da Ação de Mandado de Segurança, processo n° 99.00040007, com publicação datada de 24/05/2002 (vide tela de consulta processual A fl. 122). Conforme fl. 124, o recurso de apelação foi recebido apenas no seu efeito devolutivo. Tal posição do judiciário somente se desfez com a publicação da homologação da desistência da causa formulada pela autora, nos termos do Código do Processo Civil, em seu art. 158: (...) Assim, publicada a homologação da desistência em 22/09/2005 (fl. 79/80) é de se entender que quando da lavratura do auto de infração, em 29/09/2005, estava ainda a interessada na guarda do prazo de supressão até mesmo da multa de mora, prescrito pelo §2° do art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996, não sendo cabível, portanto, a imposição da multa de oficio. Diante do exposto, voto por julgar procedente em parte o lançamento, para excluir a multa de oficio. Resta assim demonstrado de forma minudente pela instância a quo, a situação dos débitos da recorrente, não incluídos no PAES, visto que à época era condição necessária para a inclusão, no PAES, dos débitos de CPMF que foram objeto de discussão judicial Fl. 204DF CARF MF 10 posteriormente renunciada, que a contribuinte apresentasse até 31 de outubro de 2003 a competente Declaração PAES. Portanto referida decisão apenas esclarece, à luz dos dispositivos das legislação de regência do PAES, as condições para sua adesão, sem configurar imposição de condições, como quer fazer crer a recorrente. Ante o exposto, VOTO POR DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, PARA RECONHECER A DECADÊNCIA DOS FATOS GERADORES OCORRIDOS ATÉ 22/12/1999 E REJEITAR A PRELIMINAR SUSCITADA. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora Fl. 205DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.720229/2011-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 15/03/2010 a 05/04/2011
Ementa:
COISA JULGADA EM AÇÃO ANULATÓRIA FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. FATO SUPERVENIENTE AO ACÓRDÃO IMPUGNADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE POR PARTE DO CARF. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS.
Não há concomitância de instâncias quando, ao longo do processo administrativo e antes do advento de decisão administrativa definitiva, sobrevém sentença transitada em julgado em processo judicial onde se discutia o mesmíssimo débito combatido na instância administrativa. Ante a supremacia da instância judicial, não há, na hipótese aqui tratada, que se falar em concomitância, mas sim em aplicação dos efeitos do trânsito em julgado da decisão judicial para a resolução do correlato processo administrativo.
Recurso voluntário provido. Crédito tributário exonerado.
Numero da decisão: 3402-004.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário em razão do trânsito em julgado em seu favor e veiculado nos autos 5030243-30.2014.404.7200. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Jorge Olmiro Lock Freire que não conheciam do recurso voluntário e determinavam que a autoridade local aplicasse a decisão judicial transitada em julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 15/03/2010 a 05/04/2011 Ementa: COISA JULGADA EM AÇÃO ANULATÓRIA FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. FATO SUPERVENIENTE AO ACÓRDÃO IMPUGNADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE POR PARTE DO CARF. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. Não há concomitância de instâncias quando, ao longo do processo administrativo e antes do advento de decisão administrativa definitiva, sobrevém sentença transitada em julgado em processo judicial onde se discutia o mesmíssimo débito combatido na instância administrativa. Ante a supremacia da instância judicial, não há, na hipótese aqui tratada, que se falar em concomitância, mas sim em aplicação dos efeitos do trânsito em julgado da decisão judicial para a resolução do correlato processo administrativo. Recurso voluntário provido. Crédito tributário exonerado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário em razão do trânsito em julgado em seu favor e veiculado nos autos 5030243-30.2014.404.7200. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Jorge Olmiro Lock Freire que não conheciam do recurso voluntário e determinavam que a autoridade local aplicasse a decisão judicial transitada em julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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FATO SUPERVENIENTE AO ACÓRDÃO IMPUGNADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE POR PARTE DO CARF. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. Não há concomitância de instâncias quando, ao longo do processo administrativo e antes do advento de decisão administrativa definitiva, sobrevém sentença transitada em julgado em processo judicial onde se discutia o mesmíssimo débito combatido na instância administrativa. Ante a supremacia da instância judicial, não há, na hipótese aqui tratada, que se falar em concomitância, mas sim em aplicação dos efeitos do trânsito em julgado da decisão judicial para a resolução do correlato processo administrativo. Recurso voluntário provido. Crédito tributário exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário em razão do trânsito em julgado em seu favor e veiculado nos autos 503024330.2014.404.7200. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Jorge Olmiro Lock Freire que não conheciam do recurso voluntário e determinavam que a autoridade local aplicasse a decisão judicial transitada em julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 02 29 /2 01 1- 55 Fl. 767DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar o caso, adoto como meu parte do relatório desenvolvido no acórdão n. 0735.063 (fls. 676/681), proferido pela DRJ de Florianópolis/SC, o que passo a fazer nos seguintes termos: (...). Segundo consta nos autos, a filial contra a qual foram lançados os valores valeuse, indevidamente, de decisão proferida no processo judicial nº 2009.72.00.0104423, interposto por sua matriz, para efetuar recolhimento a menor a título de PIS e COFINS, modalidade importação, em 485 (quatrocentas e oitenta e cinco) operações aduaneiras1. A ora Impugnante apresentou duas peças defensivas, uma para cada contribuição, nas quais pretende conhecimento e provimento, com declaração de insubsistência dos autos de infração e cancelamento dos lançamentos fiscais. Alega alteração de critério jurídico com efeitos retroativos; que não houve recolhimento a menor (devido à não cumulatividade, como o lançamento é posterior à operação de saída, houve pagamento integral do tributo); e que a base de cálculo deveria ser somente o valor aduaneiro, sem a inclusão do ICMS, das contribuições e tampouco do IPI e do II. Requereu, também, a baixa em diligência para apuração do pagamento dos tributos/contribuições nas operações próprias de saída, bem como para verificar se a autoridade aduaneira teve pleno e amplo conhecimento do teor da medida judicial que deu sustentação a cada uma das operações. Em março do corrente, apresentou petição requerendo a imediata extinção do crédito tributário objeto do presente processo em cumprimento a decisão judicial transitada em julgado nos autos do processo da Ação Declaratória de Inexigibilidade de Crédito Tributário com pedido de tutela antecipada nº 501026657.2011.404.7200/SC, cuja cópia trouxe anexa e que, segundo a própria defesa, com objeto idêntico ao versado no presente processo administrativo. Segundo consta na peça interposta, “(...) ao propor ação judicial, a ora Peticionante conduziu a discussão de que trata a exigência formalizada nos Autos de Infração ao conhecimento e pronunciamento dos órgãos judiciais competentes para decidir o litígio, que acolheu o seu pleito, Nesta quadra, para o caso concreto, deve esta Egrégia Delegacia da Receita Federal de Julgamento deixar de se pronunciar em submissão ao princípio da inafastabilidade e unicidade da jurisdição, e à prevalência hierárquica da decisão judicial sobre a administrativa.” Fl. 768DF CARF MF Processo nº 10909.720229/201155 Acórdão n.º 3402004.987 S3C4T2 Fl. 768 3 (...). 2. Uma vez processada, a sobredita impugnação não foi conhecida ao fundamento de concomitância de instâncias administrativas, conforme se observa da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 15/03/2010 a 05/04/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial em que se discute idêntico objeto da impugnação apresentada em face de autuação fiscal importa em renúncia do contribuinte em contestála na instância administrativa, devendo, por conseguinte, declarar a definitividade da respectiva exigência tributária, haja vista a prevalência da decisão judicial sobre a administrativa e em cumprimento do princípio constitucional da unicidade de jurisdição. Impugnação Não Conhecida. Crédito Tributário Mantido. 3. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 709/725, oportunidade em que, em suma, alegou que a decisão proferida e transitada em julgado em favor da recorrente nos autos n. 501026657.2011.404.7200, embora veiculada em ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, teria aptidão para desconstituir os créditos aqui lançados. 4. Não obstante, juntamente com o recurso voluntário interposto, o contribuinte acostou prova de que em 30 de setembro de 2014 (fl. 757) ajuizou ação anulatória de débito fiscal (autos n. 503024330.2014.404.7200 4a. Vara Federal de Florianópolis) com o fito de desconstituir alguns créditos tributários, dentre os quais destacase o crédito debatido no presente processo administrativo. É o que se observa do teor da inicial acostada aos autos as fls. 729/754. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Os reflexos dos autos n. 503024330.2014.404.7200 para a resolução da presente lide Fl. 769DF CARF MF 4 7. Embora em princípio a discussão aqui travada tenha gravitado em torno da decisão proferida nos autos n. 501026657.2011.404.7200 (ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária), a verdade é que com o superveniente ajuizamento da ação anulatória de débito fiscal autuada sob o n. 503024330.2014.404.7200, a resolução da presente discussão passa, obrigatoriamente, pela análise do que restou decidido neste último processo judicial mencionado. 8. Pois bem. Na sobredita ação anulatória o contribuinte formulou o seguinte pedido: (...). V DO PEDIDO Diante do exposto, as Autoras requerem: a) Na forma do exposto no item anterior, a concessão de tutela antecipada inaudita altera parte, para o fim de cautelarmente determinar a suspensão dos PAF’s 10909.720.227/201166, 10909.720.228/201119, 10909.720.229/201155 até decisão final a ser proferida no presente processo; b) A citação da União – Fazenda Nacional para, querendo, apresentar sua Contestação ao feito; c) A produção de provas admitidas em direito, por mais especiais que sejam; d) Ao final, que seja julgada procedente a ação para o fim de anular/extinguir os créditos tributários constituídos por meio dos Autos de Infração constantes dos PAF’s 10909.720.227/201166, 10909.720.228/201119, 10909.720.229/201155; e e) Condenar a União Federal ao pagamento de honorários advocatícios a serem fixados conforme os ditames do art. 20 do CPC, bem como das custas processuais. (...). 9. Percebese, portanto, que após o advento do acórdão proferido pela DRJ de Florianópolis, o contribuinte promoveu ação anulatória que, dentre outros pedidos, tinha por escopo a desconstituição do específico crédito tributário debatido no presente processo administrativo. 10. Embora não conste dos autos, na qualidade de Relator do caso tive o cuidado de acessar o andamento processual dos autos n. 503024330.2014.404.7200 junto ao sítio eletrônico do TFR da 4a Região1, oportunidade em que constatei a existência de decisão judicial transitada em julgado dando integral provimento ao pleito do contribuinte, ou seja, anulando o crédito tributário aqui debatido. Este é o teor da sentença veiculada nos autos: SENTENÇA 1 https://www2.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=consulta_processual_resultado_pesquisa&txtValor=50302433 020144047200&selOrigem=SC&chkMostrarBaixados=&todasfases=S&selForma=NU&todaspartes=&hdnRefId= e5047d8e925f25590f7314316dd91fdf&txtPalavraGerada=wsav&txtChave= Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10909.720229/201155 Acórdão n.º 3402004.987 S3C4T2 Fl. 769 5 Vistos etc. Cuidase de ação de rito ordinário na qual a parte autora pretende sejam anulados créditos tributários constituídos. Requer: a) Na forma do exposto no item anterior, a concessão de tutela antecipada inaudita altera parte, para o fim de cautelarmente determinar a suspensão dos PAF’s 10909.720.227/201166, 10909.720.228/201119, 10909.720.229/201155 até decisão final a ser proferida no presente processo; [...] d) Ao final, que seja julgada procedente a ação para o fim de anular/extinguir os créditos tributários constituídos por meio dos Autos de Infração constantes dos PAF’s 10909.720.227/201166, 10909.720.228/201119, 10909.720.229/201155; Junta documentos. Indeferida a antecipação dos efeitos da tutela, a União apresentou contestação e a parte autora réplica. Decido. Consta expresso na contestação apresentada pela União (Evento 20): a) Fique consignado o reconhecimento da procedência do pedido em face do julgamento pelo STF do RE 559.937, julgado sob o rito do art. 543B do CPC (repercussão geral), o que se faz nos termos do art. 19, inc. IV, § 1º e respectivo inciso I, da Lei 10.522/2002 e art. 1º, inc. V, da Portaria PGFN n. 294/2010. Ante o exposto, julgo procedente o pedido para anular os créditos tributários constituídos por meio dos Autos de Infração constantes dos PAF’s 10909.720.227/201166, 10909.720.228/201119, 10909.720.229/201155, nos termos da fundamentação. Custas ex lege. Deixo de condenar a União em honorários advocatícios em face do art. 19, § 1º, e inciso I, da Lei n. 10.522/2002. Interposto recurso voluntário e atendidos seus pressupostos, considerese recebido em seus efeitos, com intimação da parte contrária para contrarrazões e posterior remessa ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Publiquese. Intimemse. Após o trânsito em julgado, dêse baixa. (grifos nosso) 11. Consoante se observa do teor da aludida decisão, a União reconheceu a procedência do pedido formulado judicialmente pela recorrente, o que ensejou, por conseguinte, a procedência da demanda em seu favor. Fl. 771DF CARF MF 6 12. Importante registrar que o referido trânsito em julgado ocorreu depois de instaurada a lide administrativa, cujo fato deflagrador é a apresentação da impugnação do contribuinte datada de 21/07/2011. Tratase, portanto, de fato superveniente, o qual pode ser aventado pelo contribuinte – como de fato foi – após a interposição do seu recurso voluntário, nos termos do art. 342, inciso I do Código de Processo Civil2, aqui aplicado de forma subsidiária. Logo, tal fato deve ser apreciado por este Tribunal Administrativo para fins de julgamento. 13. Uma vez reconhecido o fato superveniente, mister se faz verificar quais são os seus reflexos para o resultado da presente lide. Nesse esteio, já antecipo que o conhecimento do referido fato superveniente implica o advento de dois efeitos. 14. O primeiro e mais notório deles é no sentido de rechaçar eventual argumento de uma pretensa concomitância entre o caso decidendo e àquele materializado nos autos judiciais n. 503024330.2014.404.7200. Isto porque, para que haja concomitância de instâncias é imprescindível existir duas ou mais lides análogas que tramitem conjuntamente, afinal, um dos escopos da concomitância é evitar o advento de decisões contraditórias entre si para processos pendentes de julgamento. Acontece que, com o superveniente trânsito em julgado da demanda judicial antes do término da instância administrativa, referida concomitância deixou de existir, havendo, em verdade, a necessidade de se sobrepor a decisão lá proferida em razão da supremacia da instância judicial em detrimento da instância administrativa. 15. Logo, inexistindo a sobredita concomitância, compete agora definir quais os reflexos do trânsito em julgado da decisão judicial aqui analisada para a resolução do presente processo administrativo, sendo este o segundo efeito do fato superveniente noticiado pelo contribuinte. 16. Em relação a este segundo efeito do fato superveniente não é necessário maiores digressões. Como visto do teor da sentença judicial lavrada nos autos n. 5030243 30.2014.404.7200, a União reconheceu a procedência dos pedidos de anulação de débitos fiscais, dentre os quais o débito retratado no presente processo administrativo, o que redundou na seguinte disposição judicial: (...). Ante o exposto, julgo procedente o pedido para anular os créditos tributários constituídos por meio dos Autos de Infração constantes dos PAF’s 10909.720.227/201166, 10909.720.228/201119, 10909.720.229/201155, nos termos da fundamentação. (...) (g.n.). 17. Logo, não há alternativa para o presente caso além de cumprir estritamente o teor da sobredita decisão judicial, ou seja, repisar o cancelamento da presente exigência fiscal. Dispositivo 2 Art. 342. Depois da contestação, só é lícito ao réu deduzir novas alegações quando: I relativas a direito ou a fato superveniente; (...). Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10909.720229/201155 Acórdão n.º 3402004.987 S3C4T2 Fl. 770 7 18. Diante do exposto, conheço o recurso voluntário para lhe dar provimento em razão do trânsito julgado em seu favor e veiculado nos autos n. 5030243 30.2014.404.7200. 19. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 773DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.721725/2012-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto.
CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O conteúdo da acusação fiscal é exclusivamente o que consta do auto de infração e respectivo Termo de Verificação Fiscal, sendo irrelevantes documentos outros tais como os que deram origem ao procedimento fiscal. O procedimento fiscal é essencialmente inquisitório, só havendo que se falar em garantia dos princípios do contraditório e da ampla defesa com o início do processo administrativo que se dá com a apresentação da impugnação tempestiva pelo contribuinte.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A constatação de que houve rendimentos omitidos não leva necessariamente ao arbitramento do lucro, já que se trata de hipóteses legais diversas. A omissão de receitas resulta, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/1996, à tributação da receita omitida no regime tributário escolhido pelo contribuinte, já o arbitramento do lucro é possível, dentre outras hipóteses, caso se constate a imprestabilidade da escrituração, conforme artigo 530, II, do RIR/99. Acontece que, a depender do volume da receita omitida, isso pode levar à conclusão de que a escrituração do contribuinte não é confiável e deve, portanto, ser desconsiderada.
LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. Justificar a origem dos depósitos significa comprovar documentalmente a fonte e a causa de cada entrada. A simples apresentação de cópia de documento que comprova o depósito não explica a origem do recurso.
MULTA. CONFISCO. Súmula CARF no. 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
A falta de apresentação de recurso voluntário por parte do responsável faz com que suas razões de defesa precluam, permanecendo para ele o quanto decidido pela acórdão recorrido.
Numero da decisão: 1401-002.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O conteúdo da acusação fiscal é exclusivamente o que consta do auto de infração e respectivo Termo de Verificação Fiscal, sendo irrelevantes documentos outros tais como os que deram origem ao procedimento fiscal. O procedimento fiscal é essencialmente inquisitório, só havendo que se falar em garantia dos princípios do contraditório e da ampla defesa com o início do processo administrativo que se dá com a apresentação da impugnação tempestiva pelo contribuinte. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A constatação de que houve rendimentos omitidos não leva necessariamente ao arbitramento do lucro, já que se trata de hipóteses legais diversas. A omissão de receitas resulta, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/1996, à tributação da receita omitida no regime tributário escolhido pelo contribuinte, já o arbitramento do lucro é possível, dentre outras hipóteses, caso se constate a imprestabilidade da escrituração, conforme artigo 530, II, do RIR/99. Acontece que, a depender do volume da receita omitida, isso pode levar à conclusão de que a escrituração do contribuinte não é confiável e deve, portanto, ser desconsiderada. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. Justificar a origem dos depósitos significa comprovar documentalmente a fonte e a causa de cada entrada. A simples apresentação de cópia de documento que comprova o depósito não explica a origem do recurso. MULTA. CONFISCO. Súmula CARF no. 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A falta de apresentação de recurso voluntário por parte do responsável faz com que suas razões de defesa precluam, permanecendo para ele o quanto decidido pela acórdão recorrido.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Recorrente TEXSA DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O conteúdo da acusação fiscal é exclusivamente o que consta do auto de infração e respectivo Termo de Verificação Fiscal, sendo irrelevantes documentos outros tais como os que deram origem ao procedimento fiscal. O procedimento fiscal é essencialmente inquisitório, só havendo que se falar em garantia dos princípios do contraditório e da ampla defesa com o início do processo administrativo que se dá com a apresentação da impugnação tempestiva pelo contribuinte. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A constatação de que houve rendimentos omitidos não leva necessariamente ao arbitramento do lucro, já que se trata de hipóteses legais diversas. A omissão de receitas resulta, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/1996, à tributação da receita omitida no regime tributário escolhido pelo contribuinte, já o arbitramento do lucro é possível, dentre outras hipóteses, caso se constate a imprestabilidade da escrituração, conforme artigo 530, II, do RIR/99. Acontece que, a depender do volume da receita omitida, isso pode levar à conclusão de que a escrituração do contribuinte não é confiável e deve, portanto, ser desconsiderada. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 17 25 /2 01 2- 00 Fl. 4156DF CARF MF 2 transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. Justificar a origem dos depósitos significa comprovar documentalmente a fonte e a causa de cada entrada. A simples apresentação de cópia de documento que comprova o depósito não explica a origem do recurso. MULTA. CONFISCO. Súmula CARF no. 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A falta de apresentação de recurso voluntário por parte do responsável faz com que suas razões de defesa precluam, permanecendo para ele o quanto decidido pela acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS referentes aos anoscalendário de 2007 e 2008, motivado pela deficiência da contabilidade da contribuinte, que não registrava as receitas auferidas, o que teria impedido a apuração do lucro real (trimestral, conforme sua opção). Em face da omissão de receitas da atividade, relativas aos depósitos bancários cuja origem não foi esclarecida, foi constituído o crédito tributário pelo método do arbitramento, conforme as regras dos artigos 258, 259, 518, 530, I e II, 532, 537, 927, 928, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. Foi aplicada multa de 150% e indicado como responsável tributário Edilson Marques de Azevedo, irmão da sócia administradora que detinha procuração com amplos e Fl. 4157DF CARF MF Processo nº 10950.721725/201200 Acórdão n.º 1401002.303 S1C4T1 Fl. 4.157 3 plenos poderes para gerir e administrar privativa e individualmente a contribuinte (arts 124 e 135 do CTN) A contribuinte (fls. 3.631/3.662) e o responsável (fls. 3.912/3.919) apresentaram impugnação. A contribuinte aduz que: i) é empresa 100% brasileira, fabricante e comerciante atacadista de óleos lubrificantes destinados a máquinas e automóveis, comerciante atacadista de lubrificantes, filtros, peças e acessórios, importação e exportação de produtos automotivos, transporte rodoviário de cargas, fundada em 10/08/2001 pelos sócios Carlos César Lemes e Walmir Vieira; ii) no início das atividades, devido a desinteresse dos sócios e demora em obtenção de licenças e registros, só ocorreu em 12/2005, ocorrendo a primeira venda e emissão da nota fiscal em 25/01/2006; portanto, não é verdade que tenha iniciado as atividades em 01/09/2011; iii) recebe pagamentos em dinheiro, cheques próprios e de terceiros, depósitos, ordens de pagamento e transferências eletrônicas bancárias, situações em que inexistem documentos físicos, sendo a transação eletrônica o único documento; por isso, o conceito de documentação hábil e idônea já não é o mesmo que o admitido há décadas; que o seus livros Razão de 2007 e 2008, possuem 730 folhas, o que demonstra o seu volume de operações e dá uma idéia da dificuldade de apresentar, nos prazos exigidos, todos os comprovantes dos créditos bancários, mas que, ainda assim, apresentou todos os documentos e informações solicitados pelo Fisco; iv) optou pelo regime do lucro real trimestral na apuração do IRPJ e da CSLL e pela sistemática da nãocumulatividade do PIS da Cofins. v) é nulo Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) nº 09.1.05.00.2011000999, pois a contribuinte não foi intimada da sua prorrogação (teve início em 04/04/2011 e prorrogado para 14/09/2011), razão pela esposa a tese de que o MPFF, extinguiuse em 02/08/2011, conforme os arts. 11 a 15 da Portaria RFB nº 11.371, de 2007; vi) cerceamento ao direito de defesa, por não ter recebido cópia do ofício MPF/UMR nº 1101/2010, que deu origem ao procedimento fiscal, impedindoa de contraditá lo; vii) quanto à interposição fraudulenta de terceiros, aduz a contribuinte que os cartórios extrajudiciais são instituições que contribuem para a elaboração diária do direito para a comunidade, com os atos notariais e de registro, vivendose, assim, evolução do Direito e suas técnicas, para se adaptar à pluralização do fenômeno jurídico contemporâneo, mas que somos apegados aos padrões do Direito Civil no final da era clássica e, nesse contexto, há novas formas construtivistas do Direito Privado, flexíveis e elásticas que se amoldam ao fenômeno jurídico superior à rigidez das técnicas ainda utilizadas, sendo um exemplo prático o mandato público para administrar sociedade empresária, em relação ao qual o Código Civil, de 2002, criou algumas ressalvas como aos administradores se fazerem substituir ou serem substituídos em suas funções, sem o consentimento expresso dos demais sócios; ressalta que a representação das sociedades é um dos pontos capitais do direito empresarial, mediante a qual Fl. 4158DF CARF MF 4 ela se protege, pois dá publicidade a todos de qual pessoa é o seu administrador e os poderes que lhe foram outorgados, o que legitima os atos do administrador e o exime da responsabilidade por atos regulares de gestão – ele só responderá por atos estranhos aos negócios da sociedade ou objeto social. viii) nega a interposição fraudulenta de terceiros e que não há nos autos prova de que Edílson Marques de Azevedo era “sócio de fato” da contribuinte; ix) não exibiu documentos relativos aos pagamentos dos sócios, pois os mesmo não lhes foram requeridos e que, no período fiscalizado, não houve lucros a distribuir, conforme evidenciado nas fls. 85 a 96 e 128 a 136 do processo; x) sobre a acusação de omissão de receitas, destaca que entregou espontaneamente os documentos exigidos pela fiscalização; xi) a presunção da omissão de receitas se deveu à não individualização dos créditos bancários e depósitos provenientes das contas Caixa e Transitória. xii) aduz que os seus registros nos livros Diário e Razão, não são sintéticos em partidas mensais, mas de forma analítica, clara e individualizada, especificando a data, as contas contábeis envolvidas, os valores a débito e a crédito e histórico mencionando a documentação hábil e idônea, e acusa que o auditor não verificou as entradas do Caixa, tais como recebimentos de clientes em cheques e dinheiro, que deram suporte aos créditos bancários decorrentes de transferências da conta Caixa, o que era imperioso, e destaca que tais valores não estão sujeitos à presunção da Lei nº 9.430, de 1996. xiii) justifica a utilização da conta transitória, diante das várias contas debitadas e/ou creditadas, por uma questão de simplificação, e informa que não há registro de receitas na mesma. xiv) no que tange ao arbitramento, baseado na suposta imprestabilidade da contabilidade para apuração do lucro real, afirma ser indevido, porque a sua contabilidade se reveste de perfeita ordem e forma e deveria ter sido realizada a apuração no lucro real trimestral. xv) afirma que a autuação por presunção legal de omissão de receitas não comporta qualificação da multa, mas apenas a multa de ofício de 75% e que não há prova de ato doloso, com fins de sonegação tributária; xvi) alega que a multa é confiscatória. O responsável, por sua vez, trouxe alegações coincidentes com a do contribuinte acerca da nulidade do MPFF, cerceamento ao direito de defesa e ausência de interposição fraudulenta de terceiros, sustentando também a incompetência da RFB para a imputação de responsabilidade a terceiros, cuja competência seria da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), a ser exercido na fase de execução do crédito tributário constituído. Em 21 de setembro de 2013 a DRJ em Curitiba julgou as impugnações improcedentes, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007, 2008 Fl. 4159DF CARF MF Processo nº 10950.721725/201200 Acórdão n.º 1401002.303 S1C4T1 Fl. 4.158 5 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL FISCALIZAÇÃO (MPFF). DECURSO DE PRAZO. EXTINÇÃO. EMISSÃO DE NOVO MPFF. A extinção do MPFF pelo decurso do prazo de cento e vinte dias não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela expedição do mandado extinto determinar a emissão de novo MPFF para a conclusão do procedimento fiscal, inclusive pelo mesmo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, se a ciência ao sujeito passivo ocorreu dentro do respectivo prazo de validade. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPFF. NULIDADE. Mesmo se o MPF F,instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização, for extinto por decurso de prazo da prorrogação e posteriormente reemitido, não é nulo auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da lei, possui competência para tanto. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ACESSO A DOCUMENTOS NOS AUTOS. Não há cerceamento do direito de defesa por alegado desconhecimento do teor de ofício de representação que originou o procedimento fiscal, constante dos autos, se o conteúdo deste está resumido em relatório cientificado aos interessados e estes não se interessaram em exercer o direito de vistas ou de obtenção de cópia do processo, a fim de prepararem sua defesa. NULIDADE. LUCRO ARBITRADO. MÉRITO. Questionamento acerca da autuação lavrada no regime do lucro arbitrado em vez de no lucro real trimestral, pelo qual o contribuinte havia optado, deve ser analisado no mérito da autuação, não sendo motivo de nulidade. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DOS FATOS. Descabida a acusação de cerceamento de defesa por alegada e genérica acusação de que a descrição dos fatos é insuficiente, desmentida pela leitura da descrição dos fatos pelo autor do feito e pelos demonstrativos analíticos e sintéticos nos autos. DESCABE CERCEAMENTO DE DEFESA. INTIMAÇÃO EXPLÍCITA. Descabida a alegação de cerceamento de defesa, alegadamente por não lhe terem sido solicitadas as notas fiscais de vendas, o que o teria induzido ao erro, se o contribuinte foi explicitamente intimado de que devia correlacionar os recebimentos nas suas contas bancárias, com as notas fiscais regularmente escrituradas e oferecidas à tributação. NOTAS FISCAIS NÃO APRESENTADAS. Não se justifica a não apresentação de notas fiscais se o contribuinte foi comprovadamente intimado para tanto. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea que fossem valores isentos, já oferecidos à tributação, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte ou de outra origem justificada. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. DOCUMENTOS NÃO COMPROBATÓRIOS. Extratos de controle financeiro interno não contábil do contribuinte, relatórios bancários de recebimentos de cobrança de títulos de clientes da empresa, listagens de depósitos/créditos recebidos nas contas bancárias referentes a cheques que descontou antecipadamente junto aos bancos, apresentados na impugnação, sem correlação com os depósitos/créditos recebidos, não justificam a origem destes. Fl. 4160DF CARF MF 6 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM CAIXA. FALTA DE LASTRO. Valores de "Depósito Cfe Recibo” contabilizados a débito (entrada) da conta Banco e a crédito (saída) da conta Caixa, não justificam os depósitos bancários, se os saldos do Caixa, a partir dos quais tais depósitos teriam sido realizados foram criados artificialmente e o contribuinte intimado não apresenta os comprovantes destes depósitos; e se tais saldos de Caixa resultaram de cheques bancários emitidos pelo contribuinte para pagamento de despesas da empresa, que foram debitados (deram entrada) no Caixa, mas cujo correspondente lançamento a crédito (saída) do Caixa, não foi contabilizado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM CAIXA. TRANSFERÊNCIAS E DEPÓSITOS “ON LINE”. Entradas de recursos nos bancos constantes dos extratos como transferências e depósitos “on line”, o que significa serem provenientes de outros bancos ou agências do mesmo banco, não podem ser aceitos como depósitos recebidos do Caixa da empresa. ENTRADAS DO CAIXA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte provar documentalmente suas alegações de que recursos do seu Caixa, foram a origem de depósitos/créditos em contas bancárias de sua titularidade. ARBITRAMENTO DO LUCRO. CONTABILIDADE IMPRESTÁVEL. Caracterizase como imprestável para a apuração do lucro real, justificando o arbitramento do lucro de ofício, a contabilidade que não registra conta bancária com relevante movimentação financeira, registra cheques de emissão da própria empresa a débito (entradas) no Caixa, porém não registra as respectivas contabilizações dos pagamentos efetuados com tais cheques (saídas do Caixa) e registra alegados depósitos que seriam proveniente de recursos do Caixa assim falsamente gerados, que se evidenciaram serem de outras origens, não explicadas nem documentadas. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 PROCURAÇÃO COM PODERES ILIMITADOS. SÓCIO DE FATO. Caracteriza como sócio de fato a pessoa que detém poderes ilimitados na empresa, que incluem dissolvêla e onerar imobilizado e substabelecer tais poderes a terceiros sem reserva. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. Correta a responsabilização solidária de pessoa que, tendo interposto outras pessoas como sócias de direito, detem poderes ilimitados na empresa, caracterizandose como sócio de fato. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. São solidariamente obrigadas as pessoas, físicas e/ou jurídicas, que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de leis, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. FRAUDE. SONEGAÇÃO. DOLO. Caracteriza sonegação e dolo a omissão de receitas, durante oito trimestres seguidos, na proporção média de mais de um terço da receita bruta total, mascarando tal omissão com artifícios fraudulentos na contabilidade. DOLO. Caracteriza dolo sonegar impostos de empresa da qual o sócio de fato adota o papel de terceiro administrador, a fim de não assumir a responsabilidade pelos débitos. MULTA QUALIFICADA. DOLO. Caracterizada a presença do dolo, elemento específico da sonegação, cabível a aplicação da multa qualificada nos termos de legislação em vigor. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. O percentual de multa qualificada aplicável é aquele determinado expressamente em lei. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. COMPETÊNCIA DO AFRFB. Fl. 4161DF CARF MF Processo nº 10950.721725/201200 Acórdão n.º 1401002.303 S1C4T1 Fl. 4.159 7 A competência privativa do AFRFB de constituir crédito tributário mediante lançamento de ofício se completa com a identificação do sujeito passivo, o que inclui a lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária de terceiro, quando caracterizada tal situação. ARROLAMENTO DE BENS. COMPETÊNCIA. A competência para decidir sobre arrolamento de bens é do titular da unidade da RFB de domicílio tributário do sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi intimada em 18 de março de 2013 (fl. 4083) e apresentou recurso voluntário em 12 de abril de 2013 (fl. 4084), sustentando, em síntese: (i) inicia com as observações de que "o conceito de documentos hábeis e idôneos já não pode mais ser o mesmo admitido há décadas" e "As novas modalidades eletrônicas de recebimentos e/ou pagamentos, por vezes, pressupõem a inexistência de documentos físicos, tais como papéis, sendo a transação eletrônica o único documento cabal de operações. É a modernidade". (ii) seus Livros Razão de 2007 e 2008 (fls 171 a 900) possuem juntos 730 folhas, o que demonstra o seu volume de operações e explica a dificuldade de levantar as informações solicitadas pela fiscalização, ainda assim todos os documentos foram apresentados; iii) optou pelo regime do lucro real trimestral na apuração do IRPJ e da CSLL e pela sistemática da nãocumulatividade do PIS da Cofins. iv) é nulo Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) nº 09.1.05.00.2011000999, pois a contribuinte não foi intimada da sua prorrogação (teve início em 04/04/2011 e prorrogado para 14/09/2011), razão pela esposa a tese de que o MPFF, extinguiuse em 02/08/2011, conforme os arts. 11 a 15 da Portaria RFB nº 11.371/2007. Acrescenta que o artigo 15 da Portaria RFB 3.014/2011 estabelece que o decurso do prazo não implica nulidade, podendo a autoridade determinar a emissão de novo MPF, mas que não foi isso o que ocorreu, já que houve mera prorrogação do MPF anterior; v) cerceamento ao direito de defesa, por não ter recebido cópia do ofício MPF/UMR nº 1101/2010, que deu origem ao procedimento fiscal, impedindoa de contraditálo; Acrescenta que obteve cópia do processo digital e que referido ofício não se encontra nos autos. vi) quanto à interposição fraudulenta de terceiros, repete o argumento acerca da evolução do Direito e suas técnicas quanto à utilização do mandato público para administrar sociedade empresária e as diferenças entre o administrador nomeado no contrato ou em ato separado do administrador constituído por procuração. Sustenta, assim, que as procurações não significam que Edilson seria "sócio de fato", mas simplesmente outorgamlhe poderes específicos. vii) alega que não exibiu documentos relativos aos pagamentos dos sócios, pois estes não lhes foram requeridos e que, no período fiscalizado, não houve lucros a distribuir, conforme evidenciado nas fls. 85 a 96 e 128 a 136 do processo; Fl. 4162DF CARF MF 8 viii) nega a acusação de omissão de receitas, destacando que a) entregou espontaneamente os documentos exigidos pela fiscalização; b) a presunção de omissão de receitas se deveu à não individualização dos créditos bancários e depósitos provenientes das contas Caixa e Transitória; c) aduz que os seus registros nos seus livros Diário e Razão são feitos de forma analítica, clara e individualizada, especificando a data, as contas contábeis envolvidas, os valores a débito e a crédito e histórico mencionando a documentação hábil e idônea, d) acusa que o auditor não verificou as entradas do Caixa, tais como recebimentos de clientes em cheques e dinheiro, que deram suporte aos créditos bancários decorrentes de transferências da conta Caixa, o que era imperioso, e destaca que tais valores não estão sujeitos à presunção da Lei nº 9.430/1996; e) justifica a utilização da conta transitória, informando que nela não há registro de receitas, tratandose de uma conta utilizada para lançamentos contábeis que envolvam várias contas debitadas e/ou creditadas, a qual não possui saldo contábil ao final dos registros. Além disso: sobre os depósitos/créditos autuados, traz explicação detalhada quanto à origem dos créditos listados pelo acórdão da DRJ, e esclarece que a data do lançamento em sua contabilidade é a do recebimento da duplicata e não o do crédito na conta bancária, já que este pode ocorrer no mesmo dia ou em data futura de acordo com a contabilidade da instituição financeira; sustenta que o lançamento está baseado em um trabalho fiscal feito por amostragem, o que não pode ocorrer ainda que o lançamento se socorra de uma presunção legal. alega que os cheques emitidos para pagamento de obrigações diversas e os sacados pelo próprio emitente (Texsa) são transferidos para a conta CAIXA por questão de simplificação dos lançamentos, não representando suprimento de numerário. As despesas e obrigações quitadas com tais cheques são as constantes na escrituração contábil e seria obrigação do Fisco verificar as saídas e entradas na conta CAIXA, sendo seu o ônus de provar a inveracidade dos lançamentos. Traz exemplo de valor creditado na conta bancária e lançado na conta CAIXA, cujas entradas (débitos) não foram auditadas observa que o Fisco não aceitou parte dos documentos apresentados pela Recorrente sob o argumento de que não foram apresentadas as notas fiscais de vendas, mas que em nenhum momento tais notas lhe foram solicitadas. Durante todo o procedimento fiscal lhe foram solicitados comprovantes de depósitos bancários (recebimentos) e não das vendas. ix) sustenta que, se devido fosse, o crédito apurado deveria obedecer ao regime de apuração do lucro real trimestral escolhido pela empresa e não o lucro arbitrado; observa que não foi intimada sobre a desconsideração de sua contabilidade muito menos para refazêla; x) afirma que a autuação por presunção legal de omissão de receitas não comporta qualificação da multa, mas apenas a multa de ofício de 75% e que não há prova de ato doloso, com fins de sonegação tributária; xi) alega que a multa é confiscatória. Em 4 de dezembro de 2013, por não haver nos autos prova da intimação do responsável, este CARF resolveu, por meio da Resolução 1103000.127, converter o Fl. 4163DF CARF MF Processo nº 10950.721725/201200 Acórdão n.º 1401002.303 S1C4T1 Fl. 4.160 9 julgamento em diligência para que Edílson Marques de Azevedo fosse intimado do resultado do julgamento proferido pela DRJ/CTA. O AR para intimação do responsável retornou em 10 de setembro de 2014 com a inscrição "mudouse" (fl. 4150). Foi então publicado o edital 46/2014 (fl. 4151), por meio do qual intimouse Edílson Marques de Azevedo nos termos do artigo 23do Decreto 70.235/1972. Não houve apresentação de recurso voluntário por parte do responsável. Recebi o processo em distribuição realizada em 26 de janeiro de 2018. Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora O recurso voluntário apresentado pela contribuinte é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Tendo em vista que não foi apresentado recurso por parte do responsável Edílson Marques de Azevedo, suas razões de defesa precluíram de forma que, para ele, permanece o quanto decidido pela acórdão recorrido. Preliminares As preliminares de nulidade e cerceamento de defesa apontadas pela Recorrente não merecem prosperar. Sobre a alegação de nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal por ausência de intimação de sua prorrogação e por ausência de emissão de novo MPF, temos que, conforme observou a decisão recorrida, o MPF consiste em uma ordem administrativa, emanada de dirigentes das unidades da Receita Federal para que seus auditores executem as atividades fiscais, tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Sendo um instrumento interno de planejamento e gerência das atividades de fiscalização, praticado por autoridade competente (Coordenador, Superintendente, Delegado ou Inspetor, conforme o caso) e dirigido ao Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF), eventuais irregularidades verificadas no seu trâmite, ou mesmo na sua emissão, não têm o condão de invalidar o auto de infração decorrente do procedimento fiscal relacionado. A jurisprudência deste CARF corrobora este entendimento: AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto. (Ac. 30240.013, de 9/12/2008) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. A atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação Fl. 4164DF CARF MF 10 fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discricionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverencia o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não têm o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN. (Ac. 10706820, de 16/10/2002) MPF O Mandado de Procedimento Fiscal, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade dos procedimentos fiscais as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. (Ac. 10514070, de 19/03/2003) Vale ressaltar que o regramento acerca do Mandado de Procedimento Fiscal não se sobrepõe à atividade vinculada e obrigatória a que estão submetidos os agentes tributários, de obrigatoriedade do lançamento tributário, sob pena de responsabilidade funcional, quando constatada irregularidade cometida pelo sujeito passivo, nos termos do artigo 142 do CTN. Sobre a preliminar de cerceamento ao direito de defesa, por não ter recebido cópia do ofício MPF/UMR nº 1101/2010, que deu origem ao procedimento fiscal, cumpre destacar que o contribuinte deve se defender da acusação fiscal contida no auto de infração e respectivo Termo de Verificação Fiscal, de maneira que a cópia do citado Ofício é irrelevante para fins de sua defesa. Além disso, vale lembrar que o procedimento fiscal é essencialmente inquisitório, só havendo que se falar em garantia dos princípios do contraditório e da ampla defesa com o início do processo administrativo que se dá com a apresentação da impugnação tempestiva pelo contribuinte. Mérito No mérito melhor sorte não assiste à Recorrente. O Termo de Verificação Fiscal afirma que, "da forma como está escriturada a contabilidade da contribuinte vislumbrase, indubitavelmente, o suprimento de caixa". Isso porque, por exemplo, vários depósitos realizados nas contas correntes da empresa provieram da conta CAIXA sob o histórico "DEPOSITO CFE RECIBO", de modo que o saldo artificial criado na conta CAIXA, proveniente de cheques da própria emissão, não expurgados na data da compensação, justificariam depósitos bancários de terceiros sem o devido reconhecimento das receitas provenientes das vendas a estes realizadas. E continua, afirmando que ao sustentar que os valores relativos aos "DEPOSITOS CFE RECIBO" são provenientes de "depósitos de cheques de terceiros, de numerários em espécie e de cheques depositados, devolvidos por instituições financeiras", o contribuinte reconhece que apeans parte do fato contábil foi reconhecido na escrituração, pois não há o registro, por exemplo, da entrada na conta CAIXA dos cheques emitidos por terceiros, somente seu depósito em BANCOS tendo como origem a conta CAIXA. Afirma, ademais, que informou o contribuinte sobre não haver guarida na legislação para as suas alegações de que os depósitos se encontram todos escriturados, que os depósitos, por terem ocorrido em espécie, não possuem documentos, ou ainda que no intuito de racionalização os documentos representam uma amostragem das operações bancárias já que, Fl. 4165DF CARF MF Processo nº 10950.721725/201200 Acórdão n.º 1401002.303 S1C4T1 Fl. 4.161 11 pelo artigo 42 da Lei 9.430/1996 o contribuinte deve comprovar todos os depósitos bancários de modo individualizado. Além disso, a fiscalização constatou que a conta corrente 00969362, agência 0180, mantida junto ao Banco Bradesco, apesar de prevista no plano de contas da empresa, não se encontrava escriturada nos Livros Diário e Razão apresentados pelo contribuinte (acs 2007 e 2008). Ao contrário do que alegou o contribuinte, a fiscalização não foi feita por amostragem, pelo contrário, a autoridade lançadora elaborou três tipos de demonstrativos sendo que o primeiro, intitulado "demonstrativo de depósitos e créditos não identificados", continha todos os créditos realizados em contas correntes de titularidade da empresa após o expurgo dos valores referentes a estornos, cheques devolvidos, empréstimos e transferências entre contas de mesma titularidade, contendo individualmente a indicação "identificado" para aqueles em que houve a apresentação de documentos pelo fiscalizado e "não identificado" para os que não receberam qualquer manifestação ou documentos. Observou, ainda, que mesmo no caso dos créditos com indicação de "identificados" não foram apresentados documentos fiscais que comprovariam a origem dos recursos depositados, apenas controles financeiros da empresa que indicavam, em princípio, serem provenientes de empresas clientes da contribuinte. Diante disso, a fiscalização intimou a empresa a comprovar a origem dos depósitos e créditos não identificados, a apresentar detalhes quanto aos identificados (inclusive mediante número da nota fiscal), bem como a explicar a razão de a conta corrente no Bradesco não estar escriturada. A empresa, todavia, não apresentou notas fiscais, apenas repetindo a apresentação de controles financeiros (que são documentos elaborados por ela própria) e também se esquivou de esclarecer sobre a conta corrente no Bradesco. Conforme observou o acórdão recorrido, “justificar a origem dos depósitos” significa comprovar documentalmente cada depósito como se tratando de receita submetida à tributação, ou isenta, ou não tributável, ou tributada exclusivamente na fonte, ou ainda que um dado depósito tem outra explicação como financiamento tomado, transferência entre contas do mesmo titular; em caso contrário se aplica a presunção legal de omissão de receitas. No caso, os depósitos não foram justificados, apenas, em parte deles, foi apresentada cópia de documento que comprova o depósito, mas que não explica a origem daquele recurso. Outros fatos apurados pela fiscalização indicaram que os sócios da Recorrente não eram efetivamente os indicados no contrato social. Isso porque, além de haver uma procuração conferindo amplos poderes para Edilson administrar a empresa, os rendimentos auferidos pelos sócios apontados no contrato social, se comparados com os auferidos por Edilson, indicariam que os apontados sócios somente o são no papel. Vejase: Fl. 4166DF CARF MF 12 Fl. 4167DF CARF MF Processo nº 10950.721725/201200 Acórdão n.º 1401002.303 S1C4T1 Fl. 4.162 13 Não se afirma aqui que em toda empresa os sócios devam auferir mais rendimentos que seus administradores, até porque a natureza dos rendimentos auferidos por um e outro são diversas, sendo sócios remunerados com lucros, que podem existir ou não, e o administrador remunerado com prolabore, geralmente de valor certo. De qualquer forma, em sua defesa a Recorrente não foi capaz de explicar tal inconsistência, limitandose a afirmar a possibilidade jurídica de outorga de procuração para a sua administração. A Recorrente também não traz explicações para os indícios fortes trazidos pela fiscalização de que os sócios indicados no contrato social não seriam os verdadeiros detentores da participação em seu capital social. Como visto, o contexto em que se inserem tais sócios (sendo uma irmã do administrador de fato e outro funcionário de outra empresa), aliado à análise dos bens e direitos declarados por tais supostos sócios à RFB demonstram que sua atual condição não condiz com a de sócios proprietários de uma empresa do porte da Recorrente. Pois bem. Todos esses fatos levantados pela fiscalização apontam para um único sentido: de que a Recorrente estaria ocultando, senão apenas sua titularidade, também boa parte de seus rendimentos. Sabese que a constatação de que houve rendimentos omitidos não leva necessariamente ao arbitramento do lucro, já que se trata de hipóteses legais diversas. A omissão de receitas resulta, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/1996, à tributação da receita omitida no regime tributário escolhido pelo contribuinte. Já o arbitramento do lucro é possível, dentre outras hipóteses, caso se constate a imprestabilidade da escrituração, conforme artigo 530, II, do RIR/99. Acontece que, a depender do volume da receita omitida, isso pode levar à conclusão de que a escrituração do contribuinte não é confiável e deve, portanto, ser desconsiderada. É exatamente o caso em questão. A conclusão de que a contabilidade da empresa seria imprestável teve por base a constatação de que, além de haver claros indicativos de suprimento de caixa, na conta corrente no Banco Bradesco excluída da escrituração foram depositados, após a exclusão de estornos, empréstimos e transferência entre contas de mesma titularidade, valores que representaram o montante de quase R$1,5 milhão em 2007 e mais de R$2,5 milhões em 2008, colocando tal conta como terceira de maior movimentação financeira da empresa, superada apenas pelas contas correntes mantidas junto aos bancos Itaú e Real/Sudameris. Isso foi o que levou a autoridade autuante a, além de oferecer à tributação os rendimentos omitidos, tributar a empresa com base no regime do lucro arbitrado, nos termos do artigo 530, I e II, do RIR/99. Assim, a conduta da autoridade autuante não merece reparos. Sobre a multa, de fato, a presunção legal de omissão de receitas não necessariamente deve vir acompanhada de agravamento da penalidade, pois devese provar, além da omissão, a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. É o que já assentou este CARF no enunciado da súmula nº 25: Fl. 4168DF CARF MF 14 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A autoridade autuante não se esquivou de tal análise, e, citando os arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, concluiu que as condutas empregadas pelo "sócio de fato" do sujeito passivo, Edilson Marques de Azevedo, real administrador e detentor dos recursos patrimoniais e financeiros da empresa, revelam a intenção consciente de fraudar o fisco federal e a fazenda pública nacional, utilizandose de interpostas pessoas, inclusive sua irmã, Eunice Marques de Azevedo, nominalmente sócia administradora da empresa, enquanto que ele geria a Texsa, mediante instrumento de procuração outorgado por aquela, enfim, que praticou sonegação e fraude, com o objetivo de lesar a Fazenda Pública, reduzindo ou eliminando tributos e contribuições a serem recolhidos aos cofres públicos. Assim, também sem reparos à decisão recorrida nesse ponto. Por fim, quanto à alegação de que a multa é confiscatória, observo que esta está prevista em lei e que, nos termos do enunciado da Súmula CARF no. 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Neste sentido, oriento meu voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 4169DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.909597/2012-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2010
RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO CRÉDITO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO.
É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comprová-lo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis.
Numero da decisão: 3001-000.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2010 RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO CRÉDITO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO. É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comprová-lo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis.
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COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO CRÉDITO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO. É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comproválo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que lhe deu provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 95 97 /2 01 2- 14 Fl. 142DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo Relatório Despacho Decisório 041040874 Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp registrada sob n.º 20864.97177.220711.1.3.047981, l o direito à compensação ficou limitado ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP. De acordo com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por esta razão, não se homologou a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Foi arguido, pela recorrente, que o crédito a tributário aproveitado decorreria de saldo credor resultante de aquisição de insumos tributados e aplicados no processo de industrialização Falta de Estorno A falta de estorno dos créditos, de acordo com a recorrente, teria sido o motivo para a negativa do crédito, o que evidenciaria, apenas, mero descumprimento de obrigação acessória, que não poderia restringir seu direito. Indica que em planilha anexada, buscou demonstrar que o saldo credor foi constituído e utilizado, sendo que, ao invés de registrar o estorno, anulou através de apuração pontual das notas fiscais de aquisições e livros der registro. Indevida aplicação de juros e multa Por fim, pugnou pela existência do crédito, em que pese a falha de procedimento meramente contábil, tornando indevida a cobrança dos consectários legais. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13896.909597/201214 Acórdão n.º 3001000.124 S3C0T1 Fl. 143 3 DRJ/CTA. A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 0649.585 3ª Turma ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2010 a 28/02/2010 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. Somente são nulos os despachos e as decisões proferidos por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). NÃO HOMOLOGAÇÃO. DÉBITOS. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Se a compensação constante de uma Dcomp não for homologada, os débitos não extintos sofrem a incidência de acréscimos legais (multa e juros de mora), na forma da legislação de regência, até a data do seu efetivo pagamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em 16/01/2013, em face da não homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 20864.97177.220711.1.3.047981, nos termos do despacho decisório emitido em 05/12/2012 pela DRF Barueri (rastreamento nº 041040874). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 22/07/2011, a contribuinte indicou um crédito de R$ 53.245,76 (que corresponde a uma parte do pagamento de Cofins efetuado em 25/03/2010, sob o código 5856, no valor de R$ 246.196,11) para extinguir débitos de sua responsabilidade. Segundo o despacho decisório, cientificado em 17/12/2012, a compensação não foi homologada porque o crédito indicado para a compensação havia sido totalmente utilizado na extinção do débito de Cofins (5856) do período de apuração 02/2010. Fl. 144DF CARF MF 4 Na manifestação apresentada, a interessada, após relato sucinto dos fatos, esclarece que o saldo credor surgiu em virtude das aquisições de insumos (matériaprima, materiais intermediários, materiais de embalagem) tributados e aplicados no processo de industrialização. Salienta que ao escriturar as operações e prestações de entradas e saídas, não efetivou formalmente o estorno dos créditos no livro de apuração e que isso pode ter dado a falsa impressão de que os saldos credores foram utilizados de forma incorreta. Diz, contudo, que, na realidade, houve apenas o descumprimento de uma obrigação acessória e que a empresa jamais se aproveitou de créditos. Esclarece que está juntando uma planilha com uma análise dos saldos dos períodos envolvidos e que nela se pode constatar que “independentemente da impugnante não praticar o devido estorno, o saldo credor foi constituído e utilizado exatamente com o montante apurado dentro do previsto na lei, ao invés de registrar o estorno a margem da escrita fiscal, foi anulado através de uma apuração pontual das notas fiscais de aquisições, livros de registros de entradas e saídas, em conformidade com a legislação tributária.” Transcreve o art. 443 do Decreto nº 7.212, de 2010 e diz que “de fato, a legislação prevê o estorno dos créditos na escrituração fiscal, mas em nenhum momento prevê como sanção a não homologação da compensação por descumprimento de obrigação acessória.” Na sequência diz que: Após análise minuciosa do processo, da escrita fiscal e da legislação que rege a matéria, concluise que: 1) O pedido de compensação mostrase plenamente competente, uma vez que não demonstra aproveitamento de créditos em duplicidade ou utilização a maior nas etapas posteriores. 2) A declaração de compensação eletrônica encontrada no sistema foi feita para cumprir o preenchimento da DCTF por conta dos valores terem sido transferidos para a conta corrente da empresa como não pago. A DCTF na época não permitia número do processo (formulário) sendo necessário transformála em outro número eletrônico. E que em assim sendo, resta comprovado que a empresa possui o direito de crédito, posto que a compensação, ao seu ver, foi efetivada nos moldes determinados pela RFB. Pede, a seguir, com apoio no art. 38 da Lei nº 9.784, de 1999, prazo para a regularização dos Livros de Registro de Apuração, “a fim de efetivar os devidos estornos dos créditos.” Entende, inclusive, que, com base no referido dispositivo a própria RFB deveria intimar a empresa para que os livros fossem regularizados e “jamais coibir um direito incontroverso.” Cita princípios constitucionais e conclui que a decisão contida no despacho mostrase viciada “também no que tange à parte Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13896.909597/201214 Acórdão n.º 3001000.124 S3C0T1 Fl. 144 5 dispositiva, pois fundamentase no art. 164, inciso I, do Decreto nº 4.544/2002 que encontrase revogado pelo Decreto 7.272/2010.” No tópico seguinte “Da Indevida Aplicação de Multa e Juros” transcreve o art. 36 da IN RFB nº 900, de 2008 e afirma que está claro que preencheu claramente todos os requisitos legais para a obtenção do crédito em sua totalidade e que a multa e os juros que foram aplicados não podem prosperar, pois mostramse inconstitucionais e ofendem o princípio da legalidade. Questiona, a seguir, se “é possível a aplicação de juros e multa em procedimento meramente administrativo, cuja finalidade é apenas apurar o crédito tributário.” Transcreve dispositivo da Lei nº 9.784 de 1999 e diz que o ato esta eivado de inúmeros vícios e que não houve motivação, devendo o mesmo ser considerado nulo de pleno direito. Com apoio na doutrina, diz que não há previsão legal para “atribuir caráter de patrimonialidade a deveres que nem de longe possuem características de obrigações patrimoniais, como as de não homologar crédito reconhecido por lei.” Assim, afirma, “a não homologação da compensação decorrente de crédito tributário, nos moldes determinados pela legislação, em decorrência de descumprimento de obrigação acessória, sem previsão punitiva, é nula, devendo ser reformada a r. decisão recorrida, tendo em vista a impossibilidade jurídica a deveres que efetivamente não o possuem.” Aduz que a legislação tributária não prevê sanção para o descumprimento da obrigação acessória, “configurando abusiva e desprovida de qualquer parâmetro legal, a não ser a homologação do crédito tributário, reconhecido por lei. Ao final, por entender que a não homologação da compensação teria ofendido a legalidade, requer a nulidade do despacho decisório e a concessão de prazo “para regularização dos Livros de Registro de Apuração, para efetivação dos devidos e necessários ajustes, mantendose o direito creditório, homologandose as compensações feitas na época, vez que foram comprovadamente efetivadas nos moldes da legislação tributária.” Juntamente com a manifestação, a contribuinte apresentou: cópia de documentos pessoais dos mandatários, cópia de procuração, cópia de documentos societários, cópia do despacho decisório e cópia do Per/Dcomp correspondente. Às fls. 115/118, juntaramse extratos de consulta aos sistemas de controle de arrecadação federal, Per/Dcomp, DCTF e Dacon. É o relatório. Do direito creditório A interessada esclarece que o saldo credor que está sendo pleiteado surgiu em virtude das aquisições de insumos (matériaprima, materiais intermediários, materiais de embalagem) tributados e que teriam sido aplicados no processo Fl. 146DF CARF MF 6 de industrialização. Salienta que ao escriturar as operações e prestações de entradas e saídas, não efetivou formalmente o estorno dos créditos no livro de apuração e que isso pode ter dado a falsa impressão de que os saldos credores foram utilizados de forma incorreta. Diz, contudo, que, na realidade, houve apenas o descumprimento de uma obrigação acessória e que a empresa jamais se aproveitou de créditos. Esclarece que está juntando uma planilha com uma análise dos saldos dos períodos envolvidos e que nela se pode constatar que “independentemente da impugnante não praticar o devido estorno, o saldo credor foi constituído e utilizado exatamente com o montante apurado dentro do previsto na lei, ao invés de registrar o estorno a margem da escrita fiscal, foi anulado através de uma apuração pontual das notas fiscais de aquisições, livros de registros de entradas e saídas, em conformidade com a legislação tributária.” Consultandose o sistema de controle de Per/Dcomp, vêse que a contribuinte não transmitiu outras declarações de compensação ou pedidos de restituição indicando a utilização, ainda que em parte, do crédito relativo ao pagamento efetuado a título de Cofins (cód. 5856) em 25/03/2010. Por sua vez, consultandose o sistema de controle de DCTF, vê se que, em relação ao mês de fevereiro de 2010, a contribuinte transmitiu uma única declaração, em 09/04/2010 (nº 100.2010.2010.1890179315) e que nela o débito de Cofins não cumulativa foi confessado como sendo de R$ 246.196,11, mesmo valor considerado no despacho decisório. Já, consultandose o sistema de controle de Dacon, vêse que, em relação ao mesmo mês de fevereiro de 2010, a contribuinte também transmitiu um único demonstrativo (em 29/03/2010 – nº 0000200201001219577) e que nele a Cofins não cumulativa foi apurada como sendo de R$ 444.239,85 (reduzida para R$ 192.950,35 após os descontos da não cumulatividade e das deduções legais). Como se vê, a diferença entre o valor confessado (R$ 246.196,11) e o valor indicado no Dacon (R$ 192.950,35) corresponde, exatamente, ao valor pleiteado na Dcomp ora analisada (R$ 53.245,76). A contribuinte esclarece que tal diferença seria consequência direta da não efetivação do estorno dos créditos nos livros de apuração pertinentes. E que a não efetivação de tal estorno não seria razão suficiente para a negativa de homologação. No presente caso, contudo, como nenhuma prova foi apresentada, e como a própria DCTF mantém como confessado o débito de R$ 246.196,11, não se vislumbra como acolher tal argumento. É verídico que o Dacon, transmitido antes do próprio Per/Dcomp, indica a existência de indícios relativamente ao valor pleiteado, contudo, uma vez que a única DCTF transmitida, com efeito de confissão, indica que o valor considerado no despacho está correto e, ademais, como não foram apresentados quaisquer documentos capazes de Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13896.909597/201214 Acórdão n.º 3001000.124 S3C0T1 Fl. 145 7 comprovar o contrário, não há qualquer razão para se acolher as alegações apresentadas. De fato, como a contribuinte não comprova com documentos e com a sua escrituração fiscal/contábil que teria havido algum erro no preenchimento de sua DCTF não há como acatar a alegação proposta. Salientese, a propósito, que segundo o art. 333 do CPC, o ônus de provar o fato constitutivo do direito é do próprio autor do pedido. Em sua manifestação, aliás, a própria contribuinte afirma que teria elaborado uma planilha onde dispõe “uma simulação das operações de entradas e saídas retratando a real apuração dos saldos do período em análise “ e que “analisando a simulação da planilha anexada, constatase claramente que independentemente da impugnante não praticar o devido estorno, o saldo credor foi constituído e utilizado exatamente com o montante apurado dentre do previsto na lei.” Como, contudo, tal planilha não consta dos autos, não há sequer como tecer comentários a respeito (é oportuno acrescentar, todavia, que a mera apresentação de tal planilha, sem a apresentação da documentação contábil/fiscal correspondente poderia representar apenas mais um simples indício, nada acrescentando para a solução do litígio). Ainda sobre o assunto, a contribuinte transcreve o art. 443 do Decreto nº 7.212, de 2010 e diz que “de fato, a legislação prevê o estorno dos créditos na escrituração fiscal, mas em nenhum momento prevê como sanção a não homologação da compensação por descumprimento de obrigação acessória.” E que, em assim sendo, resta comprovado que a empresa possui o direito de crédito, posto que a compensação, ao seu ver, foi efetivada nos moldes determinados pela RFB. Na realidade, no momento em que a contribuinte simplesmente transmite eletronicamente um pedido de restituição ou uma declaração de compensação, não há como saber, pela impossibilidade de juntada (virtual) de documentos comprobatórios ao pedido, a origem real do direito creditório vindicado. No presente caso, o que se sabe, pelas informações disponibilizadas quando do preenchimento do Per/Dcomp é que, no caso, o crédito utilizado na compensação teria relação com um pagamento que, conforme informado, teria sido efetuado a maior. É somente com a posterior juntada de provas, circunstância que se verifica com a interposição da manifestação de inconformidade por parte da contribuinte, que se pode avaliar a consistência das alegações e do próprio despacho decisório proferido. No presente caso, no entanto, apesar de a contribuinte afirmar que o seu crédito tem relação e decorre da necessidade de ajustes que devem ser realizados em sua escrituração contábil/fiscal, a verdade é que, até o presente momento, nada Fl. 148DF CARF MF 8 foi apresentado para comprovar nem a necessidade nem a efetivação de tais ajustes (ressaltese, inclusive, que o mencionado Decreto nº 7.212, de 2010, diz respeito ao IPI e não ao PIS ou à Cofins). A contribuinte até requer, com apoio no art. 38 da Lei nº 9.784, de 1999, a concessão de prazo para a regularização de seus livros, contudo, como esse pedido foi feito em 16/01/2013, juntamente com a interposição da manifestação, e até a apresente data nada foi realizado – e é o que se presume, já que nada foi apresentado para ser juntado ao presente processo – sequer há motivos para se analisar o pedido. Esclareçase que referido dispositivo da Lei nº 9.784, de 1999, ao contrário do afirmado, não estabelece que tais ajustes dependem de autorização da RFB, mas que a contribuinte pode antes da decisão “juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo.” Apenas isso. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando, no caso, que teria havido pagamento indevido/maior de Cofins relativamente ao período de fevereiro de 2010, temse como correto o despacho decisório recorrido. Recurso Voluntário A recorrente realizou breve resumo sobre os autos, e apontou o fundamento de seu direito nos artigos 11 e 73 da lei 9.430/96. Sua tese central, fundase em que, apesar de não ter efetivado, formalmente, o estorno dos créditos na escrituração fiscal, não existe na lei sanção pela não homologação da compensação. Insiste, em sua defesa, que possui o direito a compensar e não deve ser penalizada apenas por descumprir um registro fiscal na obrigação acessória. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de processo administrativo cuja origem deuse em Dcomp com decisão desfavorável em sede de despacho decisório. Ao ver negado seu direito ao crédito reclamado, a recorrente expôs suas razões no sentido de firmar entendimento pelo qual deteria legitimidade para reivindicar a quantia. A única comprovação deste pagamento a maior, deuse pela tentativa de apontar o valor na DACON. Nesta seara de jurisdição administrativa, já em sede recursal, remonta faticamente o ocorrido, com o protagonismo tão somente da DACON. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13896.909597/201214 Acórdão n.º 3001000.124 S3C0T1 Fl. 146 9 Após a breve consolidação dos fatos, temse que o cerne deste processo é a capacidade probatória dos documentos, anexados a estes eautos, para comprovar a existência do pagamento a maior e possibilitar o deferimento do pedido feito em Recurso Voluntário, voltado ao reconhecimento da compensação declarada na. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, importante o respaldo na acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, com diferenças fáticas essenciais, a ser abordadas a seguir. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, Fl. 150DF CARF MF 10 ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13896.909597/201214 Acórdão n.º 3001000.124 S3C0T1 Fl. 147 11 Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito.de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Neste caso, conforme transcrito em ementa, foi dado provimento ao recurso voluntário em persecução ao princípio da verdade material. Importante ressaltar, que conforme extraído do relatório deste acórdão, foi juntado ao processo, para fins de comprovação do crédito, o Contrato de licença de uso de marca. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Insuficiência dos documentos No caso dos autos, contudo, os documentos trazidos são insuficientes para a comprovação do crédito. Isto porqueé dever da recorrente apontar sua origem, de forma robusta, em documentação contábil suficiente, tanto para aferição do crédito, como de sua real ocorrência. Seguese ao julgado: Acórdão: 3202001.185 Fl. 152DF CARF MF 12 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 20/04/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DCTF RETIFICADORA. NECESSIDADE DA PROVA PELO CONTRIBUINTE. Nos termos dos §1º do art. 147 do CTN, para a validade da DCTF retificadora, nos casos em que a retificação importa na redução de tributo, é imprescindível a prova do erro que ensejou a necessidade da retificação. Tratandose de pedido de ressarcimento/restituição cumulado com pedido de compensação, o ônus de comprovar o direito creditório que alega é do contribuinte. Acórdão 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é caso da DCTF. Dos meios para a Comprovação do erro material O tema presente se faz crucial para o desdobramento da questão. O cerne da discussão transita entre a exigência da autoridade fazendária na qual os erros devem ser provados com meios robustos e claros, com a definição e evidência dos fatos geradores ocorridos, e a devida construção lógico temporal entre a ocorrência do erro e a ocorrência do fato em si. Por outro lado, notase por parte do contribuinte, a pretensão em fazer valer seu suposto direito ao crédito, no presente caso, com o argumento de que errou. Não indicou, no momento apropriado, conforme se verá no item seguinte, nenhum indício da materialização do erro e o percurso percorrido para atingir o novo montante, considerado correto. Os meios de prova, aptos a comprovar a legitimidade do crédito, seriam, no entender deste julgador, a demonstração, com os documentos contábeis e contratuais, que permitam, em sede de contencioso administrativo, a efetiva leitura de como ocorreu apuração do tributo no valor apontado pela Recorrente. Este Conselho imputa à Recorrente, o ônus de comprovar este erro. Isto porque, a fim de aproveitar seu direito creditório, quando posto em litígio administrativo, deve assumir, plenamente, a tarefa de provar a existência do crédito. E, assumir o ônus de provar a existência do crédito, significa dizer, provar a existência da efetiva operação. Neste sentido, contratos comprovantes das operações que deram lastro aos lançamento contábeis, os seus devidos reflexos nos livros contábeis e fiscais, acompanhados de memoriais de cálculo, poderiam servir à apreciação do julgador, e demonstrar, justamente, o Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13896.909597/201214 Acórdão n.º 3001000.124 S3C0T1 Fl. 148 13 real acontecido. Mais substância ainda, seria trazer aos autos, os comprovantes da real ocorrência das operações negociais, como comprovantes de pagamentos e da efetiva prestação de serviço. Neste sentido, são as manifestações deste Conselho: Acórdão 380302.786 – 3ª Turma Especial Como de sabença, o ônus da prova impende a quem alega. A ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe a produção de provas que proporcionem condições de convicção ao julgador favoráveis à sua pretensão. Nos casos em que o contribuinte alega a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de todos os elementos de provas que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido, desta forma, a apresentação de tais documentos oferecem maior possibilidade de apreciação objetiva e segura quanto às conclusões extraídas de seus resultados, assegurando ampla defesa ao contribuinte, para que o mesmo não seja maculado além do expressamente previsto na legislação tributária Compulsando os autos, observase que foram juntados os seguintes elementos de prova que consideramos relevantes para o deslinde da controvérsia: i)cópia do contrato de câmbio de venda – tipo 04 transferências financeiras para o exterior, celebrado entre a Recorrente e o banco Santander S/A, no valor de R$ 369.032,04, com a empresa Solomon Associates como recebedora no exterior; ii)comprovante de arrecadação da COFINS no valor de R$ 33.793,65, com vencimento em 07/03/2005; iii) cópia da DCTF original transmitida em 05/05/2005; iv) contrato de cancelamento de câmbio junto ao Sisbacen (fl.36/37). Acórdão: 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débitodeclarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado, o que, no presente caso, não ocorreu. Recurso Voluntário Negado. A mera alegação de inexistência de débito, desacompanhada dos documentos comprobatórios de sua real inexistência não é suficiente para que sejam homologadas quaisquer compensações, ou que quaisquer débitos sejam anulados. No presente caso o Recorrente não comprovou os recolhimentos Fl. 154DF CARF MF 14 efetuados por meio de documentos hábeis e idôneos, bem como de que se trata o débito inexistente. Há que se esclarecer que o Recorrente está obrigado a comprovar o erro de fato cometido ao preencher sua DCTF Complementar referente ao 1ºTrimestre de 1997, bem como que nenhum valor a título de COFINS é devido no referido período, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos. Sem a comprovação de seu direito, através de tais documentos, a autoridade administrativa fica impedida de lhe proporcionar qualquer anulação de débito. Tratandose, portanto de matéria de prova, cabia ao recorrente produzila de forma satisfatória, a fim de demonstrar o seu direito Acórdão nº 3302.004.108 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. Acórdão n° 3801000.681 — la Turma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ONUS DA PROVA. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado Recurso Voluntário Negado."Logo, a desconstituição do crédito tributário nascido com a con fissão de divida ocorrida através da DCTF dependerá de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que se trata de débito inexistente. E que, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido não se mostra suficiente que o contribuinte limitese a alegar erros, fazendo se necessário que demonstre, por intermédio de documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal é indevida. Em meu entender, a documentação trazida aos autos não servem às exigências ressaltadas nos acórdãos acima. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13896.909597/201214 Acórdão n.º 3001000.124 S3C0T1 Fl. 149 15 Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 156DF CARF MF
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