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Numero do processo: 10865.900723/2008-50
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 00 72 3/ 20 08 -5 0 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900723/200850 Resolução nº 1802000.287 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a homologação apenas parcial em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1429.139, às fls. 113 a 121: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ estimativa, código de arrecadação 5993), concernente ao período de apuração 07/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que no anocalendário de 2003 teria apurado saldo negativo de IRPJ e CSLL, no valor de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, que teriam sido informadas em DIPJ/2004. Os saldos negativos assim apurados teriam sido utilizados para compensação de débitos próprios, mediante transmissão de diversos PER/DCOMP; que teria incorrido em equívoco “quanto ao preenchimento relativo ao campo 'Tipo do Crédito', selecionou 'Pagamento Indevido ou a Maior' ao invés de 'Saldo Negativo de IRPJ', bem como relacionou os DARF's relativos ao pagamento por estimativa mensal, como o presente”. Em que pese o erro, a requerente teria direito ao crédito declarado, como estaria a comprovar a documentação anexa à manifestação de inconformidade; que “desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Requerente (apuração de saldo negativo de IRPJ e CSLL anocalendário/2003), seria o mesmo que tributar parcela não correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional”; Fl. 349DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900723/200850 Resolução nº 1802000.287 S1TE02 Fl. 4 3 que os alegados créditos não teriam sido utilizados em qualquer outra compensação ou restituição, além daquelas informadas; Ao final, requer reconhecimento do direito creditório pleiteado e homologação integral das compensações efetuadas, bem como sejam as intimações dirigidas a seus procuradores (advogados). Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a homologação apenas parcial em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 25/08/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/09/2010, onde reitera os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Além disso, no intuito de afastar qualquer dúvida acerca do crédito pleiteado saldos negativos de IRPJ e CSLL, informa que está apresentando cópia de toda a documentação contábil mencionada pela decisão de primeira instância administrativa, que os originais destes documentos se encontram à inteira disposição para exame, e que se coloca à inteira disposição acerca de quaisquer outros documentos que venham a ser considerados como necessários. Este é o Relatório. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900723/200850 Resolução nº 1802000.287 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que homologou parcialmente declaração de compensação por ela apresentada em 27/04/2004, na qual utilizou um alegado crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior referente à estimativa de IRPJ do mês de julho/2003, no valor total de R$ 83.944,95. A Delegacia de origem homologou em parte a compensação porque o referido pagamento havia sido parcialmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Do recolhimento de R$ 83.944,95, que daria origem ao reivindicado direito creditório, já haviam sido utilizados R$ 83.941,71 (para a quitação da própria estimativa declarada), restando saldo disponível de apenas R$ 3,24, conforme o Despacho Decisório de fls. 7. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que o tipo de crédito da compensação deveria ser “Saldo Negativo de IRPJ” em vez de “pagamento indevido ou a maior” de estimativa. Informou ter apurado no anocalendário de 2003 saldos negativos de IRPJ e CSLL, nos valores de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, conforme a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ apresentada à Receita Federal. Registrou também que havia vários outros processos e outros PER/DCOMP pendentes de análise, os quais relacionou, consignando que todos eles possuiriam origem no mesmo direito creditório (saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2003), e que seria oportuno que todos fossem analisados conjuntamente como saldo negativo. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve o que restou decidido pela Delegacia de origem. Em sua decisão, a DRJ fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, concluindo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Primeiramente, cabe registrar que o fato de a Contribuinte ter indicado no PER/DCOMP o recolhimento de estimativa como origem do crédito, e não o saldo negativo do período, não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900723/200850 Resolução nº 1802000.287 S1TE02 Fl. 6 5 O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Nesse sentido, vale lembrar que tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam meras antecipações do devido ao final do período, que guardam uma implicação direta com a figura jurídica do saldo negativo, já que correspondem ao mesmo período anual e ao mesmo tributo que aquele. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Deste modo, se a Contribuinte efetuou antecipações, na forma de recolhimento de estimativas, em montante superior ao valor do tributo devido ao final do período (como ela vem alegando), esse excedente passa a configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Por essa razão, este colegiado normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas. Nesse caso, isso já foi feito pela DRJ, que admitiu o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo, mas manteve a negativa por falta de elementos probatórios (os quais estão sendo apresentados nessa fase processual). No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica Fl. 352DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900723/200850 Resolução nº 1802000.287 S1TE02 Fl. 7 6 se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, mediante as seguintes considerações: [...] Por tudo isso, concluise que os “recolhimentos mensais por estimativa” a maior efetuados durante o anocalendário pela interessada não são pagamentos a maior passíveis de compensação em cada mês, pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda, conforme pressupostos definidos no art. 170 do CTN e no art. 74, parágrafo 3º, da Lei 9.430/96, vez que a lei permite a compensação de valor pago de tributo ou contribuição, quando este se referir à modalidade de extinção de obrigação tributária, o que não abrange o recolhimento por estimativa, por não significar extinção de obrigação tributária, mas tãosomente antecipação a ser computada, ao final do período, na apuração de eventual saldo negativo passível de repetição. No caso em questão, o pedido formalizado em PER/DCOMP tem por objeto suposto crédito do tipo “pagamento indevido ou a maior” de IRPJestimativa mensal, código de arrecadação 5993. Sendo o objeto do pedido incompatível com a legislação de regência, como acima demonstrado, há que se examinar a eventual apuração, pela contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão, que poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. Em casos da espécie, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de IRPJ apurado no final de cada período, uma vez que os recolhimentos do imposto por estimativa e as retenções na fonte (IRRF) são considerados pela Lei como antecipações do imposto devido (IRPJ). E tal demonstração se dá em função dos valores declarados e efetivamente comprovados pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente, sendo a declaração de rendimentos, os pagamentos por estimativa mensal e os informes de retenção apenas elementos indicativos da apuração do tributo. No que se refere ao IRRF, somente poderá ser utilizado para a dedução do IR a pagar e, eventualmente, contribuir para a formação do saldo negativo de IRPJ, se atender ao previsto no art. 55 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, que disciplina a compensação do IRRF incidente sobre rendimentos computados na declaração, condicionandose o procedimento à apresentação dos respectivos Fl. 353DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900723/200850 Resolução nº 1802000.287 S1TE02 Fl. 8 7 comprovantes de retenção, bem como, cumulativamente, atender ao disposto no § 2º do art. 76 da Lei n° 8.981/95, o qual estabelece que a dedução do IR com o IRRF será permitida caso as receitas correlatas tenham sido oferecidos à tributação na forma de composição da base de cálculo do imposto, in verbis: [...] Como corolário do exposto, esta 5ª Turma de Julgamento tem consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de quatro premissas: 1ª) a constatação dos pagamentos a título de estimativas mensais ou das retenções; 2ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3ª) a apuração do indébito, fruto do confronto com o valor do imposto devido e, 4ª) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em outras compensações. No caso de compensações de estimativas mensais com utilização de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anoscalendário anteriores, há que se comprovar a regularidade de tais procedimentos, inclusive no que se refere à correta apuração desses saldos negativos anteriores e adequado tratamento contábil/fiscal. Para tanto, imprescindível se faz a apresentação, pela postulante, de elementos probatórios tais como: os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar; a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, regularmente transcritos no livro “Diário”, principalmente porque, para se antecipar ao ajuste anual (tributação pelo lucro real anual) e não ter que recolher tributo a maior durante o ano, a contribuinte deve levantar balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução; a Demonstração do Resultado do Exercício; a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções; os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo. Em suma, caberia à recorrente trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis comprobatórios da apuração de saldo negativo de IRPJ, no período em questão, especialmente por se tratar de pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real que, nos termos do artigo 7° do Decretolei n° 1.598, de 1977, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. E, no presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou documentação hábil, limitandose as alegações acima referenciadas. As cópias de DCOMP, DIPJ, DCTF e documentos de arrecadação (Darf) juntadas à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento Fl. 354DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900723/200850 Resolução nº 1802000.287 S1TE02 Fl. 9 8 de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante de todo o exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. (grifos acrescidos) Cabe destacar, no entanto, que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Nesse sentido, também vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário cópias dos seguintes documentos: DARF´s recolhidos ao longo de 2003; Demonstrativo de Rendimentos Financeiros e de Retenções de IR em 2003; Livro Razão contendo lançamentos nas contas “IRPJ pago por Estimativa”, “Contr. Soc. s/ Lucro pg. Estimat.” e “IRRF s/ Aplicação Financeira”; Livro Diário contendo lançamentos referentes aos pagamentos das estimativas de IRPJ e CSLL; Balanço de Suspensão de Novembro/2003; Balancetes de Verificação para cada um dos meses de 2003 (janeiro a dezembro); Balanço Anual de 2003; Demonstração de Resultado do Exercício; e Livro LALUR com registros em novembro e dezembro/2003. Pela DIPJ do anocalendário de 2003, às fls. 78, a Contribuinte apurou IRPJ anual no valor de R$ 78.332,30 e realizou deduções a título do Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT (R$ 1.913,09), dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente (R$ 600,00), de IR fonte (R$ 2.452,11) e de IR mensal pago por estimativa (R$ 630.038,98), o que resultou em saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 556.671,88. Nos meses de janeiro a outubro de 2003, a Contribuinte realizou recolhimentos de estimativa com base na Receita Bruta e acréscimos. Já nos meses de novembro e dezembro, ela suspendeu o pagamento das estimativas mediante balancetes de suspensão. O quadro abaixo indica os valores das estimativas mensais constantes da DIPJ e os valores dos DARF´s apresentados: PA Estimativas de IRPJ em 2003 DIPJ DARF jan/03 93.135,68 88.881,45 fev/03 64.065,05 56.171,72 mar/03 66.840,37 66.352,13 abr/03 50.304,98 49.856,63 mai/03 65.076,12 65.222,70 jun/03 39.088,27 39.055,58 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900723/200850 Resolução nº 1802000.287 S1TE02 Fl. 10 9 jul/03 82.839,95 82.843,14 ago/03 68.810,45 68.812,77 set/03 49.626,27 53.509,66 out/03 51.423,38 57.313,27 Total 631.210,52 628.019,05 A solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. Embora a indicação seja de existência de saldo negativo, ainda não é possível apurar o seu exato valor. Há divergências entre os valores das estimativas constantes da DIPJ e os DARF´s correspondentes. Além disso, a estimativa de julho foi recolhida em atraso, o que enseja imputação proporcional do pagamento para apartação correta da rubrica principal e dos acréscimos legais. Há também deduções a outros títulos que demandam requisitos específicos, ainda não examinados pela Delegacia de origem, porque o despacho decisório não tratou do reivindicado crédito sob a ótica de saldo negativo, o que deverá ser feito agora. A condução do exame do PER/DCOMP fez com que a documentação contábil e fiscal só fosse apresentada nessa fase processual. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente, e de outros que se entenda necessários: 1) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJ no anocalendário de 2003; o valor a ser considerado como dedução a título de estimativas mensais; o valor a ser considerado como dedução referente ao Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT; o valor a ser considerado como dedução referente aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente; o valor a ser considerado como dedução a título de IR fonte, levando em conta se as receitas correspondentes foram computadas pela Contribuinte na apuração do lucro real; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; Fl. 356DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900723/200850 Resolução nº 1802000.287 S1TE02 Fl. 11 10 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 357DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.904622/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
Ementa:RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DO IPI.
O valor do saldo credor passível de ressarcimento em um dado trimestre deve refletir o saldo real apurado no trimestre, descontados os valores de pedidos de ressarcimento/compensação deferidos, relativo a trimestres anteriores.
Numero da decisão: 3401-002.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
JULIO CESAR ALVES RAMOS- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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SALDO CREDOR DO IPI. O valor do saldo credor passível de ressarcimento em um dado trimestre deve refletir o saldo real apurado no trimestre, descontados os valores de pedidos de ressarcimento/compensação deferidos, relativo a trimestres anteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 46 22 /2 00 9- 17 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório O Recorrente transmitiu, em 27/04/2005, pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI, cumulado com declaração de compensação (PER/DCOMP n° 17472.73433.270405.1.3.013372, no valor de R$ 72.327,69, apurado no 4º trimestre de 2004, cumulado com declaração de compensação no valor de R$ 19.225,20. Vinculado a esse crédito transmitiu ainda os PER/DCOMPs n° 18594.53481.110505.1.3.017061, 29943.15372.120505.1.3.010838, 13973.44315.311005.1.3.010306, 03707.19260.2701 06.1.3.018667 e 20629.85611.130606.1.3.016647. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo, pelo Despacho Decisório Eletrônico da fl. 01, emitido em 11/05/2009, indeferiu o pedido de ressarcimento, não reconhecendo o direito creditório pleiteado e não homologando as compensações declaradas, em razão de: a) Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos; b) constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado; c) utilização integral ou parcial; na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento do trimestre em períodos subsquentes, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Foi apresentada, pelo Recorrente manifestação de inconformidade contra a decisão da DRF/Novo Hamburgo, fls. 02/03, na qual alega, em síntese, que: a) apurou saldo credor de IPI ao final do 4o trimestre de 2004, conforme PER/DCOMP n° 17472.73433.270405.1.3.013372, no qual consta saldo credor do RAIPI o valor de R$ 72.353,02; b) consta na página 3, ficha Registro de Apuração do IPI no Período do Ressarcimento, na linha Saldo credor do período anterior, referente ao mês de outubro de 2004, o valor de R$ 43.147,63; c) utilizou o valor de R$ 19.225,20, nesta ficha de ressarcimento, e procedeu o estorno no Livro Registro de Apuração do IPI no período de 01 à 30 de abril de 2005. Requer, ao final, revisão da decisão. A DRJ decidiu: “As s u n t o : Imposto s o b r e Produtos I n d u s t r i a l i z a d o s IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DO IPI. O valor do saldo credor passível de ressarcimento em um dado trimestre deve refletir o saldo real apurado no trimestre, Fl. 178DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11065.904622/200917 Acórdão n.º 3401002.231 S3C4T1 Fl. 6 3 descontados os valores de pedidos de ressarcimento/compensação deferidos, relativo a trimestres anteriores. Constatado erro no preenchimento do PER/DCOMP, na ficha '"Livro Registro do IPI após o período do ressarcimento", que resultou na redução do saldo credor ressarcível apurado no período, cabível o reconhecimento de direito creditório. Matéria não expressamente contestada tornase definitiva na esfera administrativa. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.” O Recorrente apresentou Recurso Voluntário. É em síntese o relatório. Voto Conselheiro Relator Angela Sartori O recurso é tempestivo e segue os demais requisitos de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. No presente processo, conforme demonstrativo de créditos e débitos (ressarcimento de IPI), fl. 64, houve glosa a título de créditos ressarcíveis (coluna "c"), no valor de R$ 156,70. Tal glosa não foi contestada pelo interessado, o que a torna definitiva na esfera administrativa, de acordo com o art. 17 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Quanto à matéria litigiosa, o Recorrente alega que o saldo credor do período anterior, originado do mês de outubro de 2004, corresponde ao valor de R$ 43.147,63, conforme ficha Livro Registro de Apuração do IPI no período do ressarcimento, fl. 12. No demonstrativo de apuração do saldo credor ressarcível, na coluna (b) relativa ao mês de outubro de 2004, fl. 65, o saldo credor não ressarcível do período anterior é "R$ 7.264,05". A divergência entre o valor informado e o valor constante no demonstrativo, decorre do fato de o RAIPI apontar, no encerramento de cada trimestre, saldo que não corresponde ao saldo real, pois: engloba valores objeto de pedidos de ressarcimento/compensação relativo a trimestres anteriores; pode englobar saldo credor transferido para período de apuração subseqüente e utilizado, ainda que parcialmente, na amortização de débitos escriturais do IPI. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Para corrigir essa distorção do valor do saldo credor no encerramento do trimestre, saldo que consta do RAIPI, o processamento eletrônico efetua os seguinte ajustes: a) subtrai, do valor do saldo credor oriundo do PA anterior, os valores dos pedidos de ressarcimento/compensação deferidos, relativo a trimestres anteriores; b) compara o saldo credor apurado, após os ajuste da alínea a, com os saldos credores apurados nos períodos subseqüentes ao do encerramento do trimestre até o período de apresentação do pedido, para verificar se não houve redução do valor do saldo nesse intervalo. Nas observações relativas ao demonstrativo mencionado consta a explicação da origem do valor do saldo credor do período anterior, abaixo transcrita para maior clareza: Coluna (b): para o primeiro período de apuração, será igual ao Saldo Credor apurado ao final do trimestrecalendario anterior, ajustado pelos valores dos créditos reconhecidos em PER/DCOMP de trimestres anteriores. Esse saldo (saldo credor inicial) não épassível de ressarcimento. " No presente caso, o cálculo para apuração do saldo credor ressarcível partiu deve partir de "zero", em razão de ajuste de utilização de crédito em período anterior, conforme processo n° 11065.909474/200846 (PER/DCOMP n° 01300.44227.280105.1.3.01 3214), em que foi reconhecido ao contribuinte, após julgamento da manifestação de inconformidade, o direito creditório no valor de R$ 20.352,81, integralmente utilizado nas compensações declaradas vinculadas ao crédito pleiteado, não havendo créditos a serem transferidos para o trimestre seguinte. O saldo credor ressarcível acumulado ao final do trimestre, corresponde a importância de R$ 29.048,69. Quanto ao ajuste mencionado na alínea "b", que consiste em analisar se esse saldo se mantém na escrita até o período imediatamente anterior ao da transmissão do PER/DCOMP, o sistema apontou que houve utilização integral ou parcial; na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento do trimestre em períodos subsquentes, até a data da apresentação do PER/DCOMP, conforme "demonstrativo da apuração após o período do ressarcimento, fls. 65/66. Pelas informações prestadas pelo Recorrente constatase que foram informados os valores referentes aos estornos deste pedido de ressarcimento, e dos pedidos relativos a trimestres anteriores, no campo "Estorno de Créditos" do demonstrativo de débitos, e não no campo "Ressarcimentos de Créditos" que seria o correto, razão pela qual o sistema, que faz a verificação da legitimidade dos créditos, considerou aqueles valores como débitos de IPI apurados na saída de produtos tributados. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11065.904622/200917 Acórdão n.º 3401002.231 S3C4T1 Fl. 7 5 A DRJ juntou demonstrativos que comprovam que não houve nos períodos saldos devedores, ou seja, os créditos dos períodos foram suficientes para abater os débitos dos períodos, não havendo, portanto, utilização do saldo credor passível de ressarcimento no período da apuração após o período do ressarcimento, não se justificando o motivo de indeferimento parcial do pedido sob este fundamento. Por todo o exposto, concordo com a decisão da DRJ: “ pela procedência em parte da manifestação de inconformidade apresentada, para reformar o Despacho Decisório da DRF/Novo Hamburgo, fl. 80, reconhecendose ao interessado o direito creditório/compensação no valor de R$ 29.048,69 (vinte e nove mil, quarenta e oito reais e sessenta e nove centavos).” Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. Relator Angela Sartori Relator Fl. 181DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000358/2007-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Verificada a ocorrência de omissão no julgado, por ter deixado de analisar toda a matéria de defesa objeto do recurso voluntário, os embargos de declaração devem ser acolhidos.
NFLD. DECADÊNCIA. PRAZO DE 05 (CINCO) ANOS. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. CONTAGEM. ART. 173, I, DO CTN. Em tendo sido o contribuinte cientificado da NFLD em 16/05/2005, estão fulminadas pela decadência as competências lançadas até 11/1999.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-002.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para rerratificar o acórdão embargado.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Verificada a ocorrência de omissão no julgado, por ter deixado de analisar toda a matéria de defesa objeto do recurso voluntário, os embargos de declaração devem ser acolhidos. NFLD. DECADÊNCIA. PRAZO DE 05 (CINCO) ANOS. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. CONTAGEM. ART. 173, I, DO CTN. Em tendo sido o contribuinte cientificado da NFLD em 16/05/2005, estão fulminadas pela decadência as competências lançadas até 11/1999. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para rerratificar o acórdão embargado. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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CONTRADIÇÃO. Verificada a ocorrência de omissão no julgado, por ter deixado de analisar toda a matéria de defesa objeto do recurso voluntário, os embargos de declaração devem ser acolhidos. NFLD. DECADÊNCIA. PRAZO DE 05 (CINCO) ANOS. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. CONTAGEM. ART. 173, I, DO CTN. Em tendo sido o contribuinte cientificado da NFLD em 16/05/2005, estão fulminadas pela decadência as competências lançadas até 11/1999. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para rerratificar o acórdão embargado. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 03 58 /2 00 7- 52 Fl. 593DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000358/200752 Acórdão n.º 2402002.411 S2C4T2 Fl. 540 3 Relatório Tratase de tempestivos Embargos de Declaração opostos pela FAZENDA NACIONAL em face do v. acórdão de fls. 529/532, proferido pela Eg. 1a Turma da 4a Câmara de Julgamentos, ainda quando sob minha relatoria, por meio do qual fora provido em parte o recurso voluntário interposto pelo contribuinte apenas para reconhecer a decadência das competências lançadas entre 01/1998 a 01/2000, com fundamento no art. 173, I do CTN. Sustenta o embargante haver contradição no acórdão pois em seu dispositivo consta que, por unanimidade de votos, foi acolhida a decadência até a competência de 02/2000, ao passo em que no dispositivo do voto condutor constou o acatamento da decadência somente até 01/2000. Prestadas as devidas informações a Eg. Presidência desta Turma, foi determinada a inclusão do feito em pauta de julgamentos, para análise das questões suscitadas pela embargante. É o necessário relatório. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. MÉRITO De fato subiste a contradição apontada, de modo que merece ser sanada. O período objeto do lançamento compreende as competências de 01/1998 a 02/2005, tendo sido o contribuinte cientificado do lançamento em 16/05/2005 (fls. 270/271). Logo, em se tomando como fundamento para a contagem do prazo decadencial o art. 173, I, do CTN, conforme restou entendido no v. acórdão embargado, há que se perceber que a decadência não deveria nem mesmo atingir as competência lançadas em 2000, conforme constou no julgamento embargado, mas somente até 11/1999. Ante todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO e sanar a contradição apontadas para reratificar o v. acórdão embargado, reconhecendo a extinção pela decadência, apenas das competências de 01/1998 a 11/1999, com fundamento no art. 173, I do CTN. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 596DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 19515.720006/2011-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 27 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Relatório
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 00 6/ 20 11 -9 6 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 25/09/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.720006/201196 Resolução nº 2402000.388 S2C4T2 Fl. 376 2 Relatório Tratase de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 52 inciso II da Lei nº 8.212/1991 c/c art. 280 inciso II do Decreto nº 3.048/1999 que consiste na distribuição de cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento, estando a empresa em débito com a Seguridade Social. De acordo com a decisão recorrida e relatório fiscal: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/04/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. A empresa em débito para com a União (Seguridade Social) é proibida de distribuir bonificação ou dividendo a acionista; dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sóciocotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo. RESPONSABILIDADE. A empresa que resultar de incorporação, cisão, fusão ou transformação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato da pessoas jurídica transformada, fusionada, incorporada ou cindida, nos moldes do art.132 do CTN c/c o art.1113 a 1122 do CC. CONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. RETROATIVIDADE DE LEI MAIS BENÉFICA. A lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia solicitada pela empresa deve expor os motivos que a justifique, com a formulação dos quesitos referente aos exames desejados, considerando não formulado o pedido que não preenche o disposto no art. 16, IV, §1ºdo Decreto 70.235/72. ... 2.1. em 29/06/2001, foram lavradas as Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD´s) 35.373.6368 e 35.373.6376 na Promon Telecom Ltda (CNPJ 43.102.946/000171). Esta, em 12/07/2002, sofreu uma cisão com incorporação pela Promon Intelligens que, por sua vez, foi transformada em Promon Tecnologia Ltda em 29/07/2002; 2.2. durante o ano de 2007, a empresa Promon Tecnologia Ltda, sucessora de Promon Telecom Ltda, distribuiu lucros, quando possuía débitos previdenciários, em cobrança na Procuradoria da empresa sucedida. Foram distribuídos R$ 17.724.233,52 (dezessete milhões, setecentos e vinte e quatro mil e duzentos e trinta e três reais e cinqüenta e dois centavos); 2.3. o valor distribuído foi contabilizado na conta n.º 2402.5 Lucros/Prejuízos Acumulados, subcontas 2402.5.015 Lucro do Fl. 545DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 25/09/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.720006/201196 Resolução nº 2402000.388 S2C4T2 Fl. 377 3 Exercício 2004 e 2402.5.013 Lucro do Exercício 2002, folha 472 do Livro Diário nº 13, registrado na JUCESP sob o número 139058, como segue: ... 3. Diante dos fatos relatados pela Fiscalização no Relatório Fiscal da Autuação, a multa para esta infração corresponde a 50% (cinqüenta por cento) das quantias distribuídas ou pagas indevidamente, limitada a 50% (cinqüenta por cento) do valor total do débito não garantido da pessoa jurídica com a União (Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 52, caput, com redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, combinado com art. 32, § 1º, I e § 2º da Lei nº 4.357, de 16/07/1964). Antes da publicação da MP nº 449/08, vigorava a Lei n° 8.212, de 24 /07/1991, art. 52, parágrafo único, combinado com o art. 34 estabelecido com a MP 1.571/97 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 285. 4. Para efeito do cálculo do limitador da multa, o valor atualizado dos débitos com exigibilidade ativa (NFLDs 35.373.6368 e 35.373.6376) em 30/04/2007, de acordo com a legislação vigente é de R$ 11.431.312,23 (onze milhões, quatrocentos e trinta e um mil e trezentos e doze reais e vinte e três centavos), conforme discriminado pela fiscalização no relatório fiscal da multa, fls. 05/07. 4.1. Conforme esclarece a Fiscalização no item 3 do relatório fiscal o valor da multa a ser aplicada no presente Auto de Infração é de R$ 5.715.656,11 (cinco milhões, setecentos e quinze mil, seiscentos e cinqüenta e seis reais e onze centavos), pois por se tratar de aplicação de penalidade, deve ser observado o princípio da retroatividade benigna, inscrito no art. 106, II, "c" do Código Tributário Nacional. Assim, nas competências anteriores à edição da MP nº 449/08, a fiscalização ao aplicar a norma tributaria verificou que entre a penalidade que seria aplicável nos termos da legislação vigente à época da distribuição da participação dos lucros, e a penalidade aplicável em razão da nova legislação introduzida pela MP nº449/08, esta se apresentou mais benéfica ao contribuinte. A recorrente reitera suas alegações iniciais: Da Autuação Equivocada 6.1. os débitos a que alude o auto de infração não eram débitos para com a.União, pelo menos em 02 de abril de 2007, quando, segundo o próprio auto, se deu a distribuição dos dividendos. Salienta a empresa que a Lei 11.457/07, que colocou os débitos previdenciários sob a administração da Receita Federal do Brasil, não transformou a União em credora desses débitos, uma vez que apenas atribuída a sua cobrança, com a obrigação de repassar o montante recebido ao verdadeiro credor, que continuou sendo o INSS; 6.2. qualquer que seja interpretação que se dê à referida lei, é certo que em 02 de abril de 2007, quando ocorreu a distribuição dos dividendos, os débitos a que alude o auto de infração não eram débitos para com a União, não se aplicando assim o artigo 52 da Lei 8.212/91, Fl. 546DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 25/09/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.720006/201196 Resolução nº 2402000.388 S2C4T2 Fl. 378 4 com a sua nova redação. Acrescenta ao seu inconformismo que com a alteração do referido artigo 52, deixou de constituir infração á distribuição de dividendos na pendência de débitos cujo credor não fosse a União, daí resultando a inaplicabilidade também da redação antiga, por força do artigo 106, II, "a", do CTN. Assim, conclui a empresa que independente de qualquer outra consideração estamos diante de uma autuação inteiramente equivocada, uma vez que os débitos de que fala o auto não impediam a distribuição de dividendos; Inexistência de Solidariedade 6.3. o artigo 124, I e II do CTN nada tem a ver com o caso em tela, uma vez que a Impugnante e a PROMON TELECOM LTDA não tinham qualquer, interesse em comum nos fatos geradores dos débitos. Tampouco,existe qualquer dispositivo legal estabelecendo solidariedade tributária de que trata o auto de infração. Assim, às razões de improcedência do auto de infração somase não ser a Impugnante responsável solidária pelos débitos a que alude á autuação, razão, pela qual tais débitos não poderiam jamais impedila de distribuir dividendos; Art.32 da Lei nº 4.357/64 6.4. o art. 32 da Lei nº 4.357/64 se restringe aos casos em que os bens do sujeito passivo, após a distribuição, tenham um valor inferior ao do débito (art.184 do CTN). Até porque, de outro modo, a proibição, além de inconstitucional, não teria a menor razão de ser. Enfatiza a empresa que: “...os ativos da Impugnante em 31 de dezembro de 2007, portanto após a distribuição de dividendos, são muito superiores aos débitos apontados nos autos de infração. Os ativos perfaziam então o montante de R$ 134.191.000,00, muito superior aos débitos. Também o patrimônio líquido que era então de R$55.183.000,00 , excedia de muito o valor dos débitos, conforme balanço anexo(Doc. 2). Além disso, como se verifica pelos documentos em anexo, a devedora PROMON TECNOLOGIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, sucessora de PROMON TELECOM LTDA , além de também possuir ativos e patrimônio líquido em valor muito superior aos débitos cobrados pela Previdência Social (Doc.2.1)...” 6.5 o artigo 52 da Lei 8212/91 não determina que seja aplicado ao caso o artigo 32 da Lei 4.357/64. Mas ainda que determinasse, não resultaria qualquer impedimento à distribuição de dividendos fulminada pelo auto de infração; Limites da Solidariedade 6.6. a proibição de distribuir dividendos a que porventura uma empresa esteja sujeita, nos termos do artigo 32 da Lei 4.357/64, obviamente não se estende a uma segunda empresa que, por razões supervenientes, se tornou devedora solidária dos débitos que deram origem ,à proibição: A solidariedade se restringe ao débito. Os efeitos da solidariedade são apenas os listados no artigo 125 do CTN e dentre eles não se inclui, a sujeição à qualquer outro encargo ou restrição diferente da obrigação de pagar o débito; Fl. 547DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 25/09/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.720006/201196 Resolução nº 2402000.388 S2C4T2 Fl. 379 5 6.7. por outro lado o art.132 do CTN não cogita de cisão, deixando claro que não pode haver na. cisão uma sucessão mais ampla do que a existente na incorporação ou via fusão. Nessas duas hipóteses, a empresa sucessora responde apenas pelos tributos devidos pela sucedida. Assim, se a sucedida está proibida de distribuir dividendos em função de débitos tributários, a sucessora responde por esses débitos tributários, mas não se estende a ela a proibição de distribuir dividendos; Necessidade de Lei Complementar e da Inexistência do Débito 6.8. a proibição de distribuir dividendos em função de débitos tributários é matéria que não pode ser regulada por simples lei ordinária, razão pela qual o artigo 32 da Lei 4367/64 conflita com o artigo 146 da Carta Magna; e 6.9. além do que os débitos que estariam impedindo a distribuição de dividendos sequer existem, pois as NFLDs a que se refere a autuação foram lavradas, em razão da empresa autuada, a PROMON TELECOM LTDA, responder solidariamente por débitos de empresas que lhe prestassem serviços considerados de cessão de mão de obra. Salienta, ainda que NFLD 35.373.6376, se algum dia houvesse existido, já estaria substancialmente reduzido quando distribuídos os dividendos, pelo decurso do prazo de decadência, isso porque a SÚMULA VINCULANTE n° 08, do Supremo Tribunal Federal, estabeleceu serem inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8212/91. Portanto, conclui a Impugnante que os débitos de que fala a autuação e que supostamente impediriam a distribuição de dividendos não existem. É o relatório. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 25/09/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.720006/201196 Resolução nº 2402000.388 S2C4T2 Fl. 380 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Cumpridos os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. A recorrente alega, dentre outras questões que os supostos débitos motivadores da autuação estariam alcançados pela decadência. Ao enfrentar essa alegação, a decisão recorrida considerou que os débitos não eram objeto do presente processo e que pela decadência eles continuam existindo, apenas não podem ser exigidos. Seguem transcrições: 12.1. a matéria discutida nas citadas Notificações não está em julgamento no presente auto de infração, além do que referidos lançamentos já estão em cobrança na Procuradoria da Fazenda, conforme item 9.8 deste voto; e 12.2. no momento da distribuição dos dividendos (02/04/2007), a Súmula Vinculante nº 08/2008 do STF, se quer havia sido publicada, ou seja, a empresa estava em débito com a Seguridade Social e não poderia ter distribuído lucros. E mais, mesmo que as citadas Notificações ainda não transitadas em julgado na esfera judicial, eventualmente, venham a ser revista por força de citada súmula (nº 08/2008 do STF), não deixam de existir os débitos, apenas não podem ser mais exigidos. 12.3. Assim, entendese que no momento da distribuição dos dividendos a empresa estava em débito com a Seguridade Social, contrariando a disposição legal prevista no art.52 da Lei nº 8.212/91. ... Lei nº 4.357/1964: Art 32. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência e Assistência Social, por falta de recolhimento de imposto, taxa ou contribuição, no prazo legal, não poderão: ... § 2o A multa referida nos incisos I e II do § 1o deste artigo fica limitada, respectivamente, a 50% (cinqüenta por cento) do valor total do débito não garantido da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (g.n) A multa aplicada corresponde a 50% dos débitos em exigência não garantidos. Assim, antes da decisão de mérito, a fim de possibilitar o exame da matéria, entendo que devam ser trazidas aos autos as seguintes informações sobre os débitos existentes: Fl. 549DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 25/09/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.720006/201196 Resolução nº 2402000.388 S2C4T2 Fl. 381 7 a) período de ocorrência dos fatos geradores, data de ciência e existência de pagamentos parciais, a fim de que se verifique a ocorrência de decadência; e b) em relação aos documentos juntados ao recurso voluntário, especialmente, quanto a suposta garantia dos débitos em cobrança, que se pronuncie sobre os mesmos. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para as providências solicitadas e seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 550DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 25/09/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10074.001587/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/02/2006 a 15/08/2006
IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR. DANO AO ERÁRIO. INAPLICABILIDADE DA MULTA PREVISTA NO ART. 83, I, E 87, II, DA LEI Nº 4.502/1964. APLICABILIDADE DA PENA PREVISTA NO ART. 23, V, §§ 1º E 3º, DO DECRETO-LEI Nº 1.455/1976.
A infração de ocultação do real vendedor configura dano ao erário, sujeitando o infrator à aplicação da pena de perdimento, convertida em multa quando não forem localizadas as mercadorias, como determina o artigo 23, V, §§1º e 3º, do Decreto-lei nº 1.455/1976. Descabida a aplicação da multa prevista no artigo 83 da Lei nº 4.502/1964.
Recurso de ofício improvido.
Numero da decisão: 3202-000.849
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Rodrigo Cardozo Miranda e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2006 a 15/08/2006 IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR. DANO AO ERÁRIO. INAPLICABILIDADE DA MULTA PREVISTA NO ART. 83, I, E 87, II, DA LEI Nº 4.502/1964. APLICABILIDADE DA PENA PREVISTA NO ART. 23, V, §§ 1º E 3º, DO DECRETOLEI Nº 1.455/1976. A infração de ocultação do real vendedor configura dano ao erário, sujeitando o infrator à aplicação da pena de perdimento, convertida em multa quando não forem localizadas as mercadorias, como determina o artigo 23, V, §§1º e 3º, do Decretolei nº 1.455/1976. Descabida a aplicação da multa prevista no artigo 83 da Lei nº 4.502/1964. Recurso de ofício improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 15 87 /2 00 9- 19 Fl. 4376DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10074.001587/200919 Acórdão n.º 3202000.849 S3C2T2 Fl. 4.377 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Rodrigo Cardozo Miranda e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto nos termos dos artigos 25, § 1º e 34, I do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e da Portaria/MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, SC (DRJ/FNS), que julgou parcialmente procedente a impugnação (fls. 2115 a 2154) apresentada, em 21 de agosto de 2008, por NOVA SUPORTE DISTRIBUIDORA LTDA., ora Recorrida. O presente processo trata de auto de infração de cobrança de multa regulamentar de IPI por entrega a consumo de mercadoria consumo de mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no país ou importada irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da DI ou desacompanhada de Guia de licença ou nota fiscal. Valor do auto de infração R$ 42.603.580,36. A Recorrente impugnou a auto de infração dizendo que a multa do artigo 83 da Lei nº 4.502/1964 foi utilizada erroneamente pela fiscalização, já que não teria havido a introdução de mercadorias clandestinamente no país, nem o trânsito desacompanhado de documento fiscal idôneo. Em sua decisão, a DRJ/FNS, através do acórdão nº 0723.312, de 25 de fevereiro de 2011, houve por bem julgar procedente a Impugnação, excluindo a multa do IPI prevista no artigo 83 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. A ementa do acórdão foi assim formulada: MULTA REGULAMENTAR DO IPI IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA A pena de multa presente no artigo 83 da Lei n° 4.502 nada mais é que a conversão da pena de perdimento prevista no 87 do mesmo diploma legal, sendo somente cabível a multa nas hipóteses de mercadorias introduzidas clandestinamente no País ou nas situações análogas a esta previstas nos artigos acima citados. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Desta decisão recorre de ofício a DRJ/FNS, em virtude da multa por ela exonerada superar o limite de alçada. Houve ainda a interposição de recurso voluntário, onde a Recorrente retoma os argumentos já articulados em sua impugnação. Fl. 4377DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10074.001587/200919 Acórdão n.º 3202000.849 S3C2T2 Fl. 4.378 3 É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator. O recurso de ofício preenche as condições de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A questão a ser decidia nos autos cingese à incidência ou não da multa regulamentar do IPI por produto estrangeiro em situação irregular de que trata o artigo 83, I da Lei nº 4.502/64. Aduz a fiscalização que os verdadeiros adquirentes/compradores citados às fls. 29 a 34 foram ocultados mediante interposição fraudulenta da Recorrente, que constava nas Declarações de Importação como a adquirente das mercadorias. Tendo em vista que a Recorrida ocultou os reais vendedores com o intuito de fraudar a origem das mercadorias, a fiscalização entendeu por bem aplicar multa regulamentar do IPI, disposta no inciso I do artigo 83 da Lei nº 4.502/64. A Lei nº 4.502/64 assim dispõe: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 6o O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) I aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência específica; (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 4378DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10074.001587/200919 Acórdão n.º 3202000.849 S3C2T2 Fl. 4.379 4 (...) Art. 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: I – Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido desacompanhado da nota de importação ou da nota fiscal, conforme o caso; (...) Art . 87. Incorre na pena de perda da mercadoria o proprietário de produtos de procedência estrangeira, encontrados fora da zona fiscal aduaneira, em qualquer situação ou lugar, nos seguintes casos: I – quando o produto, tributado ou não, tiver sido introduzido clandestinamente no país ou importado irregular ou fraudulentamente; II – quando o produto, sujeito ao impôsto de consumo, estiver desacompanhado da nota de importação ou de leilão, se em poder do estabelecimento importador ou arrematante, ou de nota fiscal emitida com obediência a tôdas as exigências desta lei, se em poder de outros estabelecimentos ou pessoas, ou ainda, quando estiver acompanhado de nota fiscal emitida por firma inexistente. A multa disposta no artigo 83 da Lei nº 4.502/64 aplicase na hipótese de introdução clandestina de produto ou importação irregular ou fraudulenta. A fiscalização aplicou a multa de introdução clandestina sob o seguinte fundamento: (...) ficou amplamente demonstrado que as importações processadas pela Support ocorreram de forma irregular, já que no campo próprio relativo à ´Adquirente da Mercadoria´, deveria, necessariamente, constar o CNPJ e nome das correspondentes empresas ocultas, e não o CNPJ da Support como ocorreu. (fls.41). Ainda, a fiscalização reconhece que houve a ocultação do real vendedor, hipótese que por si só já ensejaria a configuração de dano ao Erário, conforme determina o artigo 23, V e §§, do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976. In verbis: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: Fl. 4379DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10074.001587/200919 Acórdão n.º 3202000.849 S3C2T2 Fl. 4.380 5 (...) V – estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Como visto, a conduta descrita pela fiscalização moldase ao menos em um dos incisos do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, dispositivo esse que comina penalidade mais específica para a situação constatada pela fiscalização. Todavia, embora reconheça que a penalidade aplicada tenha lugar apenas nas hipóteses em que for constatada irregularidade ou fraude praticada na importação e, como deflui do artigo 83 da Lei nº 4.502/64, as irregularidades e fraudes na importação de que trata a lei são aquelas nela previstas, preferiu a fiscalização impor a sanção prevista nesse dispositivo, em detrimento da sanção aplicável à situação por ela narrada, prevista no artigo 23 do Decretolei nº 1.455/76. Para a aplicação de penalidade é necessária a observância do Princípio da Tipicidade, adequando corretamente o fato concreto ao tipo escolhido pelo legislador no texto legal que a explicita. Fl. 4380DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10074.001587/200919 Acórdão n.º 3202000.849 S3C2T2 Fl. 4.381 6 Ademais, a matéria já objeto de análise nesta Turma no acórdão 3202 000.586, em sessão de 25 de outubro de 2012, de relatoria da Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, e no acórdão 3202000.721 de minha relatoria, ficando consubstanciado que a norma penal específica afasta a norma geral, conforme ementas abaixo: IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS NECESSÁRIOS AO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. INAPLICABILIDADE DA MULTA PREVISTA NA LEI Nº. 4.502/64, ART. 83, INCISO I. APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DECRETOLEI Nº 37/66, ART. 105, INCISO VI. As mercadorias importadas com falsificação de documentos necessários ao desembaraço aduaneiro (fatura comercial) sujeitamse à aplicação da pena de perdimento, convertida em multa quando não forem localizadas, conforme previsto no inciso IV e §§1º e 3º do art. 23 do Decretolei nº. 1.455/76 c/c o inciso VI do art. 105 do Decretolei nº. 37/66, por encontrar tipicidade neste dispositivo legal, não sendo aplicável ao caso a multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64. IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR. DANO AO ERÁRIO. INAPLICABILIDADE DA MULTA PREVISTA NO ART. 83, I, E 87, II, DA LEI Nº 4.502/1964. APLICABILIDADE DA PENA PREVISTA NO ART. 23, V, §§ 1º E 3º, DO DECRETOLEI Nº 1.455/1976. A infração de ocultação do real vendedor configura dano ao erário, sujeitando o infrator à aplicação da pena de perdimento, convertida em multa quando não forem localizadas as mercadorias, como determina o artigo 23, V, §§1º e 3º, do Decretolei nº 1.455/1976. Descabida a aplicação da multa prevista no artigo 83 da Lei nº 4.502/1964. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 4381DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 12267.000001/2007-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2000
IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO.
Por força do art. 26-A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. PRESUNÇÃO ABSOLUTA DE REALIZAÇÃO DA RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DO CONTRATANTE ATÉ O MONTANTE DA RETENÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA EM RELAÇÃO À CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO DE MÃO DE OBRA.
O art. 31 da Lei 8.212/91 estabelece que o contratante de serviços caracterizados como cessão de mão de obra deve reter 11% do valor das notas fiscais e efetuar o devido recolhimento. O §5º do art. 33 da Lei 8.212/91 estabeleceu uma presunção absoluta de que a retenção é realizada nos casos em que existe a previsão legal para respectiva obrigação, bem como determinou que a responsabilidade do substituto é exclusiva, afastando a responsabilidade do beneficiário dos pagamentos até o montante da retenção presumida. A caracterização de que a contratação de serviços se deu com cessão de mão de obra é resultado de presunção legal relativa, tendo como fato base a contratação de serviços relacionados no art. 219 do RPS. Na ausência de provas que demonstram que a prestação de serviços não se amolda aos requisitos da cessão de mão obra previstos no §3º do art. 31 da Lei 8.212/91, a presunção relativa fica mantida.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. AFASTAMENTO DA MULTA MORA.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora, esta não é de ser aplicada uma vez que o regime atual não a manteve no procedimento de ofício.
Numero da decisão: 2301-002.806
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Wilson Antonio de Souza Correa, que votaram pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2000 IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26-A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. PRESUNÇÃO ABSOLUTA DE REALIZAÇÃO DA RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DO CONTRATANTE ATÉ O MONTANTE DA RETENÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA EM RELAÇÃO À CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO DE MÃO DE OBRA. O art. 31 da Lei 8.212/91 estabelece que o contratante de serviços caracterizados como cessão de mão de obra deve reter 11% do valor das notas fiscais e efetuar o devido recolhimento. O §5º do art. 33 da Lei 8.212/91 estabeleceu uma presunção absoluta de que a retenção é realizada nos casos em que existe a previsão legal para respectiva obrigação, bem como determinou que a responsabilidade do substituto é exclusiva, afastando a responsabilidade do beneficiário dos pagamentos até o montante da retenção presumida. A caracterização de que a contratação de serviços se deu com cessão de mão de obra é resultado de presunção legal relativa, tendo como fato base a contratação de serviços relacionados no art. 219 do RPS. Na ausência de provas que demonstram que a prestação de serviços não se amolda aos requisitos da cessão de mão obra previstos no §3º do art. 31 da Lei 8.212/91, a presunção relativa fica mantida. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. AFASTAMENTO DA MULTA MORA. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora, esta não é de ser aplicada uma vez que o regime atual não a manteve no procedimento de ofício.
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PREV RETENÇÃO Recorrente RIO DE JANEIRO REFRESCOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2000 IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. PRESUNÇÃO ABSOLUTA DE REALIZAÇÃO DA RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DO CONTRATANTE ATÉ O MONTANTE DA RETENÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA EM RELAÇÃO À CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO DE MÃO DE OBRA. O art. 31 da Lei 8.212/91 estabelece que o contratante de serviços caracterizados como cessão de mão de obra deve reter 11% do valor das notas fiscais e efetuar o devido recolhimento. O §5º do art. 33 da Lei 8.212/91 estabeleceu uma presunção absoluta de que a retenção é realizada nos casos em que existe a previsão legal para respectiva obrigação, bem como determinou que a responsabilidade do substituto é exclusiva, afastando a responsabilidade do beneficiário dos pagamentos até o montante da retenção presumida. A caracterização de que a contratação de serviços se deu com cessão de mão de obra é resultado de presunção legal relativa, tendo como fato base a contratação de serviços relacionados no art. 219 do RPS. Na ausência de provas que demonstram que a prestação de serviços não se amolda aos requisitos da cessão de mão obra previstos no §3º do art. 31 da Lei 8.212/91, a presunção relativa fica mantida. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. AFASTAMENTO DA MULTA MORA. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora, esta não é de ser aplicada uma vez que o regime atual não a manteve no procedimento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Wilson Antonio de Souza Correa, que votaram pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12267.000001/200797 Acórdão n.º 2301002.806 S2C3T1 Fl. 339 3 Relatório Tratase de lançamento, lavrado em 28/03/2002, por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 20/21, deixado de reter e recolher a contribuição de 11% sobre as notas fiscais de prestadores de serviço com cessão de mão de obra, nas competências 02/1999 a 03/2000 , tendo resultado na constituição de crédito tributário de R$ 58.423,05. A fiscalização apurou que foi contratado serviços de transporte com cessão de mão de obra da empresa Ouro Verde Transporte e Locação, sem que tenha havido a retenção e o recolhimento dos 11% devidos sobre o valor das notas fiscais. A autoridade fiscal registrou que a NFLD constante do processo era resultado do desmembramento de outra e que a separação dos lançamentos deveuse ao fato de que a prestadora de serviços Ouro Verde era afiliada à Associação Nacional do Transporte de Cargas e esta entidade teria obtido decisão favorável na 24ª Vara Federal de São Paulo no que se refere ao assunto dos autos. Após tomar ciência pessoal da autuação em 28/03/2002, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 56/82, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 11ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro, no Acórdão de fls. 275/291, julgou o lançamento procedente em parte, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 18/02/2009, fls. 295. Foram excluídas as competências 07/99, 02 e 03/2000 devido a existência de provimento jurisdicional que impedia a retenção. O recurso voluntário, apresentado em 20/03/2009, fls. 296/312, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Defende a possibilidade de órgãos administrativos declararem a violação à constituição federal. Ataca o art. 31 da Lei 8.212/91 por entender estar violando os arts. 121 e 128 do CTN. Entende estar ocorrendo violação aos arts. 154 , I e 195 da CF. Argumenta pela ilegalidade do Decreto 3.048/99 e da Ordem de Serviço 209/99 a da Circular 46/99 por tentarem alterar o conceito de cessão de mão de obra. As atividades nas quais não há cessão de mão de obra seriam prestação de serviços que não se submetem a retenção de 11%. Insiste que no caso não há colocação de mão de obra à disposição do tomador de serviços e nem mesmo os prestadores estão subordinados ao tomador. Sem tais características, não estaria configurada a cessão de mão de obra. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Conclui que as atividades exercidas pela Ouro Verde Transportes não envolviam cessão de mão de obra. As normas infralegais que tratam da matéria teriam ferido o princípio da legalidade ao extrapolar a sua função regulamentar. É o relatório. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12267.000001/200797 Acórdão n.º 2301002.806 S2C3T1 Fl. 340 5 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Inicialmente registramos que o caso não enseja a aplicação da Súmula CARF Nº 1, tendo em vista que a prestadora Ouro Verde Transportes não é sujeito passivo da obrigação tributária em discussão, uma vez que é o tomador de serviços o responsável exclusivo da obrigação de retenção, conforme será visto a seguir. Retenção de 11% sobre notas fiscais de prestação de serviços com cessão de mão de obra. Fatos geradores após fevereiro de 1999. Considerando o aspecto temporal dos fatos geradores objetos do lançamento, devemos observar que a Lei n° 9.711/98 em seu artigo 23 alterou a redação do artigo 31 da Lei n° 8.212/91, estabelecendo uma nova modalidade de substituição tributária, ao determinar que os tomadores de serviço efetuem a retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto do pagamento referente à prestação de serviço efetuado com cessão de mão de obra. Assim, a partir de 1° de fevereiro de 1999, com a nova redação do art. 31 da Lei n°8.212/91, alterouse a natureza jurídica da relação entre fisco e a empresa tomadora de serviços com cessão de mão de obra, deixando de existir a solidariedade e criandose a substituição tributária estribada no art. 128 do CTN. Dessa forma, por oportuno, esclarecemos que, no presente caso, não se aplicam as conclusões do Parecer 2.376/2000, pois aquele documento administrativo foi elaborado, conforme consta do seu item 04, para ser aplicado para a “sistemática de responsabilização tributária constante do artigo 31 da Lei 8.212/91, com redação anterior ao advento da citada medida provisória[MP 1.663/98, convertida na Lei 9.718/99]”. Feita tal ressalva, retomamos a análise jurídica do assunto. Com relação à obrigação de reter e recolher a contribuição previdenciária, o §5º do art. 33 da Lei 8.212/91 criou uma presunção de que a retenção, nos casos legalmente previstos, foi realizada, in verbis: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. ... Fl. 351DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Sabendo tratarse de presunção legal de retenção, restanos esclarecer se tratamos de presunção legal relativa ou absoluta. Como se sabe, uma presunção é o processo, que utiliza a lógica, no caso das presunções simples, ou a determinação legal, no caso das presunções legais, partindo do fato base, ou do indício, e resultando no fato presumido. Acrescentese que as presunções legais podem ser absolutas ou juris et de jure e relativas ou juris tantum, sendo que as absolutas são insuscetíveis de serem ilididas por prova em contrário, ao passo que as relativas podem ser ilididas por provas de que o fato ocorrido diverge do fato presumido.(TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário. São Paulo: Noeses, 2005, p. 136). O art. 33, §5º da Lei 8.212/91 dispôs que, para a empresa obrigada à retenção, é vedado “alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto” na mesma Lei. Tendo o §5º do art. 33 da Lei 8.212/91 criado uma presunção com relação a qual é vedado fazer prova em contrário, concluímos tratarse de presunção absoluta. Resulta dizer que, constatando a ocorrência de uma situação na qual a empresa estava obrigada a fazer a retenção, o fisco irá presumir que esta foi feita pelo responsável e dele irá exigir o correspondente crédito tributário, pois a lei prescreveu que o responsável por substituição fica “diretamente responsável”. No caso da retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, o §3º do art. 31 da Lei 8.212/91 criou uma regra geral para determinarmos se a prestação de serviços se deu por meio de cessão de mão de obra. Assim, “entendese como cessão de mão de obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação”. Tratase de, como dissemos, uma regra geral, mas, em adição, quis a mesma lei criar outra presunção, agora relativa, em relação aos serviços que se enquadram com as características de cessão de mão de obra. No §4º do art. 31 da Lei 8.212/91, portanto, temos uma lista de serviços que, por presunção legal relativa, são considerados como executados por cessão de mão de obra. Além de listar alguns serviços, a lei permitiu ao regulamento aumentar a lista de serviços que, por presunção relativa, seriam considerados executados por meio de cessão de mão de obra. Digo que há uma presunção relativa, pois a lista dos serviços submetese à regra geral do § 3º do art. 31. Significa dizer que a empresa contratante poderá demonstrar que, mesmo tendo contratado alguns dos serviços listados pela Lei ou pelo regulamento, a execução dos serviços não se deu de uma forma que caracterize a cessão de mão de obra, nos moldes do §3º do art. 31. Em suma, diante da existência de tal presunção relativa, cabe ao fisco demonstrar que houve a contratação de serviços relacionados na lei ou no regulamento para concluir que foi realizado por meio de cessão de obra, ao passo que, ao contratante, caberá o ônus de demonstrar que a prestação de serviços não se deu com características de cessão de mão de obra. Para compreendermos o que seria uma cessão de mão de obra, devemos lembrar que uma das principais características que distinguem a cessão de mão de obra da empreitada é a existência de um resultado pretendido para a empreitada, ao passo que na cessão de mão de obra a contratada não se compromete com um resultado, apenas coloca trabalhadores à disposição da contratante. Concordamos com o Fl. 352DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12267.000001/200797 Acórdão n.º 2301002.806 S2C3T1 Fl. 341 7 Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior quando este interpretou, no voto do Acórdão 2301 00.444, o significado de “estar à disposição” como equivalente estar submetido ao poder de comando do contratante, sem, no entanto, ressalvamos, caracterizar uma subordinação jurídica. Logo, a realização de um serviço determinado, especificado em contrato ou na nota fiscal apresentado pela recorrente, não caracteriza a cessão de mão de obra, uma vez que o trabalhador não ficou sob o poder de comando do contratante. A continuidade do serviço é outra característica exigida pela lei para caracterizar a cessão de mão de obra. Mas é a continuidade do serviço, não do prestador ou do trabalhador. Se mensalmente é trocado o prestador, mas o serviço mostrase contínuo no tempo do ponto de vista da contratante, então, temos a continuidade exigida pela lei. Dessa maneira, nos casos que se enquadram no art. 31 da Lei 8.212/91, temos um encadeamento de duas presunções. A primeira, relativa, que trata da caracterização dos serviços que se consideram realizados com cessão de mão de obra. O fato base de tal presunção é a constatação de contratação de serviço relacionado pela lei ou pelo regulamento, sendo o fato presumido a realização do referido serviço com cessão de mão de obra. Cabe ao contratante, nesse caso, demonstrar que a contratação não se deu nos moldes do §3º do art. 8.212/91 para afastar o fato presumido. A segunda presunção, esta absoluta, é a presunção de que, caracterizada a contratação de serviço por meio de cessão de mão obra, considerase efetivada a retenção de 11% e, portanto, deve ser feito o recolhimento. O fato base de tal presunção absoluta é a contratação de serviços por meio de cessão de mão de obra, sendo o fato presumido a retenção de 11%. A par disso, cabe à autoridade fiscal demonstrar que o fiscalizado contratou serviços entre aqueles constantes do art. 219 do Decreto 3.048/99, para que fique caracterizado a existência de contratação de serviços com cessão de mão de obra e, conseqüentemente, surja a obrigação de recolher ao fisco o valor presumidamente retido do contratado. Ao fiscalizado cabe demonstrar que a contratação não se deu nos moldes do §3º do art. 8.212/91 para afastar o fato presumido. Passemos às considerações sobre o caso dos autos. Inicialmente, afastamos qualquer ilegalidade nas normas infralegais que tratam do assunto aqui em discussão, uma vez que, conforme acima explanado, a única norma infralegal que afeta o caso é Decreto 3.048/99 e este revelouse atuar dentro dos limites legais. A autoridade fiscal juntou documentos sobre a contratação de serviços com a Ouro Verde que comprovam ter havido colocação de mão de obra à disposição da recorrente. Notadamente, o contrato entre a recorrente e a prestadora contém cláusulas que apontam para tal conclusão: os funcionários envolvidos no serviço de transporte agiam por conta e ordem da recorrente, conforme consta do item 3.8 do contrato, fls. 127, no atendimento dos clientes da contratante. Ademais, os funcionários da contratada respondiam por eventuais diferenças de estoques ou outras falhas diante da contratante, conforme conteúdo do item 3.9 do contrato, fls. 128; e somente podiam abastecer os veículos em postos indicados pela recorrente, fls. 126(Termo Aditivo). Tais exigências evidenciam que a mão de obra necessária ao transporte foi colocada à disposição da contratante. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 Assim, a recorrente não se desincumbiu de provar que a contratação não se deu com cessão de mão de obra, sendo que, ao contrário, há elementos que corroboram a caracterização desse tipo de contratação. Inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Acatando tais imposições constitucionais e legais, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais insiste na referida vedação, bem como já foi editada Súmula do Colegiado sobre o assunto, conforme podemos conferir a seguir: “Portaria MF nº 256, de 23 de junho de 2009 (que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Portanto, deixamos de apreciar todos os argumentos da recorrente fundados em discussão sobre constitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12267.000001/200797 Acórdão n.º 2301002.806 S2C3T1 Fl. 342 9 Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: • lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta; • lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do Fl. 356DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12267.000001/200797 Acórdão n.º 2301002.806 S2C3T1 Fl. 343 11 caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, Fl. 358DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12267.000001/200797 Acórdão n.º 2301002.806 S2C3T1 Fl. 344 13 tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO, de modo a excluir a multa de mora. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 359DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 19740.901409/2009-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2009
COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE IOF. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o afirmado erro no preenchimento da DCTF.
Numero da decisão: 3201-001.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Mercia Helena Trajano D´Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Adriana Oliveira e Ribeiro, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, ausente justificadamente o Conselheiro Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2009 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE IOF. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o afirmado erro no preenchimento da DCTF.
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RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE IOF. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o afirmado erro no preenchimento da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Mercia Helena Trajano D´Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Adriana Oliveira e Ribeiro, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, ausente justificadamente o Conselheiro Daniel Mariz Gudiño. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 90 14 09 /2 00 9- 56 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Versa o presente litígio sobre Declaração de Compensação, objetivando compensação de valor recolhido a maior a título de IOF, anocalendário de 2005. O despacho eletrônico não homologou o pedido de compensação sob o fundamento de que o valor do DARF em referências, teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos da Recorrente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade apresentada, a ora Recorrente afirmou o seu direito creditório, que teria origem na apuração equivocada do IOF nas operações de empréstimos. Por conseguinte, teria a Recorrente preenchimento erroneamente a Declaração de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF, o que teria originado o despacho decisório denegando o direito creditório. Para a comprovação do alegado erro de apuração do tributo, acostou os autos o respectivo DARF e planilha demonstrativa dos valores que seriam efetivamente devidos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, entendendo que não teriam sido apresentadas quaisquer outras provas do direito creditório, alem do fato que a Recorrente, na condição de responsável tributário, apenas teria direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, se autorizado por aquele que efetivamente teria suportado tal encargo. No recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, e, caso o Colegiado não entendesse comprovado o direito creditório pleiteado, em homenagem ao Princípio da Verdade Material, requereu fosse o julgamento convertido em diligência, com fulcro nos arts. 18 e 19 do Decreto n. 70.235/72. Juntou às fls. 131 e ss., planilhas do seu sistema Scaf Plus. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso voluntário preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. O cerne controvérsia dos autos gravita em torno da comprovação do direito creditório. Para a comprovação do direito creditório afirmado, a Recorrente junta planilha de sua lavra, bem como o documento de arrecadação, demonstrativo do suposto Fl. 144DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19740.901409/200956 Acórdão n.º 3201001.409 S3C2T1 Fl. 94 3 pagamento a maior. Nenhum outro documento foi acostado aos autos, não tendo sido, da mesma forma, retificada a DCTF, pelo que se depreende dos autos. Observese que para que seja aceito o direito creditório, ainda que a DCTF não tenha sido retificada espontaneamente, deve ser comprovado de maneira cabal o direito creditório, mediante a demonstração de erro no preenchimento de DCTF pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam. É dizer, planilha confeccionada pela empresa, desacompanhada de quaisquer outros documentos, não se presta à finalidade almejada. Não procede a argumentação da Recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, socorrendolhe o Princípio da Verdade Material, pois não se está diante de lançamento de ofício. Destarte, nos processos administrativos originados de decisões que não homologam declarações de compensação, o conflito originarseá do não reconhecimento da relação de débito do Fisco e, por conseguinte, da não extinção da relação de seu crédito, pois na compensação concorrem duas relações jurídicas de cargas opostas – relação jurídica da obrigação tributária a relação de indébito do Fisco – que, combinadas, se anulam. A Medida Provisória nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003 alterou a redação do art. 74 da Lei n° 9.430/96, para aplicar às situações de nãohomologação da compensação o rito do processo administrativo fiscal federal, prescrevendo que a manifestação de inconformidade é o veículo introdutor de conflito, no âmbito da jurisdição administrativa. O contencioso administrativo originado da impugnação ao lançamento de ofício não se confunde com aquele decorrente de manifestação de inconformidade da decisão que não homologa o direito creditório nas compensações efetuadas pelo contribuinte. Com efeito, na impugnação o contribuinte visa a desconstituir o lançamento tributário, ato jurídico produzido pelo Fisco, nos termos do art.142 do CTN, ao passo que no caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. Outrossim, não pode pretender o contribuinte, que seja subvertido o contencioso administrativo, para que este opere como órgão de auditoria. A despeito do Princípio da Verdade Material ser importante vetor do processo administrativo fiscal, não pode ser aplicado sem base empírica, ou seja, à míngua das provas competentes para constituir juridicamente o fato afirmado pela Recorrente, pois a “verdade” deve ser encontrada nos autos. Nesse contexto, esse Conselho vem admitido a relativização da preclusão na apresentação de provas, sob o lastro do Princípio Verdade Material, porém, frisese, sempre Fl. 145DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 quando o contribuinte logre trazer aos autos, ainda que intempestivamente, elementos probatórios que espelhem o direito afirmado. Em face do exposto, verificase que a inércia da Recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante do não reconhecimento do direito creditório reivindicado. Assim sendo, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 146DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 10283.006466/2004-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: null
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Numero da decisão: 3201-001.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Logo, não incide PIS sobre os valores de créditos de ICMS, decorrentes de subvenção estadual. PIS NÃOCUMULATIVO Da mesma forma, não incide PIS sobre valores de créditos de ICMS, decorrentes de subvenção estadual, tendo em vista sua natureza jurídica não ser considerada como receita. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. JOEL MIYAZAKI Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 64 66 /2 00 4- 85 Fl. 468DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo de Auto de Infração relativamente a PIS, dos meses de fevereiro a dezembro de 1999, janeiro a dezembro de 2000, janeiro a dezembro de 2001, janeiro a dezembro de 2002, janeiro a dezembro de 2003, e janeiro a junho de 2004, no valor originário de R$ 2.923.859,43, que acrescido de multa e juros atingiu o montante de R$ 5.948.842,76, fls 07 a 30. 2.A autoridade fiscalizadora descreveu que houve diferença apurada entre o valor escriturado e o valor pago, decorrente do benefício concedido pelo Estado do Amazonas, em relação ao ICMS, com base nas Leis Estaduais nº 1.939, de 1989, e nº 2.390, de 1996, que se caracterizam como subvenção, integrando a base de cálculo do PIS, e citou a legislação pertinente. 3.Inconformada a litigante apresentou impugnação (fls. 172/199) protocolada na data de 06/12/2004, através de seu bastante procurador, conforme Instrumento de Procuração, fl. 264, onde argumentou em seu favor, em resumo, o seguinte: a) Primeiramente, que operou a decadência para os lançamentos relativos aos meses de fevereiro/99 a outubro/99 e que o lançamento seria nulo em relação a esses fatos geradores. Fundamenta seu entendimento no artigo 150, “caput”, e § 4º.; b) Questionou a constitucionalidade da Lei nº 9.718/98. c) Na restituição ou apropriação de créditos tributários, ou, de forma mais generalizada, de custos ou despesas, não há auferimento de receita. Nada de novo se acresce ao patrimônio em termos de renda, de receita efetivamente auferida. d) Entende que os valores que fizeram frente a custos e despesas, mais especificamente, os montantes que serviram para o pagamento do ICMS devido, já foram tributados pela Contribuição ao PIS, por serem parte constituinte da receita bruta da empresa, sendo que sua saída não ocasionou qualquer diminuição na base tributável dessa contribuição. Portanto, tributálos no momento em que simplesmente retornam ao patrimônio da pessoa jurídica seria tributar duplamente; e) O incentivo fiscal conferido pela Lei Estadual n° 1.939/89, do qual a Impugnante foi beneficiária, não se refere à recuperação de tributo pago indevidamente ou a maior. No entanto, é perceptível a semelhança existente Fl. 469DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10283.006466/200485 Acórdão n.º 3201001.428 S3C2T1 Fl. 469 3 entre essa recuperação supramencionada e a restituição ou apropriação de créditos presumidos de ICMS a que a Impugnante tem direito. f) Em ambos os casos a empresa realiza pagamento maior do que o efetivamente devido, com posterior recuperação desse montante, o qual não configura receita nova. Na primeira situação, tratada pelo ADI citado, a diferença se deve ao recolhimento indevido ou a maior; já na hipótese de restituição e apropriação de créditos de ICMS, objeto desta Impugnação, o valor recuperado pela empresa se relaciona a benefício fiscal a ela concedido. g) Transcreveu ementas do julgado da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes sobre o Recurso n° 135.519 (Acórdão n° 10194.676). h) Ao ser beneficiada com a restituição do ICMS pago anteriormente e a outorga de créditos desse tributo, a Impugnante, pautada no quanto já exposto, não reconhece tal valor como receita bruta, eis que, ao contrário, estarseia tributando novamente o mesmo ICMS que já compusera a base de cálculo da Contribuição ao PIS na venda da mercadoria. i) Assim, desconsiderar esse fato conduz à dupla tributação de um mesmo evento, só que em momentos diferentes: (1o) quando da sua composição do preço de venda das mercadorias e (2o) quando da sua recuperação, seja por restituição, seja por créditos; j) Que apurou haver diferenças em relação a alguns valores considerados como base de cálculo pelo AFRF, que por certo não levou em consideração os registros por ela mantidos em seu Livro Razão (doc. 03), os quais demonstram que, em alguns meses, houve o estorno de valores restituídos ou creditados de benefício de ICMS em virtude de devolução de mercadorias; k) Afora o período já abarcado pela decadência, a Impugnante constatou que existem divergências das bases de cálculo entre os meses de novembro de 1999 (inclusive) e fevereiro de 2004 (inclusive), com as poucas exceções dos meses de maio e outubro de 2000, setembro, novembro e dezembro de 2001, janeiro, junho e novembro de 2002 e abril de 2003; l) As diferenças de valores constatadas não devem prosperar, vez que não dizem respeito a incentivo efetivamente gozado pela empresa, tendo sido estornados a contabilidade da Impugnante (via débito na conta específica) em virtude de se relacionarem a mercadorias devolvidas. m) Apontese que em relação ao mês de outubro de 1999, para o qual também já se efetivou a decadência da autoridade administrativa de proceder ao lançamento, a Impugnante, em 19/11/99, efetuou o recolhimento do montante de R$ 1.210.643,92 (...) (doc. 04), referente ao ICMS, justamente o valor da diferença identificado pela Impugnante para o referido mês. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI 4 4.Por fim, requer que sejam acolhidos seus argumentos, para que seja extinto o crédito tributário. 5. Face às alegações do contribuinte de que existem divergências das bases de cálculo entre os meses de novembro de 1999 (inclusive) e fevereiro de 2004 (inclusive), com as poucas exceções dos meses de maio e outubro de 2000, setembro, novembro e dezembro de 2001, janeiro, junho e novembro de 2002 e abril de 2003, a Segunda Turma de Julgamento da DRJ/Belém, através do despacho de fls. 202/205, determinou a realização de diligência, a fim de que fosse: a) juntada aos autos documentação comprobatória de que em 13/07/2004, o Sr. Akiteru Kasai ocupava o cargo de VicePresidente da autuada; b) confirmado os valores das vendas canceladas, como alegado pela impugnante, relacionando mês a mês os valores desses cancelamentos; c) informado se tais vendas canceladas foram consideradas para apuração dos respectivos créditos tributários, quando da elaboração do auto de infração; d) caso negativo, informado o quantum devido, para cada período de apuração, em planilha informativa dos valores das vendas brutas, as deduções previstas na legislação específica, inclusive vendas canceladas, e as vendas líquidas da fiscalizada. e) com base na análise da escrituração contábil e da documentação fiscal, confirmar os valores relacionados pela autuada em planilhas de fls. 55/129, lavrando relatório circunstanciado de tal análise, informando, inclusive, das divergências apuradas; 6.A delegacia da Receita Federal em Manaus através da Informação Fiscal de fls. 207/209, informa que: “Ressalvese apenas, nos meses de julho/2001, agosto/2001 e novembro/2002, conforme expresso na comunicação da interessada, houve alguns ajustes nos valores das aludidas vendas canceladas, que de uma maneira mais efetiva, não afetaram, sobremaneira, os valores das bases de cálculo da contribuição.” “Isso porque as diminuições das aludidas bases imponíveis, inobstante não terem sido observadas quando da elaboração do auto de infração, não concorreram para a super avaliação da autuação, posto que, em outros meses, a própria diligenciada reconheceu em sua manifestação expressa, que a contabilidade apresentava valores maiores de receitas tributáveis, que os transcritos nos demonstrativos mensais da contribuição, considerados pela fiscalização na edificação do lançamento ex officio. Como se depreende, este fato concorreria para aumentar os valores da autuação, mas, reiterese que, o confronto deles com os montantes desconsiderados das deduções da receita bruta, passaram a se anular, trazendo pouca ou quase nenhuma repercussão para a quantificação da matéria tributável” Fl. 471DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10283.006466/200485 Acórdão n.º 3201001.428 S3C2T1 Fl. 470 5 7.Cientificada da Informação Fiscal em 21/09/2001 (fl. 209), a empresa não se manifestou. Portanto, reputamse corretos todos os valores constantes do Auto de Infração e seus anexos. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/BEL no 0123.913, de 04/01/2012, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/2004 Ementa: DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. FATO GERADOR. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do CTN. RECEITA. CONCEITO. O conceito de receita, tanto no direito privado, como no direito público, é o de totalidade dos recebimentos, não importando a que título foram contabilizados. INCENTIVO FISCAL. SUBVENÇÃO FISCAL. RENÚNCIA FISCAL. IRRELEVÂNCIA. Resta irrelevante se os valores ora discutidos, de fato, classificamse como subvenções para investimento, subvenções para custeio, incentivo fiscal ou renúncia fiscal (“redução de despesa”), dado coadunaremse, de um ou de outro modo, com a receita bruta conceituada como acréscimo de patrimônio. A universalidade deste conceito foi confirmada pelo art. 3°, §1°, da Lei nº 9.718/98 para determinação da base de cálculo do PIS. Ademais, independentemente do vocábulo utilizado, tal receita não se encontra dentre as possíveis de exclusão da base de cálculo do PIS na forma do art. 3°, §2°, da Lei n° 9.718/1998. BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. A partir da vigência da Lei nº 9.718/98, a base de cálculo das Contribuições é composta de todas as Receitas Operacionais, independendo da denominação que lhes for atribuída. INCONSTITUCIONALIDADE INAPRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA COMPETÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO A argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade não pode ser apreciada na esfera administrativa porque é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Impugnação Procedente em Parte. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI 6 Crédito Tributário Mantido em Parte. O julgamento foi de considerar o lançamento procedente em parte, tendo em vista, que como a contribuinte antecipou o recolhimento do PIS, conforme atesta a própria autoridade fiscal, no auto de infração e confirmado no sistema informatizado da RFB, aplicase o artigo 150, § 4°, do Código Tributário NacionalCTN. Como o Auto de Infração foi lavrado somente em 03/11/2004 e cientificada ao contribuinte em 08/11/04, logo já se extinguira o direito da Fazenda Pública de cobrar o tributo relativo ao meses de fevereiro a outubro de 1999 , haja vista o transcurso decadencial. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz, basicamente, as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta, dentre outros, pela impossibilidade de exigência do PIS sobre os valores que, na sua essência, não são receitas, e sim mera recuperação de custos e mais que à época sob regime cumulativo, da impossibilidade de constituição do crédito tributário, pois os incentivos fiscais não podem ser quantificados como receitas decorrentes de venda, bens ou da prestação de serviços. Representando mera redução de custo. Não é ingresso de receita referente á atividade empresarial da empresa. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o processo de Auto de Infração relativamente ao PIS onde a fiscalização descreveu que houve diferença apurada entre o valor escriturado e o valor pago, decorrente do benefício concedido pelo Estado do Amazonas, em relação ao ICMS, com base nas Leis Estaduais nº 1.939, de 1989, e nº 2.390, de 1996, que se caracterizam como subvenção, integrando a base de cálculo do PIS. Com já comentado a decisão a quo já excluiu a exigência nos meses de fevereiro a outubro de 1999, haja vista o transcurso decadencial, tendo em vista aplicação do artigo 150, § 4°, do Código Tributário NacionalCTN. Percebese, portanto, que o período de apuração restante, abrange um período misto no regime cumulativo e nãocumulativo. É cediço que a concessão de incentivos fiscais referentes ao ICMS é uma forma praticada para atrair e manter investimentos pelos Estados e Distrito Federal, dentre eles, o crédito presumido do ICMS, que não originários de entradas de mercadorias tributadas pelo ICMS e sim, pelas subvenções. A conceituação de subvenção está associada à idéia de auxílio, ajuda, como doutrina José Souto maior Borges (Subvenção Financeira, Isenção e Deduções Tributárias, Revista de Direito Público). Nos termos abaixo: Fl. 473DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10283.006466/200485 Acórdão n.º 3201001.428 S3C2T1 Fl. 471 7 "O conceito de subvenção está sempre associado à idéia de auxílio, ajuda como indica a sua origem etimológica (subventio) expressa normalmente em termos pecuniários. Entretanto, se bem que a subvenção, em Direito Civil, constitua uma forma de doação, caracterizando se, portanto, pelo seu caráter não compensatório, no Direito Público, particularmente no Direito Financeiro, embora também se revista de caráter não remuneratório e não compensatório, deve submeterse ao regime jurídico público relevante. A subvenção pressupõe sempre o concurso de dinheiro ou outros bens estatais. É categoria de Direito Financeiro e não de Direito Tributário." (in Subvenção Financeira, Isenção e Deduções Tributárias, Revista de Direito Público, V. 41 e 42. p. 43.) As subvenções podem ser: correntes para custeio e subvenção para investimento. Segundo o PN CST 112/78, as subvenções correntes para custeio ou operação são transferências de recursos para uma pessoa jurídica com o objetivo de facilitar a fazer face às suas despesas. Da mesma forma, o mencionado parecer, conceitua as subvenções para investimento como transferências de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála na aplicação em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. O cerne da questão é a inclusão ou não das subvenções de custeio consolidadas em créditos presumidos de ICMS, na base de cálculo do PIS/COFINS das pessoas jurídicas enquadradas no regime de apuração nãocumulativo de que tratam as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, que tratarei logo a seguir. Pois bem, inicialmente, em relação ao período que engloba o regime de apuração cumulativo do PIS/COFINS, as contribuições têm por base de cálculo o faturamento, cujo conceito já está consolidado pelo STF no sentido de compreender apenas as receitas decorrentes da venda de mercadorias e serviços. Desse modo, as subvenções não se consubstanciam em entradas financeiras decorrentes da venda de mercadorias ou serviços, logo, esses benefícios concedidos não integram a base de cálculo do PIS/COFINS na sistemática cumulativa. Como se observa, nos artigos 2° e 3°, caput e §1°, da Lei n° 9.718/1998, assim prescrevem em relação à base de cálculo do PIS e da Cofins: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de Fl. 474DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI 8 atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Transcrevo ementa da decisão no RE 358.273 de relatoria do Ministro Marco Aurélio que dispõe: “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” Em sendo assim, afastase a aplicação de norma sob o fundamento de inconstitucionalidade, tendo em vista decisão do STF, conforme inciso I, do Parágrafo Único, do artigo 62, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009. Destarte, afastada a ampliação da base de cálculo do PIS, prevista na Lei nº 9.718/98, PIS volta a incidir somente sobre o faturamento nos termos da LC nº 7/70, logo considerado faturamento a receita de venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. Portanto, o crédito de ICMS não são receitas de vendas de mercadorias ou receita de serviços, logo, não compondo a base de cálculo da Cofins/ PIS. A Lei nº 10.637/2002 ao instituir a apuração do PIS nãocumulativo definiu no seu art. 1º a base de cálculo a ser considerada para apuração da contribuição. “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas Fl. 475DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10283.006466/200485 Acórdão n.º 3201001.428 S3C2T1 Fl. 472 9 operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeitos).” Assim, a questão é analisar se a subvenção para custeio enquadrase no conceito jurídico de receita, pois só assim há que se falar em incidência das contribuições Cofins/Pis. As subvenções são auxílios recebidos para fazer face às suas despesas, ou seja, têm natureza de ressarcimento ou recuperação de despesas tributárias e jamais de receita. A recorrente faz jus ao crédito de ICMS que beneficia as empresas instaladas na Zona Franca de Manaus – ZFM, no caso. Entendo que a operação de obtenção dos créditos transcorre com a escrituração na contabilidade da empresa para posterior utilização. Percebo, serem os valores escriturados destes créditos, operações de alteração patrimonial, visto que, os créditos não utilizados se constituem em direitos, entretanto, não se constituem em ingresso de receitas. São Fl. 476DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI 10 incentivos voltados à redução de custo, concedidos a empresa localizada em determinado Estadomembro, com fim de proporcionar maior competitividade de mercado. Dessa forma, o crédito de ICMS não constitui em entrada de recursos, não podendo ser assim avaliado. Portanto, os valores escriturados a título de crédito de ICMS não compõe a base de cálculo da Cofins/Pis não cumulativo. Tal entendimento foi esclarecido pelo STF no julgamento do Agravo Regimental no REsp 1165316/SC, de Relatoria do Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, primeira turma, julgado em 25/10/2011, do qual extraise o texto abaixo: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ART. 557 CPC. POSSIBILIDADE DE JULGAMENTO MONOCRÁTICO. EXCLUÍDA ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE MEMORIAIS. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. AGRAVO NÃO PROVIDO. (...) 3. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o crédito presumido do ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estadomembro, não assumindo natureza de receita ou faturamento. 4. Agravo regimental não provido". (AgRg no REsp 1329781/RS, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 27/11/2012, DJe 03/12/2012) "AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. QUESTÃO RELATIVA À INCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS DA PRIMEIRA SEÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO". 1. O Superior Tribunal de Justiça vem decidindo que o crédito presumido do ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com vistas a proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estadomembro, e, portanto, não assume a natureza de receita ou faturamento, pelo que está fora da base de cálculo do PIS e da COFINS. Precedentes: 1a. Turma, AgRg no REsp. 1.229.134/SC, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 03.05.2011; 2a. Turma, REsp. 1.025.833/RS, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJe 17.11.2008. (.) (AgRg no REsp 1165316/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 25/10/2011, DJe 14/11/2011) Da mesma forma, é a orientação espelhada, através do acórdão da 1ª Seção do Carf, acórdão 1202000921 (processo de n° 10380.012049/200988), julgado em 5/12/2012, parte do voto: Do exposto, forçoso concluir que os incentivos fiscais concedidos pelos Estados da Bahia e do Ceará são caracterizados na modalidade subvenções para investimento,nos termos do estabelecido no art. 182 da lei das sociedades Fl. 477DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10283.006466/200485 Acórdão n.º 3201001.428 S3C2T1 Fl. 473 11 anônimas e no art. 443 do RIR/99, classificadas como transferências de capital creditadas a conta de reserva de capital, sem trânsito por contas de resultado. Assim, sobre o IRPJ mantido pelo acórdão recorrido é de se dar provimento ao recurso voluntário. As exigências da CSLL, do PIS e da Cofins, no caso, recebem o mesmo tratamento dado ao IRPJ, eis que as subvenções para investimento não integram a receita bruta e, por conseqüência, não compõem o faturamento, base de cálculo do PIS e da Cofins, bem como não integram o lucro líquido do exercício, ponto inicial para apuração da base de cálculo da CSLL. Em razão dos fundamentos expostos, fica prejudicado o exame das demais matérias levantadas pela defesa. Pelo exposto, voto no sentido de que seja negado provimento ao recurso de ofício, na parte cancelada da autuação e, na parte mantida, que seja dado provimento ao recurso voluntário. Ainda, para ilustrar, transcrevo ementa do acórdão 340300.799, julgado em 03/02/2011, de relatoria de Winderley Morais Pereira, que retrata bem a mesma situação: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano Calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A obstrução à defesa, motivadora de nulidade do ato administrativo de referência, deve apresentarse comprovada no processo. PIS. DECADÊNCIA. PRAZO O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário da contribuição para o PIS/PASEP extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. PIS. CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo das contribuições para o PIS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. PIS. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DO ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide PIS sobre os valores de créditos de ICMS, obtidos em razão de subvenção estadual. PIS. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRSEUMIDO DO IPI. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide PIS sobre os valores de créditos presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.336/96. PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. Não incide PIS sobre os valores de créditos de ICMS, obtidos em razão de subvenção estadual, uma vez sua natureza jurídica não se revestir de receita. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI 12 Recurso Voluntário Provido. Por todo o exposto, a subvenção aqui tratada não integra a receita bruta e por consequência, não compõe o faturamento, não sujeitando à incidência das contribuições Cofins/Pis. Enfim, são incentivos voltados à redução de custo, não tendo concedidos à empresa localizada em determinado Estadomembro, com fim de proporcionar maior competitividade de mercado. Não se enquadrando, pois, no conceito jurídico de receita. Assim sendo, dou provimento ao recurso voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 479DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 11543.001298/2005-77
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/1992 a 31/08/1997
BASE DE CÁLCULO. EMPRESA IMPORTADORA FUNDAPIANA.
Antes de agosto de 2001 não existia regra diferenciada de incidência do PIS e da Cofins para as empresas importadoras, nas operações de importação por conta e ordem de terceiros.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento do julgamento do recurso voluntário e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento a Dra. Natasha Pizzolante, OAB/RJ nº 153.018
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Raquel Motta Brandão Minatel Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti, Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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EMPRESA IMPORTADORA FUNDAPIANA. Antes de agosto de 2001 não existia regra diferenciada de incidência do PIS e da Cofins para as empresas importadoras, nas operações de importação por conta e ordem de terceiros. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento do julgamento do recurso voluntário e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento a Dra. Natasha Pizzolante, OAB/RJ nº 153.018 Antonio Carlos Atulim Presidente Raquel Motta Brandão Minatel – Relatora 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 12 98 /2 00 5- 77 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti, Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan. Relatório Tratase de Pedido de Restituição de crédito do PIS, formulado por CIA IMPORTADORA E EXPORTADORA COIMEX,relativo ao período de setembro de 1992 a setembro de 1997, protocolado em 08/06/2005, no valor de R$ 45.942.206,97, proveniente de operações de importação por conta e ordem de terceiros (fls. 1).O Pedido foi acompanhado por planilha de apuração do crédito (fls. 19/22) e por cópias de DARF (fls. 23/117). Em 27/07/2005, o Delegado Substituto da DRF/VIT/ES acatou o Parecer nº 500/2005 do respectivo Serviço de Orientação e Análise Tributária (fls. 118/123) e, por meio do Despacho Decisório de fls. 124, indeferiu o pedido de restituição formulado pela Recorrente, sob o argumento de que o disposto no art. 81 da Medida Provisória n.º 2.15835 não se aplica aos fatos anteriores à sua vigência, bem como declarou a decadência do direito de restituição pleiteado. Notificada do conteúdo do Despacho Decisório em 01/09/2005, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fls. 125, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 128/154, protocolada em 28/09/2005. Nessa ocasião, a contribuinte aduziu, entre outros argumentos, que somente os valores remuneratórios de sua atividade podem ser considerados receita ou faturamento para fins de tributação. Em 31/01/2006, a contribuinte requereu juntada dos documentos de fls. 189/193, explicando que tais documentos não foram juntados concomitantemente com a Manifestação de Inconformidade por lapso (fls. 188). Inobstante as considerações e documentos apresentados, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, conforme Acórdão nº 1320.368, proferido em 30/06/2008 pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro II (RJ), de fls. 200/230. As assertivas preponderantes do julgamento foram no sentido de que: 1. o prazo decadencial para reconhecimento do direito de restituição tem início na data de extinção do crédito tributário, nos termos dos artigos. 165, inciso I, e 168, ambos do CTN, inclusive para tributos lançados por homologação, segundo o art. 150, §1º, do CTN; 2. ainda que se admita o prazo decadencial nos termos pleiteados pela Recorrente, boa parte dos seus créditos não poderiam ser reconhecidos, pois anteriores a 07/06/1995; 3. a Recorrente promove verdadeira venda da mercadoria importada à contratante, consoante as notas fiscais de venda exigidas pelo sistema FUNDAP e a ficha “Demonstração da Receita Líquida” de fls. 195/197; portanto, a base de cálculo das contribuições sociais deve incluir todas as receitas decorrentes da referida venda, conquanto haja prévia definição do adquirente; 2 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 327 4. não há provas documentais suficientes para demonstrar que as receitas vinculadas às cópias de DARF são decorrentes das operações objeto do pedido de ressarcimento; 5. somente com a edição do art. 81 da Medida Provisória nº 2.15835 passou a haver fundamento legal para tratamento diferenciado das operações analisadas; 6. a Nota COSIT nº 163/01 e o Parecer PGFN/CAT nº 1.316/01, isoladamente, não possuíam força vinculante capaz de permitir tratamento diferenciado para as referidas operações; e 7. a prova documental deveria ter sido apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade, pois ausente motivo justificado para juntála posteriormente. Em 27/02/2009, a Recorrente tomou ciência da decisão proferida em primeira instância, consoante Aviso de Recebimento (AR) de fls. 235 e, irresignada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 236/261, em 27/03/2009.Nessa oportunidade, a Recorrente reiterou e acrescentou, em síntese, os seguintes argumentos: 1. o pedido de restituição ocorreu antes da verificação do prazo decadencial, cujo prazo para tributos sujeitos à sistemática da homologação se consuma apenas cinco anos após a ocorrência de homologação tática, consoante jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça; 2. a Recorrente, participante do sistema FUNDAP, realiza operações comerciais no mercado interno e externo por conta e ordem de terceiros e, portanto, os valores nãoremuneratórios de sua atividade devem ser excluídos da base de cálculo das contribuições sociais incidentes sobre a receita e o faturamento; 3. a importação por conta e ordem de terceiros era reconhecida mesmo antes do advento da Medida Provisória nº 2.15835, de acordo com Parecer PGFN/CAT nº 1.316/2001 e a Nota COSIT nº 163/01, razão pela qual não estaria invocando aplicação retroativa de legislação nova; 4. a Medida Provisória nº 2.15835 e a INSRF nº 75/2001 apenas inovaram a legislação quanto à solidariedade do encomendante e quanto à sua condição de contribuinte do Imposto de Importação e do Imposto Sobre Produtos Industrializados; e 5.no período sob análise, a Fazenda Pública considerava os prazos prescricionais dos artigos 45 e 46 da Lei n.º 8.212/91 e, assim, a Recorrente faria jus à compensação prevista nos artigos 170 e 170A do CTN. Por fim, protestou pela conversão do recurso em diligência para o esclarecimento de questões de fato aventadas no curso processo, bem como o conhecimento e provimento do recurso para reformar integralmente o acórdão recorrido. Em 06/08/2012, a Recorrente apresentou petição (fls. 303/306)e documentos (fls. 307/326) esclarecendo que o Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 635.443, ao qual fora reconhecida repercussão geral, está examinando a base de cálculo das 3 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL contribuições sociais sobre a receita e o faturamento provenientes de importações realizadas por conta e ordem de terceiros no âmbito do sistema FUNDAP, que conforme página de Acompanhamento Processual disponível no sítio do Supremo Tribunal Federal, os autos do referido Recurso Extraordinário estão conclusos ao relator desde 01/10/2012. No tocante ao prazo para pleitear o tributo de volta, a Recorrente afirma que a matéria estava com repercussão geral, porém o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 566.621, entendeu ser de dez anos o prazo para pleitear a restituição. Por fim, requereu, com fulcro no art. 62A do Regimento Interno do CARF, o sobrestamento do feito até que o Supremo Tribunal Federal profira decisão no mencionado Recurso Extraordinário. Em suma, é o relatório. Voto Conselheira Relatora Raquel Motta Brandão Minatel, Admissibilidade O recurso merece conhecimento, pois preenche os requisitos de tempestividade e adequação. Acerca do pedido de sobrestamento do feito Conforme exposto no relatório, a Recorrente apresentou petição, em 06/08/2012, (fls. 303/306) indicando está sob o regime de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, por meio do Recurso Extraordinário nº 635.443, a questão da base de cálculo das contribuições sociais sobre a receita e o faturamento provenientes de importações realizadas por conta e ordem de terceiros no âmbito do sistema FUNDAP, e requereu o sobrestamento do presente feito, com fulcro no art. 62A do Regimento Interno do CARF. Verificando o teor do referido Recurso Extraordinário é possível constatar que ele versa sobre a base de cálculo das contribuições sociais sobre a receita e o faturamento provenientes de importações realizadas por conta e ordem de terceiros no âmbito do sistema FUNDAP, a partir da edição da MP 2.15835, ocorrida no ano de 2001, conforme se verifica da manifestação do STF acerca do sobrestamento a seguir transcrita: PIS/COFINS OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO SISTEMA FUNDAP/ES (Fundo de Desenvolvimento de Atividades Portuárias) INCIDÊNCIA SOBRE O VALOR DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO (MP nº 2.15835/01: IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS) OU SOBRE O VALOR DA IMPORTAÇÃO (FATURAMENTO). Cuidase de recurso extraordinário interposto por Eximbiz Comércio Internacional S/A, com fundamento na alínea a do permissivo constitucional, contra acórdão do Tribunal Regional Federal da Segunda Região, assim ementado: 4 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 327 PIS E COFINS. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. FUNDAP. 1. Consoante a norma da MP nº 2.15835/2001, na importação realizada por conta e ordem de terceiro, as contribuições para o PIS e Cofins referentes ao importador incidem, tãosomente, sobre o valor da prestação de serviços; não sobre o valor da importação, que representará o faturamento do adquirente. .... (grifos acrescidos) Já a questão tratada nos autos se refere à possibilidade ou não de aplicar retroativamente a norma insculpida nos artigos 79 a 81 da MP 2.15835, editada em 2001. Assim, verificase que a matéria em discussão nos presentes autos é prévia à discussão da base de cálculo das contribuições na importação por conta e ordem de terceiro a partir dos referidos dispositivos legais, pois primeiro é necessário saber se a referida norma pode retroagir, para depois verificar a sua forma de aplicação. Assim, por não vislumbrar identidade fática entre as matérias, nego o pedido de sobrestamento do feito. Aliás, anotese que, ainda que houvesse identidade de matéria, não seria a hipótese de suspensão do julgamento do presente feito na esfera administrativa em razão da ausência de determinação, por parte do Supremo Tribunal Federal, da suspensão do julgamento dos processos relativos à matéria recorrida, conforme dispõe o parágrafo único do art. 1º da Portaria CARF nº 0001/2012. No mérito 1) Prazo para repetição do indébito Primeiramente, no tocante à decadência do direito à repetição do indébito, cabe destacar que o Plenário do STF julgou de forma definitiva, o Recurso Extraordinário n° 566.621, reconhecendo a inconstitucionalidade do art. 4° da LC n° 118/05 na parte relativa à aplicação retroativa do art. 3° da mesma Lei. A referida decisão, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, tratou de modular os efeitos de aplicação da norma, ao dispor: (...) Reconhecida a inconstitucionalidade do art.4°, segunda parte, da LC n° 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da ‘vacatio legis’ de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (...) Assim, vencida a ‘vacatio legis’ de 120 dias, é válida a aplicação do prazo de cinco anos às ações ajuizadas a partir de então, restando 5 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL inconstitucional apenas sua aplicação às ações ajuizadas anteriormente a esta data.” Tendo sido a decisão proferida sob o rito do art. 543B do Código de Processo Civil, repercussão geral, e tendo ocorrido o trânsito em julgado do referido acórdão no dia 27 de fevereiro de 2012, a decisão deve ser reproduzida no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o artigo 62A do Regimento Interno do CarfRICARF. Assim, como a recorrente protocolizou o pedido de restituição do PIS em 08/06/2005, a ela se aplica o regime jurídico previsto anteriormente à LC n° 118/05, no âmbito do qual o prazo de decadência para o exercício do direito de repetição do indébito era de 10 anos (tese dos 5+5), a contar da data do fato gerador, e como os fatos geradores se referem ao período compreendido entre setembro de 1992 a setembro de 1997, ocorreu a decadência do direito de pleitear a restituição dos períodos anteriores a maio de 1995, portanto não estão abrangidos pela decadência os períodos compreendidos de junho de 1995 a setembro de 1997. 2) Restituição de PIS – importação por conta e ordem de terceiros por empresa FUNDAPIANA A Recorrente pleiteia, relativamente aos anos de 1992 a 1997, a exclusão da base de cálculo do PIS das operações realizadas por conta e ordem de terceiros com base no artigo 81 da MP 2.15835, editada em 24/08/2001, e no Parecer PGFN CAT n. 1.316/2001. A Recorrente alega que é uma empresa “Fundapiana” e, como tal, presta serviços à empresas importadoras, recebendo comissão pelos serviços prestados. Assim, os valores relativos às saídas das mercadorias importadas não representariam receita própria, uma vez que as mercadorias são importadas por conta e ordem de terceiros. Por esse motivo, entende que as contribuições devem incidir apenas sobre a sua comissão e não sobre o valor total da importação. Ocorre que, somente com a edição da MP 2.15835/2001 (artigos 80 e 81), passou a existir a possibilidade de a empresa importadora de mercadorias por conta e ordem de terceiros, tributar somente a receita dos serviços e a empresa encomendante tributar a receita da venda das mercadorias importadas. Veja a redação dos artigos da MP 2.15835 relativos à matéria tratada nos autos: Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Art. 81. Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada 6 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 327 por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador. A Recorrente pretende com seu pleito a aplicação retroativa do referido dispositivo, alegando ser norma meramente interpretativa cujo efeito retroage para alcançar fatos do passado. Em relação a essa matéria, a decisão recorrida (fls. 209 a 239) foi extremamente didática e deixou bem claro ao explicitar que antes de agosto de 2001, nas vendas de mercadorias importadas por conta e ordem de terceiros, incidia o PIS e a Cofins sobre o valor total da operação, uma vez que a sistemática aplicável era outra e também não havia a regra de exceção. Não merece reparos a decisão da DRJ/RJOII, mormente quando decide que a referida norma é de caráter material e, portanto, não retroage, e que só passou a ser aplicada após a regulamentação feita pela Secretaria da Receita Federal por meio da IN SRF 75/2001, que estabeleceu diversos requisitos para que as comerciais importadoras pudessem utilizar o regime alternativo de recolhimento previsto no artigo 81 da MP 2.15835, e caso não cumpridos, o recolhimento dos tributos teria que, obrigatoriamente, ser o até então vigente, ou seja, sobre o valor total da importação. Acerca dessa mesma matéria já há julgado do CARF que aplicou esse mesmo entendimento, in verbis: ... BASE DE CÁLCULO. EMPRESA IMPORTADORA FUNDAPIANA. Antes de agosto de 2001 não existia regra excepcionando a incidência do PIS e da Cofins para as empresas importadoras, nas operações de importação por conta e ordem de terceiros. A partir de agosto de 2001, tais operações tem tributação diferenciada quando atendidos os requisitos legais. Não é o caso dos autos. (Acórdão 3302.001.778, publicado em 11/10/2012) Assim, por também entender que somente a partir da edição da MP 2.15835, no ano de 2001, é que passou a existir regra diferenciada para o recolhimento do PIS e da COFINS para as operações de importação por conta e ordem de terceiro, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Raquel Motta Brandão Minatel 7 Fl. 346DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL 8 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL
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Numero do processo: 18471.000525/2005-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
OMISSÃO DE RECEITAS.
Salvo as hipóteses de presunção legal, a autoridade autuante deve fazer de forma inequívoca a prova da existência de receitas auferidas à margem da contabilidade.
GLOSA DE DESPESAS DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA REMESSA FINANCEIRA.
Dedutíveis são as despesas incorridas, comprovadas, necessárias, normais ou usuais. O efetivo pagamento não é condição de dedutibilidade.
OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO.
A presunção de omissão de receitas a partir de passivo fictício exige que seja feita a prova, pela autoridade autuante, da contabilização de obrigações cujas exigibilidades não tenham sido comprovadas ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas. A mera constatação da desigualdade entre as variações monetárias lançadas a crédito de passivo e a débito de conta de resultado não configura tal prova.
CAPTAÇÕES.
Se comprovada a liberação dos recursos pela Instituição Financeira, não há que se falar em omissão de receita por passivo fictício.
DEDUÇÕES.
É da interessada, uma vez intimada, o ônus de demonstrar e comprovar com documentos hábeis e idôneos os valores redutores da apuração da base tributável
Numero da decisão: 1401-001.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Cam. 1ª Turma Ordinária em, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em dar PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, a fim de ajustar o lançamento relativo ao item 004, nos termos do cálculo apresentado na última diligência, para o IRPJ e a CSLL, bem como para excluir do lançamento relativo ao item 002 (omissão de receita passivo fictício) os valores comprovados apenas dos financiamentos relativos ao FINAME e ao BNDES, nos termos do voto, mantendo-se no mais a exigência de acordo com as feições já atribuídas pela decisão recorrida.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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Salvo as hipóteses de presunção legal, a autoridade autuante deve fazer de forma inequívoca a prova da existência de receitas auferidas à margem da contabilidade. GLOSA DE DESPESAS DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA REMESSA FINANCEIRA. Dedutíveis são as despesas incorridas, comprovadas, necessárias, normais ou usuais. O efetivo pagamento não é condição de dedutibilidade. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. A presunção de omissão de receitas a partir de passivo fictício exige que seja feita a prova, pela autoridade autuante, da contabilização de obrigações cujas exigibilidades não tenham sido comprovadas ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas. A mera constatação da desigualdade entre as variações monetárias lançadas a crédito de passivo e a débito de conta de resultado não configura tal prova. CAPTAÇÕES. Se comprovada a liberação dos recursos pela Instituição Financeira, não há que se falar em omissão de receita por passivo fictício. DEDUÇÕES. É da interessada, uma vez intimada, o ônus de demonstrar e comprovar com documentos hábeis e idôneos os valores redutores da apuração da base tributável Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 05 25 /2 00 5- 87 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 30 2 ACORDAM os membros da 4ª Cam. 1ª Turma Ordinária em, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em dar PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, a fim de ajustar o lançamento relativo ao item 004, nos termos do cálculo apresentado na última diligência, para o IRPJ e a CSLL, bem como para excluir do lançamento relativo ao item 002 (omissão de receita – passivo fictício) os valores comprovados apenas dos financiamentos relativos ao FINAME e ao BNDES, nos termos do voto, mantendose no mais a exigência de acordo com as feições já atribuídas pela decisão recorrida. (ASSINADO DIGITALMENTE) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias – Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias. Relatório Cuidase de retorno de diligência solicitada pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento, em sessão de 24/02/2011, sob a Resolução de n° 1401000.064. Em se tratando de retorno de diligência, utilizome do Relatório e Voto que a determinou, para esclarecer do que trata a questão. “Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, Contribuição ao PIS, COFINS e Contribuição Social Sobre Lucro Líquido, lavrados em 05/05/2005 e cientificados ao contribuinte em 11/05/05 (fls. 1.040 e ss.). O Auto de Infração principal (IRPJ) contém os seguintes lançamentos: 001 – Omissão de Receitas – Receitas não Contabilizadas (vendas para o mercado interno) – Fato Gerador em 31/12/2001. 002 – Omissão de Receitas – Passivo Fictício – Fato Gerador em 31/12/2001 (três lançamentos) e 31/12/2002 (dois lançamentos) – Item 10 do Termo de Constatação. 003 – Omissão de Receitas – Receitas não contabilizadas (vendas para o mercado externo) – Fato Gerador em 31/12/2001. 004 – Custos ou Despesas não comprovadas – Glosa de Despesas – Fato Gerador em 31/12/2001 – Item 09 do Termo de Constatação Fl. 2DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 31 3 005 – Glosa de Variações Monetárias Passivas – Variação Monetária – Fato Gerador em 31/12/2001 e 31/12/2002 – Item 10 do Termo de Constatação. 006 – Glosa de variações monetárias passivas – variações cambiais – Fato Gerador em 31/12/2001 e 31/12/2002 – Item 10 do Termo de Constatação. Os itens 001 e 002 do auto de infração principal também geraram lançamentos para Contribuição ao PIS e à COFINS. Em relação à CSLL, foi lavrado auto de infração e incluídos todos os itens da autuação principal (item 001 da CSLL corresponde aos itens 003, 004, 005 e 006 do IRPJ, fundamentados como falta de recolhimento da CSLL; o item 002 da CSLL corresponde aos itens 001 e 002 do IRPJ e estão fundamentados em CSLL sobre receitas omitidas). Intimada acerca do aludido Auto de Infração, a ora Recorrente apresentou sua Impugnação, alegando, em síntese: 1) Nulidade do Auto de Infração por ausência de motivação e ilegitimidade da presunção: a) A autuação carece de clareza e precisão, faltandolhe assim o requisito da “motivação”, o que viola o princípio da ampla defesa. b) A acusação é vaga e imprecisa, uma vez que não foram indicadas as folhas em que se encontram os documentos mencionados que embasam a atuação. c) Em relação ao item 001, a presunção não é legítima, uma vez que a fiscalização possuía meios de investigação dos valores acusados como devidos, principalmente considerando que a mesma estava em posse dos livros de IPI. d) Em relação ao item 002, há ausência de relação entre causa (suposto não atendimento a intimações voltadas à obtenção de esclarecimentos relativos a variações cambiais) e efeito (presunção de omissão de receitas, consistente na não comprovação da totalidade dos passivos referentes a empréstimos), o que “fere” a exigência. e) Por ser ato administrativo vinculado, o Auto de Infração necessita de motivação para ter validade, o que não ocorreu, haja vista a ausência de nexo causal e em razão de indicação vaga e imprecisa das normas. 2) Captação, juros e variações cambiais a) Considerando que o passivo fictício é o passivo inexistente, a fiscalização, diante do atraso na apresentação de documentos relativos às variações cambiais, presumiu que todos os passivos relativos ou não aos documentos e às variações cambiais eram fictícios. b) Ademais, não indica a autuante quais os indícios que basearam a presunção, contrariando o princípio da verdade material. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 32 4 c) O artigo 40 da Lei 9.430/96 trata de presunção (relativa) de omissão de receitas, tendo o contribuinte a possibilidade de apresentar documentos que comprovem a origem dos recursos. Porém, no presente caso, este não teve a oportunidade de apresentar documentação, sendo presumidos como fictícios os passivos cuja comprovação não foi solicitada. d) Os passivos alegadamente incomprovados têm fundamento em contratos de financiamento firmados juntos à instituição financeira KFW, bem como ao UNIBANCO, relativamente à linha de crédito FINAME e, também a linha decorrente de repasse pelo BNDES, cujos contratos foram apresentados, não havendo dúvida quanto à real existência da abertura de linhas de créditos e efetiva tomada de empréstimos. e) Os recursos captados eram muitas vezes entregues diretamente aos fornecedores, sem trânsito de numerário pelas contas bancárias da ora Recorrente, conforme tabela apresentada. Ademais, também comprovam a obtenção dos referidos recursos os extratos bancários juntados, afastando a presunção realizada pelo fisco. g) Desconsiderar os documentos apresentados e manter a acusação do fisco com base na não comprovação dos passivos seria dizer que a KFW, o UNIBANCO (com respaldo do BNDES e da FINAME) e as empresas multinacionais mencionadas na planilha de demonstração das Captações e Empréstimo, teriam em conluio (doloso) simulado uma gama de operações com o objetivo de lesar os cofres públicos brasileiros. 3) Variações Monetárias Passivas e Variações Cambiais Passivas a) Uma vez comprovada a efetiva captação de recursos pela Recorrente por meio dos contratos de empréstimos, extratos bancários e Registro de Operações Financeiras (ROF), e a legitimidade de sua manutenção no passivo, não podem ser glosados os valores relativos a juros e variação cambial, pois decorrentes da obrigação principal (empréstimos). b) No contrato de abertura de crédito relativo à linha FINAME, assim como aquelas relativas ao BNDES e KFW, há previsão expressa da incidência de encargos (juros e/ou comissões), o que legitima o lançamento das despesas financeiras correspondentes a tais encargos no passivo. c) A dedutibilidade de tais despesas, tais como pagamento de juros decorrentes de empréstimos tomados para formação do parque industrial, justificase por estas serem necessárias à manutenção da atividade do contribuinte. d) De acordo com a tabela de fls. 1133/1134, os valores glosados a título de juros e variação cambial nos anoscalendário de 2001 e 2002 não podem ser considerados “receitas”, uma vez que possuem natureza de despesa. O mesmo ocorre com os valores apresentados na tabela às fls. 1135. e) Há documentação hábil e idônea para a comprovação da efetividade dos empréstimos, tais como contratos de empréstimos, extratos bancários e planilhas Fl. 4DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 33 5 de cálculo, demonstrando a presunção indevida da omissão de receitas feita pelo fisco. 4) Comprovação dos pagamentos a) A efetiva existência das captações, os juros e as variações cambiais registradas no passivo também podem ser demonstradas através da relação de pagamentos realizada entre 2001 e 2004 para cada uma das modalidades de financiamento e juntada aos autos, acompanhada dos extratos bancários. b) Os financiamentos sob análise foram integralmente liquidados pela CSN I S.A. (investidora) na aquisição de controle acionário da Impugnante, conforme demonstram os contratos de financiamento firmados e o demonstrativo da posição contábil dos empréstimos em junho de 2004. c) A nova controladora realizou os pagamentos a partir de um aumento de seu capital social, realizando a seguinte operação: (i) a investidora realizou o pagamento dos financiamentos, registrando a transferência de recursos para a Impugnante como adiantamento para aumento de seu capital social – AFAC (“Adiantamento para Futuro Aumento de Capital”), conforme consta no razão e livro Diário; (ii) foi deliberado o efetivo aumento do capital social da Impugnante, conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 22.06.2004; (iii) foi baixada a conta AFAC em contrapartida do aumento do capital social. 5) Despesas não comprovadas no valor de R$ 3.887.173,17 a) Não procede a glosa das despesas relativas à dedução da Receita Bruta do IPI no montante de R$ 3.887.172,17. b) Apesar de a Impugnante não ter iniciado exploração de atividades que integram seu objeto social até março de 2001, realizou a venda de sucatas e rejeitos decorrentes de testes de seus maquinários e processos industriais, sendo o valor desta venda lançado à crédito na conta do ativo diferido, nos termos do artigo 179 da Lei n° 6.404/76 e da Decisão n° 86/1999 da Secretaria da Receita Federal. c) Assim, a diferença, apontada no quadro constante do Item 9 do Termo de Constatação, entre a receita obtida pela soma de valores relativos a faturamento registrado no livro de IPI e aquela lançada na DIPJ, não decorre de dupla dedução de IPI como presumido pelo fisco, mas de registro contábil dos resultados auferidos com as vendas de sucatas e rejeitos no ativo diferido. d) O valor de IPI incidente nestas vendas e destacado nas Notas Fiscais, juntadas exemplificadamente, não é incluído na receita bruta conforme artigo 279 do Regulamento do Imposto de Renda, sendo, portanto, legítima sua dedução da receita bruta no montante de R$ 3.887.172,17, exatamente o valor glosado pela fiscalização. e) Tendo em vista o volume de documentos envolvidos, requereu a Impugnante diligência para que fossem efetuadas as comprovações. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 34 6 6) Receitas não contabilizadas no valor de R$ 1.308.363,02 a) Não deve proceder à suposta omissão de receitas apurada a partir de diferença entre os valores das bases de cálculo registrados pela Impugnante no Livro de Saída modelo 2 e os valores declarados na DIPJ, valores estes considerados pela fiscalização como receitas tributáveis decorrentes das diferenças de vendas nos mercados interno e externo. b) O valor omitido deve ser dividido em três parcelas: R$ 130.707,92; R$ 892.840,51 e R$ 284.983,36. c) A quantia de R$ 130.707,92 corresponde a créditos concedidos a adquirentes das mercadorias da Impugnante, em decorrência de erro na emissão de Notas Fiscais – Fatura. d) Tendo em vista o erro, foi enviada carta de correção, anexada aos autos, comunicando equívoco do valor exigido superior ao contratado. Tais cartas foram emitidas após o encerramento do período de apuração do IPI e embora não tiveram o condão de alterar a escrituração do livro de saídas, influenciaram a escrituração da contabilidade, que reconheceu apenas os valores que seriam corretos. e) Os valores de R$ 892.840,51 e R$ 284.983,36 se referem a vendas de sucatas promovidas nos meses anteriores a março de 2001, antes do início da exploração das atividades operacionais da Impugnante. f) Assim, tais valores devem ser escriturados no ativo diferido para posterior amortização, conforme determina disposição do artigo 179 da Lei n° 6.404/76, Decisão n° 86/99 da Secretaria da Receita Federal, bem como nas instruções do Manual de Contabilidade das Sociedades por Aços – FIPECAFI e em doutrina citada. Não são os referidos ingressos registrados como receitas. g) Ainda que se admitisse razão ao fisco, o lançamento deveria compreender apenas encargo de mora. 7) Receitas não contabilizadas no valor de R$ 6.260.834,97 a) Não caracteriza omissão de receita, o valor relativo ao lançamento baseado na divergência dos valores escriturados no Livro de Registro de IPI e dos valores declarados na DIPJ a título de receita de exportação. b) Conforme a legislação do IPI, a nota fiscal deve ser emitida antes de iniciada a saída do estabelecimento industrial ou equiparado, sendo que em cada remessa de mercadoria para o porto é emitida nota fiscal de exportação, mesmo que não corresponda a uma exportação imediata. Cada nota de exportação emitida gera um lançamento no livro de Registro de Saídas ainda que não represente uma imediata exportação. c) No entanto, cada emissão de nota fiscal não gera o registro contábil de receita, que só é considerada quando ocorrida no momento da tradição, ou seja, na data Fl. 6DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 35 7 de embarque para o exterior. Neste momento fica o exportador obrigado ao reconhecimento da receita de exportação. d) Assim, por conservadorismo, a Impugnante não registra as receitas por ocasião da emissão de notas fiscais de remessa, mas apenas as reconhece no momento a emissão de invoice que corresponde à integralidade do lote formado, necessário para embarque. e) Tal procedimento encontra respaldo na Instrução Normativa n° 28/94, bem como na Portaria n° 356/88. f) Desta forma, os saldos das receitas de exportação contabilizados não podem coincidir com os constantes do Livro de registro de saídas, pelos seguintes motivos: (i) variação do câmbio; (ii) defasagem temporal entre a escrituração do livro de saídas, regida pela saída da mercadoria do estabelecimento e a contabilização da receita regida pelo embarque. g) Assim, as divergências dentro do mesmo período de apuração entre o total saído do estabelecimento e o total exportado explica a diferença imputada como omissão de receitas. h) Requereu que seja autorizada a juntada de documentos caso se entenda que os que foram anexados a título exemplificativo sejam insuficientes. 8 – Lançamentos reflexos: CSLL, PIS e COFINS a) Por se tratarem de lançamentos reflexos, uma vez canelada a exigência de IRPJ não se deve exigir os demais tributos. Em 08/11/2005, a autoridade julgadora solicitou realização de diligência (fls. 1225/1226), no qual foram elaborados os seguintes quesitos: 1) identifique discriminadamente, relativamente ao quadro de fls. 1041, que embasou a lavratura dos itens 01, 03, 04 do auto de infração, dentre os valores da coluna “valor contábil”, quais parcelas correspondem a meras transferências; vendas canceladas; vendas cujas respectivas notas fiscais foram posteriormente retificadas, informando os novos valores; vendas relativas à fase préoperacional da empresa, passíveis de contabilização no ativo diferido; 2) esclareça, tendo em vista o disposto na Portaria 356 de 05/12/1988, se o câmbio de conversão utilizado para escrituração das saídas a título de exportações no Livro Registro de Saídas é coincidente com aquele utilizado para cálculo da Receita Bruta, informando ainda, em caso de divergência, quais as datas utilizadas como critério para efeitos de conversão em cada caso; 3) esclareça, à vista da alegação da interessada de que reconhecia as exportações, para efeitos de cálculo do lucro real, por critério temporal (data de embarque) diverso daquele adotado na escrituração do Livro de Saída (regida pela saída da mercadoria) se de fato ocorreu a referida divergência, de forma que, em caso afirmativo, seja refeita de forma compatível a comparação entre o valores das exportações informadas na DIRPJ e no livro de saídas; Fl. 7DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 36 8 4) à vista das respostas dos itens antecedentes, acompanhadas das provas necessárias, seja novamente elaborado o quadro de fls. 1041, que apurou omissão de receitas a partir da comparação entre as saídas escrituradas no Livro Registro de Saídas e as receitas informadas na DIRPJ; 5) junte aos autos as provas necessárias à constatação de que o valor de R$ 3.887.172,17, relativo ao IPI do ano de 2001, teria sido duplamente considerado, haja vista que a cópia do livro registro de saídas de fls. 184/198 mostrase incompleta para tal fim. Foi elaborado relatório conclusivo às fls. 1229/1232, que apontou: a) Em relação ao quesito 1 da diligência, dentre os valores da coluna “valor contábil”, informa que (a.1) quanto ao subitem “meras transferências”, os CFOP relacionados na planilha não englobam as transferências que utilizam CFOP distintos; (a.2) quanto ao subitem “vendas canceladas”, não há registro das mesmas; (a.3) quanto ao subitem “vendas cujas respectivas notas fiscais foram posteriormente, informando novos valores”, o Livro de Registro já contempla as retificações das notas fiscais; (a.4) quanto ao subitem “vendas relativas à fase préoperacional da empresa, passíveis de contabilização no ativo diferido”, tais vendas são originárias de vendas de bens do ativo permanente. b) não há divergência entre o câmbio de conversão utilizado para escrituração das saídas a título de exportações no Livro de Registro de Saída e aquele utilizado para cálculo da receita bruta. c) afirma desconhecer o critério temporal utilizado. d) não houve divergência apurada, não foi necessária a retificação do quadro apontado. e) o valor apurado pela fiscalização a título de base de cálculo no valor de R$ 81.128.296,42, onde já está excluído o valor de IPI e o valor das devoluções, que foi comparado com o declarado na DIRPJ/2002, cujo valor é R$ 79.819.933,40, ou seja, o IPI já está excluído da receita auferida. Na DIRPJ/2002 Ficha 06 A Linha 16, o contribuinte de novo excluiu o valor do IPI. Após ciência do referido relatório em 17.02.2006 (fls. 1232 verso), a Recorrente se manifestou (fls. 1234/1242), apresentando as seguintes alegações, em síntese: a) A fiscalização não cumpriu a diligência uma vez que se ateve aos mesmos argumentos do relatório que embasou o auto de infração para responder os quesitos elaborados, não tendo sido trazido nenhuma nova informação ou prova para elucidar os julgadores. b) Em relação ao quesito 1, a fiscalização reproduziu a conclusão do relatório fiscal, deixando de cumprir a diligência. c) Em relação ao quesito 2, a fiscalização simplesmente se limitou a afirmar a inexistência da divergência, nada mais esclarecendo sobre o ponto. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 37 9 d) Em relação ao quesito 3, a fiscalização afirmou desconhecer o critério temporal (data de embarque), baseandose em normas que não definem qualquer critério temporal, não tendo respondido o quesito, mais uma vez. e) Em relação ao quesito 4, não houve modificação do quadro de fls. 1041, uma vez que nenhum dos pontos levantados pela DRJ foi respondido. f) Em relação ao quesito 5, nenhum documento foi juntado pela fiscalização para comprovar o valor questionado, sendo apenas reproduzidas as informações da autuação. Desta forma, os autos foram encaminhados novamente à 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I, que houve por bem julgar parcialmente procedente o lançamento, retificando o prejuízo fiscal declarado pela Recorrente nos anoscalendário 2001 e 2002, e retificando a base de cálculo negativa da CSLL dos anos calendário de 2001 e 2002 e também reduzindo os valores reflexos de PIS e COFINS considerados devidos, a multa de 75% e os juros moratórios, em decisão que restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2001,2002 Ementa: RECEITA BRUTA. DEDUÇÕES INDEVIDAS. É da interessada, uma vez intimada, o ônus de demonstrar e comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a correção dos valores considerados redutoramente na apuração de sua base tributável. Não sendo realizadas as referidas comprovações, os respectivos montantes devem ser tributados por força do artigo 264 do RIR/1999, que estatui como obrigação acessória da pessoa jurídica a conservação de livros e comprovantes de interesse fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. Salvo as hipóteses de presunção legal, a autoridade autuante deve fazer de forma inequívoca a prova da existência de receitas auferidas à margem da contabilidade. GLOSA DE DESPESAS DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA REMESSA FINANCEIRA. Dedutíveis são as despesas incorridas, comprovadas, necessárias, normais ou usuais. O efetivo pagamento não é condição de dedutibilidade. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. A presunção de omissão de receitas a partir do passivo fictício exige que seja feita prova, pela autoridade autuante, da contabilização de obrigações cujas exigibilidades não tenham sido comprovadas ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas. A mera constatação de desigualdade entre as variações monetárias lançadas a crédito de passivo e a débito de conta de resultados não configura tal prova. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. Intimações não atendidas possibilitam a configuração de passivo não comprovado. Lançamento Procedente em Parte. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 38 10 Preliminarmente, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento entendeu que não restou caracterizado prejuízo à ampla defesa, uma vez que a Recorrente teve amplo acesso aos autos, demonstrando claro entendimento das circunstâncias expostas. No mérito, quanto à glosa de despesas (item 04 do auto de infração), caberia à autuada o ônus de demonstrar e comprovar a correção de valores considerados redutoramente na apuração da base de cálculo, o que não foi feito, devendo os respectivos montantes ser tributados por força do artigo 264 do RIR/1999. Ainda, cabível também a glosa em razão de não ter sido incluído na receita bruta o valor de R$ 3.887.172,17, correspondente a IPI, que por ser imposto não cumulativo, não representa exclusão lícita da referida receita, nos termos do artigo 279 do RIR/1999. Ainda, quanto ao passivo fictício (captações), restou consignado que a Recorrente não foi capaz de comprovar, através de contratos de empréstimos, a existência de passivo. Os cancelamentos (item 01 e 03, bem como itens 05 e 06) serão tratados no voto quando do julgamento do Recurso de Ofício. Por fim, em relação aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS e CSLL, concluiuse pela manutenção na mesma proporção em que foi mantida a autuação principal, conforme demonstrativos de fls. 1279/1280. O contribuinte foi intimado do Acórdão em 19/09/2006 (fl. 1294) e, em 18/10/2006 apresentou Recurso Voluntário (fls. 1298/1314), alegando o que segue: 1) Quanto às despesas não comprovadas no valor de R$ 3.887.172,17: a) as alegações e documentos juntados realmente não foram suficientes para comprovar a legitimidade das despesas, bem como a Recorrente cometeu equívoco ao afirmar que se tratava de venda de sucatas enquanto as despesas se tratavam de créditos concedidos a adquirentes das mercadorias da Recorrente, em decorrência da emissão incorreta das Notas Fiscais – Fatura que ampararam as respectivas saídas. b) assim como o montante de R$ 130.707,92 que compõe o valor das receitas de R$ 1.308.363,02, representava os referidos créditos concedidos a adquirentes cuja glosa foi reconhecida como ilegítima, o montante de R$ R$ 3.887.172,17 também decorre de tais créditos. Desta forma, os créditos são decorrentes do mesmo procedimento ocorrido, já explicitado em relação ao valor de R$ 1.308.363,02. c) Juntou ao presente Recurso documentos suficientes que comprovam a legitimidade do referido valor, tais como cópia das Notas Fiscais – Fatura (doc. 05), cópia das cartas de correção (doc. 03), cópia das telas de processamento de dados comprovando a concessão de créditos nas contas a receber dos respectivos clientes (doc. 04), cópia dos processos internos, instruídos com cópia das cartas de crédito, das notas fiscais e do registro contábil (doc. 03). 2) Passivo Fictício referente às captações: Fl. 10DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 39 11 a) Posteriormente à apresentação da defesa administrativa, a Recorrente apresentou petição em 11/07/2006, demonstrando as captações realizadas, os pagamentos de recursos, as variações monetárias ativas e passivas correspondentes e as despesas com juros, conforme cópia anexa (doc. 06). Tal petição provavelmente não fora analisada em 1ª instância. b) Foi elaborada planilha na qual estão discriminadas, mês a mês, as captações nacionais, as despesas e os encargos incorridos pela empresa em decorrência dos empréstimos firmados internamente com as instituições brasileiras (doc. 07). Ainda, em complementação, foi elaborada outra planilha resumo na qual foi consolidado, mês a mês, o total das captações feitas pela Recorrente, os juros incorridos e o saldo a pagar em decorrência dos empréstimos (doc.08). c) Os valores das captações, descritos na planilha, estão devidamente registrados na contabilidade, notadamente nas fichas do Livro Razão das contas nas quais as captações e os encargos foram contabilizados, conforme documento 09. d) Junta, exemplificadamente, cópia das ordens expedidas pela empresa às instituições financeiras identificando as captações realizadas em cada linha de crédito e cópia dos informativos emitidos pelas próprias instituições financeiras, comprobatórias da efetiva liberação dos recursos, que suportam a contabilização realizada (doc. 10). e) O mesmo ocorre com as captações externas, em relação às quais foram juntadas planilhas demonstrando os meses de tais captações, os juros, a taxa adotada, a variação cambial ativa e passiva e o cálculo da variação cambial relativa ao montante da dívida (doc. 11). Ainda, em complementação, foi elaborada planilha com resumo mensal do valor total das captações, variação cambial ativa e passiva e juros (doc. 12). f) Todas as captações externas, bem como despesas e encargos foram registrados na contabilidade, conforme demonstra as fichas do Razão (doc. 13). Há recurso de ofício sobre a parcela eximida, nos termos do Acórdão da Delegacia de Julgamento. Os autos foram encaminhados a esta relatora para julgamento.” A Oitava Câmara conheceu dos Recursos de Ofício e Voluntário e decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que: Quanto à glosa no montante de R$ 3.887.172,17: A.1) Circularizar, ainda que por amostragem, os destinatários das notas de crédito constantes dos autos, conforme constante neste voto, desde que relacionadas às Notas Fiscais originárias, perquirindo se os destinatários de fato receberam e contabilizaram tais notas de crédito. A.2) Verificar e quantificar os valores constantes das notas de crédito com o montante glosado no lançamento, demonstrando eventual diferença, se existente. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 40 12 A.3) Verificar e quantificar, se em caso, o montante do IRPJ eventualmente incluso no valor de R$ 3.887.172,17, glosado. Quanto ao passivo fictício: B.1) A partir dos documentos das instituições financeiras que compõem o “doc.10” e o “doc.14”, ambos do Anexo XXIII, verificar se a soma daqueles financiamentos, correspondem à totalidade do passivo considerado fictício pela fiscalização. Em caso negativo, esclarecer se correspondem ao menos à parte daquele passivo fictício, quantificando o montante constante dos documentos anexos citados, relativos ao lançamento. A fim de realizar a diligência determinada, a autoridade fiscal intimou as empresas LUNICORTE INDÚSTRIA E COM. DE LAMINADOS LTDA; VOLKSWAGEN DO BRASIL INDÚSTRIA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES LTDA.; FORD MOTOR COMPANY BRASIL LTDA.; FIAT AUTOMÓVEIS AS.; INDÚSTRIA NACIONAL DE AÇOS LAMINADOS INAL AS.; KOFAR PRODUTOS METALURGICOS LTDA.; ZAMPROGNA S/A IMPORTAÇÃO COMÉRCIO E INDÚSTRIA, COMPANHIA MINEIRA DE METAIS; DANICA DOORS SISTEMAS DE FECHAMENTO LTDA.; e TEKNO S A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, a fim de que tais empresas apresentassem a escrituração contábil e fiscal de diversas notas de crédito emitidas pela Recorrente, todas referentes ao ano calendário de 2001. A fiscalização elaborou as planilhas de fls. 2.181/2.189, em resposta aos referidos itens de diligência, com base nos documentos fornecidos pela empresas intimadas. À fls. 2.180, o contribuinte foi intimado para se manifestar acerca dos documentos juntados ao processo, bem como das planilhas de fls. 2.181/2.189, elaboradas pela fiscalização (A.R. de fls. 2.190). O contribuinte não se manifestou conforme informa a autoridade fiscal. O relatório conclusivo da diligência foi elaborado às fls. 2.191/2.191, no qual a autoridade fiscal concluiu o seguinte: No exercício das funções de Auditorfiscal da Receita Federal do Brasil, INFORMAMOS os fatos abaixo discriminados em relação à solicitação contida no processo administrativo fiscal supramencionado fl. 1871/1872. Em atendimento ao solicitado temos a informar o seguinte: A) Quanto à glosa no montante de R$ 3.887.172,17: A.A1) Circularizar, ainda que por amostragem, os destinatários das notas de crédito constantes dos autos, conforme constante neste voto, desde que relacionadas as Notas Fiscais originárias, perquirindo se os destinatários de fato receberam e contabilizaram tais notas de crédito. R. Expedido Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos a partir das fl. 1874 até as fl. 2180, cujo resumo está às fl. 2181 até as fl. 2188 Fl. 12DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 41 13 Às fl. 2188 relatamos que nenhuma empresa regularmente intimada demonstrou a sua contabilização e escrituração fiscal das NC; relatamos ainda que o montante das NC apresentadas pela empresa Galvasud é de R$ 418.311,67 (várias cópias apresentadas pela empresa Galvasud estavam repetidas nos diversos anexos). A.A2) Verificar e quantificar os valores constantes ds NC com o Montante glosado no lançamento, demonstrando eventual diferença, se existente. R. Diferença de R$ 3.468.860,50 (fl. 2188). A.A3) Verificar e quantificar, se em caso, o reflexo para o IRPJ dos valores quantificados na resposta ao item A.A2. R. Item prejudicado. Esta fiscalização não quantificou o reflexo para o IRPJ em virtude de a Decisão deste item interagir com os demais. Assim, a Delegacia de Julgamento deverá fazer o cálculo correto deste e dos demais reflexos ao final do julgamento. B) Quanto ao passivo fictício: B.B1) A partir dos documentos das instituições financeiras que compõe o doc 10 e o doc 14, ambos do anexo XXIII, verificar se a soma daqueles financiamentos, correspondem a totalidade do passivo considerado fictício pela fiscalização Em caso negativo, esclarecer se correspondem ao menos à parte daquele passivo fictício, (segue) quantificando o montante constante dos documentos anexos citados, relativos ao lançamento. R. Total dos documentos apresentados pela empresa Galvasud, R$ 3.689.912,13 (fl. 2189) correspondente ao anocalendário de 2001. Valores não comprovados: R$ 17.611.272,65 e R$ 27.361.306,26, anoscalendário de 2001 e 2002 (fl. 2189). Estes documentos não atendem aos critérios normalmente aceitos que são: coincidentes em datas e valores, expedido por instituição financeira (extratos bancários, contratos de câmbio registrados no Banco Central do Brasil, língua portuguesa ou traduzidos por tradutor juramentado etc). Atendemos aos quesitos formulados, deles dando ciência ao contribuinte que não se manifestou (fl. 2190). Remetidos os autos para a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, Primeira Seção de Julgamento do CARF, resolveram os membros do colegiado em converter novamente o julgamento em diligência. Conforme entendimento da Câmara, desta vez a nova diligência seria necessária para esclarecer contradições suscitadas pela própria DRJ, conforme a passagem extraída do voto, que reproduz passagem do Acórdão da DRJ: (...) as afirmações contidas no relatório conclusivo da diligência realizada não são suficientemente claras, uma vez que ao mesmo Fl. 13DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 42 14 tempo em que a autoridade autuante afirma não haver divergências entre os critérios de escrituração do livro registro de saídas e da receita bruta, afirma também que as defasagens foram computadas em contas de variações cambiais e, posteriormente, alega ainda desconhecer o critério baseado no câmbio válido na data de embarque, conforme determinação da Portaria 356/1998” (fls. 2.281) Desta feita, diante das contradições verificadas e para evitar quaisquer dúvidas quanto à validade e legalidade do lançamento, a Câmara decidiu realizar nova diligência específica para que as seguinte providências fossem adotadas: (i) Esclarecer a contradição apontada pela DRJ (ii) Aprofundar melhor a investigação do conjunto probatório referente a essa infração, e se for o caso, apresentar outras informações e esclarecimentos que entender pertinentes à solução da lide. (iii) elaboração de Relatório Conclusivo, por parte da Autoridade Fiscal, das verificações efetuadas nos itens anteriores. Quanto à questão da Glosa de Despesas Financeiras, também firmouse entendimento no sentido de que as seguintes providencias deveriam ser tomadas pela Fiscalização: (i) Enumerar a glosa de despesa financeira relativa aos empréstimos KFW – Sênior 1 e KFW – Mezzanine, que foram canceladas no acórdão recorrido, demonstrando se estão individualizadas no lançamento. Às fls. 2284/2285 constatase Termo de Diligência / Solicitação de Documentos, no qual pedese: (i) Apresentação de planilha referente ao anocalendário de 2001 contendo, no mínimo, os seguintes itens: data, valor, número da nota fiscal de saída para o Exterior, CFOP, data de embarque, contrato de câmbio, Guia de Exportação, taxas de câmbio (data da emissão da nota fiscal e da data do embarque) – matriz e filiais; (ii) Livro registro de saídas – matriz e filiais; (iii) Todos os documentos suporte elencados no item i. Às fls. 2638 foi elaborado o relatório conclusivo da 2ª Diligência solicitada, o qual concluiu o seguinte: “1. em atendimento ao comando de fl. 2280 do volume XII, item 2.2 de fl. 2278 a 2280, vem ‘esclarecer a contradição apontada pela DRJ’, contradição esta provocada pela falta de apresentação da data de embarque das mercadorias para o exterior, conforme portaria 356/1988, a qual foi pleiteada pela empresa na sua impugnação. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 43 15 Regularmente intimada e após diversos pedidos de prorrogações por parte da empresa, até a presente data só foram apresentados aproximadamente 35% do solicitado, concluímos que a geração da planilha anexa denominada “RELATÓRIO DA DILIGÊNCIA ITEM 2.2 FL. 2278 VOL XII” Tendo em vista que só temos conhecimento das datas de embarque de aproximadamente 35% do montante da receita de exportação que promoveriam uma ‘redução não definitiva’ desta receita no valor de R$513.054,39 a título de ‘variação cambial’ (...) Denominamos este valor de redução não definitiva em virtude de que no fechamento da tabela elaborada por esta fiscalização, a mesma poderá até se tornar em acréscimo a receita de exportação, que foi objeto do auto de infração. 2. em atendimento ao comando de fl. 2280 do volume XII, GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS, em que o CARF determinou: ‘Enumerar a glosa de despesas financeiras relativas aos empréstimos KFW – Sênior 1 e KFW – Mezzanine, que foram cancelados no acórdão recorrido, demonstrando se estão individualizados no lançamento’. Em cumprimento à determinação acima, informamos que os valores da glosa (item 005 – GLOSA DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS VARIAÇÃO MONETÁRIA – fl. 1042/1043 – vol. VI) efetuada por esta fiscalização não estão individualizados no lançamento. Enumeramos os valores da referida glosa referente à KFW Sênior 1 e KFW Mezzanine que estão às fls. 1034 do vol. VI – título GALVASUD S.A. – e ratificado pela mesma empresa no item 77 da sua impugnação, fl. 1133 a 134 do vol. VI. e resumidas no quadro abaixo, cujos valores foram cancelados no acórdão recorrido de fl.s 1276 do vol. VII subitem 3.2; este subitem referese ao item 3 de fl. 1273 do vol. VII, o qual, por sua vez, vem a ser o mérito dos itens 02 a 05 do auto de infração: Ano calendário 2001 2002 KFW Sênior 1 R$ 10.619.595,89 R$ 16.052.798,77 KFW Mezzanine R$ 6.848.829,15 R$ 10.650.198,20 Às fls. 2662/2664, a contribuinte apresentou as seguintes respostas: Fl. 15DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 44 16 No tocante à solicitação de informações em planilha eletrônica com valor, data, número da nota fiscal de saída para o exterior, CFOP, data de embarque, contrato de câmbio, Guia de Exportação e taxas de câmbio a fim de compor os totais das notas fiscais emitidas em 2001, foi enviada uma mídia (CD/ROM) contendo parcialmente as informações compiladas conforme os parâmetros da planilha. Contudo, alega a contribuinte que, por se tratarem de documentos antigos, não foi possível atender por completo a solicitação no prazo estabelecido. Assim, a fim de comprovar os valores declarados em DIPJ e SISCOMEX, foi desenvolvida uma planilha contendo os valores informados em: (i) Registros de Exportações; (ii) Contratos de Câmbio e; (iii) Contas do Razão. Quanto à glosa de despesas financeiras, a contribuinte informa que essa se deu “em virtude de só ter apresentado à fiscalização cópia dos contratos e aditivos dos empréstimos e financiamentos, traduzidos por tradutor juramentado, porém não apresentando os contratos de câmbios e avisos de créditos e os respectivos comprovantes de pagamentos dos anoscalendários de 2001 e 2002, que justificassem as despesas. Os valores glosados na DIPJ foram obtidos a partir dos balancetes apresentados à época pela Requerente.” (fls. 2664) Contudo, salienta que os contratos são válidos e as despesas passíveis de dedutibilidade pois: (i) Em 1999 a GALVASUD realizou captações de recursos junto à KFW na modalidade Mazzanine e Sênior conforme comprovam contratos celebrados à época e telas extraídas do SISCOMEX (ii) junta cópias dos contratos de câmbio e venda firmado junto ao Unibanco no qual é possível comprovar a liquidação de parte do financiamento em ano posterior ao período fiscalizado (2003), de forma a comprovar a validade das captações e a possibilidade de dedutibilidade das despesas. (iii) anexou os razões que comprovam a abertura de cada uma das despesas, demonstrando a individualização de cada lançamento. Às fls. 2806 o processo foi encaminhado para o CARF, para prosseguimento do julgamento, tendo sido atendida a Resolução de n° 1401000.064 – 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária. É o Relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Inicio o Voto pelo Recurso de Ofício Fl. 16DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 45 17 Quanto à omissão de receitas (itens 01 e 03 do auto de infração), os valores foram apurados pela comparação entre as receitas escrituradas no Livro de Registro de Saídas e as consignadas na DIPJ, tendo sido os montantes omitidos analisados pela natureza da venda – para o mercado interno ou externo. Desta forma, no tocante às vendas para o mercado interno, a fiscalização não logrou êxito em comprovar as diferenças por ela suscitadas e contrapor a justificativa dada pela Recorrente de que as diferenças decorreriam de créditos concedidos a clientes para ajuste de valores equivocadamente lançados em notas fiscaisfaturas e em livros de saídas e vendas de sucatas na fase préoperacional. Assim, considerando o princípio da legalidade, cancelouse a parcela tributada por incerteza na ocorrência do fato gerador. Também concluo que não merece reparos a r. decisão recorrida ao cancelar as exigências relativas às vendas para o mercado interno, em razão de insuficiente instrução probatória. Como bem salientou a r. decisão recorrida, constatouse que as somas dos valores consignados nas cópias dos livros registros de saídas, fls. 184/189, não coincidem com os montantes considerados na tabela de fls. 1041, que embasou o cálculo da base tributável da suposta omissão de receitas. Somase a isto o fato de não ter sido juntado aos autos, a cópia integral do livro Registro de saídas. Em segundo lugar, no tocante às vendas para o mercado externo, a fiscalização também não foi clara em demonstrar a omissão de receitas, sendo, portanto, possíveis e prováveis as alegações de que há defasagem entre a saída da mercadoria do estabelecimento e o reconhecimento da receita de exportação, pelo que a autoridade fiscalizadora não poderia ter presumido a ocorrência de fato gerador. Mais uma vez tendo em vista a incerteza, a DRJ cancelou a parcela relativa à omissão de receitas de exportação. Nesse ponto, quando pautado o processo para julgamento, em 24 de fevereiro de 2011, curveime ao entendimento da câmara de que nova diligencia seria necessária para tratar especificamente acerca do item “venda para mercado externo”. Transcrevo o quanto exposto naquele voto: “Em relação a esse item a fiscalização encontrou omissão de receitas a partir da divergência constatada entre os valores escriturados no livro registro de saídas e os montantes informados na DIP´J, a título de receitas de exportação. A recorrente justifica tal divergência argumentando que decorreria da variação cambial correspondente ao período compreendido entre a data da saída da mercadoria do estabelecimento industrial e a data do seu efetivo embarque. É que as receitas de exportação eram por ela reconhecidas pelo câmbio vigente na data do embarque. É que as receitas de exportação eram por ela reconhecidas pelo câmbio vigente na data do embarque, enquanto o registro do livro de saídas baseavase no câmbio da efetiva saída do estabelecimento . De tal procedimento decorriam divergências. Tal procedimento estaria embasado em ato normativo, conforme alegações, na IN 28/94 e na Portaria 356/1988. A DRJ converteu o julgamento em diligência nos seguinte termos: (...) De fato a referida Portaria ainda em vigor, assim, dispõe em seu item primeiro: a receita bruta da venda nas exportações de produtos manufaturados nacionais será determinada pela conversão, em cruzados, de seu valor expresso Fl. 17DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 46 18 em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. Tendo em vista a norma estatuída no ato administrativo acima referido, a alegação apresentada pela impugnante em sua peça de defesa, o fato de não haverem sido formalizadas intimações, ao longo da auditoria, visando, especificamente, esclarecer possíveis divergências entre o livro de saídas e a DIPJ e diante da constatação de que a defasagem de valores tida, pela autoridade fiscal, como omissão de receitas, poderia ter origens diversas, foi solicitada pela diligência ao órgão responsável pela atividade de lançamento, para que este, através de seus agentes, efetuasse as verificações necessárias à certeza da ocorrência do fato gerador. Aquele órgão foi solicitado especificamente que: (...) 3 esclareça, tendo em vista o disposto na Portaria 356 de 05/12/1988, se o câmbio de conversão utilizado para escrituração das saídas a título de exportações é coincidente com aquele utilizado para cálculo da receita bruta, informando, ainda, em caso de divergência, quais as datas utilizadas como critério para efeito de conversão em cada caso; 4 – esclareça, à vista da alegação da interessada de que reconhecia as exportações, para efeitos de cálculo do lucro real, por critério temporal (data de embarque) diverso daquele adotado na escrituração do livro registro de saídas (regida pela saída da mercadoria) se de fato ocorreu a referida divergência, de forma que, em caso afirmativo, seja refeita de forma compatível a comparação entre os valores das exportações informadas na DIPJ e no livro registro de saídas. Em resposta às indagações formalizadas, o agente designado pelo órgão competente para a realização da diligência assim manifestouse (fls. 1239): (...) 2 – Em esclarecimento sobre o câmbio de conversão utilizado para escrituração das saídas a título de exportações no livro registro de saída, é coincidente com aquele utilizado para cálculo da receita bruta, afirmo não haver divergência conforme o disposto na Portaria 356/88; o contribuinte registrou as diferenças havidas em contas específicas de variações cambiais; 3 – em esclarecimento a este item, informo desconhecer o denominado critério temporal (data de embarque); o critério utilizado é o do inciso II do art. 116 do CTN c/c arts. 277, 278 e 280 do RIR/99 A DRJ então aponta uma contradição na resposta do fiscal o que, associado à falta de “qualquer intimação fiscal ou nova verificação nos livros e documentos capazes de solucionar as dúvidas suscitadas”, provocou, no dizer da DRJ “(...) a incerteza, no caso concreto, quanto a efetiva ocorrência e quantificação do fato gerador, concluo pelo cancelamento da Fl. 18DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 47 19 parcela da exigência relativa a omissão de receitas de exportação”. Eis as palavras da DRJ apontando a contradição: “(...) as afirmações contidas no relatório conclusivo da diligência realizada não são suficientemente claras, uma vez que ao mesmo tempo em que a autoridade autuante afirma não haver divergências entre os critérios de escrituração do livro registro de saídas e da receita bruta, afirma também que as defasagens foram computadas em contas de variações cambiais e, posteriormente, alega ainda desconhecer critério baseado no câmbio válido na data de embarque, conforme determinação da Portaria 356/1988” Nesse contexto, diante das contradições verificadas, e para que não paire dúvidas quanto à validade e legalidade do lançamento, a Câmara requer a realização de uma nova diligência específica para que sejam adotadas as seguintes providências pela Fiscalização: Esclarecer a contradição apontada pela DRJ Aprofundar melhor a investigação do conjunto probatório referente a essa infração e se for o caso, apresentar outras informações ou mesmo intimar o contribuinte a apresentar novas informações e esclarecimentos que entender pertinentes à solução da lide. a autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores.” Em atendimento à resolução, o termo de encerramento de diligencia esclareceu que a contradição apontada pela DRJ teria sido provocada pela falta de apresentação da data de embarque das mercadorias pra o exterior, conforme portaria 356/1988, informando que o contribuinte, regularmente intimado, só conseguiu apresentar aproximadamente 35% do solicitado. Com isso, concluiu a diligência que “tendo em vista que só temos conhecimento das datas de embarque de aproximadamente 35% do montante da receita de exportação que promoveriam uma ‘ redução não definitiva dessa receita no valor de r$ 513 054, 39 a título de variação cambial´”. A fiscalização denominou a redução de não definitiva porque alegou que em uma conclusão total da planilha, tal poderia se tornar até um acréscimo a receita de exportação que foi objeto do auto de infração, alegação esta desprovida de qualquer fato comprobatório. A despeito da nova diligência requerida e da sua resposta, entendo que não merece reparos a r. decisão recorrida. Isto porque, a fiscalização tributária atevese a comparação entre o livro de saídas relativamente a vendas para o mercado externo e a receita bruta declarada. Com a resposta da diligência, apesar de partir de apenas 35% das comprovações de embarque, restou evidente que existe provável disparidade entre o câmbio de conversão utilizado para registro do livro de saídas e o câmbio de conversão utilizado para cálculo da receita bruta. Se a d. fiscalização tivesse observado o quanto alegado pelo contribuinte e a sistemática da Portaria 356/88 por ele pleiteada, então a redução deveria se dar tão somente no montante em que comprovada a divergência pela apresentação da data de embarque das mercadorias para o exterior. Ocorre que, quando do lançamento tal fato não foi Fl. 19DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 48 20 observado, tendo sido ignorada a divergência entre os critérios de conversão, divergência esta que como bem tratado pela DRJ restou admitida na primeira diligência, ainda que de forma contraditória. Nesse passo, alterar agora o fundamento para efetivamente complementar a instrução do lançamento não me parece adequado. Isto, aliado ao quanto já exposto sobre a probabilidade da divergência se explicar pela conversão cambial, voto por manter o cancelamento da exigência fiscal relativa a vendas para o mercado externo, conforme perpetrado pela DRJ. Em relação à glosa de despesas e omissão de receitas apuradas em função da falta de comprovação dos gastos e do passivo, respectivamente (itens 02 e 05 do auto de infração), entendeu a DRJ que não houve fundamento suficiente para a glosa de despesas financeiras, uma vez que a falta de apresentação dos comprovantes de pagamentos das despesas poderia indicar que as efetivas remessas financeiras não foram efetuadas, o que não influencia a dedutibilidade dos valores em questão já que são dedutíveis as despesas incorridas, segundo o regime de competência, e não apenas as pagas. Ademais, também em razão de que não foram questionadas a efetividade dos empréstimos escriturados no passivo e a necessidade do empréstimo para o desenvolvimento das atividades da empresa, cancelouse a exigência da referida parcela. É fato que para que uma despesa seja dedutível, primeiro deve ser comprovada, inclusive com a demonstração de que determinado serviço foi efetivamente prestado ou que o bem foi adquirido em beneficio da pessoa jurídica. Ocorre que, no presente caso, não foi questionada a efetividade ou a necessidade dos empréstimos escriturados no passivo, sendo certo que as despesas financeiras oriundas dos contratos firmados são incorridas pelo mero decurso de tempo, independentemente do trânsito financeiro. Pelo exposto, entendo que não merece reparos, também nesta parte, a r. decisão recorrida. No tocante ao passivo fictício (valores relativos a juros, variações cambiais e monetárias), também houve o cancelamento do lançamento, desta vez em razão da ausência de premissas previstas em lei como necessárias à presunção de omissão de receitas. Nesse ponto, foram apresentados os contratos de empréstimo suficientes a validar o passivo, sem que fosse levantada qualquer dúvida sobre a efetividade das operações de crédito. O que ocorreu é que, a despeito de eventual desigualdade entre as variações monetárias e juros passivos lançados a crédito no passivo e a débito de despesa, não foi identificado qual parcela do passivo estaria eventualmente a descoberto e tampouco foram analisados os valores em relação aquilo que é de fato devido em decorrência dos índices previstos contratualmente comparandoos com aqueles montantes escriturados. O mesmo se passa em relação às despesas financeiras, para as quais não houve questionamento acerca da efetividade dos empréstimos escriturados no passivo, sendo, portanto, insubsistentes as respectivas glosas de variação monetária passiva ou cambial. Neste ponto, permitome transcrever conclusão do acórdão recorrido às fls. 1276 (fl. 23 da decisão): Desta forma, não havendo sido questionada a efetividade dos empréstimos escriturados no passivo, as despesas financeiras dele decorrentes são incorridas pelo mero decurso de tempo, conforme previsão contratual, independentemente do trânsito financeiro. Tal comprovação, no caso, se dá tão somente pelo contrato apresentado. Não havendo, tampouco, sido questionada a necessidade do empréstimo para o desenvolvimento das Fl. 20DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 49 21 atividades da empresa, dedutíveis são, a princípio, as despesas que dele decorrem. Por fim, em relação aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS e CSLL, concluiuse pela manutenção na mesma proporção em que foi mantida a autuação, conforme demonstrativos de fls. 1279/1280, pelo que voto por NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Quanto ao Recurso Voluntário, resta a apreciação relativa à glosa de despesas não comprovadas (item 004 do lançamento) e ao passivo fictício correspondente às captações (parte do item 002), já que a acusação de passivo fictício relativa a juros, variações cambiais e variações monetárias foi cancelada e já tratada no Recurso de Ofício, sendo que o passivo fictício remanescente possui reflexos para o PIS e para a COFINS. Neste passo, verifico que o contribuinte, com o intuito de facilitar a apreciação dos documentos, protocolou em 03/06/2008, petição esclarecendo a localização nos autos dos seguintes documentos: Doc. Do Recurso Finalidade Localização nos Autos 1 Termo de ciência da decisão recorrida fls. 1318/1351 Volume VII 2 Documentação relativa ao arrolamento fls. 1353/1390 fls. 1393/1532 Volume VII Volume VIII 3 Notas fiscais e correspondentes cartas de correção reduzindo seus valores fls. 58/199 fls. 33/56 fls.02/199 fls. 02/198 fls. 02/169 fls. 02/198 fls. 02/199 fls. 02/125 fls. 117/166 Anexo XVIII Anexo XVIII Anexo XIX Anexo XX Anexo XXI Anexo XV Anexo XVI Anexo XVII Anexo XXII Fl. 21DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 50 22 4 Telas dos registros contábeis comprovando a concessão de créditos aos clientes fls. 127/199 fls. 02/32 fls. 37/82 Anexo XVII Anexo XVIII Anexo XVIV 5 Notas fiscais que ampararam as vendas de produtos com valor superlativo fls. 84/198 fls. 170/199 fls. 02/115 fls. 02/199 fls. 02/120 fls. 02/167 Anexo XXIV Anexo XXI Anexo XXII Anexo XXV Anexo XXVI Anexo XXVII 6 Petição protocolizada em 11/07/06, demonstrando as captações realizadas, pagamentos dos recursos, as variações monetárias ativas e passivas correspondentes e as despesas com juros fls. 161/170 fls. 02/258 Anexo XXII Anexo XIV 7 Planilhas de captações mensais, bem como de despesas e encargos incorridos nos empréstimos nacionais (Unibanco, Finame e BNDES) fls. 173/180 Anexo XXI 8 Planilha resumo mensal consolidando captações, juros, saldo a pagar dos empréstimos nacionais fls. 182/183 Anexo XXII 9 Fichas do razão com contabilização das captações e encargos correspondentes aos empréstimos nacionais fls. 185/200 fls. 04;31/35 fls. 02/05 Anexo XXII Anexo XXIV Anexo XXIII 10 Ordens da empresa às instituições financeiras identificando cada linha de crédito e informativos emitidos pelas instituições financeiras comprobatórios da efetiva liberação dos recursos fls. 07/30 Anexo XXIII 11 Planilhas de captações mensais, bem como de despesas e encargos incorridos nos empréstimos estrangeiros (KFW) fls. 32/37 Anexo XXIII 12 Planilha resumo mensal consolidando captações, juros e saldo a pagar dos fls. 39/40 Anexo XXIII Fl. 22DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 51 23 empréstimos estrangeiros 13 Fichas do razão com a contabilização das captações e encargos correspondentes aos empréstimos estrangeiros fls. 05/30 fls. 42/76 Anexo XXIV Anexo XXIII 14 Informes da instituição KFW com as captações, juros correspondentes, evolução do saldo decorrente dos juros, liberações realizadas, pagamentos efetuados; ordens de liberação dos recursos emitidas pela empresa; e, por fim, planilha com o resumo geral das captações internas e externas fls. 78/188 Anexo XXIII Após retorno de diligência, passo a análise dos itens 004 e 002 do lançamento. 1) Glosa de despesas não comprovadas (item 004 do lançamento) Conforme consta da decisão recorrida, a Recorrente teria sido intimada e reintimada a “demonstrar a composição do item 16, ficha 06 – A, constante da DIPJ /2002”, no valor de R$ 3.887.172,17. Em resposta às solicitações fiscais, foram apresentados apenas os documentos de fls. 165/169, que informa tratar de dedução da receita bruta – IPI. Não trouxe, a este respeito, documentação hábil e idônea a demonstrar o alegado. Além disto, o IPI incidente sobre saídas, por se tratar de tributo indireto e não cumulativo, não corresponde à exclusão lícita da receita. Na impugnação, a ora Recorrente esclarece que se trata de venda de sucatas na fase préoperacional da empresa. Expressamente afirma às fls. 1150 que os referidos ingressos financeiros não teriam sido registrados como receita, mas sim a créditos em rubrica do ativo diferido, a título redutor das despesas préoperacionais. Por outro lado, no Recurso Voluntário, o contribuinte reconheceu que os documentos apresentados na defesa não foram suficientemente claros, pois a Recorrente teria se equivocado ao afirmar que se tratava de venda de sucata, sendo que, em verdade, corresponderia a créditos concedidos a adquirentes das mercadorias da Recorrente, em decorrência da emissão incorreta das Notas Fiscais fatura que ampararam as respectivas saídas. Neste sentido, transcrevese trecho do Recurso (fls. 1306): “Parte das vendas dos produtos industrializados pela Recorrente decorre de contratos de fornecimento com preços preestabelecidos, os quais devem ser mantidos pelo lapso de tempo ou volume contratados. Por outro lado, a Recorrente também realiza venda não vinculadas a contratos de fornecimento por prazo certo e, nestes casos, seus preços de venda são fixados, a cada operação, de conformidade com as regras de mercado, ficando sujeitos a revisão em função de variações de custos e outros elementos. Fl. 23DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 52 24 Pois bem, em determinados períodos em que reajustou seus preços, a Recorrente, por falhas no cômputo de informações nos seus sistemas de processamento de dados, acabou por emitir algumas das notas fiscais destinadas a amparar vendas realizadas no âmbito de contratos de fornecimento por prazo certo, com preços superiores aos contratados. Em outros casos, as peças adquiridas estavam danificadas, tiveram suas características afetadas, ou sofreram qualquer outro problema que veio a efetuar seu valor de mercado. Nessas ocasiões, os respectivos adquirentes, tão logo recebiam as mercadorias e tomavam conhecimento do faturamento superlativo, contestavam, como base em seus contratos, o preço praticado, recusandose ao pagamento do valor excedente. Em vista da necessidade de acolher as reclamações dos adquirentes por força dos contratos firmados, e na impossibilidade de cancelar as Notas fiscais – Fatura emitidas nessas operações (porque tais documentos já haviam amparado a saída de produtos, sendo legalmente vedado o cancelamento nessas circunstâncias), a Recorrente cuidou de adotar o procedimento de regularização de incorreções em documentos fiscais previsto na legislação do IPI. Assim sendo, as reclamações recebidas dos adquirentes davam origem a processos internos para constatação do equívoco. Verificada a incorreção, eram enviadas a todos remetentes cujas Notas Fiscais – Fatura haviam sido emitidas em valor superior ao contratado, carta de correção, comunicando o equívoco no valor exigido. Comprova o alegado a cópia dos processos abertos internamente (doc. 03)” Coube, portanto, analisar a documentação trazida pela Recorrente, a fim de verificar se esta é capaz de comprovar que as despesas corresponderiam a créditos concedidos a adquirentes das mercadorias da Recorrente, em decorrência da emissão incorreta das Notas Fiscais fatura que ampararam as respectivas saídas. Neste sentido, o contribuinte apresenta notas fiscais e correspondentes cartas de correção reduzindo seus valores, bem como telas dos registros contábeis comprovando a concessão de crédito aos clientes, além de notas fiscais que ampararam as vendas de produtos com valor superlativo (docs. 2 a 5). O Recurso Voluntário foi convertido em diligência justamente para analisar os documentos que supostamente amparavam as despesas acima descritas. Neste passo, a fiscalização apresenta planilhas de fls. 2.181/2.188, no qual conclui que nenhuma empresa regularmente intimada demonstrou a contabilização e escrituração fiscal das Notas de Crédito. Relatouse, todavia, que das Notas de Crédito apresentadas pela empresa Galvasud somouse o total de R$ 418.311,67, asseverando que tal valor foi apurado diferentemente do alegado pela Recorrente, porque várias cópias apresentadas estavam repetidas nos anexos. Em continuidade à diligência requisitada, a partir da quantificação dos valores constantes das Notas de Crédito, com os valores totais glosados, a glosa passaria de R$ 3.887.172,17, para R$ 3.468.860,50 (fls. 2.188). Fl. 24DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 53 25 Neste passo, acolhendo o valor quantificado pela diligência, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para retificar o montante da glosa relativo ao item 004 do lançamento, considerando a comprovação do valor de R$ 418.311,67. 2) Passivo fictício correspondente às captações (parte do item 002 do lançamento) O lançamento relativo ao passivo fictício captações teria sido efetuado a partir de demonstrativo de cálculo (fls. 172/175), elaborado pela própria interessada em coluna denominada “captações”. Isto porque o contribuinte manteve em seu passivo obrigações registradas contabilmente nos seus respectivos anoscalendário e cuja exigibilidade não logrou comprovar, apesar de ter sido intimado e reintimado. Neste sentido, esclarece a tabela de fls. 1043/1044. Conforme relatado na r. decisão recorrida, os contratos de empréstimos juntados aos autos não correspondem à novas captações de recursos realizadas nos anos e com as partes indicadas, não sendo, portanto, hábeis a respaldar o passivo escriturado. Sugeriuse a análise dos seguintes documentos, listados às fls. 1309/1310, os quais correspondem aos documentos 07 a 13: a) Planilha na qual estão discriminadas, mês a mês, as captações nacionais, as despesas e os encargos incorridos pela empresa em decorrência dos empréstimos firmados internamente com as instituições brasileiras (doc. 07). b) Planilha resumo na qual foi consolidado, mês a mês, o total das captações feitas pela Recorrente, os juros incorridos e o saldo a pagar em decorrência dos empréstimos (doc.08). c) Fichas do Livro Razão das contas nas quais as captações e os encargos foram contabilizados (doc. 09). d) Cópia das ordens expedidas pela empresa às instituições financeiras identificando as captações realizadas em cada linha de crédito e cópia dos informativos emitidos pelas próprias instituições financeiras, comprobatórias da efetiva liberação dos recursos, que suportam a contabilização realizada (doc. 10). e) Planilhas demonstrando os meses das captações, os juros, a taxa adotada, a variação cambial ativa e passiva e o cálculo da variação cambial relativa ao montante da dívida (doc. 11). f) Planilha com resumo mensal do valor total das captações, variação cambial ativa e passiva e juros (doc. 12). g) Fichas do Razão em que todas as captações externas, bem como despesas e encargos foram registrados (doc. 13). Em resposta, a diligência relatou que do total dos documentos apresentados pela empresa Galvasud, apenas R$ 3.689.912,13 estariam comprovados, sendo certo que não restaram comprovados R$ 17.611.272,65 e R$ 27.361.306,26 (anoscalendário de 2001 e 2002 respectivamente). Ainda, segundo relatou a fiscalização, a maior parte dos documentos Fl. 25DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 54 26 apresentados “não atendem aos critérios normalmente aceitos que são: coincidentes em datas e valores, expedido por instituição financeira (extratos bancários, contratos de câmbio registrados no Banco Central do Brasil, língua portuguesa ou traduzidos por tradutor juramentado, etc.)”. Cumpre esclarecer que o contribuinte, devidamente intimado, não se manifestou acerca das conclusões da diligência, sendo certo ainda que, desde a decisão recorrida, o contribuinte foi intimado e reintimado a esclarecer as novas captações, ressalvandose que os contratos de empréstimos juntados aos autos não correspondem a novas captações de recursos realizados nos anos e com as partes indicadas. O julgamento do referido processo foi pautado para o mês de dezembro de 2010, quando após debate sobre questão probatória, foi requerida vista pelo Conselheiro Alexandre Alkmim. Naquela oportunidade, porquanto pautado o processo na sessão de janeiro de 2011, recebi protocolo de petição apresentada pelo Recorrente que, inclusive, requereu a juntada de provas. Considerando que não há novo argumento e os documentos juntados já constavam dos autos, não foi necessária abertura de vista para a d. Fazenda Nacional. No entanto, curveime a posição da colenda Câmara no sentido de requerer novamente diligência para, nesse aspecto, ter providenciado o seguinte, conforme voto da diligência: “(i) Enumerar a glosa de despesa financeira relativa aos empréstimos KFW – Sênior 1 e KFW – Mezzanine, que foram canceladas no acórdão recorrido, demonstrando se estão individualizadas no lançamento”. Em cumprimento a determinação, a diligência respondeu que os valores da glosa não estão individualizados no lançamento, acrescentando que: “Enumeramos os valores da referida glosa referente à KFW Sênior 1 e KFW Mezzanine que estão às fls. 1034 do vol. VI – título GALVASUD S.A. – e ratificado pela mesma empresa no item 77 da sua impugnação, fl. 1133 a 134 do vol. VI. e resumidas no quadro abaixo, cujos valores foram cancelados no acórdão recorrido de fl.s 1276 do vol. VII subitem 3.2; este subitem referese ao item 3 de fl. 1273 do vol. VII, o qual, por sua vez, vem a ser o mérito dos itens 02 a 05 do auto de infração:” Ano calendário 2001 2002 KFW Sênior 1 R$ 10.619.595,89 R$ 16.052.798,77 KFW Mezzanine R$ 6.848.829,15 R$ 10.650.198,20 Fl. 26DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 55 27 Diante da não segregação dos valores, entendo salutar partir da individualização dos valores, de acordo com o Auto de Infração (fls. 1.040 e seguintes), cujo item 002 – omissão de receita/passivo fictício tem por base os seguintes valores: Fls. 1.043: 31/12/2001 – R$ 29.133,86 31/12/2001 – R$ 3.107.766,82 31/12/2001 – R$ 21.301.184,78 Fls. 1.044: 31/12/2002 – R$ 500.736,56 31/12/2002 – R$ 27.361.306,26 A partir da análise das fls. acima mencionadas, verificase a composição dos valores, a saber: a) R$ 29.133.410,86: corresponde ao montante de R$ 34.036.478,49 (soma da variação cambial de captação Sênior 1 e Mezzanine), excluído o valor de R$ 4.903.067,63 (relativo à glosa de despesas financeiras). b) R$ 21.301.184,78: correspondente à somatória das seguintes captações: BNDES: R$ 2.005.298,11 FINAME: R$ 4.843.724,53 KFW Sênior 1: R$ 8.390.432,26 KFW Mezzanine: R$ 6.061.729,88 Após análise dos documentos, voto por dar parcial provimento ao recurso para excluir o valor de R$ 2.005.298,11 (BNDES), tendo em vista a prova da liberação do recurso em abril de 2001 pelo Unibanco. O mesmo ocorre com os valores de FINAME, também liberados pelo Unibanco, no anocalendário de 2001, na forma como segue: R$ 2.498.167,38 (liberado em duas vezes de R$ 818.799,17 e R$ 1.679.368,21). R$ 317.075,34. R$ 1.880.513,32 (liberado em duas vezes de R$ 63.415,07 e R$ 1.817.098,25). R$ 63.415,07. Fl. 27DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 56 28 R$ 84.553,42 c) R$ 3.107.766,82: correspondente aos juros/variação monetária no total de R$ 29.624.952,86, diminuído da glosa de despesas financeiras no valor de R$ 26.517.186,04. Após análise dos documentos, voto por dar parcial provimento ao recurso para excluir, na proporção do que já não excluído em razão da glosa de despesas financeiras, os valores de juros/variação monetária correspondentes às captações comprovadas do BNDES e FINAME. d) R$ 500.736,56: correspondente ao total de R$ 127.734.478,58, diminuído da glosa de despesas financeiras no montante de R$ 127.233.742,02. O valor corresponde à variação cambial das captações Sênior 1 e Mezzanine. e) R$ 27.361.306,26: correspondente aos valores das seguintes captações: FINAME: R$ 2.796.563,77. Unibanco: R$ 15.000.000,00. KFW Mezzanine: R$ 9.564.742,49. Após análise dos documentos, voto por dar parcial provimento ao recurso para excluir os valores de FINAME, liberados pelo Unibanco, no ano de 2002, quais sejam: R$ 1.991.648,36 (composto dos valores de R$ 862.688,47 e R$ 1.128.959,91) e R$ 594.891,91. Quanto aos valores mencionados acima nos itens (a), (d) e parcialmente quanto ao item (b) e (e), por se tratar de financiamentos da KFW Sênior e KFWMezzanine, os quais não foram devidamente comprovados – esclareço, relativamente às NOVAS CAPTAÇÕES, não se confundindo este item de passivo fictício com aquele de glosa de despesas financeiras entendo que devem ser mantidos os lançamentos. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, bem como por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, a fim de ajustar o lançamento relativo ao item 004, nos termos do cálculo apresentado na última diligência, para o IRPJ e a CSLL, bem como para excluir do lançamento relativo ao item 002 (omissão de receita – passivo fictício) os valores comprovados, nos termos do voto, dos financiamentos relativos ao FINAME e ao BNDES, mantendose no mais a exigência de acordo com as feições já atribuídas pela decisão recorrida. Ressalvo que devem ser aplicadas as exclusões do IRPJ e da CSLL, no que couber, à Contribuição ao PIS e à COFINS. Sala das Sessões, em 06 de agosto de 2013. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 28DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000525/200587 Acórdão n.º 1401001.013 S1C4T1 Fl. 57 29 Fl. 29DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS
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