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Numero do processo: 13971.005208/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, se no transporte de bens para revenda ou utilizado como insumos na produção/industrialização de bens de destinados à venda, o gasto com frete, suportado pelo comprador, somente propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens, logo, se não há previsão legal de apropriação de crédito sobre o custo de aquisição dos bens transportados, por falta de previsão legal, não há como ser apropriada a parcela do crédito calculada exclusivamente sobre o valor do gasto com frete.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE E REMESSA PARA ARMAZÉM GERAL. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Cofins calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte ou nas remessas para armazéns gerais.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, os gastos com frete por prestação de serviços de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda.
REGIME NÃO CUMULATIVO. OPERAÇÕES DE DEVOLUÇÃO DE COMPRA E DE VENDA. DESPESA COM FRETE NO TRANSPORTE DO BEM DEVOLVIDO. DIREITO DE DEDUÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é passível de apropriação os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre as despesas com frete incorridas na operação de devolução de bem vendido ou comprado, ainda que tais despesas tenha sido suportadas pelo contribuinte.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA DOS CRÉDITOS APROPRIADOS. CABIMENTO.
No âmbito do regime não cumulativo, ainda que haja previsão legal da dedução, a glosa dos créditos da Cofins deve ser integralmente mantida se o contribuinte não comprova a realização do pagamento dos gastos com frete à pessoa jurídica domiciliada no País com documento hábil e idôneo.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
DACON. RETIFICAÇÃO APÓS O PRAZO DECADENCIAL. INCLUSÃO DE NOVOS CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Após completado o prazo quinquenal de decadência, é vedado ao contribuinte proceder a retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) para incluir novos créditos ou reduzir débitos anteriormente declarados. Neste caso, é devida a glosa dos créditos indevidamente acrescidos.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO ADEQUADA E SUFICIENTE. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para o indeferimento do pleito de restituição formulado pela contribuinte, que foi devidamente cientificada e exerceu em toda sua plenitude o seu direito de defesa nos prazos e na forma na legislação de regência.
DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DIREITO DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade, por cerceamento ao direito de defesa, a decisão de primeiro grau em que houve pronunciamento claro e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória e cujas conclusões foram apresentadas de forma congruente e devidamente fundamentada.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE.
Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e o pedido de realização de diligência e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reverter a glosa correspondente aos gastos com fretes no transporte de insumos e produtos em elaboração transferidos entre estabelecimentos ou remetidos para depósitos fechados ou armazéns gerais. Os Conselheiros Walker Araújo e Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado votaram pelas conclusões em relação à manutenção da glosa sobre dos gastos com fretes vinculados às operações de devolução de venda. Fez sustentação oral o Dr. Fábio Ricardo Roble - OAB 254.891 - SP.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento,Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, se no transporte de bens para revenda ou utilizado como insumos na produção/industrialização de bens de destinados à venda, o gasto com frete, suportado pelo comprador, somente propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens, logo, se não há previsão legal de apropriação de crédito sobre o custo de aquisição dos bens transportados, por falta de previsão legal, não há como ser apropriada a parcela do crédito calculada exclusivamente sobre o valor do gasto com frete. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE E REMESSA PARA ARMAZÉM GERAL. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Cofins calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte ou nas remessas para armazéns gerais. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 52 08 /2 00 9- 26 Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 2 Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, os gastos com frete por prestação de serviços de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. REGIME NÃO CUMULATIVO. OPERAÇÕES DE DEVOLUÇÃO DE COMPRA E DE VENDA. DESPESA COM FRETE NO TRANSPORTE DO BEM DEVOLVIDO. DIREITO DE DEDUÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é passível de apropriação os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre as despesas com frete incorridas na operação de devolução de bem vendido ou comprado, ainda que tais despesas tenha sido suportadas pelo contribuinte. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA DOS CRÉDITOS APROPRIADOS. CABIMENTO. No âmbito do regime não cumulativo, ainda que haja previsão legal da dedução, a glosa dos créditos da Cofins deve ser integralmente mantida se o contribuinte não comprova a realização do pagamento dos gastos com frete à pessoa jurídica domiciliada no País com documento hábil e idôneo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 DACON. RETIFICAÇÃO APÓS O PRAZO DECADENCIAL. INCLUSÃO DE NOVOS CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Após completado o prazo quinquenal de decadência, é vedado ao contribuinte proceder a retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) para incluir novos créditos ou reduzir débitos anteriormente declarados. Neste caso, é devida a glosa dos créditos indevidamente acrescidos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO ADEQUADA E SUFICIENTE. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para o indeferimento do pleito de restituição formulado pela contribuinte, que foi devidamente cientificada e exerceu em toda sua plenitude o seu direito de defesa nos prazos e na forma na legislação de regência. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DIREITO DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento ao direito de defesa, a decisão de primeiro grau em que houve pronunciamento claro e suficiente sobre todas Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005208/200926 Acórdão n.º 3302003.206 S3C3T2 Fl. 1.798 3 as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória e cujas conclusões foram apresentadas de forma congruente e devidamente fundamentada. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e o pedido de realização de diligência e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reverter a glosa correspondente aos gastos com fretes no transporte de insumos e produtos em elaboração transferidos entre estabelecimentos ou remetidos para depósitos fechados ou armazéns gerais. Os Conselheiros Walker Araújo e Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado votaram pelas conclusões em relação à manutenção da glosa sobre dos gastos com fretes vinculados às operações de devolução de venda. Fez sustentação oral o Dr. Fábio Ricardo Roble OAB 254.891 SP. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento,Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o Relatório encartado na decisão de primeiro grau, que segue integralmente transcrito: Trata o presente processo de pedido de restituição, por meio do qual a contribuinte acima qualificada busca repetir valor a título de Cofins, conforme PER nº.25696.14746.290109.1.2.047002, 29454.62151.290109.1.2.048585 e 13539.23588.290109.1.2.048594 (cópias às fls. 03/11), nos quais a contribuinte pleiteia restituição no importe total de R$ 7.829.668,67, relativa ao período de apuração de janeiro/2006, cujos pagamentos foram efetuados em 15/02/2006. Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 4 Em análise do pleito, inicialmente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC entendeu por não reconhecer o direito creditório pleiteado em sua totalidade (Parecer SAORT/DRF/Blumenau n.° 023/2010), decisão esta que foi objeto de manifestação de inconformidade por parte da contribuinte e, conseqüentemente, motivo de análise por parte desta Delegacia de Julgamento. Em sessão realizada no dia 26 de julho de 2011, a 4ª Turma da DRJ/Florianópolis, por meio do Acórdão nº 0725.738 (fls. 244/250), anulou o referido Despacho Decisório e determinou que um novo fosse formalizado. Conforme a decisão prolatada pela DRF/Blumenau, o processo foi encaminhado à Seção de Fiscalização – Safis, para a análise das operações geradoras de crédito registradas pela contribuinte. No decorrer da análise foram juntados os documentos de fls. 259/865 e, especialmente, o Relatório de AuditoriaFiscal de fls. 866/905, são descritas as glosas fiscais apuradas de junho/2005 a junho/2006. A Informação Fiscal de fls. 906/907, nos seus itens 4 e 5 esclarecem que os valores das glosas fiscais de períodos anteriores provêm dos relatórios fiscais exarados nos autos nºs 13971.0001036/200598, 13971.001375/200493, 13971.001080/200417, 13971.001568/200444, 13971.005306/200963, 13971.001475/200509 e 13971.000132/200519, os quais, portanto, tiveram suas cópias juntadas às fls. 909/1340. Em razão da análise fiscal empreendida no período, procederamse às glosas descritas nos itens seguintes. As glosas fiscais foram efetuadas sobre os valores de créditos declarados no Dacon identificado no item 7 do Relatório de Auditoria Fiscal. 1. Glosas de Complemento de Valor: Glosa relativa a aquisições para revenda, feitas de pessoas jurídicas, constantes dos Arquivos RVJ, INJ, AGS e LRES, referentes às operações de compra de soja e outras commodities com “preço a fixar”. Disso decorre, com frequência, a ocorrência de complementação de valores. Se o preço final for superior aos praticados nas remessas, haverá uma complementação a ser paga pelo adquirente. Caso contrário, se o preço nas remessas resultar superior ao definitivo, ocorrerá devolução simbólica de certa quantidade do bem e acerto financeiro, ensejando o ajuste. As glosas se fundamentaram, em síntese, no fato de que o direito ao crédito do PIS/Pasep apurado na modalidade nãocumulativa foi regulado respeitando o regime de competência. Desta forma, não foram consideradas as complementações dos valores ocorridas no regime nãocumulativo, em relação às remessas (aquisições) ocorridas no período da cumulatividade, bem como em relação aquelas que, no regime da nãocumulatividade, não geram direito aos créditos. Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005208/200926 Acórdão n.º 3302003.206 S3C3T2 Fl. 1.799 5 Coube a glosa, da mesma forma, em relação aos créditos sem a devida comprovação das operações. Para o cálculo das glosas dos complementos de valores foi considerada a mesma razão existente entre as remessas sem direito a créditos e as remessas totais, conforme o Demonstrativo de Percentual de Glosas dos Contratos de Complemento de Valores. Os itens glosados estão contidos no Demonstrativo da Glosa de Complementos de Valor, cujas bases de cálculo encontramse totalizadas, conforme item 59 do Relatório Fiscal, individualizado por mes e por arquivo (RVJ, INJ e AGS). 2. Glosas dos Fretes: Fretes em aquisições com CFOP indicativo de fim específico de exportação; Fretes correspondentes a operações de devolução de vendas ou de compras de mercadorias; Fretes em transferências de bens entre estabelecimentos BUNGE; Fretes correspondente a fretes em remessas para armazéns gerais; Fretes em aquisições de pessoas físicas de bens para revenda; Fretes em aquisições de mercadorias sem direito a crédito; Falta de comprovação dos fretes, com a não apresentação dos documentos listados no arquivo Demonstrativo de Glosas nos Fretes.xls; Fretes ferroviários, pelos quais não foram prestados esclarecimentos para que pudesse ficar caracterizada a vinculação desses fretes com aquisição de bens para revenda ou insumos; Frete relativo à aquisições de Pessoa Física de insumos para industrialização que foram posteriormente revendidos/exportados, não gerando créditos, de forma que as despesas com os respectivos fretes são glosadas na mesma proporção daqueles estornos (arquivo EST_Rv). 3. Glosa sobre decadência na apuração da contribuição: em razão do cálculo de novos créditos após 5 anos do fato gerador, não cabendo o aumento de créditos ou a diminuição dos débitos com base no §4º. do art. 150 do CTN. 4. Demonstrativo das Glosas: encontramse relacionados os demonstrativos das glosas em cada item específico do Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 6 relatório, bem com as suas totalizações nos itens 118/123 do Relatório Fiscal. Em vista do Relatório de Auditoria Fiscal, foi proferido o Despacho Decisório (constante das fls. 1.342/ss), onde o direito creditório é indeferido. Segundo o referido Despacho Decisório: Assim, após “a análise das operações geradoras de crédito registradas pela contribuinte”, a AuditoriaFiscal demonstrou que o valor correto da COFINS a pagar (Linha 27 da Ficha 25B do Dacon), em 01/2006, é R$ 8.080.679,76 e este, então, é o valor que a contribuinte deveria ter informado na DCTF como “Débito Apurado” e, por consequência, levado à conta para apuração de eventual pagamento indevido. Portanto, numa conta simples, é de se concluir que os DARF's (R$ 7.829.668,67) reclamados pela contribuinte prestamse a solver apenas parte da contribuição devida no mês 01/2006, não remanescendo crédito algum em seu favor, conforme evidenciado na tabela acima Manifestação de Inconformidade: 1. Questões preliminares de mérito: Inicialmente, sob o título “Dos antecedentes processuais” a contribuinte traça um histórico do desenrolar do processo desde as Soluções de Consulta formuladas e dos pedidos de restituição, o que a levou a retificar os respectivos Dacon desde 2004 até 2008. Observa que as primeiras alterações que geraram as restituições pleiteadas ocorreram a partir de 2005 e que, em face de tais circunstâncias, nem todas as alterações foram para reduzir tributo, na medida em que também ocorreram alterações para aumentar o tributo devido ou diminuir os saldos credores acumulados. Em seguida, desenvolve os seus argumentos sob os seguinte títulos: Da natureza dos ajustes após 2009, em que observa que as alterações efetuadas após 2009 registraram apenas troca de linhas (reclassificações) e para reduzir o saldo credor ou aumentar o débito a recolher, nunca para reduzir a contribuição devida. Da inexistência de preclusão por força maior demonstrada e reconhecida pela própria Receita Federal do Brasil, em que sustenta, ora em breve síntese, que o prazo de 30 (trinta) dias é insuficiente para produzir a ampla defesa que lhe é assegurada constitucionalmente, em vista das assertivas fiscais e dos relatórios que incluem inúmeras planilhas de cálculos a serem examinados. Suscita a incidência da norma prevista no art. 16, do Decreto 70.235/72, § 4º. por entender que a força maior está perfeitamente demonstrada nos autos pela declaração feita pelos agentes da RFB no que tange aos prazos exíguos para análise dos pedidos de restituição; Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005208/200926 Acórdão n.º 3302003.206 S3C3T2 Fl. 1.800 7 Da contestação das premissas dos Despachos Decisórios e do feito fiscal, onde alega que os atos da administração pública lesivos ao patrimônio das pessoas de direito privado são tipificados nos termos da Lei nº. 4717/65, sendo anuláveis, segundo as prescrições legais. Da contribuição para o PIS/Pasep relativa ao período de dezembro/2003, onde alega que a análise do crédito depende do desfecho do Processo nº. 13971.000029/200498, uma vez que constatouse a inexistência de saldo credor no final do período de apuração do mês de dezembro/2003, e que não se pode considerar a inexistência de saldo, enquanto não houver decisão definitiva perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf, sob pena de efetuarse glosas indevidamente. Da Decisão sobre alegações não contidas nas manifestações de inconformidade, onde argumenta que, no caso concreto, a própria ação fiscal demonstra com clareza o montante que julga ser devido, em face das circunstâncias materiais do caso concretamente examinado, sem subterfúgios a quaisquer eventuais “teses tributárias” que a fiscalização afirma existirem fora destes autos (existência de tributaristas que sustentam que o valor do tributo devido a ser considerado pela autoridade administrativa no exame de pedidos de restituição ou de declarações de compensação é o valor do débito declarado pelo sujeito passivo em DCTF) e que nunca foram alegadas neste processo e que, portanto, nada tem a ver com os lançamentos contidos nos Autos de Infração impugnados nem como os Despachos Decisórios objetos de manifestações de inconformidade protocoladas a tempo e modo. Suscita, ainda, que a ocorrência de decisões caracterizadamente “chapadas” enseja e confirma a nulidade do feito em face do vício de forma e do desvio de finalidade. Do pagamento indevido e do direito à restituição, em que alega vícios no despacho decisório que ensejariam a anulação do mesmo, tais como a exiguidade do intervalo de tempo entre a juntada do feito fiscal e o despacho decisório demonstra que quem decidiu sobre o assunto foram os agentes fiscais que promoveram a fiscalização direta e não o Sr. Delegado competente; que, no caso, não existe previsão legal de delegação de competência; e que esta evidência atrai a regra da Lei nº. 4.717/65 que considera caracterizada a incompetência quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. Suscita expressamente e questiona a matéria para os fins de evitarse a preclusão, devendo a questão ser apreciada e julgada para, ao final, determinar a nulidade do feito para que novo despacho seja proferido nos termos da Lei e do Direito como expressão de justiça. Da resistência ao cumprimento de sentenças, onde aduz que os procedimentos fiscais que embasaram o despacho decisório ora contestado (cita alguns exemplos), adotou os mesmos critérios Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 8 genéricos e sem fundamento, tomou as falhas pontuais como reiteradas e uniformes, generalizou sob a forma de percentual e o aplicou durante todo o período de fiscalização, sem levar em conta o fato concretamente ocorrido; que, ao estabelecer critérios genéricos para determinar o montante a ser glosado, contraria expressamente o comando da decisão da 4ª. Turma da DRJ/FNS, a qual proíbe a aplicação deste tipo de procedimento; e reitera que o prazo de 30 dias é exíguo para se pronunciar acerca de cálculos produzidos por processamento eletrônico, o qual requer conhecimento especializado e estrito, além do conhecimento da matéria legal a ser examinada e contestada. Alega, ainda, que a comprovação desta ocorrência somente poderá ser feita mediante prova pericial, que o procedimento deve ser refeito, e, suscita a nulidade por falta de fundamento legal. Da produção de todas as provas admitidas em direito: Pedido de Perícia: Requer expressamente, nos termos do regulamento do PAF, a produção de perícia para exame e verificação das planilhas e processamento eletrônico de informações trazidas ao processo pelos auditores. Indica o perito assistente, formula 12 quesitos e justifica o pedidos, alegando que, os trabalhos de perícia e diligência se fazem necessários por envolver processamento eletrônico automático e inúmeras operações produzidas pela RFB; que, a exemplo de outros casos, tem dado azo a processos administrativos totalmente desprovidos de sentido e realidade, tal como os lançamentos eletrônicos em processamentos de DCTF. Por outro lado, alega que há necessidade de testes de consistências impossíveis de serem transpostas por meio de documentos porque envolvem processamento de informações, seus cruzamentos e conciliações, somente possível por trabalho de auditoria e perícia, e, ainda, que em sendo constatado inconsistências, haverá necessidade de recorrerse aos documentos físicos. 2. Das circunstâncias materiais de fato e de direito: Da alegação de decadência impossível de ser vista nos autos, em que alega que o fundamento do indeferimento nem de longe sustenta o feito em face da legalidade e das exigências previstas no art. 37 da Constituição Federal; e que, ao se recusar a examinar o que é de seu ofício, a autoridade fiscal remeteu o exame e fiscalização à DRJ, o que não pode ser feito, em face da incompatibilidade entre os trabalhos de exame da materialidade tributária (art. 142 do CTN) e a função de julgador no mesmo caso. Do que se pode efetivamente verificar nos autos: as retificações dos Dacon, onde alega que a retificação do Dacon em 2012 resultou em um aumento da contribuição devida e somente ocorreu devido a entendimentos com os auditores da RFB, conforme evidenciado nos emails anexos; que a retificação, como visto, não apresentou alterações para acrescer créditos, e que as afirmações dos auditores fiscais não podem ser levadas Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005208/200926 Acórdão n.º 3302003.206 S3C3T2 Fl. 1.801 9 em consideração na questão relativa a qualquer decadência dos direitos creditórios. Da igualdade de todos perante a Lei: onde alega que a apresentação do Pedido de Restituição interrompe e extingue qualquer pretensão fazendária à decadência do direito da manifestante em se ver ressarcida do pagamento a maior ou indevido das contribuições sociais, afastando a possibilidade de alegarse a decadência do seu direito. As situações normadas: a exigência de verificação das circunstâncias materiais necessárias e da situação jurídica definitivamente constituída (art. 116 do CTN): – a exigência de verificação das circunstâncias materiais necessárias e da situação jurídica definitivamente constituída (art. 116, CTN) onde alega, após a citação de várias doutrinas/doutrinadores: Daí a razão pela qual o feito carece de sentido, uma vez que se prende ao mero formalismo abstrato da norma, sem considerar nem integrar a situação normada ao Direito a ser aplicado e observado (decisão conforme a lei e Direito – nos termos do Processo Administrativo Disciplinar), e constitutivo da fórmula concreta do Devido Processo Legal (...). Dos Complementos de Valor por preços a fixar e Do faturamento no regime de competência – o fato gerador das contribuições e a comparação com outros tributos sobre o faturamento: onde sustenta que, ao contrário do alegado pela autoridade fiscal (que o faturamento deve ocorrer no momento da tradição), cujo raciocínio seria induzido pela a analogia com os demais tributos (ISS, ICMS, IPI), o faturamento no regime de competência, onde se tem preço a fixar, jamais pode ser considerado no momento da tradição, eis que neste momento não há, a rigor, nenhum faturamento, pela absoluta ausência do preço real da transação, constando somente o seu valor simbólico em nota exclusivamente fiscal, sendo que o faturamento ocorrerá somente quando da fixação do preço, oportunidade em que os contratantes tomarão conhecimento preciso do valor da operação outrora contratada, o que seria impossível mensurar em tempo pretérito (à época da tradição). Alega, ainda, que a complementação de preço lastreada em remessa que detenha direito a crédito gera o direito de retificar a sua base, no momento do faturamento (quando da fixação do preço e não da tradição), para complementar o preço da transação de origem; que, havendo remessa originária com direito a crédito o mesmo deverá ocorrer na complementação, sendo que qualquer glosa contrária a tal regra deve ser repudiada; e que o § 4º do art. 3º da lei de regência do crédito é muito clara ao dispor expressamente que o crédito não apropriado no mês poderá ser aproveitado nos meses posteriores. Dos fatos geradores pendentes e o alcance da nova lei, onde remete aos artigos 105 e 116 do Código Tributário Nacional para afirmar que o caso pertinente ao tema “Preços a Fixar” Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 10 abrange as duas situações: “de fato (manifestação do vendedor para fixar o preço) e jurídica (contrato – como assinalado pelos auditores, definitivamente constituído, porém pendente de liquidação do preço). E continua: Nestas circunstâncias os fatos futuros (reajustes e liquidação de preço) são submetidos definitivamente à lei nova como sempre entendeu a Fazenda Pública em termos de inovação legal para majoração da cobrança de tributos sujeitos à anterioridade anual e consolidada na Súmula 577 do STF (“Na importação de mercadorias do exterior, o fato gerador do Imposto de Circulação de Mercadorias ocorre no momento de sua entrada no estabelecimento do importado”), e também a Súmula 584 do STF: “Ao imposto de renda calculado sobre os rendimentos do ano base, aplicase a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração.” Completa a sua argüição afirmando que os casos específicos sujeitos à norma de transição foram expressamente contemplados na lei específica, tais como os casos dos contratos de longo prazo, atividades imobiliárias e inúmeros outros, o que motivou complexidade da legislação até então pendente de consolidação e unificação num Regulamento Geral. Do Complemento de preços nas remessas com FEX, onde sugere que podem ter havido falhas humanas eventuais e pontuais na execução dos procedimentos internos, principalmente nos primeiros anos em face dos motivos já alegados e que motivaram tantas retificações dos Dacons, mas não de procedimento uniforme e reiterado. Segundo ela, caso constatado o erro, estará sujeito ao ajuste necessário, mas jamais poderá ser generalizadamente calculado com base em percentuais para ser aplicado em todo o período fiscalizado, o que deverá ser objeto de reexame para eventual constatação, em homenagem ao Princípio da Verdade Real. Justifica a alegação pelo fato do feito fiscal desconsiderar os valores específicos de cada operação de entrada, considerando as todas ao mesmo preço, o que distorceria o cálculo final, motivo pelo qual haveria necessidade de perícia sobre os cálculos efetuados e em especial quanto aos critérios escolhidos pelos agentes. Dos créditos relativos aos contratos de transporte tomados de pessoas jurídicas ou a ela equiparadas e da situação normada as contribuições sociais sobre o faturamento no regime da não cumulatividade e as atividades econômicas empresariais: Sob estes itens, a contribuinte traça um perfil das atividades empresariais e conclui, em síntese, que, tanto as atividades principais quanto as secundárias, enquanto atividades que adicionam valor à economia da empresa e à renda nacional se habilitam à tomada de créditos, sendo as atividades auxiliares desprovidas dos requisitos que habilitam à tomada de créditos. Com base nas suas conclusões, entende que a contratação do frete está relacionado à atividade principal da empresa, estando atrelados por força das circunstâncias de que não há nem pode Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005208/200926 Acórdão n.º 3302003.206 S3C3T2 Fl. 1.802 11 haver circulação de bens sem o necessário contrato de transporte. Aduz que os gastos com fretes nas aquisições de bens destinados ao custeio da atividade econômica não se encontra expressamente listado nos itens da norma que autoriza o direito ao crédito porque subsumese ao conceito de insumo necessário ao exercício das atividades relacionadas nos incisos I e II da norma autorizadora dos créditos. Em relação às despesas de frete com transferência dos bens para o armazém, alega que o mesmo fundamento que motiva a glosa, também fundamenta a contestação: a falta de fundamento legal para a glosa. Sustenta que falta autorização legal expressa para a glosa dos fretes que ocorrem nas operações de transferências internas entre estabelecimentos da mesma empresa para fins de remessa de industrialização ou para fins de armazenamento. Requer, desta forma, que sejam admitidos os créditos relativos aos fretes para a transferência entre estabelecimentos e para armazéns gerais ou depósitos fechados(para simples armazenamento ou para formação de lotes padronizados para venda). Remete à Solução de Consulta nº. 210/SRRF/8a. RF/Disit e ao Acórdão nº. 330100.4243ª Câmara/1ª Turma Ordinária. Sustenta que hão de ser considerados os créditos oriundos de fretes sobre transferências de matériasprimas, produtos intermediários, material de embalagem e serviços realizados entre filiais ou entre parceiros integrados a as filiais do contribuinte, os quais compõem o custo de produção do produto final, nos termos do art. 3º. , II, das Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03, o que não se confunde com o transporte do produto acabado entre os estabelecimentos. Insurgese, ainda, contra o fato de ser negado o direito ao crédito em relação às compras de produtos adquiridos com a finalidade exclusiva de exportação. Das glosas de créditos sobre Fretes referentes a devoluções de compra e de venda, alega que devem ser analisados funcionalmente para o fim de ensejar direito de crédito, anulado o feito fiscal que entende em sentido contrário. Das glosas de créditos de Fretes Internos em importações (após o desembaraço), em importações (após o desembaraço), do Pedido Incidental, em aquisições de pessoas físicas para revenda, e das inconsistências em relação à nota vinculada: Alega que as importações constituem uma operação de compra, logo devem gerar o direito ao crédito, e contesta o fundamento da glosa com base no § 3º. da Lei 10.833/03. Insurgese, especificamente, contra a glosa com base no CFOP das operações, alegando que o CFOP das operações não podem ser os mesmos da importação de produtos, que não há nenhuma Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 12 lógica, evidência, racionalidade e muito menos qualquer indicação de documentos que amparem este procedimento e que possibilite dar consistência aos argumentos trazidos à colação neste tópico; que não há cópias dos conhecimentos de transportes comprovando serem as prestadoras dos serviços de transportes empresas não domiciliadas no país, e que não há justificação séria nem a comprovação requerida para suportar a motivação do lançamento neste item; que é manifesto o cerceamento do amplo direito de defesa, como de resto, todos os argumentos contraditórios entre si dificultam e impossibilitam a defesa. São mencionados os artigos 289 e 290 do RIR/99, que só se aplicam a insumos utilizados na produção industrial ou em relação a mercadorias para revenda, portanto, não há que deixar de reconhecer tratase da importação de bens que eles mesmos classificam como objeto da atividade principal e secundária da impugnante e que, portanto , são geradores de créditos na importação. Que o desvio de forma se apresenta configurado de modo a atrair a nulidade , senão de todo o processo, pelo menos e sem dúvida deste tópico. Das glosas referentes à falta de comprovação e Das demais glosas referentes, a contribuinte alega que a eventual e fortuita falta de comprovação documental está sendo analisada e será providenciada tão logo tenha completado o ciclo das verificações necessárias para a presente defesa e contestação, nos termos justificados por motivo de força maior. Dos pedidos, onde requer, em síntese: o direito à restituição requerida até a apreciação final de todos os demais processos matrizes do qual este é parcialmente decorrente, em face da continência dos temas e das matérias; que seja declarada a improcedência das glosas de créditos. Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a juntada de novos documentos, bem como a realização de perícia técnica, e requer, em suma, que seja assegurado o seu direito de ser notificada da juntada de qualquer documento ou de qualquer outro ato ou fato superveniente que venha a ocorrer nos presentes autos. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 1662/1691), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. Para fins de créditos na aquisição de insumos, a despesa é considerada incorrida quando ocorre o consumo do bem ou do serviço, de acordo com o regime de competência. Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005208/200926 Acórdão n.º 3302003.206 S3C3T2 Fl. 1.803 13 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. SERVIÇOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto em fabricação. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. FRETES. A apropriação de créditos em relação às despesas de transporte é limitada ao frete na aquisição do produto, seja como insumo na produção, seja para revenda, neste último caso (revenda) apenas quando o bem é adquirido de pessoa jurídica, e em razão de que o custo se agrega ao produto adquirido (regra contábil/fiscal); ao frete como insumo utilizado na prestação de serviços de transportes, quando é esta a atividade produtiva da empresa, ou seja, quando tal frete é associado ao processo de venda de serviços; e ao frete na venda do produto. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Geram créditos os valores dos insumos adquiridos de pessoas físicas, desde que o produto final resultante da utilização desses bens ou serviços esteja relacionado no rol de produtos cujas classificações da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM relacionadas no art. 3º., § 10 da Lei nº. 10.637/2002. FRETES ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO RETIFICADORA. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. Admitida a retificação da Declaração de Compensação pela administração tributária, o marco inicial da contagem do prazo de cinco anos para homologação será a data da apresentação da declaração retificadora. Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 14 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 5/2/2014, a autuada foi cientificada da referida decisão (fl. 1693). Inconformada, em 21/2/2014, protocolou o recurso voluntário de fls. 1695/1787, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória, com exceção das glosas relativas aos complementos de preços dos contratos de preço a fixar, que considerou corretas, após exame detalhado do feito fiscal. Adicionalmente, alegou nulidade da decisão de primeiro grau, sob o argumento de que (i) não fora reconhecida a segregação da função da autoridade julgadora e fiscalizadora, (ii) houve cerceamento do direito de defesa, por ausência de enfrentamento de alegações suscitadas na manifestação de inconformidade e inovação do feito, ao fazer afirmações não contidas no despacho decisório. Em caráter alternativo, caso não fossem acatados os pedidos de nulidade e improcedência formulados, que o julgamento fosse convertido em diligência, para juntada de novos documentos, comprovação dos motivos de força maior e realização perícia técnica. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Inicialmente, é pertinente esclarecer que a controvérsia gira em torno de pedido de restituição de pagamento indevido de Cofins do mês de janeiro de 2006, no valor total de R$ 7.829.668,67, integralmente indeferido por inexistência do referido valor pleiteado. O litígio compreende questões preliminares e de mérito, conforme delineado no relatório precedente. 1) Da Análise das Questões Preliminares. Em sede de preliminar, a recorrente alegou nulidade do despacho decisório e da decisão de primeiro grau e, em caráter alternativo, formulou pedido de realização diligência/perícia. Da preliminar de nulidade do despacho decisório. No recurso em apreço, a recorrente reiterou a preliminar de nulidade do despacho decisório, com base nos seguintes argumentos: (i) fora exíguo o intervalo de tempo entre a juntada do feito fiscal e o prolação do despacho decisório, (ii) foram adotados critérios genéricos para determinar o montante valor do crédito glosado e (iii) o prazo de defesa de 30 (trinta) dias fora insuficiente para analisar todos os documentos elaborados pela fiscalização. No âmbito processo administrativo fiscal federal, as hipóteses de nulidade do despacho decisório encontramse estabelecidas no art. 59, II, do Decreto 70.235/1972, a saber: Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005208/200926 Acórdão n.º 3302003.206 S3C3T2 Fl. 1.804 15 (i) incompetência da autoridade julgadora e (ii) preterição do direito de defesa do sujeito passivo. No caso em tela, não se vislumbra nenhuma das situações. Com efeito, o citado despacho decisório foi proferido pelo titular da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) da jurisdição da recorrente, que é a autoridade competente para decidir sobre o pedido de restituição colacionados aos autos, nos termos do art. 302, VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF 203/2012. E compulsando o referido decisório, verificase que ele apresenta adequada fundamentação fática e jurídica, ademais, nas robustas peças defensivas colacionadas aos autos a recorrente demonstrou pleno conhecimento das razões do indeferimento do seu pleito de restituição, o que afasta qualquer imputação de cerceamento de direito defesa. Dada essa característica, todas as alegações de vício de nulidade do citado despacho decisório, aduzidas pela recorrente, não tem procedência, pelas razões a seguir. A recorrente alegou que o intervalo de tempo exíguo entre a juntada dos documentos e relatórios de auditoria fiscal pela fiscalização e a prolação do despacho decisório em questão, o que demonstrava que quem decidira o assunto foram os agentes fiscais que promoveram a fiscalização e não o Sr. Delegado competente; que, no caso, não existia previsão legal de delegação de competência; e que esta evidência atrai a regra da Lei 4.717/1965, que considera caracterizada a incompetência quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. De forma equivocada a recorrente utilizase de conceitos e institutos da Lei 4.717/1965, denominada de Lei da Ação Popular, para fundamentar juridicamente os seus argumentos, quando é de sabença que o processo administrativo fiscal federal é regido por diploma legal próprio e específico (o Decreto 70.235/1972), aplicandoselhe subsidiariamente os preceitos da Lei 9.784/1999 e do Código de Processo Civil. E especificamente sobre o ponto em comento, expressamente autoriza o art. 501, § 1º, da Lei 9.784/199, que, na motivação do ato administrativo, principalmente, do ato administrativo de natureza decisória, a autoridade julgadora pode declarar concordância com fundamentos de anteriores informações, que, neste caso, passam integrar o ato decisório. No caso, foi o que fez a autoridade julgadora da unidade da RFB de origem, ao utilizar na motivação do questionado despacho decisório as informações colacionadas aos autos pela fiscalização, que foram exaradas em perfeita consonância com o disposto no art. 65 da Instrução Normativa RFB 900/2008, vigente à época do pedido, que assim determinava, in verbis: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a 1 “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [...] § 1oA motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato.” Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 16 realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. [...] (grifos não originais) Também conflita com as informações e os dados detalhados nas planilhas e informações coligidas aos autos pela fiscalização, o argumento apresentado pela recorrente de que foram utilizados critérios genéricos para determinar o montante valor do crédito glosado, sem que apresentasse qualquer elemento indicativo da existência dessa circunstância. Também sem não procede alegada da recorrente de que fora insuficiente o prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar sobre os demonstrativos e planilhas elaborados pela fiscalização. A uma, porque tais documentos foram elaborados com base nos dados e informações extraídos da escrituração contábil e fiscal da própria recorrente, portanto, elementos que já eram do seu pleno conhecimento. A duas, porque por ocasião da formulação do pedido de restituição a recorrente já deveria ter todos os elementos probatórios do valor do crédito pleiteado, logo, se não os tinha o valor do indébito pleiteado não era certo e líquido, ou seja, não existia e, por essa circunstância, o pedido fora formulado indevidamente. A três, porque o referido prazo de defesa foi estabelecido por lei, no caso o art. 15 do Decreto 70.235/1972, logo, aplicável a todos sem qualquer distinção; ademais, por se tratar de norma legal vigente, não cabe a este Colegiado afastar a sua aplicada. Com base nessas considerações, ficam rejeitadas todas as alegações de nulidade do despacho decisório em apreço. Da nulidade da decisão primeiro grau. A recorrente alegou nulidade da decisão de primeiro grau, sob o argumento de que (i) não fora reconhecida a segregação da função da autoridade julgadora e fiscalizadora, (ii) houve cerceamento do direito de defesa, por ausência de enfrentamento de alegações suscitadas na manifestação de inconformidade e inovação do feito, ao fazer afirmações não contidas no despacho decisório. Sem razão a recorrente. Diferentemente do alegado, da leitura da decisão vergastada, constatase que o Colegiado se pronunciou de forma adequada e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas pela recorrente na manifestação inconformidade. Portanto, tratase de decisão adequadamente motivada. Além disso, de acordo com robusta peça recursal em apreço, a recorrente demonstrou pleno conhecimento dos fundamentos fáticos e jurídicos aduzidos no voto condutor da questionada decisão, inclusive, apresentou as razões de discordância em relação aos argumentos aduzidos no voto condutor do referido julgado, o que contraria o alegado cerceamento do direito de defesa. O mero fato de a recorrente discordar dos referidos fundamentos, certamente, não representa circunstância idônea com vistas a conspurcar a legitimidade da decisão em apreço. Da mesma forma, o fato de constar do referido voto afirmações não contidas no despacho decisório não implica inovação do feito, pois, além de demonstrada, verificase tratarse novos argumentos destinados a rebater as razões de defesa e robustecer os motivos consignados no referido despacho como fundamento para o indeferimento do pedido de restituição em apreço, que foram integralmente mantidos pela decisão recorrida, sem qualquer inovação. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal, não existe determinação de Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005208/200926 Acórdão n.º 3302003.206 S3C3T2 Fl. 1.805 17 qualquer ordem que obrigue o julgador do órgão ad quem a utilizar os mesmos argumentos ou informações aduzidos no julgamento a quo, ao contrário, desde que devidamente motivado, o efeito devolutivo amplo e o princípio da livre convicção, previsto no art. 29 do Decreto 70.235/1972, asseguralhe ampla liberdade para fundamentar a sua decisão. Também não configura cerceamento do direito de defesa o fato de o órgão julgador de primeiro grau não ter analisado as provas coligidas aos autos pela recorrente após a fase de manifestação de inconformidade, porque atingidas pela preclusão e rejeitado o alegado motivo força maior. E nesse ponto, entende este Relator que decidiu com o acerto o Colegiado a quo, porque a razão aduzida pela recorrente, ou seja, a existência de relatórios fiscais que incluíam inúmeras planilhas de cálculos não tem a menor a procedência, pois, além de fácil compreensão, as glosas realizadas, na grande maioria, foi motivada por questões de direito, falta de previsão legal para apropriação de crédito ou em razão da decadência do direito incluir novos créditos no Dacon retificador. As glosas motivadas por ausência de provas e que demandavam a coleta de documentos foram inexpressivas e, por óbvio, não se inclui na alegada condição de força maior, principalmente tendo vista que, no ato formulação do pleito a recorrente estava obrigada a manter a disposição da fiscalização todos os documentos comprobatórios do crédito pleiteado. Também não justificativa a alegada força maior, o fato de a recorrente ter sido cientificada de vários despachos decisórios na mesma ou em data aproximada, pois, se não tinha condição de comprovar o alegado em tantos pedidos de restituição formulados, tal deficiência não pode ser apresentada como justificativa para o não cumprimento das normas legais. Enfim, não procede a alegação de que houve cerceamento do direito de defesa, porque o órgão julgador de primeira instância não apreciou todos os argumentos de defesa suscitados na manifestação inconformidade, pois, não se pode olvidar que, no âmbito do processo administrativo fiscal, por força do disposto no art. 312 do Decreto 70.235/1972, o órgão de julgamento de primeira instância deve analisar todas as razões de defesa suscitados pela impugnante/manifestante, porém, sem a obrigatoriedade de rebater, um a um, todos argumentos aduzidos na peça defensiva. No mesmo sentido, tem se pronunciado a jurisprudência do STF, conforme se infere dos enunciados da ementa do julgado, analisado sob regime de repercussão geral, que seguem transcritos: Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento 2 "Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências". (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 18 ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (BRASIL. STF. AI 791292 QORG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe149 DIVULG 1208 2010 PUBLIC 13082010 EMENT VOL0241006 PP01289 RDECTRAB v. 18, n. 203, 2011, p. 113118 ) Com base nessas considerações, rejeitase a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau suscitada pela recorrente. Do pedido de realização de diligência/perícia. Em caráter alternativo, caso não fossem acatados os pedidos de nulidade e de improcedência formulados na peça recursal em apreço, a recorrente pleiteou que o julgamento fosse convertido em diligência, para juntada de novos documentos, comprovação dos motivos de força maior e realização perícia técnica. No âmbito do processo administrativo fiscal, além do atendimento dos requisitos legais, a decisão quanto ao deferimento ou não de realização de diligência ou de produção de prova pericial integra poder discricionário da autoridade julgadora. Assim, somente se esta entender necessária a obtenção de provas adicionais imprescindíveis ao deslinde da controvérsia é que converterá o julgamento em diligência, caso contrário, indeferirá o pedido, sendo suficiente que apresente fundamentação adequada para sua decisão. Esse é o entendimento que se extrai da leitura combinada dos arts. 18, 28 e 293 do Decreto 70.235/1972. Ainda segundo os referidos preceitos legais, o deferimento de realização de diligência somente se justifica se as provas documentais não puderem ser carreadas aos autos pelas partes e o de perícia somente quando há dúvida sobre questão de natureza técnica, cujos esclarecimentos dependem de conhecimento especializado, não sendo necessária nenhuma das duas quando o fato probante puder ser demonstrado com a mera juntada de documentos aos autos. No caso em tela, o pleito da autuada não merece acatamento, pois se limita a pedido de exame de provas documentais que se encontram sob sua guarda e que, certamente, poderia ter sido coligidas aos autos na fase processual adequada. Além disso, os questionamentos por ela formulados podem ser facilmente respondidos com base na análise dos elementos probatórios coligidos aos autos, em especial, dos demonstrativos e planilhas que integram o relatório fiscal, em que explicitados, pormenorizadamente, quais os valores dos créditos que foram glosados em correlação os valores informados nos respectivos Dacon, o que dispensa o concurso de profissional especializado, o que, por si só, torna desnecessária a realização da perícia requerida, conforme expressamente prevê o art. 4204, parágrafo único, I, do Código de Processo Civil. 3 "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. [...] Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." 4 Eis a redação do citado preceito legal: "Art. 420. A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação. Parágrafo único. O juiz indeferirá a perícia quando: I a prova do fato não depender do conhecimento especial de técnico; II for desnecessária em vista de outras provas produzidas; Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005208/200926 Acórdão n.º 3302003.206 S3C3T2 Fl. 1.806 19 Com base nessas considerações, por entender prescindíveis, indeferese o pedido de diligência/perícia reiterado pela recorrente. 2) Da Análise das Questões de Mérito. Em relação ao pedido de restituição em apreço, de acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 885/905, os créditos não admitidos pela fiscalização referemse a: a) “Glosa de Complementos de Valor”; b) “Glosa de Falta de Comprovação”; c) “ Glosa dos Fretes”; e d) “Glosa sobre decadência na apuração da contribuição”. No recurso em apreço, a recorrente expressamente concordou com à glosa dos créditos relativos aos gastos de complemento valor e não apresentou qualquer manifestação contrária a glosa dos créditos não comprovados, com exceção da glosa dos créditos calculados sobre os gastos com frete não comprovados, a seguir analisados. Dessa forma, a controvérsia remanescente cingese a glosa dos créditos (i) calculados sobre gastos com fretes, por falta de amparo legal e por falta de comprovação, e (ii) dos novos créditos apurados após 5 (cinco) anos do encerramento do período de apuração, em face da extinção por decadência na data da apresentação do Dacon retificador. Da glosa dos créditos relativo a gastos com frete. No que tange às glosas dos créditos calculados sobre o valor dos gastos com frete, antes de analisar os pontos controvertidos da lide, entendese oportuno apresentar uma breve digressão a respeito do fundamento jurídico do direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os variadas formas como se efetivam os gastos com a prestação de serviços de transporte a pessoas jurídicas que desenvolvem atividades comercial e industrial ou de produção. Em consonância com a legislação vigente, há fundamento jurídico para a apropriação de créditos sobre o valor do frete sob a forma de custo de aquisição, custo de produção e despesa de venda, conforme demonstrado a seguir. No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/20035, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; III a verificação for impraticável." 5 Por haver simetria entre os textos dos referidos diplomas lgais, aqui será reproduzido apenas os preceitos da Lei 10.833/2003, por ser mais completa e, em relação aos dispositivos específicos, haver remissão expressa no seu art. 15 de que eles também se aplicam à Contribuição para o PIS/Pasep disciplinada na Lei 10.637/2002. Fl. 1815DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 20 [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe. Em relação à atividade industrial, embora também não haja expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, II e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, com o art. 290 do RIR/1999, é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre o valor do frete relativo ao serviço de transporte: a) de bens de produção (matériasprimas, produtos intermediários e material e embalagem) a serem utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e b) bens em fase de produção ou fabricação (produtos em fabricação) entre estabelecimentos fabris do contribuinte ou não. Senão, veja a redação dos trechos relevantes dos citados preceitos legais, in verbis: Lei 10.833/2003: Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005208/200926 Acórdão n.º 3302003.206 S3C3T2 Fl. 1.807 21 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, [...]; [...] [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2ª desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, §1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; [...] (grifos não originais) De acordo com os referidos preceitos legais, inferese que a parcela do valor do frete, relativo ao transporte de bens a serem utilizados como insumos de produção ou fabricação de bens destinados à venda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições, enquanto que o valor do frete referente ao transporte dos bens em produção ou fabricação entre estabelecimentos fabris integra o custo produção na condição de serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Com a ressalva de que, pela razões anteriormente aduzidas, há direito de direito de apropriação de crédito sobre o valor do frete no transporte de bens utilizados como insumos, somente se o valor de aquisição destes bens gerar direito a apropriação de créditos das referidas contribuições. No âmbito da atividade de produção ou fabricação, os insumos representam os meios materiais e imateriais (bens e serviços) utilizados em todas as etapas do ciclo de produção ou fabricação, que se inicia com o ingresso dos bens de produção (matériasprimas ou produtos intermediários) e termina com a conclusão do produto a ser comercializado. Se a pessoa jurídica tem algumas operações do processo produtivo realizadas em unidades produtoras ou industriais situadas em diferentes localidades, certamente, durante o ciclo de produção ou fabricação haverá necessidade de transferência dos produtos em produção ou fabricação para os outros estabelecimentos produtores ou fabris, que demandará a prestação de serviços de transporte. Assim, em relação à atividade industrial ou de produção, a apropriação dos créditos calculados sobre o valor do frete, normalmente, darseá de duas formas diferentes, a Fl. 1817DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 22 saber: a) sob forma de custo de aquisição, integrado ao custo de aquisição do bem de produção (matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem); e b) sob a forma de custo de produção, correspondente ao valor do frete referente ao serviço do transporte dos produtos em fabricação nas operações de transferências entre estabelecimentos industriais. Com o fim do ciclo de produção ou industrialização, há permissão de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o valor do frete no transporte dos produtos acabados na operação de venda, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, conforme expressamente previsto no art. 3º, IX, e § 1º, II, da Lei 10.833/2003, que seguem reproduzidos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...] § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2ª desta Lei sobre o valor: [...] II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; [...] (grifos não originais) Cabe ainda ressaltar que, em todas as hipóteses de creditamento, o direito de apropriação dos referidos créditos está condicionado ao atendimento das condições instituídas no art. 3º, § 3°, da Lei 10.637/2002, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Dessa forma, somente o valor do gasto com frete incorrido no mês (regime de competência), pago ou creditado a pessoa jurídica domiciliada no País, gera direito à apropriação de créditos das referidas contribuições. Fl. 1818DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005208/200926 Acórdão n.º 3302003.206 S3C3T2 Fl. 1.808 23 Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. Será com base nesse entendimento que serão analisadas as glosas dos créditos apropriados sobre gastos com fretes objeto da presente controvérsia. De acordo com o citado Relatório da Auditoria Fiscal, a glosa dos créditos calculados sobre os gastos com fretes foram motivadas por falta de amparo legal, por falta de comprovação e por falta de estorno. As glosas por falta de amparo legal foram realizadas em relação aos créditos apropriados sobre os gastos com fretes relativos às operações de: a) aquisições de mercadorias com fim específico de exportação; b) operações de devolução de vendas; c) operações de devolução de compras de mercadorias; d) operações de transferências de mercadorias entre estabelecimentos; e) operações de remessas para armazéns gerais; f) aquisições de pessoas físicas de bens para revenda; e g) aquisições de mercadorias sem direito a crédito. As glosas dos créditos relativos a gastos com fretes não comprovados referemse (i) a “fretes intimados”, ou seja, aos gastos com fretes que a contribuinte, embora intimada a comprovar, não apresentou os documentos solicitados pela fiscalização, e (i) a fretes ferroviários. Fl. 1819DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 24 Por fim, as glosas dos créditos não estornados relativo a “frete de grãos exportados”, ou seja, a parcela do valor do crédito relativo aos gastos com frete correspondente ao valor dos insumos (bens) adquiridos de pessoas físicas para industrialização, posteriormente revendidos, cujo valores dos créditos estornados pela recorrente limitaramse apenas a parcela dos custos dos bens revendidos, sem o valor do frete incorporado aos custos de aquisição. A seguir serão analisados apenas as glosas relativas aos gastos com fretes contestados pela interessada no recurso em apreço e que se refira a glosas realizadas pela fiscalização. Dos fretes vinculados às aquisições com fim específico de exportação. Em relação aos gastos com fretes vinculados às aquisições de mercadorias com fim específico de exportação há expressa vedação à apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins sobre tais operações, determinada no art. 6º, § 4º, combinado com o disposto no art. 15, III, da Lei 10.833/2003, que seguem transcritos: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. [...] § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...] § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; [...]. (grifos não originais) Fl. 1820DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005208/200926 Acórdão n.º 3302003.206 S3C3T2 Fl. 1.809 25 A razão da vedação em destaque é óbvia. Ela tem por objetivo evitar a apropriação de crédito em duplicidade, tanto pela pessoa jurídica vendedora quanto pela pessoa jurídica compradora e exportadora. Ademais, por se tratar norma legal vigente, por força do disposto no caput do art. 26A do Decreto 70.235/1972, não cabe a este Conselheiro afastar aplicação a referida norma sob argumento de que ela fere preceito de ordem constitucional, em especial, princípio da não cumulatividade das referidas contribuições. Em relação ao ponto, a recorrente alegou que era possível a apropriação de crédito sobre os gastos com frete vinculados tais operações, porque, como se tratava de operação isenta, em conformidade com o entendimento do STF, exarado no julgamento dos RREE 196.527/MG e 212.637/MG, era legítimo o direito de apropriação de crédito nas operações de fretes em questão, uma vez que houve incidência sobre o gasto com a operação de frete e a lei previa a manutenção de créditos nas operações anteriores à exportação. Sem razão à recorrente. A uma, porque à jurisprudência citada referese ao princípio da não cumulatividade do IPI e se encontra superada pela atual jurisprudência da colenda Corte. A duas, porque a glosa em apreço não se refere à manutenção de crédito sobre os gastos com frete vinculados à operação exportação, mas à gastos com operação de frete vinculado a vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, que, conforme demonstrado, há expressa determinação legal que proíbe a apropriação de créditos. O entendimento exarado no Acórdão nº 340300.485 também não se aplica ao caso tela, pois, além de ser uma Resolução, no referido julgado não foi abordado o assunto em comento. Por todas essas razões, mantémse a glosa integral dos créditos apropriados sobre o valor dos gastos com frete vinculados às operações de venda com fim específico de exportação. Dos fretes vinculados às transferências entre estabelecimentos e remessas para depósitos fechados e armazéns gerais. Segundo a fiscalização, as glosas dos créditos calculados sobre os gastos com fretes nas operações de transporte entre estabelecimentos alcançavam transferência de produtos acabados, de produtos em elaboração e de insumos, pois, em qualquer dessas situações, inexistia previsão legal para a tomada de créditos relativamente aos serviços de transporte. O deslinde da questão envolve a análise do tipo gasto com transporte que permite apropriação de crédito. E com base no entendimento anteriormente esposado, geram de direito de créditos da Cofins os gastos com frete no transporte (i) de bens utilizados como insumos de industrialização de produtos destinados à venda e dos produtos em elaboração, nas transferências entre os estabelecimentos industriais da própria pessoa jurídica; e b) dos produtos acabados na operação de venda. Por outro lado, não geram direito a crédito da Cofins os gastos com o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos industriais e os estabelecimentos distribuidores da pessoa jurídica, por não configurar transferência de bens a ser utilizado como insumo nem operação de venda, mas mera operação de transferência dos produtos acabados, com intuito de facilitar a comercialização e a logística de entrega aos futuros compradores. Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 26 Dessa forma, chegase a conclusão que a recorrente só não faz jus aos créditos sobre os gastos com frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica. Logo, apenas em relação a esses gastos deve ser mantida a glosa. Pelas mesmas razões anteriormente aduzidas, também deve ser mantida a glosa dos créditos calculados sobre os gastos com fretes nas operações de remessas de produtos acabados para depósito fechado ou armazém geral, porque, induvidosamente, tais operações também não se enquadram como serviço de transporte utilizado como insumo de industrialização nem como operação de venda, operações asseguram a apropriação dos referidos créditos, conforme anteriormente demonstrado. Dos fretes vinculados às operações de devolução de venda e de compra. Segundo a fiscalização, a presente glosa referese a créditos calculados sobre despesas com frete no transporte de mercadorias devolvidas tanto nas operações de devolução de compras quanto nas operações de devolução de vendas. Em relação à operação de devolução de venda, há permissão apenas para o estorno do valor do débito da contribuição calculado sobre o valor da receita da venda do bem devolvido, conforme se extrai do disposto no art. 3º, VIII, e § 1º, IV, da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. [...] § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2odesta Lei sobre o valor: [...] IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. [...] (grifos não originais) Já no que tange à operação de devolução de compra, não há previsão de legal de apropriação de crédito, mas determinação para o estorno do valor do crédito calculado sobre custo de aquisição do bem devolvido. Assim, independentemente do tipo de operação de devolução, não existe amparo legal para a apropriação de crédito da contribuição calculado sobre os gastos com frete no transporte de bens devolvidos tanto nas operações de devolução de vendas6 quanto nas operações de devolução de compras. 6 Cabe esclarecer que nas assentadas anteriores, com base na análise isolada do art. 3º, VIII, da Lei 10.637/2002, este Relator apresentou entendimento de que, em relação à operação de devolução de venda, era assegurado o direito de apropriação de crédito calculado sobre a despesa com frete no transporte dos bens devolvidos. Porém, após análise combinada do disposto no inciso VIII com o disposto no § 1º, IV, ambos do art. 3º da Lei 10.637/2002, este Relator rever o o entendimento anterior e passa a admitir que também em relação à operação de Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005208/200926 Acórdão n.º 3302003.206 S3C3T2 Fl. 1.810 27 Com base nessas considerações, deve ser integralmente mantida a presente glosa determinada pela fiscalização. Dos fretes vinculados às aquisições de pessoas físicas de bens para revenda. Segundo a fiscalização, se não há direito a créditos nas aquisições de mercadorias para revenda, feitas de produtor pessoa física não havia que se falar em créditos relativos aos fretes relacionados a essas aquisições, visto que os mesmos constituemse em parte do custo de aquisição. Assiste razão à fiscalização. Os bens adquiridos para revenda de pessoas físicas não asseguram direito ao crédito da Cofins, segundo determina o art. 3º, § 3º, I, da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; [...] (grifos não originais) Dessa forma, se os gastos com frete vinculados ao transporte de bens adquiridos para revenda admitem apropriação de crédito somente sob forma de custos agregados aos referidos bens, conforme anteriormente demonstrado, como não há direito a apropriação de crédito sobre aquisição de produtos adquiridos para revenda de pessoas físicas, por conseguinte, também não existe permissão para dedução de créditos sobre os gastos de frete com transporte de tais bens. Assim, fica demonstrada a improcedência da alegação da recorrente de que fazia jus ao referido crédito, porque as operações de aquisição e as operações de transporte (frete) eram operações de distintas naturezas e a isenção ou não incidência em uma das operações não afetava a incidência tributária da outra operação, nem lhe prejudicava o direito ao crédito quando admitido nos termos da lei. Com base nessas considerações, mantémse integralmente a glosa realizada pela fiscalização. Da glosa dos créditos de fretes não comprovados. Em relação as glosas dos créditos por falta de comprovação, a recorrente limitouse em alegar que não havia apresentados as provas em razão do prazo exíguo do 30 (trinta) dias que lhe fora concedido, que deveria ser dilatado por este Conselho, sob pena de mais uma vez ferir o direito de ampla defesa. devolução de venda também não existe amparo legal para apropriação de crédito sobre o valor da despesa com frete relativa a esta operação. Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 28 Sem procedência a alegação da recorrente. Os documentos comprobatórios do valor crédito pleiteado, se existentes, deveriam estar em poder da recorrente desde o momento em que formulado o pedido de restituição, para que, quando solicitado pela fiscalização, fosse apresentado dentro do prazo estabelecido, o que não ocorreu no caso em tela. Noticiam os autos que, embora regularmente intimada, a recorrente não apresentou os documentos comprobatórios dos gastos relativos aos créditos declarados no respectivo Dacon. Da mesma forma, no prazo legal de apresentação manifestação de inconformidade, a recorrente também não apresentou tais documentos, a que estava obrigada, nos termos do art. 16, III, do Decreto 70.235/1972. Assim, ao não apresentar a referida documentação com a manifestação de inconformidade, por força do disposto no art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/1972, consumouse a preclusão do direito de posteriormente apresentála nos presentes autos. Além disso, no recurso em apreço, a recorrente não dignou demonstrar quais a quais itens dos gastos com frete referiamse os supostos documentos comprobatórios, o que impossibilita analisálos. Com efeito, no final recurso, a recorrente apenas mencionou que foi coligido aos autos arquivos em mídia (DVD), contendo notas fiscais dos meses de janeiro a junho de 2006, sem contudo especificar a que se refere tais notas fiscais e quais tipos de gastos elas se referem. A propósito, não se pode olvidar que o exercício do direito de defesa prescinde de objetividade e clareza nos argumentos e, quando necessário a comprovação, da apresentação e referência direta aos elementos probatórios correspondentes. A apresentação de longo texto recheado, em grande parte, de argumentos desconexos e fora de contexto, sem qualquer referência direta aos meios de provas adequados que lhe dão sustentação, além de não esclarecer o cerne da questão, atrapalha e dificulta o deslinde da contenda. Dada essa circunstância, este Relator fica impossibilitado de analisar a citada documentação e, por conseguinte, converter o julgamento em diligência, pelas razões anteriormente aduzidas, por entender que, no caso em tela, não ficou demonstrada a intenção da recorrente em comprovar os fatos em questão, no tempo propício e por meio da documentação adequada, pois, se assim desejasse, certamente, teria trazido aos autos, sem dificuldade, a documentação adequada, posto que, no caso em tela, a comprovação dos fatos controversos dependia apenas da apresentação de documentos fiscais e contábeis que, se existentes, deveriam estar em poder da recorrente. Por essas razões, mantémse a glosa integral dos referidos créditos, por ausência de comprovação. Da glosa dos créditos motivada pela decadência. De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 900/902), a última retificação do Dacon ocorreu no dia 14 de novembro de 2012, quando já havia decorrido mais de 5 anos contado da data do fato gerador da Cofins do mês janeiro de 2006, objeto do presente pleito de restituição. Por força dessa circunstância, não cabia o aumento de créditos ou a diminuição do débito, em face da ocorrência da decadência determinada no art. 150, § 4º, do CTN. Logo, o valor da glosa em apreço consistiu no aumento irregular do crédito apurado após o prazo de 5 anos da ocorrência do fato gerador, ou seja, quando já havia se consumado o prazo de decadência do direito de apuração do valor da contribuição devida no período. Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005208/200926 Acórdão n.º 3302003.206 S3C3T2 Fl. 1.811 29 Em relação à glosa desses créditos, a recorrente limitouse em alegar questões de fato relacionadas aos critérios de apuração dos valores acrescentados, quando o motivo da glosa cingese a questão exclusivamente de direito, ou seja, se na data de 14 de novembro de 2012 a recorrente ainda poderia retificar o respectivo Dacon para incluir novos valores de crédito, com vista a apuração do valor do débito da Cofins do período de apuração. Logo, não tem qualquer relevância para o deslinde controvérsia a análise das supostas provas juntadas aos autos, inclusive a destempo, pela recorrente. Sabidamente, nas hipóteses permitidas, o contribuinte dispõe do prazo de 5 (cinco) anos, contado do fato gerador, para proceder a retificação do Dacon do período, com a finalidade de acrescentar novos créditos ou reduzir débitos anteriormente declarados relativos a Cofins do período de apuração. No caso em tela, no dia 14 de novembro de 2012, induvidosamente, já havia se consumado o referido prazo decadencial para apuração da Cofins do mês de janeiro de 2006, que se completou no dia 31/1/2011. Portanto, agiu com acerto a fiscalização ao proceder a glosa dos valores dos créditos acrescidos no correspondente Dacon retificador, com vistas à apuração do valor da Cofins do citado período de apuração, pois já havia se consumado a decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Dos supostos erros de apuração cometidos pela fiscalização. No recurso em apreço, a recorrente reitera alegado erro de apuração cometido pela fiscalização na apuração dos créditos do 1º trimestre 2005 e no 2º trimestre de 2006. Entretanto, por não se referir ao período de apuração dos créditos em apreço e não haver a recorrente demonstrado que houve repercussão dos alegados erros sobre a apuração do valor dos créditos apurados no período de apuração dos créditos objeto do presente pedido de restituição, por ser irrelevante, deixase de analisar o mérito dos citados erros. 3) Da Conclusão. Por todo o exposto, votase pela rejeição das preliminares de nulidade do despacho decisório e da decisão de primeiro grau e pelo indeferimento do pedido de diligência/perícia, e, no mérito, pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para restabelecer o direito da recorrente à dedução dos créditos calculados sobre o valor dos gastos com frete no transporte de bens utilizados como insumos, inclusive os produtos inacabados, entre os estabelecimentos industriais da própria pessoa jurídica ou remetidos para depósitos fechados ou armazéns gerais. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 30 Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A
score : 1.0
Numero do processo: 10073.722148/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. PROVA DOCUMENTAL. SÚMULA CARF Nº 63
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63).
A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos.
DIRPF RETIFICADORA. PAGAMENTO FEITO COM BASE NA DECLARAÇÃO ORIGINAL. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA.
No caso de DIRPF Retificadora que pleiteia restituição indevida, se configurada a extinção do crédito tributário por pagamento realizado pelo contribuinte na declaração original, deves-se excluir a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre os valores de imposto exigidos, para os quais houve o recolhimento espontâneo.
Numero da decisão: 2202-003.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da Notificação de Lançamento a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre o valor do imposto de R$ 2.109,84, vencido o Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada, que negou provimento.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. PROVA DOCUMENTAL. SÚMULA CARF Nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63). A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. DIRPF RETIFICADORA. PAGAMENTO FEITO COM BASE NA DECLARAÇÃO ORIGINAL. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. No caso de DIRPF Retificadora que pleiteia restituição indevida, se configurada a extinção do crédito tributário por pagamento realizado pelo contribuinte na declaração original, devesse excluir a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre os valores de imposto exigidos, para os quais houve o recolhimento espontâneo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da Notificação de Lançamento a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre o valor do imposto de R$ 2.109,84, vencido o Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada, que negou provimento. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 21 48 /2 01 4- 11 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10073.722148/201411 Acórdão n.º 2202003.383 S2C2T2 Fl. 122 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Reproduzo o relatório do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA: Tratase de notificação de lançamento nº 2011/207917944400041 (fls. 5 a 9) lavrada pela DRF em Volta Redonda (RJ) (DRF/VRA) em 29/09/14, com ciência do contribuinte em 13/10/14 (fl. 37)1, referente ao exercício de 2011 (anocalendário 2010), com os seguintes valores notificados: Tributo Principal Juros de Mora Multa Totais Código IRPF (Suplementar) 4.251,52 1.335,40 3.188,64 8.775,56 2904 Totais 4.251,52 1.335,40 3.188,64 8.775,56 A contribuinte foi notificada por omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 101.443,11, sem compensação de IRRF sobre os rendimentos omitidos, das seguintes fontes pagadoras (fl. 7): 1) R$ 10.399,43 da Justiça Federal de Primeiro Grau no Rio de Janeiro (CNPJ 05.424.540/000116). 2) R$ 83.255,79 do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (CNPJ 32.243.347/000151). 3) R$ 7.787,89 do Instituto Nacional do Seguro Social INSS (CNPJ 97.903.600/014010). A base legal consta da notificação de lançamento (fls. 5 e 7). O contribuinte apresentou impugnação em 30/10/14 (fl. 3 e 4), alegando, em resumo, o seguinte: 1) Concorda com a omissão dos valores recebidos da fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social INSS, no montante de R$ 7.787,89, sem compensação de IRRF sobre os rendimentos omitidos. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10073.722148/201411 Acórdão n.º 2202003.383 S2C2T2 Fl. 123 3 2) Quanto aos rendimentos de R$ 10.399,43 (Justiça Federal de Primeiro Grau no Rio de Janeiro) e R$ 83.255,79 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região), alega que não houve a sua omissão, pois foram recebidos os valores declarados, mas como rendimentos isentos, visto possuir moléstia grave desde 01/01/2010. Anexa os seguintes documentos: a) Comprovante de Rendimentos Pagos e de Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte (fl. 11); b) Atestado da médica assistente neurologista (Dra. Sandra Regiani), datado de 30/04/12, declarando ser a impugnante portadora da doença de Parkinson (fl. 17); c) Laudo Pericial emitido pela médica assistente neurologista (Dra. Sandra Regiani), datado de 18/05/13, atestando que a impugnante encontrase sob seus cuidados médicos, e acometida na doença de Parkinson desde 02/10/09 (fl. 18). d) Petição administrativa de integralização de proventos de aposentadoria, bem como de isenção do imposto de renda, junto ao presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, datada de 11/06/13, tendo em vista julgar estar enquadrada em uma das moléstias graves prescritas no inc. XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88 (fl. 12); e) Correspondência da Junta Médica do Tribunal Regional federal da 2ª Região à neurologista assistente, solicitando novo laudo médico com esclarecimentos sobre a doença da impugnante, datada de 21/10/13 (fl. 13); f) Resposta da neurologista à Junta Médica do Tribunal Regional federal da 2ª Região, datada de 09/12/13 (fl. 16); g) Parecer nº TRF2PAR2014/00333, datado de 09/04/14, da Divisão de Atenção à Saúde do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, informando, para fins de isenção do imposto de renda, como data de início da doença (doença de Parkinson), a data informada no último laudo de sua médica assistente, a saber, janeiro de 2010 (fls. 14 e 15); h) Parecer nº TRF2PAR2014/00418 (fls. 21 a 26), emitido pela assessoria técnica do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, datado de 14/05/14, sugerindo, com base na legislação em vigor e no Parecer nº TRF2PAR2014/00333, da Divisão de Atenção à Saúde, a concessão de isenção do imposto de renda, sobre os proventos de aposentadoria, a partir de fevereiro de 2011 (mês inicial da aposentadoria, segundo o laudo médico oficial (fl. 25); já na sua conclusão (fl. 26), em aparente contradição à sugestão constante na fl. 25, o parecer sugere a concessão de isenção do imposto de renda, nos proventos da impugnante, de janeiro de 2010 a abril de 2017, tendo em vista a previsão de reavaliação em prazo não inferior a 3 anos. i) Despacho nº TRF2DES2014/08023, do Tribunal Regional Federal da 2º Região, datado de 02/06/14, deferindo, entre outros pedidos, com base no laudo da junta médica oficial (TRF2PAR2014/00333), a isenção do imposto de renda formulado pela impugnante, de fevereiro de 2011 (mês inicial da aposentadoria) até abril de 2017 (prazo fixado no laudo) (fl. 20). j) Carta TRF2CAT2014/00235, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, datada de 17/06/14, endereçada à impugnante, deferindo a isenção do imposto de renda e outras informações (fl 19). k) Informação nº TRF2INF2014/04545, emitida pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, datada de 10/06/14, informando, entre outros pontos, os procedimentos Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10073.722148/201411 Acórdão n.º 2202003.383 S2C2T2 Fl. 124 4 para a servidora obter eventual restituição do imposto retido na fonte no período de fevereiro de 2011 a maio de 2013 (fls. 27 e 28). Como a contribuinte reconheceu a omissão dos rendimentos recebidos da fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social INSS, no montante de R$ 7.787,89, a DRF/VRA transferiu, para o processo nº 10073720.169/201574, o valor de R$ 326,39 de imposto complementar do total notificado de R$ 4.251,52, na mesma proporção do total de rendimentos omitidos notificados (R$ 7.787,89 / R$ 101.443,11) (fls. 38 e 39). Restou em litígio o valor de R$ 3.925,13 (principal) de imposto, correspondente aos rendimentos omitidos de R$ 10.399,43 (Justiça Federal de Primeiro Grau no Rio de Janeiro) e R$ 83.255,79 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região) (fl. 40). Em 03/03/15, a contribuinte juntou ao processo os seguintes documentos (fls 44 a 47): 1) Laudo Pericial do INSS, datado de 08/10/14 (fl. 46); 2) Extrato de Informações do Benefício (fl. 47). A DRF/VRA atestou a tempestividade da impugnação (fl. 42). É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo notificado. RENDIMENTOS. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DE PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Para o reconhecimento da isenção para os portadores de moléstia grave, além da comprovação da doença mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, é necessário que os rendimentos sejam decorrentes de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão. A DRJ decidiu no seguinte sentido: A contribuinte apresentou laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União (INSS – fl. 46), confirmando o diagnóstico da doença de Parkinson desde 10/2009, e sem prazo de validade, já que a doença é diagnosticada nesse laudo como não passível de controle. Porém, os rendimentos constantes na presente notificação de lançamento referem se a trabalho assalariado com ou sem vínculo empregatício (fl. 7), ou seja, rendimentos tributáveis que deveriam ter sido declarados pela impugnante no ano Fl. 124DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10073.722148/201411 Acórdão n.º 2202003.383 S2C2T2 Fl. 125 5 calendário de 2010, pois não se originaram de aposentadoria, reforma ou pensão, tampouco o contribuinte os comprovou como tais. Desta forma, considerando os elementos trazidos ao processo, o imposto suplementar a pagar deve ser mantido conforme a notificação de lançamento, considerando os valores já apartados do litígio por não terem sido comprovados pela contribuinte que se referiam a proventos oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão. Cientificado dessa decisão em 22/04/2015, por via postal (A.R. de fl. 57), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 20/05/2014 (fls. 59 a 115), reconhecendo a tributação sobre seus rendimentos, porém solicita a dedução dos valores recolhidos por meio de DARFs no período de abril a novembro de 2011 (código 0211) e em março de 2015 (código 2904), os quais foram anexados ao recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria ou reforma. Lei nº 7.713/1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (destaquei) A Súmula CARF Nº 63 assim dispõe sobre as condições para gozo da isenção do imposto de renda: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser Fl. 125DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10073.722148/201411 Acórdão n.º 2202003.383 S2C2T2 Fl. 126 6 provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No presente caso, não está presente o requisito de que os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria ou pensão, o que já foi reconhecido pela própria Contribuinte em seu recurso voluntário. A Contribuinte também já reconheceu, por ocasião da impugnação, a tributação sobre os valores recebidos do INSS, no total de R$ 7.787,89. Resta então em litígio apenas a questão da dedução dos valores por ela recolhidos por meio de DARFs, os quais encontramse anexados ao recurso (fls. 72 a 82). Observase que a Contribuinte efetuou os recolhimentos nas seguintes datas e valores, por meio de DARFs sob o código 0211, com base na declaração original: Data Valor do imposto (principal) em R$ 29/04/2011 263,73 31/05/2011 263,73 30/06/2011 263,73 29/07/2011 263,73 31/08/2011 263,73 30/09/2011 263,73 31/10/2011 263,73 30/11/2011 263,73 Total: 2.109,84 O total do imposto recolhido (principal), sob o código 0211, corresponde a R$ 2.109,84. Os valores recolhidos pela Contribuinte antes do início do procedimento fiscal, quando ela gozava de espontaneidade, não podem ser exigidos com multa de ofício. CTN Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10073.722148/201411 Acórdão n.º 2202003.383 S2C2T2 Fl. 127 7 Não se pode exigir, por meio de Notificação de Lançamento, multa de ofício sobre um crédito tributário que foi extinto pelo pagamento, nos termos do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN. O pagamento antecipado, conforme dispõe o § 1º do artigo 150 do CTN, extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Mesmo que não ocorra a homologação, o pagamento feito extingue a obrigação tributária. Apenas se o pagamento realizado não for suficiente para extinguila totalmente, caberá o lançamento de ofício para exigência da diferença. CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. [..] Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; [...] Muito embora a declaração retificadora realmente substitua a declaração original, fato é que o pagamento extingue o crédito tributário, conforme prevê o inciso I do art. 156 do CTN. No presente caso, devem ser excluídos do lançamento de ofício a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre os valores recolhidos tempestivamente antes do início da ação fiscal, por meio dos DARFs de código 0211, que correspondem a R$ 2.109,84 (valor do imposto). Nesse sentido temos a seguinte decisão do CARF: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 Ementa: IRPF – PAGAMENTO – COMPROVAÇÃO. O pagamento tempestivo da obrigação tributária constante da declaração original posteriormente retificada exclui a aplicação de multa de ofício e juros de mora sobre o imposto apurado em revisão de ofício da retificadora que não tenha resultado em exigência de principal superior àquela constante da original. (Acórdão nº 220101.153, de 06/06/2011, Rel. Gustavo Lian Haddad). Em relação ao recolhimento efetuado em 17/03/2015, sob o código 2904, ele deverá ser considerado pela Delegacia de origem para abater do valor do lançamento de ofício, conforme a sistemática de cobrança normalmente adotada. Ou seja, deve ser mantido o Fl. 127DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10073.722148/201411 Acórdão n.º 2202003.383 S2C2T2 Fl. 128 8 lançamento do imposto, da multa de ofício e dos juros de mora em relação a ele, posto que se trata de pagamento referente ao próprio lançamento e efetuado após o mesmo. A DRF de origem deverá alocar ao imposto lançado de ofício os valores pagos antes do procedimento fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para excluir da Notificação de Lançamento a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre o valor do imposto de R$ 2.109,84. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 128DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10242.720216/2014-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
LUCRO REAL. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NECESSIDADE DE VINCULAÇÃO E SINCRONIA. DESCARACTERIZAÇÃO.
Para que uma subvenção possa ser considerada como de investimento e, nessa condição, se encontre fora do cômputo da base de cálculo do IRPJ apurado pelo lucro real, é imprescindível a sua efetiva e específica aplicação na aquisição de bens ou direitos necessários à implantação ou expansão de empreendimento econômico. Na ausência de tal vinculação e sincronia, os valores objeto da subvenção, decorrentes de créditos presumidos de ICMS, devem ser computados na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL.
SALDO CREDOR DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITA. ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS
O saldo credor de caixa caracteriza a presunção de omissão de receitas em montante equivalente, se as justificativas do contribuinte são meras alegações, que não encontram respaldo na sua própria contabilidade.
OMISSÃO DE RECEITAS - SUPRIMENTOS DE CAIXA POR SÓCIO.
Não comprovadas com documentação hábil e idônea a origem e a efetiva entrega de numerário escriturado na contabilidade da contribuinte a título de empréstimo junto a seu sócio, procede o lançamento a título de omissão de receitas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Em se tratando de exigências reflexas que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes.
Numero da decisão: 1401-001.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade, e no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos seguintes termos: I) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação ao suprimento de numerário; II) Por maioria de votos, NEGAR provimento em relação à subvenção para investimento. Vencidas as Conselheiras Aurora Tomazini de Carvalho (Relatora) e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. O Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório acompanhou pelas conclusões. Designado o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Aurora Tomazini de Carvalho - Relatora
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregório, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Marcos de Aguiar Villas-Bôas.
Nome do relator: AURORA TOMAZINI DE CARVALHO
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SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NECESSIDADE DE VINCULAÇÃO E SINCRONIA. DESCARACTERIZAÇÃO. Para que uma subvenção possa ser considerada como de investimento e, nessa condição, se encontre fora do cômputo da base de cálculo do IRPJ apurado pelo lucro real, é imprescindível a sua efetiva e específica aplicação na aquisição de bens ou direitos necessários à implantação ou expansão de empreendimento econômico. Na ausência de tal vinculação e sincronia, os valores objeto da subvenção, decorrentes de créditos presumidos de ICMS, devem ser computados na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. SALDO CREDOR DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITA. ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS O saldo credor de caixa caracteriza a presunção de omissão de receitas em montante equivalente, se as justificativas do contribuinte são meras alegações, que não encontram respaldo na sua própria contabilidade. OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTOS DE CAIXA POR SÓCIO. Não comprovadas com documentação hábil e idônea a origem e a efetiva entrega de numerário escriturado na contabilidade da contribuinte a título de empréstimo junto a seu sócio, procede o lançamento a título de omissão de receitas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigências reflexas que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 2. 72 02 16 /2 01 4- 18 Fl. 719DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade, e no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos seguintes termos: I) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação ao suprimento de numerário; II) Por maioria de votos, NEGAR provimento em relação à subvenção para investimento. Vencidas as Conselheiras Aurora Tomazini de Carvalho (Relatora) e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. O Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório acompanhou pelas conclusões. Designado o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Aurora Tomazini de Carvalho Relatora (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregório, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Marcos de Aguiar VillasBôas. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10242.720216/201418 Acórdão n.º 1401001.621 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de processo administrativo originado com a lavratura de quatro autos de infração (fls. 03/60) para a constituição de créditos tributários relativos a Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição ao PIS/Pasep e COFINS. Os autos de infração referemse a fatos geradores ocorridos no período de Janeiro a Dezembro de 2010 e, além do principal, incluem também juros e multa nos percentuais de 75% e 150%. De acordo com a fiscalização foram constatadas as seguintes infrações: Infração 1: exclusão indevida, do Lucro Real, de quantias referentes a subvenções governamentais; Infração 2: compensação indevida de prejuízo fiscal referente ao 4º trimestre de 2009, gerado por conta da exclusão indevida de subvenções governamentais; Infração 3: compensação indevida de base de cálculo negativa referente ao 4º trimestre de 2009, gerada por conta da exclusão indevida de subvenções governamentais; Infração 4: omissão de receitas, presumida em razão da existência de saldo credor de caixa; Infração 5: omissão de receitas, presumida por conta da não comprovação do suposto suprimento de caixa por sócios e administradores. Cada uma das infrações é descrita pormenorizadamente no Relatório Fiscal (fls. 62/97). A contribuinte, tributada pelo regime de tributação do IRPJ com base no lucro real, durante o calendário de 2010, excluiu da base de cálculo do imposto valores a título de subvenções governamentais para investimento no montante de R$ 11.853.098,83. A Receita Federal, com base nas cópias do termo de acordo do regime especial 005/2005, firmado em 7 de julho de 2005, e o termo de acordo do ato concessório nº 327/10, firmado em 29 de dezembro de 2010, entendeu caracterizarse o beneficio como subvenções para custeio, por se tratar de concessão de crédito presumido em função da manutenção da atividade da empresa estabelecida no Estado de Rondônia, com a condição de promover a saída interestadual de mercadoria importada do exterior, sendo tal condição insuficiente para enquadrálo como subvenção para investimentos, nos termos do art. 38 do DecretoLei 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Sob esta motivação, foi lavrado lançamento de ofício dos valores de IRPJ e reflexos, tomando como base de cálculo as exclusões registradas no LALUR a título Fl. 721DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 subvenções governamentais, as quais, de acordo com a Receita Federal, foram realizadas indevidamente em 2010 (R$ 11.853.098,83). Apurou também a fiscalização que a exclusão a título de doações e subvenções para Investimento, no montante de R$ 1.658.133,51, ocorrida no 4º trimestre de 2009, gerou um prejuízo fiscal de R$ 594.434,60 indevido, e que a compensação do prejuízo fiscal no ano calendário de 2010 (cujo montante representa a importância de R$ 291.425,42), foi realizada em valor superior ao saldo de prejuízos a compensar (R$ 0,00), sendo, portanto, irregular, o que motivou o lançamento de ofício dos valores IRPJ e reflexos (CSLL), tomando como base de cálculo os valores das compensações de base de cálculo negativa realizadas indevidamente em 2010 (R$ 291.425,42). Além disso, foi constatado a existência de saldos credores na Conta Contábil 1010101000001 – CAIXA GERAL conforme tabela de fls 81 e, embora a contribuinte tenha afirmado que empréstimos dos sócios que resultaram no saldo devedor da Conta Caixa, foi verificado apenas um lançamento dessa operação, no valor de R$ 9,2 milhões, no mês de novembro de 2010 (dos sócios Eugênio Odilon Ribeiro e Euflávio Odilon Ribeiro para a contribuinte ora fiscalizada), cuja contrapartida ocorreu na Conta Contábil 2020103000000 – EMPRESTIMOS DE SOCIOS PESSOA FÍSICA, na mesma data. Assim, foi solicitado pela fiscalização que a contribuinte apresentasse documentação comprobatória da operação de empréstimo de R$ 9,2 milhões dos sócios Eugênio Odilon Ribeiro e Euflávio Odilon Ribeiro para a Ciclo Cairu Ltda e a efetiva entrega dos recursos financeiros (cópias autenticadas), bem como comprovante dos tributos recolhidos referentes a tal operação (PIS/COFINS/IOF). Em atendimento às notificações, a contribuinte apresentou cópias autenticadas de contratos de adiantamento para futuro aumento de capital, assinados pelos sócios, totalizando R$ 9,2 milhões. No entanto, não apresentou os comprovantes da efetiva entrega dos recursos financeiros. Ao analisar os contratos a fiscalização constatou indícios de que foram elaborados apenas para atender a intimação fiscal e afastar a tributação do IOF. E, como a contribuinte não apresentou comprovante da entrega dos recursos, bem como sua origem, foi efetuado o lançamento de ofício dos valores de IRPJ e reflexos tomando como base de cálculo o valor dos empréstimos dos sócios à empresa Ciclo Cairu LTDA, conforme lançamento a débito na Conta Contábil 1010101000001 – Caixa Geral, em 10 de novembro de 2010, no montante de R$ 9,2 milhões, respeitando o respectivo período de apuração trimestral. Sobre os créditos tributários lançados de ofício, foi lançada a multa de 75% (ofício) nos termos do Art. 44, inciso I, da Lei 9.430 de 27 de dezembro de 1996, tendo em vista a falta de recolhimento em função da indevida escrituração das subvenções governamentais. E, a multa de 150% (qualificada), nos termos do Art. 44, inciso I e § 1º, da Lei 9.430 de 27 de dezembro de 1996, em razão do suprimento de caixa por sócio e administrador tendose em conta os indícios de fraude dos contratos apresentados. Inconformada, a empresa autuada apresentou a impugnação alegando, resumidamente: i) nulidade do mandado de procedimento fiscal; ii) que as subvenções caracterizamse como de investimento por estarem sujeitas a condição de geração de emprego e renda à população e que efetivamente foram investidos mais de R$ 22.000.000,00, somente em 2010, em construções, máquinas, equipamentos, veículos, móveis, utensílios, computadores e periféricos; iii) que o saldo credor de caixa decorreu de um erro contábil nas escriturações dos empréstimos; iv) que os documentos originais capazes de comprovar os empréstimos dos sócios foram queimados em razão de um incêndio que atingiu a sede da empresa e que, por Fl. 722DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10242.720216/201418 Acórdão n.º 1401001.621 S1C4T1 Fl. 4 5 isso, os contratos apresentavam indícios de terem sido elaborados apenas para atender a intimação e mascarar os fatos. E, para comprovar suas alegações, trouxe aos autos, as DIRPFs (Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física) dos sócios, referentes ao ano calendário de 2010, nas quais se demonstra, na ficha “Bens e Direitos”, o lançamento de R$ 4.600.000,00 para cada sócio, totalizando o valor do empréstimo de R$ 9,2 milhões. Em 12 de dezembro de 2014 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) decidiu julgar improcedente a impugnação, não acolhendo as alegações da contribuinte, que apresentou, então, o presente Recurso Voluntário, em que repete as razões sustentadas na Impugnação, acrescentando que o seguinte: (i) A emissão de novo MPF implica reezame de objeto já analisado anteriormente; (ii) A lei permite apenas o reexame do mesmo período/exercício, não o reexame do mesmo objeto; (iii) Há hierarquia entre o Superintendente e os Delegados da Receita Federal, nos termos do artigo 5º da Portaria nº 587/2010 (regimento interno vigente à época), competindo ao primeiro promover a instauração de novo procedimento fiscal em relação a tributos e períodos anteriormente fiscalizados; (iv) Relativamente às subvenções mencionadas, não seria necessário a comprovação efetiva e específica da aplicação dos recursos. (v) O saldo credor de caixa originouse de um erro contábil e, por meio dos extratos bancários dos sócios que acompanharam o recurso voluntário, é possível identificar as transferências a título de empréstimos; (vi) Os extratos bancários dos sócios comprovam, ainda, o suprimento de caixa realizado pelos sócios por meio de empréstimos/mútuos realizados. É o relatório. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 Voto Vencido Conselheira Relatora Aurora Tomazini de Carvalho O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que deve ser conhecido. A lide possui três questões controversas, que serão analisadas separadamente: (i) possibilidade de dedução das subvenções da base de cálculo do IRPJ; (ii) presunção de omissão de receitas em razão da existência de saldo credor de caixa; e (iii) suprimento de caixa por sócios e administradores. Antes, porém, do exame do mérito, analisaremos as alegações de nulidade formuladas pela Recorrente. 1. PRELIMINARES 1.1. Nulidade da autuação: reexame de mesmo objeto Alega a Recorrente que o MPF (Mandado de Procedimento Fiscal) nº 02.5.02.002013002121 que originou o presente auto de infração é nulo pelo fato de que implicou reexame de objeto já analisado no ano anterior (2012) pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Velho. Em 2012, por conta do MPF nº 02.5.01.002012002147, a DRF de Porto Velho realizou diligência para verificar a natureza dos valores declarados em DIPJ como "Doações e Subvenções", a qual foi concluída sem a lavratura de auto de infração. Isso, no entanto, não significa que o período em questão não poderia ser objeto de nova fiscalização, relativamente aos mesmos fatos, tendo em vista o que prescreve o art. 906 do RIR: Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. É indiscutível que a Recorrente já sofrera outra fiscalização em relação ao mesmo exercício. Porém, é também indiscutível que foi autorizado o reexame pela autoridade administrativa competente. Não há, portanto, que se falar em nulidade do lançamento pelo fato de a Recorrente já ter sido anteriormente fiscalizada, relativamente aos mesmos fatos. Importante destacar o posicionamento já consolidado deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no sentido de que eventuais vícios no MPF não acarretam a nulidade do lançamento: NULIDADE MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Não se comprova nos autos qualquer irregularidade na emissão dos mandados de procedimento fiscal ou desconformidade de seu conteúdo com o objeto da autuação. De toda sorte, o MPF é ato de controle administrativo de natureza discricionária. Seus eventuais vícios, incompatibilidades entre Fl. 724DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10242.720216/201418 Acórdão n.º 1401001.621 S1C4T1 Fl. 5 7 seu objeto e o do lançamento, ou mesmo a sua própria ausência, não maculam o procedimento de lançar, pois é vinculado. PERÍCIA CONTÁBIL Não deve ser aceito pedido de perícia, se a prova é de natureza eminentemente documental. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PROVA DIRETA os depósitos bancários serviram apenas como elemento indiciário. A autuação se baseou em prova direta obtida junto aos clientes do autuado. MULTA QUALIFICADA são as circunstâncias da conduta que caracterizam o aspecto subjetivo da prática ilícita. Os valores omitidos são de elevada monta e se perpetuam por diversos anos, o que permite concluir que a conduta omissiva da autuada não decorreu de um mero desleixo na condução de seus negócios, mas sim de prática intencional para deixar de levar ao conhecimento da Fazenda a maior parte de suas operações. RESPONSABILIDADE PESSOAL A atribuição de responsabilidade pessoal aos sócios, nos termos do art. 135 do CTN, deve se calcar numa conduta individualizada de cada um deles. Não é suficiente a constatação geral de omissão, mesmo qualificada pela intenção e com a aplicação da multa qualificada. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA INTERESSE COMUM o simples fato de ser sócio, por maior que seja a sua participação, não caracteriza o interesse comum previsto no art. 124 do CTN. Do contrário, os sócios sempre deveriam ser incluídos no rol dos responsáveis e não fariam sentido as previsões de atribuição específica de responsabilidade a sócios previstas no CTN, como a responsabilidade no caso de sociedades de pessoas do art. 134. (CARF, 1ª Seção, 4ª Câmara, Rejeito, portanto, a primeira das preliminares de nulidade apresentadas. 1.2. Nulidade do MPF por incompetência do Delegado da Receita Federal para determinar o reexame de tributos já fiscalizados Ainda de acordo com a Recorrente, o novo MPF seria nulo também por ter sido expedido por autoridade incompetente. Segundo ela, o reexame de tributos e períodos anteriormente fiscalizados somente poderia ter sido autorizado pelo Superintendente da região, uma vez que o Mandado de Procedimento Fiscal de 2012 foi instaurado por Delegado de outra jurisdição (Delegado da Receita Federal de Porto Velho). Porém, ao examinar o Regimento Interno vigente à época (Portaria MF nº 203/12) verificase que o Delegado da Receita Federal, no âmbito da sua respectiva jurisdição, está autorizado a expedir Mandado de Procedimento Fiscal para reexame de períodos anteriormente auditados: Art. 302. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil, sem prejuízo das atribuições dos Superintendentes da Receita Federal do Brasil, incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente: [...] Fl. 725DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 V autorizar ou determinar a execução de perícia e de procedimentos fiscais mediante a expedição de Mandado de Procedimento Fiscal, inclusive para reexame ou abertura de novos procedimentos fiscais em períodos anteriormente auditados; Significa dizer: o Delegado da RFB está autorizado a emitir novo MPF, para fiscalizar período já auditado, desde que relativos a fatos ocorridos dentro da sua jurisdição. Como consequência, rejeito também a presente alegação de nulidade. 2. DO MÉRITO 2.1. Omissão de receitas Saldo credor de caixa e da transferência de valores dos sócios para futuro aumento de capital De acordo com o art. 281, I, do Regulamento do IR (Decreto nº 3.000/99), presumese que o contribuinte omitiu receita auferida se apurado saldo credor de caixa na sua escrituração. No caso concreto, após análise da contabilidade da Recorrente, apurou a Fiscalização a existência de saldo credor de caixa e, com base no art. 281, I, do Regulamento do IR (Decreto nº 3.000/99), presumiu, a omissão de receitas, que somente poderia ser elidida mediante a apresentação de prova em contrário. Regularmente intimada, a Recorrente alegou que a origem destes valores seriam empréstimos dos sócios, que utilizaram dinheiro próprio para quitar dívidas da empresa. Tais operações, porém, não teriam sido adequadamente contabilizadas, o que gerou o citado saldo credor. Inicialmente, porém, não foi apresentado nenhum documento apto a corroborar tais alegações e os contratos de mutuo apresentados pela Recorrente foram considerados viciados e não suficientes para afastar a presunção. Estaria, assim, legitimada a autuação, já que o contribuinte não apresentou provas robustas aptas a demonstrar a efetiva entrega dos valores à pessoa jurídica. É certo, por outro lado, que o Decreto nº 70.235/75, as provas deverão ser apresentadas com a impugnação, precluindo o impugnante fazêlo em outro momento processual (art. 16, § 4º). De fato, a juntada posterior de documentos só é admitida em situações excepcionais (força maior, fato ou direito superveniente ou contraposição a fatos ou razões posteriormente apresentadas nos autos). Isso, contudo, não impede que provas apresentadas em momento posterior não possam ser conhecidas por este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Isso porque, ao regular o processo administrativo federal, o Decreto nº 70.235/72 prescreve que este é regulado pelos princípios constitucionais, dentre eles o do formalismo moderado e o da verdade material. Com efeito, por força do princípio do formalismo moderado, não se deve prestigiar, no processo administrativo, as formalidades excessivas e os complexos ritos processuais, conferindose validade a todos os atos que observarem os requisitos mínimos indispensáveis à segurança jurídica. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10242.720216/201418 Acórdão n.º 1401001.621 S1C4T1 Fl. 6 9 O princípio da verdade material, por outro lado, impõe a flexibilização dos procedimentos para produção de provas justamente com a finalidade de garantir o interesse publico. Desta forma, e tendo em vista os princípios da legalidade, da finalidade, da razoabilidade, da moralidade e da eficiência, aos quais se subsume a Administração Pública em seu todo, não há óbice à juntada aos autos, em momento posterior ao protocolo da impugnação, bem como o seu conhecimento pela Autoridade Julgadora, de provas aptas a elidir a exigência fiscal, ainda mais quando tal exigência se funda em fato presumido. Pois bem. Ao examinar o Recurso Voluntário (fls 706712), verificase que foram apresentados os extratos bancários dos sócios da Recorrente, nos quais constam diversas operações a débito que envolvem valores que, supostamente, foram emprestados à pessoa física. Tais extratos, porém, não constituem prova suficiente da origem imediata dos recursos. Para tanto, seria necessário demonstrar o fluxo financeiro, ou seja, o efetivo ingresso dos recursos na empresa (por meio de crédito bancário em conta de titularidade da contribuinte ou outro meio hábil de prova). A Recorrente, no entanto, não juntou um único documento que comprove o ingresso destes valores nas suas contas. Em outros termos: os extratos juntados pela Recorrente não são suficientes para demonstrar a origem das receitas consideradas omitidas. Em vista disso, nego provimento ao recurso neste ponto. 2.2. Subvenções governamentais A subvenção concedida à Recorrente corresponde a crédito presumido e encontra fundamento na Lei Estadual RO nº 1.473/2005, a qual, no seu artigo 1º, previa o seguinte à época da concessão do benefício (fls. 74/75): Art. 1º. Fica concedido ao contribuinte de ICMS enquadrado no artigo 2º um crédito presumido de 85% (oitenta e cinco por cento) do valor do imposto devido pela saída interestadual de mercadoria importada do exterior. Para saber se esta espécie de subsunção deve compor a base de cálculo do IRPJ e CSLL é preciso primeiramente analisar alguns conceitos jurídicos, principalmente em razão das equivocadas interpretações que, a meu ver, têm sido atribuídas ao termos empregados pelo legislador tributário ao regular tal matéria. Pois bem. O § 2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598/77, alterado pelo Decreto lei nº 1.730/79, assim determina: Art. 38. [...] § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) Fl. 727DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 10 a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Como se vê, o enunciado dispõe que as subvenções para investimento devem ser excluídas para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, desde que registradas como reserva de capital. Assim, para delimitar o âmbito de incidência tributária e dar uma correta interpretação a deste dispositivo (em consonância com as demais normas jurídicas do sistema do direito positivo), fazse necessário entender o que é uma subvenção para investimento, qual sua natureza jurídica, respostas que encontramos numa interpretação intratextual (dos enunciados supracitados) e por que a legislação tributária prescreve sua não computação na determinação do lucro real para fins de incidência do IRPJ e CSLL resposta alcançada com uma interpretação intertextual (dos enunciados supracitados com o demais enunciados que delimitam a competência tributária e a regramatriz de incidência tributária de tais impostos). Recorrendonos as lições de DE PLACIDO E SILVA, subvenção é um “auxílio ou ajuda pecuniária que se dá a alguém ou a alguma instituição, no sentido de os proteger, ou para que se realizem ou cumpram os seus objetivos” (Vocabulário Jurídico, 2a. ed. Editora Forense, vol. 1). O termo é utilizado para definir “auxílio ou ajuda pecuniária prestada pelos poderes públicos”, que se enquadra perfeitamente no disposto no art. 538 do Código Civil, in verbis: Art. 538. Considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. Isto determina sua natureza jurídica. As subvenções são relações jurídicas que se caracterizam como doações (nos termos do art. 538 do CC), estabelecidas entre entes políticos em favor de pessoas jurídicas que prestam serviços ou realizam atividades de interesse público. A diferença de nomenclatura é empregada para diferenciar as relações de transferência de recursos do poder público para pessoas jurídicas ou instituições (subvenções) e o negócio jurídico privado de transferência de recursos (doação em sentido estrito), mas ambas pertencem ao conceito genérico de doação prescrito no art. 538 do Código Cívil. São, portanto, espécies de doação em sentido amplo. Sabemos que nos termos do art. 110 do CTN “A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias” . Por esse simples fato, de que a lei tributária não pode alterar a natureza jurídica das relações jurídicas de “doação” das subvenções, qualquer de suas espécies Fl. 728DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10242.720216/201418 Acórdão n.º 1401001.621 S1C4T1 Fl. 7 11 (investimento e/ou custeio) não estaria sujeita a incidência tributária. No entanto, como Conselheira, segundo regimento do órgão não posso deixar de considerar o tratamento diferenciado estabelecido pela lei tributária entre subsunção para custeio, subvenção para investimento e doações, ainda que ela altere a definição de conceitos de direito civil. Assim, fazse necessário verificar a diferenciação conceitual estabelecida pela legislação tributária entre subvenção para investimento, subvenção para custeio e doações e o tratamento tributário instituído em razão desta diferenciação. A meu modo de ver, tais relações jurídicas devem ter suas naturezas determinadas em razão dos interesses envolvidos na concessão do “auxilio ou ajuda” que é fornecida pelo Estado, principalmente os motivos geradores da despesa pelo Estado. A natureza da subvenção, enquanto relação jurídica, vai ser determinada em razão da natureza da despesa estatal, ou seja, o fato gerador da despesa com relação ao Estado concedente. Na subvenção para investimento, a despesa é gerada pelo ente politico com o intuito de gerar desenvolvimento econômico do seu território. Na subvenção para custeio o intuito é garantir a atividade da empresa ou garantir o preços de mercado de seus produtos ou serviços. É por isso que, nos termos da legislação tributária a única condição para a exclusão da subvenção para investimento da apuração do lucro real é de que ela conste como "reserva de capital", ou seja, não seja distribuída como resultado, podendo transitar entre contas do ativo ou passivo da empresa que visam implementar o investimento almejado pelo Estado na concessão do auxílio. Esta é a única interpretação que se pode dar em consonância com o conceito de “renda” delimitador da competência tributária e do critério material da regramatriz de incidência tributária. A subvenção para custeio compõem a apuração do lucro real, porque são "auxilio/ajuda" feitas pelo Estado para garantir o preço de serviços ou produtos, ou a atividade a própria atividade da empresa. A idéia é que figurem como uma transferência de renda, e por isso, podem compor o resultado, quando então passam a ser tributada. A subvenção para custeio, nos termos da legislação tributária perfaz o conceito de “renda”, porque compõe a apuração do resultado da empresa. Já a subvenção para investimento não. É, portanto, um caso de não incidência tributária. Não se confunde com isenção. Tratase de uma não abrangência pelo critério material da regramatriz de incidência tributária (norma tributária), vez que os valores recebidos a título de ajuda e auxílio transitam pelo ativo e passivo da empresa, possibilitando a realização dos investimento almejado pelo Estado, mas não são disponibilizados como resultado. O tratamento contábil é dado em razão da natureza do "benefício". E isso é que deve ser considerado. Mesmo que não exista disposição expressa na lei estadual, que concede a subvenção, de uma atuação (investimento) específico, nem no termo de acordo firmado entre as partes, estas circunstâncias não tem o condão de alterar a natureza jurídica do “auxílio / ajuda” dado pelo ente que deve ser visto sob o enfoque dos seus objetivos. A pregunta crucial nesta distinção é: “Qual o intuito de se conceder tal auxílio?”. Se o intuito for trazer uma empresa para seu território, ampliar seu parque industrial, crescer economicamente, a subvenção é classificada como de investimento, desde que, não contabilizados os valores do investimento como lucro (resultado). Se o intuito é garantir o preço de um serviço ou produto, a subvenção é para custeio. O que determinará a natureza da subvenção e, portanto, a Fl. 729DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 12 incidência tributária, é como os valores são repassados ao contribuinte, ou seja, a natureza das relações jurídicas que envolvem os valores e como estes são trabalhados pela empresa (compondo ou não o resultado). Assim, considero ser irrelevante, para exclusão da subvenção na apuração do lucro real, a existência de condições específicas de investimento na legislação estadual que concede o “auxílio / ajuda”. Embora ciente do parecer PNCST 112/78. Penso que a interpretação dada pela Coordenação do Sistema de Tributação ampliou o âmbito de incidência do tributo sem amparo legal ao condicionar a exclusão do “auxilio/ajuda à “efetiva e especifica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implementação ou expansão do empreendimento econômico projetado”. A legislação não prescreve essa condição, mas, a meu ver, só uma exigência: a não distribuição destes como resultado. Isto porque onde há lucros há renda e ai sim os valores perdem a natureza de “investimento” e passam a ser consideradas como de “custeio”. O que queremos deixar claro, antes da análise do caso em questão é que dois critérios são importantes de serem identificados: i) a natureza do “auxílio/ajuda” – qual a finalidade (o que se almejava o ente ao concedêlo? Investir no seu território? Ou custear um serviço ou produto para garantir a estabilidade de preços na região ou da própria atividade da empresa?); e ii) qual o tratamento contábil dado ao “auxílio/ajuda” pelo contribuinte. No caso em questão tratase de crédito presumido de ICMS, dado pelo Estado de Rondônia sem qualquer condicionante de investimento, mas com o intuito do Estado de investir em sua região e não de custear a produção da empresa para garantir um preço ou produção de um produto ou serviço. Vejo como uma subvenção para investimento, cujo “auxilio/ajuda” não afere o conceito de renda tributável, porque não impacta no resultado e, portanto, está fora do âmbito de incidência da norma tributária. O intuito da concessão do crédito, que se trata de uma relação jurídica de doação, é que a empresa se estabeleça em Rondônia e que amplie suas atividades no estado Investimento (Clausulas segunda e terceira do Termo de regime especial 22/07 fls. 506); O que me faz pensar que o montante dispendido pelo ente político foi no intuito de investimento. Está, o ente, realizando um "investimento" com o objetivo de implantação ou expansão de empreendimentos econômicos em seu território. A meu ver esta interpretação dada aos termos do § 2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598/77 é a que mais se ajusta aos conceitos de direito privado, a delimitação da regramatriz e da competência tributária. Com relação ao caso concreto, tendo em vista as novas normas contábeis instituídas pela Lei n. 11.638/07 os valores do caso em questão foram contabilizadas como "outras reservas" (Reserva de capital cumprindo o requisito legal) e foram excluídas na apuração do lucro real, de acordo com o art. 18 da Lei n.o 11.941/09. Para desqualificar a exclusão destes valores da base de cálculo do IRPJ e glosálos a autoridade fiscal deveria fazer prova de que tais valores não foram contabilizados como "reserva de capital", ou seja, que não foram investidos no desenvolvimento da empresa, o que não aconteceu no caso concreto. Ao contrário, a fundamentação da autuação baseiase na análise dos dispositivos que concedem o beneficio (legislação estadual, termos de acordos firmados com o Estado de Rondônia e o Parecer PNCST 112/78). A prova de tais circunstâncias, neste caso, compete a fiscalização. Que a meu modo de ver, não o fez de forma adequada, conforme pode ser verificado nas fls. 69 a 79 do TRF. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10242.720216/201418 Acórdão n.º 1401001.621 S1C4T1 Fl. 8 13 Há, ao contrário, constatação nos autos de que a Recorrente investiu quantia considerável na ampliação de suas atividades, seja por meio da ampliação do seu estabelecimento – conforme informações constantes da sua DIPJ referente ao anocalendário de 2010 (fl. 628 Linha 34) – ou mediante o aumento considerável no número de empregados (fls. 640/641). Indicando que valores aproximados aos recebidos a título de “auxílio/ajuda” do Estado de Rondônia foram utilizados à expansão de atividades econômicas relevantes para desenvolvimento neste Estado. Neste sentido, dou provimento ao Recurso Voluntário com relação à glosa das subvenções. 3. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por dar PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para afastar a glosa dos valores creditados a conta de Reserva de Capital inerentes a subvenção para investimentos concedida pelo Estado de Rondônia e retificar a penalidade aplicada, ajustandoa para o percentual de 75%. (assinado digitalmente) Aurora Tomazini de Carvalho Relatora Fl. 731DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 14 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O presente voto referese exclusivamente ao tema da subvenção para investimentos. Conforme relatado, a subvenção em apreço foi concedida à recorrente sob a modalidade de crédito presumido de ICMS, com fundamento na Lei Estadual RO nº 1.473/2005, a qual, no seu artigo 1º, previa o seguinte à época da concessão do benefício (fls. 74/75): Art. 1º. Fica concedido ao contribuinte de ICMS enquadrado no artigo 2º um crédito presumido de 85% (oitenta e cinco por cento) do valor do imposto devido pela saída interestadual de mercadoria importada do exterior. A contribuinte, por meio do Regime Especial nº 005/2005 (fls 500 a 503), datado de 07 de julho de 2005, foi incluída no referido benefício fiscal, tendo ficado condicionado, além do disposto na Lei EstadualRO nº 1.473, às seguintes exigências: I – manutenção da garantia já prestada no montante de 2.000 (duas mil) UPF/RO, pelo prazo de 60 (sessenta) meses, deverá ser renovada 30 (trinta) dias antes do seu vencimento, ou ainda completada quando o débito declarado ultrapassar aquele valor; II – realize exclusivamente operações de entradas por importação e saídas interestaduais das mercadorias importadas, permitida as saídas internas; III – entregue quinzenalmente à Gerência de Fiscalização – GEFIS da Coordenadoria da Receita Estadual arquivo magnético de seus registros fiscais; IV – não realize operações com combustíveis líquidos ou gasosos derivados ou não de petróleo. A contribuinte também aderiu a outro Regime Especial, o de nº 022/07 (fls 506 a 507), assinado em 24 de setembro de 2007, que conferiu à empresa o direito a crédito presumido de ICMS nas saídas de peças para bicicletas e motocicletas. Em 29/12/2010, foi assinado o Termo de Acordo para Concessão de Regime Especial – Ato Concessório nº 0327/10 (524 a 526), o qual revogou o Regime Especial de nº 022/07, mas manteve o direito a crédito presumido de ICMS nas saídas de peças para bicicletas e motocicletas, sob outra forma. Sobre o tema das subvenções, em 1978, a então Coordenação do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal editou o Parecer Normativo CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978, visando consolidar entendimento acerca do tratamento a ser dado às subvenções recebidas por pessoas jurídicas para os fins de tributação do imposto sobre a renda. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10242.720216/201418 Acórdão n.º 1401001.621 S1C4T1 Fl. 9 15 O citado parecer caracterizou as subvenções como sendo um auxílio que não importa qualquer exigibilidade para o seu recebedor. Ou seja, o patrimônio da empresa beneficiária é enriquecido com recursos vindos de fora sem que isto importe na assunção de uma dívida ou obrigação. O mesmo parecer estabelece a diferenciação entre as subvenções para custeio ou operação e as subvenções para investimento. Enquanto as primeiras referemse a transferências de recursos com a finalidade de auxiliar a empresa a fazer face ao seu conjunto de despesas ou na consecução de seus objetivos sociais, as últimas se destinam à aplicação específica em bens ou direitos. Além disso, as subvenções de investimento apresentam “características bem marcantes”, quais sejam: (a) ser o beneficiário da subvenção sempre aquele que vai suportar o ônus de implantar ou expandir o empreendimento econômico; e (b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, em bens ou direitos específicos para implantar ou expandir empreendimento econômico, havendo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Transcrevemse trechos relevantes do retrocitado Parecer Normativo CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978, verbis (grifado): 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliá la, não nas suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus” de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimento não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Fl. 733DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 16 Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) I – As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram o resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional. Podese afirmar, portanto, que as subvenções têm natureza de receita e são tributáveis pelo IRPJ, tanto que foram classificadas pela legislação deste imposto como "Outros Resultados Operacionais", na modalidade “subvenções correntes para custeio ou operação” (art. 392, inciso I, do RIR/1999), ou como "Resultados não Operacionais", na modalidade “subvenção para investimento”. No que se refere à ultima modalidade, no entanto, o art. 443 do RIR/1999 estabeleceu a possibilidade de retirar as subvenções para investimento do alcance do IRPJ, desde que cumpridas as condições que fixa. Vejase que esse dispositivo faz referência expressa à apuração do IRPJ pelo lucro real, como é o caso da fiscalizada. A Lei nº 11.941, de 2009, que, dentre outras providências, instituiu o “Regime Transitório de Tributação – RTT de apuração do lucro real”, fixou, em seu art. 18, outras diretivas de contabilização “às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977”. O RTT, a teor dos §§ 2º e 3º do art. 15 da lei em questão, tornouse obrigatório a partir do anocalendário de 2010. Com base no que foi até aqui exposto, temse que para que uma subvenção possa ser considerada como de investimento no que se refere à legislação do IRPJ deve apresentar as características elencadas no Parecer Normativo CST nº 112, de 1978, e para que a subvenção de investimento deixe de ser computada na base de cálculo do IRPJ das pessoas jurídicas que apuram o imposto pelo lucro real a beneficiária deve proceder de acordo com o que estabelece o art. 15 da Lei nº 11.941, de 2009. Passando à análise do caso concreto, vejome forçado a concluir que não se vislumbram nos referidos dispositivos da legislação do estado de Rondônia a vinculação e a estrita correspondência entre os benefícios financeiros concedidos e o destino desses recursos. Além disso, a própria descrição que a empresa faz das suas contrapartidas ao benefício fiscal concedido indica haver a indispensável aplicação da subvenção na aquisição de bens ou direitos caracterizados como investimentos. Tais aquisições, contudo, não restaram comprovados nos autos. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10242.720216/201418 Acórdão n.º 1401001.621 S1C4T1 Fl. 10 17 A simples consecução da expansão e os resultados alcançados em termos de geração de empregos e faturamento, referidos pela interessada, não são suficientes para caracterizar a subvenção recebida como de investimento à luz da legislação do IRPJ. Falta a necessária vinculação e sincronia entre valores recebidos e aplicação em bens e direitos. Sobre o tema, posicionouse com muita clareza a decisão de piso, fls. 676: 121. Vejase que a empresa não trouxe aos autos nenhum documento que comprovasse a existência de um plano de investimentos e/ou projeção da expansão do empreendimento econômico, vinculado com uma exigência legal do estado de Rondônia, no qual seria aplicada a subvenção. 122. Repisese que é imprescindível, para que uma subvenção seja considerada como de investimento, a sua efetiva e específica aplicação, pelo beneficiário, em investimentos específicos vinculados à implantação ou expansão do empreendimento econômico incentivado. Para usar os termos exatos do Parecer Normativo CST nº 112, de 1978, deve haver “perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado”. 123. Ademais, verifico que o benefício, concedido em 07/07/2005 (Regime Especial nº 005/2005) e em 24/09/2007 (Regimes Especiais nºs 022/07 e 327/10), tem prazo indeterminado de fruição. Assim, ou os investimentos também serão realizados por tempo indeterminado (onde está o plano de investimentos?) ou o benefício fiscal poderá resultar em valor total maior do que os gastos incorridos na expansão do empreendimento econômico, algo que não é razoável. 124. Dessa forma, entendo que os créditos presumidos de ICMS concedidos para a interessada não podem ser considerados como subvenção para investimentos, sendo tributáveis pelo IRPJ e pela CSLL. Considerando que a contribuinte, em sua peça recursal, não trouxe quaisquer elementos de prova adicionais, considero plenamente válida a conclusão constante da decisão de piso, no sentido de que as subvenções recebidas pela contribuinte constituem subvenções para custeio e, como tal, devem se sujeitar à tributação pelo IRPJ e CSLL. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, em relação a todas as parcelas do lançamento relacionadas com o recebimento de subvenções para investimentos. Em relação aos demais temas, acompanho o voto da ilustre Conselheira Relatora. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Redator Designado Fl. 735DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 18 Fl. 736DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 17933.720575/2014-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF.
Conforme se denota do teor do Enunciado de Súmula CARF nº 63, havendo laudo médico pericial elaborado por perito oficial reconhecendo a moléstia grave e decorrendo o provento de pensão, aposentadoria ou reforma, o contribuinte faz jus à isenção do Imposto sobre a Renda.
Numero da decisão: 2201-003.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 20/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. Conforme se denota do teor do Enunciado de Súmula CARF nº 63, havendo laudo médico pericial elaborado por perito oficial reconhecendo a moléstia grave e decorrendo o provento de pensão, aposentadoria ou reforma, o contribuinte faz jus à isenção do Imposto sobre a Renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 20/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 93 3. 72 05 75 /2 01 4- 28 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 16/06/2014, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício 2012, anocalendário 2011, decorrente da omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 44.079,93 recebidos das fontes pagadoras Instituto Nacional de Seguro Social e Fundação Vale do Rio Doce de Seguridade Social (VALIA). Inconformada com a notificação apresentada, o contribuinte protocolizou impugnação alegando ser portador de moléstia grave, desde junho de 2010,e que retificou sua declaração com o intuito de receber o imposto retido na fonte e o imposto pago sob o código 0211, referente à declaração original. Além disso, o impugnante informa que apresentou laudo médico emitido no modelo exigido pela RFB e assinado por dois médicos, sendo um perito médico previdenciário. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, com as seguintes considerações: a) para comprovação da moléstia grave foi apresentado o laudo pericial assinado em 23/04/14 de fl.12 no qual consta a informação de que o contribuinte seria portador de Doença de Parkinson desde junho de 2010, com prazo de validade em 23/04/2018; b) o citado documento contém duas assinaturas de médicos: Dr. Walid Homaidan sem identificação da matrícula na unidade de saúde e de Maria Célia Lopes (Perito Médico Previdenciário mat. 1542381) sem indicação do CRM; c) resta mencionar que não há o carimbo de identificação do serviço médico oficial. A lei é bem clara ao mencionar que o laudo deve ser expedido por serviço médico oficial; d) ressaltese que não há qualquer documento que vincule os médicos que assinaram o laudo a algum órgão da União dos Estados e dos Municípios e DF. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte sustenta, em síntese, que: a) fez a transmissão de sua DIRPF original referente ao exercício de 2012, anocalendário 2011, em 22/03/2012, gerando o imposto devido no montante de R$ 1.401,41, no qual solicitou o parcelamento em 5 parcelas, no valor de R$ 280,28 cada, sendo efetuados todos os pagamentos: b) em 28/05/2014, fez a declaração retificadora de sua DIRPF do exercício de 2012, anocalendário 2011, em razão de ser Fl. 75DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 17933.720575/201428 Acórdão n.º 2201003.160 S2C2T1 Fl. 75 3 portador de moléstia grave, devidamente comprovado por laudo pericial oficial; c) não teve o pedido simplesmente negado, mas foi cobrado o valor suplementar de imposto de R$ 1.401,41; d) o laudo pericial datado de 23/04/2014 contém todas as informações sobre o recorrente exigidas para o cumprimento da legislação, tais como a descrição da moléstia (Doença de Parkinson, CID G20); data de início da doença, descrição detalhada do caso, descrição e observação dos fatos, data da possibilidade de controle e assinaturas com carimbos dos profissionais; e) o laudo foi assinado por dois profissionais da saúde, o Dr. Walid Homaidan, CRMMG, em especialidade em Neurologia, servidor lotado no Hospital Municipal de Governador Valadares/MG e Dra Maria Célia Lopes, CRMMG 24.677, servidora médica perita previdenciária, n.º de matrícula 1542381, conforme portaria publicada no Diário Oficial da União, em 09/06/2006, lotada da Unidade da Previdência Social de Governador Valadares/MG; f) as informações dos profissionais médicos e suas lotações são facilmente confirmadas nos sites públicos do Sistema único de Saúde, Conselho Regional de Saúde de Minas Gerais, Portal dos Servidores Públicos e Diário Oficial da União; g) está sendo obrigado a fazer novamente o pagamento do mesmo crédito, que já foi quitado, acrescido de juros e multa de ofício que totalizam R$ 2.440,43; h) é portador da moléstia descrita no laudo, cumprindo as exigências do art. 6º, inciso XIV da Lei 7.713/88, com redação dada pelo artigo 47 da Lei n.º 8541/92, fazendo jus à isenção do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria e restituição dos valores pagos, a começar do período 06/2010. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois presentes os requisitos de admissibilidade. A Notificação de Lançamento em questão referese à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 44.079,93 recebidos das fontes pagadoras Instituto Nacional de Seguro Social e Fundação Vale do Rio Doce de Seguridade Social (VALIA). Aduz o recorrente, conforme também salientado na impugnação, que faz jus à isenção do imposto de renda por ser portador de moléstia grave. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Contudo, a Delegacia da Receita Federal de origem julgou improcedente a impugnação sustentando essencialmente que o laudo médico apresentado pelo contribuinte não contém os requisitos mínimos: identificação da matrícula e do CRM dos médicos o número da matrícula funcional dos médicos; carimbo de identificação do serviço médico oficial; documento que vincule os médicos que assinaram o laudo a algum órgão da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. No que se refere à natureza dos rendimentos recebidos, o acórdão recorrido consignou que não foi anexado qualquer documento que comprovasse a natureza dos valores recebidos. Contrapondose aos argumentos da decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou, em sede recursal, a cópia do laudo médico oficial assinado pela médica perita previdenciária Maria Célia Lopes, matricula n.º 1.542.381, bem como assinado pelo médico neurologista Walid Homaidan, CRM MG 9.409, fl.56. Além disso, o recorrente anexou os comprovantes de vinculação da médica Maria Célia Lopes ao Ministério da Previdência Social, no qual consta a matrícula e o número do CRM, fl. 64 e 65, e a cópia do Diário Oficial da União, que demonstra a convocação da servidora para ocupar o cargo de Perita Médica (Ministério da Previdência Social). Cumpre destacar também que a cópia do laudo médico possui carimbo do INSS, o que corrobora o exposto pelo recorrente. Quanto à vinculação do Dr. Walid Homaidan ao serviço médico oficial, não identifiquei o número da matrícula ou outra demonstração direta da sua vinculação. Contudo, estando o laudo médico assinado por Perita Médica do INSS, Maria Célia Lopes, e estando sanadas as dúvidas quanto ao seu CRM e número de matrícula, entendo que o laudo médico supre as exigências legais, por ser, de fato, oficial. Acerca da natureza dos rendimentos, o contribuinte anexou o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda do ano de 2011, proveniente do INSS, no qual está discriminada a natureza de aposentadoria por tempo de contribuição, fl. 57; bem como efetuou a juntada do Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda do ano de 2011, proveniente da VALIA, no qual consta expressamente a natureza de complementação de aposentadoria, fl. 59. Sobre a matéria, os incisos XIV e XXI, art. 6º, da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis n.º 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e n.º 11.052, de 29 de dezembro de 2004, assim determinam: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da Fl. 77DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 17933.720575/201428 Acórdão n.º 2201003.160 S2C2T1 Fl. 76 5 imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Observase que a isenção por moléstia grave, quando estabelecida em 1988 pela Lei 7.713, não fazia referência quanto à forma de sua comprovação. Contudo, com a superveniência da Lei 9.250, em 1995, foi instituída forma específica para reconhecimento da moléstia pelas autoridades tributárias. A partir da edição da mencionada lei, tornouse indispensável a apresentação do laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, a isenção sob análise requer a consideração do binômio: moléstia (grave) e natureza específica do rendimento (provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão), sendo o laudo pericial oficial requisito objetivo para a demonstração da moléstia grave. Portanto, considerando a apresentação do laudo oficial correspondente ao período pleiteado, bem como demonstrada a natureza dos rendimentos recebidos do INSS e da VALIA, restam cumpridos os requisitos formais necessários ao reconhecimento da isenção, conforme o disposto no art. art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, bem como em consonância com o Enunciado de Súmula n.º 63 do CARF, abaixo transcrito: Fl. 78DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 “Súmula nº 63 – Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 79DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13807.007332/00-09
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2004
Numero da decisão: 202-00.743
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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Numero do processo: 35464.001127/2007-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/10/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Constituem-se os Embargos de Declaração no instrumento processual adequado para o saneamento de omissão indevida consistente na não apreciação e julgamento do Recurso de Ofício interposto pelo Órgão Julgador de 1ª Instância.
Embargos Acolhidos
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2401-004.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER dos Embargos Declaratórios e, no mérito, DAR-LHES PROVIMENTO, para o fim de apreciar o Recurso de Ofício, que foi conhecido e, no mérito, negado provimento.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2003 a 31/10/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constituem-se os Embargos de Declaração no instrumento processual adequado para o saneamento de omissão indevida consistente na não apreciação e julgamento do Recurso de Ofício interposto pelo Órgão Julgador de 1ª Instância. Embargos Acolhidos Recurso de Ofício Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER dos Embargos Declaratórios e, no mérito, DAR-LHES PROVIMENTO, para o fim de apreciar o Recurso de Ofício, que foi conhecido e, no mérito, negado provimento. André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
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OMISSÃO. Constituemse os Embargos de Declaração no instrumento processual adequado para o saneamento de omissão indevida consistente na não apreciação e julgamento do Recurso de Ofício interposto pelo Órgão Julgador de 1ª Instância. Embargos Acolhidos Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER dos Embargos Declaratórios e, no mérito, DAR LHES PROVIMENTO, para o fim de apreciar o Recurso de Ofício, que foi conhecido e, no mérito, negado provimento. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 11 27 /2 00 7- 58 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 35464.001127/200758 Acórdão n.º 2401004.230 S2‐C4T1 Fl. 469 3 Relatório Período de apuração: 01/11/2003 a 31/10/2006. Data da lavratura da NFLD: 27/02/2007. Data da Ciência da NFLD: 05/03/2007. Temse em pauta Embargos de Declaração a fls. 468/470 em face do Acórdão nº 2302003.727 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da 2ª SEJUL/CARF/MF/DF ao argumento de que a Decisão Embargada padecia de omissão indevida, consistente na não apreciação do Recurso de Ofício interposto pela 11ª Turma da DRJ/SP1. Tratase a Decisão Embargada de Acórdão de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP, que julgou procedente em parte o lançamento tributário formalizado mediante a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 37.078.1066, consistente em contribuições sociais a cargo da empresa destinadas ao Serviço Social do Transporte (SEST) e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SENAT), incidentes sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados que lhe prestaram serviços em cada mês, não recolhidas aos cofres da Seguridade Social, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 37/46. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 79/90. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP baixou o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito de questões de fato arguidas pelo Sujeito Passivo em sede de defesa administrativa, conforme Despacho de Diligência a fls. 265/270. Em atendimento à diligência requestada por meio do Despacho de Diligência acima citado, a Autoridade Lançadora se pronunciou formalmente nos autos, por meio do Relatório de Encerramento de Diligência, a fls. 281/282. Formalmente notificado do conteúdo do resultado do Relatório de Encerramento de Diligência antes mencionado, o Sujeito Passivo apresentou aditamento à impugnação a fls. 294/298. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1623.438 11ª Turma da DRJ/SP1, a fls. 363/393, julgando procedente em parte o lançamento, para tão somente retificar o código de terceiros de 3139 (FNDE, INCRA, SEST, SENAT e SEBRAE) para 3072 (SEST e SENAT), retificando o Crédito Tributário na forma exposta no DADR Discriminativo Analítico de Débito Retificado, a fls. 355/362, e recorrendo de ofício de sua decisão. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 05/10/2010, conforme Termo de Intimação e Aviso de Recebimento a fls. 394/395. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 396/403, requerendo, ao fim, a reforma do Acórdão recorrido. Em julgamento realizado em 12/03/2015, acordaram os membros da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF/MF em não conhecer do Recurso Voluntário interposto pela empresa interessada acima indicada, em razão de sua apresentação intempestiva. Embargos de Declaração a fls. 468/470 acusou que o Acórdão nº 2302 003.727 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da 2ª SEJUL/CARF/MF/DF padecia de omissão indevida, consistente na não apreciação do Recurso de Ofício interposto pela 11ª Turma da DRJ/SP1. Os Embargos de Declaração foram acolhidos para que fosse levado à apreciação do Colegiado, EXCLUSIVAMENTE, o Recurso de Ofício interposto pela 11ª Turma da DRJ/SP1. Relatados sumariamente os fatos ora relevantes. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 35464.001127/200758 Acórdão n.º 2401004.230 S2‐C4T1 Fl. 470 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DO RECURSO DE OFÍCIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1623.438 11ª Turma da DRJ/SP1, a fls. 363/393, julgando procedente em parte o lançamento, para tão somente retificar o código de terceiros de 3139 (FNDE, INCRA, SEST, SENAT e SEBRAE) para 3072 (SEST e SENAT), retificando o Crédito Tributário na forma exposta no DADR Discriminativo Analítico de Débito Retificado, a fls. 355/362, e recorrendo de ofício de sua decisão. Com efeito, de acordo com o Relatório Fiscal, o objeto do presente Processo Administrativo Fiscal consiste no lançamento de Contribuições Sociais destinadas ao Serviço Social do Transporte (SEST) e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SENAT), referentes ao período abrangido pelas competências de 11/2003 a 05/2006, calculáveis mediante a aplicação das alíquotas de 1,5% e 1,0%, respectivamente, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Tais contribuições sociais houveramse por lançadas mediante os levantamentos intitulados “GF2 – SEST SENAT LEVANT GFI”, cuja base de cálculo referese aos fatos geradores declarados em GFIP, e “FO2 – SEST SENAT LEVANT FOP”, tendo por base de incidência fatos geradores não declarados em GFIP, conforme consignado no Discriminativo Analítico de Débito a fls. 06/15. Nessas condições, o código de terceiros a ser informado no sistema informatizado da Receita Federal é o 3072 , que implica a destinação das contribuições correspondentes a 1,5% sobre a base de cálculo, para o Serviço Social do Transporte (SEST), e a 1,0%, para o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SENAT). Nada obstante, se nos antolha por equívoco, houvese por informado no aludido sistema informatizado o código de terceiros 3139 , do que resultou a destinação das seguintes Contribuições Sociais incidentes sobre a base de cálculo em questão às alíquotas de: · 2,5% SALÁRIO EDUCAÇÃO; · 0,2% INCRA; Fl. 475DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 · 0,6% SEBRAE; · 1,5% SEST; · 1,0% SENAT. Ora, versando a presente NFLD de lançamento de Contribuições Sociais destinadas, tão somente, ao SEST/SENAT, devem ser excluídas do montante lançado as contribuições sociais destinadas ao SalárioEducação, INCRA e SEBRAE, como assim decidiu corretamente o Órgão Julgador de 1ª Instância. Por tais razões, negamos provimento ao Recurso de Ofício. 2. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pelo ACOLHIMENTO dos presentes Embargos Declaratórios para o fim específico de CONHECER e APRECIAR o Recurso de Ofício interposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 16327.000162/2010-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E DA BM&F. SUBSTITUIÇÃO DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS POR AÇÕES.
A operação denominada desmutualização das bolsas não implicou a dissolução de que trata o art. 61 do Código Civil e tampouco a devolução de patrimônio aos associados. Os antigos títulos patrimoniais, que se encontravam classificados no ativo permanente das entidades sócias, foram substituídos por ações, as quais foram emitidas em quantidade equivalente ao valor monetário daqueles títulos patrimoniais, uma vez que tais ações eram representativas do mesmo patrimônio.
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALIENAÇÃO ONEROSA DAS AÇÕES RECEBIDAS EM SUBSTITUIÇÃO DOS ANTIGOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS.
A receita auferida com a venda das ações recebidas em substituição dos títulos patrimoniais das antigas Bovespa e BM&F está excluída das bases de cálculo do PIS e da Cofins por se tratar de alienação de patrimônio próprio, amparada pelo art. 3º, IV, da Lei nº 9.718/98.
DESCOMPASSO ENTRE O ENQUADRAMENTO JURÍDICO DO MESMO FATO PARA FINS DE TRIBUTAÇÃO PELO IRPJ E PELAS CONTRIBUIÇÕES.
É inadmissível a tributação do produto da alienação das ações recebidas na desmutualização como ganho de capital no âmbito do IRPJ (resultado não operacional) e como receita operacional no âmbito das contribuições ao PIS e COFINS.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3402-003.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Sustentou pela recorrente o Dr. Felipe Salomon, OAB/DF nº 38.308.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: Relator
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E DA BM&F. SUBSTITUIÇÃO DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS POR AÇÕES. A operação denominada desmutualização das bolsas não implicou a dissolução de que trata o art. 61 do Código Civil e tampouco a devolução de patrimônio aos associados. Os antigos títulos patrimoniais, que se encontravam classificados no ativo permanente das entidades sócias, foram substituídos por ações, as quais foram emitidas em quantidade equivalente ao valor monetário daqueles títulos patrimoniais, uma vez que tais ações eram representativas do mesmo patrimônio. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALIENAÇÃO ONEROSA DAS AÇÕES RECEBIDAS EM SUBSTITUIÇÃO DOS ANTIGOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS. A receita auferida com a venda das ações recebidas em substituição dos títulos patrimoniais das antigas Bovespa e BM&F está excluída das bases de cálculo do PIS e da Cofins por se tratar de alienação de patrimônio próprio, amparada pelo art. 3º, IV, da Lei nº 9.718/98. DESCOMPASSO ENTRE O ENQUADRAMENTO JURÍDICO DO MESMO FATO PARA FINS DE TRIBUTAÇÃO PELO IRPJ E PELAS CONTRIBUIÇÕES. É inadmissível a tributação do produto da alienação das ações recebidas na desmutualização como ganho de capital no âmbito do IRPJ (resultado não operacional) e como receita operacional no âmbito das contribuições ao PIS e COFINS. Recurso provido.
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secao_s : Primeira Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Sustentou pela recorrente o Dr. Felipe Salomon, OAB/DF nº 38.308. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2157; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000162/201085 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.187 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de julho de 2016 Matéria PIS e COFINS Recorrente DEUTSCHE BANK CORRETORA DE VALORES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E DA BM&F. SUBSTITUIÇÃO DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS POR AÇÕES. A operação denominada desmutualização das bolsas não implicou a dissolução de que trata o art. 61 do Código Civil e tampouco a devolução de patrimônio aos associados. Os antigos títulos patrimoniais, que se encontravam classificados no ativo permanente das entidades sócias, foram substituídos por ações, as quais foram emitidas em quantidade equivalente ao valor monetário daqueles títulos patrimoniais, uma vez que tais ações eram representativas do mesmo patrimônio. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALIENAÇÃO ONEROSA DAS AÇÕES RECEBIDAS EM SUBSTITUIÇÃO DOS ANTIGOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS. A receita auferida com a venda das ações recebidas em substituição dos títulos patrimoniais das antigas Bovespa e BM&F está excluída das bases de cálculo do PIS e da Cofins por se tratar de alienação de patrimônio próprio, amparada pelo art. 3º, IV, da Lei nº 9.718/98. DESCOMPASSO ENTRE O ENQUADRAMENTO JURÍDICO DO MESMO FATO PARA FINS DE TRIBUTAÇÃO PELO IRPJ E PELAS CONTRIBUIÇÕES. É inadmissível a tributação do produto da alienação das ações recebidas na desmutualização como ganho de capital no âmbito do IRPJ (resultado não operacional) e como receita operacional no âmbito das contribuições ao PIS e COFINS. Recurso provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 62 /2 01 0- 85 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Sustentou pela recorrente o Dr. Felipe Salomon, OAB/DF nº 38.308. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de autos de infração relativos ao PIS e à COFINS com ciência pessoal do contribuinte em 25/02/2010, lavrados em razão de recolhimento insuficiente das contribuições em relação aos fatos geradores ocorridos em outubro, novembro e dezembro de 2007. Segundo o termo de verificação fiscal, foi constatado que no processo de desmutualização das bolsas o contribuinte recebeu 4.908.015 ações da BM&F e 8.481.144 de ações da BOVESPA S/A, em conversão dos títulos patrimoniais dos quais era detentor. O contribuinte vendeu as ações da BM&F durante o processo de IPO nos meses de novembro e dezembro de 2007 (fls. 33/34) e vendeu 444.626 ações da BOVESPA em outubro de 2007 (fl. 35). Entendeu a fiscalização que o contribuinte, ao contabilizar as ações no ativo circulante, tinha a intenção de vendêlas no curto prazo. Tendo vendido os ativos em prazo inferior a um ano da data da sua aquisição, a receita deveria ter sido oferecida à tributação das contribuições ao PIS e COFINS. E como o contribuinte não as incluiu nas aludidas bases de cálculo, foi efetuado o lançamento de ofício albergado neste processo. Em sede de impugnação, na parte em que interessa ao deslinde deste processo, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: a) nulidade por erro material na base de cálculo e na determinação do momento de ocorrência do fato gerador, pois o fisco não levou em conta o valor de mercado dos bens; b) embora as ações tenham sido escrituradas no circulante para fins de venda, elas sempre integraram o ativo permanente, pois resultaram da substituição dos antigos títulos patrimoniais no processo de desmutualização; c) o fato de ter declarado em DIPJ o ganho obtido na venda dessas ações como rendas de títulos variáveis e não como receita bruta de alienação de bens e direitos do ativo permanente, é insuficiente para embasar o lançamento, pois a forma contábil não pode prevalecer sobre a essência da operação; d) pelo teor da Consulta nº 150, da SRRF 7ª, de 17/09/2008, o fisco entendeu que a venda das ações obtidas na desmutualização gera receita não operacional, que não sofreria a incidência do PIS e da COFINS a teor do art. 3º, IV, da Lei nº 9.718/98; e) o valor a ser atribuído às ações é aquele definido pelo mercado e não o da data da desmutualização; f) o lançamento está lastreado em norma inconstitucional, pois o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 foi declarado inconstitucional. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.000162/201085 Acórdão n.º 3402003.187 S3C4T2 Fl. 3 3 Por meio do Acórdão nº 26.161, de 29 de julho de 2010, a 8ª Turma da DRJ São Paulo, por maioria de votos, julgou a impugnação improcedente. O relator originário do processo, julgador José Antonino de Souza, votou no sentido de prover a impugnação por entender que se tratam de receitas não operacionais, tal qual aquele colegiado havia entendido no Acórdão 1626.160, de 29 de julho de 2010, proferido no julgamento do processo de IRPJ 16327.000163/201020, no qual o fisco tributara a renda proveniente da alienação dessas ações como ganho de capital (resultado não operacional). O julgado recebeu a seguinte ementa: (...) AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINARES. NULIDADE INEXISTÊNCIA. 0 lançamento fiscal, na qualidade de ato jurídico administrativo, somente pode ser considerado nulo quando desprovido de elemento essencial à sua constituição e forma, conforme estipulado no artigo 166 do Código Civil e no artigo 59 do Decreto 70.235/72, a saber, não ser praticado por pessoa competente, ter objeto ilícito, não ter sido observada a forma prescrita em lei, e ter sido preterido o direito de defesa. Não se incluem nessa categoria, pretensos vícios de erro na apuração da base de cálculo, na determinação dos fatos geradores, e na utilização do valor nominal em lugar do valor de mercado para precificar ações alienadas. TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Devem ser classificados no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente. Considerase que ai teriam sido classificadas as ações da BOVESPA HOLDING S/A e da BM&F S/A que foram recebidas pela contribuinte em decorrência de processo de desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA, e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F e que foram negociadas logo após ao seu recebimento, no caso, dentro de três meses de seu ingresso nos registros contábeis da impugnante. PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS BRUTA (OPERACIONAL). OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. A base de cálculo da contribuição é a receita bruta, nos termos da legislação de regência. Tendo a interessada como objeto social a exploração de atividades de negociação e intermediação com títulos e valores mobiliários e mercadorias negociáveis em bolsas de valores e bolsas de mercadorias e futuros, considera se como receita bruta (operacional) aquela proveniente da venda de ações, inclusive das ações da BOVESPA HOLDING S/A e da BM&F S/A que foram recebidas pela contribuinte em decorrência de processo de desmutualização da BOVESPA e da BM&F. Impugnação Improcedente Fl. 392DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 (...) Regularmente notificado em 23/08/2010 (fl. 281), o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 282/295 em 21/09/2010, no qual reiterou e reforçou as alegações de impugnação. Após idas e vindas do processo entre a Terceira e Primeira Seções do CARF, em face do processo de IRPJ 16327.000163/201020, o Presidente do CARF decidiu o conflito negativo de competência por meio do "Despacho Outros" de fls. 376/377, determinando que o feito fosse julgado por este colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão posta para deslinde por parte deste colegiado não é nova, tendo sido decidida inúmeras vezes pela extinta Turma 3403, como se verifica nos Acórdãos 3403 003.447; 3403003.373; 3403003.384; e 3403001.757; e mais recentemente no âmbito deste colegiado por meio do Acórdão 3402003.078 relatado por nosso ilustre vicepresidente. Tratase mais uma vez de analisar a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas provenientes da venda das ações que resultaram da transformação da Bolsa de Valores de São Paulo e da Bolsa Mercantil e de Futuros em sociedades por ações. Como é de conhecimento dos senhores conselheiros, no processo de desmutualização das bolsas ocorreu a transformação das antigas associações civis BOVESPA e BM&F em sociedades por ações, ocasionando a substituição dos antigos títulos patrimoniais por ações emitidas em quantidade numericamente igual ao valor monetário daqueles títulos. É incontroverso que o contribuinte possuía na conta do Ativo Permanente/Investimentos um título da BM&F da Categoria Corretora de Mercadorias e outro título da categoria Sócio efetivo, tendo recebido 4.908.015 ações da BM&F S/A em substituição daqueles títulos que haviam sido adquiridos em 1997, conforme contrato de fls. 50/51. É incontroverso que o contribuinte possuía na conta do Ativo Permanente/Investimentos doze títulos patrimoniais da BOVESPA, tendo recebido 8.481.144 ações da BOVESPA S/A em substituição daqueles títulos que haviam sido adquiridos em 1997, conforme resposta à intimação e demais documentos de fls. 32/46 e 69. Apesar de se tratar da mera substituição de um papel por outro de mesma natureza (os antigos títulos patrimoniais e as novas ações representam uma fração de um mesmo patrimônio), o contribuinte escriturou as ações destinadas à venda no ativo circulante, atendendo à orientação da BOVESPA de fls. 40/41. Basicamente a fiscalização e a decisão de primeira instância entenderam que as ações da BOVESPA S/A e da BM&F S/A recebidas pelo contribuinte constituíam um novo ativo, diferente dos antigos títulos patrimoniais. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.000162/201085 Acórdão n.º 3402003.187 S3C4T2 Fl. 4 5 Assim, o momento do recebimento desse novo ativo seria aquele em que se deveria averiguar a intenção (ou não) de a pessoa jurídica o alienar, classificandoo em conta do circulante ou do permanente, conforme o caso. No caso, entendeu a DRJ que como o contribuinte classificou as ações no circulante, sua intenção era a de vendêlas no curto prazo. Tratandose de receita proveniente da venda de ações classificadas no ativo circulante, e estando essa atividade incluída no objeto social da pessoa jurídica (uma corretora de títulos e valores mobiliários), tratarseia de receita operacional passível de inclusão nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. O entendimento da DRJ está calcado no art. 61 do Código Civil, que determina a devolução de patrimônio aos sócios quando da dissolução das associações. Ora, o art. 61 do Código Civil é inaplicável ao caso concreto, pois a BOVESPA e a BM&F não foram dissolvidas e nem tiveram seus patrimônios devolvidos aos seus antigos sócios. É de conhecimento público e notório que as duas entidades desapareceram do cenário jurídico no processo de desmutualização das bolsas. Mas desaparecer por dissolução e desaparecer por incorporação são coisas totalmente diferentes sob o ponto de vista jurídico. O que houve no caso da desmutualização foi uma cisão seguida de incorporação. Na cisão e na incorporação o patrimônio da entidade cindida ou incorporada não retorna para os seus sócios, ele é transferido diretamente para a nova entidade que se originou da cisão ou para a entidade incorporadora. O que houve no caso da “desmutualização” foi a transformação de um tipo de sociedade em outra e não a dissolução tratada no art. 61 do Código Civil. Não se olvide que o art. 1.113 do Código Civil estabelece que o ato de transformação da sociedade independe de dissolução ou liquidação e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai se converter, enquanto que o art. 2.033, do mesmo Código, autoriza as associações a sofrerem cisão, fusão e incorporação. Assim, se o Código Civil não impede a transformação de uma associação em uma sociedade anônima e se o estatuto da S/A foi regularmente registrado na Junta Comercial, não há que se cogitar de ilegalidade na operação de desmutualização das bolsas. Não tendo ocorrido a dissolução das antigas entidades, não há como sustentar as premissas adotadas pela DRJ, no sentido de que houve devolução de patrimônio e, assim, que as ações recebidas constituem um ativo novo e diferente dos títulos patrimoniais até então existentes. O que de fato ocorreu no caso concreto foi a troca dos antigos títulos patrimoniais das associações civis pelas ações das novas companhias, como resultado das operações societárias de cisão seguida de incorporação sofridas pela antiga BOVESPA, pela antiga BM&F e também pela CBLC. Os antigos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F foram sucedidos por ações das novas entidades que surgiram no processo de desmutualização. Essas novas ações foram emitidas em quantidades que possuíam valor monetário equivalente aos títulos substituídos. Tanto os antigos títulos patrimoniais, quanto as ações em que foram transformados, são papéis representativos de frações do mesmo patrimônio. Assim, mostrase Fl. 394DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 temerária a premissa de que as ações emitidas constituem um ativo diferente dos antigos títulos patrimoniais. Se as ações são representativas do mesmo patrimônio que era representado pelos títulos patrimoniais que estavam no permanente, então é evidente que não houve aquisição de novo ativo no momento da desmutualização, não havendo que se cogitar da intenção do contribuinte neste momento para obrigálo a fazer a reclassificação para o ativo circulante. A reclassificação efetuada por orientação (errada) da BOVESPA não retira das ações a condição de ser um investimento, ou seja, uma participação da corretora no patrimônio de terceiros. Ao contrário do que sustentam a fiscalização e a decisão recorrida, o contribuinte não estava obrigado a fazer a reclassificação do permanente para o circulante só porque tinha a intenção de vender as ações no curto prazo. O art. 179 e incisos da Lei nº 6.404/79, realmente estabelece os critérios de classificação dos bens no ativo no momento de sua aquisição. Entretanto, a aquisição dos ativos em questão ocorreu em 1997 quando a intenção era de permanência. Em 2007 não houve aquisição de um novo ativo. Houve substituição dos papéis que representavam o ativo por novos papéis que representavam o mesmo ativo. E, nesta situação, o contribuinte não é obrigado a fazer a reclassificação para o circulante. Não se olvide que nos longínquos tempos em que os contribuintes estavam obrigados à correção monetária das demonstrações financeiras, a própria Receita Federal vedava a reclassificação de bens do ativo permanente para o ativo circulante a pretexto de serem alienados (Parecer Normativo CST nº 3/801). Desse modo, como houve uma continuidade, ou seja, os antigos títulos patrimoniais classificados no permanente/investimentos foram sucedidos pelas novas ações alienadas, o faturamento decorrente dessa alienação se enquadra como venda de um investimento classificado no ativo permanente e está expressamente excluído da incidência das contribuições, por força do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98. E isto é assim, por força do art. 418 do RIR/99 (art. 31 do DL nº 1.598/77) que trata o resultado da venda de bens do ativo permanente como ganho ou perda de capital, ou seja, como resultado não operacional. Tanto isso é verdade que no processo de IRPJ nº 16327.000163/201020 a própria fiscalização tributou a renda proveniente da alienação onerosa dessas ações como ganho de capital (resultado não operacional) e agora, contraditoriamente, enquadra as receitas que deram origem àquele resultado como receitas operacionais. É inacreditável a inconsistência das qualificações jurídicas que o fisco deu para o mesmo fato. Conforme reconhecido pela Administração Tributária no processo de IRPJ, a receita proveniente da venda dessas ações constitui receita não operacional, pois ela deu origem a um resultado não operacional: o ganho de capital. 1 (...)8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.000162/201085 Acórdão n.º 3402003.187 S3C4T2 Fl. 5 7 Não tem o menor cabimento considerar que o resultado é não operacional no âmbito do imposto de renda e considerar que as receitas que deram origem àquele resultado são operacionais no âmbito das contribuições, conforme lucidamente salientou o julgador José Antonino de Souza no voto vencido do acórdão de primeira instância. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 396DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13811.003296/2002-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
A ATIVIDADE DO LANÇAMENTO É PRÓPRIA DO AGENTE FISCAL.
A atividade do lançamento é própria do agente fiscal da Delegacia de origem; não podendo a DRJ efetuar lançamento, ou majorar o lançamento já realizado.
Recurso Especial Negado.
Numero da decisão: 9202-004.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
ANA PAULA FERNANDES - Relatora.
EDITADO EM: 13/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) ANA PAULA FERNANDES - Relatora. EDITADO EM: 13/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra
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A atividade do lançamento é própria do agente fiscal da Delegacia de origem; não podendo a DRJ efetuar lançamento, ou majorar o lançamento já realizado. Recurso Especial Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) ANA PAULA FERNANDES Relatora. EDITADO EM: 13/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 32 96 /2 00 2- 98 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Relatório Adoto como relatório parte daquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 7ª Turma da DRJ/SPOI (Fls. 171), que transcrevo abaixo: O presente processo versa acerca de Auto de Infração eletrônico n° 50.822 (fls. 22 e 23), emitido em 15/05/2002, atinente ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF do anocalendário de 1997, com o crédito tributário total de R$ 1.255.885,03, composto de principal, multa de oficio de 75% e de juros de mora vinculados, calculados até 31/05/2002, bem como multa e juros de mora isolados. O referido Auto de Infração decorreu de procedimento de auditoria interne executada em Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF na qual foi constatada falta de pagamento do principal e/ou insuficiência de recolhimento dos acréscimos legais, vinculados ao código de receita 0561, 0588, 1708 e 3208, cuja descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse detalhados no corpo do mencionado auto. Regularmente notificado do lançamento em 11/06/2002, por via postal, consoante AR anexado às fls. 140, o contribuinte apresentou impugnação em 10/07/2002 (fls. 1/13), contestando os lançamentos. A DRJ Analisando o litígio, a DRJ SAO PAULO I (SP) considerou procedente em parte o lançamento, conforme ementa abaixo transcrita: Neste prisma, registradas as devidas ressalvas pertinentes à aplicação do 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, convém destacar que em face do principio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inciso II, alínea ʺ cʺ da Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, é cabível a exoneração parcial da multa isolada constituída em lançamento de oficio sempre que não tenha sido verificada nenhuma das hipóteses previstas preceito assentado no diploma legal que derrogou o art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Em suma, não se pode asseverar que o pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa moratória, simplesmente abdicou da condição de infração. Particularmente ao caso concreto, a novel legislação comina penalidade menos severa, qual seja a aplicação de multa equivalente àquela prevista no art. 61, caput e §§1° e 2°, da Lei n° 9.430, de 1996. Destarte, infere‑ se pela manutenção da exigência fiscal consubstanciada no Anexo IV do Auto de Infração retromencionado, contudo, reduzindo a multa isolada imposta e calculada sobre o principal declarado e pago em atraso para montante equivalente ao limite percentual máximo de 20% (vinte por cento), prevista no art. 61, caput e §2°, da Lei n° 9.430, de 1996, inclusive na forma do art. 43 da referida legislação de referência, tendo em vista a aplicação do principio da retroatividade benigna, em conformidade com o art. 106, inciso II, alínea ʺ cʺ da Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Fl. 300DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.003296/200298 Acórdão n.º 9202004.003 CSRFT2 Fl. 10 3 Nacional, combinado com o art. 14 da Lei n. 11.488, de 15 de junho de 2007.” Em sessão plenária de 12 de março de 2013, a Primeira Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF julgou o recurso voluntário interposto pela empresa acima identificada, proferindo decisão consubstanciada no Acórdão n° 280102.951, que deu parcial provimento ao recurso para afastar a multa de mora aplicada no acórdão de primeira instância. A seguir, transcrevese a ementa na parte recorrida: [...] MULTA DE MORA. INCLUSÃO NA AUTUAÇÃO POR DRJ. As Delegacias da Receita Federal de Julgamento não possuem competência para efetuar lançamentos, nem podem agravar os autos de infração. [...] Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Cientificada da decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) interpôs Recurso Especial, tempestivo, alegando divergência quanto ao afastamento da multa de mora. Para satisfazer a exigência de comprovação do dissídio jurisprudencial, invocou os precedentes O recurso que admite o Recurso Especial assim decidiu: Nos votos condutores dos paradigmas, em situação similar, a multa de ofício foi cancelada e, em seu lugar, exigida a multa de mora, por ser cobrada independentemente do lançamento, pois, verificado o atraso no adimplemento do crédito tributário seria impositiva a exigência da multa de mora, em virtude de previsão legal. No acórdão recorrido, a Turma Especial decidiu dar provimento ao recurso do contribuinte, considerando indevida a aplicação da multa de mora pelo atraso, quando excluída a multa de ofício. Ante o exposto, considerando que o paradigma foi proferido por órgão julgador diferente daquele do presente processo e não foi reformado, proponho o seguimento ao recurso especial da PFN, na forma dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. E desse modo, subiram os autos para análise da divergência apontada. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes, relatora. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser admitido. Observo que a decisão recorrida foi escorreita na análise proferida, o que ocorreu nos seguinte termos: "No que tange a alegação de nulidade do acórdão recorrido em razão de mudança dos critérios jurídicos, com base no artigo 146 do CTN, para a aplicação da multa de mora, tenho o seguinte entendimento. A possibilidade de nulidade está assim descrita no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Como se vê o § 3º acima permite à autoridade julgadora não declarar a nulidade do ato quando puder decidir do mérito a favor do contribuinte. Assim se, no caso em apreço caso, a aplicação da multa de mora pela DRJ for considerada improcedente, não é cabível a declaração de nulidade da decisão recorrida. Esse procedimento é aplicável a este caso, posto que, como será demonstrado a seguir, o lançamento relativo a essa matéria não deve prevalecer; razão pela qual deixo de apreciar tal alegação de nulidade. Quanto a aplicação da multa isolada de ofício, como dito acima, a DRJ já a afastou. É ainda dever esclarecer que o auto de infração não tratou de cobrar a multa de mora sobre os pagamentos feitos eu atraso, aplicando somente a multa isolada de ofício de 75%. Neste contexto, percebo que a DRJ, em seu acórdão, tratou de aplicar a multa de mora no cálculo do lançamento. Ora, a atividade do lançamento é própria do agente fiscal da Delegacia de origem; não podendo a DRJ efetuar lançamento, ou majorar o lançamento já realizado. Deste modo, as multas de mora, indevidamente aplicadas pela DRJ, sobre os pagamentos em atraso, devem ser retiradas do cálculo da presente autuação". Fl. 302DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.003296/200298 Acórdão n.º 9202004.003 CSRFT2 Fl. 11 5 Observo que a decisão recorrida foi escorreita na análise proferida, e por este motivo utilizo de suas razões de decidir para fundamentar o presente voto, adotando o posicionamento de que a atividade do lançamento é própria do agente fiscal da Delegacia de origem; não podendo a DRJ efetuar lançamento, ou majorar o lançamento já realizado. Ad argumentandum tantum, cumpre registrar particularmente como razão de decidir adicional que a exigência da multa prevista no art. 61, caput e §§1° e 2, da Lei n°9.430, de 1996, é de pleno direito. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso para no mérito negar provimento ao recurso, para afastar a multa de mora indevidamente aplicada pela DRJ, decorrente dos pagamentos em atraso. É o voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 303DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11080.011496/2006-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ANÁLISE NECESSÁRIA. RETIFICAÇÃO DA DECISÃO.
Verificada a omissão apontada pelo embargante cabe o julgamento da parte omitida e se for o caso, retificação do decidido, sanando-se a decisão administrativa.
Numero da decisão: 2201-003.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher parcialmente os embargos, com efeitos infringentes, para, sanando a omissão apontada, retificar a decisão do Acórdão 2201-002-349, de 19/03/14, que passa a ter a seguinte redação: por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo os valores de R$ 5.028,49 e R$ 325.292,90, nos anos-calendário de 2001 e 2002, respectivamente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
EDITADO EM: 02/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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OMISSÃO. ANÁLISE NECESSÁRIA. RETIFICAÇÃO DA DECISÃO. Verificada a omissão apontada pelo embargante cabe o julgamento da parte omitida e se for o caso, retificação do decidido, sanandose a decisão administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher parcialmente os embargos, com efeitos infringentes, para, sanando a omissão apontada, retificar a decisão do Acórdão 2201002349, de 19/03/14, que passa a ter a seguinte redação: por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo os valores de R$ 5.028,49 e R$ 325.292,90, nos anoscalendário de 2001 e 2002, respectivamente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. EDITADO EM: 02/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 14 96 /2 00 6- 14 Fl. 3085DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 2 Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Tratase de embargos de declaração por omissão, interposto pelo Contribuinte, em face do Acórdão 2201002.349 prolatado na sessão de 19 de março de 2014, pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta 2ª Seção de Julgamento. A decisão representada pelo Acórdão 2201002.349, foi proferida quando do julgamento do Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão de Impugnação que manteve, em sua integralidade, o lançamento relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, decorrente de omissão constatada nas declarações de ajuste anual entregues pelo Contribuinte, aqui embargante, relativas aos anoscalendário 2001 e 2002. Tal lançamento tributário, consubstanciado no AI de fls. 3, se encontra devidamente descriminado e comprovado por meio do Relatório Fiscal de folhas 7. O contribuinte se insurgiu contra o lançamento por meio de impugnação de folhas 926, que foi julgada improcedente pela 4ª Turma da DRJ Porto Alegre, que proferiu o Acórdão de Impugnação 1031.565. Inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário de folhas 1063, que restou julgado por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 2201002.349, que restou tempestivamente embargado pelo Contribuinte, consoante peça anexada às folhas 3059. Tais embargos foram parcialmente acolhidos por meio de despacho, constante de folhas 3082 do processo digitalizado, que contou com a concordância da Sra. Presidente da 2ª Câmara. Assim ficou decidido: "Porém, como alegou o recorrente, não há na decisão embargada qualquer consideração da relatora relacionada ao alegado erro cometido pela auditora fiscal ao lançar, duplamente, o valor de R$ 150.000,00 referente aos contratos de mútuos. Assim sendo, entendo que os embargos de declaração devem ser parcialmente acolhidos quanto à apreciação do suposto erro na duplicidade de lançamento. Isto posto, proponho o retorno dos autos à Turma de Julgamento para apreciação dos embargos interpostos pelo contribuinte em relação à omissão arguida de falta de análise da duplicidade de lançamento." Tais embargos foram distribuídos para este Conselheiro, por meio de sorteio eletrônico, realizado em cumprimento ao despacho de folhas 3084, proferido pela Presidente da 2ª Câmara. É o relato do necessário. Fl. 3086DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 11080.011496/200614 Acórdão n.º 2201003.263 S2C2T1 Fl. 3.086 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Presentes os requisitos de admissibilidade dos embargos propostos, e por concordar com o despacho monocrático que os admitiu, passo a analisar a omissão apontada por meio recurso proposto pelo Contribuinte. Consta do despacho de admissibilidade, bem relatado e fundamentado, que os presentes embargos versam sobre: "O embargante alega as seguintes questões: a) omissão por não ter sido observada a nulidade material no acórdão de primeira instância, pela falta de apreciação das razões de defesa suscitadas e dos elementos essenciais da decisão; b) omissão por a decisão embargada não ter sido objeto de qualquer consideração ou exame da relatora quanto ao erro cometido pela auditora fiscal ao lançar, duplamente, o valor de R$ 150.000,00; c) omissão, contradição e obscuridade na análise da “Remuneração Indireta”.Como não existiria uma linha sequer na decisão de primeira instância sobre o tema, teria havido supressão de instância. A contradição seria decorrente da afirmação posta no acórdão de que a decisão da DRJ “não conteria vícios que resultasse em sua nulidade”, enquanto, por outro lado aprecia a questão omissa na decisão recorrida. No acórdão embargado, a relatora também teria proferido o voto sem observar a documentação acostada aos autos, uma vez que haveria inegável comprovação de que o “empréstimo foi efetuado pela pessoa física e de que a receita decorre da prestação de serviços da pessoa jurídica de que o embargante é sócio”. A contradição estaria presente, ainda, no fato de a relatora ter considerado o contrato de prestação de serviços com a pessoa jurídica Rudnei Carvalho Advogados Associados, para afastara os valores cobrados como remuneração indireta, porém, ter negado validade e eficácia ao mesmo contrato para manter as demais exigências; e e) omissão por cerceamento do direito de defesa, uma vez que a decisão embargada afirmou não haver vícios na decisão sem informar as razões da decisão." (negritamos) Como mencionado no relatório, somente a questão em destaque na transcrição acima restou admitida, ou seja, os embargos foram admitidos somente quanto à omissão apontada na decisão recorrida referente ao errôneo lançamento, em duplicidade, do valor de RS 150.000,00 nos rendimentos decorrente do trabalho imputados ao embargante. Fl. 3087DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 4 Por conter o mesmo entendimento que o meu, no tocante aos vícios da decisão apontados nos embargos, adoto o disposto no exame de admissibilidade como limite da análise dos presentes embargos. Vejamos a literalidade dos argumentos do embargante quanto à omissão verificada (fls 3063): "A digna auditora fiscal cometeu um erro gravíssimo, como denunciado pelo embargante no seu recurso. Com efeito, lançou duas vezes como matéria tributável o valor de 150.000,00, erro esse lamentável, terrível e, acima de tudo, extremamente danoso ao embargante. 7.Primeiro, lançou esses R$150.000,00 como omissão de valores recebidos da empresa SRS Prestação. Confirase: "da mesma forma, no anocalendário de 2002, a quantia de R$150.000,00, não saiu da conta bancária do contribuinte e portanto, não foi comprovado o suposto empréstimo à empresa, em 04/10/2002." "todavia, o valor de R$150.000,00 pago ao contribuinte pela empresa, a título de amortização, foi depositado em sua conta bancária em 07/10/2002;" "em resposta à intimação fiscal, o contribuinte negou que tenha efetuado empréstimos à empresa SRS Prestação de Serviços;" "na ausência de contrato de mútuo revestido das formalidades legais, e sem a comprovação da efetiva entrega dos recursos à pessoa jurídica, as parcelas de que tratam os itens anteriores, nos valores de R$84.000,00 e de R$150.000,00 são considerados rendimentos recebidos nos anoscalendário de 2001 e 2002, respectivamente;" (fl. 21, relatório de ação fiscal) 8.Segundo. lançou os mesmos R$150.000,00 como omissão de valores recebidos da empresa Vale Couros (folhas 21 e 22). Ora, Eminentes Julgadores, conforme dito nos itens 32 e 33 das razões recursais, o valor de R$150.000,00 foi emprestado pelo recorrente à empresa SRS Prestação de Serviços, em data de 04 102002, e devolvido pela empresa Vale Couros em data de 07 102002, conforme acerto entre aquelas empresas. Tudo perfeitamente lançado na contabilidade, tanto da mutuária, como da empresa Vale Couros, sem falar na documentação que deu lastro a essa operação. Confirase: a)O embargante emprestou à empresa SRS Prestação de Serviços, em data de 04102002, a importância de R$150.000,00, valor esse que a mencionada empresa se obrigou a devolver no dia 07102002, conforme contrato de mútuo de fl. 969; b)O valor de R$150.000,00, emprestado pelo embargante, saiu de sua contacorrente, mediante a emissão do cheque 045852. Banco 001. Agência 33340 (cheque de fl. 970). çpii v c..do que foi no mesmo dia 04102002. conforme extrato de sua conta bancária de fl. 135; Fl. 3088DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 11080.011496/200614 Acórdão n.º 2201003.263 S2C2T1 Fl. 3.087 5 c)A empresa SRS Prestação de Serviços firmou o recibo da mencionada quantia (recibo de fl. 971); d)A liquidação do mútuo foi realizada pela empresa Vale Couros Trading S/A (A A Trading S/A), em data de 07102002, conforme Transferência Eletrônica Disponível TED de fl. 973. e extrato bancário da contacorrente do embargante de fl. 135. Houve acerto entre aquelas empresas, conforme recibo de fl. 974; e)O embargante firmou recibo, em razão da liquidação do mútuo, conforme documento de fl. 972; f)O valor pago ao embargante pela empresa Vale Couros Trading, relativamente ao mútuo, está devidamente lançado em sua contabilidade, no Razão Analítico Individual, fl. 556. conta SRS; e g)O valor recebido por SRS Prestação de Serviços também estádevidamente lançado em sua contabilidade, no Diário Geral, fl. 524. bem como sua baixa, fl. 525" (destaques originais) Em resumo, em primeiro lugar, o Contribuinte alega que os R$ 150.000,00 que a fiscalização entendeu serem remuneração paga pela Empresa SRS Prestação de Serviços, pois constatado como pagamento ao Contribuinte pela análise das contas contábeis da empresa, são na verdade a devolução de um mútuo firmado em 04/10/2002, pelo qual o Embargante, pelo contrato Mutuante, emprestou à Mutuária o mencionado valor (contrato de folhas 1041). Tal operação se comprova pelo cheque acostado às folhas 1042, emitido pelo Embargante e compensado na conta corrente desse (extrato fls. 143). Nesse ponto, mister uma consideração. Como sempre externalizo, em meus votos e verbalmente nas sessões, me filio àqueles para quem o contrato de mútuo em dinheiro, pela sua inerente falta de formalidade e infelizmente, inegável desvirtuamento de uso por muitos, exige que se comprove, como matéria de defesa, o fluxo de numerário. Isto é, o efetivo empréstimo e devolução. Para mim, mesmo sendo um contrato jurídico válido, o mútuo de dinheiro atrai um ônus probatório mais custoso para quem dele se utiliza, justamente por ele se prestar muito facilmente à simulação e como dito, infelizmente, ser muito utilizado para tanto ou seja, o mútuo deve ser efetivamente comprovado pelo interessado, não bastando a mera apresentação de seu instrumento de constituição. Com essa consideração, importa ressaltar que a devolução do valor mutuado não se deu diretamente pela mutuaria, e sim, em nome desta por outra empresa, a Vale Couros Trading, que em 07 de outubro seguinte, três dias após o mútuo ser firmado, deposita o valor na conta corrente do Mutuante, conforme se comprova pela TED de folhas 1045, e pelo referente extrato da conta do Embargante (fls. 135). Há recibo que dá quitação pela SRS Prestação de Serviços em favor da Vale Couros Trading (fls. 1046), e também recibo assinado pelo Embargante, ali Mutuante, do mútuo firmado em 04 de outubro de 2002 (fls. 1044). Porém, a comprovação mais importante para o meu convencimento da inusitada operação, é como se dá o reconhecimento contábil da Vale Couro. Às folhas 595 se constata no Razão Analítico Individual da empresa, na conta 211095 SRS Consultoria S/C Fl. 3089DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 6 Ltda., no dia 07/10, o lançamento do pagamento a Rudinei Carvalho no valor de R$ 150.000,00. Ou seja, em documento com valor probante, se observa a descrição da exata operação ocorrida, e consubstanciada por documentos juntados aos autos. Com essa triangulação um tanto esdrúxula, me convenço da devolução do mútuo firmado entre o Embargante e a SRS Prestação de Serviços, o que, como explicado, comprova o negócio jurídico alegado. Vejamos agora, se tal valor efetivamente integrou o lançamento referente ao IRPF devido pelo embargante. Voltemos ao Relatório Fiscal (fls. 21): "No que diz respeito à apuração da matéria tributável, com base nos registros contábeis das empresas SRS Consultoria, SRS Prestação de Serviços e Vale Couros Trading, nos documentos obtidos junto à empresa EZT Oficina de Turismo Agência de Viagens Ltda e nos extratos da conta n° 801.20024 do Banco do Brasil, constatouse que: (...) 2 SRS Prestação de Serviços • os valores registrados a débito da conta "(Adiantamentos) Rudinei Carvalho", na empresa SRS Prestação de Serviços, totalizaram R$ 183.130,00 e R$ 346.849,00 nos anoscalendário de 2001 e 2002, respectivamente; • do valor de R$ 346.849,00, apurado no anocalendário de 2002, deve ser excluída a quantia de R$ 269.879,00, transferida do saldo da conta adiantamentos da SRS Consultoria em 31/12/2002, que se reveste de mero acerto contábil e, portanto, resta como rendimento sujeito à tributação a quantia de R$ 76.970,00. • no confronto entre os valores lançados na conta passiva "(Contrato de Mútuo)Rudinei Carvalho",, na empresa SRS Prestação de Serviços, e os extratos da conta n° 801.2024 do Banco do Brasil, a importância de R$ 51.000,00 foi debitada na referida conta bancária, em 30/11/2001, comprovando a entrega do numerário à empresa, enquanto que a entrega do valor de R$ 84.000,00, não foi observada; • a empresa, em quitação dos valores recebidos no ano calendário de 2001, a título de mútuo, pagou ao contribuinte as seguintes quantias. Data ValorR$ 19/11/2001 24.000,00 20/05/2001 46.500,00 14/12/2001 76.370,00 Total 135.000,00 Valor comprovado (51.000,00) Valor rendimento 84.000,00 • da mesma forma, no anocalendário de 2002, a quantia de R$ 150.000,00, não saiu da conta bancária do contribuinte e portanto, não foi comprovado o suposto empréstimo à empresa, em 04/10/2002. • todavia, o valor de R$ 150.000,00 pago ao contribuinte pela empresa, a título de amortização, foi depositado em sua conta bancária em 07/10/2002; Fl. 3090DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 11080.011496/200614 Acórdão n.º 2201003.263 S2C2T1 Fl. 3.088 7 • em resposta à intimação fiscal, o contribuinte negou que tenha efetuado empréstimos à empresa SRS Prestação de Serviços; • na ausência de contrato de mútuo revestido das formalidades legais, e sem a comprovação da efetiva entrega dos recursos à pessoa jurídica, as parcelas de que tratam os itens anteriores, nos valores de R$ 84.000,00 e de R$ 150.000,0 são considerados rendimentos recebidos nos anoscalendário de 2001 e 2002, respectivamente; (...)" (destacamos) A simples leitura do trecho negritado, transcrito do relatório fiscal, demonstra que o valor de R$ 150.000,00 relativo ao mútuo que se logrou comprovar, foi considerado pela Auditora Fiscal como parcela integrante dos rendimentos objeto do lançamento de ofício. Mister realçar que, como efetivamente comprovado pelo Recorrente, aqui embargante, a Autoridade Fiscal incorreu em equívoco ao asseverar no relatório que o valor de R$ 150.000 não saiu da conta corrente do embargante. Tal equívoco é compreensível, em razão da tortuosa operação realizada, mas que restou corroborada por prova nos autos. Vejamos agora se houve, realmente, duplo lançamento desse valor como base de cálculo do IRPF, uma vez que considerado para a SRS Prestação de Serviços. Vejamos o relatório fiscal quanto aos rendimentos provenientes da Vale Couros Trading S/A (fls 22/23): "3 Vale Couros Trading S/A • a omissão de valores recebidos da empresa Vale Couros Trading S/A totalizou $ 329.000,00 (Tabela 11), no ano calendário de 2002." Voltando à menção à Tabela 11 do REFISC, encontramos (fls. 17): 3.3.3 Vale Couros Trading S/A Em exame procedido em seus livros Diário e Razão, com o registro das operações realizadas nos anos 2001 e 2002, verificouse a existência lançamentos contábeis de pagamentos em nome de Rudinei Carvalho, no anocalendário 2002, na forma demonstrada na tabela 11, conforme cópias da folhas do Razão Analítico Individual, em anexo. • Conta: 112082 Unibanco S/A Tabela 11 Anocalendário 2002 DATA VALOR RAZAO FLS 07/10/2002 150.000,00 00002 21/10/2002 29.000,00 00003 06/11/2002 150.000,00 00004 Fl. 3091DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 8 TOTAL 329.000,00" (sublinhado e negrito da linha da tabela é nosso) Novamente assiste razão ao recorrente. Houve equívoco do Fisco ao entender como rendimento da pessoa física o pagamento, em nome de terceiro, do valor referente à devolução do contrato de mútuo firmado em 04 de outubro de 2002, pela Vale Couros. Entendo como comprovado os fatos modificativos do lançamento tributário realizado em razão de imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos omitidos pelo Contribuinte. O valor de R$ 150.000,00 deve ser reduzido da base de cálculo do imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos decorrente da prestação de serviços pelo Contribuinte tanto à empresa SRS Prestação de Serviços quanto para a Vale Couros Trading. Por amor à clareza necessário explicitar: deve ser abatido o valor total de RS 300.000,00 da base de cálculo do IRPF calculado sobre os rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no anocalendário de 2002, omitidos pelo contribuinte e lançado de ofício pela Fiscalização. (Tabela 14 do Relatório Fiscal fls. 23) Conclusão Pelo exposto e com base nos fundamentos apontados, voto por conhecer dos embargos propostos pelo Contribuinte, e por acolhêlo, parcialmente, com efeitos infringentes, para, sanando a omissão apontada, retificar a decisão do Acórdão 2201002349, proferido em 19 de março de 2014, que passa a ter a seguinte redação: "por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo os valores de R$ 5.028,49 e R$ 325.292,90, nos anoscalendário de 2001 e 2002, respectivamente." Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 3092DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 12571.720095/2012-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
LUCRO ARBITRADO. NÃO CABIMENTO. Havendo escrita fornecida pelo sujeito passivo compatível com a movimentação bancária, ainda que haja outras deficiências na contabilidade, o regime do lucro real eleito pelo contribuinte deve ser mantido.
EMBARGOS. CONTRADIÇÃO. Devem ser acolhidos os embargos para sanar a contradição do acórdão, manifestando-se sobre a relação de prejudicialidade entre dois processos fiscais distintos do mesmo contribuinte.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3301-003.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração formulados pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes para dar provimento ao recurso de ofício, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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NÃO CABIMENTO. Havendo escrita fornecida pelo sujeito passivo compatível com a movimentação bancária, ainda que haja outras deficiências na contabilidade, o regime do lucro real eleito pelo contribuinte deve ser mantido. EMBARGOS. CONTRADIÇÃO. Devem ser acolhidos os embargos para sanar a contradição do acórdão, manifestandose sobre a relação de prejudicialidade entre dois processos fiscais distintos do mesmo contribuinte. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração formulados pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes para dar provimento ao recurso de ofício, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 00 95 /2 01 2- 38 Fl. 2663DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 22/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12571.720095/201238 Acórdão n.º 3301003.014 S3C3T1 Fl. 11 2 Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de processo fiscal, cujos autos de infração foram lavrados em abril de 2012 contra o contribuinte em epígrafe, referentes ao PIS/PASEP e à Cofins, ambos relativos aos períodos de apuração de janeiro de 2007 a dezembro de 2008. O de PIS perfaz o valor total de R$ 1.365.098,24, sendo R$ 628.496,05 de valor de contribuição, acrescido das correspondentes parcelas relativas à multa de ofício de 75% e aos acréscimos legais calculados até 30/03/2012, o da COFINS, por sua vez, perfaz o valor total de R$ 6.288.684,45, sendo R$ 2.895.321,75 de valor de contribuição, acrescido, também, das correspondentes parcelas relativas à multa de ofício de 75% e aos acréscimos legais calculados até a citada data. Os embargos de declaração, tempestivos, foram interpostos pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 65, Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, em face do acórdão nº 3301002.750, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. LUCRO ARBITRADO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Lei nº 10.637/2002, art. 8º, inciso II, o regime da nãocumulatividade do PIS deve ser aplicado para os contribuintes tributados pelo imposto de renda com base no lucro real. Verificada a necessidade de arbitramento de lucro, nos termos dos arts. 47 da Lei 8.981/1995 e 530 do Decreto nº 3.000/1999, aplicase a sistemática cumulativa ao PIS. COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. LUCRO ARBITRADO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Lei nº 10.833/2003, art. 10, inciso II, o regime da nãocumulatividade da COFINS deve ser aplicado para os contribuintes tributados pelo imposto de renda com base no lucro real. Verificada a necessidade de arbitramento de lucro, nos termos dos arts. 47 da Lei 8.981/1995 e 530 do Decreto nº 3.000/1999, aplicase a sistemática cumulativa à COFINS. Recurso de ofício negado. Fl. 2664DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 22/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12571.720095/201238 Acórdão n.º 3301003.014 S3C3T1 Fl. 12 3 A controvérsia dos autos restringese à determinação do regime aplicável para os débitos de PIS e COFINS: cumulatividade ou nãocumulatividade, considerando a escrita deficiente apresentada pelo contribuinte. No auto de infração adotouse o critério da nãocumulatividade para o cálculo das contribuições PIS e COFINS, pois fora o regime eleito pelo sujeito passivo. Assim, a fiscalização aplicou as alíquotas de 1,65% e 7,6% e a sistemática de compensação entre créditos pelas entradas e débitos pelas saídas. Além deste processo, há outro contra o sujeito passivo, referente aos mesmos fatos geradores, no qual a 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba, competente para o julgamento de IRPJ e CSLL lançados contra o mesmo contribuinte (nº 12571.720094/2012 93), decidiu em sessão realizada em 20/09/2012, acórdão unânime (nº 0638.049), que a fiscalização deveria ter aplicado, face das circunstâncias e elementos encontrados durante o procedimento fiscal, o regime de tributação do Lucro Arbitrado para o IRPJ e CSLL e, por conseguinte, deveria ter aplicado o regime de cumulatividade às contribuições PIS e COFINS. Indo ao encontro dessa decisão referente ao IRPJ e à CSLL, o acórdão da DRJ/CTA nº 0639.040 proferido no presente processo, também cancelou integralmente as exigências de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade, cabendo o direito do fisco de respeitados os prazos legais e se for o caso, efetuar novos lançamentos. Por sua vez, o acórdão ora embargado, na mesma linha, entendeu ser devido o arbitramento e, por consequência, o regime aplicável às contribuições de PIS e COFINS devidas seria o cumulativo. Com relação ao processo de IRPJ e CSLL (12571.720094/201293), o CARF, em sede de recurso de ofício, reformou a decisão da DRJ/Curitiba. É exatamente neste ponto que reside a contradição apontada pela Fazenda Nacional como pressuposto para os presentes Embargos de Declaração: o Processo Fiscal nº 12571.720094/201293 foi julgado pelo CARF também em sede de recurso de ofício, oportunidade na qual a 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, reformou a decisão de 1ª instância da DRJ/Curitiba, afastando o arbitramento de lucro, por entender haver condições de apuração de infração pontual, com base na escrita fornecida pelo sujeito passivo. Alega a Fazenda Nacional que houve contradição no acórdão embargado, porque a decisão proferida nos autos do IRPJ e CSLL seria questão prejudicial, já que fora tomada como premissa do presente processo. Por isso, requer sejam conhecidos e acolhidos os presentes Embargos de Declaração, a fim de sanar o vício apontado. É o relatório. Voto A questão central destes Embargos é a relação de prejudicialidade entre o presente processo fiscal (PIS e COFINS) e o de nº 12571.720094/201293 (IRPJ e CSLL). A decisão proferida pelo CARF no Processo Fiscal nº 12571.720094/201293 (IRPJ e CSLL) tem o seguinte teor: Fl. 2665DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 22/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12571.720095/201238 Acórdão n.º 3301003.014 S3C3T1 Fl. 13 4 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 LUCRO. ARBITRAMENTO. Havendo condições de apurar infração pontual, baseada na em escrita fornecida pelo sujeito passivo, que mantenha fidelidade com a movimentação bancária, a autoridade fiscal poderá, atendido o interesse da Fazenda Nacional, manter o regime eleito pelo contribuinte, não exsurgindo daí qualquer direito ao sujeito passivo faltoso que entenda ser o arbitramento mais favorável. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento por força do julgamento de recurso de ofício, referente aos lançamentos de IRPJ e CSLL afastou o arbitramento, então se trata de questão prejudicial, assistindo razão à Fazenda Nacional, pois a fundamentação do acórdão embargado foi a adoção da posição dos julgadores do Processo Fiscal nº 12571.720094/201293 como premissa. Assim, nos termos do art. 50, § 1º, da Lei 9.784/99, tomo como fundamento de decidir as razões do voto do Relator Eduardo de Andrade, no processo 12571.720094/201293 (IRPJ e CSLL): (...) verificase na conduta da recorrente que objetiva beneficiar se de sua própria torpeza para, de início incinerar seus livros diário e razão, e posteriormente, requerer o cancelamento do auto de infração porque a fiscalização não arbitrou o lucro, com base exatamente na inexistência daqueles mesmos livros. Tal conclusão é reforçada tendose em conta que as glosas efetuadas pela fiscalização baseiamse em documentação inidônea apresentada, conforme afirmou a autoridade fiscal (fl. 1883). (...) De fato, se há algum prejudicado nesta apuração é a Fazenda Nacional, já que o crédito tributário obtido com apuração baseada no lucro arbitrado poderia em tese fornecer montante superior. Assim, o cancelamento do auto de infração nesta hipótese específica dos autos, significaria um prejuízo duplo ao Erário. Retomando a questão inicial sobre a obrigatoriedade ou não do arbitramento, e se os comandos estipulados pelo caput e parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.218/91 como pelo inciso I do art. 47 da Lei nº 8.981/95 hão de ser vistos como faculdade da Administração ou como direito do contribuinte, vejo, como de fato mencionei, que a norma visa a proteger o interesse da Fazenda Nacional. Assim, olhando a questão sob o ângulo da realidade factual, noto que o limite estipulado pela norma é intransponível para o contribuinte, que fica sujeito ao arbitramento se não ostentar os requisitos ali exigidos. Por outro lado, tendo o agente público condições de apurar insuficiência de crédito pontual, baseado em uma escrita fornecida, digital ou não, que confira certa fidelidade dos dados escriturados, especialmente a fidelidade com a movimentação bancária, o lançamento poderá ser efetuado com base no regime de apuração eleito pelo contribuinte, pois do contrário, ao invés de se tutelar a Fazenda Nacional estarseá penalizandoa duplamente. Fl. 2666DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 22/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12571.720095/201238 Acórdão n.º 3301003.014 S3C3T1 Fl. 14 5 (...) Vejo, portanto, certa flexibilidade nas regras estabelecidas no caput e parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.218/91 e no inciso I do art. 47 da Lei nº 8.981/95, que devem ser entendidas como faculdades da Administração e não como direitos do contribuinte. Como dito acima, o acórdão embargado, de fato, é contraditório, pois adotou como premissa a necessidade de adoção do lucro arbitrado devido à decisão prévia no Processo Fiscal nº 12571.720094/201293 (IRPJ e CSLL). Portanto, é imperioso reconhecer a contradição e afastar a exigência de aplicação da sistemática do lucro arbitrado em detrimento do lucro real, escolha eleita pelo sujeito passivo. Por isso, devem os presentes Embargos serem acolhidos com efeitos infringentes para dar provimento ao recurso de ofício. Ressaltese que em sua impugnação, a KRM Transporte arguiu o seguinte: Preliminarmente a interessada alega a decadência parcial do crédito tributário contestado. Defende que no presente caso, de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a fazenda pública proceder ao lançamento extinguese após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 899, do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda) e do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN. Conclui que no presente caso a ciência do lançamento ocorreu em 20 de abril de 2012, fulminando pela decadência, portanto, os créditos tributários ocorridos anteriormente a 20 de abril de 2007. No mérito, primeiramente, a contribuinte insurgese contra a aplicação da sistemática da nãocumulatividade para o cálculo das contribuições (PIS e COFINS). Defende que em face dos inúmeros vícios, erros ou deficiências encontrados pela fiscalização na escrituração contábil da contribuinte, conforme os apontamentos contidos no Relatório de Ação Fiscal, a tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, de acordo com os incisos I e II, art. 530, do Decreto nº 3.000/99 (RIR 99), deveria ter sido realizada pelo Lucro Arbitrado e, por consequência, deveria ter sido adotado o critério da cumulatividade para a tributação das contribuições (PIS e COFINS). Argumenta que no período fiscalizado a empresa não possuía os elementos formais obrigatórios para a realização do cálculo do IRPJ pelo critério do Lucro Real, pois, como constatou a fiscalização, o Livro Diário não foi escriturado e não foram elaborados o balanço patrimonial, a demonstração do resultado do exercício (DRE) e a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DLPA), em conformidade com o que determinam os artigos 258 e 274 do RIR/99. Acrescenta que a empresa apresentou uma Demonstração de Resultado do Exercício (Anexo XII), mas que a autoridade fiscal desconsiderou a por completo, utilizando, para determinação das contribuições devidas, uma outra Demonstração de Resultado de Exercício (Anexo XIII), com valores totalmente diferentes dos apresentados. No tópico seguinte a interessada contesta as glosas de créditos referentes aos: 1) fretes pagos a terceiros; 2) insumos. Fl. 2667DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 22/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12571.720095/201238 Acórdão n.º 3301003.014 S3C3T1 Fl. 15 6 1) Quanto ao primeiro item defende que a glosa é contraditória e incorreta Afirma que a fiscalização: “a) glosou despesas com fretes pagos a terceiros – pessoas físicas, por não terem estes afirmado que prestaram serviço ao contribuinte; b) todavia, no Processo nº 12571.720273/201140 a autoridade tributária reconheceu tais serviços prestados e, inclusive, lançou as contribuições previdenciárias que entendeu devidas. Diz que a autoridade fiscal aceitou como verdadeiras unicamente as informações fornecidas pelos prestadores de serviço, e que é óbvio, pelo fato de os serviços serem tributados, o interesse dos mesmos em negar a ocorrência dos serviços. Afirma que existe contradição no procedimento de glosa das despesas de frete, uma vez que contra os subcontratados foram lavrados inúmeros autos de infração, os quais podem ser consultados nos arquivos de dados da Receita Federal. Acrescenta que a glosa é incorreta porquanto a circularização desses serviços foi realizada de forma parcial. Defende que todos os pagamentos relativos aos fretes subcontratados foram efetuados por via bancária e mediante depósito e diz estar juntando à impugnação dezesseis exemplos de pagamentos efetuados a terceiros por fretes subcontratados que comprovam a efetividade das despesas e dos pagamentos efetuados. Argumenta que a subcontratação e os respectivos pagamentos foram realizados “exatamente segundo os USOS e COSTUMES que envolvem essa modalidade de serviço e seu respectivo pagamento.” Por fim, defende “que não está correta a glosa dos créditos referentes a essas despesas, devendo ser observado que estão anexados a esta impugnação, como amostragem, apenas dezesseis casos, ou seja, um caso referente a cada trimestre de 2007 e outros doze casos referentes a cada mês de 2008.” 2) Quanto ao segundo item defende que a totalidade dos insumos e de aquisições para o imobilizado, relacionados no anexo V, geram direito ao crédito no cálculo das contribuições. Alega que a Constituição Federal (§ 12, art. 195) “adotou o critério de créditos por contribuição incidente em todas as operações anteriores contra débito por operações posteriores, ou seja, TRIBUTO PAGO ‘versus’ TRIBUTO DEVIDO (método ‘Imposto sobre imposto’)”. Argumenta que a legislação relativa ao PIS e à COFINS autoriza o crédito de todos os bens e serviços utilizados na prestação de serviços e que, portanto, a apropriação de créditos deve ser ampla e alargada, sem a imposição de limites de qualquer espécie. No último tópico a contribuinte insurgese contra a cobrança das contribuições sobre as receitas de exportação. Defende que a fiscalização aplicou indevidamente a regra de suspensão das contribuições, prevista no art. 40, da Lei nº 10.865/2004, ao invés da imunidade tributária prevista no inciso I, § 2º, art. 149, da Constituição Federal. Diz que referido dispositivo constitucional prevê a imunidade das contribuições (PIS e COFINS) sobre as receitas decorrentes das operações de exportação, realizadas diretas ou indiretamente, e independentemente de quaisquer formalidades. Afirma que, de acordo com a legislação (Lei nº 10.637/2002 e n º 10.833/2003), as contribuições “não deverão incidir sobre as receitas decorrentes das operações de exportação, de modo a abranger também as receitas decorrentes de fretes necessários às operações de exportação: não é Fl. 2668DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 22/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12571.720095/201238 Acórdão n.º 3301003.014 S3C3T1 Fl. 16 7 considerado nessas regras legais de não incidência a necessidade de existir preponderância na atividade exportadora.” Assim, sobre as demais alegações do sujeito passivo, a DRJ deverá agora se manifestar, já que afastado o arbitramento do lucro por meio destes Embargos, acolhidos com efeitos infringentes. Conclusão Diante do exposto, voto por acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes para dar provimento ao recurso de ofício, restaurandose a exigência fiscal lançada, devendo o processo retornar à DRJ para apreciação das demais matérias alegadas pela recorrente na impugnação. Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 2669DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 22/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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