Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,218)
- Segunda Câmara (27,798)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,357)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,838)
- Primeira Turma Ordinária (15,815)
- Primeira Turma Ordinária (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (15,681)
- Segunda Turma Ordinária d (14,211)
- Primeira Turma Ordinária (12,951)
- Primeira Turma Ordinária (12,270)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,297)
- Quarta Câmara (83,859)
- Terceira Câmara (66,190)
- Segunda Câmara (54,484)
- Primeira Câmara (19,047)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,240)
- 1ª SEÇÃO (6,768)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (121,972)
- Segunda Seção de Julgamen (112,889)
- Primeira Seção de Julgame (75,297)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,908)
- Câmara Superior de Recurs (37,678)
- Terceiro Conselho de Cont (25,959)
- IPI- processos NT - ressa (5,005)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,651)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,618)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,208)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,889)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,591)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,956)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,913)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,464)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,118)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10314.720248/2017-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2013 a 31/07/2016
CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Assim, não devem ser conhecidos os argumentos que concernentes à exigência do Adicional de 1% da COFINS - Importação, que foi objeto de propositura de ação judicial.
MULTAS DE OFÍCIO E ADUANEIRA. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA COSUNÇÃO
Não base a este colegiado afastar a aplicação de multas cujos dispositivos legais encontravam-se plenamente em vigor nas datas das autuações e aos quais se subsumiam os fatos identificados pela fiscalização.
FALTA DE PREVISÃO LEGAL. JUROS SOBRE MULTAS DE OFÍCIO E ADUANEIRA
De acordo com as Súmula CARF n° 4, incidem juros Selic sobre débitos tributários. Especificamente sobre a incidência sobre a multa de ofício, há a Súmula CARF n° 108.
Numero da decisão: 3301-006.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Ausente a Conselheira Liziane Angelotti Meira.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2013 a 31/07/2016 CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, não devem ser conhecidos os argumentos que concernentes à exigência do Adicional de 1% da COFINS - Importação, que foi objeto de propositura de ação judicial. MULTAS DE OFÍCIO E ADUANEIRA. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA COSUNÇÃO Não base a este colegiado afastar a aplicação de multas cujos dispositivos legais encontravam-se plenamente em vigor nas datas das autuações e aos quais se subsumiam os fatos identificados pela fiscalização. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. JUROS SOBRE MULTAS DE OFÍCIO E ADUANEIRA De acordo com as Súmula CARF n° 4, incidem juros Selic sobre débitos tributários. Especificamente sobre a incidência sobre a multa de ofício, há a Súmula CARF n° 108.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10314.720248/2017-67
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6008663
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-006.067
nome_arquivo_s : Decisao_10314720248201767.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10314720248201767_6008663.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Ausente a Conselheira Liziane Angelotti Meira.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7746521
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907610640384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1840; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 1.543 1 1.542 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.720248/201767 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301006.067 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2019 Matéria COFINSIMPORTAÇÃO Recorrente SANOFI AVENTIS FARMACEUTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2013 a 31/07/2016 CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, não devem ser conhecidos os argumentos que concernentes à exigência do Adicional de 1% da COFINS Importação, que foi objeto de propositura de ação judicial. MULTAS DE OFÍCIO E ADUANEIRA. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA COSUNÇÃO Não base a este colegiado afastar a aplicação de multas cujos dispositivos legais encontravamse plenamente em vigor nas datas das autuações e aos quais se subsumiam os fatos identificados pela fiscalização. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. JUROS SOBRE MULTAS DE OFÍCIO E ADUANEIRA De acordo com as Súmula CARF n° 4, incidem juros Selic sobre débitos tributários. Especificamente sobre a incidência sobre a multa de ofício, há a Súmula CARF n° 108. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 02 48 /2 01 7- 67 Fl. 1543DF CARF MF Processo nº 10314.720248/201767 Acórdão n.º 3301006.067 S3C3T1 Fl. 1.544 2 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Ausente a Conselheira Liziane Angelotti Meira. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: " Trata o presente de auto de infração que constituiu e exige: 1. Adicional de ponto percentual de COFINS Importação (§ 21 do art. 8º da Lei n. 10.865/2004) sobre importações realizadas pela contribuinte entre 01/06/2013 e 31/07/2016 de produtos [farmacêuticos] de posição 3002, 3003, 3004, 3005 e 9018 (especificados nos anexos da auto de infração, e também às fls. 30 e 31 do Relatório Fiscal), a despeito deles serem bens com alíquota de COFINS Importação reduzida a zero (§ 11 do art. 8º da Lei n. 10.865/2004). 2. Multa de ofício (75%) e juros de mora sobre essa adicional de ponto porcentual de Cofins Importação; 3. Multa administrativa aduaneira por prestação de informação inexata (§ 1º do artigo 69 da Lei 10.833/2003, c/c art. 84 da MP 2.15835, de 2001). A autoridade fiscal entende que apesar desses bens terem sido importados com COFINS à alíquota reduzida, consoante o § 11 do art. 8º da Lei n. 10.865/2004, é obrigatória a incidência do ponto adicional de COFINS Importação previsto no § 21 do art. 8º da Lei n. 10.865/2004, como reconheceu o Parecer Normativo COSIT n. 10, de 2014. Em sua análise das importações desses produtos realizadas por esse contribuinte nesse período, ela constatou que a contribuinte recolheu esse adicional em várias importações exatamente dos mesmos produtos, enquanto que os produtos objeto desse auto de infração elas deixou de incluir na Declaração de importação e de efetuar o recolhimento devido. Além disso, a autoridade fiscal entende que: “o importador declarou incorretamente a alíquota da CofinsImportação nas DI's sujeitas ao respectivo adicional de 1%, e que a mesma se enquadra dentre as informações de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessárias à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado a serem prestadas pelo importador, incide a multa por declaração inexata prevista na legislação acima mencionada. Fl. 1544DF CARF MF Processo nº 10314.720248/201767 Acórdão n.º 3301006.067 S3C3T1 Fl. 1.545 3 O importador deveria ter informado, no campo apropriado da Declaração de Importação, a alíquota de referente à Cofins, no momento em que efetuou o registro da DI, e recolhido o respectivo tributo que seria corretamente calculado automaticamente pelo próprio Sistema Integrado de Comércio Exterior – Siscomex. Mas, conforme extratos das DI's anexados ao presente auto de infração, visualizase que o importador declarou no referido campo a alíquota incorreta de 0% referente a CofinsImportação, ao invés do 1% correto. Em razão disso, o Siscomex foi induzido a erro e não efetuou o cálculo do tributo devido. Resta, portanto, configurada a infração regulamentada no Art. 711, III, do Decreto 6.759 de 2009.” (p. 46 do Relatório Fiscal e Auto de Infração) A contribuinte ingressou com Impugnação por meio da qual alega: A ação coletiva n. 2086136.2014.4.01.3400 ingressada pela entidade sindical, da qual a contribuinte é parte, proferiu sentença favorável à tese da contribuinte (de que não há ponto adicional de COFINS Importação quando houve redução da alíquota a zero); invoca o Parecer Normativo COSIT n. 7 de 2014, e pede suspensão do julgamento até que haja decisão final e definitiva; Ser indevida a cobrança do ponto adicional sobre medicamentos, no caso sob análise, pois há disposição em lei que define a redução a zero para esses tipos de produtos, e que deve prevalecer a regra específica sobre a regra geral. Para demonstrar sua razão a contribuinte argumenta, em suas palavras: 13. A instituição da COFINSImportação se deu com a edição da Lei n° 10.865, de 30.4.2004 ("Lei n° 10.865/04'"). mais especificamente através de seus artigos 1° e seguintes: Art. 1° Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINSImportação, com base nos arts. 149, § 2o, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6o. 14. A Lei n° 10.865/04 também dispõe sobre a forma de cálculo geral da COFINSImportação, estipulando as alíquotas incidentes sobre a base de cálculo desse tributo, conforme disposto no artigo 8o da referida Lei: "Art. 8o. As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas de: I na hipótese do inciso I do caput do art. 3o, de : a) 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento), para a Contribuição para o PIS/PASEPImportação; e b) 9,65% (nove inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), para a COFINSImportação." 15. Especificamente para os casos como o da Requerente, a Lei n° 10.865/04 prevê que, sobre a importação dos produtos classificados no Capítulo 30 do NCM, referente aos produtos farmacêuticos, a alíquota da COFINSImportação poderia ser reduzida a zero pelo Fl. 1545DF CARF MF Processo nº 10314.720248/201767 Acórdão n.º 3301006.067 S3C3T1 Fl. 1.546 4 Poder Público, de acordo com o disposto no § 11, do artigo 8o, da Lei n° 10.865/04, abaixo transcrito: "§ 11. Fica o Poder Executivo autorizado a reduzir a 0 (zero) e a restabelecer as alíquotas do PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação, incidentes sobre: I produtos químicos e farmacêuticos classificados nos Capítulos 29 e 30 da NCM: (...)" II produtos destinados ao uso em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo Poder Público e laboratórios de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas, classificados nas posições 30.02, 30.06. 39.26. 40.15 e 90.18 da NCM. (não destacado no original) 16. Com fundamento no parágrafo acima transcrito, o Poder Executivo promulgou o Decreto n° 6.426/08, reduzindo a zero as alíquotas da COFINSImportação dos produtos classificados no Capítulo 301 (produtos farmacêuticos) e Posições 032, 043 (medicamentos) e código 3005.10.IO4 (gazes, ataduras e etc). Vejamos: "Art. 2o. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação, incidentes sobre a operação de importação dos produtos farmacêuticos classificados, na NCM: (...) IV na posição 30.03. exceto no código 3003.90.56; V na posição 30.04. exceto no código 3004.90.46 VI no código 3005.10.10:" (não destacado no original) 17. Ainda neste sentido, o Decreto n° 6.426/08, em seu artigo 1o, inciso III, determinou a redução a zero das alíquotas da COFINSImportação para outros produtos, quando destinados para situações específicas: "Art. 1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: (...) III destinados ao uso em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo Poder Público, laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas, classificados nas posições 30.02, 30.06, 39.26, 40.15 e 90.18 da NCM, relacionadas no Anexo III deste Decreto. 18. Portanto, da análise da legislação específica, verificase que o Poder Executivo optou por zerar a alíquota da COFINSImportação para os medicamentos. Tal medida, conforme divulgado pela própria Casa Civil do Governo Federal, "permite à indústria farmoquímica, estabelecida no país, reduzir os custos incidentes na produção de fármacos". Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 10314.720248/201767 Acórdão n.º 3301006.067 S3C3T1 Fl. 1.547 5 19. Os medicamentos importados pela Requerente e objeto da presente autuação enquadramse entre os produtos elencados nos artigos destacados acima, logo, sujeitamse à alíquota zero de COFINSImportação. 20. Ocorre que, como mencionado acima, posteriormente à edição do Decreto n° 6.426/08, a Lei n° 12.844/13 alterou a Lei geral que instituiu a COFINS Importação, acrescentando um novo parágrafo ao já referido artigo 8o da Lei n° 10.865/04. 21. O novo parágrafo 21, do artigo 8o, da Lei n° 10.865/04 instituiu um adicional de 1% às alíquotas gerais de COFINSImportação previstas no caput do referido artigo. Vejamos: "Art. 8o. As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas de: I na hipótese do inciso I do caput do art. 3o, de: a) 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento), para a Contribuição para o PIS/PASEPImportação; e b) 9,65% (nove inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), para a COFINSImportação. (...) § 21. As alíquotas da CofinsImportação de que trata este artigo ficam acrescidas de um ponto percentual na hipótese de importação dos bens classificados na Tipi, aprovada pelo Decreto n° 7.660, de 23 de dezembro de 2011, relacionados no Anexo I da Lei n° 12.546, de 14 de dezembro de 2011. (Redação dada pela Lei n° 12.844, de 19 de julho de 2013) (Vide art. 49, inc III da Lei n° 12.844/2013)" 22. Entretanto, ao contrário do que sustenta a D. Fiscalização, muito embora a nova regra seja direcionada à aplicação do acréscimo de 1% sobre as alíquotas da COFINS Importação aplicáveis à importação de bens (2,1% e 9,65%), as DD. Autoridades Fiscais pretendem, por meio do presente Auto de Infração, exigir o recolhimento deste valor, contrariando de forma totalmente injustificada o disposto no Decreto n° 6.426/08. 23. Ocorre que a Requerente não pode concordar com o entendimento das DD. Autoridades Fiscais no presente caso, uma vez que se pretende aplicar regra geral em hipótese na qual existe regra específica que estabelece alíquota zero para os medicamentos importados pela Requerente. 24. Ora, a inclusão do parágrafo 21, do artigo 8o, da Lei n° 10.865/04, em momento algum revogou a autorização contida no parágrafo 11 do mesmo diploma legal, que faculta ao Poder Público a redução a zero da alíquota da COFINSImportação sobre os medicamentos. 25. Tampouco poderia o parágrafo 21, do artigo 8o, da Lei n° 10.865/04, revogar a determinação do Decreto n° 6.426/08, que prevê alíquota específica incidente sobre os medicamentos, com fundamentação justamente no parágrafo 11, do artigo 8o, da Lei n° 10.865/04. Fl. 1547DF CARF MF Processo nº 10314.720248/201767 Acórdão n.º 3301006.067 S3C3T1 Fl. 1.548 6 26. Não se pode admitir que a regra trazida pelo Decreto n° 6.426/08 seja suprimida sob o pretexto de existir norma geral representada pelo parágrafo 21, do artigo 8°, da Lei n° 10.865/04. Isso porque, sendo o referido Decreto norma específica e com fundamento na própria Lei n° 10.865/04, ele deverá prevalecer no caso da Requerente. 27. Portanto, deve prevalecer a norma que regulamenta a situação concreta e específica do contribuinte, como é o caso do Decreto n° 6.426/08, inclusive em atenção ao princípio da especialidade (lex specialis derogat legi generali) previsto no artigo 2°, § 2o, da Lei de Instrução às normas do Direito Brasileiro instruída pelo DecretoLei n° 4.657, de 4 de setembro de 1942 ("DecretoLei n° 4.657/42"): "Art. 2o Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. (...) 6 2° A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior." 28. No que se refere à aplicação do princípio da especialidade, vale observar a farta jurisprudência do E. Superior Tribunal de Justiça ("STJ"), que ao analisar casos de conflito normativo decidiu pela aplicação da lei especial sobre a lei genérica, principalmente quando a norma especial foi editada para disciplinar a situação de contribuintes determinados, como ocorre no presente caso. Vejamos. [excertos de decisões proferidas pelo STJ; Resp 1.161.467/RS, 2ª T, Relator Ministro Castro Meira, DJ 17/5/2012; AgRg no Resp n. 1.075.094/MG, 5ª T, Relator ministro Adilson Vieira Macabu, DJ 15/2/2011] 29. Portanto, diante das regras expostas acima, confirmadas pelo entendimento sedimentado pela jurisprudência pátria, resta incontroverso que o entendimento das DD. Autoridades Fiscais está equivocado, e que se deve aplicar a norma especial aos casos especificamente regulamentados por ela, em detrimento da norma geral, que se presta à regulamentação de situações genéricas e abstratas. 30. A exigência do adicional de 1% à alíquota da COFINSImportação incidente na importação de medicamentos é completamente absurda no caso dos produtos farmacêuticos, de forma que a Requerente não consegue sequer compreender as razões que levaram as DD. Autoridades Fiscais a questionar a aplicação de ato emanado pelo Poder Público em favor do desenvolvimento da saúde pública. 31. Além disso, a tentativa de afastar o Decreto n° 6.426/08 no presente caso vai contra o princípio constitucional da segurança jurídica das relações jurídicas, que deveria nortear a relação entre Estado e contribuintes. Isso sem falar na ofensa ao princípio da estrita legalidade em matéria tributária, previsto no artigo 150, inciso I, da CF/88 e no artigo 97 do Código Tributário Nacional ("CTN"). 32. Por fim, resta comprovada a improcedência da cobrança do adicional de 1% sobre a alíquota da COFINSImportação, haja vista que deve prevalecer o disposto no Decreto n° 6.426/08, que determinou a incidência de alíquota zero da COFINSImportação sobre Fl. 1548DF CARF MF Processo nº 10314.720248/201767 Acórdão n.º 3301006.067 S3C3T1 Fl. 1.549 7 medicamentos, preservando a norma específica sobre a norma geral, em respeito à segurança jurídica. As multas de ofício (75%) e administrativa por informação inexata (1%) são desproporcionais e não razoáveis; a aplicação simultânea das duas multas fere o ordenamento jurídico, pois se penaliza duas vezes por um mesmo ato, e se deve adotar o princípio da consunção (a conduta menos grave serve com meio para atingir a mais nociva); a situação demanda cancelamento da autuação; ou alternativamente prevalecer apenas a referente à infração mais grave, e extinguindo a menos grave; A não incidência de juros de mora sobre multa de ofício por falta de previsão legal. Traz decisões proferidas no CARF e na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Ao final, ela pede: 64. Assim sendo, diante de tudo o que foi exposto, e com base na doutrina e jurisprudência mencionadas, a Requerente requer seja INTEGRALMENTE ACOLHIDA a presente Impugnação, para o fim de que, em preliminar, seja o presente processo administrativo suspenso até que seja proferida decisão final nos autos da Ação Ordinária n° 2086136.2014.4.01.3400, nos termos do Parecer Normativo COSIT n° 7/2014. 65. Entretanto, caso assim não entenda essa D. Delegacia de Julgamento, o que se admite a título meramente argumentativo, a Requerente requer seja INTEGRALMENTE ACOLHIDA a presente Impugnação para que, no mérito, seja reconhecida a total improcedência do Auto de Infração lavrado (principal, multa de ofício de 75% sobre o valor do suposto crédito tributário, multa de 1% do valor aduaneiro e juros SELIC), com o consequente arquivamento do processo administrativo correlato, uma vez que não houve qualquer omissão de receita, muito menos ausência de recolhimento de tributo. 66. Na remota hipótese dos pedidos acima não serem acolhidos, a Requerente requer (i) a diminuição da multa de ofício e da multa de 1% a patamares razoáveis e condizentes com a suposta infração cometida;(ii) o cancelamento da multa de 1% do valor aduaneiro, por ser claramente indevida, haja vista que não houve prestação de informação inexata; e (iii) o cancelamento da multa de ofício de 75%, visando tratarse de aplicação de penalidade em duplicidade, em respeito ao princípio da consunção e (ii) a não incidência da taxa SELIC sobre o valor da multa aplicada, uma vez que é penalidade e não tem natureza tributária. 67. Por fim, a Requerente protesta pela juntada posterior de documentos que possam se fazer necessários, nos termos do artigo 16, § 4o, alínea "a" do Decreto 70.235/72, bem como do princípio da verdade material que orienta o processo administrativo fiscal. É o relatório." Em 10/10/17, a DRJ em Curitiba (PR) julgou a impugnação improcedente e o Acórdão n° 06060.545 foi assim ementado: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/06/2013 a 31/07/2016 Fl. 1549DF CARF MF Processo nº 10314.720248/201767 Acórdão n.º 3301006.067 S3C3T1 Fl. 1.550 8 Ementa: CONCOMITÂNCIA. APLICAÇÃO DA INTELIGÊNCIA DO PARECER NORMATIVO COSIT N. 7, DE 22/08/2014 (DOU DE 27/08/2014, seção 1, p. 65) Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeitaà incidência dos juros de mora, calculados com base na taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repisa os argumentos apresentados na impugnação e adiciona contestação à decisão da DRJ de não conhecer das alegações relacionadas à incidência do Adicional de 1% à COFINS Importação, em decorrência de concomitância. Em síntese, alega que não está vinculada à ação judicial, porém o sindicato de que faz parte. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Tratase de auto de infração para cobrança do Adicional de 1% à COFINS Importação (§ 21 do art. 8° da Lei n° 10.865/04) e multa de 1% sobre o valor aduaneiro (inciso III do art. 711 do Decreto n° 6.759/09 / Regulamento Aduaneiro RA), por erro no preenchimento de Declarações de Importação (DI), incidentes sobre importações realizadas no período de agosto de 2013 a dezembro de 2016. Preliminar Concomitância ou suspensão do julgamento Antes de adentrar no exame propriamente dito da questão em epígrafe, consigno o Acórdão da DRJ suscita dúvidas quanto à abrangência da concomitância, senão vejamos (trechos do Acórdão, fls. 1.444 a 1.462): Fl. 1550DF CARF MF Processo nº 10314.720248/201767 Acórdão n.º 3301006.067 S3C3T1 Fl. 1.551 9 Dispositivo "Acordam os membros da 4ª TURMA DE JULGAMENTO, por unanimidade, julgar improcedente a impugnação." Conclusão do voto "Conclusão Proponho (i) o reconhecimento da concomitância (ação coletiva n. 2086136.2014.4.01.3400 ingressada pela entidade sindical ) com relação à questão da incidência do ponto adicional de COFINS Importação para os produtos incluídos no auto de infração, e para a conseqüente exigência de multa de ofício e da multa administrativa por prestar informação incorreta nas declarações de importação, NÃO CONHECENDO DA IMPUGNAÇÂO QUANTO A ESTAS MATÉRIAS, DECLARANDO A DEFINITIVIDADE DA EXIGÊNCIA DECORRENTE (ii) a improcedência da impugnação nos demais questionamentos e alegações que extravasam ao que foi submetido à apreciação do Poder Judiciário." A incerteza surge, pelos seguintes motivos: o dispositivo julga a impugnação improcedente para tanto, em princípio, teve de conhecêla integralmente; "conclusão" do voto, dispuseram que não conheceram dos argumentos acerca da exigência do Adicional de 1% à COFINS Importação e das multas de ofício e administrativa, tendo restado tão somente a discussão acera dos juros sobre a multa de ofício; e no corpo do voto condutor, as alegações concernentes às multas, a princípio, não conhecidas, foram apreciadas e devidamente afastadas. Apesar de um tanto confuso, é possível concluir que todos os argumentos de defesa foram apreciados pela DRJ, tendo sido considerados como não conhecidos, exclusivamente, os atinentes à cobrança do Adicional de 1% da COFINS Importação. Dito isto, passo à análise dos autos. No Relatório Fiscal (fls. 614 e 615) e recurso voluntário (fls. 1.503 a 1.505), confirmados com as informações contidas no sítio virtual do Tribunal Regional Federal da 1° Região, consta que o Sindicato das Indústrias de Produtos Farmacêuticos do Estado de São Paulo (SINDUSFARMA), do qual a recorrente faz parte, propôs a Ação Ordinária n° 20861 36.2014.4.01.3400, com o intuito de obter declaração de que o Adicional de 1% à COFINS Importação não incide sobre os produtos importados cuja alíquota regular da COFINS Importação, prevista na alínea "b" do inciso II do caput do art. 8° da Lei n° 10.865/04, tenha sido reduzida a zero pelo Decreto n° 6.426/08. Com efeito, até a conclusão deste voto, a Ação Ordinária n° 20861 36.2014.4.01.3400 ainda não havia sido concluída. A decisão de primeira instância foi desfavorável. Porém, em sede de apelação, foi cancelada, tendo os autos retornados para a primeira instância, para instrução e então novo julgamento. Fl. 1551DF CARF MF Processo nº 10314.720248/201767 Acórdão n.º 3301006.067 S3C3T1 Fl. 1.552 10 A concomitância decretada pela DRJ se dá, quando há identidade entre os objetos e as partes, e tem como fundamento o "Princípio da Jurisdição Una", estabelecido no inciso XXXV do art. 5° da Constituição Federal. No tocante à concomitância, a recorrente não contesta que há identidade de objetos, porém tão somente em relação às partes, pois entende que apenas a entidade sindical estaria vinculada. Por outro lado, requer a suspensão do presente feito, até que seja proferida decisão final na ação judicial, como segue (recurso voluntário, fls. 1.503 e 1.504): "(. . .) 13. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente reitera que existe ação judicial ajuizada pelo SINDUSFARMA, atualmente em curso perante a 3a Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, que trata da mesma questão debatida no presente caso. 14. Tratase da Ação Ordinária no 2086136.2014.4.01.3400, ajuizada pelo SINDUSFARMA, entidade sindical da qual a Recorrente faz parte, em 2014 e, objetivando justamente a declaração de que o acréscimo de 1% na alíquota de COFINSImportação não abrange os produtos químicos e farmacêuticos a que se refere o § 11, do artigo 80, da Lei no 10.865/04. 15. Vale ressaltar, ainda, que em 24.3.2014 foi proferida sentença nos autos da referida Ação Ordinária manifestando o entendimento daquele I. Juízo no sentido de que as "Leis n° 12.715/2012 e 12.844/2013 não revogaram o § 11, inciso I, do artigo 8° da Lei n0 10.865/2004, de sorte que as alíquotas expressas no Decreto n° 6.426/2008 permanecem com a taxa zero." (doc. no 4 da Impugnação). 16. A Recorrente esclarece que a referida sentença, muito embora tenha julgado extinto o processo sem resolução de mérito tão somente por entender estar ausente naqueles autos comprovação de que os sindicalizados estejam sendo compelidos ao pagamento da alíquota de 1% de COFINSImportação sobre os produtos farmacêuticos (diferentemente do presente caso, visto que este é exatamente o objeto da presente autuação), ainda assim aquele I. Juízo concordou com o entendimento do Sindicato quanto à prevalência da regra específica que reduz a zero a alíquota da COFINSImportação. 17. Por essa razão, tendo em vista que a discussão originada pela referida Ação Ordinária é idêntica àquela do caso em análise e que, consequentemente, a resolução do mérito da referida Ação Ordinária é questão prejudicial à resolução do presente processo administrativo, a Recorrente requer seja o presente Processo Administrativo suspenso até que seja proferida decisão final nos autos da Ação Ordinária de no 2086136.2014.4.01.3400. 18. Ao analisar a questão, o V. Acórdão recorrido limitouse a afirmar que o pedido de suspensão deveria ser indeferido diante da suposta falta de previsão legal e estaria caracterizada concomitância entre o presente processo administrativo e a Ação Ordinária ajuizada pelo SINDUSFARMA. 19. Ocorre que, ao contrário do que restou consignado pelo V. Acórdão recorrido, neste caso não há que se falar em concomitância entre o presente processo administrativo e a Ação Ordinária no 2086136.2014.4.01.3400. Isso Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 10314.720248/201767 Acórdão n.º 3301006.067 S3C3T1 Fl. 1.553 11 porque, conforme anteriormente explicitado pela Recorrente, a referida Ação Ordinária foi ajuizada pelo SINDUSFARMA, entidade sindical da qual a Recorrente faz parte, de modo que não é a Recorrente mas sim a entidade que está vinculada. 20. Ora, a existência de ação judicial ajuizada por entidade coletiva não pode servir de óbice a Recorrente de, por conta própria, poder discutir a referida matéria em sede administrativa. O que deve ser reconhecido neste caso, é a relação de prejudicialidade entre ambas as ações e a consequente necessidade de suspensão do presente processo administrativo até que seja proferida decisão final transitada em julgado nos autos da Ação Ordinária no 2086136.2014.4.01.3400. 21. Ao analisar o pedido de suspensão da Recorrente, o V. Acórdão recorrido limitouse a afastar tal possibilidade com base em suposta falta de previsão legal. Ocorre que, ao contrário do que restou consignado pelas DD. Autoridades Julgadoras, a possibilidade de suspensão do processo em casos como o presente encontrase prevista no artigo 313, inciso V, alínea "a", do Código de Processo Civil ("CPC"): "Art. 313. Suspendese o processo: (...) V Quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; (. . .)" 22. Por fim, vale notar que a aplicação subsidiária do CPC aos Processos Administrativos também se encontra expressamente prevista, nos termos do artigo 15 do referido diploma legal, de forma que, por mais esta razão, não há que se falar em ausência de previsão legal para suspensão do presente processo administrativo. (. . .)" (g.n.) Não há dúvida de que há concomitância não somente entre os objetos, porém também em relação às partes. De acordo com o artigo 5º, inciso XXI, da Constituição Federal, combinado com o 503 do Novo Código Civil (Lei n° 13.105/15) as associações tem legitimidade para representar judicialmente seus representados, os quais, inclusive a recorrente, aproveitarseão da coisa julgada. Por outro lado, não há previsão regimental que permita o sobrestamento do presente processo até a conclusão da referida ação judicial. Assim sendo, a Súmula CARF n° 1 e deixo de conhecer os argumentos que concernentes à exigência do Adicional de 1% à COFINS Importação. As demais alegações são conhecidas, posto que o recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade. Mérito Fl. 1553DF CARF MF Processo nº 10314.720248/201767 Acórdão n.º 3301006.067 S3C3T1 Fl. 1.554 12 "A ABUSIVIDADE DAS MULTAS APLICADAS" Aduz que as multas de ofício de 75% sobre o tributo e administrativa de 1% sobre o valor aduaneiro, individualmente, ultrapassam os limites da razoabilidade e proporcionalidade, pelo que devem ser canceladas ou, pelo menos reduzidas. Transceve trecho de decisão do STJ, que dispõe que a Administração Pública deve atuar em linha com tais parâmetros. Os parâmetros da razoabilidade e proporcionalidade, também previstos na Lei n° 9.784/99, não podem ser utilizados por este colegiado para afastar a aplicação de dispositivos legais que se encontravam plenamente em vigor e aos quais se subsumiam os fatos apurados pela fiscalização, quais sejam: 75% de multa de ofício sobre o Adicional de 1% da COFINS Importação não lançado e não pago (inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96); e multa administrativa de 1% sobre o valor aduaneiro, por erro na identificação da alíquota da COFINS nos documentos de importação (inciso III do art. 711 do Decreto n° 6.759/09 / Regulamento Aduaneiro RA c/c Anexo Único da IN SRF n° 680/06). Portanto, nego provimento aos argumentos. Naturalmente que a cobrança das referidas multas dependerá do desfecho da citada ação judicial. "A APLICAÇÃO INDEVIDA DA MULTA PREVISTA NO ARTIGO 711 DO REGULAMENTO ADUANEIRO" A recorrente alega que a alíquota adotada está certa, não sendo cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro. E repisa os argumentos tratados no tópico anterior, de que a penalidade fere os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. A fiscalização aplicou de forma correta a multa de administrativa, pois identificou erro na informação prestada sobre a alíquota da COFINS. Naturalmente que a cobrança desta multa dependerá do desfecho da citada ação judicial. As demais alegações já foram apreciadas e devidamente afastadas no tópico anterior. Assim, nego provimento aos argumentos. "IMPOSSIBILIDADE DE A RECORRENTE SER PENALIZADA DUPLAMENTE POR UM MESMO ATO — PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO" Com base "Princípio da Cosunção", derivado do Direito Penal, alega que a infração mais grave (1% sobre o valor aduaneiro) absorve a menos gravosa (multa de ofício de 75%), pelo que esta última deveria ser cancelada. O contribuinte não deve ser duplamente punido pela mesmo fato. Não cabe a este colegiado afastar a aplicação de dispositivos legais que se encontravam plenamente em vigor e aos quais se subsumiam os fatos apurados pela fiscalização, em razão da aplicação do citado princípio. Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 10314.720248/201767 Acórdão n.º 3301006.067 S3C3T1 Fl. 1.555 13 Nego provimento aos argumentos. "IMPOSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC SOBRE A MULTA" A recorrente argumenta que não há base legal para a cobrança de juros Selic sobre as multas de ofício e administrativa de 1%. Nego provimento, com base na Súmula CARF n° 4 e, especificamente no caso da multa de ofício, também na Súmula CARF n° 108: "Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." "Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício." Conclusão Conheço parcialmente do recurso voluntário e, com relação à parte conhecida, nego provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 1555DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.720832/2011-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2401-000.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13807.720832/2011-73
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6013422
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-000.728
nome_arquivo_s : Decisao_13807720832201173.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MATHEUS SOARES LEITE
nome_arquivo_pdf_s : 13807720832201173_6013422.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
id : 7760301
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907634757632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1524; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 110 1 109 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13807.720832/201173 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.728 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 09 de maio de 2019 Assunto IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente SONIA REGINA PAVAO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar boa parte do relatório já elaborado em ocasião anterior e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementálo (fls. 44/49). Pois bem. Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual 2007 da contribuinte acima identificada, procedeuse ao lançamento de ofício, originário da apuração das infrações descritas, por meio da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, de fls. 07/11. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 07 .7 20 83 2/ 20 11 -7 3 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13807.720832/201173 Resolução nº 2401000.728 S2C4T1 Fl. 111 2 Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal informa a fiscalização a Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, no valor de R$ 458.175,13, compensado o Imposto de Renda Retido sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 666,39. Devidamente intimado das alterações processadas em sua declaração, a contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento, de fls. 02/06, e dos documentos de fls. 12/37, alegando, em síntese, que: (a) Permaneceu todo o ano calendário de 2006 afastada de suas atividades laborais junto a empresa ORBITALL SERVIÇOS DE INFORMAÇÕES COMERCIAIS CNPJ/MF n°. 00.006.878/000134, de modo que nem recebeu seu informe de rendimento referente ao referido anocalendário. (b) Com intuito de solucionar o problema e saber onde estaria tamanha somatória em dinheiro, já que tal valor não foi creditado em sua conta corrente, a Contribuinte entrou em contato com sua empregadora querendo saber o que havia acontecido, sendo informada que havia acontecido um erro e que era para ela não se preocupar que tudo estava sendo reparado. (c) Não recebeu referida quantia e que embora tenha tentado junto à sua empresa saber o por que foi consignado na DIRF que ela teria recebido tal valor, até o momento não obteve uma resposta, sendo que nem ao menos recebeu seu INFORME DE RENDIMENTO do anocalendário 2006. (d) Indignada com a situação por estar sendo taxada de "sonegadora fiscal" por um débito que desconhece em virtude de um dinheiro que não recebeu, no dia 04/07/2011, enviou um TELEGRAMA para a "Gerencia de Serviços de Pessoas" de sua empresa solicitando um parecer sobre seus insistentes pedidos de esclarecimentos e do Informe de Rendimentos do AnoCalendário 2006, sendo que COMPROVANTE DE ENTREGA DO TELEGRAMA foi assinado pelo Sr. Artur da Costa Vasoler conforme atesta o comprovante de entrega em anexo (DOC.05), porém, até o presente momento ainda não obteve qualquer tipo de resposta. (e) Na mesma data (04/07/2011) dirigiuse ao 20° DP Água Fria para fazer BOLETIM DE OCORRÊNCIA informando todo o ocorrido à Autoridade Policial de plantão, porque não recebeu o valor mencionado na DIRF e muito menos o informe de rendimentos relativo à quantia já referida. (DOC. 06). (f) Se tal valor tivesse realmente sido entregue à Contribuinte pela sua empregadora, isso se daria mediante crédito em sua contacorrente e como pode ser visto nos extratos bancários de aludido AnoCalendário (2006), a quantia de R$ 458.175,13 (quatrocentos e cinqüenta e oito mil, cento e setenta e cinco reais e treze centavos) não aparece nas linhas dos extratos (DOC. 07). (g) O Informe de Rendimentos Financeiros do mencionado AnoCalendário emitido pelo Banco Itaú, no qual a Contribuinte possui contacorrente, Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13807.720832/201173 Resolução nº 2401000.728 S2C4T1 Fl. 112 3 também atesta o não creditamento de aludido valor ou um valor aproximado ao informado pela sua empregadora (DOC. 08). (h) Se houve algum erro no tocante as informações prestadas à Receita Federal do Brasil, esse é de inteira responsabilidade da empregadora da Contribuinte e não desta que não recebeu a vultosa quantia de sua empregadora no Ano Calendário de 2006 por estar afastada e recebendo benefício previdenciário do INSS. (i) Requer, diante do exposto que: (j) Seja realizada diligência junto a sua empregadora para que esta esclareça o porquê informou à RFB que a Contribuinte teria recebido vultosa quantia mencionada na DIRF, uma vez que todas as tentativas da interessada em obter tal informação restaram infrutíferas. (k) Procedida a Diligência e confirmado o erro ou negligência de sua empregadora no tocante as informações prestadas ao Fisco Federal, que sobre ela recaia a responsabilidade inerente, uma vez que a Contribuinte é mera vítima do descaso de sua empregadora. (l) Caso não seja esse o entendimento, seja então cancelado o lançamento tributário, uma vez que conforme demonstrado, inclusive pela sua boafé em tentar resolver o problema, não omitiu receitas que teriam sido auferidas. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 22ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (DRJ/SPO), por meio do Acórdão nº 1659.554 (fls. 44/49), de 22/07/2014, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 Ementa: ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte a prova de suas alegações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. São tributáveis os rendimentos informados em Declaração de Imposto Retido na Fonte (DIRF), pela fonte pagadora, como pagos ao contribuinte e por ele omitidos na declaração de ajuste anual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: Pedido de realização de diligência Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13807.720832/201173 Resolução nº 2401000.728 S2C4T1 Fl. 113 4 1. A impugnante requer a realização de diligência junto a sua empregadora para que esta esclareça o porquê esta informou à RFB a vultosa quantia mencionada na DIRF, uma vez que todas as tentativas da interessada em obter tal informação restaram infrutíferas. 2. A realização de diligências não é substituto para o ônus que tem a contribuinte de provar suas alegações mediante a apresentação de documentos e provas que possam demonstrar a improcedência do lançamento efetuado. 3. Desta forma, devese indeferir o pedido para a realização de diligência feito pela Impugnante, uma vez que cabe à Impugnante o ônus de provar suas alegações. Da omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídica 4. Com a impugnação foram apresentados os seguintes documentos: Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte, de fl. 21, do INSS, AC 2006, relativo a rendimentos decorrentes de auxílio doença por acidente de trabalho, no valor total de R$ 21.048,17; Cópia de telegrama, de fls. 26/27; Boletim de Ocorrência de Autoria Desconhecida, de fls. 28/29; Extrato bancário, de fls. 30/34; Informe de Empréstimos e Financiamentos do Banco Itaú, fl.35; Informe de Rendimentos Financeiros do Banco Itaú, de fl. 37. 5. Os documentos apresentados não são suficientes para elidir o lançamento. 6. A DIRF é um documento idôneo para o fim de comprovação dos valores dos rendimentos tributáveis e do Imposto Retido na Fonte, havendo, pois, uma presunção de veracidade dos valores nela contidos. 7. Assim, uma vez constatada omissão de rendimentos decorrente de informações prestadas pelas fontes pagadoras através das DIRF, cabe ao sujeito passivo, detectando erro na informação prestada pela fonte pagadora à Receita Federal, comunicar a ocorrência do erro à fonte pagadora para que esta retifique a DIRF que deu origem ao lançamento de omissão de rendimentos. 8. Com base no exposto, uma vez que ainda consta informação em DIRF de rendimentos pagos à Impugnante, e não tendo havido declaração destes rendimentos pela Impugnante, cabe manter o lançamento de omissão de rendimentos integralmente. A contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 55/66), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: a. A recorrente, nesta oportunidade, reforça que não recebeu referida quantia e que embora tenha tentado junto à sua empresa saber o porquê foi consignado na DIRF que ela teria recebido tal valor, até o presente momento não obteve uma resposta. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13807.720832/201173 Resolução nº 2401000.728 S2C4T1 Fl. 114 5 b. O fato é que se tal valor tivesse realmente sido entregue à contribuinte pela sua empregadora, isso se daria mediante crédito em sua conta corrente e como pode ser visto nos extratos bancários de aludido ano calendário (2006), a quantia de R$ 458.175,13, não aprece nas linhas dos extratos já anexados aos autos. Conforme também pode ser visto, o informe de Rendimentos Financeiros do mencionado anocalendário emitido pelo Banco Itaú, no qual a recorrente possui contacorrente, também atesta o não creditamento de aludido valor ou um valor aproximado ao informado pela sua empregadora. c. Se houve algum erro no tocante às informações prestadas à RFB, esse é de inteira responsabilidade da empregadora da recorrente e não desta que não recebeu a vultosa quantia de sua empregadora no anocalendário de 2006, por estar afastada e recebendo benefício previdenciário do INSS. d. O que deixa a recorrente perplexa é que muito embora sua empregadora tenha informado de maneira indevida que ela teria recebido a grande soma de dinheiro mencionada, reteve na fonte apenas R$ 666,39, o que é no mínimo estranho. e. Não há como a recorrente trazer à tributação um valor de R$ 122.638,04, com as correções legais se ela não recebeu o valor de R$ 458.175,13, declarados na DIRF por sua empregadora e esta sequer reteve o imposto que seria devido caso a elevada quantia tivesse realmente sido paga. f. Requer a recorrente seja acolhido o presente Recurso Voluntário para que seja: (i) Determinada DILIGÊNCIA, junto à empregadora da recorrente, para que esta esclareça o por que informou à RFB que a recorrente teria recebido vultosa quantia mencionada na DIRF, uma vez que todas as tentativas da interessada em obter tal informação restaram infrutíferas; (ii) Procedida a Diligência e confirmado o errou ou negligência de sua empregadora no tocante às informações prestadas ao Fisco Federal, que sobre ela receia a responsabilidade inerente, uma vez que a recorrente é mera vítima do descaso de sua empregadora; (iii) caso não seja esse o entendimento, pede a recorrente seja então cancelado o lançamento tributário, uma vez que conforme demonstrado, inclusive pela sua boafé em tentar resolver o problema, não omitiu receitas que teriam sido auferidas. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13807.720832/201173 Resolução nº 2401000.728 S2C4T1 Fl. 115 6 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Mérito. 2.1. Da necessidade de conversão do julgamento em diligência. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento legal (fl. 09), confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados, com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – Dirf, para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 458.175,13, compensado o Imposto de Renda Retido sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 666,39 (Enquadramento Legal: arts. 1° a 3° e §§, 8° e 9° da Lei n° 7.713/88; arts. 1° a 3° da Lei n° 8.134/90; arts. 5°, 6° e 33 da Lei n° 9.250/95; arts. 1° e 15 da Lei n° 10.451/2002; arts. 43 a 45, 47, 49 a 53 do Decreto n° 3.000/99 – RIR/1999). A contribuinte alegou, em síntese, que não recebeu referida quantia e que embora tenha tentado junto à sua empresa saber o motivo pelo qual foi consignado na DIRF que ela teria recebido tal valor, não obteve resposta, sendo que nem ao menos recebeu seu Informe de Rendimentos do anocalendário de 2006. Com a impugnação foram apresentados os seguintes documentos: Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte, de fl. 21, do INSS, AC 2006, relativo a rendimentos decorrentes de auxílio doença por acidente de trabalho, no valor total de R$ 21.048,17; (i) Cópia de telegrama, de fls. 26/27; (ii) Boletim de Ocorrência, de fls. 28/29; (iii) Extrato bancário, de fls. 30/34; (iv) Informe de Empréstimos e Financiamentos do Banco Itaú, fl.35; (v) Informe de Rendimentos Financeiros do Banco Itaú, de fl. 37. A decisão de primeira instância entendeu pela improcedência da impugnação, sob o fundamento de que a DIRF é um documento idôneo para o fim de comprovação dos valores dos rendimentos tributáveis e do Imposto Retido na Fonte, havendo, pois, uma presunção de veracidade dos valores nela contidos. A decisão de piso pontuou, ainda, que os documentos apresentados não seriam suficientes para elidir o lançamento e consignou que, uma vez constatada omissão de rendimentos decorrente de informações prestadas pelas fontes pagadoras através das DIRF, caberia ao sujeito passivo, detectando erro na informação prestada pela fonte pagadora à Receita Federal, comunicar a ocorrência do erro à fonte pagadora para que esta retifique a DIRF que deu origem ao lançamento de omissão de rendimentos. Pois bem. Entendo que se faz presente, no caso concreto, questão prejudicial que impede um exame seguro acerca da matéria posta. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13807.720832/201173 Resolução nº 2401000.728 S2C4T1 Fl. 116 7 Isso porque, entendo que a argumentação da contribuinte é oportuna, pois, a ação fiscal baseouse em informações contidas na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), apresentada pela fonte pagadora. Assim, dada a argumentação da contribuinte e os documentos apresentados e, considerando ainda que as informações em DIRF são prestadas unilateralmente pela fonte pagadora, entendo que o feito não está pronto para julgamento e, por isso, voto em converter o julgamento em diligência, a fim de que: (a) A fiscalização intime a fonte pagadora (ORBITALL SERVIÇOS DE INFORMAÇÕES COMERCIAIS, CNPJ/MF n° 00.006.878/000134) para, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, informar o montante de rendimentos tributáveis efetivamente pagos ao contribuinte e o valor do imposto de renda retido na fonte, anexando aos autos os contracheques, bem como os comprovantes de transferência. (b) Seja oportunizado ao contribuinte se manifestar a respeito do resultado da diligência, no prazo de 30 (trinta) dias, se assim entender, inclusive especificando a eventual diferença de valores com os informados pela fonte pagadora. Conclusão Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que: (a) A fiscalização intime a fonte pagadora (ORBITALL SERVIÇOS DE INFORMAÇÕES COMERCIAIS, CNPJ/MF n° 00.006.878/000134) para, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, informar o montante de rendimentos tributáveis efetivamente pagos ao contribuinte e o valor do imposto de renda retido na fonte, anexando aos autos os contracheques, bem como os comprovantes de transferência; (b) Seja oportunizado ao contribuinte se manifestar a respeito do resultado da diligência, no prazo de 30 (trinta) dias, se assim entender, inclusive especificando a eventual diferença de valores com os informados pela fonte pagadora. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.000700/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO
Não se justifica a diligência para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador.
PRELIMINAR. NULIDADE.
Os casos de nulidade absoluta restringem-se aos previstos na legislação. Se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo normativo, não se justifica argüir a nulidade do lançamento de ofício.
NÃO-CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Somente se consideram isentas do PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. BASE DE CÁLCULO. CUSTO AGREGADO.
Custo agregado ao produto agropecuário está limitado aos dispêndios pagos ou incorridos com matéria-prima, mão-de-obra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização e armazenamento dos produto entregue pelo cooperado.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS DE PRODUTOS A ASSOCIADOS.
A exclusão da base de cálculo da receita de vendas de produtos a associados limita-se aos produtos vinculados diretamente com a atividade por eles exercida e que seja objeto da cooperativa, desde que sejam contabilizadas destacadamente.
SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATO COOPERATIVO. INCIDÊNCIA.
A partir de 1º.10.1999, por força da MP 1.858-6/99, as sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS sobre o seu faturamento, incidindo a contribuição sobre a totalidade das receitas, com as exclusões previstas no art. 15 da MP 2.158/2001 e no art. 17 da Lei nº 10.684/2003, para as cooperativas de produção agropecuária.
NÃO-CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. HIPÓTESE. IMPOSSIBILIDADE.
As exclusões de base de cálculo do PIS, nos termos do art. 11 da IN SRF nº 635, de 2006, não configuram hipótese em que é autorizada a compensação do saldo credor com débitos de tributos administrados pela RFB ou o seu ressarcimento, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005.
Numero da decisão: 3301-005.680
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Foi proposta a conversão do julgamento em diligência, que não foi acatada pela turma. Vencido o Conselheiro Ari Vendramini.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Marinho Nunes e Ari Vendramini.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO Não se justifica a diligência para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador. PRELIMINAR. NULIDADE. Os casos de nulidade absoluta restringem-se aos previstos na legislação. Se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo normativo, não se justifica argüir a nulidade do lançamento de ofício. NÃO-CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Somente se consideram isentas do PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. BASE DE CÁLCULO. CUSTO AGREGADO. Custo agregado ao produto agropecuário está limitado aos dispêndios pagos ou incorridos com matéria-prima, mão-de-obra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização e armazenamento dos produto entregue pelo cooperado. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS DE PRODUTOS A ASSOCIADOS. A exclusão da base de cálculo da receita de vendas de produtos a associados limita-se aos produtos vinculados diretamente com a atividade por eles exercida e que seja objeto da cooperativa, desde que sejam contabilizadas destacadamente. SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATO COOPERATIVO. INCIDÊNCIA. A partir de 1º.10.1999, por força da MP 1.858-6/99, as sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS sobre o seu faturamento, incidindo a contribuição sobre a totalidade das receitas, com as exclusões previstas no art. 15 da MP 2.158/2001 e no art. 17 da Lei nº 10.684/2003, para as cooperativas de produção agropecuária. NÃO-CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. HIPÓTESE. IMPOSSIBILIDADE. As exclusões de base de cálculo do PIS, nos termos do art. 11 da IN SRF nº 635, de 2006, não configuram hipótese em que é autorizada a compensação do saldo credor com débitos de tributos administrados pela RFB ou o seu ressarcimento, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11030.000700/2009-18
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5998046
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-005.680
nome_arquivo_s : Decisao_11030000700200918.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11030000700200918_5998046.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Foi proposta a conversão do julgamento em diligência, que não foi acatada pela turma. Vencido o Conselheiro Ari Vendramini. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Marinho Nunes e Ari Vendramini.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
id : 7717165
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907644194816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2254; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.000700/200918 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.680 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2019 Matéria PIS/PASEP Recorrente COOPERATIVA TRITICOLA DE GETULIO VARGAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO Não se justifica a diligência para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador. PRELIMINAR. NULIDADE. Os casos de nulidade absoluta restringemse aos previstos na legislação. Se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo normativo, não se justifica argüir a nulidade do lançamento de ofício. NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Somente se consideram isentas do PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. BASE DE CÁLCULO. CUSTO AGREGADO. Custo agregado ao produto agropecuário está limitado aos dispêndios pagos ou incorridos com matériaprima, mãodeobra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização e armazenamento dos produto entregue pelo cooperado. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS DE PRODUTOS A ASSOCIADOS. A exclusão da base de cálculo da receita de vendas de produtos a associados limitase aos produtos vinculados diretamente com a atividade por eles exercida e que seja objeto da cooperativa, desde que sejam contabilizadas destacadamente. SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATO COOPERATIVO. INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 07 00 /2 00 9- 18 Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 3 2 A partir de 1º.10.1999, por força da MP 1.8586/99, as sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS sobre o seu faturamento, incidindo a contribuição sobre a totalidade das receitas, com as exclusões previstas no art. 15 da MP 2.158/2001 e no art. 17 da Lei nº 10.684/2003, para as cooperativas de produção agropecuária. NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. HIPÓTESE. IMPOSSIBILIDADE. As exclusões de base de cálculo do PIS, nos termos do art. 11 da IN SRF nº 635, de 2006, não configuram hipótese em que é autorizada a compensação do saldo credor com débitos de tributos administrados pela RFB ou o seu ressarcimento, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Foi proposta a conversão do julgamento em diligência, que não foi acatada pela turma. Vencido o Conselheiro Ari Vendramini. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Marinho Nunes e Ari Vendramini. Relatório Trata o presente de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 10 037.782, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, mantendo o indeferimento parcial do PER apresentado, consoante despacho decisório acostado aos autos. Inconformada com o não reconhecimento do direito creditório pleiteado, a requerente apresentou Recurso Voluntário, com as seguintes alegações : I – DOS FATOS E DO HISTÓRICO DOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO REFERENTE AO SEGUNDO TRIMESTRE DE 2005 o Acórdão DRJ deve ser revisto e reformado, pois a recorrente é sociedade cooperativa, subsumindose ao regime não cumulativo da Contribuição ao PIS e, para tanto, para consecução de seus objetivos a recorrente industrializa e comercializa produtos, fazendo jus a créditos de PIS quando da aquisição de insumos empregados no processo produtivo e de comercialização de sua produção, por tal motivo efetivou Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 4 3 pedidos de ressarcimento dos saldos credores acumulados do PIS, que foram indeferidos pela autoridade fiscalizadora, por não concordar com alguns critérios de cálculo adotados pela cooperativa, concluindo que a cooperativa teria saldos devedores não declarados em DCTF e nem recolhidos. o presente processo visava a análise dos pedidos de ressarcimento do saldo de créditos referentes ao PIS não cumulativo acumulado no período do segundo trimestre de 2005, e não deve prosperar o indeferimento pois os créditos pleiteados estão de acordo com a legislação de regência. II – DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS 2.1 – DAS DIVERGÊNCIAS NOS CÁLCULOS APURADOS PELA AUTORIDADE FISCALIZADORA 2.2.1 – AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES foi glosado o crédito apropriado sobre aquisições considerados como insumo de produção que, conforme alega a autoridade autuante que tais insumos não se sujeitam ao pagamento das contribuições de acordo com o artigo 42 da MP 2.15835, que determina que as vendas efetuadas por distribuidor e varejista ficam reduzidas a zero não integrando, portanto, a base de cálculo dos créditos. Entretanto, a previsão legal para o crédito das contribuições encontrase no Inciso II do artigo 3º das leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, tendo estes dispositivos legais autorizado expressamente o creditamento quando utilizados como insumo de produção. além disso, tais mercadorias estão sujeitas ao regime de incidência monofásica das contribuições, portanto tais produtos estão sujeitos á incidência das contribuições, conforme pronunciamento da Secretaria da Receita Federal, na Solução de Consulta nº 51 de 31/03/2005, que afirma que produtos sujeitos a incidência monofásica, quando usados como insumos de produção, geram direito a crédito das citadas contribuições. assim não merece prosperar o argumento da autoridade fiscal autuante. 2.2.2 – AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS PARA REVENDA NÃO SUJEITAS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES a autoridade fiscal constatou que a cooperativa adquiriu e revendeu mercadorias não sujeitas ao pagamento das contribuições que estão sujeitas a alíquota zero, excluindo assim tais valores da base de cálculo dos créditos; conforme demonstrativos fornecidos á autoridade fiscal as mercadorias adquiridas com alíquota zero não foram computadas na base de cálculo do crédito, não cabendo nenhuma exclusão pois “ não tem lógica excluir da base de cálculo dos créditos o valor da receita de venda dessas Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 5 4 mercadorias, se a cooperativa tivesse incluído tais mercadorias na base de cálculo dos créditos. Assim, o que deveria ser excluído seria o valor das aquisições e não o valor das vendas conforme alega ter feito o agente fiscalizador.” 2.3 – DO DIREITO A CONSTITUIÇÃO E AO RESSARCIMENTO DO CRÉDITO PRESUMIDO – AGROINDÚSTRIA A PARTIR DE 01/08/2004 a autoridade fiscal afirma que a partir de 01/08/2004 não existe mais previsão legal para o benefício do crédito presumido previsto no § 10 do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e no § 11 do artigo 3º da lei nº 10.833/203, pois este benefício foi revogado pelo artigo 16 da Lei nº 10.925/2004, por tal motivo efetuou a glosa de tais valores. a recorrente, a partir de 01/08/2004, passou a se apropriar dos créditos presumidos previstos no artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, cuja vigência está disposta no artigo 17 do mesmo diploma legal, portanto, não há prevalecer o argumento da autoridade fiscal, podendo tal crédito ainda ser objeto de pedido de ressarcimento em função das exportações ou em função da sua origem, conforme artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e artigo 16 da Lei nº 11.116/2005, não importando se tais créditos se acumularam em função de vendas sujeitas a alíquota zero, isenção, suspensão ou não incidência.. 2.4 – DAS RECEITAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO a recorrente efetuou vendas de soja e milho com fim específico de exportação, sendo que tais receitas não sofrem incidência de PIS e COFINS, citando o artigo 7º da Lei nº 10.637/2002, alega a recorrente que a autoridade fiscal afirma que o não houve comprovação das vendas remetidas diretamente para embarque ou para recinto alfandegado, sendo por tal desconsideradas como vendas com fim específico de exportação, pois alguns destinatários não tem registro no SISCOMEX e outros tem tal registro porém não possuem recinto alfandegado, tendo sido descaraterizadas 100 % das vendas realizadas com este fim a autoridade fiscal se contradisse pois admitiu quer o ônus da prova quanto á efetiva exportação é de responsabilidade da comercial exportadora, e depois afirma que a recorrente não apresentou tal comprovação, reitera a recorrente que a responsabilidade por tal prova é da comercial exportadora, e que possui em seus arquivos memorandos de exportação que comprovam o efetivo embarque das mercadorias para o exterior. 2.5 – QUANTO Á APURAÇÃO DOS DÉBITOS (RECEITAS) – DAS EXCLUSÕES PERMITIDAS ÁAS COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 6 5 2.5.1 – CUSTOS DAS MERCADORIAS E BENS VENDIDOS AOS ASSOCIADOS a autoridade fiscal afirma que a recorrente excluiu indevidamente da base de cálculo das contribuições os custos referentes ás vendas de mercadorias e produtos aos associados, entretanto nem todos os custos são referentes ás vendas para associados, pois também são produzidos insumos enviados aos cooperados sob regime de integração, onde não ocorre a venda, portanto essa parcela do custo seria considerada custo agregado aos produtos dos associados e, ainda, a lei não exige que haja industrialização dos produtos adquiridos de associados de cooperativa para que haja a exclusão do valor pago para o associado pelo seu produto das bases de cálculo do PIS e da COFINS, portanto não deve prosperar o argumento da autoridade fiscal. 2.5.2 – CUSTO DOS PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS VENDIDOS A TERCEIROS (CUSTO AGREGADO) a autoridade fiscal afirma que a recorrente excluiu indevidamente da base de cálculo do PIS e da COFINS os custos agregados aos produtos industrializados pela cooperativa e vendidos a terceiros, alegando que apenas os custos agregados aos produtos agropecuários dos cooperados entregues á cooperativa para comercialização é que poderiam ser objeto da exclusão, citando o artigo 17 da Lei nº 10.684/2003 e o § 8º c/c o Inciso V do artigo 11 da Instrução Normativa SRF nº 635/2006, afirma a recorrente que o auto de infração está eivado irregularidades pois com base nos dispositivos citados, é claro que os custos de produção agregados na elaboração dos produtos agropecuários entregues pelos cooperados á cooperativa podem ser deduzidos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 2.6 – DAS RECEITAS OBTIDAS NAS SEÇÕES DE VAREJO – RECEITAS DISCRIMINADAS NAS LINHAS 01 A 09 DA DACON a autoridade fiscal entendeu serem tributadas as receitas obtidas nas seções de varejo (supermercados), com a exclusão da alíquota zero e a substituição tributária pois tais receitas não estariam individualizadas, ou seja, não seria possível identificar as que são provenientes de vendas a associados e ao público em geral, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal a recorrente mantém tais receitas provenientes de vendas a associados, de forma individualizada, conforme comprovam seus controles e inclusão de tais receitas na rubrica contábil “outras exclusões” e estão discriminadas nas linas 01 a 09 da DACON porém, com as exclusões permitidas para as cooperativas, não restou base tributável para o PIS e a COFINS, Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 7 6 a falta de comprovação das alegações pela autoridade fiscal é motivo de nulidade do procedimento, pois embasase no arbítrio e na presunção da autoridade fiscalizadora, procedimento não amparado por lei e caso a autoridade fiscal quisesse lançar alguma irregularidade deveria fazer prova em contrário dos documentos apresentados pela recorrente, como a autoridade fiscal não prova, mas apenas alegou a irregularidade, não merece procedência os seus argumentos, pois é vedado á Administração atuar sob presunção fiscal. 2.7 – EXCLUSÃO DOS VALORES REPASSADOS a autoridade fiscal considerou a incidências do PIS e da COFINS sobre todas as operações de prestação de serviços, independentemente de terem sido prestadas por associado ou terceiro, não considerando nenhuma exclusão da base de cálculo, por entender que somente a partir de dezembro de 2005 passou a ser permitida a exclusão da base de cálculo dos repasses aos associados, com a alteração promovida pela Lei nº 11.196/2005 e pelo artigo 30 da Lei nº 11.051/2004. a autoridade fiscal deixou de aplicar o § único do artigo 79 da Lei nº 5.764/71, a qual define que os atos cooperados não são receitas e, portanto, o que existe é uma não incidência, portanto, quando um serviço é prestado por um associado está configurado o ato cooperativo e, configurado o ato cooperativo, não haverá a incidência de PIS e COFINS, e também o artigo 87 da mesma lei, que define o diferenciado tratamento tributário a ser dado ás operações com terceiros, além de não considerar o disposto no artigo 146 da Constituição Federal, que definiu que somente lei complementar pode legislar sobre o tratamento tributário do ato cooperativo, sendo assim, as lei e medidas provisórias que embasaram o argumento da autoridade fiscal não merecem prosperar por tais razões entende a recorrente que todos os serviços prestados por associados devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois são beneficiados pela não incidência aplicável ao ato cooperativo. 2.8 – DOS CRÉDITOS APURADOS PROPORCIONALMENTE A RECEITA NÃO TRIBUTADA a autoridade fiscal alega que os produtos comercializados pela cooperativa sofrem a incidência do PIS e da COFINS e que a cooperativa equivocouse no cálculo das vendas não sujeitas ao pagamento das contribuições para fins de determinação dos créditos passíveis de ressarcimento, pos alega que somente seriam passíveis de ressarcimento os créditos vinculados á receita de venda com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, conforme artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e artigo 16 da Lei nº 11.116/200 para a recorrente o ato cooperativo foi considerado como uma não incidência das contribuições, por isso, nos demonstrativos da cooperativa todo o crédito estava vinculado á receita não Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 8 7 tributada e , seguindo orientações da DACON sobre segregação dos créditos vinculados ás receitas tributadas e não tributadas no mercado interno, a recorrente identificou todos os insumos e despesas de produção que são vinculados diretamente a receita não tributada no mercado interno e apropriou diretamente na coluna Não Tributadas no mercado Interno, fazendo o mesmo com os custos e despesas vinculadas a receita tributada. a autoridade fiscal utilizou o critério de rateio para todos os custos e despesas, sem considerar os valores que foram apropriados diretamente na coluna específica, distorcendo o valor do crédito a ser ressarcido, não refletindo a realidade e não podendo prevalecer. III – DO REQUERIMENTO FINAL requer o recebimento e processamento do presente recurso, que seja a recorrente intimada pessoalmente para querendo fazer sustentação oral perante o CARF, que seja dado provimento ao presente recurso reformando o Acórdão recorrido com base nas razões de pedir constantes deste recurso para que : sejam homologados os dados inseridos pela recorrente nos DACON que comprovam o direito ao crédito, seja reconhecido o direito creditório, sejam declaradas homologadas as compensações realizadas, no caso de não reconhecimento do direito creditório, seja designada perícia em diligência ao estabelecimento da recorrente para a verificação in loco dos documentos e do processo de industrialização. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.672 de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 11030.000694/200991, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.672): Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 9 8 "7. Estão presentes os requisitos de admissibilidade, por tal razão conheço do recurso. 8. Antes de qualquer argumentação, ressaltemos que as razões de recurso são idênticas ás razões de impugnação, muito bem tratadas pelo Acórdão DRJ/PORTO ALEGRE, portanto, não é demais lembrar que adotaremos muito dos dizeres da decisão de piso, diante das matérias tratadas. 9. Relevante destacar as observações do julgador da DRJ, que assim se manifestou, de forma precisa: A interessada deixa de contestar expressamente os itens 4.2 (Das vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus), 4.3 (Das vendas realizadas com suspensão do PIS e da Cofins nãocumulativos anterior a 04/04/2006), e 4.10 (Dos créditos decorrentes de aquisição de bens para revenda e de bens e serviços utilizados como insumos na produção adquiridos de associados) do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, matérias que se tornaram definitivas na esfera administrativa. (...) Deve se observar também que a interessada aborda questões em sua manifestação de inconformidade que não foram levantadas pela Fiscalização na auditoria realizada, ou seja, os itens da manifestação 2.2.1 (Aquisição de Insumos Não sujeitos ao Pagamento das Contribuições tributação monofásica), 2.2.2 (Aquisição de Mercadorias Para Revenda Não Sujeitas ao Pagamento das Contribuições – Alíquota Zero) da sua manifestação de inconformidade, não gerando glosas dos valores pleiteados. (...) Importante destacar também que os itens 4.4 (Das condições para aplicação da Suspensão de PIS e Cofins não cumulativos nas vendas realizadas a partir de 04/04/2006), 4.7 (Dos créditos decorrentes dos custos e despesas operacionais vinculadas às receitas das vendas com suspensão previstas no § 4º do art. 34 da IN SRF nº 635/2006) e 4.8 (Do crédito dos estoques de abertura) do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal não resultaram em glosas do crédito pleiteado. PRELIMINAR – DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO 9. Afirma a recorrente que ocorreu nulidade do procedimento fiscal pelos seguintes motivos : o argumento utilizado pela autoridade fiscal, ao alegar que a recorrente excluiu indevidamente da base de cálculo das contribuições os custos referentes ás vendas de mercadorias e produtos aos associados, não pode subsistir por violação Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 10 9 direta do Princípio Constitucional da Legalidade (Item 2.5.1 do Recurso Voluntário); a autoridade fiscal alega que a recorrente excluiu indevidamente da base de cálculo das contribuições os custos agregados aos produtos industrializados pela recorrente e vendidos a terceiros, para o que não há fundamento legal que ampare tal entendimento, motivo pelo qual o auto de infração está eivado de irregularidades e vícios insanáveis, o que leva a sua extinção (Item 2.5.2 do Recurso Voluntário); a alegação fiscal de que as receitas não estariam individualizadas, sem provar materialmente o que alega, é caso de nulidade do procedimento pois, embasase inadmissivelmente no arbítrio e na presunção da autoridade fiscalizadora, procedimento este não amparado em lei e, ainda, com relação á presunção fiscal, é vedado á Fazenda Pública com base nela atuar e cobrar tributos, seja porque os atos fiscais deve ser praticados em estrita observância ao estabelecido em lei, seja porque não se admite a exigência tributária consubstanciada em ficção.(Item 2.6 do Recurso Voluntário). 10. Não assiste razão á recorrente. O que a recorrente chama de presunção e meras alegações não tem fundamento, pois o procedimento fiscal foi todo baseado em provas e respostas á intimações fornecidas pela própria recorrente, além de as autoridades fiscais autoras do lançamento detalharem todo o seu procedimento no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, ás fls. 81 a 113 dos autos digitais, segregando a autuação em itens detalhados, descrevendo a fundamentação legal e os motivos das glosas ou ajustes realizados, portanto não ocorreu a presunção ou a ilegalidade alegada pela recorrente. 11. A recorrente teve pleno conhecimento de todos os procedimentos fiscal, tendo intimada e reintimada a esclarecer pontos julgados controversos pelas autoridades fiscais, teve oportunidade de oferecer provas e se manifestar livremente, teve conhecimento do Termo de Verificação Fiscal em sua íntegra (INTIMAÇÃO Nº 125/2011.SAORT/DRF/PFO/SRRF/1O/RB/MFRS ás fls. 120 dos autos digitais e Aviso de Recebimento ás fls. 138 dos autos digitais), ainda apresentou razões defesa onde demonstrou que teve acesso a todos os procedimentos de autuação e aos argumentos do relatório fiscal, tendo ainda oportunidade de apresentar argumentos de defesa nas instâncias administrativas. 12. Ainda há que se considerar que as nulidades no processo administrativo estão descritas no Artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, que regulamentou o Processo Administrativo Fiscal : Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 11 10 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta 13. Não tendo ocorrido tais hipóteses legais de nulidade, não há motivo para prosperarem as acusações da recorrente e, por tal motivo, nego provimento ao recurso quanto a este quesito. (...)1 Em que pese o respeitável voto do e. relator, peço vênia para divergir do entendimento em relação a necessidade de diligência. Consultando os autos verificase que os documentos necessários ao deslinde da questão estão acostados aos autos. Caso a Recorrente entendesse pela apresentação adicional de documentos e informações, poderia ter prestado nas instâncias de julgamento, tanto na manifestação de inconformidade quanto da apresentação do Recurso Voluntário. A diligência tem como pressuposto a busca de esclarecimentos para subsidiar o julgador na sua decisão. A diligência não se presta a produção de provas que devem ser apresentadas pela Recorrente. No caso em tela, a turma entendeu que os documentos acostados ao processo e os esclarecimentos prestados são suficientes para a convicção do julgador, não sendo necessária nenhuma informação adicional para solução da lide. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao pedido de diligência e apreciar as demais matérias constantes do recurso voluntário. (...) NO MÉRITO (...) RECEITAS ORIUNDAS DE VENDAS PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA COM FIM ESPECÍFICO DE 1 Transcritos apenas os entendimentos que prevaleceram no julgamento. Íntegra dos votos pode ser consultada no processo paradigma (11030.000694/200991). Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 12 11 EXPORTAÇÃO (item 2.4 do recurso voluntário– item 4.1 do relatório fiscal) 24. O artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e o artigo 6º da Lei nº 10.833/2003, estabeleceram para a Contribuição ao PIS/PASEP e a COFINS, respectivamente, que tais contribuições não incidem sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, bem como sobre vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Lei 10.637/2002 : Art. 5º a contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Lei 10.833/2003 : Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. 25. Vários textos legais tratam do conceito da expressão “fim específico de exportação”, como segue : Decretolei nº 1.248/1972 Dispõe sobre o tratamento tributário das operações de compra de mercadorias no mercado interno, para o fim específico da exportação, e dá outras providências Art.1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor vendedor para: Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 13 12 a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. ……………………………………………………………… ………... Decreto nº 4.524/ 2002: Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 14, Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º , e Lei nº 10.560, de 2002, art. 3º , e Medida Provisória nº 75, de 2002, art. 7º ): (...) IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. § 1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. ……………………………………………………………… …………………. Lei n.º 9.532/1997: Art. 39. (...) (...) § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. MP 2.15835/2001 Art.14 Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (…..) VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 14 13 alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X (….) § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. 26. Alguns atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal, reproduziram o mesmo entendimento : Instrução Normativa nº 247, de 21 de novembro de 2002: Art. 46. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas: (...) IX – de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. § 1o Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. ……………………………………………………………… ………… Instrução Normativa nº 635, de 24 de março de 2006: Dispõe sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, cumulativas e nãocumulativas, devidas pelas sociedades cooperativas em geral. Art. 36 São isentas da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins as receitas decorrentes: I de fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível, observado o disposto no § 3º; II do transporte internacional de cargas ou passageiros; III de vendas realizadas pela cooperativa de produção agropecuária às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto lei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas aos fim específico de exportação para o exterior; Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 15 14 IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. §1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente pela cooperativa de produção agropecuária para embarque de exportação ou para recinto alfandegados, por conta e ordem de empresa comercial exportadora. 27. Como se verifica nos dispositivos legais e normativos reproduzidos, de não incidência do PIS e da Cofins sobre “vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação”, constatase que não são todas as receitas de vendas para empresas exportadoras registradas na Secex sobre as quais não incidem o PIS e a Cofins, mas somente em relação àquelas que tenham “fim específico de exportação”. 28. Sobre o que se considera “fim específico de exportação”, tanto para empresas exportadoras registradas no Secex como para as empresas comerciais exportadoras (“tradings”) verificase que o entendimento da Administração Tributária vai de encontro ao conceito definido nos textos legais, para aclarálo, encontrandose expresso em vários atos administrativos, dos quais transcrevemos o conceito e a forma de comprovação da receita oriunda de “fim específico de exportação.”, constante da ementa da Solução de Consulta Interna (SCI) n° 4 – SRRF/10ª RF/Disit, de 27 de junho de 2007, que assim restou redigida : “A referência, na legislação tributária e aduaneira, a ‘empresa exportadora’, ou ‘empresa comercial exportadora’, sem qualificação ou restrição específica, abrange qualquer empresa exportadora registrada na Secex; somente quando o legislador restringe uma norma explicitamente às empresas comerciais exportadoras constituídas nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 1972, ficam excluídas as demais empresas exportadoras.” O conceito de “fim específico de exportação” constante do parágrafo único do art. 1º do DecretoLei nº 1.248, de 1972, aplicase unicamente às empresas comerciais exportadoras constituídas nos termos desse Decreto Lei; para as empresas exportadoras simplesmente registradas na Secex, o conceito de “fim específico de exportação” aplicável é o plasmado no § 2º do art. 39 da Lei nº 9.532, de 1997. [...] A alusão feita por quaisquer atos infralegais a “fim específico de exportação” – a exemplo da Portaria MF nº 93, de 2004, e da Instrução Normativa SRF nº 419, de 2004 – deve ser interpretada em consonância com o conceito estabelecido no § 2º do art. 39 da Lei nº 9.532, Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 16 15 de 1997, ou com o vazado no parágrafo único do art. 1º do DecretoLei nº 1.248, de 1972, conforme se trate, respectivamente, de aquisição efetuada por exportadoras gerais, simplesmente registradas na Secex, ou por “trading companies”, constituídas conforme exige o DecretoLei nº 1.248, de 1972. [...] “A comprovação do fim específico de exportação fazse mediante a apresentação de uma nota fiscal de venda na qual conste como adquirente uma empresa comercial exportadora, e como destino das mercadorias um endereço que corresponda a um dos locais previstos na legislação de regência, não sendo hábil para essa comprovação, nem o “Memorando de Exportação, previsto no Convênio ICMS nº 113, de 1996”, nem qualquer documento que possa fazer prova de que houve a efetiva exportação posterior pela adquirente.” 29. Conforme os dispositivos legais e normativos citados, que adotamos neste voto, não incidem a Cofins e a Contribuição ao PIS/PASEP sobre as receitas decorrentes de vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, caracterizadas estas vendas quando as mercadorias são remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado, por conta e ordem do adquirente. Sendo irrelevante para a obtenção do benefício da operação, se as mercadorias sejam ou não posteriormente exportadas, visto que em não se concretizando a exportação, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos e contribuições devidos é da empresa comercial exportadora adquirente dos produtos que deveriam ser exportados. 30. No caso dos autos, a interessada após ser intimada duas vezes a apresentar documentos que comprovassem o cumprimentos dos requisitos exigidos pela legislação, informou que não dispunha dos boletins de exportação das vendas realizadas através de “Tradings” (Resposta da recorrente – fls 24 autos digitais No demonstrativo que atende o item 1 desta intimação, demonstrase no código 20 as receitas de exportação abertas por CFOP, entretanto, não dispomos dos respectivos boletins de exportação das vendas realizadas ao exterior através de “Tradings.”), bem como que a documentação havia sido extraviada (Resposta da recorrente – fls 28 dos autos digitais 3 – Informamos que em função dos transtornos vividos pela cooperativa nos últimos tempos, essa documentação foi extraviada, encaminhamos um ofício para os clientes da cooperativa solicitando uma segunda via dos memorandos de exportação, porém ainda não recebemos retorno.). Portanto, não comprovou, a recorrente, por documentação hábil e idônea, o direito para a concessão do benefício fiscal, entendendose, pois, correta a posição adotada pela autoridade fiscal e corroborada pela autoridade julgadora de que tais receitas devem compro a base de cálculo das contribuições. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 17 16 31. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso neste quesito. EXCLUSÕES INDEVIDAS DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP E DA COFINS (itens 2.5.1, 2.5.2 e 2.6 do recurso voluntário e itens 4.5 e 4.6 do relatório fiscal) 32. A base de cálculo da Cofins e do PIS, na sistemática nãocumulativa, é apurada a partir da totalidade das receitas da sociedade cooperativa, com as exclusões permitidas pela legislação, conforme disposto nos no art. 17 da Lei nº 10.684/2003. 33. A autoridade fiscal incluiu na base de cálculo das contribuições os valores que foram considerados indevidamente excluídos, como a parcela dos custos agregados aos produtos do associado que não correspondem ao conceito dado pela legislação (valores consolidados nos grupos denominados de “Dos dispêndios e despesas tributárias”, “Dos dispêndios e despesas operacionais – Dispêndios tributários”, “Dos dispêndios e despesas operacionais – Dispêndios técnicos”, “Dos dispêndios e despesas operacionais – Outros dispêndios operacionais” e “Despesas Administração Geral”). 34. Além dessa parcela, foram incluídos os valores das vendas efetuadas no segmento econômico de “supermercados”, uma vez que foram contabilizadas indistintamente a associados e não associados, além de não haver comprovação de que esses produtos estavam diretamente vinculados à atividade econômica desenvolvida pelo associado. 35. Alega a cooperativa que nem todos os custos seriam oriundos de vendas para associados, seriam produzidos insumos enviados aos cooperados no regime de integração, parcela que deveria compor o custo agregado do produto. Afirma ainda que mantém registro individualizado das receitas provenientes de vendas para associados e que esse estaria demonstrado em planilha anexada à presente manifestação. Argumenta que a Fiscalização não comprovou a falta de individualização das receitas, sendo nulo o procedimento embasado em presunção da autoridade fiscal. 36. Caberia à contribuinte apresentar a comprovação de que identifica o adquirente e os produtos por ele adquiridos, visto ser essa identificação condição para que possa ser excluída da base de cálculo a receita decorrente da venda de bens e mercadorias ao associado, assim determina o artigo 15 da MP nº 1.8589, com as suas sucessivas reedições, tendo permanecido a de nº 2.15835, de 2001 : Art.15 As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: Fl. 381DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 18 17 I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. §1oPara os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. §2oRelativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: Ia contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. 37. Ressaltese ainda que, ao contrário do afirmou em suas razões, não foram juntadas quaisquer planilhas discriminando os adquirentes dos produtos comercializados. Os valores contabilizados nas contas “Dos dispêndios e despesas tributárias”, “Dos dispêndios e despesas operacionais – Dispêndios tributários”, “Dos dispêndios e despesas operacionais – Dispêndios técnicos”, “Dos dispêndios e despesas operacionais – Outros dispêndios operacionais” e “Despesas Administração Geral” não atendem ao disposto no artigo 17 da Lei nº 10.684/2003, que expandiu as hipóteses de exclusão da base de cálculo para as cooperativas : Art. 17. Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e no art. 1o da Medida Provisória no 101, de 30 de dezembro de 2002, as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Fl. 382DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 19 18 Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Parágrafo único. O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da .Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999. 38. A Secretaria da Receita Federal, ao normatizar e consolidar a legislação em vigor sobre a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelas sociedades cooperativas, editou a Instrução Normativa nº 635/2006, e no seu artigo 11 assim explicita o comando inserto no artigo 17 da lei nº 10.864/2003 : Art. 11. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9º, pela: (...) V dedução dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados,quando da sua comercialização; (...) §8º Considerase custo agregado ao produto agropecuário, a que se refere o inciso V do caput, os dispêndios pagos ou incorridos com matériaprima, mão de obra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. 39. Explicando os critérios adotados para tal interpretação da legislação, a própria RFB expedindo a Solução de Consulta COSIT nº 533, de 19/12/2017, com os quais concordamos e, ainda, resumindo a legislação até agora citada, assim se pronunciou : As sociedades cooperativas estão reguladas pela Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que definiu os contornos da Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das cooperativas. Além disso, o Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002) estabelece regras acerca das sociedades cooperativas em seus artigos 1.093 a 1.096. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 20 19 Conforme definido pelo art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971, o ato cooperativo é aquele praticado entre as cooperativas e seus associados para a consecução dos objetivos sociais. Nas cooperativas de produção agropecuária, é considerado ato cooperativo típico a entrega de produtos dos associados à cooperativa para comercialização, bem como repasses efetuados pela cooperativa a eles decorrentes dessa comercialização. Ratifica este entendimento o texto do art. 83 do mesmo diploma legal, segundo o qual a entrega da produção do associado à sua cooperativa constitui outorga de poderes. Assim, essa operação que constitui o chamado “ato cooperativo” não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Art. 83. A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravála e dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade,salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo. O entendimento de que a cooperativa de produção agrícola também pode realizar o beneficiamento da produção a ser comercializada está assentado no próprio dispositivo sobre o qual paira a dúvida, pois, ao disciplinar o art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a IN SRF n.º 635, de 2006, art. 11, caput, combinado com inciso IV, admite que a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurada pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária seja ajustada pela exclusão das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produto do associado. Em breve retrospectiva, verificase que a Contribuição para o PIS/Pasep e a Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) foram instituídas, respectivamente, pela Lei Complementares nº 7, de 7 de setembro de 1970, e pela Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991. Nessa época, quanto aos atos cooperativos, as sociedades cooperativas eram beneficiadas com a isenção da Cofins concedida pelo inciso I do art. 6º da LC nº 70, de 1991, ipsis litteris: Art. 6° São isentas da contribuição: I as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades; A referida isenção foi revogada, a partir de 30 de junho de 1999, pelo art 93, inciso II, alínea “a”, da Medida Fl. 384DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 21 20 Provisória nº 2.15835, de 2001. Nessa época, consolidou se para as sociedades cooperativas a apuração das duas contribuições (PIS/Pasep e Cofins) com base nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, utilizando o regime de incidência cumulativo, permitidas as exclusões das bases de cálculo também concedidas em caráter geral aos demais contribuintes. Em seguida, foram criadas novas exclusões, específicas para as sociedades cooperativas, pelo art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, de onde se extrai o seguinte excerto (grifos acrescidos): Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts.2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da Cofins e do PIS/PASEP: [...] IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; [...] § 2º Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. Expandindo as hipóteses de exclusões da base de cálculo das contribuições, o art. 17 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003 previu (grifos acrescidos): Art. 17 . Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 , e no art. 1º da Medida Provisória nº 101, de 30 de dezembro de 2002 , as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social Cofins os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Parágrafo único. O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 1.85810, de 26 de outubro de 1999 . (grifos nossos) Fl. 385DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 22 21 Inovando mais uma vez, foram editadas a Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, e a Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertidas, respectivamente, na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a finalidade de instituir o regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Na ocasião, as sociedades cooperativas permaneceram sujeitas ao regime de apuração cumulativa das contribuições, de acordo com a redação original do inciso VI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, e do inciso X do art. 8º da Lei nº 10.637, de 2002. Posteriormente, ficou estabelecida a adoção do regime de apuração não cumulativa para as cooperativas de produção agropecuária e de consumo, pelas mudanças implementadas por meio da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, e da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, nos textos do inciso VI do art. 10 e do inciso V do art. 15 da Lei nº 10.833 (grifos acrescentados): Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da Cofins, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: [...] VI sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária, sem prejuízo das deduções de que trata o art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e o art. 17 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, não lhes aplicando as disposições do § 7º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e as de consumo; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1º e 2º do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Logo, as bases de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins aplicáveis às cooperativas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa veiculadas pelo artigo 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo artigo 1º da Lei nº 10.833, de 2003, devem ainda ser ajustadas, no caso das Fl. 386DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 23 22 cooperativas de produção agropecuária, pelas exclusões listadas pelo art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e pelo art. 17 da Lei nº 10.864, de 2003. Isto porque, embora originalmente as ditas exclusões se referissem apenas à base de cálculo das cooperativas filiadas ao regime cumulativo, o inciso VI, do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, manteve expressamente o direito a essas mesmas exclusões para as cooperativas de produção agropecuárias, agora filiadas ao regime de apuração não cumulativa. Assim, na apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as cooperativas aplicam a mesma sistemática prevista para as demais pessoas jurídicas, ou seja, calculam a totalidade das receitas obtidas e fazem as exclusões previstas na legislação. Desse modo, ao extinguir a isenção específica para os atos cooperativos de que trata o art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971, o legislador instituiu outro tratamento diferenciado, permitindo, além das exclusões de caráter geral (art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998), as exclusões consolidadas na MP no 2.15835, de 2001 e, no caso das sociedades cooperativas de produção agropecuária, objeto da consulta, também é possível a exclusão dos custos agregados, prevista no art. 17 da Lei 10.684, de 2003. Nesse contexto, com a finalidade de consolidar a legislação em vigor sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas pelas sociedades cooperativas, foi editada a Instrução Normativa SRF nº 635, de 2006, objeto da dúvida suscitada pela consulente, especificamente quanto aos incisos IV e V do art. 11, transcritos a seguir: Art. 11. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9º, pela: I exclusão do valor repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por ele entregues à cooperativa; II exclusão das receitas de venda de bens e mercadorias ao associado; III exclusão das receitas decorrentes da prestação, ao associado, de serviços especializados aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV exclusão das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produto do associado; Fl. 387DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 24 23 V dedução dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização; [...] § 3º As exclusões previstas nos incisos II a IV do caput: I ocorrerão no mês da emissão da nota fiscal correspondente a venda de bens e mercadorias e/ou prestação de serviços pela cooperativa; e II terão as operações que as originaram contabilizadas destacadamente, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor, da espécie e quantidade dos bens, mercadorias ou serviços vendidos. [...] § 6º A sociedade cooperativa de produção agropecuária, nos meses em que fizer uso de qualquer das exclusões ou deduções de que tratam os incisos I a VII do caput, deverá, também, efetuar o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários, conforme disposto no art. 28. [...] § 8º Considerase custo agregado ao produto agropecuário, a que se refere o inciso V do caput, os dispêndios pagos ou incorridos com matériaprima, mão de obra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. Nesse contexto, é relevante observar de imediato que a exclusão da base de cálculo de que trata o inciso IV do art. 11 da IN SRF nº 635, de 2006, não se refere às receitas decorrentes da comercialização dos produtos industrializados. Essa norma prevê somente a exclusão das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produto do associado. Significa dizer que poderá ser excluída da base de cálculo a receita própria que a cooperativa auferir pela industrialização promovida sobre os produtos rurais recebidos dos cooperados, mas não toda a receita dos produtos comercializados. Assim, fica evidente que não há permissão legal para a sociedade cooperativa excluir da base de cálculo a receita total da comercialização dos produtos industrializados, conforme pretendido pela consulente. Entretanto, caso a Fl. 388DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 25 24 cooperativa aufira receita derivada especificamente do processo de industrialização dos produtos recebidos dos associados, pode promover a exclusão dessa importância da base de cálculo – situação que poderia ocorrer por exemplo se a cooperativa cobrasse dos associados, a título de receita própria, o reembolso dos custos de industrialização dos produtos primários deles recebidos. Por outro lado, considerandose que, no caso concreto, os valores correspondentes aos custos com a industrialização dos produtos recebidos dos cooperados não sejam diretamente cobrados dos associados, mas sim suportados pela cooperativa para posterior recuperação no momento da comercialização (após a industrialização), não haveria razão para se aplicar a exclusão com fulcro no inciso IV do art. 11 sobre a parcela da receita que, de fato, decorra da industrialização da produção entregue pelos associados, porque nessa situação já se adotaria o ajuste previsto no inciso V do art. 11, isto é, dedução dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização. Com efeito, os ajustes previstos nos incisos IV e V do art. 11 da IN SRF nº 635, de 2006, devem ser adotados de forma integrada, na medida que, se não tiver sido excluída a parcela da receita decorrente da industrialização do produto agropecuário recebido dos associados, poderão ser deduzidos os custos agregados pela cooperativa a esse produto, quando da sua comercialização. Interpretase sistematicamente as duas normas, tendo em vista que, se a situação comportar a exclusão da parcela da receita obtida pela industrialização, não fará mais sentido efetuar a dedução dos custos agregados ao produto, quando esses custos estiverem embutidos no preço de comercialização do produto final. Caso a cooperativa adquira também o produto primário de não cooperados, com relação a estes produtos e aos custos a eles agregados não poderá fazer uso das exclusões previstas nos incisos IV e V do art. 11 da IN RFB nº 635, de 2006. Nessa situação, deverá ser feito um rateio para definir quais frações poderão ser submetidas aos ajustes mencionados no incisos IV e V do art. 11 da IN RFB nº 635, de 2006. De acordo com o § 3º do art. 11 da IN SRF nº 635, de 2006, as exclusões devem ser efetuadas no mês da emissão da nota fiscal correspondente a venda de bens e mercadorias e/ou prestação de serviços pela cooperativa e terão as operações que as originaram contabilizadas destacadamente, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor, da espécie e quantidade dos bens, mercadorias ou serviços vendidos. Quanto à definição de custo agregado, por meio do § 8º do art. 11 da IN SRF nº Fl. 389DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 26 25 635, de 24 de março de 2006, a RFB divulgou o seguinte entendimento: considerase custo agregado ao produto agropecuário os dispêndios pagos ou incorridos com matéria prima, mãodeobra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. 40. Assim, os ajustes procedidos pela autoridade fiscal visaram restabelecer o correto valor dos créditos passíveis de ressarcimento/compensação por parte da contribuinte e estão de acordo com a legislação em vigor. 41. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário neste quesito. O ATO COOPERATIVO (item 2.7 do recurso voluntário e item 4.5 do relatório fiscal) 42. A cooperativa invoca o disposto no art. 79 da Lei nº 5.764/71, que define o ato cooperativo, no intuito de afastar a tributação da cooperativa. 43. A sociedade cooperativa, por sua natureza jurídica própria, goza, constitucionalmente de tratamento diferenciado e incentivado em relação às demais sociedades mercantis, sendo remetida à legislação infraconstitucional a tarefa de conceder esse tal tratamento. 44. Já na vigência da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, foi editada a Medida Provisória no 1.8586, de 29 de junho de 1999, a qual, tendo regulado a incidência do PIS sobre a folha de pagamento em seu art. 13, revogou expressamente, em seu art. 23, o inciso II do art. 2º da Lei no 9.715/98, verbis: “Art. 23. Ficam revogados: I a partir de 28 de setembro de 1999, o inciso II do art. 2º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998;”. 45. Observese que os casos previstos no art. 13 da Medida Provisória no 1.8586/99, que trata do PIS incidente sobre a folha de pagamento, não abrangem as sociedades cooperativas. 46. Dessa forma, com a edição da Medida Provisória no 1.8586/99, as sociedades cooperativas passaram a estar sujeitas à exigência do PIS de acordo com a norma geral aplicada às demais pessoas jurídicas, isto é, com base no seu faturamento: “Art 2º As contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 27 26 Art 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.” 47. Em síntese, com a edição da Medida Provisória no 1.8586/99, a base de cálculo do PIS passou a ser aquela prevista nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718/98, como acima transcrito, ou seja, a receita bruta mensal da sociedade cooperativa, decorrente da venda de mercadorias ou de serviços, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para estas receitas. No caso das cooperativas, isso significa que, a partir de então, o PIS passou a ser devido inclusive sobre a receita decorrente dos atos cooperativos, com as exclusões permitidas na legislação superveniente,. 48. Portanto, após 01/10/1999 é irrelevante a distinção entre atos cooperativos e nãocooperativos para efeito de tributação do PIS/Pasep,visto que a classificação não afeta a base imponível definida por lei. 49. Relativamente ao PIS, o que há de específico na incidência dessa contribuição para as sociedades cooperativas são as exclusões da base de cálculo permitidas pelo art. 15 da Medida Provisória nº 1.8589, de 1999, com sucessivas reedições, permanecendo no ordenamento a MP nº 2.15835, de 2001, cujo art. 15 estabelece: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2º e 3º da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica,extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1º Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 28 27 § 2º Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/Pasep será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. 50. Interessante notar que, mesmo ao listar as exclusões permitidas contra a base de cálculo da contribuição, a lei não faz qualquer referência à natureza dos atos praticados como atoscooperados ou nãocooperados, mas, sim a operações com associado, não se podendo, pois, estender a norma exonerativa a terceiros, independentemente de se tratar de negóciomeio ou negóciofim ou, ainda, de ato cooperado ou nãocooperado. 51. Nesse contexto, como regra geral, não há mais que se distinguir atos cooperativos de atos nãocooperativos estranhos à finalidade da cooperativa quanto à obtenção de valores submetidos ao PIS. Como se viu, na ordem legal aplicável aos fatos geradores em tela, a dimensão tributável para o PIS é o faturamento da sociedade. 52. Seguindo esse raciocínio, nos deparamos com as alterações introduzidas pela Lei nº 10.637/2002 que estabeleceu o regime da nãocumulatividade para as empresas tributadas com base no Lucro Real. Inicialmente, as sociedades cooperativas estavam excluídas deste regime. A Lei nº 10.865/2004 excepcionou as sociedades cooperativas de produção agropecuária, sem prejuízo das deduções previstas no art. 15 da MP nº 2.158/2001 e no art. 17 da Lei nº 10.864/2003. 53. Portanto, a partir das alterações introduzidas na legislação referente à tributação pelo PIS das sociedades cooperativas, a sua tributação deve obedecer ao disposto na legislação específica em vigor. 54. Por fim, para definir que o ato cooperativo é tributado, citamos o posicionamento do STF, externado no RE nº 599.362, na sistemática de repercussão geral : “Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.15835/2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O Fl. 392DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 29 28 texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social ‘será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei’ (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.158 35/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração.” 55. Portanto, nego provimento ao recurso neste quesito. O CRÉDITO VINCULADO ÁS VENDAS TRIBUTADAS NO MERCADO INTERNO (item 2.3 do recurso voluntário e item 4.12 do relatório fiscal) Fl. 393DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 30 29 56. Referiu a Fiscalização que os créditos remanescentes decorrentes de operações no mercado interno e que tinham fundamento em reduções da base de cálculo do PIS e da COFINS, estas com previsão no art. 15 da MP nº 2.15835, de 2001, e no art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003), não são passíveis de ressarcimento ou compensação, podendo ser destinados, apenas, à dedução de valores devidos daquelas contribuições. 57. A possibilidade de utilização dos créditos de PIS ou de COFINS apurados no regime nãocumulativo, na forma de ressarcimento em espécie ou de compensação com outros tributos, restringiase aos créditos decorrentes de custos e despesas vinculados à exportação, conforme o art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 6o e parágrafos da Lei 10.833, de 2003. 58. Posteriormente, o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, dispôs sobre a possibilidade de o saldo credor do PIS e da COFINS, acumulado ao final de cada trimestre do ano calendário, ser objeto de compensação ou pedido de ressarcimento. Esse artigo, entretanto, traz uma condição: de que o saldo credor seja decorrente do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Isso significa dizer que a empresa só pode beneficiarse da norma do citado art. 16, se suas vendas forem efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência daquelas contribuições. Transcrevese esses dispositivos: Lei nº 11.033, de 2004 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem amanutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Lei nº 11.116, de 2005 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre Fl. 394DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 31 30 calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. 59. Conforme relata a Fiscalização, a interessada pleiteia o ressarcimento dos créditos que decorrem da redução da base de cálculo (art. 15 da MP nº 2.15835, de 2001, e art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003). Tais exclusões, tratadas no art. 11 da IN SRF nº 635, de 2006, não configuram hipótese em que é autorizado o ressarcimento/compensação do saldo credor com débitos de tributos administrados pela RFB, ou o seu ressarcimento, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005. Para que isso fosse admitido, os créditos deveriam estar, obrigatoriamente, vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições. 60. Assim, nego provimento ao recurso neste quesito. A SOLICITAÇÃO DE PROVA PERICIAL 61. Adotamos o posicionamento do julgador da DRJ, para justificarmos que não vemos necessidade de prova pericial no presente caso : O requerimento de perícia ao final de sua manifestação deve ser considerado como não formulado, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, que assim determina nos casos em que os pedidos de perícia deixarem de atender aos requisitos previstos naquela artigo. Ademais, se mostra irrelevante a produção de prova pericial quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. 62. Portanto, indefiro o pedido de perícia pleiteado. Conclusão 63. Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 395DF CARF MF Processo nº 11030.000700/200918 Acórdão n.º 3301005.680 S3C3T1 Fl. 32 31 Winderley Morais Pereira Fl. 396DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720500/2016-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencida a Conselheira Relatora. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Evandro Correa Dias.
(Assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone (Presidente)
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15586.720500/2016-71
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6004682
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-000.834
nome_arquivo_s : Decisao_15586720500201671.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
nome_arquivo_pdf_s : 15586720500201671_6004682.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencida a Conselheira Relatora. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Evandro Correa Dias. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. (Assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone (Presidente)
dt_sessao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
id : 7735454
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907664117760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1179; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 730 1 729 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.720500/201671 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.834 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 19 de março de 2019 Assunto SUBVENÇÕES DE INVESTIMENTO Recorrente TERRA NOVA TRADING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencida a Conselheira Relatora. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Evandro Correa Dias. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. (Assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .7 20 50 0/ 20 16 -7 1 Fl. 730DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 731 ___________ Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração de IRPJ e CSLL relativos aos anos calendários de 2011 a 2015. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 518/631 o contribuinte retificou suas Declarações (DCTF) e Livro de Apuração do Lucro Real, para excluir do lucro real e da base de cálculo da CSLL valores de benefícios fiscais concedidos pelos Estados do Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina, por entender que tais benefícios deveriam ser caracterizados como subvenção de investimentos. Além disso, o relatório fiscal aponta que "contribuinte, embora tenha excluído da tributação os ganhos decorrentes dos benefícios fiscais estaduais sobre o ICMS e sobre o deságio do financiamento junto ao BANDES (FUNDAP) repassa parte destes ganhos aos seus clientes, e ao fazêlo contabiliza e leva ao resultado como descontos (despesas)." Para fiscalização esse procedimento seria inadmissível, uma vez que, uma vez que não considera tais receitas no lucro real não poderia considerar os repasses como despesas. Os benefícios fiscais de ICMS na importação analisados pela fiscalização consistem, basicamente, em duas modalidades: a) Crédito Presumido de ICMS (SC, PR e INVEST ES) b) Financiamento do ICMS devido com possibilidade de quitação antecipada com deságio (FUNDAP) As receitas recebidas à título dos referidos benefícios fiscais foram sintetizadas no quadro abaixo: De acordo com o relatório fiscal, os créditos presumidos não cumpriam as condições previstas no Parecer Normativa CST nº 112, de 1978 para que pudessem ser caracterizados como subvenção de investimentos. Em relação ao financiamento de ICMS com a possibilidade de quitação antecipada instituído pelo FUNDAP concluiu que tratase de receita financeira e não de subvenção. Os motivos apontados no trabalho fiscal para descaracterização dos mencionados benefícios como subvenção de investimento foram os seguintes: A) FUNDAP Benefícios na importação no Estado do Espírito Santo (fls 523/524): Fl. 731DF CARF MF Processo nº 15586.720500/201671 Resolução nº 1402000.834 S1C4T2 Fl. 732 3 Em síntese, o FUNDAP oferece aos operadores os seguintes benefícios: a) incentivo fiscal decorrente do diferimento do recolhimento do ICMS incidente na importação, para a data da saída da mercadoria do estabelecimento importador. Sem o incentivo, o ICMS deveria ser recolhido na liberação das mercadorias pela Alfândega; b) Incentivo financeiro decorrente de financiamento pelo BANDES de até 8% do valor da operação (equivalente a 8% sobre a base de cálculo do ICMS). O prazo de quitação do financiamento é de 25 anos, sem correção monetária e com juros de 1% ao ano, sendo possível a quitação antecipada do financiamento por meio de leilões de dívidas. promovidos pelo BANDES e pelo valor de dez por cento do valor nominal da dívida, ou seja, com deságio de 90%. O FUNDAP (Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias) é um incentivo financeiro que apoia as empresas com sede no estado do Espírito Santo, que realizam operações de comércio exterior de determinadas mercadorias, desde que tributadas pelo ICMS (Impostos sobre circulação de mercadorias e serviço). Não existe, no caso do FUNDAP um benefício direto de isenção ou créditos presumidos sobre o ICMS. Como dito, o grande benefício do FUNDAP é a oportunidade de recompra de sua dívida com o BANDES com enorme deságio, gerando assim uma receita financeira. Não guarda o FUNDAP qualquer relação com SUBVENÇÃO, seja ela de custeio ou investimento. B) INVEST ES Benefícios na importação no Espírito Santo (fls.525): O INVESTES é um programa de incentivos fiscais que tem como objetivo contribuir para a expansão, modernização e diversificação dos setores produtivos do Espírito Santo, estimulando a realização de investimentos, a renovação tecnológica das estruturas produtivas e o aumento da competitividade estadual, com ênfase na geração de emprego e renda e na redução das desigualdades sociais e regionais. (...) Notase, neste caso, que diferentemente do FUNDAP, o INVESTES é um programa de benefícios que se reveste de características de subvenções governamentais. Resta saber se estas são de custeio ou de investimento, dentro do que foi anteriormente exposto. Para obter o benefício do INVESTES é exigido como contrapartida um projeto de investimento no Estado do Espírito Santo. O contribuinte apresentou o requerimento de concessão do benefício, com base num projeto de 'modernização" que prevê gastos de aproximadamente R$ 65 mil reais (documento "solicitação invest" juntado ao processo) aprovado em agosto/13, porém, os benefícios recebidos de set/2013 a dez/2015 são da ordem de R$ 3 milhões. (...) Se vê, portanto, na concessão deste benefício que os valores obtidos pelo contribuinte, através da renúncia fiscal do Estado ficam Fl. 732DF CARF MF Processo nº 15586.720500/201671 Resolução nº 1402000.834 S1C4T2 Fl. 733 4 vinculados a um projeto de investimento em uma parcela mínima. Relembrase que a Subvenção para Investimento, quando não tributável, exige a vinculação integral das receitas com os investimentos. C) DIAT e TTD Benefícios em Santa Catarina (fls. 525/526) O benefício tributário concedido por Santa Catarina, para as importações que ocorram naquele estado prevê o diferimento parcial das parcelas referentes às operações subsequentes realizadas em território catarinense, bem como a concessão de crédito presumido na operação subsequente. (...) O benefício tributário concedido por Santa Catarina, para as importações que ocorram naquele estado prevê o diferimento parcial das parcelas referentes às operações subsequentes realizadas em território catarinense, bem como a concessão de crédito presumido na operação subsequente O benefício tributário concedido por Santa Catarina, para as importações que ocorram naquele estado prevê o diferimento parcial das parcelas referentes às operações subsequentes realizadas em território catarinense, bem como a concessão de crédito presumido na operação subsequente. D) CRÉDITO PRESUMIDO ICMS NA IMPORTAÇÃO PARANÁ (fls. 526); Quando estabelecimentos comerciais contribuintes do ICMS realizarem importações de bens para integrar o Ativo Permanente, ou de mercadorias, por meio dos Portos de Paranaguá e de Antonina e de aeroportos paranaenses, o valor do imposto a ser recolhido, por ocasião do desembaraço aduaneiro neste Estado, corresponderá à aplicação do percentual de 6% sobre o valor da base de cálculo da operação de importação, ficando diferida a diferença entre esse valor e aquele apurado por meio da aplicação da alíquota própria para a respectiva operação. A análise do RICMS/PR não permitiu identificar nenhuma exigência para fruição do benefício que vinculasse a aplicação do crédito presumido de ICMS com investimentos. Em resumo, o trabalho fiscal desconsiderou o incentivo financeiro concedido pelo FUNDAP como subvenção, concluiu que embora o benefício fiscal concedido pelo Estado do Espírito Santo no âmbito do INVEST ES pudesse ser caracterizado como subvenção de investimento, o contribuinte não demonstrou a vinculação integral das receitas com os investimentos e, por fim, considerou que os benefícios fiscais concedidos pelos Estados de Santa Catarina e Paraná deveriam ser considerados como subvenção de custeio, uma vez que não se encontra qualquer condição relacionada a investimento na beneficiária. A contribuinte apresentou a impugnação de fls. 543/563 na qual alegou, resumidamente, o seguinte: a) Ilegalidade dos requisitos previstos no Parecer Normativo CST nº 112/1978; Fl. 733DF CARF MF Processo nº 15586.720500/201671 Resolução nº 1402000.834 S1C4T2 Fl. 734 5 b) De acordo com a legislação (Lei nº 4.320/64 e DecretoLei nº 1.598/ 77) todo valor recebido pela pessoa jurídica do Estado que não se destine a cobrir despesas operacionais em situações específicas necessariamente deve ser classificado como subvenções para investimentos; c) A discrepância entre os gastos incorridos pela contribuinte e os benefícios recebidos do Estado do Espírito Santo, no âmbito do INVETES, apontada pela fiscalização se fundamentou em documento relativo a um projeto de investimento de implantação de logística para o Centro de Distribuição, apresentado em fevereiro de 2013, o que impossibilita sua utilização para desconsideração dos valores recebidos para os anos de 2011 e 2012; d) O valor aproximado de R$ 65.000,00 se refere, exclusivamente, ao custo dos bens do ativo imobilizado (máquinas, equipamentos, instalações complementares, móveis e utensílios) para o projeto (pág. 5 de 8 do documento). A estrutura física do projeto, contudo, é de valor muito superior, relativa à construção de armazém de 4.878m2, que já havia sido concluído em 2011 (págs. 3 e 4 do documento); e) subvenção representa auxílio financeiro concedido pelo Estado à pessoa jurídica para o fomento de determinado empreendimento econômico de interesse público, não havendo na legislação de regência qualquer delimitação sobre a forma pela qual esse auxílio deve ocorrer. f) possibilidade de quitação antecipada dos financiamentos, nos termos da Lei Estadual n° 5.245/96, apenas está autorizada caso se comprove a realização dos investimentos decorrentes dos contratos de financiamento com recursos do FUNDAP e, consequentemente, atende ao requisito previsto no caput do §2°, do art. 38, do Decretolei n° 1.598/78 para a qualificação do FUNDAP como uma subvenção para investimento. g) A ausência de sincronia utilizada para descaracterizar os benefícios concedidos pelo Estado de Santa Catarina como subvenção de investimentos não é um fundamento válido nos termos do DecretoLei nº 1.598/78; h) no que diz respeito ao intuito do Estado de Santa Catarina de buscar a implantação e expansão de empreendimentos econômicos em seu território, importante destacar o Termo de Concessão do Tratamento Tributário Diferenciado (fls.589/599), no qual é expressamente indicado que o objetivo desse benefício é o de “incrementar investimentos, empregos e renda no Estado relacionados, direta ou indiretamente, com a atividade portuária e aeroportuária”. Em 08 de junho de 2017, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) negou provimento à impugnação com base, resumidamente, nos seguintes fundamentos: a) Para que uma subvenção possa ser considerada como de investimento deve apresentar as características relacionadas no Parecer Normativo CST nº 112, de 1978 o qual é vinculante no âmbito das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil; b) Sendo assim, as subvenções de investimento são identificadas pelas seguintes características; a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; b) efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na Fl. 734DF CARF MF Processo nº 15586.720500/201671 Resolução nº 1402000.834 S1C4T2 Fl. 735 6 implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. c) a contribuinte não comprovou aplicação do incentivo fiscal na implantação ou expansão do empreendimento econômico. d) No que concerne ao crédito presumido de ICMS do Estado do Paraná, tanto durante o procedimento de fiscalização, como em sede de impugnação, a contribuinte não especificou o benefício fiscal e nem trouxe documentos comprobatórios e) o valor do armazém de 4.878 m2 para justificar a diferença entre a aplicação dos recursos e o montante das receitas no âmbito do INVEST ES não pode ser aceito, uma vez que a contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento que demonstrasse qual seria o valor do armazém em questão, tampouco demonstrou que o referido armazém teria sido construído em função do projeto que ensejou a solicitação. Alega também que o armazém não pertence à contribuinte, mas à empresa ENIVIX S/A; f) A fiscalização concluiu que os benefícios fiscais de Santa Catarina seriam subvenção de custeio em razão da ausência de sincronia entre a intenção do subvencionador (liberação do benefício) e a ação do subvencionado (aplicação no investimento previsto). A contribuinte contesta tal alegação por entender que seria pressuposto que a empresa que busca a subvenção para investimento iniciasse suas operações com recursos próprios para que, somente após, começasse a receber auxílio financeiro do Estado. No entanto, compulsandose os Termos de Concessão de fls.589/608, datados de 11/06/2015 (fls.599) e 13/12/2010 (fls.607), não se encontra nenhuma menção a que a empresa tivesse iniciado as suas operações com recursos próprios. g) Diante do exposto, não foram atendidas as condições necessárias para que a subvenção fosse caracterizada como investimento, uma vez que nem houve a intenção do subvencionador de destinar a subvenção para investimento, e tampouco ocorreu a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. f) Em relação ao FUNDAP conclui que tratandose de desconto obtido na liquidação antecipada de financiamento é inafastável a conclusão de que se caracteriza como receita financeira. Em 24/07/2017 a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 636/657 no qual reitera as alegações suscitadas. Em 07 de agosto de 2017 foi publicada a Lei Complementar nº 160, a qual, em seu artigo 9º, incluiu os §§ 4º e 5º ao artigo 30 da Lei nº 12.973/73, com a seguinte redação: Art. 30 (...) § 4o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. Fl. 735DF CARF MF Processo nº 15586.720500/201671 Resolução nº 1402000.834 S1C4T2 Fl. 736 7 § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados."(grifamos) Em 20 de fevereiro de 2019, Recorrente protocolou a petição de fls. 696/698 na qual requereu a juntada dos seguintes documentos: a) Portaria nº 09R de 02 de março de 2018 por meio da qual o Estado do Espírito Santo publicou a relação dos incentivos e benefícios fiscais a serem convalidados e a documentação correspondente(fls. 699/710); b) Certificado de Registro e Depósito SE/CONFAZ nº 33/2018 (fls. 711/712); c) Decreto 1.555, de 28 de março de 2018, por meio do qual o Estado de Santa Catarina publico publicou a relação dos incentivos e benefícios fiscais a serem convalidados e a documentação correspondente (fls. 716/727); e) Certificado de Registro e Depósito SE/CONFAZ nº 32/2018 (fls. 728/729); É o relatório Fl. 736DF CARF MF Processo nº 15586.720500/201671 Resolução nº 1402000.834 S1C4T2 Fl. 737 8 Voto Vencido Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Conforme se verifica pelo relatório, tanto a fiscalização quanto a DRJ utilizaram como fundamento para descaracterização das receitas da Recorrente como subvenção de investimento das restrições previstas no Parecer Normativo CST nº 112/98, quais sejam: a) Em relação ao INVESTES, a Recorrente não teria conseguido estabelecer correlação entre os investimentos realizados e o benefícios fiscal obtido; b) Em relação ao DIAT e ao TTD, a Recorrente não teria demonstrado a intenção do ente subvencionador de destinar a subvenção para investimento e efetiva aplicação da subvenção em implantação ou expansão do empreendimento econômico, e c) Em relação ao FUNDAP, que o benefício econômico corresponderia a uma receita financeira por se tratar de um desconto obtido na liquidação antecipada do financiamento. Verificase, assim, que a acusação fiscal se resume à natureza dos valores recebidos pelos Estados do Paraná, Santa Catarina e Espírito Santo, os quais não seriam de subvenção de investimento, deixando de configurar a hipótese contida no art. 443 do RIR/99 Posto isso, temos que tal tema foi tratado na recém editada Lei Complementar nº 160/2017, especificamente em seus arts. 3º, 9º e 10, fazendo expressa menção às demandas administrativas em curso como a presente. É inquestionável a incidência de tais normas ao presente feito. Confirase: Art. 3o O convênio de que trata o art. 1o desta Lei Complementar atenderá, no mínimo, às seguintes condicionantes, a serem observadas pelas unidades federadas: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais abrangidos pelo art. 1o desta Lei Complementar; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais mencionados no inciso I deste artigo, que serão publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária, que será instituído pelo Confaz e disponibilizado em seu sítio eletrônico. § 1o O disposto no art. 1o desta Lei Complementar não se aplica aos atos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) Fl. 737DF CARF MF Processo nº 15586.720500/201671 Resolução nº 1402000.834 S1C4T2 Fl. 738 9 cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, não tenham sido atendidas, devendo ser revogados os respectivos atos concessivos. § 2o A unidade federada que editou o ato concessivo relativo às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS de que trata o art. 1o desta Lei Complementar cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas é autorizada a concedêlos e a prorrogálos, nos termos do ato vigente na data de publicação do respectivo convênio, não podendo seu prazo de fruição ultrapassar: I 31 de dezembro do décimo quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados ao fomento das atividades agropecuária e industrial, inclusive agroindustrial, e ao investimento em infraestrutura rodoviária, aquaviária, ferroviária, portuária, aeroportuária e de transporte urbano; II 31 de dezembro do oitavo ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades portuária e aeroportuária vinculadas ao comércio internacional, incluída a operação subsequente à da importação, praticada pelo contribuinte importador; III 31 de dezembro do quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades comerciais, desde que o beneficiário seja o real remetente da mercadoria; IV 31 de dezembro do terceiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados às operações e prestações interestaduais com produtos agropecuários e extrativos vegetais in natura; V 31 de dezembro do primeiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto aos demais. § 3o Os atos concessivos cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas permanecerão vigentes e produzindo efeitos como normas regulamentadoras nas respectivas unidades federadas concedentes das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS, nos termos do § 2o deste artigo. § 4o A unidade federada concedente poderá revogar ou modificar o ato concessivo ou reduzir o seu alcance ou o montante das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais antes do termo final de fruição. § 5o O disposto no § 4o deste artigo não poderá resultar em isenções, incentivos ou benefícios fiscais ou financeirofiscais em valor superior ao que o contribuinte podia usufruir antes da modificação do ato concessivo. § 6o As unidades federadas deverão prestar informações sobre as isenções, os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais Fl. 738DF CARF MF Processo nº 15586.720500/201671 Resolução nº 1402000.834 S1C4T2 Fl. 739 10 vinculados ao ICMS e mantêlas atualizadas no Portal Nacional da Transparência Tributária a que se refere o inciso II do caput deste artigo. § 7o As unidades federadas poderão estender a concessão das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais referidos no § 2o deste artigo a outros contribuintes estabelecidos em seu território, sob as mesmas condições e nos prazoslimites de fruição. § 8o As unidades federadas poderão aderir às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais concedidos ou prorrogados por outra unidade federada da mesma região na forma do § 2o, enquanto vigentes. (...) Art. 9o O art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 4o e 5o: "Art. 30. .................................................................................. ................................................................................................. § 4o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados." Art. 10. O disposto nos §§ 4o e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2o do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3o desta Lei Complementar. (destacamos) Como se verifica da leitura do art. 10 acima colacionado, a produção de efeitos do conteúdo do art. 9º (inserção dos §§ 4o e 5o no art. 30 da Lei no 12.973/14) ficou condicionada ao atendimento dos requisitos arrolados no art. 3º. E, em face de tal alteração legislativa e condicionamento legal, veio a edição do Convênio CONFAZ nº 190/2017, regulando as alterações promovidas no art. 30 da Lei no 12.973/14 pela Lei Complementar e os procedimentos a serem adotados pelas partes envolvidas. Assim dispõe tal normativo infralegal nacional nas suas Cláusulas Segunda, Terceira, Quarta e Quinta: Cláusula segunda As unidades federadas, para a remissão, para a anistia e para a reinstituição de que trata este convênio, devem atender as seguintes condicionantes: Fl. 739DF CARF MF Processo nº 15586.720500/201671 Resolução nº 1402000.834 S1C4T2 Fl. 740 11 I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos, conforme modelo constante no Anexo Único, relativos aos benefícios fiscais, instituídos por legislação estadual ou distrital publicada até 8 de agosto de 2017, em desacordo com o disposto na alínea “g” do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária CONFAZ, da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais mencionados no inciso I do caput desta cláusula, inclusive os correspondentes atos normativos, que devem ser publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária instituído nos termos da cláusula sétima e disponibilizado no sítio eletrônico do CONFAZ. § 1º O disposto nos incisos I e II do caput estendemse aos atos que não se encontrem mais em vigor, observando quanto à reinstituição o disposto na cláusula nona. § 2º Na hipótese de um ato ser, cumulativamente, de natureza normativa e concessiva, devese atender ao disposto nos incisos I e II do caput desta cláusula. § 3º A Secretaria Executiva do CONFAZ responsabilizase pela guarda da relação e da documentação comprobatória de que trata o inciso III do § 2º da cláusula primeira e deve certificar o registro e o depósito. Cláusula terceira A publicação no Diário Oficial do Estado ou do Distrito Federal da relação com a identificação de todos os atos normativos de que trata o inciso I do caput da cláusula segunda deve ser feita até as seguintes datas: I 29 de março de 2018, para os atos vigentes em 8 de agosto de 2017; II 30 de setembro de 2018, para os atos não vigentes em 8 de agosto de 2017. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da identificação dos atos normativos objeto da solicitação, na forma do modelo constante no Anexo Único. Cláusula quarta O registro e o depósito na Secretaria Executiva do CONFAZ da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda, devem ser feitas até as seguintes datas: I 29 de junho de 2018, para os atos vigentes na data do registro e do depósito; II 28 de dezembro de 2018, para os atos não vigentes na data do registro e do depósito. Fl. 740DF CARF MF Processo nº 15586.720500/201671 Resolução nº 1402000.834 S1C4T2 Fl. 741 12 Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais. Cláusula quinta A publicação no Portal Nacional da Transparência Tributária de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda deve ser realizada pela Secretaria Executiva do CONFAZ até 30 (trinta) dias após o respectivo registro e depósito. Tratando de benefícios concedidos sem a devida anuência e conformidade com as regras do CONFAZ, atraindo o disposto no art. 10 da Lei Complementar nº 160/17, devendo, para o seu devido tratamento como subvenção de investimento, serem atendidas as respectivas exigências de registro e depósito. Conforme se verifica pelos documentos juntados pela Recorrente , em 20/02/2019, é possível constatar que foram cumpridos todos os requisitos legais. De acordo com Relatório Fiscal foram glosados dois incentivos do Estado do Espírito Santo (FUNDAP e INVEST ES) e um incentivo do Estado do Paraná (PRÓ EMPREGO) No caso do FUNDAP (TVF fls. 522/523) os atos normativos que disciplinaram os incentivos fiscais aproveitados pela Recorrente foram as Leis Estaduais nº 4.972/94,. 5.245/96 e os Decretos Estaduais nº 3.174R/2012 e 3473R/2013. Tais atos estão expressamente mencionados no Anexo único da Portaria nº 09R, de 02 de março de 2018, nos itens 8, 10, 12 e 22 (fls. 701); O benefício relativo ao INVEST ES (TVF fls 524.) foi previsto no Decreto Estadual nº 1951R/07, apesar de não ter sido expressamente mencionado na Portaria nº 09R foi por ela abrangido, uma vez que a Lei nº 10.550/2016, mencionada no item 76 do Anexo Único, ratificou os benefícios fiscais concedidos sob a vigência do Decreto Estadual nº 1951 R/07. Desse modo, considerando tudo acima exposto, em face das disposições dos arts. 9 e 10 da Lei Complementar nº 160/17, entendese que devem ser tratados os valores recebidos pelo Estado do Paraná e Espírito Santo como subvenções de investimentos. Em face das mesmas circunstâncias, outras C. Turmas Ordinárias vêm decidindo no mesmo sentido, como ilustra o Acórdão nº 1302002.804, proferido pela C. 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, de relatoria do I. Conselheiro Rogério Aparecido Gil, publicado em 17/05/2018: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 IPI COMPLEMENTAR. NOTAS FISCAIS DE REVENDA DE MERCADORIAS IMPORTADAS COM ÔNUS DO ADQUIRENTE. CARACTERIZAÇÃO DE RECEITA Com o trânsito em julgado da decisão judicial que desobrigou o contribuinte do recolhimento do IPI no momento da saída dos veículos importados de seu estabelecimento, os valores do denominado "IPI complementar" destacados nas notas fiscais de revenda das mercadorias importadas, Fl. 741DF CARF MF Processo nº 15586.720500/201671 Resolução nº 1402000.834 S1C4T2 Fl. 742 13 com ônus do adquirente, e não recolhidos pela empresa autuada, se revestem da natureza de receitas e, por conseguinte, caracterizam renda, por implicar ganho ou acréscimo ao patrimônio da empresa autuada. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. PREVISÃO LEGAL. INCENTIVOS FISCAIS. CRÉDITO OUTORGADO DE ICMS. Os valores correspondentes ao benefício fiscal do Crédito Outorgado de ICMS que possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos que caracterizem subvenção para investimentos, não são computados na determinação do lucro real. (...) Para consolidar esse entendimento, o Estado de Goiás, em atenção à disposição constante n° 160/2017, publicou no Diário Oficial do Estado de Goiás, em 22/03/2018, o Decreto n° 9.193, de 20 de março de 2018, por meio do qual "publica relação dos atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e benefícios fiscais ou fínanceiro físcais, instituídos por legislação estadual e vigentes em 8 de agosto de 2017". Conforme ressaltado pela recorrente, em petição protocolizada em 17/05/2018, o Decreto n° 9.193/2018 indica, nessa relação, a Lei n° 13.591/2000, que instituiu o PRODUZIR (íntegra do Anexo VII do Decreto " Leis Programa Produzir e Alterações", página 21 do Diário Oficial), bem como a Lei n° 16.286/2008, que incluiu a alínea "I", do inciso II, do artigo 2o da Lei n° 13.194/94 (item 14 do Anexo III do Decreto " Leis Diversas eAlterações", página 08 do Diário Oficial), que estabeleceu que os créditos outorgados de ICMS, objeto da infração questionada pelos autos de infração, seriam conferidos apenas àquelas empresas participantes do PRODUZIR. Dessa forma, enfatiza que, a condição constante do artigo 3°, I, foi cumprida pelo Estado de Goiás. Ressalta, ainda, que para fins de reconhecimento desses montantes como subvenção para investimentos, a LC n° 160/2017, em seu artigo 10, condiciona o emprego do § 4° e do § 5o do artigo 30 da Lei n° 12.973/2014, no que diz respeito aos incentivos instituídos sem a aprovação do Conselho Nacional de Política Fazendária ("Confaz"), ao registro e depósito dos atos concessivos dos beneficios na Secretaria Executiva do Confaz (de acordo com o que estabelece o artigo 3º, inciso II, da LC n° 160/2017). Conclusão. Assim, considerando o cumprimento das exigências formais retro expostas e considerando mais a publicação do Decreto n° 9.193, de 20 de março de 2018 do Estado de Goiás, voto por dar provimento ao recurso voluntário, neste ponto, a fim de se afastar as exigências concernentes ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre as subvenções tratadas neste feito, relativamente ao Programa PRODUZIR. Fl. 742DF CARF MF Processo nº 15586.720500/201671 Resolução nº 1402000.834 S1C4T2 Fl. 743 14 Diante de todo o exposto, dou provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 15586.720500/201671 Resolução nº 1402000.834 S1C4T2 Fl. 744 15 Voto Vencedor Evandro Correa Dias Redator Designado O i. relator votou pelo provimento do presente Recurso Voluntário, pois em face das disposições dos arts. 9 e 10 da Lei Complementar nº 160/17, entendeu que devem ser tratados os valores recebidos pelo Estado do Paraná e Espírito Santo como subvenções de investimentos. Contudo, no entender do colegiado discordase do i. relator, decidindose, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, por entender que o conjunto probatório juntado aos autos não permite concluir que os requisitos expressos no caput do art. 30 da Lei nº 12.973/2014 com as alterações da Lei Complementar nº 160/2017 estão presentes no caso sob análise. A subvenção de investimentos era tratada no Decretolei nº 1.598/77, alterado pelo Decretolei nº 1.730/79, nos seguintes termos: Art. 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: [...] § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) A aplicação dos referidos dispositivos foi afetada pela Lei nº 11.941/2009, que instituiu o Regime Tributário de Transição: Art. 15. Fica instituído o Regime Tributário de Transição – RTT de apuração do lucro real, que trata dos ajustes tributários decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela Lei no 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 desta Lei. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 15586.720500/201671 Resolução nº 1402000.834 S1C4T2 Fl. 745 16 (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1o O RTT vigerá até a entrada em vigor de lei que discipline os efeitos tributários dos novos métodos e critérios contábeis, buscando a neutralidade tributária. § 2o Nos anoscalendário de 2008 e 2009, o RTT será optativo, observado o seguinte: I – a opção aplicarseá ao biênio 20082009, vedada a aplicação do regime em um único anocalendário; II – a opção a que se refere o inciso I deste parágrafo deverá ser manifestada, de forma irretratável, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica 2009; III – no caso de apuração pelo lucro real trimestral dos trimestres já transcorridos do anocalendário de 2008, a eventual diferença entre o valor do imposto devido com base na opção pelo RTT e o valor antes apurado deverá ser compensada ou recolhida até o último dia útil do primeiro mês subsequente ao de publicação desta Lei, conforme o caso; IV – na hipótese de início de atividades no anocalendário de 2009, a opção deverá ser manifestada, de forma irretratável, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica 2010. § 3o Observado o prazo estabelecido no § 1o deste artigo, o RTT será obrigatório a partir do anocalendário de 2010, inclusive para a apuração do imposto sobre a renda com base no lucro presumido ou arbitrado, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. § 4o Quando paga até o prazo previsto no inciso III do § 2o deste artigo, a diferença apurada será recolhida sem acréscimos. Art. 16. As alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 desta Lei que modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na apuração do lucro líquido do exercício definido no art. 191 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, não terão efeitos para fins de apuração do lucro real da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Parágrafo único. Aplicase o disposto no caput deste artigo às normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, com base na competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e pelos demais órgãos reguladores que visem a alinhar a legislação específica com os padrões internacionais de contabilidade. Art. 17. Na ocorrência de disposições da lei tributária que conduzam ou incentivem a utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes Fl. 745DF CARF MF Processo nº 15586.720500/201671 Resolução nº 1402000.834 S1C4T2 Fl. 746 17 daqueles determinados pela Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, com as alterações da Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e dos arts. 37 e 38 desta Lei, e pelas normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários com base na competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e demais órgãos reguladores, a pessoa jurídica sujeita ao RTT deverá realizar o seguinte procedimento: (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I – utilizar os métodos e critérios definidos pela Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, para apurar o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda, referido no inciso V do caput do art. 187 dessa Lei, deduzido das participações de que trata o inciso VI do caput do mesmo artigo, com a adoção: a) dos métodos e critérios introduzidos pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 desta Lei; e b) das determinações constantes das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, com base na competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, no caso de companhias abertas e outras que optem pela sua observância; II – realizar ajustes específicos ao lucro líquido do período, apurado nos termos do inciso I do caput deste artigo, no Livro de Apuração do Lucro Real, inclusive com observância do disposto no § 2o deste artigo, que revertam o efeito da utilização de métodos e critérios contábeis diferentes daqueles da legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 16 desta Lei; e III – realizar os demais ajustes, no Livro de Apuração do Lucro Real, de adição, exclusão e compensação, prescritos ou autorizados pela legislação tributária, para apuração da base de cálculo do imposto. § 1o Na hipótese de ajustes temporários do imposto, realizados na vigência do RTT e decorrentes de fatos ocorridos nesse período, que impliquem ajustes em períodos subsequentes, permanece: I – a obrigação de adições relativas a exclusões temporárias; e II – a possibilidade de exclusões relativas a adições temporárias. § 2o A pessoa jurídica sujeita ao RTT, desde que observe as normas constantes deste Capítulo, fica dispensada de realizar, em sua escrituração comercial, qualquer procedimento contábil determinado pela legislação tributária que altere os saldos das contas patrimoniais ou de resultado quando em desacordo com: I – os métodos e critérios estabelecidos pela Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, alterada pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 desta Lei; ou II – as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, no uso da competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e pelos demais órgãos reguladores. Fl. 746DF CARF MF Processo nº 15586.720500/201671 Resolução nº 1402000.834 S1C4T2 Fl. 747 18 Art. 18. Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17 desta Lei às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a pessoa jurídica deverá: (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I – reconhecer o valor da doação ou subvenção em conta do resultado pelo regime de competência, inclusive com observância das determinações constantes das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, no uso da competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, no caso de companhias abertas e de outras que optem pela sua observância; II – excluir do Livro de Apuração do Lucro Real o valor decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos, reconhecido no exercício, para fins de apuração do lucro real; III – manter em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, a parcela decorrente de doações ou subvenções governamentais, apurada até o limite do lucro líquido do exercício; IV – adicionar no Livro de Apuração do Lucro Real, para fins de apuração do lucro real, o valor referido no inciso II do caput deste artigo, no momento em que ele tiver destinação diversa daquela referida no inciso III do caput e no § 3o deste artigo. § 1o As doações e subvenções de que trata o caput deste artigo serão tributadas caso seja dada destinação diversa da prevista neste artigo, inclusive nas hipóteses de: I – capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II – restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III – integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 2o O disposto neste artigo terá aplicação vinculada à vigência dos incentivos de que trata o § 2º do art. 38 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, não se lhe aplicando o caráter de transitoriedade previsto no § 1o do art. 15 desta Lei. § 3o Se, no período base em que ocorrer a exclusão referida no inciso II do caput deste artigo, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou Fl. 747DF CARF MF Processo nº 15586.720500/201671 Resolução nº 1402000.834 S1C4T2 Fl. 748 19 lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e subvenções governamentais, e neste caso não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do inciso III do caput deste artigo, esta deverá ocorrer nos exercícios subsequentes Estes procedimentos eram de observância obrigatória por todos os sujeitos passivos a partir do anocalendário 2010 e permaneceram vigentes até serem revogados a partir de 01/01/2015 pelo art. 117, inciso X da Lei nº 12.973/2014. A Lei nº 12.973/2014 prestouse a extinguir o Regime Tributário de Transição instituído em razão das alterações promovidas na escrituração contábil a partir da Lei nº 11.638/2007. Publicada em 14/05/2014, a lei teve sua vigência estipulada da seguinte forma: Art. 75. A pessoa jurídica poderá optar pela aplicação das disposições contidas nos arts. 1o e 2o e 4o a 70 desta Lei para o anocalendário de 2014. (Vide artigo 119§1) § 1o A opção será irretratável e acarretará a observância de todas as alterações trazidas pelos arts. 1o e 2o e 4o a 70 e os efeitos dos incisos I a VI, VIII e X do caput do art. 117 a partir de 1o de janeiro de 2014. § 2o A Secretaria da Receita Federal do Brasil definirá a forma, o prazo e as condições da opção de que trata o caput. [...]Art. 96. A pessoa jurídica poderá optar pela aplicação das disposições contidas nos arts. 76 a 92 desta Lei para o anocalendário de 2014. (Vide artigo 119§2) § 1o A opção de que trata o caput será irretratável e acarretará a observância de todas as alterações trazidas pelos arts. 76 a 92 a partir de 1o de janeiro de 2014. § 2o A Secretaria da Receita Federal do Brasil definirá a forma, o prazo e as condições para a opção de que trata o caput. § 3o Fica afastado, a partir de 1o de janeiro de 2014, o disposto na alínea “b” do § 1o e nos §§ 2º e 4º do art. 1º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e no art. 74 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, para as pessoas jurídicas que exerceram a opção de que trata o caput. [...]Art. 119. Esta Lei entra em vigor em 1o de janeiro de 2015, exceto os arts. 3o, 72 a 75 e 93 a 119, que entram em vigor na data de sua publicação. § 1o Aos contribuintes que fizerem a opção prevista no art. 75, aplicamse, a partir de 1o de janeiro de 2014: I os arts. 1o e 2o e 4o a 70; e II as revogações previstas nos incisos I a VI, VIII e X do caput do art. 117. § 2o Aos contribuintes que fizerem a opção prevista no art. 96, aplicamse, a partir de 1o de janeiro de 2014: I os arts. 76 a 92; e II as revogações previstas nos incisos VII e IX do caput do art. 117. Fl. 748DF CARF MF Processo nº 15586.720500/201671 Resolução nº 1402000.834 S1C4T2 Fl. 749 20 O art. 30 da Lei no 12.973/2014, cuja vigência poderia ocorrer a partir de 1º de janeiro de 2014 ou 2015, conforme a opção do sujeito passivo, foi assim redigido originalmente: Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: (Vigência) I absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou II aumento do capital social. § 1o Na hipótese do inciso I do caput, a pessoa jurídica deverá recompor a reserva à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 2o As doações e subvenções de que trata o caput serão tributadas caso não seja observado o disposto no § 1o ou seja dada destinação diversa da que está prevista no caput, inclusive nas hipóteses de: I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitada ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 3o Se, no período de apuração, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e de subvenções governamentais e, nesse caso, não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do caput, esta deverá ocorrer à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. Ressaltase que o regramento das subvenções para investimentos foi significativamente alterado pela edição da Lei Complementar nº 160/2017, que assim dispôs: Art. 3o O convênio de que trata o art. 1o desta Lei Complementar atenderá, no mínimo, às seguintes condicionantes, a serem observadas pelas unidades federadas: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos Fl. 749DF CARF MF Processo nº 15586.720500/201671 Resolução nº 1402000.834 S1C4T2 Fl. 750 21 incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais abrangidos pelo art. 1o desta Lei Complementar; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais mencionados no inciso I deste artigo, que serão publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária, que será instituído pelo Confaz e disponibilizado em seu sítio eletrônico. § 1o O disposto no art. 1o desta Lei Complementar não se aplica aos atos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, não tenham sido atendidas, devendo ser revogados os respectivos atos concessivos. § 2o A unidade federada que editou o ato concessivo relativo às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS de que trata o art. 1o desta Lei Complementar cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas é autorizada a concedêlos e a prorrogálos, nos termos do ato vigente na data de publicação do respectivo convênio, não podendo seu prazo de fruição ultrapassar: I 31 de dezembro do décimo quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados ao fomento das atividades agropecuária e industrial, inclusive agroindustrial, e ao investimento em infraestrutura rodoviária, aquaviária, ferroviária, portuária, aeroportuária e de transporte urbano; II 31 de dezembro do oitavo ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades portuária e aeroportuária vinculadas ao comércio internacional, incluída a operação subsequente à da importação, praticada pelo contribuinte importador; III 31 de dezembro do quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades comerciais, desde que o beneficiário seja o real remetente da mercadoria; IV 31 de dezembro do terceiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados às operações e prestações interestaduais com produtos agropecuários e extrativos vegetais in natura; V 31 de dezembro do primeiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto aos demais. § 3o Os atos concessivos cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas permanecerão vigentes e produzindo efeitos como normas regulamentadoras nas Fl. 750DF CARF MF Processo nº 15586.720500/201671 Resolução nº 1402000.834 S1C4T2 Fl. 751 22 respectivas unidades federadas concedentes das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS, nos termos do § 2o deste artigo. § 4o A unidade federada concedente poderá revogar ou modificar o ato concessivo ou reduzir o seu alcance ou o montante das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais antes do termo final de fruição. § 5o O disposto no § 4o deste artigo não poderá resultar em isenções, incentivos ou benefícios fiscais ou financeirofiscais em valor superior ao que o contribuinte podia usufruir antes da modificação do ato concessivo. § 6o As unidades federadas deverão prestar informações sobre as isenções, os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS e mantêlas atualizadas no Portal Nacional da Transparência Tributária a que se refere o inciso II do caput deste artigo. § 7o As unidades federadas poderão estender a concessão das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais referidos no § 2o deste artigo a outros contribuintes estabelecidos em seu território, sob as mesmas condições e nos prazoslimites de fruição. § 8o As unidades federadas poderão aderir às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais concedidos ou prorrogados por outra unidade federada da mesma região na forma do § 2o, enquanto vigentes. [...] Art. 9o O art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 4o e 5o: (Parte mantida pelo Congresso Nacional) "Art. 30. .................................................................................. ................................................................................................. § 4o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados." Art. 10. O disposto nos §§ 4o e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2o do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3o desta Lei Complementar. Fl. 751DF CARF MF Processo nº 15586.720500/201671 Resolução nº 1402000.834 S1C4T2 Fl. 752 23 Observase que foram fixados novos limites para interpretação do conceito de subvenção para investimentos, mediante alteração do art. 30 da Lei nº 12.973/2014. Verificase que os presentes lançamentos foram formalizados em 2016 e tem por referência os anoscalendário de 2011 a 2015. Desta forma os lançamentos referentes ao ano calendário de 2011 a 2014, reportarseia às disposições do art. 38, §2º do DecretoLei nº 1.598/77, com redação dada pelo DecretoLei nº 1.730/79 e aos procedimentos estipulados no art. 18 da Lei nº 11.941/2009. Enquanto que nos lançamentos referentes ao ano calendário de 2015 aplicarseiam os procedimentos previstos no art. 30 da Lei nº 12.973/2014. Neste contexto, a primeira questão a ser dirimida é se o art. 30 da Lei nº 12.973/2014, com os acréscimos feitos pela Lei Complementar nº 160/2017, produziria efeitos em relação a subvenção contabilizada nos anoscalendário de 2011 a 2015. Verificase que a 1ª Turma da CSRF já teve a oportunidade de analisar lançamento formalizado em 2007 e referente a infração constatada nos anoscalendário 2002 e 2003, decidindo, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo em sessão de julgamento de 3 de outubro de 2018, nos seguintes termos do voto condutor da Conselheira Cristiane Silva Costa: O recurso especial do contribuinte trata dos incentivo fiscal (Distrito Federal) como subvenção para investimento. A subvenção para investimento é regrada pelo artigo 443, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999): [...] No caso destes autos, tratase de benefício distrital, regulado pelas normas estaduais acima referidas (Lei distrital 1.254/1996, Lei distrital 2.381/1999, Decretos distritais 20.322/1999 e 25.372). Ocorre que foi aprovada a Lei Complementar nº 160/2017, que alterou a Lei nº 12.973/2014, inserindo os §4º e §5º ao artigo 30. O artigo 30 restou assim expresso em sua integralidade: [...] Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: I absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou II aumento do capital social. Fl. 752DF CARF MF Processo nº 15586.720500/201671 Resolução nº 1402000.834 S1C4T2 Fl. 753 24 § 1º Na hipótese do inciso I do caput, a pessoa jurídica deverá recompor a reserva à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 2º As doações e subvenções de que trata o caput serão tributadas caso não seja observado o disposto no § 1º ou seja dada destinação diversa da que está prevista no caput, inclusive nas hipóteses de: I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitada ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 3º Se, no período de apuração, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e de subvenções governamentais e, nesse caso, não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do caput, esta deverá ocorrer à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 4 º Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) § 5º O disposto no § 4º deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) As novas regras, estabelecidas pela Lei Complementar nº 160, portanto, tem efeitos retroativos para aplicação aos processos administrativos pendentes, para que se considerem subvenções para investimento os benefícios concedidos pelos Estados e Distrito Federal, na forma do artigo 155, II, da Constituição Federal, sem a exigência de requisitos não previstos no próprio artigo 30. Remanesce, quando concedido benefício na forma do artigo 155, II, a exigência de cumprimento dos requisitos do caput do artigo 30, quais sejam: (i) intenção do Estado em estimular a implantação e expansão de empreendimentos (ii) registro em reserva de lucros. Pelos fundamentos do citado acórdão da CSRF, concluise que deve ser admitida a aplicação retroativa da nova redação atribuída ao art. 30 da Lei nº 12.973/2014 pela Lei Complementar nº 160/2017, cumprindo verificar, além do atendimento às formalidades previstas na Lei Complementar nº 160/2017, se os requisitos expressos no caput do art. 30 da Lei nº 12.973/2014 estão presentes no caso sob análise. Ou seja, nas palavras da Conselheira Cristiane Silva Costa: Fl. 753DF CARF MF Processo nº 15586.720500/201671 Resolução nº 1402000.834 S1C4T2 Fl. 754 25 Remanesce, quando concedido benefício na forma do artigo 155, II, a exigência de cumprimento dos requisitos do caput do artigo 30, quais sejam: (i) intenção do Estado da em estimular a implantação e expansão de empreendimentos (ii) registro em reserva de lucros. Ao firmar o entendimento de que a subvenção seria de custeio, e não de investimento, a autoridade fiscal estaria dispensada de investigar sua destinação, contudo essa prova fazse necessária quando se cogita da classificação da subvenção como investimento, hipótese na qual a legislação exige a manutenção em reserva, passível de ser destinada, apenas, a aumento de capital ou à absorção de prejuízos. Ressaltase que, quanto ao incentivo fiscal do FUNDAP, há indícios de irregularidade em sua contabilização e destinação, conforme observado pela autoridade fiscal: Embora tenha realizado esta exclusão, sob a argumentação apresentada de que se tratam de 'subvenções" não tributáveis, todas estas receitas foram contabilizadas e levadas ao resultado do exercício, conforme tabela abaixo, portanto não se discute aqui que tais receitas tenham sido auferidas, e sim sua exclusão na apuração do lucro real. Por outro lado, verificase que o contribuinte, embora tenha excluído da tributação os ganhos decorrentes dos benefícios fiscais estaduais sobre o ICMS e sobre o deságio do financiamento junto ao BANDES (FUNDAP) repassa parte destes ganhos aos seus clientes, e ao fazêlo contabiliza e leva ao resultado como descontos (despesas). Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para confirmação da regular contabilização e destinação das receitas de subvenção. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 754DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.667936/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/06/2002
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PER/DCOMP. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/06/2002 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PER/DCOMP. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.667936/2011-71
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6007245
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.401
nome_arquivo_s : Decisao_10880667936201171.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10880667936201171_6007245.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
id : 7738576
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907671457792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1565; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.667936/201171 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402006.401 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2019 Matéria RESTITUIÇÃO COFINS Recorrente PROMORAR ENGENHARIA E CONSTRUCOES LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/06/2002 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PER/DCOMP. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 79 36 /2 01 1- 71 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10880.667936/201171 Acórdão n.º 3402006.401 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido de Restituição de crédito de COFINS cumulativo relativo a recolhimento a maior, que restou indeferido, consoante Despacho Decisório carreado aos autos. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de inconformidade, julgada improcedente, nos termos do Acórdão DRJ nº 14052.638. Intimado desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese: (i) a necessidade de se reconhecer o crédito decorrente de pagamento indevido valores de COFINS não incluídas no conceito de receita; e (ii) a não incidência de PIS/COFINS sobre juros e correções monetárias decorrentes das vendas de unidades imobiliárias, por não configurarem receita. Em seguida, os autos foram direcionados para este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.396, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.667929/201170, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.396): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. De pronto, vale consignar que, em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10880.667936/201171 Acórdão n.º 3402006.401 S3C4T2 Fl. 4 3 Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19721. Com efeito, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho2. Atentandose para o presente caso, vislumbrase que o contribuinte alegou que a origem do crédito decorreria de equívoco cometido no pagamento de processo de parcelamento n.º 10880.014298/200110, no qual teria apurado e recolhido a COFINS sobre juros e correções monetárias decorrentes das vendas de unidades imobiliárias, valores que não correspondem à Receita. Contudo, para demonstrar a existência do seu crédito, a Recorrente não acostou ao seu Recurso Voluntário qualquer documento que poderia respaldar o seu crédito. Com efeito, não constam dos autos sequer a cópia do pedido de parcelamento referenciado na defesa, a planilha com a composição das bases de cálculo que respaldariam o valor do crédito ou mesmo quaisquer documentos fiscais ou contábeis suscetíveis à respaldar o crédito pleiteado. E aqui frisese que a Recorrente pretende a restituição integral do valor recolhido na guia DARF sob a alegação de pagamento indevido da COFINS de forma parcial, vez que recolhido com base no conceito de receita inconstitucionalmente alargado. Contudo, não constam dos autos quaisquer documentos passíveis de comprovar a origem do parcelamento, quais os valores que teriam sido pagos naquele processo que estariam corretos e quais os valores que teriam sido indevidamente recolhidos a maior naquele processo. 1 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" 2 A título de exemplo: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/2014 43. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10880.667936/201171 Acórdão n.º 3402006.401 S3C4T2 Fl. 5 4 A impossibilidade de verificação da validade do crédito por ausência de respaldo probatório foi indicada na r. decisão recorrida, sendo que a empresa permaneceu trazendo alegações de mérito gerais e sem substrato probatório em seu Recurso Voluntário: "Mesmo que se concorde com o argumento da recorrente, quanto ao entendimento do STF sobre a ampliação da base de cálculo, a verdade é que qualquer juízo de valor, no caso, dependeria da apresentação de provas. Esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará lo ao pagamento efetuado. Mas para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é da contribuinte, pois se trata de uma solicitação de seu exclusivo interesse. No presente, a interessada não apresentou qualquer documentação que lastreasse seu pedido, o que impediria a análise da referida liquidez e certeza, além de consumar a preclusão do direito de fazêlo em outro momento, nos termos do Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º." (efl. 29 grifei) Assim, considerando que não constam dos autos quaisquer documentos passíveis de evidenciar, nem mesmo de forma indiciária, o direito creditório apontado pelo sujeito, não é possível confirmar a validade das alegações trazidas pela Recorrente. Ainda que se coadune com as alegações de direito genericamente trazidas em sua peça de defesa, a empresa deixou de juntar aos autos elementos de prova da existência do direito. Com isso, face a ausência de provas, deve ser mantida a conclusão alcançada pela decisão de primeira instância no sentido da inexistência de qualquer direito creditório na hipótese. Nesse sentido, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10880.667936/201171 Acórdão n.º 3402006.401 S3C4T2 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra. Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.907143/2009-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.101
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Walker Araújo que negava provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10735.907143/2009-50
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6019288
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-001.101
nome_arquivo_s : Decisao_10735907143200950.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10735907143200950_6019288.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Walker Araújo que negava provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO
dt_sessao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7777493
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907673554944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1481; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.907143/200950 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302001.101 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 24 de abril de 2019 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente TRÊS RIOS AUTOMÓVEIS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Walker Araújo que negava provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP, de crédito de contribuições que teria sido recolhido a maior, com débito(s) da própria interessada. A unidade de jurisdição não reconheceu o direito creditório pleiteado, conforme Despacho Decisório que instrui os autos. Cientificada do despacho e da cobrança do débito declarado no PER/DComp, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, na qual alega que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .9 07 14 3/ 20 09 -5 0 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10735.907143/200950 Resolução nº 3302001.101 S3C3T2 Fl. 3 2 Na base de cálculo do valor originalmente apurado estavam incluídos os valores relativos às comissões das vendas diretas realizadas pela Volkswagen do Brasil; Nas vendas diretas feitas pela Volkswagen do Brasil diretamente ao comprador, o Concessionário, no caso a TRÊS RIOS AUTOMÓVEIS S.A., recebe uma comissão por ser intermediário na operação de venda; Tratase de uma "prestação de serviços", na qual é exigida a emissão de Nota Fiscal de Serviços. Tal receita é contabilizada como "receita operacional por venda de serviços". Nesta condição, como a comissão é inferior a 9% (nove por cento), para efeito de PIS e COFINS, a tributação se dá pela alíquota zero; A fundamentação legal é a Lei n° 10.485 de 03.07.2002 (D.O.U.: 04.07.2002); Constatada a diferença na determinação da base de cálculo, foi apresentada DACON retificadora. Cabe ressaltar que não foi possível fazer a retificação da DCTF, porque o programa acusava erro quando era informado um valor diferente de débito para um pagamento a maior. Face ao exposto, a Impugnante apresenta seu pedido para que essa Delegacia de Julgamento reconheça seu direito ao crédito e declare homologada a compensação declarada. A 17ª Turma da DRJ Rio de Janeiro (RJ) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme acórdão acostado aos autos, cuja ementa é parcialmente transcrita a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual reproduz os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e solicita a possibilidade de juntada de novos documentos no prazo de 60 dias. Termina petição recursal requerendo o provimento do recurso voluntário para fins de que seja reconhecido o direito creditório e integralmente homologada a compensação declarada. Posteriormente, dentro do prazo requerido, apresentou os documentos: que solicita sejam analisados. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10735.907143/200950 Resolução nº 3302001.101 S3C3T2 Fl. 4 3 É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302001.089, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10735.903534/200903, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302001.089): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. A instância a quo, utilizou como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: No caso em tela, o contribuinte deveria apresentar ao Fisco os comprovantes fiscais e contábeis – documentos de arrecadação e livros fiscais e contábeis – relativos ao crédito pleiteado, sob pena de seu suposto direito não poder ser exercido por falta de requisito fático, que é a liquidez e certeza deste. Em vez de comprovar como apurou o novo valor devido do(a) Cofins em ago/05, o interessado limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria sido apurado este novo valor, o que deveria ter feito. O recorrente, em sede de recurso voluntário, também não apresentou um único documento que comprovasse seu direito creditório, apenas solicitou o prazo de 60 dias para apresentar os documentos. Dentro dos 60 dias solicitados no recurso voluntário, o recorrente apresentou petição requisitando a análise dos seguintes documentos: termo de abertura e encerramento do livro 00007, folhas 32/134 do balancete analítico do período 09/2005e o comprovante de recolhimento no valor de R$ 9.278,00. A questão que surge está ligada ao direito de apresentação de documentos a qualquer momento processual em nome da verdade material. Entendo que depende do tipo de processo que está em análise. Nos casos de procedimentos referentes a despacho eletrônico de pedido de restituição, onde o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado, o primeiro momento que ele tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. Porém, nem Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10735.907143/200950 Resolução nº 3302001.101 S3C3T2 Fl. 5 4 todo patrono é operador do direito ou está familiarizado com a instrução probatória, podendo deixar de providenciar documentos relevantes, pelo simples fato de desconhecer sua importância. Por esse motivo, se o sujeito passivo não se manteve inerte, buscando sempre participar da instrução probatória, não vejo motivos para negar a apreciação de documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário. Acontece que nem na manifestação de inconformidade, nem no recurso voluntário, o recorrente apresentou documentos que comprovassem as questões de direito por ele alagadas que embasariam seu indébito tributário. Posteriormente, conforme já mencionado, foram acostados aos autos documentos que embasariam seu pedido de restituição. Ocorre que os documentos acostados, caso autênticos, podem sugerir que o sujeito passivo efetuou recolhimentos indevidos. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações e as provas produzidas pelo recorrente nesta fase recursal devem ser analisadas com mais profundidade pela Unidade Preparadora nos termos do Parecer Cosit n° 02/2015. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem avalie a autenticidade dos documentos acostados após a interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essas dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência para que órgão de origem avalie a autenticidade dos documentos acostados após a interposição do recurso voluntário, analise a existência do Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10735.907143/200950 Resolução nº 3302001.101 S3C3T2 Fl. 6 5 indébito tributário e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essas dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13897.720139/2011-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO.
O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente de decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida.
IRPF. AJUSTE. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE
A forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) sofreu alteração quando do julgamento do RE nº 614.406/RS, em sede de repercussão geral, e com aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, conforme dispõe o dispõe o art. 62, § 2º, do RICARF.
O recálculo do IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente deve ser feito com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência).
Numero da decisão: 2401-006.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente de decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida. IRPF. AJUSTE. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE A forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) sofreu alteração quando do julgamento do RE nº 614.406/RS, em sede de repercussão geral, e com aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, conforme dispõe o dispõe o art. 62, § 2º, do RICARF. O recálculo do IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente deve ser feito com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13897.720139/2011-39
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6013308
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-006.567
nome_arquivo_s : Decisao_13897720139201139.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MATHEUS SOARES LEITE
nome_arquivo_pdf_s : 13897720139201139_6013308.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
id : 7759755
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907675652096
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-05-24T13:59:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; Last-Modified: 2019-05-24T13:59:37Z; dcterms:modified: 2019-05-24T13:59:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; Last-Save-Date: 2019-05-24T13:59:37Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-05-24T13:59:37Z; meta:save-date: 2019-05-24T13:59:37Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-05-24T13:59:37Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; pdf:charsPerPage: 2020; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 67 1 66 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13897.720139/201139 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401006.567 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente ANTONIO NETO NOGUEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente de decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida. IRPF. AJUSTE. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE A forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) sofreu alteração quando do julgamento do RE nº 614.406/RS, em sede de repercussão geral, e com aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, conforme dispõe o dispõe o art. 62, § 2º, do RICARF. O recálculo do IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente deve ser feito com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 7. 72 01 39 /2 01 1- 39 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13897.720139/201139 Acórdão n.º 2401006.567 S2C4T1 Fl. 68 2 (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar boa parte do relatório já elaborado em ocasião anterior e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementálo (fls. 42/46). Pois bem. Contra o contribuinte acima identificado foi emitida, em 16/08/2010, notificação de lançamento de fl. 09, relativa ao imposto sobre a renda da pessoa física anocalendário 2008, por meio da qual foi apurada omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social, no valor de R$122.362,59, e compensação do respectivo imposto retido na fonte de R$3.820,21, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 10. Cientificado do indeferimento da SRL, o contribuinte apresentou, em 16/06/2011, a impugnação de fls. 02/07, alegando, em síntese, que: (a) Os valores recebidos referemse ao pagamento de benefício previdenciário em atraso, e que o INSS aplicou, corretamente, para cálculo do imposto de renda devido, os mandamentos determinados pela Ação Civil Pública nº 1999.61.00.0037100/SP, em face da União e do INSS, com alcance Nacional, que resultou na retenção na fonte de valores devidos a título de imposto de renda. (b) Que não omitiu tais rendimentos, posto que declarou os valores das parcelas pagas em atraso pelo INSS, no campo rendimentos sujeitos à tributação exclusiva de fonte. (c) Junta os documentos de fls.14/31. (d) Requer o cancelamento do débito fiscal. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (DRJ/SPO), por meio do Acórdão nº 1660.653 (fls. 42/46), de 21/08/2014, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13897.720139/201139 Acórdão n.º 2401006.567 S2C4T1 Fl. 69 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os rendimentos recebidos acumuladamente no anocalendário 2008 são tributados na fonte no mês de seu recebimento, sujeitandose ao ajuste anual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: 1. O lançamento em tela referese a inclusão de rendimentos e compensação do respectivo imposto retido na fonte levadas a efeito após o confronto entre a declaração apresentada pelo contribuinte e as informações prestadas pela fonte pagadora por meio da DIRF – Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte. 2. O impugnante alega que os valores recebidos referemse ao pagamento de benefício previdenciário em atraso, e que o INSS aplicou, corretamente, para cálculo do imposto de renda devido, os mandamentos determinados pela Ação Civil Pública nº 1999.61.00.0037100/SP. 3. Ocorre que no anocalendário de 2008, a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente era disciplinada pelo art. 12 da Lei nº 7.713/1988. 4. Por força, contudo, da jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), no uso da competência que lhe é fixada pelo art. 19 da Lei nº 10.522, de 19/07/2002, emitiu o Parecer PGFN/CRJ nº 287, de 12/02/2009, aprovado por despacho do Sr. Ministro da Fazenda, publicado no DOU de 13/05/2009, que recomendou que “sejam autorizadas pelo Senhor ProcuradorGeral da Fazenda Nacional a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global”. 5. Essa recomendação foi adotada pelo Ato Declaratório (AD) PGFN nº 1, de 27/03/2009, que autorizou a dispensa de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais mencionadas. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13897.720139/201139 Acórdão n.º 2401006.567 S2C4T1 Fl. 70 4 6. No ano seguinte, no entanto, esse ato declaratório foi suspenso pelo Parecer PGFN/CRJ nº 2.331, de 27/10/2010, nos itens 7 e 8. 7. Salientese, por oportuno, que esses pareceres são vinculantes para a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), conforme art. 19, § 4º, da Lei nº 10.522/2002, e Nota PGFN/CRJ nº 489/2007. 8. É importante também observar que a nova sistemática de tributação dos rendimentos dessa natureza, que passou a ser muito mais favorável ao contribuinte, por prever a tributação exclusiva na fonte e o ajuste dos valores da tabela mensal, mediante a multiplicação destes pelo número de meses a que se refiram os rendimentos, somente foi introduzida em nosso ordenamento jurídico em 28/07/2010, com a publicação da Medida Provisória n° 497, de 27/07/2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20/12/2010 (DOU de 21/12/2010), que acrescentou o art. 12A à Lei n° 7.713/1988. 9. O § 7° do art. 12A dispõe, ainda, que esses rendimentos, quando, recebidos entre 1°de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória n° 497/2010, poderão ser tributados na forma desse artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. 10. Como se vê, não há nenhuma previsão de aplicação dessa nova sistemática aos rendimentos recebidos antes de 1° de janeiro de 2010. 11. Desta forma, e não estando presente no caso nenhuma das hipóteses previstas no art. 106 do mesmo CTN para a retroatividade da lei, não há a possibilidade, em relação aos rendimentos acumulados recebidos no ano calendário 2008, de aplicação da nova sistemática introduzida pela Medida Provisória n° 497/2010. 12. Do mesmo modo, não se há de cogitar a aplicação retroativa da Instrução Normativa RFB n° 1.127, de 07/02/2011, que apenas disciplina o disposto no art. 12A da Lei nº 7.713/1988, conforme determina seu § 9°. 13. Assim, os rendimentos em análise são tributáveis na declaração de ajuste anual, nos termos dos artigos 9°, 10 e 11, da Lei n° 8.134/1990. 14. Assim, e considerando que não há nos autos ordem judicial determinando a tributação de forma diversa, não pode o julgador administrativo decidir em desconformidade com a lei vigente ao tempo da ocorrência do fato gerador. 15. Quanto à ação civil pública de n.º 1999.61.00.0037100 invocada pelo contribuinte em sua defesa, a mesma foi julgada extinta, sendo dado provimento à remessa oficial, reconhecendo a ilegitimidade ativa do Ministério Público Federal, sendo negado provimento ao agravo apresentado. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13897.720139/201139 Acórdão n.º 2401006.567 S2C4T1 Fl. 71 5 16. A referida ação foi proposta pelo Ministério Público Federal, para discutir a tributação do imposto de renda sobre o pagamento cumulativo de benefícios previdenciários. 17. Muito embora tivesse sido prolatada sentença de mérito, julgando procedente a ação, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região proferiu decisão monocrática terminativa que deu provimento à remessa oficial, para reconhecer a ilegitimidade ativa do Ministério Público Federal e julgar extinta a ação, e negou provimento ao agravo interposto contra a referida decisão. 18. Assim, não pode prevalecer a alegação do contribuinte de que as verbas seriam tributáveis exclusivamente na fonte em decorrência da tutela antecipada na ação civil pública de n.º 1999.61.00.0037100, que foi revogada pelo Tribunal Regional Federal. 19. Desta forma, a pretensão do contribuinte não pode ser acolhida, uma vez que os rendimentos recebidos acumuladamente, no anocalendário em questão, são tributados na fonte no mês de seu recebimento, sujeitandose ao ajuste anual. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 51/61), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: a. O artigo 12 da Lei n° 7.713/88, está com a sua inconstitucionalidade sendo discutida pelo STF, em ação de repercussão geral. Assim sendo, requerse o sobrestamento do presente feito, até o julgamento final daquela ação. b. A tributação deve seguir o regime de competência, uma vez que, se fosse pago mês a mês esses rendimentos auferidos em seu benefício previdenciário, receberia uma tributação diferente desta que agora a Receita Federal quer aplicar. c. O órgão pagador não informou corretamente os ganhos no informe de rendimento e isso gerou, parte da atual polêmica. Não deve ser o recorrente punido pelo erro do INSS. d. Não deve ser aplicada a multa de ofício, posto que ao presente caso de aplica o entendimento exarado na Súmula CARF n° 25 deste Conselho: “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/65”. e. Requer que seja reconhecida a impugnação inicialmente apresentada, para que seja retificado os cálculos do imposto de renda e anulada a multa aplicada. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13897.720139/201139 Acórdão n.º 2401006.567 S2C4T1 Fl. 72 6 Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Mérito. Inicialmente, cumpre indeferir o pedido de sobrestamento do presente recurso, a uma em razão do princípio da oficialidade que rege o processo administrativo, e, a duas, em razão do trânsito em julgado da matéria que teve a repercussão geral reconhecida pelo STF, conforme será visto a seguir. Pois bem. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento legal (fl. 10), a acusação fiscal consiste na omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, sujeitos à tabela progressiva (Enquadramento Legal: arts. 1° a 3° e §§, 8° e 9° da Lei n° 7.713/88; arts. 1° a 3° da Lei n° 8.134/90; arts. 5°, 6° e 33 da Lei n° 9.250/95; arts. 1° e 15 da Lei n° 10.451/2002; arts. 43 a 45, 47, 49 a 53 do Decreto n° 3.000/99 – RIR/99). O contribuinte alegou, em síntese, que os valores recebidos se referem ao pagamento de aposentadoria por tempo de contribuição recebidos acumuladamente (período de 11/06/2001 a 31/08/2008) e, a tributação do IRPF devido, já teria sido efetuada com descontos direto na fonte. A decisão de primeira instância entendeu pela improcedência da impugnação, sob o fundamento de que os rendimentos recebidos acumuladamente, no anocalendário em questão, são tributados na fonte no mês de seu recebimento, sujeitandose ao ajuste anual. Pois bem. Entendo que a decisão de piso merece reparos. Isso porque, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, que determinava, para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, a aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido. De acordo com a referida decisão, o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA adotado pelo artigo 12 da Lei nº 7.713/88, representa Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13897.720139/201139 Acórdão n.º 2401006.567 S2C4T1 Fl. 73 7 transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. Dessa forma, é necessário que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendário em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. Em outras palavras, afastando o regime de caixa, o Supremo Tribunal Federal acolheu o regime de competência para o cálculo mensal do imposto sobre a renda devido pela pessoa física, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, § 2º da Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Dessa forma, entendo que o imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no anocalendário de 2008, deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. Não há que se afastar toda a obrigação tributária, mas tão somente ajustar a base de cálculo, o que, ao meu ver, não implica na inovação dos critérios utilizados para motivar o lançamento. Por fim, no tocante ao questionamento acerca da multa aplicada, além de se tratar de argumento inovador, trazido apenas no apelo recursal, a Súmula CARF n° 25 é inaplicável à espécie, pois diz respeito à qualificação da multa de ofício, sendo que no caso a multa aplicada foi de 75%. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, afastar a preliminar e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, determinando o recálculo do IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.944985/2013-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.559
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.944985/2013-03
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5994387
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-001.559
nome_arquivo_s : Decisao_10880944985201303.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10880944985201303_5994387.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
id : 7708349
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907678797824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1585; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.944985/201303 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.559 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de janeiro de 2019 Assunto Diligência Recorrente GRANOL INDUSTRIA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento de contribuição não cumulativa, cumulado com compensação de débitos próprios. O pedido foi indeferido pela unidade de origem e não foram homologadas as compensações vinculadas. Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde afirma que houve erros graves nas planilhas elaboradas pela fiscalização, contesta as glosas efetuadas e defende a legitimidade de seu pleito. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07039.490. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 44 98 5/ 20 13 -0 3 Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 10880.944985/201303 Resolução nº 3201001.559 S3C2T1 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, o recurso voluntário ora em apreço, por meio do qual alega, em síntese que: As glosas sobre as aquisições de sebo bovino e crédito presumido foram objeto de contestação em processo administrativo próprio, e o pleito já foi lá deferido; O acórdão discutido deixou de se manifestar sobre a oposição a determinadas glosas, de tal sorte que deve ser anulado; Não se justificam as glosas mantidas em relação aos itens especificados na reclamação.; Deve incidir taxa Selic sobre o ressarcimento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.553, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.944979/201348, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.553): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente apresentou pedido de ressarcimento da Cofins referente ao 1º trimestre 2012 (origem na receita de mercado externo). Indeferido, apresentou manifestação de inconformidade, ao final considerada improcedente pela DRJ (antes de proferido o acórdão recorrido, em face dos argumentos de defesa, a DRJ baixou os autos em diligência, mediante mero despacho. A Informação Fiscal de fls. 1242 e ss. manteve, no entanto, o indeferimento de todo o valor pleiteado). Noticiam os autos que há muitos outros processos do mesmo Recorrente, tratando da mesma matéria: pedidos de ressarcimento. E vemos, também, que, para o mesmo período de apuração, há diferentes processos, pleiteando, separadamente, créditos de PIS/Cofins, com origem em operações do mercado interno, mercado externo e crédito presumido. Nesse contexto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade preparadora reúna todos os processos do mesmo período (mercado interno, mercado externo e crédito presumido), tanto de PIS como de Cofins, ainda que em algum deles já tenha decisão transitado em julgado." Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 10880.944985/201303 Resolução nº 3201001.559 S3C2T1 Fl. 4 3 Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora reúna todos os processos do mesmo período (mercado interno, mercado externo e crédito presumido), tanto de PIS como de Cofins, ainda que em algum deles já tenha decisão transitado em julgado. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1361DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.912495/2009-38
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
PROCESSOS VINCULADOS POR DECORRÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE SITUAÇÃO DE PREJUDICIALIDADE. NECESSIDADE DE SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO DO RECURSO ATÉ QUE SEJA PROLATADA DECISÃO DEFINITIVA NO PROCESSO DE ORIGEM DO CRÉDITO.
A existência de discussão em processo administrativo distinto sobre o crédito pretendido no PER/DCOMP objeto dos autos caracteriza situação de prejudicialidade, a qual impõe o sobrestamento do julgamento do Recurso Voluntário até que seja proferida decisão definitiva no processo de origem do crédito.
Numero da decisão: 1002-000.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para sobrestar seu julgamento até que seja prolatada decisão definitiva no processo nº 10580.912248/2011-56, em razão da existência de relação de prejudicialidade entre este e o processo sob análise.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 PROCESSOS VINCULADOS POR DECORRÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE SITUAÇÃO DE PREJUDICIALIDADE. NECESSIDADE DE SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO DO RECURSO ATÉ QUE SEJA PROLATADA DECISÃO DEFINITIVA NO PROCESSO DE ORIGEM DO CRÉDITO. A existência de discussão em processo administrativo distinto sobre o crédito pretendido no PER/DCOMP objeto dos autos caracteriza situação de prejudicialidade, a qual impõe o sobrestamento do julgamento do Recurso Voluntário até que seja proferida decisão definitiva no processo de origem do crédito.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10580.912495/2009-38
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6013326
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1002-000.671
nome_arquivo_s : Decisao_10580912495200938.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : AILTON NEVES DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10580912495200938_6013326.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para sobrestar seu julgamento até que seja prolatada decisão definitiva no processo nº 10580.912248/2011-56, em razão da existência de relação de prejudicialidade entre este e o processo sob análise. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
dt_sessao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
id : 7759798
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907679846400
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-05-23T16:40:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.7; xmp:CreatorTool: PDF Architect 5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-05-23T16:40:44Z; Last-Modified: 2019-05-23T16:40:44Z; dcterms:modified: 2019-05-23T16:40:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.7; Last-Save-Date: 2019-05-23T16:40:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDF Architect 5; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-05-23T16:40:44Z; meta:save-date: 2019-05-23T16:40:44Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-05-23T16:40:44Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-05-23T16:40:44Z; created: 2019-05-23T16:40:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-05-23T16:40:44Z; pdf:charsPerPage: 1629; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-05-23T16:40:44Z | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 121 1 120 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.912495/200938 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.671 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 08 de maio de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente MEDGATE SERVIÇOS MÉDICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 PROCESSOS VINCULADOS POR DECORRÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE SITUAÇÃO DE PREJUDICIALIDADE. NECESSIDADE DE SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO DO RECURSO ATÉ QUE SEJA PROLATADA DECISÃO DEFINITIVA NO PROCESSO DE ORIGEM DO CRÉDITO. A existência de discussão em processo administrativo distinto sobre o crédito pretendido no PER/DCOMP objeto dos autos caracteriza situação de prejudicialidade, a qual impõe o sobrestamento do julgamento do Recurso Voluntário até que seja proferida decisão definitiva no processo de origem do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para sobrestar seu julgamento até que seja prolatada decisão definitiva no processo nº 10580.912248/201156, em razão da existência de relação de prejudicialidade entre este e o processo sob análise. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 24 95 /2 00 9- 38 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10580.912495/200938 Acórdão n.º 1002000.671 S1C0T2 Fl. 122 2 Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/REC: Tratam os autos de análise eletrônica da Declaração de Compensação (Dcomp) retificadora nº 05771.44875.260209.1.3.046935, com cópia está às fl. 02 a 061, por intermédio da qual o contribuinte acima qualificado efetuou compensação, sob condição resolutória, dos débitos abaixo indicados, com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$ 17.914,54 (cód 2372), apurado setembro de 2004, decorrente de Darf de R$ 29.590,50, com vencimento e arrecadação em 29/10/2004. Consoante indicado na Dcomp, todo o crédito foi utilizado na compensação. 2. Como resultado desta análise foi emitido o Despacho Decisório nº 848514721, de 07 de outubro de 2009, às fl. 07 a 09, que decidiu pela não homologação da compensação declarada em virtude da inexistência do crédito pleiteado. 2.1. Segundo a decisão, o Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado de igual valor (R$ 29.590,50), de igual código de receita (2372), referente ao mesmo período de apuração (30 de setembro de 2004). 3. Cientificado por via postal da decisão em 21 de outubro de 2009, conforme faz a cópia do Aviso de Recebimento à fl. 10, em 17de novembro de 2009 o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fl. 11 a 13, instruída com os documentos às fl. 14 a 63, onde argumentou, em síntese, o que segue: 3.1. tempestividade; 3.2. após quitação /recolhimento do Darf objeto do crédito em questão, constatou que havia se equivocado na aplicação do percentual de presunção para a determinação do lucro presumido. Ao invés do percentual de 32%, deveria ter utilizado 12%, haja vista se enquadrar no conceito de serviços hospitalares, conforme processo de consulta nº 10580.010938/200440. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10580.912495/200938 Acórdão n.º 1002000.671 S1C0T2 Fl. 123 3 Assim, pagou tributo a maior no 3º trimestre de 2004, sendo devida a restituição do excedente. O cálculo correto pode ser visto na DIPJ/2005 retificadora anexada. Retificou a DCTF para proceder o ajuste; 4. Ao final, requereu a admissão da retificação da DCTF e que seja homologada a compensação. 5. Em 03 de novembro de 2010, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA (DRF/SDR) emitiu o despacho à fl. 64, por intermédio do qual pronunciouse pela tempestividade da manifestação de inconformidade e encaminhou os autos para julgamento pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR). Contudo, tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013, e no art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 24 de julho de 2013, os autos foram remetidos para esta DRJ/Recife (fl. 65). A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/REC, conforme acórdão n. 1142.054 (efl. 68), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. NÃO CABE HOMOLOGAÇÃO. Somente é passível de compensação crédito líquido e certo. Inexistindo o mesmo, é devido não homologar a compensação. Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 75), no qual propõe os fundamentos de fato e de direito abaixo sintetizados (destaques do original): Sustenta que "o processo em questão tem conexão com o processo 10580.912248/201156, relativamente ao pedido de restituição, devendo ser julgados de forma conjunta". Afirma que "No tocante ao segundo fundamento, relativamente à apresentação das provas do efetivo exercício da atividade de 'serviços hospitalares', cumpre ressaltar que não era esse o cerne da questão que motivou o despacho decisório que indeferiu ou não homologou a compensação" e que "...da leitura do próprio despacho decisório se conclui que a motivação foi exclusivamente a inexistência do direito ao crédito por não ter sido identificado, tais créditos, no confronto dos débitos e créditos informados na respectiva DCTF". Aduz que "...em momento algum foi questionado no respectivo despacho decisório sobre o direito da Recorrente de se utilizar dos percentuais reduzidos para os fins do lucro presumido" e que "Nesse ponto, há de se conceber que somente com a ciência do Acórdão ora atacado é que a Recorrente se vê na obrigação de apresentar tais provas, não havendo o que se falar, portanto, em preclusão". Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10580.912495/200938 Acórdão n.º 1002000.671 S1C0T2 Fl. 124 4 Alega que "Quanto ao fato da DCTF retificadora ter sido apresentada mesmo após a ciência do despacho decisório, é pacífico o entendimento da doutrina e da jurisprudência administrativa no sentido de que a retificação da DCTF poderá ser admitida, desde que fique devidamente evidenciada a existência de ERRO MATERIAL DE FATO, tudo em nome do princípio da busca da VERDADE MATERIAL. Com relação à prestação de serviços hospitalares, afirma que "A partir da publicação da Instrução Normativa 306 SRF, de 1232003, publicada no DOU de 342003, a administração tributária firmou um entendimento mais abrangente para o conceito de serviços hospitalares. Isto porque, o art. 23 do referido ato normativo disciplina que para os fins previstos no art. 15, § 1.°, inciso III, alínea "a", da Lei 9.249/95 (matriz legal do lucro presumido), poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições relacionadas na Parte II. Capítulo 2. da Portaria GM n.º 1.884/94, do Ministério da Saúde". Aduz que "A Coordenação Geral do Sistema de Tributação (COSIT) da Secretaria da Receita Federal, através da Solução de Divergência n.° 11, também se manifestou favoravelmente à aplicação da alíquota reduzida..." e que "Com a finalidade de se confirmar o direito à aplicação da alíquota reduzida concernente aos serviços hospitalares, a Recorrente protocolou consulta nesse sentido na RFB da 5ª Região Fiscal, tendo recebendo a resposta através da Solução de Consulta 16, de 31 de maio de 2005...". Conclui que "não restam dúvidas que os serviços prestados pela Recorrente nas diversas especialidades da área médica e de saúde, tais como, clínica médica geral, cirurgia geral, ortopedia e traumotologia, ultrassonografia, urologia, angiologia e cirurgia vascular, proctologia, oftalmologia, endoscopia digestiva, audiometria, otorrinolaringologia, ginecologia e obstetrícia, etc, consoante os documentos de que trata o item 4 adiante, se enquadravam perfeitamente nas disposições dos itens 1.7 e 1.8 da Atribuição 1, 2.1.5 e 2.2.5, da Atribuição 2, todos da Parte II da mencionada Resolução ANVISA 50/2002. Consigna, ainda, que "Face aos argumentos acima aduzidos, no tópico 2, acerca da admissão da apresentação das provas requeridas, ainda que em sede de Recurso Voluntário, juntase ao presente os seguintes documentos comprobatórios do exercício da atividade de 'serviços hospitalares' : a) Contrato Social original e alterações, onde constam as atividades de serviços de medicina em geral, além de outros relacionados à área de saúde (doc. 2); b) Contratos de Prestação de Serviços Médicos firmados com entidades contratantes de tais serviços, com o plano de saúde MASTERMED (doc. 3); c) Notas Fiscais de prestação de serviços faturados para os contratantes em que comprovam a prestação de serviços médicos nas diversas especialidades acima mencionadas (doc. 5). Ao final, requer o acolhimento do presente recurso, para que o processo em questão seja julgado em conjunto com o de nº 10580.912248/201156 e para o fim de viabilizar o direito de retificação da DCTF, e de reconhecer o exercício da atividade de prestação de serviços hospitalares à época dos fatos, homologandose integralmente a compensação declarada. É o Relatório do essencial. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10580.912495/200938 Acórdão n.º 1002000.671 S1C0T2 Fl. 125 5 Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator 1. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, entretanto, conheçoo parcialmente, em razão de o processo não se encontrar em condições de julgamento face à existência de relação de prejudicialidade entre este e o processo nº 10580.912248/201156, conforme a seguir explicado. O Despacho Decisório nº 848514721, de 07 de outubro de 2009, às fl. 07 a 09, decidiu pela não homologação da compensação declarada em virtude da inexistência do crédito pleiteado. O acórdão de Manifestação de Inconformidade de efls. 68 confirmou os termos do Despacho Decisório Eletrônico ao julgar improcedente o pleito do contribuinte, conforme trechos seguintes do seu voto condutor: 8. O crédito pretendido na Dcomp ora apreciada foi objeto de pedido de restituição transmitido em 11 de outubro de 2005, portanto, antes da compensação declarada. Tal crédito já foi analisado nos autos do processo nº 10580.912248/201156, tendo sido proferido o Acórdão nº 11042.051, de 09 de agosto de 2013, que confirmou a decisão do Delegado da DRF/SDR no sentido de não reconhecer o direito creditório por considerálo inexistente. (...) 10. Uma vez que somente é passível de compensação crédito líquido e certo, e já que o crédito pleiteado foi considerado inexistente em decisão da DRF/SRF confirmada por este colegiado, não há ressalva a ser feita ao despacho decisório ora recorrido, que não homologou a compensação declarada. 11. Ante o exposto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10580.912495/200938 Acórdão n.º 1002000.671 S1C0T2 Fl. 126 6 Como se observa, o crédito pleiteado nos autos foi analisado no processo nº 10580.912248/201156, que atualmente aguarda distribuição na Disor para julgamento de Recurso Voluntário, conforme extrato de consulta seguinte: Assim, considerando que o processo nº 10580.912248/201156 ainda está pendente de decisão administrativa definitiva e que uma eventual reforma no Acórdão nº 11042.051 pela instância ad quem poderá interferir diretamente no resultado do julgamento dos autos sob exame, resta caracterizada relação de prejudicialidade entre ambos, configurando, a meu ver, a vinculação por decorrência de que trata o inciso II do artigo 6º do Ricarf: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Nesse quadro, voto pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida decisão administrativa definitiva no processo nº 10580.912248/201156. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.720924/2013-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
Incabível para fins de dedução do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física a pensão alimentícia fixada em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, quando não comprovados, por meio de documentação hábil, os efetivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-000.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Incabível para fins de dedução do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física a pensão alimentícia fixada em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, quando não comprovados, por meio de documentação hábil, os efetivos pagamentos.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10875.720924/2013-13
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6006718
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-000.945
nome_arquivo_s : Decisao_10875720924201313.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
nome_arquivo_pdf_s : 10875720924201313_6006718.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7738268
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907681943552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1327; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 91 1 90 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.720924/201313 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.945 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 23 de abril de 2019 Matéria IRPF. DEDUÇÕES. PENSÃO JUDICIAL. Recorrente RAIMUNDO DE SOUZA MARTINS NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Incabível para fins de dedução do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física a pensão alimentícia fixada em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, quando não comprovados, por meio de documentação hábil, os efetivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 72 09 24 /2 01 3- 13 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10875.720924/201313 Acórdão n.º 2002000.945 S2C0T2 Fl. 92 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 5/8), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2012. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$315,33 para saldo de imposto a pagar de R$3.459,05. A notificação noticia a dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, no valor de R$16.370,15. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 25/4/2013, a NL foi objeto de impugnação, em 3/5/2013, às fls. 2/44 dos autos, na qual o contribuinte alegou que faria jus a deduzir o valor declarado, indicando a juntada de documentação comprobatória, tecendo considerações sobre como teria se dado o pagamento da pensão. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, julgou a impugnação procedente em parte, em decisão assim ementada (fls. 57/61): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. A dedução a título de pensão alimentícia está condicionada a existência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e à comprovação de seu efetivo pagamento. O colegiado de primeira instância decidiu por restabelecer a dedução de pensão judicial, no valor parcial de R$1.287,03. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 23/12/2014 (fl. 66), o contribuinte, em 16/1/2015 (fl. 69), apresentou recurso voluntário, às fls. 69/86, no qual indica a juntada da declaração de ajuste da beneficiária da pensão, consignando o recebimento da pensão, assim como declaração firmada por ela. Ressalta a existência de ofício expedido pela Justiça em novembro de 2014 a sua fonte pagadora, demonstrando que o problema não ocorrerá novamente. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10875.720924/201313 Acórdão n.º 2002000.945 S2C0T2 Fl. 93 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre a dedução de pensão alimentícia, informada pelo sujeito passivo em favor de seus filhos, no montante de R$17.998,50 (fl.54). A regra é que valores pagos a título de pensão alimentícia judicial podem ser deduzidos na declaração de rendimentos, desde que sejam decorrentes do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou mesmo de escritura pública (art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil). Nos termos do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 e demais normas e suas alterações, indicadas na notificação de lançamento, a dedutibilidade do valor pago a título de pensão alimentícia está subordinada à comprovação da obrigação decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou mesmo de escritura pública (art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil) e também à comprovação dos pagamentos efetuados. A decisão recorrida consigna que o sujeito passivo juntou documentação comprobatória da existência de acordo judicial acertando o pagamento da pensão, mas não apresentou provas quanto ao efetivo pagamento do valor total declarado, conforme trecho a seguir reproduzido: ... 8. Pois bem, de posse dos autos e em consulta ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) constatase que as fontes pagadoras Governo do Estado de São Paulo e Sociedade Educacional Soibra não informaram, nas respectivas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirfs), desconto de pensão alimentícia e o Instituto Educacional Passinho Feliz informou, a este título, o valor de R$ 1.268,35, sendo que este valor não foi glosado pela autoridade fiscal quando da lavratura da notificação (o contribuinte declarou R$ 17.998,50 a título de dedução de pensão alimentícia e foi desconsiderado o valor de R$ 16.730,15), portanto, o valor constante do Recibo de Pagamento de fl. 11 foi considerado dedutível no curso da ação fiscal. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10875.720924/201313 Acórdão n.º 2002000.945 S2C0T2 Fl. 94 4 9. No tocante aos demais documentos, verificase que, de fato, havia acordo homologado judicialmente acobertando o pagamento de pensão alimentícia aos filhos do impugnante. Assim, fazse necessário verificar a comprovação do efetivo pagamento dos valores. 10. Relativamente ao recibo de fl. 19, datado de 2013, importa salientar que, ainda que se revistam em indícios a serem sopesados no âmbito de todo o conjunto probatório, meras declarações não comprovam a ocorrência dos fatos, de forma inequívoca, perante terceiros (Código de Processo Civil, art. 368; e Código Civil, art. 219), principalmente perante a Fazenda Pública, uma vez que recibos até podem fazer prova de quitação de débito do devedor em face de seu credor, porém terceiro pode exigir outras formas de comprovação do pagamento, pois, a juízo da autoridade fiscal, poderá ser exigida a comprovação do desembolso dos valores neles consignados (art. 73, do Decreto nº 3.000/1999). Assim, considerase que tal documento não é suficiente para demonstrar o efetivo pagamento dos valores nele declarados, eis que desacompanhado de provas do repasse dos recursos, tais como transferências ou depósitos bancários, cópias de cheques nominativos, ou outros. 11. Situação distinta, porém, se vislumbra no caso do recibo de fl. 19, também emitido por Márcia Cristina, excônjuge, eis que este se encontra acompanhado de prova da transferência bancária realizada em agosto/2011. Assim, do valor de R$ 1.207,00 constante do recibo, considerase comprovado o pagamento de R$ 933,24. 12. Cabe ressaltar que incumbe ao contribuinte a comprovação de todos os valores informados em sua DAA, mormente quando intenciona beneficiarse de deduções ou compensações em sua base de cálculo. 13. Importa destacar que é legítima a exigência, por parte da autoridade fiscal, de apresentação de documentos que demonstrem, de forma inequívoca, que foi o contribuinte quem de fato desembolsou os valores de despesas declarados, eis que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844/1943, art. 11, §3º), que forma livremente sua convicção quando da apreciação dos elementos probatórios. 14. Por fim, o Recibo de Pagamento de Salário de fl. 12, emitido pela Sociedade Educacional Soibra, demonstra o desconto de R$ 353,79 dos vencimentos do impugnante, a título de pensão alimentícia, sendo este valor também passível de dedução. 15. Considerando o exposto, concluise pelo cancelamento da glosa no valor de R$ 1.287,03 (R$ 933,24 e R$ 353,79 referentes aos recibos de fls. 19 e 12, respectivamente). (destaques acrescidos) Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10875.720924/201313 Acórdão n.º 2002000.945 S2C0T2 Fl. 95 5 Em seu recurso, o recorrente indica a juntada da declaração de ajuste entregue em nome do excônjuge (fls.78/83), além de declarações emitidas por ela, atestando o recebimento da pensão declarada pelo recorrente (fls.84 e 86). Esses documentos não se revelam hábeis a fazer a prova exigida quanto à efetiva transferência dos recursos do recorrente para a beneficiária dos rendimentos. Nesse sentido, caberia ao contribuinte juntar, por exemplo, comprovantes de transferências bancárias ou realização de saques em valores compatíveis com a pensão acordada. Como consignado na decisão recorrida, os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade (artigo 408 do Código de Processo Civil Lei nº 13.105, de 2015). Diante da ausência de comprovação do efetivo pagamento, não há reparos a se fazer à decisão do colegiado de primeira instância, a qual adoto e mantenho. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
