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Numero do processo: 10880.684031/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/2005. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE.
Verificada a legalidade o pleito de compensação da recorrente, afastando entendimento anterior pela sua vedação, devem ser materialmente analisadas a procedência e a quantificação do direito creditório pretendido antes da sua homologação.
Numero da decisão: 1402-003.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário com base na súmula CARF nº 84 (Revisada) para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para nova análise do direito creditório pleiteado pela contribuinte. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.999631/2009-10, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/2005. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE. Verificada a legalidade o pleito de compensação da recorrente, afastando entendimento anterior pela sua vedação, devem ser materialmente analisadas a procedência e a quantificação do direito creditório pretendido antes da sua homologação.
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SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/2005. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE. Verificada a legalidade o pleito de compensação da recorrente, afastando entendimento anterior pela sua vedação, devem ser materialmente analisadas a procedência e a quantificação do direito creditório pretendido antes da sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário com base na súmula CARF nº 84 (Revisada) para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para nova análise do direito creditório pleiteado pela contribuinte. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.999631/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 40 31 /2 00 9- 41 Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10880.684031/200941 Acórdão n.º 1402003.661 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ a quo, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido de estimativas, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, o Per/Dcomp recebeu da Delegacia da Receita Federal DRF de origem o Despacho Decisório de não homologação da compensação, cujas razões da negativa se fundam no fato de que o pagamento a maior de estimativa só pode ser utilizado ao final do período de apuração, conforme determinação do art. 10 da IN SRF nº 600/2005. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que não restariam dúvidas da existência do crédito em seu favor, decorrente de pagamento indevido de estimativa, e que o mesmo seria passível de repetição conforme o artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. Ademais, alega que a IN SRF nº 600/2005 foi revogada pela IN RFB nº 900/2008, que retirou o cerne do art. 10 da anterior IN. Da decisão da DRJ : A DRJ, em seu julgamento, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação do Per/Dcomp objeto do presente processo. Para fundamentar sua decisão, alegou que a IN SRF nº 600/2005 foi editada para regulamentar o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, encontrando guarida a validade do art. 10 da IN. Ademais, com a edição da IN RFB nº 900/2008, não ocorre a retroatividade. No seu entender, normas de compensação são de direito material, válidas enquanto vigentes. No caso, o Per/Dcomp foi transmitido na vigência da IN SRF nº 600/2005, que seria a norma aplicável. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10880.684031/200941 Acórdão n.º 1402003.661 S1C4T2 Fl. 4 3 Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que repisa as mesmas alegações da sua manifestação de inconformidade. Em síntese, alega que tem o direito à compensação do pagamento indevido ou a maior de IRPJ e de CSLL pois a vedação do art. 10 da IN SRF nº 600/2005 não encontra respaldo no art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Ademais, haveria aplicação retroativa da IN RFB nº 900/2008 que suprimiu a vedação do art. 10º da IN SRF nº 600/2005. Cita jurisprudência deste E. Carf a respeito do tema. Entende que a não homologação da compensação acarreta enriquecimento sem causa da Administração Pública, que manterá em seus cofres quantia a que não faz direito, o que atenta contra o princípio da moralidade administrativa e da vedação ao confisco. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.659, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.999631/2009 10, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.659): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Ricarf, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Síntese dos fatos O presente processo versa sobre um Per/Dcomp, em que a recorrente pleiteou um direito creditório baseado em um pagamento indevido de estimativas, em que o Despacho Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10880.684031/200941 Acórdão n.º 1402003.661 S1C4T2 Fl. 5 4 Decisório denegou tal pleito por entender que somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ/CSLL devido ao final do período de apuração ou para compor saldo negativo de IRPJ/CSLL do período, citando o enquadramento legal do art. 10 da IN SRF nº 600/2005. A recorrente, na sua manifestação de inconformidade, alega que a existência do direito creditório atende os requisitos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, e a IN SRF nº 600/2005 extrapolou quando o regulamentou. Ademais, a IN RFB nº 900/2008 revogou a IN SRF nº 600/2005, retirando o óbice do art. 10. A decisão da DRJ considerou improcedente sua manifestação de inconformidade, citando que a IN SRF nº 600/2005 foi editada para regulamentar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, o que lhe dá validade ao art. 10. Ademais, normas de compensação seriam de direito material, não retroagindo quando revogadas, como foi o caso da edição da IN RFB nº 900/2008. Em sede recursal, repisa os mesmos argumentos da sua manifestação de inconformidade. Do mérito O tema em discussão é exclusivamente sobre a possibilidade legal da recorrente utilizar em compensação, via Per/Dcomp, crédito oriundo de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior, em contraponto ao então vigente art. 10 da IN SRF nº 600/2005. Tal impedimento normativo foi utilizado para justificar a denegação da homologação no Despacho Decisório, bem como na decisão de primeiro grau administrativo, não ocorrendo nenhuma análise da materialidade do direito creditório ou da sua quantificação nos autos, embora a recorrente tenha trazido alguns documentos quando da apresentação da sua manifestação de inconformidade. Tal matéria de âmbito jurídico sob apreço é tema há muito debatido neste E. Carf (e no seu predecessor, E. Conselho de Contribuintes), sendo, desde 10 de dezembro de 2012, objeto da súmula Carf nº 84, a qual, recentemente, em sessão de 03 de setembro de 2018, pela composição do Pleno da C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, foi mantida e teve sua redação revisada: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa Como se observa da leitura da súmula acima transcrita, e ao encontro da forma que defende a recorrente, é autorizada a compensação de estimativas recolhidas a maior (indébito) a partir do seu pagamento. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10880.684031/200941 Acórdão n.º 1402003.661 S1C4T2 Fl. 6 5 Por conseguinte, o óbice imposto à recorrente, tanto no despacho decisório quanto na decisão da DRJ não deve prevalecer, em obediência a tal enunciado. Cabe destacar que não há qualquer limitação temporal da aplicação da súmula Carf nº 84, mostrandose, no entender deste Conselheiro, irrelevante qual normativo interno da Receita Federal do Brasil regulava a matéria à época do pleito envolvendo o pedido de compensação. Se não bastasse o exposto acima, robustecese tal situação com inúmeros precedentes desta 1ª Seção de Julgamentos do Carf, que especificamente, abordam e afastam a vedação contida no art. 10 da IN nº 600/2005, exemplificado pelo acórdão nº 1301003.233, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, sob a relatoria do I. Conselheiro Nelso Kichel, publicado em 30/08/2018: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa mensal em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabível a devolução do saldo negativo no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. Desta forma, merece reforma o v. Acórdão (assim como o r. Despacho Decisório), vez que lícita e viável a postura procedimental da recorrente. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10880.684031/200941 Acórdão n.º 1402003.661 S1C4T2 Fl. 7 6 Contudo, como já mencionado anteriormente, em momento algum houve investigação sobre a existência e quantificação do direito creditório em questão, decorrente do alegado recolhimento a maior/indevido de estimativa, em virtude do afastamento jurídico e sumário da regularidade da postura da recorrente. Desta forma, aceita a circunstância jurídica da compensação, necessário proceder à devida análise da materialidade do valor utilizado. Todavia, tal análise não deve ser procedida por esta segunda instância administrativa, sob pena de supressão de instância, bem como do próprio direito de defesa da recorrente, devendo os autos serem remetidos à unidade local competente para a análise da documentação acostada ao feito e de sistemas de informação internos, proferindo novo Despacho Decisório, com o prosseguimento regular do processo, se necessário. Diante de todo o exposto, voto por dar PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, com base na súmula Carf nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente, invocada tanto no r. Despacho Decisório, como no v. Acórdão recorrido. Devem ser o processo encaminhado para a D. unidade local competente para nova análise do direito creditório pleiteado. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, com base na Súmula CARF nº 84 (revisada), para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para nova análise do direito creditório pleiteado pela contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 207DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.910104/2012-81
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 19/01/2012
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 3003-000.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antônio Borges - Presidente.
Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa, Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 19/01/2012 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1388; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T3 Fl. 2 1 1 S3C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.910104/201281 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3003000.105 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 23 de janeiro de 2019 Matéria PER/DCOMP Recorrente JPTE ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 19/01/2012 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges Presidente. Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa, Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 01 04 /2 01 2- 81 Fl. 209DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) nº 15901.82361.190112.1.3.043340 com aproveitamento de suposto pagamento a maior do PIS no valor R$ 2.889,77, referente ao período de apuração (PA) de dez/08. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, argumentando que é prestadora de serviços no ramo de engenharia, tendo como tomadora o Grupo Petrobrás, acumulando créditos com as aquisições de bens e serviços utilizados como insumos nas atividades exercidas. Aduz que a sistemática não cumulativa da COFINS e do PIS pretendeu desonerar a cadeia produtiva, ao permitir que sejam descontados créditos referentes às aquisições, efetuadas no mês, de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, conforme dispõe o artigo 3º da Lei 10.833/03. Para comprovar a regularidade dos créditos, anexa o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais retificador, Declaração de Débitos e Créditos retificada e Pedido de Compensação – Per/Dcomp. A 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora proferiu decisão cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 27/10/2011 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA, DEVIDAMENTE ESCRITURADA. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e não constitui elemento de prova suficiente para justificar a retificação dos valores dos tributos devidos constantes de DCTF as informações declaradas pelo Contribuinte por meio do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13896.910104/201281 Acórdão n.º 3003000.105 S3C0T3 Fl. 3 3 quando desacompanhada dos documentos e demonstrativos contábeis aptos a lhe darem sustentação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, argumentando, em síntese: 1 que a compensação se deu com créditos existentes, demonstrados pela retificação dos DACON´s; 2 que houve apenas erro material nas informações em DCTF, fato que pode ser comprovado pelas informações apresentadas nos DACON´s, devendose observar o princípio da verdade material; 3 que a natureza do crédito pleiteado está comprovada em "todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes" que trouxe aos autos com o recurso voluntário. A recorrente aduz, ainda, que "todos os documentos contábeis e fiscais poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa". É o relatório. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional , pressupõe a existência de créditos e débitos tributários de titularidade do contribuinte. Conforme o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. Como se sabe, a compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose, tal procedimento, a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu eletronicamente a DCOMP descrita no relatório acima, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. Fl. 211DF CARF MF 4 Em verificação fiscal da DCOMP transmitida, apurouse que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, uma vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito, tendo sido emitido, eletronicamente, Despacho Decisório que não homologou a compensação dos débitos confessados. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Na impugnação, a recorrente sustentou erro material ao transmitir a DCTF e DACON originais. Em tais declarações, o débito informado foi erroneamente apurado, de maneira que a retificação da DCTF e DACON seria suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado. Na impugnação, a recorrente trouxe aos autos as declarações retificadoras com apuração de débito de contribuição social a menor, deixando de apresentar, todavia, documentos para comprovar sua alegação, infirmando as declarações originais. Ao apreciar a impugnação, a decisão recorrida entendeu que a simples entrega de declarações retificadoras não seria suficiente para demonstrar a existência de pagamento a maior do qual teria derivado o direito creditório pleiteado pela recorrente em sua DCOMP. No entendimento do colegiado, a recorrente deveria ter demonstrado a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, por meio da apresentação de escrituração contábil fiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos, comprovando que a contribuição devida era realmente menor do que o valor constante nas declarações originais. Analisando os autos, observase que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Como bem assinalou a decisão a quo, para que os dados declarados em DACON fossem tidos como corretos, infirmando aqueles informados em DCTF e demonstrando a certeza e liquidez do crédito a compensar, deveria a recorrente ter apresentado documentos que corroborassem a apuração do tributo declarado. Com efeito, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, com redução de débitos originalmente apurados. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Sobre ônus da prova em compensação de créditos transcrevo entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, a qual me curvo para adotála neste voto: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." No caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a Recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13896.910104/201281 Acórdão n.º 3003000.105 S3C0T3 Fl. 4 5 Em homenagem ao princípio da verdade material e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, passo à análise dos documentos apresentados após a impugnação os quais podem representar, de certo modo, uma forma de contrapor as razões consignadas na decisão recorrida, aplicandose, no caso concreto, a exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72. Compulsando os documentos apresentados, observase que a recorrente não logrou demonstrar a certeza e liquidez do direito pleiteado. Explico. Apesar de ter trazido aos autos diversas notas fiscais, a recorrente deixou de apresentar escrituração contábilfiscal e demonstrativos de apuração a fim de justificar a retificação do DACON e DCTF. De fato, não há, nos autos, provas que demonstrem a natureza e extensão de eventuais créditos que pudessem reduzir seus débitos apurados e informados nas declarações originais. Nesse sentido, a simples juntada de notas fiscais variadas, sem qualquer explicação e demonstração de como influenciam a apuração das contribuições sociais, não é suficiente para comprovar e elucidar os fundamentos da retificação realizada no DACON e DCTF. Para comprovar seu direito, a recorrente deveria ter apresentado demonstrativo de apuração das contribuições sociais, contrastando o cálculo original com o retificado, identificando as rubricas de despesas que foram alteradas para reduzir o tributo devido, indicando todos os documentos que comprovem sua natureza e valor, e demonstrando sua escrituração contábilfiscal. Do material probatório apresentado, não há como saber a natureza e extensão de eventuais deduções na apuração da contribuição social de que resultou o crédito pleiteado nos autos. Não há demonstrativo de apuração, não há escrituração contábil e fiscal, não há elucidação analítica para explicar a suposta redução do débito informado nas declarações retificadas. Sublinhese que notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, quando desacompanhadas de outros elementos que demonstrem sua escrituração e, sobretudo, seu cômputo na apuração do tributo devido, não possuem força probatória para demonstração de direito creditório oponível à fazenda pública. A compensação tributária impõe a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. A recorrente, apesar de juntar notas fiscais diversas sem documentos contábeis e fiscais que demonstrem sua escrituração , não faz qualquer vinculação de tais notas a eventuais contas de despesas dedutíveis no regime da nãocumulatividade que poderiam servir para a redução do tributo devido. No caso dos autos, ocorreu simples juntada de notas fiscais avulsas, desacompanhadas de escrituração contábilfiscal e de esclarecimentos analíticos para demonstrar seu eventual impacto na apuração do tributo devido. A recorrente deveria ter apresentado descrição minuciosa da apuração da contribuição social, estabelecendo conexões entre os diversos elementos que devem compor a prova do direito creditório alegado: notas fiscais, escrituração contábilfiscal, demonstrativo de apuração do tributo devido. Em seu recurso, a recorrente aduz que "disponibiliza todos os documentos contábeis e fiscais", os quais "poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa". Quanto a tal questão, registrese que a recorrente teve toda a possibilidade de apresentação dos citados documentos em seu recurso. Não o fez. Neste caso, ocorreu a preclusão do direito de apresentar prova documental além daquela trazida no recurso voluntário. Fl. 213DF CARF MF 6 Por fim, no tocante ao pedido de sustentação oral formulado no Recurso Voluntário, há que se lembrar o que dispõe o art. 61A, §2º., do Anexo II do Regimento do Interno do CARF (RICARF): Art. 61A. As turmas extraordinárias adotarão rito sumário e simplificado de julgamento, conforme as disposições contidas neste artigo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 1º Os processos serão pautados em reunião composta por sessões não presenciais virtuais. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 2º A pauta da reunião será elaborada em conformidade com o disposto no art. 55, dispensada a indicação do local de realização da sessão, e incluída a informação de que eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, e ainda, de que é facultado o envio de memoriais, em meio digital, no mesmo prazo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito negarlhe provimento. Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator (assinado digitalmente) Fl. 214DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.944832/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 14/01/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo para interposição de Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é de 30 dias, contados da sua ciência, em conformidade com as regras estabelecidas pelos arts. 33 e 5o do Decreto no 70.235/1972.
Numero da decisão: 3401-005.480
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça recursal apresentada.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos (relator original), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 14/01/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para interposição de Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é de 30 dias, contados da sua ciência, em conformidade com as regras estabelecidas pelos arts. 33 e 5o do Decreto no 70.235/1972.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça recursal apresentada. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos (relator original), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/01/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para interposição de Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é de 30 dias, contados da sua ciência, em conformidade com as regras estabelecidas pelos arts. 33 e 5o do Decreto no 70.235/1972. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça recursal apresentada. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos (relator original), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 48 32 /2 00 8- 91 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.944832/200891 Acórdão n.º 3401005.480 S3C4T1 Fl. 0 2 Relatório Versa o presente sobre o DCOMP, indeferida por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Em sua Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que: (a) é prestadora de serviços a pessoa jurídica residente no exterior, isenta de recolhimento da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP sob a receita de serviços, conforme MP no 2.15835/2001 (at. 14, III e § 1o); e (b) recolheu indevidamente a COFINS, lançando a débito em DCTF, que retificou antes do despacho decisório. A decisão de primeira instância foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, por carência probatória a cargo da postulante (não comprovação do erro apontado, que teria ensejado a retificação da DCTF). Após ciência da decisão da DRJ, em 23/01/12, a empresa apresentou Recurso Voluntário em 05/03/2012, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando cópia de documentos e livros. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.473, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.925640/200885, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.473): "Conforme relatado a recorrente tomou ciência da decisão da DRJ no dia 23 de janeiro de 2012, através de carta postal com aviso de recebimento. Vejase: Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.944832/200891 Acórdão n.º 3401005.480 S3C4T1 Fl. 0 3 Diante de seu inconformismo a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 05 de março de 2012, conforme carimbo constante na capa do recurso, a seguir exposto: O prazo para interposição de Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é de 30 dias, contados da sua ciência. Ademais, a Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal é estabelecida pelos arts. 33 e 5º, do Decreto nº 70.235/72. Oportuno mencionar sobre o Princípio da Continuidade, segundo o qual, iniciada a contagem, incluemse os finais de semana e feriados (não se contam apenas os dias úteis). Diante das considerações explanadas e que a recorrente foi cientificada no dia 23/01/2012, terçafeira, temse que o prazo iniciou no dia 24/01/2012 e encerrou 30 (trinta) dias depois, em 22/02/2012, quartafeira. Portanto, o recurso da recorrente é intempestivo, pois foi interposto apenas no dia 05 de março de 2012, 12 (doze) dias após o término do prazo, sem nenhuma justificativa. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.944832/200891 Acórdão n.º 3401005.480 S3C4T1 Fl. 0 4 Ante o exposto, voto por não conhecer da peça apresentada a título de Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, a apresentação da defesa encontrase intempestiva, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer da peça apresentada a título de Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.720003/2014-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. AJUSTE. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPENSAÇÃO DO IRRF. BENEFÍCIO DO CONTRIBUINTE
No cálculo do IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente deve ser levado em consideração o Imposto de Renda Retido na Fonte para efeito de compensação.
O contribuinte tem direito ao benefício dos valores de IRRF feito no ano-calendário dos rendimentos recebidos.
Numero da decisão: 2401-005.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para que seja considerado o imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 34.652,56.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andréa. Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente)
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 IRPF. AJUSTE. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPENSAÇÃO DO IRRF. BENEFÍCIO DO CONTRIBUINTE No cálculo do IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente deve ser levado em consideração o Imposto de Renda Retido na Fonte para efeito de compensação. O contribuinte tem direito ao benefício dos valores de IRRF feito no ano-calendário dos rendimentos recebidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para que seja considerado o imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 34.652,56. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andréa. Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente)
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AJUSTE. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPENSAÇÃO DO IRRF. BENEFÍCIO DO CONTRIBUINTE No cálculo do IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente deve ser levado em consideração o Imposto de Renda Retido na Fonte para efeito de compensação. O contribuinte tem direito ao benefício dos valores de IRRF feito no ano calendário dos rendimentos recebidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para que seja considerado o imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 34.652,56. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 00 03 /2 01 4- 34 Fl. 292DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andréa. Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR (DRJ/CTA) que julgou parcialmente procedente o lançamento, reconhecendo o direito à restituição de IR no valor original de R$ 2.356,55, conforme ementa do Acórdão nº 0658.190 (fls. 260/271): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE ATÉ 31 DE DEZEMBRO DE 2009. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. A tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente até 31 de dezembro de 2009 é feita mediante a recomposição das bases históricas das declarações de ajuste anual a que os rendimentos se referem, apurandose novo resultado, cuja diferença em relação à apuração anterior, se houver, é atualizada para a data da percepção dos rendimentos e comparado com a retenção efetuada, do que pode resultar saldo a pagar ou valor a restituir, que, nesse caso, pode ser compensado no ajuste anual a que se refere o exercício da percepção dos rendimentos. JUROS MORATÓRIOS. AÇÃO TRABALHISTA. TRIBUTAÇÃO. Os juros moratórios têm a mesma natureza tributária dos rendimentos que lhe deram causa e são tributados na declaração de ajuste anual do exercício referente aos seus efetivos pagamentos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Exonerado O presente processo trata de Notificação de Lançamento emitida contra o Contribuinte (fls. 40/44), para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física, no valor de R$ 11.816,87, relativo ao exercício 2008, referente à omissão de rendimentos recebidos do Banco do Brasil, no valor de R$ 93.199,99, e a glosa da compensação indevida de R$ 34.652,56 de IRRF sobre rendimentos declarados como recebidos da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina. Houve também lançamento de Multa de Ofício de 75%, passível de redução, no valor de R$ 8.862,65, e Juros de Mora, calculados até 31/01/2011, no valor de R$ 3.334,72, dando um Crédito Tributário Apurado no montante de R$ 24.014,24. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10980.720003/201434 Acórdão n.º 2401005.828 S2C4T1 Fl. 3 3 De acordo com a Descrição Dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 41/42): 1. Confrontado o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados, com o valor dos rendimentos informados na DIRF pelo Banco do Brasil, foi constatado que o Contribuinte omitiu o rendimento sujeito à tabela progressiva no valor de R$ 93.199,99, sobre o qual incidiu o IRRF no valor de R$ 34.652,56; 2. O valor glosado de R$ 34.652,56, indevidamente compensado à título de IRRF, corresponde à diferença entre o valor declarado pelo Contribuinte e o total de IRRF informados pelas fontes pagadoras em DIRF; 3. Regularmente intimado para prestar esclarecimentos o Contribuinte não atendeu à intimação. O Contribuinte protocolou em 21/12/2012 sua Impugnação de fls. 03 a 05, instruída com os documentos nas fls. 06 a 23, em que afirma que os rendimentos considerados omitidos correspondem à indenização decorrente de reclamação trabalhista contra a APPA – Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, que tramitou perante a 1 ª Vara da Justiça de Trabalho de Paranaguá. Admite haver declarado somente R$ 89.606,03 dos R$ 93.199,99 recebidos na reclamação trabalhista e acrescenta que houve a retenção de R$ 34.652,56 por ocasião do recebimento do RRA. Afirma também que não recebeu intimação para prestar esclarecimentos e nem foi cientificado da Notificação de Lançamento pois, a partir de 2008, não residia mais no endereço para onde elas foram enviadas. Solicita a revisão do lançamento com base no art. 149, VIII, do CTN e no art. 6ºA, I, da IN RFB nº 958/2009. Conforme Despacho de Encaminhamento (fl. 53), a impugnação foi declarada tempestiva, em atenção à Nota SRF/COSIT/ASSESSORIA nº 423, de 10/12/1994, tendo sido considerada a data da petição como data de ciência do lançamento. Em atendimento ao disposto no art. 6ºA da IN RFB nº 958/2009, a Autoridade Fiscal procedeu à análise da revisão do lançamento (fls. 55/57), mantendoo integralmente. O Contribuinte tomou ciência da revisão do lançamento em 16/09/2016 (AR – fl. 59) e, em 04/09/2016, apresentou nova Impugnação de fls. 61 a 63, instruída com os documentos de fls. 64 a 65 e fls. 70 a 257. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/CTA para julgamento, onde, através do Acórdão nº 0658.190, em 28/03/2017 a 4ª Turma votou no sentido de considerar parcialmente procedente o lançamento, reconhecendo o direito à restituição de IR, no valor original de R$ 2.356,55, devendose observar os acréscimos previstos na legislação. Fl. 294DF CARF MF 4 Em 12/04/2017 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR – fl. 273) e, em 11/05/2017, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 280 a 282. Em seu RV faz um breve resumo dos fatos para em seguida alegar que dos R$ 34.625,56 retidos na fonte, a decisão recorrida compensou apenas R$ 16.976,12, correspondentes à proporção entre a parcela efetivamente recebida em 2007 e a totalidade da indenização, no valor de R$ 164.679,97. Segue afirmando que a diferença da indenização trabalhista só foi liberada em 2009. Finaliza requerendo a reforma da decisão recorrida para que seja compensada a totalidade do imposto retido na fonte de R$ 34.625,56. Requer também a preferência na solução do litígio e a imediata devolução do imposto indevidamente retido na fonte por ser idoso. Em 22/02/2018 foi emitido pela Receita Federal a Autorização para emissão de Ordem Bancária (fl. 287) no valor de R$ 4.750,80, para pagamento da restituição objeto da decisão do Acórdão da DRJ/CTA, corrigido até 02/2018 (Demonstrativo de Correção – fl. 286). O depósito foi realizado em 23/02/2018 (fl. 288). É o relatório Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Como visto, trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, relativo ao anocalendário 2007/exercício 2008, em que foi apurada omissão de rendimentos recebidos do Banco do Brasil, no valor de R$ 93.199,99 com R$ 34.652,56 de IRRF, e glosada a compensação de R$ 34.652,56 de IRRF. Após a análise dos documentos apresentados pelo contribuinte, a DRJ constatou que não ocorreu omissão de rendimentos e que os valores recebidos e declarados como pagos pela administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, réus na ação trabalhista, foram pagos através do Banco do Brasil, razão do equívoco com relação à fonte pagadora declarada. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10980.720003/201434 Acórdão n.º 2401005.828 S2C4T1 Fl. 4 5 Com o reconhecimento de que não ocorreu omissão e que houve retenção de Imposto de Renda pela fonte pagadora, prevaleceria o montante do IR devido e a restituir constantes na Declaração de Ajuste Anual apresentada pelo contribuinte (fl. 12). No cálculo do IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente deve ser levado em consideração os valores retidos de Imposto de Renda da Fonte feito no ano calendário dos rendimentos recebidos, conforme consta à fl. 21. A tributação dos juros moratórios da ação trabalhista não tem relação com a presente demanda e sequer foi questionada pelo contribuinte. A DRJ, ao estabelecer uma forma de cálculo nova para a apuração do imposto, extrapolou os limites contidos na demanda, o que deve ser afastado no presente caso. Assim, deve ser efetuado o cálculo do Imposto de Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente levando em consideração o IRRF, razão pela qual deve ser compensado o Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 34.652,56 (fl. 21/22). Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e DOULHE PROVIMENTO para considerar o Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 34.652,56 para efeito de compensação. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 296DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.006557/2006-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a lavratura do Auto de Infração. Os possíveis erros na apuração da base de cálculo são questões de mérito, não ensejando a nulidade do lançamento.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei no. 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ONUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada.
DECORRÊNCIAS. CSLL - PIS - COFINS. As mesmas alterações ocorridas no lançamento principal (IRPJ) devem ser aplicadas nos decorrentes, em razão de sua relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1301-003.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e indeferir o pedido de sobrestamento do julgamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a lavratura do Auto de Infração. Os possíveis erros na apuração da base de cálculo são questões de mérito, não ensejando a nulidade do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei no. 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ONUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. DECORRÊNCIAS. CSLL PIS COFINS. As mesmas alterações ocorridas no lançamento principal (IRPJ) devem ser aplicadas nos decorrentes, em razão de sua relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 65 57 /2 00 6- 67 Fl. 2735DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e indeferir o pedido de sobrestamento do julgamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 2736DF CARF MF Processo nº 10730.006557/200667 Acórdão n.º 1301003.478 S1C3T1 Fl. 2.736 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Trata o processo do auto de infração, com ciência em 17/10/2006, referente aos anoscalendário de 2003 e 2004, através do qual é exigido da interessada o imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ, no valor de R$ 1.032.290,42, acrescido da multa de 75% e encargos moratórios. A exação de IRPJ teve como motivo a omissão de receita operacional caracterizada pela falta de comprovação da tributação dos créditos bancários oriundos de terceiros, entradas nas contas correntes de depósitos mantidos pela autuada em Instituições Financeiras nos anoscalendário de 2003 e 2004, conforme resumo no Termo de Constatação de Fiscal, fls. 08/11. Enquadramento Legal: artigo 24 da Lei no 9.249/95, artigo 42 da Lei n° 9.430/96 e artigos 249, inciso II, 251 e § único, 279, 282, 287, 288 e 849 do RIR/99. Em decorrência, foram lavrados os autos de infração para cobrança de CSLL, no valor de R$ 319.181,68, de PIS no valor de R$ 45.142,74, e COFINS no valor de R$ 208.351,49, todos com multa de oficio e juros de mora. Inconformada, a interessada ingressou com impugnação, em 16/11/2006, de fls. 1075/1097, com as seguintes argumentações: 1. Preliminar de nulidade do Auto de Infração por imprecisão no lançamento e a preterição do direito de defesa. a. Aponta diversos erros na apuração da base de cálculo, totalizando R$ 304.579,43, representando verdadeira falha no ato administrativo, e conseqüente inconsistência de lançamento, prejudicando o seu direito de defesa. 2. O fiscal não analisou os livros fiscais, verificando unicamente os depósitos feitos em conta corrente. 3. Identificou parte dos lançamentos efetuados como sendo decorrentes de Receitas de Vendas, empréstimos e receitas de vendas dos sócios na condição de produtores rurais. 4. As entradas não representam fato econômico tributável. 5. Vem passando por dificuldades financeiras, realizando diversos empréstimos que foram desconsiderados pela fiscalização, a despeito de documentos e relatórios apresentados. 6. Receita de Vendas a. Escriturou e ofereceu a tributação todas a suas Notas Fiscais de vendas, totalizando nos anos de 2003 e 2004 o valor de R$ 397.710,60. Fl. 2737DF CARF MF 4 b. O fiscal não abateu do total de créditos os valores decorrentes das vendas devidamente escrituradas, já que não desqualificou sua escrituração, configurando bis in idem. c. Sendo assim, o total de crédito apurado, deduzindo as vendas, seria de R$ 4.436.941,22 para 2003, e de R$ 2.110.401,84 para 2004. 7. Depósitos decorrentes de empréstimos entre empresas ligadas a. As sociedades Brasil Sul Indústria e Comercio Ltda e Engesul Construções e Projetos Ltda realizaram diversas transferências bancárias a fim de cobrir seu caixa e possibilitar sua manutenção. b. Apresenta planilha onde demonstra os empréstimos e os depósitos bancários, com documentos que corroboram as operações. c. No ano de 2003 tomou emprestado o montante de R$ 3.276.054,81 e no ano de 2004 o montante de R$ 1.876.591,26, totalizando R$ 5.152.646,07, que devem ser excluídas da base de cálculo. 8. Depósitos decorrentes de vendas particulares dos sócios produtores rurais. a. A autuada realizou venda de gado à ordem de seus sócios, com a devida emissão de nota fiscal em seu nome para que fosse possibilitado o transporte desses animais. b. Posteriormente, providenciou cartas de correção de notas fiscais, que foram encaminhadas aos adquirentes, sendo que a receita vem sendo mantida à disposição da autuada como forma de empréstimos, já que se trata de uma sociedade empresarial familiar. c. As vendas foram declaradas pelos seus sócios nas DIRPF e oferecidas à tributação, assim como os valores deixados a titulo de empréstimo. d. O total de venda em nome de seus sócios para os dois anos é de R$ 560.720,00. 9. Solicita a suspensão da exigência de correção do LALUR. 10. Vedação do Lançamento Tributário com base apenas em extratos e depósitos bancários a. auto de infração foi lavrado com base única e exclusivamente nos extratos bancários, a despeito da documentação apresentada, o que de modo algum poderia configurar fato gerador do IRPJ e reflexos. b. Se por um lado o texto do artigo 849 do RIR/99 define como omissão de receitas os depósitos bancários sem comprovação, por outro, o mesmo artigo não autoriza que a autoridade lavre um auto de infração inteiro de IRPJ e reflexo única e exclusivamente com base em tais numerários. c. A interpretação do citado artigo deve ser restritiva de forma sistemática, confrontandose as receitas em conta corrente com a escrituração fiscal da autuada. d. O artigo define que os depósitos não comprovados serão considerados omissão de receita, mas que não 6 fato gerador de IRPJ. e. No lucro real, deve haver o encontro de receitas e despesas, determinando a renda, este sim fato gerador do IRPJ. Fl. 2738DF CARF MF Processo nº 10730.006557/200667 Acórdão n.º 1301003.478 S1C3T1 Fl. 2.737 5 f. A análise superficial não tem o condão de demonstrar a variação patrimonial positiva, necessária a incidência do IRPJ. A mera existência de valores em conta corrente não 6 fator suficiente para justificar a incidência do imposto de renda. g. A fiscalização deveria ter analisado cada entrada, separado as cifras já tributadas, bem como os numerários pertencentes a terceiros, confrontando a receita com eventuais despesas dedutíveis no mesmo período, o que não foi feito. 11. Presunção de Omissão de Receitas em razão de verificação de depósitos bancários. a. 0 auto de infração utilizou uma presunção legal prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. b. Essa presunção legal não pode se utilizada com o rigor da literalidade. c. A presunção representa uma prova indireta, partindose de ocorrências de indícios que apontam para um fato principal, mas relacionado diretamente ao fato conhecido (indicio), devendo sempre resultar da experiência, da observação do acontecer dos fatos na ordem natural das coisas. d. Entre o fato conhecido e o fato desconhecido deve haver uma correlação segura e direta, não podendo haver dúvidas, sob pena desse artificio legal resultar indevido por absoluta inadequação do conceito jurídico adotado para sua concreção. e. Essa inadequação ocorre no artigo 849 do RIR199, posto que entre os depósitos bancários e a omissão de receita não há uma correlação lógica direta e segura. E cumpre autoridade fazendária ponderar quais são os verdadeiros indícios que devem ser considerados para fins de presunção de renda, demonstrando o aumento patrimonial. 12. Jurisprudência acerca do lançamento tributário com base em depósitos bancários. a. Traz acórdãos do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais no sentido de que depósitos bancários, por si só não caracterizam disponibilidade de rendimentos. b. Cita a Súmula n° 182 do Tribunal Federal de Recursos. c. Traz parte da decisão no Tribunal Regional Federal da 3' Regido. A autoridade de primeira instancia julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte, cuja acórdão encontrase as fls. 2.656 e segs. e ementa encontrase abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 Ementa: NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a lavratura do Auto Fl. 2739DF CARF MF 6 de Infração. Os possíveis erros na apuração da base de cálculo são questões de mérito, não ensejando a nulidade do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ONUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS EMPRÉSTIMOS Devem ser exonerados da base de cálculo os valores que correspondem, comprovadamente, os empréstimos devidamente registrados no Livro Razão. DEPÓSITOS BANCÁRIOS ERROS NA APURAÇÃO Devem ser excluídos os valores correspondentes a erros comprovados na apuração da base de calculo. DECORRÊNCIAS. CSLL PIS COFINS. As mesmas alterações ocorridas no lançamento principal (IRPJ) devem ser aplicadas nos decorrentes, em razão de sua relação de causa e efeito. Lançamento Procedente em Parte O lançamento foi exonerado em relação a depósitos bancários comprovados nos valores abaixo mencionados: Cientificado da decisão de primeira instancia em 12/02/2009, o contribuinte apresentou, fl. 2.694 e segs, em 27/02/2009, recurso voluntário, apenas repisando os argumentos levantados em sede de impugnação. Em 03 de junho de 2012 houve protocolo pelo contribuinte de pedido de sobrestamento por entender que o processo pois envolve lançamento de tributos federais sobre movimentação bancária obtida pelo fisco por meio de procedimento administrativo sem prévia autorização judicial, assunto na esfera de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme Recurso Extraordinário 601314. É o relatório. Fl. 2740DF CARF MF Processo nº 10730.006557/200667 Acórdão n.º 1301003.478 S1C3T1 Fl. 2.738 7 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso Voluntário Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e estão reunidos os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fatos Conforme relatado, trata o processo do auto de infração, com ciência em 17/10/2006, referente aos anoscalendário de 2003 e 2004, através do qual é exigido da interessada o imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ acrescido da multa de 75% e encargos moratórios. Segundo a autoridade fiscalizadora, a presente exigência é decorrente de "omissão de Receita operacional caracterizada pela falta de comprovação da tributação dos créditos bancários oriundos de terceiros, entrados nas contas correntes de depósitos mantidas pela empresa nas Instituições Financeiras nos anoscalendário de 2003 e 2004". Em decorrência, foram lavrados os autos de infração para cobrança de IRPJ e reflexos, (CSLL, PIS e COFINS), todos com multa de oficio de 75% e juros de mora. Em decisão de primeira instancia foram expurgados determinados valores cuja origem foi considerada comprovada pelo contribuinte. Sobrestamento A Requerente em petição de 03 de junho de 2012 solicitou que fosse determinado o sobrestamento do presente processo até o julgamento definitivo do RE STF 601314 com repercussão geral. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu na sessão de 24.02.2016 o julgamento conjunto de cinco processos (ADIs 2397 2386, 2389, 2390, 2397 e 2406) que questionavam dispositivos da Lei Complementar n° 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. No referido julgado, por maioria de votos prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Fl. 2741DF CARF MF 8 Julgado mérito de tema com repercussão geral (RE 601314) transitado em julgado em 10.11.2016 : TRIBUNAL PLENO Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; (...). Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016 Além disso, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por tais razões, rejeitase o pedido de sobrestamento suscitado pelo contribuinte. Preliminar Nulidade do Auto de Infração por Imprecisão no Lançamento e a Preterição do Direito de Defesa Alega a Recorrente que diversos erros de lançamento são verificados no corpo do presente auto de infração, notadamente nas planilhas consolidadas constantes do Termo de Constatação e Intimação Fiscal quando as mesmas são confrontadas com as planilhas analíticas anexas de fls. 487 a 545 (banco a banco, mês a mês, lançamento por lançamento), que apontam os supostos créditos em contascorrentes da Recorrente que serviram de pressupostos fáticos para o presente lançamento. Argumenta que alguns desses erros foram reconhecidos pela decisão de primeira instancia e excluídos do cômputo da base de cálculo do presente lançamento de oficio, sendo que este fato demonstraria a fragilidade da atual sistemática de fiscalização, que em detrimento da apuração minuciosa e analítica festeja a "ticagem" dos depósitos em extratos bancários, que em nada refletem variação patrimonial do contribuinte. Entendo, em linha com o voto condutor da decisão de primeira instancia, que a legítima comprovação, por parte do contribuinte, da origem dos valores originalmente considerados como omissões de receita não caracteriza erro da fiscalização capaz de produzir nulidade do lançamento, mesmo porque uma vez comprovados foram devidamente excluídos da base de calculo da autuação. Verificase que os artigos 142 do CTN bem como 59 do Decreto 70.235/72 foram respeitados com permissão do claro entendimento das infrações imputadas ao Fl. 2742DF CARF MF Processo nº 10730.006557/200667 Acórdão n.º 1301003.478 S1C3T1 Fl. 2.739 9 contribuinte posto que pode contestar detalhadamente todos os pontos levantados, presumindo, portanto, perfeita compreensão e possibilidade de defesa. Desta forma, carece de razão a Recorrente no que concerne a preliminar de nulidade do lançamento. Mérito Receitas de Vendas da Recorrente Em relação a este tópico não há qualquer inovação nos argumentos de defesa da contribuinte em relação ao já apresentado em sede de impugnação. Tendo em vista que a decisão de primeira instancia decidiu que deduzir todas as receitas declaradas na DACON da base de calculo do lançamento como receitas de vendas já declaradas nos anoscalendário de 2003 e 2004 (Termo de Constatação Fiscal, fls. 08/11 valor de R$ 185.884,00 para o anocalendário de 2003, e de R$ 746.430,45 para o anocalendário de 2004) não vejo como prosperar nova analise sobre este tópico. Se o argumento da Recorrente se baseia de haver outras receitas de vendas que não aquelas declaradas, deveria apresentar documentação pertinente para que, em nome do principio da verdade material, tais valores fossem assim considerados. Depósitos Decorrentes de Empréstimos entre empresas ligadas Em sua defesa, a Recorrente afirma que teria obtido empréstimos das empresas Engesul Construção e Projetos LTDA e Brasil Sul Indústria e Comércio LTDA, nos valores de R$ 3.276.054,81 para o anocalendário de 2003, e de R$ 1.876.591,26 para o ano calendário de 2004. A própria Recorrente admite que "Em que pese a necessidade do registro contábil de tais empréstimos, há que ser levado em consideração a situação de fato verificada entre as empresas do grupo que comprovadamente realizaram empréstimos à Recorrente a fim de cobrir seu caixa." Em relação a este tópico não há qualquer inovação nos argumentos de defesa da contribuinte em relação ao já apresentado em sede de impugnação. Tendo em vista que a decisão de primeira instancia decidiu corrigir todos os valores comprovadamente referentes a empréstimos e que não foram apresentados novos argumentos de defesa, me permito reproduzir os argumentos do voto condutor da decisão de primeira instancia pois refletem meu entendimento sobre o tema (Art. 57 inciso III p. 3o RICARF): Em sua defesa, a interessada afirma que teria obtido empréstimos das empresas Engesul Construção e Projetos LTDA e Brasil Sul Indústria e Comércio LTDA, nos valores de R$ 3.276.054,81 para o anocalendário de 2003, e de R$ 1.876.591,26 para o anocalendário de 2004. Apresenta, ainda, Contrato de Mútuo Feneraticio, fls. 2356/2358, onde a autuada e a Brasil Sul Indústria e Comércio LTDA são as mutuárias, e a Engesul Construção e Projetos LTDA é o mutuante. Fl. 2743DF CARF MF 10 Primeiramente, cabe destacar a contradição com relação ao contrato apresentado, pois a empresa Brasil Sul Indústria e Comércio LTDA figura como tomadora de empréstimos (mutuárias), e não como a fornecedoras dos recursos. Entretanto, verificase que, durante a ação fiscal, foi apresentado outro contrato de mútuo, fls. 675/677, onde as empresas Engesul Construção e Projetos LTDA e Brasil Sul Indústria e Comércio LTDA figuram como mutuantes, e a autuada como mutuária. Toda operação fmanceira que ocorre em uma empresa deve ser devidamente registrada nos livros contábeis, inclusive os empréstimos bbtidos, que devem ser lançados em conta do Passivo, por representarem uma divida. Da análise dos Livros Contábeis apresentados, verificase que no Plano de Contas, para o anocalendário de 2003, apenas a empresa Brasil Sul Indústria e Comércio LTDA possuía uma conta especifica para que os empréstimos fossem registrados — Conta n° 214.02.0100, fls. 935. Não há registro de qualquer conta para que fossem lançados os supostos empréstimos da Engesul Construção e Projetos LTDA para o ano de 2003. • Já no anocalendário de 2004, a empresa Brasil Sul Indústria e Comércio LTDA manteve a mesma conta, e a empresa Engesul Construção e Projetos LTDA passou a possuir a conta n° 214.02.0126, fls. 966. Verificase no Livro Razão, para o anocalendário de 2003, que foram lançados a titulo de empréstimos obtidos junto a empresa Brasil Sul Indústria e Comércio LTDA, registrados a crédito na conta, o montante de R$ 474.000,00, fls. 994. Não há qualquer registro de empréstimo obtido junto empresa Engesul Construção Projetos LTDA. Para o anocalendário de 2004, o montante de empréstimos obtidos junto a Brasil Sul Indústria e Comércio LTDA, devidamente registradas, foi de R$ 300.202,23, fls. 1027/1029, e empréstimos da empresa Engesul Construção e Projetos LTDA totalizou em R$ 59.500,00, fls. 1030. Cabe destacar o total disparate entre os valores que a interessada afirma que obteve emprestado em sua impugnação, e aqueles devidamente registrados. Para o anocalendário de 2003, alega que teria obtido o montante de R$ 3.276.054,81, mas registrou apenas R$ 474.000,00, e somente da empresa Brasil Sul Indústria e Comércio LTDA. Quanto ao anocalendário de 2004, se defende afirmando que tomou emprestado o total de R$ 1.876.591,26, mas registrou apenas R$ 359.702,23. Para que seja comprovado que os valores não registrados não são receitas, não basta a apresentação do contrato de mútuo. Não é possível admitir que empréstimos no montante de R$ 5.000.000,00 não tenham seu devido registro em sua contabilidade. Mesmo a apresentação de planilhas, supostamente elaborada pelas empresas que emprestaram, não se presta para comprovação dos empréstimos. Estes empréstimos deveriam estar devidamente registrados como Ativos das empresas que forneceram os recursos. No entanto, da análise da Declaração de Informação da Pessoa Jurídica, verificase que as duas empresas simplesmente não possuem Ativo ou até mesmo Passivo, fls. 3146/3149. Entretanto do cotejo entre os valores lançados (Planilha fls. 490/545) e os valores escriturados (Livro Razão — fls. 994, 1027/1030), verificase que não foram excluídos todos os empréstimos devidamente registrados, conforme tabela abaixo: Fl. 2744DF CARF MF Processo nº 10730.006557/200667 Acórdão n.º 1301003.478 S1C3T1 Fl. 2.740 11 Portanto, a base de calculo deverá ser corrigida, para exclusão dos valores discriminados na tabela acima, uma vez que comprovadamente se referem a empréstimos. Depósitos Decorrentes de Vendas Particulares dos Sócios Produtores Rurais A Recorrente alega que, alem de possuir seu próprio rebanho, engorda em seu pasto as rezes particulares de seus sócios, que são Produtores Rurais registrados. Na medida em que esse gado adquire valor comercial, e em razão de o mesmo ser "criado" pela Recorrente, a mesma os oferece em seus leilões sob a marca da "Fazenda Santa Edwiges". Como na ocasião de determinados leilões os sócios produtores rurais da Recorrente ainda não estavam de posse de seus certificados de produtores junto à Associação Brasileira de Criadores de Zebu, para que pudessem fazer a venda em nome próprio, a Recorrente realizou vendas a ordem, com a devida emissão de nota fiscal em seu nome para que fosse possibilitado o transporte desses animais. Posteriormente, a Recorrente providenciou as competentes cartas de correção de notas fiscais, que foram encaminhadas aos adquirentes compradores do gado dos produtores rurais sócios da Recorrente. Alega que a receita dessas vendas vem sendo mantida à disposição da Recorrente como forma de empréstimo, o que nada tem de estranho em se tratando de uma sociedade empresarial familiar, na medida em que a mesma passa por grandes dificuldades em seu fluxo de caixa. Contudo, tais vendas foram declaradas pelos seus sócios em suas Declarações de Ajuste do Imposto de Renda da Pessoa Física ("DIRPF") e oferecidas à tributação. Alem disso, os valores deixados na forma de empréstimo estão declarados por ambos os sócios em suas DIRPF. A Recorrente alega que juntou todas as notas fiscais devidamente corrigidas de vendas realizadas em seu nome, mas que na verdade são de titularidade de seus sócios produtores rurais. Alem disso, a Recorrente apresenta as DIRPF de seus sócios produtores rurais que consignam as referidas vendas realizadas no período em comento. Fl. 2745DF CARF MF 12 Tendo em vista que na decisão de primeira instancia foi realizada minuciosa analise dos argumentos da Recorrente, e que não há qualquer inovação nos argumentos de defesa da contribuinte em relação ao já apresentado em sede de impugnação, me permito reproduzir trecho do voto condutor que reflete meu entendimento sobre o tema (Art. 57 inciso III p. 3o RICARF): Aduz a interessada que identificou empréstimos dos sócios, no valor total de R$ 560.720,00. Esclarece que realizou venda de gado à ordem de seus sócios, com emissão de Nota Fiscal em seu nome, mas com posterior correção por meio de cartas. Afirma que as vendas foram declaradas pelos seus sócios nas DIRPF e oferecidas A. tributação, assim como os valores deixados a titulo de empréstimo. Da análise das DIRPF apresentadas dos sócios Altineu Pires Coutinho, CPF. 040.574.65715, e Altineu Cortes Freitas Coutinho, CPF. 000.074.87738, na Ficha Declaração de Bens e Direitos, fls. 3150/3165, constatase que não estão registrados os supostos empréstimos, como afirma a autuada. Segundo orientação do "Ajuda" da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física, um empréstimo deveria estar declarado como um bem sob o código 51 conforme tabela abaixo(...) Verificase, ainda, que relativo ao sócio Altineu Cortes Freitas Coutinho, as informações de venda de gado diferem totalmente das Notas Fiscais apresentadas. No anocalendário de 2003, de acordo com a D1RPF (fls. 3.092), o sócio não fez qualquer venda. No entanto, apresenta a tais cartas de correção imputando venda ao sócio no montante de R$ 135.530,00. Já no anocalendário de 2004, de acordo com a DTRPF (fls. 3.071), total de venda para o ano é de R$ 27,00, enquanto que as cartas de correção totalizam o montante de R$ 86.890,00. A autuada esclareceu que efetuava a venda à ordem do sócio, mas não repassava o valor, que permanecia como seu recurso a titulo de empréstimo. Tal afirmação não tem cabimento quando se efetua o cotejo das Notas Fiscais apresentadas, que seriam os supostos empréstimos, com os lançamentos no Livro Razão, conta 214.02.0011 — Empréstimo Pessoa Física, fls. 988/989, (anocalendário de 2003) e fls. 1003/1024 (anocalendário de 2004). De fato, notase que não há qualquer lançamento a titulo de empréstimo que seja coincidente com o valor e dia das Notas Fiscais apresentadas em sua impugnação, fls. 3018/3034, 3052/3068, 3076/3085. Pelo acima exposto, não restou comprovada a alegação de que os sócios teriam emprestado recursos à autuada no montante de R$ 560.720,00. Logo, relativo a este argumento, não há qualquer reparo a ser feito no lançamento. LALUR A Recorrente reafirma seu pedido realizado em sede de impugnação e requer a suspensão da exigência da correção do LALUR. A correção do LALUR se dará obrigatoriamente caso o lançamento seja mantido, mesmo que parcialmente, após o transito em julgado. Tal correção é necessária, para que a compensação utilizando o prejuízo que foi alterado pelo presente lançamento, não reflita nos anos posteriores. A vedação do lançamento tributário com base apenas em extratos e depósitos bancários e a Presunção de Omissão de Receitas em Razão da Verificação de Depósitos Bancários A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a Fl. 2746DF CARF MF Processo nº 10730.006557/200667 Acórdão n.º 1301003.478 S1C3T1 Fl. 2.741 13 omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Estabelece o art. 42 da Lei n° 9.430/1996 que: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Pela leitura do acima transcrito, entende que, nos casos de presunções legais, como a omissão de receita, o ônus da prova fica invertido, cabendo ao contribuinte a prova em contrário dos fatos presumidos. Fl. 2747DF CARF MF 14 Mencionado dispositivo, ao alçar os depósitos bancários de origem não comprovada à categoria de presunção legal de omissão de receitas, aperfeiçoou a legislação existente que já admitia o lançamento com base em depósitos bancários, mediante presunção simples, desde que outros elementos consolidassem os indícios apurados. Desta forma, carece de razão a Recorrente no que concerne a vedação do lançamento tributário com base apenas em extratos e depósitos bancários e da presunção de omissão de receitas em razão da verificação de depósitos bancários Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR A PRELIMINAR, no mérito NEGAR provimento ao Recurso Voluntário e considerar PREJUDICADO ao pedido extemporâneo de sobrestamento. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 2748DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.908975/2013-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
Numero da decisão: 3201-004.650
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AGT ARMAZÉNS GERAIS E TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideramse preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 89 75 /2 01 3- 04 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.908975/201304 Acórdão n.º 3201004.650 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O interessado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte. O presente processo trata de Per/Dcomp transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de PIS/PASEP. A unidade de origem indeferiu o pleito do contribuinte sob o fundamento de que, "a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp". Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que houve erro no preenchimento da DCTF, já retificada, após a ciência do despacho. A DRJ/Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade por intermédio do Acórdão 02056.825. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Traz como argumento novo que o crédito decorre do ativo imobilizado, com fundamento nas Leis nº 10.865/2004 e 12.546/2011, conforme o documento "Demonstrativo Contábil", cujo valor é o que informa no documento "Planilha para credito de PIS/Cofins sobre ativo imobilizado". Por fim, afirma que a exigência de certeza e liquidez do direito creditório está comprovada com os documentos que apresenta em sede de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.908975/201304 Acórdão n.º 3201004.650 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.621, de 12/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.660628/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.621): (...) "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a Dcomp em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito. O despacho decisório consignou que o Darf a que a contribuinte atribuiu o crédito por pagamento a maior que o devido foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para a compensação informada. Interposta manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou ter demonstrado pagamento a maior na apresentação de sua DCTF retificadora e DARF de pagamento da Contribuição, após a prolação do despacho decisório. Em sede de julgamento na DRJ, o relator assentou que as retificações no Dacon e DCTF não evidenciaram o suposto pagamento a maior, porquanto apenas informaram um valor diverso do original. Conquanto os julgadores entenderam que as retificações após a ciência no despacho decisório não produzem efeitos para a redução dos débitos, porque não tem força de convencimento, o fundamento da decisão a quo é a ausência de prova do erro nas declarações anteriormente transmitidas. No recurso voluntário, a recorrente alega que "... tenha efetivamente demonstrado o seu direito ao crédito mediante a apresentação de toda a documentação necessária...". Faz menção ao DARF, ao lançamento fiscal da Contribuição devida originalmente e ao valor a qual foi reduzido o débito. Pois bem; constatase a inexistência nos autos de qualquer documento que demonstra lançamentos efetuados para a pretendida redução da Contribuição do PIS/Cofins em função da apuração de créditos com ativo imobilizado. A recorrente, agora em recurso voluntário, apresenta quadro demonstrativo com informações de bens e serviços (benfeitorias, adaptações, manutenções, pintura e instalações) Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.908975/201304 Acórdão n.º 3201004.650 S3C2T1 Fl. 5 4 de seu ativo imobilizado e o documento "Planilha para Credito de PIS/Cofins sobre Ativo Imobilizado" no qual relaciona possível fornecedores e valores das Contribuições, que informa materializarse nos créditos. Como se vê, a esses documentos a contribuinte atribui a certeza e liquidez de seu direito creditório, que sequer demonstra a apuração e os registros em sua escrita contábil dos pretensos créditos, antes e após as retificações de Dacon e DCTF, e que resultaram em pagamento a maior de PIS e Cofins. A transmissão de Dacon e DCTF retificadoras consignando um valor de tributo menor que o originalmente informado não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez de seu créditos. Esse era o fundamento sustentado pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Os documentos que pretendem fazer prova do direito creditório, não apresentados em sede de julgamento de 1ª instância, mas somente em recurso voluntário, são meras informações sem a comprovação de lastro na escrita regular e em documentos idôneos, e tampouco submetido à análise fiscal quanto aos insumos e despesas com direito ao crédito de PIS e Cofins dispostos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, a recorrente não observou e não atendeu aos dispositivos legais que trazem regramentos às declarações retificadoras do contribuinte, ao momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e ao ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito. As matérias estão disciplinadas nos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/76 PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, e art. 147 da Lei nº 5.172/1966 CTN: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.908975/201304 Acórdão n.º 3201004.650 S3C2T1 Fl. 6 5 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Lei nº 5.172/1966 CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à preclusão, mormente em face de despacho decisório em que o tratamento do Perdcomp tenha sido apenas eletronicamente, desde que a apresentação de provas, apenas em recurso voluntário, tenha respaldo em algumas das hipóteses elencadas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se consubstanciam (as provas) na complementação de elementos indiciários que indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória é o que se denomina "prova mínima" ou "início de prova". Tratandose de direito creditório pleiteado, decorrente de retificação de DCTF com a redução de PIS/Cofins devido no período de apuração, sem respaldo na escrita contábil regular e em documentos fiscais que comprovassem de forma hábil e idônea o alegado pagamento a maior, importa em reconhecer o acerto da decisão recorrida em não homologar a compensação declarada 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.908975/201304 Acórdão n.º 3201004.650 S3C2T1 Fl. 7 6 É dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação da DCTF, com a redução do valor do PIS devido, sem qualquer comprovação de erro no preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento a maior e importa inadmissibilidade da DCTF retificadora, consoante o § 1º do art. 147 do CTN. Denotase ainda que as explicações e demonstrativos apresentados no tocante aos supostos créditos decorrentes de encargos de depreciação, sem a necessária força probatória e apenas no julgamento do recurso voluntário são extemporâneos pois ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do PAF. Ademais, consoante o art. 17 do PAF, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante, sendo inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 142DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.940011/2011-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo integralmente o Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, por entender que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 40 01 1/ 20 11 -5 2 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10980.940011/201152 Resolução nº 1402000.753 S1C4T2 Fl. 3 2 ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição". Em sua Manifestação de Inconformidade, alegou a Recorrente que efetuou diversos pagamentos espontâneos de tributos devidos, anteriormente a qualquer procedimento de fiscalização ou cobrança, o que motivou a apresentação do pedido de restituição visando a devolução dos valores indevidamente exigidos a título de multa moratória; Entende que faz jus à devolução da multa de mora, já ser mera conseqüência da denúncia espontânea havida com o pagamento do débito antes de qualquer procedimento fiscalizatório e anteriormente à retificação de DCTF. Alega que conforme o art. Nº 138 do CTN, que dispensa o pagamento de multa, seja ela qual for, em casos de denúncia espontânea apresentada antes de o início de qualquer procedimento administrativo, não há que se cogitar na espécie de multa de qualquer natureza. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o Acórdão, ora recorrido, em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e não reconheceu o direito creditório, com o entendimento que "aplicase a multa de mora aos pagamentos efetuados em atraso, não se considerando como crédito, compensável, os valores abarcados pela tese da espontaneidade prevista no art. Nº 138 do CTN". Inconformado com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, em que reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.739, de 18/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10980.939894/201149, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.739): "O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. A Recorrente alega que a previsão legal contida no artigo 138, do CTN, bem assim a jurisprudência pátria, inclusive na esfera administrativa, contemplam a exclusão da responsabilidade por força da denúncia espontânea e, consequentemente, a inexigibilidade de qualquer multa sobre os valores recolhidos em atraso, seja ela de mora ou de ofício. Afirma que tratandose a hipótese subexamine de procedimento espontâneo da Contribuinte (quitação de tributo, antes da inclusão do pagamento e da entrega da DCTFRetificadora ou de qualquer ato fiscalizatório), a multa de mora cobrada é de todo indevida, razão pela qual a sua devolução é medida que se impõe. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10980.940011/201152 Resolução nº 1402000.753 S1C4T2 Fl. 4 3 Aduz que tendo em vista tais premissas fáticas e legais motivadoras do pedido de restituição ora em debate, temse por configurado o "pagamento a maior ou indevido", passível de aproveitamento, nos termos do artigo 74, da Lei 9.430/96 (com a redação da pela Lei n° 10.637/02), razão pela qual merece reforma o v. acórdão recorrido, a fim de reconhecer o direito creditório da Empresa. Verificase que em relação ao mérito há uma questão fundamental ao deslinde da questão, que é a comprovação da alegada denúncia espontânea. Entendeu o STJ que nos casos em que o contribuinte recolhe o tributo, em atraso, mas antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF, esse pode se beneficiar do instituto da denúncia espontânea com o fim de eximirse da exigência da multa moratória. Diante da decisão sobre denúncia espontânea do STJ, que é de repercussão geral, fazse necessário para a comprovação da mesma, que se verifique se os pagamentos foram realizados antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF. Pelos fatos expostos, apresentase a necessidade de diligência para confirmar se os pagamentos foram realizados antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF. Após a realização da diligência, prestados os esclarecimentos, poderseá formar definitivamente a convicção necessária ao julgamento meritório deste feito. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, remetendose os autos do presente feito à Unidade Local, para: 1. Pronunciarse sobre a procedência da alegação de espontaneidade apresentada pela recorrente, verificando se os pagamentos foram realizados antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF. 2. Juntar ao processo a DCTF com o respectivo comprovante de sua entrega, a fim de se comprovar a pertinência ou não do pagamento da multa e aproveitamento do crédito. 3. Elaborar relatório, trazendo a fundamentação das constatações alcançadas, com justificativas e explicações claras. 4. Após a formulação e juntada do Relatório de Diligência, deverá ser dado vista à Recorrente, para que se manifeste, dentro do prazo legal vigente, garantindo o contraditório e a ampla defesa. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10980.940011/201152 Resolução nº 1402000.753 S1C4T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15471.002444/2007-95
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE.
Para fazer jus à dedução de despesas médicas, é necessária a comprovação de que os beneficiários do plano de saúde sejam dependentes do contribuinte.
Numero da decisão: 2002-000.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. Para fazer jus à dedução de despesas médicas, é necessária a comprovação de que os beneficiários do plano de saúde sejam dependentes do contribuinte.
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PLANO DE SAÚDE. Para fazer jus à dedução de despesas médicas, é necessária a comprovação de que os beneficiários do plano de saúde sejam dependentes do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 24 44 /2 00 7- 95 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 15471.002444/200795 Acórdão n.º 2002000.768 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 33) contra decisão de primeira instância (fls. 25/29), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF, referente ao exercício 2003, por AFRF da DEFIC/Rio de Janeiro, para reduzir o Imposto a Restituir para R$ 2.147,74. O referido lançamento teve origem na constatação das seguintes infrações: 1) Dedução Indevida a Titulo de Despesas Médicas — glosa de dedução de despesas médicas, pleiteada indevidamente pelo contribuinte na Declaração de Imposto de Renda. Valor: R$ 11.797,70. Motivo: falta de especificação dos beneficiários do plano de saúde pago ao Inmetro. 2) Dedução Indevida com Dependentes — glosa de dedução com dependentes, pleiteada indevidamente na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. Valor: R$ 2.544,00. Motivo: Elza Ferreira da Silva (residente em outro domicílio) e Domingos de Souza Marques (falecido). A base legal do lançamento encontrase nos autos. O contribuinte teve ciência do lançamento em 03/12/2007, conforme documento de fl. 10 e, em 12/12/2007, apresentou impugnação, em petição de fl. 01, acompanhada dos documentos de fls. 02/07, na qual se alega, resumidamente, o quanto segue: que os pais residiam em seu domicílio e eram seus dependentes; que seu pai, Domingos de Souza Marques, faleceu em 24/06/2003, conforme Certidão de Óbito em anexo; que os beneficiários do plano de saúde são os seguintes: o Norma Moraes Marques (esposa) o Vanessa Morais Marques (filha nascida em 29/03/1982) o Altino Silva Marques Júnior (filho nascido em 19/09/1983) o Rafael Moraes Marques (filho nascido em 08/02/1985) o Domingos de Souza Marques (pai) o Elza Ferreira da Silva (mãe) Fl. 51DF CARF MF Processo nº 15471.002444/200795 Acórdão n.º 2002000.768 S2C0T2 Fl. 4 3 O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PLANOS DE SAÚDE E ASSEMELHADOS. REQUISITOS LEGAIS. São dedutíveis, a título de despesas médicas, os pagamentos feitos a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza, relativos ao contribuinte e a seus dependentes. Para fazer jus à dedução, é necessária a comprovação de que os beneficiários do plano de saúde são dependentes do contribuinte. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTES. PAIS, AVÓS E BISAVÓS. REQUISITOS LEGAIS. São considerados dependentes, para fins de dedução na Declaração do Imposto de Renda, os pais, avós e bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo o cancelamento da glosa de despesas médicas e juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 15/07/2009 (fl. 32); Recurso Voluntário protocolado em 30/07/2009 (fl. 33), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pelas seguintes infrações: a) Dedução Indevida com Dependentes. b) Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas. A r. decisão de origem, assim decide: “No tocante à glosa de despesas médicas, o contribuinte limitouse a informar quais eram os beneficiários do plano de saúde, mas não trouxe qualquer documento para comprovar o alegado. Assim, fica mantida a glosa”. Irresignado o contribuinte maneja recurso próprio, combatendo o mérito, trazendo documentos. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 15471.002444/200795 Acórdão n.º 2002000.768 S2C0T2 Fl. 5 4 Diz o recorrente que, com a juntada da declaração feita pelo Plano de Assistência Médica do ano de 2002, figuraram como dependentes tanto seu pai, quanto sua mãe, doc. de fl. 42. São sinceras as alegações do recorrente, portanto faz jus à dedução requerida. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 53DF CARF MF
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Numero do processo: 12267.000334/2008-05
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004
PROCEDIMENTO FISCAL REALIZADO EM ESTABELECIMENTO DIVERSO DA SEDE DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO FORMAL.
Em se admitindo nulo o lançamento em razão de procedimento fiscal realizado em estabelecimento diverso do eleito pelo sujeito passivo como domicílio tributário, o vício que ensejou a nulidade há de ser considerado como de natureza formal.
Numero da decisão: 9202-007.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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MONTREAL INFORMÁTICA S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 PROCEDIMENTO FISCAL REALIZADO EM ESTABELECIMENTO DIVERSO DA SEDE DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO FORMAL. Em se admitindo nulo o lançamento em razão de procedimento fiscal realizado em estabelecimento diverso do eleito pelo sujeito passivo como domicílio tributário, o vício que ensejou a nulidade há de ser considerado como de natureza formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 03 34 /2 00 8- 05 Fl. 2911DF CARF MF 2 Relatório Em sessão plenária de 17/10/2018, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401005.198 (fls. 2837 a 2854), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005 INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS EM LOCALIDADE DIVERSA DO ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. PREJUÍZO AO CONTRIBUINTE. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. A falta de intimação da empresa para a apresentação de documentos em seu estabelecimento eleito como centralizador macula o lançamento por vício material, na medida em que cerceou o direito de defesa da contribuinte, o que torna nulo o procedimento fiscal desde a sua origem (art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). A falha no procedimento atinge a própria motivação do ato administrativo. O poder judiciário, através de decisão judicial transitada em julgado, reconheceu como válido o domicílio fiscal eleito pela empresa.O processo foi recebido na PGFN em 29/08/2013 (carimbo aposto na Relação de Movimentação de efls. 4.301) e, em 14/10/2013, foi interposto o Recurso Especial de efls. 4.303 a 4.308 (Relação de Movimentação de efls. 4.302), fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a natureza do vício, se formal ou material. O processo foi recebido na PGFN em 15/03/2018 (Despacho de Encaminhamento de fl. 2855) e, em 03/04/2018, foi interposto o Recurso Especial de fls. 2856/2881 (Despacho de Encaminhamento de fls. 2882), fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, visando rediscutir as seguintes matérias: a) nulidade do lançamento; e b) natureza do vício, se formal ou material. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, conforme despacho de 04/03/2016 (fls. 2885/2891), admitindose o Recurso Especial tãosomente em relação à matéria natureza do vício, se formal ou material. No tocante à matéria cujo Recurso foi admitido, a Fazenda Nacional alega: os arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/1972 e o art. 142 do CTN elecam requisitos que possuem natureza formal, ou seja, determinam como o auto de infração deve ser formalizado; um lançamento tributário somente será anulado por vício formal quando não se obedecer às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; na hipótese em apreço, o equívoco no procedimento adotado pela autoridade fiscal, que realizou a fiscalização em local distinto daquele eleito Fl. 2912DF CARF MF Processo nº 12267.000334/200805 Acórdão n.º 9202007.466 CSRFT2 Fl. 737 3 pelo contribuinte como domicílio tributário, acarretando, em tese, prejuízo ao seu direito de defesa, tem, nitidamente, caráter formal; os atos eivados de vício material não são passíveis de convalidação, isto é, não podem ser corrigidos. Por sua vez, os atos com vício de forma podem ser convalidados ou repetidos, dessa vez sem o defeito original; a distinção entre vício formal e material tem o condão de permitir o reinício do prazo decadencial para o lançamento, uma vez que o art. 173, II, do CTN, estabelece que o prazo de 5 (cinco) anos para constituição do crédito tributário será contado a partir da “data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado; a única conclusão possível é a de que o vício procedimental gera defeito de ordem formal, o que permite: (i) a convalidação do ato, mediante o suprimento do vício, ou (ii) a repetição do ato, desta vez sem o vício que culminou na sua anulação; o presente lançamento cuida de contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga a qualquer título a segurados empregados, destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – SAT; a auditoria demonstrou os requisitos da relação de emprego. Portanto, o lançamento não está amparado em mera presunção decorrente da ausência de apresentação de documentos; o contribuinte apresentou substanciosa impugnação e recurso. Apresentou os documentos de fls. 1.313/1.410 e fls.1452 a 1504, respectivamente. Não suficiente, houve conversão do julgamento em diligência, sendo os documentos analisados pela DRJ de origem e também pela autoridade preparadora; na decisão recorrida não foi identificado prejuízo concreto, individualizado, efetivo. Tanto foi assim que o voto proferido pelo Relator na decisão recorrida, voto vencido, analisou o mérito e deu provimento parcial ao recurso voluntário somente para excluir a multa; portanto, fica devidamente claro, pela análise do caso pelo Conselheiro Relator, que a questão relativa ao domicílio fiscal não influiu de modo relevante na presente controvérsia e não causou qualquer embaraço ao exercício do direito de defesa, pois: a) a empresa nada alegou nesse sentido; b) em sentido diametralmente contrário, afirma ter apresentado toda a documentação que aproveitasse às suas alegações; c) a caracterização dos fatos geradores pela auditoria fiscal está fartamente alicerçada e comprovada por todo o conjunto fático e probatório coligido aos autos; d) o lançamento não decorreu de presunção atada à uma suposta insuficiência probatória do autuado; e) foi juntada aos autos, pela própria empresa interessada, farta documentação, junto à impugnação e ao recurso voluntário aliada a substanciosa defesa, analisada pela DRJ de origem e pela auditoria fiscal, em diligência (documentação essa inclusive que reforçou os termos do lançamento); ficou devidamente claro que o fisco comprovou a presença dos requisitos da relação de emprego, fazendo uso de fatos, indícios e provas diversas, conforme passagens do voto vencido transcrita na peça recursal; Fl. 2913DF CARF MF 4 o processo é instrumento que serve ao direito material. Não há como aqui conferirse maior importância à eleição do domicílio fiscal quando não se trata de questão relevante ao deslinde da controvérsia, nem mesmo sob a ótica da própria contribuinte autuada. Cientificada do acórdão de Recurso Voluntário, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento parcial, a Contribuinte não apresentou contrarrazões. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Conhecimento O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de ação fiscal desenvolvida em estabelecimento diverso daquele eleito como domicílio tributário pela Contribuinte. No acórdão recorrido, considerouse que ocorreu nulidade por vício material. A Fazenda Nacional, por sua vez, defende que o vício é de natureza formal. No que concerne ao conhecimento, a Fazenda Nacional apresenta como paradigma o acórdão 2402005.902, proferido nos autos do processo nº 10680.720574/2013 72. Tratase de processo da mesma empresa, referente a lançamento efetuado em substituição àquele veiculado no processo nº 35301.000829/200787 (Debcad nº 37.004.8806), decorrente da fiscalização que originou a NFLD sob análise e relativo a fatos idênticos aos retratados nos presentes autos. Na decisão recorrida, o fato de a fiscalização ter sido realizada em estabelecimento diverso daquele eleito pela contribuinte como domicílio tributário levou o Colegiado Ordinário a declarar a nulidade do lançamento, por vício material. No acórdão paradigma, por seu turno, a Turma Julgadora, ao ser confrontada com a decisão proferida nos autos do processo nº 35301.000829/200787 (Acórdão nº 205 00.845), na qual se anulou o lançamento sem, contudo, esclarecer a natureza do vício, concluiu ser esse de índole formal. Confirase: Conforme se depreende das decisões constantes daquele PAF, o órgão de julgamento, justamente por ter acolhido a preliminar relativa ao domicílio tributário escolhido pela autoridade fiscal, não analisou, nem mesmo superficialmente, o fato gerador da obrigação correspondente, a matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido, o sujeito passivo, a penalidade aplicável, entre outras circunstâncias atinentes ao fato jurídico tributário. Isto é, o acolhimento da circunstância antecedente ao mérito tornou desnecessário qualquer julgamento a seu respeito e qualquer análise relacionada às circunstâncias materiais da regramatriz de incidência tributária. Fl. 2914DF CARF MF Processo nº 12267.000334/200805 Acórdão n.º 9202007.466 CSRFT2 Fl. 738 5 (...) Neste caso concreto, como a decisão que anulou o lançamento substituído não julgou qualquer circunstância material da regra matriz de incidência tributária (ou os elementos do fato gerador), não se pode afirmar que ela tenha declarado e/ou decretado a existência de vício material. O acolhimento da preliminar naquele PAF implica a anulação do lançamento por vício formal. (Grifouse) Assim, considerandose que, à luz de situações fáticas semelhantes houve a adoção de decisões em sentidos diversos, restou configurada a divergência, o que impõe conhecer do Recurso. Mérito De início, convém ressalvar que o posicionamento adotado por este relator em situações dessa natureza vão ao encontro do entendimento esposado no voto vencido segundo o qual: “Não é qualquer vício que impõe a invalidade do ato administrativo, porquanto a declaração de nulidade pressupõe a comprovação e/ou demonstração do prejuízo efetivo ao sujeito passivo”. No caso em tela, muito embora a fiscalização tenha sido realizada em estabelecimento diverso daquele reconhecido em momento posterior por decisão judicial como sede da empresa, os documentos que deram azo à autuação foram colocados à disposição da Autoridade Autuante pelo próprio sujeito passivo e por órgãos da Administração Pública e do Poder Judiciário. A esse respeito, o Relatório Fiscal traz os seguintes esclarecimentos: 1.10. Auditoria Fiscal anterior e CRPS E oportuno registrar que, apesar de intimada, através de diversos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD's), a apresentar os contratos celebrados com as empresas contratadas que são objeto da presente notificação, apenas 13 (treze) contratos, de um total de 63 (sessenta e três) contratos, foram apresentados pela MI Montreal. O restante dos 50 (cinqüenta) contratos foram obtidos mediante pedido formal da DRP RJ/Centro ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), que atualmente julga notificações de débito da mesma natureza, relativos inclusive às mesmas empresas contratadas pela MI Montreal. Tais notificações de debito foram apuradas na Auditoria Fiscal MPF nº 0036509, iniciada em 04/09/2000 e concluída em 28/08/2001, que verificou a regularidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias e de terceiros (entidades e fundos) ocorridos na MI Montreal no período de 01/1996 a 04/2001, com cobertura dos Livros Diários até 12/2000. 1.11. Antes de detalharmos cada um dos elementos caracterizadores do segurado empregado, conforme nossa legislação previdenciária, convém informar que esta Fiscalização localizou junto as Fichas de Registro de Empregados (FRE's) apresentadas pela empresa MI Montreal, diversas Fichas de Registro de trabalhadores contratados sob a Fl. 2915DF CARF MF 6 forma de pessoa jurídica (modalidade trabalhadores PJ), contendo o nome do trabalhador, cargo, data de admissão, seção, remuneração mensal, alterações salariais, datas das alterações salariais, período aquisitivo de férias, período de gozo de férias, jornada de trabalho, mudanças de horário, mudanças de seção, mudanças de horário, períodos de afastamentos. (...) 1.18. Integração da SRP com a Justiça do Trabalho – Foram obtidas, através de ofícios encaminhados pela DRPRJ/Centro aos respectivos Tribunais Regionais do Trabalho, alguns processos de reclamatárias trabalhistas pertinentes a trabalhadores contratados sob a forma de pessoa jurídica pela MI Montreal, que descrevem, em suas petições iniciais, o modo de sua contratação pela MI Montreal. A seguir transcrevemos alguns depoimentos de trabalhadores PJ na Justiça no Trabalho. A empresa AVZ CONSULTORIA E SERVIÇOS LTDA, usada no exemplo, é objeto da presente notificação, e a empresa LRM INFORMA TICA E TREINAMENTO LTDA foi objeto de outra notificação de débito. Estas petições iniciais, usadas para exemplificar a forma de contratação da MI Montreal de seus trabalhadores na forma de pessoa jurídica,'; estão ANEXO DEPOIMENTOS DE TRABALHADORES PJ NA JUSTIÇA DO TRABALHO. (...) 1.19. Integração da SRF com SRP Foram obtidas através de convênio firmado entre a Secretaria da Receita Previdenciária (SRP) e a Secretaria da Receita Federal (SRF), diversas informações sobre as empresas contratadas que são objeto da presente notificação. Estas informações foram organizadas de modo a demonstrar a contratação de trabalhadores sob a forma de pessoa jurídica (trabalhadores PJ). As informações obtidas, dentre outras, são: · os nomes e CPF's dos sócios; · endereços das empresas; · contadores (pessoas físicas ou jurídicas responsáveis). (...) (Grifos do original) Com base nesses e em outros documentos e informações evidenciados no Relatório Fiscal, restou perfeitamente possível verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo, bem assim, propor a aplicação das penalidades julgadas cabíveis, tudo em consonância com o estabelecido no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN. Por outro lado, no curso do Processo Administrativo Fiscal – PAF, a empresa valeuse de todos os instrumentos colocados por lei a sua disposição para contrapor os fatos apurados no procedimento administrativo fiscal e os argumentos aventados na Decisão Notificação (fls. 1457/1514) que considerou o lançamento procedente, tendo apresentado extensa peça impugnatória e recurso voluntário nos quais rebate tanto os elementos apontados pelo Fisco quanto a argumentação perfilhada na decisão de primeira instância administrativa. Fl. 2916DF CARF MF Processo nº 12267.000334/200805 Acórdão n.º 9202007.466 CSRFT2 Fl. 739 7 Além do que, consoante avultado no voto vencido: 19. Em momento algum, segundo a instrução dos autos, a empresa fiscalizada invocou, relativamente à investigação dos contratos firmados com as empresas que lhe prestavam serviços na área de informática, que a documentação estava arquivada na sede da empresa, situada no município de Rio das Flores (RJ), tornandose impraticável o seu deslocamento devido ao expressivo volume e ao espaço físico reduzido disponível no local indicado pela autoridade fiscal. Reiterese que o crédito tributário foi validamente constituído com base em elementos fáticos apresentados pelo sujeito passivo no curso do procedimento fiscal, em documentação colhida junto ao Conselho de Recursos da Previdência Social (relativa a procedimento fiscal de idêntica natureza) e à Justiça do Trabalho e em informações obtidas à época a partir de convênio celebrados entre as antigas Secretaria da Receita Federal e Secretaria da Receita Federal. Em razão disso, e não tendo ocorrido prejuízo à defesa do sujeito passivo, não há sequer que se falar em nulidade. Contudo, de acordo com o que se esclareceu alhures, a matéria devolvida à apreciação deste Colegiado diz respeito tãosomente à natureza do vício, se formal ou material. Assim, partindo do pressuposto de que o ato do lançamento está, de fato, contaminado por vício de nulidade, considero ser essa de índole formal. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial para, no mérito, dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 2917DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.723084/2013-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/06/2013
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL QUE ALEGA HAVER APRESENTADO EFD-CONTRIBUIÇÕES.
A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação da multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426/2002. A apresentação da EFD-Contribuições, por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, não supre a obrigação de entrega do DACON.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Considerando a natureza autônoma da obrigação acessória em relação à obrigação principal, a aplicação de penalidade pelo inadimplemento da obrigação acessória independe do recolhimento do tributo.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE.
A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita - EFD - Contribuições, no âmbito do SPED - Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, b, do CTN, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.100
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL QUE ALEGA HAVER APRESENTADO EFDCONTRIBUIÇÕES. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação da multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426/2002. A apresentação da EFDContribuições, por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, não supre a obrigação de entrega do DACON. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Considerando a natureza autônoma da obrigação acessória em relação à obrigação principal, a aplicação de penalidade pelo inadimplemento da obrigação acessória independe do recolhimento do tributo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita EFD Contribuições, no âmbito do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, “b, do CTN, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 30 84 /2 01 3- 16 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10665.723084/201316 Acórdão n.º 3402006.100 S3C4T2 Fl. 0 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento para exigência de multa por atraso de entrega do DACON. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada improcedente nos termos do Acórdão da DRJ nº 12076.205. Intimada desta decisão a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: (i) o envio das informações relacionadas ao PIS e a COFINS no SPED Sistema Público de Escrituração Digital, inexistindo qualquer prejuízo para a entrega a destempo da declaração; (ii) a ausência de lesão ao fisco que justifique a aplicação da penalidade, vez que todos os tributos apurados foram pagos; (iii) a aplicação do instituto da retroatividade benigna do art. 106, do CTN, vez que o DACON foi definitivamente extinto com o advento da IN RFB 1.441/2014. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10665.723084/201316 Acórdão n.º 3402006.100 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.092, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10665.723076/201370, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.092): "O Recurso Voluntário é tempestivo, e cabe ser conhecido. Inicialmente em seu Recurso, a empresa traz dois argumentos visando afastar a multa aplicada: a prestação das informações no SPED e a ausência de qualquer lesão ao erário, vez que os tributos foram devidamente pagos. Primeiramente, destaquese que, considerando a natureza autônoma da obrigação acessória em relação à obrigação principal, a aplicação de penalidade pelo inadimplemento da obrigação acessória independe do recolhimento do tributo. Com efeito, descumprido o dever instrumental de enviar a declaração prevista na legislação tributária no prazo previsto pela Receita Federal, o contribuinte pode ser penalizado pela multa prevista no art. 7º, da Lei n.º 10.426/2002, que expressa: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10665.723084/201316 Acórdão n.º 3402006.100 S3C4T2 Fl. 0 4 II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)" (grifei) Quanto à duplicidade das informações solicitadas no DACON em relação à EFDContribuições, ainda que as informações efetivamente pudessem ser por vezes duplicadas, observase que a Receita Federal, até 2014, buscou manter a obrigação de transmissão das duas declarações, como obrigações acessórias distintas. Com efeito, como bem pontuado pela r. decisão recorrida, especificamente para as empresas tributadas pelo lucro real, como a Recorrente, foi mantida, concomitantemente, as obrigações de envio tanto da EFD Contribuições, como do DACON: "Quanto à primeira alegação, é verdade que determinadas empresas obrigadas a adotar e escriturar a EFD Contribuições foram dispensadas da entrega da DACON. É o que ocorreu, por exemplo, com as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/2013 (art. 1º, caput, da IN RFB nº 1.305, de 26/12/2012). Esta dispensa, porém, não alcançou as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, que continuaram obrigadas a entregar a DACON em relação aos fatos geradores ocorridos até dezembro de 2013 (IN RFB nº 1.015, de 05/03/2010, c/c IN RFB nº 1.441, de 20/01/2014). Considerandose que a Interessada, no anocalendário em análise, foi tributada com base no lucro real (cfr. pesquisa, fl. 52), não há como dispensála da entrega da DACON referente ao mês 10/2012." (efl. 55) Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10665.723084/201316 Acórdão n.º 3402006.100 S3C4T2 Fl. 0 5 Com efeito, a exigência da transmissão do DACON para os fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013 é depreendida da expressão da Instrução Normativa n.º 1.441/2014, que extinguiu a referida declaração: "Art. 2º A apresentação de Dacon, original ou retificador, relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013, deverá ser efetuada com a utilização das versões anteriores do programa gerador, conforme o caso." Assim, uma vez que a transmissão da EFDContribuições não dispensou a transmissão do DACON, o envio a destempo desta última declaração pode ser penalizada na forma da lei. Sob esta mesma perspectiva que, a meu ver, não se pode falar na hipótese de retroatividade benigna. Com efeito, a previsão do art. 106, II, do CTN é no sentido de garantir a aplicação retroativa da lei "quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo." No presente caso, a omissão do sujeito passivo, de entregar a Declaração a destempo, nunca deixou de ser penalizada pela legislação, mantendose irretocável a previsão do art. 7º da Lei n.º 10.426/2002, acima transcrita. O que ocorreu foi a extinção de uma obrigação acessória anteriormente prevista (DACON), para a substituição por outra para evitar o envio duplicado de informações (EFD Contribuições), sendo que a partir de 2014 esta última declaração passou a abranger todas as informações anteriormente solicitadas no DACON. E, quando da extinção do DACON, a legislação tributária indicou com clareza a manutenção da exigência da entrega, tempestiva, da declaração, até os fatos geradores ocorridos em 31/12/2013. Assim, a entrega em atraso do DACON para os fatos geradores ocorridos até 31/12/2013 não deixou de ser tratado como contrário à lei, sendo cabível a aplicação da penalidade. Nesse sentido já se manifestou esse Conselho: "Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2007 DACON. LEGITIMIDADE. MULTA DECORRENTE DO ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10665.723084/201316 Acórdão n.º 3402006.100 S3C4T2 Fl. 0 6 A multa pela apresentação em atraso da DACON está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita EFD Contribuições, no âmbito do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, “b, do Código Tributário Nacional, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso ao qual se nega provimento." (Número do Processo 10320.722002/201155Data da Sessão 20/08/2014 Nº Acórdão 3802003.535 Relator Solon Sehn Redator designado Francisco José Barroso Rios grifei) "Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2010 DACON. LEGITIMIDADE. MULTA DECORRENTE DO ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. As obrigações tributárias acessórias, como o DACON, podem ser instituídas por instrução normativa da Receita Federal. A multa pela apresentação em atraso do DACON está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10665.723084/201316 Acórdão n.º 3402006.100 S3C4T2 Fl. 0 7 encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita EFD Contribuições, no âmbito do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, “b”, do Código Tributário Nacional, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso ao qual se nega provimento" (Número do Processo 10980.002055/201000 Data da Sessão 19/08/2014 Relator Bruno Maurício Macedo Curi Redator designado Francisco José Barroso Rios Nº Acórdão 3802 003.393 grifei) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 85DF CARF MF
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