Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10675.905190/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.182
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10675.905190/2012-16
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5851378
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-001.182
nome_arquivo_s : Decisao_10675905190201216.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10675905190201216_5851378.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7198534
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010219708416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1636; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 129 1 128 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.905190/201216 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.182 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 27 de fevereiro de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente ALGAR TELECOM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou haver transmitido DCTF retificadora na qual se confirmou o seu crédito e que o quantum informado e pleiteado no PER/DComp era suficiente para a homologação da compensação declarada. Requereu, ainda, a juntada do presente processo a outro processo administrativo alegando haver conexão entre eles. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 05 19 0/ 20 12 -1 6 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10675.905190/201216 Resolução nº 3201001.182 S3C2T1 Fl. 130 2 A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o indébito tributário alegado. Apontou a autoridade julgadora de primeira instância que a simples retificação da DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não era hábil à modificação do Despacho Decisório. Cientificado da decisão de piso, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e, sucintamente, reiterou a existência do crédito postulado, anexando documentação complementar com vista à comprovação do direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.164, de 27/02/2018, proferido no julgamento do processo 10675.905169/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.164): Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS não cumulativa. De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que: Visando recuperar o crédito tributário acima apontado, a Manifestante providenciou a retificação da DCTF em 04/02/2011, conforme atesta o recibo de entrega nº 35.35.13.86.29.00, e a retificação do DACON em 27/01/2011, consoante atesta o recibo de entrega nº 1078177135. Diante da regular constituição do crédito tributário, através da retificação das obrigações acessórias acima mencionadas, a Manifestante transmitiu o PER/DCOMP nº 33828.46086.280111.1.3.042016 para a Receita Federal do Brasil em 28/01/2011 para compensar o seu lídimo crédito tributário com outros débitos tributários de sua titularidade. Foram anexadas à Impugnação cópias das declarações mencionadas. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10675.905190/201216 Resolução nº 3201001.182 S3C2T1 Fl. 131 3 A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração" Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP, muito embora esta tenha ocorrido anteriormente à emissão do Despacho Decisório Eletrônico. Não obstante, embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento, a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado: Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, acrescenta aos autos cópia do seu balancete contábil. Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos, além do fato de que a retificação da sua DCTF ocorreu antes da emissão do despacho decisório. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Desse modo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10675.905190/201216 Resolução nº 3201001.182 S3C2T1 Fl. 132 4 despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. Da mesma forma que ocorreu no paradigma, neste processo, o contribuinte retificou a DCTF depois da transmissão do PER/DComp mas antes da ciência do despacho decisório. Apesar de o processo paradigma se referir apenas à Cofins, o mesmo raciocínio desenvolvido se aplica também à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora efetue a análise da Declaração de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entender necessários. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao Contribuinte para que se manifeste acerca do resultado da diligência. Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004322/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2301-000.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, para: (a) determinar a intimação da recorrente para que apresente, no prazo de 30 dias, planilha correlacionando, para cada depósito bancário constante do lançamento, o pedido de venda correspondente, conforme documentos acostados aos autos, com coincidência de datas e valores; (b) após, a Fiscalização deverá se manifestar sobre referida planilha e se considera existente a comprovação da origem dos depósitos bancários constantes do lançamento; (c) por fim, deve ser dada ciência à recorrente sobre as considerações da Fiscalização, para, querendo, se manifestar em trinta dias.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Relatora
EDITADO EM: 12/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital e Wesley Rocha.
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.004322/2007-31
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5855428
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Apr 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2301-000.683
nome_arquivo_s : Decisao_19515004322200731.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANDREA BROSE ADOLFO
nome_arquivo_pdf_s : 19515004322200731_5855428.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, para: (a) determinar a intimação da recorrente para que apresente, no prazo de 30 dias, planilha correlacionando, para cada depósito bancário constante do lançamento, o pedido de venda correspondente, conforme documentos acostados aos autos, com coincidência de datas e valores; (b) após, a Fiscalização deverá se manifestar sobre referida planilha e se considera existente a comprovação da origem dos depósitos bancários constantes do lançamento; (c) por fim, deve ser dada ciência à recorrente sobre as considerações da Fiscalização, para, querendo, se manifestar em trinta dias. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Relatora EDITADO EM: 12/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital e Wesley Rocha.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7237540
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010230194176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1598; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1.480 1 1.479 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004322/200731 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2301000.683 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 07 de março de 2018 Assunto DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente NARA HELENA DA COSTA LIMA ROESLER Recorrida FAZENDA NACIONAL (UNIÃO) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, para: (a) determinar a intimação da recorrente para que apresente, no prazo de 30 dias, planilha correlacionando, para cada depósito bancário constante do lançamento, o pedido de venda correspondente, conforme documentos acostados aos autos, com coincidência de datas e valores; (b) após, a Fiscalização deverá se manifestar sobre referida planilha e se considera existente a comprovação da origem dos depósitos bancários constantes do lançamento; (c) por fim, deve ser dada ciência à recorrente sobre as considerações da Fiscalização, para, querendo, se manifestar em trinta dias. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora EDITADO EM: 12/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital e Wesley Rocha. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 32 2/ 20 07 -3 1 Fl. 1480DF CARF MF Processo nº 19515.004322/200731 Resolução nº 2301000.683 S2C3T1 Fl. 1.481 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1749.504 (efls. 962/973), proferido pela 5ª Turma da DRJ em São Paulo II que, em sessão de 28/03/2011, julgou improcedente a impugnação apresentada, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 Ementa PRELIMINAR. DECADÊNCIA. Tendo havido recolhimento a menor do tributo, ensejando lançamento de ofício, o início da contagem do prazo decadencial terá efeito no primeiro dia do exercício seguinte àquele previsto para a entrega da declaração de ajuste anual, conforme previsto no art. 173,1 do CTN. DEPÓSITOS* BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Invocando uma presunção legal de .omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. A apresentação de documentos que não permitem a vinculação individualizada dos depósitos com alegadas operações com obras de arte não é suficiente para a comprovação exigida, nem permite a equiparação de pessoa física a pessoa jurídica que exige comprovação documental de atendimento aos requisitos legais. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA JURÍDICA A alegação de que os depósitos perquiridos pela fiscalização pertencem a empresa da qual a contribuinte é sócia só pode ser examinada mediante apresentação de documentação comprobatória, o que não foi feito nos autos. TAXA SELIC. A apuração do crédito tributário , incluindo a exigência de juros de mora com base na Taxa Selic decorre de disposições expressas em lei. Tendo o lançamento observado estritamente o disposto na legislação pertinente, não cabem reparos. Impugnação Improcedente Acerca do lançamento fiscal, adoto o relatório da decisão a quo que bem descreve os fatos: O crédito tributário constituído decorreu da constatação de irregularidade assim descrita no referido auto: "Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal ..." Enquadramento legal: art. 849 do RIR/99; art. Io da Medida Provisória n° 22/2002 convertida na Lei n° 10451/2002. Fl. 1481DF CARF MF Processo nº 19515.004322/200731 Resolução nº 2301000.683 S2C3T1 Fl. 1.482 3 A multa de ofício foi aplicada no percentual de 75,00% (setenta e cinco por cento), com fundamento no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996 (fl.910). No Termo de Verificação Fiscal, que faz parte integrante do Auto de Infração, o auditor fiscal responsável pelo procedimento dá conta dos fatos que originaram a autuação. Consta que inicialmente a ação fiscal foi instaurada para verificar variação patrimonial para o anocalendário de 2003. No curso da ação fiscal, outra operação fiscal foi aditada ao MPF, ampliandose o período de auditoria, incluindo os anos calendários de 2002 e 2004. Intimada a justificar, individualmente, os lançamentos a crédito efetuados em suas contas correntes, a contribuinte apresentou resposta acompanhada de planilhas, nas quais vinculava parte dos créditos a operações de venda de obras de arte, além de apresentar outras justificativas. Apresentou, ainda, cópia de documentação pertinente a projetos culturais, subsidiados e aprovados pelo Município de São Paulo, que justificaram parte dos créditos cuja origem foi intimada a esclarecer. Analisando os documentos e argumentos apresentados, a autoridade fiscal não acatou a justificativa relativa à venda de obras de arte, calcada no denominado Livro de Obras, por não estar este acompanhado de documentação específica que possibilitaria a identificação de cada operação. Anexas ao Termo de Verificação Fiscal encontramse três Relações de Créditos Bancários de Origem Não Comprovada (uma para cada ano calendário), que constituíram a base para o lançamento efetuado ao amparo do artigo 42 da Lei 9.430/1996. A ciência do auto de infração foi dada pessoalmente ao procurador da contribuinte, na data de 20/12/2007 (fl.911). Em 21/01/2008, por meio de procurador constituído conforme instrumento de fl.918 , a interessada apresentou a impugnação de fls.925/946, na qual, após proceder ao relato dos fatos, aduz, em síntese, o que se segue: DECADÊNCIA Argúi a decadência do direito de a Fazenda Nacional proceder ao lançamento relativamente aos períodos de Io de janeiro de 2002 a 19 de dezembro de 2002, tendo em vista o decurso do prazo decadencial contado pela regra contida no artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional, que trata do lançamento por homologação, combinado com os dispositivos legais que estabelecem a incidência mensal do imposto de renda das pessoas físicas. Cita ementas do Primeiro Conselho de Contribuintes. DA EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA Alega que atua profissionalmente no mercado de arte e que os rendimentos que aufere provêm dessa que é a sua única atividade econômica. Analisando um dos argumentos do autuante, entende que este concluiu que, tendo sido as vendas efetivadas pela própria autuada, ela estaria Fl. 1482DF CARF MF Processo nº 19515.004322/200731 Resolução nº 2301000.683 S2C3T1 Fl. 1.483 4 equiparada a pessoa jurídica, por força do disposto no artigo 150 do RIR/99. Considera inexplicável o fato de que, apesar da própria conclusão, o lançamento foi efetuado na pessoa física. Adianta que não é possível justificar o procedimento sob a alegação de que a impugnante não preencheu os requisitos do art. 160 do RIR/99, atinentes à manutenção de escrituração contábil e conservação de documentos, porque tal fato ensejaria o arbitramento do lucro da pessoa física equiparada a jurídica, nos termos do art. 530 do RIR/1999. Descarta também a possibilidade de se justificar o lançamento na pessoa física com a incerteza quanto à proveniência dos depósitos bancários, pois é lógica a dedução de que estes adviriam dos negócios com artes. Cita ementas de acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Acrescenta, ainda, que caberia ao auditor fiscal, diante da prova apresentada e não acatada, produzir a prova em contrário, qual seja a de não serem os depósitos bancários fruto do resultado da exploração da atividade de compra e venda de obras de arte. DA TRIBUTAÇÃO NA PESSOA JURÍDICA DA QUAL A AUTUADA É SÓCIA Argumenta que é sócia da NARA ROESLER GALERIA, COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE ARTES LTDA. e que, inadvertidamente, depositou em conta bancária de sua titularidade valores correspondentes a vendas de obras de arte efetivadas pela Galeria, à qual pertencem as receitas. Aduz que apresentará oportunamente aos autos, os registros contábeis que comprovarão o alegado. Cita ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes. DA SELIC A título de argumentação salienta a improcedência da utilização da taxa SELIC, conforme entendimento expendido pelo eg. Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do Resp n° 215881 PR (1999/00453450). Cientificada da decisão em 11/10/2011 (efl. 976), apresentou recurso voluntário em 09/11/2011 (efls. 979/10210, em que alega, em apertada síntese: a) ocorrência de decadência; b) equiparação à pessoa jurídica; c) tributação na pessoa jurídica; e d) alternativamente, seja considerada a tributação sobre ganho de capital, e não como depósitos bancários de origem não comprovada. Junta ainda diversos documentos: contrato social da galeria de arte Nara Roesler, cartão CNPJ, mapa de localização da galeria (efls. 1025 a 1036); cópia dos Livros Diário dos anos de 2002 (efls. 1040 a 1073), 2003 (efls. 1077 a 1116) e 2004 (efls. 1120 a 1168); Fl. 1483DF CARF MF Processo nº 19515.004322/200731 Resolução nº 2301000.683 S2C3T1 Fl. 1.484 5 pedidos de venda de obras de arte (efls. 1170 a 1357); : livro de acervo da galeria dos anos de 2002 a 2004 (efls. 1359 a 1378); DIRPJ 2005/AnoCalendário 2004 (efls. 1379 a 1413); DCTF AnoCalendário 2004 (efls. 1414 a 1468). É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo O recurso apresentado é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, portanto dele conheço. Depósitos bancários Vale lembrar que o lançamento decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada encontra suporte no art. 42 da Lei 9.430/96, que estabelece a necessidade de comprovação das origens dos recursos, mediante documentação hábil e idônea, verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Fl. 1484DF CARF MF Processo nº 19515.004322/200731 Resolução nº 2301000.683 S2C3T1 Fl. 1.485 6 §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Tal dispositivo institui uma presunção legal relativa, ou seja, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Cabe, por sua vez, ao contribuinte demonstrar, através de documentação hábil e idônea, que tal presunção mostra se inverídica. Com relação ao lançamento de IRPF decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, a recorrente sustenta tratarse de receita de venda de obras de arte realizadas em nome da pessoa jurídica NARA ROESLER GALERIA, COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE ARTES LTDA, inscrita no CNPJ sob nº 60.518.354/000154, que, por desconhecimento, eram depositadas em suas contas bancárias em nome da pessoa física. Com o recurso voluntário são juntados documentos comprobatórios da existência de tal pessoa jurídica. Extraise do Termo de Verificação Fiscal (efls. 898/901) a motivação para o lançamento, verbis: Devidamente intimado a justificar, individualmente, os lançamentos a crédito efetuados em suas contascorrentes (Termos de Intimação n. 08, 09 e 10, lavrados em 27022007, 11042007 e 06062007, respectivamente), o contribuinte apresentou resposta, acompanhada de planilhas, uma para cada anocalendário, em que vinculava parte dos créditos a operações de venda de obras de arte, praticada pelo contribuinte, além de classificar demais créditos com justificativas de origem variada. Apresentou, ainda, cópia de documentação pertinente a projetos culturais, subsidiados e aprovados pelo Município de São Paulo, que justificaram parte dos créditos cuja origem foi intimado a esclarecer. Todavia, conforme consta dos Termos de Constatação n. 01, 02 e 03 (datados respectivamente de 01082007, 03092007 e 08102007), não foram aceitos, para fins fiscais, as justificativas do contribuinte, no que respeita à venda de obras de arte, pelos motivos seguintes: a) o Livro de Obras apresentado (que, na verdade, integra as planilhas elaboradas pelo contribuinte, sob o título de Comprovação de Depósitos Bancários), por si não se reveste de valor probatório, uma vez que a operação de venda das obras deve ser acompanhada de documentação que identificaria, entre outros elementos: a data da operação, o valor da venda (e, eventualmente, a forma de pagamento), a descrição da obra e o nome do adquirente. b) o contribuinte está obrigado a apresentar documentação com os elementos acima referidos, de maneira a atestar cada operação de venda dessas obras artísticas, notadamente porque o contribuinte pessoa física, ao realizar operações de cunho comercial, equiparase a pessoa jurídica, e deve cumprir as obrigações a esta pertinentes, entre as quais está o dever de documentar e escriturar as suas atividades Fl. 1485DF CARF MF Processo nº 19515.004322/200731 Resolução nº 2301000.683 S2C3T1 Fl. 1.486 7 com fins lucrativos, conforme disposto nos seguintes artigos do Decreto n. 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda): Art. 150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (DecretoLei n° 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2o). § 1° São empresas individuais: II as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei n° 4.506, de 1964, art. 41, § 1* alínea "b"); Art. 160. As pessoas físicas consideradas empresas individuais são obrigadas a: II manter escrituração contábil completa em livros registrados e autenticados por órgão da Secretaria da Receita Federal, observado o disposto no art. 260 (DecretoLei n° 1.510, de 1976, art. 12); III manter sob sua guarda e responsabilidade os documentos comprobatórios das operações, pelos prazos previstos na legislação aplicável às pessoas jurídicas (DecretoLei n° 1.381, de 1974, art. 9o, § I o , alínea "c"); c) não é razoável supor que o valor da operação de venda, bem como o pagamento efetuado pelos adquirentes das obras de arte fosse feito em valores não inteiros, e desiguais entre si, além de indicar um valor líquido proporcionalmente variável, venda a venda. Constatada a improcedência das justificativas pertinentes à venda de obras de arte, o contribuinte tomou ciência dos Termos de Intimação n. 11, 12 e 13 (lavrados respectivamente em 01082007, 03092007 e 08102007), mediante os quais foi intimado a se manifestar sobre os créditos bancários de origem não justificada, discriminados nos respectivos Anexos a esses Termos (Anexos denominados CRÉDITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS ANO 2002, CRÉDITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS ANO 2003 e CRÉDITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS ANO 2004). (Gfifos no original) Por sua vez, a decisão atacada entendeu que: (...) Afinal, se a contribuinte apresentasse as provas de maneira a identificar, entre outros elementos: a data da operação, o valor da venda (e, eventualmente, a forma de pagamento), a descrição da obra e o nome do adquirente, conforme assevera o auditor fiscal no item a) do mesmo TVF, seria ele obrigado a submeter os valores comprovados às normas de tributação específica, conforme determina o parágrafo 2 o do artigo 42 da Lei 9.430/96, a seguir in verbis: "§ 2o Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. " Fato é que não trouxe a contribuinte, nem Fl. 1486DF CARF MF Processo nº 19515.004322/200731 Resolução nº 2301000.683 S2C3T1 Fl. 1.487 8 durante a ação fiscal, nem durante a oportunidade da impugnação ao auto de infração, qualquer elemento de prova que servisse à comprovação da alegação de que os valores movimentados em suas contascorrentes correspondiam a "habitual e profissional exploração de atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro Embora alegue que os valores constantes dos extratos utilizados pela fiscalização referemse a depósitos provenientes de sua atividade na venda de obras artísticas, não faz a prova hábil. ... A defesa da contribuinte somente teria lugar se restasse comprovada documentalmente nos autos a origem de cada um dos depósitos listados às fls. 898/906, e desde que existisse coincidência de datas e valores entre as alegadas operações de venda e os valores depositados em suas contascorrentes, considerados como de origem não comprovada. Tal fato, contudo, não ocorre no caso presente. A recorrente apresenta agora mais documentos (especialmente livros contábeis e pedidos de venda) que entende serem suficientes para a comprovação da origem dos depósitos bancários integrantes da autuação. Compulsando os autos, verificase que os livros diários juntados apresentam todos os valores de depósitos em seus registros, entretanto nos históricos dos lançamentos há apenas a transcrição das informações constantes dos extratos bancários. Não há qualquer vinculação específica com determinado pedido de venda, nem descrição mínima que possa ser utilizada para correlacionar o lançamento contábil com a efetiva venda realizada. Ademais, a própria recorrente declarou em sua impugnação, que os livros contábeis, naquela data 21/11/2008 ainda estavam sendo formalizados (item 28 da impugnação) abaixo: Depreendese do excerto acima, que os livros e registros contábeis foram encerrados/regularizados em momento posterior à autuação fiscal (dezembro/2007). Assim, por óbvio que os livros contábeis, conciliados a posteriori ao lançamento, conteriam todos os valores de depósitos bancários não comprovados durante a ação fiscal pela contribuinte afim de vinculálos como decorrentes de sua atividade comercial, já que esta é a linha de argumentação da recorrente. Fl. 1487DF CARF MF Processo nº 19515.004322/200731 Resolução nº 2301000.683 S2C3T1 Fl. 1.488 9 Verificase também que, tanto a DIRPJ 2005/AC 2004 quanto as DCTF apresentadas são todas retificadoras e foram entregues em 27/11/2009, portanto também após o procedimento fiscal e impugnação, mas juntadas aos autos somente na apresentação do recurso voluntário. Sobre o livro de acervo da galeria dos anos de 2002 a 2004 (efls. 1359 a 1378) os mesmos não são suficientes para comprovação dos depósitos bancários, uma vez que não trazem qualquer vinculação aos valores pagos por cada obra de arte comercializada, nem a forma/prazo de pagamento. Com relação aos pedidos de venda de obras de arte apresentados, em que pese, em alguns casos, a similitude entre datas, valores e até mesmo o comprador/depositante, as demais informações trazidas nos documentos apresentados não são condizentes. Exemplifica se: Exemplo 1: depósito datado de 10/03/2004 TEDrecebida Credit Suisse Jorge Paulo Lemann valor R$ 66.033,00 poderia ser vinculado ao pedido de venda n. 1090 FL. 1298 data 08/03/2004 valor R$ 66.033,00 Susana Lemann; Na justificativa apresentada durante a ação fiscal (fl. 859) consta que o depósito se referia à obra de arte com código 9744; já na Planilha "Detalhamento das obras" , também apresentada durante a ação fiscal (fl.878), consta que tal obra (cod. 9744) referese a uma obra em madeira de autoria de Abraham Palatnik, Tamanho 183X 137,9 cm, intitulada " Progressio 62A ( 21 )". Por sua vez consta no pedido (fl. 1298) referência à obra n. 11785, de autoria de Antônio H. Amaral, tamanho 125 x 125 cm, intitulada "Neurochromo Vermelho"; Exemplo 2: depósito datado de 09/08/2004 TED recebida ABN AMRO Real Paulo Lisboa Valor R$ 5.000,00 pode ser vinculado à 1ª parcela do pagamento referente ao pedido de venda n. 1199 FL. 1336 data 06/08/2004 valor R$ 16.000,00 (EM 3X) Paulo Lisboa Bittencourt. Na justificativa apresentada durante a ação fiscal (fl. 867) consta que o depósito se referia à obra de arte com código 13386; já na Planilha "Detalhamento das obras", também apresentada durante a ação fiscal (fl. 886), consta que tal obra (cod.13386) referese a uma fotografia de Niura Bellavinha, tamanho 80 x 80 cm, título "série linha d'água". Por sua vez o pedido (fl. 1336) faz referência à obra n. 13267, de autoria de Cristina Canale, tamanho 150 x 260 cm, intitulada "Fuga". Exemplo 3: depósitos datados de 12/05/2004 e 11/06/2004 TED recebida Pactual Roberto Balls Sallonti Valor R$ 13.800,00 (cada depósito) podem ser vinculados às parcelas referente ao pedido de venda n. 1131 fl. 1309 data 12/05/2004 R$ 27.600,00 (2X R$ 13.800) Juliana e Roberto Sallonti. Na justificativa apresentada durante a ação fiscal (fl..862) consta que o depósito datado de 12/05/2004 referia à obra de arte com código 13550 e que o depósito datado de 11/05/2004 à obra código 13346 (fl. 864). Tais obras correspondem às seguintes descrições na Planilha "Detalhamento das obras", também apresentada durante a ação fiscal: cód. 13550: Autor: Gil Vicente; "Sem título GP 04/11", Guache sobre papel,tamanho 132x192cm (fl. Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 19515.004322/200731 Resolução nº 2301000.683 S2C3T1 Fl. 1.489 10 881); e cód. 13346: Autor: José de Quadros, "Heiligenberg XI", Óleo sobre tela, tamanho 100x150cm (fl. 883). Por sua vez o pedido (fl. 1309) faz referência à obra n. 13595, de autoria de Baravelli, tamanho 121x158cm, intitulada "Lírico". Existem outros depósitos que podem ser vinculados a mais de um pedido de venda apresentado, pela similitude entre valores e datas, mas não é possível afirmar com certeza que a origem desses depósitos tenha sido a venda de obras de arte. Pelos documentos acostados aos autos, conforme exposto acima, especialmente pelos indícios de verossimilhança entre alguns depósitos bancários e pedidos de venda apresentados, e em respeito ao princípio da verdade material que rege o processo administrativo fiscal, proponho a conversão do julgamento em diligência para que: (a) determinar a intimação da recorrente para que apresente, no prazo de 30 dias, planilha correlacionando, para cada depósito bancário constante do lançamento, o pedido de venda correspondente, conforme documentos acostados aos autos, com coincidência de datas e valores; (b) após, a Fiscalização deverá se manifestar sobre referida planilha e se considera a comprovação da origem dos depósitos bancários constantes do lançamento; (c) por fim, deve ser dada ciência à recorrente sobre as considerações da Fiscalização, para, querendo, se manifestar em trinta dias. É como voto. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 1489DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.006234/2008-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
MULTA DE OFICIO. PERCENTUAL.
O percentual da multa de ofício aplicada está de acordo com a legislação de regência (art. 44, Lei nº 9.430/96).
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. RICARF art.62
Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
Numero da decisão: 3402-004.956
Decisão: Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne]
Assinado Digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
Assinado Digitalmente
PEDRO SOUSA BISPO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 MULTA DE OFICIO. PERCENTUAL. O percentual da multa de ofício aplicada está de acordo com a legislação de regência (art. 44, Lei nº 9.430/96). ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. RICARF art.62 Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.006234/2008-54
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5841729
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-004.956
nome_arquivo_s : Decisao_19515006234200854.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PEDRO SOUSA BISPO
nome_arquivo_pdf_s : 19515006234200854_5841729.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne] Assinado Digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. Assinado Digitalmente PEDRO SOUSA BISPO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7172346
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010254311424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1361; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 247 1 246 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.006234/200854 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.956 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de fevereiro de 2018 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente SOLÓTICA IND E COM LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 MULTA DE OFICIO. PERCENTUAL. O percentual da multa de ofício aplicada está de acordo com a legislação de regência (art. 44, Lei nº 9.430/96). ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. RICARF art.62 Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne] Assinado Digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. Assinado Digitalmente PEDRO SOUSA BISPO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 62 34 /2 00 8- 54 Fl. 347DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo. Relatório Trata o auto de infração de lançamento fiscal de Pis e Cofins, por falta/insuficiência de declaração/recolhimento. Os valores apurados nos autos são originários das contribuições a pagar constantes na DIPJ e DACON que não tiveram a correspondente declaração na DCTF e nem houve recolhimento. A Empresa irresignada com o lançamento, apresentou impugnação alegando as matérias abaixo transcrita: tempestividade; descabimento da multa punitiva de 75%, que seria confiscatória e deveria ser 20%, no máximo (transcreve jurisprudência); ser indevida a aplicação da SELIC, cuja criação inexiste no campo jurídico, a qual seria taxa remuneratória e não poderia ser usada para fins moratórios, limitados a 1%, pelo art. 161, do CTN. Ao final, pede nulidade ou alternativamente, retificação, com redução da multa a 20% e juros de mora limitados a 1%. Ato contínuo, a DRJSÃO PAULO (SP) julgou a impugnação do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 NULIDADE. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não cabe declarar sua nulidade. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 MULTA DE OFÍCIO E JUROS. CABIMENTO. Lançamento decorrente de infração detectada em fiscalização admite acréscimos (art 161, CTN). MULTA DE OFICIO. PERCENTUAL. O percentual da multa de ofício aplicada está de acordo com a legislação de regência (art. 44, Lei nº 9.430/96). Fl. 348DF CARF MF Processo nº 19515.006234/200854 Acórdão n.º 3402004.956 S3C4T2 Fl. 248 3 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos Tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Lei nº 9.430/96, artigo 61, § 3º). Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a empresa, em suma, apresentou defesa quanto a aplicação da multa de ofício de 75% sobre os créditos tributários apurados. Argumenta inicialmente que a multa que deveria ter sido aplicada ao caso deveria ser aquela prevista no § 3º do art. 7º, da 10.427/2002, no valor de R$ 500,00. Em seguida, pugna pelo cancelamento da multa de ofício pois a considera com efeito confiscatório. Para sustentar a sua argumentação, apresentou posições da doutrina sobre a matéria e decisão judicial do STF. Quanto às outras matérias presentes em sua impugnação, não as fez constar no Recurso Voluntário, estando definitivamente julgadas. É o relatório. Voto Conselheiro PEDRO SOUSA BISPO O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Cabe inicialmente frisar que a incidência de juros Selic, ao contrário do que ocorreu na sua impugnação, não constou no presente recurso voluntário. Assim, essa matéria se considera definitivamente julgada no âmbito do contencioso administrativo. Portanto, a matéria central de discussão da lide se resume ao cabimento da multa de ofício de 75% sobre os créditos de PIS e COFINS lançados. A multa de ofício de 75% aplicada pela fiscalização tem fundamento legal no art. 44, inciso I, Lei n 0 9.430/96, abaixo reproduzida: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 349DF CARF MF 4 A fiscalização apurou diferenças de PIS e COFINS não declaras e não pagas e aplicou a referida multa, conforme determina o dispositivo legal citado. A Recorrente alega que deveria ter sido aplicada a multa prevista no art.7º, inciso II, da Lei nº 10.426/2002, a seguir transcrita: Art.7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS /Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º as multas serão reduzidas: I a metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; Fl. 350DF CARF MF Processo nº 19515.006234/200854 Acórdão n.º 3402004.956 S3C4T2 Fl. 249 5 II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (negrito nosso) Percebese que o dispositivo legal transcrito trata de multa por atraso na entrega de declarações a Receita Federal, não guardando qualquer relação com a multa de ofício proporcional aplicada no presente processo. Não tem relação, portanto, a aplicação do referido dispositivo ao caso concreto, pois este não trata de multa por atraso na entrega de declaração à SRF, mas tão somente o lançamento de diferenças de tributos apurados que não foram declarados ou pagos, com a consequente cobrança conjunta dos juros e multa de ofício decorrentes. Quanto as questões constitucionais suscitadas pelo contribuinte, a exemplo de vedação ao confisco e proporcionalidade, essas matérias estão na competência de julgamento do Poder Judiciário, consoante a Constituição Federal, arts. 97 e 102, I, "a", III e §§ 1º e 2º. Nesse sentido, o Regimento Interno do CARF também veda o afastamento de lei com fundamento na inconstitucionalidade nos julgamentos deste Colegiado, exceto nos casos previstos, conforme transcrito a seguir: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 351DF CARF MF 6 d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (negrito nosso) Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente PEDRO SOUSA BISPO Relator Fl. 352DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.000559/2010-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE.
O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, subsume-se à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
PRAZO DE REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX. ATO EXECUTADO PELO PRÓPRIO TRANSPORTADOR FORA DA REPARTIÇÃO. REGRA DE CONTAGEM. INÍCIO E TÉRMINO EM DIA DE EXPEDIENTE NORMAL. INAPLICABILIDADE.
A regra de contagem de prazo prevista no parágrafo único do art. 210 do CTN (Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato) não se aplica a ato de natureza não processual executado pelo próprio interessado sem a interveniência de repartição público, a exemplo do registro dos dados de embarque no Siscomex, que pode ser realizado no sistema pelo próprio transportador em qualquer dia de expediente normal ou não nas unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA. NÃO COMPROVADO A EXISTÊNCIA DE ÓBICE AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não comprovado a existência de óbice ao exercício do direito de defesa do sujeito passivo, não é passível de nulidade o auto de infração lavrado com observância dos requisitos legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, subsume-se à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 PRAZO DE REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX. ATO EXECUTADO PELO PRÓPRIO TRANSPORTADOR FORA DA REPARTIÇÃO. REGRA DE CONTAGEM. INÍCIO E TÉRMINO EM DIA DE EXPEDIENTE NORMAL. INAPLICABILIDADE. A regra de contagem de prazo prevista no parágrafo único do art. 210 do CTN (Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato) não se aplica a ato de natureza não processual executado pelo próprio interessado sem a interveniência de repartição público, a exemplo do registro dos dados de embarque no Siscomex, que pode ser realizado no sistema pelo próprio transportador em qualquer dia de expediente normal ou não nas unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA. NÃO COMPROVADO A EXISTÊNCIA DE ÓBICE AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não comprovado a existência de óbice ao exercício do direito de defesa do sujeito passivo, não é passível de nulidade o auto de infração lavrado com observância dos requisitos legais. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10715.000559/2010-17
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5830800
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.206
nome_arquivo_s : Decisao_10715000559201017.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 10715000559201017_5830800.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
id : 7125067
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010261651456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1951; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 295 1 294 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.000559/201017 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.206 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de fevereiro de 2018 Matéria MULTA REGULAMENTAR AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente SOCIÉTÉ AIR FRANCE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 PRAZO DE REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX. ATO EXECUTADO PELO PRÓPRIO TRANSPORTADOR FORA DA REPARTIÇÃO. REGRA DE CONTAGEM. INÍCIO E TÉRMINO EM DIA DE EXPEDIENTE NORMAL. INAPLICABILIDADE. A regra de contagem de prazo prevista no parágrafo único do art. 210 do CTN (“Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato”) não se aplica a ato de natureza não processual executado pelo próprio interessado sem a interveniência de repartição público, a exemplo do registro dos dados de embarque no Siscomex, que pode ser realizado no sistema pelo próprio transportador em qualquer dia de expediente normal ou não nas unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA. NÃO COMPROVADO A EXISTÊNCIA DE ÓBICE AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 05 59 /2 01 0- 17 Fl. 338DF CARF MF 2 Não comprovado a existência de óbice ao exercício do direito de defesa do sujeito passivo, não é passível de nulidade o auto de infração lavrado com observância dos requisitos legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de processo já julgado por este Colegiado, por meio do acórdão nº 3302002.457, de 26 de fevereiro de 2014, em que, por maioria de votos, foi dado provimento ao recurso voluntário, para cancelar a multa regulamentar aplicada, por força da denúncia espontânea da infração. O enunciado da ementa do julgado segue transcrito: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. Recurso Voluntário Provido. O referido julgado foi objeto de recurso especial por parte da Fazenda Nacional (fls. 182/192), admitido, conhecido e julgado pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) por meio do acórdão nº 9303003.743, de 26 de abril de 2016, em que, por maioria de votos, foi conhecido o recurso especial, e, no mérito, pelo voto de qualidade, foi dado provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, “devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado.” Os enunciados das ementas do referido deste acórdão ficaram assim redigidos, in verbis: Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10715.000559/201017 Acórdão n.º 3302005.206 S3C3T2 Fl. 296 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Em seguida, autuada interpôs os embargos de fls. 268/271, os quais foram rejeitados, em caráter definitivo, por meio do despacho de fls. 2757/279. Em 16/11/2016, a recorrente juntou aos autos a decisão de fls. 288/294, proferida pelo Juízo da 2ª Vara Federal do Distrito Federal nos autos do processo do Mandado de Segurança nº 100696887.2016.4.01.3400, em que deferida a liminar para que o Presidente desta 3ª Seção abstivesse de declarar a renúncia às instâncias administrativas em decorrência da impetração do referido Mandado de Segurança, bem como suspenso o resultado do julgamento até que fosse proferida sentença de mérito na mencionada ação judicial. O dispositivo da citada decisão segue transcrita, para melhor compreensão: Pelo exposto, presentes os pressupostos específicos do art. inciso III da Lei 12.016/09 DEFIRO A LIMINAR como postulada na Fl. 340DF CARF MF 4 inicial para que a autoridade impetrada “se abstenha de praticar qualquer ato que tenha por objetivo declarar a renúncia da impetrante às instâncias administrativas em decorrência da impetração do presente Mandado de Segurança” e ainda para suspender o resultado do julgamento aqui discutido até que seja proferida sentença de mérito na presente causa. Por meio do Memorando nº 3759/2017, em 8/1/2018, a Divisão de Acompanhamento Especial (DIAES) da ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional na 1ª Região noticiou a decisão proferida nos autos do Agravo de Instrumento n° 1005165 84.2016.4.01.0000 (fls. 334/337), referente ao Mandado de Segurança n° 1006968 87.2016.4.01.3400, em que restou cassada a anterior ordem judicial dada no âmbito do citado MS. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Previamente, cabe esclarecer que uma vez cassada a medida liminar deferida em favor da recorrente no âmbito do Mandado de Segurança n° 100696887.2016.4.01.3400, o julgamento deste processo pode ser realizado sem qualquer impedimento. De acordo com o que foi decidido no acórdão nº 9303003.743 da 3ª Turma da CSRF, os presentes autos retornaram a este Colegiado para complementação do julgado anterior, especificamente, para “apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação” por este Colegiado, no julgamento do acórdão nº 3302 002.457, cujo dispositivo segue reproduzido: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos as conselheiras Maria da Conceição Arnaldo Jacó (relatora) e Mara Cristina Sifuentes, que negavam provimento. Designado o conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor. A leitura do dispositivo revela que foi a denúncia espontânea da infração a única questão apreciada no voto vencedor e deliberada no julgamento anterior por este Colegiado. Como o provimento do recurso especial PGFN e reversão da decisão sobre a citada questão, os autos retornaram a este Colegiado, para análise das demais questões suscitadas pela recorrente no recurso voluntário de fls. 73/108 e que não foram apreciadas no voto vencedor nem deliberada pelos integrantes deste Colegiado. Previamente, cabe consignar que a lide cingese à aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória, consistente no registro extemporânea no Siscomex de dados do embarque de mercadorias exportadas e que foram embarcadas transportadas pela recorrente no vôo AF/443 nas diversas datas do mês de abril de 2006, discriminadas na tabela de fls. 11/12. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10715.000559/201017 Acórdão n.º 3302005.206 S3C3T2 Fl. 297 5 De acordo com a descrição dos fatos que integra o auto de infração (fls. 4/9), apurou a fiscalização que a fiscalizada havia descumprido o prazo de 2 (dois) dias, contado da data do embarque, fixado no art. 37 da Instrução Normativa SRF 28/1994, com a redação dada pelo art. 1º da Instrução Normativa SRF 510/2005, para o registro no Siscomex dos dados de embarque das mercadorias por ela transportadas após serem submetidas a despachos aduaneiros de exportação. Em razão do descumprimento do referido prazo, a recorrente foi sancionada com a multa regulamentar, prevista no art. 107, IV, “e”, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta aporta, ou ao agente de carga; e [...]. (grifos não originais) A simples leitura do comando legal transcrito revela que se trata da denominada norma penal em branco, cuja aplicação prescinde da complementação do conteúdo por outro diploma normativo de natureza administrativa, a ser expedido pelo Secretário da Receita Federal do Brasil (RFB). Em relação registro dos dados de embarque das mercadorias exportadas, a norma complementar que fixou o citado prazo, a ser cumprido pelas empresas aérea de transporte internacional de carga, foi o art. 371 da Instrução Normativa SRF 28/1994. Nas datas da ocorrência da infração em apreço (ocorridas no mês de abril de 2006), o prazo para o transportador aéreo registrar os referidos dados de embarque das mercadorias era de 2 (dois) dias, contado da data do evento, conforme dispunha o art. 37 da Instrução Normativa SRF 28/1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005. A partir de 14/12/2010, data da vigência da Instrução Normativa SRF 1.096/2010, que deu nova redação ao referido art. 37, o citado prazo foi novamente alterado para 7 (sete) dias, de modo que, atualmente, o citado art. 37 apresenta a seguinte redação, in verbis: 1 Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005) § 1ºNa hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005) § 2ºNa hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005) Fl. 342DF CARF MF 6 Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1096, de 13 de dezembro de 2010) [...] (grifos não originais) Por sua vez, no recurso voluntário em apreço, a recorrente alegou questões preliminares e de mérito. Em sede de preliminar, a recorrente alegou nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, em razão da (i) incorreta tipificação dos fatos e (ii) ausência de provas da infração imputada à recorrente. Em relação ao mérito, a recorrente apresentou as seguintes alegações: (i) embarques tempestivos, segundo o novo prazo da IN RFB 1.096/2010, mas não excluídos da autuação pelo acórdão recorrido; (ii) não ocorrência do fato gerador da multa aplicada referente ao vôo AF/442 do dia 20/4/2006; (iii) ausência de prova da intempestividade do registro efetuado pela recorrente; (iv) prova imperfeita da infração cometida em razão da indisponibilidade do Siscomex, (iii) reconhecimento pelo Secretário da Receita Federal das impossibilidades de acesso ao Siscomex Carga IN RFB835/2008; (v) inexistência de embaraço à fiscalização, desoneração às exportações e violação à finalidade do ato administrativo; e (v) violação à proporcionalidade e razoabilidade. Tais questões serão analisadas a seguir. Da preliminar de nulidade do auto de infração Em sede de preliminar, a recorrente suscitou a nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, baseada nas seguintes alegações: a) incorreta tipificação dos fatos; b) ausência de provas da infração imputada. Em relação à primeira alegação, após apresentar breve histórico da evolução das alterações ocorridas na redação do art. 107 do Decretolei 37/1966 até a atual redação do art. 107, IV, “c” e “e”, do Decretolei 37/1996, dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, a recorrente asseverou que, apesar da nova redação, o art. 442 da Instrução Normativa 28/1994, editado na vigência da redação pretérita continuava vigente, uma vez que não fora expressamente revogado. E em face dessa circunstância a recorrente alegou que, no auto de infração em questão, os fatos nele descritos foram enquadrados, erroneamente, na alínea “e” não na alínea “c” do inciso IV do citado art. 107, que tratam, respectivamente, (i) da infração por deixar de prestar ou prestar informação a destempo e (ii) da infração por embaraço à fiscalização aduaneira, nos termos que seguem transcritos: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização 2 "Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3º do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decretolei nº 37/66 com a redação do art. 5º do Decretolei nº 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis." Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10715.000559/201017 Acórdão n.º 3302005.206 S3C3T2 Fl. 298 7 aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado a intimação em procedimento fiscal; [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta aporta, ou ao agente de carga; e [...]. (grifos não originais) Em outras palavras, entre a aplicação do disposto no novo preceito legal, que define as duas referenciadas infrações e disposto no art. 44 da Instrução Normativa 28/1994, tacitamente revogado, no entendimento da recorrente, a autoridade fiscal deveria cumprir o artigo revogado da IN e na o referido preceito legal em pleno vigor. Sob ponto de vista jurídico, essa tal pretensão revelase totalmente despropositada e contraria noções basilares sobre hierarquia e vigência das normas jurídicas, em especial, o que dispõe o art. 2º3, § 1º, da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro. De acordo com a descrição dos fatos que integra o presente auto de infração (fl. 5), o fato infracional descrito foi o registro dos dados de embarque após o prazo de 2 (dois) dias fixados no art. 37 da Instrução Normativa SRF 28/1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF 510/2005, corretamente, enquadrado no art. 107, IV, “e”, do Decretolei 37/1996, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003. A propósito, cabe ressaltar que, na data da edição da Instrução Normativa SRF 28/1994, a redação do art. 107, I, do Decretolei nº 37, de 1966, incluída pelo Decretolei nº 751, de 1969, contemplava apenas a multa por embaraço à atividade de fiscalização aduaneira. Com a nova redação do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, dada pela Lei nº 10.833, de 2003, o descumprimento ou cumprimento extemporâneo do registro dos dados de embarque passou a ser infração com tipificação específica na alínea “e” do inciso IV, enquanto que a penalidade de embaraço à ação de fiscalização passou a ser definida na alínea “c” do mesmo preceito normativo. No âmbito da RFB, o assunto foi correta e adequadamente abordado na Solução de Consulta Interna (CSI) Cosit nº 8, de 14 de fevereiro de 2008, em que apresentado idêntico entendimento, conforme explicitado no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS APÓS O PRAZO. 3 "Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. § 3º Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência." Fl. 344DF CARF MF 8 Aplicase a retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF no 28, de 1994, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN SRF no 510, de 2005. Para as infrações cometidas a partir de 31 de dezembro de 2003, a multa a ser aplicada na hipótese de o transportador não informar, no Siscomex, os dados relativos aos embarques de exportação na forma e nos prazos estabelecidos no art. 37 da IN SRF no 28, de 1994, é a que se refere à alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei no 37, de 1966, com a redação dada pela Lei no 10.833, de 2003. Deve ser aplicada ao transportador uma única multa de R$ 5.000,00, por se tratar de uma única infração. (grifos não originais) Com essas considerações, fica demonstrado que não existe o suposto equívoco apontado pela recorrente. Também não merece acolhida a outra alegação de nulidade suscitada pela recorrente, sob o argumento de que não foram apresentadas as provas da infração objeto da presente autuação, especificamente, os correspondentes extratos das telas do Siscomex. Em primeiro, porque a matéria sobre prova, sabidamente, é questão de mérito e não questão preliminar sobre nulidade do auto de infração. Em segundo, porque, ainda que admitida como preliminar a referida questão, o que se admite apenas para argumentar, não há como aceitar o argumento suscitado pela recorrente de que não há, nos autos, provas da infração, pelo fato de a fiscalização não ter juntado aos autos os correspondentes extratos das telas do Siscomex, uma vez que, inequivocamente, os dados informados na citada tabela foram extraídos do referido Sistema, conforme asseverado pelo autoridade fiscal, e estão todos eles vinculados às respectivas Declarações de Despacho de Exportação (DDE) em que informadas as datas de embarque e a de registro dessa informação. Além disso, a recorrente não apontou nenhum erro de data consignado na referida tabela e se limitou apenas em alegar que não foram colacionados aos autos os extratos das referidas DDE. Assim, sem a demonstração ou comprovação de qualquer equívoco, a presente alegação não tem relevância alguma, para fim de comprovar a suposta mácula atribuída a autuação, especialmente, o alegado cerceamento do direito de defesa, uma vez que, as alentadas peças defensivas apresentadas, demonstram que a recorrente teve pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados. Por todas essas razões, rejeitase as presentes alegações de nulidade da autuação. Da análise das questões de mérito. Em relação ao mérito, a recorrente apresentou as seguintes alegações: a) embarques tempestivos, segundo o novo prazo da IN RFB 1.096/2010, mas não excluídos da autuação pelo acórdão recorrido; b) não ocorrência do fato gerador da multa aplicada referente ao vôo AF/442 do dia 20/4/2006; c) ausência de prova da intempestividade do registro efetuado pela recorrente; d) prova imperfeita da infração cometida em razão da indisponibilidade do Siscomex; e) reconhecimento pelo Secretário da Receita Federal das impossibilidades de acesso ao Siscomex Carga IN RFB835/2008; f) inexistência de embaraço à fiscalização, Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10715.000559/201017 Acórdão n.º 3302005.206 S3C3T2 Fl. 299 9 desoneração às exportações e violação à finalidade do ato administrativo; e g) violação à proporcionalidade e razoabilidade. A segunda alegação, atinente à não ocorrência do fato gerador da multa aplicada referente ao vôo AF/442 do dia 20/4/2006, tratase de questão que não foi suscitada na fase impugnatória, portanto, não se toma conhecimento na atual fase recursal, em razão da preclusão determinada no art. 174 do Decreto 70.235/1972. Apreciação dessa alegação implicaria evidente supressão de instância, o que não é permitido na seara processual. As demais alegações foram bem e exaustivamente analisadas pela competente exConselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, no voto vencido que integra o citado julgado anterior proferido por esta Turma Ordinária, que aqui adotase como fundamento da decisão, com base art. 50, § 1º, da Lei 9.784/1999. Os excertos pertinentes do citado voto, seguem transcritos: Assim esclarecido, ressaltase que não há que se falar em embaraço à fiscalização, sendo descabidas as alegações atinentes à questão de embaraço à fiscalização aduzidas no item “VIII INEXISTÊNCIA DE EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO, DESONERAÇÃO ÀS EXPORTAÇÕES E VIOLAÇÃO À FINALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO”, haja vista que a infração devidamente aplicada nos autos foi a prevista no inciso IV, ‘e’, do art. 107 do Decretolei nº 37/1966 que tem natureza objetiva, independendo, portanto, da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato praticado e uma vez consumada a infração, aplicável é a penalidade prevista em lei pelo descumprimento da obrigação acessória, em face à prestação intempestiva da informação sobre carga transportada. DAS ALEGAÇÕES QUANTO: À AUSÊNCIA DE PROVA DA INTEMPESTIVIDADE DO REGISTRO EFETUADO PELA RECORRENTE; À PROVA IMPERFEITA DA INFRAÇÃO COMETIDA EM RAZÃO DE INDISPONIBILIDADES DO SISCOMEX E AO RECONHECIMENTO POR PARTE DO SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL ACERCA DAS IMPOSSIBILIDADES DE ACESSO AO SISCOMEX CARGA IN RFB N° 835/2008 Referente à alegação aduzida na impugnação de que o atraso no registro das informações era decorrente de questões operacionais (i.e. falhas do SISCOMEX) e documentais e não de desídia da empresa, a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa assim pronunciouse: “Quanto à impossibilidade de efetuar no prazo estipulado o registro de embarque por conta de falhas ocorridas no Siscomex, é dizer que referida assertiva é inócua na medida em que a autuada não demonstra a ocorrência de tal circunstância, ao contrário, procura transferir o ônus do alegado para o julgador administrativo, o que não é razoável, posto que em sede de julgamento não há como o julgador se pautar apenas em 4 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997). Fl. 346DF CARF MF 10 alegações desprovidas de elementos que a sustente, notadamente quando se tratar de matéria de fato. Ainda mais que as evidências conduzem para a conclusão de que a empresa autuada registrou intempestivamente os dados de embarque em apreço.” Assim é que, novamente, em fase de recurso, a contribuinte reforça seus argumentos de que o SISCOMEX não funciona de forma ininterrupta e que são constantes as falhas e erros do sistema, inclusive pelo o fato de que o SISCOMEX “registra, na realidade, a data de averbação, pela Receita, do embarque da carga, mas não a dos registros de dados efetuados pela Recorrente”, ressaltando que se faz necessário criar um mecanismo que assegure às companhias aéreas que estas somente serão multadas quando a não inclusão dos dados no sistema depender de ato exclusivamente seu. Visando comprovar o alegado, a recorrente traz aos autos notícias obtidas no site da ANVISA que atestavam algumas das inúmeras indisponibilidades do sistema, bem como junta ao presente processo administrativo alguns correios eletrônicos enviados pela Infraero às empresas aéreas, comunicando a indisponibilidade do sistema aduaneiro, neste caso, em razão de manutenção elétrica realizada no centro de dados da Regional São Paulo do SERPRO e, em item específico de seu recurso, transcreve trecho da Instrução Normativa RFB n° 835, de 28 de março de 2008, que dispõe acerca das regras de contingência na utilização do Siscomex Carga, afirmando que a indisponibilidade do SISCOMEX é reconhecida pela SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL, que, nos casos listados na referida norma, afasta a imposição de qualquer penalidade pela inserção intempestiva de dados no sistema. Também, para comprovar a alegação quanto à falha do SISCOMEX, no que se refere aos equívocos dos registros (Averbação da RFB x registro pela contribuinte) anexa parte do Auto de Infração contra ela lavrado no processo nº 10715.007805/200928, qual seja, a planilha apurada a partir do SISCOMEX, que embasou aquela autuação e a tela do sistema do Siscomex, referente aos registros efetuados quanto à mercadoria embarcada na data de 01/08/2005 e alterada em 27/07/2006, tendo sido essa última data a que embasou a multa naquele processo. Cita Soluções de Consulta. De fato, é inconteste que o Sistema de Comércio Exterior SISCOMEX é sistema que apresentou falhas no início de sua implantação e que há a possibilidade de ocorrências de indisponibilidades e/ou instabilidades do sistema. Como também é inconteste que a Instrução Normativa RFB n° 835, de 28 de março de 2008 estabelece no §2º do seu art. 7º que “Para fins de baixa dos bloqueios por informação prestada após o prazo, nos termos do inciso III do caput, sem imposição de penalidades, a autoridade aduaneira levará em conta o período de paralisação do sistema.” E é lógico e razoável entender que se o referido sistema eletrônico de Comércio Exterior SISCOMEX apresenta falhas, não pode a contribuinte ser prejudicada. E, exatamente por esta razão, a referida instrução normativa determina que a Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10715.000559/201017 Acórdão n.º 3302005.206 S3C3T2 Fl. 300 11 autoridade aduaneira levará em conta o período de paralisação do sistema. As diversas notícias da Anvisa, bem como as mensagens de correios eletrônicos enviados pela Infraero às empresas aéreas, as quais foram trazidas pela recorrente, demonstram que os órgãos intervenientes comunicam aos interessados as interrupções e ou instabilidades do sistema. Portanto, para afastar a referida multa cabe à contribuinte demonstrar que no período abrangido pela fiscalização houve a ocorrência dessas indisponibilidade e/ou instabilidades do SISCOMEX, de modo a comprovar as suas alegações de que o atraso nos registros decorreu dessa falhas e não de sua vontade ou por desídia. Entretanto, as notícias da Anvisa, bem como o correio eletrônico da Infraero trazidos pela recorrente referem se à períodos outros que não o abrangido pela presente autuação. De outro lado, a tela do SISCOMEX denominada “CONSULTA HISTÓRICO DESPACHO” (efl.185) trazida pela recorrente para demonstrar que aquele sistema , na verdade, registra a data de averbação do embarque da carga, a qual é efetuada pela Receita, mas não a dos registros de dados efetuados pela Recorrente , ao contrário do aduzido, demonstra que o sistema relata todo o histórico dos registros, sejam eles efetuados pelos contribuintes ou pela RFB. Naquele processo mencionado pela recorrente (10715.007805/200928), deduzse ter havido apenas equívoco do autuante e não falhas do Sistema. Assim, meras alegações, desprovidas de provas que as ampare, não tem o condão de afastar o lançamento, devendose manter, quanto a esta questão, a decisão proferida no Acórdão ora recorrido. DA ALEGAÇÃO DE EMBARQUE TEMPESTIVO, SEGUNDO A IN SRF 1.096/10, MAS NÃO EXCLUÍDO DA AUTUAÇÃO PELO V. ACÓRDÃO RECORRIDO Os fatos discutidos nesses autos ocorreram em Abril de 2006. Nessa época, a IN SRF n° 28/1994 estabelecia em seu art. 37 que o registro das exportações no SISCOMEX deveria ocorrer no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque, consoante a redação dada pela, a IN SRF n° 510/2005. Contudo, em 2010, a IN SRF nº 1096 aumentou esse prazo para sete dias. Vejamos: “Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque”. (Grifos nossos) Por tal motivo, a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, aplicando o princípio da retroatividade benigna Fl. 348DF CARF MF 12 previsto no art. 106, II, “c” do CTN, entendeu que o novo prazo de sete dias, por ser maior e, consequentemente, beneficiar a autuada, deveria ser aplicado aos autos, tendo, então, excluído do lançamento os registros atinentes aos embarques efetuados no Vôo AF/443, ocorridos em 14.04.2006, 18.04.2006, 28.04.2006 e 29.04.2006, por concluir que o registro dos dados de embarque das mercadorias transportadas nesse vôo e dias terseia ocorrido dentro do novo prazo de sete dias, estatuído pela IN RFB 1.096/2010, uma vez que efetuados em 19.04.2006, 24.04.2006, 03.05.2006 e 04.05.2006, respectivamente. Manteve, contudo, a multa para os demais embarques, por entender que os registros se deram em prazo superior aos sete dias estipulados na nova instrução. A contribuinte, entretanto, lembrando os princípios básicos de contagem de prazo da legislação brasileira estabelecidos no Código Civil e no Código Tributário, segundo os quais os prazos são contínuos, mas só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal, argúi tempestividade do registro efetuado em relação ao vôo AF 443 do dia 07/04/2006, posto que teria, segundo seu entendimento, até a data de 17/04/2006 para inserir no sistema Siscomex as informações relativas ao embarque, e afirma ter realizado o registro de dados no dia 15/04/2006, ou seja, dois dias antes do término do prazo. Vejamos. O despacho aduaneiro de mercadorias destinadas à exportação é regulado pela Instrução Normativa SRF n° 28/94. 0 artigo 37 cria uma obrigação acessória para os transportadores, já acima transcrito, que é alegadamente descumprida pela contribuinte, ora recorrente, motivo pelo o qual foi penalizada. A multa aplicada no presente caso para cada veiculo identificado pelo respectivo vôo, que transportou as cargas amparadas pelas Declarações de Exportação DES, consoante consta na planilha em anexo, baseouse na regra prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/66, com nova redação do art. 77, da Lei nº 10.833/2003, a qual foi instituída para punir violações ao controle aduaneiro das exportações, tendo, assim, natureza administrativa. Pelo fato da penalidade em foco não se revestir de natureza tributária, há quem entenda não se poder aplicar o art. 210 da Lei 5.172, de 1966 CTN . Contudo, inexistindo regra específica na legislação aduaneira para a contagem de prazo das multas de natureza administrativa, é de se entender que se deve aplicar, por analogia, a regra contida no art. 210 do CTN, que é similar à regra contida Lei nº 10.406/2002 (Código Civil). O Código Tributário Nacional, nas Disposições finais e transitórias, assim estabelece em seu art. 210: “Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou na legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10715.000559/201017 Acórdão n.º 3302005.206 S3C3T2 Fl. 301 13 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato”. Entretanto, tal regra não modifica a decisão ora recorrida, consoante os fundamentos postos a seguir. A regra contida no caput do artigo 210 do CTN (Os prazos...serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento.) traduz a forma de contagem de todos os prazos estipulados na legislação tributária, a qual se aplica ao presente caso, por analogia. Porém, como foi devidamente ressaltado no acórdão recorrido, devese observar as singularidades de cada caso, para concluir se o prazo estipulado pode ou não subsumirse na disposição contida no parágrafo único do referido artigo, que se trata de regra excepcional, destinada apenas a estabelecer uma exceção à disposição encartada na cabeça do artigo e, como exceção, a regra do parágrafo único só se aplica para os casos em que o prazo seja de natureza processual ou se refira a ato cuja realização esteja a depender da intervenção da repartição pública, conforme estabelecido: “Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.”(g.n.) Em regra geral, o despacho aduaneiro é processado no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), após o interessado providenciar a sua habilitação para utilizar o Siscomex . Sabese que o SISCOMEX é um sistema informatizado utilizado pelo governo do Brasil para o controle do comércio exterior, que interliga exportadores, importadores, despachantes aduaneiros, comissários, transportadores e outras entidades à Secretaria de Comércio Exterior SECEX, ao Banco Central e à Secretaria da Receita Federal do Brasil –RFB, o qual permite, por um fluxo único, processar o registro de operações de importação e exportação, acompanhar e controlar as referidas operações. Por ser um sistema on line, fica o mesmo disponibilizado aos usuários todo o tempo, salvo quando de ocorrências de indisponibilidades, que são comunicadas pelos gestores e ou anuentes. Por intermédio do Siscomex, as operações de exportação e importação são registradas e, em seguida, podem ser analisadas em tempo real pelos órgãos gestores do sistema, que são a Secretaria da Receita Federal (SRF), a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e o Banco Central do Brasil (Bacen). Para processar suas operações de exportação e importação, o interessado pode ter acesso ao Siscomex, diretamente, a partir de seu próprio estabelecimento, no caso das empresas, desde que disponham dos necessários equipamentos e condições de acesso, utilizar despachantes aduaneiros credenciados no Siscomex ou, Fl. 350DF CARF MF 14 ainda, utilizar a rede de computadores colocada à disposição dos usuários pela SRF. Portanto, a obrigação de prestar informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, por não depender da participação da autoridade aduaneira para que o responsável pelo seu cumprimento a satisfaça no prazo regulamentar, e por não ser praticada na repartição pública, deve, o prazo legalmente estipulado, ser contado da data do embarque, conforme dispõe o artigo 37 da IN SRF 28/1994, ainda mais que os responsáveis por tais obrigações são previamente habilitados pela Receita Federal para acessarem referido sistema informatizado de forma ininterrupta. Inclusive, pela análise dos autos (efls. 11 e 12), relativamente ao vôo AF 443 do dia 07/04/2006 (uma sextafeira), ora contestado, verificase que o registro de referido embarque foi realizado no SISCOMEX em 15/04/2006(num sábado). Portanto, é inconsistente a arguição da recorrente quando afirma que “Acrescentamos à incontroversa argumentação da contagem do prazo, a impossibilidade prática de se realizar a averbação em dias não úteis. A Recorrente, da mesma forma que a Receita Federal, realiza suas operações 7 (sete) dias por semana.” Não há como acatar a exegese veiculada na Solução de Consulta 215, de 16.08.2004, exarada pela DISIT da 9ª SRRF, a qual foi abordada no recurso voluntário, em especial, quanto à forma de contagem do prazo, eis que além de desprovida de caráter vinculante, não resultou de consulta formulada pela Recorrente. Assim, como o embarque deuse em 07/04/2006, numa sexta feira (dies a quo, excluído da contagem), devese iniciar a contagem de prazo no dia 08/04/2006, vencendose o prazo de sete dias em 14/04/2006 (numa sextafeira, dia útil). Realizado o registro de dados no dia 15/04/2006 (num sábado), depreendese ser este intempestivo, devendose, portanto, manter a aplicação da penalidade prevista para o descumprimento da obrigação acessória em questão. X VIOLAÇÃO À PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE Os princípios (da finalidade, da proporcionalidade, da razoabilidade, dentre outros) são, em regra, dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei. Este, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicála obrigatoriamente por força do art. 116, inciso III, da Lei 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009). Ademais, o julgador administrativo não pode valorar norma sob o argumento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10715.000559/201017 Acórdão n.º 3302005.206 S3C3T2 Fl. 302 15 aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais não se enquadra a matéria fática examinada. Tal questão é, inclusive, objeto da Súmula nº 2 do CARF. Portanto, neste item, nada há de ser alterado quanto às ponderações feitas pela i. Decisão recorrida, que se pronunciou nos seguintes termos: “Quanto às alegações de que a penalidade aplicada viola aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, é mister consignar que os julgadores das instâncias administrativas não têm competência para apreciar arguições dessa natureza. Porém, cabe acentuar que no Direito Administrativo brasileiro o principio da legalidade assume significado especial, pois ora traduzse numa expressão de direito, ora revelase elemento de garantia e segurança jurídicas, sendo que o denominado principio da autonomia da vontade não encontra acolhimento neste campo do Direito, na medida que os bens tutelados interessam a toda coletividade, cujo regramento da atuação dos agentes e órgãos públicos funciona como elemento garantidor daqueles que subsidiam e se servem da prestação dos serviços públicos. Razão pela qual o agente público não age em nome próprio, mas sim em nome do Estado, e sempre em cumprimento das finalidades legalmente estabelecidas para respectiva conduta. Nesse contexto, o principio da finalidade é aquele que imprime à autoridade administrativa o dever de praticar o ato administrativo com vistas à realização da finalidade perseguida pela lei. Nesse sentido, o agente público deve estrita obediência à lei (principio da legalidade) e tem como dever a satisfação dos interesses públicos (principio da finalidade). Por conseguinte, o agente público não pode utilizar meios ou instrumentos que fiquem aquém ou se coloquem além do que seja estritamente necessário para o fiel cumprimento da lei. Portanto, pelo fato de a matéria examinada se encontrar plenamente disciplinada por atos legais regularmente inseridos no ordenamento jurídico, as instâncias administrativas, por caráter vinculado de atuação, são incompetentes para apreciar questões que se referem à ilegalidade e/ou inconstitucionalidade das respectivas normas legais, uma vez que tal competência é atribuída privativamente ao Poder Judiciário (art. 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal). A tratar do assunto, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF/MF manifestouse no sentido de que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" (Súmula CARF no 2, publicada no DOU em 22.12.2009, p. 71, Seção I). Quanto à alegada boafé ou ausência de prejuízo ao Erário por conta da conduta da autuada, é suficiente reprisar que em matéria tributária a responsabilidade não tem a mesma natureza da responsabilidade penal, não havendo falar em modalidade culposa Fl. 352DF CARF MF 16 ou dolosa, conforme dispõe o parágrafo 2° do artigo 94 do Decretolei 37/1966 e o artigo 136 do CTN.” Com base nessas razões, fica cabalmente demonstrada as improcedências das alegações de mérito suscitadas pela recorrente. Enfim, embora tenha suscitado extemporaneamente e apenas na fase impugnatória, por oportuno, cabe esclarecer que, no caso em tela, não se aplica o princípio da retroatividade benigna, previsto no art. 1065, II, “b” do CTN, em razão da alteração do prazo de 2 (dois) para 7 (sete dias), pela nova redação dada ao art. 37 da Instrução Normativa SRF 28/1994, pela Instrução Normativa SRF 1.096/2010, uma vez que, de acordo com os dados da tabela de fl. 11, em todos os vôos do mês de junho de 2006, houve registro dos dados de embarque em prazo superior a 7 (sete) dias. Assim, uma vez descumprido o prazo 7 (sete) dias, estabelecido no ao art. 37 da Instrução Normativa SRF 28/1994, a partir da nova redação da Instrução Normativa SRF 1.096/2010, a infração definida no art. 107, IV, “e”, do Decretolei 37/1966, com a redação do art. 77 da Lei 10.833/2003, resta devidamente caracterizada, logo, devida a aplicação da penalidade pecuniária fixado no respectivo preceito legal. Da conclusão Por todo o exposto, tomase conhecimento parcial do recurso e, na parte conhecida, rejeitase a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, negase provimento ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 5 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10715.000559/201017 Acórdão n.º 3302005.206 S3C3T2 Fl. 303 17 Fl. 354DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.000946/2005-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2003
PIS. DECRETOS-LEI N° 2445/88 E 2449/88. PROCESSO JUDICIAL. APLICAÇÃO DE DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS. A decisão judicial deve ser reconhecida e devidamente aplicada pelo órgão administrativo de julgamento. Comprovado o recolhimento a maior a título de PIS, à época dos declarados inconstitucionais Decretos-Lei nº 2445/88 e 2449/88, resta evidente o direito à compensação de tais valores.
PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15 (VINCULANTE). A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, podendo a semestralidade ser reconhecida de ofício. Aplicação da Súmula CARF nº 15, vinculante.
DILIGÊNCIA. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. NOVEMBRO/2003. Em processo de diligência fiscal, determinado nos autos do processo n° 10855.000880/2003-78, foi reconhecido o indébito alegado pelo contribuinte. Crédito extinto, nos termos do art. 156, II, do CTN, para o período de apuração de novembro/2003.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-004.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2003 PIS. DECRETOS-LEI N° 2445/88 E 2449/88. PROCESSO JUDICIAL. APLICAÇÃO DE DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS. A decisão judicial deve ser reconhecida e devidamente aplicada pelo órgão administrativo de julgamento. Comprovado o recolhimento a maior a título de PIS, à época dos declarados inconstitucionais Decretos-Lei nº 2445/88 e 2449/88, resta evidente o direito à compensação de tais valores. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15 (VINCULANTE). A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, podendo a semestralidade ser reconhecida de ofício. Aplicação da Súmula CARF nº 15, vinculante. DILIGÊNCIA. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. NOVEMBRO/2003. Em processo de diligência fiscal, determinado nos autos do processo n° 10855.000880/2003-78, foi reconhecido o indébito alegado pelo contribuinte. Crédito extinto, nos termos do art. 156, II, do CTN, para o período de apuração de novembro/2003. Recurso voluntário provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10855.000946/2005-91
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5854799
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.262
nome_arquivo_s : Decisao_10855000946200591.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
nome_arquivo_pdf_s : 10855000946200591_5854799.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
id : 7234177
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010272137216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1982; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 326 1 325 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.000946/200591 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.262 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 2 de fevereiro de 2018 Matéria Contribuição para o PIS/Pasep Recorrente Catalent Brasil Ltda Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2003 PIS. DECRETOSLEI N° 2445/88 E 2449/88. PROCESSO JUDICIAL. APLICAÇÃO DE DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS. A decisão judicial deve ser reconhecida e devidamente aplicada pelo órgão administrativo de julgamento. Comprovado o recolhimento a maior a título de PIS, à época dos declarados inconstitucionais DecretosLei nº 2445/88 e 2449/88, resta evidente o direito à compensação de tais valores. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15 (VINCULANTE). A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, podendo a semestralidade ser reconhecida de ofício. Aplicação da Súmula CARF nº 15, vinculante. DILIGÊNCIA. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. NOVEMBRO/2003. Em processo de diligência fiscal, determinado nos autos do processo n° 10855.000880/200378, foi reconhecido o indébito alegado pelo contribuinte. Crédito extinto, nos termos do art. 156, II, do CTN, para o período de apuração de novembro/2003. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 09 46 /2 00 5- 91 Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10855.000946/200591 Acórdão n.º 3301004.262 S3C3T1 Fl. 327 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase, na origem, de declaração de compensação de créditos de PIS dos meses de outubro de 1990 a abril de 1994, com vistas a compensar créditos de PIS, relativo ao período de apuração de novembro de 2003, previamente reconhecidos e apurados nos termos da Ação Ordinária n° 95.09044393, cujo acórdão transitou em julgado na data de 06/04/2000. Do relatório da decisão recorrida, efls. 287s, consta: Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 89 a 97) contra o Despacho Decisório de fl. 85, proferido pela Delegacia da Receita Federal em Sorocaba, SP. Segundo consta no despacho supra, inexiste crédito a compensar conforme despacho extraído do processo 10855.00880/200378 de fl. 84. Desta forma, diante do não reconhecimento do direito creditório, a Declaração de Compensação (DCOMP) apresentada pela contribuinte não foi homologada. Irresignada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade em comento, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: Correção monetária dos indébitos apurados, adotando como índice a Taxa Selic e aplicação da semestralidade na base de cálculo no cálculo do PIS. Dando prosseguimento ao processo, este foi encaminhado para a DRJ em Ribeirão Preto para julgamento. A 4ª Turma da DRJ/POR, no acórdão n° 1414.757, negou provimento à manifestação de inconformidade, com decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2003 BASE DE CALCULO. FATURAMENTO. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS é o faturamento do próprio mês de ocorrência do fato gerador. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO A COMPENSAR. Ante a inexistência de crédito a compensar, não se homologa a declaração de compensação apresentada. Em seu recurso voluntário, a empresa reiterou os fundamentos de sua impugnação, requerendo a aplicação da semestralidade e da atualização pela taxa SELIC. Ao final, defendeu o acolhimento do pleito com a consequente homologação da DCOMP. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10855.000946/200591 Acórdão n.º 3301004.262 S3C3T1 Fl. 328 3 Tratase o presente, de processo vinculado ao processo n° 10855.000880/200378, ao qual, inclusive, está apenso. Nos autos do processo n° 10855.000880/200378, a 3ª Turma Especial do CARF, por meio da Resolução n° 3803000.116, converteu o julgamento em diligência, para determinar: o retorno do processo à delegacia fiscal de origem, para que se proceda a apuração do crédito em questão, observandose a semestralidade da base de cálculo do PIS do período de outubro de 1990 a abril de 1994 e, ainda, a correção monetária do crédito, até a data da compensação do PIS da competência abril de 2003 objeto da presente demanda, com base na variação da taxa Selic, nos exatos termos da decisão judicial proferida pelo TRF 3ª Região. A diligência foi cumprida, nos termos da informação fiscal que lá consta, e fls. 1253 e s. Sobre o resultado, a empresa manifestouse, nas efls. 1296 e s. Ressaltese que a diligência investigou e certificou também se o direito creditório cobre os débitos de PIS de novembro/2003, que é objeto deste presente processo, bem como de outros processos também apensados ao de n° 10855.000880/200378. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. É pacífico o entendimento de que a base de cálculo do PIS, sob o regime da Lei Complementar nº 7/70, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, e, sendo inconstitucionais os Decretoslei nº 2445 e 2449/88, conforme a Resolução do Senado nº 49/95, deve prevalecer a Lei Complementar, nos termos em que imposta até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95, convertida na Lei nº 9.715/98. A matéria é inclusive tema da Súmula CARF nº 15 (vinculante): “A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.” Por conseguinte, exsurgiu o direito de o contribuinte compensar os valores recolhidos indevidamente a título de PIS de acordo com os atos inconstitucionais, naquilo que superou o previsto na Lei Complementar n° 7/70, direito que fora reconhecido na Ação Judicial Ordinária n° 95.09044393, de titularidade da Recorrente. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10855.000946/200591 Acórdão n.º 3301004.262 S3C3T1 Fl. 329 4 Dessa forma, andou bem a Resolução n° 3803000.116, do processo n° 10855.000880/200378, ao determinar de ofício a aplicação da semestralidade. Como resultado da diligência, a Delegacia competente verificou que quase a totalidade dos valores em litígio no processo n° 10855.000880/200378, no presente e ainda nos outros processos em apenso ao primeiro, foram objeto de compensação. Relata a autoridade fiscal que do confronto dos débitos apurados com os recolhimentos havidos no mesmo período, obtémse, como resultado, conforme relatório “Demonstrativo de Saldo de Pagamentos”, o montante de R$ 300.809,62 (trezentos mil, oitocentos e nove reais e sessenta e dois centavos) que corresponde ao efetivo direito creditório do contribuinte antes de realizadas as compensações por ele declaradas em DCTF e em Declarações de Compensação (a partir de 2003). Transcrevo parte do teor da informação fiscal, efls. 1253s do processo n° 10855.000880/200378: III – Das Compensações – Até o Limite do Crédito Apurado e Reconhecido As compensações foram realizadas até o limite do crédito apurado e reconhecido, por ordem direta dos períodos de apuração dos débitos de PIS informados/declarados pelo contribuinte, do mais antigo para o mais recente. No demonstrativo “Quadro Resumo – Demonstrativo de Utilização de Crédito do PIS para Compensação com o próprio PIS” juntado às fls. 1189, é possível se verificar a consumação do crédito apurado após a amortização de cada um dos débitos de PIS, até a sua completa exaustão. Nos demonstrativos, listagens e demonstrativos citados adiante, as compensações serão tratadas pormenorizadamente. Para fins de operacionalização e controle nos sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB, as compensações informadas e declaradas pelo contribuinte foram divididas em dois períodos distintos, a saber: • período de apuração de 07/1996 a 10/2000 – compensações informadas em DCTF; • período de apuração de 02/2003 a 01/2004 – compensações declaradas em DCOMP. Para o primeiro conjunto – PA 07/1996 a 10/2000 – o crédito reconhecido foi suficiente para a amortização de todas as contribuições de PIS, conforme demonstrado nos seguintes relatórios: • Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes, fls. 1190/1191; • Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes, fls. 1192/1193; • Demonstrativo Analítico de Compensação, fls. 1194/1230. Já para o segundo conjunto – PA 02/2003 a 01/2004 – o crédito apurado foi suficiente para a compensação total das contribuições do PIS relativas aos períodos de apuração de fevereiro/2003 até novembro/2003 e parcial do período de apuração dezembro/2003, conforme relatórios anexos: • Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes II, fls. 1231; • Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes II, fls. 1232; • Demonstrativo Analítico de Compensação II, fls. 1233/1240. Dessa forma, conforme “Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes” de fls. 1232, remanesceram os débitos de PIS de dezembro/2003 (parcial), no valor de Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10855.000946/200591 Acórdão n.º 3301004.262 S3C3T1 Fl. 330 5 R$ 7.980,88, e janeiro de 2004, no valor de R$ 8.378,17, valores estes sujeitos à cobrança final e inscrição em dívida ativa. Sobre o resultado da diligência, a Recorrente reclamou apenas que a diferença a pagar existente em 12/2003 e 01/2004 se devia por erro na conversão entre as moedas, de cruzeiro real para real, concordando com os demais termos da informação fiscal: Ocorre que, de acordo com os cálculos da ora Requerente (planilha juntada aos autos do processo, o direito creditório antes de realizadas as compensações corresponde ao valor de R$ 307.182,97 (trezentos e sete mil, cento e oitenta e dois reais e noventa e sete centavos), e não de R$ 300.809,62 (trezentos mil, oitocentos e nove reais e sessenta e dois centavos) como apontado pela autoridade administrativa. Aparentemente, a autoridade administrativa considerou todos os pagamentos realizados pela ora Recorrente, mas, ao converter os valores de Cruzeiros (CR$) para Reais (R$), na planilha denominada “Demonstrativos de Saldos e Pagamentos”, não mencionou a fórmula utilizada para tanto, o que impede a Requerente de contraditar os cálculos da Receita Federal e que implica em nítido cerceamento do direito de defesa. Com efeito, nos termos da informação fiscal, partindose do valor apurado pela Receita Federal antes das compensações (R$ 300.809,62), ao final, remanescerão os débitos de PIS de dezembro/2003, no valor de R$ 7.098,88 e janeiro de 2004, no valor de R$ 8.378,17, pois o crédito não seria suficiente para liquidar integralmente as compensações declaradas. Por outro lado, partindose do valor apurado pelo contribuinte (R$ 307.182,97), verificarseá que, realizadas as compensações, não remanescerá débito algum. Tal alegação foi afastada no acórdão n° 3301004.085, com os seguintes fundamentos do voto condutor: Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10855.000946/200591 Acórdão n.º 3301004.262 S3C3T1 Fl. 331 6 Não há o que se deferir quanto ao pleito de esclarecimento do método de cálculo utilizado na conversão de valores de cruzeiros para reais, com o apontamento dos índices aplicados. Isso porque as conversões são realizadas automaticamente pelo sistema da Receita Federal, o SICALQ, que está, inclusive, disponível para download no site www.receita.fazenda.gov.br. De todo modo, o sistema atende ao comando da Medida Provisória n° 542/1994 e reedições e da Lei n° 9069/1995. As regras de conversão do cruzeiro real para real estão postas no art. 12 e seguintes da Lei n° 9069/1995. Logo, a argumentação da Recorrente não desqualificou o trabalho da auditoria fiscal. Diante disso, considerando as premissas apontadas pela Recorrente, a partir das quais a diligência foi efetuada (itens i a iv citados acima), bem como o resultado avalizado pela interessada, entendo que é imperioso reconhecer o indébito devidamente comprovado. Restou a ementa daquele acórdão, assim redigida: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 28/02/2003 PIS. DECRETOSLEI N° 2445/88 E 2449/88. PROCESSO JUDICIAL. APLICAÇÃO DE DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS. A decisão judicial deve ser reconhecida e devidamente aplicada pelo órgão administrativo de julgamento. Comprovado o recolhimento a maior a título de PIS, à época dos declarados inconstitucionais DecretosLei nº 2445/88 e 2449/88, resta evidente o direito à compensação de tais valores. Reconhecimento parcial do indébito alegado pelo contribuinte, conforme o demonstrado no procedimento de diligência fiscal. Crédito parcialmente extinto, nos termos do art. 156, II, do CTN. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15 (VINCULANTE). A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, podendo a semestralidade ser reconhecida de ofício. Aplicação da Súmula CARF nº 15, vinculante. Recurso voluntário parcialmente provido. Então, a conclusão do acórdão n° 3301004.085, do Processo n° 10855.000880/200378, foi de reconhecer que se operou a extinção do crédito, nos termos do art. 156, II, do CTN, até o limite reconhecido pela autoridade fiscal, no procedimento de diligência fiscal, dando provimento parcial ao recurso voluntário. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10855.000946/200591 Acórdão n.º 3301004.262 S3C3T1 Fl. 332 7 Isso porque, como apontou a autoridade diligenciante, restou saldo a pagar de PIS de dezembro/2003 (parcial), no valor de R$ 7.980,88, e janeiro de 2004, no valor de R$ 8.378,17. Resta, por conseguinte, neste processo, aplicar o resultado do processo n° 10855.000880/200378. Logo, deve ser reconhecido que o crédito apurado foi suficiente para compensar integralmente os débitos de PIS do período de novembro/2003, que é o objeto do presente processo. Portanto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 332DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001541/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2001 a 31/07/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço na construção civil. Ressalte-se que, no mesmo plano de argumentação, aquilo que se conclui para a solidariedade na cessão de mão-de-obra é aplicável, também, para a solidariedade na contratação da construção civil (art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91), não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95.
Numero da decisão: 2201-004.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 05/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2001 a 31/07/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço na construção civil. Ressalte-se que, no mesmo plano de argumentação, aquilo que se conclui para a solidariedade na cessão de mão-de-obra é aplicável, também, para a solidariedade na contratação da construção civil (art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91), não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 18471.001541/2008-30
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5841117
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.082
nome_arquivo_s : Decisao_18471001541200830.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
nome_arquivo_pdf_s : 18471001541200830_5841117.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 05/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7169920
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010308837376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1536; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1.015 1 1.014 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001541/200830 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.082 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de fevereiro de 2018 Matéria contribuição previdenciária Recorrente PETROLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 31/07/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço na construção civil. Ressaltese que, no mesmo plano de argumentação, aquilo que se conclui para a solidariedade na cessão de mãodeobra é aplicável, também, para a solidariedade na contratação da construção civil (art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91), não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 41 /2 00 8- 30 Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 18471.001541/200830 Acórdão n.º 2201004.082 S2C2T1 Fl. 1.016 2 EDITADO EM: 05/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório 1 – Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte contra decisão da DRJ que manteve o lançamento em parte de contribuição previdenciária oriunda da NFLD nº 35.605.7925 (fls. 3/20) no valor de R$ 142.922,92 com data de cientificação do contribuinte em 29/09/2003 às fls. 3. 2 Adoto inicialmente como complemento ao relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 935/944) por sua clareza e precisão: “DO LANÇAMENTO A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD DEBCAD 35.605.7925, consta do acervo processual da Secretaria da Receita Federal do Brasil, criada conforme art. 4º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, como processo COMPROT nº 18471.001541/200830. 2. Tratase de crédito no montante de R$ 87.131,10, acrescido de encargos moratórios, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls 33/42 do eprocesso, foi apurado com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente de serviços prestados de construção civil pela empresa VANAZ – URBANIZAÇÃO E CONSTRUÇÕES LTDA, CNPJ 20.226.932/000164, em cumprimento ao contrato 250.2.025.012, de acordo com o artigo 30, VI da Lei 8.212/1991, nas competências 06/2001 a 07/2002. Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 18471.001541/200830 Acórdão n.º 2201004.082 S2C2T1 Fl. 1.017 3 3. Os serviços objeto do referido contrato são descritos no item 5 do Relatório Fiscal: EXECUÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL, A SABER : SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO DE TERRA E INFRAESTRUTÜRA ( ESCAVAÇÃO, REATERRO DE VALAS OU CAVAS, FORNECIMENTO, ASSENTAMENTO E REJUNTAMENTO DE TUBO DE CONCRETO ARMADO, DEMOLIÇÃO), SERVIÇOS DE ESTRUTURAS E SUFERESTRUTURAS EM CONCRETO, MONTAGEM DE ELETRODUTOS E ATERRAMENTO, SERVIÇOS DE ALVENARIA (FORNECIMENTO E MONTAGEM DE ALVENARIA DE FECHAMENTO, FORNECIMENTO, MONTAGEM E .ASSENTAMENTO DE ESQUADRIAS, FORNECIMENTO E ASSENTAMENTO DE TUBULAÇÃO DE PVC ÁGUA, ESGOTO E ELÉTRICA PREDIAL), ANDAIMES DE QUADROS E SERVIÇOS EVENTUAIS. QUANTO A PESSOAL: RESPONDER PELA SUPERVISÃO, DIREÇÃO TÉCNICA E ADMINISTRATIVA E MÃODEOBRA NECESSÁRIAS À EXECUÇÃO DOS SERVIÇOS CONTRATADOS, COMO ÚNICA E EXCLUSIVA EMPREGADORA; APRESENTAR À FISCALIZAÇÃO UMA RELAÇÃO NOMINAL DE TODOS OS EMPREGADOS QUE EXECUTARÃO OS SERVIÇOS, BEM COMO COMUNICAR, POR ESCRITO, QUALQUER ALTERAÇÃO OCORRIDA NESTA RELAÇÃO; OBRIGAR SEU PESSOAL AO USO OSTENSIVO DE CRACHÁS DE IDENTIFICAÇÃO FORNECIDOS PELA PETROBRÁS, OS QUAIS DEVEM SER DEVOLVIDOS AO TÉRMINO DO CONTRATO OU RETIRADA DO EMPREGADO DAS ATIVIDADES RELACIONADAS COM O CONTRATO; PROVIDENCIAR A RETIRADA IMEDIATA DE QUALQUER. EMPREGADO SEU, CUJA PERMANÊNCIA NO LOCAL DOS SERVIÇOS SEJA CONSIDERADA INDESEJÁVEL PELA FISCALIZAÇÃO, SEM ÔNUS PARA A PETROBRÁS. A CONTRATADA DEVERÁ APRESENTAR MENSALMENTE, QUANDO DA EMISSÃO DO BOLETIM DE MEDIÇÃO: A.) FOLHA DE PAGAMENTO DE SEUS EMPREGADOS QUE ESTIVEREM ENVOLVIDOS NA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONTRATAI)OS, B) FOTOCÓPIA DA GPS, DEVIDAMENTE QUITADA E AUTENTICADA, COM O PREENCHIMENTO DO NOME, CNPJ/CEL. NÚMERO, DATA E VALOR DA NOTA FISCAL, REFERENTE A TODOS OS EMPREGADOS DA CONTRATADA EM ATUAÇÃO NA EXECUÇÃO DO CONTRATO. Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 18471.001541/200830 Acórdão n.º 2201004.082 S2C2T1 Fl. 1.018 4 NÃO HOUVE DISCRIMINAÇÃO NAS NOTAS FISCAIS DOS DIVERSOS SERVIÇOS DE CONTRUCÃO CIVIL EXECUTADOS. Consta no o Relatório Fiscal que a empresa fiscalizada não comprovou o cumprimento das obrigações da construtora contratada para com a Seguridade Social, através de guias de recolhimento específicas para a obra contratada e folhas de pagamento específicas dos segurados empregados alocados à referida obra. 4. O crédito engloba as contribuições previdenciárias relativas à parte dos segurados empregados e as da empresa (para o Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS e aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho RAT). DA IMPUGNAÇÃO DA PETROBRÁS 5. A PETROBRAS, notificada do lançamento em 29/09/2003 (fl. 03 do eprocesso), contestouo em 14/10/2003 através do instrumento de fls. 52/57 do eprocesso, juntando comprovantes de capacidade postulatória, às fls. 58/60 do eprocesso. Além da tempestividade, a impugnante alegou, em síntese: 5.1. Seria inegável a previsão da solidariedade passiva na Lei, considerado, contudo, o pressuposto da configuração da dívida ou da obrigação, para o credor poder imputála a um dos devedores solidários; sendo que, antes da cobrança do devedor solidário, deveria ser efetivado o lançamento da cobrança em nome do devedor originário. 5.2. A Autarquia louvase no direito de constituir o crédito apenas contra a Impugnante — atitude totalmente injurídica. O correto seria, primeiramente, fazer o lançamento contra os contribuintes, e, somente depois de constituído o crédito contra os devedores principais, é que também o devedor solidário poderia ser cobrado. No entanto, o procedimento levado a efeito foi o contrário: a Autarquia, sem saber se a contribuição havia sido paga pelo devedor originário, a contratada, contra esta não fez o lançamento, porém apenas contra o devedor solidário, a contratante. Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 18471.001541/200830 Acórdão n.º 2201004.082 S2C2T1 Fl. 1.019 5 5.3. A tomada do valor bruto das notas fiscais como base de incidência das contribuições previdenciárias, em lugar de se restringir aos valores dos salários, além de ofender o princípio da legalidade, contaminaria o lançamento, que não revelaria a exata medida da responsabilidade solidária, impedindo também a possibilidade de chamar ao processo administrativo o devedor originário, apto a apresentar sua folha de salários. 5.4. O INSS estaria transferindo indevidamente para a Impugnante a fiscalização tributária sobre a contratante, a qual não possui poder de polícia para fiscalizar. 5.5. A Autarquia Federal, ao realizar a cobrança a um ente da Administração Indireta Federal, estaria postulando, enquanto Governo, ao recebimento do crédito do próprio Governo. O crédito contra a Impugnante deve ser extinto. 5.6. Finda pedindo seja julgada a improcedência do lançamento. Pede também a juntada de documentos a posteriori. DA NÃO IMPUGNAÇÃO PELA CONTRATADA 6. A VANAZ – URBANIZAÇÃO E CONSTRUÇÕES LTDA, notificada através de AR, em 23/10/2003 (fls. 48/50 do eprocesso), não apresentou defesa, vide fl. 61 do eprocesso. JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA 7. O Lançamento foi julgado PROCEDENTE pela DecisãoNotificação 17.401.4/0247/2004, de 20/02/2004, vide fls. 63/71 do eprocesso, devidamente notificada à PETROBRÁS em 11/03/2004, vide fl. 72 do eprocesso, e à empresa VANAZ – URBANIZAÇÃO E CONSTRUÇÕES LTDA, através de AR, em 16/03/2004, vide fl. 73 do eprocesso. DOS RECURSOS 8. A PETROBRÁS apresentou Recurso ao CRPS em 07/04/2004, fls. 79/83 do e processo, comprovando o depósito recursal à fl. 84 do eprocesso. Juntou comprovantes que integraram o Anexo I (fls. 203/666 do eprocesso). Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 18471.001541/200830 Acórdão n.º 2201004.082 S2C2T1 Fl. 1.020 6 9. A empresa VANAZ – URBANIZAÇÃO E CONSTRUÇÕES LTDA, em 13/04/2004, apresentou recurso às fls. 77/78 do eprocesso, alegando ter feito recolhimentos na matrícula CEI 50.002.28625.72 e que aderiu ao parcelamento da Lei 10.684/2003. Juntou comprovantes que integraram o Anexo II (fls. 668/841 do eprocesso). DA DILIGÊNCIA FISCAL E DA REFORMA DE DN 10. Os autos foram devolvidos à Fiscalização pelo Serviço de Análise de Defesas e Recursos, vide fl. 89 do eprocesso, para apreciar as razões e os documentos (Anexos I e II) aditados aos recursos das empresas interessadas, sendo que, em 17/08/2004, a Auditoria Fiscal manifestouse às fls. 90/94 do eprocesso pela retificação dos valores lançados, nos termos a seguir: 4. As empresas solidárias anexaram em seus recursos os seguintes documentos: I. Cópia do contrato de prestação de serviços n° 250.2.025.012 e aditivos, firmado com a tomadora Petrobrás, referente a obra na Refinaria de Gabriel Passos, objeto desta NFLD; II . Comprovante de inscrição da matrícula CEI 50.002.28625/72, referente à obra da VANAZ URBANIZAÇÃO E CONSTRUÇÕES LTDA., com endereço em "GABRIEL PASSOS, ROD. FRNAO DIAS, BR 381"; III. Cópias de GPS no CEI 50.002.28625/72, vinculadas à obra da Petrobrás; IV. Cópias de GFTP da empresa prestadora, no código 155, identificando como tomador a matrícula CEI 50.002.28625/72; V. Cópias de folhas de pagamento da empresa prestadora, nas competências do crédito, sem demonstrar qualquer vinculação com a tomadora Petrobrás ou com o contrato de prestação de serviços; Vl.Cópia do "Discriminativo Analítico de Débito DAD", referente a parcelamento da empresa prestadora, cadastrado em 30/07/2003, com Debcad n° 35.670.8934> vinculado à matrícula CEI 50.002.28625/72, que foi incluído no Parcelamento Especial – PAES. Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 18471.001541/200830 Acórdão n.º 2201004.082 S2C2T1 Fl. 1.021 7 5. Em análise aos documentos apresentados, verificamos que as GPS apresentadas, nas competências do crédito, conforme o item 2.III, estão vinculadas à matrícula CEI da obra contratada com a Petrobrás. Portanto, reconhecemos o vínculo dessas GPS com os serviços prestados objeto desta NFLD. Através de consulta ao sistema MPAS/TNSS ÁGUIA módulo CCOR, em 16.08.2004, confirmamos os recolhimentos relativos às GPS apresentadas conforme o item 2.111. 6. Com relação ao parcelamento apresentado, conforme o item 2.VI, verificamos que o mesmo referese a diferenças apuradas de contribuição de empresa, SAT e terceiros, nas competências 08/2001 a 03/2002, 10/2002 e 12/2002. Confirmamos o cadastramento do parcelamento, e posterior inclusão em parcelamento especial, através de consulta ao sistema M P AS/INSS SISCOB. 7. Vale acrescentar que, em que pese a apresentação de GPS e parcelamento relacionados aos serviços oriundos do Contrato n° 250.2.025.012, os mesmos não ensejam a elisão da responsabilidade solidária, devido à falta de apresentação da comprovação de que a empresa prestadora possui escrituração contábil, conforme o disposto na Instrução Normativa 100 de 01 de abril de 2004, em vigor, no seu art. 197 § 1ºe 2º . 8. Pelos itens 5, 6 e 7, concluímos que as GPS apresentadas, e os valores de empresa e SAT incluídos no parcelamento, ensejam a alteração do crédito nas competências correspondentes, devendo ser considerados, para fins de abatimento do crédito em cada competência, os valores de "GPS + Parcelamento" indicados na tabela a seguir: Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 18471.001541/200830 Acórdão n.º 2201004.082 S2C2T1 Fl. 1.022 8 Considerandose os valores acima, o crédito deverá ser retificado da seguinte forma: a) Abatimento do crédito nas competências 11/2001, 04/2002 e 07/2002, uma vez que o valor total recolhido ou parcelado é inferior ao aferido com base nas notas fiscais de serviços, de acordo com o Discriminativo Analítico do Débito DAD, às fls.4 a 7; b) Exclusão do crédito nas competências 06/2001 a 10/2001 e 12/2001 a 03/2002, uma vez que os valores totais recolhidos ou parcelados, foram superiores ao aferido com base nas notas fiscais de serviços, de acordo com o Discriminativo Analítico do Débito DAD , às fls. 4 a 7. 9. Segue FORCED para retificação do crédito 10.1. Em esclarecimento da informação acima, informo que correspondem, à numeração antiga de fls. 04/07, a atual numeração de fls. 06/09 do eprocesso. 11. Conforme consta às fls. 99/103 do eprocesso, em conformidade à diligência fiscal de fls. 90/94 do eprocesso, foi emitida a REFORMA DE DN nº 17.401.4/0766/2004, de 10/09/2004, homologado em 16/09/2004, sendo retificados os valores lançados, com a redução do total de principal de R$ 87.131,10 para R$ Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 18471.001541/200830 Acórdão n.º 2201004.082 S2C2T1 Fl. 1.023 9 6.955,25. O correspondente DADR – Discriminativo Analítico do Débito Retificado foi juntado às fls. 96/98 do eprocesso. 12. A REFORMA DE DN nº 17.401.4/0766/2004 foi cientificada à PETROBRÁS em 24/09/2004 (fl. 104 do eprocesso) e, à VANAZ – URBANIZAÇÃO E CONSTRUÇÕES LTDA, em 27/09/2004, vide fl. 105 do eprocesso. DOS NOVOS RECURSOS E DAS CONTRARAZÕES 13. Em 06/10/2004, a PETROBRÁS apresentou suas novas razões de recurso às fls. 108/114 do eprocesso. 14. A VANAZ – URBANIZAÇÃO E CONSTRUÇÕES LTDA não apresentou recurso , vide fl. 115 do eprocesso. 15. Após a elaboração de contrarazões, vide fls. 116/120 do eprocesso, o processo foi encaminhado ao CRPS, em 29/11/2004 (fl. 121 do eprocesso. DA ANULAÇÃO DA DECISÃO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA 16. A Segunda Câmara do CRPS, através do Acórdão 595, de 25/05/2005, fls. 123/127 do eprocesso, decidiu anular, por unanimidade, a decisão de Primeira Instância (o que atingiu ambas a DN 17.401.4/0247/2004 e a REFORMA DE DN 17.401.4/0766/2004), determinando que o INSS deveria apresentar elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justificassem o procedimento adotado e evidenciassem que a obrigação principal está inadimplida. 17. Inconformada com a Decisão, considerando que não houve vício insanável que acarretasse a nulidade da DN, a exSecretaria da Receita Previdenciária – SRP interpôs Pedido de Revisão do Acórdão, fls. 128/134 do eprocesso. 18. As empresas foram devidamente comunicadas do Acórdão do CRPS, assim como do pedido de Revisão, fls. 135 e 140 do eprocesso, sendolhes concedido prazo para manifestação, o que acarretou o pronunciamento da PETROBRÁS, fls. 141/144 do eprocesso; enquanto a VANAZ – URBANIZAÇÃO E CONSTRUÇÕES LTDA não se manifestou, vide fl. 147 do eprocesso. Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 18471.001541/200830 Acórdão n.º 2201004.082 S2C2T1 Fl. 1.024 10 19. O Pedido de Revisão NÃO FOI CONHECIDO pela 2ª CaJ/CRPS, conforme Acórdão 085, de 31/01/2006, fls. 149/152 do eprocesso, sob a alegação de que o pedido não se enquadrava nas hipóteses do artigo 60 e incisos da Portaria MPS nº 88/2004, do que foi dado ciência às fls. 155/ 161 do eprocesso, em 17/02/2006 (PETROBRÁS) e 02/03/2006 (VANAZ). DO REINÍCIO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO 20. De forma a cumprir o Acórdão 595/2005 do CRPS, os autos foram baixados em diligência, cujo resultado foi apresentado às fls. 182/187 do eprocesso, como segue: Considerandose o despacho à fl. 146, e do comando exarado do Acórdão CRPS 2ª CaJ n° 0000595/2005, de 25/05/2005, fls. 115 a 119, informase que: 1 Efetuouse pesquisa nos sistemas informatizados da SRFB, sendo analisadas as informações disponíveis relativas à empresa contratada e prestadora dos serviços, e constatouse que não houve ação fiscal com exame da contabilidade englobando o período referente ao lançamento em pauta, confoime cópia anexada à fl. 168. 2 Procedeuse, também, a pesquisa no SISTEMA DE COBRANÇA MF/RFB verificandose que a empresa não aderiu ao parcelamento especial da Lei n. 9964/2000 REFIS porém aderiu ao parcelamento especial da Lei no. 10684/2003 PAES, conforme cópias de telas anexadas às fls. 170 a 172. 3 Constatouse no conta corrente do estabelecimento SISTEMA PLENUS, que o contribuinte não realizou os recolhimentos devidos em época própria, havendo competências em aberto a partir de 01/2005, conforme fls. 169. 4 Assim sendo, encaminhase o presente à Chefe da Equipe Fiscal para prosseguimento. 21. Foi encaminhada cópia da Diligência, recebidas pela PETROBRÁS em 15/11/2012 (vide fls. 193 e 195 do eprocesso); e pela VANAZ – URBANIZAÇÃO E CONSTRUÇÕES LTDA, após infrutíferas tentativas de cientificação via postal, Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 18471.001541/200830 Acórdão n.º 2201004.082 S2C2T1 Fl. 1.025 11 através de Edital publicado em 24/12/2015 (vide fls. 194 e 931 do eprocesso), reabrindose a ambas as empresas o prazo de 30 dias para defesa. 22. Não foram aditadas novas razões recursais por qualquer das interessadas, vide fl. 934 do eprocesso.” 3 – A decisão de piso manteve em parte o lançamento conforme ementa abaixo indicada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 31/07/2002 SOLIDARIEDADE ENTRE TOMADOR E PRESTADOR DOS SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. A responsabilidade solidária não comporta benefício de ordem, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante, sem que haja apuração prévia no prestador de serviços de construção civil art. 30, VI da Lei 8.212/1991, c/c artigo 124, parágrafo único, do Código Tributário Nacional Enunciado 30 do CRPS. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 4 – A Petrobras apresentou Recurso Voluntário às fls. 950/967 pugnando pelo cancelamento da autuação. 5 – É o relatório do necessário. Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 18471.001541/200830 Acórdão n.º 2201004.082 S2C2T1 Fl. 1.026 12 Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 6 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 7 – No caso vou me ater ao reconhecimento da nulidade do presente lançamento baseado nos fundamentos do Voto no Ac. 2201003.412 ocasião em que votei pelo provimento de tal recurso do mesmo contribuinte em vista de serem casos similares com cessão de mão de obra. 8 – Em suas razões o I. Relator do voto vencedor assim discorre a respeito da matéria objeto do presente recurso no qual peço vênia para que suas razões incorporar como fundamento de decidir do presente julgado, verbis: “Aponta o ínclito Relator que, no curso do processo administrativo tributário em que se discute o lançamento, o antigo Conselho de Recursos da Previdência Social, proferiu, em sede de recurso voluntário, a seguinte decisão (fls 156): "PREVIDENCÁRIO CUSTEIO Solidariedade decorrente de cessão de mãodeobra. Da cessão de mãodeobra. É necessário que o INSS aponte, desde o Relatório Fiscal, a forma como evidenciou a existência da cessão de obra. Da Solidariedade. É necessário que o INSS constate a existência do crédito previdenciário junto ao contribuinte (prestador dos serviços). Somente diante da não apresentação ou apresentação deficiente (pelo prestador dos serviços) da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Anular a DN." Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 18471.001541/200830 Acórdão n.º 2201004.082 S2C2T1 Fl. 1.027 13 Perquirindo o voto condutor da decisão unânime, encontramos a seguinte motivação (fls. 158): Em recentes decisões está CaJ vem exigindo que o INSS caracterize a existência da cessão de mãodeobra, mesmo naquelas atividades arroladas na legislação, sendo oportuno verificarmos "parte" de manifestação do Sr. Presidente da 2ª CaJ/CRPS, AFPS Mário Humberto Cabus Moreira: "Todavia, assim como os serviços relacionados nos incisos 1 a IV, do § 41, do art. 31, da Lei n° 8.212191 (na redação atual), aqueles previstos no art. 219 do RPS devem ser demonstrados e caracterizados pelo Fisco como enquadráveis na definição legal, porque somente serão alcançados pela obrigação tributária da retenção, em consonância com a lei, se tais serviços forem realizados mediante cessão. O mesmo darseá em relação ao período em que vigia a obrigação solidária, no que tange ao referido enquadramento. A meu ver, sem ofensa aos princípios constitucionais tributários e, em especial, ao princípio da legalidade (CF/88, art. 5 1, II e art. 150, 1), a norma do RPS deve ser entendida como tendo caráter indicativo, regulação interpretativa tendente à fiel execução da lei, devendo sempre ser confrontada em face do conceito legal de cessão de mãodeobra, pois, exigir o cumprimento de uma obrigação tributária sem passar pelo crivo da definição legal, seria admitir obrigação tributária que não seja ex lege. A propósito, a atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142." (...) O Relatório Fiscal é vago ao se reportar a existência da cessão de mão de obra, descrevendo apenas que o objeto do contrato, sem especificar os motivos que levaram o INSS a constatar a existência da cessão de mãodeobra." (destaques não constam da decisão) Observo o mesmo vício no lançamento. Vejamos o teor do lançamento fiscal (fls. 30): Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 18471.001541/200830 Acórdão n.º 2201004.082 S2C2T1 Fl. 1.028 14 "1 Referese o presente relatório ao débito, lançado através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD n° 35.490.4232, relativo a valores apurados por responsabilidade solidária decorrente de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, prestados pela empresa PWR MISSION INDUSTRIA MECÂNICA LTDA, CNPJ: 42.409.2011000000, conforme contrato(s) n °:1110.2.002.979. 5 O débito compõese de: contribuição dos segurados empregados, calculada pela alíquota mínima à época de ocorrência do fato gerador, contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social; contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de 40 trabalho — SAT até 00!1997, e para o financiamento dos beneficias concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, a partir de 0711997. (...) 5 — 0 débito referente ao presente contrato fora lançado, a menor, através da NFLD— Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD n ° 35.371.9145, de 0111112001, quando foi adotado erroneamente o parâmetro de quatorze por cento (14%) quando deveria ter sido aplicado o parâmetro de quarenta por cento ( 40%), conforme justifica o item 14 do presente relatório. Tal equívoco levou a que o débito lançado naquela ocasião, pela NFLD — 35.371.9145, espelhasse somente parte do valor que deveria ter sido lançado razão por que emitese a presente NFLD, retratando a diferença não lançada na época 6 — Assim, por ocasião da emissão da NFID original, de n ° 35.371.9145, fora verificado durante o desenvolvimento da ação fiscal que a empresa contratara com a empresa prestadora, identificada no item 1 deste, a execução de serviços mediante cessão de mãodeobra, em cumprimento ao(s) contratos) n °: 110.2.062.979, cujo(s) objeto(s) era(m): EXCUÇÃO DOS SERVIÇOS DE BOMBEAM.ENTO DE FLUIDOS DO INTERIOR DE POÇOS DE PETRÓLEO ATÉ A ESTAÇÃO COLETORA, EM 16 { POÇOS DE Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 18471.001541/200830 Acórdão n.º 2201004.082 S2C2T1 Fl. 1.029 15 PETRÓLEO, UTILIZANDO BOMBEIO ELE! RICO CENTRIFUGO SUBMERSO, INCLUINDO DIMEZ~TSIONAlViENT0, ESPECIFICAÇÃO, FORNECIlir> 0, INSTALAÇÃO E REITRADA DOS CONJUNTOS DE BCS NOS POÇOS DE PETRÓLEO, BEM COMO A RESPONSABILIDADE TÉNCICA PELA. CONTINUIDADEOPERACIONAL DOA EQUIPAMENTOS INSTALADOS. Ocorre que a empresa contratante não comprovou o cumprimento das obrigaçóes da empresa contratada para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento específicas para o serviço contratado, nem a apresentação de folhas de pagamentos específicas dos segurados empregaáos alocados no serviço." (novamente os destaques não constam do original) Patente a ausência de comprovação da contratação da prestação de serviços, ensejadora da responsabilidade solidária, mediante cessão de mãodeobra. Como consequência da decisão do CRPS foi anulada a DN, decisão de primeiro grau, e recomeçado o processo administrativo com elaboração de novo relatório fiscal. Atentemos para o teor da decisão proferida pelo CRPS (fls. 158): "Assim entendo que o INSS, além de caracterizar a existência da cessão de mão deobra, desde o Relatório Fiscal (complementar), deve apresentar elementos, com base na contabilidade dos contribuintes, que justifique o procedimento adotado. Caso seja disponibilizada pelo contribuinte a documentação contábil referente às contribuições lançadas, deverá ela ser analisada com o intuito de se comprovar a existência do crédito lançado e seu real valor. CONCLUSÃO ` Face ao exposto voto no sentido de ANULAR A DECISAO NOTIFICAÇAO N.° 17.401.4/065512003, fls. 77184, determinando que se observe o que foi exposto no voto cima." (destaquei) Em que pese a total falta de técnica jurídica dos membros do Conselho de Recursos da Previdência Social posto que não houve nenhum vício na decisão recorrida e sim no lançamento tributário como sobejamente demonstrado pelos Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 18471.001541/200830 Acórdão n.º 2201004.082 S2C2T1 Fl. 1.030 16 Conselheiros que se manifestaram resta claro que o comando do Colegiado foi no sentido da elaboração de novo relatório fiscal do qual constasse a comprovação da prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra além de elementos que permitissem a constituição do crédito por responsabilidade solidária do contratante. Forçoso reconhecer que tal decisão expressa, inequivocamente, a constatação de que o lançamento tributário padecia de vício em sua constituição. Qualquer outra inferência invalidaria o comando expresso, constante do decisum, do retorno do procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ao passo inicial, ou seja, a busca pelo Fisco dos elementos comprobatórios e por isso constitutivos, da obrigação tributária decorrente da prática, pelo sujeito passivo, dos fatos eleitos pelo legislador como fato imponíveis. Imperioso ressaltar que embora este Conselheiro discorde totalmente da necessidade de comprovação pelo Fisco da existência de crédito, ou impossibilidade de constituição deste no devedor principal, posto que tal entendimento atingiria mortalmente o instituto da responsabilidade solidária como posta pelo artigo 31 da Lei nº 8.212/91, vigente à época do lançamento a questão do lançamento por responsabilidade solidária, por ser questão relativa ao mérito da discussão, não será por mim aqui enfrentada, vez que entendo que as questões relativas ao lançamento tributário são preliminares e prejudiciais à análise do mérito. Voltando a questão do lançamento, uma vez anulada a DN, foi iniciado novo procedimento fiscal visando a elaboração de relatório fiscal complementar consoante se observa do despacho do Serviço do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária RJ Centro, fls. 190 e 195. 11 – Às fls. 187 encontrase o relatório da diligência da RFB em cumprimento com os termos determinados pela decisão da CRPS: Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 18471.001541/200830 Acórdão n.º 2201004.082 S2C2T1 Fl. 1.031 17 12 – Prosseguindo com os fundamentos do Ac. 2201003.412: Patente a inovação do argumentos do Fisco no Relatório Fiscal Complementar. Tal inovação significa na prática a realização de novo lançamento tributário, posto que a comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária no caso em tela a contratação de empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra só restou comprovada por meio do mencionado relatório aditivo. Inegável o vício esculpido no lançamento original. Necessária a produção de novo procedimento administrativo para a constituição do crédito tributário. De fato, a decisão do CRPS, átecnica com visto, embora propugnasse pela nulidade da DN, motivouse pela nulidade do lançamento tributário por ausência de motivação, ou seja, falta de comprovação da ocorrência do fato gerador, da verificação da ocorrência deste. Tal conclusão decorre da mera leitura da decisão acostada às folhas 156, acima transcrita e isso, porque, como sabido, cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, por meio de procedimento do lançamento de ofício, constituir o crédito tributário, revisando nos casos de auto lançamento, os Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 18471.001541/200830 Acórdão n.º 2201004.082 S2C2T1 Fl. 1.032 18 procedimentos do sujeito passivo. Para tanto, ele deve, após verificar a ocorrência do fato gerador, identificar o sujeito passivo, determinar a matéria tributável, quantificar o tributo devido e, quando for o caso, aplicar a penalidade cabível. Por ser atividade vinculada e obrigatória, é dever da autoridade fiscal empreender esforços na determinação do critério material da regra matriz de incidência tributária, base de cálculo do tributo e alíquota aplicável, apropriandonos dos ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho. A mensuração das grandezas tributárias já deveria ter sido corretamente efetuada quando da lavratura do auto de infração. Podese até compreender a impossibilidade do acerto em razão da ausência de comprovação por parte do contribuinte, o que, como dito, não se verificou no caso concreto. Ao reverso, o que se observa é a total ausência caracterização de que a a prestação de serviços contratada se deu mediante cessão de mãodeobra. Não obstante a omissão do Autoridade Lançadora no tocante a comprovação do fato escolhido pelo legislador para ser ensejador da obrigação tributária, mister ressaltar com tintas fortes que a Administração Tributária foi clara em determinar por meio de um ato que integra a legislação tributária como se deve realizar caracterizar a cessão de mãodeobra, posto que tal caracterização se encontram no Regulamento da Previdência Social e nos atos normativos do INSS. Tal rito foi simplesmente ignorado pelo Auditor Fiscal responsável pelo lançamento. O Fisco não cumpriu seu dever, ou seja, deixou de comprovar suas alegações, se absteve de demonstrar a exatidão do lançamento realizado. Mister recordar que o Decreto nº 70.235/72 é claro ao exigir em seu artigo 9º: "Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito" (destaques nossos) Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 18471.001541/200830 Acórdão n.º 2201004.082 S2C2T1 Fl. 1.033 19 Forçoso reconhecer o vício no procedimento do lançamento tributário. Como ato administrativo que é, o auto de infração não pode ser irregular. Celso A Bandeira de Melo (Curso de Direito Administrativo, 29ª ed., p.478), assim comenta sobre a irregularidade dos atos administrativos: ATOS IRREGULARES SÃO AQUELES PADECENTES DE VÍCIOS MATERIAIS IRRELEVANTES, RECONHECÍVEIS DE PLANO, OU INCURSOS EM FORMALIZAÇÃO DEFEITUOSA CONSISTENTE EM TRANSGRESSÃO DE NORMAS CUJO REAL ALCANCE É MERAMENTE O DE IMPOR A PADRONIZAÇÃO INTERNA DOS INSTRUMENTOS PELOS QUAIS SE VEICULAM OS ATOS ADMINISTRATIVOS Verificando a irregularidade do ato administrativo, deve a Administração de ofício regularizálo, em face do princípio da autotutela. Nesse sentido, a Lei 9.784, de 1999, é clara ao determinar que: "Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. (...) Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração." (grifos nossos) Observase que a Lei que regula o processo administrativo federal cinde as irregularidades do ato segundo a gravidade do mesmo. Atos portadores de defeitos sanáveis, meras irregularidades, poderão ser convalidados. Já os atos produzidos com ofensa a legalidade devem ser anulados. Sobre o tema, a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo, 14ª ed, p. 234), titular da inesquecível Faculdade de Direito do Largo São Francisco, leciona que convalidação ou saneamento "o ato Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 18471.001541/200830 Acórdão n.º 2201004.082 S2C2T1 Fl. 1.034 20 administrativo pelo qual qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com efeitos retroativos à data em que este foi praticado". Além disso, a doutrinadora explicita que nem sempre é possível a convalidação, pois depende do tipo de vício que atinge o ato. Os defeitos atinentes à incompetência quanto à matéria, quanto ao motivo e finalidade, e ainda quanto ao objeto e conteúdo não são passíveis de convalidação. Especificamente quanto a impossibilidade de convalidação, esclarece a Professora: "O objeto ou conteúdo ilegal não pode ser objeto de convalidação." O remédio que deve ser tomado pela Administração é o previsto no artigo 53 da Lei nº 9.784/99, acima transcrito,: a anulação. Novamente, recordemos os ensinamentos de Maria Sylvia: "Quando o vício seja sanável ou convalidável, caracterizase hipótese de nulidade relativa; caso contrário, a nulidade é absoluta." Sobre o tema, devemos lembrar que as nulidades, absoluta ou relativa, produzem efeitos distintos para a Administração Tributária em razão do tempo que a lei determina para a correção do lançamento tributário viciado. Se este for convalidável, por eivado de vício formal, o saneamento deve ser realizado em 5 anos após o trânsito em julgado da decisão que anular o ato administrativo. Já o lançamento maculado por nulidade absoluta, deve ser refeito no prazo decadencial previsto no CTN, seja o do parágrafo 4º do artigo 150, seja o do inciso I do artigo 173. Tal distinção nos obriga a perquirir qual o vício existente no caso concreto. Para nós a distinção é simples e fundada no texto legal. Como ensina Maria Sylvia Zanela Di Pietro, lançamentos que contenham conteúdo ilegal não são passíveis de convalidação, pois a nulidade que ostentam é absoluta. Nesse sentido, qualquer ofensa às determinações do artigo 142 do CTN acima reproduzido, explicitados por meio do artigo 9ª do Decreto nº 70.235/72, viciam o Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 18471.001541/200830 Acórdão n.º 2201004.082 S2C2T1 Fl. 1.035 21 conteúdo do ato, pois são requisitos do lançamento, atributos intrínsecos ao procedimento de constituição do crédito tributário. A lição de Paulo de Barros Carvalho corrobora a afirmação. Assevera o Professor Emérito (Curso de Direito Tributário, 14ª ed., p. 415): "O ato administrativo de lançamento será declarado nulo de pleno direito, se o motivo nele inscrito a ocorrência do fato jurídico tributário, por exemplo inexistiu. Nulo será, também, na hipótese de ser indicado sujeito passivo diferente daquele que deve integrar a obrigação tributária. Igualmente é nulo o lançamento de IR (pessoa física), lavrado antes do termo final do prazo legalmente estabelecido para que o contribuinte apresente sua declaração de rendimentos e bens. Para a nulidade se requer vício profundo, que comprometa viceralmente o ato administrativo. Seus efeitos, em decorrência, são 'ex tunc', retroagindo, linguisticamente, à data do correspondente evento. A anulação por outro lado, pressupõe invalidade iminente, que necessita de comprovação, a qual se objetiva em procedimento contraditório. Seus efeitos são 'ex nunc', começando a contar do ato que declara a nulidade" Continua o doutrinador: "(...) não importa que o ato administrativo haja sido celebrado e que nele conjuguem os elementos tidos como substanciais. Insta que seus requisitos estejam conformados às prescrições da lei" (grifamos) No caso em apreço, observamos que não comprovou o Fisco a existência da contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra. Como visto é dever do Fisco anexar ao auto de infração o elementos de prova que embasam a constituição do crédito tributário. Tal comprovação não pode ser realizada a posteriori, consoante expressa vedação do parágrafo 3º do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, o que impede de modo Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 18471.001541/200830 Acórdão n.º 2201004.082 S2C2T1 Fl. 1.036 22 absoluto a conversão em diligência nos casos de novação do lançamento, explicitando se tratar de novo lançamento, complementar ao primeiro. Nesse sentido, forçoso reconhecer que o relatório fiscal complementar, por inovar no lançamento, ou seja, por de fato realizar novo lançamento posto que veio ao mundo jurídico para reparar vício material, ou seja, vício insanável, deve respeitar os prazos previstos em lei complementar para que o Estado possa constituir seu direito de crédito. Reafirmo. O lançamento representado pela NFLD constante de fls. 2, consubstancia pelo Relatório Fiscal de folhas 29, foi tacitamente reconhecido como nulo pelo CRPS que ao determinar a nulidade da DN e a elaboração de novo relatório fiscal que explicitasse a ocorrência do fato gerador ensejador da responsabilidade solidária prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212/91, vigente à época ordenou que se elaborasse novo lançamento consubstanciado em provas da existência da contratação de serviços mediante cessão de mãodeobra. Ocorre que tal lançamento repito, consubstanciado no relatório fiscal aditivo relativo às competências 09/98 a 12/98 se aperfeiçoou com a ciência do devedor em 28 de junho de 2007, fora portanto do lustro permitido pelo artigo 173, inciso I do CTN. Logo, extinto o direito de crédito do Fisco quando do lançamento tributário representado pelo relatório fiscal aditivo. Por via de consequência, voto por dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo a nulidade do lançamento tributário arguída, pela ocorrência de vício material, em face da ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária.” 13 Portanto, em relação à construção civil entendo que deve ocorrer a comprovação da mesma forma que na cessão de mão de obra, indicando a declaração de voto do Conselheiro Mário Humberto Cabus Moreira Representante do Governo no CRPS, tomando Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 18471.001541/200830 Acórdão n.º 2201004.082 S2C2T1 Fl. 1.037 23 como minhas as razões de decidir na época na declaração de voto às fls. 172/174 nos autos do PAF nº 18471001855200832 decisão nº 0035.463.9730 de 25/05/2004: "O fato de o contratante dos serviços prestados mediante cessão de mãodeobra não fazer prova hábil para a elisão da solidariedade, ao revés do entendimento do Fisco, não pode servir como presunção de existência de crédito tributário em relação ao contribuinte. A elisão da solidariedade não se trata de dever jurídico do contratante, porém, de faculdade sua, inscrita nos parágrafos 3o e 4o, do art.31, da Lei n° 8.212/91 (na redação em vigor até 31.01.1999), como exceção à regra geral prevista no caput, qual seja, a que atribui responsabilidade solidária na contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra a toda e qualquer empresa contratante. Apenas para reforçar a assertiva anterior, indagase qual o dispositivo da Lei de Custeio que prevê a elisão da solidariedade na construção civil. A resposta é: a responsabilidade solidária está inscrita no inciso VI, do art. 30 da Lei n° 8.212/91, todavia, não há previsão legal quanto à elisão na construção civil. A faculdade de elidir a solidariedade somente vem expressa no Regulamento da Previdência Social, em seu art. 220, § 3o. A elisão da solidariedade está dependente de obrigações acessórias, de elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento específicas, exclusivas do executor (prestador de serviço). Somente o executor é punível pelo ilícito tributário de não preparar folhas e guias específicas na cessão de mãodeobra, mediante a lavratura do correspondente auto de infração. Em havendo o direito de elidir a solidariedade, a norma inserta no art. 31 da Lei de Custeio (na redação em vigor até 31.01.1999), unicamente incide para definir quem é o sujeito passivo: se apenas o contribuinte (haja vista estar provada a ocorrência de elisão da solidariedade); ou, o contribuinte e o responsável, conjuntamente. Todavia, não incide para atestar, a priori, a existência de crédito tributário oponível prontamente pelo Fisco contra o responsável, sem qualquer outro procedimento administrativo relativamente ao contribuinte, como corolário de não restar provada a elisão. Ressaltese que, no mesmo plano de argumentação, aquilo que se conclui para a solidariedade na cessão de mãodeobra é aplicável, Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 18471.001541/200830 Acórdão n.º 2201004.082 S2C2T1 Fl. 1.038 24 também, para a solidariedade na contratação da construção civil (art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91). Ressaltese a diversidade dos institutos jurídicos: responsabilidade solidária e crédito tributário. Dispostos em tópicos distintos, não sem razão, desde o Código Tributário Nacional. Os conceitos de dívida e responsabilidade não se confundem e não têm entre si relação de necessária dependência. Com efeito, "dívida e responsabilidade são elementos que podem ou não estar reunidos em uma só pessoa (o devedor). Contudo, é possível haver responsabilidade sem dívida, ou seja, é possível que o patrimônio de uma pessoa responda pela obrigação sem ser ela o devedor, como se dá, v.g., com o fiador, o sucessor, o sócio etc." (BEBBER, Júlio César. "Fraude contra Credores e Fraude de Execução". In: NORRIS, Roberto (coord.) Execução Trabalhista: Visão Atual, Rio de Janeiro: Forense, 2001, pp. 157204, p. 161) Ainda, a Autarquia não traz evidências de qualquer procedimento fiscal tendente a verificar o descumprimento da obrigação tributária principal pelo contribuinte (neste caso, as empresas prestadoras de serviço mediante cessão de mãodeobra). A incompreensível omissão de procedimentos de auditoria estendese aos casos de fiscalização total das empresas prestadoras de serviço ou de adesão destas ao REFIS, ou opção pelo SIMPLES; situações trazidas a lume, com freqüência, após o lançamento do crédito, na fase de defesa ou recursal." 14 – Em vista da referida nulidade indicada alhures, tratandose de construção civil, é necessário se identificar o objeto do contrato. Quando contratada a obra, por empreitada total ou parcial, a responsabilidade solidária do contratante é atribuída pelo artigo 30, VI da Lei n s 8.212, de 24/07/91; caso contrário, quando o objeto do contrato é apenas o fornecimento de mão de obra, colocada à disposição do dono da obra, configurada está a prestação de serviços por cessão de mão de obra. A autoridade fiscal considerou a responsabilidade solidária do dono da obra de construção civil; porém, não mencionou a espécie de contrato, empreitada ou cessão de mão de obra. Esta diferença deve ser mencionada para a identificação da regras de regência.entendo desnecessário a análise dos demais termos apresentados em ambos os recursos voluntários. Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 18471.001541/200830 Acórdão n.º 2201004.082 S2C2T1 Fl. 1.039 25 Conclusão 15 Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito dou provimento para reconhecer a nulidade do lançamento tributário por vício material em face da ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 1088DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.007610/2007-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/10/2005
MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS PELA RFB.
Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, constitui infração à lei previdenciária passível de multa, nos termos do art. 283, I, a, do RPS.
Constatado que parte dos pagamentos efetuados a empregados não foi incluída nas folhas de pagamento, é de rigor a manutenção da multa.
Numero da decisão: 2201-004.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 06/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/10/2005 MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS PELA RFB. Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, constitui infração à lei previdenciária passível de multa, nos termos do art. 283, I, a, do RPS. Constatado que parte dos pagamentos efetuados a empregados não foi incluída nas folhas de pagamento, é de rigor a manutenção da multa.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11080.007610/2007-92
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5841116
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.091
nome_arquivo_s : Decisao_11080007610200792.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 11080007610200792_5841116.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 06/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski
dt_sessao_tdt : Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7169913
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010329808896
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1434; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 85 1 84 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.007610/200792 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.091 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de fevereiro de 2018 Matéria DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente MAXISERV MATERIAIS E SERVICOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/10/2005 MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS PELA RFB. Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, constitui infração à lei previdenciária passível de multa, nos termos do art. 283, I, “a”, do RPS. Constatado que parte dos pagamentos efetuados a empregados não foi incluída nas folhas de pagamento, é de rigor a manutenção da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 06/03/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 76 10 /2 00 7- 92 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11080.007610/200792 Acórdão n.º 2201004.091 S2C2T1 Fl. 86 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 67/72 interposto contra decisão da DRJ de Porto Alegre/RS de fls. 44/47, que julgou procedente a imposição da penalidade pecuniária, uma vez que a RECORRENTE deixou de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS (CFL 30), nos termos do art. 283, I, “a”, do RPS. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo é decorrente da imposição de penalidade pecuniária por descumprimento de obrigação acessória, referente ao DEBCAD n° 37.064.4832, cujo valor foi de R$ 1.195,13 (valor atualizado pela Portaria MPS/GM nº 142/2007). Conforme descrito no Relatório Fiscal de fls. 07/08, a autoridade fiscal realizou “a identificação dos contribuintes individuais, as remunerações pagas, as retenções devidas e as contas contábeis que embasaram esta autuação estão relacionados na Planilha 30A” (fls. 09/12). Inferese que esta infração decorre da constatação realizada pela autoridade fiscal no DEBCAD n° 37.064.4840 (relativo ao lançamento da obrigação principal), qual seja: “ a empresa não incluiu nas folhas de pagamento segurados contribuintes individuais no período de 01/2001 a 10/2005 (levantamento 004);” Em decorrência desta ação fiscal, foram realizadas as seguintes autuações: Da impugnação A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 32/34, cujas razões de defesa foram assim resumidas pela DRJ de origem: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11080.007610/200792 Acórdão n.º 2201004.091 S2C2T1 Fl. 87 3 “Ressalta, preliminarmente, que a falta motivadora da presente autuação foi impugnada na ocasião da suposta constituição da obrigação principal. Entende que ao questionar os fatos geradores contidos na notificação fiscal, tornouse duvidosa a exigência da obrigação acessória. Alega a impugnante a decadência do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário relacionado a fatos geradores ocorridos em período anterior ao exercício de 2002, consoante o disposto nos art. 173, I e 150, § 1 ° do CTN. Porém, no intuito de demonstrar boafé, informa que está providenciando a correção de eventuais faltas que não impliquem no reconhecimento da obrigação principal e na acessória. Acrescenta que embora não tenha concluído as correções necessárias, segundo o Parecer MPS/CJ/n ° 3.194/2003, o contribuinte pode promover as correções até a decisão final do INSS. Ressalta que na forma estabelecida no art. 291 do RPS, a multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Concluiu requerendo a declaração da nulidade da autuação no que se refere ao período abrangido pela decadência e a relevação da multa para as infrações ocorridas nos períodos subseqüentes.” Decisão da DRJ A DRJ em Porto Alegre/RS julgou o lançamento procedente, mantendo o crédito tributário, na decisão assim emendada (fls. 44/47): “Assunto: Descumprimento de obrigação acessória. Data do fato gerador: 01.01.2001 a 31.10.2005. AI n° 37.064.4832 Constitui infração à legislação previdenciária o fato do contribuinte deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS. O prazo para a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos é decenal. Lançamento procedente” Do Recurso Voluntário Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11080.007610/200792 Acórdão n.º 2201004.091 S2C2T1 Fl. 88 4 A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 21/11/2008, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 63, apresentou seu recurso voluntário de fls. 67/72 em 19/12/2008, oportunidade em que levantou os seguintes questionamentos: Antes de qualquer coisa, cumpre destacar que através de julgamento de 14 de outubro de 2008, o Superior Tribunal de Justiça confirmou entendimento já sedimentado de que o reconhecimento da natureza tributária das contribuições sociais pela Constituição Federal de 1988 (art. 195) implicou a sua submissão ao que determina o art. 146, III, “b”, que exige a edição de lei complementar para estabelecer normas gerais sobre decadência e prescrição tributárias. Tal conclusão decorre da inteligência da recente Súmula Vinculante n.°08 do Egrégio Supremo Tribunal Federal que estabelece: “São inconstitucionais o parágrafo único o art. 5 ° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Ora, se o art. 45 da Lei 8.212/91 que prevê o prazo decenal de decadência está eivado de inconstitucionalidade formal, devidamente reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal e repetidamente decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, não se deve querer aplicálo como quis a instância a quo, posto que tal decisão está ignorando a vigência dos artigos 150, § 4° e 173, do Código Tributário Nacional, que estabelece que prazo decadencial de cinco anos para a hipótese. Assim, requereu o reconhecimento da decadência para excluir aqueles créditos cujo fato gerador se operaram em ano anterior a 2002. No demais, reiterou o alegado na impugnação. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Antes mesmo de apreciar a correta aplicação da regra decadencial no acórdão recorrido, passemos a considerações acerca do tema. Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD ou dos AI de obrigações principais (AIOP), constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11080.007610/200792 Acórdão n.º 2201004.091 S2C2T1 Fl. 89 5 recolhimentos antecipados, dessa forma, deve ser aplicada a decadência sob a luz do art. 173, I do CTN. A decadência a luz do art. 173, I do CTN será computada para competência do primeiro dia do exercício seguinte ao do vencimento da obrigação, no caso em comento, levando em consideração que o período correspondente se deu entre 01/2001 e 10/2005, e que o lançamento foi efetuado dia 30/04/2007, temos que não se operou a decadência para a lavratura da multa ora aplicada. É que a penalidade é única e decorre de infrações praticadas pela RECORRENTE no período de 01/2001 e 10/2005. Ou seja, mesmo que se entenda estar decaído o direito de efetuar qualquer lançamento relativo a fatos ocorridos em 2002, restam ainda os fatos ocorridos após esse período atingido pela decadência. Portanto, constatada a infração realizada em período não atingido pela decadência (ano 2002 até 2005) não há que se falar em extinção da multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória, pois essa é penalidade única, aplicada para todo o período fiscalizado (não se trata de uma multa por mês, por exemplo). Portanto, entendo que deve ser mantida a multa do presente processo (DEBCAD n° 37.064.4832 – CFL 30), pois foi constatado que os pagamentos efetuados a segurados contribuintes individuais não foram incluídos nas folhas de pagamento. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.018345/2008-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/08/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO ASSOCIADO AO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35-A, penalidade única combinando as duas condutas. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2003 a 31/08/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO ASSOCIADO AO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35-A, penalidade única combinando as duas condutas. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15504.018345/2008-81
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5834119
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.451
nome_arquivo_s : Decisao_15504018345200881.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 15504018345200881_5834119.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7135966
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010342391808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1952; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.360 1 1.359 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15504.018345/200881 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.451 – 2ª Turma Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria NORMAS GERAIS RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL MANGABEIRAS S/C LTDA ME ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/08/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO ASSOCIADO AO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 83 45 /2 00 8- 81 Fl. 1360DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 15504.018346/200826 37.124.2240 Obrig. Principal Dívida Ativa 15504.018347/200871 37.124.2266 Obrig. Principal Recurso Especial 15504.018345/200881 37.124.2231 (AI 68) Obrig. Acessória Recurso Especial 15504.018348/200815 37.124.2274 (AI 38) Obrig. Acessória Ciência do Acórdão de RV 15504.018349/200860 37.124.2282 (AI 30) Obrig. Acessória Ciência do Acórdão de RV 15504.018350/200894 37.124.2290 (AI 91) Obrig. Acessória Ciência do Acórdão de RV 15504.018351/200839 37.124.2304 (AI 67) Obrig. Acessória Recurso Voluntário O presente processo trata do Debcad 37.124.2231 (AI68), lavrado em razão de a empresa apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A autuada deixou de informar em GFIPs a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, conforme Relatório Fiscal de fls. 08 a 15. Em sessão plenária de 21/01/2015, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2402004.504 (efls. 1.247 a 1.260), assim ementado: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/08/2006 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. GFIP. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 15504.018345/200881 Acórdão n.º 9202006.451 CSRFT2 Fl. 1.361 3 Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. CORRESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII, da Lei 11.941/09, o “Relatório de Representantes Legais (REPLEG)” tem a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e o respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. NÃO AFASTA A RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Na hipótese em que o sujeito passivo originário era contribuinte regular do tributo devido, a imunidade tributária das entidades beneficentes de assistência social não afasta a responsabilidade tributária por sucessão. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa.” O processo foi encaminhado à PGFN em 23/02/2015 (Despacho de Encaminhamento de efls. 1.261) e, em 26/02/2015, foi interposto o Recurso Especial de efls. 1.262 a 1.272 (Despacho de Encaminhamento de efls. 1.273). O apelo está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1362DF CARF MF 4 Nesse passo, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, no sentido de se verificar, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e art. 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 19/02/2016 (efls. 1.275 a 1.279). Cientificados, o contribuinte e os responsáveis tributários quedaramse silentes (Despacho de Encaminhamento de efls. 1.359). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. O apelo visa rediscutir a aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Tratase do Debcad 37.124.2231 (AI68), lavrado em razão de a empresa apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O mesmo procedimento fiscal gerou os Debcads 37.124.2240 (processo nº. 15504.018346/200826) e 37.124.2266 (processo nº 15504.018347/200871), que tratam das obrigações principais, conforme Relatório Fiscal de fls. 08/15. Na decisão recorrida, foi determinada a aplicação da multa do artigo 32A, da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, caso esta seja mais benéfica à Contribuinte. Os artigos da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 1997, que orientavam o Auto de Infração tinham a seguinte redação: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (...) Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 15504.018345/200881 Acórdão n.º 9202006.451 CSRFT2 Fl. 1.362 5 Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º e abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c)vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRP; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.” Assim, no caso em apreço, considerandose que houve exigência por meio de procedimentos separados (descumprimento de obrigação acessória, objeto do presente processo, e descumprimento de obrigação principal), foram aplicadas duas multas, no contexto de lançamento de ofício. Com efeito, o entendimento desta CSRF é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração não deixa dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. Resta perquirir se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, a teor do art. 106, II, do CTN. Para tanto, porém, é necessário que se estabeleça a exata correlação entre as multas anteriormente previstas e aquelas estabelecidas pela Lei nº 11.941, de 2009, a ver se efetivamente seria o caso, e em que condições aplicarseia a retroatividade benigna. As alterações promovidas pela Lei nº 11.941, de 2009, nos artigos 32 e 35, da Lei nº 8.212, de 1991, no sentido de uniformizar os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, previdenciários e não previdenciários, são as seguintes: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; Fl. 1364DF CARF MF 6 (...) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) Art. 32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996. E o art. 44 da Lei nº. 9.430, de 1996, por sua vez, assim estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) Destarte, resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício, envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de declaração inexata do respectivo fato gerador em GFIP, como ocorreu no presente caso, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada Fl. 1365DF CARF MF Processo nº 15504.018345/200881 Acórdão n.º 9202006.451 CSRFT2 Fl. 1.363 7 com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, determinando que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1366DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.694032/2009-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2005
DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS.
A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457(2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito.
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.
VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO.
A verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.103
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/2005 DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457(2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros). Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.694032/2009-02
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5831431
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.103
nome_arquivo_s : Decisao_10880694032200902.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10880694032200902_5831431.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
id : 7128505
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010356023296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1698; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.694032/200902 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401004.103 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2017 Matéria DCOMP COFINS ELETRÔNICO Recorrente PROGRESS SOFTWARE DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2005 DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros). Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 40 32 /2 00 9- 02 Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 10880.694032/200902 Acórdão n.º 3401004.103 S3C4T1 Fl. 3 2 Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de COFINS. Tendo sido localizado o pagamento nos sistemas da RFB, mas utilizado para saldar débitos outros da empresa, não restando saldo, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, basicamente, que em decorrência de equívocos no preenchimento de suas obrigações acessórias DACON e DCTF (todo o valor recebido a título de “receita de prestação de serviços” foi declarado no campo pertinente ao regime nãocumulativo, sem discriminação das receitas que deveriam figurar no regime cumulativo) a empresa acabou por apurar valor a maior a titulo de COFINS, promovendo o pagamento indevido de tal exação, gerando crédito passível de utilização na compensação de seus débitos. A empresa promoveu a retificação de DACON, alterando o valor devido, à época, a título de COFINS, ainda restando recolhimento a maior, em montante diverso do demandado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos; (b) a existência de erro no preenchimento das obrigações acessórias DACON e DCTF, não foi acompanhada de qualquer documento retificador até a data da ciência do Despacho Decisório, e nem de documentos de amparo, posteriormente; e (c) não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, argumentando que: (a) foi descumprindo o prazo estabelecido no artigo 24 da Lei no 11.457/2007, havendo perda de direito por parte da Fazenda; (b) houve mero erro de preenchimento de DACON e DCTF, devendo prevalecer a verdade material, e serem os autos baixados em diligência; e (c) o artigo 147 do CTN se refere apenas a lançamento por declaração. Juntou, posteriormente, peça de defesa colacionando cópias de livros que se prestariam a demonstrar o valor declarado no DACON retificador. É o relatório. Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 10880.694032/200902 Acórdão n.º 3401004.103 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.084, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.676139/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.084): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Após a interposição de recurso voluntário, restam contenciosos no presente processo os seguintes temas: (a) descumprimento do prazo estabelecido no artigo 24 da Lei no 11.457/2007; (b) existência de mero erro de preenchimento de DACON e DCTF, em face da verdade material, com demanda por diligência; e (c) aplicação do artigo 147 do CTN. Do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 Na peça recursal, alega a empresa que a decisão da DRJ foi proferida depois de mais de 360 dias da interposição da manifestação de inconformidade, havendo perda de direito por parte da Fazenda, com fulcro no artigo 24 da Lei no 11.457/2007. O citado artigo 24 (texto transcrito abaixo) se aplica ao processo administrativo tributário, conforme decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS): “Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte.” É cediço que o comando legal indicado inserese em um contexto que busca dotar de maior celeridade o processo administrativo, em consonância com os princípios constitucionais que regem a matéria. Contudo, é preciso reconhecer que não atribuiu o legislador consequência (v.g., reconhecimento tácito do crédito, como parece demandar a recorrente) ao processo em desacordo com o comando. E poderia têlo feito, se o desejasse, visto que a mesma Lei no 11.457/2007 promove alterações ao Decreto no 70.235/1972, que disciplina o processo administrativo fiscal. Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 10880.694032/200902 Acórdão n.º 3401004.103 S3C4T1 Fl. 5 4 Neste Decreto é que se arrolam, por exemplo, as causas de nulidade (art. 59). Também é sabido que no processo há prazos próprios e impróprios, e que estes não acarretam consequências processuais, embora possam ensejar discussões sobre responsabilização funcional, caso o retardo não seja justificável. Vejase, a título ilustrativo, o art. 226 do novo Código de Processo Civil – CPC (artigo 189 do antigo CPC), que também tem por escopo a celeridade nos julgados: “Art. 226. O juiz proferirá: I os despachos no prazo de 5 (cinco) dias; II as decisões interlocutórias no prazo de 10 (dez) dias; III as sentenças no prazo de 30 (trinta) dias.” Embora se possa entender o objetivo do artigo, afigurase irrazoável dele deduzir que um processo com decisão judicial proferida após trinta dias seria, por exemplo objeto de nulidade, ou subtração de custas ou atualizações, ou ainda reconhecimento de direitos de crédito. No mesmo sentido as observações em relação ao art. 24 da Lei no 11.457/2007. Ademais, o art. 24 da Lei no 11.457/2007 possuía dois parágrafos que foram vetados pelo Poder Executivo (veto mantido). Um deles exatamente porque atribuía efeitos ao processo no caso de descumprimento (o § 2o dispunha que “haverá interrupção do prazo, pelo período máximo de 120 dias, quando necessária à produção de diligências administrativas, que deverá ser realizada no máximo em igual prazo, sob pena de seus resultados serem presumidos favoráveis ao contribuinte”). Na mensagem no 140, de 16/3/2007, são esclarecidas as razões do veto presidencial, proposto pelos Ministérios da Fazenda e da Justiça: “Razões do veto “Como se sabe, vigora no Brasil o princípio da unidade de jurisdição previsto no art. 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Não obstante, a esfera administrativa tem se constituído em via de solução de conflitos de interesse, desafogando o Poder Judiciário, e nela também são observados os princípios do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual a análise do processo requer tempo razoável de duração em virtude do alto grau de complexidade das matérias analisadas, especialmente as de natureza tributária. Ademais, observase que o dispositivo não dispõe somente sobre os processos que se encontram no âmbito do contencioso administrativo, e sim sobre todos os procedimentos administrativos, o que, sem dúvida, comprometerá sua solução por parte da administração, Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 10880.694032/200902 Acórdão n.º 3401004.103 S3C4T1 Fl. 6 5 obrigada a justificativas, fundamentações e despachos motivadores da necessidade de dilação de prazo para sua apreciação. Por seu lado, devese lembrar que, no julgamento de processo administrativo, a diligência pode ser solicitada tanto pelo contribuinte como pelo julgador para firmar sua convicção. Assim, a determinação de que os resultados de diligência serão presumidos favoráveis ao contribuinte em não sendo essa realizada no prazo de cento e vinte dias é passível de induzir comportamento não desejável por parte do contribuinte, o que poderá fazer com que o órgão julgador deixe de deferir ou até de solicitar diligência, em razão das consequências de sua não realização. Ao final, o prejudicado poderá ser o próprio contribuinte, pois o julgamento poderá ser levado a efeito sem os esclarecimentos necessários à adequada apreciação da matéria.” Derradeiramente, não devemos confundir a celeridade procedimental com a duração razoável do processo (ambas garantidas pelo Texto Constitucional): “Embora seja difícil conceituar precisamente a noção de razoável duração do processo, percebese que tal conceito não está relacionado única e exclusivamente ao “processo rápido” propriamente dito. O processo deve ser rápido o suficiente para dar a resposta apropriada à lide, porém adequadamente longo para garantir a segurança jurídica da demanda. Por tal motivo, o princípio da razoável duração do processo é dúplice, pois tanto a abreviação indevida como o alongamento excessivo são potencialmente danosos ao indivíduo.” 1 Improcedente, assim, o pleito no sentido de atribuição de efeitos à inobservância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007. Reparese que nem a norma e nem o julgado na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS) objetivam as consequências da inobservância, como deseja a recorrente. Nesse sentido já me manifestei em processos julgados neste tribunal, sempre com acolhida unânime da turma, inclusive recentemente, com sete dos oito conselheiros que atualmente compõem o colegiado: DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade, nem diminuição dos consectários legais do crédito tributário. (Acórdão no 3403 1 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 8.ed. São Paulo: Dialética, 2015, p.194195. Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 10880.694032/200902 Acórdão n.º 3401004.103 S3C4T1 Fl. 7 6 002.782, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25 fev. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30 jan. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.374, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 24 jul. 2013) DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. (Acórdão no 3401003.517, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25 abr. 2017) Portanto, não merecem prosperar as alegações de defesa no que se refere a prazos para a Administração se manifestar sobre pedidos de restituição/ressarcimento, ensejando consequências pelo descumprimento. Da existência de erro de preenchimento e da verdade material A recorrente alega que em decorrência de equívocos no preenchimento de suas obrigações acessórias DACON e DCTF (todo o valor recebido a título de “receita de prestação de serviços” foi declarado no campo pertinente ao regime não cumulativo, sem discriminação das receitas que deveriam figurar no regime cumulativo) acabou por apurar valor a maior a titulo de COFINS, promovendo o pagamento indevido de tal exação, gerando crédito passível de utilização na compensação de seus débitos, e que promoveu a retificação de DACON, sendo o valor correto devido, à época, a título de COFINS, diverso do pleiteado. Apresentou a empresa, então, indiscutivelmente, demanda de crédito em montante incorreto (a maior do que o que ela mesma reconhece como devido). E como prova de que teria incorrido em erro, não acrescentou nenhuma justificativa pormenorizada, limitandose, inicialmente, a informar que os documentos pertinentes estavam à disposição do fisco, e, posteriormente, após dois anos do decurso de prazo para interposição de recurso voluntário, a juntar cópias de livros e demandar, em adição, diligência, em caso de dúvida, para “apuração dos documentos que lastrearam os créditos”. Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 10880.694032/200902 Acórdão n.º 3401004.103 S3C4T1 Fl. 8 7 Recordese que, nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de compensação e demanda de crédito, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante, e é dever dele carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Assim vem decidindo unanimemente este CARF, inclusive na atual composição do colegiado (com sete dos oito componentes atuais): “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403 003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.470, 471, 474, 475, 476 e 477, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013)(grifo nosso) "PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 10880.694032/200902 Acórdão n.º 3401004.103 S3C4T1 Fl. 9 8 dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.” (Acórdãos n. 3401003.784 a 787, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unanimidade – no que se refere à matéria) (grifo nosso) A diligência, como bem parece ter compreendido a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, e também esta 1ª Turma Ordinária, nos julgados com ementa aqui transcrita, não se presta a suprir deficiência probatória, seja da Fazenda ou do contribuinte. Cabe destacar que no último julgado transcrito, seis dos atuais oito conselheiros que compõem a turma expressamente concordaram com tal observação, dela dissentindo, em tese, o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira. Temos que, nos processos do gênero, três cenários podem surgir: (a) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade comprova o direito de crédito, caso em que se deve reconhecer tal direito, no julgamento; (b) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade não comprova o direito de crédito, caso em que se deve negar tal direito, no julgamento; e (c) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade gera, no julgador, dúvida em relação ao direito de crédito, dúvida essa que não é de direito, mas de fato, ensejando a realização de diligência ou perícia. Entendemos que a situação em análise melhor se amolda ao segundo cenário (‘b”), visto que nada de substancial se agregou na manifestação de inconformidade, havendo juntada de cópias de documentos – que, digase, sempre estiveram em poder da empresa – apenas dois anos após a interposição da peça recursal, documentos esses que sequer são suficientes para suscitar dúvida neste julgador, visto que não apontam, objetivamente, como se chegou nem aos valores originalmente demandados, nem àqueles que durante o contencioso a empresa sustentou estarem corretos. A ausência de dúvida torna impertinente invocar a verdade material, que não se apresenta como uma salvaguarda de quem não se desincumbe de seu ônus probatório, mas como um mecanismo do processo administrativo que permite sanar dúvidas com elementos adicionais diretamente obtidos, ou demandados às partes. A verdade material, como ensina James MARINS, é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros): “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 10880.694032/200902 Acórdão n.º 3401004.103 S3C4T1 Fl. 10 9 propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”2 No caso em análise, pouco contribuiu a recorrente para a identificação objetiva da incorreção que ela mesmo reconhece ter perpetrado, prejudicando a liquidez e a certeza do pedido. Não merece, assim, acolhida o pleito de diligência, nem a argumentação de defesa no sentido de que haveria sido comprovado o erro ou o direito de crédito. Do artigo 147 do CTN Alega a empresa, derradeiramente, em sede recursal, que o artigo 147 do CTN (abaixo transcrito) se refere apenas a lançamento por declaração. “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1o A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2o Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela.” (grifo nosso) É preciso esclarecer, inicialmente, que não se está aqui a tratar, propriamente, de lançamento, mas de demanda de crédito, de modo que o comando indicado não fundamenta exigência, mas é usado pela DRJ de modo acessório a seus argumentos pelo indeferimento do direito de crédito. No entanto, não se tem dúvidas da obviedade da parte inicial do comando do § 1o, que abstrai de considerações sobre eventual modalidade de lançamento: por certo que aquele que retifica sua declaração (qualquer que seja) ou as informações que presta ao fisco, deve justificar a retificação, fundandoa em elementos probatórios. Se a empresa deve, como qualquer postulante a crédito, provar a liquidez e a certeza de tais créditos, como aqui exposto, deve, ainda mais, provar eventuais retificações em seu pedido de crédito. Mas, no caso em análise, não prova a contento a empresa nem uma coisa nem outra, pelo que deve ser mantido o indeferimento do direito de crédito. 2 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 10880.694032/200902 Acórdão n.º 3401004.103 S3C4T1 Fl. 11 10 Considerações Finais Diante do exposto, e restando ausentes a certeza e a liquidez do crédito postulado (requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação), voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 1250DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.000068/2006-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES. IMPOSSIBILIDADE.
Correta a glosa dos créditos quando a fiscalização comprova a inexistência de fato das pessoas jurídicas e, além disso, demonstra com efetividade a inexistência da relação negocial de aquisição das mercadorias, ante a falta de comprovação dos pagamentos. Cumpre à pessoa jurídica comprovar de maneira inequívoca o seu direito creditório.
COFINS. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Em razão de expressa disposição legal, não existe possibilidade de aplicação da taxa Selic no ressarcimento de créditos da Cofins não cumulativa.
Numero da decisão: 9303-006.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama (relatora), que lhe deu provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama (relatora), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES. IMPOSSIBILIDADE. Correta a glosa dos créditos quando a fiscalização comprova a inexistência de fato das pessoas jurídicas e, além disso, demonstra com efetividade a inexistência da relação negocial de aquisição das mercadorias, ante a falta de comprovação dos pagamentos. Cumpre à pessoa jurídica comprovar de maneira inequívoca o seu direito creditório. COFINS. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Em razão de expressa disposição legal, não existe possibilidade de aplicação da taxa Selic no ressarcimento de créditos da Cofins não cumulativa.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10835.000068/2006-23
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5854905
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.329
nome_arquivo_s : Decisao_10835000068200623.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : TATIANA MIDORI MIGIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 10835000068200623_5854905.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama (relatora), que lhe deu provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama (relatora), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7234283
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010363363328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1917; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10835.000068/200623 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303006.329 – 3ª Turma Sessão de 20 de fevereiro de 2018 Matéria RESSARCIMENTO COFINS Recorrentes VITAPELLI LTDA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES. IMPOSSIBILIDADE. Correta a glosa dos créditos quando a fiscalização comprova a inexistência de fato das pessoas jurídicas e, além disso, demonstra com efetividade a inexistência da relação negocial de aquisição das mercadorias, ante a falta de comprovação dos pagamentos. Cumpre à pessoa jurídica comprovar de maneira inequívoca o seu direito creditório. COFINS. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Em razão de expressa disposição legal, não existe possibilidade de aplicação da taxa Selic no ressarcimento de créditos da Cofins não cumulativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama (relatora), que lhe deu provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama (relatora), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 00 68 /2 00 6- 23 Fl. 3745DF CARF MF Processo nº 10835.000068/200623 Acórdão n.º 9303006.329 CSRFT3 Fl. 3 2 Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratamse de recursos interpostos pelo sujeito passivo e pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803003.337, da 3ª Turma Especial da 3ª 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter a glosa dos créditos referentes às aquisições de couro a fornecedores inexistentes de fato, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. NOTAS FISCAIS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES DE FATO OU NÃO AUTORIZADAS A EMITIREM DOCUMENTAÇÃO FISCAL. GLOSAS. INÍCIO DE EFEITO. DATA DA DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO. Os créditos devem ser escriturados pelo beneficiário à vista do documento que lhes confira legitimidade, sendo imprestáveis para tal fim as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas na condição de inaptas no cadastro do CNPJ ou não autorizadas a emitilas. Como decorrências destas circunstâncias, os créditos apurados com base em documentação fiscal inidônea devem ser glosados, na ausência de prova do pagamento do preço ao fornecedor e do efetivo recebimento das mercadorias e serviços, com início de efeitos a partir do registro da situação de que resulta a inaptidão. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS. CORREÇÃO. VEDAÇÃO. Fl. 3746DF CARF MF Processo nº 10835.000068/200623 Acórdão n.º 9303006.329 CSRFT3 Fl. 4 3 O aproveitamento de créditos de COFINS. não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, por expressa disposição legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PERÍCIA TÉCNICA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As perícias destinamse à elucidação de questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, matérias impassíveis de deslinde a partir do conhecimento das partes e do julgador, e não para suprir a produção de prova que, segundo a distribuição do ônus probandi, toca ao interessado produzir. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA RECORRIDA. INTERESSE RECURSAL. CARÊNCIA. Não se conhece de discussão sobre matéria de defesa impertinente ao caso concreto, por carência de interesse recursal. DECISÕES DO STJ. SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. APLICAÇÃO NOS JULGAMENTO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Resp 1.148.444). ” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, insurgindo com a discussão acerca da inidoneidade de notas fiscais emitidas por empresas inexistentes de fato. Em Despacho às fls. 3545 a 3547, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 3747DF CARF MF Processo nº 10835.000068/200623 Acórdão n.º 9303006.329 CSRFT3 Fl. 5 4 Insatisfeito também, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, requerendo que seja excluído o crédito presumido da base de cálculo da Cofins e seja assegurada a correção monetária do crédito mediante a aplicação da Selic. Contrarrazões ao recurso interposto pela Fazenda foram apresentadas pelo sujeito passivo que, por sua vez, requereu o não conhecimento do recurso especial e que seja negado provimento para se manter o decidido em acórdão na parte em que reverteu a glosa dos créditos referentes às aquisições de couro a fornecedores inexistentes de fato. Em Despacho às fls. 3636 a 3639, foi dado seguimento parcial ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo somente quanto à incidência da Selic sobre os créditos de PIS não cumulativo objeto de ressarcimento. Em Despacho à fl. 3640, foi mantido na íntegra o despacho do presidente de Câmara. Traz o Despacho de Reexame de Admissibilidade, entre outros: “[...] O recurso deu seguimento parcial ao recurso especial, negando seguimento quanto à inclusão do crédito presumido de IPI na base de cálculo das contribuições sociais não cumulativas, pelo fato de a matéria não ter sido conhecida no julgamento do recurso voluntário. Com base no art. 71 do RICARF, recepciono o recurso especial para reexame e passo a examinálo, juntamente com o despacho que lhe negou, parcialmente seguimento. Constatase no acórdão recorrido que a matéria não foi conhecida pelo seu relator, em razão de ser estranha à lide. Diante do exposto decido por manter, na íntegra, o despacho do Presidente da Câmara, que deu seguimento parcial ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. ” Contrarrazões ao recurso interposto pelo sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional, requerendo que seja negado provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 3748DF CARF MF Processo nº 10835.000068/200623 Acórdão n.º 9303006.329 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise dos recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlos na parte admitida em Despacho– eis que atendidos, para tanto, os pressupostos constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Para melhor elucidar, importante recordar que, quanto ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, houve insurgência da discussão acerca da inidoneidade de notas fiscais emitidas por empresas inexistentes de fato. Vêse que o acórdão recorrido entende como idônea as notas fiscais emitidas por pessoa jurídica inexistente de fato, desde que a emissão tenha ocorrido antes da expedição de ato declaratório executivo que declarou a inaptidão da pessoa jurídica. Enquanto, o acórdão indicado como paradigma declara inidônea a nota fiscal emitida por pessoa jurídica inexistente de fato, independentemente da expedição do referido Ato Declaratório Executivo. Quanto ao recurso interposto pelo sujeito passivo que, por sua vez, suscitou divergência em relação à aplicação da taxa Selic sobre o pedido de ressarcimento, concordo com o despacho de admissibilidade quando diz “A simples confrontação entre as ementas dos acórdãos recorrido e paradigma comprova a divergência alegada, pois, ao contrário do decidido no recorrido, no paradigma entendeuse que a vedação do artigo 13 da Lei nº 10.833/2003 não se aplica quando a mora no ressarcimento decorre de óbice criado pela própria Administração, caso em que incide a correção pela Selic.” Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre a discussão trazida em recurso pela Fazenda Nacional – qual seja, sobre acerca da inidoneidade de notas fiscais emitidas por empresas inexistentes de fato. Fl. 3749DF CARF MF Processo nº 10835.000068/200623 Acórdão n.º 9303006.329 CSRFT3 Fl. 7 6 Depreendendose da análise dos autos do processo, antecipo meu entendimento de forma favorável ao sujeito passivo, considerando que, nesse caso, a ausência de comprovação de relação jurídica ou negocial do fornecedor é circunstância irrelevante para desfigurar a ocorrência dos fornecimentos de matériasprimas para a Vitapelli – eis que o início de efeitos referentes a caracterização de documentos inidôneos passa a ser a partir do registro da situação de que resulta a inaptidão. Para melhor elucidar meu entendimento, transcrevo parte voto do ex conselheiro Belchior Melo de Souza constante do acórdão 3803003.339, que vislumbrou a mesma situação do sujeito passivo, consignando a seguinte ementa: “PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. NOTAS FISCAIS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES DE FATO OU NÃO AUTORIZADAS A EMITIREM DOCUMENTAÇÃO FISCAL. GLOSAS. INÍCIO DE EFEITO. DATA DA DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO. Os créditos devem ser escriturados pelo beneficiário à vista do documento que lhes confira legitimidade, sendo imprestáveis para tal fim as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas na condição de inaptas no cadastro do CNPJ ou não autorizadas a emitilas. Como decorrências destas circunstâncias, os créditos apurados com base em documentação fiscal inidônea devem ser glosados, na ausência de prova do pagamento do preço ao fornecedor e do efetivo recebimento das mercadorias e serviços, com início de efeitos a partir do registro da situação de que resulta a inaptidão. [...]” Traz o voto (Grifos meus): “[...] Quanto ao crédito por aquisições a pessoas jurídicas com irregularidades cadastrais, segundo ao item “2”, acima, a abordagem do voto do d. Relator fez três análises envolvendo situações fáticas distintas, quais sejam: a) pessoas jurídicas fornecedoras inexistentes de fato; Fl. 3750DF CARF MF Processo nº 10835.000068/200623 Acórdão n.º 9303006.329 CSRFT3 Fl. 8 7 [...] A divergência foi aberta no tocante ao item “a”, no ponto em que o n. Relator maneja os fundamentos da inaptidão da inscrição no CNPJ de diversos fornecedores da Recorrente, listados neste tópico, capitulandoa como inexistente de fato, segundo a regulamentação trazida pelo art. 34 da IN RFB nº 568, de 2005, para, a partir desse enquadramento, aplicar o efeito temporal tributário da inidoneidade das notas fiscais de aquisições de matériasprimas (couro) por elas emitidas, e geradoras de créditos em favor da Recorrente, desde a constituição dessas pessoas jurídicas, verbis: Da Situação Cadastral Inapta Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: I – omissa contumaz: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar, por cinco ou mais exercícios consecutivos, DIPJ, Declaração de Inatividade ou Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas Simples, e, intimada, não tenha regularizado sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II – omissa e não localizada: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar as declarações referidas no inciso I, em um ou mais exercícios e, cumulativamente, não tenha sido localizada no endereço informado à RFB; III – inexistente de fato; IV – que não efetue a comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, na forma prevista em lei. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à pessoa jurídica domiciliada no exterior. Para sustentar este fundamento serviuse o nobre relator do que já fora consignado na ação fiscal, e mantido pela decisão recorrida. Compulsandose o Termo de Verificação Fiscal, vêse que foi empreendida uma abrangente ação fiscal, cuidadosa em toda a sua extensão, com a ressalva que ora se faz apenas a um ponto, qual seja, à análise e conclusão a que chegou a diligente Fiscalização quanto a nunca terem existido as pessoas jurídicas indicadas. Fl. 3751DF CARF MF Processo nº 10835.000068/200623 Acórdão n.º 9303006.329 CSRFT3 Fl. 9 8 Em todo o texto que cuida dessa análise, conforme o transcrito abaixo, podese perceber que não há elementos suficientes para que esta conclusão restasse consignada. Informa o teor do TVF que as cessões de crédito foram autorizadas pelos fornecedores, as pessoas destinatárias foram localizadas, e a única pergunta feita a esses destinatários é impertinente e, por si, insuficiente para descaracterizar a existência do fornecimento das matériasprimas, muito menos para atribuir inexistência a estes fornecedores desde a sua origem como pessoas jurídicas: No decorrer da ação fiscal, foram analisados pagamentos relativos às notas fiscais de fornecimento de couro das empresas acima à empresa fiscalizada. Foram constatados diversos pagamentos realizados a terceiras pessoas, através de autorização do fornecedor por via de "Cessão de Crédito". Ato continuo, intimamos os beneficiários de tais pagamentos a confirmarem a relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". As respostas às intimações foram, quase na totalidade, as mesmas, ou seja, as pessoas intimadas não reconhecem qualquer relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". Diante deste fato, fica descaracterizada a operação comercial amparada pelas notas fiscais. Anexamos cópias das intimações e respostas aos autos. Posto isto, efetuamos as glosas de créditos do PIS/COFINS, referentes às aquisições das empresas supracitadas, visto que as mesmas nunca existiram de fato. Conseqüentemente, haverá lavratura de auto de infração para constituição dos créditos tributários, bem como representação fiscal para fins penais.[grifo nosso]. Não foi visto nos autos elementos hábeis para caracterização dessas pessoas jurídicas como inexistentes de fato, sobretudo desde a sua constituição, senão tão só o sumário enquadramento feito pela Fiscalização. Sem base, pois, a afirmação no TVF de que tais pessoas jurídicas nunca existiram, para o fim de enquadrar os efeitos temporais da inidoneidade dos documentos no § 3º, III, do art. 48, IN RFB nº 568, de 2005: Fl. 3752DF CARF MF Processo nº 10835.000068/200623 Acórdão n.º 9303006.329 CSRFT3 Fl. 10 9 Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. [...] § 3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: I – a partir da data da publicação do ADE a que se refere: a) o art. 37, no caso de pessoa jurídica omissa contumaz; b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica omissa e não localizada. II – a partir da data desde a qual esteja caracterizada a situação prevista no inciso III do art. 41; III – na hipótese dos incisos I, II e IV do art. 41, desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade; [...]. [grifo nosso]. Por essa razão, direciono este voto vencedor no sentido de aplicar o art. 48, § 3º, I, letra “b”, da mesma Instrução Normativa, que preceitua o início dos efeitos da inidoneidade dos documentos emitidos pelos fornecedores dessa lista a partir da data da publicação do ADE de inaptidão, no mesmo diapasão das demais glosas mantidas na proposta de voto. Por outro flanco, este direcionamento está alinhado com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, segundo o acórdão no Resp 1.148.444, de relatoria do Min. Luiz Fux, submetido ao regime da sistemática do art. 543C e representativo de controvérsia, uma vez que a instrução dos autos não se desincumbiu de elidir as aquisições como de boa fé, frente ao ateste da própria Fiscalização de que as cessões de crédito dos fornecedores para terceiros foram por aqueles autorizadas, embora ante a resposta também destes, ao questionamento posto, de que não travaram relações comerciais com esta Recorrente, circunstância irrelevante para desfigurar a ocorrência dos fornecimentos de matériasprimas para a VITAPELLI. [...]” Fl. 3753DF CARF MF Processo nº 10835.000068/200623 Acórdão n.º 9303006.329 CSRFT3 Fl. 11 10 Sendo assim, em respeito ao art. 48, § 3º, inciso I, alínea b, da IN 568/05, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Quanto à matéria trazido em Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, qual seja, aplicação ou não da Selic sobre os pedidos de ressarcimento das contribuições, tenho que assiste razão ao sujeito passivo. Vêse que, nos termos do art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei 10.833/03, os créditos constituídos podem ser utilizados mediante dedução do valor das mesmas contribuições a recolher ou para fins de compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, podendo, inclusive, ser objeto de ressarcimento em pecúnia se, até o final de cada trimestre do ano civil, a pessoa jurídica não conseguir utilizar o crédito nas formas prescritas em lei. Não obstante, tal ressarcimento deve observar a legislação específica aplicável à matéria. Confira (Grifos meus): “Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I Dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II Compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 3754DF CARF MF Processo nº 10835.000068/200623 Acórdão n.º 9303006.329 CSRFT3 Fl. 12 11 § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” Nos termos do § 2º do art. 6º da Lei, a pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º do mesmo artigo, poderá solicitar o ressarcimento em dinheiro OBSERVADA A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA APLICÁVEL À MATÉRIA. Sendo assim, não há como se aplicar a vedação de se atualizar monetariamente ou aplicar os juros Selic trazida pelo art. 13 da Lei para todos os casos de ressarcimento, eis que se deve observar a legislação “específica” aplicável à matéria. Para melhor elucidar a aplicação desse dispositivo, importante recordar os dizeres dos art. 13 e 15 da Lei 10.833/03 (Grifos meus): “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º, inciso II do § 4ºe § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Em breve leitura, podese entender que há vedação expressa para atualizar o crédito de PIS e Cofins não cumulativo passível de ressarcimento de que trata o art. 6º, § 2º, da Lei 10.833/03. No entanto, tal como traz o art. 6, §2º da Lei 10.833/03 – no ressarcimento devese observar a legislação aplicável à matéria. Fl. 3755DF CARF MF Processo nº 10835.000068/200623 Acórdão n.º 9303006.329 CSRFT3 Fl. 13 12 Considerando esse dispositivo, é de se ressurgir à jurisprudência assentada pelo STJ, que entende que o direito à correção monetária de crédito escritural é condicionado à existência de ato estatal impeditivo de seu aproveitamento no momento oportuno. Em outros termos, é preciso que fique caracterizada a "resistência ilegítima do Fisco", na linha do que preceitua a Súmula 411/STJ. O que, por conseguinte, vêse que o requisito da "resistência ilegítima do Fisco" também deve ser observado para efeito de atualização monetária de créditos sob a forma de ressarcimento. Conforme lição do Ministro Mauro Campbell Marques, temse que: "(...) a lógica é simples: se há pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza também a chamada 'resistência ilegítima' exigida pela Súmula n. 411/STJ [...]” Sendo assim, antes de se analisar se cabe ou não juros compensatórios no ressarcimento solicitado pelo sujeito passivo, devese observar o dispositivo que trata dessa matéria – qual seja, o art. 24 da Lei 11.457/2007, conforme expressamente impõe o art. 6º, § 2º, da Lei 10.833/03. Tal enunciado impõe à Administração Tributária o prazo máximo de 360 dias para que seja proferida decisão administrativa a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte, nos seguintes termos: “Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte.” Considerando o conjunto da norma aplicável, vêse que o deferimento dos pedidos de ressarcimento deve observar o prazo legal. O que, por conseguinte, se for observado Fl. 3756DF CARF MF Processo nº 10835.000068/200623 Acórdão n.º 9303006.329 CSRFT3 Fl. 14 13 o prazo legal, não há que se falar em atualização monetária, eis que não haveria "resistência ilegítima". Caso contrário, devese aplicar sobre o crédito a ser ressarcido a taxa Selic desde a data de sua constituição até a data em que ocorrer o ressarcimento ou for utilizada para compensação. Frisese tal entendimento o recente REsp 1607697/RS, apreciado pelo STJ em 23 de agosto de 2016, que consignou a seguinte ementa: “TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CORREÇÃO MONETÁRIA. REQUISITO. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA. MORA. TERMO INICIAL. VENCIMENTO DO PRAZO LEGAL PREVISTO NO ART. 24 DA LEI 11.457/2007. HISTÓRICO DA DEMANDA 1. Cingese a controvérsia a definir o termo inicial da correção monetária no ressarcimento de créditos de PIS e Cofins não cumulativos pagos, no âmbito administrativo, após o transcurso do prazo de 360 dias (art. 24 da Lei 11.457/2007). 2. No presente caso, a resistência ilegítima imputada ao Fisco diz respeito exclusivamente à mora observada para satisfação do crédito. 3. O acórdão recorrido decidiu que a atualização monetária é devida desde a data do protocolo dos processos administrativos. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA DO FISCO: PRESSUPOSTO PARA A CORREÇÃO MONETÁRIA DE CRÉDITO FISCAL (SÚMULA 411/STJ) 4. Segundo a jurisprudência assentada pelo STJ, o direito à correção monetária de crédito escritural é condicionado à existência de ato estatal impeditivo de seu aproveitamento no momento oportuno. Em outros termos, é preciso que fique caracterizada a "resistência ilegítima do Fisco”, na linha do que preceitua a Súmula 411/STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (REsp 1.035.847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 3/8/2009, sob o regime do art. 543C do CPC). Fl. 3757DF CARF MF Processo nº 10835.000068/200623 Acórdão n.º 9303006.329 CSRFT3 Fl. 15 14 5. O requisito da "resistência ilegítima do Fisco" também deve ser observado para efeito de atualização monetária de créditos sob a forma de ressarcimento caso dos autos , como aliás, ficou definido na fundamentação do acórdão paradigma (EAg 1.220.942/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe 18/4/2013). TERMO INICIAL CONDICIONADO À VERIFICAÇÃO DO ILEGÍTIMO ÓBICE ESTATAL, IN CASU, A MORA 6. No que concerne à sistemática do PIS e da Cofins não cumulativos caso dos autos , cumpre destacar que a própria legislação impede expressamente a correção monetária dos créditos fiscais quando aproveitados regularmente sob a forma de ressarcimento (arts. 6°, § 2°, 13 e 15, VI, da Lei 10.833/2003). 7. O art. 24 da Lei 11.457/2007 impõe à Administração Tributária o prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias para que seja proferida decisão administrativa a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. 8. Nesse contexto, o deferimento dos pedidos de ressarcimento no prazo legal, ou seja, antes de escoados 360 dias do protocolo, não dá ensejo à atualização monetária, justamente pela ausência do requisito referente à "resistência ilegítima". 9. Em recente julgado, a Primeira Seção assentou que a correção monetária somente pode ser aplicada após o transcurso do aludido prazo do art. 24 da Lei 11.457/2007 (AgRg nos EREsp 1.490.081/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 1°/7/2015). No Mesmo sentido: AgRg no REsp 1.468.055/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 26/5/2015; AgRg no REsp 1.490.081/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 9/3/2015; AgRg no REsp 1.465.567/PR, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 24/3/2015. 10. A lógica dessa orientação decorre da premissa de que, "no caso do contribuinte acumular créditos escriturais em um período, para o aproveitamento em períodos subsequentes, não havendo resistência ilegítima do Fisco para a pronta utilização do crédito, afigurase indevida a Fl. 3758DF CARF MF Processo nº 10835.000068/200623 Acórdão n.º 9303006.329 CSRFT3 Fl. 16 15 incidência de correção monetária, salvo se houver disposição legal específica para tanto" (AgRg no REsp 1.159.732/SP, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 11/6/2015). 11. Não se está a confundir correção monetária com juros de mora, mas a reconhecer que a mora é a resistência ilegítima que dispara o cômputo da correção monetária. 12. Recurso Especial provido” Em vista do exposto, é de se concluir que caso o sujeito passivo acumule créditos em um período, para o aproveitamento em períodos subsequentes, e restar caracterizada a resistência ilegítima para a pronta utilização do crédito, é de se aplicar a incidência dos juros compensatórios – taxa Selic, conforme preceitua o art. 6, § 2º, da Lei 10.833/03, não se podendo aplicar de forma genérica o art. 13 da mesma Lei a todos os casos de ressarcimento. Em vista de todo o exposto, voto por conheço os recursos interpostos: · Negando provimento ao recurso da Fazenda Nacional; · Dando provimento ao recurso do sujeito passivo. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 3759DF CARF MF Processo nº 10835.000068/200623 Acórdão n.º 9303006.329 CSRFT3 Fl. 17 16 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com a devida venia à ilustre conselheira relatora, mas divirjo do seu entendimento nas matérias relativas a ambos recursos. Recurso Especial da Fazenda Nacional 1) Aproveitamento de créditos de PIS nas aquisições de pessoas jurídicas inexistentes de fato. Antes de adentrar o mérito, é importante registrar que o contribuinte obteve provimento judicial em agravo de instrumento nos seguintes termos, conforme noticia os documentos de efls. 3657/3743: (...) Ante o exposto, julgo prejudicado o agravo interno e, com fulcro no art. 932, V, "b", do Código de Processo Civil, dou provimento ao agravo de instrumento, para reformar a r. decisão agravada e determinar à parte agravada que aprecie no prazo máximo de 30 dias os processos de ressarcimento de PIS e COFINS protocolados há mais de 360 dias pela agravante, bem como que o faça com observância do decidido pelo E. STJ no REsp repetitivo n° 1.148.444/MG. (efl. 3665) (...) Portanto, transcrevese abaixo a ementa do que foi decidido pelo STJ no REsp nº 1.148.444/MG: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NAOCUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR , Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em Fl. 3760DF CARF MF Processo nº 10835.000068/200623 Acórdão n.º 9303006.329 CSRFT3 Fl. 18 17 11.03.2008, DJe 10.04.2008; REsp 737.135/MG , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007; REsp 623.335/PR , Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007; REsp 246.134/MG , Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.03.2006; REsp 556.850/MG , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.04.2005, DJ 23.05.2005; REsp 176.270/MG , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27.03.2001, DJ 04.06.2001; REsp 112.313/SP , Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999; REsp 196.581/MG , Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 04.03.1999, DJ 03.05.1999; e REsp 89.706/SP , Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 24.03.1998, DJ 06.04.1998). 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu , ao alienante). 3. In casu , o Tribunal de origem consignou que: "(...) os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes ." 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex tunc , o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 3761DF CARF MF Processo nº 10835.000068/200623 Acórdão n.º 9303006.329 CSRFT3 Fl. 19 18 Como percebese tal decisão segue o rito dos recursos repetitivos previstos no art. 543C, do CPC, e, seu entendimento deve ser obrigatoriamente seguido no âmbito dos julgamentos deste colegiado. Portanto era desnecessário o contribuinte ter obtido provimento judicial neste sentido. O que necessitamos então é verificar se a situação fática do presente processo encaixase ao ditame do que foi decidido no âmbito do citado repetitivo. Observemos então que a tese firmada pelo próprio STJ em relação a este julgamento é a seguinte: O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação.(Tema 272 do STJ) Na minha avaliação, a tese firmada pelo STJ é perfeita e visa proteger o adquirente de boa fé, que adquire a mercadoria e comprova a veracidade da compra e venda efetuada. Mas, com a devida venia, os fatos minuciosamente levantados pela fiscalização no presente processo demonstram que o contribuinte, além de não agir de boa fé, não comprovou a veracidade da compra e venda efetuada. Penso que tal situação está inequivocamente demonstrada nos presentes autos. Referida fiscalização teve início em 16/01/2006, para análise dos créditos relativos ao período de outubro/2002 a junho/2007. Importante registrar que no TVF a justificativa para as glosas não foram a existência de Atos Declaratórios de Inaptidão da Pessoa Jurídica, mas sim as diligências realizadas nos supostos fornecedores, as quais comprovaram a impossibilidade de ter havido a transação comercial, quer pela inexistência destes, quer pela falta de comprovação do pagamento. Podese ver que no item "10. Das Glosas", efl. 1424, seu item "10.1 Diligências a empresas fornecedoras" seu conteúdo demonstra que a razão das glosas foram as diligências realizadas pela fiscalização. Transcrevo abaixo excertos retirados do Termo de Verificação Fiscal TVF (efls. 1407/1440), no qual consta todas as evidências que justificaram a glosa dos referidos créditos: (...) Após análise das notas fiscais de compras, e pesquisas aos Sistemas Corporativos da Receita Federai do Brasil, bem como do Sintegra, na internet, constatouse que parte dos fornecedores encontramse em situações irregulares, tais Fl. 3762DF CARF MF Processo nº 10835.000068/200623 Acórdão n.º 9303006.329 CSRFT3 Fl. 20 19 como: empresa inexistente de fato, empresa inativa, empresa não cadastrada na Secretaria da Fazenda do Estado (não habilitada no Sintegra), empresa omissa na entrega de declarações, etc. Diante de tal situação, foram realizadas diligências em várias empresas fornecedoras, sendo que o resultado da maioria delas foi a constatação de inexistência de fato, com Representação Fiscal propondo a Inaptidão das mesmas. As empresas que se encontram nesta situação estão relacionadas abaixo: (...) Tal fato demonstra que a fiscalização somente emitiu os ADE DE INAPTIDÃO após comprovar a inexistência das pessoas jurídicas, ou seja, ditos atos declaratórios não foram o ponto de partida para a glosa. Seguimos com mais excertos do TVF: (...) No decorrer da ação fiscal, foram analisados pagamentos relativos às notas fiscais de fornecimento de couro das empresas acima à empresa fiscalizada. Foram constatados diversos pagamentos realizados a terceiras pessoas, através de autorização do fornecedor por via de "Cessão de Crédito". Ato contínuo, intimamos os beneficiários de tais pagamentos a confirmarem a relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". As respostas às intimações foram, quase na totalidade, as mesmas, ou seja, as pessoas intimadas não reconhecem qualquer relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". Diante deste fato, fica descaracterizada a operação comercial amparada pelas notas fiscais. Anexamos cópias das intimações e respostas aos autos. Posto isto, efetuamos as glosas de créditos do PIS/COFINS, referentes às aquisições das empresas supracitadas, visto que as mesmas nunca existiram de fato. Conseqüentemente, haverá lavratura de auto de infração para constituição dos créditos tributários, bem como representação fiscal para fins penais. (...) Também efetuamos glosas de créditos do PIS/COFINS referentes a aquisições de empresas representadas pela Delegacia Regional Tributária 10 (Presidente Prudente), relacionadas através de Ofício proveniente do Delegado Regional Tributário. As empresas, bem como os motivos para a glosa, estão relacionadas abaixo: a) Frigorífico São Matheus, nome fantasia da empresa CARD ALIMENTOS LTDA, CNPJ n° 02.987.722/000107. A data de início da situação é 03/10/2002. Os motivos descritos na representação são: Simulação da existência do estabelecimento e Simulação da realização de operações comerciais. Portanto, podese concluir pela inexistência de fato da empresa a partir de 03/10/2002, glosando os créditos solicitados a partir desta data. Além disso, houve diligência à referida empresa, conforme item 10.1. b) Comércio e Transportes Castelo de Serpa Ltda, CNPJ n° 04.842.983/0001 64. O motivo da representação é a inidoneidade de documentos fiscais. No presente caso, a empresa estava na condição "não habilitada" no Sintegra desde 11/03/1999. Portanto, não estava autorizada a emitir notas fiscais a partir Fl. 3763DF CARF MF Processo nº 10835.000068/200623 Acórdão n.º 9303006.329 CSRFT3 Fl. 21 20 da data em tela. A glosa dos créditos deverá ocorrer a partir das notas fiscais emitidas posteriormente à data em questão. (...) A empresa Vitapelli Ltda em vez de efetuar pagamento diretamente ao fornecedor efetuou pagamentos para outras empresas através de Cessão de Créditos a terceiros com autorização do fornecedor. Para subsidiar a fiscalização foram selecionadas, por amostragem, algumas empresas abaixo relacionadas, que receberam tais créditos, e estas foram intimadas a responderem alguns quesitos, conforme abaixo, in verbis: (...) Após esse trecho segue o relato da investigação em diversos cessionários de crédito e não se conseguiu comprovar a operação de pagamento. Os que a fiscalização obteve êxito em encontrálos, todos negaram relação negocial com o contribuinte. Alguns que não foram encontrados comprovouse que sequer tinham movimentação bancária no período como no exemplo a seguir: (...) 11.2. Fábio Benvindo Freitas Maia A pesquisa no sistema Dossiê Integrado da SRF revela que a referida empresa não apresentou nenhuma movimentação financeira nos anos calendário de 2002, 2003, 2004 e 2005, e apresentou DIPJ na condição de "INATIVA" nos anoscalendário de 2002 a 2005. (...) Em conclusão, a razão principal das glosas não foi em decorrência de procedimentos formais nos quais a inexistência da relação comercial dáse por presunção, como são os casos decorrentes da simples existência de atos declaratórios de inaptidão da pessoa jurídica. Ao contrário, como visto, a fiscalização efetuou um minucioso trabalho de investigação e demonstrou a inexistência de relação negocial entre o contribuinte e vários de seus supostos fornecedores. Tal fato, afasta todo o argumento do voto vencido e do contribuinte de que as glosas só poderiam realizarse a partir da data de emissão dos atos declaratórios de inaptidão das pessoas jurídicas. Cumpre destacar que o contribuinte teve todo direito de defesa, com apresentação de impugnação, recurso voluntário e agora o presente recurso especial. Poderia ter se dedicado mais a descontruir as provas da fiscalização, comprovando de forma inequívoca a regularidade de seus créditos. Porém não obteve sucesso e tenta afastar as glosas utilizando, a Fl. 3764DF CARF MF Processo nº 10835.000068/200623 Acórdão n.º 9303006.329 CSRFT3 Fl. 22 21 meu ver, indevidamente, com apego a aspectos meramente formais, o que foi decidido pelo STJ no julgamento do REsp 1148444, definitivamente não aplicável ao presente caso. Além de tudo o que já foi exposto, é importante ressaltar que estamos diante de um pedido de ressarcimento decorrentes de créditos de PIS e Cofins, no qual cumpre ao contribuinte, de maneira inequívoca, comprovar a certeza e liquidez do seu direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN, abaixo transcrito: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Recurso Especial do Contribuinte Aplicação da Taxa Selic ao ressarcimento de PIS/COFINS A atualização monetária do ressarcimento de saldos credores do PIS e da Cofins, apurados no regime da não cumulatividade, calculados à taxa Selic, é expressamente vedado pela própria Lei nº 10.833/2003, que instituiu o regime nãocumulativo, assim dispondo: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.” Contra disposição expressa da lei não é cabível aplicar analogias com decisões judiciais não aplicáveis ao caso concreto, como pretende a relatora. Somente a título de esclarecimento, contestase especificamente o argumento da ilustre relatora, em seu voto, de que seria aplicável à espécie o art. 39 da Lei nº 9.250/95, o qual, segundo o entendimento dela, deveria ser utilizado também para o fim de ressarcimento de tributos. O § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95 é aplicável à restituição do indébito (pagamento indevido ou a maior) e não ao ressarcimento, cuja previsão legal decorre de lei específica. Fl. 3765DF CARF MF Processo nº 10835.000068/200623 Acórdão n.º 9303006.329 CSRFT3 Fl. 23 22 Ao contrário do que muitos defendem, o ressarcimento não é "espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial apresentado pelo contribuinte. Assinado digitalmente Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 3766DF CARF MF
score : 1.0
