Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10166.004820/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. RESTITUIÇÃO.
Os rendimentos recebidos pelos anistiados políticos são isentos do imposto de renda, a partir de 29/11/2002. Entretanto, a restituição de valores já pagos, até 25/11/2003, somente se efetivará após o deferimento da substituição de regime, prevista no art. 19 da Lei nº 10.559, de 2002.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-001.339
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso. Ausente justificadamente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi. Presente o Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. RESTITUIÇÃO. Os rendimentos recebidos pelos anistiados políticos são isentos do imposto de renda, a partir de 29/11/2002. Entretanto, a restituição de valores já pagos, até 25/11/2003, somente se efetivará após o deferimento da substituição de regime, prevista no art. 19 da Lei nº 10.559, de 2002. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10166.004820/2007-16
anomes_publicacao_s : 201106
conteudo_id_s : 4781276
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-001.339
nome_arquivo_s : 210201339_10166004820200716_201106.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : NUBIA MATOS MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 10166004820200716_4781276.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi. Presente o Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
id : 4741976
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:40:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041727213568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1475; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 89 1 88 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.004820/200716 Recurso nº 500.547 Voluntário Acórdão nº 210201.339 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de junho de 2011 Matéria IRPF Anistiado político Recorrente JOSÉ ROCHA CARVALHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. RESTITUIÇÃO. Os rendimentos recebidos pelos anistiados políticos são isentos do imposto de renda, a partir de 29/11/2002. Entretanto, a restituição de valores já pagos, até 25/11/2003, somente se efetivará após o deferimento da substituição de regime, prevista no art. 19 da Lei nº 10.559, de 2002. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi. Presente o Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 13/06/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10166.004820/200716 Acórdão n.º 210201.339 S2C1T2 Fl. 90 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Atílio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra JOSÉ ROCHA CARVALHO foi lavrado Auto de Infração, fls. 03/06, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), anocalendário 2002, exercício 2004, para reduzir o valor da restituição pleiteada pelo contribuinte de R$ 11.372,15 para R$ 1.096,60. A infração apurada pela autoridade fiscal encontrase assim descrita no Auto de Infração: Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício. O contribuinte declarou parte dos rendimentos como anistiado, no entanto, conforme orientação anexa a declaração, o mesmo só tem direito a restituição do imposto de renda retido na fonte do período de 29/08/2003 a 26/11/2003, com apresentação da Portaria do Ministério da Justiça. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/02, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/BSB nº 0331.507, de 17/06/2009, fls. 71/77. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 07/08/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 80, o contribuinte apresentou, em 26/08/2009, recurso voluntário, fls. 81/82, no qual afirma, em apertada síntese, que teve sua anistia concedida pelo Governo do Distrito Federal e que após a Lei nº 10.559, de 2002, seus rendimentos de anistiado político são isentos. Acrescenta que apresentou requerimento junto à Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e está aguardando a publicação da Portaria do Ministro da Justiça, que somente ocorrerá quando da conclusão do processo. É o Relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10166.004820/200716 Acórdão n.º 210201.339 S2C1T2 Fl. 91 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de omissão de rendimentos recebidos da Polícia Civil do Distrito Federal. O contribuinte afirma que tais rendimentos são isentos, nos termos do parágrafo único do art. 9º da Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002, abaixo transcrito: Art. 9º Os valores pagos por anistia não poderão ser objeto de contribuição ao INSS, a caixas de assistência ou fundos de pensão ou previdência, nem objeto de ressarcimento por estes de suas responsabilidades estatutárias. Parágrafo único. Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda.(Regulamento) Por seu turno, a autoridade fiscal e a decisão recorrida entendem que para os rendimentos recebidos entre 29/08/2002 e 26/11/2003, a restituição dos valores pagos a título de imposto de renda fica condicionada ao deferimento da substituição de regime de reparação econômica, prevista no art. 19 da Lei nº 10.559, de 2002 e que a partir de 26/11/2003, a isenção é concedida, sob a condição de apresentação de requerimento, devidamente protocolizado no Ministério da Justiça. De pronto, cumpre dizer que os rendimentos em questão, recebidos da Polícia Civil do Distrito Federal, decorrem do fato de o recorrente ter sido declarado anistiado político, nos termos do art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988 e que é aposentado daquele órgão desde 22/12/1995, conforme documentos, fls. 10 e 56. A Lei nº 10.559, de 2002 prevê indenização aos anistiados políticos em prestação única (art. 4º), para os que não possam comprovar vínculo laboral, ou em prestação mensal, permanente e continuada (art. 5º), para os demais. Essa indenização, em parcela única ou em prestação mensal, não se submete à contribuição previdenciária e ao imposto de renda (art. 9º). Já o art. 19, da mencionada lei, prevê que o pagamento de aposentadoria ou pensão excepcional relativamente aos já anistiados será mantida, sem solução de continuidade, até a substituição pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, obedecido o que determina o art. 11. Por seu turno, o art. 11 preceitua que todos os processos de anistia, mesmo os arquivados, deferidos ou não, deveriam ter sido remetidos ao Ministério da Justiça, encarregado de aferir as condições para substituição da aposentadoria pela prestação mensal, permanente e continuada. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10166.004820/200716 Acórdão n.º 210201.339 S2C1T2 Fl. 92 4 Ora, a conclusão que se impõe é de que não há a necessidade de o anistiado apresentar requerimento ao Ministério da Justiça para solicitar a substituição, visto que todos os processos de anistia, arquivados ou não, deveriam ter sido remetidos ao Ministério da Justiça, no prazo de noventa dias da publicação da lei. Por pertinente, transcrevese a seguir o Decreto nº 4.897, de 25 de novembro de 2003, que regulou o parágrafo único do art. 9º da Lei nº 10.559, de 2002: O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto no parágrafo único do art. 9o da Lei no 10.559, de 13 de novembro de 2002, DECRETA: Art. 1º Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda, nos termos do parágrafo único do art. 9o da Lei no 10.559, de 13 de novembro de 2002. § 1º O disposto no caput inclui as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos já anistiados políticos, civis ou militares, nos termos do art. 19 da Lei no 10.559, de 2002. § 2º Caso seja indeferida a substituição de regime prevista no art. 19 da Lei no 10.559, de 2002, a fonte pagadora deverá efetuar a retenção retroativa do imposto devido até o total pagamento do valor pendente, observado o limite de trinta por cento do valor líquido da aposentadoria ou pensão. Art. 2º O disposto neste Decreto produz efeitos a partir de 29 de agosto de 2002, nos termos do art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. Parágrafo único. Eventual restituição do Imposto de Renda já pago até a publicação deste Decreto efetivarseá após deferimento da substituição de regime prevista no art. 19 da Lei no 10.559, de 2002. Art. 3º A Secretaria da Receita Federal poderá editar normas complementares a este Decreto. Art. 4º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Pois muito bem. O decreto acima transcrito esclareceu que o aposentado tem direito à isenção do imposto de renda e da contribuição previdenciária ainda antes da substituição pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada prevista no art. 5º da Lei nº 10.559, de 2002, e determinou que caso a substituição seja indeferida pelo Ministério da Justiça, a fonte pagadora deverá efetuar a retenção retroativa do imposto devido até o total pagamento do valor pendente, observado o limite de trinta por cento do valor líquido da aposentadoria ou pensão. Nessa conformidade, a conclusão que se impõe é de que estão isentos do imposto de renda as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10166.004820/200716 Acórdão n.º 210201.339 S2C1T2 Fl. 93 5 anistiados políticos, civis ou militares, não havendo que se falar na necessidade de apresentação de requerimento ao Ministério da Justiça. Entretanto, no que diz respeito à restituição de valores já pagos até a data da publicação do referido Decreto (25/11/2003), temse que somente se efetivará após o deferimento da substituição de regime, prevista no art. 19 da Lei nº 10.559, de 2002. E este é o caso dos autos. O Auto de Infração em exame decorreu da revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA), anocalendário 2002, exercício 2003, retificadora, que foi apresentada pelo contribuinte para pleitear a restituição do imposto de renda já recolhido sobre os rendimentos de anistiado político. Ressaltese que o Auto de Infração não exige crédito tributário do contribuinte, mas tãosomente reduz a restituição pleiteada de R$ 11.372,15 para R$ 1.096,60. Ora, de conformidade com o disposto no parágrafo único do art. 2º tal restituição somente é possível após o deferimento da substituição de regime, prevista no art. 19 da Lei nº 10.559, de 2002. No presente caso, o contribuinte juntou ao recurso, documento, fls. 83, que comprova que o contribuinte apresentou requerimento de anistia ao Ministério da Justiça, em 22/11/2002, assim como ata de julgamento do referido requerimento, fls. 86, donde se extrai o que se segue: Por unanimidade, deferir parcialmente o pedido para conceder ao Sr. José Rocha de Carvalho a ratificação declaração de anistiado político, negando qualquer reparação econômica. O recorrente juntou, ainda, cópia de recurso apresentado contra a decisão acima, fls. 87, que por pertinente abaixo se transcreve parcialmente: O requerente teve seu pedido de revisão julgado (...), com deferimento apenas parcial, quando foi concedida a Declaração da Condição de Anistiado Político, e um pedido de desculpas em nome do Estado Brasileiro. Em virtude de ter o pedido principal negado, a Progressão Funcional, o requerente pede a Douta Comissão, por intermédio de sua Plenária, a revisão e correção da equivocada decisão da referida Turma, (...) Vêse, portanto, que o contribuinte não logrou comprovar o deferimento da substituição de regime, prevista no art. 19 da Lei nº 10.559, de 2002, logo não há que se falar em restituição dos valores retidos antes de 25/11/2003. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10166.004820/200716 Acórdão n.º 210201.339 S2C1T2 Fl. 94 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.002360/2007-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2002, 2004, 2005
Ementa: IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO
DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN,
DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A,
DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo
decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário
(lançamento de ofício) contase
do primeiro dia do exercício seguinte àquele
em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não
prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão
legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do
contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da
Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em
28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro
Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp
276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).
O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese
pelo
disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do
exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"
corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à
ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a
lançamento por homologação, revelandose
inadmissível a aplicação
cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do
Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial
decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro",
3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro,
"Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e
Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).
Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC
(2007/01769940),
julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz
Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C,
do CPC e da
Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos).
DEPENDENTES. SOGROS. POSSIBILIDADE. Os sogros, desde que não
aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção
mensal, podem figurar como dependentes na declaração de imposto de renda
do genro, bastando apenas que o cônjuge ou companheiro deste esteja
igualmente incluído na referida declaração.
DESPESAS. LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO COM
DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. Comprovadas com documentação
hábil e idônea as despesas necessárias a manutenção da fonte produtora dos
rendimentos, devese
deferir a dedução delas da base de cálculo do imposto
de renda.
ANOSCALENDÁRIO
2003 E 2004. DESPESAS COM INSTRUÇÃO.
DISPÊNDIOS COM CURSOS LIVRES PROFISSIONALIZANTES.
DESPESAS INDEDUTÍVEIS. IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO
DESSAS DESPESAS PARA O LIVRO CAIXA. Pela simples leitura do art.
8º, II, “b”, da Lei nº 9.250/95 e da legislação regulamentadora (IN SRF nº
15/2001), vigente nos anoscalendário
auditados, vêse
que somente há
autorização para despesas incorridas com pagamentos a estabelecimentos de
ensino (da préescola
ao 3º grau, passando por cursos de especialização ou
profissionalizantes do contribuinte e seus dependentes), não havendo
previsão para albergar cursos de especialização ou profissionalizante livres.
Não foi demonstrado nestes autos que as entidades emitentes dos recibos de
instrução se enquadrassem como estabelecimentos de ensino, nos termos da
Lei nº 9.394/1996 (lei de diretrizes e bases da educação nacional), pois são
cursos livres, não regulamentados pela Lei citada. A exigência de
enquadramento nessa lei citada, feita pelo IN SRF nº 15/2001, está dentro do
poder regulamentar do executivo, não parecendo desbordar do comando do
art. 8º, II, “b”, da Lei nº 9.250/95. Já quanto à conversão das despesas acima
para o livro caixa, as despesas passíveis de dedução a título de livro caixa são
aquelas necessárias à manutenção da fonte produtora dos rendimentos e, por
óbvio, que não estão especificadas como de utilização geral (dependentes,
previdência privada e oficial, despesas médicas, com instrução e pensão
alimentícia). Assim, a despesa com instrução deve ser deduzida como tal, e
não a título de livro caixa.
DESPESAS MÉDICAS COMPROVADAS COM DOCUMENTAÇÃO
HÁBIL E IDÔNEA. DEDUÇÃO. Somente despesas com pagamentos
efetuados, no anocalendário,
a médicos, dentistas, psicólogos,
fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem
como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos
ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias podem ser deduzidas da base
de cálculo do imposto de renda. Comprovadas as despesas com
documentação hábil e idônea, deve-se
deferir a dedução.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2102-001.398
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR parcial provimento ao recurso, para:
§ reconhecer que a decadência extinguiu o crédito tributário do ano-calendário 2001;
§ restabelecer as despesas no montante de R$ 23.670,42, no ano-calendário 2003;
§ restabelecer as despesas no montante de R$ 40.219,49, no ano-calendário 2004.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201107
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10980.002360/2007-98
anomes_publicacao_s : 201107
conteudo_id_s : 4961183
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-001.398
nome_arquivo_s : 210201398_10980002360200798_201107.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
nome_arquivo_pdf_s : 10980002360200798_4961183.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR parcial provimento ao recurso, para: § reconhecer que a decadência extinguiu o crédito tributário do ano-calendário 2001; § restabelecer as despesas no montante de R$ 23.670,42, no ano-calendário 2003; § restabelecer as despesas no montante de R$ 40.219,49, no ano-calendário 2004.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
id : 4742829
ano_sessao_s : 2011
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002, 2004, 2005 Ementa: IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). DEPENDENTES. SOGROS. POSSIBILIDADE. Os sogros, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal, podem figurar como dependentes na declaração de imposto de renda do genro, bastando apenas que o cônjuge ou companheiro deste esteja igualmente incluído na referida declaração. DESPESAS. LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. Comprovadas com documentação hábil e idônea as despesas necessárias a manutenção da fonte produtora dos rendimentos, devese deferir a dedução delas da base de cálculo do imposto de renda. ANOSCALENDÁRIO 2003 E 2004. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DISPÊNDIOS COM CURSOS LIVRES PROFISSIONALIZANTES. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DESSAS DESPESAS PARA O LIVRO CAIXA. Pela simples leitura do art. 8º, II, “b”, da Lei nº 9.250/95 e da legislação regulamentadora (IN SRF nº 15/2001), vigente nos anoscalendário auditados, vêse que somente há autorização para despesas incorridas com pagamentos a estabelecimentos de ensino (da préescola ao 3º grau, passando por cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e seus dependentes), não havendo previsão para albergar cursos de especialização ou profissionalizante livres. Não foi demonstrado nestes autos que as entidades emitentes dos recibos de instrução se enquadrassem como estabelecimentos de ensino, nos termos da Lei nº 9.394/1996 (lei de diretrizes e bases da educação nacional), pois são cursos livres, não regulamentados pela Lei citada. A exigência de enquadramento nessa lei citada, feita pelo IN SRF nº 15/2001, está dentro do poder regulamentar do executivo, não parecendo desbordar do comando do art. 8º, II, “b”, da Lei nº 9.250/95. Já quanto à conversão das despesas acima para o livro caixa, as despesas passíveis de dedução a título de livro caixa são aquelas necessárias à manutenção da fonte produtora dos rendimentos e, por óbvio, que não estão especificadas como de utilização geral (dependentes, previdência privada e oficial, despesas médicas, com instrução e pensão alimentícia). Assim, a despesa com instrução deve ser deduzida como tal, e não a título de livro caixa. DESPESAS MÉDICAS COMPROVADAS COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. DEDUÇÃO. Somente despesas com pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda. Comprovadas as despesas com documentação hábil e idônea, deve-se deferir a dedução. Recurso provido em parte.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:41:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041791176704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 1 1 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.002360/200798 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102001.398 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de julho de 2011 Matéria IRPF Recorrente ADEMIR ANTONIO RAU Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002, 2004, 2005 Ementa: IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Fl. 292DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). DEPENDENTES. SOGROS. POSSIBILIDADE. Os sogros, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal, podem figurar como dependentes na declaração de imposto de renda do genro, bastando apenas que o cônjuge ou companheiro deste esteja igualmente incluído na referida declaração. DESPESAS. LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. Comprovadas com documentação hábil e idônea as despesas necessárias a manutenção da fonte produtora dos rendimentos, devese deferir a dedução delas da base de cálculo do imposto de renda. ANOSCALENDÁRIO 2003 E 2004. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DISPÊNDIOS COM CURSOS LIVRES PROFISSIONALIZANTES. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DESSAS DESPESAS PARA O LIVRO CAIXA. Pela simples leitura do art. 8º, II, “b”, da Lei nº 9.250/95 e da legislação regulamentadora (IN SRF nº 15/2001), vigente nos anoscalendário auditados, vêse que somente há autorização para despesas incorridas com pagamentos a estabelecimentos de ensino (da préescola ao 3º grau, passando por cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e seus dependentes), não havendo previsão para albergar cursos de especialização ou profissionalizante livres. Não foi demonstrado nestes autos que as entidades emitentes dos recibos de instrução se enquadrassem como estabelecimentos de ensino, nos termos da Lei nº 9.394/1996 (lei de diretrizes e bases da educação nacional), pois são cursos livres, não regulamentados pela Lei citada. A exigência de enquadramento nessa lei citada, feita pelo IN SRF nº 15/2001, está dentro do poder regulamentar do executivo, não parecendo desbordar do comando do art. 8º, II, “b”, da Lei nº 9.250/95. Já quanto à conversão das despesas acima para o livro caixa, as despesas passíveis de dedução a título de livro caixa são aquelas necessárias à manutenção da fonte produtora dos rendimentos e, por óbvio, que não estão especificadas como de utilização geral (dependentes, previdência privada e oficial, despesas médicas, com instrução e pensão alimentícia). Assim, a despesa com instrução deve ser deduzida como tal, e não a título de livro caixa. DESPESAS MÉDICAS COMPROVADAS COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. DEDUÇÃO. Somente despesas com pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda. Comprovadas as despesas com documentação hábil e idônea, devese deferir a dedução. Recurso provido em parte. Fl. 293DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10980.002360/200798 Acórdão n.º 2102001.398 S2C1T2 Fl. 2 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR parcial provimento ao recurso, para: § reconhecer que a decadência extinguiu o crédito tributário do ano calendário 2001; § restabelecer as despesas no montante de R$ 23.670,42, no ano calendário 2003; § restabelecer as despesas no montante de R$ 40.219,49, no ano calendário 2004. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 16/08/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte ADEMIR ANTONIO RAU, CPF/MF nº 248.802.48991, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 01/03/2007, auto de infração (fls. 176 a 183), com ciência postal em 09/03/2007 (fl. 185), a partir de ação fiscal iniciada em 27/12/2005 (fl. 05). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 36.492,94 MULTA DE OFÍCIO R$ 27.369,69 Ao contribuinte foram imputadas as seguintes infrações, todas apenadas com multa de ofício no percentual de 75% (fls. 177 a 181): 1. dedução indevida de despesa com dependente, nos anoscalendário 2001 (R$ 1.080,00) e 2003 (R$ 1.272,00), com a seguinte motivação: GLOSA DE ISOLNI CORREA BORGES DECLARADA COMO DEPENDENTE, POR FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA DEDUÇÃO. APENAS OS PAIS, O CÔNJUGE, OS FILHOS Fl. 294DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 ENQUANTO UNIVERSITÁRIOS E OUTRAS PESSOAS SOB GUARDA JUDICIAL PODEM SER DECLARADOS COMO DEPENDENTES. A PESSOA EM TELA É A SOGRA, SENDO A ESPOSA DEPENDENTE E NÃO POSSUIR RENDIMENTOS PRÓPRIOS, NEM ESTAR OBRIGADA A DECLARAÇÃO DE AJUSTE, NÃO SENDO DECLARAÇÃO EM CONJUNTO. GLOSA PARCIAL. 2. dedução indevida de despesas médicas, nos anoscalendário 2001 (R$ 6.500,00) e 2003 (R$ 10.366,42), com a seguinte motivação; EXERCÍCIO 2002: ACATADAS DESPESAS COMPROVADAS DE R$ 3.221,28. GLOSADAS AS DESPESAS COM CESAR A. THOME (R$ 900,00), POR FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO REGISTRO PROFISSIONAL, FALTA DE ENDEREÇO, FALTA DO CPF E DO NOME COMPLETO DO EMITENTE, COMO DETERMINA O ARTIGO 80 DO DECRETO N° 3.000, DE 1999 REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA. GLOSADAS AS DESPESAS COM ROBERTO HUMMELGEN (R$ 3.600,00), POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO ATENDIMENTO PROFISSIONAL, POR FALTA DE CARIMBO COM OS DADOS DO EMITENTE, NOS TERMOS DO ARTIGO 80 DO RIR/99. GLOSADAS AS DESPESAS COM LUIZ ASCANIO LUVIZOTTO (R$ 1.800,00), POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO ATENDIMENTO E POR SER O PROFISSIONAL SÓCIO DO CONTRIBUINTE NA POLICLÍNICA COLOMBO S/C LTDA, SE CONFIGURANDO EMISSÃO DE RECIBO GRACIOSO, SEM A PRESTAÇÃO DO ATENDIMENTO MÉDICO AO CONTRIBUINTE. GLOSADAS AINDA AS DESPESAS COM JOSÉ ANTONIO GARCIA (R$ 200,00), POR FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO EMITENTE, CARIMBO COM CPF, REGISTRO PROFISSIONAL E ENDEREÇO. EXERCÍCIO 2004: ACATADAS APENAS DESPESAS DE R$ 6.176,48. GLOSADAS DESPESAS COM CESAR THOMÉ (R$ 500,00), POR FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO EMITENTE DO RECIBO; DESPESAS COM DR. AIÇAR THOMÉ (R$ 2.000,00), POR FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO REGISTRO PROFISSIONAL E ENDEREÇO NOS RECIBOS APRESENTADOS; GLOSA DO RECIBO DE R$ 505,00 EMITIDO POR INSTITUTO ECUMÊNICO POPULAR LAMIGO, POR NÃO SER ESTABELECIMENTO PRESTADOR DE SERVIÇOS MÉDICOS. GLOSADO RECIBO DE R$ 263,01 DE LUIZ ASCANIO LUVISOTTO, POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO ATENDIMENTO MÉDICO DO CONTRIBUINTE. PROFISSIONAL É SÓCIO DO CONTRIBUINTE NA POLICLÍNICA COLOMBO. Fl. 295DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10980.002360/200798 Acórdão n.º 2102001.398 S2C1T2 Fl. 3 5 GLOSADAS AINDA DESPESAS COM ROBERTO HOMMELGEN (R$ 7.098,41), APRESENTADA COM RECIBOS MENSAIS, POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO ATENDIMENTO MÉDICO DO CONTRIBUINTE. SE TRATA DE PROFISSIONAL QUE PRESTOU SERVIÇO DE PLANTÃO MÉDICO, NO LUGAR DO CONTRIBUINTE, NÃO SE COMPROVANDO PRESTAÇÃO DE SERVIÇO MÉDICO DE ATENDIMENTO DO CONTRIBUINTE. 3. dedução indevida com livro caixa, nos anoscalendário 2001 (R$ 26.350,00), 2003 (R$ 15.645,51) e 2004 (R$ 54.746,87), com a seguinte motivação: EXERCÍCIO 2002: INTIMADO A COMPROVAR DESPESAS DECLARADAS COMO LIVROCAIXA, APRESENTOU ESCRITURAÇÃO ONDE CONSTAM CONTRIBUIÇÕES PARA ENTIDADES, CONDOMÍNIO DE CONSULTÓRIO, MATERIAL DE ESCRITÓRIO, DESPESAS COM TELEFONE DO ESCRITÓRIO. APRESENTOU APENAS RECIBOS EMITIDOS PELA POLICLÍNICA COLOMBO S/C LTDA, DE PROPRIEDADE DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE, SEM ASSINATURAS. NENHUM OUTRO DOCUMENTO FOI APRESENTADO. GLOSA TOTAL. EXERCÍCIO 2004: APRESENTOU ESCRITURAÇÃO E COMPROVANTES DAS DESPESAS, SENDO ACATADO APENAS R$ 955,44. GLOSADAS DESPESAS NO MONTANTE DE R$ 15.645,51, REFERENTES A DESPESAS NÃO ACATADAS DE CONDOMÍNIO PAGO À POLICLÍNICA COLOMBO S/C LTDA DE PROPRIEDADE DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE; DESPESAS COM GRÁFICA COM NOTA EM NOME DA POLICLÍNICA COLOMBO; DESPESAS COM AQUISIÇÃO DE EQUIPAMENTOS MÉDICOS (ESPÉCULOS, ETC.); DESPESAS COM TELEFONE DA RESIDÊNCIA DO CONTRIBUINTE; DESPESAS COM MANUTENÇÃO DE PORTÃO DA RESIDÊNCIA DO CONTRIBUINTE; DESPESAS COM AQUISIÇÃO DE MATERIAIS SEM NOTA FISCAL, APENAS ORDEM DE SERVIÇO. EXERCÍCIO 2005: APRESENTOU ESCRITURAÇÃO E COMPROVANTES DAS DESPESAS, SENDO ACATADO APENAS R$ 851,25. GLOSADAS DESPESAS NO MONTANTE DE R$ 54.746,87, REFERENTES A DESPESAS NÃO ACATADAS DE CONDOMÍNIO PAGO À POLICLÍNICA COLOMBO DE PROPRIEDADE DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE E COM INSTITUTO POLATI DE ODONTOLOGIA E MEDICINA; DESPESAS COM PRESTADORES DE SERVIÇO SEM Fl. 296DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 VINCULO EMPREGATÍCIO (SOMENTE COM VINCULO EMPREGATÍCIO PODEM SER DEDUZIDAS); DE RECIBOS E NOTAS FISCAIS DE AQUISIÇÃO DE EQUIPAMENTOS MÉDICOS; DE DESPESAS COM TELEFONE DA RESIDÊNCIA DO CONTRIBUINTE; DE SERVIÇOS PRESTADOS POR EMPRESAS SEM A DEVIDA NOTA FISCAL; POR EQUIPAMENTO COM NOTA PARA A POLICLÍNICA COLOMBO; POR SERVIÇOS GRÁFICOS PRESTADOS PARA A POLICLÍNICA COLOMBO; POR NOTAS FISCAIS SEM IDENTIFICAÇÃO DO CLIENTE. 4. dedução indevida com despesa com instrução, nos anoscalendário 2001 (R$ 3.650,00), 2003 (R$ 1.140,00) e 2004 (R$ 810,00), com a seguinte motivação: EXERCÍCIO 2002: CONTRIBUINTE INFORMOU NA DECLARAÇÃO TER EFETUADO DESPESAS COM INSTRUÇÃO DE TRÊS DEPENDENTES, MAS COMPROVOU DESPESAS APENAS DE UM, A FILHA MONIQUE RAU NO COLÉGIO SANTA MARIA. DESPESAS COM SOCIEDADE DE RADIOLOGIA DO PARANÁ (R$ 250,00); COM FUNPAR POR AULAS DE IDIOMAS (R$ 1.250,00) E COM MAGPHIL ASSESSORIA EDUCACIONAL POR AULAS DE IDIOMAS TAMBÉM (R$ 1.531,60) NÃO SE ENQUADRAM NA LEGISLAÇÃO COMO ESTABELECIMENTOS DE ENSINO REGULAR, SENDO GLOSADOS., EXERCÍCIO 2004: ACATADA DESPESAS COM COLÉGIO SANTA MARIA. GLOSADA DESPESAS COM CAMARGO S/C LTDA (R$ 1.140,00), INFORMADO COMO DESPESAS COM INSTRUÇÃO PRÓPRIA, POR FALTA DE PREVISÃO LEGAL. A EMPRESA NÃO É ESTABELECIMENTO DE ENSINO REGULAR. EXERCÍCIO 2005: GLOSADA DESPESA DE R$ 810,00 DECLARADA PARA INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO MÉDICO E BIODIREITO, DECLARADA COMO DESPESA COM INSTRUÇÃO PRÓPRIA, POR SER PARA CURSO NÃO REGULAR. APENAS CURSOS REGULARES DE ESPECIALIZAÇÃO TÊM PREVISÃO LEGAL PARA DEDUÇÃO, DESDE QUE DEVIDAMENTE COMPROVADAS E COM CERTIFICADO DE CONCLUSÃO. GLOSA TOTAL. 5. dedução indevida de despesa com previdência privada/fapi, no ano calendário 2004 (R$ 11.140,79), com a seguinte motivação: EXERCÍCIO 2005: INTIMADO A COMPROVAR OS PAGAMENTOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA, APRESENTOU APENAS COMPROVANTE DA CAIXA VIDA E PREVIDÊNCIA S/A, Fl. 297DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10980.002360/200798 Acórdão n.º 2102001.398 S2C1T2 Fl. 4 7 COM VALOR DE R$ 879,95 E DA FUNDA0 PETROBRÁS DE SEGURIDADE SOCIAL COM VALOR DE R$ 779,97, PERFAZENDO O TOTAL DE R$ 1.659,92. NÃO COMPROVOU AS DEMAIS DESPESAS DECLARADAS, SENDO GLOSADO R$ 11.140,79. Aos autos foram juntadas as declarações de ajuste anual do fiscalizado, dos anoscalendário 2001 (fls. 157 a 160), 2003 (fls. 161 a 164) e 2004 (fls. 165 a 168). Em todas há antecipação de IRRF. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 4ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0622.456, de 02 de junho de 2009 (fls. 208 a 213v), quando se restabeleceu um montante de R$ 8.776,32 a título de despesa com previdência privada. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 29/06/2009 (fl. 217). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 20/07/2009 (fl. 218). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. a decadência extinguiu o crédito tributário lançado até 12/02/2002, pois até aí fluiu o qüinqüênio decadencial contado na forma do art. 150, § 4º, do CTN; II. “Ainda, que a cônjuge do Recorrente não tenha oferecido em conjunto a sua declaração (por esta não ter auferido nenhuma renda), tal motivo não pode ser impedimento para que o Recorrente inclua sua sogra como dependente. No caso em questão, a sogra não auferiu rendimentos da mesma forma que a esposa também não auferiu o que gerou uma dependência direta” (fl. 220 – transcrição do recurso voluntário); III. devem ser restabelecidos os valores pagos a Policlínica Colombo S/C Ltda e para Instituto Polati de Odontologia e Medicina, pois se trata de despesas de custeio indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora do contribuinte, não sendo possível manter a glosa simplesmente pelo fato de o contribuinte ser sócio das empresas, pois é cediço que as pessoas jurídicas não se confundem com as pessoas naturais; IV. “As despesas informadas como instrução própria e glosadas por faltas de previsão legal, foram efetivamente realizadas. Entretanto, em não sendo caracterizadas como instruções próprias, devem ser consideradas como despesas necessárias à percepção das receitas e à manutenção da fonte produtora, devendo, desta forma, que sejam alocadas para o livrocaixa” (fl. 221 – transcrição do recurso voluntário); Fl. 298DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 V. as despesas médicas devem ser restabelecidas, pois comprovadas com documentação pertinente. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 29/06/2009 (fl. 217), segundafeira, e interpôs o recurso voluntário em 20/07/2009 (fl. 218), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 29/07/2009, quartafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Passase a apreciar a defesa do item I do relato (a decadência extinguiu o crédito tributário lançado até 12/02/2002, pois até aí fluiu o qüinqüênio decadencial contado na forma do art. 150, § 4º, do CTN). Primeiramente, fazse breve menção à tradicional jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e do CARF sobre a matéria. Entendiase que a regra de incidência de cada tributo era que definia a sistemática de seu lançamento. Se a legislação atribuísse ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o tributo amoldarseia à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial darseia na forma disciplinada no art. 150, § 4º, do CTN, sendo irrelevante a existência, ou não, do pagamento, e, no caso de dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial tinha assento no art. 173, I, do CTN . Este era o entendimento aplicado ao lançamento do imposto de renda da pessoa física e da pessoa jurídica sujeito ao ajuste anual. Assim era pacífico no âmbito do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes que a contagem do prazo decadencial do imposto de renda da pessoa física e jurídica sujeito ao ajuste anual amoldarseia à dicção do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando a contagem passa a ser feita na forma do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Como exemplo dessa jurisprudência, citamse os acórdãos nºs: 10195.026, relatora a Conselheira Sandra Maria Faroni, sessão de 16/06/2005; 10246.936, relator o Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 07/07/2005; 10323.170, relator o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, sessão de 10/08/2007; 10422.523, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, sessão de 14 de junho de 2007; 10615.958, relatora a Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, sessão de 08/11/2006. O entendimento acima também veio a ser acolhido pelo CARF a partir de 2009, quando este Órgão substituiu os Conselhos de Contribuintes. Entretanto, veio a lume uma alteração no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no DOU em 22.12.2010), que passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, Fl. 299DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10980.002360/200798 Acórdão n.º 2102001.398 S2C1T2 Fl. 5 9 na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II do RICARF). E o Superior Tribunal de Justiça, no rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), confessou uma tese na matéria decadencial diversa do CARF, como abaixo se vê, sendo de rigor aplicála nos julgamentos da segunda instância administrativa. Assim, no que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação, tivemos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, Fl. 300DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 10 iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No precedente acima do Superior Tribunal de Justiça, a existência, ou não, do pagamento passou a ser relevante para definir a regra decadencial. Para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência, para o art. 173, I, do CTN. No caso destes autos, para o anocalendário 2001, há pagamento antecipado, como se vê pelo IRRF informado na declaração de ajuste anual e considerado no auto de infração (fls. 158 e 172), com aplicação de multa de oficio ordinária de 75%, já que não se imputou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, sendo forçoso aplicar a regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN, ou seja, como o fato gerador desse exercício se aperfeiçoou em 31/12/2001, a Fazenda Nacional poderia concretizar o lançamento até 31/12/2006. Ocorre que o lançamento somente foi cientificado ao contribuinte em 09/03/2007 (fl. 185), implicando que o crédito tributário do anocalendário 2001 foi extinto pela decadência. Já no tocante ao pedido para estender os efeitos da decadência até os fatos geradores ocorridos em 12/02/2002, devese anotar que não houve qualquer imputação de infração ao contribuinte no anocalendário 2002, estando prejudicado este pleito Entretanto, mesmo que houvesse infrações no anocalendário 2002, as imputadas ao contribuinte impactam o imposto apurado no ajuste anual, sendo de rigor asseverar que todos os fatos geradores ocorreriam em 31/12 de cada anocalendário, ou seja, as eventuais infrações do anocalendário 2002 interfeririam no fato gerador do imposto de renda apurado em 31/12/2002, daí contando se o prazo decadencial, que, para esse anocalendário informado, teria termo final decadencial em 31/12/2007, momento posterior à ciência do lançamento, e, assim, não haveria falar em decadência para as infrações do anocalendário 2002 e posteriores. Fl. 301DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10980.002360/200798 Acórdão n.º 2102001.398 S2C1T2 Fl. 6 11 O entendimento acima, no tocante ao aperfeiçoamento do fato gerador do imposto de renda apurado no ajuste anual em 31/12 de cada anocalendário, está em linha com a inteligência da Súmula CARF nº 38: “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário”. Por tudo, aqui se reconhece que a decadência fulminou o crédito tributário do anocalendário 2001. Agora passase à defesa do item II (dedução como dependente da sogra do fiscalizado). Sobre a possibilidade de dedução como dependente da sogra, entendese que assiste razão ao recorrente, e aqui se utiliza como fundamento para decidir aquele que outrora este Conselheiro relator deduziu no julgamento do recurso nº 164.910, quando a Egrégia Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade, prolatou o Acórdão nº 106 17.231, sessão de 04 de fevereiro de 2009, verbis (grifos e destaques do original): A presente controvérsia, instaurada na instância de piso, foi assim lá decidida: O contribuinte requer seja considerada como dependente a sogra, mãe de sua companheira, com a qual convive a mais de 10 anos. Argumenta que ele e a companheira sempre apresentaram declaração em conjunto, apesar dela não ter auferido rendimentos tributáveis. Somente é considerado declarante em conjunto o cônjuge, companheiro ou dependente cujos rendimentos sujeitos ao ajuste anual estejam sendo oferecidos à tributação na declaração apresentada pelo contribuinte titular. Neste caso, não houve declaração em conjunto, o contribuinte apresentou declaração em separado e considerou a companheira dependente. De acordo com o art. 35 da Lei nº 9.250, de 1995, os pais podem ser considerados dependentes na declaração dos filhos, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual. A única hipótese de a sogra ser considerada dependente é quando o seu filho ou filha, está obrigada a apresentar declaração de rendimentos e opta por declarar em conjunto com o cônjuge, sendo um deles considerado dependente. No caso, apesar de o contribuinte alegar que a sua sogra vive às suas expensas, a mesma não pode ser considerada dependente para fins do imposto de renda, pois, a companheira, também, dependente não auferiu rendimentos tributáveis. (grifouse) Inicialmente, registrese, toda a presente controvérsia está alicerçada na premissa de que os sogros têm rendimentos Fl. 302DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 12 inferiores ao limite de isenção anual, como ocorreu no caso da sogra do recorrente, aqui em debate. Pelo decidido pela Turma de Julgamento, caso a filha da dependente, esta pleiteada pelo recorrente, tivesse ofertado rendimentos na declaração de ajuste anual do casal, estaria correta a dedução pleiteada. Ao revés, caso a filha da dependente não tenha tido a fortuna de ter rendimentos ofertados na declaração de ajuste anual do casal, incabível a dedução perseguida. Assim, tratase de maneira mais gravosa o casal em que somente um dos cônjuges percebe rendimentos, já que para estes os dependentes se restringem somente àqueles vinculados ao cônjuge com rendimentos. De outra banda, caso ambos os cônjuges tenham rendimentos, podese deduzir, como dependentes, os pais e sogros do declarante na declaração em conjunto do casal. Ora, algo há de desproporcional na decisão da Turma de Julgamento, e, ressaltese, agasalhando tese que também é confessada no PERGUNTAS E RESPOSTAS (pergunta nº 318), constante no sítio da Receita Federal na internet, referente ao anocalendário 2007 (vide http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaFisica/IRPF/2008/Perg untas/DeducoesDependentes.htm), que somente permite a dedução de sogros em declaração de ajuste anual do casal, quando o filho ou a filha destes oferecem rendimentos na declaração em conjunto do casal. Explicase. No caso vertente, caso a companheira, filha da sogra do recorrente1, tivesse o mais modesto rendimento, tributável ou não, tendoo ofertado na declaração de ajuste anual do fiscalizado, faria jus à dedução de sua mãe (sogra do declarante) como dependente na declaração do companheiro. Porém, não tendo rendimentos, afastase a dedução perseguida. Quer parecer que as despesas que justificam a dependência da sogra somente poderiam ser arcadas pelo casal se sua filha tivesse rendimentos próprios. Ora, acreditar nisso é desconhecer como funciona uma sociedade familiar entre homem e mulher. Em tal sociedade, quer ambos os cônjuges ou companheiros contribuam com o esforço do trabalho remunerado para o patrimônio comum, quer somente um dos cônjuges ou companheiros o faça, o patrimônio, já dito comum, pertence a ambos. Daí surge a idéia de meação e seus consectários. A tese acatada pela decisão recorrida implicaria em reconhecer que a legislação do imposto de renda, quando trata dos dependentes, teria criado uma distinção entre os dependentes do cônjuge ou companheiro que percebe rendimentos em detrimento daquele que não percebe rendimentos. Para o caso primeiro, a legislação do imposto de renda defere a relação de dependência. De outra banda, para o segundo, indeferese a possibilidade de dependência. Não parece 1 Art. 1.595 do Código Civil. Cada cônjuge ou companheiro é aliado aos parentes do outro pelo vínculo da afinidade. § 1o O parentesco por afinidade limitase aos ascendentes, aos descendentes e aos irmãos do cônjuge ou companheiro. § 2o Na linha reta, a afinidade não se extingue com a dissolução do casamento ou da união estável. Fl. 303DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10980.002360/200798 Acórdão n.º 2102001.398 S2C1T2 Fl. 7 13 plausível que o legislador tenha trilhado essa senda. Assim, caso a decisão recorrida tenha afastado a controvérsia a partir da interpretação da legislação tributária, sem base em específica norma legal, mister arrostála, já que os dependentes, na hipótese em debate, devem ser tratados igualitariamente, dentro do entendimento de que o patrimônio do casal é uma universalidade partilhada de modo igual por ambos os cônjuges ou companheiros, independentemente da contribuição remunerada de um ou de outro para o referido patrimônio. Nessa linha, passase a apreciar a legislação que regula a dependência para a hipótese em discussão. Colacionase o art. 35 da Lei nº 9.250/95: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 1º Omissis. § 2º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. § 3º Omissis. § 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte. (grifou se) Acima, vêse que os pais, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, inferiores ao limite de isenção Fl. 304DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 14 mensal, podem ser incluídos como dependentes na declaração de imposto de renda dos filhos. Desde que o casal possa apresentar declaração em conjunto, forçoso reconhecer que os pais de ambos os cônjuges ou companheiros podem figurar como dependentes, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção. Observese que, caso os sogros possam ser considerados como dependentes, como interpretado pelo fisco e pela decisão recorrida, devese reconhecer que não há qualquer exigência de que os filhos deles tenham rendimentos ofertados na declaração de ajuste anual do casal. Ainda, a dicção da cabeça do art. 35 da Lei nº 9.250/95 assevera que poderão ser considerados como dependentes, para os efeitos dos arts. 4º, III, e 8º, II, “c”, as pessoas acima citadas. Os arts. 4º, III, e 8º, II, “c”, da Lei nº 9.250/96 versam sobre a quantia a ser deduzida por dependente, mensal e anualmente, da base de cálculo do imposto de renda. Entretanto, apenas para efeito de argumentação, acatase a tese do fisco que exige que o filho(a) declarante tenha rendimentos ofertados na declaração do casal para justificar a relação de dependência. Assim, passase a apreciar se efetivamente a companheira do fiscalizado não tem rendimentos próprios que pudessem suportar as despesas da mãe dela, sogra do recorrente. Apreciando as declarações de ajuste anual do recorrente (fls. 100 a 111), verificase que a exclusiva fonte de rendimentos do recorrente provém do trabalho assalariado (Companhia Energética de Goiás e Centrais Elétricas Cachoeira Dourada S/A). Assim, reconhecido o vínculo de união estável pela autoridade autuante, devese questionar se os rendimentos do trabalho assalariado percebido pelo recorrente são bens próprios (e, portanto, incomunicáveis) ou bens comuns do casal (comunicáveis). Sendo bens próprios, seria correto o entendimento do fisco que arrosta a sogra do recorrente da dependência perante o imposto de renda, já que esta somente poderia ser mantida pelos rendimentos próprios de sua filha, sendo a eventual mantença da sogra pelo genro uma mera liberalidade. De outra banda, sendo os rendimentos percebidos pelo recorrente um bem comum, do casal, tais valores poderiam ser livremente utilizados pelo casal, passando a filha a ter rendimentos a suportar as despesas da mãe, sendo correta, então, a dependência perante o imposto de renda. A controvérsia acima, que versa, no ponto, sobre direito de família, somente pode ser solucionada à luz do Código Civil. Inicialmente, trazse o art. 1725 do Código Civil, que determina a aplicação do regime de comunhão parcial de bens para casais conviventes em união estável, como ocorre com a situação em discussão: Art. 1.725. Na união estável, salvo contrato escrito entre os companheiros, aplicase às relações patrimoniais, no que couber, o regime da comunhão parcial de bens. Nos autos, não há qualquer contrato escrito a afastar a aplicação do regime de comunhão parcial de bens entre o Fl. 305DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10980.002360/200798 Acórdão n.º 2102001.398 S2C1T2 Fl. 8 15 recorrente e sua companheira. Eis, então, o regime de bens no casamento regido pela comunhão parcial de bens: Art. 1.658. No regime de comunhão parcial, comunicamse os bens que sobrevierem ao casal, na constância do casamento, com as exceções dos artigos seguintes. Art. 1.659. Excluemse da comunhão: I os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do casamento, por doação ou sucessão, e os subrogados em seu lugar; II os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em subrogação dos bens particulares; III as obrigações anteriores ao casamento; IV as obrigações provenientes de atos ilícitos, salvo reversão em proveito do casal; V os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão; VI os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge; VII as pensões, meiossoldos, montepios e outras rendas semelhantes. Art. 1.660. Entram na comunhão: I os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso, ainda que só em nome de um dos cônjuges; II os bens adquiridos por fato eventual, com ou sem o concurso de trabalho ou despesa anterior; III os bens adquiridos por doação, herança ou legado, em favor de ambos os cônjuges; IV as benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge; V os frutos dos bens comuns, ou dos particulares de cada cônjuge, percebidos na constância do casamento, ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão. (grifouse) Pela leitura estrita do art. 1.659, VI, do Código Civil, os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge seriam bens próprios, excluídos da comunhão. Nesse entendimento, considerando que a companheira do recorrente não tem rendimentos do trabalho pessoal, as despesas de sua mãe, sogra do recorrente, não poderiam ser suportadas com os rendimentos deste, para fins do imposto de renda. Fl. 306DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 16 Ocorre, repisese, que o entendimento acima traz perplexidades, já que não parece plausível imaginar que uma interpretação combinada da legislação tributária com a civil criasse espécies diferenciadas de dependentes, sendo alguns mais iguais do que outros, privilegiando os casais em quem ambos os cônjuges tenham rendimentos, em detrimento daqueles em que apenas um dos cônjuges tenha rendimentos. Ademais, difícil compreender, aqui apenas considerando os rendimentos do trabalho pessoal de cada cônjuge, que tais rendimentos não sejam bens comuns, pois, registrese, não há qualquer controvérsia de que os bens adquiridos com tais proventos são bens comuns. Se assim não fosse, o cônjuge ou companheira(o) supérstite que não percebia rendimentos não teria direito à meação dos bens do casal. Porém, a única interpretação plausível do art. 1659, VI, do Código Civil é compreender que a incomunicabilidade referese apenas ao direito à percepção dos proventos, não aos proventos em si mesmos. Percebidos, passam a ser bem comum do casal. Aqui, ressaltese, esse entendimento é perfilhado por Maria Helena Diniz (in Curso de Direito Civil Brasileiro – 5. Direito de Família, Ed. Saraiva, 23ª edição, revista, ampliada e atualizada, São Paulo, 2008, p. 167), verbis: Entretanto, entendemos que a incomunicabilidade seria só do direito à percepção dos proventos, que, uma vez percebidos, integrarão o patrimônio do casal, passando a ser coisa comum, pois, na atualidade, marido e mulher vivem de seus proventos, contribuindo, proporcionalmente, para a mantença da família, e, conseqüentemente, usam dos seus rendimentos. Parecenos que há comunicabilidade dos bens adquiridos onerosamente com os frutos civis do trabalho (CC, art. 1660, V) e com os proventos, ainda que em nome de um deles. Logo, o art. 1.659, VI, deve ser interpretado em consonância com o art. 1660, V, prestigiando o esforço comum na aquisição de bens na constância do casamento (grifouse). Assim, entendendo os rendimentos do trabalho assalariado percebidos pelo recorrente como bem comum do casal, hígida a pretensão de deduzir como dependente a sogra do fiscalizado, já que a companheira do recorrente detém rendimentos para suportar as despesas da mãe dela. Dessa forma, mesmo perfilhando a tese de que a filha, companheira do fiscalizado, tenha que ter rendimentos próprios para deduzir sua mãe como dependente do imposto de renda, no caso em debate, comprova se que a filha companheira tem rendimentos próprios a partir dos percebidos pelo recorrente, sendo indevida a glosa da dependente representada pela sogra do fiscalizado. E não se diga que acatar a sogra em relação de dependência no imposto de renda, quando o filho(a) dela não colaciona rendimentos na declaração do casal, seria algo inaudito na jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes. Como exemplo de jurisprudência similar, vejase o Acórdão 10615.573, sessão de 25/05/2005, relatora a Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, quando se deferiu a inclusão da sogra de contribuinte na relação de dependentes do Fl. 307DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10980.002360/200798 Acórdão n.º 2102001.398 S2C1T2 Fl. 9 17 imposto de renda do recorrente genro, em um caso em que a esposa deste (e filha daquela) tinha falecido anos antes, pois se entendeu que a sogra do recorrente, por ser viúva, e diante da perda prematura da mãe dos seus netos, tenha passado a viver na residência do genro, que, diante das circunstâncias, passou a assumir as suas despesas. Abaixo, as palavras textuais da Conselheira relatora, verbis: Para dar suporte à manutenção da dedução pretendida, afirma o recorrente que se trata de pessoa viúva, sem rendimentos, e que vive às suas expensas. Em contraposição, afirma o fisco que a sogra somente poderia ser considerada dependente, para fins de dedução do imposto sobre a renda, quando o filho (a) estiver obrigado (a) a apresentar declaração de rendimentos e optar por declarar em conjunto com o cônjuge, sendo desse considerado dependente. Entretanto, na espécie, há uma peculiaridade, que se deve ao fato de que o cônjuge do recorrente, Sra. Silvana Maria Drumond Noleto, portanto, filha da pessoa listada como dependente, faleceu desde 11 de novembro de 1990. É de se entender que a sogra do recorrente, por ser viúva, e diante da perda prematura da mãe dos seus netos, tenha passado a viver na residência do genro, que, diante das circunstâncias, passou a assumir as suas despesas. Diante de tais circunstâncias, entendo que resta demonstrado o vínculo de encargo de família com a sogra, cabendo deduzir dos rendimentos brutos do sujeito passivo a parcela relativa a dependente. Com as considerações acima, devese manter a sogra do recorrente como dependente, restabelecendo as despesas nos montantes de R$ 1.080,00, R$ 1.272,00 e R$ 1.272,00, nos anos calendário 2001 a 2003, respectivamente. Outro exemplo de precedente que acatou a dependência de sogros, pode ser visto abaixo no Acórdão nº 10616.186, sessão de 02 de março de 2007, relator o Conselheiro José Ribamar Barros Penha, que restou assim ementado: IRPF. ENCARGO DE FAMÍLIA. DEPENDENTE. SOGRA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS –A inclusão do cônjuge como dependente na Declaração Ajuste Anual implica considerar na mesma situação os genitores que dele guarde dependência nos termos da lei. Reconhecido o vínculo de encargo de família do sogro/sogra cabe deduzir dos rendimentos brutos a parcela relativa a dependente e as despesas médicas com este / esta realizadas. Recurso Voluntário Provido. Fl. 308DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 18 No caso destes autos, a esposa e sua mãe (sogra do autuado) constaram como dependentes na declaração de ajuste anual do contribuinte autuado (fl. 163), devendo ser restabelecida a glosa do dependente no anocalendário 2003, pelas as razões acima deduzidas. Ainda, devese anotar que a aqui se considera que a sogra do fiscalizado implementou as demais condições de dependência, notadamente o respeito ao recebimento de rendimentos que não sobejem o limite mensal de dedução do IRPF, pois a glosa perpetrada pela autoridade fiscal esteve alicerçada apenas no fato de a sogra não poder figurar como dependente, pelo simples fato da filha dela, esposa dependente do autuado, não ter rendimentos ofertados à tributação, o que impediria de se considerar a declaração de ajuste anual auditada em conjunto. Esse óbice foi afastado pelas considerações anteriormente registradas neste voto. Por tudo, devese restabelecer a despesa de R$ 1.272,00 no anocalendário 2003, nada havendo a discutir sobre a despesa do anocalendário 2001, pois o imposto deste último foi extinto pela decadência, como já se viu anteriormente neste voto. Agora passase a debater a glosa de despesa do livro caixa, nos limites do item III do relatório (devem ser restabelecidos os valores pagos a Policlínica Colombo S/C Ltda e para Instituto Polati de Odontologia e Medicina, pois se trata de despesas de custeio indispensável à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora do contribuinte, não sendo possível manter a glosa simplesmente pelo fato de o contribuinte ser sócio das empresas, pois é cediço que as pessoas jurídicas não se confundem com as pessoas naturais). De fato, os pagamentos a título de condomínio as empresas acima não poderiam ser glosados simplesmente pelo fato de o contribuinte autuado figurar como um dos proprietários da mesma (fl. 179). Os sócios e as empresas são realidades jurídicas diversas, e nada impede que as pessoas morais cobrem condomínios dos sócios por ocupação de salas ou outros benefícios a título pessoal em detrimento da pessoa jurídica. Para desconstituir os pagamentos acima feitos pelo recorrente as empresas, caberia a autoridade autuante investigar na contabilidade das pessoas jurídicas, demonstrando que tais valores não foram recebidos por elas. Não se pode, simplesmente, desconstituir despesas que constaram no livro caixa, comprovadas com recibos pertinentes, a partir unicamente da tese não comprovada de que o autuado não poderia ter feito pagamentos a título de condomínio às empresas citadas. Com as considerações acima, entendo que devem ser restabelecidas as despesas com a Policlínica Colombo S/C Ltda e Instituto Polati de Odontologia e Medica, nos montantes de R$ 12.537,00 [fls. 74 (R$1.200,00/880,00/920,00), 81 (R$945,00/1.137,00/1.110,00), 93 (R$1.132,00/1.415,00/1;410,00) e 99 (R$1.073,00/1.315,00)] e R$ 40.219,49 [fls. 104 (R$1.168,00/1.842,00), 121 (R$680,75/290,00), 122 (R$1.821,00/1.022,00/840,00), 123 (R$ 894,00), 124 (R$ 1.214,00/677,36/264,62), 128 (R$ 845,00/1.413,00), 130 (R$ 772,16/281,84), 131 (R$763,00/1,682,00/292,00), 133 (R$ 560,00/1.458,00), 134 (R$ 687,94/300,00), 135 (857,00/1.805,00), 136 (R$ 257,00/487,00/938,00), 137 (R$1.513,00/656,00), 138 (R$ 320,00/847,00/1.845,00), 139 (R$752,60/280,00), 140 (R$914,40/770,25), 141 (R$ 1.536,00/259,00), 144 (R$882,00/497,04), 145 (R$914,00/285,00), 147 (R$824,00), 152 (R$577,53), 153 (R$ 1.188,00/297,00), 154 (R$949,00)], nos anoscalendário 2003 e 2004, respectivamente. Agora, passase à defesa do item IV, referente à glosa de despesa com instrução, para as quais o contribuinte pede o restabelecimento ou, em caso negativo, que seja considerada como despesa no livro caixa. Fl. 309DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10980.002360/200798 Acórdão n.º 2102001.398 S2C1T2 Fl. 10 19 Neste item, foram glosadas despesas com Camargo S/C Ltda (R$ 1.140,00), empresa que não é estabelecimento de ensino, no anocalendário 2003, e despesa com o Instituto Brasileiro de Direito Médico e Biodireito (R$ 810,00), já que não é curso regular, no anocalendário 2004. Para a aclarar a questão, colacionase a legislação vigente nos anos calendário 2003 e 2004, períodos em discussão nestes autos: Art. 8º da Lei nº 9.250/95. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I omissis; II das deduções relativas: b) a pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1o, 2o e 3o graus, creches, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de R$ 1.998,00 (um mil, novecentos e noventa e oito reais);(Redação dada pela Lei nº 10.451, de 10.5.2002) (grifos nossos) Instrução Normativa nº 15/2001 Despesas com instrução Art. 39. Na determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual das pessoas físicas podem ser deduzidos, a título de despesas com instrução, os pagamentos efetuados a instituições de ensino relativamente à educação infantil (creche e educação préescolar), fundamental, médio, superior e aos cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de R$ 1.700,00 (um mil e setecentos reais). § 1º e § 2º omissis. § 3º As despesas relativas a cursos de especialização são passíveis de dedução somente quando comprovadamente realizadas com cursos inerentes à formação profissional daquele com quem foram efetuadas. § 4º omissis. Art. 40. Não se enquadram no conceito de despesas de instrução: I as despesas com uniforme, material e transporte escolar, as relativas à elaboração de dissertação de mestrado ou tese de doutorado, contratação de estagiários, computação eletrônica de dados, papel, xerox, datilografia, tradução de textos, impressão de questionários e de tese elaborada, gastos postais e de viagem; II as despesas com aquisição de enciclopédias, livros, revistas e jornais; Fl. 310DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 20 III o pagamento de aulas de música, dança, natação, ginástica, tênis, pilotagem, dicção, corte e costura, informática e assemelhados; IV o pagamento de cursos preparatórios para concursos ou vestibulares; V o pagamento de aulas de idiomas estrangeiros; VI os pagamentos feitos a entidades que tenham por objetivo a criação e a educação de menores desvalidos e abandonados; VII as contribuições pagas às Associações de Pais e Mestres e às associações voltadas para a educação. Art. 41. Considerase instituição de ensino aquela regularmente autorizada, pelo Poder Público, a ministrar educação básica – educação infantil, ensino fundamental e ensino médio – e educação superior, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. § 1º Educação infantil, primeira etapa da educação básica, é aquela que precede o ensino fundamental obrigatório, oferecida em creches ou entidades equivalentes e préescolas, compreendendo a educação de menores na faixa etária de zero a seis anos de idade. § 2º Ensino fundamental é aquele, obrigatório, que precede o ensino médio e tem duração mínima de oito anos. § 3º Ensino médio é a etapa final da educação básica e tem duração mínima de três anos. § 4º A educação superior abrange os seguintes cursos e programas: I de graduação, abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo; II de pósgraduação, compreendendo programas de mestrado e doutorado, bem assim cursos de especialização abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino. § 5º A educação profissional compreende os seguintes níveis: I técnico, destinado a proporcionar habilitação profissional a alunos matriculados ou egressos de ensino médio, e cuja titulação pressupõe a conclusão da educação básica de 11 anos; II tecnológico, corresponde a cursos de nível superior na área tecnológica, destinados a egressos do ensino médio e técnico. (grifos nossos) Pela simples leitura do art. 8º, II, “b”, da Lei nº 9.250/95 e da legislação regulamentadora, vêse que somente há autorização para despesas incorridas com pagamentos a estabelecimentos de ensino (da préescola ao 3º grau, passando por cursos de especialização Fl. 311DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10980.002360/200798 Acórdão n.º 2102001.398 S2C1T2 Fl. 11 21 ou profissionalizantes do contribuinte e seus dependentes), não havendo previsão para albergar cursos de especialização ou profissionalizante livres. Explicase. Não foi demonstrado nestes autos que as entidades Camargo S/C Ltda e Instituto Brasileiro de Direito Médico e Biodireito se enquadrassem como estabelecimentos de ensino, nos termos da Lei nº 9.394/1996 (lei de diretrizes e bases da educação nacional). A exigência de enquadramento nessa lei citada, feita pelo IN SRF nº 15/2001, está dentro do poder regulamentar do executivo, não parecendo desbordar do comando do art. 8º, II, “b”, da Lei nº 9.250/95. Se assim não fosse, poderseia enquadrar, por exemplo, as despesas com escolas de idiomas como cursos de especialização ou profissionalizantes, quando é assente que despesas com cursos de idiomas são indedutíveis da base de cálculo do imposto de renda, pois se trata de cursos livres, não regidos pela Lei nº 9.394/96, como parece ser o caso dos cursos ofertados pelas entidades citadas. Assim, sem razão o recorrente. Já quanto à conversão das despesas acima para o livro caixa, razão também não assiste ao recorrente. Para a hipótese em debate nestes autos, as despesas passíveis de dedução a título de livro caixa são aquelas necessárias à manutenção da fonte produtora dos rendimentos e, por óbvio, que não estão especificadas como de utilização geral (dependentes, previdência privada e oficial, despesas médicas, com instrução e pensão alimentícia). Na linha acima, a despesa com instrução deve ser deduzida como tal, e não a título de livro caixa. Eventualmente, se a despesa com instrução não puder ser utilizada a tal título, por óbvio não poderá sêlo a título de livro caixa, pois a despesa com instrução consta como despesa dedutível específica, aberta a todos os contribuintes, não sendo razoável permitir que despesas que não se enquadrem nos normativos dos dispêndios com instrução possam sê las dedutíveis a título de livro caixa, pois, dessa forma, os contribuintes passariam a ser tratados de forma antiisonômicas, ou seja, somente os profissionais liberais poderiam deduzir despesas com instrução em um elastério não permitido aos demais contribuintes. Assim, por óbvio, tratandose de despesas de instrução, somente podem ser deduzidas, pelos profissionais liberais e demais contribuintes, caso se enquadrem dentro dos limites que a lei traçou para as ditas despesas. Desbordando, nenhum contribuinte pode deduzi las. No ponto, sem razão o recorrente. Por fim, passase a debater as glosas das despesas médicas (item V do relatório), do anocalendário 2003 (R$ 10.366,42). Segue novamente a motivação da autoridade autuante para perpetrar a glosa de despesa médica no anocalendário 2003: GLOSADAS DESPESAS COM CESAR THOMÉ (R$ 500,00), POR FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO EMITENTE DO RECIBO; DESPESAS COM DR. AIÇAR THOMÉ (R$ 2.000,00), POR FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO REGISTRO PROFISSIONAL E ENDEREÇO NOS RECIBOS APRESENTADOS; GLOSA DO RECIBO DE R$ 505,00 Fl. 312DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 22 EMITIDO POR INSTITUTO ECUMÊNICO POPULAR LAMIGO, POR NÃO SER ESTABELECIMENTO PRESTADOR DE SERVIÇOS MÉDICOS. GLOSADO RECIBO DE R$ 263,01 DE LUIZ ASCANIO LUVISOTTO, POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO ATENDIMENTO MÉDICO DO CONTRIBUINTE. PROFISSIONAL É SÓCIO DO CONTRIBUINTE NA POLICLÍNICA COLOMBO. GLOSADAS AINDA DESPESAS COM ROBERTO HOMMELGEN (R$ 7.098,41), APRESENTADA COM RECIBOS MENSAIS, POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO ATENDIMENTO MÉDICO DO CONTRIBUINTE. SE TRATA DE PROFISSIONAL QUE PRESTOU SERVIÇO DE PLANTÃO MÉDICO, NO LUGAR DO CONTRIBUINTE, NÃO SE COMPROVANDO PRESTAÇÃO DE SERVIÇO MÉDICO DE ATENDIMENTO DO CONTRIBUINTE. A primeira glosa acima (R$ 500,00 – fl. 48), com o odontólogo CESAR THOMÉ, deve ser restabelecida, pois há nos autos recibos do odontólogo no anocalendário 2001 (fls. 23 e 24), sendo possível efetuar a identificação do emitente. Já em relação aos recibos emitidos pelo odontólogo Aiçar Thomé (R$ 750,00 e R$ 1.250,00 – fls. 48 e 49), a mera ausência da identificação do registro profissional ou do endereço do prestador não é motivo suficiente para a glosa, pois a Receita Federal do Brasil tem a base CPF, com endereços de todos os contribuintes tomadores e prestadores de serviço do país, sendo que o registro profissional também poderia ser facilmente obtido nos sítios da internet dos Conselhos Profissionais. Tais óbices poderiam ser facilmente vencidos pela autoridade autuante, e, eventualmente, caso se tivesse aprofundado as investigações, poderse ia ter levantado alguma inconsistência, porém de tal ônus investigatório não se desincumbiu a autoridade fiscal (art. 142 do Código Tributário Nacional), devendo, assim, serem as despesas glosadas, neste ponto, restabelecidas. A glosa do Recibo de R$ 505,00 emitido pelo Instituto Ecumênico Popular Lamigo (fl. 49), deve ser mantida, pois tal estabelecimento não é um prestador formal de serviços médicos, não podendo ser acatada como despesa médica. O recibo médico emitido pelo Dr. Luiz Ascânio Luvisotto, no importe de R$ 263,01, deve ser restabelecido, pois a glosa não pode se fiar unicamente no fato deste ser sócio do autuado ou da ausência de comprovação efetiva do serviço. Tratase de montante modesto, podendo ser uma mera consulta médica, sendo inviável a glosa pela motivação estampada pela autoridade fiscal, que mais parece calcada em uma presunção inexistente, qual seja, de que não poderia haver prestação de serviço médico entre profissionais sócios de uma sociedade empresária. Não existe essa presunção na lei tributária e, como tal, deve ser restabelecida a despesa de R$ 263,01. Já para as despesas médicas com Roberto Hommelgen (R$ 7.098,41 – fls. 51 a 58), a autoridade fiscal asseverou que faltou a comprovação do efetivo atendimento médico ao contribuinte autuado, além de o profissional prestador ter laborado em plantão médico no lugar do contribuinte. Os recibos juntados aos autos simplesmente indicam que se trata de prestação de serviços médicos, em valores módicos mensais. Ainda, este julgador compulsou minudentemente os autos e não conseguiu detectar alguma documentação que vinculasse os valores pagos a alguma contraprestação de plantões laborados pelo Dr. Roberto em benefício do autuado, como fez crer o relato da autoridade fiscal na descrição dessa infração. Fl. 313DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10980.002360/200798 Acórdão n.º 2102001.398 S2C1T2 Fl. 12 23 Assim, considerando que os recibos médicos atendem os requisitos da legislação tributária, não são exagerados, não me parece que podem glosados com a razão acima. Dessa forma, devese restabelecer a glosa referente aos recibos do profissional Roberto Hommelgen (R$ 7.098,41). Ante o exposto, voto no sentido de DAR parcial provimento ao recurso, para: § reconhecer que a decadência extinguiu o crédito tributário do ano calendário 2001; § restabelecer as despesas no montante de R$ 23.670,42, no ano calendário 2003; § restabelecer as despesas no montante de R$ 40.219,49, no ano calendário 2004. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 314DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 16020.000507/2007-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/1999 a 30/04/2004
DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE
STF SÚMULA VINCULANTE
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na
imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência parcial do lançamento adotando como critério para o início da contagem do prazo decadencial, art. 173, I do Código Tributário Nacional, face tratar de apropriação indébita.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ATRASO NO RECOLHIMENTO Constatado
o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições destinadas à Seguridade Social, a fiscalização lavrará Notificação de débito com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas.
COMPENSAÇÃO DE VALORES IMPOSSIBILIDADE DEDUÇÃO JÁ EFETUADA NO LANÇAMENTO
Os valores relativos a retenções efetivamente recolhidos pelas empresas contratantes ou apenas destacados nas notas fiscais foram considerados no lançamento, não havendo novos créditos sujeitos a compensação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.806
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência das competências 08 e 09/1999; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201104
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1999 a 30/04/2004 DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência parcial do lançamento adotando como critério para o início da contagem do prazo decadencial, art. 173, I do Código Tributário Nacional, face tratar de apropriação indébita. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ATRASO NO RECOLHIMENTO Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições destinadas à Seguridade Social, a fiscalização lavrará Notificação de débito com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas. COMPENSAÇÃO DE VALORES IMPOSSIBILIDADE DEDUÇÃO JÁ EFETUADA NO LANÇAMENTO Os valores relativos a retenções efetivamente recolhidos pelas empresas contratantes ou apenas destacados nas notas fiscais foram considerados no lançamento, não havendo novos créditos sujeitos a compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 16020.000507/2007-40
anomes_publicacao_s : 201104
conteudo_id_s : 4654909
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 13 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-001.806
nome_arquivo_s : 2401001806_16020000507200740_201103.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 16020000507200740_4654909.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência das competências 08 e 09/1999; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
id : 4740218
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:39:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041799565312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2361; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1.690 1 1.689 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16020.000507/200740 Recurso nº 255.340 Voluntário Acórdão nº 240101.806 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2011 Matéria NFLD FALTA DE RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES Recorrente SOFTCONTROL ENGENHARIA E INSTALAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1999 a 30/04/2004 DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência parcial do lançamento adotando como critério para o início da contagem do prazo decadencial, art. 173, I do Código Tributário Nacional, face tratar de apropriação indébita. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ATRASO NO RECOLHIMENTO Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições destinadas à Seguridade Social, a fiscalização lavrará Notificação de débito com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas. COMPENSAÇÃO DE VALORES IMPOSSIBILIDADE DEDUÇÃO JÁ EFETUADA NO LANÇAMENTO Os valores relativos a retenções efetivamente recolhidos pelas empresas contratantes ou apenas destacados nas notas fiscais foram considerados no lançamento, não havendo novos créditos sujeitos a compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência das competências 08 e 09/1999; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Fl. 1690DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 1691DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16020.000507/200740 Acórdão n.º 240101.806 S2C4T1 Fl. 1.691 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lavrada contra o contribuinte acima identificado relativo às contribuições previdenciárias a cargo dos segurados a seu serviço, arrecadadas mediante descontos nas remunerações e não recolhidas à Seguridade Social, no período de 08/1999 a 04/2004. De acordo com o Relatório Fiscal Substitutivo de fls. 106/110, os descontos foram efetuados para os segurados empregados e contribuintes individuais constatados pela fiscalização mediante auditoria nas folhas e recibos de pagamentos, além das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social (GFIP) do período. Inconformada com a Decisão de fls. 247 a 253, a empresa apresentou recurso reiterando os argumentos da defesa onde, especificamente sobre esta NFLD, alegou em síntese: a) inicialmente entende ser de responsabilidade dos contadores a penalidade que vier sofrer a empresa pois aqueles obrigamse contratualmente a manter escrituração em ordem, providenciar e organizar os pagamentos de tributos e cumprir obrigações fiscais e tributárias acessórias, além de fazer demonstrativos e balanços; b) afirma que os lançamentos apontados na presente notificação estão comprovados na documentação juntada pela empresa e que ao contrário do que alegou a fiscalização, não foram feita corretamente as compensações gerando débitos de impostos absurdos contra a recorrente; c) a fiscalização utilizou o método da aferição indireta, sendo possível a fiscalização pelas folhas de pagamentos apresentadas e também pelo competente Livro Caixa, devendo o INSS apresentar relatório discriminado da fiscalização, em que conste prova inequívoca de atendimento aos dispositivos legais, que autorizaram a aferição indireta; d) que a recorrente entregou todos os documentos solicitados pela fiscalização não havendo que se falar em recusa ou entrega deficiente; e) tece comentários acerca das NFLD 35.753.9150 e NFLD n.35.753.9141, alegando que ambas possuem os mesmos elementos, alterando apenas o método de fiscalização. f) conclui que a recorrente é credora e não devedora do INSS. Requer o provimento do recurso para anular a presente notificação. É o relatório. Fl. 1692DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Embora não tenha sido suscitada pela recorrente deve ser conhecida de ofício a preliminar de decadência por se tratar de matéria de ordem pública. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. No presente caso o a notificação foi lavrada em janeiro de 2005, conforme se verifica do AR às fls. 74 e as contribuições exigidas referemse às competências de agosto de 1999 a julho de 2004 alternadamente, o que fulmina em parte o direito do fisco de constituir o lançamento, utilizandose, na opinião deste conselheiro, o entendimento adotado para o início da contagem do prazo decadencial do art. 173, Iº do Código Tributário Nacional – CTN, face a apropriação indébita. Pelo exposto encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores ocorridos até agosto e setembro de 1999. Fl. 1693DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16020.000507/200740 Acórdão n.º 240101.806 S2C4T1 Fl. 1.692 5 DO MÉRITO Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo não deve prosperar. No que diz respeito à responsabilização de terceiros, temos que esta somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, demais pessoas não sofrerão restrições em seus direitos. Caso a recorrente entenda de forma diferente, deverá adotar os procedimentos que entender cabíveis para tanto. Cumpre esclarecer que não serão aqui rebatidos os argumentos colacionados na peça recursal que se referem a outras notificações distintas da que estamos analisando. Ao contrário do alegado em recurso, o fato de terem sido lavradas duas ou mais NFLD’s contra a recorrente não se caracteriza por si só a ocorrência da duplicidade de cobrança de contribuição. As NFLDs n° 35.753.9150 e 35.753.9141, apesar de lavradas na mesma ação fiscal, aquela se refere a lançamento arbitrado de contribuições, por meio de aferição indireta da base de cálculo contida em notas fiscais de prestação de serviços, enquanto que a outra é referente a lançamento normal, com base nos pagamentos de remuneração incontroversos, registrados nas folhas de pagamentos mensais, em GFIPs, em RAIS, além de recibos de pagamentos, cujos valores foram devidamente subtraídos quando do cálculo do montante devido, apurado por arbitramento em virtude da apresentação deficiente da contabilidade, das folhas de pagamento e das notas fiscais de serviço, e da não apresentação dos contratos de prestação de serviços. A presente notificação foi lavrada em decorrência do descumprimento de obrigação principal referente ao nãorecolhimento das contribuições arrecadadas pela recorrente mediante descontos nas remunerações dos empregados e de contribuintes individuais a seu serviço, verificados nas folhas e nos recibos de pagamentos auditados, conforme informado pela auditora nos Relatórios Fiscais constantes dos autos. Tais descontos são absolutamente incontroversos, eis que registrados pela empresa nas próprias folhas e nos recibos de pagamentos mensais.. Com relação às compensações, de acordo com as informações fiscais contidas nos autos, podese verificar que foram compensados todos os créditos em favor da empresa, tendo a auditoria confeccionado planilha demonstrativa das retenções compensadas nos diversos tipos de levantamento, separandoas por competência. Logo não assiste razão à recorrente. Sobre a entrega de documentos, temos que foi justamente da documentação analisada pela fiscalização, mediante auditoria nas folhas e recibos de pagamentos, além das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social (GFIP), que se contatou ter havido o desconto nas remunerações sem o devido repasse à Seguridade Social, que levou ao presente lançamento; Por fim, verificase que a NFLD em apreço foi lavrada em estrita observância as determinações legais, não podendo ser acolhida a tese de nulidade da autuação. Ante ao exposto: Fl. 1694DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, acolher DE OFÍCIO a preliminar de DECADÊNCIA PARCIAL, para que sejam excluídos do levantamento os fatos geradores ocorridos agosto e setembro de 1999, com fulcro no art. 173, I do CTN e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 1695DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16020.000507/200740 Acórdão n.º 240101.806 S2C4T1 Fl. 1.693 7 Fl. 1696DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000907/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Ano-calendário: 2006
Ementa:
DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas e odontológicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, limitando-se aos pagamentos especificados e comprovados.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. CABIMENTO. A
perícia não se presta à produção de prova documental que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor aquelas feitas pela fiscalização.
FALTA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO OU RECOLHIMENTO A MENOR. PENALIDADE. Sendo apurada, pela Fiscalização, falta ou
insuficiência de recolhimento de imposto, cabível a aplicação da multa de 75% sobre a totalidade ou a diferença apurada, conforme previsto no artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA SÚMULA
CARF N° 2. Nos termos da Súmula nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N.º 4. De acordo com
a Súmula n.º 4, a partir de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.
Numero da decisão: 2101-001.133
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução das despesas correspondentes feitos a Rosane Ap. Fulachi de Lima (R$ 2.000,00) e a Carlos Alberto Fernandes de Lima (R$ 3.400,00).
Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) José Raimundo Tosta Santos, que negava provimento.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano-calendário: 2006 Ementa: DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas e odontológicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, limitando-se aos pagamentos especificados e comprovados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. CABIMENTO. A perícia não se presta à produção de prova documental que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor aquelas feitas pela fiscalização. FALTA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO OU RECOLHIMENTO A MENOR. PENALIDADE. Sendo apurada, pela Fiscalização, falta ou insuficiência de recolhimento de imposto, cabível a aplicação da multa de 75% sobre a totalidade ou a diferença apurada, conforme previsto no artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA SÚMULA CARF N° 2. Nos termos da Súmula nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N.º 4. De acordo com a Súmula n.º 4, a partir de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10840.000907/2009-87
anomes_publicacao_s : 201106
conteudo_id_s : 4953282
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-001.133
nome_arquivo_s : 210101133_10840000907200987_201106.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
nome_arquivo_pdf_s : 10840000907200987_4953282.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução das despesas correspondentes feitos a Rosane Ap. Fulachi de Lima (R$ 2.000,00) e a Carlos Alberto Fernandes de Lima (R$ 3.400,00). Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) José Raimundo Tosta Santos, que negava provimento.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
id : 4742180
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:40:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041802711040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2357; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 117 1 116 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.000907/200987 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101001.133 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 8 de junho de 2011 Matéria Glosa de despesas médicas Recorrente Mario Roberto Hatayde Recorrida Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2006 Ementa: DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas e odontológicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, limitandose aos pagamentos especificados e comprovados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. CABIMENTO. A perícia não se presta à produção de prova documental que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor aquelas feitas pela fiscalização. FALTA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO OU RECOLHIMENTO A MENOR. PENALIDADE. Sendo apurada, pela Fiscalização, falta ou insuficiência de recolhimento de imposto, cabível a aplicação da multa de 75% sobre a totalidade ou a diferença apurada, conforme previsto no artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA SÚMULA CARF N° 2. Nos termos da Súmula nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N.º 4. De acordo com a Súmula n.º 4, a partir de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução das despesas correspondentes feitos a Rosane Fl. 123DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Ap. Fulachi de Lima (R$ 2.000,00) e a Carlos Alberto Fernandes de Lima (R$ 3.400,00). Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) José Raimundo Tosta Santos, que negava provimento. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Gonçalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araújo, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (relatora). Relatório Em desfavor do contribuinte MARIO ROBERTO HATAYDE, supra qualificado, foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 73 a 77, na qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) suplementar correspondente ao anocalendário de 2006 (exercício 2007), no valor total de R$ 1.768,27 (mil, setecentos e sessenta e oito reais e vinte e sete centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 29 de maio de 2009, perfazendo um crédito tributário total de R$ 3.516,20 (três mil, quinhentos e dezesseis reais e vinte centavos). As infrações apontadas pela Fiscalização encontramse relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 74 e 75. A Fiscalização alega ter havido a dedução indevida de despesas médicas, o que resultou na glosa do valor de R$ 9.022,27, por suposta falta de comprovação ou falta de previsão legal para sua dedução, assim especificada: a) Pagamentos feitos a Rosane A. F. F. de Lima (R$ 2.000,00) e a Carlos A. F. de Lima (R$ 3.400,00). b) O valor de R$ 1.566,23 referente a pagamento feito à FUNEP, por tratarse de despesa de Melina Cussiol Hatayde, não sendo ela dependente do contribuinte. c) O valor de R$ 2.056,04 referente a pagamento feito à FUNEP, por tratarse de despesa de Vitória Maria Cassiol Hatayde, cônjuge do contribuinte, que entrega Declaração Simplificada em separado. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou, em 2 de junho de 2009, a Impugnação de fls. 01 a 21, pedindo, em síntese: que fosse declarada a nulidade do lançamento de ofício, por violação ao princípio do devido processo legal administrativo e por vício na prova; Fl. 124DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.000907/200987 Acórdão n.º 2101001.133 S2C1T1 Fl. 118 3 que fosse anulado o lançamento, tendo em vista que as deduções de despesas médicas obtidas são totalmente legitimas, uma vez que estribadas em recibos e declarações comprovadamente idôneas; a exclusão da multa de 75% sobre o valor da diferença de imposto apurada, por entendêla confiscatória, ou, ao menos, a sua redução para 20%; fossem cobrados juros de mora à taxa de 1% ao mês, e não segundo a taxa Selic, por entender que a utilização desta não encontra respaldo jurídico. a elaboração de perícia técnica para comprovação da efetiva prestação dos serviços pelos profissionais liberais prestadores dos serviços correspondentes às deduções glosadas. A 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 negou provimento à impugnação apresentada e manteve integralmente o crédito tributário lançado, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação. O direito às deduções de despesas médicas, condicionase à comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos e ainda, que sejam relacionadas ao tratamento do próprio contribuinte ou seus dependentes. Artigo 35, da Lei n.º 9.250 de 26 de dezembro de 1995. MULTA DE OFICIO. A multa de oficio está prevista no artigo 44, I, da Lei 9.430/96, aplicável ao caso e não se confunde com a multa de mora, mas consiste em penalidade pecuniária aplicada em decorrência da infração cometida. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. As multas não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestimulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. JUROS SELIC. Os juros calculados pela taxa SELIC são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do § 10 do artigo 161 do CTN, artigo 13 da Lei n.° 9.065/95 e artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 e Súmula n° 4 do 1° Conselho de Contribuintes. PERÍCIA.OITIVA DE TESTEMUNHAS. Fl. 125DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 É indeferido o pedido de perícia quando for prescindível para a formação da convicção em julgamento e em desacordo com o art. 16, IV do Decreto 70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente cientificado dessa decisão em 20 de setembro de 2010 (fls. 91), o contribuinte ingressou, em 19 de outubro de 2010, com tempestivo recurso voluntário. Em sua peça recursal, o recorrente insurgese contra o lançamento suplementar correspondente “aos anos de 2005/2006”. Em sua defesa, baseandose em farta doutrina, alega ter havido afronta ao princípio constitucional do devido processo legal administrativo. Salienta que, no presente caso, é necessária a reforma da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 para que o lançamento de ofício seja anulado, por ser ilegal e fundado em presunção. Acredita que o lançamento de ofício foi realizado com base na arbitrariedade do Auditor Fiscal, o qual ignorou o disposto no artigo 8.º, inciso II, alínea a e o § 2.º, inciso III, da Lei n.º 9,250, de 1995, já que todas as despesas declaradas pelo recorrente foram devidamente comprovadas em conformidade com esse dispositivo. A seu ver, o Auditor Fiscal deveria, em caso de dúvida, nomear perito devidamente capacitado para que este demonstrasse todo o alegado. Como não foi esta a conduta da referida autoridade, entende ter ocorrido ofensa às garantias constitucionais anteriormente mencionadas. Salienta que os documentos juntados às fls. 59 e 60, fazem prova inequívoca do preenchimento dos requisitos do artigo 8.º, inciso II, alínea a e § 2.º da Lei n.º 9.250, de 1995, mas não foram analisados pelo julgador de primeira instância. Sustenta não terem embasamento legal as glosas dos valores correspondentes às deduções com o plano de saúde da São Francisco Clínicas (FUNEP), no ano de 2005, no valor de R$ 1.721,45. Esclarece que Vitória Maria Cussiol Hatayde é sua esposa e entregou declaração de imposto sobre a renda de pessoa física na modalidade simplificada, “retificada pela decisão recorrida sem embasamento jurídico”. Entende indevida a glosa do valor de R$ 2.198,00, declarado como dedução a título de despesa com instrução, já que anexou à sua declaração de imposto sobre a renda o competente recibo de pagamento oriundo da compra de livros técnicos. Aponta afronta ao princípio da isonomia, haja vista ter o Auditor Fiscal acolhido os recibos médicos emitidos pelo Instituto de Olhos Reynaldo Rezende e pelos cirurgiões dentistas Mara Cristina Esteves e Tatsuko Sakima, mas não os emitidos por Ana Catarina Tezzei Scandelai, Carlos A. F. de Lima , Edson Yukio Shibuya, Marcela Renzetti Malheiros e Clayton dos Reis Marques. Reporta ser inaplicável a multa de 75% sobre o valor do imposto apurado, aplicada pelo agente da Fiscalização. Primeiro, por ter caráter confiscatório e segundo, por não ter havido comprovação de conduta fraudulenta por parte do Recorrente. Defende a redução da multa ao patamar de 20%, nos termos do artigo 61, § 2.º, da Lei n.º 9.430, de 1996. Nesse sentido, transcreve ementas de julgados proferidos pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 1.ª Região. Fl. 126DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.000907/200987 Acórdão n.º 2101001.133 S2C1T1 Fl. 119 5 Por fim, citando doutrina sobre o assunto, defende que a aplicação da taxa Selic a título de juros de mora sobre o valor da diferença de imposto apurada não encontra respaldo jurídico, e que devem ser aplicados juros moratórios não superiores a 1% ao mês, de acordo com o previsto no artigo 161, § 1.º do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Celia Maria de Souza Murphy O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. Saliento, por primeiro, que enganase o Recorrente ao combater o lançamento de ofício referente aos “anos de 2005/2006”. Na verdade, versa o presente processo sobre o lançamento suplementar correspondente ao anocalendário de 2006, exercício de 2007. Por configurar evidente equívoco, essa informação foi desconsiderada e o Recurso examinado como se, ao invés de “anos de 2005/2006”, o Recorrente tivesse dito anocalendário de 2006, exercício de 2007. Destaco ainda que o Recorrente aponta constar, na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, ter apresentado recibos emitidos pelos seguintes profissionais liberais: Ana Catarina Tezzei Scandelai (referente a tratamentos odontológicos), Carlos A. F. de Lima (referente a tratamentos odontológicos), Edson Yukio Shibuya (referente a tratamentos odontológicos), a Clayton dos Reis Marques (tratamento psicológico) e a Marcela Renzetti Malheiros (referente a tratamentos odontológicos). Não é o que se constata. Todavia, por tratar se, claramente, de mais um equívoco do Recorrente, e por não trazer conseqüências para a análise do presente processo, tal afirmativa não foi levada em conta. O Recorrente combate também uma glosa do valor de R$ 2.198,00, supostamente declarado como dedução a título de despesa com instrução. Referida glosa não consta dos autos. Sendo assim, verificandose tratarse de mais um engano, desconsiderouse a informação. Labora ainda em equívoco o Recorrente ao alegar afronta ao princípio da isonomia, por ter o Auditor Fiscal acolhido os recibos médicos emitidos pelo Instituto de Olhos Reynaldo Rezende e pelos cirurgiões dentistas Mara Cristina Esteves e Tatsuko Sakima, mas não os emitidos por Ana Catarina Tezzei Scandelai, Carlos A. F. de Lima , Edson Yukio Shibuya, Marcela Renzetti Malheiros e Clayton dos Reis Marques. Nada existe nos autos que justifique tal afirmação do contribuinte; por este motivo, este argumento foi também desconsiderado, por impertinente. Feitas essas observações, passo a tecer considerações sobre o alegado pelo Recorrente. 1. Das preliminares Fl. 127DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Em sua peça recursal, sem ser específico em suas razões, o Recorrente alega, em preliminar, ter havido violação ao devido processo legal administrativo. Da análise dos autos, não se observou qualquer afronta aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, ficando asseguradas as garantias previstas no artigo 5.º, incisos LIV e LV da Constituição Federal. O Recorrente pleiteia, outrossim, ainda preliminarmente, o cancelamento do lançamento suplementar efetuado, integralmente mantido pela decisão da DRJ em São Paulo 2 (fls. 79 a 86), alegando ter havido mera presunção do Fisco de que todos os recibos médicos e odontológicos por ele apresentados são inválidos para fins de dedução. Sustenta que, para a glosa, a Fiscalização baseouse exclusivamente no fato de não terem sido apresentados “cheques nominativos coincidentes em datas e valores aos recibos apresentados ou prova da disponibilidade financeira vinculada aos pagamentos na data da realização dos mesmo” (sic). Essa determinação, ratificada pela decisão de primeira instância administrativa, mostrase, a seu ver, totalmente arbitrária. Vejamos o que diz a legislação que rege a matéria. O caput do artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda, assim prescreve: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (...) Temos ainda que o lançamento constante deste processo originouse de procedimento de revisão de declaração, previsto no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999. Tal dispositivo legal prevê, in verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74). § 1° A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74, § 1°). § 3° Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n° 3.470, de 1958, art. 19). § 4° O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, §3°, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso III)." Da regra do caput do artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999, e também do artigo 835 do mesmo ato regulamentar, depreendese que a autoridade lançadora está autorizada a exigir comprovação ou justificação das deduções efetuadas. Desse modo, no Fl. 128DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.000907/200987 Acórdão n.º 2101001.133 S2C1T1 Fl. 120 7 presente caso, ao exigir as comprovações das despesas médicas e odontológicas utilizadas como deduções na declaração de ajuste do imposto sobre a renda do contribuinte, o agente da Administração agiu em consonância com o que prevê a legislação reguladora do tema. E, assim sendo, é de se afastar qualquer ilegalidade por parte do Auditor Fiscal. Com base nos mesmos dispositivos, entendo que não se pode afirmar ter havido lançamento por presunção. É que, ante o que prevêem o artigo 73, caput, e 835, § 4.º, do Decreto n.º 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda, acima transcritos, existe base legal para o lançamento sempre que a Autoridade lançadora julgar insuficientes as provas apresentadas pelo contribuinte para justificar deduções do imposto sobre a renda. Agora, se há, nos autos, provas hábeis a desconstituir o lançamento, no todo ou em parte, é o que estamos a analisar. O Recorrente sustenta ainda que o lançamento de ofício foi realizado com base na arbitrariedade do Auditor Fiscal, o qual ignorou o disposto no artigo 8.º, inciso II, alínea a e o § 2.º, inciso III, da Lei n.º 9.250, de 1995, já que todas as despesas declaradas foram devidamente comprovadas em conformidade com esse dispositivo, e que referida autoridade deveria, em caso de dúvida, nomear perito devidamente capacitado para que este demonstrasse todo o alegado. Entendo que a providência é desnecessária. A comprovação da efetiva prestação dos serviços médicos e odontológicos, bem como do correspondente desembolso para a prestação dos referidos serviços é ônus do contribuinte, eis que, para tal fora intimado. O que busca o Recorrente com esta perícia é a produção de prova documental que ele mesmo deveria ter providenciado, para contrapor aquelas feitas pela fiscalização. Em situações análogas, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem se manifestado nesse sentido: DILIGÊNCIA CABIMENTO A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante, quando entendêla necessária. Deficiências da defesa na apresentação de provas, sob sua responsabilidade, não implicam na necessidade de realização de diligência com o objetivo de produzir essas provas. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá pedidos de diligência ou perícia que entender impraticáveis ou prescindíveis para a formação de sua convicção, sem que isto constitua cerceamento de direito de defesa (Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10422352 do Processo 11516003285200489. Data: 25/04/2007). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DILIGÊNCIA DESCABIMENTO Não é de ser acolhido pedido de diligência formulado pelo Recorrente para obtenção de informações que ele próprio poderia trazer aos autos, máxime para contraditar base de cálculo do imposto sobre a qual não existe fundada dúvida. Recurso negado (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10611450 do Processo 116180008159914. Data: 16/08/2000). Fl. 129DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 PEDIDO DE DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE E PERTINÊNCIA A diligência não pode ser utilizada para inverter o ônus da prova em desfavor do fisco. A diligência não é um direito subjetivo do recorrente. Para que o pedido de diligência seja deferido pela autoridade julgadora, o recorrente deve provar sua necessidade (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária. Data: 23/01/2008). Concluise, assim, que não cabe ao Fisco produzir prova em favor do contribuinte, comprovando que as despesas médicas e odontológicas declaradas foram efetivamente realizadas, mas sim ao próprio contribuinte, que para isso foi intimado. O agente da Fiscalização agiu dentro das prerrogativas legais, com base no disposto no caput do artigo 73 do Decreto n° 3.000, de 1999, o qual prevê estarem todas as deduções sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, observando, portanto, o principio da legalidade. É dever do Auditor Fiscal, no desempenho de suas atividades, sob pena de responsabilidade funcional, certificarse que os valores utilizados como deduções pelo contribuinte estão de acordo com a lei. No caso em pauta, a insuficiência da prova da efetiva prestação dos serviços e do efetivo desembolso do valor a eles correspondente, em que se baseou a Fiscalização, é válida e plenamente aceitável para embasar o lançamento, cabendo ao contribuinte suprir essa insuficiência, através da apresentação de outros documentos que revelassem a impropriedade da constituição do crédito tributário. A Lei n.º 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo em geral, assim prevê: Art. 4.º São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo: I expor os fatos conforme a verdade; II proceder com lealdade, urbanidade e boafé; III não agir de modo temerário; IV prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. É direito do sujeito passivo apresentar provas que possam impugnar o lançamento, assim como é seu dever colaborar com a Administração, fornecendo todos os documentos solicitados, sempre que regularmente intimado, com o objetivo de facilitar o conhecimento do fato jurídico tributário pela autoridade lançadora e de subsidiar a tomada de decisão do julgador. A recusa do sujeito passivo em colaborar com a Administração não pode ser suprida por diligências ou perícias, além do mais se desnecessárias e custeadas pelo Poder Público. Ante o exposto, afastamse as preliminares alegadas pelo Recorrente. 2. Deduções com despesas médicas e odontológicas As infrações apontadas pela Fiscalização e mantidas pela decisão da DRJ em São Paulo 2 (fls. 79 a 86) estão relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às Fl. 130DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.000907/200987 Acórdão n.º 2101001.133 S2C1T1 Fl. 121 9 fls. 74 e 75, consubstanciandose na glosa do valor de R$ 9.022,27, deduzido a titulo de despesas médicas, por suposta falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução, assim especificado: 1. Pagamentos feitos a Rosane A. F. F. de Lima (R$2.000,00) e a Carlos A. F. de Lima (R$3.400,00). 2. O valor de R$ 1.566,23 referente a pagamento feito à FUNEP, por tratarse de despesa de Melina Cussiol Hatayde, a qual não é dependente do contribuinte. 3. O valor de R$ 2.056,04 referente a pagamento feito à FUNEP, por tratarse de despesa de Vitória Maria Cassiol Hatayde, cônjuge do contribuinte, que entrega Declaração simplificada em separado. Sobre a forma como devem ser comprovadas as deduções utilizadas, na declaração de imposto sobre a renda de pessoa física, com despesas médicas e odontológicas, vejamos o que diz o artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Compulsandose os dados constantes dos recibos fornecidos pelo contribuinte com a regra do artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda – Decreto n.º 3.000, de 1999, acima transcrito, verificase o seguinte: 1. Os recibos emitidos por Rosane Ap. Fulachi Fernandes de Lima, no valor de R$ 2.000,00 e por Carlos Alberto Fernandes de Lima, no valor de R$ 3.400,00, anexados às 25 a 35 dos autos, de fato, não preenchem os requisitos constantes do artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999. No entanto, às fls. 59 e 60 dos autos, o Recorrente acostou novos recibos, em substituição daqueles. Observase que os novos documentos (fls. 59 e 60) cumprem os requisitos legais, já que descrevem os tratamentos feitos, o valor pago por esses tratamentos e especificam o nome, endereço e CPF dos emitentes. Apesar de terem sido apresentados Fl. 131DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 somente em 22 de junho de 2009 (fls. 71), após a apresentação da impugnação (fl. 01, verso), a anexação dos documentos aos autos ocorreu antes da análise da referida impugnação pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2. Verifico ter havido um esforço do contribuinte para cumprir as exigências feitas pela Fiscalização. Sendo assim, entendo admissível aceitar esses documentos como comprovação das despesas declaradas como deduções da declaração de imposto sobre a renda de pessoa física de ajuste do exercício de 2007 do Recorrente. Restabelecese, com isso, a dedutibilidade do valor, agora comprovado, de R$ 5.400,00, correspondente aos pagamentos feitos a Rosane Ap. Fulachi Fernandes de Lima (R$ 2.000,00) e a Carlos Alberto Fernandes de Lima (R$ 3.400,00). 2. Não foi contestada a glosa do valor de R$ 1.566,23 referente a pagamento feito à FUNEP, de despesa de Melina Cussiol Hatayde. A Fiscalização alega que essa pessoa não é dependente do contribuinte. De fato, não constam dependentes na declaração de ajuste de 2007 do Recorrente (fls. 54). Diante disso, mantémse a glosa. 3. Sobre o valor de R$ 2.056,04 referente a pagamento feito à FUNEP, correspondente a despesa de Vitória Maria Cussiol Hatayde, o Recorrente nada alega. No entanto, diz que Vitória Maria Cussiol Hatayde é sua esposa, a qual entregou declaração de imposto sobre a renda de pessoa física na modalidade simplificada, “retificada pela decisão recorrida sem embasamento jurídico”. Faz menção a um pagamento no valor de R$ 1.721,45, em 2005. Como tal dedução não consta dos autos, concluo tratarse de mais um equívoco; sendo assim, considero que o Recorrente está contestando o pagamento de R$ 2.056,04 feito em 2006. De qualquer forma, reputo correta a glosa do valor deduzido a título de despesa médica de Vitória Maria Cussiol Hatayde, por ela não constar como dependente do Recorrente em sua declaração de ajuste anual de 2007 (fls. 54). A alegação de que ela teria entregue declaração em separado, no modelo simplificado, em nada muda o cenário, já que indica que a despesa correspondente está incluída no desconto padrão da sua declaração. Naturalmente, a mesma despesa não pode ser deduzida, de novo, na declaração do Recorrente. Mantémse, portanto, a glosa. 3. Da multa de 75% sobre o valor da diferença de imposto apurada. O contribuinte alega que a imputação da multa punitiva “em patamar tão exorbitante” deveuse ao fato de a Fiscalização ter presumido que ele agiu com dolo ou intuito de fraudar o Fisco. Entende que a multa, no percentual de 75%, é inaplicável. Quando muito, a seu ver, poderia aplicarse multa de 20% sobre o valor do imposto devido, tal como prevê o artigo 61, § 2.º, da Lei n.º 9.430, de 1996. Alega ser confiscatória a multa de 75% sobre o imposto apurado. A multa de 75%, prevista no artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, é devida nos casos de lançamento de ofício, quando for apurada falta de pagamento ou pagamento a menor do tributo devido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Fl. 132DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.000907/200987 Acórdão n.º 2101001.133 S2C1T1 Fl. 122 11 Essa multa é devida por infração à legislação tributária quando a autoridade lançadora entende não haver sonegação, fraude ou conluio. Comprovadas estas circunstâncias (artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964), a multa é qualificada, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, conforme prevê o § 1.º do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996. Segundo o Fisco, o Recorrente fez deduções que não ficaram devidamente comprovadas, e, por isso, foram glosadas, hipótese que se subsume ao art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, o qual prevê a multa de 75%, devendo esta prevalecer. Tendo em vista que a apuração do tributo foi feita por meio de lançamento de ofício, correta a aplicação da multa prevista no inciso I do artigo 44 Lei n° 9.430, de 1996, sobre a diferença de imposto apurada no procedimento de fiscalização. Não estamos aqui diante de uma hipótese de multa moratória, limitada a vinte por cento, aplicável apenas aos débitos não pagos nos prazos previstos na legislação, mas recolhidos em data posterior por iniciativa do próprio contribuinte, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal. A estes aplicase a regra do artigo 61 da Lei n.º 9.430, de 1996, mas não aos créditos tributários lançados de ofício. Além do mais, de acordo com as regras do Direito Tributário, consubstanciadas no artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN, não é dado à Administração conduta diversa da de se aplicar a Lei em sua conformidade; na espécie, o inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Sobre a alegação de caráter confiscatório da multa de 75% sobre o imposto lançado de ofício, esclareço que, a teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo assim, deixo de me manifestar sobre o assunto. 4. Da taxa Selic O Recorrente argumenta que a incidência da taxa Selic sobre a diferença de crédito tributário apurada no lançamento de ofício não encontra respaldo jurídico, que a adoção da referida taxa para o cálculo de juros moratórios é expediente ilegal e inconstitucional, por desnaturar o pressuposto e a finalidade desta espécie de juros. Sobre o assunto, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais fez editar a Súmula n.º 4, que assim prevê: A partir de 1.º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Estando o assunto já pacificado na esfera administrativa, não cabe mais qualquer manifestação de minha parte. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 12 Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedutibilidade das despesas correspondentes aos pagamentos feitos a Rosane Ap. Fulachi Fernandes de Lima (R$ 2.000,00) e a Carlos Alberto Fernandes de Lima (R$ 3.400,00). (assinado digitalmente) Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 134DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 07/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 37284.007205/2006-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1997 a 30/11/2006
Ementa: COMPENSAÇÃO. OBRIGAÇÕES AO PORTADOR EMITIDAS PELA ELETROBRÁS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há previsão legal para a compensação de créditos tributários com obrigações ao portador emitidas pela ELETROBRÁS. Pelo Princípio da Legalidade a Administração Pública só pode agir de acordo com o que a lei determina, sendo-lhe vedado afastar, sob fundamento de inconstitucionalidade, normas legais vigentes.
SÚMULA CARF Nº 24. Incompetência da SRF para promover compensação
entre créditos derivados de obrigações da Eletrobrás e débitos tributários como as contribuições previdenciárias. vinculação dos membros do CARF à jurisprudência consubstanciada em súmula.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.193
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da segunda
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Adriana Sato
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201107
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1997 a 30/11/2006 Ementa: COMPENSAÇÃO. OBRIGAÇÕES AO PORTADOR EMITIDAS PELA ELETROBRÁS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para a compensação de créditos tributários com obrigações ao portador emitidas pela ELETROBRÁS. Pelo Princípio da Legalidade a Administração Pública só pode agir de acordo com o que a lei determina, sendo-lhe vedado afastar, sob fundamento de inconstitucionalidade, normas legais vigentes. SÚMULA CARF Nº 24. Incompetência da SRF para promover compensação entre créditos derivados de obrigações da Eletrobrás e débitos tributários como as contribuições previdenciárias. vinculação dos membros do CARF à jurisprudência consubstanciada em súmula. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 37284.007205/2006-91
anomes_publicacao_s : 201107
conteudo_id_s : 4984277
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 28 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2302-001.193
nome_arquivo_s : 230201193_37284007205200691_201107.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Adriana Sato
nome_arquivo_pdf_s : 37284007205200691_4984277.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
id : 4743127
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:41:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041806905344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1676; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 37284.007205/200691 Recurso nº 246.393 Voluntário Acórdão nº 2302001.193 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de julho de 2011 Matéria Compensação Recorrente ROSSI, KALVAN & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1997 a 30/11/2006 Ementa: COMPENSAÇÃO. OBRIGAÇÕES AO PORTADOR EMITIDAS PELA ELETROBRÁS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para a compensação de créditos tributários com obrigações ao portador emitidas pela ELETROBRÁS. Pelo Princípio da Legalidade a Administração Pública só pode agir de acordo com o que a lei determina, sendolhe vedado afastar, sob fundamento de inconstitucionalidade, normas legais vigentes. SÚMULA CARF Nº 24. Incompetência da SRF para promover compensação entre créditos derivados de obrigações da Eletrobrás e débitos tributários como as contribuições previdenciárias. vinculação dos membros do CARF à jurisprudência consubstanciada em súmula. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Marco André Ramos Vieira Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Adriana Sato Relator EDITADO EM: 24/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Wilson Antonio de Souza Correa, Vera Kempers de Moraes Abreu, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriana Sato. Ausência Momentânea de Wilson Antonio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Tratase de pedido de informação de compensação protocolado em 11/12/2006 onde o Recorrente requer a compensação tributária e a conseqüente extinção dos débitos discriminados no relatórios discriminativos de cálculos, que perfaziam no mês de dezembro de 2006, o valor total de R$ 674 8.284,12, com ás OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS de ns. 1241906, 1242967, 1270801, 1270802, 1270803,1todas das série V, no valor individual de R$ 87.487,75, e totalizando R$ 437.438,75, e mais duas obrigações série AA, de números 0195191 e 0195192, no valor de R$ 208.162,18 cada uma delas, perfazendo, conforme documentos I autenticados anexos, o total de R$ 853.763,11, ficando o valor remanescente em crédito para futuras compensações. O pedido foi indeferido (fls.180)e o recorrente foi cientificado em 20/03/2007 (fls.181). Inconformado o recorrente interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: da possibilidade da compensação tributária; da suspensão da exigibilidade tributária; os títulos objeto da presente ação (apólices da dívida pública) constituiu mútuo tomado pela UNIÃO, sujeito ao regime do direito privado; Os Decretosleis n° 263/67 e 396/68, que pretendem alterar as formas de resgate e os prazos prescricionais dos títulos são inconstitucionais; A prescrição não chegou a correr em razão do vencimento dos títulos depender do implemento de condições suspensivas; Os títulos devem ser pagos com incidência dos juros convencionados, dos juros moratórios e de correção monetária integral; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37284.007205/200691 Acórdão n.º 2302001.193 S2C3T2 Fl. 2 3 O resgate dos títulos pode se dar mediante pagamento por precatório, compensação com quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal e Instituto Nacional de Seguridade Social, vencidos ou vincendos. A DRFB apresentou contra razões. É o Relatório. Voto Conselheiro Adriana Sato Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo a análise das questões suscitadas. De acordo com os elementos constantes do processo, o Recorrente protocolou pedido de informação de compensação, referente ao encontro de contas entre débitos fiscais devidos à Previdência Social com o crédito consubstanciado nas Obrigações da Eletrobrás, oriundos da materialização do empréstimo compulsório sobre as contas de energia elétrica. Diante da resposta que dizia da impossibilidade jurídica do pedido administrativo de compensação de débitos na forma requerida, a empresa interpôs o presente recurso. Todavia, não há reparos a fazer na decisão recorrida. A compensação das contribuições previdenciárias com títulos da Eletrobrás, não pode ser aceita administrativamente pelo INSS. As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringese aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Não ocorreu recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso. A Lei n ° 8.212/1991 está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico, haja vista o próprio CTN dispor em seu artigo 97, VI, que as hipóteses de extinção do crédito tributário, entre essas a compensação e a dação em pagamento, são de estrita reserva legal. Assim, para verificar a possibilidade de compensação e de dação em pagamento há que ser remetido para os permissivos legais. Conforme prevê o art. 89, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, somente pode ser compensado nas contribuições previdenciárias os valores referentes a contribuições previdenciárias. Não há previsão legal para que sejam aceitos outros créditos; não importa, portanto, o argumento de que a União e o INSS possuem relação estrita, devendo o INSS aceitar e compensar seus créditos com débitos da União. Ademais, este órgão colegiado já firmou entendimento sobre a matéria em questão, a partir da edição da Súmula CARF nº 24, senão vejamos: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Súmula CARF nº 24: “Não compete à Secretaria da Receita Federal promover a restituição de obrigações da Eletrobrás, nem sua compensação com débitos tributários”. De acordo com a determinação contida no caput do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria nº 446, de 27 de agosto de 2009, as súmulas vinculam os membros do Conselho, devendo ser aplicado o entendimento exarado na orientação supramencionada. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Adriana Sato Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 35564.002471/2006-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
COMPENSAÇÃO. DÉBITO PREVIDENCIÁRIO COM TÍTULOS DA DÚVIDA PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE.
Os títulos da dívida pública emitidos n o início do século passado, que não possuam cotação em bolsa e sejam de difícil liquidação não são aptos a garantir a extinção de crédito tributário por meio de compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2301-001.880
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201103
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO. DÉBITO PREVIDENCIÁRIO COM TÍTULOS DA DÚVIDA PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. Os títulos da dívida pública emitidos n o início do século passado, que não possuam cotação em bolsa e sejam de difícil liquidação não são aptos a garantir a extinção de crédito tributário por meio de compensação. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 35564.002471/2006-55
anomes_publicacao_s : 201103
conteudo_id_s : 4854216
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-001.880
nome_arquivo_s : 230101880_35564002471200655_201103.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
nome_arquivo_pdf_s : 35564002471200655_4854216.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
id : 4743157
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:41:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041864577024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1074; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 184 1 183 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35564.002471/200655 Recurso nº 252.506 Voluntário Acórdão nº 230101.880 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2011 Matéria Compensação Recorrente TRANSVALE TRANSPORTES DE CARGAS E ENCOMENDAS LTDA Recorrida DRP EM OSASCO SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO. DÉBITO PREVIDENCIÁRIO COM TÍTULOS DA DÚVIDA PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. Os títulos da dívida pública emitidos n o início do século passado, que não possuam cotação em bolsa e sejam de difícil liquidação não são aptos a garantir a extinção de crédito tributário por meio de compensação. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Fl. 100DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Leoncio Nobre de Medeiros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 101DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35564.002471/200655 Acórdão n.º 230101.880 S2C3T1 Fl. 185 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa TRANSVALE TRANSPORTES DE CARGAS E ENCOMENDAS LTDA em face do indeferimento do pedido de compensações de contribuições previdenciárias apuradas em 12/2005 (contribuições referentes a transportador autônomo – carreteiros) com apólices de dívida pública. 2. A decisão de fls. 53/56 (ofício n.º 026/DRP São Paulo Oeste/ SEARP/ Serviço de Orientação da Arrecadação) firmou entendimento no seguinte sentido: “(...) 6.1. Não é possível atender a solicitação de homologação da compensação de créditos vencidos de natureza não tributária, efetuada pela requerente, uma vez que não há previsão legal para tanto, no que se refere a contribuição previdenciária; 6.2. O artigo1 51 do CTN dispõe expressamente quais atos ou fatos determinam a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e dentre eles não se encontra aquele praticado pela requerente, já que o processo não se adequa ao conceito de reclamação, uma vez que o código chama assim as impugnações a lançamentos ou a busca de solução para litígio inerente a lançamento duvidoso, desta forma, não há que se falar em suspensão do crédito tributário; 8. Ressaltese o fato de que a empresa já efetivou pedidos da mesma natureza, com períodos de apuração diferentes, que já foram objeto de recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, que nos acórdãos: 1262/2004, 1263/2004, 1264/2004, 1265/2004, 1266/2004, 1274/2004, 356/2005, 356/2005, 357/2005 e 358/2005, manifestouse negando provimento à demanda da requerente;” 3. A empresa, por sua vez, interpôs recurso voluntário, aduzindo, em síntese, que: a) efetuou a compensação discriminada no requerimento administrativo de número 35564.002471/200655; b) é legítima possuidora de 15 (quinze) títulos da Dívida Pública da República dos Estados Unidos do Brasil, sendo que o valor atualizado dos títulos baseouse nos laudos paridade ouro, e que também constam do recurso encaminhado ao Serviço de Orientação da Recuperação de Créditos Previdenciários, do INSS de São Paulo, conferindo liquidez ao referido título e que representa um crédito da autora contra a União, valor inclusive superior ao débito ora apontado; c) a decisão não analisou a permissão contida na Lei 9.430 e no Decreto n.º 2.138, de 29 de janeiro de 1997; d) a doutrina e a jurisprudência interpretam as leis no sentido de que é permitida a utilização dos Títulos da Dívida Pública para compensação de tributos; Fl. 102DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 e) por fim, requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, enquanto não for homologada a compensação, conforme prevê o inciso III, do artigo 151 do CTN. 4. Respondendo ao recurso interposto pela contribuinte, o fisco se manifestou da seguinte forma: “(...) 9. O artigo 151 do CTN dispõe expressamente quais atos ou fatos determinam a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e dentre eles não se encontram aquele praticado pela requerente, já que o processo não se adequa ao conceito de reclamação, uma vez que o código chama assim as impugnações a lançamentos ou a busca de solução para litígio inerente a lançamento duvidoso. Desta forma, não há que se falar em suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 10. ressaltase o fato de que a empresa já efetivou pedidos de homologação de compensações da mesma natureza dos solicitados nesse processo, com períodos de apuração diferentes, que já foram objeto de recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, que nos acórdãos: 1262/2004, 1263/2004, 1264/2004,1265/2004, 1266/2004, 1274/2004, 354/2005, 356/2005, 357/2005 e 358/2005, manifestouse negando provimento à demanda da requerente. 11. Diante do exposto, somos pela manutenção do entendimento exarado no ofício 026/2007/DRP São Paulo Oeste/SEARP, de que não é possível atender ao solicitado pela requerente de homologar a compensação e de restituir os créditos vencidos de natureza não tributária, uma vez que não há previsão legal para tanto.” (fls. 77/82) 5. O processo foi encaminhado para a análise deste Conselho. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35564.002471/200655 Acórdão n.º 230101.880 S2C3T1 Fl. 186 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO 2. O contribuinte pretende compensar contribuições previdenciárias apuradas em dezembro de 2005 (contribuições referentes a transportador autônomo – carreteiros) com apólices da dívida pública (quinze títulos da dívida pública dos Estados Unidos do Brasil), baseado nos artigos 73 e 74 da Lei n.º 9.430/96 e artigos 1º do Decreto n.º 2.138/97. 3. Ocorre que a legislação citada pela empresa para fundamentar seu pedido referese à restituição ou ressarcimento de créditos da Secretaria da Receita Federal e não do INSS, conforme transcrito abaixo: “Lei do Ajuste Tributário nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Decreto nº 2.138, de 29 de janeiro de 1997. Art. 1º É admitida a compensação de créditos do sujeito passivo perante a Secretaria da Receita Federal, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob Fl. 104DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 administração da mesma Secretaria, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. Parágrafo único. A compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de ofício, mediante procedimento interno, observado o disposto neste Decreto.” 4. E sobre compensação disposta no art. 66 da Lei 8.383, de 30.12.91, que instituiu o direito à compensação de tributos e contribuições federais, assevera claramente que somente será admitida a compensação quando o crédito do contribuinte para com a Fazenda resultar de recolhimento indevido de tributo: “Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo.” 5. Ainda sobre a matéria, o artigo 247, do Decreto n.º 3.048, de 06 de maio de 1999 dispõe que “somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a seguridade social, arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido”, não sendo esse o caso da recorrente. 6. A Lei 8.212/91, que também trata do assunto, na redação do artigo 89 vigente à época dos fatos, dispunha que “somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido.” 7. A legislação foi alterada posteriormente pela Lei n.º 11.941, de 2009, porém, mantevese o entendimento de que as contribuições sociais somente serão compensadas quando houver pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, in verbis: “Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Fl. 105DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35564.002471/200655 Acórdão n.º 230101.880 S2C3T1 Fl. 187 7 Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: (...) a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; (Vide art. 104 da lei nº 11.196, de 2005) b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriode contribuição; (Vide art. 104 da lei nº 11.196, de 2005)” 8. Dessa forma, resta demonstrado que para a empresa pudesse proceder à compensação de seus débitos previdenciários deveria ter pagado ou recolhido indevidamente, ou a maior, uma contribuição de mesma espécie. 9. Não bastasse isso, a Lei n.º 9.711, de 20 de novembro de 1998, que disciplina a utilização de Títulos da Dívida Pública, de responsabilidade do Tesouro Nacional, para a quitação de dívidas previdenciárias determina que o contribuinte participe de leilões promovidos pela União: “Art. 3º A União poderá promover leilões de certificados da dívida pública mobiliária federal a serem emitidos com a finalidade exclusiva de amortização ou quitação de dívidas previdenciárias, em permuta por títulos de responsabilidade do Tesouro Nacional ou por créditos decorrentes de securitização de obrigações da União. § 1º Fica o INSS autorizado a receber os títulos e créditos aceitos no leilão de certificados da dívida pública mobiliária federal, com base nas percentagens sobre os últimos preços unitários e demais características divulgadas pela portaria referida no § 5º deste artigo com a finalidade exclusiva de amortização ou quitação de dívidas previdenciárias, de empresa cujo débito total não ultrapasse R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). § 2º Os débitos previdenciários a serem amortizados ou quitados na forma do § 1º serão considerados pelo seu valor atualizado acrescido dos encargos legais multiplicado pelo percentual calculado entre o preço médio do último leilão e o valor de face de emissão do certificado. § 3º Os certificados da dívida pública mobiliária federal poderão ser emitidos diretamente para o INSS pelo preço médio homologado do seu último leilão de colocação, em permuta pelos títulos e créditos recebidos pelo INSS na forma do § 1º deste artigo. § 4º A emissão dos certificados de que trata o caput processar seá sob a forma escritural, mediante registro dos respectivos Fl. 106DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 direitos creditórios em sistema centralizado de liquidação e custódia. § 5º Portaria conjunta dos Ministros de Estado da Fazenda e da Previdência e Assistência Social estabelecerá as condições para a efetivação de cada leilão previsto no caput, tais como: I a quantidade de certificados a serem leiloados; II definição dos títulos ou créditos decorrentes de securitização de obrigações da União a serem aceitos em permuta pelos certificados, bem como a quantidade mínima por unidade de certificado; III natureza, período e situação dos débitos previdenciários que poderão ser amortizados ou quitados com os certificados. IV natureza, período, situação e valor máximo dos débitos previdenciários que poderão ser amortizados ou quitados na forma prevista no § 1º deste artigo.” 10. Assim, como a recorrente não participou de qualquer leilão e não adquiriu certificados da dívida pública mobiliária federal, emitidos exclusivamente para amortizar ou quitar dívidas previdenciárias, não tem o direito de homologar sua compensação. 11. Nesse contexto, entendo que os títulos do contribuinte, apesar de serem legítimos, não podem ser utilizados para a compensação de débitos previdenciários. CONCLUSÃO 12. Por todo o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 107DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13678.000231/2007-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições
das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2007
Ementa: SIMPLES. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO Nº 70.235/72. ADN COSIT Nº 15/96. PEREMPÇÃO.
Acarreta em preclusão Impugnação apresentada fora do prazo legal de 30 dias da ciência do indeferimento da opção pelo Simples Nacional, de acordo com a inteligência do Decreto nº 70.235/72 (artigos 5, 15 e 23) e do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15/96.
Numero da decisão: 1202-000.550
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007 Ementa: SIMPLES. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO Nº 70.235/72. ADN COSIT Nº 15/96. PEREMPÇÃO. Acarreta em preclusão Impugnação apresentada fora do prazo legal de 30 dias da ciência do indeferimento da opção pelo Simples Nacional, de acordo com a inteligência do Decreto nº 70.235/72 (artigos 5, 15 e 23) e do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15/96.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13678.000231/2007-87
anomes_publicacao_s : 201106
conteudo_id_s : 4847524
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1202-000.550
nome_arquivo_s : 1202000550_13678000231200787_201106.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : GERALDO VALENTIM NETO
nome_arquivo_pdf_s : 13678000231200787_4847524.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
id : 4742419
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:40:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041937977344
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-11-30T13:30:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - APV1202_13678000231200787; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: MVA; dcterms:created: 2011-11-30T13:30:13Z; Last-Modified: 2011-11-30T13:30:13Z; dcterms:modified: 2011-11-30T13:30:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - APV1202_13678000231200787; Last-Save-Date: 2011-11-30T13:30:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-11-30T13:30:13Z; meta:save-date: 2011-11-30T13:30:13Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - APV1202_13678000231200787; modified: 2011-11-30T13:30:13Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: MVA; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: MVA; meta:author: MVA; meta:creation-date: 2011-11-30T13:30:13Z; created: 2011-11-30T13:30:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2011-11-30T13:30:13Z; pdf:charsPerPage: 1491; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: MVA; producer: GPL Ghostscript 8.15; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: GPL Ghostscript 8.15; pdf:docinfo:created: 2011-11-30T13:30:13Z | Conteúdo => S1-C2T2 Fl. 53 1 52 S1-C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13678.000231/2007-87 Recurso nº 177.913 Voluntário Acórdão nº 1202-000.550 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de junho de 2011 Matéria SIMPLES Recorrente COMÉRCIO JO E RO LTDA. ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007 Ementa: SIMPLES. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO Nº 70.235/72. ADN COSIT Nº 15/96. PEREMPÇÃO. Acarreta em preclusão Impugnação apresentada fora do prazo legal de 30 dias da ciência do indeferimento da opção pelo Simples Nacional, de acordo com a inteligência do Decreto nº 70.235/72 (artigos 5, 15 e 23) e do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo - Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto - Relator Fl. 53DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/12/201 1 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 13678.000231/2007-87 Acórdão n.º 1202-000.550 S1-C2T2 Fl. 54 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Marcelo Baetta Ippolito, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Jorge Celso Freire da Silva e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório Adoto, inicialmente, o Relatório da decisão de 1ª instância por entender que o mesmo narra de forma precisa os fatos dos autos ocorridos até aquele momento processual: “Trata-se de pedido de inclusão de oficio da interessada no Simples Nacional - Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) —, de que trata o artigo 12 da Lei Complementar n° 123/2006, em razão de não ter sido efetivada a opção por esse regime. Em 18/10/2007 a contribuinte apresentou requerimento de opção pelo regime especial a partir de 01/07/2007 (doc. de fls. 1). Nesse documento, a interessada informa que solicitou a opção dentro do período exigido em lei, e que todas as pendências existentes com as administrações tributárias municipal, estadual e federal foram devidamente verificadas e solucionadas. Na ocasião, foi juntada ao processo comprovante de inscrição no CNPJ (fls. 2/3); cópia do doc, de identidade da sócia (fls. 4); certidão conjunta positiva com efeitos de negativa de débitos relativos aos tributos federais e a Dívida Ativa da União, emitida em 02/12/2007 (fls. 5); certidões negativas de débito municipal, emitidas pela Prefeitura Municipal de Passos — MG, em 08/10/2007 e 27/09/2007 (fls. 6/7); cópias de certidões positivas com efeito de negativas, emitidas pela Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerias em 16/10/2007 (fls. 8/9); cópia da alteração contratual registrada na JUCEMG - Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 06/08/2007 (fls. 10/12); além de telas com informações de apoio para emissão de certidão conjunta de débitos relativos aos tributos federais e Dívida Ativa da União, extraídas dos sistemas informatizados da RFB (fls. 13/15). Num momento posterior, a interessada fez juntar o doc. de fls. 17, em que solicita a retificação do CNPJ informado no documento de fls. 1, quando o CNPJ 23.326.820/0001-73 havia sido indicado equivocadamente.” Ato seguinte, a decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte Ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. Expirado o prazo de trinta dias para impugnação do indeferimento da opção pelo Simples Nacional, deve ser Fl. 54DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/12/201 1 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 13678.000231/2007-87 Acórdão n.º 1202-000.550 S1-C2T2 Fl. 55 3 declarada a revelia, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Impugnação não Conhecida.” Restando inconformada com a decisão de 1ª instância a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 32/48), alegando, em síntese, que “todas as pendências foram solucionadas dentro do período exigido em lei”. Oportunamente, os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Desta forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões de mérito. Colaciono trecho do voto do acórdão proferido nos autos deste processo pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, por entender que resume o fato dos autos, aplicando a legislação correspondente de maneira pertinente: “Inicialmente, cumpre verificar se o pedido apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. A propósito da tempestividade, cabe transcrever os arts. 5°, 15 e 23 do Decreton° 70.235, de 1972, com as alterações vigentes por ocasião da ocorrência dos fatos relatados, in verbis: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (.) Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao Fl. 55DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/12/201 1 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 13678.000231/2007-87 Acórdão n.º 1202-000.550 S1-C2T2 Fl. 56 4 órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) III - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei n° 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei n° 11.196, de 2005) (.) Par. 2° Considera-se feita a intimação: I - na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II- no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) III - se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicilio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei n" 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei n° 11.196, de 2005). (.) Par. 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005) Como se pode observar, os prazos são contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento, e somente se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, e a impugnação deve ser apresentada no prazo normal de 30 (trinta) dias. Fl. 56DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/12/201 1 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 13678.000231/2007-87 Acórdão n.º 1202-000.550 S1-C2T2 Fl. 57 5 De acordo com o doc. de fls. 25, verifica-se que a data registrada no Termo de Indeferimento é o dia 26/07/2007 (quinta-feira). Logo, nos termos do art. 23, § 2°, III, alínea b, do Decreto n° 70.235, de 1972, considera-se a contribuinte cientificada do indeferimento da opção pelo Simples Nacional em 10/08/2007, ou seja, quinze dias após a data registrada no meio eletrônico. Desse modo, o fato de o pedido de fls. 1 ter sido apresentado somente em 18/10/2007 caracteriza que a petição é inoportuna. Dispondo sobre a hipótese de não haver a entrega tempestiva da impugnação, o Coordenador-Geral do Sistema de Tributação baixou o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 15, de 12/07/1996, a seguir transcrito: "Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar." (grifos acrescentados) Considerando que a competência da Delegacia da Receita Federal de Julgamento para examinar impugnação ou manifestação de inconformidade somente se estabelece após a instauração da fase litigiosa, a presente manifestação de inconformidade não deve ser conhecida. Diante do exposto, voto por não se tomar conhecimento da manifestação de inconformidade, em face da sua intempestividade.” Diante do acima exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário, por perempção. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 57DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/12/201 1 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por GERALDO VALENTIM NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10805.720475/2007-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano calendário:2002
DIREITO CREDITÓRIO. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITO DE PERÍODOS ANTERIORES. A alegação de que os valores devidos por estimativas foram objeto de compensação com
saldos negativos de períodos anteriores deve ser acompanhada de provas da existência do crédito utilizado e de elementos da escrituração que comprovem a efetividade da compensação.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CONEXÃO COM PROCESSO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO DÉBITO. Constatado que as DCOMP deixou de ser homologada, ainda que parcialmente, em face de o direito creditório apontado pelo contribuinte ter sido utilizado pela própria administração tributária para compensação de oficio, realizada em momento posterior à essa DCOMP, e que a contribuinte está questionando judicialmente a utilização
desses créditos pode entender indevida, há que se reconhecer a conexão com o processo judicial e, nessas condições, suspender a exigibilidade da respectiva parcela do débito objeto da aludida DCOMP, até a decisão definitiva do processo judicial.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.426
Decisão: Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, não reconhecer o direito creditório do valor de R$ 140.267,72, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que consideravam que não mais se poderia questionar o saldo negativo do ano-calendário de 2000 já homologados tacitamente à época da data do despacho decisório; 2) por unanimidade de votos, suspender a exigibilidade da cobrança do valor remanescente até o trânsito em julgado da ação judicial que questiona a compensação de ofício de que trata o processo 10805.000522/200784. Tudo nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201102
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário:2002 DIREITO CREDITÓRIO. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITO DE PERÍODOS ANTERIORES. A alegação de que os valores devidos por estimativas foram objeto de compensação com saldos negativos de períodos anteriores deve ser acompanhada de provas da existência do crédito utilizado e de elementos da escrituração que comprovem a efetividade da compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CONEXÃO COM PROCESSO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO DÉBITO. Constatado que as DCOMP deixou de ser homologada, ainda que parcialmente, em face de o direito creditório apontado pelo contribuinte ter sido utilizado pela própria administração tributária para compensação de oficio, realizada em momento posterior à essa DCOMP, e que a contribuinte está questionando judicialmente a utilização desses créditos pode entender indevida, há que se reconhecer a conexão com o processo judicial e, nessas condições, suspender a exigibilidade da respectiva parcela do débito objeto da aludida DCOMP, até a decisão definitiva do processo judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10805.720475/2007-99
anomes_publicacao_s : 201102
conteudo_id_s : 4652079
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-000.426
nome_arquivo_s : 140200426_10805720475200799_201102.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Antonio José Praga de Souza
nome_arquivo_pdf_s : 10805720475200799_4652079.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, não reconhecer o direito creditório do valor de R$ 140.267,72, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que consideravam que não mais se poderia questionar o saldo negativo do ano-calendário de 2000 já homologados tacitamente à época da data do despacho decisório; 2) por unanimidade de votos, suspender a exigibilidade da cobrança do valor remanescente até o trânsito em julgado da ação judicial que questiona a compensação de ofício de que trata o processo 10805.000522/200784. Tudo nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
id : 4739159
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:39:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041948463104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2298; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.720475/200799 Recurso nº 874.518 Voluntário Acórdão nº 140200.426 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2011 Matéria CSLL. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITORIO. Recorrente DELPHI AUTOMOTIVE SYSTEMS DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITO DE PERÍODOS ANTERIORES. A alegação de que os valores devidos por estimativas foram objeto de compensação com saldos negativos de períodos anteriores deve ser acompanhada de provas da existência do crédito utilizado e de elementos da escrituração que comprovem a efetividade da compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CONEXÃO COM PROCESSO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO DÉBITO. Constatado que as DCOMP deixou de ser homologada, ainda que parcialmente, em face de o direito creditório apontado pelo contribuinte ter sido utilizado pela própria administração tributária para compensação de oficio, realizada em momento posterior à essa DCOMP, e que a contribuinte está questionando judicialmente a utilização desses créditos pode entender indevida, há que se reconhecer a conexão com o processo judicial e, nessas condições, suspender a exigibilidade da respectiva parcela do débito objeto da aludida DCOMP, até a decisão definitiva do processo judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, não reconhecer o direito creditório do valor de R$ 140.267,72, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que consideravam que não mais se poderia questionar o saldo negativo do anocalendário de 2000 já homologado tacitamente à época da data do despacho decisório; 2) por unanimidade de votos, suspender a exigibilidade da Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720475/200799 Acórdão n.º 140200.426 S1C4T2 Fl. 0 2 cobrança do valor remanescente até o trânsito em julgado da ação judicial que questiona a compensação de ofício de que trata o processo 10805.000522/200784. Tudo nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório DELPHI AUTOMOTIVE SYSTEMS DO BRASIL LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Declarações de Compensação eletrônicas para extinção de débitos tributários com crédito de saldo negativo de CSLL do ano calendário 2002, apurado no valor de R$ 1.174.356,37. Por meio do Despacho Decisório acostado às fls. 43/45 e cientificado em 13/11/2007 (AR de fl. 53verso), abaixo sintetizado, a autoridade preparadora deferiu parcialmente o pleito, determinando que fosse reconhecido em parte o direito creditório em favor da empresa, bem como homologadas as compensações, até o limite do direito creditório reconhecido. Tratamse de Declarações de Compensação (fls. 01/22) de débitos de estimativas de CSLL, no valor total de R$ 1.429.370,76, com crédito oriundo de saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2002, no valor de R$ 1.174.356,37. As Dcomps foram transmitidas através do programa PER/DCOMP e estão listadas a seguir: [............] Os débitos foram cadastrados no PROFISC, conforme extrato de fls. 23/24. FUNDAMENTAÇÃO E PROPOSTA Conforme indica a Ficha 17 – Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da DIPJ/2003, o saldo negativo da CSLL de 31.12.2002, de R$ 1.174.356,37, foi assim determinado (fls. 25): Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720475/200799 Acórdão n.º 140200.426 S1C4T2 Fl. 0 3 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido R$ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido 701.709,27 () Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Mensal paga por Estimativa 1.876.065,64 () Contribuição Social Retida na Fonte por Órgão Público 0,00 (=) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido a Pagar (1.174.356,37) O valor de R$ 1.876.065,64, declarado na linha 38 – CSLL Mensal pago por Estimativa, foi composto, em parte, por Estimativas de CSLL dos meses de Julho e Agosto de 2002, no valor total de R$ 352.615,54, as quais foram declaradas em DCTF (fls. 30/31) como tendo sido compensadas com Saldo Negativo de CSLL de 31.12.2001, nos termos do art. 14 da IN SRF 21, de 10 de março de 1997. Ocorre que o Saldo Negativo de CSLL do anocalendário de 2001, reconhecido no valor de R$ 797.926,95, conforme cópia do Despacho Decisório de fls. 36/37 (Processo nº 13820.001246/200267) foi TOTALMENTE utilizado para compensar as Estimativas de CSLL dos meses de Setembro e Outubro de 2002 (Processo nº 13820.001246/200267) e a Estimativa de CSLL de Fevereiro de 2000 (Processo nº 10805.000522/200784), conforme extrato do sistema SIEFProcessos de fls. 38/39. Desta forma, o valor de R$ 352.615,54 correspondente às Estimativas de CSLL dos meses de Julho e Agosto de 2002, deve ser deduzido do valor de R$ 1.856.065,64, indicado na linha 38 – CSLL Mensal pago por Estimativa, da DIPJ 2003, resultando no valor de R$ 1.523.450,10. Com esta alteração, o saldo negativo de CSLL de 31.12.2002, foi recalculado, resultado no valor de R$ 821.740,83: Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido R$ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido 701.709,27 () Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Mensal paga por Estimativa 1.523.450,10 () Contribuição Social Retida na Fonte por Órgão Público 0,00 (=) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido a Pagar (821.740,83) Diante do exposto, proponho o RECONHECIMENTO PARCIAL do direito creditório de R$ 821.740,83, base 31.12.2002, e, nos termos do art. 47 da IN SRF nº 600, de 28.12.2005, a HOMOLOGAÇÃO das PERDCOMP´s de fls. 01/22, ATÉ O LIMITE DO CRÉDITO RECONHECIDO. [............] Inconformada, a defendente apresenta Manifestação de Inconformidade, protocolizada em 13/12/2007 e juntada às fls. 54/62, acompanhada dos documentos de fls. 64/85, alegando, em síntese, suas razões de fato e de direito, a seguir: Resume os fatos expondo que as autoridades fiscais alegaram que a diferença entre o valor pleiteado pela Defendente e aquele entendido como existente (R$ 352.615,54), correspondente às estimativas mensais de julho e agosto de 2002, deveria ser desconsiderada do cômputo do saldo negativo da CSLL daquele mesmo período, uma vez que tais estimativas haviam sido pagas mediante compensação com créditos decorrentes de saldo negativo de CSLL relativo ao anocalendário de 2001 supostamente insuficientes para tal finalidade. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720475/200799 Acórdão n.º 140200.426 S1C4T2 Fl. 0 4 Nesse contexto, relata que as autoridades fiscais, no processo nº 13820.001246/200267, teriam recalculado o valor do saldo negativo da CSLL para o anocalendário de 2001, reduzindoo de R$ 829.674,76 para R$ 797.926,95 e, que tal saldo reduzido fora utilizado integralmente na compensação de débitos de estimativa de setembro e outubro de 2002 e de fevereiro de 2000 (no processo nº 10805.000522/200784), não restando, assim, saldo negativo de CSLL suficiente para compensar as estimativas mensais de julho e agosto de 2002 no valor de R$ 352.615,54, glosados no presente processo. E conclui: A despeito de a Defendente ter ciência da redução do valor do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001 para R$ 797.926,95, tal fato certamente não autoriza a cobrança pretendida nestes autos, seja porque as autoridades fiscais desconsideraram a utilização de saldos negativos de CSLL anteriores, seja porque a Defendente não concorda com a compensação do referido saldo negativo com o débito apurado nos autos do processo administrativo nº 10805.000522/200784. Argumenta que: conforme Ficha 17 das DIPJ que apresenta como Documentos 2 e 3 (fls. 79 e 81, apurou saldo negativo de CSLL nos anoscalendário de 2000 e 2001 respectivamente de R$ 140.267,72 e R$ 829.674,76; tais créditos, atualizados pela taxa SELIC, foram aproveitados em compensação de débitos de estimativas mensais de CSLL relativas aos períodos de julho, agosto, setembro e outubro de 2002, conforme planilha que apresenta como documento 04 (fls. 83/85), como segue: (i) compensação do saldo negativo de 2000 com parte da estimativa mensal de julho de 2002 (no valor de R$ 178.027,79; e (ii) do saldo negativo de 2001 com a parte remanescente da estimativa mensal de julho de 2002 (no valor de R$ 63.311,62) e com os valores totais das estimativas mensais de agosto, setembro e outubro de 2002; a estimativa de julho de 2002 foi parcialmente compensada com saldo negativo de CSLL de 2000 e não integralmente com o saldo negativo de 2001, tal como incorretamente consignado no despacho ora atacado; considerando que a parcela da estimativa mensal de julho de 2002 que foi compensada com saldo negativo de CSLL de 2000 corresponde a R$ 178.027,79, somente poderiam, em tese, ser desconsiderados por insuficiência do saldo negativo de CSLL de 2001 o valor resultante da diferença entre essa estimativa e o valor indevidamente apurado pelas autoridades fiscais (R$ 352.615,54), ou seja, 174.587,75. (= R$ 352.615,54 – R$ 178.027,79), pelo que requer seja restaurada a parcela de estimativas mensais no valor de R$ 178.027,79, reconhecendose o respectivo direito creditório, bem como se homologando as compensações efetuadas até o limite desse crédito. Defende ser indevida a compensação do saldo negativo de 2001 com estimativa mensal de fevereiro de 2000, alegando que: não pode jamais concordar com a utilização de parcela do saldo negativo de 2001 para a compensação da estimativa de fevereiro de 2000, apurada nos autos do processo administrativo nº 10805.000522/200784, uma vez que o valor relativo a essa estimativa está sendo cobrado de forma absolutamente irregular e, tal como será demonstrado em juízo, não poderá ser exigida pela União Federal; o processo administrativo nº 10805.000522/200784 referese a uma Representação Fiscal instaurada em 2007 pela d. Delegacia da Receita Federal do Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720475/200799 Acórdão n.º 140200.426 S1C4T2 Fl. 0 5 Brasil em Santo André para análise dos recolhimentos realizados pela Defendente com relação às estimativas mensais da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (“CSLL”) no anocalendário de 2000. a ora Defendente teria deixado de pagar valores relativos às estimativas mensais da referida contribuição para os meses de fevereiro de 2000 (R$ 382.902,70), março de 2000 (R$ 259.874,29), agosto de 2000 (R$ 29.060,99) e setembro de 2000 (R$ 3.749,19), tendo a fiscalização alegado que: (i) os créditos decorrentes de saldos negativos de CSLL acumulados nos anoscalendário de 1993 e 1994 não poderiam mais ter sido utilizados na compensação de débitos relativos ao anocalendário de 2000 e (ii) o crédito decorrente do saldo negativo apurado no anocalendário de 1995 não seria suficiente para saldar a estimativa mensal da CSLL referente ao período de setembro de 2000. em conseqüência, a I. Delegacia da Receita Federal em Santo André intimou a Defendente sobre o resultado da Representação Fiscal e notificoua a proceder ao pagamento do suposto débito tributário apurado (CSLL de fevereiro, março, agosto e setembro de 2000), acrescido da respectiva multa e juros moratórios, mas, o decurso in albis do prazo decadencial previsto tanto no art. 150 § 4º, do CTN como também no art. 173, I do mesmo Codex barraria qualquer tentativa válida da Receita Federal do Brasil de exigir o pagamento de qualquer valor relativo a tal período; apresentada defesa contra referida Representação Fiscal e, em face do seu indeferimento, foi proposta Ação Anulatória de nº 2007.61.000315171 através da qual pleiteia em juízo o cancelamento de quaisquer exigências decorrentes da referida Representação Fiscal; o débito relativo à estimativa mensal de fevereiro de 2000 ainda está em discussão na esfera judicial, de forma que sua compensação de ofício não pode ser levada a efeito tal como pretendido pelas autoridades fiscais no presente processo; a Instrução Normativa nº 600/2006, ao tratar da compensação de ofício, sempre trata da compensação de débitos exigíveis, situação claramente não encontrada no presente caso, na medida em que se discute na esfera judicial a própria existência desse débito ante o comprovado decurso do prazo decadencial para sua constituição; referida IN também prevê que antes da formalização da compensação de ofício as autoridades fiscais têm o dever de notificar o contribuinte para que este se manifeste sobre tal medida no prazo de 15 dias (Art. 34, § 2º), o que não foi observado no presente caso. Dessa forma, quer em virtude da inexistência do débito relativo a estimativa mensal de CSLL de fevereiro de 2000, quer pela inobservância de requisito necessário para a validade da compensação de ofício, a Defendente não pode concordar com a alegação da d. fiscalização no sentido de que o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001 teia sido parcialmente utilizado para a compensação da referida estimativa. Finaliza requerendo que: (i) seja reconhecida que parcela da estimativa mensal de julho de 2002 foi compensada com saldo negativo de CSLL relativo ao anocalendário de 2000, de forma que o recálculo do saldo negativo de CSLL relativo ao anocalendário de 2001 não pode implicar a exclusão dessa estimativa no cálculo do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002; (ii) seja desconsiderada a pretendida compensação de ofício do saldo negativo de CSLL Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720475/200799 Acórdão n.º 140200.426 S1C4T2 Fl. 0 6 relativo ao anocalendário de 2001 com a estimativa mensal de fevereiro de 2000, tendo em vista a decadência do direito do fisco de constituir o crédito tributário relativo a essa estimativa, (iii) seja reconhecido que o saldo negativo de CSLL apurado para o ano de 2002 estaria intacto no valor de R$ 1.174.356,37, suficiente, por sua vez, para realizar as compensações pleiteadas no presente processo administrativo. A decisão recorrida está assim ementada: SALDO NEGATIVO. CSLL. PRAZO DECADENCIAL. INAPLICABILIDADE. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se cogita de decadência para verificação de saldos negativos de CSLL, apurados nas declarações apresentadas e que repercutem em períodos posteriores, objeto de pedido de restituição ou declaração de compensação. DIREITO CREDITÓRIO. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE PERÍODOS ANTERIORES. A alegação de que estimativas que compõem o saldo negativo indicado como crédito foram amortizadas mediante compensação com saldos de períodos anteriores deve ser acompanhada de provas da existência do crédito utilizado e de elementos da escrituração que comprovem a efetivação da compensação. No voto condutor do aludido acórdão extraise os seguintes fundamentos: Inicialmente registrese que a análise do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001 foi objeto do processo nº 13820.001246/200267, em que foi proferido Despacho Decisório (fls. 36/37) reconhecendo, do valor declarado de R$ 829.674,76, o direito creditório de R$ 797.926,95 e homologando compensações ali analisadas (setembro e outubro/2002) até o limite do crédito reconhecido. Assim, qualquer manifestação acerca do referido crédito e de sua utilização deveria ser apresentada naqueles autos. Todavia, não há notícia de que tenha sido apresentada manifestação tempestiva no referido processo 13820.001246/200267. De todo, ainda que se admitisse a possibilidade de discutir, no presente processo, questões relacionadas ao reconhecimento e à utilização de crédito do anocalendário 2001, não foi apresentada prova documental alguma, a exemplo de elementos de escrituração, que pudesse ensejar alteração da conclusão da autoridade da DRF no Despacho Decisório ora impugnado. Observese que a planilha elaborada pela impugnante não é hábil a comprovar a apuração e utilização em compensação de eventual direito creditório. Por outro lado, impõese também lembrar que, anteriormente à Medida Provisória nº 66, de 2002, a compensação entre tributos de mesma espécie independia de pedido, podendo ser informada diretamente em DCTF, porém em consonância com os registros contábeis. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720475/200799 Acórdão n.º 140200.426 S1C4T2 Fl. 0 7 Acrescentese que, nessa situação, relacionada a créditos e a débitos de mesma natureza, em que pese a legislação vigente até setembro de 2002 permitir a compensação sem requerimento, o procedimento para ser válido e poder ser oposto ao fisco deveria estar expressamente registrado na contabilidade da contribuinte, antes do início da ação fiscal. Nesse contexto, para comprovar sua alegação de que a estimativa de julho/2002 teria sido, em parte (na parcela de R$ 178.027,79), compensada com crédito do ano calendário de 2000, deveria a contribuinte, minimamente, apresentar elementos da escrituração comprovando a amortização do referido débito pela compensação alegada, mormente se na DCTF a estimativa em questão (julho/2002) foi integralmente vinculada a compensação com saldo negativo de 31/12/2001. Mas, no caso, apresenta a contribuinte apenas planilha de fls. 83/85, não se encontrando sua manifestação instruída com elementos da contabilidade. Importante lembrar que, nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao requerente do indébito, quanto ao fato constitutivo do seu direito (art. 333 do Código de Processo Civil). A compensação, por ser forma de extinção do crédito tributário, consoante art. 156, inciso II, do CTN, exige a certeza e a liquidez dos créditos a compensar, bem como prova efetiva de sua realização, o que só reforça o ônus da contribuinte de provar os fatos extintivos do direito do Fisco. (...) Nesse contexto, ausentes provas documentais (registros contábeis) de que a compensação de estimativa de julho/2002 teria sido efetivada com outros créditos que não com saldo negativo de CSLL de 2001, como, inclusive, informado na DCTF (pesquisa de fls. 98/100), não há como acatar a pretensão de que seja restaurada a parcela de estimativas no valor de R$ 178.027,79 nem de que seja reconhecido crédito nesse montante, além daquele já admitido no Despacho Decisório. No tocante à objeção de utilização do saldo negativo de CSLL de 2001 para compensar estimativa de fevereiro/2000, observese, de início, que, como admite a interessada, tal utilização foi objeto do processo 10805.000522/200784, de modo que é nele que deveria apresentar suas razões e aduzido todos os seus argumentos acerca da amortização da estimativa de fevereiro/2000, inclusive os questionamentos acerca da compensação de ofício. De todo modo, ainda que assim não fosse, verificase que ao aqui oporse à utilização de crédito do anocalendário de 2001 para amortizar estimativa de fevereiro/2000, não comprova a interessada que teria quitado referida estimativa com crédito líquido e certo (pagamento ou compensação com crédito líquido e certo, não prescrito). Em DCTF foi declarada estimativa de fevereiro/2000 com vinculação a compensação com saldo negativo de período não identificado, conforme pesquisa de fls. 101/102. Acerca da menção ao processo judicial nº 2007.61.0315171, de acordo com pesquisas ao sistema de acompanhamento processual da Justiça Federal juntadas às fls. 90/97, verificase que se trata de Ação Ordinária com pedido de antecipação de tutela objetivando a suspensão da exigibilidade dos débitos relativos a IRRF e CSLL consubstanciados nos processos administrativos 10805.000522/200784 e 10805.000701/200711. Referidas pesquisas indicam ter sido indeferida a antecipação dos efeitos da tutela por decisão disponibilizada no Diário Eletrônico em 13/02/2008 e que suscitou interposição de Agravo de Instrumento julgado prejudicado no âmbito do TRF da 3ª Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720475/200799 Acórdão n.º 140200.426 S1C4T2 Fl. 0 8 Região por decisão publicada em 30/03/2010, em decorrência da sentença de primeiro grau publicada em 04/03/2010 que, por sua vez, julgou improcedente o pedido. Depreendese ter a interessada apresentado Embargos tendo em vista que os autos encontramse aguardando retorno da MM. Juiza prolatora da r. sentença embargada. Neste contexto, vêse que na esfera judicial não vem a interessada obtendo êxito no tocante a seus argumentos relacionados ao processo 10805.000522/200784 em que compensada estimativa de fevereiro/2000 com crédito do anocalendário de 2001, de modo que a propositura da referida ação judicial em nada ampara a contribuinte em sua pretensão de liberar o crédito de CSLL do anocalendário de 2001 (utilizado em parte na compensação com estimativa de fev/2000) para utilização no presente processo. Por outro lado, tendo optado por discutir a matéria na esfera judicial, inviável a pretensão de ver apreciada a mesma questão (amortização da estimativa de fevereiro/2000) no âmbito administrativo, em vista do princípio da unidade de jurisdição e da supremacia hierárquica do Poder Judiciário, a teor do próprio texto constitucional. A via judicial é uma opção adotada pelos contribuintes no seu livre exercício de escolha, o que implica a renúncia de ter apreciada a questão na esfera administrativa. De todo modo, consignese que não há, administrativamente, impossibilidade de verificação de apurações anteriores (no caso, apuração de saldo negativo do ano calendário 2001), se essas repercutem em alteração no valor do saldo negativo indicado como crédito nas DCOMP em questão. De fato, o decurso do prazo decadencial impede a formalização do lançamento para constituição de crédito tributário. Mas a verificação da base de cálculo do tributo não é cabível apenas para fundamentar lançamento de ofício, pois deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. Assim, quando constatadas ocorrências que reduzem os saldos negativos de anos anteriores, cabe ao Fisco retificar o referido saldo, perquirir os efeitos de tais retificações em compensações efetuadas nos períodos subseqüentes, ajustar o saldo porventura existente e, por conseqüência, o valor do indébito tributário constante em pedido de restituição ou declaração de compensação. (...) Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido e repisa as alegações da peça impugnatória no sentido de que o saldo negativo de recolhimentos da CSLL do ano de 2001, R$ 797.962,95 – juntamente com o saldo de 2000, era suficiente par compensar as estimativas mensais de julho e agosto de 2002, conforme detalhado na seguinte transcrição: A) DA COMPENSAÇÃO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE JULHO E AGOSTO DE 2002 UTILIZAÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DE CSLL DE 2000 E 2001 Tal como mencionado na Manifestação de Inconformidade, as dd. autoridades fiscais limitaram sua análise à revisão da utilização do saldo negativo de CSLL relativo ao anocalendário de 2001, desconsiderando outros fatos essenciais à análise das compensações das estimativas mensais de julho e agosto de 2002, especialmente Fl. 8DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720475/200799 Acórdão n.º 140200.426 S1C4T2 Fl. 0 9 com relação à utilização de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000 nessa compensação. As dd. autoridades julgadoras, por sua vez, analisaram o argumento apresentado pela Recorrente, mas concluíram que os documentos apresentados não seriam suficientes para comprovar que parte da estimativa mensal de julho de 2002 teria sido compensada com saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000. A Recorrente, no entanto, não pode concordar com esse entendimento das dd. autoridades julgadoras, já que, na sistemática vigente até outubro de 2002 (como é o caso em análise) não havia formalidades necessárias para a compensação de tributos. A declaração em DCTF também consistia em mera informação da forma de liquidação do débito (que, no presente caso, foi corretamente declarada como "compensação"). Assim, a Recorrente entende que os documentos apresentados são absolutamente suficientes para comprovar a compensação em tela, de forma que passa novamente a demonstrar a exata forma pela qual as estimativas mensais de julho e agosto de 2002 foram compensadas. A Recorrente apurou, no anocalendário de 2000, saldo negativo de CSLL no valor de R$ 140.267,72, tal como se comprova através da Ficha 17 da DIPJ 2001 (Doe. 02 da Manifestação de Inconformidade). Já no anocalendário de 2001, a Recorrente apurou saldo negativo de CSLL no valor de R$ 829.674,76, tal como se comprova através da Ficha 17 da DIPJ 2002 (Doc. 03 da Manifestação de Inconformidade), posteriormente reduzido para R$ 797.926,95. Visando a aproveitar esses créditos, a Recorrente realizou a sua compensação com débitos de estimativas mensais de CSLL relativas aos períodos de julho, agosto, setembro e outubro de 2002, como evidenciado nas planilhas de controle anexas (Doe. 04 da Manifestação de Inconformidade), as quais foram baseadas em seus lançamentos contábeis. Em tais planilhas é possível observarse a compensação (i) dosaldo negativo de 2000 com parte da estimativa mensal de julho de 2002 (no valor de R$ 178.027,79); e (ii) do saldo negativo de 2001 com a parte remanescente da estimativa mensal de julho de 2002 (no valor de R$ 63.311,62) e com os valores totais das estimativas mensais de agosto, setembro e outubro de 2002. A análise desses documentos permite identificar claramente que os saldos negativos de CSLL relativos aos anoscalendário de 2000 e 2001 foram integralmente utilizados na compensação de débitos de estimativas mensais de CSLL, tendo sido regularmente atualizados mediante a aplicação mensal de juros calculados de acordo com a taxa SELIC. Na comprovação acima ressalta o fato de que a estimativa mensal de julho de 2002 foi parcialmente compensada com saldo negativo de CSLL de 2000 e não integralmente com o saldo negativo de 2001, tal como incorretamente consignado no despacho ora atacado. Dessa forma, mesmo na eventualidade de prevalecer o entendimento das autoridades fiscais de que o saldo negativo de 2001 não seria suficiente para compensar as estimativas de julho e agosto de 2002, vêse, desde logo, que tal entendimento não pode afetar a parcela da estimativa de julho de 2002 que foi compensada com saldo negativo de 2000, a qual, por conseqüência, deve necessariamente ser considerada no cálculo do saldo negativo para o mesmo ano de 2002. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720475/200799 Acórdão n.º 140200.426 S1C4T2 Fl. 0 10 Nesse sentido, considerando que a parcela da estimativa mensal de julho de 2002 que foi compensada com saldo negativo de CSLL de 2000 corresponde a R$ 178.027,79, somente poderiam, em tese, ser desconsiderados por insuficiência do saldo negativo de CSLL de 2001 o valor resultante da diferença entre essa estimativa e o valor indevidamente apurado pelas autoridades fiscais (R$ 352.615,54), ou seja, R$ 174.587,75. Em vista desse fato, a Recorrente requer, desde logo, seja restaurada a parcela de estimativas mensais no valor de R$ 178.027,79, reconhecendose o respectivo direito creditório, bem como se homologando as compensações efetuadas até o limite desse crédito. B) DA INDEVIDA COMPENSAÇÃO DO SALDO NEGATIVO DE 2001 COM ESTIMATIVA MENSAL DE FEVEREIRO DE 2000 As dd. autoridades fiscais alegam, ainda, que o saldo negativo de 2001 remanescente deveria ser utilizado na compensação de ofício da estimativa mensal de fevereiro de 2000, apurada nos autos do processo administrativo n.° 10805.000522/200784. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente demonstrou sua discordância com essa compensação de ofício, na medida em que o débito de estimativa mensal de fevereiro de 2000 (juntamente com todos os outros débitos apurados no processo administrativo n.° 10805.000522/200784) ainda é objeto de discussão na Ação Anulatória n.° 2007.61.000315171. Ainda, com o intuito meramente informativo, a Recorrente resumiu em sua Manifestação de Inconformidade, as razões de fato e de direito utilizadas na referida Ação Anulatória para fundamentar o pleito de cancelamento dos créditos tributários relacionados ao processo administrativo n.° 10805.000522/200784. Note, no entanto, que o intuito da Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade era somente demonstrar que o débito de estimativa mensal de fevereiro de 2000 é objeto de discussão na esfera judicial, razão pela qual não se trata de débito exigível passível de compensação de ofício. Não obstante, as dd. autoridades julgadoras acabaram analisando essa argumentação sob enfoque absolutamente distinto, manifestandose sobre a própria exigência da estimativa mensal de CSLL de fevereiro de 2000 e concluindo que a Recorrente não terá direito de discutir a exigência desse débito na esfera administrativa e judicial. Essa conclusão das dd. autoridades julgadoras, no entanto, está equivocada, na medida em que o objeto da Ação Anulatória 2007.61.0315171 é totalmente distinto do objeto do presente processo administrativo. De fato, na ação judicial, discutese a própria legalidade da constituição desse crédito tributário; enquanto no presente processo, discutese a possibilidade de sua compensação de oficio. Nesse contexto, a Recorrente reafirma que a compensação de ofício (prevista na Instrução Normativa n.° 600/2006, vigente à época da prolação do Despacho Decisório) somente é possível (i) quando se trata de débitos exigíveis; e (ii) mediante notificação específica enviada ao contribuinte para que este se manifeste sobre tal medida no prazo de 15 dias (art. 34, § 2o). No presente caso, nenhuma das condições acima foi observada, na medida em que o débito de estimativa mensal de fevereiro de 2000 ainda é objeto de controvérsia na esfera judicial e que a Recorrente não foi notificada sobre a compensação de ofício pretendida pelas autoridades fiscais, tendo somente tomado conhecimento dessa pretensão no Despacho Decisório recorrido. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720475/200799 Acórdão n.º 140200.426 S1C4T2 Fl. 0 11 Dessa forma, quer em virtude da inexistência do débito relativo a estimativa mensal de CSLL de fevereiro de 2000, quer pela inobservância de requisito necessário para a validade da compensação de ofício, a Recorrente não pode concordar com a alegação da d. fiscalização no sentido de que o saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2001 teria sido parcialmente utilizado para a compensação da referida estimativa. Por essa razão, a Recorrente requer a desconsideração da compensação de ofício realizada, o que implicará o restabelecimento de saldo remanescente de créditos para a compensação das estimativas mensais de julho e agosto de 2002. C). CONCLUSÃO Em vista do exposto, concluise que: (i) Parcela da estimativa mensal de julho de 2002 foi compensada com saldo negativo de CSLL relativo ao ano calendário de 2000, de forma que o recálculo do saldo negativo de CSLL relativo ao anocalendário de 2001 não pode implicar a exclusão dessa estimativa no cálculo do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002; (ii) A compensação de ofício do saldo negativo de CSLL relativo ao anocalendário de 2001 com a estimativa mensal de fevereiro de 2000 não pode ser admitida, tendo em vista a decadência do direito do fisco de constituir o crédito tributário relativo a essa estimativa. Após esses ajustes, ficará evidente que o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001 é suficiente para compensar as estimativas mensais de julho e agosto de 2002 e que, portanto, o saldo negativo de CSLL apurado para o ano de 2002 estaria intacto no valor de R$ 1.174.356,37, suficiente, por sua vez, para realizar as compensações pleiteadas no presente processo administrativo. É o relatório. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720475/200799 Acórdão n.º 140200.426 S1C4T2 Fl. 0 12 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado o remanesce em litígio direito creditório relativo ao saldo negativo de recolhimentos CSLL do anocalendário de 2002, que segundo o contribuinte seria no valor de R$ 1.174.356,37, e a autoridade tributária reconheceu em parte (R$ 821.740,83. A glosa das estimativas na parcela de R$ 352.615,54 (= R$ 1.876.065,64 – R$ 1.523.450,10) na formação do saldo negativo de 2002 foi justificada pelo fato de que o valor declarado de R$ 1.876.065,64 foi composto, em parte, por Estimativas de CSLL dos meses de Julho e Agosto de 2002, no valor total de R$ 352.615,54, as quais foram declaradas em DCTF (fls. 30/31) como tendo sido compensadas com Saldo Negativo de CSLL de 31.12.2001, nos termos do art. 14 da IN SRF 21, de 10 de março de 1997, mas referido saldo de 2001, reconhecido no valor de R$ 797.926,95, conforme cópia do Despacho Decisório de fls. 36/37 (Processo nº 13820.001246/200267) foi TOTALMENTE utilizado para compensar as Estimativas de CSLL dos meses de Setembro e Outubro de 2002 (Processo nº 13820.001246/200267) e a Estimativa de CSLL de Fevereiro de 2000 (Processo nº 10805.000522/200784), conforme extrato do sistema SIEFProcessos de fls. 38/39. De início, devo reafirmar meu entendimento, já manifestado em outros julgamentos neste colegiado, no sentido de que o direito a compensação é do saldo negativo de recolhimentos acumulado no final de cada anocalendário. No saldo do anocalendário de 2001, que seria no valor original de R$ 829.674,76, posteriormente reduzido de oficio para 797.926,95, evidentemente deve estar incluído o saldo negativo de recolhimentos de 2000, que seria de R$ 140.267,72 (valor original). Assim, da mesma forma que o contribuinte pode pleitear a restituição de saldos nos quais estão incluídos valores gerados há 10 dez ou 15 anos, a Fazenda Pública pode fiscalizar a formação desses saldos. Não se trata, evidentemente, de auditoria do lucro liquido ou lucro real apurado pelo contribuinte, cujo prazo continua sendo contado na forma do art. 150 c/c 173 do CTN, e sim da efetividade dos recolhimentos, das retenções de IRFonte, compensações de prejuízos, transposição de saldos de um período para outro, compensações (inclusive com outros tributos), enfim a própria formação do saldo. O art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 preceitua que a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes... Ou seja: o direito creditório pleiteado pelo contribuinte deve ser declarado líquido e certo pela autoridade administrativa e, para tanto, ela pode e deve investigar a origem do alegado crédito, qualquer que seja o tempo decorrido, e cabe ao contribuinte manter em boa ordem a documentação pertinente, enquanto não prescritas eventuais ações relativas ao crédito em questão. Situação que se verifica no presente caso. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720475/200799 Acórdão n.º 140200.426 S1C4T2 Fl. 0 13 Portanto, desde já devem ser afastadas quaisquer alegações do decurso de prazo, seja para o contribuinte pleitear a restituição do saldo negativo de recolhimentos, seja para a Fazenda Pública verificar a correção do valores pleiteados. A recorrente insiste na alegação de que ao menos a compensação do valor de R$ 140.267,72 (original), cujo valor corrigido até a compensação em julho/2002 seria de 178.027,69, deve ser homologada. Todavia, tal qual asseverado na decisão de 1a. instância, além da planilha de fl. 83, nada mais foi trazido aos autos para fazer prova de que a contribuinte mantinha controle individualizado desses saldos e que não estaria incluído no saldo de 2001, cujo montante foi utilizado para compensação de oficio ainda a ser tratada neste voto. Entendo que cabe razão à contribuinte quando alega que, à época, a falta de declaração em DCTF ou sua insuficiência, não poderia ensejar o indeferimento. Até porque, há sempre a possibilidade de erro no preenchimento da declaração. Ocorre que esse não foi o fundamento da DRJ, e sim a falta de apresentação dos elementos contábeis da empresa, que embasariam essa compensação. Isso está claro na fundamentação transcrita no relatório. Uma vez que o recurso também não foi instruído com a prova da alegação, há que ser mantida as decisões recorridas nessa parte. Quanto a outra parcela do litígio, relativa a uma parte do saldo negativo de recolhimentos de 2001, que foi utilizado de oficio para compensação de valor devido no ano de 2000, isso em 2007, mediante processo 10805.000522/200784. A contribuinte aduz, apenas no recurso voluntário, que não teria sido cientificada da compensação de oficio e que o citado processo versaria apenas da retificação da estimativa devida em fev/2000. Compulsando os autos verificase pelo extrato de fl. 38 que o citado versou também da compensação de oficio. Também, não há que falar em descumprimento da IN 600/2006, à medida que estamos tratando de saldo negativo “acumulado” de recolhimentos de CSLL. A meu ver, o procedimento fiscal foi absolutamente correto, à luz do art. 142 do CTN, no que tange a reconstituição do saldo em 31/12/2001, à medida que apurou valor devido em fev/2000. Contudo,e em face da conexão deste processo com a matéria discutida no de No. 10805.000522/200784, objeto de ação judicial, caberá a Unidade de origem verificar o andamento da aludida ação, antes de prosseguir na cobrança das exigências. Isso porque uma vzeConstatado que as DCOMP deixou de ser homologada, ainda que parcialmente, em face de o direito creditório apontado pelo contribuinte ter sido utilizado pela própria administração tributária para compensação de oficio, realizada em momento posterior à essa DCOMP, e que a contribuinte está questionando judicialmente a utilização desses créditos pode entender indevida, há que se aplicar o disposto no art. 63 da Lei 9.430/1996, por analogia, para suspender a exigibilidade da respectiva parcela do débito objeto da aludida DCOMP, até a decisão definitiva do processo judicial. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720475/200799 Acórdão n.º 140200.426 S1C4T2 Fl. 0 14 Conclusão: Diante do exposto, voto no sentido de 1) não reconhecer o direito creditório do valor de R$ 140.267,72; 2) determinar a suspensão da exigibilidade e, por conseguinte, da cobrança do valor remanescente até o trânsito em julgado da ação judicial que questiona a compensação de ofício de que trata o processo 10805.000522/200784. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 14DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10768.900227/2006-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 e 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE.
Os casos de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal estão adstritos as hipóteses de incompetência da autoridade administrativa ou cerceamento do direito de defesa.
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
O art. 170 do CTN exige, para que seja possível a compensação, que o crédito do sujeito passivo contra o Fisco seja líquido e certo.
Para reconhecimento do direito creditório e homologação das compensações, o órgão local não deve se limitar à determinação do valor do saldo negativo do IRPJ, cumprindo também a verificação se aquele indébito já não foi restituído ou utilizado em outras compensações, de forma a ser reconhecido apenas o direito creditório em relação ao saldo disponível remanescente.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO
Não reconhecido o direito creditório em favor da contribuinte, impõe-se, por decorrência, a não homologação das compensações pleiteadas.
Numero da decisão: 1301-000.559
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - restituição e compensação
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 e 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. Os casos de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal estão adstritos as hipóteses de incompetência da autoridade administrativa ou cerceamento do direito de defesa. PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. O art. 170 do CTN exige, para que seja possível a compensação, que o crédito do sujeito passivo contra o Fisco seja líquido e certo. Para reconhecimento do direito creditório e homologação das compensações, o órgão local não deve se limitar à determinação do valor do saldo negativo do IRPJ, cumprindo também a verificação se aquele indébito já não foi restituído ou utilizado em outras compensações, de forma a ser reconhecido apenas o direito creditório em relação ao saldo disponível remanescente. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO Não reconhecido o direito creditório em favor da contribuinte, impõe-se, por decorrência, a não homologação das compensações pleiteadas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10768.900227/2006-32
anomes_publicacao_s : 201105
conteudo_id_s : 5076928
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.559
nome_arquivo_s : 130100559_10768900227200632_201005.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Paulo Jakson da Silva Lucas
nome_arquivo_pdf_s : 10768900227200632_5076928.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
dt_sessao_tdt : Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
id : 4741659
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:40:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041974677504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2028; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.900227/200632 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301000.559 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de maio de 2011 Matéria IRPJ/COMPENSAÇÃO Recorrente BANCO UBS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001 e 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. Os casos de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal estão adstritos as hipóteses de incompetência da autoridade administrativa ou cerceamento do direito de defesa. PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. O art. 170 do CTN exige, para que seja possível a compensação, que o crédito do sujeito passivo contra o Fisco seja líquido e certo. Para reconhecimento do direito creditório e homologação das compensações, o órgão local não deve se limitar à determinação do valor do saldo negativo do IRPJ, cumprindo também a verificação se aquele indébito já não foi restituído ou utilizado em outras compensações, de forma a ser reconhecido apenas o direito creditório em relação ao saldo disponível remanescente. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO Não reconhecido o direito creditório em favor da contribuinte, impõese, por decorrência, a não homologação das compensações pleiteadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10768.900227/200632 Acórdão n.º 1301000.559 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente processo de Declarações de Compensação — DCOMP, por meio das quais o contribuinte pretende utilizar Saldo Negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado no anocalendário de 2002, no montante de R$ 1.150.423,40, para compensar estimativas de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, referentes ao anocalendário de 2003. A Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT/) da Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro deferiu o pleito parcialmente, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 632.931,87, conforme despacho decisório de fls. 325 a 332. Cientificado da decisão em 25/09/2008 (fl. 353), o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade em 24/10/2008 (fls. 361 a 378), argumentando, em primeiro lugar, que o Fisco não pode cobrar crédito decorrente de compensações realizadas em 1998, 1999, 2000 e 2001, em função da prescrição. Com outras palavras, todas as compensações realizadas em 1998, 1999, 2000 e 2001 foram homologadas tacitamente. Portanto, foi extinto o direito do Fisco exigir os tributos compensados. Aduz mais, o saldo negativo apurado ao final do anocalendário de 2002 não pode mais ser discutido, ou seja, deve ser considerado por si só, já que todos os créditos de períodos anteriores utilizados em sua composição foram tacitamente homologados. Cita jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que diz que o prazo para cobrança de débitos declarados em DCTF é de cinco anos contados a partir da entrega da citada declaração, e requer, com fundamento no artigo 1° do Decreto n° 2.346/1997, que o seu entendimento seja observado no julgamento do presente caso. Por outro lado, diz que o saldo negativo apurado pelo contribuinte é declarado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e, já se passaram mais de cinco anos da entrega das DIPJ referentes aos anoscalendário de 1997 a 2002. Portanto, não pode o Fisco discordar dos valores apurados. Alega, em seguida, a decadência do direito do Fisco proceder à cobrança de débitos referentes aos anoscalendário de 1997 a 2001, com base no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional (CTN). Afirma que nunca utilizou os saldos negativos apurados nos anoscalendário de 1997 e de 1998. Desta maneira, informa que não trata de tais valores na sua manifestação de inconformidade. Em relação ao anocalendário de 1999, aduz o contribuinte que o saldo negativo de IRPJ utilizado para compensar parte da estimativa referente ao mês de março de 1999, no valor de R$ 280.593,76, é oriundo do anocalendário de 1995 e, está devidamente escriturado no Livro Razão. Portanto, não há que se falar em diminuição do saldo negativo. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Assevera que no anocalendário de 2000 não apurou IRPJ a pagar, motivo pelo qual as considerações efetuadas pela autoridade administrativa não acarretam efeitos ao crédito pleiteado. Em relação ao anocalendário de 2001 e 2002, ratifica os valores declarados na DIPJ, apresentando os DARF, a DIPJ 2002 e o Livro Razão como elementos comprobatórios do saldo negativo alegado. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/RJO I), através do acórdão 1222.971, em 18/02/2009, decidiu a matéria, indeferindo a solicitação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 SALDO NEGATIVO. ANOSCALENDÁRIO DE 1997 E DE 1998. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DELIMITAÇÃO DA LIDE. A matéria ausente da manifestação de inconformidade situase fora dos limites da lide, descabendo a sua apreciação pelo órgão julgador e, portanto, consolidase administrativamente. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE PEDIR. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INOVAÇÃO. A alteração da fundamentação que embasou o pedido de restituição, apresentada na fase litigiosa, encerra verdadeira inovação, caracterizando nova solicitação da contribuinte, não passível de apreciação originária pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. O art. 170 do CTN exige, para que seja possível a compensação, que o crédito do sujeito passivo contra o Fisco seja líquido e certo. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10768.900227/200632 Acórdão n.º 1301000.559 S1C3T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Repete as argumentações da manifestação de inconformidade, acrescentando, no caso, a questão da nulidade da decisão “a quo”, invocando que a autoridade julgadora deixou de apreciar documentos acostados, incorrendo em nítida preterição do direito de defesa, nos termos do artigo 59, do Decreto n.° 70.235/72. NULIDADE Em que pese a insatisfação da recorrente nas razões complementares oferecidas, onde afirma que a documentação acostada na impugnação não fora apreciada, não é isto que se deflue dos autos. Todos os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade foram respondidos e nenhum prejuízo ocorreu na solução do litígio, prova disso são os alentados argumentos oferecidos em sede de recurso, em contraponto ao relatado no voto combatido, do qual transcrevo os trechos a seguir: “Por sua vez, alega o contribuinte que o saldo negativo de IRPJ utilizado para compensar parte da estimativa referente ao mês de março de 1999, no valor de R$ 280.593,76, é oriundo do anocalendário de 1995, conquanto não tenha disponibilizado nenhum elemento de prova do crédito aduzido, fato que impede, por si só, o seu reconhecimento. Inferese da DCTF vinculada ao trimestre do anocalendário de 1999, que o contribuinte pretendeu utilizar efetivamente suposto saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 1998, tendo a autoridade fiscal considerado tal informação para elaborar seu despacho decisório. Decerto, o contribuinte almeja agora inovar o pedido, passando a citar eventual saldo negativo oriundo do anocalendário de 1995 (fl. 61). Acontece que tendo levado ao conhecimento da Administração, somente com a apresentação da presente manifestação de inconformidade, a existência de saldo negativo de IRPJ oriundo do anocalendário de 1995, o contribuinte acaba por inovar o pedido uma vez que altera a causa de pedir ao alterar o fato que lhe daria direito ao bem da vida pleiteado, ou seja, à restituição cumulada com compensação de tributos. Tal fato restringiu a atividade cognitiva da autoridade a quo, inclusive no que tange à comprovação da ocorrência do fato alegado, que realizou todos os procedimentos com base na afirmação anterior do contribuinte. Não havia nos autos qualquer indício da existência de saldo negativo de IRPJ oriundo do anocalendário de 1995. Todos os elementos necessários para a autoridade a quo firmar sua convicção se encontravam presentes na DCTF, instrumento hábil à época para a efetivação da compensação pretendida, não havendo necessidade de se diligenciar com vistas ao esclarecimento dos fatos relatados tendose em vista a causa de pedir exposta. Por sua vez, o interessado, alegando ter se equivocado, veio afirmar que o fato narrado que ampara seu direito é outro. E isso somente após a prolação do Despacho Decisório em comento. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Em breve resumo, resta claro, a meu ver, que o contribuinte tenta, em sede de Manifestação de Inconformidade, logo depois do pronunciamento da autoridade originalmente competente, alterar o pleito inicial mediante alteração da narrativa dos fatos, ou seja, mediante alteração da causa petendi. Tal procedimento temerário não deve ser admitido, logo, não se deve apreciar fato novo do qual a autoridade a quo não teve conhecimento. Ademais, observase que o contribuinte não acostou aos autos qualquer prova do IRRF declarado na DIPJ 2000. Com efeito, apenas faz referência ao valor glosado pela Diort, apurado por meio de consultas aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), sem apresentar os comprovantes de rendimentos do período ou outros documentos.” Não há no procedimento nenhuma das máculas admitidas no Processo Administrativo Fiscal como causas de nulidade, determinadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972. Portanto, afasto a preliminar de nulidade suscitada. SALDO NEGATIVO DE IRPJ De se ressaltar, que a presente lide limitase à analise do Saldo Negativo do IRPJ apurado nos anoscalendário de 1999 a 2002. No caso, o contribuinte deve comprovar a certeza e a liquidez do seu crédito, para que seja procedida à compensação pleiteada, conforme prevê o artigo 170 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". No presente processo, verificase que o contribuinte requer a utilização de saldo negativo de IRPJ, relativos aos anoscalendário de 1999, 2000, 2001 e 2002, para compensar débitos de IRPJ. A Diort reconheceu parcialmente o direito creditório, tendo indeferido parte do crédito pleiteado. Para o ano calendário de 1999 a recorrente alega que o Saldo Negativo de IRPJ apurado no total de R$ 676.274,94, foi assim constituído: (I) com SN/IRPJ de 1995 no valor de R$ 280.593,76; (II) IRRF referente março de 1999, no valor de R$ 100.370,32 e (III) IRRF não utilizado no valor de R$ 295.310,86. Pois bem, com relação ao valor de R$ 280.593,76 conforme já analisado no item acima “NULIDADE”, deixa claro a fiscalização que não há documento probante que possa infirmar o IRRF declarado na DIPJ (somente os lançamento no Razão). Já com relação as parcelas (II) e (III) referentes IRRF, em sede de recurso voluntário, nada foi alegado com vistas a assertiva das glosas pela autoridade fiscal, que em trabalho de busca e confrontação dos valores, restou localizado somente (II) o valor de R$ 45.422,24 (ao invés dos R$ 100.370,32 utilizados) e, (III) o valor de R$ 51.557,88 (ao invés dos R$ 295.310,86 utilizados). No que tange ao anocalendário de 2000, não há na peça recursal ora em análise qualquer referencia, mesmo porque não se apurou saldo negativo de IRPJ, conforme, Fl. 726DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10768.900227/200632 Acórdão n.º 1301000.559 S1C3T1 Fl. 4 7 inclusive, assevera a recorrente. Ademais, considerando que os saldos negativos apurados no anocalendário de 1998 e no anocalendário de 1999 foram utilizados para extinguir crédito tributário relacionado com as estimativas devidas no anocalendário de 2000, não há crédito passível de compensação com débitos de períodos posteriores, ou seja, a compensação pleiteada pelo contribuinte apenas poderá ser deferida se houver saldo negativo nos anos calendário de 2001 e 2002. Prosseguindo, no ano calendário de 2001, consta do relatório e voto combatido que não restaram comprovadas a certeza e a liquidez do crédito pleiteado. Foi considerado na composição do saldo negativo apenas o IRRF e os pagamentos feitos por intermédio de DARF. Como visto no item anterior inexiste saldo negativo de anocalendário anterior passível de compensação. A recorrente contesta (item 63 do RV): “Relativamente ao saldo negativo apurado no anocalendário 2001, a D. Autoridade Fiscal entendeu que a Recorrente teria recolhido o imposto de renda no valor de R$ 494.346,03 e não no montante de R$ 893.303,98, conforme declarado.” Neste ponto, cumpre esclarecer, que a diferença apontada no valor de R$ 398.957,95 (R$ 893.303,98 menos R$ 494.346,03), diz respeito justamente as parcelas de Saldo Negativo de IRPJ do ano calendário de 1999, compensadas nos meses de março e abril de 2001 (respectivamente R$ 250.586,80 e R$ 148.371,15, e que totaliza R$ 398.957,95) e, não relativo a diferença de recolhimentos. Por derradeiro, em relação ao anocalendário de 2002, igualmente informa a autoridade fiscal que não restaram devidamente comprovadas a certeza e a liquidez do crédito pleiteado. A divergência cingese na falta de comprovação do IRRF declarado no valor de R$ 226.116,71 e somente confirmado pela autoridade fiscal o valor de R$ 129.786,32; digase de passagem, valor este que coincide com os valores informados pelas fontes pagadoras à Secretaria da Receita Federal do Brasil. De se ressaltar, que a recorrente não acostou aos autos provas do IRRF que declarou na DIPJ, como, por exemplo, os informes de rendimentos entregues pelas fontes pagadoras. Restando, neste tópico, a confirmação do saldo negativo do anocalendário de 2001, o valor atualizado de R$ 133.096,38, pelas razões expostas no item anterior, ao invés do valor utilizado na composição do saldo negativo do AC/2002, no total de R$ 554.257,52. Tais diferenças transforma o saldo negativo de IRPJ apurado, pela recorrente, para o ano calendário de 2002, do valor total de R$ 1.150.423,40 para a importância de R$ 632.931,87, valor este que restou reconhecido pela autoridade fiscal. Assim sendo, neste tópico, mantenho a decisão atacada. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA Como relatado, aduz o contribuinte a decadência do direito do Fisco proceder à cobrança de débitos referentes aos anoscalendário de 1997 a 2001, com base no artigo 150, § 4o., do Código Tributário Nacional (CTN). A decisão recorrida enfrentou a questão da decadência e prescrição adequadamente. Inicialmente, observase a improcedência das assertivas da recorrente de que: “ocorreu no presente caso a decadência do direito do Fisco em exigir, ainda que de forma Fl. 727DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 indireta (através da recomposição do saldo negativo a partir de 1997), os débitos de imposto compensados. Ora, a compensação é modalidade de extinção do crédito tributário, conforme artigo 156, inciso II, do Código Tributário Nacional, sendo considerado como "pagamento antecipado do tributo". Neste. passo, tendo em vista que o IRPJ é tributo sujeito ao : lançamento por homologação, para que se torne exigível, fazse necessário que a autoridade administrativa promova o seu lançamento, no prazo de 05 (cinco anos) contados da ocorrência do fato gerador, conforme se observa com as disposições do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Ou seja, tendo em vista que a declaração em DCTF das compensações efetuadas com tais créditos constitui lançamento, a ausência de manifestação do Fisco sobre as mesmas incorre na homologação tácita dos débitos declarados e, uma vez, homologadas, não há que se falar na redução dos saldos negativos que compuseram o saldo negativo de IRPJ apurado no anobase 2002.” Aduz mais, “Como já relatado, cuida o presente procedimento de compensações realizadas pela Recorrente de débitos de IRPJ dos meses de junho a dezembro de 2003 com crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002, no valor de R$ 1.051.423,20 (sic). Ocorre, todavia, que a D. Autoridade Fiscal somente deferiu parte do direito creditório pleiteado, por entender que o crédito apurado no anocalendário 2002 era formado por créditos apurados nos anos , de 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001, os quais considerou inferiores aos valores declarados às respectivas épocas. Neste passo, resta patente a impossibilidade do Fisco, no presente momento, desconsiderar o crédito decorrente de compensações realizadas em 1998, 1999, 2000 e 2001, sob a alegação de que seriam insuficientes para compor o crédito apurado pela Recorrente em 2002, eis que os mesmos estão prescritos.” Cita em prol de sua argumentação jurisprudência deste Conselho e do Superior Tribunal de Justiça. Nenhuma dessas assertivas guardam correspondência com a realidade fática estampada nos autos, pois conforme demonstrado foi a contribuinte quem declarou em DCTF os débitos questionados e efetuou as respectivas compensações com créditos a seu favor, remanescentes dos anoscalendário de 1998, 1999, 2000 e 2001. Assim, ao analisar os pedidos de compensações protocolizados pela contribuinte, a autoridade administrativa, bem como a autoridade julgadora, nos seus demonstrativos incorporados e os anexados à decisão recorrida, nada mais fizeram do que computar os valores declarados e compensados pela contribuinte. Neste particular, à vista da minudente análise efetuada pela autoridade julgadora a quo, transcrevo excerto da decisão recorrida em que apreciada a questão, cujos fundamentos adoto e incorporo neste voto, a saber: “Fazse mister frisar que não se pretende efetuar a cobrança de débitos referentes aos anoscalendário de 1997 a 2002. Portanto, não há que se falar em decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento de oficio para fins de constituição de crédito tributário. Por Outro lado, no que tange aos débitos referentes ao anocalendário de 2003, objetos de cobrança por meio do presente processo, é importante dizer que a DCOMP constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Destarte, tais débitos não carecem de lançamento de oficio feito pela autoridade fiscal para serem exigíveis. Com efeito, a autoridade fiscal, ao analisar as declarações de rendimentos, não alterou o IRPJ a Pagar apurado pelo contribuinte nos anos calendário de 1997 a 2002. Destarte, não efetuou lançamento de oficio, tendo observado os valores de IRPJ contidos nas declarações de rendimentos Para apurar o crédito da empresa Fl. 728DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10768.900227/200632 Acórdão n.º 1301000.559 S1C3T1 Fl. 5 9 no valor de R$ 632.931,87. Acontece que é dever da autoridade fiscal verificar se os pagamentos realizados pelo contribuinte são superiores aos valores devidos, para que seja possível restituir o montante pago indevidamente. E foi justamente isso que fez a autoridade administrativa ao indeferir o crédito pretendido pelo contribuinte no valor de R$ 517.491,53. Em relação à prescrição, compete afirmar que a manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação tem o poder de suspender a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional. Portanto, não há que se falar em prescrição dos débitos ora cobrados, visto que ainda não foi iniciada a contagem do prazo de 05 anos estabelecido pelo artigo 174 do Código Tributário Nacional. Por outro lado, o artigo 1° do Decreto n° 2.346/1997 não é aplicável ao caso em julgamento, pois não existe, a meu juízo, decisão do Supremo Tribunal Federal que fixe, de maneira inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional a ser uniformemente observada pela Administração Pública Federal direta e indireta, no que tange à matéria ora em julgamento. Outrossim, as decisões apresentadas pelo contribuinte na sua peça de manifestação de inconformidade foram exaradas pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) e estão sendo devidamente observadas nesse voto.” Na esteira destas considerações, oriento meu voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Fl. 729DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13123.000115/2007-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA NÃO
INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Os servidores concursados ocupantes de cargo em regime estatutário não
pertencem ao Regime Geral de Previdência RGPS.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2401-001.770
Decisão: Acordam os membros do colegiado, or unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201104
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Os servidores concursados ocupantes de cargo em regime estatutário não pertencem ao Regime Geral de Previdência RGPS. Recurso de Ofício Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13123.000115/2007-34
anomes_publicacao_s : 201104
conteudo_id_s : 4677693
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-001.770
nome_arquivo_s : 2401001770_13123000115200734_201104.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 13123000115200734_4677693.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, or unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
id : 4740173
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:39:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044041986211840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1395; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 261 1 260 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13123.000115/200734 Recurso nº 000.000 De Ofício Acórdão nº 240101.770 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2011 Matéria REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FUNDACAO EDUCACIONAL DE GURUPI ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Os servidores concursados ocupantes de cargo em regime estatutário não pertencem ao Regime Geral de Previdência RGPS. Recurso de Ofício Negado Acordam os membros do colegiado, or unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 263DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito— NFLD, lavrada contra a Fundação Educacional de Gurupi referentes às competências 08/2001 a 12/2006, tendo por objeto as diferenças de contribuições devidas à seguridade social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, correspondentes às descontadas dos empregados, á parte patronal e às contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — GILRAT e às devidas a terceiros. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 60 a 63 o levantamento foi efetuado uma vez que em 18 de dezembro de 2003, foi editada a Lei 1.566, que altera a personalidade jurídica da Fundação Educacional de Gurupi, para Fundação Pública com personalidade jurídica de direito privado e a Fundação recolheu a contribuição previdenciária desses segurados para o Regime Próprio do Município de Gurupi IPASGU, porém, a própria Fundação alterou seu estatuto para fundação publica de direito privado e sendo de direito privado tem de recolher para o regime Geral de Previdência Social — RGPS. Após a impugnação os autos foram baixados em diligência pelo Contencioso Administrativo Fiscal de onde resultou a informação fiscal de fis. 245, na qual informa que a Fundação Educacional de Gurupi tornase pessoa jurídica de direito privado porque cobra mensalidade pelos cursos que ministra, contrariando o art. 206, inciso IV, da CF. Através do Acórdão 0324.436 (fls. 248 a 2 a 6 Turma da DRJ/BSA julgou o lançamento improcedente entendendo que a alegação de que a Fundação Educacional de Gurupi tornase pessoa jurídica de direito privado porque cobra mensalidade pelos cursos que ministra, contrariando o art. 206, inciso IV, da CF, impende observar que tal fato não poderia, de pronto, ensejar a descaracterização do regime estatutário instituído para os servidores efetivos contratados através de concurso público para referida Fundação, já que só caberia ao Órgão Administrativo atuar, no caso, se houvesse uma declaração de inconstitucionalidade pelo Poder Judiciário competente validando tal argumentação, e nos termos da sentença exarada. A decisão de primeira instância entendeu que a simples alteração feita pela Lei Municipal n ° 1.566/2003, não teve o condão de alterar o regime jurídico das relações de trabalho estabelecido pelas Leis municipais di 1.298/99, 1299/99 e 1644/2005. Salientese, por oportuno, que referida Lei n 1.566/2003 não traz em seu bojo qualquer alusão ao regime jurídico desses servidores. Conclui ainda que o fato, em si, de a Fundação cobrar mensalidade pelos cursos que ministra, não descaracteriza os fins não lucrativos da fundação, muito menos poderia descaracterizar o regime estatutário dos servidores, sendo aliás, no caso, um permissivo constitucional. Em face da decisão da DRJ de Brasília os autos subiram à este conselho através de Recurso de Ofício, não tendo havido a apresentação de Recurso Voluntário por parte da notificada, embora devidamente cientificada. É o relatório. Fl. 264DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13123.000115/200734 Acórdão n.º 240101.770 S2C4T1 Fl. 262 3 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Tratase de Recurso de Ofício apresentado pela DRJ Brasília, nos termos do art. 366, I e § 2°, do RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99 e Portaria MPS n° 147, de 25 de junho de 2007, por ter sido julgado improcedente o lançamento. Entendo que a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo, senão vejamos: A presente notificação foi lavrada pois, sob o entendimento do Auditor Fiscal, a cobrança de mensalidade por parte da recorrente, descaracterizaria os fins não lucrativos da Fundação, o que alteraria o regime estatutário dos servidores. O Regime Próprio de Previdência Social, após a EC nº 20/98, ficou submetido às regras gerais especificadas na Lei n° 9.717/98, que estabeleceu requisitos específicos para tais regimes, quais sejam: A instituição deve se dar por lei do respectivo ente da Federação, podendo ser inclusive por Constituição Estadual ou Lei Orgânica municipal ou distrital. Instituído regime próprio de previdência social, as contribuições para o regime geral de previdência cessarão na data em que entrar em vigor a lei instituidora do regime próprio (salvo se a lei do ente instituidor criar regras específicas de transição), vedada a estipulação de efeito retroativo a esta lei para elidir a incidência de contribuições para o Regime Geral de Previdência Social. No mesmo ente da Federação não pode existir mais de um regime próprio de previdência e mais de uma unidade gestora desse regime. Podem filiarse ao RPPS somente os servidores titulares de cargo efetivo (concursados). Não podendo integrálo o servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; o servidor ocupante de cargo temporário; o empregado público. Desta forma temos que Regime Próprio de Previdência Municipal de Gurupi TO IPASGU — está previsto no art. 26 da lei orgânica do Município, sendo regido pela Lei Municipal n° 1.370/00 com alterações, estando, inclusive, cadastrado com situação Regular no sistema da Previdência Social. A recorrente é fundação pública pertencente à administração indireta do Ente Municipal, sendo seus servidores concursados ocupantes de cargo público de regime estatutário, pertencentes ao Regime Próprio de Previdência Social do Município de GurupiTO IPASGU. Como bem explicado na decisão de primeira instância, a Fundação foi instituída por lei específica do Ente Estatal, Lei Municipal n° 611/85 e a alteração feita pela Lei Municipal n ° 1.566/2003, não teve o condão de alterar o regime jurídico das relações de trabalho estabelecido pelas Leis municipais nºs. 1.298/99, 1299/99 e 1644/2005. A referida Lei não traz em seu bojo qualquer alusão ao regime jurídico desses servidores. Fl. 265DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Logo, correta a decisão que julgou improcedente o lançamento. Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER O RECURSO DE OFÍCIO e NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a decisão recorrida. Marcelo Freitas de Souza Costa – Fl. 266DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
