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Numero do processo: 13629.001934/2007-16
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. REQUERIMENTO DE RETIFICAÇÃO DE DIRPF. APRECIAÇÃO INCABÍVEL NO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Consistindo o recurso tão somente de requerimento de retificação de DIRPF, não cabe conhecê-lo, por tratar-se de matéria estranha ao presente processo administrativo fiscal. Recurso a que se nega conhecimento.
Numero da decisão: 2802-001.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que conhecia o recurso e negava provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 21/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), German Alejandro San Martín Fernández , Lucia Reiko Sakae, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. REQUERIMENTO DE RETIFICAÇÃO DE DIRPF. APRECIAÇÃO INCABÍVEL NO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Consistindo o recurso tão somente de requerimento de retificação de DIRPF, não cabe conhecê-lo, por tratar-se de matéria estranha ao presente processo administrativo fiscal. Recurso a que se nega conhecimento.
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REQUERIMENTO DE RETIFICAÇÃO DE DIRPF. APRECIAÇÃO INCABÍVEL NO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Consistindo o recurso tão somente de requerimento de retificação de DIRPF, não cabe conhecêlo, por tratarse de matéria estranha ao presente processo administrativo fiscal. Recurso a que se nega conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que conhecia o recurso e negava provimento. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 21/12/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 19 34 /2 00 7- 16 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 01/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), German Alejandro San Martín Fernández , Lucia Reiko Sakae, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte (fl. 23), o qual apurou supostas irregularidades (fl. 24) em virtude da revisão da declaração de rendimentos – DIRPF, do exercício 2004, anocalendário 2003, por omissão de rendimentos do trabalho pagos pelo INSS. O Contribuinte foi cientificado (fl.64). Inconformado, apresentou tempestivamente a impugnação de fl. 03, juntando cópias de documentos, alegando, em breve síntese, que foi acometido no ano de 1995 de cardiopatia grave, requerendo, se necessário, realização de perícia. A fls.7172, requerimento dando notícia do falecimento do contribuinte, anexando certidão de óbito. Em julgamento, a 1ª Turma da DRJ/JFA, em sessão realizada no dia 19/11/2009, por unanimidade, julgou procedente em parte o lançamento, por meio do Acórdão n.º 0927.169, por falta de laudo médico oficial que atestasse moléstia grave com data de acometimento que remontasse ao anocalendário, cancelando, entretanto, a multa de ofício, em razão da substituição processual do contribuinte por seu espólio. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 80verso, o espólio, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 81, atacando a decisão exarada pela DRJ, embora reconhecendo a omissão dos rendimentos do trabalho que são objeto do lançamento, solicitando, contudo, que se retifique a DIRPF em razão de outros rendimentos isentos, que não são objeto de lançamento, terem sido declarados como tributáveis. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso tem como único objeto, requerimento de retificação de DIRPF. Malgrado a dolorosa situação vivenciada pela família, presente nos autos na qualidade do espólio do falecido contribuinte, não posso furtarme ao dever de afirmar que requerimentos de retificação de DIRPF constituem matéria estranha ao presente administrativo, não podendo ser objeto de deliberação nos autos. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 01/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 13629.001934/200716 Acórdão n.º 2802001.536 S2TE02 Fl. 99 3 Isto posto, não havendo outro objeto no recurso em questão, além do acima referido, nego conhecimento ao recurso, mantendose o lançamento, nos termos do acórdão da DRJ, que já cuidou de excluir a multa de ofício, que, de fato, não é devida na espécie. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 01/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10730.012359/2007-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS-ODONTOLÓGICAS. RESTABELECIMENTO.
Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontram-se elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para que seja aceita a despesa com Eliane Oliveira Falcone, no valor de R$ 4.420,00.
Assinado digitalmente.
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 11/09/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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RESTABELECIMENTO. Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontramse elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para que seja aceita a despesa com Eliane Oliveira Falcone, no valor de R$ 4.420,00. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 11/09/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 01 23 59 /2 00 7- 13 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10730.012359/200713 Acórdão n.º 2102002.195 S2C1T2 Fl. 11 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 57 a 62: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento na data de 26/11/2007 (fls. 06/08, frente e verso), referente ao exercício 2004, ano calendário 2003, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil da DRF Niterói. O crédito tributário apurado pela autoridade fiscal está assim constituído, em Reais: Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar............. 9.070,58 Multa de ofício (75%)................................................... 6.802,93 Juros de Mora (calculados até 11/2007)...................... 4.761,14 Valor do Crédito Tributário apurado............................ 20.634,65 O cálculo do Imposto apurado encontrase demonstrado às fls. 08, verso, e a descrição dos fatos às fls. 07, frente e verso, conforme resumido: Dedução Indevida com Dependentes: glosa no valor de R$ 1.272,00. Motivação: não fez prova da incapacidade física ou mental. Dedução Indevida de Despesas Médicas: glosa no valor de R$ 31.711,94. Documentos apresentados não preenchem os requisitos formais previstos no art. 80 do RIR/99. Recibos inválidos: R$ 4.420,00 (Eliane); R$ 22.800,00 (Sociedade Portuguesa de Beneficência de Niterói – não dependente); R$ 3.430,00 (Bradesco Saúde – não dependente); R$ 353,98 (Bradesco Saúde – André Tenenbaun); R$ 353,98 (Bradesco Saúde – Paula Tenenbaum); R$ 353,98 (Bradesco Saúde – Mathilde Tenenbaum). A base legal do lançamento está descrita às fls. 07, frente e verso. Após a ciência da Notificação de Lançamento em 12/12/2007 (informação Sucop às fls. 28), o contribuinte apresenta impugnação, protocolada em 28/12/2007 (fls. 01/03), acompanhada da documentação de fls. 04/25, expondo, em síntese, os motivos de fato e de direito que se seguem: Declara há vários anos a dependente BINA TENENBAUM, sua irmã nascida em 12/10/1937, portadora de esquizofrenia, conforme comprovado na declaração médica de seu psiquiatra Dr. TAYLOR REIS, em anexo; Quanto às despesas médicas em favor de ELIANE DE OLIVEIRA FALCONE, no valor total de R$ 4.420,00, todos os recibos, devidamente preenchidos dentro das formalidades legais, foram fornecidos ao auditor fiscal, não existindo qualquer dúvida quanto à regularidade dos mesmos; Quanto às despesas com o HOSPITAL SANTA CRUZ, no valor de R$ 22.800,00, as mesmas se referem a sua irmã BINA TENENBAUM, anteriormente comprovada sua dependência mental, portanto estando de acordo com a legislação vigente; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10730.012359/200713 Acórdão n.º 2102002.195 S2C1T2 Fl. 12 3 Também foram glosadas indevidamente as despesas com plano de saúde pagas a sua irmã BINA TENENBAUM no valor de R$ 3.430,00. Não concorda em hipótese alguma com as glosas anteriormente mencionadas e requer a impugnação do Auto de Infração. Por fim, esclareçase que o presente processo foi transferido da DRJ/RJII para esta DRJ conforme portaria RFB nº 1.023 de 30/03/2009, conforme despacho de fls. 56. É o relatório. Diante desses fatos, das alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento, para restabelecer a dedução com dependentes no valor de R$ 1.272,00 e despesas médicas no valor de R$ 23.750,01, mantendo se as demais glosas apuradas no lançamento e resultando no saldo de imposto suplementar a pagar de R$ 2.189,53, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTES. IRMÃOS MAIORES. REQUISITOS LEGAIS. São considerados dependentes, para fins de dedução na Declaração do Imposto de Renda, os irmãos maiores, sem arrimo dos pais, quando incapacitados física ou mentalmente para o trabalho. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA PARCIAL. Mantida a glosa parcial de despesas médicas, visto que o direito à sua dedução condicionase à comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário parcial, de fls. 66 a 70, instruída com os documentos de fls. 71 a 80, requerendo o restabelecimento da despesa médica feita com Eliane Oliveira Falcone, no valor de R$ 4.420,00, uma vez, que juntou declaração da profissional atestando a prestação dos serviços prestados e complementando a informação do endereço faltante, causa da glosa e sua manutenção pela DRJ. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10730.012359/200713 Acórdão n.º 2102002.195 S2C1T2 Fl. 13 4 ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. OBJETO DO RECURSO Trata o presente Recurso exclusivamente da glosa da despesa médica feita com Eliane Oliveira Falcone, no valor de R$ 4.420,00. DESPESAS MÉDICAS Discutese nesse processo glosas de despesas médicasodontológicas. Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). A fundamentação da glosa conforme a autuação foi, fl.07verso: DOCUMENTOS APRESENTADOS NÃO PREENCHEM OS REQUISITOS FORMAIS PREVISTOS NO ART. 8º, § 1 ° , ITENS 1, 2 e 3 DO RIR/99. RECIBOS INVALIDOS. R$ 4420,00 ELIANE Já o Acórdão da DRJ, considerou o seguinte ás, fls. 61: ELIANE OLIVEIRA FALCONE — glosa R$ 4.420,00. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10730.012359/200713 Acórdão n.º 2102002.195 S2C1T2 Fl. 14 5 Os recibos de fls. 17/20 não apresentam o endereço do prestador de serviços, exigência explicita no inciso III do parágrafo 1º do art. 80 do RIR/99, nem o nome do beneficiário do tratamento psicoterápico, exigência implícita no inciso II do mesmo parágrafo legal. Em que pese haver a informação de quem pagou pelos serviços (PRISCILA TENENBAUM, dependente do contribuinte), não há como afirmar que esta seja também a beneficiária do tratamento. Assim, mantémse a glosa do respectivo valor. Com o Recurso, foi apresentada à fl. 71, a Declaração da Sra. Eliane Oliveira Falcone, onde está atestado que: Declaro para os devidos fins, que prestei serviços profissionais de psicoterapia à Priscila Tenenbaum, no decorrer do ano de 2003, nos períodos e valores a seguir, e para os quais forneci os recibos na ocasião: 28/01/2003 R$ 510,00 31/03/2003 R$ 510,00 27/05/2003 R$ 680,00 30/06/2003 R$ 340,00 29/07/2003 R$ 850,00 26/08/2003 R$ 680,00 30/09/2003 R$ 850,00 Ratifico que o meu endereçamento profissional é situado à Rua Jardim Botânico, 674 sala 108, Jardim Botânico, CEP 22461000, Rio de Janeiro — RJ. Tel.: (21) 2540 52 Nesse sentido, com essa Declaração contendo identificação completa da Pessoa Física e identificação nominal do contribuinte, endereço, além da descrição do serviço prestado, entendo que se afastam a fundamentação da autuação e as razões do acórdão recorrido. Destarte, dentro do contexto de tudo que encontramos nos autos, avalio que a Declaração de fl. 71, apresentada com o Recurso Voluntário, supre as faltas anteriores citadas e compõe um conjunto probante suficiente para a concessão da despesa. Assim, deve ser restabelecida a respectiva despesa. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, para que seja aceita a despesa com Eliane Oliveira Falcone, no valor de R$ 4.420,00. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10730.012359/200713 Acórdão n.º 2102002.195 S2C1T2 Fl. 15 6 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 15504.000447/2009-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PAGAMENTO EM ESPÉCIE - ALIMENTAÇÃO - EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: I) por voto de qualidade, em negar provimento mantendo os Relatório de Cesta Básica e Vale Refeição. Vencidos os conselheiros Cid Marconi, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto; II) por unanimidade de votos , em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PAGAMENTO EM ESPÉCIE ALIMENTAÇÃO EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 04 47 /2 00 9- 21 Fl. 510DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) por voto de qualidade, em negar provimento mantendo os Relatório de Cesta Básica e Vale Refeição. Vencidos os conselheiros Cid Marconi, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto; II) por unanimidade de votos , em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.000447/200921 Acórdão n.º 2403001.401 S2C4T3 Fl. 325 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – CONSITA LTDA. contra Acórdão nº 0228.640 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG, fls. 208 a 218, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.215.3089, às fls. 01, com valor consolidado inicial de R$ 2.535.491,42. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social relativas à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa resultante de riscos ambientais do trabalho — GILRAT incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados a titulo de CESTA BÁSICA e VALE REFEIÇÃO, no período de 01/2004 a 12/2006. O Relatório Fiscal, às fls. 87 a 93, informa: 2.1 CESTA BÁSICA (código de levantamento CB) e VALE REFEIÇÃO (código de levantamento VR), cujas bases de cálculo utilizadas são as constantes das planilhas Anexo 1 Cesta Básica CB e Anexo 2 Vale Refeição VR estão gravadas no CD anexo. 2.1.1 Tratase de crédito previdenciário, tendo como fato gerador a concessão de cesta básica e vale refeição paga em pecúnia aos empregados da empresa. Tal pagamento em dinheiro do salário utilidade/alimentação integra a base de cálculo das contribuições sociais, mesmo que a empresa esteja inscrita no PAT. Informa ainda o Relatório Fiscal, que os pagamentos das referidas parcelas CESTA BÁSICA (levantamento CB) e VALE REFEIÇÃO ( levantamento — VR) foram efetuadas em pecúnia e estavam vinculados à assiduidade do trabalhador, assim, integram a remuneração para o efeito de se calcular as contribuições previdenciárias, posto que, foram pagas em desconformidade com a Lei 8.212/91 e Portaria Interministerial MT de 03 de 01/03/2002. Neste sentido, o Relatório Fiscal, às fls. 91, informa que: 2.1.3 Além do pagamento em pecúnia, a Cesta Básica está também vinculada a produtividade, conforme estabelecido na Cláusula Oitava da Convenção Coletiva de Trabalho, citada acima. Foram examinadas as Convenções Coletivas de Trabalho estipuladas entre o Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Coleta, Limpeza e Industrialização do Lixo no Estado de Minas Gerais SINTRALIXMG X Sindicato das Empresas de Coleta, Limpeza e Industrialização do Lixo de Minas Gerais SINDILURBMG, válidas para o período 2003/2004, 2004/2005, 2005/2006, 2006/2007 e também, as folhas de pagamentos, o Livro Diário e as Guias de Recolhimento da Previdência GPS's. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 A Recorrente teve ciência do TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, às fls. 34 a 35, na qual consta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0610100.2008.00482. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, às fls. 17, é de 01/2004 a 12/2006. O contribuinte teve ciência do AIOP em 23.01.2009, conforme Aviso de Recebimento – AR às fls. 94 e 202. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, às fls. 97 a 103, na qual alega em síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: (i) Inicialmente, requer que todas as intimações inerentes ao presente feito sejam encaminhadas para o endereço do representante legal constante do cabeçalho da peça de defesa, no caso, Rua Guajajaras, 870 12° andar centro CEP:30.180 100 BH/MG e parte para a descrição dos fatos. (ii) Em seguida alega que no entender da autuada não houve qualquer recolhimento de contribuição a menor, pois, o procedimento de dedução ou não inclusão na base de cálculo das contribuições sociais, dos valores pagos aos empregados a titulo de CESTA BÁSICA E VALE REFEIÇÃO, ainda que pagos em pecúnia, foi legitimo, como pretende demonstrar. (iii) Cita o §9°, alínea "c" do art.28 da Lei 8.212/91 e argumenta que a referida norma visa retirar a natureza salarial dos benefícios alimentares, proporcionados livremente pelos empregadores a seus empregados. (iv) Diz que a lógica é desonerar os benefícios concedidos pelas empresas para que elas adotem mais medidas em beneficio dos empregados. (v) Entretanto, no presente caso, além da impugnante ser obrigada a fornecer as cestas básicas e os vales refeições, por força de Convenção Coletiva, fora autuada simplesmente porque concedeu tais benefícios em espécie (conduta admitida expressamente pela própria Convenção Coletiva), não tendo nenhum ganho operacional com a conduta de oferecimento das refeições e das cestas básicas em dinheiro. (vi) Conclui, neste ponto, que não se pagou, a titulo de cestas básicas ou vale refeição, nada além, dos valores correspondentes As refeições e cestas básicas devidas, valores estes inclusive fixados nas respectivas convenções coletivas trabalhistas vigentes A época dos pagamentos. (vii) Ressalta que a conduta da empresa estava respaldada em Convenção Coletiva e que a Portaria Interministerial MTE n° 03/2002 não proíbe o pagamento de cesta básica em pecúnia (art. 6°), razão pela qual não há que se falar em desatendimento aos preceitos normativos administrativos, pertinentes aos pagamentos daqueles benefícios. (viii) Aduz que apesar dos pagamentos terem sido feito em dinheiro que a empresa descontou os 20% referentes a parcela de contribuição de cada empregado conforme art.2°, §1° do Fl. 513DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.000447/200921 Acórdão n.º 2403001.401 S2C4T3 Fl. 326 5 Decreto n° 5 de 14 de janeiro e art. 4° da Portaria Interministerial MIE n" 03/2002, tendo efetuado os pagamentos em conformidade com as normas do PAT. (ix) Transcreve cláusulas da convenção coletiva e afirma que o fornecimento de refeições e cestas básicas se deram por determinação expressa em convenção coletiva estando os pagamentos desvinculados da remuneração e respaldado no art. 7° , inciso XXVI da CF que reconheceu expressamente a validade dii CcinvençõesColetivas.—Também o direito positivo valida as Convenções Coletivas e seus termos são levados ao conhecimento da Administração Federal que expressamente os homologa. (x) Argumenta que a Administração Federal homologou as Convenções e Acordos Coletivos firmados entre os sindicatos envolvidos na atividade econômica da peticionaria, que agiu totalmente de acordo com as disposições daqueles documentos; considerado que o próprio Ministério do Trabalho homologou, também, tais documentos; restam configuradas como sendo Normas Complementares de Direito Tributário, conforme previsto nos incisos I, II, e parágrafo único do art.100 do CTN. (xi) Caso não se entenda pelo cancelamento total do Auto de Infração que sejam ao menos excluídas as penalidades, a cobrança de juros de mora e atualização do valor monetário, nos termos do citado parágrafo único do art. 100 do CTN. (xii) Invoca o principio da razoabilidade e da proporcionalidade para ratificar que a empresa não obteve beneficio financeiro ou operacional com o pagamento feito em pecúnia, este que previsto nas Convenções Coletivas e que tal procedimento foi adotado em total beneficio e interesse dos próprios empregados, na medida em que não houve infração trabalhista e muito menos evasão fiscal. (xiii) Entende que os trabalhadores não foram prejudicados pelo pagamento em dinheiro pois, a medida lhes proporcionou muito mais conforto e comodidade, principalmente, no caso das cestas básicas, que sempre geram ao beneficiário enormes transtornos de transporte destes alimentos, sobretudo para aqueles que toma duas ou mais condições, sempre em horários de pico e lotação e para aqueles que trabalham longe da sede da empresa e precisam se deslocar para buscar as cestas. (xiv) Argumenta que seria ainda inviável que a empresa fornecesse a refeição em sua sede considerandose o número de funcionários (três mil) e a dinâmica de prestação dos serviços em todos os cantos da cidade. (xv) Diz, ainda, que se algum prejuízo houve com a política de pagamento em pecúnia, das cestas básicas e os vales refeições, este fora suportado tão somente pelas empresas que administram tíquetes ou vale refeição ou alimentação ou mesmo pelos eventuais fornecedores das cestas básicas in natura. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 (xvi) Pede seja deferida produção de prova pericial, com indicação do Assistente Técnico o Sr. José Reynaldo Diniz Leite (CRC/MG 67.921), para que seja respondido o seguinte quesito: "Considerando o valor da cesta básica devida aos empregados do contribuinte, nos temos estabelecidos nas convenções coletivas vigentes à data dos .fatos geradores, e o valor em pecúnia pago àqueles mesmos empregados a titulo de cesta básica e ou vale alimentação/refeição, poder seia afirmar a similaridade entre os referidos valores? Em caso de diferenças quais seriam? A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0228.640 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTE PATRONAL (EMPRESA E SAT). Incide contribuição previdenciária sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo aos segurados empregados, nos termos da legislação previdenciária. VALE REFEIÇÃO CESTA BÁSICA Valor pago em espécie a titulo de alimentação, com inobservância das normas, integra o salário de contribuição do segurado para fins de apuração da contribuição previdenciária. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA. JUROS. As contribuições sociais em atraso, arrecadadas pela Receita Federal do Brasil, estão sujeitas aos acréscimos legais ( multa e juros), nos percentuais definidos pela legislação, ambos de caráter irrelevável. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA Para fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1995 não há mais atualização monetária nos termos da lei. Pedido de cancelamento da atualização monetária improcedente. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIDO Não cabe perícia quando o que se busca provar, por seu intermédio, não está sendo objeto de dúvida na análise do lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 225 a 240, reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.000447/200921 Acórdão n.º 2403001.401 S2C4T3 Fl. 327 7 Observase dos autos, às fls. 242, a cópia da tela do sistema da Receita Federal PAEX/CONSULTA/CONSEVENTO/EVENTOVCONT, com data de 31/03/2011, na qual consta a informação de que a Recorrente empresa fez adesão ao parcelamento instituído pelos artigos 1º e 3º da Lei 11.941/2009, com manifestação em 29/06/2010: EVENTO : DECLARAÇÃO TOTAL DÉBITOS LEI 11941 CNPJ : 16.565.111/000185 CONSITA LTDA DATA EVENTO : 29/06/2010 HORA EVENTO : 11:16:1 TIPO PARCELAMENTO : L.11941RFBPREVART 1 CPF USUÁRIO : SISTEMA TERMINAL : WEB O CONTRIBUINTE MANIFESTOUSE PELA INCLUSÃO DA TOTALIDADE DOS DÉBITOS DA PGFN E DA RFB: SIM DATA DA MANIFESTAÇÃO : 29/06/2010 Outrossim, no despacho de encaminhamento ao CARF, o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário – Secat da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte informa que o presente débito AIOP nº 37.215.3089 não consta entre os débitos que estão incluídos no parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009: 2.Após pesquisas efetuadas no Sistema Paex, constatamos que o contribuinte é optante pela Lei 11.941/09, e se manifestou pela inclusão da totalidade dos débitos da PGFN e da RFB. No entanto, o Auto de Infração citado não consta entre os débitos em que o sujeito passivo requereu o parcelamento, de acordo com pesquisas juntadas aos autos. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 244. É o Relatório. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 244. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (i) Da regularidade da lavratura do AIOP – Auto de Infração de Obrigação Principal Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a de segurados. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.215.3089que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.215.3089) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: Fl. 517DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.000447/200921 Acórdão n.º 2403001.401 S2C4T3 Fl. 328 9 IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. REPLEG Relatório de Representantes Legais (Este relatório lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação.); g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); Fl. 518DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 h. TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal; i. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. j. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. k. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 37.215.3089, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (ii) Alegações de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.000447/200921 Acórdão n.º 2403001.401 S2C4T3 Fl. 329 11 Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DO MÉRITO (iii) DA CESTA BÁSICA E DO VALEALIMENTAÇÃO Fl. 520DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Analisemos. A argumentação do Recorrente está centrada na não incidência de contribuição social previdenciária sobre os benefícios concedidos em pecúnia a título de cesta básica e de valerefeição, porque é obrigado a fornecer em dinheiro as cestas básicas e os vales refeições, por força de Convenção Coletiva (conduta admitida expressamente pela própria Convenção Coletiva e não proibida pela Portaria Interministerial n°3/2000). Conforme o constatado no Relatório Fiscal, às fls. 87 a 93, a Recorrente fornece alimentação aos empregados, por meio de pagamento em espécie, sem estar inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), requisito este disposto expressamente na legislação. O Relatório Fiscal, às fls. 87 a 93, informa: 2.1 CESTA BÁSICA (código de levantamento CB) e VALE REFEIÇÃO (código de levantamento VR), cujas bases de cálculo utilizadas são as constantes das planilhas Anexo 1 Cesta Básica CB e Anexo 2 Vale Refeição VR estão gravadas no CD anexo. 2.1.1 Tratase de crédito previdenciário, tendo como fato gerador a concessão de cesta básica e vale refeição paga em pecúnia aos empregados da empresa. Tal pagamento em dinheiro do salário utilidade/alimentação integra a base de cálculo das contribuições sociais, mesmo que a empresa esteja inscrita no PAT. Informa ainda o Relatório Fiscal, que os pagamentos das referidas parcelas CESTA BÁSICA (levantamento CB) e VALE REFEIÇÃO ( levantamento — VR) foram efetuadas em pecúnia e estavam vinculados à assiduidade do trabalhador, assim, integram a remuneração para o efeito de se calcular as contribuições previdenciárias, posto que, foram pagas em desconformidade com a Lei 8.212/91 e Portaria Interministerial MT de 03 de 01/03/2002. Neste sentido, o Relatório Fiscal, às fls. 91, informa que: 2.1.3 Além do pagamento em pecúnia, a Cesta Básica está também vinculada a produtividade, conforme estabelecido na Cláusula Oitava da Convenção Coletiva de Trabalho, citada acima. Foram examinadas as Convenções Coletivas de Trabalho estipuladas entre o Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Coleta, Limpeza e Industrialização do Lixo no Estado de Minas Gerais SINTRALIXMG X Sindicato das Empresas de Coleta, Limpeza e Industrialização do Lixo de Minas Gerais SINDILURBMG, válidas para o período 2003/2004, 2004/2005, 2005/2006, 2006/2007 e também, as folhas de pagamentos, o Livro Diário e as Guias de Recolhimento da Previdência GPS's. Outrossim, a Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976, que trata do Programa de Alimentação do Trabalhador: Art.3°. Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga 'in natura' pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.000447/200921 Acórdão n.º 2403001.401 S2C4T3 Fl. 330 13 O Decreto n° 5, de 14 de janeiro de 1991, que regulamenta a Lei n°6.321/76: Art. 1°. A pessoa jurídica poderá deduzir, do imposto de renda devido, valor equivalente a aplicação da aliquota cabível do imposto de renda sobre a soma das despesas de custeio realizadas, no períodobase, em Programas de Alimentação do Trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social MTPS nos termos deste regulamento. (...) § 4° para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social, da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde. (...) Art. 4°. Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (Redação dada pelo Decreto n. 0 2.101, de 23 de dezembro de 1996). Art. 6°. Nos programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência: Social a parcela paga natura' pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. Desta forma, de acordo com a legislação de regência do PAT, o fornecimento de alimentação não integra o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias, quando, nos termos da Lei n°6.321, de 1976, atenda os requisitos do programa de alimentação previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho. Conforme o disposto na legislação previdenciária, art. 28, § 9º , c, Lei 8.212/1991, o fornecimento de alimentação integra o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias quando não atenda os requisitos do programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho. (Lei 8.212/1991) Art. 28. Entendese por saláriode contribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 522DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Ainda, embora existam decisões judiciais em sentido contrário, o Poder Judiciário também apresenta posicionamentos neste sentido da exigibilidade da contribuição previdenciária: TRIBUTÁRIO: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTOS A FUNCIONÁRIOS DO BANCO. ACORDO COLETIVO. HABITUALIDADE E FINALIDADE. NATUREZA JURÍDICA. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA PARCIAL. I Os pagamentos habituais efetuados pelo banco aos seus funcionários empregados, tais como ajuda de custo para supervisor de contas, prêmio produção, salário, licença prêmio, gratificação semestral, auxilio crechebabá e ajuda de custo aluguel/alimentação/transporte compõem a remuneração e integram o salário de contribuição, donde exigível a contribuição previdenciária sobre tais verbas (Lei CF, art. 201 § 11°c Lei 8212/91, art. 28, I). II O acordo coletivo e a convenção coletiva de trabalho não têm o condão de afastar a lei, dispondo sobre a natureza jurídica de verbas percebidas pelo empregado, nem tampouco excluilas da incidência da contribuição previdenciária. (TRF3 — REO — REMESSA EX OFICIO 429742 Processo n° 98030621629 SP. Decisão 28/05/2002. 2° Turma. Relatora Des. Marianina Galante. DJU 28/02/2002). Ademais, o disposto em Convenção Coletiva de Trabalho não tem o condão de afastar a exigência de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a isenção de contribuições sociais previdenciárias, nos termos do art. 97, CTN c/c art. 175, I, CTN c/c art. 176, CTN: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (..) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.000447/200921 Acórdão n.º 2403001.401 S2C4T3 Fl. 331 15 Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Desta forma, não prospera a argumentação da Recorrente pois a legislação aponta a incidência de contribuição previdenciária na parcela a título de alimentação recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social Programa de Alimentação do Trabalhador. Observase também a não aplicação do Parecer PGFN/CRJ/nº 2117 /2011 porque os pagamentos das parcelas CESTA BÁSICA (levantamento CB) e VALE REFEIÇÃO ( levantamento — VR) foram efetuadas em pecúnia. (iv) Do pedido de perícia Analisemos. Quanto à solicitação de prova pericial, verificamos que a mesma encontrase de acordo com o previsto na legislação: Decreto 70.235/1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. No entanto, considero que o pedido de perícia formulado não tem força para, com o resultado, desconstituir o lançamento fiscal, no sentido de que a discussão está centrada na incidência ou não de contribuição social previdenciária nos pagamentos realizados em pecúnia a título de cestas básicas e vales alimentação e não no valor em si repassado aos empregados. Desta forma, tendose por suficientes os elementos colacionados aos autos para o julgamento do processo, se indefere o pedido de realização de perícia por ser dispensável ao julgamento do processo, conforme o disposto no art. 18, caput, decreto 70.235/1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de Fl. 524DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.000447/200921 Acórdão n.º 2403001.401 S2C4T3 Fl. 332 17 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 526DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10983.905039/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Emanuel Carlos Dantas de Assis - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. Júlio César Alves Ramos Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão que manteve Despacho Decisório eletrônico não homologando compensação constante de PER/DCOMP, cujo crédito tem origem, segundo a contribuinte, em retenções feitas pela Universidade Federal de Santa Catarina. Segundo o Despacho denegatório o DARF não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. O processo retorna a este Colegiado após duas diligências: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 05 03 9/ 20 08 -1 8 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.905039/200818 Resolução nº 3401000.601 S3C4T1 Fl. 140 2 a primeira determinou ao órgão de origem se pronunciar sobre a DCTF retificadora e a existência de pagamento a maior ou não, quando a DRF de Florianópolis entendeu não caber qualquer revisão no Despacho Decisório que não reconheceu o crédito e, além do mais, afirmou que o recurso voluntário não devia ser conhecido porque firmado por pessoa sem poderes de representação para tanto; a segunda visou sanar a falha na representação e intimar a contribuinte a se pronunciar sobre o entendimento da DRF FlorianópolisSC, exposto na primeira diligência. Intimado por ocasião da segunda diligência, a contribuinte insiste na compensação, referindose a outros dois processos semelhantes a este – os de nºs 10983.901218/200886 e 10983.901097/200872 – e afirmando que as telas SIAFI demonstram a retenção pelos órgãos públicos. Requer a reforma do acórdão recorrido ou, então, nova diligência para que se proceda à juntada dos “Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS”, expedidos pelos órgãos públicos pagadores, que são espelhos das telas SIAFI, tal como adotado nos dois processos acima referidos, nos quais o valor compensado decorrente das retenções foi confirmado pela DRF. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator Diante da insuficiência das diligências realizadas até agora, e por ter sido regularizada a representação processual, carece realizar uma nova, desta feita para que a unidade de origem adote procedimentos semelhantes aos realizados nos processos nºs 10983.901218/200886 e 10983.901097/200872, investigando a fundo a existência de pagamento a maior ou não. Para tanto, deve buscar junto ao SIAFI os dados das retenções e, se necessário, solicitar à contribuinte os Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS fornecidos por órgãos públicos (incluindo autarquias e fundações da administração pública federal) a pessoas jurídicas fornecedoras de bens ou prestadoras de serviços, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430/96. A Recorrente possui inúmeros processos semelhantes ao presente, sendo em que alguns foram comprovadas, ao menos em parte, as retenções alegadas. Diante dessas comprovações, reforçase a necessidade de nova investigação. Pelo exposto, voto por converter o presente julgamento em nova diligência para que a unidade de origem, primeiro, verifique as retenções alegadas, seja por meio do sistema SIAFI, seja obtendo junto à contribuinte os Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, e segundo, emita parecer conclusivo sobre a compensação, respondendo: a) se restaram comprovadas tais retenções, discriminando os seus valores em caso positivo, e b) se houve ou não compensação com os montantes devidos, elaborando demonstrativo com os valores retidos, compensados e os saldos porventura disponíveis. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.905039/200818 Resolução nº 3401000.601 S3C4T1 Fl. 141 3 Do parecer deve ser dada ciência à contribuinte, abrindoselhe o prazo de trinta dias para, querendo, se manifestar sobre o resultado desta nova diligência. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 141DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 11128.001293/2006-26
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 28/02/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAUDO TÉCNICO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A preparação de laudo técnico a respeito de composição química de mercadorias submetidas a despacho aduaneiro não se submete ao contraditório, não ensejando a nulidade do auto de infração quando unilateralmente produzido.
PAF. PRODUÇÃO DE PROVAS. OMISSÃO.
A omissão do contribuinte em produzir provas que fundamentariam seu direito implica preclusão, nos termos do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-001.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 28/02/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAUDO TÉCNICO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A preparação de laudo técnico a respeito de composição química de mercadorias submetidas a despacho aduaneiro não se submete ao contraditório, não ensejando a nulidade do auto de infração quando unilateralmente produzido. PAF. PRODUÇÃO DE PROVAS. OMISSÃO. A omissão do contribuinte em produzir provas que fundamentariam seu direito implica preclusão, nos termos do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1566; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 4 1 3 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.001293/200626 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403001.890 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO.ADUANEIRO Recorrente ACMOS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 28/02/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAUDO TÉCNICO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A preparação de laudo técnico a respeito de composição química de mercadorias submetidas a despacho aduaneiro não se submete ao contraditório, não ensejando a nulidade do auto de infração quando unilateralmente produzido. PAF. PRODUÇÃO DE PROVAS. OMISSÃO. A omissão do contribuinte em produzir provas que fundamentariam seu direito implica preclusão, nos termos do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 12 93 /2 00 6- 26 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 18/02/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Tratase de auto de infração para lançamento de multa com fundamento no artigo 84, I, da MP nº 2.15835/01 e no artigo 636, I, do Decreto nº 4.543/02, em razão da classificação alegadamente incorreta de mercadorias na NCM, por ocasião de importação (fls. 2/9). Relata a auditoria que a recorrente submeteu a despacho aduaneiro, por meio da DI n° 02/01698220, as seguintes mercadorias (fls. 10/13): (a) adição 1: IsothanHarderner LH20509/0083 (preparação de secantes para tintas), classificandoa na NCM sob o código no 3211.00.00; e, (b) adição 2: IsothanIMP2KPaint VW Black NT12872 / 9312 (tintas à base de resinas uretânicas dispersas em meio não aquoso), classificandoa na NCM sob o código no 3208.90.10. Com objetivo de que amostras das mercadorias fossem coletadas para análise laboratorial, a Alfândega do Porto de Santos/SP formulou o pedido de exame n° 563/GCOF, com fundamento no artigo 39, da IN/SRF nº 69/96 (fls. 16). Em decorrência, foram elaborados os laudos n°s 1510.01 e 1510.02, os quais atestaram a natureza e a composição química dos produtos (fls. 17/18 e 21/22). Com fundamento nos laudos, a fiscalização então procedeu à reclassificação fiscal dos itens para a posição nº 3209.90.20 da NCM, impondo à recorrente, por conseguinte, a sanção pecuniária objeto do auto de infração ora recorrido. A recorrente impugnou a exigência, alegando fundamentalmente que (fls. 34/37): (i) a reclassificação é unilateral e fere o principio do contraditório e da ampla defesa; e (ii) afora o laudo unilateral, não foram juntados elementos probatórios do suposto erro na classificação original. A DRJ/São PauloSP afastou a preliminar de cerceamento de defesa, ao argumento de que é a impugnação que deflagra a fase contenciosa do processo administrativo, cabendo ao contribuinte declinar, por ocasião da impugnação, eventuais provas, inclusive periciais, que pretende produzir para contrastar os laudos unilateralmente produzidos pela administração. No mérito, considerou nãoimpugnada exigência, eis que a recorrente nada disse acerca do acerto do reenquadramento. Assim, com fundamento no artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, julgou improcedente a impugnação. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 18/02/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11128.001293/200626 Acórdão n.º 3403001.890 S3C4T3 Fl. 5 3 A recorrente interpôs voluntário, fazendo apontamentos técnicos sobre as propriedades das substâncias importadas, a fim de demonstrar o acerto da classificação a que procedera (fls. 79/88). Sustentou, ainda, ser indispensável sua presença quando da elaboração dos laudos técnicos, alegando que o direito lhe é assegurado pelo artigo 31, da IN/SRF nº 680/06. Requereu, ao final, a anulação da decisão de Primeira Instância e, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência para que novos laudos técnicos sejam formulados, desta vez na sua presença. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e, observadas as demais formalidades aplicáveis, dele tomo conhecimento. A recorrente sustenta serem nulos os laudos n°s 1510.01 e 1510.02 (fls. 17/18 e 21/22), bem como todos os atos processuais deles originados, inclusive o v. acórdão lavrado pela DRJ de origem, uma vez que não lhe teria sido franqueada participação durante as análises que os precederam, segundo infere necessário dos artigos 31, da IN/SRF 680/06, e 26, da IN/SRF 69/96. O procedimento de vistoria aduaneira, descrito pelos artigos 650 e seguintes do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759/09), ao qual se refere implicitamente o artigo 31, da IN/SRF 680/06, estabelece que o importador poderá participar da conferência da mercadoria, para fins de identificação de eventuais avarias ou extravios. O dispositivo, todavia, não é aplicável à perícia técnica, quando esta se torna necessária. Garante, isso sim, que o importador esteja presente à conferência da mercadoria ainda no recinto alfandegado, permitindolhe acompanhar, inclusive, a retirada da amostra. Mas o preceito para aí: não assegura ao importador o direito de presenciar a subseqüente análise laboratorial. O curso deste procedimento técnico de análise é, portanto, de natureza inquisitória, de modo que ao sujeito passivo não é possível contraditálo à luz do princípio da ampla defesa. Após a lavratura do auto de infração, aí sim, é que se inicia o contencioso propriamente dito, com os direitos e garantias a ele inerentes (Decreto n° 70.235/72, art. 14). Ademais, e apenas a título de argumentação, mesmo que se supusesse possível a participação do contribuinte neste procedimento, é certo que, in casu, a própria recorrente subscreveu a declaração de fls. 14, responsabilizandose por quaisquer ônus decorrentes da desistência da vistoria aduaneira, conforme apontou a DRJ de origem. Esta declaração, entendase, tem por efeito apenas afastar a alegação de nulidade do procedimento. Assim, cientificada dos laudos de análise e do auto de infração, a recorrente apresentou impugnação e nela poderia ter veiculado sua irresignação sobre a reclassificação das mercadorias por ela importadas. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 18/02/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 Portanto, inexistindo quaisquer das hipóteses de nulidade previstas no artigo 59, do Decreto n° 70.235/72, não vejo razão suficiente para reconhecer a nulidade pleiteada, motivo pelo qual passo à análise do mérito recursal. No mérito, diferentemente da peça impugnatória na qual não foram articulados argumentos contra a reclassificação em si da mercadoria importadora, a recorrente enfrentaa especificamente. Contudo, melhor sorte aqui também não terá. Afinal, a controvérsia ora instaurada é eminentemente fática. Ou seja, a questão se refere à composição química da mercadoria importada, para fins de enquadrála nesta ou naquela posição da NCM. E caberia ao contribuinte requerer, na impugnação, a realização de prova pericial, nos termos do artigo 16, IV, do Decreto n° 70.235/72. Não o fazendo, incidiu na hipótese do §4, deste artigo: "Art. 16. A impugnação mencionará: §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)" Portanto, o conteúdo probatório presente nos autos convenceme da tese fazendária, sendo plenamente válidos os laudos técnicos de fls. 17/18 e 21/22. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 105DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 18/02/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 13702.000715/95-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS — Para a exigência do tributo é necessário
que se comprove de forma segura a ocorrência do fato gerador do mesmo.
Tratando-se de atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional,
arts. 30 e 142), cumpre A. fiscalização realizar as inspeOes necessárias a
obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição
do crédito tributário. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que
se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do
disposto no art. 112 do CTN. 0 imposto, por definição (CTN. art.3°), não
pode ser usado como sanção.
Numero da decisão: 1101-000.613
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, foi DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fará declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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MAR FON SI-Cl Ti Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13702.000715/95-31 Recurso n° 103.830 De Oficio e Voluntário Acórdão n° 1101-00.613 — la Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 20 DE OUTUBRO DE 2011 Matéria IRPJ Recorrente Centrinel S/A Recorrida Fazenda Nacional IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS — Para a exigência do tributo é necessário que se comprove de forma segura a ocorrência do fato gerador do mesmo. Tratando-se de atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional, arts. 30 e 142), cumpre A. fiscalização realizar as inspeOes necessárias a obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. 0 imposto, por definição (CTN. art.3°), não pode ser usado como sanção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, foi DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Far ' declara -o de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. JOSE RIC ef4X1r" Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Benedicto Celso Benicio Júnior, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga • Relatório CENTRINEL S/A recorre a este colegiado (fls. 602/610), contra decisão proferida pela DRJ no Rio de Janeiro/RJ (fls.558/563), que julgou parte do lançamento tributário de IRPJ, PIS, COFINS, IRF e CSLL (fls. 031106), substituídos pelos autos de fls. 437/521, anos-calendário 1992 a 1994, procedente. A constituição do crédito tributário pelo lançamento com a aplicação de multa de oficio no percentual de 450%, se deu em virtude de ter havido a emissão de notas fiscais de simples remessa de mercadorias, entre a Recorrente e a Centrifugal S/A, conforme cópias anexas aos processos administrativos de EPI 13702.000700/95-64; 13702.000701/95-27; e 13702.000702/95-90, decorrente dos presentes, cujo enquadramento legal foi realizado no art. 157 e §1°, 163, 175, 178, 179, 180, 181, 182 e 387, II, do RIR/80; art. 43 e 44 da Lei 8.541/92; art. 195, II, 197, parágrafo único, 207, 225, 226, 227, 228, 229, 230, 231 do MR/94. Consta do Relatório que, nos anos de 1993 e 1994, a Recorrente não procedeu a qualquer lançamento con -ail das referidas notas fiscais, e no ano de 1992, os fez parcialmente, apesar de encontrarem-se, em sua totalidade e durante todo o período fiscalizado, registradas nos Livros de Saida (das emitentes); Livros de Entrada (das destinatárias); e de Apuração do IN (de ambas), e na maior parte, os foram como operações sem débito de imposto. Em virtude dos registros relativos as notas fiscais em trânsito terem sido efetuados antes de 31/12/1992 no Livro de Saida da Recorrente, enquanto que a destinatária os registrada no Livro de Entrada somente no ano seguinte, ficou caracterizado a simulação da operação, haja vista a ausência de registro do retorno da mercadoria, mormente em razão da imutabilidade do saldo contabilizado. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade Fiscal (fls. 198/201), argumentando que: a) a lavratura dos autos de infração foram efetuados em decorrência de outros autos de infração relativos a imposto sobre produtos industrializados, através dos quais imputa-se A. Defendente ter omitido, dolosamente, receitas no período compreendido entre 06/92 e 12/94, pelo que seria devedora da Fazenda Nacional de IRPJ, PIS, COFINS e IRRF, além de imposto sobre a omissão de receitas e/ou redução do lucro liquido e contribuição social; b) houve apreensão dos documentos fiscais e dos livros de Registro de Entrada e de Saida de Mercadorias, as vésperas da autuação, impedindo a Recorrente de ter acesso aos registros dos fatos efetivamente ocorridos, até mesmo, de contradizer as alegações maldosas existentes nos autos, pois as vias das notas fiscais que, por precaução e boa fé, mantinha em duplicidade em seu poder, por tratarem-se de cópias, não se prestam para ser reproduzidas nos 28 Autos de Infração contra si lavrados, sua filial e interdependente Centrifugal S.A e sua filial; 2 Processo n° 13702.000715/95-31 Si -C1T1 Acórao n.° 1101-00.613 Fl. 2 c) em vista disto é que nasce a necessidade de se julgar os processos em conjunto, já que os fatos e as descrições do ilícito apontado são idênticos; d) requer que as razões de defesa do processo principal, anexas aos presentes autos, sejam tomados contra todos os autos de infração contra ela lavrados; e) ressalta que nenhuma prova material foi produzida pela fiscalização, apesar disto, inverteram o ônus da prova, supondo que estaria autorizado a presumir omissão de receita, violentando o disposto no art. 223, §2° do RIR/94; f) a tese da autuação está fundamentada em equivoco formal de registro de estoques finais de camisas, em 1992, onde se entendeu que deveria desclassificar toda a movimentação de bens entre a Autuada, sua filial e interdependente, como se existisse algum liame no plano lógico entre aquela premissa e sua conclusão; g) a falta de compensação de prejuízos e de bases de calculo negativas da contribuição social sobre o lucro acumulados, constantes das declarações de rendimentos e do LALUR e não considerados pela fiscalização, a exigência de PIS com base na lei infraconstitucional, de imposto na fonte com fundamento no artigo 8° do Decreto-Lei 2.065/83, revogado pela Lei 7.713/88 e tantas outras deficiências contidas nos autos e que devem ser consideradas pela autoridade julgadora, até mesmo de oficio, perdem a expressão; h) reitera que as razões de impugnação dos processos matrizes sejam tomadas para a defesa de todos os autos de infração e o conseqüente exoneração da exigência fiscal contestada. A DRJ no Rio de Janeiro, por entender ausentes os elementos necessários para formar convicção do julgado, o converteu em diligência (fls. 4151416), cujos resultados encontram-se em Relatório de fls. 523/525, que culminou na lavratura de novos autos de infração (437/521) que, em substituição aos originais, passou a comportar majoração da cobrança do PIS. Cientificada dos resultados da diligência, a Recorrente aditou a impugnação apresentada (fls. 533/536, com os fundamentos que se seguem: i) os novos lançamentos refere-se à mera reprodução dos fatos e enquadramento legal que motivou a lavratura dos autos de infração anteriores com a mesma matéria e período de apuração; j) a lavratura dos autos de infração decorreu da Resolução 48/96, do Substituto Chefe da Serco que, constatando os vícios insanáveis que 3 padeciam os lançamentos originais, imaginou ser possível sobrepor-lhes nova edição; k) que o lançamento anterior não foi cancelado, e que os novos autos não mencionaram os efeitos que almeja produzir sobre a atuação original; 1) contestou a aplicação da multa de oficio no percentual de 450%, requerendo a aplicação do percentual previsto na Lei 9.430/96, calcado na retroatividade benéfica prevista no art. 106 do CTN. Ao apreciar o mérito do processo, a DRJ/RJ deu provimento parcial a autuação (fls. 557/563), conforme se extrai da ementa: IMPOSTO DE RENDA — PESSOA JURÍDICA Aplica-se aos procedimentos intitulados decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por ter suporte fcitico comum. RETROATIVIDADE BENIGNA — REDUÇÃO DA MULTA DE OFICIO A lei nova aplica-se a ato ou fato não definitivamente julgados, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Incidência do artigo 44 da Lei 9.460/96, por força do disposto no artigo 106, inciso II, letra c, do Código Tributário Nacional e no Ato Declaratório (Normativo) SRF/COSIT n° 01, de 07-01-97. PIS A suspensão da execução dos DL 2.445/88 e DL 2.229/88 em nada afetou a permanência do vigor pleno da Lei Complementar 7/70 e a administração está obrigada a exigir a contribuição nos termos desse diploma. COFINS, IRRF E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL Subsistindo o lançamento matriz, igual sorte colhem os que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele. IRPJ, PIS, COFINS, IRRF E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — LANÇAMENTOS PROCEDENTES EM PARTE. Cientificada da decisão, foi apresentado pela Recorrente Recurso Voluntário (fls. 602/624) na qual, em apertada síntese, se extrai: m) suscita a nulidade do lançamento, sob o fundamento da inverossimilhança da autuação, tendo em vista que o crédito tributário • 4 Cr' Processo no 13702.000715/95-31 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.613 Fl. 3 apresenta quase quarenta vezes a soma dos patrimônios líquidos da Recorrente e da empresa a ela ligada, cujo porte é modesto; n) afirma ausência de decisão sobre a matéria originalmente litigada, o que leva a nulidade dos novos autos de infração. A Procuradoria da Fazenda Nacional pleiteou a manutenção da decisão de primeira instância, conforme se extrai de suas contrarrazões as fls. 629/630. Ao apreciar o recurso voluntário, a Primeira Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em 13 de novembro de 2008, decidiu converter o julgamento em diligência, para que a DRF de origem juntasse aos presentes autos, cópias dos processos administrativos de IPI 13702.000700/95-64, 13702.000701/95-27 e 13702.000702/95-90. Voto Conselheiro José Ricardo da Silva 0 recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Como visto do relato, trata-se de retorno de diligência, a qual foi determinada pela la Câmara do antigo 1° Conselho de Contribuintes, nos termos da Resolução n° 101- 02.684, de 13 de novembro de 2008. No voto condutor da mencionada decisão, o ilustre Conselheiro relator e ex- Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho destaca o seguinte: "0 crédito tributário ern analise tem origem em omissão de receitas, decorrente da emissão, entre a contribuinte e a empresa ligada Centrifitgal S.A, de notas fiscais de simples remessa de mercadorias, conforme cópias anexadas aos processos administrativos de IPI no 13702.000700/95-64, 13702.000701/95-27 e 13702.000702/95-90. Sendo o presente lançamento decorrente dos processos administrativos acima indicados, entendo que, para ser julgado o presente feito, preciso se conhecer os fatos relacionados aos citados processos administrativos, que caracterizaram a omissão que deu causa ao presente lançamento, bem como se a respectiva exigência objeto dos citados processos foi mantida após seu julgamento. Isto posto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a DI?F de origem junte, aos presentes autos, cópias dos processos administrativos de IN no 13702.000700/95-64, 13702.000701/95-27 e 13702.000702/95-90. corno voto." 5 Foram juntados aos presentes autos as cópias das decisões de finitivas dos processos n° 13702.000700/95-64 e 13702000702/95-90, cujos julgamentos vieram ao encontro das pretensões da contribuinte. Deixou-se de anexar a decisão definitiva correspondente ao crédito tributário remanescente transferido para o Processo n° 13702.066/2007-19 (o qual é oriundo do Processo n° 13702.000700/95-64). Também ausente no presente processo a decisão definitiva prolatada sobre o crédito tributário transferido para o Processo n° 13702.000639/97-17 (o qual é oriundo do Processo n° 13702.000702/95-90. Independentemente da falta de juntada das decisões dos citados processos, a matéria sob exame não é nova neste colegiado, a qual já foi objeto do processo n° 13702.000721/95-34, nos termos do Recurso n° 1101-00.516, do qual flu relator, cuja decisão, h. unanimidade, foi dado provimento ao recurso voluntário, conforme ementa abaixo transcrita: IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS— Para a exigência do tributo é necessário que se comprove de forma segura a ocorrência do fato gerador do mesmo. Tratando-se de atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional, arts. 3° e 142), cumpre fiscalização realizar as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis a constituição do crédito tributário. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos ern que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN 0 imposto, por definição (CTN. art. 30), não pode ser usado como sanção. De acordo coin a acusação fiscal, a Recorrente emitiu diversas notas fiscais nos anos de 1992, 1993 e 1994, a titulo de simples remessa, tendo por destinatária a empresa Centrifugal, sendo que as referidas notas não foram registradas na contabilidade comercial da empresa. Destaca também a autoridade autuante que não houve qualquer registro de pagamentos ou de recebimentos relativos as operações, embora hajam sido escriturados nos Livros Fiscais de Saida, de Apuração da Recorrente e no de Entrada da destinatária. Não há, contudo, escrituração do Livro de Controle da Produção e do Estoque, não tendo sido apresentados controles alternativos a este e também o Livro de Inventário. Intimada a apresentar esclarecimentos mediante diversas intimações, a Recorrente não as atendeu, permanecendo silente. Por esses motivos foram lavrados os autos de infração em questão com acusação de vendas sem a emissão de nota fiscal, a titulo de omissão de receitas operacionais, com a aplicação de multa qualificada, esta cancelada pela decisão de primeira instância. Registre-se que a fiscalização desconsiderou as notas fiscais de simples remessa, para a transferência de matéria-prima para industrialização com a empresa interligada, contudo, acolheu as mesmas notas fiscais para presumir uma omissão de receita dolosa, sem considerar sequer um único indicio de irregularidade a titulo de levantamento dos estoques, auditoria de produção, movimentação de recursos e/ou materiais a margem da escrituração comercial e fiscal. Ou seja, não foi detectado qualquer elemento de prova da prática de omissão de receitas, limitando-se a autoridade fiscal a somar as notas fiscais emitidas a titulo de simples remessa, como sendo caracterizadoras de vendas não registradas. 66 Processo n° 13702.000715/95-31 Sl-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.613 Fl. 4 Como é sabido, a simples remessa de matérias-primas para industrialização ou beneficiamento não são passíveis de registro nos livros Diário e Razão, visto que possuem natureza puramente fiscal e não tem o condão de modificar a situação patrimonial da empresa, visto que posteriormente retornam ao estoque da contribuinte. Aliás, nesse sentido, o próprio autuante informa que a recorrente registrou as remessas nos livros fiscais correspondentes. Assim sendo, a acusação fiscal aflora como inconsistente e sem fundamento, pois os registros efetuados pela contribuinte (no caso, somente nos livros fiscais), militam a favor da mesma, visto não serem obrigatórios os lançamentos na escrituração comercial, fato este que foi considerado pelo autuante como sendo a única irregularidade praticada, suficiente para a lavratura do auto de infração com a qualificação da multa de oficio. Aliás, os demais processos formalizados na area do 1PI, decorrentes da mesma ação fiscal levada a efeito no estabelecimento da recorrente, cuja acusação também foi de omissão dolosa de receitas operacionais nos Processos n° 13702.000702/95-90 (posteriormente desmembrado no PAF n° 13702.000641/97-65) e n° 13702.000701/95-27 (posteriormente desmembrado no PAF no 13702.000639/97-17), foram todos providos integralmente, conforme as ementas abaixo transcritas: Processo n° 13702.000701/95-21 Acórdão: 201-73.854 Sessão: 07 de junho de 2000 Ementa: IPI — Indevida a imposição da multa prevista no art. 365 do RIPI/82, quando a autuação da como saídas as mercadorias indicadas nas notas fiscais. Incabível multa regulamentar, quando se aplica a multa de que trata o art. 364, III, do RIPI/82. Aplicabilidade da retroação benigna quando a norma posterior fixa pena menos gravosa para a hipótese. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. Processo n°13702.000702/95-90 Acórdão: 201-73.853 Sessão: 07 de junho de 2000 Ementa: IPI — Indevida a imposição da multa prevista no art. 365 do RIPI/82. quando a autuação dá como saídas as mercadorias indicadas nas notas fiscais. Incabível multa regulamentar, quando se aplica a multa de que trata o art. 364, III, do RIPI/82. Aplicabilidade da retroação benigna quando a norma posterior fixa pena menos gravosa para a hipótese. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. Processo n°13702.000639/97-17 7 Acórdão: 201-76.821 Sessão: 18 de março de 2003 Ementa: IPI — ERRO DO SUJEITO PASSIVO. Para a legislação do IPI, o estabelecimento é considerado autônomo em relação a cada fato gerador que praticar. INIDONEIDADE. Não havendo caracterização de inidoneidade, nem tendo o Fisco contestado os documentos, é de se afastar a acusação. SUSPENSÃO. ARTIGO 36, XVII, DO RIPI/82. A remessa dos produtos para outro estabelecimento da mesma empresa é hipótese de suspensão do IPI. Recurso provido por unanimidade. Do voto condutor do Acórdão n° 201-76.821, reproduzo abaixo os principais fundamentos que levaram a colenda la Câmara do 2° Conselho de Contribuintes ao provimento integral ao recurso voluntário: "Quanto el acusação de inidoneidade em razão de não constar a data da efetiva saída das mercadorias do estabelecimento emitente, tenho que tal fato não pode levar a imprestabilidade dos documentos fiscais se não houver qualquer dúvida quanto ao preenchimento dos demais requisitos para emissão dos mesmos. Na hipótese, não foi contestado pelo Fisco que as operações não ocorreram, que destinatário, endereço e inscrições fiscais não existem, que as mercadorias não correspondem a descrição, que o valor da operação é imprestável, em suma, não há qualquer indicio efetivo de inidoneidade das operações realizadas. (-) O fato de a Recorrente não haver escriturado nos livros fiscais o retorno dos produtos remetidos com suspensão, exatamente porque não possui Livros de Inventário e de Controle da Produção e do Estoque, não conduz a que não poderia ela ter remetido os produtos com suspensão para a sua matriz. Entendo que a não comprovação do retorno dos produtos saídos com suspensão daria margem a fundamento diverso para a exigência constante da peça básica que não a de glosar o beneficio da suspensão nas remessas para a matriz. Deveria ser exigido o tributo em finvilo de não haver prova do retorno desses produtos remetidos com suspensão para a matriz exatamente pela não escrituração dos Livros de Controle da Produção e do Estoque e o de Inventário. (.) Em face a todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, ao mesmo dar integral provimento para 8 Processo n° 13702.000715/95-31 Si-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.613 Fl. 5 julgar improcedente os itens 1 e 2 do Auto de Infração, únicos que ainda subsistiam." Com efeito, a exigência de tributo por meio de lançamento de oficio requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo. 0 Código Tributário Nacional, em seus arts. 3° e 142, estabelece que esta atividade de lançamento é plenamente vinculada, assim, cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. 0 imposto, por definição (CTN. art.3°), não pode ser usado como sanção. Para a exigência de crédito tributário sob a acusação de omissão de receitas, referida circunstância deve ser conhecida e devidamente comprovada pois, caso contrario, estaria se lançando tributo de forma presuntiva e não prevista em lei. A legislação de regência autoriza a autuação por presunção somente nos casos especificamente previstos, tais como, saldo credor de caixa, passivo fictício, suprimentos não comprovados, etc., porém, é indispensável que a irregularidade fiscal fique devidamente caracterizada e demonstrada na acusação fiscal. O próprio diploma legal estabelece os limites da presunção. Fora disso, a autuação por omissão de receita deve ser assentada em dados concretos, objetivos e não em circunstâncias não suficientemente provadas, que se mostrem incapazes de estabelecer fonte segura para o convencimento do julgador. Quando o auto de infração trata de omissão de receita, o ônus da prova é de inteira responsabilidade do Fisco que, para tanto, tem poderes de investigação não apenas sobre o contribuinte como sobre terceiros, ligados ou não à operação, desde que sobre ela. E desses poderes, na apuração da verdade material, não pode abdicar. Não é licito formular acusação de omissão de receitas sob o simples fato de que o contribuinte teria emitido notas fiscais de transferências de produtos com algumas falhas e/ou omissões, com a finalidade de beneficiamento por parte de sua filial. Sobre a matéria em pauta, Alberto Xavier nos ensina in "Do Lançamento Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário, Ed. Forense, p. 146/147: "Dever de prova e "in dubio contra fiscum" Que o encargo da prova no procedimento administrativo de lançamento incumbe a Administração fiscal, de modo que em caso de subsistir a incerteza por falta de prova, esta deve abster- se de praticar o lançamento ou deve praticá-lo com um conteúdo quantitativo inferior, resulta claramente da existência de normas excepcionais que invertem o dever da prova e que são as presunções legais relativas. Com efeito, a lei fiscal não raro estabelece presunções deste tipo em beneficio do Fisco, 9 liberando-o deste modo do concreto encargo probatório que na sua ausência cumpriria realizar; nestes termos a Administraçao fiscal exonerar-se-á do seu encargo probatório pela simples prova do fato índice, competindo ao particular a demonstração do contrário. É o que resulta do sç 3° do artigo 9° do Decreto-lei n° 1.598/77, ao afirmar que a regra de que cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados na contabilidade regular não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova dos fatos registrados na sua escrituração." No presente caso, olvidou-se o autuante, de investigar mais a fundo a ocorrência da omissão e comprová-la. Além disso, o fato de não ter a contribuinte respondido a contento As intimações feitas pela fiscalização, por si só, não autoriza a presunção de omissão de receitas através de eventuais irregularidades no preenchimento de notas fiscais de simples remessas de mercadorias. A autoridade fiscal não procedeu a qualquer levantamento contábil a nível de estoques. Também não realizou qualquer procedimento de circularização, para confirmar sua suspicácia. Deixou de aprofundar as investigações e a coleta de provas concretas e seguras capazes de autorizar a convicção de que o contribuinte agiu de forma a subtrair receitas da tributação para confirmar ou não as conclusões hauridas dos indícios apurados. Afinal, trata-se de uma presunção comum ou de "hominis" extraída dos indícios apurados e que podem se prestar a conclusões diversas. Os argumentos apresentados pela recorrente procedem. O lançamento não tem a necessária consistência para justificar a acusação de desvio de receitas da fiscalizada. Pelas razões acima expostas, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. 1 0
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Numero do processo: 35464.000911/2006-68
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CESSÃO
DE MÃO-DE-OBRA TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA.
As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade
exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
O deslocamento da regra decadencial geral dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação do artigo 150, § 4°, do CTN para o
mandamento do artigo 173, inciso I, do CTN exige da autoridade lançadora o ônus da prova de que o contribuinte não efetuou nenhum recolhimento de contribuições previdenciárias. E isso não ocorreu. Não se pode presumir a ausência de pagamento, sendo que o caso em apreço envolve, unicamente, a exigência de contribuições previdenciárias em razão da solidariedade na
prestação de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra.
Lançamento atingido pela decadência, inclusive quanto aos fatos ocorridos na competência 12/1998.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.660
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior e Marcelo Oliveira que davam provimento.
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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E OUTRO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CESSÃO DE MÃODEOBRA TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA. As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. 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Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 09/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 35464.000911/200668 Acórdão n.º 920201.660 CSRFT2 Fl. 255 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior e Marcelo Oliveira que davam provimento. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 04/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Em face de Nestlé Brasil Ltda., CNPJ n° 60.409.075/000152, foi lavrada a notificação fiscal de lançamento de débito n° 35.787.5656 (fls. 0129), para a exigência de contribuições previdenciárias devidas pela empresa a título de solidariedade na prestação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra pela pessoa jurídica Maxtempo Serviços Temporários Ltda., CNPJ n° 67.446.112/000141, relativamente a fatos ocorridos entre as competências 01/1994 e 12/1998. A ciência do lançamento se deu em 17/12/2004 (fls. 01). A Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária em São Paulo – Sul considerou a exigência procedente (fls. 119139). Apreciando o recurso voluntário interposto pela contribuinte, a Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão n° 20601.330, que se encontra às fls. 200212, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. 05 ANOS. SÚMULA VINCULANTE. STF. I Na esteira da jurisprudência do STJ, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e da própria sumula vinculante n° Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 09/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 35464.000911/200668 Acórdão n.º 920201.660 CSRFT2 Fl. 256 3 8 do Egrégio STF é de 05 anos a decadência das contribuições sociais. Recurso Voluntário Provido. A decisão recorrida acordou, “I) por unanimidade de votos em acolher a preliminar de decadência, para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre os fatos ocorridos até a competência 11/98; II) por maioria de votos em declarar a decadência das contribuições incidentes sobre os fatos geradores ocorridos até a competência 12/98. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por declarar a decadência somente até 11/98. Apresentará Declaração de Voto o(a) Conselheiro(a) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.” Intimada deste acórdão em 22/04/2009 (fls. 213), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, recurso especial às fls. 217225, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Insurgese a União em face do acórdão proferido pela Câmara a quo que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso do contribuinte, para reconhecer a decadência do crédito tributário, com fulcro no art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional; b) A conclusão da Câmara foi no sentido de declarar, por unanimidade, a decadência para os fatos geradores ocorridos até 11/98; e, por maioria, declarar a decadência das contribuições para os fatos geradores ocorridos até 12/98; c) Quanto à parte unânime, não há reparos na decisão proferida. Porém, em relação ao reconhecimento de decadência para os fatos geradores ocorridos após 11/98 e até 12/98, resta violado o artigo 173, I, do CTN; d) Isso porque o acórdão nãounânime aplicou a regra contida no artigo 150, §4°, CTN, mesmo inexistindo pagamento, ainda que parcial, para as contribuições exigidas; e) Entretanto, a regra contida no artigo 173, I, do CTN é regra geral, cuja aplicação, segundo a jurisprudência do STJ (RESP 766.050/PR), ao caso concreto deve prevalecer, em razão da ausência de pagamentos feitos pelo contribuinte, ainda que parciais, conforme DAD (Discriminativo Analítico de Débito), fls. 04/10, e relatório fiscal, fls. 35/42, pois quando não há antecipação de pagamento por parte do contribuinte, não há o que homologar, incumbindo ao fisco o lançamento de ofício dos valores devidos e não pagos; f) Assim, a decisão recorrida violou o artigo 173, I, CTN; g) Para o caso presente, impende destacar que não se operou lançamento por homologação algum, afinal a contribuinte não antecipou o pagamento do tributo; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 09/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 35464.000911/200668 Acórdão n.º 920201.660 CSRFT2 Fl. 257 4 h) O Col. Superior Tribunal de Justiça, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4° e 173, I, do CTN, entende que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue a disciplina normativa do art. 173, inciso I, do CTN; i) Assim, incabível a tese de lançamento por homologação e aplicação do artigo 150, §4°, CTN, pois que se aplica ao caso o artigo 173, I, do CTN; j) Dessa forma, para a competência 12/98 não se operou a decadência, nos termos do artigo 173, I, do CTN. Isso porque a competência 12/98 só é exigível em 01/99 e o termo inicial do prazo decadencial começou em 01/01/2000 e terminou em 31/12/2004, sendo que a decadência se operaria em 01/01/05, como a ciência do contribuinte ocorreu em 17/12/04, não houve decadência para o período ora questionado; k) Dessa forma, não houve decadência para a competência 12/98. l) Requer seja admitido o presente recurso, em razão da violação ao artigo 173, I, do CTN, e, no mérito, que lhe seja dado provimento para reformar o acórdão recorrido para afastar a decadência da competência 12/98, nos termos da norma legal violada. Admitido o recurso por meio do Despacho n° 2400249/2009 (fls. 226227), a contribuinte foi intimada e, devidamente representada, apresentou contrarrazões às fls. 242 250 (Volume II), onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 09/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 35464.000911/200668 Acórdão n.º 920201.660 CSRFT2 Fl. 258 5 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolheu a decadência para os fatos ocorridos até a competência 11/1998 e, por maioria de votos, para os fatos ocorridos até a competência 12/1998. A insurgência da recorrente está relacionada à decadência para a competência 12/1998 e sua pretensão é no sentido de que se aplique ao caso da regra do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, em razão da ausência de pagamento. Eis a matéria em litígio. Segundo a legislação e de acordo com a jurisprudência pacífica desta Corte Administrativa, as contribuições previdenciárias em apreço são tributos sujeitos ao regime do chamado lançamento por homologação, já que cabe aos contribuintes a apuração das suas base de cálculo e o recolhimento dos montantes devidos, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá, homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A homologação expressa, para os tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, deve se dar no prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse prazo, sem ter sido lavrado lançamento de ofício pela autoridade administrativa, considerase homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, que prevê: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 09/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 35464.000911/200668 Acórdão n.º 920201.660 CSRFT2 Fl. 259 6 O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário. Considerando que o caso em apreço envolve fatos geradores ocorridos nas competências compreendidas entre 01/1994 e 12/1998 e diante do fato de que o sujeito passivo da obrigação tributária tomou ciência da notificação fiscal de lançamento de débito em 17/12/2004 (fls. 01), concluo que a decisão recorrida deve ser confirmada, pois a decadência impede a manutenção do lançamento. Na visão deste julgador, como não se imputou à empresa as condutas de dolo, fraude ou simulação, inexiste fundamento legal que justifique a contagem do prazo decadencial da forma prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Entendo que para o início da contagem do prazo decadencial relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a existência ou não de pagamento antecipado é irrelevante. A homologação é da atividade e não do pagamento. Esta é a minha posição a respeito da matéria. Contudo, não posso deixar de observar a regra prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, segundo a qual: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Com relação à decadência, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ proferiu acórdão com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 09/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 35464.000911/200668 Acórdão n.º 920201.660 CSRFT2 Fl. 260 7 débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, Primeira Seção, REsp n° 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, DJE de 18/09/2009) Segundo penso, o deslocamento da regra decadencial geral dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação do artigo 150, § 4°, do CTN para o mandamento do Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 09/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 35464.000911/200668 Acórdão n.º 920201.660 CSRFT2 Fl. 261 8 artigo 173, inciso I, do CTN exige da autoridade lançadora o ônus da prova de que o contribuinte não efetuou nenhum recolhimento de contribuições previdenciárias. E isso não ocorreu. Não se pode presumir a ausência de pagamento, lembrando que o caso em apreço envolve, unicamente, a exigência de contribuições previdenciárias em razão da solidariedade na prestação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra pela pessoa jurídica Maxtempo Serviços Temporários Ltda., CNPJ n° 67.446.112/000141. Portanto, o ensinamento jurisprudencial do Egrégio STJ não socorre a tese defendida pela recorrente. Sendo assim, a decadência fulminou o lançamento, inclusive quanto ao fato gerador ocorrido na competência 12/1998, de modo que a decisão recorrida merece ser confirmada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 8DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 09/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10980.000953/00-72
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 13 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Dec 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1990
PAGAMENTO COM BASE NO ART. 17 DA LEI Nº 9.779/79. APLICABILIDADE.
A quitação de tributos com a dispensa de multa e juros de mora prevista no art. 17 da Lei nº 9.779/99 atinge as situações albergadas pela MP 18588, naquilo que estendeu o alcance do dispositivo em questão.
Numero da decisão: 9101-000.756
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
Matéria: ITR - processos que ñ versem s/ exigência de cred.tribut(NT)
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 1990 Ementa: PAGAMENTO COM BASE NO ART. 17 DA LEI Nº 9.779/79. APLICABILIDADE. A quitação de tributos com a dispensa de multa e juros de mora prevista no art. 17 da Lei nº 9.779/99 atinge as situações albergadas pela MP 18588, naquilo que estendeu o alcance do dispositivo em questão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. CAIO MARCOS CÂNDIDO – Presidente Substituto LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros. Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente à época do julgamento), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karen Jureidini Dias, Claudemir Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O Processo nº 10980.000953/0072 Acórdão n.º 9101 000.756 CSRFT1 Fl. 2 2 Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho,Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Suzy Gomes Hoffman. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O Processo nº 10980.000953/0072 Acórdão n.º 9101 000.756 CSRFT1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente de requerimento do sujeito passivo para efetuar pagamentos da CSLL referentes ao anocalendário de 1990 sob as regras do art. 17, da Lei nº 9.779/99. O pedido foi apreciado em primeiro lugar pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba que indeferiu o pleito (fls.63/67) no entendimento de que o benefício não poderia ser utilizado em situações na quais transitou em julgado a ação judicial concernente ao débito a ser pago, nos termos estabelecidos na IN/SRF nº 26/99. Irresignada, a interessada apresentou impugnação (fls. 70/79, com documentos de fls. 80/120) sustentando que as alterações efetuadas no art. 17, da Lei nº 9.779/99 pela MP 1.858/899 ampliaram o alcance das hipóteses abrangidas pela norma em comento. Dentre essa extensão, incluíramse quaisquer ações que tivessem sido ajuizadas até 31/12/1988, como é o caso. Afirmou ainda que não consta na legislação nenhuma restrição quanto ao trânsito em julgado da ação e um ato normativo interno não poderia estabelecer tal restrição. A Delegacia de Julgamento prolatou o Acórdão DRJ/CTA nº 265/2001 (fls. 160/170) mantendo o entendimento anteriormente exarado. Acrescentou que a Nota MF/SRF/Cosit/Coope nº 535 corroborou os termos da IN e ressaltou que, nos termos do art. 17, caput,c/c § 1º, I, e § 2º, I, da Lei nº 9.779/99, o benefício somente se aplicaria aos pagamentos referentes a fatos geradores posteriores à decisão do STF que declarou a constitucionalidade da exação, o que teria sido o caso. Em recurso voluntário (fls. 173/192, com documentos de fls. 193/247) a interessada reiterou as argumentações expedidas na peça impugnatória e reclamou que a análise da autoridade julgadora não levou em consideração as alterações na redação do art. 17, da Lei nº 9.779/99 feitas pela MP nº 1.8588/99. A antiga 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes prolatou o Acórdão 105 14.357 (fls. 252/260) dando integral provimento ao recurso. Corroborou o argumento do sujeito passivo no sentido de que análise da autoridade julgadora seguiu exclusivamente a ótica da Lei nº 9.779/99, sem considerar as alterações nela efetuadas e acrescentou que a jurisprudência do Conselho de Contribuintes está consolidada quanto à desnecessidade da ação judicial estar em curso. Contra essa decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 278/282) onde, apesar de admitir a inexistência de dispositivo vinculando o usufruto do benefício às situações em que a ação esteja em curso, sustenta que prevalece a restrição no que se refere à necessidade dos fatos geradores objetos dos pagamentos serem anteriores à decisão do STF que considerou constitucional a exigência da CSLL, com as exceções ali previstas. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O Processo nº 10980.000953/0072 Acórdão n.º 9101 000.756 CSRFT1 Fl. 4 4 No juízo de admissibilidade , o Sr. Presidente da antiga 5ª Câmara do 1º CC prolatou o Despacho PRESI – 287A/2005 (fls. 284/285) negando seguimento ao recurso por entender que não teria sido demonstrada a contrariedade à lei. Contra esse despacho a Fazenda Nacional interpôs agravo (fls. 287/297) cujo exame (fls. 300/302) implicou na reforma do despacho e admissão do recurso especial. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O Processo nº 10980.000953/0072 Acórdão n.º 9101 000.756 CSRFT1 Fl. 5 5 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Relator Nas razões recursais, a Fazenda Nacional reconhece que a decisão recorrida manifestouse de acordo com o posicionamento da PGFN no que se refere à possibilidade de usufruto do benefício estabelecido no art. 17, da Lei nº 9.779/99. pelas empresas que tenham ajuizado ação até 31/12/1998, mesmo que a mencionada ação já tenha transitado em julgado naquela data. Isso porque as modificações trazidas ao dispositivo em questão pela MP nº 1.8588/99 estenderam o alcance da norma exonerativa a outras situações, inclusive àquelas mencionadas no parágrafo anterior, nos termos do inciso III, do § 1º, do art. 10, daquele artigo, nova redação. No entendimento da recorrente, mesmo superada essa questão, a interessada não poderia efetuar pagamentos sob a norma em comento em função dos fatos geradores abrangidos pelo pedido terem ocorrido anteriormente à decisão do STF que declarou a constitucionalidade da exigência da CSLL. A meu ver, o recurso não merece guarida. Em primeira apreciação, a Delegacia da Receita Federal em Curitiba prolatou despacho negando provimento ao pedido e manifestando como razão de decidir exclusivamente o fato da ação judicial ter transitado em julgado. Ora, a própria Fazenda Nacional reconheceu que tal fato não seria motivo para negar o usufruto do benefício. Assim, se o despacho tivesse sido proferido em sintonia com o entendimento da PGFN, o benefício não poderia ter sido negado naquele momento. A circunstância dos fatos geradores terem ocorrido antes do Acórdão do STF que declarou a constitucionalidade da exação, o que impediria o usufruto do benefício, só foi argüida pela Delegacia de Julgamento. Pareceme aqui estar caracterizada irregularidade insanável, pois não pode a autoridade administrativa trazer, a cada momento processual, um motivo diferente para negar o pleito do administrado. Tal procedimento viola frontalmente a segurança jurídica e o direito de defesa. Mesmo que fosse superada tal mácula, ainda assim não assistiria razão à Fazenda Nacional. O voto condutor da decisão recorrida manifestouse com precisão quanto ao fato da Delegacia de Julgamento ter analisado a questão sob a ótica do art. 17, da Lei nº 9.779/99, sem avaliar o impacto das modificações introduzidas pela MP nº 1.8588/99. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O Processo nº 10980.000953/0072 Acórdão n.º 9101 000.756 CSRFT1 Fl. 6 6 Como já afirmado, a Fazenda Nacional reconheceu essa circunstância ao admitir que o trânsito em julgado da ação judicial não seria óbice ao deferimento do pleito, desde que o ajuizamento tenha ocorrido até 31/12/1998. Essa disposição foi trazida justamente pela MP nº1.8588/99. No entanto, a recorrente não levou em consideração outras modificações que também implicaram em extensão da norma exonerativa a situações antes não previstas. Uma delas estabelece que a abrangência atinge todos os fatos geradores alcançados pelo pedido concernente à ação judicial. Vejase o texto, já com as alterações sob exame (destaques acrescidos): Art. 17. Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal. § 1o O disposto neste artigo estendese: (......) III aos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União. § 2o O pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador: (.....) III alcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o. (......) Pelo exame das peças judiciais trazidas aos autos, não há dúvidas de que o anocalendário de 1990 estava incluído na ação judicial, até porque o pleito dirigiuse contra a exação como um todo, sem limitação a qualquer período. Assim, superada a questão do trânsito em julgado da ação judicial, pareceme clara a extensão da norma às ações formalizadas até 31/12/1998 e aos fatos geradores incluídos no pedido. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O Processo nº 10980.000953/0072 Acórdão n.º 9101 000.756 CSRFT1 Fl. 7 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O
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Numero do processo: 36378.005165/2006-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1994 a 30/11/1999
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. SALÁRIO INDIRETO. DIFERENÇA.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida
(salário normal), fato relevante para aqueles que sustentam ser determinante para aplicação do instituto, os quais se quedaram às conclusões do Conselheiro Relator em virtude de aludido fato.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.270
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalháes de Oliveira
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. SALÁRIO INDIRETO. DIFERENÇA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicouse o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), fato relevante para aqueles que sustentam ser determinante para aplicação do instituto, os quais se quedaram às conclusões do Conselheiro Relator em virtude de aludido fato. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 21/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO 2 Caio Marcos Candido – PresidenteSubstituto Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Caio Marcos Candido (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório FIAT AUTOMÓVEIS S/A, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 35.524.9243, referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, correspondentes a parte da empresa, dos segurados, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas a Terceiros (INCRA E SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, assim considerada a alimentação (Cesta Básica “in natura”) concedida sem a devida inscrição/convênio no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, infringindo o disposto no artigo 28, § 9º, alínea “c”, da Lei nº 8.212/91, em relação ao período de 01/1994 a 11/1999, conforme Relatório Fiscal, às fls. 100/107. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Segundo Conselho de Contribuintes contra decisão da SRP em Belo Horizonte/MG, DN nº 11.401.4/0916/2006, às fls. 397/406, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a egrégia 6ª Câmara, em 04/09/2008, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e DARLHE PROVIMENTO, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 20601.305, com sua ementa abaixo transcrita: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1994 a 30/11/1999 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. 05 ANOS. SUMULA VINCULANTE. STF. SALÁRIO INDIRETO. MAJORAÇÃO BASE DE CÁLCULO. ART. 150 § 4º DO CTN. I Na esteira da jurisprudência do STJ, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e da própria sumula vinculante nº 8 do Egrégio STF é de 05 anos a decadência das contribuições sociais. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 21/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO Processo nº 36378.005165/200631 Acórdão n.º 920201.270 CSRFT2 Fl. 2 3 II Tratandose de tributação de salário indireto, há apenas majoração da base calculada do tributo ensejando a incidência, portanto da regra contida no art. 150, § 4º do CTN. Recurso Voluntário Provido.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 509/513, com arrimo no artigo 7º, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado a legislação que contempla a matéria, mais precisamente os artigos 150, § 4°, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à contrariedade à lei argüida. Sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, corroborada pelo entendimento adotado no Superior Tribunal de Justiça, estabelece que a aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4º, do CTN, pressupõe a antecipação de pagamento, ainda que parcialmente. Contrapõese ao Acórdão recorrido, por entender que o artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, estaria dispondo sobre prazo para o ato de “homologação” de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento. Assevera que inexistindo recolhimento, ou seja, antecipação de pagamento não há o que se homologar, não estando o lançamento de ofício previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, mas, sim, no artigo 173, inciso I, daquele Diploma legal, conforme doutrina transcrita na peça recursal. Em defesa de sua pretensão, infere que adotandose o artigo 173, inciso I, do CTN, o prazo decadencial começaria a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. In casu, estariam decaídas as competências apenas até 11/1998, na forma que votaram as Conselheiras vencidas, não podendo prevalecer o entendimento do Acórdão recorrido. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do Procurador, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido, em tese, contrariou a legislação tributária, especialmente o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, conforme Despacho nº 2400248/2009, às fls. 514/515. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 21/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO 4 Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Procuradoria, a contribuinte ofereceu suas contrarrazões, às fls. 520/527, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, trazendo à colação jurisprudência judicial e administrativa ratificando seu entendimento, sobretudo quando a matéria já se encontra pacificada na CSRF. É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a contrariedade à lei suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, tratase de notificação fiscal exigindo contribuições previdenciárias incidentes sobre as importâncias concedidas aos segurados empregados da notificada a título de Alimentação (Cestas Básicas “in natura”), sem a devida inscrição no PAT, contrariando a legislação de regência, configurando, por conseguinte, salário indireto. Por sua vez, ao analisar o caso, a Câmara recorrida achou por bem rechaçar a pretensão fiscal, aplicando o prazo decadencial insculpido no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, restando decaída integralidade do crédito tributário. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional, interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a legislação de regência, notadamente os artigos 150, § 4°, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional e, bem assim a jurisprudência deste Colegiado e do Superior Tribunal de Justiça a propósito da matéria, a qual exige a existência de recolhimentos, ou seja, a antecipação de pagamento para que se aplique o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo sejam levados a efeito os ditames do artigo 173, inciso I, uma vez que inexistindo autolançamento do contribuinte, com antecipação de pagamento, não há o que se homologar. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da simples análise dos autos, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 21/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO Processo nº 36378.005165/200631 Acórdão n.º 920201.270 CSRFT2 Fl. 3 5 I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 21/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO 6 conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), firmou o entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 21/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO Processo nº 36378.005165/200631 Acórdão n.º 920201.270 CSRFT2 Fl. 4 7 onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na hipótese dos autos, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, por tratase de salário indireto, portanto, diferenças de contribuições, uma vez que a contribuinte promoveu o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), fato relevante para aqueles que sustentam ser determinante à aplicação do instituto, entendimento não compartilhado por este Conselheiro. Assim, ocorrendo à comprovação de recolhimentos, em virtude dos fatos encimados, concordam os Conselheiros desta Colenda Câmara, à sua maioria, pela aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, uns pela natureza do tributo outros pela antecipação de Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 21/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO 8 pagamento, devendo ser acolhido o pleito da contribuinte para restabelecer a ordem nesse sentido. Dessa forma, é de se manter a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, na forma do artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, em observância aos preceitos consignados na Constituição Federal, CTN, jurisprudência pacífica e doutrina majoritária. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 29/12/2004, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da notificação, a exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, uma vez que os fatos geradores ocorreram no período de 01/1994 a 11/1999, fora, portanto, do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, impondo seja decretada a improcedência do feito. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela então 6ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 21/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO
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Numero do processo: 13807.001607/2003-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 1999
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC.
Para fins de deferimento do PERC, a exigência de comprovação de
regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37).
Numero da decisão: 1402-000.776
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para prosseguimento na análise do PERC.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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IND E COM DE MODAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. Para fins de deferimento do PERC, a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para prosseguimento na análise do PERC. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13807.001607/200324 Acórdão n.º 140200.776 S1C4T2 Fl. 159 2 Relatório T.F. Indústria e Comércio de Modas Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 7ª Turma da DRJ São Paulo 01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “O presente processo versa acerca de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), protocolado em 28/02/2003, atinente à Declaração de Informações Econômico Fiscais de Pessoa Jurídica (DIPJ) do Exercício 2000 AnoCalendário 1999, formulado pela pessoa jurídica em epígrafe, ante a ocorrência consignada em Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais (fl. 3), cujas inconsistências nele relatadas provocaram a redução e/ou cancelamento dos valores de imposto de renda aplicados no FINOR, outrora manifestada na declaração em referência (Ficha 16 Aplicações em Incentivos Fiscais). A análise preliminar do direito pleiteado foi realizada com base na Norma de Execução NE/SRF/COSIT n° 3, de 13/09/2002, segundo a qual restou constatado que o interessado apresentava pendências impeditivas à liberação do incentivo fiscal. Defronte as pendências impeditivas caracterizadas no exame inaugural do pleito em questão, a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo/SP (DERAT/SP), procedeu a lavratura da Intimação n° 3.287/2008, de 16/06/2008, cientificando o requerente, por via postal, em 24/06/2009 (fl. 41 frente e verso), concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para a solução das irregularidades, sob pena de indeferimento do pedido. Subseqüentemente, a unidade administrativa realizou nova análise da situação cadastral do contribuinte, constatando que restavam pendências junto ao FGTS (fl. 58 e 67), computada em nome de empresa incorporada em 31/01/2002 (fls. 47/48), ensejando a manutenção do impedimento legal de liberação do benefício fiscal. Assim, diante do fato da concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal concernente a impostos e contribuição federais administrados da Secretaria da Receita Federal do Brasil estar condicionada à comprovação de quitação dos tributos, nos termos do art. 60 da Lei n° 9.065, de 1995, o DIORT/DERAT/SP proferiu despacho decisório indeferindo o aludido pedido de revisão (fl. 68). Regularmente notificado dos termos da decisão administrativa supracitada em 25/11/2008, por via postal, consoante AR anexado ao verso da Intimação n° 6449/2008, de 19/11/2008 (fl. 69), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 19/12/2008 (fls. 70/77), segundo a qual requer o restabelecimento da análise do pleito, em síntese, apoiandose nas seguintes alegações de fato e de direito: 1) Inicialmente, após breve relato dos fatos e menção da íntegra do art. 60, caput da Lei n° 9.065, de 1995, argumenta que a comprovação de quitação Fl. 354DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13807.001607/200324 Acórdão n.º 140200.776 S1C4T2 Fl. 160 3 indicada na base legal de referência, referese a tributos e contribuições federais; 2) Amparandose em interpretações concernentes a doutrina tributária e jurisprudência do STF e STJ, complementa suas argüições no sentido de asseverar que as contribuições relativas ao FGTS não possuem natureza tributária, logo, não se inserindo na exigência disciplinada pelo art. 60, caput da Lei n° 9.065, de 1995, assim, afastandose o condicionamento de comprovação de quitação das referidas contribuições; 3) Resgatando ementas de decisões proferidas pelo Conselho de Contribuintes, assegura que emitiu e apresentou Certidão Negativa de Débitos, comprovando a regularidade fiscal da entidade, razão pela qual entende que o PERC deve ser devidamente analisado; 4) Finalmente, reivindica que não há como prosperar o entendimento firmado pelo parecer exarado pela DIORT/DERAT/SP, devendo ser acolhido e analisado o PERC, ante a demonstração de que o manifestante promoveu o devido ateste da regularidade fiscal da empresa, conforme se nota pelo teor das decisões predominantes do Conselho de Contribuintes. Ato continuo, a autoridade preparadora encaminha os autos à DRJ/SPOI para julgamento da manifestação de inconformidade. É o relatório.” Na decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 22.110 (fls. 9097) de 08/07/2009, por unanimidade de votos, indeferiuse a solicitação da interessada nos termos representados em sua ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 INCENTIVO FISCAL. FINOR. REQUISITOS. A situação de irregularidade fiscal do contribuinte apurada pela autoridade administrativa perante a RFB, PGFN, INSS, FGTS, ou no CADIN impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo aquelas proferidas pelos Conselhos de Contribuintes e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, e as judiciais, excetuandose as súmulas e/ou sentenças prolatadas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não vinculam as instâncias julgadoras, restringindose às matérias e às partes envolvidas no litígio. Solicitação Indeferida.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 03/08/2009 (A.R. de fl. 98v), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 02/09/2009 (fls. 140146) no qual reforçou as alegações da peça impugnatória. É o relatório. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13807.001607/200324 Acórdão n.º 140200.776 S1C4T2 Fl. 161 4 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. No que diz respeito ao preenchimento dos requisitos necessários à obtenção do benefício, digno de destaque é o disposto no art. 60, da Lei n° 9.069/95, que orienta a administração tributária nos procedimentos de reconhecimento de benefícios fiscais, a saber: "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais." Não há dúvidas de que o contribuinte, para obter a concessão ou reconhecimento de um benefício fiscal deve estar quite com a Receita Federal. A controvérsia, diante da lacuna da lei, é o momento para sua aferição: i) sempre que se analisar o pedido, ii) no momento de sua concessão ou iii) quando o contribuinte pleiteia o benefício fiscal. A Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em acórdão da lavra da Conselheira Sandra Maria Faroni, entendeu que para fins de cumprimento do aludido art. 60, o momento em que se deve verificar a quitação de tributos e contribuições federais é o momento em que o contribuinte indica a opção em sua declaração de rendimentos. Afastando quaisquer dúvidas, o enunciado nº 37 da súmula do CARF estabelece: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Ressaltese que, conforme sumulado, é admitida a prova da quitação a qualquer momento do processo administrativo. Ademais, conforme voto do relator do acórdão da DRJ (trecho abaixo transcrito, fl. 94/95), não constava dos autos documentos capazes de comprovar a regularidade fiscal da requerente em momento distinto da situação correspondente à época da confecção do seu voto. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13807.001607/200324 Acórdão n.º 140200.776 S1C4T2 Fl. 162 5 “Finalmente, no tocante às pendências pertinentes ao FGTS, vale frisar que a prova da regularização da pendência deveria ter sido realizada, à época dos fatos, mediante juntada de Certificado de Regularidade, cuja apresentação é obrigatória nas situações de concessão e reconhecimento de benefício fiscal, consoante se depreende da redação abaixo transcrita: [...] Cabe ressaltar, entretanto, que a comprovação da eventual regularização da pendência restritiva, noticiada à época dos fatos, ainda poderia ter sido levada a efeito na fase de litigiosa do procedimento, objetivando a exeqüibilidade dos meios probatórios que fundamentassem as contrarazões interpostas pelo contribuinte.” Nesse sentido, considerando que o sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o benefício, mas sim, condicionar seu gozo à quitação do débito, não sendo possível identificar que na data da entrega da declaração o contribuinte possuía débitos de tributos ou contribuições federais, deverá ser considerada a regularidade comprovada nos autos. Novos débitos que surjam após a data da entrega da declaração influenciarão a concessão do benefício em anos calendários subseqüentes. Outrossim, verifico que nem a DRF de origem, nem a DRJ, apreciaram os demais requisitos para a concessão do incentivo. Pelo exposto, conheço e dou provimento parcial ao recurso para determinar a remessa dos autos à Unidade de origem para que se prossiga na análise do pedido de revisão. Sala das Sessões, em 20 de outubro de 2011. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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