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Numero do processo: 10907.002580/2008-85
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 26/05/2004 a 19/09/2004
MULTA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DO EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória e após o desembaraço da mercadoria, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque anteriormente declarado em Declaração de Despacho de Exportação (DDE).
Numero da decisão: 3803-003.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente).
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 26/05/2004 a 19/09/2004 MULTA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DO EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória e após o desembaraço da mercadoria, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque anteriormente declarado em Declaração de Despacho de Exportação (DDE). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente). (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 25 80 /2 00 8- 85 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10907.002580/200885 Acórdão n.º 3803003.959 S3TE03 Fl. 135 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 115 a 121) interposto em contraposição à decisão da DRJ Florianópolis/SC (fls. 96 a 110) que julgou procedente em parte a Impugnação apresentada pelo contribuinte (fls. 42 a 53), esta manejada em oposição ao auto de infração (fls. 1 a 6) lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 25.000,00, referente à multa regulamentar de R$ 5.000,00 por navio decorrente da prestação de informação intempestiva sobre veículo ou carga transportada. Consta do auto de infração que o contribuinte deixara de registrar no Siscomex os dados de embarque de mercadorias despachadas por meio das Declarações de Despacho de Exportação (DDE) na forma e no prazo estabelecidos no art. 37 da IN SRF n° 28/1994, com redação dada pela IN SRF n° 510/2005. De acordo com consultas efetuadas no Siscomex (fls. 12 a 38), as mercadorias foram embarcadas, mas registradas após o prazo de 7 (sete) dias contados da data do embarque, configurandose a infração prevista na alínea "e", inciso IV, do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003. Cientificado do auto de infração, o contribuinte apresentou Impugnação e requereu o cancelamento do auto de infração, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) ilegitimidade passiva, por se tratar de mera agência de navegação marítima da empresa transportadora, não sendo nem responsável tributária nem equiparada à transportadora; b) de acordo com decisões de tribunais e a Súmula nº 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), o exercício das funções de agente marítimo não o equipara ao transportador, agindo o agente em nome do armador, mas com este não se confundindo, não podendo, por isso, ser pessoalmente responsabilizado pela autuação; c) a obrigação não pode ser exigida do agente marítimo por impossibilidade factual, pois o exportador é o único que detém a informação necessária à alimentação do Siscomex, não podendo o agente fiscal autorizar ao exportador o fornecimento da DDE e o lançamento no sistema Siscomex no prazo de dez dias e, ao mesmo tempo, exigir do transportador, no prazo de 7 dias, a inserção dos dados no sistema, incluído aí o número da DDE, o que configura uma exigência de cumprimento impossível; d) a autoridade fiscal não poderia se valer da posterior alteração do art. 37 promovida pela Instrução Normativa n° 510/2005, pois o alegado ilícito ocorrera em 2004; e) violação do principio da reserva legal, tendo em vista que o Siscomex exige o que não é previsto no comando cogente, contrariando até mesmo a própria instrução normativa que o regula. A DRJ Florianópolis/SC acolheu em parte os argumentos do então Impugnante, decidindo por cancelar parte do auto de infração relativamente a 4 embarques, por se tratar de hipóteses de registro de declaração de exportação a posteriori, operação essa Fl. 135DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10907.002580/200885 Acórdão n.º 3803003.959 S3TE03 Fl. 136 3 autorizada pelos artigos 52 e 56 da IN SRF nº 28/1994. Segundo o julgador, nas situações da espécie, o registro do despacho no Siscomex no prazo de 7 dias se torna impróprio, pois a informação relativa ao embarque só poderá ser registrada pelo transportador após o registro da respectiva declaração de exportação, o que pode ser concretizado no prazo de dez dias. Quanto à alegação de ilegitimidade passiva, arguiu o julgador de piso que, de acordo com os extratos de "Consulta Dados de Embarque" (fls. 12 a 58), o contribuinte constava no sistema na condição de transportador, pois era ele quem informava no Siscomex os dados relativos à mercadoria exportada. Além disso, os documentos acostados aos autos indicariam que o autuado atuava como representante do transportador estrangeiro, executando diretamente a tarefa de apor no Siscomex os referidos "dados de embarque". Tratandose de responsável do transportador estrangeiro no País, o contribuinte seria responsável solidário pelo pagamento do imposto de importação em razão da transferência de responsabilidade pelo pagamento desse imposto, nos termos do inciso II do parágrafo único do art. 32 do DecretoLei n.° 37, de 1966, com redação dada pelo DecretoLei n 9.2.472, de 1988. Da mesma forma, a responsabilidade de quem representa o transportador, desincumbindose do cumprimento das obrigações acessórias que lhe são próprias, é expressa nos termos do inciso I do art. 95 do mesmo diploma legal, já que respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática.(fl. 97) No que tange ao entendimento constante da súmula 192 do TRF, segundo o julgador, há muito ele já se encontrava superado, “porquanto em flagrante desacordo com a legislação de regência, eis que o representante do transportador assume a responsabilidade de seu representado, inclusive quanto ao cumprimento das obrigações acessórias que lhe são próprias” (fl. 97verso), nos termos do inciso I do art. 95 do DecretoLei n.° 37/1966 e inciso II do art. 135 do Código Tributário Nacional (CTN). Quanto ao novo prazo de 7 dias fixado pela IN SRF n° 510, de 2005, para o relator a quo, ele se aplica retroativamente para regular os casos pretéritos não definitivamente julgados, por configurar hipótese mais benéfica ao sujeito passivo, aplicandose ao caso a retroatividade benigna prevista na alínea "b" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN). Cientificado da decisão em 13/2/2012 (fl. 113), o contribuinte interpôs, em 7/3/2012, o Recurso Voluntário e reiterou seu pedido de cancelamento total do auto de infração, centrando sua defesa nos seguintes argumentos: 1) ilegitimidade passiva ad causam do agente marítimo; 2) graduação ilegal da penalidade, pois, de acordo com o art. 99 do Decreto Lei nº 37, de 1966, apurandose no mesmo processo fiscal a prática de duas ou mais infrações, não se aplica a pena cumulativamente se as infrações forem idênticas; 3) nos termos do art. 108, § 2º, do CTN, deverseia aplicar ao caso a equidade, para afastar a injusta punição por alegados atrasos insignificantes, que não causaram nenhum dano ao Erário; Fl. 136DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10907.002580/200885 Acórdão n.º 3803003.959 S3TE03 Fl. 137 4 4) caráter confiscatório da multa; 5) necessidade de aplicação da denúncia espontânea, nos termos autorizados pelo art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, pelo fato de que prestara todas as informações relativas aos embarques antes de qualquer medida da fiscalização relacionada à alegada infração. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tendo sido cancelada a parcela do auto de infração relativa a registros de declaração de exportação a posteriori, permanece controvertido nesta instância apenas o restante da multa decorrente do registro intempestivo no Siscomex dos dados referentes ao embarque das mercadorias cujas declarações de exportação foram registradas anteriormente ao embarque. Passase à análise do Recurso Voluntário, partindose da premissa de que, nos termos da súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalide de lei tributária, em razão do que se tem por prejudicada a alegação de que a multa seria confiscatória, pela simples razão de que esta se encontra prevista em lei válida e vigente, de observância obrigatória por parte da Administração Pública, dado o caráter vinculado de sua atividade. 1. Preliminar. Ilegitimidade passiva. No que se refere à alegada ilegitimidade passiva do agente marítimo, conforme já destacou o julgador a quo, é possível verificar nos autos que o Recorrente se encontra identificado no Siscomex como transportador (fls. 12 a 58), atuando como mandatário do transportador estrangeiro no País. Nos termos do art. 32, parágrafo único, alínea “b”, e do art. 95, inciso I, do DecretoLei nº 37, de 1966, o representante do transportador estrangeiro no País é responsável solidário pelo imposto de importação e responde por eventuais infrações, conjunta ou isoladamente, quando concorrer para sua prática. Essa previsão legal encontrade em consonância com o contido no art. 135, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN), que estipula que os mandatários são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) assentou, em julgamento definitivo submetido à regra dos recursos repetitivos (art. 543C do Código de Processo Civil – CPC) que, após a alteração promovida pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, no art. 32 do DecretoLei nº 37, de 1966, o agente marítimo representante no País do transportador estrangeiro passou a Fl. 137DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10907.002580/200885 Acórdão n.º 3803003.959 S3TE03 Fl. 138 5 ser responsabilizado solidariamente, portanto, sem benefício de ordem, pelo cumprimento das obrigações tributárias decorrentes de sua atividade de representação. Diante da regra insculpida no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, a referida decisão do STJ deve ser reproduzida pelos conselheiros nos julgamentos no âmbito do CARF. Dessa forma, se o representante do transportador estrangeiro no País não cumpre as normas vigentes, inclusive aquelas relativas ao cumprimento de obrigações acessórias, ele responde pessoalmente pela infração, inexistindo, no presente caso, a alegada ilegitimidade na identificação do sujeito passivo, em razão do que se afasta a preliminar de nulidade arguida. 2. Mérito. Registrese que alguns dos argumentos de defesa foram trazidos aos autos somente em grau de recurso, não tendo sido apreciados na primeira instância administrativa, o que vai de encontro ao princípio do duplo grau de jurisdição. São as seguintes as inovações: (i) graduação ilegal da penalidade (art. 99 do DecretoLei nº 37, de 1966); (ii) aplicação da equidade (art. 108, § 2º, do CTN); e (iii) aplicação da denúncia espontânea (art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966). O primeiro argumento (graduação ilegal da penalidade) e o terceiro (denúncia espontânea), por se tratar de hipóteses, respectivamente, de nulidade do lançamento por inobservância de preceito legal e de matéria de ordem pública (excludente de punibilidade), eles devem ser analisados pelo julgador administrativo independentemente de pronúncia da parte, de sorte que, em relação a eles, não se tem por configurada a preclusão. 2.a – Aplicação da equidade. No que se refere à reclamada aplicação da equidade, de pronto, temse que, não bastasse a preclusão apontada, o seu atendimento se encontra totalmente impossibilitado, pois, conforme preceitua o caput do art. 108 do CTN, a utilização da equidade, assim como da analogia e dos princípios gerais de direito tributário e público, somente pode ocorrer nos casos de “ausência de disposição expressa”, o que não se coaduna com o presente caso, pois, aqui, se tem uma previsão legal de imposição de multa, válida e vigente, cujos contornos encontramse plenamente determinados, não reclamando por integração da norma tributária, nos moldes requeridos pelo Recorrente. 2.b – Graduação da penalidade. Ilegalidade. Quanto à alegada graduação ilegal da penalidade, partese do dispositivo legal apontado pelo Recorrente para se analisar a sua possível ocorrência: DecretoLei nº 37 de 1966: (...) Art. 99 – Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam se cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso , as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10907.002580/200885 Acórdão n.º 3803003.959 S3TE03 Fl. 139 6 Verificase do dispositivo supra que a regra é a aplicação cumulativa das penas cominadas à prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa, sendo a exceção, a hipótese de ocorrência de infrações idênticas, hipótese essa que não corresponde aos fatos geradores da multa aplicada neste processo, pois cada um deles decorreu da ausência de registro específico no Siscomex, referindose a fatos/infrações distintos, ainda que subsumíveis à mesma norma. Os elementos constitutivos de uma norma tributária, abarcando as normas tributárias penais, são o elemento subjetivo e o elemento objetivo, tratandose o primeiro dos sujeitos da relação jurídica (sujeito ativo e sujeito passivo) e o segundo da situação de fato (elementos materiais, espaciais, temporais e quantitativos). Para se configurarem duas infrações como idênticas, necessário se torna que todos os elementos, subjetivos e objetivos, sejam coincidentes. Ainda que o elemento subjetivo e alguns objetivos sejam iguais, não se terá por configurada a identidade, pois, nos fatos da espécie dos analisados neste processo, os elementos material e temporal sempre serão diferentes, pois o fato gerador da multa é a falta de registro do embarque no Siscomex e cada registro ocorre em momento distinto (ainda que com diferença de segundos) e se reporta a um fato diverso. O que diferencia cada registro é a Declaração de Despacho de Exportação (DDE), de forma que, encontrandose duas ou mais mercadorias acobertadas por um mesmo DDE, elas constituirão um único embarque, o que não ocorre quando as DDEs são distintas. Dessa forma, temse por não configurada a alegada graduação ilegal da penalidade. 2.c – Denúncia espontânea. O Recorrente se vale da previsão contida no art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, para requerer a aplicação da denúncia espontânea, pelo fato de que, segundo ele, prestara todas as informações relativas aos embarques antes de qualquer medida da fiscalização relacionada à alegada infração. Eis o teor do dispositivo: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) Fl. 139DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10907.002580/200885 Acórdão n.º 3803003.959 S3TE03 Fl. 140 7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento." Constatase do § 2º supra que a denúncia espontânea regida pelo DecretoLei nº 37, de 1966, exclui a aplicação de penalidades tanto de natureza tributária quanto de natureza administrativa, havendo a exceção apenas em relação à penalidade aplicada na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento, o que não corresponde ao elemento fático deste processo, qual seja, atraso do registro no Siscomex de informação relativa a embarque de mercadoria informada em Declaração de Despacho de Exportação (DDE). A denúncia espontânea encontrase disciplinada no art. 138 do CTN da seguinte forma: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Com base no art. 138 do CTN, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem decidido1 que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Nesse mesmo sentido, temse a súmula nº 49 do CARF que estipula que “[a] denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Os acórdãos paradigmas que ensejaram a aprovação da súmula referemse às declarações do imposto de renda (DIRPF e DIPJ), de retenção na fonte (DIRF) e DCTF. Consoante tais entendimentos, a denúncia espontânea do art. 138 do CTN alcança apenas as obrigações principais e não as acessórias. Contudo, no presente caso, temse uma regra expressa específica determinando que a denúncia espontânea abrange as multas administrativas (§ 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966), disposição legal essa válida e vigente a reclamar por sua observância por parte da Administração Pública. Tal regra encontrase inserida no corpo da mesma lei (DecretoLei nº 37, de 1966) que estipula a multa administrativa sob comento, o que corrobora com a conclusão de que se aplica à inobservância da obrigação acessória sob comento. 1 AgRg no REsp 1279038, 2ª T., j. 2/2/2012; AgRg no AREsp 11340, 2ª T., j. 13/9/2011; REsp 1129202, 2ª T., j. 17/6/2010; etc. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10907.002580/200885 Acórdão n.º 3803003.959 S3TE03 Fl. 141 8 Conforme consta da descrição dos fatos no auto de infração (fl. 3), a ação fiscal iniciarase após o desembaraço da mercadoria e, também, após o registro no Siscomex dos dados de embarque pelo transportador, registro esse efetuado, portanto, antes de qualquer procedimento fiscalizatório, o que torna o fato sob exame consentâneo com a previsão normativa supra reproduzida. Registrese que o referido § 2º inexistia originariamente no art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, vindo a ser incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, para abranger apenas as penalidades de natureza tributária. Com o advento da Medida Provisória nº 497, de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 2010 (art. 40, que alterou o art. 32, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966), passouse a prever a aplicação da denúncia espontânea às multas administrativas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias. Mostrase evidente a intenção do legislador de estimular o cumprimento espontâneo da obrigação acessória por parte do contribuinte ou responsável, adotando o entendimento que vem sendo difundido nos tribunais inferiores e na doutrina de que o instituto da denúncia espontânea alcança, sim, as obrigações acessórias. Por se tratar de matéria relativa a responsabilidade infracional, a inovação promovida em 2010 pela Medida Provisória nº 497 aplicase a fatos pretéritos, por força do contido no art. 106, inciso II, alínea “b”, do CTN, em que se estipula que a lei se aplica retroativamente ao ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região entende que “a exclusão da multa fiscal aplicase tanto ao descumprimento de obrigação principal como de obrigação acessória, visto que o art. 138 do CTN não faz qualquer alusão à natureza da infração” 2. Conforme apontou o Relator Desembargador na aludida decisão, o descumprimento de obrigação acessória constitui infração à legislação tributária, podendo ensejar a aplicação de multa prevista em lei, sendo do interesse da Administração tributária o seu cumprimento por parte dos contribuintes e responsáveis. De acordo com a ressalva do mesmo art. 138 do CTN, ao destacar a expressão “se for o caso”, a denúncia espontânea não se restringe às obrigações principais, pois a referida expressão evidencia que nem sempre o cumprimento da obrigação tributária acarreta o pagamento de tributo. A expressão “se for o caso” explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). 3 A súmula CARF, no meu entendimento, não estará sendo inobservada com a adoção deste entendimento, pois, tendo em vista o teor dos acórdãos paradigmas que a 2 AC 2001.70.00.0268477/PR, 1ª T., excerto do voto do Rel. Des. Fed. Wellington Mendes de Almeira, j. 17/10/2002. 3 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 451. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10907.002580/200885 Acórdão n.º 3803003.959 S3TE03 Fl. 142 9 orientaram, o seu disciplinamento abrange as declarações periódicas a que os sujeitos passivos se encontram obrigados a apresentar, seja em razão de sua condição de contribuinte ou de responsável, para repassar à Administração tributária as informações necessárias à análise do cumprimento da obrigação tributária principal. No caso sob análise, a Declaração de Despacho de Exportação (DDE) já havia sido apresentada, restringindose a obrigação acessória ao registro do embarque no Siscomex, medida essa de controle meramente administrativo, o que em nada afeta o cumprimento da obrigação principal. Nesse contexto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso para cancelar a multa aplicada. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 142DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10880.014724/00-63
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1993 a 31/08/1995
PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 27/09/2000, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, reconheço o direito de o contribuinte pleitear restituição/compensação da totalidade dos valores de PIS objeto dos presentes autos, os quais se referem ao período de apuração de julho de 1993 a agosto de 1995.
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano DAmorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: NANCI GAMA
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PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 27/09/2000, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, reconheço o direito de o contribuinte pleitear restituição/compensação da totalidade dos valores de PIS objeto dos presentes autos, os quais se referem ao período de apuração de julho de 1993 a agosto de 1995. Recurso Extraordinário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 47 24 /0 0- 63 Fl. 578DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano D’Amorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de número 0203.847, proferido pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para reconhecer o direito de o contribuinte pleitear, em 27/09/2000, restituição/compensação de valores de PIS relativos ao período de apuração de julho de 1993 a agosto de 1995. Para tanto, a Segunda Turma considerou que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores de PIS nos presentes autos seria de 5 (cinco) anos contados a partir da publicação da Resolução do Senado Federal de nº 49, a qual suspendeu a execução dos inconstitucionais DecretosLeis 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Inconformada, a Fazenda Nacional, com fulcro nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, interpôs recurso extraordinário com base no acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais utilizado como paradigma, qual seja, o de nº 0400.810, para aduzir que o prazo para pleitear restituição/compensação é de 5 (cinco) anos contados a partir da data de extinção do crédito tributário conforme previsão dos artigos 165 e 168, I do CTN. O acórdão paradigma restouse assim ementado: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ILL – O direito de pleitear restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece Fl. 579DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10880.014724/0063 Acórdão n.º 9900000.774 CSRFPL Fl. 579 3 com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido.” A Recorrente complementa, ainda, que o advento da Lei Complementar 118/2005 teria encerrado definitivamente a controvérsia sobre o tema, tendo em vista que o seu artigo 3º prevê que “para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei”. E, entendendo que aludido dispositivo deteria caráter interpretativo, a Fazenda Nacional alega que caberia a sua aplicação retroativa nos presentes autos, conforme previsão do artigo 106, I do CTN. A Recorrente alega, também, a necessidade de observância ao disposto no Ato Declaratório SRF nº 96, de 1999, o qual considera que “o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário”. O i. Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais reconheceu o dissídio jurisprudencial e deu seguimento ao recurso extraordinário. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 548/561, por meio das quais requereu fosse negado provimento ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso extraordinário é tempestivo, razão pela qual passo a analisar seus pressupostos de admissibilidade em conformidade ao Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 147/2007. Primeiramente, quanto à divergência entre acórdãos recorrido e paradigma, entendo ter a mesma sido devidamente demonstrada. Isso porquê ao passo que o acórdão recorrido respaldou o entendimento de que o prazo de 5 (cinco) anos, para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação (PIS), se inicia a partir da edição do ato normativo que dispensa o pagamento desse tributo, o acórdão paradigma respaldou entendimento de que o prazo de 5 (cinco) anos, para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação (ILL), se Fl. 580DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 inicia a partir da data da extinção do crédito tributário “sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro”. Quanto aos demais pressupostos de admissibilidade previstos nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147/20071, o qual é aplicado por força do artigo 4º do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 256/20092, também entendo terem os mesmos sido devidamente demonstrados, razão pela qual conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. A controvérsia aduzida nos presentes autos cingese, basicamente, em determinar o prazo para o contribuinte pleitear restituição dos valores de PIS recolhidos com base nas sistemáticas instituídas pelos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.448/88, os quais tiveram suas execuções suspensas por força da Resolução do Senado Federal de nº 49/95, publicada com base em decisão do STF que reconheceu as suas inconstitucionalidades. Conforme se infere do relatório, o acórdão recorrido entendeu que o prazo para pleitear restituição deve ser de 5 (cinco) anos contados a partir da data da publicação de aludida Resolução do Senado Federal. Em contrapartida, a Fazenda Nacional entende que o prazo para pleitear restituição é de 5 (cinco) anos contados a partir das datas de extinção do crédito tributário, ocorridas entre julho de 1993 e agosto de 1995, e que, portanto, o pedido de restituição, protocolado em 27/09/2000, já estaria prescrito. Considerando que o artigo 62A3 do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vincula os Conselheiros do CARF às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em sede de recurso especial repetitivo, cabe a esta Relatora aplicar ao presente caso o entendimento do STF consubstanciado no julgamento do RE nº 566.621, bem como o entendimento do STJ objeto do julgamento do REsp nº 1.002.932. De acordo com referida jurisprudência, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118 ocorrida em 09/06/2005, o de 10 (dez) anos, ou seja, 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, § 4º, do CTN) mais 5 (cinco) anos, a partir dessa homologação, para pleitear restituição (artigo 168, I, do CTN). E, em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado antes do dia 09/06/2005 (vigência da LC 118/05), plenamente aplicável ao 1 “Art. 9º Compete ao Pleno julgar recurso extraordinário de decisão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais.” 2 “Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos artigos 15 e 16, no art. 18 e nos artigos 43 e 44 daquele Regimento. (Redação dada pela Portaria MF nº 446, de 27 de agosto de 2009).” 3 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 581DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10880.014724/0063 Acórdão n.º 9900000.774 CSRFPL Fl. 580 5 presente caso a tese dos 5 (cinco) anos mais 5 (cinco) anos objeto do REsp nº 1.002.932, por força da decisão do STF objeto do RE nº 566.621. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do Fl. 582DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Em face do exposto, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto no sentido de lhe negar provimento para afastar a prescrição do pedido de restituição/compensação, protocolado em 27/09/2000, no que se refere à totalidade dos valores de PIS, os quais são relativos ao período de apuração de julho de 1993 e agosto de 1995. Nanci Gama Fl. 583DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 18088.000728/2010-64
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2403-000.080
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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Conexão com Processo de Exclusão do SIMPLES Recorrente EFICIENTE MÓVEIS E SOLUÇÕES PARA ESCRITÓRIO LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do recurso em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Ewan Teles Aguiar. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 18088.000728/201064 Resolução n.º 2403000.080 S2C4T3 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Auto de Infração a Obrigação Principal AIOP/DEBCAD n° 37.286.5356 que constitui contribuições devidas à Seguridade Social, quota da empresa (20%), inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (3%), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais, consoante disposição Lei n. 8.212, de 24.07.91, artigo 15, inciso I; art. 22, I, II e III (com as alterações da Lei n. 9.876, de 26.11.99; Regulamento aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 12, I e parágrafo único, art. 201, II, §§ 1o, 2o, 3o, 5o e 8o com as alterações do Decreto n. 3.265, de 29.11.99 e do Decreto n. 3.452, de 09.05.00; Lei n. 9.732, de 11.12.98, art. 6o, III. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99: art. 12, I a IV e parágrafo único, art. 201, I, II, parágrafos 1o, 2o, 3o, 5o, e 8o, artigo 202, incisos: I, II e III, parágrafos 1o ao 6o e art. 216, I, “b” (com as alterações dadas pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99), vigentes há época. O período do lançamento corresponde as competências compreendidas entre: 01/2006 a 13/2007. O Auto de Infração foi lavrado no valor de R$ 422.170,66 (quatrocentos e vinte e dois mil, cento e setenta reais e sessenta e seis centavos). Segundo o Relatório Fiscal de fls. 225/251, as contribuições aqui constituídas decorrem do fato de a empresa, no período autuado, ter procedido suas declarações em GFIP Guia de recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social, como optante do regime tributário do SIMPLES tendo perdido essa condição através dos Atos Declaratórios Executivos ADEs n° 40 e 41, ambos de 26 de outubro de 2010 e com efeitos retroativos a 01 de janeiro de 2006. De acordo com a Fiscalização, a Recorrente foi excluída do SIMPLES por fazer parte de um “Grupo Econômico, nos termos do art. 30, IX da Lei n. 8.212/91, cumulado com o art. 121, I do CTN. Em face da exclusão do SIMPLES, foi instaurado o Processo Administrativo n. 18088.000658/201044, que reuniu todas as provas, cópias de documentos, bem como os motivos de fato e de direito, que culminaram com a Exclusão dos regimes tributários, do Simples Federal (Lei 9317/96) e do Simples Nacional (Lei Complementar n. 123, de 25 de outubro de 1966), bem como comprovaram a existência do citado “Grupo Econômico de Fato”, foi transcrito no relatório fiscal), emanados da autoridade competente da Delegacia jurisdicionante. A Recorrente, Impugnou o lançamento sustentando que o caso em tela não poderá ser julgado enquanto não for julgado o Proc. n. 18088.000658/201044, que discute se a exclusão do SIMPLES foi correta ou não. No dia 24/05/2011 a DRJ, tomando por base o julgamento no Proc. 18088.000658/201044, manteve o lançamento por meio do Acórdão de fls. 323/330. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 18088.000728/201064 Resolução n.º 2403000.080 S2C4T3 Fl. 3 3 No dia 06/07/2011, a Recorrente protocolizou Recurso Voluntário requerendo apensamento ao Proc. n. 18088.000658/201044, vez que, o caso em tela dependerá do citado processo. A Recorrente protocolizou petição, datada de 10/05/2012, onde requer o sobrestamento do processo em tela até o julgamento definitivo do Proc. n. 18088.000658/2010 44. É o relatório. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 18088.000728/201064 Resolução n.º 2403000.080 S2C4T3 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator O recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Tendo a Recorrente, por meio da Impugnação, Recurso Voluntário e Petição feito menção ao Proc. n. 18088.000658/201044; assim como a DRJ se baseado no citado processo para manter o lançamento. Resta evidenciado que o resultado do Processo Administrativo interferirá no caso em tela, tendo em vista que se a exclusão SIMPLES for declarada irregular e a Recorrente voltar para esse regime especial, não incidirá o lançamento ora combatido. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto para baixar em diligência o processo, para que aguarde o trânsito em julgado do Processo Administrativo nº 18088.000658/201044. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 362DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI
score : 1.0
Numero do processo: 13866.000387/2004-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1999
Ementa:
PRAZO DE RESTITUIÇÃO - Nos termos da Lei Complementar nº 118/05 é
de cinco anos o prazo para o pedido de restituição, contados da data do
recolhimento a maior ou indevido.
RESTITUIÇÃO - LC 118/05 - Inconstitucionalidade do art. 4º da Lei
Complementar. É vedado ao julgador administrativo declarar a
inconstitucionalidade de dispositivo legal em vigor.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-000.748
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1999 Ementa: PRAZO DE RESTITUIÇÃO - Nos termos da Lei Complementar nº 118/05 é de cinco anos o prazo para o pedido de restituição, contados da data do recolhimento a maior ou indevido. RESTITUIÇÃO - LC 118/05 - Inconstitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar. É vedado ao julgador administrativo declarar a inconstitucionalidade de dispositivo legal em vigor. Recurso Voluntário Negado.
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RESTITUIÇÃO - LC 118/05 - Inconstitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar. É vedado ao julgador administrativo declarar a inconstitucionalidade de dispositivo legal em vigor. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Gomes - Relator EDITADO EM: 26/01/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2011 por ALEXANDRE GOMES 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep Dos períodos de outubro de 1995 a fevereiro de 1999, em função da inconstitucionalidade da Medida Provisória nº 1.212/95, e foi apresentado em 30/12/2004. O pedido foi indeferido pela DRF de São José do Rio Preto (SP), que entendeu estarem decaídos os alegados créditos, bem como não existirem indébitos decorrentes da inconstitucionalidade do art. 15 da MP nº 1.212/95 ou da aplicação da Lei Complementar n° 7, de 1970 e alterações posteriores. Em sua Impugnação a interessada alegou em síntese(i) que a declaração de inconstitucionalidade do art. 15 da MP nº 1.212/95 fez com que a totalidade dos valores recolhidos até a entrada em vigor da Lei 9.718/98 fossem indevidos e (ii) o prazo de dez anos para repetição de indébitos, a teor de julgados dos Conselhos de Contribuintes e Superior Tribunal de Justiça que transcreveu. A DRJ de Ribeirão Preto indeferiu a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1999 MEDIDA PROVISÓRIA N°1.212. EFEITOS. A Medida Provisória n° 1.212, de 1995, produziu efeitos a partir de 01/03/1996, sem solução de continuidade por força de suas reedições até sua conversão na Lei n°9.715, de 1998. MEDIDA PROVISÓRIA. EFICÁCIA. REEDIÇÕES. A medida provisória é passível de reedição,mantida sua eficácia quando ela se dá dentro do prazo de validade da anterior. LEI N° 9.715. INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucional idade da retroatividade prevista no art. 18 da Lei n° 9.715, de 1998, alcança apenas os efeitos da alteração legislativa referente ao período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO. O prazo para repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos contados da data do recolhimento. Solicitação Indeferida Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13866.000387/2004-06 Acórdão n.º 3302-00.748 S3-C3T2 Fl. 197 3 Em seu Recurso Voluntário a Recorrente alegou que possuía prazo de 10 anos para repetir o indébito tributário, que é inaplicável ao seu caso a Lei Complementar 118/05, pois esta não pode retroagir seus efeitos, e que tem direito aos créditos pleiteados pois os recolhimentos efetuados no período solicitado são indevidos por conta da declaração de inconstitucionalidade. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Gomes, Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. A DRJ afastou a pretensão diante da ocorrência da prescrição dos. Como já me manifestei em outras oportunidades, coaduno com o entendimento de que o prazo de restituição dos tributos recolhidos indevidamente inicia-se decorridos cinco anos, contados a partir do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, computados a partir do termo final do prazo atribuído à Fazenda Pública para aferir o valor devido referente à exação. Ou seja, considero que somente após a homologação é que se inicia o curso do prazo prescricional qüinqüenal, de modo que, na prática, o prazo total fixado para restituição é de dez anos após o recolhimento indevido. Neste sentido, o E. STJ, após inúmeras reviravoltas, já pacificou seu entendimento, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. DECRETOS- LEIS 2.445/88 E 2.449/88. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS DO FATO GERADOR MAIS CINCO ANOS DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE DO ART. 3º DA LC N. 118/2005. INÍCIO DA VIGÊNCIA SOMENTE APÓS 120 DIAS CONTADOS DA PUBLICAÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 4º DA MESMA LEI. Está uniforme na 1ª Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicam-se a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. O disposto no artigo 3º da Lei Complementar n. 118, de 09 de fevereiro de 2005 é inaplicável, uma vez que ainda não iniciada a sua vigência, a qual somente terá início após 120 dias contados da publicação, a teor do artigo 4º da mesma lei. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2011 por ALEXANDRE GOMES 4 Agravo regimental não conhecido. 1 Ocorre que, com o advento da Lei Complementar 118/05, a questão da prescrição do direito a repetição do indébito ganhou nova conotação, senão vejamos: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n o 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n o 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional Não obstante afastar a interpretação que vinha sendo consagrada pela doutrina e pelo judiciário, a nova lei ainda determinou sua aplicação retroativa, uma vez que determinou a observância do disposto do art. 106, inciso I do CTN, que assim prescreve: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; É bom destacar que a respeito da legalidade do disposto no art. 4º da Lei Complementar 118/05, o STJ já manifestou sua posição, entendendo pela manifesta inconstitucionalidade dos dispositivos, conforme se depreende da decisão proferida no Resp nº 644.736/PE, cuja ementa segue abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. LC 118/2005. INCONSTITUCIONALIDADE DA APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita - do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 2. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, em sessão de 06/06/2007, DJ 27.08.2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. 1 AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 653.771 - SP (2005/0009539-6). RELATOR : MINISTRO Francisco Peçanha Martins. Segunda Turma. 05/05/2005. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13866.000387/2004-06 Acórdão n.º 3302-00.748 S3-C3T2 Fl. 198 5 3. Embargos de divergência a que se nega provimento. Contudo, como é de conhecimento geral ao julgador administrativo é vedado declarar a inconstitucionalidade de norma tributária vigente, como é o caso do art. 4º da Lei Complementar 118/05, até que haja manifestação plenária do Supremo Tribunal Federal. É o que se extrai do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. No âmbito do CARF a matéria encontra-se sumulada: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sumula 2 do 1º e 2º CC. Assim, não havendo possibilidade de afastar, em sede administrativa, a prescrição dos créditos pleiteados, correta a decisão da DRJ que afastou a pretensão do Recorrente. Em decorrência do reconhecimento da prescrição dos créditos pleiteados no pedido de restituição, torna-se prejudicada a análise dos demais argumentos lançados. Por todo o exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Gomes Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2011 por ALEXANDRE GOMES 6 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2011 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.721387/2006-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2003
VALOR DA TERRA NUA. VTN. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. AVALIAÇÃO CONTRADITADA POR LAUDO TÉCNICO. POSSIBILIDADE.
O contribuinte, desde a fase que precedeu o encerramento do procedimento fiscal (autuação), alegou que o imóvel fora invadido desde 1998, não detendo a fruição do mesmo desde então, já que os mandados de reintegração de posse não teriam sido cumpridos até o início do procedimento fiscal, e buscou comprovar sua alegação acostando aos autos o Laudo do perito e telas de acompanhamento da Ação de Reintegração de Posse. A autoridade autuante, por seu turno, não versou uma única linha sobre esses fatos narrados pelo contribuinte. Ora, a argumentação deduzida pelo contribuinte
deveria necessariamente ter sido investigada pela autoridade autuante, dentro da máxima de que os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo devem ser contraditados pela autoridade lançadora (por aplicação analógica à tributação do ITR do art. 845 do Decreto nº 3.000/99. Far-se-á o lançamento de ofício, inclusive (Decreto Lei nº5.844, de 1943, art. 79): §1º Os
esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão (Decreto Lei nº5.844, de 1943, art. 79, §1º)). Se a autoridade lançadora (e mesmo a que presidiu a diligência) não contraditou os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo, é de tomá-los como verdadeiros, devendo ser
acatado o valor do VTN que constou no Laudo Técnico.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-002.224
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento. A Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti votou com o relator pelas conclusões.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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VTN. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. AVALIAÇÃO CONTRADITADA POR LAUDO TÉCNICO. POSSIBILIDADE. O contribuinte, desde a fase que precedeu o encerramento do procedimento fiscal (autuação), alegou que o imóvel fora invadido desde 1998, não detendo a fruição do mesmo desde então, já que os mandados de reintegração de posse não teriam sido cumpridos até o início do procedimento fiscal, e buscou comprovar sua alegação acostando aos autos o Laudo do perito e telas de acompanhamento da Ação de Reintegração de Posse. A autoridade autuante, por seu turno, não versou uma única linha sobre esses fatos narrados pelo contribuinte. Ora, a argumentação deduzida pelo contribuinte deveria necessariamente ter sido investigada pela autoridade autuante, dentro da máxima de que os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo devem ser contraditados pela autoridade lançadora (por aplicação analógica à tributação do ITR do art. 845 do Decreto nº 3.000/99. Farseá o lançamento de ofício, inclusive (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 79): §1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 79, §1º)). Se a autoridade lançadora (e mesmo a que presidiu a diligência) não contraditou os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo, é de tomálos como verdadeiros, devendo ser acatado o valor do VTN que constou no Laudo Técnico. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento. A Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti votou com o relator pelas conclusões. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 28/08/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte Escol Companhia Agrícola e Comercial, CNPJ/MF nº 61.403.036/000100, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 06/10/2006, auto de infração (fls. 01 a 04), com ciência postal em 24/10/2006 (fl. 36), a partir de ação fiscal iniciada em 19/04/2006 (fl. 34). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 1.210.110,00 MULTA DE OFÍCIO R$ 907.582,50 A partir da revisão da DITRexercício 2003, do imóvel NIRF 4.246.1723, localizado em Aripuanã (MT), denominado Gleba Escol Norte, com área total de 47.500,0 hectares, vêse que a autoridade autuante majorou o valor da terra nua (de R$ 47.500,00 para R$ 6.098.050,00), já que o “Laudo de Avaliação de Imóvel Rural, apresentado pelo contribuinte, não contempla o preconizado no item 9.2.3.5. da NBR/ABNT nº 14.6533 que estabelece no mínimo 5 dados de mercado efetivamente utilizados. O total de amostras utilizadas foi 0 (zero). Assim o Valor da Terra Nua por Hectare Declarado foi substituído pelo Valor da Terra Nua por Hectare constante do SIPT (Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal) de acordo com o art. 14 da lei 9393/96” (fl. 2). Não houve qualquer declaração de áreas de preservação permanente, de reserva legal ou utilizadas na atividade do setor primário na DITR auditada. A Autoridade Autuante asseverou que o restante da documentação que embasou a ação fiscal estava no processo administrativo fiscal nº 10880.721441/200628. Por coincidência, o processo acima também foi sorteado para este relator, estando para ser apreciado nesta mesma Sessão de julgamento. Assim, trazse excerto do relatório do processo acima citado: (...) Fl. 113DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10880.721387/200621 Acórdão n.º 2102002.224 S2C1T2 Fl. 2 3 Compulsando a documentação juntada na fase que antecedeu a autuação, vêse que o contribuinte alegou que a área auditada havia sido invadida, sendo objeto da ação de reintegração de posse nº 450/98, hoje com o número nº 440/2004, na Comarca de Juína (MT), com mandado de reintegração de posse expedido e não cumprido pela polícia militar. Essa situação impede qualquer trabalho de avaliação do valor da terra nua do imóvel, justificando o preço de R$ 1,00 por hectare. Aos autos foi juntado um Laudo Técnico assinado pelo Engenheiro Agrônomo Deonésio Moreira da Silva, no qual se asseverou a inexistência de negócios efetivados na região nos últimos anos em decorrência da invasão, sendo que a liminar de reintegração de posse não havia sido cumprida até a data da vistoria feita pelo experto, motivando a perda do valor econômico do imóvel, vez que, além de não poder explorálo, o proprietário não encontra comércio para venda em decorrência da invasão, o que culminou com o estabelecimento do preço simbólico de R$ 1,00 por hectare (fls. 16 a 36). Ainda, há o acompanhamento processual da ação de reintegração de posse nº 440/2004, anotando como autores G. Lunardelli S/A, o contribuinte aqui autuado, José Antonio Silva e outros, em uma área de 47.500 hectares (fls. 37 a 44). Os dados do SIPT que serviram para arbitrar o valor da terra nua não foram juntados aos autos na fase que precedeu o encerramento do procedimento fiscal. (...) Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Em síntese, alegou o impugnante: • o Laudo obedeceu à norma técnica ABNT 14.6533, já que não é pela simples ausência de 05 eventos paradigmas que não se atinge o grau de fundamentação II, pois há outros elementos que devem ser considerados. Ademais, devese anotar que o proprietário se encontra impedido de exercer o pleno domínio sobre a propriedade, e, assim, não existe mercado para venda do mesmo; • a Delegacia da Receita Federal do Mato Grosso (MT) não detém dados para alimentar o SIPT, já que o Secretário de Desenvolvimento Rural respondeu formalmente à Receita que não dispunha de informações de preços terra, sendo necessário efetuar trabalhos de campo para atingir esse desiderato. Juntou cópias de ofícios trocados entre órgãos da Receita e órgãos Estaduais (fls. 65 a 70); • a Receita Federal se contradiz com seus parâmetros. Assim, a RFB expediu uma notificação de lançamento para o mesmo imóvel, referente ao exercício 1995, adotando um VTN de R$ 38,47 por hectare, cerca de 500% a menos do que o aqui impugnado. Ainda, Fl. 114DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 para o imóvel vizinho, referente ao exercício 2002, a RFB contestou o VTN declarado e o arbitrou em R$ 13,96 por hectare, ou seja, cerca 1.300% inferior ao aqui em debate; • não houve a declaração da área de reserva legal, no percentual de 80% do imóvel, em claro erro de fato do preenchimento da declaração. A 1ª Turma de Julgamento da DRJCampo Grande (MS), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão de fls. 49 a 53, consubstanciada no Acórdão n° 0413.998, de 23 de maio de 2008. A decisão acima arrostou a defesa com os seguintes fundamentos: • o Laudo Técnico não atingiu o grau de fundamentação II, conforme intimação da autoridade autuante, pois não foram utilizados pelo menos 05 dados de mercado; • a ação de reintegração de posse não especifica qual a área do imóvel turbada, anotando diversos autores, referente a uma área de 47.500 hectares, não se podendo identificar a área de posse que pudesse ser excluída da tributação; • o VTN utilizado para arbitrar o valor da terra nua proveio do SIPT, apurado a partir do valor médio declarado nas DITR; • a disparidade do VTN entre exercícios ou imóveis vizinhos decorre da situação de mercado; • a área de reserva legal não pode ser excluída, já que o contribuinte não acostou aos autos o ADA e a competente averbação dessa área à margem da matrícula do imóvel no CRI. O contribuinte foi intimado da decisão a quo conforme aviso de recebimento – AR de fls. 57, sem data de recebimento, com data de postagem em 23/07/2008. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 22/08/2008 (fl. 64). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. o Superior Tribunal de Justiça – STJ e o Terceiro Conselho de Contribuintes já assentaram a desnecessidade de apresentação de ADA ou de averbação cartorária para exclusão das áreas de reserva legal e de preservação permanente, em linha com as inovações trazidas pela MP 2.166/672001; II. o então impugnante provou que a Receita Federal não realizou levantamento de preços de terras no Estado do Mato Grosso. A decisão recorrida, para superar esse obstáculo, alegou que a autoridade autuante valeuse da média dos VTNs das declarações do ITR para o exercício do lançamento. Assim, “... ao afirmar haver utilizado suposta média de valores de outras declarações, sem detalhar a que imóveis se referem e quais suas condições específicas (localização, dimensão, aptidão, ocupação e outras), cerceou o direito de defesa do Recorrente, que ficou impedida de avaliar os Fl. 115DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10880.721387/200621 Acórdão n.º 2102002.224 S2C1T2 Fl. 3 5 parâmetros que teriam sido adotados para contra eles se insurgir” (fl. 70); III. o Laudo Técnico apresentado pela Recorrente atende aos ditames da NBR 14.6533, uma vez que respeita as peculiaridades do imóvel avaliado. “Salientese que o imóvel está integralmente invado desde o ano de 1998, não existindo mercado para ele, nem para seus confinantes, também coautores da ação de reintegração de posse cujos elementos foram trazidos com o laudo. Ora, se não há mercado para imóvel invadido, não há negócios com imóveis similares para que fossem trazidos os cinco paradigmas. Não há repitase, cinco elementos de mercado pelo fato de não existir mercado para imóveis com invasores, como esclarecido pelo engenheiro visto na sua TOMADA DE DECISÃO” (fl. 71 – caixa alta do original); IV. equivocouse a decisão recorrida ao afirmar que os autores da ação de reintegração de posse seriam os proprietários da área auditada. Cada autor busca a reintegração de áreas definidas nos autos judiciais. Em sessão plenária de 12 de maio de 2010, este Colegiado converteu o julgamento em diligência, pela Resolução nº 21020020, determinando que a autoridade preparadora tomasse as seguintes providências: 1. acostar cópia da tela do SIPT aos autos, demonstrando a origem dos valores utilizados no arbitramento, bem como confirmar se a Receita Federal não conseguiu levantar os valores da terra nua no Estado do Mato Grosso junto às Secretarias Estaduais ou municipais de agricultura, como deduzido pelo recorrente, conforme documentação de fls. 24 a 29; 2. juntar aos autos o inteiro teor da Ação de Reintegração de Posse nº 440/2004; 3. investigar a procedência da invasão do imóvel auditado, indicando, se for o caso, qual parcela dele o contribuinte havia sido desapossado no exercício do lançamento aqui em discussão. Em cumprimento da diligência, ocorreram os atos que se seguem. A tela do SIPT foi acostada aos autos, conforme fl. 81, constando um valor do VTN de R$ 128,38 por hectare, com informação proveniente das DITRs. Ainda, foram juntadas correspondências que atestam que a Secretaria da Receita Federal não tinha obtido informações do VTN providas da Secretaria Estadual de Agricultura (fls. 82 a 86). O contribuinte foi intimado a apresentar o inteiro teor da ação de reintegração de posse n°440/2004 (fl. 89), quando somente acostou cópia de Certidão de breve relato do feito judicial, pois a greve no Judiciário Estadual estava a impedir a obtenção do inteiro teor. A Certidão, datada de 16 de setembro de 2010, na qual consta o recorrente como um dos autores litisconsortes, informa que existe nos autos ordem de revigoramento de medida liminar de reintegração de posse que ainda não foi cumprida (fls. 94 a 97). Fl. 116DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 Em conclusão da diligência, a Autoridade Fiscal que a presidiu não cumpriu o item 3 da Resolução nº 21020020, com a seguinte argumentação (fls. 100 e 101): (...) Relativamente ao requerido no item 3, cumpre mencionar que A autoridade fiscal compete formalizar o lançamento, instruindo os autos com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, conforme disposto no caput do art. 9° do Decreto n° 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n.° 8.748/1993. Ao contribuinte, quando impugnar o lançamento ou apresentar recurso voluntário, cabe apresentar os motivos de fato e de direito que fundamentam sua impugnação/seu recurso, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, conforme disposto no art. 16, inciso III, do Decreto citado. Ao converter o julgamento em diligência para requisitar que a autoridade autuante tome as providências, da maneira estabelecida na Resolução n° 21020020, esta se invertendo o ônus da prova, determinando que a autoridade fiscal junte aos autos os documentos comprobatórios atinentes às alegações do contribuinte. Convém lembrar que o ônus de produção de provas cabe a quem dela se aproveita. Assim, se o contribuinte argumenta que o imóvel encontrase invadido e, em razão do atraso no cumprimento do mandado de reintegração de posse, não existe mercado para sua venda, cabe a ele comprovar o alegado. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida no prazo de quinze dias da postagem do Aviso de Recebimento – AR de fls. 57 (AR postado em 23/07/2008), e interpôs o recurso voluntário em 22/08/2008 (fl. 64), dentro do trintídio legal. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo. Antes de tudo, no tocante ao cumprimento da diligência determinada por esta Turma, vêse que restou ratificada a utilização do SIPT, com o VTN obtido a partir das médias da DITR, para a majoração do valor da terra nua, já que a Secretaria da Receita Federal não conseguiu obter as avaliações por parte da Secretaria Estadual de Agricultura do Mato Grosso (MT), o que é suficiente para afastar a nulidade suscitada pelo recorrente. Já em relação ao inteiro teor da ação de reintegração de posse, deveria ser solicitado ao contribuinte ou ao Poder Judiciário uma cópia dela (fl. 78, anverso e verso), porém a autoridade fiscal restringiuse a intimar o contribuinte a tanto, quando veio aos autos a Certidão, na qual consta o recorrente como um dos autores litisconsortes, e informa que Fl. 117DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10880.721387/200621 Acórdão n.º 2102002.224 S2C1T2 Fl. 4 7 existiria no processo judicial uma ordem de revigoramento de medida liminar de reintegração de posse que ainda não foi cumprida (fls. 94 a 97). Já quanto à investigação no tocante à invasão do imóvel rural (item 3 da diligência), a providência não foi cumprida pela autoridade fiscal, se fiando em alegações de direito (inversão do ônus da prova). Claramente se vê que a autoridade fiscal cumpriu parcialmente o item 2 da diligência e suscitou alegações de direito para não cumprir o item 3 da diligência. Ora, apesar das judiciosas argumentações da autoridade fiscal, devese lembrar que cabe a este colegiado julgador, soberano na apreciação das provas e das razões deduzidas nos recursos, aplicar o direito à espécie. Nessa linha o Colegiado entendeu pertinente converter o julgamento em diligência, na forma da Resolução nº 21020020. Ora, não cabe à autoridade fiscal da DRFB Cuiabá (MT) suscitar oposições de direito à diligência, como se autoridade julgadora fosse, defendendo a impertinência da diligência, mas deve cumprila, nos limites de suas possibilidades. Diferentemente do que alegou a autoridade fiscal que presidiu a diligência, que cumpriu apenas parcialmente sua missão, não houve inversão do ônus da prova do contribuinte em desfavor a autoridade, pois o contribuinte, desde a fase que precedeu a autuação, alegou que o imóvel fora invadido desde 1998, não detendo a fruição do mesmo desde então, já que os mandados de reintegração de posse não teriam sido cumpridos até o início do presente procedimento fiscal (2006), e buscou comprovar sua alegação acostando aos autos o Laudo do perito e telas de acompanhamento da Ação de Reintegração de Posse nº 440/2004, em trâmite na Comarca de Juína (MT). A autoridade autuante, por seu turno, não versou uma única linha sobre a matéria acima (fl. 2). A argumentação deduzida pelo contribuinte deveria necessariamente ter sido investigada pela autoridade autuante, dentro da máxima de que os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo devem ser contraditados pela autoridade lançadora (por aplicação analógica à tributação do ITR do art. 845 do Decreto nº 3.000/99. Farseá o lançamento de ofício, inclusive (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 79): §1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 79, §1º)). Como já dito na diligência, a autoridade lançadora não poderia se fiar apenas em registros internos à repartição, sem qualquer aprofundamento investigativo da alegada invasão e da própria Ação de Reintegração de Posse, já que a procedência de tal alegação terá claro impacto no lançamento, pois caso o contribuinte tenha sido desapossado da área desde 1998, a despeito da Ação Reintegração de Posse, parece plausível a tese de que a terra nua teria um valor residual, como apontado pelo Laudo técnico, justificando até a inexistência de paradigma de alienação para formação do valor da terra nua, existindo, ainda, a possibilidade de se cobrar o ITR devido dos posseiros. Com o quadro, seria o caso de retornar os autos para cumprimento integral da diligência na unidade de origem. Entretanto, melhor analisando os autos, vêse que a informação da invasão da propriedade auditada foi suscitada pela recorrente desde a fase que antecedeu a autuação, como já dito, sem ser contraditada pela autoridade autuante, o que justificaria a atribuição do preço de R$ 1,00 por hectare, sendo juntado ao processo 10880.721441/200638 (referente ao exercício 2005 da mesma área rural), igualmente com recurso voluntário em apreciação nesta mesma sessão de julgamento, um Laudo Técnico assinado pelo Engenheiro Agrônomo Fl. 118DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 Deonésio Moreira da Silva, no qual se asseverou a inexistência de negócios efetivados na região nos últimos anos em decorrência da invasão, sendo que a liminar de reintegração de posse não havia sido cumprida até a data da vistoria feita pelo experto, motivando a perda do valor econômico do imóvel, vez que, além de não poder explorálo, o proprietário não encontra comércio para venda em decorrência da invasão, o que culminou com o estabelecimento do preço simbólico de R$ 1,00 por hectare. Indo mais além, no bojo da diligência, o recorrente trouxe aos autos a Certidão da ação de reintegração de posse, datada de 16 de setembro de 2010, na qual consta ele como um dos autores litisconsortes, sendo que existe no processo judicial ordem de revigoramento de medida liminar de reintegração de posse que ainda não foi cumprida (fls. 94 a 97), tudo a corroborar a tese que o recorrente vem deduzindo desde a fase que antecedeu a autuação, sendo que em nenhum momento a autoridade fiscal lançadora ou a autoridade que presidiu a diligencia contraditaram a informação do contribuinte sobre a invasão da terra auditada, a justificar o valor do VTN declarada na DITRexercício 2003. Se a autoridade lançadora (e mesmo a que presidiu a diligência) não contraditou os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo, devemse tomálos como verdadeiros. Com as razões acima, entendo que deve ser mantido o VTN declarado pelo contribuinte, corroborado por Laudo Técnico, que não foi contraditado pela fiscalização. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 119DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 12268.000159/2007-57
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo CARF, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado.
COMPLEMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO.
Constatada a falta de clareza no julgado cabe complementá-lo, retificando o Acórdão.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2803-002.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração, para: I- reconhecer decadentes as competências até 11/2001, inclusive, para os levantamentos: - FPD - Folha de Pagamento Declarada em GFIP; - FPE - Folha de Pagamento de Estagiário; - FPN: Folha de Pagamento Não Declarada em GFIP, com base na regra do art. 173, inciso I do CTN; II- reconhecer decadentes as competências anteriores a 12/2002, para o levantamento - FN: Folha de pagamento não declarada em GFIP 2000, com base na regra do art. 150 §4º do CTN. Vencido o Conselheiro Oseas Coimbra Júnior quanto ao levantamento FPD.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2000 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo CARF, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado. COMPLEMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO. Constatada a falta de clareza no julgado cabe complementá-lo, retificando o Acórdão. Embargos Acolhidos.
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Embargante UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) Interessado SOCIEDADE EDUCACIONAL BALÃO VERMELHO S/C LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2000 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo CARF, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado. COMPLEMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO. Constatada a falta de clareza no julgado cabe complementálo, retificando o Acórdão. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração, para: I reconhecer decadentes as competências até 11/2001, inclusive, para os levantamentos: FPD Folha de Pagamento Declarada em GFIP; FPE Folha de Pagamento de Estagiário; FPN: Folha de Pagamento Não Declarada em GFIP, com base na regra do art. 173, inciso I do CTN; II reconhecer decadentes as competências anteriores a 12/2002, para o levantamento FN: Folha de pagamento não declarada em GFIP 2000, com base na regra do art. 150 §4º do CTN. Vencido o Conselheiro Oseas Coimbra Júnior quanto ao levantamento FPD. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 01 59 /2 00 7- 57 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12268.000159/200757 Acórdão n.º 2803002.210 S2TE03 Fl. 288 2 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12268.000159/200757 Acórdão n.º 2803002.210 S2TE03 Fl. 289 3 Relatório Tratase de embargos contra o Acórdão 280301.463 3ª Turma Especial, Segunda Seção de Julgamento, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, sessão de 17 de abril de 2012, interposto pela União (Fazenda Nacional), DRF – Curitiba/Secat, alegando contradição entre o texto do acórdão e o texto do voto do relator que reconheceu a decadência parcial do lançamento. Como restaram dúvidas sobre a correta exclusão das competências decadentes na execução do acórdão e tendo em vista a possibilidade de retificação prevista no artigo 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, aprovado pela Portaria 256/2009, foi proposta a correção da decisão do acórdão. É o relatório. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12268.000159/200757 Acórdão n.º 2803002.210 S2TE03 Fl. 290 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator Tratase de embargos de declaração em razão de haver contradição entre o texto do acórdão e o texto do voto do relator, quanto ao período decadente do lançamento fiscal. O Regimento Interno do CARF, Portaria MF/GM 256, de 22 de junho de 2009, prevê no art. 65 e seguintes o manejo de embargos declaratórios contra seus julgados que restarem omissos, obscuros ou contraditórios em algum de seus termos, sendo estes os requisitos indeclináveis para seu acatamento. Assim sendo, reconhecese a contradição apontada e passase à análise dos autos no sentido de sanar a contradição apontada. DA DECADÊNCIA A súmula vinculante do STF, nº 08 traz: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Com a decisão do Pretório Excelso, a questão passa a ser decidida com base no art. 150, § 4o e art. 173, ambos do Código Tributário Nacional – CTN. Transcrevemos o artigo 173 do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A jurisprudência pátria já assentou o entendimento de que a aplicabilidade do art. 173, inciso I do CTN seria na hipótese de inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de fraude ou dolo, conforme transcrevemos. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o Fl. 290DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12268.000159/200757 Acórdão n.º 2803002.210 S2TE03 Fl. 291 5 disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Já o artigo 150, § 4º do CTN, informa: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Consta dos autos os seguintes levantamentos fiscais, conforme DAD – Discriminativo Analítico de Débito, fls. 04/29 e Discriminativo Sintético de Débito, fls. 30/39: FPD — Folha de Pagamento Declarada em GFIP, período: 01 a 13/2001, 01 a 13/2002, 01 a 13/2003, 01 a 13/2004, 01 a 12/2005, 01 a 13/2006, sem recolhimento parcial; FPE Folha de Pagamento de Estagiário, períodos: 05 a 12/2002; 04 a 08/2003 e 10 a 12/2003; 01 a 03/2004 e 06 a 08/2004; 05 a 07/2006 e 09 a 12/2006, sem recolhimento parcial; FPN: Folha de Pagamento Não Declarada em GFIP, períodos: (2001 01, 04, 05, 08, 09 a 12 e 13/2001), (2002 01 a 12 e 13/2002), (2003 01 a 04, 06 a 12 e 13/2003), (2004 01 a 04, 06, 07, 09, 12 e 13/2004), (2005 01 a 04, 06, 12/2005), e (2006 – 07 e 11/2006), sem recolhimento parcial; Fl. 291DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12268.000159/200757 Acórdão n.º 2803002.210 S2TE03 Fl. 292 6 FN: Folha de pagamento não declarada em GFIP 2000, período: 02 a 09/2000, com recolhimento parcial. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 07/12/2007, fl. 100. Assim sendo, temse para as competências em que não houve antecipação de pagamento ou recolhimento parcial a regra do art. 173 inciso I do CTN. A contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, estariam decadentes as competências até 11/2001, inclusive, cujo prazo para o lançamento findaria em 31/12/2006. Estão decadentes as competências até 11/2001, inclusive, para os levantamentos: FPD Folha de Pagamento Declarada em GFIP; FPE Folha de Pagamento de Estagiário; FPN: Folha de Pagamento Não Declarada em GFIP; pois, conforme DAD – Discriminativo Analítico de Débito, fls. 04/29, não consta recolhimento parcial, devendo ser aplicada a regra do art. 173, inciso I do CTN. Aplicase para as competências em que houve recolhimento parcial a regra do art. 150 §4º do CTN. A contar da ocorrência do fato gerador estariam decadentes as competências anteriores a 12/2002. Consta recolhimento parcial para o levantamento FN: Folha de pagamento não declarada em GFIP 2000, período: 02 a 09/2000. Assim, estão decadentes as competências anteriores a 12/2002, com base na regra do art. 150 §4º do CTN. Desse modo, o Acórdão 280301.463 somente deve ser ratificado quanto ao período decadente e mantida a procedência das demais competências do lançamento fiscal. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em acolher os embargos para retificar a decisão do Acórdão 280301.463 somente quanto ao período decadente que passar a ter a seguinte redação: I reconhecer decadentes as competências até 11/2001, inclusive, para os levantamentos: FPD Folha de Pagamento Declarada em GFIP; FPE Folha de Pagamento de Estagiário; FPN: Folha de Pagamento Não Declarada em GFIP, com base na regra do art. 173, inciso I do CTN; II reconhecer decadentes as competências anteriores a 12/2002, para o levantamento FN: Folha de pagamento não declarada em GFIP 2000, com base na regra do art. 150 §4º do CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 292DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12268.000159/200757 Acórdão n.º 2803002.210 S2TE03 Fl. 293 7 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 19647.008386/2004-62
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000 DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. Evidenciada a existência de erro no preenchimento da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), não procede o lançamento correspondente.
Numero da decisão: 1803-001.367
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Victor Humberto da Silva Maizman e Meigan Sack Rodrigues.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000 DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. Evidenciada a existência de erro no preenchimento da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), não procede o lançamento correspondente. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.008386/200462 Acórdão n.º 180301.367 S1TE03 Fl. 182 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Victor Humberto da Silva Maizman e Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Viviani Aparecida Bacchmi. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.008386/200462 Acórdão n.º 180301.367 S1TE03 Fl. 183 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 149 a 151): O Mandado de Procedimento Fiscal, MPFComplementar, informações acerca das prorrogações do MPF e o demonstrativo consolidado do crédito tributário do processo constam das fls. 01/05. Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 06/11 para exigência de Contribuição Social, multa de ofício e juros de mora calculados até 31/08/2004, além de multa exigida isoladamente, no valor total de R$ 50.172,29, abrangendo fatos geradores compreendidos no exercício de 2000. Na descrição dos fatos, constam os seguintes registros: 001 – Glosas – Dedução a maior da CSLL mensal paga por estimativa: valor apurado conforme item 3.1 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal. 002 – Multas isoladas – Diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago – CSLL estimativa (verificações obrigatórias): constatação de falta de pagamento da Contribuição Social incidente sobre a base de cálculo estimada do mês de dezembro de 1999, conforme item 3.2 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal. No citado Termo de Encerramento de Ação Fiscal, anexado às fls. 12/17, a autoridade fiscal relata o levantamento empreendido em relação ao PIS, à Cofins e Contribuição Social. No caso específico da CSLL, a matéria foi tratada no item 3, tendo a autoridade fiscal constatado que o contribuinte deduziu indevidamente, na Ficha 30 da DIPJ/2000, o valor de R$ 15.133,52 (sic, o correto é R$ 15.223,10), correspondente à diferença entre o valor declarado como CSLL Mensal Paga por Estimativa de R$ 123.181,20 e os pagamentos apurados de R$ 107.958,10. Foi ainda apurada falta de recolhimento da CSLL devida por estimativa, consoante disposto no inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No item 4 do citado termo fiscal consta a relação dos documentos que fundamentaram a exigência, anexados às fls. 18/68. Cientificado do lançamento em 27/09/2004, conforme consignado no auto de infração, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 71/143, em 26/10/2004, cuja síntese é feita em seguida. I – Dos fatos O impugnante faz um resumo da autuação. II – Das preliminares IIA) Da inaplicabilidade da Taxa Selic na apuração do crédito tributário Fl. 190DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.008386/200462 Acórdão n.º 180301.367 S1TE03 Fl. 184 4 O impugnante contesta a aplicação da taxa Selic na determinação do crédito tributário devido nos seguintes tópicos: IIA1) Colocação do problema IIA2) Conceito de juros de mora utilizado pela legislação fiscal IIA3) Da utilização da Selic para fins de apuração dos juros moratórios – desvirtuação da lei IIA4) Do excesso dos encargos moratórios ante a utilização da Selic IIA5) Da derrogação da Selic como indexador dos juros de mora e o desrespeito ao princípio da isonomia IIA6) Taxa Selic – verdadeira hipótese de incidência tributária – precedente do Superior Tribunal de Justiça III – Do direito O defendente alega que não deixou de efetuar o recolhimento da CSLL, tendo anexado DCTF para comprovar que foi realizada compensação com tributo da mesma espécie. Passa a discorrer sobre compensação, tendo afirmado que a autoridade fiscal entendeu por bem não homologar a compensação efetuada, sendo tal denegação efetuada sem nenhuma alegação em tese, sem solicitação e, consequentemente, verificação da documentação suporte do direito ao crédito. Com efeito, a fiscalização, em momento algum, questionou a compensação efetuada, nem efetuou o procedimento devido, qual seja, analisar e, em casos de não homologação da compensação, intimar o impugnante para que efetuasse o pagamento do débito no prazo de trinta dias. Ademais, resta comprovado, pelos documentos anexados, que o referido crédito foi compensado com o saldo credor de CSLL de R$ 12.274,70, consoante cópia da DIPJ do anobase de 1998, cuja Ficha 29, lançado no campo errado, atualizado pela Selic até o vencimento da contribuição devida em dezembro, é de R$ 15.223,11. Salienta que, de forma alguma, houve, por parte da empresa, dolo no preenchimento da Declaração, tendo ocorrido apenas um erro na linha da DIPJ, estando todos os outros dados corretos. IV – Do pedido Requer sejam acatadas as razões apresentadas e que o auto de infração seja julgado improcedente. Valendose do princípio administrativo de que o impugnante pode fazer sua prova a qualquer momento, requer sejam apresentados, posteriormente, os outros documentos e provas, bem como a realização de sustentação oral e preferência na pauta de julgamento. Os documentos anexados à impugnação são os seguintes: cópia de DIPJ 1999 – fls. 102/112; Fl. 191DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.008386/200462 Acórdão n.º 180301.367 S1TE03 Fl. 185 5 cópia de DIPJ 2000 – fls. 113/124; cópia demonstrativo de apuração de crédito tributário – fl. 125; cópia de Darf – fl. 126; cópia de atos societários – fls. 127/141; instrumento de procuração – fls. 142/143. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada, na parte mantida (fls. 148): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2000 RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS DEDUÇÃO INDEVIDA Comprovada, na apuração do ajuste anual, a dedução a maior da CSLL mensal paga por estimativa, é lícita a glosa dos valores correspondentes. COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO Na compensação de eventuais créditos do contribuinte com débitos existentes, para que se produzam os efeitos legais próprios dessa forma de extinção do crédito tributário, devem ser observadas estritamente as normas pertinentes, visando não só resguardar os direitos do contribuinte, mas também a uniformização de procedimentos e o controle da Administração Tributária. [...]. JUROS DE MORA TAXA SELIC É legítima a exigência de juros de mora tendo por base percentual equivalente à taxa Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. Lançamento Procedente em Parte. 3. Cientificada da referida decisão em 26/02/2008 (fls. 162), a tempo, em 25/03/2008, apresenta a interessada Recurso de fls. 163 a 170, instruído com os documentos de fls. 171 a 178, nele argumentando, em síntese: a) que a multa de ofício proporcional aplicada é inconstitucional, em face do seu evidente caráter confiscatório; b) que o valor glosado, na verdade, referese ao saldo negativo da CSLL apurado na DIPJ/99, no valor de R$ 12.274,70, devidamente corrigido pela SELIC; c) que esse saldo negativo foi informado na referida DIPJ/99, como se pode observar nos documentos já anexados aos autos; d) que, porém, por um lapso, deixou de informar, na DIPJ/2000, esse saldo negativo apurado no anocalendário de 1998; Fl. 192DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.008386/200462 Acórdão n.º 180301.367 S1TE03 Fl. 186 6 e) que tanto isso é verdade que o próprio acórdão recorrido reconheceu que houve um equívoco; f) que, na realidade, houve somente um erro formal no preenchimento da DIPJ quanto à declaração do saldo negativo em questão, sendo tal falha causada involuntariamente pela Recorrente, sem qualquer intenção dolosa ou fraudulenta, na medida em que não houve qualquer vantagem ou redução no valor do imposto devido; g) que, assim, não deixou de efetuar o recolhimento da CSLL, pois, conforme já aduzido na Impugnação, foi realizada compensação com tributo da mesma espécie, tendo em vista que se compensou o valor negativo de R$ 12.274,70, apurado no anocalendário de 1998, com o saldo de R$ 123.181,20, apurado em 1999; h) que o valor negativo foi devidamente corrigido, o que resultou no montante de R$ 15.223,10, ora glosado; i) que tal fato não poderia acarretar à Recorrente qualquer tipo de sanção, uma vez que o próprio acórdão recorrido alega que a DIPJ tem mero cunho informativo; j) que, além disso, data vênia, ao contrário do disposto no acórdão recorrido, é possível, quanto à DCTF, que seja alegado erro de preenchimento, sem que o contribuinte seja penalizado por isso; e k) que, assim, não há que se falar em imposto devido, visto que o crédito em questão foi extinto pela compensação, nos termos do artigo 156, II, do CTN, tornandoo inexigível. 4. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.008386/200462 Acórdão n.º 180301.367 S1TE03 Fl. 187 7 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 5. Argumenta a Recorrente, basicamente, que o valor glosado, a título de estimativa de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) não recolhida, teria sido oriundo da Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do exercício de 1999, no valor de R$ 12.274,70 (saldo negativo de CSLL), o qual, corrigido pela taxa Selic até dezembro de 1999, resultaria no montante de R$ 15.223,11, e que essa compensação teria sido demonstrada na respectiva Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF). 6. Compulsandose a documentação anexada pela Recorrente, verificase a existência de um saldo negativo de CSLL, no exercício de 1999, de R$ 12.274,70 (fls. 112), fato admitido pela própria decisão recorrida (fls. 152): Conforme se verifica pela tela extraída do sistema que controla o processamento das DIPJ (fl. 146), o contribuinte não informou na DIPJ/2000 – Ficha 28A – Linha 13, o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 1998, fato que confirma o equívoco no preenchimento da DIPJ alegado pelo impugnante. 7. Esse saldo negativo, corretamente atualizado pela taxa de juros Selic, corresponde, em 31/01/2000, a R$ 15.223,08, que é, basicamente, o valor objeto de glosa pela fiscalização (R$ 15.223,11): ANO MÊS TAXA VALOR 1999 Janeiro 2,18 12.274,70 Fevereiro 2,38 Março 3,33 Abril 2,35 Maio 2,02 Junho 1,67 Julho 1,66 Agosto 1,57 Setembro 1,49 Outubro 1,38 Novembro 1,39 Dezembro 1,6 2000 Janeiro 1,00 SOMA 24,02* 15.223,08 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.008386/200462 Acórdão n.º 180301.367 S1TE03 Fl. 188 8 * Juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada (Ato Declaratório SRF nº 3, de 7 de janeiro de 2000) 8. Afirma a decisão recorrida que (fls. 152): Nesse particular, cumpre salientar que os documentos anexados pelo impugnante não fazem prova de sua alegação, uma vez que não há comprovação da apresentação de DCTF, ou de DCTF retificadora antes de iniciado o procedimento fiscal, com a indicação da compensação do saldo negativo da CSLL apurado no anocalendário de 1998, com o débito da mesma contribuição apurado em dezembro de 1999. Em verdade, a DCTF relativa ao 4º trimestre de 1999 (fl. 45) atesta a existência de débito apurado pertinente à CSLL, em dezembro, no valor de R$ 85.291,03 e créditos vinculados (pagamento) do mesmo valor. Portanto, contrariamente à alegação do impugnante, não há comprovação da compensação de saldo negativo de CSLL apurado na DIPJ/1999 – anocalendário de 1998, com o débito objeto do presente processo, na importância de R$ 15.223,10. 9. Constou da DIPJ do exercício de 2000 o seguinte, relativamente ao mês de dezembro (fls. 40): 10. Já na correspondente DCTF do mesmo período de apuração, citada pela decisão recorrida, foi declarado o seguinte (fls. 45): Fl. 195DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.008386/200462 Acórdão n.º 180301.367 S1TE03 Fl. 189 9 11. Ora, a diferença entre o valor da CSLL a Pagar, informado na DIPJ (R$ 100.514,14), e o valor da CSLL declarada como devida, constante da DCTF (R$ 85.291,03), é, justamente, de R$ 15.223,11. 12. À toda evidência, estáse diante de um mero erro de preenchimento da DCTF, já que, nela, deveria ter sido informado um débito, para o mês de dezembro de 1999, de R$ 100.514,14, de conformidade, aliás, com a respectiva DIPJ, com a posterior indicação de Créditos Vinculados de R$ 15.223,11 (saldo negativo de CSLL do exercício de 1999) e de R$ 85.291,03 (pagamentos com darf), com a consequente apuração de Saldo a Pagar zero. 13. O Informativo STF nº 665, de 7 a 11 de maio de 2012, transcreve trechos de decisão do Ministro Luiz Fux (HC 101.132 ED/MA) que, embora tratando de assunto diverso, se aplicam, a meu ver, como uma luva, à situação do presente processo: A fase instrumentalista do Direito Processual deriva da necessidade de legitimação do Judiciário. Com efeito, o descrédito social gerado em razão de decisões que se furtam à resolução do mérito por apego exagerado a questiúnculas procedimentais, sem qualquer fundamento razoável, gera uma crise de efetividade dos direitos e põe em xeque, em última análise, a sobrevivência dos Poderes instituídos. A persistir a orientação formalista, veremos ressuscitado o regime romano Fl. 196DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.008386/200462 Acórdão n.º 180301.367 S1TE03 Fl. 190 10 das legis actiones , do purismo formal excessivo e absoluto desse período [do qual] data a conhecida passagem das Institutas de Gaio (IV/11), em que relata a perda de uma causa em virtude de a parte ter utilizado o termo vide[ira] no lugar de árvore, que era o correto. Em artigo publicado em obra recente que coordenei, Bruno Bodart vaticina que [a] forma, se imposta rigidamente, sem dúvidas conduz ao perigo do arbítrio das leis, nos moldes do velho brocardo dura lex, sed lex (BODART, Bruno Vinícius Da Rós. Simplificação e adaptabilidade no anteprojeto do novo CPC brasileiro. In: O Novo Processo Civil Brasileiro Direito em Expectativa. Org. Luiz Fux. Rio de Janeiro: Forense, 2011. p. 76). Carlos Alberto Álvaro de Oliveira observa que o formalismo excessivo faz com que o seu poder organizador, ordenador e disciplinador aniquile o próprio direito ou determine um retardamento irrazoável na solução do litígio. Segundo anota o autor, as formas processuais cogentes não devem ser consideradas formas eficaciais (Wirkform), mas formas finalísticas (Zweckform), subordinadas de modo instrumental às finalidades processuais. Se a finalidade da prescrição foi atingida na sua essência, sem prejuízo a interesses dignos de proteção da contraparte, o defeito de forma não deve prejudicar a parte, mesmo em se tratando de prescrição de natureza cogente, pois, por razões de equidade (justiça do caso concreto, segundo Radbruch), a essência deve sobrepujar a forma (OLIVEIRA, Carlos Alberto Alvaro de. O formalismo valorativo no confronto com o formalismo excessivo. In : Revista de Processo, São Paulo: RT, nº 137, p. 731, 2006). 14. Por conseguinte, não procede a presente autuação fiscal. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 197DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 13411.000214/2006-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.236
Decisão: RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13411.000214/200690 Resolução n.º 220200.236 S2C2T2 Fl. 2 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, GRANVILLE & BAZAN LTDA, em 06/04/2006, foi lavrado Auto de Infração, referente a fatos geradores ocorridos entre os anos calendários de 2001 e 2005, no qual se cobra o crédito tributário de R$ 83.378,94. Segundo a descrição dos fatos (fl. 279), constatouse, na ação fiscal: DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO DO IRRF — APURAÇÃO SEMANAL. Consta que, da análise dos livros Razões (fls. 14 a 194), foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, conforme demonstrativos de diferenças apuradas (fls. 269/277) e, ainda, que foram alocados dois pagamentos (fls. 267/268). Cientificada e não se conformando com o lançamento, o contribuinte apresentou, em 04/05/2006 (fls. 307/331), a sua contestação, alegando em síntese: nulidade do lançamento, tendo em vista erro quanto à definição do momento do fato gerador do IRRF. . ter a fiscalização partido de equivocada premissa de divergência entre valores escriturados e declarados, em função do livro razão analisado na ação fiscal servir apenas para registro antecipado do IRRF que seria pago por ocasião do efetivo fato gerador do imposto (pagamento a terceiro ou funcionário), sendo o livro correto a ser analisado o "Livro Razão do Banco", no qual consta com exatidão "a data dos efetivos fatos geradores, .... sendo certo que, conforme documentação inclusa, a retenção e pagamento ao Fisco sempre ocorreu no prazo legalmente previsto. "; que não poderia o AFRF ter deixado de considerar o livro razão do banco, que, com finalidade, retratou os pagamentos efetuados a terceiros e funcionários, os quais constituíram fatos geradores da obrigação em tela; que o fiscal autuante desconsiderou solenemente alguns pagamentos efetuados pela impugnante, a título de IRRF, conforme DARFs inclusos e exemplo, às folhas 317/319, constituindose em lançamento de imposto já pago; . que alguns recolhimentos, por mero lapso, foram efetuados com o código de receita 0588 (rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício), quando, o correto, seria o uso do código de recita 0561 (rendimentos de trabalho assalariado), sendo que já providenciou a correção do equivoco, conforme REDARF anexo (docs 433 a 451, do Anexo II); . falta de respaldo legal tributário para utilização da taxa SELIC, além de ofensa aos princípios constitucionais da estrita legalidade, da indelegabilidade da competência tributária, e do nãoconfisco, fundamentandose em teses doutrinárias e jurisprudenciais; Fl. 939DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13411.000214/200690 Resolução n.º 220200.236 S2C2T2 Fl. 3 3 . ofensa da multa de oficio no patamar de 75% ao princípio do não confisco, fundamentandose, também, em teses jurisprudenciais; . que essa instância administrativa não deve recusarse ao exame da constitucionalidade da multa fixada, pelo que toda matéria objeto da impugnação deve ser considerada, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa; que seja convertido o julgamento em diligência, para o fim de nova verificação da documentação e exatidão das planilhas anexadas, além de, exclusão da taxa Selic e redução da multa fixada no patamar de 75%. A DRJ ao apreciar a impugnação, julgou o lançamento procedente em parte nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 FALTA DE RECOLHIMENTO. DIFERENÇAS APURADAS. Procede o lançamento da diferença de imposto apurada com base na escrituração do contribuinte em cotejo com os pagamentos efetuados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n.° 70.235/72, sem a • ocorrência de vícios com relação à forma, competência, objeto, motivo ou finalidade e sendo demonstrada, pela alentada impugnação apresentada, que inocorreu preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. Lançamento Procedente em parte. A autoridade julgadora, por meio de voto vencedor, entendeu maioria dos Redarfs foram acatados pela Receita Federal antes da lavratura do auto de infração, de sorte que, com efeito, não havia motivo para a constituição dos respectivos créditos, vez que os mesmos já não mais existiam. Vale salientar, os períodos de apuração de alguns Redarfs apresentados (fis. 433 a 451 do anexo R) não correspondem aos períodos de apuração objeto do auto de infração, motivo por que, evidentemente, não serão considerados. Fl. 940DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13411.000214/200690 Resolução n.º 220200.236 S2C2T2 Fl. 4 4 Assim, ante o exposto, votase no sentido de julgar procedente em parte o lançamento para exonerar o crédito no montante de R$ 9.617,00, e manter o montante de R$30.542,48, o qual deve ser exigido com a aplicação da multa de ofício e juros de mora, consoante legislação de regência. Insatisfeita com o resultado a interessada interpõe recurso voluntário reiterando basicamente as razões da impugnação. Destacamse os seguinte pontos: Erro quanto ao momento do fato gerador. Conformidade entre a escrituração e o lançamento submetido à homologação. Vício insanável. Nulidade: . A acusação busca lastro na suposta divergência entre os valores declarados e os valores escriturados pela Recorrente. Enganase o AFRF, pois não houve divergência alguma entre dos valores declarados e escriturados, mas sim equívoco ao considerar como momento do fato gerador á mera escriturado para fim de provisão de custo, no lugar de considerar a efetiva ocorrência do fato gerador a data do pagamento, evento este que está perfeitamente comprovado à luz do LIVRO RAZÃO (com informações bancárias). Embora constasse tanto da escrituração para mera provisão, como do razão bancário os mesmos valores, constava deste a efetiva data do pagamento, momento que se constitui o fato gerador da obrigação tributária em foco, enquanto que naquela escrituração utilizada pelo Fiscal havia mera provisão financeira da despesa, que, repitase, embora realizada no momento posterior. Egrégia 3' Turma da DRJ/REC não vislumbrou referida prova, razão pela qual, em parte, foi mantido o lançamento. Desta feita, a Recorrente acosta aos autos planilha demonstrativa da conciliacão entre os valores escriturados, pagos e lançados (doc. 03), o que faz com o escopo de facilitar a demonstração contábil de sua alegação, a Recorrente demonstra a insubsistência da cobrança que, a se confirmar, se revestirá de bis in idem. Todavia, caso mesmo à luz da planilha ora anexa, bem assim do seu cotejo com os documento já inclusos aos autos reste dúvida d se D. Conselho quanto à veracidade das alegações da Recorrente, desde já requer a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, conforme faculta o Regimento Interno deste Conselho, a fim de que sejam reexaminados os documentos apresentados e a exatidão da planilha ora inclusa É o relatório. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13411.000214/200690 Resolução n.º 220200.236 S2C2T2 Fl. 5 5 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Os argumentos trazidos pelo contribuinte são pertinentes e respaldados alegações matérias para cada um dos lançamento como se nota nas fls 374 a 423, tais como e o mesmo indica que não houve divergência alguma entre dos valores declarados e escriturados, mas sim equívoco ao considerar como momento do fato gerador á mera escriturado para fim de provisão de custo, no lugar de considerar a efetiva ocorrência do fato gerador a data do pagamento, evento este que está perfeitamente comprovado à luz do LIVRO RAZÃO (com informações bancárias). Com o recurso voluntário, o Recorrente acosta aos autos planilha demonstrativa da conciliação entre os valores escriturados, pagos e lançados (doc. 03 – fls. 460 a 474), o que faz com o escopo de facilitar a demonstração contábil de sua alegação, a Recorrente demonstra a insubsistência da cobrança que, a se confirmar, se revestirá de bis in idem. As alegações são verossímeis, a recorrente pleiteia a conversão em diligência para verificação dos documentos. Diante dos fatos, tendo em vista os argumentos e a planilha demonstrativa quando do recurso, bem como para que não reste qualquer dúvida no julgamento, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido em diligência para que a repartição de origem tome as seguintes providências: 1 Examine a documentação e argumentos apresentados no recurso, manifestandose quanto à plausibilidade dos mesmos; 2 – Realize intimações e diligências julgadas necessárias para formação de convencimento; 3 Que a autoridade fiscal se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre a validade das alegações juntadas na impugnação e recurso, dandose vista ao recorrente, com prazo de 20 (vinte) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 942DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 11020.006351/2008-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias
Período de Apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI 6.830/1980 E ART. 216, 3º DA LEI Nº 8.213/1991.
A propositura de ação judicial pelo contribuinte anteriormente ou
posteriormente à autuação, cujo objeto seja o mesmo da discussão
administrativa, acarreta na renúncia à instância administrativa, conforme determina o artigo 38, parágrafo único da Lei 6.830/1980 e o art. 216, §3º da Lei nº 8.213/1991.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991
combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e
da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Numero da decisão: 2301-002.526
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer em parte do recurso, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no
Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI 6.830/1980 E ART. 216, 3º DA LEI Nº 8.213/1991. A propositura de ação judicial pelo contribuinte anteriormente ou posteriormente à autuação, cujo objeto seja o mesmo da discussão administrativa, acarreta na renúncia à instância administrativa, conforme determina o artigo 38, parágrafo único da Lei 6.830/1980 e o art. 216, §3º da Lei nº 8.213/1991. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer em parte do recurso, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Fl. 288DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.006351/200878 Acórdão n.º 2301002.526 S2C3T1 Fl. 2 2 Recorrente, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada. Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Relatório Tratase de Auto Infração nº 37.142.4798 lavrado em face de COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL PRADENSE, do qual foi notificado em 26/09/2008, em virtude do não recolhimento das contribuições previdenciárias relativas aos produtores rurais pessoas físicas no percentual de 2% para a seguridade social e de 0,1% para o financiamento das prestações por acidentes de trabalho, incidentes sobre a receita bruta decorrente da comercialização da produção rural dos cooperados com a Sociedade Cooperativa (adquirente), a qual figura no pólo passivo da obrigação tributária na condição de responsável. O crédito tributário decorrente do lançamento realizado é no valor de R$ 859.605,19 (oitocentos e cinquenta e nove mil e seiscentos e cinco reais e dezenove centavos). Afirma o Relatório Fiscal (fls.78 e seguintes) que a Recorrente adquiriu produtos rurais de seus cooperados pessoas físicas, conforme consta da análise das notas fiscais de compra por ela emitidas e dos registros contábeis referentes a estas operações. Aduz ainda o relato do fisco que a Recorrente possui Mandado de Segurança (2007.71.07.004393/RS), já em fase de julgamento do Recurso Especial nº 571.966 (2003/01143071), nos quais se discute, judicialmente, a exigibilidade da contribuição a FUNRURAL, tendo, portanto, efetuado, em subrogação, depósitos judiciais referentes aos valores da contribuição em comento, a qual incidiu sobre os valores dos produtos rurais adquiridos dos produtores rurais pessoas físicas. Cabe destacar, ainda, que, segundo o Relatório Fiscal, a Cooperativa encontrase dispensada de declarar as bases de cálculo das contribuições relativas à comercialização da Produção Rural Pessoa Física nas Guias de Recolhimento da Previdência Social – GFIP, em razão dos processos e depósitos judiciais acima citados. Irresignada, apresentou a Recorrente impugnação, insurgindose contra a exação fiscal em comento, não tendo, todavia, obtido julgamento procedente do seu pedido, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: Fl. 289DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.006351/200878 Acórdão n.º 2301002.526 S2C3T1 Fl. 3 3 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DÉBITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA LANÇAMENTO FISCAL. Considerandose o prazo extintivo de natureza decadencial, a autoridade administrativa declara seu crédito em tempo hábil, de forma a salvaguardar seus interesses frente à possibilidade de serem os depósitos levantados antes do desfecho da ação (autorizada por alguns juízes, a despeito da jurisprudência dominante), sob pena de, inexistindo crédito e decorrido o prazo para constituílo, não se beneficiar a seguridade social de decisão final a seu favor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cabe destacar da decisão recorrida a afirmação de que, como o crédito constituído por lançamento de ofício encontrase em discussão judicial, em virtude dos depósitos pela Recorrente realizados, sua exigibilidade está suspensa. Não satisfeita com a decisão proferida, apresentou a Recorrente Recurso Voluntário alegando em suma: a) A licitude de sua conduta, em virtude de os objetos das exações fiscais serem sujeitos a lançamento por homologação e, em virtude da realização dos depósitos judiciais correspondentes, deve ser anulado o auto de infração em face dela emitido. b) A desnecessidade do lançamento realizado e inexigibilidade de multa de mora e juros, em virtude da realização dos depósitos judicias tempestivamente realizados. Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Da renúncia à via administrativa Consta dos autos a impetração pela autuada de mandado de segurança destinado (2007.71.07.004393/RS) e de Recurso Especial (nº 571.966 2003/01143071), no escopo de discutir, judicialmente, a exigibilidade da contribuição destinada ao FUNRURAL. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.006351/200878 Acórdão n.º 2301002.526 S2C3T1 Fl. 4 4 Verificase, assim, uma hipótese de renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa, a teor do disposto no art. 126, §3º, da Lei no 8.213/91 combinado com o art. 307 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (...) § 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20.11.98). O art. 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/1980 traz dispositivo semelhante: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. O fundamento de tais dispositivos legais é evitar decisões conflitantes entre o órgão administrativo e o judicial. O Princípio da Tutela Jurisdicional Absoluta, previsto no artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, veda que sejam afastadas da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Quem se sentir ameaçado ou violado em seus direitos pode recorrer ao judiciário e este não pode eximirse da apreciação e solução da matéria. Tal entendimento, inclusive, já foi sumulado por este Conselho de Contribuintes, conforme dispõe a Súmula Nº 1 do CARF, a seguir transcrita: SÚMULA Nº 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Sobrepondose suas decisões às soluções na esfera administrativa sobre a mesma matéria, seria inócuo um julgamento por este colegiado que, após a decisão judicial, observaria o afastamento da solução proposta. Assim, se a parte apresentou a matéria na sua defesa e recurso e também ingressou com ação judicial, deve ser reconhecida a renúncia ao contencioso administrativo, que deve ficar limitada, evidentemente, à matéria que lhes forem idênticas. No caso dos autos, a autuada impetrou mandado de segurança para ver reconhecido judicialmente a improcedência do lançamento referente às contribuições relativas ao FUNRURAL. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.006351/200878 Acórdão n.º 2301002.526 S2C3T1 Fl. 5 5 Diante disso, não há razão para se conhecer do presente Recurso, dado o fato de a Recorrente já ter interposto ação judicial discutindo a exigibilidade da contribuição objeto do Auto de Infração em face dela lavrado. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.006351/200878 Acórdão n.º 2301002.526 S2C3T1 Fl. 6 6 Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 293DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.006351/200878 Acórdão n.º 2301002.526 S2C3T1 Fl. 7 7 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores Fl. 294DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.006351/200878 Acórdão n.º 2301002.526 S2C3T1 Fl. 8 8 em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Da Conclusão Ante o exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 18 de janeiro de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 295DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.006351/200878 Acórdão n.º 2301002.526 S2C3T1 Fl. 9 9 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 11128.007406/98-53
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 13/06/1996
A preparação de produto de condensação do ácido nafitalenossulfônico e de sulfato de sódio - Tamol, NH 7519, deve ser classificada na posição 3824.90.90.
I - No tocante a multa do art. 4°, inciso I, da Lei 9.430/96 e artigo 106, inciso II, alínea "c" da Lei 5.172/66.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.713
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 13/06/1996 A preparação de produto de condensação do ácido nafitalenossulfônico e de sulfato de sódio Tamol, NH 7519, deve ser classificada na posição 3824.90.90. I No tocante a multa do art. 4°, inciso I, da Lei 9.430/96 e artigo 106, inciso II, alínea "c" da Lei 5.172/66. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALB, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Nas fls. 160/165, Relatório, Voto e Acórdão, remanescentes da Primeira Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes que por unanimidade de votos concedeu provimento parcial ao recurso do contribuinte, decidindo por classificação diversa da que foi praticada em importação de equipamentos e para afastar a multa do art. 4º, inciso I, da Lei nº 9.430/96 e do art. 106, inciso II, alínea “c” da Lei nº 5.172/66. Embargos de Declaração (fls. 168/170) opostos Pela Fazenda Nacional foram conhecidos e providos (fls. 172/175) para retificar o artigo da Lei nº 9.430/96 que é o 44 e não o 4º constante do acórdão. Nas fls. 179/183 Recurso Especial de Divergência da Fazenda Nacional insatisfeita com o entendimento dos julgadores que contraria decisão deste Conselho na conformidade do Acórdão nº 30237.040 onde ficou decidido a aplicação de multa de ofício em razão de erro na classificação fiscal que acarretou falta de recolhimento do imposto. Continua argüindo constar da Declaração de Importação a mercadoria discriminada como TAMOL NH 7519 – PRODUTO DE CONDENSAÇÃO DE ÁCIDO NAFTALENOSSULFONICO. ESTADO FÍSICO: SÓLIDO EM PÓ. MASSA MOLECULAR : CA 35000. CONCENTRAÇÃO: 73 – 77%. VALOR PH: 9,0 – 10,5. QUALIDADE: INDUSTRIAL. USO NA INDÚSTRIA QUÍMICA E QUIMICOTÉCNICA. DISPERSANTE AUXILIAR PARA SÍNTESE DE BORRACHA, enquadrandoa nos códigos NCM 2909.10.90 e NBM 2904.10.9900. Diz ainda que o laudo de fls. 22/23 conclui tratarse de “preparação à base de produto de condensação de sal sódico do ácido naftalenossulfônico e fomaldeído contendo sulfato de sódio, na forma de pó” e não “ácido naftalenossulfônico de composição química definida e isolada”. Salienta que somente com a revisão aduaneira foi possível comprovar que a descrição nas DI´s das mercadorias, não correspondia às mercadorias efetivamente importadas uma vez que os elementos necessários à identificação e enquadramento tarifário não se fizeram presentes. Destaca que a característica mais essencial para a classificação fiscal in casu seria a informação de que o produto possuía 20% de sulfato de sódio o que não ocorreu, fazendo com que tal inexatidão na declaração da mercadoria constituísse infração punível com multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 e não se aplicando a orientação prevista no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10/97 que reverbera não constituir infração punível com as multas previstas nos dispositivos elencados pelo acórdão recorrido, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Conclui que tendo sido a descrição da mercadoria incompleta pela omissão de elemento essencial ao enquadramento tarifário, inviabilizado resta a aplicação do ADN COSIT nº 10/97. É o relatório. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALB, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11128.007406/9853 Acórdão n.º 930301.713 CSRFT3 Fl. 237 3 Voto Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Relator Nas fls. 207/208 Despacho nº 1492.133926 admitindo o cumprimento integral dos requisitos de admissibilidade quanto a tempestividade, divergência e bem como ao articulado no recurso. A matéria articulada no Recurso cingese, exclusivamente, à multa por classificação inadequada que foi afastada pela Câmara a quo. A falta de informe quanto a existência de 20% correspondente a sulfato de sódio na composição do produto não traduz, em si mesmo, não acarretou redução da incidência tributária conforme se comprova, também, no texto do Recurso ora em análise que nada comentou sobre este fato. Assim, a multa do art. 4°, inciso I, da Lei 9.430/96 e artigo 106, inciso II,alínea "c" da Lei 5.172/66, não há de ser imputada a Contribuinte, mesmo com divergência de enquadramento classificatório, porque não caracterizado o intuito de dolo ou máfé, isto estribado também no ADN nº 10/97 que também se refere a multa do art. 4º, I, da Lei nº 8.218/91. Diante do exposto, entendo acertada a Decisão unânime ora recorrida, e voto pelo improvimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Fl. 265DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALB, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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