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Numero do processo: 15971.000600/2007-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
EXCLUSÃO DO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. ATIVIDADE DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS INDUSTRIAIS. USINAGEM. APLICAÇÃO DA SÚMULA 57 DO CARF.
Não configura atividade típica de engenheiro a manutenção de peças industriais para máquinas, mediante procedimentos de usinagem, conforme jurisprudência firmada nesse E. Tribunal.
Aplicação da Súmula 57 do CARF.
Recurso conhecido e provido.
Numero da decisão: 1201-000.560
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao Recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 EXCLUSÃO DO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. ATIVIDADE DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS INDUSTRIAIS. USINAGEM. APLICAÇÃO DA SÚMULA 57 DO CARF. Não configura atividade típica de engenheiro a manutenção de peças industriais para máquinas, mediante procedimentos de usinagem, conforme jurisprudência firmada nesse E. Tribunal. Aplicação da Súmula 57 do CARF. Recurso conhecido e provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 EXCLUSÃO DO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. ATIVIDADE DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS INDUSTRIAIS. USINAGEM. APLICAÇÃO DA SÚMULA 57 DO CARF. Não configura atividade típica de engenheiro a manutenção de peças industriais para máquinas, mediante procedimentos de usinagem, conforme jurisprudência firmada nesse E. Tribunal. Aplicação da Súmula 57 do CARF. Recurso conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Antonio Carlos Guidoni Filho (VicePresidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Regis Magalhães Soares Queiroz, Rafael Correia Fuso e João Bellini Junior. Relatório Tratase de exclusão de empresa do Simples, a partir de 01.01.2002, em razão da fiscalização constatar o exercício de atividade vedada no referido regime, qual seja a manutenção de máquinas industriais, conforme contrato firmado de outubro de 2001 entre a contribuinte e terceiro. A contribuinte foi constituída em 23.09.1999, sob o Regime do Simples, tendo realizado a atividade de transporte rodoviário de cargas em geral desde a sua constituição. Não obstante, em sua alteração societária em 1.10.2003, a contribuinte inseriu em seu objeto social a atividade de manutenção de máquinas. Em 1.10.2001, a contribuinte firmou contrato com a empresa Lupo, para fins de prestar serviços de manutenção de máquinas industriais, sendo esse o marco temporal considerado pela fiscalização para a exclusão da empresa do Simples, adotando o disposto no artigo 24, inciso II, da IN n° 608/2006. Foram juntadas pela fiscalização o contrato social e alteração, o contrato de prestação de serviço com a Lupo e Notas Fiscais de janeiro a dezembro de 2004. O Ato Declaratório Executivo DRF/AQA n° 47/2007 foi expedido em 13/08/2007, com exclusão retroatividade a partir de 1.02.2002, sendo contestado pelo contribuinte através de Manifestação de Inconformidade protocolada em 01.09.2007. O contribuinte alegou em sua defesa: a) o contribuinte não está obrigado a obedecer pareceres normativos, pois somente é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa em virtude de lei; b) o parecer normativo representa única e exclusivamente a opinião do Fisco sobre determinada disposição legal, tendo o mesmo valor jurídico que a opinião do contribuinte; c) o próprio órgão recorrido ao se referir ao artigo 9° , XIII, da Lei 9.317/96, que elenca as pessoas jurídicas que não podem optar pelo SIMPLES, destaca que a vedação atinge aqueles que prestam serviços: 1. Relativos às profissões expressamente listadas, dentre elas, a de engenheiro; 2. Profissionais assemelhados àqueles listados no mesmo inciso; e 3. Profissionais de qualquer Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15971.000600/200742 Acórdão n.º 120100.560 S1C2T1 Fl. 3 3 outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; d) a atividade comercial da contribuinte (TRANSPORTES RODOVIÁRIO DE CARGA EM GERAL E MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS (e por manutenção de máquinas a recorrente apenas faz a usinagem nas peças desgastadas pelo uso) não deixa margens de dúvidas para o equívoco da decisão guerreada, afinal em momento algum se enquadra dentre aquelas atividades, porquanto não presta nenhum dos serviços profissionais listados no inciso III do art. 9° da Lei 9.317/96; não guarda nenhuma semelhança com as profissões relacionadas; e para usinar a peça danificada não é exigida nenhuma habilitação profissional para o exercício a atividade. A DRJ de Ribeirão Preto não acolheu a manifestação de inconformidade do contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 01/01/2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES ATIVIDADE DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS INDUSTRIAIS. É vedada a opção pelo SIMPLES pelas empresas que exercem atividade de manutenção de máquinas industriais, conforme previsto no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 04/2000. Solicitação Indeferida O contribuinte foi intimado da decisão da DRJ em 22.07.2008. Protocolou Recurso Voluntário em 20.08.2008, reproduzindo com a mesma roupagem lingüística os termos e fundamentos trazidos na sua manifestação de inconformidade. Este é o relatório. Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Quanto ao mérito, entendo que assiste razão o Recorrente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS 4 A despeito das alegações do contribuinte virem no sentido de que a atividade de prestação de serviços relativas a manutenção de máquinas industriais estar voltada apenas a usinagem de peças desgastadas pelo uso, não há nos autos prova de que essa modalidade de serviço fora a única efetivamente prestada na atividade de manutenção, gerando o benefício da dúvida a favor do contribuinte. Por isso, tomemos como a atividade de manutenção dos equipamentos também o exercício da usinagem. A usinagem de peças desgastadas pode ser definida como a operação que confere à peça forma, dimensões ou acabamento, ou ainda uma combinação qualquer desses três, através da remoção de material sob a forma de cavaco. A usinagem em si é baseada na mecânica (atrito, deformação), na Termodinâmica (calor) e nas propriedades dos materiais. Sobre a usinagem destaco o importante trabalho do ilustre Prof. Dr. Eng. Rodrigo Lima Stoeterau, da Universidade Federal de Santa Catarina, que demonstrou com maestria os procedimentos da atividade em seu trabalho publicado no site: http://www.lmp.ufsc.br/disciplinas/emc5240/Aula01U20071Introducao.pdf. Ainda que os pareceres normativos, contestados pelo Recorrente, sejam apenas orientações na interpretação de regras e leis, o fato é que a atividade de usinagem em manutenção de máquinas industriais exercida pela Recorrente foi considerada como serviço de engenharia, tendo como obstáculo o disposto no artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, quanto ao regime do Simples. A Resolução do CREA n° 218/73, na atividade 17, lista "operação e manutenção de equipamento e instalação", como exclusiva às modalidades profissionais de engenharia, arquitetura e agronomia, aplicada no presente caso. Contudo, embora tenha identificado no trabalho do ilustre Prof. Rodrigo Lima Stoeterau e na Resolução CREA elementos para considerar que a usinagem exige a intervenção de um engenheiro mecânico, o CARF, por meio da Súmula n° 57 do CARF, entendeu que os serviços de manutenção de máquinas não impõem restrições ao Simples. Esse inclusive é o entendimento da jurisprudência do extinto Conselho de Contribuintes: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2003 Atividade Vedada. Não Configuração. Não configura atividade típica de engenheiro a fabricação de espaçadores, eixos, anéis, chapas ou os serviços de usinagem, furação, recuperação, embuchamento de peças para máquinas industriais, executadas a partir de especificação elaborada por terceiros. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (Acórdão n ° 30335157, Terceira Câmara/Terceiro Conselho de Contribuintes) Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso e no mérito DOULHE provimento, destacando a necessidade de se fazer maiores estudos sobre a prestação de serviços de usinagem, como forma de se ratificar ou não o disposto na Súmula n° 57 do CARF, visto que essa atividade possui grande complexidade e exigências para seu exercício, com características próprias de serviços de engenharia mecânica. É como voto! Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15971.000600/200742 Acórdão n.º 120100.560 S1C2T1 Fl. 4 5 (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002082/2003-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2001
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL NÃO JUSTIFICADO – DOAÇÃO Tributa-se
o valor do acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Valores declarados como dinheiro em espécie recebidos de doações de parentes, não se presta para comprovar incrementos negativos da situação patrimonial do contribuinte, salvo prova inconteste de
sua existência no término do anoba-se em que tal disponibilidade for declarada.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA
BASE DE CÁLCULO Pacífica a jurisprudência deste Conselho
Administrativo de que não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão.
Numero da decisão: 2201-001.057
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento
parcial para excluir a cobrança da multa isolada por concomitância.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL NÃO JUSTIFICADO – DOAÇÃO Tributa-se o valor do acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Valores declarados como dinheiro em espécie recebidos de doações de parentes, não se presta para comprovar incrementos negativos da situação patrimonial do contribuinte, salvo prova inconteste de sua existência no término do anoba-se em que tal disponibilidade for declarada. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO Pacífica a jurisprudência deste Conselho Administrativo de que não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão.
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Valores declarados como dinheiro em espécie recebidos de doações de parentes, não se presta para comprovar incrementos negativos da situação patrimonial do contribuinte, salvo prova inconteste de sua existência no término do anobase em que tal disponibilidade for declarada. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO Pacífica a jurisprudência deste Conselho Administrativo de que não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial para excluir a cobrança da multa isolada por concomitância. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado Auto de Infração (fls. 37 a 42), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001, na qual se apurou crédito tributário no valor total de R$ 22.994,78, calculados até 29/08/2003. A fiscalização apurou variação patrimonial a descoberto, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados e falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a título de carnêleão, apurado conforme Termo de Constatação (fls. 34 a 36). Cientificada do lançamento, a autuada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância: que o valor de R$ 63.445,00, tido como “numerário em espécie” na coluna do ano de 1999, na DIRPF/Ex 2001 deveria ser considerado origem na variação patrimonial do ano calendário 2000, objeto da autuação; que não estava obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2001 / AnoCalendário 2000, pois não tinha a posse ou propriedade de bens e direitos de valor superior a R$ 80.000,00; que foi compelida a entregar a Declaração Anual de Isento referente ao Exercício 2000 / AnoCalendário 1999, já que a própria Receita Federal passou a exigir o “recadastramento” de todos os contribuintes; que a documentação referente à doação dos R$ 63.445,00 ocorreu anteriormente ao anocalendário de 1999, portanto já se operou a “prescrição”; que o instituto da doação é regido pelo Código Civil, em seu art. 541, caput e parágrafo único e que o inciso XV, do art. 39 do RIR/99 (Decreto 3000/99) atribui a característica de rendimento isento ao valor do bem adquirido por doação. Como não houve comprovação do valor de R$ 63.455,00, informado como “numerário em espéciepoupança de anos anteriores” na coluna do ano de 1999, declarado na DIRPF/Ex 2001/AC2000, o fiscal autuante lavrou o auto de infração (fls. 37 a 42), baseado no acréscimo patrimonial a descoberto e em multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. (...) que deve ser considerado nulo o lançamento, pois não considera a legislação vigente sobre doação (CC e RIR/99), citando doutrina de Hely Lopes Meirelles; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.002082/200305 Acórdão n.º 220101.057 S2C2T1 Fl. 2 3 que a fiscalização deve aceitar outra prova, que não a documental. A 3ª Turma da DRJ – Rio de Janeiro/RJ II julgou integralmente procedente o lançamento, conforme se extrai da transcrição de parte do voto condutor do julgamento de primeira instância: NULIDADE (...) Não se vislumbra no auto de infração entelado, preterição de forma ou de formalidade prescrita em lei que justifique a invalidação do procedimento. Feitas tais considerações, passo a examinar os fatos apontados pelo impugnante como causas de nulidade. O instituto da doação vem definido no Art. 538 do CC e no Art. 541 do mesmo dispositivo legal é tratada a doação verbal, que deve ser seguida incontinenti da tradição. O próprio Código Civil menciona a tradição, a qual deve ser provada para que se constate a ocorrência da doação. É entendimento assente na esfera administrativa, inclusive no Conselho de Contribuintes, que a doação, para ser aceita, deve ser não só comprovada por meio de documentação hábil e idônea da efetiva transferência do numerário, como também compatível com os rendimentos e disponibilidades financeiras declaradas pelo doador à data da doação. Também é fato que tanto o donatário quanto o doador têm a obrigatoriedade de informar a doação na declaração de bens e direitos, por sua repercussão na variação patrimonial. Contudo, mesmo que de tal informação tivesse sido prestada, não desobrigaria o contribuinte de fazer a prova efetiva da doação recebida, porquanto é inaceitável prova de doação calcada exclusivamente em dados informados em declaração de ajuste do donatário, sem qualquer outro elemento subsidiário. Compete ao interessado o ônus de provar o fato quando intimado pela fiscalização, que tem a atribuição legal para verificar a autenticidade de todos os fatos declarados. Em suma, cabe ao contribuinte fazer prova do recebimento dos recursos, por meio de extrato bancário ou indicação do cheque ou depósito em sua conta corrente, prova esta que, se existente, satisfaria plenamente a exigência, mesmo porque não se trata de pequenas quantias e os valores, se efetivamente doados , devem ter sido entregues em cheque ou em dinheiro depositados na contacorrente do donatário, o que tornaria fácil a comprovação da transferência relativa ao ato de doação. Sem esses elementos não é possível aceitar a doação alegada. É um equivoco o raciocínio de que a informalidade dos negócios entre parentes próximos pode eximir o contribuinte de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 apresentar prova da efetividade das transações. Tal informalidade diz respeito, apenas, a garantias mútuas que deixam de ser exigidas em razão da confiança entre as partes um empréstimo sem nota promissória, por exemplo , mas não se pode querer aplicar a mesma informalidade ou vínculo de confiança na relação do contribuinte com a Fazenda Pública. A relação entre fisco e contribuinte não é de pai para filho: é formal e vinculada à lei, sem exceção. Logo, o grau de parentesco com o doador ou a forma convencionada entre as partes diz respeito somente às partes; não exime o contribuinte de apresentar a prova do recebimento do dinheiro, e não pode ser oposta à Fazenda Pública. Este tem sido o entendimento das decisões administrativas do Conselho de Contribuintes, conforme ementas abaixo transcritas: “DOAÇÃO A doação de quantia considerável, realizada sem observância das normas jurídicas que lhe são aplicáveis, não se presta para comprovar incrementos negativos da situação patrimonial do contribuinte. (Ac. 10222.945/87, 22.946/87 e 1061.381/87)” (...) Destarte, diante da ausência de provas que evidenciem a doação alegada, os recursos de R$ 63.445,00 informados a título de “numerário em espéciepoupança de anos anteriores” não podem ser considerados para fins de análise da evolução patrimonial do contribuinte. DINHEIRO EM ESPÉCIE A impugnante se insurge em relação à não consideração do valor de R$ 63.445,00 como origem na apuração da variação patrimonial do anocalendário 2000. Alega o impugnante que o valor de R$ 63.445,00 deveria ter sido considerado como origem na apuração da variação patrimonial do anocalendário 2000, pois ele estaria informado na coluna do anocalendário 1999 (DIRPF/Ex2001) e seria resultado de valores acumulados desde 1992, já “prescritos”. É função da declaração de bens, que faz parte integrante da declaração de rendimentos (Lei 4.069/1962, art.51), possibilitar ao Fisco o controle dos rendimentos por meio da análise da evolução patrimonial, que é um procedimento previsto em lei (artigo 52 da Lei nº 4.069/1962). Ao perquirir a origem dos recursos que propiciaram uma alteração patrimonial revelada pela declaração de bens (Lei 4.069/1962, art.51, §1º), o Fisco exerce um direito assegurado pelo artigo 806 do Decreto 3.000, de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), que diz: “Art.806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (lei nº 4.069/62, art.51, § 1º).” Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.002082/200305 Acórdão n.º 220101.057 S2C2T1 Fl. 3 5 Resta claro, portanto, que o contribuinte está sujeito a comprovar, mediante documentos e esclarecimentos, as origens de recursos declaradas e as alterações ocorridas em seu patrimônio, sempre que intimado a fazêlo, independentemente de terem ocorrido há muito e desde que tenham reflexo na DIRPF sob análise fiscal. (...) No caso, o contribuinte foi intimado a informar/comprovar a origem da importância de R$63.445,00 constante da Declaração do Imposto de Renda do exercício de 2001, ano calendário de 2000, na coluna do ano de 1999, nada apresentando durante a fase de fiscalização, limitandose a alegar, conforme se depreende da declaração por ele prestada no documento de fls.24 a 26. Assim, diante da ausência documentos comprobatórios, a fiscalização considerou os esclarecimentos insatisfatórios e efetuou o lançamento com os elementos de que dispunha, valendose da autorização contida no artigo 845, inciso II, do Decreto 3.000, de 26/03/1999, a seguir reproduzido: “Art. 845. Farseá o lançamento de ofício, inclusive (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 79): (...) II abandonandose as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios; (...)” Portanto, o procedimento é legítimo, cabendo ao contribuinte, a partir de então, comprovar que não ocorreu a omissão de rendimentos apontada pelo Fisco. Na fase litigiosa, o interessado repete a alegação apresentada na fase fiscalizatória, sem qualquer documentação comprobatória, além de reafirmar ter sido compelido a apresentar Declaração Anual de Isento no Exercício 2000, por não possuir ou ter a propriedade de bens e direitos de valor superior a R$ 80.000,00 (IN 123/2000). Tais alegações não têm o condão de comprovar a origem dos recursos perquiridos. A Declaração Anual de Isento do exercício de 2000 e a Declaração Anual de Ajuste do Exercício de 2001 não eximem o contribuinte de apresentar a prova da origem dos recursos. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Assim, permanece incomprovada a origem dos recursos do montante de R$ 63.445,00, não assistindo razão ao impugnante, na medida em que nenhuma prova hábil da origem ou mesmo da existência dos recursos foi carreada aos autos, limitandose ele a argumentar. A jurisprudência administrativa é mansa e pacífica no sentido de que a disponibilidade em dinheiro somente pode justificar variação patrimonial quando houver prova inconteste de sua existência no final do anobase em que foi declarado. Servem de exemplo deste entendimento os acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes, cujas ementas encontramse a seguir reproduzidas: Acórdão 10610228/1998 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL NÃO JUSTIFICADO Tributase o valor do acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Valores declarados como dinheiro em espécie, dinheiro em caixa, numerário em cofre e outras rubricas semelhantes não podem ser aceitos para acobertar acréscimos patrimoniais, salvo prova inconteste de sua existência no término do anobase em que tal disponibilidade for declarada. Acórdão 10243863/1999 (...) Por todo o exposto, permanecem inalterados os pressupostos do lançamento em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto, por ausência de comprovação dos recursos glosados. Por ora, impende dizer que o procedimento fiscal conduziu se em conformidade com a lei. PROVA A impugnante alega que a prova testemunhal deve ser aceita no processo administrativo fiscal em tela, tendo em vista que ela não possui a prova documental da doação (“numerário em espéciepoupança de anos anteriores”) informada na sua DIRPF Ex2001, na coluna do ano de 1999. Primeiramente testemunha é pessoa natural que, não sendo parte diretamente interessada no objeto de direito, é convocada para atestar, judicial ou extrajudicialmente, a existência ou o esclarecimento de ato ou fato de que tem conhecimento. Portanto a impugnante não seria de forma alguma considerada testemunha. Se ela apresentasse testemunha, ainda assim teríamos um empecilho, pois não há previsão, no rito do processo administrativo fiscal, para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas. Os testemunhos que o contribuinte tenha em seu favor devem ser apresentados sob forma de declaração escrita já com a impugnação, o que, por si Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.002082/200305 Acórdão n.º 220101.057 S2C2T1 Fl. 4 7 só, como observado anteriormente, não seria suficiente para comprovar a doação. Tais documentos comprobatórios não foram apresentados à fiscalização. Portanto não dou razão à contribuinte. DO RESULTADO DO VOTO Desta forma, diante do exposto, VOTO pela PROCEDÊNCIA do Auto de Infração às fls. 37 a 42. Intimada da decisão de primeira instância em 04/10/2007 (fl. 92), Camylle Aparecida da Silva Barbosa apresenta Recurso Voluntário em 01/11/2007 (fl. 74), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação: É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos a autoridade fiscal lavrou a exigência relativa a acréscimo patrimonial a descoberto, posto que a contribuinte não comprovou a origem dos recursos no montante de R$ 63.445,00. Por seu turno, alega a recorrente que o valor de R$ 63.445,00 deveria ter sido considerado como origem na apuração da variação patrimonial, pois o referido montante foi informado na “Declaração de Bens e Direitos coluna anocalendário 1999, relativa a DIRPF/2001. Assevera ainda a autuada que a quantia “... decorre de poupança acumulada pela Recorrente ao longo dos anos anteriores desde 1992 , período em que seus rendimentos se situaram dentro dos limites de isenção do imposto de renda, estando, também, fora dos parâmetros de obrigatoriedade de entrega de declaração de rendimentos exigidos pela Receita Federal. Ademais, também conforme já informado anteriormente no curso da ação fiscal (...), tal poupança começou a ser efetivada ainda na infância e adolescência, em decorrência de valores doados por sua avó Altina da Rocha Barbosa, CPF n° 531.411.21753 que, antes de seu falecimento, nos idos de 1992, desfezse de seus bens em benefício dos netos, e de outras pequenas importâncias doadas por seu pai, Ophir Luiz Rocha Barbosa, CPF n° 135.600.177 53.” Pois bem, de pronto entendo que a alegação da recorrente para justificar seu acréscimo patrimonial é extremamente frágil e não há como acolhêla. Senão Vejamos. A simples informação constante da DIRPF/2001, qual seja, de que o valor de R$ 63.445,00 representa “... numerário em espécie poupança de anos anteriores”, oriundas de “doações de sua avó e de seu pai, Ophir Luiz Rocha Barbosa”, sem prova de sua existência não há como aceitala. Em verdade, em seu Recurso Voluntário a interessada não trouxe Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 8 nenhum elemento de prova aos autos, tais como extratos bancários, depósitos, cheques recebidos, entre outros, limitandose a repetir a alegação feita anteriormente em sua Impugnação. Além dos mais, como dito anteriormente, as provas e argumentos apresentados pela Recorrente são sobremaneira frágeis, posto que para a comprovação da doação não basta que a operação seja informada na Declaração de Ajuste, pois a prova, neste caso, é meramente unilateral. Neste sentido, em momento algum informou a recorrente que a suposta doação também constou da declaração do doador. Tal alegação, muito embora não se revelasse como prova irrefutável da operação, traduziria, no entanto, mais um indício de sua efetivação. Deixo aqui consignado que não basta simplesmente alegar determinada circunstância, mas deve a contribuinte provar a natureza da operação efetuada. Individualmente, pode haver dificuldade na obtenção da prova, todavia, através de um conjunto probatório mais amplo é possível demonstrar determinada situação. Não se pode perder de vista que quando não estão presentes nos autos prova objetiva da ocorrência de determinada situação à autoridade julgadora formará sua livre convicção, na forma do art. 29 do Dec. 70.235/72: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, (...) Assim, meras alegações, desacompanhadas de provas, não podem ser contrapostas aos levantamentos efetuados pelo Fisco. Portanto, sem outros elementos de prova que corroborem a efetividade de sua alegação, não há como considerar que o valor R$ 63.445,00, lançado em sua DIRPF/2001, seja decorrente de valores e poupanças acumuladas ao longo dos anos. Assim, deve ser mantida a exigência em relação a esse ponto. No que tange à exigência concomitante da multa de ofício e da multa isolada, verificase que a contribuinte deixou de efetuar o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), sobre rendimentos que também foram objeto de lançamento de ofício, ou seja, houve a dupla incidência da penalidade sobre a mesma base de cálculo. Com efeito, pacífica é a jurisprudência deste Conselho Administrativo de que não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão. É o que se colhe do entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consoante a ementa destacada: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. (Câmara Superior do Conselho de Contribuintes / Primeira turma, Processo 10510.000679/2002 19, Acórdão n° 0104.987, julgado em 15/06/2004). Assim, na exigência de tributo por auto de infração ou notificação de lançamento não há espaço para se incluir concomitantemente a cobrança da multa de Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.002082/200305 Acórdão n.º 220101.057 S2C2T1 Fl. 5 9 lançamento de ofício e a multa isolada, sobre a mesma omissão que gerou o lançamento do tributo. Destarte, não deve prevalecer a imposição da multa isolada. Ante o exposto, voto por excluir a cobrança da multa isolada por concomitância. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 18471.002082/200305 Recurso nº: 164.075 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220101.057. Brasília/DF, 13 de abril de 2011 ______________________________________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 10DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 13830.000848/2003-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1998
DECADÊNCIA - LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO FORMAL. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO APURADO PELA FISCALIZAÇÃO EM DEZEMBRO DO ANO ANTERIOR. 0 saldo de recursos em dezembro do ano anterior, apurados em demonstrativos
elaborados pela fiscalização, está apto a justificar acréscimo patrimonial no ano seguinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.013
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO APURADO PELA FISCALIZAÇÃO EM DEZEMBRO DO ANO ANTERIOR. 0 saldo de recursos em dezembro do ano anterior, apurados em demonstrativos elaborados pela fiscalização, est á apto a justificar acréscimo patrimonial no ano seguinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Fernandes, Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos e Caio Marcos Cândido. Relatório 0 recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão no 17-30.770, proferido pela 6a Turma da DRJ/SPOII (fls. 141/145), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento (fls. 03/08). A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo 0rgão julgador a quo nos seguintes termos: O contribuinte acima identificado insurgiu-se contra o lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls. 03 e 04, recebido pelo contribuinte em 11 de junho de 2003 (cf. AR de fl. 125), referente ao ano-calendário 1997, em que apurou -se omissão de rendimentos tendo em vista a ocorrência de variação patrimonial a descoberto, em dois meses (janeiro e fevereiro) do ano, resultando na exigência de R$ 103.546,75 de crédito tributário, sendo R$ 38.030,91 de imposto, R$ 28.523,18 de multa de oficio e R$ 36.992,66 de juros de mora, calculados até 30/04/2003. Conforme "Relatório Fiscal" de fl. 07 e 08, os trabalhos de fiscalização decorreram de "Reexame" determinado pelo titular da Delegacia da Receita Federal em Marilia , em 23 de maio de 2003 (fl. 092), em conseqüência da anulação, por vicio formal, de lançamento anterior, levada a efeito no Acórdão n° 106-12.815 da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em 21 de novembro de 2002. Efetuado o trabalho fiscal e colhidas as provas, foi elaborada, pela autoridade lançadora, o Demonstrativo de Variação Patrimonial de fl. 043, que levou A conclusão da existência de variação patrimonial a descoberto nos meses de janeiro e fevereiro de 1997. Em 04 de julho de 2003 o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, de fls. 128 a 133, apresentando os seguintes argumentos de defesa, em breve sumário: a) Que a exigência constitui complemento àquela consubstanciada no Processo Administrativo n° 13830.000803/99-00; b) Que o fluxo de caixa mensal, de fl. 43, revela apuração do pretenso acréscimo patrimonial mediante rateio dos rendimentos constantes das declarações do impugnante e sua esposa pelos meses do ano-calendário, procedimento não autorizado pela lei e repousado em presunção não autorizada, detendo meios, o Fisco, de individualizar os rendimentos efetivos mês a mês. Tal presunção teria pacifica jurisprudência do Conselho de Contribuintes afastando-a; c) Ainda, que a planilha de fl. 107 revela a sobra de recursos, no ano- calendário 1996, da ordem de R$281.040,61, que não foram aproveitados no ano-calendário em questão. O consumo de presumida sobra não pode ser presumido entre o final de 31 de dezembro e o inicio de 10 de janeiro. Apresenta Ementas de Acórdãos do Conselho que entende sustentar o aproveitamento da sobra do ano-calendário anterior no ano seguinte. Assim fosse feito não ocorreria o apurado "acréscimo patrimonial a descoberto"; d) Argumenta ainda que trouxe A colação a cópia de dois cheques administrativos emitidos em 30/12/1996, sendo o primeiro resultante do resgate de aplicação 1-‘ 2 Processo n° 13830.000848/2003-69 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-01.013 FL 209 financeira junto a "Nossa Caixa Nosso Banco", no valor de R$ 106.478,12 e o segundo, de R$ 100.000,00, de lucros distribuídos ao casal pela sociedade "Gasparini Comércio e Representações Ltda." Tais cheques foram emitidos para pagamento de transação imobiliária que não se concretizou, dando origem aos depósitos e aplicações financeiras efetuados em janeiro e fevereiro de 1997; e) Comprovada a disponibilidade apurada pela própria fiscalização, no final do ano-calendário de 1996, devem tais recursos serem transferidos ao ano-calendário seguinte, em face das provas materiais irretorquiveis. Com base nos argumentos acima apresentados, requer a declaração de improcedência do lançamento. Trouxe aos autos os documentos de fls. 134 a 138, com fins de instrução e comprovação das alegações. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1997 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa fisica, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL DESCOBERTO - CRITÉRIO DE APURAÇÃO - RATEIO MENSAL - O arbitramento dos rendimentos mensais, com a utilização de sistemática de distribuição, por rateio, pela qual os valores constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte são distribuídos eqüitativamente pelos doze meses do ano, constitui presungdo dos recursos a serem considerados ern cada mês no cálculo do acréscimo patrimonial, quando o contribuinte, regularmente intimado, não informa os valores mensais (RIR/99, art. 845, incisos I e 10. VARIAÇÃO PATRIMONL4L A DESCOBERTO - SALDO DE RECURSOS DE EXERCiCIO ANTERIOR - Somente podem ser considerados como saldo de recursos de um ano-calendário para o subseqüente os valores consignados na declaração de bens e/ou comprovados pelo contribuinte. Lançamento Procedente. Em seu apelo ao CARF, As fls. 150/165, o recorrente repisa e aprofunda as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo, e acresce preliminar de decadência, considerando que o lançamento em exame encontra-se divorciado dos acréscimos patrimoniais a descoberto de que tratam os autos anulados por vicio formal. o relatório. 71» 3 Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em preliminar, entendo que os dois lançamentos complementares, anulados por vicio formal, através do Acórdão n° 106-12.815 (fls. 20/37), estão sujeitos ao prazo decadencial estabelecido pelo artigo 173, inciso II, do CTN, já que os fatos supervenientes ao primeiro lançamento foram objeto destes. 0 Ultimo lançamento complementar abrangia a matéria tributável do lançamento original e do lançamento complementar anterior. 0 acórdão em referencia anulou, por vicio formal, todos os atos praticados a partir da lavratura do auto de infração original, que retornou A. DRJ para julgamento. Desta forma, não há que se falar que o lançamento em exame trata de matéria nova, sujeito ao prazo decadencial do artigo 150, § 4°, do CTN, pois versa justamente sobre os fatos acrescidos ao primeiro lançamento, que prosseguiu para julgamento no processo de n° 13830.000803/99-00. A respeito deste processo cumpre observar que a nova decisão proferida pela DRJ foi objeto de recurso voluntário, analisado pela 6a Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão n° 106-15.602, cujo voto, obtido no site do CARF, transcrevo a seguir: 0 presente lançamento, ora combatido, trata-se de omissão de rendimentos, evidenciada pela apuração de acréscimo patrimonial a descoberto nos meses de fevereiro a julho, outubro e novembro de 1995; janeiro, maio a novembro de 1996 e janeiro a novembro de 1997, conforme constam nos demonstrativos mensais de evolução patrimonial de fls. 14-15 e Relatório Fiscal de fls. 11-13. E, exigiu-se, ainda, em relação ao ano-calendário de 1997, a multa isolada no percentual de 75%, prevista no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Como já relatado, verifica-se nos presentes autos uma verdadeira confusão processual instaurada com retificações da autuação inicial, o que provocou duas novas impugnações que culminaram com a decisão de fls. 544-564, prolatada pela DRJ/Ribeirão Preto, Entretanto, interposto o Recurso Voluntário (lis, 574-561) a Sexta Câmara deste E. Colegiado prolatou o Acórdão no 106-12.815 (fls. 644-661) que anulou, por vicio formal, os atos praticados a partir da lavratura do Auto de Infração de lb. 368-370, inclusive, alcançando a determinando decisão de Primeira Instância para o lançamento primitivo. Da decisão prolatada, os Membros da 7 0 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo-SP/II, por intermédio do Acórdão DRESP011 n° 13.132, de 25 de agosto de 2005, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente em parte o lançamento, onde foi excluída a multa isolada no percentual de 75% e re-calculados os acréscimos patrimoniais a descoberto, relativo: aos anos-calendário de 1996 e 1997, em relação exigência do ano-calendário de 1995, onde o contribuinte não impugnou, tendo parcelado o crédito tributário lançado. 0 Recorrente em sua peça recursal, novamente, contesta o lançamento remanescente, apresentando idênticos argumentos, em especial, sobre o aproveitamento de recursos apurados pela fiscalização em dezembro dos anos, imediatamente anteriores, distribuição de lucros pagos pela empresa "Gasparini Comércio e Representações de Calçados Ltda", ocorrida mensalmente e não somente no mês de dezembro, como efetuado pela fiscalização, e, ainda, inserção de elementos novos pelas autoridades julgadoras de Primeira instância, não constantes daquelas anteriormente elaboradas pela fiscalização (fls. 15-16). 4-\ 4 Processo n° 13830.000848/2003-69 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-01.013 Fl. 210 Em relação à distribuição de lucros, as autoridades precedentes mantiveram os valores consignados nos demonstrativos da evolução patrimonial, pois entenderam que a simples afirmação de que existia disponibilidade de caixa na empresa, sem se comprovar a efetividade dos recebimentos mensais. Neste tópico, cabe razão ao Recorrente, bastando verificar que a própria autoridade lançadora quando do reexame da matéria, conforme consta no Relatório Fiscal de fls. 675-676, especialmente no demonstrativo de Evolução Patrimonial do ano-calendário de 1996 (fl. 669), após A devida análise de todos os documentos (fls. 208-265) constantes dos autos, inclusive a escrituração contábil, já considerou o valor da distribuição de lucros no valor de R$ 300.000,00 e R$ 290.000,00 para o ano-calendário de 1997 (fl. 677), efetuada pela empresa da qual o autuado e sua esposa são sócios, ocorreram mensalmente, conforme consta na Coluna 3 do referido demonstrativo e não apenas no mês de dezembro, como anteriormente consta e mantido pelos julgadores a quo. Assim, em relação ao ano-calendário de 1996, há de se retificar os demonstrativos efetuados pelas autoridades de Primeira Instância, fls. 700 e 702, no sentido de: a) considerar como recursos os valores de distribuição de lucros das seguintes parcelas: - R$ 50.000,00 no mês de janeiro; - de R$ 25.000,00, cada um, para os meses de fevereiro, março, abril, maio, junho, julho; - e, R$ 100.000,00 no riles de dezembro do ano-calendário de 1996, a titulo de distribuição de lucros para considerar como recursos. Conseqüentemente, deve ser excluído o valor de R$ 300.000.00 no de dezembro, do mesmo demonstrativo. E, de forma idêntica para o ano-calendário de 1997, devendo ser considerados os seguintes valores, relativos A distribuição de lucros: a) no mês de janeiro: R$ 50.000,00; fevereiro: R$ 20.000,00; março: R$ 5.000,00; abril: R$ 6.000,00; maio: R$ 25.000,00; junho: R$ 4.000,00; julho: R$ 15.000,00; agosto: R$ 20.000,00; setembro: R$ 15.000,00; outubro e novembro: R$ 40.000,00 em cada mês e R$ 50.000,00 em dezembro. Dessa forma, é de se excluir o valor de R$ 290.000,00, da planilha de fl. 704, " no mês de dezembro. Após essas alocações, não restarão quaisquer valores de acréscimo patrimonial a descoberto para os anos-calendário de 1996 e 1997. Do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao presente recurso. Delimitados os limites da presente lide ao Demonstrativo de fl. 43, verifica-se que remanesce em litígio nestes autos, em relação ao AI original (Demonstrativo à fl. 19), apenas a acusação de acréscimo patrimonial a descoberto nos meses de janeiro e fevereiro/1997, nos valores de R$63.600,53 e R$88.523,10, respectivamente. Ressalvada a minha posição isolada neste Colegiado acerca do aproveitamento de saldo de recursos não declarados, na mesma linha adotada no voto condutor da decisão recorrida (fls. 144/145), pelo exame das peças processuais e de acordo com o entendimento manifestado por esta Câmara em recentes julgados — favorável ao transporte de sobras de recursos apurados pela própria fiscalização para janeiro do ano subseqüente — verifica-se que os acréscimos patrimoniais a descoberto de R$63.600,53 e R$88.523,10, encontram-se totalmente justificado pelo saldo de R$487.518,73, apurado em dezembro de 1996, no Demonstrativo à fl. 122, que integra o último Auto de Infração Complementar (fls. 110/120). Da mesma forma, o Demonstrativo à fl. 107, que integrou o primeiro Auto de Infração Complementar, indica saldo de recursos de R$281.040,81, em dezembro de 1996, apto a justifica possível acréscimo patrimonial no ano seguinte. Por economia processual, acompanho o entendimento deste Colegiado nesta matéria. Em face ao exposto, rejeito a preliminar de decadência e, no mérito, dou provimento ao recurso. O TOSTA SANTOS Jost 6
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Numero do processo: 10183.005559/2005-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2002
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL. ADA INTEMPESTIVO.
Comprovada a existência da área de preservação permanente e a averbação da área de reserva legal junto à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR.
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL.
OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação.
MULTA DE OFÍCIO.
Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar.
JUROS DE MORA.
A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios, decorre de expressa disposição legal.
RO Negado e RV Negado
Numero da decisão: 2102-001.279
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL. ADA INTEMPESTIVO. Comprovada a existência da área de preservação permanente e a averbação da área de reserva legal junto à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. JUROS DE MORA. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios, decorre de expressa disposição legal. RO Negado e RV Negado
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ADA INTEMPESTIVO. Comprovada a existência da área de preservação permanente e a averbação da área de reserva legal junto à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplicase a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. JUROS DE MORA. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios, decorre de expressa disposição legal. RO Negado e RV Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 309DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.005559/200500 Acórdão n.º 210201.279 S2C1T2 Fl. 282 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 24/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra AGROPECUÁRIA LAGOA DOURADA LTDA, foi lavrado Auto de Infração, fls. 02/09, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativa ao exercício 2002, do imóvel denominado Fazenda São Jerônimo, com 42.312,0 ha (NIRF 1.848.7815), no valor de R$ 2.491.561,56, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 31/10/2005. A infração imputada à contribuinte no Auto de Infração foi falta de recolhimento do imposto, conforme quadro a seguir: ITR 2002 Declarado Apurado no Auto de Infração 02 – Área de preservação permanente 5.902,0 ha 0,0 ha 03Área de Utilização Limitada 21.156,0 ha 0,0 ha 16Valor da Terra Nua R$ 750.000,00 R$ 5.400.474,98 A autoridade fiscal justificou a glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal na falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), na falta de Anotação de Responsabilidade Técnica Anotada (ART) no laudo apresentado pela contribuinte e por desatualização dos documentos apresentados com relação à matrícula do imóvel. Já o arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), se deu em razão de laudo de avaliação apresentado pela contribuinte. A contribuinte apresentou impugnação e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente em parte o lançamento, para reconhecer a área de preservação Fl. 310DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.005559/200500 Acórdão n.º 210201.279 S2C1T2 Fl. 283 3 permanente e a área de reserva legal, nas seguintes dimensões, respectivamente, 1.382,0 ha e 8.007,0 ha, conforme Acórdão DRJ/CGE nº 0410.053, de 28/07/2006, fls. 159/172. A DRJ Campo Grande/MS recorreu de ofício de sua decisão ao Terceiro Conselho de Contribuintes, em razão do limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 375, de 07 de dezembro de 2001. Cientificada da decisão de primeira instância em 10/10/2006, fls. 182, a contribuinte apresentou, em 06/11/2006, recurso voluntário, fls. 184/193, a seguir parcialmente transcrito: (...) O que vemos do ADA entregue em 2000, é que se restringiu a identificar as áreas em que existia averbação na matrícula, por ser exigência e prérequisito. Porém, a realidade é que o imóvel tem no máximo um total de 20% de áreas aproveitáveis, isto é, sujeitas à exploração, sendo que, apenas não consta da matrícula e do ADA pelo fato acima relatado, qual seja, a indeterminação quanto ao percentual exigido por Lei. (...) Isto posto, temos que, a todo modo, as áreas de preservação permanente, bem como a área de Reserva Florestal Legal da Fazenda São Jerônimo, declaradas e informadas na respectiva DIAT do 1TR 2002, devem ser entendida como tal e, pois, isenta de tributação. (...) Ademais, ainda que restasse alguma dúvida neste tópico, torna se absolutamente inverossímil entender que as áreas informadas como de Preservação permanente devam ser considerados como áreas aproveitáveis mas não utilizadas, como entendeu o Fisco. Poderiam com a máxima tolerância possível, serem enquadradas como áreas inaproveitáveis, passíveis de tributação, mas sem reflexos deletérios para o cálculo do G.U. Grau de Utilização e conseqüentemente da alíquota aplicada à espécie. (...) Assim sendo, é ilegal e injusta a cobrança de juros e da multa de mora, uma vez não havia que se falar em lançamento suplementar antes da lavratura do Auto de Infração. Em sessão plenária de 26/03/2009, a Terceira Seção de Julgamento do CARF converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 138.513, fls. 248/251. A diligência pretendida foi justificada e motivada pelas seguintes razões: Assim, entendo que nesse grau de julgamento, a verdade material é, imprescindível. Agora se faz necessário para a manutenção do lançamento tributário ou a declaração de sua Fl. 311DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.005559/200500 Acórdão n.º 210201.279 S2C1T2 Fl. 284 4 insubsistência a produção de prova pelo IBAMA, da real existência de áreas a serem excluídas da tributação do ITR no imóvel do Recorrente, bem como de sua área total. Diante do exposto, deve o presente julgamento ser convertido em diligência para que seja determinado ao IBAMA a verificação do Imóvel da Recorrente, vistoriandoo para em parecer indique quais as áreas existentes de preservação permanente e de reserva legal. A. Recorrente se interessar traga aos autos elementos mais convincentes ou esclarecedores ,sobre a sua área total e o seu VTN Em 26/10/2010, a autoridade administrativa procedeu à devolução dos autos a este CARF, esclarecendo que intimados, o IBAMA e a contribuinte, não se manifestaram. É o Relatório. Fl. 312DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.005559/200500 Acórdão n.º 210201.279 S2C1T2 Fl. 285 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura Do recurso de ofício O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele conheço. Na decisão recorrida a autoridade julgadora de primeira instância reconheceu, para fins de cálculo do ITR devido, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, nas seguintes dimensões, respectivamente, 1.382,0ha e 8.007,0ha. A impugnação foi instruída com os seguintes documentos: (i) cópia da matrícula do imóvel, fls. 140/149, onde consta registrada a averbação de área de utilização limitada, com dimensão de 8.462,8 ha, conforme AV.14/1.194, de 08/08/1996, fls. 147; (ii) cópia da ART, fls. 150/151, relativa ao Laudo Técnico de Avaliação, fls. 35/68; e (iii) ADA, fls. 152, apresentado em 03/07/2000, onde estão declaradas área de preservação permanente, de 1.382,0 ha, e área de reserva legal, de 8.007,0 ha. No que tange às áreas de preservação permanente e de reserva legal, temse que a apresentação intempestiva do ADA, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. Está é a jurisprudência consolidada nesta Turma, destacandose sobre o assunto o voto proferido no Acórdão 2102 00.528, de 14/04/2010, do Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, que fez brilhante estudo sobre a questão. No presente caso, temse que a contribuinte apresentou Laudo Técnico, onde restou confirmada a existência das áreas de preservação permanente e de reserva legal e apresentou cópia da matrícula do imóvel, com a averbação da área de reserva legal, nos termos do parágrafo 8º do art. 16 da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965. Assim, correto o procedimento da autoridade julgadora de primeira instância em reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, a área de preservação permanente, de 1.382,0 ha, e a área de reserva legal, de 8.007,0 ha, conforme informado no ADA, fls. 152, apresentado em 03/07/2000. Negase, portanto, provimento ao recurso de ofício. Do recurso voluntário O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fl. 313DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.005559/200500 Acórdão n.º 210201.279 S2C1T2 Fl. 286 6 No recurso voluntário, a contribuinte afirma que na realidade o imóvel tem no máximo um total de 20% de áreas aproveitáveis, de modo que entende que devem ser reconhecidas as áreas de preservação permanente e de reserva legal, nas proporções indicadas no Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT). Ou seja, a contribuinte quer ver reconhecidas áreas de preservação permanente e de reserva legal em valores superiores àqueles indicados no ADA, fls. 152, apresentado em 03/07/2000. A pretensão da contribuinte implica em considerar que as áreas de preservação permanente e de reserva legal poderiam ser reconhecidas para fins de cálculo do ITR devido ainda que na ausência de ADA. Entretanto, a obrigatoriedade de apresentação do ADA para fins de redução do imposto a pagar, passou a ter expressa disposição legal a partir da vigência da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que deu nova redação à Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981: “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)” (grifei) Do artigo acima transcrito, resta claro que, a partir do exercício 2001, a obtenção do ADA é condição necessária e obrigatória para que o contribuinte usufrua a redução do valor a pagar do ITR quanto às áreas de preservação permanente e reserva legal. No presente caso, o ITR exigido no lançamento se refere ao exercício 2002 e as áreas de preservação permanente e de reserva legal já foram reconhecidas pela autoridade julgadora de primeira instância, nas proporções indicadas no ADA, sendo certo que tal decisão não merece reparos, em razão do disposto na legislação acima transcrita. Por fim, devese analisar a alegação da recorrente de que a multa de ofício e os juros de mora somente são devidos a partir da data da ciência do Auto de Infração. De pronto, vale dizer que a multa de ofício e os juros de mora foram exigidos no Auto de Infração, conforme disposto em expressa disposição legal, quais sejam: multa de ofício art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996 e juros Selic art. 61, § 3º da mesma Lei. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 314DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.005559/200500 Acórdão n.º 210201.279 S2C1T2 Fl. 287 7 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Vale lembrar que o ITR é imposto lançado por homologação, de sorte que o sujeito passivo deve antecipar o pagamento do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa. Entretanto, quando o contribuinte apresenta declaração inexata, considerando se como tal a que contiver qualquer elemento que implique em redução do imposto a pagar, o lançamento será efetuado de ofício, exigindose o imposto acompanhado de multa, no percentual de 75% e dos juros de mora, que são devidos a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo de pagamento, que se tratando do exercício de 2002, é 30/09/2002. Assim, por estar em conformidade com a legislação tributária, correta a exigência da multa de ofício e dos juros de mora, conforme consubstanciado no Auto de Infração. Da conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 315DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.005559/200500 Acórdão n.º 210201.279 S2C1T2 Fl. 288 8 Fl. 316DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003267/2003-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2000
SIMPLES. ATIVIDADES DE MONTAGEM INDUSTRIAL E DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM UTILIZAÇÃO DE AÇOS INOXIDÁVEIS.
SUMÚLA CARF Nº 57.
Não comprovada a necessidade de profissional legalmente habilitado (engenheiro) para a execução das atividades de montagem industrial e de assistência técnica em utilização de aços inoxidáveis, a pessoa jurídica pode optar pela sistemática do SIMPLES no recolhimento de impostos e contribuições federais. Aplicação da Súmula CARF nº 57.
SIMPLES. INEQUÍVOCA INTENÇÃO DE OPÇÃO. INCLUSÃO. RETROATIVIDADE.
Inexistindo vedação legal de opção e comprovada a existência de pagamentos e de entrega de declarações pela sistemática do Simples, caracteriza-se a
inequívoca intenção da contribuinte em adotar essa sistemática, impondo-se a sua inclusão retroativa.
Numero da decisão: 1202-000.536
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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ATIVIDADES DE MONTAGEM INDUSTRIAL E DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM UTILIZAÇÃO DE AÇOS INOXIDÁVEIS. SUMÚLA CARF Nº 57. Não comprovada a necessidade de profissional legalmente habilitado (engenheiro) para a execução das atividades de montagem industrial e de assistência técnica em utilização de aços inoxidáveis, a pessoa jurídica pode optar pela sistemática do SIMPLES no recolhimento de impostos e contribuições federais. Aplicação da Súmula CARF nº 57. SIMPLES. INEQUÍVOCA INTENÇÃO DE OPÇÃO. INCLUSÃO. RETROATIVIDADE. Inexistindo vedação legal de opção e comprovada a existência de pagamentos e de entrega de declarações pela sistemática do Simples, caracterizase a inequívoca intenção da contribuinte em adotar essa sistemática, impondose a sua inclusão retroativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Fl. 195DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10830.003267/200391 Acórdão n.º 120200.536 S1C2T2 Fl. 196 2 Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Jorge Celso Freire da Silva. Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos, adoto o relatório do Acórdão DRJ/Campinas nº 0523.933, de fls. 149 a 152, o qual transcrevo, em parte: “Tratase de pedido de inclusão no Simples Federal (Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996), protocolado em 27/05/2003 e retroativo a 16/02/2000 (fl. 01), não acolhido pela DRF de origem à razão da atividade consignada no objeto social: "montagens industriais, assistência técnica em utilização de aços inoxidáveis e consultoria em gestação empresarial". Além disso, consignouse, ainda, que o Contribuinte teria "pendências [...] junto à PGFN, às fls. 26" (fl. 28). Tal hipótese seria subsumível ao preceito do art. 9º, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 1996. Consignou ainda aquela DRF que, tirante o óbice referido, o Contribuinte se portara consoante os parâmetros do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 16, de 02/10/2002 (intenção de aderir ao Simples Federal), bem como "atestou a inexistência de outras vedações".” Cientificada do indeferimento da sua inclusão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, de fls. 34 a 61, trazendo os seguintes argumentos (transcrito nos termos do relatório do Acórdão recorrido): “a) Até 01/06/2007 teve como principal atividade econômica a prestação de pequenos serviços de montagens industriais. A partir daí passaria a se dedicar à "consultoria em gestão empresarial e controle de qualidade de peças mecânicas e elétricas" (destaques do original). b) Prescindiria, para se desincumbir do objeto social vigente da data de abertura até 01/06/2007, do domínio de conhecimento técnicocientífico próprio de profissional da engenharia e/ou assemelhado (julgados do Conselho de Contribuintes corroborariam seu ponto de vista). De outro tanto, a atividade de consultoria e gestão empresarial, como referida pela DRF de origem, só passa a constar de seu objeto social a partir de 01/06/2007, e o debate, aqui, se situaria no período imediatamente pregresso (da data de abertura até 01/06/2007). c) A Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB já teria aquiescido com o seu ingresso no Simples Federal, isso desde o pleito de adesão original — o Contribuinte, ele próprio, nunca teria pedido para que fosse excluído do Simples Federal, bem como nunca houvera sido cientificado de sua exclusão de ofício. A corroborar ainda mais tal assertiva, estariam: (1) o fato dele, Contribuinte, ser executado por "débitos do Simples"; (2) bem como a circunstância de haver entregue várias declarações e ter efetuado seguidos pagamentos sob a modalidade tributária em consideração, isso sem que a Receita Federal se opusesse. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10830.003267/200391 Acórdão n.º 120200.536 S1C2T2 Fl. 197 3 d) Protocolado o pleito original em 27/05/2003, para o qual se pretendia efeito retroativo a 16/02/2000, não seria razoável ter em mãos uma decisão — ainda mais denegatória — apenas "no final de maio de 2008". Nesse quadro de coisas, "inúmeros valores recolhidos pela rubrica de Simples, [...], não poderão ser compensados, pois como se sabe, o sistema de compensação de tributos pagos indevidamente (PER/DCOMP) só aceita compensar pagamentos cujos fatos geradores ocorreram nos 05 últimos anos". Aí se notaria "uma estratégia para que a Fazenda receba o valor indevido (e não restitua) [já que não se pode figurar no Simples Federal, os valores recolhidos nessa sistemática seriam indevidos] e ainda cobre tudo novamente por outra sistemática de recolhimento." (texto entre colchetes acrescido). e) Sobre a prova do exercício de "pequenos serviços de montagens", "Infelizmente, depois de tanta demora no julgamento desse pedido de inclusão retroativa (feito em 2003), não é mais possível a verificação in loco do que se afirma". f) A Lei n° 9.317, de 1996, particularmente em seu inciso XIII, teria ultrapassado os limites impostos pela Constituição ao legislador ordinário (julgados judiciais corroborariam seu ponto de vista).” A manifestação de inconformidade foi apreciada pela DRJ/Campinas, mantendo o indeferimento da inclusão retroativa no SIMPLES sob o fundamento de ficou caracterizado que a interessada exerce atividades que pressupõe o domínio de conhecimento técnicocientífico próprio de profissional da engenharia, emitindo o Acórdão nº 0523.933, de fls. 149 a 152, assim ementado: CIRCUNSTÂNCIAS IMPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES FEDERAL. O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnicocientífico próprio de profissional da engenharia é circunstância que impede o ingresso ou a permanência no Simples Federal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS OU JUDICIAIS. A eficácia de decisões administrativas ou judiciais alcança apenas aqueles que originalmente figuraram na contenda. LEGALIDADE. Cumpre à Administração aplicar a Lei de ofício, sem desbordar para críticas sobre sua constitucionalidade. Solicitação Indeferida Irresignada, a interessada apresentou seu recurso voluntário a este colegiado, mediante arrazoado, de fls. 155 a 177, repisando praticamente os mesmos argumentos apresentados na sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. Fl. 197DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10830.003267/200391 Acórdão n.º 120200.536 S1C2T2 Fl. 198 4 O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de examinar o pedido de inclusão da empresa na sistemática do Simples, protocolado em 27/05/2003 e retroativo ao ano de 2000, fls. 01, que foi indeferido pela unidade de origem com fundamento em exercício de atividade econômica vedada. Inicialmente, cumpre delimitar o período em que a matéria encontrase em discussão, ou seja, do início das atividades da empresa, cujo protocolo de registro na JUCESP ocorreu em 16/05/2000, fls. 66 a 72, até a data da Primeira Alteração do Contrato Social, ocorrida em 01/06/2007, fls. 74 a 82, fato esse inclusive consignado pela própria recorrente em seu recurso voluntário. Passemos a descrever a atividade econômica explorada pela contribuinte. O objeto social constante do Contrato Social original, fls. 66, encontrase assim descrita: “Comércio de Aços Inoxidáveis, e Serviços de Montagens Industriais, Assistência Técnica em Utilização de Aços Inoxidáveis”. Já por ocasião da Primeira Alteração Contratual, fls. 74 a 82, protocolada na JUCESP em 01/06/2007, o objeto social da empresa passou a ter a seguinte descrição: “a consultoria em gestão empresarial e controle de qualidade de peças mecânicas e elétricas.” Alega a recorrente que a atividade econômica exercida durante a vigência do Contrato Social original não encontrava vedação para o enquadramento no SIMPLES, tendo inclusive efetuado os recolhimentos segundo essa sistemática e procedido na entrega das respectivas declarações simplificadas da pessoa jurídica (DSPJ). Ainda, em sua peça recursal, dispôs que para o exercício das suas atividades não necessita da presença do profissional de engenharia, ou de qualquer outro profissional da qual fosse necessária habilitação legal, motivo pelo qual, nenhum dos sócios ou funcionário que trabalhou na empresa, no período anterior à Primeira Alteração Contratual, possuía curso superior de engenharia. Conforme se verifica da petição inicial, fls.01, a interessada requereu, em 27/05/2003, a sua inclusão formal no Simples, com data retroativa à data da sua abertura , em 16/05/2000. Já o Despacho que indeferiu a inclusão retroativa fundamentou a sua decisão no fato de que as atividades exercidas seriam vedadas de inclusão no Simples, por necessitar de profissional com habilitação em engenharia, de acordo com o disposto no inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9.317 de 05 de dezembro de 1996, mesmo fundamento adotado pelo acórdão recorrido. O inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317, de1996, assim dispõe: "Artigo 9o Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, Fl. 198DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10830.003267/200391 Acórdão n.º 120200.536 S1C2T2 Fl. 199 5 dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor. ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (grifei) Entendeu a DRJ/Campinas que as atividades econômicas descritas nos Contratos Sociais acima mencionados, da execução de “Comércio de Aços Inoxidáveis, e Serviços de Montagens Industriais, Assistência Técnica em Utilização de Aços Inoxidáveis " e de "Consultoria em Gestão Empresarial e Controle de Qualidade", seriam atividades que se compreendem entre aquelas próprias do profissional de engenharia e/ou assemelhados, apoiandose nas atividades descritas na Resolução n° 218, de 29 de junho de 1973, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, portanto. Creio que a interpretação dada pelo acórdão recorrido merece ser reformada. Primeiramente, constato que a DRJ/Campinas, ao fundamentar a sua decisão, considerou que a empresa desenvolveria, simultaneamente, as duas atividades: a do Contrato Social original e as atividades da Primeira Alteração Contratual. Entretanto, como já mencionado neste voto, o exame da matéria em litígio restringese apenas ao Contrato Social original, devendo a atividade de “consultoria em gestão empresarial e controle de qualidade”, constante da Primeira Alteração Contratual, permanecer fora da discussão. Com efeito, verifico da análise do objeto social constante do Contrato Social original, a indicação de que as atividades econômicas ali desempenhadas, “comércio de aços inoxidáveis e da prestação de serviços de montagem industrial”, combinado com a “assistência na utilização de aços inoxidáveis”, não exigem a presença de profissional legalmente habilitado (engenheiro) para a sua execução, bastando a presença de pessoal técnico qualificado para a execução dos serviços. Há serviços de montagem industrial e de assistência técnica na utilização de aços inoxidáveis que até podem requerer a supervisão de engenheiro, principalmente quando se trate de uma complexa estrutura industrial produzida. Porém, pelos elementos que compõem estes autos, não parece ser o caso. É fora de dúvida que um engenheiro está habilitado a atividades de supervisionar certos serviços de instalação e manutenção de equipamentos específicos. Mas é fora de dúvida, igualmente, a existência de pequenas empresas que executam a montagem de equipamentos industriais, sendo serviços que absolutamente dispensam a participação de engenheiro, requerendo tão somente mão de obra técnica treinada e especializada na execução desses serviços. Cópia das declarações DSPJs entregues, fls. 101 a 104, mostra um faturamento modesto no período de 2001 a 2004, com receita bruta mensal em torno de R$ 5.000,00, evidenciando tratarse de empresa que realiza atividades de baixa complexidade. É claro que se houvesse no processo evidências de que a atividade desenvolvida representasse atuação na área de assessoria ou de projetos que requeresse a produção intelectual com conhecimentos científicos, certo seria a necessidade da participação de engenheiro ou de profissional com habilitação legalmente exigida, estando caracterizada Fl. 199DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10830.003267/200391 Acórdão n.º 120200.536 S1C2T2 Fl. 200 6 razão impeditiva ao sistema SIMPLES. No entanto, pelas informações constantes do processo, não parece ser o caso aqui tratado. Ainda, a respeito do objeto social em exame, verifico que parte das atividades desenvolvidas pela interessada constam do disposto na Súmula CARF nº 57, publicada com a Portaria CARF nº 052, de 21 de dezembro de 2010, com o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência de pessoa jurídica no SIMPLES Federal. (destaquei) Dessa forma, concluo que o tipo de prestação de serviços constante do Contrato Social original, no período de 16/05/2000 a 31/05/2007, não representa serviço profissional que exija a necessidade de profissional com habilitação em engenharia, não sendo, portanto, atividade vedada para opção pelo SIMPLES. Quanto à inclusão retroativa ao sistema Simples, também não encontro óbice. Ficou evidenciado nos autos a existência de pagamentos de tributos pela sistemática do Simples, fls. 21 a 24, bem como a entrega das respectivas declarações DSPJ, dos anos calendário 2000 a 2004, fls. 19, demonstrando a inequívoca intenção da interessada na opção pelo Simples, situações que permitem a respectiva inclusão retroativa nos termos do que dispõe o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16, de 02 de outubro de 2002 , abaixo transcrito para melhor clareza: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o disposto no art. 8º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, no art. 16 da Instrução Normativa SRF nº 34, de 30 de março de 2001, e no processo 10168.004370/200237, declara: Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. Por fim, cabe também dizer que a vedação de opção ao Simples, previsto no art. 9º, inciso XV, da Lei nº 9.317, de 1996, pela existência de débitos inscritos em Dívida Ativa da União, fls. 94 a 99, não encontra aplicabilidade ao caso em exame. Fl. 200DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10830.003267/200391 Acórdão n.º 120200.536 S1C2T2 Fl. 201 7 Primeiramente, porque a inscrição em Dívida Ativa ocorreu em 10/01/2006, fls. 94, ou seja, em data posterior ao pedido de inclusão no Simples efetuado pela interessada, que ocorreu em 27/05/2003, fls. 01. Em segundo lugar, porque mesmo que a recorrente tenha deixado de se manifestar na peça recursal sobre os débitos inscritos em Dívida Ativa, reputandose como correta essa inscrição, tal fato não interfere na vedação de opção contida no art. 9º, inciso XV, da Lei nº 9.317, de 1996. Isso se deve porque a exclusão do Simples somente surtirá efeito a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência do Ato Declaratório de Exclusão, nos termos do art. 15, VI, da mesma Lei nº 9.317, de 1996, abaixo transcrito. Inexistindo notícia da existência do Ato Declaratório de Exclusão exigido pela lei, impõemse a manutenção da empresa na sistemática do Simples. Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] VI a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão, nos casos dos incisos XV e XVI do caput do art. 9o desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifei) Em face do exposto, voto para que seja dado provimento ao recurso voluntário, autorizando a inclusão da empresa na sistemática do Simples, no período de 16/05/2000 a 31/05/2007. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 201DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 13971.002190/2007-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Tratando-se de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez que a contribuinte omitiu informações ao INSS, caracterizando lançamento de ofício.
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
MULTA DEVIDA.
1 Constitui infração punível com multa administrativa, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 32, inciso IV e parágrafo 6º da Lei nº 8212/91.
APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO
ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os
artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes
apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA.
APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.
Considerando a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.732
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 11/2001; e II) dar provimento parcial, para recalcular a multa nos termos do
artigo 32A, I da Lei nº 8.212/91, se mais benéfico ao contribuinte.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Tratando-se de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez que a contribuinte omitiu informações ao INSS, caracterizando lançamento de ofício. PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA DEVIDA. 1 Constitui infração punível com multa administrativa, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 32, inciso IV e parágrafo 6º da Lei nº 8212/91. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Considerando a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Tratandose de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, aplicase o artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez que a contribuinte omitiu informações ao INSS, caracterizando lançamento de ofício. PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA DEVIDA. 1 Constitui infração punível com multa administrativa, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 32, inciso IV e parágrafo 6º da Lei nº 8212/91. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Considerando a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 11/2001; e II) dar provimento parcial, para recalcular a multa nos termos do artigo 32A, I da Lei nº 8.212/91, se mais benéfico ao contribuinte. Elias Sampaio Freire Presidente. Cleusa Vieira de Souza Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.002190/200749 Acórdão n.º 240101.732 S2C4T1 Fl. 75 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 31/08/2007, em face da empresa em epígrafe, lavrado com fundamento no artigo 32, inciso IV e § 6º da Lei nº 8212/91, c/c os art. 225, inciso IV e § 4º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99. Segundo o relatório fiscal da infração, fls. 12, o contribuinte apresentou a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, com informações inexatas em relação a dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias no período de 01/1999 e 03/1999 a 12/2006 e GFIP relativas aos décimoterceiros salários de 2005 e 2006 A empresa preencheu incorretamente os campos destinados à informação do Código FPAS, que está vinculado à atividade desenvolvida no estabelecimento e no código relacionado às contribuições de outras entidades. Tais fatos foram constatados no exame das GFIP dos estabelecimentos filiais: 81.336.398/000303; 81.336.398/000567; 81.336.398/000648; 81.336.398/000729; 81.336.398/000800; 81.336.398/001024; 81.336.398/001105; 81.336.398/001296 e 81.336.398/001458. A atividade desenvolvida nos referidos estabelecimentos pe comércio de artigo de vestuários. A empresa deveria ter informado o código 515 e no campo de outras entidades o código 115, que destina a referida contribuição ao SESC, SENAC, SEBRAE, INCRA e Salário Educação. No entanto informou FPAS 507, relacionado à indústria e no campo destinado a informação de Outras Entidades os códigos 67, 71, ou 79, próprios para informação de destinação da contribuição para SEBRAE, INCRA, Salário Educação, SESI e SENAI, com variações relativas à existência ou não de convênio com as duas últimas entidades. As ocorrências de preenchimentos inexatos de deram simultaneamente, em todas as competências acima relacionadas e em mais de um estabelecimento. A multa foi aplicada de acordo com o artigo 32, § 6º da Lei nº 8212/91, acrescentado pela Lei nº 9528/97 e RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99, artigo 284, inciso III e artigo 373. Tempestivamente, o contribuinte apresentou sua impugnação alegando, em preliminar, que parte dos supostos créditos foram alcançados pela decadência, conforme artigo 173 do CTN e que, portanto, encontrase extinto, por força do inciso V do artigo 156 do mesmo código; o artigo 45 da Lei nº 8212/91, enquanto lei ordinária, não pode estabelecer prazos para prescrição e decadência, matéria própria de lei complementar nos termos da Constituição Federal; No mérito, aduz que a multa aplicável não é cabível já que não cometeu nenhuma infração que justifique tamanha multa e houve apenas “um pequeno erro nos preenchimentos dos documentos;” que à época dos fatos não era necessário informalos em GFIP e todas as informações foram prestadas de forma correta, a exceção daquelas decorrentes de erro formal na contabilidade. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Que a multa aplicada fere os princípios constitucionais do não confisco, bem como os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, atingindo sua capacidade contributiva. Requer a anulação da notificação e o cancelamento da multa aplicada. A 6ª Turma da DRJ/FNS, por meio do Acórdão nº 0711.563/2007, julgou procedente o lançamento. Intimado da decisão, o contribuinte ingressou com recurso a este Conselho, fls. 50/57, reproduzindo as razões aduzidas em sua impugnação, em que, preliminarmente, argúi a decadência, para a maior parte do período a que se refere o suposto descumprimento de obrigação do período de 01/1999 a 12/2006. No mérito, alega que os valores decorrentes de notas fiscais emitidas por cooperativas de trabalho, que intermediou a prestação de serviços executados por seus cooperados, não deveriam ser declarados em GFIP, pois não é devida a contribuição previdenciária sobre tais valores; Que resta caracterizado que a Recorrente não cometeu nenhuma infração que justificasse tamanha multa. Não é possível a aplicação da mesma, pois não era necessário a Recorrente na época informar na GFIP os valores relacionados pelo Fisco. Além do mais, a Recorrente sempre cumpriu com todas as suas obrigações, inclusive de cunho fiscal, não sendo diferente desta vez. Que erros pontuais ocorreram por problemas na contabilidade da época apurada, entretanto a Recorrente já está resolvendo o problema inclusive com troca de profissional responsável pela área acima descrita. Sem contrarrazões, vem os autos a esta Câmara para julgamento É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.002190/200749 Acórdão n.º 240101.732 S2C4T1 Fl. 76 5 Voto Conselheira Cleusa Vieira de Souza Relatora O recurso preenche os requisitos exigidos para sua admissibilidade, devendo, portanto será conhecido. Antes de adentrar às questões de mérito, mister proceder à análise da preliminar de decadência suscitada Nada obstante, correta tivesse sido a decisão da 6ªTurma de Julgamento da DRJ/FNS, exarada no Acórdão nº 0711.563/2007, quando do julgamento da impugnação do contribuinte, cm relação à decadência, impõe considerar que o Supremo Tribunal Federal STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. No REsp 879.058/PR, DJ 22.02.2007, a 1ª Turma do STJ pronunciouse nos temos da seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º).PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. omissis 2. omissis 3. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.173, I, do CTN, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado '. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 4. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes da 1ª Seção: ERESP 101.407/SP, Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 278.727/DF, Min.Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003; ERESP 279.473/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 216.758/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 10.04.2006. 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 6. Recurso especial a que se nega provimento." E ainda, no REsp 757.922/SC, DJ 11.10.2007, a 1ª Turma do STJ, mais uma vez, pronunciouse nos temos da ementa colacionada: “EMENTA CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 45 DA LEI 8.212/91. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º). PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplicase também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social" (Corte Especial, Argüição de Inconstitucionalidade no REsp nº 616348/MG) 2. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ". Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.002190/200749 Acórdão n.º 240101.732 S2C4T1 Fl. 77 7 3. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa " e "operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa " — , há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 4. No caso, tratase de contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, I, do CTN. 5. Recurso especial a que se nega provimento. É a orientação também defendida em doutrina: “Há uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 4º tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por parte do Fisco, satisfeito que estará o respectivo crédito. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4º deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, em havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos.” (Leandro Paulsen, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência , Ed. Livraria do Advogado, 6ª ed., p. 1011) “Ora, no caso da homologação tácita, pela qual se aperfeiçoa o lançamento, o CTN estabelece expressamente prazo dentro do qual se deve considerar homologado o pagamento, prazo que corre contra os interesses fazendários, conforme § 4o do art. 150 em análise. A conseqüência –homologação tácita, extintiva do crédito – ao transcurso in albis do prazo previsto para a homologação expressa do pagamento está igualmente nele consignada” Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 (Misabel A. Machado Derzi, Comentários ao CTN, Ed. Forense, 3a ed., p. 404 Buscar análise da decadência. Porém, havendo o descumprimento da obrigação legal, o prazo de que o fisco disporia para constituir o crédito relativo à penalidade seria o prazo de decadência, fixado no art. 173, I, do CTN, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Nos casos de lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória, não há o que se falar em aplicação do art. 150, § 4.º, do CTN, uma vez que a utilização desse é restrita à aferição da perda do fisco do direito de efetuar o lançamento quando o contribuinte antecipa o recolhimento e o fisco quedase inerte no seu direito de lançar a diferença entre a quantia devida e aquela efetivamente adimplida. Vale considerar que, se à própria obrigação principal pode ser aplicada a contagem pelo critério do art. 173, I, do CTN, com o muito mais razão devese utilizar esse dispositivo quando se trata de aferir o prazo que o fisco dispõe para aplicar penalidades administrativas, haja vista ser esse um caso típico de lançamento de ofício. Assim, levandose em conta o período da autuação de 01/1999 a 12/2006 e que a empresa tomou ciência da autuação em 05/09/2007, pelo critério acima, já não poderia mais ser lançada a multa relativa às infrações ocorridas no período de 01/01/1999 a 31/11/2001, devendo essas competências serem excluídas do presente Auto de Infração. Superada a preliminar suscitada, passo à análise das razões de mérito, esclarecendo que, conforme relatado, tratase de AUTO DE INFRAÇÃO, lavrado contra a empresa, por descumprimento de obrigação acessória prevista em lei, a qual tem por objeto as prestações positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, conforme o disposto no art. 113 § 2º do Código Tributário Nacional –CTN. No presente caso, a obrigação consiste em informar em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social –GFIP, os fatos geradores de contribuições sociais, nos termos do art. 32, inciso IV (abaixo transcrito): Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) Informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (..) § 6º a apresentação do documento com erro no preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.002190/200749 Acórdão n.º 240101.732 S2C4T1 Fl. 78 9 infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no artigo 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no § 4º De início, e em que pese os argumentos da recorrente, vale esclarecer que desde 01/1999, por força das disposições acrescentadas no inciso IV do artigo 32 da Lei nº 8212/91, que as empresas em geral são obrigadas a informar mensalmente, por intermédio de GFIP, todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Como a autuação se refere ao período de 01/1999 a 12/2006, a empresa efetivamente já tinha a obrigação acessória de declarálos em GFIP. Dessa forma, ao constatar que a empresa não declarou a totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, a fiscalização regular e oportunamente lavrou o competente auto de infração. Em que pese a alegação de que a multa tem caráter confiscatório e que fere princípios constitucionais, importa salientar que o que fundamentou a penalidade em questão foi a legislação previdenciária vigente à época que de forma objetiva fixava os valores a serem aplicados, sendo tal determinação advinda de uma lei em vigor, insta convir que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. Cumpre destacar, outrossim, que nos termos dos artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento em relação aos valores de reclamatórias trabalhistas, nos termos do normativo vigente à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/09, convertida na Lei 11.941/2009, que revogou o art. 32, § 6o, da Lei 8.212/91. Assim, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP, convertida em lei. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP mencionadas no presente AI dizem respeito a omissões não relacionados a fatos geradores de contribuição, razão porque inexistindo lançamento de ofício sobre fatos geradores ali destacados, aplicável o art. 32A. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.002190/200749 Acórdão n.º 240101.732 S2C4T1 Fl. 79 11 Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 6º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º da lei 8212/91. Assim, se mais favorável ao contribuinte devese aplicar a multa pela nova sistemática pautada no art. 32A, I, do mesmo dispositivo. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para rejeitar as nulidades descritas e no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir da autuação as faltas até a competência 11/2001 face a decadência quinquenal, bem como para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32, I, da Lei 8.212/91, alterado pela 11.941/2009 Cleusa Vieira de Souza Fl. 11DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10166.720006/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
PROVENTOS RECEBIDOS POR ESPÓLIO OU SEUS HERDEIROS Sujeitamse
à incidência do imposto de renda, devendo ser tributados na
fonte e na Declaração de Ajuste Anual ou na Declaração Final de Espólio, os proventos de aposentadoria ou reforma e valores a título de pensão de portador de moléstia grave recebidos pelo espólio ou por seus herdeiros, independentemente de situações de caráter pessoal.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.132
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pela Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Ewan Teles Aguiar, Rafael
Pandolfo e Pedro Anan,Júnior,que proviam o recurso. Fez sustentação oral, seu advogado, Dr. Oldair Geraldo Gomes, OAB/MG n°. 20.919
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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I DF CARF 'NU MINISTER IO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo le 10166.720006/2009-12 Recurso n° 883.857 Voluntário „ Acórdão n° 2202-01.132 — 2 Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 11 de maio de 2011 - Matéria IRPF Recorrente ADELINA FRANCA PEREIRA NARDELLI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2006 PROVENTOS RECEBIDOS POR ESPOLIO OU SEUS HERDEIROS - Sujeitam -seà incidência do imposto de renda, devendo ser tributados na fonte e nabéClaração de Ajuste Anual ou na Declaração Final de Espólio, os proventos de » aposentadoria ou reforma e valores a titulo de pensão de portador de moléstia grave recebidos pelo espólio ou por seus herdeiros, independentemente de situações de caráter pessoal. Recufso ne'íado. V:;:• T Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ' Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pela Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos dd_voto dOsRelator. Vencidos os Conselheiros Ewan Teles Aguiar, Rafael Pandolfo e Pedro Anan,Júnior,,que proviam o recurso. Fez sustentação oral, seu advogado, Dr. Oldair Geraldo Gomes, OAB/MG n°. 20.919. (Assinado digitalmente) NelsonNallmann — Presidente (Assinado digitalmente) AntOnio LopCMartinez — Relator Asinado iigitalmente em 03100/2011 porl\i1: ..SON 1 r; Autenlir ,.s.clo diOta1menle em 0310612:)11 ANT.pNi0,t62j Impresso ;r11 1310712011 por'NAD1A LECNC:'; F:fiRM-.113A LIMA Og ' i•' do DF CART' ME FL 261 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Margareth Valentini, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior e Nelson' Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Maria Lficik'Moniz de Aragdo Calomino Astorga. • • :. Assoado digitalmente ern 03/0.:>12011 pc,r NasoN mx I MANN. )310612011 ror AN iGNi0 1..0PC MAR:TIM:Z. Autenticado digitaimente em 03,M20 - 11 p ,.; ANTON:0 t...6,PÇ MARTINEz: 2 Impress() ern 13/0//2011 por NADIA DF CA.R..F MF Processo n° 10166.720006/2009.:1217 Acórdão n.° 2202-01.132 Relatório Fl. 262 S2-C2T2 FL 2 Em desfavor da contribuinte, ADELINA FRANCA PEREIRA NARDELLI, foi lavrado, pOr Auditor FiSeal da DRF Brasilia (DF), o Auto de Infração de fls. 39/44, referente ao imposto de rendpessoa física do exercício 2006. 0 crédito tributário apurado está assim constituído: Imposto..... - R$ 36.957,61 Juros dO4ora (calculados até 12/2008)... R$ 11.870,78 Multa (passível de redução)... R$ 27.718,20 Valor do Crédito Tributário Apurado... R$ 76.546,59 12 No decorrer, da ação fiscal foram emitidos Mandado de Procedimento Fiscal, Termo de Inicio de Fiscalização e Termos de Intimação, todos devidamente notificados ao contribuinte. No Teribo'de Verificação Fiscal, fls. 45/49, consta que a presente ação fiscal foi realizada em cumprimentO . - ao MPF n° 01.1.01.00-2008-01011-8, com o objetivo de apurar imposto do ano-calendário 2605. InicialMenteif-a ação fiscal foi iniciada em nome do contribuinte Dante Nardelli, r oom o objeii"I'de.,: 'glialisar a correta tributação dos rendimentos percebidos em decorrência de preeafórroftóilavia, a viúva do contribuinte (a impugnante) apresentou fiscalização copia 'derC'e-itiSSO1,`Colilprovando o óbito do Sr. Dante, ocorrido em 26/07/2004, quando declarou que a partilha jd havia sido encerrada. A aufjfidade lançadora anotou no Termo de Verificação Fiscal que a partilha dos bens deixados pelo ,Sr. Dante Nardelli foi iniciada em 08/07/2005 e o pagamento do precatório ocorreu ern" (294472005, o qual não constou da relação dos bens a inventariar, acrescentando que toçloi oS:krdeiros formalizaram renúncia translativa em favor da viúva p,Iss meeira (a impugnantej t." • c raft Com- efeitb;.9 procedimento fiscal junto ao Sr. Dante Nardelli foi encerrado sem resultado. Em cons-e44n&c1a, para satisfação da obrigação tributária advinda do pagamento do precatório em caus -KfAiijii8"iada, por meio do MPF n° 01.1.01.00-2008-01011- 8, a presente ação fiscal em nome daco-n' tribu'inte autuada. Da apr,c94icda documentação apresentada, a fiscalização constatou que os valores decorrentes kl.O . 'preeat,Orio em nome do de cujus e recebidos pela contribuinte 1J1 caracterizaram rendimentoslributáveis, nos termos do art. 3° e §§ da Lei n° 7.713/1988 e art. 43 do Decreto no 3000/199:. • aviitr;t.e.: Nessenti4,6 foi apurada a infração a seguir, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal - Rendimento tributável decorrente de classificação indevida na DIRPF. ASSinado d:gitalmente ern L,) ,"O5/2011 por NN, OIL:L.:2011 por .-.)"-L!C' ';._) Autenticado dic;;a!rnen!e OM L'12011 por ArT0.140 LW) NAM' L impres=Lo ern 13/07/2011 por NiLaA L.FONOR • C.: toridaci ,..', • - (.7 r. • D- 1 '•2 1171:04hO' -ioç • (.).,»..}i7•,. 3 DF CARF ME Fl. 263 Depois da ciência do, lançamento, a contribuinte apresenta impugnação As fls. 53/77, na qual, inicialmente, faz ;referência aos termos do Auto de Infração para, em seguida, expor seus argumentos de defesa. Suscita preliminar de : nulidade do lançamento, argumentando que o Principio da Verdade Material, em respeito ao Principio da Estrita Reserva. Legal no Direito Tributário, estabelece que a Admihisiração Pública deve apurar no mundo do ser a efetiva ocorrência dos fatos. Aduz que no caso em . apreço a autoridade lançadora não se ateve a busca da,.,Ve‘rdade material, tendo em vista que o precatório devido - ao falecido Sr. Dante Nardelli, em nome de quem a contribuinte; e meeira, recebeu o correspondente Valor, corresponde a rendimento isento e não tributável em decorrência de moléstia grave prevista em lei. Esclarece que o Sr. Dante Nardelli adquiriu aposentadoria em 1980, no cargo de Delegado da Policia Federal. Informa que o pagamento do precatório a viúva e meeira, em 2005, corresponde ao cumprimento de decisão proferida em Mandado de Segurança para:qu e os proventos de aposentadoria do falecido não sofressem 6: "abate-teto" previsto no art. 184 da Lei 8.112/1990. ia do Assevera a con tribu. inte que está demonstrado o caráter de isenção dos rendimentos oriundos do precatório, haja vista que se referem q i, ippventip de aposentadoria percebidos por portador de mqestfd glidye prevista em lei, conforme preconiza o art. 39, inciso X IIIç/o Decreto n°3.000/1999. ". Em resumo, a cbntribuinte suscita preliminar de nulidade por entender que a7lsalização não diligenciou para buscar toda a documentação.:/iNeessqrid para a apuração do fato gerador, e requer isenção, dos r\endhnentos oriundos do precatório devido ao seu falecido -côn-juge!: , A DRJ Brasilia em nova apreciação das razões do contribuinte, julgou o ' lançamento procedente, nos terrrico,..0,Fmenta a seguir: ASSUNTO: IMI),OSTO ;.SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF ) -a' Dcic Exercicio: 2006 PRELIMINAR DEW(ZIDADE DA A(7)10 FISCAL. " Comprovado que . o p:roeedimento fiscal levado a efeito atende às normas regzilamentares; não há que se falar em nulidade do lançamento. ':r- OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVENTOS DE APOSENTADOkaRE6EBIDOS PELA VIÚVA MEEIRA, PELO ESPÓLIO OUYIkRDEIR6S. Sujeitam-se à do imposto de renda, devendo ser tributados naffonIeirfr<hei Declaração de Ajuste Anual ou na Declaração Firtd1;:'de.‘Ësp' ólio, os proventos de aposentadoria ou reforma e valoresv alai; lo de pensão de portador de moléstia . E.cn 03/00/2011 por ::)ON MAL/ MANN, ::2/0212011 por A'4M`‘00 L4 r;TINE.Z. Autenticado digitairnmte em 03:06/2011 p A:',ig)NICYLC,P,t1 MARTIN12 4 Impress() urn 13/07/2011 por NADA 1..E.ONCV, Assinado di "OSTO DF CARF MF Processo n° 10166.720006/2009-12 Acórdão n.° 2202-01.132 moléstias graves; FL 264 S2-C2T2 Fl. 3 grave recebidos pela viúva meeira, pelo espólio ou por seus herdeirbs, independentemente de situações de caráter pessoal. Impugnação Improcedente satisfeita, a contribuinte interpõe novo recurso voluntário ao Conselho onde reitera as i esnis razões apiesentadas na impugnação. Enfatizando os seguintes pontos: - Dos princípios da verdade material, da legalidade e da moralidade - Da isenção do imposto de renda sobre os proventos de portadores de - Da multa aplicada. o relatório. 1,177o;.ii70 tigei .,a, a c Mil [1:11 : Assinado digitalrn .1 )11 por V:Al..l...MANN. 03106/2011 ror A ONIOI.OPO MAR FINFS Autenticado digitalmente em 03.'06/2011 pc,' AN-roN.0 L,-...„po MARTINE:Z. Impresso cm 13/0//2011 por NADIR LEONORI-1-R-R ■*: DF CAR F MF FL 265 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O preseiite recurs() „ voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legisk :=.7) que rege : processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. lnobstante o qUestioriamento da recorrente, como preliminar, sobre a natureza do rendimento que foi recebido a e titulo de precatório. Deve-se reconhecer, que ainda que o precatóriii ,tenha sido originado de proventos de aposentadoria de portador de moléstia grave, de acordo com o entendimento da ADI COSIT n° 26/2003, este declarou que são tributáveis os proventos de aposentadoria ou reforma e valores a titulo de pensão de portador de moléstia grave recebidos pelo espólio ou por seus herdeiros, senão vejamos: „ Artigo único. Szrjeitam-se à incidência do imposto de renda, devendo ser tributO doin'O fonte e na Declaração de Ajuste Anual ou na Declaração 'Final de Espólio, os proventos de aposentadoria ou reforma e valores a titulo de pensão de portador de moléstia grave recebidos pelo espolio ou por seus herdeiros, independentemente de situações de caráter pessoal. Nesse contexto, observa-se que a isenção por moléstia grave somente seria devida se o rendimento que compõe a infração tivesse sido recebido diretamente pelo contribuinte aposentado. No caso.) cOntreto o Sr. Dante Nardelli faleceu antes de receber o precatório. VO ' A isenção tributária, .a teor do art. 176, é sempre decorrente de lei, a qual deve especificar as condições e requisitos exigidos para a sua concessão. No caso, a isenção do imposto de renda em favor de portadores de moléstia grave está prevista na Lei n° 7.713/88 e no Decreto n° 3000/99, sendo 'tleunho'personalissimo. Não há como estendê-la a terceiros, ainda que arquem com despesas de tiataiiiento do doente. Convém esclarecêrque a isenção por moléstia grave é revestida de natureza subjetiva, relacionada e vincula& corn, os atributos pessoais do contribuinte aposentado, reformado ou pensionista, posiçãopacificada na jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e corroborada pela esfera judicial. De igual modi6;l'cleve-se comentar que a multa aplicada está de acordo com o prescrito na lei. Acrescentando porl . pertinente, que não cabe ao CARF apreciar a constitucionalidade dos dispositiVOslégis. Ante ao exposit), voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntari9. • IN ' (Assinado digitalmente) . 7 Antonio Lopo:Martinez -.11.11s1;:0'" As 2do d:gitalmente cn )3/06/201 10:320111.:(x •!(..) Ai ten 'J digacItmcnte pm 0310b72,011 " -%:"'TINEZ 6 Impresso cm 13/0712011 por NADIA 1..E01 , C;2 c, .09,1 1 Fl. 266 S2-C2T2 Fl. 4 DF CARE NIF Processo n° 10166.720006/2009-12 Acórdão n.° 2202-01.132 ' 4.5 Asna digitalmente em 0310612011 por -3r AN re: , :lo Lciao r,:v1,;;• _ Autenlicado digitaimcate em 0310E312ol1 por LOPO 4,Afri'INEZ Impress° cm 13/07120 ii pr NADA LEONOR FERREikA UMA 7
score : 1.0
Numero do processo: 15374.002778/2001-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: RECURSO "EX OFFICIO" — IRPJ - Devidamente fundamentada nas provas
dos autos e na legislação pertinente a insubsistência das razões determinantes
da autuação, é de se negar provimento ao recurso necessário interposto pela
turma de julgamento "a quo" contra a decisão que dispensou o crédito
tributário indevidamente constituído.
Numero da decisão: 1101-000.487
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso de oficio. Ausente o Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior. Fez sustentação oral a advogada da recorrente, Dra. Erika Regina Marquis (OAB/SP n° 248.728)
Matéria: IRPJ - auto eletrônico (exceto glosa de comp.prej./LI)
Nome do relator: José Ricardo da Silva
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 14363.000026/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZOS.
Impugnação de lançamento apresentada após o transcurso do prazo legal de 30 dias é intempestiva e não instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal.
Recurso não conhecido, por intempestiva a impugnação.
Recurso Voluntário Não conhecido
Numero da decisão: 2301-002.240
Decisão: Acordam os membros do colegiado,
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZOS. Impugnação de lançamento apresentada após o transcurso do prazo legal de 30 dias é intempestiva e não instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal. Recurso não conhecido, por intempestiva a impugnação. Recurso Voluntário Não conhecido
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Recorrente IOMAR CAVALCANTE DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZOS. Impugnação de lançamento apresentada após o transcurso do prazo legal de 30 dias é intempestiva e não instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal. Recurso não conhecido, por intempestiva a impugnação. Recurso Voluntário Não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano González Silvério, Wilson Antonio Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 17/05/2006 com crédito tributário de R$ 21.979,77, por ter o órgão público a que o dirigente estava responsável, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 18/22, apresentado o documento a que se refere o art. 32, inciso IV e §3º com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação aos fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências 06/2000 a 12/2000. Após tomar ciência postal da autuação em 25/05/2006, fls. 28, o recorrente apresentou impugnação, fls. 33/41, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário, especialmente requerendo a relevação da multa em face do saneamento das faltas. A 5ª Turma da DRJ/Belém/PA no Acórdão de fls. 263/267 não tomou conhecimento da impugnação devido à intempestividade desta, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 09/09/2008, fls. 271. O recurso voluntário, apresentado em 10/10/2008, fls. 272/275 , protestou pela tempestividade da impugnação, requereu a nulidade do acórdão a quo e a devolução do julgamento para a primeira instância. Alega que corrigiu todas as falhas. É o relatório. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 14363.000026/200817 Acórdão n.º 230102.240 S2C3T1 Fl. 281 3 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Da análise dos autos, verificase que a fiscalização lavrou o auto de infração por descumprimento de obrigação acessória e responsabilizou a autuada, dirigente de órgão público, com fundamento no art. 41 da Lei n º 8.212 de 1991, transcrito a seguir: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos do normativo vigente à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/08 que, por meio de seu art. 65, revogou o art. 41, da Lei 8.212/91. Portanto, após a vigência da MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09, o dirigente do órgão público não responde mais pessoalmente pelas penalidades aplicadas por infrações à Lei 8.212/91. E, conforme previsto no art. 106, inciso II, a, do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando deixe de definilo como infração. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No presente caso, não há como se ignorar o disposto no art. 106, II, “c”, do CTN, privando o autuado do benefício legal. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 4 Assim, tratandose o presente lançamento de ato ainda não julgado quando da edição da MP 449/08, concluise que os critérios por ela estabelecidos se aplicam ao AI em tela. No entanto, conforme veremos a seguir, não podemos conhecer do recurso. O recorrente foi cientificado do lançamento em 25/05/2006, fls. 28, e apresentou sua impugnação em 14/06/2006, fls. 32. Conforme os arts. 7º e 8º da Portaria 520/2004, a impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento e devia ser apresentada no prazo de quinze dias. No caso dos autos não houve a instauração do litígio administrativo, pois a impugnação foi apresentada intempestivamente, ou seja, fora do prazo previsto na legislação. Sem que tenha sido instaurada a fase litigiosa do procedimento, esse colegiado não pode conhecer do recurso, pois sua competência restringese ao julgamento recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial (art. 25, inciso II do Decreto 70.235/72). É certo que o caso ensejaria procedência do recurso, em vista das considerações já feitas, mas, certamente, haverá revisão de ofício pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para afastar o lançamento, em homenagem aos princípios da legalidade e da moralidade administrativa. Por todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 291DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.000082/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade
lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.144
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente substituto e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Goncalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araujo, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Souza e Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Fl. 78DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 17 45.082, proferido pela 8ª Turma da DRJ São Paulo II (fl. 59), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, para restabelecer a despesa com a UNIMED, no valor de R$7.200,00. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: O contribuinte acima identificado insurgese contra o lançamento consubstanciado na Notificação de Lançamento, fls.49/52, relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas IRPF/2005, anocalendário 2004, na qual consta glosa de Despesas Médicas, no valor de R$ 29.300,00. Na impugnação apresentada, fls. 01/04, o Impugnante alega, em síntese, que o direito às deduções de despesas médicas está expressamente salvaguardado no art. 80, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3000/99, não merecendo ser glosadas, isto porque o Impugnante possuiu todos os recibos e declarações que comprovam de forma inequívoca, a prestação de serviços pelos profissionais e os pagamentos efetuados aos mesmos, nos termo do art. 73, do RIR199; requer a improcedência do lançamento e protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, sem exceção de quaisquer: documentos, testemunhas, perícias, inspeções, os quais ficam desde já requeridos. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau considerou procedente em parte a impugnação, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2005 GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. O direito As suas deduções condicionase A comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos e ainda, que sejam relacionadas ao tratamento do próprio contribuinte e seus dependentes. Artigo 80, §1°, incisos II e III, do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). Impugnação Procedente em Parte Em seu apelo ao CARF, às fls. 72/76, o recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o juízo a quo. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do exame das peças processuais, firmo convencimento de que a decisão de primeiro grau não merece qualquer reparo. Fl. 79DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10855.000082/200931 Acórdão n.º 210101.144 S2C1T1 Fl. 81 3 Sobre a dedução de despesas médicas, vejamos o que dispõe a legislação que rege a matéria, e como os Órgãos administrativos de julgamento a têm interpretado. Confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;” Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º).” §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Grifos Acrescidos. Por certo, a legislação, em regra, estabelece a apresentação de recibos como forma de comprovação das despesas médicas, a teor do que dispõe o art. 80, § 1º, III, do RIR/1999, mas não restringe a ação fiscal apenas a esse exame, numa visão sistêmica da legislação tributária. Verificase, inclusive, que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter muito menos informação que o recibo, é também eleito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Em outros recursos que passaram por este Colegiado, com despesas médicas elevadas, a parte interessada apresentou elementos de prova abundantes da necessidade da Fl. 80DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 realização das despesas (os serviços demandados, exames, laudos circunstanciados, etc), quando não o faziam em relação ao efetivo pagamento. O autuado recebe a integralidade dos rendimentos declarados através de conta bancária, mas consegue apenas parcialmente comprovar os elevados pagamentos questionados pela fiscalização, no montante de R$29.300,00. Com efeito, os documentos às fls. 32/43, comprovam, inequivocamente, os pagamentos realizados de despesa médica com o plano de saúde da UNIMED, no valor de R$7.200,00, cuja dedução foi restabelecida na decisão recorrida. Em relação às demais glosas das despesas médicas, nenhum comprovante do efetivo pagamento foi apresentado (cheque, depósito, boleto, extrato bancário etc), nem laudo ou exame foi apresentado a fim de justificar a necessidade desses elevados dispêndios. O ordenamento legal permite que o contribuinte realize pagamentos em moeda corrente e, por seu turno, os beneficiários desses são orientados a aceitálos. Só que, mesmo esse modal de cumprimento de obrigações permite comprovação, uma vez que, em razão dos valores envolvidos, não há como compreender que não ocorreriam saques coincidentes, ou aproximados, em datas e valores aos indicados nos recibos de despesas médicas. De fato, no caso em exame, apesar dos valores despendidos, nenhuma transferência de recursos do autuado para os prestadores dos serviços médicos foi comprovada. O interessado não logrou trazer aos autos elementos hábeis de prova para corroborar sua assertiva de que efetivamente houve o atendimento profissional alegado, bem como efetuado os pagamentos decorrentes. Restringese a repisar argumentos que já haviam sido analisados com muita propriedade no acórdão recorrido, cujos fundamentos indicados no voto condutor (fls. 60/64) estão em consonância com reiterados pronunciamentos deste Colegiado acerca da matéria. Vale ressaltar que na apreciação da prova o julgador é livre para formar a sua convicção, desde que apresente as razões que o levaram a decidir de determinada maneira, como ocorreu no presente caso, de modo a possibilitar o exercício do direito de defesa perante o Órgão julgador ad quem. Quando as deduções pleiteadas são elevadas, não basta o interessado apresente recibos ou declarações, que não comprovam o fato declarado, conforme dispõe o artigo 368 do Código de Processo Civil. Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato. Conforme afirmado na decisão recorrida, os recibos ainda que revestidos de todas as formalidades, não possui valor probante absoluto. A apresentação de recibos tem potencialidade probatória relativa e esta deve ser limitada por todos os elementos de convicção coletados pelo AuditorFiscal no decorrer da ação fiscal. Confirase o excerto (fl. 63): Há de se salientar ainda que conspira em desfavor do contribuinte, outros elementos de convicção a esta instância julgadora, como por exemplo, o fato de que ocorreram lançamentos em vários anoscalendário, sempre com glosa de despesas médicas, despesas com mais de um psicólogo no Fl. 81DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10855.000082/200931 Acórdão n.º 210101.144 S2C1T1 Fl. 82 5 mesmo ano e todos os anos, enfim, demonstram tratar de gastos contumazes de valores expressivos para os rendimentos declarados pelo contribuinte. Estas considerações objetivam analisar a matéria de forma ponderada, de acordo com a especificidade de cada caso. A glosa efetuada pela fiscalização, por seus fundamentos (fl. 11) permanece incólume. Não se trata de exigências descabidas ou ilegais, ou ônus indevido para o contribuinte, já que a legislação que rege a matéria dispõe que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, devendo o contribuinte apresentar elementos de prova do efetivo desembolso dos valores e efetiva prestação dos serviços. Para a situação revelada no caso em exame há que se comungar com o posicionamento expresso nas ementas dos Acórdãos da CSRF e do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, abaixo colacionadas, dentre muitas outras, na mesma linha de entendimento: IRPF DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. (Ac. 1º CC 10243935/1999 e Ac. CSRF 011.458) IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe. (Ac. 1º CC 10416647/1998)” Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 82DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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