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Numero do processo: 35464.003484/2004-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/01/1999
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C
DO CPC. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR DE SERVIÇOS. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4º, DO CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações.
No presente caso, trata-se de contribuições previdenciárias devidas pela empresa contratada para serviços de cessão de mão-de-obra, em que o autuado foi considerado responsável solidário por ser o tomador do serviço e não comprovar o recolhimento dos tributos, e houve pagamento antecipado
pela prestadora de serviços, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4º, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-001.929
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR DE SERVIÇOS. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. No presente caso, tratase de contribuições previdenciárias devidas pela empresa contratada para serviços de cessão de mãodeobra, em que o autuado foi considerado responsável solidário por ser o tomador do serviço e não comprovar o recolhimento dos tributos, e houve pagamento antecipado pela prestadora de serviços, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 35464.003484/200416 Acórdão n.º 9202001.929 CSRFT2 Fl. 677 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 09/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (Conselheira Convocada), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 20601.276, da 6a Câmara do 2o Conselho de Contribuintes (fls. 629 a 636), julgado na sessão plenária de 03 de setembro de 2008, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência das contribuições apuradas. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/01/1999 PREVIDENCIÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CESSÃO DE MÃO DE OBRA. OCORRÊNCIA. EMPRESA TOMADORA DE SERVIÇOS. NÃO COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO. JUROS. É inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n° 8 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4o do CTN. Recurso Voluntário Provido. Em face dessa decisão, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração (fls. 640 a 642) indicando omissão no julgado, que, apesar de afirmar que existiu pagamento antecipado que levou à aplicação da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, não teria identificado, com base na prova dos autos, qual era esse pagamento. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 35464.003484/200416 Acórdão n.º 9202001.929 CSRFT2 Fl. 678 3 Com base em informações da relatora, os embargos não foram conhecidos por não terem logrado demonstrar a pretensa omissão (fls. 644 a 645), sendo importante destacar a seguinte argumentação: Considerando os embargos opostos pela Fazenda Nacional, permitome não lhe atribuir razão, porquanto não houve a contradição apontada. A aplicação do artigo 150 § 4o do CTN, deveuse, em verdade, da falta de comprovação pela fiscalização de que não houve antecipação de pagamento. É nesse ponto que a embargante vislumbra a ocorrência de contradição entre o decisum e as provas dos autos, afirmando que o processo não revela a existência de antecipação de pagamento, o que deslocaria a contagem do prazo decadencial para a norma encartada no inciso I do art. 173 do CTN. Em que pese o esforço da Fazenda Nacional em demonstrar a ocorrência de contradição no decisum embargado, deixo de concordar com sua tese. É muito comum nesse tipo de lançamento o fisco lançar apenas as bases de cálculo relativas aos fatos geradores em relação aos quais o autuado não se reconheceu como contribuinte ou responsável pelo recolhimento. Nessas situações essa Turma de Julgamento tem reiteradamente se posicionado pela aplicação da regra do art. 150, § 4.°, do CTN, segundo a qual a contagem do prazo decadencial deve ter como marco inicial a ocorrência dos fatos geradores. Também tem sido esse o entendimento adotado quando, compulsandose os autos, não é possível concluir pela ocorrência ou não de antecipação de pagamento. Cientificada do resultado dos embargos, a Fazenda Nacional manejou recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência da prova (fls. 647 a 653), com fulcro no artigo 7º, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, admitido pelo despacho de fls. 655 a 656 do Presidente da 4a Câmara da 2a Seção. Aduz o recorrente que a conclusão do acórdão recorrido, no sentido de reconhecer a decadência para a totalidade dos fatos geradores ocorridos, apesar de não encontrar nos autos qualquer prova de pagamento, viola o art. 173, I, do CTN, e que em análise do DAD (Discriminativo Analítico de Debito), fls. 04/05, e o relatório fiscal, fls. 14/15, bem como os demais documentos dos autos, constatase a inexistência de qualquer indicio de recolhimento. Devidamente cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 666 a 673), onde afirma que não foi comprovada a divergência jurisprudencial para a admissão do recurso especial, e que ocorreu a decadência do crédito tributário lançado, pois houve a antecipação do pagamento. É o relatório. Voto Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 35464.003484/200416 Acórdão n.º 9202001.929 CSRFT2 Fl. 679 4 Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Preliminarmente, o contribuinte pede o não conhecimento do recurso por falta de comprovação da divergência jurisprudencial. Entretanto, há que se esclarecer que se trata de recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência da prova, com base no antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais – RICSRF, que ainda pode ser manejado contra acórdãos proferidos até 30 de junho de 2009, nos termos do artigo 4° do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Para esse tipo de recurso, a comprovação de divergência jurisprudencial não é prérequisito, sendo apenas necessário que a decisão seja não unânime e que se comprove possível contrariedade à lei, condições verificadas no despacho de admissibilidade. Assim, rejeito a preliminar de defesa suscitada. O mérito da discussão diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, questão tormentosa que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 35464.003484/200416 Acórdão n.º 9202001.929 CSRFT2 Fl. 680 5 DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 35464.003484/200416 Acórdão n.º 9202001.929 CSRFT2 Fl. 681 6 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Recentemente, a Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF RICARF, com a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nos demais casos. Foi esse o entendimento adotado no acórdão recorrido, e com ele está de acordo a Fazenda Nacional. A polêmica está na existência, ou não, de pagamento antecipado. No caso em tela, por se tratar de contribuições previdenciárias devidas pela empresa contratada para serviços de cessão de mãodeobra, em que o autuado foi considerado responsável solidário por ser o tomador do serviço e não comprovar o recolhimento dos tributos, devese verificar se houve algum pagamento referente às contribuições sociais incidentes sobre a remuneração dos empregados da empresa prestadora de serviços. Após intensa discussão na sessão de julgamento, fui convencido de que é possível se considerar, para fins de apuração da decadência, os recolhimentos de tributos da contratante, pois ela foi trazida à relação tributária como responsável solidária, o que faz com que o fato gerador seja único, raciocínio que poderia resolver a questão sob outros fundamentos. Opto, entretanto, por manter a fundamentação original, que chegará ao mesmo resultado sob outros argumentos. O acórdão recorrido percebeu que a inexistência de pagamento antecipado implica a aplicação de regra de decadência menos favorável ao contribuinte, sendo portanto obrigação do Fisco demonstrar esse fato. Desse modo, não existindo nos autos provas de que Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 35464.003484/200416 Acórdão n.º 9202001.929 CSRFT2 Fl. 682 7 não houve recolhimento antecipado, concluiu que deve se presumir a sua existência, e se utilizar a regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN. Já a Fazenda Nacional afirma que não houve pagamento. Em suma, a discussão se resume a saber a quem cabe comprovar a existência, ou não, de pagamento antecipado: se à autoridade lançadora ou ao sujeito passivo. Apesar da importância da discussão, por mim devidamente enfrentada em outros processos, creio que ela não se aplica ao presente caso, pois verifico que os autos trazem provas de existência de pagamento antecipado. Nas fls. 322 a 554., consta recurso da prestadora de serviços, a empresa KUBA TRANSPORTE E TURISMO LIDA, CNPJ no 64.904.026/000196, afirmando que o débito já havia sido quitado, conforme cópias anexas ao recurso, e a 4a Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social baixou o processo em diligência para que fosse realizada a análise desses documentos (fls. 563 a 567). Em resposta, o Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Previdenciária São Paulo – Sul informou que a empresa prestadora de serviço (fls. 578 a 581): a) apresentou folhas de pagamentos e Guias de Recolhimento GRPS genéricas para competências 07 a 01/1999, não atendendo a legislação que determina que as Folhas de Pagamento e as GRPS devem ser distintas por Tomador; b) foi submetida à fiscalização total, cujo período fiscalizado foi de 01/1998 a 02/2001, e constam neste procedimento a emissão de Notificações Fiscais de Lançamentos de Débitos (NFLD). Desta forma, considero que os pagamentos efetuados pela empresa prestadora de serviço, apesar de não estarem separados por tomador, devem ser considerados como recolhimentos antecipados, com a consequente aplicação da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN. Isso porque o pagamento a que se refere o STJ deve ser entendido como qualquer recolhimento do tributo relativamente a todo o período de apuração e não aquele estritamente relacionado ao valor da receita omitida, como quer o recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, negar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 35464.003484/200416 Acórdão n.º 9202001.929 CSRFT2 Fl. 683 8 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO
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Numero do processo: 13739.002393/2007-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
IRPF. DESPESAS COM PLANO DE SAÚDE. GLOSA.
As despesas com plano de saúde são dedutíveis da base de cálculo do
imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente é suficiente para
comproválas.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.256
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DESPESAS COM PLANO DE SAÚDE. GLOSA. As despesas com plano de saúde são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente é suficiente para comproválas. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente Fl. 65DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/09/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 13739.002393/200798 Acórdão n.º 2101001.256 S2C1T1 Fl. 50 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 35/36) interposto em 04 de janeiro de 2011 contra o acórdão de fls. 29/30, do qual o Recorrente teve ciência em 20 de dezembro de 2010 (fl. 34), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento de fls. 04/06, lavrado em 19 de novembro de 2007, em decorrência de dedução indevida de despesas médicas, verificada no anocalendário de 2003. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a psicólogos e fisioterapeutas, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. A dedução de despesas médicas limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 29). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso de fls. 35/36, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para exonerar o crédito tributário remanescente, não excluído pela decisão a quo. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/09/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 13739.002393/200798 Acórdão n.º 2101001.256 S2C1T1 Fl. 51 3 Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Discutese no presente caso apenas e tãosomente a glosa da despesa com plano de saúde no valor de R$ 1.949,46. Segundo o Recorrente, tal valor teria sido pago pelo seu empregador (INSS) à GEAP – Fundação de Seguridade Social, a título de “despesas médicoodontohospitalares”, nos termos do comprovante de rendimentos de fl. 38. De acordo com a DRJ, o CNPJ informado pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual não seria da GEAP, mas sim da Gerência Executiva do INSS no Município de Niterói, cidade de residência do Recorrente, motivo pelo qual manteve, quanto a este aspecto, o lançamento. Na realidade, conforme esclareceu o Recorrente, como o INSS não informou o CNPJ da GEAP, o contribuinte indicou, em sua declaração de ajuste anual, o CNPJ da fonte pagadora, qual seja, seu empregador, o INSS. Se isso não bastasse, os documentos de fls. 37/46, em especial os comprovantes de rendimentos de fls. 38/46, demonstram cabalmente a retenção, pelo seu empregador (INSS), do valor de R$ 1.949,46, a título de “despesas médicoodonto hospitalares”, pagas à GEAP. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 67DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/09/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000010/2011-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2006
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO.
Descabe o agravamento da multa de ofício quando o lançamento do tributo é realizado com base em documentos e informações fornecidos pelo sujeito passivo em atendimento á intimação fiscal.
Numero da decisão: 1201-000.614
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Descabe o agravamento da multa de ofício quando o lançamento do tributo é realizado com base em documentos e informações fornecidos pelo sujeito passivo em atendimento á intimação fiscal.
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Descabe o agravamento da multa de ofício quando o lançamento do tributo é realizado com base em documentos e informações fornecidos pelo sujeito passivo em atendimento á intimação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Marcelo Baeta Ippolito (Suplente Convocado), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto, Regis Magalhães Soares Queiroz e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto nos termos do art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.000010/201134 Acórdão n.º 120100.614 S1C2T1 Fl. 2 2 Conforme descrito no termo de verificação de fls. 169/172, a pessoa jurídica teve seu lucro arbitrado nos anoscalendários de 2006 e 2007 em razão de não haver apresentado os livros de sua escrituração comercial e fiscal. O arbitramento foi efetuado com base na receita bruta conhecida, apurada junto à Guia de Informação e Apuração do ICMS/SP – GIA (anocalendário de 2006), e nas notas fiscais apresentadas pela empresa (anocalendário de 2007). Sobre os valores dos tributos e contribuições lançados foi imposta multa qualificada (150%), sob o argumento de que nos anos de 2006 e 2007 a contribuinte, apesar de haver apurado parcialmente os débitos em DIPJ, não os declarou em DCTF nem os recolheu. A referida multa foi ainda agravada em 50%, sob a alegação de que a contribuinte deixou de prestar os esclarecimentos solicitados em diversos termos de intimação, bem como deixou de apresentar os arquivos magnéticos solicitados. Impugnada a exigência, a DRJ de origem decidiu pela procedência parcial do lançamento, para afastar o agravamento da multa relativamente aos tributos e contribuições devidos no ano de 2007, sob a alegação de que neste período o lançamento foi realizado com base nas notas fiscais apresentadas pela contribuinte (fls. 242/253). Por haver afastado encargos de multa em montante superior a R$ 1.000.000,00, o órgão a quo submeteu sua decisão ao duplo grau de jurisdição. Intimada da decisão de primeira instância por via postal e, posteriormente, por edital, a interessada não se manifestou. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Do Agravamento da Multa Relativamente aos fatos geradores ocorridos no ano de 2006, para os quais o órgão de primeira instância afastou o agravamento da multa, o art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua redação original, assim prescreve: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Fl. 444DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.000010/201134 Acórdão n.º 120100.614 S1C2T1 Fl. 3 3 II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) prestar esclarecimentos; (Incluída pela Lei nº 9.532, de 1997) b) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; (Incluída pela Lei nº 9.532, de 1997) c) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. (Incluída pela Lei nº 9.532, de 1997) Apesar de haver emprestado nova redação ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, a Lei nº 11.488/2007 não alterou as hipóteses de imposição do agravamento nem a respectiva pena, razão pela qual não há que se falar em incidência do disposto no art. 106 do CTN. No caso, o órgão julgador a quo entendeu que, mesmo presentes os requisitos para previstos nas alíneas “a” e “b” da norma acima transcrita, não caberia o agravamento da multa no ano de 2006 já que, em relação a este período, o auditor realizou o lançamento dos tributos e contribuições com base nas notas fiscais apresentadas pela contribuinte. Esta é também a interpretação que esta Turma vem emprestando ao art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430/96. 3) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao apelo oficial. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 445DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10835.720131/2007-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2003
SUJEIÇÃO PASSIVA. ÔNUS DA PROVA.
Havendo o contribuinte apresentado a DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural, cabe a ele a ônus da prova de que não detinha a posse plena do referido imóvel para poder ser excluído do pólo passivo da obrigação tributária.
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL.
OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.
O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.754
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, em NEGAR provimento ao
recurso.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ÔNUS DA PROVA. Havendo o contribuinte apresentado a DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural, cabe a ele a ônus da prova de que não detinha a posse plena do referido imóvel para poder ser excluído do pólo passivo da obrigação tributária. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 175DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10835.720131/200722 Acórdão n.º 210201.754 S2C1T2 Fl. 2 2 Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 02/02/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra UNICARD BANCO MULTIPLO SA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 01/06, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativa ao imóvel denominado Fazenda Ingazeiro – quinhão 10, com 2.620,8 ha (NIRF 5.855.8438), exercício 2003, no valor de R$ 771.722,86, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 30/11/2007. As infrações imputadas à contribuinte foram glosa total das áreas de preservação permanente e de utilização limitada e arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), com utilização de dados extraídos do Sistema de Preços de Terras (SIPT), conforme quadro a seguir: ITR 2003 Declarado Apurado no Auto de Infração 02Área de Preservação Permanente 1.640,0 ha 0,0 ha 03Área de Utilização Limitada 498,0 ha 0,0 ha 16Valor da Terra Nua R$ 16.545,00 R$ 3.790.410,62 Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 20/29, que está assim resumida no Acórdão DRJ/CGE nº 0417.802, de 05/06/2009, fls. 106/111: • O lançamento deve ser considerado nulo por ser impossível concluir de fato e de direito qual a área exata da propriedade do impugnante, não sendo possível sequer identificar sua localização, além de ele não dispor da posse e do domínio pleno do imóvel; • Da análise da certidão da matrícula do imóvel, cumpre ressaltar que a transferência da propriedade, objeto de Dação em Pagamento, até o presente momento não fora levada a efeito Fl. 176DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10835.720131/200722 Acórdão n.º 210201.754 S2C1T2 Fl. 3 3 devido à pendência de exigências de ordem material e documental; • Se a área é de duvidosa existência, não há como presumir um elemento material da hipótese de incidência tributária qual seja: ser proprietário de imóvel rural; • O impugnante, por não deter a posse e o domínio pleno do imóvel, deixa de reunir todos os atributos de proprietário e, assim, a cobrança contra ele não deve subsistir, vez que o sujeito passivo do ITR é o proprietário, o titular do domínio útil e o posseiro, a qualquer titulo, de imóvel rural; • Se esse órgão de julgamento decidir que o impugnante é o sujeito passivo da relação, cumpre ressaltar que o Valor da Área Tributável foi arbitrado sem respeitar os requisitos legais para utilização desse expediente extraordinário; • A fiscalização se limitou a intimar o impugnante a comprovar elementos da área do imóvel, e, no silêncio desse, concluiu pela não existência de áreas como de preservação permanente e de utilização limitada, quando deveria ter buscado a verdade material; pairando dúvidas sobre a real materialidade da exação, deveria ter adotado outras medidas tendentes a comprovação dos fatos e não somente arbitrar a base de cálculo do imposto; • Assim, o Auto de Infração está eivado de nulidade insanável, na medida em que procedeu ao lançamento por arbitramento em total desrespeito aos critérios previstos no Código Tributário Nacional em seu artigo 148. A DRJ Campo Grande julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 07/07/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 115, a contribuinte apresentou, em 06/08/2009, recurso voluntário, fls. 117/132, onde reforça e reitera os mesmos argumentos da impugnação, destacandose o a seguir resumido: Ausência de materialidade – A recorrente não detém a posse e o domínio pleno do imóvel. A propriedade da Fazenda Ingazeiro, outrora objeto de Dação em Pagamento em favor da Recorrente, não está localizada no mesmo local consignado no correspondente registro imobiliário, conforme se infere dos seguintes documentos: Nota de Devolução de Exigências, Laudo e Parecer Jurídico. Na oportunidade da dação em pagamento, o imóvel não poderia ser objeto de qualquer negócio jurídico com quem quer que fosse. Do arbitramento da base de cálculo – Valor da área tributável – No Auto de Infração arbitrouse o VTN, sem respeitar os requisitos legais para utilização desse expediente extraordinário, pois apontou uma base de cálculo que não corresponde à realidade da suposta propriedade rural. Com efeito, observese que o total da área tributável eleita pela autoridade fiscal, em momento algum foi objeto de qualquer medida desta, tendente a busca da realidade fática que cerca a presente questão, pois limitouse a intimar a recorrente a comprovar os elementos Fl. 177DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10835.720131/200722 Acórdão n.º 210201.754 S2C1T2 Fl. 4 4 balizadores da área do imóvel rural, sendo que no silêncio desta, derrogou por absurdamente concluir que toda a área era tributável, ignorando a existência ou não dos elementos para aferição da metragem da área tributável, tais como: área de preservação permanente e área de utilização limitada, etc. É o Relatório. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10835.720131/200722 Acórdão n.º 210201.754 S2C1T2 Fl. 5 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No recurso, a recorrente traz uma preliminar de ilegitimidade passiva, argüindo que nunca foi investida na propriedade ou na posse do imóvel, pois a Escritura de Confissão e Composição de Dívida e Dação em Pagamento para Liquidação Parcial da Dívida e Outras Avenças, fls. 46/48, não foi averbada na matrícula do imóvel. Afirma, ainda, que a Fazenda Ingazeiro não está localizada no local consignado no correspondente registro imobiliário, conforme se infere da Nota de Devolução com Exigências, fls. 87/88, do Laudo de Vistoria, fls. 51/54, e do Parecer Jurídico, fls. 89/91. Dos documentos acima mencionados, verificase que a recorrente recebeu o imóvel, conforme Escritura de Confissão e Composição de Dívida e Dação em Pagamento para Liquidação Parcial da Dívida e Outras Avenças, fls. 46/48, celebrada em 15/05/2000. Ocorre que tal escritura não foi averbada na matrícula do imóvel. Dentre os documentos trazidos pela defesa consta Nota de Devolução com Exigências, fls. 87/88, datada de 30/05/2000, onde estão relacionadas as exigências (apresentação de vários documentos) necessárias para que o Oficial de Registro de Imóveis providenciasse a competente averbação. Insta frisar que, em nenhum momento, o Cartório afirmou que a averbação da Escritura de Dação em Pagamento não fosse possível em razão da inexistência do imóvel ou porque o imóvel não estivesse registrado em nome das pessoas que constaram com outorgantes dadores na referida Escritura de Dação em Pagamento. Para corroborar a tese de ilegitimidade passiva, a defesa trouxe um Laudo de Vistoria, fls. 51/54, emitido em 24/08/2001 por LVN Engenharia e Avaliações S/C Ltda, do qual se transcrevem alguns trechos, para melhor ilustrar a questão: Em reunião com o Gerente de Regularização e Cadastro do ITESP Sr. Luiz Antonio Zocal Garcia ( Tel. 0**11 2320933 ramal 1611), fomos informados que toda essa região em estudo pertence ao 4º perímetro de Presidente Venceslau SP, perímetro este composto em sua maioria por terras consideradas devolutas, isto é, terras que tiveram seu domínio de volta para o Estado, e que por tal fato as glebas em questão a longo tempo não mais existiam, o que veio a confirmar nossa suspeita. O Sr. Luiz Antônio Zocal Garcia nos informou ainda que as glebas constantes na escritura já não existem mais fisicamente e atualmente sobre as mesmas estão implantadas inúmeras pequenas propriedades e que na região a estrutura fundiária predominante é de pequenas propriedades rurais ( inferiores a 500,00 hectares). Fl. 179DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10835.720131/200722 Acórdão n.º 210201.754 S2C1T2 Fl. 6 6 No mesmo sentido, juntouse aos autos Parecer Jurídico, fls. 89/91, da lavra de Rufino Campos Advogados Associados, emitido 06/03/2002. Para melhor elucidar a questão, transcrevese a seguir trechos do referido documento: UNIBANCO PESQUISA FAZENDA INGAZEIRO. 1 Analisandose a escritura de confissão, composição de dívida e dação em pagamento notamos que os outorgantes doadores, devem ter em média mais de 100 anos, o que é impossível. portanto, quando a escritura foi outorgada muitos já estavam mortos. Chegamos a tal conclusão porque o imóvel tem origem na transcrição n° 1714 a qual foi lavrada em 12 de março de 1.931, sendo que o titulo que a deu origem provem de uma ação que foi homologada em 17 de janeiro de 1.921. Portanto se os outorgantes doadores, tinham 20 anos de idade quando foi homologada a divisão, quando outorgaram a escritura tinham pelo menos 100 anos. Sugerimos que sejam verificadas suas assinaturas no livro onde a escritura foi lavrada, mesmo porque pessoas nessa idade têm a caligrafia tremula. 2 Outrossim, foi declarado na escritura que eles residem no Sitio Santo Antônio em Santo Anastácio. Fomos na praça pública e na Igreja Católica, locais onde sempre se encontra pessoas de idade onde entrevistamos cerca de 12 pessoas e nenhuma delas diz conhecer qualquer dos outorgantes doadores, de forma que eles não residem em Santo Anastácio. 3 Consta da escritura que "os outorgantes devedores são neste ato representados por seu bastante procurador....", cuja procuração foi lavrada no cartório do distrito de Jaracatiá em GoioerePR, sendo estranho pois a firma devedora tem sede em São Paulo, não havendo razão para ir tão longe outorgar uma procuração. Existem muitas procurações falsificadas "frias", dessa região. (...) 10 Nessa andança nos chegou informações que se tratam de terras devolutas, estando toda ocupada por terceiros, com títulos definitivos fornecidos pelo Estado. O Engenheiro da Prefeitura de Ribeirão dos Índios nos informou que na região não existe qualquer fazenda de área grande que possa ser a Fazenda Ingazeiro. (...) Na Procuradoria Regional do Estado, dizem que a região era toda de terras devolutas, entretanto precisam fazer levantamentos em todas ações existentes e que já existiram na comarca para localizar. Requeremos certidão, sendo que até o presente não ficou pronta. Em data de hoje. 06/marco/2002, estivemos na Procuradoria do Estado, nos deram informações que o pedido de certidão estava no Departamento de Engenharia para localização e demoraria mais 10/15 dias! Fl. 180DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10835.720131/200722 Acórdão n.º 210201.754 S2C1T2 Fl. 7 7 Eram essas informações que tínhamos até o presente, ratificando as informações anteriores. Em que pese as informações contidas no Laudo de Vistoria e no Parecer Jurídico, certo é que ambos os documentos não são conclusivos e definitivos sobre a existência ou não da propriedade em questão, sendo certo que a recorrente não demonstrou nos autos ter tomado nenhuma providência no sentido de desfazer o negócio efetivado mediante a Escritura de Confissão e Composição de Dívida e Dação em Pagamento para Liquidação Parcial da Dívida e Outras Avenças, fls. 46/48, celebrada em 15/05/2000. Observese que, segundo referida Escritura de Dação em Pagamento, a contribuinte recebeu a Fazenda Ingazeiro – quinhões 5, 7, 8 e 10, para quitação de dívida no valor de R$ 8.000.000,00. Por outro lado, a Certidão, fls. 43/44, certifica que o imóvel em questão está registrado no Cartório do Registro de Imóveis da Comarca de Santo Anastácio do Estado de São Paulo, no Livro de Transcrição das Transmissões, sob o número de ordem 1714, de 12/03/1931, sendo certo que os proprietários identificados na transcrição 1714, celebraram com a recorrente a Escritura de Confissão e Composição de Dívida e Dação em Pagamento para Liquidação Parcial da Dívida e Outras Avenças, fls. 46/48. Tais documentos conferem à recorrente a propriedade do imóvel, não havendo que se falar em erro na identificação do sujeito passivo, tampouco na inexistência do imóvel, conforme argúi a defesa. Vale lembrar que a recorrente apresentou a DITR, na qualidade de proprietária do imóvel. Importa, ainda, dizer que também houve autuação de ITR no que se refere ao exercício 2001 e o recurso apresentado pela recorrente, naquele caso, foi apreciado pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento (relatora Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga), conforme acórdãos nºs 2202 00619 e 220200.618, de 26/07/2010 e 220200.631, de 27/07/2010, que decidiu pela procedência em parte do recurso, para reduzir o percentual da multa de ofício de 112,5% para 75%. Os referidos acórdãos estão assim ementados: SUJEIÇÃO PASSIVA. ÔNUS DA PROVA. Havendo o contribuinte apresentado a DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural, cabe a ele o ônus da prova de que não detinha a posse plena do referido imóvel para poder ser excluído do pólo passivo da obrigação tributária. Nestes termos, considerando que o fato gerador do ITR “é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano”, conforme disposto no art. 1º da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, correto o lançamento, no que diz respeito à sujeição passiva. No mérito, a recorrente insurgese contra o arbitramento do VTN, argüindo que houve no lançamento desrespeito aos requisitos legais para utilização desse expediente extraordinário, pois apontouse uma base de cálculo que não corresponde à realidade da suposta propriedade rural. Afirma, ainda, que o total da área tributável eleita pela autoridade fiscal, em momento algum foi objeto de qualquer medida desta, tendente a busca da realidade fática que cerca a presente questão, pois limitouse a intimar a recorrente a comprovar os elementos balizadores da área do imóvel rural, sendo que no silêncio desta, derrogou por absurdamente concluir que toda a área era tributável, ignorando a existência ou não dos elementos para aferição da metragem da área tributável, tais como: área de preservação permanente e área de utilização limitada, etc. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10835.720131/200722 Acórdão n.º 210201.754 S2C1T2 Fl. 8 8 De pronto, devese afirmar que as áreas de preservação permanente e de utilização limitada foram glosadas em razão da ausência de Ato Declaratório Ambiental (ADA). No que diz respeito à obrigatoriedade de apresentação do ADA para fins de redução do imposto a pagar, temse que, a partir da vigência da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que deu nova redação à Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, tal exigência passou a ter expressa disposição legal. “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)” (grifei) Do artigo acima transcrito, resta claro que, a partir do exercício 2001, a obtenção do ADA é condição necessária e obrigatória para que o contribuinte usufrua a redução do valor a pagar do ITR quanto às áreas de preservação permanente e de utilização limitada. No presente caso, o ITR exigido no lançamento se refere ao exercício 2003 e a nãoapresentação do ADA implica em descumprimento dos requisitos necessários para a concessão da isenção. Logo, correta a glosa das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Vale destacar que a área de utilização limitada (reserva legal) não está averbada. Já que no que se refere ao arbitramento do VTN temse que a autoridade fiscal agiu em conformidade com o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, utilizando para tal valor extraído do Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Portaria SRF nº 447/2002, extrato fls. 17. Por seu turno, temse que a recorrente, intimada a comprovar o VTN declarado, nada apresentou, seja durante o procedimento fiscal, seja nas fases de impugnação e recursal. Assim, na ausência de elementos que comprove o VTN informado pela recorrente, devese manter o arbitramento promovido pela autoridade fiscal, eis que efetivado nos termos do art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10835.720131/200722 Acórdão n.º 210201.754 S2C1T2 Fl. 9 9 Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 183DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10830.002105/99-33
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1995
VALORES RECEBIDOS A TITULO DE GRATIFICAÇÃO LIBERAL SEM PRÉVIO AJUSTE MERA LIBERALIDADE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO.
Os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados, a título de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário ou Incentivado PDV/PDI, são tratados como verbas rescisórias especiais de caráter indenizatório não se sujeitando à incidência do imposto de renda na fonte e nem na Declaração de Ajuste Anual. Entretanto, este conceito de não incidência do imposto de renda se torna inaplicável quando se tratar de valores recebidos a título de gratificação liberal sem prévio ajuste e sem
qualquer compromisso por parte do empregador, por constituir ato de mera liberalidade da pessoa jurídica.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.876
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados, a título de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário ou Incentivado PDV/PDI, são tratados como verbas rescisórias especiais de caráter indenizatório não se sujeitando à incidência do imposto de renda na fonte e nem na Declaração de Ajuste Anual. Entretanto, este conceito de não incidência do imposto de renda se torna inaplicável quando se tratar de valores recebidos a título de gratificação liberal sem prévio ajuste e sem qualquer compromisso por parte do empregador, por constituir ato de mera liberalidade da pessoa jurídica. Recurso especial negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 02/12/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em razão de sua pertinência, peço vênia para adotar e transcrever parte do relatório da decisão recorrida – fls. 193/196 (verbis): O contribuinte, às fls. 01, requer a restituição do IRPF, referente ao exercício de 1994, anobase 1993, em face da retenção indevida sobre o valor recebido a título de indenização, gerado por ocasião de adesão ao Plano de Demissão Voluntário — PDV, instituído pela 3 M do Brasil Ltda, Traz aos autos, à fl. 03, cópia do termo de rescisão do contrato de trabalho. A DRF em Campinas — SP, às fls. 13/14, indefere o pedido sob o manto do art. 165, Inc. I e art. 168, Inc. I. Inconformado, apresenta o contribuinte impugnação de fls. 17/31, reiterando o pedido da inicial. A DRJ em Campinas — SP, às fls. 33/38, indefere a solicitação produzindo a seguinte ementa: " PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA DECADÊNCIA — Extinguese em cinco anos, contados da data do recolhimento, o prazo para pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte em razão de PDV" Cientificado em 26/10/2000, interpõe o contribuinte recurso de fls. 41/63, onde ratifica as suas manifestações anteriores. A Quarta Câmara, deste Conselho, às fls. 67/73, deu provimento ao recurso para afastar a decadência, anular as decisões proferidas pelas autoridades administrativas e julgadora de Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002105/9933 Acórdão n.º 920201.876 CSRFT2 Fl. 2 3 primeira instância e determinar à autoridade administrativa o enfrentamento do mérito. A Fazenda Nacional, através de sua Procuradoria, às fls. 75/86, ingressa com Recurso Especial, requerendo o provimento do recurso, anulando assim a decisão proferida pela Quarta Câmara deste Conselho. A Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em Despacho da Presidência sob n° 1040.344/01, fls. 104/106, nega o seguimento do recurso especial, por não ter observado o disposto no § 3 0, do art. 32, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. Não se conformando, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpõe recurso de Agravo, às fls. 108/111, por discordar do fato da Fazenda Nacional não poder recorrer. Em Despacho CSRF 039/2002, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 112/114, rejeita o reexame requerido pelo Procurador da Fazenda Nacional, com base no § 3°, art. 32, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. Em 13/11/2002, o contribuinte 'requer à DRF em Campinas, (fl. 121), a juntada da cópia do atestado emitido pela antiga empregadora, onde encontrase demonstrado a sua adesão ao PDV, bem como, cópia do Termo de Rescisão. A DRF em Campinas, (fls. 146/147), indefere o pedido de restituição, haja vista, o desligam o do interessado não s3e enquadrar na forma de desligamento estabelecido pela IN SRF n° 168/98 e não há embasamento legal para se considerar os rendimentos em causa como isentos e não tributáveis, uma vez que estão explicitamente definidos em lei como rendimentos tributáveis. Inconformado, o contribuinte apresenta impugnação de fls. 152/164, onde em suma alega que: em preliminar requer a nulidade do último despacho decisório por ser totalmente contrário ao pedido formulado; entende que superada a questão da decadência, foi firmado pela autoridade administrativa que tratase de valor recebido a titulo de PDV, portanto, isenta de recolhimento do imposto devido; esse entendimento, foi firmado pelo Conselho de Contribuintes, não cabendo às instâncias administrativas inferiores modificar a decisão proferida por aquele órgão julgador; no mérito, verificase que o indeferimento foi motivado por dois aspectos: a realização de um plano informal de demissão incentivada e o pagamento de uma gratificação por mera liberalidade da empresa; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 não vê a necessidade de se formar um programa formal de demissão voluntário, pois cabe à empresa pagadora decidir a forma que adotará para implementar o plano, pois não consta uma forma rigorosa para instituição de tais planos; entende ainda que a liberalidade no pagamento de indenização é decisão que somente cabe à mpresa, frente a sua conveniência e oportunidade; não há que se negar o caráter indenizatório que houve ao receber a verba paga a titulo de gratificação, pois foi com o objetivo de suprir as perdas com a sua demissão do emprego; A 7° Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP, às fls. 167/172, acordam os julgadores em rejeitar a preliminar de nulidade e indeferir a solicitação, gerando as seguinte ementa: "PRELIMINAR DE NULIDADE Não é nulo o despacho decisório que aprecie razões de mérito, referente a matéria definitivamente julgada no âmbito administrativo apenas quanto ao prazo decadencial. RESTITUIÇÃO — PDV — COMPROVAÇÃO É indispensável, nos pedidos de restituição, a apresentação de cópia do Plano de Demissão Voluntária adotado pelo empregador e do Termo de Adesão assinado pelo empregado". Cientificado em 02/09/2004, apresenta o contribuinte em 30/09/2004, recurso de fls. 174/188, onde em suma, apresenta os mesmos argumentados declinados por ocasião da impugnação Em 08 de julho de 2005, a então Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes negou provimento ao recurso interposto [fls. 192199]: IRPF — PAGAMENTO FEITO A MAIOR POR LIBERALIDADE Pagamento feito a maior pelo empregador por ocasião da rescisão do contrato de trabalho de forma espontânea, deve ser entendido como liberalidade, não podendo ser confundido com o chamado Programa de Demissão Voluntária — PDV, estando portanto sujeito a tributação. Recurso negado. Inconformado com a decisão colegiada – Acórdão n. 10420870 , o Contribuinte interpôs Recurso Especial, tempestivo, com amparo no inciso II do art. 7º, da Portaria MF n. 147, de 25/07/2007, tendo apresentado os seguintes paradigmas como fundamento para conhecimento e provimento do recurso: Acórdão 10614812 PRELIMINAR — NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Não há que se cogitar em nulidade da decisão proferida pela DRF ou do acórdão proferido pela DRJ quando, em atenção a julgamento proferido pelo Conselho de Contribuintes que afastou a decadência do direito pleiteado, é apreciado o mérito do pedido de restituição. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002105/9933 Acórdão n.º 920201.876 CSRFT2 Fl. 3 5 IRPF — PROGRAMA DE DEMISSÃO INCENTIVADA — VERBA INDENIZATÓRIA — NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. Tem nítido caráter indenizatório o valor recebido a título de "Gratificação Não Ajustada" em razão de adesão a Programa de Demissão Incentivada, pois visa apenas recompor o patrimônio do contribuinte pelo rompimento imotivado do seu vínculo empregatício. Não se está diante de fato gerador do imposto de renda, tal qual previsto no artigo 43, incisos I e II, do CTN e a pretensão de tributá lo ofende o princípio da capacidade contributiva, expresso no artigo 145, § 1°, da Constituição Federal. Recurso provido. Acórdão 10615920 IRPF — VERBA INDENIZATÓRIA — NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. Tem nítido caráter indenizatório e não representa acréscimo patrimonial o valor recebido a titulo de "Gratificação Especial", cuja finalidade é apenas a de recompor o património do contribuinte pelo rompimento imotivado do seu vínculo empregatício. Não se está diante de fato gerador do imposto de renda, tal qual previsto no artigo 43, incisos I e II, do CTN e a pretensão de tributálo ofende o princípio da capacidade contributiva, expresso no artigo 145, § 1°, da Constituição Federal. Recurso provido. Em exame de admissibilidade, o i. Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção proferiu despacho que deu seguimento ao recurso interposto [fls. 229230]: [...]Do simples confornto do voto condutor do acordão recorrido com as ementas dos acórdãos paradigmas é possível se concluir que houve dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal, que no caso em questão é sobre a isenção da verba recebida a título de gratificação não ajustada. Assim, o mero cotejo do voto condutor do aresto recorrido com as ementas dos acórdãos paradigmas já caracteriza a divergência, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados quanto a isenção da verba recebida a titulo de gratificação não ajustad. Ou seja, o acórdão recorrido entende que a verba é passível de tributação, enquanto que o paradigma (Acórdão n. 10614812) entende que esta verba tem nítido caráter indenizatório, resta comprovado o dissídio jurisprudencial. Intimada para oferecer contrarrazões, a i. PGFN argumenta que [fls. 233 240]: (i) o recurso não deve ser conhecido, pois há ausência de identidade fática; (ii) caso seja conhecido, que lhe seja negado provimento. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado, conforme muito bem analisado pelo despacho de admissibilidade: [fls. 229230]: [...]Do simples confornto do voto condutor do acordão recorrido com as ementas dos acórdãos paradigmas é possível se concluir que houve dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal, que no caso em questão é sobre a isenção da verba recebida a título de gratificação não ajustada. Assim, o mero cotejo do voto condutor do aresto recorrido com as ementas dos acórdãos paradigmas já caracteriza a divergência, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados quanto a isenção da verba recebida a titulo de gratificação não ajustad. Ou seja, o acórdão recorrido entende que a verba é passível de tributação, enquanto que o paradigma (Acórdão n. 10614812) entende que esta verba tem nítido caráter indenizatório, resta comprovado o dissídio jurisprudencial. Assim, conheço do recurso e passo ao exame do mérito. Partindo do conceito legal de tributo, de que trata o artigo 3º do CTN, como sendo “toda a prestação de natureza pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”, temse que editada norma pela Administração exigindo tributo cabe ao particular, independentemente de sua vontade ou concordância, satisfazer a exigência tributária. Mesmo nas hipóteses em que a norma que exige o tributo esteja em desconformidade com o texto constitucional, cabe ao sujeito passivo a obrigação de satisfazer o pagamento, pois os atos editados pelo Poder Público, até decisão em contrário, gozam de presunção de legalidade. Nesta linha, mesmo diante das hipóteses de exigência indevida de tributo, cabe ao sujeito passivo efetuar o pagamento até que se verifique uma das seguintes hipóteses: a) Decisão do Supremo Tribunal Federal, em controle concentrado de constitucionalidade, declarando a inconstitucionalidade da norma que instituiu o tributo; b) Resolução do Senado Federal editada nos termos do artigo 52, X, da CF, suspendendo a execução, no todo ou em parte, da norma declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal e; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002105/9933 Acórdão n.º 920201.876 CSRFT2 Fl. 4 7 c) A Administração Pública, através de ato competente, reconhece que o tributo cobrado é indevido. No caso do PDV, a SRF editou a Instrução Normativa 165/98, datada de 31 de dezembro de 1998, e publicada no D.O.U. em 06/01/1999, reconhecendo a não incidência de imposto de renda sobre as parcelas pagas por adesão a Programa de Demissão Voluntária. Publicada a instrução normativa, nasceu em favor do contribuinte o direito subjetivo de se dirigir à Administração para requerer a restituição do valor pago indevidamente. Neste sentido destaco o seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais: IRRF – RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO (RETIDO) INDEVIDAMENTE – PRAZO – DECADÊNCIA – INOCORRÊNCIA – PARECER COSIT Nº 4/99 – O imposto de renda retido na fonte é tributo sujeito ao lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, nos termos do caput do artigo 150 do CTN, por delegação da legislação fiscal, promove aquela atividade da autoridade administrativa de lançamento (art. 142 do CTN). Assim, o contribuinte, por delegação legal, irá verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, identificar o sujeito passivo, calcular o tributo devido e, sendo o caso, aplicar a penalidade cabível. Além do lançamento, para consumação daquela hipótese prevista no artigo 150 do CTN, é necessário o recolhimento do débito pelo contribuinte sem prévio exame das autoridades administrativas. Havendo o lançamento e pagamento antecipado pelo contribuinte, ato homologatório este que consuma a extinção do crédito tributário (art. 156, VII, do CTN). Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito se extingue com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN), a chamada homologação tácita. Ademais, o Parecer COSIT n° 4/99 concede o prazo de 5 anos para restituição do tributo pago indevidamente contado a partir do ato administrativo que reconhece, no âmbito administrativo fiscal, o indébito tributário, in casu, a Instrução Normativa n° 165 de 31.12.98. O contribuinte, portanto, segundo o Parecer, poderá requerer a restituição do indébito do imposto de renda incidente sobre verbas percebidas por adesão à PDV até dezembro de 2003, razão pela qual não há que se falar em decurso do prazo no requerimento do Recorrente feito em 2000. A Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu, em questão semelhante, que ‘em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente iniciase: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece a inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributário.’ (Acórdão CSRF/0103.239). Ao efetuar retenções na fonte e incluir as parcelas do PDV na base de cálculo anual do tributo, tanto a fonte pagadora quanto o sujeito passivo agiram sob a presunção de ser legítima a exação. Mais, seguiram orientações expressas da administração tributária, sob pena Fl. 7DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 de serem autuados. Entretanto, reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça e, posteriormente, por ato da administração pública, que as parcelas recebidas como incentivo ao desligamento voluntário estão fora do campo de incidência do imposto de renda, surge para o contribuinte o direito ao não recolhimento do tributo, como também a repetição aos valores recolhidos indevidamente. No meu sentir, desta forma, se homenageiam princípios basilares do direito como o da moralidade, isonomia, boa fé, lealdade, vedação do enriquecimento sem causa e o da segurança jurídica. Do contrário, estarseia disseminando a desconfiança na lei e na Administração Tributária que orientou o contribuinte e a fonte pagadora ao cumprimento de exigência tributária desprovida de fundamento legal para tanto. Por outro lado, o lançamento é ato administrativo vinculado à lei. Nesta, encontramse todos os elementos que compõem a obrigação tributária. O controle da legalidade, a ser efetuado pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário, é imperativo de ordem pública. Constatada a ilegalidade da cobrança do tributo, a Administração tem o poder/dever de anular o lançamento e restituir o pagamento indevido. Noutro ponto, o Programa de Demissão Voluntária – PDV ou Programa de Demissão Incentivada – PDI caracterizase pelos seguintes requisitos: a) extensão do Programa a todos os quadros da empresa; b) decisão pessoal do empregado em aderir ou não ao Programa; c) existência da concessão de um benefício em face da adesão feita pelo empregado e d) prazo inicial e final para a adesão a ser feita pelos trabalhadores interessados. Enquanto na demissão normal a decisão de desligar o funcionário parte da empresa, nos programas de demissão voluntária ou incentivada a empresa oferece benefício a quem for desligado durante o prazo previamente fixado, observadas as condições estabelecidas para tal. Segundo consta dos autos, O contribuinte, às fls. 01, requer a restituição do IRPF, referente ao exercício de 1994, anobase 1993, em face da retenção indevida sobre o valor recebido a título de indenização, gerado por ocasião de adesão ao Plano de Demissão Voluntário — PDV, instituído pela 3 M do Brasil Ltda […] A DRF em Campinas, (fls. 146/147), indefere o pedido de restituição, haja vista, o desligam o do interessado não s3e enquadrar na forma de desligamento estabelecido pela IN SRF n° 168/98 e não há embasamento legal para se considerar os rendimentos em causa como isentos e não tributáveis, uma vez que estão explicitamente definidos em lei como rendimentos tributáveis. No decisum recorrido a Câmara formou convencimento de que [fls. 197/199]: […]No aspecto jurídico de planos ou programas de demissão voluntária, tem sido justificada pela necessidade de redução de número de empregados, face ao imperioso ajuste pelos quais as empresas e as pessoas de direito público vem passando em conseqüência de uma realidade econômica mais severa e competitiva. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002105/9933 Acórdão n.º 920201.876 CSRFT2 Fl. 5 9 Se de um lado as empresas privadas têm de adequar aos novos tempos de concorrência acirrada, de outro as entidades da Administração Pública tem, a todo custo, que adotar medidas com vista à redução do déficit do setor público. Como decorrência expandiuse a utilização de programas de demissão voluntária e aposentadoria incentivada, mediante pagamento de indenizações. No aspecto tributário, há que entenderse que indenização não é acréscimo patrimonial, porque apenas recompõe o patrimônio daquele que sofreu uma perda por motivo alheio à sua vontade. Daí resulta que, as indenizações estão fora da esfera de incidência do imposto, já que não acrescem o patrimônio. Este Colegiado inclusive vem decidindo em favor de contribuintes, admitindo, portanto, a isenção do imposto de renda sobre valores recebidos a título de indenização decorrentes de demissões ou aposentadorias incentivadas. No caso dos autos, contudo, a situação quer nos parecer seja outra. Isto porque, segundo consta dos autos, o recorrente foi dispensado sem justa causa tendo se afastando do trabalho em 30.12.93, tendo recebido seus direitos trabalhistas, sendo certo que no Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho não faz qualquer alusão a iDrograma de Demissão Voluntária ou Aposentadoria Incentivada, muito embora o recorren e o afirme. Este relator constatou através de exame do Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho que, o valor ali constante e que o recorrente diz ser indenização pelo PDV, em verdade ali consta como "gratificação não ajustada". Já às fls. 128 dos autos foi carreada informação prestada pela empresa 3 M do Brasil Ltda., dando conta de que o seu funcionário foi demitido sem justa causa, através de um plano de demissão incentivada — informal, que consistia no pagamento de uma gratificação com retenção de imposto de renda. Assim é que, com base nesses fatos, este relator está convicto que os rendimentos recebidos pelo recorrente não se enquadram no Programa de Demissão Voluntária — PDV, mesmo porque tal programa não existia. Se houvesse pagamento a maior a titulo de "gratificação não ajustada", este foi por mera liberalidade, estando, portanto, sujeito a tributação como se salário fosse. A jurisprudência citada em nada socorre o recorrente, tendo em vista que versa ela sobre fatos distintos. Para corroborar tal entendimento, colaciono às razões de decidir excerto do Acórdão 10420.095: Fl. 9DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 Ementa: VALORES RECEBIDOS A TITULO DE GRATIFICAÇÃO LIBERAL SEM PRÉVIO AJUSTE MERA LIBERALIDADE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO Os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados, a titulo de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário ou Incentivado PDV/PDI, sito tratados como verbas rescisórias especiais de caráter indenizatório não se sujeitando à incidência do imposto de renda na fonte e nem na Declaração de Ajuste Anual. Entretanto, este conceito de não incidência do imposto de renda se torna inaplicável quando se tratar de valores recebidos a titulo de gratificação liberal sem prévio ajuste e sem qualquer compromisso por parte do empregador, por constituir ato de mera liberalidade da pessoa jurídica. VOTO Conselheiro NELSON MALLMANN, Relator (.) CC01/CO2 Fls. 7 É sabido que a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional firmou entendimento, através do Parecer PGFN/CRJ/1V° 1278/98, que pode ser dispensada a • interposição de recursos e a desistência dos já interpostos nas ações que cuidam, no mérito, exclusivamente, da não incidência do Imposto de Renda na Fonte sobre as verbas indenizatórias referentes ao Programa de Demissão Voluntária, desde que inexista qualquer outro fundamento relevante, ponto um ponto final na discussão deste assunto. Desta forma, após a análise dos autos, entendo que não cabe razão ao requerente já que os valores pagos como gratificação pela pessoa jurídica foram a titulo de mera liberalidade e não a título de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário — PDV, estes sim, considerados, em reiteradas decisões do Poder Judiciário, como verbas de natureza indenizatória, e assim reconhecidos por meio do Parecer PGFN/CRJ/N." 1278/98, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda em 17 de setembro de 1998, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte nem na Declaração de Ajuste Anual. Como também não tenho dúvidas, que os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados, a título de incentivo à adesão a Programas de Demissão Voluntária — PDV, Programas de Demissão Incentivada — PDI ou Programas de Incentivo à Aposentadoria PIA, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte nem na Declaração de Ajuste Anual, independente de o mesmo já estar aposentado pela Previdência Oficial, ou possuir o tempo necessário para requerer a aposentadoria pela Previdência Oficial ou Privada, já que os valores decorrentes dos programas que incentivam a aposentadoria têm a mesma natureza daqueles que tratam da demissão voluntária. As verbas objeto dos programas de demissão voluntária têm caráter reparató rio pelo fim da relação contratual imotivada enquadrandose no conceito de Fl. 10DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002105/9933 Acórdão n.º 920201.876 CSRFT2 Fl. 6 11 indenização. Tratase de uma compensação ao funcionário pela perda decorrente do fim da relação contratual. Independentemente do nome dado ao programa, verificadas as características de demissão voluntária incentivada, os valores pagos a título de reparação pela perda do emprego incluemse naqueles que não se encontram no campo de incidência do imposto de renda. Consta nos autos, que o desligamento da requerente não se deu através da adesão a Programa de Incentivo por acordo Rescisório de Contrato de Trabalho. Portanto, não pairam dúvidas que as exigências legais não foram cumpridas, ou seja, o requerente neto atende as normas legais vigentes para a não incidência do imposto de renda sobre as parcelas recebidas a título de incentivo adicional como gratificações pagas por liberalidade da empresa. Ora, é de se observar que os planos de demissão voluntária/demissão incentivada, seja qual for sua denominação, centralizamse em três pontos basilares, quais sejam: (I) o incentivo pecuniário, ofertado para a adesão ao plano; (2) a redução do quadro de pessoal, da ofertante; e (3) a voluntariedade da adesão. Analisandose o documento de fls. 28/35, expedido pela Lubeca, se verifica que o mesmo não atende as características dos planos de demissão voluntária/plano de demissão incentivada, ou seja, não havia um plano formal que estipulasse as cláusulas exigidas, tais como: a indenização pela adesão voluntária ao programa; a redução de quadro de pessoal; a adesão voluntária; a iniciativa da empresa na formulação do plano e a abrangência do programa incluindo todos. Ou seja, o PDV na essência, é um plano de ajuste de pessoal implementado por entidades jurídicas, aberto a todos os empregados, cuja adesão é sempre em caráter voluntário. O que não foi o Projeto AVA. O que se tem no processo é que o interessado recebeu uma indenização adicional a título de gratificação liberal sem prévio ajuste e sem qualquer compromisso por parte do empregador, tratandose, portanto, de mera liberalidade da empresa e não uma indenização por adesão voluntária a algum plano de demissão incentivada." Além disso, esta matéria já foi objeto de apreciação pelo e. STJ, sob o regime do art. 543C do CPC, devendo ser reproduzida por este Conselheiro, conforme dispõe o art. 62A, do Regimento Interno aprovado pela Portaria n. 256, de 22/07/2009: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. DISPENSA SEM JUSTA CAUSA. PAGAMENTO DE GRATIFICAÇÃO A EMPREGADO, POR OCASIÃO DA RESCISÃO DO CONTRATO, POR MERA LIBERALIDADE DO EMPREGADOR. NATUREZA REMUNERATÓRIA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1102575/MG, DJ DE 01/10/2009. JULGADO SOB O REGIME Fl. 11DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 DO ART. 543C DO CPC. ACÓRDÃO QUE AFIRMOU AUSÊNCIA DE PROCESSO DE INCENTIVO À DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. REVISÃO DO ENTENDIMENTO. ÓBICE SÚMULA 07/STJ. 1. O imposto de renda incide em verba de natureza salarial, por isso é cediço na Corte que recai referida exação: (i) sobre o adicional de 1/3 sobre férias gozadas (Precedentes: REsp 763.086/PR, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 03.10.2005; REsp 663.396/CE, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ 14.03.2005); (ii) sobre o adicional noturno (Precedente: REsp 674.392/SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 06.06.2005); (iii) sobre a complementação temporária de proventos (Precedentes: REsp 705.265/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 26.09.2005; REsp 503.906/MT, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 13.09.2005); (iv) sobre o décimoterceiro salário (Precedentes: REsp 645.536/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 07.03.2005; EREsp 476.178/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 28.06.2004); sobre a gratificação de produtividade (Precedente: REsp 735.866/PE, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 01.07.2005); (v) sobre a gratificação por liberalidade da empresa, paga por ocasião da extinção do contrato de trabalho (Precedentes: REsp 742.848/SP, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 27.06.2005; REsp 644.840/SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 01.07.2005); e (vi) sobre horas extras (Precedentes: REsp 626.482/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 23.08.2005; REsp 678.471/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 15.08.2005; REsp 674.392/SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 06.06.2005). 2. A Primeira Seção, quando do julgamento do Resp 1102575/MG, sujeito ao regime dos "recursos repetitivos", reafirmou o entendimento de que: "As verbas concedidas ao empregado por mera liberalidade do empregador quando da rescisão unilateral de seu contrato de trabalho implicam acréscimo patrimonial por não possuírem caráter indenizatório, sujeitandose, assim, à incidência do imposto de renda." Precedentes: EAg Embargos de Divergência em Agravo 586.583/RJ, Rel. Ministro José Delgado, DJ 12.06.2006; EREsp 769.118 / SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Primeira Seção, DJ de 15.10.2007, p. 221; REsp n.º 706.817/RJ, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 28/11/2005; EAg 586.583/RJ, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Seção, v.u., julgado em 24.5.2006, DJ 12.6.2006 p. 421; EREsp 775.701/SP, Relator Ministro Castro Meira, Relator p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Data do Julgamento 26/4/2006, Data da Publicação/Fonte DJ 1.8.2006 p. 364; EREsp 515.148/RS, Relator Ministro Luiz Fux, Data do Julgamento 8/2/2006, Data da Publicação/Fonte DJ 20.2.2006 p. 190 RET vol. 48 p. 28; AgRg nos EREsp. Nº 860.888 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 26.11.2008, entre outros. " (Rel. Ministro Teori Zavascki, DJ DE 13/05/2009) 3. À luz da novel metodologia Fl. 12DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002105/9933 Acórdão n.º 920201.876 CSRFT2 Fl. 7 13 legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 543C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, do CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 4. O Recurso Especial não é servil ao exame de questões que demandam o revolvimento do contexto fáticoprobatório encartado nos autos, em face do óbice erigido pela Súmulas 7 do STJ. 5. In casu, o acórdão afirmou que: "Nesse passo, resta concluir que a verba examinada como objeto desse "writ" é fruto de um acordo entre as partes, quando do término do vínculo empregatício, pelo que é lícito, a par de lógico, deduzir que o direito à referida verba somente gratifica a dispensa do empregado de sua atividade laboral, não se cuidando de indenização na acepção da palavra, mas de gratificação.",(fl.91) afigurase incontestável que o conhecimento do apelo extremo por meio das razões expostas pelo recorrente importa o reexame fáticoprobatório da questão versada nos autos, insindicável nesta via especial, em face da incidência do verbete sumular n.º 07 deste Superior Tribunal de Justiça: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". 6. Agravo Regimental desprovido. (AgRg no REsp 1112877/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/11/2010, DJe 03/12/2010) Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial do Contribuinte. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 13DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10875.001492/2003-76
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1997
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. TERMO INICIAL. INTERPRETAÇÃO CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC. IMPOSSIBILIDADE.
A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício.
O disposto no art. 62-A do RICARF não implica o dever do julgador
administrativo em reproduzir a decisão proferida em sede de recurso repetitivo, sem antes analisar a situação fática que ensejou a decisão do precedente judicial. A finalidade da disposição regimental é impedir que decisões administrativas sejam contrárias a entendimentos considerados definitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista pelo art.
543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil.
Numero da decisão: 9101-001.112
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAISFiscais, pelo voto de qualidade, em DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à Câmara a quo, para análise das demais razões de mérito, vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior,
Karem Jureidini Dias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann (Relator) que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2420; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10875.001492/200376 Recurso nº 152.086 Especial do Procurador Acórdão nº 910101.112 – 1ª Turma Sessão de 01 de agosto de 2011 Matéria IRPJ DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ADIPLAN INCORPORADORA LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. TERMO INICIAL. INTERPRETAÇÃO CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC. IMPOSSIBILIDADE. A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício. O disposto no art. 62A do RICARF não implica o dever do julgador administrativo em reproduzir a decisão proferida em sede de recurso repetitivo, sem antes analisar a situação fática que ensejou a decisão do precedente judicial. A finalidade da disposição regimental é impedir que decisões administrativas sejam contrárias a entendimentos considerados definitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista pelo art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISSFiscais, pelo voto de qualidade, em DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à Câmara a quo, para análise das demais razões de mérito, vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior, Karem Jureidini Dias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann (Relator) que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias. (documento assinado digitalmemte) Fl. 197DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10875.001492/200376 Acórdão n.º 910101.112 CSRFT1 Fl. 2 2 Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (documento assinado digitalmemte) Susy Gomes Hoffmann Relatora (documento assinado digitalmemte) Claudemir Rodrigues Malaquias – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior e Claudemir Rodrigues Malaquias. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. A fiscalização lavrou auto de infração contra o contribuinte, relativamente ao IRPJ, em decorrência de procedimentos internos de revisão da declaração de rendimentos apresentada pelo contribuinte, em relação ao anocalendário de 1997, constituindose o crédito tributário de R$ 53.645,88. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 57/60 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou o lançamento parcialmente procedente, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997 Ementa: DECADÊNCIA. LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO. No que concerne à realização do lucro inflacionário, o prazo decadencial não pode ser contado a partir do exercício em que se deu o diferimento, mas a partir de cada exercício em que deve ser tributada sua realização. DECADÊNCIA. IRPJ. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento antecipado não há que se falar em homologação, regendose o instituto da decadência pelos ditames que emanam do art. 173 do CTN, contandose o prazo Fl. 198DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10875.001492/200376 Acórdão n.º 910101.112 CSRFT1 Fl. 3 3 de 5 (cinco) anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado. LUCRO INFLACIONÁRIO. Em cada períodobase deve ser realizada parte do lucro inflacionário acumulado, proporcional ao valor dos bens e direitos do ativo, sujeitos à correção monetária, realizados no mesmo período, desde que superior ao percentual mínimo previsto na legislação. Retificase o lançamento para que este incida sobre o saldo acumulado em 31/12/1995, depois de considerado o expurgo das parcelas correspondentes à realização mínima obrigatória, devida em cada período de apuração anterior àquela data. Lançamento Procedente em Parte. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 122/130). A Primeira Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao recurso do contribuinte. Eis a ementa do julgado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA – Sendo o Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, tributo sujeito ao lançamento pela modalidade homologação, o início da contagem do prazo é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Recurso Voluntário Provido.” A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial (fls. 164/171). Sustentou a não ocorrência da decadência na hipótese dos autos, postulando pela aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, diante da falta de pagamento antecipado do tributo, posto que sujeito a lançamento por homologação. Voto Vencido Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que o recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10875.001492/200376 Acórdão n.º 910101.112 CSRFT1 Fl. 4 4 A discussão referese ao artigo de regência do prazo decadencial nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando não se verificou o pagamento antecipado por conta do contribuinte. O entendimento desta relatora sempre foi no sentido de que, nos termos do artigo 150, parágrafo 4o., do CTN o que se homologa é a atividade do contribuinte e não o pagamento, de tal forma que, para o julgamento, não interessava a ocorrência ou não do pagamento. Conforme recente alteração do Regimento Interno do CARF, impõese a este tribunal administrativo a reprodução dos julgados definitivos proferidos pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Diante disso, temse que o STJ já enfrentou o tema objeto do presente recurso especial, julgandoo sob o rito dos recursos repetitivos, no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, Fl. 200DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10875.001492/200376 Acórdão n.º 910101.112 CSRFT1 Fl. 5 5 sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Neste sentido, é de se ter que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial será regido pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, no caso de não ter havido o pagamento antecipado do tributo por parte do contribuinte. Ocorre que há de ser observado que no julgamento citado do Egrégio Superior Tribunal de Justiça restou expresso que o prazo decadencial passa a ser computado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao do fato imponível. Observese que o artigo 173,I dispõe que o prazo deve ser computado a partir do primeiro dia do financeiro seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado. Como efeito prático da adoção do julgamento do STJ em recurso repetitivo, está que para os casos de Imposto sobre a Renda, o entendimento é que o prazo decadencial, começou a fluir já em 1o. de janeiro de 1998, uma vez que o fato gerador do tributo ocorreu dia 31.12.1997. Desta feita o prazo decadencial começou a correr em 1/1/1998 e terminou em 31/12/2002. A intimação pessoal ocorreu em abril de 2003, de tal maneira, que sob a égide deste entendimento, ocorreu a decadência. Diante do exposto, adotando o entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, por força do disposto no artigo 62A do regimento interno, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10875.001492/200376 Acórdão n.º 910101.112 CSRFT1 Fl. 6 6 (documento assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Voto Vencedor Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias, Redator Designado. Em que pesem as razões de decidir da eminente Relatora, peço vênia para dele divergir quanto ao termo inicial na aplicação do disposto no art. 173, inciso I do CTN, em face do entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça ao julgar o recurso repetitivo representativo da controvérsia (Resp nº 973.733/SC, Rel. Min Luiz Fux). A ilustre Relatora sustenta em seu voto que o referido julgado, ao dar interpretação ao termo inicial para contagem do prazo previsto neste dispositivo, firmou entendimento no sentido de que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do FATO IMPONÍVEL, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (...)”. Não obstante as consistentes razões aduzidas em seu voto, entendo de forma diferente, no sentido de que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é, efetivamente, o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” , nos exatos termos da redação do aludido dispositivo. As discussões no âmbito deste Colegiado consolidaram duas posições antagônicas acerca da interpretação e aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, o qual determina a reprodução das decisões definitivas de mérito, proferidas em sede de recurso processado segundo do rito do art. 543C do Código de Processo Civil. Segundo a primeira linha de pensamento, o art. 62A exige a mera reprodução do acórdão firmado em recurso repetitivo pelo STJ. Deste modo, resta afastada a literalidade do art. 173, inciso I do CTN, segundo o qual, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, devendo prevalecer a assertiva constante do acórdão proferido no Resp nº 973.733/SC, Rel. Min Luiz Fux, no sentido de que o termo inicial é o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado correspondente, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível.” O outro entendimento existente no âmbito desta Corte sustenta que a análise do contexto fático do acórdão do STJ e a finalidade do art. 62A devem ser devidamente considerados para fins de aplicação do dispositivo, levandose em conta, ainda, a própria jurisprudência daquela Corte, verificada conforme suas decisões posteriores sobre a mesma matéria. Na forma desta segunda linha, a qual reputo mais acertada, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, ou seja, nos precisos termos da redação do aludido art. 173, inciso I do CTN. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10875.001492/200376 Acórdão n.º 910101.112 CSRFT1 Fl. 7 7 Ao contrário do defendido pelo ilustre Relator, entendo que o disposto no inteiro teor do acórdão do STJ não impede que o CARF continue a aplicar ao instituto da decadência no sentido adotado antes da alteração regimental que introduziu o art. 62A, verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” É perfeitamente aplicável ao caso o sentido teleológico do aludido dispositivo, o que permite seja feita uma análise mais ampla e técnica do precedente judicial, antes de reproduzilo automaticamente na decisão administrativa. Com efeito, a finalidade da norma veiculada pelo art. 62A é evitar que o litígio administrativo prossiga, inutilmente, no âmbito do Poder Judiciário, podendo acarretar prejuízos sucumbenciais à União, uma vez que, as instâncias judiciais inferiores não decidirão de forma divergente, em face do rito previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC). Assim, dada a força persuasiva dos acórdãos firmados sob o regime do art. 543C do CPC, não seria de bom alvitre que o CARF decidisse pela manutenção da exigência, quando fosse certo o desfecho em sentido contrário na ação judicial ajuizada posteriormente. Neste mesmo sentido é que se apresenta a norma contida no referido art. 62 A do RICARF, o qual, acertadamente buscou evitar que os acórdãos proferidos no âmbito desta Corte administrativa divirjam das decisões já consideradas definitivas nos órgãos judiciais, conforme a sistemática dos recursos repetitivos. De fato, o sentido teleológico da aludida norma não traduz a ideia de que o julgador administrativo deve fazer simples cópia da decisão do Tribunal Superior, mormente quando manifestações posteriores da mesma Corte são em sentido diverso, refletindo que o entendimento exarado pelo acórdão proferido em sede do repetitivo não é aplicável indistintamente a todos os casos. Desta forma, para dar concretude à finalidade do disposto no art. 62A, ou seja, buscarse uma decisão conforme a linha adotada pela jurisprudência dos órgãos judiciais, impõese a compreensão mais ampla do teor daquela decisão. Deve ser afastada a simples reprodução (isolada) de seu texto decisório, dissociada de uma análise completa do precedente judicial. Pois bem, nos caso dos autos, a análise detida do inteiro teor do acórdão, associada ao conhecimento das decisões que se seguiram reiteradamente da mesma Corte, revelam que a aludida decisão do STJ não colide com o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Em primeiro lugar, é necessário verificar qual o contexto da argumentação em que o Ministro relator proferiu a afirmação de que “O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. Verificase com clareza que a manifestação neste sentido vem Fl. 203DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10875.001492/200376 Acórdão n.º 910101.112 CSRFT1 Fl. 8 8 em resposta às razões da Recorrente (INSS), conforme destacado no relatório do Ministro Luiz Fux, verbis: “(...) Nas razões do especial, sustenta a autarquia previdenciárias que o acórdão hostilizado incorreu em violação dos artigos 150, § 4º, e 173, I, do CTN, uma vez que: ‘Nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, o prazo para a homologação do lançamento é de 5 (cinco) anos. Assim, como o prazo para a constituição do crédito tributário se inicia no primeiro dia seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o prazo de decadência, nos tributos sujeitos a lançamentos por homologação, inexistente o pagamento, é de 10 (dez) anos, e não 5 (cinco), como equivocadamente concluiu o Tribunal a quo.” (destacouse) A Autarquia sustentava a tese de que o prazo previsto no art. 173, I do CTN, somente teria início após o decurso dos cinco anos para o lançamento por homologação, o que implicaria considerar o prazo de dez anos a contar da data do fato gerador. Precisamente ante a esta alegação da Recorrente (INSS), o acórdão do STJ buscou refutar o entendimento de que o termo inicial da decadência para o lançamento de ofício somente se iniciaria após o lapso do prazo quinquenal para a homologação tácita, tendo assentado o seguinte: “(...) O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, verbis: (...) Assim é que o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (...) Outrossim, impende assinalar que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda qu4e se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed. Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro”, 10ª ed. Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed. Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199. (destacouse) Fl. 204DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10875.001492/200376 Acórdão n.º 910101.112 CSRFT1 Fl. 9 9 O que resta claro das partes transcritas e destacadas do teor da decisão é que, ao mencionar que o dies a quo, segundo o art. 173, I, do CTN, corresponderia ao primeiro dia do exercício seguinte ao fato imponível, quis o STJ afastar a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Código Tributário. Este é o conteúdo assentado no acórdão, que se torna evidente com a leitura completa do parágrafo. Devese ressaltar ainda que nenhum dos autores citados pelo acórdão (Alberto Xavier, Luciano Amaro e Eurico Marcos Diniz de Santi) defende que o termo inicial para a contagem do prazo da decadência, de acordo com o art. 173, I, seja o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Isto torna prejudicada a compreensão do acórdão, no sentido do voto vencido, quando se toma o seu desfecho de forma não contextualizada. Por fim, cumpre acrescentar que as decisões seguintes proferidas pelo Tribunal vem seguindo o entendimento ora defendido, em aparente contradição ao texto do aludido acórdão no recurso repetitivo. A contradição é apenas aparente, pois, consideradas no seu âmago, as decisões não colidem com o disposto no art. 173, I do CTN. De fato, as duas turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, mesmo após o referido julgamento, vêm reiteradamente aplicando de forma correta o art. 173, I, do CTN, merecendo destaque a expressa referência de que este foi o entendimento assentado no aludido Resp nº 973.733/SC. Confirase: “TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. ATRASO NO PAGAMENTO DAS PARCELAS. RESCISÃO ADMINISTRATIVA. 1. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário, nos casos de lançamento de ofício, contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ele poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inciso I). Tal entendimento foi solificado no STJ quando do julgamento do Resp nº 973.733/SC, julgado em 12.08.2009, relatado pelo Min. Luiz Fux e submetido ao rito reservado aos recursos repetitivos (CPC, ART. 543C). 2. Parcelado o débito sob a égide da MP 38/2002, o atraso de mais de duas parcelas implica em imediata rescisão da avença administrativa, nos termos do art. 13, parágrafo único, da Lei nº 10.522/02, vigente à época da ocorrência dos fatos. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Resp 1219461/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 07.04.2011, Dje 14.04.2011) (destacouse) A Primeira Turma da Primeira Seção do STJ, em sessão realizada quando o Min. Luiz Fux, ainda compunha o referido colegiado, manifestou o mesmo entendimento, verbis: “TRIBUTÁRIO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. INOVAÇÃO DE FUNDAMENTOS. INCABIMENTO. DECADÊNCIA. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA Fl. 205DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10875.001492/200376 Acórdão n.º 910101.112 CSRFT1 Fl. 10 10 DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÁQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Em sede de agravo regimental, não se conhece de alegações estranhas às razões do recurso especial, por vedada a inovação de fundamento. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme em que, no caso de imposto lançado por homologação, quando há prova de fraude, dolo ou simulação, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional). 3. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Resp 1050278/RS, Rel. Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, julgado em 22.06.2010, Dje 03.08.2010) (destacouse) Como se verifica das partes destacadas nas decisões acima, ambas as turmas da Primeira Seção do STJ vêm se manifestando no sentido de que, na forma art. 173, I, do CTN, o termo inicial para a contagem do prazo da decadência é sem dúvida o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não se tratando, pois, de alteração no entendimento, mas espécie de “interpretação autêntica” do teor do acórdão do repetitivo, manifestada em sequência, pelos mesmos ministros daquela Corte. Portanto, à luz destas considerações, deve ficar assentado o entendimento de que i) a contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício; ii) o disposto no art. 62A não implica o dever do julgador administrativo em reproduzir a decisão proferida em sede de recurso repetitivo, sem antes analisar a situação fática que ensejou a decisão do precedente judicial; e iii) a finalidade da disposição regimental é impedir que decisões administrativas sejam contrárias a entendimentos considerados definitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista pelo art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Por tais fundamentos e renovando o pedido de máxima vênia à ilustre Relatora, manifestome no sentido de DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional e determinar o retorno dos autos à Câmara a quo, para análise das demais razões de mérito. É como voto. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias, Redator Designado. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10875.001492/200376 Acórdão n.º 910101.112 CSRFT1 Fl. 11 11 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001177/2007-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: : 01/03/1997 a 30/12/1999
AUTO DE INFRAÇÃO DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91.
DECADÊNCIA
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplicase,
a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2301-002.331
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). O Conselheiro Mauro José Silva acompanhou a votação por suas conclusões.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Classificação de Mercadorias Período de apuração: : 01/03/1997 a 30/12/1999 AUTO DE INFRAÇÃO DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91. DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplicase, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário provido.
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DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplicase, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). O Conselheiro Mauro José Silva acompanhou a votação por suas conclusões. Marcelo Oliveira Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.001177/200792 Acórdão n.º 230102.331 S2C3T1 Fl. 90 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 17/05/2007, por ter deixado a empresa acima identificada deixado de exibir documentos ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91, ou apresentálos sem que atendam as formalidades legais exigidas, infringindo, dessa forma, o art. 33, §§ 2º e 3o, da referida Lei, c/c o art. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls 18), a recorrente deixou de apresentar, apesar de solicitados por intermédio de TIAD, vários documentos listados no item 1, e nos Anexos, relativos ao período compreendido entre 03/95 e 12/99. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1217.208, da 15a Turma DRJ/RJOI (fls. 54), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 63 e seguintes), alegando, entre outras coisas, decadência do lançamento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora. O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. A recorrente alega que o auto está extinto, de acordo com o inciso V do artigo 156 do Código Tributário Nacional, pela decadência, de acordo com o § 4° do artigo 150 do citado diploma legal. Verificase que a fiscalização lavrou o AI discutido com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.001177/200792 Acórdão n.º 230102.331 S2C3T1 Fl. 91 5 É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Entretanto, o caso em tela se trata de Auto de Infração, ou seja, de lançamento de ofício, para o qual se a aplica o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O Auto de Infração foi lavrado em 17/05/2007, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu 28/05/2007, conforme AR de fls. 31. Dessa forma, considerando que o auto se refere à infração cometida nas competências compreendidas entre 03/1997 a 12/1999, constatase que se operara a decadência total do direito de constituição do crédito. Nesse sentido, CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER do recurso e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para reconhecer a decadência total do lançamento. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10074.001348/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 27/01/2005, 06/02/2009
ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO ADUANEIRA
QUANTO À CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REJEIÇÃO.
A revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal, visando à correta determinação da matéria tributável e à apuração dos tributos devidos, é instituto previsto em lei e não constitui modificação do critério jurídico utilizado no fato gerador da obrigação tributária relativa à importação de mercadorias.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EMBARCAÇÕES DE APOIO A PLATAFORMAS MARÍTIMAS.
Embarcações de apoio às atividades de produção e perfuração na plataforma continental, que possuem acomodações para o transporte de pessoas e local próprio para o transporte de suprimentos e outras cargas, ou ainda equipamentos próprios para o trabalho de reboque e manuseio de âncoras, devem ser consideradas como embarcações de serviço offshore multifuncional, de maior complexidade operativa, devendo classificar-se no código NCM 8906.90.00.
ADOÇÃO NO JULGAMENTO DE CÓDIGO NCM DIVERSO DO QUE FOI ADOTADO PELO FISCO. DESCABIDA A EXIGÊNCIA DA MULTA DE 1% POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA
A praxe do Carf é a improcedência do lançamento quando for adotado no julgamento código NCM diverso daquele que serviu de base para a ação fiscal.
Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3202-000.407
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por alegada mudança de critério jurídico quanto à classificação tarifária e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 27/01/2005, 06/02/2009 ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO ADUANEIRA QUANTO À CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REJEIÇÃO. A revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal, visando à correta determinação da matéria tributável e à apuração dos tributos devidos, é instituto previsto em lei e não constitui modificação do critério jurídico utilizado no fato gerador da obrigação tributária relativa à importação de mercadorias. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EMBARCAÇÕES DE APOIO A PLATAFORMAS MARÍTIMAS. Embarcações de apoio às atividades de produção e perfuração na plataforma continental, que possuem acomodações para o transporte de pessoas e local próprio para o transporte de suprimentos e outras cargas, ou ainda equipamentos próprios para o trabalho de reboque e manuseio de âncoras, devem ser consideradas como embarcações de serviço offshore multifuncional, de maior complexidade operativa, devendo classificar-se no código NCM 8906.90.00. ADOÇÃO NO JULGAMENTO DE CÓDIGO NCM DIVERSO DO QUE FOI ADOTADO PELO FISCO. DESCABIDA A EXIGÊNCIA DA MULTA DE 1% POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA A praxe do Carf é a improcedência do lançamento quando for adotado no julgamento código NCM diverso daquele que serviu de base para a ação fiscal. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado.
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REJEIÇÃO. A revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal, visando à correta determinação da matéria tributável e à apuração dos tributos devidos, é instituto previsto em lei e não constitui modificação do critério jurídico utilizado no fato gerador da obrigação tributária relativa à importação de mercadorias. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EMBARCAÇÕES DE APOIO A PLATAFORMAS MARÍTIMAS. Embarcações de apoio às atividades de produção e perfuração na plataforma continental, que possuem acomodações para o transporte de pessoas e local próprio para o transporte de suprimentos e outras cargas, ou ainda equipamentos próprios para o trabalho de reboque e manuseio de âncoras, devem ser consideradas como embarcações de serviço offshore multifuncional, de maior complexidade operativa, devendo classificarse no código NCM 8906.90.00. ADOÇÃO NO JULGAMENTO DE CÓDIGO NCM DIVERSO DO QUE FOI ADOTADO PELO FISCO. DESCABIDA A EXIGÊNCIA DA MULTA DE 1% POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA A praxe do Carf é a improcedência do lançamento quando for adotado no julgamento código NCM diverso daquele que serviu de base para a ação fiscal. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 919DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por alegada mudança de critério jurídico quanto à classificação tarifária e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. José Luiz Novo Rossari – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Rodrigo Cardozo Miranda, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Octavio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de recurso voluntário contra a decisão que manteve a multa por classificação incorreta na NCM, prevista no art. 84, I, da Medida Provisória no 2.15835/2001, das embarcações propostas a despacho pelas Declarações de Importação nos 05/03148592, 06/08437705, 05/07412170 e 09/01623479, e de recurso de ofício quanto à decisão que concluiu pela improcedência do lançamento de tributos e consectários legais e de multas por falta de licença de importação, no que se refere à aplicação dos regimes aduaneiros especiais de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural Repetro e de admissão temporária, os quais haviam sido considerados indevidos pelos AFRFB autuantes. Como histórico inicial dos fatos, transcrevo e adoto o relatório constante do referido Acórdão, verbis: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 17.008.807,62, referente a imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, PIS/Pasepimportação, Cofinsimportação, multas de ofício, multa por importações desamparadas de Licença de Importação, multa em razão de mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul e juros de mora. Depreendese do Relatório de Fiscalização, anexo e parte integrante do auto de infração, que: A interessada submeteu ao regime aduaneiro especial de exportação e importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural (Repetro), as embarcações denominadas “Robalo I” e “Seacor Lilen”, amparadas pelas Declarações de Importação nº 05/00910914 e 05/03148592 (“Robalo I”) e 06/08437705 (“Seacor Lilen”), e ao regime aduaneiro especial de admissão temporária as embarcações denominadas “Marlin” e “Astrobarracuda”, amparadas pelas Declarações de Importação nº 05/07412170 (“Marlin”) e 09/01623479 (“Astrobarracuda”). Todas as embarcações foram classificadas, quando do registro das Declarações de Importação, na NCM 8904.00.00 que se refere a “Rebocadores e barcos concebidos para empurrar outras embarcações.” O procedimento fiscal consistiu na verificação da correta classificação fiscal das embarcações frente a suas características. As embarcações “Astrobarracuda”, “Marlin” e “Robalo” são embarcações de suprimento/apoio, que possuem locais preparados para o transporte de pessoas e Fl. 920DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10074.001348/200951 Acórdão n.º 320200.407 S3C2T2 Fl. 530 3 materiais de suprimento, além de desempenhar outras funções de apoio às plataformas de petróleo. A embarcação “Seacor Lilen” é embarcação de reboque e manipulação de âncoras e de apoio à plataforma de petróleo, que também transporta cargas diversas (suprimentos) e pessoas. Comprovam as características das embarcações os laudos técnicos apresentados, os documentos específicos de cada embarcação emitidos pela Marinha do Brasil e pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), além das informações dos próprios fabricantes das embarcações. Registra a fiscalização, a nota explicativa (Nesh) da posição 8901: “A presente posição compreende todas as embarcações para o transporte de pessoas ou de mercadorias, destinadas à navegação marítima ou à navegação interior (em lagos, canais, rios, estuários, por exemplo), exceto as embarcações da posição 89.03 e os barcos salvavidas, que não sejam a remos, os navios de transporte de tropas e os navioshospitais (posição 89.06”. Também reproduz a nota explicativa (Nesh) da posição 8904: “Os barcos da presente posição não são concebidos para o transporte de pessoas ou de mercadorias.” Ao final, concluiuse, com base nos documentos apresentados pela interessada, nas regras de classificação fiscal e Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, que o correto enquadramento fiscal das embarcações é o código NCM 8901.90.00 que trata de “Outras embarcações para o transporte de mercadorias ou para o transporte de pessoas e mercadorias”. Considerando que as mercadorias classificadas no código NCM 8901.90.00 não estão contempladas entre aquelas passíveis de serem submetidas ao Repetro, conforme IN SRF nº 04/2001, foram lançados Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, PISimportação e Cofinsimportação referentes às DI nº 05/00910914 e 05/03148592 que ampararam a embarcação denominada “Robalo I” , bem como referentes à DI nº 06/08437705 que amparou a embarcação denominada “Seacor Lilen”, todos acompanhados de multa de ofício. Em relação à DI nº 05/07412170, que amparou a embarcação denominada “Marlin” para admissão ao regime aduaneiro especial de admissão temporária foi lançado Imposto sobre Produtos Industrializados, PISimportação e Cofins importação, e respectivas multas de ofício, proporcionais à vida útil do bem, conforme estabelecido na IN SRF nº 162/98. Em razão de as mercadorias classificadas na NCM 8901.90.00 encontraremse submetidas a tratamento administrativo, exigindo licenciamento de importação sujeito à apreciação da Secex, de acordo com o Comunicado Decex 37/2007 e Portaria Secex 14/2004, foi lançada multa regulamentada pelo artigo 633, inciso II, alínea “a”, do Decreto nº 4.543/2002 e pelo artigo 706, inciso I, alínea “a” do Decreto nº 6.759/2009, por importação de mercadoria sem licença de importação. Considerando a incorreção na classificação fiscal das mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul, foi lançada a multa prevista no artigo 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Regularmente cientificada pela via pessoal (ciência fls. 04, 17, 26 e 70), a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas 74 a 100, com os documentos de folhas 101 a 199 e 200 a 350 anexados. A impugnante, resumidamente, traz as seguintes alegações: A ação fiscal parte de premissa absolutamente equivocada, qual seja: a de que as embarcações importadas temporariamente pela Impugnante, via regime de Fl. 921DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 4 admissão temporária – com ou sem Repetro – seriam destinadas ao transporte de bens e pessoas. Presta serviços de apoio marítimo e não de transporte de cargas ou pessoas, tanto que emite notas fiscais de serviços e não conhecimentos de transporte aquaviário. Os próprios contratos estabelecidos com as contratantes (Petrobrás e Devon Energy do Brasil) deixam claro o fato de serem prestados serviços de apoio marítimo, mediante afretamento das embarcações. A atividade desenvolvida pela Impugnante não consiste em transporte de bens, cargas ou pessoas para as plataformas. Tratase de uma atividade complexa, que envolve a entrega de uma embarcação mediante prazo determinado, além de apoio e assistência às unidades de perfuração e extração de petróleo, o reboque, desenvolvimento de uma série de fainas, tudo no sentido de auxiliar na manutenção da unidade petrolífera em operação. A documentação das embarcações, perante os órgãos competentes, comprova que nenhuma delas é destinada ao transporte de bens e pessoas, mas sim a atividades de reboque e apoio marítimo. Não houve qualquer questionamento por parte da Secretaria da Receita Federal por ocasião das concessões e prorrogações dos regimes de admissão temporária via Repetro, sendo que em todas as Declarações de Importação constava trataremse de embarcações de apoio marítimo destinadas a atividades de pesquisa e lavra de jazidas de petróleo e de gás natural. Não houve qualquer ressalva quanto à classificação fiscal adotada pela impugnante. As Notas Explicativas da posição 89.01 contemplam as embarcações destinadas à navegação marítima e à navegação interior, não compreendendo embarcações destinadas à navegação de apoio. As características das embarcações ressaltadas no Relatório de Fiscalização anexo ao Auto de Infração, com a existência de camarotes a bordo, visam atender exigências de fiscalização das Empresas contratantes do afretamento e dos serviços de apoio marítimo, bem como da própria Marinha, mas não têm o condão de enquadrálas como embarcações de transporte. Portanto as embarcações não podem ser enquadradas na posição NCM 89.01.90 (sic). As embarcações em apreço também atuam como rebocadores. Ainda que sejam consideradas tecnicamente como embarcações do tipo “Suplly Vessel” ou “AHTS”, historicamente tais embarcações sempre foram classificadas como “rebocadores”, expressão comumente utilizada pela indústria do petróleo e demais órgãos administrativos. Considerando a inexistência de código específico para embarcações de apoio marítimo, bem como a possibilidade de as embarcações em tela efetuarem operações de reboque, resta demonstrado que não houve qualquer equívoco na classificação fiscal adotada pela impugnante. Caso se entenda como incorreta a classificação fiscal adotada pela Impugnante, as embarcações somente poderiam ser classificadas sob o Código NCM 8906.00 (sic). Portanto, mesmo com outra classificação fiscal todos os tributos continuariam suspensos pois previsto na IN SRF nº 04/2001 (Repetro). E o Ato Declaratório Coana nº 02, de 04/02/2002, já declarou a aplicabilidade do Repetro a bens da posição 8901. “Se a classificação fiscal adotada não importou em supressão de tributos ou dano ao Erário, afigurase arbitrária a determinação de aplicação de multas extremamente elevadas e a exigência de tributos, quando os mesmos estariam suspensos independentemente do código de NCM utilizado. Não se está diante de fraude, máfé ou mesmo tentativa de burlar ou causar qualquer embaraço à fiscalização, uma vez que: i) as embarcações não se destinam Fl. 922DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10074.001348/200951 Acórdão n.º 320200.407 S3C2T2 Fl. 531 5 ao transporte de bens e pessoas; ii) as embarcações atuam tanto no apoio marítimo como para fins de reboque; e ii) independentemente da classificação fiscal adotada, cabia à Impugnante direito à suspensão dos tributos incidentes na importação em virtude da concessão do Regime Aduaneiro de Admissão temporária.” (sic) A multa por infração ao controle das importações é inaplicável, pois as embarcações não se enquadram no código NCM 8901.90.00. E ainda que ali se classificassem, não se comprovou que estariam sujeitas a licenciamento não automático, limitandose a transcrever o artigo 9º da Portaria Secex nº 35/2006. Consulta à lista de bens sujeitos a licenciamento não automático constata que as embarcações classificadas na NCM 8901.90.00 não estão enquadradas na exigência. Por outro lado, o inciso II do parágrafo único do artigo 7º da Portaria Secex nº 35, de 24/11/2006, prevê, expressamente, que os bens destinados à admissão temporária , inclusive ao Repetro estão dispensados de licenciamento. O entendimento da fiscalização de que o simples fato de os bens serem usados determinariam a apreciação do Secex é equivocado, pois tal determinação somente tem lugar em importação regulares e não naquelas do regime de admissão temporária. Há manifesto bis in idem ao se exigir duas multas em razão de uma única conduta, prática repudiada pela doutrina e jurisprudência e, inclusive, pelos Tribunais Administrativos. O ato administrativo de imposição de multas e exigência de tributos em decorrência de suposto erro na classificação fiscal revelase, então, manifestamente ofensivo aos princípios da segurança jurídica, razoabilidade e proporcionalidade. A impugnante requer seja julgada procedente a impugnação e anulado o auto de infração. A impugnante anexou ainda aos autos os documentos de folhas 356 a 489. É o relatório.” A lide foi decidida pela 1ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC, nos termos do Acórdão DRJ/FNS no 0720.616, de 30/7/2010 (fls. 491/506), que, por maioria de votos, concluiu pela procedência parcial do lançamento, para exigir a multa por classificação incorreta e excluir as exigências dos tributos, das multas de ofício e por falta de licença de importação, e dos juros moratórios, conforme ementa que segue, verbis: “Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 29/03/2005 a 06/02/2009 EMBARCAÇÕES. NCM 8906.90.00. Embarcações de apoio, que possuem acomodações para o transporte de pessoas e local próprio para o transporte de materiais, além de equipamentos próprios para o trabalho de reboque e manuseio de âncoras, classificamse no código NCM 8906.90.00, por aplicação das Regra Geral de Interpretação1 e Regra Geral Complementar1, em consonância com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 21/09/2009 INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. Fl. 923DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 6 A subsunção dos fatos à norma legal determina a caracterização da infração com conseqüente aplicação da penalidade prevista. Impugnação Procedente em Parte” O órgão julgador concluiu por manter o crédito tributário no valor de R$ 269.205,08, correspondente à multa de 1% sobre o valor aduaneiro dos bens (embarcações) despachados com classificação fiscal incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (DIs nos 05/03148592 “Robalo I”; 06/08437705 – “Seacor Lilen”; 05/07412170 – “Marlin”; e 09/01623479 – “Astrobarracuda”), prevista no art. 84, I, da Medida Provisória no 2.158 35/2001, exceto quanto à multa relativa à embarcação “Robalo I ”, excluída na parcela em que foi exigida em duplicidade. Quanto à exigência fiscal de tributos, multas de ofício e juros de mora, além de multas por falta de licenças de importação, o órgão julgador decidiu pelo descabimento da exigência, considerando que o erro de classificação fiscal não determina, por si só, o descumprimento das condições estabelecidas para a fruição do regime aduaneiro especial concedido. Quanto ao licenciamento, o órgão julgador aduziu que o parágrafo único, II, do art. 7o da Portaria Secex no 17/2003 estabeleceu expressamente que as mercadorias destinadas aos regimes de admissão temporária e ao Repetro estão dispensadas de licença. Houve interposição de recurso de ofício pelo órgão julgador, em razão de que o valor do crédito tributário exonerado foi superior ao limite de alçada estabelecido pela Portaria MF no 3/2008. A autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 508/525), aduzindo, em relação ao julgado, que o acórdão deverá ser reformado para o efeito de julgar integralmente improcedente o lançamento consubstanciado no Auto de Infração, seja porque correta a classificação fiscal que adotou, seja pela necessidade de novo lançamento enquadrando as embarcações sob o código NCM 89.06.90.00, apontado como correto pela DRJ. No mérito, alegou que: ● a reclassificação fiscal após o desembaraço aduaneiro implica alteração do critério jurídico anteriormente adotado, em inobservância ao disposto no art. 146 do CTN; ● não obstante a impossibilidade de reclassificação fiscal pelo Fisco após o desembaraço aduaneiro das embarcações é de se reiterar que as mesmas também atuam como rebocadores; ● considerando ainda a inexistência de código especifico para embarcações de apoio marítimo bem como a possibilidade de as embarcações efetuarem operações de reboque, resta demonstrado que não houve qualquer equívoco na classificação fiscal 8904.00.00 adotada pela recorrente; ● caso se entenda como incorreta a classificação fiscal adotada e que as embarcações somente poderiam ser classificadas no código NCM 89.06.90.00, ainda assim deverá ser afastada a aplicação da multa por erro na classificação fiscal, ante a inexistência de qualquer tentativa de burlar a fiscalização, bem como de qualquer prejuízo ao Erário; ● ainda que se entenda que as embarcações deveriam ter sido classificadas no código NCM 8906.90.00, também esse código engloba bens que podem ser submetidos ao Repetro, com suspensão total dos tributos incidentes na importação, nos termos das IN SRF no 4/2001, vigente à época das admissões; ● ainda que o código 8901.90 fosse o correto, o que evidentemente não é, seria cabível a aplicação do Repetro a bens da posição 8901, como determinado pelo Ato Declaratório Coana no 2/2002; ● ainda que se entenda como incorreta a classificação fiscal adotada pela recorrente e que as embarcações somente poderiam ser classificadas sob o código NCM 8906.90.00, a multa por erro na classificação fiscal não poderá ser exigida por meio do presente auto de infração; ● o acórdão recorrido manteve a aplicação da multa por erro na classificação fiscal das embarcações, mesmo tendo reconhecido que a classificação fiscal adotada pelo Fisco está manifestamente equivocada; ● os fatos demonstram que há inexatidão material no auto de infração, impossível de ser retificada por meio de acórdão que sugeria reclassificação fiscal para o código NCM 89.06.90.00; ● necessária, nesse caso, seria a lavratura de novo auto de infração corrigindo a classificação tarifária da Fl. 924DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10074.001348/200951 Acórdão n.º 320200.407 S3C2T2 Fl. 532 7 mercadoria importada; ● a Receita Federal deferiu e depois prorrogou por diversas vezes os regimes de admissão temporária e habilitação ao Repetro para as embarcações, todavia, depois de alguns anos, instaura procedimento por código NCM incorreto e por infração a norma administrativa relativa ao controle das importações; ● o ato administrativo de imposição de multa em decorrência de suposto erro na classificação fiscal revelase manifestamente ofensivo aos princípios da segurança jurídica, razoabilidade e proporcionalidade. Diante do exposto, requer que o recurso seja conhecido e provido, para reformar o acórdão recorrido e julgar integralmente improcedente o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Luiz Novo Rossari, Relator Conheço dos recursos por atenderem aos requisitos de admissibilidade. Alegação de modificação do critério jurídico No recurso interposto a autuada alega que a mudança de classificação fiscal após o desembaraço aduaneiro importaria modificar o critério jurídico antes adotado. Em face da legislação aduaneira vigente, entendo que a alegação da recorrente não tem qualquer amparo jurídico, como se verá a seguir. Relevante para o perfeito entendimento da matéria é o fato de que a legislação aplicável à espécie consagrou a existência da revisão aduaneira, objetivando a verificação da regularidade do pagamento dos tributos e da satisfação das demais exigências concernentes ao despacho de importação, conforme estabelece o art. 54 do Decretolei no 37/1966, com a redação que lhe deu o art. 2o do Decretolei no 2.472/1988, verbis: “Art. 54. A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o artigo 44 deste DecretoLei." A revisão aduaneira referida na norma acima transcrita está disciplinada no art. 570 do Decreto no 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro/2002) vigente à época das importações da recorrente, o qual define os procedimentos e estabelece o prazo de 5 anos do registro da declaração de importação para a sua implementação, com vistas a apurar a regularidade dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, a aplicação de benefícios fiscais e a exatidão das informações prestadas pelo importador no despacho aduaneiro, verificados ou não por ocasião do correspondente despacho, inclusive sua classificação fiscal. De mais, a revisão do lançamento está expressamente prevista no art. 149, I, do CTN, que dispõe que o lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando a lei assim o determine. No caso em exame, essa determinação está expressamente prevista em lei e disciplinada no referido art. 570 do Regulamento Aduaneiro/2002 (atual art. 638 do Decreto no 6.759/2009 – RA em vigor). Fl. 925DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 8 De outra parte, os impostos devidos na importação estão classificados como sujeitos a lançamento por homologação. E nesses casos, nos termos do art. 150, § 4o, do CTN, a autoridade dispõe do prazo de 5 anos para a homologação desse lançamento, a contar da ocorrência do fato gerador. Somente quando decorrido esse prazo é que se tem por homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário. No caso, a revisão aduaneira é procedimento que deve ser adotado dentro desse prazo de homologação, o que demonstra a inequívoca compatibilidade desses procedimentos no tocante à matéria. Destarte, a revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal, visando à correta determinação da matéria tributável e à exigência de eventual crédito tributário é instituto previsto em lei e não constitui modificação do critério jurídico utilizado no fato gerador da obrigação tributária relativa à importação de mercadorias. Classificação fiscal das embarcações A recorrente submeteu a despacho aduaneiro as embarcações sob regimes aduaneiros suspensivos de tributos, com classificação no código NCM 8904.00.00, próprio para “REBOCADORES E BARCOS CONCEBIDOS PARA EMPURRAR OUTRAS EMBARCAÇÕES”. Já o Fisco entendeu que tais bens deveriam ter sido classificadas no código NCM 8901.90.00, destinado ao enquadramento de “Outras embarcações para o transporte de mercadorias ou para o transporte de pessoas e de mercadorias”, razão pela qual exigiu a multa de 1% por classificação incorreta. Por sua vez, o órgão julgador da lide concluiu que deveria ter sido utilizado o código 8906.90.00, próprio para “OUTRAS EMBARCAÇÕES, INCLUÍDOS OS NAVIOS DE GUERRA E OS BARCOS SALVAVIDAS, EXCETO OS BARCOS A REMO – Outras”. Verificase que os laudos de vistorias (fls. 172 e 261 do Anexo) são claros ao declarar que as embarcações “Astrobarracuda” e “Marlin” são do tipo PSV “Platform Supply Vessel” (embarcação de apoio a plataformas), bem assim os certificados de classificação expedidos pelo “American Bureau of Shipping” – ABS (fls. 282 e 279). Quanto à embarcação “Robalo I”, a classificação como de “apoio marítimo” foi dado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários – ANTAQ (fl. 94 do Anexo), sendo que a própria recorrente declarou que a embarcação desempenha essa atividade de apoio e do tipo PSV (fl. 311 do Anexo), embora no certificado emitido pelo ABS (fl. 269) esteja incluída na classe “Tug and Supply Vessel” (embarcação de reboque e de apoio). Já a embarcação “Seacor Lilen” tem essa mesma classe no certificado de classificação emitido pela “Det Norske Veritas” (fl. 274), embora se trate de embarcação do tipo AHTS “Anchor Handling Tug Supply” (embarcação de reboque e manipulação de âncoras e de apoio), cumprindo observar que as informações constantes dos autos demonstram que se trata, também, de embarcação rebocadora e de apoio marítimo, como também refere expressa o laudo de vistoria de fl. 333. Em vista dessa atividade principal, todas as embarcações estrangeiras de que tratam os autos foram inscritas nas Capitanias dos Portos como enquadradas na categoria de apoio marítimo (fls. 270, 276, 280 e 283), em obediência à classificação de tipos de embarcações estabelecida pela Portaria no 45/2005 da Diretoria de Portos e Costas, do Comando da Marinha (DOU de 27/6/2005), de acordo com a tabela constante das NORMAM 01/DPC – Normas da Autoridade Marítima para Embarcações Empregadas na Navegação de Mar Aberto. A mesma Portaria estabelece, em seu item 0216, a classificação dos diversos tipos de embarcações, onde se verifica a existência de enquadramentos distintos para: “(23) Passageiro/carga geral”, “(33) Rebocador/empurrador” e “(37) Supridores de plataformas marítimas (supply)”. No caso em exame, as Capitanias dos Portos inscreveram as Fl. 926DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10074.001348/200951 Acórdão n.º 320200.407 S3C2T2 Fl. 533 9 embarcações para operar no apoio marítimo às atividades de produção e perfuração na plataforma continental. Os elementos processuais são suficientes para se concluir pela classificação fiscal das embarcações no código NCM 8906.90.00, visto que, regra geral, todas desempenham atividades supridoras às plataformas. Tais embarcações não podem ser classificadas como rebocadores, assim como não podem ser classificadas apenas como embarcações de transporte de pessoas ou de mercadorias, visto terem função mais específica: de apoio marítimo, conforme definem as mesmas NORMAM01/DPC em seu item 0202, "d", verbis: "Apoio marítimo: é a navegação realizada para o apoio logístico a embarcações e instalações em Aguas territoriais nacionais e na Zona Econômica Exclusiva, que atuem nas atividades de pesquisa e lavra de minerais e hidrocarbonetos;" Essa atividade de apoio marítimo envolve a acomodação e o transporte de pessoas e de seus bens, bem como o transporte de produtos em contêineres no convés e de uma variedade de granéis em tanques no convés inferior, tais como produtos químicos, cimento, combustível, água potável, água salgada e óleo diesel. Essa atividade pode ser mais abrangente, de forma que certas embarcações são equipadas com reboque e manuseio de âncoras, bem como permitem ações de combate ao derramamento de óleo e a incêndios, ou a utilização de outros recursos específicos de apoio às plataformas. Como visto, o apoio marítimo é atividade abrangente e que não se basta em apenas um tipo de operação. Finalmente, cumpre ressaltar que essa questão já foi objeto de exame por parte da Receita Federal do Brasil, destacandose as seguintes decisões de consulta, verbis: “CÓDIGO TEC: 8906.90.00 Embarcação de serviço offshore multifuncional, que efetua operações de manuseio de âncoras, reboque e transporte de suprimentos e outras cargas, denominada “Olympic Hercules”, construída pelo estaleiro Ulstein Verft As, Ulsteinvik Norway.” (Solução de Consulta Diana SRRF/7ª no 10, de 5/4/2010) “Código TEC: 8906.90.00 Mercadoria: Embarcação de apoio marítimo denominada Maersk Provider do tipo AHTS 15000, de bandeira dinamarquesa, construída pelo estaleiro Soviknes Verft A/S, na Noruega, com número oficial D33387 e número de registro IMO 9007142.” (Solução de Consulta Diana SRRF/7ª no 49, de 22/9/2011) Os argumentos trazidos em tais decisões são praticamente idênticos, sendo oportuno reproduzir o da primeira decisão, verbis: “Compulsando as informações técnicas constantes dos autos, depreendese que o produto que se quer classificar não se identifica como sendo um simples rebocador do tipo descrito na posição 8904 do Sistema Harmonizado, mas sim uma embarcação de maior complexidade operativa, agregando múltiplas funções, sendo a capacidade de rebocar apenas uma delas. O produto sob consulta é uma “embarcação de serviço offshore multifuncional, que efetua operações de manuseio de âncoras, reboque e transporte de suprimentos e outras cargas”, Fl. 927DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 10 de acordo com a especificação do próprio estaleiro construtor, conforme descrito no relatório.” Assim, as embarcações afretadas para utilização específica em atividades de apoio/suprimento de plataformas marítimas devem ser enquadradas como embarcações de apoio, atividade abrangente e cuja classificação fiscal deve ter seu melhor enquadramento no código NCM 8906.90.00. Multa por classificação fiscal incorreta A única exigência mantida pelo órgão julgador e objeto do recurso voluntário é a multa de 1% por classificação incorreta. Verificase que a classificação fiscal que se concluiu ser a correta para as embarcações não se adequa à utilizada pela autuada nem à adotada pelos autuantes. Nos casos da espécie é praxe deste Colegiado a exclusão do lançamento, visto que se trata de terceira classificação e que essa não foi o objeto de motivação para a formalização da peça básica. O Fisco fez a exigência fiscal adotando como correto o código NCM 8901.90.00, enquanto que no julgamento da lide concluiuse pelo código NCM 8906.90.00. Embora o erro de classificação da autuada, não há como vingar o lançamento que partiu de premissa errônea. Destarte, deve ser dado provimento ao recurso voluntário, de forma a excluir do Auto de Infração a multa de 1% por classificação fiscal incorreta, prevista no art. 84, I, da Medida Provisória no 2.15835/2001 e no art. 636 do Decreto no 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro/2002). Recurso de ofício No que respeita à exclusão dos tributos e consectários legais, entendo que o órgão julgador decidiu a lide em boa e devida forma, visto que o erro de classificação fiscal não implica, necessariamente, a exclusão de mercadorias dos regimes aduaneiros especiais de exportação e importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural – Repetro, e de admissão temporária. De outra parte, as informações prestadas por ocasião dos despachos de importação das embarcações, aliadas aos documentos que acompanharam tais despachos, trazem a suficiente convicção quanto à classificação e à possibilidade de inclusão desses bens nos referidos regimes aduaneiros suspensivos. Cumpre observar que os bens importados têm pleno amparo no regime, por estarem relacionados expressamente no Anexo Único da IN SRF no 4/2001 e da IN RFB no 844/2008, que a revogou, sendo que essa última tratou a aplicação do regime de forma extensiva, ao permitir a admissão para “Embarcações destinadas às atividades de pesquisa e produção das jazidas de petróleo ou gás natural e as destinadas ao apoio e estocagem nas referidas atividades”. No que respeita à multa por infração ao controle administrativo, também bem acentuou a decisão de primeira instância ao citar o art. 7o, parágrafo único, II, da Portaria Secex no 17/2003, que estabeleceu a dispensa de licenciamento para as importações ora sob exame, verbis: “Art. 7o (...) Parágrafo único. Estão relacionadas a seguir as importações dispensadas de licenciamento: (...) II – sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural Repetro; Fl. 928DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10074.001348/200951 Acórdão n.º 320200.407 S3C2T2 Fl. 534 11 (...)” No caso, nem se trata da aplicação benigna do Ato Declaratório Cosit no 12/1997, visto que as situações ali referidas respeitam à classificação tarifária errônea que exija novo licenciamento automático. No caso em exame os bens estão dispensados de licenciamento por ato expresso do órgão que regula tal exigência. De se ressaltar que esse tratamento administrativo perdura até o momento, como se verifica da Portaria Secex no 23/2011 em seu art. 23, § 1o, II. Em se tratando de bens cuja importação está dispensada de licença, há que se considerar indevida a tipificação de infração e, conseqüentemente, a exigência fiscal das multas previstas no art. 633, II, “a” do Decreto no 4.543/2002 e no art. 706, I, “a”, do Decreto no 6.759/2009. Conclusões Diante do exposto, voto por que seja rejeitada a preliminar de nulidade por alegada mudança de critério jurídico quanto à classificação tarifária e, no mérito, seja negado provimento ao recurso de ofício e dado provimento ao recurso voluntário. José Luiz Novo Rossari Fl. 929DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 12 Fl. 930DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Numero do processo: 15374.901981/2008-07
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: DCOMP ELETRÔNICA. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO.
PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.
Período de Apuração:
Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis,
da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda
Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade
administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária,
conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-001.319
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Rodrigo Leporace Farret. OAB/DF nº
13.841.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. Período de Apuração: Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Rodrigo Leporace Farret. OAB/DF nº 13.841. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/03/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Liduina Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Inconformada com a r. decisão que deixou de homologar compensação, a empresa Telemar Norte Leste S/A, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, visando modificar o julgado que lhe teria sido desfavorável. Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, a título de Contribuição para PIS/PASEP, atinente ao período de apuração de 01.06.2002 a 30.06.2002, com débito da Contribuição para a COFINS, referente ao período de de apuração setembro de 2003. Por meio do Despacho Decisório, emitido eletronicamente, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Sustenta, em síntese, a recorrente, que merece reforma a r. decisão que indeferiu o direito de compensação pelas razões: 1) que a questão discutida neste processo está retratada em DCTF retificadora, recepcionada pela RFB; 2) na DCTF, o contribuinte deve fazer constar informações relativas a seus débitos apurados, bem como aos créditos a eles vinculados. Com sua entrega, o FISCO deverá verificar: (i) se todos os débitos estão vinculados a pagamentos; (ii) se o valor do débito é maior do que o valor do crédito tributo em aberto; (iii) se existem mais créditos vinculados do que débitos apuradoscrédito disponível; 3) que no presente caso, a simples análise da DCTF retificadora não é capaz de demonstrar de forma clara a existência de crédito disponível à compensação; 4) entendem não ser suficiente apenas o confronto da DCTF retificadora (transmitida e recebida pelo FISCO) com a declaração de compensação apresentada, para que se confirme a existência de crédito, sendo regular a compensação; 5) o crédito efetivo decorre da apuração contábil, não podendo obstar o direito à compensação, meros erros formais no preenchimento da PER/DCOMP; 6) ao preencher suas obrigações acessórias, a Requerente cometeu impropriedades que, de fato, impossibilitam a identificação do crédito em análise parametrizada, mas que não fazem decair seu direito material ao crédito; 7) um erro material no preenchimento de uma DCTF não pode prevalecer sobre o direito ao crédito, decorrente de pagamento indevidamente efetuado, muito mais porque os próprios lançamentos contábeis da empresa registram a compensação no limite do que efetivamente ocorreu. A Interessada prostetou por perícia, indicando o assistente técnico, o que foi rechaçado. Na fase recursal manteve as mesmas razões demonstradas em sua peça de inconformidade. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/03/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 15374.901981/200807 Acórdão n.º 3403001.319 S3C4T3 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de conhecimento. Cuidase de Recurso Voluntário com o objetivo de modificar a decisão que manteve o indeferimento de aproveitamento de crédito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido com débito de COFINS. No caso sub examine tratase de matéria de fato, razão pela qual precisa identificar a origem do crédito que se pretende ver restituído ou compensado. O relato da peça de Inconformidade, bem como, as razões recursais são de uma clareza impar, informa que o direito é oriundo de pagamento a maior, se assim é, o motivo encontra diretamente vinculado à base de cálculo do contribuinte, que é o valor do faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica independentemente da sua denominação ou classificação contábil, excluindose deste contexto as receitas permitidas pela legislação vigente. A simples demonstração do faturamento é o bastante a possibilitar a Autoridade Administrativa aferir se os valores lançados em DCTF, DARF, compensação e parcelamento ultrapassam o valor do crédito declarado a favor da Fazenda. Precisase, ter certeza que o pagamento a maior ou indevido ocorreu, para tanto, impõe a comprovação, no caso a informação da base de cálculo se revela indispensável. No entanto, compulsando os autos não se vislumbra qualquer documento nesse sentido. De modo que, se há uma afirmativa do contribuinte de que possui o direito a restituição/compensação de um determinado crédito e, do outro lado a negativa da Administração de que não teve êxito em saber a origem do crédito que se pretende compensar, impõe, no caso concreto, aquele que deseja proceder à compensação ou ser restituído o ônus da prova. Assevera a recorrente que não basta o confronto entre a DCTF retificadora com a declaração de compensação, motivo pelo qual cabia a Interessada demonstrar a origem do crédito. “Entretanto, conforme demonstrado, não bastará apenas o confronto da DCTF retificadora (transmitida e recebida pelo FISCO em 17.03.2006), com a declaração de compensação apresentada, para que se confirme a existência de crédito, sendo regular a compensação realizada. O crédito efetivo decorre da apuração contábil, não podendo obstar o direito à compensação, meros erros formais no preenchimento da PER/DCOMP”. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/03/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Portanto, andou bem o julgador de piso quando afirma a inexistência demonstração da base de cálculo que poderia ter levado o contribuinte a recolher valor superior ao devido, para o sucesso do pedido fazse necessário que esse venha devidamente instruído com os documentos capazes por si só de comprovar o direito que se pretende, em sendo assim, a sustentação de que trata de empresa de grande porte daí a dificuldade de reunir documentos em decorrência do prazo ser exíguo não pode servir de argumento capaz de convencer o julgador do direito pleiteado. No caso deste caderno, a demonstração da base de cálculo se revela requisito indispensável. É de toda sabença que o fato deve ser provado, e, a regra do ônus de provar é do interessado. Cabe ao julgador valorizar e apreciar as provas dos autos no sentido de formar seu convencimento. Assim, a meu sentir, bastava a demonstração da base de cálculo onde pudesse extrair a certeza em relação ao argumento aduzido pela recorrente, sem o qual, tenho como mera presunção da existência do direito do crédito tributário. O direito consagrado pelo dispositivo do art. 170 do Código Tributário Nacional exigese que apure previamente, por via administrativa ou judicial, a liquidez e certeza do crédito tributário, a Fazenda Nacional não pode dispensar esse exame. Segundo a doutrina, o crédito das pessoas físicas e jurídicas se revela um direito oponível contra a Fazenda Pública, é como ensina Plínio Gustavo Prado Garcia: “A imputação de crédito de pessoa física ou de pessoa jurídica diante do fisco, para fins de compensação tributária, é um direito de seu titular oponível contra a Fazenda Pública, no contexto do exercício de um direito potestativo. Não tem o Poder Público o direito de reter parcelas do patrimônio alheio, sem justa causa. Inexiste justa causa nas hipóteses de recebimento de crédito indevido ou maior do que o devido, ou de tributo ilegal ou inconstitucional”. (Compensação e Imputação de Crédito, em Revista Dialética de Direito Tributário nº 41, 1999, p.64). Entretanto, inexistindo prova cabal da existência do crédito, não pode o fisco realizar o encontro do crédito do contribuinte e o débito que se pretende extinguir. Em sendo assim, não vislumbro a possibilidade de acudir o pleito. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto Domingos de Sá Filho Fl. 119DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/03/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 15374.901981/200807 Acórdão n.º 3403001.319 S3C4T3 Fl. 3 5 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/03/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 13607.000038/2007-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO PARA RECORRER.
Nos termos do artigo 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 (trinta) dias o prazo para interpor recurso voluntário. Interposto fora do trintídio legal, o recurso é intempestivo.
Numero da decisão: 1102-000.629
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, nos termos do voto da relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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PRAZO PARA RECORRER. Nos termos do artigo 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 (trinta) dias o prazo para interpor recurso voluntário. Interposto fora do trintídio legal, o recurso é intempestivo. ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, nos termos do voto da relatora. Assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Presidente e Relatora EDITADO EM:20/01/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otavio Opperman Thomé, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Leonardo de Andrade Couto e Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado) e Antonio Carlos Guidoni Filho(vice presidente) Relatório Fl. 152DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO 2 Tratase de recurso contra decisão que manteve o indeferimento do pedido de inclusão retroativa, com efeitos desde 01/01/2006, no Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, sob alegação de que houve erro cadastral (Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16, de 02 de outubro de 2002). Cientificada da negativa da autoridade jurisdicionante, em 21/05/2007, às fls. 42/43, interpõe manifestação de inconformidade contra o procedimento fiscal. Argumento que não deu causa ao erro cadastral e, portanto, a própria administração deveria corrigilo. Decisão de fls. 57/58, acórdão 0221556, 4a.Turma DRJ/BH, de 12/03/2009, indefere a solicitação da contribuinte , invoca o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 16, de 02 de outubro de 2002, o qual reproduz, na ordem seguinte: Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de oficio tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. Acrescenta que foi constatado erro cadastral e que a contribuinte efetivou os pagamentos mensais por intermédio do DarfSimples, sem, contudo, apresentar as DSPJ — Simples. Conclui que os documentos juntados seriam insuficientes para evidenciar que a Contribuinte teve a intenção inequívoca de aderir ao Simples. Ciente da decisão em 09/10/2009, fls. 62, cujo verso consta despacho, sem data, informando o transcurso do prazo para manifestação do Contribuinte. Às fls.63 consta recurso voluntário, interposto em 17/11/2009. Despacho de fls.128 consignam esses eventos e remetem os autos ao CARF, para prosseguimento. Este o Relatório. Voto Fl. 153DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 13607.000038/200780 Acórdão n.º 110200.629 S1C1T2 Fl. 2 3 Começo pela análise da tempestividade do recurso voluntário. Com efeito, como se vê do AR inserto às fls. 62, a ciência do acórdão de primeiro grau ocorreu em 09/10/2009. Nestas condições, a contagem do prazo recursal se iniciou em 13.10.2009, uma terçafeira, terminando em 11.11.2009, quarta feira. Determina o Decreto 70235/1972, no artigo 33, o seguinte: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Ainda, em relação à forma de contagem dos prazos determina o artigo 5o.do Decreto 70235/1972, a forma como esta se realizará, nos termos seguintes: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No caso dos autos, o prazo terminou na quarta feira, dia 11 de novembro de 2009. Contudo, como se vê das fls.63, a data do protocolo do recurso é o dia 17/11/2009, ou seja, seis dias após esgotado o prazo recursal, restando, portanto, intempestivo. O artigo 35 do Decreto 70235/1972 determina: Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Nessa conformidade , não conheço do recurso voluntário,por perempto. Assinado digitalmente. IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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