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Numero do processo: 10945.720605/2011-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
VÍCIO. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL . NULIDADE. INOCORRÊNCIA
Inexiste nulidade do auto de infração em virtude de erro na capitulação legal, quando os fatos estão devidamente descrito na autuação e não há prejuízo à defesa.
VÍCIO. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL E ERRO NA ALÍQUOTA APLICADA. INEXISTÊNCIA.
Demonstrada a correção da determinação da base de cálculo e da alíquota aplicada, inexiste vício que implique nulidade do lançamento.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-004.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 20/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL . NULIDADE. INOCORRÊNCIA Inexiste nulidade do auto de infração em virtude de erro na capitulação legal, quando os fatos estão devidamente descrito na autuação e não há prejuízo à defesa. VÍCIO. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL E ERRO NA ALÍQUOTA APLICADA. INEXISTÊNCIA. Demonstrada a correção da determinação da base de cálculo e da alíquota aplicada, inexiste vício que implique nulidade do lançamento. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 06 05 /2 01 1- 75 Fl. 4801DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10945.720605/201175 Acórdão n.º 9202004.015 CSRFT2 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM: 20/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Trata o presente processo de autos de infração AI, às efls. 4575 a 4602, cientificados ao contribuinte em 10/09/2011, com relatório fiscal às efls. 4603 a 4614. Os créditos do AI decorrem das contribuições de segurados e da empresa, destinadas à seguridade social, bem como as destinadas a outras entidades (SEST e SENAT), não recolhidas pela Empresa acima identificada e incidentes sobre remunerações pagas a segurados contribuintes individuais, que lhe prestaram serviços nas competências de janeiro de 2009 a dezembro de 2009. Os autos de infração relacionados às obrigações principais foram consolidados em 02/09/2011 e resultaram nos valores corrigidos de: DEBCAD Nº DESCRIÇÃO VALOR CORRIGIDO 50.002.6092 Contribuição da empresa sobre a remuneração de transportadores autônomos fretes e carretos. 5.197.510,09 50.002.6114 Contribuinte individual contribuições descontadas pela empresa. 2.858.630,53 50.002.6130 Terceiros (SEST/SENAT) contribuições do transportador autônomo recolhida pela empresa. 649.688,77 TOTAL DOS AUTOS DE INFRAÇÃO 8.705.829,39 Em sua impugnação, às efls. 4623 a 4630, a empresa de transportes rodoviários contestou o auto de infração. A 5ª Turma da DRJ/CTA considerou improcedente a impugnação, por unanimidade de votos, conforme disposto no acórdão n° 0641.303 de 29/05/2013, às efls. 4668 a 4679. Fl. 4802DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10945.720605/201175 Acórdão n.º 9202004.015 CSRFT2 Fl. 4 3 Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 4714 a 4729, no qual argui, em apertada síntese: · pela nulidade da decisão recorrida, por não lhe ter sido oportunizada a apresentação de memoriais e defesa oral em sessão de julgamento na primeira instância; · falta de comprovação pela autoridade fiscal de que inexistiram registros da real movimentação das remunerações dos segurados, cabendo ao fisco, em face da negativa da impugnante, desconstituir o que fora afirmado em sede de impugnação; · pela aplicação da multas mais benéfica em virtude do advento de nova legislação mais benéfica; · a o afastamento das penalidades que impliquem confisco. O recurso voluntário foi apreciado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 19/02/2014, resultando no acórdão 2403002.454, às efls. 4753 a 4770, que tem a seguinte ementa: PREVIDENCIÁRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTOS LEGAIS. FUNDAMENTOS INAPLICÁVEIS. NULIDADE. VÍCIO FORMAL A ausência de fundamentos legais bem como inaplicáveis dispositivos que dispõe de alíquotas que majoram os valores da autuação em evidente prejuízo para o contribuinte, implicam nulidade da autuação. Processo Anulado O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, determinando a nulidade do lançamento por vício formal, vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Maria Anselma Croscato dos Santos, que votaram contra a nulidade e o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto que votou pelo vício material. O Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro votou pelas conclusões. RE da Fazenda Irresignada, em 14/04/2015, a Procuradoria da Fazenda interpôs recurso especial de divergência RE, às efls. 4772 a 4780. Indica como paradigmas para divergência os acórdãos: nº 10617047 da 6ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e nº 9202 001.536 da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A divergência dos paradigmas seria no sentido de que inexistindo prejuízo à defesa a mera capitulação errônea não seria motivo suficiente para a anulação dos autos de infração. Fl. 4803DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10945.720605/201175 Acórdão n.º 9202004.015 CSRFT2 Fl. 5 4 A Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento proferiu o despacho de efls. 4790 a 4795, em 15/12/2015, pelo qual deu seguimento ao RE. A contribuinte recebeu intimação (efl. 4797) para ciência do acórdão do recurso voluntário, do RE da Fazenda e do despacho do prosseguimento do RE em 26/01/2016 (efl. 4799), sem que se manifestasse sobre ambos nos prazos regimentais. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O RE invoca o fato de os fatos estarem perfeitamente descritos no relatório fiscal, de forma a permitir a defesa da contribuinte. Outrossim, também lá está posto que o princípio pas de nulité sans grief , permitiria que a transgressão de alguma prescrição legal não implicasse necessariamente nulidade do ato. Com efeito, o que está posto no voto do acórdão recorrido é que teria existido erro na identificação da norma aplicável e na alíquota com a qual se calculou o tributo. Esta discussão se encontra nos tópicos "DAS ALÍQUOTAS E DOS FUNDAMENTOS LEGAIS" (às efls. 4766 a 4769) e "DOS FUNDAMENTOS LEGAIS" (efls. 4762 a 4764). Nesse sentido, o vício formal identificado no acórdão recorrido, decorreria desses dois fatores. Fundamentos Legais No acórdão recorrido, entendeuse ter havido vício formal por falta de fundamentação legal, apontado no tópico "DOS FUNDAMENTOS LEGAIS", no qual o relator informa que para embasar o arbitramento, lavratura por aferição indireta, o relatório fiscal reportouse ao art. 32, II da Lei nº 8.212/1991 e ao art. 225, II e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/991. Todavia, no seu entender, o fulcro adequado seria o § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Quanto a esse ponto, conforme abordado no RE, uma eventual falta dessa natureza em nada afasta a possibilidade de defesa da contribuinte, uma vez que os fatos que ensejam o arbitramento estão suficientemente descritos para que a contribuinte possa deles se defender, como de fato o fez. A descrição, é efetivamente clara, conforme se pode observar às efls. 4604 a 4612 do relatório fiscal, nos termos a seguir transcritos: a) O Plano de Contas da Autuada possui uma única conta contábil que recebe todos os lançamentos de fretes pagos, sem distinção dos pagamentos efetuados a pessoas físicas ou jurídicas; Fl. 4804DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10945.720605/201175 Acórdão n.º 9202004.015 CSRFT2 Fl. 6 5 b) O Razão Contábil da conta 310103001 – Fretes Pagos também não permite a distinção: a empresa lança os pagamentos a uma pessoa jurídica, geralmente postos de combustíveis que trocam as cartasfrete, mas estes não representam o real prestador do serviço. Ainda, há lançamentos que não representam pagamento de frete: pagamentos de salários complementares e comissões a empregados, comissões a contribuintes individuais e despesas pessoais de sócios e familiares. Adicionalmente, há lançamentos sem fundamento contábil: Débitos na conta 310103001 – Fretes Pagos e crédito na conta 210101160 –Fretes a Pagar, para os quais não há comprovação. c) Os documentos necessários não foram entregues para nossa análise: recebemos somente 20,47% das cartasfrete que a Autuada afirma ter emitido. Em termos monetários, tais documentos representam apenas 15,04% dos valores contabilizados no razão. d) O teste com as cartasfrete recebidas apresentou proporções bem diferentes das apresentadas na planilha da Autuada: em todos os anos a Autuada informa ter pagado percentuais menores de fretes a pessoas físicas do que o constatado em nosso teste: Observese que a infração ao art. 32, II da Lei nº 8.212/1991 e ao art. 225, II e §§ 13 a 17 do RPS, citados no relatório fiscal, indicava apenas que, ao descumprilos, a contribuinte inviabilizava a aferição direta. Logo, houve descrição bastante clara da infração imputada, que permitiria à contribuinte exercer seu direito de defesa relativamente aos fatos que levaram ao arbitramento. Ora, caberia à autuada trazer a documentação que comprovasse que os efetivos pagamentos realizados seriam inferiores àqueles calculados pela fiscalização. Portanto, por isso esse tipo de falha, pelos princípios apresentados nos paradigmas: inexistência de prejuízo à defesa e o da instrumentalidade das formas, entendo não ter ocorrido fato passível de inquinar de nulos os lançamentos, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 PAF. Alíquotas aplicáveis Como restou comprovado nos autos, o contribuinte ao longo de todo o processo de julgamento sempre teve consciência da infração a ele imputada, podendo defenderse e, assim, um eventual equívoco no percentual utilizado para cálculo do valor devido também não seria motivo para invalidar o auto por vício formal. A título de esclarecimento, cumpre referir que essa seria no máximo uma situação para reforma parcial do lançamento (com o ajuste do percentual, caso aplicável). Fl. 4805DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10945.720605/201175 Acórdão n.º 9202004.015 CSRFT2 Fl. 7 6 Com isso, já é possível concluir pela inexistência do vício, formal, imputado ao lançamento pela decisão recorrida. Porém, para exaurir a análise do tema, entendo ser necessário e oportuno esclarecer quanto à inocorrência do equívoco na alíquota aplicável afirmado no voto condutor do acórdão recorrido. No acórdão recorrido, entendeuse que o vício reconhecido também seria decorrente de utilização de alíquota incorreta para apuração da contribuição devida. Isso foi apontado no tópico DAS ALÍQUOTAS E DOS FUNDAMENTOS LEGAIS", no qual o relator informa que seria inadequada utilização do § 4º do art. 201 do RPS para fundamentar o "cálculo do crédito", aplicandose 20% sobre o rendimento bruto. Ele entende que esse parágrafo "fora introduzido para os casos em que a remuneração tenha sido paga ou creditada a condutor autônomo de veículo rodoviário, que tenha utilizado automóvel cedido em regime de colaboração, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros, realizado por conta própria". Em sendo assim, afirma que o correto seria a aplicação de 11% conforme Solução de Consulta Interna nº 1 SRRF01/DISIT de 15/06/2012, que faria prevalecer o previsto no inciso I, §4°, art. 30 , da Lei n 8.212/1991. Com a devida vênia, entendemos equivocado esse posicionamento, por dois motivos. A uma, porque as tabelas de efls. 4572 a 4574 deixam claro que as alíquotas aplicadas à base de cálculo do tributos estavam corretas, sendo de 20 % para a empresa, 11% para os Segurados Contribuintes Individuais e 2,5% para terceiros. A duas porque no cálculo da remuneração é utilizado 20% do arbitramento dos fretes (que é tomado como rendimento bruto nesse caso), para definição da base de cálculo do tributo. Essa presunção legal decorre do § 4º do art. 201 que define a remuneração paga aos condutores autônomos ou auxiliares de condutores, como sendo 20% do rendimento bruto. Transcrevo o referido parágrafo: Art.201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: ... §4º A remuneração paga ou creditada a condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei nº6.094, de 30 de agosto de 1974, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros, realizado por conta própria, corresponde a vinte por cento do rendimento bruto. (Grifei.) Para elucidar a leitura desse parágrafo transcrevo também oo art. 1º da Lei nº 6.094 de 30/08/1974: Art . 1º É facultada ao Condutor Autônomo de Veículo Rodoviário a cessão do seu automóvel, em regime de colaboração, no máximo a dois outros profissionais. § 1º Os auxiliares de condutores autônomos de veículos rodoviários contribuirão para o Regime Geral de Previdência Social de forma idêntica à dos contribuintes individuais. (Grifei.) Fl. 4806DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10945.720605/201175 Acórdão n.º 9202004.015 CSRFT2 Fl. 8 7 Aqui transparece claramente que o condutor não tem que se utilizar de um automóvel cedido em regime de colaboração para que incida o § 4º, referindose a expressão "automóvel cedido em regime de colaboração" aos auxiliares e não ao próprio condutor que pode não ter qualquer auxiliar. Já a solução de consulta invocada pelo relator trata da alíquota a ser aplicada sobre a base de cálculo, sem que se trate de forma de obtenção da base de cálculo. Para melhor esclarecer, transcrevo parágrafo 1 do relatório da SCI nº 1 SRRF/DISIT: 1. A Divisão de Fiscalização/Difis da SRRF01 apresenta consulta a esta Disit01, informando que, em procedimento de fiscalização, detectouse que determinada empresa efetuou pagamentos a segurados contribuintes individuais, mas não reteve, recolheu e nem declarou estes pagamentos na Guia de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social – GFIP. A Difis registra que é favorável ao entendimento de que o AuditorFiscal, nessa hipótese, deve efetuar o lançamento dos valores relativos às contribuições dos segurados contribuintes individuais, em nome da empresa tomadora do serviço, com aplicação da alíquota de 20% (vinte por cento), colecionando a seguinte fundamentação legal: ... (Grifei.) Ou seja, desde o início se trata da alíquota ser aplicada sobre a base de cálculo alhures definida. A discussão na consulta se cinge a possibilidade ou não de aplicar alíquota de 20% ao segurado contribuinte individual já tendo sido aplicada esta alíquota à empresa tomadora do serviço por ele prestado, isso fica claro no parágrafo 13 da mesma consulta: 13. Observase, da legislação transcrita, a inafastável correspondência entre a contribuição da empresa e a contribuição do segurado contribuinte individual. Assim, em procedimento fiscal, se a contribuição da empresa for devidamente lançada (à alíquota de 20%), não será possível aplicar a alíquota de 20% (vinte por cento) a título de contribuição do segurado contribuição individual. De outro lado, se fosse aplicada a alíquota de 20% (vinte por cento) sobre a contribuição dos segurados contribuintes individuais, não seria possível a cobrança da parte patronal, uma vez que a alíquota de 20% (vinte por cento) somente é devida pelo profissional, contribuinte individual, que presta serviço a pessoas físicas e entidades beneficentes de assistência social, justamente porque nestes casos não existe a contrapartida da empresa Portanto, é de se concluir que inexiste erro na apuração do percentual definidor da remuneração ou na definição da alíquota para tributação, afastandose definitivamente a existência de qualquer vício no lançamento. Como as demais questões analisadas no acórdão recorrido foram pela manutenção do lançamento, é de se dar provimento ao recurso especial para afastar as nulidades arguidas de ofício e manter os créditos tributários lançados. Fl. 4807DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10945.720605/201175 Acórdão n.º 9202004.015 CSRFT2 Fl. 9 8 Conclusão Dessarte, voto no sentido de conhecer do recurso especial de divergência da Procuradora da Fazenda Nacional para darlhe provimento e para que se afaste a nulidade dos autos de infração, mantendo o crédito tributário lançado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 4808DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10945.720605/201175 Acórdão n.º 9202004.015 CSRFT2 Fl. 10 9 Fl. 4809DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS
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Numero do processo: 11128.000013/2009-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 04/07/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.607
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 00 13 /2 00 9- 13 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000013/200913 Acórdão n.º 9303003.607 CSRF‐T3 Fl. 202 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801003.265, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000013/200913 Acórdão n.º 9303003.607 CSRF‐T3 Fl. 203 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000013/200913 Acórdão n.º 9303003.607 CSRF‐T3 Fl. 204 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000013/200913 Acórdão n.º 9303003.607 CSRF‐T3 Fl. 205 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000013/200913 Acórdão n.º 9303003.607 CSRF‐T3 Fl. 206 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000013/200913 Acórdão n.º 9303003.607 CSRF‐T3 Fl. 207 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000013/200913 Acórdão n.º 9303003.607 CSRF‐T3 Fl. 208 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000013/200913 Acórdão n.º 9303003.607 CSRF‐T3 Fl. 209 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 19515.001767/2007-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2006
DECADÊNCIA PARA LANÇAR
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente ao PIS e à Cofins é de 05 anos, contados da data de ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, ainda que parcial, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Recurso Especial do Procurador Provido Parcialmente.
Numero da decisão: 9303-003.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para afastar a decadência do crédito da Cofins relativo a fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2001, e restabelecer a pertinente exigência fiscal. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que negavam provimento. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martínez López.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Henrique Pinheiro Torres Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente ao PIS e à Cofins é de 05 anos, contados da data de ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, ainda que parcial, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Recurso Especial do Procurador Provido Parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para afastar a decadência do crédito da Cofins relativo a fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2001, e restabelecer a pertinente exigência fiscal. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que negavam provimento. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martínez López. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Henrique Pinheiro Torres – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 67 /2 00 7- 69 Fl. 31572DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/04/ 2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO 2 Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para exigência do PIS e da Cofins que a contribuinte deixou de recolher ou recolheu a menor no período compreendido entre abril de 2.000 a dezembro de 2006. O colegiado recorrido, conheceu parcialmente do recurso voluntário, e nessa parte, deulhe provimento parcial para reconhecer a decadência do crédito tributário referente a fatos geradores ocorridos até julho de 2002, inclusive. Para tanto, aplicouse a regra prevista no § 4º do art. 150 do CTN. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2006 PIS E COFINS. DECADÊNCIA. Devese aplicar o prazo decadencial previsto no artigo 150, parágrafo 4°, do CTN, para os lançamentos com exigência para o PIS a COFINS, em linha com a Súmula Vinculante nº 8/STF, editada pela Corte Suprema. NULIDADE. Não é nulo o Auto de Infração quando o contribuinte é quem tem a obrigação de fazer prova de suas alegações de ordem contábil/fiscal. SÚMULA N° 2 2º CC. 0 Conselho de Contribuintes está vedado em apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei. SÚMULA N°1 2º CC. Implica em renúncia A. via administrativa o ajuizamento de ações discutindo a mesma matéria que objeto dos lançamentos levados a efeito. Recurso provido em parte. Irresignada com essa decisão, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, onde alegou suposta omissão do acórdão recorrido, no tocante a existência ou não de pagamento parcial dos débitos. Os embargos foram rejeitados, nos termos do despacho de fl. 1.435 (autos papel), sob o fundamento de que, para a então composição do colegiado recorrido, nos tributos por homologação, aplicavase a regra do art. 173, I, do CTN, somente nos casos em que se comprove a existência de fraude ou dolo, o que não seria a situação dos autos. Ainda não conformada, a PGFN volta aos autos, desta vez, para apresentar recurso especial de divergência, onde postula que a decadência seja examinada à luz do inciso I do art. 173 do CTN. Fl. 31573DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/04/ 2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO Processo nº 19515.001767/200769 Acórdão n.º 9303003.496 CSRFT3 Fl. 31.573 3 O apelo fazendário foi admitido nos termos do despacho de efls 1.466/1.467. Regularmente intimada do resultado do julgamento e, também, do despacho de admissibilidade do especial fazendário, a autuada interpôs embargos de declaração, em longo, exageradamente longo arrazoado, onde alega obscuridade e omissão do acórdão embargado. Apresentou também contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional. Os embargos foram rejeitados, nos termos do despacho de efls. 31.319/31.321. Cientificada desse despacho, a autuada apresentou recurso especial, efls. 31.359 a 31420, onde pugna pela correta interpretação do § 9ºA do art. 3º da Lei 9.718/98. O presidente do colegiado recorrido negou seguimento ao especial do sujeito passivo, conforme despacho de efls. 31.423 a 31.427. Reexaminando esse despacho, o Presidente da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais confirmou a negativa de admissibilidade do especial interposto pela contribuinte, efl. 31.428. Inconformada, a contribuinte apresenta pedido de revisão dos despachos que negaram seguimento a seu recurso especial, efls. 31.536 a 31.545. Esse pedido foi indeferido pelo Presidente da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do despacho de efl. 31.548. É o relatório. Voto Conselheiro HENRIQUE PINHEIRO TORRES O recurso apresentado pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a questão submetida a debate cingese a do prazo extintivo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, trazida no apelo fazendário, já que o especial apresentado pelo sujeito passivo, não logrou seguimento, visto que teve sua admissibilidade negada pelo Presidente da Câmara recorrida. Delimitada a lide, passemos a ela. No julgamento recorrido, aplicouse a regra do art. 150, § 4º, do CTN, em razão de o colegiado recorrido haver entendido que, nos tributos por homologação, a regra do art. 173, I, do CTN, somente se aplicaria nos casos em que se comprovasse a existência de fraude ou dolo, o que não seria a situação dos autos. A Fazenda Nacional, a seu turno, alega que o prazo decadencial deveria ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, já que não teria havido antecipação de pagamento dessas contribuições. A questão do termo inicial dos 5 anos previstos no Código Tributário foi decidida pelo STJ, na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil, onde foi Fl. 31574DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/04/ 2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO 4 assentado que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, ou a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação. De outro lado, o § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF determina que essa decisão seja, obrigatoriamente, reproduzida pelas turmas julgadoras deste Conselho. Nessa ordem das coisas, para o deslinde da questão aqui em análise importa identificar a existência ou não de pagamento (ainda que parcial) do tributo, de forma a aplicar se a norma de contagem do prazo decadencial prevista no art. 150, § 4º, ou no art. 173, inciso I, ambos do CTN. Pelos elementos que constam dos autos, não restam dúvidas de que, em relação ao PIS houve antecipação de pagamento, ainda que parcial, pois a autuada recolhia a contribuição com base na folha de salário. Os comprovantes do recolhimento, na parte que aqui interessa, constam às fls. 789 a 797 telas do SISTEMA SINAL da SRFB, 889 a 890 planilhas das DIFERENÇAS A PAGAR, e, finalmente, às fls. 891 a 899 DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO da Contribuição para o PIS/PASEP, do auto de infração. Diante disso, no tocante à decadência do PIS, a decisão recorrida não merece reparo, pois, comprovada a existência de antecipação de pagamento, sem ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial é a data de ocorrência do fato gerador e o final coincide com o dia em que se exauriu o quinquênio legal. De outro lado, a ciência do auto de infração deuse em 30 de agosto de 2007, assim, nessa data, encontravase decaído o crédito tributário referentes a fatos geradores ocorridos anteriormente a agosto de 2002 (o termo final da decadência é 30 de agosto de 2002, mas o fato gerador dessa contribuição ocorre no último dia do mês, daí, o crédito tributário referente a esse mês, não ter decaído). No tocante à decadência da Cofins, o acórdão recorrido merece reforma, pois, a antecipação de pagamento (parcial) ocorreu, tãosomente, em relação aos aos fatos geradores ocorridos até o mês de dezembro de 2.000, para os períodos posteriores, não houve qualquer antecipação, conforme se pode verificar nas planilhas de fls. 854 a 855 DIFERENÇAS A PAGAR; 856 a 864 DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, do auto de infração. Assim, para o crédito referente a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2.000 aplicase a regra trazida pelo § 4º do art. 150 do CTN, e para o referente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 2001, o termo inicial da decadência é o previsto no inciso do art. 173 do CTN. Consequentemente, na data da ciência do auto de infração, 30 de agosto de 2007, o crédito tributário relativo a fatos geradores ocorridos até novembro de 2001 encontravase extinto pelo decurso de prazo. Todavia, o crédito relativo a fatos geradores ocorridos em dezembro desse ano, teve o vencimento em janeiro de 2002, e, por conseguinte, o termo de início da decadência deuse em janeiro de 2003 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado), por via de consequência, a Fazenda poderia efetuar o lançamento até 31 de dezembro de 2007, e o fez antes, em 30 de agosto desse ano. Por óbvio, o crédito relativo a fatos geradores ocorridos posteriormente a dezembro de 2001, também não foram alcançados pela decadência. Fl. 31575DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/04/ 2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO Processo nº 19515.001767/200769 Acórdão n.º 9303003.496 CSRFT3 Fl. 31.574 5 Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional para afastar a decadência do crédito da Cofins relativo a fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2001, inclusive, e, restabelecer a pertinente exigência fiscal. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 31576DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/04/ 2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO
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Numero do processo: 12448.735830/2011-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2009
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS.
Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser conferida ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS DE MORA POR APLICAÇÃO DE NORMA INFRALEGAL. INOCORRÊNCIA.
Somente é cabível a exclusão da imposição de penalidades e da cobrança de juros de mora na hipótese de comprovada aplicação do disposto em normas complementares às leis. A alegada observação da Instrução Normativa SRF n° 84, de 11 de outubro de 2001, não possui o condão de afastar essa imposição, porque tal normativo não trata especificamente do caso discutido nos autos e, consequentemente, não pode dar suporte à interpretação do art. 135 do RIR/99.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9202-003.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que davam provimento parcial ao recurso para excluir os juros sobre a multa de ofício. Realizou sustentação oral: Representante da Fazenda Nacional, Dr. Moisés de Sousa Carvalho Pereira.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser conferida ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS DE MORA POR APLICAÇÃO DE NORMA INFRALEGAL. INOCORRÊNCIA. Somente é cabível a exclusão da imposição de penalidades e da cobrança de juros de mora na hipótese de comprovada aplicação do disposto em normas complementares às leis. A alegada observação da Instrução Normativa SRF n° 84, de 11 de outubro de 2001, não possui o condão de afastar essa imposição, porque tal normativo não trata especificamente do caso discutido nos autos e, consequentemente, não pode dar suporte à interpretação do art. 135 do RIR/99. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 58 30 /2 01 1- 42 Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Recurso Especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que davam provimento parcial ao recurso para excluir os juros sobre a multa de ofício. Realizou sustentação oral: Representante da Fazenda Nacional, Dr. Moisés de Sousa Carvalho Pereira. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12448.735830/201142 Acórdão n.º 9202003.765 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração referente a crédito tributário do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, apurado sobre a omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa, relativo aos anoscalendário 2006 e 2009, em face do contribuinte PEDRO BATISTA DE LIMA FILHO, no montante de R$ 1.455.461,81, sendo R$ 509.358,38, de imposto; R$ 182.065,86 de juros de mora calculados até 30/11/2011 e R$ 764.037,57 de multa proporcional calculada sobre o principal. De acordo com o termo de verificação fiscal (fls. 1008 a 1078), a fiscalização teve como objeto a análise da operação de alienação das ações do Banco Pactual S/A, CNPJ n° 30.306.294/000145, de propriedade do sócio PEDRO BATISTA DE LIMA FILHO, precedida por reorganização societária ocorrida entre sociedades holdings, que detinham todas as ações do Banco Pactual. Assim, descreveu o Auditor: A ação fiscal teve como objeto a análise da operação de alienação das ações do Banco Pactual S/A, CNPJ nº 30.306.294/000145, de propriedade do sócio Pedro Batista de Lima Filho, precedida por reorganização societária ocorrida entre sociedades holdings, as quais detinham todas as ações do Banco Pactual. A referida reorganização consistiu na extinção das holdings que detinham participação societária no Banco, por meio de sucessivas incorporações às avessas, culminando com a alienação das ações do Banco Pactual diretamente pelos acionistas pessoas físicas da instituição. Por meio da reorganização societária foi adotado um planejamento tributário inconsistente, por meio do qual se verificou a majoração ilícita do custo das ações alienadas, gerando, como consequência, a redução indevida do ganho de capital tributável obtido pelo acionista pessoa física. Verificouse um acréscimo no custo das ações alienadas do Banco Pactual S/A pertencentes ao acionista Pedro Batista de Lima Filho da ordem de 4.855.120%, na data da alienação em dezembro de 2006, enquanto o aumento de patrimônio líquido do Banco Pactual S/A, entidade que concentrava toda a riqueza efetiva do grupo, no mesmo período, foi de 92,01% conforme Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIPJ da instituição financeira relativa ao ano calendário de 2006. Constatouse, assim, uma total discrepância entre a evolução da riqueza da instituição financeira alienada com o acréscimo patrimonial do custo das respectivas ações pertencentes a um dos seus acionistas. Tais processos de reorganizações societárias não teriam como produzir efeitos econômicos que justificassem o acréscimo patrimonial da pessoa física, tendo como objeto tão somente a majoração irregular do custo de aquisição das ações alienadas Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 do Banco Pactual S/A e, consequentemente, a supressão de tributos devidos pela pessoa física relativos à operação de alienação do Banco. Através de contrato firmado em 09/05/2006, entre a pessoa jurídica UBS AG, a pessoa jurídica Pactual S.A (controladora direta do Banco Pactual S.A.) e as pessoas físicas que possuíam participação indireta sobre o patrimônio do Banco Pactual S.A., ficou definido, entre outras cláusulas, que as holdings detentoras de todas as ações do Banco Pactual S.A seriam extintas mediante a reorganização, para que os sócios pessoas físicas assumissem a condição de proprietários diretos das ações negociadas. O pagamento pela compra das ações do Banco Pactual S.A. foi dividido em parcelas, sendo a primeira paga na data de “Fechamento” da compra e venda das ações, ocorrido em dezembro de 2006, e a segunda em data posterior denominada de “Pagamento Diferido”. Além desses pagamentos, os alienantes das ações receberiam ainda outros valores denominados “Pagamentos Especiais; Usufruto”. Os sócios pessoas físicas providenciaram uma reestruturação societária no ano calendário 2006, mediante incorporações às avessas das holdings controladoras do Banco, para permitir que a transferência das ações do Banco Pactual S.A. ao UBS AG fosse feita diretamente pelos sócios pessoas físicas. Em 28/12/2004 e em 31/12/2005, foram realizados os aumentos do capital social de Pactual Participações Ltda nos montantes de R$ 210.000.000,00 e R$ 130.000.000,00, respectivamente, passando de R$ 125.000.321,05 para R$ 335.000.321,71 em 28/12/2004 e R$ 465.000.320,61 em 31/12/2005, mediante capitalização de parte dos lucros retidos na conta lucros acumulados da sociedade. Em 31/12/2005 a Pactual Participações Ltda é incorporada por Pactual Participações S/A, cujo capital social passou de R$ 26.969.514,00 para R$ 70.118.786,40 (aumento de R$ 43.149.272,40). Posteriormente, a Pactual Participações S/A transformouse em Nova Pactual Participações Ltda. Em 13/10/2006, foi realizado o aumento do capital social da Nova Pactual Participações Ltda no montante de R$ 686.000.000,00, passando de R$ 70.118.786,40 para R$ 756.118.786,40, mediante capitalização dos créditos detidos pelos sócios quotistas contra a sociedade. Em 13/10/2006 a Pactual Holdings S/A, aumentou seu capital social em R$ 202.500.000,00, mediante a capitalização de créditos detidos contra a sociedade e a capitalização da reserva legal da Companhia. Em 13/10/2006 a Pactual Holdings S/A é incorporada por Pactual S/A, passando o capital social da incorporadora de R$ 34.498.190,25 para R$ 64.248.147,47. Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12448.735830/201142 Acórdão n.º 9202003.765 CSRFT2 Fl. 4 5 Também nesta data, a Nova Pactual Participações Ltda é incorporada por Pactual S/A, cujo capital social passou de R$ 64.248.147,47 para RS 97.841.295,93. Em 01/11/2006, o capital social da Pactual S/A foi aumentado em R$ 3.862.542,92, passando para R$ 101.698.838,85, com a conseqüente emissão de duas ações preferenciais subscritas pelos acionistas André Santos Esteves e Gilberto Sayão da Silva e integralizadas mediante a capitalização de créditos por eles detidos contra a sociedade. Em 03/11/2006 a Pactual S/A aumenta seu capital social em R$ 996.087.876,00, passando este para R$ 1.097.786.714,85, mediante a capitalização de créditos detidos pelos acionistas contra a Companhia. Em 01/12/2006 a Pactual S/A é incorporada pelo Banco Pactual S/A, sendo vertido para o incorporador o patrimônio líquido da incorporada, de R$ 1.149.597.660,18. A partir deste último evento societário, os acionistas pessoas físicas passaram a ter participação direta no Banco Pactual S/A, detendo as ações que, posteriormente, foram alienadas. Observase um padrão nos eventos societários. Após o incremento dos respectivos Patrimônios Líquidos das companhias em decorrência dos ajustes de equivalência patrimonial originados pelo lucro do Banco Pactual S/A, todas as companhias Investidoras (Nova Pactual Participações Ltda, Pactual Holdings S/A e Pactual S/A) tiveram seus lucros e reservas capitalizados e posteriormente foram incorporadas pelas suas Investidas, operações essas inversas ao processo normal que é o da Investidora incorporar a Investida. Nos processos de incorporação reversa houve majoração irregular no custo das ações alienadas, tendo em vista que o processo de extinção das holdings Pactual Participações Ltda, Nova Pactual Participações Ltda e Pactual Holdings S/A, com a anterior capitalização de dividendos nos valores de R$ 210.000.000,00, R$ 130.000.000,00, R$ 43.149.272,40, R$ 202.500.000,00, R$ 686.000.000,00, não poderiam gerar o aumento no custo das ações alienadas do Banco Pactual S/A, uma vez que, posteriormente, houve acréscimo cumulativo do custo das aludidas ações alienadas com a incorporação do acervo líquido da Pactual Holdings S/A e da Nova Pactual Participações Ltda e, mais tarde, a capitalização dos dividendos da companhia Pactual S/A, anteriormente à sua incorporação pelo Banco Pactual S/A, no montante de R$ 1.063.293.524,60, que representa a soma das parcelas R$ 29.749.957,22, RS 33.593.148,46, RS 3.862.542,92 e R$ 996.087.876,00. Com o evento de incorporação, todo o acervo líquido da Pactual S/A (PL), no montante de RS 1.149.610.206,41, foi incorporado pelo Banco Pactual S/A. As ações ou quotas recebidas pelo sócio ou acionista, em decorrência do aumento de capital subscrito pela sociedade fundida, incorporada ou cindida, continuam sendo basicamente Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 as mesmas de antes, ainda que qualitativamente tenha sofrido alteração, da mesma forma como se aceitaria indiscutivelmente como inalterada a participação societária dos sócios ou acionistas que participavam em uma sociedade que tenha incorporado patrimônio de outra. Concluise que o custo da ação alienada por cada acionista tem como base a participação de cada um deles no capital social da Pactual S/A, em 01/12/2006. Todavia, o contrato firmado na compra e venda do Banco Pactual S/A determinava que, entre a data da celebração do negócio e a data da efetivação do mesmo os lucros auferidos seriam objeto de distribuição aos antigos proprietários, de tal forma, que em 22/02/2007, os acionistas alienantes, àquela época ex acionistas, receberam de dividendos o montante de R$ 290.754.000,06. Tal montante, portanto, referese a lucros auferidos até 01/12/2006 e, para que pudessem ser distribuídos deveriam estar incluídos no patrimônio líquido da Pactual S/A. Por isso, esta parcela deve ser deduzida do custo de aquisição apurado. Com isso, chegase ao custo das ações alienadas pelo Contribuinte, que é de R$ 2.137.531,05, correspondente a 0,25% do total da sociedade. O que evidencia a irregularidade é que o sujeito passivo recebeu novas ações em troca das extintas, por ocasião da extinção da Nova Pactual Participações Ltda, mantendo assim, em sua propriedade a mesma parcela que detinha indiretamente do Banco Pactual S/A, entidade que concentrava a efetiva riqueza econômica e financeira do grupo empresarial, como também aumentou o custo de aquisição de tais ações por meio de dividendos não distribuídos. Os dividendos capitalizados são os mesmos, na medida em que as Reservas e Lucros capitalizados por Nova Pactual Participações Ltda e Pactual S/A nada mais são do que o Resultado da Equivalência Patrimonial do Banco Pactual S/A. As operações engendradas pelas citadas sociedades empresariais (uma autêntica cadeia de repercussões de equivalência patrimonial), no que concerne à questão da incorporação de lucros e dividendos, somente encontra lastro jurídico contábil financeiro no que se refere àqueles gerados pelo Banco Pactual S/A, com repercussão na controladora Pactual S/A. Com efeito, eventuais ajustes promovidos pelo Banco Pactual S/A em função de acréscimos patrimoniais ocorridos nas sociedades Pactual Participações Ltda e Nova Pactual Participações Ltda nada mais eram do que a própria riqueza gerada pelo Banco Pactual S/A, as quais já haviam sido consignadas no patrimônio de Pactual S/A. A capitalização cumulativa dos lucros de equivalência patrimonial para aumentar o custo de aquisição das ações acima do cabível não pode ser admitida por causa de sua ilicitude, além do que deve ser inibida, para que, futuramente, não só comprometa a eficácia de toda tributação do ganho de capital sobre participações societárias, uma vez que o estratagema contábil viabilizaria a utilização de “empresas de papel” (holdings) tão somente para não pagar imposto de renda sobre Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12448.735830/201142 Acórdão n.º 9202003.765 CSRFT2 Fl. 5 7 ganho de capital, distorcendo gravemente a percepção do Fisco acerca da capacidade contributiva dos sócios pessoas físicas. Com os procedimentos adotados pelos ex acionistas, estes informaram no Demonstrativo de Ganho de Capital de suas Declarações de Ajuste Anual o custo majorado de suas ações, inserindo, dessa forma, elementos inexatos com o fim de pagar menos imposto de renda, conduta que se insere no contexto de fraude à fiscalização tributária, sendo o tipo doloso (art.72, da Lei 4.502/64). Todo o arcabouço montado foi no sentido de prejudicar o direito do Fisco, configurando, em tese, crime contra a Ordem Tributária definido no inciso I, dos artigos 1 o e 2o da Lei 8.137/90. O ato praticado vai contra as palavras e espírito da lei (art. 135 do RIR/99), apesar de o contribuinte fiscalizado afirmar que nela se baseou. Mesmo que isso fosse verdade, o ato preservaria a letra da lei, mas ofenderia o espírito dela, envolvendo o abuso do direito, intimamente ligado à idéia segundo a qual não há direito ilimitado. O abuso do direito pode ser definido como o exercício egoístico, normal do direito, sem motivos legítimos, com excessos intencionais ou voluntários, dolosos ou culposos, nocivos a outrem, contrários ao critério econômico e social do direito em geral. Foi aplicada a multa de 150% com base no art. 957, II, do RIR/99, tendo em vista a intenção do fiscalizado de majorar o custo de suas ações e permanecer com esse valor de custo majorado, mesmo após o recebimento de dividendos previstos no contrato de compra e venda das ações do Banco Pactual S/A em fevereiro de 2007, momento em que deveria recalcular o imposto apurado referente à primeira parcela, deduzindose tal valor do custo. Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais – Processo nº 12448.735831/201197, para comunicação ao Ministério Público da prática de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária. Em decorrência do procedimento adotado pelo recorrente, o aumento de capital da pessoa jurídica incorporada com os lucros de equivalência patrimonial auferidos no exercício em que ocorreu a incorporação (sem que estes restassem capitalizados ao fim do processo de reorganização societária) possuiria a finalidade de inflar os lucros isentos. Com isso, o benefício fiscal de isenção seria, indevidamente, maior do que o de possível fruição. Foi proferida decisão pela 21ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, fls. 1230 a 1257, que manteve a autuação do IRPF nos anos calendários 2006 e 2009. Inconformado o recorrente apresentou recurso voluntário, abaixo transcrito (é incluída transcrição de parte do acórdão recorrido): Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 a autuação considerou dispositivos genéricos na sua fundamentação que não guardam relação direta com a matéria autuada. Não há no auto de infração comprovação do dispositivo legal que fora violado. · a então estrutura societária do Grupo Pactual com a presença de 02 holdings era factível e interessava de forma imprescindível à gestão do Grupo, pois garante que o poder de decisão seja alocado de forma coerente, observando as regras civis e societárias vigentes, bem como permite que a distribuição de resultados seja efetuada de acordo com a participação de cada acionista para alcançar o resultado. Ou melhor, aqueles acionistas que mais contribuíram recebem mais do que aqueles que menos contribuíram, prezando pelo caráter meritório da distribuição de resultados. Logo, a estruturação do Grupo Pactual em holdings não tem o intuito de evitar ou reduzir o pagamento de tributos. · a reestruturação societária prévia à alienação do Banco Pactual foi necessária em razão de exigência do comprador que tinha como alvo a empresa operacional do Grupo Pactual, ou seja, o Banco Pactual. Portanto, a reestruturação goza de propósito negocial e econômico e foi efetuada da forma mais célere e menos burocrática com vistas que o negócio fosse concretizado em um curto espaço de tempo. · a conduta do Recorrente pautouse na aplicação da legislação tributária em vigor que autoriza o aumento do custo de aquisição do investimento em face à capitalização de lucros e /ou reservas de lucros. · a aplicação da multa qualificada deve ser desconsiderada por restar demonstrado durante à fiscalização que a intenção do Recorrente não foi a redução do pagamento de tributo de forma artificial e ilícita. O Recorrente não se valeu de fraude, abuso de direito ou simulação em sua conduta. · em antecipação defende que não devem incidir juros de mora sobre a multa de ofício por se tratar de uma majoração indevida da penalidade já aplicada. Em sessão plenária de 13/08/2013, foi concedido provimento parcial ao recurso voluntário para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, prolatandose o Acórdão nº 2201002.198 (fls. 1340 a 1357), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2006, 2009 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS REFLETIDOS NAS EMPRESAS HOLDINGS INCORPORADAS. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. É indevida a majoração do custo de aquisição na capitalização de lucros ou reservas de lucros apurados na empresa investidora pelo Método de Equivalência Patrimonial refletidos nas Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12448.735830/201142 Acórdão n.º 9202003.765 CSRFT2 Fl. 6 9 empresas holdings investidoras com a incorporação pela investidora. MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. ASPECTO SUBJETIVO DO INFRATOR. DOLO GENÉRICO E DOLO ESPECÍFICO. Em toda e qualquer infração está presente a culpa ou dolo genérico, sujeito a multa de oficio de 75%. Na imposição da multa qualificada de 150% também se exige o dolo, mas o dolo específico, a conduta e vontade deliberada de sonegar, com assunção do risco consciente da infração agravada. Incabível assim a imposição da multa qualificada quando não se comprovar, de forma firme e estreme de dúvidas, o dolo especifico, o aspecto subjetivo do infrator na vontade deliberada ou assunção consciente do risco da sonegação. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Devidos os juros de mora sobre a multa de oficio, na esteira dos precedentes da Câmara Superior deste Conselho e do C. Superior Tribunal de Justiça. Foi dada ciência à PGFN, fls. 1359, que não interpôs recurso. Devidamente cientificado da decisão proferida, o contribuinte interpôs Recurso Especial, fls. 1373 a 1414. De acordo com o recorrente, o Acórdão teria divergido em relação à forma de apuração do custo de aquisição a ser considerado no cálculo do ganho de capital na operação de alienação da participação societária no Banco Pactual S/A, comparativamente ao decidido no Acórdão CARF nº 210201.938, prolatado pela 2a. Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:2006 IRPF. GANHO DE CAPITAL. INEXISTÊNCIA DE SIMULAÇÃO. Há um consenso entre a Doutrina e a Jurisprudência quanto ao fato de que são considerados simulados os atos realizados pelas partes quando a intenção delas não corresponde àquela expressa pelos atos efetivamente realizados (ou exteriorizados). Por outro lado, quando os atos praticados revelam exatamente a intenção das partes, não há que se falar em simulação. IRPF. GANHO DE CAPITAL NA VENDA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. APURAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. INCORPORAÇÃO REVERSA. CAPITALIZAÇÃO DOS LUCROS. APLICAÇÃO DO ART. 135 DO RIR/99. O art. 135 do RIR/99 prevê expressamente que “no caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista”. A lei não prevê qualquer exceção à aplicação da norma, de forma que, para afastála, deverá ser demonstrada pela fiscalização a sua inaplicabilidade ao caso concreto. Diante da falta de tal demonstração, não pode prevalecer o lançamento. Por sua vez, em relação aos juros sobre multa de ofício, foram apresentados os paradigmas: Acórdãos CSRF 0203.133 e 180200.981. Acórdão paradigma CSRF 0203.133 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2003 COFINS. DECADÊNCIA. Nos casos de lançamento por homologação em que há a antecipação do pagamento, aplicase o artigo 150 §4° do CTN, contandose o prazo de 5 anos da ocorrência do fato gerador. NORMAS PROCESSUAIS. Em respeito ao principio da economia processual, se determinada questão é afeta diretamente ao processo administrativo fiscal em curso, deve ser conhecida e enfrentada de pronto. Desnecessário se aguardar outro momento futuro para fazêlo. ATUALIZAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. FATOS GERADORES A PARTIR DE 1°/01/97. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de oficio aplicada. Recurso Especial do Contribuinte Provido.” (destaques do Recorrente) O recurso especial foi regularmente admitido, em relação às duas matérias suscitadas: (a) forma de apuração do custo de aquisição a ser considerado no cálculo do ganho de capital e (b) juros de mora sobre a multa de ofício, conforme despacho de fls. 1399 a 1517. No que concerne às alegações de mérito no Recurso Especial, o Contribuinte repisa os argumentos apresentados em seu recurso voluntário, porém ressalta que, pelas autuações, não haveria divergência pela fiscalização quanto ao fato de o custo dos investimentos dos acionistas não poder ser realizado como feito. Destaca que a forma da quantificação do ganho de capital tem variado de uma fiscalização para outra, mostrando a precariedade dos argumentos utilizados pela RFB ao promover os lançamentos. Essa diversidade de critérios na quantificação do ganho de capital dos acionistas evidenciaria que o lançamento se baseou exclusivamente no efeito econômico gerado pela reestruturação, e não na lei, violando o princípio da legalidade. Por fim, requer que fosse reformado o Acórdão Recorrido e cancelado o auto de infração. Subsidiariamente, requer que fossem canceladas as multas e juros de mora, com base no art. 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a observância plena, pelo recorrente, da Instrução Normativa SRF 84/2001. Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12448.735830/201142 Acórdão n.º 9202003.765 CSRFT2 Fl. 7 11 Relativamente ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte, a Fazenda Nacional ofereceu contrarrazões, fls. 1501 a 1523, nas quais requer a negativa de provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELO CONTRIBUINTE Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 1494 a 1499. Não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito I Interpretação da legislação aplicável ao caso de capitalização de lucros de uma pessoa jurídica, bem como a forma de apuração do custo de aquisição a ser considerado no cálculo do ganho de capital, relativamente à operação de alienação da participação societária do Contribuinte no Banco Pactual S/A a empresa do Grupo UBS. Considerando os diversos fatos narrados pela autoridade fiscal, a vasta argumentação trazida tanto pelo recorrente como pela procuradoria da Fazenda Nacional, podemos identificar que não se trata de matéria simples, exigindose estudo detalhado. Embora a referida matéria seja complexa, já foi objeto de debates intensos neste Colegiado, com sustentações das partes e discussões que muito corroboraram a decisão já proclamada em outros processos, envolvendo fatos semelhantes. É neste ponto que peço licença ao ilustre conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, relator do Processo 12448.736152/201135, Acórdão nº 9202003.700, julgado em 27 de janeiro de 2016, para adotar seu voto como fundamento para o presente julgamento. Considero que o relator conseguiu brilhantemente demonstrar, no trecho abaixo transcrito – que adoto como razão para decidir –, a interpretação adequada do art. 135 do RIR, que vai no sentido contrário ao defendido pelo contribuinte, ora recorrente. "O cerne da questão é identificar se a legislação aplicável no caso de capitalização de lucros de uma pessoa jurídica, no tocante à atualização do custo de aquisição das participações societárias mantidas pelos proprietários dessa pessoa jurídica, bem como a Pela complexidade do tema, dividirei meu voto em quatro partes, a saber: (a.I) a delimitação do problema a ser enfrentado, (a.II) a interpretação correta da legislação aplicável, (a.III) a aplicação da legislação ao caso dos autos e (a.IV) conclusão. a.I – Delimitação do Problema Vejamos aqui o dispositivo central da discussão: o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro 1995, base legal do art. 135 do Decreto n° 3.000, de 1999, expressamente referido no auto de infração, in verbis: Art. 10. ... Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12448.735830/201142 Acórdão n.º 9202003.765 CSRFT2 Fl. 8 13 Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Com base nesse dispositivo, o aumento de capital, realizado por uma pessoa jurídica, por incorporação de lucros, implica o aumento proporcional do custo de aquisição da participação societária de seus proprietários. Para exemplificar essa determinação, considere uma participação societária correspondente a 100% do capital de uma pessoa jurídica (detida por dois sócios, pessoas físicas), adquirida por R$ 1.000,00. Considere, também, que essa pessoa jurídica, em seguida, tenha auferido um lucro de R$ 100,00 e o tenha capitalizado. Considere, por fim, que os sócios tenham alienado essa participação societária a terceiros por R$ 1.500,00. Nesse caso, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, a alienado por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não seria de R$ 500,00, mas apenas de R$ 400,00. Isso porque os lucros de R$ 100,00, capitalizados, têm o condão de aumentar o custo de aquisição da participação societária e, consequentemente, de diminuir o ganho de capital. Dessa forma, de uma maneira simples e apressada, poderseia concluir que qualquer capitalização de lucros implicaria um aumento do custo da correspondente participação societária. Ocorre que essa interpretação, no entender deste conselheiro, é literal e, considerando exclusivamente o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, gera incoerências no sistema jurídico e disfuncionalidades na tributação de operações. Para ilustrar a questão, vejamos uma situação, em tudo semelhante à anterior, porém em que os sócios tenham decidido criar uma holding controladora da pessoa jurídica operacional, que por sua vez, passaria a ser subsidiária integral da holding. Nesse caso: inicialmente, teríamos os sócios, como proprietários da Holding, e esta reconhecendo em seu ativo uma participação societária na pessoa jurídica operacional, avaliada em R$ 1.000,00 por equivalência patrimonial; em seguida, com a pessoa jurídica operacional auferindo lucros de R$ 100,00, a Holding (por equivalência patrimonial) iria refletir esse lucro no valor de sua participação societária, o que resultaria no reconhecimento de lucros, também no valor de R$ 100,00; prosseguindo, a holding capitalizaria o lucro por ela reconhecido por equivalência patrimonial e, consequentemente, os proprietários atualizariam o valor da participação societária, para R$ 1.100,00; em momento posterior, a pessoa jurídica operacional incorporaria a holding, mantendo porém os lucros, de R$ 100,00, em seu patrimônio líquido e, somente então, capitalizaria esses lucros, permitindo que os proprietários atualizassem, mais uma vez, o valor da participação societária, agora para R$ 1.200,00; por fim, com os proprietários alienando sua participação societária por R$ 1.500,00, seria apurado um ganho de capital de apenas R$ 300,00. Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 Repare que, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, alienado essa participação societária por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não foi de R$ 500,00, nem de R$ 400,00, mas de apenas R$ 300,00. Isso ocorreu porque os lucros de R$ 100,00, reconhecidos na Holding por equivalência patrimonial foram capitalizados, aumentando o custo de aquisição da participação societária e, posteriormente, os mesmos lucros de R$ 100,00, auferidos pela pessoa jurídica operacional, em função de suas atividades, também foram capitalizados, aumentando mais uma vez o custo de aquisição da participação societária. Consequentemente, vemos aqui o ganho de capital reduzido duas vezes. Ora, essa situação é – em essência – igual à anterior: (a) uma participação societária adquirida por mil reais, (b) a correspondente empresa – operacional – que aufere 100 reais de lucro e (c) a venda dessa participação societária por mil e 500 reais. Mas apenas pela interposição de uma holding na estrutura societária do grupo econômico, o ganho de capital ficaria reduzido. E o pior, se – ao invés de uma holding – existissem duas ou mais, o ganho de capital seria mais reduzido ainda. Portanto, essa aplicação direta do parágrafo único a qualquer incorporação de lucros leva à incoerente conclusão de que, em se existindo várias holdings interpostas entre os proprietários e a pessoa jurídica, o ganho de capital pode ficar artificialmente reduzido, até a zero ou ainda a valores negativos. E adicionalmente, com essa interpretação, a capitalização de lucros apenas nas Holdings, além de permitir que o ganho de capital fosse reduzido, permitiria que o lucro registrado na pessoa jurídica fosse, posteriormente, distribuído isento, aos proprietários ou então aos futuros adquirentes. O que se discute aqui é o efeito da aplicação da legislação tributária em situações como essa, de capitalização de lucros em uma pessoa jurídica que detenha participação em outras pessoas jurídicas, para fins de cálculo do custo das ações ou cotas dessa primeira pessoa jurídica. Delimitados os problemas a serem enfrentados, passo agora à análise da legislação de regência. a.II Interpretação da Legislação Com efeito, a capitalização de lucros nada mais é do que uma operação que substitui o seguinte procedimento: (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Por outro lado, o método da equivalência patrimonial tem por objetivo refletir no patrimônio de uma pessoa jurídica controladora (ou coligada) de outra, o patrimônio e consequentemente o resultado da investida. Com efeito, ele serve para refletir a situação da investida no patrimônio da investidora. Esclarecendo a questão, Modesto Carvalhosa, em Comentário à Lei de Sociedades Anônimas (Saraiva São Paulo, 1998) ensina que: de início todos os investimentos (inclusive de empresas controladas) eram registrados pelo custo e os respectivos lucros somente eram reconhecidos quando da distribuição de lucros ou dividendos, já no caso de prejuízos, no máximo era aceito o reconhecimento de uma provisão para perdas no investimento; Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12448.735830/201142 Acórdão n.º 9202003.765 CSRFT2 Fl. 9 15 com influência anglosaxã, surgiu a figura da consolidação de balanços e, consequentemente, de reconhecimento do lucro de pessoas jurídicas controladas no patrimônio da controladora; estendendose esse raciocínio a todos os investimentos relevantes, surgiu a equivalência patrimonial, para dar o mesmo efeito da consolidação, trazendose para uma linha do ativo da investidora, uma parte do patrimônio (e do resultado) da investida. Nesse mesmo sentido, no dizer de Eliseu Martins, em Iniciação à Equivalência Patrimonial Considerando Algumas Regras Novas da CVM (IOB São Paulo 1997) o Método da Equivalência Patrimonial é a consolidação de patrimônios em uma linha. A propósito, lembramos que, no procedimento de consolidação, para apresentação da efetiva situação patrimonial, os lucros refletidos por equivalência patrimonial no patrimônio das investidoras devem ser eliminados. Realizaremos, agora, a análise jurídica da legislação, sem perder de vista essas características ontológicas (a) da operação de capitalização de lucros e (b) do método da equivalência patrimonial. Para fins de contextualização histórica da questão, cumpre referir que, nos termos da legislação anteriormente vigente, a capitalização de lucros, assim como a distribuição de ações bonificadas, não tinha qualquer efeito na determinação do custo de aquisição da participação societária dos proprietários da pessoa jurídica. Com efeito, naquele período: o lucro distribuído era passível de tributação; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias não era alterado quando da capitalização de lucros pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado como igual a zero. Nesse sentido, cabe referência aos arts. 727 e 810 do Decreto 1.041, de 1994. (a) Art. 727 – lucros distribuídos até 1988 eram tributados: Art. 727. Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, apurados em balanço de períodobase encerrado até 31 de dezembro de 1988, pagos por pessoa jurídica, inclusive sociedade em conta de participação, a pessoa física residente ou domiciliada no País, estão sujeitos à incidência de imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de (DecretosLeis n°s 1.790/80, art. 1°, 2.065/83, art. 1°, I, a, e 2.303/86, art. 7° parágrafo único): ... (b) Art. 810 – o custo de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucro era igual a zero: Art. 810. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital ... § 2° O custo é considerado igual a zero (Lei n° 7.713/88, art. 16, § 4°): Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 16 a) no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas, apurados até 31 de dezembro de 1988; ... Reparase aqui a coerência dos dispositivos acima referidos. Como, na época, a distribuição de lucros era tributada, a capitalização do lucro não alterava o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro capitalizado seria alcançado pelo ganho de capital. Ora, a partir de 1996, temos uma clara mudança de tratamento na distribuição de lucro, que passou a não ser tributada, nem na fonte, nem na declaração de ajuste, nos termos do disposto no art. 10, da Lei n° 9.249, de 1995. Assim: o lucro distribuído deixou de ser tributado; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias passou a ser alterado quando da capitalização de lucros distribuíveis pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado igual ao desse lucro capitalizado. A seguir, encontrase reproduzido o caput do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, e seu respectivo parágrafo. Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Reparase, da mesma forma que no sistema vigente anteriormente, a coerência dos dispositivos acima referidos. Como a distribuição de lucros deixou de ser tributada, a capitalização do lucro distribuível passou a alterar o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro (distribuível isento e capitalizado) não seria alcançado pelo ganho de capital. Portanto, conhecendo a razão histórica do surgimento da legislação, (que foi a alteração de tributação para nãotributação da distribuição de lucros), para compreensão da legislação, (a) afastamos a aplicação da interpretação literal e (b) entendemos como mandatória a aplicação da interpretação histórico/teleológica (acima discutida) e, sobretudo, da interpretação sistemática dos dispositivos relativos ao método da equivalência patrimonial, à distribuição e à capitalização de lucros. Ressaltese aqui que todos esses métodos de interpretação convergem. Especificamente quanto à interpretação sistemática é muito fácil perceber que não se deve considerar somente a leitura do parágrafo, mas também (e sobretudo) a leitura do caput do próprio artigo 10 da Lei n° 9.249, de 1995. Aliás, essa é uma regra hermenêutica básica, o parágrafo deve sempre se referir ao caput, sendo que Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12448.735830/201142 Acórdão n.º 9202003.765 CSRFT2 Fl. 10 17 sua consideração em separado gera problemas de contexto e, o que é pior, gera a famosa falácia de ênfase em que, se acentuando um aspecto da realidade, acabase por negar a própria realidade. Ora, no caput, é referido que os lucros ou dividendos pagos ou creditados é que não estarão sujeitos à incidência do imposto de renda. Portanto, interpretando o parágrafo nos limites do que dispõe o caput, concluímos facilmente que a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo de aquisição de participações societárias é aquela referente a lucros passíveis de efetiva distribuição aos sócios ou acionistas sem tributação. Por seu turno, conforme já colocado no início desse voto, temos que o método da equivalência patrimonial teve por objetivo o reconhecimento de lucros de investidas, mesmo antes de sua distribuição. Não se está aqui negando a existência de um lucro decorrente do ajuste de equivalência patrimonial, mas não podemos deixar de levar em conta o fato de o lucro não é efetivamente distribuído mais de uma vez. Com efeito, o lucro decorrente do ajuste por equivalência patrimonial, é somente o reflexo do lucro auferido pela pessoa jurídica operacional (investida), esse último sim, passível de efetiva distribuição. Comprovando a conclusão acima, sabemos que a distribuição de lucro, registrado em decorrência do ajuste de equivalência patrimonial implica a necessidade de contratação de empréstimos ou distribuição de recursos aportados a título de capital. Pois bem, devemos nos lembrar de que a própria operação de capitalização de lucros foi concebida como um atalho para substituição do complexo procedimento de (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Agora, a partir do que se encontra acima colocado, é possível chegarmos a uma conclusão quanto ao procedimento de aplicação da legislação, no tocante à atualização do custo da participação societária, em função da capitalização de lucros pela pessoa jurídica. Considerando que a efetiva distribuição de lucros deve se dar a partir da pessoa jurídica operacional, essa distribuição, seguida de subscrição de aumento de capital nas empresas componentes de um grupo econômico (a pessoa jurídica operacional e suas holdings) deve ter por efeito patrimonial o aumento de capital em toda a cadeia de entidades relacionadas societariamente. Por óbvio não é possível distribuir mais de uma vez o mesmo lucro (o lucro e seus reflexos por equivalência patrimonial), portanto também não deve ser aceitável, pelo menos para fins fiscais, capitalizálo mais de uma vez. A conclusão acima é inevitável, porque: as disponibilidades passíveis de distribuição estão no patrimônio da pessoa jurídica operacional, que somente pode distribuir o lucro para sua proprietária direta, a holding; já, a holding, somente pode distribuir o lucro aos acionistas, pessoas físicas, após o recebimento dos recursos da pessoa jurídica operacional; Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 18 os acionistas, por sua vez, somente podem aumentar capital na holding, em que possuem participação direta; e por fim, a holding, com os recursos recebidos, poderá aumentar capital da pessoa jurídica operacional. Ora, consequentemente, somente haverá capitalização de lucros efetivamente distribuíveis caso todas as pessoas jurídicas da cadeia societária (holdings e empresa operacional) realizem a capitalização. Ao contrário, caso ocorra apenas a capitalização dos lucros de holdings, o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, não incide, devendo ser mantido o valor da participação societária pelos proprietários, até mesmo porque os efetivos lucros da pessoa jurídica operacional ainda poderão ser distribuídos sem tributação (para os próprios sócios) ou para futuros adquirentes. E, ainda, quando houver holdings mistas, com operações próprias, a capitalização de seus lucros, sem que tenha ocorrido a correspondente capitalização dos lucros das investidas, somente poderá ter efeito parcial na atualização do custo da participação societária de seus sócios. Isso é facilmente calculado com base na memória de cálculo abaixo: ( ) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding (‐) Lucro/Reservas Existentes na Investida (*) % de participação (=) Lucro passível de distribuição pela Holding (/) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding (=) Percentual aceitável para aumento do custo da participação (*) Valor do aumento de custo considerando o total do lucro capitalizado pela Holding (=) Valor aceitável para aumento do custo Reparase que a memória de cálculo acima é simples, utilizando somente as quatro operações matemáticas e os dados constantes dos balancetes da holding e da correspondente investida, na data da capitalização de lucros. Ela atende a aplicação do disposto no Art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, tanto no caso de holdings mistas (com operações próprias), como no caso de distribuição diferenciada de lucros (em percentual diferente daquele da participação societária do acionista). a.III – Aplicação da Legislação ao Caso dos Autos Verifico que, no caso dos autos, somente houve capitalização de lucros nas holdings, tendo sido mantido sem capitalização todo o lucro da pessoa jurídica operacional. Com efeito, no caso dos autos: ocorreram duas capitalizações seguidas de lucros, ambos reconhecidos em decorrência da aplicação do método de equivalência patrimonial às participações societárias de duas holdings (a NOVA PACTUAL e a PACTUAL) e não houve a capitalização dos lucros auferidos pela pessoa jurídica operacional (o BANCO PACTUAL); Nesse ponto, convém retratar a aplicação do voto do ilustre Dr. Luiz Eduardo de Oliveira Santos, ao caso ora em análise, já que em relação a cada um dos sócios procedeu a fiscalização o levantamento das diferenças entre os valores declarados como ganho de capital para fins de cálculo do imposto devido, comparandoos com o valor real do ganho excluídas as capitalizações realizadas em cadeia. Senão vejamos: A autoridade fiscal, insurgindose contra a sequência de capitalizações perpretadas pelo contribuinte, achou por bem arbitrar em R$ 2.137.531,05 o valor do custo das Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12448.735830/201142 Acórdão n.º 9202003.765 CSRFT2 Fl. 11 19 ações do autuado, correspondente a 0,25% do total do acervo líquido da última sociedade holding incorporada (Pactual S/A), líquido dos dividendos distribuídos (fl. 33 a 46) Porém, de acordo com a interpretação já apresentada pelo Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, no Processo 12448.736152/201135, os aumentos de custo decorrentes das capitalizações ocorridas em 2006 em Nova Pactual Participações Ltda. (NPP) e Pactual S/A (PSA), respectivamente nos valores de R$ 3.918.688,00 e R$ 2.490.216,00 (fls. 33 a 46), deveriam ter sido glosados. Isso porque o lucro da pessoa jurídica operacional (ou seja, o lucro efetivamente auferido pelo BANCO PACTUAL) continuou mantido em seu patrimônio líquido, após as incorporações reversas, e consequentemente permaneceu passível de distribuição isenta aos adquirentes, ou terceiros (até mesmos os próprios alienantes), conforme acordo entre as partes. Nesse sentido, concluiu no referido processo, que trata das mesmas questões aqui expostas, que de fato, os alienantes venderam aos adquirentes do Banco o direito de receber os lucros isentos de tributação ou de repasse desse valor a terceiros. Ora, como, (a) em primeiro lugar, a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo da participação societária é somente aquela relativa aos lucros efetivamente distribuíveis isentos de tributação e como, (b) em segundo lugar, a distribuição de lucros com isenção de tributação foi, no caso, efetivamente transferida (aos adquirentes do banco, ou terceiros por eles determinados), (c) podemos concluir que as capitalizações de lucros realizadas no anocalendário de 2006 não podem ter qualquer efeito no custo da participação alienada. Verifico, ainda, a propósito a partir do valor concedido pela fiscalização (R$ R$ 2.137.531,05) que, uma vez sendo glosadas as duas capitalizações ocorridas em 2006, aplicandose assim o procedimento defendido pelo Conselheiro Luiz Eduardo no voto transcrito, o valor do tributo devido seria maior do que o originalmente lançado, uma vez que se atingiria um montante de custo a ser concedido de aproximadamente R$ 0 (132,00), conforme a seguir apurado: ( ) Custo considerado pelo autuado por ele informado 6,40 () Aumento de custo pela 1a capitalização 3,91 () Aumento de custo pela 2a capitalização 2,49 (=) Custo original a ser aceito conforme procedimento do conselheiro 0* () Custo considerado conforme critério do autuante 2,14 (=) Custo considerado a maior 2,14 Obs.: *132,00 consta como valor originalmente pago. Obs.: Informações extraídas do Termo de Verificação Fiscal (apresentadas em R$ milhões) Reparase que o valor acima calculado é muito inferior ao referido montante de R$ 2.137.531,05, considerado como custo na apuração do ganho de capital pela autoridade autuante, o que torna despiciendo buscar qualquer ajuste nesse valor. Quanto à alegação de erro na base de cálculo pela fiscalização ter aplicado critérios distintos, entendo que o voto do conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos bem esclarece a forma que o cálculo deveria ser realizado. Apesar de a adotada pela fiscalização ter beneficiado o contribuinte, de forma alguma desnaturou o lançamento. A autoridade fiscal identificou a base de cálculo, conforme o valor de cotas apontadas pelo próprio recorrente em Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 20 sua declaração de ajuste anual, e compensou o valor tempestivamente recolhido pelo sujeito passivo. Aliás, quanto a possíveis alegações de alteração do critério jurídico, também bem colocou o Dr. Luiz Eduardo na sequência de seu voto, que novamente transcrevo como razões de decidir: Por conta das discussões travadas em plenário sobre o tema, penso ser necessário aqui fazer um esclarecimento quanto à dúvidas sobre a eventual ocorrência de alteração do critério jurídico do lançamento por esta decisão. Tenho plena convicção de que não se está aqui alterando critério jurídico, porque no lançamento e na respectiva impugnação encontramse claramente fixados os limites da lide e não foram alterados. Com efeito, o fato e a acusação em debate estão perfeitamente descritos no termo de verificação fiscal e, na decisão, é precisamente esse fato que se analisa: i. o fato é a alienação de participações societárias, ii. a acusação é de insuficiência do recolhimento do tributo por erro na apuração do ganho de capital, por se entender que a capitalização de lucros refletidos em sociedades investidoras, pelo método da equivalência patrimonial, não teria o condão de alterar o custo da participação societária alienada. iii. o que se apresenta aqui, sem qualquer inovação quanto ao fato analisado e a acusação originalmente feita, é o fundamento que este conselheiro entende ser suficiente para julgamento da acusação, em face das alegações do sujeito passivo. Diferente seria o caso em que há uma acusação verificada insubsistente mas, por conta de outra infração, fosse mantido o tributo lançado, situação que não ocorre aqui. Cumpre lembrar que o julgador não está vinculado ao fundamento das partes, somente não pode exarar uma decisão extrapetita, o que, conforme acima esclarecido, não ocorreu. [...] a.IV – Conclusão Como a exigência original foi apenas de parte do valor que este conselheiro, nos termos da fundamentação deste voto, entende devido, e considerando a impossibilidade de reformatio in pejus voto por NEGAR provimento ao recurso especial de iniciativa do contribuinte, para manter o crédito tributário reconhecido como devido pela decisão a quo, inclusive a multa de ofício no patamar mantido pelo acórdão recorrido, bem como a incidência de juros de mora sobre o principal e sobre a mencionada multa. Assim, concluindo, verificase que o recorrente aumentou o custo de aquisição de sua participação, por meio de artifícios contábeis que tiveram como única origem o lucro obtido pelo Banco Pactual S/A. Houve o aumento do custo de aquisição pelo efeito multiplicativo dos resultados do Banco Pactual, evidenciando, dessa feita, a elevação artificial do custo de alienação das ações. De fato, a mesma riqueza representou aumento do custo de aquisição mais de uma vez, reduzindo o ganho de capital e, por consequência, o pagamento do imposto de renda. Cito aqui conclusão do ilustre conselheiro Eduardo Farah, no Acordão nº 2201002.638, que resume, com propriedade, a solução para o caso em tela: Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12448.735830/201142 Acórdão n.º 9202003.765 CSRFT2 Fl. 12 21 "Concluise, pois, que o recorrente majorou artificialmente o custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, já que seu propósito era de fato reduzir o montante de seu ganho de capital e consequente imposto incidente sobre essa alienação. Essa premissa fica mais evidente quando se constata que os aumentos de capital tiveram origem em um único fato econômico, o lucro obtido pelo Banco Pactual S/A, sendo que os demais aumentos de custo foram destituídos de qualquer amparo material e econômico." Pelo exposto, não há reparo na decisão recorrida, neste ponto, devendo ser expurgados os efeitos das seguidas capitalizações nas participações, tendo em vista que a operação implicaria capitalização duplicada sem fundamentação econômica. Assim, não há razão ao contribuinte, ora recorrente. Quanto ao cancelamento da multas e juros de mora, com base no art. 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional Em relação a não aplicação de penalidade e juros de mora, novamente, adoto o entendimento já explicitado no acórdão referido acima, que assim, apreciou a questão: "que a partir do disposto no parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional e da observância à Instrução Normativa SRF no 84, de 11 de outubro de 2001, é de se ressaltar que, em nenhum momento, tal normativo dá suporte à interpretação do art. 135 do RIR/99 defendida pela autuada, a qual, na forma acima disposta, se entende aqui como totalmente equivocada." Dessa forma, também nego provimento ao recurso especial do contribuinte, nesta parte. II Juros sobre multa de ofício Alega o contribuinte que seria ilegal a cobrança de juros sobre a multa de ofício. Diferentemente, entendo que não lhe assiste razão, conforme decidido no acórdão recorrido. Ao contrário do que entende o recorrente, a aplicação de juros sobre multa de ofício é devida, na medida em que a penalidade compõe o crédito apurado. De acordo com o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN é autorizada a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fazendo parte do crédito juntamente com o tributo, devem ser aplicados à multa os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. Nesse sentido, já se manifestou esta Câmara, em outras oportunidades, como no processo 10.768.010559/200119, Acordão 920201.806 de 24 de outubro de 2011, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:1997 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 22 O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se completam. A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a segunda questão envolve a discussão sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Ademais, não haveria porque o valor da multa permanecer congelado no tempo. Por seu turno o § 1.º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12448.735830/201142 Acórdão n.º 9202003.765 CSRFT2 Fl. 13 23 "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifei) Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/ SC, Relator: Desembargador Federal Dirceu de Almeida Soares) “TRIBUTÁRIO. ART. 43 DA LEI 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a exigência fiscal consistente na incidência de juros moratórios sobre multa de ofício aplicada ao contribuinte. Inteligência do artigo 43 da Lei 9.430/96 c/c art. 113, § 3, do CTN. Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 24 2. Improvida a apelação.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2004.70.00.0263869/ PR, Relator: Juiz Federal Décio José da Silva). Destarte, entendo que é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Conforme descrito acima, os juros de mora sobre a multa são devidos em função do § 3º do art. 113 do CTN, pois tanto a multa quanto o tributo compõe o crédito tributário. Esse entendimento encontra precedentes da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806 e Acórdão nº 920201.991. Destacase ainda que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de oficio (AgRg no REsp 1.1335.688/PR; REsp 1.129.990PR; REsp 834.681MG). Entendo aplicável a incidência de juros sobre a multa de ofício, adotando os precedentes citados como fundamento para decidir. CONCLUSÃO Face o exposto, voto por conhecer do recurso especial do contribuinte, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 14120.000030/2010-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração:01/01/2007 a 31/12/2008
LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. PERÍODO POSTERIOR À LEI 10.256/2001. EXIGÊNCIA.
A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei 8.212/1991, destinada à Seguridade Social, é de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho.
A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei 8.212/1991, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento;
O Supremo Tribunal Federal (STF, no RE 363.852, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição.
No presente caso, as contribuições são de período posterior à Lei 10.256/2001, que foi arrimada na Emenda Constitucional 20/98.
NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação.
Numero da decisão: 2301-004.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
Marcelo Oliveira - Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/01/2007 a 31/12/2008 LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. PERÍODO POSTERIOR À LEI 10.256/2001. EXIGÊNCIA. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei 8.212/1991, destinada à Seguridade Social, é de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei 8.212/1991, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; O Supremo Tribunal Federal (STF, no RE 363.852, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição. No presente caso, as contribuições são de período posterior à Lei 10.256/2001, que foi arrimada na Emenda Constitucional 20/98. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 00 30 /2 01 0- 44 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVERIO. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000030/201044 Acórdão n.º 2301004.042 S2C3T1 Fl. 149 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui que busco reproduzir o relato do conselheiro, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase de processo de crédito com exigência de contribuições sociais previdenciárias referentes à rubrica de Comercialização da produção rural, constituído através de Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD n° 37.256.6189 (fl. 01) lançado na data de 05/03/2010 em face do sujeito passivo acima identificado, no valor de R$ 1.769.071,02, consolidado em 05/03/2010, por intermédio da Auditoria Fiscal realizada por MO AC IR VIEIRA CARDOSO. A exigência se refere às contribuições para o Fundo de Previdência e Assistência Social e para financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa, calculadas com base na aquisição de produção rural, a serem recolhidas pela empresa adquirente. De acordo com o Relatório Fiscal (fl. 1719), e complementos integrantes, o crédito teve por fato gerador a comercialização de produção rural referente às operações de aquisição de bovinos para abate de produtores rurais pessoas físicas, a base de cálculo foi apurada a partir do exame dos Livros de Registro de Entradas e o lançamento abrange as competências 01/2007 a 12/2008. Na GFIP apresentada somente constam às dados de William de Assis Insfram, Tiago Rocha de Souza e Pedro Coelho da Silva. Foi iniciado o procedimento fiscal mediante o T1PF (fl. 2122), cuja ciência ocorreu em 07/01/2010 (fl.23). Houve aperfeiçoamento do presente lançamento mediante a cientificação do sujeito passivo, realizada via pessoal em 31/03/2010 (fl. 01). O sujeito passivo apresentou a impugnação, recepcionada em 29/04/2010 (fl. 100107), com a juntada de documentos comprobatórios e alegação cujos pontos relevantes para apreciação do litígio são os seguintes: 1) Da multa e dos juros. Vedação ao confisco Não ficou provada a fraude. Tratase apenas de inadimplemento por dificuldades financeiras. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 2) Proibição de multa em proporção superior ao valor do tributo. 3) Limitação da multa moratória. 4) Aplicação do CDC que fixa em 2%. Farta jurisprudência do TJ/MS. 5) Limitação pela lei da usura. Limite em 12% ao ano. Em face da defesa apresentada, a 3ª turma da DRJ/CGE, por meio do acórdão nº 0423.776 de fls. 123 e ss, julgou procedente o lançamento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01//2007 a 31/12/2008 JUROS E MULTA À autoridade administrativa não cabe apreciar a argüição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei, por suposta violação ao princípio constitucional da vedação ao confisco tributário. A multa que encontra embasamento legal, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, não pode ser excluída administrativamente se a situação fática verificada enquadrase na hipótese prevista pela norma. Cabe à autoridade administrativa aplicar os juros SELIC, nos moldes da legislação, não sendo possível afastálos por meio de apreciação de argumentos não jurídicos. As multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. IMPUGNAÇÃO GENÉRICA São devidas as contribuições para o Fundo de Previdência e Assistência Social e para financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa, calculadas com base na aquisição de produção rural, a serem recolhidas pela empresa adquirente. A impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. PENALIDADE APLICÁVEL 7 A multa sobre o valor das contribuições previdenciárias ficará sujeita a cálculo de acordo com a Lei 11.941/2009, por ocasião do pagamento ou do trânsito em julgado administrativo, cujo resultado deverá prevalecer se mais benéfico para o sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000030/201044 Acórdão n.º 2301004.042 S2C3T1 Fl. 150 5 Intimado do decisum [15/04/2011], interpôs Recurso Voluntário, em 16/05/2011, que reitera os termos da impugnação apresentada. É relatório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui que busco reproduzir as razões de decidir do então conselheiro, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, devendo ser conhecido. Tratase de débito tributário de contribuição previdenciária RURAL devida por subrogação da pessoa jurídica na qualidade de adquirente incidente sobre o valor comercial da produção rural (animais para abate) sem comprovação de desconto dos produtores rurais pessoas físicas conforme relato a seguir expondo a ocorrência de fato gerador de obrigação tributária previdenciária verificada durante o cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal MPF ns 2009.00481 abrangendo o período de janeiro/2007 a dezembro/2008, conforme se verifica da acusação fiscal [fls. 17 e ss]: As Notas Fiscais de Entrada confirmam a compra de animais para abate efetuada a produtores rurais pessoas físicas pelo adquirente e destinatário o frigorífico Buriti Comércio de Carnes Ltda. Examinando as Notas Fiscais de Entrada vêse que o contribuinte responsável não fez o destaque do desconto da contribuição do produtor rural pessoa física, não sendo possível comprovar se houve o desconto, ou se, apenas não se fez o destaque, na impossibilidade de comprovação considerouse como não efetuado o desconto. Juntase ao final a primeira nota fiscal de entrada emitida em cada competência. Para fins de processamento o fato gerador comprovado pelas Notas Fiscais de Entrada foi cadastrado como B4 Produção Rural Até 11/2008 e B5 Produção Rural Após 12/2008. 4.1. A pessoa física que explora atividade agropecuária é segurado obrigatório da Previdência Social como contribuinte individual ou segurado especial, conforme definido no art. 12, incisos V, alínea "a" e VII, da Lei 8.212/91. A contribuição destes segurados é de 2% (dois por cento) contribuição da pessoa física sobre a produção rural em substituição à contribuição do art. 22, inciso I, e, de 0,1% (um décimo por cento) contribuição da pessoa física, na comercialização do produto rural, para o financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa substituindo a contribuição definida no art. 22, inciso II, ambos da Lei 8.212.91, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção £ Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000030/201044 Acórdão n.º 2301004.042 S2C3T1 Fl. 151 7 (art. 25, incisos I e II da Lei 8.212/91). O adquirente da produção rural é obrigado a recolher esta contribuição descontandoa do contribuinte ficando subrogado nas obrigações do Produtor Rural Pessoa Física e do Segurado Especial (art. 30, III e IV da Lei 8.212./91). O desconto da contribuição do produtor sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa adquirente (art. 33, § 59 da Lei 8.212/91). 5. Consolidando as informações básicas das Notas Fiscais de Entrada como: número, data e valor elaborouse a planilha ANIMAIS PARA ABATE adquiridos de pessoas físicas juntada ao final para demonstrar a basedecálculo deste lançamento tributário. I DAS CONTRIBUIÇÕES RURAIS Como informado, o litígio em questão versa sobre a possibilidade de exigência da contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I (parte empresa) e II (parte empregado), do art. 22, da Lei 8.212/1991. Para nossa análise, devemos fazer um relato histórico sobre essa exigência. A contribuição sobre a comercialização da produção rural da pessoa física está descrita no art. 25 da Lei 8212/91, na redação da Lei 10.256/2001: Lei 8.212;/1991: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação alterada pela Lei nº 9.528/97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para o financiamento das prestações por acidente do trabalho. Já a subrogação, para o adquirente, está definida no IV, da Lei 8.212/91, com redação da lei 9528/97: Lei 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 ... IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Pois bem, em julgamento ocorrido em 02/2010, o Pleno do STF, no Recurso Extraordinário nº 363.852, deu provimento ao recurso em acórdão. Nesse processo foi analisado e decidido sobre a constitucionalidade da contribuição determinada no Art. 25, da Lei n° 8.212/91, com as redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/97, incidente sobre o valor da comercialização da produção rural do empregador rural pessoa física. Chegouse à seguinte conclusão: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010. Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – PRESSUPOSTO ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE – CONCLUSÃO – Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adora entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina – José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI Fl. 155DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000030/201044 Acórdão n.º 2301004.042 S2C3T1 Fl. 152 9 COMPLEMENTAR – Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.) Para o STF, em síntese, a CF/1988, até a Emenda Constitucional 20/1998, não possibilitava, sem ser por Lei complementar, a tributação previdenciária sobre a comercialização da produção rural para os casos de economia familiar. CF/1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; (REDAÇÃO ANTIGA) ... § 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. ... Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição; Nesta redação, para o STF, não há a possibilidade de se exigir a contribuição de produtores rurais pessoas físicas, sem ser por lei complementar, pois estaria se criando nova fonte de custeio. Já após a EC 20/1998 essa exigência tornouse possível, pela alteração da CF/1988: CF/1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) III sobre a receita de concursos de prognósticos. IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Concluindo, em síntese, o STF declarou inconstitucionalidade: 1. Do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91; 2. Com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97; e 3. Até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial Por fim, em votação unânime, o (STF) manteve essa jurisprudência e deu provimento ao (RE) 596177, para declarar a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei 8.540/92, determinando, também, a aplicação desse mesmo entendimento aos demais casos que tratem do mesmo assunto, no regime de repercussão geral. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA.INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO.ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000030/201044 Acórdão n.º 2301004.042 S2C3T1 Fl. 153 11 Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. Ponto importante a destacar, é que em decisão sobre embargos, no RE 596177, citado acima, o plenário do STF decidiu e informou que a constitucionalidade da Lei 10.256/200 não foi analisada, portanto, continua vigente. Nessa Lei, há alteração do Art. 25, da Lei.8212/1991, com a seguinte redação: "Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: Cabe, também, informar que decisão monocrática do STF, proferida pelo Ministro Joaquim Barbosa, no julgamento do RE 585684, deu validade à exigência com base na Lei 10.256/2001, no seguintes termos: DECISÃO: Tratase de recurso extraordinário (art. 102, III, a da Constituição) interposto de acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região que considerou constitucional a Contribuição Social destinada ao Custeio da Seguridade Social cobrada com base na produção rural e devida por empregadores que fossem pessoas físicas (art. 25 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pelo art. 1º da Lei 8.540/1992 “Funrural”). Em síntese, sustentase violação dos arts. 150, I e II, 154, I, 195, I e 198, § 8º da Constituição. No julgamento do RE 363.852 (rel. min. Marco Aurélio, DJe de 23.04.2010), o Pleno desta Corte considerou inconstitucional o tributo cobrado nos termos dos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Assim, o acórdão recorrido divergiu dessa orientação. Ante o exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe parcial provimento, para proibir a cobrança da contribuição devida pelo produtor rural empregador pessoa física, cobrada com base na Lei 8.212/1991 e as que se seguiram até a Lei 10.256/2001. O pedido subsidiário para condenação à restituição do indébito tributário, com as especificidades pretendidas (compensação, correção monetária, juros etc) não pode ser conhecido neste momento processual, por falta de prequestionamento (pedido prejudicado devido à rejeição do pedido principal). Devolvamse os autos ao Tribunal de origem, para que possa examinar o pedido subsidiário relativo à restituição do indébito tributário, bem como eventual redistribuição dos ônus de sucumbência. Publiquese. Int.. Brasília, 10 de fevereiro de 2011. Ministro JOAQUIM BARBOSA (RE 585684, Relator(a): Min. JOAQUIM Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 BARBOSA, julgado em 10/02/2011, publicado em DJe038 DIVULG 24/02/2011) Certo que a decisão foi agravada, com o Ministro Luís Roberto Barroso proferindo a seguinte decisão: O agravante sustenta que a Lei nº 10.256/2001 é “uma norma desfalcada de critérios básicos que possam legitimar a cobrança da contribuição rural”, motivo pelo qual o recolhimento do tributo em questão permanece ilegítimo. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 718.874 RG, julgado sob relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, reconheceu a existência de repercussão geral da matéria em exame. Confirase a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. RECEITA BRUTA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI 10.256/2001. CONSTITUCIONALIDADE. I A discussão sobre a constitucionalidade da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física, prevista no art. 25 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 10.256/2001, ultrapassa os interesses subjetivos da causa. II Repercussão geral reconhecida.” Na oportunidade, o Ministro Relator consignou que: “A questão versada neste recurso consiste em definir, ante o pronunciamento desta Corte no RE 363.852/MG, Rel. Min. Marco Aurélio e no RE 596.177/RS, de minha relatoria, se a exigência da contribuição do empregador rural pessoa física incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, com fundamento Lei 10.256/2001, editada após a Emenda Constitucional 20/1998, seria constitucionalmente legítima. Diante do exposto, com base no art. 328, parágrafo único, do RI/STF, determino o retorno dos autos à origem, a fim de que sejam observadas as disposições do art. 543B, do CPC." Consequentemente, não há decisão do STF que defina sobre a inconstitucionalidade da exigência após a Lei 10.256/2001. Destaquese, inclusive, que já há julgamentos no Poder Judiciário que afirmam a correção da exigência, Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000030/201044 Acórdão n.º 2301004.042 S2C3T1 Fl. 154 13 “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” (Apelação nº 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 01ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10) ... PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. FUNRURAL CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DE EMPREGADORES. PESSOA FÍSICA. EC Nº 20/98. LEI Nº 10.256/01. CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO MONOCRÁTICA. ARTIGO 557. POSSIBILIDADE. 1. A regra do artigo 557 do Código de Processo Civil tem por objeto desobstruir as pautas dos tribunais para que sejam encaminhadas à sessão de julgamento somente as ações e os recursos que realmente reclamem a apreciação pelo órgão colegiado, primandose pelos princípios da economia e da celeridade processual. 2. A decisão agravada se amparou na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, RE 363.852, não subsistindo os fundamentos aventados nas razões recursais. 3. O Supremo Tribunal Federal reconheceu, em sede de recurso extraordinário, a inconstitucionalidade do art. 1° da Lei nº 8.540/92, que previa o recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais, porquanto a receita bruta não era prevista como base de cálculo da exação na antiga redação do art. 195 da CF. 4. Após o advento da Emenda Constitucional nº 20/98, que acrescentou o vocábulo receita à alínea b, do inc. I , do art. 195 da CF, foi editada a Lei nº 10.256/01, que deu nova redação ao caput do art. 25 da Lei nº8.212/91 e substituiu as contribuições devidas pelo empregador rural pessoa natural incidentes sobre a folha de salários e pelo segurado especial incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 rural, afastando, assim, tanto a bitributação, quanto a necessidade de lei complementar para a instituição da contribuição, que passou a ter fundamento constitucional. Precedentes. 5. Preliminar rejeitada e, no mérito, agravo legal não provido. (AMS 00094598220104036102 AMS APELAÇÃO CÍVEL 330998 Relator(a) DESEMBARGADORA FEDERAL VESNA KOLMAR Sigla do órgão TRF3 Órgão julgador PRIMEIRA TURMA Fonte eDJF3 Judicial 1 DATA:04/05/2012, v.u.). ... AGRAVO LEGAL ARTIGO 557, §1º, DO CPC CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA "FUNRURAL" RESTITUIÇÃO CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL DE ACORDO COM O STF DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA EXAÇÃO CONHECIDA COMO FUNRURAL (RE Nº 363.852, EM 03/02/2010), MAS RESTRITA AO PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI Nº 10.256/2001 QUE SURGIU APÓS A EC N° 20/98 RECURSO IMPROVIDO. 1. Cuidase de ação ordinária ajuizada em 30 de agosto de 2010, na qual o autor busca a restituição dos valores pagos a título de "FUNRURAL" nos dez anos anteriores ao ajuizamento da ação. 2. Embora o egrégio Superior Tribunal de Justiça tenha fixado o entendimento de que a vetusta tese do "cinco mais cinco" anos deveria ser aplicada aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005 (REsp 1.002.932/SP), o colendo Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE nº 566.621/RS, em repercussão geral, afastou parcialmente esta jurisprudência do STJ, entendendo ser válida a aplicação do novo prazo de 5 anos às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, a partir de 9.6.2005. Assim, encontramse prescritos os créditos anteriores a cinco anos do ajuizamento da ação. 3. No julgamento do RE nº 363.852 o Plenário do Supremo Tribunal Federal afirmou haver vício de constitucionalidade na instituição da referida contribuição ("FUNRURAL"), por entender que a comercialização da produção é realidade econômica diversa do faturamento e este não se confunde com receita, de modo que a nova fonte deveria estar estabelecida em lei complementar. Portanto, não era devida a exação conforme a fórmula legal apreciada pela Suprema Corte. Posicionamento foi confirmado no Recurso Extraordinário nº 596.177, julgado nos moldes do artigo 543B do Código de Processo Civil, em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal realizada em 1º de agosto de 2011. 4. Sucede que a promulgação da Emenda Constitucional nº 20/98 veio alterar a situação, uma vez que o artigo 195, inciso I, alínea "b", da Constituição Federal, com nova redação, passou a prever a "receita", ao lado do faturamento, como base de cálculo para contribuições destinadas ao custeio da previdência social. Considerando que atualmente a contribuição previdenciária objeto da controvérsia encontrase prevista pela Lei nº Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000030/201044 Acórdão n.º 2301004.042 S2C3T1 Fl. 155 15 10.256/2001 (posterior à Emenda Constitucional nº 20/98) que deu nova redação ao "caput" do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, substituindo aquela contribuição prevista no artigo 22 da Lei nº 8.212/91, não há falarse em vício de constitucionalidade nas exigências desde então. 5. No caso concreto a discussão cingese apenas às contribuições previdenciárias devidas a partir de agosto de 2005, devendo ser mantida a improcedência do pedido. 6. Agravo legal a que se nega provimento. (AC 00086942920104036000 AC APELAÇÃO CÍVEL 1601907 Relator(a) DESEMBARGADOR FEDERAL JOHONSOM DI SALVO Sigla do órgão TRF3 Órgão julgador PRIMEIRA TURMA Fonte eDJF3 Judicial 1 DATA:18/06/2012) ... CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. FUNRURAL. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. ART. 25 DA LEI N. 8.212/91, COM A REDAÇÃO DECORRENTE DA LEI N. 10.256/01. EXIGIBILIDADE. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO OU COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (CPC, ART. 543B). APLICABILIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar n. 118/05, na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, acrescentado pela Lei n. 11.418/06. Entendimento que já havia sido consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ, REsp n. 1002932, Rel. Min. Luiz Fux, j. 25.11.09 ). No entanto, de forma distinta do Superior Tribunal de Justiça, concluiu a Corte Suprema que houve violação ao princípio da segurança jurídica a previsão de aplicação retroativa do prazo prescricional de 5 (cinco) anos, o qual deve ser observado após o transcurso da vacatio legis de 120 (cento e vinte) dias, ou seja, somente para as demandas propostas a partir de 9 de junho de 2005 (STF, RE n. 566621, Rel. Min. Ellen Gracie, j. 04.08.11). 2. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos arts. 12, V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei n. 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n. 8.540/92 e n. 9.529/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n. 20/98, que incluiu "receita" ao lado de "faturamento", venha instituir a exação (STF, RE n. 363.852, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 03.02.10). No referido julgamento, não foi analisada a constitucionalidade da contribuição à luz da superveniência da Lei n. 10.256/01, que modificou o caput do art. 25 da Lei n. 8.212/91 para fazer constar que a contribuição do empregador rural pessoa física se dará em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22 da mesma lei. A esse respeito, precedentes deste Tribunal sugerem a exigibilidade da contribuição a partir da Lei n. 10.256/01, na medida em que editada posteriormente à Emenda Constitucional n. 20/98 (TRF Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 16 da 3ª Região, Agravo Legal no AI n. 2010.03.00.0140846, Rel. Des. Fed. Henrique Herkenhoff, j. 19.10.10; Agravo Legal no AI n. 2010.03.00.0008920, Rel. Des. Fed. André Nekatschalow, j. 04.10.10; Agravo Legal no AI n. 2010.03.00.0162106, Rel. Juiz Fed. Conv. Hélio Nogueira, j. 04.10.10; Agravo Legal no AI n. 2010.03.00.0100010, Rel. Juiz Fed. Conv. Roberto Lemos, j. 03.08.10). 3. A parte autora pleiteia a restituição da contribuição prevista no art. 25, I e II, da Lei n. 8.212/91, com redação da Lei n. 8.540/92 e alterações posteriores. A presente demanda foi proposta em 27.04.10 (fl. 2), logo, incide o prazo prescricional quinquenal, conforme o entendimento fixado pelo Supremo Tribunal Federal. Assim, ocorreu a prescrição em relação aos recolhimentos efetuados antes de 27.04.05, devendo ser reformada a sentença na parte que condenou a União a restituir os recolhimentos efetivados no período de 27.04.00 a 08.10.01. 4. Quanto ao período não prescrito, a sentença recorrida encontrase em consonância com a jurisprudência dominante deste Tribunal no sentido da exigibilidade da contribuição social incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização rural dos empregadores rurais pessoas físicas após o advento da Lei n. 10.256/01. 5. Reexame necessário e apelação da União providos e apelação da parte autora não provido. (AC 00041351420104036102 AC APELAÇÃO CÍVEL 1684876 Relator(a) DESEMBARGADOR FEDERAL ANDRÉ NEKATSCHALOW Sigla do órgão TRF3 Órgão julgador QUINTA TURMA Fonte eDJF3 Judicial 1 DATA:12/01/2012, v.u.) ... MANDADO DE SEGURANÇA. EMPRESA ADQUIRENTE DE PRODUTOS AGRÍCOLAS. LEGITIMIDADE AD CAUSAM. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DE COMERCIALIZAÇÃO RURAL. LEIS Nº 8.540/92 E Nº 9.528/97. PRECEDENTE DO STF. EXIGIBILIDADE DA EXAÇÃO A PARTIR DA LEI 10.256/2001. INTELIGÊNCIA DA EC Nº 20/98. I Legitimidade da empresa adquirente de produtos agrícolas que não se configura se o pleito é de restituição ou compensação de tributo e que se concretiza se o pedido é de declaração de inexigibilidade da contribuição para o FUNRURAL. II Superveniência da Lei nº 10.256, de 09.07.2001, que alterando a Lei nº 8.212/91, deu nova redação ao art. 25, restando devida a contribuição ao FUNRURAL a partir da nova lei, arrimada na EC nº 20/98. III Hipótese dos autos em que a pretensão deduzida é de suspensão da exigibilidade da contribuição já sob a égide da Lei nº 10.256/2001. IV Empresa adquirente dos produtos agrícolas que é mera agente de retenção da contribuição incidente sobre a comercialização dos produtos obtidos do produtor rural, não Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000030/201044 Acórdão n.º 2301004.042 S2C3T1 Fl. 156 17 sendo sujeito passivo da obrigação tributária. Alegação de que a impetrante estaria "isenta" da contribuição social ao FUNRURAL das receitas decorrentes de exportações, nos termos do artigo 149, §2º, inciso I, da Constituição Federal, que se afasta. V Recurso desprovido. (AMS 00036958520104036112 AMS APELAÇÃO CÍVEL 329082 Relator(a) DESEMBARGADOR FEDERAL PEIXOTO JUNIOR Sigla do órgão TRF3 Órgão julgador SEGUNDA TURMA Fonte eDJF3 Judicial 1 DATA:21/06/2012) A grande discussão é sobre a possibilidade de exigência da contribuição por subrogação, já que, em síntese, a decisão no RE 363.852 declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação ao art. inciso IV, da Lei nº 8.212/91. Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: ... IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Subrogação é a substituição de uma pessoa por outra, na relação jurídica. Subrogado, na legislação previdenciária, é a condição de que se revestem o adquirente, consumidor ou consignatário, e a cooperativa que, por determinação da legislação, tornamse diretamente responsáveis pelo recolhimento das contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física e pelo segurado especial. Em nosso entender, com a entrada em vigor da Lei 10.256/2001, após a EC 20/1998, passam a ser exigíveis, sem vício de constitucionalidade e sem decisão do STF que lhes abarque nesse sentido, as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. Primeiramente, chegamos a essa conclusão por verificar que o Ministro Marco Aurélio, em seu voto, não analisa, em momento algum, se a transferência de responsabilidade, pela subrogação, é inconstitucional ou não. Não há decisão sem fundamento. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 18 Em segundo lugar, mas não menos importante, na decisão do ministro Marco Aurélio há a definição de que a inconstitucionalidade permanecerá até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição. Ressaltamos, instituir a contribuição, que foi o que foi feito pela Lei 10.256/2001. Em terceiro lugar,a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição não está definida somente no IV, do Art. 30, da Lei 8.212/1991. O III, do Art. 30 também determina essa responsabilidade, e não foi mencionado na decisão. Lei 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: ... III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subseqüente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; Só é obrigado a recolher àquele que tem a responsabilidade. Em quarto lugar, como já demonstramos, o próprio STF, que detém a competência de pronunciarse sobre a constitucionalidade de leis, já afirmou que não analisou a exigência da contribuição após a Lei 10.256/2001, como comprovam os voto do Ministro Ricardo Lewandovski, nos RE´s 596.177, em sede de embargos, e no 718.874, citados acima, o último confirmado pelo Ministro Luís Roberto Barroso. Portanto, definir como inconstitucional exigência que o próprio STF, de forma clara e reiterada, já se pronunciou pela indefinição da questão, seria extrapolar a competência do CARF. No presente caso, a decisão a quo definiu pela inexigência de contribuições posteriores a Lei 10.256/2001, decisão esta, que em nosso entender, deve ser reformada, conforme argumentos acima. Para terminar, de destaque é a decisão expressa no agravo de instrumento nº 003017649.2014.4.03.0000/MS, processo 2014.03.00.0301768/MS, Relator Desembargador Federal Cotrim Guimarães, TRF3, que brilhantemente analisou a questão: Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000030/201044 Acórdão n.º 2301004.042 S2C3T1 Fl. 157 19 “Portanto, a jurisprudência dominante desta E. Corte Regional entende que, com a promulgação da EC nº 20/98 e a edição da Lei nº 10.256/01, não se pode mais alegar vício formal pela ausência de lei complementar, afastandose a necessidade de aplicação do disposto no parágrafo 4º do artigo 195 para a exação em exame. Pelas mesmas razões, não se pode mais pensar em bitributação ou ônus desproporcional em relação ao segurado especial e ao empregador urbano pessoa física, sendo certo que atualmente a única contribuição social devida pelo empregador rural pessoa física é aquela incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção. Também restou sedimentado que não há vício na utilização das alíquotas e da base de cálculo previstas nos incisos I e II do caput do artigo 25 da Lei8.212/91, com redação trazida pela Lei9.528/97, tratandose de questão de técnica legislativa, estando os respectivos incisos abrangidos pelo espírito legislativo que motivou a edição da Lei10.256/01. O mesmo raciocínio serve para se concluir pela plena vigência do regramento disposto no inciso IV do artigo 30 da Lei8.212/91. ... No tocante aos incisos I e II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/01, o entendimento majoritário da turma é no sentido de que a decisão do Supremo Tribunal Federal ocorreu em sede de controle difuso de constitucionalidade e em relação à redação do caput do artigo 25 dada pela Lei nº 9.528/97. Com a superveniência da Lei nº 10.256/01, que entrou em vigor antes da declaração da inconstitucionalidade, não havia necessidade de alteração dos incisos, uma vez que aquele dispositivo legal alterou o caput do artigo 25 para adequálo à Emenda Constitucional nº 20. Ademais, em se tratando de controle difuso, o Senado Federal (artigo 52, inciso X, da Constituição Federal de 1988) não será obrigado a suspender a execução dos incisos, sobretudo pela compatibilidade da nova redação do caput do artigo 25 da Lei nº 8.212/91 com o texto constitucional alterado pela EC nº 20, sendo desnecessária a edição de lei complementar. Acresçase, ainda ao fato que a constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida, conforme o decidido nos embargos de declaração a seguir: EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 20 RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: "Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador"(fl. 260). II A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado. (STF Tribunal Pleno EDRE 596177/RS Rel. Min. Ricardo Lewandowski j. 17/10/2013 Publ. Dje 18/11/2013). Diante do exposto, nego seguimento ao agravo de instrumento, nos termos dos artigos 527, I e 557, "caput" do Código de Processo Civil e da fundamentação supra. Cabe destacar, aqui, decisões do CARF que vão ao encontro da manutenção da exigência: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBROGAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000030/201044 Acórdão n.º 2301004.042 S2C3T1 Fl. 158 21 considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. Segundo, o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG que declarou a inconstitucionalidade fez constar: “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição”. Ou seja, considerando que a lei 10.256/2001, cobriu de legitimidade a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, por derradeiro, não tendo o RE 363.852 declarado a inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, a subrrogação consubstanciada neste dispositivo encontrase também legitimada. As contribuições destinadas ao SENAR não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852. Desse modo, permanece a exação tributária. (Processo 10140.720892/201341, Acórdão: 2401 003.896, Relatora Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira) ... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2009 a 31/12/2010 EMPREGADOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 8.870/94. A contribuição do empregador rural pessoa Jurídica que se dedique à produção rural, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei no 8.212/91, é de 2,5 % e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.770/94, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. ... PRODUTO RURAL PESSOA FÍSICA SUBROGAÇÃO A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 22 INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF n.º 02. (Processo 10140.720589/201267, Acórdão: 2302003.289, Relatora Liége Lacroix Thomasi) ... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2009 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. ART. 25 DA LEI nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, no prazo e na forma previstas na legislação tributária, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE PELO RECOLHIMENTO. ART. 30, III, DA Lei nº 8.212/91. A responsabilidade pelo recolhimento das contribuições de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, foi expressamente atribuída ao adquirente, ao consignatário, ou à cooperativa, pelo inciso III do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, o qual não foi alvejado tampouco atingido pelos petardos da declaração de inconstitucionalidade aviada no RE nº 363.852/MG, permanecendo tal obrigação tributária ainda vigente e eficaz, produzindo todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. SUBROGAÇÃO. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000030/201044 Acórdão n.º 2301004.042 S2C3T1 Fl. 159 23 É devida a contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea ‘a’ do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, à alíquota de 0,2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. As contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção são devidas pelo produtor rural, sendo a atribuída à empresa adquirente, consumidora, consignatária ou à cooperativa, a responsabilidade pelo desconto e recolhimento, na condição de subrogada nas obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial. LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa, tampouco em nulidade, o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a motivação da autuação, bem como a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo destarte a perfeita identificação dos tributos lançados, favorecendo o contraditório e a ampla defesa. DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. Os procedimentos de fiscalização a serem realizados na jurisdição de outra unidade descentralizada, subordinada à mesma região fiscal, serão autorizados pelo respectivo Superintendente. MPF. EMISSÃO ÚNICA PARA CADA SUJEITO PASSIVO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil somente terão início por força de Mandado de Procedimento Fiscal, expedido em face de Sujeito Passivo, no CNPJ do estabelecimento centralizador, abarcando todos os estabelecimentos da empresa. ATOS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72. As intimações dos Atos Processuais devem ser feitas de maneira pessoal, pelo autor do procedimento, como também por via postal ou por meio eletrônico, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado, respectivamente, o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, ou o Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 24 endereço eletrônico atribuído pela administração tributária ao Sujeito Passivo, desde que por este autorizado, a teor dos incisos I, II e III, do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, inexistindo ordem de preferência. (Processo 15868.720169/2013, Acórdão: 2302 003.638, Relator Arlindo da Costa e Silva) ... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2011 a 30/01/2012 CONTRIBUIÇÃO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. EXIBIÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. OBRIGAÇÃO AFETA A TODOS OS CONTRIBUINTES DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Apresentar documentos e livros relacionados com a previdência social é obrigação que afeta a todos os contribuintes da previdência social. Por isto, configura infração ao artigo 33, §§ 2 e 3, da Lei 8.212/91, deixar a empresa de exibir à AuditoriaFiscal da Receita Federal do Brasil tais livros e documentos. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98. (Processo 10970.720130/201291, Acórdão: 2402 003.964 , Relator Júlio César Vieira Gomes) Pelo exposto, nego provimento ao recurso quanto a este argumento. II MULTAS APÓS A EDIÇÃO DA MP 449 CONVERTIDA NA LEI N. 11.941/2009 Para análise da questão, devese verificar a aplicabilidade do Art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000030/201044 Acórdão n.º 2301004.042 S2C3T1 Fl. 160 25 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 26 c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14120.000030/201044 Acórdão n.º 2301004.042 S2C3T1 Fl. 161 27 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar, de entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, mantenho a aplicação da multa, para que a autoridade preparadora, no momento da execução do julgado, compare a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício). Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 28 CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto EM NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto Marcelo Oliveira Fl. 175DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10865.900211/2010-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). RELATÓRIO A empresa recorre do Acórdão nº 1445.230/13 exarado pela Sexta Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, efls. 82 a 97, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como decidiu não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – efls. 02 a 10, cujo objeto foi Saldo Negativo de CSLL, relativo ao anocalendário de 2004, no valor de R$ 124.670,69. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 00 21 1/ 20 10 -1 6 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 10865.900211/201016 Resolução nº 1302000.434 S1C3T2 Fl. 3 2 No Despacho Decisório, eletrônico, efls. 11 a 14, constou que o referido Saldo Negativo de IRPJ não foi deferido totalmente em vista da não comprovação nos sistemas da Administração Tributária da quitação de algumas estimativas mensais de CSLL informadas em DCTF como devidamente compensadas. Do "Demonstrativo de Análise de Crédito", emitido conjuntamente ao Despacho Decisório, consta que o valor do IRRF declarado no Per/Dcomp e DIPJ/05 foi devidamente confirmado, bem como as estimativas efetivamente pagas, nos valores de R$ 544,33 e R$ 245.640,26, respectivamente. Todavia, a contribuinte informa nas declarações que as estimativas mensais do tributo relativas aos meses de dezembro/04 foram efetivamente compensadas com processos administrativos (ressarcimento de IPI), mas estimativas relativas a janeiro, fevereiro, março, outubro e novembro de 2004 não foram confirmadas nos sistemas, consoante quadro abaixo: Observo que a contribuinte em nenhum momento foi intimada a apresentar esclarecimentos/documentos sobre os Per/Dcomp e/ou processos administrativos acima referenciados, nem foram acostados aos autos maiores informações sobre as não homologações das compensações ou indeferimentos dos processos assinalados. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, entre outros tópicos, esclarecendo que faz jus aos valores das estimativas mensais do tributo compensadas por intermédio dos Per/Dcomp e devidamente informadas em DCTF entregues na época pertinente, esclarecendo à minúcia, quanto ao mérito: Fl. 265DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 10865.900211/201016 Resolução nº 1302000.434 S1C3T2 Fl. 4 3 A Turma Julgadora de Primeira Instância rechaça as argumentações da contribuinte, mantendo o inteiro teor do Despacho Decisório, e a decisão recorrida resta assim ementada: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte desenvolver plenamente sua defesa. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. INOCORRÊNCIA DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE REVISAR A FORMAÇÃO DO CRÉDITO. Somente créditos líquidos e certos são passíveis de compensação. Se o crédito referese a saldo negativo de IRPJ, em cujo cálculo interferem créditos apurados em anos anteriores, é necessária a análise desses períodos. Esse procedimento não se confunde com a atividade de lançamento, cujo direito se extingue com o decurso do prazo de decadência. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa, comprovação contábil do valor devido na apuração anual e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar a contribuição social sobre o lucro líquido devida nos períodos posteriores àqueles abrangidos no pedido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fl. 266DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 10865.900211/201016 Resolução nº 1302000.434 S1C3T2 Fl. 5 4 à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 103 a 109, instruído com os documentos de efls. 110 a 149, reiterando alguns dos termos da defesa exordial, em síntese, que: a) a não consideração de valores de estimativas mensais do tributo, compensadas, consoante informados regularmente pela recorrente, deve ter ocorrido em razão de possíveis erros de sistema, haja vista que não houve qualquer investigação fiscal/auditoria além da referida pesquisa automatizada; o procedimento fiscal foi genérico e evasivo, sem explicitar o porquê dos valores informados em DIPJ, DCTF e Per/Dcomp não terem sido confirmados; b) já na manifestação de inconformidade a recorrente instruiu os autos com telas extraídas do próprio sítio da RFB demonstrando que as referidas compensações de estimativas mensais já foram confirmadas/homologadas; c) atribui à decisão recorrida o caráter de arbitrariedade e sem motivação efetiva, uma vez que limitouse a considerar corretos os dados espelhados no Despacho Decisório, sem analisar a documentação apresentada pela recorrente nos diversos anexos à manifestação de inconformidade, documentos estes que constam dos sistemas informatizados da RFB aos quais teria amplo acesso; sobretudo quando, já na referida manifestação, a recorrente argumentou erros no confronto entre os dados extraídos do sítio da RFB e aqueles que constaram no referido Despacho Decisório, apresentando vários documentos comprobatórios que sequer foram analisados ou mencionados no acórdão ora recorrido; d) repete o demonstrativo de composição do Saldo Negativo de IRPJ em relação às estimativas mensais do tributo compensadas e requer o exame da documentação comprobatória da efetividade das compensações realizadas. Instruiu o presente recurso com cópias da DIPJ/05, DCTF mensais pertinentes, extratos de Per/Dcomp homologados pela RFB, extratos de informações nos processos fiscais já mencionados, cujas compensações foram devidamente homologadas. Verifiquei no sistema eprocesso a situação dos processos administrativos fiscais mencionados pela recorrente, nos quais teriam sido homologadas as compensações das estimativas mensais de CSLL, nºs 13841.000454/200462, 000436/200481 e 000437/200425 e constatei que já foram objeto de despachos decisórios, em 06, 02 e 02 de julho de 2010, respectivamente, procedendo à juntada destes documentos aos presentes autos (efls. 158 a 263). É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. O cerne do litígio é o valor a ser admitido das estimativas mensais do tributo quitadas por compensação, pois somente parte do valor informado em DIPJ, Per/Dcomp e DCTF foi admitido pela autoridade a quo, ensejando o deferimento parcial do crédito pleiteado 1 AR – 19/11/13, efls. 102; Recurso – 19/12/13, efls. 103 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 10865.900211/201016 Resolução nº 1302000.434 S1C3T2 Fl. 6 5 no Per/Dcomp objeto deste litígio, no caso, Saldo Negativo de CSLL relativo ao ano calendário de 2004. De plano, constatase que devem ser acolhidas, em parte, as argumentações da recorrente no que tange aos valores compensados por intermédio das Declarações de Compensações devidamente formalizadas nos processos administrativos que menciona, cujos créditos foram provenientes de Cofins: Processo nº 13841.000454/200462 Declarações de Compensação efls. 03 a 05; 15 a 17 Crédito Cofins : R$ 33.331,79 Débitos: CSLL estimativa nov/04 ....... R$ 25.541,62 IRPJ estimativa nov/04 ........ R$ 2.725,43 CSLL estimativa jan/05 ....... R$ 5.064,74 Despacho Decisório efls. 32 e 33 [...] No uso da competência de apreciação dos processos administrativos relativos a compensação conferida pelo inciso II do art. 285 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 125, de 04/03/2009, HOMOLOGO a compensação constante da Declaração de Compensação de 27/12/2004 (fl. 01) e da Declaração de Compensação de 25/02/2005 (fl. 12) até o valor de R$ 33.331,79 (trinta e três mil, trezentos e trinta e um reais e setenta e nove centavos). Processo nº 13841.000436/200481 Declarações de Compensação efls. 03 a 05 Crédito Cofins : R$ 48.389,57 Débitos: CSLL estimativa out/04 ....... R$ 2.262,15 Saldo Disponível R$ 46.127,42 Despacho Decisório efls. 40 e 41 [...] No uso da competência de apreciação dos processos administrativos relativos a compensação, conferida pelo inciso II do artigo 285 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria M.F. n.° 125, de 04 de março de 2009 e competência a mim delegada pela Portaria DRF/Limeira n.° 82/2001, HOMOLOGO a compensação constante na Declaração de Compensação de 30/11/2004 (fls. 01) até o valor de R$ 2.262,15 (dois mil, duzentos e sessenta e dois reais e quinze centavos). Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 10865.900211/201016 Resolução nº 1302000.434 S1C3T2 Fl. 7 6 Processo nº 13841.000437/200425 Declarações de Compensação efls. 03 a 05 Crédito Cofins : R$ 62.461,51 Débitos: CSLL estimativa out/04 ....... R$ 20.308,47 IRPJ estimativa out/04 ......... R$ 42.153,04 Despacho Decisório efls. 34 e 35 [...] No uso da competência de apreciação dos processos administrativos relativos a compensação, conferida pelo inciso II do artigo 285 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria M.F. n.° 125, de 04 de março de 2009 e competência a mim delegada pela Portaria DRF/Limeira n.° 82/2001, HOMOLOGO a compensação constante na Declaração de Compensação de 30/11/2004 (fls. 01) até o valor de R$ 62.461,51 (sessenta e dois mil, quatrocentos e sessenta e um reais e cinqüenta e um centavos). Notase que, com efeito ao veemente contestado, os despachos decisórios acima já haviam sido proferidos quando os autos foram analisados em primeira instância (sessão em 27/12/2013 e despachos proferidos em 02 e 06 de julho de 2010), devendo a decisão recorrida ser, de plano, reformada para reconhecer os valores das estimativas mensais de CSLL, relativas aos meses de outubro e novembro de 2004, nos valores de R$ 20.308,47 (out), R$ 2.262,15 (out) e R$ 25.541,62 (nov). Nos presentes autos, há que se concordar com a recorrente, que há necessidade, sim, de haver um melhor esclarecimento, mais detalhado, por parte da Administração Tributária sobre o não acatamento dos valores compensados das estimativas de CSLL relativas ao anocalendário de 2004, veiculadas também em Per/Dcomp, uma vez a recorrente haver apresentado início de prova hábil ao exibir as consultas extraídas do próprio sítio da RFB, nas quais constam "situação Perdcomp": "Homologado", ou "Retificado". Devese ressaltar que a Administração Tributária somente admitiu as compensações de dezembro, realizadas com ressarcimento de IPI, por processo administrativo fiscal, no valor de R$ 17.919,37 e também relativa à estimativa de março, parcial, consoante Per/Dcomp nº 20006.43893.260504.1.3.043709, no valor de R$ 6.632,15 (total de R$ 24.551,52), contra o valor informado pela contribuinte da ordem de R$ 178.031,35, sendo glosadas as estimativas dos meses de janeiro, fevereiro, março (parcial), outubro e novembro/2004. Fazse necessário para o deslinde do litígio, pois, converter este julgamento na realização de diligências, para a autoridade a quo se manifestar sobre cada valor que compõe o Saldo Negativo de CSLL, no que respeita às estimativas compensadas, em vista dos documentos apresentados pela recorrente, e despachos decisórios já deferidos, que confrontam frontalmente o Despacho Decisório de efls. 11, a saber: Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 10865.900211/201016 Resolução nº 1302000.434 S1C3T2 Fl. 8 7 mês/04 Estimativa CSLL Compensada Per/Dcomp / Processo "Situação" Doc. apresentado (efls.) Jan 27.000,00 41062.87406.070504.1.3.031682 e 26319.91066.201106.1.7.035014 (retificador) "Homologado" efls. 128 Fev 41.000,00 41062.87406.070504.1.3.031682 e 26319.91066.201106.1.7.035014 (retificador) "Homologado" efls. 128 Mar 37.367,59 41062.87406.070504.1.3.031682 e 26319.91066.201106.1.7.035014 (retificador) "Homologado" efls. 128 Out* 2.262,15 13841.000436/200481 Homologado Desp. Decisório efls. 190 a 229 Out* 20.308,47 13841.000437/200425 Homologado Desp. Decisório efls. 230 a 263 Nov* 25.541,62 13841.000454/200462 Homologado Desp. Decisório efls. 158 a 189 ( * ) estes valores já estão confirmados nos autos, pela juntada dos despachos decisórios pertinentes. A autoridade designada ao cumprimento das diligências deverá intimar a recorrente a prestar esclarecimentos e documentos hábeis em razão de qualquer discrepância entre os valores registrados nos sistemas da RFB e os que constam do presente demonstrativo. Após a apresentação dos documentos e pesquisas realizadas, deverá elaborar um relatório conclusivo sobre quais parcelas efetivamente podem/devem compor o Saldo Negativo de CSLL para o anocalendário de 2004, do qual a recorrente deverá ser cientificada, abrindo se prazo regulamentar para manifestarse, se assim o desejar. Eventual homologação tácita de Per/Dcomp deverá ser verificada também. Restando devidamente instruído os autos, discorrido o prazo de manifestação da recorrente, os autos deverão retornar a esta Conselheira para dar procedimento ao julgamento do litígio. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 270DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO
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Numero do processo: 14098.720005/2014-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 31/07/2010
PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo (Súmula CARF nº 1).
PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. IDENTIDADE DE OBJETO. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF nº 1.
Somente se verifica identidade de objeto quando as demandas judiciais e administrativas ostentem as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato - ou causa de pedir remota - e de direito - ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida). Interpretação sistêmica da Súmula CARF nº 1.
COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA. REQUISITOS.
São os requisitos para a aplicação da multa isolada de 150% prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/1991 a compensação indevida e comprovação da falsidade da declaração, cumulativamente.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. CARF. INCOMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (Súmula CARF nº 28).
Numero da decisão: 2201-003.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de concomitância com a ação judicial suscitada de ofício pelo relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida (Relator), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Eduardo Tadeu Farah (Presidente). No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa isolada. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah (Presidente). Designado para realizar o voto vencedor, quanto a preliminar, o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Realizou sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Leandro Alves dos Santos, OAB/DF 44655.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo (Súmula CARF nº 1). PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. IDENTIDADE DE OBJETO. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF nº 1. Somente se verifica identidade de objeto quando as demandas judiciais e administrativas ostentem as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato ou causa de pedir remota e de direito ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida). Interpretação sistêmica da Súmula CARF nº 1. COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA. REQUISITOS. São os requisitos para a aplicação da multa isolada de 150% prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/1991 a compensação indevida e comprovação da falsidade da declaração, cumulativamente. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. CARF. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (Súmula CARF nº 28). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 72 00 05 /2 01 4- 39 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14098.720005/201439 Acórdão n.º 2201003.140 S2C2T1 Fl. 270 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de concomitância com a ação judicial suscitada de ofício pelo relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida (Relator), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Eduardo Tadeu Farah (Presidente). No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa isolada. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah (Presidente). Designado para realizar o voto vencedor, quanto a preliminar, o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Realizou sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Leandro Alves dos Santos, OAB/DF 44655. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. Relatório Em face do sujeito passivo acima identificado foram lavrados os seguintes Autos de Infração: AI DEBCAD nº 51.057.4459 – Glosas relativas às contribuições decorrentes das remunerações correspondentes aos 15 (quinze) primeiros dias do auxílio doença, compensadas pela empresa antes do trânsito em julgado de mandado de segurança por ela impetrada. AI DEBCAD nº 51.043.6013 – Glosas referentes às contribuições incidentes sobre o saláriomaternidade, férias e adicional de 1/3 de férias, compensadas pela empresa antes do trânsito em julgado de mandado de segurança por ela impetrada. AI DEBCAD nº 51.043.6048 Multa isolada de 150% calculada sobre o valor indevidamente compensado. A contribuinte apresentou a impugnação de fls. 117/165, julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 189/205. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14098.720005/201439 Acórdão n.º 2201003.140 S2C2T1 Fl. 271 3 Cientificada da decisão de primeira instância em 09/10/2014 (fl. 207), a Interessada interpôs, em 29/10/2014, o recurso de fls. 211/261. Na peça recursal aduz, em síntese, que: AUTOS DE INFRAÇÃO 51.057.4459 e 51.043.6013 DA ESTRITA LEGALIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL ADOTADO PELA RECORRENTE É prescindível autorização judicial ou administrativa para que a compensação tributária seja efetuada antes do trânsito em julgado da decisão, pois tal permissivo já está contido no bojo do art. 66 da Lei n° 8.383/1991 e do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, que prevê a modalidade de compensação denominada sponte própria, de iniciativa exclusiva do contribuinte. Não há nenhuma ilegalidade no procedimento levado a efeito pela Recorrente, bem como não foi utilizado nenhum ardil com o objetivo de fraudar a arrecadação. Antes, tratase de compensação perfeitamente autorizada pelo Ordenamento Jurídico, efetivada por meio de expedientes contábeis próprios. Também não houve violação ao artigo 170A do CTN, uma vez que esta é uma regra que o legislador dirigiu ao Poder Judiciário e não ao contribuinte. O Juiz, ante a imposição do artigo 170A do CTN, está impedido de autorizar a compensação antes do trânsito em julgado, mas o dispositivo não proíbe que o contribuinte faça seu regular pedido de compensação. O montante apontado como devido deriva, exclusivamente, de valores de contribuições previdenciárias devidas pela Recorrente, restituídos em razão de sentença judicial que reconheceu o direito líquido e certo de compensar prestações futuras com os valores até então recolhidos indevidamente a título de contribuição previdenciária incidente sobre as seguintes verbas: os valores pagos nos primeiros 15 dias aos empregados afastados com auxílio doença/acidente, o saláriomaternidade, férias e adicional de 1/3 de férias. O Superior Tribunal de Justiça STJ é unânime ao afastar do campo de incidência da contribuição previdenciária os valores pagos nos 15 primeiros dias aos empregados doentes ou acidentados, a título de saláriomaternidade, bem como em relação às férias e ao terço constitucional de férias, de modo que não restam dúvidas acerca do direito à compensação do montante indevidamente recolhido. É imprescindível destacar que o STJ concluiu o julgamento do Resp n.° 1.230.957RS, o qual foi julgado pela sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil CPC, vinculando todos os Tribunais de 2ª Instância, bem como esse egrégio Conselho (artigo 62A do RICARF), a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB (Parecer PGFN/CDA/CRJ nº 396/2013) e a Procuradoria da Fazenda Nacional (Lei nº 10.522/2002, art. 19, inciso V), devendo a decisão ser plenamente observada e cumprida. No referido recurso negouse provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e deuse parcial provimento ao Recurso Especial dos contribuintes, afastando a incidência da contribuição previdenciária patronal sobre os valores pagos a título de 1/3 de férias, aviso prévio indenizado e 15 primeiros dias de afastamento dos funcionários doentes ou acidentados. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14098.720005/201439 Acórdão n.º 2201003.140 S2C2T1 Fl. 272 4 DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL O legislador ordinário elegeu, como hipótese de incidência tributária da contribuição previdenciária patronal o pagamento de remunerações destinadas a retribuir o trabalho, seja pelos serviços prestados, seja pelo tempo em que o empregado ou trabalhador avulso permanece à disposição do empregador ou tomador de serviços. Pretendeuse, através das Medidas Provisórias 1.52313 e 1.59614, ampliar a hipótese tributária em debate para além dos valores pagos em decorrência de contraprestação de serviços, de modo a abranger quaisquer valores pagos pela empresa aos trabalhadores. A autoridade Administrativa exigiu o recolhimento da contribuição social previdenciária pretensamente incidente sobre valores pagos em situações em que não há remuneração por serviços prestados, ou seja, hipóteses que desbordam do fato gerador in abstracto. No caso concreto são circunstâncias em que o empregado acidentado, doente, gestante ou em gozo de férias não está prestando serviços nem se encontra à disposição da empresa. DOS 15 PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DOS FUNCIONÁRIOS DOENTES E/OU ACIDENTADOS O trabalhador doente ou acidentado não está prestando serviço algum nem de modo efetivo, nem de forma potencial sendo certo que o valor a este pago pela empresa para concessão de benefício previdenciário não se insere na hipótese de incidência prevista no artigo 22, inciso I, da Lei n° 8.212/1991. DA NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE O SALÁRIO MATERNIDADE Os valores pagos às funcionárias afastadas nestas condições não são destinados a retribuir qualquer tipo de trabalho, posto que trabalho algum é prestado, não se vislumbrando, novamente a hipótese de incidência prevista no artigo 22, inciso I, da Lei n° 8.212/1991. DAS FÉRIAS E DO TERÇO CONSTITUCIONAL Exigese a contribuição previdenciária patronal sobre os valores pagos a tais títulos ao argumento de que estão excluídas do salário de contribuição apenas as férias indenizadas e respectivo terço constitucional. Ocorre que o salário de contribuição é base de cálculo da contribuição devida pelos segurados, não a base de cálculo da contribuição patronal, conforme previsto no artigo 20 da Lei n° 8.212/1991. A hipótese de incidência da contribuição previdenciária patronal, bem como sua base de cálculo, dizem respeito exclusivamente aos valores pagos destinados a retribuir um trabalho efetivo ou potencial o que não é o caso dos funcionários em gozo de férias. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14098.720005/201439 Acórdão n.º 2201003.140 S2C2T1 Fl. 273 5 Logo, não tendo tais pagamentos sido eleitos pelo legislador infraconstitucional como hipótese tributária da contribuição previdenciária patronal, deve ser afastada a cobrança sobre tais verbas, uma vez demonstrado que são indevidas, gerando direito à sua restituição. DA INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC O STJ entendeu que a Taxa SELIC visa remunerar títulos. Não havendo discriminação qualitativa e quantitativa de seus componentes integrantes, a Taxa SELIC, por ferir princípios, é inaplicável em matéria tributária. Em respeito ao princípio da hierarquia das normas o artigo 161, § 1º do CTN (Lei Complementar) estabelece o índice de juros de 1% ao mês e, na hipótese de a Lei nº 8.981/1995, instituidora da Taxa Selic, ser considerada norma legal para regrar assuntos tributários, devese concluir que a mencionada lei não poderia fixar índices acima do limite previsto no CTN. Não poderia a fiscalização reclamar o pagamento de juros de mora sobre multa, calculadas por taxas de natureza remuneratória, como é o caso da SELIC, pena de ofensa ao conceito jurídico e econômico de juros moratórios e de ferir os preceitos contidos no parágrafo do artigo 161 do CTN. AUTO DE INFRAÇÃO 51.043.6048 DO DESCABIMENTO DA MULTA ISOLADA Os valores lançados pela Recorrente nas suas GFIP refletem as apurações de recolhimentos indevidos e amparados por decisão parcialmente procedente. A Recorrente comprova a sua boafé submetendo todas as informações, procedimentos e documentos ao crivo do Judiciário e do próprio Fisco, o que se materializou nos autos do Mandado de Segurança impetrado. A realização de compensação em qualquer uma das hipóteses autorizada pela Lei não caracteriza fraude fiscal e, tampouco, o dolo, já que não há que se falar em fraude se não houver dolo. Sonegação, fraude e conluio são formas diversas de evasão fiscal e em todas essas hipóteses deverá estar presente o dolo. O que se verifica como pressuposto em comum em todas as três hipóteses é a existência de dolo, não podendo a presença deste elemento ser identificada através de presunção, senão através de prova. Na essência, o que se pretende com as práticas que vêm sendo realizadas pela Receita Federal é a imposição de penalidades calcadas em presunção absoluta, ou mediante ficção jurídica, contrariando a doutrina e a jurisprudência inerentes ao direito tributário. Não pode haver presunção de sonegação para fins de aplicação da multa isolada, visto que esta deverá ser provada e caberá prova em contrário. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14098.720005/201439 Acórdão n.º 2201003.140 S2C2T1 Fl. 274 6 O CARF se manifestou, recentemente, no sentido de que é incabível a multa isolada no patamar de 150% quando o contribuinte detenha decisão judicial determinando a compensação após o trânsito em julgado. DO CARÁTER CONFISCATÒRIO DA MULTA A multa aplicada corresponde ao percentual absurdo de 150% do valor do tributo indevidamente exigido. O referido percentual encontrase em grave ofensa ao princípio do não confisco consagrado no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. O simples valor da exigência, R$ 2.580.131,28, é suficiente para caracterizar a teratologia. Ainda que consideradas as variáveis de fato peculiares a cada caso, demonstrase nítido o caráter confiscatório e, portanto, insustentável do percentual de 150% em face da farta jurisprudência dos tribunais superiores. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O crédito tributário só pode ser considerado definitivamente constituído após o encerramento do devido processo legal administrativo. Assim, enquanto não houver conclusão do processo administrativo que apura eventual ilícito tributário não se pode, de modo algum, atribuirse à Interessada a prática de algum crime fiscal. É o que prevê a Súmula Vinculante nº 24 do STF. Pendente recurso administrativo, a Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP) sequer pode ser encaminhada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ao Ministério Público Federal. DOS PEDIDOS Requer seja o presente recurso voluntário recebido. Requer seja o presente recurso acolhido e provido em todos seus termos. Requer seja a representação fiscal para fins penais mantida no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil até o final do esgotamento da via administrativa, eventual constituição definitiva do crédito tributário e, ainda, após esgotado o prazo para o contribuinte pagar e/ou parcelar o tributo. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida AUTOS DE INFRAÇÃO 51.057.4459 e 51.043.6013 Observo, por primeiro, que por meio dos Autos de Infração 51.057.4459 e 51.043.6013 foram realizadas, respectivamente, glosas de contribuições previdenciárias incidentes sobre verbas pagas relativas aos 15 primeiros dias do auxíliodoença e glosas de contribuições previdenciárias incidentes sobre o saláriomaternidade, férias e adicional de 1/3 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14098.720005/201439 Acórdão n.º 2201003.140 S2C2T1 Fl. 275 7 de férias, compensadas pela empresa antes do trânsito em julgado de mandado de segurança por ela impetrada. O Relatório Fiscal de fls. 51/54 revela que a Recorrente impetrou Mandado de Segurança, em 04/06/2009, objetivando: 1. o não recolhimento da contribuição social previdenciária incidente sobre os valores pagos referentes aos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento dos empregados doentes ou acidentados, bem como sobre os valores pagos a título de saláriomaternidade, férias e adicional de férias de 1/3 (um terço); 2. compensação dos valores recolhidos nos últimos 10 (dez) anos, com correção monetária, juros de mora de 1% (um por cento) e taxa SELIC a partir de 01/01/1996, com qualquer tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, sem as limitações do art.170A do CTN, Lei nº 8.212/1991 ou qualquer norma legal ou infralegal. Embora a liminar pleiteada tenha sido indeferida, sentença de 14/09/2009 concedeu em parte a segurança, reconhecendo a não incidência da contribuição previdenciária apenas sobre os valores pagos correspondentes aos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento dos empregados doentes ou acidentados, bem como o direito à compensação, após o trânsito em julgado, nos termos do art.170A do CTN, nos 10 (dez) anos anteriores ao ajuizamento da ação. No Acórdão n° 2009.34.00.0186412/DF, de 06/11/2012, confirmouse a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração paga pelo empregador ao empregado durante os quinze primeiros dias que antecedem a concessão do auxíliodoença, respeitando a prescrição quinquenal e limitando a compensação às contribuições de mesma espécie, somente após o trânsito em julgado (CTN, art.170A), com correção unicamente pela taxa SELIC. Consta do Relatório Fiscal (fls. 51/54), também, que a empresa efetuou compensações das contribuições previdenciárias nos exatos termos do pedido judicial, conforme as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP por ela apresentadas. Verificase, assim, que o destino do crédito previdenciário em discussão está diretamente atrelado ao deslinde da ação ajuizada pela Interessada, uma vez que se o Poder Judiciário acolher definitivamente os pleitos formulados nos autos da ação judicial as contribuições decorrentes das glosas não poderão ser cobradas pela União. Ao revés, ocorrendo o trânsito em julgado favorável à União, integral ou parcialmente, as contribuições permanecem íntegras, com possibilidade de cobrança pelo sujeito ativo da relação tributária, integral ou parcialmente. O parágrafo único do art. 38 da Lei de Execução Fiscal (Lei 6.830/1980), assim como o caput do art. 87 do Decreto nº 7.574/2011 (que regulamentou o processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários da União) e a Súmula CARF nº 1, estabelecem, sistematicamente, que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo ou mais amplo objeto do processo administrativo. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14098.720005/201439 Acórdão n.º 2201003.140 S2C2T1 Fl. 276 8 Esse conjunto normativo não implica em qualquer ofensa ao devido processo legal administrativo, posto que é o sujeito passivo quem escolhe buscar o seu suposto direito na via judicial que, em julgando a mesma controvérsia discutida na via administrativa, prevalece sobre a decisão do processo administrativo e faz coisa julgada, por isso mesmo não se justificando uma dupla litigiosidade de esferas (administrativa e judicial) com o mesmo objeto. Em outras palavras: a opção pela discussão judicial, antes ou depois do exaurimento da instância administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, direcionando o litígio ao Poder Judiciário, a quem cabe dar a última palavra sobre a questão levada à sua apreciação. O requisito para a concomitância é a identidade de objeto. No entendimento deste Julgador a identidade de objetos ocorre nas hipóteses em que o contribuinte pode obter na esfera judicial a mesma consequência que alcançaria por meio de seu pedido na via administrativa. No mesmo sentido é o ensinamento de Eduardo Domingos Bottallo, (Processo Administrativo Tributário, Comentários ao Decreto nº 7.574/2011 e à Constituição Federal, Dialética, 2012, pp. 94/95), verbis: Pouco importa, de outra parte, que, em um e em outro caso, esteja em pauta a mesma tese jurídica, uma vez que a prejudicialidade da existência dos dois processos (o administrativo e o judicial) só deve levar em conta os respectivos objetos, que não se confundem, com a causa de pedir. Reforçando a ideia, tal prejudicialidade só ocorre nos casos em que o sujeito passivo pode obter em juízo o mesmo resultado possibilitado pela impugnação administrativa ao auto de infração. E é exatamente isto que ocorre na situação em análise, uma vez que o êxito na ação judicial implicará no mesmo resultado pretendido pelo Recorrente no bojo deste processo administrativo, no que se refere à compensação realizada em relação aos valores pagos referentes aos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento dos empregados doentes ou acidentados e em relação aos valores pagos a título de saláriomaternidade, férias e adicional de férias de 1/3 (um terço), inclusive em relação à multa de mora aplicada, aos juros e à Representação Fiscais para Fins Penais. Noutros termos: transitada em julgado a ação judicial, com resultado favorável ao Recorrente, o Fisco não poderá cobrar os débitos decorrentes das glosas efetuadas, os juros, a multa de mora ou mesmo, eventualmente, os representantes legais da contribuinte serem alvo de qualquer procedimento criminal. Nesse contexto, entendo que o recurso não deve ser conhecido em relação às glosas dos valores compensados referentes aos pagamentos dos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento dos empregados doentes ou acidentados e em relação às glosas dos valores compensados referentes aos pagamentos a título de saláriomaternidade, férias e adicional de férias de 1/3 (um terço), em face da concomitância do processo judicial com o processo administrativo, ambos com o mesmo objeto, assim entendida a situação em que o sujeito passivo pode alcançar, na via judicial, aquilo que pleiteia na via administrativa. AUTO DE INFRAÇÃO 51.043.6048 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14098.720005/201439 Acórdão n.º 2201003.140 S2C2T1 Fl. 277 9 Conforme mencionado no capítulo anterior a Recorrente impetrou mandado de segurança objetivando o não recolhimento das referidas contribuições sociais previdenciárias, bem como pleiteando a compensação dos valores recolhidos nos últimos 10 (dez) anos. Assim, a pretensão material deduzida em juízo não contempla a inexigibilidade da multa isolada aplicada no presente Auto de Infração. Acrescentese que o pedido formulado na ação judicial restringe a prestação jurisdicional, que, pelo princípio processual da congruência, não deve ser extra, ultra, ou infra petita. Também vimos no capítulo anterior que o requisito para a concomitância é a identidade de objeto, assim considerada a situação em que o sujeito passivo pode alcançar, na via judicial, aquilo que pleiteia na via administrativa. Logo, descabe falar em concomitância de processo judicial em relação à aplicação da multa isolada de 150% prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/1991, haja vista que a Interessada não poderá obter, por meio do Mandado de Segurança impetrado, a inexigibilidade da penalidade aplicada neste processo administrativo. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso em relação às insurgências aventadas pela Recorrente no que se refere à aplicação da multa isolada de 150%. O § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/1991 está descrito nos seguintes termos: Art. 89. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). A leitura do dispositivo legal evidencia que dois são os requisitos para a aplicação da multa isolada de 150%, cumulativamente: compensação indevida e comprovação da falsidade da declaração. A compensação indevida é evidente, na medida em que existe dispositivo legal expresso estabelecendo a vedação da compensação antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. É o que prevê o art. 170A do Código Tributário Nacional – CTN, in verbis: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Resta verificar, então, se a Fiscalização comprovou a falsidade na declaração, segundo requisito para aplicação da multa de 150% prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/1991. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14098.720005/201439 Acórdão n.º 2201003.140 S2C2T1 Fl. 278 10 A Autoridade lançadora fundamentou a aplicação da multa nos seguintes termos: Em razão de restar comprovada a materialização da hipótese prevista no § 10 do Art. 89 da Lei 8.212/91, acrescentado pela Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, ficou a empresa sujeita à multa isolada de 150% (cento e cinquenta por cento) calculada sobre o valor indevidamente compensado, pois: a) tinha pleno conhecimento da inexistência dos pretensos créditos compensados; b) a ação dolosa visou impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária, das condições pessoais de contribuinte, afetando o crédito tributário correspondente, o que caracteriza sonegação para fins de aplicação e graduação das penalidades, nos termos do Art.71, II da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Como se vê a Autoridade fiscal buscou fundamentar a falsidade da declaração no suposto conhecimento da inexistência de créditos, embora a ação judicial ainda não tenha transitado em julgado, e em uma ação dolosa tendente a “impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária, das condições pessoais do contribuinte”, com base no art. 71, II, da Lei nº 4.502/1964, assim descrito: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. À evidência, a Autoridade lançadora não demonstrou a intenção dolosa da contribuinte tendente a impedir o conhecimento, por parte da Autoridade fazendária, das condições pessoais do contribuinte, tampouco que condições são essas. Ademais, a Autoridade fiscal tomou conhecimento da compensação via GFIP, porquanto a Recorrente declarou os tributos em sua totalidade. O fato de a compensação ser indevida não significa, por si só, em meu entendimento, que houve a ocorrência de falsidade na declaração, haja vista que não houve a ocultação de valores ou a alteração da verdade dos fatos. As contribuições previdenciárias foram informadas ao Fisco, assim como o procedimento compensatório. Tanto que a Autoridade Fiscal pautou o lançamento com base nas declarações prestadas em GFIP. Acrescento, também, que inexiste, nos autos, prova material indicando a existência de falsidade das declarações apresentadas pela Interessada (GFIP), que apenas Fl. 278DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14098.720005/201439 Acórdão n.º 2201003.140 S2C2T1 Fl. 279 11 registraram a realização de compensação de débitos previdenciários com créditos objeto de ação judicial. Desse modo, entendo que a Fiscalização não se desincumbiu de provar a falsidade nas declarações apresentadas, tampouco que a Recorrente agiu dolosamente no intuito de impedir o Fisco de tomar conhecimento das condições pessoais do contribuinte, condições essas, repitase, que sequer foram apontadas no Relatório Fiscal (fls. 51/54). Ressalto, ainda, que a multa isolada de 150% é a penalidade mais grave prevista na legislação previdenciária. De conseguinte, a Fiscalização é obrigada a produzir provas convincentes da falsidade da declaração, sendo inviável sua aplicação apenas com base em alegações genéricas. Houve, na verdade, declaração de informações verídicas que demonstram compensações indevidas, circunstâncias das quais não é admissível presumir o dolo e atribuir um caráter de declaração falsa às declarações apresentadas pela contribuinte. Nesse contexto, penso que não restou comprovado um dos requisitos necessários à aplicação da multa prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/1991, qual seja, a falsidade das declarações apresentadas pelo sujeito passivo. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Descabe discussão acerca de procedimentos relacionados à Representação Fiscal para Fins Penais no âmbito deste Conselho, nos termos da Súmula CARF nº 28, in verbis: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. CONCLUSÃO Nesse contexto, voto por conhecer parcialmente o recurso e, na parte conhecida, por darlhe provimento para cancelar a multa isolada de 150%. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 279DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14098.720005/201439 Acórdão n.º 2201003.140 S2C2T1 Fl. 280 12 Voto Vencedor Carlos Henrique de Oliveira Redator designado Em que pesem os lógicos argumentos e o costumeiro acerto do ilustre Relator, ouso, com a devida vênia, discordar da concomitância apontada. Entende, o nobre Conselheiro que, por ter o contribuinte impetrado mandado de segurança, em junho de 2009, buscando autorização judicial para afastar a incidência de contribuição previdenciária patronal sobre determinadas verbas pagas aos seus empregados, e o lançamento versar sobre glosa de compensações de valores pagos sob essas rubricas, verifica se a existência de concomitância entre as instâncias administrativa e judicial, o que, em face da legislação aplicável, implica em renúncia ao processo administrativo tributário. São suas palavras: "Verificase, assim, que o destino do crédito previdenciário em discussão está diretamente atrelado ao deslinde da ação ajuizada pela Interessada, uma vez que se o Poder Judiciário acolher definitivamente os pleitos formulados nos autos da ação judicial as contribuições decorrentes das glosas não poderão ser cobradas pela União. Ao revés, ocorrendo o trânsito em julgado favorável à União, integral ou parcialmente, as contribuições permanecem íntegras, com possibilidade de cobrança pelo sujeito ativo da relação tributária, integral ou parcialmente. O parágrafo único do art. 38 da Lei de Execução Fiscal (Lei 6.830/1980), assim como o caput do art. 87 do Decreto nº 7.574/2011 (que regulamentou o processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários da União) e a Súmula CARF nº 1, estabelecem, sistematicamente, que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo ou mais amplo objeto do processo administrativo." (destacamos) Exsurge, nos destaques da transcrição, o ponto de dissenso ensejador do presente voto. Segundo o insigne Relator, verificase concomitância toda vez que o contribuinte buscar o judiciário e da decisão resultante, poder restar prejudicado, pelo sucesso da lide judicial, o lançamento tributário objeto da discussão no âmbito administrativo. Entre outros fundamentos, apóiase o Conselheiro na dicção da Súmula CARF nº 1. Vejamos seus termos: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (destaques nossos) Fl. 280DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14098.720005/201439 Acórdão n.º 2201003.140 S2C2T1 Fl. 281 13 Claríssima a disposição que consolidou entendimento praticamente unânime deste Colegiado: há tácita renúncia ao processo administrativo a propositura, antes ou depois do lançamento, de medida judicial com o mesmo objeto do processo administrativo. Assim, mister entendermos o que é o objeto do processo administrativo e cotejálo com o objeto do processo judicial que se analisa. Segundo o dicionário Michaelis 'online', publicado no sitio uolBusca (http://dic.busca.uol.com.br/result.html?q=objeto&group=0&t=10), o verbete objeto, em sua acepção jurídica: "objeto •sm(lat objectu) Tudo que se oferece aos nossos sentidos ou à nossa alma. Coisa material:Havia na estante vários objetos.Col: bateria,trem(quando agrupados para o mesmo fim). Motivo, causa. Tudo que constitui a matéria de ciências ou artes. Assunto, matéria. Intenção, desígnio, mira. Fim a que se mira ou que se tem em vista. FilosAquilo que é pensado, por oposição ao próprio ato de pensar. DirTudo aquilo sobre que recai um direito, ou uma ação, ou obrigação." (sublinhamos) Também no mesmo sentido, um tanto amplo para os fins do nosso estudo, caminha o dicionário jurídico. Para objeto do processo, encontramos a seguinte significação (Diccionario Básico Jurídico, 7ª ed. Comares Editorial): "Conjunto de fatos que integrando o processo, o levam a conseguir as diversas finalidades que o mesmo persegue (...)" Das significações apresentadas, podemos inferir que o objeto da demanda processual é aquilo que com ela se pretende obter, o que se quer alcançar. Porém, somente tal entendimento é suficiente para se verificar a concomitância, como entende o Relator? Não nos parece a melhor doutrina. O Professor Moacyr Amaral Santos, no clássico Primeira Linhas de Direito Processual Civil ( 1º Vol., Ed. Saraiva, 20ª ed., p. 163), leciona que objeto da ação: "é o pedido do autor (Cod Proc. Civil, art 282, IV), ou seja, o que ele solicita que lhe seja assegurado pelo órgão jurisdicional. (...) Assim, o objeto, isto é, o pedido (res, petitum) é imediato ou mediato. O pedido imediato consiste na providência jurisdicional solicitada: sentença condenatória, declaratória, constitutiva ou mesmo providência executiva, cautelar ou preventiva. O pedido mediato é a utilidade que se quer alcançar pela sentença, ou providencia jurisdicional, isto é, o bem material ou imaterial pretendido" Fl. 281DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14098.720005/201439 Acórdão n.º 2201003.140 S2C2T1 Fl. 282 14 Continuando sua lição, o emérito Professor das Arcadas, ensina que o pedido deve estar sempre apoiado, deve sempre corresponder a uma causa de pedir, pois "quem invoca uma providência jurisdicional quanto a um bem pretendido, cumpre dizer no que se funda seu pedido" (ob. cit., pag. 164). Recorda o Mestre que o Códex Processual exige que o autor exponha na inicial não só o seu pedido, mas também os fundamentos jurídicos deste. Com tal exigência, a lei processual requer a exposição não só a causa próxima de pedir os fundamentos jurídicos como também a causa remota o fato gerador do direito. No caminhar de sua lição, com a didática exemplar que sempre o caracterizou, o Professor Moacyr Amaral, explica que a identificação de ações ( o cerne de nosso problema) exige que se examine detalhadamente a identidade, a individualidade de uma demanda. Para tanto, leciona o saudoso Professor: "(...) duas ações são idênticas quando em ambas seus elementos são os mesmos. Assim, duas ações são idênticas quando entre elas há: a) identidade de partes (eadem personae); b) identidade de objeto (eadem res); c) identidade de causa de pedir (eadem causa petendi)." Exsurge a distinção. Temse identidade entre ações quando as mesmas, intrinsecamente, coincidem, ou seja, são iguais. Para tanto, necessariamente convergem para a mesma solução a partir de divergências sobre o mesmo bem da vida mas forçosamente com essa divergência decorrente do mesmo motivo, da mesma causa. Tal exigência decorre não só de um imperativo processual, mas também de um imperativo lógico. Não basta a demanda reunir mesmas partes, sobre o mesmo bem em discussão: o motivo da disputa deve ser o mesmo. Por exemplo se pode entender melhor. Dois senhores podem discutir sobre um imóvel, mais acuradamente sobre a posse e propriedade de um imóvel. Imaginemos que se trate de um imóvel comercial, onde o proprietário, por contrato de locação, passou a posse do imóvel a um comerciante. Tempos depois, o comerciante propôs a compra do imóvel. Firmam um contrato de compra e venda, com pagamento parcelado. Ajustam que durante o pagamento parcelado da compra, o locatória, agora promitente comprador, continuaria a pagar o aluguel. Iniciados os pagamentos, o comprador, agora em dificuldades financeiras, atrasa algumas parcelas. O vendedor, opta pela resolução contratual unilateral e vende, à vista, o imóvel a outrem, porém ajustando com o novo comprador, que entregará o imóvel desocupado. Ingressa com medida judicial, ação de despejo, visando a retomada do imóvel. Nesse caso o objeto é a posse do imóvel. O locatário, aqui ainda promitente comprador, inconformado com o desfazimento do contrato de promessa de compra e venda, ingressa com ação judicial buscando Fl. 282DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14098.720005/201439 Acórdão n.º 2201003.140 S2C2T1 Fl. 283 15 fazer valer seu direito decorrente do contrato de compra e venda firmado e portanto anular a segunda venda. Objeto da ação: a propriedade do imóvel. Partes envolvidas: as mesmas. Resultado, objeto , de uma e de outra: o imóvel. Importante recordar que se o direito de promitente comprador for reconhecido, por óbvio que a segunda decisão terá seu resultado impactando na primeira, na ação de despejo. Mesmo assim, há coincidência de ações? Por óbvio que não. A distinção é flagrante quanto à causa de pedir. Em uma e em outra ação, embora o objeto seja o mesmo, o fundamento jurídico do pedido é distinto. Esses requisitos para que se reconheça a identidade de ações e portanto, a concomitância também é reconhecido por Julio Fabbrini Mirabete (Processo Penal, Ed. Atlas, 10ª ed., p. 217), processualista de renome que explicita, ao examiniar a litispendência: "Os elementos que identificam a demanda, impedindo outra por litispendência são: a) o pedido (petitum), o que o autor pede; b) as partes (personae), são as partes em litígio; a causa de pedir (causa petendi), a razão de fato pela qual o autor pede a condenação, no processo penal o fato criminoso. Numa expressão bem simples, se o mesmo autor, com o mesmo fundamento de fato, faz o mesmo pedido, contra o mesmo réu, a demanda é a mesma que a anterior" (destacamos) Não é outra a lição de Cândido Rangel Dinamarco, outro ícone da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, que em sua importantíssima obra, Instituições de Direito Processual Civil ( Vol III, 2ª ed. Ed. Malheiros p. 136), assevera: "Didaticamente e seguindo uma linha tradicional no processo civil brasileiro, o Código de Processo Civil afirma que uma ação é precisa reprodução de outra quando em ambas coincidem os três elementos constitutivos, tendo elas as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido (...)" (destacamos) Outro simples raciocínio demonstra a importância da causa de pedir como traço elementar, e portanto distintivo, de uma ação. Pensemos agora em hipótese de lide tributária clássica, ou seja, insurgência contra a tributação. Decerto que nessas ações tributárias, dois elementos serão sempre coincidentes: i) as partes, pois sempre se analisará a demanda de determinado contribuinte contra a Administração Tributária; ii) o pedido, o próprio objeto, pois sempre o contribuinte buscará se esquivar da exação como pretendida pelo Fisco. Ora, nesses casos, ao prevalecer a questão como posta pelo Relator, ou seja, há concomitância quando o contribuinte pode alcançar na via judicial o mesmo resultado que teria na esfera administrativa, qualquer tipo de lide judicial afastaria qualquer demanda na fase administrativa, uma vez que pelo nosso pressuposto ao conseguir judicialmente o afastamento da pretensão fiscal como pretendida pela Administração Tributária, a esfera administrativa nunca teria função. Imaginemos que o contribuinte tenha ingressado com uma ação de inexistência de relação tributária acerca de determinado tributo. Tempos depois, ao perceber Fl. 283DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14098.720005/201439 Acórdão n.º 2201003.140 S2C2T1 Fl. 284 16 que aquele contribuinte não estava recolhendo os valores devidos sobre aquele determinado tributo, o Fisco inicia procedimento fiscalizatório. Ao ser cientificado da existência da demanda judicial, a autoridade fiscal, visando cumprir a determinação legal, opta por lançar o tributo em litígio somente para prevenir a decadência. Na impugnação, o contribuinte se insurge sobre o lançamento tributário em razão da existência, em sua opinião, de nulidade no procedimento do lançamento. A prevalecer a posição aqui atacada, por ser certo que o resultado da lide judicial pode ser a declaração da inexistência da relação tributária entre o Fisco e o contribuinte, a processo administrativo tributário não poderia ser conhecido pois se observaria a concomitância, com consequente renuncia. Resultado: a Administração Tributária deixou de examinar, de controlar, a legalidade de determinado ato por ela produzido, expondo assim ao mundo um ato eivado de ilegalidade, nulo portanto, realizado por quem está adstrito ao princípio da legalidade, que determina que a Administração Pública só pode fazer o que a lei permite. Por óbvio que não pode ser esse o conceito de concomitância. Ao aplicarmos aos exemplos acima a clássica doutrina processualista, que exige para que se tenha identidade de ações a presença dos três elementos essenciais da ação (mesmas partes, mesma causa de pedir e mesmo pedido), não se verificaria a concomitância havendo, portanto, o exame dos processos por serem distintos. Outro não é o entendimento da própria Administração Tributária. Vejamos o trecho do conteúdo do Parecer Normativo Cosit nº 7, de 22 de agosto de 2014, que versa exatamente sobre o tema aqui analisado: "Da identidade de objetos dos processos administrativo e judicial 9. Poderseia questionar quanto à definição da expressão “mesmo objeto” a que se reportam o ADN Cosit nº3, de 1996, a Súmula nº1 do CARF e a Portaria MF nº341, de 2011. Aqui, fazse mister diferenciar o objeto da relação jurídica substancial ou primária do objeto da relação jurídica processual. Aquele consiste no bem da vida sobre o qual recaem os interesses em conflito, in casu, o patrimônio do contribuinte; este, por sua vez, diz respeito ao serviço que o Estado tem o dever de prestar, e nos procedimentos de que este se utiliza para tanto, resultando no proferimento de decisões administrativas ou judiciais em cada processo, guardando relação de instrumentalidade com a real demanda do autor (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Constituição Federal Comentada. 2. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. p. 179). 9.1. Assim, só produz o efeito de impedir o curso normal do processo administrativo a existência de processo judicial para o julgamento de demanda idêntica, assim caracterizada aquela em que se verificam as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato – ou causa de pedir remota e de direito – ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação Fl. 284DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14098.720005/201439 Acórdão n.º 2201003.140 S2C2T1 Fl. 285 17 incidente sobre o bem da vida) a chamada teoria dos três eadem, conforme definida no art. 301, § 2ºda Lei nº5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), o qual ora se aplica por analogia. 9.2. Levase em consideração o objeto da relação jurídica substancial; se a discussão judicial se refere a questões instrumentais do processo administrativo, contra as quais se insurge o sujeito passivo da obrigação tributária, não há que se falar em desistência da instância administrativa nem em definitividade da decisão recorrida, quando nesta se discute alguma questão de direito material. Se, no entanto, a discussão administrativa gira em torno de alguma questão processual, como a tempestividade da impugnação, por exemplo, questão esta também levada à apreciação judicial, configurase a renúncia à esfera administrativa quanto a este ponto específico. 9.3. Seguindo esse raciocínio, encontrase entendimento na doutrina e na jurisprudência de que só se caracteriza a identidade de ações quando se verificam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir: 19. Identidade de ações: caracterização. As partes devem ser as mesmas, não importando a ordem delas nos pólos das ações em análise. A causa de pedir, próxima e remota [...], deve ser a mesma nas ações, para que se as tenha como idênticas. O pedido, imediato e mediato, deve ser o mesmo: bem da vida e tipo de sentença judicial. Somente quando os três elementos, com suas seis subdivisões, forem iguais é que as ações serão idênticas. (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado. 11. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p. 595) Litispendência. Identidade de pedidos. A identidade de pedidos não caracteriza a litispendência. Somente se verifica a litispendência com a identidade de ações: as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir. (TRF5ª, 1ª T., Ap 17299RN, rel. Juiz Ridalvo Costa, v.u., j. 10.12.1992, JSTJ 47/583) 9.4. Vale reproduzir o seguinte excerto do Parecer PGFN/Cocat nº2/2013: 49. Dito disso, conferimos ao instituto da concomitância no PAF o mesmo tratamento da litispendência no processo civil, pois a verificação da ausência desses dois pressupostos negativos têm como finalidade precípua evitar o processamento de causas iguais quando houver: (i) identidade das partes, (ii) da causa de pedir e (iii) do pedido (art. 301, §§ 1ºe 2º, do CPC; e Súmula nº1/CARF). 50. Com efeito, na linha do que foi afirmado no item 26, tanto a concomitância quanto a litispendência constituem requisitos de validade objetivos extrínsecos da relação processual. São pressupostos negativos, ou seja, fatos que não podem ocorrer para que o procedimento se instaure validamente. Representam Fl. 285DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14098.720005/201439 Acórdão n.º 2201003.140 S2C2T1 Fl. 286 18 acontecimentos estranhos à relação jurídica processual (daí o adjetivo "extrínseco") que, uma vez existentes, impedem a formação válida do processo (procedimento). (grifos conforme original) 9.5. Feitos esses esclarecimentos, e à vista da terminologia utilizada nos normativos retromencionados, adotarseá, neste parecer, o entendimento de que a expressão “mesmo objeto” diz respeito àquilo sobre o qual recairá o mérito da decisão, quando sejam idênticas as demandas. Portanto, temse como critérios de aplicação da impossibilidade do prosseguimento do curso normal do processo administrativo, em vista da concomitância com processo judicial, tanto o pedido como a causa de pedir, e não somente o pedido. 9.6. Seguindo essa lógica, caso o processo administrativo fiscal contenha pedido mais abrangente que o do processo judicial, ele deve ter seguimento somente em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. Se, por exemplo, a ação judicial requer a anulação de um lançamento em relação a determinada multa, mas nada diz sobre a base de cálculo do tributo, e a impugnação administrativa tratar também da discussão sobre a base de cálculo, esta parte deverá ser objeto de julgamento administrativo. 10.A prevalência, nesses casos, do curso do processo judicial se deve ao princípio constitucional da unicidade de jurisdição, insculpido no art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal (“a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;”), segundo o qual o Poder Judiciário detém o monopólio do controle jurisdicional, não sendo necessário que se configure a efetiva lesão a direito, bastando a simples ameaça para que se dê o ingresso em juízo. Ademais, o caráter de não definitividade das decisões administrativas consiste na possibilidade de sua apreciação pelo Judiciário. Registrese, ainda, a desnecessidade do esgotamento da via administrativa para o acesso ao Poder Judiciário, como ocorria no sistema constitucional revogado (CF/1967, art. 153, § 4º). (CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 312). 10.1. Outra justificativa que se pode invocar para a inadmissibilidade da concomitância entre as discussões sobre a mesma matéria nas instâncias judicial e administrativa, sob pena de se admitir um dispêndio desnecessário de recursos públicos, além do risco de se obterem decisões conflitantes, passa pelo princípio da economia processual, o qual, segundo lecionam Cintra, Grinover e Dinamarco (CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 79), “preconiza o máximo resultado na atuação do direito com o mínimo emprego possível de atividades processuais”. Tratase do mesmo princípio que inspira os efeitos Fl. 286DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14098.720005/201439 Acórdão n.º 2201003.140 S2C2T1 Fl. 287 19 do instituto da litispendência no processo civil (arts. 219, 267 e 301 do CPC)." (destaques não constam do Parecer mencionado) Nesse mesmo caminho segue o STJ. Afirma o voto condutor da decisão proferida no Ag Rg no Agravo em Recurso Especial nº 702.892SP, de Relatoria do Min Sérgio Kukina, julgado em 15/03/16 pela Primeira Turma. "Há litispendência quando se repetem ações em curso com as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido; ainda que sejam causas de natureza diversa, como são mandado de segurança e processo de conhecimento, induvidosa a réplica proibida pela lei processual." Assentes quanto ao conceito de concomitância entre a ação judicial e o processo administrativo tributário, passemos ao caso concreto. No caso em apreço, a determinação da identidade de ações se torna ainda mais necessária e, com a devida vênia, o desacerto do entendimento esposado no voto do Relator ainda mais flagrante. Como bem apontado pelo nobre Relator, o contribuinte impetrou Mandado de Segurança pelo qual obteve decisão favorável no sentido da não incidência da quota patronal da contribuição previdenciária sobre as verbas constantes da ação mandamental. Impende realçar que consta expressamente na sentença a possibilidade de compensação dos valores efetivamente pagos somente após o trânsito em julgado da decisão. Ora, o lançamento tributário que aqui se analisa foi efetuado justamente pelo existência da compensação dos valores pagos sobre tais verbas. Vejamos a questão da concomitância. Para tanto, destaquemos as controvérsias existentes. No plano judicial, encontramos um mandado de segurança proposto pelo Recorrente em face da Administração Tributária que tem por objeto a não incidência da quota patronal de contribuição previdenciária sobre determinadas verbas em razão da ausência de caráter remuneratório nessas verbas. No plano administrativo, observamos que o Recorrente se insurge contra o lançamento tributário decorrente de glosa de compensação indevida, no entender do Fisco. Ao buscarmos os elementos essenciais das duas demandas encontraremos: Administrativo Judicial Partes Recorrente e Fisco Recorrente e Fisco Pedido Nulidade/Cancelamento lançamento Não incidência da contribuição Causa de pedir Nulidade/ não incidência Verbas não remuneratórias Fl. 287DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14098.720005/201439 Acórdão n.º 2201003.140 S2C2T1 Fl. 288 20 A simples leitura do quadro acima demonstra a inexistência de coincidência entres os elementos caracterizadores das lides, o que torna despiciendo que o contribuinte possa a vir obter a improcedência do lançamento como resultado da demanda judicial proposta. Assim, mister que se conheça do recurso apresentado, uma vez que não se pode, sob ofensa ao primado da lógica jurídica, aplicarse a Súmula CARF nº 1 ao caso em apreço, vez que nem mesmo o objeto, o pedido em si, é o mesmo. Na via judicial, se discute incidência. Na via administrativa o pedido é cancelamento do lançamento, seja por nulidade, seja por regularidade na compensação. Não obstante o exposto, mister realçar que a concomitância de ações exige além da identidade do pedido, a identidade da causa de pedir. Em consequência, entendo pelo conhecimento do recurso. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Fl. 288DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14098.720005/201439 Acórdão n.º 2201003.140 S2C2T1 Fl. 289 21 Declaração de Voto Carlos Henrique de Oliveira Em razão do conhecimento do recurso, ao adentrarmos no mérito deste, inegável reconhecer a procedência do lançamento, aliás como consta do voto do Relator, no mínimo de forma tangencial, quando da análise da multa qualificada. Reproduzo pequeno trecho do voto afeto à questão: "A compensação indevida é evidente, na medida em que existe dispositivo legal expresso estabelecendo a vedação da compensação antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. É o que prevê o art. 170A do Código Tributário Nacional – CTN, in verbis: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001)" (negritos nossos) Não obstante a vedação legal, mister não esquecer que na própria sentença favorável ao Contribuinte, aqui Recorrente, há expressa determinação para que a compensação se opere somente após o trânsito em julgado da mesma. Tal fato não passou despercebido do ínclito Relator: "No Acórdão n° 2009.34.00.0186412/DF, de 06/11/2012, confirmouse a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração paga pelo empregador ao empregado durante os quinze primeiros dias que antecedem a concessão do auxíliodoença, respeitando a prescrição quinquenal e limitando a compensação às contribuições de mesma espécie, somente após o trânsito em julgado (CTN, art.170A), com correção unicamente pela taxa SELIC." (negritos nossos) Ora, além de expressa disposição legal que veda a antecipação da compensação antes da decisão judicial tornarse definitiva, a própria sentença, norma individual e concreta, também possui determinação no mesmo sentido da proibição de aproveitamento dos créditos por ela reconhecidos. Tal constatação convalida, sem a menor dúvida, a pretensão fiscal, ou seja, a glosa das compensações efetuadas pelo Recorrente. Forçoso negar provimento ao recurso nessa parte. Passando à analise da aplicação da multa isolada, nos termos do artigo 89, § 1º, da Lei de Custeio da Previdência, novamente, com o devido pedido de desculpas, ouso discordar do Relator. Vejamos seus argumentos: Fl. 289DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14098.720005/201439 Acórdão n.º 2201003.140 S2C2T1 Fl. 290 22 "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso em relação às insurgências aventadas pela Recorrente no que se refere à aplicação da multa isolada de 150%. O § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/1991 está descrito nos seguintes termos: Art. 89. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). A leitura do dispositivo legal evidencia que dois são os requisitos para a aplicação da multa isolada de 150%, cumulativamente: compensação indevida e comprovação da falsidade da declaração. A compensação indevida é evidente, na medida em que existe dispositivo legal expresso estabelecendo a vedação da compensação antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. É o que prevê o art. 170A do Código Tributário Nacional – CTN, in verbis: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Resta verificar, então, se a Fiscalização comprovou a falsidade na declaração, segundo requisito para aplicação da multa de 150% prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/1991. A Autoridade lançadora fundamentou a aplicação da multa nos seguintes termos: Em razão de restar comprovada a materialização da hipótese prevista no § 10 do Art. 89 da Lei 8.212/91, acrescentado pela Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, ficou a empresa sujeita à multa isolada de 150% (cento e cinquenta por cento) calculada sobre o valor indevidamente compensado, pois: a)tinha pleno conhecimento da inexistência dos pretensos créditos compensados; b)a ação dolosa visou impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária, das condições pessoais de contribuinte, afetando o crédito tributário correspondente, o que caracteriza sonegação para fins de aplicação e graduação das penalidades, nos termos do Art.71, II da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. " Fl. 290DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14098.720005/201439 Acórdão n.º 2201003.140 S2C2T1 Fl. 291 23 Diante das exigências legais, o Relator entende que não houve pela Fiscalização a necessária comprovação do dolo do Recorrente, tampouco da falsidade de declaração, vez que houve entrega de GFIP. Não posso concordar. Falso é aquilo que não corresponde a realidade. Dolo é ação intencional de atingir determinado objetivo e a consequência desse atingimento. No caso em apreço, há intenção na realização da compensação, tanto assim o é que se propõe demanda judicial a esse respeito. Porém, não obstante a vedação legal, optase pela compensação antes da definitividade da decisão ser firmada, mesmo constando dos termos da decisão essa impossibilidade. Ora, inegável que houve declaração falsa, pois o Recorrente sabia, não apenas por ser texto legal, que a decisão que lhe era favorável não podia ser executada imediatamente, e mesmo assim, faz constar da GFIP, no campo compensações que estava se aproveitando de recolhimento indevido. Toda essa conduta, por óbvio, se dá de forma intencional, por ação desejada e manifesta da Recorrente, dolosa, portanto. Não consigo conceber que alguém, busque tutela judicial para proteção de seu direito e a descumpra, sem arcar com as consequências de seu ato. Nesse sentido, voto por negar provimento ao recurso também nessa parte. Por todo o exposto, conheço do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Fl. 291DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 13629.720212/2013-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
RENDIMENTOS DE ALUGUEL. BEM COMUM DO CASAL. PROVA.
É necessária a comprovação de que o imóvel seja bem comum do casal, para que seja efetuado a divisão dos rendimentos de aluguel dele provenientes.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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BEM COMUM DO CASAL. PROVA. É necessária a comprovação de que o imóvel seja bem comum do casal, para que seja efetuado a divisão dos rendimentos de aluguel dele provenientes. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 72 02 12 /2 01 3- 02 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) DRJ/SDR, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) apurando crédito tributário no valor de R$ 3.549,27 relativo ao anocalendário 2011 (fls. 4/9), frente à apuração de omissão de rendimentos aluguéis recebidos de pessoa física, no valor de R$ 5.999,96. De acordo com o relatório fiscal, o contribuinte pretendia ratear com o ex cônjuge o aluguel pago por Márcia Dilma Oliveira, mas o imóvel lhe havia sido doado antes do seu casamento, não integrando os bens comuns do casal. Na impugnação (fls. 2/3), o notificado argumentou que a doação fora só uma formalidade, talvez pela idade avançada do seu pai; que o imóvel lhe fora de fato vendido por seus pais em 1994, quando já estava casado, conforme contrato particular de promessa de compra e venda às fl. 11. Apresentou cópia de pedido de separação litigiosa, averbada em 2006, na qual o imóvel em questão está relacionado como bem comum do casal. Mantida a exigência no julgamento de primeiro grau (fls. 54/55), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 15/5/2014 (fls. 87/109), repisando as razões da impugnação e juntando documentos. É o relatório. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13629.720212/201302 Acórdão n.º 2402005.310 S2C4T2 Fl. 102 3 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Os rendimentos de aluguel apurados como omitidos advém da locação do imóvel situado à Avenida Afonso Pena, nº 1715 apto. 2102, em Belo Horizonte/MG. Consoante consta na respectiva matrícula no 4ª Ofício de Registro de Imóveis dessa Capital, o imóvel foi adquirido pelo contribuinte mediante o registro, em 16/5/1997 (fl. 81) da escritura pública de doação datada de 6/11/1996, mediante a qual seus pais, como outorgantes, lhe doaram o apartamento em evidência (fls. 76/77). Assim, nos termos da legislação de regência arts. 1.245 a 1.247 do Código Civil (CC), o título aquisitivo do imóvel foi a mencionada escritura de doação, e não o contrato particular de promessa de compra e venda datado de 15/7/1994 (fls. 74/75), sendo despiciendas controvérsias adicionais acerca dessa questão. Anotese, de todo modo, que, se o teor do registro não exprimisse a verdade dos fatos, caberia ao contribuinte fazer a devida reclamação para que fosse retificado ou anulado, forte no art. 1.247 do CC, o que não se constatou no caso concreto. Por outra via, são excluídos do regime de comunhão parcial de bens (fl. 71), conforme regra o inciso I do art. 1.659, c/c o inciso III do art. 1.660 do CC, os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do casamento, por doação, salvo se a doação tiver sido efetuada em favor de ambos os cônjuges, o que não se verificou no caso examinado, consoante a mera leitura da escritura pública de doação revela. Nessa linha, a discriminação do imóvel em petição formulada em sede de ação de separação litigiosa, como sendo bem do casal, carece por completo de força frente às indigitadas disposições legais. Por conseguinte, não restando comprovada a propriedade em comum do bem em apreço, a justificar a tributação na forma do inciso II do art. 6º do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), temse que eventual repasse de parte do valor do aluguel do imóvel à excônjuge do contribuinte tratase de mera liberalidade desse, proprietário exclusivo do imóvel, tanto mais quando realizada sem qualquer provimento judicial nesse sentido a lhe respaldar. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 15504.731715/2012-56
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
A partir da publicação da Súmula Vinculante STF nº 08, a decadência no âmbito previdenciário passa a ser regida pelo CTN.
SOMENTE A GUIA QUITADA ATÉ A DATA DA CIÊNCIA DA AUTUAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO, INCLUSIVE, É CONSIDERADA PARA FINS DE RETIFICAÇÃO.
A guia de recolhimento quitada após a ciência do Auto de Infração não acarreta a retificação do lançamento no julgamento administrativo, devendo ser apropriada pelo setor competente da Delegacia da Receita Federal do Brasil da jurisdição da impugnante.
Ocorrendo recolhimentos de valores lançados dentro do prazo de impugnação, configura-se a anuência total ou parcial do sujeito passivo ao débito e o órgão de origem deve tomar as providências cabíveis para apropriar os valores recolhidos.
LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE.
É vedado à Administração Pública o exame da legalidade e constitucionalidade das Leis.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. LANÇAMENTO INCONTROVERSO.
Consolida-se administrativamente a matéria não impugnada, assim entendida aquela que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante.
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO
Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas.
Numero da decisão: 2803-004.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti votou pelas conclusões. Sustentação oral Advogado Dr Alex dos Santos Ribas, OAB/MG nº 83.823.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A partir da publicação da Súmula Vinculante STF nº 08, a decadência no âmbito previdenciário passa a ser regida pelo CTN. SOMENTE A GUIA QUITADA ATÉ A DATA DA CIÊNCIA DA AUTUAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO, INCLUSIVE, É CONSIDERADA PARA FINS DE RETIFICAÇÃO. A guia de recolhimento quitada após a ciência do Auto de Infração não acarreta a retificação do lançamento no julgamento administrativo, devendo ser apropriada pelo setor competente da Delegacia da Receita Federal do Brasil da jurisdição da impugnante. Ocorrendo recolhimentos de valores lançados dentro do prazo de impugnação, configura-se a anuência total ou parcial do sujeito passivo ao débito e o órgão de origem deve tomar as providências cabíveis para apropriar os valores recolhidos. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. É vedado à Administração Pública o exame da legalidade e constitucionalidade das Leis. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Consolida-se administrativamente a matéria não impugnada, assim entendida aquela que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti votou pelas conclusões. Sustentação oral Advogado Dr Alex dos Santos Ribas, OAB/MG nº 83.823. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
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INOCORRÊNCIA. A partir da publicação da Súmula Vinculante STF nº 08, a decadência no âmbito previdenciário passa a ser regida pelo CTN. SOMENTE A GUIA QUITADA ATÉ A DATA DA CIÊNCIA DA AUTUAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO, INCLUSIVE, É CONSIDERADA PARA FINS DE RETIFICAÇÃO. A guia de recolhimento quitada após a ciência do Auto de Infração não acarreta a retificação do lançamento no julgamento administrativo, devendo ser apropriada pelo setor competente da Delegacia da Receita Federal do Brasil da jurisdição da impugnante. Ocorrendo recolhimentos de valores lançados dentro do prazo de impugnação, configurase a anuência total ou parcial do sujeito passivo ao débito e o órgão de origem deve tomar as providências cabíveis para apropriar os valores recolhidos. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. É vedado à Administração Pública o exame da legalidade e constitucionalidade das Leis. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Consolidase administrativamente a matéria não impugnada, assim entendida aquela que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 17 15 /2 01 2- 56 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti votou pelas conclusões. Sustentação oral Advogado Dr Alex dos Santos Ribas, OAB/MG nº 83.823. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.731715/201256 Acórdão n.º 2803004.066 S2TE03 Fl. 3 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê lo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase de Recurso Voluntário contra decisão que manteve parcialmente os créditos tributários lavrados no Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD n. 51.023.9579 (contribuições a terceiras entidades), e totalmente os créditos tributários lavrados Auto de Infração de Obrigação n. 51.023.9587 (incorreções e omissões em GFIP), ambos referentes a levantamentos de valores pagos aos segurados sob tais títulos e rubricas: a) Rubricas da folha de pagamento não incluídas na base tributável para a Previdência Social; b) Pagamentos de salários não incluídos em GFIP e folha de pagamento (FL2 e SL2); c) Pagamento de lucros e resultados a empregados, em desacordo com a Lei nº 10.101/2000 (LU2); d) Pagamento de remuneração indireta a empregados (mensalidade escolar/bolsa de estudos – ME2); e) Pagamentos de previdência privada (PP2 – excluido pelo julgamento de primeira instância). O período do lançamento foi de 01/01/2009 a 31/12/2009. A ciência dos lançamentos deuse em 14.05.2012. Em recurso voluntário, a parte alega cerceamento de defesa, por ter deixado de analisar todos os pagamentos a título de PRL, apenas trazendo avaliando exemplificadamente, nulidade do lançamento por ausência de identificação da matéria tributária, não incidência de contribuições sobre pagamento nos lucros e resultados, e deixou de mencionar qualquer contrariedade sobre as contribuições sobre o auxílio educação. É o relatório. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. I O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II – Quanto às alegações de cerceamento de defesa da decisão a quo, bem como nulidade do lançamento, entendo que não merece acolhimento. Tanto o acórdão recorrido e o lançamento demonstraram plenamente os fatos que lhe deram base, bem como a legislação que lhe foi apoiada. Inclusive, quanto a alegação de apreciação exemplificada, observando que a parte fez apenas um questionamento generalizado sem contestar os fundamentos da autuação que realizou a análise obra a obra, de forma individualizada. Ao contestar apenas duas obras, e repetilas apenas as duas no Recuso Voluntário, acabou por aceitas como matéria não impugnada (art. 16, do Dec. 70.235). III Quanto às irregularidade dos PRLs da empresa, não há retoques a serem feitos à decisão recorrida, a qual adotamos, ex vi: Da Participação nos Lucros e/ou Resultados. Registrese que a auditoria fiscal quando abordou esta rubrica no RF, o fezanalisando os pagamentos efetuados e a documentação pertinente apresentada, individualmente por obra e setor administrativo da empresa. Na impugnação, a autuada apenas traz, a título exemplificativo, argumentações relativas às obras de João Monlevade e a obra localizada na V & M do Brasil, identificada no RF como sendo obra Vallourec & Mannesmann, e junta documentos relativos a estas obras e a obra da Aços Vilares. Tendo em vista que a fiscalização discorreu individualmente sobre cada obra/setor da empresa, cada um tendo seus critérios e documentos específicos, não se pode aceitar que a documentação apresentada pela impugnante seja considerada extensiva a todas as obras, ela se refere a três obras e somente a elas poderá surtir efeitos nesse julgamento administrativo. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.731715/201256 Acórdão n.º 2803004.066 S2TE03 Fl. 4 5 Desta forma, para as demais obras e pessoal administrativo, não tendo havido nenhuma alegação específica, considerase como não impugnado o lançamento, em conformidade com o disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72, tornandose incontroversos os valores lançados, nos termos determinados pela fiscalização em seu RF. Obra Aços Vilares – SP: não há no RF, nem no Anexo IV, qualquer referência a valores lançados relativos a esta obra. Obra de João Monlevade: Já com relação à esta obra, transcreve na defesa a autuada a cláusula quarta do Acordo/Convenção Coletiva de Trabalho, documentoacostado aos autos, onde se verifica os critérios e fórmula para cálculo do valor do PLR a ser pago aos segurados empregados da autuada. Reforça a existência destes critérios a serem seguidos. Nos itens 2.3.4.28.5.2 e 2.3.4.28.5.5 do RF, a fiscalização esclarece que o pagamento do PLR 2008, ocorreu conforme planilha disponibilizada. O Acordo Coletivo do Trabalho, firmado em 12/02/2008, com vigência entre 01/11/2007 e 30/10/2008, estabeleceu as metas a serem cumpridas pelos empregados para o recebimento do PLR. Pelo TIF nº 02, de 30/07/2012, itens 7 e 8, a empresa foi intimada a apresentar os instrumentos de negociação específicos para o referido pagamento, e, posteriormente, pelo TIF nº 04, de 08/10/2012, foram solicitados outros documentos necessários à comprovação da legalidade dos pagamentos e a empresa não os disponibilizou, não sendo possível a confirmação de que houve as avaliações de desempenho dos empregados relativamente as metas estabelecidas no referido Acordo. De todo o exposto, constatase que a auditoria fiscal foi clara na sua abordagem acerca das inconsistências verificadas no pagamento do PLR na obra de João Monlevade, relativo ao ano de 2009, no que se refere a falta de apresentação de documentação comprobatória das avaliações pertinentes, e, face à ausência de comprovação do acompanhamento do programa de pagamento de lucros e resultados, bem como a falta de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, não cabe ser revisto aqui o lançamento efetuado que considerou estes pagamentos como parcela com incidência de contribuições previdenciárias, uma vez que a autuada não apresentou elementos de prova que pudessem se contrapor às alegações contidas no RF. Obra Vallourec & Mannesmann – Com relação a esta obra, informa a fiscalização que o PLR do ano de 2008 foi pago aos empregados na REFRAMAX ENGENHARIA S/A, empresa que recebeu os empregados por transferência em 12/2008. Apenas foram pagos aqui o PLR de alguns empregados demitidos, relacionados no RF, em 04/2009, e, face à não apresentação das avaliações das metas alcançadas pelos empregados demitidos, os valores pagos estão em desacordo com a legislação Fl. 554DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 pertinente, integrando assim o salário de contribuição para todos os fins e efeitos, não havendo motivos para que não haja a incidência de contribuição previdenciária sobre esses valores pagos, já que não se enquadram na hipótese de isenção prevista no art. 214, § 9º, inciso X, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. A impugnante, apesar de juntar a mesma documentação já disponibilizada à fiscalização, não traz elementos de prova nem argumentações consistentes no sentido de se contrapor ao que levou a auditoria fiscal a proceder ao lançamento como o fez. Assim, nenhuma retificação é cabível também aqui. Ainda na impugnação apresentada, aduz a autuada que mesmo que se entenda que houve descumprimento da Lei nº 10.101/2000, e, conseqüentemente, os valores pagos não sejam classificados como Participação nos Lucros e Resultados, sobre essa verba não incide contribuição previdenciária. Isto porque o art. 3º desta Lei dispõe que: Art. 3° A participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. Logicamente, o texto acima referese ao pagamento de participação nos lucros e resultados efetuado nos moldes determinados pela Lei nº 10.101/2000. Estando consignado nos autos que os pagamentos foram feitos em desacordo com a legislação pertinente, aplicase o disposto no parágrafo 10º do art. 214 do RPS, supra transcrito, não cabendo aqui se acatar as alegações da impugnante em sentido contrário, inclusive quanto a habitualidade deste pagamento, já que literalmente o dispositivo legal acima citado impõe que seja considerado salário de contribuição os valores pagos a título de PLR fora das determinações contidas na Lei nº 10.101/2000. Inclusive em caso sobre caso semelhante, mas com mesmas bases e fatos do ora questionado, a presente Turma julgou o seguinte na sessão de janeiro de 2015, nos autos do processo n. 15504.729654/201267, como transcrevese o voto condutor da lavra do Cons. Amílcar Barca Teixeira Junior: Em preliminar o contribuinte requer a nulidade do julgamento de primeira instância administrativa, sob a alegação de ter havido cerceamento do direito de defesa por vulneração dos artigos 31 e 59, II, ambos do decreto nº 70.235, de 1972, e artigo 2º da Lei nº 9.784, de 1999. O requerimento da nulidade, segundo o contribuinte, embasase no fato de o julgador, ao apreciar a resistência oposta na impugnação, se absteve de analisar e, por conseguinte, julgar a legitimidade de todos os pagamentos efetuados a título de PLR que foram autuados. No ponto, há que se considerar a suposta abstenção de analisar apontamentos constantes da impugnação. Sobre o assunto, consta na decisão recorrida o seguinte: Fl. 555DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.731715/201256 Acórdão n.º 2803004.066 S2TE03 Fl. 5 7 Registrese que a auditoria fiscal quando abordou esta rubrica no RF, o fez analisando os pagamentos efetuados e a documentação pertinente apresentada, individualmente por obra e setor administrativo da empresa. Na impugnação, a autuada apenas traz, a título exemplificativo, argumentações relativas às obras de João Monlevade e a obra localizada na V & M do Brasil, identificada no RF como sendo obra Vallourec & Mannesmann, e junta documentos relativos a estas obras e a obra da Aços Vilares. Tendo em vista que a fiscalização discorreu individualmente sobre cada obra/setor da empresa, cada um tendo seus critérios e documentos específicos, não se pode aceitar que a documentação apresentada pela impugnante seja considerada extensiva a todas as obras, ela se refere a três obras e somente a elas poderá surtir efeitos nesse julgamento administrativo. Desta forma, para as demais obras e pessoal administrativo, não tendo havido nenhuma alegação específica, considerase como não impugnado o lançamento, em conformidade com o disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72, tornandose incontroversos os valores lançados, nos termos determinados pela fiscalização em seu RF. Como se pode observar do texto acima transcrito, o argumento de que o julgador a quo se absteve de analisar todos os pagamentos que foram autuados a título de PLR cai por terra, tendo em vista a parcialidade da impugnação, considerando que os documentos apresentados dizem respeito a somente três obras específicas, situação que não pode ser estendida para a totalidade das obras referidas no auto de infração. Desse modo, rejeito esta preliminar, porquanto correta a aplicação do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. Na segunda preliminar o contribuinte requer a nulidade do auto de infração, alegando que o Relatório Fiscal vulnerou os artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, o artigo 142 do CTN, bem como os artigos 2º e 50 da Lei nº 9.784, de 1999. De igual modo que na primeira preliminar, desde a impugnação o contribuinte, de forma genérica, tenta desconstituir o lançamento, trazendo à baila argumentos desconexos e sem qualquer embasamento para atingir seus objetivos. Analisando os autos, não vislumbrei qualquer falha da fiscalização, bem como do julgador de primeira instância, em suas fundamentações legais / motivação para sustentar a validade do lançamento. Os artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972 e o artigo 142 do CTN, ao contrário das afirmações do contribuinte, foram, sim, respeitados, não havendo, portanto, qualquer margem para discussões a esse título. Não houve, também, desrespeito aos artigos 2º e 50 da Lei nº 9.784, de 1999. Aliás, esta lei não rege o processo administrativo Fl. 556DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 fiscal, devendo ser utilizada somente de forma subsidiária, quando for verificada alguma omissão no Decreto nº 70.235, de 1972, que é o instrumento legal específico que dispõe sobre o processo administrativo fiscal no âmbito federal. Rejeito, pois, esta segunda preliminar. No que diz respeito ao mérito sobre o pagamento de PLR, sem qualquer razão o contribuinte. De acordo com a letra “j” do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212, de 1991, a participação nos lucros ou resultados da empresa não sofrerá incidência de contribuição previdenciária, quando o benefício for pago ou creditado de acordo com a lei específica, in casu, a Lei nº 10.101, de 2000. O cumprimento do disposto na legislação específica não ocorreu segundo consta no acórdão recorrido (fls. 743 / 744), verbis: Nos itens 2.3.4.28.5.2 e 2.3.4.28.5.5 do RF, a fiscalização esclarece que o pagamento do PLR 2008, ocorreu conforme planilha disponibilizada. O Acordo Coletivo do Trabalho, firmado em 12/02/2008, com vigência entre 01/11/2007 e 30/10/2008, estabeleceu as metas a serem cumpridas pelos empregados para o recebimento do PLR. Pelo TIF nº 02, de 30/07/2012, itens 7 e 8, a empresa foi intimada a apresentar os instrumentos de negociação específicos para o referido pagamento, e, posteriormente, pelo TIF nº 04, de 08/10/2012, foram solicitados outros documentos necessários à comprovação da legalidade dos pagamentos e a empresa não disponibilizou, não sendo possível a confirmação de que houve as avaliações de desemprenho dos empregados relativamente às metas estabelecidas no referido Acordo. (grifouse e negritouse) Da leitura do texto acima transcrito, notadamente nos pontos destacados, resta amplamente evidenciado que a empresa não colaborou com a fiscalização, deixando de apresentar documentos solicitados que poderiam esclarecer as dúvidas da autoridade administrativa. Agindo como agiu, não paira qualquer dúvida sobre a inobservância da lei específica que rege a PLR. Com relação às contribuições incidentes sobre empréstimos a Diretor melhor sorte não assiste ao contribuinte, conforme se pode observar da abalizada consideração dos julgadores de primeira instância. Não tendo sido comprovada pelas folhas do Livro Razão juntadas a ocorrência de empréstimo ao sócio Sr. Renato Vieira Ribeiro de Souza, e tendo adotado medidas para descaracterizar os lançamentos fiscais feitos somente após a atuação fiscal, e mais, não restando efetivamente comprovado que as verbas aqui consideradas pela fiscalização como tributáveis não se enquadram na definição de salário de contribuição, nenhuma retificação é cabível nos lançamentos efetuados no levantamento PL. Como não foi verificada qualquer falha procedimental desde a lavratura do auto de infração e estando o acórdão recorrido em Fl. 557DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.731715/201256 Acórdão n.º 2803004.066 S2TE03 Fl. 6 9 perfeita conformidade com a legislação que rege o processo administrativo fiscal, mantenho o lançamento pelos seus próprios fundamentos. VI Isso posto, voto por conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Fl. 558DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 19515.006201/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DECADÊNCIA
Decai em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o direito de constituir o crédito tributário, no caso em que a infração tenha sido praticada com dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 173 do CTN.
COOPERATIVA DE SERVIÇOS. TRIBUTAÇÃO.
Sujeita-se ao imposto de renda de pessoa jurídica a receita e/ou os resultados obtidos por sociedade cooperativa na prática de atos não cooperativos. Tendo a fiscalização descaracterizado as atividades da empresa para a fruição dos benefícios fiscais concedidos às cooperativas, ter-se-á como integralmente tributado o resultado da sociedade.
LUCRO ARBITRADO.
É cabível o arbitramento do lucro do sujeito passivo que deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, conforme dispõe o art. 530 do RIR.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Com relação aos demais lançamentos decorrentes do IRPJ, aplica-se o reflexo, visto são oriundos do principal e referem-se a mesma matéria tributável, mantendo-se assim os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. RECEITAS FINANCEIRAS. MENSALIDADES. BASE DE CÁLCULO. PIS. COFINS.
Pelo disposto na Lei n° 9.718, de 1998, a base de cálculo das referidas contribuições é o faturamento mensal, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, compreendendo a totalidade das receitas decorrente da venda de bens ou da prestação de serviços, permanecendo fora do campo de incidência das contribuições as receitas financeiras auferidas.
A receita decorrente de mensalidades pagas tem natureza de receita de prestação de serviços e não de receita financeira, devendo, portanto, sofrer a incidência do PIS e da COFINS.
MULTA QUALIFICADA - JUROS E MULTA
Nos casos de lançamento de ofício deve ser aplicada a multa qualificada sobre a totalidade ou diferença do tributo devido, quando comprovado o evidente intuito de fraude. Juros de mora e multa de ofício exigidos nos termos da lei.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
Quando há patente interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal é cabível a atribuição de responsabilidade solidária pelo crédito tributário.
Numero da decisão: 1201-001.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 03/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada) e João Otavio Oppermann Thome.
Nome do relator: Relator
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2313; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.006201/200812 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.396 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02 de março de 2016 Matéria IRPJ Recorrente COOPERATIVA DE PROFESSORES E AUX. DE ADM. ESCOLAR COOPESCOLA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DECADÊNCIA Decai em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o direito de constituir o crédito tributário, no caso em que a infração tenha sido praticada com dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 173 do CTN. COOPERATIVA DE SERVIÇOS. TRIBUTAÇÃO. Sujeitase ao imposto de renda de pessoa jurídica a receita e/ou os resultados obtidos por sociedade cooperativa na prática de atos não cooperativos. Tendo a fiscalização descaracterizado as atividades da empresa para a fruição dos benefícios fiscais concedidos às cooperativas, terseá como integralmente tributado o resultado da sociedade. LUCRO ARBITRADO. É cabível o arbitramento do lucro do sujeito passivo que deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, conforme dispõe o art. 530 do RIR. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Com relação aos demais lançamentos decorrentes do IRPJ, aplicase o reflexo, visto são oriundos do principal e referemse a mesma matéria tributável, mantendose assim os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS TRIBUTAÇÃO REFLEXA. RECEITAS FINANCEIRAS. MENSALIDADES. BASE DE CÁLCULO. PIS. COFINS. Pelo disposto na Lei n° 9.718, de 1998, a base de cálculo das referidas contribuições é o faturamento mensal, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, compreendendo a totalidade das receitas decorrente da venda AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 62 01 /2 00 8- 12 Fl. 9861DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO 2 de bens ou da prestação de serviços, permanecendo fora do campo de incidência das contribuições as receitas financeiras auferidas. A receita decorrente de mensalidades pagas tem natureza de receita de prestação de serviços e não de receita financeira, devendo, portanto, sofrer a incidência do PIS e da COFINS. MULTA QUALIFICADA JUROS E MULTA Nos casos de lançamento de ofício deve ser aplicada a multa qualificada sobre a totalidade ou diferença do tributo devido, quando comprovado o evidente intuito de fraude. Juros de mora e multa de ofício exigidos nos termos da lei. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Quando há patente interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal é cabível a atribuição de responsabilidade solidária pelo crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 03/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada) e João Otavio Oppermann Thome. Relatório Tratamse de Autos de Infração lavrados em razão de omissão de receitas da prestação de serviços, advindas do fato de as mensalidades escolares terem sido desconsideradas pela fiscalização como provenientes de atos cooperativos e sobre as receitas financeiras auferidas pela cooperativa. Fl. 9862DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.006201/200812 Acórdão n.º 1201001.396 S1C2T1 Fl. 3 3 Os lançamentos foram formalizados em Autos de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e seus reflexos na CSLL, no PIS e na Cofins, relativos ao ano de 2003, nos seguintes valores: i) IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, no montante de R$ 601.077,62, incluídos juros de mora e multa de ofício, no percentual de 150%, fls. 1738/1771 (Volume 9), acompanhados do Termo de Sujeição Passiva Solidária do INPST — Instituto Nacional de Promoção Social e Tecnologia, CNPJ 67.980.094/000183 (fls. 1737), ii) IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, no montante de R$ 4.223.449,71, incluídos juros de mora e multa de ofício, no percentual de 150%, fls. 1773/1807 (Volume 9/10), acompanhados do Termo de Sujeição Passiva Solidária do EST — Empreendimentos e Suportes Tecnológicos e Educacionais Ltda., CNPJ 59.486.795/000132 (fls. 1772); iii) IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, no montante de R$ 7.524.852,32, incluídos juros de mora e multa de oficio, no percentual de 150%, fls. 1811/1843 (Volume 10), acompanhados do Termo de Sujeição Passiva Solidária do STE — Empreendimentos e Suportes Tecnológicos e Educacionais Ltda., CNPJ 53.129.888/000123 (fls. 1808); iv) IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, no montante de R$ 286.448,87, incluídos juros de mora e multa de ofício, no percentual de 150%, fls. 1847/1879 (Volume 10), acompanhados do Termo de Sujeição Passiva Solidária do EPEC — Entidade Paulista de Educação e Cultura., CNPJ 00.079.002/000118 (fls. 1844); v) IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, no montante de R$ 73.460,29, incluídos juros de mora e multa de ofício, no percentual de 75%, fls. 1882 e ss. (Volume 10), acompanhado do Termo de Sujeição Passiva Solidária do Sr. Raul Armando Gennari Filho, CPF 332.718.528/04 (fls. 1880); A tributação foi feita em 5 grupos de autos de infração pelas seguintes razões: i) em relação aos quatro primeiros grupos, face à necessidade de atribuir responsabilidade solidária às pessoas jurídicas representativas das mantenedoras das Fl. 9863DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO 4 instituições de ensino, as quais teria restado comprovado, mantém relação direta com a situação que constituiu o fato gerador; e ii) o último auto de infração, pelo fato de não terem sido objeto de tributação as receitas auferidas em operações financeiras. Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária contra seguintes pessoas: i) Gennari & Peartree Comunicação, Comércio e Serviço Ltda — 03.385.628/000140; ii) EST Empreendimentos e Suportes Tecnológicos e Educacionais Ltda 59.486.795/ 000132; iii) STE Empreendimentos e Suportes Tecnológicos e Educacionais Ltda 53.129.888/ 000123; iv) INPST — Instituto Nacional. de Promoção Social e Tecnologia — 67.980.094/000183 EPEC — Entidade Paulista de Educação. e Cultura — 00.079.002/000118; v) Raul Armando Gennari Filho — CPF 332.718.52804. Em decorrência do Auto de Infração foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais nos autos do processo administrativo n. 19515.006203/200801 que fora apensado ao presente processo. No Termo de Verificação de Fiscal, a fiscalização afirma ter constatado, em ação fiscal, as irregularidades abaixo apontadas, relativamente ao anocalendário de 2003: “(...) Evasão Fiscal através da utilização de uma empresa registrada como cooperativa para excluir da tributação valores apurados em operação normal de mercado, caracterizada na operação de instituições particulares de ensino; Descaracterização das atividades consideradas como atos cooperativos, as quais na verdade, como dito acima, eram transações entre a cooperativa e terceiros (alunos regularmente matriculados em instituições de ensino) Desobediência aos requisitos mínimos necessários determinados na Lei 5764/71 a qual dispõe sobre o tratamento a ser dado às Sociedades Cooperativas; Fl. 9864DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.006201/200812 Acórdão n.º 1201001.396 S1C2T1 Fl. 4 5 Confusão entre diferentes pessoas jurídicas, cadastradas sob diferentes CNPJ; Escrituração Contábil que não se presta a determinar o Lucro Real por revelar vícios que impedem a apuração do Lucro Real e por falta de apresentação de documentos. (...)” Da leitura do Termo de Verificação se depreende que a ação fiscal teve início pelo fato do recorrente ter movimentado no decorrer de 2003 recursos na ordem de R$ 36.096.578,95, enquanto havia oferecido à tributação de acordo com sua DIPJ/2004, receita apurada no montante de R$ 877.259,79, incidindo, portanto no parâmetro da operação Movimentação Financeira Incompatível. A Fiscalização, ainda veicula por meio do Termo de Verificação Fiscal as informações que seguem: “(...)Segundo esclarecimentos verbalmente prestados pelo contribuinte, com embasamento documental através de 'Contratos de Aluguel e outras Avenças', a Cooperativa teria começado a prestar serviços aos alunos desde o ano de 2001/2000, quando teria ocorrido a transferência das atividades de ensino, que até então eram prestadas por outras instituições de ensino. Tal fato teria ocorrido porque o Sr. Raul Gennari, responsável perante a SRF, por aquelas pessoas jurídicas que operavam tais instituições de ensino, não mais interessado na operação das mesmas, 'cedeu' a título gratuito o direito a seus funcionários, que então, na condição de cooperados, teriam passado a operar as citadas instituições, as quais funcionavam em 2003, e continuam funcionando até hoje. Na primeira contabilidade apresentada (Anexo I), verificamos que o contribuinte procedeu à escrituração da movimentação bancária realizada, entretanto o fez registrando a débito das disponibilidades bancárias as entradas em banco, utilizando como contrapartida as rubricas abaixo apontadas, que funcionavam Fl. 9865DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO 6 como conta transitória (ou provisão), as quais eram creditadas como contrapartidas às entradas em banco e debitadas como contrapartidas às saídas de tais bancos, a títulos de pagamentos realizados, sem contudo haver o trânsito por contas de receitas/ingressos ou despesas/dispêndios Tendo em vista que a falta de contabilização/escrituração de movimentação financeira infringe a legislação comercial fiscal vigente, demonstrando insegurança quanto à fidelidade da escrita contábil fiscal, podendo esta ser recusada, procedemos a intimação para o contribuinte refazer a sua escrituração. Intimado a proceder a reescrituração contábil, apresentandoa, a esta fiscalização, o contribuinte incluiu a receita advinda das mensalidades, porém a considerou na sua totalidade como ingresso de ato cooperativo, em que pese têlas denominado de RECEITA (Anexo II). Além disso não elaborou Demonstrativo de Sobras Líquidas corretamente, limitandose a apresentar os demonstrativos insertos no Anexo II. Portanto, mais uma vez não atendeu a todos os requisitos legais de uma correta escrituração de sociedades cooperativas e também de sociedades normais como trataremos mais a seguir. Além da omissão das receitas de mensalidades, o contribuinte procedeu ao não oferecimento à tributação dos valores de rendimento financeiro demonstrados às fls. 1696 a 1705. Intimado a compor os valores recebidos como Receita de Mensalidade o contribuinte apresentou planilha na qual informa os valores recebidos mensalmente dos alunos ali identificados a qual é incompatível com a grandeza nos recursos movimentados via contas correntes de propriedade da cooperativa. Verificouse que a cooperativa não se encontra citada em nenhum dos contratos de serviços assinados com alunos e empresas, apesar de seu estatuto indicar que esta assinaria em nome dos cooperados. Fl. 9866DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.006201/200812 Acórdão n.º 1201001.396 S1C2T1 Fl. 5 7 Reconhece 'que os valores transitados na c/c da cooperativa eram da propriedade da cooperativa, na medida que os contabiliza a título de receita da mesma, na nova contabilidade elaborada no curso da ação fiscal, portanto sem espontaneidade. (...)” A fiscalização, então, aponta as seguintes conclusões: “Dos fatos levantados no decorrer da presente ação fiscal, restou FARTAMENTE COMPROVADO que os recursos movimentados no decorrer do anocalendário de 2003, nas contas correntes bancárias de propriedade da fiscalizada, e que foram por esta omitidos em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ AC2003), tiveram por origem o recebimento de mensalidades advindas das instituições de ensino abaixo citadas: Notandose que estas instituições tinham como responsáveis (mantenedoras) à época, perante os órgãos responsáveis (Séc. de Educação e MEC) as empresas cujo CNPJ estão acima apontados, sendo estas as antigas operadoras das instituições de ensino. Ressaltandose que todas tinham o controle societário exercido pelo sr. Raul Gennari, também proprietário dos imóveis onde as instituições de ensino funcionavam e funcionam, e o detentor dos direitos de sublocação dos mesmos. (...) Fl. 9867DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO 8 Ou seja, em resumo, toda a renda auferida na prestação dos ditos serviços educacionais, listada por aluno às fls. 1342 e seg., e compatível com os recursos movimentados via contas correntes bancárias da cooperativa, não foram oferecidas à tributação, sendo necessário portanto que agora sejam objeto de Auto de Infração. Não foi possível a esta fiscalização valerse da escrituração do contribuinte, para fins de apuração do lucro real, por estar a mesma eivada de vícios e desacompanhada da documentação necessária a sua comprovação. Logo, esta fiscalização procederá a tributação das receitas omitidas, conhecidas inicialmente através dos extratos bancários do contribuinte e confirmadas através de Relação na qual o contribuinte informa a origem das mesmas, através do sistema de arbitramento dos lucros sobre a receita omitida.(...)” Impugnação A recorrente apresentou impugnação nos seguintes termos: “ a) a IMPUGNANTE é uma cooperativa de trabalho e preenche todos os requisitos da Lei n° S. 764171, ou seja: a) presta serviços aos seus cooperados; b) é dirigida por uma diretoria executiva; c) realiza anualmente assembléia geral ordinária ; d) presta contas anualmente aos seus cooperados; e) possui conselho fiscal; f) mantém fundo de reservas; g) mantém fundo de assistência técnica, educacional e social; h) obedece ao princípio da livre adesão, i) mantém o número limitado de quotaparte por cooperado; j) terceiros não podem adquirir quotaparte; k) possui e mantém todos os livros obrigatórios exigidos pela Lei; e, l) todos os cooperados participam ativamente das decisões e rumos da cooperativa; b) A legalidade e validade das atividades praticadas pela IMPUGNANTE já foi devidamente reconhecida diversas vezes pelo Poder Judiciário Trabalhista, conforme será devidamente demonstrado através de documentos e decisões judiciais; portanto a autoridade fiscal não poderia entender de maneira diversa e constituir o crédito tributário; Fl. 9868DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.006201/200812 Acórdão n.º 1201001.396 S1C2T1 Fl. 6 9 c) As mensalidades recebidas pela IMPUGNANTE, são verdadeiros atos cooperativos pois estão em perfeita consonância com seu objetivo social, 'não, podendo; ser; considerados como atividade de mercado como entendeu equivocadamente a autoridade fiscal. Caso entendêssemos de maneira diversa, cairíamos no absurdo da IMPUGNANTE só poder prestar serviços para professores, o que não é razoável dentro da finalidade de uma cooperativa; d) As mensalidades, são legítimos atos cooperativos portanto não são fatos geradores do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; e) A escrituração contábil da IMPUGNANTE foi devidamente elaborada, desta forma, a alegação da autoridade fiscal de que as Demonstrações Financeiras não seguiam o que determina a legislação das COOPERATIVAS não procede. Além do mais caso houvesse algum tipo de inadequação isso não tira a natureza da não tributação dos atos cooperativos praticados pela IMPUGNANTE; f) No que diz respeito a alegação de que há uma confusão entre a IMPUGNANTE e os demais contribuintes arrolados como solidários, não procede tendo em vista que a relação entre a IMPUGNANTE e esses demais contribuintes era meramente de inquilino e locador. Além do mais a autoridade fiscal somente considerou as notas fiscais que por um erro do fornecedor foram emitidas no CNPJ das antigas mantenedoras, não levando em consideração as notas fiscais que foram emitidas contra a IMPUGNANTE. Além do mais o serviço ou o bem foi prestado ou entregue e devidamente pago a contabilização pela IMPUGNANTE; g) Não há que se falar na aplicação da multa de oficio de 150% no presente caso uma vez que não houve a comprovação de que houve dolo, fraude ou simulação; h) Ocorreu a decadência da autoridade fiscal em constituir o crédito tributário no que diz respeito ao IRPJ e CSLL nos 1 ° 2° e 3° trimestre; Fl. 9869DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO 10 i) de 2003, e para o PIS e COFINS para os meses de janeiro a setembro de 2003. Tendo em vista que o auto de infração foi lavrado em outubro de 2008; j) Se persistir o entendimento de que há uma confusão entre as atividades da IMPUGNANTE e os demais contribuintes solidários, há que se reconhecer a ilegitimidade passiva, tendo em vista que quem deveria ser efetivamente tributados seriam esses contribuintes e não a IMPUGNANTE; k) Houve inequívoco cerceamento de defesa quando não foi dada oportunidade a IMPUGNANTE de ter acesso integral do processo administrativo; l) Não há que se falar na incidência do PIS/COFINS sobre receitas financeiras auferidos pela IMPUGNANTE; m) O arbitramento adotado pela autoridade fiscal, não tem validade tendo em vista que a escrituração contábil e fiscal da IMPUGNANTE era regular, portanto deveria ter se aplicado outro critério para se fundamentar e lavrar o presente auto de infração;” “(...) Por fim, requereu, caso não seja acatada a improcedência dos autos de infração, a redução da multa de 150% para 75%, o reconhecimento da decadência do IRPJ e da CSLL até o terceiro trimestre de 2003, bem assim o PIS e a COFINS até o mês de setembro do referido ano. Requereu, também que fossem excluídos os juros calculados com base na taxa SELIC e tampouco fossem exigidos juros sobre a multa de ofício lançada, eis que tal exigência não tem base em lei. As demais impugnações apresentadas pelos responsáveis solidários são idênticas entre si e apresentam as seguintes alegações para afastar os autos de infração ora combatidos: a multa qualificada de 150% não se aplicaria ao presente caso; a maior parte dos débitos ora exigidos já estariam extintos pela decadência; seria entendimento majoritário da doutrina e jurisprudência que as operações realizadas pela Coopescola, as quais a fiscalização teria afirmado não possuir lastro com o objeto social de uma sociedade cooperativa, estariam compreendidos Fl. 9870DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.006201/200812 Acórdão n.º 1201001.396 S1C2T1 Fl. 7 11 dentro dos atos normais de gestão e atuação desse tipo societário, devendo ser tributadas como se atos cooperativos fossem. o caso em exame não traduziria hipótese de responsabilidade solidária, pois (i) não seria apresentada nenhuma correlação fática entre a conduta do Impugnante e os débitos fiscais que lhe foram imputados na condição de responsável solidária; (ii) os artigos 121 e 124 do CTN seriam absolutamente inaplicáveis ao presente caso; e (iii) não existiria nenhuma confusão operacional, patrimonial, gerencial ou logística entre a impugnante e a Coopescola. (...)” Acórdão nº 1620.882 – 2ª Turma da DRJ/SPOI O v. acórdão recorrido decidiu nos termos aduzidos a seguir. Decadência Entendeuse que a ciência dos autos se deu no decorrer do mês de outubro de 2008, assim para os tributos com apuração trimestral (IRPJ e CSLL) e mensal (PIS e COFINS), mesmo que se entenda que poderiam ser lançados ainda no decorrer de 2003, o prazo decadencial se iniciaria em 01/01/2004 e se extinguiria em 31/12/2008, não tendo, pois, ocorrido a decadência para nenhum dos fatos geradores das exações ora em exame. Da mesma forma entendeu o v. acórdão que para as contribuições sociais, entre elas o PIS e a COFINS, valeriam as mesmas regras de decadência fixadas para os demais tributos administrados pela Receita Federal. Dos Atos Não Cooperativos Os associados da Coopescola seriam os professores e auxiliares de administração escolar das instituições de ensino. Assim a cooperativa taxativamente afirma que Fl. 9871DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO 12 é ela quem recebe as mensalidades pagas pelos alunos, sendo assim não aceitouse que as receitas auferidas pela cooperativa com essas mensalidades advêm de atos cooperados. Por tudo que consta dos autos e após a constatação do acima exposto entendeuse que agiu corretamente a fiscalização por considerar que as mensalidades são receitas provenientes de atos não cooperativos e que dolosamente não foram oferecidas à tributação. Do arbitramento Como o contribuinte não logrou fornecer a documentação obrigatória, decidiuse que a fiscalização procedeu corretamente ao efetuar o arbitramento do lucro, com fundamento no artigo 530, inciso III, do RIR/99. Da multa de Ofício A cooperativa contabilizou as mensalidades de sorte a não transitálas em conta de resultado, propiciando assim que não fossem oferecidas à tributação. Assim, entendeuse que deveria ser mantida a multa de 150% aplicada sobre a omissão dolosa de receitas advindas das mensalidades pagas pelos alunos. Das Tributações Reflexas Quanto às tributações reflexas, reputouse que a procedência do lançamento do IRPJ impõe a manutenção das exigências fiscais (CSLL, PIS e COFINS) dele decorrentes. No entanto, deveria ser consignado com respeito à base de cálculo do PIS e da COFINS e as receitas financeiras que os fatos geradores em questão são regidos pelos arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718/98. Fl. 9872DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.006201/200812 Acórdão n.º 1201001.396 S1C2T1 Fl. 8 13 Quanto ao inconformismo a respeito da impossibilidade do exercício do direito de defesa, ressaltouse que a ação fiscal é procedimento administrativo inquisitório até que o sujeito passivo seja intimado da exigência e que o impugnante, a qualquer momento, poderia solicitar cópias do que achar necessário dos autos do processo. Esclareceuse, ademais, que o direito positivo brasileiro consagra expressamente este entendimento no art. 14 do Decreto 70.235/72, segundo o qual a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. É este mesmo diploma normativo que, em seu art. 15, prescreve o prazo de 30 dias para a apresentação da impugnação, como assim bem o fez o impugnante, ora recorrente, decidindose assim pela ausência de violações aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Com respeito aos juros calculados com base na taxa Selic e juros sobre a multa de ofício lançada, esclareceuse que a autoridade administrativa não dispõe de competência para apreciar inconstitucionalidade e/ou invalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional. Da responsabilidade Solidária Reputouse que nos autos ficou exaustivamente comprovado, que tanto as pessoas jurídicas (instituições mantenedoras das escolas) arroladas no quadro de fls. 4707, como a pessoa física do Sr. Raul Armando Gennari Filho, CPF 332.718.52804, tinham interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações principais apuradas, razão pela qual restou justificada a qualificação deles como responsáveis solidários pelos créditos tributários apurados. Diante de todo o exposto, votouse no sentido de se considerar PROCEDENTES os lançamentos, conforme consubstanciado nos respectivos autos de infração. Fl. 9873DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO 14 Recurso Voluntário Os recursos apresentados, tanto pelo sujeito passivo principal como pelos responsáveis solidários, foram ratificaram os termos das respectivas impugnações anteriormente expostas. Acrescentaram, em ambas, apenas o pleito de declaração de nulidade da decisão administrativa de primeira instância, em virtude da suposta ausência de fundamentação jurídica, em ofensa ao artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. Resolução Por meio da Resolução n. 1202000130 de 12/09/2012, a 2° Turma da 2° Câmara desta 1° Seção de Julgamento, tendo como relator o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, determinou o sobrestamento do julgamento dos recursos apresentados com base no art,. 62A, § 1° do RICARF, tendo em vista que o tema relacionado à definição de atos cooperados é objeto do Recurso Extraordinário RE n. 672.215 que fora afetado para julgamento no rito de Repercussão Geral. O Recurso Extraordinário ainda pende de julgamento. O Min. Roberto Barroso figura como relator do processo em substituição ao relator original Min. Joaquim Barbosa. Com a edição da Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, que revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), os autos foram devolvidos para julgamento. Em razão da aposentadoria do Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, os autos foram novamente sorteados para relatoria. É o relatório. Fl. 9874DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.006201/200812 Acórdão n.º 1201001.396 S1C2T1 Fl. 9 15 Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. DA DECADÊNCIA A regra que deve ser aplicável para verificar a ocorrência ou não da decadência no caso em tela deve aquela disposta no art. 173, I do CTN. Isso porque, conforme se demonstrará adiante, a operação foi alagada por simulação, fraude e dolo, norteando a condição imposta no dispositivo para determinar a contagem do prazo de 5 anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Desta feita, se o exercício em cobro perfaz o exercício de 2003, os fatos geradores por certo ocorreram neste ano e, consequentemente, os lançamentos poderiam ter sido efetuados também exercício. Aplicando a regra do art. 173, I do CTN, o início do prazo decadencial deuse em 01/01/2004 e seu término, então, concretizouse em 31/12/2008. A ciência do auto de infração deuse em 04 de Outubro de 2008, portanto de maneira tempestiva, antes do esvair do prazo decadencial. Assim, deve falecer a alegação de consumação de decadência apontada pelo recorrente. Fl. 9875DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO 16 DO MÉRITO DOS ATOS COOPERATIVOS É de ímpar importância que se pontue, inicialmente, a patente possibilidade legal de fornecimento dos serviços prestados, por parte das cooperativas, à terceiros, não associados. Uma cooperativa de ensino que visa a difusão da educação, poderá efetivamente prestar o serviço compatível/equivalente ao seu objeto social, a não associados. Até porque os sujeitos a que se destinam tal serviço são os alunos e tratase de uma cooperativa de professores, então necessariamente a cooperativa de ensino, em sua maior parte garantirá a prestação de serviços a terceiros para se sustentar financeiramente. Neste sentido reza o disposto no art. 86 da Lei nº 5764/71: “Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei.” Veja, então, que não se está a discutir a possibilidade, ou não, de recebimento de mensalidades em si como um ato não cooperativo. As mensalidades dos alunos são parte indissociável de um negócio que visa a união e cooperação de professores que formam e administram uma sociedade cooperativa. Se a cooperativa faz mera intermediação para que os associados prestem os serviços, não há a incidência de impostos sobre as receitas provenientes, porquanto não se está prestando serviços para terceiros, mas para os próprios associados, caracterizandose tal ato como tipicamente cooperativo. Fl. 9876DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.006201/200812 Acórdão n.º 1201001.396 S1C2T1 Fl. 10 17 Neste sentido, algumas assertivas do disposto no acórdão nº 9303003.267 – 3ª Turma CSRF, em muito auxiliarão na compreensão desta discussão inicial: “(...) Como as sociedades cooperativas visam, através do esforço conjunto dos cooperados, oferecer bens e serviços para o exercício da atividade econômica, sendo que as sobras do exercício devem ser repartidas entre os cooperados, proporcional às operações realizadas pelo associado, necessariamente, deveriam haver algumas operações com terceiros (mercado), pois do contrário ficariam sem sentido os preceitos destas normas. Nestas operações com terceiros, a sociedade teria apenas a posse temporária dos valores, que somente transitariam por sua contabilidade para controle interno, não havendo como tributálos, por falta de legitimidade passiva, pois, a despeito de não configurar receita bruta, tais valores sequer configuram receita da cooperativa, mas sim do cooperado. Então, para a consecução dos objetivos sociais da sociedade cooperativa seria necessário que o ato cooperativo não fosse somente ato/negócio entre ela e seus associados (ato fim), mas também inclua alguns atos/negócios com terceiros não cooperados (ato meio).” E concluindo: “(...) A isenção do ato cooperativo se aplicaria também aos atosmeio (...), revelando que: “(...) estes são essenciais à realização dos atos fim e não vão além do que cada associado, individualmente, poderia oferecer a terceiros sem a intermediação da cooperativa” Não é este fato que irá determinar, então, a não cooperatividade dos atos praticados pelo recorrente. Fl. 9877DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO 18 Superada esta questão, necessário neste momento introduzir alguns conceitos que permeiam o funcionamento e a preceituação ideológica de uma cooperativa, para após delinear a conduta fraudulenta e nãocooperativa praticada pelo recorrente. A principal receita de uma cooperativa é a taxa de administração ou serviço. De todas as operações que o cooperado fizer com ela, a cooperativa reterá um percentual sobre o valor. Numa cooperativa educacional, as despesas são rateadas de acordo com a classe que o aluno está cursando, o que define a sua mensalidade. Desta feita, as cooperativas são obrigadas a constituir: um Fundo de reserva, destinado a reparar perdas e atender ao desenvolvimento de suas atividades, constituído com 10%, pelo menos, das sobras líquidas do exercício; e um Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates), destinado à prestação de assistência aos associados, seus familiares e, quando previsto nos estatutos, aos empregados da cooperativa, constituído de 5%, pelo menos, das sobras líquidas apuradas no exercício. Uma cooperativa deve se diferenciar de outros tipos de associações de pessoas por seu caráter essencialmente econômico. A sua finalidade é colocar os produtos e serviços de seus cooperados no mercado, em condições mais vantajosas do que eles teriam isoladamente. Desse modo, a cooperativa pode ser entendida como uma “empresa” que presta serviços aos seus cooperados. A principal vantagem é a organização do trabalho. Possibilitase que indivíduos isolados e, por isso mesmo, com menos condições de enfrentar o mercado, aumentem sua competitividade, e, consequentemente, melhorem sua renda ou sua condição de trabalho. Neste contexto distanciamse em muito as ideologias e o consequente funcionamento das cooperativas em relação às instituições de ensino particulares. Fl. 9878DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.006201/200812 Acórdão n.º 1201001.396 S1C2T1 Fl. 11 19 A essência de uma cooperativa perfaz a ideia de que os possíveis benefícios fiscais passam a ser secundários se o empreendimento coletivo for viável a partir da união das pessoas. Com relação à tributação, a Lei nº 5.764/71 é taxativo: nas cooperativas que operam com associados (praticando o ato cooperativo), as sobras existentes no encerramento do balanço não são tributadas, levandose em linha de consideração, que a cooperativa não é sociedade comercial. Os resultados (sobras) decorrentes dos atos cooperativos não são tributáveis pelo IRPJ, conforme Lei nº 5.764/71 e também, a partir de 1º de janeiro de 2005, as sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica, no que se refere aos atos cooperativos, ficam isentas. Vale regredir para, observando o caso concreto, concluirse que o benefício fiscal se aplica à atos cooperativos e, como dito, o pagamento de mensalidades a alunos norteia a ideia de cooperatividade, ensejando, a priore, o gozo da exclusão de tais receitas para fins de incidência do IRPJ. Ocorre que, por trás de toda a operação, há a simulação do recebimento das mensalidades por parte da cooperativa, quando, na realidade, recebiam de fato as receitas provenientes destas mensalidades as empresas mantenedoras de instituições de ensino privadas. Restou patente, através de toda a documentação trazida aos autos e das constatações firmadas através do Termo de Verificação Fiscal, que o recorrente, com o evidente intuito de fraude, absorveu as receitas provenientes de outras instituições de ensino, não cooperativas, para gozar do benefício fiscal. As conclusões do TVF elucidam a questão e evidenciam o intuito de fraude/simulação: Fl. 9879DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO 20 “Ou seja, na tentativa de evasão fiscal perpetrada pelo Grupo empresarial liderado pelo Sr. Raul Gennari Filho, transferiuse a operação de várias instituições educacionais, as quais atendiam a milhares de alunos, terceiros não cooperados, em uma típica operação de mercado, para uma cooperativa, a fim de, inicialmente excluir (omitir) os recursos recebidos por esta prestação de serviço da tributação. Sendo que, já em curso do presente procedimento fiscal, após detectado que a contabilidade apresentada deveria ser refeita e novamente apresentada a esta auditoria, tentou fazer com que a fiscalização considerasse tais recursos como advindos de Atos Cooperativos. O vínculo entre as empresas que operavam as instituições de ensino anteriormente e a cooperativa restou patente. Enquanto a Cooperativa assumia a operação das instituições de ensino e reconhecia perante esta fiscalização deter as marcas relativas a tais instituições, além de reconhecer como suas as receitas auferidas em prestação de serviços aos alunos das instituições citadas, perante os órgãos oficiais, continuaram as antigas operadoras como responsáveis. Obviamente tal fato garantia ao Sr. Raul Gennari manter o controle daquelas instituições de ensino, evitando que este realmente caísse nas mãos dos professores e auxiliares (por eles ditos cooperados). (...) Notandose que estas instituições tinham como responsáveis (mantenedoras),à época, perante os órgãos responsáveis (Sec. De Educação e MEC) as empresas cujo CNPJ estão acima apontados, sendo estas as antigas operadoras das instituições de ensino. Ressaltandose que todas tinham o controle societário exercido pelo Sr. Raul Gennari, também proprietário dos imóveis onde as instituições de ensino funcionavam e funcionam, e/ou detentor dos direitos de sublocação dos mesmos.” Neste ponto, perdem todo o caráter de cooperatividade as mensalidades recebidas. Veja, a origem e o destino de tais mensalidades perfazem claro intuito de simulação para preenchimento dos requisitos legais autorizadores e ensejadores do gozo do benefício fiscal. Fl. 9880DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.006201/200812 Acórdão n.º 1201001.396 S1C2T1 Fl. 12 21 Sua origem é proveniente de instituições de ensino particulares, que não visam o mesmo fim e não se valem dos mesmos meios como o faz uma cooperativa. Ora o benefício fiscal é específico, direcionado e vinculado à intenção de uma cooperativa. O que se visa, como visto, é estimular um conjunto de pessoas a buscar um objetivo que não conseguiriam isoladamente/individualmente. Uma instituição de ensino deveras não parte deste pressuposto e não visa este escopo, de forma que o gozo do benefício fiscal não encontra campo lógicofático e, por isso, soa incabível. A destinação das mensalidades, não resta dúvida, está atrelada a um ato mascarado e inverídico. A transferência das mensalidades à cooperativa supondo a ideia de que por esta foram usufruídas, aos seus associados, quer indevidamente caracterizar situação de não incidência do IRPJ e de sua tributação reflexa. Portanto os atos se mostravam cooperativos apenas na aparência, pois aprofundandose às nuances do caso concreto e entendendo a operação que instrumentalizou o suposto gozo do benefício fiscal, caracterizouse a patente nãocooperatividade dos atos praticados, decretando assim a omissão de receitas. Claramente estáse diante de um acréscimo patrimonial que não aproveita nenhuma isenção, imunidade ou benefício, uma vez que decorrente da relação entre alunos e instituições de ensino particulares com fins lucrativos. DA MULTA DE OFICIO – DOS JUROS A simulação, dolo ou fraude, é patente no caso concreto e é determinante para entenderse o motivo e o embasamento da incidência do IRPJ e sua tributação reflexa. Ato contínuo e/ou equivalente ao final da operação simulada, a recorrente (Cooperativa), contabilizou as mensalidades de sorte a não transitálas em conta de resultado, caracterizando o evidente intuito da fraude ao supor que as mensalidades recebidas seriam atos cooperativos. Veja, a contabilização de uma sociedade cooperativa deve evidenciar; separadamente, a composição do resultado de determinado período, considerando os ingressos diminuídos dos dispêndios de atos cooperativos, e das receitas, custos e despesas do ato não Fl. 9881DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO 22 cooperativo, demonstrados de forma segregada por produtos, serviços e atividades desenvolvidos pela cooperativa. O recorrente, ao contabilizar as mensalidades recebidas como ingressos, fez crer que tratavamse de atos cooperativos, quando na realidade, como fartamente demonstrado, tratavamse de atos nãocooperativos e deveriam ser contabilizados como receitas. Esta conduta, portanto, apenas formalizou contabilmente toda a operação simulada. Deste modo, perfeitamente cabível e, além, necessária, a aplicação da multa de ofício de 150%, de modo que qualquer alegação em sentido contrário deve falecer. Os juros sobre a multa de ofício se mostram patentemente cabíveis e aplicáveis, respaldado por disposições normativas do CTN e da Lei nº 9430/96. A legislação determina que, em referência aos débitos com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, incidirão juros de mora equivalentes à taxa SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Neste contexto, então, necessária a aplicação do arts.113, §1º, 139 e 161 do CTN e art. 43, parágrafo único e 61, §3º da Lei 9430/96, para manter os juros de mora calculados sobre a multa de ofício lançados no auto de infração. DO ARBITRAMENTO DO LUCRO Restou claro que a fiscalização ficou impossibilitada de “valerse da escrituração do contribuinte, para fins de apuração do lucro real, por estar a mesma eivada de vícios e desacompanhada da documentação necessária a sua comprovação.” Fl. 9882DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.006201/200812 Acórdão n.º 1201001.396 S1C2T1 Fl. 13 23 Deste modo, procedeuse o arbitramento do lucro baseado nas receitas omitidas, incialmente reconhecidas através dos extratos bancários do contribuinte e confirmadas através de relação na qual o contribuinte informa a origem das mesmas. A aplicação do art. 530 do RIR se mostra inconteste no caso presente. A não apresentação da documentação obrigatória presume a omissão de receitas e compõe requisito autorizador para o arbitramento do lucro. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL Ademais, o recorrente alega ausência de fundamentação legal na decisão de primeira instância. Ora, a decisão se apoia no enquadramento legal disposto no Termo de Verificação Fiscal, qual seja, os artigos 251, 284, 519, 530, 532, 537, §3º do RIR/99 e art. 24 da Lei 5764/71 para construir todo o voto de forma conceitual, aplicando os dispositivos ao caso concreto. O voto inteiro se dispõe a solidificar uma base conceitual e ideológica que valide a aplicação legal ao caso concreto. Não há, desta forma, como se falar em ausência de fundamentação jurídica, quando a decisão, em sua integralidade, trouxe farta argumentação explicativa e elucidativa do enquadramento legal do TVF, indo além apenas do que a lei determina, para definir sua abrangência conteudística e para, então, firmar seu alcance fático na presente discussão. Em suma, o voto dispõese a esmiuçar o caso concreto para trazer a abrangência do que determinam as normas jurídicas. Fl. 9883DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO 24 A fundamentação jurídica revela completude e eficiência e não deve prevalecer o pleito de nulidade do v. acórdão recorrido. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Toda a operação engendrada revelou a participação de três vértices distintos para a composição do ato simulado. A relação direta entre alunos e as instituições de ensino privada, através das mensalidades recebidas, perfazem a ideia de acréscimo patrimonial por parte de suas mantenedoras. Este primeiro vértice revela a origem das receitas. A cooperativa absorveu as receitas, querendo supor que era a mesma que operava todas as instituições de ensino. Este segundo vértice revela o destino das receitas. Por fim, a figura do Sr. Raul Gennari, detentor do controle societário e interessado na mantença deste controle, referente às instituições de ensino e, ao mesmo tempo interessado no gozo do benefício fiscal que, como se demonstrou, é comum a uma cooperativa quando pratica atos cooperativos. Veja que há o interesse comum de todos os vértices no ganho e nas vantagens econômicas provenientes do benefício fiscal. A participação de todos no ato simulado é equivalente, de modo que a ausência de um dos vértices desconfiguraria e impossibilitaria a operação. É certo que há um foco de subjetividade, logicamente por ser uma pessoa física, concentrada na pessoa física citada, usando como instrumento para a construção de sua intenção dolosa as pessoa jurídicas mantenedoras e para a concretização desta mesma intenção, a cooperativa. Fl. 9884DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.006201/200812 Acórdão n.º 1201001.396 S1C2T1 Fl. 14 25 A cooperativa, por ser o destino do acréscimo patrimonial foi apontado como devedor principal, mas a fiscalização, ao desvendar a operação simulada que se sucedeu, percebeu que as pessoas jurídicas, diretamente, e a pessoa física, indiretamente, é que aproveitariam de fato o benefício fiscal, taxandoas devidamente, portanto, como responsáveis solidários. O interesse comum é exprimido, entre outras, na seguinte passagem do TVF: “(...) tanto as pessoas jurídicas (instituições mantenedoras da escola) como a pessoas física do Sr. Raul Armando Gennari Filho, CPF 332.718.52804 tinham interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações principais apuradas, razão pela qual está plenamente justificada a qualificação deles como responsáveis solidários pelos créditos tributários apurados.” Portanto resta a sujeição passiva solidária perfeitamente cabível, nos moldes do que dispõem os artigos 121 e 124 do CTN, definindo que todos deverão responder solidariamente pelo crédito tributário. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA DO PIS/COFINS SOBRE RECEITAS FINANCEIRAS Com relação aos demais lançamentos decorrentes do IRPJ, aplicase o reflexo, visto são oriundos do principal e referemse a mesma matéria tributável, mantendose assim os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS. As mensalidades caracterizaram receitas operacionais decorrente da prestação de serviços e, desta forma, devem também compor a base de cálculo da CSLL do PIS e da COFINS. Assim, a alegação da recorrente de que as mensalidades seriam receitas financeiras e, por isso, não deveriam compor a base de cálculo de PIS/COFINS, que abrange o conceito de faturamento, não deve prevalecer. Fl. 9885DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO 26 Ora é cediço que o conceito de faturamento se equipara a idéia de receita bruta, generalizando, deste modo, todas as receitas decorrente da venda de bens e de serviços. Não há que se falar e não merece maior aprofundamento neste voto, que a receita advinda das mensalidades pagas não tem natureza financeira mas sim de prestação de serviços, sujeitandose ao PIS/COFINS. Contudo, levando em consideração a mesma base legal acima mencionada e o regime tributário a que se sujeitava a ora Recorrente, não há dúvidas de que deve ser afastada a incidência do PIS e COFINS sobre as receitas financeiras auferidas, assim entendidas, aquelas receitas que não tenham origem na venda de mercadorias ou prestação de serviços. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO dos RECURSOS VOLUNTÁRIOS para, no MÉRITO, DARLHES PARCIAL PROVIMENTO, para afastar a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras auferidas. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 9886DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/ 04/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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