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Numero do processo: 10245.720080/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
Para fins de exclusão do campo de incidência do ITR, a partir do exercício de 2001, as ARL e APP devem ter sido objeto de Ato Declaratório Ambiental, além de, no caso da ARL, estar averbada à margem do registro do imóvel.
Não tendo sido objeto do lançamento, incabível a revisão de ofício da declaração sob o manto do litígio administrativo relativo a matéria diversa.
Numero da decisão: 2201-003.389
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para fins de exclusão do campo de incidência do ITR, a partir do exercício de 2001, as ARL e APP devem ter sido objeto de Ato Declaratório Ambiental, além de, no caso da ARL, estar averbada à margem do registro do imóvel. Não tendo sido objeto do lançamento, incabível a revisão de ofício da declaração sob o manto do litígio administrativo relativo a matéria diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 03/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 02 45 .7 20 08 0/ 20 08 -6 0 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária janeiro de 2017 janeiro de 2017 SABIA SILVOPASTORIL LTDA SABIA SILVOPASTORIL LTDA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 106DF CARF MF 2 O presente processo trata da Notificação da Lançamento nº 02601/00052/2008 (fl. 10 a 13), pela qual a autoridade fiscal lançou crédito tributário relativo a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural no valor originário de R$ 8.103,94, com Multa de Ofício de R$ 3.077,95 e juros de mora de R$ 3.082,73 (calculados até setembro de 2008), perfazendo o total apurado de R$ 17.264,62. O lançamento é relativo ao exercício de 2005 e o imóvel rural em questão está identificado na Receita Federal do Brasil pelo número 6.867.364-7. Atesta a Fiscalização que, regulamente intimado, o contribuinte não comprovou, por meio de laudo de avaliação do imóvel, o Valor da Terra Nua - VTN declarado, o que levou ao seu arbitramento a partir dos valores constantes no Sistema de Preços de Terras - SIPT. Ciente do lançamento em 12 de setembro de 2008, fl 44, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 16/30, em 07 de outubro de 2008, a qual foi julgada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, cujas conclusões encontram-se expressas no Acórdão de fl. 62/75, acatado por unanimidade de votos, e que podem ser assim resumidas: DA RESERVA LEGAL Na análise das peças do presente processo, verifica-se que apesar de apenas ter sido alterado o VTN de R$ 5.000,00 para o arbitrado de R$ 99.231,93, com base no valor de R$ 50,81/ha indicado no SIPT para o município de localização do imóvel, a requerente alega a ocorrência de erro de fato, pretendendo que seja considerado o percentual de 80%, que deve ser obrigatoriamente preservado, como área de reserva legal, ou seja, 1.562,4 ha. Com isto, o imóvel rural “Fazenda Prainha II” passaria a ser tributado com base na real alíquota de cálculo do ITR. Ocorre que a exigência fiscal se deu a partir do conteúdo estrito dos dados apresentados pelo contribuinte na sua DITR/2005, em que constituiu item de malha apenas o valor da terra nua declarado, por ter ficado caracterizada a hipótese de subavaliação, quando comparado com o referido VTN/ha médio. Nesse aspecto, também é preciso destacar que além de o contribuinte ter perdido a espontaneidade para efetuar qualquer alteração nos dados por ele informados na sua declaração do ITR/2005, nos termos do art. 138 do CTN c/c o disposto no art. 7º do Decreto nº 70.235/72, também não comprovou, relativamente à pretendida área ambiental (reserva legal), a averbação dela à margem da matrícula do imóvel e a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental – ADA no IBAMA, de modo a demonstrar e hipótese de erro de fato,no que diz respeito a esse dado cadastral (áreas ambientais). Portanto, cabia ser comprovado nos autos o cumprimento de duas exigências. A primeira consiste na averbação tempestiva da área de utilização limitada/reserva legal à margem da matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e a outra seria a inclusão dessa área no Ato Declaratório Ambiental – Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10245.720080/2008-60 Acórdão n.º 2201-003.389 S2-C2T1 Fl. 107 3 ADA, protocolado, em tempo hábil, no IBAMA, observada a legislação de regência da matéria. DO VALOR DA TERRA NUA Em síntese, não tendo sido apresentado o documento exigido para comprovar o Valor da Terra da Nua, conforme descrito na intimação inicial, às fls. 01/02, restava à autoridade fiscal arbitrar o VTN considerando a subavalição do valor declarado, efetuando de ofício o lançamento do imposto suplementar apurado, acrescido das cominações legais, sob pena de responsabilidade funcional. (...) Desta forma, não tendo sido apresentado “Laudo Técnico de Avaliação”, com os requisitos exigidos pela autoridade fiscal, cabe manter a tributação da “Fazenda Prainha II” com base VTN de R$ 99.231,93 ou R$ 50,81/ha, arbitrado pela autoridade fiscal com base no SIPT/RFB. Ciente do Acórdão da DRJ em 30 de abril de 2012, fl. 79, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fl. 81 a 84 , cujas considerações serão tratados no curso do voto a seguir. Em fl. 94 consta pedido de retirada do processo da pauta de julgamento do dia 18 de julho de 2014, o que foi deferido. Em 13 de agosto de 2014, submetido ao crivo do Colegiado de 2ª Instância, os membros da 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento resolveram converter o processo em diligência para que fosse comprovada a legitimidade do signatário do Recurso Voluntário, o que restou saneado com a juntada do documento juntado em fl. 100/102. É o relatório necessário Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Na peça recursal de fl. 81 a 84, o contribuinte apresenta as razões que considera adequadas para demonstrar a necessidade de reforma do Acórdão de 1ª Instância. Afirma que não procede o raciocínio da Autoridade julgadora de que a Área de Reserva Legal - ARL no bioma amazônico depende de Ato Declaratório Ambiental do Ibama e sua averbação no Registro de Imóveis para ser excluída da base de cálculo do ITR. Alega, amparado no que chama de jurisprudência pacífica do STJ, que o simples fato do imóvel rural pertencer à área implica na delimitação da reserva permanente e, ato contínuo, a sua exclusão da base de cálculo do ITR. Fl. 108DF CARF MF 4 Sustenta a desnecessidade de comprovação da Área de Preservação Permanente - APP desde a inclusão, pela MP 2.166-67/2001, do § 7ª do art. 10 da Lei 9.393/96, e, ainda, que a presunção da existência da APP, neste caso, seria relativa, cabendo à Autoridade Administrativa a prova do contrário. Afirmando que a Autoridade Administrativa deixou de excluir a APP da base de cálculo do ITR sem qualquer prova de que o imóvel rural em questão não pertence ao bioma amazônico, o contribuinte concluiu o recurso pugnando pelo seu provimento, para que a APP seja excluída da base de cálculo do ITR/2005. Pelo que se nota, o contribuinte apenas se insurge contra a decisão da DRJ que não deferiu a exclusão de percentual da área do imóvel rural da área aproveitável. Sobre tais áreas de Reserva Legal ou de Preservação Permanente, é de ser ressaltar que estas não foram informadas na DITR da qual decorreu a Notificação, assim, no meu sentir, a situação sequer poderia estar sendo discutida nos autos, já que não faz parte do contencioso administrativo instaurado pela impugnação ao lançamento. Reconhecê-la neste momento, seria fundir dois institutos diversos, o do contencioso administrativo, este contido na competência de atuação deste Conselho, e o da revisão de ofício, este contido na competência da autoridade lançadora, o que, s.m.j., poderia macular o aqui decidido por vício de competência. Ainda assim, e neste ponto apenas por simpatia à discussão, mister consignar que o tributo não se presta apenas a prover o Estado de recursos para financiar suas atividades, sendo rotineiramente utilizado com função diversa, seja objetivando melhor distribuição de renda, seja atuando na defesa da indústria nacional, seja fomentando o desenvolvimento de uma região ou seguimento econômico, seja desestimulando o consumo de produtos nocivos, etc. No caso do ITR, é evidente sua utilização como instrumento de política ambiental, estimulando a preservação ou recuperação da fauna e da flora em contrapartida a uma redução do valor devido a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, ao mesmo tempo em que desonera o contribuinte, a legislação impõe requisitos para gozo de tais benefícios, os quais variam de acordo com a natureza de cada hipótese de exclusão do campo de incidência do tributo e das limitações que cada situação impõe ao direito de propriedade. Assim, ainda que de acordo com a natureza de cada tributo a atividade fiscal precise se valer conceitos e princípios contidos fora do âmbito restrito do Direito Tributário, é fato que, considerando a limitação de competência da RFB, a quem não compete fiscalizar o cumprimento da legislação ambiental, resta à Autoridade Fiscal, no uso de suas atribuições, verificar o cumprimento por parte dos contribuintes dos requisitos fixados pela legislação para definição do correto valor do tributo. Neste sentido, julgo sem fundamento o entendimento do contribuinte sobre a necessidade da Autoridade Administrativa provar que o imóvel rural em questão não pertence ao bioma amazônico. Ora, o contribuinte não informou tais ARL ou APP em sua Declaração e o lançamento em nada alterou a distribuição das áreas declaradas. Nesta esteira, o que interessa ao Fisco, como dito acima, é a verificação do cumprimento da legislação tributária, em particular para identificar infrações que justifiquem a necessidade de constituição do crédito tributário de ofício e para, indiretamente, fomentar o Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10245.720080/2008-60 Acórdão n.º 2201-003.389 S2-C2T1 Fl. 108 5 cumprimento espontâneo da legislação tributária, seja pela geração de um sentimento de risco de ser fiscalizado, seja pelo estímulo à consciência da importância da função social do tributo. Há de se ressaltar que, em termos tributários, a regra é a incidência do tributo, sendo as isenções exceções que devem ser provadas por quem delas aproveita. Assim, para fins de APP e ARL, não precisa a Receita Federal comprovar a falsidade das informações prestadas em DITR ou mesmo daquelas trazidas pelo contribuinte em sua Impugnação, já que, neste caso, são exclusões da base de cálculo do tributo alegadas pelo contribuinte, que delas pretende se aproveitar, arcando, portanto, com o ônus da prova. Neste sentido, importante ressaltar alguns dos termos da legislação que rege a isenção relativa às áreas de preservação permanente e de reserva legal, naturalmente em vigência na época do fato gerador: Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (...) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Grifou-se. Lei 4.771, de 15 de setembro de 1965: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo:(...) § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Grifou-se. Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981 Art. 17-O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 110DF CARF MF 6 § 1o-A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) § 5º Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Grifou-se. IN SRF 256, de 11 de dezembro de 2002 Art. 9º Área tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: I - de preservação permanente; II - de reserva legal; (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I - ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), observada a legislação pertinente; (...) Art. 11. São áreas de reserva legal aquelas cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos. § 1º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas a que se refere o caput devem estar averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, na data de ocorrência do respectivo fato gerador. A análise dos trechos normativos acima não deixa dúvidas de que a averbação da ARL à margem da matricula no registro de imóvel é obrigatória, além de necessário, também, a informação em Ato Declaratório Ambiental. Diferentemente do que ocorre com as Áreas de Preservação Permanente, cujo tratamento pela legislação se mostra menos rigoroso, não havendo previsão para tal averbação, mas sendo indispensável a declaração em ADA. Ainda que haja previsão legal de que um percentual da propriedade rural seja mantido a título de Reserva Legal, se os demais requisitos (ADA e averbação junto à matrícula do imóvel) não foram demonstrados, não há que se falar em isenção fiscal sobre tais áreas. Do mesmo modo acontece com as áreas declaradas de interesse ecológico, para as quais não bastam meras alegações de que compõem área assim considerada, sendo indispensável que o contribuinte apresente declaração neste sentido de órgão competente federal ou estadual. Embora aos olhos menos atentos possam parecer despropositadas as exigências, trata-se de uma forma de manutenção do controle das circunstâncias que levaram Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10245.720080/2008-60 Acórdão n.º 2201-003.389 S2-C2T1 Fl. 109 7 ao favor fiscal, além se configurar instrumento que atribui responsabilidade ao proprietário rural. Como se viu acima, a mesma lei que prevê a obrigatoriedade do ADA dispõe que, após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Desta forma, com o protocolo do ADA, o contribuinte sujeita-se à vistoria técnica do IBAMA, sem o qual a desoneração tributária ocorreria sem qualquer instrumento que permitisse a efetiva validação das informações declaradas. Ainda que respeitáveis as conclusões jurisprudenciais expostas no Recurso Voluntário, as quais não vinculam a presente análise, entendo não assistir razão ao contribuinte ao afirmar que o simples fato do imóvel rural pertencer ao bioma amazônico implicaria sua exclusão da base de cálculo do ITR. É de conhecimento amplo o ritmo frenético do desmatamento da Floresta Amazônica, sendo inimaginável admitir que todos os que lá estão, mesmo os que estão a destruir tal patrimônio natural, tivessem direito ao favor fiscal que, conforme citado alhures, dentre outros, tem o nítido propósito de estimular a preservação do meio ambiente. Em seu Recurso, o recorrente alega que, por conta do que previa o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, não estaria obrigado a comprovar as informações declaradas, comprovação esta que caberia ao Agente Fiscal. Ora, o contribuinte nada declarou a titulo de ARL ou APP. Ademais, trata-se de claro equívoco na interpretação da norma, pois o que se esperava de tal comando normativo, atualmente revogado, seria deixar clara a desnecessidade de apresentação de documentos juntamente com a Declaração, fato que já foi uma realidade em passado não muito recente. Portanto, não tendo o contribuinte cumprido as formalidades impostas pela legislação para fins de fruição do direito à isenção e considerando a limitação disposta no art. 111, inciso II da Lei 5.172/66 ( CTN), pela qual se conclui que as normas reguladoras das matérias que tratam de isenção não comportam interpretação ampliativa, entendo acertada a decisão de primeira instância que não acatou o pedido de exclusão de áreas tributáveis. Por todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário, seja pela inexistência do litígio relativo às ARL e APP não informadas em DITR, seja por não ter restado inequívoco o cumprimento dos requisitos da legislação para fazer jus ao favor fiscal. Decisão: Por tudo que consta nos autos, bem assim nas conclusões e fundamentos legais acima expostos, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator Fl. 112DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.003410/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001.
O art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 concedeu ao Fisco o poder de examinar os dados de constas bancárias quando houvesse procedimento administrativo em curso. Portanto, não se pode falar em qualquer ilegalidade cometida pela autoridade lançadora, visto que esta detém a prerrogativa concedida pelo art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 para requisitar informações às instituições financeiras sem que isso se caracterize como quebra de sigilo bancário.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE.
A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E/OU SEM CAUSA. COMPROVAÇÃO.
Para a perfeita caracterização da incidência tributária de que trata o art. 674 do RIR/99, necessário que o beneficiário do pagamento não esteja identificado ou não haja motivo para a operação que motivou o pagamento. Uma operação realizada fora do desiderato social caracteriza um pagamento sem causa.
Numero da decisão: 2201-003.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (Relator) e José Alfredo Duarte Filho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Redator designado.
EDITADO EM: 15/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001. O art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 concedeu ao Fisco o poder de examinar os dados de constas bancárias quando houvesse procedimento administrativo em curso. Portanto, não se pode falar em qualquer ilegalidade cometida pela autoridade lançadora, visto que esta detém a prerrogativa concedida pelo art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 para requisitar informações às instituições financeiras sem que isso se caracterize como quebra de sigilo bancário. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 34 10 /2 01 0- 19 Fl. 528DF CARF MF 2 TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E/OU SEM CAUSA. COMPROVAÇÃO. Para a perfeita caracterização da incidência tributária de que trata o art. 674 do RIR/99, necessário que o beneficiário do pagamento não esteja identificado ou não haja motivo para a operação que motivou o pagamento. Uma operação realizada fora do desiderato social caracteriza um pagamento sem causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (Relator) e José Alfredo Duarte Filho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Redator designado. EDITADO EM: 15/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuidase de Recursos Voluntários de fls. 298/300 e de fls. 379/398, interposto contra decisão da DRJ em Juiz de Fora/MG, de fls. 280/290, que julgou procedente em parte o lançamento de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF decorrente de pagamentos sem causa/operação não comprovada (fls. 03/35), lavrado em 08/11/2010, relativo Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10640.003410/201019 Acórdão n.º 2201003.440 S2C2T1 Fl. 529 3 ao período de 02/01/2006 a 27/12/2006, com ciência da empresa RECORRENTE em 18/11/2010 (fl. 241) e dos responsáveis tributários Sr. Ailton Afonso de Siqueira Chaves e Sr. Arthur Amilton Chaves Siqueira em 18/11/2010 e 19/11/2010, respectivamente (fls. 242 e 243). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 1.108.241,20 (um milhão, cento e oito mil, duzentos e quarenta e um reais e vinte centavos), já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e a correspondente multa de ofício qualificada de 150%. Conforme Relatório Fiscal de fls. 36/43, parte integrante do lançamento, a autoridade fiscal constatou os seguintes fatos relevantes ao caso (folhas alteradas em razão da alteração da numeração): “1 A ação fiscal teve início em 05/04/2010, quando lavramos o TERMO DE INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. Neste termo o contribuinte foi intimado a colocar à disposição, a partir do dia 14/06/2010, diversos livros e documentos contábeis; bem como no prazo de 05 (cinco) dias a apresentar os extratos de suas contas bancárias, dentre outros. (fls. 52/53) (...) 2 No dia 12/04/2010, o contribuinte informou que não manteve conta em aberto durante o anocalendário de 2006, não é parte interessada em alguma ação na Justiça Federal e apresentou o nome e endereço do escritório do contador. (fls. 54/55) 3 O contribuinte afirmou que não possuía contas bancárias durante o anocalendário de 2006, porém os sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil nos deram conta do contrário. Assim sendo (...) efetuamos a requisição de suas informações sobre movimentação financeira diretamente às instituições bancárias/financeiras, nos termos da Lei Complementar N.° 105/2001 (...) (fls. 170/174) 4 (...) o contribuinte nos informou que manteve movimentação financeira junto ao banco Itaú S/A (...) (fl. 58) 5 Em resposta à requisição acima, a instituição financeira enviou o extrato bancário da conta corrente que se segue: Banco Itaú — Agência 1481, C/C: 387007, bem como cópia de vários cheques emitidos pelo contribuinte. (fls. 175/235) 6 Ao recebermos a documentação bancária enviada pelo Banco Itaú, constatamos que em 14/01/2004, a empresa mudou sua RAZÃO SOCIAL, bem como seu QUADRO SOCIETÁRIO e que a ficha cadastral fornecida pelo Banco Itaú S/A, está em nome da antiga razão social (CHAVES & SIQUEIRA LTDA), cujos antigos sócios eram: AILTON AFONSO DE SIQUEIRA CHAVES e ARTUR AMILTON CHAVES SIQUEIRA. Assim sendo, lavramos o TERMO DE INTIMAÇÃO N.° 1, datado de 12/07/2010, às fl. 59/60, solicitando ao contribuinte: Fl. 530DF CARF MF 4 6.1 Que comprovasse (...) a origem dos recursos creditados/depositados no anocalendário de 2007 em suas contas nas instituições bancárias já mencionadas. 6.2 Que esclarecesse quem assinava os CHEQUES emitidos pela empresa no ano de 2006 (...) ; já que a assinatura da atual sócia no Termo de Início de Ação Fiscal, não coincide com as que constam nos cheques emitidos na época e a motivação. (...) 7.1 (...) às fls. 82/120, o contribuinte apresentou resposta onde declara sob penas da lei, que não manteve movimento comercial no exercício de 2006, exceto a movimentação bancária (...) 7.2 O contribuinte apresentou também os seguintes documentos: (...) planilhas mensais dos movimentos bancários, com as exclusões dos cheques devolvidos por depósitos e estornos de CPMF (fls. 98/120). 8 (...) às fls. 121/130, o contribuinte informou o seguinte: 8.1 As origens referemse ao capital social e as suas expensas. 8.2 A atividade do contribuinte era de pequena empresa de FACTORING, ou seja, troca de cheques de terceiros colocados em cobrança junto ao Banco Itaú naquela oportunidade via borderô. 8.3 Os cheques emitidos no ano de 2006 foram assinados pelos exsócios em sua maioria ARTUR AMILTON CHAVES SIQUEIRA e muito raramente outro sócio AILTON AFONSO DE SIQUEIRA CHAVES, uma vez que a atividade principal da empresa (...) foi a prestação de serviços de aquisição e cessão a terceiros de direitos creditórios decorrentes de vendas mercantis e de serviços a prazo, bem como efetuar cobrança por conta própria e de terceiros. (...) vários cheques foram devolvidos (...) e assim, muitas vezes foram somados como novo movimento, porém, não constituindo com isso valores novos de acréscimo diário ou receita bruta mensal (...). 8.4 As novas sócias não tiveram conhecimento da movimentação bancária junto ao Banco Itaú em nenhum momento (...). 9 (...) os senhores AILTON AFONSO DE SIQUEIRA CHAVES e ARTUR AMILTON CHAVES SIQUEIRA, tomaram as seguintes providências: 9.1 Solicitar da Sra MARIA HELENA PEREIRA PINTO permissão para que assumissem as respostas solicitadas e doravante todas as informações e todos os documentos necessários (...) 9.3 Em comum acordo com a Srª Maria Helena elaboraram uma TERCEIRA ALTERAÇÃO CONTRATUAL, datada de 12/07/2010, porém sem a averbação na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (JUCEMG). Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10640.003410/201019 Acórdão n.º 2201003.440 S2C2T1 Fl. 530 5 10 (...) lavramos o TERMO DE INTIMAÇÃO N.° 3, às fls. 144 e 145, intimando a empresa a apresentar (...) documentação hábil e idônea, que comprove que a empresa realmente prestou serviços de factoring, no período 01/01/2006 a 31/12/2006, tais como: Termo de Habilitação fornecido pelo Banco Central do Brasil, (...). 11 Em resposta ao solicitado nos termos N.° 3 citados, o contribuinte alegou que realizava as atividades de FACTORING informalmente e não tinha registro junto ao Banco Central e tampouco sistema de cobrança e outros documentos contábeis. (fls.147/148) II — FATO GERADOR: 1 (...), verificamos que alguns cheques se tratavam de cheques compensados, nominais a terceiros, e por isso sugeriam que foram emitidos para pagamentos efetuados pela empresa. Não localizamos a escrituração de tais pagamentos. Assim, relacionamos estes cheques compensados e intimamos o contribuinte (...) a comprovar, com documentação hábil e idônea, a que título foi efetuado cada um dos pagamentos que a empresa fez com esses cheques, ou seja, a causa motivadora dos pagamentos, e a comprovar a efetiva destinação de cada pagamento, ou seja, identificar — com o nome e CPF ou CNPJ — o beneficiário do pagamento. 2 Em 28/07/2010, o contribuinte informou que (fls. 142/143): 2.1 A atividade de sua empresa era de uma pequena factoring, ou seja, troca de cheques com terceiros (prédatados) colocados em cobrança junto ao Banco Itaú, às vezes via borderô. 2.2 Não podiam informar a destinação de cada pagamento, em primeiro lugar, porque trocavam cheques de terceiros (cheques prédatados) e ao pagálos, emitiam seus próprios cheques e os clientes os depositavam ou sacavam. Segundo, porque fazia muito tempo e estes papéis ou documentos já não se encontravam mais com eles. Terceiro, porque os documentos comprobatórios foram extraviados. Finalmente, porque os cheques emitidos por eles ou foram sacados por eles ou foram depositados e ou sacados pelos seus clientes. 3 É certo que no início das atividades em 2000 (...) o objetivo da empresa até 13/01/2004, era "aquisição e cessão a terceiros de direitos creditórios decorrentes de vendas mercantis e serviços a prazo, bem como efetuar cobranças por conta própria e terceiros". A 2ª Alteração Contratual (fls. 94/97) mudou, radicalmente, o objetivo social do contribuinte e a 3ª alteração (fls. 126/130) não existe como documento oficial, já que além de não ter sido averbada foi elaborada após o Termo de Início de Ação Fiscal, datado de 05/04/2010. 4 Assim sendo, tratase de um contribuinte cuja atividade principal passou a ser "comércio varejista de artigos do vestuário, tecidos, calçados, artigos de armarinhos e Fl. 532DF CARF MF 6 brinquedos", após 14/01/2004, com o advento da 2ª Alteração Contratual e que optou pela forma de tributação SIMPLES. 5 E mesmo que a 3ª Alteração Contratual tivesse sido averbada na JUCEMG, somente surtiria efeitos após a sua averbação; porém a atividade de factoring do contribuinte NÃO é regularizada, ou seja, NÃO possuindo registro no Banco Central, sistemas de cobrança ou documentação contábil, no ano calendário de 2006, prevalece a atividade definida na 2ª alteração contratual, ou seja, atividade de comércio varejista. (...) 7 A partir desta constatação acima, nos levaram à apuração da infração fiscal PAGAMENTO A BENECIFIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E/OU PAGAMENTOS SEM CAUSA (...). III — AUTO DE INFRAÇÃO: 1 Como visto, a empresa possui baixa de inscrição na Secretaria da Receita Estadual datada de 16/06/2005 e os contribuintes pessoas físicas: AILTON AFONSO DE SIQUEIRA CHAVES e ARTUR AMILTON CHAVES SIQUEIRA, que já não pertenciam mais ao QUADRO SOCIETÁRIO da empresa, desde a 2ª Alteração Contratual, faziam transações comerciais utilizando indevidamente o nome da empresa. A ficha cadastral fornecida pelo Banco Itaú S/A, está em nome da antiga razão social (CHAVES & SIQUEIRA LTDA), onde eles eram os antigos sócios e as transações comerciais em nome do contribuinte: SHOPPEN MODAS FHASHION ART. DO VESTUÁRIO LTDA — ME, a qual eles não possuem nenhuma participação. Conforme CLAUSULA TERCEIRA da 2ª Alteração Contratual, os antigos sócios cederam e transferiram as quotas paras as atuais sócias: MARIA HELENA PEREIRA PINTO e MARIA DA CONCEIÇÃO PEREIRA DUARTE (20.000 quotas no total). Estas sócias baixaram a empresa em 16/06/2005; porém os antigos sócios continuaram transacionando indevidamente com sua RAZÃO SOCIAL, não sendo possível definir se fora com ou sem conhecimento delas. Isto, em princípio, caracterizaria interposição das pessoas das sócias, até porque, conforme suas Declarações de Imposto de Renda de Pessoas Físicas, do ano calendário 2006, às fls.119 e 120, suas evoluções patrimoniais são inexpressivas, sendo, presumidamente, bastante difícil para elas adquirirem uma empresa. 2 (...) verificamos que o contribuinte regularmente intimado a comprovar (...) cada cheque compensado emitido e listado na planilha intitulada: EXTRATO BANCÁRIO CHEQUES COMPENSADOS, anexa ao Termo de Intimação Fiscal N.° 2 (fls. 133/140), não logrou comprovar a destinação e causa do pagamento. 3 (...) fica caracterizado que o contribuinte — SHOPPEN MODAS FHASHION ART. DO VESTUÁRIO LTDA ME — efetuou pagamentos a terceiros sem a comprovação da causa para tais pagamentos, ou seja, sem comprovar a que fins foram destinados os pagamentos, os quais listamos no Anexo a este Relatório Fiscal (fls. 44/51). Fl. 533DF CARF MF Processo nº 10640.003410/201019 Acórdão n.º 2201003.440 S2C2T1 Fl. 531 7 (...) 5 Desta forma, cada pagamento efetuado (...) estará sujeito ao imposto de renda na fonte (IRF), incidente sobre pagamentos sem causa nos termos do art. 674, e seus parágrafos, do RIR/99, (...). A coluna "REAJUSTE" da planilha 01 apresenta os valores reajustados —base de cálculo do IRF. 6 A MULTA de oficio está sendo QUALIFICADA para 150%, porque os sócios, utilizando indevidamente o nome do contribuinte, cometeram, em tese, CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. IV DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (...) V RESPONSABILIDADE SOLIDARIA 1 Os antigos sócios movimentaram a conta bancária no Banco Itaú, conforme vimos no item. (...) 3Além de tudo, os antigos sócios pediram permissão à sócia Maria Helena Pereira Pinto para assumir as respostas, informações e todos os documentos necessários, bem como que a assunção de responsabilidades, que doravante houvesse, fosse direcionada para eles, no endereço deste relatório. 4 Diante do exposto e conforme vimos, devido às diversas transações comerciais realizadas pelos antigos sócios da empresa, com PAGAMENTOS SEM JUSTA CAUSA, utilizando indevidamente o nome desta, eles respondem solidariamente, no período de 01/2006 a 12/2006, nos termos do Art. 124, Inciso I, da Lei 5.172/66 (CTN) e estão sendo nominados abaixo: AILTON AFONSO DE SIQUEIRA CHAVES (...) ARTUR AMILTON CHAVES SIQUEIRA (...) VI REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS 1 Por tudo o que foi relatado acima, acreditamos que, em tese, os antigos sócios AILTON AFONSO DE SIQUEIRA CHAVES e ARTUR AMILTON CHAVES SIQUEIRA, incorreram no CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA, nos termos da Lei 8.137/90, Art. 1º, Incisos: I e IV. Já as atuais sócias: MARIA HELENA PEREIRA PINTO e MARIA DA CONCEIÇÃO PEREIRA DUARTE, como concorreram, em tese, para o suposto crime citado, seriam enquadradas no Art. 11 da mesma Lei. 2 Assim sendo, estamos apresentando Representação Criminal ao Ministério Público Federal, de todas as pessoas envolvidas supracitadas, por acreditar que, em tese, elas cometeram CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA. Fl. 534DF CARF MF 8 VII — ELEMENTOS DE PROVA 1 Cópia do contrato social, ia , 2a e 3a alterações contratuais. (fls. 88/97 e 126/130) 2 Cópias de cheques compensados emitidos pelo contribuinte e encaminhadas, através de Requisição de Movimentação Financeira ao Banco Itaú. (fls. 225/235) 3 Cópia da baixa de inscrição na Secretaria da Receita Estadual datada de 16/06/2005. (fl. 83) 4 Cópia da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica — Inativa 2006, às fl. 84. 5 Cópia da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica 2007 — Simples, às fl. 85. 6 Cópia da Ficha Cadastral fornecida do contribuinte fornecida pelo Banco Itaú, fl. 180. DA IMPUGNAÇÃO Intimados entre 18/11/2010 e 19/11/2010 (fls. 241/243), os RECORRENTES apresentaram a Impugnação de fls. 244/250, oportunidade em que alegaram, resumidamente, a seguinte matéria de defesa: discordamos de antemão quanto alega que em 13/01/2004, o objetivo da empresa mudou radicalmente que era a cessão a terceiros de direitos creditórios decorrente de vendas mercantis e serviços a prazo, bem como a efetuar cobranças por conta própria e de terceiros, que a segunda alteração mudou radicalmente, o objetivo do contribuinte, passando a atividade para o comercio varejista de artigos de vestuário, etc. a própria exsócia, apresentou as declarações de 2004, 2005 e 2006 como inativas, inclusive o ano de 2006, ou seja: Inatividade e sem movimento, não houve a atividade, não teve qualquer movimentação, inclusive a bancaria, então alegar que houve alteração radical da atividade não e correto e tampouco verdadeira; a apresentação de cópia da terceira alteração contratual, nada mais e que voltar ao status quo anterior, ou seja, retornar a mesma atividade a que ela foi constituída, exercida e pelos mesmos sócios; não concordamos com a tributação aplicada pois além dos impostos lançados, aplicou a multa em 150%. (...) nós movimentamos em 2006, sempre foi a mesma atividade que exercíamos anteriormente. Esta simples afirmativa da inatividade da empresa em 2006 com a atividade de comércio e a comprovação que as movimentações bancarias foram sempre feitas por nós, configura somente uma negligência nossa no tocante a não declaração dos valores movimentados, pois as origens de nossa movimentação foram sempre conhecidas, pois nossa atividade é desde 2000, e foram oriundas do nosso capital social, no valor de R$40.000,00. se assim fosse a intenção da empresa em fraudar ou negligenciar os impostos devidos, o sr. agente fiscal não os teria lançados embasado na nossa planilha. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10640.003410/201019 Acórdão n.º 2201003.440 S2C2T1 Fl. 532 9 não pagou os impostos devidos por desconhecimento, uma vez que quando transferiu a empresa para as novas sócias, primeiro não sabia que deveria alterar os depósitos pois ficou com vários cheques a receber, e em segundo lugar que a mesmas jamais iriam funcionar, conforme a DIPJS foram entregue sem movimento; O que o Sr. agente Fiscal Fez foi, primeiro nos tributar em duplicidade (BI TRIBUTACAO), pois está nos cobrando IRRF sob toda a movimentação dos cheques emitidos (...) ou somos tributados com a base de cálculo pelos cheques depositados (processo 13.640.003411/201055), ou sobre este processo que refutamos, pois ambos utilizam a mesma empresa, o mesmo período, o mesmo motivo, apenas está sendo acrescido de duas base, uma relativos a entradas (depósitos feitos) e outra pela saldas (cheques emitidos) (...) ainda multados em 150% e também está nos cobrando como empresa como optante pelo simples, utilizando a tabela de excesso do limite, totalizando as cobranças em mais de R$1.693.000,00, sendo que toda a movimentação não totaliza R$2.100.000,00. Outro indício inequívoco da total falta de intenção de obstruir, omitir ou fraudar os impostos (...) é a constatação junto a secretaria da receita Federal, que a empresa jamais solicitou ou emitiu qualquer nota fiscal junto ao estado sendo certo que em 2004 solicitou a alteração de atividades junto ao estado e em 2005 cancelou sua inscrição (...) a atividade da segunda alteração contratual jamais foi exercida, o que prova cabalmente a nossa inocência em relação a esta afirmativa, ou seja a empresa jamais funcionou com DUAS atividades e tampouco teve qualquer atividade diferente daquela que sempre constou em seu contrato social primitivo; discordamos veementemente da aplicação da multa, de 150%, solicitando desta douta junta que seja revista e diminuída para 75% o percentual; discordamos veementemente do IRRF cobrado, devendo o mesmo ser totalmente anulado e que seja enquadrada a empresa na atividade precípua que a mesma sempre exerceu; Assumimos como de fato, as movimentações bancárias no ano de 2006, porém que sejam tributada corretamente (...) no lucro presumido ou arbitrado, pois se o Fisco conhece a receita não há porque nos tributar como simples e jamais sob os cheques emitidos; o Sr. auditor fiscal (...) nos tributou em duplicidade, senao vejamos: processo 13640.003410/201019, referente ao IRRF (...) relacionados aos cheques emitidos e os tributou como receita auferida desconhecida, criando uma base de calculo. Ato continuo, alem de supor que a empresa exerceu atividade de comercio, a enquadrou como optante pelo simples e (...) aplicou a cobranca do Imposto Simples proc.13640.003411/201055, relacionado aos Depositos efetivados, criando a segunda base de calculo (...). Diante dos fatos, não há como negar a BiTRIBUTACAO; Apesar de sabemos que o fato de ter sido depositado um determinado valor, a contra partida foi um saque através da emissão de cheques, e obviamente, posteriormente ele pode ter sido redepositado; requeremos que da base de cálculo que originou os débitos relacionados nos autos de infração, que seja abatido mensalmente da base o valor de R$40.000,00 (Quarenta Mil Reais) relativos ao capital social. Fl. 536DF CARF MF 10 DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 280/290 dos autos, julgou procedente em parte o lançamento, apenas no sentido de desqualificar a multa de ofício de 150% para 75%, conforme acórdão com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições da Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Anocalendário: 2006 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Sujeitase à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a sua causa ou a operação a que se refere. MULTA QUALIFICADA (150%). NÃO COMPROVAÇÃO DE DOLO. DESCABIMENTO. Não restando demonstrada nos autos a existência de dolo quanto aos pagamentos sem causa ou originários de operações não comprovadas descabe a qualificação da multa. Impugnação Procedente em Parte Nas razões do voto do referido julgamento, rebateu, uma a uma, as alegações da RECORRENTE, mantendo o lançamento de IRRF objeto do presente processo. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A empresa RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 23/05/2011, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 297, apresentou seu recurso voluntário de fls. 298/300 em 16/06/2011. Em suas razões de recurso, a empresa RECORRENTE se insurge contra a tributação do imposto de renda exclusivamente na fonte, com base no art. 61 da Lei nº 8.981/1995, afirmando que os cheques emitidos “fizeram parte da mesma base quando foram depositados”, e que os depósitos foram tributados no processo nº 10640.003411/201055. Sustenta que os cheques emitidos foram objetos dos depósitos e que “a fiscalização criou dois eventos (cobrança do Simples) e ao mesmo tempo o (IRRF) sobre a mesma base, apenas mudou a linha, sendo o período o mesmo”. Invoca, em apoio a sua tese, o acórdão 010277 da CSRF 01 turma de 13/03/2000 e o acórdão 10321325 da 3ª Câmara do 1º CC. Acrescenta que a solução de divergência nº 10, de 16/07/2003, deixaria clara a não incidência do imposto de renda na fonte sobre as importâncias pagas ou creditadas por pessoa jurídica a outra pessoa jurídica inscrita no Simples, pela prestação de serviços. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10640.003410/201019 Acórdão n.º 2201003.440 S2C2T1 Fl. 533 11 DA REDISTRIBUIÇÃO E VERIFICAÇÃO DE IRREGULARIDADES Por meio da decisão de fls. 329/330, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF entendeu que o presente processo seria conexo ao de nº 10640003411/2010 55, pois referente às exigências lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Assim, decidiu pela distribuição à Primeira Seção de Julgamento, nos termos do inciso IV, do artigo 2º, do Anexo II do RICARF. Ao receber os autos, 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF decidiu por redistribuir o processo para a 2ª Seção e converter o julgamento em diligência, nos termos da decisão de fls. 338/343. É que sobreveio alteração na delimitação da especialização por matérias, em face do novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. A nova redação é expressa ao determinar que as exigências estejam formalizadas em um mesmo processo administrativo fiscal, não se admitindo a “atração” do IRRF quando se trata de processos administrativos fiscais distintos. Antes de efetuar a redistribuição, referida Turma Julgadora entendeu que o processo continha alguns vícios sanáveis, portanto deveria ser baixado em diligência para que: 1. o Sr. AILTON AFONSO DE SIQUEIRA CHAVES e o Sr. ARTUR AMILTON CHAVES SIQUEIRA sejam cientificados do Acórdão nº 0934.283, de 30/03/2011 (fls. 280/290), facultando lhes ainda a interposição de recurso voluntário no prazo legal. 2. A pessoa jurídica CHAVES & SIQUEIRA SERVIÇOS DE COBRANÇA LTDA. seja intimada a regularizar a representação processual, no que tange ao procurador que subscreve o recurso voluntário. 3. A pessoa jurídica CHAVES & SIQUEIRA SERVIÇOS DE COBRANÇA LTDA. seja intimada a apresentar cópia da alteração do Contrato Social em vigor na data da interposição do recurso voluntário, devidamente registrada no órgão competente. DO NOVO RECURSO VOLUNTÁRIO Tanto a empresa RECORRENTE como os responsáveis solidários foram intimados da decisão acima em 22/02/2016 (fls. 376/378). Em resposta, apresentaram o Recurso Voluntário de fls. 379/398 em 11/03/2016, oportunidade em que acostou aos autos a cópia da 3ª e última alteração do Contrato Social da empresa RECORRENTE, devidamente registrada no órgão competente (fls. 514/521). A defesa, resumidamente, dispõe o seguinte: Fl. 538DF CARF MF 12 A ocorrência da prescrição intercorrente, com base na alegação da razoável duração do processo e no art. 1º, §1º, da Lei nº 9.873/1999 e no art. 2º da Lei nº 9.784/1999 e em jurisprudência judicial. Argumentou que o acórdão recorrido foi proferido em 30/03/2011 e a empresa RECORRENTE apresentou recurso em 16/06/2011, mas somente em 23/02/2016 os responsáveis solidários foram intimados do acórdão para apresentação de recurso. Assim, teria ultrapassado o prazo de 3 anos previsto no art. 1º, §1º, da Lei nº 9.873/1999. Afirmou que a obtenção de extratos bancários da empresa através de simples solicitação administrativa (sem ordem judicial) seria ilegal, sendo que o art. 5º, LVI da Constituição proíbe as provas ilícitas em processos e os incisos X e XI estabelecem proteção ao sigilo à privacidade, intimidade e violação de dados, e que tais direitos fundamentais seriam cláusulas pétreas constitucionais. Entendeu que somente poderia haver a violação mediante regras excepcionais. Entendeu que o STF declarou ser inconstitucional a disposição legal que autoriza órgão administrativo o acesso a informações protegidas por sigilo (transcreveu ementa do acórdão no RE 389808). No mérito, argumentou que, após diversas diligências na instituição bancária, conseguiram a microfilmagem de vários cheques, os quais demonstram que a maior parte dos valores que consta na tabela de autuação foram pagamentos realizados a pessoas jurídicas e não a pessoas físicas (fls. 401/513). Anexaram também tabela relacionando os cheques ora apresentados (fls. 399/400). Portanto, requereram a exclusão da autuação em relação a todos os valores comprovadamente pagos a pessoas jurídicas. Após discorrer sobre princípios constitucionais da igualdade, capacidade contributiva e progressividade, afirma que a alíquota de 35% estabelecida pelo art. 674 do Decreto nº 3.000/99 não condiz com a progressividade do imposto de renda e que fere o princípio da vedação ao confisco, ambos previstos na Constituição. Assim, requereu a anulação da autuação pela inconstitucionalidade da alíquota de 35% ou, sucessivamente, que seja aplicada a alíquota progressiva do IR. No seu entendimento, mesmo sendo reduzida de 150% para 75%, a multa aplicada ainda se revela abusiva, pois seria sanção acima do limite máximo permitido em razão do princípio da vedação ao confisco. Em favor de sua tese, citou diversos trechos de doutrina a respeito da aplicação do princípio do não confisco não só em relação aos tributos, mas também como forma de limitação à imposição de penalidade pecuniária. Apresentou também trechos de decisões judiciais no sentido de reduzir a multa aplicada pelo descumprimento de obrigação tributária, afirmando que os tribunais têm fixado o teto da multa em 30%, acima, portanto, do percentual de 75% ora atribuído ao RECORRENTE. Combateu o excesso de juros e correção, visto que não poderia ser penalizado pela paralização do processo. Requereu a desconstituição do arrolamento de bens (fls. 272/276), visto que os RECORRENTES tiveram limitada a propriedade de alguns bens, ao passo que nunca houve qualquer suspeita de que estariam pretendendo alienar seu patrimônio. Ademais, a multa reduzida pela DRJ tornou abusivo o volume de bens arrolados. Sucessivamente, caso não fosse totalmente desconstituído o arrolamento, requereu a desconstituição dos bens abaixo indicados, visto que os demais seriam suficientes para garantir o pagamento da dívida: (i) em nome de Artur Amilton: 25% de uma construção de 1310,27m² (...) matrícula: 24567 Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10640.003410/201019 Acórdão n.º 2201003.440 S2C2T1 Fl. 534 13 (ii) em nome de Ailton Afonso: 25% de uma construção de 1310,27m² (...) matrícula: 24567; Loja nº 31, em construção no andar térreo do Edf. Maria de Lourdes Tavares; Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Da regularidade de representação quando da apresentação do primeiro recurso voluntário. Quando da análise do caso, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF (fls. 338/343) verificou que no primeiro recurso interposto pela empresa RECORRENTE (fls. 298/300) “consta o nome de Ailton Afonso de Siqueira Chaves. No entanto, a assinatura que ali consta é de Edílson Correa Mariani”. Neste sentido, verificou que a procuração pública de fl. 301, datada de 24/11/2010, a qual outorga poderes ao Sr. Edilson, “tem como outorgante a pessoa física Sr. Ailton Afonso Siqueira Chaves, e não a pessoa jurídica CHAVES & SIQUEIRA SERVIÇOS DE COBRANÇA LTDA. Desta forma, o recurso voluntário de fls. 298/300, apresentado pela pessoa jurídica, não está subscrito por procurador habilitado para tanto”. Assim, intimou a pessoa jurídica CHAVES & SIQUEIRA SERVIÇOS DE COBRANÇA LTDA. para: (i) regularizar a representação processual, no que tange ao procurador que subscreve o recurso voluntário; e (ii) apresentar cópia da alteração do Contrato Social em vigor na data da interposição do recurso voluntário, devidamente registrada no órgão competente. Entendo que o intuito da autoridade julgadora era verificar se, naquela data, o Sr. Ailton (representado por procurador) poderia assinar documento em nome da pessoa jurídica CHAVES & SIQUEIRA SERVIÇOS DE COBRANÇA LTDA. Ao ser intimada, a pessoa jurídica apresentou a 3ª e última alteração do Contrato Social, devidamente registrada no órgão competente em 14/12/2010 (fls. 514/521), antes, portanto, da interposição do primeiro Recurso Voluntário em 16/06/2011. Com isso, entendo que está sanada a representação processual no que tange ao procurador que subscreve o primeiro recurso voluntário. Fl. 540DF CARF MF 14 PRELIMINARES Prescrição intercorrente Os RECORRENTES entendem que teria havido a ocorrência da prescrição intercorrente, uma vez que o acórdão da DRJ foi proferido em 30/03/2011, a empresa RECORRENTE apresentou recurso em 16/06/2011, mas somente em 23/02/2016 os responsáveis solidários foram intimados do acórdão para apresentação de recurso. Assim, teria ultrapassado o prazo de 3 anos previsto no art. 1º, §1º, da Lei nº 9.873/1999. , com base na alegação da razoável duração do processo e no art. 1º, §1º, da Lei nº 9.873/1999 e no art. 2º da Lei nº 9.784/1999 e em jurisprudência judicial. Argumentou Todavia, é improcedente o argumento. O processo administrativo fiscal é regido pelo Decreto nº 70.235/72. Assim, como não há na legislação de regência a previsão da prescrição intercorrente, é impossível a sua aplicação no âmbito do processo administrativo fiscal. E nem poderia haver, pois o instituto da prescrição somente extingue o direito de ação, ainda não materializado em favor do Fisco, pois o crédito tributário objeto desse processo administrativo ainda não está definitivamente constituído, por efeito do art. 151, III, do CTN, verbis: "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo;” Sobre o tema, importante transcrever o entendimento proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em 18/03/2010, ao julgar processo nº 10880.032213/9303, verbis: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 31/07/1991 a 31/03/1992 PRELIMINAR. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. O Código Tributário Nacional, em seu art.174 determina que a contagem do prazo prescricional terá início com a constituição definitiva do crédito tributário, ficando impedido este Conselho de Contribuintes de julgar contra legis. (...) Recurso Voluntário Negado. Ademais, a Súmula nº 11 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afasta a aplicação da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, verbis: “SÚMULA CARF Nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” Esclareçase que a prescrição intercorrente apenas passou a ser expressamente prevista – para a execução fiscal – a partir da edição da Lei nº 11.051/2004, que incluiu o § 4º ao art. 40 da Lei nº 6.830/80 (Lei de Execuções Fiscais – LEF). Contudo, a LEF Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10640.003410/201019 Acórdão n.º 2201003.440 S2C2T1 Fl. 535 15 é considerada legislação especial, vez que disciplina a cobrança judicial da Dívida Ativa da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Portanto, suas regras não podem ser aplicadas no âmbito do processo administrativo fiscal. Assim, a fluência do prazo prescricional somente se inicia com o trânsito em julgado da decisão administrativa, ocasião que torna definitiva a constituição do crédito tributário, não havendo motivos para se levantar a hipótese de ocorrência da prescrição, tampouco da prescrição intercorrente, quando sequer há crédito constituído. Ilicitude de prova obtida por meio ilícito (extratos bancários) Afirmam os RECORRENTES que foi ilegal a obtenção de extratos bancários da empresa através de solicitação administrativa (sem ordem judicial), havendo afronta ao sigilo à privacidade, intimidade e violação de dados, e que a fiscalização jamais poderia ter se baseado em provas ilícitas, conforme determina o art. 5º, LVI da Constituição. No entanto, não devem prosperar as alegações do RECORRENTE. Cumpre esclarecer o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, Regulamentado pelo Decreto nº 3.724/2001 (fundamento legal utilizado pela autoridade lançadora para obtenção dos extratos bancários perante as instituições financeiras – fl. 170/171), autoriza ao Fisco “examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso”. De início, não se pode falar em qualquer ilegalidade cometida pela autoridade lançadora, visto que esta detém a prerrogativa concedida pelo art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 para requisitar informações às instituições financeiras sem que isso se caracterize como quebra de sigilo bancário. Já que havia procedimento de fiscalização em curso em face do contribuinte (MPF 0610400/001942/2010), a autoridade fiscal pode solicitar às instituições bancárias extratos das contas de depósito do interessado com base no mencionado dispositivo legal, sem que isso caracterize quebra de sigilo bancário. Por óbvio, de posse dos extratos bancários apresentados pelas instituições financeiras, a Secretaria da Receita Federal tinha o poder/dever de efetuar o lançamento caso fosse constatada qualquer irregularidade, desde que respeitado o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 542DF CARF MF 16 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Neste sentido, insubsistente o argumento de que o lançamento foi efetuado com informações colhidas de forma ilícita. Ademais, importante esclarecer que o STF já julgou o tema sob o procedimento da repercussão geral, por meio do RE 389808, oportunidade em que foi fixada a seguinte tese (tema 225): “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; Sendo assim, entendo que não prevalecem as alegações dos RECORRENTES. Da aplicação da multa de ofício. Vedação ao confisco. Arguições de inconstitucionalidade Os RECORRENTES entendem que, mesmo tendo sido reduzida pela DRJ de 150% para 75%, a multa aplicada ainda se revela abusiva, pois seria sanção acima do limite máximo permitido em razão do princípio da vedação ao confisco. Entendo que também são insubsistentes as alegações do RECORRENTE no que diz respeito à aplicação da multa pela autoridade fiscal. O lançamento ora em análise diz respeito a pagamentos sem causa e/ou com beneficiário não identificado, que originou a constituição do crédito tributário de IRRF. Assim, devese esclarecer que a multa de ofício aplicada decorre de previsão legal em razão do lançamento de ofício, no percentual de 75%, conforme disciplina o art. 44 da Lei nº 9.430/96: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Neste sentido, conforme já exposto, o art. 142 do CTN (já transcrito) prevê que a autoridade lançadora tem o dever de lavrar a referida multa de ofício, sob pena de responsabilidade funcional, visto que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória. Assim, no momento em que o auditor realiza de ofício o lançamento do imposto de renda, deve ser aplicada a multa de 75% sobre o crédito tributário calculado, por estrita determinação legal. Portanto, é insubsistente o argumento de que o teto da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação tributária deve ser de 30%, conforme entendimento de diversos tribunais, haja vista a previsão legal para a incidência da multa de 75%, não podendo tal norma deixar de ser observada. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 10640.003410/201019 Acórdão n.º 2201003.440 S2C2T1 Fl. 536 17 Quanto às alegações de inconstitucionalidade levantadas pelos RECORRENTES, sobre a aplicação de multa com suposto efeito de confisco, devese esclarecer que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador administrativo, esta é matéria estranha à sua competência, a conferir: “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Conforme já exposto, a aplicação da multa é dever da autoridade fiscal, que tem a obrigação de aplicala sob pena de responsabilidade funcional. Não é, portanto, penalidade aplicada ao livre arbítrio pelo auditor fiscal a ensejar a discussão acerca de seu efeito confiscatório. A análise de tal matéria é de competência do STF, que é o competente pela guarda da Constituição da República, nos termos do art. 102 da Carta Magna. Importante esclarecer que as decisões judiciais apontadas pelo RECORRENTE em seu recurso voluntário apenas produzem efeitos entre as partes dos processos nas quais as mesmas foram proferidas, não estendendo seus efeitos ao presente caso. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão. Portanto, não há razão para afastar a aplicação da multa de ofício de 75%. Inconstitucionalidade da alíquota de 35% Os RECORRENTES alegam que a alíquota de 35% estabelecida pelo art. 674 do Decreto nº 3.000/99 não condiz com a progressividade do imposto de renda e que fere o princípio da vedação ao confisco, ambos previstos na Constituição. No entanto, conforme já acima exposto, a teor do disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador administrativo (já citada anteriormente), o CARF é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, não havendo que se falar em anulação da autuação pela inconstitucionalidade da alíquota de 35%. Também é insubsistente o requerimento de aplicação da alíquota progressiva do IR em substituição ao lançamento de IRRF. Ora, a própria lei prevê que, no caso de pagamento efetuado a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa, tal dispêndio ficará sujeito ao IRRF à alíquota de 35% (art. 674 do RIR/99, que possui matriz legal no art. 61 da Lei nº 8.981/95). Portanto, não foi uma alíquota aplicado ao arbítrio do Fisco, mas sim uma previsão legal que, quando caracterizada, deve ser invocada pela autoridade lançadora, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do já citado art. 142 do CTN. Fl. 544DF CARF MF 18 Excesso de juros e correção Os RECORRENTES alegaram também que houve excesso de juros e correção, visto que não podem ser penalizados pela paralisação do processo. No entanto, de acordo com a Súmula nº 04 deste CARF, sobre os créditos tributários, são devidos os juros moratórios calculados à taxa referencial do SELIC, sendo a conferir: “SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Portanto, mais uma vez, não se pode requerer que a autoridade lançadora afaste a aplicação da lei, na medida em que não há permissão ou exceção que autorize o afastamento dos juros moratórios durante o período em que o processo fiscal permaneceu paralisado. A aplicação de tal índice de correção e juros moratórios é dever funcional do Fisco. MÉRITO Do lançamento do IRRF sobre pagamento efetuado pela RECORRENTE a beneficiário não identificado e/ou pagamentos sem causa. No que se refere a pagamento efetuado a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa, o art. 674 do Decreto 3000/99 prevê a incidência do imposto de renda exclusiva na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, sobre tais pagamentos efetuados por pessoa jurídica. Senão vejamos: Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). §1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). §2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). §3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). No caso dos autos, a empresa RECORRENTE, quando da sua constituição (fls. 88/90), tinha por objeto social a “aquisição e cessão a terceiros de direitos creditórios decorrentes de vendas mercantis e serviços a prazo, bem como efetuar cobranças por conta Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10640.003410/201019 Acórdão n.º 2201003.440 S2C2T1 Fl. 537 19 própria e terceiros”. Após 14/01/2004, com o advento da 2ª Alteração Contratual (fls. 94/97), a atividade principal da empresa passou a ser “comércio varejista de artigos do vestuário, tecidos, calçados, artigos de armarinhos e brinquedos”. A fiscalização que resultou no presente processo analisou o período relativo ao anocalendário 2006, quando a empresa RECORRIDA estava regida por sua 2ª Alteração Contratual. Assim, a autoridade fiscal solicitou a comprovação, com documentação hábil e idônea, a que título foi efetuado cada um dos pagamentos que a empresa fez através dos cheques relacionados às fls. 44/51, bem como a identificar o beneficiário do pagamento. Os RECORRENTES afirmaram durante a fiscalização que a atividade da empresa era de pequena empresa de factoring, ou seja, troca de cheques de terceiros colocados em cobrança junto ao Banco Itaú e que os cheques foram emitidos por Artur Amilton Chaves Siqueira e Ailton Afonso de Siqueira Chaves (exsócios da empresa e responsáveis solidários da presente autuação). Alegaram que tal prática era realizada pois era a atividade principal da empresa desde a sua constituição, a despeito de não mais o ser a partir da 2ª Alteração Contratual em 2004. Posteriormente, a fiscalização requereu que a empresa RECORRENTE apresentasse documentação hábil e idônea comprobatória de que realmente prestou serviços de factoring, no período 01/01/2006 a 31/12/2006, tais como: Termo de Habilitação fornecido pelo Banco Central do Brasil, cópia de cadastro dos clientes, cópias de contratos, duplicatas, livros contábeis, etc. Em resposta, os RECORRENTES alegaram que as atividades de factoring eram realizadas informalmente e não tinha registro junto ao Banco Central e tampouco sistema de cobrança e outros documentos contábeis (fls.147/148). Assim, a fiscalização entendeu que a atividade de factoring do RECORRENTE não seria regularizada. Ou seja, não possuindo registro no Banco Central, sistemas de cobrança ou documentação contábil, no ano calendário de 2006, prevaleceria a atividade definida na 2ª alteração contratual, ou seja, atividade de comércio varejista. Portanto, haja vista que restou comprovada a saída de recursos da conta bancária da empresa, entendeu que não houve a devida comprovação da destinação e causa do pagamento relativos aos cheques emitidos (relacionados às fls. 44/51) e lavrou o presente lançamento com base no art. 674 do RIR/1999. Contudo, a despeito da enorme confusão em relação ao objeto da empresa RECORRENTE e as suas reais atividades, entendo que é bastante verossímil a alegação de que a atividade bancária ocorrida no anocalendário 2006 foi de factoring. Esta era a atividade prevista no contrato social da empresa até a sua 2ª Alteração. Ou seja, não foi uma atividade “inventada” pelos contribuintes, revestindose de plausibilidade a afirmação de que a empresa continuou exercendo tais atividades nos períodos subsequentes. Neste ponto, importante ressaltar que a factoring revestese de atividade de fomento comercial, não se confundindo com as atividades desenvolvidas por instituições financeiras, estas sim tuteladas pela Lei nº 4.595/64, sendo fiscalizadas pelo Banco Central. Ou seja, o funcionamento de uma sociedade de fomento mercantil, que se propõe efetivamente a Fl. 546DF CARF MF 20 praticar o factoring, não necessita de autorização do BACEN (http://www2.camara.leg.br/documentosepesquisa/publicacoes/estnottec/arquivos pdf/pdf/111802.pdf). A Associação Nacional de Factoring – ANFAC dispõe em seu site um rol de perguntas frequentes sobre a factoring, dentre as quais podese constar a seguinte (http://www.anfac.com.br/v3/factoringperguntasfrequentes.jsp): 4. É preciso autorização do Banco Central para abrir / registrar uma empresa de factoring? Não. Tratase de uma atividade mercantil, e não financeira. Mas, se houver denúncia de que a empresa de fomento comercial esteja realizando operações privativas de instituições financeiras, poderá sofrer fiscalização do BC. Ou seja, não há na legislação previsão para que uma factoring tenha prévia autorização do BACEN para exercer suas atividades, bastando, para sua existência legal, o arquivamento de seus atos constitutivos na Junta Comercial. Portanto, não poderia a autoridade fiscal exigir documentação desnecessária para o funcionamento da factoring sob o ponto de vista legal. Para afastar a incidência da tributação na fonte de que dispõe o art. 674 do RIR/1999, cabe ao contribuinte identificar, além da operação que deu causa ao pagamento, o seu beneficiário. Assim, quando da apresentação do recurso voluntário de fls. 379/398, os RECORRENTES argumentam que conseguiram a microfilmagem de vários cheques (fls. 401/513) indicados na tabela elaborada pela autoridade fiscal (fls. 44/51). Apresentaram tabela relacionando os cheques cuja destinação estaria comprovada (fls. 399/400). Observando tais cheques e a tabela por ele elaborada, percebese que todos os cheques possuem como destinatário um conjunto de 15 empresas diferentes, para um universo de 113 cheques. Tal fato converge, mais uma vez, para a verossimilhança da afirmação prestada pelo RECORRENTE de que se tratava de atividade de factoring. Referidos cheques possuem identidade com a maioria dos valores apontados pela fiscalização como pagamentos a beneficiários não identificados e/ou sem justa causa (fls. 44/51). Portanto, entendo que foi devidamente comprovada a causa e o beneficiário dos cheques acostados pelos RECORRENTES às fls. 401/513. Contudo, os RECORRENTES não trouxeram aos autos comprovação da destinação dos seguintes cheques (imagens extraídas da tabela de cheques sujeitas a comprovação elaborada pela autoridade fiscal às fls. 44/51): Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10640.003410/201019 Acórdão n.º 2201003.440 S2C2T1 Fl. 538 21 Fl. 548DF CARF MF 22 Em relação aos valores acima, deve ser mantido o lançamento do IRRF, visto que os RECORRENTES não apontaram que foi o beneficiário. Neste sentido, apesar das razões expostas pela autoridade lançadora no Relatório Fiscal de fls. 36/43, verifico que não se encontram presentes as condições indispensáveis à incidência do imposto de renda na fonte de que trata o art. 674 do RIR/99 em Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10640.003410/201019 Acórdão n.º 2201003.440 S2C2T1 Fl. 539 23 relação aos valores objeto dos cheques acostados pelos RECORRENTES às fls. 401/513. Os beneficiários dos pagamentos efetuados pelos RECORRENTES foram as pessoas indicadas nos respectivos cheques, em razão da atividade de factoring. O fato de o objeto social da empresa RECORRENTE no período fiscalizado não prever a atividade de factoring é, no meu entendimento, irrelevante para o caso de tributação do IRRF com base no art. 674 do RIR/99. Demais infrações legais eventualmente cometidas pela empresa RECORRENTE em decorrência de tal prática (como, por exemplo, prática de atividade não permitida para a tributação sob a sistemática do SIMPLES) devem ser tratadas em processo específico. A indicação do correto objeto social da empresa não pode servir, por si só, para embasar a tributação na fonte que aqui se pretende. O que se busca no processo tributário é a verdade material. Assim, estando evidente a causa (operações de factoring) e os destinatários (indicados nos cheques apresentados) dos pagamentos efetuados pela empresa RECORRENTE, não há que se falar em tributação de IRRF com base no o art. 674 do RIR/99. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para afastar a incidência da tributação na fonte de que dispõe o art. 674 do RIR/1999 em relação aos valores objeto dos cheques acostados às fls. 401/513, devendo ser mantido o lançamento de IRRF em relação aos pagamentos cujos beneficiários não foram identificados, conforme relação colacionada no voto. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre Relator no que tange ao provimento parcial do recurso, posto que entendo cabível a tributação com base no artigo 674 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000 de 1999. Explico. Como bem relatado, tratase de empresa que, no período autuado, tinha por objeto social o comércio varejista de artigos de vestuário e que segundo o próprio recorrente realizada atividade de 'troca de cheques', sob o manto de uma factoring não regularizada. Sobre a questão, assim se manifestou a autoridade autuante (fls. 39): 3 É certo que no início das atividades em 2000 (...) o objetivo da empresa até 13/01/2004, era "aquisição e cessão a terceiros Fl. 550DF CARF MF 24 de direitos creditórios decorrentes de vendas mercantis e serviços a prazo, bem como efetuar cobranças por conta própria e terceiros". A 2ª Alteração Contratual (fls. 94/97) mudou, radicalmente, o objetivo social do contribuinte e a 3ª alteração (fls. 126/130) não existe como documento oficial, já que além de não ter sido averbada foi elaborada após o Termo de Início de Ação Fiscal, datado de 05/04/2010. 4 Assim sendo, tratase de um contribuinte cuja atividade principal passou a ser "comércio varejista de artigos do vestuário, tecidos, calçados, artigos de armarinhos e brinquedos", após 14/01/2004, com o advento da 2ª Alteração Contratual e que optou pela forma de tributação SIMPLES. 5 E mesmo que a 3ª Alteração Contratual tivesse sido averbada na JUCEMG, somente surtiria efeitos após a sua averbação; porém a atividade de factoring do contribuinte NÃO é regularizada, ou seja, NÃO possuindo registro no Banco Central, sistemas de cobrança ou documentação contábil, no ano calendário de 2006, prevalece a atividade definida na 2ª alteração contratual, ou seja, atividade de comércio varejista. (...) 7 A partir desta constatação acima, nos levaram à apuração da infração fiscal PAGAMENTO A BENECIFIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E/OU PAGAMENTOS SEM CAUSA (...)." (destaquei) Ao analisar o Voluntário, o ínclito Relator entendeu que, por se tratar de atividade anterior da empresa e em face da identificação dos destinatários dos cheques por ela emitidos, não caberia a imputação do artigo 674 do RIR posto que determinados os motivos do pagamento a troca de cheques identificados os favorecidos dos mesmos. Esse é o ponto fulcral da minha discordância. Entendo que, ao realizar troca de cheques para terceiros a empresa agiu fora de seu interesse social, em flagrante desvio de finalidade, e portanto, realizando um pagamento sem causa. Nesse ponto, mister algumas considerações sobre o artigo 674 do Regulamento do Imposto sobre a Renda. Cediço que o imposto sobre a renda incide sobre aquilo que a lei, e somente ela, define como renda. Tal afirmação peremptória, em que pese a inúmera doutrina sobre tal conceito, decorre da simples determinação constitucional que a somente a lei complementar disporá sobre os fatos geradores, base de cálculo e contribuintes dos impostos discriminados na Carta da República (artigo 146, III, "a"). Tal missão coube ao Código Tributário Nacional, que explicitou no artigo 43: "Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10640.003410/201019 Acórdão n.º 2201003.440 S2C2T1 Fl. 540 25 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior." (negritamos) Inegável, portanto, exceto por aqueles que constroem teorias apartadas do direito constitucional e do direito positivo, que o imposto sobre a renda incide sobre o produto do capital, do trabalho, da combinação de ambos e sobre todos os demais acréscimos patrimoniais não compreendidos nas situações anteriores. Simples assim! Ora, da definição acima cabe a inferência direta: contribuinte do imposto é aquele que aferiu renda, por ter incidido no fato gerador. Correto, mas não só esse. O próprio CTN, ao tratar do sujeito passivo, e novamente cumprindo seu papel constitucional de determinar os sujeitos passivos dos impostos, explicitou no artigo 45, parágrafo único: Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. Forçoso recordar, por amor à clareza e a metodologia da interpretação científica, que tal comando em tudo e por tudo se coaduna com a determinação codicista da sujeição passiva tributária, que no artigo 121, explicita que são sujeitos passivos, o contribuinte, por ter relação direita com a ocorrência do fato gerador e o responsável, aquele que sem ser o contribuinte, tem a obrigação determinada pela lei. Com esses permissivos constantes da lei quadro tributária, o legislador competente, fez constar na lei tributária a previsão da retenção do imposto sobre a renda, em especial na Lei nº 7.713/88. Em regra, o imposto sobre a renda retido na fonte é mera antecipação tributária, devendo ser o imposto sobre a renda da pessoa física apurado anualmente, por meio da declaração de ajuste anual. Tal constatação, embora conhecida de todos, é importante para fixarmos que o contribuinte e a incidência tributária não se deslocaram com a forma de tributação disposta pela Lei nº 7.713/88, revelandose, o fonte, mera técnica arrecadatória. Em síntese: Contribuinte é aquele que auferiu renda. Responsável é aquele que pagou o rendimento auferida pelo contribuinte. Ambos sujeitos passivos do imposto sobre a renda, nos termos do artigo 121 do CTN. Voltando os olhos especificamente para o imposto sobre a renda retido na fonte incidente sobre os pagamentos a beneficiários não identificados, encontraremos a seguinte determinação na Lei nº 7.713/88: Fl. 552DF CARF MF 26 "Art. 47. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta por cento, todo rendimento real ou ganho de capital pago a beneficiário não identificado." Com a edição da Lei nº 8.981/95 há um alargamento da hipótese de incidência, do imposto sobre a renda retido na fonte incidente sobre o pagamento efetuado pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado, vez que tal diploma legal fez constar o dever de retenção e recolhimento também nos casos de pagamento sem causa ou sem comprovação da operação. Vejamos o texto da Lei: "Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o§ 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto." Inegável a ampliação das situações ensejadoras da tributação exclusiva pelo imposto de renda na fonte à alíquota de 35%. Não só nos casos da ausência da identificação do beneficiário como também nos pagamentos em que não houver a comprovação da motivação de tal pagamento, ou mesmo da operação que ensejou tal remuneração. Até aqui, nada de novo sobre a dinâmica do IR e do IRRF, exceto que, como dito acima, em regra o fonte é antecipação de recolhimento do IR devido. No caso do pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado estamos diante de uma exceção posta pela lei. Tratase de tributação exclusiva, ou seja, aquele que percebeu o rendimento, o provento de qualquer natureza ( uma vez que não se pode afirmar que se trata de renda do trabalho, do capital, ou da combinação de ambos), não levará tal base de cálculo e o respectivo tributo recolhido ao ajuste anual a ser realizado pela chamada declaração de imposto de renda. Mister reforçar a conclusão acima, em face da importância da mesma no deslinde da questão: o pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado são proventos de qualquer natureza para estes, e portanto, devem ser tributados pelo imposto sobre a renda. A técnica de tributação legalmente determinada é a da tributação exclusiva na fonte com a aplicação de alíquota diferenciada de 35%, nos termos do artigo 61 da Lei nº 8.981/95. Diante do exposto, podemos concluir que o imposto sobre a renda retido na fonte (IRRF) é, em regra, mera antecipação tributária do imposto sobre a renda (IR) devido pelo contribuinte, ou seja, por aquele que auferiu renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho, da combinação de ambos e sobre todos os demais acréscimos patrimoniais não compreendidos nas situações anteriores. Como exceção, e aí teremos o IRRF como técnica Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10640.003410/201019 Acórdão n.º 2201003.440 S2C2T1 Fl. 541 27 arrecadatória, há situações que a lei determina que o fonte seja submetido ao regime da tributação exclusiva, isto é, tanto a renda quanto o tributo recolhidos não serão computados no ajuste anual. Como dito acima, vejo no caso em tela, o pagamento sem causa, sem motivo, posto que numa empresa assim entendida a reunião de métodos e meios para atingir o desiderato social no caso, vendas a varejo, não há necessidade, tampouco finalidade, de se realizar a troca de cheques de terceiros como atividade habitual. Não se pode olvidar que o Direito Brasileiro não admite que a personalidade jurídica, com a consequente separação da pessoa dos sócios, seja usada como manto protetor de fraudes e simulações. Nesse sentido a lição de Silvio de Salvo Venosa (Direito Civil, Parte Geral, Ed. Atlas, pg.299): "Assim, quando a pessoa jurídica, ou melhor a personalidade jurídica for utilizada para fugir de suas finalidades, para lesar terceiros, deve ser desconsiderada, isto é, não deve ser levada em conta sua personalidade técnica (...)" Importa realçar que não houve, no período fiscalizado, nenhuma atividade comercial ligada a atividade empresarial prevista no contrato social que poderia ensejar a necessidade do exercício de atividade de financiamento de eventual cliente ou fornecedor imprescindível para o contribuinte. Logo, não havendo motivo para os pagamentos realizados uma vez é que inaplicável a troca de cheques na atividade empresarial desenvolvida cabível a imputação fiscal, ou seja, a incidência das disposições constantes do artigo 674 do RIR. Por todo o exposto, nego provimento ao voluntário também neste ponto. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Redator Fl. 554DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.907076/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 13/03/2001
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS
Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 13/03/2001
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS.
O produto denominado vidros de segurança não emoldurados utilizados como pára-brisas e nas janelas dos veículos automóveis, classifica-se na posição 7007 da TIPI.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/03/2001
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA
Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.187
Decisão:
ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 13/03/2001 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 13/03/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS. O produto denominado vidros de segurança não emoldurados utilizados como pára-brisas e nas janelas dos veículos automóveis, classifica-se na posição 7007 da TIPI. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 13/03/2001 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado.
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COMPENSAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Recorrente VITROTEC VIDROS DE SEGURANÇA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 13/03/2001 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 13/03/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS. O produto denominado vidros de segurança não emoldurados utilizados como párabrisas e nas janelas dos veículos automóveis, classificase na posição 7007 da TIPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/03/2001 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 70 76 /2 00 9- 01 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13839.907076/200901 Acórdão n.º 3301003.187 S3C3T1 Fl. 3 2 ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário contra o Acórdão 14041.988, exarado pela 2ª Turma da DRJ/RPO em face de Despacho Decisório que denegou restituição pleiteada e, conseqüentemente, não homologou as compensações declaradas. A recorrente formalizou PER/DComp objetivando a compensação de pretensa diferença recolhida a maior relativa ao IPI. A fiscalização, a partir das características do DARF discriminado no PER/DComp, constatou que o crédito alegado como indevidamente pago foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. O interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, onde alegou, em sede preliminar, que a fundamentação legal genérica do Despacho Decisório implicou cerceamento do seu direito de defesa. No mérito, sustentou que o direito à restituição decorre de recolhimento a maior de IPI face a erro de classificação de seus produtos (vidros não emoldurados destinados exclusivamente para serem utilizados no párabrisas e nas janelas dos veículos automotores das posições 8701 a 8705). Os mesmos foram classificados na posição 7007 (Vidros de Segurança), com alíquota de 15% de IPI, quando o correto, segundo motivos, julgados e princípio da seletividade, deveria ser na posição 8708 da TIPI (partes e acessórios dos veículos automóveis das posições 8701 a 8705), com alíquota de 5%. Ao analisar a Manifestação de Inconformidade, a DRJ/RPO julgoua IMPROCEDENTE, nos termos do Acórdão 14041.988, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 13/03/2001 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. Somente são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com comprovada preterição do direito de defesa. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13839.907076/200901 Acórdão n.º 3301003.187 S3C3T1 Fl. 4 3 RESTITUIÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS. Inexiste erro de classificação fiscal se contribuinte lançou nos documentos fiscais e recolheu com a respectiva alíquota os vidros, utilizados como pára brisas e nas janelas dos veículos automóveis, classificados na posição 7007 da TIPI. Conseqüentemente, inexiste recolhimento indevido ou maior que o devido que se enquadre como crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário replicando as alegações da Manifestação de Inconformidade. É o relatório, em sua essência. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.171, de 20 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 13839.904308/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.171): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. As indicações de folhas no presente voto, não havendo informação contrária, referemse à numeração constante no eprocesso. 1 Da Preliminar de Nulidade A recorrente alega que houve preterição do direito de defesa, ensejando a nulidade do despacho Decisório, por indicação inespecífica de dispositivo legal, nos seguintes termos: No despacho decisório que não homologou a compensação em tela constam como enquadramento legal: "Artigo 165 e 170, da Lei n°5.172 (CTN); Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. " Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13839.907076/200901 Acórdão n.º 3301003.187 S3C3T1 Fl. 5 4 Ocorre que os artigos contém parágrafos e incisos QUE NÃO FORAM DEVIDAMENTE ESPECIFICADOS, o que resultou na impossibilidade de a recorrente identificar qual deles fundamenta a decisão não homologatória da compensação, ou seja, EVIDENCIASE INDICAÇÃO INESPECÍFICA QUE CARACTERIZA FORMALIZAÇÃO INCORRETA, em flagrante contrariedade ao que dispõe a legislação que rege a matéria e que prevê a indicação clara e precisa dos dispositivos legais supostamente infringidos , o que não ocorreu no caso. Tal fato resulta em flagrante prejuízo à defesa do contribuinte, resultando em vício insanável que enseja a nulidade do despacho decisório". Não vislumbro nos autos qualquer preterição do direito de defesa. O Acórdão recorrido não merece reparos, nesse pormenor. O despacho Decisório encontrase suficientemente fundamentado e o enquadramento legal está adequado aos fatos apurados. Não há, na espécie, motivo para que a autoridade fiscal indicasse os incisos ou alíneas em que se subdividiam os artigos elencados. Andou bem o julgador de primeira instância, vejamos parte dos fundamentos de seu voto que: [...] "Contudo, o que constato é que, para um pedido genérico lastreado num DARF, regularmente utilizado, para a integral quitação de débitos, mormente por inexistir qualquer retificação do DARF e da DCTF, nenhuma outra capitulação legal seria possível, aliás, creio que foi até exaustiva no caso, pois, bastaria citar o artigo 171 do CTN, ou seja, que a compensação só se faz com créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional." [...] O excerto acima transcrito é suficientemente didático. Não há coerência lógica nos argumentos trazidos pela recorrente, senão o intuito de dar sobrevida ao litígio. Com o exposto, não se verifica qualquer cerceamento do direito de defesa, tampouco algum ato ou fato que ampare, ainda que de longe, a nulidade do Despacho Decisório. 2 Do Mérito O cerne do litígio está centrado da [in]existência do crédito disponível para restituição, submetido à PER/DComp, i.é., [in]existência de pagamento a maior de IPI por parte do contribuinte. A fiscalização, em procedimento de análise de PER/DComp, detectou que o crédito alegado como indevidamente pago fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. O recorrente, por sua vez, alega que efetuou recolhimento de IPI a maior em face de equívoco na classificação fiscal de vidros não emoldurados destinados para uso nos párabrisas e janelas de veículos automotores das posições 8701 a 8705 da Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13839.907076/200901 Acórdão n.º 3301003.187 S3C3T1 Fl. 6 5 TIPI. Originariamente efetuou os recolhimento do IPI com base na posição da TIPI 7007, alíquota de 15%, conquanto, no seu entender, deveria ter recolhido com base na posição 8708, alíquota de 5%. Sustenta que tem o direito de classificar os vidros não emoldurados nas subposições 8708.29.19 ou 8708.29.99 da TIPI. Tece comentários sobre a metodologia do sistema de classificação fiscal e procura demonstrar a correção da classificação utilizada. Adentra em comentários acerca do princípio da seletividade do IPI sustentando que os princípios constitucionais devem ser considerados prioritariamente para fim de classificar um produto na TIPI, em detrimento às regras do Sistema harmonizado. Em resumo temos que o recorrente sustenta que cometeu erro na classificação de vidros não emoldurados destinados para uso nos párabrisas e janelas de veículos automotores, de sua fabricação e, como conseqüência, recolheu IPI a maior. É nessa matéria, classificação fiscal, que se limita a peça recursal. Outrossim, a exigência fiscal emerge da constatação por parte da fiscalização de que o crédito alegado como indevidamente pago fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. Essa é a matéria posta originariamente pela fiscalização. Sobre ela nada falou o recorrente. Apressome a afirmar: ainda que o recorrente tenha êxito quanto a classificação por ele pretendida, fazse necessária a comprovação de que eventual pagamento a maior do IPI fora devidamente escriturado, bem assim que as obrigações acessórias tenham sido alteradas para contemplar os valores efetivamente devido do tributo, tornadoo liquido e certo. Portanto temos dois pontos a serem apreciados: (i) a liquidez e certeza do crédito alegadamente pago a maior e (ii) a correta classificação do produto. 2.1 A LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ALEGADAMENTE PAGO A MAIOR É notoriamente sabido que, nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. Essa é a dicção do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 373 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Disso não se desincumbiu o contribuinte. Do compulsar dos autos não se vislumbra nenhum elemento apresentado pela recorrente que tenha o condão de afastar as alegações da fiscalização que alicerçaram a negativa relativa ao pedido de restituição. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13839.907076/200901 Acórdão n.º 3301003.187 S3C3T1 Fl. 7 6 Noutra esteira, a fiscalização demonstrou que, relativamente ao crédito que se pretende ser indevido, há débitos a ele originariamente vinculados, portanto não disponíveis para restituição e, conseqüentemente, não servindo para custear compensação. Dessarte, depreendese que os valores de IPI que o recorrente pretende considerar indevidamente recolhidos para fins de fruição de restituição não se encontram devidamente comprovados, portanto não revestidos de certeza e liquidez. 2.2 A CORRETA CLASSIFICAÇÃO DO PRODUTO Passo a apreciar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte para o produto vidro não emoldurados destinados para uso nos párabrisas e janelas de veículos automotores. Ressaltese que a classificação fiscal, no caso concreto, não influenciará diretamente na decisão quanto ao direito à restituição, posto que, isoladamente, eventual erro na classificação não é suficiente para dotar de liquidez e certeza o crédito pago a maior,. O recorrente sustenta que tem o direito de classificar os vidros não emoldurados nas subposições 8708.29.19 ou 8708.29.99 da TIPI. Tece comentários sobre a metodologia do sistema de classificação fiscal e procura demonstrar a correção da classificação utilizada. Adentra em comentários acerca do princípio da seletividade do IPI sustentando que os princípios constitucionais devem ser considerados prioritariamente para fim de classificar um produto na TIPI, em detrimento às regras do Sistema harmonizado. O Julgador a quo, em seu voto, constante do Acórdão recorrido, fundamenta exaustivamente as razões para descaracterizar a pretensa classificação dos vidros na posição 8708 e a necessária e correta classificação na posição 7007. vejamos excerto do voto: [...] Quanto ao mérito, nenhuma razão assiste ao interessado, sendo que a classificação fiscal do produto em questão já é pacificada na Receita Federal do Brasil desde 1998, quando, mediante o DEC SRRF 8ª RF nº 155/98, publicado no DOU em 06/08/98, classificou na posição 7007 da TIPI os vidros a serem utilizados como párabrisas e nas janelas dos veículos automóveis. [...] Não vislumbro razão para o aprofundamento da análise da presente matéria, a uma, pelo brilhante voto constante do Acórdão recorrido, não merecendo reparos, a duas, em face da publicação da Solução de Consulta do Centro de Classificação de Mercadorias da RFB, SC 56/2014, 1ª Turma, com a qual concordo e a utilizo como fundamento de minha decisão. Sua ementa é suficientemente esclarecedora: 7007.21.00 Vidro de segurança não emoldurado, formado por folhas contracoladas (vidro laminado), de espessuras que variam de 1 mm até mais de 6,5 mm, acompanhado de guarnição de borracha para vedação, destinado a uso como parabrisa de automóveis SC 296/2015 1ª Turma Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13839.907076/200901 Acórdão n.º 3301003.187 S3C3T1 Fl. 8 7 Como se vê o produto denominado vidro de segurança não emoldurado, destinado a uso como parabrisa de automóveis tem definida e consolidada sua classificação fiscal na posição 7007. Dispositivo Ante o exposto, considerando que (i) os créditos de IPI que se pretende considerar indevidamente recolhidos para fins de fruição de restituição, não se encontram devidamente comprovados, portanto não revestidos de certeza e liquidez e que (ii) o produto denominado vidro de segurança não emoldurado, destinado a uso como parabrisa de automóveis deve ser classificado fiscal na posição 7007, da TIPI, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.721907/2012-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
BENS EM CONDOMÍNIO. ALUGUEL. GLOSA DE DEDUÇÃO DE IMPOSTO RETIDO.
Os rendimentos decorrentes de bens possuídos em condomínio serão tributados proporcionalmente à parcela que cada condômino detiver. As despesas de condomínio devem ser proporcionais à parte de cada condômino. Na apuração do imposto devido no ajuste anual, a dedução do imposto de renda retido na fonte somente pode ser feita se essa retenção corresponder aos rendimentos incluídos na base de cálculo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 BENS EM CONDOMÍNIO. ALUGUEL. GLOSA DE DEDUÇÃO DE IMPOSTO RETIDO. Os rendimentos decorrentes de bens possuídos em condomínio serão tributados proporcionalmente à parcela que cada condômino detiver. As despesas de condomínio devem ser proporcionais à parte de cada condômino. Na apuração do imposto devido no ajuste anual, a dedução do imposto de renda retido na fonte somente pode ser feita se essa retenção corresponder aos rendimentos incluídos na base de cálculo. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
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ALUGUEL. GLOSA DE DEDUÇÃO DE IMPOSTO RETIDO. Os rendimentos decorrentes de bens possuídos em condomínio serão tributados proporcionalmente à parcela que cada condômino detiver. As despesas de condomínio devem ser proporcionais à parte de cada condômino. Na apuração do imposto devido no ajuste anual, a dedução do imposto de renda retido na fonte somente pode ser feita se essa retenção corresponder aos rendimentos incluídos na base de cálculo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 19 07 /2 01 2- 99 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10835.721907/201299 Acórdão n.º 2202003.715 S2C2T2 Fl. 191 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado). Relatório Tratase de notificação de lançamento de IRPF (fls. 147/151), relativa ao exercício 2008, anocalendário 2007, por omissão de rendimentos de aluguel recebidos da fonte pagadora Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 6.076,66; e por dedução indevida de imposto retido na fonte, dessa mesma empresa, no valor de R$ 3.118,48. As infrações foram apuradas em análise de Solicitação de Retificação de Lançamento referente à notificação anterior de fls. 26/29, conforme documentos de fls. 24/144. Na descrição dos fatos, assim apontou a autoridade fiscal: “Foram pagos à Sra. Margarida e Sra. Laurinda, a título de aluguéis: rendimentos brutos no total de R$ 138.881,16; IRRFonte total R$ 24.309,45 e Desps. com Condomínio (total) R$ 35.338,85. Posto que cabe a cada contribuinte 50% dos rendimentos, apuramos: Rend. Bruto (50%) R$ 69.440,58; IRRFonte (50%) R$ 12.154,73. Condomínio (50%) R$ 17.669,43 e Rend. Líquido Tributável (50%) R$ 51.771,16.” Na impugnação (fls. 02 e 05/08) a contribuinte concordou com a infração da omissão de rendimentos, mas contestou a glosa da dedução de imposto retido na fonte, alegando, em síntese, que o rendimento e o imposto retido na declaração confere com os valores informados nos informes de rendimentos da Sra. Margarida (contribuinte) e Laurinda (sua mãe); que os rendimentos de aluguéis correspondem à 50% para cada uma; que o prédio é de usufruto de ambas e não há condomínio pessoa jurídica; que a Sra. Margarida arcava com a maior parte das despesas de condomínio e por essa razão recebia um valor maior de dessas despesas pela CEF; que a CEF errou ao reter imposto de renda também sobre o reembolso de despesas de condomínio; que é inadmissível somar os valores da retenção e dividir ao meio, como fez o Auditor e que não há explicação razoável para a glosa, se são diferentes os valores brutos pagas a cada uma, conforme as despesas arcadas individualmente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo (SP), às fls. 45/46, julgou improcedente a impugnação por entender correto o procedimento, em observância da legislação civil e tributária vigentes. Inconformada, a interessada interpôs o recurso voluntário de fls. 182/186, discordando da pretensão do Fisco de somar os dois impostos retidos na fonte (RS 15.273,21 descontado da recorrente, mais R$ 9.036,24 descontado da condômina Laurinda, no valor total de R$ 24.309,45 dividido por 2 = R$ 12.154,72), e compensar apenas o valor dessa metade, porque o imóvel pertence 50% para cada uma. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10835.721907/201299 Acórdão n.º 2202003.715 S2C2T2 Fl. 192 3 Ressalta que a CEF pagou para a recorrente Margarida, o rendimento bruto de R$ 83.104,64, e reteve na fonte o imposto de R$ 15.273,21, de acordo com o informe de rendimentos de fls. 116, enquanto que da sua mãe e condômina, Laurinda, o rendimento bruto foi de R$ 55.776,52, e o imposto retido na fonte de R$ 9.036,24. E que os valores assim retidos foram declarados corretamente em cada uma das declarações. Diz que os rendimentos dos aluguéis são metade para cada uma (50%). Mas que ficou comprovado nos autos, que as despesas do condomínio foram custeadas pela recorrente, e como não há uma pessoa jurídica para o condomínio, a CEF fez o reembolso das despesas do condomínio em nome da recorrente, por isso que seu rendimento é de R$ 83.104,64 e o da condômina Laurinda de R$ 55.776,52, correspondendo justamente essa diferença de rendimento, ao reembolso das despesas do condomínio, conforme comprovado nos autos pelos extratos bancários fornecidos pela CEF. Destaca que a declaração dos rendimentos dos aluguéis foi feita de acordo com o art. 15, do Decreto 3.000/99, ou seja, 50% para cada condômina, apenas com a exceção de que a recorrente, além do aluguel, recebeu reembolso de despesas do condomínio e, por isso, recebeu uma quantia maior e IRRF também maior. Diz que a recorrente nada mais fez do que lançar o valor total recebido (aluguel menos o valor do condomínio), e abater o IRRF do qual foi deduzido. Cita os artigos 49 e 50 do Decreto 3.000/99. Argumenta que a CEF não deveria ter retido o imposto sobre as despesas de condomínio, mas, a partir do momento que sofreu a retenção, faz jus à compensação integral. Pede que seja cancelado o lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora. O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Observase que a autoridade fiscal, em face dos argumentos e do conjunto probatório trazidos pela contribuinte às fls. 24/128, confirmou que a contribuinte (Sra. Margarida) e a Sra. Laurinda receberam rendimentos de aluguéis da CEF na proporção de 50% para cada uma; bem como reconheceu que nos valores informados em DIRF pela fonte pagadora constavam montantes relativos a despesas de condomínio, tanto que a fiscalização abateu esses valores dos rendimentos tributáveis. Tal situação é incontroversa. A lide se restringe quanto à forma adotada pela fiscalização, no lançamento, para apurar o montante de imposto retido na fonte passível de dedução na Declaração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF) da recorrente, em relação ao anocalendário 2007. Como se verifica na planilha de fls. 131, abaixo reproduzida, a fiscalização, com base nos documentos apresentados pela contribuinte, fez um resumo anual dos valores de rendimento bruto, IRRF, despesas de condomínio e de rendimento líquido, informados pelas Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10835.721907/201299 Acórdão n.º 2202003.715 S2C2T2 Fl. 193 4 condôminas; e, em seguida, somou esses valores e os dividiu na proporção de 50% para cada uma: Assim, apurou que o imposto de renda retido na fonte correspondente aos rendimentos relativos à autuada, Sra. Margarida, se consubstanciou no valor de R$ 12.154,73 e não R$ 15.273,21, declarado na DIRPF. Tal constatação ocasionou a glosa da dedução de IRRF no valor de R$ 3.118,48. De se destacar que esse procedimento adotado pela fiscalização, de considerar os rendimentos e a tributação até o limite da proporção cabível a cada condômino, encontra respaldo no art. 15 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), conforme abaixo: Art. 15 Os rendimentos decorrentes de bens possuídos em condomínio serão tributados proporcionalmente à parcela que cada condômino detiver. Parágrafo único. Os bens em condomínio deverão ser mencionados nas respectivas declarações de bens, relativamente à parte que couber a cada condômino (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 66) (Grifouse) A proporcionalização das despesas de condomínio de acordo com a parte de cada condômino também está em consonância com o art. 1.315 do Código Civil Brasileiro, conforme abaixo: Art. 1.315. O condômino é obrigado, na proporção de sua parte, a concorrer para as despesas de conservação ou divisão da coisa, e a suportar os ônus a que estiver sujeita. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10835.721907/201299 Acórdão n.º 2202003.715 S2C2T2 Fl. 194 5 Parágrafo único. Presumemse iguais as partes ideais dos condôminos. Ressaltase ainda que, na apuração do imposto devido no ajuste anual, a dedução do imposto de renda retido na fonte somente pode ser feita se essa retenção corresponder aos rendimentos incluídos na base de cálculo, conforme Lei nº 9.250/1.995, em seu artigo 12, V, a seguir: Art. 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: (...) V o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; (Grifouse) Portanto, como os rendimentos que remanescem na base de cálculo da recorrente, recebidos dessa fonte pagadora, correspondem a 50% do total pago, somente é possível deduzir o imposto retido nessa mesma proporção, pois, do contrário, se estaria abatendo imposto que sequer se refere ao rendimento declarado, o que é proibido pelo dispositivo acima transcrito. Assim, diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE provimento. (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.722052/2012-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão-somente sua transferência para o Fisco.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO POSTERIOR AO LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir do ano-calendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Quando não restar comprovada a natureza isenta ou não-tributável do rendimento presumido, a prova da origem do depósito bancário não é suficiente para desconstituir o crédito tributário regularmente lançado.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS E COM EDUCAÇÃO.
O procedimento adequado para o contribuinte requerer a dedução de despesas médicas e com educação se dá por meio de Declaração de Ajuste Anual e não em impugnação/recurso a autuação sobre omissão de rendimentos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tãosomente sua transferência para o Fisco. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO POSTERIOR AO LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Quando não restar comprovada a natureza isenta ou nãotributável do rendimento presumido, a prova da origem do depósito bancário não é suficiente para desconstituir o crédito tributário regularmente lançado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 20 52 /2 01 2- 86 Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 10510.722052/201286 Acórdão n.º 2202003.735 S2C2T2 Fl. 1.135 2 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS E COM EDUCAÇÃO. O procedimento adequado para o contribuinte requerer a dedução de despesas médicas e com educação se dá por meio de Declaração de Ajuste Anual e não em impugnação/recurso a autuação sobre omissão de rendimentos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10510.722052/201286, em face do acórdão nº 1532.281, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: O interessado impugna auto de infração do anocalendário 2008, onde foram tributados rendimentos correspondentes a depósitos bancários de origem não comprovada. O imposto lançado foi de R$ 1.960.423,48, elevandose a exigência para R$ 4.102.317,61 com os acréscimos legais. De acordo com o relatório fiscal, os extratos bancários foram obtidos por meio de autorização judicial. Tal medida se justificava porque o Supremo Tribunal Federal, em sede de Recurso Extraordinário, havia estabelecido precedente de Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10510.722052/201286 Acórdão n.º 2202003.735 S2C2T2 Fl. 1.136 3 nulidade dos procedimentos de quebra administrativa do sigilo bancário. O contribuinte foi então intimado a comprovar a origem dos depósitos em suas contas. Em atendimento, para alguns depósitos apresentou cópias de cheques endossados pela sua empresa (fls. 194/277), que foram excluídos do lançamento. Alegava que estes assim como os demais depósitos seriam na maior parte provenientes de cheques prédatados recebidos pela Conterrânea Veículos Ltda., da qual é sócio. Depois de compensados, devolvia os valores em espécie à empresa, de modo que apenas transitaram por sua conta. Com base no artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, o autuante considerou rendimentos omitidos os depósitos para os quais não foram apresentadas provas da sua origem. Os argumentos do impugnante são em síntese os seguintes. 1. O sigilo bancário já havia sido quebrado pela fiscalização em 30/11/2011, antes da autorização judicial, e isto sem qualquer justificativa, pois fora intimado nesta data a comprovar a origem dos depósitos transcritos dos extratos (fls. 392). A sentença judicial autorizando a quebra do sigilo somente foi expedida em 28/08/2012 (fls. 73/76). A Lei Complementar n° 105/2001 permite a quebra administrativa do sigilo bancário apenas quanto ao montante global mensalmente movimentado, desde que no curso de processo fiscal regular que detecte irregularidades ou incorreções. A sentença judicial não poderia validar a ilegalidade anteriormente cometida pelo Fisco. 2. O autuante não fundamentou com fatos e razões jurídicas porque a documentação apresentada não comprovaria a origem dos depósitos, o que implica cerceamento do direito de defesa. 3. Os depósitos bancários não são fato gerador do imposto de renda, porque não representam necessariamente obtenção de renda ou variação patrimonial positiva. Caberia ao Fisco comprovar a utilização dos depósitos como renda consumida ou aplicada, evidenciando sinais exteriores de riqueza. 4. Exigir provas individualizadas da origem dos depósitos equivaleria a impor às pessoas físicas a obrigação de manter escrituração formal de livros contábeis, como se fosse uma pessoa jurídica. 5. Recebera em suas contas cheques prédatados de clientes da Conterrânea Veículos, que depois de compensados eram devolvidos à empresa. As devoluções foram efetuadas com cheques, que, porém, entravam na conta da empresa como depósitos em espécie, porque no mesmo banco. Deste modo somente circulava pela conta da empresa o montante efetivo, expurgado dos cheques prédatados, transmitindo às montadoras a imagem de uma empresa sólida. Para estas, quanto mais sólida e segura for a empresa distribuidora, tanto maior facilidade de compra será apresentada. Enumera e anexa cópias de 57 cheques que teriam sido endossados e depositados em sua conta dentro deste esquema, em um total de R$ 822.794,39, além de Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10510.722052/201286 Acórdão n.º 2202003.735 S2C2T2 Fl. 1.137 4 documentação para comprovar que se trata de vendas regulares da empresa. 6. Enumera quatro depósitos em cheques que teriam sido devolvidos por falta de fundos, em um total de R$ 25.370,60. 7. O depósito de R$ 250.000,00 em 29/12/2008 decorreria do empréstimo de R$ 262.532,00 tomado da SERFAC Sergipana Factoring. 8. Alguns depósitos seriam provenientes da atividade rural, com a venda de gado e coco, conforme notas fiscais e cópias de cheques que anexa. 9. Não teriam sido consideradas as deduções a que teria direito, tais como despesas médicas, dependentes, instrução, etc. 10. A multa de 75% é exagerada, e confiscatória, e por isso inconstitucional, excedendo a sua capacidade contributiva. Mesmo que a administração entenda não poder declarar a sua inconstitucionalidade, poderia afastar a sua aplicação. Propõe que a multa seja reduzida para 20%. A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 986/1.024, onde são reiterados os argumentos já lançados em impugnação, apresentando em anexo ao recurso voluntário, às fls. 1.031 a 1.120, os seguintes documentos: É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 10510.722052/201286 Acórdão n.º 2202003.735 S2C2T2 Fl. 1.138 5 O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares 1. Sigilo bancário Alega a Recorrente que a Fiscalização violou a sua garantia constitucional de inviolabilidade da vida privada, no curso da ação fiscal, ao providenciar a quebra do sigilo bancário do Impugnante, haja vista que somente o Poder Judiciário teria competência para determinar a quebra do sigilo bancário. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu na sessão de 24.02.2016 o julgamento conjunto de cinco processos (ADIs 2397 2386, 2389, 2390, 2397 e 2406) que questionavam dispositivos da Lei Complementar nº 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. No referido julgado, por maioria de votos prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Além disso, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por tais razões, rejeitase a preliminar suscitada pela contribuinte. 2. Alegações de inconstitucionalidade Conforme acima mencionado, nos termos da Súmula CARF nº 02,o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho. A multa de 75%, está prevista no fundamento legal mencionado no auto de infração. Por desempenhar atividade plenamente vinculada, a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar as normas que a regem. Ineficazes no foro administrativo as arguições de inconstitucionalidade das normas legais vigentes, por ser atribuição exclusiva do Poder Judiciário, não sendo o CARF competente para analisar eventual caráter confiscatório desta. Por tais razões, rejeitase a preliminar suscitada pela contribuinte. Mérito 3. Depósitos bancários Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10510.722052/201286 Acórdão n.º 2202003.735 S2C2T2 Fl. 1.139 6 A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Estabelece o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 que: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. O autuante fundamenta claramente os motivos da exclusão dos depósitos cuja origem fora comprovada e a manutenção daqueles que não foram comprovados com documentação hábil e idônea, ambos relacionados na planilha às fls. 21/33. Não há, portanto, que se falar em cerceamento do direito de defesa. Afirma o impugnante que seria absurda a exigência de prova da origem individualizada dos depósitos, pois implicaria obrigar as pessoas físicas a manterem escrituração formal. Mas a escrituração contábil só é indispensável quando se trata de apurar resultado de atividade econômica empresarial. Bastaria que comprovasse a origem dos depósitos, o que requer documentos simples, como cópias de cheques, recibos de depósito, Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 10510.722052/201286 Acórdão n.º 2202003.735 S2C2T2 Fl. 1.140 7 contratos, notas fiscais, etc. A falta de exigência de escrituração formal para as pessoas físicas não significa que não devam preservar estes documentos, mesmo porque a obrigatoriedade de manutenção destas provas é decorrência da própria lei que impõe a comprovação individualizada da origem dos depósitos. Cabe, portanto, ao responsável preserválas e produzilas quando requeridas, sendo ineficazes as alegações de não possuílas, seja por desconhecimento da lei ou por qualquer outra razão que não de força maior. Alega que foram incluídos no lançamento quatro cheques emitidos para compra de coco pela Coco Bom Indústria e Comércio Ltda, no total de R$ 25.360,70, depositados em 08/01/2008, que teriam sido, porém, devolvidos por falta de fundos. Mas a relação dos depósitos incluídos no lançamento (fls. 21) não contém depósitos nos valores indicados nem no seu total nesta data. Ademais, conforme bem destacou o acórdão da DJR, os depósitos em cheques somente foram incluídos depois de compensados, como indicam as rubricas pertinentes informadas nos extratos bancários e relacionadas na planilha às fls. 21, tais como "DEP CHEQUE LIB, "LIB DEPOSITO BLOQ". Enumera diversos créditos em suas contas e apresenta documentos para comprovar que os cheques depositados foram emitidos pelos clientes de sua empresa na compra de veículos, e endossados por esta a seu favor. Teria devolvido estes recursos à empresa, de modo que teriam somente transitado por sua conta. A DRJ compreendeu que só houve prova de ter o contribuinte efetuado apenas quatro transferências para a Conterrânea Veículos, no total de R$ 412.361,32 (fls. 876/882), o que não é suficiente para corroborar a sua alegação. Ainda que comprovasse o vínculo entre estas transferências e os valores recebidos na forma que alega, o que não faz, caberia considerar que do total dos depósitos que deveria comprovar (R$ 12.218.146,88) já havia sido excluída pela fiscalização a parcela de R$ 5.089.334,26, que portanto já engloba as transferências que agora procura comprovar. A exclusão desta parcela pela autoridade lançadora não se deu por haver o contribuinte comprovado a destinação que alegava, mas sim porque os cheques depositados, endossados pela empresa, atestavam a sua origem, dando à fiscalização, naquele momento, a possibilidade de aprofundar a investigação contra a pessoa jurídica, de modo a estabelecer a natureza de tais transferências. Assim, compreendo que não merece reparos o acórdão da DRJ a qual entenderam os julgadores que não seria possível, após a autuação, apresentar comprovação da origem, pois já efetuado o lançamento, não se podendo com a mera demonstração da origem descaracterizar a natureza tributável dos depósitos remanescentes (no caso, R$ 7.128.812,63). Ocorre que se faz necessário restar comprovada a natureza isenta ou nãotributável do rendimento presumido, ou ainda, que este já tenha sua tributação já recolhida (se decorrente de tributação específica, como por exemplo, ganho de capital). Portanto, nestes casos, a prova da origem do depósito bancário não é bastante para desconstituir o crédito tributário regularmente lançado. Tratase, portanto, de ônus exclusivo da contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 10510.722052/201286 Acórdão n.º 2202003.735 S2C2T2 Fl. 1.141 8 Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Portanto, pelas razões expostas, deve ser mantido o lançamento. 4. Dedução de despesas médicas e com educação. O procedimento adequado para o contribuinte requerer a dedução de despesas médicas e com educação se dá por meio de Declaração de Ajuste Anual e não em impugnação/recurso a autuação sobre omissão de rendimentos. Portanto, não conheço da matéria. Conclusão Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 1141DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.911826/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2006
CIDE ROYALTIES (REMESSA). LICENÇA DE USO E DISTRIBUIÇÃO. PROGRAMA DE COMPUTADOR (SOFTWARE). AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA (CÓDIGO FONTE). NÃO INCIDÊNCIA. Nos moldes do artigo 1º-A da Lei nº 10.168/2000, trazido pela Lei n. 11.452/2007, somente ocorrerá a incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE-royalties ou CIDE-remessas) sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador (software) quando tal negócio envolver a transferência de tecnologia. Esse é o teor do artigo 20 da Lei n. 11.452/2007, cuja vigência iniciou-se em 1º de janeiro de 2006, por expressa determinação do artigo 21 da mesma Lei.
A transferência de tecnologia implica necessariamente na transferência de conhecimento, da técnica envolvida no produto. No caso dos softwares, são considerados como contratos de transferência de tecnologia aqueles que disponibilizam o código fonte, conforme determinação do artigo 11 da Lei n. 9.609/1998. Inexistindo a disponibilização do código fonte do software principal, objeto do contrato misto de licenciamento de sistema e que vincula o pagamento da empresa estrangeira, não há que se falar em transferência de tecnologia e, portanto, na incidência da CIDE-royalties.
PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO CREDITÓRIO. PER/DCOMP.
Demonstrado que os pagamentos efetuados a título de CIDE-royalties são indevidos, uma vez que pautados em remessas para o exterior de valores relativos à licença de uso de software, sem transferência de tecnologia, depois do início da vigência da regra constante do artigo 1º-A da Lei nº 10.168/2000 (1º de janeiro de 2006), cumpre reconhecer o indébito tributário e, por conseguinte, o direito ao crédito de tais valores, passível de compensação pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.715
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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LICENÇA DE USO E DISTRIBUIÇÃO. PROGRAMA DE COMPUTADOR (SOFTWARE). AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA (CÓDIGO FONTE). NÃO INCIDÊNCIA. Nos moldes do artigo 1ºA da Lei nº 10.168/2000, trazido pela Lei n. 11.452/2007, somente ocorrerá a incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDEroyalties ou CIDEremessas) sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador (software) quando tal negócio envolver a transferência de tecnologia. Esse é o teor do artigo 20 da Lei n. 11.452/2007, cuja vigência iniciouse em 1º de janeiro de 2006, por expressa determinação do artigo 21 da mesma Lei. A transferência de tecnologia implica necessariamente na transferência de conhecimento, da técnica envolvida no produto. No caso dos softwares, são considerados como contratos de transferência de tecnologia aqueles que disponibilizam o código fonte, conforme determinação do artigo 11 da Lei n. 9.609/1998. Inexistindo a disponibilização do código fonte do software principal, objeto do contrato misto de licenciamento de sistema e que vincula o pagamento da empresa estrangeira, não há que se falar em transferência de tecnologia e, portanto, na incidência da CIDEroyalties. PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO CREDITÓRIO. PER/DCOMP. Demonstrado que os pagamentos efetuados a título de CIDEroyalties são indevidos, uma vez que pautados em remessas para o exterior de valores relativos à licença de uso de software, sem transferência de tecnologia, depois do início da vigência da regra constante do artigo 1ºA da Lei nº 10.168/2000 (1º de janeiro de 2006), cumpre reconhecer o indébito tributário e, por conseguinte, o direito ao crédito de tais valores, passível de compensação pelo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 18 26 /2 00 9- 11 Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10166.911826/200911 Acórdão n.º 3402003.715 S3C4T2 Fl. 0 2 Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3801 000.841, cujo relatório, por economia processual, será a seguir transcrito no que for relevante: Trata o presente processo de compensação declarada que, conforme apontado pela Recorrente, tem origem em crédito referente a valor indevidamente recolhido a título de CIDE, apurada no período de janeiro de 2006 a janeiro de 2007 sobre remessas ao exterior para pagamento de licença de uso ou de direitos de comercialização de programas de computador. A compensação não foi homologada, sob a alegação de inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da contribuinte. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade apontando os aspectos legais estabelecidos em conformidade com o artigo 21 da Lei 11.452, de 27 de fevereiro de 2007, que contemplou a nãoincidência da referida contribuição a partir de janeiro de 2006 e informou que feito o pagamento tem direito à devolução dos mesmos. A DRJ, em seu julgamento, não reconheceu o direito creditório da contribuinte, entendendo improcedente sua Manifestação de Inconformidade. Baseou seu entendimento no fato de a contribuinte não ter juntado aos autos documentos fiscais e contábeis imprescindíveis à constatação da existência do crédito solicitado, fazendose o conjunto probatório incapaz de aferir certeza e liquidez do crédito pretendido, bem assim, entende que a DCTF retificadora apresentada o foi em data posterior à ciência do despacho decisório. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10166.911826/200911 Acórdão n.º 3402003.715 S3C4T2 Fl. 0 3 O acórdão da DRJ restou assim ementado: APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a inexistência do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente." Irresignada com a decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário fundamentandose no princípio da verdade material, juntou aos autos documentos relativos às compensações com o fito de demonstrar que foram devidamente registradas na contabilidade do sujeito passivo, ponderando serem suficientes para constatação da certeza e liquidez do crédito ora pretendido, quais sejam: a) DARF comprobatória do recolhimento indevido, comprovando o pagamento indevido no período de junho de 2006, instruído na PER/DCOMP; b) Cópia do Livro Razão Analítico do exercício de 2007, em que se verifica o estorno do montante recolhido na subconta CIDE – Remessas Exterior, também instruído na PER/DCOMP; c) Cópia do Livro Razão Consolidado do exercício de 2006, em que se verifica o lançamento referente ao mês de junho de 2006; d) Cópias das DCTFs original e retificadora. Em julgamento datado de 17 de setembro de 2014 (Resolução n. 3801 000.841), a 1ª Turma Especial dessa 3ª Seção determinou a conversão do julgamento em diligência para a DRF de origem, nos seguintes termos: Conforme relatado, o ponto crucial da lide consiste na ausência de elementos probatórios capazes de aferir o direito ao crédito solicitado decorrente do suposto pagamento indevido a título de CIDE incidente sobre remessas ao exterior de remunerações pagas pela licença de uso ou de direitos de comercialização de softwares, com base nos artigos 20 e 21 da Lei 11.452/2007 que delimitou expressamente o campo de abrangência da Lei 10.168/2000 ao instituir a nãoincidência da CIDE a partir de janeiro de 2006, assim expresso: (...) Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10166.911826/200911 Acórdão n.º 3402003.715 S3C4T2 Fl. 0 4 Certo é que a supracitada norma contempla a nãoincidência da CIDE para remunerações pagas ao exterior vinculadas a contratos de licenciamento de uso de programas de computador e, nesta esteira, faz se necessário averiguar o objeto da relação contratual, ou seja, é certo que os pagamentos dos contratos relativos ao licenciamento de uso ou direito de software, não obrigam ao pagamento da CIDE, desde 1º de janeiro de 2006, sendo que, tendo havido tal pagamento a Recorrente possui indébito possível de creditamento. Entretanto, apesar da Recorrente ter juntado documentos e comprovantes de pagamento tenho que os mesmos são insuficientes para se apurar se realmente se relacionam a remunerações pagas ao exterior vinculadas a contratos de licenciamento de uso de programas de computador, de modo que apenas mediante o confronto dos documentos contábeis com o contrato de licenciamento, licença de uso de software ou documento semelhante é que essa Turma poderá evidenciar se o pagamento efetivamente se deu por esse motivo. Nesse sentido, voto para baixar em diligência à Delegacia de origem para determinar ao contribuinte que apresente: 1. A cópia autenticada do Contrato referente de Licença de Uso ou de Direito de Programas de Computador ou documento que ateste o efetivo motivo do pagamento e cópia das notas fiscais (ou invoices, devidamente traduzidas) correspondentes; 2. Retorne o processo a este CARF para julgamento. Foram juntados aos autos esclarecimentos da Recorrente, bem como os documentos solicitados pela Resolução supratranscrita. É o relatório. Voto Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.711, de 24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10166.911821/200981, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.711): "Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário já foram anteriormente analisados e acatados por este Conselho, de modo que passo à apreciação do mérito. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10166.911826/200911 Acórdão n.º 3402003.715 S3C4T2 Fl. 0 5 Como bem pontuado na Resolução n. 3801000.837, posteriormente ao advento da Lei n. 11.452/2007, não há dúvidas de que somente ocorrerá a incidência da conhecida CIDEroyalties (ou CIDE remessas, instituída pela Lei n. 10.168/2000) sobre a remuneração pela licença de uso de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador quando tal negócio envolver a transferência de tecnologia. Esse é o teor do artigo 20 da Lei n. 11.452/2007, cuja vigência iniciouse em 1º de janeiro de 2006, por expressa determinação do artigo 21 da mesma Lei. Portanto, como no presente caso a Recorrente clama pela restituição de valores a título de CIDEroyalties de período posterior a janeiro de 2006, a discussão cingese à comprovação de que: a) os valores foram efetivamente pagos; b) tais remessas tinham como base contratos sem a transferência de tecnologia. Quanto ao item a descrito no parágrafo anterior, a Recorrente já apresentou cópia do livro razão consolidado (fls 134), no qual se verifica o lançamento contábil dos valores indevidamente recolhidos a título da CIDEroyalties (R$ 173.207,28); cópia do DARF referente ao mesmo pagamento (código da Receita 8741, conforme fls 136), além de cópias das DCTFs original (fls 138) e retificadora (fls 140), nas quais constata se a posterior exclusão dos valores referentes à CIDEroyalties da declaração, por força do advento da Lei n. 11.452/2007. Assim, restou devidamente comprovado o pagamento da CIDEroyalties, que a Recorrente reputa como indevido e passível de restituição/compensação. Cumpre então verificar o atendimento ao item b. Para tanto, é necessário, em primeiro lugar, ter em mente que a transferência de tecnologia implica necessariamente na transferência de conhecimento, da técnica envolvida no produto. Especificamente para o caso dos programas de computador (softwares) são considerados como contratos de transferência de tecnologia aqueles que disponibilizam o código fonte, ainda que parcialmente. O código fonte, numa síntese, é entendido como as instruções do programa de computador, as quais servem para operar o hardware. Em outros termos, o código fonte pode ser entendido como o “segredo” do software para operar a máquina e conferir utilidades ao usuário. Nesse sentido, o artigo 11 da Lei n. 9.609/1998, que dispõe sobre a proteção da propriedade intelectual de programas de computador, sua comercialização no País, e dá outras providências, determina que: Art. 11. Nos casos de transferência de tecnologia de programa de computador, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial fará o registro dos respectivos contratos, para que produzam efeitos em relação a terceiros. Parágrafo único. Para o registro de que trata este artigo, é obrigatória a entrega, por parte do fornecedor ao receptor de tecnologia, da documentação completa, em especial do código fonte comentado, memorial descritivo, especificações funcionais internas, diagramas, fluxogramas e outros dados técnicos necessários à absorção da tecnologia. (grifei) Também a Receita Federal apresenta entendimento sobre ser indispensável a entrega do código fonte para que reste configurada a transferência de tecnologia no âmbito dos contratos envolvendo Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10166.911826/200911 Acórdão n.º 3402003.715 S3C4T2 Fl. 0 6 softwares, conforme se depreende da Solução de Consulta nº 67 SRRF10/Disit, de 14 de julho de 2010, cuja ementa e o item 9.1. possuem o seguinte teor: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Não estão sujeitos à incidência de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico os valores remetidos ao exterior pela aquisição de “software de prateleira” (cópias múltiplas) para revenda por pessoa jurídica detentora de licença de comercialização outorgada por fabricante estrangeiro. É irrelevante a forma de movimentação do programa do fabricante ao distribuidor ou revendedor, se por remessa de suporte físico, via internet (download) ou por reprodução a partir de matriz. Caso, ao invés de revenda, caracterizarse licenciamento temporário do uso de software, os valores remetidos ao exterior em pagamento constituem remuneração de cessão de direito. Ainda assim, não há incidência da Cide, em razão da edição da Lei nº 11.452, de 2007, que acresceu o § 1ºA ao art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000, e, assim, estabeleceu isenção no caso de remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. Esse dispositivo tem eficácia a partir de 1º de janeiro de 2006. Dispositivos Legais: Lei nº 4.506, de 1964, art. 22; Lei nº 9.609, de 1998, art. 11, caput e parágrafo único; Lei nº 9.610, de 1998, art. 7º, XII e § 1º e art. 49; Lei nº 10.168, de 2000, art. 2º; Lei nº 11.452, de 2007, arts. 20 e 21. (...) 9.1. Sendo assim, somente haveria a incidência da Cide no âmbito da presente consulta caso houvesse transferência de tecnologia entre os fabricantes estrangeiros e a consulente. Com efeito, como bem demonstra a interessada, no caso do software, a lei prevê que a entrega pelo fornecedor do códigofonte dos programas é condição indispensável para a ocorrência de transferência de tecnologia. É o que dispõe o art. 11, parágrafo único, da Lei nº 9.609, de 1998 (Lei do Software),(...). (grifei) Pois bem. Segundo o relato acima trazido, a Recorrente juntou aos autos: i) cópia autenticada do contrato de licenciamento de uso de software entre a Autotrac e a Qualcomm que fundamenta os pagamento realizados; ii) planilha elaborada e assinada pelo contador da contribuinte que demonstra a apuração do valor devido à Qualcomm conforme termos estipulados no Contrato de Licenciamento de Uso de Software, dividida por PER/DCOMP; iii) cópia das Notas Fiscais emitidas, acompanhadas dos respectivos contrato de câmbio e DARFs de IRRF recolhido na remessa por ocasião da remessa, organizadas em jogos para cada uma das PER/DCOMP. Pela análise do instrumento contratual em questão (de cessão de direitos da Qualcomm à Autotrac, denominado Contrato de Licenciamento e Distribuição), verifico que se trata de contrato que envolve uma série de obrigações relacionadas à concessão de licenciamento de softwares diversos. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10166.911826/200911 Acórdão n.º 3402003.715 S3C4T2 Fl. 0 7 A Recorrente informa que a remuneração paga à empresa Qualcomm, localizada no exterior, referese tão somente ao pagamento de licenciamento do software MCT/IMCT. A descrição desse produto no instrumento contratual é a seguinte (fls 208 e 2010): MCTs e IMCT O Terminal de Comunicações Móvel (MCT) é o componente móvel do Sistema OmniTRACS. Instalado em um veículo ou em local fixo, o MCT permite ao motorista ou operador enviar mensagens para a base de operações do cliente, assim como receber mensagens deste. (...) PROGRAMA MCT/IMCT O programa do IMCT é instalado nas interfaces da EPROM do IMCT com a Unidade de Display, a Unidade Externa e a NMF, o que permite que o motorista estabeleça uma interface com o despachante e oferece o processamento, a detecção e a codificação/decodificação de sinais que são necessários tanto para transmitir quanto para receber usando o enlace de satélite de banda C. Com efeito, no tópico dedicado às definições dos termos utilizados nas cláusulas contratuais, ao tratar do “software licenciado”, o Contrato traz à baila o Software MCT/IMCT, colocando em definições separadas outros produtos/serviços que fazem parte do acordo, dentre eles o “Sistema OminisTRACS” e o “QTRACS Web”. Vejamos: "Software Licenciado" significa os seguintes programas proprietários da QUALCOMM: (i) software MCT/IMCT, (ii) FIRMWARE SensorTRACS e TrailerTRACS, (iii) software MapEX, e (iv) quaisquer outros programas que a QUALCOMM, ao longo do tempo, licencie à AUTOTRAC. (...) "Software de IMCT" significa o software proprietário da QUALCOMM residente em cada IMCT ou MCT, incluindo a funcionalidade SensorTRACS e TrailerTRACS, tal como esse software é mais detalhadamente descrito no Documento B deste Contrato. "Sistema OmniTRACS" significa um certo serviço de mensagens de comunicações móvel, alfanumérico, proprietário, operando em dois sentidos, transmitindo por satélite, usando transmissoresreceptores de satélites da banda C (ou da Banda Ku, quando disponível), tal como descrito em maior detalhe no documento B. (...) "QTRACS Web" significa a solução proprietária da QUALCOMM, baseada na Rede Internet, residente em servidor. O serviço QTRACS/Web permite aos Usuários Finais que enviem e recebam mensagens e dados." Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10166.911826/200911 Acórdão n.º 3402003.715 S3C4T2 Fl. 0 8 Disto já é possível perceber que, de fato, o Software MCT/IMCT é o programa de computador principal que está sendo objeto do licenciamento de uso, sendo os demais programas acessórios a este, todos formando uma espécie de licenciamento de sistema, bastante comum nesse tipo de contrato. Com relação à forma de remuneração pelo uso do software, dispõe o Contrato, em sua Cláusula 4.2, que a Autotrac pagará à Qualcomm uma taxa de licenciamento mensal pelo uso do software igual a quinze por cento (15%) da receita total líquida recebida pela Autotrac por cobrança de Tráfego de mensagens (“Taxa mensal de licenciamento de Software MCT/IMCT”). Vale dizer, o pagamento está atrelado ao software principal, e não aos acessórios. Ainda, pela apreciação do texto do instrumento contratual, constato que a licença de uso do software não implica na transferência de tecnologia, mas tão somente no simples uso direito em questão. Não existe o fornecimento de qualquer conhecimento ou técnica específica, tampouco quaisquer dos requisitos estabelecidos pelo artigo 11 da Lei n. 9.609/98. Com efeito, o Software MCT/IMCT é inviolável e inalterável, por determinação expressa do Contrato (cláusula 8.2. – “Limitações quanto ao software licenciado” e cláusula 8.5 – “Aperfeiçoamento ao software licenciado”). Ou seja, a Recorrente não tem a intenção de apropriarse do conhecimento e da técnica contida nos programas de computador, mas tão somente utilizálos e distribuílos. Daí já se torna bastante nítida a ausência da transferência de tecnologia no pacto efetuado entre as partes. Finalmente, o instrumento negocial expressamente coloca que tão somente o código fonte do Software QTRACS Web será concedido (cláusula 8.6), mas não dos demais programas. Isto porque o único software licenciado de forma onerosa é o MCT/IMCT. O Software QTRACS Web, de outro lado, foi oferecido sem custo, conforme a Cláusula 8.6. do Contrato, de modo que não fez parte das remessas para o exterior e, por conseguinte, do pagamento a título de CIDEroyalties. Confirma tal conclusão a Cláusula 8.1, que estabelece que a concessão da licença diz respeito tão somente ao “software licenciado”, dentro do qual não se inclui o QTRACS web, conforme determinam as próprias disposições iniciais de “definição de termos” do contrato, supra destacadas. Também é importante repisar que a citada Cláusula 4. 2, que trata da remuneração da empresa estrangeira pela cessão da licença de uso, confirma que o pagamento diz respeito unicamente ao licenciamento do software MCT/IMCT. Assim, concluise que o Contrato firmado entre as partes tem como escopo principal tornar a Recorrente um “revendedor” dos programas de computador (vide Cláusula 2 – “Distribuidor exclusivo do Sistema OmniTRACS” e 2.2. – “Exigências mínimas de desempenho”), e, para tanto, foilhe contratualmente cedida a licença do uso desses softwares. Sobre esse ponto, destaco que o INPI (“Instituto Nacional de Propriedade Industrial”), nos moldes do artigo 211 da Lei n. 9.279/96, coloca que, por não caracterizarem transferência de tecnologia, os contratos de Licença de uso de programa de computador (software) e Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10166.911826/200911 Acórdão n.º 3402003.715 S3C4T2 Fl. 0 9 Distribuição de programa de computador (software) são dispensados de averbação pelo INPI. 1 Portanto, assim como pressupõe o artigo 1ºA da Lei n. 10.168/200, a princípio tais espécies de contratos dão acesso unicamente ao código objeto, que é aquele legível pela máquina, mas não da codificação fonte, que é a tecnologia. Poderia haver uma “desvirtuação” de tais contratos, implicando na transferência de tecnologia, caso o conteúdo do acordo trouxesse a disponibilização do código fonte do software licenciado, corroborando o intuito da empresa brasileira licenciada de ter acesso ao conhecimento tecnológico, para apropriálo e desenvolvêlo no sentido que lhe interessasse. Entretanto, no presente caso concreto, o contrato realmente não abarca a transferência de tecnologia, pelas razões expostas alhures, confirmando a natureza tradicional dessas espécies contratuais de cessão de uso e distribuição de software. Por fim, a planilha elaborada pela Contribuinte que demonstra a apuração do valor devido à Qualcomm conforme termos estipulados no Contrato , as cópias das Notas Fiscais emitidas pela Qualcomm, acompanhadas dos respectivos contrato de câmbio e DARFs de IRRF recolhido por ocasião da remessa confirmam a correlação entre os pagamentos efetuado a título de CIDEroyalties e o Contrato em questão, com as respectivas remessas ao exterior para pagamento da licença de uso de software. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte, reconhecendo a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração do quantum a ser compensado." 1 “Quais são os serviços que não são caracterizados como transferência de tecnologia? Por não caracterizarem transferência de tecnologia, nos termos do Art. 211 da Lei nº 9.279/96 alguns serviços técnicos especializados são dispensados de averbação pelo INPI. Segue lista não exaustiva desses serviços: Agenciamento de compras, incluindo serviços de logística (suporte ao embarque, tarefas administrativas relacionadas à liberação alfandegária, etc.); Serviços realizados no exterior sem a presença de técnicos da empresa brasileira, que não gerem quaisquer documentos e/ou relatórios, como por exemplo, beneficiamento de produtos; Homologação e certificação de qualidade de produtos; Consultoria na área financeira; Consultoria na área comercial; Consultoria na área jurídica; Consultoria visando participação em licitação; Serviços de marketing; Consultoria remota, sem a geração de documentos; Serviços de suporte, manutenção, instalação, implementação, integração, implantação, customização, adaptação, certificação, migração, configuração, parametrização, tradução, ou localização de programa de computador (software); Serviços de treinamento para usuário final ou outro treinamento de programa de computador (software); Licença de uso de programa de computador (software); Distribuição de programa de computador (software); Aquisição de cópia única de programa de computador (software).” Disponível em: http://www.inpi.gov.br/servicos/perguntasfrequentespaginasinternas/perguntasfrequentes transferenciadetecnologia#naocaracterizados Acesso em 12/01/2017. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10166.911826/200911 Acórdão n.º 3402003.715 S3C4T2 Fl. 0 10 Retornando ao caso deste processo, importante ressaltar que todos os documentos analisados no julgamento do paradigma encontram correspondência com os documentos juntados ao presente processo (fls. 134/140 e 201/405), a saber: a) cópia do livro razão consolidado, do DARF referente ao pagamento (código da Receita 8741) e cópias das DCTFs original e retificadora, que comprovam o pagamento da CIDEroyalties que a Recorrente reputa como indevido e passível de restituição/compensação; b) contrato de licenciamento de uso de software entre a Autotrac e a Qualcomm (mesmo contrato que o analisado no julgamento do paradigma); c) planilha elaborada pela Contribuinte que demonstra a apuração do valor devido à Qualcomm conforme termos estipulados no Contrato , cópias das Notas Fiscais emitidas pela Qualcomm, acompanhadas dos respectivos contrato de câmbio e DARFs de IRRF recolhido por ocasião da remessa, que confirmam a correlação entre os pagamentos efetuado a título de CIDEroyalties e o Contrato em questão, com as respectivas remessas ao exterior para pagamento da licença de uso de software. Portanto, constatase que neste processo a Contribuinte juntou os mesmos documentos que foram considerados hábeis à comprovação do direito creditório no caso do paradigma, variando apenas o número dos documentos e os valores envolvidos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito alegado pela Contribuinte, devendo a compensação ser analisada pela RFB apenas para fins de apuração do quantum a ser compensado. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 419DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.906398/2009-05
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/08/2005
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 180100.865, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 63 98 /2 00 9- 05 Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10166.906398/200905 Acórdão n.º 9101002.614 CSRFT1 Fl. 3 2 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10166.906398/200905 Acórdão n.º 9101002.614 CSRFT1 Fl. 4 3 Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10166.906398/200905 Acórdão n.º 9101002.614 CSRFT1 Fl. 5 4 assinado digitalmente Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 269DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.004348/2002-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/1998
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N.8/STF.
Aplica-se ao processo administrativo fiscal a Súmula Vinculante no 8 do STF, que estabeleceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei no 8.212(1991.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. JUROS. VENDAS A PRAZO. RECEITA BRUTA.
Os juros nas vendas a prazo compõem a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP, por fazerem parte da receita bruta de venda.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício de que trata o art. 44 da Lei no 9.430/1996, por carência de base legal.Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/1998.
Numero da decisão: 3401-003.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, nos seguintes termos: (a) por maioria de votos, para cancelar, tendo em vista a ocorrência de decadência, os lançamentos que se reportam a fatos geradores de 01/1997 a 08/1997, vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, que votava por nova conversão em diligência, para verificação da existência de pagamentos; e (b) por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira e Fenelon Moscoso de Almeida, para afastar a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício na fase de execução administrativa do acórdão.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/1998 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N.8/STF. Aplica-se ao processo administrativo fiscal a Súmula Vinculante no 8 do STF, que estabeleceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei no 8.212(1991. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. JUROS. VENDAS A PRAZO. RECEITA BRUTA. Os juros nas vendas a prazo compõem a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP, por fazerem parte da receita bruta de venda. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício de que trata o art. 44 da Lei no 9.430/1996, por carência de base legal.Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/1998.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 874 1 873 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.004348/200249 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.469 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente CYBELAR COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/1998 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N.8/STF. Aplicase ao processo administrativo fiscal a Súmula Vinculante no 8 do STF, que estabeleceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei no 8.212/1991. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. JUROS. VENDAS A PRAZO. RECEITA BRUTA. Os juros nas vendas a prazo compõem a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP, por fazerem parte da receita bruta de venda. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício de que trata o art. 44 da Lei no 9.430/1996, por carência de base legal.Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/1998. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, nos seguintes termos: (a) por maioria de votos, para cancelar, tendo em vista a ocorrência de decadência, os lançamentos que se reportam a fatos geradores de 01/1997 a 08/1997, vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, que votava por nova conversão em diligência, para verificação da existência de pagamentos; e (b) por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira e Fenelon Moscoso de Almeida, para afastar a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício na fase de execução administrativa do acórdão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 43 48 /2 00 2- 49 Fl. 874DF CARF MF 2 ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração (fls. 154 a 164)1, cientificado à empresa em 20/09/2002 (fl. 159) para exigência de Contribuição para o PIS/PASEP, relativa a janeiro de 1997 a novembro de 1998, no valor original de R$ 97.872,81, a ser acrescido de multa de ofício (75%) e juros de mora, tendo em vista divergência verificada entre os valores escriturados e declarados no período, conforme detalhado em Termo de Constatação. No Termo de Constatação de fls. 162 a 163, narra a fiscalização que: (a) no anocalendário de 1997, a empresa apropriou indevidamente, sob o título de ajustes de períodos anteriores (conta 43303011) despesa de correção monetária resultante da aplicação do índice de 41,94% sobre as contas do balanço do anobase de 1994; (b) houve postergação de receitas financeiras sobre vendas, que não acarretaram exigência de IRPJ e CSLL, mas a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, § 1o, IV, da Lei no 9.430/1996; e (c) a empresa contabiliza juros sobre vendas a prazo incorretamente como receitas financeiras, em oposição ao entendimento firmado no ADN COSIT no 7, de 05/04/1993. A empresa apresenta impugnação em 22/10/2002 (fls. 167 a 187) na qual sustenta que: (a) os valores cobrados na venda a prazo não se referem à receita bruta, mas à receita financeira, que não constituía, no período em análise (regido pela Lei Complementar no 07/70), base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP, o que era endossado por jurisprudência administrativa e judicial que colaciona; e (b) ainda que fosse devida a Contribuição, já se operou a decadência do direito de lançar o tributo, para parte dos montantes exigidos (01/97 a 08/97). Em 19/07/2004 é proferida a decisão de primeira instância (fls. 228 a 234), na qual se acorda unanimemente pela procedência do lançamento, considerando não decaído o direito de lançar, em função da existência de prazo diferenciado para as contribuições, e entendendo que o custo para financiamento de vendas à prestação, bancado pelo próprio comerciante e cobrado dos compradores, a titulo de juros, compõe o preço final de venda e, consequentemente, o faturamento da empresa, estando, portanto, sujeito à incidência da contribuição. Após ciência ao acórdão de primeira instância (fl. 243) em 17/09/2004, a empresa apresentou, em 15/10/2004, o recurso voluntário de fls. 245 a 272, basicamente reiterando as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e afirmando que a Lei no 8.212/1991 não se aplica o caso em tela, como defendeu a DRJ, e que nas vendas a prazo há a ocorrência de dois contratos distintos e simultâneos, um de compra e venda e outro de financiamento, não compondo os juros receita bruta de venda de mercadorias. Agrega, ao 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 875DF CARF MF Processo nº 10855.004348/200249 Acórdão n.º 3401003.469 S3C4T1 Fl. 875 3 final da peça recursal, inauguralmente, posicionamento pela impossibilidade de aplicação da Taxa SELIC sobre a multa de ofício (ou sua aplicação apenas a partir da impugnação). Designado ad hoc para redigir a Resolução no 20300.902, de 24/05/2010, o Cons. Robson José Bayerl o fez, em 01/07/2008, às fls. 299 a 301, esclarecendo que a decisão da turma, pela baixa em diligência, foi para que se providenciasse o seguinte: “verificação e confirmação se todas as operações de vendas a prazo estariam lastreadas em contratos de abertura de crédito; elaboração de planilha de vinculação entre as notas fiscais de vendas e os contratos de abertura de créditos formalizados; relacionar as vendas a prazo para as quais não há contrato de abertura de crédito; elaborar relatório circunstanciado com os exames efetuados e as observações julgadas pertinentes; e abertura de vista do relatório referido no item anterior ao contribuinte, franqueandolhe prazo de 30 (trinta) para manifestação”. A unidade local, após intimar a empresa a apresentar dados sobre as notas fiscais (data de emissão, número, valor total dos produtos, valor total da nota fiscal, número do contrato e valor do contrato), informa, às fls. 826/827, que o contribuinte apresentou apenas resumos e cópias de fichas de DIPJ e balancetes, além de cópias do Livro Registro de Saídas da matriz/1997. Reintimada, a empresa, mesmo após solicitação de prorrogação de prazo, não atendeu ao solicitado pela fiscalização. Ciente da informação fiscal, em 26/11/2015 (fl. 831), a empresa sobre ela não se manifestou. Em 19/05/2016 o processo foi a mim distribuído, não tendo sido indicado para pauta nos meses novembro e dezembro de 2016, por estarem as sessões suspensas por determinação do CARF. O processo, derradeiramente, não foi indicado para o mês de janeiro de 2017, por ser a pauta mera reprodução da referente ao mês de outubro de 2016, que também teve a sessão suspensa por determinação do CARF. Em fevereiro e março de 2017, o processo foi retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Tendo em vista já terem sido avaliados os pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário na Resolução no 20300.902, passase, de imediato, à análise das matérias que remanescem contenciosas, à luz do resultado da diligência realizada pela unidade local da RFB. Permanecem em litígio, no presente processo, duas questões jurídicas: a referente à ocorrência de decadência, no caso em análise, e a atinente à inclusão na base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP das receitas decorrentes de juros em vendas a prazo. Não obstante o exposto, o recurso voluntário questiona também a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, tema que será aqui tratado em nome da verdade material e por ter o contribuinte conhecimento de tal exigência apenas após a decisão de piso. Fl. 876DF CARF MF 4 Da decadência Alega a recorrente que não poderia a fiscalização ter lançado em setembro/2002 a contribuição referente aos períodos de janeiro a agosto de 1997, por ter sido extrapolado o prazo de cinco anos a que se refere o art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, ocorrendo a decadência do direito de lançar. O julgador de piso entendeu ser equivocado o posicionamento defendido pela empresa, e que o citado comando legal contém a expressão “se a lei não fixar prazo à homologação”, sendo que, no caso, o prazo foi fixado pelo DecretoLei no 2.053/1983 e pela Lei no 8.212/1991 (art. 45), em 10 anos. Em seu recurso voluntário, a empresa destacou que é inconstitucional o artigo 45 da Lei no 8.212/1991, citando jurisprudência administrativa e judicial endossando seu entendimento. Sobre o tema, a Súmula Vinculante no 8 do Supremo Tribunal Federal (publicada em 12/09/2008, após o julgamento de primeira instânciaDRJ) estabeleceu que são inconstitucionais os arts. 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência do crédito tributário. E dispõe o caput do art. 103A da Constituição Federal de 1988 que: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)” (grifo nosso) Aplicase, assim, no caso, tratando a autuação de diferenças, a regra estabelecida no art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4o Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” A autuação de que trata o presente processo foi cientificada à empresa em 20/09/2002 (cf. fl. 159), e os créditos exigidos se referem ao período de janeiro de 1997 a novembro de 1998. Portanto, todos os lançamentos que se reportam a fatos geradores de Fl. 877DF CARF MF Processo nº 10855.004348/200249 Acórdão n.º 3401003.469 S3C4T1 Fl. 876 5 01/1997 a 08/1997 devem ser cancelados, por ter ocorrido decadência. Restam incólumes, pelo exposto, os lançamentos presentes na autuação, com fatos geradores em 30/09/1997 e posteriores. Das vendas a prazo A fiscalização, como relatado, defende que os juros sobre vendas a prazo não se revestem do caráter de receita financeira, integrando o preço da mercadoria vendida, e, portanto, a receita bruta, compondo a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP (cf. demonstrativos às fls. 147/148). Endossando seu entendimento, o fisco arrola o Parecer Normativo CST no 21/1979 e no Ato Declaratório Normativo COSIT no 7/1993. Em sua defesa, alega a empresa que os encargos de financiamento cobrados nas vendas a prazo constituem receitas financeiras, que não constituíam, no período em análise (regido pela Lei Complementar no 07/70), base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP, e afirma existirem dois contratos simultâneos, porém distintos, um referente à compra e venda propriamente dita, e outro tratando de financiamento, que é relativo ao custo do dinheiro, e não ao valor da mercadoria, não fazendo parte da operação mercantil. Em endosso a seu entendimento, a empresa colaciona doutrina, excertos do Parecer Normativo CST no 63/1975, do Parecer Normativo CST no 127/1973, e de decisões administrativas e judiciais. O julgador de piso concorda com o argumento de que as vendas a prestação, quando financiadas por empresas financeiras, constituem contratos simultâneos e distintos, mas alerta que, no caso em análise, não há intervenção de empresas financeiras, sendo os custos bancados pela própria empresa, e compondo, portanto, o preço de venda das mercadorias, devendo ser incluído na base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP. E informa que tal posicionamento encontra amparo no Parecer Normativo CST no 21/1979 e no Ato Declaratório Normativo COSIT no 7/1993, abaixo reproduzidos, e que já figuravam como fundamento da autuação: Parecer Normativo CST no 21/1997 Fl. 878DF CARF MF 6 Ato Declaratório Normativo COSIT no 7/1993 A DRJ, além de afastar a aplicação de entendimentos administrativos sobre temas diversos dos discutidos no presente processo, informou que o Parecer Normativo CST no 63/1975, alegado pela empresa, em sua defesa, expressamente registra que os juros sobre financiamento de bens não compõem o preço total da transação desde que nos contratos e nos títulos não conste em destaque qualquer parcela a título de juros, e que, no caso em análise, como provam as notas fiscais e reconhece a própria empresa, os juros embutidos nas parcelas constam em destaque nas notas fiscais, e os contratos são efetuados com ela própria sem a intervenção de empresas financeiras. Em seu recurso voluntário, a empresa reitera a alegação de que o Parecer Normativo CST no 63/1975 socorre seu entendimento, mas sem qualquer argumento adicional que contraponha o decidido pela DRJ, que destacou as restritas circunstâncias em que se aplica dito parecer, e que o caso concreto não se enquadra entre elas. Da mesma forma, reconhece a empresa que o Parecer Normativo CST no 127/1973, embora reconheça a existência de contratos distintos nas vendas a prazo, trata de matéria diversa da apreciada nestes autos. No mais, reitera a doutrina e a jurisprudência apresentadas na peça inaugural de defesa, que, por certo, não vinculam a apreciação administrativa deste colegiado, e serão analisados, aqui, como endossos ao argumento da empresa. Notase que a quase totalidade da jurisprudência colacionada se refere a tributos diversos, mormente IPI e ICMS, regidos por legislações substancialmente diferentes da aqui analisada. E percebese, ainda, que uma jurisprudência apontada (Acórdão no 1014 76.911), como destacou a DRJ, trata de matéria substancialmente diversa. A empresa, no parágrafo final da peça recursal, no tópico em análise (fl. 268), destaca que a própria fiscalização reconhece que os encargos foram devidamente destacados nas notas fiscais: Fl. 879DF CARF MF Processo nº 10855.004348/200249 Acórdão n.º 3401003.469 S3C4T1 Fl. 877 7 Tal informação já estava, inclusive, presente na decisão de piso (fl. 234): Não há dissonância fática. A divergência reside apenas na leitura jurídica do fenômeno. E a empresa não colaciona nenhum precedente que lhe favoreça em relação ao tema em discussão, e possa contrapor a própria legislação de regência da Contribuição para o PIS/PASEP. No entanto, como há poucas notas fiscais carreadas aos autos, e como a recorrente anexou cópia de contrato de abertura de crédito a título exemplificativo, entendeu o então Conselho de Contribuintes que o fato de estarem destacados os encargos em tais notas não alastraria as conclusões para as demais. Daí a demanda pela conversão em diligência, como se destaca à fl. 300: No entanto, a diligência pouco acrescentou para o deslinde do contencioso, visto que não restou atendido o pedido da fiscalização, datado de 23/02/2015, para que a empresa apresentasse documentos que comprovassem a vinculação individualizada dos contratos às notas fiscais de venda (fl. 321): Fl. 880DF CARF MF 8 Após demanda de prorrogação de prazo, em 23/03/2015, a empresa, em 07/05/2015, solicitando nova prorrogação, informou (fl. 334) que: A recorrente menciona, na mesma resposta, a título exemplificativo, vinculação existente entre nota fiscal e contrato de crédito (fl. 335): Compulsando o citado “Doc.04”, percebese que que não se tratam de contratos, ou documentos oficiais ou reconhecidos, mas de meras listagens de controle. E, na nota fiscal de fl. 357, há menção a um contrato, cujo conteúdo não foi colacionado aos autos. Em 10/07/2015 a empresa demandou mais 30 dias para apresentação dos documentos solicitados pela fiscalização, o mesmo solicitando em 31/07/2015, e não mais apresentando documento algum. Daí o resultado da diligência, que endossa a planilha elaborada pela fiscalização, que acompanha o lançamento. Fl. 881DF CARF MF Processo nº 10855.004348/200249 Acórdão n.º 3401003.469 S3C4T1 Fl. 878 9 A nosso ver, não restou desnaturada a natureza da receita, nas notas fiscais objeto, como receita de venda. Ademais, como já expressou o julgador de piso, a empresa comercial não é uma instituição financeira, e o valor dos produtos vendidos compreende os encargos correspondentes, nas vendas a prazo, que compõem a receita bruta, e não constituem receita financeira. Assim vem decidindo este CARF: VENDAS A PRAZO. Os valores correspondentes aos juros integram a base de cálculo do PIS e do COFINS, uma vez que fazem parte da receita bruta da venda. (Acórdãos no 3803 004.555 a 557, unânimes, Rel. Cons. Juliano Eduardo Lirani, sessão de 08 out. 2013) E, no mesmo sentido, decidiram a primeira e a segunda turmas do Superior Tribunal de Justiça, nos REsp no 674.445/PR e no 1.120.199/SC: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. CORREÇÃO MONETÁRIA DECORRENTE DE VENDAS A PRAZO. INCIDÊNCIA. 1. Hipótese em que a contribuinte não questiona a constitucionalidade dos conceitos legais de "faturamento" ou de "receita bruta operacional", mas, apenas, sustenta que os valores percebidos a título de correção monetária decorrentes de vendas a prazo, por não constituírem acréscimo patrimonial, não podem ser computados na base de cálculo do PIS e da COFINS. 2. Os valores recebidos a título de correção monetária das vendas a prazo ingressam no caixa pelo exercício do objeto social da empresa (comércio de mercadorias e/ou serviços). Compondo o preço da contraprestação ofertada pelo comprador, tais valores integram o preço bruto da mercadoria e, por isso, compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. Recurso Especial não provido. (REsp 674.445/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/05/2007, DJ 10/09/2007) (grifo nosso) TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. ENCARGOS COBRADOS NAS VENDAS A PRAZO. NATUREZA. ACRÉSCIMO DE PREÇO QUE NÃO SE CONFUNDE COM RECEITAS FINANCEIRAS. TRIBUTAÇÃO À ALÍQUOTA ZERO COM BASE NOS DECRETOS 5.164/04 E 5.442/05. IMPOSSIBILIDADE. 1. Recurso especial no qual se discute a natureza jurídica dos "encargos" cobrados nas vendas a prazo; se caracterizam, ou não, receitas financeiras passíveis de tributação à alíquota zero, nos moldes autorizados pelos Decretos 5.164/04 e 5.442/05 (que regulamentaram o art. 27, § 2º, da Lei 10.865/04). 2. O diferencial de preço decorrente da venda realizada de forma parcelada é livremente pactuado com o comprador como condição à realização do negócio, integrando, pois, o preço final da mercadoria. Assim, por decorrer esse acréscimo de um ajuste prévio para a consecução da venda, não há falar em juros, quer compensatórios, que pressupõem remuneração de capital, quer moratórios, que pressupõem atraso no cumprimento de obrigação. 3. O argumento de que esses encargos "são adicionados ao valor da operação em razão do credor ficar privado do seu capital" não Fl. 882DF CARF MF 10 desnatura o negócio entabulado, na medida que essas práticas derivam de estratégias empresariais tendentes a viabilizar o incremento das vendas. O fato de a recorrente denominar esse aumento de preço pelas vendas a prazo de juros ou de encargos financeiros é irrelevante para fins de tributação, na medida em que para esse mister, o que importa é a essência do negócio jurídico existente à luz do Direito Privado. Essa é a inteligência do art. 110 do CTN. (...). (REsp 1.120.199/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/06/2010, DJ 01/07/2010) Pelo exposto, não merece prosperar a argumentação da empresa, no sentido de serem os encargos exigidos por ela própria, nas vendas a prazo, receitas financeiras, excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP. Deve, assim, neste tópico, ser mantida a autuação. Dos juros de mora sobre a multa de ofício Defende a empresa em seu recurso voluntário que não incidem juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Sobre o tema, dispõe o art. 161 do Código Tributário Nacional: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2o O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. A Lei no 8.981/1995, em seu art. 82, tratou de acréscimos moratórios, referindose somente a tributos e contribuições: “Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; II multa de mora aplicada da seguinte forma: Fl. 883DF CARF MF Processo nº 10855.004348/200249 Acórdão n.º 3401003.469 S3C4T1 Fl. 879 11 (...)” (grifo nosso) (A Lei no 9.065, de 1995, em seu art. 13, dispõe que a Taxa será a SELIC) A Lei no 9.430/1996 não parece ter trilhado caminho diferente, estabelecendo, em seu art. 61, que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei no 10.522/2002: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1o A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2o Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3o Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Fl. 884DF CARF MF 12 Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é “créditos”. Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob pena de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso, e o exegeta não pode alargar o comando da lei para impor ônus ao sujeito passivo da obrigação. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, na linha que já se vem reiteradamente adotando neste CARF (v.g. Acórdãos no 3403002.367, de 24/07/2013; no 3403002.585, de 26/11/2013, no 3403002.634, de 27/11/2013; e no 3403002.891, de 27/03/2014). Da mesma forma já decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais2, em caso semelhante ao presente, no qual a matéria sequer era manifestada na autuação. Conveniente, para maior compreensão, transcrever excertos do voto vencedor: “Em primeiro lugar, há de se examinar a questão de a (sic) possibilidade ou não de se conhecer da matéria ‘atualização da multa de oficio’. Segundo o ilustre e competente relator, a matéria diz respeito à execução do acórdão, não sendo ‘lícito as instancias judicantes administrativas examinarem recursos dos sujeitos passivos contra a execução do acórdão’. A priori, sobre a questão de ‘conhecer ou não da matéria’ devemos nos lembrar que no processo administrativo fiscal há certa tolerância em relação à observação de formalidades. Se a cobrança de juros sobre multa é ato comum da administração quando da execução dos julgados, calarse sobre isso sob o argumento de que não faz parte do lançamento pode deixar a contribuinte sem instrumento na instância administrativa para se defender de uma cobrança por ela reputada, em desconformidade com a lei e, portanto, ilegal. Cabe lembrar que a função administrativa não é exercida por interesse da autoridade administrativa, e sim, no cumprimento de um dever jurídico de aplicar a lei, isto é, de investigar e decidir se a lei está sendo corretamente obedecida pelo seu administrado, no caso, a contribuinte. No mais, faz parte do direito de petição, garantia constitucional. E o direito de obter do Poder Público a manifestação sobre o que lhe for indagado. Demais disso, em respeito ao principio da economia processual, se a questão pode ser enfrentada de pronto, não 2 CSRF, Segunda Turma, Acórdão 0203.133, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, maioria, Sessão de 05.mai.2008. Fl. 885DF CARF MF Processo nº 10855.004348/200249 Acórdão n.º 3401003.469 S3C4T1 Fl. 880 13 há motivo para que se aguarde outro momento para fazêlo (vide Ac. 10194.442). [...] Em direito tributário, quando falamos em juros, estamos a nos referir aos moratórios, que consistem em uma indenização pelo atraso no pagamento de uma divida. Ou seja, a Fazenda Pública, que tinha previsão de receber o pagamento do tributo, ficou privada da utilização dessa importância que permaneceu, indevidamente, em poder do contribuinte. Em decorrência do retardamento do pagamento, deve a Fazenda Pública ser remunerada por meio da aplicação dos juros moratórios, aplicados na forma que a lei assim dispuser. No entanto, em relação à multa de oficio, esqueceuse o legislador de disciplinar a matéria (Lei n. 9.430/96). [...] 0 artigo 61 da Lei n. 9.430/96 prevê a incidência de juros sobre ‘os débitos a que se referem o artigo’, ou seja, o valor principal do tributo, de acordo com o caput do artigo. Não há, portanto, guarida na legislação para que a administração exija juros sobre a multa de oficio quando da cobrança do crédito tributário”. Acolhese, então, a argumentação da recorrente pela inaplicabilidade dos juros de mora sobre a multa de ofício, no presente processo. Assim, dáse provimento parcial ao recurso voluntário, neste tópico, para afastar a aplicabilidade dos juros de mora sobre a multa de ofício, mas tal provimento parcial não afeta (nem parcialmente) o montante constituído nas autuações, destinandose apenas a garantir que na fase de execução administrativa seja cumprida fielmente a decisão exarada no acórdão deste colegiado. Considerações Finais Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, para cancelar, tendo em vista a ocorrência de decadência, os lançamentos que se reportam a fatos geradores de 01/1997 a 08/1997, e para afastar a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício na fase de execução administrativa deste acórdão. Rosaldo Trevisan Fl. 886DF CARF MF 14 Fl. 887DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721042/2013-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
LAUDO MÉDICO. REQUISITOS FORMAIS. MÉDICA PERITA. IDENTIFICAÇÃO. SERVIÇO MÉDICO MUNICIPAL. CONJUNTO PROBATÓRIO CONVINCENTE.
Suprida a deficiência do Laudo médico, apontada pela instância de piso, com a identificação completa da médica perita e a confirmação do seu caráter oficial, somado a outros elementos de prova presentes nos autos, deve ser reconhecida a sua força probante, para fins de isenção do IRPF.
ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADORA DE MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULAS CARF nº 43 e 63.
Deve ser reconhecida a isenção dos proventos de aposentadoria percebidos por portadora de cardiopatia grave devidamente comprovada por Laudo, emitido por serviço médico oficial do Município de Volta Redonda/RJ, observando-se as súmulas CARF nº 43 e 63.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 2401-004.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio de Lacerda Martins - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 LAUDO MÉDICO. REQUISITOS FORMAIS. MÉDICA PERITA. IDENTIFICAÇÃO. SERVIÇO MÉDICO MUNICIPAL. CONJUNTO PROBATÓRIO CONVINCENTE. Suprida a deficiência do Laudo médico, apontada pela instância de piso, com a identificação completa da médica perita e a confirmação do seu caráter oficial, somado a outros elementos de prova presentes nos autos, deve ser reconhecida a sua força probante, para fins de isenção do IRPF. ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADORA DE MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULAS CARF nº 43 e 63. Deve ser reconhecida a isenção dos proventos de aposentadoria percebidos por portadora de cardiopatia grave devidamente comprovada por Laudo, emitido por serviço médico oficial do Município de Volta Redonda/RJ, observando-se as súmulas CARF nº 43 e 63. Recurso Provido.
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REQUISITOS FORMAIS. MÉDICA PERITA. IDENTIFICAÇÃO. SERVIÇO MÉDICO MUNICIPAL. CONJUNTO PROBATÓRIO CONVINCENTE. Suprida a deficiência do Laudo médico, apontada pela instância de piso, com a identificação completa da médica perita e a confirmação do seu caráter oficial, somado a outros elementos de prova presentes nos autos, deve ser reconhecida a sua força probante, para fins de isenção do IRPF. ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADORA DE MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULAS CARF nº 43 e 63. Deve ser reconhecida a isenção dos proventos de aposentadoria percebidos por portadora de cardiopatia grave devidamente comprovada por Laudo, emitido por serviço médico oficial do Município de Volta Redonda/RJ, observandose as súmulas CARF nº 43 e 63. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 10 42 /2 01 3- 19 Fl. 89DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Pereira Barbosa. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10073.721042/201319 Acórdão n.º 2401004.716 S2C4T1 Fl. 89 3 Relatório NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO: (efls. 8 a 12) Em procedimento de revisão da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2010, a fiscalização apurou: Omissão de rendimentos do trabalho no valor de R$ 46.246,42, informado como isento, sem que fosse comprovada a condição de ser a contribuinte portadora de moléstia grave, nos termos do inciso XIV, art. 6º da Lei n.º 7.713, de 1988. Em virtude deste lançamento, foi apurado imposto suplementar que, com os acréscimos legais, totalizou R$7.463,29. IMPUGNAÇÃO: (efls. 2 a 15) A contribuinte apresenta impugnação ao lançamento, alegando que: a) é portadora de duas moléstias graves desde 2006, não havendo razão para o lançamento; b) a junta médica responsável pelo laudo foi omissa quanto a definição da moléstia grave; c) foi aposentada por invalidez de forma irreversível por moléstia grave em que pese constar do laudo somente distúrbios depressivos; d) ocorreu omissão da junta médica quanto à cardiopatia grave que lhe acomete juntamente com distúrbios depressivos; e) por estar de boa fé, é abusiva a imposição de multa de ofício e juros de mora. ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO: (efls. 47 a 52) A 19ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I, julgou improcedente a impugnação prolatando o acórdão nº 1258.596, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. Para o reconhecimento da isenção para portadores de moléstia grave, a doença deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, contendo no mínimo, dentro outras informações, o nome completo, a assinatura, o número de Fl. 91DF CARF MF 4 inscrição no Conselho Regional de Medicina e o número de registro no órgão oficial responsável pela emissão do laudo pericial. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. No caso de lançamento de ofício é aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata (art. 44, inciso I da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1.996). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O entendimento que vaza do voto vencedor do acórdão pode ser evidenciado no excerto do voto, à efl. 22/23, transcrito a seguir: (grifos do original) "O laudo pericial de fl. 13 não apresenta o nome completo da responsável pela sua emissão e o seu número de registro (matrícula administrativa) na Secretaria de Saúde do Município de Volta Redonda. Desta forma, não é possível verificar se Tatiana C. de Paiva é efetivamente uma servidora vinculada a um serviço médico oficial, conforme exigido pelo § 4º do art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda. O agendamento de fl. 15 também não supre a falta do número de registro no órgão público. Desta forma, pelos motivos acima expostos, deve ser mantida a infração de omissão de rendimentos no valor de R$ 46.246,42 (art. 39, § 4º do Regulamento do Imposto de Renda, combinado com a Solução de Consulta Interna Cosit n.º 11, de 28 de junho de 2012)." RECURSO VOLUNTÁRIO: (efls. 29 a 76) Cientificada do acórdão de impugnação em 11/09/2013, efl. 27, a Contribuinte interpôs, em 02/10/2013, efl. 29, recurso voluntário reiterando as razões expostas na impugnação para requerer: 1. o reconhecimento do seu direito à isenção do imposto de renda no ano calendário de 2009, exercício 2010, retirandose a multa de ofício aplicada; 2. na hipótese de não se reconhecer a isenção, que seja retirada a multa de ofício aplicada, levandose em consideração a sua boafé e o pagamento em dia do parcelamento por ela realizado. É o Relatório. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10073.721042/201319 Acórdão n.º 2401004.716 S2C4T1 Fl. 90 5 Voto Conselheiro Márcio de Lacerda Martins 1. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1 TEMPESTIVIDADE Cientificada do acórdão de impugnação nº 1258.596 em 11/09/2013, efl. 27, a Contribuinte interpôs, em 02/10/2013, efl. 29, recurso voluntário de efls. 29 a 76. O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. 1.2. DELIMITAÇÃO DA LIDE O entendimento que vaza do voto condutor do acórdão recorrido é que o laudo apresentado não é hábil para comprovar ser a contribuinte portadora de uma das moléstias graves relacionadas na lei de isenção, por não conter o nome completo e o nº do registro, no órgão público, da médica responsável pela sua emissão, nos termos exigidos na Solução de Consulta Interna Cosit nº 11, de 2012. 2. MÉRITO Sobre a questão, o art. 39, § 4º do Decreto nº 3.000, de 1999, Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, expressamente estabelece que a isenção do imposto sobre a renda da pessoa portadora de uma das moléstias relacionadas no inciso XIV, artigo 6º, da Lei nº 7.713, de 1988, está condicionada à sua comprovação por meio de laudo pericial, emitido por serviço médico oficial. As autoridades julgadoras da instância de piso registraram, no voto condutor do acórdão, que a Contribuinte apresentou o laudo pericial de fl. 13, emitido em 25/06/2013 pela cardiologista Tatiana C. de Paiva (CRM n.º 52.792705) e que: (grifos do original) "O laudo pericial de fl. 13 não apresenta o nome completo da responsável pela sua emissão e o seu número de registro (matrícula administrativa) na Secretaria de Saúde do Município de Volta Redonda. Desta forma, não é possível verificar se Tatiana C. de Paiva é efetivamente uma servidora vinculada a um serviço médico oficial, conforme exigido pelo § 4º do art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda. O agendamento de fl. 15 também não supre a falta do número de registro no órgão público. Desta forma, pelos motivos acima expostos, deve ser mantida a infração de omissão de rendimentos no valor de R$ 46.246,42 (art. 39, § 4º do Regulamento do Imposto de Renda, combinado com a Solução de Consulta Interna Cosit n.º 11, de 28 de junho de 2012)." Fl. 93DF CARF MF 6 Por outro lado, a Contribuinte, afirma que: "A Recorrente fez tudo que estava a seu alcance para cumprir a exigência do Regulamente do Imposto de Renda. Conseguiu um laudo médico oficial, que especifica que esta é portadora de doença coronariana. Sendo que não cumpriu todas as exigências da Cosit n° 11 por não ter conhecimento desta.[...]" Constato que , apesar do laudo pericial, efl. 13, também na efl. 43, não apresentar o nome completo da médica responsável, é possível recuperálo no formulário do Sistema Nacional de Regulação SISREG do Ministério da Saúde, juntado à efl. 15, que identifica a médica Tatiana Cunha de Paiva como sendo a profissional que atendeu a Recorrente, na Policlínica da cidadania Bernadino de Souza , no município de Volta Redonda/RJ. Com relação à doença especificada no laudo como "doença coronariana" e também como "CID I20.9 angina pectoris não especificada" constato que essa denominação não consta relacionada literalmente na lei isentiva. Entretanto, consta registrado no mesmo laudo que o item "cardiopatia grave" foi marcado pela médica, reforçando a gravidade da moléstia, mas gerando dúvida quanto à descrição da doença, como previsto na norma de isenção. Entretanto, consta registrado neste mesmo laudo que a contribuinte é portadora de "doença coronariana", desde 2006, a saber: 1 "Declaro sob as penas da Lei, que Maria das Graças de Lima Nogueira é portador, desde 2006 até a presente data, de Doença Coronariana CID I20.9, moléstia referida no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, ou no § 2º do art. 30 da Lei nº 9.250/95 sob a rubrica de .(denominação utilizada pelo legislador abaixo). Na falta de uma definição precisa dos termos médicos, busquei reforço em conceituação técnica, extraída do Manual de Perícia Oficial em Saúde do Servidor Público Federal, instituído pela Portaria MPOG nº 797, de 2010, DOU de 23 de março de 2010, que definiu "angina pectoris" e, sob o ponto de vista legal, a doença coronariana, nos seguintes termos, a saber: "A angina, também denominada angina pectoris, é uma dor torácica transitória ou uma sensação de pressão que ocorre quando o miocárdio não recebe oxigênio suficiente. [...]Geralmente, a angina é resultante da doença arterial coronariana. [...] Do ponto de vista legal, os portadores de Doença Arterial Coronariana são enquadrados como Cardiopatia Grave, estabelecendose inicialmente a validade do laudo em torno de 1 ano, dependendo da forma clínica. Depois são feitas as revisões e caso seja detectado o controle da doença após o tratamento clínico e/ou cirúrgico, o benefício será suspenso." 2 Constato que, com base na literatura médica especializada, a doença arterial coronariana, geralmente provoca angina, e que 1 os termos negritados foram preenchidos no laudo pela médica que também assinalou tratarse de cardiopatia grave. 2 II Diretriz Brasileira de Cardiopatia Grave Sociedade Brasileira de Cardiologia Arq. Bras. cardiol. volume 87 nº 2 ago/2006. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10073.721042/201319 Acórdão n.º 2401004.716 S2C4T1 Fl. 91 7 seus portadores são enquadrados como acometidos de uma cardiopatia grave. Nesses termos, o artigo 6º, inciso XIV, da Lei 7.713, de 1988, prevê a isenção do imposto de renda, sobre os proventos de aposentadoria percebidos por portadores de Cardiopatia Grave. Sendo que o termo inicial para a isenção ocorre a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial, ou, na hipótese de não ser possível tal verificação, do mês da emissão do laudo pericial que reconhecer a moléstia. Sobre a matéria, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF editou as súmulas nº 43 e 63, que assim dispõem: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda; e Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Vale ressaltar que as súmulas, como as supracitadas, são de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme o dispõe o artigo 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Considero, portanto, aplicáveis ao caso em comento as súmulas CARF nº 43 e 63 uma vez suprida a deficiência apontada pela instância de piso, com a identificação completa da médica perita, por meio do documento efl. 15 e reconheço a isenção dos proventos de aposentadoria recebidos pela Recorrente, durante o anocalendário de 2009, conforme solicitado. Diante do exposto, conheço do recurso para darlhe provimento. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15455.002200/2010-14
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. DCTF MENSAL. DCTF SEMESTRAL. ERRO DE FATO OU DE DIREITO. OPÇÃO VÁLIDA.
Não caracteriza, em princípio, erro de fato ou de direito a opção validamente feita pela apresentação de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) pela sistemática de apuração mensal em vez de semestral.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. PEDIDOS DE DISPENSA OU REDUÇÃO DE PENALIDADE.
De conformidade com o art. 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), somente a lei pode estabelecer hipóteses de dispensa ou redução de penalidades.
Numero da decisão: 1803-000.922
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
1.0 = *:*
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. DCTF MENSAL. DCTF SEMESTRAL. ERRO DE FATO OU DE DIREITO. OPÇÃO VÁLIDA. Não caracteriza, em princípio, erro de fato ou de direito a opção validamente feita pela apresentação de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) pela sistemática de apuração mensal em vez de semestral. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. PEDIDOS DE DISPENSA OU REDUÇÃO DE PENALIDADE. De conformidade com o art. 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), somente a lei pode estabelecer hipóteses de dispensa ou redução de penalidades.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1309; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 35 1 34 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15455.002200/201014 Recurso nº 892.783 Voluntário Acórdão nº 180300.922 – 3ª Turma Especial Sessão de 27 de maio de 2011 Matéria MULTA ATRASO ENTREGA DECLARAÇÃO Recorrente HENOS ELETROS E MÓVEIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. DCTF MENSAL. DCTF SEMESTRAL. ERRO DE FATO OU DE DIREITO. OPÇÃO VÁLIDA. Não caracteriza, em princípio, erro de fato ou de direito a opção validamente feita pela apresentação de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) pela sistemática de apuração mensal em vez de semestral. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. PEDIDOS DE DISPENSA OU REDUÇÃO DE PENALIDADE. De conformidade com o art. 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), somente a lei pode estabelecer hipóteses de dispensa ou redução de penalidades. Fl. 41DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 03/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 06/06/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 15455.002200/201014 Acórdão n.º 180300.922 S1TE03 Fl. 36 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 42DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 03/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 06/06/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 15455.002200/201014 Acórdão n.º 180300.922 S1TE03 Fl. 37 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 12): Versa o presente processo sobre a notificação de lançamento de fl. 03 por meio da qual é exigida da interessada, acima qualificada, a multa por atraso na entrega de sua Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, relativa ao mês de outubro de 2009, no valor de R$ 500,00. Inconformada, a interessada apresentou sua peça impugnatória à exigência, onde alega, em síntese, que se equivocou na apresentação da DCTF mensal, quando deveria têla apresentado na periodicidade semestral, e que vem passando por dificuldades após sua exclusão do SIMPLES, não tendo condições de pagar a multa lavrada, por isso, pedindo a anulação da notificação de lançamento. 2. A decisão da instância a quo foi assim fundamentada (fls. 13): Destarte, a opção da interessada se fez em caráter definitivo e irretratável, descabendo retificação que altere a periodicidade, conforme parágrafo 10 do art. 11 da mesma IN RFB nº 903/2008: [...]. 3. Cientificada da referida decisão em 29/10/2010 (fls. 16), a tempo, em 26/11/2010, apresenta a interessada Recurso de fls. 18 e 19, instruído com os documentos de fls. 20 a 31, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que foi feita opção erradamente pela apresentação das DCTF mensal; b) que a Empresa não se opõe contra as multas, em virtude das apresentações que se deram com atraso; c) que, porém é inadmissível que a Empresa, sabedora que estava com suas DCTF em atraso, iria preferir pagar 12 (doze) multas de R$ 500,00 (Quinhentos Reais) cada, quando poderia pagar somente 2 (duas) de R$ 500,00 (Quinhentos Reais) cada; d) que requer seja concedida redução das multas, de 12 (doze) para 2 (duas), inclusive; e) que, requer, também, seja concedida a possibilidade do pedido de dispensa da apresentação da DCTF mensal, conforme tratam os §§ 5º, 6º e 7º da IN RFB nº 903/2008; f) que a receita bruta da Empresa não alcançou a obrigatoriedade da apresentação da DCTF mensal, conforme art. 3º da Instrução Normativa RFB nº 903/2008; Fl. 43DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 03/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 06/06/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 15455.002200/201014 Acórdão n.º 180300.922 S1TE03 Fl. 38 4 g) que requer, também, a redução das multas referente aos Dacons do ano de 2009, pois já que foram entregues as DCTFs de forma errada, o sistema não aceita a transmissão dos Dacons de forma correta (1º e 2º semestres), tendo informação verbal da Receita Federal de que deveria apresentar as Dacons da mesma forma (mensalmente); h) que todo trabalhador desempenha suas funções de forma a não cometer erros, porém estes podem existir independente de sua intenção; i) que toda repartição deveria dispor de recursos para correção desses erros; e j) que, conforme IN RFB nº 903/2008, podese analisar que existem inúmeras formas de correção, alteração de outros erros e, no caso de periodicidade, não se tem esta flexibilidade (a não ser a possibilidade do pedido de dispensa de apresentação da DCTF mensal). Em mesa para julgamento. Fl. 44DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 03/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 06/06/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 15455.002200/201014 Acórdão n.º 180300.922 S1TE03 Fl. 39 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. A argumentação básica da Recorrente é no sentido de que teria cometido erro ou engano na apresentação da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), ao utilizar a versão mensal, à qual não estava obrigada, em vez de a versão semestral. 5. Assim posta objetivamente a questão, releva examinar de que modo seria possível se apurar a existência do alegado erro (de fato ou de direito). 6. A única forma, a nosso ver, de se constatar a ocorrência de erro de fato na apresentação de DCTF mensal seria se essa DCTF contivesse o valor, não do mês a que se referisse, senão do semestre a que correspondesse (erro na apreciação dos fatos). 7. Do contrário, apontando ela o montante dos tributos e contribuições relativos ao mês indicado, estarseia diante de uma opção talvez inconveniente ou inadequada , mas não propriamente de um erro de fato. 8. Já com relação à situação de erro de direito, este somente se evidenciaria se, estando vedada à Recorrente a opção pela apresentação de DCTF mensal, ela o fizesse em contrariedade às normas pertinentes (erro na aplicação do Direito). 9. No presente caso, observase que nenhuma das duas hipóteses ocorreu, não tendo sido, sequer, objeto de alegação pela Recorrente. 10. Nesse sentido, mencionase o contido no art. 4º da Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008 (destaque da transcrição): SEÇÃO III DA OPÇÃO PELA APRESENTAÇÃO DA DCTF MENSAL Art. 4º As pessoas jurídicas não enquadradas nas hipóteses do art. 3º [obrigatoriedade de apresentação da DCTF mensal, esclareço] poderão optar pela apresentação da DCTF Mensal. § 1º A opção de que trata o caput será exercida mediante a apresentação da 1ª (primeira) DCTF Mensal, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o anocalendário que contiver o período correspondente à declaração apresentada. 11. Assim, tratandose, no caso, de uma opção válida, não procede a irresignação da Recorrente. Fl. 45DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 03/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 06/06/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 15455.002200/201014 Acórdão n.º 180300.922 S1TE03 Fl. 40 6 12. Há que se ressaltar, ainda, que, de conformidade com o art. 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), somente a lei pode estabelecer hipóteses entre outras de dispensa ou redução de penalidades. 13. Com relação ao disposto nos §§ 5º a 7º do art. 11 da IN RFB nº 903, de 2008, tratase de situação diversa, na qual a empresa, originariamente obrigada à DCTF mensal, deixa de atender aos requisitos para essa obrigatoriedade, ao apresentar declaração retificadora, o que não é o presente caso. 14. Por fim, quanto aos Dacons, a sua entrega deverá ser feita, para o ano calendário de 2009, também de forma mensal, de conformidade com a opção validamente feita para as DCTFs de mesmo período. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 46DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 03/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 06/06/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES
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