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Numero do processo: 11516.722250/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
A falta de apreciação pela autoridade julgadora de primeira instância de razões de defesa apresentadas pelos responsáveis solidários constitui preterição do direito de defesa da parte, ensejando a nulidade da decisão assim proferida, "ex vi" do disposto no art. 59, item II, do Decreto nº 70.235/72.
Recurso provido.
Numero da decisão: 1401-001.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade dar provimento para anular a decisão de primeira instância por não ter sido analisado as defesas dos respectivos responsáveis solidários, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Jorge Celso Freire da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Sergio Luiz Bezerra Presta
Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Mauricio Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A falta de apreciação pela autoridade julgadora de primeira instância de razões de defesa apresentadas pelos responsáveis solidários constitui preterição do direito de defesa da parte, ensejando a nulidade da decisão assim proferida, "ex vi" do disposto no art. 59, item II, do Decreto nº 70.235/72. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade dar provimento para anular a decisão de primeira instância por não ter sido analisado as defesas dos respectivos responsáveis solidários, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Mauricio Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 22 50 /2 01 1- 71 Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.722250/201171 Acórdão n.º 1401001.215 S1C4T1 Fl. 1.697 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto parte do relato do órgão julgador de primeira instância administrativa constante do acórdão nº 1650.196 proferido pela 13ª Turma da DRJ/São Paulo1SP, constante das fls. 1.458 e segs, até aquela fase: “1. Consta do presente processo, conforme Termo de Verificação Fiscal e Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls. 399/412, datado de 17/11/2011, que durante o procedimento fiscal instaurado com a finalidade de verificar o cumprimento das obrigações tributárias, foram observados fatos que ensejaram a Representação Fiscal para Fins Penais (fls. 270/284) e originaram a exclusão do Contribuinte do Simples Federal e do Simples Nacional. 1.1. Ainda, o lançamento decorrente do procedimento fiscal registra a apuração do montante do crédito tributário de R$ 1.058.490,35 (Um milhão, cinquenta e oito mil, quatrocentos e noventas reais e trinta e cinco centavos), consoante Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo. 1.2. Os Autos de Infração lavrados – IRPJ, CSLL, PIS e COFINS do período de 01/2007 a 12/2009, acompanhados de demonstrativos de apuração dos valores devidos e demonstrativos de acréscimos legais – multa e juros estão às fls. 296/396. 2. Do conteúdo do Termo de Verificação e Constatação Fiscal e Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 399/412), bem como dos demais elementos que compõe o processo – intimações, documentos e informações – destacase: 2.1. Relatado e juntado ao processo as várias intimações visando a apresentação de documentos e esclarecimentos (Termos de Intimação Fiscal às fls. 02/03; 24; 28/29; 31/32; 36/38; 87/88; 285) e, ainda, às fls. 116; 129 e 131 três Termos dirigidos à empresa Comércio de Carnes Silva. 2.2. Quanto aos documentos juntados, anotase: Registro na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina, contrato social e alterações, fls. 05/16; Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta nº 0823/2009, firmado em 28/10/2009 perante o Ministério Público do Trabalho, fls 132/134; livros diários de 2006 e 2007 – termos de abertura, encerramento e lançamentos – às fls. 203/206 e 479/662; livro de registro de empregados, fls. 190/202; contrato de locação, fls. 256/258; relação de funcionários prestadores de serviço, fls. 260; CNIS, fls. 261/264; extratos bancários de 03/2007 a 02/2010 do BRADESCO, fls. 663/705. 2.3. Dos fatos apurados, em síntese, a Autoridade Fiscal informou que membros da família abriram uma nova empresa com a razão social de Comércio de Embutidos Silva Ltda para receber os segurados empregados da empresa Comercial de Carnes Silva Ltda e prestar serviço para a mesma empresa que transferiu os segurados empregados, com diferença na tributação, pois essa nova empresa – por ser optante pelo Simples Federal e Nacional reduziu significativamente os tributos devidos. 2.3.1. Além disso, informado que através TCAC Termo de Compromisso e Ajustamento de Conduta nº. 823/2009 com o MPT Ministério Público do Trabalho, fls. 132/134, as empresas concordaram em anular as rescisões realizadas à época e Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.722250/201171 Acórdão n.º 1401001.215 S1C4T1 Fl. 1.698 3 se comprometeram a não simular mais esse tipo de desmembramento de pessoas jurídicas. 2.3.2. Acrescentado que a nova empresa foi constituída no mesmo endereço; mesma atividade; com prestação de serviço apenas para empresa Comercial de Carnes Silva; sua contabilidade mencionava em seus históricos contábeis o nome da Comercial de Carnes Silva quando o correto pela norma contábil seria Comércio de Embutidos Silva; contrato de comodato (sem ônus). Todos estes elementos foram especialmente detalhados na Representação Fiscal anteriormente mencionada. 2.3.3. Desta forma, a Autoridade Fiscal entendeu por caracterizado o conluio entre as pessoas jurídicas e físicas COMERCIO DE EMBUTIDOS SILVA LTDA; COMERCIAL DE CARNES SILVA LTDA e os sócios JANICE MARIA DE ESPINDOLA DA SILVA; ADRIANO EDUARDO DA SILVA; MARIA LAURETE DA SILVA; THIAGO DA SILVA; GRAZIELA CRISTINA DA SILVA IAHN; com o intuito de simular/ocultar o fato gerador tributário para através do conluio sonegar tributos. Assim, com fundamento no art. 124 e 135, ambos do CTN, bem como arts. 71,72, e 73 da Lei nº 4.502/64, as pessoas jurídicas e físicas acima identificadas figuraram como sujeitos passivos solidários. 2.4. Anotado que estes fatos e outras informações constantes da Fiscal, fls. 270/284, originaram as exclusões do SIMPLES FEDERAL e do SIMPLES NACIONAL. 2.5. Importa registrar que, ao ser questionada sobre a escrituração dos extratos bancários, a então fiscalizada informou que (fls. 405): “Sobre extratos bancários, não possuímos, pois não fizemos lançamentos pelos recebimentos bancários, sendo que nossa empresa está enquadrada no Simples Nacional, pagamos o imposto pelo faturamento e não pelo Lucro Real, que a Empresa possa ter, por este motivo e baseada na própria Lei Federal, quanto a desobrigação da escrituração contábil.” 2.6. O AuditorFiscal, aponta que a empresa está obrigada a escriturar sua movimentação bancária, independentemente de sua forma de tributação, ainda que optante dos sistemas diferenciados do SIMPLES FEDERAL e SIMPLES NACIONAL, e que, portanto, deveria, no mínimo, escriturar o livro Caixa com sua movimentação bancária. 2.7. Além da contabilidade não conter registro da movimentação bancária, também estão em desacordo com a legislação os históricos contábeis da Comércio de Embutidos Silva, pois a empresa escritura suas despesas com pessoal registrando o nome da empresa Comercial de Carnes Silva, do que foi concluído que a contabilidade do Contribuinte tem defeitos e vícios que a tornaram imprestável inclusive para a apuração do lucro real/presumido. 2.8. Estão demonstradas no Termo de Verificação as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, que são os faturamentos declarados através do PJSI/DASN pela empresa, fls. 40/74. Referente à infração Falta/Insuficiência de recolhimento do PIS, também constante em Auto de Infração específico no presente processo, fls. 294/295 e 376/385, as bases de cálculo constituemse dos mesmos valores relacionados no Termo, fls. 408/409. Quanto à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, com a exclusão do SIMPLES, os valores devidos de COFINS estão lançados na infração Falta/Insuficiência de Recolhimento da COFINS, Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.722250/201171 Acórdão n.º 1401001.215 S1C4T1 Fl. 1.699 4 constante de auto de infração específico constante no presente processo, fls. 294/295 e 386/396, tendo como bases de cálculo desta infração os valores da tabela às fls. 408/409. 2.9. Os cálculos do principal, multa, juros, alíquotas, fundamentação legal e demais informações para o Contribuinte estão nas folhas que compõe o Demonstrativo De Cálculo, fls. 294/375. 2.10. O Arrolamento de Bens, em razão da ausência destes em nome da Autuada, foi constituído sobre os bens dos sujeitos passivos solidários. 2.11. Às fls. 412 consta a relação dos créditos tributários apurados na ação fiscal. 2.12. A Representação Fiscal para Fins Penais detalha os fatos e condutas das empresas Comércio de Embutidos Silva, Comercial de Carnes Silva e sócios que, além de consubstanciarem crime contra a ordem tributária, também acarretaram a exclusão da Fiscalizada dos sistemas diferenciados. 2.12.1. Neste sentido, foram identificadas os seguintes fatos, a saber: constituição de empresa pelos sócios de outra, vínculo familiar dos sócios, mesma atividade, só que com opção pelo regime diferenciado de tributação; mesmo endereço; transferência de empregados entre empresas; Termo de Ajustamento de Conduta em decorrência das irregularidades verificadas pelo Ministério Público do Trabalho (simulação de rescisões; transferência de empregados; criação de empresa com finalidade de prejudicar direitos dos trabalhadores); prestação de serviço exclusivo, apenas para a empresa Comercial de Carnes Silva Ltda.; contabilidade com irregularidades, em especial quanto ao histórico contábil que descreve as operações da empresa Comercial de Carnes Silva Ltda (vide fls. 207/255). 2.12.2. A empresa optante pelo SIMPLES infringiu, além dos já mencionados, também o artigo 149, inciso VII, do CTN Código Tributário Nacional, bem como o art. 50 e art. 1.194 do Código civil de 2002, e artigo 7º da lei 9.317/96. Desta forma, restou caracterizada a situação de exclusão do SIMPLES como determina o artigo 14, inciso V, da Lei 9.317/96. 2.12.3. Assim, a empresa Comercio de Embutidos Silva Ltda ficou sujeita à exclusão dos SIMPLES FEDERAL e SIMPLES NACIONAL, pelo cometimento das ações acima descritas, enquadrandose nas seguintes hipóteses de Exclusão de Ofício: a) infração ao disposto no art. 14, incisos II e V da Lei 9.317/1996, sujeitando a empresa a exclusão a partir de 01/10/2006 até 30/06/2007. Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrerem quaisquer das seguintes II embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172. de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional); (grifo nosso) V – prática reiterada de infração à legislação tributária; b) Infração ao disposto no art. 29, incisos II, V, VIII e XII da Lei Complementar 123/2006, sujeitando a empresa a exclusão a partir de 01/07/2007: Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.722250/201171 Acórdão n.º 1401001.215 S1C4T1 Fl. 1.700 5 Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: II – for oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar, e nas demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública; V – tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto nesta Lei Complementar; VIII – houver falta de escrituração do livro caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; XII – omitir da folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária, segurado empregado, trabalhador avulso ou contribuinte individual que lhe preste serviço. (Incluído pela Lei Complementar n° 127, de 2007) (produção de efeitos: 1° de julho de 2007) § 1° Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) \anos calendário seguintes. (Redação dada pela Lei Complementar nº 127, de 2007) (produção de efeitos: 1° de julho de 2007) 2.12.4. Devido aos fatos narrados nos itens acima, ficou o sujeito passivo impedido de optar pelo regime diferenciado e favorecido previsto na Lei Complementar nº 123/2006 pelo período de 03 anos a partir de 02/2010, conforme previsto no retro transcrito art. 29, §1° do referido Diploma Legal. 2.12.5. Em consequência, encaminhada REPRESENTAÇÃO com proposta de exclusão da pessoa jurídica Comércio de Embutidos Silva Ltda do SIMPLES, nos termos da Lei nº 9.317/1996, e do SIMPLES NACIONAL, nos termos da Lei Complementar 123/06. 3.O Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 214 de 09/11/2011, com fundamento nos incisos II e V do art. 14 da Lei 9.317/96 excluiu, de ofício, o Contribuinte do Simples Federal a partir de 01/10/2006 (fls. 289) e o Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 215 de 09/11/2011, com fundamento no artigo 29, incisos II, V, VIII e XII da Lei Complementar nº 123/2006 excluiu, de ofício, o contribuinte do Simples Nacional a partir de 1º/07/2007, com impedimento de optar pelo regime diferenciado e favorecido pelo período de 03 anos a partir de 02/2010 (fls. 290). O interessado teve ciência dos dois Atos em 10/11/2011. 3.1. O Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 214 de 09/11/2011 fundamenta a exclusão pelo Contribuinte incorrido em prática reiterada de infração à legislação tributária e por agir com embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que a empresa estiver obrigada ou que não permita a identificação da movimentação financeira. 3.2. Lado outro, no Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 215 de 09/11/2011, consta que por ter oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.722250/201171 Acórdão n.º 1401001.215 S1C4T1 Fl. 1.701 6 não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, pela falta de escrituração do livro caixa ou por não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; por ter sido constatada prática reiterada à Lei Complementar 123/2006 e, ainda, por ter omitido da folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária, segurado empregado, estes fatos importam na sua exclusão de ofício do Simples Nacional. 4. Em 08/12/2011, tempestivamente, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (razões às fls. 425/446) combatendo sua exclusão do Simples Federal e alegando, em síntese: 4.1. Relata que aderiu ao Simples desde a sua constituição e que efetuou os recolhimentos devidos nos termos da Lei nº. 9.317/96; alega que durante o procedimento fiscal apresentou todos os documentos solicitados e que, não obstante, foi excluída do regime Simples Federal. 4.2. Resume os fundamentos fáticos (embaraço à fiscalização e na prática reiterada de infração à legislação tributária) e legais da exclusão (incisos II e V do art. 14 da Lei 9.317/96) e, desde logo, aduz que vários vícios maculam a sua legalidade e caracterizam a nulidade da sua emissão. 4.3. Demonstra a tempestividade de sua defesa. 4.4. Discorre sobre o Simples Federal e pontua que após mais de cinco anos dentro da sistemática simplificada, a Secretaria da Receita Federal emitiu Ato Declaratório excluindo a impugnante retroativamente da opção realizada e aceita. 4.5. Quanto ao suposto embaraço a fiscalização negativa não justificada de exibição de livros e documentos, alega que “por ser optante pelo Simples Federal, mantinha a escrituração comercial, mas não realizava efetivamente o lançamento da movimentação bancária, haja vista que, enquadrada na forma de tributação diferenciada, a empresa recolhia o imposto tendo por base o faturamento e não o Lucro Real”. Acrescenta que explicou isto à Autoridade Fiscal durante a fiscalização. 4.6. Pondera que, para a condição de optante importa o lançamento do faturamento da empresa, por ser a base de cálculo do imposto. 4.7. Afirma que a movimentação financeira e bancária da impugnante sempre foi de conhecimento da fiscalização, tanto que não feito qualquer lançamento neste sentido e que sua não apresentação não importou em prejuízo para os trabalhos fiscais, sendo exagerado, por este motivo, a sua exclusão. 4.8. Alega que “embaraço à fiscalização” é algo subjetivo, não se pode mensurar, ressaltando que no presente caso, tendo sido apresentado todos os documentos necessários à análise do cumprimento das obrigações principais e acessórias, não importou em dificuldade ou impedimento à fiscalização e não há que se falar em tipificação genérica de embaraço. Colaciona julgados sobre caracterização de embaraço. 4.9. Como não foi destacado qualquer outra causa que resultasse em embaraço à fiscalização, entende que o ato de exclusão deve ser cancelado. Reproduz julgados administrativos sobre embaraço à fiscalização. Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.722250/201171 Acórdão n.º 1401001.215 S1C4T1 Fl. 1.702 7 4.10. Conforme trecho destacado no Relatório Fiscal, a Impugnante apresentou explicação sobre a não escrituração da movimentação bancária, inexistindo, pois, negligência da fiscalizada. Colaciona jurisprudência. 4.11. Assim, conclui que não restou comprovado embaraço à fiscalização e o ADE DRF/FNS nº 214/2011 deve ser cancelado. 4.12. No que se refere à suposta caracterização de prática reiterada de infração à legislação tributária, desde logo alega estranheza o fato de ter sido considerada reiterada a prática infracional, pois tratase da primeira vez em que foi supostamente constatada a realização de ato em desacordo com a legislação. Discorre sobre a definição de reincidência prevista no art. 63 do Código Penal e estabelece um paralelo com a esfera tributária, afirmando que a prática só se torna reiterada quando efetivamente a empresa já foi penalizada pela mesma infração fiscal, o que não se observa no presente caso. Aduz julgados. 4.13. Alega que o conceito inovador de “prática reiterada” é contrário aos arts. 109 e 110 do CTN que proíbem alteração de conceitos preestabelecidos para imposição de efeitos tributários. 4.14. Tendo em vista o conceito advindo da esfera penal, conclui que a situação da Impugnante não se enquadra no inciso V do art. 14 da Lei 9.317/96, vez que inexiste outro lançamento anterior a este que configure a mesma infração. 4.15. Quanto ao lançamento com base na exclusão do Simples Federal, alega que a Portaria SRF nº 6.129/2005 com o intuito de legalizar a emissão do Ato Declaratório Executivo juntamente com o Auto de Infração, não possui qualquer força de lei e, portanto, não pode ditar regras que vão de encontro com a Lei nº 9.317/1996. 4.16. Com base no art. 151, III do CTN defende que a apresentação da defesa administrativa contra o Ato Declaratório Executivo n° 214 suspende seus efeitos, qual seja, a exclusão do Simples Federal e, assim, qualquer ato que emane dessa exclusão, consequentemente, encontrase na mesma situação. Portanto, acredita ser totalmente incoerente fazer diversas exigências fiscais com base em ato suspenso até decisão final administrativa. Reproduz julgados sobre o efeito suspensivo do Ato Declaratório. 4.17. Assim, entende que é de direito da Impugnante a suspensão do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n. 214/2011, enquanto se discute administrativamente os lançamentos formalizados tendo por referência a exclusão do Simples Federal, onde exige tributos de 2006 e 2007. 4.18. Ainda, articula sobre a impossibilidade dos efeitos da exclusão retroativos à 01.10.2006. 4.19. Reproduz o texto do art. 15 da Lei nº 9.317/96; relembra que inexistiu embaraço e que se ocorrido, os efeitos da exclusão nesse caso, seriam a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII, ou seja, durante a fiscalização e, assim, não retroativo à opção. 4.20. Quanto ao inciso V do art. 14 da Lei 9.317/96, tampouco restou comprovada a prática reiterada e sem qualquer validade a retroatividade da exclusão. 4.21. Acrescenta que deve ser aplicado ao caso o princípio geral da ciência dos atos, no qual os efeitos só se iniciam a partir da notificação do Contribuinte, como Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.722250/201171 Acórdão n.º 1401001.215 S1C4T1 Fl. 1.703 8 forma de garantir a observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa, destacando e transcrevendo o inciso V, artigo 15, da Lei nº 9.317/96 que entende ser contrário ao art. 5º, XXXVI da Constituição Federal. Sobre o tema, colaciona doutrina. 4.22. Afirma que o efeito retroativo de uma exclusão desestabiliza a estrutura fiscal e contábil da empresa, fere a garantia constitucional da vedação ao confisco, disposto no artigo 150, IV da Constituição Federal. 4.23. Em seu pedido requer seja julgado insubsistente e cancelado o Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 214/2006, tendo em vista os fundamentos anteriormente expostos. 4.24. Ainda, na remota hipótese de manutenção das supostas infrações, pleiteia que seus efeitos retroajam somente a partir da data da fiscalização. 5. No mesmo sentido e em data tempestiva, 08/12/2011, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (razões às fls. 706/732) à sua exclusão do Simples Nacional. Em suma: 5.1. Relata que aderiu ao Simples Nacional desde seu início, 01/07/2007, por migração automática do Simples Federal e que efetuou os recolhimentos devi os nos termos da Lei 9.317/96; alega que durante o procedimento fiscal apresentou todos os documentos solicitados e que, não obstante, foi excluída do regime Simples Federal. 5.2. Destaca que a exclusão do Simples Nacional e os Autos de Infração lavrados tiveram com base tão somente um “Termo de Ajustamento de Conduta realizado pela Impugnante perante o Ministério Público do Trabalho, sendo que o termo nada mais é do que uma atividade preventiva realizada pela Delegacia do Trabalho, não tendo qualquer validade como forma de confissão de infração ou ilícito.” 5.3. Resume os fundamentos legais da exclusão (incisos II, V VIII e XII, todos do art. 29 da Lei Complementar 123/2006) e seu marco inicial (o § 1º do mês do retro mencionado dispositivo legal), menciona os fatos segundo o Fisco e, também nesta manifestação, alega que vários vícios maculam a sua legalidade e caracterizam a nulidade da sua emissão. 5.4. Demonstra a tempestividade de sua defesa e discorre sobre o Simples Nacional; aponta que somente após quatro anos dentro da sistemática aceita pelo Órgão foi excluída retroativamente por suposto embaraço à fiscalização e prática reiterada de infração à legislação tributária, ausência de escrituração e movimentação bancária, bem como na omissão na folha de pagamento de segurados. 5.5. Quanto ao suposto embaraço a fiscalização negativa não justificada de exibição de livros e documentos e ausência de escrituração bancária, da mesma forma que na manifestação de inconformidade à sua exclusão do Simples Federal, alega que “por ser optante pelo Simples Nacional, mantinha a escrituração comercial, mas não realizava efetivamente o lançamento da movimentação bancária, haja vista que, enquadrada na forma de tributação diferenciada, a empresa recolhia o imposto tendo por base o faturamento e não o Lucro Real”, conforme explicado à Autoridade Fiscal durante a fiscalização. 5.5.1. Os demais argumentos deste tópico são no mesmo sentido e teor daqueles articulados em sua manifestação de inconformidade à exclusão do Simples Federal, Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.722250/201171 Acórdão n.º 1401001.215 S1C4T1 Fl. 1.704 9 acima relatados. 5.6. No tocante à suposta caracterização de prática reiterada de infração à legislação tributária, com fundamento no inciso V do artigo 29 da Lei Complementar 123/2006, também utiliza as mesmas ilações e conclusões da manifestação anterior. 5.7. Acrescenta que no art. 29 da Lei Complementar 123/2006 foi incluído pela Lei Complementar 139/2011 o conceito de prática reiterada: Art. 29. .. § 9º Considerase prática reiterada, para fins do disposto nos incisos V, XI e XII do caput: (Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) I – a ocorrência, em 2 (dois) ou mais períodos de apuração, consecutivos ou alternados, de idênticas infrações, inclusive de natureza acessória, verificada em relação aos últimos 5 (cinco) anos calendário, formalizadas por intermédio de auto de infração ou notificação de lançamento; ou (Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) II – a segunda ocorrência de idênticas infrações, caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. (Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) 5.8. Assim, defende que sua situação não se enquadra no inciso V do art. 29 da LC 123/2006 e que não existe outro lançamento anterior a esse que configure a mesma infração. 5.9. Ademais, trata da suposta omissão na folha de pagamento de segurado empregado. 5.10. Neste aspecto, menciona o Termo de Ajuste de Conduta; alega que a Autoridade Fiscal assim baseada apontou também o inciso XII do art. 29 da LC nº 123/2006 como fundamento da exclusão. 5.11. Justifica que o funcionário tinha iniciado suas atividades funcionais na empresa no dia da visita da fiscalização do trabalho, juntando documentos comprobatórios e, assim, defende que tal fato não se enquadra no referido dispositivo que prevê o termo “reiterado”, razão pela qual não subsiste a alegação de que a Impugnante mantém funcionário sem registro. 5.12. Da mesma forma que na manifestação anterior, agora quanto ao lançamento com base na exclusão do Simples Nacional, alega que a Portaria SRF nº 6.129/2005 com o intuito de legalizar a emissão do Ato Declaratório Executivo juntamente com o Auto de Infração não possui qualquer força de lei e, portanto, não pode ditar regras que vão de encontro com a LC nº 123/2006. Articula com as mesmas argumentações. 5.13. Ainda, também trata da impossibilidade dos efeitos da exclusão retroativos à 01.10.2006 adaptando suas razões à Lei Complementar 123/2006. 5.14. Retoma seus argumentos no sentido de que inexistiu embaraço à fiscalização e que se ocorrido, os efeitos da exclusão no caso, seria a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II e VIII, ou seja, durante a fiscalização e, assim, não retroativamente à opção. Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.722250/201171 Acórdão n.º 1401001.215 S1C4T1 Fl. 1.705 10 5.15. Também reafirma que não houve prática reiterada (inciso V) e, assim, entende sem qualquer validade a retroatividade da exclusão, bem como assim contestando quanto à hipótese da omissão na folha de pagamento (inciso VIII). 5.16. Ainda – com os mesmos argumentos e doutrina referenciada alega contrariedade ao texto constitucional (art. 5º XXXVI), agora pelo § 1º do art. 29 da LC nº 123/2006. 5.17. Por fim, contesta o impedimento do retorno ao regime especial a partir de 02/2010 e durante três anos. Para tanto, reproduz o § 1º do art. 29 da LC nº 123/2006; afirma que tal vedação é arbitrária e justifica que a ausência do cumprimento de obrigações acessórias não prejudicaram o trabalho da fiscalização. 5.18. Entretanto, caso seja julgado pertinente, pretende que o prazo tenha início em 01/07/2007, mantendose o equilíbrio nas relações entre contribuinte e administração pública e concluindo que, nestas condições, estaria impedida até 2010 e livre para optar em 2011. 5.19. Em seu pedido requer o cancelamento do Ato pelos motivos anteriormente expostos e, na hipótese de manutenção das supostas infrações, que seus efeitos retroajam somente a partir da data da fiscalização. 5.20. Quanto ao retorno ao regime especial, que seja desqualificado ou, se não for assim julgado, que o prazo de três anos de impedimento seja contado a partir de 07/2007. 6. As Manifestações de Inconformidade vieram acompanhadas dos seguintes documentos, fls. 447/705 e 733/1410: contrato social, alterações contratuais, procuração, documentos pessoais; cópias do ADE 214/2011 e do ADE 215/2011; guias de recolhimento (DARF – Simples Federal e DAS); Livros diários 2006 e 2007; 2008 a 2010 (Termos de abertura, encerramento e lançamentos); extratos bancários de 03/2007 a 02/2010; documentos do empregado Egidio de Rosa (declaração, cópia da CTPS e folha 83 contendo o respectivo registro no Livro de Registro de empregados)”. O responsável solidário COMERCIAL DE CARNES SILVA LTDA em 08/12/2011 apresentou manifestação de inconformidade, constante das fls. 706 e segs. já os também responsáveis solidários JANICE MARIA DE ESPINDOLA DA SILVA; ADRIANO EDUARDO DA SILVA; MARIA LAURETE DA SILVA; THIAGO DA SILVA; GRAZIELA CRISTINA DA SILVA IAHN apesar de regulamente intimados, AR’s constantes das fls. 416 e seguintes dos autos, não constam nos autos a apresentação de manifestação de inconformidade de qualquer um deles. A 13ª Turma da DRJ/São Paulo1SP, em sessão de 05/09/2013, ao analisar a impugnação apresentada, proferiu o acórdão n° 1650.196 entendendo “por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 214/2011, mantendose a exclusão da empresa do Simples Federal e efeitos a partir de 10/2006; procedência parcial da impugnação (manifestação de inconformidade) apresentada contra o Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 215/2011, mantendose a exclusão da empresa do Simples Federal e efeitos a partir de Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.722250/201171 Acórdão n.º 1401001.215 S1C4T1 Fl. 1.706 11 07/2007 e impedimento de retorno ao regime diferenciado pelos três anos seguintes, contados a partir da exclusão (07/2007); improcedência da impugnação, mantendose os créditos tributários”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2006, 2007 INCOMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS PARA JULGAR INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe, em sede administrativa, o reconhecimento de ilegalidade ou inconstitucionalidade. O julgador da esfera administrativa está obrigado à observância da legislação tributária vigente no País, cabendo, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2006, 2007 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A constituição de empresa de forma simulada por outra sociedade empresária para fim de usufruir indevidamente do Simples Federal, com a obtenção do resultado pretendido por anos seguidos, caracteriza a hipótese de exclusão de ofício prevista no artigo 14, inciso V, da Lei nº 9.317/1996 (prática reiterada de infração à legislação tributária). EFEITOS DA EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A exclusão do Simples Federal efetuada devido a apuração de prática reiterada de infração à legislação tributária surtirá efeito, por força do disposto no artigo 15, inciso V, da Lei nº 9.317/1996, a partir, inclusive, do mês em que iniciou a referida prática reiterada de infração. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano calendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. A pessoa jurídica deverá ser excluída do Simples Nacional, por iniciativa da Autoridade Administrativa, quando for oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade quando tiverem sido intimadas a apresentar, e nas demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA NO LIVROCAIXA. Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.722250/201171 Acórdão n.º 1401001.215 S1C4T1 Fl. 1.707 12 A pessoa jurídica deverá ser excluída do Simples Nacional, por iniciativa da Autoridade Administrativa, quando houver falta de escrituração do livro caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO. A pessoa jurídica deverá ser excluída do Simples Nacional, por iniciativa da Autoridade Administrativa, quando tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar nº 123/2006. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. OMISSÃO EM FOLHA DE PAGAMENTO OU GFIP. A pessoa jurídica deverá ser excluída do Simples Nacional, por iniciativa da Autoridade Administrativa, quando ficar constatada omissão, de forma reiterada na folha de pagamento da empresa ou em documento de informações previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária, de segurado empregado, trabalhador avulso ou contribuinte individual que lhe preste serviço. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EFEITOS. A exclusão do Simples Nacional surtirá efeito a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a XII do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006, impedindo a opção por este regime diferenciado e favorecido de tributação pelos próximos três anos calendário seguintes. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido”. Somente a Recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 17/09/2013 (AR fls. 1491) e inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 1650.196, apresenta recurso voluntário em 16/10/2013 constante das fls 1456 e segs, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando os argumentos da peça impugnativa, mas sem acrescentar novos argumentos em decorrência da decisão proferida pela 13ª Turma da DRJ/São Paulo1SP. Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Oonbservando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.722250/201171 Acórdão n.º 1401001.215 S1C4T1 Fl. 1.708 13 Junta a Recorrente ao recurso voluntário comprovantes das manifestações de inconformidade protocoladas pelos responsáveis solidários Janice Maria de Espindola da Silva; Adriano Eduardo da Silva; Maria Laurete da Silva; Thiago da Silva; Graziela Cristina da Silva Iahn, constante das fls. 1.646 e segs dos autos. Contudo nos autos só encontro a manifestação de inconformidade apresentada pelo responsável solidário COMERCIAL DE CARNES SILVA LTDA em 08/12/2011, constante das fls. 706 e segs. Diante desse fato e daquilo que aduz a Recorrente em seu recurso voluntário, não há como negar que a decisão “a quo” proferida pela 13ª Turma da DRJ/São Paulo1SP e consubstanciada no Acórdão nº 1650.196 é nula porque não apreciou, nas suas razões de decidir, os argumentos apresentados nas manifestações de inconformidade apresentadas pelos responsáveis solidários. Contra fatos não há argumentos. A Constituição Federal assegura no inciso LV do seu art.5°, o contraditório e a amplitude do direito de defesa do acusado, seja em processo judicial ou administrativo. E, a falta de apreciação pela 13ª Turma da DRJ/São Paulo1SP, autoridade julgadora de primeira instância, das razões apresentados nas manifestações de inconformidade apresentadas pelos responsáveis solidários constitui preterição do direito de defesa da parte, ensejando a nulidade da decisão assim proferida, "ex vi" do disposto no art. 59, item II, do Decreto nº 70.235/72. Ante todo o exposto, voto no sentido de se anular a decisão constante do Acórdão nº 1650.196 de lavra da 13ª Turma da DRJ/São Paulo1SP para que outra seja proferida, apreciandose todas as razões apresentados nas manifestações de inconformidade apresentadas pelos responsáveis solidários, inclusive com a juntada aos autos das manifestações de inconformidade protocoladas pelos responsáveis solidários Janice Maria de Espindola da Silva; Adriano Eduardo da Silva; Maria Laurete da Silva; Thiago da Silva; Graziela Cristina da Silva Iahn. Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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Numero do processo: 11080.918978/2012-45
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
MULTA DE MORA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 02.
De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não é nulo o despacho decisório que, embora conciso, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a não-homologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, porque o interessado foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação. Preliminar de nulidade afastada.
DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO.
No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis.
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Na falta de provas, deve ser mantida a não-homologação da compensação.
MULTA DE MORA. LEGALIDADE. ART. 61 DA LEI Nº 9.430/1996.
A incidência de multa de mora encontra-se expressamente prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Alegação de ilegalidade afastada.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 MULTA DE MORA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 02. De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não é nulo o despacho decisório que, embora conciso, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a nãohomologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, porque o interessado foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação. Preliminar de nulidade afastada. DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferilas, quando prescindíveis ou impraticáveis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 78 /2 01 2- 45 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Na falta de provas, deve ser mantida a nãohomologação da compensação. MULTA DE MORA. LEGALIDADE. ART. 61 DA LEI Nº 9.430/1996. A incidência de multa de mora encontrase expressamente prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Alegação de ilegalidade afastada. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 113DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.918978/201245 Acórdão n.º 3802002.438 S3TE02 Fl. 112 3 O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 61 e ss., alega preliminarmente a nulidade do despacho decisório, por ausência de fundamentação e violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. No mérito, sustenta que o ônus da prova do direito de crédito não seria do sujeito passivo. Ao contrário, caberia à decisão recorrida demonstrar a ausência de liquidez e de certeza do crédito, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Aduz que deve ser possibilitado ao contribuinte, inclusive por meio de diligência, a juntada posterior de provas do direito de crédito. Por fim, sustenta a ilegalidade e a inconstitucionalidade da incidência de multa de mora sobre o débito confessado, por incompatibilidade com os princípios constitucionais do nãoconfisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Requer o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 12/09/2013 (fls. 109), interpondo recurso tempestivo em 03/10/2013 (fls. 61). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido, ressalvado no que se refere às alegações de inconstitucionalidade da multa de mora. Isso porque, consoante entendimento consolidado na Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para a declaração de inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses do art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 114DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Por outro lado, em que pese os argumentos apresentados pelo Recorrente, não há como se acolher a preliminar de nulidade. Isso porque, ainda que conciso, o despacho decisório encontrase suficientemente fundamentação, contendo a exposição das razões de fato e de direito da nãohomologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. O interessado, afinal, foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação federal que disciplina o procedimento administrativo fiscal. No tocante à diligência, devese ter presente que, no processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferindoas, quando prescindíveis ou impraticáveis: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” No presente caso, por sua vez, é prescindível a realização da diligência, porquanto o feito pode ser decidido à luz das regras de distribuição do ônus da prova. Com efeito, o contribuinte, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em casos dessa natureza, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz Fl. 115DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.918978/201245 Acórdão n.º 3802002.438 S3TE02 Fl. 113 5 efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” Fl. 116DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a Fl. 117DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.918978/201245 Acórdão n.º 3802002.438 S3TE02 Fl. 114 7 compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o contribuinte não apresentou qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque, ao contrário do sustentado pelo Recorrente, cabe ao sujeito passivo o ônus da prova nos pedidos de compensação. Por fim, melhor sorte não socorre ao Recorrente na pretensão de afastamento da multa de mora. Esta foi exigida validamente, na forma do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, o que torna manifestamente improcedente a alegação de ilegalidade. Votase, assim, pelo conhecimento parcial e desprovimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 118DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000381/2007-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .0 00 38 1/ 20 07 -3 0 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000381/200730 Resolução nº 2401000.366 S2C4T1 Fl. 815 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto por SIEMENS VDO AUTOMOTIVE LTDA, em face do acórdão de fls., que manteve parcialmente o AI n. 37.079.4320, lavrada para a cobrança de multa por ter a recorrente deixado de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias a seu cargo. Consta do relatório fiscal que não foram informados os seguintes fatos geradores das contribuições a saber: a) O pagamento de ALUGUÉIS, levantamento L1 e G1: pagamentos de aluguéis residenciais aos seus empregados, considerado como salário in natura; b) O pagamento de BRINDES, levantamentos PR1 e BR1: A empresa promove através de um programa de incentivo, denominado PROGRAMAZERO CNC, para os trabalhadores da área de montagem das unidades de Guarulhos e Salto, com ' o objetivo de melhorar a qualidade de seus produtos. Ao final de cada mês, as linhas de montagem que são premiadas, de acordo com o programa, recebem diversos BRINDES, dentre eles: cobertores, secadores de cabelo, ferro a vapor, cafeteira, moto e até carro, e sem Contribuição Previdenciária. c) Alimentação sem inscrição no PAT, levantamento PA1: a empresa fornecia alimentação aos seus trabalhadores através de cestas básicas e restaurante interno, porém, não possuía inscrição no PAT. d) O pagamento de SEGURO SAÚDE, levantamentos OS1, AM1, SR1, SU1: a empresa oferece plano de saúde somente para seus diretores, e, ainda, entre cada um deles, o plano é oferecido de modo diferenciado. e) O pagamento de SEGURO DE VIDA EM GRUPO, levantamento SE1: a empresa oferece seguro de vida em grupo sem que o benefício seja extendido a todos. f) O pagamento de valores a título de ESTABILIDADE e INDENIZAÇÃO, levantamentos ES1, EG1, IN1, IG1. Como indenização foram considerados os valores pagos aos empregados cujo contrato de trabalho tenha sido rescindido por iniciativa do empregador, sem justa causa, e no prazo de 30 (trinta) dias após o retomo de férias, equivalente a um salário, conforme cláusula de Convenção Coletiva de Trabalho – CCTS. Como estabilidade foram considerados os valores pagos em decorrência da realização de movimentos grevistas não abusivos, quando concedese uma Estabilidade de 90 (noventa) dias por se tratar de database, conforme acórdão do Poder Judiciário apresentado pela recorrente. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000381/200730 Resolução nº 2401000.366 S2C4T1 Fl. 816 3 g) PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS, levantamento PL1: a empresa pagou PLR em desacordo com a legislação de vigência, tendo em vista que não havia convenção coletiva ou mesmo comissão formada com interveniência do sindicato a justificar o pagamento, além dos valores terem sido creditados aos segurados empregados sem a observância da periodicidade de duas vezes no mesmo ano civil. O período apurado compreende a competência de 04/1997 a 03/2006, tendo sido o último contribuinte cientificado em 24/09/2007 (fls. 01). O v. acórdão reconheceu a decadência parcial do lançamento até a competência de 11/2001, aplicando ao caso o art. 173, I, do CTN. Em seu recurso, defende, em preliminar, que a decadência deve ser aplicada em conformidade com a regra do art. 150, 4o do CTN. Aponta que a exigência em tela foi formulada sobre pagamentos feitos pela Recorrente aos seus empregados a titulo de: ALUGUÉIS (objeto da NFLD n° 37.079.4273); BRINDES (objeto da NFLD n° 37.079.4281); PAT PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (objeto da NFLD n° 37.079.4214); SEGURO SAÚDE (objeto da NFLD n° 37.079.4265); SEGURO DE VIDA EM GRUPO (objeto da 37.079.4249); e PLR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (objeto da NFLD n° 37.079.4230) Por fim, que em todas as autuações a Recorrente apresentou defesa, que já foram julgadas em primeira instância. Para cada decisão desfavorável aos seus interesses, ainda que parcialmente, a Recorrente apresentou recurso voluntário, ainda pendente de análise, motivo pelo qual o presente processo deve ser sobrestado. Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000381/200730 Resolução nº 2401000.366 S2C4T1 Fl. 817 4 VOTO Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator Conforme já relatado, tratase da imposição de multa pela apresentação da GFIP nas quais foram omitidos fatos geradores de contribuições previdenciárias que foram objeto de lançamento em outros Autos de Infração lavrados pela fiscalização e indicados no relatório fiscal e recurso voluntário. De todos os Autos de Infração e NFLD´s indicadas no TEAF, sejam relativos a obrigações principais ou acessórias, não foi possível descobrirse o paradeiro de todos eles, mediante consulta no sistema deste Eg. Conselho, sobretudo para confirmarse quais foram as decisões nele proferidas e se já proferidas de forma definitiva. Assim, se o lançamento principal conexo vier a ser anulado ou julgado improcedente, concluise, por óbvio, que não havia a obrigatoriedade da recorrente informar os fatos geradores em GFIP, o que elidiria a aplicação da multa lançada no presente Auto de Infração, que tem estreita ligação e é acessório ao deslinde das NFLD´s nas quais foram lançadas a obrigações principais. Por tais motivos, tenho que o julgamento do presente Auto de Infração deve se dar somente em conjunto com as NFLD´s correlatas, ou, quando estas já estejam definitivamente julgadas. Assim sendo, voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA, para que baixem os autos em diligência e indique o fiscal: (i) qual o número de cada um processos administrativos relativos aos seguintes lançamentos: ALUGUÉIS (objeto da NFLD n° 37.079.4273); BRINDES (objeto da NFLD n° 37.079.4281); PAT PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (objeto da NFLD n° 37.079.4214); SEGURO SAÚDE (objeto da NFLD n° 37.079.4265);e PLR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (objeto da NFLD n° 37.079.4230); (ii) individualizadamente onde se encontram cada um dos processos administrativos indicados em resposta ao item (i) da presente resolução; (iii) esclarecer qual o resultado dos julgamentos de cada um dos processos em primeira instância, e, se for o caso, dos recursos nele impetrados, fazendo juntar cópias dos acórdãos repectivos; É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000103/2007-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 01/01/2006
LANÇAMENTOS REFLEXOS DA APURAÇÃO DO IRPJ. COMPETÊNCIA.
Compete à Primeira Seção de Julgamento apreciar e julgar lançamento reflexo de IRPJ.
Numero da decisão: 3201-001.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Daniel Mariz Gudino e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 01/01/2006 LANÇAMENTOS REFLEXOS DA APURAÇÃO DO IRPJ. COMPETÊNCIA. Compete à Primeira Seção de Julgamento apreciar e julgar lançamento reflexo de IRPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Daniel Mariz Gudino e Winderley Morais Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 01/01/2006 LANÇAMENTOS REFLEXOS DA APURAÇÃO DO IRPJ. COMPETÊNCIA. Compete à Primeira Seção de Julgamento apreciar e julgar lançamento reflexo de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Daniel Mariz Gudino e Winderley Morais Pereira. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 01 03 /2 00 7- 69 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 12571.000103/200769 Acórdão n.º 3201001.652 S3C2T1 Fl. 379 2 Em decorrência de ação fiscal desenvolvida junto à empresa qualificada, foram lavrados os seguintes autos de infração (cientificados em 24/10/2007, fl. 250): a) de fls. 236/239, em que são exigidos R$ 62.954,11 de PIS, além de multa de ofício de 75% e acréscimos legais, em face da falta/insuficiência de recolhimento da contribuição ao PIS relativamente aos períodos de apuração 11/2004 e 03/2006, consoante descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 237, demonstrativo de apuração de fl. 238 e demonstrativo de multa e juros de mora de fl. 239, e. b) de fls. 240/243, em que são exigidos R$ 29.557,14 de Cofins, além de multa de ofício de 75% e encargos legais, em face da falta/insuficiência de recolhimento da Cofins relativamente ao período de apuração 11/2004, consoante descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 241, demonstrativo de apuração de fl. 242 e demonstrativo de multa e juros de mora de fl. 243. O Relatório de Ação Fiscal, de fls. 244/247, cientificado à contribuinte, detalha os procedimentos adotados e esclarece que o lançamento decorre da apuração de diferenças entre o contido na escrituração e o informado nas DCTF. Em 21/11/2007, a interessada apresentou as impugnações de fls. 253/259 (Cofins) e 260/267 (PIS), instruída com os documentos de fls. 268/286 (cópia de documentos societários, do relatório de ação fiscal, dos autos de infração, e de demonstrativo do cálculo do PIS/Cofins não cumulativo de março de 2006), cujas razões encontramse sintetizadas a seguir. Inicialmente, após breve relato dos fatos, diz, em ambas as impugnações, estranhar a forma como o órgão arrecadador lavrou o auto de infração, "aplicando contra a mesma o famigerado Auto exigindo além da diferença de imposto não informada, uma multa no percentual de 75,0% sobre a diferença apontada", e que "deveria o agente que procedeu a revisão, verificar que na época dos fatos deveria ter sido exigido somente a multa no percentual máximo de 20% como tratava a Legislação então vigente, e somente sobre valores efetivamente devidos pela empresa." Na impugnação relativa ao PIS, diz que o débito de março de 2006 não existe já que não foram considerados R$ 38.370,60 de "créditos descontados, pelas compras realizadas pela empresa", nem R$ 18.296,10 de retenções feitas por várias empresas. A seguir, discorre, em ambas as impugnações, sobre os "vícios da autuação frente à moralidade pública." Cita o art. 37 da CF e afirma que "o auto de infração lavrado contra a Imbaú Transportes e Serviços Ltda exigindo o recolhimento de uma multa em percentual de 75% sobre um valor que foi informado em DCTF, bem como em seu livro razão na época dos fatos, passando o percentual da multa esta sem qualquer amparo legal em relação ao percentual elevado em período de fatos geradores passados, pois não está prevista na legislação multa esta que deve Fl. 385DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 12571.000103/200769 Acórdão n.º 3201001.652 S3C2T1 Fl. 380 3 ser considerada imoral, está ferindo e indo contra a moralidade que se espera da Administração Pública, exigida constitucionalmente." No tópico seguinte, insiste na afirmação de que a aplicação da multa de ofício é inaceitável. Diz que a multa "está moldada como se a Impugnante não tivesse cumprido com suas obrigações, ou seja, tivesse omitido o valor do imposto.'" Aduz que teria havido um erro da fiscalização, "pois sem ao menos tomar cuidado de certificarse se tal importância havia sido efetivamente recolhida ou não, passou a exigir multa sobre valor que havia sido informado nos documentos de apuração do imposto DIPJ" Ao final, requer, quanto à Cofins, o acolhimento da impugnação e a redução da multa para 20% (com a redução dos juros na mesma proporção), e, quanto ao PIS, a consideração de créditos de R$ 38.370,60 e de retenções de R$ 18.296,10, em relação a março de 2006 e, ainda, que a exigência de novembro/2004 tenha a multa reduzida para 20%, nos termos da legislação vigente na época dos fatos. Encaminhado para julgamento, o processo acabou retornando para a DRF em Ponta Grossa para, sendo o caso, proceder à transferência das parcelas não impugnadas do lançamento (fl. 288). À fl. 289, Termo de Transferência de Crédito Tributário, para o processo n° 16404.001.098/200794, de parcelas do lançamento (extrato às fls. 290/291). Posteriormente, o processo foi novamente enviado para julgamento (fl. 292). As fls. 293/306, juntaramse extratos relativos ao Dacon de março de 2006, apresentado pela empresa. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 MULTA DE OFÍCIO. Cobrase multa de ofício, por expressa previsão legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004, 01/03/2006 a 31/03/2006 PIS NÃO CUMULATIVO. DESCONTOS DA BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 12571.000103/200769 Acórdão n.º 3201001.652 S3C2T1 Fl. 381 4 Na sistemática da não cumulatividade podem ser descontados os créditos referentes às aquisições no mercado interno (vinculados à receita tributada no mercado interno) e deduzidas as retenções de PIS/Pasep efetuadas pelas Pessoas Jurídicas de Direito Privado. MULTA DE OFÍCIO. Cobrase multa de ofício, por expressa previsão legal. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Conforme se depreende do relatório deste voto, trata o presente processo de recurso voluntário frente à acórdão da DRJ/Curitiba que julgou improcedente impugnação de lançamento tributário referente à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins. No relatório de ação fiscal, a autoridade administrativa assim informa: A presente fiscalização abrangeu a apuração de IRPJ, a qual continua em andamento, e demais tributos na modalidade "verificações obrigatórias", sendo que os presentes autos de infração contemplam apenas a verificação do PIS e da COFINS. Assim, embora haja outros documentos relacionados a esta fiscalização, somente foram juntados a este processo os relacionados a estas duas contribuições, os demais comporão outros processos. Constatase, desta forma, que o lançamento foi efetuado em procedimento reflexo ao lançamento do IRPJ. Observase que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, estabelece em seu artigo 2º, inciso IV, do anexo II que compete à Primeira Seção o julgamento de recurso voluntário de decisão de primeira instância que trate de auto de infração referente a exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: [...] IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, Fl. 387DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 12571.000103/200769 Acórdão n.º 3201001.652 S3C2T1 Fl. 382 5 assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; Diante do exposto, não conheço do recurso voluntário e declino a competência do seu julgamento para a Primeira Seção de Julgamento. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 388DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.722849/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
Autos de Infração DEBCADs sob nºs nº 51.009.106-7; 51.009.107-5 e 51.009.1083
RECURSO AVIADO INTEMPESTIVAMENTE. RECURSO NÃO CONHECIDO.
O Decreto 70.235/72, em seu artigo 33 reza que da decisão exarada pelas DRJs poderão ser interpostos recursos voluntários, total ou parcial, com efeito suspensivo, em trinta dias seguintes à noticia da decisão ao contribuinte/recorrente.
No presente caso a ciência da decisão de piso foi no dia 08 de janeiro de 2013 e a Recorrente somente aviou o presente remédio com mais de trinta dias, eis que protocolizou-o somente no dia 22 de fevereiro do mesmo ano.
Recurso Volutário Não Conhecido
Numero da decisão: 2301-004.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Antonio De Souza Correa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 Autos de Infração DEBCADs sob nºs nº 51.009.106-7; 51.009.107-5 e 51.009.1083 RECURSO AVIADO INTEMPESTIVAMENTE. RECURSO NÃO CONHECIDO. O Decreto 70.235/72, em seu artigo 33 reza que da decisão exarada pelas DRJs poderão ser interpostos recursos voluntários, total ou parcial, com efeito suspensivo, em trinta dias seguintes à noticia da decisão ao contribuinte/recorrente. No presente caso a ciência da decisão de piso foi no dia 08 de janeiro de 2013 e a Recorrente somente aviou o presente remédio com mais de trinta dias, eis que protocolizou-o somente no dia 22 de fevereiro do mesmo ano. Recurso Volutário Não Conhecido
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RECURSO NÃO CONHECIDO. O Decreto 70.235/72, em seu artigo 33 reza que da decisão exarada pelas DRJ’s poderão ser interpostos recursos voluntários, total ou parcial, com efeito suspensivo, em trinta dias seguintes à noticia da decisão ao contribuinte/recorrente. No presente caso a ciência da decisão de piso foi no dia 08 de janeiro de 2013 e a Recorrente somente aviou o presente remédio com mais de trinta dias, eis que protocolizouo somente no dia 22 de fevereiro do mesmo ano. Recurso Volutário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Antonio De Souza Correa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 28 49 /2 01 2- 51 Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVE IRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10920.722849/201251 Acórdão n.º 2301004.101 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário aviado contra Acórdão sob n° 0730.302, exarado pela douta 5ª Turma da DRJ/FNS, cuja qual não acolheu a impugnação das autuações de três (3) Autos de Infração, sendo eles: a) AI DEBCAD nº 51.009.1067, compreende as contribuições patronais e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), que tiveram como fatos geradores as remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais; b) AI DEBCAD nº 51.009.1075, compreende as contribuições para as terceiras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SEBRAE e SESC), que tiveram como fatos geradores as remunerações de segurados empregados; e c) AI DEBCAD nº 51.009.1083, por descumprimento de obrigação acessória (apresentação de documentos e livros contábeis sem formalidades legais). Diz o Relatório Fiscal que os créditos lançados, baseados no art. 32, caput e §§ da Lei nº 12.101 de 27 de novembro de 2009, decorrem do não preenchimento dos requisitos para fruição da isenção das contribuições sociais, nestes termos: · promoção mínima de assistência social beneficente (art. 55, inc. III, da Lei nº 8.212/1991, c/c art. 10, §1º, e art. 11, inc. I, da Lei nº 11.096/2005); · não remuneração de dirigente (art. 55, inc. IV, da Lei nº 8.212/1991; art. 28, inc. II, da MP nº 446/2008, e; art. 29, inc. I, da Lei nº 12.101/2009); · contabilização das alegadas gratuidades de forma segregada (art. 209, §3º, in fine, do RPS; art. 28, inc. VII, da MP nº 446/2008, e; art. 29, inc. IV, da Lei nº 12.101/2009). O RF trás ainda que as autuações foram lavradas no curso do Procedimento Fiscal nº 0920200.2011.013385, realizado junto à Recorrente em face de sentença judicial exarada na Ação Popular nº 500275709.2010.404.7201/SC, em trâmite na Justiça Federal de Joinville/SC, que tem por objeto a verificação dos requisitos para a fruição do benefício fiscal de entidade beneficente de assistência social. Alega a Fiscalização que após exame dos documentos apresentados, constatou que a entidade não atendeu todos os requisitos para a certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social (EBAS) e não cumpriu todos os requisitos para a fruição da isenção das contribuições sociais, fato verificado em todo o período sob fiscalização. Fl. 1681DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVE IRA 4 A síntese do lançamento, para a Fiscalização é que a Recorrente i) além de não ter cumprido os requisitos para a certificação não cumpre os seguintes requisitos para a fruição da isenção das contribuições: a) não promove o mínimo legal em assistência social beneficente; b) remunera o Diretor Geral em razão do cargo dirigente definido no Estatuto Social, e; c) não segregou em contabilidade as aplicações em gratuidades. Intimada providenciou a impugnação, com suas razões, cujas quais não foram suficientes para modificarem o lançamento. Em 08.JAN.2013 foi noticiada da decisão de piso e no dia 22.FEV.2013 aviou o presente remédio recursivo com suas razões. É a síntese do necessário. Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10920.722849/201251 Acórdão n.º 2301004.101 S2C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa O Recurso aviado é intempestivo, e dele NÃO conheço. Antes de adentrar aos quesitos de defesa, necessário verificar o julgador das condições e pressupostos intrínsecos e extrínsecos do processo administrativo. No caso em tela deixou a Recorrente de acudir as exigências do Artigo 33 do Decreto 70.235/72,’ in verbis’: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Como se vê nos autos às fls. 1.611, no dia 08.JAN.2013 a Recorrente tomou ciência da decisão singular e às fls. 1.616 aviou o presente remédio, cuja data de protocolo é o dia 22.FEV.2103. Portanto, não acudindo o trintídio legal, conforme certificou a Delegacia às fls. 1.612. Verificase no remédio recursivo que não há nenhuma linha tratando da tempestividade do mesmo, onde poderia a Recorrente, de alguma forma, tentar traçar um possível equívoco. Desta forma, encontrase a decisão singular abarcada pela coisa julgada, diante do trânsito em julgado da decisão. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário NÃO atende os pressupostos de admissibilidade, dele NÃO conheço. É como Voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator (assinado digitalmente) Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 13951.000910/2008-51
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA FONTE. AJUSTE ANUAL.
O recebimento de rendimentos trabalhistas, em ação judicial, não é sujeito à tributação exclusiva na fonte, mas pelo regime de antecipação do imposto devido, sujeito ao ajuste anual. Tampouco é isento do imposto de renda.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ.
No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitando-se, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Interpretação da lei conforme jurisprudência do STJ.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 2801-003.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Mara Eugenia Buonanno Caramico.
Nome do relator: Marcio Henrique Sales Parada
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA FONTE. AJUSTE ANUAL. O recebimento de rendimentos trabalhistas, em ação judicial, não é sujeito à tributação exclusiva na fonte, mas pelo regime de antecipação do imposto devido, sujeito ao ajuste anual. Tampouco é isento do imposto de renda. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitando-se, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Interpretação da lei conforme jurisprudência do STJ. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Mara Eugenia Buonanno Caramico.
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FORMA DE TRIBUTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA FONTE. AJUSTE ANUAL. O recebimento de rendimentos trabalhistas, em ação judicial, não é sujeito à tributação exclusiva na fonte, mas pelo regime de antecipação do imposto devido, sujeito ao ajuste anual. Tampouco é isento do imposto de renda. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Interpretação da lei conforme jurisprudência do STJ. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 1. 00 09 10 /2 00 8- 51 Fl. 676DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13951.000910/200851 Acórdão n.º 2801003.623 S2TE01 Fl. 676 2 Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Mara Eugenia Buonanno Caramico. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade do contribuinte recorrente com a Notificação de Lançamento constante da fl. 24 e ss., que resultou da revisão das informações prestadas em sua declaração de Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas do exercício de 2006, ano calendário de 2005, onde se verifica, na “descrição dos fatos”, que a Fiscalização constatou a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (Banco do Brasil), em decorrência de ação que tramitou na Justiça Trabalhista. Narra a Autoridade Fiscal que constatou a omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente no valor de R$ 76.545,38. O Lançamento, então, exigiu do contribuinte o crédito tributário importando em R$ 16.933,02 a título de imposto, R$ 12.699,76 a título de multa proporcional (75%) e mais juros de mora com base na taxa Selic, no total de R$ 33.976,09. Inconformado o contribuinte apresentou Impugnação que foi conhecida e tratada pela DRJ em Curitiba/PR, tendo aquele julgamento concluído pela procedência da ação fiscal e manutenção do crédito tributário exigido, em suma, com os seguintes argumentos: A Lei ( Lei 7713/88, art.7°) , quando impõe à fonte pagadora a obrigação de reter o imposto, não modifica quem é o contribuinte da obrigação tributária, que continua sendo a pessoa que adquiriu a disponibilidade jurídica ou econômica da renda ou dos proventos tributáveis. No caso das verbas reconhecidas em reclamatória trabalhista, a incidência do imposto de renda ocorre no momento do recebimento do crédito. mostrase inarredável a aplicação do art. 12 da Lei 7713/1988 que determina que a incidência do imposto de renda sobre o total dos rendimentos no mês do recebimento ou crédito. Assim, considerando que o lançamento encontrase em conformidade com a legislação tributária em vigor, nenhum reparo merece a presente autuação. Os gastos com honorários só podem ser deduzidos na proporção em que os rendimentos percebidos se submetem a incidência tributária. se não houve, como se vê dos autos, a tributação integral dos rendimentos, também não pode ser integral a dedução da despesa necessária a promover à ação judicial, no caso em exame, honorários advocatícios. Os juros incidentes sobre créditos trabalhistas, sujeitamse, juntamente como os demais rendimentos acumulados, a incidência tributária, nos termos do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3000/99. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13951.000910/200851 Acórdão n.º 2801003.623 S2TE01 Fl. 677 3 A penalidade cominada tem por base o art. 44, inciso 1, da Lei 9.430/96. Tratandose, portanto, de multa fixada por lei, fica vedado ao agente da Administração Pública negarlhe aplicação e a a penalidade pecuniária estabelecida no patamar de 75% prevista na Lei 9.430/96, diversamente do que supõe a defesa, decorre de responsabilidade objetiva intitulada no art. 136 do CTN. Cientificado da decisão de 1ª instância em 21/02/2011 (AR fl. 650), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 23/03/2011 (fl. 651). Em sede de recurso, repisa as razões apresentadas anteriormente, nos autos, do que destaco: os valores pagos referemse a parte das diferenças salariais, reflexos das diferenças salariais e reflexos nas gratificações semestrais, horas extras, reflexos das horas extras e reflexos das horas extras em gratificações semestrais, valores estes acrescidos de juros de mora e correção monetária, conforme se pode observar da cópia do cálculo do Sr. Perito; cumpre observar que o sujeito passivo declarou o rendimento como não tributável, uma vez que, por se tratar de rendimento proveniente de relação trabalhista, entendeu que o IR havia sido efetivamente recolhido pelo responsável tributário, ou seja, por equivoco é que deixou de recolher os valores devidos. não pode o trabalhador ser penalizado por equivoco da instituição financeira, fonte pagadora, aduzindo que o contribuinte não é o responsável pelo recolhimento do tributo, devendo a instituição financeira ser notificada. no presente caso, como foi utilizado o “regime de caixa”, ou seja, considerado o valor recebido na totalidade no ano de 2005, foi calculado o imposto à aliquota máxima. O empregado não pode ser penalizado por falta cometida por seu empregador. Por esta razão, e para se atender ao princio da capacidade econômica do contribuinte (artigo 145, parágrafo 1°, da CF188), o imposto não pode ser calculado em seu valor bruto, como apresentado na Notificação de lançamento. em que pese o valor ter sido recebido em sua totalidade no ano de 2005, ele deveria ter sido pago durante o contrato de trabalho, ou seja, inserido mensalmente nas folhaS de pagamento de 10/12/1982 à 31/0711995. ainda tratando do fato gerador do imposto, há que se considerar que juros de mora referentes ao débito trabalhista não podem compor a base de cálculo para apuração do tributo, posto que não podem ser conceituados como renda. Devem, portanto, ser excluídos os juros moratórios do cálculo do Imposto, bem como, ser o imposto recalculado mensalmente. o valor pago aos advogados, que totaliza R$ 21.045,66 (vihte e um mil, e quarenta e cinco reais e sessenta e seis, centavos), não pode compor a base de cálculo do Imposto de renda a ser pago pelo contribuinte, devendo este valor ser excluido dos cálculos. Requerse a exclusão do valor da diferenga entre os valores apresentados nos recibos e o valor apresentado pela RFB, o quE totaliza R$ 948,08. ALTERNATIVAMENTE, caso seja efetivamente devido imposto, cumpre observar erro justificável do contribuinte, boa fé, uma vez que nos cálculos apresentados pela instituição financeira há deduções de IRRF deduzido na fonte. Assim por ter agido sempre com lisura e boafé é que o sujeito passivo requer a exclusão da multa. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13951.000910/200851 Acórdão n.º 2801003.623 S2TE01 Fl. 678 4 Assim, REQUER que seja julgado improcedente o Auto de Infração; ou que sejam consideradas, no cálculo do imposto, as tabelas e alíquotas vigentes em cada período de apuração a que se referem os rendimentos; e também a exclusão de diferença realtiva a honorários advocatícios, exclusão do imposto sobre juros de mora e exclusão da multa de ofício de 75%. O processo foi apreciado por esta Turma Especial, em Sessão de 14 de março de 2012, decidindose, à unanimidade, pelo sobrestamento do julgamento, sob o argumento de que a matéria que versa sobre tributação de rendimentos recebidos acumuladamente está entre aquelas às quais o STF atribuiu “repercussão geral”, determinando o sobrestamento dos recursos na origem, o que deveria ser repetido pelos Conselheiros, neste CARF, por força de dispositivos de seu Regimento Interno. Revogadas tais disposições regimentais, o processo retorna à pauta de julgamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA FONTE. AJUSTE ANUAL. Conforme já esclarecido pela DRJ, o recebimento de rendimentos decorrentes de ação judicial trabalhista, reconhecido o direito pela Justiça do Trabalho, não é de tributação exclusiva na fonte, mas de antecipação do imposto devido, sujeito ao ajuste anual. Imposto retido como antecipação. Diferentemente do regime de tributação exclusiva, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual. Nesse sentido, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade da fonte pagadora extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última sujeitaa à exigência do imposto correspondente, em geral acrescido de multa de ofício e juros de mora, conforme abaixo transcrito: “... Fl. 679DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13951.000910/200851 Acórdão n.º 2801003.623 S2TE01 Fl. 679 5 IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual.” DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. O lançamento versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte, decorrentes de ação que reconheceu seu direito à percepção de verbas e reflexos de cunho trabalhista. Tais rendimentos foram tributados integralmente no mês em que foram recebidos, como se depreende da “descrição dos fatos” constante da Notificação de Lançamento e como afirma o contribuinte em suas manifestações. A tributação deuse, então, na forma do artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, que determina que, nesses casos, o imposto incide sobre o total dos rendimentos, no mês do recebimento do valor, diminuído das despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento. Ocorre, entretanto, que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente no mês do recebimento do crédito, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do Código de Processo Civil (CPC), em decisão assim ementada: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, Fl. 680DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13951.000910/200851 Acórdão n.º 2801003.623 S2TE01 Fl. 680 6 dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema pela Corte Suprema, com a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, vinhase sobrestando os julgamentos dos recursos atinentes, neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), até que ocorresse o julgamento final do Recurso Extraordinário, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, que assim dispõe: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Por sua vez, o art. 2º da Portaria CARF n° 1, de 03 de janeiro de 2012, estabelece que: Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Contudo, os §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF foram revogados em recente decisão do Sr. Ministro da Fazenda, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013: PORTARIA No 545, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2013 Altera o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministro de Estado da Fazenda. O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, Fl. 681DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13951.000910/200851 Acórdão n.º 2801003.623 S2TE01 Fl. 681 7 publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. A (in)constitucionalidade ainda não foi declarada pelo Pretório Excelso e o dispositivo de lei permanece em vigor. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), contudo, já se manifestou, inclusive atribuindo aos recursos a sistemática dos “repetitivos”, sobre a interpretação a ser dada ao dispositivo da Lei nº 7.713/1988, em comento. Vejamos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. (grifei) 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.(grifei) (REsp 1118429 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00557226. Ministro HERMAN BENJAMIN (1132). DJe 14/05/2010) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. (...). ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. TEMAS JÁ JULGADOS PELA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELO ART. 543C DO CPC. 1.... 2. Em relação ao ponto do recurso especial em que a Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art. 12 da Lei n. 7.713/88 e impugna o capítulo do acórdão do Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do imposto de renda", consta da decisão ora agravada que o mencionado recurso não procede porque a decisão proferida pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), cuja ementa assim enuncia: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo Fl. 682DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13951.000910/200851 Acórdão n.º 2801003.623 S2TE01 Fl. 682 8 segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." 3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do imposto de renda, porém nada diz a respeito das alíquotas aplicáveis a tais rendimentos. Assim, no julgamento do recurso especial, não ocorreu violação do art. 97 da Constituição da República, tampouco contrariedade à Súmula Vinculante n. 10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl no REsp 622.724/SC (Rel. Min. Felix Fischer, REVJMG, vol. 174, p. 385), "não há que se falar em violação ao princípio constitucional da reserva de plenário (art. 97 da Lex Fundamentalis) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer lei".(sublinhei) 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PR AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES 2012/0138520 DJe 08/02/2013) Houve, inclusive, a edição do Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 que sedimentou o entendimento de que não pode prevalecer a tributação integral de verbas recebidas acumuladamente segundo a tabela progressiva vigente no mês do recebimento. É fato também que esse Parecer da PGFN foi posteriormente revogado, mas de tal sobreveio o AD PGFN nº 1/2009, com o seguinte teor, que transcrevemos a título de ilustração, registrando que se encontra suspenso: “ATO DECLARATÓRIO Nº 1, DE 27 DE MARÇO DE 2009 O PROCURADOR GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 13/05/2009, DECLARA que fica autorizada a dispensa de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global.". JURISPRUDÊNCIA: Resp 424225/SC (DJ 19/12/2003); Resp 505081/RS (DJ 31/05/2004); Resp 1075700/RS (DJ 17/12/2008); AgRg no REsp 641.531/SC (DJ 21/11/2008); Resp 901.945/PR (DJ 16/08/2007). Fl. 683DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13951.000910/200851 Acórdão n.º 2801003.623 S2TE01 Fl. 683 9 “SUSPENSÃO DE ATO DECLARATÓRIO. (Suspende o Ato Declaratório nº 1, de 27 de março de 2009 (DOU de 14.05.2009, Seção I, p. 15), que dispõe sobre a dispensa de recursos nos casos de imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, em face do acolhimento de Repercussão Geral pelo STF dos RREE 614.406 e 614.232). Rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente. O imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. Ato Declaratório nº 1, de 27 de março de 2009 (DOU de 14.05.2009, Seção I, p. 15), editado pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional com fundamento no PARECER PGFN/CRJ 287/2009, aprovado pelo Ministro da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 13.05.2009, Seção I, p. 9. Reconhecimento de Repercussão Geral nos RREE 614.406 e 614.232. Suspensão (Parecer PGFN nº 2.331, de 27.03.2010). Outrossim, diz ALEXANDRE DE MORAES que “assim como podemos afirmar que o STF é o guardião da Constituição, também podemos fazêlo no sentido de ser o STJ o guardião do ordenamento jurídico federal” . Continuando, o autor diz que em relação ao recurso especial, ensinanos o Ministro do STJ Sálvio de Figueiredo Teixeira, tratarse: “de modalidade de recurso extraordinário latu sensu, destinado, por previsão constitucional, a preservar a unidade e autoridade do direito federal, sob inspiração de que nele o interesse público, refletido na correta interpretação da lei, deve prevalecer sobre os interesses das partes...”(MORAES. Alexandre, Direito Constitucional, 15ª ed., São Paulo : Atlas, 2004, p. 496 e 498)(sublinhei) Para REGINA HELENA COSTA, “a aplicação reiterada das normas jurídicas por órgãos do Poder Judiciário constrói pensamento hábil a orientar a conduta dos jurisdicionados, bem como influenciar a atuação dos legisladores e administradores na busca de aperfeiçoamentos e modificações que o ordenamento jurídico requer.”(sublinhei) Assim, conclui a Ministra do STJ e livredocente em Direito Tributário, que: “Nos dias atuais, inegável o papel da jurisprudência como fonte do direito. Conquanto não ostente a mesma importância que apresenta nos países que adotam o sistema da common law, a jurisprudência tem ganho cada vez mais visibilidade, especialmente no campo tributário, à vista do elevado grau de litigiosidade existente nessa seara.” (COSTA. Regina Helena, Curso de Direito Tributário, 2ª ed. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 47)(destaquei) No Recurso Especial (REsp 1118429 / SP) ao qual foi atribuída a sistemática dos “repetitivos”, acima transcrito, tratase de revisão de benefício previdenciário, uma vez que era esse o caso que estava em julgamento. Contudo, observo que o Tribunal Superior vem aplicando a mesma tese também aos rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de sentença judicial trabalhista. Vejamos: Fl. 684DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13951.000910/200851 Acórdão n.º 2801003.623 S2TE01 Fl. 684 10 Resp 383.309/SC. Recurso Especial 2001/01569679 Relator Ministro João Otávio de Noronha.Data do julgamento 07/03/2006 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. 2. O Superior Tribunal de Justiça vem entendendo que cabe à fonte pagadora o recolhimento do tributo devido. Porém, a omissão da fonte pagadora não exclui a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento do imposto, o qual fica obrigado a declarar o valor recebido em sua declaração de ajuste anual. 3. No cálculo do imposto incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente em decorrência de decisão judicial, devem ser aplicadas às alíquotas vigentes à época em que eram devidos referidos rendimentos. 4. .... 5. Recurso especial parcialmente provido. (sublinhei/destaquei) No mesmo sentido: Resp 704.845/PR Recurso ESPECIAL 2004/01654173, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, julgado em 19/08/2008. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA E CONTRIBUINTE. INCLUSÃO DE MULTA. RENDIMENTOS ACUMULADOS. ALÍQUOTA APLICÁVEL 2. No cálculo do imposto incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente em decorrência de decisão judicial, devem ser aplicadas as alíquotas vigentes à época em que eram devidos os referidos rendimentos. (destaquei). Destaco também a data dessas decisões, sendo uma de 2006, anterior à data do lançamento aqui em discussão, e outra de 2008, para assentar que há muito o Tribunal Superior vem decidindo dessa forma. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13951.000910/200851 Acórdão n.º 2801003.623 S2TE01 Fl. 685 11 Ainda, no REsp 783.724/RS Recurso Especial 2005/01589590, Relator Ministro Castro Meira, data do julgamento em 15/08/2006, o Relator bem demonstra que a aplicação da interpretação que deve ser dada ao artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, em relação à forma de apurar o valor do tributo incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, não se distingue em relação ao motivo da demora no recebimento, sejam benefícios previdenciários, onde a fonte pagadora seria o INSS, ou verbas trabalhistas, com fonte pagadora privada, citando, indiscriminadamente, como fundamento para decidir, uma e outra situação. Transcrevo do Voto: (...) O artigo 12 da Lei 7.713/88 dispõe que o imposto de renda é devido na competência em que ocorre o acréscimo patrimonial (art. 43 do CTN), ou seja, quando o respectivo valor se tornar disponível para o contribuinte. Prevê o citado dispositivo: "Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização." O dispositivo citado não fixa a forma de cálculo, mas apenas o elemento temporal da incidência. Assim, no caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, como dispõe o art. 12 da Lei 7.713/88, mas o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referirem os rendimentos. Nesse sentido, há inúmeros precedentes de ambas as Turmas de Direito Público, como se observa das seguintes ementas(...) (sublinhei) O que o STJ entende, na minha modesta leitura, seguindo aliás a melhor doutrina, é que existem, dentre outros, dois aspectos distintos do fato gerador, e que o artigo 12 da Lei nº 7.713/1998 rege o aspecto temporal, mas não o aspecto quantitativo: Aspecto quantitativo do Fato Gerador: neste aspecto, destacam se a base de cálculo e a alíquota. Na operação de lançamento tributário, após a verificação da ocorrência do fato gerador, da identificação do sujeito passivo e da determinação da matéria tributável, há que se calcular o montante do tributo devido aplicandose a alíquota sobre a base de cálculo. Esta é, pois, uma ordem de grandeza própria do aspecto quantitativo do fato gerador. Aspecto temporal do Fato Gerador: é de fundamental importância esse aspecto para definição da lei aplicável, segundo o princípio tempus regit actum. Esse aspecto diz respeito ao momento da consumação ou da ocorrência do fato gerador, ....(HARADA. Kiyoshi. Direito Financeiro e Tributário, 23ª ed, Atlas : São Paulo, 2014, p. 544/545) Considerando que a jurisprudência do Tribunal Superior, a quem compete promover a interpretação última da lei federal, já se posicionou pela forma como deve ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988, esclarecendo que não se trata de negarlhe Fl. 686DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13951.000910/200851 Acórdão n.º 2801003.623 S2TE01 Fl. 686 12 aplicação ou muito menos de conferirlhe inconstitucionalidade, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da legislação, destoante de interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial, usando essa interpretação como fonte de aplicação do direito e fundamento para decidir Assim sendo, deixo de apreciar os argumentos do recurso em relação a tributação sobre os juros, dedução de honorários advocatícios e aplicação de multa de ofício proporcional, por desnecessário à solução da lide, citando: ... É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. Ressaltese, ainda, que cabe ao magistrado decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Nessa linha de raciocínio, o disposto no art. 131 do Código de Processo Civil: "Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento." (AgRg no Resp nº 1.130.754, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 13.04.2010). Ou ainda: "o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados." (REsp 684.311/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.4.2006). Pelo exposto, VOTO por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, em virtude de sentença judicial trabalhista, consubstanciada na Notificação de Lançamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 687DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /09/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 13896.720154/2013-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
IPI. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO MENCIONADA NA LISTA ANEXA AO DECRETO-LEI 406/68 E NA ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. CABIMENTO
Consoante a melhor dicção do art. 156 da Carta Política, apenas está constitucionalmente impedida a incidência sobre a mesma operação, conceituada como serviço, do ISS e do ICMS. Assim, tanto o decreto-lei nº 406/68, recepcionado como Lei Complementar até a edição da Lei Complementar nº 116/2003, quanto esta última, ao regularem tal dispositivo, apenas estão afastando a incidência cumulativa de ISS e ICMS, nada regulando quanto ao IPI. Para a incidência deste último, basta que a operação realizada se enquadre em um dos conceitos de industrialização presentes na Lei 4.502/64.
Numero da decisão: 3201-001.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Tatiana Midori Migiyama e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Mara Cristina Sifuentes, Tatiana Midori Migiyama e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Winderley Morais Pereira e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO MENCIONADA NA LISTA ANEXA AO DECRETOLEI 406/68 E NA ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. CABIMENTO Consoante a melhor dicção do art. 156 da Carta Política, apenas está constitucionalmente impedida a incidência sobre a mesma operação, conceituada como serviço, do ISS e do ICMS. Assim, tanto o decretolei nº 406/68, recepcionado como Lei Complementar até a edição da Lei Complementar nº 116/2003, quanto esta última, ao regularem tal dispositivo, apenas estão afastando a incidência cumulativa de ISS e ICMS, nada regulando quanto ao IPI. Para a incidência deste último, basta que a operação realizada se enquadre em um dos conceitos de industrialização presentes na Lei 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Tatiana Midori Migiyama e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 01 54 /2 01 3- 59 Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO D OS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO 2 (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Redator designado. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Mara Cristina Sifuentes, Tatiana Midori Migiyama e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Winderley Morais Pereira e Daniel Mariz Gudiño. Relatório Referese o presente processo a auto de infração para a exigência de IPI incidente sobre serviços gráficos personalizados. Transcrevese a seguir, o relatório da decisão recorrida: Trata o presente de impugnação contra Auto de Infração (fls. 1011/1026), lavrado sobre o período em epígrafe, pela falta de lançamento e recolhimento do IPI que, segundo a fiscalização, incidiria sobre produtos classificados e onerados na TIPI nos Capítulos 48 e 85, enquanto o contribuinte os classificava em posição desonerada do IPI no Capítulo 49. Regularmente cientificada do auto de infração, a empresa ingressou com a impugnação de fls. 1030/1051, acompanhada dos documentos de fls. 1052/1104, alegando basicamente que, quanto á classificação fiscal, a autoridade autuante errou na interpretação da nota 12 do Capítulo 48 da TIPI, pois, na medida os serviços gráficos executados sob encomenda atendem exclusivamente o encomendante, portanto, tal fato não poderia ser considerado como meramente acessório. Além disso, traz vários julgados para provar que os serviços gráficos personalizados estariam sujeitos exclusivamente à incidência do ISS. Encerrou requerendo que todas notificações sejam entregues no escritório do advogado. A Delegacia de Julgamento negou provimento à impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2009 IPI. SERVIÇOS GRÁFICOS. ISS. Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO D OS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13896.720154/201359 Acórdão n.º 3201001.641 S3C2T1 Fl. 1.165 3 Os serviços de composição e impressão gráficas abrangidas no art. 8º, §1º, do DecretoLei 406/68, estão sujeitos à incidência do ISS municipal, mas também do IPI federal. A incidência do ISS não exclui a do IPI, desde que as operações realizadas se caracterizem dentre as modalidades de industrialização previstas no Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002). A partir da vigência da CF/88, a Súmula STJ 156 serve tão somente para dirimir eventual conflito de competência entre municípios e estados, isto é, resolve conflitos acerca da incidência de ISS ou ICMS. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O fato de um serviço gráfico ter sido executado sob encomenda, ainda que personalizados, não é razão suficiente para excluílos do Capítulo 48, conforme a Regra Geral de Interpretação nº 1 do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na decisão recorrida, a operação efetuada pelo contribuinte se qualifica – serviços gráficos sob encomenda para formulários contínuos e bobinas é industrialização, porquanto incluída no seu campo de abrangência, a teor do art. 4º do Decreto nº 4.544, de 2002 (Regulamento do IPI – RIPI/2002). Apenas estaria excluído do campo de incidência do IPI nas hipóteses do inciso V do seu art. 5º, a qual estabelece que “o preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional”. O IPI não incide sobre a prestação de serviços e sim sobre a operação de industrialização, que se constitui como sendo um campo de incidência completamente diverso do primeiro, não havendo invasão de competência . A Súmula 156 do STJ não se aplica, pois resultou de reiteradas decisões que entendiam incabível, por negativa de vigência ao §1º do art. 8º do Decretolei nº 406/68, a concomitante cobrança do então ICM e do ISS, pois em vista de que os precedentes que embasam a interpretação veiculada na mencionada súmula referemse apenas ao conflito de competências no âmbito do ISS e ICM. Destaca também a decisão recorrida que a própria empresa reconhece que os seus produtos são industrializados, haja vista que indicou a existência de saldo credor de IPI, decorrente da entrada de insumos, o que conflita com as alegações feitas na impugnação, no sentido de defender que a empresa executa apenas prestação de “serviços gráficos”. Isto porque a Lei nº 9.779, de 1999, em seu artigo 11, como a IN/SRF nº 33, de 1999, em momento algum autorizaram o crédito em relação às entradas de insumos aplicados na industrialização de produtos nãotributados pelo IPI, de maneira que não há de se cogitar da atuação do princípio da nãocumulatividade. Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO D OS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO 4 Assim, o IPI destacado nas notas fiscais de entrada de insumos deveria ser contabilizado como custo. Em sede de recurso voluntário, a ora Recorrente alegou que: i. atividades de que trata o auto de infração rechaçado deve ser feito no Capítulo 49 da NCM, o que acarretaria a aplicação da alíquota de 0% a título de IPI não no CapítuLo 48,cujos subitens possuem alíquotas diversas; ii. os artigos impressos objeto do lançamento são personalizados, atendendo a especificações dos encomendantes, o que foi inclusive asseverado pelo fiscal no MPF n° 08.1.28.00201200053; iii. emitiu notas fiscais relativas aos serviços gráficos personalizados, prestados sob encomenda para diversos clientes seus, utilizandose da classificação fiscal de "Outros Impressos", constante do Capítulo 49 da NCM, para meros fins de cumprimento de obrigação acessória — de vez que, como já se pode intuir, a sua atividade objeto da fiscalização se sujeita ao ISS; iv.os serviços prestados não podem ser considerados acessórios aos meios físicos em que são gravados, pois os encomendantes são movidos, na sua aquisição, por ver gravadas caracteres que os identifiquem ou a ele se relacionem; v. o fato de a atividade executada sobre bens materiais ser "secundária" ou não em relação a esses bens seria até absolutamente irrelevante, pois o que interessa mesmo é a finalidade em que o encomendante pretender empregar o resultado dessa atividade; vi.caso o bem material (industrializado ou não) sofra uma atividade humana qualquer, mas vá ser recolocado em circulação por quem contratou aquela atividade, com vistas a satisfazer o público em geral, estarseá diante operação realizada no meio de um circuito econômico maior, sujeitos, o ciclo todo e aquela operação, ao ICMS e/ou ao IPI, o que não é o caso dos autos; vii. são inúmeros os casos nos quais os Tribunais empregaram conceitos como "encomenda", "personalização" e "usuário final" para identificar típicas situações de prestação de serviços e afastar a incidência do ICMS e/ou IPI em operações que envolviam o fornecimento de materiais (meios físicos nos quais são aplicados os serviços encomendados); viii.as Cortes estabeleceram que a diferença repousa no modo como tais atividades se insere no circuito econômico do meio físico:se a atividade gráfica se limitase a acrescentar utilidades a esse meio e a recolocálo em circulação, para o consumo final indiscriminado e despersonalizado, estarseia na presença de circulação de mercadoria, sujeita ao (então) ICMS e ao IPI, este recaindo nas fases de industrialização; se, ao contrário, tal atividade for por encomenda de consumidor identificado, que tivesse contratado o gráfico para particularizar o bem de modo a servirlhe às próprias necessidades, estarseia diante de serviço alcançável pelo ISS; ix. a Lei Complementar n° 116/03, na Lista anexa à lei complementar prevê os serviços gráficos por encomenda e o § 2°, do art. 1°, preceitua que salvo exceções nela expressamente previstas, os serviços incluídos na lista ficam sujeitos apenas ao ISS, "ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias "; Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO D OS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13896.720154/201359 Acórdão n.º 3201001.641 S3C2T1 Fl. 1.166 5 x. o Superior Tribunal de Justiça tem a Súmula 156 do STJ: A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva o fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS; xi. possui diversas ações judiciais com a mesma causa de pedir, como no caso do Recurso Especial n° 437.324, em que o STJ concedeu integralmente a segurança pleiteada, declarando que as referidas atividades envolvem típica prestação de serviços, sujeitas ao ISS, nos termos do item 77 da Lista de Serviços então anexa ao Decretolei n° 406/682; xii. tal entendimento restou consolidado pela Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.092.206/SP, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, sujeito ao rito dos recursos respetivos, nos termos do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ; xiii. ao se entender que a incidência do ISS não impediria a do IPI, há patente violação à lógica imanente ao sistema constitucional tributário brasileiro; xiv. não há competência tributária aberta, ou seja, a discriminação constitucional de competências é rígida, de forma que se um fato da realidade vital ou jurídica pode sofrer a incidência de imposto atribuído à competência de determinada pessoa política, só a incidência deste imposto e aplicado pela pessoa política competente ele pode sofrer e todas as demais ficam afastadas; xv. o artigo 146, inciso I, Constituição ao dispor sobre conflitos de competência em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios c/c com a Lei Complementar n° 116/03, determinam que as atividades gráficas discutidas neste auto de infração são fatos geradores do ISS municipal, a consequência inarredável é que nem o ICMS, nem o IPI incidem sobre elas. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Em consonância com a decisão recorrida, os bens originários dos serviços gráficos por encomenda, estariam sujeitos concomitantemente ao IPI e ao ISS, uma vez que apenas estaria excluído do campo de incidência do IPI nas hipóteses do inciso V do art. 5º do RIPI, vigente á época, o qual estabelece que “o preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional”. Ademais, como o IPI não incide sobre a prestação de serviços e sim sobre a operação de industrialização, que se constitui como sendo um campo de incidência completamente diverso do primeiro, não haveria invasão de competência . Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO D OS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO 6 Assim, fato incontroverso nos autos é que os serviços aqui referidos estão arrolados na lista de serviços, veiculada pela Lei Complementar n. 116/2003, de sorte que não se contesta a incidência do imposto sobre serviços na hipótese. Ora, a afirmação veiculada na decisão recorrida ignora a rígida delimitação de competências tributárias, tão cautelosamente delineada na Carta Constitucional de 1988, sustentáculo de nossa estrutura federativa, cláusula pétrea constitucional. Cada um dos entes federativos detém competência para instituir e arrecadar os tributos incidente sobre fatos geradores prescritos e determinados nas regras de competência constitucional, com exclusividade. É certo que é infinita a riqueza da realidade fática, que muitas vezes pode levar o aplicador da norma a se defrontar com conflitos de competência, quando não fica claro para determinado fato gerador, qual a regramatriz de incidência que este se subsume, situações este de zona cinzenta. De acordo com a CF/88, compete aos Municípios instituir ISSQN sobre "serviços de qualquer natureza, não compreendidos no artigo 155, II, definidos em lei complementar" (CF, art. 156, III). Anexa à Lei Complementar n. 116/2003 há a lista dos serviços objeto de incidência do imposto, de competência municipal e o § 2°, do art. 1°, preceitua que salvo exceções nela expressamente previstas, os serviços incluídos na lista ficam sujeitos apenas ao ISS, "ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias”. Nessa esteira, o Superior Tribunal de Justiça, no REsp 1092206 / SP, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, pela Primeira Seção, e sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, firmou o entendimento que para os serviços de composição gráfica, apenas incide o ISS, chancelando o disposto no verbete 156 desta Corte, como se depreende: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. DELIMITAÇÃO DA COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA ENTRE ESTADOS E MUNICÍPIOS. ICMS E ISSQN. CRITÉRIOS. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. SÚMULA 156 DO STJ. 1.Segundo decorre do sistema normativo específico (art. 155, II, § 2º, IX, b e 156, III da CF, art. 2º, IV, da LC 87/96 e art. 1º, §2º, da LC 116/03), a delimitação dos campos de competência tributária entre Estados e Municípios, relativamente à incidência de ICMS e de ISSQN, está submetida aos seguintes critérios: (a) sobre operações de circulação de mercadoria e sobre serviços de transporte interestadual e internacional e de comunicações incide ICMS; (b) sobre operações de prestação de serviços compreendidos na lista de que trata a LC 116/03 (que sucedeu ao DL 406/68), incide ISSQN; e (c) sobre operações mistas, assim entendidas as que agregam mercadorias e serviços, incide o ISSQN sempre que o serviço agregado estiver compreendido na lista de que trata a LC 116/03 e incide ICMS sempre que o serviço agregado não estiver previsto na referida lista. 2. As operações de composição gráfica, como no caso de impressos personalizados e sob encomenda, são de natureza mista, sendo que os serviços a elas agregados estão incluídos na Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO D OS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13896.720154/201359 Acórdão n.º 3201001.641 S3C2T1 Fl. 1.167 7 Lista Anexa ao DecretoLei 406/68 (item 77) e à LC 116/03 (item 13.05). Consequentemente, tais operações estão sujeitas à incidência de ISSQN (e não de ICMS), Confirmase o entendimento da Súmula 156/STJ: "A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." Precedentes de ambas as Turmas da 1ª Seção. 3. Recurso especial provido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Mutatis mutandis, o mesmíssimo entendimento aplicase para as hipóteses de conflito de competência envolvendo o ISS e o IPI, para os serviços de composição gráfica, como já se manifestou, da mesma forma, o Superior Tribunal de Justiça, in verbis: RECURSO ESPECIAL. AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADA E SOB ENCOMENDA. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 156/STJ. 1. A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, está sujeita apenas ao ISS, não se submetendo ao ICMS ou ao IPI. Precedentes. 2. Aplicação analógica da Súmula n. 156/STJ. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1308633 / SP, SEGUNDA TURMA, Ministro CASTRO MEIRA, DJe 01/10/2013) Assim, entendese que as operações realizadas no caso em tela, estão fora do campo de incidência do IPI, isto é, são produtos não tributados. É de se observar, que não se acolhe o entendimento da decisão recorrida, segundo o qual não haveria invasão de competência, considerandose que o ISS incidiria sobre a prestação de serviços, ao passo que o IPI sobre a operação de industrialização, o que excluiria a possibilidade lógica de haver invasão de competências. Nessa senda, o ISS e o IPI são tributos que incidem sobre o consumo, em um caso sobre o consumo de serviço, noutro, de produto industrializado. O ISS não incide sobre a prestação propriamente dita do serviço, pois pressupõem no antecedente de sua norma de incidência, uma relação jurídica complexa, de natureza contratual, ou seja, a prestação de um serviço mediante contraprestação. A contraprestação é paga mediante a entrega de um serviço, enquanto produto e não enquanto a própria atividade de prestar. Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO D OS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO 8 Portanto, a definição de competência, para se apurar a tributação sobre o consumo desses bens, nas hipótese híbridas, em que há serviço agregado a um suporte físico, no caso, um produto industrializado, é verificar qual prevalecerá, para efeitos de atrair a competência tributária. E é precisamente nesse contexto que se encontra o sentido da disposições da Lei Complementar n. 116/2003, cujo §2°, do art. 1°, preceitua que salvo exceções nela expressamente previstas, os serviços incluídos na lista ficam sujeitos apenas ao ISS, "ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias” em cumprimento ao desígnio determinado pelo art. 146, I da Constituição Federal, que prescreve que cabe à lei complementar dispor sobre conflitos de competência. Por outro lado, está correto o entendimento da decisão recorrida, sobre a questão da contradição na questão da tomada de créditos, pois é certo que é incompatível o creditamento de insumos com a premissa de exclusão do campo de incidência do IPI, dos fatos geradores praticados. Sobre essa questão, da mesma forma, a jurisprudência, seja do Judiciário, seja a administrativa, da mesma forma, é assente. A aplicação do princípio da nãocumulatividade do IPI, pressupõe que o produto esteja no campo de incidência do IPI, não havendo o direito à manutenção dos créditos de IPI relativos às aquisições de insumos, pois referido princípio realizase nas situações em que há débitos na saída dos produtos. Nesses casos, o IPI pagos nos insumos adquiridos, representará custo para o prestador de serviços. Assim, determina a Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Contudo, considerandose que o presente processo referese a auto de infração para a cobrança de IPI sobre os serviços gráficos prestados sob encomenda, não a pedido de ressarcimento, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Tratase o presente processo de pedido de ressarcimento de IPI cumulado com pedido de compensação, ao qual foi concedido apenas provimento parcial devido a não inclusão na base de cálculo do tributo de valores percebidos com a saída de produtos sujeitas à tributação. A questão inicial, e o motivo da discordância em relação ao voto da eminente relatora, referese a definir se as saídas de produtos decorrente de prestação de serviços gráficos por encomenda estariam sujeitas ao IPI. Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO D OS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13896.720154/201359 Acórdão n.º 3201001.641 S3C2T1 Fl. 1.168 9 Sobre o tema já se posicionou a Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. 9303002265 – 3ª Turma, sessão de 9/5/13), em voto da lavra do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, o qual transcrevese abaixo: [...] Como relatado, a questão a ser dirimida é única: cabe IPI sobre atividade que conste na lista de serviços anexa ao Decretolei 406/68 e na Lei Complementar 116/2003? Entendo que sim. É que, a meu ver, ditas listas – e isso fica claro ao menos depois da promulgação da Carta Política de 1988 – destinamse exclusivamente a dirimir conflitos de competência entre os Estados e Municípios no que tange à incidência do ISS e do ICMS, dado que a Constituição expressamente impediu sua cumulação. Nada nela há, contudo, que impeça a cumulação de IPI com ISS, assim como não há para evitar que se tribute o IPI numa atividade já submetida ao ICMS. Essa consideração inicial já é suficiente para afastar a pretensão da recorrente de que se aplique hoje a Súmula 143 do extinto Tribunal Federal de Recursos: embora ela, de fato, mencione o IPI, foi editada na vigência da Carta anterior. Nela, como aliás reconhecido pelos renomados doutrinadores citados pela i. relatora que me antecedeu, havia dúvidas quanto à possibilidade de cumulação do IPI com o ISS. Realmente, faço coro com as abalizadas considerações expendidas pelas autoridades julgadoras de primeiro grau que peço vênia para transcrever: O que se debate nos autos consiste em saber se existe alguma incompatibilidade entre a incidência do IPI, do ISS e do ICMS numa operação econômica em que para se prestar um serviço é necessário industrializar um produto e entregar uma mercadoria, tal como se dá no caso do serviço de artes gráficas. Tendo em conta que o debate versa sobre competência tributária, a investigação deve principiar pela Constituição Federal, pois os âmbitos de incidência dos tributos estão predefinidos na Carta pelos respectivos arquétipos constitucionais. O art. 153 da CF/88 ao dizer que "...Compete à União instituir impostos sobre: ... IV produtos industrializados; "e que o IPI não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior;" revela que o critério material da hipótese de incidência tributária é a execução de uma operação de industrialização. Esta é também o critério quantitativo da regra matriz de incidência, porquanto, ao estabelecer que o IPI "...será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;" o dispositivo constitucional nada mais fez do que dizer que a base de cálculo do imposto é o valor de cada operação da qual resulte num produto industrializado. Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO D OS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO 10 O art. 155 da CF/88, por seu turno, ao fixar a regramatriz de incidência do ICMS estabelece que "Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, (...)". Depreendese daí que o aspecto material da hipótese de incidência do imposto estadual é a realização de operações relativas à circulação de mercadorias ou sobre a prestação dos serviços indicados. O imposto não incide sobre a mercadoria e nem sobre a circulação, incide sobre operações relativas à circulação, ou seja, negócios jurídicos de natureza mercantil que importem a transferência de domínio sobre a mercadoria. Estas operações relativas à circulação de mercadorias, consubstanciando negócios jurídicos de natureza mercantil, encerram duas obrigações de dar (entregar a mercadoria e pagar o preço). Relativamente ao ISS, sua regramatriz insculpida no art. 156 da CF/88 estabelece que ".... Compete aos Municípios instituir impostos sobre: (...) III serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei complementar."Ou seja, o imposto municipal incide sobre todos os serviços não inseridos na órbita de incidência do imposto estadual. (...) Conforme o termo de verificação, os clientes do autuado, ao encomendarem as etiquetas mediante o envio das especificações técnicas, estão em verdade encomendando uma prestação de serviço, consistente na execução personalizada de etiquetas impressas em suportes de plástico (art. 8° do DL n° 406/68). Para que a encomenda possa ser executada, o autuado é obrigado a adquirir insumos no mercado interno e a transformálos em um novo produto que, posteriormente, sairá do estabelecimento no momento da entrega ao cliente (arts. 4°, I e 32, II do RIPI/98). Finalmente, ao consumar a prestação do serviço, mediante a tradição da coisa e do recebimento do preço, promove a circulação de uma mercadoria (art. 2°, I, da LC n° 87/96). Inequívoco, portanto, que neste caso, a prestação de serviço (obrigação de fazer algo) não pode existir sem a execução de uma operação de industrialização, seguida da entrega de uma mercadoria (obrigação de dar). Logo, para poder prestar o serviço o autuado pratica os fatos geradores dos três impostos, IPI, ISS e ICMS, tudo dentro de uma mesma operação econômica. Resta verificar se existe alguma vedação constitucional para esta tríplice incidência tributária. A CF/69, quando tratava da competência dos Municípios para instituir impostos, excluía expressamente a competência municipal, diante de fatos sujeitos às competências da União e dos Estados, conforme se pode verificar em seu art. 25, verbis: Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO D OS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13896.720154/201359 Acórdão n.º 3201001.641 S3C2T1 Fl. 1.169 11 Art 25 Compete aos Municípios decretar impostos sobre: ' I— (omissis); II serviços de qualquer natureza não compreendidos na competência tributária da União ou dos Estados, definidos em lei complementar. Como na CF/88 esta exclusão de competência foi mantida apenas em relação ao ICMS (art. 156, III, da CF88), a conseqüência jurídica disto é que nos casos como no dos autos, quando a obrigação de fazer consistente na prestação do serviço se consubstanciar numa operação de industrialização, é perfeitamente possível a incidência do IPI e do ISS, á luz das respectivas regrasmatrizes de incidência fixadas na constituição vigente. Portanto, uma vez promulgada a Constituição vigente, tal cumulação só é expressamente impedida entre o ISS e o ICMS. Outra não é, a propósito, a razão para que a Súmula 156 do STJ, esta sim já editada na vigência da atual Carta Política, apenas faça referência ao ICMS, nenhuma menção havendo ao IPI. Nesse primeiro ponto, pois, não divirjo das decisões proferidas nos autos: não há Súmula oriunda de tribunal superior que indique a impossibilidade de cumulação pretendida. [...] Adotando o conteúdo da decisão acima transcrita como fundamento deste voto, manifestome pela incidência do IPI em relação a saída de produtos industrializados decorrente de prestação de serviços gráficos por encomenda. No tocante a segunda questão posta em julgamento, qual seja a falta de inclusão na base de cálculo do IPI de saídas tributadas, e que resultou no indeferimento dos créditos em litígio, a recorrente utilizou a classificação fiscal 4911.99.00 – outros impressos – nas notas fiscais de saída de comercialização de uma ampla variedade de produtos de sua fabricação. A recorrente justifica esta classificação entendendo estar cumprindo mera obrigação acessória, tendo em vista a prestação de serviços gráficos sob encomenda. Neste ponto, novamente se mostra correta a decisão recorrida, da qual extrai se o entendimento abaixo transcrito, ao qual se adota como fundamento do voto: No que tange à classificação fiscal, entendeu a fiscalização que os produtos industrializados pelo contribuinte estão inseridos nos capítulos 48 e 85 da TIPI e sujeitos às alíquotas de 5% e 15% do IPI. Por seu turno, o contribuinte contesta as classificações indicadas, alegando de forma genérica que os impressos que produz não possuem apenas caráter acessório e que, a seu ver, teria havido uma tentativa de desqualificar a atividade gráfica realizada e, dessa forma, justificar a inserção dos seus produtos Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO D OS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO 12 no capítulo 48 da TIPI, retirandoos assim de classificação indicada no capítulo 49 da referida tabela, a qual aponta uma alíquota de 0%. O contribuinte não faz uma impugnação especifica das classificações fiscais apuradas pela fiscalização. A Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI 6) e a Regra Geral Complementar 1 (RGC 1) determinam o que segue, in verbis: A classificação de mercadorias de acordo com o disposto nos artigos 16 e 17 do RIPI/2002 (base legal: Decretolei nº 1.154, de 1971, art. 3º), se dá de conformidade com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH) A 1ª Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI 1) estabelece que: “Regra 1ª. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes:” (grifos acrescidos) Pois bem, no texto da posição 4820 utilizada na maioria dos casos pela fiscalização e contestada pelo impugnante, consta: (destaques acrescidos) 4820 LIVROS DE REGISTRO E DE CONTABILIDADE, BLOCOS DE NOTAS, DE ENCOMENDAS, DE RECIBOS, DE APONTAMENTOS, DE PAPEL PARA CARTAS, AGENDAS E ARTIGOS SEMELHANTES, CADERNOS, PASTAS PARA DOCUMENTOS, CLASSIFICADORES, CAPAS PARA ENCADERNAÇÃO (DE FOLHAS SOLTAS OU OUTRAS), CAPAS DE PROCESSOS E OUTROS ARTIGOS ESCOLARES, DE ESCRITÓRIO OU DE PAPELARIA, INCLUÍDOS OS FORMULÁRIOS EM BLOCOS TIPO "MANIFOLD", MESMO COM FOLHAS INTERCALADAS DE PAPELCARBONO (PAPEL QUÍMICO*), DE PAPEL OU CARTÃO; ÁLBUNS PARA AMOSTRAS OU PARA COLEÇÕES E CAPAS PARA LIVROS, DE PAPEL OU CARTÃO Com base nas informações contidas nos autos, os formulários contínuos em questão, que foram objeto de reclassificação pela autoridade fiscal, enquadramse perfeitamente na posição acima transcrita. Além do mais, levandose em conta a descrição da posição 4911 defendida pelo impugnante, a qual se apresenta com o seguinte conteúdo: “OUTROS IMPRESSOS, INCLUÍDAS AS ESTAMPAS, GRAVURAS E FOTOGRAFIAS”, percebese que a posição 4820 também se mostra mais específica, o que converge em direção a aplicação da Regra Geral para Interpretação 3 “a”, a qual estabelece que “A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas”. Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO D OS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13896.720154/201359 Acórdão n.º 3201001.641 S3C2T1 Fl. 1.170 13 Cumpre salientar ainda que, segundo a Nota 12 do Capítulo 48 da TIPI e em consonância com as Considerações Gerais das NESH, relativas ao Capítulo 49, alguns produtos da posição 4820 podem, freqüentemente, ser revestidos de impressões ou de ilustrações, mesmo bastante importantes, e permanecem classificados na mencionada posição (e não no Capítulo 49) desde que tais impressões e ilustrações tenham um caráter acessório em relação a sua utilização inicial, como se caracterizam, por exemplo, as impressões que figuram nos formulários contínuos (destinados essencialmente a serem completados à mão ou à máquina), a exemplo do que ocorre no caso em análise. Do exposto fica evidenciado, portanto, que os produtos de que se trata estão corretamente classificados na posição 4820 (todos com alíquota de 15%), o que afasta a pretensão da Defesa em querer classificálos na posição 4911 (alíquota “zero”). Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto – Redator designado Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO D OS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.914753/2009-70
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 30/03/2001
COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02.
A base de cálculo do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), de acordo com o art. 14, II, da Lei n.° 4.502/1964, na redação do art. 15 da Lei n.° 7.798/89, e com o art. 47, II, a, do Código Tributário Nacional (CTN), corresponde ao valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, compreendendo as despesas acessórias (Parecer Normativo CST nº 341/1971) e o ICM, de acordo com o Parecer Normativo CST nº 39/1970. A exclusão do Icms pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, de acordo com a Súmula CARF nº 02, não se insere no âmbito de competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ressalvadas as hipóteses do art. 62 do Regimento Interno.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 30/03/2001 COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A base de cálculo do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), de acordo com o art. 14, II, da Lei n.° 4.502/1964, na redação do art. 15 da Lei n.° 7.798/89, e com o art. 47, II, a, do Código Tributário Nacional (CTN), corresponde ao “valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial”, compreendendo as despesas acessórias (Parecer Normativo CST nº 341/1971) e o ICM, de acordo com o Parecer Normativo CST nº 39/1970. A exclusão do Icms pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, de acordo com a Súmula CARF nº 02, não se insere no âmbito de competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ressalvadas as hipóteses do art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 47 53 /2 00 9- 70 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do Fato Gerador: 30/03/2001 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Demonstrados no despacho decisório, com absoluta clareza, os fatos que ensejaram a nãohomologação da DCOMP e a sua correta fundamentação legal, é de se rejeitar a preliminar argüida, por total falta de fundamento. PERÍCIA/DILIGÊNCIA Indeferemse as perícias ou diligências solicitadas quando a autoridade julgadora as entende desnecessárias e prescindíveis em face dos dispositivos legais em vigor. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS Conforme explicita o art. 47, II, "a", do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo "valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria”. O ICMS, conforme já explicitado pelo Parecer CST nº 39/70, como "parte integrante" do valor da operação, se inclui, consequentemente, no valor tributável do IPI. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA DE SALDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovada e demonstrada nos autos a inexistência do saldo do pagamento supostamente indevido utilizado como lastro da DCOMP, é de ser não homologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente, nas razões de fls. 73 e ss., pleiteia a reforma do acórdão recorrido, sustentando que mesmo não estaria amparada pelas novas decisões proferidas pelos Tribunais relativas à exclusão do Icms base de cálculo do PIS/Pasep, Cofins e IPI. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15374.914753/200970 Acórdão n.º 3802002.975 S3TE02 Fl. 105 3 Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 28/03/2012 (fls. 102), interpondo recurso tempestivo em 03/04/2012 (fls. 73). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. A base de cálculo do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), de acordo com o art. 14, II, da Lei n.° 4.502/1964, na redação do art. 15 da Lei n.° 7.798/1989, e com o art. 47, II, a, do Código Tributário Nacional (CTN), corresponde ao “valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial”, compreendendo as despesas acessórias (Parecer Normativo CST nº 341/1971) e o ICM, de acordo com o Parecer Normativo CST nº 39/1970: “IPI CÁLCULO DO IMPOSTO VALOR TRIBUTÁVEL É o preço da operação de que decorrer o fato gerador, excluídas tão somente as parcelas expressamente autorizadas na lei; o ICM, como "parte integrante" desse preço (DL no 406, de 1968, art. 2o , § 7o ), se inclui, consequentemente, no valor tributável do IPI.” Embora o Parecer Normativo CST nº 39/1970 refirase ao ICM, o mesmo aplicase ao atual Icms, na linha do que ensina o eminente Professor José Roberto Vieira, ao ressaltar que “[...] se o montante do ICMS integra o valor da operação (DecretoLei n. 406/68, art. 2o, I e § 7o) e se este valor é a base de cálculo do IPI, axiomático é o cálculo deste imposto sobre aquele” 1. Na mesma linha, cumpre destacar os Acórdãos nº 3802001.968, desta Turma, e o nº 3302002.159, da 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara: “IPI. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O ICMS compõe o valor da operação de que decorre a saída de mercadoria de estabelecimento contribuinte do IPI, logo, integra a base de cálculo deste. Recurso Voluntário Negado.” (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.968. Rel. Conselheiro Paulo Sergio Celani. P. 19/11/2013, g.n.). “[…] BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. VALOR TOTAL DA OPERAÇÃO. A base de cálculo ou valor tributável do imposto corresponde ao valor total da operação da qual decorra a saída de produtos nacionais do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, compreendendo o preço do produto, acrescido do 1 VIEIRA, José Roberto. A regramatriz de incidência do IPI: texto e contexto. Curitiba: Juruá, 1993, p. 117 e ss. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário (art. 131 do RIPI/2002). EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. Por falta de previsão legal é incabível excluir da base de cálculo o ICMS, incluso no valor da nota fiscal, por compor o preço do produto. […] Recurso Voluntário negado” (CARF. 3ª S. 2ª T.O. 3ª C. Acórdão nº 3302002.159. Rel. Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó. P. 02/09/2013, g.n.). Portanto, o conhecimento do alegado direito de crédito do Recorrente pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade (nãorecepção) da inclusão do Icms na base de cálculo do IPI, matéria que, como se sabe, de acordo com a Súmula CARF nº 02, não se insere no âmbito de competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ressalvadas as hipóteses do art. 62 do Regimento Interno: “Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Portanto, não estando o caso em exame inserido em qualquer das hipóteses do art. 62 do Regimento Interno, incide a Súmula CARF nº 02, o que inviabiliza o reconhecimento do alegado direito creditório do Recorrente. Votase, assim, pelo conhecimento e desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15374.914753/200970 Acórdão n.º 3802002.975 S3TE02 Fl. 106 5 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13827.000743/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/01/2007
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. VIOLAÇÃO DO PRINCIPIO DA AMPLA DEFESA.
Não há violação do princípio da ampla defesa quando o auto de infração foi devidamente instruído com os relatórios necessários para a adequada compreensão fática e jurídica das obrigações.
AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, pode, a Receita Federal do Brasil, autuar de oficio a importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
CONFISCO DO PATRIMÔNIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE E JULGAMENTO.
Não compete a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais analisar e decidir sobre eventual confisco no patrimônio do contribuinte.
RECÁLCULO DAS MULTAS. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE.
Tendo-se em conta a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, deve-se analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa aplicada ao artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2005 a 31/01/2007 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. VIOLAÇÃO DO PRINCIPIO DA AMPLA DEFESA. Não há violação do princípio da ampla defesa quando o auto de infração foi devidamente instruído com os relatórios necessários para a adequada compreensão fática e jurídica das obrigações. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, pode, a Receita Federal do Brasil, autuar de oficio a importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONFISCO DO PATRIMÔNIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE E JULGAMENTO. Não compete a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais analisar e decidir sobre eventual confisco no patrimônio do contribuinte. RECÁLCULO DAS MULTAS. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. Tendo-se em conta a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, deve-se analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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VIOLAÇÃO DO PRINCIPIO DA AMPLA DEFESA. Não há violação do princípio da ampla defesa quando o auto de infração foi devidamente instruído com os relatórios necessários para a adequada compreensão fática e jurídica das obrigações. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, pode, a Receita Federal do Brasil, autuar de oficio a importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONFISCO DO PATRIMÔNIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE E JULGAMENTO. Não compete a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais analisar e decidir sobre eventual confisco no patrimônio do contribuinte. RECÁLCULO DAS MULTAS. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. Tendose em conta a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, devese analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 07 43 /2 00 9- 54 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa aplicada ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 13827.000743/200954 Acórdão n.º 2402004.038 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 26/08/2009 (fl. 2), decorrente da entrega de GFIP com dados que não correspondem a todos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nas competências 12/2005, e 09/2006 a 01/2007. O Recorrente interpôs impugnação (fls. 2228) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Bauru–SP, ao analisar o presente caso (fls. 4347), julgou o lançamento procedente, entendendo que: (i) a aferição foi realizada com estrita observância aos ditames legais, não podendo, por isso, ser considerado confiscatório o lançamento efetuado; (ii) não deve ser reduzida a multa aplicada, visto que se encontra em conformidade com a lei. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 474478) argumentando que: (i) houve violação ao princípio da ampla defesa do contribuinte por não ter sido intimado de modo claro a apresentar documentos à fiscalização que supostamente evitariam os lançamentos em questão; (ii) que não lhe foi oportunizado realizar o esclarecimento de fatos relevantes à autuação; (iii) que a Autoridade presumiu que a contabilidade da empresa estava irregular em todo o período apurado, o que não seria verdade; (iv) que a manutenção da condenação implica em confisco de seu patrimônio. É o relatório. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a Recorrente pretende a nulidade da presente autuação, sob o argumento de que: (i) não existem quaisquer irregularidades que caracterizem ato doloso na apuração das contribuições previdenciárias devidas pela empresa; (ii) houve presunção da autoridade fiscal no tocante a aferição dos tributos devidos; (iii) que fora violado o princípio da ampla defesa por não ter sido oportunizada a apresentação de demais documentos que supostamente lhe confeririam razão; e (iv) que a multa aplicada acaba por gerar confisco do seu patrimônio. Contudo, não assiste razão à Recorrente em sua argumentação, uma vez que não há que se falar em inexistência de irregularidade, sobretudo quando assim afirma de forma genérica, sem quaisquer elementos fáticoprobatórios que evidenciem o direito pleiteado. Para combater a aferição realizada pela fiscalização caberia à Recorrente demonstrar que de fato elaborou as folhas de pagamento e demais obrigações de forma distinta para cada obra ou estabelecimento, o que definitivamente não ocorreu no caso em apreço, conforme atestou o Relatório de Análise da Contabilidade anexado às fls. 4244 dos autos principais – PAF nº 13827.000261/200902. Dessa maneira, a Recorrente acabou por descumprir com o disposto no §5º do art. 219 do Decreto 3.048/99 e com o § 2º do art. 220 do mesmo Caderno Legal, verbis: “art. 219. [...] [...] § 5º O contratado deverá elaborar folha de pagamento e Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social distintas para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante do serviço.” “art. 220. [...] [...] §2° O executor da obra deverá elaborar, distintamente para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante, folha de pagamento, Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP e Guia da Previdência Social — GPS, cujas cópias deverão ser exigidas pela empresa contratante Fl. 493DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 13827.000743/200954 Acórdão n.º 2402004.038 S2C4T2 Fl. 4 5 quando da quitação da nota fiscal ou fatura, juntamente com o comprovante de entrega daquela guia.” Ademais, como é possível observar das considerações realizadas pelo fiscal autuante nos autos onde se exige o recolhimento da contribuição devida pela empresa (PAF nº 13827.000261/200902), são facilmente identificáveis as irregularidades cometidas pela Recorrente:(i) a ausência de comprovação dos materiais descritos nas notas fiscais (conforme descrito no relatório de análise da contabilidade fl. 42), (ii) falta de lançamentos em sua contabilidade (conforme descrito no relatório de análise da contabilidade fl. 42), (iii) não apresentação à fiscalização de contratos de sub empreitada (conforme descrito no relatório de análise da contabilidade fls.4344), (iv) o cancelamento de algumas notas contabilizadas(conforme descrito no relatório de análise da contabilidade fl. 43) e(v) a ausência de inclusão de determinados funcionário sem GFIPs (conforme descrito no relatório de análise da contabilidade fl. 43). Ou seja, esses fatos só reforçam que a escrituração contábil e fiscal da Recorrida não registrou a real movimentação da empresa. Outrossim, ao contrário do que afirma a contribuinte, é possível atestar o pouco zelo da contabilidade da empresa não somente em um mês, mas em diversos períodos. Prova exemplificativa disso é a demonstração do resultado de exercício elaborada de forma global nos períodos de 2005 a 2007, sem apontar o custo individualizado de cada obra ou construção, o que acabou por tornar inconsistentes as informações contábeis apresentadas pela empresa, visto que ausente a demonstração do custo real das mesmas. A Recorrente alegou também a violação da prerrogativa da ampla defesa, ao passo que supostamente não fora oferecida oportunidade para que juntasse novos documentos ou para que prestasse novos esclarecimentos que, segundo alega, não implicariam no correlato lançamento. Todavia, no tocante ao princípio em epígrafe, importante frisar que a ausência de intimação pessoal para nova prestação de esclarecimentos não importa em sua violação. Isso porque, a Autoridade Fiscal concluiu pela irregularidade da situação da Recorrente através dos documentos por ela apresentados, que foram suficientes para tal ateste. O parecer contábil de fls. 4244 dos autos onde se exige o recolhimento da contribuição devida pela empresa (PAF nº 13827.000261/200902) elimina quaisquer dúvidas sobre a questão. Inclusive, a contribuinte foi anteriormente intimada de modo claro a apresentar documentos e prestar esclarecimentos para a instrução devida da fiscalização (fls. 30 daqueles autos), o que fez de forma precária. Ademais, salientese que, para se constituir o crédito tributário, a autoridade fiscal realiza uma série de atos unilaterais para verificar se há ou não o efetivo cumprimento das obrigações tributárias por parte do contribuinte. Destarte, diante dos documentos exigidos pela fiscalização e apresentados pela própria Recorrente, fora atestada a irregularidade da escrituração contábil da empresa, sendo que, atestada tal situação, simplesmente tornaramse desnecessárias solicitações de novos esclarecimentos. Porém, é salutar destacar que eventuais novos documentos ou esclarecimentos poderiam ter sido apresentados pela Recorrente na impugnação ou até mesmo Fl. 494DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 6 no recurso voluntário. Entretanto, ao contrário, verificouse apenas a juntada de um recurso genérico, vazado de consistência, o que faz não assistir razão à Recorrente diante da oportunidade não aproveitada de comprovar a inocência que declara. Assim, diante da irregularidade da documentação apresentada originalmente pela empresa (a qual não foi contraditada por provas posteriores, reiterese), não houve alternativa à autoridade senão a realização da aferição da base de cálculo por presunção. E, nesse sentido, cumpre mencionar que a legislação possibilita que a Autoridade assim atue quando a documentação apresentada pelo contribuinte não merecer fé1. Por fim, no tocante a alegação de confisco na aplicação da multa em apreço, impende ressaltar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para decidir sobre tal questão, nos termos da Súmula nº 2 do CARF e do art. 62 de seu Regulamento Interno. Assim, considerando que houve a adequada demonstração dos fatos que ensejaram a presente autuação, e que o Recorrente não apresenta qualquer elemento fático probatório para demonstrar que ocorreu alguma incorreção no procedimento fiscal, limitando se a arguir de modo genérico a nulidade da autuação, não merece provimento o recurso. Muito embora essa questão não tenha sido levantada pelo sujeito passivo, constatase, pelo quadro comparativo apresentado às fls. 12/13, que foi aplicada em parte das competências a penalidade prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, multa de ofício de 75%, e em outras as penalidades trazidas pelos arts. 32, § 5º e 35 da Lei nº 8.212/91, antes da alteração promovida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Contudo, o cálculo da multa realizado pelo fiscal está totalmente equivocado, haja vista que utiliza como parâmetro não só a penalidade por descumprimento de obrigação principal, como também a penalidade por descumprimento de obrigação acessória para aferir qual seria a penalidade mais benéfica a ser aplicada. Em relação ao descumprimento de obrigação principal, a penalidade anteriormente prevista, que variava de acordo com a fase processual do lançamento, conforme a redação revogada do art. 35 da Lei nº 8.212/19912, passou a ser regulamentada pelo art. 44, 1 Lei 8.212/91, Art. 33. [...] § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. § 4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. [...] § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. 2“Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (...)” Fl. 495DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 13827.000743/200954 Acórdão n.º 2402004.038 S2C4T2 Fl. 5 7 da Lei nº 9.430/963, que prevê multa de 75%, e que foi utilizada pela Autoridade Fiscal na autuação. Quanto ao descumprimento de obrigação acessória, na sistemática anterior, a infração relativa à omissão de fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a 100% da contribuição não declarada, ficando a penalidade limitada a um teto calculado em função do número de segurados da empresa, conforme o extinto § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/19914. Pois bem. Analisando as sanções aplicadas no presente caso à luz das alterações levadas a efeito pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, verificase, através do quadro comparativo da multa aplicada (fls. 12/13), que a autoridade tributária equivocouse em suas premissas, adotando como valor que seria devido antes do advento da MP nº 449/2008 os valores relativos ao descumprimento da obrigação principal e acessória (o que denominou de “Anterior” e “AIOA68”), e como valor que seria devido após o advento da MP apenas o valor da multa decorrente do descumprimento da obrigação principal. Contudo, a autoridade administrativa deveria comparar separadamente as multas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, ou seja, contrapondo o cálculo feito com base no antigo art. 32 da Lei nº 8.212/1991 com o atual art. 32A desta mesma lei, vez que ambos versam sobre como proceder nas suas respectivas épocas nos casos de penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Destarte, verificase que a autoridade fiscal não pode considerar a multa por descumprimento de obrigações acessórias para fins de comparação com uma multa devida pelo não recolhimento do tributo, sob pena de negativa de vigência ao art. 106 do CTN. A incorreta forma de comparação de multas aplicadas pela fiscalização nos presentes autos acarretou na aplicação da penalidade anterior para o descumprimento da obrigação acessória, e não na nova penalidade trazida pela MP nº 449/2008. Sendo assim, para que seja dado o efetivo cumprimento à retroatividade benigna de que trata o art. 106, inc. II, “c”, do CTN, é mister que a multa aplicada nas competências mencionadas pelo fiscal como “Anterior” na coluna “Multa Benéfica”, constante da tabela de fls. 13, seja recalculada, a fim de que seja imposta a penalidade mais benéfica ao 3“Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007)” 4“§ 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior”. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 8 contribuinte, que provavelmente será a penalidade atualmente prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, determinando o recálculo da multa imposta nos termos da fundamentação acima, aplicandose a que for mais benéfica. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 10480.731234/2011-61
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2008
COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO.
Não se conhece do Recurso Voluntário quando a competência para julgamento é da Primeira Seção do CARF, em face de que a exigência está lastreada em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. No caso, a autuada, ao longo de todo o ano de 2008, informou a menor, na DCTF, na DIPJ e no Dacon, valores de suas receitas em montantes inferiores aos efetivamente encontrados pela fiscalização a partir da análise da escrituração contábil e fiscal. Aplicação do inciso IV, do art. 2º, do Anexo II, do Regimento Interno do Carf.
Recurso Voluntário Não Conhecido. Competência da Primeira Seção.
Numero da decisão: 3401-001.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em face da competência do julgamento estar afeita à Primeira Seção, conforme o contido no inciso IV, do art. 2º, do Anexo II, do Regimento Interno do Carf.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: Odassi Guerzoni Filho
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Não se conhece do Recurso Voluntário quando a competência para julgamento é da Primeira Seção do CARF, em face de que a exigência está lastreada em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. No caso, a autuada, ao longo de todo o ano de 2008, informou a menor, na DCTF, na DIPJ e no Dacon, valores de suas receitas em montantes inferiores aos efetivamente encontrados pela fiscalização a partir da análise da escrituração contábil e fiscal. Aplicação do inciso IV, do art. 2º, do Anexo II, do Regimento Interno do Carf. Recurso Voluntário Não Conhecido. Competência da Primeira Seção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em face da competência do julgamento estar afeita à Primeira Seção, conforme o contido no inciso IV, do art. 2º, do Anexo II, do Regimento Interno do Carf. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 12 34 /2 01 1- 61 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Trata o presente processo de dois autos de infração cientificados ao sujeito passivo em 30/11/2011 para a exigência de crédito tributário [principal, juros de mora e multa de oficio de 150%] de PIS/Pasep e da Cofins dos períodos de apuração compreendidos entre janeiro e dezembro de 2008, ininterruptamente. De acordo com as considerações constantes do Termo de Encerramento de Ação Fiscal, a autuada, empresa optante do lucro presumido para fins de apuração do IRPJ e atuando no ramo do comércio varejista de produtos alimentícios em geral, indicou nas respectivas DCTF débitos de ambas as contribuições em valor inferior ao efetivamente devido. Para assim concluir, a fiscalização identificou na escrituração fiscal [Livro Reg. Apuração do ICMS] e na escrituração contábil [Livros Diário e Razão] que o montante das receitas auferidas pela autuada foram devidamente informados à Secretaria de Fazenda Estadual no montante correto, o mesmo não se dando, entretanto, em relação às informações prestadas à Receita Federal do Brasil, especialmente no Dacon, na DIPJ e na DCTF. Concluiu o Fisco que, de forma reiterada, isto é, para os doze meses do ano de 2008, a autuada informava um montante de suas receitas para o Fisco Estadual e outro montante, bem menor, ao Fisco Federal. Assim, os tributos devidos a título de IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins não foram informados na sua totalidade e tampouco foram pagos. Em face dessas constatações, aplicou a multa de oficio no percentual de 150% por considerar que os fatos se enquadram na figura da “sonegação fiscal” tipificada no artigo 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, que, com esse procedimento, a autuada teria deixado evidente a sua intenção de retardar o conhecimento do Fisco federal da ocorrência do fato gerador das obrigações tributárias listadas acima. Na Impugnação, preliminarmente, a autuada, alegando ter aderido ao programa de parcelamento especial da Lei nº 11.941, de 27/05/2009, em relação aos débitos de janeiro a novembro de 1998, requereu a “suspensão do processo na forma do disposto no art. 151, VI, do CTN” , e, em caso contrário que fosse admitida a impugnação. Ainda em sede de preliminar, a Impugnante suscitou a nulidade do procedimento sob o argumento de que sua defesa teria sido cerceada na medida em que o Fisco teria se valido de provas emprestadas junto ao Fisco estadual, o que não seria admitido consoante jurisprudência do Carf que colacionou. Além disso, que não se poderia tomar pura e simplesmente os valores das receitas declarados ao Fisco estadual uma vez que existem operações que podem em não implicar em valores sujeitos à incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Assim, no caso, estaria havendo um arbitramento ilegal, o que tornaria o presente lançamento num “lançamento defeituoso”. Por conta disso, se faria necessária a realização de perícia, cujos quesitos estipulou, no sentido de se apurar quais as receitas tributáveis apresentadas ao Fisco federal e ao Fisco estadual, e, dentro desse, quais as mercadorias objeto de devolução, de isenção ou de antecipação tributária ou substituição tributária, dentre outras. Aduziu ainda a Impugnante que o lançamento não teria observado o posicionamento do STF quanto à inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, de sorte que, por faturamento, somente devem ser consideradas as receitas de vendas e de serviços. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10480.731234/201161 Acórdão n.º 3401001.981 S3C4T1 Fl. 285 3 Em relação à multa aplicada, insurgiuse contra o percentual de 150% aplicado, colacionando ementas de acórdãos do Carf que entendeu lhe socorrer. A 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em RecifePE considerou improcedentes os termos da impugnação e manteve integralmente o lançamento em decisão assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. As diferenças apuradas entre os valores escriturados no Livro Razão e os declarados em DCTF devem ser lançadas de ofício pela fiscalização, sendo considerados no levantamento dos créditos os recolhimentos devidamente comprovados. PROVA EMPRESTADA. INOCORRÊNCIA. A prova é emprestada quando copiada ou traslada de um processo administrativo para outro. A utilização dos registros contábeis, fornecidos e elaborados pelo próprio contribuinte, para o levantamento da base de cálculo do tributo, não configura prova emprestada. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. PRESSUPOSTOS. A prática intencional (dolosa) e reiterada com o objetivo de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da Administração Tributária Federal das informações referentes ao fato gerador do tributo, com evidente intuito de esquivar se do pagamento da exação, caracteriza a sonegação e é condição suficiente para a imputação da duplicação multa de ofício prevista no inc. I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. As diferenças apuradas entre os valores escriturados no Livro Razão e os declarados em DCTF devem ser lançadas de ofício pela fiscalização, sendo considerados no levantamento dos créditos os recolhimentos devidamente comprovados. PROVA EMPRESTADA. INOCORRÊNCIA. A prova é emprestada quando copiada ou traslada de um processo administrativo para outro. A utilização dos registros contábeis, fornecidos e elaborados pelo próprio contribuinte, para o levantamento da base de cálculo do tributo, não configura prova emprestada. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. PRESSUPOSTOS. A prática intencional (dolosa) e reiterada com o objetivo de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da Administração Tributária Federal das informações referentes ao fato gerador do tributo, com evidente intuito de esquivar se do pagamento da exação, caracteriza a sonegação e é condição suficiente para a imputação da duplicação multa de ofício prevista no inc. I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Ementa: Fl. 286DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 PARCELAMENTO. LEI Nº 11.941/2009. DÉBITOS. Poderão ser incluídos nos parcelamentos de que trata a Lei nº 11.941, de 27/05/2009, os débitos vencidos até 30 de novembro de 2010, que tenham sido declarados em DCTF até 30 de julho de 2010. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” No Recurso Voluntário, a Recorrente, preliminarmente, contestou a argumentação da DRJ quanto à questão do parcelamento dos débitos, sob o argumento de que a exigência contida na Instrução Normativa nº 1.049, de 30/06/2010, ao condicionar a inclusão dos débitos no programa de parcelamento à entrega, até 30/06/201, de DCTF na qual os mesmos tenham sido informados, estaria contrariando disposições contidas na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, especialmente aquelas do seu artigo 1º, parágrafos 1º e 2º, incisos I, II, III e IV. Assim, insistiu na suspensão do processo na forma do artigo 151, VI, do Código Tributário Nacional, em face dos débitos de janeiro a novembro de 2008. Insistiu ainda na realização de perícia, bem como que não teria sido observado pela fiscalização o conceito restrito de faturamento dado pelo STF em face da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Em relação à multa de oficio, repetiu os termos de sua impugnação. No essencial, é o Relatório. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10480.731234/201161 Acórdão n.º 3401001.981 S3C4T1 Fl. 286 5 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Cientificada da decisão da DRJ em 22/03/2012, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 27/03/2012, portanto, de forma tempestiva. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Prejudiciais de conhecimento do mérito Nos itens “4” e “5” do Termo de Encerramento de Ação Fiscal, consta que foram constituídos lançamentos também para a exigência de Imposto de Renda da PJ e da CSLL. De pesquisa que efetuei no sistema interno do CARF, denominado “e processo”, constatei a existência do processo administrativo nº 10480.731229/201159, contendo exatamente os dois autos de infração, do IRPJ e da CSLL, nos quais, verificase que o Termo de Encerramento de Ação Fiscal é idêntico ao que consta do presente processo, que versa sobre PIS/Pasep e Cofins. Isto é, os “fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ” são os mesmos fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do PIS/Pasep e da Cofins, o que, na forma do art. 2º, IV, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256, de 23/06/2009, com as alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21/12/2010, nos obriga a declinar a competência do presente julgamento para a Primeira Seção. A corroborar esse meu entendimento, informo aos meus pares que o montante das receitas mensais utilizado pela fiscalização para a apuração dos valores devidos a título de PIS/Pasep e de Cofins e, posteriormente [diminuídos dos valores informados em DCTF], lançados, quando somados ao cabo de cada trimestre, correspondem aos mesmos valores das receitas que serviram de base para o lançamento do IRPJ em cada um dos quatro trimestres do ano de 2008. Dito de outra forma, a motivação do lançamento do PIS/Pasep e da Cofins, isto é, a informação a menor, na DCTF e no Dacon, dos valores das receitas efetivamente escrituradas na contabilidade e nos livros fiscais, é a mesma que ensejou o lançamento do IRPJ. Pelo exposto, voto pelo não conhecimento do Recurso Voluntário e da remessa do presente processo à Primeira Seção, devendo a Secretaria do CARF providenciar urgentemente a apensação deste processo àquele de nº 10480.731229/201159. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 288DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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