Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11080.720447/2013-03
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2010
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE SERVIÇOS CONTRATADOS DE COOPERATIVA MÉDICA. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF.
Nos termos do artigo 67, §12, II, do RICARF vigente à época em que admitido o Recurso Especial da União, as decisões transitadas em julgado, proferidas pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, não servem como paradigma para fins de admissibilidade de Recurso Especial.
A contribuição da empresa ou equiparada, incidente sobre valor da Nota Fiscal de serviços tomados de Cooperativas, foi declarada inconstitucional pelo STF, no julgamento do RE 595.838, cujo trânsito em julgado se deu em 09/03/2015. Como a admissibilidade do Recurso Especial apenas fora analisada em setembro de 2015, ou seja após o trânsito em julgado da ação, deve ser reconhecida a inadmissibilidade do Recurso Especial da União.
Numero da decisão: 9202-003.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencido o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Gerson Macedo Guerra - Relator.
EDITADO EM: 17/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2010 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE SERVIÇOS CONTRATADOS DE COOPERATIVA MÉDICA. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF. Nos termos do artigo 67, §12, II, do RICARF vigente à época em que admitido o Recurso Especial da União, as decisões transitadas em julgado, proferidas pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, não servem como paradigma para fins de admissibilidade de Recurso Especial. A contribuição da empresa ou equiparada, incidente sobre valor da Nota Fiscal de serviços tomados de Cooperativas, foi declarada inconstitucional pelo STF, no julgamento do RE 595.838, cujo trânsito em julgado se deu em 09/03/2015. Como a admissibilidade do Recurso Especial apenas fora analisada em setembro de 2015, ou seja após o trânsito em julgado da ação, deve ser reconhecida a inadmissibilidade do Recurso Especial da União.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11080.720447/2013-03
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5581082
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-003.818
nome_arquivo_s : Decisao_11080720447201303.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : GERSON MACEDO GUERRA
nome_arquivo_pdf_s : 11080720447201303_5581082.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencido o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. Gerson Macedo Guerra - Relator. EDITADO EM: 17/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
id : 6347404
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048416368459776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2059; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 672 1 671 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.720447/201303 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.818 – 2ª Turma Sessão de 17 de fevereiro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ASSOCIAÇÃO DOS PROCURADORES DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2010 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE SERVIÇOS CONTRATADOS DE COOPERATIVA MÉDICA. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF. Nos termos do artigo 67, §12, II, do RICARF vigente à época em que admitido o Recurso Especial da União, as decisões transitadas em julgado, proferidas pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, não servem como paradigma para fins de admissibilidade de Recurso Especial. A contribuição da empresa ou equiparada, incidente sobre valor da Nota Fiscal de serviços tomados de Cooperativas, foi declarada inconstitucional pelo STF, no julgamento do RE 595.838, cujo trânsito em julgado se deu em 09/03/2015. Como a admissibilidade do Recurso Especial apenas fora analisada em setembro de 2015, ou seja após o trânsito em julgado da ação, deve ser reconhecida a inadmissibilidade do Recurso Especial da União. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencido o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Gerson Macedo Guerra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 04 47 /2 01 3- 03 Fl. 672DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 EDITADO EM: 17/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório Contra o contribuinte em epígrafe foram lavrados AI's para cobrança da contribuição da empresa ou equiparada, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, não recolhidas nem declaradas em relação aos períodos de 01/2008 a 12/2008 e 01/2009 a 12/2009. A formalização da cobrança da contribuição e multas se deu pela lavratura de AI's distintos, que foram compreendidos no presente processo administrativo, bem como no processo de nº 11080.720450/201319, que a este se encontra apenso. Decorrido o regular processo administrativo, a 3ª Turma Especial da 2ª Seção deu provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário, em decisão cuja ementa abaixo transcrevo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2010 INCONSTITUCIONALIDADE. INEXISTÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO IMPOSSIBILIDADE. NORMA REVOGADA. ASSISTÊNCIA À SAÚDE FORNECIDA PELA ENTIDADE DE CLASSE ASSOCIAÇÃO POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Helton CarlosPraia de Lima e Oseas Coimbra Junior que entendem pela cobrança da contribuição social relativa aos serviços prestados por cooperados de cooperativa de trabalho médico de saúde. O Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima entende que não há previsão constitucional nem legal para a desoneração das contribuições previdenciárias relativas à cooperativa de trabalho médico de saúde, ao contrário, há previsão legal no art. 2º da Lei 12.690/2012. O art. 1º, parágrafo único, inciso I da Lei 12.690/2012 se refere à regulação específica pela legislação de saúde complementar (Agência Nacional de Saúde Fl. 673DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.720447/201303 Acórdão n.º 9202003.818 CSRFT2 Fl. 673 3 Suplementar ANS). A contribuição previdenciária sobre os serviços prestados por intermédio de cooperativa de trabalho está prevista no art. 22, IV da Lei 8.212/91. Os serviços prestados são contratados e os valores são suportados pela empresa em benefício dos segurados. A cooperativa de trabalho, também se equipara à empresa quando da contratação de outro serviço por intermédio de cooperativa de trabalho (art. 15, § único, Lei 8.212/91)." Cientificada da decisão a União, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, demonstrando analiticamente a divergência entre a decisão ora recorrida e decisão prolatada pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF em seu acórdão nº 2403001.257 O contribuinte, regularmente intimado, apresenta contra razões, alegando, em síntese, que referida contribuição foi julgada inconstitucional pelo STF, pela sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, de modo que este tribunal deve acatar referida decisão e não conhecer do Recurso da União ou negarlhe provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Como amplamente divulgado, o STF julgou inconstitucional a cobrança da contribuição destinada à seguridade social incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, prevista no artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.876/99. Tratase da decisão proferida no RE 595.838/SP, cuja ementa abaixo transcrevo: "EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da Fl. 674DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99." No presente caso, a exação que ora se discute a cobrança tratase do tributo previsto no artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, julgado sob o rito previsto no artigo 543B, do Código de Processo Civil. Nesse contexto, forçosa a aplicação do artigo 67, §12º, II, do Regimento Interno do CARF, que assim dispõe: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 12. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: I Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; II decisão judicial transitada em julgado, nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC); e III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Diante disso, tendo em vista que a norma acima já se encontrava vigente quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da União, bem como que o trânsito em julgado da decisão do STF ocorrera em 09/03/2015, há de ser reconhecida a inadmissibilidade do Recurso da União. É como voto. Gerson Macedo Guerra Relator Fl. 675DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.720447/201303 Acórdão n.º 9202003.818 CSRFT2 Fl. 674 5 Fl. 676DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721746/2013-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
MULTA QUALIFICADA. INTUITO DE FRAUDE. PROVA.
A retificação da DCTF para informar débitos inferiores aos declarados em DACON, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício sobre os valores não recolhidos, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
DECLARAÇÕES. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. CONCESSÃO DE PRAZO PARA REGULARIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A teor dos arts. 7º do Decreto nº 70.235/72 e 11 da IN RFB 903/2008, carece de respaldo legal ou normativo a concessão de prazo para que o contribuinte, uma vez iniciado regularmente o procedimento fiscal, promova a regularização das declarações prestadas à RFB.
DÉBITOS NÃO CONFESSADOS. PAGAMENTOS ESPONTÂNEOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Demonstrado nos autos que os recolhimentos efetuados de PIS se referem a débitos não confessados em DCTF, é cabível o lançamento de ofício para constituir o crédito tributário.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
O princípio inserto no art. 150, IV da Constituição Federal de 1988 dirige-se aos tributos, não se estendendo às sanções por infração à legislação tributária, demais disso a multa de ofício encontra sustentáculo no art. 44 da Lei nº 9.430/96, não competindo ao CARF o exame de sua constitucionalidade, como sedimentado na Súmula CARF nº 2.
Recurso de ofício provido em parte e recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso de ofício, nos seguintes termos: i) por maioria, deu-se provimento para manter o lançamento nas situações em que há recolhimento, ainda que parcial, mas não há declaração em DCTF, vencidos os conselheiros Robson José Bayerl (relator), Rosaldo Trevisan e Augusto Fiel Jorge D'Oliveira; e, ii) por maioria, negar provimento quanto à redução da multa qualificada, vencidos os conselheiros Robson José Bayerl (relator), Rosaldo Trevisan e Fenelon Moscoso de Almeida. Designado o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco para redigir o voto vencedor. Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário.
Robson José Bayerl Presidente substituto e relator
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Fenelon Moscoso de Almeida e Elias Fernandes Eufrásio.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MULTA QUALIFICADA. INTUITO DE FRAUDE. PROVA. A retificação da DCTF para informar débitos inferiores aos declarados em DACON, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício sobre os valores não recolhidos, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. DECLARAÇÕES. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. CONCESSÃO DE PRAZO PARA REGULARIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A teor dos arts. 7º do Decreto nº 70.235/72 e 11 da IN RFB 903/2008, carece de respaldo legal ou normativo a concessão de prazo para que o contribuinte, uma vez iniciado regularmente o procedimento fiscal, promova a regularização das declarações prestadas à RFB. DÉBITOS NÃO CONFESSADOS. PAGAMENTOS ESPONTÂNEOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. Demonstrado nos autos que os recolhimentos efetuados de PIS se referem a débitos não confessados em DCTF, é cabível o lançamento de ofício para constituir o crédito tributário. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O princípio inserto no art. 150, IV da Constituição Federal de 1988 dirige-se aos tributos, não se estendendo às sanções por infração à legislação tributária, demais disso a multa de ofício encontra sustentáculo no art. 44 da Lei nº 9.430/96, não competindo ao CARF o exame de sua constitucionalidade, como sedimentado na Súmula CARF nº 2. Recurso de ofício provido em parte e recurso voluntário negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.721746/2013-10
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5593932
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3401-003.128
nome_arquivo_s : Decisao_19515721746201310.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL
nome_arquivo_pdf_s : 19515721746201310_5593932.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso de ofício, nos seguintes termos: i) por maioria, deu-se provimento para manter o lançamento nas situações em que há recolhimento, ainda que parcial, mas não há declaração em DCTF, vencidos os conselheiros Robson José Bayerl (relator), Rosaldo Trevisan e Augusto Fiel Jorge D'Oliveira; e, ii) por maioria, negar provimento quanto à redução da multa qualificada, vencidos os conselheiros Robson José Bayerl (relator), Rosaldo Trevisan e Fenelon Moscoso de Almeida. Designado o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco para redigir o voto vencedor. Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Presidente substituto e relator Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Fenelon Moscoso de Almeida e Elias Fernandes Eufrásio.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
id : 6393967
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048416482754560
conteudo_txt : Metadados => date: 2016-06-01T13:20:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-06-01T13:20:27Z; Last-Modified: 2016-06-01T13:20:27Z; dcterms:modified: 2016-06-01T13:20:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:d567dd70-e67d-4b7b-80b3-198f64948f6a; Last-Save-Date: 2016-06-01T13:20:27Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-06-01T13:20:27Z; meta:save-date: 2016-06-01T13:20:27Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-06-01T13:20:27Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-06-01T13:20:27Z; created: 2016-06-01T13:20:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2016-06-01T13:20:27Z; pdf:charsPerPage: 2244; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-06-01T13:20:27Z | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 374 1 373 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.721746/201310 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3401003.128 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de março de 2016 Matéria PIS/PASEP Recorrentes INOVA TS ENGENHARIA LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MULTA QUALIFICADA. INTUITO DE FRAUDE. PROVA. A retificação da DCTF para informar débitos inferiores aos declarados em DACON, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício sobre os valores não recolhidos, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. DECLARAÇÕES. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. CONCESSÃO DE PRAZO PARA REGULARIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A teor dos arts. 7º do Decreto nº 70.235/72 e 11 da IN RFB 903/2008, carece de respaldo legal ou normativo a concessão de prazo para que o contribuinte, uma vez iniciado regularmente o procedimento fiscal, promova a regularização das declarações prestadas à RFB. DÉBITOS NÃO CONFESSADOS. PAGAMENTOS ESPONTÂNEOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. Demonstrado nos autos que os recolhimentos efetuados de PIS se referem a débitos não confessados em DCTF, é cabível o lançamento de ofício para constituir o crédito tributário. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O princípio inserto no art. 150, IV da Constituição Federal de 1988 dirigese aos tributos, não se estendendo às sanções por infração à legislação tributária, demais disso a multa de ofício encontra sustentáculo no art. 44 da Lei nº 9.430/96, não competindo ao CARF o exame de sua constitucionalidade, como sedimentado na Súmula CARF nº 2. Recurso de ofício provido em parte e recurso voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 17 46 /2 01 3- 10 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por R OBSON JOSE BAYERL 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso de ofício, nos seguintes termos: i) por maioria, deuse provimento para manter o lançamento nas situações em que há recolhimento, ainda que parcial, mas não há declaração em DCTF, vencidos os conselheiros Robson José Bayerl (relator), Rosaldo Trevisan e Augusto Fiel Jorge D'Oliveira; e, ii) por maioria, negar provimento quanto à redução da multa qualificada, vencidos os conselheiros Robson José Bayerl (relator), Rosaldo Trevisan e Fenelon Moscoso de Almeida. Designado o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco para redigir o voto vencedor. Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl – Presidente substituto e relator Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Fenelon Moscoso de Almeida e Elias Fernandes Eufrásio. Relatório Cuidase de auto de infração de PIS/PASEP, período de apuração janeiro a dezembro de 2009, decorrente de divergência entre os valores declarados/pagos. Narra a fiscalização que constituiu a diferença de crédito quando o valor recolhido foi superior àquele informado em DCTF, nos termos da SCI COSIT nº 08/2007, com orientação ao contribuinte para requerer a desoneração da multa à DRJ. Esclareceu, ainda, que a infração propriamente dita consistiu em informar valores em DCTF em montante inferior àqueles indicados em DACON. No caso, após declarar os valores corretos, o contribuinte retificou as DCTFs para reduzir o montante devido a 1% (um por cento) do valor efetivamente devido. Intimado a justificar o procedimento, alegou o contribuinte dificuldades financeiras para quitação dos débitos e equívoco nas retificações da DCTF. Para esta infração foi aplicada a multa de 150 % (cento e cinquenta por cento). Em impugnação o contribuinte questionou a não concessão de oportunidade para regularização dos erros da DCTF; sustentou o descabimento da multa nos casos em que o valor recolhido foi superior àquele indicado em DCTF; pugnou pela redução da multa ao Fl. 375DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por R OBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.721746/201310 Acórdão n.º 3401003.128 S3C4T1 Fl. 375 3 patamar de 20% (vinte por cento); e, por fim, postulou o descabimento da representação fiscal para fins penais. A DRJ Fortaleza/CE acolheu parcialmente a impugnação, afastando a multa sobre os valores recolhidos a maior, ante a DCTF, e reduzindo a multa qualificada ao patamar ordinário (75%), mediante decisão assim ementada: “MULTA DE OFÍCIO LANÇADA. PAGAMENTO SUPERIOR AO DÉBITO CONFESSADO. É improcedente o lançamento realizado com o intuito de constituir crédito tributário já recolhido pelo contribuinte, mas confessado com insuficiência em DCTF. MULTA QUALIFICADA. INTUITO DE FRAUDE. PROVA. A retificação da DCTF para informar débitos inferiores aos declarados em DACON, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício sobre os valores não recolhidos, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA. Não compete à Delegacia da Receita Federal de Julgamento apreciar a regularidade e o cabimento de representação para fins penais formalizada ao final do procedimento de fiscalização.” Essa decisão, em função do valor de alçada, foi submetido a recurso de ofício. Em recurso voluntário o contribuinte vergastou a inobservância de prazo para autoregularização da DCTF e o caráter confiscatório da multa de ofício. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Robson José Bayerl, Relator 1 Recurso de ofício O reexame necessário da decisão de piso observa as condições para sua interposição. Tocante ao lançamento como instrumento de formalização do crédito tributário já extinto por pagamento, assim se manifestou a decisão de piso: “Na espécie, o lançamento foi realizado no sentido de constituir crédito tributário que foi confessado com insuficiência na DCTF, apesar de existir recolhimento apto a satisfazer, mesmo que em parte, o valor devedor. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por R OBSON JOSE BAYERL 4 Entendo que tal lançamento não deveria ser feito, por não existir previsão legal para tanto. Além disso, não tem sentido realizar lançamento para contemplar valores já pagos pelo sujeito passivo; quantias recolhidas se prestam para a extinção do crédito tributário, à luz do que dispõe o art. 156, I, c/c o art. 150, §1º e 4º, da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). O simples bloqueio dos valores pagos, mas não alocados aos respectivos débitos, resolveria a questão operacional apontada como fundamento para a elaboração do lançamento, consoante descrito na Solução de Consulta citada, sem a necessidade de obrigar o contribuinte a apresentar defesa, ou exigir pronunciamento por parte da DRJ, no sentido de exonerar a multa aplicada. Dessa forma, considero improcedente o lançamento realizado.” Irretocável, nesta parte, a conclusão da decisão sob revisão. Nada obstante a aparente lógica do lançamento, equivocase a autoridade administrativa lançadora quanto à utilização do auto de infração, ao passo que, nos termos do art. 9º, caput, do Decreto nº 70.235/72, juntamente com a notificação de lançamento, é instrumento para a formalização de exigência de crédito tributário, sendo que, no caso dos autos, antes mesmo do lançamento, como reconhecido, houve a liquidação do crédito tributário pelo seu pagamento. Portanto, mostrase descabido efetuar lançamento de crédito tributário já extinto por quaisquer das modalidades arroladas no CTN, ainda que sob o pálio de sua “constituição”, ante a ausência de informação em DCTF. Concernente à inocorrência das hipóteses para exigência da multa qualificada, entendo que não andou bem o epigrafado julgado. Com efeito, prevê o art. 44, I, § 1º da Lei nº 9.430/96 o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 377DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por R OBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.721746/201310 Acórdão n.º 3401003.128 S3C4T1 Fl. 376 5 (...)” Já o art. 71, I da Lei nº 4.502/64, especificamente, descreve a sonegação da seguinte forma: “Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; (...)” Na situação dos autos, segundo relato da fiscalização, originalmente o contribuinte havia declarado o valor integral do débito devido e, posteriormente, reduziu estes montantes a exato 1% (um por cento) daquela quantia. Intimado a justificar o procedimento, imputou o modus operandi à dificuldade financeira em liquidar a dívida tributária. Ou seja, o contribuinte consciente e deliberadamente alterou seus débitos com o intuito de postergar, parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que se encaixa perfeitamente à conduta classificada como sonegação, pelo art. 71, I da Lei nº 4.502/64. Acentuese que a norma em apreço não exige o êxito na supressão do tributo para consumação da infração, bastando a mera pretensão de retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, o que definitivamente ocorreu. Por oportuno, registro meu entendimento que dificuldades financeiras não se prestam como justificativa válida ao desiderato de burlar a legislação tributária, através do adiamento da cobrança do crédito tributário exigível. Também não milita em favor do recorrente o fato de reduzir apenas os valores da DCTF, mantidos os valores corretos do DACON, porquanto aquela declaração constitui instrumento de confissão de dívida, enquanto esta última ostenta apenas índole informativa. Aliás, este modo de agir apenas realça sua intenção de retardar o quanto possível a exigência do crédito tributário, reforçando o caráter doloso da conduta. Com estas considerações, voto pelo restabelecimento da multa qualificada e, por conseqüência, dar parcial provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto. 2 Recurso voluntário O recurso voluntário, por seu turno, preenche os pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Respeitante à concessão de prazo para “autoregularização”, improcedente o pleito, haja vista que, iniciado o procedimento fiscal, nos termos do art. 7º do Decreto nº Fl. 378DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por R OBSON JOSE BAYERL 6 70.235/72, suprimese a espontaneidade do contribuinte para quaisquer atos atinentes aos tributos sob investigação, não havendo norma legal que excepcione a regra geral. Corrobora esta compreensão a redação do art. 11, § 2º, III, da IN RFB 903/2008, vigente por ocasião dos fatos: “Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...)” Portanto, iniciado o procedimento fiscal, não há qualquer oportunidade para regularização da situação fiscal do contribuinte, sem incidência dos efeitos inerentes ao exercício da atividade fiscalizatória. Respeitante ao pretenso caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, temse que sua imposição está respaldada no art. 44, I, § 1º da Lei nº 9.430/96, norma válida e vigente, não cabendo a quaisquer das turmas julgadoras integrantes deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF manifestarse acerca da juridicidade dos diplomas legais em vigor, encontrandose a matéria devidamente sumulada (Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). De outra banda, incabível a substituição da multa moratória de 20% (vinte por cento) estatuída no art. 61 da Lei nº 9.430/96, porquanto consectário empregado exclusivamente na hipótese de recolhimento em atraso de valores formalmente declarados à Secretaria da Receita Federal, através de declaração dotada de caráter de confissão de dívida, o que não é o caso dos autos. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por R OBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.721746/201310 Acórdão n.º 3401003.128 S3C4T1 Fl. 377 7 Em face de todo o acima exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Redator designado Registro o voto divergente do conselheiro relator no concernente à possibilidade de lançamento, diante de ausência de confissão em DCTF, ainda que exista pagamento, bem como quanto à restauração da multa qualificada. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) tem como efeito a confissão de dívida, o que elide, por determinação do § 1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124/1984, a necessidade de constituição formal do crédito tributário, que passa a ser exigível com o decurso do prazo de seu vencimento, em conformidade com a Súmula nº 436/2010 do Superior Tribunal de Justiça1. Por outro lado, não havendo débitos confessados, tem a autoridade fiscal o dever de proceder ao lançamento, atividade administrativa vinculada e obrigatória, para realizar a sua cobrança, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional2. Observandose, como no caso presente, a existência de pagamentos, entendemos que os valores remanescentes não pagos, observado o prazo decadencial, devem ser formalizados por meio do respectivo lançamento, nos termos do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Quanto à multa, reproduzimos abaixo a fundamentação do Acórdão DRJ nº 0830.371, proferido em sessão de 15/07/2014: "O motivo para a exacerbação da multa foi o fato de o sujeito passivo ter inicialmente confessado em DCTF os valores correspondentes aos efetivos débitos apurados em DACON, e, posteriormente, ter retificado a DCTF reduzindo os créditos tributários para um patamar que correspondia apenas a 1% do real valor devedor. 1 Súmula STJ nº 436/2010 A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. 2 Código Tributário Nacional Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por R OBSON JOSE BAYERL 8 O autuante entendeu que estava configurada situação que podia ser caracterizada como sonegação fiscal, nos termos do art. 71, da Lei nº 4.502, de 19641. De sua parte, o defendente alega a ocorrência de erro cometido por funcionário da empresa no preenchimento da DCTF. De plano, cabe esclarecer que todos os valores que serviram de base para o lançamento foram fornecidos pelo contribuinte ao Fisco (por meio do DACON), dessa forma, não se vislumbra, no caso, uma ação deliberada do sujeito passivo no sentido de retardar ou impedir o conhecimento dos valores das contribuições efetivamente devidas. Se assim fosse o administrado também teria retificado o DACON, para tanto. A manutenção do DACON inalterado (informando as contribuições devidas) e a confecção de DCTF retificadora, reduzindo quantias inclusive para os meses onde os valores já recolhidos satisfaziam plenamente os débitos apurados, reforçam a tese da ocorrência de erro" (seleção e grifos nossos). Em que pese a verossimilhança quanto à alegação de erro não seja suficiente para descaracterizar a imposição da multa de ofício, não se verifica o intuito doloso e deliberado da contribuinte tendente a impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante devido e, logo, não vislumbramos viabilidade de duplicar a multa decorrente do lançamento de ofício disciplinada pelo art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Com base nos fundamentos acima expostos, voto por da provimento parcial ao recurso de ofício unicamente para manter o lançamento nas situações em que há recolhimento, ainda que parcial, mas não há declaração em DCTF, negando provimento, portanto, quanto à possibilidade de restauração da multa qualificada. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 381DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por R OBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 13116.722101/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. REJEIÇÃO
Rejeitam-se os embargos declaratórios, uma vez comprovada a inocorrência de qualquer obscuridade, omissão ou contradição na decisão embargada.
Numero da decisão: 1401-001.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e REJEITAR os embargos.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. REJEIÇÃO Rejeitam-se os embargos declaratórios, uma vez comprovada a inocorrência de qualquer obscuridade, omissão ou contradição na decisão embargada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13116.722101/2011-41
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5581047
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1401-001.516
nome_arquivo_s : Decisao_13116722101201141.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
nome_arquivo_pdf_s : 13116722101201141_5581047.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e REJEITAR os embargos. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
id : 6346825
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048416503726080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1550; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13116.722101/201141 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1401001.516 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01 de fevereiro de 2016 Matéria IRPJ Embargante Caoa Montadora de Veículos S.A. Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. REJEIÇÃO Rejeitamse os embargos declaratórios, uma vez comprovada a inocorrência de qualquer obscuridade, omissão ou contradição na decisão embargada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e REJEITAR os embargos. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 21 01 /2 01 1- 41 Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que consta da decisão de piso, fls. 930937: "Contra a contribuinte em epígrafe, CAOA MONTADORA DE VEÍCULOS S/A, foram lavrados autos de infração no valor total de R$ 620.144.124,31, para exigência de IRPJ e CSLL, relativos aos anos de 2007 a 2010. Integra os referidos autos de infração o Termo de Verificação Fiscal de fls. 59/70, ao qual me reporto para elaborar a seguinte síntese do trabalho da fiscalização. O procedimento fiscal foi instaurado para verificação do cumprimento das obrigações tributárias em decorrência de decisão judicial transitada em julgado favorável ao contribuinte, reconhecendoo como não contribuinte do IPI em relação à revenda de mercadorias importadas, chamado de IPI Complementar, afastando a incidência do art. 9º, I, do Decreto nº 2.637/98. O contribuinte impetrou mandado de segurança com pedido de liminar, tendo como pretensão o não recolhimento do IPI no momento da saída dos veículos importados de seu estabelecimento, tendo sido beneficiado com decisão em sede liminar em 22/09/2004. A sentença do juízo de primeiro grau denegou a segurança em 02/03/2007. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região, por decisão unânime de sua 8ª Turma, em 11/12/2007, deu provimento à apelação interposta pelo contribuinte, conforme ementa: "Ementa : TRIBUTÁRIO.IPI.EMPRESA IMPORTADORA.FATO GERADOR DO IPI. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. 1. O IPI, nos termos do artigo 46 do CTN, ocorre de forma alternativa na saída do produto do estabelecimento, no desembaraço aduaneiro ou na arrematação em leilão. 2. Por se tratar de empresa importadora, o fato gerador ocorre no desembaraço aduaneiro, não sendo possível nova cobrança do IPI na saída do produto quando de sua comercialização, ante a proibição do fenômeno da bitributação. 3. Apelação da impetrante provida para deferir o seu direito." A União interpôs embargos de declaração, que foram rejeitados. A União interpôs recurso especial, que foi inadmitido. Essa decisão foi questionada por meio de agravo de instrumento. O referido agravo de instrumento não foi conhecido em 01/12/2009, tendo sido interposto agravo regimental dessa decisão, cujo provimento foi negado em 16/03/2010. O acórdão Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13116.722101/201141 Acórdão n.º 1401001.516 S1C4T1 Fl. 3 3 que negou provimento ao agravo regimental transitou em julgado em 28/04/2010. Durante todo o trâmite do processo judicial, o IPI continuava sendo destacado nas notas fiscais de revenda das mercadorias importadas, ônus arcado pelo adquirente da mercadoria, gerando ao contribuinte uma receita adicional não computada na Demonstração do Resultado do Exercício DRE. Também como conseqüência da decisão, o IPI pago no desembaraço aduaneiro (art. 46, I, do Código Tributário Nacional) integra o custo da mercadoria vendida (CMV), reduzindo o Lucro Bruto. O contribuinte foi cientificado em 19/09/2011 do Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 302/303), para, no prazo de 20 (vinte) dias, apresentar diversos livros e documentos, bem como prestar esclarecimentos. O contribuinte não apresentou qualquer documento ou esclarecimento. Em 14/10/2011, a fiscalização expediu Termo de Reintimação, Intimação e Constatação Fiscal, fls. 305/313, ficando o contribuinte reintimado para, no prazo de 5 dias, apresentar os documentos e esclarecimentos já solicitados, e intimado a apresentar a Escrituração Contábil Digital SPED Contábil, referente ao anocalendário 2010, entre outros. O contribuinte também foi cientificado do Termo de Constatação, o qual analisa as conseqüências da aludida decisão judicial transitada em julgado, que atendeu a sua pretensão deduzida em Mandado de Segurança, reconhecendoo como não contribuinte do IPI em relação à revenda de mercadorias importadas, chamado de IPI complementar. Do referido Termo de Constatação, destacamse, litteris: • Tendo em vista o deslinde processual, a decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região transitou em julgado, de modo que a pretensão do contribuinte deduzida no Mandado de Segurança foi atendida. • Logo, o contribuinte está desobrigado do recolhimento do IPI no momento da saída dos veículos importados de seu estabelecimento. Em síntese, o contribuinte obteve sentença que lhe excluiu da qualidade de contribuinte do IPI em relação à revenda de mercadorias (veículos) importadas. • Porém, durante todo o trâmite do processo, o IPI continuava sendo destacado nas notas fiscais de revenda das mercadorias importadas, ônus arcado pelo adquirente da mercadoria, gerando ao contribuinte uma receita adicional não computada na Demonstração do Resultado do Exercício DRE, já que o IPI destacado não integra o preço de venda da mercadoria (excluído da Receita Bruta). Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 • Como conseqüência da sentença, o IPI pago no desembaraço aduaneiro também passa a integrar o custo da mercadoria vendida (CMV), reduzindo o Lucro Bruto. • Assim, a diferença entre o IPI destacado em nota fiscal, que está informado no Livro de Apuração do IPI de cada um dos exercícios como crédito na Apuração do IPI com a descrição: “Estorno de Débitos em razão da desobrigação de recolhimento do IPI Complementar, cobrado com fundamento no art. 9º, I, Decreto nº 2.637/98, por força de D. J. Autos do M.S. nº 2004.35.00.0110772, 3ª Vara da Seção J. F. do Estado de Goiás”, e o IPI pago no desembaraço aduaneiro, que está informado no Livro de Apuração do IPI de cada um dos exercícios como Entradas no CFOP nº 3102 – Compra para Comercialização, constitui resultado operacional não computado, reduzindo indevidamente o IRPJ e a CSLL. Decorrido o prazo concedido no referido Termo de Reintimação, Intimação e Constatação Fiscal, o contribuinte novamente não apresentou qualquer documento ou esclarecimento. Somente em 31/10/2011, somente após expirado o prazo concedido pelo agente fiscal, a empresa CAOA Montadora de Veículos S/A, encaminhou CD com o arquivo do SPED Contábil do ano 2010 e informou que não conseguiu validálo, pois o tamanho do arquivo ficou superior a 1GB, e que os técnicos do sistema estariam trabalhando, com previsão de sua entrega até 04/11/2011. O contribuinte informou também estava trabalhando na documentação e nos documentos solicitados, e que no dia 31/10/2011 apresentaria uma boa parte do material. Como na citada data não foi apresentado qualquer documento/esclarecimento, a fiscalização utilizouse dos elementos e documentos que dispunha para proceder ao lançamento de ofício. No Livro de Registro de Apuração do IPI RAIPI o contribuinte realizou estornos dos valores dos débitos de IPI na revenda das mercadorias importadas, apurados no mesmo período, lançandoos no campo “Créditos do Imposto” do Livro RAIPI, com a seguinte descrição “Estorno de débitos em razão da desobrigação de recolhimento do IPI Complementar, cobrado com fundamento no artigo 9º, I, Dereto nº 2.637/98, por força de D. J. Autos do M.S. nº 2004.35.00.0110772, 3ª Vara da Seção J.F. do Estado de Goiás”. Com tal procedimento, o contribuinte deixou de apurar o IPI na revenda das mercadorias importadas, mas continuou escriturando os créditos de IPI referentes às entradas (compras para revenda), bem como continuou creditandose do Crédito Presumido IPI (32%), conforme art. 1º da Lei nº 9.826/1999. Na Escrituração Contábil Digital – SPED Contábil foram efetuados os seguintes registros: Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13116.722101/201141 Acórdão n.º 1401001.516 S1C4T1 Fl. 4 5 a) No anocalendário 2007, destacou o IPI nas notas fiscais de revenda das mercadorias com ônus do adquirente, debitando a conta IPI Veículos Novos (Cód. Conta 41300000000) e creditada a conta IPI a recolher (Cód. Conta 2114000054), conforme fls. 756. Em decorrência da ação judicial debitou a conta IPI a Recuperar (Cód Conta 1120300270) e creditou a conta Ação Judicial IPI Complementar (Cód. Conta 2220304790), conforme fl. 757 e 758. b) No anocalendário 2008, destacou o IPI nas notas fiscais de revenda das mercadorias com ônus do adquirente, debitando a conta IPI sobre Vendas (Cód. Conta 4020307000) e creditada a conta IPI a Pagar (Cód. Conta 2110504440), conforme fls. 759 a 762. Em decorrência da ação judicial debitou a conta IPI a Recuperar (Cód Conta 1120300270) e creditada a conta Ação Judicial IPI Complementar (Cód. Conta 2220304790) fls. 763 e 764. c) No anocalendário 2009, continuou destacando o IPI nas notas fiscais de revenda das mercadorias com ônus do adquirente, debitando a conta IPI sobre Vendas (Cód. Conta 4020307000) e creditada a conta IPI a Pagar (Cód. Conta 2110504440), conforme fls. 765 a 772. Em decorrência da ação judicial debitou a conta IPI a Pagar (Cód. Conta 2110504440) e creditou a conta Ação Judicial IPI Complementar (Cód. Conta 220304790), conforme fls. 773. d) No anocalendário 2010, somente foi transmitido o SPED – Contábil referente a dezembro de 2010. Analisandose também o SPEDFiscal do anocalendário 2010, concluise que até agosto/2010 o contribuinte utilizouse do mesmo procedimento contábil do anocalendário anterior. A partir de setembro de 2010 deixou de efetuar os lançamentos relacionados com a conta Ação Judicial IPI Complementar (Cód. Conta 220304790) e efetuando somente os lançamentos como se fosse contribuinte do IPI na revenda de mercadorias importadas. (Debitando IPI sobre Vendas – cód. Conta nº 4020307000 e creditando IPI a pagar – cód. conta nº 2110504440), conforme fls. 774 a 776. Conforme fls. 777, em 31/12/2010 efetuou lançamentos contábeis relacionados com a conta Ação Judicial IPI Complementar (Cód. Conta 220304790) com o seguinte histórico: “Regularização IPI Efeitos Ação Judicial / Regularização IPI Liminar”. Verificase que o contribuinte efetuou lançamento em 31/12/2010 debitando a conta Ação Judicial IPI Complementar (Cód. Conta 220304790 do Passivo Exigível a Longo Prazo) no valor de R$ 1.739.424.386,73, e tendo como contrapartida um crédito na conta IPI a Recuperar no valor de R$ 1.741.897.208,66. No entanto, de acordo com a decisão judicial, não sendo contribuinte do IPI, não deveria escriturar o IPI (créditos e Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 débitos) relacionado com a revenda das mercadorias importadas, e, conforme já destacado, o saldo da conta IPI a recuperar foi aumentado indevidamente no Livro de Registro e Apuração do IPI com a escrituração adotada pelo contribuinte (Estorno de débitos em razão da desobrigação de recolhimento do IPI Complementar, créditos de IPI das entradas e Crédito Presumido IPI (32%), conforme art. 1º da Lei nº 9.826/1999). Concluiu o agente fiscal que o referido lançamento em nenhuma hipótese regularizaria a situação do IPI decorrente da ação judicial. Em síntese, nos anoscalendário 2007, 2008, 2009 e 2010, o contribuinte não efetuou recolhimento do IPI sobre a revenda de mercadorias importadas (chamado de IPI complementar), conforme decisão judicial transitada em julgado que o reconheceu como não contribuinte do IPI com relação à revenda de veículos importados. No entanto, assevera a autoridade fiscal que o contribuinte também não computou no resultado de cada um dos exercícios fiscalizados os valores do IPI destacado nas notas fiscais de revenda de mercadorias importadas, com ônus do adquirente, que deveriam ter sido consideradas como receitas adicionais, não computadas na determinação do lucro real, sujeitas à apuração do IRPJ e CSLL. O agente fiscal, então, promoveu o lançamento de ofício para exigir o IRPJ e a CSLL dos períodos de apuração de janeiro de 2007 a agosto de 2010, com a imposição de multa de ofício agravada de 112,5%, com fundamento no art. 44, inciso I e § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007 Para tanto, considerou receita omitida a diferença entre o IPI destacado em nota fiscal, que está informado no Livro de Apuração do IPI de cada um dos exercícios como crédito na Apuração do IPI com a descrição: “Estorno de Débitos em razão da desobrigação de recolhimento do IPI Complementar, cobrado com fundamento no art. 9º, I, Decreto nº 2.637/98, por força de D. J. Autos do M.S. nº 2004.35.00.0110772, 3ª Vara da Seção J. F. do Estado de Goiás”, e o IPI pago no desembaraço aduaneiro, que está informado no Livro de Apuração do IPI de cada um dos exercícios como Entradas no CFOP nº 3102 – Compra para Comercialização. Já para o lançamento pertinente aos períodos de apuração de setembro, outubro, novembro e dezembro do anocalendário 2010, o IPI destacado em Nota Fiscal, que constitui receita adicional não computada na Demonstração do Resultado do Exercício DRE, foi extraído do RAIPI do anocalendário 2010, que foi entregue pelo contribuinte através da Escrituração Fiscal Digital – SPED Fiscal, com Código CFOP nº 6403 Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária, na condição de contribuinte substituto, conforme relatório à fl. 735. Em virtude da omissão de receitas operacionais, referentes aos valores de IPI destacados em Notas Fiscais na revenda de Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13116.722101/201141 Acórdão n.º 1401001.516 S1C4T1 Fl. 5 7 veículos importados, conforme decisão judicial transitada em julgado, deduzidos os valores de IPI pagos no desembaraço aduaneiro, que constituem Custo da Mercadoria Vendida – CMV, foi apurada falta de recolhimento do imposto devido mensalmente nos anoscalendário 2007, 2008, 2009 e 2010, conforme demonstrado nas planilhas "Demonstrativo de Apuração das Multa Isoladas", referentes ao IRPJ e CSLL, que se encontram às fls. 75 a 174. A autoridade fiscal, então, efetuou o lançamento de ofício das multas isoladas no percentual de 50%, previstas no art. 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Medida Provisória n° 351/07 c/c art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172/66, tendo em vista a falta de pagamento mensal do IRPJ e CSLL devidos com base nos Balanços de Suspensão ou Redução nos meses dos anoscalendário 2007, 2008, 2009 e 2010. Cientificada dos autos de infração em 08/12/2011, a contribuinte apresentou em 09/01/2012 a extensa peça de impugnação de fls. 794/847, de onde se extraem, em síntese, as seguintes razões de defesa. 1. Da renúncia aos efeitos da decisão transitada em julgado proferida nos autos do mandado de segurança Assevera a impugnante que renunciou a todos os efeitos, passados e futuros, relativos ao IPI, decorrentes da decisão transitada em julgado proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2004.34.00.0110772 (2006.35.02.0015061). Por razões formais, econômicas, negociais e, principalmente de segurança jurídica, a contribuinte optou, após o encerramento do trâmite do Mandado de Segurança, pelo exercício de seu direito de renúncia aos efeitos da decisão que afastou a sua submissão às regras do IPI previstas no artigo 9o, inciso I, do Decreto n° 2.637/98 (RIPI/98), direito este que sempre existiu e, inclusive, restou tacitamente acatado pela União Federal. Por força da mudança de posicionamento da União Federal, que já havia acatado a renúncia praticada, materializada com as conclusões expostas pela Fiscalização no sentido de buscar estender os efeitos da coisa julgada do Mandado de Segurança para alcançar situações ocorridas de janeiro/2007 a dezembro/2010, a contribuinte formalizou sua renúncia por meio de declaração encaminhada para registro no Cartório de Registro competente. Uma vez que a renúncia praticada produziu todos os seus efeitos pretéritos e futuros, os valores relativos ao IPI "complementar", recebidos pela empresa, destacados nas notas fiscais de saída dos veículos importados, mesmo após os estornos de débitos realizados no Livro de Registro de IPI estornos efetuados para suspender os pagamentos, não obstante devidamente contabilizados, jamais poderiam ser considerados como receita adicional da operação, não computada no Demonstrativo do Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 Resultado do Exercício (DRE) dos períodos de apuração analisados, e computados nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, porquanto a autuada remanesceu por imposição legal na condição de contribuinte do IPI "complementar", nos termos dos posteriores Decretos n°s 4.544/02 (RIPI/02) e 7.212/10 (RIPI/10). 2. Da não definitividade da coisa julgada / coisa soberanamente julgada Sustenta a suplicante que não é possível tratar o trânsito em julgado da decisão em questão como se definitivo fosse, pois ainda não foi formada a coisa julgada soberana/estável. Ainda que não se considere os efeitos da renúncia praticada, a autoridade fiscal não estaria autorizada a impor à contribuinte a subsunção aos efeitos de uma decisão judicial não definitiva, suscetível de ser reformada por meio de ação rescisória e/ou outra ação específica, uma vez que não decorreu o prazo previsto no artigo 495, do CPC, e não se materializou a coisa julgada soberana. Enquanto não formada a coisa julgada soberana, não é possível a empresa usufruir de qualquer efeito da decisão transitada em julgado, pois esta permanece na qualidade de contribuinte do IPI "complementar", sendo os valores recebidos sob este título, destacados nas notas fiscais de saída dos veículos importados, mesmo após os estornos dos respectivos débitos realizados no Livro de Registro de IPI estornos efetuados para suspender os pagamentos, não obstante devidamente contabilizados, nada mais do que receita da União Federal destinada exclusivamente ao pagamento deste tributo indireto. 3. Dos vícios de extensão da coisa julgada relação jurídica continuativa e da revogação da norma legal que amparou o dispositivo da sentença De acordo com a contribuinte, há limites na extensão das decisões proferidas no writ em questão que não foram considerados na autuação, em especial o seu alcance restrito tão somente às normas do Decreto n° 2.637/98 (Regulamento do IPI, de 1998). O objeto da matéria discutida nos autos do Mandado de Segurança n° 2004.34.00.0110772 (2006.35.02.0015061) foi, expressamente, o afastamento da incidência do IPI "complementar", nas operações de saída/revenda de veículos importados, exigido com fundamento no artigo 9o, inciso I, do Decreto n° 2.637/98 (RIPI/98); A decisão final e favorável ao pleito formulado na exordial do Mandado de Segurança, após o seu trânsito em julgado, revestiuse da característica de coisa julgada material, estritamente quanto aos limites do dispositivo da sentença, ou seja, resguardou as relações jurídicas realizadas sob a mesma hipótese fática e base legal apreciados pelo Poder Judiciário somente até 2002; Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13116.722101/201141 Acórdão n.º 1401001.516 S1C4T1 Fl. 6 9 Não há como desconsiderar justamente as razões que conduziram a suplicante a renunciar ao seu direito, as quais residem nos limites objetivos da coisa julgada material que recai sobre a decisão transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança, pois a relação jurídica tributária continuativa referente à incidência do IPI "complementar" foi analisada sob a égide da norma extraída do artigo 9o, inciso I, do Decreto n° 2.637/98 (RIPI/98), com sua revogação integral pelo Decreto n° 4.544/2002 (RIPI/02), ocorrida em 26/12/2002; Estando a coisa julgada formada no Mandado de Segurança limitada à sua eficácia temporal durante a égide do RIPI/98 (até 2002), a impugnante permanece na qualidade de contribuinte do IPI "complementar" e não há decisão judicial eficaz vigente que desonere a exação no período autuado (2007 a 2010), sendo certo que as importâncias equivocadamente consideradas pela Fiscalização como base de cálculo do IRPJ e da CSLL, referentes aos anos de 2007 a 2010, nada mais são do que os valores recebidos a título de IPI "complementar", destacados nas notas fiscais de saída dos veículos importados, mesmo após os estornos de débitos realizados no Livro de Registro de IPI, ou seja, receitas de terceiros destinadas exclusivamente ao pagamento deste tributo indireto. 4. Da real natureza e da titularidade dos valores auferidos a título de IPI repasse do encargo econômico do IPI contribuinte de fato Segundo o entendimento da impugnante, desconsiderouse a real natureza e titularidade dos valores auferidos pela autuada a título de IPI, os quais não integram sua receita e/ou o seu faturamento, uma vez que estas importâncias pertencem aos contribuintes de fato, conforme dispõe o artigo 166 do Código Tributário Nacional (CTN) e a consolidada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF). Referidos valores não se enquadram no conceito de renda, lucro e/ou de acréscimo patrimonial da Recorrente, cuja titularidade hipotética pertence a terceiros (contribuintes de fato) que arcaram com o ônus econômico da tributação da operação de revenda de veículos importados pelo IPI "complementar". 5. Da necessidade de exclusão dos valores lançados a título de contribuição ao PIS e de Cofins das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL Alega a contribuinte que não foi excluída da base de cálculo do IRPJ e da CSLL ora exigidos os valores da contribuição ao PIS e da Cofins lançados em conjunto e controlados no PA n° 13116.722102/201195. Referida exclusão é medida que se impõe, pois as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL devem representar o lucro real da empresa, ou seja, após a dedução de todos os custos e despesas Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 10 previstos em lei, e não somente da mera dedução do CMV (Custo da Mercadoria Vendida), como pretendeu a autoridade fiscal. 6. Da impossibilidade da exigência da multa isolada por ausência do recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL Sustenta a impugnante que é vedada a exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas depois de encerrado o respectivo anocalendário e realizados os fatos geradores do IRPJ e da CSLL. O encerramento do exercício fiscal e a apuração do lucro real pela empresa fazem com que a mesma esteja desobrigada ao pagamento antecipado do tributo e, desse modo, observase a ausência de elemento fático apto a subsidiar a pretensão do Fisco. 7. Da impossibilidade da aplicação concomitante da multa de ofício pelo não recolhimento do tributo e da multa isolada pela ausência de pagamento de estimativas Assevera a autuada que é vedada a cumulação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL com a multa de ofício pelo não recolhimento desses tributos. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão competente pela revisão final de todos os lançamentos de tributos federais praticados sob o rito do Decreto n° 70.235/72, tem decidido pela vedação da aplicação concomitante das penalidades combatidas. 8. Da não ocorrência de quaisquer atos comissivos e/ou omissivos passíveis de ensejarem a configuração de embaraço à fiscalização e/ou o agravamento da penalidade de ofício imputada Sustenta a impugnante que não praticou quaisquer atos comissivos e/ou omissivos passíveis de configurarem embaraço à Fiscalização e darem ensejo à majoração da multa para 112,50% (cento e doze e meio por cento). A integralidade dos documentos necessários já se encontrava na repartição antes mesmo do Termo de Início do Procedimento Fiscal, o que afasta a configuração de embaraço ao procedimento de fiscalização. Não foi praticado qualquer ato comissivo ou omissivo que pudesse ensejar prejuízo às atividades da Administração Tributária e/ou dúvidas acerca da efetiva apuração das exações no período envolvido e, muito menos, qualquer ato doloso ou tendente à fraude. 9. Do caráter confiscatório e desproporcional das sanções aplicadas Alega a suplicante que a multa isolada aplicada foi definida em patamar desproporcional e confiscatório, em total descompasso com as orientações legais e constitucionais aplicáveis. Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13116.722101/201141 Acórdão n.º 1401001.516 S1C4T1 Fl. 7 11 A multa imposta pelo Fisco acabou por confiscar, desproporcionalmente, relevante parte do patrimônio da Recorrente, revelandose penalidade extorsiva.". A 2ª Turma da DRJ Brasília, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, por meio de Acórdão assim ementado (fls. 928929): "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA MATERIAL. ALTERAÇÃO DO ESTADO DE FATO OU DE DIREITO. INOCORRÊNCIA. Muito embora não se possa considerar eternos os efeitos da decisão judicial proferida pelo TRF/1ª Região, que afastou a incidência do IPI "complementar" nas operações de saída/revenda de veículos importados, não há que se falar em alteração do estado de direito, pois as alterações regulamentares posteriores (Decreto n° 4.544, de 2002 e Decreto nº 7.212, de 2010) em nada modificaram os aspectos pertinentes à hipótese de incidência do mencionado tributo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. ANOCALENDÁRIO ENCERRADO. NÃO CONCOMITÂNCIA. A lei autoriza a imposição de multa isolada sobre a falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais após encerrado o anocalendário, não se confundindo esta penalidade com a multa de ofício sobre o imposto devido apurado no encerramento do período. A multa exigida isoladamente sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais é de natureza diversa da multa proporcional incidente sobre a insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, no regime do lucro real anual. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. APRECIAÇÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA. Não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar a constitucionalidade de lançamento fiscal cujos fundamentos encontramse amparados em lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 12 DECISÃO JUDICIAL QUE DESOBRIGOU O CONTRIBUINTE DO RECOLHIMENTO DO IPI NO MOMENTO DA SAÍDA DOS VEÍCULOS IMPORTADOS DE SEU ESTABELECIMENTO. TRÂNSITO EM JULGADO. RECONHECIMENTO DE RECEITAS Com o trânsito em julgado da decisão judicial que desobrigou o contribuinte do recolhimento do IPI no momento da saída dos veículos importados de seu estabelecimento, os valores do denominado “IPI complementar” destacados nas notas fiscais de revenda das mercadorias importadas, com ônus do adquirente, e não recolhidos pela empresa autuada, se revestem da natureza de receitas e, por conseguinte, caracterizam renda, por implicar ganho ou acréscimo ao patrimônio da empresa autuada. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS APURADOS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Incabível a dedutibilidade, na determinação do lucro real, das contribuições apuradas em ação fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS APURADOS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Incabível a dedutibilidade, na determinação da base de cálculo da CSLL, das contribuições apuradas em ação fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido." Cientificada do Acórdão em 15/03/2012 (fls. 954), a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 9551021, basicamente reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória. Inicialmente, anexou parecer da lavra do Professor Cássio Scarpinella Bueno, visando demonstrar que a sentença obtida em sede de mandado de segurança deve produzir efeitos limitados à vigência do Decreto nº. 2.637/98 (ou seja, deve alcançar apenas relações jurídicotributárias ocorridas somente até 2002). A seguir, rebateu individualmente os oito subtópicos da decisão de piso, com base nas seguintes alegações, resumidamente apresentadas: Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13116.722101/201141 Acórdão n.º 1401001.516 S1C4T1 Fl. 8 13 a) A contribuinte pode, a qualquer tempo e com efeitos retroativos, renunciar aos efeitos de uma decisão judicial transitada em julgado, desde que ela seja a única beneficiária da aludida decisão; b) A decisão judicial em apreço ainda não configura “coisa julgada soberana”, razão pela qual os presentes lançamentos violam os princípios constitucionais da segurança jurídica, do direito de propriedade e do próprio instituto da coisa julgada; c) A coisa julgada produzida no âmbito do writ impetrado pela contribuinte não pode ser estendido em relação jurídica continuativa, mesmo após a revogação da norma legal que amparou o dispositivo da sentença, consoante Súmula nº 239 do STF; d) Os valores auferidos pela contribuinte a título de IPI não se revestem da natureza de receitas; e) Revelase necessário excluir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores lançados a título de contribuição ao PIS e Cofins; f) Não há motivação fáticojurídica para a exigência concomitante da multa de ofício e da multa isolada, tampouco para o agravamento da multa de ofício (112,5%); g) As sanções aplicadas revestemse de inegável caráter confiscatório e desproporcional. Em sede de sustentação oral, apresentou Parecer Técnico da lavra do ilustre Professor Eliseu Martins. Em sessão de julgamento realizada em 27 de agosto de 2014, este colegiado deu provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: I) Por maioria de votos, DEU provimento apenas para cancelar a multa isolada sobre estimativas não pagas. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto. II) Pelo voto de qualidade, NEGOU provimento em relação a exclusão do PIS e Cofins lançados em processo a parte, da base de cálculo do IRPJ lançado. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta que davam provimento; e III) Por unanimidade de votos, NEGOU provimento em relação ao mérito e demais matérias. O Acórdão nº 1401001.255 recebeu a seguinte ementa, fls. 380: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 COISA JULGADA MATERIAL. LIMITES OBJETIVOS. ALTERAÇÃO DO ESTADO DE FATO OU DE DIREITO. INOCORRÊNCIA. Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 14 Permanece em pleno vigor a decisão judicial proferida pelo TRF/1ª Região, que afastou a incidência do IPI "complementar" nas operações de saída/revenda de veículos importados. Não há que se falar em alteração do estado de direito, pois as alterações regulamentares posteriores (Decreto n° 4.544, de 2002 e Decreto nº 7.212, de 2010) em nada modificaram os aspectos pertinentes à hipótese de incidência do mencionado tributo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. O não recolhimento ou o recolhimento insuficiente dos valores de estimativas mensais não sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, “b”, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o anocalendário. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. APRECIAÇÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA. Não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar a constitucionalidade de lançamento fiscal cujos fundamentos encontramse amparados em lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 DECISÃO JUDICIAL. CONTRIBUINTE DESOBRIGADO DO RECOLHIMENTO DO IPI NA SAÍDA DE VEÍCULOS IMPORTADOS DE SEU ESTABELECIMENTO. TRÂNSITO EM JULGADO. RECONHECIMENTO DE RECEITAS. Com o trânsito em julgado da decisão judicial que desobrigou o contribuinte do recolhimento do IPI no momento da saída dos veículos importados de seu estabelecimento, os valores do denominado “IPI complementar” destacados nas notas fiscais de revenda das mercadorias importadas, com ônus do adquirente, e não recolhidos pela empresa autuada, se revestem da natureza de receitas e, por conseguinte, caracterizam renda, por implicar ganho ou acréscimo ao patrimônio da empresa autuada. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS APURADOS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Incabível a dedutibilidade, na determinação do lucro real, das contribuições apuradas em ação fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13116.722101/201141 Acórdão n.º 1401001.516 S1C4T1 Fl. 9 15 LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do IRPJ também se aplica ao lançamento decorrente relativo à CSLL. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS APURADOS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Incabível a dedutibilidade, na determinação da base de cálculo da CSLL, das contribuições apuradas em ação fiscal. O contribuinte foi devidamente cientificado do aludido Acórdão em 10/07/2015 (fls. 1238) e apresentou em 16/07/2015 os embargos de declaração de fls. 1431 1248, arguindo as seguintes supostas obscuridades e omissões no acórdão embargado: a) obscuridade quanto ao Parecer Técnico “Acerca do Reconhecimento de Receita para Fins de Apuração de IR/CSLL pela CAOA Montadora de Veículos S/A”, do I. Professor Eliseu Martins; b) obscuridade quanto à defiitividade da coisa julgada soberana/insegurança jurídica no presente caso; c) omissão quanto à fundamentação da decisão embargada; d) omissão quanto à Súmula nº 239 do Supremo Tribunal Federal; É o relatório. Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 16 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Os presentes embargos foram apresentados no prazo legal, razão pela qual podem ser apreciados. Conforme relatado, a contribuinte, ora embargante, arguiu supostas obscuridades e omissões no acórdão embargado, as quais serão individualmente analisadas. Arguição de obscuridade quanto ao Parecer Técnico “Acerca do Reconhecimento de Receita para Fins de Apuração de IR/CSLL pela CAOA Montadora de Veículos S/A”, do I. Professor Eliseu Martins Este colegiado, por unanimidade de votos, entendeu que o Parecer Técnico “Acerca do Reconhecimento de Receita para Fins de Apuração de IR/CSLL pela CAOA Montadora de Veículos S/A”, do I. Professor Eliseu Martins, elaborado especialmente para o presente processo administrativo, seria a este inaplicável, por ter sido elaborado com fundamento em bases fáticas distintas daquelas que foram retratadas nos presentes autos. Para maior clareza, transcrevo trecho relevante da decisão embargada, sobre o presente tema, fls. 1156 : 9. Do Parecer Técnico da lavra do Professor Eliseu Martins O Parecer em pauta é inaplicável ao presente caso, uma vez que a opinião do ilustre Professor Eliseu Martins foi proferida com base em hipótese distinta daquela retratada nos autos. Para maior clareza, transcrevo alguns trechos relevantes do aludido Parecer (grifados) "Consultanos a Caoa Montadora de Veículos S.A . (consulente) acerca do adequado tratamento contábil de montantes oriundos de tributos em relação aos quais obteve liminar que desobrigou seu recolhimento (Processo nº 204.35.00.0110772 / 2006.35.02.0015061). Mais especificamente, a consulente obteve liminar que a desobrigou de recolher Imposto sobre Produtos Industrializaqdos (IPI) no momento da saída de veículos importados de seu estabelecimento. [...] [...] III. ANÁLISE DO CASO ESPECÍFICO DA CONSULENTE No caso em tela, estamos discutindo a propriedade do argumento trazido pela autoridade fiscal de que o tributos (IPI) sobre o qual a consulente obteve liminar desobrigando seu recolhimento deve ou não ser tratado como receita para fins de apuração de IR/CSLL. Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13116.722101/201141 Acórdão n.º 1401001.516 S1C4T1 Fl. 10 17 [...]." Ora, conforme exaustivamente referido, no caso em apreço a contribuinte obteve sentença transitada em julgado, proferida em sede de mandado de segurança, que a desobrigou de efetuar o recolhimento do IPI no momento da saída dos veículos importados do seu estabelecimento. Concluise, portanto, que o Parecer Técnico em apreço não é aplicável à situação sob análise, por ter sido emitido sobre bases fáticas distintas daquelas verificadas no caso real da recorrente. Em sua peça de embargos, a contribuinte afirma que o aludido Parecer faz expressa referência à mesma ação judicial discutida nos presentes autos. Além disso, às fls. 11 o referido Parecer menciona que a ora embargante obteve sentença judicial transitada em julgado – e não apenas liminar, como equivocadamente aduz o I. Conselheiro Relator no seu voto. Não assiste razão à embargante. O texto anteriormente transcrito, extraído do voto condutor da decisão embargada, é suficientemente claro em demonstrar que o ilustre Parecerista debruçouse sobre questão fática diversa daquela efetivamente tratada nos presentes autos. O ilustre Parecerista, logo no início do seu trabalho, deixou claro que iria responder consulta da contribuinte acerca do tratamento contábil de montantes oriundos de tributos em relação aos quais obteve liminar que desobrigou seu recolhimento (Processo nº 204.35.00.0110772 / 2006.35.02.0015061). A referência constante das fls. 11 do referido Parecer, transcrita pela embargante, não tem o condão de refutar o fato de que todo o aludido Parecer foi baseado numa situação fática teórica distinta da real situação dos autos. Toda a fundamenta do aludido Parecer se baseia na suposta existência de uma simples decisão judicial provisória em favor da contribuinte, sendo que na realidade havia uma decisão judicial definitiva, transitada em julgado. Assim sendo, quanto ao presente tema, considero que os embargos declaratórios não merecem ser acolhidos. Arguição de obscuridade quanto à definitividade da coisa julgada soberana/ insegurança jurídica no presente caso Argumentou a embargante que somente após 28/04/2012 é que, de fato, a decisão judicial transitada em julgado, em favor da contribuinte, pode ser considerada soberana e imutável, por não mais estar sujeita à possibilidade de modificação por meio de ação rescisória. Sobre o tema, assim se manifestou a embargante, fls. 1440: Com efeito, o I. Conselheiro Relator, com base no fato de que o prazo para ação rescisória estava esgotado quando da prolação do seu voto, buscou desqualificar o argumento desenvolvido pela Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 18 Embargante quanto à insegurança jurídica que a cercava até 28/04/2012. Na medida em que o I. Conselheiro Relator valese de raciocínio que não guarda relação lógica com a argumentação da ora Embargante, salta aos olhos a obscuridade de seu voto com relação a este trecho. Mais uma vez, não assiste razão à embargante. Para maior clareza, transcrevo trecho do voto embargado, no tocante a este tema, fls. 11471148 (grifado): […] a contribuinte, ora recorrente, defendeu a tese de que a decisão judicial, mesmo transitada em julgado, não poderia se considerada como “definitiva”, pois ainda não teria se formado a chamada “coisa julgada soberana/estável”. Tal alegação não merece prosperar, por duas ordens de razões (sic). Primeiro, porque conforme bem apontado pela decisão de piso, o art. 467 do vigente Código de Processo Civil denomina de “coisa julgada material” a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário. Ou seja, não há qualquer referência à ação rescisória. Segundo, porque no caso concreto já decorreu in albis o prazo para ajuizamento de eventual ação rescisória, razão pela qual a decisão judicial transitada em julgado tornouse irreversível, não mais podendo ser alterada, sob nenhuma circunstância. Não há, pois, que se cogitar de possível desconstituição da decisão transitada em julgado, no caso concreto. Como facilmente se percebe, o transcurso do prazo para ajuizamento da ação rescisória foi um mero argumento acessório/subsidiário adotado pela decisão embargada, com o intuito de refutar o argumento de defesa utilizado pela recorrente. O argumento principal, conforme bem evidenciado no trecho acima transcrito, foi o fato de o art. 467 do vigente Código de Processo Civil denominar de “coisa julgada material” a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário (ou seja, sem fazer qualquer referência à ação rescisória). Diante do exposto, também em relação ao presente tema, considero qus os presentes embargos não merecem ser acolhidos. Omissão quanto à fundamentação da decisão embargada No entender da embargante, em grande parte do Acórdão embargado, houve substancial transcrição de razões expostas no Acordão de piso, prolatado pela DRJ Brasília, e não uma análise independente dos argumentos desenvolvidos no recurso voluntário, como seria de rigor. Também em relação ao presente tema, não assiste razão à recorrente. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13116.722101/201141 Acórdão n.º 1401001.516 S1C4T1 Fl. 11 19 No caso presente, em grande parte do seu recurso voluntário, a contribuinte limitouse a repisar os argumentos de defesa anteriormente apresentados na fase de impugnação. Ao constatar que tais argumentos haviam sido correta e objetivamente enfrentados pela decisão de piso, este Relator decidiu, em várias ocasiões, adotar e transcrever parcialmente algumas das razões de decidir adotados pelo acórdão recorrido. Tratase de uma técnica amplamente utilizada por julgadores, tanto na esfera administrativa quanto judicial. Este colegiado, de forma devidamente fundamentada, ao decidir algumas matérias que integram a presente controvérsia, simplesmente decidiu adotar as mesmas razões de decidir empregadas pelo colegiado julgador a quo. Tal fato em nada compromete a independência do julgamento proferido por esta Turma e também em nada afeta o direito ao contraditório e à ampla defesa, assegurados à contribuinte. O fato inquestionável é que este colegiado não se absteve de apreciar nenhum argumento de defesa apresentado pela contribuinte. Consequentemente, entendo que também em relação ao presente tema, os presentes embargos não merecem ser providos. Arguição de omissão quanto à Súmula nº 239 do Supremo Tribunal Federal A recorrente afirmou que o acórdão embargado foi omisso com relação à citada Súmula 239 do Supremo Tribunal Federal, que assim dispõe: Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores. Sobre o tema, assim se manifestou a embargante, fls. 1443: […] a análise da referida Súmula é imprescindível ao deslinde do presente caso, na medida em que a coisa julgada material que se formou no Mandado de Segurança impetrado pela Embargante ficou confinada, coerentemente com o seu pedido e causa de pedir, à vigência do Decreto nº 2.638/98, ficando limitado até 2002 o provimento obtido a decisão transitada em julgado, haja vista a revogação integral do aludido Decreto nº 2.637/98 pelo Decreto nº 4.544/02. Novamente não merecem prosperar os argumento da embargante. Embora a citada Súmula não tenha sido expressamente mencionada pelo acórdão embargado, a matéria nela tratada foi exaustivamente analisada e refutada pelo Acórdão embargado. Em relação a este tema, o primeiro argumento utilizado pelo Acórdão embargado foi o fato de que, na época em que a contribuinte impetrou o mandado de segurança (junho de 2004), já há muito vigia o RIPI/2002. Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 20 Além disso, o acórdão embargado deixou claro que a coisa julgada em matéria fiscal somente deixaria de prevalecer diante de alterações nos fatos ou nas normas legais referentes à matéria litigada judicialmente, nos exatos termos do art. 471, I do CPC, verbis: Art. 471 Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo: I – se, tratandose de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito (negritei); caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; O acórdão embargado também fez expressa referência a precedentes do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, os quais decidiram no sentido de que a coisa julgada somente é abalada quanto é alterado o estado de fato ou de direito, nos termos do art. 471, I do CPC. Por fim, o acórdão embargado registrou o seguinte: […] não há que se falar em alteração do estado de direito, pois as alterações regulamentares posteriores (Decreto n° 4.544, de 2002 e Decreto nº 7.212, de 2010) em nada modificaram os aspectos pertinentes à hipótese de incidência do mencionado tributo. Com efeito, os referidos Decretos n° 4.544, de 2002 e nº 7.212, de 2010, trazem, em artigos de idêntica numeração, o mesmo comando do questionado art. 9º, inciso I, do Decreto nº 2.637, de 1998, verbis: Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: I – os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I); (…) Por outro lado, ressaltase que a base legal desse dispositivo regulamentar é a mesma, qual seja, a Lei n.º 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I, o que só confirma que não houve a alegada modificação no estado de direito." Diante do exposto, resulta claro que este colegiado não se omitiu em apreciar, de forma abrangente e devidamente fundamentada, o inteiro teor da Súmula 239 do Supremo Tribunal Federal (não obstante a ausência, no voto, de referência expressa à referida Súmula). Assim sendo, considero que não merece ser acatada a presente arguição de omissão, formulada pela contribuinte, ora embargante. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e rejeitar os presente embargos declaratórios. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13116.722101/201141 Acórdão n.º 1401001.516 S1C4T1 Fl. 12 21 Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 13629.002792/2008-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
Ementa:
SIGILO BANCÁRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, este Conselho não tem competência para se pronunciar sobre a constitucionalidade da Lei tributária. Ademais, uma vez que o STF já se pronunciou sobre a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001, não há que se discutir a possibilidade de transferência do sigilo bancário para o fisco.
ORIGEM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Uma vez que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 inverte o ônus da prova, não é suficiente para o Contribuinte apresentar argumentos, sendo necessário também comprovar por meio de documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos depositados.
MULTA QUALIFICADA.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14)
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA.
O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2202-003.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de quebra de sigilo bancário e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desagravar e desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (suplente convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 Ementa: SIGILO BANCÁRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. Nos termos da Súmula CARF nº 2, este Conselho não tem competência para se pronunciar sobre a constitucionalidade da Lei tributária. Ademais, uma vez que o STF já se pronunciou sobre a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001, não há que se discutir a possibilidade de transferência do sigilo bancário para o fisco. ORIGEM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Uma vez que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 inverte o ônus da prova, não é suficiente para o Contribuinte apresentar argumentos, sendo necessário também comprovar por meio de documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos depositados. MULTA QUALIFICADA. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13629.002792/2008-87
anomes_publicacao_s : 201607
conteudo_id_s : 5610919
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-003.458
nome_arquivo_s : Decisao_13629002792200887.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : DILSON JATAHY FONSECA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 13629002792200887_5610919.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de quebra de sigilo bancário e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desagravar e desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (suplente convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
id : 6445069
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048416607535104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2255; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 247 1 246 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13629.002792/200887 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.458 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de junho de 2016 Matéria IRPF Recorrente ISRAEL MONTEIRO RODRIGUES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 Ementa: SIGILO BANCÁRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. Nos termos da Súmula CARF nº 2, este Conselho não tem competência para se pronunciar sobre a constitucionalidade da Lei tributária. Ademais, uma vez que o STF já se pronunciou sobre a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001, não há que se discutir a possibilidade de transferência do sigilo bancário para o fisco. ORIGEM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Uma vez que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 inverte o ônus da prova, não é suficiente para o Contribuinte apresentar argumentos, sendo necessário também comprovar por meio de documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos depositados. MULTA QUALIFICADA. “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” (Súmula CARF nº 14) MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 27 92 /2 00 8- 87 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 2 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de quebra de sigilo bancário e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desagravar e desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (suplente convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Contribuinte no qual se identifica Omissão de Rendimentos baseada em Depósitos Bancários de origem não comprovada. Cientificado, o Contribuinte apresentou Impugnação e, uma vez que o Lançamento foi parcialmente mantido, apresentou Recurso Voluntário, que ora se analisa. Feito o breve resumo, passamos ao relato pormenorizado dos autos. Conforme esclarece o Termo de Verificação Fiscal (fls. 7/13), o Contribuinte foi inicialmente intimado a apresentar diversos documentos, entre os quais seus extratos bancários. Quedandose silente, a autoridade fiscalizadora emitiu Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) (fls. 28/33) diretamente às instituições bancárias. De posse dessas informações, intimou o Contribuinte a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos dos depósitos bancários discriminados no Termo de Intimação. O Contribuinte se absteve de responder novamente. Frente ao continuado silêncio do Contribuinte, a autoridade lançadora lavrou auto de infração para tributar os rendimentos omitidos, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Também impôs a Multa Agravada (+50%) estabelecida no art. 44, §2º do mesmo Fl. 248DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 13629.002792/200887 Acórdão n.º 2202003.458 S2C2T2 Fl. 248 3 diploma, uma vez que o Contribuinte não respondeu às intimações. Também impôs Multa Qualificada (150%), explicando que “o contribuinte, em tese, revela uma conduta dolosa e premeditada que, em tese, se subsume ao tipo previsto no art. 71, I, da Lei nº 4.502/1964” (fl. 12), grifos no original. Ainda foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais. Intimado em 11/07/2008 (fl. 4), o Contribuinte apresentou Impugnação em 11/08/2008 (fls. 51/99), e aditamento em 14/08/2008 (fls. 105/113). Recebido os autos, a DRJ/JFA determinou diligência para que fossem juntadas as cópias integrais dos extratos bancários que embasaram o lançamento (fl. 115/116). Os documentos foram juntados (fls. 117/167) e o processo retornou à DRJ para julgamento. No acórdão nº 0921.765, de 28 de novembro de 2008, a DRJ rejeitou as preliminares, mas reduziu parte do lançamento. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. Não se toma conhecimento do aditamento da impugnação, pois foi apresentado fora do prazo trinta dias a contar da ciência da exigência fiscal. PRELIMINAR. SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, é legal a obtenção, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes. Preliminar rejeitada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Excluemse do lançamento os depósitos bancários indevidamente considerados pelo fiscal autuante, face posterior devolução de cheques ou estorno de depósitos online. AGRAVAMENTO. CONFISCO. A alegação de que a aplicação das penalidades viola o princípio constitucional do nãoconfisco não pode ser analisada nesta instância, em face do princípio da vinculação à lei a que está submetido o julgador administrativo. DA INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 4 Havendo previsão legal da aplicação da taxa SELIC, não cabe à autoridade julgadora exonerar a correção dos valores legalmente estabelecida. PEDIDO DE JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. Não tendo o contribuinte cumprido a incumbência de carrear aos autos, tanto na fase de autuação, quanto na fase impugnatória, documentos que tivessem o condão de elidir a tributação em questão, embora tivesse ampla oportunidade de fazêlo, descabe o protesto genérico, no desfecho da peça impugnatória, pela juntada de novos documentos. As razões que levaram a tal decisão podem ser assim resumidas: · Que não pode tomar conhecimento do aditamento, posto que foi apresentado fora do prazo de impugnação, nos termos dos arts. 14 e 15 do Decreto nº 70.235/1972; · Que, nos termos do art. 145, §1º, da CF/1988; dos arts. 197, II e §único, e 198, ambos do CTN; e do art. 6º da Lei Complementar nº 101/2001, é permitido à autoridade fiscal solicitar às instituições financeiras extratos das contas de depósito do interessando, sem que isso se caracterize quebra de sigilo bancário; · Que a autoridade administrativa não tem competência para analisar a constitucionalidade da Lei; · Que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza expressamente a presunção relativa de omissão de rendimentos nos casos de depósito de origem não comprovada, sendo transferido o ônus da prova para o Contribuinte; · Que o Contribuinte foi regularmente intimado durante a fase fiscalização, mas que não apresentou respostas à autoridade administrativa; · Que o Contribuinte não apresenta as provas que alega ter; · Que assiste razão ao Contribuinte quando afirma que o valor de R$ 122.862,56 – total de diversos lançamentos identificados – representam na verdade cheques depositados na conta corrente mas que foram devolvidos por falta de fundos. Logo, necessário excluir tais valores do lançamento; · Que também assiste razão ao Contribuinte quando afirma que o valor de R$ 62.582,50 foi creditado indevidamente pelo banco, e que foi estornado logo a seguir. Logo, também é necessário excluir tais valores do lançamento; · Que a autoridade administrativa não pode analisar o argumento de que o agravamento da multa configura confisco, uma vez que está adstrita ao comando legal; Fl. 250DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 13629.002792/200887 Acórdão n.º 2202003.458 S2C2T2 Fl. 249 5 · Que não há aplicação de múltiplas penalidades da mesma natureza, uma vez que a multa agravada (art. 44 da Lei nº 9.430/1996) decorreu do não atendimento às intimações durante a fiscalização; · Que há expressa previsão legal determinando a aplicação da taxa Selic, não cabendo à autoridade julgadora exonerar os valores legalmente estabelecidos; e · Que não é cabível o pedido genérico de apresentação de provas e de realização de perícia/diligência, os quais devem ser efetivados no momento da apresentação da impugnação. Intimado da decisão de primeiro grau em 17/12/2008 (fl. 186), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 14/01/2009 (fls. 189/240), argumentando em síntese: · Que a quebra do sigilo bancário, ainda que sustentada na Lei Complementar nº 105/2001, é inconstitucional; · Que é indevida a aplicação de multa qualificada, uma vez que o dolo não pode ser presumido e a autoridade lançadora não o comprovou; · Que é indevido o agravamento da multa, uma vez que esse agravamento serve para penalizar o sujeito que não contribui para o bom andamento da fiscalização. Argumenta, entretanto, que o Recorrente já foi penalizado pela aplicação da presunção de omissão de rendimentos (art. 42 da Lei nº 9.430/1996); · Que é indevida a cumulação de multas, uma vez que a suposta “infração” indicada é um único ato continuado e não diversos atos em diversas oportunidades; · Que os valores depositados em sua conta não eram rendimentos. Explica que exercia atividade de cobrança de créditos alheios, os quais eram depositados em sua conta e depois repassados para os legítimos credores. Conclui que recebia meramente comissão sobre tais recursos, na ordem de 5%; · Que a taxa Selic não adequada como taxa de juros para os débitos tributários atrasados; Encaminhados os autos ao CARF, foi então proferido Despacho s/n, em 16/03/2012 (fl. 246) determinando o sobrestamento da lide nos termos do art. 62A, §1º, do Anexo II ao então vigente RICARF – sobrestamento de recursos sempre que a matéria fosse sobrestada no STF para julgamento de Recurso Extraordinários. Tomaram como referência especificamente o Tema 225 daquele Tribunal Constitucional, que trata do sigilo bancário e da Lei Complementar nº 105/2001. Com a mudança do Regimento Interno do CARF, vieramme os autos para julgamento. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 6 É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Dos Pontos Controvertidos: Conforme relatado, o recurso voluntário gira em torno das seguintes questões: · Quebra de sigilo bancário; · Origem dos depósitos identificados; · Multa agravada; · Multa qualificada; e · Aplicação da taxa Selic aos débitos tributário. Passamos, então, à análise de cada uma dessas questões. Do sigilo bancário: A quebra de sigilo bancário é questão extremamente delicada, porquanto resvala sobre o direito à intimidade, à privacidade e à liberdade do indivíduo, confronta o dever ético e contratual das instituições financeiras e, por fim, põe em risco a verdadeira segurança e integridade física da pessoa. Conforme relatado, o auto de infração foi lavrado com base em dados bancários obtidos por meio de RMF, nos termos da Lei Complementar nº 105/2001. A discussão acerca da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário foi ventilada em sede de impugnação e, inclusive, lastrou o sobrestado dessa lide em 2012, exatamente pela declaração de Repercussão Geral sobre o tema, pelo STF. Efetivamente, a discussão estava contida no Tema de Repercussão Geral nº 225, daquela Corte Constitucional. Ocorre que a matéria já foi julgada no “leading case” RE nº 601.314, no qual se definiu que: “Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como Fl. 252DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 13629.002792/200887 Acórdão n.º 2202003.458 S2C2T2 Fl. 250 7 estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; ...” Em suma, a despeito de nossas ressalvas pessoais desse julgador no que se refere à adequação do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 ao ordenamento pátrio, o STF já se pronunciou em sede de Repercussão Geral (no RE nº 601.314) sobre a constitucionalidade da referida norma. Dessa forma, não apenas a Súmula CARF nº 2 declara que este Conselho Administrativo não tem competência para se pronunciar acerca da inconstitucionalidade das Leis tributárias, como inclusive o STF já consolidou a posição e confirmou que a Lei Complementar nº 105/2001 é efetivamente constitucional e, portanto, deve ser aplicada. Nesses termos, não é possível dar provimento ao pleito do Contribuinte no sentido de anular o auto de infração. Mérito: Buscando reduzir a esfera dos valores tributáveis, o Contribuinte argumenta que exerce atividade de cobrança de créditos alheios. Destarte, explica que os valores depositados em suas contas são, em verdade, recursos de terceiros, os quais são repassados tão logo são recebidos. Conclui que o seu rendimento se restringe apenas à comissão pela atividade, que não ultrapassa 5%. Em que pese os argumentos suscitados pelo Recorrente, a verdade é que não foram apresentados quaisquer documentos, provas ou mesmo indícios que embasem os seus argumentos. Em tais hipóteses, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 estabelece uma presunção de omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte a prova da origem dos recursos, e não ao Fisco comprovar o seu dispêndio. Não tendo apresentado provas ou mesmo indícios, não é possível reformar a decisão de origem. Por essa razão, não é possível dar provimento ao pedido, nem afastar quaisquer valores da base de cálculo. Da multa agravada: A autoridade lançadora agravou a multa de ofício (art. 44, §2º, da Lei nº 9.430/1996) ao argumento de que o Contribuinte não atendeu à intimação fiscal e que tampouco forneceu os dados bancários solicitados, e que essa atuação omissiva dificultou o trabalho da fiscalização. Insatisfeito, o Contribuinte contesta esse agravamento, afirmando que a não apresentação de documentos e respostas já levou à presunção de omissão de rendimentos, sendo demasiado oneroso a cumulação da multa agravada pelo mesmo fato. Com razão o Contribuinte: o não fornecimento dos dados bancários levou à RMF; o não atendimento à intimação posterior levou à presunção de omissão de rendimentos. Ainda que tenha dificultado a atividade da fiscalização, a atuação omissiva do Contribuinte já foi penalizada pela quebra de seu sigilo bancário e pela inversão do ônus da prova em seu desfavor. Não cabe, portanto, o agravamento da multa pelas mesmas razões. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 8 Essa turma já decidiu nesse sentido: MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. (acórdão CARF nº 2202003.132, de 27/01/2016) Além disso, é possível chegar à mesma conclusão realizando mero paralelo dessa situação com aquela observada na Súmula CARF nº 96. Em suma, deve ser afastado o agravamento da multa, uma vez que o não atendimento às intimações fiscais teve consequências específicas, qual seja, a presunção de omissão de rendimentos. Da multa qualificada: Também assiste razão ao Contribuinte no que toca à Multa Qualificada. É que as autoridades lançadoras, conforme o TVF (fls. 7/12), qualificaram a multa nos termos do art. 44, II, da Lei nº 9.430/1996 com art. 71, I, da Lei nº 4.502/1964, afirmando ter havido sonegação. Como bem fundamentou o Contribuinte, para a qualificação da multa, cabe à autoridade fiscal indicar e comprovar a ocorrência de dolo. Não é possível presumir a ocorrência de atuação dolosa, concluindo ter havido sonegação simplesmente pelo fato de que o Contribuinte apresentou informações diversas daquelas observadas pela autoridade lançadora. Conforme relatado, foi aplicada a multa qualificada com a seguinte fundamentação: “o contribuinte, em tese, revela uma conduta dolosa e premeditada que, em tese, se subsume ao tipo previsto no art. 71, inciso I, da Lei n. o 4.502/1964.” – fl. 12 (grifos no original). Ora, a própria autoridade lançadora admite não ter fatos ou indícios concretos de atuação dolosa, afirmando e repetindo que a conduta é “em tese” dolosa. A jurisprudência desse Conselho já se consolidou nesse sentido, inclusive por meio da edição das Súmulas CARF nº 14 e nº 25: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Portanto, necessário desqualificar a multa aplicada, determinando a aplicação exclusivamente da multa de ofício. Da taxa Selic: O CARF também tem posição consolidada no que se refere à aplicabilidade da taxa Selic para os débitos tributários. É o que se observa da Súmula CARF nº 4: Fl. 254DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 13629.002792/200887 Acórdão n.º 2202003.458 S2C2T2 Fl. 251 9 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Tendo em vista que o RICARF, em seu art. 45, VI, e art. 72, determina que essas súmulas são de aplicabilidade obrigatória, não pode ser dado provimento ao último pedido do Contribuinte. Dispositivo: Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer e rejeitar a preliminar de inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário, dar parcial provimento ao recurso voluntário tão somente para afastar a multa agravada e a multa qualificada, reduzindose a multa de ofício para 75% (setenta e cinco por cento). (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto – Relator. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10909.001865/2005-36
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. DESCABIMENTO. SERVIÇOS DE REPARAÇÃO E MANUTENÇÃO EM EMBARCAÇÕES.
Descabida a exclusão do Simples Federal de contribuinte que desempenha atividades de reparos e manutenção em embarcações, atividades de competência não privativa do engenheiro naval.
Numero da decisão: 9101-002.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luís Flávio Neto, Adriana Gomes Rego, André Mendes de Moura, Nathalia Correia Pompeu, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (Suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente convocado em substituição à conselheira Maria Teresa Martinez Lopez).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201607
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. DESCABIMENTO. SERVIÇOS DE REPARAÇÃO E MANUTENÇÃO EM EMBARCAÇÕES. Descabida a exclusão do Simples Federal de contribuinte que desempenha atividades de reparos e manutenção em embarcações, atividades de competência não privativa do engenheiro naval.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10909.001865/2005-36
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5617868
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9101-002.377
nome_arquivo_s : Decisao_10909001865200536.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANDRE MENDES DE MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 10909001865200536_5617868.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luís Flávio Neto, Adriana Gomes Rego, André Mendes de Moura, Nathalia Correia Pompeu, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (Suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente convocado em substituição à conselheira Maria Teresa Martinez Lopez).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6460843
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048416673595392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1598; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 159 1 158 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10909.001865/200536 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.377 – 1ª Turma Sessão de 12 de julho de 2016 Matéria SIMPLES Federal Exclusão Recorrente Fazenda Nacional Interessado A. V. P. CONSTRUÇÃO E REPAROS DE ESTRUTURAS FLUTUANTES LTDA ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. DESCABIMENTO. SERVIÇOS DE REPARAÇÃO E MANUTENÇÃO EM EMBARCAÇÕES. Descabida a exclusão do Simples Federal de contribuinte que desempenha atividades de reparos e manutenção em embarcações, atividades de competência não privativa do engenheiro naval. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 18 65 /2 00 5- 36 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10909.001865/200536 Acórdão n.º 9101002.377 CSRFT1 Fl. 160 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luís Flávio Neto, Adriana Gomes Rego, André Mendes de Moura, Nathalia Correia Pompeu, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (Suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente convocado em substituição à conselheira Maria Teresa Martinez Lopez). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN em face da decisão proferida no Acórdão nº 1101000.697 (efls. 128 e segs), pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 16/03/2012, no qual foi dado provimento ao recurso voluntário do contribuinte para cancelar o ato de exclusão do SIMPLES Federal. Dos Fatos De acordo com o Ato Declaratório da Receita Federal, e a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS), a atividade da pessoa jurídica, enquadrada nos CNAE 35114/02 (Construção de embarcações para uso comercial e para uso especiais, exceto de grande porte) e 35114/03 (Reparação de embarcações para uso comercial e para uso especiais, exceto de grande porte), seria vedada à opção pelo SIMPLES, nos termos do art. 9º, inc. XIII, da Lei nº 9.317, de 1996. Da Fase Contenciosa A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em face da exclusão do SIMPLES, que foi indeferida pela 6ª Turma da DRJ/Florianópolis, no Acórdão nº 0715.393 (efls. 113 e segs.), conforme ementa a seguir: EMPRESA QUE PRESTA SERVIÇO DE REPARAÇÃO E MANUTENÇÃO EM EMBARCAÇÕES, OPÇÃO PELO SIMPLES VEDADA É vedada a opção ou a permanência no SIMPLES de pessoa jurídica que presta serviço de reparação e manutenção de embarcações. Aduziu a contribuinte que se enquadrou no CNAE 35114/02 (Construção de embarcações para uso comercial e para uso especiais, exceto de grande porte) para realizar o registro junto à Junta Comercial do Estado, além de ter que inscrever um responsável técnico. Contudo, jamais teria construído nenhuma embarcação, tendo limitado suas atividades à execução de serviços de manutenção em embarcações de madeira, sem emprego de mãode obra que exigisse habilitação profissional. Além disso, entendeu que se enquadraria no art. 4º da Lei nº 10.964, de 2004, que excluiu determinadas atividades do escopo delineado pelo inciso XIII do art. 9º da Lei no 9.317, de 1996. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10909.001865/200536 Acórdão n.º 9101002.377 CSRFT1 Fl. 161 3 Por sua vez, o colegiado da DRJ/Curitiba, analisando os dispositivos da Resolução nº 218, de 1973, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA) e da Lei n.° 5.194, de 24/12/1966, que regula o exercício da profissões de engenheiro, arquiteto e engenheiro agrônomo, julgou que a competência para executar serviços na área de construção, montagens e reformas de barcos pesqueiros, escunas, lanchas e flutuantes, conforme definidas como atividades únicas desempenhadas pela impugnante em seu contrato social, caberia aos engenheiros, técnicos de nível superior ou tecnólogos e técnicos de grau médio. Nesse sentido, a atividade desempenhada pela contribuinte encontraria vedação legal. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, reforçando os argumentos expostos na impugnação. No Acórdão nº 1101000.697 (efls. 128 e segs), proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção, foi dado provimento ao recurso voluntário, nos termos da ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. DESCABIMENTO. SERVIÇOS DE REPARAÇÃO E MANUTENÇÃO EM EMBARCAÇÕES. NOTAS FISCAIS QUE DEMONSTRAM A SIMPLICIDADE DOS SERVIÇOS EFETIVAMENTE PRESTADOS PELA CONTRIBUINTE, DE MODO QUE NÃO HÁ QUE SE FALAR QUE CONSUBSTANCIAM SERVIÇOS DE ENGENHARIA. Descabida a exclusão do Simples Federal de contribuinte que, na prática, desempenha atividades de simples reparos em embarcações o que se evidencia, inclusive, pelo reduzido valor das Notas Fiscais emitidas, não podendo tais serviços serem considerados de engenharia. Foi interposto Recurso Especial pela PGFN (efls. 134 e segs.), no qual se utiliza dos mesmos argumentos empregados pela decisão de primeira instância, citando a Resolução CONFEA nº 218, de 1973, para concluir que as atividades desempenhadas pela contribuinte seriam de competência de engenheiros, técnicos de nível superior ou tecnólogos e técnicos, e por isso estariam enquadradas na vedação legal, além de refutar o enquadramento da situação em debate ao art. 4º da Lei nº 10.964, de 2004. O despacho de admissibilidade de efls. 151/153 deu seguimento ao RE da PGFN. É o relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10909.001865/200536 Acórdão n.º 9101002.377 CSRFT1 Fl. 162 4 Voto Conselheiro André Mendes de Moura Quanto à admissibilidade, adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efls. 151/153, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal 1, e conheço do Recurso Especial. A matéria em debate trata de vedação ao SIMPLES Federal disposta no art. 9º, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 1996: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (...) No caso concreto, apesar de enquadrada no CNAE 35114/02 (Construção de embarcações para uso comercial e para uso especiais, exceto de grande porte), esclareceu a contribuinte que exerce atividades de execução de serviços de manutenção em embarcações de madeira, sem emprego de mãodeobra que exigisse habilitação profissional, acostando várias notas fiscais para confirmar a natureza das atividades. Por sua vez, a recorrente valese da Resolução CONFEA nº 218, de 1973, para concluir que as atividades desempenhadas pela contribuinte, definidas em contrato social como "construção, montagens e reformas de barcos pesqueiros, escunas, lanchas e flutuantes", seriam de competência de engenheiros, técnicos de nível superior ou tecnólogos e técnicos, e por isso estariam enquadradas na vedação legal. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10909.001865/200536 Acórdão n.º 9101002.377 CSRFT1 Fl. 163 5 Questão que se coloca é que, diante de atividades que são concorrentes, ou seja, que podem ser exercidas tanto por engenheiros quanto por técnicos e tecnólogos, caso a pessoa jurídica execute tais atividades por meio de profissionais que não sejam engenheiros, estaria incorrendo na vedação disposta pela lei? Entendo que a atividade de engenheiro, ou assemelhados, tratada no art. 9º, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 1996, diga respeito à competência privativa da profissão. Eventuais atividades concorrentes com a engenharia, não privativas ao engenheiro, prestadas por outros profissionais com a devida autorização do órgão regulador (no caso, o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), não se encontrariam vedadas para adesão ao regime especial de tributação. Vale transcrever a redação em vigor à época dos fatos dos dispositivos da Resolução n.º 218, de 29/06/1973, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA), que regula o exercício das profissões de engenheiro, arquiteto e engenheiro agrônomo: Art. 1º Para efeito de fiscalização do exercício profissional correspondente às diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades: Atividade 01 Supervisão, coordenação e orientação técnica; Atividade 02 Estudo, planejamento, projeto e especificação; Atividade 03 Estudo de viabilidade técnicoeconômica; Atividade 04 Assistência, assessoria e consultoria; Atividade 05 Direção de obra e serviço técnico; Atividade 06 Vistoria, perícia, avaliação, arbitramento, laudo e parecer técnico; Atividade 07 Desempenho de cargo e função técnica; Atividade 08 Ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação técnica; extensão; Atividade 09 Elaboração de orçamento; Atividade 10 Padronização, mensuração e controle de qualidade; Atividade 11 Execução de obra e serviço técnico; Atividade 12 Fiscalização de obra e serviço técnico; Atividade 13 Produção técnica e especializada; Atividade 14 Condução de trabalho técnico; Atividade 15 Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção; Atividade 16 Execução de instalação, montagem e reparo; Fl. 163DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10909.001865/200536 Acórdão n.º 9101002.377 CSRFT1 Fl. 164 6 Atividade 17 Operação e manutenção de equipamento e instalação; Atividade 18 Execução de desenho técnico. (...) Art. 15 Compete ao ENGENHEIRO NAVAL: I o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1º desta Resolução, referentes a embarcações e seus componentes; máquinas, motores e equipamentos; instalações industriais e mecânicas relacionadas à modalidade; diques e portabatéis; operação, tráfego e serviços de comunicação de transporte hidroviário; seus serviços afins e correlatos. (...) Art. 23 Compete ao TÉCNICO DE NÍVEL SUPERIOR ou TECNÓLOGO: I o desempenho das atividades 09 a 18 do artigo 1º desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais; II as relacionadas nos números 06 a 08 do artigo 1º desta Resolução, desde que enquadradas no desempenho das atividades referidas no item I deste artigo. Art. 24 Compete ao TÉCNICO DE GRAU MÉDIO: I o desempenho das atividades 14 a 18 do artigo 1º desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais; II as relacionadas nos números 07 a 12 do artigo 1º desta Resolução, desde que enquadradas no desempenho das atividades referidas no item I deste artigo. Percebese que as atividades 15 (Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção), 16 (Execução de instalação, montagem e reparo) e 17 (Operação e manutenção de equipamento e instalação) não são privativas do engenheiro naval, sendo competentes para sua execução também o técnico de nível superior, o tecnólogo e o técnico de grau médio. Relevante ainda que, pelas provas acostadas aos autos pela contribuinte, evidenciase que a natureza dos serviços seja de reparos e manutenção em embarcações. A própria recorrente atesta que, dentre outros serviços, constam o de manutenção mecânica, o que apenas confirma a execução de serviços de manutenção, que não é privativa de engenheiro naval. Portanto, a vedação ao SIMPLES Federal estabelecida no art. 9º, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 1996, ao se referir a serviços profissionais de engenheiro, ou assemelhados, não abrange a execução de atividades cuja competência seja concorrente a outros profissionais regularmente autorizados (no caso, pelo CONFEA). Na realidade, não são atividades típicas de um engenheiro, de competência privativa. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10909.001865/200536 Acórdão n.º 9101002.377 CSRFT1 Fl. 165 7 O entendimento veio a ser confirmado pela legislação posterior, do SIMPLES Nacional, conforme esclarece o voto da decisão recorrida, Acórdão nº 110100.284: A legislação aplicável à micro empresa confirma este entendimento: da leitura conjunta dos arts. 146 e 179 da Constituição, de 1988, o primeiro com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 42, de 2003 , e do art. 94 do ADCT, posto pela mesma Emenda, extraise que o SIMPLES Nacional, criado pela Lei Complementar n° 123, de 2006, veio substituir o SIMPLES Federal, criado pela Lei n° 9.317, de 1996. Nesse passo, analisandose as condições estabelecidas para adesão ao SIMPLES Nacional, percebese que a partir da Lei Complementar n° 128, de 18 de dezembro de 2008, ficou explicitado que os "serviços de instalação, de reparos e de manutenção em geral" não vedam a opção, embora serviços de engenharia estejam fora do sistema. Ou seja, a evolução da legislação demonstra que os serviços de manutenção em geral, assistência técnica, instalação e reparos não são equiparados a serviços profissionais de engenharia. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer o recurso da PGFN, e, no mérito, negar provimento. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Fl. 165DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10909.721591/2014-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Ano-calendário: 2011, 2012
MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PROVADA. SIMULAÇÃO.
Restando comprovada a interposição fraudulenta, em razão da empresa interposta não participar das negociações com os exportadores e de ser ressarcida pelas despesas incorridas nos despachos aduaneiros por meios de vendas simuladas com os reais adquirentes, é aplicável a pena de perdimento das mercadorias, que deve ser convertida na multa equivalente ao valor aduaneiro, em razão das mercadoria não terem sido encontradas.
Recursos Voluntários Negados
Numero da decisão: 3402-003.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários. O Conselheiro Waldir Navarro Bezerra declarou-se suspeito para participar do julgamento.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Ano-calendário: 2011, 2012 MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PROVADA. SIMULAÇÃO. Restando comprovada a interposição fraudulenta, em razão da empresa interposta não participar das negociações com os exportadores e de ser ressarcida pelas despesas incorridas nos despachos aduaneiros por meios de vendas simuladas com os reais adquirentes, é aplicável a pena de perdimento das mercadorias, que deve ser convertida na multa equivalente ao valor aduaneiro, em razão das mercadoria não terem sido encontradas. Recursos Voluntários Negados
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10909.721591/2014-96
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5589693
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-003.008
nome_arquivo_s : Decisao_10909721591201496.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 10909721591201496_5589693.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários. O Conselheiro Waldir Navarro Bezerra declarou-se suspeito para participar do julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6377691
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048416684081152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1927; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.721591/201496 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.008 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO Recorrente PAN ASIA TRANDING IMP E EXP LTDA E OUTRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2011, 2012 MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PROVADA. SIMULAÇÃO. Restando comprovada a interposição fraudulenta, em razão da empresa interposta não participar das negociações com os exportadores e de ser ressarcida pelas despesas incorridas nos despachos aduaneiros por meios de vendas simuladas com os reais adquirentes, é aplicável a pena de perdimento das mercadorias, que deve ser convertida na multa equivalente ao valor aduaneiro, em razão das mercadoria não terem sido encontradas. Recursos Voluntários Negados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários. O Conselheiro Waldir Navarro Bezerra declarouse suspeito para participar do julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 15 91 /2 01 4- 96 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado para infligir a multa regulamentar equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, com base no disposto nos arts. 673, 675, IV e 689, § 1º do Decreto nº 6.759/2009 e arts. 73, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/2003. Segundo a fiscalização, foi constatado que a PAN ASIA, embora figure formalmente como importadora nas DI, se interpôs nas operações de importação com o objetivo de ocultar a real adquirente das mercadorias: a FALLS TRIGO IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. Conforme se verifica no Relatório Fiscal relativo ao Procedimento Especial de Controle Aduaneiro de fls. 33/106, tal procedimento foi instaurado com base na IN nº 1.169/2011, porque o fisco detectou que a PAN ÁSIA apresentou uma movimentação atípica relativa às importações próprias no período de 2009 a 2012, conforme a tabela a seguir extraída da fl. 56: Segundo o referido relatório, tal movimentação é totalmente incompatível com a habilitação obtida na Receita Federal para essa trading operar no comércio exterior. Considerandose somente o primeiro semestre de 2012, a PAN ÁSIA extrapolou em 31 vezes sua estimativa de operação. Com base em documentos obtidos em diligências nos estabelecimentos da PAN ÁSIA e da FALLS e de outras três empresas comerciais exportadoras de Foz do Iguaçu, a fiscalização constatou que formalmente as operações foram registradas como uma importação própria da PAN ÁSIA, seguida de uma operação de compra e venda com cada uma das quatro empresas comerciais exportadoras investigadas durante o procedimento, conforme esquema de fl. 45. O arranjo documental revela que as operações aparentavam regularidade, uma vez que a PAN ÁSIA registrava a declaração de importação por conta própria. Após o desembaraço aduaneiro, emitia uma nota fiscal de entrada das mercadorias no seu estabelecimento de Itajai/SC e em seguida revendia as mercadorias para cada uma das comerciais importadoras localizadas em Foz do Iguaçu, mediante emissão de nota fiscal de venda. Entretanto, segundo a fiscalização, a operação real consistiria no seguinte (fl. 45): Fl. 400DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10909.721591/201496 Acórdão n.º 3402003.008 S3C4T2 Fl. 3 3 Em sede de impugnação, a PAN ÁSIA alegou, em síntese, o seguinte: 1) A fiscalização analisou apenas duas das 163 importações autuadas. Essa amostra não pode ser considerada probabilística; 2) A PAN ÁSIA possuía outros clientes e que as comissões cobradas lhe permitiam comprar os produtos diretamente; 3) Possuía capital integralizado de R$ 800.000,00 e linhas de crédito em três bancos que lhe permitiam desenvolver sua atividade com equilíbrio nas contas. Não dependia da FALLS para desenvolver sua atividade. Alegou que era ela quem escolhia os fornecedores e determinava os preços e as condições de pagamento com a exportadora. E que era ela a responsável pela conservação e armazenamento da farinha importada; 4) Deixou de fechar câmbios, parte por desavença com alguns exportadores, e parte pelo impacto financeiro causado pela apreensão realizada pela fiscalização no PAF 12457.732673/201295. Alegou que não deixou de fechar câmbios apenas para gerar caixa e maquiar importações por conta e ordem. Alega que foi acionada por um dos exportadores; Fl. 401DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 5) Se as mercadorias fossem de fato da FALLS esta deveria ter acionado a PAN ÁSIA na justiça, em função do prejuízo causado pela pena de perdimento. Alegou que a FALLS ficou inerte; 6) Contestou especificamente as operações representadas pelas DI 12/12692782; 12/16098630 e 12/10079471, alegando que em duas delas a cliente não é a FALLS; que todas foram pagas com recursos próprios; e que a contabilização das operações foi feita regularmente. A FALLS não apresentou impugnação. Por meio do Acórdão 66.817, de 18/03/2015 a 24ª Turma da DRJ São Paulo, julgou a impugnação improcedente. O julgado recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Ano calendário: 2011, 2012 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. A interposição fraudulenta na importação caracteriza a penalidade prevista no art. 23, V, § 1° do Decretolei n°1.455/76 Regularmente notificada em 24/03/2015 (fl. 361), a PAN ÁSIA apresentou recurso voluntário em 22/04/2015 (fl. 365/387), alegando, em síntese, o seguinte: 1) Não houve dano ao erário porque todos os tributos foram recolhidos e todos os recursos eram provenientes da recorrente. A opção de logística da operação é plenamente válida, pois a forma de negociar é uma escolha privada. A negociação não representa nenhuma fraude, pois as aquisições foram feitas com capital próprio e foram observadas todas as formalidades perante a Receita Federal; 2) A afirmação do fisco de que as importações eram previamente destinadas a certa empresa não corresponde à realidade, pois o que ocorria é que a recorrente se valida de contatos confiáveis como forma menos onerosa e mais prática de negociação, transporte e despacho dos itens importados; 3) As operações não podem ser enquadradas na modalidade "por conta e ordem de terceiro", pois as transações foram realizadas com recursos próprios da recorrente; 4) A decisão recorrida incorreu em contradição na constatação de que a recorrente "banca" o câmbio por alguns dias até que a real adquirente a reembolse pela despesa, pois a fiscalização não analisou toda a movimentação financeira apresentada pela recorrente. Essa documentação comprova que os câmbios foram fechados com recursos próprios da PAN ÁSIA. No Acórdão 3101001.813, em situação semelhante à deste processo, restou decidido que quem financiava as operações era a PAN ÁSIA; 5) Não houve a simulação alegada pelo fisco. O que aconteceu foi que a empresa adotou uma logística diferenciada, mas perfeitamente lícita, com vistas a obter preços menores para um futuro consumidor. Não há nada de errado em realizar importações por encomenda. O art. 23, V, do DL nº 1.455/76 não estabelece que a eleição inadequada da modalidade de importação seja uma infração passível de aplicação da pena de perdimento; 6) A interposição fraudulenta tem natureza penal tributária e só se consuma se a prática de ocultar terceiro estiver ligada a crimes antecedentes, se houver prova do dolo em Fl. 402DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10909.721591/201496 Acórdão n.º 3402003.008 S3C4T2 Fl. 4 5 lesar a União e se houver a comprovação de dano material ao erário. Isso não ocorreu neste processo, uma vez que restou plenamente comprovada a origem lícita dos recursos utilizados nas importações, fato incontroverso e admitido, inclusive no julgamento do processo 12457.732673/201295, ocorrido em 24/02/2015, referente à mesma acusação e no mesmo período das DI deste processo. Além disso, não existiu a ocultação da origem ilícita de recursos; nem a prática de crime contra o sistema tributário nacional e, tampouco, contra o sistema financeiro nacional; 7) A responsabilidade pela interposição fraudulenta é subjetiva, e não objetiva como o fisco alega. Não houve dolo. O fisco não provou o dolo. O fisco não provou o dano ao erário em nem que houve sonegação de impostos. 8) Embora a defesa tenha demonstrado que não ocorreu a simulação, se o entendimento da Receita Federal persistir, se trataria de simulação inocente, pois não houve prejuízo de terceiro; 9) A pena de perdimento não pode ser aplicada porque não houve dano ao erário. No caso só seria cabível a pena do art. 33 da Lei nº 11.488/2007. A recorrente foi penalizada com a multa de 10% do valor aduaneiro, pelas mesmas DI destes autos, por cessão do nome. Invocou o entendimento constante do Acórdão 3402002.362, que considerou incabível a cumulação das duas penalidades, cancelando o perdimento e mantendo a multa do art. 33 da Lei 11.488/07, em face do princípio da especialidade. 10) A recorrente deveria figurar como devedora solidária e não como devedora principal. Quem deveria figurar como devedor principal neste processo é o real adquirente da mercadoria, a FALLS, pois foi ela quem efetivamente promoveu a entrada da mercadoria no território nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Conforme relatado, a recorrente está sendo acusada de praticar atos jurídicos simulados, com o fim de ocultação dos reais importadores por meio da interposição da PAN ÁSIA, que, na situação de fato, apenas estaria cedendo seu nome para o registro das declarações de importação. A PAN ÁSIA importa, fecha o câmbio com seus próprios recursos, emite nota fiscal de revenda e aguarda o pagamento desta nota fiscal. Porém, materialmente, ela cede seu nome na importação, adianta seu capital para fechamento do câmbio e recebe a devolução deste montante às vezes no mesmo dia ou poucos dias depois, revestido na forma de operação de compra e venda no mercado interno. A autuada, em síntese, negou a ocorrência de importação por conta e ordem porque a fiscalização não teria comprovado o fornecimento de recursos financeiros e negou também a ocorrência de simulação. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Inicialmente cabe esclarecer que não é o caso de interposição fraudulenta presumida, pois a fiscalização não utilizou a presunção relativa estabelecida no art. 23, § 2º do DecretoLei nº 1.455/76. Sendo assim, não importa para o deslinde do caso concreto a comprovação isolada dos fatos indiciários previstos no citado dispositivo legal para se presumir a interposição fraudulenta. Estamos diante da acusação de interposição fraudulenta provada, pois no Procedimento Especial de Controle Aduaneiro, o fisco sustentou que para os anos de 2011 e 2012 as operações entre a PAN ÁSIA e as quatro empresas de Foz do Iguaçu foram simuladas, com o objetivo de obtenção de economia de impostos estaduais. E a fiscalização provou a existência da simulação alegada. Vejamos. No Procedimento Especial de Controle Aduaneiro, restou comprovado que a PAN ÁSIA não participava das negociações que precediam as operações de importação e nem elegia o despachante aduaneiro que deveria atuar. Na diligência no estabelecimento da FALLS foram apreendidos inúmeros documentos relativos às negociações como exportador, todos em nome da PAN ASIA, os quais dizem respeito apenas ao importador e que em uma situação de normalidade não deveriam estar na posse daquele que se diz adquirente no mercado interno. Ajustes de valor, de aceite da transação e de pagamento pelas importações são da alçada exclusiva do importador e não do adquirente no mercado interno, a exemplo das seguintes faturas apreendida nas dependências da FALLS (fl. 68 e 69). No estabelecimento da FALLS a fiscalização também apreendeu a seguinte planilha de controle das Licenças de Importação (fl. 70), as quais são documentos expedidos previamente à importação e, portanto, de interesse exclusivo do importador: Fl. 404DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10909.721591/201496 Acórdão n.º 3402003.008 S3C4T2 Fl. 5 7 As conversas mantidas conversas entre o Sr. Nilo Simas Jr da PAN ÁSIA e Maycon Schnorr, sócio administrador da FALLS, demonstram que a FALLS enviava à PAN ÁSIA as faturas comerciais e licenças de importação, em um fluxo documental totalmente atípico, pois tais documentos deveriam ter sido providenciados pela PAN ÁSIA, que ostensivamente figura como a importadora, conforme se pode conferir na fl. 72. Outra prova que demonstra que o real importador era a FALLS consiste nos seguintes diálogos entre Maycon da FALLS e o despachante aduaneiro Leonço Luis Pereira, representante legal da PAN ASIA. Nos referidos diálogos, o despachante aduaneiro informou a Maycon a chegada de quatro cargas de farinha importada do Moínho Arrecifes (Argentina) ao Porto Seco de Foz do Iguaçu. Tal controle, segundo as práticas comerciais vigentes, só ocorre entre o despachante aduaneiro e o real importador, tendo em vista que para um destinatário no mercado interno não importam os números das faturas que instruíram os despachos aduaneiros (fl. 74). No email de fl. 80, está confirmada a acusação da fiscalização no sentido de que a PAN ÁSIA cedia dolosamente o nome para efetuar importações e "bancava" a operação de câmbio para ser posteriormente ressarcida pela simulação de uma operação de venda. Já no email de fl. 88 o Sr. Nilo da PAN ASIA confirma que essa empresa não participa das negociações internacionais. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 E a confissão cabal do Sr. Nilo Simas no sentido de que os contratos de câmbio eram "bancados" de forma adiantada pela PAN ÁSIA encontramse nos emails de fls. 85 e 86. A título de reforçar a convicção dos senhores conselheiros sobre a simulação envolvendo as operações da PAN ÁSIA com as quatro empresas comerciais importadoras localizadas em Foz do Iguaçu, remeto ao email emitido por "Adriana" do setor financeiro da PAN ÁSIA ao Sr. Nilo dando conta do "nosso capital que está fora" , conforme fl. 89. Mas isso não é tudo. A fiscalização conseguiu descobrir também o valor da comissão cobrada pela PAN ÁSIA dos reais adquirentes da farinha a título de comissão pela cessão do nome. Os valores eram de R$ 1.700 por caminhão de farinha tipo 000 e R$ 1.850,00 por caminhão de farinha do tipo 0000, conforme email trocado entre o Sr. Nilo Simas e o departamento financeiro da PAN ÁSIA (fl. 89). Com esses elementos trazidos pela fiscalização, em relação às operações realizadas nos anos de 2011 e 2012, envolvendo a PAN ÁSIA e as quatro empresas comerciais importadoras de Foz do Iguaçu, entre as quais se encontra a FALLS, restou plenamente demonstrada a simulação e a interposição da PAN ÁSIA nas referidas operações. No que tange ao Termo de Verificação Específico para este processo, a fiscalização constatou que se tratavam de DIs envolvendo as mesmas empresas, o mesmo despachante aduaneiro e registradas ao longo dos anos de 2011 e 2012. Entretanto, para as DIs objeto deste processo, a fiscalização constatou que 22 delas estavam com o com o câmbio em aberto há mais de dois anos, o que não é uma conduta usual no comércio exterior, mormente quando o contribuinte não demonstra que as operações foram financiadas pelo exportador ou por qualquer outro meio. A fiscalização exemplificou as constatações com as DI 12/12692782; 12/16098630. Em relação à primeira, não identificou na escrituração contábil os recursos que liquidaram a operação de câmbio, o que conduz à conclusão de que o pagamento foi efetuado por outra entidade. Em relação à segunda, a escrituração foi feita de forma a ocultar a identificação da origem e destino dos recursos. Por meio desse expediente de manter câmbios e aberto e de simular operações comerciais com desconto de títulos a PAN ASIA "gerava recursos" para fechar o câmbio de outras importações, evitando lançar em sua contabilidade os aportes financeiros dos reais adquirentes nas vésperas dos despachos aduaneiros. Essa conduta, é plenamente compatível com o que foi apurado no Procedimento Especial de Controle Aduaneiro, comprovando que as constatações do Procedimento Especial aplicamse às DI ora autuadas, mesmo porque foram registradas durante os anos de 2011 e 2012. Está provada a interposição fraudulenta da PAN ASIA em todas as operações de importação ocorridas nos anos de 2011 e 2012 envolvendo as quatro empresas comerciais exportadoras situadas em Foz do Iguaçu, entre elas a FALLS. DDOO RREECCUURRSSOO VVOOLLUUNNTTÁÁRRIIOO.. A defesa alegou a inexistência de dano ao erário porque todos os tributos foram recolhidos e não foi utilizado recurso de terceiros. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10909.721591/201496 Acórdão n.º 3402003.008 S3C4T2 Fl. 6 9 Esses elementos não foram eleitos pelo art. 23, V, do DecretoLei nº 1.455/1976 como determinantes para estabelecer se houve dano ao erário. O referido dispositivo legal estabelece que (redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002): Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Como se vê, a lei diz apenas que se considera dano ao Erário a importação de mercadorias promovida com ocultação do real sujeito passivo ou do responsável pela operação, mediante simulação. Se a fiscalização comprovou que a PAN ÁSIA ocultou a COMEX, mediante simulação, então, à luz do citado dispositivo legal ocorreu o dano ao Erário, infração que rende ensejo à inflição da pena de perdimento, a teor do art 23, § 1º do mesmo Decretolei. Ao contrário do alegado, a fiscalização comprovou que as mercadorias eram destinadas previamente às quatro empresas comerciais importadoras de Foz do Iguaçu, pois todas as importações foram negociadas pelo mesmo despachante aduaneiro. No que concerne à alegação de as operações não poderem ser enquadradas na modalidade "por conta e ordem de terceiro", deve ser lembrado à recorrente que a fiscalização provou que os recursos que amparavam as importações ora autuadas provinham da FALLS e demais importadores de fato, e também que a PAN ÁSIA não participava das negociações internacionais. Não houve a alegada contradição da decisão recorrida na parte em que alegou que a recorrente "banca" o câmbio por alguns dias até ser reembolsada pela real adquirente, pois além da fiscalização ter analisado toda a movimentação financeira durante o Procedimento Especial de Controle Aduaneiro, as mensagens eletrônicas trocadas pelas pessoas físicas envolvidas nas operações confirmaram que a PAN ÁSIA adiantava o dinheiro para o fechamento do câmbio depois de receber a ordem da comercial importadora, para ser ressarcida posteriormente por meio da simulação de uma operação de venda. No que concerne ao caráter penal do ilícito, ao contrário do alegado, a interposição fraudulenta se caracteriza pela ocultação do responsável pelas importações e não requer nenhuma ligação com a prática de delitos anteriores, a teor do que estabelece o art. 689, XXII, § 1º do RA/2009. Em momento algum o DecretoLei nº 1455/76 ou o Regulamento Aduaneiro mencionam a conexão com crimes anteriores. No que tange à comprovação do dolo, a farta troca de emails entre as pessoas físicas envolvidas nas operações comprovaram a intenção de executar operações simuladas, com vistas à obtenção de benefícios fiscais no âmbito do ICMS. A própria PAN ÁSIA vende esse serviço por meio de sua página na internet, como deixa claro o seguinte excerto extraído da fl. 59: Fl. 407DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Segundo informou a fiscalização (fls. 53/56), um dos motivos para o entabulamento da simulação, foi o incentivo fiscal concedido pelo Estado de Santa Catarina no âmbito do ICMS, pois a teor do art. 26, III, combinado com o art. 15 do Anexo II, do Regulamento do ICMS daquele Estado, as operações de importação de farinha de trigo são tributadas com 12% e no momento da venda o Estado concede um crédito presumido de 66,66%, resultando em uma alíquota efetiva de apenas 4%. Com isso, as quatro empresas comerciais importadoras localizadas em Foz do IguaçuPR, conseguiram uma redução de custos com a interposição fraudulenta da PAN ÁSIA, localizada em Itajai/SC, utilizando de forma indevida um benefício fiscal concedido por Santa Catarina na área do ICMS. No que concerne ao processo 12457.732673/201295, citado pela defesa, o julgamento culminou no Acórdão 3101001.813. Tal julgado em nada socorre a recorrente, pois embora a situação fática seja a mesma deste processo, o recurso voluntário da COMEX foi desprovido pelo colegiado. A PAN ÁSIA alegou a impossibilidade de aplicação da pena de perdimento, pois no caso seria cabível a pena do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, pela cessão do nome, e citou a interpretação contida no Acórdão 3402002.362. Realmente este colegiado, com composição totalmente diversa da atual, manifestou o entendimento segundo a alegação da defesa. Entretanto, este relator discorda da aplicação do princípio da especialidade para afastar a pena de perdimento, substituindoa pela multa de 10% por cessão do nome, pois a aplicação desse princípio tem lugar apenas quando existe uma norma mais ampla e outra mais específica, ambas capazes de alcançar o mesmo fato, como se dá, por exemplo, com os crimes de homicídio (norma mais ampla) e de infanticídio (norma mais específica). No caso concreto, a pena de perdimento e a multa pela cessão do nome penalizam condutas completamente diferentes, não existindo nenhum impedimento para a inflição de ambas ao mesmo sujeito passivo, quando este, ao mesmo tempo, ceder seu nome a terceiro com o fim de ocultar o real importador e detiver a posse, ou entregar a consumo, mercadorias importadas mediante o cometimento de infrações que constituam dano ao Erário. Tanto é assim, que o art. 727, § 3º do RA/2009 estabelece expressamente que: Art.727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). (...) §3oA multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação. No que concerne à sujeição passiva, o art. 689 do RA/2009 não estabelece quem é o sujeito passivo da multa. Esse dispositivo regulamentar apenas estabelece que as mercadorias estão sujeitas à pena de perdimento, o que significa que o sujeito passivo da Fl. 408DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10909.721591/201496 Acórdão n.º 3402003.008 S3C4T2 Fl. 7 11 referida multa pode ser qualquer pessoa, independentemente dela ter promovido ou não o ingresso irregular das mercadorias no território nacional. Reforça esta interpretação o disposto nos art. 689, § 1º e 704, ambos do RA/2009, os quais autorizam a interpretação de que a fiscalização pode aplicar a referida penalidade a quantos tenham tido a posse da mercadoria introduzida irregularmente no país com o cometimento de infração que caracterize o dano ao Erário. Portanto, não tem razão a recorrente quando afirma que não poderia figurar no polo ativo como devedora principal. Com essa fundamentação, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 409DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001942/2007-47
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
Ementa:
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL EM MONTANTE NÃO INTEGRAL. LANÇAMENTO DE OFICIO. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA.
No lançamento de ofício de crédito tributário, objeto de discussão judicial, são inexigíveis a multa de ofício e os juros de mora sobre a parcela do crédito tributário depositada judicialmente, mantendo-se a exigência apenas sobre o montante não alcançado pelo depósito.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9101-002.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido por unanimidade de votos e, no mérito, negado provimento por maioria de votos, vencido o Conselheiro André Mendes Moura. Ausente, justificadamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freiras Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ E CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 Ementa: CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL EM MONTANTE NÃO INTEGRAL. LANÇAMENTO DE OFICIO. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. No lançamento de ofício de crédito tributário, objeto de discussão judicial, são inexigíveis a multa de ofício e os juros de mora sobre a parcela do crédito tributário depositada judicialmente, mantendo-se a exigência apenas sobre o montante não alcançado pelo depósito. Recurso Especial do Procurador Negado.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16327.001942/2007-47
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5580294
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9101-002.254
nome_arquivo_s : Decisao_16327001942200747.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ADRIANA GOMES REGO
nome_arquivo_pdf_s : 16327001942200747_5580294.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido por unanimidade de votos e, no mérito, negado provimento por maioria de votos, vencido o Conselheiro André Mendes Moura. Ausente, justificadamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freiras Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ E CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
id : 6344234
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048416861290496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1932; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 727 1 726 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.001942/200747 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.254 – 1ª Turma Sessão de 2 de março de 2016 Matéria DEPÓSITO JUDICIAL NÃO INTEGRAL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ITAÚ UNIBANCO S.A. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 Ementa: CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL EM MONTANTE NÃO INTEGRAL. LANÇAMENTO DE OFICIO. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. No lançamento de ofício de crédito tributário, objeto de discussão judicial, são inexigíveis a multa de ofício e os juros de mora sobre a parcela do crédito tributário depositada judicialmente, mantendose a exigência apenas sobre o montante não alcançado pelo depósito. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido por unanimidade de votos e, no mérito, negado provimento por maioria de votos, vencido o Conselheiro André Mendes Moura. Ausente, justificadamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freiras Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 19 42 /2 00 7- 47 Fl. 727DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001942/200747 Acórdão n.º 9101002.254 CSRFT1 Fl. 728 2 Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ E CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO. Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls 493 e ss. (no 4º volume do eprocesso), contra o acórdão nº 110100.050, de 13 de maio de 2009 (efls 484 e ss., no 4º volume do eprocesso), que, no mérito e por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso, para "excluir da matéria tributável o valor lançado em duplicidade, conforme atestado pela DEINF, bem como excluir a multa de oficio e os juros de mora sobre o valor depositado". Na matéria objeto da presente discussão, tal acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. O depósito suspende a exigibilidade do crédito até o valor por ele coberto, e afasta a imposição da multa de oficio e dos juros de mora sobre a parcela alcançada. Do relatado sobre a matéria objeto do recurso fazendário no acórdão recorrido, verificase que contra a empresa foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL, relativos ao anocalendário 2002, referentes à matéria discutida em Mandado de Segurança (tributação de lucros auferidos no exterior por sucursal, controlada ou coligada pela equivalência patrimonial). A empresa efetuou depósito judicial em dinheiro a fim de suspender a exigibilidade do crédito tributário e todos os seus consectários legais. A Fiscalização, no entanto, verificou que o depósito não foi integral, uma vez que, no cálculo, a Contribuinte excluiu o montante da variação cambial do investimento, matéria que também se encontra sub judice no Mandado de Segurança. Considerando, assim, que o crédito tributário não se encontrava com a exigibilidade suspensa, lavrou os autos de infração para a exigência dos tributos, juros de mora e multa de ofício. Como se vê do Termo de Verificação de Infração (efls. 196 e ss.), os valores discutidos em juízo eram de R$ 297.071.306,81, relativos ao IRPJ, e de R$ 106.945.670,460, relativos à CSLL, enquanto que os valores depositados foram, respectivamente, de R$ 3.284.641,96 e de R$ 1.182.471,10. A Fiscalização constituiu crédito tributário respectivamente de R$ 297.071.306,81 e R$ 106.945.670,460 (ou seja, no montante integral discutido em juízo), acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. A Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação ao acórdão nº CSRF/0105.148, cuja ementa está assim redigida na parte de interesse: SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DEPÓSITO JUDICIAL INSUFICIENTE MULTA E JUROS O depósito parcial do crédito tributário não suspende a exigibilidade do crédito tributário e enseja a Fl. 728DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001942/200747 Acórdão n.º 9101002.254 CSRFT1 Fl. 729 3 exigência de multa punitiva e juros de mora por meio de lançamento de ofício da Fazenda Pública. No mérito, a Recorrente argumenta, em síntese, que: a) de acordo com o art. 151, II, do CTN, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário se dá com a efetivação do deposito do seu montante integral. Cita doutrina de Luciano Amaro nesse sentido, bem como a Súmula n° 112 do STJ (“O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro"); e b) uma vez que os valores depositados foram inferiores ao montante integral do crédito tributário (fato reconhecido pela Contribuinte), não houve a suspensão da exigibilidade do credito tributário, não ficando configurada a situação prevista no art. 6º da Lei n° 9.430/96, razão pela qual devem ser exigidos o tributo, a multa de ofício e os juros moratórios. Pede, então, que o presente recurso seja conhecido e provido, para que seja "reformado em parte o v. Acórdão ora recorrido, restaurando a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre o valor depositado judicialmente pelo contribuinte, que haviam sido excluídos indevidamente no citado julgado". O recurso foi admitido por meio do Despacho de efls. 513/515, havendo a Contribuinte apresentado contrarrazões (efls. 577 e ss.) tempestivamente, protestando pelo não provimento do recurso fazendário. Em apertada síntese, aduz a Contribuinte que: a) a jurisprudência da CSRF e do CARF vai em sentido contrário à tese sustentada pela Fazenda, afastando a incidência da multa de ofício e dos juros de mora sobre as parcelas que estejam abarcadas por depósito, e transcreve excertos de julgado, acrescentando que, ainda que não houvesse entendimento dominante nesse sentido, tal exigência não encontra qualquer razoabilidade; b) restou amplamente demonstrado a existência de depósito judicial integral em relação à exigência do resultado positivo da equivalência patrimonial dos lucros auferidos no exterior por suas filiadas, coligadas e controladas, questão que se encontra sub judice nos autos de Mandado de Segurança; c) não pode sofrer sanção (multa de ofício) por falta de recolhimento de tributo cuja incidência ainda é discutida judicialmente e sobre o qual a quantia exigida foi depositada em juízo; d) que não pode incidir juros de mora, uma vez que sobre tais valores já incidem juros, sendo que os valores depositados judicialmente são imediatamente colocados à disposição da União; e) ao final salienta que a empresa possui provimento judicial em fase de análise de admissibilidade dos Recursos Especial e Extraordinário, afastando a totalidade da exigência fiscal. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001942/200747 Acórdão n.º 9101002.254 CSRFT1 Fl. 730 4 É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. A questão que remanesce no presente processo para apreciação por esta 1ª Turma da CSRF se situa na abrangência da imposição de multa de multa de ofício e da incidência juros de mora em lançamento quando há depósito judicial que alcança apenas parte do crédito tributário: se multa e juros alcançam a totalidade do crédito (uma vez que apenas o depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito), ou apenas a parte do crédito não garantida pelo depósito judicial (pelo fato de que o depósito em montante não integral suspende a exigibilidade do crédito até o montante depositado). Como se viu, a Turma a quo entendeu que o depósito judicial suspende a exigibilidade do crédito até o valor por ele coberto, e afasta a imposição da multa de oficio e dos juros de mora sobre a parcela por ele alcançada. Aquele Colegiado, ao interpretar o art. 151, inciso II, do CTN, que coloca entre as causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário "o depósito do seu montante integral", asseverou que "a leitura do artigo 151, II, do CTN, deve ser no sentido de que o crédito tributário, como um todo, tem sua exigibilidade suspensa mediante depósito do seu montante integral", sendo que "o depósito não integral suspende a exigibilidade até a força do depósito". Vale transcrever excerto do voto condutor proferido pela Conselheira Sandra Faroni: A questão da suspensão da exigibilidade do crédito no caso de depósito parcial foi por diversas vezes por mim enfrentada na antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Naquelas ocasiões, analisando os efeitos do depósito, quando parcial, ponderei ser óbvio que sobre a parcela depositada não é possível prosseguir na cobrança, nem converter o valor depositado em renda. Portanto, indiscutível que a exigibilidade, sobre o valor depositado, se encontra suspensa. Assim, a leitura do artigo 151, II, do CTN, deve ser no sentido de que o crédito tributário, como um todo, tem sua exigibilidade suspensa mediante depósito do seu montante integral. O depósito não integral suspende a exigibilidade até a força do depósito. A parcela não depositada, se não acobertada por outra causa de suspensão, deve ser transferida para outros autos para prosseguimento na cobrança. A jurisprudência da antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes é pacífica no sentido de que o depósito existente no momento da lavratura do auto de infração afasta a imposição da multa de ofício e dos juros de mora, até o montante coberto pelo depósito. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001942/200747 Acórdão n.º 9101002.254 CSRFT1 Fl. 731 5 Correta, a meu ver, a interpretação dada ao dispositivo do CTN que trata da suspensão da exigibilidade. Não há sentido em se fazer a multa de ofício e os juros moratórios alcançarem parcela de crédito tributário depositada judicialmente em decorrência da discussão, em juízo, acerca da exigibilidade mesma do crédito. No caso presente, como destacado no Termo de Verificação de Infração, o montante depositado judicialmente corresponde a um centésimo do total discutido em juízo (efls. 205). Observese, também, que, como assinala o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, em recente julgado da 3ª Turma da CSRF (acórdão de nº 9303003.221, de 27 de novembro de 2014), "o depósito judicial do crédito tributário exigido, além da suspensão da sua exigibilidade, tem como objetivo, entre outros, eximir o sujeito passivo do pagamento de juros de mora e de penalidades, tais como multa de ofício", fazendo referência ao art. 9º da Lei nº 6.830, de 1980, que dispõe sobre a cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública. Vale transcrever a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. LANÇAMENTO DE OFICIO. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício de crédito tributário, objeto de discussão judicial, dispensase a exigência de juros de mora e de multa de ofício sobre os valores depositados, tempestivamente, mantendose a exigência apenas sobre as parcelas correspondentes às diferenças não depositadas. (...) E excerto do acórdão em tela: O depósito judicial do crédito tributário exigido, além da suspensão da sua exigibilidade, tem como objetivo, entre outros, eximir o sujeito passivo do pagamento de juros de mora e de penalidades, tais como multa de ofício. A Lei nº 6.830, de 1980, assim dispõe: Art. 9º. Em garantia da execução, pelo valor da dívida, juros e multa de mora e encargos indicados na Certidão de Dívida Ativa, o executado poderá: (...) § 4º. Somente o depósito em dinheiro na forma do artigo 32, faz cessar a responsabilidade pela atualização monetária e juros de mora. Assim, não procede o lançamento da multa de ofício e dos juros mora sobre valores das parcelas do crédito tributário depositadas judicialmente. Contudo, sobre os valores das parcelas que não foram depositadas e de possíveis diferenças, deve ser mantida a exigência da multa de ofício e dos juros de mora. No caso dos autos a parcela deposita é bem pequena, proporcionalmente ao montante total exigido. Mas o entendimento defendido pela recorrente tornase flagrantemente contrário ao que se imagina que a norma quer tutelar (que seria: neutralizar os efeitos da mora decorrentes da discussão judicial sobre o crédito tributário pendente de discussão), quando o Fl. 731DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001942/200747 Acórdão n.º 9101002.254 CSRFT1 Fl. 732 6 contribuinte deposita a quase totalidade do valor exigido, pois, muitas vezes, a diferença pode ser de R$ 1,00. E aí, se não houve a totalidade do depósito, será cobrada multa de ofício e juros de mora sobre quase tudo que já estava depositado em juízo? Como o direito não pode oscilar em razão dos montantes envolvidos, penso que a melhor exegese a ser concebida ao art. 151, inciso II, do CTN, é aquela dada pelo acórdão recorrido, que excluiu do lançamento a multa de oficio e os juros de mora exigidos sobre a parcela do crédito tributário depositada judicialmente. Por oportuno, saliento que a Súmula STJ nº 112 não vincula este Colegiado. Conclusão Em face ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 732DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13804.002258/2001-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 14/09/2001
CRÉDITOS DE IPI. RESSARCIMENTO. INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC
Apenas quando ocorrida a "oposição injustificada de ato estatal", no dizer do ministro Luiz Fux no julgamento do Resp 993.164, que estamos obrigados a reproduzir no CARF por força de norma regimental, é que se autoriza a incidência de juros no ressarcimento de créditos escriturais de IPI.
Numero da decisão: 9303-003.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 23/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente)
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 14/09/2001 CRÉDITOS DE IPI. RESSARCIMENTO. INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC Apenas quando ocorrida a "oposição injustificada de ato estatal", no dizer do ministro Luiz Fux no julgamento do Resp 993.164, que estamos obrigados a reproduzir no CARF por força de norma regimental, é que se autoriza a incidência de juros no ressarcimento de créditos escriturais de IPI.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13804.002258/2001-26
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5596927
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.837
nome_arquivo_s : Decisao_13804002258200126.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JULIO CESAR ALVES RAMOS
nome_arquivo_pdf_s : 13804002258200126_5596927.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. EDITADO EM: 23/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente)
dt_sessao_tdt : Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
id : 6403686
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048416889602048
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1951; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 353 1 352 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13804.002258/200126 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.837 – 3ª Turma Sessão de 28 de abril de 2016 Matéria ACRÉSCIMO DE JUROS EM RESSARCIMENTO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LOUIS DREYFUS COMMODITIES BRASIL S/A ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 14/09/2001 CRÉDITOS DE IPI. RESSARCIMENTO. INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC Apenas quando ocorrida a "oposição injustificada de ato estatal", no dizer do ministro Luiz Fux no julgamento do Resp 993.164, que estamos obrigados a reproduzir no CARF por força de norma regimental, é que se autoriza a incidência de juros no ressarcimento de créditos escriturais de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 23/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 22 58 /2 00 1- 26 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, A ssinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) Relatório O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional a ser examinado questiona a decisão da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara que entendeu cabíveis juros, calculados estes à taxa Selic, sobre ressarcimento de créditos de IPI em face da demora por parte da Administração na análise do pedido do contribuinte. O acórdão restou assim ementado sobre a matéria ora controvertida: RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. CABIMENTO. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62A DO RICARF. Consoante decisão exarada pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.035.847/RS, sob a sistemática do recurso repetitivo, o crédito referente a ressarcimento se sujeita à atualização monetária, tendo como termo inicial para sua fluência a formalização do requerimento, quando então poderia considerarse em mora a Fazenda Nacional, e o termo final, a data de sua efetiva utilização, seja pela compensação, seja pela liquidação em espécie. Recurso provido em parte. A recorrente aponta divergência entre essa decisão e a consubstanciada no acórdão 9303001.724, cuja ementa consignou: Ementa: RESSARCIMENTO DE IPI. ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. Incabível o cômputo de juros a valores deferidos em ressarcimento, por absoluta falta de previsão legal, necessária porquanto não se confundem juros e mera atualização monetária. Extraise dos fragmentos transcritos no despacho que examinou a admissibilidade a perfeita similitude entre os dois acórdãos, visto que ambos enfrentaram o cabimento dos juros na mesma hipótese, qual seja, quando a unidade concede na integralidade o valor postulado, porém, há demora nessa análise. Enquanto o recorrido entendeu que tal demora configura a "resistência injustificada" mencionada no julgamento do STJ nele citado (Resp 1.035.847, julgado sob o rito do art. 543C), a decisão trazida como paradigma de divergência entendeu que tal circunstância não a configura. O recurso especial contesta a conclusão do julgado segundo a qual a decisão proferida pelo STJ, teria, sim, tratado de crédito não negado mas analisado com mora. Defende que não há decisões naquele rito em tal circunstância, mas apenas quando efetivamente há negativa a uma parcela pelo menos do crédito. Inaplicável, por isso, o art. 62A do Regimento então vigente (atual 62). E, adicionalmente, que, mesmo que se entenda que aquele artigo tem aplicação ao caso, ele se deveria restringir à hipótese nele tratada, que é diferente da dos autos. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, A ssinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13804.002258/200126 Acórdão n.º 9303003.837 CSRFT3 Fl. 354 3 Tempestivas contrarrazões pugnam pela manutenção do julgado, pois em seu entender, assim como no do relator da decisão recorrida, a decisão proferida pelo STJ no Resp já mencionado, cuja ementa reproduz, teria, sim tratado de crédito não negado mas analisado com mora. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Como já indicado no relatório, entendo bem admitido o recurso, dado que as decisões, recorrida e paradigma, debruçaramse sobre os mesmos fatos e concluíram de forma antagônica. Também como está ali indicado, o relator da decisão recorrida entendeu aplicável o art. 62A, uma vez que, a seu ver, haveria decisão do STJ, proferida no rito do art. 543C do CPC, na qual teria sido fixado o entendimento de que a simples demora na análise do pleito do contribuinte configuraria a "oposição injustificada de ato estatal" de que falou o STJ para admitir a adição de juros. Segundo o dr. Robson, essa seria a leitura do acórdão prolatado no Resp 1.035.847. Imperioso, pois, novamente transcrever aqui aquela ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; Fl. 355DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, A ssinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 REsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Na transcrição acima, destaquei as partes que me levam a concluir de forma oposta à do dr. Robson. Com efeito, embora a decisão faça referência à demora no deferimento do pleito do contribuinte, ela, a meu ver, não equipara essa demora à "oposição injustificada...". O que aí se diz, a meu sentir, é que, uma vez expedido ato estatal que obrigue o sujeito passivo a se socorrer do Poder Judiciário para declarar, em oposição a tal ato, que tem ele direito ao que postula, descaracterizada está a natureza de crédito escritural que impedia sua "atualização monetária". É certo que o fundamento para tal descaracterização, segundo o acórdão do STJ, é a demora que isso acarreta. Mas isso não autoriza, a meu sentir, que estendamos tal entendimento para alcançar a situação dos autos. Com efeito, rezava o antigo art. 62A do RICARF aprovado pela Portaria MF 256 (atual 62): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Destarte, o que o artigo nos obrigou a fazer foi reproduzir decisão do STJ proferida no rito do art. 543C. O primeiro requisito para tanto é, naturalmente, que as situações sejam ao menos assemelhadas. Pois bem. Até onde sei, a expressão "oposição injustificada de ato estatal" é, originalmente, do ministro Luiz Fux no julgamento do Resp 993.164. Naquela ocasião, examinouse pleito de ressarcimento de crédito presumido de IPI que vinha sendo negado pela Administração com base em Instrução Normativa da SRF. Em seu voto, no entanto, o ministro Fux não apontou, exatamente, o fundamento para que tal oposição "travestisse" o crédito, originalmente escritural, em algo sobre o qual podia incidir "atualização monetária", entendida esta como o acréscimo de juros à Selic. Mesmo assim, a afirmou, e ficamos obrigados a reproduzir tal decisão nos nossos julgados. Vale registrar que, a rigor, o temos feito em um alcance até maior do que na situação lá tratada, na medida em que a aplicamos mesmo que não se trate de crédito presumido (mas seja na origem escritural) e de que a "oposição" não seja propriamente de uma IN SRF. Deveras, temnos bastado que a DRJ indefira alguma parcela, ainda que não por haver ato normativo expresso, e essa parcela venha a ser revista pela segunda instância administrativa e ainda que o sujeito passivo não se tenha socorrido do Poder Judiciário. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, A ssinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13804.002258/200126 Acórdão n.º 9303003.837 CSRFT3 Fl. 355 5 Nesses termos, entendo que o julgamento apontado pelo dr. Robson efetivamente complementou aquele julgado original ao explicitar qual seria a motivação para aquele "travestimento": a necessidade de que o sujeito passivo se socorra do Poder Judiciário, o que provoca demora no recebimento daquilo que lhe é devido, face à morosidade daquele Poder. E isso porque a decisão não atribuiu à própria Administração tributária a demora, nem afirmou que se ela ocorresse estaria configurada a "oposição injustificada de ato estatal", apesar de sua ementa dar a entender isso. Longe disso, a leitura cuidadosa dela prova que a oposição é, sim, requisito. Nesses termos, considero que o que ela de fato faz é restringir a hipótese de concessão do acréscimo de juros: ela passa a depender de que o sujeito passivo recorra ao Judiciário para ver acatado o seu pleito. Assim sendo, o máximo a que poderíamos chegar, em respeito ao art. 62A já citado, é continuar dispensando o recurso ao Judiciário e deferindo o crédito quando a glosa promovida pela Administração não se justifique, a nosso ver. Não havendo, porém, glosa, de "atualização monetária" não se trata, ao menos não pela obrigatoriedade prevista naquele artigo regimental. Não partilho, pois, a visão do dr. Robson no sentido de que tal conceito possa ser estendido à omissão da Administração. Em ambos os julgados, seja no 993.164, seja no 1.035.847, o STJ disse que a Administração precisa praticar (opor) um ato, e não vejo como não praticálo possa ser a isso equiparado. Como já reiterado, no presente caso, assim como no paradigma, a Administração nada opôs: todo o valor pleiteado foi deferido. Demorou ela, é certo, a apreciar o pleito. Mas concordo com as razões do voto vencido, da lavra do dr. Rosaldo Trevisan: isso não autoriza a incidência de juros, e especialmente não a partir do protocolo do pedido. Com efeito, mesmo que se admita aplicável a disposição legal que fixa prazo à atuação estatal, ainda se faz necessário outro ato legal que defina que a sanção para o descumprimento desse prazo seja a incidência de juros, que eles devam ser calculados com base na Selic e a partir de quando eles incidem. Com tais considerações, voto por dar integral provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar a exclusão da parcela acrescida, a título de juros, ao valor original, que fora, integralmente, deferido ao contribuinte. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 357DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, A ssinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, A ssinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10640.720558/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
A teor do art. 12-A da Lei 7.713, de 1988, os rendimentos recebidos acumuladamente, no período compreendido de 1° de janeiro a 20 de dezembro de 2010, poderão ser tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, e em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, devendo ser informados em campo próprio da declaração de ajuste anual, mediante opção do contribuinte pela forma de tributação. Na omissão de rendimentos recebidos acumuladamente aplica-se a regra geral do ajuste anual na Declaração de Imposto de Renda, por ausência de opção.
Numero da decisão: 2301-004.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo (suplente), Fabio Piovesan Bozza, Ivacir Júlio de Souza, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. A teor do art. 12-A da Lei 7.713, de 1988, os rendimentos recebidos acumuladamente, no período compreendido de 1° de janeiro a 20 de dezembro de 2010, poderão ser tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, e em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, devendo ser informados em campo próprio da declaração de ajuste anual, mediante opção do contribuinte pela forma de tributação. Na omissão de rendimentos recebidos acumuladamente aplica-se a regra geral do ajuste anual na Declaração de Imposto de Renda, por ausência de opção.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10640.720558/2012-75
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5592224
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2301-004.661
nome_arquivo_s : Decisao_10640720558201275.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JOAO BELLINI JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10640720558201275_5592224.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo (suplente), Fabio Piovesan Bozza, Ivacir Júlio de Souza, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
dt_sessao_tdt : Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
id : 6386963
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417021722624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1976; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 124 1 123 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.720558/201275 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.661 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2016 Matéria RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE Recorrente JAIR DO NASCIMENTO Recorrida União (representada pela Fazenda Nacional) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. A teor do art. 12A da Lei 7.713, de 1988, os rendimentos recebidos acumuladamente, no período compreendido de 1° de janeiro a 20 de dezembro de 2010, poderão ser tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, e em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, devendo ser informados em campo próprio da declaração de ajuste anual, mediante opção do contribuinte pela forma de tributação. Na omissão de rendimentos recebidos acumuladamente aplicase a regra geral do ajuste anual na Declaração de Imposto de Renda, por ausência de opção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior – Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo (suplente), Fabio Piovesan Bozza, Ivacir Júlio de Souza, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 05 58 /2 01 2- 75 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1262.118, de 12/12/2013, (fls. 89 a 97). Reproduzo do relatório do acórdão recorrido: Tratase de impugnação apresentada pelo interessado contra lançamento de ofício formalizado na Notificação de Lançamento de fls. 06/10, que alterou o resultado da Declaração de Ajuste Anual relativa ao exercício 2011, anocalendário 2010, de imposto a restituir de R$ 19.794,54 para imposto a restituir de R$ 1.661,05. O lançamento decorreu de procedimento de revisão interna da declaração de ajuste anual apresentada, em que foi apurada Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de Ação Trabalhista, no valor de R$ 83.680,46. Segundo a Complementação da Descrição dos Fatos, o interessado percebeu rendimentos da empresa Mercedes Benz do Brasil em decorrência de ação trabalhista (processo número 01379200903603005 da 2a Vara do Trabalho de Juiz de Fora Minas Gerais) no valor de R$ 83.680,46. Detalha a autoridade autuante que foram pagos ao interessado rendimentos líquidos no valor de R$ 73.736,76 (R$ 5.760,55, em 10/12/2010, e R$ 67.976,21, em 20/12/2010), com Imposto de Renda Retido na Fonte de R$ 19.794,64 e foram considerados como rendimentos isentos o aviso prévio de R$ 2.905,85 e o FGTS de R$ 6.945,09. O interessado apresentou, em 05/03/2012, a impugnação às fls. 02/04. Em síntese, assevera que: recebeu rendimentos advindos de ação trabalhista julgada procedente; a apuração do valor do imposto de renda sobre o valor global da execução foi equivocada na medida em que o Parecer PGFN/CRJ n° 287/2009 da PGFN, aprovado pelo Ato Declaratório n° 01/2009 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), orienta que no caso de rendimentos recebidos acumuladamente devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos; é citada jurisprudência sobre o tema; a Lei n° 12.350/2010 e a Instrução Normativa RFB n° 1.127/2011 estabelecem como deve ser o cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos provenientes da justiça do trabalho, excetuandose os juros de mora, que embora previstos na referida instrução, são considerados de natureza indenizatória; em razão do art. 404 do Código Civil, entendese que não há mais a incidência de imposto de renda sobre os juros de mora, uma vez que o dispositivo legal passou a considerar os juros Fl. 125DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10640.720558/201275 Acórdão n.º 2301004.661 S2C3T1 Fl. 125 3 como perdas e danos, sem fazer qualquer distinção entre juros de mora incidentes sobre parcela de natureza indenizatória ou remuneratória, assumindo, assim, caráter indenizatório; é citado entendimento jurisprudencial acerca da matéria. É o relatório. A DRJ julgou improcedente a impugnação, tendo o acórdão recorrido recebido a seguinte ementa: RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Os rendimentos recebidos acumuladamente, no período compreendido de 1° de janeiro a 20 de dezembro de 2010, poderão ser tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, e em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, devendo ser informados em campo próprio da declaração de ajuste anual, mediante opção do contribuinte pela forma de tributação. Na ausência de opção, aplicase a regra geral do ajuste anual na Declaração de Imposto de Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. JUROS MORATÓRIOS. São tributáveis, na fonte e na declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária, os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso no pagamento de rendimentos provenientes do trabalho assalariado, das remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. No que concerne às jurisprudências invocadas, há que ser esclarecido que as decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário até que a Lei lhes atribua eficácia normativa. Enquanto isto não ocorre, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, somente se aplicam sobre a questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. A ciência dessa decisão ocorreu em 15/01/2014 (fl. 99). Em 09/02/2012, foi apresentado recurso voluntário (fls. 84 a 85), no qual são reafirmados, em síntese, os argumentos da impugnação e alegando erro de fato no preenchimento da declaração de ajuste anual (DAA). O pedido consiste no “cancelamento do débito fiscal reclamado”. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Voto Conselheiro João Bellini Júnior, Relator Da tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente Não assiste razão ao recorrente. Esse recebeu valores relativos ao processo trabalhista 01379200903603 005, em duas parcelas, em 10/12/2010 e 20/12/2010, totalizando R$83.680,46 de rendimentos tributáveis (fl. 08) e não declarou tais valores. Foi declarado, tão somente, o valor do IRRF (R$19.794,64), sem o correspondente rendimento tributável (fl. 70). Tais fatos são incontroversos. Sendo assim, é cabível o lançamento do valor omitido, de acordo com as regras do art. 12A da Lei 7.713, de 1988, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010 e Instrução Normativa (IN) da Receita Federal do Brasil (RFB) 1.117, de 2011, que prevêem, para rendimentos recebidos de 1º/01/2010 a 20/12/2010, o oferecimento dos rendimento tributáveis na DAA, salvo opção do contribuinte – o que não ocorreu no caso concreto. A Medida Provisória (MP) 497, de 2010, publicada em 28 de julho de 2010, (convertida na Lei 12.350, de 2010), em seu art. 20, acrescentou à Lei 7.713, de 1988, o art. 12A, estabelecendo regime de tributação específico para determinados rendimentos recebidos de forma acumulada. Transcrevese o artigo: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendários anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. § 1° O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. § 2° Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. § 3° A base de cálculo será determinada mediante a dedução das seguintes despesas relativas ao montante dos rendimentos tributáveis: I importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado Fl. 127DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10640.720558/201275 Acórdão n.º 2301004.661 S2C3T1 Fl. 126 5 judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública; e II – contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 4° Não se aplica a o disposto neste artigo o constante no art. 27 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, salvo o previsto nos seus §§ 1° e 3°. § 5° O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no § 2°, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte. § 6° Na hipótese do § 5°, o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte será considerado antecipação do imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual. § 7° Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1º de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. (VETADO) §9° A Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplinará o disposto neste artigo. Após a inclusão do art. 12A na Lei 7713, de 1988, os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, quando decorrentes do trabalho e os decorrentes de aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, correspondentes aos anos calendários anteriores ao do recebimento, passaram a ser tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento. No regime anterior, dado pelo art. 12 Lei 7.713, de 1988, os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente estavam sujeitos ao ajuste anual na Declaração de Imposto de Renda. Quanto aos rendimentos recebidos entre 1º/01/2010 e 20/12/2010 (dia anterior ao de publicação da Lei 12.350, resultante da conversão da MP 497, de 2010), o §7° do art. 12A dispôs que esses rendimentos poderão ser tributados exclusivamente na fonte, mediante opção do contribuinte em sua declaração de ajuste anual do exercício 2011, ano calendário 2010. Assim, os rendimentos acumulados pagos entre 1º/01/2010 e 20/12/2010 estão, em regra, sujeitos ao ajuste anual. Por opção do contribuinte, tais rendimentos podem ser submetidos ao regime de tributação exclusiva na fonte estabelecido no artigo 12A. Em caso de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente nesse período, aplicase a regra geral (ajuste anual). Fl. 128DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 A IN RFB 1.127, de 2011, disciplinou o procedimento do exercício da opção pelo regime de tributação exclusiva na fonte pelo contribuinte: Art. 13. Os RRA a que se referem os arts. 2º a 6º quando recebidos no período compreendido de 1º de janeiro a 20 de dezembro de 2010, poderão ser tributados na forma do previsto naqueles artigos, desde que efetuado ajuste específico na apuração do imposto relativo àqueles rendimentos na DAA referente ao anocalendário de 2010, do seguinte modo: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 1.145, de 5 de abril de 2011) I – a apuração do imposto darseá: a) em ficha própria; b) separadamente por fonte pagadora e para cada mês calendário, com exceção da hipótese em que a mesma fonte pagadora tenha realizado mais de um pagamento referente aos rendimentos de um mesmo mêscalendário, sendo, neste caso, o cálculo realizado de modo unificado; II o imposto resultante da apuração de que trata o inciso I será adicionado ao imposto apurado na DAA, sujeitandose aos mesmos prazos de pagamento e condições deste. § 1° A opção de que trata o caput: (Renumerado com nova redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 1.170, de 1° de julho de 2011) I será exercida de modo definitivo na DAA do exercício de 2011, anocalendário de 2010; (Incluído pela Instrução Normativa RFB n° 1.170, de 1° de julho de 2011) II não poderá ser alterada, ressalvadas as hipóteses em que: (Incluído pela Instrução Normativa RFB n° 1.170, de 1° de julho de 2011) a) a sua modificação ocorra no prazo fixado para a apresentação da DAA; (Incluído pela Instrução Normativa RFB n° 1.170, de 1° de julho de 2011) b) a fonte pagadora, relativamente à DAA do exercício de 2011, anocalendário de 2010, não tenha fornecido à pessoa física beneficiária o comprovante previsto na Instrução Normativa SRF n° 120, de 28 de dezembro de 2000, ou, quando fornecido, o fez de modo incompleto ou impreciso, de forma a prejudicar o exercício da opção; (Incluído pela Instrução Normativa RFB n° 1.170, de 1° de julho de 2011) III deverá abranger a totalidade dos RRA no anocalendário de 2010. (Incluído pela Instrução Normativa RFB n° 1.170, de 1° de julho de 2011) § 2° No caso de que trata a alínea "b" do inciso II do § 1°, após o prazo fixado para a apresentação da DAA, a retificação poderá ser efetuada, uma única vez, até 31 de dezembro de 2011. (Incluído pela Instrução Normativa RFB n° 1.170, de 1° de julho de 2011) (Grifouse) Fl. 129DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10640.720558/201275 Acórdão n.º 2301004.661 S2C3T1 Fl. 127 7 Por tais regras, a opção pela tributação exclusiva na fonte deve ser realizada expressamente pelo contribuinte por ocasião da entrega à RFB de sua declaração de ajuste anual (DAA), somente podendo ser exercida em outro momento nas expressas hipóteses previstas na instrução normativa. Portanto, como o contribuinte não exerceu a opção pela tributação exclusiva na fonte, na forma prevista pelo art. 12A da Lei 7713, de 1988, dentro do prazo para entrega da DAA, e a opção não mais pode ser exercida neste momento processual, deve ser mantida a regra geral aplicável aos rendimentos recebidos acumuladamente, ou seja, sua tributação na DAA conjuntamente com os demais rendimentos recebidos pelo contribuinte. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso e negarlhe provimento. João Bellini Júnior – relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10925.003204/2008-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 01/12/2003
PIS/PASEP. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. COMERCIANTE ATACADISTA DE CIGARROS.
Até 30/04/2004, antes da vigência da Lei nº 10.865/2004, o comerciante atacadista de cigarros estava obrigado ao pagamento das contribuições incidentes sobre a sua receita de comercialização desse produto, conforme menção expressa no Decreto nº 4.524/2002. Somente a partir de 1º de maio de 2004, a substituição tributária inerente aos comerciantes de cigarros alcança o comerciante atacadista, que estava obrigado ao pagamento das contribuições incidentes sobre a sua receita de comercialização
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que apresentou declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente o Dr. Thiago Carvalho Ribeiro, OAB/SC 33.167.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 01/12/2003 PIS/PASEP. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. COMERCIANTE ATACADISTA DE CIGARROS. Até 30/04/2004, antes da vigência da Lei nº 10.865/2004, o comerciante atacadista de cigarros estava obrigado ao pagamento das contribuições incidentes sobre a sua receita de comercialização desse produto, conforme menção expressa no Decreto nº 4.524/2002. Somente a partir de 1º de maio de 2004, a substituição tributária inerente aos comerciantes de cigarros alcança o comerciante atacadista, que estava obrigado ao pagamento das contribuições incidentes sobre a sua receita de comercialização Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10925.003204/2008-90
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5589695
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-003.037
nome_arquivo_s : Decisao_10925003204200890.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10925003204200890_5589695.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente o Dr. Thiago Carvalho Ribeiro, OAB/SC 33.167.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
id : 6377741
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417523990528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2051; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 385 1 384 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.003204/200890 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.037 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de abril de 2016 Matéria PIS/Pasep Auto de Infração Recorrente FIORELO PEGORARO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 01/12/2003 PIS/PASEP. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. COMERCIANTE ATACADISTA DE CIGARROS. Até 30/04/2004, antes da vigência da Lei nº 10.865/2004, o comerciante atacadista de cigarros estava obrigado ao pagamento das contribuições incidentes sobre a sua receita de comercialização desse produto, conforme menção expressa no Decreto nº 4.524/2002. Somente a partir de 1º de maio de 2004, a substituição tributária inerente aos comerciantes de cigarros alcança o comerciante atacadista, que estava obrigado ao pagamento das contribuições incidentes sobre a sua receita de comercialização Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 32 04 /2 00 8- 90 Fl. 385DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente o Dr. Thiago Carvalho Ribeiro, OAB/SC 33.167. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0729.600, da 4ª Turma da DRJ em Florianópolis SC (fls. 340/346 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação formalizada pela Recorrente em processo de auto de infração por falta/insuficiência das Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS), incidentes sobre receitas sobre vendas de tabacos referente ao mês de dezembro de 2003. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o presente processo de auto de infração por falta/insuficiência das Contribuições para o Programa de Integração Social no mês de 12/2003, no valor de R$ 15.699,24. A empresa deixou de oferecer à tributação as receitas com as vendas de tabaco no período em questão, por orientação dos fabricantes, visto que constaria das notas fiscais de produto a inscrição “Pis/Cofins recolhidos exclusivamente pelo fabricante” (fl. 161). Segundo o Relatório de Atividade Fiscal, consoante entendimento da RFB, construído com base na Solução de Consulta Cosit nº. 15, definiuse que o sistema de substituição do PIS e da Cofins aplicase aos atacadistas a partir de 01/05/2004. Este entendimento teria sido amplamente difundido pelo art. 4º. do Decreto nº. 4.524/2002 e pela Solução de Consulta nº. 511/2004. Na impugnação, a contribuinte alega que os fabricantes de cigarros são responsáveis tributários pelo recolhimento do valor dos tributos de toda a cadeia revendedora (atacadista ou varejista). Segundo a interessada, no art. 3º. da Lei Complementar nº. 70/91 não existia menção expressa sobre a inclusão ou exclusão dos comerciantes atacadistas e dos distribuidores da substituição tributária. As contribuições eram recolhidas antecipadamente pelos fabricantes, através da aplicação da base de cálculo extraída do preço de venda ao consumidor final, razão pela qual os comerciantes atacadistas sempre agiram de modo a considerar que as vendas realizadas de mercadorias – tabacos – estariam abrangidas pela regra da substituição tributária. Entende que a lógica da substituição tributária leva à conclusão de que a redação da Lei Complementar nº. 70/1991 a da Lei nº. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.003204/200890 Acórdão n.º 3402003.037 S3C4T2 Fl. 386 3 9.715/1998 poderiam ser interpretadas de forma a incluir toda a cadeia de comercialização de cigarros (do fabricante até o varejista, incluindo o distribuidor). Argumenta que a controvérsia acerca da tributação das vendas de cigarros, pelos comerciantes atacadistas e distribuidores ganhou novo questionamento com a edição da Lei nº. 10.865/2004, que veio a determinar expressamente que o contido no art. 3º. Da Lei Complementar nº. 70/91, no art. 5º.. da Lei nº. 9.715/98 e no art. 53 da Lei nº. 9.532/97 alcançam as empresas comerciais atacadistas de cigarros. Conclui que o referido comando legal insculpido no art. 29 da Lei nº. 110.865/2004 é mera e literalmente interpretativo, e, como tal, aplicase ao ato ou fato pretérito, nos termos do art. 106, I do Código Tributário Nacional (CTN). Alega que, se assim não fosse, não reportarseia aos comandos contidos nas Leis nº. 70/91, 9.715/98 e 9.532/97, e, sim, criaria, a partir de sua edição – Lei nº. 10.865/04 – a substituição tributária para os distribuidores e atacadistas. Por fim, requer o cancelamento do lançamento da constibuições, por estarem estas abrangidas pelos comandos da substituição tributária. É o relatório. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação apresentada, sob os argumentos sintetizados na Ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 01/12/2003 SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. Até a vigência da Lei nº 10.865/2004, o comerciante atacadista de cigarros estava obrigado ao pagamento das contribuições incidentes sobre a sua receita de comercialização desse produto, conforme expresso no Decreto nº 4.524/2002. Somente a partir de 1º de maio de 2004, a substituição tributária da Cofins relativa a venda de cigarros pelo importador e fabricante desse produto passou a alcançar também o comerciante atacadista. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em 24/01/2013 (fl. 351). Inconformada, a mesma apresentou, em 20/02/2013, o Recurso Voluntário (fls. 353/362), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, considerando em síntese os seguintes argumentos: (i) que não pode a Recorrente concordar com a exação que ora lhe é imputada, haja vista a legislação de regência, que a contribuição ao PIS é indevida no período de 12/2003 para todas as vendas realizadas, eis que pela substituição tributária, os fabricantes Fl. 387DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 de cigarros são responsáveis tributários pelo recolhimento do valor dos tributos de toda a cadeia revendedora (atacadista ou varejista), mediante a aplicação de cálculos percentuais sobre o valor do preço final para as vendas das mercadorias ao consumidor; (ii) que nos termos da Lei nº 9.715/98 (PIS/PASEP), os fabricantes de cigarros passaram a ser contribuintes substitutos tributários dos comerciantes varejistas, tendo que a base de cálculo para o tributo leva em consideração o preço de venda em toda a cadeia de circulação de mercadoria, que vai desde o fabricante até o consumidor final do produto. O art. 5º da Lei ns. 9.715/98, referente ao PIS/PASEP, assim dispõe: Art. 5Q. A contribuição mensal devida pelos fabricantes de cigarros, na condição de contribuintes e de substitutos dos comerciantes varejistas, será calculada sobre o preço fixado para a venda do produto no varejo, multiplicado por um vírgula trinta e oito. Parágrafo único. O Poder Executivo poderá alterar o coeficiente a que se refere este artigo. De acordo com esse dispositivo, não existia menção expressa sobre a inclusão ou exclusão dos comerciantes atacadistas e dos distribuidores da substituição tributária; (iii) que a controvérsia acerca da tributação das vendas de cigarros, pelos comerciantes atacadistas e distribuidores, ganhou novo questionamento com a edição da Lei nº. 10.865/2004, que veio a determinar expressamente que o contido no art. 39, da Lei Complementar nº. 70/91, no art. 59. da Lei nº. 9.715/98 e no art. 53, da Lei nº. 9.532/97, alcançam as empresas comerciais atacadistas de cigarros; (iv) no art. 29, da Lei nº 10.865/2004, é regra claramente interpretativa. Se não o fosse, não reportarseia aos comandos contidos nas Leis 70/91, 9.715/98 e 9.532/97, e sim, criaria, a partir da edição dela, a substituição tributária para os distribuidores e comerciantes atacadistas.Esse entendimento, aliás, já vem sendo acatado pelos Tribunais, os quais inclusive mencionam que é ilegal a vedação contida no art. 49, parágrafo único, do Decreto nº 4.525/02, ou seja, assegurando ao comerciante atacadista integrar a cadeia de substituição tributária nas vendas de cigarros. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido e assim CANCELADA a decisão proferida pela DRJ/FNS, garantindo à Recorrente a inexigibilidade da Contribuições ao PIS no período de 12/2003, eis que estas contribuições estão abrangidas pelos comandos da substituição tributária do fabricante ou importador de cigarros. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra 1. Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.003204/200890 Acórdão n.º 3402003.037 S3C4T2 Fl. 387 5 2. Mérito Substituição Tributária Cigarros Como se vê nos autos, a Recorrente deixou de oferecer à tributação as receitas com as vendas de tabaco no período de 31/12/2003 a 30/04/2004 (apurado débito em 12/2003, uma vez que nos outros meses haviam créditos, conforme Relatório Atividade Fiscal RAF, às fls. 10/12), por entender que os fabricantes de cigarros são responsáveis tributários pelo recolhimento do valor dos tributos de toda a cadeia revendedora (atacadista ou varejista). Segundo a empresa, a lógica da substituição tributária leva à conclusão de que a redação da Lei Complementar nº. 70, de 1991 a da Lei nº. 9.715, de 1998, poderiam ser interpretadas de forma a incluir toda a cadeia de comercialização de cigarros, do fabricante até o varejista, incluindo o distribuidor. Argumenta, em síntese, que o comando legal inserido no art. 29 da Lei nº. 10.865/2004, que veio a determinar expressamente que a substituição tributária alcança os atacadistas de cigarros é mera e literalmente interpretativo, e, como tal, aplicase ao ato ou fato pretérito, nos termos do art. 106, I do Código Tributário Nacional (CTN). Inicialmente, a substituição tributária imposta aos fabricantes de cigarros foi tratada no art. 3º da Lei Complementar nº 70, de 1991 e no art. 5º da Lei nº 9.715, de 1998, que, respectivamente, rezam (grifouse): Art. 3° A base de cálculo da contribuição mensal devida pelos fabricantes de cigarros, na condição de contribuintes e de substitutos dos comerciantes varejistas, será obtida multiplicandose o preço de venda do produto no varejo por cento e dezoito por cento. Art. 5º A contribuição mensal devida pelos fabricantes de cigarros, na condição de contribuintes e de substitutos dos comerciantes varejistas, será calculada sobre o preço fixado para venda do produto no varejo, multiplicado por um vírgula trinta e oito. Posteriormente, a matéria foi alvo de regulamentação pelo art. 4º, caput e parágrafo único do Decreto nº 4.524, de 2002. Vejase (grifouse): Art. 4º Os fabricantes e os importadores de cigarros são contribuintes e responsáveis, na condição de substitutos, pelo recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins devidos pelos comerciantes varejistas, nos termos do art. 47 (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 3º, Lei nº 9.532, de 10 de dezembrode1997,art.53,eLeinº9.715,de25denovembrode 1998,art.5º). Parágrafo único. A substituição prevista neste artigo não alcança o comerciante atacadista de cigarros, que está obrigado ao pagamento das contribuições incidentes sobre a sua receita de comercialização desse produto. Já a Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002 (DOU de 26/11/2002), ao consolidar as normas legais aplicáveis ao PIS e à Cofins, esclareceu essa matéria, assim dispondo em seus arts. 4º (grifouse): Fl. 389DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Art. 4º Os fabricantes e os importadores de cigarros são contribuintes e responsáveis, na condição de substitutos, pelo recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins devidos pelos comerciantes varejistas, nos termos do art. 48. Parágrafo único. A substituição prevista neste artigo não alcança o comerciante atacadista de cigarros, que está obrigado ao pagamento das contribuições incidentes sobre sua receita de comercialização desse produto. É de se notar também que a matéria foi submetida ao crivo do Poder Judiciário e até o presente momento, não se tem notícia de que tenha sido alvo de pronunciamento desfavorável à regulamentação levada a efeito no parágrafo único acima transcrito. À guisa de exemplo, citese manifestação do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, nos autos da AMS nº 88263 (RN): TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. EMPRESA ATACADISTA REVENDEDORA DE CIGARROS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na situação versada nos autos, a empresa atacadista, revendedora de cigarros, pleiteia que a autoridade considerada coatora se abstenha de cobrar a COFINS e o PIS nos moldes do parágrafo único do art. 4º, do Decreto nº 4.524/02. Os arts. 3º da Lei Complementar nº 70/91 e 5º da Lei nº 9.715/98 estabeleceram a condição de substituto tributário do fabricante de cigarros exclusivamente em relação aos comerciantes varejistas, não havendo qualquer menção aos comerciantes atacadistas. O Decreto nº 4.524/02 nada mais fez se não reiterar o que vem insculpido nos diplomas acima mencionados, não havendo que se falar em inconstitucionalidade por suposta violação de lei por decreto. Com o advento da Lei nº 10.865/04, o pagamento da COFINS e do PIS efetivado pelo fabricante de cigarro na condição de substituto tributário passou a alcançar o comerciante atacadista de cigarros. Assim sendo, merece parcial provimento a segurança pleiteada, para que a autoridade impetrada se abstenha de proceder à cobrança nos moldes do parágrafo único do art. 4º, do Decreto nº 4.524/02, apenas a partir da edição da Lei nº 10.865/04. Apelação parcialmente provida. Resta evidente, portanto, que antes de 1º de maio de 2004, data em que entrou em vigor o art. 29 da Lei nº 10.865, de 2004, não havia previsão legal para a incidência da Contribuição para o PIS nos moldes pretendidos pela Recorrente (grifouse): Art. 29. As disposições do art. 3º. da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, do art. 5º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, e do art. 53 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, alcançam também o comerciante atacadista. (...). Art. 53. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir do dia 1° de maio de 2004, ressalvadas as disposições contidas nos artigos anteriores. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.003204/200890 Acórdão n.º 3402003.037 S3C4T2 Fl. 388 7 Portanto, estando a Recorrente sujeita à mencionada regra geral e não estando situada na condição de comerciante varejista de cigarros, não poderá excluir as suas receitas de vendas de cigarros da base de cálculo da contribuição, uma vez que, em conseqüência do regime de substituição tributária adotado, as contribuições por ela devidas em conformidade com a lei, na condição de contribuinte, não foram recolhidas em etapa de comercialização anterior (venda realizada pelo fabricante). Atentese, pois, que esse regime de substituição tributária afeta diretamente o fabricante e o comerciante varejista, não se podendo afirmar, entretanto, que as determinações do art. 3º, da LC nº 70, de 1991, alcancem somente as operações diretas entre aquelas partes, eis que a obrigação surge, para o fabricante, no momento em que ele realiza a venda, não lhe cabendo questionar se o adquirente pretende vender tais mercadorias no varejo ou no atacado. Desta forma, o valor já vem destacado na nota fiscal do fabricante, na condição de substituto tributário do varejista, tal como cita a contribuinte em sua defesa. Por outro lado, resta igualmente esvaziada a alegação de equívoco na fixação da base de cálculo. Como descrito no Relatório de Atividade Fiscal (fls. 10/12), o cálculo da contribuição alvo de litígio foi realizado em observância à regulamentação promovida pelo já transcrito parágrafo único do art. 4º do Decreto nº 4.524, de 2002 e da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002. Ou seja, tomouse como base de cálculo a receita de comercialização de cigarros, apurado a partir da escrituração do sujeito passivo juntamente com a prestação de esclarecimentos por ele subscrita. Diante do exposto, concluo que não cabe razão à contribuinte, sendo que o lançamento fiscal não merece reparos. 3. Conclusão Ante ao todo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para NEGAR LHE provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 391DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Pareceme que o cerne da discussão é saber se a Recorrente, atacadista do setor de cigarros, estaria abrangida pelos efeitos da substituição tributária ou se estaria sujeita a uma incidência autônoma. Trazendo inicialmente os dispositivos pertinentes, temse que a substituição tributária imposta aos fabricantes de cigarros foi tratada no art. 3º da Lei Complementar nº 70, de 1991 e no art. 5º da Lei nº 9.715, de 1998, que, aduzem: Art. 3° A base de cálculo da contribuição mensal devida pelos fabricantes de cigarros, na condição de contribuintes e de substitutos dos comerciantes varejistas, será obtida multiplicandose o preço de venda do produto no varejo por cento e dezoito por cento. Art. 5º A contribuição mensal devida pelos fabricantes de cigarros, na condição de contribuintes e de substitutos dos comerciantes varejistas, será calculada sobre o preço fixado para venda do produto no varejo, multiplicado por um vírgula trinta e oito. O dispositivo foi alvo de regulamentação pelo art. 4º, caput e parágrafo único do Decreto nº 4.524, de 2002, cuja redação foi corroborada na Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, verbis: Art. 4º Os fabricantes e os importadores de cigarros são contribuintes e responsáveis, na condição de substitutos, pelo recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins devidos pelos comerciantes varejistas, nos termos do art. 47 (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 3º, Lei nº 9.532, de 10 de dezembrode1997,art.53,e Lei nº 9.715,de25denovembrode 1998,art.5º). Parágrafo único. A substituição prevista neste artigo não alcança o comerciante atacadista de cigarros, que está obrigado ao pagamento das contribuições incidentes sobre a sua receita de comercialização desse produto. A Lei 10.865/2004, pôs fim à discussão da inclusão ou não do atacadista no regime de substituição, em seu art.29, com o seguinte dispositivo: Art. 29. As disposições do art. 3o da Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991, do art. 5o da Lei no 9.715, de 25 de novembro de 1998, e do art. 53 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, alcançam também o comerciante atacadista.Art. 29. As disposições do art. 3o da Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991, do art. 5o da Lei no 9.715, de 25 de novembro de 1998, e do art. 53 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, alcançam também o comerciante atacadista. A dúvida no caso em tela se cinge a dois pontos: Fl. 392DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.003204/200890 Acórdão n.º 3402003.037 S3C4T2 Fl. 389 9 I) Se o art. 4º, caput e parágrafo único do Decreto nº 4.524, de 2002 é compatível com o art.99 do Código Tributário Nacional (Art. 99. O conteúdo e o alcance dos decretos restringemse aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei.), e II) Se o art.29 da Lei 10.865/2004 tem natureza de lei interpretativa, nos termos do art.106, I do CTN (Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;) atingindo retroativamente os fatos geradores em questão. 1. Da compatibilidade entre o art.4º, parágrafo único do Decreto nº 4.524/2002 e a Lei Complementar 70/91. A Lei Complementar 70/91 trata da apuração da base de cálculo do tributo a ser pago pela fabricante, levando em consideração os preços praticados para a venda do produto no varejo termo que denota o complexo de atividades envolvidas na venda de bens e serviços diretamente aos consumidores finais, para uso pessoal. A sistemática da substituição tributária, de resto largamente praticada no Brasil, consiste em antecipar a cobrança do tributo sobre bases presumidas: presumese a ocorrência do fato gerador e o valor final que será praticado na etapa de varejo, como forma de facilitar a fiscalização de diversos setores da economia. É dizer, ao cobrar o tributo, por via de substituição, do fabricante, o legislador estabelece o ponto inicial da cadeia que pretende tributar através desta técnica, e ao definir os critérios de apuração da base de cálculo, indica o ponto final. Isso implica que a substituição pode abranger não apenas a cadeia inteira, mas parcelas dela (no caso de cadeias mais extensas), através de indicação do substituto e do parâmetro de cálculo. No caso em tela, a LC 70/91 estabelece que o substituto tributário será o fabricante, enquanto a base de cálculo será o preço estimado para a venda do bem no varejo, isto é, diretamente para o consumidor final. Com isso, a lei deixa clara a opção de que a substituição abrangeria a cadeia desde o fabricante até a venda para o consumidor final incluindo aí qualquer outra etapa que se coloque como intermediária, inclusive a venda a atacadista, que antecede a venda de varejo. O fato da LC 70/91 não ter falado expressamente em atacadistas não é óbice ao entendimento acima, haja vista que a substituição tem como escopo delimitar uma parcela da cadeia, linearmente conectada, para concentrar a tributação em um único participante dela. Entender a possibilidade de uma incidência autônoma sobre os atacadistas implica em uma dupla imposição (bitributação), haja vista que o montante do tributo a ser pago naquela etapa está incluído no preço final que será praticada no varejo, por força da não cumulatividade. Nesse sentido, parecenos que o Decreto nº 4.524/2002 e a Instrução Normativa SRF nº 247/2002 vão claramente para além do conteúdo da LC 70/91, ao estabelecer uma incidência autônoma sobre os atacadistas, violando frontalmente o art. 99 do CTN e, portanto, não devendo ser aplicados por este colegiado. 2. Da natureza interpretativa do art.29 da Lei 10.865/2004 Fl. 393DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 O outro ponto a ser analisado é a natureza do art.29 da lei 10.865/2004 para fins de aplicação retroativa do seu conteúdo, nos termos do art.106, I do CTN. Conquanto o tema das leis interpretativas em matéria tributária seja tratado de forma sobremaneira empobrecida pela doutrina brasileira, tratase de tema de relevância ímpar e que ocupa proeminência em discussão secular, especialmente na Itália, razão pela qual nos aproveitamos especialmente da farta doutrina daquele país para orientar nossas conclusões. . Por detrás desse instituto há uma prática longínqua, que remete ao réferé legislatif, que era demandado do Soberano diante de dúvida dos juízes na aplicação de determinada lei, figura que restou afetada com a ideia de completude que o Código Napoleônico veiculou (VANONI, Ezio. Natureza e Interpretação das Leis Tributárias, Trad. Rubens Gomes de Sousa. Rio de Janeiro: Ed. Financeiras, 1932.P.340). Ilustrativa da profundidade que o tema traz é a erudita cita de Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho (A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol.I, 3ªed. Rio de Janeiro: Renovar, 1999. P.294296), mencionada pelo Min. Luiz Fux no seu voto no AgRg no REsp 776.599/PE: Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei)caráter interpretativo.Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol.22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág.185),julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I,I, cols.1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3 a ed., vol.2 o, 1928, pág.280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8 o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue Fl. 394DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.003204/200890 Acórdão n.º 3402003.037 S3C4T2 Fl. 390 11 conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3 a ed., vol. 1 o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol.1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storico teoricopratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1 o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2 a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzindo novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirma que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) pe de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa.". Em primeiro lugar, falar em lei interpretativa é falar em interpretação autêntica, que é aquela praticada através de toda lei ou disposição legislativa cujo conteúdo consista na determinação do significado de uma ou mais disposições legislativas anteriores (GUASTINI, Ricardo. Interpretare e Argomentare. Milano: Giuffré, 2011. P.81). Tradicionalmente, entendese que as leis de interpretação autêntica não tem o condão de inovar sobre o Direito, não veiculando normas novas, senão reconhecendo normas preexistentes, declarando o verdadeiro significado da lei. No fundo, como reconhece Pierre André Côté ("Fonction législative et fonction interprétative" in P. Amselek (ed.), Interprétation et droit. Bruxelles: E. Bruylant, 1995. P.192), a natureza retroativa atribuída à esse tipo de lei reside na concepção clássica de que todo texto possui um único significado verdadeiro, existente independentemente da interpretação e cuja função da lei é revelálo. O caráter "autêntico" é dado a qualquer interpretação decorrente do próprio sujeito que tenha produzido o texto a ser interpretado seria como se Machado de Assis subscrevesse carta em que confirmasse a traição de Capitu, que deveria ser tomada com a interpretação autêntica da obra "Dom Casmurro". Naturalmente que ao falarmos de Direito, especialmente Direito Tributário, cujas principais regras são produzidas por um Parlamento, fica evidente o caráter ficcional dessa autenticidade (Cf. PUGIOTTO, Andrea. La legge interpretativa e i suoi giudici. Milano: Giuffré, 2003. P.125127) de modo que a subjetividade do legislador se revela como uma Fl. 395DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 noção meramente metafórica, para não dizer ideológica, diante da possibilidade de composições absolutamente distintas desse órgão emitirem leis interpretativas. Isso demanda que substituamos o pressuposto da identidade do autor ou do órgão para a identidade de função (legislativa), que liga a força normativa dos dois atos, lei interpretada e lei interpretativa se prestando a justificar a interpretação autêntica. Para além dessa crítica subjetiva à qualificação da lei como interpretativa, não faltam críticas objetivas à essa natureza, como bem expostas por Andrea Pugiotto (Ob.Cit., passim). Todavia, o que é fato e aí deixando de lado as discussões teóricodoutrinárias é que o artigo 106, I do CTN fala expressamente na figura da "lei interpretativa" e que diversas manifestações dos tribunais superiores consideraram esse figura como plausível juridicamente no ordenamento pátrio, a exemplo do voto do Min. Celso de Mello no julgamento da ADIN 6053/DF: (...) É plausível, em face do ordenamento constitucional brasileiro, o reconhecimento da admissibilidade das leis interpretativas, que configuram instrumento juridicamente idôneo de veiculação da denominada interpretação autêntica. As leis interpretativas desde que reconhecida a sua existência em nosso direito positivo não traduzem usurpação das atribuições institucionais do Judiciário e, em consequência, não ofendem o postulado fundamental da divisão funcional do poder. Portanto, não se quer aqui discordar da plausibilidade das teses que sustentam um caráter inovador da lei interpretativa mas sim entender o que o CTN refere ao falar dela, e quais são suas forma, conteúdo e limites dentro do Direito Brasileiro (e até mesmo a sua compatibilidade com o regime constitucional tributário, que expressamente alberga a irretroatividade na esfera tributária). Não basta, pois, que alheios ao Direito Positivo proclamemos a inexistência de "lei puramente interpretativa", sem procurar dar um sentido normativo próprio à expressão contida no art.106, I do CTN, fazendoo letra morta. A questão principal, para além da legitimidade de tal prática, é como age o Legislativo ao emanar leis de tal natureza se de forma declarativa, decisória ou criativa o que nos parece poder ser reduzido a três possibilidades(Cf. GUASTINI, ob.cit., p.98): i) Em primeiro lugar, pode ser o caso de existir uma moldura (para usar o léxico kelseniano) de múltiplos sentidos interpretativos possíveis para determinado texto de lei, sejam eles gramaticais, jurisprudenciais ou de qualquer outra fonte, cabendo ao legislador escolher um dentre eles. ii) Em segundo lugar, pode suceder que exista a moldura citada acima, mas que o legislador escolha um significado além desse marco preexistente. iii) Em terceiro lugar, pode ser o caso de que não haja, em absoluto, uma multiplicidade de interpretações divergentes, mas uma interpretação determinada e consolidada (jurisprudencialmente, por exemplo), e que o legislador imponha significado distinto do usualmente aceito. Como bem colocado por Gustavo Zagrebelsky (Il sistema delle fonti del diritto. Torino: UTET, 1984. P.91), apenas no primeiro caso estaremos diante de uma lei interpretativa que constitua genuína interpretação, isto é, que atue de forma decisória, sem Fl. 396DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.003204/200890 Acórdão n.º 3402003.037 S3C4T2 Fl. 391 13 inovar no conteúdo do Direito vigente. Nos demais casos, o que há é inovação, criação de norma nova, não suportada semanticamente pela lei interpretada. Entendemos que apenas no primeiro caso se poderá falar em lei interpretativa, para fins de aplicação do art.106, I do CTN, haja vista que nos demais há a inovação que demanda a irretroação, por força da segurança jurídica e da regra de irretroatividade veiculada na Constituição. E não se argumente, por exemplo, que a lei interpretativa, enquanto Direito escrito, não é instrumento para se interpretar normas. Tratase de uma natural consequência da atividade legislativa, que é produzir textos, e não normas cuja obviedade é bem expressa na obra de Ugo Scarpelli, ao apontar que a compreensão de que a norma é apenas o ponto de chegada de um procedimento interpretativo, não podem ser expressada de outro modo senão através de enunciados ou conjuntos de enunciados que deverão ser reinterpretados sempre que se pretenda encontrar a norma ("Norma" in Gli strumenti del sapere contemporaneo. Torino: UTET, 1985. P.570.) Nesse sentido, a interpretação de um enunciado normativo necessariamente se dará por um novo enunciado (interpretante), que buscará uma reformulação do enunciado interpretado. Outro problema, esse mais relevante ao deslinde da questão, é qual critério para identificação de uma lei interpretativa. Como coloca Ricardo Guastini (Ob. Cit., p.8687), essa questão comporta duas respostas, em tradução livre: a) Um primeiro modo de ver a questão é aquele segundo o qual as leis interpretativas se identificam sobre a base de indícios puramente textuais, como o título da lei ("Lei de interpretação autêntica") e/ou a formulação de suas disposições ("A disposição tal deve ser entendida no sentido que...", e similares). b) Um segundo e mais estendido modo de ver a questão é aquele segundo o qual as leis interpretativas se identificam sobre a base de um não textual, mas estrutural, e precisamente pelo fato de que as disposições interpretativas não ditam normas em sentido estrito (reguladoras de algum tipo de suposto de fato), mas sim metanormas (ou normas de segundo grau), que tem por objeto nada mais que o significado das disposições interpretadas. De maneira que uma disposição interpretativa é tal sempre que não seja idônea para resolver controvérsia alguma por si mesma, senão que em combinação com a disposição interpretada, com a qual "se solda", de maneira que as duas formam, por assim dizer, um único texto normativo (sujeito, por suposto, a ulteriores interpretações). Parecenos que a segunda solução é a mais consentânea, pois seria de um artificialismo exacerbado exigir que houvesse menção nominal à natureza interpretativa para que uma lei fosse compreendida como tal. Nesse mesmo sentido entendeu Aliomar Baleeiro: "Expressamente interpretativa", todavia, não quer dizer que o novo diploma empregue essas palavras sacramentais, apresentandose como tal na ementa ou no contexto. Basta que, reportandose aos dispositivos interpretados, lhes defina o sentido e aclare as dúvidas. (Direito Tributário Brasileiro, 11ªed. Rio de Janeiro: Forense, 1999. P.670) Fl. 397DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 Além disso, a prática jurisdicional pátria tem reconhecido a possibilidade de leis interpretativas sob um critério estrutural, mesmo que não venha a remissão expressa à natureza interpretativa. Exemplo disso foi a discussão sobre o art.11 da Lei 9.779/99 e seu caráter interpretativo, sem prejuízo da sua redação não constar nenhuma referência expressa nesse sentido. Ao analisar a aplicação desse dispositivo à tomada de crédito por empresas que produziam produtos isentos ou com alíquota zero anteriores à vigência da lei, o STJ entendeu, no julgamento do REsp 746.768, relatado pelo Min. Castro Meira, que não há como emprestar eficácia constitutiva a tal dispositivo, haja vista que a regra de não cumulatividade é anterior e já prescreve, per si, o direito ao creditamento, reconhecendo em seu voto que: A Lei nº 9779/99, por força do assento constitucional do princípio da nãocumulatividade, tem caráter meramente elucidativo e explicador. Apresenta nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir a operações anteriores ao seu advento, em conformidade com o que preceitua o art.106, I do CTN, segundo o qual "a lei se aplica a ato ou fato pretérito" sempre que apresentar conteúdo interpretativo. Inclusive, o acórdão se destaca por trazer em seu bojo menção expressa à jurisprudência do STF que entendia que pelo direito ao creditamento como elemento caracterizador de um sentido prévio da regra de não cumulatividade que foi apenas explicitado ou declarado por meio de Lei 9779/99. Isso nos conduz ao caso em tela, que envolve a discussão do art.29 da lei 10.865/04 e a seu caráter declaratório ou não. Repisemos o texto, pois: Art. 29. As disposições do art. 3o da Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991, do art. 5o da Lei no 9.715, de 25 de novembro de 1998, e do art. 53 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, alcançam também o comerciante atacadista. À partir de uma análise linguísticogramatical o que de certo não é suficiente, posto que necessária verificase a utilização do tempo presente do modo indicativo. A adoção desse modo verbal indica uma certeza do falante, um juízo apodítico alheio a qualquer dúvida um juízo de verdade que discrepa do modo imperativo que as normas utilizam para veicular seus comandos. Por outro lado, o tempo verbal utilizado (presente) tornase peculiar em razão da natureza do texto legal, que é por natureza vocacionado a regular situações futuras, pelo que demanda usualmente o tempo futuro em sua proposições. A utilização do tempo presente denota que o fato descrito está ocorrendo no momento da proposição, ou se trata de um fato habitual, que ocorre com frequência. Parecenos que a redação do dispositivo dá claros indicativos da intenção do legislador de simplesmente declarar uma situação que habitualmente existem, qual seja, a participação do comerciante atacadista no ciclo abrangido pela substituição tributária, o que de resto parece cabalmente conduzir à natureza meramente explanatória ou declarativa desse dispositivo, pelo que deveria então estar sujeito à retroação nos termos do art.106, I do CTN. Indo além, e neste mister dialogando com a jurisprudência do STJ, devemos verificar se havia, anteriormente à Lei 10.865/04, o reconhecimento jurisprudencial da Fl. 398DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.003204/200890 Acórdão n.º 3402003.037 S3C4T2 Fl. 392 15 participação do atacadista no ciclo econômico, como uma parte intermediária entre o fabricante e o varejista, para determinar se o art.29 desse dispositivo meramente reproduziu aquilo que já era assente ou inovou. Nesse sentido, colacionamos inicialmente o AgRg no REsp 173.907/RS de relatoria da Min. Laurita Vaz, julgado em 12/03/2003: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. ICMS. COMERCIANTE ATACADISTA. DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. PAGAMENTO ANTECIPADO DO TRIBUTO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA PARA FRENTE. LEGITIMIDADE AD CAUSAM DO SUBSTITUÍDO. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Esta Corte de Justiça tem entendimento pacificado no sentido da legitimidade do substituído tributário para discutir acerca da legalidade do regime de substituição tributária para frente. 2. A Empresa substituída pagou antecipadamente o tributo antes da ocorrência do fato gerador, o que evidencia sua legitimidade para discutir em Juízo a legalidade do regime de substituição tributária, ao sentirse lesado pela eventual estimativa a maior de sua margem de lucro.3. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg nos EREsp 173.907/RS, Rel. Ministra LAURITA VAZ, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/03/2003, DJ 09/02/2004, p. 127) Nesse acórdão entendeuse que o atacadista teria direito a questionar a legalidade do regime de substituição por estar inserido dentro da cadeia econômica na qual foi utilizada essa técnica. Não discrepa desse entendimento o AgRg no Ag 90785/PR, julgado em 18/06/1996, assim ementado: AGRAVO REGIMENTAL. ICMS. E LEGITIMA A COBRANÇA DO RECOLHIMENTO ANTECIPADO DO ICMS NO REGIME DE SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA PREVISTO NO CONVENIO 66/88 POR EMPRESA DISTRIBUIDORA, ATACADISTA E VAREJISTA DE BEBIDAS. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL CONHECIDO E PROVIDO. (AgRg no Ag 90.785/PR, Rel. MIN. JOSÉ DE JESUS FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/06/1996, DJ 09/09/1996, p. 32334) Neste caso, reconheceuse que o atacadista estava inserido no regime da substituição tributária pelo fato da Margem de Valor Agregado (MVA) utilizada na apuração da base de cálculo no substituto ter utilizado os preços praticados pelo varejista, abarcando assim a etapa de atacado. De resto, há diversos outros precedentes do STJ que reiteram que se a lei não excluir expressamente determinada etapa da cadeia abrangida pela susbtituição tributária, ela se encontra abrangida, inclusive para fins de legitimidade ad causam para questionar a legalidade do regime. Portanto, podemos afirmar, com certeza, que havia um reconhecimento prévio da jurisprudência acerca da colocação do atacadista dentro da sistemática da substituição tributária, quando se utilizasse como parâmetro o preço de venda a varejo. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 Isso nos conduz à ilação natural de que o art.29 da Lei 10.865/04 nada mais fez do que explicitar aquilo que já era assente jurisprudencialmente, e que decorria naturalmente da própria opção pelo fabricante como substituto, com a apuração da base de cálculo presumido sobre os preços praticados no varejo, como demonstrado anteriormente. Desse modo, não resta dúvidas que o dispositivo em comento: i) veicula interpretação compatível com a sistemática de substituição estabelecida pela LC 70/91, abrangendo o ciclo entre o fabricante e o varejista; ii) reproduz sentido normativo preteritamente acatado pela jurisprudência do STJ; e iii) adota tempo e modo verbais que indicam a sua intenção descritiva, e não mandatória. Resta claro, portanto, a natureza interpretativa do dispositivo, devendo ser aplicado retroativamente, nos termos do art.106, I do CTN, devendo ser reconhecida a inexigibilidade das contribuições contra a Recorrente, substituída tributária, razão pela qual dou PROVIMENTO INTEGRAL ao recurso voluntário. É como voto. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 05/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
