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Numero do processo: 13603.723342/2013-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
SETOR AUTOMOTIVO. SUSPENSÃO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL.
As hipóteses de saídas dos componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados com suspensão do imposto não alcançam os estabelecimentos equiparados a industrial, excetuando-se disposição expressa em lei.
MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL.
A multa de ofício no percentual de 75% do imposto que deixou de ser lançado está prevista em lei, não cabendo à autoridade administrativa afastar sua aplicação.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária. Assim, quer ele se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não sendo pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculados na forma da lei.
Numero da decisão: 3201-002.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cassio Schappo e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que davam provimento integral ao recurso. Por voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso apenas quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Tatiana Josefovicz Belisário, Cassio Schappo e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Os conselheiros Cassio Schappo e Tatiana Josefovicz Belisário apresentarão declaração de voto.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 SETOR AUTOMOTIVO. SUSPENSÃO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. As hipóteses de saídas dos componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados com suspensão do imposto não alcançam os estabelecimentos equiparados a industrial, excetuandose disposição expressa em lei. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. A multa de ofício no percentual de 75% do imposto que deixou de ser lançado está prevista em lei, não cabendo à autoridade administrativa afastar sua aplicação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. O crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária. Assim, quer ele se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não sendo pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculados na forma da lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cassio Schappo e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que davam provimento integral ao recurso. Por voto de qualidade, negouse provimento ao recurso apenas quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Tatiana Josefovicz Belisário, Cassio Schappo e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Os conselheiros Cassio Schappo e Tatiana Josefovicz Belisário apresentarão declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 33 42 /2 01 3- 87 Fl. 438DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 13603.723342/201387 Acórdão n.º 3201002.067 S3C2T1 Fl. 439 2 CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Tratase de impugnação tempestiva ao Auto de Infração das fls. 3 a 8, lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem/MG, para formalizar a exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescido de juros de mora e multa de ofício, perfazendo o crédito tributário o montante de R$ 60.864.392,55, à data da autuação. Segundo o Termo de Verificação Fiscal das fls. 14 a 26, o estabelecimento deu saída a componentes para montagem de veículos automóveis com utilização indevida do instituto da suspensão de que trata o art. 5º da Lei nº 9.286, de 1999, por não ser, em relação aos referidos produtos estabelecimento industrial, vez que não realiza nenhuma operação de industrialização, e, sim, equiparado a industrial por receber para revenda ditos componentes industrializados por outros estabelecimentos da mesma empresa, não estando assim tais saídas amparadas pela suspensão em tela. Conforme a fiscalização, tal entendimento decorre das alterações introduzidas no retro citado dispositivo legal pelo art. 33 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que estabelece que somente a empresa comercial atacadista adquirente dos produtos classificados nas posições 8701 a 8705 da Tabela de Incidência do IPI –TIPI, resultantes da industrialização por encomenda, por conta e ordem de pessoa jurídica encomendante domiciliada no exterior pode dar saída aos produtos com suspensão do imposto. Afirma a autoridade fiscal que esse entendimento é ratificado pelo disposto na Instrução Normativa RFB nº 948, de 15 de junho de 2009, que disciplinou a matéria, principalmente em seus arts. 2º, 3º, 4º e 27, inciso II. A fiscalização elaborou o demonstrativo “Apuração do IPI”, das fls. 27 a 124, identificando as vendas efetuadas pela impugnante pelas notas fiscais, os períodos de apuração, os produtos com as respectivas classificações fiscais e alíquotas, o valor tributável e o IPI objeto do lançamento de ofício. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 13603.723342/201387 Acórdão n.º 3201002.067 S3C2T1 Fl. 440 3 O enquadramento legal do lançamento de ofício está consignado às fls. 4 a 8, e dos juros de mora e da multa de ofício no percentual de 75%, no demonstrativo da fl. 11. A impugnante ofereceu as razões de sua irresignação no arrazoado de fls. 244 a 290, firmado por advogados credenciados pelos documentos das fls. 312 a 315, sintetizado na sequência. Discorre sobre o sistema de logística just in time adotado pelas montadoras, que demanda que as empresas fornecedoras se instalem na órbita daquelas, contexto esse em que se insere a impugnante que, para atender de maneira eficaz à montadora FIAT no município de Betim/MG, constituiu filial próxima ao seu parque fabril. Diz que o estabelecimento da Pirelli em Ibirité/MG nada mais é que do que uma extensão da fábrica em Campinas/SP que possibilita à FIAT ter os pneus fabricados pela Pirelli (insumos) à sua disposição em local próximo á montadora. Essa foi a solução encontrada para resolver a questão logística de distribuição de pneus de acordo com a necessidade da montadora FIAT, em sintonia com o novo sistema de administração da produção que foi adotado. A seguir discorre sobre a suspensão do IPI na cadeia automotiva aduzindo que essa sistemática foi criada com o objetivo de concentrar a tributação ao final, eliminando os créditos e débitos nas etapas anteriores, de forma a simplificála e melhorar os controles fiscais, sendo certo que se presume existir uma neutralidade tributária apenas com o deslocamento do momento da incidência do imposto. A impugnante abre um parêntese para esclarecer qual é o conceito atribuído pela doutrina ao equiparado a industrial. Para tanto, é necessário relembrar que o artigo 51 do Código Tributário Nacional elegeu como contribuintes do IPI o “industrial”e o "equiparado a industrial", bem como que o artigo 9º do RIPI identificou os "equiparados a industrial". Pela leitura de tais normas, extraise que, para fins de tributação pelo IPI, ao "equiparado a industrial" deve ser dado idêntico tratamento tributário concedido ao "industrial". Isso porque, de acordo com o Código Tributário Nacional, tanto as pessoas jurídicas industriais quanto as pessoas jurídicas equiparadas a industriais que estão em situação idêntica para fins de incidência do IPI devem obedecer toda a legislação de que trata esse imposto. Aduz que mesmo que a regra do artigo 5º, §6° da Lei n° 9.826/99 não estivesse expressamente descrita em lei (autorizando expressamente que também os estabelecimentos controlados de fabricantes que operem na comercialização de produtos equiparados a industriais a realizar a suspensão do imposto), ainda assim deveria ser observada, tendo em vista que o artigo 9º do RIPI, por meio de ficção legal, equipara (1) os industriais (2) aos estabelecimentos comerciais que vendem os produtos Fl. 440DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 13603.723342/201387 Acórdão n.º 3201002.067 S3C2T1 Fl. 441 4 industrializados de uma mesma empresa para fins de tributação do IPI. Assim, as regras previstas na legislação do IPI para os industriais sejam direitos ou deveres são igualmente aplicadas aos equiparados a industriais, tendo em vista que ambos são contribuintes do imposto, de acordo com a legislação tributária. Diz que é necessário ver que apenas de acordo com essa interpretação (aplicação das regras do IPI para industriais e para equiparados a industriais) é que o objetivo do artigo 5º da Lei n° 9.826/99 (simplificar procedimento de recolhimento e facilitar a arrecadação) pode ser cumprido, mediante exigência do IPI apenas na saída dos veículos da montadora, suspendendose o imposto nas etapas anteriores. Salienta que com a edição da Lei n° 10.865/04, a redação do parágrafo 6º do artigo 5º da Lei n° 9.826/99 foi alterada (redação vigente). Essa nova redação da norma passou a destacar que também o estabelecimento equiparado a industrial de que trata o parágrafo 5º do artigo 17 da Medida Provisória n° 2.18949/01 ou seja, a empresa comercial atacadista adquirente dos produtos resultantes da industrialização por encomenda deveria observar a regra de suspensão do IPI do artigo 5º da Lei n° 9.826/99, objetivando o legislador abarcar uma das hipóteses de equiparado a industrial que não está descrita na lista apresentada no artigo 9º do RIPI. Afirma que, portanto, de acordo com a leitura que considera a redação e o histórico da norma, dúvidas não há de a correta interpretação a ser feita do artigo 5º da Lei n° 9.826/99 é o de que os estabelecimentos equiparados a industriais devem suspender o IPI nas saídas de peças e componentes utilizados na fabricação de veículos, tudo para fixar a exigência do IPI na saída dos veículos prontos das montadoras, simplificando os procedimentos de recolhimento do tributo e facilitando a fiscalização pela Administração Pública. Aduz que para que não restem quaisquer dúvidas sobre o direito da impugnante, é necessário destacar que a suspensão do imposto, nos termos do artigo 5º, § 1º da Lei n° 9.826/99, estabelece que a suspensão do imposto deve ser aplicada também ao importador, sendo essa uma das hipóteses de equiparação a industrial prevista no artigo 9º do RIPI, mais especificamente em seu § 1º, concluindo que a inserção da hipótese de suspensão do IPI ao importador reforça o entendimento de que não apenas a indústria, mas também os equiparados, têm direito à suspensão do imposto. Alega que não bastasse isso, admitir que a regra de suspensão do imposto não seja aplicável à impugnante estabelecimento equiparado a industrial que exerce a comercialização de produtos fabricados pela mesma firma viola o principio da isonomia assegurado pela Constituição Federal (artigos 5º, caput e 150, inciso II), pois nesse caso haveria um tratamento diferenciado concedido a duas pessoas em situações semelhantes (empresas importadoras e empresas da indústria nacional). Nesse sentido, colaciona jurisprudência do então Conselhos de Contribuintes. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 13603.723342/201387 Acórdão n.º 3201002.067 S3C2T1 Fl. 442 5 Por outro lado defende que o estabelecimento comercial em Ibirité/MG nada mais é do que um prolongamento da atividade industrial que teve início em Campinas/SP, pois a existência de um estabelecimento comercial da Indústria Pirelli, que tem por objetivo armazenar os pneus produzidos pela fábrica em Campinas/SP em um local mais próximo de seu grande comprador (montadora FIAT), atendendo a exigências desse comprador não pode retirar a característica da Indústria Pirelli de produtor de pneus, de empresa industrial. Diz que não bastasse tudo o quanto exposto, a ratificar o entendimento da impugnante, vale mencionar que o fato de os estabelecimentos de uma pessoa jurídica serem autônomos não justifica o entendimento da fiscalização da não aplicação da suspensão do IPI nas saídas de produtos do estabelecimento comercial da Indústria Pirelli (mas apenas do estabelecimento industrial da empresa), isso porque a autonomia tributária das filiais em relação à matriz se limita a aspectos administrativos e operacionais de modo que a ficção jurídica de os estabelecimentos possuírem CNPJ próprios não afasta a unicidade da pessoa jurídica, pois o simples fato de ser dividida em estabelecimentos, cada qual com endereços e CNPJ próprios, não faz deles, por óbvio, instituições distintas, como pretende fazer crer o entendimento manifestado pela Fiscalização. Colaciona decisões judiciais sobre a matéria. Sustenta, ainda, que a atividade especifica da impugnante é semelhante a de depósito fechado ou de armazém geral, os quais têm direito à suspensão do imposto (art. 43, III do RIPI). A seguir tece considerações sobre a neutralidade das operações dada a incidência no final da cadeia, alegando que se no caso concreto houvesse o destaque e pagamento do IPI pela impugnante nas vendas para a montadora, esta se creditaria desse imposto e recolheria a diferença em relação ao imposto destacado na saída dos veículos. Como as saídas se deram com suspensão, a montadora recolhe o imposto no valor integral destacado na nota fiscal de saída do produto final, ou seja os valores devidos ao fisco são recolhidos no mesmos montantes que seria no regime normal. Sustenta, em razão disso, que o auto de infração atenta contra o bom senso por pretender obrigar a impugnante a recolher algo que já foi pago, contrariando a razoabilidade e eficiência administrativas, comprometendo a finalidade do regime suspensivo que é concentrar na montadoras o recolhimento do IPI de toda cadeia, configurando enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. Alega que a multa de ofício deve ser cancelada, tendo em vista que o imposto já foi recolhido integralmente pela montadora quando da saída dos veículos, não havendo assim qualquer prejuízo ao fisco, contudo, caso se entenda pela aplicação de penalidade pelo não recolhimento do imposto especificamente pela impugnante, essa deverá ser a multa básica prevista no artigo 597 do RIPI. Diz que no caso concreto, haja vista o reconhecimento de que houve recolhimento do IPI no valor total Fl. 442DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 13603.723342/201387 Acórdão n.º 3201002.067 S3C2T1 Fl. 443 6 do carro, no máximo, em recomposição da cadeia, a Fiscalização deveria cobrar apenas multa de mora e juros de mora em razão do pretenso atraso no recebimento do valor supostamente devido de IPI na etapa anterior, quando da saída de pneus do estabelecimento da impugnante. Pugna pela ilegalidade da incidência de juros Selic sobre a multa de ofício isso porque, nos termos do que estabelece o artigo 61 da Lei nº 9.430/96, somente são admitidos os acréscimos moratórios referentes aos débitos decorrentes de tributos e contribuições, mas não sobre as penalidades pecuniárias, colacionando julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais nesse sentido. Argumenta, ainda, que a multa, por sua natureza jurídica, não se presta para repor o capital alheio, mas sim para punir o não cumprimento da obrigação. Diz que o termo "punir" deve ser entendido no sentido de conferir eficácia à norma primária, é dizer, a fixação de multa adverte o devedor de que a inexecução da obrigação sofrerá encargos, tornando o cumprimento a destempo mais oneroso, e os juros possuem natureza essencialmente indenizatória, tanto que, diferentemente da multa, incidem no tempo, exatamente para refletir o prejuízo do credor com a privação do seu capital, assim, não há como se admitir a incidência de juros sobre a multa, na medida em que, por definição, se os juros remunerara o credor pela privação do uso de seu capital, eles devem incidir apenas sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal, e não foi. Prossegue alegando que o único pressuposto da cobrança dos juros decorre da não transferência voluntária e dentro do prazo legal do capital do contribuinte aos cofres públicos. Excetuandose essa situação, qualquer incidência de juros revelase abusiva e arbitrária, por ausência de seu pressuposto de fato, qual seja, a reposição de capital. Nesse sentido, afirma que é evidente que os juros não existem por si só e não podem ser aplicados aleatoriamente sobre qualquer evento pois decorrem, antes de tudo, de uma obrigação principal, ocorrendo o mesmo em relação à multa, que só será devida se existir uma obrigação anterior não quitada no prazo legal. Assim, os juros não podem incidir sobre a multa, já que essa penalidade não retrata obrigação principal, mas sim encargo que se agrega ao valor da divida, como forma de punir o contribuinte. Complementa que, ademais, a aplicação de tal percentual, de forma ilimitada, sobre o principal e sobre a multa, acarreta verdadeira afronta ao princípio constitucional do não confisco, bem como viola o direito de propriedade, já que faz incidir juros exorbitantes sobre o imposto devido e, ainda, sobre a multa aplicada. Encerra pedindo: (i) que seja julgada procedente a impugnação, para o fim de determinar o integral cancelamento das exigências consubstanciadas no Auto de Infração, extinguindo o processo administrativo; (ii) a juntada posterior de quaisquer documentos adicionais que possam comprovar o quanto foi alegado na defesa; e (iii) caso reste qualquer dúvida em relação ao efetivo recolhimento do IPI exigido no Auto de Infração, a impugnante requer que a FIAT Automóveis S/A seja intimada a apresentar os Fl. 443DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 13603.723342/201387 Acórdão n.º 3201002.067 S3C2T1 Fl. 444 7 respectivos comprovantes de recolhimento, relativos ao exercício de 2010. Sobreveio decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 SETOR AUTOMOTIVO. SUSPENSÃO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. As hipóteses de saídas dos componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados com suspensão do imposto não alcançam os estabelecimentos equiparados a industrial, excetuandose disposição expressa em lei. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. A multa de ofício no percentual de 75% do imposto que deixou de ser lançado está prevista em lei, não cabendo à autoridade administrativa afastar sua aplicação. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A controvérsia reside na interpretação do artigo 5º da Lei nº 9.826/99, de modo a fazêlo ou não alcançar os chamados contribuintes “equiparados a industriais”. Para melhor compreensão do tema, transcrevese abaixo o citado dispositivo, em sua versão original e com as alterações posteriores, vigentes à época dos fatos geradores exigidos nesta autuação: Art. 5º A saída, do estabelecimento industrial, ou a importação de chassis, carroçarias, peças, partes, componentes e acessórios, destinados à montagem dos produtos classificados nas posições 8701 a 8705 e 8711 da TIPI, darseá com suspensão do IPI. (redação original) Fl. 444DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 13603.723342/201387 Acórdão n.º 3201002.067 S3C2T1 Fl. 445 8 §1º O fabricante dos veículos referidos no caput ficará sujeito ao recolhimento do IPI suspenso, caso destine os produtos recebidos com suspensão do imposto a fim diverso do ali estabelecido. (redação original) §2º O disposto neste artigo não impede a manutenção e a utilização do crédito do imposto pelo estabelecimento que houver dado saída com suspensão do imposto. (redação original) §3º Nas notas fiscais relativas às saídas referidas no caput, deverá constar a expressão "Saído com suspensão do IPI", com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas. (redação original) Art. 5º Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, da TIPI, sairão com suspensão do IPI do estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) §1º Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças, referidos no caput, de origem estrangeira, serão desembaraçados com suspensão do IPI quando importados diretamente por estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) §2º A suspensão de que trata este artigo é condicionada a que o produto, inclusive importado, seja destinado a emprego, pelo estabelecimento industrial adquirente: (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) I na produção de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes ou peças dos produtos autopropulsados; (Inciso incluído pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) II na montagem dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01, 87.02, 87.03, 87.05, 87.06 e 87.11, e nos códigos 8704.10.00, 8704.2 e 8704.3, da TIPI. (Inciso incluído pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) §3º A suspensão do imposto não impede a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) §4º Nas notas fiscais relativas às saídas referidas no caput deverá constar a expressão ‘Saída com suspensão do IPI’ com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas. (Parágrafo incluído pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) §5º Na hipótese de destinação dos produtos adquiridos ou importados com suspensão do IPI, distinta da prevista no §2º deste artigo, a saída dos mesmos do estabelecimento industrial Fl. 445DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 13603.723342/201387 Acórdão n.º 3201002.067 S3C2T1 Fl. 446 9 adquirente ou importador darseá com a incidência do imposto. (Parágrafo incluído pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) §6º O disposto neste artigo aplicase, também, a estabelecimento filial ou a pessoa jurídica controlada de pessoas jurídicas fabricantes ou de suas controladoras, que opere na comercialização dos produtos referidos no caput e de suas partes, peças e componentes para reposição, adquiridos no mercado interno, recebidos em transferência de estabelecimento industrial, ou importados. (Parágrafo incluído pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) §6º O disposto neste artigo aplicase, também, ao estabelecimento equiparado a industrial, de que trata o §5º do art. 17 da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (grifo nosso) Pois bem, o caput do artigo 5º especifica que determinados produtos “sairão com suspensão do IPI do estabelecimento industrial”. Referese exclusivamente a “estabelecimento industrial”. Apenas a partir da Lei nº 10.865/04, que alterou o §6º deste artigo, é que a legislação passou a contemplar também contribuintes equiparados a industrial, mas não qualquer equiparado; apenas aqueles referidos no parágrafo 5º do art. 17 da MP nº 2.18949/01, que assim dispõe: Art. 17. Fica instituído regime aduaneiro especial relativamente à importação, sem cobertura cambial, de insumos destinados à industrialização por encomenda dos produtos classificados nas posições 8701 a 8705 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, por conta e ordem de pessoa jurídica encomendante domiciliada no exterior. [...] §5º A empresa comercial atacadista adquirente dos produtos resultantes da industrialização por encomenda equiparase a estabelecimento industrial. A recorrente sustenta que o artigo 9º do decreto nº 7.212/10 (RIPI) estabelece que as regras aplicáveis aos estabelecimentos industriais devem ser aplicadas também aos equiparados a industriais, o que lhe concederia o direito a suspensão. Em análise ao arguido, o citado dispositivo tem origem no artigo 4º da Lei nº 4.502/64, que assim dispõe: Art . 4º Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: I os importadores e os arrematantes de produtos de procedência estrangeira; Fl. 446DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 13603.723342/201387 Acórdão n.º 3201002.067 S3C2T1 Fl. 447 10 II as filiais e demais estabelecimentos que exercerem o comércio de produtos importados, industrializados ou mandados industrializar por outro estabelecimento do mesmo contribuinte; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III os que enviarem a estabelecimento de terceiro, matéria prima, produto intermediário, embalagens e recipientes para acondicionamento, moldes, matrizes ou modelos destinados à industrialização de produtos de seu comércio. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34, de 1966) IV os que efetuem vendas por atacado de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, equipamentos e outros bens de produção. (Incluído pelo DecretoLei nº 34, de 1966) § 1º O regulamento conceituará para efeitos fiscais, operações de venda e bens compreendidos no inciso IV dêste artigo. (Incluído pelo DecretoLei nº 34, de 1966) § 2º Excluemse do disposto no inciso II os estabelecimentos que operem exclusivamente na venda a varejo. (Renumerado do parágrafo único pelo DecretoLei nº 34, de 1966) (grifo nosso) O dispositivo é expresso ao afirmar que a equiparação opera efeitos nesta lei, qual seja a Lei nº 4.502/64. Ou seja, existe isonomia entre os equiparados e os industriais no âmbito da Lei nº 4.502/64. Não abarca, contudo, outras leis, que podem tratar de forma diferente a matéria, como é o caso da Lei nº 9.826/99 ora em análise. Tratase de uma prerrogativa do legislador atribuir ou não aos estabelecimentos equiparados a industriais o mesmo tratamento dispensado aos estabelecimentos propriamente industriais. Como já explicitado, a suspensão do IPI em tela passou a contemplar também determinado grupo de contribuintes equiparados a industriais, aqueles referidos no parágrafo 5º do art. 17 da MP nº 2.18949/01. Não contempla, contudo, todo e qualquer equiparado a industrial. No tocante ao argumento de que o direito a suspensão decorreria da análise da finalidade da norma, que seria simplificar a fiscalização do imposto na cadeia de produção de veículos, esclarecese que o uso da interpretação teleológica não pode superar dispositivo expresso de lei em sentido adverso. Se o citado parágrafo 6º do artigo 5º restringe o direito a apenas um segmento dos contribuinte equiparados a industriais, não pode o exegeta decidir diferente apenas porque entende que a lei não atinge de modo satisfatório o seu objetivo. Ademais, o artigo 5º da Lei nº 9.826/99 não desejou estender o referido benefício fiscal de suspensão do IPI aos estabelecimentos equiparados. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 13603.723342/201387 Acórdão n.º 3201002.067 S3C2T1 Fl. 448 11 O dispositivo foi objeto de sucessivas modificações legislativas, operadas pelas Leis nºs 10.485/02 e 10.865/04, e em nenhuma oportunidade a suspensão foi estendida a referida a totalidade dos estabelecimentos equiparados a industriais. O entendimento acima exposto encontra amparo em diversos julgados desta casa, como demonstram as ementas abaixo transcritas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 SUSPENSÃO DO IMPOSTO. O direito previsto no art. 52 da Lei n2 9.826/99 só foi estendido à filial equiparada a industrial com o advento do art. 42 da Lei nº 10.485/2002. (Ac. CSRF nº 0203.816, de 12/02/09) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 30/04/2000 a 31/03/2001 SUSPENSÃO DO IMPOSTO. O direito previsto no art. 52 da Lei n2 9.826/99 só foi estendido filial equiparada a industrial com o advento do art. 42 da Lei nº 10.485/2002. (Ac. CSRF nº 0203.810, de 12/02/09) Procedida a análise acima, verificase em consonância com o dispositivo legal a IN RFB nº 948/2009, que em seu art. 27, II,dispõe: Art. 27. O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica: [...] II a estabelecimento equiparado a industrial, salvo quando se tratar da hipótese de equiparação prevista no art. 4º. Tendo em vista que a recorrente tratase de estabelecimento equiparado a industrial, e que a mesma não se enquadra na hipótese prevista no parágrafo 5º do art. 17 da MP nº 2.18949/01, mostrase correto o lançamento. Rejeito, ainda, o pleito de intimação da empresa FIAT Automóveis S/A para apresentar os comprovantes de recolhimento do IPI posto que tais documentos não influem no resultado do julgamento. Em relação à multa de ofício aplicada, esta penalidade encontra fundamento no art. 80, caput, da Lei n°4.502/64: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal Fl. 448DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 13603.723342/201387 Acórdão n.º 3201002.067 S3C2T1 Fl. 449 12 ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Como é de amplo conhecimento, os órgãos administrativos de julgamento não podem negar vigência às leis em razão de argumento de inconstitucionalidade. Tal entendimento, inclusive, encontrase previsto Súmula CARF nº 02, abaixo transcrita, a qual vincula todos os Conselheiros do Órgão: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, estando a contestada multa prevista em lei tributária, a mesma deve ser aplicada quando incorridas as hipótese previstas para a sua exigência, como no caso em tela. Quanto ao pleito de realização de diligência, esclarecese que a diligência, bem como a perícia, tem por objetivo a comprovação de elementos ou fatos que a contribuinte não pode trazer aos autos. Tratase de um meio de prova que permite o esclarecimento de dúvida sobre questão técnica, cuja solução necessite de conhecimentos especializados. A diligência, todavia, não é necessária quando o fato probante possa ser demonstrado com a juntada de documentos. No caso ora examinado, as dúvidas suscitadas pela defesa poderiam ser respondidas pela própria interessada mediante o exame de provas documentais, cuja guarda e conservação lhe compete. Tais questionamentos podem ainda ser respondidos pela simples análise das peças que estão juntadas neste processo, tais como o relatório da fiscalização e seus demonstrativos e planilhas. Cabe ao autuado apontar os erros que porventura existem na verificação fiscal, já que tem condições para isso, por possuir conhecimentos dos fatos e documentos e relatórios que serviram de base ao despacho decisório. Concluise, portanto, que os elementos probatórios contidos no processo são suficientes para formar a livre convicção do julgador acerca da lide em tela, sendo desnecessária a produção de novas provas ou informações adicionais para a solução do litígio. Desta forma, indeferese o pedido de diligência formulado na peça recursal. Por fim, a recorrente alega ser indevida a incidência dos juros de mora sobre as multas aplicadas, por falta de previsão legal. Em relação ao tema, entendo ser devida a Taxa Selic nos cálculos dos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública Federal, independente de tratarse de obrigação principal decorrente da ocorrência de fato gerador ou decorrente da aplicação de penalidade pecuniária. O artigo 43 da Lei nº. 9.430/96, que sustenta a exigência, assim dispõe: Fl. 449DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 13603.723342/201387 Acórdão n.º 3201002.067 S3C2T1 Fl. 450 13 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da leitura do dispositivo acima transcrito, resta claro que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de ofício, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assim, descabe razão à recorrente quando afirma não haver previsão legal para a incidência dos juros de mora sobre as multas que lhes foram aplicadas, visto que o crédito tributário quer ele se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento, Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Declaração de Voto Conselheiro Cassio Schappo O fato imponível, objeto de discussão nesse processo, trata da cobrança do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), acrescido de multa e juros, incidente na saída de pneus para veículos automotores do estabelecimento da Autuada (Industrial Equiparado), situado em Ibirité/MG, relativo ao exercício de 2010. O estabelecimento da Recorrente atua na condição de industrial equiparado, por receber pneus produzidos por outro estabelecimento da mesma empresa localizado em Campinas/SP e promover a venda para a FIAT – montadora de carros situada em Betim/MG. A operação de saída do estabelecimento da Pirelli Pneus Ltda situado em Ibirité/MG para a FIAT era praticado com suspensão do IPI, com base no disposto no art. 5° da Lei n° 9.826/99, que traz a seguinte redação: Fl. 450DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 13603.723342/201387 Acórdão n.º 3201002.067 S3C2T1 Fl. 451 14 Art. 5o Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, da TIPI, sairão com suspensão do IPI do estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 2002) O entendimento firmado no acórdão recorrido da 3ª Turma da DRJ/POA é no sentido de que a suspensão do imposto não alcança os estabelecimentos equiparados a industrial. O disposto no art. 27 da IN n° 948/09 da RFB, inciso II, exclui das hipóteses de suspensão do imposto a saída dos estabelecimentos equiparados a industrial. Por sua vez, a Recorrente contesta o acórdão recorrido e consequentemente toda a exigência tributária, podendo ser resumido nos seguintes pontos: Que o estabelecimento comercial equiparado a industrial, caso da Recorrente, é tratado pela legislação, para todos os fins, como estabelecimento industrial. Citase art.51, I do CTN; art. 4°, II da Lei n° 4.502/64 e o art. 9°, IV do RIPI; Que, conforme motivos que levaram a edição da Lei n° 9.826/99, o legislador determinou que o IPI devesse ser recolhido exclusivamente na saída dos veículos da montadora, ultima etapa da cadeia produtiva, suspendendo a exigência do imposto nas operações anteriores; Que a ação fiscalizadora viola o principio da isonomia, estabelecidos pelo art. 5°, caput e 150, inciso II da CF, pois é reconhecida a suspensão do imposto ao importador – equiparado a industrial ou ao estabelecimento atacadista que faz industrialização por encomenda – equiparado a industrial, como, também, gozam da suspensão do IPI, nos termos do art. 43, III do RIPI, o armazém fechado e o depósito fechado; Que a ação fiscal na forma como aplicada, gera claro enriquecimento ilícito do Erário, pois todo o imposto foi pago pela montadora FIAT em etapa posterior da cadeira de produção; Diante dos fatos e das razões expostas, tanto as que sustentam a legalidade da autuação fiscal quanto as trazidas pela Recorrente, entendo que prevalece os argumentos do contribuinte, devendo ser reformada a decisão recorrida e determinado o integral cancelamento do auto de infração. Vejo como principal argumento o fato que se buscou através do conjunto de normas anteriormente citadas, criar um procedimento simplificado por parte dos contribuintes, bem como um melhor controle fiscalizatório, fixando a exigência do IPI na saída do veículo da montadora, o que leva ao reconhecimento da suspensão do imposto nas saídas do estabelecimento industrial, do produto base do lançamento fiscal. Não se encontra lógica alguma retirar desse processo o estabelecimento comercial equiparado a industrial, pelo fato de dar saída de produtos recebidos de outra unidade produtora da mesma empresa. A suspensão do IPI para determinados produtos automotivos, dentre eles o pneu, aplicase aqueles industrializados internamente ou importados, que são fornecidos às montadoras, pela própria indústria ou a ela equiparados. Temse presente neste processo que o estabelecimento autuado tem por objetivo único atender a demanda exclusiva da FIAT, fato esse, de pleno conhecimento dos Fl. 451DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 13603.723342/201387 Acórdão n.º 3201002.067 S3C2T1 Fl. 452 15 órgãos da Receita Federal do Brasil, deixando claro e evidente a forma como veio atuando a Recorrente, sempre na condição de industrial, mesmo que equiparado. Atendose a norma legal, art. 9° do RIPI, equiparamse a estabelecimento industrial: IV os estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização tenha sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, mediante a remessa, por eles efetuada, de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos (Lei no 4.502, de 1964, art. 4o, inciso III, e DecretoLei no 34, de 1966, art. 2o, alteração 33a); Como bem comenta Raymundo Clovis do Valle Cabral Mascarenhas (Tudo Sobre IPI, São Paulo, Aduaneiras, 2002, p.57), “Embora não executem operações de industrialização, por ficção legal, nas situações previstas nas normas de equiparação, é como se os produtos sujeitos à incidência fossem nele industrializados”. Reforça esse entendimento o previsto no art. 4° da Lei n° 4.502/64, que assim prescreve: Art . 4º Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: II as filiais e demais estabelecimentos que exercerem o comércio de produtos importados, industrializados ou mandados industrializar por outro estabelecimento do mesmo contribuinte; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) De acordo com a figura do equiparado industrial, nas condições em que se encontra o estabelecimento da Recorrente, mesmo que por ficção legal, os produtos dos quais dão saída estão sujeitos a incidência tributária como se nele fossem industrializados. Em respeito a todos os princípios que regem nosso ordenamento jurídico não há como deixar de reconhecer o correto procedimento do contribuinte, vez que, para as operações praticadas e que foram autuadas, aplicase a suspensão do IPI para os produtos que menciona, tendo como destinatária empresa montadora de veículos automotores. Merecedor dos mesmos tratamentos dispensados ao estabelecimento industrial, o estabelecimento comercial equiparado a industrial agiu da forma como deveria, sob a regra da suspensão do IPI de que trata o art. 5° da Lei n° 9.876/99. No contexto da norma, de acordo com o processo a que está inserido a “suspensão do IPI” como aqui discutido, na saída para empresa montadora de veículos, não há espaço para interpretação isolada, sob pena de se anular o alcance do benefício que fixou a exigência desse imposto na saída dos veículos da montadora. Cássio Schappo Declaração de Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisario Fl. 452DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 13603.723342/201387 Acórdão n.º 3201002.067 S3C2T1 Fl. 453 16 É fato inconteste que o estabelecimento autuado não é estabelecimento industrial, mas, sim, equiparado à industrial, nos termos do 9º, inciso III dos Decretos 4.544, de 26 de dezembro de 2002, e 7.212, de 15 de junho de 2010: Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: (,,,) III as filiais e demais estabelecimentos que exercerem o comércio de produtos importados, industrializados ou mandados industrializar por outro estabelecimento do mesmo contribuinte, salvo se aqueles operarem exclusivamente na venda a varejo e não estiverem enquadrados na hipótese do inciso II (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso II, e § 2º, Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª, e Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 37, inciso I); (...) A hipótese dos autos versa sobre a possibilidade de aplicação da regra de suspensão do IPI prevista no art. 5º da Lei nº 9.826/99 e art. 136, III do RIPI/2010 às saídas de mercadorias para estabelecimento equiparado à industrial. Estabelecem os referidos dispositivos legais: Art. 5º Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, da TIPI, sairão com suspensão do IPI do estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 2002) § 1º Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças, referidos no caput, de origem estrangeira, serão desembaraçados com suspensão do IPI quando importados diretamente por estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 2002) § 2º A suspensão de que trata este artigo é condicionada a que o produto, inclusive importado, seja destinado a emprego, pelo estabelecimento industrial adquirente: (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 2002) I na produção de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes ou peças dos produtos autopropulsados; (Incluído pela Lei nº 10.485, de 2002) II na montagem dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01, 87.02, 87.03, 87.05, 87.06 e 87.11, e nos códigos 8704.10.00, 8704.2 e 8704.3, da TIPI. (Incluído pela Lei nº 10.485, de 2002) § 3º A suspensão do imposto não impede a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 2002) Fl. 453DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 13603.723342/201387 Acórdão n.º 3201002.067 S3C2T1 Fl. 454 17 § 4º Nas notas fiscais relativas às saídas referidas no caput deverá constar a expressão ‘Saída com suspensão do IPI’ com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas. (Incluído pela Lei nº 10.485, de 2002) § 5º Na hipótese de destinação dos produtos adquiridos ou importados com suspensão do IPI, distinta da prevista no § 2º deste artigo, a saída dos mesmos do estabelecimento industrial adquirente ou importador darseá com a incidência do imposto. (Incluído pela Lei nº 10.485, de 2002) § 6º O disposto neste artigo aplicase, também, ao estabelecimento equiparado a industrial, de que trata o § 5o do art. 17 da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 136. Sairão com suspensão do imposto: (...) III do estabelecimento industrial, os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas Posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11 da TIPI (Lei no 9.826, de 1999, art. 5o, e Lei no 10.485, de 2002, art. 4o); (...) § 3o A suspensão de que tratam os incisos III e IV do caput é condicionada a que o produto, inclusive importado, seja destinado a emprego, pelo estabelecimento industrial adquirente (Lei nº 9.826, de 1999, art. 5º, § 2º, e Lei nº 10.485, de 2002, art. 4º): I na produção de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes ou peças dos produtos autopropulsados (Lei nº 9.826, de 1999, art. 5º, § 2º, inciso I, e Lei nº 10.485, de 2002, art. 4º); ou II na montagem dos produtos autopropulsados classificados nas Posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01, 87.02, 87.03, 87.05, 87.06 e 87.11, e nos Códigos 8704.10, 8704.2 e 8704.3 da TIPI (Lei nº 9.826, de 1999, art. 5º, § 2º, inciso II, e Lei nº 10.485, de 2002, art. 4º). § 4o O disposto nos incisos III e IV do caput aplicase, também, ao estabelecimento equiparado a industrial, de que trata o art. 137 (Lei nº 9.826, de 1999, art. 5º, § 6º, Lei nº 10.485, de 2002, art. 4º, e Lei no 10.865, de 2004, art. 33). (...) A DRJ negou o direito da Recorrente com base em dois fundamentos: Fl. 454DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 13603.723342/201387 Acórdão n.º 3201002.067 S3C2T1 Fl. 455 18 (i) que a Instrução Normativa RFB nº 948, de 2009, em seu art. 27, dispõe claramente que a suspensão do IPI não se aplica a estabelecimento equiparado à industrial, salvo aqueles previstos no art. 4º do citado normativo (empresa comercial atacadista adquirente dos produtos resultantes da industrialização por encomenda equiparada a estabelecimento industrial), concluindo que " não cabe ao julgador de primeira instância administrativa questionar o entendimento manifestado no art. 27 da IN RFB nº 948, de 2009". (ii) "não faria sentido o parágrafo 6º, do art. 5º da Lei nº 9.826/99, com a redação dada pela Lei nº 10.865/2004. O referido parágrafo 6º incluiu nas hipóteses de suspensão, os produtos saídos de estabelecimento equiparado a industrial, de que trata o § 5º do art. 17 da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. Ora, se como entende a recorrente, a Lei já abrangia todos os estabelecimentos equiparados, qual seria a necessidade de acrescentar o parágrafo 6º? Não há outra conclusão possível, senão a de que os estabelecimentos equiparados não estão incluídos nas hipóteses de suspensão." Quanto ao primeiro argumento, despiciendo traçar maiores comentários, uma vez que o julgador de segunda instância não está adstrito a comandos contidos em instruções normativas e demais atos internos da RFB. As decisões do CARF apenas deverão subsumirse a normas contidas em leis e decretos. Quanto ao segundo argumento, divirjo do posicionamento exposto na decisão recorrida, assim como aquele defendido pelo D. Relator do presente Recurso Voluntário. Entendo que, uma vez que a norma geral do IPI houve por bem equiparar os estabelecimentos comerciais do contribuintes à industrial, criando a figura do "equiparado à industrial", não é dado às demais normas regulamentares efetuar exclusões que a própria norma geral não efetuou. In casu, necessário abordar a disposição constante do §6º do art. 5º da Lei nº 9.826/99, que, segunda a interpretação fiscal, confirmaria o entendimento de que apenas o equiparado a industrial "de que trata o §5º do art. 17 da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001" estaria alcançado pela suspensão prevista na norma. Confirase o disposto no citado §5º do art. 17 da MP 2.18949/01: Art. 17. Fica instituído regime aduaneiro especial relativamente à importação, sem cobertura cambial, de insumos destinados à industrialização por encomenda dos produtos classificados nas posições 8701 a 8705 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, por conta e ordem de pessoa jurídica encomendante domiciliada no exterior. (...) § 5o A empresa comercial atacadista adquirente dos produtos resultantes da industrialização por encomenda equiparase a estabelecimento industrial. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 13603.723342/201387 Acórdão n.º 3201002.067 S3C2T1 Fl. 456 19 Notase que a referida norma, em verdade, criou uma nove espécie de equiparado à industrial, além daquelas já previstas nas normas gerais vigentes (transcrito anteriormente). Por essa razão, ao meu ver, o legislador, ao inserir o parágrafo 6º, do art. 5º da Lei nº 9.826/99, o fez no sentido de incluir na possibilidade de suspensão do IPI também o estabelecimento comercial atacadista adquirente de produtos industrializados por encomenda, uma vez que estes não estão abarcados pelo conceito de equiparado à industrial que se extrai das regras gerais do IPI. Ou seja, o destaque feito pelo legislador não foi no sentido de excluir os demais equiparados (conforme regra geral), mas o de incluir uma nova espécie de equiparado (previsto apenas em norma específica). Tal interpretação, em caráter teleológico, está em perfeita consonância com o objetivo do legislador assinalado na própria exposição de motivos da Lei nº 9.826/99, qual seja, o de simplificação de procedimentos por parte dos contribuintes e a melhoria dos controles fiscais. Até porque, a regra da suspensão do IPI tem efeitos meramente de controle, uma vez que não implica redução ou majoração da carga tributária. Com efeito, excluir a possibilidade de suspensão do IPI aos estabelecimentos equiparados a industriais, culmina por tornar ainda mais complexos tanto os procedimentos contábeis, como a sua fiscalização. E que não se fale ser hipótese de aplicação do art. 111 do CTN, que impõe a interpretação literal do dispositivo legal, uma vez que não se está diante de nenhuma das hipóteses nele taxativamente descritas. Diante do exposto, com base naquela que entendo ser a melhor interpretação a ser dada ao art. 5º da Lei nº 9.826/99, obedecendo primordialmente ao critério teleológico, entendo ser cabível a aplicação da regra da suspensão do IPI aos estabelecimentos equiparados a industriais. Tatiana Josefovicz Belisario Fl. 456DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
score : 1.0
Numero do processo: 11060.722545/2012-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO.
No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, desde que comprovadas, e que tenham sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Art. 12-A, §2º, da Lei nº 7.713/88, na redação dada pela Lei nº 12.350/2010.
Ao beneficiário da não-incidência tributária recai o ônus de demonstrar e comprovar o cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para a fruição da isenção pretendida, sob pena de manutenção da regra geral, isto é, a tributação. O recorrente apresentou Recibo fornecido pelo Advogado, com todos os dados necessários para comprovar pagamento dos honorários.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rosemary Figueiroa Augusto, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, desde que comprovadas, e que tenham sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Art. 12-A, §2º, da Lei nº 7.713/88, na redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Ao beneficiário da não-incidência tributária recai o ônus de demonstrar e comprovar o cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para a fruição da isenção pretendida, sob pena de manutenção da regra geral, isto é, a tributação. O recorrente apresentou Recibo fornecido pelo Advogado, com todos os dados necessários para comprovar pagamento dos honorários. Recurso Voluntário Provido.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, desde que comprovadas, e que tenham sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Art. 12A, §2º, da Lei nº 7.713/88, na redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Ao beneficiário da nãoincidência tributária recai o ônus de demonstrar e comprovar o cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para a fruição da isenção pretendida, sob pena de manutenção da regra geral, isto é, a tributação. O recorrente apresentou Recibo fornecido pelo Advogado, com todos os dados necessários para comprovar pagamento dos honorários. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 25 45 /2 01 2- 24 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento, nos termos do relatório e voto. Maria Cleci Coti Martins Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rosemary Figueiroa Augusto, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 11060.722545/201224 Acórdão n.º 2401004.361 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeiro grau que deu parcial provimento à impugnação apresentada pelo contribuinte. Em 21/05/2011, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2010, AnoCalendário 2009, na qual foi constatada a omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 12.715,24 (doze mil, setecentos e quinze reais e vinte quatro centavos), recebidos pelo titular e ainda, omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$ 13.063,81 (treze mil, sessenta três reais e oitenta um centavos). Inconformado com a notificação apresentada, o contribuinte protocolizou impugnação alegando que os rendimentos em análise eram isentos em razão do reconhecimento da sua incapacidade por Laudo Médico de Órgão Oficial e por serem proventos oriundos de aposentadoria. E ainda, que os valores deduzidos da indenização recebida em ação judicial federal são referentes ao pagamento dos honorários advocatícios. A fim de comprovar o acometimento de moléstia grave pelo contribuinte, foi juntado aos autos Laudo Médico (fls. 22/29), dispondo que o contribuinte é portador de Neoplasia Maligna e recibo de Advogado no valor de 13.063,81 (treze mil, sessenta três reais e oitenta um centavos) para demonstrar o repasse do valor a título de pagamento de honorários advocatícios. Nesse sentido, às fls. 64/67 o impugnante apresentou nova petição, juntando novas cópias dos laudos médicos apresentados. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) manteve em parte o crédito tributário, com a seguinte consideração: “Verificadas as Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF´s das fontes pagadoras de fls. 49/50, verifica se que o total do rendimento tido como omitido corresponde exatamente aos proventos pagos ao notificado nos meses de novembro e dezembro de 2009. Portanto, deve ser cancelada esta parte da omissão de rendimentos. Em relação aos rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação da Justiça Federal, no valor de R$ 13.063,81, o notificado não contesta de forma objetiva essa parte do lançamento. Requereu, de forma genérica, a revisão do lançamento e anexou diversos documentos dentre os quais cópia do recebido de honorários advocatícios (fls. 21), no valor de R$ 13.063,81. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 4 Consta às fls. 46, cópia da “consulta processual unificada – resultado da pesquisa” do Portal da Justiça Federal da 4ª Região. No referido documento, além do valor disponível para saque do beneficiário, sr. Gilberto Dolianitis, consta a seguinte informação em relação aos honorários: “Na presente requisição foram solicitados separadamente os honorários contratuais devidos ao advogado”. Em face dessa informação, verificase que o notificado recebeu o valor líquido de R$ 65.319,03 (informado em DIRF pela fonte pagadora), já excluídos os honorários advocatícios. Considerando que o notificado informou na Declaração de Ajuste Anual rendimentos no valor de R$ 52.255,22, agiu com correção a fiscalização ao apurar a omissão de R$ 13.063,81.” Posteriormente, após o provimento parcial da impugnação proposta, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte alegou que o acórdão recorrido está em desacordo com os artigos 56 e 640 do RIR/99 – Regulamento do Imposto de Renda – Decreto nº 3.000 de março de 1999. Por fim, alega que não houve omissão de rendimentos, o que em verdade o recorrente teria feito nos moldes previstos pela legislação vigente, foram reduzir dos valores brutos recebidos, os honorários advocatícios pagos, conforme determina os artigos supramencionados. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 11060.722545/201224 Acórdão n.º 2401004.361 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 09/08/2012, conforme termo de ciência às fls. 90, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 28/09/2012, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO Como visto, tratase de exigência do Imposto de Renda de Pessoas Físicas decorrente de suposta omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, em virtude de processo judicial, no valor de R$ 13.063,81 (treze mil, sessenta três reais e oitenta um centavos), referente ao ano calendário de 2010. O recorrente recebeu R$ 65.319,03 (sessenta cinco mil, trezentos e dezenove reais e três centavos) de valor bruto da ação e alega que o valor de R$ 13.063,81 referese a pagamento de honorários advocatícios (fls. 108). A fiscalização entendeu que esse valor de R$ 13.063,81 (treze mil, sessenta três reais e oitenta um centavos), foi omitido. A decisão de primeiro grau entendeu que o recorrente não explanou em sua defesa o motivo da retirada do valor da declaração anual do imposto de renda, apenas juntou um comprovante, sem maiores explicações, e entendeu que a fiscalização agiu corretamente tendo em vista que consta às fls. 46, cópia da “consulta processual unificada – resultado da pesquisa” do Portal da Justiça Federal da 4ª Região, e no referido documento, além do valor disponível para saque do beneficiário, Sr. Gilberto Dolianitis, consta a seguinte informação em relação aos honorários: “Na presente requisição foram solicitados separadamente os honorários contratuais devidos ao advogado”. Em face dessa informação, verificase que o notificado recebeu o valor líquido de R$ 65.319,03 (informado em DIRF pela fonte pagadora), já excluídos os honorários advocatícios Nesse sentido, o recorrente insurgese em recurso contra a possibilidade de dedução integral dos honorários advocatícios pagos na ação judicial. A dedução do valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, foi disciplinada pelo artigo 12A, §2º Fl. 128DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 6 da Lei nº 7.713/1988 e encontrase regulamentada no artigo 56, parágrafo único do Regulamento do Imposto de Renda de 1999. Recordese: “Art. 12A. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anos calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. § 2o Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. “ “Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização “ Se as parcelas individualmente requeridas na via judicial formadoras dos rendimentos são integralmente tributáveis, não há dúvidas de que as despesas com a ação, inclusive os honorários advocatícios, devem ser totalmente deduzidos da base de cálculo do imposto de renda. Nesse sentido, os honorários advocatícios, efetivamente pagos pelo contribuinte para que o advogado desempenhe suas funções em relação à ação judicial, têm natureza de despesa necessária à aquisição dos rendimentos. Isso porque, sem a intervenção do advogado, não haveria ação judicial e, consequentemente não seria possível o recebimento de qualquer valor, seja ele tributável ou não tributável. Confirase: “Acórdão 10249.013 “RENDIMENTOS RECEBIDOS EM AÇÃO JUDICIAL HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Nas ações judiciais em que são pagos rendimentos tributáveis e rendimentos isentos ou fora do campo de incidência, a dedução da base de cálculo dos honorários pagos, sem indenização, deve ser rateada entre os rendimentos tributáveis e os rendimentos isentos ou não tributáveis. DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL A contribuição à previdência oficial não pode ser deduzida quando decorrente de ação trabalhista na qual se declara, expressamente, que tal recolhimento ficou por conta da empresa (reclamada).“ Notese ainda que a mera menção de que “na presente requisição foram solicitados separadamente os honorários contratuais devidos ao advogado”, não é elemento de prova suficiente a aferir que, de fato, a requisição em comento tenha sido acolhida e que tal procedimento tenha sido adotado. Assim, os honorários advocatícios pagos pelo contribuinte devem ser considerados dedutíveis até o limite do valor dos rendimentos tributários recebidos até porque, Fl. 129DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 11060.722545/201224 Acórdão n.º 2401004.361 S2C4T1 Fl. 5 7 ao contrário do alegado pelo v. acórdão recorrido, o recibo apresentando é prova suficiente, apta a comprovar que houve o pagamento dos referidos honorários advocatícios, já que está especificado o número da ação judicial a que se refere, o valor recebido, a data e todas as demais informações necessárias que comprovam o fato controvertido. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS
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Numero do processo: 11128.003997/2010-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 14/06/2010
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.622
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 39 97 /2 01 0- 10 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.003997/201010 Acórdão n.º 9303003.622 CSRF‐T3 Fl. 181 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801003.278, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.003997/201010 Acórdão n.º 9303003.622 CSRF‐T3 Fl. 182 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.003997/201010 Acórdão n.º 9303003.622 CSRF‐T3 Fl. 183 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.003997/201010 Acórdão n.º 9303003.622 CSRF‐T3 Fl. 184 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.003997/201010 Acórdão n.º 9303003.622 CSRF‐T3 Fl. 185 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.003997/201010 Acórdão n.º 9303003.622 CSRF‐T3 Fl. 186 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.003997/201010 Acórdão n.º 9303003.622 CSRF‐T3 Fl. 187 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.003997/201010 Acórdão n.º 9303003.622 CSRF‐T3 Fl. 188 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11080.721590/2012-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2010 a 31/12/2010
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA - APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MANDADO DE SEGURANÇA - COMPENSAÇÃO INDEVIDA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO- GLOSA.
As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/1991, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. Serão glosados pela RFB os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo.
O contribuinte deve observar o disposto no art. 170-A, CTN, na qual se veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - TAXA SELIC - APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.238
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação às contribuições previdenciárias das parcelas relativas a auxílio-doença, nos primeiros quinze dias de afastamento; férias e respectivo terço, quando indenizadas; aviso prévio indenizado e décimo terceiro salário decorrente de aviso prévio indenizado; na parte conhecida (compensação indevida e acréscimos legais), negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral, pelo contribuinte, o advogado Leandro Alves dos Santos, OAB/DF nº 44.655/DF.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2010 a 31/12/2010 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA - APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MANDADO DE SEGURANÇA - COMPENSAÇÃO INDEVIDA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO- GLOSA. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/1991, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. Serão glosados pela RFB os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. O contribuinte deve observar o disposto no art. 170-A, CTN, na qual se veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - TAXA SELIC - APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2410; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 279 1 278 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.721590/201223 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2202003.238 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de março de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente TRANSPORTADORA TRANSMIRO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2010 a 31/12/2010 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 15 90 /2 01 2- 23 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MANDADO DE SEGURANÇA COMPENSAÇÃO INDEVIDA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO GLOSA. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/1991, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Serão glosados pela RFB os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. O contribuinte deve observar o disposto no art. 170A, CTN, na qual se veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721590/201223 Acórdão n.º 2202003.238 S2C2T2 Fl. 280 3 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação às contribuições previdenciárias das parcelas relativas a auxíliodoença, nos primeiros quinze dias de afastamento; férias e respectivo terço, quando indenizadas; aviso prévio indenizado e décimo terceiro salário decorrente de aviso prévio indenizado; na parte conhecida (compensação indevida e acréscimos legais), negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral, pelo contribuinte, o advogado Leandro Alves dos Santos, OAB/DF nº 44.655/DF. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 1045.461 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal AIOP nº 51.001.3040 (Glosa de Compensação). Conforme o Relatório da decisão de primeira instância, a Glosa de Compensação ocorreu porque a empresa declarou em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social– GFIP´s a compensação antes do trânsito em julgado das ações judiciais e que até a data da lavratura do Auto de Infração não havia decisão transitada em julgado. Desta forma, o Relatório Fiscal informa que foram glosados os valores declarados em GFIP, no campo compensação, uma vez que as ações ainda não haviam transitado em julgado. Tais valores constam da Planilha "PLANILHA B1 VALORES COMPENSADOS DECLARADOS EM GFIP". O Relatório da decisão de primeira instância mostra que a empresa impetrou dois mandados de segurança cujo objeto é a discussão da incidência de contribuições previdenciárias em verbas pagas pela Recorrente aos segurados empregados: (i) Mandado de Segurança n° 500205053.2010.404.7100/RS, concedendo a segurança para o efeito de afastar da incidência da contribuição previdenciária relativa à remuneração creditada pelo impetrante aos seus empregados, as parcelas relativas a auxíliodoença, nos primeiros quinze dias de afastamento; férias e respectivo terço, quando indenizadas e declarar o direito do impetrante à compensação dos valores recolhidos indevidamente, devidamente corrigidos, nos termos da fundamentação. A impetrante tem direito à compensação do indébito, após o trânsito em julgado da sentença, observado o disposto nas Leis n° 8.383, de 1991 (art.66, caput), Lei n° 9.430, de l996 (art.74) e Lei 11.457, de 2007 (art.26, parágrafo único). (ii) Mandado de Segurança n° 500917220.2010.404.7100/RS, concedendo em parte a segurança para o efeito de afastar da incidência da contribuição previdenciária relativa à remuneração creditada pelo impetrante aos seus empregados, as parcelas relativas a aviso prévio indenizado e décimo terceiro salário decorrente de aviso prévio indenizado e, declarar o direito do impetrante à compensação dos valores recolhidos indevidamente, devidamente corrigidos, nos termos da fundamentação (a impetrante tem direito à compensação do indébito, após o trânsito em julgado da sentença, observado o disposto nas Leis n° 8.383, de 1991 (art.66, caput) e 11.457, de 2007(art.26, parágrafo único). Fl. 286DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721590/201223 Acórdão n.º 2202003.238 S2C2T2 Fl. 281 5 O contribuinte teve ciência dos Autos de Infração, por via postal Aviso de Recebimento AR, em 17.02.2012, conforme fls. 142 e 143. O período objeto do auto de infração, conforme o Anexo do Relatório Fiscal, é de 08/2010 a 12/2010. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva conforme o Relatório da decisão de primeira instância: DO DIREITO DE PETIÇÃO Invoca o direito de petição com base no art. 5º, inciso XXXIV, alínea “a” da Constituição Federal. DOS FATOS Informa que as compensações são originárias de créditos dos autos dos Mandados de Segurança n° 5002050 53.2010.404.7100 e n° 500917220.2010.404.7100. Relata que os Mandados de Segurança foram impetrados com intuito da empresa não ser compelida ao recolhimento da contribuição social previdenciária incidente sobre os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da obtenção do auxíliodoença ou do auxílio acidente), saláriomaternidade, férias e adicional 1/3 (um terço), assim como sobre o aviso prévio indenizado e 13º salário proporcional, pois no seu entender estas rubricas não têm natureza de salário, mas de indenização e havido recolhimentos indevidos, a Impugnante fez juz à compensação desses valores, na forma declarada em suas GFIP's pertinentes aos débitos e períodos em questão. Entende que o Auto de Infração foi lavrado à margem da Constituição Federal e da legislação atinente, porque a fiscalização não analisou os documentos apresentados pela Impugnante, os quais seriam suficientes para a homologação dos créditos efetivamente compensados. DO VÍCIO (INSANÁVEL). AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO LÓGICA ENTRE OS VALORES LANÇADOS E A BASE DE CÁLCULO UTILIZADA PARA APURAÇÃO DOS SUPOSTOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. Alega que cumpriu todas as suas obrigações fiscais, especialmente, aquelas impostas pelo artigo 225, do Decreto n° 3.048/1999. Sustenta que há dupla identidade de cobrança, pois várias competências lançadas no Auto de Infração encontramse indevidamente incluídas em outros processos executivos fiscais, pendente de análise pelo poder judiciário, sendo por certo que devem ser excluídos do processo administrativo em questão. Acusa que está sendo compelida ao pagamento de contribuição previdenciária sobre os valores indenizatórios onde não restou Fl. 287DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 configurada a hipótese de incidência prevista no inciso I do artigo 22, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. DO VÍCIO (INSANÁVEL). INDEVIDA TRIBUTAÇÃO POR AFERIÇÃO INDIRETA SEM O DEVIDO ABATIMENTO DE VALORES EFETIVAMENTE RECOLHIDOS. Alega que a Fiscalização Fazendária laborou com presunção, mediante utilização da aferição indireta para expedir o crédito tributário, em afronta ao princípio da legalidade tributária, ensejando a nulidade do Auto de Infração. A IMPUGNAÇÃO E A SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Sustenta que a impugnação suspende a exigibilidade do crédito tributário até o julgamento final do processo, com base no art. 15 do Decreto nº 70.235/1972 e no art. 151, III do CTN, conforme entendimento jurisprudencial do Superior de Justiça. DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Invoca o artigo 195 da Constituição Federal, para dizer que a autoridade Impugnada exige o recolhimento da contribuição social previdenciária pretensamente incidente sobre valores pagos em situações em que não há remuneração, ou seja, hipóteses que desbordam do fato gerador, no caso de i) importâncias pagas nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da obtenção do auxíliodoença ou auxílioacidente); ii) valores pagos a título de saláriomaternidade; iii) importâncias pagas a título de férias gozadas e adicional de férias de 1/3 (um terço); iv) valores recolhidos à título de aviso prévio indenizado e 13° salário proporcional, em ofensa ao princípio da legalidade estrita (CF, art. 150, I) bem como ao histórico legislativo e jurisprudencial. Seriam circunstâncias em que o empregado acidentado, doente, gestante, em gozo de férias ou despedido sem justa causa – não está prestando serviços, nem se encontra à disposição da empresa. DA INDEVIDA EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE OS VALORES OBJETO DO MANDADO DE SEGURANÇA N° 500205053.2010.404.7100. DOS 15 (QUINZE) PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DOS FUNCIONÁRIOS DOENTES E ACIDENTADOS. Alega que o trabalhador doente ou acidentado não está prestando serviço algum sendo certo que o valor pago pela empresa para préconcessão de benefício previdenciário não se insere na hipótese de incidência prevista no artigo 22, inciso I, da Lei n° 8.212/1991. Colaciona acórdãos do Superior Tribunal de Justiça alegando que o entendimento daquele órgão é pacífico quanto a não incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas pagas pela empresa na hipótese de afastamento Fl. 288DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721590/201223 Acórdão n.º 2202003.238 S2C2T2 Fl. 282 7 do funcionário doente ou acidentado , situação que se estende ao saláriomaternidade, férias e adicional de férias de 1/3. Aduz que a hipótese de incidência é o pagamento de remunerações devidas em razão de trabalho prestado, efetiva ou potencialmente, questionando, quais "os serviços efetivamente prestados" pela pessoa que se encontra afastada (seja doente, acidentada ou gestante) ou em férias, entendendo que não se está a retribuir trabalho algum, não se realizando no mundo físico a hipótese legal prevista. DO SALÁRIOMATERNIDADE. No que tange ao saláriomaternidade, alega que o saláriode contribuição é a base de cálculo da contribuição devida pelos segurados, não a base de cálculo da contribuição patronal, conforme previsto no artigo 20 da Lei n° 8.212/1991 e nos arts. 54 e 63 da Instrução Normativa RFB n° 971/2009. Alega que é ilegal e inconstitucional que dispositivos de Instrução Normativa extrapolem a hipótese tributária, ocorrendo desrespeito ao princípio da legalidade. Sustenta que é indevida a exigência de contribuição previdenciária pelas empresas sobre os valores pagos a título de saláriomaternidade, pois os valores pagos às funcionárias afastadas nestas condições não são destinados a retribuir qualquer tipo de trabalho, posto que trabalho algum é prestado, não se vislumbrando a hipótese de incidência prevista no artigo 22, inciso I, da Lei n° 8.212/1991. FÉRIAS E TERÇO CONSTITUCIONAL. Em relação às férias gozadas e seu respectivo adicional constitucional de 1/3 (terço), refere que o saláriode contribuição é a base de cálculo da contribuição devida pelos segurados, conforme previsto no art. 20 da Lei nº 8.212/1991 e não a base de cálculo da contribuição patronal. Alega que a exigência é sustentada pela autoridade em dispositivos infralegais contidos na IN RFB 971/2009 (arts. 52 e 57), todavia é inadmissível, ilegal e inconstitucional que dispositivos de Instrução Normativa extrapolem a hipótese tributária, ocorrendo desrespeito ao princípio da legalidade. Entende que a hipótese de incidência da contribuição previdenciária patronal, bem como, sua base de cálculo, dizem respeito exclusivamente aos valores pagos, destinados a retribuir um trabalho efetivo ou potencial o que não é o caso dos funcionários em gozo de férias não havendo que se invocar peculiaridades do saláriodecontribuição atinente à contribuição dos trabalhadores. Colaciona decisão do Tribunal Regional Federal da Segunda Região, no sentido de que as verbas citadas não são pagas por retribuição de serviços. Traz decisão do Tribunal Regional Fl. 289DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 Federal da 5ª Região afastando a contribuição patronal de todas as verbas em debate. Conclui que os pagamentos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado, bem como, a título de salário maternidade, férias gozadas e adicional de férias de 1/3 (um terço), não se enquadram na hipótese de incidência em análise, desta forma, os valores recolhidos devem ser revertidos em créditos em favor da impugnante. DA INDEVIDA EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE OS VALORES OBJETO DO MANDADO DE SEGURANÇA N° 5009172 20.2010.404.7100/RS DA NÃOINCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL SOBRE O AVISO PRÉVIO INDENIZADO E SEU 13° SALÁRIO PROPORCIONAL. Sustenta que a contribuição previdenciária não pode incidir sobre o aviso prévio indenizado e o 13° salário proporcional ao aviso prévio indenizado, tendo em vista o caráter indenizatório de tais verbas. Defendeu a ilegalidade do Decreto nº 6.727/2009, na parte que revogou a letra “f” do inciso V, do § 9º do art. 214 do Decreto nº 3.048/1999. Conclui que os pagamentos realizados a título de aviso prévio indenizado e de 13° salário proporcional ao aviso prévio indenizado não se enquadram na hipótese de incidência em análise, sendo que a pretensa exigência da contribuição social previdenciária sobre os respectivos valores implica ofensa ao princípio constitucional da legalidade tributária (CF, art. 150, inc. I). DA LEGALIDADE DA COMPENSAÇÃO Defende que o artigo 66 da Lei n° 8.383/1991 faculta ao contribuinte a possibilidade de utilizar os créditos com a Fazenda Pública, de tributos pagos a maior ou indevidamente, para compensar aludidos valores com débitos vincendos, independentemente de autorização da Administração Pública. Sustenta que a administração não pode vincular o procedimento de compensação ao trânsito em julgado de decisão, por não ser aplicável ao caso. DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Fala da prerrogativa do fisco de efetuar o lançamento do crédito tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional); aduz que as compensações ocorreram com fulcro na lei (Lei nº 8.383/1991) e que o lançamento foi constituído à margem da lei por falta de documentos, não havendo razão para a cobrança dos créditos pois o procedimento foi informado em GFIP. SELIC Discorre sobre a taxa Selic, dizendo que ela tem natureza remuneratória de títulos, consoante entendimento do STJ, sendo inaplicável em matéria tributária. Diz que é correto afirmar que, em respeito ao princípio da hierarquia das normas, o artigo 161, § 1º do Código Tributário Fl. 290DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721590/201223 Acórdão n.º 2202003.238 S2C2T2 Fl. 283 9 Nacional (Lei Complementar) estabelece o índice de juros de 1 % ao mês, e na hipótese da Lei 8.981/1995, instituidora da Taxa Selic, ser considerada norma legal para regrar assuntos tributários, concluise que a mencionada lei não poderia fixar índices acima do limite previsto na norma complementar (CTN), restando claro que, somente haveria a possibilidade da majoração da alíquota de correção se a lei instituidora da Selic estivesse no mesmo patamar de competência da lei complementar. Alega a impossibilidade da utilização da taxa de referência SELIC, como taxa de juros moratórios para as multas aplicadas, já que a mesma não possui natureza indenizatória, própria dos juros moratórios, além de tratarse de meio de remuneração e, não, de indenização, caso em que estarseia configurado o locupletamento ilícito. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1045.461 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2010 a 31/12/2010 AI Debcad nº 51.001.3040 AUTO DE INFRAÇÃO. GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A teor do inciso III do artigo 151 do CTN, as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO OBJETO DE DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da decisão judicial. SELIC Os juros, calculados pela variação da taxa Selic, têm caráter irrelevável e estão de acordo com a legislação vigente na data da ocorrência dos fatos geradores. SUSTENTAÇÃO ORAL A legislação que rege o processo administrativo fiscal não prevê a oportunidade de sustentação oral no julgamento de 1ª instância. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 INTIMAÇÃO As intimações devem ser feitas por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, combatendo fundamentadamente a decisão de primeira instância, em apertada síntese: (i) Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário art. 33, Decreto 70.235/1972 e art. 151, III, CTN (ii) Da legalidade da compensação indevidamente glosada pela Autoridade Fiscal Inicialmente, curial se relembrar que os valores compensados são provenientes de verbas previdenciárias indevidamente recolhidas, fato este reconhecido, inclusive, por meio de decisões judiciais. (...) Nesse norte, de salutar relevância se destacar, também, que o Art. 66 da Lei n° 8.383/91 faculta ao contribuinte a possibilidade de utilizar os créditos com a Fazenda Pública, decorrentes de tributos pagos a maior ou indevidamente, para compensar obrigações fiscais vincendas, independente de prévia autorização da Administração Pública. (...) Como se não bastasse, a Lei n° 8.383/91, em seu art. 66, trata de uma modalidade de compensação passível de ser realizada pelo contribuinte no âmbito do lançamento por homologação, sujeita a posterior fiscalização. O art. 170 do Código Tributário e seu apêndice, o artigo 170A cuidam de outra modalidade de compensação, realizada diretamente pelos agentes fiscais a pedido do contribuinte, e que extingue o crédito tributário (já constituído, portanto), nos termos do art. 156, II, do CTN. (iii) Da origem dos créditos. Valores pagos a maior. Nada obstante, tais créditos tomados são absolutamente legais, tendo em vista a manifesta existência de pagamentos a título da Contribuição Previdenciária a maior por longo período, porquanto o fisco sempre exigiu parcelas indevidas das contribuições em tela, quais sejam, aquelas incidentes sobre os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da eventual obtenção do auxíliodoença ou do auxílioacidente), a título de salário Fl. 292DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721590/201223 Acórdão n.º 2202003.238 S2C2T2 Fl. 284 11 maternidade, férias além do 1/3 (um terço) constitucional de férias. Neste ínterim, ao longo de muitos anos o Fisco cobrou da Recorrente a contribuição social previdenciária incidente sobre os valores que não se submetem a sua incidência. (...) Na verdade, analisase, sob a égide do princípio da legalidade tributária (CF, art. 150, inc. I), se tais valores subsumemse à hipótese de incidência eleita pelo legislador para fins de exigência da contribuição previdenciária devida pelas empresas, qual seja, a prevista no artigo 22, inciso I, da Lei n° 8.212/91 (iv) Da Taxa SELIC A intenção do Fisco em aplicar a mencionada taxa para correção dos débitos abarca em evidente lesão às disposições da Constituição Federal, ferindo não só o direito das empresas, como também a ordem econômica e financeira, desvirtuando dessa forma, a essência do Estado Democrático. (...) Além disso, importa esclarecer que o Código Tributário Nacional fora criado por meio de Lei Ordinária, porém recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com força de Lei Complementar, conforme prevê o artigo 34, § 5o do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Curial se afirmar, ainda, que em respeito ao princípio da hierarquia das normas, o artigo 161, § 1o do Código Tributário Nacional (Lei Complementar), que estabelece o índice de juros de 1% ao mês, se sobrepõe à hipótese da Lei 8.981, de 20.01.95, instituidora da Taxa Selic. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, É o Relatório. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação prestada às fls. 784. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (a) Da inconstitucionalidade Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Ainda, o art. 59, caput, Decreto 7.574/2011; Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). (...) Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721590/201223 Acórdão n.º 2202003.238 S2C2T2 Fl. 285 13 Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (b) Da regularidade da lavratura do AIOP. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 1045.461 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal AIOP nº 51.001.3040 (Glosa de Compensação). Conforme o Relatório da decisão de primeira instância, a Glosa de Compensação ocorreu porque a empresa declarou em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social– GFIP´s a compensação antes do trânsito em julgado das ações judiciais e que até a data da lavratura do Auto de Infração não havia decisão transitada em julgado. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) I GFIP, que é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento de confissão de dívida tributária; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), que é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) III Revogado pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 IV Auto de Infração (AI), que é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e apurado mediante procedimento de fiscalização; e (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) V Notificação de Lançamento, que é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária. (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as Fl. 296DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721590/201223 Acórdão n.º 2202003.238 S2C2T2 Fl. 286 15 informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo do Débito c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); e. TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal; h. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 37.234.8904, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se Fl. 297DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. (i) Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário art. 33, Decreto 70.235/1972 e art. 151, III, CTN Analisemos. De fato, o Recurso Voluntário suspende exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 33, Decreto 70.235/1972 c/c art. 151, III, CTN: Decreto 70.235/1972 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) CTN Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Portanto, nada há que se contestar neste tópico. DO MÉRITO. (ii) Da legalidade da compensação indevidamente glosada pela Autoridade Fiscal Analisemos . As considerações acerca de inconstitucionalidade já foram analisadas no tópico (a) Da inconstitucionalidade. A compensação como modalidade de extinção do crédito tributário está prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional. O mesmo diploma legal, artigos 170 e Fl. 298DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721590/201223 Acórdão n.º 2202003.238 S2C2T2 Fl. 287 17 170A, prevê regras gerais sobre a matéria; as regras específicas são objeto de lei ordinária. Transcrevemos abaixo os artigos do CTN que tratam da compensação: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação;” “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” “Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.” (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) O Plano de Custeio da Seguridade Social, Lei n. 8.212/91, art. 89, que ora transcrevemos, traz comando no sentido de que somente serão compensados os valores pagos ou recolhidos indevidamente a título de contribuição para a Seguridade Social. Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 4o O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subseqüente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 5o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 6o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 299DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 18 § 7o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 8o Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 11. Aplicase aos processos de restituição das contribuições de que trata este artigo e de reembolso de saláriofamília e saláriomaternidade o rito previsto no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Os valores indevidamente compensados devem ser recolhidos pelo contribuinte, sobre os quais incidirão juros e multa de mora, conforme o art. 89, § 4º, Lei 8.212/1991, o qual remete ao art. 35, Lei 8212/1991 e ao art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Lei 8.212/1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 9.430/1996 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do Fl. 300DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721590/201223 Acórdão n.º 2202003.238 S2C2T2 Fl. 288 19 prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Ademais, o Código Tributário Nacional, no art. 170A, expressamente veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) No entanto, temse nos autos a informação de que o sujeito passivo impetrou dois mandados de segurança cujo objeto é a discussão da incidência de contribuições previdenciárias em verbas pagas pela Recorrente aos segurados empregados: (i) Mandado de Segurança n° 500205053.2010.404.7100/RS, concedendo a segurança para o efeito de afastar da incidência da contribuição previdenciária relativa à remuneração creditada pelo impetrante aos seus empregados, as parcelas relativas a auxíliodoença, nos primeiros quinze dias de afastamento; férias e respectivo terço, quando indenizadas e declarar o direito do impetrante à compensação dos valores recolhidos indevidamente, devidamente corrigidos, nos termos da fundamentação. A impetrante tem direito à compensação do indébito, após o trânsito em julgado da sentença, observado o disposto nas Leis n° 8.383, de 1991 (art.66, caput), Lei n° 9.430, de l996 (art.74) e Lei 11.457, de 2007 (art.26, parágrafo único). (ii) Mandado de Segurança n° 5009172 20.2010.404.7100/RS, concedendo em parte a segurança para o efeito de afastar da incidência da contribuição previdenciária relativa à remuneração creditada pelo impetrante aos seus empregados, as parcelas relativas a aviso prévio indenizado e décimo terceiro salário decorrente de aviso prévio indenizado e, declarar o direito do impetrante à compensação dos valores recolhidos indevidamente, devidamente corrigidos, nos termos da fundamentação (a impetrante tem direito à compensação do indébito, após o trânsito em julgado da sentença, observado o disposto nas Leis n° 8.383, de 1991 (art.66, caput) e 11.457, de 2007(art.26, parágrafo único). A Fiscalização comprovou nos autos, vide o Relatório Fiscal, que o sujeito passivo realizou as compensações sem o trânsito em julgado dos mandados de segurança impetrados, em violação a dispositivo expresso do Código Tributário Nacional, art. 170A, CTN. Outrossim, em consulta ao site do TRF 4ª Região (http://www2.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=consulta_processual_resultado_pesquisa&t xtPalavraGerada=KmrY&hdnRefId=532d42deec1f1d031aea62172f5c7822&selForma=NU&tx tValor=50020505320104047100&chkMostrarBaixados=&todasfases=&todosvalores=&todasp artes=&txtDataFase=&selOrigem=TRF&sistema=&codigoparte=&txtChave=&paginaSubmete Fl. 301DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 20 uPesquisa=letras), em 05.03.2016, anotese que o Mandado de Segurança n° 5002050 53.2010.404.7100 encontrase Suspenso/Sobrestado desde 16.09.2013 aguardando decisão do STJ em Recurso Repetitivo, enquanto que o Mandado de Segurança n° 5009172 20.2010.404.7100, teve o trânsito em julgado em 30.09.2015. Ora, comprovouse, portanto, que ao tempo da lavratura do Auto de Infração AIOP, referente à Glosa de compensação indevida, os Mandados de Segurança ainda não haviam tido o trânsito em julgado, de forma que deve ser mantida a glosa de compensação em função da violação ao disposto expresso no art. 170A, CTN. Diante do exposto, não prospera a argumentação do Recorrente. (iii) Da origem dos créditos. Valores pagos a maior. Analisemos. Em relação às questões no Recurso Voluntário de que se os valores pagos pela Recorrente aos segurados empregados integram ou não o salário de contribuição, estas não serão conhecidas pois possuem o mesmo objeto dos mandados de segurança impetrados pela Recorrente, exsurgindo a aplicação da Súmula nº 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, não prospera a argumentação do Recorrente. (iv) Da Taxa SELIC Analisemos. As considerações acerca de inconstitucionalidade já foram analisadas no tópico (a) Da inconstitucionalidade e afastadas tais alegações do contribuinte. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91, na redação à época dos fatos geradores: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A Fl. 302DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.721590/201223 Acórdão n.º 2202003.238 S2C2T2 Fl. 289 21 atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à dada pela Lei 11.941/2009. Portanto, diante do exposto acima, não prospera tal argumentação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto no sentido de: (i) NÃO CONHECER do Recurso Voluntário na matéria de mesmo objeto dos mandados de segurança impetrados, quais sejam: em relação às contribuições previdenciárias das parcelas relativas a auxíliodoença, nos primeiros quinze dias de afastamento; férias e respectivo terço, quando indenizadas; aviso prévio indenizado e décimo terceiro salário decorrente de aviso prévio indenizado; (ii) CONHECER do Recurso Voluntário nas questões da compensação indevida e acréscimos legais para, no MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 303DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10073.721068/2011-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2009
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Caracterizada a observância ao art. 142 do CTN, com a plena demonstração dos fundamentos de fato e de direito em que se baseia o lançamento e garantidos ao contribuinte o contraditório e o pleno exercício de seu direito de defesa, rejeita-se a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa.
ADICIONAL DE FÉRIAS
O adicional de 1/3 de férias possui natureza remuneratória, não havendo que se cogitar de sua exclusão da base de cálculo das contribuições previdenciárias, exceto na hipótese de férias não gozadas, objeto de indenização.
PRIMEIROS 15 DIAS DE AUXÍLIO-DOENÇA
Os valores decorrentes da obrigação legal de pagar o salário devido ao empregado nos primeiros 15 dias de afastamento por doença (também denominado de salário-enfermidade), caracteriza interrupção do contrato de trabalho, mantida sua característica de verba salarial, assim passível de sofrer a incidência das contribuições previdenciárias, patronal e a cargo do empregado.
Numero da decisão: 9202-003.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que davam provimento ao recurso. A Conselheira Ana Paula Fernandes apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Caracterizada a observância ao art. 142 do CTN, com a plena demonstração dos fundamentos de fato e de direito em que se baseia o lançamento e garantidos ao contribuinte o contraditório e o pleno exercício de seu direito de defesa, rejeitase a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. ADICIONAL DE FÉRIAS O adicional de 1/3 de férias possui natureza remuneratória, não havendo que se cogitar de sua exclusão da base de cálculo das contribuições previdenciárias, exceto na hipótese de férias não gozadas, objeto de indenização. PRIMEIROS 15 DIAS DE AUXÍLIODOENÇA Os valores decorrentes da obrigação legal de pagar o salário devido ao empregado nos primeiros 15 dias de afastamento por doença (também denominado de salárioenfermidade), caracteriza interrupção do contrato de trabalho, mantida sua característica de verba salarial, assim passível de sofrer a incidência das contribuições previdenciárias, patronal e a cargo do empregado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 10 68 /2 01 1- 97 Fl. 960DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721068/201197 Acórdão n.º 9202003.773 CSRFT2 Fl. 961 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que davam provimento ao recurso. A Conselheira Ana Paula Fernandes apresentará declaração de voto. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2401003.105, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 16 de julho de 2013 (efls. 785 a 809). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ENVIADA APÓS A VACATIO LEGIS DA LC 118/05. PRAZO DE CINCO ANOS. PRECEDENTE DO EG. STF SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC.. Em se tratando de caso no qual a recorrente efetuou o pedido de compensação após o prazo da vacatio legis da LC 118/05, o prazo prescricional para a realização do pedido de compensação é de 05 (cinco)anos contados da data do pagamento indevido. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721068/201197 Acórdão n.º 9202003.773 CSRFT2 Fl. 962 3 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DECORRENTES DO PAGAMENTO PRETÉRITO DO TERÇO DE FÉRIAS E NOS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO POR AUXÍLIODOENÇA.NATUREZA SALARIAL. A compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, desse modo, caberia à recorrente demonstrar o direito líquido e certo a realizar as compensações, o que não restou demonstrado, tendo em vista que os valores compensados, referemse a verbas, que não se encontram dentro do rol de exclusão da base de cálculo do § 9º do art. 28 da lei 8212/91, não possui o recorrente ação judicial específica que ampare a referida exclusão. O chamado abono de férias ou 1/3 de férias encaixase perfeitamente no conceito de remuneração. Embora seja compulsório, dáse simplesmente consubstanciado na existência de vínculo laboral, o qual o pagamento não se coaduna com verba indenizatório, visto que o valor recebido, nada mais é do que um ganho, não uma despesas com destinação certa e provável. Esse ganho também não apenas será usufruído pelo empregado, como poderá fazer uso da maneira que achar conveniente. Tendo o empregador obrigação legal de pagar o salário devido ao empregado nos primeiros 15 dias de afastamento por doença, consistindo na verdade em licença médica, cujos direitos trabalhistas continuam a ser integralmente computados, o que denota interrupção do contrato de trabalho, não há como afastar a tributação da referida norma, até que o STF manifestese em definitivo sobre o tema. DIREITO DE CRÉDITO. GLOSA. RECOLHIMENTO INDEVIDO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Somente será reconhecido o direito do autor a efetuar compensação, se dos autos existir prova cabal da existência dos recolhimentos indevidos. Em não sendo o caso, há de ser indeferido o pedido de reestabelecimento da glosa. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. INCRA. EMPRESAS URBANAS. As empresas urbanas estão sujeitas ao pagamento da contribuição ao INCRA, conforme pacífica jurisprudência deste Eg. Conselho. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: I) Por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de nulidade; e b) declarar prescrita a pretensão de compensação com pagamentos realizados anteriormente à 01/2004. II) Pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso ao recurso, para reconhecer a improcedência total do AI 51.011.6744. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares (relator), Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Fl. 962DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721068/201197 Acórdão n.º 9202003.773 CSRFT2 Fl. 963 4 Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial em maior extensão, para, também, reconhecer o direito de crédito relativamente às rubricas auxíliodoenca nos primeiros 15 dias de afastamento e adicional de1/3 de férias. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Enviados os autos ao Contribuinte para fins de ciência da decisão, ocorrida em 28/05/2015 (efl. 818), insurgindose contra esta, a autuada apresenta, em 12/06/2015 (efl. 821), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 821 a 836 e 883 a 898). Preliminarmente, tenciona o contribuinte que o auto seja anulado, por entender que o fiscal não teria demonstrado cabalmente todas as circunstâncias fáticas que o levaram à glosa das compensações e à cobrança das contribuições devidas ao SENAI, ou seja, não se teria demonstrado que os créditos compensados seriam inexistentes e que as contribuições ao SENAI seriam devidas. Alegase, no pleito, também divergência em relação ao decidido, no que diz respeito à incidência de contribuições previdenciárias sobre 1/3 de férias, no âmbito do Acórdão 2402004.202, datado de 17 de julho de 2014 e de lavra da 2a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, bem como, agora, em relação à incidência sobre a remuneração dos primeiros 15 (quinze) dias de auxíliodoença, ao decidido pela mesma 2a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF através do Acórdão 2402003.570, prolatado em 15 de maio de 2013, de ementas e decisões a seguir transcritas. Acórdão 2402004.202 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2010 PARCELAMENTO. SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL PARA EFETUAR COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O parcelamento não é causa extintiva do crédito tributário, assim não pode ser tomado como causa suspensiva da prescrição do direito de compensar tributo pago indevidamente. COMPENSAÇÃO.CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. É possível a compensação de créditos oriundos do pagamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre verbas creditadas aos empregados à título de 1/3 de férias, já que o STJ já decidiu, em sede de representativo de controvérsia, pela não incidência de contribuições sobre tais verbas. RESP nº 1.230.957. MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da Fl. 963DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721068/201197 Acórdão n.º 9202003.773 CSRFT2 Fl. 964 5 GFIP. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DOS ACIDENTES DE TRABALHO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. MUNICÍPIOS. A alíquota da contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho é definida em função da atividade preponderante do sujeito passivo. O anexo V do Decreto 3048/1991 estabelece a alíquota SAT de 2% para toda a administração pública. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja reconhecido o direito de compensação dos recolhimentos sobre a verba paga a título de adicional de 1/3 constitucional de férias, bem como afastada a multa isolada. Acórdão 2402003.570 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SIMULAÇÃO VERIFICADA ENTRE O CONTRIBUINTE E AS SUPOSTAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS SIMULADA. Apesar de se tratarem de empresas constituídas individualmente, com registros contábeis independentes da Recorrente e supostos bens próprios, a relação entre as empresas resta demonstrada quando se verifica: 1) que as empresas contratadas prestam serviços exclusivamente à Recorrente; 2) que as empresas possuem o mesmo endereço; 3) Uma das empresas contratadas representa a Recorrente em outro estado, uma vez que esta última não pode operar na região por existir outra empresa com nome parecido; 4) Todos os cargos de administração, Recursos Humanos e diretoria da Recorrente são exercidos via terceirização através das empresas em comento; 5) o controle de pontos de todos os funcionários das empresas contratadas é feito através de aparelho de propriedade da Recorrente, entre outros pontos descritos no Relatório Fiscal, devidamente comprovados através documentos colhidos na fiscalização. VALORES PAGOS A TÍTULO DE TERÇO DE FÉRIAS. CONTRIBUIÇÕES. NÃO INCIDÊNCIA. O valor pago a título de terço de férias não retribui o trabalho prestado. Tratase de obrigação legal de pagar, imposta ao empregador, nos termos do art. 7°, XVII, da Constituição Federal. Portanto, não deve compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721068/201197 Acórdão n.º 9202003.773 CSRFT2 Fl. 965 6 VALORES PAGOS A TÍTULO DE AUXÍLIODOENÇA. QUINZE PRIMEIROS DIAS. NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado, em razão da ausência de contraprestação de trabalho. Precedentes do STJ: REsp 748193/SC e REsp 886954/RS. VALORES PAGOS A TÍTULO DE VERBAS RESCISÓRIAS. As verbas rescisórias especiais são aquelas recebidas a título de férias em pecúnia, 13° salário, licençaprêmio não gozada, conversão de terço de férias, ausência permitida ao trabalho, extinção do contrato de trabalho por dispensa incentivada e aviso prévio indenizado. São verbas pagas quando do término da relação de trabalho, em que se constata a pendência de direitos trabalhistas a cargo do empregador. São direitos que, ao tempo em que deveriam ser atendidos não o foram e, diante da impossibilidade de concedêlos no momento da rescisão contratual, fica o empregador obrigado a conceber tais direitos mediante indenização ao empregado. Independentemente da natureza da verba a ser convertida em rescisória seja ela 13° salário, férias, licença prêmio ou aviso prévio indenizado , no momento em que se constata seu descumprimento por parte do empregador e fica este obrigado à conversão em pecúnia, os valores passam a ter caráter indubitavelmente indenizatório e, portanto, não passível de inclusão na base de cálculo das contribuições previdenciárias. VALORES PAGOS A TÍTULO DE AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA. O aviso prévio é direito constitucionalmente garantido ao trabalhador no art. 7º, XXI, CF, que determina que em casos de demissão sem justa causa, o trabalhador seja informado do rompimento de seu contrato de trabalho com um mês de antecedência, o que lhe garante prazo para a procura de novo emprego. Muito comum, no entanto, que empregadores, ao invés de cumprirem o prazo do aviso prévio, comuniquem o empregado do rompimento do contrato de trabalho, ficando obrigado a indenizálo por não mantêlo em seu cargo por mais trinta dias. É o aviso prévio indenizado. Os Tribunais Superiores pacificaram o entendimento de que, por se tratar de verba genuinamente indenizatória e, ainda, por não se destinar a retribuição de trabalho, não há que se incluir o aviso prévio indenizado na base de cálculo das contribuições previdenciárias. VALORES PAGOS A TÍTULO DE HORAS EXTRAORDINÁRIAS. HORAS TRABALHADAS. CAMPO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Há incidência de contribuição social previdenciária, dada a natureza remuneratória da verba paga a título de horas extras pelo empregador em razão de trabalho realizado no horário destinado ao descanso do empregado. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721068/201197 Acórdão n.º 9202003.773 CSRFT2 Fl. 966 7 Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: por maioria de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, dar provimento parcial para que sejam excluídas do lançamento as parcelas terço constitucional de férias, auxíliodoença, auxílioacidente e aviso prévio indenizado. Vencidos o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues que votou pela não incidência também sobre o adicional de horasextras e o relator que votou pelo provimento ao recurso. Apresentará voto vencedor o Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo. Em linhas gerais, argumenta a contribuinte em sua demanda que: a) Com fulcro no art. 28, §9o, alínea "d", da Lei no. 8.212, de 24 de julho de 1991, e, ainda, com base no entendimento majoritário esposado pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, exemplificado através de diversas ementas colacionadas ao recurso, deva ser afastada a incidência da contribuição previdenciária sobre o adicional de férias; b) Quanto ao auxíliodoença, reportase a recorrente à alínea "n" do mesmo §9o do art. 28 da Lei no. 8.212, de 1991, para defender a não incidência das contribuições previdenciárias também sobre o auxíliodoença, ressaltando, também, quanto aos primeiros 15 (quinze) dias de afastamento, seu caráter indenizatório e sua natureza não salarial, uma vez que não existe prestação de serviço pelo empregado neste período, reproduzindo aqui também jurisprudência do STJ que sustentaria este posicionamento. Requer, assim, que seja preliminarmente decretada a nulidade do lançamento, cancelandose as autuações e, no mérito, que o Acórdão vergastado seja reformado quanto aos pontos acima elencados, com a consequente homologação parcial das compensações efetuadas. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 946 a 952. Encaminhados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência, ocorrida em 08/09/2015 (efl. 953), a Fazenda Nacional apresenta contrarrazões de efls. 954 a 958, onde: a) Ressalta que as duas controvérsias citadas nos autos estão ainda sob análise no âmbito do Supremo Tribunal Federal com repercussão geral (REs 611.505 e 593.068), resultando daí a inaplicabilidade do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho em vigor aos autos, visto que o feito julgado no âmbito do STJ segundo a sistemática de Recursos Repetitivos (REsp 1.230.957) não transitou em julgado, permanecendo sobrestado após a decisão, pela matéria estar sendo decidida no âmbito da Suprema Corte, o que impediria sua adoção no âmbito deste Conselho; b) Defende que o já mencionado §9o, do art. 28, da Lei no. 8.212, de 1991, aplicável tanto à contribuição do empregador como do empregado, não inclui como parcelas que estarão excluídas da incidência das contribuições previdenciárias nem a remuneração referente ao 1/3 de férias gozadas (não indenizadas) nem a remuneração referente aos primeiros quinze dias do auxíliodoença. No mesmo sentido, dispõe o §9o do art. 214 do Decreto no. 3.048, de 06 de maio de 1999, sendo que ambos os dipositivos regram exclusões estabelecidas em numerus clausus, incabível assim, com fulcro no art. 111 do Código Tributário Nacional, interpretação ampliativa, por se estar a tratar de norma isentiva. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721068/201197 Acórdão n.º 9202003.773 CSRFT2 Fl. 967 8 Assim, pugna pela impossibilidade de exclusão das verbas em discussão (adicional de férias e primeiros 15 dias do auxíliodoença) da incidência de contribuições previdenciárias e pela negativa de provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, prequestionamento, às devidas apresentação de paradigmas consistentes e indicação analítica de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Preliminarmente, não vislumbro qualquer nulidade no auto de infração. Conforme muito bem observado pela autoridade julgadora recorrida, os demonstrativos de efl. 02 a 26 e o Relatório de Folhas 27 a 41 e seus anexos caracterizam a plena observância ao art. 142 do CTN, relacionando detalhadamente os fundamentos de fato e de direito que ensejaram a lavratura dos Autos sob análise e a consequente imposição fiscal, tendo proporcionado ao contribuinte ampla ciência das acusações que foram imputadas, na forma inclusive demonstrada por este, tanto em sede impugnatória como em sede de Recurso Voluntário. Tais fases processuais transcorreram, notese, com pleno respeito ao direito adjetivo regulamentador do processo administrativo fiscal, inclusive no que diz respeito a concessão de prazos e oportunidades para manifestação do contribuinte, respeitados assim os princípios do contraditório e ampla defesa. Assim, rejeito a preliminar levantada de nulidade de quaisquer dos autos por cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Passase, assim, à análise de mérito. Em análise, o art. 28 da Lei nº. 8.212, de 1991, mais especificamente o seu caput e § 9o., este último plenamente aplicável também à base imponível da contribuição previdenciária a cargo das empresas, com fulcro no art. 22, §2o do mesmo diploma. A seguir, a redação do dispositivo vigente à época dos fatos geradores em questão: Lei 8.212/91 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 967DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721068/201197 Acórdão n.º 9202003.773 CSRFT2 Fl. 968 9 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos daLei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata oart. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (g.n.). e) as importâncias:(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata oart. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata oart. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dosarts. 143e144 da CLT;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. recebidas a título da indenização de que trata oart. 9ºda Lei nº7.238, de 29 de outubro de 1984;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; Fl. 968DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721068/201197 Acórdão n.º 9202003.773 CSRFT2 Fl. 969 10 g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos daLei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata oart. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, osarts. 9ºe468 da CLT;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 969DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721068/201197 Acórdão n.º 9202003.773 CSRFT2 Fl. 970 11 s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto noart. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) o valor da multa prevista no§ 8º do art. 477 da CLT.(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) y) o valor correspondente ao valecultura.(Incluído pela Lei nº 12.761, de 2012) Em que pese o vasto arcabouço jurisprudencial trazido pela recorrente aos autos, faço notar que, dentre as decisões citadas, a única já prolatada eventualmente capaz de produzir vinculação deste Conselho a seus termos (REsp 1.230.957, julgado sob a sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil) encontrase, conforme consulta ao site do Supremo Tribunal de Justiça, realmente sobrestada, não tendo ocorrido o trânsito em julgado do referido Acórdão por conta de existência de feitos pendentes sobre a matéria com repercussão geral reconhecida no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Assim, de se rechaçar qualquer violação ao art. 62A do Regimento desta Casa ao não se adotar o posicionamento ali esposado pelo Egrégio STJ no citado REsp. Por outro lado, acedo aqui à necessidade de plena observância ao dispositivo legal acima reproduzido em vigor, não só em plena consonância com o art. 62 do referido Regimento (citado pelo voto vencedor da decisão de piso), mas também, e principalmente, em plena obediência ao princípio da legalidade que deve nortear a seara do direito tributário material, sem que se possa abrir mão do mesmo em prol de uma possível "economia processual", notese, vinculada, nos casos paradigmáticos, a decisum ainda pendente de reapreciação e, assim, não vinculante, ainda que julgado em sede de recurso repetitivo. Assim, entendo que, no caso, a celeuma deve se ater à interpretação por este CARF do dispositivo legal em comento (repitase, plenamente vigente), para fins de definição da incidência ou não das contribuições previdenciárias sobre as duas verbas sobre as quais o litígio se resume a esta altura, a saber, o adicional (1/3) de férias recebido pelos empregados decorrentes de férias gozadas e os quinze primeiros dias pagos pelo empregador, quando de concessão de benefício a título de auxíliodoença. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721068/201197 Acórdão n.º 9202003.773 CSRFT2 Fl. 971 12 A propósito, interpreto, inicialmente, em linha com o esposado pela Fazenda Nacional em sede de contrarrazões, que trata o referido §9o. do art. 28 de elenco taxativo de exclusões da base de cálculo, podendose concluir neste sentido, em meu entendimento. ao se interpretar o referido parágrafo (que em suas numerosas alíneas trata com grande especificidade de cada exclusão, sem a utilização de termos ou descrições de rubricas genéricas) à luz do caput do mesmo artigo, que, a seu turno, estabelece critério quantitativo bastante abrangente da hipótese de incidência, a saber, "a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma". 1. Quanto ao adicional de férias Feita tal digressão, verifico inicialmente, quanto ao adicional de férias, ter se referido o legislador na alínea "d" do já extensivamente mencionado §9o. especificamente e exclusivamente aos valores recebidos a título de férias indenizadas, não havendo motivo, assim, em meu entendimento, para se entender como abrangida na referida exclusão qualquer outro tipo de remuneração (tal como o adicional referente a férias gozadas), em plena consonância com o princípio basilar de hermenêutica de que a lei não contém palavras inúteis (Verba cum effectu sunt accipienda). Caracterizada, assim, a intenção do legislador no sentido de restringir a exclusão às férias indenizadas, por não gozadas. Ainda, com base nas pertinentes observações constantes do voto vencedor guerreado, no sentido de se tratar do mencionado adicional de 1/3, no caso de férias gozadas, de verba baseada na existência de vínculo laboral, com destinação livre, exclusivamente a critério do empregado, entendo não se poder falar aqui de exclusão da base de cálculo por conta de sua natureza indenizatória, mantida assim a incidência das contribuições previdenciárias e, destarte, o caráter indevido das compensações realizadas pela empresa autuada quanto a esta rubrica. Assim, nego provimento ao Recurso Especial do contribuinte quanto a esta matéria. 2. Quanto aos primeiros 15 dias de afastamento do trabalhador por auxíliodoença Em linha com o acima disposto, verifico também não fazer parte do rol das exclusões constantes do referido §9o. os primeiros quinze dias de afastamento do trabalhador, quando de auxíliodoença, custeados pela empresa na forma legalmente estabelecida (normalmente conhecidos como salárioenfermidade). Ainda, ao analisar o artigo 60, caput e parágrafo 3o., da Lei no. 8.213, de 24 de julho de 1991, verifico que tais dispositivos, quando interpretados conjuntamente, apontam, como bem defendido pelo voto vencedor do Acórdão sob análise, para hipótese de interrupção do contrato de trabalho durante os primeiros 15 dias de afastamento do empregado, caracterizadas aqui a manutenção da outorga de salários, do vínculo contratual, bem como o cômputo deste intervalo para fins de tempo de serviço, até que a incapacidade laboral do empregado tornese juridicamente relevante e, assim, este passe a auferir o benefício do auxíliodoença, agora a partir do 16o. dia. A partir de então, tem o empregado seu contrato suspenso (em licença não remunerada). Reza o dispositivo (redação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores em questão): Fl. 971DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721068/201197 Acórdão n.º 9202003.773 CSRFT2 Fl. 972 13 Art. 60. O auxíliodoença será devido ao segurado empregado a contar do décimo sexto dia do afastamento da atividade, e, no caso dos demais segurados, a contar da data do início da incapacidade e enquanto ele permanecer incapaz.(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) (...) 3o Durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbirá à empresa pagar ao segurado empregado o seu salário integral.(Redação Dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99)(g.n.) §4ºA empresa que dispuser de serviço médico, próprio ou em convênio, terá a seu cargo o exame médico e o abono das faltas correspondentes ao período referido no § 3º, somente devendo encaminhar o segurado à perícia médica da Previdência Social quando a incapacidade ultrapassar 15 (quinze) dias. Diante de tais dispositivos legais, entendo que o melhor posicionamento é o de que se está, também aqui, ou seja, no caso da verba paga referente aos primeiros 15 dias de afastamento do trabalhador por auxíliodoença, diante de verba de natureza nitidamente remuneratória, salarial, passível de incidência das contribuições previdenciárias, sem que se possa cogitar de exclusão da rubrica da base de cálculo da contribuição devida, seja pelo empregador seja pelo empregado, visto, notese, de forma consistente, não restar mencionada no já tratado art. 28, §9o. da Lei no 8.212, de 1991. Escorreito, assim, o guerreado ao concluir pela natureza indevida das compensações efetuadas pela recorrente também quando da utilização destes direitos creditórios inexistentes, devendo, também nesta matéria, ser negado provimento ao recurso. Assim, diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 972DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721068/201197 Acórdão n.º 9202003.773 CSRFT2 Fl. 973 14 Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Em que pese o brilhante voto do relator, consigno meu entendimento de que as verbas em discussão possuem indiscutível caráter indenizatório, o que excluí as mesmas da base de cálculo do salário de contribuição para fins da contribuição previdenciária devida aos cofres públicos. Nesse sentido aponta a doutrina pátria e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, ressaltando que se deve levar em conta o caráter finalístico da verba como fator preponderante para sua classificação em indenizatória ou remuneratória. A finalidade do adicional de férias (1/3), não é o de remunerar o trabalhador, mas sim o de garantir um extra a ser usufruído no período de descanso, uma vez que seus gastos fixos habituais já comprometem a remuneração mensal. Do mesmo modo ocorre no período que a empresa paga os primeiros 15 dias de atestado médico, pelos mesmos fundamentos, pois surge novamente aqui a ausência de trabalho. Logo, não há que se falar em verba remuneratória, pois não há trabalho realizado, mas sim uma indenização recebida. Cumpre esclarecer que, a presente discussão teve início dentro do Regime Próprio de Previdência Social, conforme podemos verificar no voto do STJ em sede de uniformização de jurisprudência no qual determinou que a TNU adequasse seus julgados para não incidência: PETIÇÃO Nº 7.296 PE (2009/00961736) RELATORA : MINISTRA ELIANA CALMON REQUERENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : ROBERTA CECÍLIA DE QUEIROZ RIOS E OUTRO(S) REQUERIDO : VIRGÍNIA MARIA LEITE DE ARAÚJO ADVOGADO : CLAUDIONOR BARROS LEITÃO DEFENSOR PÚBLICO EMENTA TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA DAS TURMAS RECURSAIS DOS JUIZADOS ESPECIAIS FEDERAIS CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS NATUREZA JURÍDICA NÃOINCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO ADEQUAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ AO ENTENDIMENTO FIRMADO NO PRETÓRIO EXCELSO. 1. A Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais firmou entendimento, com base em precedentes do Pretório Excelso, de que não incide contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias. 2. A Primeira Seção do STJ considera legítima a incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias. 3. Realinhamento da jurisprudência do STJ à posição sedimentada no Pretório Excelso de que a contribuição previdenciária não incide sobre o terço constitucional de férias, verba que detém natureza indenizatória e que não se incorpora à remuneração do servidor para fins de aposentadoria. 4. Incidente de uniformização acolhido, para manter o Fl. 973DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721068/201197 Acórdão n.º 9202003.773 CSRFT2 Fl. 974 15 entendimento da Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais, nos termos acima explicitados. Com referência ao Regime Geral de Previdência – INSS, o STJ inicialmente teve entendimento diverso, de que se tratava de verba eminentemente remuneratória, pois seu direito era adquirido em decorrência do período de exercício de trabalho remunerado, sendo, portanto, devida a incidência da contribuição (RE 345.458, 2 Turma, Relatora Ellen Grace). Contudo, este entendimento foi revisto pelo STJ, que passou a acompanhar o entendimento manifestado pelo STF, no sentido de que as verbas que possuem natureza indenizatória/compensatória, assim o terço constitucional sobre férias e os primeiros 15 dias que antecedem o auxíliodoença não devem sofrer incidência da referida contribuição previdenciária: RECURSO ESPECIAL Nº 1.230.957 RS (2011/00096836) RELATOR : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE : HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA/ ADVOGADO : LUCAS BRAGA EICHENBERG E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS INTERES. : ASSOCIACAO NACIONAL DE BANCOS ASBACE ADVOGADO : FÁBIO DA COSTA VILAR E OUTRO(S) INTERES. : ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MANTENEDORAS DE ENSINO SUPERIOR ABMES ADVOGADO : FÁBIO DA COSTA VILAR EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. 1. Recurso especial de HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA. 1.1 Prescrição. O Supremo Tribunal Federal ao apreciar o RE 566.621/RS, Tribunal Pleno, Rel. Min. Ellen Gracie, DJe de 11.10.2011), no regime dos arts. 543A e 543B do CPC (repercussão geral), pacificou entendimento no sentido de que, "reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005" . No âmbito desta Corte, a questão em comento foi apreciada no REsp 1.269.570/MG (1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.6.2012), submetido ao regime do art. 543C do CPC, ficando consignado que, "para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º, do CTN" . Fl. 974DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721068/201197 Acórdão n.º 9202003.773 CSRFT2 Fl. 975 16 1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a Documento: 34122204 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 18/03/2014 Página 1 de 5 Superior Tribunal de Justiça seguinte orientação: "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas" . 1.3 Salário maternidade. O salário maternidade tem natureza salarial e a transferência do encargo à Previdência Social (pela Lei 6.136/74) não tem o condão de mudar sua natureza. Nos termos do art. 3º da Lei 8.212/91, "a Previdência Social tem por fim assegurar aos seus beneficiários meios indispensáveis de manutenção, por motivo de incapacidade, idade avançada, tempo de serviço, desemprego involuntário, encargos de família e reclusão ou morte daqueles de quem dependiam economicamente". O fato de não haver prestação de trabalho durante o período de afastamento da segurada empregada, associado à circunstância de a maternidade ser amparada por um benefício previdenciário, não autoriza conclusão no sentido de que o valor recebido tenha natureza indenizatória ou compensatória, ou seja, em razão de uma contingência (maternidade), pagase à segurada empregada benefício previdenciário correspondente ao seu salário, possuindo a verba evidente natureza salarial. Não é por outra razão que, atualmente, o art. 28, § 2º, da Lei 8.212/91 dispõe expressamente que o salário maternidade é considerado salário de contribuição. Nesse contexto, a incidência de contribuição previdenciária sobre o salário maternidade, no Regime Geral da Previdência Social, decorre de expressa previsão legal. Sem embargo das posições em sentido contrário, não há indício de incompatibilidade entre a incidência da contribuição previdenciária sobre o salário maternidade e a Constituição Federal. A Constituição Federal, em seus termos, assegura a igualdade entre homens e mulheres em direitos e obrigações (art. 5º, I). O art. 7º, XX, da CF/88 assegura proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei. No que se refere ao salário maternidade, por opção do legislador infraconstitucional, a transferência do ônus referente ao pagamento dos salários, durante o período de afastamento, constitui incentivo suficiente para assegurar a proteção ao mercado de trabalho da mulher. Não é dado ao Poder Judiciário, a título de interpretação, atuar como Fl. 975DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721068/201197 Acórdão n.º 9202003.773 CSRFT2 Fl. 976 17 legislador positivo, a fim estabelecer política protetiva mais ampla e, desse modo, desincumbir o empregador do ônus referente à contribuição previdenciária incidente sobre o salário maternidade, quando não foi esta a política legislativa. A incidência de contribuição previdenciária sobre salário maternidade encontra sólido amparo na jurisprudência deste Tribunal, sendo oportuna a citação dos seguintes precedentes: REsp 572.626/BA, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 20.9.2004; REsp 641.227/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 29.11.2004; REsp 803.708/CE, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 2.10.2007; REsp 886.954/RS, 1ª Turma, Rel. Min. Denise Arruda, DJ de 29.6.2007; AgRg no REsp 901.398/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 19.12.2008; REsp 891.602/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 21.8.2008; AgRg no REsp 1.115.172/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 25.9.2009; AgRg no Ag 1.424.039/DF, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 21.10.2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.040.653/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, DJe de 15.9.2011; AgRg no REsp 1.107.898/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 17.3.2010. Documento: 34122204 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 18/03/2014 Página 2 de 5 Superior Tribunal de Justiça 1.4 Salário paternidade. O salário paternidade referese ao valor recebido pelo empregado durante os cinco dias de afastamento em razão do nascimento de filho (art. 7º, XIX, da CF/88, c/c o art. 473, III, da CLT e o art. 10, § 1º, do ADCT). Ao contrário do que ocorre com o salário maternidade, o salário paternidade constitui ônus da empresa, ou seja, não se trata de benefício previdenciário. Desse modo, em se tratando de verba de natureza salarial, é legítima a incidência de contribuição previdenciária sobre o salário paternidade. Ressaltese que "o saláriopaternidade deve ser tributado, por se tratar de licença remunerada prevista constitucionalmente, não se incluindo no rol dos benefícios previdenciários" (AgRg nos EDcl no REsp 1.098.218/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 9.11.2009). 2. Recurso especial da Fazenda Nacional. 2.1 Preliminar de ofensa ao art. 535 do CPC. Não havendo no acórdão recorrido omissão, obscuridade ou contradição, não fica caracterizada ofensa ao art. 535 do CPC. 2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes Fl. 976DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721068/201197 Acórdão n.º 9202003.773 CSRFT2 Fl. 977 18 ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, "se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacamse, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento. Precedentes: REsp 1.198.964/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 1º.12.2010; AgRg no REsp 1.205.593/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 22.2.2011; AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011. 2.3 Importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio doença. Documento: 34122204 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 18/03/2014 Página 3 de 5 Superior Tribunal de Justiça No que se refere ao segurado empregado, durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbe ao empregador efetuar o pagamento do seu salário integral (art. 60, § 3º, da Lei 8.213/91 — com redação dada pela Lei 9.876/99). Não obstante nesse período haja o pagamento efetuado pelo empregador, a importância paga não é destinada a retribuir o trabalho, sobretudo porque no intervalo dos quinze dias consecutivos ocorre a interrupção do contrato de trabalho, ou seja, nenhum serviço é prestado pelo empregado. Nesse contexto, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção/STJ firmouse no sentido de que sobre a importância paga pelo empregador ao empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença não incide a contribuição previdenciária, por não se enquadrar na hipótese de incidência da exação, que exige verba de natureza remuneratória. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.100.424/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 18.3.2010; AgRg no REsp 1074103/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe 16.4.2009; AgRg no REsp 957.719/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 2.12.2009; REsp 836.531/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 17.8.2006. 2.4 Terço constitucional de férias. O tema foi exaustivamente enfrentado no recurso especial da empresa (contribuinte), Fl. 977DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721068/201197 Acórdão n.º 9202003.773 CSRFT2 Fl. 978 19 levando em consideração os argumentos apresentados pela Fazenda Nacional em todas as suas manifestações. Por tal razão, no ponto, fica prejudicado o recurso especial da Fazenda Nacional. 3. Conclusão. Recurso especial de HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA parcialmente provido, apenas para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre o adicional de férias (terço constitucional) concernente às férias gozadas. Recurso especial da Fazenda Nacional não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. Observo que a discussão não é nova neste Tribunal Administrativo/CARF, pois inclusive já há entendimentos nesse sentido, conforme julgado abaixo: Acórdão 2402003.564 Número do Processo: 10783.722724/201162 Data de Publicação: 21/06/2013 Contribuinte: CHOCOLATES GAROTO SA Relator(a): RONALDO DE LIMA MACEDO Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2009 COMPENSAÇÃO. VALORES PAGOS SOBRE AS VERBAS TITULADAS DE TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS E DOS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO POR AUXÍLIODOENÇA OU ACIDENTE DO TRABALHO. AUXÍLIOCRECHE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. SÚMULA Nº 310/STJ. PARECER PGFN Nº 2.118/2011. DIREITO DE CRÉDITO. VERBAS QUE NÃO OSTENTAM O CARÁTER REMUNERATÓRIO. POSSIBILIDADE. Não devem ser glosadas as compensações efetuadas com valores de contribuições devidas pela recorrente, quando se pleiteia o seu abatimento com valores pagos indevidamente ou a maior. No caso, devem ser considerados como direito de crédito a Recorrente os pagamentos de contribuições a maior incidentes sobre o terço/adicional constitucional de férias e os quinze primeiros dias de afastamento do trabalho em decorrência de auxíliodoença e acidente do trabalho, bem como os pagamentos referentes ao auxíliocreche. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Conforme dispõe o Enunciado nº 310 de Súmula STJ, o auxíliocreche não integra o salário de contribuição. Em decorrência de entendimento pacífico da jurisprudência e orientação constante do Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional, PGFN/CRJ/Nº 2.118/2011, não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de auxíliocreche Fl. 978DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721068/201197 Acórdão n.º 9202003.773 CSRFT2 Fl. 979 20 VERBAS PAGAS A TÍTULO DE ABONO JORNADA E ABONO TURNO FIXO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. As parcelas pagas aos empregados a título de Abono Jornada e Abono Turno Fixo, em desacordo com a legislação previdenciária, integra o salário de contribuição. As importâncias recebidas à titulo de ganhos eventuais e abonos não integram o salário de contribuição somente quando expressamente desvinculados do salário por força de lei. VERBA PAGA A TÍTULO DE REEMBOLSO DE MATERIAL ESCOLAR. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. O reembolso de material escolar está inserido no conceito de salário de contribuição previsto no art. 28, inciso I, da Lei 8.212/1991, uma vez que se constitui em uma vantagem econômica para o trabalhador, auferida como retribuição ao trabalho prestado, caracterizando, assim, o recebimento de uma remuneração indireta. RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO. Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídicotributário, o recurso de ofício será negado. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte. Os doutrinadores tem ressaltado que a redação do texto legal, gera o questionamento de inúmeras situações. A professora MELISSA FOLMANN explica que a CF/88 em seu artigo 1958, I, a: “elegeu o trabalho (atividade laboral remunerada) como fato gerador da incidência de contribuição social previdenciária, no que foi seguida pela Lei 8212/91 (artigo 28), contudo, a expressão “folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados” motiva a discussão acerca do enquadramento destas verbas na base de cálculo das contribuições sociais. E assim pondera que quanto ao terço de férias (...) “a matéria encontrase em Repercussão Geral perante o STF no RE 593068”. Entretanto, tanto o Superior Tribunal de Justiça, quanto o CARF compreenderam tratarse de verba indenizatória não passível de contribuição previdenciária”. O mesmo se dá no tocante aos 15 primeiros dias de afastamento antecedente ao auxíliodoença, a temática também está pendente de julgamento de Repercussão Geral, contudo o STJ também já decidiu a questão: “na linha de ausência de fato gerador, pois não há o exercício de atividade laboral, conforme RESP 1230957. Defendo aqui meu posicionamento de que o Tribunal Administrativo deve ser útil à sociedade, motivo pelo qual deve se adequar à jurisprudência dominante do Poder Judiciário, a fim de evitar a repetitiva judicialização de demandas, mesmo que não esteja adstrita a aplicação dela por força do regimento, uma vez que a jurisprudência citada não procede de repetitivo de controvérsia (STJ), nem de repercussão geral (STF). Diante do exposto acredito que a melhor interpretação seja aquela dada pelo STJ na ementa que transcrevi acima, não devendo incidir Contribuição Previdenciária sobre as Fl. 979DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721068/201197 Acórdão n.º 9202003.773 CSRFT2 Fl. 980 21 verbas decorrentes do terço constitucional sobre férias nem das verbas decorrentes dos primeiros quinze dias de afastamento que antecedem o auxíliodoença. Conselheira Ana Paula Fernandes Fl. 980DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 13819.720377/2014-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
Despesas Médicas - Plano de Saúde -Comprovação
Restando comprovado o valor desembolsado com o plano de saúde de cônjuge, cabe a dedução da despesa, seja na declaração em conjunto ou separado.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2201-002.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente em exercício
IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relator.
EDITADO EM: 28/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), EDUARDO TADEU FARAH, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente em exercício IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relator. EDITADO EM: 28/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), EDUARDO TADEU FARAH, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1642; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 99 1 98 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.720377/201410 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.793 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2016 Matéria Imposto de Renda de Pessoa Física Recorrente Marlene da Cunha Possari Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 Despesas Médicas Plano de Saúde Comprovação Restando comprovado o valor desembolsado com o plano de saúde de cônjuge, cabe a dedução da despesa, seja na declaração em conjunto ou separado. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente em exercício IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Relator. EDITADO EM: 28/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), EDUARDO TADEU FARAH, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 03 77 /2 01 4- 10 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 13819.720377/201410 Acórdão n.º 2201002.793 S2C2T1 Fl. 100 2 MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Relatório Tratase de recurso contra o acórdão 0830.350 – 1ª Turma da DRJ/FOR, de 30 de junho de 2014, fls. 25/28 que julgou improcedente a impugnação contra lançamento que exige imposto de renda das pessoas físicas, ano calendário de 2011, exercício de 2012, por glosa de despesas médicas. Transcrevo o relatório do acórdão combatido, por bem caracterizar o litígio: Tratase de Notificação de Lançamento – Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, às fls. 08/13, correspondente ao ano calendário 2011, exercício 2012. A exigência fiscal decorreu de revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual apresentada pela contribuinte, que resultou na glosa de despesas médicas no valor de R$ 18.930,06. Na complementação da “descrição dos fatos e enquadramento legal” posta na peça fiscal consta a seguinte informação: “R$ 18.930,06 indevidamente deduzido a título de despesas médicas” Conforme demonstrativo de apuração à fl. 12, foi modificado o saldo do imposto a restituir no valor de R$ 6.358,98 constante da DIRPF apresentada pela contribuinte, para saldo de imposto a restituir ajustado no valor de R$ 1.153,22. Cientificada do lançamento em 29/01/2014, conforme Aviso de Recebimento – AR à fl. 20, a interessada apresentou impugnação em 14/02/2014, colacionando aos autos documentação que aduz ser suficiente para comprovar o direito à dedução do valor das despesas médicas apontadas no lançamento. Na sequência, por meio do despacho à fl. 24, se deu o encaminhamento dos autos a esta DRJ/Fortaleza. A contribuinte toma ciência desta decisão em 23 de julho de 2014 conforme AR de fls.32. Em 21 de agosto de 2014, às fls.36/40, há interposição de recurso voluntário onde a Recorrente, após narrar os fatos, alega que a dúvida postada sobre a idoneidade dos recibos apresentados não prospera. Porque o valor relativo ao pagamento do seu plano de saúde , lançado em sua declaração como despesa dedutível, atende aos requisitos de dedutibilidade da legislação em vigor. Transcreve a resposta à pergunta 363 do Site da Receita Federal do Brasil e afirma que os documentos anexados atendem plenamente aos requisitos legais. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 13819.720377/201410 Acórdão n.º 2201002.793 S2C2T1 Fl. 101 3 Informa que os pagamentos foram realizados através da conta conjunta que mantem com o marido, Valdomiro Possari, CPF 31612300863, no Banco Itaú, agência 3797, c/c 1213199, cujos extratos e boletos anexa. Como realiza sua declaração em separado, nos termos da resposta contida no site da Receita teve o direito de deduzir o valor correspondente. Acrescenta a declaração do Sindicato dos engenheiros no estado de São Paulo, pela qual informa os valores pagos a AMIL ASS.MED.INTERNACIONAL LTDA, separado por titular e dependente. Por isto não poderia prosperar a afirmação do acórdão de que: Deste modo, ainda que se pudesse considerar a possibilidade desta dedução de despesas médicas ocorrer ao amparo do conceito de entidade familiar, vez que a impugnante apresentou sua declaração em separado, não há nos autos documentação que possa comprovar a participação ou vinculação contratual do titular do plano (Sr. Ernesto Valdomiro Possari), e conseqüentemente de sua dependente, ora impugnante, com a Amil Assistência Médica Internacional Ltda. Discorda desse entendimento e anexa o documento que instrumentaliza a contratação do plano, feita por meio da Proposta de Adesão –AMIL/SINDICATOPLANO DE SAÚDE COLETIVO POR ADESÃO, nº 2769 de 08.10.2010 onde se explicita o titular e seus dependentes. Pede o acolhimento de suas razões. Anexos folhas 41/92.Às fls. 93, especifica os anexos que acompanham o recurso. Através do despacho de encaminhamento de fls.98, por sorteio, recebo o processo para relato. É o Relatório. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 13819.720377/201410 Acórdão n.º 2201002.793 S2C2T1 Fl. 102 4 Voto Conselheiro Ivete Malaquias Pessoa Monteiro O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Conforme anteriormente relatado tratase de exigência do imposto de renda de pessoa física, referente ao ano calendário de 2011, exercício de 2012, onde na descrição dos fatos e enquadramento legal, às fls. 10, consigna a autoridade lançadora, o seguinte: Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ 18.930,06, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. CNPJ 62637137/000109 Sindicato dos Engenheiros No ES cod 26 – Declarado 18.930,06 Enquadramento Legal:Art.8° , inciso II, alínea 'a', e §§ 2. ° e 3º , da Lei nº 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n. ° 15/2001, arts. 73, 80 e 83, inciso II do Decreto n. ° 3.000/99 RIR/99. Na impugnação de fls. 02 a contribuinte informou que o valor glosado se referia ao pagamento das despesas médicas próprias, no ano calendário de 2011, no valor de R$ 18.930,06, pagos ao Plano de Saúde AMIL. Juntou o comprovante emitido pelo plano, onde constam os valores relativos a titular e dependentes. A autoridade julgadora entendeu que tal documento seria insuficiente para justificar a dedução e manteve a glosa sob as seguintes alegações: (...) Conforme se pode observar da legislação em destaque, poderão ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos feitos, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos, e ainda, referentes a aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. Devese salientar que o direito à dedução de despesas médicas está sempre vinculado à comprovação prevista em lei e restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes relacionados na Declaração de Ajuste Anual. (...) Ou seja, a autoridade julgadora julgou insuficiente as provas juntadas e pediu outras que não estiveram claramente especificada no lançamento. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 13819.720377/201410 Acórdão n.º 2201002.793 S2C2T1 Fl. 103 5 O artigo 16 do Processo Administrativo Fiscal, Decreto 70235/1972 determina o conteúdo da impugnação e o seu parágrafo 4º é claro quanto ao momento de juntada da prova. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Aqui o princípio da legalidade estrita. Todavia o Processo Administrativo Federal sofre a influência de diversos princípios, dentre estes, o do formalismo moderado e o da verdade material. Além do mais, no presente caso, também vejo permissão para aceitar as provas trazidas em sede de recurso, ante o comando da letra “c” do acima transcrito, parágrafo 4º do artigo 16 (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) . No lançamento, a acusação Glosa do valor de R$ 18.930,06, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. E esta condição foi atendida na impugnação onde a causa para manter o lançamento foi além. O Relator do acórdão combatido acrescentou nas suas razões de decidir que: No caso, visando afastar a glosa da despesa médica destacada no lançamento a contribuinte juntou ao processo declarações emitidas pelo Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP), às fls. 17/18, contendo a informação de que o Sr. Ernesto Valdomiro Possari efetuou pagamentos no ano calendário 2011 como participante no plano de saúde Amil Assistência Médica Internacional Ltda., sendo parte desse montante pago, ou seja, o valor de R$ 18.930,06, referente à parcela relacionada à participação da impugnante (Sra. Marlene da Cunha Possari) como dependente no referido plano de assistência médica. Deste modo, ainda que se pudesse considerar a possibilidade desta dedução de despesas médicas ocorrer ao amparo do conceito de entidade familiar, vez que a impugnante apresentou sua declaração em separado, não há nos autos documentação que possa comprovar a participação ou vinculação contratual do titular do plano (Sr. Ernesto Valdomiro Possari), e Fl. 103DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 13819.720377/201410 Acórdão n.º 2201002.793 S2C2T1 Fl. 104 6 conseqüentemente de sua dependente, ora impugnante, com a Amil Assistência Médica Internacional Ltda. Observase ainda que não foram colacionados demonstrativos dos desembolsos destas despesas que tenham sido realizadas através de eventual convênio com o Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP), isto em se confirmando que a entidade sindical é quem veio estabelecer a vinculação e/ou extensão do plano de saúde a seus associados e dependentes. Como se vê, a documentação anexada às fls. 17/18, por si só, não se revela suficiente para desconstituir a glosa fiscal, verificandose necessária a anexação de outros elementos de prova que possam demonstrar a vinculação contratual da impugnante com o mencionado com plano de saúde, assim como o desembolso destas despesas, ainda que tal ônus financeiro tenha sido suportado por um terceiro, este sendo comprovadamente integrante da entidade familiar. Entendo que confrontado este argumento com a causa de lançar, pelo benefício da dúvida, é lícito supor que a recorrente entendeu que não estaria obrigada a comprovar com os cheques, extratos, contrato de constituição do seguro, etc, os pagamentos realizados. Exigência que só se esclareceu após a ciência do acórdão. Os documentos acostados ao recurso são os seguintes: Às fls: 54 – Declaração do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, com os valores anuais;55 – Declaração do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, com os valores mensais; 56 – Declaração do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, referente à rejuste de mensalidades e aniversário do contrato (julho/2011); 57/58 – Proposta de Adesão – AMIL/SEESP, onde consta a Recorrente como dependente do titular; A orientação da Receita Federal do Brasil, quanto às formas possíveis de comprovação de despesas se fez através da Pergunta 363 do Site oficial onde trata da matéria: Vejase da Declaração/ Perguntão: 363 O contribuinte, titular de plano de saúde, pode deduzir o valor integral pago ao plano, incluindo os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado? (...) A comprovação do ônus financeiro deve ser feita mediante documentação hábil e idônea, tais como contrato de prestação de serviço ou declaração do plano de saúde e comprovante da transferência de recursos ao titular do plano. (4º parágrafo da resposta à pergunta 363 da Declaração/ Perguntão(http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaFisica/IRPF/2 014/perguntao/perguntas/pergunta363.html) Às fls.59/92 – constam os boletos, as programações e os extratos bancários onde foram debitados os valores do plano de saúde. (...) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 13819.720377/201410 Acórdão n.º 2201002.793 S2C2T1 Fl. 105 7 Na hipótese de apresentação de declaração em separado, são dedutíveis as despesas com instrução ou médica ou com plano de saúde relativas ao tratamento do declarante e de dependentes incluídos na declaração, cujo ônus financeiro tenha sido suportado por um terceiro, se este for integrante da entidade familiar, não havendo, neste caso, a necessidade de comprovação do ônus.(...). (3º parágrafo da resposta à pergunta 363 da Declaração/ Perguntão(http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaFisica/IRPF/2 014/perguntao/perguntas/pergunta363.html) Portanto, ante o conjunto probatório apresentado, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Relatora Fl. 105DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11968.000609/2008-32
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2008 a 31/05/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.702
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/04/2008 a 31/05/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2008 a 31/05/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 06 09 /2 00 8- 32 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 9303003.702 CSRF‐T3 Fl. 443 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.831. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 443DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 9303003.702 CSRF‐T3 Fl. 444 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 444DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 9303003.702 CSRF‐T3 Fl. 445 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 9303003.702 CSRF‐T3 Fl. 446 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 446DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 9303003.702 CSRF‐T3 Fl. 447 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 447DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 9303003.702 CSRF‐T3 Fl. 448 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 9303003.702 CSRF‐T3 Fl. 449 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 449DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 9303003.702 CSRF‐T3 Fl. 450 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 9303003.702 CSRF‐T3 Fl. 451 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 451DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 9303003.702 CSRF‐T3 Fl. 452 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 452DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 9303003.702 CSRF‐T3 Fl. 453 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 453DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.727154/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA. COMPROVAÇÃO.
Restando comprovado que os rendimentos decorrem de proventos de aposentadoria, bem como ser o contribuinte portador de moléstia grave, são isentos os rendimentos de aposentadoria recebidos. Inteligência dos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/198 e da Súmula CARF nº 63: "para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios".
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA. COMPROVAÇÃO. Restando comprovado que os rendimentos decorrem de proventos de aposentadoria, bem como ser o contribuinte portador de moléstia grave, são isentos os rendimentos de aposentadoria recebidos. Inteligência dos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/198 e da Súmula CARF nº 63: "para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios". Recurso Voluntário Provido.
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MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA. COMPROVAÇÃO. Restando comprovado que os rendimentos decorrem de proventos de aposentadoria, bem como ser o contribuinte portador de moléstia grave, são isentos os rendimentos de aposentadoria recebidos. Inteligência dos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/198 e da Súmula CARF nº 63: "para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios". Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 71 54 /2 01 2- 91 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.727154/201291 Acórdão n.º 2402005.174 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 17/20, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2008, anocalendário de 2007, que implicou apuração de imposto suplementar, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais. Por descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 24/29), reproduzido a seguir: “Contra a contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento nº 2008/361031262441820, em 23/01/2012, acostada às fls. 17 a 20, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2008, que reduziu o imposto a restituir declarado de R$3.166,69 para R$1.409,26, já restituído, o que resultou em “Sem Saldo de Imposto, conforme abaixo demonstrado”: Quadro 1 – Demonstrativo do valor a restituir: 1 Imposto a Restituir Apurado na Declaração após a Revisão 1.409,26 2 Imposto Já Restituído 1.409,26 3 Saldo do Imposto a Restituir Ajustado (12) Fonte: Notificação de Lançamento nº 2008/361031262441820 Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na declaração de ajuste anual, ND 06/35.603.069, anocalendário 2007, quando foi constatada, conforme “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 18, omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DOS SERVIDORES MILITARES DE MG, CNPJ 17.444.779/000137. Quadro 2 – Omissão de rendimentos: Rendimento inform. em Dirf 34.350,59 Rendimento Declarado 2.818,42 Rendimento Omitido 31.532,17 IRRF inform. em Dirf 3.166,69 IRRF declarado 3.166,69 Fonte: Notificação de Lançamento nº 2008/361031262441820 Cientificada em 01/06/2012 (fls. 10), a contribuinte apresentou impugnação (fls. 02/08), por meio de sua procuradora (fls. 3) em 20/06/2012, conforme despacho de fls. 23, alegando que os Fl. 47DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 rendimentos considerados omissos “são isentos por tratarse de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave”. A decisão de primeira instância (fls. 24/29) julgou improcedente a impugnação, mantendose os valores apurados pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 25/09/2012 (fls. 31), o interessado interpôs, em 16/10/2012, o recurso de fls. 36/37. Nas razões recursais aduz, em síntese, que os rendimentos percebidos da aposentadoria são isentos do imposto de renda em razão de ser portador de neoplasia maligna ginecológica (carcinoma de ovário C.56). Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.727154/201291 Acórdão n.º 2402005.174 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. DA MOLÉSTIA GRAVE A isenção do imposto de renda para os portadores de moléstia grave tem de como base legal os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988, com a redação dada pelas Leis 8.541/1992, e 11.052/2004, nos seguintes termos: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Nesse passo, o art. 30 da Lei 9.250/1995 passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1o de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de Fl. 49DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Extraíse desses textos legais dois requisitos cumulativos para que o beneficiário faça jus à isenção do imposto de renda, a saber: 1. os valores recebidos devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão ou complementação de aposentadoria; e 2. a moléstia deve estar prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (caput art. 30 da Lei 9.250/1995). Nos termos da peça recursal, a controvérsia cingese apenas à comprovação de ser o Recorrente portador de moléstia grave, no caso em tela neoplasia maligna ginecológica (carcinoma de ovário C.56), assim definida nos termos da lei. O Recorrente carreou ao recurso ora examinado documentos que apontam ser portador de neoplasia maligna ginecológica (carcinoma de ovário C.56), desde 2003, conforme laudo oficial emitido pela Polícia Militar de Minas Gerais (fls. 39). O lançamento fiscal referese ao anocalendário 2007 (ano de ocorrência do fato gerador), período posterior ao reconhecimento da moléstia grave. No mesmo caminhar, a fonte pagadora informa que os rendimentos brutos decorrem de proventos de aposentadoria (fls. 11/15). Por sua vez, temse a Súmula CARF nº 63, aprovada pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recurso Fiscais em sessão de 29/11/2010: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Esse enunciado sumular é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado por força do art. 72 do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). Assim, é forçoso afirmar que o Recorrente preenche os requisitos para o gozo da isenção do imposto de renda prevista nos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988, devendo ser excluídos os valores apurados pelo Fisco. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.727154/201291 Acórdão n.º 2402005.174 S2C4T2 Fl. 5 7 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.723034/2012-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
NULIDADE - DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU
Ao enfrentar a questão atinente à incidência de juros sobre multa, a decisão recorrida não possui as mesmas minúcias encontradas com relação às demais questões. No entanto, esse tema foi enfrentado em conjunto com a incidência de juros sobre o total da exigência. Não deve, pois, prosperar a pretensão da recorrente de anular a decisão de primeira instância.
NULIDADE - MPF - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL
Não se comprova nos autos qualquer irregularidade na emissão dos mandados de procedimento fiscal ou desconformidade de seu conteúdo com o objeto da autuação. De toda sorte, o MPF é ato de controle administrativo de natureza discricionária. Seus eventuais vícios, incompatibilidades entre seu objeto e o do lançamento, ou mesmo a sua própria ausência, não maculam o procedimento de lançar, pois é vinculado.
SUJEIÇÃO PASSIVA
São inúmeras as provas que a autoridade fiscal carreou aos autos e foram descritas no seu minucioso termo de verificação. Todas confirmam consistentemente a correção do procedimento fiscal, em relação às quais a defesa não apresentou qualquer alegação ou prova contrária específica que as infirme.
DESQUALIFICAÇÃO DA CONTABILIDADE - ARBITRAMENTO
São também muitas as razões e as provas (não apresentação de documentos relativos aos lançamentos contábeis, falta de registro da conta estoques e a declaração da própria empresa de que seus registros eram precários, o agrupamento das despesas numa única conta intitulada "outras despesas" e a incapacidade da empresa de esclarecer a natureza específica desses valores, etc), cada uma suficiente para a desqualificação e o conseqüente arbitramento, que foram apontadas na decisão recorrida para fundamentar sua conclusão. E, uma vez mais, nenhuma foi infirmada pela peça de recurso.
MULTA QUALIFICADA
A multa foi qualificada em razão da segura comprovação da existência de um esquema delitivo organizado e controlado pelo contribuinte para burlar a tributação das atividades que geria.
INCONSTITUCIONALIDADES
Acatar as alegações de violação de improcedência da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, do caráter confiscatório da multa e da incidência de juros sob a taxa SELIC implicaria declarar inconstitucionais diplomas legais, competência vedada a órgãos administrativos, conforme Súmula CARF nº 2, "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária."
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA
Deve ser mantida a responsabilidade tributária sobre a pessoa física, que comprovadamente foi o gestor de todo o esquema delitivo e dele se beneficiou.
Numero da decisão: 1401-001.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), RICARDO MAROZZI GREGORIO, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 NULIDADE - DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU Ao enfrentar a questão atinente à incidência de juros sobre multa, a decisão recorrida não possui as mesmas minúcias encontradas com relação às demais questões. No entanto, esse tema foi enfrentado em conjunto com a incidência de juros sobre o total da exigência. Não deve, pois, prosperar a pretensão da recorrente de anular a decisão de primeira instância. NULIDADE - MPF - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Não se comprova nos autos qualquer irregularidade na emissão dos mandados de procedimento fiscal ou desconformidade de seu conteúdo com o objeto da autuação. De toda sorte, o MPF é ato de controle administrativo de natureza discricionária. Seus eventuais vícios, incompatibilidades entre seu objeto e o do lançamento, ou mesmo a sua própria ausência, não maculam o procedimento de lançar, pois é vinculado. SUJEIÇÃO PASSIVA São inúmeras as provas que a autoridade fiscal carreou aos autos e foram descritas no seu minucioso termo de verificação. Todas confirmam consistentemente a correção do procedimento fiscal, em relação às quais a defesa não apresentou qualquer alegação ou prova contrária específica que as infirme. DESQUALIFICAÇÃO DA CONTABILIDADE - ARBITRAMENTO São também muitas as razões e as provas (não apresentação de documentos relativos aos lançamentos contábeis, falta de registro da conta estoques e a declaração da própria empresa de que seus registros eram precários, o agrupamento das despesas numa única conta intitulada "outras despesas" e a incapacidade da empresa de esclarecer a natureza específica desses valores, etc), cada uma suficiente para a desqualificação e o conseqüente arbitramento, que foram apontadas na decisão recorrida para fundamentar sua conclusão. E, uma vez mais, nenhuma foi infirmada pela peça de recurso. MULTA QUALIFICADA A multa foi qualificada em razão da segura comprovação da existência de um esquema delitivo organizado e controlado pelo contribuinte para burlar a tributação das atividades que geria. INCONSTITUCIONALIDADES Acatar as alegações de violação de improcedência da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, do caráter confiscatório da multa e da incidência de juros sob a taxa SELIC implicaria declarar inconstitucionais diplomas legais, competência vedada a órgãos administrativos, conforme Súmula CARF nº 2, "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Deve ser mantida a responsabilidade tributária sobre a pessoa física, que comprovadamente foi o gestor de todo o esquema delitivo e dele se beneficiou.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), RICARDO MAROZZI GREGORIO, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2531; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 3.700 1 3.699 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.723034/201224 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.549 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 1 de março de 2016 Matéria IRPJ Recorrente FRIGORÍFICO SÃO GREGÓRIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 NULIDADE DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU Ao enfrentar a questão atinente à incidência de juros sobre multa, a decisão recorrida não possui as mesmas minúcias encontradas com relação às demais questões. No entanto, esse tema foi enfrentado em conjunto com a incidência de juros sobre o total da exigência. Não deve, pois, prosperar a pretensão da recorrente de anular a decisão de primeira instância. NULIDADE MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Não se comprova nos autos qualquer irregularidade na emissão dos mandados de procedimento fiscal ou desconformidade de seu conteúdo com o objeto da autuação. De toda sorte, o MPF é ato de controle administrativo de natureza discricionária. Seus eventuais vícios, incompatibilidades entre seu objeto e o do lançamento, ou mesmo a sua própria ausência, não maculam o procedimento de lançar, pois é vinculado. SUJEIÇÃO PASSIVA São inúmeras as provas que a autoridade fiscal carreou aos autos e foram descritas no seu minucioso termo de verificação. Todas confirmam consistentemente a correção do procedimento fiscal, em relação às quais a defesa não apresentou qualquer alegação ou prova contrária específica que as infirme. DESQUALIFICAÇÃO DA CONTABILIDADE ARBITRAMENTO São também muitas as razões e as provas (não apresentação de documentos relativos aos lançamentos contábeis, falta de registro da conta estoques e a declaração da própria empresa de que seus registros eram precários, o agrupamento das despesas numa única conta intitulada "outras despesas" e a incapacidade da empresa de esclarecer a natureza específica desses valores, etc), cada uma suficiente para a desqualificação e o conseqüente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 30 34 /2 01 2- 24 Fl. 3700DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 2 arbitramento, que foram apontadas na decisão recorrida para fundamentar sua conclusão. E, uma vez mais, nenhuma foi infirmada pela peça de recurso. MULTA QUALIFICADA A multa foi qualificada em razão da segura comprovação da existência de um esquema delitivo organizado e controlado pelo contribuinte para burlar a tributação das atividades que geria. INCONSTITUCIONALIDADES Acatar as alegações de violação de improcedência da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, do caráter confiscatório da multa e da incidência de juros sob a taxa SELIC implicaria declarar inconstitucionais diplomas legais, competência vedada a órgãos administrativos, conforme Súmula CARF nº 2, "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Deve ser mantida a responsabilidade tributária sobre a pessoa física, que comprovadamente foi o gestor de todo o esquema delitivo e dele se beneficiou. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), RICARDO MAROZZI GREGORIO, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Fl. 3701DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 11516.723034/201224 Acórdão n.º 1401001.549 S1C4T1 Fl. 3.701 3 Relatório Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: FRIGORÍFICO SÃO GREGÓRIO LTDA, já qualificada nos autos, teve contra si lavrado quatro Autos de Infração (fls. 1568/1642), referentes a fatos apurados nos anos de 2008 e 2009, onde foram formalizadas exigências relativas aos seguintes tributos: (...) Os valores acima incluem multa de 150% e juros SELIC. O agente fiscal afirma que o autuado não tributou vendas de produtos e, por conseguinte, considerou caracterizada a omissão de receitas. A autuação foi embasada nos elementos contidos no Termo de Verificação Fiscal e Termo de Sujeição Passiva Solidária TVFS acostado às fls. 3211/3274. O referido termo descreve de forma minuciosa o procedimento de auditoriafiscal, bem como a motivação para a caracterização da infração imputada. Em apertada síntese, assim se apresentam os fundamentos utilizados pelo autuante no TVFS no sentido de justificar as exigências consignadas na peça impositiva: • Inicialmente o agente tributário apresenta histórico dos apontamentos da empresa então fiscalizada junto ao órgão de registro no comércio, aduzindo informações acerca dos sócios, de seus familiares e de outras empresas a eles vinculadas; • Em seguida o autuante narra de forma cronológica o procedimento fiscal descrevendo as intimações lavradas e as respostas do sujeito passivo às demandas da fiscalização; • O Auditor Fiscal discorre, em extenso e detalhado arrazoado, sobre os assentamentos contábeis fornecidos pelo contribuinte, apontando diversas irregularidades observadas quanto à metodologia empregada na escrituração feita pela empresa e informa da não entrega do Livro de Inventário solicitada no curso do procedimento fiscal. Ao fim conclui que a contabilidade do administrado se mostra imprestável por não adotar recomendações da boa técnica contábil, por não contar com documentos que respaldam os lançamentos escriturados, como também por ferir a legislação comercial e tributária; • O item 6 do TVFS descreve as interrelações mantidas entre as empresas Frigorífico São Gregório, Frigorífico 3C, Frigorífico Mariante e Nacional Carnes (nome de fantasia da firma Fl. 3702DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 4 individual Celso Luiz Henriques da Silva), apresentando detalhado texto argumentativo onde são analisado aspectos envolvendo: i)contratos de prestação de serviço entre essas pessoas jurídicas, ii)documentos contábeis e fiscais, iii)depoimentos fornecidos por pessoas que tinham ligação com essas empresas e iv) movimentação financeira e faturamento. O agente fiscal conclui sua análise denunciando a existência de um esquema de sonegação fiscal articulado pela empresa autuada, perpetrado por meio de dissimulados contratos de prestação de serviço, no sentido de evitar a tributação sobre as vendas realizadas. Aduz que o produto do faturamento obtido em nome de Frigorífico Três C, Frigorífico Mariante e Nacional Carnes teria como único beneficiário o Frigorífico São Gregório, sendo este último, o verdadeiro sujeito passivo das obrigações tributárias decorrentes das receitas auferidas pelas três outras empresas; • Em continuidade ao TVFS o autuante atribuiu condição de “responsável solidário” às seguintes pessoas: Frigorífico Três C, Frigorífico Mariante, Nacional Carnes e Neri do Nascimento para que respondam pelos ilícitos apontados no feito fiscal; • Por fim, foi feita a demonstração da metodologia aplicada pela fiscalização para chegar ao crédito tributário apurado, a qual pode ser assim resumida: partindo dos valores das vendas registradas em notas fiscais informadas ao Fisco Estadual pelas quatro empresas (dados extraídos do SINTEGRA) foram descontadas as devoluções de mercadorias e anuladas as vendas registradas entre os parceiros dos contratos. O agente fiscal informa que o IRPJ e a CSLL foram calculados com base no lucro arbitrado de acordo com o art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99. Os contribuintes autuados foram cientificados das exigências conforme documentos de fls. 3275/3284, constando deste processo administrativo as impugnações apresentadas por Frigorífico São Gregório LTDA e Neri do Nascimento. A impugnação apresentada por Frigorífico São Gregório LTDA, em suma, contempla os seguintes argumentos: 1. Aduz que o procedimento fiscal colheu informações das Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira – DIMOF de forma arbitrária e ilegal através da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial; 2. Assevera que os proprietários e acionistas das empresas citadas não tem ligação societária com a impugnante nem fazem parte da “família” São Gregório; 3. Afirma que nenhum aspecto formal ou mesmo material expõem a comunhão, confusão patrimonial ou formação de grupo econômico a ponto de concluirse pela sua responsabilização pelos tributos da empresa Três C. Alega a existência apenas de parceria comercial e que caberia ao Fisco exigir do Frigorífico Três C o cumprimento da obrigação tributária decorrente de irregularidades na apuração e recolhimento dos tributos provenientes das receitas daquela empresa; Fl. 3703DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 11516.723034/201224 Acórdão n.º 1401001.549 S1C4T1 Fl. 3.702 5 4. Informa da existência de uma ação de despejo do Frigorífico Mariante contra a São Gregório, bem como que a Mariante entrou na justiça para anular o leilão pelo qual a São Gregório havia adquirido a planta da Mariante; 5. No que diz respeito à empresa Nacional Carnes – Celso Luiz, aduz que a autoridade fiscal apegase a uma procuração datada de 21/11/2008, outorgada pelo Sr. Celso Luiz às sócias da impugnante. Explica que não poderia ter ingerência sobre aquela empresa, pois seu faturamento foi somente até 01/2009, alega que os demais elementos coletados pela fiscalização também não permitem concluir pela existência de apenas um sujeito passivo tributário. 6. Insiste que o Fisco não apresentou, por exemplo, a relação que a Nacional Carnes teria com o Frigorífico Três C, e que relação este teria com o Frigorífico Mariante, ou o Mariante com o Nacional Carnes, sendo absurda também a imposição tributária solidária de todos eles em nome de apenas um sujeito passivo. 7. A impugnante assevera que não poderia figurar como legítima integrante passiva no feito fiscal por não ter incidido no fato gerador da obrigação, e que, portanto, não há que se falar em nascimento da obrigação tributária; 8. Afirma que o Fisco não tem permissão para, na via administrativa, desconstituir arbitrariamente a personalidade jurídica de uma empresa e responsabilizála pelos tributos supostamente devidos, e que em caso de dúvida e, principalmente, por falta de provas de que a impugnante tenha efetivamente cometido qualquer ilícito de natureza tributária, parafiscal ou previdenciária, a interpretação deve ser favorável ao contribuinte (art. 112 do CTN); 9. Alega também que a autoridade autuante incorreu em vício formal pois notificou períodos e tributos que não estavam contidos no MPF; 10. Explica que as operações identificadas pelo Fisco como ensejadoras da atribuição da responsabilidade tributária à impugnante são, na verdade, fruto de operações triangulares realizadas entre a impugnante e os frigoríficos responsáveis pelo abate e venda da carne. Nessas operações, a impugnante era responsável pelo gerenciamento das contar a pagar e a receber destes frigoríficos parceiros, bem como algumas atividades de fiscalização, a fim de zelar pela qualidade do produto; 11. Complementa alegando que os frigoríficos se responsabilizavam pelo abate do gado, o corte da carne, e o faturamento para os clientes situados fora do estado do Rio Grande do Sul, sendo responsável por todos os custos, inclusive do recolhimento dos tributos incidentes sobre a produção e faturamento, sendo que para garantia do pagamento das despesas com as matériasprimas, os Frigoríficos disponibilizavam ao autuado todos os títulos cobráveis, assim Fl. 3704DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 6 entendidos as duplicatas comerciais emitidas em função do objeto do citado contrato, com exceção das vendas dos subprodutos, que pertenciam aos Frigoríficos, bem como as duplicatas emitidas contra a impugnante, por conta dos serviços de industrialização prestados; 12. Justifica que as vendas de produtos dos frigoríficos eram recebidas nas suas contas, e que utilizava os recursos para pagar todos os gastos de produção, especialmente a aquisição da matéria prima (gado). E isto acontecia porque a impugnante é que possuía condições financeiras de financiar o capital de giro necessário para aquisição de matéria prima, o que não conseguia ser suportado pelos frigoríficos parceiros. Afirma que adiantava valores para aquisição de matéria prima (bois), pagando direto aos fornecedores, e recebia em contrapartida os produtos vendidos. 13. Traz a argumentação de que a industrialização por encomenda pode ser definida como a operação em que um estabelecimento (encomendante), contrata com outro (industrializador), a execução de uma operação definida como industrialização, remetendo, para esse fim, insumos de produção própria ou adquiridos de terceiros, os quais deverão retornar ao estabelecimento autor da encomenda devidamente industrializados; 14. Quanto ao procedimento contábil, justifica que, por força contratual assumia a responsabilidade pela compra dos bois e pagamento destes fornecedores. Assim, a conta contábil ADIANTAMENTOS A FRIGORÍFICOS (Ativo Circulante) registrava exatamente estes pagamentos realizados diretamente aos produtores rurais, por conta e ordem dos frigoríficos parceiros. 15. Complementa informando que, por ser obrigação dos frigoríficos parceiros, e tendo o pagamento saído do seu ativo é que registrava um crédito junto aos frigoríficos, a título de adiantamento, para que ao final da operação estes valores fossem compensados com o valor a ser cobrado da impugnante por conta da industrialização realizada. 16. Em conclusão, sobre suas operações contábeis, informa que o lançamento que efetua, debita e credita uma conta de ativo, por isso a afirmação da empresa de tratarse de conta de compensação, já que não tinha interferência no resultado da empresa e nem modifica o patrimônio da empresa, pois apenas troca um ativo em banco, por um ativo representado por um crédito junto a terceiros. Pode até se afirmar que esta operação afeta o índice de liquidez da empresa, ou qualquer outro aspecto de análise de balanço, mas, efetivamente não representa riqueza tributável para fins de incidência do imposto de renda; 17. Aduz que não há que se falar em aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica, de renda ou de proventos de qualquer natureza, pela simples constatação da realização de movimentação financeira, cuja contrapartida é outra conta do ativo, assim sendo, a movimentação financeira não pode representar, por absoluta impropriedade técnica, fato gerador Fl. 3705DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 11516.723034/201224 Acórdão n.º 1401001.549 S1C4T1 Fl. 3.703 7 do Imposto de Renda, da Contribuição sobre o Lucro, do PIS e Cofins; 18. Alega que as quantias adiantadas para adquirir matéria prima em nada têm relação com as vendas da empresa, não podendo servir de parâmetro para comparação com seu faturamento já que são valores de terceiros, que não transitam pela conta de resultados; 19. A empresa reconhece a deficiência em sua contabilidade e da comprovação documental, mas alega que apresentou vários documentos contábeis e fiscais e contesta a solução adotada pela fiscalização de considerar imprestável a contabilidade da empresa, refutando o arbitramento do lucro feito pela fiscalização; 20. Sobre o faturamento das empresas, extraído dos arquivos do SINTEGRA, afirma que foram incluídos pela fiscalização códigos CFOPs que não representam faturamento; 21. Combate a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, alegando inconstitucionalidade por afronta ao art. 195 da Constituição Federal; 22. Ataca o agravamento da multa (150%), afirmando que todas as receitas haviam sido declaradas no livro de registro de saídas e livro de apuração do ICMS; 23. Alega que a multa exigida tem efeito confiscatório e que a taxa de juros SELIC não deve ser aplicada aos débitos fiscais. Por fim, solicita o seguinte: a.) reconhecer a nulidade dos autos de infração por vício formal, por invasão de competência do Poder Judiciário e quebra indevida do sigilo bancário; b.) de outro modo, declarar a nulidade dos autos de infração por vício material, pela inexistência de elementos para a atribuição de sujeição passiva do impugnante; c.) ainda preliminarmente, decretar a nulidade dos autos de infração por erro de identificação do sujeito passivo, por não poder ser atribuída ao impugnante a responsabilidade pelo recolhimento de tributos devidos por terceiros; d.) sucessivamente, decretar a nulidade parcial dos autos de infração, relativamente à CSLL de 01/2008 a 12/2009 e ao PIS e COFINS, de 01/2008 a 12/2008 por absoluta ausência de Mandado de Procedimento Fiscal; e.) em assim não entendendo, determinar a exclusão das operações praticadas pelas empresas Frigorífico Três C S.A., Frigorífico Mariante Ltda. e Celso Luiz Henriques da Silva, do auto de infração, em razão da falta de interesse comum entre as sociedades; Fl. 3706DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 8 f.) de outro modo, determinar a exclusão das operações que não representam faturamento da impugnante da base de cálculo das exações apuradas; g.) determinar a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; h.) reduzir as multas de 150% para 75%, face a falta de comprovação do dolo da impugnante e ante seu caráter confiscatório; i.) determinar seja afastada a aplicação da taxa SELIC nos débitos apontados, ou ao menos, que esta não venha a incidir sobre as multas de oficio ante a falta de previsão legal para tal incidência; j.) permitir a produção de todas as provas admitidas em direito, especialmente a documental; k.) por fim, direcionar todas e quaisquer intimações e/ou comunicações processuais fisicamente ao procurador do impugnante. Já a impugnação apresentada por Neri do Nascimento foi, em suma, elaborada com base nos seguintes elementos. 1. Aduz que não existe nos autos de infração qualquer capitulação legal a respeito do dispositivo que tenha sido infringido pelo impugnante a ponto de justificar juridicamente a sua responsabilização solidária, isto é, fixar a ocorrência do fato jurídico tributário; 2. Argumenta que, seja porque foge à competência da autoridade fiscal ou mesmo porque é matéria reservada à lei complementar, a atribuição de responsabilidade tributária com fundamento no art. 50 do Código Civil é indevida, devendo, por essa razão, ser reconhecida a nulidade dos autos de infração em relação ao impugnante. 3. Alega a ausência de requisitos legais para a atribuição da sujeição passiva. Afirma que não há qualquer interesse comum entre ele e as sociedades autuadas, sobretudo porque, além de não ser sócio ou administrador de tais empresas, jamais auferiu qualquer vantagem econômica ao ter uma procuração outorgada em seu nome; 4. Advoga que inexistem atos de gestão praticados por ele na empresa autuada. Afirma que a procuração em que recebe amplos poderes para administrar a empresa é nula de pleno direito por contrariar a cláusula 8ª da 2ª alteração contratual da sociedade. Assevera que, mesmo que válida, a procuração não poderia conferir responsabilização a períodos pretéritos à sua expedição. Por fim, requer o seguinte: Fl. 3707DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 11516.723034/201224 Acórdão n.º 1401001.549 S1C4T1 Fl. 3.704 9 • A nulidade dos autos de infração, tendo em vista a ocorrência de vício formal pela falta de enquadramento legal necessário e suficiente à atribuição da sujeição passiva solidária; • A nulidade dos autos de infração, tendo em vista a ocorrência e vício formal em razão da aplicação indevida do art. 50 do Código Civil ao caso, já que a atribuição de responsabilidade tributária é matéria reservada à lei complementar, ou, ainda, por absoluta incompetência da autoridade fiscal para decretar a desconsideração da personalidade jurídica, que é de competência exclusiva do Poder Judiciário; • A nulidade dos autos de infração decorrentes do presente processo administrativo, em razão do vício material, por absoluta ausência de requisitos legais necessários à atribuição de solidariedade passiva; • a nulidade dos autos de infração decorrentes do presente processo administrativo, em razão do vício material cometido pela autoridade notificante, haja vista a inexistência de atos de gestão pelo impugnante que possam justificar a sua inclusão como devedor solidário; • A produção de todas as provas admitidas em direito, especialmente a documental; • Direcionar todas e quaisquer intimações e/ou comunicações processuais fisicamente ao procurador do impugnante. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 3.504 a 3.529) negou provimento a ambas impugnações, sob os seguintes fundamentos. Mandado de Procedimento Fiscal Em razão do disposto no art. 8º da Portaria SRF 3.014/11, os tributos decorrentes não precisam constar expressamente do MPF. Ademais, eventuais omissões não ensejam a nulidade da autuação, uma vez que o MPF é instrumento de controle interno. Utilização de dados da DIMOF As utilização das informações da DIMOF não foi ilegal. Está calcada no art. 5º da Lei Complementar nº 105, de 2001 e Decreto nº 4.489, de 2002. Além disso, "a autuação fiscal não se utilizou do instrumento previsto no art. 8º da Lei nº 8.021, de 1990, visto que o lançamento foi realizado com base nos valores das notas fiscais emitidas pelas empresas". Sujeição passiva, responsabilização pelo recolhimento dos tributos e interesse comum Fl. 3708DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 10 A relação de conluio entre a autuada (FRIGORÍFICO SÃO GREGÓRIO LTDA) e as três empresas Frigorífico Três C, Frigorífico Mariante e Nacional Carnes, ficou caracterizada pela análise da vasta documentação carreada pela autoridade fiscal. Vale registrar a literalidade de parte da fundamentação quanto a este ponto: Em primeiro lugar, analisamse os contratos de prestação de serviço firmados entre o Frigorífico São Gregório (contratante) com as empresas Frigorífico Três C (fl.636) e Frigorífico Mariante (fl. 646); desses contratos destacamos os seguintes tópicos: • Objeto do contrato: fornecimento pela contratada de produtos oriundos do abate de bovinos e caprinos; o produto a ser fornecido deverá obedecer o padrão definido pelo contratante. • Obrigações do Frigorífico São Gregório: efetuar o pagamento da matéria prima (gado) diretamente aos fornecedores; efetuar o pagamento da comissão aos compradores da matéria prima; efetuar o pagamento do custo com transporte até o estabelecimento da contratada; fornecer embalagens necessárias ao processamento dos produtos contratados; tomar providências para que a “Três C” possa obter os registros dos produtos junto aos órgãos competentes, com a(s) marcas que vier a indicar. • Obrigações das contratadas Três C e Mariante: responsabilizarse pela qualidade dos produtos fabricados; manter o estabelecimento industrial regularmente registrado junto ao SIF; permitir que o “SÃO GREGÓRIO” acompanhe através de técnico(s) de sua confiança, todo o processo de industrialização. • Obrigações específicas do Frigorífico Três C: não realizar abate de bovinos e ovinos para o Frigorífico Três C; permitir que o “SÃO GREGÓRIO” realize publicidade, propaganda e “merchandising” que julgar conveniente para divulgação dos produtos. • Obrigações específicas do Frigorífico Mariante: todo o estoque existente nas dependências do “MARIANTE” é de propriedade da “SÃO GREGÓRIO”, devendo ser Fl. 3709DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 11516.723034/201224 Acórdão n.º 1401001.549 S1C4T1 Fl. 3.705 11 imediatamente transferido para o contratante em caso de descontinuidade do processo de produção ou por qualquer outro evento que impossibilite a efetivação do objeto do contrato, ou ainda, por simples solicitação do contratante; disponibilizar ao contratante todos os títulos cobráveis (duplicatas) exceto aquelas oriundas das vendas de subprodutos. • Pagamento da contratante à Três C: R$ 60,00 por cabeça de gado abatida e processada e o subproduto graxa branca. • Pagamento da contratante à Mariante: R$ 50,00 por cabeça de gado abatida e processada. A leitura dos excertos dos contratos ora apresentados, principalmente dos trechos destacados, permite, de forma muito clara, concluir que as cláusulas pactuadas tornaram o Frigorífico São Gregório mandante de todo o processo produtivo dos contratados, bem como detentor do controle de todos os produtos manufaturados, além de se beneficiar com a receita das vendas das mercadorias produzidas. Percebese que desde a compra do gado, passando pelo pagamento das comissões, transporte, fornecimento de embalagens, fiscalização da produção, indicação de marca, publicidade, indo até à obtenção das receitas, tudo está sob controle do Frigorífico São Gregório. Na prática, observase a ocorrência de verdadeira terceirização da produção, que pode ser justificada pelo fato do Frigorífico São Gregório não possuir registro no Serviço de Inspeção Federal – SIF do Ministério da Agricultura, tanto é que o pagamento por “serviço prestado” consta em cláusula específica de cada um dos instrumentos contratuais. Nesse ponto, percebese a existência de interesse comum entre os contratantes, de um lado a precária condição financeira dos contratados (mas que possuíam registro no SIF), de outro, o interesse em comercializar produtos pelo contratante, o qual possuía recursos financeiros mas não detinha o necessário registro no Ministério da Agricultura. Com efeito, a rigor, só as quantias recebidas por cabeça de gado abatida, restaram como receita (faturamento) para Mariante e Três C, em decorrência das operações comerciais realizadas. A prova disso é retirada dos termos postos nos contratos, como no item que impede o frigorífico Três C de realizar abate de animais para si próprio (item 3.13 – fl. 640), ou seja, estabeleceuse com tal cláusula a exclusividade do contratante na produção realizada. O contrato com a Mariante também apresenta cláusula nesse mesmo sentido (itens 3.9 e 3.10 – fl. 649), onde o estoque e os títulos cobráveis da contratada passam a pertencer ao frigorífico São Gregório. Fl. 3710DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 12 Importa destacar que, ao olharmos para toda a cadeia produtiva nas transações comerciais consideradas na autuação, as receitas resultantes das vendas restaram destinadas ao Frigorífico São Gregório, carreando para aquela empresa a propriedade dos recursos gerados na atividade mercantil, recursos que se configuram em “disponibilidade jurídica ou econômica de rendas”, condição necessária e suficiente para a caracterização do fato gerador do tributo exigido. Assim, irrelevante é o fato de as notas fiscais utilizadas na apuração da receita tributável, terem sido emitidas em nome de Mariante e/ou Três C, se levarmos em conta a participação ostensiva do Frigorífico São Gregório na compra da matéria prima, transporte, produção, embalagem, comercialização e, principalmente, no resultado das vendas. Desqualificação da contabilidade e arbitramento Dentre diversas razões, aduz que a fiscalizada não apresentou a documentação para lastrear seus registros contábeis, o que ensejou o arbitramento conforme a legislação de regência. Base de cálculo A alegação de que operações registradas com determinados códigos não deveriam compor da base de cálculo não prosperou por duas razões: (i) a própria autoridade fiscal já havia subtraído tais operações ou (ii) as operações não constavam dos valores lançados. ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins As argumentações são pela ilegalidade/inconstitucionalidade, o que não pode ser enfrentado pelo julgador administrativo. Qualificação da multa O conjunto probatório demonstrou que o esquema montado, caracterizado como conluio entre os envolvidos, teve a intenção de subtrair o pagamento devido dos tributos. Caráter confiscatório da multa e taxa SELIC Não cabe ao julgador administrativo enfrentar questão de inconstitucionalidade. Ademais, a súmula nº 4 do CARF prevê a incidência dos juros a taxa SELIC sobre os débitos tributários. Da responsabilidade de Neri do Nascimento Não houve cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que teve acesso completo à acusação e teve a oportunidade de apresentar a sua defesa. Fl. 3711DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 11516.723034/201224 Acórdão n.º 1401001.549 S1C4T1 Fl. 3.706 13 Não houve também deficiência na capitulação legal atinente à responsabilidade. Afinal, há item específico do TVF, em que consta claramente a imputação da responsabilidade à pessoa física com base no art. 135 do CTN. Art. 50 do Código Civil A autoridade fiscal não atribuiu a responsabilidade tributária com base no art. 50 do Código Civil, mas sim no art. 135 do CTN. Gestão da empresa As provas, como documentos e depoimentos, confirmam que o Sr. Neri efetivamente gestão da empresa, coordenação do esquema com o fim de burlar a lei. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS FRIGORÍFICO SÃO GREGÓRIO LTDA e o Sr. Neri do Nascimento apresentaram recursos voluntários, respectivamente, às fls. 3.619 a 3.675 e 3.594 a 3.618, mediante os quais praticamente se limitaram a reiterar (aliás, praticamente todos, ipsis litteris) argumentos já trazidos na impugnação. A única novidade é atinente ao pedido do Frigorífico para anular a decisão de primeiro grau por não analisar a questão relativa à incidência de juros sobre a multa de ofício. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Preliminares Nulidade da decisão de primeiro grau A primeira preliminar a se enfrentar é a relativa à argüição de nulidade da decisão de primeiro grau em razão de, supostamente, não ter enfrentado a questão relativa à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Ao analisarmos a decisão recorrida, podemos verificar que o voto condutor foi bastante minucioso na sua análise ao ponto de destacar tópicos, não só para temas, mas para cada uma das razões apresentadas na reclamação administrativa. Sob esse aspecto, não há um tópico específico para a análise da incidência de juros sobre a multa de ofício. Tal circunstância, contudo, não pode ensejar de plano a nulidade do ato. Devemos verificar se a questão não foi, de fato, enfrentada. Fl. 3712DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 14 Pois bem, ao analisarmos o tópico relativo à "Taxa Selic", verificamos que o julgador considera devida a incidência desse índice (e, portanto, dos próprios juros) sobre a totalidade dos "débitos tributários" ao fazer menção expressa à Súmula nº 4 do CARF, em que consta essa expressão. Desse modo, pode não ter sido tão minucioso, como foi quanto aos demais temas, mas sua decisão traz claramente fundamento para negar o pedido, conforme a conclusão final. Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) No tocante à falha na emissão de MPF, de fato, como consignado na decisão recorrida, o art. 8º, da Portaria RFB nº 3.014/11, estende aos demais tributos o procedimento de fiscalização. Ademais, ainda que tivesse havido alguma falha na expedição do MPF ou incompatibilidade deste com o conteúdo da autuação, tais falhas não maculariam o lançamento em razão de se tratar de procedimento vinculado à lei, cuja validade, portanto, não se condiciona a expedição de atos de caráter discricionário. Utilização de dados da DIMOF O feito também não está maculado por uma suposta violação do direito ao sigilo bancário. O emprego das informações prestadas em DIMOF está prevista na legislação referida pelo julgador de primeira instância: art. 5º da Lei Complementar nº 105, de 2001 e Decreto nº 4.489, de 2002, que não podem ser afastadas sob a alegação de inconstitucionalidade. Aliás, tais informações nem sequer são individualizadas por operação. Elas serviram apenas como indício para a investigação, cujo resultado se baseou em provas diretas e não no dado relativo a depósitos bancários. Ademais, vale consignar que, em razão disso, a autoridade fiscal chegou inclusive a afastar as vendas para o exterior da incidência do PIS e da Cofins, em razão da imunidade tributária. Mérito Sujeição passiva, responsabilização pelo recolhimento dos tributos e interesse comum Nesse passo, vale repisar o que já consignamos no relatório: os recursos voluntários são meras repetições literais das peças impugnatórias. Não realizam o verdadeiro contraditório com o fito de infirmar as razões da defesa recorrida. Consignamos, no relatório, longo trecho do voto condutor, por meio do qual o julgador de primeira instância articula inúmeros fatos para concluir que as operações que Fl. 3713DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 11516.723034/201224 Acórdão n.º 1401001.549 S1C4T1 Fl. 3.707 15 resultaram nos fatos geradores das exigências tributárias foram engendradas sob o comando do Frigorífico São Gregório, o qual delas se beneficiou. Nenhum dos inúmeros fatos ali registrados foram especificamente contestados pela defesa. Nada obstante, não nos furtaremos a revisitar esse ponto. A autuada caracterizase como uma empresa familiar, em que constaram como sócios, no período, Maria, Celso, Janete e Maiara. Abaixo, segue uma representação gráfica da relação familiar que consta do termo de verificação fiscal: O Sr. Neri recebeu procuração da autuada que lhe "confere amplos e gerais poderes para gerir e administrar todos os negócios, bens, assuntos e interesses da empresa outorgante, sejam eles de que natureza forem". Na empresa responsável pelo transporte de cargas para a família, os sócios são Jaison e Rodrigo. Apesar de optante do lucro presumido e ter declarado nos dois anos pouco mais de R$ 9 Milhões como receita, no período fiscalizado, a autuada realizou 2.667 lançamento contábeis, num total de R$ 295.639.109,70, com o histórico de transferência entre contas. Intimada a esclarecer a natureza desses registros e a apresentar a documentação de suporte, se limitou a afirmar que se tratariam de lançamentos de compensação com o fim de corrigir e manter o saldo das contas. Não apresentou, porém, qualquer documentação. Para simplificar, a fiscalização reintimou para obter esclarecimentos apenas acerca dos registros com valor superior a um milhão de reais, 37 registros no total. E enfatizou a importância de esclarecer a natureza do lançamento de R$ 105 milhões, em que se credita "bancos" e se debita "adiantamento a frigoríficos", contas do ativo circulante. A empresa, porém, não apresentou nenhum documento para respaldar esse único registro contábil. Em mais uma tentativa, a terceira, a autoridade fiscal intima para o fiscalizado esclarecer apenas o referido lançamento de R$ 105 milhões. O fiscalizado responde apenas que "Reafirma a condição de que os lançamentos listados acima eram apenas lançamentos de compensação entre contas, como já referido nas respostas aos termos anteriores, não sendo, portanto, passíveis de serem configurados como lucro ou mesmo ter Fl. 3714DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 16 obrigação de serem oferecidos a tributação". Todavia, não apresentou nenhum documento nem demonstração de cálculo. Ou seja, num período em que registrou apenas cerca de R$ 9 milhões, a fiscalizada deixou de esclarecer e justificar registros contábeis da ordem de quase trezentos milhões de reais. Ademais, não realizou registros na conta "estoques". Na verdade, afirmou que não possuía controles internos satisfatórios, mas que mantém os estoques em níveis baixos. Por meio do sistema SINTEGRA, correspondente a notas fiscais declaradas ao fisco estadual, a fiscalização constatou que a autuada recebeu mais de R$ 13 milhões em mercadorias dos frigoríficos parceiros (Três C e Mariante). Assim, a empresa deveria ter em estoque, no mínimo, mais de R$ 3 milhões em mercadorias, considerando uma margem nula nas vendas e não zero como consta da sua escrituração. Se fossem consideradas ainda todas as entradas no SINTEGRA (mais de R$ 20 milhões), o estoque superaria o montante de R$ 10 milhões. Outras graves inconsistências dizem respeito à conta Caixa, que chegou a possuir saldo credor no ano de 2008, mas em 2009 recebeu movimentações da ordem de R$ 85 milhões e manteve um saldo médio acima de R$ 4 milhões com um pico de mais de R$ 12 milhões. Há ainda muitas outras inconsistências apontadas pela autoridade fiscal, como um lançamento de quase R$ 10 milhões a título de despesas recuperadas, em relação a qual o fiscalizado presta esclarecimentos genéricos e sem nenhum embasamento documental. Ora, como num único lançamento poderia recuperar despesas num montante quase duas vezes superior à receita de todo um ano? Devido a informações da própria empresa de que desenvolvia contratos de parceria, a fiscalização foi dirigida a esses parceiros("Três C", "Mariante" e "Nacional"). No caso da "Três C", a fiscalização obteve contrato com a São Gregório assinado por Neri. Por meio desse contrato, verificase que a São Gregório controla todo o processo desde a compra até a venda dos produtos, passando pela industrialização, transporte e até fluxo financeiros. Afinal, em pesquisas nos cartórios da região, a autoridade fiscal encontrou procuração em que a "Três C" confere amplos poderes para a "São Geraldo" movimentar sua contabancária, inclusive por meio de TED. Também vale registrar que funcionário testemunhou que a compra era paga pela São Gregório; a venda seria em nome da Três C, mas cedia o crédito para a São Gregório. Ainda apontou o depoimento: "A pessoa que era responsável pela fiscalização do produto na planta da 3C era o senhor Hélio, irmão do Neri, e a parte financeira (cessão de crédito) era tratada com o Rodrigo, filho do Nilton, irmão do seu Neri.” Quanto à "Mariante", a autoridade fiscal obteve o contrato com a São Geraldo, no qual esta é a responsável pela compra e é a proprietária do gado e dos produtos. A São Geraldo devia ainda fornecer as embalagens e ser a responsável pelo transporte. Por outro lado, a Mariante deveria ceder todos os títulos de crédito. Há declarações dos representantes da Mariane de que o Sr. Neri locou informalmente a planta da Mariane e que toda a logística, desde a compra até a venda dos produtos, era de responsabilidade da São Geraldo. Fl. 3715DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 11516.723034/201224 Acórdão n.º 1401001.549 S1C4T1 Fl. 3.708 17 Por fim, Nacional Carnes (empresa individual de Celso) conferiu plenos poderes a Janete (esposa de Neri) e Maria (cunhada de Neri), ambas sócias de São Gregório, para gerir integralmente seus negócios. Teci apenas um breve resumo das inúmeras provas que a autoridade fiscal carreou aos autos e que foram descritas no seu minucioso termo de verificação de mais de sessenta laudas. Há muitas outras que confirmam a correção do procedimento fiscal, acerca das quais a defesa não apresenta qualquer alegação ou prova contrária que as infirme. Encerro esse ponto com a reprodução de quadro ilustrativo formulado pela autoridade fiscal acerca dos valores declarados pelas quatro empresas (a autuada e as quatro parceiras) em cotejo com a movimentação financeira de cada uma: Desqualificação da contabilidade e arbitramento São também muitas as razões (não apresentação de documentos relativos aos lançamentos contábeis, falta de registro da conta estoques e a declaração da própria empresa de que seus registros eram precários, o agrupamento das despesas numa única conta intitulada "outras despesas" e a incapacidade da empresa de esclarecer a natureza específica desses valores, etc), cada uma suficiente, para a desqualificação e o conseqüente arbitramento, que foram apontadas na decisão recorrida para fundamentar sua conclusão. E, uma vez mais, nenhuma foi infirmada pela peça de recurso. O mesmo se diga das parceiras. Dentre outros fatos descritos pela autoridade fiscal, a "Três C" não se manifestou acerca da intimação para esclarecimento, como a movimentação superior a R$ 135 milhões registrada com o histórico de "Endosso Frig São Gregório". A "Mirante", que possui o mesmo contador da São Gregório, igualmente não atendeu intimação da fiscalização. Por fim, a "Nacional", por meio do seu contador indicado pelo sócio, afirmou não possuir escrituração contábil. Correta, pois, a desqualificação da contabilidade para fins de arbitramento. Fl. 3716DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 18 Base de cálculo Nesse ponto, o silêncio da recorrente em relação à decisão recorrida é ainda mais gritante. No voto condutor, o julgador esclarece minuciosa e especificamente que as operações registradas pelos códigos apontados pelo contribuinte não constaram da autuação. Vale registrar sua análise: O administrado alega que as operações com os seguintes códigos CFOPs não deveriam ser computadas na base de cálculo dos tributos apurados: 5209, 5501, 5502, 5949, 6501 e 6949. Contudo, analisando as planilhas de notas fiscais que serviram para a consolidação dos valores tributáveis (item 8 do TVFS) percebese que as operações consignadas pelos códigos 5501, 5502, 5949, 6501 e 6949 já haviam sido excluídas pelo autuante, quando presentes nos arquivos de notas fiscais de cada um dos emitentes (fls. 1648/1878, 2267/2330, 2694/2821 e 2822/3167) Quanto ao código 5209, este não está presente em nenhuma operação realizada. Dessa forma, não há operações a serem excluídas dos valores lançados. Já, no recurso, numa repetição literal, a defesa reitera que tais valores devem ser subtraídos. Ora, uma vez mais, só me resta manter a decisão pelos seus próprios fundamentos em face da minuciosa demonstração, não infirmada, de que essas operações não compuseram a autuação. ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins Também não merecem reparos a decisão recorrida nesse ponto. Além da questão ser de índole constitucional, o que impede o julgador administrativo de a enfrentar, o ICMS é imposto que compõe o próprio preço das mercadorias vendidas, por autorização constitucional (art. 150, § 2º, XII, "i") e com expressa previsão na Lei Complementar 87/96, art. 13, de tal forma que integra a composição do faturamento e da receita da atividade. Qualificação da multa A qualificação da multa foi mantida pelas mesmas razões que levaram o julgador a quo a concluir pela existência de um esquema delitivo organizado e controlado pela São Gregório para burlar a tributação das atividades que geria. As alegações, repetidas na sua literalidade da peça de impugnação, desconsideram as razões da decisão recorrida, seguramente porque a defesa não foi capaz de as enfrentar de forma direta. Fl. 3717DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 11516.723034/201224 Acórdão n.º 1401001.549 S1C4T1 Fl. 3.709 19 Foram inúmeras as razões relacionadas pelo julgador de primeira instância para caracterizar um esquema de conluio entre a São Gregório e seus “parceiros” com o fito de deixar de recolher os tributos devidos nas operações. Tais fatos, uma vez provados à exaustão, implicam a majoração do patamar punitivo para 150%. Caráter confiscatório da multa e taxa SELIC Afastar a multa punitiva sob a razão de violar o preceito da proibição de confisco, em face da sua expressa previsão legal, é lançar mão de controle de constitucionalidade, atividade vedada ao julgador administrativo, como preceitua a Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, a qual este julgador está vinculado. De igual sorte, os juros SELIC são devidos pela força vinculante da Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”, que impede qualquer decisão oposta. Juros sobre a multa de ofício Entendo que o teor da Súmula CARF nº 4 acima transcrita já é suficiente para encerrar a discussão nesse ponto. Afinal, por força da súmula, os juros devem incidir sobre “débitos tributários”. Se o veiculador da súmula pretendesse consolidar a incidência dos juros apenas para tributos, seria bem mais simples e conciso para redigir com “tributos”, no lugar de “débitos tributários”. Essa expressão mais longa e rebuscada só pode levar a uma conclusão: os juros devem incidir não só sobre tributos, mas também sobre as multas pelo descumprimento de deveres tributários, como é o caso das multas proporcionais. Dos pontos específicos da impugnação de Neri do Nascimento Em sede de preliminares, não se caracterizou cerceamento de defesa do responsável. Afinal, a fase contraditória se instaura com a ciência do auto de infração. O responsável tributário foi cientificado do lançamento e lhe foi franqueado defenderse com todos os meios e prazos do sujeito passivo principal (São Gregório), bem como teve integral acesso aos autos do processo. Quanto às alegações relativas ao art. 50 do Código Civil, denotase claramente que a autoridade fiscal não utilizou esse dispositivo legal para atribuir responsabilidade ao recorrente. Esta foi baseada no Código Tributário Nacional, artigo 135. Quanto às questões de fato, ficou patente pelas provas colhidas que o Sr. Neri do Nascimento foi o gestor de todo o esquema e dele se beneficiou. Abaixo, reproduzo, quanto a esse ponto, o teor da decisão recorrida: Fl. 3718DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 20 Em primeiro lugar analisase a participação do impugnante na gerência do Frigorífico São Gregório à luz das procurações a ele concedidas. Foram quatro as procurações conferidas pelo Frigorífico São Gregório ao impugnante (fls. 664/671). Vemos que estas foram firmadas entre os meses de março de 2007 e março de 2009, sendo que os poderes concedidos foram sendo ampliados, da primeira para a última, culminando com o instrumento de fls. 669/671, que efetivamente transfere a gestão dos negócios da empresa para Neri do Nascimento; para se chegar a essa conclusão basta ler o texto daquele documento. Como se vê, o Frigorífico São Gregório, na prática, delega a Neri do Nascimento a gerência de suas atividades mercantis. Especificamente, sobre a alegação de que o impugnante “não agia como sócio ou administrador” do Frigorífico São Gregório, esta afirmação não se mostra consistente. O contrato firmado entre o Frigorífico São Gregório e o Frigorífico Três C (fls. 636/645) foi assinado por Neri do Nascimento, fato que comprova a atuação do impugnante na efetiva gestão dos negócios da empresa, a qual nega administrar. É importante aqui destacar o momento em que foi assinado tal contrato (28 de dezembro de 2007), este detalhe prova que, pelo menos desde aquela data, o impugnante já participava da gerência da empresa. Dessa forma, fica prejudicado o argumento subsidiário apresentado pela defesa de que, somente a partir da data da assinatura da última procuração, deveriam surtir os efeitos do mandato outorgado para fins de responsabilização solidária. Ainda quanto àquela procuração, não cabe concluir que seria nula. O fato de nos instrumentos contratuais da empresa não constar explicitamente cláusula que permita aos sócios conceder procurações a terceiros, não invalida eventuais mandatos concedidos. Cabe esclarecer que nas relações entre pessoas de direito privado, aquilo que não se encontra expressamente proibido, permitido é. Além disso, o artigo 8º da 2ª alteração contratual da empresa veda assumir obrigação (não conceder mandato) sem o conhecimento do outro sócio. Além do que já foi relatado, outros fatos também convergem para o entendimento de que o impugnante efetivamente atuava na gerência do Frigorífico São Gregório, quais sejam: Existe depoimento prestado pelos sócios do Frigorífico Mariante (fls. 768/769), onde estes afirmam que “O Sr. Neri locou informalmente a planta da Mariante” e que “o senhor Neri assinou uma dívida de 28 milhões da empresa Mariante junto ao fisco estadual”; Fl. 3719DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 11516.723034/201224 Acórdão n.º 1401001.549 S1C4T1 Fl. 3.710 21 O nome do Sr. Neri é mencionado nas notas fiscais eletrônicas emitidas por Frigorífico Três C e Frigorífico Mariante (fl. 765). Dito isso, resta evidente que Neri do Nascimento gerenciava os negócios do Frigorífico São Gregório, atraindo para si a aplicação do inciso III, do art. 135, do CTN. A outra condição necessária à aplicação do art. 135 do CTN está contida em seu caput, qual seja: se os créditos tributários apurados derivam de “atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”. A análise feita neste voto quanto à impugnação apresentada por Frigorífico São Gregório, relativamente aos contratos de prestação de serviço envolvendo as pessoas jurídicas deles signatárias, concluiu que tais instrumentos serviram como meio para a sonegação de tributos (infração à lei). Dessa forma, o contrato assinado com o Frigorífico Três C por Neri do Nascimento (agindo em nome do Frigorífico São Gregório), se reveste em ato praticado com a intenção de burlar a lei, caracterizando a condição requerida pelo caput do art. 135 do CTN. Portanto, resta claro que o impugnante deve ser responsabilizado pelos tributos apurados. Desse modo, a decisão recorrida deve ser mantida pelos próprios fundamentos, até porque nenhum deles foi especificamente enfrentado pela recorrente. Conclusão Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares de ambos os recursos, para, no mérito, também lhes negar provimento. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES – Relator Fl. 3720DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 14055.720162/2015-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
IMPOSTO SOBRE A RENDA PESSOA FÍSICA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA
Questionada pela autoridade fiscal a efetividade da prestação dos serviços médicos utilizados como dedução de despesas e não apresentadas provas pelo contribuinte que conferem veracidade aos recibos emitidos, que não têm o condão de afastar as razões das glosas da autoridade fiscal, estas devem ser mantidas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negar-lhe provimento.
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA Questionada pela autoridade fiscal a efetividade da prestação dos serviços médicos utilizados como dedução de despesas e não apresentadas provas pelo contribuinte que conferem veracidade aos recibos emitidos, que não têm o condão de afastar as razões das glosas da autoridade fiscal, estas devem ser mantidas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 05 5. 72 01 62 /2 01 5- 21 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 14055.720162/201521 Acórdão n.º 2401004.417 S2C4T1 Fl. 85 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1277.559 (fls. 52/54), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO), que julgou improcedente a impugnação (fls. 03/04) do contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LIDE. Considerase incontroversa a matéria não contestada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade pela infração a legislação tributária, dada sua natureza objetiva, prescinde da real intenção do sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Notificação de Lançamento de fls. 06/13 exigiu do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 5.705,01 referente a imposto suplementar sobre a renda de pessoa física. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 08) a fiscalização informa a glosa de R$ 22.240,14 correspondente à Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício, nos seguintes termos: Para demonstrar a efetividade de suas isenções, o contribuinte apresentou sua peça impugnatória (fl. 6), alegando, em síntese: Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 4 a) Que devem ser excluídos juros e multa de ofício, uma vez que não houve máfé do contribuinte. b) Que foi induzido a erro em face dos comprovantes de rendimento fornecidos pelas fontes pagadoras. c) Que não logrou obter êxito em pedidos de esclarecimentos feitos à Receita Federal acerca do que estaria errado em sua DIRPF. Para a DRJ/RJO a impugnação foi considerada improcedente, mantendo o imposto suplementar de R$ 5.705,01, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais. O contribuinte deixou de contestar, expressamente, o crédito tributário exigido, tratase, portanto, de matéria não impugnada, consolidandose o crédito tributário. Intimado do acórdão da DRJ/RJO em 12/08/2015 (fl. 65), o recorrente apresentou o seu recurso voluntário (fl. 68/70) em 19/08/2015, onde alega, em síntese: a) A impugnação/anulação da multa de 75% do valor devido, pois não houve má fé nem omissão de valores recebidos. b) Que foi induzido a erro por conta de comprovantes de rendimentos inexatos. c) Que não pode ser penalizado, uma vez que o erro teria sido da fonte pagadora e não do contribuinte, ocorrendo a duplicação da multa, pois esta estaria sendo paga tanto pela fonte pagadora quanto pelo contribuinte. d) Informa que o imposto suplementar ainda não foi pago, pois não foi desmembrado da multa, solicitando, portanto, o desmembramento para que possa fazer o pagamento do valor devido. e) A aplicação da multa no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o montante a ser pago é exorbitante e viola o princípio da vedação do confisco inserido no art. 150,IV da Constituição Federal, o qual também se aplica às infrações fiscais. f) Apresenta os comprovantes de rendimentos, como prova da parcela isenta para maiores de 65 anos constarem nas duas fontes. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 14055.720162/201521 Acórdão n.º 2401004.417 S2C4T1 Fl. 86 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato – Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Em sede de Impugnação, no que tange à omissão de rendimentos, o interessado deixou de contestar, expressamente, o crédito tributário exigido, a título de imposto suplementar, receita 2904, no valor principal de R$ 5.395,26. Tratase de matéria não impugnada, consolidandose, portanto, o respectivo crédito tributário. A DRJ/RJO entendeu, quanto a matéria litigiosa, qual seja, a incidência de juros de mora, exigíveis com base nos dispositivos legais também indicados na notificação de lançamento, que são decorrentes do não pagamento do tributo no prazo fixado. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte não apresentou novos argumentos, insistindo no fato de que foi induzido a erro e que a aplicação de multa de 75% é exorbitante. Não apresenta novas provas. A alegação do contribuinte de que foi induzido ao erro não é válida, pois a responsabilidade pela veracidade das informações contidas na Declaração entregue é única e exclusivamente sua. (Art. 16 da Lei n° 9.799/99) Assim, o contribuinte não conseguiu desqualificar, tanto na peça impugnatória quanto no Recurso Voluntário, as infrações que lhe foram atribuídas, no intuito de cancelar a exigência do tributo bem como da multa e dos juros. Cumpre aqui salientar que a responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva e independe da intenção do agente, conforme preceituado no art. 136 do CTN, vejamos: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Isto posto, ante a ausência de razões a fim de contestar as glosas realizadas pela autoridade fiscal que ensejaram o presente lançamento, nego provimento ao presente Recurso Voluntário. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 6 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI
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