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Numero do processo: 10166.721432/2009-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. ACOLHIMENTO.
Uma vez que o acórdão embargado padece de omissão, os embargos devem ser acolhidos de modo a que o vício apontado seja sanado.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-005.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado nos termos do voto do relator.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente.
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. ACOLHIMENTO. Uma vez que o acórdão embargado padece de omissão, os embargos devem ser acolhidos de modo a que o vício apontado seja sanado. Embargos Acolhidos.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. ACOLHIMENTO. Uma vez que o acórdão embargado padece de omissão, os embargos devem ser acolhidos de modo a que o vício apontado seja sanado. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado nos termos do voto do relator. Ronaldo de Lima Macedo Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 14 32 /2 00 9- 65 Fl. 503DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela União (Fazenda Nacional), em face do v. acórdão nº 2402002.669, fls. 454460, da relatoria do Conselheiro Igor Araújo Soares, prolatado por esta Eg. Turma, o qual restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. SÚMULA N. 08 DO STF. SALÁRIO INDIRETO. ART. 150, 4º DO CTN. Nos termos da Súmula n. 08 do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO IN NATURA. CONCESSÃO DE REFEIÇÕES E CESTAS BÁSICAS. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA. Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados. VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA N. 60 DA ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO. RE 478.410/SP. Nos termos da Súmula n. 60 da Advocacia Geral da União, não incide a contribuição previdenciária sobre os valores de valetransporte pagos em dinheiro. Precedentes do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça. ABONO. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. ATO DECLARATÓRIO 16/2011 DA PGFN. Nos termos do Ato declaratório 16/2011, não incide contribuição previdenciária sobre o abono pago em decorrência de convenção coletiva de trabalho, em parcela única, sem habitualidade e expressamente desvinculado do salário. Recurso Voluntário Provido em Parte. Sustenta a embargante que o julgado incorreu em omissão, uma vez que, o voto do relator reconheceu a decadência do direito de lançar as competências até maio de 2004, entretanto, o dispositivo do acórdão deixou de mencionar a questão da decadência, conforme se percebe a seguir: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos a auxílioalimentação pago in natura, vale transporte pago em pecúnia, bem como, abono único pago de acordo com convenção coletiva de trabalho Fl. 504DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10166.721432/200965 Acórdão n.º 2402005.235 S2C4T2 Fl. 3 3 Prestadas as devidas informações, fora determinada a inclusão do feito em pauta de julgamentos. É o relatório. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. Sem Preliminares. MÉRITO Inicialmente, ressalto que da análise da argumentação constante nos embargos entendi por indicar a necessidade de inclusão do feito em pauta de julgamentos, pois reconheço a existência da omissão. De fato, quando do julgamento do voluntário, constou no corpo do voto a fundamentação para o acatamento da decadência de parte do crédito tributário lançado, quais sejam as competências até 05/2004, considerado o disposto no art. 150, §4º do CTN. Confirase: [...] No caso dos autos o lançamento se reporta a parcelas que a fiscalização considerou como integrantes da remuneração dos segurados a serviços da recorrente. Dessa forma, em se tratando de salário indireto, tenho que deva ser aplicado ao presente caso o disposto no art. 150, 4o do CTN. Assim, reconheço como decadentes as competências lançadas até 05/2004 E tal questão não constou do dispositivo do próprio voto e do acórdão do julgamento. Por este motivo, no dispositivo do acórdão onde consta: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos a auxílioalimentação pago in natura, vale transporte pago em pecúnia, bem como, abono único pago de acordo com convenção coletiva de trabalho Leiase: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher preliminar de decadência das competências lançadas até 05/2004, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos a auxílioalimentação pago in natura, vale transporte pago em pecúnia, bem como, abono único pago de acordo com convenção coletiva de trabalho. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10166.721432/200965 Acórdão n.º 2402005.235 S2C4T2 Fl. 4 5 E na parte dispositiva do voto onde consta: Ante todo o exposto, voto no sentido de acolher preliminar de decadência das competências lançadas até 05/2004, com base no art. 150 §4º do CTN, e, no mérito, em conhecer do recurso e DAR LHEPARCIAL PROVIMENTO para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos a auxílio alimentação pago in natura, vale transporte pago em pecúnia e abono único pago conforme convenção coletiva de trabalho, mantidos os demais lançamentos. Ante todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER OS EMBARGOS rerratificando o acórdão embargado, na forma supra mencionada. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
score : 1.0
Numero do processo: 12585.720067/2013-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011
OPERAÇÕES COM CAFÉ CRU BENEFICIADO. INCIDÊNCIA DA SUSPENSÃO DA COFINS.
Aplica-se a suspensão da incidência da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins nas vendas de café beneficiado.
FORNECEDORES EM SITUAÇÃO IRREGULAR PERANTE O FISCO. AFASTAMENTO DA BOA-FÉ DO ADQUIRENTE.Demonstrado que a contribuinte mantinha relações comerciais com empresas de fachada, para fins de geração de crédito inexistentes, há que se desconsiderar a alegada boa-fé.
CRÉDITOS. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA.
Insumos adquiridos de cooperativa agropecuária geram apenas crédito presumido na apuração da Cofins no regime não cumulativo.
FRETES NAS OPERAÇÕES DE ENTRADA. CRÉDITOS.
Se o crédito relativo aos valores lanc¸ados das próprias aquisições foi glosado, não tem sentido aceitar-se o crédito correspondente ao serviço de transporte dos bens a que essas aquisições se referiam, aplicando-se o mesmo fundamento ao caso em questão.
DESPESAS DE ARMAZENAGEM. CRÉDITOS. GLOSAS.
Na~o há que se afastar glosas que na~o ocorreram, como as relativas a despesas de armazenagem.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos Conselheiros Marcelo, Maria Eduarda e Semíramis que davam provimento parcial ao recurso voluntário para acatar créditos em relação aos fretes de entrada. Em relação ao item beneficiamento dos grãos de café - Suspensão da Cofins do voto do relator os Conselheiros Marcelo, Maria Eduarda e Semíramis acompanharam pelas conclusões.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques DOliveira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 OPERAÇÕES COM CAFÉ CRU BENEFICIADO. INCIDÊNCIA DA SUSPENSÃO DA COFINS. Aplica-se a suspensão da incidência da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins nas vendas de café beneficiado. FORNECEDORES EM SITUAÇÃO IRREGULAR PERANTE O FISCO. AFASTAMENTO DA BOA-FÉ DO ADQUIRENTE.Demonstrado que a contribuinte mantinha relações comerciais com empresas de fachada, para fins de geração de crédito inexistentes, há que se desconsiderar a alegada boa-fé. CRÉDITOS. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. Insumos adquiridos de cooperativa agropecuária geram apenas crédito presumido na apuração da Cofins no regime não cumulativo. FRETES NAS OPERAÇÕES DE ENTRADA. CRÉDITOS. Se o crédito relativo aos valores lanc¸ados das próprias aquisições foi glosado, não tem sentido aceitar-se o crédito correspondente ao serviço de transporte dos bens a que essas aquisições se referiam, aplicando-se o mesmo fundamento ao caso em questão. DESPESAS DE ARMAZENAGEM. CRÉDITOS. GLOSAS. Na~o há que se afastar glosas que na~o ocorreram, como as relativas a despesas de armazenagem. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2017; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 633 1 632 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12585.720067/201342 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.979 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de maio de 2016 Matéria COFINS Recorrente TERRA FORTE EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO DE CAFÉ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 OPERAÇÕES COM CAFÉ CRU BENEFICIADO. INCIDÊNCIA DA SUSPENSÃO DA COFINS. Aplicase a suspensão da incidência da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins nas vendas de café beneficiado. FORNECEDORES EM SITUAÇÃO IRREGULAR PERANTE O FISCO. AFASTAMENTO DA BOAFÉ DO ADQUIRENTE.Demonstrado que a contribuinte mantinha relações comerciais com empresas de fachada, para fins de geração de crédito inexistentes, há que se desconsiderar a alegada boafé. CRÉDITOS. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. Insumos adquiridos de cooperativa agropecuária geram apenas crédito presumido na apuração da Cofins no regime não cumulativo. FRETES NAS OPERAÇÕES DE ENTRADA. CRÉDITOS. Se o crédito relativo aos valores lanca̧dos das próprias aquisições foi glosado, não tem sentido aceitarse o crédito correspondente ao serviço de transporte dos bens a que essas aquisições se referiam, aplicandose o mesmo fundamento ao caso em questão. DESPESAS DE ARMAZENAGEM. CRÉDITOS. GLOSAS. Não há que se afastar glosas que não ocorreram, como as relativas a despesas de armazenagem. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 00 67 /2 01 3- 42 Fl. 633DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos Conselheiros Marcelo, Maria Eduarda e Semíramis que davam provimento parcial ao recurso voluntário para acatar créditos em relação aos fretes de entrada. Em relação ao item “beneficiamento dos grãos de café Suspensão da Cofins” do voto do relator os Conselheiros Marcelo, Maria Eduarda e Semíramis acompanharam pelas conclusões. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0438.801 (fls. 594 a 606), de 10 de março de 2015, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) – DRJ/CGE – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade do Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do Acórdão ora recorrido: A contribuinte acima identificada apresentou o PER nº 37725.73302.120312.1.1.09 2195, pleiteando o ressarcimento do crédito no valor de R$ 16.878.541,27 relativo à Cofins Nãocumulativa Exportação, do terceiro trimestre de 2011. Houve Dcomps posteriores, utilizando o crédito para fins de compensação com tributos administrados pela RFB. O crédito foi reconhecido parcialmente, no valor de R$ 606.342,92, conforme consta do Despacho Decisório emitido pela Derat/São Paulo (fls. 426 a 482). A descrição sintética quanto às glosas e valores aceitos constam ao final do referido despacho (fls. 479 a 481). Foi protocolada tempestivamente a manifestação de fls. 498 a 513, na qual, foi alegado, em apertada síntese: a) que é inaplicável ao café beneficiado, conforme extensa explicaca̧õ sobre a classificação relativa aos grãos de café, a suspensão da incidência da Cofins prevista no art. 9º da Lei no 10.925/2004; b) as glosas relativas às aquisições de café de empresas consideradas inaptas devem ser afastadas uma vez a legislação garantir todos os efeitos tributários à operação se comprovados o pagamento do preço e o recebimento dos bens; b.1) conforme cartões CNPJ cujas cópias são anexadas, “a inaptidão se deu posteriormente às operacõ̧es realizadas”; Fl. 634DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12585.720067/201342 Acórdão n.º 3301002.979 S3C3T1 Fl. 634 3 b.2) “muitas empresas ainda hoje estão ativas”; b.3) “os documentos fiscais são eletrônicos e só podem ser emitidos com anuência dos fiscos estadual e federal”, não havendo a possibilidade de a adquirente aferir a idoneidade deles, ônus este do ente tributante; c) conforme Solução de Consulta Cosit no 65, de 10 de março de 2014, a “pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa da Cofins, não está impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições previstos na legislaçaõ”, pelo que devem ser revertidas as glosas relativas às aquisições efetuadas junto a cooperativas; d) é cabível a apropriaçaõ de crédito no caso de fretes nas aquisições de bens para revenda, nos termos da Solução de Consulta no 80, de 20 de agosto de 2010; e) a glosa do crédito relativo a armazenagem deve ser afastada, uma vez a legislacã̧o não restringir que as despesas de armazenagem devam se referir a operações de venda. Foram requeridos o restabelecimento dos créditos e a homologação das compensações, assim como a “suspensão da exigibilidade das compensações não homologadas neste processo, conforme previsto no § 11, do artigo 74, da Lei 9.430/1996” (sic). Diante da decisão proferida o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário (fls. 613 a 630), em 12 de agosto de 2015. O Acórdão recorrido ficou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 DÉBITOS INDICADOS PARA COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade dos débitos indicados para compensação decorre da lei, não sendo cabível a manifestação das DRJs sobre o assunto. OPERAÇÕES COM CAFÉ CRU BENEFICIADO. INCIDÊNCIA DA SUSPENSÃO DA COFINS. Aplicase a suspensão da incidência da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins nas vendas de café beneficiado. CRÉDITOS. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. Insumos adquiridos de cooperativa agropecuária geram apenas crédito presumido na apuração da Cofins no regime não cumulativo. CRÉDITOS. COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL. VALORES REPASSADOS AOS ASSOCIADOS. Os valores referentes a insumos adquiridos de cooperativas agroindustriais que repassam o respectivo valor a seus associados não geram créditos para o adquirente no regime não cumulativo. FORNECEDORES EM SITUAÇÃO IRREGULAR PERANTE O FISCO. AFASTAMENTO DA BOAFÉ DO ADQUIRENTE. Demonstrado que a contribuinte mantinha relações comerciais com empresas de fachada, para fins de geração de crédito inexistentes, há que se desconsiderar a alegada boafé. FRETES NAS OPERAÇÕES DE ENTRADA. CRÉDITOS. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 4 Se o crédito relativo aos valores lançados das próprias aquisições foi glosado, não tem sentido aceitarse o crédito correspondente ao serviço de transporte dos bens a que essas aquisições se referiam, aplicandose o mesmo fundamento ao caso em questão. DESPESAS DE ARMAZENAGEM. CRÉDITOS. GLOSAS. Não há que se afastar glosas que não ocorreram, como as relativas a despesas de armazenagem. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0438.801, proferido pela 2ª Turma da DRJ/CGE, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Requer o Contribuinte basicamente que sejam revertidas as glosas quanto às aquisições de empresas consideradas inaptas, ou inadimplentes com o fisco (“noteiras” nas palavras do fiscal); aos créditos ordinários apurados em relação às compras de cooperativas; aos fretes de entrada; à armazenagem, restabelecendo o crédito pleiteado, homologando as compensações e ressarcindo o saldo credor. Pede o deferimento da correção monetária aos pedidos que foram analisados fora do prazo legal e a suspensão da exigibilidade das compensações não homologadas neste processo e requer ainda a inaplicabilidade da suspensão nas aquisições de café beneficiado. Na ordem do pedido do Recurso Voluntário seguese a análise da matéria objeto de controvérsia: 1) Beneficiamento dos grãos de café. Suspensão da Cofins O Contribuinte repete no Recurso Voluntário (fls. 615) o já alegado na sua Manifestação de Inconformidade (fls. 498 a 513) que: Reiteramos que o café que adquirimos é beneficiado, ou seja, já com a redução dos tipos de classificação oficial (COB), então temos que a operação não pode se dar ao abrigo da suspensão em razão do que dispõe o inciso segundo do parágrafo primeiro do artigo nono da Lei 10.925/2004. Em seguida discorre às fls. 615 a 620 a respeito das classificações e qualidades dos grãos do café e concluiu pela inaplicabilidade da suspensão tanto na compra como na venda às operações realizadas pelo Contribuinte. Por sua vez, a DRJ/CGE entende de forma diferente e argumenta que café beneficiado não é o mesmo que café industrializado e que mesmo que os grãos sejam tratados Fl. 636DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12585.720067/201342 Acórdão n.º 3301002.979 S3C3T1 Fl. 635 5 de forma a garantir a sua higienização e sua conservação eles continuam sendo um produto in natura. Conforme se verifica no trecho a seguir do referido Acórdão (fls. 597 a 599): O café beneficiado não é o café industrializado como parece crer a contribuinte, já que beneficiamento pode significar simplesmente a remoção de sua casca, permanecendo o produto ainda dentro da definição dada pelo inciso III do art. 2º do Decreto Lei nº 986, de 1969: Art. 2º Para os efeitos deste DecretoLei considerase: (...) III – Alimento in natura: todo alimento de origem vegetal ou animal, para cujo consumo imediato se exija, apenas, a remoção da parte não comestível e os tratamentos indicados para a sua perfeita higienização e conservação. Segundo esse dispositivo, o café, mesmo tratado para sua perfeita higienização e conservação, ainda é considerado in natura. O café cru pode se encontrar com impurezas e defeitos, o que denota que, mesmo “beneficiado”, encontrase ainda in natura, e não industrializado como alega a interessada. A interpretação de que o café beneficiado tem natureza de produto industrializado não se sustenta também em razão do disposto na Instrução Normativa nº 660, de 17 de julho de 2006, que manteve as normas já antes prescritas pela revogada Instrução Normativa SRF 636, de 24 de março de 2006: Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2° ; II que exerca̧ cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2°; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. §1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2º; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerca̧ a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. (destaque acrescido) Pelo que se depreende do texto, fica claro que o beneficiamento do café não descaracteriza as cooperativas de producã̧o agropecuárias, mas o exercício cumulativo das atividades citadas no art. 8º, § 6º, da Lei 10.925, de 2004, e no art. 6º, inciso II, da Instrução Normativa SRF 660, de 2006, é que caracterizam a atividade agroindustrial: Lei nº 10.925, de 2004: Art. 8º (...) (...) Fl. 637DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 6 § 6º Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei no 11.051, de 2004, e revogado pela Lei no 12.599, de 2012) Instrucã̧o Normativa SRF no 660, de 2006: Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial I – a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e II – o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, relativamente aos produtos classificados no código 09.01 da NCM. Portanto, aplicase a suspensão da inciden̂cia da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins nas vendas de café beneficiado. Neste sentindo me filio a posição ora adotada pelo Acórdão citado, no sentido de entender que há diferença entre o beneficiamento dos grãos de café e a sua industrialização, sendo dois processos diferentes e não correlatos. Com isso suspendendose a incidência da contribuição para a Cofins na venda de café beneficiado. Com isso, voto no sentido de manter neste ponto a decisão do Acórdão ora recorrido. 2) Aquisições junto a fornecedores com inscrição inapta perante o Fisco Federal O Contribuinte alega que as glosas referentes às aquisições de café de empresas consideradas inaptas devem ser afastadas, pois a aquisição mesmo que de empresas declaradas inaptas tem direito a todos os efeitos tributários da operação conforme a legislação. Ocorre que, conforme consta no Acórdão ora recorrido, por meio de operações de investigação foram descobertos mecanismos que visavam a geração de créditos “falsos” para compensar das contribuições como a Cofins. Pessoas jurídicas chamadas de “noteiras” emitiam nota fiscal para guiar o café até a indústria ou a exportadora, sem declarar nenhum valor de receita. Conforme se observa no trecho a seguir do referido Acórdão (fls. 602): O sistema passou a funcionar pouco depois das alterações da legislação que introduziram a sistemática da não cumulatividade na apuração dessas contribuições e consistia na interposição de pessoas jurídicas que se classificavam como atacadistas entre as pessoas físicas produtoras de café e a indústria/exportadora, o que possibilitava a estas últimas o aumento do valor dos créditos, uma vez que as aquisições feitas junto a pessoas físicas produtoras geravam apenas crédito presumido em percentual bem menor que o crédito possível de apropriação quando de aquisições de pessoas jurídicas. Essas pessoas jurídicas interpostas eram o que a investigação chamou de “noteiras”. Elas não eram atacadistas regulares que compravam e revendiam o café, mas empresas de fachada, que “adquiriam” e “revendiam” próforma o produto. Na realidade a função delas era apenas de emitir uma nota fiscal para guiar o café até a indústria ou a exportadora. Essas “noteiras” não declaravam nenhum valor de receita em suas DIPJs e não tinham patrimônio algum. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12585.720067/201342 Acórdão n.º 3301002.979 S3C3T1 Fl. 636 7 Há nos autos informações produzidas no âmbito das operações de investigação, que resultaram em um conjunto de provas constituído de depoimentos prestados por produtores rurais, inspeção de documentos fiscais de compra e venda de café, análises da situaca̧õ real e fiscal das empresas tidas como atacadistas. Os resultados das operacõ̧es Tempo de Colheita, Robusta e Ghost Coffee levaram à conclusão consistente de que dezenas de pessoas jurídicas atuavam como “noteiras”, entre elas várias empresas das quais a interessada adquiria café. Acrescenta ainda (fls. 602/603): Não se concebe que uma empresa do porte da interessada, que adquiria produtos em grande quantidade, não tivesse ciência de como se davam as aquisições de café antes da alteração da legislação que criou o regime de não cumulatividade para o PIS/Pasep e para a Cofins (diretamente do produtor rural). Não pode alegar também que desconhecia que a interposição de um atacadista regular nesse negócio levaria a um encarecimento do produto, o que inviabilizaria a existência desse intermediário, razão pela qual a compra do café se dava diretamente junto ao produtor rural ou cooperativas. E, por conseqüência, não podia desconhecer que, mesmo com a introdução dessa estranha intermediação, o preço do café não tenha aumentado. Por sua vez o Contribuinte alega em seu Recurso Voluntário (fls. 620/621) que: (...) Estas glosas devem ser afastadas, pois conforme garante a lei, a aquisição mesmo que de empresas declaradas inaptas, amparado em documentos considerados inidôneos pela AFRB, quando comprovados, o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, tem direito a todos os efeitos tributários da operação conforme garantem, o parágrafo único do Artigo 82 da Lei 9.430/96, o Artigo 217 do RIR 99 e o parágrafo 5° do artigo 43 da IN/RFB 1183/2011. Ocorre que restou demonstrado nos autos que o Contribuinte tinha conhecimento de que tais empresas funcionavam apenas de fachada e emitiam notas fiscais falsas com o intuito de fraudar as compensações perante a Receita Federal. No Termo de Declaração MPFD n° 08.1.80.002013000317 (fls. 369 a 372), de 15 de abril de 2014, lavrado em decorrência de procedimentos fiscais na empresa Terra Forte Exportação e Importação de Café Ltda., afirmou o declarante Jayme da Silveira Leme Neto, com comparecimento espontâneo na Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo, que (...) ficou assustado ao ver que o estabelecimento de um de seus fornecedores era um barraco e que o sócio do fornecedor era pessoa financeiramente incapaz de operar no negócio do café. Esclareceu que já ouviu falar dos problemas anteriormente divulgados sobre as irregularidades dos vendedores de café e mesmo assim o procedimento de compra de café continuou da mesma forma. (...) Esclareceu que, embora tenha conhecimento da existência da irregularidade existente no mercado de compra de café, permanece a comercializar com seus fornecedores se baseando meramente em análise documental, não deixando de comercializar com as eventuais empresas envolvidas na irregularidade, desde que atenda os seus requisitos de legitimidade, qual seja a regularidade documental/fiscal perante os órgãos fazendários. Percebese nos autos que o Contribuinte tinha conhecimento do esquema de emissão de notas fiscais falsas e descabe no caso a alegação de que é terceiro de boa fé. Para elucidar citase trecho do despacho decisório da Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (fls. 446): Fl. 639DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 8 A má fé (boafé) é elemento subjetivo. Deve ser demonstrada com argumentos, para fins de livre convencimento do julgador. Nesse sentido, vale lembrar que o exportador é o principal, senão o único beneficiário das operações simuladas, pois pretende se ressarcir de elevados valores de tributos que não foram e nem serão recolhidos por empresas inexistentes de fato. Isso porque, no modus operandi da cadeia de exportação de café, o produtor rural é compelido a vender café nos moldes determinados pelos grandes adquirentes, que conduzem o mercado com uso de poder econômico. As noteiras, reforçamos, exceto pelos recursos individualmente recebidos pelos “laranjas”, não obtêm vantagens significativas, pois de fato não são agentes atuantes na cadeia do café, porque sequer existem, são, na verdade, instrumentos para legitimação de créditos de Pis/Pasep e de Cofins inexistentes no mundo dos fatos. Acrescentase que o exportador está autorizado a realizar as operações com o benefício fiscal da “suspensão” do Pis/Pasep e da Cofins, desonerando o custo do café, contudo faz a opção pela operação mais complexa e onerosa, adquirindo de pseudointermediários, com falta de propósito negocial, cujo real intuito (má fé) é, exclusivamente, gerar os créditos (indevidos). A consecução dos objetivos do exportador apenas prospera quando juntos todas as demais características da cadeia de exportação do café até agora demonstradas, que, individualmente, poderiam não ser alardeadas, mas, reunidas dentro de um contexto bem definido, revelamse como mecanismos em perfeita sincronia para o atingimento de um só objetivo: ocultar as verdadeiras operações praticadas. Afinal, não é razoável esperar que TODAS, absolutamente TODAS as empresas exportadoras atuantes no mercado do café adotem o mesmo procedimento de compra de café, tendo o cuidado de retirar, imediatamente antes de cada compra, inclusive para fornecedores dos quais compram milhões e com os quais já era de se esperar pelo menos uma parceria de confiança mercantil, certidões fazendárias. Causa mais estranheza o fato de que esse procedimento seja adotado apenas nas aquisições de café e era negligenciado nas demais aquisições. É invariavelmente estranho supor que seja apenas uma coincidência o fato de que grande maioria dos fornecedores de café do sujeito passivo não têm capacidade financeira ou operacional para movimentar anualmente milhões de reais em vendas de café. E que essa peculiaridade acometia apenas os fornecedores de café, justamente os fornecedores para os quais o adquirente exportador toma cuidados adicionais durante a compra. E que o adquirente exportador de café, mesmo que demandado pelos clientes no exterior por café de alta qualidade, sequer conhece as estruturas de funcionamento e obtenção de café de qualidade de qualquer um de seus fornecedores, como ocorre em relações mercantis ordinárias, limitandose a conhecêlos por meio de cadastros fazendários. Mantenho assim, neste ponto acerca do afastamento das glosas decorrentes da aquisição das empresas partícipes do ocorrido, o entendimento do acórdão referido de não prover o que se requer no Recurso Voluntário. 3) Créditos ordinários apurados em relação às compras de cooperativas O Contribuinte requer que seja afastada a glosa sobre as compras de cooperativas e que seja restabelecido o crédito pleiteado, alegando que este direito está garantido na legislação, mais especificamente na Solução de Consulta Cosit nº 65, de 10 de março de 2014. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12585.720067/201342 Acórdão n.º 3301002.979 S3C3T1 Fl. 637 9 Neste sentido, quando da análise do crédito pleiteado pelo Contribuinte, a administração fazendária se manifestou desta forma (fls. 475): Cabe destacar que não enxergamos incompatibilidades entre a supracitada solução de consulta e o teor deste despacho decisório tendo em vista que aquele ato deixa claro em sua ementa que ainda que não haja óbice à apuração de créditos de Pis/Pasep e de Cofins nas aquisições de produtos junto a cooperativas, há de se observar, em qualquer caso, os limites e condições previstos na legislação. É que a referida solução de consulta, em seu parágrafo 6, dispõe que “de acordo com o art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições não dá direito a crédito”. “6. De acordo com o art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições não dá direito a crédito. (...)” Ainda nesse sentido esclarece em seu parágrafo 10 que “sabendose que, regra geral, não há impedimento ao aproveitamento de créditos nas aquisições de produtos junto a cooperativas, não há mais questão de interpretação da legislação tributária a ser resolvida. Basta aplicar literalmente a legislação referente à situação descrita na consulta, sendo vedada a apuração de créditos em relação às aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. ” Ora, entendemos, portanto, que a solução de consulta pretendeu esclarecer que as aquisições de cooperativas, em regra, assemelhamse a aquisições normais, como as efetuadas de uma pessoa jurídica qualquer, exceto nos casos em que de alguma forma a cooperativa não se sujeite ao pagamento das contribuições, como no caso da exclusão da base de cálculo dos valores repassados aos cooperados prevista no art. 15 da MP nº 2.15835, de 2001. Nesse mesmo sentido, a referida solução de consulta manifestase em sua conclusão nos parágrafos 14 e 15: “14. A aquisição de produtos junto a cooperativas não impede o aproveitamento de créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, observados os limites e condições previstos na legislação. 15. Até dezembro de 2011, a pessoa jurídica exportadora de café submetida ao regime de apuração não cumulativa tinha direito ao cálculo de créditos em relação às aquisições de café de cooperativas, observados os limites e condições legais. Não havia direito à apuração de créditos nas aquisições com suspensão previstas no art. 9º, I e III, da Lei nº 10.925, de 2004, nem nas aquisições feitas por empresa comercial exportadora que tenha adquirido o produto com o fim específico de exportação.” No voto do Acórdão recorrido o relator foi bastante preciso em relação ao pedido do Contribuinte de afastar as glosas sobre as compras de cooperativas como se pode depreender da leitura do seguinte trecho (fls. 600 e 601): Assim, o procedimento do auditor não colide com o entendimento esposado na solução de consulta trazida pela contribuinte. Os créditos, no caso de aquisições de produtos de cooperativas (de produção ou agroindustriais), foram reconhecidos, desde que a legislação não fizesse alguma restrição ou, conforme consta textualmente “observados os limites e condições previstos na legislação”. Conforme consta no despacho decisório (fl. 476): A Fiscalização expediu em 28/08/2013 intimação para as cooperativas fornecedoras Fl. 641DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 10 do sujeito passivo requerendo informações a respeito da natureza específica das atividades por elas praticadas com o fim de enquadrálas em um dos grupos acima destacados. Em resposta, as cooperativas abaixo, esclareceram que exercem atividade agropecuária. (Anexo ao processo – Documentos Diversos – Respostas das cooperativas). Assim, relativamente às aquisições efetuadas junto às cooperativas de produção agropecuária, uma vez a contribuinte ter se apropriado do crédito integral e não do crédito presumido conforme determinado pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, para apuração do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos, foi glosada corretamente a diferença. E, ainda que nessas vendas as cooperativas de produção agropecuária tenham feito a observação nas notas fiscais de que não teria havido a suspensão do PIS/Pasep e da Cofins, isso não desqualifica o procedimento fiscal. A observação nas notas fiscais não permite, por si só, concluir que a venda não tenha ocorrido ao abrigo da suspensão dessas contribuições. No que tange às aquisições efetuadas junto às cooperativas agroindustriais, assim se manifestou o auditor (fl .477): As demais cooperativas que foram enquadradas pelo contribuinte como cooperativas agroindustriais por realizar as atividades previstas no art. 8º §§ 6º e 7º da Lei nº 10.925, de 2004, foram aceitas neste enquadramento por esta auditoria. As aquisições de café oriundo de associados à cooperativa quando esta exclui da base de cálculo das contribuições o valor repassado aos seus cooperados não ensejam créditos de qualquer natureza ao adquirente por enquadraremse exclusivamente na situação prevista no art. 3º, § 2º, da Lei nº 10.833, de 2003, que determina que não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição (…), como é o caso das cooperativas agroindustriais que excluem da base de cálculo das contribuições o valor repassado a seus associados. Segue a relação das cooperativas que informaram fazer a opção pela exclusão da base de cálculo das contribuições dos valores repassados aos associados, prevista no art. 15 da MP 215835, de 2001, desonerando a operação de venda, por não haver mais a sujeição ao recolhimento dos tributos. (grifouse). Não há dúvidas de que as cooperativas agroindustriais não se sujeitam às regras dos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004. Contudo, em relação às aquisições de café beneficiado dessas cooperativas, os créditos foram glosados, na integralidade, no caso de exclusão da base de cálculo dos valores das mercadorias adquiridas de seus associados. Por essa razão, essas vendas, não estando sujeitas ao pagamento da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, não podem gerar direito a crédito. Na sistemática da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins não é permitida, via de regra, a apuração de créditos decorrentes de aquisições de bens que não se sujeitaram à incidência das contribuições, a teor do disposto no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Portanto, se ao valor da aquisição não houve a incorporação daquele da contribuição, não há razão para a apropriação do crédito. A título de esclarecimento, no caso de as vendas efetuadas por essas cooperativas agroindustriais terem se caracterizado como “atos de terceiros”, os créditos foram aceitos pela fiscalização (fls. 478 e 479): Verificamos as cooperativas que esclareceram em resposta a Fiscalização (Anexo ao processo – Documentos Diversos – Respostas das cooperativas) que também praticaram atos de terceiros durante o período, ou seja, realizaram venda de café oriundo de terceiros não cooperados. Nesses casos, as referidas vendas efetuadas Fl. 642DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12585.720067/201342 Acórdão n.º 3301002.979 S3C3T1 Fl. 638 11 assemelhamse e equiparamse àquelas realizadas por pessoas jurídicas ordinárias e ensejam a concessão de créditos cheios ao adquirente. (grifouse). Com a exposição clara do relator acerca do julgado, e, de acordo com a legislação aplicável, voto no sentido de manter a decisão recorrida no que tange aos créditos ordinários apurados em relação às compras de cooperativas. 4) Glosa em relação aos fretes de entrada O contribuinte no seu Recurso Voluntário reitera (fls. 627) o alegado na manifestação de inconformidade de que é cabível a apropriação de crédito no caso de fretes na aquisição de bens para a revenda, nos termos da Solução de Consulta nº 80 de 20 de agosto de 2010. O que ficou assentado é que os valores aceitos são referentes apenas às compras cujos créditos foram glosados. Conforme se verifica no final do despacho decisório e reproduzido na decisão ora recorrida (fls. 604): DOS BENS PARA REVENDA / BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS A empresa em alguns meses lançou suas compras na rubrica “bens para revenda” e em outros meses na rubrica bens utilizados como insumos. Face a empresa fazer atividade agroindustrial, adotamos a utilização da rubrica “bens utilizados como insumos”. Os créditos referemse a compra de café de fornecedores pessoa jurídica, cooperativas agroindustriais (cooperativas que não excluíram da base de cálculo das contribuições o valor repassado a seus associados e que se tratava de atos de terceiros), compras de embalagens e fretes de compras. Foram glosados as seguintes compras: compras de café de fornecedores acima listados como noteiras; compras de cooperativas que foram consideradas por esta auditoria como cooperativas agropecuárias (realocadas como créditos de insumos de origem vegetal presumido); compras de cooperativas que excluíram da base de cálculo das contribuições o valor repassado a seus associados e que não se tratava de atos de terceiros; fretes de compras relativo as compras glosadas; (grifo acrescido) despesas de comissões. Segue juntado ao processo a planilha “Valores Aceitos Insumosserviçosfrete” com a composição do crédito identificando todas as notas fiscais e contascontábeis. A planilha apresenta em abas distintas as compras de pessoa jurídica, cooperativa agroindustrial (com percentual de compras de terceiros), frete de compra cheio e o total consolidado que foi utilizado para compor a ficha 06/16 do Dacon. Também segue juntado a planilha “Valores Glosados” com a identificação das notas fiscais glosadas em abas distintas identificando as compras de cooperativas, pessoa jurídica, frete de compras e comissões. DOS CRÉDITOS PRESUMIDOS CALCULADOS SOBRE INSUMOS DE ORIGEM VEGETAL No âmbito dos valores informados pelo contribuinte referentes a rubrica sob análise, encontramos aquisições de pessoas físicas, de cooperativas de produção agropecuária e de pessoas jurídicas cerealistas. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 12 Foram aceitas as aquisições acima mencionadas, sendo identificado o frete de compra correspondente e as compras de cooperativas realocadas do item anterior (ficha 06/16 do Dacon). Segue juntado ao processo a planilha “Valores Aceitos Crédito Presumido” com a composição do crédito identificando todas as notas fiscais e contas contábeis. A planilha apresenta em abas distintas as compras de cooperativa agropecuária, cooperativa realocada, produtor, cerealista, frete de compra presumido e o total consolidado que foi utilizado para compor a ficha 06/16 do Dacon. (grifo acrescido) Com isso, tendo sido os valores lançados glosados não tem cabimento aceitar o crédito correspondente ao serviço de transporte dos bens a que essas aquisições se referiam, aplicase aqui a máxima de que o acessório segue o principal. Neste sentido voto em manter o teor da decisão ora recorrida. 5) Glosa em relação às despesas de armazenagem Objetiva o Contribuinte afastar a glosa de crédito referente aos custos de armazenagem, porém ao se verificar nos autos tais custos observase que não houve glosas de crédito referentes a estes valores. Para elucidar a questão cito um trecho do Acórdão recorrido: Novamente, como pode ser visto ao final do despacho decisório, assim como nas planilhas relativas às glosas e aos valores aceitos dos créditos, não houve glosas de créditos com relação a esses valores. Muito embora na descrição do tópico abordado o auditor tenha se referido às despesas de armazenagem, no próprio corpo da explicação não se vê nenhuma menção a elas, mas somente aos fretes nas operacõ̧es de vendas (fls. 480 e 481): DAS DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NAS OPERAÇÕES DE VENDAS A empresa foi intimada a identificar as despesas de frete separando os tipos de fretes (compra e venda e intermediário), informando a origem, destino e o correspondente fornecedor. Após a identificação aceitamos as despesas de fretes de vendas, sendo lançadas nesta rubrica. Segue juntado ao processo a planilha “Valores Aceitos Insumosserviçosfrete” com a composição do crédito identificando todas as notas fiscais e contas contábeis. A planilha apresenta a aba frete vendas e o total consolidado que foi utilizado para compor a ficha 06/16 do Dacon. O mesmo se diga em relação às planilhas com análise de créditos (Arquivo não paginável, fl. 417). Não há nessas planilhas nenhuma “aba” que mencione as despesas de armazenagem. Com estes esclarecimentos, no sentido de que o fiscal fez referência às despesas de armazenagem e que estas não foram objeto de glosa, voto em manter a decisão recorrida. 5) Sobre o pedido de correção monetária do Contribuinte Uma vez que os créditos pleiteados pelo Contribuinte foram negados em sua totalidade, não há que se falar em correção monetária destes valores. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12585.720067/201342 Acórdão n.º 3301002.979 S3C3T1 Fl. 639 13 Portando, tendo em vista a legislação aplicável e os autos do processo voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, mantendo o conteúdo do Acórdão ora recorrido. Valcir Gassen Relator Fl. 645DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 16095.000037/2011-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
AFASTAMENTO DE NORMA EM VISTA DE SEU ADUZIDO CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.
Falece à autoridade administrativa excluir ou reduzir obrigação tributária fundada exclusivamente em argumentos relacionados à alegada desproporcionalidade ou efeito confiscatório da exação constituída de ofício.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITOS NÃO DECLARADOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não caracteriza denúncia espontânea a informação de débitos em DCTF retificadora transmitida somente depois de iniciado o procedimento de fiscalização.
MULTA QUALIFICADA. INEXISTÊNCIA DE COISA JULGADA ADMINISTRATIVA QUE ALICERCE A QUALIFICADORA DE REINCIDÊNCIA. AFASTAMENTO DA MULTA DE 150%.
Deverá ser afastada a multa qualificada de 150% prevista no artigo 80, inciso II, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo artigo 45 da Lei nº 9.430/96, quando não restar caracterizada a reincidência específica de que trata o artigo 70, inciso II, da mesma Lei nº 4.502/64, como na realidade examinada em que, na ocasião do lançamento, não havia coisa julgada administrativa suficiente à caracterização da reincidência, fundamento legal para a qualificadora.
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO E DE PAGAMENTO POR PARTE DO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE.
Diante da não declaração e pagamento, pelo contribuinte, de tributo sujeito a lançamento por homologação, deverá a autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, com a exigência da correspondente multa de ofício de 75% prevista no caput do artigo 80 da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo artigo 45 da Lei nº 9.430/96.
Recurso ao qual se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 3301-002.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AFASTAMENTO DE NORMA EM VISTA DE SEU ADUZIDO CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Falece à autoridade administrativa excluir ou reduzir obrigação tributária fundada exclusivamente em argumentos relacionados à alegada desproporcionalidade ou efeito confiscatório da exação constituída de ofício. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITOS NÃO DECLARADOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não caracteriza denúncia espontânea a informação de débitos em DCTF retificadora transmitida somente depois de iniciado o procedimento de fiscalização. MULTA QUALIFICADA. INEXISTÊNCIA DE COISA JULGADA ADMINISTRATIVA QUE ALICERCE A QUALIFICADORA DE REINCIDÊNCIA. AFASTAMENTO DA MULTA DE 150%. Deverá ser afastada a multa qualificada de 150% prevista no artigo 80, inciso II, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo artigo 45 da Lei nº 9.430/96, quando não restar caracterizada a reincidência específica de que trata o artigo 70, inciso II, da mesma Lei nº 4.502/64, como na realidade examinada em que, na ocasião do lançamento, não havia coisa julgada administrativa suficiente à caracterização da reincidência, fundamento legal para a qualificadora. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO E DE PAGAMENTO POR PARTE DO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. Diante da não declaração e pagamento, pelo contribuinte, de tributo sujeito a lançamento por homologação, deverá a autoridade administrativa constituir o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 00 37 /2 01 1- 27 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 16095.000037/201127 Acórdão n.º 3301002.933 S3C3T1 Fl. 275 2 crédito tributário pelo lançamento de ofício, com a exigência da correspondente multa de ofício de 75% prevista no caput do artigo 80 da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo artigo 45 da Lei nº 9.430/96. Recurso ao qual se dá parcial provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Ribeirão Preto (efls. 230/236), proferida em 27/04/2011, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação formalizada pelo sujeito passivo, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente questionada. ATOS PRATICADOS APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. Para fins de lançamento e aplicação de penalidade somente podem ser considerados pela fiscalização os atos praticados antes do início do procedimento fiscal, pois a partir daí o contribuinte tem sua espontaneidade excluída. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ESPONTANEIDADE. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 16095.000037/201127 Acórdão n.º 3301002.933 S3C3T1 Fl. 276 3 A inclusão de débitos no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/09 durante a ação fiscal não faz com que o sujeito passivo readquira a espontaneidade. MULTA QUALIFICADA. Estando presentes os atos caracterizadores de fraude, dolo ou simulação, tornase aplicável a multa qualificada de 150%. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no Auto de Infração de fls. 151/155, cientificado em 10/02/2011, totalizando o crédito tributário de R$ 13.912.683,91, inclusos multa de ofício e juros de mora. Segundo o Termo de Verificação Fiscal e Constatação de Irregularidades (fls. 134/140), na execução de procedimento fiscal de revisão da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e da Declaração de Informações EconômicoFiscais das Pessoas Jurídicas (DIPJ), relativos aos anoscalendário 2006 e 2007, foram identificados, no período de janeiro/2006 a dezembro/2007, valores de IPI (saldos devedores) no Livro Registro de Apuração não recolhidos e nem declarados em DCTF, que foram lançados por meio do auto de infração originário do presente processo. A contribuinte apresentou, em 29/07/2010 e 30/07/2010, DCTF retificadoras, incluindo os valores de IPI. Porém, as retificações foram apresentadas após o início do procedimento fiscal, que ocorreu em 20/07/2010, quando a espontaneidade do sujeito passivo estava afastada, por força do art. 7º do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal – PAF). Em virtude da prática reiterada da contribuinte, de apurar saldo devedor de IPI e não declarar à Receita Federal, foi aplicada a multa qualificada de 150%. Regularmente cientificada, a contribuinte protocolizou impugnação de fls. 167/187, aduzindo em sua defesa as seguintes razões: 1. Reconhece os créditos tributários declarados nas DCTF retificadoras relativas a 2006 e 2007, com números de recibo 1002.0062020.2050332470, 1002.006.2010.2030367942, 1002.007.2010.2070334057 e 1002.007.2010.20090320116 e que os mesmos já foram objeto de parcelamento, conforme os recibos de Pedido de Parcelamento da Lei nº 11.941/2009 (fls. 214/218); 2. O Auto de Infração é totalmente indevido por todo o débito já ter sido incluído em parcelamento antes de sua emissão; 3. A impugnação não pode ser tomada como causa impeditiva para se permanecer no “Refis”, pois a autuação se deu em data posterior ao parcelamento e cobra valores ali já incluídos; Fl. 276DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 16095.000037/201127 Acórdão n.º 3301002.933 S3C3T1 Fl. 277 4 4. É ilegal a obrigatoriedade da renúncia, conforme entendimento majoritário, pois a Lei nº 11.941/2009 não menciona desistência de impugnação ou recurso administrativo e a exigência de tal renúncia a direitos seria inconstitucional; 5. A retificação das DCTF foi espontânea e tempestiva, sendo equivocados os argumentos do Agente Fiscal em desqualificar a espontaneidade das retificações em decorrência do início do procedimento fiscal; 6. Não recebeu o Termo de Intimação Fiscal, supostamente enviado em 12/07/2010, e só tomou conhecimento do procedimento fiscalizatório com a notificação de 23/08/2010, quando já havia apresentado as DCTF retificadoras; 7. A apresentação das DCTF retificadoras respeitou os prazos previstos na Lei nº 11.941/2009; 8. A ausência de comprovação do recebimento do Termo de Intimação Fiscal de 12/07/2010 padeceu de um requisito procedimental, qual seja, a formalização, que a torna nula; 9. Teria ocorrido o autolançamento do crédito tributário por meio das DCTF retificadoras, afastando o lançamento de acessórios (atualizações monetárias, juros de mora e multa); 10. A autuação é nula por ter ocorrido o cerceamento do direito de defesa pela ausência de juntada na via do contribuinte, dos documentos que instruíram a acusação; 11. Não cabe a aplicação da multa qualificada, pois a imputação de prática delituosa à impugnante é totalmente indevida, pois a contribuinte espontaneamente retificou todas as DCTF e aderiu voluntariamente ao programa de parcelamento, visando a efetiva quitação do débito e o cumprimento de seus deveres. Conclui pedindo o recebimento da presente impugnação, seu julgamento como totalmente procedente e que seja cancelado o auto de infração, para o fim de reconhecer o autolançamento por meio das DCTF. Por fim, solicita que todas as notificações e correspondências sejam encaminhadas ao escritório dos patronos da impugnante. Cientificada do indeferimento de seu pleito em 25/05/2011 (conf. efls. 240 e 271), a interessada, em 24/06/2011 (efls. 243), apresentou o recurso voluntário de efls. 243/260 onde reitera os argumentos já aduzidos na primeira instância recursal, destacando, dentre outras aspectos já ressaltados na instância a quo: a) que "na data da retificação da obrigação acessória [DCTF], a recorrente não tinha conhecimento do início do procedimento fiscal", e que "a retificação das DCTFs de 2006 e 2007, se deram (sic) em virtude da adesão ao Parcelamento da Lei 11.941, de 27 de Maio de 2009"; b) que em nenhum momento restou comprovado o dolo, e que a motivação da retificação foi a adesão ao REFIS e não o início do procedimento fiscal; Fl. 277DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 16095.000037/201127 Acórdão n.º 3301002.933 S3C3T1 Fl. 278 5 c) que a Constituição Federal veda o confisco; d) que os créditos tributários já foram reconhecidos como devidos e declarados pelo sujeito passivo, sendo objeto de parcelamento; "assim, o auto de infração se torna totalmente indevido e por consequência deverá ser integralmente cancelado"; reitera que a retificação das DCTF teria sido espontânea. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso é tempestivo e há que ser conhecido por preencher os demais requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Primeiramente, cumpre destacar que não há controvérsia no que concerne à parte principal do crédito tributário, eis que o sujeito passivo, além de não ter contestado o imposto (IPI), apresentou declarações retificadoras informando o débito e formalizou adesão ao REFIS previsto na Lei nº 11.941/2006, conforme consta de seu recurso. A lide, portanto, é restrita às exações de ofício, em relação às quais a recorrente aduz haver retificado as correspondentes DCTF ainda sob o manto da espontaneidade, e que sua conduta não poderia ser qualificada como dolosa a ponto de ser motivo para aplicação da multa qualificada de 150%, de caráter alegadamente confiscatório, o que seria vedado pela Constituição Federal. Primeiramente, releva destacar que o sujeito passivo recebeu o Termo de Intimação Fiscal, datado de 12/07/2010 (efls. 04), em 20/07/2010, conforme comprova o AR de efls. 05. Referido documento foi remetido ao correto endereço da sede da empresa, localizada na Rua Santana de Ipanema, nº 1182, Guarulhos SP, CEP 07.220010, tendo sido recepcionado por Alessandro Joaquim. Portanto, as "retificações" implementadas nas DCTF em 29/07/2010 ocorreram quando o sujeito passivo não mais se encontrava amparado pela espontaneidade, de sorte que é legítimo o lançamento para a exigência de ofício do imposto, eis que a situação não se enquadra no disposto no artigo 138 do CTN, já que "não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração" (parágrafo único). Consequentemente, como o débito foi lançado de ofício, foi lavrado o correspondente auto de infração, com a exigência de multa qualificada de 150% prevista no artigo 80, inciso II, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo artigo 45 da Lei nº 9.430/96. O sujeito passivo alega que a multa em evidência tem caráter confiscatório, e que deveriam ter sido observados os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da vedação ao confisco. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 16095.000037/201127 Acórdão n.º 3301002.933 S3C3T1 Fl. 279 6 Não obstante, tal argumento não pode servir como fundamento para que o julgador administrativo afaste a exação, eis que a legislação tributária há que ser interpretada literalmente, dentre outras hipóteses, quando trate de exclusão do crédito tributário (CTN, art. 111, inciso I). Ademais, os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da vedação ao confisco são dirigidos ao legislador e não ao aplicador da lei. Este, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicála obrigatoriamente por força do art. 116, inciso III, da Lei 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09/06/2015. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa interpretá la e aplicála, processo do qual não integra o juízo de valor acerca da justiça ou da injustiça dos efeitos que gerou. De fato, é vedada à instância administrativa negar a aplicação de lei que entenda inconstitucional, assunto, inclusive, pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos de sua Súmula no 02, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Compete ao julgador administrativo, no entanto, examinar e interpretar as normas, resolvendo, pela técnica interpretativa, eventuais lacunas ou antinomias encontradas na legislação aplicável ao caso fático. Não representa nulidade o fato de referida autoridade dar maior relevo a determinada conduta e aplicar a norma que entende se subsume ao caso. Portanto, falece à autoridade administrativa competência para excluir crédito tributário com fundamento em alegado caráter confiscatório da norma. No entanto, em relação à exigência de multa qualificada de 150% prevista no artigo 80, inciso II, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo artigo 45 da Lei nº 9.430/96, penso que a mesma deverá ser afastada uma vez que, quando do lançamento, não havia coisa julgada administrativa suficiente à caracterização da reincidência, fundamento legal para a qualificadora. Com efeito, no Termo de Verificação Fiscal (efls. 139), o auditor fiscal responsável pelo lançamento ressaltou que seria recorrente a prática da interessada de não declarar os débitos devidos em DCTF, deixando para fazêlo apenas se instaurado o procedimento de fiscalização. Nesse diapasão, a autoridade fiscal reportouse ao processo nº 16095.000174/201081, onde a mesma conduta de sonegação dos débitos do IPI teria sido evidenciada. Todavia, em consulta ao sítio do CARF, vêse que o processo citado pela autoridade fiscal como fundamento da reincidência (nº 16095.000174/201081) foi julgado por este Conselho em 18/07/2012 (acórdão nº 3302001.751), ocasião em que o colegiado julgador deu provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo por entender que o mesmo recuperou a espontaneidade dada a inoperância da autoridade fiscal. Confirase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE. APLICAÇÃO RETROATIVA. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 16095.000037/201127 Acórdão n.º 3301002.933 S3C3T1 Fl. 280 7 De acordo com o posicionamento da Secretaria da Receita Federal, consoante Solução de Consulta Interna nº 15, de 20 de maio de 2005, a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo, em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias, aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. DCTF RETIFICADORA. DISPENSA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É pacífico na jurisprudência do STJ que a declaração do tributo por meio de DCTF, ou documento equivalente, dispensa o Fisco de proceder à constituição formal do crédito tributário. Precedente: Recurso Especial representativo de controvérsia n.º 962.379/RS. Portanto, não restou caracterizada a reincidência nos termos do artigo 70, inciso II, da Lei nº 4.502/64, verbis: Art . 70. Considerase reincidência a nova infração da legislação do Imposto do Consumo, cometida pela mesma pessoa natural ou jurídica ou pelos sucessores referidos nos incisos III e IV do artigo 36, dentro de cinco anos da data em que passar em julgado, administrativamente, a decisão condenatória referente à infração anterior. Parágrafo único. Dizse a reincidência: I genérica, quando as infrações são de natureza diversa; II específica, quando as infrações são da mesma natureza, assim entendidas as que tenham a mesma capitulação legal e as referentes a obrigações tributárias previstas num mesmo capítulo desta lei. (grifo nosso) Há, pois, que se afastar a qualificadora, devendo ser mantida apenas a multa de 75% prevista no caput do artigo 80 da Lei nº 4.502/64 Da conclusão Por todo o exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, a fim de que seja afastada a qualificadora da multa, que deverá ser mantida apenas no percentual de 75%. Sala de Sessões, em 27 de abril de 2016. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 280DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 16095.000037/201127 Acórdão n.º 3301002.933 S3C3T1 Fl. 281 8 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 10680.720861/2010-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-002.951
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com a ação judicial.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com a ação judicial. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 08 61 /2 01 0- 30 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10680.720861/201030 Acórdão n.º 2201002.951 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento Belo Horizonte, Acórdão 0242.429 da 8ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de infração à Lei 8.212/91, artigo 32, inciso IV, §5º, por ter a empresa apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, pois deixou de informar na GFIP os valores pagos a cooperativa de trabalho, conforme Tabela de fls. 15/16. De acordo com o Relatório Fiscal da Multa, fls. 17/18, a multa cabível está prevista na Lei 8.212/91, artigo 32, §5º c/c o RPS, artigo 284, inciso II, e o valor da multa é calculado em 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada, por competência, aos valores previstos no §4º do artigo 32 da Lei 8.212/91. A multa aplicada pela infração cometida é de R$ 241.246,80, calculada conforme tabela apresentada no anexo de fl. 19. A interessada foi cientificada do presente auto de infração – AI em 30/9/11, conforme documento de fl. 2, e apresentou impugnação, às fls. 22/34. A defesa apresenta os mesmos argumentos da defesa apresentada nos autos do processo principal 10680.720868/201051, DEBCAD 37.224.3036, ao qual o presente processo está vinculado, todos lavrados na mesma ação fiscal, cujo conteúdo foi relatado no Acórdão 0242.428, julgado conjuntamente com o presente processo, na mesma sessão de julgamento desta turma da DRJ/BHE. Os autos foram baixados em diligência, nos termos do despacho de fl. 131, para que a fiscalização se manifestasse sobre o argumento do sujeito passivo de que a base de cálculo apurada contém erros de soma. Em Informação Fiscal apresentada no processo principal 10680.720868/201051 (fls. 207/209) foi esclarecido que não cabe retificação do lançamento correspondente às notas fiscais emitidas pela Cooperativa dos Trabalhadores Multiprofissionais ONICOOP. Quanto às notas fiscais emitidas pela Unimed Vale do Aço Cooperativa de Trabalho Médico, do confronto as notas Fl. 170DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 que foram objeto de levantamento no presente processo, com as apresentadas em diligência fiscal, constatouse que os valores lançados estão corretos, não sendo apurado diferença nas notas utilizadas. Concluiu a fiscalização que não procede o argumento do sujeito passivo sobre o erro na apuração da base de cálculo ora lançada, não cabendo retificação do presente lançamento. Foi aberto o prazo de 30 dias a contar da ciência da informação fiscal para que o sujeito passivo se manifestasse sobre o resultado da diligência. O contribuinte foi cientificado da informação fiscal em 7/5/12, e o prazo para regulamentar de manifestação expirava em 6/6/12, conforme despacho de fl. 229 do processo 10680.720868/2010 51. Em 13/8/12 os autos foram encaminhados para esta DRJ e não consta nenhuma manifestação do sujeito passivo sobre o resultado da diligência fiscal. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Julgamento conjunto com AIOP. · Por meio do mandado de Segurança 2000.38.00.0170783 discute a tributação em questão. · Com base em liminar concedida deixou de recolher. · Recurso Extraordinário 580.811/MG, sobrestado. Repercussão geral. É o relatório. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10680.720861/201030 Acórdão n.º 2201002.951 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo. Passo à análise das questões pertinentes. O presente lançamento referese às contribuições previdenciárias que estão sendo discutidas judicialmente através de Ações Judiciais. O Princípio da Tutela Jurisdicional Absoluta, previsto no artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, veda que sejam afastadas da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Quem se sentir ameaçado ou violado em seus direitos pode recorrer ao judiciário e este não pode eximirse da apreciação e solução da matéria. Sobrepondose suas decisões às soluções na esfera administrativa sobre a mesma matéria, seria inócuo um julgamento por este colegiado que, após a decisão judicial, observaria o afastamento da solução proposta. Nesse sentido, ocorrerá renúncia ao contencioso quando a ação judicial tiver “mesmo objeto” sobre o qual versa o processo administrativo. Esse procedimento está padronizado pela Súmula CARF nº 1. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONCLUSÃO Pelo exposto, considerando que a renúncia caracteriza perda do objeto, não conheço do recurso. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 172DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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Numero do processo: 15504.724661/2012-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
MULTA DE OFÍCIO.
É cabível a multa de ofício, pois restaram configurados os pressupostos de incidência, quais sejam, a falta de pagamento ou recolhimento da contribuição devida sobre a remuneração incluída em RAIS e não incluída em GFIP, e a falta de declaração dessa remuneração em GFIP, sendo irrelevante o fato de ter havido o saneamento da falta após o início do procedimento fiscal, nos termos do parágrafo único do art. 138 do CTN.
A incidência do percentual da multa prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96 (75%) independe da intenção do agente.
No período anterior à MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, que alterou a sistemática das multas em matéria previdenciária, deve ser aplicado o percentual de multa previsto nessa lei, quando mais benéfico ao contribuinte.
Para fins de cálculo da multa mais benéfica, no período anterior à MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, o elemento quantitativo da multa deve ser apurado pelo somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009.
SEGURO ACIDENTE DO TRABALHO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. INCONSTITUCIONALIDADE.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei. Aplicação da Súmula CARF nº 02.
A lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.732/98, dispôs sobre todos os aspectos da hipótese de incidência e não viola a legalidade tributária deixar ao Executivo a complementação dos conceitos. Decisão do STF, Pleno, RE 343446/SC.
EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. SALÁRIO EDUCAÇÃO. SESC. SENAC. INCRA. SEBRAE. CABIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE.
O salário educação é devido pelas empresas prestadores de serviços, uma vez que o art. art. 202, § 5º, da Constituição de 1988 não as distingue das demais empresas. Precedentes do STJ.
As empresas prestadoras de serviços recolhem as contribuições para o SESC e SENAC, porquanto enquadradas no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio, conforme a classificação do artigo 577 da CLT e seu anexo, consoante Súmula 499 do STJ.
É devida a contribuição para o SEBRAE, pelas empresas prestadoras de serviço, considerando que é prescindível a contraprestação direta em favor do contribuinte, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em processo com repercussão geral reconhecida.
O objeto da contribuição destinada ao INCRA é custear a política de reforma agrária, beneficiando toda a sociedade e não somente o meio rural, de modo que é devida também pelas empresas urbanas. Precedentes do STJ.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei. Aplicação da Súmula CARF nº 02.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Andrea Brose Adolfo, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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TERCEIROS. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT/GILRAT Recorrente J.B. LIMPEZA, CONSERVAÇÃO E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MULTA DE OFÍCIO. É cabível a multa de ofício, pois restaram configurados os pressupostos de incidência, quais sejam, a falta de pagamento ou recolhimento da contribuição devida sobre a remuneração incluída em RAIS e não incluída em GFIP, e a falta de declaração dessa remuneração em GFIP, sendo irrelevante o fato de ter havido o saneamento da falta após o início do procedimento fiscal, nos termos do parágrafo único do art. 138 do CTN. A incidência do percentual da multa prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96 (75%) independe da intenção do agente. No período anterior à MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, que alterou a sistemática das multas em matéria previdenciária, deve ser aplicado o percentual de multa previsto nessa lei, quando mais benéfico ao contribuinte. Para fins de cálculo da multa mais benéfica, no período anterior à MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, o elemento quantitativo da multa deve ser apurado pelo somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009. SEGURO ACIDENTE DO TRABALHO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. INCONSTITUCIONALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 46 61 /2 01 2- 72 Fl. 434DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei. Aplicação da Súmula CARF nº 02. A lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.732/98, dispôs sobre todos os aspectos da hipótese de incidência e não viola a legalidade tributária deixar ao Executivo a complementação dos conceitos. Decisão do STF, Pleno, RE 343446/SC. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. SALÁRIO EDUCAÇÃO. SESC. SENAC. INCRA. SEBRAE. CABIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. O salário educação é devido pelas empresas prestadores de serviços, uma vez que o art. art. 202, § 5º, da Constituição de 1988 não as distingue das demais empresas. Precedentes do STJ. As empresas prestadoras de serviços recolhem as contribuições para o SESC e SENAC, porquanto enquadradas no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio, conforme a classificação do artigo 577 da CLT e seu anexo, consoante Súmula 499 do STJ. É devida a contribuição para o SEBRAE, pelas empresas prestadoras de serviço, considerando que é prescindível a contraprestação direta em favor do contribuinte, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em processo com repercussão geral reconhecida. O objeto da contribuição destinada ao INCRA é custear a política de reforma agrária, beneficiando toda a sociedade e não somente o meio rural, de modo que é devida também pelas empresas urbanas. Precedentes do STJ. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei. Aplicação da Súmula CARF nº 02. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Andrea Brose Adolfo, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 15504.724661/201272 Acórdão n.º 2301004.517 S2C3T1 Fl. 435 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, fl. 383388 e 405413, interposto em face do Acórdão n.º 0250.005 da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte (MG), 350364, que julgou procedente em parte a impugnação aos Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) abaixo discriminados: 1. AIOP nº 37.347.5861, relativo à exigência de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), nas competências 01/2008 a 13/2008. 2. AIOP nº 37.375.7549, relativo à exigência das contribuições destinadas a outras entidades denominadas “Terceiros” (Salário Educação, INCRA, SEBRAE, SESC, SENAC), nas competências 01/2008 a 13/2008. 3. AIOP nº 37.375.7530, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados, descontadas de suas remunerações e não recolhidas pela empresa, na competência 13/2008. Os fundamentos de fato e de direito que ensejaram a autuação, de acordo com o relatório fiscal de fls. 3750, são os seguintes: a) valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais informados nas folhas de pagamento e não declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP; b) pagamento de salário in natura, mediante fornecimento de cestas básicas a empregados, sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador –PAT; c) autoenquadramento incorreto da alíquota RAT de 2%, nas competências 11/2008 e 12/2008, uma vez que a atividade preponderante da autuada é a prestação de serviços de portaria em edifícios e condomínios, cuja alíquota RAT é 3%. A autuada apresentou impugnação, cujos pontos relevantes são: a) não incidência de contribuição sobre o salário in natura; b) alega que os valores constantes da RAIS não foram incluídos em GFIP por motivo de erro, o qual foi posteriormente sanado; c) a multa de 75% é confiscatória, entendendo devida a multa de 20%; d) ilegalidade da contribuição SAT/GILRAT; e) inconstitucionalidade da taxa Selic; e) inexigibilidade das contribuições ao Sesc, Senac e ao Sebrae, das empresas prestadoras de serviço; f) inexigibilidade da contribuição ao INCRA das empresas urbanas; g) inconstitucionalidade da contribuição do salárioeducação. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, excluindo a exigência da contribuição incidente sobre o pagamento do salário indireto referente ao fornecimento de cestas básicas, seguindo a orientação contida no Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN/CRJ nº 2.117, DE 10/11/2011, mantendo as demais exigências com base nos seguintes fundamentos: a) não tem competência para apreciar as teses de ilegalidade e de Fl. 436DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 inconstitucionalidade suscitadas; b) que foi observada a multa mais benéfica no período de 01/2008 a 11/2008, e que no período de 12/2008 e 13/2008 foi adotado o percentual de multa de acordo com a legislação vigente; c) são devidas pelas prestadoras de serviços as contribuições ao Sesc e Senac, e, pelas empresas urbanas, a contribuição ao Sebrae; d) a constitucionalidade da exigência da contribuição social do salárioeducação exigida com base na lei 9.424/96, é objeto da Súmula STF nº 732. O sujeito passivo foi intimado do lançamento tributário em 24 de maio de 2012, fls. 186, e teve ciência da decisão de primeira instância em 06 de novembro de 2013, fls. 381. Em 21/11/2013, a interessada, representada por advogado qualificado nos autos, interpôs recurso em face da decisão da DRJ, fl. 383388 e 405413, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Alega que não teve intenção de sonegar tributo, sendo que a omissão de remuneração em GFIP ocorreu por problemas na transmissão deste documento à RFB, a qual foi posteriormente sanada. Entende ser incabível a incidência de multa de ofício de 75%, primeiro porque não deixou de prestar as informações exigidas pelo Fisco, apresentandolhe as RAIS, segundo porque a multa é exagerada e tem efeito confiscatório, conforme decisões judiciais que transcreve, afrontando o art. 150, IV da CF. Reitera os argumentos da impugnação quanto à inconstitucionalidade do SAT/GILRAT, uma vez que a lei não define atividade preponderante, à inexistência da relação jurídicotributária no tocante às contribuições ao Sesc, Senac e Sebrae, por se tratar de empresa prestadora de serviço, à inexigibilidade da contribuição ao INCRA, por se tratar de empresa urbana. Pede o cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 15504.724661/201272 Acórdão n.º 2301004.517 S2C3T1 Fl. 436 5 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Contribuição sobre a Remuneração de Empregados e Contribuintes Individuais Não Declarada em GFIP. Multa. Em seu recurso, a recorrente não questiona o valor da exigência a título de contribuição lançada sobre as remunerações de empregados e contribuintes individuais declaradas em Relações Anuais de Informações Sociais (RAIS), insurgindose apenas contra a multa de ofício de 75% aplicada em razão da falta de recolhimento dessas contribuições, prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96. O instituto das multas, em matéria previdenciária, foi profundamente alterado pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A lei nova revogou o art 35 da Lei 8.212/911, que previa os percentuais de multa aplicáveis sobre as contribuições sociais em atraso para pagamento espontâneo, que é o 1 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; Fl. 438DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 6 realizado após a data de vencimento do tributo, mas antes do início de qualquer procedimento de fiscalização (inciso I), para pagamento de créditos incluídos em lançamento tributário (inciso II) e para pagamento de créditos incluídos em dívida ativa (inciso III) e definiu novos percentuais aplicáveis, correspondentes ao teto de 20% para pagamento espontâneo em atraso (art. 35 da Lei 8.212/91 com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20092) e 75% no caso de exigência de tributo em lançamento de ofício, passível de agravamento (art 35 A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20093). Em relação aos fatos geradores ocorridos antes da mencionada alteração legislativa, ou seja, para o período anterior a 11/2008, existe o dever de observância, pela autoridade administrativa, da aplicação da multa mais benéfica, em obediência ao art. 106 inciso II do Código Tributário Nacional. Para tanto, é necessário identificar a natureza do instituto objeto de comparação e os dados quantitativos a serem comparados. A lei nova definiu claramente dois institutos: 1) multa de mora para pagamento espontâneo em atraso (art. 35) e 2) multa para pagamento não espontâneo incluído em lançamento tributário chamada de multa de ofício (art. 35A), que é única para três condutas: i) falta de pagamento ou recolhimento; ii) falta de declaração e iii) declaração inexata. A lei nova também definiu claramente os dados quantitativos de cada uma delas: para a primeira, até 20%, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/964; para a segunda, de 75%, passível de agravamento, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/965. d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). 2 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). 3 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). 4 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) 5 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 439DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 15504.724661/201272 Acórdão n.º 2301004.517 S2C3T1 Fl. 437 7 O caso em exame trata de multa sobre contribuições incluídas em lançamento tributário, portanto, não é aplicável a sistemática da multa pela falta de pagamento espontâneo. Como visto, na nova sistemática do art. 35A da Lei 8.212/91, a multa é única para os casos de falta de pagamento ou recolhimento quando há falta de declaração e/ou declaração inexata. Já o revogado art. 35 inciso II da Lei 8.212/91, dizia respeito apenas à multa por falta de pagamento ou recolhimento incluído em lançamento tributário. Era o revogado art. 32 inciso IV §§4o e 5o da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.528/97, que regulava a aplicação de penalidade ao contribuinte que apresentasse declaração inexata ou deixasse de apresentála, fazendo incidir multa isolada. Portanto, na norma anterior, o dado quantitativo da multa para dívidas incluídas em lançamento tributário, para os casos de falta de pagamento ou recolhimento quando há falta de declaração e/ou declaração inexata, deve ser apurado pela soma da multa do revogado art. 35, inciso II, com a multa do revogado art. 32, inciso IV, §§ 4o e 5o.. A multa mais benéfica deve ser apurada mediante comparação do dado quantitativo resultante do cálculo conforme descrito no parágrafo anterior (vigente à época dos fatos geradores) com o dado quantitativo resultante da multa calculada com base no art. 35A II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) II – (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Fl. 440DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 8 da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Este entendimento está explicitado no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei n º 8.212, de 1991 , em sua redação anterior à Lei n º 11.941, de 2009 , e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n º 8.212, de 1991 , acrescido pela Lei n º 11.941, de 2009 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei n º 9.430, de 1996 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) ... A fiscalização elaborou comparativo da multa, fls. 119120, para verificação da penalidade menos severa ao contribuinte, em observância ao artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, nas competências 01/2008 a 11/2008. Para os valores correspondentes a 12/2008 e 13/2008, não houve necessidade de comparativo, posto que já na vigência da MP 449/2008, aplicase o disposto no artigo 35A da Lei 8.212/1991. Isso porque, em todas as competências ficaram demonstrados os pressupostos para a incidência da multa de ofício: a) a falta de pagamento ou recolhimento da contribuição devida sobre a remuneração incluída em RAIS e não incluída em GFIP; b) a falta de declaração dessa remuneração em GFIP. O saneamento da falta após o início do procedimento fiscal não tem o efeito de excluir a multa, pois descaracterizada a denúncia espontânea, nos termos do parágrafo único do art. 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento Fl. 441DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 15504.724661/201272 Acórdão n.º 2301004.517 S2C3T1 Fl. 438 9 administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A incidência do percentual do art. 44, I, da Lei 9.4630/96 (75%) independe da intenção do agente. Por fim, deixo de apreciar as alegações de que o valor da multa é excessivo e afronta o princípio da vedação ao confisco, por força do Enunciado da Súmula CARF nº 02, abaixo transcrito, de observância obrigatória no âmbito deste Órgão Julgador, nos termos do art 45, VI, Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 20156. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Concluo que a multa foi aplicada de acordo com a legislação que rege o assunto, não merecendo reparos. Seguro Acidente do Trabalho. Salário Educação. SESC. SENAC. INCRA. SEBRAE. Empresa Prestadora de Serviço. Cabimento Por força da Súmula CARF nº 02, acima citada, não pode ser afastada, por esse órgão julgador, a vigência dos dispositivos legais de exigência da contribuição social do salário educação, das contribuições destinadas ao SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE, e ao Seguro de Acidente do Trabalho (SAT/RAT/GILRAT). Em relação ao SAT, em sendo parte da contribuição das empresas prevista no art. 195, I, "a", da CF, sua instituição por lei ordinária foi adequada. Com relação à expressão "atividade preponderante", adotada pelo art. 22, II, da Lei 8.212/91, o STF decidiu a questão, "pronunciandose pela constitucionalidade da contribuição ao SAT, sob o entendimento de que a lei dispôs sobre todos os aspectos da hipótese de incidência e que não viola a legalidade tributária deixar ao Executivo a complementação dos conceitos, devendo este, quando da regulamentação, atentar para o conteúdo da lei, sob pena de ilegalidade a ser objeto de controle específico". 7 Este entendimento consta da decisão proferida no RE 343446/SC, conforme ementa a seguir: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º,II; art. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. 6 Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: ... VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62; 7 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Ed. Livraria do Advogado, 2014. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 10 Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º,II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido. (STF, Plenário, RE 343.446/SC, relator Ministro Carlos Velloso, DJ 04/04/2003). A questão da constitucionalidade do salário educação também está pacificada pelo STF, consoante Súmula nº 732: É constitucional a cobrança da contribuição do salário educação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/96. (Dec. 26/11/03, DJ 09.12.2003) Tratase de contribuição devida pelas empresas dedicadas à prestação de serviços, pois o art. 202, § 5º, da Constituição de 1988 prevê o recolhimento da contribuição social do salárioeducação pelas “empresas”, sem qualquer especificação. Em relação à contribuição devida ao INCRA, que tem natureza de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico (CIDE), visa a beneficiar toda a sociedade e não apenas o meio rural, ao custear a atuação do Estado na estrutura fundiária, notadamente o programa nacional de reforma agrária, sendo prescindível a referibilidade direta em relação ao sujeito passivo da exação, nos termos da jurisprudência do STJ: CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E PARA O INCRA. EMPRESA URBANA. EXIGIBILIDADE. ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STF. PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO DO STJ. 1. A 1ª Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe óbice a que seja cobrada, de empresa urbana, a contribuição destinada ao FUNRURAL e ao INCRA.” (STJ, 1ª T., REsp 673.059/RS, Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, set/06). É igualmente devida a contribuição para o SEBRAE, pelas empresas prestadoras de serviço, considerando que é prescindível a contraprestação direta em favor do contribuinte, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em processo com repercussão geral reconhecida, RE 635682/RJ: Fl. 443DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 15504.724661/201272 Acórdão n.º 2301004.517 S2C3T1 Fl. 439 11 Recurso extraordinário. 2. Tributário. 3. Contribuição para o SEBRAE. Desnecessidade de lei complementar. 4. Contribuição para o SEBRAE. Tributo destinado a viabilizar a promoção do desenvolvimento das micro e pequenas empresas. Natureza jurídica: contribuição de intervenção no domínio econômico. 5. Desnecessidade de instituição por lei complementar. Inexistência de vício formal na instituição da contribuição para o SEBRAE mediante lei ordinária. 6. Intervenção no domínio econômico. É válida a cobrança do tributo independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte. 7. Recurso extraordinário não provido. 8. Acórdão recorrido mantido quanto aos honorários fixados.(STF, RE 635682/RJ, Min. GILMAR MENDES, 05/2013) Também são devidas das empresas prestadoras de serviços as contribuições para o SESC e SENAC, porquanto enquadradas no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio, conforme a classificação do artigo 577 da CLT e seu anexo, consoante jurisprudência do STJ, Súmula 499: As empresas prestadoras de serviços estão sujeitas às contribuições ao Sesc e Senac, salvo se integradas noutro serviço social. (DJe mar/2013) Em suma, a recorrente, na condição de empresa prestadora de serviços, compete recolher as contribuições do salárioeducação e as destinadas ao SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE, nos termos do lançamento. Juros. Taxa Selic A apreciação de arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa Selic) também é incabível na esfera administrativa, nos termos do Enunciado nº 2 de Súmula do CARF. Convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Em síntese, são rejeitadas as alegações sobre essa matéria, de modo que se mantém a taxa de juros aplicada com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 12 Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso, e, no mérito, negar lhe provimento. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 445DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
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Numero do processo: 10580.725751/2009-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/08/2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
Recurso Especial do Procurador provido
Numero da decisão: 9202-003.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 25/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recurso Especial do Procurador provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 25/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 57 51 /2 00 9- 59 Fl. 875DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase do Auto de Infração por descumprimento de obrigação principal, referente às competências 04/05, 05/05, 10/05 e 11/05. De acordo com os Relatórios Fiscais de fls. 01 a 48, os valores que integram a autuação referemse às contribuições patronais devidas pela empresa incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados, a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e às contribuições da empresa para financiamento da aposentadoria especial após 25 anos (Adicional do SAT). Conforme o Comparativo de Multas às fls. 56, a autuação já foi efetuada levandose em conta a penalidade mais benéfica para a Contribuinte. Em sessão plenária de 18/06/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2403002.073 (fls. 836 a 843), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/08/2007 AFERIÇÃO INDIRETA. NORMA PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ART. 144, § 1º DO CTN. Por ser norma procedimental, a qual estabelece critério de apuração, temse que a sua aplicação é imediata, reportandose à data do lançamento, em razão da exceção ao princípio da ultratividade tributária, nos termos do art. 144, § 1º, do CTN. MULTA. RECÁLCULO. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, conforme o disposto no art. 35 da Lei 8.212/91 (art. 61 da Lei 9.430/96). Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora." O processo foi encaminhado à PGFN em 02/09/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 847). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Recurso Especial até 17/10/2013, o que foi feito em 16/10/2013 (fls. 848 a 861), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 862. O Recurso Especial está fundamentado no artigo 67, do Anexo II, do RICARF, e visa rediscutir a forma de cálculo utilizada para a aferição da multa mais Fl. 876DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10580.725751/200959 Acórdão n.º 9202003.907 CSRFT2 Fl. 876 3 benéfica à Contribuinte, se a da legislação vigente à época dos fatos geradores ou a da legislação vigente no momento da autuação. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 1127/2013, de 04/11/2013 (fls. 462 a 465). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos, em síntese: o artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991, na nova redação conferida pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP n° 449 à legislação previdenciária; para a solução destes questionamentos, devese lembrar que 'não se interpreta o Direito em tiras, aos pedaços. (...) um texto de direito isolado, destacado, desprendido do sistema jurídico, não expressa significado normativo algum" (Grau, Eros Roberto. Ensaio e Discurso sobre a Interpretaçc5o/Aplicação do Direito. 2° edição. São Paulo: Melhoramentos, pág. 40); nesse contexto, impende considerar que a Lei n° 11.941, de 2009 (fruto da conversão da MP n° 449 de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do artigo 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o artigo 35A, a fim de instituir uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar à sistemática aplicável para os demais tributos federais; "Art. 35A Nos casos de lançamento de oficio relativos as contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996". o inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata" a redação do art. 35A é clara: efetuado o lançamento de oficio das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996; assim, à semelhança do que ocorre com os demais tributos federais, verificado que o contribuinte não realizou o pagamento ou o recolhimento do tributo devido e não declarou no documento próprio (GFIP) todos os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias (a respeito, ver as fls. 38/39 do Relatório Fiscal), cumpre à fiscalização realizar o lançamento de oficio e aplicar a respectiva multa (de oficio) prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996; por outro lado, como sói ocorrer com os demais tributos federais, a incidência da multa de mora ocorrerá naqueles casos expressos no art. 61 da Lei n° 9.430, de Fl. 877DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 1996, ou seja, nas hipóteses em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea, independente do lançamento de oficio, efetuado com esteio no art. 149 do CTN; assim, no lançamento de oficio, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata, é exigido, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias que no caso consistirá na multa de oficio; a multa de oficio será aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário; a incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente – o que não foi o caso); essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP n° 449 de 2008, posteriormente convertida da Lei n° 11.941, de 2009; é o que se percebe pela simples leitura do art. 35A da Lei n° 8.212, cuja literalidade se pede vênia para repisar: "Art. 35A Nos casos de lançamento de oficio relativos as contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996". logo, diante da redação explícita da norma, fica claro que, tratandose de lançamento de oficio, considerandose que não houve no caso a declaração de todos os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias devidas (no presente caso concreto, repisese não houve essa declaração em GFIP), nem o recolhimento ou pagamento do tributo devido, a multa a ser aplicada é aquela prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996; a multa de mora, diante da novel sistemática, tanto no microssistema previdenciário, quanto de acordo com a disciplina da Lei n° 9.430 aplicável em relação aos demais tributos federais, não terá lugar nesse lançamento de oficio; a multa de mora e a multa de oficio são excludentes entre si, e deve prevalecer, na hipótese de lançamento de oficio, configurada a falta ou recolhimento do tributo e/ou a falta de declaração ou declaração inexata, a multa de oficio prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, diante da literalidade do art. 35A; nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento sendo o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei n° 8.212, de 1991 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996; logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade; como conclusão, para se averiguar sobre a ocorrência da retroatividade benigna no caso concreto, a comparação entre normas deve ser feita entre o art. 35, da Lei n° 8.212, de 1991 em sua redação antiga (revogada) e o art. 35A da LOPS; Fl. 878DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10580.725751/200959 Acórdão n.º 9202003.907 CSRFT2 Fl. 877 5 a tese encampada pelo acórdão recorrido no sentido de que há retroatividade benigna em razão do advento da MP n° 449, de 2008 (convertida na Lei n° 11.941, de 2009) que conferiu nova redação ao art. 35 da Lei n° 8.212, de 1991, portanto, não merece prevalecer, pois a forma de cálculo ali defendida somente pode ser utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso espontaneamente; na espécie, não houve recolhimento espontâneo do tributo devido, houve isto sim, lançamento de oficio, logo, inarredável a aplicação das disposições específicas da legislação previdenciária; por fim, cumpre voltar a atenção para o disposto na Instrução Normativa RFB n° 971 de 13/11/2009, sobre as regras a serem observadas em razão do advento da MP n° 449, de 2008 posteriormente convertida na Lei n° 11.941, de 2009: “Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.” caso se entenda pela diversidade de natureza das multas, também não se poderia falar na espécie em retroatividade benigna entre a multa prevista no art. 35 da norma revogada e na novel redação emprestada ao mesmo dispositivo pela Lei n° 11.941, de 2009; nessa linha de raciocínio, o Auto de Infração de obrigação principal deve ser mantido, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP n° 449/2008. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e o provimento do recurso, reformandose o acórdão recorrido, no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei n° 8.212, de 1991 (na atual redação conferida pela Lei n° 11.941, de 2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei n° 8.212, de 1991, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP 449/2008. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 Cientificada do acórdão, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade, a Contribuinte quedouse silente (fls. 869 a 874). Voto Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase do Auto de Infração por descumprimento de obrigação principal, referente às competências 04/05, 05/05, 10/05 e 11/05. De acordo com os Relatórios Fiscais de fls. 01 a 48, os valores que integram a autuação referemse às contribuições patronais devidas pela empresa incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados, a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e às contribuições da empresa para financiamento da aposentadoria especial após 25 anos (Adicional do SAT). Conforme o Comparativo de Multas às fls. 56, a autuação já foi efetuada levandose em conta a penalidade mais benéfica para a Contribuinte. Na decisão recorrida, determinouse o recálculo da multa, com base na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, ao artigo 35, da Lei nº 8.212, de 1991, com a prevalência da mais benéfica à Contribuinte. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que eventual retroatividade benigna seja aferida comparandose o dispositivo legal aplicado com o art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009. A retroatividade benigna encontrase efetivamente prevista no Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), conforme a seguir: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." No presente caso, os fatos geradores ocorreram à luz de legislação posteriormente alterada, de sorte que a aferição acerca de eventual retroatividade benigna deve ser levada a cabo mediante comparação da redação da Lei nº 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores, com a sua nova redação, conferida pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: Redação da Lei nº 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores Fl. 880DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10580.725751/200959 Acórdão n.º 9202003.907 CSRFT2 Fl. 878 7 “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se Fl. 881DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 8 refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento.” (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Confrontados os textos de lei, constatase que, no caso do acórdão recorrido, comparouse, para efeito de aplicação da retroatividade benigna, a multa que fora exigida por meio do Auto de Infração de Obrigação Principal, que já levou em conta a opção mais favorável à Contribuinte, com a multa tipificada na nova redação do art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991, que não demanda lançamento de ofício, eis que se trata de simples mora. Nesse passo, esclareçase que, independentemente da denominação que se dê à penalidade, há que se perquirir acerca do seu caráter material, e nesse sentido não há dúvida de que, mesmo na antiga redação do art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991, estavam ali descritas multas de mora e multas de ofício. As primeiras, cobradas com o tributo recolhido após o vencimento, porém espontaneamente. As últimas, cobradas quando do pagamento por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais, nos lançamentos de ofício. Fl. 882DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10580.725751/200959 Acórdão n.º 9202003.907 CSRFT2 Fl. 879 9 Além disso, tanto os demais tributos como as contribuições previdenciárias têm seu regramento básico estabelecido pelo Código Tributário Nacional, que não só determina que a exigência tributária tem de ser formalizada por meio de lançamento, como também especifica as respectivas modalidades: lançamento por homologação, lançamento por declaração e lançamento de ofício. Cada uma dessas modalidades está ligada ao grau de colaboração verificado por parte do sujeito passivo. No caso dos tributos e contribuições federais, foi adotado de forma genérica o lançamento por homologação, que atribui ao sujeito passivo o dever de calcular o valor devido e efetuar o seu recolhimento, independentemente de prévia ação por parte da Autoridade Administrativa. Por outro lado, se o sujeito passivo deixa de cumprir com essas obrigações, o Fisco pode exigir o tributo por meio de lançamento de ofício. Nesta sistemática, qualquer que seja o tributo ou contribuição, e independentemente da denominação atribuída ao lançamento, claramente são visualizadas duas formas de recolhimento fora do prazo estabelecido: aquele efetuado espontaneamente, passível de aplicação de multa de mora; e aquele efetuado por força de ação fiscal, aplicável aí a multa de ofício, mais onerosa. Assim, embora a antiga redação do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora” para as contribuições previdenciárias, não há dúvida de que os incisos componentes do dispositivo legal já continham a descrição das duas condutas tipificadas nos dispositivos legais que regulavam os demais tributos federais: pagamento espontâneo e pagamento efetuado por força de ação fiscal, conforme os ditames do CTN. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a penalidade, nos termos em que figurou no lançamento, que já aplicou a norma mais benéfica (Comparativo de Multas de fls. 56). (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 883DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
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Numero do processo: 10820.002405/2003-33
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1998
ESTABELECIMENTO DA EMPRESA FECHADO. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO FISCAL NO ENDEREÇO DO SÓCIO. INTIMAÇÃO VÁLIDA. Encontrando-se o estabelecimento sede da empresa fechado, o qual foi eleito pelo sujeito passivo como seu endereço para receber intimações, fato comprovado pelas tentativas frustradas de ciência no endereço da empresa por intermédio da fiscalização e pela via postal, é válida a intimação dirigida aos sócios da empresa. Nessa hipótese deve ser considerada a intimação efetuada na data de recebimento do Aviso de Recebimento - AR postal do endereço particular dos sócios. Eventual demora na transferência dos documentos ao destinatário, comprovada por protocolo interno, não tem o condão de deslocar para data futura a ciência nem o início de contagem do prazo para impugnação.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura prejuízo à defesa, eventual atraso mínimo na formalização dos autos do processo administrativo fiscal para concessão do pedido de vista durante o prazo de defesa, mormente quando o sujeito passivo, juntamente com os autos de infração, recebeu os elementos indispensáveis para compreensão dos lançamentos efetuados de ofício, contendo não-somente completa descrição dos fatos, enquadramento legal, mas demonstrativos pormenorizados das imputações, e ainda durante o procedimento de fiscalização, também, já recebera intimação com demonstrativos das irregularidades apuradas, principalmente para comprovação da origem de créditos/depósitos bancários nas conta correntes, sendo as demais peças dos autos do processo cópias de registros contábeis, fiscais e documentos fornecidos pela autuada ao fisco durante o procedimento de fiscalização.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO DA PESSOA JURÍDICA. INOCORRÊNCIA.
A omissão de receitas da pessoa jurídica autuada foi apurada em face de quebra do sigilo bancário, por ordem judicial, das contas correntes bancárias das pessoas físicas dos sócios, revelando que receitas auferidas pela empresa ingressaram, diretamente, nas contas correntes das pessoas físicas dos sócios
sem registro na escrituração contábil da pessoa jurídica.
PIS E COFINS. LANÇAMENTO DE DIFERENÇA. DECADÊNCIA PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
O prazo decadencial para constituição do crédito tributário conta-se da seguinte forma: (a) em regra, segue-se o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos contados "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; (b) nos tributos
sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu
antecipadamente, o prazo para lançamento de diferença de exação fiscal, é de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN.
PROTESTO GENÉRICO POR PRODUÇÃO DE PROVAS E PEDIDO DE
DILIGÊNCIAS.
É inadmissível o pleito genérico para produção posterior de provas ou perícias.
Não se justifica a realização de diligências baseadas em meras alegações não respaldadas em elementos que as corroborem.
Considera-se não formulada a solicitação de diligência/perícia que deixar de atender os requisitos elencados no Decreto n° 70.235/72.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS — OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL IMPRESTÁVEL.
A escrituração contábil mantida sem observância das Leis Comerciais e Fiscais, pela inobservância do princípio contábil da Entidade, onde pagamentos de funcionários, de fornecedores e recebimentos de receitas da empresa eram efetuados diretamente nas contas correntes bancárias dos sócios pessoas físicas sem registro na escrituração contábil da empresa, tornam imprestável a escrituração contábil para apuração do lucro real,
justificando-se, por conseguinte, o arbitramento do lucro.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA — PIS — COFINS — CSLL –Tratando-se
de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 1802-000.834
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR
as preliminares suscitadas, e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar as exigências relativas à Contribuição para o PIS e à Cofins no tocante aos fatos geradores
mensais ocorridos nos períodos de janeiro a novembro de 1998.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 ESTABELECIMENTO DA EMPRESA FECHADO. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO FISCAL NO ENDEREÇO DO SÓCIO. INTIMAÇÃO VÁLIDA. Encontrando-se o estabelecimento sede da empresa fechado, o qual foi eleito pelo sujeito passivo como seu endereço para receber intimações, fato comprovado pelas tentativas frustradas de ciência no endereço da empresa por intermédio da fiscalização e pela via postal, é válida a intimação dirigida aos sócios da empresa. Nessa hipótese deve ser considerada a intimação efetuada na data de recebimento do Aviso de Recebimento - AR postal do endereço particular dos sócios. Eventual demora na transferência dos documentos ao destinatário, comprovada por protocolo interno, não tem o condão de deslocar para data futura a ciência nem o início de contagem do prazo para impugnação. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura prejuízo à defesa, eventual atraso mínimo na formalização dos autos do processo administrativo fiscal para concessão do pedido de vista durante o prazo de defesa, mormente quando o sujeito passivo, juntamente com os autos de infração, recebeu os elementos indispensáveis para compreensão dos lançamentos efetuados de ofício, contendo não-somente completa descrição dos fatos, enquadramento legal, mas demonstrativos pormenorizados das imputações, e ainda durante o procedimento de fiscalização, também, já recebera intimação com demonstrativos das irregularidades apuradas, principalmente para comprovação da origem de créditos/depósitos bancários nas conta correntes, sendo as demais peças dos autos do processo cópias de registros contábeis, fiscais e documentos fornecidos pela autuada ao fisco durante o procedimento de fiscalização. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO DA PESSOA JURÍDICA. INOCORRÊNCIA. A omissão de receitas da pessoa jurídica autuada foi apurada em face de quebra do sigilo bancário, por ordem judicial, das contas correntes bancárias das pessoas físicas dos sócios, revelando que receitas auferidas pela empresa ingressaram, diretamente, nas contas correntes das pessoas físicas dos sócios sem registro na escrituração contábil da pessoa jurídica. PIS E COFINS. LANÇAMENTO DE DIFERENÇA. DECADÊNCIA PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário conta-se da seguinte forma: (a) em regra, segue-se o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos contados "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; (b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo para lançamento de diferença de exação fiscal, é de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. PROTESTO GENÉRICO POR PRODUÇÃO DE PROVAS E PEDIDO DE DILIGÊNCIAS. É inadmissível o pleito genérico para produção posterior de provas ou perícias. Não se justifica a realização de diligências baseadas em meras alegações não respaldadas em elementos que as corroborem. Considera-se não formulada a solicitação de diligência/perícia que deixar de atender os requisitos elencados no Decreto n° 70.235/72. DEPÓSITOS BANCÁRIOS — OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL IMPRESTÁVEL. A escrituração contábil mantida sem observância das Leis Comerciais e Fiscais, pela inobservância do princípio contábil da Entidade, onde pagamentos de funcionários, de fornecedores e recebimentos de receitas da empresa eram efetuados diretamente nas contas correntes bancárias dos sócios pessoas físicas sem registro na escrituração contábil da empresa, tornam imprestável a escrituração contábil para apuração do lucro real, justificando-se, por conseguinte, o arbitramento do lucro. TRIBUTAÇÃO REFLEXA — PIS — COFINS — CSLL –Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. Recurso Voluntário Provido em Parte
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CIÊNCIA DO LANÇAMENTO FISCAL NO ENDEREÇO DO SÓCIO. INTIMAÇÃO VÁLIDA. Encontrandose o estabelecimento sede da empresa fechado, o qual foi eleito pelo sujeito passivo como seu endereço para receber intimações, fato comprovado pelas tentativas frustradas de ciência no endereço da empresa por intermédio da fiscalização e pela via postal, é válida a intimação dirigida aos sócios da empresa. Nessa hipótese deve ser considerada a intimação efetuada na data de recebimento do Aviso de Recebimento AR postal do endereço particular dos sócios. Eventual demora na transferência dos documentos ao destinatário, comprovada por protocolo interno, não tem o condão de deslocar para data futura a ciência nem o início de contagem do prazo para impugnação. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura prejuízo à defesa, eventual atraso mínimo na formalização dos autos do processo administrativo fiscal para concessão do pedido de vista durante o prazo de defesa, mormente quando o sujeito passivo, juntamente com os autos de infração, recebeu os elementos indispensáveis para compreensão dos lançamentos efetuados de ofício, contendo nãosomente completa descrição dos fatos, enquadramento legal, mas demonstrativos pormenorizados das imputações, e ainda durante o procedimento de fiscalização, também, já recebera intimação com demonstrativos das irregularidades apuradas, principalmente para comprovação da origem de créditos/depósitos bancários nas conta correntes, sendo as demais peças dos autos do processo cópias de registros contábeis, fiscais e documentos fornecidos pela autuada ao fisco durante o procedimento de fiscalização. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO DA PESSOA JURÍDICA. INOCORRÊNCIA. A omissão de receitas da pessoa jurídica autuada foi apurada em face de quebra do sigilo bancário, por ordem judicial, das contas correntes bancárias das pessoas físicas dos sócios, revelando que receitas auferidas pela empresa ingressaram, diretamente, nas contas correntes das pessoas físicas dos sócios sem registro na escrituração contábil da pessoa jurídica. PIS E COFINS. LANÇAMENTO DE DIFERENÇA. DECADÊNCIA PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário contase da seguinte forma: (a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos contados "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; (b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo para lançamento de diferença de exação fiscal, é de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. PROTESTO GENÉRICO POR PRODUÇÃO DE PROVAS E PEDIDO DE DILIGÊNCIAS. É inadmissível o pleito genérico para produção posterior de provas ou perícias. Não se justifica a realização de diligências baseadas em meras alegações não respaldadas em elementos que as corroborem. Considerase não formulada a solicitação de diligência/perícia que deixar de atender os requisitos elencados no Decreto n° 70.235/72. DEPÓSITOS BANCÁRIOS — OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL IMPRESTÁVEL. A escrituração contábil mantida sem observância das Leis Comerciais e Fiscais, pela inobservância do princípio contábil da Entidade, onde pagamentos de funcionários, de fornecedores e recebimentos de receitas da empresa eram efetuados diretamente nas contas correntes bancárias dos sócios pessoas físicas sem registro na escrituração contábil da empresa, tornam imprestável a escrituração contábil para apuração do lucro real, justificandose, por conseguinte, o arbitramento do lucro. TRIBUTAÇÃO REFLEXA — PIS — COFINS — CSLL –Tratandose de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10820.002405/200333 Acórdão n.º 180200.834 S1TE02 Fl. 2 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas, e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar as exigências relativas à Contribuição para o PIS e à Cofins no tocante aos fatos geradores mensais ocorridos nos períodos de janeiro a novembro de 1998. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, André Almeida Blanco, José de Oliveira Ferraz, Nelso Kichel, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Gilberto Baptista. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 815/878 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (fls. 788/806) que julgou o lançamento procedente em parte (IRPJ e reflexos: CSLL, PIS e Cofins) do anocalendário 1998, pela redução da multa de 150% para 75%. A decisão recorrida tem a seguinte ementa, de 07/01/2008 (fl. 788): (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 PRELIMINAR DE INVALIDADE DO PROCEDIMENTO. ALEGAÇÃO DE FALTA DE RECEBIMENTO DE INTIMAÇÃO FISCAL. Frustrada a cientificação da empresa no seu domicílio informado, é lícito ao Fisco proceder à intimação na pessoa dos sócios. Comprovado, por outro lado, que os referidos sócios receberam a intimação pela via postal, é de afastar a preliminar de invalidade do procedimento. INTIMAÇÕES – RECEPÇÃO POR PESSOA NÃO LEGALMENTE HABILITADA. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 São válidos, produzindo efeitos jurídicos, o Termo de Início de Fiscakização, e demais intimações lavradas durante a ação fiscal, mesmo que entregues a pessoa física que não seja representante legal da empresa, dado que a apresentação de documentos pertencentes à empresa confirma a ciência daqueles termos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência à autoridade julgadora administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade e/ou legalidade das normas tributárias regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 1998 OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. A obtenção de provas pelo Fisco junto à instituição financeira não constitui violação às garantias individuais asseguradas na Constituição Federal, nem quebra de sigilo, nem ilicitude, porquanto é um procedimento fiscal amparado legalmente. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferecimento de provas hábeis e idôneas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido para o lançamento principal (IRPJ) estendese aos lançamentos reflexos com os quais compartilha o mesmo fundamento de fato e para o qual não há outras razões de ordem jurídica para lhes recomenda tratamento diverso. MULTA QUALIFICADA. Inocorrendo nos autos qualquer referência à presença, em tese, dos elementos caracterizadores de dolo ou fraude, é incabível a aplicação de multa qualificada. Lançamento procedente em parte. (...) Quantos aos fatos: 1) Consta do Auto de Infração do IRPJ e CSLL (fls. 05/23) que a fiscalização efetuou o arbitramento do lucro para o anocalendário 1998, período objeto do lançamento fiscal, em face da escrituração contábil da contribuinte conter vícios erros que a tornaram imprestável para a apuração do Lucro Real. Além disso, a escrituração não foi Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10820.002405/200333 Acórdão n.º 180200.834 S1TE02 Fl. 3 5 efetuada na forma das leis comercial e fiscal, consoante erros e irregularidades enumeradas no Termo de Constatação e Verificação Fiscal (fls. 68/91 e 631/654). Nesse sentido, o Termo de Constatação e Verificação Fiscal (fls. 87/88), após minucioso detalhamento dos procedimentos e constatações, resumiu as razões da aplicação do arbitramento do lucro no seguinte item, in verbis: (...) O ARBITRAMENTO: A empresa (seus sócios) não respeitou o princípio contábil da Entidade (pagamentos de funcionários e de fornecedores efetuados pelas contascorrentes dos sócios da PJ, assim como recebimento de receitas e não escrituração de tais fatos). Seu Livro de Registro de Inventário está imprestável, possui várias irregulariadades, além de que o contribuinte não o tinha escriturado, conforme constatado. Seu Livro Permanente de estoque de imóveis também é imprestável, e possui várias irregularidades. Não respeitou as normas fiscais para sua atividade, não respeitou o regime de caixa na atividade de venda de imóveis construídos para revenda, a proporcionalidade da IN SRF 84/79, o rateio dos custos, a data da efetivação da venda, além de outros: (...) A contabilidade da empresa, conforme demonstrado neste Termo e no Termo de Constatação/Devolução e Intimação Fiscal nº 122, contém vícios e erros que a tornaram imprestável para apuração do Lucro Real, além de que não foi mantida na forma das Leis comerciais e fiscais e não restou outra alternativa que não o Arbitramento do Lucro (...) O arbitramento, que alcançou ou abarcou todo o ano de 1998, foi procedido considerando períodos de apuração trimestrais. 2) – Infrações imputadas: 2.1 – Receita Omitida (atividade não imobiliária): a) RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA). OMISSÃO DE RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO COM FORNCECIMENTO DE MATERIAL – CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA: referente a construção no Clube Ipê – Demonstrativo (fl. 40, segunda parte). As receitas foram recebidas pelas contas correntes de interpostas pessoas, no caso o sócio Sr. Adriano de Paiva Afonso e a esposa Maria Alice de Ponti Afonso. Auto de Infração (fls. 06/07). Multa qualificada (150%). Vide Termo de Verificação Fiscal; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 b) OMISSÃO DE RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO COM FORNECIMENTO DE MATERIAL – CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA: referente a construção no condomínio Ventura, pertencente ao Sr. Manoel Afonso Almeida, conforme Demonstrativo (fl. 40, segunda parte). As receitas foram recebidas nas contas correntes de interpostas pessoas, no caso o sócio Sr Adriano de Paiva Afonso e esposa. Auto de Infração (fl. 07). Multa qualificada (150%). Vide Termo de Verificação Fiscal; 2.2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (atividade não imobiliária): omissão de receitas caracterizada por valores creditados em contas de depósitos, mantidas em instituições financeiras, quem tinham como titular o sócio e seu cônjuge. Feita intimação – na forma da legislação de regência , não houve a comprovação da origem desses recursos que ingressaram a crédito, conforme Auto de Infração de fls. 07/08, Demonstrativo de Créditos/Depósitos Lançados (fls. 66/67) e vide Termo de Constatação Fiscal. Multa qualificada (150%); 2.3 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA). RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO COM FORNECIMENTO DE MATERIAL – CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA: receita conhecida, recebida, de construção por empreitada com fornecimento de material; consta de Demonstrativo de Receitas Recebidas de Construção por Empreitada com Fornecimento de Material, e seus valores foram utilizados como receita conhecida pelo contribuinte (fl. 40, primeira parte). Auto de Infração (fls. 08/09). Multa de oficio (75%); 2.4 – Receita de Venda de Imóveis (atividade imobiliária): a) RECEITA DA VENDA DE IMÓVEIS: valores de receitas recebidas, custos proporcionais, referentes contrução do RESIDENCIAL CORTINA D’AMPEZZO. Auto de Infração (fl. 08). Demonstrativo de Cálculo de Receita Recebida, Custos Proporcionais e Lucro Arbitrado (fls. 51/54).Vide Termo de Constatação e Verificação Fiscal. Multa de ofício (75%); b) RECEITA DE VENDA DE IMÓVEIS: valores de receitas recebidas, custos proporcionais, referentes contrução do RESIDENCIAL LOS ANGELES. Auto de Infração (fl. 09/10). Demonstrativo de Cálculo de Receita Recebida, Custos Proporcionais e Lucro Arbitrado (fls. 41/44). Vide Termo de Constatação e Verificação Fiscal. Multa de ofício (75%). Quanto às infrações dos itens 2.1 – “a” e “b”, 2.2 e 2.3 (receitas de atividade não imobiliária), houve aplicação do coeficiente de lucro arbitrado para comércio 9,6% (8% x 1,20%). Quanto às infrações 2.4 – “a” e “b” (vendas de imóveis atividade imobiliária), a forma de apuração do lucro arbitrado = Receitas – Custos (Lei nº 8.981/95, art. 49). Os autos de infração da Contribuição para o PIS e da Cofins foram lavrados, apenas, sobre as receitas omitidas – infrações 2.1 e 2.2 (fls. 24/39). Integram, ainda, os autos de infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins), os demonstrativos de fls. 40/47 e o Termo de Constatação e Verificação Fiscal (fls. 68/91). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10820.002405/200333 Acórdão n.º 180200.834 S1TE02 Fl. 4 7 Quanto às questões suscitadas pela contribuinte na primeira instância, transcrevo o relatório da decisão recorrida que assim resumiu as principais razões (fls. 793/795): (...) Regularmente cientificada ingressou com a impugnação de fls. 344 a 406, (...), onde, em síntese, apresenta as seguintes razões de defesa: Preliminarmente, alega nulidade do Auto de Infração, posto que as notificações por via postal não teriam nenhuma eficácia jurídica, pois, em que pese a 1ª notificação ter sido enviada para o domicílio fiscal eleito pela impugnante, a mesma foi devolvida ao rementente sem asssinatura, pois eram férias coletivas da empresa. A segunda notificação remetida para o endereço não eleito pela contribuinte como domicílio tributário, também retornou à origem, obviamente, sem assinatura de recebimento. A terceira tentativa também foi ilegal, pois remetida para endereço residencial da família dos sócios da impugnante. Ainda em sede de preliminar, alega cerceamento do direito de defesa em razão de somente no dia 13/01/2004 ter sido o processo liberado para vistas na repartição, e o prazo para impugnação ser contado a partir de 29/12/2003. Alega decadência porque os lançamentos relativos ao ano calendário de 1998, efetuados em 06/01/2004, já teriam decaídos. Combate o arbitramento do lucro com base no art. 47,II, da Lei nº 8.981, de 1995, pois, de acordo com o Termo de Constatação a escrituração a que estava obrigada a impugnante “não revela evidentes indícios de fraude”, apenas “contém vícios e erros que a tornaram imprestável para apuração do Lucro Real, além de que não foi mantida na forma das leis comerciais e fiscais, em virtude de erros e irregularidades enumeradas no Termo de Constatação e Verificação Fiscal em anexo.” Alega que os dados concretos do caso confirmam o juízo parcial e personalíssimo do agente do Fisco, pois, toda a receita bruta por ele composta para servir de base ao arbitramento soma R$ 3.683.463,84, sendo que desse montante, R$ 3.221.164,34 estão regularmente registrados na sua escrituração, ou seja, 87,45% daquele total, e foram posta à disposição do Fisco por mais de sete vezes. Aduz que os restantes R$ 462.299,50 são depósitos bancários efetuados em conta particular do sócio Adriano de Paiva Afonso, arbitrariamente convertidos em receita omitida pela impugnante. Pleiteia também a nulidade do arbitramento em virtude de erro de cálculo no arbitramento da venda de imóveis, pois a fiscalização não teria aplicado o percentual de 9,6% para Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 arbitrar o lucro, e sobre o resultado calcular o imposto sobre a alíquota de 15%, o que demandaria a feitura de novos lançamentos, o que se traduziria em nulidade dos lançamentos combatidos. Ainda em sede de preliminar argumenta que autuação fere os princípios constitucionais invioláveis, como a privacidade, intimidade e sigilo bancário ao utilizar de forma ilegal os dados da CPMF e também por requisitar extratos bancários sem autorização judicial. Afirma que o sigilo bancário está inserido no texto constitucional como “cláusula pétrea”, o que torna inconstitucional a Lei Complementar nº 105/2001, que serviu de base para a autuação levada a efeito pela fiscalização, deixando claro que somente as autoridades judiciais possuem poderes para ordenar a quebra do sigilo bancário. No tocante ao sigilo bancário combate as normas editadas de janeiro de 2001, em nível federal, enfeixadas na Lei nº 10.174, de 09/01/2001, na Lei Complementar nº 105, de 10/01/2001, e no Decreto nº 3.724, de 10/01/2001. Aduz que ainda que se admita a hipótese de constitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 2001, seus efeitos somente poderiam incidir sobre os fatos ocorridos após sua edição e jamais alcançar época pretérita, como é o caso, sob pena de ferir o princípio da anterioridade (segurança jurídica). Quanto à tributação de depóstos bancários argumenta que a simples existência de disponibilidade imediata ou futura não realiza a hipótese de incidência do imposto sobre a renda, a teor do art. 43 do CTN. No mérito, alega que ao Fisco oferecer prova concludente de ocorrência de todos os fatos descritos nas previsões abstratas e genéricas das hipóteses normativas pertinentes. Citou o art. 333 do Código de Processo Civil, afirmando que a autoridade lançadora buscou inverter o ônus da prova, com as inconfundíveis tentativas de produzir provas indiretas. Citou a Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, cujo art. 58 deu nova redação ao § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, alegando que cumopriria ao Fisco produzir as provas de que cada centavo depositado na conta bancária investigada pertencia a terceiros. Concluiu qua a titularidade real da conta é indício de interposição de pessoa, por isso, há de ser um fato concludentemente provado, não basta mera presunção do agente autuante. Alegou que houve erro na identificação do sujeito passivo. Alega que o depósito bancário não é renda, e que a simples existência de disponibilidade imediata ou futura não realiza a hipótese de incidência do imposto sobre a renda. Em relação às autuações da CSLL, do PIS e Cofins, tributações reflexas da infração apurada no IRPJ, além de apresentar os Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10820.002405/200333 Acórdão n.º 180200.834 S1TE02 Fl. 5 9 mesmos argumentos trazidos na impugnação ao auto de infração do IRPJ, requer sejalhes aplicado o que for decidido em relação ao IRPJ. Ao final requer a desconsideração total do Auto de Infração, em razão dos argumentos de inconstitucionalidade apresentados e pelo incorreto arbitramento do valor tributável, obtido unicamente através de extratos bancários. (...) 4. Mediante do Acórdão nº 6.601 (fls. 450467), desta 1ª Turma da DRJ/RIBEIRÃO PRETO, prolatado em 26/11/2004, e cientificado ao contribuinte em 04/02/2005, os autos de infração lavrados foram julgados PARCIALMENTE PROCEDENTES, sob o fundamento de que “o autuante deixou de aplicar o coeficiente de arbitramento de (9,6%) sobre o valor arbitrado, fazendo incidir diretamente sobre esse valor a alíquota de 15%, o que resultou em exigência superior à efetivamente devida.” 5. Ocorre que, a autoridade incumbida da execução do acórdão, vislumbrou inexatidão material no julgado (...). Diante disso, baseada no art. 32 do Decreto 70.235/72 e nos arts. 22, § 1º, e 27 da Portaria MF nº 58/2006, encaminhou novamente os autos a esta DRJ/RIBEIRÃO PRETO, para que fosse apreciada a possibilidade de revisão do acórdão, com o fim de corrigir a inexatidão material apontada. (...) (grifei) Inconformado com a 2ª decisão a quo de fls. 788/806 (que substituiu a 1ª decisão de fls. 450467), da qual tomou ciência em 17/04/2008 (fl. 814), a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 21/05/2008 (fls. 815/878), cujas razões, em síntese, são as seguintes: Para compor a receita bruta sobre a qual aplicou o percentual de arbitramento do lucro, o agente do Fisco estabeleceu duas classes de receitas: A) RECEITAS DE “ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA”; B) “RECEITA DA VENDA DE IMÓVEIS”; Depósitos bancários de origem não comprovada: que – segundo as informações que teriam sido prestadas pelas instituições financeiras à Receita Federal (CPMF), R$ 1.459.726,28 seria o volume de recursos financeiros movimentados nas contas correntes do contribuinte ADRIANO DE PAIVA AFONSO em 1998; que desse montante, R$ 31.312,21 converteramse, via presunção, em renda omitida, sobre o qual lançouse IRPF contra o titular das contas (processo nº 10820.002404/200399); que R$ 462.299,50, também via presunção, passaram a ser de propriedade da empresa recorrente, como receita omitida, objeto do lançamento dos presentes autos; que os restantes R$ 966.114,57 (2/3) tiveram sua origem comprovada. Que houve duas decisões a quo: a primeira acolheu a aplicação do coeficiente de arbitramento do lucro de 9,6% para sobre o resultado com vendas de imóveis (receitas – custos = resultado x 9,6%); que, entretanto, a segunda decisão (ora recorrida), que Fl. 9DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 substituiu a primeira, afastou a aplicação desse coeficiente sobre o resultado com vendas de imóveis, adicionando tal resultado com vendas de imóveis ao lucro arbitrado de atividade não imobiliária; que, ainda, a segunda decisão afastou a multa qualificada em relação às infrações “omissão de receitas”, sob o argumento de não estar provado o evidente intuito de fraude; que, no mais, a segunda decisão, substitutiva da primeira, manteve os lançamentos nos moldes em que formalizados pela autoridade lançadora; Que a lide objeto dos autos estava sendo apreciada na segunda instância de julgamento, quando os autos retornaram à primeira instância; que no Conselho de Contribuintes (atual CARF), antes do retorno dos autos à primeira instância, havia sido proferido o Acórdão nº 10515.828, cujo resultado foi o seguinte: considerar válida a ciência do lançamento dada no endereço do sócio, no dia 29 de dezembro de 2003; rejeitar a preliminar de decadência parcial em relação ao IRPJ e CSLL; acolher a preliminar de decadência em relação ao PIS e Cofins, cujos fatos geradores ocorreram até novembro de 1998; que dessa decisão pendia apreciação de embargos de declaração que interpusera; que os autos do processo estavam com carga para o Conselheiro José Clóvis Alves, redator do voto vencedor, para apreciação dos embargos de declaração; que, porém, os autos foram devolvidos à DRJ/Ribeirão Preto; que, para sua surpresa, surgiu a segunda decisão a quo, substituindo a primeira, que cassou o provimento da anterior quanto à aplicação do quociente de arbitramento do lucro para as receitas de vendas de imóveis, em face de acolhimento de embargos do fisco; que manteve o afastamento da multa qulificada e, no mais, repetiu a decisão anterior; Que, em face do exposto, só resta à ora recorrente reeditar as demais razões do recurso oposto à primeira decisão de primeira instância, ou seja: Nulidade da notificação dos lançamentos: os autos de infração foram cientificados à recorrente em data controversa e exigem IRPJ, CSLL, PIS e Cofins; que a notificação foi expedida por três vezes com destinos diferentes e restou por ser recebida em endereço diferente daquele constante do art. 23 do Dec. 70235/72, somente tendo sido entregue no endereço residencial dos sócios em 06/01/2004, e não em 29/12/2003 quando entregue no endereço do condomínio; Cerceamento do direito de defesa: reclama de cerceamento de defesa por dificuldades burocráticas, quando do pedido de vistas do processo pelo advogado da recorrente; Decadência: formaliza preliminar de decadência pela aplicação do art. 150 do CTN diante da natureza homologatória que se reveste o lançamento; Arbitramento descabido: ataca o arbitramento do lucro, alegando que 87,45% da base tributada, a final, já fora oferecida pela empresa, sendo perfeitamente adequada a manutenção da tributação na forma pleiteada pela recorrente – lucro real, descabendo a alegação de que os restantes 12,55% corresponentes a depósitos bancários de origem não comprovada seriam suficientes para caracterizar a imprestabilidade da escrita comercial da recorrente; Traz o recurso a inconformidade com a alegada agressão a direitos fundamentais representados pela privacidade, intimidade e sigilo, principalmente a quebra do sigilo bancário como forma de apequenar o cidadão e obter resultados fiscais ilegais, citando apreciável doutrina; Questionando a legalidade da tributação de depósitos bancários como se renda fossem, a recorrente alega a orientação do ônus da prova na forma prevista no artigo 333 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10820.002405/200333 Acórdão n.º 180200.834 S1TE02 Fl. 6 11 do CPC, dirigida ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e tece comentários acerca da titularidade e proveito das contas bancárias examinadas, afirmando a inexistência de fraude ou simulação em raciocínio lógico; Menciona que a desqualificação da multa é insuficiente, porquanto a fiscalização fez incidir sobre o montante declarado pela empresa a multa de ofício de 75% e ainda deixou de considerar imposto devido no valor de R$ 23.375,44, regularmente confessado, parcelado e já pago em boa parte pela recorrente; Pugna pela aplicação do princípio da decorrência processual; Requer ao final o provimento ao recurso e protesta pela juntada de provas e pela realização de diligências. O autos do processo de representação fiscal para fins penais – processo nº 10820.002406/200388 – foram desapensados, para tramitação em separado, conforme despacho de fl. 879. É o relatório. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme relatado, a lide versa acerca do lançamento do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) do anocalendário 1998. A primeira questão a ser apreciada diz respeito à preliminar de nulidade da intimação dos autos de infração objetos dos autos. Quanto à data de ciência dos autos de infração: A discussão que se trava é se a data a ser considerada como de ciência dos Autos de Infração é aquela em que o Aviso de Recebimento – AR foi entregue na portaria do edifício em 29/12/2003 – endereço residencial do sócio, responsável pela empresa junto à RFB (fl. 328) ou se a data é aquela do recebimento na Portaria da empresa em 07/01/2004 (fl. 330). Um histórico do desenvolvimento do procedimento de fiscalização será de grande relevância para compreensão da questão. Iniciado o procedimento de fiscalização em 1º de abril de 2002 na pessoa do sócio Adriano de Paiva Afonso, que ingressou com ação no Poder Judiciário e obteve liminar em 14 de abril de 2002, suspendendo os procedimentos para afastamento, pela via administrativa, do sigilo bancário. Somente em 25 de outubro de 2003 a Receita Federal do Brasil pode recomeçar o procedimento de fiscalização, ou seja, um ano e cinquënta dias depois. O Termo de Constatação/Devolução e Intimação Fiscal nº 122 (fls. 248/283) revela que no dia 27 de novembro de 2003, o AuditorFiscal entregou à empresa fiscalizada 36 folhas, contendo todas as irregularidades apuradas na escrituração contábil/fiscal da contribuinte, e ainda devolveu documentos que estavam em poder da fiscalização, e intimou a empresa a dar explicações, afastar/elidir as irregularidades apuradas, abrindo prazo de prazo de 05 dias. No dia 03 de dezembro de 2003 foi solicitado pela recorrente prazo de 20 dias para responder ao Termo de Intimação nº 122, que trata, inclusive, do demonstrativo de créditos/depósitos – movimentação financeira – para comprovação da origem desses créditos (fl. 286). Protestando contra os prazos, a recorrente em 09 de dezembro de 2003 apresentou resposta ao mencionado Termo de Constatação. Em 15 de dezembro de 2003 foi lavrado Termo de retenção de documentos fiscais, com ciência pessoal da fiscalizada (fl. 319). Fl. 12DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10820.002405/200333 Acórdão n.º 180200.834 S1TE02 Fl. 7 13 Em 16 de dezembro de 2003 foi lavrado Termo de devolução de documentos, com ciência pessoal da fiscalizada (fl. 320). Em 17 de dezembro de 2003 foi lavrado mais um Termo de devolução de documentos, com ciência pessoal da fiscalizada (fl. 321). Em 19 de dezembro foi lavrado outro Termo de devolução de documentos fiscais, com ciência pessoal da fiscalizada(fl. 322). Para a surpresa da fiscalização, no dia 26 de dezembro de 2003, conforme consta da fl. 324, quando os AuditoresFiscais se dirigiram à empresa para dar ciência dos Autos de Infração, o estabelecimento comercial estava completamente fechado. O AuditorFiscal lavrou o seguinte termo a fl. 324: “Ao comparecermos ao logradouro acima encontravase fecahdo, acionamos o interforne e batemos a porta, mas ninguém nos atendeu, a empresa encontravase com atividades paralisadas e no local não havia nenhum funcionário ou sócio.” Possivelmente prevendo tal desenlace a fiscalização antecipouse e enviou os Autos de Infração para ciência no endereço do representante legal da empresa perante a Receita Federal do Brasil, que os recebeu no dia 29 de dezembro de 2003, conforme Aviso de Recebimento –AR (fl. 328). A pessoa jurídica também tomou ciência dos Autos de Infração, porém no dia 07 de janeiro de 2004 (fl. 330). Conforme se pode verificar dos autos, a fiscalização esteve sempre presente na empresa até o dia 19 de dezembro de 2003, ocasião em que, através de Termo, devolveu os livros e documentos utilizados no procedimento de fiscalização; nada lhe foi avisado quanto à possibilidade da fiscalizada entrar em férias coletivas. Ora, no relacionamento fisco/contribuinte há de haver o respeito mútuo e boafé objetiva. Assim como os AuditoresFiscais da Receita Federal estão obrigados a agir com lisura, saneando dúvidas porventura existentes por parte do contribuinte, informando a empresa fiscalizada nas ocorrências detectadas, no sentido de ouvilá antes da lavratura do Auto de Infração (aliás, caminho em que trilhou o AuditorFiscal ao apresentar Termo solicitando à fiscalizada que se pronunciasse acerca de certas dúvidas/pendências/irregularidades apuradas na escrituração contábil/fiscal), exigese, por conseguinte, que a contribuinte, também, trate o fisco com a mesma linha de conduta. Assim, se efetivamente a recorrente estivesse em vias de entrar em férias coletivas, deveria ter informado ao AuditorFiscal tal ocorrência, afinal de contas apenas 10 (dez) dias separaram a última presença do fisco no estabelecimento da empresa para a data em que estaria fechada por férias coletivas, aliás, fato (férias coletivas) que não restou provado nos autos. Férias coletivas não consistem em simplesmente fechar as portas e desaparecer. Há um ritual a ser seguido, como por exemplo comunicar ao órgão local do Ministério do Trabalho e Emprego, com antecedência de 15 (quinze) dias, enviando cópia de Fl. 13DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 comunicação aos sindicatos representativos das categorias profissionais e afixando cópia de aviso no local de trabalho. Como dito, não consta dos autos qualquer procedimento tendente à consecução de tal previsão trabalhista e, ainda que tivesse, deveria o fisco ser informado de tal situação. Desse modo, em tal situação específica, tornase válida a ciência dada à recorrente através do endereçamento dos Autos de Infração da empresa APA – CONSTRUÇÕES e EMPREENDIMENTOS LTDA para o endereço do seu representante legal perante a Secretaria da Receita Federal, ou seja, aos cuidados deste, o que não vem, de forma alguma, ferir o princípio da independência da personalidade jurídica; primeiro, por se tratar do representante da empresa perante a RFB; por último, pois, fechado o estabelecimento da empresa, seja lá por qual motivo, passa a ocorrer o cerceamento do direito da Fazenda Nacional de intimar a pessoa jurídica da lavratura dos competentes Autos de Infração. Portanto, é válida a ciência do lançamento dada no endereço do sócio no dia 29 de dezembro de 2003. Rejeito, por conseguinte, a preliminar de nulidade suscitada. Cerceamento do direito de defesa: Que no dia 09 de janeiro de 2004, o patrono da recorrente requereu vista dos autos do presente processo, porém os autos ainda não estavam disponíveis para vista; que somente em 13/01/2004 recebeu comunicação formal de que os autos do processo estavam liberados para vista (formalizados); que ainda teve a surpresa desagradável, pois a data ciência dos lançamentos fiscais ocorrera, por via postal, no dia 29/01/2003. A recorrente não comprovou prejuízo à sua defesa, por conta da demora na formalização dos autos do processo pelo fisco. É imperioso destacar que os elementos de provas coletados, juntados aos autos pela fiscalização, foram extraídos dos livros e documentos fornecidos pela própria autuada; que, ainda, em face das intimações durante o procedimento de fiscalização, a contribuinte recebeu todos os demonstrativos pormenorizados dos atos praticados pela fiscalização; que a recorrente teve conhecimento durante o procedimento de fiscalizção de todos os atos praticados pela fiscalização. A propósito, conforme consta do Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 248/283, os elementos de convição do fisco no sentido de que havia transações mercantis e financeiras à margem da escrituração contábil foram pormenorizadamente descritos e cientificados à contribuinte em 27/11/2003. A relação de créditos/depósitos bancários de origem não comprovada constam da relação de fls. 280/281 – demonstrativo – constante do Termo de Constatação/Devolução e Intimação Fiscal nº 0122, de 27/11/2003. Ainda, tais créditos de origem não comprovada estão, devidamente, demonstrados pelo Termo de Constatação e Verificação Fiscal de fls. 86 e Demonstrativo de Créditos/Depósitos Lançados (fls. 66/67). Quando da ciência dos autos de infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) – fls. 04/39, a recorrente recebeu ainda cópia dos anexos de fls. 40/67 e cópia do Termo de Constatação e Verificação Fiscal (fls. 68/91). Fl. 14DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10820.002405/200333 Acórdão n.º 180200.834 S1TE02 Fl. 8 15 De modo que a recorrente teve pleno acesso, quando da ciência dos autos de infração, em relação a todas as peças que compõem os autos de infração e demais termos fiscais, os quais contêm suficiente descrição dos fatos e enquadramento legal, atendendo integralmente, por conseguinte, ao que determina a legislação processual de regência. As demais peças do processo são cópias de documentos originais que a contribuinte já estava de posse ou estava em seu poder quando da ciência do lançamento fiscal. Entendo então que, diversamente do alegado pela recorrente, não restou provado o alegado prejuízo para sua defesa. Portanto, por não restar configurado o alegado cerceamento do direito de defesa, rejeito essa preliminar suscitada. Quanto à decadência parcial do crédito tributário: Em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ, o entendendimento deste Égrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e desta Turma também, é no sentido de que inexistindo prévio pagamento da respectiva exação fiscal submetida a lançamento por homologação, há deslocamento da contagem do prazo decadencial do art, 150, § 4ª, para o inciso I do art. 173, ambos do CTN. Nesse sentido, trascrevo precedente do STJ, in verbis: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. EXTINÇÃO DO PROCESSO DE EXECUÇÃO. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECLARADO E NÃO PAGO. CORRETA APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. PRECEDENTES. RECURSO DESPROVIDO. 1. Esta Corte temse pronunciado no sentido de que o prazo decadencial para constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: (a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos contados "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; (b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. (REsp nº 413.265). Como demonstrado, o STJ adota duas regras distintas para definir o prazo decadencial para exercício do lançamento: uma geral, contida no artigo 173, I, do CTN; outra específica, artigo 150, § 4º, aplicável aos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que tenha havido pagamento parcial. Ou seja: havendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos, a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. No mesmo sentido, os precedentes jurisprudenciais deste CARF: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL ANOCALENDÁRIO: 1991 DECADÊNCIA A partir da Fl. 15DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 16 Súmula 8 do STF, a contagem do prazo decadencial para o lançamento da CSLL deve orientarse pelos dispositivos do CTN, e não mais pelo art. 45 da Lei 8.212/1991. A extinção definitiva do crédito tributário pelo § 4º do art. 150 do CTN, e a conseqüente decadência a ela atrelada, só ocorre se, antes disso, a situação sob exame configurar, a partir de um juízo de tipicidade, a hipótese prevista no caput deste mesmo artigo. Não havendo antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial é feita pelo art. 173 do CTN, e não pelo art. 150. (Acórdão 19800.074, sessão de 09/12/2008, Relator José de Oliveira Ferraz Corrêa). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS. Período de apuração: 01/01/1998 a 30/09/1998. COFINS. DECADÊNCIA. Uma vez que o STF, por meio da Súmula Vinculante nº 8, considerou inconstitucional o art. 45 da Lei n2 8.212/91, há que se reconhecer a decadência, em conformidade com o disposto no Código Tributário Nacional. Assim, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao PIS decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendo, com fulcro no art. 150, § 4º, caso tenha havido antecipação de pagamento, inerente aos lançamentos por homologação, ou art. 173, I, em caso contrário. (Acórdão 20181.461, sessão de 08/10/2008, Relator Maurício Taveira e Silva). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Data do fato gerador: 12/03/1997. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. O prazo decadencial é de cinco anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento do crédito poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN, para os tributos cuja lei prevê o lançamento por homologação, nos casos em que o contribuinte não tenha efetuado o pagamento. (Ac. 30134.676, sessão de 12/08/2008, Relatora Irene Sousa da Trindade Torres). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1988 a 31/07/2002. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. PRAZO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA. Ao julgar os Recursos Extraordinários nºs 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em 11/06/2008, e ao fixar os efeitos modulatórios da referida decisão, o pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Assim, a teor do disposto no art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, havendo pagamento parcial, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente às eventuais diferenças de Cofins e do PIS extinguese em cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2005. (Acórdão 20219.214, sessão de 05/08/2008, Relator Antonio Zomer). No caso, os autos tratam de crédito tributário do anocalendário 1998, atinentes aos autos de infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins). Fl. 16DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10820.002405/200333 Acórdão n.º 180200.834 S1TE02 Fl. 9 17 A multa de 150% sobre as infrações “Omissão de Receitas” foi reduzida para 75% pela decisão recorrida (fls. 788/806). A contribuinte tomou ciência do lançamento fiscal em 29/12/2003, por via postal – AR (fl. 328). Quanto ao IRPJ e CSLL, o termo inicial do prazo decadencial, no caso, é primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia lançar, ou seja, 01/01/2000 (CTN, art. 173, I), pois não se trata de lançamento de diferença de crédito tributário, mais sim de exigência de exações fiscais sobre a receita total (declarada + Omissão de Receitas) do ano calendário 1998 com base no Lucro Arbitrado, em face de escrituração contábil imprestável para aplicação do regime do Lucro Real. Ainda, no anocalendário 1998, em relação às receitas informadas na DIPJ 1999, não houve apuração dessas exações fiscais pela recorrente com base no Lucro Real, nem pagamento algum, para aplicação do art. 150, § 4º, CTN. Nesse sentido, consta da Ficha 13 – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real –, ficha totalmente em branco, com valores zerados (fl. 109). |Já, em relação à CSLL, também, não houve apuração da CSLL, nem pagamento, conforme Ficha 30 – Cálculo da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (fl. 123). Por conseguinte, o crédito tributário do IRPJ e da CSLL, anocalendário 1998, está totalmente a salvo da alegada decadência. Por outro lado, em relação à Contribuição para o PIS e à Cofins, houve lançamento dessas exações fiscais, apenas, sobre as infrações “Omissão de Receitas”; logo, houve lançamento apenas de diferença de crédito tributário. Em relação às receitas declaradas na DIPJ 1999 (anocalendário 1998), houve pagamento dessas exações fiscais, conforme Fichas 32 – Cálculo da Contribuição para o PIS (fls. 124/135) e Ficha 33 – Cálculo da Cofins (fls. 136/147). Assim, com base no art. 150, § 4º, CTN, está decaído, apenas, o crédito tributário da Contribuição para o PIS e da Cofins em relação aos fatos geradores de janeiro a novembro de 1998. Portanto, devese acolher a decadência parcial, apenas, em relação à Contribuição para o PIS e à Cofins dos períodos de apuração janeiro a novembro de 1998. Agressão a direitos fundamentais. Quebra do sigilo bancário: Alegou a recorrente que houve agressão a direitos fundamentais representados pela privacidade, intimidade e sigilo; que a quebra do sigilo bancário foi utilizada como forma de apequenar o cidadão e obter resultados fiscais ilegais, citando doutrina. No caso, não houve quebra do sigilo bancário da empresa; houve quebra do sigilo bancáriosdos sócios, por autorização judicial. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 18 Vale dizer, houve quebra do sigilo bancário, mediante autorização judicial, das contas correntes conjuntas, particulares, dos dois sócios da empresa: Sr. Adriano de Paiva Afonso e Sra. Maria Alice de Ponti Afonso. Nesse sentido, transcrevo o histórico incial da operação de fiscalização constante do Termo de Constatação e Verificação Fical, anexo aos autos de infração (fls. 68/69), in verbis: (...) A empresa acima optou pelo tributação pelo lucro real anual para o anocalendário 1998, com balancetes de suspensão e redução mensais, e apurou prejuízo no ano de 1998 no valor de (R$ 123.478,67). A empresa tem suas atividades como construtura (...). Esclarecemos que a empresa tem como únicos sócios o Sr. Adriano de Paiva Afonso e sua esposa Sra. Maria Alice de Ponti Afonso (...). Em 27/03/2002 foi lavrado Termo de Início de Fiscalização na pessoa física (PF) do Sr. Adriano de Paiva Afonso, CPF nº 791.251.82820 (sócio proprietário do contribuinte acima –APA Construções e Empreendimentos Ltda), cuja ciência ocorreu em 01/04/2002, em que solicitava ao contribuinte a apresentação de seus extratos bancários, do anocalendário de 1998, e a comprovação da origem dos recursos depositados em suas contascorrentes. O Sr. Adriano de Paiv a Afonso ingressou na justiça e obteve liminar, em 14/04/2002, que suspendeu os procedimentos administrativos tendentes à quebra de seu sigilo bancário. Posteriormente, em 25/10/2002, ocorreu a concessão da liminar para transferência do sigilo bancário do Sr. Adriano de Paiva Afonso à Secretaria da Receita Federal, e no despacho o Exmo. Juiz Cláudio Roberto Canata oficiou as instituições financeiras a encaminharem os dados diretamente à Delegacia da Receita Federal em AraçatubaSP, sendo que os últimos dados apresentados se deu em 20/05/2003 (pontanto, um ano e 50 dias depois da ciência do Termo de Início de Fiscalização). (...) Além de que, não obstante o prazo e as freqüentes prorrogações solicitadas pelo contribuinte, verificase que está fiscalização tornouse complexa, pelo fato de haver fatos que estão relacionados à pessoa física, fatos que estão relacionados à pessoa jurídica e outros que estão relacionados aos dois, (...) A realidade dos fatos é que todos os depósitos que deram origem a lançamentos tributários (quer aqueles lançados como de origem não comprovada, quer aqueles que relacionamos a cada atividade da empresa) e que foram creditados nas contas correntes da pessoa física do Sr. Adriano de Paiva Afonso e de seu cônjuge, são recursos da empresa APA Construções e Empreendimentos Ltda, e que suas contascorrentes foram Fl. 18DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10820.002405/200333 Acórdão n.º 180200.834 S1TE02 Fl. 10 19 utilizadas para acobertar operações da empresa, assim a empresa tem como interpostas pessoas seus sócios. (...) Os fatos estão todos apurados, descritos, conforme Termo de Constatação e Veiricação Fiscal, o qual é parte integrante do lançamento fiscal (fls. 68/91). Portanto, não procede a alegação de que houve agressão a direitos fundamentais insculpidos na Carta Política da República, pois o acesso à movimentação financeira bancária (valores da empresa movimentados nas contas correntes particulares, conjuntas, de seus sócios) deuse conforme autorização judicial. Apenas para argumentar, ainda que não houvesse autorização judicial, que não é caso, o acesso direto aos dados de movimentação financeira bancária pela RFB é aceito pelos nosso tribunais. A propósito, transcrevo, ementas de decisões de nossos tribunais que reconhecem a legalidade e legitimidade do acesso direto do fisco aos dados de movimentação financeira/bancária. Senão vejase: • TRF/4ª Região, ementa do Acórdão da 1ª Turma, de 02/05/2002, verbis: “TRIBUTÁRIO. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LC nº 105/01. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. 1. A Lei nº 10.174/01, que deu nova redação ao § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, disciplina o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro 2001 poderão valerse dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos, (CTN, art. 144, § 1º). Tratase de aplicação imediata da norma, não se podendo falar em retroatividade. 2. O art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações acerca da movimentação financeira do contribuinte, desde que já instaurado o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos seja indispensáveis à instrução, preservado o caráter sigiloso da informação. 3. O acesso a informações junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao princípio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar nº 105/01 e pelo Decreto nº 3.724/01”(Ac. 1ª Turma do TRF da 4ª R – mv – ag 2002.04.01.0030400/PR – Rel. Des. Fed. Maria Lúcia Luz Leiria – j 02.05.02 – Agte.: Joaquim Fl. 19DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 20 Costa; Agdas.: União Federal/Fazenda Nacional – DJU 2 05.06.02, p 164.) • TRF/3ª Região, ementa deAcórdão da Sexta Turma, Juíza Consuelo Yoshida, DJU de 25/11/2002, pág. 603, verbis: CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. DIREITO À PRIVACIDADE E À INTIMIDADE. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. IRRETOATVIDADE DA LEI. CONSTITUCIONALIDADE. 1. O alegado SIGILO bancário não pode ser interpretado como direito absoluto, desvinculado de outras garantias constitucionais, havendo de compatibilizarse, pois, com os demais princípios, voltados à consecução do interesse público. 2.É plenamente legítimo que a AUTORIDADE competente (Fisco), uma vez detectados indícios de falhas, incorreções, omissões, ou de cometimento de ilícito FISCAL, requisite as infromações e documentos de que necessita para consecução de seu dever legal de constituir crédito tributário. 3. Não há que se falar em ofensa ao princípio da irretroatividade da lei tributária, porquanto a Lei Complementar nº 105/01, bem como a Lei nº 10.174/01 não criaram novas hipóteses de incidência, a albergar fatos econômicos pretéritos, mas apenas dotaram a Administração Tributária de instrumentos legais aptos a promover a agilização e o aperfeiçoamento dos procedimentos fiscais. 4.Precedentes desta Turma. 5. Apelação improvida. • Superior Tribunal de Justiça STJ, há vários precedentes, cujas ementas são as seguintes, in verbis: RECURSO ESPECIAL ALÍNEA 'A'. TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PRETENDIDA SUSPENSÃO DOS EFEITOS DE TERMO DE PROCEDIMENTO FISCAL. REQUERIMENTO DE INFORMAÇÕES AO CONTRIBUINTE RELATIVAS AO ANOBASE DE 1998, A PARTIR DE DADOS INFORMADOS PÊLOS BANCOS À SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOBRE A CPMF. PRETENDIDA COBRANÇA DE CRÉDITOS RELATIVOS A OUTROS TRIBUTOS. ARTIGO 6° DA LC 105/01 E 11, § 3°, DA LEI N. 9.311/96, NA REDAÇÂO DADA PELA LEI N. 10.174/01. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO RETROATIVA. EXEGESE DO ART. 144, § 1°, DO CTN. À luz do que dispõe o artigo 144, § 1°, do CTN, inferese que as normas tributarias que estabeleçam 'novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas', aplicamse ao lançamento do tributo, mesmo que relativas a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. Diversamente, as normas que descrevem os elementos do tributo, de natureza material, somente são aplicáveis aos fatos geradores ocorridos Fl. 20DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10820.002405/200333 Acórdão n.º 180200.834 S1TE02 Fl. 11 21 após o inicio de sua vigência (cf. "Código Tributaria Nacional Comentado”). Vladmir Passos de Freitas (coord.). São Paulo: Revista dos Tribunais, 1999. p. 566). Nesse contexto, forçoso reconhecer que os dispositivos (arts. 6° da LC n. 105/01 e 11, § 3°, da Lei n. 9.311/96, na redação dada pela lei n. 10.174/01) que autorizam a utilização dos dados da CPMP pelo Fisco para a apuração de eventuais créditos tributários relativos a outros tributos são normas adjetivas ou meramente procedimentais, acerca das quais não prevalece a irretroatividade defendida pelo v. acórdão da Corte a quo. É de se observar, tãosomente, o prazo de que dispõe a Fazenda Nacional para constituição do crédito tributaria. Tanto o art. 6° da Lei Complementar 105/2001, quanto o art. 1° da Lei 10.174/2001, por ostentarem natureza de normas tributarias procedimentais, são submetidas ao regime intertemporal do art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, permitindo sua aplicação, utilizandose de informações obtidas anteriormente à sua vigência' (REsp 506.232/PR, Relator Min. Luiz Fux, DJU 16/02/2004). No mesmo sentido: REsp 479.201/SC, Relator Min. Francisco Falcão, DJU 24/05/2004. Recurso especial provido para denegar a segurança requerida" (Segunda Turma REsp 505.493/PR, Rei. Min. Franciuili Netto, DJU de 08.11.04); TRIBUTÁRIO. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL APLICAÇÃO INTERTEMPORAL. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1° DO CTN. 1. O resguardo de informações bancárias era regido, ao tempo dos fatos que permeiam a presente demanda (ano de 1998), pela Lei 4.595/64, reguladora do Sistema Financeiro Nacional, e que foi recepcionada pelo art. 192 da Constituição Federal com força de lei complementar, ante „ a ausência de norma regulamentadora desse dispositivo, até o advento da Lei Complementar 105/2001. 2. O art. 38 da Lei 4.595/64, revogado pela Lei Complementar 105/2001, previa a possibilidade de quebra do sigilo bancário apenas por decisão judicial. 3. Com o advento da Lei 9.311/96, que instituiu a CPMF, as instituições financeiras responsáveis pela retenção da referida contribuição, ficaram obrigadas a prestar à Secretaria da Receita Federal informações a respeito da identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações bancárias, sendo vedado, a teor do que preceituava o § 3° da art. 11 da mencionada lei, a utilização dessas informações para a constituição de crédito referente a outros tributos. 4. A possibilidade de quebra do sigilo bancário também foi objeto de alteração legislativa, levada a efeito pela Lei Complementar 105/2001, cujo art. 6° dispõe: "Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Fl. 21DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 22 Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente." 5. A teor do que dispõe o art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins e apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. 7. A exegese do art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6° da Lei Complementar 105/2001 e 1° da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. 8. Inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. 9. Recurso Especial desprovido, para manter o acórdão recorrido" (Primeira Turma REsp 685.708/ES, Rei. Min. Luiz Fux, DJU de 20.06.05). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DEFICIÊNCIA RECURSAL. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. ARTIGO 6° DA LC 105/01 E 11, § 3° DA LEI N° 9.311/96, NA REDAÇÂO DADA PELA LEI N° 10.174/2001. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 144, § 1° DO CTN. 1. Não enseja conhecimento a pretensão recursal sem a indicação do dispositivo de lei federal tido como violado e sem a exposição dos motivos pêlos quais pugna pela reforma do julgado, ante o disposto na Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 2. O artigo 38 da Lei n° 4.595/64 que autorizava a quebra de sigilo bancário somente por meio de requerimento judicial foi revogado pela Lei Complementar n° 105/2001. Fl. 22DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10820.002405/200333 Acórdão n.º 180200.834 S1TE02 Fl. 12 23 3. A Lei n° 9.311/96 instituiu a CPMF e no § 2° do artigo 11, determinou que as instituições financeiras responsáveis peia retenção dessa contribuição prestassem informações à Secretaria da Receita Federai, especificamente, sobre a identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações efetuadas, vedando, contudo, no seu § 3° a utilização desses dados para constituição do crédito relativo a outras contribuições ou impostos. 4. A Lei 10.174/2001 revogou o § 3° do artigo 11 da Lei n° 9.311/91, permitindo a utilização das informações prestadas para a instauração de procedimento administrativofiscal a fim de possibilitar a cobrança de eventuais créditos tributários referentes a outros tributos. 5. Outra alteração legislativa, dispondo sobre a possibilidade de sigilo bancário, foi veiculada pela o artigo 6° da Lei Complementar 105/2001. 6. O artigo 144, § 1° do CTN prevê que as normas tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao contrário daquelas de natureza material que somente alcançariam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 7. Os dispositivos que autorizam a utilização de dados da CPMF pelo Fisco para apuração de eventuais créditos tributários referentes a outros tributos são normas procedimentais e por essa razão não se submetem ao princípio da irretroatividade das leis, ou seja, incidem de imediato, ainda que relativas a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. Precedentes. 8. Ressalvado o prazo que dispõe a Fazenda Nacional para a constituição do crédito tributário. 9. Recurso especial conhecido em parte e provido. RECURSO ESPECIAL N° 757.956 RS (2005/00957074), RELATOR: MINISTRO CASTRO MEIRA, 2ª Turma. (...) A matéria, também, já está sumulada neste Egrégio Conselho. Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Ademais, a alegação de inconstitucionalidade de legilslação vigente não compete ao CARF sua apreciação, conforme matéria, também, sumulada: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 23DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 24 Por conseguinte, em face do acesso aos dados de movimentação financeira ter sido autorizado judicialmente e por tudo mais que foi exposto, não procede a irresignação da recorrente. Depósitos Bancários. Omissão de Receitas/Rendimentos. Presunção Legal. Inversão do Ônus da Prova. A recorrente alegou que depósitos bancários não constituem renda e que a fiscalização tentou passar à contribuinte o ônus da prova de que não houve omissão de receitas. A irresignação da recorrente não tem sustentação fática, nem jurídica. A contribuinte não justificou a origem dos depósitos bancários não escriturados, embora intimada para tanto em 27/11/2003, conforme Termo de Constatação/Devolução e Intimação Fiscal (fls. 248/283). Os valores dos depósitos de origem não comprovada, objeto do lançamento fiscal, estão demonstrados no Auto de Infração (fls. 07/08) e demonstrativo anexo ao auto de infração (fls. 66/67). O fisco pode presumir a omissão de receitas e arbitrar o lucro da contribuinte com base nos extratos bancários, quando esta não comprove através de documentos hábeis e idôneos as suas alegações, uma vez que não mais se aplica a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Isto porque existem duas realidades distintas no que se refere ao uso da movimentação financeira para a caracterização da omissão de receitas, sendo uma com base no art. 6°, § 5°, da Lei nº 8.021/1990 (este revogado pela Lei n. 9.430/96), e a outra com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, vejamos: Lei n° 8.021/1990 "Art. 6º. O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, farse á arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações."[revogado] Lei n°9.430/1996 "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações Com base nos dispositivos acima transcritos, verificase que o que distingue uma realidade da outra é que a partir de 01/01/1997 — entrada em vigor da Lei n° 9.430/96 , a existência de depósitos não escriturados ou de origens não comprovadas tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio a se juntar as outras já existentes Fl. 24DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10820.002405/200333 Acórdão n.º 180200.834 S1TE02 Fl. 13 25 no ordenamento jurídico, sendo que a partir daí, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada para satisfazer o onus probandi a seu cargo. Antes, tal previsão para depósitos bancários inexistia, e com isso o fisco necessitava, nos estritos termos do art. 6°, caput, e § 5°, da Lei n° 8.021/1990, não apenas constatar a existência dos depósitos bancários, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre tais depósitos e alguma exteriorização de riqueza e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse dar ensejo à omissão de receitas. O fato é que após a edição da Lei n° 9.430/1996, a movimentação bancária mantida ao largo da escrituração contábil da empresa ou sem comprovação da origem, presumese realizada com valores omitidos à tributação, salvo prova em contrário, não mais se aplicando, portanto, o entendimento exarado na Súmula 182 do extinto TFR. Para fatos geradores a partir de 1°/01/1997, no tocante à omissão de rendimentos/receitas com base em depósitos bancários com origem não comprovada, tem vigência única e plenamente o art. 42 da Lei n°9.430196. Esse diploma legal encerra presunção legal que implica inversão do ônus da prova. O ônus da prova de que não houve omissão de receitas/rendimentos é da contribuinte. Não há que se falar em sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários de origem não comprovada pelo contribuinte, conforme matéria já sumulada: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O depósito bancário de origem não comprovada é rendimento tributável pelo imposto de renda, por presunção legal. Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito do Conselho de Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Nesse sentido, transcrevo precedentes jurispruencias deste Egrégio Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 10809.836, Fl. 25DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 26 sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relatora Valéria Cabral Géo Verçoza). ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Ano calendário: 2002 a 2004 Ementa: IRPJ — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 10197.116, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relator Valmir Sandri). ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Exercício: 2003, 2004 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA —PROCEDÊNCIA Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA PRESUNÇÃO LEGAL Em se tratando de presunção legal, cabe ao Fisco a prova do fato indiciário. Ao contribuinte incumbe provar que o fato indiciário não leva, em seu caso concreto, ao fato presumido por lei. Esse ônus não pode ser transferido pelo contribuinte à Administração Tributária.(Acórdão nº 10517.369, sessão de 17 de dezembro de 2008, Relator Waldir Veiga Rocha). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício. 2000, 2001, 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÓNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.(Acórdão nº 10249.393, sessão de 06 de novembro de 2008. Relatora Núbia Matos Moura). Assunto: SIMPLES NACIONAL EXERCÍCIO: 2004, 2005 Ementa: PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou Fl. 26DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10820.002405/200333 Acórdão n.º 180200.834 S1TE02 Fl. 14 27 jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.(Acórdão nº 195 0.088, sessão 09 de dezembro de 2008, Relator Benedicto Celso Benicio Junior). OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS: Caracterizase como omissão de receita os depósitos bancários feitos em nome de interposta pessoa quando as pessoas envolvidas devidamente intimadas não comprovem a origem em renda ou receita. A proporcionalização de acordo com a receita declarada de cada pessoa jurídica que movimentou recursos nas contas não macula o lançamento, pois demonstra a aplicação da prudência da lógica e coerência por parte da fiscalização. (AC. CSRF nº 0105.643, sessão de 27 de março de 2007, Redator designado José Cóvis Alves). Ainda, não há conflito entre o art. 42 da Lei n° 9.430/96, que presume como rendimento omitido os valores creditados em conta de depósitos para os quais o contribuinte não comprove sua origem, e os arts. 43 e 44 do Código Tributário Nacional que definem o fato gerador do imposto de renda – IR e o conceito de renda. Apenas para argumentar, eventual antinomia entre as normas citadas somente poderia ser resolvido no âmbito de declaração de inconstitucionalidade das normas pelo Poder Judiciário, falecendo competência ao CARF para tanto. Portanto, não procedem as objeções da recorrente contra a tributação da omissão de receitas com base nos depósitos bancários de origem não comprovada. Arbitramento do Lucro: A recorrente ataca o arbitramento do lucro, alegando que seria descabido; que 87,45% da base tributada, a final, já havia sido declarada pela empresa, sendo perfeitamente adequada a manutenção da tributação na forma pleiteada pela recorrente – lucro real, descabendo a alegação de que os restantes 12,55% corresponentes a depósitos bancários de origem não comprovada seriam suficientes para caracterizar a imprestabilidade da escrita comercial da recorrente. A irresignação da recorrente não procede. No anocalendário 1998 não houve apuração de IRPJ e CSLL pela recorrente, pois a contribuinte apurou prejuízo fiscal, conforme DIPJ 1999 (fls. 95/123). Já, sobre as receitas declaradas na DIPJ 1999 (anocalendário 1998) não houve lançamento de ofício da Contribuição para o PIS e da Cofins. Houve lançamento dessas exações fiscais apenas sobre as infrações imputadas a título de “Omissão de Receitas”, porém, Fl. 27DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 28 como se trata de lançamento de diferenças, houve acolhimento da decadência dessas duas contribuições quanto aos fatos geradores de janeiro a novembro de 1998. O arbitramento do lucro se deu, segundo a fiscalização – Auto de Infração (fls. 06), “tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte contém vícios e erros que a tornaram imprestável para apuração do Lucro Real, além de que não foi mantida na forma das Leis Comerciais e Fiscais, em virtude de erros e irregularidades enumeradas no Termo de Verificação Fiscal.” A propósito, consta do Termo de Constatação e Verificação Fiscal (fls. 87/89), in verbis: (...) O ARBITRAMENTO: A empresa (seus sócios) não respeitou o princípio contábil da Entidade (pagamentos de funcionários e de fornecedores efetuados pelas contascorrentes dos sócios da PJ, assim como recebimento de receitas e não escrituração de tais fatos). Seu Livro de Registro de Inventário está imprestável, possui várias irregulariadades, além de que o contribuinte não o tinha escriturado, conforme constatado. Seu Livro Permanente de estoque de imóveis também é imprestável, e possui várias irregularidades. Não respeitou as normas fiscais para sua atividade, não respeitou o regime de caixa na atividade de venda de imóveis construídos para revenda, a proporcionalidade da IN SRF 84/79, o rateio dos custos, a data da efetivação da venda, além de outros: (...) A contabilidade da empresa, conforme demonstrado neste Termo e no Termo de Constatação/Devolução e Intimação Fiscal nº 122, contém vícios e erros que a tornaram imprestável para apuração do Lucro Real, além de que não foi mantida na forma das Leis comerciais e fiscais e não restou outra alternativa que não o Arbitramento do Lucro (...) A omissão de receitas, no caso, não se resume a depósitos bancários de origem não comprovada tãosomente. Além da infração DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – auto de infração do IRPJ (fls. 07/08), foram apuradas pela fiscalização outras omissões de receitas: a) omissão de receitas referente a contrução do Clube IPÊ, cujos valores – receitas da empresa não passaram pela escrituração contábil/fiscal da recorrente, pois foram recebidos diretamente pelas contas contas correntes do sócio Sr. Adriano de Paiva Afonso, conforme descrição no Auto de Infração do IRPJ – RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) – OMISSÃO DE RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO COM FORNECIMENTO DE MATERIAL – CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA (fls. 06/07; Fl. 28DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10820.002405/200333 Acórdão n.º 180200.834 S1TE02 Fl. 15 29 b) omissão de receitas referente a contrução no Condomínio Ventura, cujos valores – receitas da empresa – não passaram pela escrituração contábil/fiscal da recorrente, pois foram recebidos diretamente pelas contas correntes do sócio Sr. Adriano de Paiva Afonso, conforme descrição no auto de infração do IRPJ – OMISSÃO DE RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM FORNECIMENTO DE MATERIAL – CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA (fl. 07). O arbitramento do lucro não considerou apenas a relação entre as receitas declaradas e as omitidas, mas uma série de irregularidades mencionadas nas peças fiscais impositivas que tornaram a escrituração contábil imprestável. A contribuinte, ainda, questiona o Lucro Arbitrado, por entender que a fiscalização – no auto de infração do IRPJ – deixou de aplicar o coeficiente de arbitramento (9,6%) sobre o valor de receitas da atividade imobiliária, fazendo incidir diretamente sobre o valor arbitrado (receitas de vendas de imóveis – custo do imóvel) a alíquota de 15%, o que resultou em exigência superior a efetivamente devida. Não nesse ponto, também, não assiste razão à recorrente. Não houve incorreção alguma no arbitramento do lucro. Consoante determinação legal contida no art. 49 da Lei nº 8.981/95, que trata de tributação específica para a atividaede de venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, a fórmula de cálculo do arbitramento do lucro às atividades imobiliárias possui tratamento diferenciado. Senão vejase: Lei nº 8.981/95, art. 49: Art. 49. As pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, ao loteamento de terrenos e à incorporação de prédios em condomínio terão seus lucros arbitrados deduzindose da receita bruta o custo do imóvel devidamente comprovado. Parágrafo único. O lucro arbitrado será tributado na proporção da receita recebida ou cujo recebimento esteja previsto para o próprio mês. Não há reparo algum a fazer, por conseguinte, no arbitramento do lucro. Assim, não apresentando a recorrente quaisquer argumentos ou provas que pudesse invalidar o arbitramento do lucro, deve ele ser mantido. Protesto genérico pela produção de provas e pedido de diligência fiscal: A recorrente alega que subsistiu vício de procedimento por não considerar a fiscalização o tributo devido de R$ 23.375,44, no dizer da empresa “regularmente confessado e já pago, em boa parte...”. Ao afirmar que foi débito parcelado e em boa parte pago, deixou a recorrente de especificar e quantificar qual tributo foi pago, porém o parcelamento, desde que anteriormente ao procedimento fiscal, deve ser respeitado. Fl. 29DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 30 Conforme consta da DIPJ 1999 (fls. 101 e 123), a demonstração do lucro real conclui por um prejuízo fiscal de 1998 de R$ 159.869,03, inexistindo no processo comprovante de pagamento do IRPJ e da CSLL do anocalendário 1998 que corrobore as alegações da recorrente. Em relação às receitas declaradas, a recorrente, por conseguinte, como já demonstrado alhures, não apurou IRPJ e CSLL do anocalendário 1998, pois apurou, antes disso, prejuízo fiscal e base de cálculo negativa, respectivamente. Por outro lado, em relação às receitas declaradas na DIPJ 1999, ano calendário 1998, não houve lançamento de ofício da Contribuião para o PIS e à Cofins, permanecendo válidos os débitos confessados. Quanto à Contribuição para o PIS e à Cofins do anocalendário 1998 somente houve lançamento de ofício dessas exações fiscais sobre as receitas omitidas. Por conseguinte, o valor do citado débito confessado deve, em tese, ser relativo a PIS e Cofins sobre receitas declaradas do anocalendário 1998. Logo, nessa parte, não há que se falar em crédito a utilizar, pois tratase de débito confessado cujo, eventual, pagamento está vinculado a extinção de tal débito confessado. Considerando, ainda, que não é possível a prolação de decisão condicionada a verificação posterior do suposto crédito, não encontrando documentos que possibilitem a provocação de diligência para verificar tais recolhimentos pela falta de indícios consistentes e pela falta de comprovação do alegado, sigo a tradição deste Egrégio Conselho pela não consideração de tal alegação ou pretenso crédito, pois desacompanhado de qualquer prova. É inadmissível o pleito genérico para produção posterior de provas ou perícias. Não se justifica a realização de diligências baseadas em meras alegações não respaldadas em elementos que as corroborem. Considerase não formulada a solicitação de diligência/perícia que deixar de atender os requisitos elencados no Decreto n° 70.235/1972. Portanto, rejeito o protesto de produção de provas nesta fase processual, bem como o pedido de diligência fiscal, pois o ônus probatório de suposto crédito é de quem alega, no caso a recorrente. Além do mais, os pedidos foram formulados em desacordo com o art. 16, IV e § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Multa de Ofício: A caracterização de fraude foi afastada pele decisão de primeiro grau, sendo desnecessária a apreciação dos argumentos correspondentes, implicando redução da multa de ofício de 150% para 75% pela decisão recorrida. Quanto à multa de 75% remanescente, em rápido tópico a recorrente questiona sua aplicação tanto sobre o montante de receitas declaradas quanto sobre as receitas omitidas. Não procede a irresignação da recorrente. Sobre as receitas declaradas na DIPJ 1999 (anocalendário 1998), como já alhures demonstrado, não houve apuração de IRPJ e de CSLL pela recorrente, pois a contribuinte apurou prejuízo fiscal nesse anocalendário. Fl. 30DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10820.002405/200333 Acórdão n.º 180200.834 S1TE02 Fl. 16 31 Como a empresa (e seus sócios) não respeitou o princípio contábil da Entidade (pagamentos de funcionários e de fornecedores efetuados pelas contascorrentes particulares dos sócios da PJ, assim como recebimento de receitas e não escrituração de tais fatos contábeis na pessoa jurídica), a escrituração contábil por esse e outros motivos já explanados (vícios intrínsicos) descritos, sobejamente, no Termo de Constatação e Verificação Fiscal (fls. 87/89) restou declarada imprestável para apuração do Lucro Real, culminado no arbitramento do lucro sobre as receitas declaradas e sobre as receitas omitidas. Ainda, anteriormente ao lançamento fiscal, a recorrente não apurou IRPJ e CSLL do anocalendário 1998 com base no lucro real, pois apurou – com base em escrituração contábil imprestável – apenas prejuízo fiscal, conforme cópia da DIPJ 1999 (fls. 94/123). Por conseguinte, deve ser mantida a multa de ofício de 75% sobre os valores das exações fiscais exigidas de ofício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS. Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto ao IRPJ aplicarseão igualmente no julgamento de todas as exações decorrentes. Por tudo que foi exposto e consta dos autos, voto para REJEITAR as preliminares suscitadas, e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar, por decadência, as exigências relativas à Contribuição para o PIS e à Cofins no tocante aos fatos geradores mensais ocorridos nos períodos de apuração de janeiro a novembro de 1998. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 31DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11968.000606/2008-07
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2008 a 31/05/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.700
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2008 a 31/05/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 06 06 /2 00 8- 07 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 9303003.700 CSRF‐T3 Fl. 315 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.829. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 315DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 9303003.700 CSRF‐T3 Fl. 316 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 316DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 9303003.700 CSRF‐T3 Fl. 317 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 9303003.700 CSRF‐T3 Fl. 318 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 318DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 9303003.700 CSRF‐T3 Fl. 319 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 319DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 9303003.700 CSRF‐T3 Fl. 320 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 9303003.700 CSRF‐T3 Fl. 321 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 321DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 9303003.700 CSRF‐T3 Fl. 322 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 9303003.700 CSRF‐T3 Fl. 323 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 323DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 9303003.700 CSRF‐T3 Fl. 324 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 324DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 9303003.700 CSRF‐T3 Fl. 325 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 325DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 19515.001839/2008-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
EMBARGOS. OMISSÃO. SANEAMENTO.
Ao restar comprovada a omissão, no acórdão embargado, sobre pontos acerca dos quais a turma deveria se manifestar, os embargos devem ser acolhidos, para saneamento das omissões.
MATÉRIA PRECLUSA
Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal.
Numero da decisão: 1301-001.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER dos embargos para DAR-LHES provimento PARCIAL, com efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em sentido contrário, nos casos em que o contribuinte faz prova da origem dos recursos e que, por sua natureza, não estão sujeitos a tributação, a incidência tributária deve ser afastada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 EMBARGOS. OMISSÃO. SANEAMENTO. Ao restar comprovada a omissão, no acórdão embargado, sobre pontos acerca dos quais a turma deveria se manifestar, os embargos devem ser acolhidos, para saneamento das omissões. MATÉRIA PRECLUSA Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 39 /2 00 8- 59 Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.001839/200859 Acórdão n.º 1301001.967 S1C3T1 Fl. 1.017 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER dos embargos para DARLHES provimento PARCIAL, com efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório AMADE COMERCIAL LTDA., já qualificada nestes autos, interpôs embargos de declaração (fls. 980/988) em face do Acórdão nº 1301001.374, de 05 de dezembro de 2013, às fls. 956/966 deste processo, com fulcro nos arts. 64, inciso I, e 65, ambos do Anexo II do então vigente Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, alegando omissão quanto a dois pontos, conforme a seguir descrito. Para melhor situar a discussão, considero relevante estender o relatório, sinteticamente, aos fatos ocorridos desde o início do processo. Para tanto, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito, e que será complementado com os fatos subsequentes. Em decorrência de ação fiscal, a contribuinte acima identificada foi autuada em 29/05/2008 (fls. 490, 498, 506, 514 e 522), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo aos tributos abrangidos pelo Simples: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição para a Seguridade SocialINSS, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2003. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 467 a 473), a contribuinte cometeu as seguintes infrações: 2.1. omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados cuja origem não foi comprovada pela contribuinte regularmente intimada; Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.001839/200859 Acórdão n.º 1301001.967 S1C3T1 Fl. 1.018 3 2.2. insuficiência de recolhimento decorrente da mudança de faixa de alíquota do Simples incidente sobre a receita declarada em função do aumento da receita bruta acumulada devido ao cômputo da receita omitida, conforme demonstrativos de fls. 475 a 481. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: [...] 5. Irresignada com os lançamentos, em 26/06/2008, a autuada apresentou, representada por sócia administradora (fl. 536), a impugnação de fls. 531 a 536, instruída com os documentos de fls. 537 a 733, na qual alega, em síntese, o seguinte: 5.1. o arrolamento de bens efetuado fere os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório, do devido processo legal e do direito à propriedade, porque realizado antes do exaurimento da fase de defesa administrativa e, portanto, sem a presunção de legalidade e veracidade do crédito reclamado pelo Fisco, o que o torna ainda não constituído, conforme trecho transcrito de voto de ministro do Supremo Tribunal Federal; 5.2. três dos veículos arrolados não são mais de propriedade da impugnante, conforme cópias de documentos de fls. 543 e 544; 5.3. as inconsistências apuradas pela fiscalização eram totalmente desconhecidas por si, posto que simplesmente emitia as Notas Fiscais e pagava os impostos sem questionar conforme calculados pelo contador numa relação de confiança; 5.4. com a fiscalização tomou conhecimento de que houve erro na transcrição das notas fiscais no Livro Fiscal e conseqüente erro na memória de cálculo dos tributos recolhidos; 5.5. com a descoberta de tantos desacertos, contratou outro profissional da área que constatou que houve erro também na opção pelo Simples e na elaboração da Declaração Simplificada relativa ao anocalendário 2003, enquanto o correto seria lucro real ou lucro presumido; 5.6. a impugnante, que desconhecia totalmente estes erros e em demonstração de boafé, pretende pagar as diferenças devidas, não de acordo com o auto fundado em alíquotas do Simples, mas nas corretas alíquotas baseadas no lucro real ou presumido; 5.7. sua ignorância e boafé são amplamente comprovadas pelo fato de que em momento algum embaraçou a fiscalização, mas apresentou os livros fiscais e contábeis da empresa, o ato constitutivo e suas alterações e até documentos que não eram obrigatórios, como por exemplo, os extratos bancários; 5.8. além disto, há créditos e depósitos bancários que são decorrentes de transferências de outras contas bancárias da própria empresa que não deverão ser considerados como omissão de receita, nos termos do inciso I do § 3º do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996; 5.9. a tabela contida no item 1.3.1 do Termo de Verificação é frágil e eivada de erros, pois considera como receitas movimentações bancárias que não possuem este caráter, tais como resgate de capitalização, resgate de CDB, Saúde/Vida, empréstimos, além de transferências entre contas bancárias da própria impugnante; e Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.001839/200859 Acórdão n.º 1301001.967 S1C3T1 Fl. 1.019 4 5.10. diante do exposto requer a não aplicabilidade dos valores constantes no auto de infração, a exclusão da multa de ofício, a liberação dos bens constantes do Termo de Arrolamento e autorização para: mudar a opção de tributação para o lucro presumido ou real, recalcular os tributos de acordo com as apurações de entrada e saída, retificar a DIPJ com base nestas alterações e entregar DCTF. A 1ª Turma da DRJ em São Paulo I / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1629.619, de 16/02/2011 (fls. 860/874), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 LANÇAMENTO. JULGAMENTO. NORMAS APLICÁVEIS. IMPOSTO DE RENDA. As normas relativas ao imposto de renda devem ser aplicadas na determinação e exigência dos créditos tributários devidos em conformidade com o Simples. Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.001839/200859 Acórdão n.º 1301001.967 S1C3T1 Fl. 1.020 5 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, assim entendido como o pagamento antecipado realizado pelo contribuinte, o direito de proceder ao lançamento do crédito tributário extinguese após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. 75%. Em lançamento de ofício é devida multa de 75% no mínimo calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado. Esclareço, por relevante, que o provimento parcial se deveu ao reconhecimento da decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários para os períodos de apuração mensais de janeiro a abril de 2003. No mais, o lançamento foi mantido. Ciente da decisão de primeira instância em 10/05/2011, conforme Aviso de Recebimento à fl. 882, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 09/06/2011 conforme carimbo de recepção à folha 902. No recurso interposto (fls. 904/920), a interessada alega o seguinte: · Que a conduta constatada pelo Fisco (infração reiterada) deveria levar a sua exclusão do sistema simplificado de pagamentos dentro do próprio anocalendário de 2003. Em assim sendo, a exigência tributária correspondente a esse ano, da forma como feitos os lançamentos (na sistemática do Simples), não poderia subsistir. · Que teria comprovado a origem de parte dos valores depositados em suas contascorrentes. Nesse sentido, apresenta cinco tabelas, conforme a natureza dos depósitos, sustenta que os valores destacados não podem ser tidos como receitas e pede sua exclusão dos lançamentos. · Que teria havido equívoco na aplicação da alíquota. A autuação imporia a incidência do § 3° do artigo 23 da Lei do Simples que, em seus peculiares termos, define a aplicação da alíquota máxima prevista na alínea “e”, do inciso II, do artigo 5º, acrescida de 20%, sobre todos os valores excedentes, conforme a redação do dispositivo legal vigente à época dos fatos (2003). Por seu entendimento, a alíquota base de 7%, majorada, resultaria na alíquota de 8,4%, enquanto que o Fisco teria aplicado 10,32%. Por esse motivo, a recorrente pede a insubsistência do lançamento, neste tocante. O recurso foi levado a julgamento perante este Colegiado em 05/12/2013. Na oportunidade, foi prolatado o acórdão nº 1301001.374, mediante o qual, por voto de qualidade, foi negado provimento ao recurso. O aresto restou ementado como segue: Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.001839/200859 Acórdão n.º 1301001.967 S1C3T1 Fl. 1.021 6 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2004 Ementa: SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA EM UM ÚNICO ANO CALENDÁRIO. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA DA INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não se pode admitir que, em sede de defesa, o contribuinte possa argüir a prática de infração mais gravosa do que a imputada pela autoridade fiscal com o exclusivo intuito de tornar insubsistentes as exigências tributárias formalizadas. Ademais, o conceito de prática reiterada é contaminado de indeterminação, não sendo pacífico o entendimento de que ela resta caracterizada na circunstância em que a infração foi apurada relativamente a um único anocalendário. A ciência do acórdão ora embargado se deu em 09/02/2015 (segundafeira), conforme documento à fl. 978. Inconformada, a interessada interpôs embargos declaratórios (fls. 980/988) em 18/02/2015. Sustenta a embargante que o acórdão não se teria pronunciado sobre “relevantes argumentos apresentados [...] no seu Recurso Voluntário”, a saber: (i) a comprovação parcial, realizada pela ora Embargante, referente à origem dos depósitos objeto da presente autuação; e (ii) A equivocada aplicação da alíquota prevista no artigo 23, § 3º, da Lei do Simples. O processo foi, então, encaminhado a este Conselheiro, mediante o Despacho de fl. 1012, datado de 10/04/2015, para falar sobre os embargos, nos termos do § 2º do art. 65 do Anexo II do então vigente Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256/2009. Acolhendo manifestação deste Conselheiro (fls. 1013/1015), a Sra. Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF admitiu os embargos (fl. 1015) e determinou que fossem submetidos ao Colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator A ciência do acórdão ora embargado se deu em 09/02/2015 (segundafeira), conforme documento à fl. 978. Dado que os embargos foram apresentados em 18/02/2015, quartafeira (fl. 980), e que os dias 16 e 17/02/2015, segundafeira e terçafeira, foram pontos Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.001839/200859 Acórdão n.º 1301001.967 S1C3T1 Fl. 1.022 7 facultativos1, tenhoos por tempestivos, à luz do prazo de cinco dias estabelecido pelo § 1º do art. 65 do Anexo II do RICARF então vigente. Ademais, verifico que as omissões apontadas pela interessada de fato ocorreram, pelo que se impõe seu saneamento. Conheço, pois, dos embargos. Preliminarmente, deve ser esclarecido que o acórdão embargado analisou e, fundamentadamente, rejeitou a primeira das três matérias que constavam do recurso voluntário. Quanto a este ponto, inexiste qualquer omissão, nem a embargante tem essa pretensão. Trata se, pois, de matéria definitivamente julgada nesta instância administrativa, sobre a qual não haverá, neste voto, qualquer outra menção. Isto posto, passo a me manifestar sobre os pontos omissos na decisão embargada. · Alegação de comprovação parcial dos valores depositados nas contascorrentes da recorrente. A acusação trata de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002, a seguir transcrito: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). 1 Carnaval, vide Portaria GMF nº 15, de 03/02/2015, puiblicada na fl. 48 da seção 1 do Diário Oficial da União de 04/02/2015. Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.001839/200859 Acórdão n.º 1301001.967 S1C3T1 Fl. 1.023 8 §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Tratase, como é cediço, de presunção relativa, cabendo ao Fisco provar o fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, qual seja, a ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada. Ademais, devem ser respeitadas rigorosamente as exigências legais, em especial a análise individualizada dos créditos bancários. No caso vertente, não há qualquer reparo a fazer ao procedimento do Fisco. A então fiscalizada foi regularmente intimada a esclarecer a origem dos valores depositados/creditados em suas contas bancárias, sendo os depósitos/créditos relacionados individualizadamente, conforme determinação legal (planilha às fls. 540/580). Durante o procedimento de fiscalização, a interessada não se manifestou quanto à origem dos valores questionados pelo Fisco (Termo de Verificação Fiscal, item 1.3.1, fl. 582), pelo que foram lavrados os competentes autos de infração, consolidando a presunção legal de omissão de receitas. Em sua impugnação, a interessada registrou sua discordância sobre o total tido como receitas omitidas, afirmando (fls. 649/650) que haveria créditos decorrentes de transferência de outras contas de mesma titularidade, além de lançamentos de resgate de capitalização, resgate de CDB/Saúde/Vida, empréstimos, entre outros valores que não representariam receitas omitidas. No entanto, a decisão de primeira instância rejeitou os argumentos, com o seguinte fundamento (fl. 872): 34. Quanto as alegações da impugnante de que há créditos e depósitos bancários que são decorrentes de transferências de outras contas de sua titularidade, resgates de aplicações financeiras e empréstimos, cabe dizer que estas alegações são incapazes de invalidar os lançamentos porque, além de não terem sido apontados pela autuante quais são os créditos bancários cuja origem são transferências ou operações não tributáveis, a impugnação está desacompanhada de qualquer documento que comprove esta alegada origem não tributável dos depósitos bancários ou erros da fiscalização. Como já dito acima, no presente caso o ônus da prova sobre a origem dos depósitos é da contribuinte. A interessada insistiu e renovou os argumentos em sede de recurso voluntário, desta feita acompanhados de planilhas demonstrativas, nos quais individualiza os Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.001839/200859 Acórdão n.º 1301001.967 S1C3T1 Fl. 1.024 9 lançamentos bancários que pretende ver excluídos da exigência fiscal e especifica as razões que amparam sua pretensão. A presunção relativa de omissão de receitas comporta a inversão do ônus da prova. Vale dizer, provado o fato indiciário pelo Fisco (os depósitos bancários), cabe ao contribuinte provar que, em seu caso particular, as origens de cada um dos valores depositados são capazes de afastar a presunção. É certo que essa prova não foi produzida pela interessada durante o procedimento de fiscalização. Também é certo que a alegação na fase impugnatória não individualizou os valores. Mas é igualmente certo que, nesta fase processual, os valores se encontram individualizados em cinco diferentes planilhas, cabendo analisar as alegações da recorrente, o que se fará a seguir. Como critério adotado, o primeiro ponto a verificar é se os valores apontados pela recorrente de fato integraram o lançamento, mediante o cotejo da planilha apresentada pela recorrente com a planilha elaborada pelo Fisco às fls. 540/580). Em caso afirmativo, se fará a verificação sobre o motivo alegado pela recorrente para a exclusão. Esclareço que não há documentos que acompanhem as planilhas. Desta forma, a verificação do motivo será feita com base no histórico que consta do lançamento bancário. TABELA 1 – VALORES DE APLICAÇÃO AUTOMÁTICA (FLS. 927/933). Nos dizeres da recorrente (fl. 908): Razão da Exclusão: Valores resultantes da transferência automática de saldo bancário, para conta de investimento atrelada à conta corrente, com o propósito de movimentação e com baixo rendimento. No mesmo dia, a instituição financeira realizava débitos e créditos do mesmo valor, deixando inalterada a situação final. [...] Identificação: Os valores podem ser identificados nos extratos bancários do Banco Banespa com as seguintes descrições: EMPR LIQUIDO (débito) e EMPRESTCRED ou TRANSF SALDO (crédito). Ao cotejar a TABELA 1 com a planilha elaborada pelo Fisco (fls. 540/580), constato que os valores que constam da TABELA 1 como “entradas” (coluna da direita, para o Banespa, coluna da esquerda, para o BCN) de fato constam também entre aqueles incluídos pelo Fisco no lançamento. No entanto, ao verificar também os extratos bancários do Banespa (fls. 155/291), constato que as alegações da recorrente não encontram sustentação documental, no que toca a esse banco. A uma, porque o histórico do lançamento bancário é insuficiente, a meu ver, para comprovar que se trata de mera operação de transferência automática de/para conta de investimento. A duas, porque não se verifica a afirmação da recorrente, de que “no mesmo dia, a instituição financeira realizava débitos e créditos do mesmo valor”. Em alguns casos, há débitos e créditos de valores aproximados, mas não iguais (por exemplo, nos dias 06/01/2003, 13/01/2003 e 17/01/2003, entre outros). Em outros casos, os valores aproximados são debitados e creditados em dias diferentes (por exemplo, nos dias 05/03/2003 (D) e 07/03/2003 (C). Ainda, há créditos de expressivo valor, sem que se identifique qualquer débito Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.001839/200859 Acórdão n.º 1301001.967 S1C3T1 Fl. 1.025 10 correspondente em valor e data, ainda que aproximado (por exemplo, crédito de R$ 74.000,00 em 02/12/2003). A três, porque as transferências não seguem o que seria de se esperar para um mecanismo de transferências automáticas de/para conta de investimento, conforme alegado. O que se esperaria seria a aplicação automática de sobras de saldo, ao final de um dia, e o resgate automático para cobrir eventual insuficiência de saldo, em outro. Ao contrário, verifiquese o que sucede no dia 05/03/2003 (fl. 169): o saldo inicial do dia é de R$ 11.101,99 (devedor); entre as diversas movimentações, há um lançamento a débito de R$ 31.199,70 com o histórico mencionado pela recorrente, com o que o movimento diário se encerrou com o saldo de R$ 25.671,58 (devedor), ou seja, saldo devedor final maior do que o inicial. A alegada transferência automática para conta de investimento fez aumentar o saldo devedor, o que não faz qualquer sentido, no contexto da alegação da recorrente. A quatro, finalmente e principalmente, porque a prova cabal que poderia ser produzida em favor da recorrente seria a apresentação de um extrato bancário da alegada conta de investimento “atrelada à contacorrente”. Nesse extrato, que não encontro nos autos, seria possível constatar sem sombra de dúvidas a alegação da recorrente de que não se trataria de novos ingressos, passíveis de tributação como receitas omitidas. Lembro que, em se tratando de presunção legal, o ônus da prova resta invertido e caberia à interessada a apresentação do extrato para fazer prova em seu favor. Ademais, no caso vertente não se fez uso da requisição de informações sobre movimentação financeira (RMF), dirigida pelo Fisco diretamente às instituições bancárias, antes os extratos foram apresentados pela então fiscalizada, em atendimento a intimação específica. Em assim sendo, fica reforçado seu ônus de apresentar os extratos em sua completude. Diferente é a situação no que toca ao Banco BCN (extratos às fls. 372/393). A análise dos extratos bancários revela que, todas as vezes em que ocorreu um lançamento a crédito com o histórico “utiliz. cc garant” o saldo final do dia foi igual a zero, o que é absolutamente coerente com o mecanismo de uma conta garantida, para evitar saldos devedores. Diante disso, considero que devem ser afastadas as incidências tributárias sobre os valores que constam da coluna intitulada “entrada”, na planilha de fls. 931/933. Ao final, quanto a este item, voto por seu acolhimento parcial, tão somente para afastar as incidências tributárias sobre os valores que constam da coluna intitulada “entrada”, na planilha de fls. 931/933, referente ao Banco BCN. TABELA 2 – TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS (FLS. 934/936). Nos dizeres da recorrente (fl. 908): Razão da Exclusão: A segunda tabela destaca valores que foram movimentados entre diferentes contas bancárias de titularidade da Recorrente. [...] Identificação: Os valores podem ser identificados nos extratos bancários de origem, a partir das datas e números de DOCs,, sob as denominações de TED SEM COBRANÇA DE CPMF e TED T, ELE: DISP* DEST. AMADE COMERCIAL LTDA., bem como nas contas de destino, em entradas equivalentes; Ao cotejar a TABELA 2 com a planilha elaborada pelo Fisco (fls. 540/580), constato que os valores que constam da TABELA 2 de fato constam também entre aqueles incluídos pelo Fisco no lançamento. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.001839/200859 Acórdão n.º 1301001.967 S1C3T1 Fl. 1.026 11 Prosseguindo na análise, e verificando os extratos bancários por amostragem, constato que os créditos bancários questionados pelo Fisco efetivamente têm sua origem em débitos bancários em contascorrentes de mesma titularidade, tal qual alegado pela recorrente. A coincidência de datas e valores é perfeita. Em muitos casos, o próprio extrato bancário do Bradesco (origem) especifica o destinatário como a própria Amade. Em outros, a TED é feita sem a incidência da CPMF, o que denota também a mesma titularidade da movimentação. A alegação da recorrente deve ser acolhida, quanto a este ponto, para afastar a incidência tributária da totalidade dos valores relacionados na TABELA 2 (fls. 935/936). TABELA 3 – DEVOLUÇÕES DE CHEQUES (FLS. 937/942). Nos dizeres da recorrente (fl. 909): Razão da Exclusão: Cuidase de cheques depositados (crédito em conta), mas que se mostraram sem o necessário supedâneo financeiro (sem fundos), que foram estornados da conta bancária. [...] Identificação: Os valores podem ser identificados nos extratos, conforme a data indicada, sobre a alcunha de DEV CH DEPÔS; CH. DEV. RET. AG, DEVOLUÇÃO CHEQUE DEPOSITADO. [...] Aqui, a alegação é de que parte dos depósitos feitos nas contascorrentes do Banespa, Bradesco e Banco do Brasil teria sido posteriormente revertido, mediante lançamento a débito, pelos cheques emitidos por terceiros e depositados em contacorrente da interessada e que se revelaram sem fundos. Em assim sendo, por certo que não se acharão os valores de débitos em contascorrentes entre aqueles relacionados pelo Fisco, visto que ali somente se encontram créditos em contascorrentes. No entanto, os lançamentos a débito se encontram nos extratos bancários das respectivas instituições financeiras, o que se constata de seu exame. Em assim sendo, é correto que os valores correspondentes aos cheques devolvidos sejam excluídos do lançamento, posto que os cheques depositados foram integralmente adicionados à base de cálculo. A única exceção que faço é quanto aos três primeiros valores da planilha de fl. 938, que são datados de dezembro/2002. Não havendo lançamento tributário referente a esse período, não há que se cogitar de qualquer exclusão. Quanto aos demais valores da TABELA 3 (fls. 938/942), todos do anocalendário 2003, devem ser excluídos dos valores que serviram de base ao lançamento. TABELA 4 – EMPRÉSTIMOS (FLS. 943/944). Nos dizeres da recorrente (fl. 909): Razão da Exclusão: Tratase de empréstimos efetuados para assegurar fluxo de caixa e investimentos em geral. Como a tomada do empréstimo pressupõe a restituição do montante (ingresso precário do capital, sem ânimo definitivo), não podem esses valores ser considerados como receita. Identificação: Os valores podem ser identificados nos extratos, conforme a data indicada, sobre a alcunha de EMPRÉSTIMO CONTA GARANTIDA e CC GARANTIDA. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.001839/200859 Acórdão n.º 1301001.967 S1C3T1 Fl. 1.027 12 Ao cotejar a TABELA 4 com a planilha elaborada pelo Fisco (fls. 540/580), constato que os três valores que constam da TABELA 4 de fato constam também entre aqueles incluídos pelo Fisco no lançamento, muito embora o histórico seja ligeiramente diferente. O crédito de R$ 120.000,00, no dia 03/11/2003, apontado na conta do Banespa está no extrato bancário de fl. 272 com o histórico “c/c garantid”. Os créditos de R$ 100.000,00, em 03/11/2003, e de R$ 25.000,00 em 22/12/2003, apontados na conta do Banco do Brasil estão nos extratos bancários, respectivamente às fls. 340 e 357, com o histórico “cta grtda”. Não obstante, tenho que os históricos bancários são suficientes para assegurar que se trata de ingressos relacionados à conta garantida mantida junto às instituições financeiras, pelo que fica afastada a presunção legal de omissão de receitas, nesses três casos. A alegação da recorrente deve ser acolhida, quanto a este ponto, para afastar a incidência tributária da totalidade dos valores relacionados na TABELA 4 (fl. 944). TABELA 5 – OUTROS (FLS. 945/947). Nos dizeres da recorrente (fl. 910): Razão da Exclusão: As razões são de diversas ordens, conforme se detalha a seguir: 1. Equívocos bancários Valores que foram depositados nas contas da Recorrente, mas, posteriormente, por diversas razões (erro do banco / duplicidade) foram estornados. 2. Resgate de seguros Valores relativos ao resgate de seguros de saúde. 3. Títulos de Capitalização Valores relativos a recebimentos de títulos de capitalização. 4. Empréstimo de sócio Valor emprestado pelo sócio da Recorrente, Senhor Antônio Miguel Martins, conforme pode ser constatado no contrato social já anexado aos autos. 5. Aplicação em renda fixa Retorno de valores anteriormente aplicados. [...] Identificação: Nos extratos do Banco Bradesco e Banco do Brasil, sob os seguintes termos: TRANSF. AG DINH., AUTODEP. TRANSF., ESTORNO DE LANCTO, ESTORNO AUTODEP, EST. OP IRRBND*, OCORREU DEBITO VALOR CREDITADO A MAIOR, RESGATE BCN, SEGUROS, TIT CAPITALIZAÇÃO, EFETUADA C/C PESSOAL SÓCIO DA EMPRESA ANTONIO MIGUEL MARTINS, RESGATE DE APLICAÇÃO. Tabela 5.1. Equívocos Bancários. Ao cotejar a TABELA 5.1 com a planilha elaborada pelo Fisco (fls. 540/580), constato que os valores que constam da TABELA 5.1 de fato constam também entre aqueles incluídos pelo Fisco no lançamento, com exceção dos valores de R$ 1.210,00, em 11/08/2003, e R$ 154,54, em 26/12/2003. Para esses dois valores, portanto, o pedido deve ser prontamente rejeitado. Se não foram incluídos no lançamento, não cabe qualquer exclusão. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.001839/200859 Acórdão n.º 1301001.967 S1C3T1 Fl. 1.028 13 No que tange aos demais valores, o exame dos extratos bancários do Bradesco (fls. 60/154) revela que assiste razão à recorrente, restando comprovado o estorno (débito) de depósitos bancários (créditos) incluídos no lançamento, coincidentes em data e valor. Os valores a seguir relacionados devem ser excluídos das bases do lançamento. Data Valor (R$) 06/01/2003 1.450,00 25/02/2003 570,00 26/02/2003 1.400,00 26/02/2003 255,00 10/03/2003 75,00 13/03/2003 300,00 27/03/2003 109,00 28/03/2003 287,00 28/07/2003 100,00 No que tange aos extratos bancários do Banco do Brasil (fls. 293/359), seu exame não favorece as pretensões da recorrente. De fato, existe um crédito, incluído no lançamento, no valor de R$ 49.932,11, em 12/12/2003, com o histórico "cobrança". A recorrente alega que o débito, na mesma data, no valor de R$ 24.602,78, seria um estorno parcial do mencionado crédito. No entanto, o débito consta com mesmo histórico "cobrança", nada levando a crer que se trate de estorno, como afirma a recorrente. À mingua de prova mais robusta, o pedido deve ser rejeitado. Tabela 5.2 Resgate de seguros Ao cotejar a TABELA 5.2 com a planilha elaborada pelo Fisco (fls. 540/580), constato que os valores que constam da TABELA 5.2 de fato constam também entre aqueles incluídos pelo Fisco no lançamento. A recorrente alega que se trataria de resgate de seguros. No entanto, o simples histórico bancário "saude/vida" (fl. 134), desacompanhado de qualquer outro documento comprobatório, não faz prova da alegação da interessada. Seu pedido deve ser, pois, rejeitado. A interessada poderia ter juntado aos autos, por exemplo, a apólice do seguro alegadamente contratado, ou outro documento que comprovasse o resgate, coincidente em data e valor. Tabela 5.3. Títulos de Capitalização Ao cotejar a TABELA 5.3 com a planilha elaborada pelo Fisco (fls. 540/580), constato que os valores que constam da TABELA 5.3 de fato constam também entre aqueles incluídos pelo Fisco no lançamento. O exame dos extratos bancários do BCN (fl. 380) revela dois créditos em 16/05/2003 em idênticos valores de R$ 980,20, com o histórico "tit. capitalizacao resgate". Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.001839/200859 Acórdão n.º 1301001.967 S1C3T1 Fl. 1.029 14 Considero o histórico bancário suficiente para comprovar a alegação da recorrente, pelo que tais valores devem ser excluídos do lançamento. Tabela 5.4. Empréstimo de sócio Ao cotejar a TABELA 5.4 com a planilha elaborada pelo Fisco (fls. 540/580), constato que o valor que consta da TABELA 5.4 de fato consta também entre aqueles incluídos pelo Fisco no lançamento. O exame dos extratos bancários do BCN (fl. 380) revela crédito em 07/05/2003 no valor de R$ 131.300,00, com o histórico "transferencia 073193 cc 4/ 524194 antonio miguel mar". A recorrente alega que se trataria de empréstimo feito pelo sócio Antônio Miguel Martins, originado de sua contacorrente pessoal. O histórico bancário, de fato, traz princípio de prova nesse sentido, cabendo observar que o nome do responsável pela transferência está incompleto. Nessa linha, seria fácil para a recorrente complementar essa prova, trazendo aos autos cópia do extrato bancário da contacorrente pessoal de seu sócio, na qual se pudesse comprovar, sem sombra de dúvida, a coincidência de datas e valores entre a saída da conta do sócio e o ingresso na conta da pessoa jurídica. Entretanto, tal documento não se encontra nos autos. Conforme ressaltado anteriormente neste voto, em se tratando de presunção legal de omissão de receitas, o ônus da prova é invertido, cabendo ao sujeito passivo provar a origem dos recursos creditados em sua conta bancária. E tal prova deve ser completa, de modo a afastar qualquer dúvida sobre a natureza do valor questionado. Neste caso, tenho que a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório, pelo que seu pedido deve ser rejeitado. Tabela 5.5. Aplicação em renda fixa Ao cotejar a TABELA 5.5 com a planilha elaborada pelo Fisco (fls. 540/580), constato que o valor que consta da TABELA 5.5 (R$ 51.478,80, em 03/11/2003) de fato consta também entre aqueles incluídos pelo Fisco no lançamento. O exame dos extratos bancários do BCN (fls. 388 e 392) revela aplicação em renda fixa em 22/08/2003 no valor de R$ 50.000,00 (a débito da contacorrente) e crédito, em 03/11/2003, no valor de R$ 51.478,80, com o histórico "rec. op. renda fixa". Considero o histórico bancário suficiente para comprovar a alegação da recorrente, pelo que o valor de R$ 51.478,80, em 03/11/2003, deve ser excluído do lançamento. · Alegação de equívoco na aplicação da alíquota, em face do § 3º do art. 23 da Lei nº 9.517/1996. Sustenta a recorrente que teria havido equívoco na aplicação da alíquota. A autuação imporia a incidência do §3° do artigo 23 da Lei do Simples que, em seus peculiares termos, define a aplicação da alíquota máxima prevista na alínea “e”, do inciso II, do artigo 5º, acrescida de 20%, sobre todos os valores excedentes, conforme a redação do dispositivo legal vigente à época dos fatos (2003). Por seu entendimento, a alíquota base de 7%, majorada, resultaria na alíquota de 8,4%, enquanto que o Fisco teria aplicado 10,32%. Por esse motivo, a recorrente pede a insubsistência do lançamento, neste tocante. Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.001839/200859 Acórdão n.º 1301001.967 S1C3T1 Fl. 1.030 15 No que tange a essas considerações, cabe observar que a recorrente traz, em sede de recurso, contestação em relação a matéria que não foi objeto de impugnação. Com efeito, por ocasião da apresentação da referida peça (impugnação) a recorrente, em nenhum momento, aduziu quaisquer argumentos sobre o ponto acima mencionado. Assim, a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada, tornandose preclusa. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. Nessa linha de raciocínio, não conheço dos argumentos sobre essa matéria, em face da preclusão. · Conclusão. Por todo o exposto, voto por acolher os embargos para sanar as omissões verificadas no acórdão nº 1301001.374 (fls. 956/966), de 05/12/2013. Com isso, a decisão deve ser rerratificada, para não conhecer dos argumentos atinentes à matéria preclusa e, no mais, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir das bases do lançamento os valores especificados ao longo do voto e a seguir sintetizados. TABELA 1. Devem ser afastadas as incidências tributárias sobre os valores que constam da coluna intitulada “entrada”, na planilha de fls. 931/933, referente ao Banco BCN. TABELA 2. Deve ser afastada a incidência tributária da totalidade dos valores relacionados na TABELA 2 (fls. 935/936). TABELA 3. Deve ser afastada a incidência tributária dos valores da TABELA 3 (fls. 938/942), referentes ao anocalendário 2003. Deve ser mantida a incidência tributária dos três primeiros valores da valores da TABELA 3 (fl. 938), que são datados de dezembro/2002. TABELA 4. Deve ser afastada a incidência tributária da totalidade dos valores relacionados na TABELA 4 (fl. 944). TABELA 5. Deve ser afastada a incidência tributária dos valores a seguir relacionados: Data Valor (R$) 06/01/2003 1.450,00 25/02/2003 570,00 26/02/2003 1.400,00 26/02/2003 255,00 10/03/2003 75,00 13/03/2003 300,00 Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.001839/200859 Acórdão n.º 1301001.967 S1C3T1 Fl. 1.031 16 Data Valor (R$) 27/03/2003 109,00 28/03/2003 287,00 28/07/2003 100,00 16/05/2003 980,20 16/05/2003 980,20 03/11/2003 51.478,80 (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 19647.007554/2006-64
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
Ementa:
A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não-cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal, RESP nº 1035847 - RS.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
TAXA SELIC - É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar na concessão de um plus, sem expressa previsão legal. O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto.
Numero da decisão: 9303-003.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Marínez López, que davam provimento. Os Conselheiros Valcir Gassen e Charles Mayer de Castro Souza votaram pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto) - Presidente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza (substituto convocado), Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 Ementa: A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não-cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal, RESP nº 1035847 - RS. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. TAXA SELIC - É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar na concessão de um plus, sem expressa previsão legal. O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto.
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As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. TAXA SELIC É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar na concessão de um “plus”, sem expressa previsão legal. O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Marínez López, que davam provimento. Os Conselheiros Valcir Gassen e Charles Mayer de Castro Souza votaram pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto) Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 75 54 /2 00 6- 64 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 04/04/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Tatiana Midori Migiyama Relatora Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza (substituto convocado), Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 29300.086, da 3ª Turma Especial do 2º Conselho de Contribuintes, que, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, para indeferir a atualização monetária ao valor do ressarcimento. Em vista da decisão, foi consignado, então, no acórdão recorrido a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. Ao valor do ressarcimento de IPI, inconfundível que é com restituição ou compensação, não se abonam juros calculados pela taxa Selic. Recurso negado.” Para melhor compreensão dos pontos apreciados naquele julgamento, importante trazer breve histórico do ocorrido: · O sujeito passivo pugnou através dos presentes autos a inclusão sobre o seu crédito de IPI a correção monetária pela taxa Selic; · Não obstante, a 3ª Turma Especial do 2º Conselho de Contribuintes entendeu que somente podese creditar da taxa Selic sobre o crédito do IPI com a existência de previsão legal específica para tal. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 04/04/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19647.007554/200664 Acórdão n.º 9303003.537 CSRFT3 Fl. 565 3 Irresignado, após apreciação da matéria pela 3ª Turma Especial do 2º Conselho de Contribuintes, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial requerendo a reforma da decisão recorrida. O apelo do sujeito passivo foi admitido integralmente, nos termos do Despacho de fl. 181 apreciado pelo Presidente da Quarta Câmara em exercício à época. O Despacho traz, entre outros, que foi comprovada a divergência jurisprudencial. Ademais, considerando o despacho de admissão do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões de fls. 184/189 a esse recurso, requerendo que seja negado provimento ao recurso do sujeito passivo, mantendose incólume o acórdão nº 29300.078 recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama. O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade – o que concordo com a análise feita pelo Presidente da Quarta Câmara em exercício à época. Passo, então, a discorrer sobre a controvérsia – qual seja, se seria ou não aplicável a taxa de juros Selic sobre o crédito do IPI relativo ao 1º trimestre de 2003 – objeto de Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER. Importante trazer que já havia sido proferido Despacho Decisório – fl. 86 – reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 202,35. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 04/04/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Em atenção ao tema, entendo que, a partir de janeiro de 1996, os créditos de tributos federais deverão ser corrigidos pela Taxa Selic, a partir do fato gerador. Tal previsão consta do § 4º do art. 39 da Lei 9.250/95, que estabelece: “Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subsequentes. § 1º (VETADO) § 2° (VETADO) § 3° (VETADO) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Vide Lei nº 9.532, de 1997)” Ora, vêse que a Administração Pública tem como interesse a adoção da referida taxa para cobrar um valor através da aplicação de um percentual,d e um número real e concreto sendo referencial para as demais taxas de juros aplicáveis na economia brasileira. Tal índice possui aplicação cumulada, seja como correção monetária, seja como juros, visando a penalização do pagamento em mora, ou aplicado com conotação indenizatória, tendo em vista possíveis danos patrimoniais. Frisese que a jurisprudência da E. 3ª Turma da CSRF do CARF, aplicando, inclusive, o art. 62 do RICARF, pacífica quanto a supramencionada Fl. 208DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 04/04/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19647.007554/200664 Acórdão n.º 9303003.537 CSRFT3 Fl. 566 5 incidência da Selic para restituição/compensação do montante de tributo pago indevidamente, em face de mora imputável à administração pública, senão vejamos: "Acórdão 9303002.392 Ementa: IPI. CRÉDITO ACUMULADO. LEI Nº 9.779/1999. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA 62A RICARF. De ser admitida a incidência da taxa Selic a partir da protocolização do pedido de ressarcimento em razão de restar caracterizada a oposição do fisco plasmada no período compreendido entre a protocolização do pedido de ressarcimento – 25.05.2001 – e a homologação – 01.11.2005. " E, salientase ainda que a incidência dessa taxa é critério utilizado pelo Fisco para correção dos débitos cobrados do contribuinte em mora, estando assim, por analogia, demonstrado o direito de o mesmo ao proceder a compensação do montante pago indevidamente, embasado, principalmente, no princípio da isonomia. Eis que o mínimo esperado é que o indébito, quando devolvido ou compensado, seja acrescido também de taxa devidamente aplicável para correção do prejuízo sofrido. Portanto, cabe a incidência da taxa Selic para correção do quantum referente ao crédito que tem direito a recorrente. Tal como ocorre, no caso presente, o que entendo que os créditos da recorrente devem, sim, ser corrigidos pela Selic. Caso contrário, representaria enriquecimento ilícito do fisco. Suporta ainda tal entendimento o julgado do processo 16366.00022 8/200937, pela 2ª Turma Especial da 3a Seção de Julgamento do CARF ao proferir em 25/10/2012 o acordão 3802001.418, assim ementado (grifos e destaqu es meus): Fl. 209DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 04/04/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM SERVIÇOS DE CORRETAGEM NECESSÁRIOS À C OMPRA DE MATÉRIA PRIMA. INSUMO APLICADO NA PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À VENDA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep, por serem considerados insumos, os gastos com serviços de corretagem de compras de matériaprima, utilizada destinados à venda, integram a base de cálculo do crédito da referida Contribuição, nos termos do art. 3º, § 1º, I, da Lei nº 10.637, de 2002. CRÉDITO ESCRITURAL BÁSICO. SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO PELA A TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. O art. 13 da Lei nº 10.833/2003, que veda a atualização monetária e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora decorre de impedimento ou de óbice da Administração Fazendária. Recurso provido em Parte.” Em vista do exposto, admito o recurso especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. Tatiana Midori Migiyama Relatora Voto Vencedor Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator designado. O assunto a ser tratado nestes autos cingese a possibilidade de aplicação dos juros Selic em créditos escriturais do IPI. Preliminarmente, cabe ressaltar que neste processo o recorrente protesta contra o indeferimento da incidência da taxa Selic no valor do ressarcimento deferido pelo Fisco. Faço essa ressalva para afastar a aplicação do entendimento do STJ que reconheceu o direito à correção dos créditos do IPI, no acórdão proferido no Recurso Especial nº 993.164MG, de 13/12/2010, por entender não ter ocorrido oposição ilegal ao direito do sujeito passivo. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 04/04/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19647.007554/200664 Acórdão n.º 9303003.537 CSRFT3 Fl. 567 7 Contudo, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aplico a regra contida no acórdão proferido no Recurso Especial nº 1035847 RS, da relatoria do Ministro Luiz Fux, que afasta a correção monetária sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal, segue a ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃOMONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em Fl. 211DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 04/04/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 26.03.2008, Dje 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Como o acórdão foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, sua observância é obrigatória por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Porém, caso entendam que a situação não se subsume ao caso julgado pelo STJ, mantenho minha posição de negar a aplicação da taxa Selic no valor do crédito escritural pelos fundamentos que se seguem. A pacificação deste conflito de perspectiva passa necessariamente pela distinção entre os institutos do ressarcimento da restituição. A restituição é a repetição de um indébito. Decorre de pagamento indevido ou a maior que o devido. Já o ressarcimento não está vinculado a qualquer pagamento indevido, mas decorre de concessão legal. Sobretudo, não se pode olvidar que o direito subjetivo ao ressarcimento somente é constituído com o advento do despacho da autoridade competente, em oposição ao que ocorre com a repetição do indébito, em que o direito de repetir já nasce imediatamente com o pagamento indevido ou a maior, independentemente de qualquer ato da autoridade administrativa. Nesta linha, fica evidente existir duas figuras que não se confundem: a) restituição por pagamento indevido ou a maior do que o devido (repetição de indébito); e b) ressarcimento, previsto em lei concessiva. É certo que restituição e ressarcimento compartilham alguns aspectos, como o de ser ambos passíveis de satisfação em dinheiro ou mediante compensação, mas de nenhum modo ressarcimento é espécie do gênero restituição. Noutro giro, não há que se falar em desvalorização do valor a ser ressarcido, mesmo porque o ambiente de ampla correção monetária que vigia no passado foi abolido pelo Legislador. Com efeito, o Legislador aboliu e repudiou o sistema geral de indexação da economia através da aprovação das normas legais que consolidaram o Plano Real, inexistindo atualmente previsão de atualização monetária tanto para caso de ressarcimento como para caso de restituição. Nesse contexto, inadmissível pensar na aplicação da Taxa Selic como um meio de reposição do valor real da moeda. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 04/04/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19647.007554/200664 Acórdão n.º 9303003.537 CSRFT3 Fl. 568 9 A Taxa Selic é, isto sim, a expressão numérica dos juros. Não se trata de atualização monetária. Juros, por sua vez, é um acréscimo ao principal, é um plus que inclusive se caracteriza como renda para aquele que o aufere. Ora, o Estado não pode pagar rendimentos – na forma de Taxa Selic, vale dizer, de juros – sem previsão legal, mormente quando o que seria o valor principal (ressarcimento) é, ele próprio, dependente de lei concessiva. A previsão legal para a incidência de juros Selic, por sua vez, somente se refere aos casos de restituição. Ao mencionar a compensação (art. 39, § 4º), é claro que o dispositivo referese aos valores que poderiam ser restituídos, não permitindo interpretação extensiva. O texto da Lei no 9.250, de 1995, é claro, não havendo como aplicar por analogia aquele dispositivo ao caso do ressarcimento. Neste sentido devese dizer que o art. 39, § 4º, da Lei no 9.250/95, inclusive não estabeleceu a atualização de valores restituídos ao contribuinte com base na Taxa Selic. Isto porque, simplesmente, tal taxa expressa juros, não correção ou atualização monetária. O que foi previsto para casos de restituição foi a aplicação de juros, calculados com base na Taxa Selic. Depois, o dispositivo trata de restituição, nada falando de ressarcimento. Por fim, a data prevista para o início da incidência dos juros é a do pagamento indevido ou a maior do que o devido, data essa que somente pode ser identificada se se tratar de pedido de restituição. A incidência dos juros Selic a partir da data de protocolo do processo de pedido de ressarcimento é critério que não consta da legislação, o que reforça a tese de que os juros não podem incidir, nesse caso. Forte nestes argumentos, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em Gilson Macedo Rosenburg Filho. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 04/04/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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