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Numero do processo: 13971.005448/2010-64
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS.
Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais - que não dispõem de função legislativa - não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem
A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS
Numero da decisão: 9303-003.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, que votou pelas conclusões da Relatora, e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Fez sustentação oral a Dra. Maria Concília de Aragão Bastos, Procuradora da Fazenda Nacional. Esteve presente ao julgamento o Dr. Arno Schmidt Júnior, OAB/SC nº 6.878, advogado do sujeito passivo.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, que votou pelas conclusões da Relatora, e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Fez sustentação oral a Dra. Maria Concília de Aragão Bastos, Procuradora da Fazenda Nacional. Esteve presente ao julgamento o Dr. Arno Schmidt Júnior, OAB/SC nº 6.878, advogado do sujeito passivo. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 54 48 /2 01 0- 64 Fl. 435DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.005448/201064 Acórdão n.º 9303003.549 CSRFT3 Fl. 419 2 Vanessa Marini Cecconello Relatora Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto por BUNGE ALIMENTOS S/A com fulcro no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo que busca a reforma do Acórdão nº 3301001.677 (fls. 311 a 317) proferido pela 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, da Terceira Seção de julgamento, em 28/11/2012, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, por voto de qualidade, tendo sido assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. A base de cálculo da contribuição para o PIS com incidência não cumulativa é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. SUBVENÇÃO. As receitas de subvenções integram a base de cálculo da contribuição para o PIS com incidência não cumulativa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. A base de cálculo da Cofins com incidência não cumulativa é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela Fl. 436DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.005448/201064 Acórdão n.º 9303003.549 CSRFT3 Fl. 420 3 pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. SUBVENÇÃO. As receitas de subvenções integram a base de cálculo da Cofins com incidência não cumulativa. Recurso Voluntário Negado. [...] A fim de se contextualizar a questão posta nos autos, adotase em parte o relatório do voto proferido no recurso voluntário, que bem descreve os fatos ocorridos nos seguintes termos: Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Florianópolis que julgou improcedente a impugnação interposta contra os lançamentos das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), ambas com incidência não cumulativa, referentes aos fatos geradores ocorridos nos períodos de competência de janeiro a dezembro de 2006. Os lançamentos decorreram de diferenças entre os valores declarados/pagos e os efetivamente devidos, pelo fato de a recorrente não ter incluído nas bases de cálculo daquelas contribuições as receitas decorrentes de subvenções recebidas do Governo Estadual, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de cada um dos Autos de Infração e do Termo de Verificação da Infração às fls. 148/157. Inconformada com a exigência dos créditos tributários, a recorrente apresentou impugnação (fls. 164//194), alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “... que a exigência fiscal padece de flagrante inconstitucionalidade, afrontando os ditames expressos no art. 195, I, “b” da CF/88, bem como violando o mandamento do art. 110 do CTN, ao desvirtuar o conceito técnico de faturamento para fins de alargamento da base de cálculo das citadas contribuições. Na seqüência, trata de discorrer sobre os valores lançados em Reserva de Capital – Reserva de Subvenção para Investimento, no sentido de demonstrar que os valores lançados na Conta Reserva de Investimentos transitaram em contas de receitas (faturamento) e compuseram a base de cálculo do PIS e da Cofins. Para tanto, traz um pequeno demonstrativo, segundo ela, seguindo os passos dos lançamentos contábeis até o registro da Reserva de Investimentos. Alega que o incentivo, que consiste em reduzir o ICMS a PAGAR, cujo valor é registrado na Conta Reserva de Capital, não representa faturamento, mas uma renúncia fiscal por parte Fl. 437DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.005448/201064 Acórdão n.º 9303003.549 CSRFT3 Fl. 421 4 do Estado, e que se a empresa adotasse outro procedimento contábil, os valores lançados em Reserva de Capital seriam lançados como redutores da conta de despesa de ICMS e não conta de Vendas (faturamento). A seguir, passa a alegar que os dispositivos legais constantes do artigo 1º das Leis nº. 10.833/2003 e 10.637/2002, não pressupõem o conceito de que Reserva para Subvenção seja considerado como faturamento ou receita bruta, ou ainda, que sirvam de base de cálculo para apuração. Segundo a contribuinte, as exclusões previstas no §3º. das respectivas leis antes citadas dizem respeito a valores que caracterizam faturamento, no conceito das leis, e por opção do legislador, foram excluídas do lançamento; e que os AFRB, ao enquadrarem estas subvenções como passíveis de incidência do PIS e da Cofins sob o argumento de que as mesmas não estão previstas como exclusão, afrontaram flagrantemente o princípio da estrita legalidade tributária. Discute ainda que a definição da base a ser tributada foi inicialmente determinada pela Constituição Federal, no art. 195, I “b”, na redação da EC 20/98, a qual autoriza a instituição de contribuições sociais sobre a receita ou faturamento, sendo que as contribuições ora exigidas não se tratariam de valores reconhecidos como receita ou faturamento. Afirma que receita é gênero e que faturamento é uma espécie de receita, sendo que as Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03, quando definiram o faturamento como fato gerador como uma das espécies de receita, decorrente de venda de mercadorias e prestação de serviços, delimitando o significado da receita bruta. Sustenta que os valores a título de reserva de subvenção para investimento não podem sequer ser considerados como receita de natureza diversa, capaz de suscitar discussões acerca da inconstitucionalidade da exigência fiscal, nos termos das Leis nº. 10.637/2002 e nº 10.833/2003; que o Parecer Normativo citado pelo fisco não fornece um conceito de faturamento como os incentivos recebidos pelos estados. Cita o art. 182, § 1º, letra “d”, da Lei nº. 6.404/76, a qual classifica como reserva de capital, entre outros ingressos, as doações e as subvenções para investimentos, argumentando que esta norma confirma que as subvenções para investimentos não integram a receita porque não interferem diretamente com a apuração do lucro líquido da pessoa jurídica, do qual a receita é parte integrante; se destinam ao fornecimento de fundos para financiar acréscimos ao Ativo Permanente, enquanto que as subvenções para custeio de operações afetam diretamente o lucro líquido. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.005448/201064 Acórdão n.º 9303003.549 CSRFT3 Fl. 422 5 Por fim, alega que o entendimento da própria Receita Federal, conforme acórdão cuja ementa transcreve nos autos aponta que somente nos casos em que não houver exigência ou vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão econômica, é que caberia a tributação pelas contribuições, o que não se aplicaria ao da contribuinte.” Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme acórdão nº 0725.717, datado de 26 de agosto de 2011, às fls. 250/256 [...]. Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 271/305), requerendo a sua reforma a fim de que se cancele os lançamentos do PIS e da Cofins, com incidência não cumulativa, alegando, em síntese, as mesmas razões de mérito expendidas na impugnação, ou seja, que as subvenções recebidas do Governo Estadual não constituem receitas e, portanto, não integram as bases de cálculo dessas contribuições. [...] Da análise do recurso voluntário, resultou o acórdão ora recorrido (fls. 311 a 317) negando provimento ao recurso interposto pela Contribuinte entendendo serem as receitas de subvenções integrantes da base de cálculo do PIS e da COFINS com incidência nãocumultaiva. Não resignada com a decisão, a Contribuinte interpôs recurso especial (fls. 336 a 370) apontando divergência quanto à tributação para o PIS e a COFINS nãocumulativos das subvenções representadas pelo incentivo estadual de redução do ICMS a pagar. Indicou como paradigma o acórdão nº 3401001.976, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento. A Recorrente postula seja provido o recurso argumentando, em síntese, que: (i) o incentivo fiscal que lhe é concedido pelo Estado, consistente na redução do ICMS a pagar e registrado na Conta de Reserva de Capital, não representa receita componente do faturamento, mas sim renúncia fiscal do Governo Estadual; (ii) incorreu a Fiscalização em flagrante afronta ao princípio da estrita legalidade tributária e ao art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN) ao enquadrar as subvenções como passíveis de incidência do PIS e da COFINS, ao argumento de não estarem previstas como exclusão no §3º dos artigos 1º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03; (iii) o art. 182, § 1º, letra “d”, da Lei nº. 6.404/76, classifica como reserva de capital, entre outros ingressos, as doações e as subvenções para investimentos, confirmando que as subvenções para investimentos não integram a receita por não interferirem diretamente na apuração do lucro líquido da pessoa jurídica, do qual a receita é parte integrante; se destinam ao fornecimento de fundos para financiar acréscimos ao Ativo Permanente, enquanto que as subvenções para custeio de operações afetam diretamente o lucro líquido; (iv) subvenção é uma renúncia fiscal, concedida no intuito de incentivar o desenvolvimento de determinados setores da economia, não se constituindo Fl. 439DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.005448/201064 Acórdão n.º 9303003.549 CSRFT3 Fl. 423 6 em receita ou faturamento da empresa, nos termos definidos pelo art. 12, §3º da Lei nº 4.320/64. O recurso foi admitido em sua íntegra, conforme Despacho de Admissibilidade nº 330000263 proferido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF em 27/10/2014 (fls. 394 a 397). A Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, contrarrazões ao recurso especial (fls. 401 a 415) postulando a negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado em 11/12/2015, com numeração eletrônica até a folha 417 (quatrocentos e dezessete), estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello O recurso especial da Contribuinte preenche os requisitos de admissibilidade do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, uma vez tempestivo e devidamente comprovada a divergência jurisprudencial suscitada com relação à tributação para o PIS e a COFINS nãocumulativos das subvenções, representadas pelo incentivo estadual de redução do ICMS a pagar. No mérito, cingese a controvérsia à inclusão ou não das receitas de subvenção (benefícios fiscais de créditos de ICMS) na base de cálculo do PIS e da COFINS apurados pela sistemática da nãocumulatividade. Ponto crucial na análise do presente tema é perquirirse se o valor que se pretende tributar pode ser conceituado como receita, pois esse o critério que definirá a incidência das contribuições para o PIS e a COFINS, nos termos do que dispôs o legislador nos artigos 1º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Assim, mais importante que a classificação contábil do incentivo em tela, é a definição de sua natureza jurídica, pois dela dependerá o seu regime jurídico de tributação. Deixou claro o legislador que a essência assume maior relevância que a forma, indicando que a tributação não dependerá de o valor estar registrado como receita, mas sim que o mesmo seja efetivamente uma receita. Visando à melhor compreensão da natureza dos valores objeto do litígio, importa tecer algumas considerações sobre as características singulares dos benefícios fiscais concedidos pelos Governos Estaduais na forma de subvenções de ICMS. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.005448/201064 Acórdão n.º 9303003.549 CSRFT3 Fl. 424 7 Tendo em vista estarse no presente diante de benesses concedidas por mais de um Estado da Federação, adotarseá, a título exemplificativo, o Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia DESENVOLVE instituído por meio da Lei Estadual nº 7.980/2001. Os artigos 1º e 3º do referido diploma legal tratam da concessão do benefício, sendo que as condições para a obtenção e fruição do mesmo estão estabelecidas nos artigos 8º e 9º: Art. 1º Fica instituído o Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia DESENVOLVE, com o objetivo de fomentar e diversificar a matriz industrial e agroindustrial, com formação de adensamentos industriais nas regiões econômicas e integração das cadeias produtivas essenciais ao desenvolvimento econômico e social e à geração de emprego e renda no Estado. Art. 2º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder, em função do potencial de contribuição do projeto para o desenvolvimento econômico e social do Estado, os seguintes incentivos: Ver tópico I dilação do prazo de pagamento, de até 90% (noventa por cento) do saldo devedor mensal do ICMS normal, limitada a 72 (setenta e dois) meses; Ver tópico II diferimento do lançamento e pagamento do Imposto sobre Operações Relativas a Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) devido. Ver tópico Parágrafo único Para efeito de cálculo do valor a ser incentivado com a dilação do prazo de pagamento, deverá ser excluída a parcela do imposto resultante da adição de dois pontos percentuais às alíquotas do ICMS, prevista no art. 16A da Lei nº 7.014/96 para constituir o Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza. Art. 3º Os incentivos a que se refere o artigo anterior têm por finalidade estimular a instalação de novas indústrias e a expansão, a reativação ou a modernização de empreendimentos industriais já instalados, com geração de novos produtos ou processos, aperfeiçoamento das características tecnológicas e redução de custos de produtos ou processos já existentes. § 1º Para os efeitos deste Programa, considerase: I nova indústria, a que não resulte de transferência de ativos de outro estabelecimento da mesma empresa ou de terceiros, oriundos da Região Nordeste; II expansão industrial, o aumento resultante de investimentos permanentes de, no mínimo, 35% (trinta e cinco por cento) na produção física em relação à produção obtida nos 12 meses anteriores ao pedido; III reativação, a retomada de produção de estabelecimento industrial cujas atividades estejam paralisadas há mais de 12 meses; IV modernização, a incorporação de novos métodos e processos de produção ou inovação tecnológica dos quais resultem aumento significativo Fl. 441DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.005448/201064 Acórdão n.º 9303003.549 CSRFT3 Fl. 425 8 da competitividade do produto final e melhoria da relação insumo/produto ou menor impacto ambiental. § 2º Considerase, também, expansão, o aumento da transformação industrial que objetive ganhos de escala ou de competitividade, ou a conquista de novos mercados ou que implique em aumento real no valor da produção total do empreendimento. [...] Art. 8º O Regulamento estabelecerá, observadas as diretrizes do Plano Plurianual, critérios e condições para enquadramento no Programa e fruição de seus benefícios, com base em ponderação dos seguintes indicadores: I geração de empregos; II desconcentração espacial dos adensamentos industriais; III integração de cadeias produtivas e de comercialização; IV vocação regional e subregional; V desenvolvimento tecnológico; VI responsabilidade social; VII impacto ambiental. Art. 9º Implicará cancelamento da autorização para uso dos incentivos do Programa: I a ocorrência de infração que se caracterize como crime contra a ordem tributária. Ver tópico II inobservância de qualquer das exigências para a habilitação do estabelecimento ao Programa, durante o período de sua fruição. Parágrafo único O cancelamento da autorização, nos termos deste artigo implicará no vencimento integral e imediato de todas as parcelas vincendas do imposto incentivado pelo Programa, com os acréscimos legais; [...] Na leitura dos dispositivos inferese que os créditos de ICMS, para serem concedidos, exigem uma contraprestação por parte da Contribuinte, que deve cumprir as determinações contidas na legislação estadual para a obtenção e fruição do benefício. Ainda, não se tratam de simples obrigações acessórias, mas sim implicam verdadeiros desembolsos realizados pelo Sujeito Passivo no aprimoramento do desenvolvimento de sua atividade econômica que tragam resultados efetivos para o Governo do Estado (geração de empregos, desconcentração especial dos adensamentos industriais, integração das cadeias produtivas e de comercialização, etc). Fl. 442DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.005448/201064 Acórdão n.º 9303003.549 CSRFT3 Fl. 426 9 Assim, os benefícios de ICMS concedidos podem ser conceituados como ingressos condicionados, restando inequivocamente afastados da definição de receita. A afirmação encontra lastro no entendimento do Supremo Tribunal Federal consignado em julgamento proferido nos autos do Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que tratou da incidência de PIS e COFINS sobre a transferência de saldos credores de ICMS, no sentido de que o conceito constitucional de receita bruta implica em um "ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições". Em razão do entendimento externado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, esvaziase a discussão sobre a correta classificação contábil do referido crédito de ICMS (subvenção para custeio, para investimento, recuperação de custo ou de despesa). Ao trazer o conceito constitucional de receita bruta, definiu a Suprema Corte como cerne verificar se a existência de condicionantes ou contraprestação para o ingresso patrimonial da pessoa que o recebe. Importa a transcrição da ementa do julgado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade Fl. 443DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.005448/201064 Acórdão n.º 9303003.549 CSRFT3 Fl. 427 10 elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe231 DIVULG 22112013 PUBLIC 25112013) (grifouse) No caso em análise, portanto, os créditos de ICMS concedidos pelos Governos Estaduais não constituem receita bruta em virtude de não serem concedidos sem reservas ou condições e por não se constituírem em elemento novo e positivo. Assim, inequivocamente afastada hipótese de incidência das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa. Confirmando a não inclusão dos créditos presumidos de ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativo, o Superior Tribunal de Justiça manifestouse no sentido de que o crédito presumido deve ser sempre entendido como redutor de custos e não como efetivo ingressos de receitas. Ilustram precedentes da Primeira e da Segunda Turmas da Primeira Seção daquela Corte: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. PRECEDENTES. 1. As Turmas da Primeira Seção desta Corte firmaram entendimento no sentido de que os valores provenientes do crédito do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas de recuperação de Fl. 444DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.005448/201064 Acórdão n.º 9303003.549 CSRFT3 Fl. 428 11 custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das operações, de forma que não integram a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Precedentes: AgRg no REsp 1.363.902/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe 19/08/2014 e AgRg no AREsp 509.246/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 10/10/2014. 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp 596.212/PR, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2014, DJe 19/12/2014) (grifouse) TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. 1. A controvérsia dos autos diz respeito à inexigibilidade do PIS e da COFINS sobre o crédito presumido do ICMS decorrente do Decreto n. 2.810/01. 2. O crédito presumido do ICMS consubstanciase em parcelas relativas à redução de custos, e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial como, verbi gratia, venda de mercadorias ou de serviços. 3. "Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditos presumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS." (REsp 1.025.833/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 6.11.2008, DJe 17.11.2008.) Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1229134/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/04/2011, DJe 03/05/2011) (grifou se) Ainda que se entenda importar ao deslinde do feito adentrarse na classificação contábil dos créditos presumidos de ICMS, é possível atribuir aos mesmos natureza jurídica de subvenção financeira ou de investimento, uma vez que se trata de auxílio ou doação que só pode ser concretizada se atendidos os requisitos estabelecidos na respectiva legislação de regência. Nesse sentido, pronunciouse o Ilustre Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis ao proferir Voto Vencedor no acórdão nº 3401001976, de 26/09/2012, que também consignou entender de menor relevância a classificação contábil, em face da predominância natureza jurídica do incentivo. Além disso, de acordo com o art. 182, §1º, alínea "d" da Lei nº. 6.404/76, vigente à época do período lançado, as subvenções para investimento eram classificadas como reservas de capital, não interferindo na apuração do lucro líquido da Empresa, de que a receita faz parte, e se destinando a incrementar o Ativo Permanente. Também por esse prisma, não há de se entender subvenção como receita. Nessa linha relacional, considerando que os créditos decorrentes de subvenção não integram o conceito de receita, afastando a incidência do PIS e da COFINS na sistemática Fl. 445DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.005448/201064 Acórdão n.º 9303003.549 CSRFT3 Fl. 429 12 da nãocumulatividade, pronunciouse a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento em acórdão assim ementado, cujos fundamentos passam a integrar a presente fundamentação: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Ano Calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A obstrução à defesa, motivadora de nulidade do ato administrativo de referência, deve apresentarse comprovada no processo. PIS. DECADÊNCIA. PRAZO O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário da contribuição para o PIS/PASEP extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. PIS. CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo das contribuições para o PIS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. PIS. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DO ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide PIS sobre os valores de créditos de ICMS, obtidos em razão de subvenção estadual. PIS. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRSUMIDO DO IPI. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide PIS sobre os valores de créditos presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.336/96. PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. Não incide PIS sobre os valores de créditos de ICMS, obtidos em razão de subvenção estadual, uma vez sua natureza jurídica não se revestir de receita. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 340300.799, P.A. 10283.000091/200521, Rel. Cons. Winderley Morais Pereira, julgado em 03.02.2011) (grifouse) Necessário registrarse que a decretação de inconstitucionalidade, pelo Supremo Tribunal Federal, do §1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 346.084 PR, não aproveita ao presente caso, tendo em vista que lá se tratou da base de cálculo do PIS e COFINS do regime da cumulatividade e aqui analisase a tributação das referidas contribuições já na sistemática da nãocumulatividade instituída pelas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. Esclareçase, ainda, que não se está diante de hipótese de aplicação do art. 62A do RICARF, pois, embora aplicáveis a este caso os fundamentos da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral no que tange ao conceito de insumos, a matéria tratada no RE nº 606.107RS não é idêntica ao caso em exame. Portanto, reconhecese que os créditos presumidos de ICMS concedidos pelos Governos Estaduais ao Sujeito Passivo não se constituem em receita bruta, restando afastada a incidência do PIS e da COFINS do regime nãocumulativo sobre os mesmos. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o Voto. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.005448/201064 Acórdão n.º 9303003.549 CSRFT3 Fl. 430 13 Vanessa Marini Cecconello Relatora Voto Vencedor Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho Como muito bem descrita pela relatora original, a pedra angular do litígio posta nos autos cingese a definir se os benefícios fiscais de créditos de ICMS devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS apurados pela sistemática da nãocumulatividade. Esta matéria foi objeto do Acórdão nº 3402002.454, de 19 de agosto de 2014, da lavra do ilustre conselheiro João Carlos Cassuli Junior, que subscrevi, de forma que transcrevo as razões de decidir da citada decisão e as utilizo para fundamentar meu voto, verbis: A discussão que emana dos autos, diz respeito à possibilidade, defendida pela Recorrente, ou à vedação, sustentada pela Administração de se excluir da base de cálculo da Contribuição à PIS e COFINS, os valores relativos ao ICMS, sob o fundamento de que tais valores não se constituem em receita ou faturamento da empresa e ainda afirma que o STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições de PIS e COFINS. Adentrando ao mérito da questão, sabese que a matéria é objeto de discussão no âmbito do STF, em sede de Recurso Extraordinário n° 240.7852/MG, em curso de julgamento desde 1999, que discute a incidência no âmbito da Lei n° 9.718/98. Em referido RE o “score” está 6x1 em favor do contribuinte, tendo sido publicado o seguinte resultado de julgamento: "O TRIBUNAL, POR MAIORIA, CONHECEU DO RECURSO, VENCIDOS A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA E O SENHOR MINISTRO EROS GRAU. NO MÉRITO, APÓS OS VOTOS DOS SENHORES MINISTROS MARCO AURÉLIO (RELATOR), CÁRMEN LÚCIA, RICARDO LEWANDOWSKI, CARLOS BRITTO, CEZAR PELUSO E SEPÚLVEDA PERTENCE, DANDO PROVIMENTO AO RECURSO, E DO VOTO DO SENHOR MINISTRO EROS GRAU, NEGANDOO, PEDIU VISTA DOS AUTOS O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES. AUSENTES, JUSTIFICADAMENTE, OS SENHORES MINISTROS CELSO DE MELLO E JOAQUIM BARBOSA. FALARAM, PELA RECORRENTE, O PROFESSOR ROQUE ANTÔNIO CARRAZA E, PELA RECORRIDA, O DR. FABRÍCIO DA SOLLER, PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL. PRESIDÊNCIA DA SENHORA MINISTRA ELLEN GRACIE. PLENÁRIO, 24.08.2006". Sabese também, no entanto, que houve a apresentação da Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 18, na qual foi concedido provimento judicial para que se sobrestassem os Fl. 447DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.005448/201064 Acórdão n.º 9303003.549 CSRFT3 Fl. 431 14 julgamentos de matérias similares a esta até o julgamento final da lide pela Corte Suprema, sendo em razão desta liminar que tais demandas aguardam o pronunciamento do STF, inclusive as que estavam pendentes perante este Conselho por força da Portaria MF n° nº 256, de 22 de junho de 2009, revogada através da Portaria MF n° 545, de 18 de novembro de 2013. Tenho, no entanto, que a matéria está muito longe de restar pacificada mesmo com eventual decisão do STF favorável aos contribuintes, pois que dela emanariam efeitos que alterariam premissas firmadas há décadas a respeito do ICMS, inclusive de ordem criminal (por ser imposto próprio ou de terceiro, p. ex.) e que acabariam por não resolver, também, as demandas que poderiam se originar nos períodos em que as contribuições ao PIS e à COFINS passaram a ser apuradas sob o regime da não cumulatividade, pois que viria à tona o questionamento sobre o direito de se tomar crédito sobre a parcela do ICMS incluído no custo das mercadorias para revenda ou dos insumos adquiridos para produção ou fabricação de bens. Firmouse a premissa de que o ICMS é um “imposto próprio”, ou seja, seu ônus é do próprio contribuinte, e seu mecanismo de incidência não comporta a transferência jurídica do encargo ao adquirente da mercadoria (diferentemente do IPI, no qual se fatura o preço do produto e o preço do IPI, separadamente). Daí surgem efeitos primeiramente no art. 166, do CTN, para fins de eventual indébito e demandas por créditos, e também no âmbito criminal, pois que a simples falta de pagamento de ICMS poderá passar a ser considerada “apropriação indébita”, pois que o contribuinte passaria a ser mero depositário do tributo, para repassálo ao ente arrecadador estadual. Daí porque já no final da década de 1980 e início da de 1990, o Superior Tribunal de Justiça editou as Súmulas n°s. 68 e 94, com os seguintes teores: Súmula 68. A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Súmula 94. A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. Sabese que o FINSOCIAL foi substituído pela COFINS com a edição da Lei Complementar n° 70/91, tanto que no início acabou recebendo a alcunha de “novo Finsocial”, acomodando com isso as diversas discussões quanto à sua constitucionalidade que pairavam no Brasil pós Constituição de 1988. A digressão história anterior foi necessária para dizer que a análise jurídica da exclusão do ICMS das bases de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS passam pela análise da constitucionalidade do art. 13, da Lei Complementar n° 87/96 (Lei Kandir), que determina que o ICMS seja calculado “por dentro”, e que lhe concede todo esse contorno de “imposto próprio”, como mencionado alhures. E essa competência para declarar a inconstitucionalidade de Lei tributária não cabe aos Fl. 448DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.005448/201064 Acórdão n.º 9303003.549 CSRFT3 Fl. 432 15 julgadores do CARF, nos termos da Súmula CARF n° 2. Tratase de uma função que compete ao STF e que o fará com o julgamento da ADC n° 18. Até lá, temse a presunção de constitucionalidade da Lei, tanto do art. 13 da LC 87/96, como da Lei n° 9.718/98 questionada em sede de STF, e que não preveem a hipótese de exclusão da receita bruta de vendas ou do faturamento, os valores relativos ao ICMS incidente sobre as vendas, de modo que não merece amparo o pleito recursal. Finalmente, trago à colação parte do voto do ilustre Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, que ao julgar o Processo n° 13851.001210/200640 (sessão de janeiro de 2014, pendente de publicação), com maestria pontuou: ...em relação à inclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, pois como acertadamente ressaltou a r. decisão recorrida, ao contrário do que ocorre com o IPI, o ICMS, por expressa disposição do art. 13 da LC nº 87/96, integra o preço da mercadoria faturado que é apurado “por dentro”, não havendo previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS contrariamente ao que ocorre no caso do IPI (art. 3º da Lei nº 9.715/98). Nesse sentido anoto que a matéria já se pacificou, no âmbito do STJ, como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL CONFIGURADO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SÚMULAS 68 E 94 DO STJ. 1. A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo da COFINS e do PIS, ante a ratio essendi das Súmulas 68 e 94 do STJ. 2. Precedentes jurisprudenciais do STJ: Ag 666548/RJ, desta relatoria, DJ de 14.12.2005; RESP 496.969/RS, Relator Ministro Franciulli Netto, DJ de 14/03/2005; RESP 668.571/RS, Relatora Ministra Eliana Calmon, DJ de 13/12/2004 e RESP 572.805/SC, Relator Ministro José Delgado, DJ de 10/05/2004. 3. Embargos de declaração acolhidos para sanar o erro material e negar provimento ao recurso especial interposto por Irmãos Amalcaburio Ltda e Outros (fls. 564/592).” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no EDcl no AgRg no REsp 706766RS, Reg. nº 2004/01685982, em sessão de 18/05/06, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 29/05/06 p. 169) Finalmente releva notar que no caso excogitado (pretensão de exclusão de base de cálculo não prevista em lei), a Suprema Corte tem reiterado que, tal como ocorre com as autoridades administrativas, mesmo “os magistrados e Tribunais – que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, o benefício da exclusão do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em Fl. 449DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.005448/201064 Acórdão n.º 9303003.549 CSRFT3 Fl. 433 16 critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar com a vantagem da isenção. Entendimento diverso, que reconhecesse aos magistrados essa anômala função jurídica, equivaleria, em última análise, a converter o Poder Judiciário em inadmissível legislador positivo, condição institucional esta que lhe é recusada pela própria Lei Fundamental do Estado. Em tema de controle de constitucionalidade de atos estatais, o Poder Judiciário só atua como legislador negativo (RTJ 146/461, Rel. Min. Celso de Mello). (cf. Ac. da 1ª Turma do STF no Agr. Reg. no AI nº 171.733SP, rel. Min. Celso de Mello, publ. in RTJ vol. 188/237). Forte nestes argumentos, nego provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Sala de sessões, 17/03/2016 Fl. 450DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 19515.721155/2014-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO NO AUTO ENQUADRAMENTO REALIZADO. VÍCIO MATERIAL.
Cabe à Autoridade Lançadora a comprovação de erro, por parte do contribuinte, no auto enquadramento realizado quanto à alíquota aplicável à contribuição para o seguro acidente do trabalho. Não havendo comprovação das alegações do Fisco, e existindo provas da correção do procedimento espontâneo, deve-se acatar a nulidade pleiteada por existência de vício material no lançamento.
Numero da decisão: 2201-003.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a nulidade por vício material relativamente ao SAT, vencidos os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (relatora), Carlos Alberto Mees Stringari e Eduardo Tadeu Farah (Presidente), que propunham a conversão do julgamento em diligência. Designado para elaboração do voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Realizou sustentação oral pela contribuinte o Dr. Thiago Taborda Simões, OAB/SP 223.886.
assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
assinado digitalmente
Ivete Malaquias Pessoa Monteiro - Relatora.
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Redator designado.
EDITADO EM: 25/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari e Eduardo Tadeu Farah (Presidente).
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO NO AUTO ENQUADRAMENTO REALIZADO. VÍCIO MATERIAL. Cabe à Autoridade Lançadora a comprovação de erro, por parte do contribuinte, no auto enquadramento realizado quanto à alíquota aplicável à contribuição para o seguro acidente do trabalho. Não havendo comprovação das alegações do Fisco, e existindo provas da correção do procedimento espontâneo, devese acatar a nulidade pleiteada por existência de vício material no lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a nulidade por vício material relativamente ao SAT, vencidos os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (relatora), Carlos Alberto Mees Stringari e Eduardo Tadeu Farah (Presidente), que propunham a conversão do julgamento em diligência. Designado para elaboração do voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Realizou sustentação oral pela contribuinte o Dr. Thiago Taborda Simões, OAB/SP 223.886. assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Relatora. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 11 55 /2 01 4- 15 Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Carlos Henrique de Oliveira Redator designado. EDITADO EM: 25/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari e Eduardo Tadeu Farah (Presidente). Relatório TAM LINHAS AEREAS S/A, recorre da decisão proferida no acórdão 15 38.696 6ªTurma da DRJ/SDR, de 29 de abril de 2015, fls.1404/1413, que julgou procedente o crédito tributário, consubstanciado nos Autos de Infração nº 51.061.1702. Transcrevo o relatório do voto condutor do acórdão guerreado, por bem definir o litígio: Tratase de processo que agrupa o Auto de Infração (AI) lavrado por descumprimento de obrigações tributárias principais, sob o seguinte DEBCAD: nº 51.061.170 2, consolidados em 14/10/2014. A tabela abaixo apresenta um resumo do Auto de Infração que compõe o processo sob julgamento: Informa a fiscalização que: A empresa declarou em GFIP, durante todo o período apurado e para todos os seus estabelecimentos, a alíquota de 1%, como se sua atividade fosse de risco mínimo na classificação do RAT (Riscos Ambientais do Trabalho). Ocorre que, conforme anexo I da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, o código do FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social) da empresa é 558 e código CNAE é o 5111100 (transporte aéreo de passageiros regular), com RAT de 3%, para a grande maioria de seus estabelecimentos, com exceção do CNPJ 02.012.862/000917 (código CNAE 3316302 – manutenção de aeronaves na pista), cujo RAT é de 1%, e CNPJ 02.012.862/006109 (código CNAE 3316301 – manutenção e reparação de aeronaves), cujo RAT é de 2%, ambos a partir de 01/01/2010. A empresa também declarou em GFIP durante todo o período apurado o FAP (Fator Acidentário de Prevenção) com alíquota de 1,66% quando o correto seria de 1,6725%. Assim, foram cobradas as diferenças de contribuições, por competência e estabelecimento, conforme demonstrado em planilha anexa ao relatório fiscal. A declaração em GFIP do RAT e FAP de forma incorreta, gerando contribuições a recolher a menor, configura, em Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721155/201415 Acórdão n.º 2201003.060 S2C2T1 Fl. 1.463 3 tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária, conforme art. 337A, inciso III, do Código Penal, motivo pelo qual será encaminhada ao Ministério Público Federal representação fiscal para fins penais. DA IMPUGNAÇÃO. A empresa TAM LINHAS AEREAS S/A foi cientificada dos lançamentos em 21/10/2014 e apresentou impugnação em 19/11/2014, argüindo, em síntese, o seguinte: Alega que o reenquadramento realizado pela Impugnante, no grau de risco leve (1%), é compatível à atividade preponderante desenvolvida pela empresa em todos os seus estabelecimentos, bem como ao grau de risco a que estão submetidos os seus funcionários, o qual se comprova, inclusive, por meio dos laudos previdenciários (Laudo Técnico de Condições Ambientais de Trabalho LTCAT), que sempre estiveram à disposição da fiscalização, e pelo Parecer Técnico de Enquadramento na atividade preponderante, feito por engenheiro de segurança do trabalho com base nos resultados dos LTCAT (doc. 04). Defende a nulidade do auto de infração por vício material, em razão da falta de comprovação do fato impositivo alegado pela fiscalização. Afirma que em nenhum momento a Autoridade Administrativa trouxe aos autos do processo qualquer elemento comprobatório capaz de demonstrar, de maneira contundente, o enquadramento da atividade preponderante da empresa no grau de risco médio do GIILRAT. Alega que o agente fiscal se limitou a classificar o grau de risco de acordo com o CNAE principal da Impugnante. Afirma que é primordial a realização de diligência e perícia a fim de tentar suprir a ausência de provas para consubstanciação da autuação. Alega que, segundo entendimento exarado pelo CARF, a diligência ou perícia mostrase necessária quando a matéria de fato ou o assunto de natureza técnica não possam ser aferidos nos autos. Defende que a determinação da alíquota do SAT exige conhecimentos especializados por se tratar de assunto de natureza técnica e que envolve não apenas a individualização da alíquota por CNPJ, mas também a análise da quantidade de funcionários alocados a cada atividade e dos resultados dos LTCAT, capazes de comprovar o grau de risco a que os empregados estão submetidos. Expõe os quesitos referentes aos exames desejados na diligência e perícia, assim como, para a perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito. Expõe a Impugnante que aferiu, nos períodos entre 01/2010 a 13/2010, que a atividade preponderante da empresa encontrava se em grau leve, ou seja, sob alíquota SAT de 1%, visto que mais da metade dos empregados encontramse em departamentos sujeitos a graus de risco leve, conforme prescrito pelos laudos técnicos elaborados. Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Alega que a contraprestação é um dos elementos presentes na regramatriz de incidência da contribuição SAT, uma vez que o tributo existe justamente para custear os encargos da Previdência Social para com os empregados afastados em função do exercício da atividade laborativa. Defende que o SAT devido pelas empresas deve corresponder ao custo, efetivo e projetado, decorrente da concessão dos benefícios previdenciários decorrentes dos acidentes do trabalho. Afirma que foi nesse contexto que realizou o autoenquadramento no grau de risco do SAT. Afirma que o termo "atividade preponderante" utilizado no artigo 22 da Lei 8.212/1991 foi definido pelo artigo 202, § 35, do Decreto n9 3.048/99, o qual considerou "atividade preponderante" aquela que ocupa, no estabelecimento, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Expõe que o Anexo V do Decreto 3.048/99, que introduziu a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, tem caráter exemplificativo, servindo a instruir o contribuinte na realização do autoenquadramento. Afirma que o Executivo pretendeu elencar todas as atividades desenvolvidas pelas empresas em território nacional, imputando a cada uma determinado grau de risco, e que ocorreram inúmeras incongruências, por exemplo, a atividade de prestação de serviços de segurança privada esteve enquadrada em grau grave, à alíquota de 3%, enquanto que a de segurança pública no grau médio, a 2%. Defende que é impossível aferir a existência de qualquer critério técnico quando da determinação dos graus de risco inerentes às diferentes atividades constantes na referida lista. Alega que realizou o autoenquadramento lastreado nas já mencionadas Instruções Normativas e nos decretos previdenciários que cuidam da matéria, a partir de estudo detalhado da normatização em questão e com a constatação pormenorizada das atividades desenvolvidas por seus empregados e a respectiva preponderância, além da elaboração de LTCAT e de Parecer Técnico de Enquadramento na Atividade Preponderante. Menciona que o autoenquadramento realizado pela Impugnante encontrase em perfeita consonância com o entendimento do então Conselho de Recursos da Previdência Social, bem como do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF") e transcreve decisões. Defende que não há como prosperar o presente Auto de Infração, devendo ser reconhecida a possibilidade de compensação dos valores recolhidos a maior referentes ao SAT, bem como o recolhimento à alíquota de 1%, no período questionado. Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721155/201415 Acórdão n.º 2201003.060 S2C2T1 Fl. 1.464 5 Afirma que o LTCAT é um parecer eminentemente técnico e conclusivo acerca das condições ambientais a que os funcionários estão expostos, retratando a realidade dos agentes agressivos da empresa e promovendo um planejamento para minimização ou neutralização desses efeitos. Referido laudo visa comprovar o exercício de funções em condições prejudiciais à saúde ou à integridade física dos empregados para efeito de requerimento do benefício da aposentadoria especial. Tratase, ainda, de uma prova hábil a atestar o verdadeiro grau de risco do GIILRAT inerente à atividade da empresa, vez que o LTCAT se pauta nos limites máximos de exposição aos agentes nocivos constantes do Anexo IV do Decreto nº 3.048/99, sejam esses químicos, físicos e biológicos. Da análise dos LTCAT elaborados para a matriz e suas filiais da ora Impugnante, observase que as atividades exercidas pela empresa, em geral, não expõem os seus funcionários a agentes nocivos ou sua exposição é neutralizada pelas medidas de controle existentes. Os laudos técnicos demonstram, claramente, que o enquadramento da empresa deve ser de risco leve, visto que a atividade exercida não expõe os funcionários a risco, sendo insubsistente o auto de infração ora combatido por estar correto o auto enquadramento realizado pela Impugnante. Afirma que o valor recolhido a título de SAT é suficiente para cobrir os gastos despendidos pela Previdência Social com os benefícios decorrentes dos riscos a que os seus funcionários se submetem. No mais, a título exemplificativo, vale citar que entre 04/2007 e 12/2008, o valor total dos benefícios pagos pela Previdência aos funcionários da ora Impugnante em virtude de acidentes do trabalho foi de R$ 1.526.147,71 (doc. 06). Em contrapartida, no ano de 2010, foram recolhidos aos cofres da Seguridade Social, a título de SAT, aproximadamente R$ 19.341.757,99. Logo, caso seja aceita a tributação à alíquota de 3%, como pretende a autoridade autuante, haverá superávit no caixa da Previdência, o que é expressamente proibido pelo comando constitucional previsto pelo § 59 do artigo 195. Alega que o Decreto nº 3.048/99 prevê a possibilidade de alteração do enquadramento da empresa sempre que seja comprovada a realização de investimentos em segurança do trabalho e que são evidentes os investimentos feitos pela ora Impugnante na melhoria das condições de trabalho, com a conseqüente redução dos agravos à saúde dos trabalhadores. Afirma que os LTCAT demonstram cabalmente a utilização de todos os equipamentos de proteção necessários à neutralização da exposição aos agentes nocivos eventualmente presentes no ambiente de trabalho e que deve ser aceito o enquadramento no grau de risco leve para fins de recolhimento do SAT da Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Impugnante, nos termos do artigo 203 do Decreto nº 3.048/99. Pleiteia a correção de erros formais e materiais que, acreditase, terem sido cometidos por mero lapso pela autoridade Autuante, em respeito ao princípio da verdade material. Tendo em visto todo o exposto requer a Impugnante: seja julgado nulo o auto de infração pelo fato da Autoridade Fiscal não ter produzido provas que sustentem o seu lançamento, no termos do art. 92 do decreto 70.235/72; alternativamente, não entendendo pela nulidade, requer, em atendimento ao artigo 16, IV do decreto 70.235/72, seja determinada a conversão em diligência do presente processo administrativo, a fim de que seja aferida a atividade preponderante e o grau de risco da empresa e/ou em cada estabelecimento, no período que compreende o objeto do presente Auto de Infração e a realização de perícia, uma vez que para o esclarecimento de tais pontos duvidosos exigese conhecimentos especializados a fim de se constatar o enquadramento jurídico da mesma, nos moldes da Lei nº 8.212/91 e do Decreto nº 3.048/99 ou com base no Ato Declaratório da PGFN nº 11/2011; caso esse entendimento não seja acolhido, requer integral provimento da presente Impugnação para que seja julgado improcedente o lançamento tributário, ora combatido, assim o seu conseqüente cancelamento; sem prejuízo de todo o alegado, a Impugnante protesta pela posterior juntada de documentação que eventualmente não tenha sido acostada à presente, nos termos do artigo 16, §§ 49 e 59 do Decreto nº 70.235/72. Ciente em 18 de junho de 2015,através do termo de ciência por abertura de mensagem, fls.1418, interpõe, em 30 de junho de 2015, o recurso voluntário às fls.1421/1446, onde inicia confirmando a tempestividade da sua interposição. Salienta que é obrigado ao pagamento da Contribuição sobre o Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa e Riscos de Acidente do Trabalho (GIILRAT) , o antigo Seguro Acidente do Trabalho (SAT) à alíquota 1,2 ou 3% , de acordo com o grau de risco da sua atividade preponderante. Os dispositivos legais determinam que as empresas se enquadrem mensalmente em uma das alíquotas descritas pelo artigo 22,II, da Lei 8212/91, fazendo a competente avaliação do grau de risco preponderante de sua atividade. Contudo, há disposições do decreto regulamentador e especialmente das Instruções Normativas que se confundem e causam insegurança ao contribuinte no que respeita à forma de aferição de sua atividade preponderante e ainda equívoca por parte da autoridade fiscal. Comenta que ante a legislação realizou, para fins de recolhimento do SAT, o autoenquadramento no grau de risco leve (1%), compatível à sua atividade preponderante. Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721155/201415 Acórdão n.º 2201003.060 S2C2T1 Fl. 1.465 7 Ainda, igualmente leve o grau de risco a que estão submetidos os funcionários. A gravidade comprovada por meio de laudos técnicos previdenciários (Laudo Técnico de Condições Ambientais de Trabalho LTCAT) que sempre estiveram à disposição da fiscalização, e pelo Parecer Técnico de Enquadramento na atividade preponderante, feito por engenheiro de segurança do trabalho com base nos resultados dos LTCATs. (Documentos juntados à impugnação contra lançamento que abrangeu o período de 01/2010 a 13/2010). Reclama da DRJ quando afirmou que o Anexo I do Decreto 3.048/99 é taxativo e não exemplificativo, desconsiderando os laudos e argumentos oferecidos naquele momento processual. No tocante ao Direito, oferece a preliminar de Nulidade do Auto de Infração, por inobservância do ônus probatório e por ausência dos elementos necessários ao julgamento. Frisa que para invalidar o o auto enquadramento realizado, a autoridade fiscal, nos termos do § 5º do artigo 202 do Decreto 3.048/99, deveria ter analisado os laudos, o que não ocorreu. À Fazenda Nacional deve provar, tecnicamente, sempre que discordar do autoenquadramento. A presunção de legitimidade dos atos administrativos não suprime os elementos probatórios, à vista dos princípios da Teoria Geral da Prova. Transcreve doutrina de Hugo de Brito Machado. E o artigo 9º do Decreto 70235/72. Reclama que o agente fiscal limitouse a elencar conclusões genéricas, realizadas com mera classificação no grau de risco de acordo com o CNAE principal da Empresa. É necessário uma análise técnica minuciosa dos agentes nocivos para aferir o correto grau de risco a que os funcionários se submetem, durante a jornada de trabalho, o que pode ser realizado mediante elaboração de um LTCAT. A ausência das provas pela autoridade lançadora constituí, no seu dizer, vício material do lançamento tributário, pois ausentes alguns de seus requisitos intrínsecos, tais sejam: valoração jurídica do fato tributário, contendo a verificação da ocorrência do fato gerador e a determinação da matéria tributável Agrega doutrina de Manoel Antonio Gadelha Dias e pede a nulidade do lançamento por vício material. Contudo, caso tal não ocorra propugna pela realização de diligência e perícia. Discorre sobre a necessidade deste procedimento que se mostra necessário quando a matéria de fato ou assunto de natureza técnica não possa ser aferido nos autos. Transcreve ementa do acórdão 10708633, de 22.06.2006. Aponta que a determinação da alíquota do SAT exige conhecimentos especializados por se tratar de assunto de natureza técnica e que envolve não apenas a individualização da alíquota por CNPJ, mas também a quantidade de funcionários alocados em cada atividade e dos resultados dos LTCATs capazes de comprovar o grau de risco a que estão submetidos cada funcionário. A perícia seria necessária, pois a apuração de prova do fato litigioso não pode ser feita pelos meios ordinários de convencimento, exigindose conhecimento técnico para análise dos laudos. Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Em atenção ao disposto no artigo 16,IV, do Decreto 70235/72 expõe os quesitos referentes aos exames desejados, assim como para a perícia, o nome , o endereço e a qualificação profissional do perito(fls.1429/30). Mérito Da identificação da atividade preponderante Informa que no período fiscalizado sua atividade preponderante se enquadrava no grau leve, sob alíquota de 1%, visto que mais da metade dos empregados encontravamse em departamentos sujeitos a graus de risco leve, conforme prescrito pelos laudos técnicos elaborados, que foram desprezados pela autoridade fiscal. a) Tece considerações Iniciais sobre o SAT, transcreve o dispositivo de regência da matéria, O inciso II do artigo 22 da Lei 8212/91, discorre sobre contribuição e conclui que diante do estudo que realizou, verificou seu autoenquadramento e aplicou a alíquota que entendeu cabível, à luz da legislação de regência. b) No tocante ao enquadramento do grau de risco SAT, o termo atividade preponderante utilizado no artigo 22 da Lei 8212/1991 foi definido pelo artigo 202,§3º, do Decreto nº3.048/99, o qual considerou " atividade preponderante" aquela que ocupa, no estabelecimento, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. O método enunciado pelo decreto permite que a atividade preponderante seja diversa da atividade econômica. Observação crucial, pois a lei e o decreto conferem à atividade preponderante essa tarefa. Assim, há um enquadramento jurídico do grau de risco inerente à empresa, considerada como um todo. Transcreve o parágrafo 4º e 5º, do artigo 202 do Decreto, para dizer que o anexo V do Decreto 3048/99, que introduziu a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes graus de risco tem caráter exemplificativo, servindo para instruir o contribuinte na realização do autoenquadramento. Reclama da falta de critério para instruir a imputação. Discorre sobre as cautelas que utilizou para realizar o autoenquadramento, lastreado nas já mencionadas Instruções Normativas e Decretos previdenciários que cuidam da matéria, a partir de estudo detalhado da normatização e com constatação pormenorizada das atividades desenvolvidas por seus empregados e a respectiva preponderância, além da elaboração de LCCAT's e Parecer Técnico de Enquadramento na Atividade Preponderante, Aponta que seu enquadramento está de acordo com o entendimento ao então Conselho de Recursos da Previdência Social, e do CARF, como demonstrariam as ementas dos acórdãos que colacionou às fls.1436/1437. Também oferece ementas de acórdãos do STJ (fls.1438/1439). Conclui que a exigência fiscal não pode prosperar. Dos Laudos Técnicos Discorre sobre o LTCAT , dizendoo eminentemente técnico e conclusivo acerca das condições ambientais a que os funcionários são expostos, retratando a realidade dos agentes agressivos da empresa e promovendo um planejamento para minimização ou neutralização dos seus efeitos. Da análise dos LCCAT's elaborados para a matriz e suas filiais, observase que as atividades exercidas, em geral, não expõem os funcionários a agentes nocivos. Todavia, Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721155/201415 Acórdão n.º 2201003.060 S2C2T1 Fl. 1.466 9 nas hipóteses em que se verifica a existência desses agentes, a exposição é neutralizada pelas medidas de controle existentes. Como exemplo, nos casos em que há agentes físicos, tais como ruído e a radiação, a exposição é neutralizada em função do uso efetivo de equipamentos de proteção individual fornecidos pela empresa aos funcionários, conforme conclusões dos LTCAT's apresentados. Conclui que os laudos técnicos corroboram o acento no autoenquadramento. Do Equilíbrio Sistêmico Da Seguridade Social Regra Da Contrapartida Discorre sobre a natureza do SAT, uma taxa informada pelo princípio de retributividade, segundo o qual deve haver uma relação entre o valor despendido e a contraprestação estatal. Com isto o valor das entradas deve equivaler ao total das saídas, regra de contrapartida, prescrita pelo § 5º do artigo 195 da CF (transcreve). Da mesma forma , por via inversa, o dispositivo prescreve outro comando: é vedado a entrada no caixa do sistema valor superior ao necessário à manutenção do benefício. Exemplifica que entre 04/2007 a 12/2008, o valor total dos benefícios pagos pela previdência aos seus funcionários foi na ordem de 1.526.147,71 e em contrapartida, no ano e 2010, foram recolhidos aos cofres da seguridade social, a título de SAT, aproximadamente R$ 19.341.757,99. Mantida a pretensão fiscal haverá superávit no caixa da previdência, o que é proibido pelo comando do §5º do artigo 195. Da comprovação do Investimento O Decreto 3048/99 prevê a possibilidade de alteração do enquadramento da empresa sempre que seja comprovada a realização de investimentos em segurança do trabalho. Transcreve o artigo 203 e §§. Comenta que os LCAT's evidenciam a utilização de todos os equipamentos de proteção necessários à neutralização da exposição dos agentes nocivos eventualmente presentes no ambiente de trabalho. Substancia Sobre a Forma e a Verdade Material no Processo Administrativo Pede saneamento das irregularidades apontadas no procedimento fiscal com a prevalência da verdade material. Sobre o princípio discorre longamente com oferecimento de doutrina de Sérgio Ferraz de Abreu Dallari. Fala da prevalência da substancia sobre a forma, decorrente da verdade material, que obriga o fisco a apurar o valor do tributo de acordo com o verdadeiro fato praticado. Pleiteia a correção de erros formais e materiais que teriam sido cometidos por lapso da autoridade autuante. Diz importante ressaltálos para que sejam corrigidos e só após que seja analisada a questão em julgamento, linha na qual transcreve ementa de acórdão do CRPS(fls.1445). Do Pedido: Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 10 a) seja julgado nulo o auto de infração pelo fato da autoridade fiscal não ter produzido provas que sustentem seu lançamento, nos termos do artigo 9º do Decreto 70235/72; b) alternativamente, não entendendo pela nulidade, requer, em atendimento ao artigo 16,IV do decreto 70235/72, seja determinada a conversão em diligência neste processo, para aferição da atividade preponderante , no período de autuação; c) requer integral provimento; d) sustentação oral; e) sem prejuízo do alegado, protesta pela posterior juntada de documentação que eventualmente não tenha sido acostada à presente, nos termos do artigo 16,§§ 4º e 5º do Decreto 70235/72. Despacho de fls.1463 encaminha os autos para julgamento. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Tratase de exigência das contribuições previdenciárias decorrentes de descumprimento de obrigações principais exigidas através do AI DEBCAD 51.061.1702. O lançamento exige as diferenças julgadas devidas. No dizer da autoridade lançadora a Recorrente, em todo período apurado e para todos seus estabelecimentos, aplicou a alíquota de 1%, como se sua atividade fosse de risco mínimo na classificação do RAT (Riscos Ambientais do Trabalho). Ocorre que, conforme anexo I da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, o código do FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social) da empresa é 558 e código CNAE é o 5111100 (transporte aéreo de passageiros regular), com RAT de 3%, para a grande maioria de seus estabelecimentos, com exceção do CNPJ 02.012.862/000917 (código CNAE 3316302 – manutenção de aeronaves na pista), cujo RAT é de 1%, e CNPJ 02.012.862/006109 (código CNAE 3316301–manutenção e reparação de aeronaves), cujo RAT é de 2%, ambos a partir de 01/01/2010. A empresa também declarou em GFIP durante todo o período apurado o FAP (Fator Acidentário de Prevenção) com alíquota de 1,66% quando o correto seria de 1,6725%. A Recorrente desde as razões iniciais invoca o §5° do art. 202, do Decreto 3.048 de 1999, com a redação dada pelo Decreto n° 6.042/07, que prevê ser responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721155/201415 Acórdão n.º 2201003.060 S2C2T1 Fl. 1.467 11 Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social (hoje Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB do Ministério da Fazenda) revêlo a qualquer tempo. A Recorrente apresentou o Parecer Técnico RAT ENQUADRAMENTO NA ATIVIDADE PREPONDERANTE, elaborado pela MALTEMA Engenharia e Serviços, . de fls. 183/ 249, (laudo com 66 fls. onde, às 56 apresenta análise demonstrativa dos riscos ambientais do trabalho e as fls. 59 reenquadramento do RAT). No anexo I Planilhas de riscos ambientais (LTCAT); Anexo II Agentes Nocivos x Tempo A.E (RPS Anexo IV); Anexo III Agentes Nocivos x Atividade de Risco (RPS Anexos) No termo de anexação de arquivos não pagináveis de fls.249, sob título: Parecer Técnico NOME ORIGINAL DO ARQUIVO: TAM PARECER TÉCNICO Anexo Planilhas LTCAT.zip .(aqui foi juntado Planilhas de riscos ambientais (LTCAT) com 869 páginas, filial Ribeirão Preto, e LTCAT da Filial Rio Branco com 264 páginas). Às fls. 1383, há novo termo de juntada dos seguintes l Documentos Diversos Outros Título: READ l Documentos Diversos Outros Título: Parecer Técnico RAT l Termo de Anexação de Arquivo Nãopaginável Descrição do Conteúdo do Arquivo Não Paginável: TAM PARECER TÉCNICO Anexo Planilhas LTCAT.docx l Documentos Diversos Outros Título: LTCAT Laudo Técnico l Documentos Diversos Outros Título: LTCAT Laudo Técnico, nestes sequer aparece numeração nas páginas seguintes. A decisão de primeiro grau, ao se pronunciar sobre a autorização contida no §5° do art. 202, do Decreto 3.048 de 1999 (com a redação dada pelo Decreto n° 6.042/07, que prevê ser responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo). assim versou: (...) Defende a impugnante que o Decreto nº 3.048/99 prevê a possibilidade de alteração do enquadramento da empresa sempre que seja comprovada a realização de investimentos em segurança do trabalho. Ocorre que, em que pese constar no art. 203 do referido Decreto que o Ministério da Previdência e Assistência Social poderá alterar o enquadramento de empresa que demonstre a melhoria das condições do trabalho, até o momento não foi editado nenhum ato neste sentido. Assim, não há que falar em redução da alíquota RAT calculada. Contudo, se o Decreto prevê esta possibilidade e se o Contribuinte oferece os laudos necessários para se adequar ao permissivo legal, deve a autoridade analisar se há fundamento neste pedido e não deixar de analisálo por falta de dispositivo normativo específico para tanto. Nesta conformidade, sugiro a conversão do julgamento em diligência, conforme solicitado pela Contribuinte, para que a autoridade preparadora analise os laudos juntados e verifique se os mesmos amparam o reenquadramento realizado pela Recorrente em sua atividade preponderante. Laudo circunstanciado deve ser elaborado e dado ciência à Recorrente para que se pronuncie, se entender necessário, no prazo legal. Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Após, o processo deverá retornar para julgamento. assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721155/201415 Acórdão n.º 2201003.060 S2C2T1 Fl. 1.468 13 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Redator Designado Em que pese o costumeiro acerto da ilustre Conselheira Relatora, ouso com a máxima vênia discordar da decisão, embora partilhe dos mesmos fundamentos fáticos por ela apontados. Como bem relatado, tratase de lançamento tributário decorrente da diferença verificada, pela Autoridade Autuante, relativa ao enquadramento realizado pelo contribuinte quanto ao grau de risco ambiental do trabalho existente nos estabelecimentos da autuada: "A empresa declarou em GFIP, durante todo o período apurado e para todos os seus estabelecimentos, a alíquota de 1%, como se sua atividade fosse de risco mínimo na classificação do RAT (Riscos Ambientais do Trabalho). Ocorre que, conforme anexo I da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, o código do FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social) da empresa é 558 e código CNAE é o 5111100 (transporte aéreo de passageiros regular), com RAT de 3%, para a grande maioria de seus estabelecimentos, com exceção do CNPJ 02.012.862/000917 (código CNAE 3316302 – manutenção de aeronaves na pista), cujo RAT é de 1%, e CNPJ 02.012.862/006109 (código CNAE 3316301 –manutenção e reparação de aeronaves), cujo RAT é de 2%, ambos a partir de 01/01/2010." Aponta ainda, o Auditor Fiscal responsável pelo lançamento tributário, que a empresa também declarou em GFIP durante todo o período apurado o FAP (Fator Acidentário de Prevenção) com alíquota de 1,66% quando o correto seria de 1,6725%. Importante que tal fato não foi objeto do recurso voluntário impetrado (ver efolhas 1446), e portanto, nos termos da legislação que regula o processo administrativo tributário, por incontroverso, se reputa como devido. Assentes que o presente recurso voluntário se resume a questão da alíquota aplicável ao recolhimento da empresa relativo ao Seguro Acidente do Trabalho que, como cediço, decorre da atividade preponderante da empresa, enfrentemos a questão. Para que nossa análise cumpra a finalidade precípua deste Conselho Administrativo, que é o controle de legalidade do ato administrativo de lançamento, recordemos a dicção legal sobre o tema. Dispõe o inciso II do artigo 22 da Lei de Custeio: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de ... II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 14 a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave." (destacamos) Desempenhando a função de esclarecer ao contribuinte como cumprir o comando legal, a Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicita: "Art. 72. As contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa ou do equiparado, observadas as disposições específicas desta Instrução Normativa, são: ... II para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhes prestam serviços, observado o disposto no inciso I do art. 57, correspondente à aplicação dos seguintes percentuais: a) 1% (um por cento), para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento), para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado médio; c) 3% (três por cento), para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado grave; § 1º A contribuição prevista no inciso II do caput será calculada com base no grau de risco da atividade, observadas as seguintes regras: I o enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, e deve ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, que foi reproduzida no Anexo I desta Instrução Normativa, obedecendo às seguintes disposições: a) a empresa com 1 (um) estabelecimento e uma única atividade econômica, enquadrarseá na respectiva atividade; b) a empresa com estabelecimento único e mais de uma atividade econômica, simulará o enquadramento em cada atividade e Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721155/201415 Acórdão n.º 2201003.060 S2C2T1 Fl. 1.469 15 prevalecerá, como preponderante, aquela que tem o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos; c) a empresa com mais de 1 (um) estabelecimento e com mais de 1 (uma) atividade econômica deverá apurar a atividade preponderante em cada estabelecimento, na forma da alínea “b”, exceto com relação às obras de construção civil, para as quais será observado o inciso III deste parágrafo. II considerase preponderante a atividade econômica que ocupa, no estabelecimento, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, observado que na ocorrência de mesmo número de segurados empregados e trabalhadores avulsos em atividades econômicas distintas, será considerada como preponderante aquela que corresponder ao maior grau de risco; ... IV verificado erro no autoenquadramento, a RFB adotará as medidas necessárias à sua correção e, se for o caso, constituirá o crédito tributário decorrente" (destaques não constam do texto normativo) Nos parece extremamente claro o texto normativo. O recolhimento da contribuição destinada ao custeio do seguro acidente do trabalho deve ser realizado com base na aplicação da alíquota de 1, 2 ou 3% sobre a folha de pagamento dos segurados empregados e trabalhadores avulsos, segundo o grau de risco da empresa. Tal grau de risco leve, médio, ou grave depende da atividade preponderante na empresa e rol de tais atividades é encontrado no anexo V do Decreto nº 3048/99, Regulamento da Previdência Social, e decorre da atividade econômica desenvolvida pelo estabelecimento da empresa. No caso do estabelecimento desenvolver mais de uma atividade, a preponderante será obtida com a verificação de qual delas utiliza o maior número de segurados. Tal procedimento deve ser realizado pelo sujeito passivo para obtenção da alíquota aplicável, uma vez que o RPS determina que é responsabilidade da empresa o enquadramento na atividade preponderante, cabendo a RFB revêlo a qualquer tempo. Esta é a exigência regulamentar: " Art 202: ... § 5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. §6o Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 16 recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos." Chegamos ao ponto fulcral de nossa análise. Para que se cumpra a legislação tributária aplicável ao caso em apreço, duas questões devem ser verificadas. A recorrente cumpriu os ditames normativos sobre o tema, ou seja, efetuou corretamente o auto enquadramento? O Fisco se desincumbiu do ônus de rever o enquadramento realizado pelo sujeito passivo, e ao fazêlo, se observado qualquer incorreção, orientou o contribuinte e realizou o lançamento tributário? A resposta deve ser obtida nos autos, privilegiando o princípio da verdade material que norteia o processo administrativo. Como bem relatado pela ínclita Conselheira, o contribuinte trouxe em sua impugnação Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho elaborado por profissional legalmente habilitado. Tal laudo, em que pese a discussão de sua necessidade para os fins que aqui interessam, se apresenta formalmente correto e contém informações pertinentes e aparentemente tempestivas. Porém como visto acima, a Instrução Normativa RFB nº 971, é clara em dispensar tal trabalho, imputando como únicas exigências ao auto enquadramento a consulta ao anexo do Decreto nº 3.048/99 para obtenção do grau de risco correspondente a sua atividade preponderante. Par obtêla, deve o contribuinte pura e simplesmente contar o número de trabalhadores que desenvolvem cada atividade existente no estabelecimento. Ao observarmos o conteúdo dos laudos técnicos acostados às folhas do processo digitalizado (202, 205, 212, 237, 253, 310, etc). encontraremos a informação necessária. Ao longo dos diversos laudos anexados, podemos verificar o mesmo padrão, a saber, a análise do ambiente de trabalho, a atividade desenvolvida nesse ambiente a função dos diversos trabalhadores que ali labora, devidamente quantificada. Nesse quesito podemos concluir que o recorrente cumpriu as prescrições legais relativas ao auto enquadramento. Não obstante o exposto, a Autoridade Notificante não concordou com o enquadramento realizado pelo sujeito passivo, e por via de consequência com a alíquota aplicada. Buscando realizar a verificação que decorre de seu poder dever de fiscalizar a autoridade lançadora entendeu que as atividade econômicas desenvolvidas pela empresa ensejavam grau de risco grave na maioria dos estabelecimentos do sujeito passivo. Recordemos, uma vez mais, a fundamentação de seu entendimento, conforme consta no Relatório Fiscal (efls 104): "A empresa declarou em GFIP, durante todo o período apurado e para todos os seus estabelecimentos, a alíquota de 1%, como se sua atividade fosse de risco mínimo na classificação do RAT (Riscos Ambientais do Trabalho). Ocorre que, conforme anexo I da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, o código do FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social) da empresa é 558 e código CNAE é o 5111100 (transporte aéreo de passageiros regular), com RAT de 3%, para a grande maioria de seus estabelecimentos, com exceção do CNPJ 02.012.862/000917 (código CNAE 3316302 – manutenção de aeronaves na pista), cujo RAT é de 1%, e CNPJ 02.012.862/006109 (código CNAE Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721155/201415 Acórdão n.º 2201003.060 S2C2T1 Fl. 1.470 17 3316301 –manutenção e reparação de aeronaves), cujo RAT é de 2%, ambos a partir de 01/01/2010." (negritos e sublinhados não constam do Relatório Fiscal) Não se observou no processo de fiscalização nenhuma intimação para que o contribuinte comprovasse o auto enquadramento realizado, tampouco qualquer comprovação pelo Fisco da atividade preponderante realizada em qualquer dos estabelecimentos da empresa. Como visto, a legislação tributária é claríssima em explicitar como se deve realizar o enquadramento, como se deve obter a atividade preponderante em cada estabelecimento. Isto não pôde a Autoridade Fiscal, comprovar. Nesse sentido, ao não concordar com o enquadramento realizado pelo sujeito passivo, cabia ao Agente da Administração Tributária, rever tal enquadramento, o que por óbvio, deveria ser efetuado segundo as normas prescritas pela própria Administração Tributária por meio da Instrução Normativa que regula o tema. Esse é o cerne da divergência de opinião entre este Conselheiro e a ínsigne Relatora: não há que se falar em diligência. Como sabido, cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, por meio de procedimento do lançamento de ofício, constituir o crédito tributário, revisando nos casos de auto lançamento, os procedimentos do sujeito passivo. Para tanto, ele deve, após verificar a ocorrência do fato gerador, identificar o sujeito passivo, determinar a matéria tributável, quantificar o tributo devido e, quando for o caso, aplicar a penalidade cabível. Por ser atividade vinculada e obrigatória, é dever da autoridade fiscal empreender esforços na determinação do critério material da regra matriz de incidência tributária, base de cálculo do tributo e alíquota aplicável, apropriandonos dos ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho. A mensuração das grandezas tributárias já deveria ter sido corretamente efetuada quando da lavratura do auto de infração. Podese até compreender a impossibilidade do acerto em razão da ausência de comprovação por parte do contribuinte, o que, como dito, não se verificou no caso concreto. Ao reverso, o que se observa é a total ausência de intimação do contribuinte para que apresente a comprovação do enquadramento efetuado. Consta do TEAF, Termo de Encerramento da Ação Fiscal (efls 128), que o único documento examinado na Auditoria Fiscal foram as GFIP do período fiscalizado. Não obstante a omissão do Autoridade Lançadora no tocante a intimação do contribuinte, mister ressaltar com tintas fortes que a Administração Tributária foi clara em determinar por meio de um ato que integra a legislação tributária como se deve realizar o enquadramento e por via de consequencia encontrar a alíquota aplicável. Tal rito foi simplesmente ignorado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Instada, por imperativo processual, a comprovar os fatos modificativos do lançamento quando de sua impugnação, a Recorrente soube se desvencilhar do ônus, Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 18 comprovando, ao menos numa análise perfunctória, o enquadramento tempestivamente realizado. O Fisco não cumpriu seu dever, ou seja, deixou de comprovar suas alegações, se absteve de demonstrar a exatidão do lançamento realizado. Mister recordar que o Decreto nº 70.235/72 é claro ao exigir em seu artigo 9º: "Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito" (destaques nossos) Forçoso reconhecer o vício no procedimento do lançamento tributário. Como ato administrativo que é, o auto de infração não pode ser irregular. Celso A Bandeira de Melo (Curso de Direito Administrativo, 29ª ed., p.478), assim comenta sobre a irregularidade dos atos administrativos: Atos irregulares são aqueles padecentes de vícios materiais irrelevantes, reconhecíveis de plano, ou incursos em formalização defeituosa consistente em transgressão de normas cujo real alcance é meramente o de impor a padronização interna dos instrumentos pelos quais se veiculam os atos administrativos Verificando a irregularidade do ato administrativo, deve a Administração de ofício regularizálo, em face do princípio da autotutela. Nesse sentido, a Lei 9.784, de 1999, é clara ao determinar que: "Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. (...) Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração." (grifos nossos) Observase que a Lei que regula o processo administrativo federal cinde as irregularidades do ato segundo a gravidade do mesmo. Atos portadores de defeitos sanáveis, meras irregularidades, poderão ser convalidados. Já os atos produzidos com ofensa a legalidade devem ser anulados. Sobre o tema, a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo, 14ª ed, p. 234), titular da inesquecível Faculdade de Direito do Largo São Francisco, leciona que convalidação ou saneamento "o ato administrativo pelo qual qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com efeitos retroativos à data em que este foi praticado". Além disso, a doutrinadora explicita que nem sempre é possível a convalidação, pois depende do tipo de vício que atinge o ato. Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.721155/201415 Acórdão n.º 2201003.060 S2C2T1 Fl. 1.471 19 Os defeitos atinentes à incompetência quanto à matéria, quanto ao motivo e finalidade, e ainda quanto ao objeto e conteúdo não são passíveis de convalidação. Especificamente quanto a impossibilidade de convalidação, esclarece a Professora: "O objeto ou conteúdo ilegal não pode ser objeto de convalidação." O remédio que deve ser tomado pela Administração é o previsto no artigo 53 da Lei nº 9.784/99, acima transcrito,: a anulação. Novamente, recordemos os ensinamentos de Maria Sylvia: "Quando o vício seja sanável ou convalidável, caracterizase hipótese de nulidade relativa; caso contrário, a nulidade é absoluta." Sobre o tema, devemos lembrar que as nulidades, absoluta ou relativa, produzem efeitos distintos para a Administração Tributária em razão do tempo que a lei determina para a correção do lançamento tributário viciado. Se este for convalidável, por eivado de vício formal, o saneamento deve ser realizado em 5 anos após o trânsito em julgado da decisão que anular o ato administrativo. Já o lançamento maculado por nulidade absoluta, deve ser refeito no prazo decadencial previsto no CTN, seja o do parágrafo 4º do artigo 150, seja o do inciso I do artigo 173. Tal distinção nos obriga a perquirir qual o vício existente no caso concreto. Para nós a distinção é simples e fundada no texto legal. Como ensina Maria Sylvia Zanela Di Pietro, lançamentos que contenham conteúdo ilegal não são passíveis de convalidação, pois a nulidade que ostentam é absoluta. Nesse sentido, qualquer ofensa às determinações do artigo 142 do CTN acima reproduzido, explicitados por meio do artigo 9ª do Decreto nº 70.235/72, viciam o conteúdo do ato, pois são requisitos do lançamento, atributos intrínsecos ao procedimento de constituição do crédito tributário. A lição de Paulo de Barros Carvalho corrobora a afirmação. Assevera o Professor Emérito (Curso de Direito Tributário, 14ª ed., p. 415): "O ato administrativo de lançamento será declarado nulo de pleno direito, se o motivo nele inscrito a ocorrência do fato jurídico tributário, por exemplo inexistiu. Nulo será, também, na hipótese de ser indicado sujeito passivo diferente daquele que deve integrar a obrigação tributária. Igualmente é nulo o lançamento de IR (pessoa física), lavrado antes do termo final do prazo legalmente estabelecido para que o contribuinte apresente sua declaração de rendimentos e bens. Para a nulidade se requer vício profundo, que comprometa viceralmente o ato administrativo. Seus efeitos, em decorrência, são 'ex tunc', retroagindo, linguisticamente, à data do correspondente evento. A anulação por outro lado, pressupõe invalidade iminente, que necessita de comprovação, a qual se objetiva em procedimento contraditório. Seus efeitos são 'ex nunc', começando a contar do ato que declara a nulidade" Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 20 Continua o doutrinador "(...) não importa que o ato administrativo haja sido celebrado e que nele conjuguem os elementos tidos como substanciais. Insta que seus requisitos estejam conformados às prescrições da lei" (grifamos) No caso em apreço, observamos que não comprovou o Fisco a necessidade de reenquadramento da atividade preponderante do Contribuinte. Como visto é dever do Fisco anexar ao auto de infração o elementos de prova que embasam a constituição do crédito tributário. Tal comprovação não pode ser realizada a posteriori, consoante expressa vedação do parágrafo 3º do artigo18 do Decreto nº 70.235/72, o que impede de modo absoluto a conversão em diligência nos casos de novação do lançamento, explicitando se tratar de novo lançamento, complementar ao primeiro. Por via de consequência, voto por dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo a nulidade do lançamento tributário arguída, pela ocorrência de vício material. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10980.003088/89-75
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 1994
Ementa: IPI - CLASSIFICAÇÃO FISCAL Produtos do capitulo 33 da TIPI: algemarin banho espuma; banhos de espuma marinage com e Colágenos e algas;; algemar!n banho cremoso banho cremoso marinage c o m colágeno, têm classificação adequada no capitulo 33 da TIPI/83 e da TIPI/88, e não no capitulo 34 dessa mesma TIPI. LOÇÃO pré-barba (pre shave) marinage tem classificação no código 33.06.28.00 da TIPI/83 e 33.,07,. 10..99,.00 cia TIPI/88,. Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 201-69.239
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Lino De Azevedo Mesquita
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Numero do processo: 10580.730133/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
DESCONTO NA COMPRA DE PRODUTOS PARA REVENDA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LOGÍSTICOS. CÔMPUTO NAS BASES DE PIS E COFINS.
Não pode ser considerado como desconto, porém, como receita de serviços, tributável para fins de PIS e COFINS, a redução do preço de produtos adquiridos para revenda, cuja contrapartida é a prestação de serviços logísticos.
RECUPERAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. ENTREGA DE BENS E SERVIÇOS. CÔMPUTO NAS BASES DE PIS E COFINS
Não pode ser considerado como recuperação de custos ou despesas, porém, como receita da venda de bens e serviços, os valores recebidos em contrapartida da prestação de serviços ou venda de produtos.
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO.
Para fins de apuração de crédito do PIS e da Cofins não-cumulativa, adota-se a interpretação intermediária construída neste CARF especificamente no que tange a tais contribuições, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise da essencialidade da despesa para o auferimento da receita. Nesse contexto, no caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com transportes, inclusive fretes entre filiais, aos produtos de informática, locação de veículos e demais itens correlatos, materiais de embalagem e despesas de armazenagem.
REVENDA DE PRODUTOS. VEDAÇÃO AO CÁLCULO DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS SOBRE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO IMOBILIZADO
Em atividade de revenda de mercadorias, não é admitido o cálculo de créditos de PIS e COFINS sobre a depreciação de bens do imobilizado.
TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO. VEDAÇÃO AO CÁLCULO DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS
Não há respaldo legal ao cálculo de créditos de PIS e COFINS sobre despesas com taxa de administração de cartões de crédito.
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. ICMS-ST. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS-ST não dá direito a crédito para o adquirente por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo substituído na saída.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009
PIS E COFINS. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO COM OS MESMOS FUNDAMENTOS.
Aplicam-se ao lançamento do PIS as mesmas razões de decidir aplicáveis à COFINS, quando ambos os lançamentos recaírem sobre idêntica situação fática.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. EFEITO DE CONFISCO. RAZOABILIDADE. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO.
Apresenta-se legítima a cobrança de multa de ofício nas hipóteses enquadradas nos dispositivos legais aplicáveis, sendo vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade de lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais da razoabilidade e da vedação de tributo com efeito de confisco.
JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
É lícita a incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício.
Recurso de Ofício Provido.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 3301-002.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: quanto à infração 1 (receitas indevidamente submetidas à alíquota zero): (1) por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso de Ofício que tinha por objeto, vencidas as Conselheiras Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro; em relação à infração 2 (receitas não computadas na base de cálculo): (2) por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidas as Conselheiras Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro; quanto à infração 3 (créditos apurados, em desacordo com a lei, sobre a aquisição de bens e serviços): (3.1) por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário na questão de despesas de transportes, tendo o Conselheiro Marcelo Costa Marques D´Oliveira acompanhado pelas conclusões e vencido o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que dava provimento parcial para excluir os fretes entre filiais; (3.2) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário em relação aos créditos de produtos de informática, nos termos do voto da relatora; (3.3) por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos créditos referentes ao ICMS-ST; (3.4) por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário em relação ao item locação de veículos e demais itens correlatos; (3.5) por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito ao crédito relativo a materiais de embalagem e despesas de armazenagem; (3.6) por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário no que tange ao aproveitamento de créditos relativos a encargos de depreciação de instalações e despesas com taxas de administração de cartão de crédito, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Francisco José Barroso Rios e Semíramis de Oliveira Duro; (4) por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação ao afastamento da multa de ofício; (5) por maioria de votos, em negar provimento em relação ao afastamento dos juros de mora sobre a multa de ofício (vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões).
(assinado digitalmente)
ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES - Relatora.
(assinado digitalmente)
MARCELO COSTA MARQUES D´OLIVEIRA - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, VALCIR GASSEN e MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009 DESCONTO NA COMPRA DE PRODUTOS PARA REVENDA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LOGÍSTICOS. CÔMPUTO NAS BASES DE PIS E COFINS. Não pode ser considerado como desconto, porém, como receita de serviços, tributável para fins de PIS e COFINS, a redução do preço de produtos adquiridos para revenda, cuja contrapartida é a prestação de serviços logísticos. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. ENTREGA DE BENS E SERVIÇOS. CÔMPUTO NAS BASES DE PIS E COFINS Não pode ser considerado como recuperação de custos ou despesas, porém, como receita da venda de bens e serviços, os valores recebidos em contrapartida da prestação de serviços ou venda de produtos. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. Para fins de apuração de crédito do PIS e da Cofins não-cumulativa, adota-se a interpretação intermediária construída neste CARF especificamente no que tange a tais contribuições, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise da essencialidade da despesa para o auferimento da receita. Nesse contexto, no caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com transportes, inclusive fretes entre filiais, aos produtos de informática, locação de veículos e demais itens correlatos, materiais de embalagem e despesas de armazenagem. REVENDA DE PRODUTOS. VEDAÇÃO AO CÁLCULO DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS SOBRE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO IMOBILIZADO Em atividade de revenda de mercadorias, não é admitido o cálculo de créditos de PIS e COFINS sobre a depreciação de bens do imobilizado. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO. VEDAÇÃO AO CÁLCULO DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS Não há respaldo legal ao cálculo de créditos de PIS e COFINS sobre despesas com taxa de administração de cartões de crédito. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. ICMS-ST. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS-ST não dá direito a crédito para o adquirente por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo substituído na saída. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2009 PIS E COFINS. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO COM OS MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicam-se ao lançamento do PIS as mesmas razões de decidir aplicáveis à COFINS, quando ambos os lançamentos recaírem sobre idêntica situação fática. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. EFEITO DE CONFISCO. RAZOABILIDADE. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO. Apresenta-se legítima a cobrança de multa de ofício nas hipóteses enquadradas nos dispositivos legais aplicáveis, sendo vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade de lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais da razoabilidade e da vedação de tributo com efeito de confisco. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. É lícita a incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício. Recurso de Ofício Provido. Recurso Voluntário Provido em parte.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 DESCONTO NA COMPRA DE PRODUTOS PARA REVENDA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LOGÍSTICOS. CÔMPUTO NAS BASES DE PIS E COFINS. Não pode ser considerado como desconto, porém, como receita de serviços, tributável para fins de PIS e COFINS, a redução do preço de produtos adquiridos para revenda, cuja contrapartida é a prestação de serviços logísticos. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. ENTREGA DE BENS E SERVIÇOS. CÔMPUTO NAS BASES DE PIS E COFINS Não pode ser considerado como recuperação de custos ou despesas, porém, como receita da venda de bens e serviços, os valores recebidos em contrapartida da prestação de serviços ou venda de produtos. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. Para fins de apuração de crédito do PIS e da Cofins nãocumulativa, adotase a interpretação intermediária construída neste CARF especificamente no que tange a tais contribuições, tornandose imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise da essencialidade da despesa para o auferimento da receita. Nesse contexto, no caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com transportes, inclusive fretes entre filiais, aos produtos de informática, locação de veículos e demais itens correlatos, materiais de embalagem e despesas de armazenagem. REVENDA DE PRODUTOS. VEDAÇÃO AO CÁLCULO DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS SOBRE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO IMOBILIZADO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 01 33 /2 01 3- 15 Fl. 49613DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 2 Em atividade de revenda de mercadorias, não é admitido o cálculo de créditos de PIS e COFINS sobre a depreciação de bens do imobilizado. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO. VEDAÇÃO AO CÁLCULO DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS Não há respaldo legal ao cálculo de créditos de PIS e COFINS sobre despesas com taxa de administração de cartões de crédito. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. ICMSST. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMSST não dá direito a crédito para o adquirente por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo substituído na saída. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 PIS E COFINS. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO COM OS MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicamse ao lançamento do PIS as mesmas razões de decidir aplicáveis à COFINS, quando ambos os lançamentos recaírem sobre idêntica situação fática. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. EFEITO DE CONFISCO. RAZOABILIDADE. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO. Apresentase legítima a cobrança de multa de ofício nas hipóteses enquadradas nos dispositivos legais aplicáveis, sendo vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade de lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais da razoabilidade e da vedação de tributo com efeito de confisco. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. É lícita a incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício. Recurso de Ofício Provido. Recurso Voluntário Provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: quanto à infração 1 (receitas indevidamente submetidas à alíquota zero): (1) por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso de Ofício que tinha por objeto, vencidas as Conselheiras Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro; em relação à infração 2 (receitas não computadas na base de cálculo): (2) por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidas as Conselheiras Maria Eduarda Alencar Fl. 49614DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.730133/201315 Acórdão n.º 3301002.978 S3C3T1 Fl. 49.610 3 Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro; quanto à infração 3 (créditos apurados, em desacordo com a lei, sobre a aquisição de bens e serviços): (3.1) por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário na questão de despesas de transportes, tendo o Conselheiro Marcelo Costa Marques D´Oliveira acompanhado pelas conclusões e vencido o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que dava provimento parcial para excluir os fretes entre filiais; (3.2) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário em relação aos créditos de produtos de informática, nos termos do voto da relatora; (3.3) por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos créditos referentes ao ICMSST; (3.4) por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário em relação ao item locação de veículos e demais itens correlatos; (3.5) por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito ao crédito relativo a materiais de embalagem e despesas de armazenagem; (3.6) por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário no que tange ao aproveitamento de créditos relativos a encargos de depreciação de instalações e despesas com taxas de administração de cartão de crédito, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Francisco José Barroso Rios e Semíramis de Oliveira Duro; (4) por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação ao afastamento da multa de ofício; (5) por maioria de votos, em negar provimento em relação ao afastamento dos juros de mora sobre a multa de ofício (vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões). (assinado digitalmente) ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL Presidente. (assinado digitalmente) MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES Relatora. (assinado digitalmente) MARCELO COSTA MARQUES D´OLIVEIRA Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, VALCIR GASSEN e MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES. Fl. 49615DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 4 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante da decisão recorrida, de fls. 49.421/49.437 dos autos. Tratase de impugnação contra lançamento que, apurando insuficiência de recolhimento de PIS e de Cofins, formalizou a exigência de crédito tributário no montante de R$ 87.397.225,30, compreendendo as duas contribuições, acrescidas de multa e juros, tendo por fundamento legal o art. 25 da Lei nº 10.684/2004 e demais dispositivos indicados nos autos de infração de fls. 3 a 21 e 22 a 39. A autoridade lançadora constatou que receitas operacionais não foram submetidas à tributação, sob a justificativa de tratarse de descontos financeiros e de recuperação de custos. Outras receitas deixaram de ser incluídas na base de cálculo das contribuições. Além disso, houve irregularidades no registro e utilização de créditos sobre aquisição de bens e serviços, para os quais não havia previsão legal. As infrações podem ser assim resumidas: a) receitas indevidamente submetidas à alíquota zero; b) receitas não computadas na base de cálculo; e c) créditos apurados, em desacordo com a lei, sobre a aquisição de bens e serviços. A contribuinte considerou como receita financeira valores que seriam receitas de prestação de serviço. Consta do Termo de Verificação de Infração: “...os ‘descontos’ concedidos ao Bompreço não favorecem em nada os fornecedores, pois longe de representar descontos financeiros ou descontos incondicionais apresentamse como remuneração de atividades que são próprias do Bompreço, o que, de pronto, retira todo o caráter de descontos financeiros concedidos pelos fornecedores, fortalecendo a idéia de prestação de serviços.” (fl. 45). A Fiscalização funda seu entendimento nos contratos referentes a essas operações, nos quais se insere cláusula com o seguinte teor: “O presente desconto é decorrente de serviços logísticos prestados pelo Bompreço, tais como, entregas centralizadas, transportes, manuseio, armazenagem de mercadorias e/ou ferramentas de controle” (grifo do original) Aduziu a Fiscalização que tais valores, considerados no levantamento fiscal como receita de prestação de serviço, não revestem a condição de desconto incondicional, nem de desconto financeiro. Ao lado dessa irregularidade, verificouse que receitas foram excluídas da base de cálculo das contribuições, mediante registro contábil como recuperação de custos e despesas. As contas utilizadas para esse fim têm as seguintes denominações: Recuperação Ordenados Repositores, Recuperação de Despesas com Nutrição, Recuperação Despesas Aniversário Hiper Bom Preço, Recuperação de Custos Fl. 49616DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.730133/201315 Acórdão n.º 3301002.978 S3C3T1 Fl. 49.611 5 Logísticos, Recuperação de Despesas – Bloco da Parceria, Recuperação Custos Logísticos Back Haul, Recuperação de Despesas – Encontro de Clientes Bompreço. A juízo da autoridade lançadora, não há possibilidade de tratar tais receitas como recuperação de custos, já que a contribuinte desenvolve eventos, incorrendo em despesas operacionais próprias, que, por isso, não podem ser consideradas despesas de fornecedores. Nesse sentido, afirma: “...entidades consideradas parceiras, por força de entendimentos contratuais ou não, pagamlhe valores registrados nas contas acima a título de remuneração de tais eventos. Todavia, o que efetivamente ocorre é que a Contribuinte disponibiliza serviços para seus fornecedores e por eles lhe cobra um determinado valor, caracterizandose tal operação como de prestação de serviços e não de recuperação de despesas. Logo, na realidade, a operação tem como desdobramento contábiltributário na Contribuinte uma despesa incorrida em função de eventos e uma receita auferida pela remuneração do serviço prestado. (g.n.) 43 Independentemente da forma em que se materialize tais entradas de recursos para a Contribuinte, constituemse em efetivas receitas para o seu negócio, mesmo que haja disposições contratuais transferindo responsabilidades de despesas para seus fornecedores. Portanto, não se enquadrando tais operações no conceito de recuperação de custos e/ou despesas como já delineado acima, bem como, pela própria natureza e características das mesmas, configurase o auferimento de receitas operacionais, devendo, portanto, comporem a base de cálculo das citadas contribuições.” (fl. 49) A legislação do PIS e da Cofins elege como base de cálculo o faturamento da entidade empresarial, assim entendido o total das receitas auferidas, independentemente de sua denominação e classificação contábil. Por último, foi constatada apuração de crédito sem amparo legal, considerada a atividade de comércio no varejo e, secundariamente, no atacado. Ressaltou a autoridade fiscal que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 adotaram a técnica de relacionar de forma taxativa as despesas que dão ensejo a crédito. Portanto, não basta que a despesa seja necessária ou imprescindível à atividade; é preciso, para gerar crédito, que ela figure no rol estabelecido pela lei. Na esteira desse entendimento, foram glosados os créditos relativos a: a) materiais de embalagem – a glosa se deve ao fato de que as embalagens se destinavam ao mero acondicionamento de mercadorias revendidas, situação não contemplada nas Instruções Normativas SRF 358/2003 e 404/2004; b) bens adquiridos para revenda com substituição tributária de ICMS – a apuração de créditos sobre ICMS por substituição tributária contraria o disposto no art. 3º, inciso I, das Leis nº 10.637 e 10.833; c) encargos de depreciação de instalações – não existe autorização legal ou regulamentar para a apuração de créditos sobre encargos de depreciação de instalações integrantes do ativo imobilizado; d) despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos – foram constatadas despesas, como locação de software, locação de veículos e serviços de monitoramento eletrônico, para os quais não há previsão legal de apuração de créditos; Fl. 49617DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 6 e) despesas de armazenamento de mercadorias e outros serviços – tratase de vários serviços, nenhum deles, porém, passível de gerar crédito, tendo em vista a atividade de comércio varejista, pois não é permitida a apuração de crédito quanto a serviços contratados a terceiros, quando se destinem a atividademeio; excluise da possibilidade de gerar crédito a despesa que se reflita indiretamente na prestação do serviço e na fabricação ou produção de bens destinados a venda. f) despesas com fretes para filiais e clientes – tratase de fretes realizados entre o centro de distribuição e as lojas ou de uma loja para outra, da própria contribuinte, com fins de logística e armazenagem; a legislação, entretanto, só admite crédito sobre despesas com fretes vinculados diretamente a uma operação de venda, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor; g) serviços utilizados como insumos – tratase de serviços integrados à atividade de vendas da empresa, para os quais não existe na legislação de regência dispositivo que autorize a apuração de crédito; este é vedado nos serviços destinados à atividade meio da pessoa jurídica contratante, tendo em vista a definição restritiva dada pela legislação, para a qual o conceito de insumo prendese a bens e serviços consumidos no processo de produção ou fabricação de bens ou na prestação de serviços; h) crédito de computadores – o procedimento não encontra amparo legal; a contribuinte alegou que o registro dos créditos se destinava a anular os efeitos da tributação indevida de produtos sujeitos à alíquota zero, sem todavia fazer a demonstração de que as receitas das vendas desses produtos foram incluídas na base de cálculo. Não resignada, a contribuinte impugnou o lançamento. Contestou a existência de receitas submetidas indevidamente à alíquota zero. Disse que a Fiscalização, utilizandose de um conceito restrito de receita financeira e interpretando equivocadamente os acordos comerciais firmados entre ela e seus fornecedores, classificou as receitas como oriundas de prestação de serviços. A impugnante atua no comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância na venda de gêneros alimentícios. A fim de obter melhores condições de compra, negocia descontos com seus fornecedores. Entretanto, as condições negociadas com um determinado comprador não são necessariamente as mesmas negociadas com outro, ou com todos os outros. Nesse contexto, é comum que o preço informado na nota fiscal seja o “tabelado”, concedendose, por força da negociação firmada, um desconto comercial. Na prática, o desconto é acertado previamente às compras, por meio de acordo para viger durante certo período, normalmente um ano, de modo que todas as aquisições, em tese, estariam sujeitas às mesmas condições. Portanto, o desconto reveste a condição de redutor de custos e não de prestação de serviços, como entendeu a Fiscalização. A impugnante reitera que sua atividade é vender mercadorias e não prestar serviços. Os valores colhidos no auto de infração são descontos comerciais, que se justificam pelo fato de a impugnante centralizar suas compras. Assim, induz o fornecedor a lhe conceder abatimento de preço, já que a entrega centralizada implica redução de custos relativos a transporte, distribuição, remoção e movimentação de carga. Afirma a impugnante: A fiscalização se apega à disposição contratual, ao afirmar: "o próprio contrato confere a tais operações o caráter de prestação de serviços conforme se depreende de sua leitura". E transcreve o seguinte trecho: "O presente desconto é decorrente de serviços logísticos prestados pelo Bompreço, tais como entregas Fl. 49618DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.730133/201315 Acórdão n.º 3301002.978 S3C3T1 Fl. 49.612 7 centralizadas, transportes, manuseio, armazenagem de mercadorias e/ou ferramentas de controle". Há um equívoco basilar, facilmente evidenciado quando se compreende a operação: a Impugnante adquire mercadorias; pelo fato de a entrega ser centralizada, o fornecedor concede descontos; a partir da entrega da mercadoria na central de distribuição, esta passa para a titularidade da Impugnante; dentro da sua programação, a Impugnante decide para onde a mercadoria vai ser destinada; o desconto não tem qualquer relação com o destino da mercadoria (se mais longe ou mais perto); e se por qualquer motivo a mercadoria não sair do CD (perda, consumo, deterioração etc.), o fornecedor não tem o direito de reclamar o desconto. Veja que a prestação de serviço a que alude o contrato e à qual a fiscalização se apega não ocorrerá em hipótese alguma: primeiro que a mercadoria já é da Impugnante, não podendo ela prestar serviço para si mesma; segundo que a mercadoria pode, por alguma razão, permanecer no CD e mesmo assim o desconto persistirá. O que isso evidencia é que a prestação de serviço a que alude o contrato é uma figura ilustrativa que justifica o desconto (técnica de negociação). O objetivo, portanto, é o desconto em si mesmo e não uma prestação de serviço. Se a Impugnante vai reverter esse desconto para reduzir preço, para reformar, ampliar ou abrir novas lojas, montar um centro de distribuição, fazer ações de marketing etc, nada disso interessa. O que interessa é que o custo de aquisição foi reduzido em razão do desconto obtido e essa redução do custo de aquisição não é, em absoluto, receita. Não estão presentes, frisese, dois dos elementos da prestação de serviço, a saber: (i) bilateralidade e (ii) comutatividade. (fl. 48.893) Reiterou que desconto não é receita, independentemente de como venha a ser contabilizado, não podendo, por isso, compor a base de cálculo de PIS e Cofins. Da mesma forma não revestem a condição de receita as reduções de custo ou de despesa, por não caracterizarem ingressos de cunho patrimonial. Ponderou a impugnante que a Fiscalização afastara a natureza incondicional do desconto pelo simples fato de o abatimento não constar da nota fiscal. Porém, a omissão do desconto no documento é decorrência de segredo comercial, que especificamente se destinava a evitar que concorrentes pressionassem o fornecedor, a fim de obter idêntica vantagem. Quanto à segunda infração, receitas não incluídas na base de cálculo, disse aplicaremse todos os argumentos já expostos. Afirmou que algumas contas mencionadas pela Fiscalização não se referem à prestação de serviço, mas sim a descontos incondicionais. Outras registram recuperação de despesas, que não podem ser confundidas com prestação de serviço. No que se refere à apuração indevida de créditos, a impugnante acusa a Fiscalização de ter cometido dois equívocos: a) glosar créditos expressamente previstos em lei, e b) considerar como taxativa a lista das Leis nº 10.637 e 10.833, com os fatos e situações geradores de crédito de PIS e Cofins, ignorando o caráter exemplificativo da referida relação. Fl. 49619DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 8 Estando a não cumulatividade de PIS e Cofins prevista na Constituição Federal, não pode a lei que a regulamenta criar mecanismos tendentes a mitigar o alcance da regra, daí porque a lista das Leis nº 10.637 e 10.833 não comporta interpretação restritiva, sob pena de gerar distorções, como a produzida pela Fiscalização. Pelo princípio constitucional da não cumulatividade, todo insumo necessário à obtenção de receita confere direito a crédito, razão pela qual o rol do art. 3º das leis citadas ser meramente exemplificativo. Além disso, o conceito de insumo para PIS e Cofins é mais amplo do que o conceito para o IPI. Por essas razões, deve ser admitido o crédito na aquisição de embalagens para acondicionamento dos produtos vendidos pela impugnante, pois a essencialidade dessas despesas é notória para a obtenção das receitas próprias à atividade empresarial. Quanto à glosa de créditos relativos a mercadorias sujeitas à substituição tributária do ICMS, adquiridas para revenda, a impugnante arguiu preliminarmente a nulidade, por cerceamento de defesa em face da ausência de motivação. Apesar disso, afirmou que o crédito é calculado sobre o valor total, nele incluído o ICMS cobrado antecipadamente por substituição, porquanto o tributo não é recuperável, integrando o custo da mercadoria. A impugnante se insurgiu contra a glosa de créditos referentes a encargos de depreciação de bens adquiridos para o ativo permanente, tais como, gôndolas, equipamentos de refrigeração, equipamentos de padaria, geladeiras, empilhadeiras etc, alegando que se trata de despesas de notória necessidade para a atividade comercial. O mesmo se dá com as despesas de aluguel de máquinas e equipamentos. Especificamente, no que concerne à locação de veículos, existiria afronta ao disposto no inciso IV do art. 3º da lei. Alegou acerca das despesas de armazenagem de mercadorias que a possibilidade de apuração de crédito decorre do conceito constitucional de não cumulatividade. Quanto às despesas de frete para filiais e de frete para clientes, admitiu que não teve tempo hábil para segregar as duas despesas, o que gerou a glosa total. Requereu, portanto, fazer a juntada da documentação posteriormente. Todavia, sustenta que em qualquer hipótese, mesmo de frete para filiais, as despesas dariam direito a crédito, porque são essenciais ao exercício da atividade empresarial. Igualmente indispensáveis seriam as despesas com o pagamento da taxa de administração de cartões de crédito e de débito. A última situação de glosa de crédito se refere a computadores. Disse que a Lei nº 11.196/2005 reduziu a zero as alíquotas do PIS e da Cofins aplicáveis e bens de informática. Porém, por questões operacionais, a impugnante não consegue segregar, no momento da venda, os itens de informática passíveis de alíquota zero. Os referidos produtos são vendidos com incidência normal de ambas as contribuições. Assim, o crédito que a Fiscalização reputou ilegítimo se destinava a estornar débito em desacordo com a lei. Afirmou que a prova dessa alegação é feita pelo documento anexo (doc 12). Quanto à multa, arguiu ilegitimidade do percentual de 75%, que teria sido aplicado sem atentar para a correta dosimetria da pena, pois não teriam sido considerados aspectos específicos necessários à individualização. Além disso, faltaria à autoridade lançadora competência para aplicar multa, lhe cabendo tão somente propor a aplicação. A tudo isso, acresce o fato de não terem sido observados os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade que impediriam o efeito confiscatório. Por fim sustentou a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa. Fl. 49620DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.730133/201315 Acórdão n.º 3301002.978 S3C3T1 Fl. 49.613 9 Com esses fundamentos, pugnou pela improcedência da ação fiscal e pela nulidade dos autos de infração. Ao analisar o caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) entendeu por dar parcial provimento ao pleito do contribuinte (o demonstrativo de fls. 49.436/49.447 dos autos indica os valores mantidos), conforme fundamentos a seguir resumidos: a) infração 1 receitas indevidamente submetidas à alíquota zero entendeu por exonerar os valores relativos à tal infração, por considerar que, no caso, não restou caracterizada a prestação de serviços; b) infração 2 receitas não computadas na base de cálculo – entendeu por manter os valores lançados, sob o fundamento de que este item reportarseia à recuperação de custos e despesas, e que não seria possível admitir a sua exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS pela falta de clareza e pela ambiguidade da denominação dada a cada uma das contas supostamente destinadas a registrar a recuperação de custos e despesas (Recuperação Despesas Aniversário Hiper Bom Preço, Recuperação de Despesas – Bloco da Parceria e Recuperação de Despesas – Encontro de Clientes Bompreço), somada à falta de esclarecimentos e de comprovação documental dos custos e despesas contemplados naquelas contas, ônus que incumbia ao contribuinte. c) infração 3 créditos apurados, em desacordo com a lei, sobre a aquisição de bens e serviços entendeu por manter os valores lançados em sua integralidade, sob o fundamento de que o legislador teria optado por definir de forma taxativa as situações que dariam direito a crédito de PIS e COFINS, não acobertando os créditos pretendidos pelo contribuinte. d) Por fim, manteve a multa de ofício aplicada e deixou de conhecer dos argumentos relativos à incidência de juros de mora sobre a multa e à arguição de efeito confiscatório da penalidade. O acórdão n. 0436.442 restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INEXISTÊNCIA DOS ELEMENTOS INERENTES AO CONTRATO. DESCARACTERIZAÇÃO. Afastase a tributação de receitas supostamente oriundas de prestação de serviços, quando, no caso concreto, estiverem ausentes os elementos caracterizadores do contrato de prestação de serviços. REDUÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA DE COFINS. CABIMENTO. É cabível a incidência de Cofins quando se constata redução da base de cálculo mediante lançamento como redução de custos e despesas cuja existência o contribuinte não comprovar. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITO. Consideramse insumos para fins de apuração de crédito da Cofins não cumulativa as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação Fl. 49621DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 10 diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. RAZOABILIDADE. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO. É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade de lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais da razoabilidade e da vedação de tributo com efeito de confisco. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA. FATO NÃO OCORRIDO. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício só é passível de impugnação a partir do momento em que o fato se materializar, sendo defeso ao órgão julgador conhecer da impugnação para apreciar a matéria preventivamente ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 PIS E COFINS. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicamse ao lançamento do PIS as mesmas razões de decidir aplicáveis à Cofins, quando ambos os lançamentos recaírem sobre idêntica situação fática. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Face à referida decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 49.447/49.493), por meio do qual alegou, resumidamente: a. Erros na premissa de que partiu a decisão recorrida em relação à segunda infração (tratada no acórdão recorrido como “Receitas subtraídas da base de cálculo como redução de custos”). Aponta que nas duas infrações (primeira e segunda) a acusação seria exatamente a mesma (suposta receita de prestação de serviços) e que a origem dos valores contabilizados também seria a mesma (descontos acertados com fornecedores por meio de Acordos Comerciais). A fiscalização teria distinguido as hipóteses apenas porque contabilmente e gerencialmente foram tratadas de forma diferente pela Recorrente. Logo, defende que deveria à segunda infração a mesma conclusão atinente à primeira infração, reconhecendose como improcedente a autuação, visto que a Recorrente não presta serviços; b. Reitera os argumentos constantes da sua impugnação, e acolhidos pela decisão recorrida no que tange à primeira infração, no sentido de que: (i) a acusação fiscal é de que os descontos constituem receitas auferidas pela Recorrente decorrente de pretenso contrato de prestação de serviços firmado com seus fornecedores; (ii) está comprovado que a Recorrente não presta serviços aos seus fornecedores; (iii) os descontos, por qualquer ângulo que se olhe (comercial ou financeiro) não é tributado pelo PIS/COFINS. c. Sobre a glosa dos créditos mantida pela decisão recorrida, após fazer um arrazoado sobre o princípio da nãocumulatividade, defendeu que teria direito à manutenção dos créditos relativos a: (i) despesas de transporte; (ii) produtos de informática; (iii) ICMSST; (iv) locação de veículos; (v) materiais de embalagem; (vi) encargos de depreciação de instalações; (vii) despesas de armazenagem de mercadorias; (viii) serviços utilizados como insumos. Destacou que, quanto aos itens (v) a (viii) acima, apesar de ter Fl. 49622DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.730133/201315 Acórdão n.º 3301002.978 S3C3T1 Fl. 49.614 11 impugnado expressamente a glosa de tais rubricas em tópicos próprios da sua impugnação, a DRJ não teria se manifestado quanto aos mesmos. d. Ilegitimidade da multa de ofício aplicada; e. Não incidência de juros de mora sobre a multa aplicada. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por seu turno, apresentou contrarrazões ao referido Recurso Voluntário, combatendo os argumentos trazidos pelo contribuinte, bem como Razões ao Recurso de Ofício (fls. 49.573/49.605), através do qual argumentou, resumidamente, que deveria ser reformada a decisão recorrida, mantendose o lançamento também quanto às receitas indevidamente tributadas à alíquota zero (Infração 1), visto que refletiriam valores que a empresa auferiu, ainda que mediante compensação de suas obrigações, representando faturamento apto a compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Ato contínuo, o presente processo foi distribuído a essa Relatora, para fins de julgamento tanto do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, quanto do Recurso de Ofício cujas razões foram apresentadas de forma expressa pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 49623DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 12 Voto Vencido Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Da admissibilidade No caso dos autos, é cabível Recurso de Ofício, nos termos do art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 2º da Portaria MF nº 03/2008, cujas razões, in casu, foram apresentadas de forma expressa pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (fls. 49.573/49.605). O Recurso Voluntário (fls. 49.447/49.493), por seu turno, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passase, então, à análise de ambos os recursos. Do mérito Conforme acima narrado, foram três fundamentos que levaram à autuação, os quais possuíram os seguintes desfechos, conforme Acórdão n. 0436.442: a) infração 1 receitas indevidamente submetidas à alíquota zero (objeto do Recurso de Ofício) entendeu por exonerar os valores relativos à tal infração, por considerar que, no caso, não restou caracterizada a prestação de serviços; b) infração 2 receitas não computadas na base de cálculo (objeto do Recurso Voluntário) – entendeu por manter os valores lançados, sob o fundamento de que este item reportarseia à recuperação de custos e despesas, e que não seria possível admitir a sua exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS pela falta de clareza e pela ambiguidade da denominação dada a cada uma das contas supostamente destinadas a registrar a recuperação de custos e despesas (Recuperação Despesas Aniversário Hiper Bom Preço, Recuperação de Despesas – Bloco da Parceria e Recuperação de Despesas – Encontro de Clientes Bompreço), somada à falta de esclarecimentos e de comprovação documental dos custos e despesas contemplados naquelas contas, ônus que incumbia ao contribuinte. c) infração 3 créditos apurados, em desacordo com a lei, sobre a aquisição de bens e serviços (objeto do Recurso Voluntário) entendeu por manter os valores lançados em sua integralidade, sob o fundamento de que o legislador teria optado por definir de forma taxativa as situações que dariam direito a crédito de PIS e COFINS, não acobertando os créditos pretendidos pelo contribuinte. d) Por fim, manteve a multa de ofício aplicada e deixou de conhecer dos argumentos relativos à incidência de juros de mora sobre a multa e à arguição de efeito confiscatório da penalidade (objeto do Recurso Voluntário). A Fazenda Nacional insurgese parcialmente contra o acórdão, sustentando a manutenção do auto de infração também no que concerne às receitas indevidamente tributadas à alíquota zero (infração 1). O Contribuinte, por sua vez, postula a reforma da decisão quanto às demais matérias. Fl. 49624DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.730133/201315 Acórdão n.º 3301002.978 S3C3T1 Fl. 49.615 13 Devidamente contextualizada a lide, passase à análise pontual dos temas que são objeto dos recursos interpostos. 1) Receitas indevidamente submetidas à alíquota zero (objeto do Recurso de Ofício) Neste ponto, alegou o Contribuinte em sua impugnação que os descontos concedidos pelos seus fornecedores não compõem a receita da pessoa jurídica, constituindose em redutores de custo na aquisição das mercadorias, pelo que não haveria receita tributável pelo PIS e pela COFINS. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por seu turno, defende que, segundo a sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, as contribuições incidiriam sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nesse contexto, argumenta que a receita pode ser gerada não apenas pela efetiva entrada de dinheiro, como também por outras formas, como a redução do passível exigível (obrigação com terceiros). E, no caso concreto em análise, conclui que todas as contas incluídas na base de cálculo das contribuições refletiriam exatamente valores que a empresa auferiu, ainda que mediante compensação de suas obrigações, em razão da exploração da sua atividade econômica. Resumiu, então, que a recorrente cobraria de seus fornecedores por diversas atividades (exemplos: para participar de uma abertura da loja, para seu produto ficar em lugar mais visível ou de destaque na prateleira, para utilizar centro de distribuição do supermercado, para se valer da propaganda do mercado, etc.) e que o pagamento ocorreria, normalmente, na forma de descontos no preço das mercadorias entregues ao supermercado. O ponto principal a ser verificado, portanto, é se os descontos obtidos pela Contribuinte junto aos seus fornecedores, e que culminaram com a obtenção de redução do valor do preço das faturas/duplicatas a pagar, podem ser considerados como prestação de serviços, e se integram ou não a base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobre o assunto, assim entendeu a DRJ em Campo Grande (MS): “[...] A controvérsia gira em torno da natureza jurídica dos valores tributados. Vale dizer, saber se eles se enquadram em uma de duas situações: remuneração pela prestação de serviços (e, assim, tributável); ou desconto (que se for financeiro fica sujeito à alíquota zero, e se for comercial deve ser excluído da base de cálculo). Considerando os documentos constantes dos autos, a atividade econômica da impugnante e o objeto principal dos contratos firmados entre ela e seus fornecedores, enfim, considerando todos esses aspectos, não se pode concluir ter havido efetiva prestação de serviços que fosse, ou pudesse ser, a causa daquelas receitas (ou daqueles descontos). Isso se evidencia pela comparação do modelo do contrato de prestação de serviço com os dados da situação fática em exame. O contrato de prestação de serviços se caracteriza pela bilateralidade, tendo necessariamente duas partes: de um lado o que se obriga a prestar uma atividade e do outro aquele em favor de quem a atividade é prestada, o qual, por sua vez, deve remunerar o primeiro, o prestador. O acordo de vontades recai sobre uma determinada atividade, o objeto da prestação. Fl. 49625DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 14 Do conceito se extrai que ninguém pode prestar serviço para si mesmo e que toda prestação de serviço é onerosa, envolvendo prestações recíprocas de cunho econômico (atividade x remuneração). No caso em tela, o contrato teria por objeto serviços de logística a serem prestados pela impugnante a seus fornecedores, especificamente, entregas centralizadas, transportes, manuseio, armazenagem de mercadorias e ferramentas de controle. Esse tipo de serviço, entretanto, não poderia ter sido desenvolvido na situação específica que se examina. Isso porque, de acordo com o Direito Civil, a propriedade de bem móvel se transfere pela tradição, ou seja, pela entrega da coisa. Antes da tradição não há transferência de propriedade, diz o art. 1.267 do Código Civil. No caso de compra e venda de mercadoria, bem móvel por definição, a entrega física da coisa aperfeiçoa a transmissão da propriedade, que pode ocorrer no estabelecimento do comprador, se o vendedor assumir a responsabilidade pela entrega; ou no estabelecimento do vendedor, se couber ao comprador fazer a retirada dos bens. Porém, em qualquer caso, no momento em que o comprador receba fisicamente as mercadorias, estas ingressam em seu patrimônio, pela aquisição da propriedade que se consuma com tradição. Daí em diante, o manuseio, o transporte, a remoção e a armazenagem se fazem por conta e risco do comprador, já então o proprietário dos bens. Tais atividades, quando realizadas pelo proprietário das mercadorias, não assumem a natureza de prestação de serviço, porque ninguém pode prestar serviço a si mesmo, mercê da bilateralidade que caracteriza esse tipo de contrato. Por outro lado, tais atividades não podem ser tidas como serviço prestado ao vendedor, porquanto a este não proporcionam nenhuma vantagem ou benefício. No contrato de prestação de serviço, o tomador é aquele em favor de quem a atividade é prestada e para quem ela proporciona uma vantagem. Logo, se o vendedor já não é o proprietário das mercadorias e se para ele o transporte, a remoção, o manuseio e a armazenagem não representam nenhum benefício, então ele não pode ser parte em um suposto contrato de prestação de serviço, que tenha por objeto aquelas atividades. Essas são, em resumo, as razões pelas quais não se afigura correto considerar que os valores contabilizados pela impugnante como descontos possam ser reclassificados para receitas de prestação de serviço. É verdade que foi a própria impugnante quem denominou, em cláusula do acordo comercial, a situação como prestação de serviços. Mas é igualmente verdade que a natureza jurídica de um contrato não depende da denominação que se lhe dê, mas sim dos elementos essenciais afetos à sua dinâmica e estrutura. Por essas razões, no ponto que se examina, o crédito tributário deve ser considerado insubsistente, devendo ser excluídos os valores considerados como remuneração de serviços. Entendo correto o entendimento ali exposto, cujos fundamentos adoto como razão de decidir. Isso porque, consoante corretamente concluiu o Relator em seu voto, inclusive em atenção ao princípio da verdade material, não deve este órgão julgador se ater às Fl. 49626DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.730133/201315 Acórdão n.º 3301002.978 S3C3T1 Fl. 49.616 15 formalidades (indicação nos contratos de suposta prestação de serviços, ou mesmo a ausência da indicação do desconto nas notas fiscais), mas sim à essência da operação. E, consoante acima exposto, “Considerando os documentos constantes dos autos, a atividade econômica da impugnante e o objeto principal dos contratos firmados entre ela e os fornecedores, enfim, considerando todos esses aspectos, não se pode concluir ter havido efetiva prestação de serviços que fosse, ou pudesse ser, a causa daquelas receitas (ou daqueles descontos)”. Se, de um lado, os artigos 1ºs das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 determinam que a incidência das contribuições para o PIS e a COFINS darseá sobre a “receita”, independente da classificação contábil, com o objetivo de inibir fraudes eventualmente praticadas pelos Contribuintes para mascarar valores tributáveis, de outro também se presta a impedir que haja a tributação de valores que, apesar da classificação contábil, não sejam efetivamente “receita”. Em outras palavras, da mesma forma que a fiscalização está apta a desconsiderar o aspecto formal quando este não representar a operação efetivamente realizada, para fins de tributar operação tributável, não poderá privilegiar o aspecto formal quando ciente de que este não representa a operação efetivamente ocorrida, na pretensão de tributar situação não tributável. Ou seja, não se pode admitir que sejam adotados dois pesos e duas medidas. É fato que a essência deve prevalecer sobre a forma, o que significa, na hipótese dos autos, em averiguar se determinada grandeza é ou não receita. No caso ora em análise, conforme indicado no Termo de Verificação de Infração (fls. 41 e seguintes do auto de infração), a empresa autuada tem como objeto social "a exploração de atividades relacionadas ao comércio, no varejo ou atacado, de produtos alimentícios em geral, industrializados ou não, no ramo de supermercados, hipermercados e magazines em seus estabelecimentos ou através de catálogos, por televisão, Internet e outros meios de comunicação. Complementarmente há registro de que pode haver o exercício de diversas atividades, tais como: gestão de participação societária e comercialização de sementes, mudas e produtos de origem animal". De uma simples leitura do objeto social indicado pela própria fiscalização, extraise que não há quaisquer das atividades de prestação de serviços apontadas como tendo ocorrido in casu (cobrança realizada a seus fornecedores por diversas atividades, tais quais: para participar de uma abertura da loja, para seu produto ficar em lugar mais visível ou de destaque na prateleira, para utilizar centro de distribuição do supermercado, para se valer da propaganda do mercado, etc.). Logo, não se sustenta o argumento da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional de que os descontos ora analisados não poderiam ser admitidos visto que representariam uma receita da empresa autuada, ainda que mediante compensação de suas obrigações, pois tais atividades decorreriam da exploração da atividade econômica da empresa. Até porque, a própria Procuradoria reconhece em suas contrarrazões ao Recurso Voluntário, ao tratar sobre as razões que justificariam as glosas dos créditos realizadas pela fiscalização, que o objeto social da empresa é o "comércio varejista e atacadista de produtos alimentícios em geral" (vide fl. 49.563 dos autos). Consoante apontado no Termo de Verificação de Infração e reconhecido pela própria PGFN, portanto, a empresa atua no ramo de comércio, e não de prestação de serviços. Entendo, pois, que não há prestação de serviços sendo realizada, mas sim tão somente a Fl. 49627DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 16 concessão de descontos relativos a aspectos comerciais existentes entre a empresa autuada e os seus fornecedores. De outro norte, da análise dos contratos celebrados entre o sujeito passivo e os seus fornecedores, concluo que representam acordos comerciais que estabelecem regras relativas à concessão de descontos e/ou bonificações decorrentes de operações comerciais. Não há, pois, prestação de serviços de uma parte a outra. São instrumentos jurídicos que tratam de redução de custos, não se enquadrando no conceito de receitas. Até porque, como bem asseverou a decisão recorrida, não há que se falar em prestação de serviços sem que reste caracterizada a bilateralidade e onerosidade. E, uma vez que a propriedade de bem móvel se transfere pela tradição (art. 1.267 do Código Civil), após adquirida e recebida a mercadoria por parte da empresa autuada, não há como se entender que esta esteja prestando serviços para si própria (os contratos teriam por objeto, entre outros, serviços de logística a serem prestados pela impugnante a seus fornecedores, especificamente, entregas centralizadas, transportes, manuseio, armazenagem de mercadorias e ferramentas de controle, etc.). Constatado, pois, que não houve a prestação de serviços apontada pela fiscalização, mas verdadeiros descontos relativos à aquisição das mercadorias, cai por terra o fundamento que levou à lavratura do auto de infração. Isso porque, consoante restará a seguir demonstrado, é assente que as contribuições do PIS e da COFINS não incidem sobre tais descontos. Há que se perquirir no caso em análise, portanto, se os descontos descritos nos contratos em tela estão inseridos no conceito de receita, para fins de tributação pelo PIS e pela COFINS. A tributação recairá, portanto, sobre o que efetivamente se constitui como “receita”, e não sobre outra grandeza que a ela não se amolde em termos de definição, conteúdo e forma. Sobre o conceito de “receita”, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) aprovou em 19/10/2012 o Pronunciamento Técnico CPC 30 (R1) Receitas, referendado pela CVM por meio da Deliberação nº 692/12, tendo definido “receita” como o "aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade". O item 10 do CPC nº 30, por seu turno, definiu que as bonificações ou os descontos deverão ser deduzidos da receita pela sociedade no momento do registro contábil: Mensuração da receita 9. A receita deve ser mensurada pelo valor justo da contraprestação recebida ou a receber. 10. O montante da receita proveniente de uma transação é geralmente acordado entre a entidade e o comprador ou usuário do ativo e é mensurado pelo valor justo da contraprestação recebida, deduzida de quaisquer descontos comerciais e/ou bonificações concedidos pela entidade ao comprador. (grifouse) Nesse mesmo sentido, trazse à colação o Pronunciamento Técnico CPC 16 Estoques, aprovado pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) em 08/05/2009, e referendado pela CVM Deliberação nº 575/09 alt. 624/10, que, ao tratar dos custos de aquisição do estoque, estabelece que os "descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição": Fl. 49628DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.730133/201315 Acórdão n.º 3301002.978 S3C3T1 Fl. 49.617 17 Custos de aquisição 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. (grifouse) Ainda, é válido trazer à baila as Deliberações CVM nºs 575 e 597/2009, que aprovaram os CPC´s nºs 16 e 30, respectivamente, estabelecendo normas sobre a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos de direito societário de sua competência, dentre eles o custo e a receita, bem como determinando que as bonificações e/ou descontos comerciais não integram a receita da entidade societária, por se tratar de redução de custos dos estoques. Tal conceito foi reconhecido, inclusive, pela própria Administração Tributária no Parecer CST/SIPR nº 1.386/1982 e na IN SRF nº 51/78, em que restou consignado que as bonificações e os descontos comerciais são vantagens ofertadas pelo vendedor ao comprador. Logo, em consonância com as definições jurídica e contábil de receita e a regulação de estoques, resta forçoso reconhecer que os descontos comerciais devem ser classificados como redução de custo, não se enquadrando como receita para fins de tributação do PIS e da COFINS. Até porque, é cediço que os termos “custo” e “receita” devem ser interpretados pelas regras de Direito Privado que lhes são próprias, nos moldes do que determina o artigo 110 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Portanto, concluise que os descontos comerciais obtidos pela empresa autuada em decorrência dos contratos firmados com os seus fornecedores não compõem a receita da pessoa jurídica, não havendo que se falar, pois, em incidência de PIS e COFINS sobre as mesmas. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive, já se debruçou sobre o presente tema, reconhecendo a não incidência do PIS e da COFINS sobre os descontos comerciais/bonificações, consoante decisão a seguir colacionada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1999 a 30/06/2004 COFINS. MERCADORIAS RECEBIDAS EM BONIFICAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. O recebimento de mercadorias em bonificação implica mera redução do respectivo custo unitário de aquisição. Redução de custo não equivale a Fl. 49629DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 18 receita e, portanto, não pode ser fato gerador da COFINS, nem mesmo após a vigência da EC nº 20/98. Recurso Provido. (Processo n. 13509.000157/200406, Acórdão nº 3403 00.393, 24/05/2010) Por oportuno, é válido destacar que, embora a decisão acima transcrita trate de bonificações recebidas em mercadorias, o Relator deixou claro em seu voto que o tratamento jurídico deverá ser o mesmo na hipótese de descontos obtidos pelo comprador do fornecedor, como é o caso destes autos. É o que se extrai da passagem a seguir: [...] A questão reside em saber se mercadorias recebidas como bonificação consideramse receitas para os fins das Leis n as 9318/98 e 10,833/03. A bonificação consiste em uma política de relacionamento comercial pela qual o fornecedor entrega ao adquirente uma quantidade de itens do produto vendido maior do que a quantidade contratada, sem acréscimo do preço total. Tal se dá como forma de estimular a fidelização entre as partes, de reconhecer a relevância da compra realizada pelo adquirente, enfim, de cultivar e fomentar a relação com um parceiro comercial qualquer. Tratase, a meu ver, de fenômeno de idêntica natureza jurídica a do desconto obtido. Neste, o fornecedor mantém a quantidade vendida, mas reduz o preço total (portanto, ajustase o fator "preço"). Nas bonificações, o fornecedor mantém o preço, mas aumenta a quantidade vendida (portanto, ajustase o fator "quantidade"). Numa e noutra hipóteses, a ocorrência relevante é a mesma: a redução do valor unitário do produto adquirido no âmbito de um mesmo negócio jurídico. E — eis o fundamental — redução de custo não equivale a geração de receita. A confusão conceitual entre redução de custo e receita não trazia maiores distorções quando apenas o resultado da pessoa jurídica era tributado. Nesse ambiente, era mesmo indiferente considerar um desconto obtido como receita ou como estorno de custo, pois qualquer desses lançamentos — receita e estorno — repercutiria igualmente na apuração do resultado tributável. Contudo, no momento em que, com a edição da EC n° 20/98, a receita passa a ser uma grandeza econômica elegível como base imponível autônoma, então a distinção rigorosa entre esses dois fenômenos tornase imperiosa. Nesse sentido, o alerta de Hugo de Brito Machado: "Agora, porém, como existem contribuições que incidem sobre a receita bruta, tornouse da maior relevância a adequada identificação dos descontos obtidos dos fornecedores de bens ou serviços, posto que se escriturar esses descontos como redução de custos evita que os valores respectivos integrem a base de cálculo daquelas contribuições" (Os descontos obtidos e a base de cálculo das contribuições Pis/Cofins, in RDDT n" 134, p.45). Marco Aurélio Greco também enfatiza a necessidade de distinção teórica entre redução de custo e receita, considerando que apenas a segunda materialidade constitui base possível das contribuições securitárias: Fl. 49630DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.730133/201315 Acórdão n.º 3301002.978 S3C3T1 Fl. 49.618 19 "Ou seja, não está abrangido pela competência constitucional o conjunto .formado por aquelas figuras que digam respeito a despesas da pessoa jurídica (.) O conceito constitucional também não alcança aquelas eventualidades que interfiram com as despesas para diminuíIas" (Cofias na Lei 9.718/98 — Variações cambiais e regime de alíquota acrescida, in RDDT nº 50, p. 130) Ainda se disputa na doutrina o alcance semântico do termo receita, por exemplo, se o ganho deve ou não decorrer da atividade produtiva do sujeito. Mas não parece haver dúvida quanto à necessidade de que o sujeito perceba um ingresso de recursos, financeiros em sua esfera patrimonial. Nesse sentido, as definições concebidas, respectivamente, por Geraldo Ataliba, José Souto Maior Borges e José Antonio Minatel: "O conceito de receita referese a uma entrada. Entrada é todo dinheiro que ingressa nos cofres de determinada entidade. Nem toda entrada é receita. Receita é a entrada que passa a pertencer à entidade" (in ISS — Base Imponível. Estudos e pareceres de direito tributário, 1' vol. São Paulo: RT, 1978, p.. 85)" "Para a receita total vigora, então, um critério material e substancial infraconstitucional — é o ingresso efetivo de dinheiro ou 'variações positivas' no patrimônio das empresas, é dizer: decorrentes ou não dos seus resultados operacionais" (As contribuições sociais (Pis/Cofins) e a jurisprudência do STF, in RDDT n" 118, p. 80). "Anunciamos ser receita [_] o ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica, em caráter definitivo proveniente dos negócios jurídicos que envolvam o exercício da atividade empresarial, que corresponda à contraprestação pela venda de mercadorias. " (in Conteúdo do conceito jurídico de receita. São Paulo MP Editora, 200,5, p, 124). Pois os eventos redutores de custos se afastam do conceito de receita já por lhes faltarem esse requisito essencial à figura. [...] Enfim, as mercadorias recebidas em bonificação não repercutem na base imponível da contribuição ao PIS e da COFINS no momento em que são recebidas, mas sim quando, posteriormente, são vendidas, proporcionando o ingresso de recursos financeiros representado pelo preço da venda. [...] Por tudo isso, entendo que as mercadorias recebidas como bonificações não integram a base de cálculo de PIS e de COFINS. [...] Nesse contexto, concordo com os argumentos acima expostos, no sentido de que, independentemente da forma da vantagem concedida (bonificação ou desconto comercial), estáse diante de redução de custos de aquisição de produtos, não havendo que se falar em ingresso de recursos apto a caracterizar o conceito de “receita” para fins de tributação pelo PIS e pela COFINS. Repisese que, da análise do objeto social da empresa autuada, bem como dos termos contratuais constantes dos acordos firmados pelo sujeito passivo com os seus Fl. 49631DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 20 fornecedores, chegase à conclusão de que houve a concessão de descontos comerciais e/ou bonificações, e não a prestação de serviços, como equivocadamente concluiu a fiscalização. Por fim, é válido mencionar ainda que não se sustentaria eventual entendimento no sentido de que, não tendo o parágrafo 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 ou os parágrafos 3º dos artigos 1º das Leis nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003 excluído expressamente da receita bruta o valor correspondente a tais descontos (admitindo expressamente apenas os descontos incondicionais), este deveria compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso porque a essência da questão não está na ausência de previsão expressa determinando tal exclusão, mas sim na possibilidade de se considerar que tal registro integra o conceito de receita, nos moldes do que dispõe a legislação pátria. A exclusão disposta nos referidos parágrafos não pode ser interpretada no sentido de incluir na base de cálculo dessas contribuições valor que não integra tal conceito. E ainda que assim não se entendesse, há que se reconhecer que, de toda forma, não haveria que se falar em incidência do PIS e da COFINS no presente caso, visto que os descontos aqui analisados, de toda forma, enquadrarseiam como incondicionais, visto que concedidos por razões comerciais, mediante interesse mútuo e liberalidade das partes. Nesse sentido, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo a decisão recorrida que exonerou os valores relativos à tal infração, por seus próprios fundamentos, acrescida das demais razões acima expostas. 2) Receitas não computadas na base de cálculo (objeto do Recurso Voluntário) Quanto à segunda infração, concernente às receitas não computadas na base de cálculo, o sujeito passivo alega em seu recurso que a decisão recorrida incorreu em equívoco ao analisar o caso. Isso porque, teria adotado como premissa que o enquadramento como prestação de serviços realizado pela fiscalização teria ocorrido apenas quanto à infração 1 e que a infração 2 reportarseia à recuperação de custos e despesas. Assim, considerando que o contribuinte não teria se desincumbido do seu ônus de esclarecer e comprovar os custos e despesas contemplados nas contas relacionadas no auto de infração, entendeu a DRJ por manter a autuação quanto a tal ponto. Aponta o contribuinte, então, que nas duas infrações (primeira e segunda) a acusação seria exatamente a mesma (suposta receita de prestação de serviços) e que a origem dos valores contabilizados também seria a mesma (descontos acertados com fornecedores por meio de Acordos Comerciais). A fiscalização teria distinguido as hipóteses em duas infrações apenas porque as situações foram tratadas de forma diferente pela Recorrente, num momento tendo sido tratada contabilmente como descontos financeiros (para fins gerenciais) e em outro momento como redutores de custos. Logo, defende que deveria ser aplicada à segunda infração a mesma conclusão atinente à primeira infração, reconhecendose como improcedente a autuação, visto que a Recorrente não presta serviços. Destacou que apenas para uma das contas indicadas na segunda infração (recuperação de despesas), tratavase de efetiva recuperação de despesas, tendo inclusive individualizado a situação: existiria um custo com o refeitório e quem dele se utiliza repõe o custo que a Recorrente teve. Nos demais casos, tratavase de descontos relativos aos contratos firmados com os seus fornecedores. Fl. 49632DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.730133/201315 Acórdão n.º 3301002.978 S3C3T1 Fl. 49.619 21 Quanto a esta infração, assim entendeu a DRJ em Campo Grande (MS): “A fiscalização entendeu que a impugnante subtraiu receitas da base de cálculo, registrandoas contabilmente como recuperação de custos e despesas. A impugnante refutou a afirmação, invocando os mesmos argumentos suscitados no tópico anterior e reiterando o caráter de recuperação de despesas. As alegações não podem ser acolhidas, por duas razões. A primeira razão decorre da falta de clareza e da ambiguidade da denominação dada a cada uma das contas supostamente destinadas a registrar recuperação de despesas e custos. O nome que se dá a cada uma das contas que integram o plano de contas de uma empresa deve primar pela concisão e pela clareza, de modo que, pela simples denominação, se saiba qual o componente do patrimônio ou do resultado ali retratado. No caso dos autos, as contas exibem uma nomemclatura destituída de sentido certo e preciso, como revelam os seguintes exemplos: Recuperação Despesas – Aniversário Hiper Bom Preço, Recuperação de Despesas – Bloco da Parceria e Recuperação de Despesas – Encontro de Clientes Bompreço. O que essas expressões comunicam? Que elementos do resultado ou do patrimônio estariam retratando? É difícil dizer... Certo, porém, só existe uma coisa: os valores ali registrados deixaram de ser incluídos, sem motivo aparente, na base de cálculo do PIS e da Cofins. A segunda razão para não acolher as alegações da impugnante consiste na falta de esclarecimentos e de comprovação documental dos custos e despesas contemplados naquelas contas, ônus que incumbia à contribuinte. Portanto, neste ponto, o lançamento deve ser mantido. Alega o contribuinte, ainda, que não se poderia admitir que a decisão recorrida alterasse a acusação fiscal para manter a autuação sob outro fundamento (ausência de comprovação da recuperação de custos) que não o constante inicialmente da acusação (enquadramento como prestação de serviços), sob pena de afronta ao direito de ampla defesa, o que seria causa de nulidade nos termos do art. 59 do RPAF (Decreto n. 70.235/72). Para que se chegue a uma conclusão quanto aos argumentos aqui expostos, imprescindível então que sejam analisado o Termo de Verificação da Infração constante de fls. 41 e seguintes dos presentes autos, cujas passagens mais relevantes restam transcritas a seguir: “3.4.2 Receitas não computadas na base de cálculo 37 O grupo de contas informado a seguir está registrado contabilmente como recuperação de custos e despesas e, por esse motivo, não compuseram a base de cálculo das contribuições em apreço, embora os fatos contábeis nelas registrados tenham natureza de receita operacional, de acordo com o exposto adiante. Cód. Conta Nome da Conta 410137 Recuperação de Ordenados Repositores Fl. 49633DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 22 410142 Recuperação de Despesas com Nutrição 410715 Recup. Despesas – Aniversário Hiper Bom Preço 410840 Recuperação de Custos Logísticos 410845 Recup. de Despesas – Bloco Parceria 410879 Rec. Custos Logísticos Back Haul 430319 Recuperação de Despesas – Encontro de Clientes Bompreço 38 Prosseguindo a análise dos contratos, não há a possibilidade de se denominar tais receitas como sendo de “recuperação de custos”, uma vez que não há qualquer recuperação de custos na operação em comento. (...) 42. Em verdade, cabe observar que a Contribuinte desenvolve eventos, incorrendo e pagando as correspondentes despesas operacionais próprias e não de seus fornecedores; por outro lado, entidades consideradas parceiras, por força de entendimentos contratuais ou não, pagamlhe valores registrados nas contas acima a título de remuneração de tais eventos. Todavia, o que efetivamente ocorre é que a Contribuinte disponibiliza serviços para seus fornecedores e por eles lhe cobra um determinado valor, caracterizandose tal operação como de prestação de serviços e não de recuperação de despesas. Logo, na realidade, a operação tem como desdobramento contábiltributário na Contribuinte uma despesa incorrida em função de eventos e uma receita auferida pela remuneração do serviço prestado. 43. Independentemente da forma em que se materialize tais entradas de recursos para a Contribuinte, constituemse em efetivas receitas para seu negócio, mesmo que haja disposições contratuais transferindo responsabilidades de despesas para seus fornecedores. Portanto, não se enquadrando tais operações no conceito de recuperação de custos e/ou despesas como já delineado acima, bem como, pela própria natureza e características das mesmas, configurase o auferimento de receitas operacionais, devendo, portanto, comporem a base de cálculo das citadas contribuições. 44. No âmbito tributário, a legislação do PIS e Cofins determina que devem ser incluídas na sua base de cálculo o faturamento da empresa, assim entendido o total das receitas auferidas, independentemente da sua denominação ou classificação contábil, conforme previsto no art. 1º da Lei 10.637/2002 e art. 1º da Lei 10.833/2003 transcritas acima, respectivamente. Portanto, como regra ampla, todas as receitas devem ser tributadas. Ressaltese, entretanto, que a exceção à tributação, isto é, os valores passíveis de exclusão da base de cálculo são apenas aqueles relacionados por tais leis, onde não figuram os excluídos pela Contribuinte. 45 – Assim sendo, as receitas objeto dos comentários deste tópico devem ser oferecidas à tributação. (Grifos apostos). Ou seja, extraise do termo de verificação acima transcrito que a própria fiscalização entendeu que, embora registrados contabilmente como recuperação de custos, as Fl. 49634DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.730133/201315 Acórdão n.º 3301002.978 S3C3T1 Fl. 49.620 23 operações ali indicadas não se reportariam à recuperação de custos, mas sim à prestação de serviços, tendo então concluído pela tributação de tais valores, visto que não haveria previsão legal para a sua exclusão. Nesse mesmo sentido, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, em suas contrarrazões ao Recurso Voluntário (vide fls. 49.589 em diante), ao tratar sobre o presente tópico, sequer tratou sobre o fundamento da decisão recorrida (ausência de comprovação da recuperação de custos), tendo se limitado a repisar o argumento inserto no tópico anterior no sentido de que "todas as contas incluídas na base de cálculo das contribuições refletem exatamente valores que a empresa auferiu, ainda que mediante compensação de suas obrigações, em razão da exploração da sua atividade econômica". Dispôs, ainda que: "Conforme constou do relatório fiscal, a contribuinte disponibiliza serviços para seus fornecedores e por eles lhes cobra um determinado valor, caracterizandose tal operação como prestação de serviços e não recuperação de despesas. O desdobramento contábil de tal operação, na autuada, deveria ser: uma despesa incorrida em função de eventos e uma receita auferida pela remuneração do serviço prestado". Tal aspecto, portanto, é incontroverso: também neste tópico o fundamento da autuação foi o enquadramento da hipótese como prestação de serviços, e não a ausência de comprovação da recuperação de custos. Ou seja, a decisão recorrida decidiu com base em fundamento que decerto não se coaduna com os termos da fiscalização, o que demonstra a sua fragilidade. Nesse contexto, concordo com o argumento do contribuinte de que houve um equívoco quando da análise deste ponto por parte da decisão recorrida. No caso ora analisado, com exceção da conta recuperação de despesa de nutrição, resta incontroverso que os valores em questão não correspondem à recuperação de despesas. Nesse contexto, não se apresenta cabível o argumento da decisão recorrida de que o pleito do contribuinte de cancelamento do auto de infração neste ponto não procede, por falta de esclarecimentos e comprovação documental dos custos e despesas contemplados naquelas contas. Ora, não há como se comprovar o que não ocorreu. A questão que precisa ser desvendada, na verdade, é se o objeto dos referidos contratos correspondem a um desconto comercial, como alega o contribuinte, ou a uma prestação de serviços, como entendeu a fiscalização. E, neste aspecto, importante repisar que o que importa não é a conta contábil em que tais montantes estão registrados, pois é cediço que a tributação deve ser realizada com base na substância da operação e não na sua mera formalidade. Também neste caso, fazendo um cotejo entre os contratos firmados pela empresa autuada com os seus fornecedores, bem como levando em consideração a atividade empresarial constante do objeto social e efetivamente desenvolvida pela empresa, entendo que a conclusão que se deve chegar também neste tópico é de que tais rubricas, embora não representem recuperação de despesas, não integram o conceito de “receita” para fins de tributação do PIS e da COFINS, por corresponderem a verdadeiros descontos comerciais. Nesse contexto, entendo que as mesmas conclusões dispostas no tópico imediatamente anterior devam ser aplicadas ao presente tópico. Por derradeiro, quanto aos valores insertos na conta de recuperação de despesa de nutrição, entendo que tampouco deverá subsistir a autuação, visto que embasada em fundamento de que haveria aí uma prestação de serviços por parte da empresa Autuada, o que Fl. 49635DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 24 entendo não se amoldar ao caso vertente, em que houve efetiva recuperação de despesas. Em razão da própria atividade desempenhada pela empresa em tela, não é coerente se entender que esta presta serviços para quem faça uso do seu refeitório. É certo, portanto, que tais valores não compõem a receita operacional de empresa do setor de comércio varejista e atacadista. Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte neste ponto, para fins de determinar que seja exonerado do auto de infração também os valores lançados a título de “receitas não computadas na base de cálculo". 3) Créditos apurados, em desacordo com a lei, sobre a aquisição de bens e serviços (objeto do Recurso Voluntário) A última infração constante do auto de infração diz respeito à glosa de créditos realizada pela fiscalização, por entender que não haveria previsão legal para as mesmas. O contribuinte, então, impugnou tais glosas, alegando que teria direito aos respectivos créditos. A DRJ, por seu turno, afastou os argumentos do contribuinte, sob o fundamento de que as Leis n. 10.637 e 19.833 trariam de forma exaustiva, e não exemplificativa, as hipóteses que ensejariam direito a crédito, bem como adotando o conceito estrito de insumo constante das IN 247/2002 (PIS) e 404/2004 (COFINS). É o que se extrai da passagem do voto do relator, a seguir transcrita: Ao legislador ordinário foi conferida ampla liberdade para imprimir às contribuições a característica de não cumulatividade, com a amplitude, limites e alcance que lhe parecessem mais convenientes e adequados, dentro da discricionariedade afeta aos órgão legislativo. Assim foi feito, com a edição das Leis n. 10.637 e 10.833. Nelas o legislador optou por definir de forma taxativa as situações que dariam direito a crédito de PIS e de Cofins. Assim, o que não estiver contemplado na lei não enseja apuração de crédito. Foi uma opção de política tributária. E à autoridade lançadora e a este órgão de julgamento é defeso examinar as escolhas políticas do legislador, bem como exercer controle de constitucionalidade da lei. As Leis 10.637 e 10.833, no art. 3º, inciso II, deixam muito claro que os créditos poderão ser calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda. A Receita Federal, fiel à inteligência do texto da lei, explicitou nas Instruções Normativas SRF nº 247/2002, referente ao PIS, e 404/2004, relativa à Cofins, o sentido preciso da expressão insumos. (...). De acordo com o que prescrevem a lei e os atos normativos da Receita Federal, o lançamento está correto ao glosar todos os créditos calculados sobre bens, serviços e encargos que não se enquadram no conceito estrito de insumos. Embora ciente que alguns julgadores adotem esta interpretação mais restrita do conceito de insumos para fins de admissão do crédito, inclusive adotando em alguns casos o conceito de insumos inserto na legislação do IPI, tem prevalecido nas decisões proferidas por Fl. 49636DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.730133/201315 Acórdão n.º 3301002.978 S3C3T1 Fl. 49.621 25 este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais uma posição menos engessada, por meio da análise dos créditos aplicáveis em cada caso concreto, em razão da atividade desempenhada pela empresa. A análise do presente tópico, portanto, em determinadas situações, perpassa pela definição do conceito de insumos para o PIS e a COFINS. Nos termos dos recentes julgados proferidos por este Conselho, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade à atividade desempenhada pela empresa, direta ou indiretamente. Esta, inclusive, também é a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento daquela Corte pode ser visualizado no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques, proferido nos autos do Recurso Especial nº 1.246.317MG: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, Fl. 49637DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 26 não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Filiome, portanto, à corrente intermediária acima indicada, pelo que entendo merecer reforma a decisão recorrida quanto aos seus fundamentos, uma vez que, para a compreensão do direito à apuração de créditos de PIS e COFINS no sistema da não cumulatividade, não deve ser adotado o conceito estrito de insumos constante da decisão recorrida. Inclusive, especificamente no que concerne ao inciso II do art. 3º da Lei n. 10.637/2002 (bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ...), seguindo a corrente constitucionalista que entende que o princípio da nãocumulatividade tem status constitucional, pelo que não poderia legislação inferior restringir a sua aplicação , embora ciente de que há decisão deste Conselho em sentido contrário, entendo que também devem ser admitidos o crédito de insumos no caso das empresas que atuam no ramo do comércio. Isso porque, entendo que a lista constante do referido art. 3º é meramente exemplificativa, e não taxativa. O que importa para fins de apropriação de crédito, portanto, é se o custo ou a despesa são necessários/essenciais à geração da receita. Nesse sentido, trago à colação declaração de voto proferida pelo Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista no Processo n. 13855.721049/201151 (Acórdão n. 3403003.385 de 12 de novembro de 2014): Com efeito, a discussão preponderante de todo o processo, excetuando o enquadramento da Recorrente no regime cumulativo ou nãocumulativo, está adstrito à célebre discussão sobre o conceito de insumos, uma vez que a Recorrente foi autuada pelas autoridades fazendárias por ter tomado créditos do PIS e COFINS nãocumulativos, por adotar conceito diverso das autoridades fazendárias. Fl. 49638DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.730133/201315 Acórdão n.º 3301002.978 S3C3T1 Fl. 49.622 27 Mais adiante passarei à análise de cada um dos itens que a Recorrente tomou créditos. De qualquer forma, pelo conteúdo da decisão da DRJ depreendese claramente que a Decisão se assenta sobre o conceito de insumo aplicável à legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados. Nesse ponto, digase de passagem, nem seria necessária uma análise mais aprofundada da Decisão da DRJ, pois apenas com a razão externada de que a Recorrente seria empresa varejista e que, portanto, não se aplicaria o conceito de insumo para a sua atividade, que não envolveria a produção, nem a fabricação e sequer a prestação de serviços, já se pode cravar a linha adotada pela autoridade fazendária. Faço esta menção em total respeito à autoridade fazendária, ainda que discordando de seu posicionamento, pois — é necessário que se diga — ela simplesmente adota a interpretação literal das singelas regras acerca de insumo constantes nas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e 404/2004. Tais Instruções Normativas que, sob o ponto de vista estritamente literal, se prendem à redação das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, refletem o posicionamento da Receita Federal do Brasil adotado desde o Parecer Normativo nº 65, de 05 de novembro de 1979, cujos trechos abaixo transcritos demonstram visivelmente a importação de antigos critérios da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados em relação à nãocumulatividade do PIS e da COFINS, conforme segue: “A partir da vigência do RIPI/79, "ex vi" do inciso I de seu art. 66, geram direito ao crédito ali referido, além dos que se integram ao produto final (matérias primas e produtos intermediários "stricto sensu", e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Inadmissível a retroação de tal entendimento aos fatos ocorridos na vigência do RIPI/72 que continuam a se subsumir ao exposto no PN CST nº 181/74. ... 10.3. Passam, portanto, a fazer jus ao crédito, distintamente do que ocorria em face da norma anterior, as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, se enquadrem no que ficou exposto na parte final do subitem 10.1 (se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida).” Naturalmente que se trata de posicionamento equivocado, para dizer o mínimo, não apenas por se tratarem de tributos completamente distintos, que possuem fatos jurídicos tributários diversos, como também porque as regras de não cumulatividade são diferentes. A atividade econômica geradora de receitas, base de cálculo das Contribuições ao PIS e a COFINS no regime nãocumulativo, não se resume à industrialização, como ocorre com o ultrapassado Imposto sobre Produtos Industrializados, de onde surgiu o conceito de insumo na legislação brasileira, mas sim a todo o tipo de exercício, que compreende a venda de bens, seja no atacado ou no varejo, a prestação de toda a sorte de serviços e a realização de outras atividades Fl. 49639DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 28 que classicamente não se subsumem aos atuais critérios jurídicos de classificação da atividade de comercialização e prestação de serviços, e.g., locação de bens imóveis e móveis, cessão de direitos e etc., mas se enquadram no critério econômico de classificação. Dessa forma, restringir a tomada de créditos de PIS e COFINS à atividade industrial, olvidando toda a sistemática do PIS e da COFINS nãocumulativos, é contrariar, inicialmente, em meu pensar, a Constituição Federal, posto que o §12º, do artigo 195 da Constituição Federal de 1988, não estabelece, em nenhum momento tal distinção: Art. 195 – CF § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Essa condenável restrição também contrariaria a Ordem Econômica, posto que prejudicaria outras atividades empresariais legítimas, fontes geradoras de riquezas, diversas da atividade industrial, a qual não figura de há muito, na atividade que percentualmente mais contribui para o Produto Interno Bruto do País. Não pretendo ingressar no mérito da constitucionalidade da não cumulatividade do PIS e da COFINS, mas tão somente apontar que a Constituição é e deve ser sempre o ponto de partida do intérprete, daí porque assume relevo a injustiça, o tratamento desigual e não razoável de uma eventual aplicação distinta de regras nãocumulativas voltadas para a atividade industrial. Tudo isso para, em apertada síntese, fundamentar a conclusão de que as regras e conceitos referentes ao IPI não podem, de nenhuma forma, ser aplicadas para o PIS e a COFINS nãocumulativos. Mas poderiam as regras do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. É verdade que a adoção do regime nãocumulativo está atrelada à forma de apuração do Imposto de Renda, se Lucro Real ou Lucro Presumido, determinando, pois, o ingresso ao sistema de créditos e débitos. E também é verdade que inúmeros itens de crédito constantes nos artigos 3º da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, e. g., edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa, contraprestação de arrendamento mercantil, energia elétrica utilizada na atividade da empresa, são próprios da legislação do Imposto de Renda. Por outro lado, argumentase que se o legislador tivesse tido a intenção de adotar o conceito de custo e despesa do Imposto de Renda para a legislação do PIS e da COFINS nãocumulativos, ele o teria feito de forma ampla. E nesse sentido, defendese que o PIS e a COFINS nãocumulativos e o IRPJ são tributos totalmente distintos e que possuem bases de cálculo diversas, pois o PIS e a COFINS incidem sobre as receitas e o IRPJ sobre o lucro (formado pelas receitas menos as despesas e as compensações e deduções admitidas na legislação. No Lucro Presumido a base de cálculo é a receita, presumindo a legislação um percentual de lucratividade). Questiono se tal discussão não seria própria de nosso mal, pois ao invés de adotarmos critérios simples, unificadores, fáceis de serem adotados e praticados por todos os operadores, criamos esquemas mentais complexos e subjetivos, apegados à circunstância, que transformam a área tributária sinônimo de complexidade. Fl. 49640DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.730133/201315 Acórdão n.º 3301002.978 S3C3T1 Fl. 49.623 29 Tenho para mim que o PIS e a COFINS nãocumulativos estão muito mais próximos da legislação do Imposto de Renda, guiado pelas receitas operacionais e nãooperacionais e pelas despesas, do que da legislação do IPI, pois, reitero, a atividade empresarial não se resume à industrial. Nesse sentido, qual o significado da afirmação segundo a qual o conceito de insumo da legislação do PIS e da COFINS nãocumulativos seria próprio, distinto, portanto, do IPI, por óbvio, mas também diverso do IRPJ. Não deixa de ser uma afirmação em termos, relativa, pois tem como fragilidade o fato de que não existe um conceito de insumo para o IRPJ, que se prende a custos e despesas, e também ao fato de que a palavra “insumo” se desapegou por completo do microcosmo da legislação do IPI, tendo sido, na realidade, um completo despropósito a sua adoção (e daí o perigo da argumentação fundada na intenção do legislador e em eventual futuro e incerto baseado no “se”). Aliás, quando do surgimento do PIS nãocumulativo, por meio da Medida Provisória nº 66/2002, havia orientação clara, inclusive prevista na Medida Provisória, que a legislação seria testada e que, posteriormente, se analisaria a possibilidade de adoção da sistemática nãocumulativa para a legislação da COFINS. A verdade é que tal teste sequer chegou a ser realizado e, sem maiores discussões, a MP nº 66/2002 foi convertida na Lei nº 10.637/2002, e em seguida foi editada a MP nº 135/2003, nos mesmos moldes, convertida na Lei nº 10.833/2003, dando lugar, posteriormente, para a correção de uma grave distorção do PIS e da COFINS importação, de maneira a igualar a tributação local à do bem e serviço importado. Ou seja, é uma afirmação e uma discussão vazia, que não tem destino certo, pois o surgimento do sistema nãocumulativo se deu de forma atabalhoada, sem qualquer discussão, gerando um aumento de alíquota da ordem de 273%, não notada inicialmente para o PIS, mas que se mostrou gritante em relação à COFINS. Daí porque em nada aproveita, em meu pensar, a discussão de que o legislador poderia ter adotado critério diverso, sido expresso, em relação ao IRPJ, pois não existe um conceito de insumo na legislação do IRPJ, mas sim de custo e despesa necessária e usual para a atividade da empresa, e porque a própria adoção do PIS e da COFINS nãocumulativos se deram de forma superficial, sem maiores reflexões e discussão com o meio empresarial. Naturalmente que tais falhas resultaram numa enxurrada de discussões judiciais acerca da nãocumulatividade, na mudança inflacionária da legislação do PIS e da COFINS nãocumulativos, e na discussão doutrinária e jurisprudencial do alcance da palavra insumo, que hoje conta com inúmeras opiniões e correntes de pensamento dos estudiosos do tema e da jurisprudência. Não me surpreende, pois, a afirmação de que a Recorrente, na qualidade varejista, seu CNAE principal, portanto revendedora de bens (e determinados serviços financeiros) seria estranha à discussão sobre a palavra insumo, pois a autoridade fazendária se apega à corrente que adota religiosamente a legislação do IPI. Não vejo como técnica e rigorosamente falarse em adoção da legislação do IRPJ em relação à palavra insumo, vez que tal legislação não emprega esse termo de forma própria. Fl. 49641DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 30 Sob outro prisma, entendo que os créditos do PIS e da COFINS não cumulativos são meramente exemplificativos, uma vez que a legislação proibiu expressamente a vedação do crédito decorrente do pagamento de mãodeobra e de bens e serviços provenientes do exterior (o que foi alterado com o PIS e COFINS importação). Nessa linha de raciocínio, incidindo o PIS e a COFINS nãocumulativos sobre a receita, e considerando a vedação da tomada de crédito da mãodeobra, resulta que todo o dispêndio usual e necessário para a atividade geradora de receita deve ser considerado como “insumo” à produção econômica do bem ou serviço. Ou melhor, deve ser considerado como um componente relevante para a geração de receita da pessoa jurídica, pois sem ele a pessoa jurídica não conseguiria exercer sua atividade ou teria uma restrição de sua atividade econômica. Dessa forma, como observado anteriormente, não compartilho do entendimento de que à palavra “insumo” do PIS e da COFINS deve se empregar o conceito da legislação do IRPJ, pois esta legislação não dispõe expressamente sobre insumo, mas considera custos e despesas usuais, normais e necessários para a atividade da empresa como despesas operacionais, pois formadoras, em última instância, do lucro. Assim, todos os custos e despesas que estejam intimamente relacionados à geração de receitas da pessoa jurídica, em meu pensar, devem outorgar o direito ao crédito do PIS e da COFINS nãocumulativos, não porque sejam insumos, mas sim porque são necessários para o exercício da atividade da pessoa jurídica, não se justificando um regime dito nãocumulativo em que somente alguns custos e despesas são autorizados, pois ele implica inegável cumulação. Com efeito, a atividade de revenda de bem não se resume à mera compra e venda do bem anteriormente adquirido, sendo muito mais complexa hoje em dia, eis que a Recorrente deve não apenas ajustar o seu estoque às tendências de mercado, como também oferecer atendimento rápido, eficaz, pontos de venda, enfim, fazse necessária toda uma estrutura empresarial para que ela possa realizar a sua atividade de maneira legítima, em condições de competir no mercado com sua concorrência e de realizar a sua atividade economicamente saudável. Envolve o colocar o bem adquirido no mercado, que pode ser caracterizado como a “produção” do bem, que vai desde a escolha do tecido e do modelo, até o oferecimento do bem em suas lojas de varejo ao público consumidor em geral, de modo que com a comercialização desses bens (e de serviços correlatos), a Recorrente possa gerar receita para a sua atividade, receita esta que será tributada pelo PIS e COFINS nãocumulativos, vez que a Recorrente adota, por obrigatoriedade, o Lucro Real na apuração do IRPJ. O artigo 3º da Lei nº 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar créditos de bens adquiridos para revenda e de bens e serviços, no sentido amplo, utilizados como “insumo” na produção de bens destinados à venda, in verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: ... Fl. 49642DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.730133/201315 Acórdão n.º 3301002.978 S3C3T1 Fl. 49.624 31 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata oart. 2oda Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 daTipi;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Depreendese, pois, que, como dito anteriormente, não há como restringir o inciso II, do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003 à atividade industrial, inclusive porque há expressa menção à produção ou fabricação, atividades distintas, sendo que a produção econômica não envolve somente as atividades enquadráveis como industrialização no Imposto sobre Produtos Industrializados, e. g., acondicionamento. A produção econômica gera receita, é a atividade perseguida pela atividade empresarial, que objetiva o lucro, necessitando, na dinâmica empresarial de despesas para a geração de receitas, que constituem as bases de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativos. E a produção econômica, em meu pensar, justifica o direito de crédito do PIS e da COFINS da Recorrente relativamente aos itens necessários e usuais para a sua atividade, despesas essas que ela, Recorrente, deve necessariamente incorrer para gerar receitas. Na hipótese de que a produção, constante no inciso II, do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, não seja interpretada no sentido amplo, de modo que despesas intimamente relacionadas à atividade da Recorrente sejam passíveis de creditamento, admitirseá que a legislação do PIS e da COFINS previu um regime não isonômico, prevendo tratamento privilegiado para a atividade industrial, olvidando a atividade comercial e, ainda, o próprio setor de serviços, vez que restringese sobremaneira os “insumos” dos serviços. Por outro lado, nos baseamos na palavra “produção”, prevista no inciso II, do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 para oferecer uma nova interpretação ao tema, consentânea com um verdadeiro regime nãocumulativo e, em nosso pensar, em linha com os ditames constitucionais e legais do PIS e COFINS nãocumulativos. De qualquer maneira, não se pode perder de vista que nem a Lei nº 10.637/2002 e sequer a Lei nº 10.833/2003 estabeleceram expressamente que apenas se poderia tomar como crédito do PIS e COFINS aqueles itens constantes em sua relação, o que nos leva a indagar se tal elenco não seria meramente exemplificativo. Ainda mais porque a Lei fixou como parâmetros que não outorgam crédito as operações ou prestações anteriores não sujeitas ao PIS e COFINS e o valor de mão deobra pago a pessoa física que, naturalmente, não está sujeito ao pagamento de PIS e COFINS. Daí porque, a contrário sensu, o raciocínio harmônico com um verdadeiro regime nãocumulativo, no sentido de que todos os títulos relacionados na Lei e não restritos ou excetuados, desde que sujeitos ao pagamento do PIS e da COFINS, dão direito ao crédito das Contribuições. De todo modo, tornase necessária a análise de cada uma das rubricas cujas glosas foram realizadas pela fiscalização, ressaltandose que em relação a algumas delas o entendimento acima defendido quanto ao conceito se insumo e a sua aplicação para o Fl. 49643DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 32 atividades que atuam no ramo do comércio será aplicado, para fins de se aferir se o contribuinte possui direito à manutenção dos créditos objeto da autuação. 3.1. Despesas de transporte Postula a Recorrente, em suas razões recursais, a reforma do acórdão no que tange à glosa dos créditos de PIS e COFINS dos valores referentes às despesas de transporte. Sobre este ponto, a decisão recorrida entendeu por manter a glosa destes créditos por entender que os documentos apresentados pela empresa às fls. 49.408 a 49.412 não teria força probante para fins de comprovar a segregação de despesas de frete para clientes das despesas de frete entre filiais, e que, face à atividade econômica da Recorrente (comércio varejista), as mercadorias seriam retiradas pelos próprios clientes, não havendo como existir frete ou carreto. Em sua defesa, o contribuinte alega que houve erro na decisão recorrida, visto que o documento de fls. 49.408 a 49.412 nada tem a ver com o tópico aqui analisado (vide fl. 49.433 da decisão recorrida, em que se referente a tais páginas como se estivesse relacionada aos fretes). Além disso, esclarece que as lojas da Recorrente são compostas de Hipermercados, os quais realizam entrega na residência dos seus clientes de produtos da “linha branca” (geladeira, freezers, fogões, etc.), comercializados em tais lojas. Nesse contexto, alega que no caso dos fretes referentes às entregas realizadas diretamente a seus clientes não haveria dúvidas quanto ao cabimento do crédito apurado. Por outro lado, defende que tal crédito também deveria ser admitido quanto aos fretes para filiais, visto que: (i) tal direito decorreria da própria nãocumulatividade; (ii) a legislação, também nesse ponto, permite o creditamento. Ressalta que “o preço do frete de mercadorias entre os estabelecimentos da empresa complementa o custo de aquisição delas, nos termos do disposto no parágrafo único do art. 182 do RIR/80” (Acórdão n. 10182.937/92). Neste ponto, entendo que assiste razão ao contribuinte. Isso porque, quanto aos fretes realizados na operação de vendas, relativos à entrega de produtos da chamada "linha branca", o direito ao crédito encontra expressa previsão no inciso IX da Lei 10.833/2003, in verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...). Fl. 49644DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.730133/201315 Acórdão n.º 3301002.978 S3C3T1 Fl. 49.625 33 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. De outro norte, quanto aos fretes realizados entre filiais, entendo que também assiste razão ao contribuinte. Considerandose que a Recorrente é varejista de grande porte, possuindo diversas lojas em locais diferentes, o que torna imprescindível a existência de um centro de distribuição, concluise que o frete realizado entre o centro de distribuição e as suas lojas é um custo essencial, devendo ser caracterizado como insumo e descontado da base de cálculo do PIS e da COFINS. Há de se reconhecer, portanto, que as despesas com frete de mercadorias ensejam o direito ao crédito de PIS e COFINS, tanto no caso de fretes para clientes quanto no caso de fretes entre filiais. 3.2 Produtos de informática Quanto a tais bens, a decisão recorrida concluiu que o contribuinte, além de ter procedido de forma contrária à legislação em vigor, visto que a lei não admitiria a apuração de créditos na aquisição desses bens, deixou de exibir os documentos fiscais que comprovariam a incidência indevida de PIS e de Cofins nas vendas de tais produtos. O contribuinte, então alerta em seu recurso que, novamente, houve equívoco quanto à análise da documentação apresentada pelo mesmo, visto que os documentos relativos a tal comprovação (fls. 49.408 a 49.412) foram consideradas pela decisão recorrida como se estivesse relacionadas ao tópico anterior, relativo aos fretes, não tendo sido, portanto, analisados no que concerne ao presente (produtos de informática). Além disso, destacou que a real natureza do creditamento efetuado referese a estorno de débito indevido. Esclareceu o ocorrido da seguinte forma: (1) foi instituído benefício fiscal através da Lei 11.196/05, que, a teor dos artigos 28 a 30, reduziu a zero as alíquotas das contribuições do PIS e da COFINS incidentes sobre receitas de venda a varejo de bens de informática que atendam as especificações; (2) por questões operacionais, a recorrente não conseguiria segregar, no momento da venda, os itens de informática que saem com alíquota zero e os que saem tributados, pelo que trata tudo como se tributado fosse; (3) o crédito que a fiscalização entendeu por glosar, na verdade, não é tomado para fins do art. 3º das Leis n. 10.637/02 e 10.833/03, mas para efetuar um acerto, isto é, para estornar o débito indevido lançado no momento da venda de itens de informática beneficiados com a redução da alíquota zero. Destacou, inclusive, que tal situação fora noticiada pela própria fiscalização às fls. 56/57 dos autos, a qual, contudo, não acolheu os argumentos do contribuinte visto que este não teria comprovado que as receitas decorrentes das vendas de equipamentos de informática sujeitas à alíquota zero foram indevidamente inseridas no rol daquelas sujeitas à tributação do PIS e da Cofins. Nesse contexto, visando reforçar a prova já acostada à sua impugnação, o contribuinte anexou aos presentes autos, em seu recurso voluntário, um CD com planilhas contendo o razão do PIS e da Cofins, bem como os cupons de venda, pleiteando, por conseguinte, a improcedência da autuação. Informou que, tendo em vista a enorme quantidade de documentos anexados (várias lojas, vários cupons fiscais e vários itens vendidos), trouxe, Fl. 49645DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 34 para facilitar a compreensão do que expõe, a título exemplificativo, informações relativas ao mês de setembro de 2009, no que tange à loja B510 (exemplo que demonstra o ocorrido). Neste ponto, entendo que assiste razão ao contribuinte na medida em que reste comprovado que os valores glosados correspondem exclusivamente a produtos sujeitos à alíquota zero, e que os efeitos de tais creditamentos limitemse a anular o débito indevidamente realizado. Contudo, considerando que tais elementos de prova só foram acostados aos autos com o Recurso Voluntário, e em atenção aos princípios da verdade material, da economia processual e da eficiência, entendo por deferir em parte o pleito do contribuinte neste tópico, para fins de reconhecer o direito ao crédito nos termos acima indicados (ou seja, sujeito à comprovação de que os valores glosados correspondem exclusivamente a produtos sujeitos à alíquota zero, e que os efeitos de tais creditamentos limitemse a anular o débito indevidamente realizado), a ser verificado pela fiscalização quando da execução do presente julgado. 3.3 ICMSST Neste ponto, o contribuinte alega preliminarmente a nulidade do auto de infração por falta de fundamentação. A decisão recorrida, então, embora tenha reconhecido que a fundamentação constante de fl. 51 dos autos fora realizada de fato sucinta, entendeu que teria sido suficientemente clara ao descrever a conduta havida por irregular. Concluiu, então, que o ICMS por substituição tributária, para fins de cobrança do PIS e da Cofins, não integraria a base de cálculo do substituto, em razão do que dispõe o art. 24, inciso IV, da IN SRF 247/2002. Logo, se não integra a base de cálculo na operação praticada pelo vendedor, não sofrendo incidência das contribuições, não poderia gerar crédito para o adquirente. O contribuinte, por seu turno, alega em seu recurso que esta fundamentação legal e este dispositivo não foram indicados no auto de infração, nem foram contestados na impugnação, o que demonstraria uma inovação que ensejaria a nulidade do auto de infração neste ponto. Para que melhor se esclareça o foco da discussão, trazse a seguir o conteúdo do Termo de Verificação de Infração: 55 – A tomada de créditos sobre o ICMS Substituição Tributária contraria o disposto no art 3º, I, da Lei n. 10.637/2002 e o art. 3º, I, da Lei n. 10.833/2003, razão pela qual devese excluir o valor representado por essas rubricas da apuração da base de cálculo de créditos. Ao analisar o Termo acima transcrito, resta forçoso reconhecer que a fundamentação quanto a tal ponto foi deveras sucinta. Contudo, concordo com a decisão recorrida quando fundamenta que tal concisão não ensejou, na prática, o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, o qual se insurgiu quanto aos termos da autuação tanto em sua impugnação quanto em seu recurso voluntário. De outro norte, entendo, ao contrário do que defendeu o contribuinte, que a indicação na decisão recorrida do art. 24, inciso IV, da IN SRF 247/2002 não representou uma inovação, na medida em que o fundamento da decisão é o mesmo, a impossibilidade da tomada de créditos sobre o ICMSST. Nessa ótica, entendo que deve ser afastada a preliminar de nulidade suscitada pelo contribuinte, visto que não restou configurado o cerceamento do direito de defesa da contribuinte, apto a ensejar a aplicação do art. 59, inciso II, do Decreto 70.235/1975. Passase, então, à análise do mérito desta contenda. Fl. 49646DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.730133/201315 Acórdão n.º 3301002.978 S3C3T1 Fl. 49.626 35 A DRJ manifestouse no sentido de que se, nos termos do que dispõe o art. 24, inciso IV, da IN SRF 247/2002, o ICMSST não integra a base de cálculo na operação praticada pelo vendedor, não sofrendo incidência das contribuições sobre tais valores, não há como se admitir crédito para o adquirente. O contribuinte, por seu turno, alega que, na verdade, o ICMSST compôs ou pelo menos deveria ter composto a base de cálculo do fornecedor, o que lhe garantiria o direito ao crédito. Fundamentou no fato de que a previsão expressa constante da Lei n. 9.718/98, no sentido de que o ICMSST não compunha a base de cálculo do PIS e da COFINS, não mais consta das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Entendo que não assiste razão ao contribuinte. Isso porque, independentemente de o ICMSST ter composto ou não a base de cálculo das contribuições por parte do fornecedor, tal montante não poderia gerar direito a crédito para o adquirente por não constituir custo de aquisição, mas sim uma antecipação do imposto devido pelo substituído na saída. Em outras palavras, se o imposto não tivesse sido recolhido antecipadamente, decerto que não daria direito a crédito, visto que incidiria apenas na saída do produto, pelo que não se justifica a concessão do crédito em tais situações. O crédito deve decorrer do custo atinente à aquisição do produto, não podendo ser adicionado a tal valor o custo relativo à operação subsequente de venda, em relação à qual o ICMSST está relacionado. Este Conselho, inclusive, já se manifestou nesse sentido em ocasiões anteriores, consoante se extrai de passagem da decisão proferida nos autos do Proc. n. 10435.720387/201391 (Acórdão n. 3401002.855 de 27.01.2015), a seguir transcrita: ICMSSUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMSsubstituição tributária não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, para fins de cálculo do crédito a ser descontado do PIS/PASEP e da Cofins, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído, na saída das mercadorias. Nessa linha, entendo que o art. 289 do RIR/99, que dispõe sobre a composição do custo da mercadoria, apontado pelo contribuinte em seu recurso, não se aplica ao caso vertente. Isso porque, o referido dispositivo legal dispõe que "não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal". Acredito, contudo, que o referido dispositivo legal esteja tratando dos impostos incidentes na operação anterior, e não aos impostos que deveriam incidir na operação subsequente, mas recolhidos antecipadamente em razão da substituição tributária. A discussão sobre o ICMSST ser recuperável ou não apresentase, pois, desnecessária à solução da presente demanda. Logo, há de ser negado provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte neste ponto, por entender correta a glosa relativa ao ICMSST. 3.4 Locação de veículos A decisão recorrida tratou, ainda, sobre a glosa de créditos calculados sobre despesas de locação de veículos, tendo concluído pela manutenção da glosa relativa a tais valores, visto que esta fora motivada não apenas por falta de respaldo legal do crédito, mas também e, principalmente, por falta de comprovação documental (vide item 61 do TVI). Fl. 49647DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 36 O contribuinte, então, aponta os seguintes equívocos da decisão recorrida: (i) que os créditos em questão não estariam relacionados apenas à locação de veículos, como também de máquinas e equipamentos em geral, englobando locação de software, locação de veículos e serviços de monitoramento eletrônico; (ii) o problema da glosa não estaria relacionado à ausência de prova, questão esta que teria sido superada pela fiscalização (vide item 62 do TVI), mas sim de questão de direito (ausência de previsão legal para a tomada de créditos). Ao analisar o caso, entendo que assiste razão ao contribuinte. Isso porque, entendo que a locação de software operacional, a locação de veículos de entrega, bem como os serviços de monitoramento eletrônico são essenciais ao desempenho da atividade empresarial da Recorrente. Além disso, ressaltese que o aproveitamento de crédito relativo ao aluguel de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa encontra previsão expressa nos incisos IV dos artigos 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Voto, então, no sentido de deferir o pleito do contribuinte neste tópico, para fins de reconhecer o direito ao crédito relativo à locação de software operacional, locação de veículos de entrega e monitoramento eletrônico. 3.5 Demais itens impugnados, porém, não tratados na decisão recorrida. Por fim, quanto aos demais itens que não foram expressamente analisados pela decisão recorrida, quais sejam, materiais de embalagem destinados ao acondicionamento das mercadorias revendidas, encargos de depreciação de instalações (gôndolas, equipamentos de refrigeração, equipamentos de padaria, geladeiras, empilhadeiras, estantes de armazenagens dos CD’s, etc.), despesas de armazenagem de mercadorias e despesas com taxa de administração de cartões de crédito e débito, entendo que, face à inconteste essencialidade de tais itens para fins de desempenho das atividades empresariais da empresa Recorrente, tais rubricas também dão direito a crédito. Inclusive, no que tange especificamente às despesas de armazenagem de mercadorias, além da essencialidade acima indicada, salientese que o direito ao crédito encontra expressa previsão no art. 3º, inciso IX da Lei n. 10.833/03, in verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...). Fl. 49648DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.730133/201315 Acórdão n.º 3301002.978 S3C3T1 Fl. 49.627 37 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Devem ser excluídas, portanto, da autuação os valores atinentes a tais rubricas, seja em razão da expressa previsão legal, seja em razão da sua essencialidade ao desempenho da atividade empresarial em relevo. 4) Ilegitimidade da multa de ofício Quanto ao argumento de ilegitimidade da multa de ofício, entendo que não prosperam os argumentos do contribuinte no sentido de que careceria à autoridade lançadora competência para impor multa, cabendolhe apenas propor a aplicação da mesma, nos moldes do que dispõe o art. 142 do CTN. Isso porque a interpretação literal do disposto no referido dispositivo legal levaria, na prática, à inaplicabilidade de qualquer penalidade por parte da autoridade lançadora, o que não faz sentido dentro do conjunto normativo tributário federal. Uma vez constada a hipótese inserta na legislação pátria atinente à sua imposição, não apenas pode a autoridade lançadora exigir a penalidade aplicável, como deve fazêlo. Por outro lado, no que tange ao argumento de que a imposição da multa aplicada no caso concreto, no percentual de 75%, afrontaria o princípio do não confisco, é cediço que tal argumento não pode ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, face ao enunciado na Súmula n. 2 deste Conselho, abaixo transcrita: Súmula CARF n. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. De todo modo, considerando que o lançamento deve ser, em sua maior parte, cancelado, conforme argumentos expostos nos tópicos anteriores, deixa de subsistir, da mesma forma, a imposição da multa de ofício relacionada, a qual também deverá ser exonerada na mesma proporção da exoneração dos créditos relativos à obrigação principal. Contudo, caso reste mantida a autuação quanto ao mérito da presente contenda, ou à parte dele, há de ser mantida a multa de ofício aplicada, visto que é inquestionável a legitimidade da sua cobrança em razão da sua previsão legal, sendo vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade de tal norma. 5) Juros de mora sobre a multa de ofício Nesse item, entendo que assiste razão ao contribuinte. Isso porque, apesar de a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício ainda não ter se materializado, é cediço que o será automaticamente após o encerramento do processo administrativo. Ou seja, as autoridades administrativas responsáveis pela execução dos acórdãos têm aplicado, como regra, juros de mora sobre a multa de ofício. De outro norte, uma vez que tal aplicação é realizada na fase de execução dos julgados, não há mais oportunidade para que o contribuinte venha discutir tal imposição. Nesse contexto, em atenção aos princípios da economia processual e da eficiência, bem como do contraditório e da ampla defesa, entendo que tal matéria não apenas Fl. 49649DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 38 pode, como deve ser apreciada nesta oportunidade, sob pena de cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Sobre a matéria, alguns entendem que esta estaria resolvida pela súmula n. 4 do CARF, que assim dispõe: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (grifos apostos). Defendo, contudo, que a referida súmula reportase aos juros incidentes sobre “débitos tributários”, entendendo este como o débito relativo apenas aos tributos, não se estendendo às penalidades, tal qual a multa de ofício. A questão, então, no meu ver, será solucionada por meio do artigo 161 do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Uma vez que o dispositivo supra transcrito dispõe que o "crédito" será acrescido de juros de mora, e mais adiante esclarece "sem prejuízo da imposição das penalidades", inferese que as penalidades não estão incluídas no termo "crédito" indicado no início do caput. Caso contrário, não faria sentido a ressalva relativa às penalidades, inserta no decorrer do texto do dispositivo legal. E, não resta dúvidas de que a multa é uma penalidade. Outro dispositivo relevante para a solução desta contenda é o artigo 61 da Lei n. 9.430/1996, que assim dispõe: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Da leitura deste dispositivo legal, novamente, não se apresenta coerente concluir que a multa indicada no final do caput estaria incluída no termo "débitos" indicados no seu início. Pela fundamentação exarada, entendo por incabível a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, determinandose desde já que esta não seja incluída quando da execução do presente julgado, na hipótese de restar algum valor a ser exigido do contribuinte. Da conclusão Diante de todo o exposto acima, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para fins de: (i) manter a exoneração dos valores atinentes à infração 1 (receita de prestação de serviços); (ii) determinar que seja também exonerado do auto de infração os valores relativos à infração 2 (receitas subtraídas da base de cálculo como redução de custos); e, (iii) quanto à infração 3, determinar que seja excluídas do auto de infração as glosas relacionadas às rubricas Fl. 49650DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.730133/201315 Acórdão n.º 3301002.978 S3C3T1 Fl. 49.628 39 acima indicadas, na medida em que estejam devidamente comprovadas, mantendose, contudo, as glosas relativas ao ICMSST. Como consequência, há de ser afastada a multa de ofício relacionada aos valores excluídos da autuação, mantendose, contudo, tal imposição quanto aos valores eventualmente remanescentes. Ainda, deverá ser afastada a incidência de juros de mora sobre tal multa. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira: Fui designado pelo Presidente como redator do voto vencedor, para o que peço vênia à ilustre Conselheira Relatora. Recurso de Ofício Infração 1) Receitas não computadas nas bases de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente registrou receitas com descontos financeiros, que não foram computados nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Sobre as citadas receitas, apurou a Fiscalização (trecho do Termo de Verificação Fiscal, incluído no relatório): "A contribuinte considerou como receita financeira valores que seriam receitas de prestação de serviço. Consta do Termo de Verificação de Infração: “...os ‘descontos’ concedidos ao Bompreço não favorecem em nada os fornecedores, pois longe de representar descontos financeiros ou descontos incondicionais apresentamse como remuneração de atividades que são próprias do Bompreço, o que, de pronto, retira todo o caráter de descontos financeiros concedidos pelos fornecedores, fortalecendo a idéia de prestação de serviços.” (fl. 45). A Fiscalização funda seu entendimento nos contratos referentes a essas operações, nos quais se insere cláusula com o seguinte teor: “O presente desconto é decorrente de serviços logísticos prestados pelo Bompreço, tais como, entregas centralizadas, transportes, manuseio, armazenagem de mercadorias e/ou ferramentas de controle” (grifo do original) Aduziu a Fiscalização que tais valores, considerados no levantamento fiscal como receita de prestação de serviço, não revestem a condição de desconto incondicional, nem de desconto financeiro." A Recorrente praticava atividades, "serviços logísticos", pelo que era remunerada. E, de uma forma indireta, via concessão de descontos. Assim, concluise que eram receitas de serviços, tributáveis para fins de PIS e COFINS. Fl. 49651DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 40 Isto posto, dou provimento ao Recurso de Ofício, mantendo os créditos tributários de PIS e COFINS, lançados de ofício e calculados sobre as receitas tratadas nos parágrafos precedentes. Recurso Voluntário Infração 2) Receitas não computadas nas bases de cálculo do PIS e da COFINS Também não foram submetidos à tributação rubricas que supostamente abrigariam recuperações de custos e despesas, e não receitas, a saber (trecho do Termo de Verificação Fiscal, incluído no relatório): "Ao lado dessa irregularidade, verificouse que receitas foram excluídas da base de cálculo das contribuições, mediante registro contábil como recuperação de custos e despesas. As contas utilizadas para esse fim têm as seguintes denominações: Recuperação Ordenados Repositores, Recuperação de Despesas com Nutrição, Recuperação Despesas Aniversário Hiper Bom Preço, Recuperação de Custos Logísticos, Recuperação de Despesas – Bloco da Parceria, Recuperação Custos Logísticos Back Haul, Recuperação de Despesas – Encontro de Clientes Bompreço. A juízo da autoridade lançadora, não há possibilidade de tratar tais receitas como recuperação de custos, já que a contribuinte desenvolve eventos, incorrendo em despesas operacionais próprias, que, por isso, não podem ser consideradas despesas de fornecedores. Nesse sentido, afirma: “...entidades consideradas parceiras, por força de entendimentos contratuais ou não, pagamlhe valores registrados nas contas acima a título de remuneração de tais eventos. Todavia, o que efetivamente ocorre é que a Contribuinte disponibiliza serviços para seus fornecedores e por eles lhe cobra um determinado valor, caracterizandose tal operação como de prestação de serviços e não de recuperação de despesas. Logo, na realidade, a operação tem como desdobramento contábiltributário na Contribuinte uma despesa incorrida em função de eventos e uma receita auferida pela remuneração do serviço prestado. (g.n.) 43 Independentemente da forma em que se materialize tais entradas de recursos para a Contribuinte, constituemse em efetivas receitas para o seu negócio, mesmo que haja disposições contratuais transferindo responsabilidades de despesas para seus fornecedores. Portanto, não se enquadrando tais operações no conceito de recuperação de custos e/ou despesas como já delineado acima, bem como, pela própria natureza e características das mesmas, configurase o auferimento de receitas operacionais, devendo, portanto, comporem a base de cálculo das citadas contribuições.” (fl. 49) Mais uma vez, estamos diante de atividades realizadas pela Recorrente, materializadas pela entrega de serviços ou bens, pelas quais foi remunerada. Definitivamente, tratavase de receitas ingressos de recursos em contrapartida da entrega de bens ou serviços tributáveis para fins de PIS e COFINS. Assim, nego provimento ao Recurso Voluntário, no tocante à não tributação das rubricas acima listadas. Infração 3) Aproveitamento de créditos relativos a encargos de depreciação de instalações e despesas com taxas de administração de cartão de crédito A Fiscalização glosou despesas com depreciação de instalações (gôndolas, equipamentos de refrigeração, equipamentos de padaria, geladeiras, empilhadeiras, estantes de Fl. 49652DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.730133/201315 Acórdão n.º 3301002.978 S3C3T1 Fl. 49.629 41 armazenagens dos CD’s, etc.) e taxas de administração de cartão de crédito, por falta de previsão legal. Recorramos às leis que disciplinam as contribuições: Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (. . .) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (. . .) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (. . .) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (. . .)" Da leitura dos dispositivos acima transcritos, verificase que as leis limitaram o cálculo de créditos sobre a depreciação de bens do imobilizado destinados à locação ou aplicados na produção de bens ou prestação de serviços. Portanto, como a Recorrente utilizava as citadas instalações exclusivamente para atividades de revenda de bens, não cabia a tomada de créditos sobre as correspondentes despesas com depreciação. No tocante aos créditos sobre despesas com taxas de administração de cartão de crédito, reitero os argumentos da autuante, isto é, não há previsão nas Leis n 10.63702 e 10.833/03. Assim, nego provimento ao Recurso Voluntário, em relação ao registro de créditos de PIS e COFINS sobre despesas com depreciação de instalações e com taxas de administração de cartões de crédito. Incidência de juros de mora sobre multa de ofício A Recorrente requer que seja afastada a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, quando da eventual cobrança do crédito lançado, sob a alegação de que não há base legal para tanto. Tratase de matéria controversa, com decisões favoráveis (Acórdãos n° 3402 002.856 e 3402002.901 da 2° Turma da 4° Câmara da 3° Seção) e desfavoráveis (Acórdãos n° 1402002.065 da 2° Turma da 4° Câmara da 1° Seção e 9303003.385 da 3° Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais) aos contribuintes proferidas pelo CARF. Fl. 49653DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 42 Consigno que discordo da interpretação da Recorrente. Dispõe o art. 113 do CTN: " Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (. . .)" (grifo nosso) A redação do art. 113 do CTN já foi objeto de inúmeras críticas por parte de conceituados tributaristas, que repudiam o fato de o conceito de obrigação tributária compreender tributo e penalidade. Contudo, não podemos nos furtar a aplicálo. Assim, no caso em tela, a obrigação tributária abrange PIS, COFINS e multa de ofício. Sobre a incidência dos juros, temos o art. 161 do CTN: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (. . .)" (grifo nosso) Portanto, é lícita a incidência de juros sobre a obrigação tributária, consistente em tributo e/ou penalidade pecuniária. Neste sentido, apresentouse o entendimento do STJ no AgRg no REsp n° 1335688/PR (DJ de 10/12/2012): "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido." (grifo nosso) Sobre a taxa de juros a ser aplicada, reportome à Súmula CARF n° 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Fl. 49654DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.730133/201315 Acórdão n.º 3301002.978 S3C3T1 Fl. 49.630 43 Com base no acima exposto, nego provimento às alegações concernentes à ausência de base legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício não recolhida no prazo. Conselheiro Marcelo Costa Marques d´Oliveira. Fl. 49655DF CARF MF Impresso em 29/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MAR CELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 10735.002183/2003-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
IRPJ. ESTIMATIVAS MENSAIS. EXTINÇÃO POR COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Restando comprovado nos autos a extinção das estimativas mensais declaradas por meio de compensações realizadas com saldos negativos de períodos anteriores, a exigência fiscal deve ser cancelada.
Numero da decisão: 1302-001.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 IRPJ. ESTIMATIVAS MENSAIS. EXTINÇÃO POR COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Restando comprovado nos autos a extinção das estimativas mensais declaradas por meio de compensações realizadas com saldos negativos de períodos anteriores, a exigência fiscal deve ser cancelada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 21 83 /2 00 3- 18 Fl. 519DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10735.002183/200318 Acórdão n.º 1302001.889 S1C3T2 Fl. 507 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 8ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJI, que, por maioria de votos, manteve integralmente a exigência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, relativo ao anocalendário 1998, consubstanciada no auto de infração de fls. 17 a 25, no valor total de R$ 74.643,38, aí incluídos principal, multa de ofício e juros de mora calculados até a data da lavratura. O presente processo retornou ao CARF para julgamento, após a realização das diligências determinadas por meio da Resolução nº 1801000.325, de 08/04/2014. Por bem descrever o feito até esta fase de julgamento, valhome do relatório da resolução referida o qual transcrevo abaixo, verbis: O auto de infração é decorrente de auditoria interna de DCTF na qual verificouse inconsistência nas vinculações efetuadas pelo contribuinte aos débitos de estimativa de IRPJ dos meses de outubro, novembro e dezembro de 1998, conforme fora declarado na respectiva DCTF. Na impugnação tempestivamente apresentada a interessada alegou que os débitos de estimativa de IRPJ exigidos no auto de infração foram compensados com saldo de IRPJ pago a maior no anocalendário de 1997, conforme demonstrado na planilha anexada. A 8ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJI manteve a exigência ao fundamento de que a interessada teria informado na respectiva DCTF a compensação vinculada a processo e que à época, a compensação entre tributos de mesma espécie poderia ser efetuada na própria contabilidade do sujeito passivo, mas que, no presente caso, a interessada não havia apresentado escrituração comprovando a compensação (fls. 30/35). Notificada da decisão, em 21/07/2011, como demonstra a cópia do AR à fl. , apresentou a interessada, em 22/08/2011, recurso voluntário. Em preliminares argúi a tempestividade da peça de defesa e, no mérito, em apertada síntese, defende: 1) a nulidade do auto de infração, por ausência de diligência fiscal e por ter cometido erro no preenchimento da DCTF com a informação equivocada do período do saldo negativo; 2) a legitimidade do saldo negativo compensado e a extinção do suposto crédito tributário sub judice pela compensação; 3) os débitos exigidos no auto de infração se encontram extintos por compensação reconhecida pela Receita Federal. Ao final pugna pelo acolhimento das razões de defesa e pela intimação pessoal a fim de exercer o direito à sustentação oral, pela produção de todos os meios de prova, inclusive conversão do julgamento em diligência. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10735.002183/200318 Acórdão n.º 1302001.889 S1C3T2 Fl. 508 3 Em sessão realizada em 03/07/2012, esta 1ª Turma Especial da 3ª. Câmara / 1ª Seção do CARF converteu o julgamento na realização de diligências, nos termos da Resolução n º 1801000.130 (fls. 349/352 do p.d.), não atendida. Com efeito, a 1ª Turma Especial do CARF havia determinado a realização de diligências com vistas a confirmar a compensação alegada pelo sujeito passivo em seu recurso. No entanto, a conselheira designada como relatora deste processo perante a 1ª Turma Especial verificou que a diligência não foi atendida a contento, verbis: [...] Como se verifica do relato acima o SEORT da DRF em Nova Iguaçu não atendeu devidamente à solicitação contida na Resolução 1801000.130, ou seja, não foi respondida a principal indagação: As estimativas de IRPJ dos meses de outubro, novembro e dezembro de 1998 foram compensadas, seja na contabilidade, seja no processo 10735.002382/9924? Os parcos elementos apresentados pelo responsável pela diligência fiscal não solucionaram a questão. Ademais, não foi dada ciência à recorrente do resultado da “diligência fiscal”, como constou também da na Resolução 1801000.130. [...] (grifos constantes dos originais) Desta feita, foi proposta nova diligência, por meio da citada Resolução nº 1802000.325, nos seguintes termos, verbis: [...] Verificandose, assim, que a solicitação desta 1a. TE / 3a. Câmara / 1a. Seção do CARF não foi devidamente atendida, voto pela conversão do presente julgamento na realização da diligência solicitada na Resolução n º1801000.130, a fim de que a autoridade fiscal da DRF em Nova Iguaçu ateste se as estimativas de IRPJ dos meses de outubro, novembro e dezembro de 1998 encontramse compensadas, seja na contabilidade da recorrente, seja no âmbito do PAF 10735.002382/9924. Ao final deverá a autoridade fiscal elaborar relatório circunstanciado e conclusivo dos trabalhos executados com o fim de atender à presente solicitação, do qual deverá ser cientificada a recorrente para, no prazo de 30 dias a contar da ciência, apresentar suas considerações, se assim o desejar, retornandose, posteriormente os autos a esta Conselheira Relatora para prosseguimento do julgamento do litígio. [...] (grifos conforme originais) A autoridade responsável pelas diligências elaborou o relatório (efls. 484/487), trazendo as seguintes conclusões, verbis: CONCLUSÃO 1. CARF – Intimar a empresa interessada a apresentar a escrituração contábil original na qual reste demonstrada a compensação das estimativas de IRPJ dos Fl. 521DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10735.002183/200318 Acórdão n.º 1302001.889 S1C3T2 Fl. 509 4 meses de outubro, novembro e dezembro de 1998 com o saldo negativo do ano calendário de 1997: Resposta: A empresa foi intimada e apresentou os originais do diário e razão onde constam os lançamentos do IRestimativa dos meses de outubro, novembro e dezembro de 1998. Após essas compensações o saldo credor negativo foi de R$ 34.265,29, sendo que feitas mais algumas compensações o saldo passou para R$ 32.126,50. Esse valor(R$ 32.126,50) somado a R$ 144.697,16 resulta em R$ 176.823,66 e que somado a R$ 110.053,27(R$ 17.578,59 + 92.474,68) resultam em R$ 286.876,93 que é o saldo inicial do processo 10735.002382/9924. 2. CARF – Verificar se havia disponibilidade de direito de crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário 1997 para ser utilizado nessas compensações, tendo em conta as informações constantes do PAF nº 10735.002382/9924. Resposta: Tendo em vista o eprocesso 10735.002382/9924(que vinculamos no eprocesso ao presente) este utiliza o saldo credor de R$ 32.126,50 que restou após as compensações de outubro, novembro e dezembro de 1998 do IRestimativa. 3 – Elaborar demonstrativo com o detalhamento do direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1997 e suas utilizações, inclusive na compensação, ou não, das estimativas dos meses de outubro, novembro e dezembro de 1998. Resposta: Na página 463 deste eprocesso conjuntamente com a página 473(planilha do relatório fiscal Sefis de 09/04/2007) encontrase o detalhamento com o saldo a compensar da plan5 – Imposto de Renda a Compensar Declar.98 – AC97 começando com R$ 120.013,30 e após atualização pela Selic e IRestimativas de abril/maio/junho/julho/agosto/setembro/outubro/novembro e dezembro de 1998 sobra um saldo de R$ 34.265,29 e após mais algumas compensações chega a R$ 32.126,50 que vai compor o crédito inicial do processo 10735.002382/9924 no total de R$ 286.876,93. A interessada foi devidamente cientificada do relatório das diligências e não apresentou manifestação, sendo os autos devolvidos pela autoridade preparadora para o prosseguimento do julgamento. Tendo em vista o encerramento do mandato da conselheira relatora, o processo foi devolvido à 3ª Câmara para sorteio e designação de novo relator perante esta turma, sendo designado este conselheiro na sessão de 07/04/2016. É o relatório. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10735.002183/200318 Acórdão n.º 1302001.889 S1C3T2 Fl. 510 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário é tempestivo e já foi objeto de conhecimento pela 1ª Turma Especial do CARF no julgamento que resultou na conversão em diligências por meio da Resolução nº 1801000.130, de 03/07/2012. A matéria controvertida nos autos referese à comprovação do recolhimento de estimativas mensais dos meses de outubro, novembro e dezembro de 1.998, o que, de acordo com a recorrente, foi feito mediante a compensação com saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário anterior (1997). A extinta 1ª Turma Especial do CARF determinou por duas vezes a realização de diligências junto à unidade de origem para que esta confirmasse se os valores relativos às estimativas mensais dos meses de outubro, novembro e dezembro de 1.998, haviam, de fato, sido extintas por compensação. Embora a questão a ser esclarecida tivesse sido clara e expressamente formulada, especialmente no segundo pedido de diligência, a autoridade fiscal optou por trazer diversas informações e fatos relacionados ao processo nº 10735.002382/9924 (apensado aos autos), sem responder diretamente ao quesito formulado pelo colegiado da turma especial. Não obstante, examinando o processo apensado, verifico que por meio do Parecer Seort nº 388/09 (efls. 303/315), o Delegado da Receita Federal do Brasil em Nova Iguaçu/RJ, proferiu Despacho Decisório (efls. 316/317), mediante o qual reconheceu o saldo negativo de IRPJ, do anocalendário: 1998 no montante de R$ 149.892,79, que corresponde exatamente ao montante de estimativas mensais informadas como recolhidas no anocalendário 1998. pela recorrente. na linha 16 da Ficha 13 da DIPJ (efls.152). Conquanto o PA, nº 10735.002382/9924 trate da homologação de compensações realizadas pela interessada a partir do anocalendário 1999, a apuração e o reconhecimento dos saldos negativos apurados até o anocalendário 1998 deixam patente que a compensação das estimativas mensais do IRPJ, relativas aos meses de outubro, novembro e dezembro de 1998, foram devidamente confirmadas pela autoridade competente. Não bastasse tal constatação, impunhase o acolhimento do recurso em face do disposto na Súmula CARF nº 82, verbis: Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 523DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10735.002183/200318 Acórdão n.º 1302001.889 S1C3T2 Fl. 511 6 Fl. 524DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA
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Numero do processo: 10735.723656/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE.
Somente são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada. A doença deve ser comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. Somente são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada. A doença deve ser comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 36 56 /2 01 2- 13 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário, fl. 5557, interposto em 12/09/2013, contra o Acórdão nº 0430.647, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande, fl. 4750, cientificado pessoalmente à contribuinte em 22/09/2013, conforme termo de fl. 52, que julgada improcedente a impugnação à Notificação de Lançamento n° 2011/464010833659818, f. 3942. A exigência decorre de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), incidente no exercício 2011, no valor de R$ 1.848,54, com acréscimo de multa de ofício de 75% e juros de mora, em razão de terem sido omitidos rendimentos no montante de R$ 49.692,05. A impugnante insurgiuse contra o lançamento com o argumento de ser portador de doença grave prevista no inc. XIV, art. 6°, da Lei 7.713, de 1988, desde 30/08/2001. A decisão de primeira instância administrativa, às fl. 4950, considerou improcedente a impugnação por não ter sido comprovada a natureza de proventos de aposentadoria e por não ter sido comprovada a ocorrência, mediante laudo do serviço médico oficial da União, Estado, Distrito Federal ou Município, de uma das doenças previstas no dispositivo legal que concede a isenção pretendida. No recurso apresentado, o contribuinte repisa os fatos, salientando que entende que seu problema mental é grave e incapacitante. Junta declarações, laudo e relatórios médicos. É a síntese do necessário. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10735.723656/201213 Acórdão n.º 2301004.574 S2C3T1 Fl. 73 3 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O fundamento do recurso apresentado é a alegação de isenção dos rendimentos por ser a contribuinte portadora de doença grave. A isenção em tela encontrase estabelecida no inc. XIV do artigo 6° da Lei n° 7.713, de 1988 e alterações posteriores, e abrange os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, e é objeto da Súmula CARF n° 43 (Portaria MF n° 383 – DOU de 14/07/2010), abaixo transcrita: Súmula CARF n ° 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Como primeiro óbice à pretensão da recorrente, não consta dos autos prova de que os rendimentos objeto do lançamento fossem proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, embora indício nesse sentido possa defluir da identificação de uma das fontes pagadoras como “Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Nova Iguaçu”. Tampouco os documentos médicos apresentados comprovam a condição de alienação mental, que seria uma das moléstias que daria causa à isenção. A interessada juntou ao recurso uma declaração, fl. 59, na qual consta o timbre da Secretaria Municipal de Saúde de Itaguaí, datada de 3 de setembro de 2013, com referência ao período de 10/03/2005 a 23/10/2007, como de tratamento da paciente, que à época apresentava transtorno bipolar. Juntou também, fl. 60, declaração com laudo, datada de 30/08/2013, também com timbre da Secretaria Municipal de Saúde de Itaguaí, assinado pelo psiquiatra Welt Lima Rego, o qual afirma que a interessada está em tratamento de saúde mental, sendo sua doença classificada nas CID F.41.1 (Ansiedade generalizada) e F.32 (Episódios depressivos). Porém, o laudo não traz a conclusão de que a paciente sofra de alienação mental, conclusão a qual somente o médico que realizou o exame presencial e pode avaliar concretamente sua condição poderia chegar. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça decidiu, em Agravo Regimental no Recurso em Mandado de Segurança nº 28.181 MG (2008/02447898), pela necessidade de laudo conclusivo quanto à alienação mental, para fins de isenção do imposto de renda, ainda que o contribuinte tivesse sido aposentado por transtornos mentais graves. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 Da leitura da ementa, a seguir transcrita, depreendese também que é possível, em um mesmo quadro clínico, a presença de transtornos mentais sem que disso decorra alienação mental: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ORDINÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. APOSENTADORIA POR MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. LEI Nº 7.713/88. NECESSIDADE DE NOVA PERÍCIA MÉDICA. FUNDAMENTO NÃO ATACADO DO ARESTO RECORRIDO. SÚMULA 283/STF. 1. Tratase de recurso ordinário em mandado de segurança impetrado por procurador de justiça do Ministério Público do Estado de Minas Gerais que foi aposentado por moléstia consistente em transtorno mental grave, o que se deu após regular procedimento administrativo em que houve a realização de perícia por junta médica formada por profissionais da Secretaria de Planejamento e Gestão, culminando na publicação do ato pela ProcuradoriaGeral de Justiça. 2. Em suma, alega que ao requerer o fim do prévio recolhimento do imposto de renda junto a sua fonte pagadora, a ProcuradoriaGeral de Justiça condicionou tal benefício a uma abusiva nova perícia. 3. A Corte de origem considerou legítima a exigência de realização de uma nova perícia sob a justificativa de que, ao estabelecer as hipóteses que autorizariam a isenção de imposto de renda, a Lei nº 7.713/88 especificou as moléstias aptas a atrair esse benefício fiscal, mostrandose, portanto, indispensável uma carga adicional de exames para se investigar se o aposentado enquadrase no rol de doenças eleitas pelo legislador. 4. O acórdão recorrido registrou que não basta a mera aposentadoria por invalidez, haja vista que o deferimento da isenção fiscal demanda a comprovação por meio de perícia da ocorrência de uma das diversas moléstias elencadas no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, circunstância que não teria sido objeto do primeiro laudo, de forma a afastar qualquer alegação de desrespeito a ato jurídico perfeito. 5. O ora recorrente deixou de envidar efetiva impugnação a esses fundamentos esposados pela Corte de origem e restringiu se a asseverar genericamente que sua aposentadoria teria o condão de afastar a cobrança do imposto de renda, o que atrai a incidência direta da Súmula 283/STF. 6. Mesmo que assim não fosse, cabe sublinhar que o acórdão atacado mereceria ser mantido na medida em que o laudo pericial que ensejou a aposentadoria consignou peremptoriamente a inocorrência de alienação mental, de sorte que o recorrente não faz jus ao benefício fiscal pretendido. 7. Agravo regimental não provido.(n/g) Fl. 75DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10735.723656/201213 Acórdão n.º 2301004.574 S2C3T1 Fl. 74 5 Por fim, as declarações e laudos fazem referência a um período de tratamento entre 10/03/2005 a 23/10/2007 e ao estado da paciente em 30/08/2013, sem que se possa daí concluir qual sua condição de saúde no anocalendário 2010, a que se refere o lançamento. Com base no exposto, voto por negar provimento ao recurso. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 76DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10715.000563/2010-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2006 a 04/04/2006
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
No que diz respeito à aplicação da denúncia espontânea para afastar penalidade aduaneira por atraso na prestação de informações, a condição para comprovar a divergência, nos recursos interpostos pela Fazenda Nacional, é que acórdão paradigma tenha afastado a aplicação desse instituto e tenha sido proferido após 28/07/2010, data da publicação da MP 497, posteriormente convertida na Lei 12.350/2010, que alterou a redação do art. 102, § 2º, do Decreto-Lei 37/1966, ainda que o voto condutor do paradigma, em seus fundamentos, não tenha expressamente consignado essa alteração.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2006 a 04/04/2006
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2006 a 04/04/2006 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. No que diz respeito à aplicação da denúncia espontânea para afastar penalidade aduaneira por atraso na prestação de informações, a condição para comprovar a divergência, nos recursos interpostos pela Fazenda Nacional, é que acórdão paradigma tenha afastado a aplicação desse instituto e tenha sido proferido após 28/07/2010, data da publicação da MP 497, posteriormente convertida na Lei 12.350/2010, que alterou a redação do art. 102, § 2º, do Decreto-Lei 37/1966, ainda que o voto condutor do paradigma, em seus fundamentos, não tenha expressamente consignado essa alteração. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/04/2006 a 04/04/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. No que diz respeito à aplicação da denúncia espontânea para afastar penalidade aduaneira por atraso na prestação de informações, a condição para comprovar a divergência, nos recursos interpostos pela Fazenda Nacional, é que acórdão paradigma tenha afastado a aplicação desse instituto e tenha sido proferido após 28/07/2010, data da publicação da MP 497, posteriormente convertida na Lei 12.350/2010, que alterou a redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/1966, ainda que o voto condutor do paradigma, em seus fundamentos, não tenha expressamente consignado essa alteração. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 04/04/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 05 63 /2 01 0- 85 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10715.000563/201085 Acórdão n.º 9303003.554 CSRFT3 Fl. 251 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pela falta ou atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.881, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 04/04/2006 ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA. Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, devese reformado acórdão de primeira instância neste ponto. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10715.000563/201085 Acórdão n.º 9303003.554 CSRFT3 Fl. 252 3 PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do DecretoLei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento. Recurso Voluntário Provido. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio do despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o sujeito passivo apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas No que diz respeito à admissibilidade do apelo, entendo que o recurso atende aos requisitos estabelecidos no RICARF para seu julgamento nesta instância superior. Ressalte se que a Contribuinte, em suas contrarrazões tempestivamente apresentadas, não contestou a admissibilidade do especial Fazendário. Todavia, é importante frisar que um dos paradigmas apresentados pela Recorrente, Acórdão 3802001.128, comprova a divergência suscitada, pois foi proferido em 28/06/2012, ou seja, após a vigência da Lei 12.350/2010, que alterou a redação do artigo art. 102, 2º, do DL 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Assim, constatase que tanto o recorrido quanto esse paradigma, que julgaram casos de exigência da mesma penalidade, foram proferidos quando já vigia a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, o que atesta a existência de perfeita identidade fática e jurídica entre os arestos confrontados. Estas são as condições que, no caso, permitem o confronto dos arestos para fins de comprovação da divergência. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10715.000563/201085 Acórdão n.º 9303003.554 CSRFT3 Fl. 253 4 Tendo sido, recorrido e paradigma, proferidos em datas nas quais vigiam as mesmas disposições legais, constatase que as decisões foram em sentidos opostos: enquanto o recorrido aplicou a denúncia espontânea para afastar a multa por atraso na prestação de informações à RFB, o recorrido decidiu pela inaplicabilidade desse instituto. Desta forma, voto por conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. Passando ao mérito, deve ser esclarecido que a matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo do sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, Fl. 253DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10715.000563/201085 Acórdão n.º 9303003.554 CSRFT3 Fl. 254 5 infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10715.000563/201085 Acórdão n.º 9303003.554 CSRFT3 Fl. 255 6 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no Fl. 255DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10715.000563/201085 Acórdão n.º 9303003.554 CSRFT3 Fl. 256 7 mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10715.000563/201085 Acórdão n.º 9303003.554 CSRFT3 Fl. 257 8 Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10715.000563/201085 Acórdão n.º 9303003.554 CSRFT3 Fl. 258 9 São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: Fl. 258DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10715.000563/201085 Acórdão n.º 9303003.554 CSRFT3 Fl. 259 10 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10715.000563/201085 Acórdão n.º 9303003.554 CSRFT3 Fl. 260 11 transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10715.000563/201085 Acórdão n.º 9303003.554 CSRFT3 Fl. 261 12 Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, apesar de a decisão recorrida ter se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação do entendimento pessoal do relator. Por isso, afastada a aplicação da denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as demais questões de mérito trazidas pelo sujeito passivo no recurso voluntário. À luz do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator Fl. 261DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 19647.003354/2007-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
Dimob. Multa por Atraso na Entrega.
O descumprimento da obrigação acessória por parte dos contribuintes enseja a aplicação da multa prevista na legislação tributária.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
Penalidade. Alteração Legislação. Princípio da Retroatividade Benigna.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
Inconstitucionalidade De Normas.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
(Súmula CARF nº 02)
Súmulas. Observância Obrigatória.
As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf).
Numero da decisão: 1302-001.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO EM PARTE ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(documento assinado digitalmente)
ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH - Relatora
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente
Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 Dimob. Multa por Atraso na Entrega. O descumprimento da obrigação acessória por parte dos contribuintes enseja a aplicação da multa prevista na legislação tributária. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 Penalidade. Alteração Legislação. Princípio da Retroatividade Benigna. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 Inconstitucionalidade De Normas. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 02) Súmulas. Observância Obrigatória. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO EM PARTE ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH - Relatora (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O descumprimento da obrigação acessória por parte dos contribuintes enseja a aplicação da multa prevista na legislação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PENALIDADE. ALTERAÇÃO LEGISLAÇÃO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. A lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 02) SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 33 54 /2 00 7- 13 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 16/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO EM PARTE ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Relatora (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Este litígio foi objeto da Resolução nº 1801000.324, deliberada em 12 de março de 2014, efls. 42 a 62, pelo que aproveito trechos do Relatório e Voto já redigidos para historiar os fatos: RELATÓRIO Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração à fl. 19, com a exigência do crédito tributário no valor de R$65.000,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 01.03.2007 da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) do anocalendário de 2005, cujo prazo final era 28.02.2006. [...] Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0205, com as alegações a seguir transcritas: Foi lavrada contra a Requerente Notificação de Lançamento, uma vez que a mesma não havia supostamente cumprido obrigação tributária acessória, apresentando a DIMOB com atraso. Todavia, a Notificação de Lançamento lavrada contra a Requerente não pode prosperar, tendo em vista que tanto a obrigação tributária acessória não está legalmente prevista, contrariando o rígido principio da legalidade que vige em matéria tributária. Com efeito, segundo dispõe a Constituição Federal, em seu Art. 5°, inciso II, "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei". Mais adiante dispõe o art. 150, I, da Carta Magna [...]. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 16/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 19647.003354/200713 Acórdão n.º 1302001.870 S1C3T2 Fl. 3 3 Ora, verificasé do mencionados dispositivos constitucionais que qualquer obrigação tributária somente poderá ser exigida quando prevista em lei, o que não acontece no presente caso. A alegada obrigação de apresentação da DIMOB foi instituída com base em delegação legislativa prevista no Art. 16 da Lei n°9.779/1999 [...]. A delegação legislativa não é permitida em nosso atual sistema jurídico, não podendo a administração ir além do que está na lei. Para ser exigível tanto o cumprimento da obrigação tributária acessória como o pagamento da multa decorrente do seu não cumprimento, é imperiosa a existência de lei. Assim, não estando a obrigação tributária acessória prevista em lei, não é devida a penalidade pecuniária pelo seu suposto descumprimento, posto que não estava, por força de lei, obrigada a apresentar a DIMOB. Vale por fim ressaltar que, quando legalmente prevista e não cumprida a obrigação tributária acessória se transforma em obrigação principal, nos termos do Art. 113, § 30, do Código Tributário Nacional, pelo que se a obrigação acessória não estivesse subordinada ao principio da legalidade tributária, seria possível a criação de obrigação tributária principal mediante Instrução Normativa, Portarias e outros atos normativos infralegais, o que é um absurdo e não se coaduna com o sistema jurídicoconstitucional brasileiro. [...]Destaquese, finalmente, que o valor da multa é muito elevado, especialmente porque o atraso na apresentação da DIMOB, não representa qualquer prejuízo ou falta de recolhimento de tributos. Penalizar a Requerente em tão alto valor não justo. [...] Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/REC/PE nº 1131.323, de 30.09.2010, fls. 2628: Impugnação Improcedente. Restou ementado: Assunto: Obrigação Acessória. Anocalendário: 2006 Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias – DIMOB. Multa por Atraso na Entrega. Espontaneidade Comprovada que a declaração foi entregue fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, é de ser manter a multa aplicada. [...] VOTO VENCEDOR A legislação que trata a respeito da matéria em litígio dispõe: Lei nº 12.766, de 2012 Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos Fl. 114DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 16/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 4 prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; (grifos não pertencem ao original) Compulsando os autos, em vistas, verificase que não se pode concluir qual o regime de tributação adotado pela recorrente em sua última declaração apresentada. Daí a divergência deste colegiado com o voto da Conselheira Relatora que, entre os dois valores (R$ 500,00 ou R$1.500,00) entendeu que deve ser aplicado o maior. Para a acertada cominação da multa isolada em apreço, mister é que: a) os autos retornem à unidade de jurisdição da recorrente e informese, no presente, qual o regime de tributação optado pela recorrente em sua última DIPJ apresentada. Desta informação, a recorrente deverá tomar ciência, facultandoselhe prazo regulamentar para se manifestar. Após retornem os autos para esta Conselheira. Às efls. 65 a autoridade fiscal designada ao cumprimento das diligências solicitadas informou que a recorrente é optante pelo regime de tributação do Lucro Presumido e anexa aos autos pesquisa das DIPJ entregues nos últimos anoscalendários. Devidamente cientificada da realização das diligências, a recorrente manifestouse da seguinte forma efls. 69 a 74: a) reitera os argumentos do Recurso Voluntário; b) requer a redução da multa em vista das normas editadas posteriormente, mais benéficas, a saber, artigo 57, inciso I, alínea 'a', c/c o § 3º da MP nº 2.15935, com redação dada pela Lei nº 12.766/12. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora O Recurso Voluntário já foi conhecido, por tempestivo. I) Da ilegalidade e inconstitucionalidade das normas tributárias legais e infralegais Fl. 115DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 16/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 19647.003354/200713 Acórdão n.º 1302001.870 S1C3T2 Fl. 4 5 A Recorrente no Recurso Voluntário ataca o artigo 16 da Lei nº 9.779/99, a seguir transcrito, por delegar à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) competência para dispor sobre o cumprimento de obrigações acessórias e, por consequência, as Instruções Normativas que regem a entrega das DIMOB Declaração sobre Informações de Atividades Imobiliárias: Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. E também taxa de inconstitucional a Medida Provisória nº 2.15835/01 que em seu artigo 57 disciplinou sobre o descumprimento das obrigações acessórias. Deve ser esclarecido que a atividade do lançamento tributário é vinculada e obrigatória, bem como a atividade do julgamento administrativo, não sendo permitido apreciar ilegalidade ou constitucionalidade das normas tributárias. Dispõe o artigo 142, em seu § único, do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A Medida Provisória nº 2.15835/01 e a Lei nº 9.799/09 não foram declaradas inconstitucionais e estão em plena vigência, pelo que as Instruções Normativas RFB que disciplinam os deveres relacionados às obrigações acessórias e albergadas por esta legislação também encontramse em cumprimento e devem ser observadas pelos contribuintes. Ademais, no que respeita às argüições de inconstitucionalidade/ilegalidade das normas tributárias em vigência, é defeso a este colegiado administrativo de julgamento se pronunciar sobre o assunto, sendo mansa e pacífica a jurisprudência firmada neste sentido, conforme se depreende da Súmula CARF nº 02: Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em se tratando de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Afasto as arguições da recorrente neste tópico. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 16/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 6 II) Da nova redação do artigo 57 da Medida Provisória nº 2.15835/01, dada pela Lei nº 12.766, de 2012 e da retroatividade benigna Cabe razão à recorrente nesta questão. O artigo 57 da Medida Provisória nº 2.15835/01 tem a seguinte redação: (art. 8º da Lei nº 12.766/12) Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário; III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. § 1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). § 2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. § 3o A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício.” (grifos não pertencem ao original) Fl. 117DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 16/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 19647.003354/200713 Acórdão n.º 1302001.870 S1C3T2 Fl. 5 7 Em Parecer Normativo, nº 03/2013, a Cosit (Coordenação do Sistema de Tributação) explicita o alcance da norma nova em relação aos fatos pretéritos, aplicando o princípio da retroatividade benigna em matéria de penalidade tributária (art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional – CTN): (...) 2.1. A multa tinha um escopo genérico: quando não houvesse nenhuma específica, ela seria aplicada a quaisquer situações que decorressem do descumprimento de uma obrigação acessória. Várias situações contidas em atos normativos infralegais da RFB são sancionadas com essa multa. 2.2. A Lei nº 12.766, de 2012, alterou a redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, que passou a ser: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$1.000,00 (mil reais) por mêscalendário; III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. § 1º Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). § 2º Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum Fl. 118DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 16/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 8 evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea “b” do inciso I do caput. § 3º A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício.” (NR) 2.3. A multa genérica para descumprimento de obrigação acessória passou para uma que serve para os casos de não apresentação de declaração, demonstrativo ou escrituração digital1 por qualquer sujeito passivo, ou que os apresentar com incorreções ou omissões. Como novidade, o inciso II determina que os prazos para a apresentação dos documentos descritos no caput não podem ser inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias da intimação. [...] (iii) Como ficam as multas cuja base legal é a antiga redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001? (iv) Continuam vigentes as multas do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002, do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, do art. 7º da Lei nº 9.393, de 1996, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, e do § 2º do art. 5º da Lei nº 11.033, de 2004? 6. Há que se verificar diversas multas atualmente cobradas pela fiscalização ou pelo controle do crédito tributário e se elas foram ou não afetadas pela nova Lei. (...) 6.1.1. A IN RFB nº 787, de 2007 (ECD), a IN RFB nº 989, de 2009 (eLalur), a IN RFB nº 1.052, de 2010 (EFD), a IN RFB nº 1.115, de 2010 (Dimob) e a IN RFB nº 985, de 2009 (Dmed), direcionamse apenas às pessoas jurídicas de direito privado ou equiparadas, motivo pelo qual todos os aspectos da regramatriz da multa do novo art. 57 da MP são passíveis de aplicação. (...) 6.1.3. Os dispositivos das IN devem ser alterados para conterem a sua nova base legal. 6.1.4. Nas multas anteriormente lançadas que, no caso concreto, sejam mais gravosas que a nova multa, a lei nova mais benéfica deve retroagir, tratandose de ato não definitivamente julgado, conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. (grifos não pertencem ao original) Considerando, portanto, que a empresa é optante pelo regime de tributação do Lucro Presumido e que a Notificação de Lançamento de efls. 18 foi emitida de forma eletrônica, após a entrega espontânea da Dimob, há que aplicarse as disposições legais retro transcritas, art. 57, inciso I, a, c/c o § 3º da MP nº 2.15935/01, e recalcular o valor da multa por atraso na entrega da Dimob, por força do princípio da retroatividade da legislação tributária quando, no curso do processo, comine ao ato praticado pelo contribuinte penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, consagrado no artigo 106, alínea "c", do CTN. A recorrente entregou a Dimob em atraso em 16 de abril de 2007, quando o prazo legal para a referida entrega era em 28 de fevereiro de 2006, portanto, 14 meses após a data fixada. Destarte, pela aplicação do dispositivo acima, a penalidade devida é da ordem de R$ 3.500,00 (500,00 x 14 = 7.000,00 /2). Fl. 119DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 16/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 19647.003354/200713 Acórdão n.º 1302001.870 S1C3T2 Fl. 6 9 Voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 120DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 16/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA
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Numero do processo: 13433.721106/2011-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
EXCLUSÃO. RECEITA BRUTA ACIMA DO LIMITE PERMITIDO. APURAÇÃO REALIZADA PELA FISCALIZAÇÃO COM BASE NA ESCRITURAÇÃO. LEGITIMIDADE.
É legítima a apuração realizada pela fiscalização na busca de elementos que contribuam para a determinação da receita bruta auferida, para fins de aferição de eventual incidência em critério de exclusão do Simples Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-002.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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RECEITA BRUTA ACIMA DO LIMITE PERMITIDO. APURAÇÃO REALIZADA PELA FISCALIZAÇÃO COM BASE NA ESCRITURAÇÃO. LEGITIMIDADE. É legítima a apuração realizada pela fiscalização na busca de elementos que contribuam para a determinação da receita bruta auferida, para fins de aferição de eventual incidência em critério de exclusão do Simples Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 72 11 06 /2 01 1- 63 Fl. 6601DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.721106/201163 Acórdão n.º 1402002.139 S1C4T2 Fl. 6.602 2 Relatório HOTEL THERMAS LTDA recorre a este Conselho em face do acórdão nº 1138.383 proferido pela 5ª Turma da DRJ no Recife que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Tratase de exclusão do Simples Nacional refere ao período de apuração de 07/2007 a 12/2007 e aos anoscalendário de 2008 e 2009 em razão de a reclamante supostamente ter auferido receita bruta superior ao limite estabelecido para ingresso e permanência em tal regime de tributação simplificado, nos termos do art. 14 da Lei Complementar 123/2006. A RECORRENTE era optante pelo Simples Federal (Lei nº 9.317/96) e foi automaticamente inscrita no SIMPLES NACIONAL em 1º de julho de 2007, em virtude do disposto no § 4º do art. 16 da Lei Complementar n.º 123/06, c/c com o art. 18 da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007. Em procedimento fiscal levado a efeito junto ao contribuinte, constatouse que o mesmo, em relação ao anocalendário de 2006 omitiu receitas escrituradas em seu livro caixa no montante de R$ 3.711.142,92, tendo declarado e recolhido Simples Federal/Simples Nacional com base na receita bruta de R$ 1.315.931,39. Lavrouse auto de infração (processo nº 13433.720113/200148) para cobrança dos tributos que deixaram de ser declarados e recolhidos pelo contribuinte. Também constatouse omissão de rendimentos oriundos de créditos em contas bancárias sem comprovação de origem (art. 42 da lei nº 9.430/96), também matéria objeto de lançamento de ofício no referido processo. Tendo o contribuinte ultrapassado o limite de R$ 2.400,000,00 de receita bruta no anocalendário de 2006 (mesmo sem considerar a omissão de receitas com base nos depósitos bancários), o mesmo não poderia ter continuado, a partir de 01/01/2007, no SIMPLES FEDERAL, nem ter ingressado, a partir de 01/07/2007, no SIMPLES NACIONAL. Em relação aos anoscalendário 2007 a 2009, o contribuinte manteve a prática de omitir receitas, declarando como sua receita apenas parte de sua receita, em descompasso com os valores contidos em seu livro caixa e também em desacordo com os créditos/depósitos em suas contas bancárias, matérias alvo de lançamento de ofício (autos de infração no processo nº 13433.720963/201227). Computandose as receitas omitidas ao crivo da tributação às receitas já declaradas ao Fisco, chegouse aos seguintes resultados: a) AnoCalendário 2007: Em sua Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – SIMPLES – do anocalendário de 2007 (janeiro a junho de 2007) e na sua Declaração Anual do Simples Nacional (julho a dezembro de 2007) a empresa reconheceu como receita bruta apenas o valor de R$ 1.629.846,12 (um milhão, seiscentos e vinte e nove mil, oitocentos e quarenta e seis reais e doze centavos). Portanto, considerando que em seu Livro Caixa do ano calendário de 2007 a pessoa jurídica fiscalizada reconheceu receitas no valor de R$ Fl. 6602DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.721106/201163 Acórdão n.º 1402002.139 S1C4T2 Fl. 6.603 3 5.073.093,08, temos uma omissão de receita no valor de R$ 3.443.246,96 (três milhões, quatrocentos e quarenta e três mil, duzentos e quarenta e seis reais e noventa e seis centavos). b) AnoCalendário 2008: Em sua Declaração Anual do Simples Nacional do anocalendário de 2008 a empresa reconheceu como receita bruta apenas o valor de R$ 2.162.297,01 (dois milhões, cento e sessenta e dois mil, duzentos e noventa e sete reais e um centavo). Portanto, considerando que em seu Livro Caixa do anocalendário de 2008 a pessoa jurídica fiscalizada reconheceu receitas no valor de R$ 6.709.272,14, temos uma omissão de receita no valor de R$ 4.546.975,13 (quatro milhões, quinhentos e quarenta e seis mil, novecentos e setenta e cinco reais e treze centavos). c) AnoCalendário 2009: Em sua Declaração Anual do Simples Nacional do anocalendário de 2009 a empresa reconheceu como receita bruta apenas o valor de R$ 2.412.013,91 (dois milhões, quatrocentos e doze mil, treze reais e noventa e um centavos). Portanto, considerando que em seu Livro Caixa do anocalendário de 2009 a pessoa jurídica fiscalizada reconheceu receitas no valor de R$ 4.587.647,10, temos uma omissão de receita no valor de R$ 2.175.663,19 (dois milhões, cento e setenta e cinco mil, seiscentos e sessenta e três reais e dezenove centavos). Considerandose que o limite de receita bruta anual para ingresso e manutenção no Simples Nacional em todo o período em questão era de R$ 2.400.000,00, o contribuinte foi excluído de tal regime simplificado, declarandose ainda o impedimento de optar pelo Simples Nacional até 31/12/2012, nos termos do §1º do art. 29 da Lei Complementar nº 123/06 (prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006 – art. 29, I e V, § 1º c/c art. 5º, incisos I, V e XI, da Resolução CGSN nº 15/2007). Inconformado o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: que a conclusão fiscal está absolutamente equivocada, haja vista que baseouse em mera presunção sem amparo legal; que não há nos autos prova material do faturamento atribuído à empresa; que inexiste na legislação do SIMPLES FEDERAL, bem como do SIMPLES NACIONAL, amparo à exclusão mediante presunção legal de omissão de receitas. O excesso no faturamento deve ser cabalmente comprovado. Considerandose que as notas ficais emitidas pela impugnante apontavam receitas inferior a R$ 2.400.000,00 em cada um dos anoscalendário em questão, não haveria que se falar em excesso de receita bruta. O fato de a contribuinte receber adiantamentos de clientes não significaria, por si só, que tais valores se implementaram como receitas. Haveria altas taxas de devolução. Caberia ao Fisco fazer prova da infração atribuída ao contribuinte mediante diligência a esses clientes, ao menos por amostragem, para comprovar a efetiva prestação de serviços. Em verdade a fiscalização estaria invertendo o ônus da prova, exigindo do contribuinte a prova negativa, o que seria impossível. Ao final requereu o cancelamento do ato declaratório de exclusão do Simples Nacional em face da suposta insuficiência de provas da infração atribuida à empresa. Analisando a manifestação de inconforidade apresentada, a turma julgadora de primeira instância julgoua improcedente. Fl. 6603DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.721106/201163 Acórdão n.º 1402002.139 S1C4T2 Fl. 6.604 4 A RECORRENTE foi intimada da decisão em 22/10/2012 (fl. 6586), tendo apresentado tempestivamente o recurso voluntário de fls. 65886595 em 21/11/2012. Em resumo, reafirma os termos de sua manifestação de inconformidade alegando não haver qualquer irregularidade, tampouco qualquer prova que pudesse ensejar a sua exclusão do Simples Nacional. Aduz que não há prova de sua omissão de receitas e que as notas fiscais emitidas comprovariam que não houve excesso de receita bruta em nenhum dos períodos sob exame. É o relatório. Fl. 6604DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.721106/201163 Acórdão n.º 1402002.139 S1C4T2 Fl. 6.605 5 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. 2 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL O contribuinte foi excluído do Simples Nacional por excesso de receita bruta. Na sessão de julgamento do dia 03 de março de 2016 foi analisado o recurso voluntário referente à omissão de receitas relativa ao anocalendário de 2006 (processo nº 13433.720113/201148) tendo sido prolatado o acórdão 1402002.135 que deu provimento parcial ao recurso voluntário, mas manteve omissão de receitas relativas ao anocalendário de 2006 que, por si só, já extrapolava o limite para manutenção da empresa no Simples Federal a partir de 01 de janeiro de 2007, e, a partir de julho de 2007, no Simples Nacional. Nesta mesma sessão julgouse o recurso voluntário referente ao processo nº 13433.720963/201227 que trata de omissão de receitas relativa aos anoscalendário de 2007 , 2008 e 2009, tendo sido prolatado o acórdão 1402002.140 que deu provimento parcial ao recurso voluntário, mas manteve omissão de receitas relativas aos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009 que, por si só, já extrapolavam o limite para manutenção da empresa no Simples Nacional nos anoscalendário imediatamente posteriores, bem como no período compreendido entre 01/01/2010 e 31/12/2012, a teor do que dispõe a Lei Complementar 123, de 2006, art. 29, inciso V e seu §1º (proibição de usufruir do Simples Nacional nos três anoscalendário subsequentes à caracterização de prática reiterada de infração ao disposto naquela Lei Complementar). Assim sendo, confirmase o excesso de receita bruta apontado pela autoridade fiscal e confirmado pela decisão de primeira instância, o que implica manter a exclusão do Simples Federal levada a efeito e negar provimento ao recurso voluntário. Considerandose que no recurso voluntário não há qualquer novo argumento em relação à impugnação apresentada, e por concordar integralmente com a decisão recorrida, transcrevoa a seguir, adotando seus fundamentos como razões de decidir, conforme faculta o § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99: 5. A empresa foi comunicada de sua exclusão do Simples Nacional em virtude da fiscalização da DRF/Mossoró ter apurado que o contribuinte omite receitas. O valor total das receitas apuradas, nos anoscalendário 2006 a 2009, superam o limite total estabelecido pela legislação, para fins de permanência na condição de optante pelo Simples Nacional. Dessa forma, a unidade fiscal procede à exclusão da empresa perante o Simples Nacional, com efeitos a partir de 1/7/2007. Ainda, pela habitualidade na prática de omissão, a DRF/MOS penaliza a empresa com a proibição de opção ao Simples Nacional até Fl. 6605DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.721106/201163 Acórdão n.º 1402002.139 S1C4T2 Fl. 6.606 6 31/12/2012. 6. O reclamante busca o reconhecimento de sua permanência no Simples Nacional, sob a alegação de que a omissão de receitas não se encontra devidamente comprovada. Afirma que muitos lançamentos constantes dos livros contábeis foram realizados a título de adiantamento de clientes e, “não significa, por si só, que tais valores se implementaram como receitas”. 7. Sobre a exclusão do Simples Nacional, a matéria é regida pela Lei Complementar 123, de 14 de dezembro de 2006, abaixo reproduzida nos trechos pertinentes: (...) Art.3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideramse microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresária, a sociedade simples e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: Ino caso das microempresas, o empresário, a pessoa jurídica, ou a ela equiparada, aufira, em cada anocalendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais); II no caso das empresas de pequeno porte, o empresário, a pessoa jurídica, ou a ela equiparada, aufira, em cada anocalendário, receita bruta superior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais)e igual ou inferior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais). (...) (Obs: limite revogado pela Lei Complementar 139/2011 R$ 3,6 milhões, com efeitos a partir da opção em 2012) Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; (...) V tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto nesta Lei Complementar; (...) §1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anos calendário seguintes. (...) Art.30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: (...) IV obrigatoriamente, quando ultrapassado, no anocalendário, o limite de receita bruta previsto no inciso II do caput do art. 3º, quando não estiver no anocalendário de início de atividade Fl. 6606DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.721106/201163 Acórdão n.º 1402002.139 S1C4T2 Fl. 6.607 7 (...) Da Omissão de Receita Art.34. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples Nacional. (...) (original sem grifos) 8. Consoante o art. 33 da LC 123/2006, a competência para fiscalizar o cumprimento das obrigações principais e acessórias relativas ao Simples Nacional e para verificar a ocorrência das hipóteses previstas no art. 29 (exclusão de ofício) é da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), das Secretarias de Fazenda ou de Finanças do Estado ou do Distrito Federal e, tratandose de serviços incluídos na competência tributária municipal, esta será também do respectivo Município. 8.1. Se a exclusão é promovida pela RFB, o procedimento será submetido às regras deste ente. Assim, em matéria processual, vale o Decreto nº 70.235, de 1972, (Processo Administrativo Fiscal – PAF). 8.2. A manutenção da empresa no Simples Nacional depende de algumas condições e requisitos constantes dos artigos 28 a 32 da LC 123/2006. Verificado internamente que o sujeito passivo incorreu em alguma vedação legal, é obrigação da Administração Tributária proceder à exclusão. É ato vinculado. 9. Em relação às provas no processo administrativo tributário, é importante ressaltar que o Direito Brasileiro admite, em termos de prova, inúmeros meios, desde que lícitos, consoante o art. 332, da Lei nº 5.869, de 11/1/1973 Código de Processo Civil (CPC). Já o artigo 333 do CPC, encontramos a questão relacionada ao ônus da prova. Vejamos esses dispositivos: Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Parágrafo único. É nula a convenção que distribui de maneira diversa o ônus da prova quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. Fl. 6607DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.721106/201163 Acórdão n.º 1402002.139 S1C4T2 Fl. 6.608 8 9.1. O Decreto 70.235/1972 (PAF) não foge à idéia central do CPC e consagra o princípio “o ônus da prova cabe a quem dela aproveita”, como se observa nos arts. 9º (destinado ao sujeito ativo) e 16 (destinado ao contribuinte), in verbis: "Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (redação dada pelo art. 25 da Lei 11.941/2009) (...) Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta; IV as diligências que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (sem negritos no original) 10. Compulsando os autos, observase que a fiscalização instaura o procedimento de ofício por meio de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF – fl. 2), consignando o objeto de sua ação e os períodos abrangidos. O agente fiscal abre o procedimento com Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 13, 14, 17 e 18). Intima o impugnante a apresentar os livros contábeis e demais documentos utilizados para respaldar suas conclusões. Apresenta provas diretas, identificando no processo as fontes obtidas, no caso concreto, os extratos de movimentação financeira e os livroscaixa. Elabora representação dirigida ao titular da unidade que culmina na publicação do ADE de exclusão, que oferece oportunidade ao contraditório e a ampla defesa, porquanto descreve a situação excludente e confere prazo para contestação. 10.1. A fiscalização apura a receita bruta do contribuinte, nos anos calendário 2006 a 2009, diretamente do livrocaixa escriturado. Não há presunção e, dessa forma, não se pode falar em inversão do ônus da prova e prova negativa, como afirma o contribuinte. Além disso a doutrina e Fl. 6608DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.721106/201163 Acórdão n.º 1402002.139 S1C4T2 Fl. 6.609 9 jurisprudência atual superaram essas questões, como se vê no julgado do STJ Resp 422.778/SP, 19/6/2007: “Tanto a doutrina como a jurisprudência superaram a complexa construção do direito antigo acerca da prova dos fatos negativos, razão pela qual a afirmação dogmática de que o fato negativo nunca se prova é inexata, pois há hipóteses em que uma alegação negativa traz, inerente, uma afirmativa que pode ser provada. Desse modo, sempre que for possível provar uma afirmativa ou um fato contrário àquele deduzido pela outra parte, temse como superada a alegação de "prova negativa", ou "impossível". (grifos acrescidos) 10.2. No exercício da ampla defesa, cabe ao contribuinte contestar o valor apurado pelo fisco através da apresentação de provas que demonstrem suas razões. A defesa apresenta meras alegações, sem documentação que possa ilidir a afirmação da fiscalização respaldada na escrituração do próprio contribuinte. Se parte dos ingressos no livrocaixa correspondem a adiantamento de clientes não implementados como receitas, como alega a defesa, bastava trazer aos autos os documentos relacionados à devolução desses recebimentos. 10.3. Neste sentido, cabe trazer aos autos, julgado do antigo Conselho de Contribuintes: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Meras alegações sobre a falta de devolução de documentos não tem o condão de contaminar o procedimento fiscal.A perfeita descrição dos fatos permite a autuada defenderse plenamente, descaracterizandose o cerceamento ao amplo direito de defesa.(Acórdão 10512930 do Primeiro Conselho de Contribuintes) 10.4. Logo, a apreciação da matéria objeto de discordância expressa pelo contribuinte deve levar em consideração os motivos de fato e de direito em que este se alicerça, bem como as provas apresentadas. Em espécie, o contribuinte não traz aos autos cópia da escrituração contábil ou outro material probatório que possa comprovar equívoco cometido pela fiscalização da DRF/Mossoró. 11. Ainda, a empresa ultrapassa o limite de receita bruta por vários anos consecutivos, sem que tenha comunicado sua exclusão da sistemática simplificada. Pratica reiteradamente a infração de apenas reconhecer parte de suas receitas. Em virtude dessa prática reiterada, a unidade da RFB penaliza a empresa com o preceito contido na Lei Complementar 123, de 2006, art. 29, §1º: proibição de usufruir do Simples Nacional por três anoscalendário subsequentes, no caso de 2010 a 2012. Também, neste aspecto, assiste razão à fiscalização. Fl. 6609DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.721106/201163 Acórdão n.º 1402002.139 S1C4T2 Fl. 6.610 10 5 CONCLUSÃO Isso posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 6610DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10925.001161/2005-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
Ementa:
IPI. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR TRIMESTRAL.INSUMOS TRANSFERIDOS, SEM DESTAQUE DO IMPOSTO, DE UM ESTABELECIMENTO PARA OUTRO DA MESMA FIRMA.
Os créditos do IPI são escriturados vista do documento que lhes confira legitimidade. A indicação dos dados essenciais ao lançamento, inclusive do imposto devido pela saída, em campo diverso do previsto na norma não inviabiliza o crédito do adquirente, quando provado que o remetente reconheceu como débito o imposto incorretamente informado.
Numero da decisão: 3401-003.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: IPI. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR TRIMESTRAL.INSUMOS TRANSFERIDOS, SEM DESTAQUE DO IMPOSTO, DE UM ESTABELECIMENTO PARA OUTRO DA MESMA FIRMA. Os créditos do IPI são escriturados vista do documento que lhes confira legitimidade. A indicação dos dados essenciais ao lançamento, inclusive do imposto devido pela saída, em campo diverso do previsto na norma não inviabiliza o crédito do adquirente, quando provado que o remetente reconheceu como débito o imposto incorretamente informado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1800; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 376 1 375 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.001161/200565 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.132 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de março de 2016 Matéria RESSARCIMENTO DE IPITRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO Recorrente BRF S.A. (Sucessora de SADIA S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: IPI. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR TRIMESTRAL.INSUMOS TRANSFERIDOS, SEM DESTAQUE DO IMPOSTO, DE UM ESTABELECIMENTO PARA OUTRO DA MESMA FIRMA. Os créditos do IPI são escriturados vista do documento que lhes confira legitimidade. A indicação dos dados essenciais ao lançamento, inclusive do imposto devido pela saída, em campo diverso do previsto na norma não inviabiliza o crédito do adquirente, quando provado que o remetente reconheceu como débito o imposto incorretamente informado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 11 61 /2 00 5- 65 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente processo sobre PER/DCOMP (no 36786.89381.310804.1.3.010167) transmitida em 31/08/2004 (fls. 4 a 15)1 para ressarcir Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) referente ao segundo trimestre de 2004, com base na Lei no 9.779/1999 (insumos utilizados na fabricação de produto tributados à alíquota zero), no montante de R$ 28.986,36 (cópias do Livro Registro de Apuração do IPI às fls. 17 a 51, e relação/cópias de notas fiscais de compra de embalagens aplicadas em produtos tributados à alíquota zero às fls. 52 a 64). Com base na informação fiscal de fls. 71 a 73, é emitido o despacho decisório de fls. 74/75 em 22/08/2005, deferindo parcialmente o pleito (no montante de R$ 917,30), sob o fundamento de que: (a) houve notas fiscais sem destaque de IPI (notas de transferência de insumos da Unidade Paranaguá, relacionadas à fl. 72), e sem validade legal por serem incompletas, conforme art. 353 do Regulamento do IPI/2002RIPI/2002 (Decreto no 4.544/2002), ocasionando a glosa de R$ 28.069,06. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 77 a 83), alega a empresa, em síntese, que: (a) a autoridade fiscal efetuou a glosa por simples irregularidade formal, pois a empresa suportou o encargo do IPI; (b) vislumbrase do texto da informação fiscal que todos os débitos, créditos e estornos do IPI estão devidamente lançados e contabilizados pela empresa; (c) a autoridade fiscal não contesta que a empresa suportou a carga tributária do IPI e tem direito ao ressarcimento; (d) não foi destacado o valor do IPI sobre as transferências de produtos importados no campo específico da nota fiscal porque os valores de estoque dos referidos produtos são compostos do valor importado e dos valores das despesas posteriores ao desembaraço (isso evitou a geração de valores a maior de IPI, pois o sistema utiliza o valor do estoque para o cálculo dos tributos devidos); e (e) houve boafé da empresa, que cumpriu com sua obrigação de recolher e suportar o IPI. Em 14/02/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 97 a 100), no qual se acorda unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que: (a) o IPI é regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos (art. 51 do CTN e arts. 313 e 518, IV do RIPI/2002), devendo a apuração do imposto ser feita por estabelecimento, sendo vedada a centralização; (b) a transferência de insumos entre estabelecimento de uma mesma empresa em regra deve ser efetuada com destaque de IPI, mas pode (cf. art. 42, X do RIPI/2002) ser feita com suspensão, sem o destaque, como no caso em tela; e (c) assim, a glosa não trata de questão formal, mas de descumprimento de requisito (art. 196 do RIPI/2002) para utilização de crédito. Cientificada da decisão de piso em 09/05/2012 (cf. AR de fl. 106), a empresa apresenta recurso voluntário em 17/05/2012 (fls. 107 a 130), no qual reitera os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade, adicionando que: (a) a empresa agiu de acordo com o previsto no art. 42, X do RIPI/2002, que prevê a suspensão do imposto nas transferências para industrialização; (b) a filial pleiteante lançou posteriormente na conta “outros créditos” do Livro Registro de Apuração do IPI o valor do IPI objeto do pedido de ressarcimento, e, havendo débito do imposto pelas saídas devese permitir o crédito 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 377DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.001161/200565 Acórdão n.º 3401003.132 S3C4T1 Fl. 377 3 correspondente, em função do princípio da nãocumulatividade; (c) sendo certo que a empresa suportou o ônus do IPI, a glosa implica violação à nãocumulatividade; (d) a mesma irregularidade já foi imputada outras vezes à empresa, mas rechaçada pelo antigo Conselho de Contribuintes (v.g. Acórdãos no 20217.100, no 20401.378, e no 20401.782); e (e) aos valores a serem ressarcidos deve ser aplicada a Taxa SELIC (conforme decidiu o STJRESp no 150.345/RS, no 611.905/RS, no 416.247/SC e no 988.032/RS, e o Conselho de Contribuintes Acórdãos no 20173129, no 20401.378, e no 20401.782A). Por meio da Resolução no 3403000.567, de 19/08/2014, houve conversão do julgamento em diligência, para que a unidade local atestasse conclusivamente se a unidade remetente reconheceu como débito o imposto informado nas seis notas fiscais glosadas (em valor total de R$ 28.069,06). Na informação fiscal de fls. 323/324, a unidade local comunica que a SADIA S.A. foi sucedida pela BRF S.A., e que "há consonância entre os valores das notas fiscais e os respectivos lançamentos no Livro de Registro de Apuração do IPI e no Livro Registro de Saídas", e concluiu que "não obstante as irregularidades formais apontadas pela unidade de origem, os valores relativos ao IPI estão corretamente apropriados e lançados na contabilidade da contribuinte requerente". Cientificada o teor da informação fiscal em 03/03/2015, conforme termo de fl. 327, a recorrente sobre ele se manifestou em 11/03/2015 (fls. 330/331), afirmando que a conclusão da unidade local corrobora integralmente as razões recursais da empresa. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário apresentado atende os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O crédito que a empresa pleiteia é o referido no art. 11 da Lei no 9.779/1999, que dispõe: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda.” Reparese que a lei não concede o crédito de IPI. Apenas permite a utilização do saldo credor de IPI já acumulado, segundo a legislação aplicável a tal tributo. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 E a unidade local entendeu não haver todo o saldo credor indicado, mas apenas parte dele, efetuando glosa em relação às seguintes notas fiscais: As duas primeiras notas fiscais estão relacionadas no demonstrativo de fl. 53, com descrição de base de cálculo do IPI, alíquota e valor de IPI. Nas cópias de tais faturas (fls. 54 e 55), percebese que não há preenchimento dos campos “alíquota do IPI”, “valor do IPI” e “valor total do IPI”, mas a base de cálculo, a alíquota e o valor do IPI estão discriminados no campo “dados adicionais”, com os mesmos dados/valores que no demonstrativo de fl. 53. E percebese que o mesmo comportamento se repete na terceira e a quarta notas fiscais da listagem (fls. 58 e 59, com demonstrativo à fl. 57), e nas duas últimas (fls. 62 e 63/64, com demonstrativo à fl. 61) em que pese a má qualidade da digitalização de algumas imagens. A fiscalização reconhece as menções à base de cálculo, à alíquota e ao valor do IPI nas notas fiscais, mas efetua a glosa ao amparo da invalidade dos documentos porque: “somente os valores de IPI corretamente destacados, no campo apropriado, é que são passíveis de serem creditados, salvo situações especiais, o que não é o caso das transferências de insumos entre estabelecimentos do mesmo contribuinte”. E o fundamento indicado para a invalidade das notas fiscais é o art. 353, II do RIPI/2002 (vigente à época dos fatos): “Art. 353. Serão consideradas, para efeitos fiscais, sem valor legal, e servirão de prova apenas em favor do Fisco, as notas fiscais que (Lei nº 4.502, de 1964, art. 53, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 15ª): (...) II não contiverem, dentre as indicações exigidas nas alíneas b, f até h, j, e l, do quadro "Dados do Produto", de que trata o inciso IV do art. 339, e nas alíneas e, i, e j, do quadro "Cálculo do Imposto", de que trata o inciso V do mesmo artigo, as necessárias à identificação e classificação do produto e ao cálculo do imposto devido (Lei nº 4.502, de 1964, art. 53, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 15ª);” (grifos efetuados pela autoridade fiscal na informação fiscal fl. 72) De fato, as informações sobre base de cálculo, alíquota e valor do IPI, embora constantes nas notas fiscais, não estavam nos campos indicados pelo dispositivo regulamentar, mas no campo “dados adicionais”. Isso é incontroverso. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.001161/200565 Acórdão n.º 3401003.132 S3C4T1 Fl. 378 5 O julgador de piso encontra uma possível razão para que os valores de IPI, apesar de mencionados nas notas fiscais, não estivessem destacados no campo próprio: “A transferência de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa, como regra geral, deve ser realizada com o destaque do IPI. Entretanto, o inciso X, do art. 42 do RIPI/2002, prevê que poderão sair com suspensão do imposto, os insumos transferidos para industrialização, de um estabelecimento para outro, da mesma firma. Essa opção de transferir os insumos sem o destaque de IPI é exteriorizada justamente através da nota fiscal. Não se trata que uma questão meramente formal. Não havendo o destaque do imposto, claro fica que a empresa optou por não transferir os créditos. E é justamente o que ocorreu no caso em tela. Verificase às fls. 54/55, 58/59 e 62/64 que não houve o destaque do IPI, e como consequência, o estabelecimento que recebeu os insumos não faz jus ao credito, que permanece no estabelecimento remetente.” (grifo no original) No recurso voluntário, a própria empresa parece encampar a tese da suspensão, ao afirmar (fl. 111) que: “Desta forma, a autoridade fiscal entendeu que o crédito deveria ser glosado apenas com base na mera formalidade do destaque na nota fiscal. Tal formalidade não pode cercear o direito incontroverso ao creditamento de IPI, porque de fato o tributo foi pago. Além do mais, a empresa agiu de acordo com o previsto no inciso X, do art. 42 da (sic) RIPI/2002, pois este prevê que poderão sair com suspensão do imposto, os insumos transferidos para industrialização, de um estabelecimento para outro, da mesma firma.” (grifo nosso) Parecia haver contradição no excerto: ou o IPI foi pago/destacado pela remetente ou a remessa ocorreu com suspensão (art. 42, X do RIPI). Ou há o equívoco da recorrente em entender que o IPI suspenso na operação de transferência foi “pago”/destacado. Reparese que nas linhas 002, 003, 005, 006, 008 e 009 do PER/DCOMP (fl. 11), correspondentes exatamente às notas fiscais glosadas, há sempre a mensagem “transferência para industrialização”, da filial 004009 para a 003452. Nas demais, há a mensagem “compra para industrialização”. Contudo, nos demonstrativos de fls. 53, 57 e 61, relativos às mesmas notas fiscais de “transferência” (em todas as notas aparece como natureza da operação “transf. de mercad. adquir. ou recebid. de terceiros CFOP 6.152”), há a mensagem “compra de embalagens aplicadas na produção”. Pelos documentos acostados aos autos (Livro de Registro de Apuração do IPI da destinatária, e não da remetente) não era possível saber de forma conclusiva (justamente pela incorreção nas notas fiscais glosadas), se tais notas estavam a amparar uma operação com IPI de fato destacado pelo remetente ou uma operação de transferência com suspensão. E isso deixava claro que a irregularidade no preenchimento da nota fiscal apontada no despacho poderia não constituir mera formalidade, mas elemento indicativo do tipo de operação que ampara (transferência com destaque ou transferência com suspensão). Restaria dúvida, assim, sobre o potencial infracional de eventual erro cometido na nota fiscal. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 Daí a conversão em diligência, em nome da verdade material, para saber com segurança o tipo de operação configurado na transferência (ou compra) efetuada por meio das citadas notas fiscais, demandando à unidade local atestasse conclusivamente se a unidade remetente reconheceu como débito o imposto informado nas notas fiscais glosadas. E, diante da resposta da fiscalização, restou inequívoca a correção do procedimento (ressalvados os citados aspectos formais), com lançamento nos livros correspondentes. Nas palavras da fiscalização (fl. 324): "Foi então verificado cada valor referido com a respectiva nota fiscal, cujas cópias foram também apresentadas. Dessa análise resultou que há consonância entre os valores das notas fiscais e os respectivos lançamentos no Livro Registro de Apuração do IPI e no Livro Registro de Saídas. Portanto, à vista de todo o exposto concluise que, não obstante as irregularidades formais apontadas pela unidade de origem, os valores relativos ao IPI estão corretamente apropriados e lançados na contabilidade da contribuinte requerente." (grifo nosso) Diante do resultado da diligência, pouco resta a discutir, além dos erros formais apontados, que não obstam o direito de crédito da recorrente, como vem entendendo este tribunal administrativo, inclusive nos precedentes apontados pela recorrente, como o Acórdão no 20217.100 (unânime, proferido em 24 de maio de 2006), no qual, a nosso ver, é bem tratada a questão à luz da verdade material (como já informado na resolução de conversão em diligência): “IPI. RESSARCIMENTO. LEI N. 9.779/99. CRÉDITOS BÁSICOS RELATIVOS A INSUMOS RECEBIDOS EM TRANSFERÊNCIA. A informação do valor total dos produtos, do IPI e da nota fiscal no quadro da nota fiscal destinado aos Dados Adicionais Informações Complementares, aliada à comprovação do lançamento a débito no livro de apuração do remetente, autoriza o creditamento do imposto pelo estabelecimento recebedor dos insumos transferidos.” (grifo nosso) No mesmo sentido o Acórdão no 20401.378 (de 24 de maio de 2006, relatado pelo Cons. Júlio César Alves Ramos, no qual também houve unanimidade em relação à matéria): “IPI. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR TRIMESTRAL.INSUMOS TRANSFERIDOS, SEM DESTAQUE DO IMPOSTO, DE UM ESTABELECIMENTO PARA OUTRO DA MESMA FIRMA. Os créditos do IPI são escriturados vista do documento que lhes confira legitimidade. A indicação dos dados essenciais ao lançamento, inclusive do imposto devido pela saída, em campo diverso do previsto na norma não inviabiliza o crédito do adquirente, quando provado que o remetente reconheceu como débito o imposto incorretamente informado.” (grifo nosso) Assim, diante das correções nos lançamentos, atestadas pela própria fiscalização, é de se reconhecer o direito de crédito pleiteado em relação às seis notas fiscais glosadas. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.001161/200565 Acórdão n.º 3401003.132 S3C4T1 Fl. 379 7 Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 382DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
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