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Numero do processo: 10730.000002/2007-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO.
Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF.
NULIDADE. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
Os artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentares (Decretos nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nº 4.489, de 28 de novembro de 2009) consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Trata-se de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista, exatamente como determina o art. 145, § 1º, da Constituição Federal. (ADI 2390, STF. 24/02/2016)
SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE.
A Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportar-se à legislação então vigente, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em legislação editada após aquela data.
TAXAS DE JUROS. SELIC. CABIMENTO.
Descabe na esfera administrativa qualquer discussão acerca de constitucionalidade de lei em vigor. Aplicação das Súmulas n. 2 e n. 4 deste Conselho.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA
Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados.
DECADÊNCIA. NÃO PAGAMENTO. ARTIGO 150, § 1º, C/C 173, I, DO CTN.
Quando não ocorre o pagamento não há que se falar de homologação do lançamento, deslocando-se a decadência para o prazo contido no art. 173, inciso I, do CTN. Os lançamentos ocorreram dentro do prazo legalmente previsto.
MULTA QUALIFICADA. ENTREGA DE DECLARAÇÕES ZERADAS.
Verificada a conduta volitiva e reiterada do contribuinte em entregar zerada a DIPJ, mesmo admitindo que auferiu receita, é cabível a aplicação da multa qualificada. Tal conduta tem claramente o intuito de ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador tributário.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS.
Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa.
Numero da decisão: 1201-001.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Acordam, ainda, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, que votaram pela realização de diligência para a apreciação de documentos.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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AUTO DE INFRAÇÃO. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF. NULIDADE. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. INOCORRÊNCIA. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Os artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentares (Decretos nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nº 4.489, de 28 de novembro de 2009) consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Tratase de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista, exatamente como determina o art. 145, § 1º, da Constituição Federal. (ADI 2390, STF. 24/02/2016) SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. A Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportarse à legislação então vigente, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em legislação editada após aquela data. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 00 02 /2 00 7- 92 Fl. 4147DF CARF MF 2 TAXAS DE JUROS. SELIC. CABIMENTO. Descabe na esfera administrativa qualquer discussão acerca de constitucionalidade de lei em vigor. Aplicação das Súmulas n. 2 e n. 4 deste Conselho. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. DECADÊNCIA. NÃO PAGAMENTO. ARTIGO 150, § 1º, C/C 173, I, DO CTN. Quando não ocorre o pagamento não há que se falar de homologação do lançamento, deslocandose a decadência para o prazo contido no art. 173, inciso I, do CTN. Os lançamentos ocorreram dentro do prazo legalmente previsto. MULTA QUALIFICADA. ENTREGA DE DECLARAÇÕES ZERADAS. Verificada a conduta volitiva e reiterada do contribuinte em entregar zerada a DIPJ, mesmo admitindo que auferiu receita, é cabível a aplicação da multa qualificada. Tal conduta tem claramente o intuito de ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador tributário. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Acordam, ainda, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, que votaram pela realização de diligência para a apreciação de documentos. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fl. 4148DF CARF MF Processo nº 10730.000002/200792 Acórdão n.º 1201001.774 S1C2T1 Fl. 4.148 3 Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório BRASIL SUL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA recorre a este Conselho com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1237.372 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ1), que julgou procedente em parte a impugnação. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, completandoo ao final: Versa o presente processo sobre os Autos de Infração de fls. 4/135 (que têm como parte integrante o Termo de Constatação e Intimação), lavrados pela DRF/Niterói, com ciência em 28/12/2006, sendo exigidos os créditos tributários de IRPJ, no valor de R$8.364.838,17, de PIS, no valor de R$543.243,28, de CSLL, no valor de R$1.376.187,36, e de COFINS, no valor de R$2.507.277,46, acrescidos de multas de 75% e 150% e de juros de mora. O crédito tributário total lançado monta a R$35.725.583,49 (fl. 2). Houve arbitramento do lucro tendo em vista que, intimado, o interessado não apresentou livros e documentos da sua escrituração. O lançamento foi efetuado tomando por base depósitos bancários de origem não comprovada e receitas informadas na DIPJ. O enquadramento legal sé encontra nos Autos de Infração. • Foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais (processo n° 10730.000300/200782, apenso). O interessado apresentou, em 26/01/2007, a impugnação de fls. 2.208/2.255. Alega, em síntese, que: para garantir a ampla defesa, as cópias dos extratos bancários que junta em sua defesa devem ser autenticadas mediante a requisição dos originais junto às instituições financeiras ou o confronto com os extratos que estão com a DRF/Niterói; operouse a decadência em relação aos lançamentos do período de 01/01/2001 a 31/11/2001 (PIS e Cofins) e 01/01/2001 a 30/09/2001 (IRPJ e CSLL); durante a fase de fiscalização, demonstrou a origem dos depósitos bancários, sobretudo quando decorrentes de movimentação entre contas de sua titularidade, bem como de frutos de empréstimos, não tendo a fiscalização tomado conhecimento das justificativas, vício que eiva de nulidade o lançamento, ante sua imprecisão, e prejudica o direito de defesa; Fl. 4149DF CARF MF 4 devem ser excluídos do lançamento os depósitos bancários oriundos de movimentação entre contas de sua titularidade (doc. 7 a 25) e os decorrentes de empréstimos — bancários, entre empresas do grupo econômico e sócios (doc. 26 a 56); a jurisprudência reconhece a improcedência de lançamento realizado com base única e exclusivamente em depósitos bancários; a multa de 150% deve ser reduzida para 75%, por não haver individualização da conduta entre os tipos previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964 e por não haver prova do delito, do dolo ou da culpa; deve ser afastada a aplicação da SELIC entende ser necessária a realização de perícia (indica perito e quesitos). À fl. 3.205, o julgamento foi convertido em diligência, para que a autoridade lançadora: a) intimasse o interessado a apresentar os documentos indicados na impugnação como doc. 13 (a partir item 125) a 25, que comprovariam transferências entre contas de sua titularidade, posto que, nos autos, só se encontram os documentos doc. 7 a 13 até item 121 (fls. 2.645/2.890); b) intimasse o interessado a apresentar os documentos indicados na impugnação como doc. 26 a 33, que comprovariam empréstimos, posto que, nos autos, só se encontram os documentos doc. 34 a 56 (fls. 2.897/3.200); C) considerando a documentação apresentada em sede de impugnação e a que viesse a ser apresentada em face da diligência, retirasse das planilhas do Anexo A, que serviram de base para os autos de infração, todos os valores que, comprovadamente, sejam referentes a transferências entre contas de titularidade do interessado, assim como aqueles vinculados a operações de empréstimos; d) juntasse novas planilhas, totalizadas nos moldes das apresentadas no Anexo B;`` e) desse ciência ao interessado, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, aditar razões de defesa. Encerrada a diligência, foi lavrado o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal de fls. 3.688/3.693. Cientificado, o interessado não apresentou manifestação (fls. 3.754/3.757). É o relatório. O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 13/07/2011 (AR de efls. 3.899), apresentando em 08/08/2011, o recurso voluntário de efls. 3.812 e seguintes, onde reproduz, em síntese, as mesmas razões expostas na impugnação ao lançamento. Fl. 4150DF CARF MF Processo nº 10730.000002/200792 Acórdão n.º 1201001.774 S1C2T1 Fl. 4.149 5 Em virtude do recurso de ofício interposto pela DRJ/RJ1, a contribuinte apresenta suas contrarrazões às efls. 4.101 e seguintes para que seja negado provimento ao recurso de ofício de modo a manter o Acórdão nº 1237.372 da 1ª Turma da DRJ/RJ1 na parte em que o mesmo: Os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. Fl. 4151DF CARF MF 6 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Em razão da exoneração do crédito tributário fora apresentado recurso de ofício pela DRJ/RJ1. RECURSO DE OFÍCIO Tratase aqui, como relatado anteriormente, de recurso de ofício interposto pela DRJ/RJ1 que concluiu pela decadência do PIS e da COFINS dos meses de janeiro a novembro de 2001 e acatou o resultado da diligência efetuado pela fiscalização que excluiu do lançamento os depósitos bancários oriundos de movimentação entre contas de sua titularidade e os decorrentes de empréstimos, conforme Termo de Encerramento de Diligência Fiscal de e fls. 3.776/3.781. Como a ciência do lançamento ocorreu em 28/12/2006 (efls. 125) e houve o pagamento do PIS e da COFINS para os fatos geradores de janeiro a novembro de 2001 (efls. 3.846 e seguintes) devese aplicar a regra do § 4º do artigo 150 do CTN, uma vez que não foi comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação para esses períodos. Assim, correta a decisão de 1ª instância que decidiu por afastar as exigências dessas contribuições por decadência, haja vista decorrido mais de 5 anos entre o fato gerador desses tributos e a homologação do lançamento. Em cumprimento a solicitação de diligência da DRJ, a Fiscalização elaborou o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, ao norte mencionado, excluindo do lançamento as transferências entre contas de mesma titularidade e os empréstimos bancários que foram devidamente comprovados pela interessada, tudo conforme planilhas e demonstrativos de efls. 3.782 e seguintes. Compulsando os autos verifico que as exclusões devidas foram efetuadas pela fiscalização e acato o resultado da diligência. Assim, nego provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO PRELIMINARES Nulidade do Acórdão da DRJ por cerceamento do seu direito de defesa Não procede a alegação da recorrente de cerceamento do seu direito de defesa por não ter ciência do multicitado Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, uma vez que está comprovado nos autos, por meio dos documentos de efls. 3.841/3.843, que tal documento foi entregue no domicílio fiscal da contribuinte em 31/03/2011. Ademais, apresentou suas contrarrazões ao recurso de ofício interposto pela DRJ/RJ1 em 08/08/2011, conforme relatado anteriormente. Decadência do IRPJ E CSLL dos fatos geradores do 1º , 2º e 3º trimestres de 2001 Em relação à decadência, a recorrente argumenta no sentido de que, por se tratar o Imposto de Renda de tributo sujeito ao lançamento por homologação e seus reflexos, deveria ser contado o prazo constante do artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional. Fl. 4152DF CARF MF Processo nº 10730.000002/200792 Acórdão n.º 1201001.774 S1C2T1 Fl. 4.150 7 Todavia, não há fundamento para se falar em lançamento por homologação, pois, não se verifica nos autos informação alguma sobre valores pagos a título de IRPJ e CSLL. Portanto, não há o que se homologar, menos ainda de forma ficta. Ao caso, portanto, aplicase as disposições ao art. 173, inciso I, do CTN. Nesse sentido, verificase que, todos os fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2001, com exceção do último trimestre do anocalendário, poderiam ser lançados em 2001. Contandose cinco anos a partir do anocalendário de 2002 temse que os lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos em 2001, com exceção do último trimestre, poderiam ser efetuados até 31/12/2006 (o último trimestre do ano até 31/12/2007). Como a Interessada tomou ciência dos autos de infração em 28/12/2006, constatase que não ocorreu decadência no caso sob julgamento. Nulidade do auto de infração por uso de provas ilícitas e ilegítimas decorrentes da quebra de sigilo bancário sem a prévia autorização judicial Impõese registrar, inicialmente, que o acesso pelas autoridades administrativas às informações bancárias dos contribuintes tem fundamento na própria Constituição Federal: Art. 145 ... § 1º Sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. E o CTN, com status de lei complementar, assim já previa, in verbis: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; A LC nº 105, de 10 de janeiro de 2001, veio regular, com mais detalhes, a solicitação de informações às instituições financeiras, assim determinando: Art.1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) §3º Não constitui violação do dever de sigilo: (...) Fl. 4153DF CARF MF 8 VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9o desta Lei Complementar. (...) Art.5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) §2o As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...) §4o Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. §5o As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Na sequência foram editados a Lei nº 10.174, de 2001 e o Decreto nº 3.724, de 2001, que vieram regrar com mais precisão a obtenção de dados, compondo o cenário jurídico no qual a autoridade fiscal está autorizada, nos casos previstos, a requisitar informações bancárias dos contribuintes fiscalizados. Imprópria, assim, a tentativa de vincular esta atividade tãosó ao Poder Judiciário, sob o argumento de que somente este atua com a razoabilidade necessária à garantia do direito fundamental à intimidade ou à inviolabilidade de dados. Os atos legais e regularmente mencionados disciplinaram as hipóteses específicas nas quais o acesso é permitido e, ao circunscreverse a este âmbito, a prova obtida é plenamente válida. Fl. 4154DF CARF MF Processo nº 10730.000002/200792 Acórdão n.º 1201001.774 S1C2T1 Fl. 4.151 9 Cabe observar que o acesso às informações bancárias não configura, propriamente, quebra do sigilo bancário, haja vista a imposição às autoridades administrativas de seu resguardo durante todo o procedimento, não só em virtude do sigilo fiscal determinado no art. 198 do CTN, como também do disposto no art. 5º, § 5º, e art. 6º, parágrafo único, ambos da LC nº 105, de 2001. Ademais, as informações se prestam apenas à constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal. Há, na verdade, mera transferência do sigilo, que antes vinha sendo assegurado pela instituição financeira e passa a ser mantido pelas autoridades administrativas. A constitucionalidade da requisição de movimentação financeira pelo Fisco, diretamente às instituições financeiras, sem intervenção judicial, prevista na LC. 105/2001, foi objeto de questionamentos perante o STF tanto em recursos extraordinários, quanto por meio de Ações Diretas de Inconstitucionalidade ADI. Em julgamento conjunto de cinco processos (RE 601.314 E ADI's 2390, 2386, 2397 e 2859) pelo pleno do STF, finalizado em 24/02/2016, prevaleceu o entendimento, por maioria de 9 votos a 2, de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Eis o acórdão relativo às ADI's: Ação direta de inconstitucionalidade. Julgamento conjunto das ADI nº 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859. Normas federais relativas ao sigilo das operações de instituições financeiras. Decreto nº 4.545/2002. Exaurimento da eficácia. Perda parcial do objeto da ação direta nº 2.859. Expressão “do inquérito ou”, constante no § 4º do art. 1º, da Lei Complementar nº 105/2001. Acesso ao sigilo bancário nos autos do inquérito policial. Possibilidade. Precedentes. Art. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentadores. Ausência de quebra de sigilo e de ofensa a direito fundamental. Confluência entre os deveres do contribuinte (o dever fundamental de pagar tributos) e os deveres do Fisco (o dever de bem tributar e fiscalizar). Compromissos internacionais assumidos pelo Brasil em matéria de compartilhamento de informações bancárias. Art. 1º da Lei Complementar nº 104/2001. Ausência de quebra de sigilo. Art. 3º, § 3º, da LC 105/2001. Informações necessárias à defesa judicial da atuação do Fisco. Constitucionalidade dos preceitos impugnados. ADI nº 2.859. Ação que se conhece em parte e, na parte conhecida, é julgada improcedente. ADI nº 2.390, 2.386, 2.397. Ações conhecidas e julgadas improcedentes. 1. Julgamento conjunto das ADI nº 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859, que têm como núcleo comum de impugnação normas relativas ao fornecimento, pelas instituições financeiras, de informações bancárias de contribuintes à administração tributária. 2. Encontrase exaurida a eficácia jurídiconormativa do Decreto nº 4.545/2002, visto que a Lei n º 9.311, de 24 de outubro de 1996, de que trata este decreto e que instituiu a CPMF, não está mais em vigência desde janeiro de 2008, conforme se depreende do art. 90, § 1º, do Ato das Disposições Fl. 4155DF CARF MF 10 Constitucionais Transitórias ADCT. Por essa razão, houve parcial perda de objeto da ADI nº 2.859/DF, restando o pedido desta ação parcialmente prejudicado. Precedentes. 3. A expressão “do inquérito ou”, constante do § 4º do art. 1º da Lei Complementar nº 105/2001, referese à investigação criminal levada a efeito no inquérito policial, em cujo âmbito esta Suprema Corte admite o acesso ao sigilo bancário do investigado, quando presentes indícios de prática criminosa. Precedentes: AC 3.872/DFAgR, Relator o Ministro Teori Zavascki, Tribunal Pleno, DJe de 13/11/15; HC 125.585/PEAgR, Relatora a Ministra Cármen Lúcia, Segunda Turma, DJe de 19/12/14; Inq 897AgR, Relator o Ministro Francisco Rezek, Tribunal Pleno, DJ de 24/3/95. 4. Os artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentares (Decretos nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nº 4.489, de 28 de novembro de 2009) consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Tratase de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista, exatamente como determina o art. 145, § 1º, da Constituição Federal. 5. A ordem constitucional instaurada em 1988 estabeleceu, dentre os objetivos da República Federativa do Brasil, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a erradicação da pobreza e a marginalização e a redução das desigualdades sociais e regionais. Para tanto, a Carta foi generosa na previsão de direitos individuais, sociais, econômicos e culturais para o cidadão. Ocorre que, correlatos a esses direitos, existem também deveres, cujo atendimento é, também, condição sine qua non para a realização do projeto de sociedade esculpido na Carta Federal. Dentre esses deveres, consta o dever fundamental de pagar tributos, visto que são eles que, majoritariamente, financiam as ações estatais voltadas à concretização dos direitos do cidadão. Nesse quadro, é preciso que se adotem mecanismos efetivos de combate à sonegação fiscal, sendo o instrumento fiscalizatório instituído nos arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/ 2001 de extrema significância nessa tarefa. 6. O Brasil se comprometeu, perante o G20 e o Fórum Global sobre Transparência e Intercâmbio de Informações para Fins Tributários (Global Forum on Transparency and Exchange of Information for Tax Purposes), a cumprir os padrões internacionais de transparência e de troca de informações bancárias, estabelecidos com o fito de evitar o descumprimento de normas tributárias, assim como combater práticas criminosas. Não deve o Estado brasileiro prescindir do acesso automático aos dados bancários dos contribuintes por sua administração tributária, sob pena de descumprimento de seus compromissos internacionais. 7. O art. 1º da Lei Complementar 104/2001, no ponto em que insere o § 1º, inciso II, e o § 2º ao art. 198 do CTN, não determina quebra de sigilo, mas transferência de informações Fl. 4156DF CARF MF Processo nº 10730.000002/200792 Acórdão n.º 1201001.774 S1C2T1 Fl. 4.152 11 sigilosas no âmbito da Administração Pública. Outrossim, a previsão vai ao encontro de outros comandos legais já amplamente consolidados em nosso ordenamento jurídico que permitem o acesso da Administração Pública à relação de bens, renda e patrimônio de determinados indivíduos. 8. À ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, órgão da AdvocaciaGeral da União, caberá a defesa da atuação do Fisco em âmbito judicial, sendo, para tanto, necessário o conhecimento dos dados e informações embasadores do ato por ela defendido. Resulta, portanto, legítima a previsão constante do art. 3º, § 3º, da LC 105/2001. 9. Ação direta de inconstitucionalidade nº 2.859/DF conhecida parcialmente e, na parte conhecida, julgada improcedente. Ações diretas de inconstitucionalidade nº 2390, 2397, e 2386 conhecidas e julgadas improcedentes. Ressalva em relação aos Estados e Municípios, que somente poderão obter as informações de que trata o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 quando a matéria estiver devidamente regulamentada, de maneira análoga ao Decreto federal nº 3.724/2001, de modo a resguardar as garantias processuais do contribuinte, na forma preconizada pela Lei nº 9.784/99, e o sigilo dos seus dados bancários . ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, sob a presidência do Senhor Ministro Ricardo Lewandowski, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas, por maioria de votos e nos termos do voto do Relator, em julgar improcedente o pedido formulado na ação direta, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Reajustou o voto o Ministro Roberto Barroso para acompanhar integralmente o Relator. Brasília, 24 de fevereiro de 2016. Ministro Dias Toffoli Relator. Assim, restou confirmada pelo STF a constitucionalidade da L.C. 105/2001, afastando de vez a existência de qualquer violação aos dispositivos constitucionais que visam preservar a intimidade, privacidade e o sigilo de dados. Nulidade do auto de infração por cerceamento do seu direito de defesa em face de diversas imprecisões nos lançamentos efetivados em desacordo com o artigo 42, § 3º, inciso I, da Lei 9.430/96 Segundo a recorrente a quantidade de lançamentos excluídos colocam em xeque toda a ação fiscal e fere todo o procedimento fiscal, eivando de nulidade o presente auto de infração, ante sua imprecisão, o que diretamente prejudica o seu direito de defesa. No processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam àquelas previstas no artigo 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. Logo, se os fatos verificados não configurarem pelo menos alguma das hipóteses arroladas no dispositivo legal, não há nulidade, mormente quando vêse que a recorrente teve oportunidade de exercer seu direito de defesa. Fl. 4157DF CARF MF 12 Nesses termos, não houve cerceamento de defesa, motivo pelo qual não há como acolher a preliminar de nulidade. Portanto, devem ser afastadas todas as preliminares suscitadas pela recorrente. MÉRITO Cancelamento de todos os lançamentos remanescentes efetivados como base em depósitos oriundos de contas bancárias de mesma titularidade e os decorrentes de empréstimos contraídos pela recorrente Essa alegação foi superada em função da diligência efetuada pela Fiscalização que elaborou o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, excluindo do lançamento as transferências entre contas de mesma titularidade e os empréstimos bancários que foram devidamente comprovados pela interessada, como relatado anteriormente. Assim, como o sujeito passivo não apresentou qualquer manifestação contestando a diligência fiscal, considero preclusa essa matéria. Cancelamento da multa qualificada de 150% bem como a representação fiscal para fins penais A acusação fiscal para qualificar a multa de ofício encontrase no Termo de Constatação e Intimação de efls. 21, cujo trecho trago a colação: Tendo em vista a apresentação, pela sociedade, das DIPJ relativas aos anoscalendário de 2003 e 2004 (ND 0941939 e 1129828, respectivamente) com os montantes de custos , despesas , apuração de resultados , faturamentos , lucro real ZERADOS , estando identificados somente os dados iniciais, os dados cadastrais , os dados do representante e responsável , a identificação de sócios ou titular e os rendimentos de dirigentes , sócios ou titular , apesar de a mesma ter reconhecido no curso da ação fiscal , principalmente na resposta ao Termo de Intimação lavrado em 17/11/2006, a existência de receitas auferidas junto a clientes , procederseá a elaboração da pertinente Representação Fiscal Para Fins Penais , em decorrência do evidente intuito de não oferecer à tributação os montantes identificados e que eram de conhecimento da sociedade , sendo o lançamento dos valores apurados e lançados de oficio nos anoscalendário de 2003 e 2004 efetuados com a multa de ofício de 150%, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei 9.430/96. Por sua vez, a recorrente alega que a Fiscalização não individualizou o tipo penal em que teria incorrido, se aquele previsto no artigo 71, 72 ou 73, da Lei nº 4.502/64, impossibilitando a contribuinte de exercer seu direito constitucionalmente assegurado de defenderse, além de a autoridade fiscal não lograr demonstrar os elementos probatórios do dolo ou culpa necessários à aplicação da multa penal. Ocorre que, se é necessária a individualização da motivação da qualificação da penalidade, vale a menção da peça acusatória a tanto, constante do Termo de Constatação e Intimação, ao norte transcrito, a qual, fazendo referência aos anos de 2003 e 2004, motiva a exacerbação da multa em virtude de : "apresentação, pela sociedade, das DIPJ relativas aos anos Fl. 4158DF CARF MF Processo nº 10730.000002/200792 Acórdão n.º 1201001.774 S1C2T1 Fl. 4.153 13 calendário de 2003 e 2004 (ND 0941939 e 1129828, respectivamente) com os montantes de custos, despesas , apuração de resultados , faturamentos , lucro real ZERADOS". Sobre essa questão específica, o CARF tem entendimento consolidado no sentido de ser cabível a aplicação da multa qualificada, quando o contribuinte entregar à Receita Federal, reiteradamente, declarações de entrega obrigatória com valores zerados. Veja se: ENTREGA DE DECLARAÇÕES ZERADAS. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. A conduta do contribuinte de, reiteradamente, ao longo de dois anoscalendário, manter vultosa atividade empresarial, ao mesmo tempo em que apresentava ao Fisco Federal declarações com conteúdo “zerado”, se enquadra nas circunstâncias em que a lei determina a aplicação de multa no percentual de 150%. Acórdão nº 1302001.701 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de março de 2015. ............... MULTA QUALIFICADA. ENTREGA DE DECLARAÇÕES ZERADAS. Verificada a conduta volitiva e reiterada por vários anos do contribuinte em entregar zerada a DIPJ, mesmo admitindo que auferiu receita, é cabível a aplicação da multa qualificada. Tal conduta tem claramente o intuito de ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador tributário. Acórdão nº 1302001.421 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de junho de 2014. ............... MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÕES DA PESSOA JURÍDICA ZERADAS, SEM JUSTIFICATIVA. DOLO CARACTERIZADO. Caracteriza a sonegação, consistente na conduta dolosa de impedir o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador, a prática de entregar à Receita Federal a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) e a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) com valores zerados, diferentemente da escrituração fiscal e contábil, sem qualquer justificativa para tanto. Demonstrada a sonegação, cabe a aplicação da multa qualificada. Acórdão nº 3401002.141 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2013. Nesse passo, entendo comprovada a prática de conduta dolosa para os anos de 2003 e 2004 e mantenho a multa de 150%. Cancelamento de todos os lançamentos tributários restantes baseados exclusivamente em depósitos bancários, violando o princípio da verdade material bem como a Súmula 182 do TFR A respeito da Súmula nº 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos TFR, citada pelo litigante, referese a momento histórico distinto, no qual não era possível formular se uma presunção legal com base em depósitos bancários; por conseguinte, não abrange o caso Fl. 4159DF CARF MF 14 em comento, que tem por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, cuja legalidade e constitucionalidade não consta tenham sido objeto de decisão judicial erga omnes, nem que tivessem sido judicialmente questionadas pelo interessado, levandose ainda em conta que, em face das disposições do art. 144 do CTN, aplicase ao lançamento a legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador. Afastamento da aplicação da taxa SELIC No que diz respeito à utilização da SELIC a posição deste Conselho encontrase sumulada, de modo que restam afastados os argumentos aduzidos pela Recorrente: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Lançamento Reflexo. CSLL, PIS e Cofins Decorrendo as exigências da CSLL, PIS, COFINS, da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário . (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 4160DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.006841/2008-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
CONTRIBUIÇÕES. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação que rege a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final.
Numero da decisão: 3401-003.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para acolher o resultado da diligência, e seu impacto redutor nas glosas efetuadas em relação a industrialização por encomenda, e para afastar as glosas referentes a despesas de manutenção e conservação, tratamento de efluentes, higienização de linha, material de laboratório e dedetização, vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, que divergiu em relação a manutenção e conservação e tratamento de efluentes. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, por divergirem em relação à afirmação de que a diligência não pode suprir deficiência probatória a cargo da postulante ao crédito.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 CONTRIBUIÇÕES. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação que rege a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para acolher o resultado da diligência, e seu impacto redutor nas glosas efetuadas em relação a industrialização por encomenda, e para afastar as glosas referentes a despesas de manutenção e conservação, tratamento de efluentes, higienização de linha, material de laboratório e dedetização, vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, que divergiu em relação a manutenção e conservação e tratamento de efluentes. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, por divergirem em relação à afirmação de que a diligência não pode suprir deficiência probatória a cargo da postulante ao crédito. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Rodolfo Tsuboi.
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RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 CONTRIBUIÇÕES. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação que rege a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para acolher o resultado da diligência, e seu impacto redutor nas glosas efetuadas em relação a industrialização por encomenda, e para afastar as glosas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 68 41 /2 00 8- 68 Fl. 527DF CARF MF 2 referentes a despesas de manutenção e conservação, tratamento de efluentes, higienização de linha, material de laboratório e dedetização, vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, que divergiu em relação a manutenção e conservação e tratamento de efluentes. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, por divergirem em relação à afirmação de que a diligência não pode suprir deficiência probatória a cargo da postulante ao crédito. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Rodolfo Tsuboi. Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Ressarcimento, cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), de fls. 2 a 171, com protocolo de 04/11/2008, demandando créditos de COFINS não cumulativa referentes ao 1o trimestre de 2008, no valor de R$ 72.494,87, dos quais R$ 61.664,77 + R$ 2.977,35 + R$ 2.977,35 foram utilizados em compensações. Na Informação Fiscal de fls. 191 a 199, a fiscalização se manifesta pelo parcial deferimento do pedido (no valor de R$ 21.707,49), que se dá com fundamento no artigo 16 da Lei no 11.116/2005 e no artigo 17 da Lei no 11.033/2004, para aquisições à alíquota zero das contribuições (venda de lite e bebidas e compostos lácteos destinados ao consumo humano), pelos seguintes fundamentos: (a) não se incluem no custo dos insumos o IPI incidente na aquisição, quando recuperável pelo comprador, como nas remessas para industrialização por terceiros que retornam ao encomendante, não podendo a empresa tomar créditos na aquisição dos insumos e também no retorno deles do industrializador por encomenda (notas fiscais glosadas relacionadas às fls. 196/197); (b) não se enquadram no conceito de insumos as despesas com manutenção e conservação, tratamento de efluentes, higienização de linha, material de laboratório e dedetização, ainda que sejam necessárias à atividade da empresa; e (c) na linha “outros créditos a descontar”, a empresa defendeu que havia valores de “recuperação PIS e COFINS referente venda de bebida láctea tributada indevidamente”, de janeiro e fevereiro de 2008, conforme artigo 32 da Lei no 11.488/2007, mas a forma de cômputo adotada foi equivocada, devendo a empresa promover as retificações de DCTF e DACON, reapurando as contribuições. O Despacho Decisório de fl. 201, emitido em 10/02/2009, acata integralmente a informação fiscal, homologando parcialmente a compensação. Ciente da decisão da unidade local da RFB, a empresa apresenta Manifestação de Inconformidade em 18/03/2009 (fls. 203 a 222), na qual alega, em síntese, que: (a) os insumos glosados (referentes a despesas de manutenção e conservação, tratamento 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10920.006841/200868 Acórdão n.º 3401003.787 S3C4T1 Fl. 528 3 de efluentes, higienização de linha, material de laboratório e dedetização) são contabilizados como custo de produção, e são obrigatórios e essenciais para a fabricação dos produtos comercializados pela empresa, o que pode, inclusive, ser comprovado por perícia, em nome da verdade material; (b) no que se refere a industrialização por encomenda, o crédito declarado na “aquisição do serviço de industrialização”, ainda que incorretamente apurado, não foi, de fato, utilizado, e as notas relacionadas como glosadas não ensejaram efetiva apuração de crédito, o que também pode ser comprovado por perícia contábil, em nome da verdade material; (c) no que se refere ao erro formal apontado, este não ocorreu, pois foram transmitidos os pedidos de restituição, em consonância com a normativa vigente, e não se pode sacrificar a verdade material para atender a formalidade; e (d) a empresa não incidiu em qualquer irregularidade, sendo nula a cobrança de multa e juros sobre eventual crédito remanescente de compensação. A decisão de primeira instância, proferida em 29/04/2011 (fls. 420 a 431) foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, pelos seguintes fundamentos: (a) a empresa não comprova suas alegações sobre as industrializações por encomenda, não se desincumbindo de seu ônus de afastar os resultados da fiscalização que foi feita a partir dos documentos apresentados pela própria empresa; (b) o pedido de perícia, sem indicação precisa dos requisitos demandados no Decreto no 70.235/1972 é considerado não formulado; (c) o conceito de insumo, na legislação que rege as contribuições, é extraído das Lei no 10.637/2002 e no 10833/2003, e das Instruções Normativas SRF no 247/2002 e no 404/2004, não abrangendo “insumos indiretos”, como os glosados; (d) sobre os valores referentes a “recuperação PIS e COFINS”, a retificação de DCTF e DACON é imprescindível, e não mera formalidade, pois ela é que atesta a liquidez e a certeza do crédito; e (e) o despacho decisório, que é a decisão recorrida, não estabeleceu a incidência de multa e juros. Após ciência da decisão da DRJ, em 27/05/2011 (AR de fl. 433), a empresa apresenta o Recurso Voluntário de fls. 434 a 469, em 27/06/2011, reiterando os argumentos expressos na manifestação de inconformidade (de que os insumos glosados são obrigatórios e essenciais para a fabricação dos produtos comercializados pela empresa, colacionado jurisprudência em seu favor; de que o crédito declarado na “aquisição do serviço de industrialização”, ainda que incorretamente apurado, não foi, de fato, utilizado, anexando planilha derivada do arquivo magnético apresentando dando conta de que houve equívoco na apuração fiscal; e de que não houve erro na demanda de créditos referentes a pagamentos indevidos de meses anteriores, também anexando planilha a fim de comprovar suas afirmações). Por fim, reitera a alegação referente à incidência de multa e juros, tendo em vista o DARF que acompanhou o despacho decisório, e que, alternativamente, seja procedida igualmente a atualização do crédito, e a demanda por perícia em relação a insumos e a aproveitamento de crédito nas notas fiscais glosadas. No CARF, o julgamento foi convertido em diligência, de forma unânime, pela Resolução no 3401000.730 (fls. 490 a 494), para que a unidade local da RFB: (a) calculasse o crédito da recorrente, com base nas notas fiscais constantes no arquivo magnético apresentado; (b) após o cálculo, analisasse se o valor dos créditos encontrado no arquivo magnético é o mesmo valor declarado na DACON; (c) em caso de não mais possuir a unidade o arquivo magnético, intimasse a recorrente a reapresentálo; (d) elaborasse relatório com as conclusões da diligência, informando qual o valor do crédito encontrado com base na análise do arquivo magnético, se ele é o mesmo valor pleiteado pela recorrente, e mais alguma informação que a autoridade fiscal julgue pertinente; (e) caso seja o valor encontrado no cálculo das notas fiscais do arquivo magnético diferente do declarado na DACON, fosse informado qual a inconsistência encontrada e o que originou a divergência; e (f) após a Fl. 529DF CARF MF 4 conclusão do relatório, intimasse a recorrente a se manifestar acerca da conclusão no prazo de trinta dias. No Relatório referente à diligência (fls. 509/510), informa a fiscalização que os valores de créditos pleiteados no DACON não coincidem com os valores informados nos arquivos digitais, havendo pequenas diferenças em cada mês analisado, e que tais inconsistências decorrem dos valores informados pelo próprio contribuinte em seus arquivos digitais. A fiscalização esclarece que a análise foi efetuada em arquivos já corrigidos pela empresa, que zerou os valores de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS sobre os quais não teria direito a crédito, ficando desta forma os valores de tais arquivos digitais equivalentes aos créditos apropriados pela empresa. Anexa ainda o fisco as planilhas (arquivos não pagináveis) sobre a análise efetuada. Ciente do resultado da diligência em 04/02/2015 (AR à fl. 513), a empresa apresentou manifestação (fls. 515 a 518) no sentido de que as bases de cálculo apresentadas pela autoridade fiscalizadora na planilha colacionada no Relatório de diligência não estão corretas, deixando de considerar “despesas de aluguéis”, “despesas de depreciação”, ficando a indicação de valores registrados na coluna DACON da referida tabela exatamente com a exclusão destas rubricas, e de que, além disso, foram desconsideradas na base de cálculo as “notas fiscais de serviços” (que estavam na planilha auxiliar apresentada). O processo retornou de diligência ao relator original em 09/03/2015, foi enviado a distribuição em 20/07/2016, e distribuído a mim, por sorteio, em setembro de 2016. Em março e abril de 2017, o processo foi indicado para a pauta, mas não incluído pelo presidente, em função do número de processos a julgar. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. São, basicamente, três os temas contenciosos: (a) o cômputo de créditos em relação a industrialização por encomenda; (b) as glosas referentes a insumos; e (c) o aproveitamento, em DCOMP, de créditos referentes a períodos anteriores, sem que tenha sido promovida sua verificação. Das glosas de notas fiscais referentes a industrializações por encomenda Em relação ao o cômputo de créditos nas industrializações por encomenda, ensejador da conversão em diligência, reconhece a empresa que errou em sua contabilização, mas que jamais tomou efetivamente tais créditos. Quando instada a fiscalização a se manifestar sobre as perguntas efetuadas na diligência, mormente no sentido de que se calculasse o crédito da recorrente, com base nas Fl. 530DF CARF MF Processo nº 10920.006841/200868 Acórdão n.º 3401003.787 S3C4T1 Fl. 529 5 notas fiscais constantes no arquivo magnético apresentado, comparando o resultado com o cálculo derivado do DACON, a resposta foi externada nas tabelas de fl. 510: Após a diligência, a empresa questiona, nas tabelas, apenas a ausência de cômputo, nas bases de cálculo, de “despesas de aluguéis” e “despesas de depreciação”, e ausência de cômputo de “notas fiscais de serviços”, que figuravam na planilha auxiliar. Não traz a recorrente demonstração pormenorizada de tais diferenças (apresentando apenas tabelas com valores diversos dos indicados pela fiscalização), mas afirma que, diferentemente da autoridade diligenciante, que apurou diferenças de R$ 272,79, verificou diferença de R$ 1.017,01. Parecia antever a própria recorrente que a ausência de detalhamento mais aprofundado das discordâncias em relação à diligência operaria em seu desfavor, sopesando até a pequena monta dos valores envolvidos, ao final de sua manifestação sobre o relatório de diligência (fl. 518): Acato, assim, o resultado da diligência, não afastado a contento pela recorrente, no que se refere às notas fiscais glosadas, referentes a industrialização por encomenda. É sempre importante recordar que nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Fl. 531DF CARF MF 6 Em relação às negativas de créditos decorrentes das glosas de notas fiscais de fls. 196/197, então, temos que devem ser revistas, a partir dos valores apurados em diligência, afastandose as glosas de notas fiscais que sequer ensejaram utilização de créditos. Das glosas referentes a insumos O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e no 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado a partir da legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Concluise, então, que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como vem também unanimemente decidindo este CARF: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando Fl. 532DF CARF MF Processo nº 10920.006841/200868 Acórdão n.º 3401003.787 S3C4T1 Fl. 530 7 legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...).” (Acórdão no 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime – em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403002.469 a 477; no 3403 001.893 a 896; no 3403001.935; no 3403002.318 e 319; e no 3403.002.783 e 784) "NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...)." (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) Isto posto, caberia analisar a adequação ao conceito de insumo das rubricas questionadas no presente contencioso, já destacando que não se identifica com a legislação do IPI (como parece defender a fiscalização, com fundamento em instruções normativas) nem com a do IR (como parece sustentar a empresa, abarcando custos indiretos). No presente processo, as glosas resumemse a despesas de manutenção e conservação, tratamento de efluentes, higienização de linha, material de laboratório e dedetização. E a própria fiscalização reconhece que tais despesas são necessárias à atividade da empresa (fl. 197): A DRJ também atribui a tais despesas a característica de “insumos”, ainda que seguida da palavra “indiretos”, reconhecendo a relação das despesas com a produção (fl. 428), mas a impossibilidade de crédito em face das referidas instruções normativas: Fl. 533DF CARF MF 8 Não temos dúvidas de que todas as despesas glosadas são necessárias ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. As justificativas são bem delineadas, nesse aspecto, pela defesa, que sustenta não só a necessidade, mas a obrigatoriedade, diante de normas sanitárias, entre outras, a incorrer em tais despesas. Em relação a algumas de tais despesas (serviços de limpeza e dedetização), já tive a oportunidade de me manifestar recentemente, com acolhida unânime da turma, com composição quase idêntica à atual: “Quanto ao mérito, deuse parcial provimento, da seguinte forma: ... por maioria de votos, deuse parcial provimento para admitir o creditamento sobre serviço limpeza geral em instalações, serviço dedetização, serviço reforma pallets PBR, serviço de aplicação de strecht pallet, serviço de repaletização e serviço de carregamento de aves para venda, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Rodolfo Tsuboi, que restringiam o crédito ao serviço limpeza geral em instalações e serviço dedetização, e os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que reconheciam o crédito em maior extensão; (...)” (grifo nosso) (Acórdão no 3401003.400, de 26 jan. 2017) Portanto, devem ser afastadas as glosas em relação a tal item. Das glosas referentes a aproveitamento de créditos de períodos anteriores, não verificados Afirma a fiscalização que, na linha “outros créditos a descontar”, a empresa defendeu que havia valores de “recuperação PIS e COFINS referente venda de bebida láctea tributado indevidamente”, de janeiro e fevereiro de 2008, conforme artigo 32 da Lei no 11.488/2007, mas a forma de cômputo adotada foi equivocada, devendo a empresa promover as retificações de DCTF e DACON, reapurando as contribuições. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 10920.006841/200868 Acórdão n.º 3401003.787 S3C4T1 Fl. 531 9 Em sua defesa, sustentou a empresa que não ocorreu erro formal, pois foram transmitidos os pedidos de restituição, em consonância com a normativa vigente, e que não se poderia sacrificar a verdade material para atender a formalidade. Apesar de não concordarmos com a decisão de piso no sentido de que as retificações de declarações sejam óbice instransponível ao gozo do crédito, temos que é adequada e correta a observação do julgador da DRJ no sentido de que a recomposição poderia atestar a liquidez e a certeza do crédito. No entanto, tal certeza e liquidez poderiam ainda ser atestadas de outra forma, pela recorrente. Mas, nesse aspecto falha a defesa, que traz apenas planilhas que sequer são suficientes para que o CARF demande esclarecimentos adicionais por diligência, como havia feito em relação ao primeiro item. Não se pode aqui acolher créditos que sequer se referem ao trimestre em análise, mas foram nele simplesmente inseridos por não promover a recorrente as alterações que deveria ter efetuado em sua escrituração, com impactos incertos sobre a liquidez e a certeza do montante demandado em ressarcimento. Como já se destacou neste voto, nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. E, em relação ao presente item, tal ônus, a cargo do postulante, não foi cumprido a contento, pelo que devem ser mantidas as glosas fiscais. E não se pode (como parece desejar a empresa em sua peça recursal) suprir deficiência probatória a cargo do postulante com diligência. Nesse sentido vem decidindo unanimemente este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.470, 471, 474, 475, 476 e 477, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013)(grifo nosso) Fl. 535DF CARF MF 10 "PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) (grifo nosso) Das considerações finais Questionou ainda a empresa, em sua manifestação de inconformidade, a incidência de juros e de multa sobre os débitos que teriam restado em aberto em virtude da insuficiência de créditos decorrente da homologação apenas parcial da compensação. A DRJ rebate a alegação informando que a decisão recorrida não estabeleceu a incidência de multa e juros, versando somente sobre indeferimento do direito de crédito e não homologação das compensações. No recurso voluntário, a empresa retoma o tema, tendo em vista o DARF que acompanhou a decisão, e demanda, alternativamente, seja procedida igualmente a atualização do crédito. Sobre o tema, é de se informar que a incidência de juros e de multa sobre quantias não pagas decorre de expressa determinação legal (Lei no 9.430/1996), que não pode ser afastada administrativamente, ainda que sob alegação de inconstitucionalidade, como consagra a Súmula CARF no 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. E o pleito alternativo não faz sentido, visto que o crédito nesta decisão reconhecido será abatido do montante principal do débito, sucumbindo os consectários a ele atrelados, e o débito que eventualmente remanescer sem compensação não encontrará crédito a ser atualizado para lhe fazer frente. Por todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para acolher o resultado da diligência, e seu impacto redutor nas glosas efetuadas em relação a industrialização por encomenda, e para afastar as glosas referentes a despesas de manutenção e conservação, tratamento de efluentes, higienização de linha, material de laboratório e dedetização. Rosaldo Trevisan Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10920.006841/200868 Acórdão n.º 3401003.787 S3C4T1 Fl. 532 11 Fl. 537DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.001661/2008-07
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2008 Atividade de Ensino. Superveniência de Lei. Irretroatividade. A inclusão de atividade antes vedada na opção do Simples, não se amolda à nenhuma das hipóteses contidas no artigo 106 do CTN. O que se deu com a superveniência da Lei Complementar nº 128/08 foi a possibilidade de desde a sua vigência, incluir-se atividades que antes eram vedadas. Aliás, tanto as atividades eram vedadas que o legislador as incluiu textualmente, nada tratando de definição de infração.
Numero da decisão: 1802-000.734
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2008 Atividade de Ensino. Superveniência de Lei. Irretroatividade. A inclusão de atividade antes vedada na opção do Simples, não se amolda à nenhuma das hipóteses contidas no artigo 106 do CTN. O que se deu com a superveniência da Lei Complementar nº 128/08 foi a possibilidade de desde a sua vigência, incluirse atividades que antes eram vedadas. Aliás, tanto as atividades eram vedadas que o legislador as incluiu textualmente, nada tratando de definição de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA – Presidente. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, João Francisco Bianco, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel e Alfredo Henrique Rebello Brandão. Fl. 132DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima qualificada contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ de Campinas/SP. O recorrente foi excluído do SIMPLES por meio do Ato Declaratório Executivo n° 02, de 27 de março de 2008, com efeitos a partir de 06 de outubro de 2003, porquanto prestava serviço de "ensino médio", circunstância que no entender da autoridade administrativa, incidiria na vedação contida no art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96 (fl. 29). Devidamente notificado da exclusão (fl. 30), o recorrente apresentou a respectiva Manifestação de Inconformidade (fls. 31 42), alegando em síntese que a circunstância de a Lei n° 10.034, de 24 de outubro de 2000, excluir as atividades de "creches, préescolas e estabelecimentos de ensino fundamental" do raio de alcance da vedação levantada no art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 1996, não conduziria à conclusão de que a atividade de "ensino médio" seria impedida no Simples Federal, já que no entender da recorrente tal atividade não se incluiria, desde sempre, na dita vedação. Teceu outras tantas considerações e requereu fosse declarado improcedente a sobredita exclusão. A 1ª Turma da DRJ de Campina/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 64 a 65, indeferiu a solicitação, assentando que a prestação de serviço de escola, em princípio, é vedada no Simples Federal, pelo menos até a edição da Lei n° 10.034, de 24 de outubro de 2000, momento em que o referido impedimento foi afastado, somente em relação às atividades de creches, préescolas e estabelecimentos de ensino fundamental. A contribuinte apresentou a petição de folhas 67 a 71, aduzindo que posteriormente à apresentação da Manifestação de Inconformidade, em 19 de dezembro de 2008, foi editada a Lei Complementar n° 128/2008 que alterou a Lei complementar n° 123/2006 instituidora do SIMPLES NACIONAL e trouxe em seu bojo inovação quanto à inclusão de novos setores no Simples Nacional e, dentre eles, as instituições que exercem atividade de ensino médio, e que diante da inovação, seria aplicável o disposto no artigo 106, inciso II, alínea "a" do Código Tributário Nacional, por se tratar de caso pendente de julgamento. Afirmou ainda, que por ser a Lei Complementar nº. 128/2008, norma superveniente que excetuou a atividade econômica da restrição imposta tanto pela Lei n° 9.317/96, quanto pela Lei n° 10.034/2000. Com isso, teria ocorrido o efeito retrooperante da lei sob a égide da retroatividade benigna a que aludiu o Código Tributário Nacional, ou seja, retroatividade da Lei Complementar n° 128/2008 que permite que tal ramo de atividade esteja enquadrada no Simples desde a criação desde (Lei n° 9.317/96). Cientificada da decisão desfavorável (fl. 81), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 82 – 92), reiterando seus argumentos e pugnando por provimento. É o relatório. Voto Fl. 133DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10830.001661/200807 Acórdão n.º 180200.734 S1TE02 Fl. 2 3 Conselheiro EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tratase no caso concreto de contribuinte que exerceu atividade incompatível com a opção pelo SIMPLES ainda na sistemática da Lei nº. 9.317/1996 e da Lei 10.034/00. Alias, colhese dos arrazoados do agente fiscalizador trecho que resume bem a situação de fato que permeia o caso concreto, sendo oportuno transcrevêlo, (SIC! fl. 02): (...) A Empresa consta como optante pelo SIMPLES, segundo consultas em nossos sistemas informatizados. Contudo, oferece curso de ensino médio, além do ensino fundamental. Portanto, em desacordo com a Lei n° 10.034, de 24 de outubro de 2000. (...) Sustenta a recorrente que o advento da Lei Complementar nº 128/2008, que alterou a Lei Complementar nº 123/2006 para os fins de incluir na sistemática do SIMPLES as escolas de ensino médio, teve o condão de alcançar sua situação concreta porquanto se trata de norma superveniente que excetuou a atividade econômica em trato (ensino médio), ocorrendo assim, o que chamou de efeito “retrooperante” da lei em vista do disposto no artigo 106, inciso II, alínea ‘a’, do Código Tributário Nacional. Com efeito, não se desconhece que a mencionada Lei Complementar 128/08, alterou a redação do artigo 17 da lei do SIMPLES, incluindolhe o § 5ºB, cujo teor segue transcrito abaixo: (...) § 5ºB. Sem prejuízo do disposto no § 1º do art. 17 desta Lei Complementar, serão tributadas na forma do Anexo III desta Lei Complementar as seguintes atividades de prestação de serviços: I creche, préescola e estabelecimento de ensino fundamental, escolas técnicas, profissionais e de ensino médio, de línguas estrangeiras, de artes, cursos técnicos de pilotagem, preparatórios para concursos, gerenciais e escolas livres, exceto as previstas nos incisos II e III do § 5ºD deste artigo; (...) A despeito disso, nada há que implique na retroação desse dispositivo à época em que foi aferido o evento impeditivo de opção pelo regime do SIMPLES. O que se tem na espécie, com a inclusão da atividade de “ensino médio” no rol daquelas que podem se valer do SIMPLES, não confunde com a hipótese versada no artigo 106, II, “a”, do CTN, visto que a norma inovadora não deixou de tratar como infração determinada conduta. O que se deu com a superveniência da Lei Complementar foi a possibilidade de desde a sua vigência, incluirse atividades que antes eram vedadas. Aliás, tanto as atividades Fl. 134DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 4 eram vedadas que o legislador as incluiu textualmente, nada tratando, repito, de definição de infração. Assim verificado, não vislumbro qualquer hipótese de retroação, aliás, sabidamente a lei do tempo rege o ato, motivo pelo qual, na data versada no Ato Declaratório Executivo, de fato a recorrente não podia optar pelo SIMPLES, nada obstante o possa ser após a dita Lei Complementar. Reforçase isso, ao verificar a exposição de motivos constante na data da publicação da lei inovadora: O Diário Oficial da União de hoje, dia 22.12.2008, publicou a Lei Complementar nº 128, que introduziu diversas alterações na Lei Complementar nº 123/2006, que trata do Simples Nacional. Dentre essas alterações, foram admitidas novas atividades, foi concedido parcelamento de débitos e foi alterada a sistemática de cálculo. A seguir, são especificadas as principais alterações. (...) Estabelecimentos de ensino As escolas técnicas, profissionais e de ensino médio, de línguas estrangeiras, de artes, cursos técnicos de pilotagem, preparatórios para concursos, gerenciais e escolas livres, a partir de 1º.01.2009, também passarão a ser tributadas com base no Anexo III. (...) (meus os grifos) Ora, se o espírito do legislador era o de incluir novas atividades, é porque não as considerava como presentes na lei modificada, situação que por si só me faz concluir pelo não provimento do Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 14 de dezembro de 2010 (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Fl. 135DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 24/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.011993/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Entende-se por salário-de-contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. EMPREGADOS.
A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PLANO DE SAÚDE. COBERTURAS DIFERENTES.
O valor pago por assistência médica prestada por plano de saúde, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, não integra o salário-de-contribuição, ainda que os serviços sejam prestados por mais de um plano ou que os riscos acobertados e as comodidades do plano sejam diferenciados por grupos de trabalhadores, desde que todos os trabalhadores tenham acesso aos planos.
ALÍQUOTA GILRAT.
A alíquota de contribuição para a GILRAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DO AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 88.
A inclusão dos sócios no Relatório de Representantes Legais - REPLEG não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88.
MULTA.
A multa exigida na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorre de expressa disposição legal.
Numero da decisão: 2401-004.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir da base de cálculo do levantamento MED os valores correspondentes aos planos básicos de assistência médica oferecidos pela empresa; b) para os levantamentos MED e PLR lançados no estabelecimento 01.192.333/0002-03, reduzir a alíquota GILRAT de 2% para 1%; e c) excluir o levantamento RAT. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto que davam provimento parcial em maior extensão para excluir do lançamento todo o levantamento MED e limitar a multa ao percentual de 20%. Vencida a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, que dava provimento parcial em maior extensão para limitar a multa ao percentual de 20%.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Entende-se por salário-de-contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. EMPREGADOS. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PLANO DE SAÚDE. COBERTURAS DIFERENTES. O valor pago por assistência médica prestada por plano de saúde, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, não integra o salário-de-contribuição, ainda que os serviços sejam prestados por mais de um plano ou que os riscos acobertados e as comodidades do plano sejam diferenciados por grupos de trabalhadores, desde que todos os trabalhadores tenham acesso aos planos. ALÍQUOTA GILRAT. A alíquota de contribuição para a GILRAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DO AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 88. A inclusão dos sócios no Relatório de Representantes Legais - REPLEG não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88. MULTA. A multa exigida na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorre de expressa disposição legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir da base de cálculo do levantamento MED os valores correspondentes aos planos básicos de assistência médica oferecidos pela empresa; b) para os levantamentos MED e PLR lançados no estabelecimento 01.192.333/0002-03, reduzir a alíquota GILRAT de 2% para 1%; e c) excluir o levantamento RAT. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto que davam provimento parcial em maior extensão para excluir do lançamento todo o levantamento MED e limitar a multa ao percentual de 20%. Vencida a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, que dava provimento parcial em maior extensão para limitar a multa ao percentual de 20%. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
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SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Entendese por saláriodecontribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. EMPREGADOS. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PLANO DE SAÚDE. COBERTURAS DIFERENTES. O valor pago por assistência médica prestada por plano de saúde, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, não integra o saláriodecontribuição, ainda que os serviços sejam prestados por mais de um plano ou que os riscos acobertados e as comodidades do plano sejam diferenciados por grupos de trabalhadores, desde que todos os trabalhadores tenham acesso aos planos. ALÍQUOTA GILRAT. A alíquota de contribuição para a GILRAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DO AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 88. A inclusão dos sócios no Relatório de Representantes Legais REPLEG não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 19 93 /2 00 8- 91 Fl. 1379DF CARF MF 2 discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88. MULTA. A multa exigida na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorre de expressa disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir da base de cálculo do levantamento MED os valores correspondentes aos planos básicos de assistência médica oferecidos pela empresa; b) para os levantamentos MED e PLR lançados no estabelecimento 01.192.333/000203, reduzir a alíquota GILRAT de 2% para 1%; e c) excluir o levantamento RAT. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto que davam provimento parcial em maior extensão para excluir do lançamento todo o levantamento MED e limitar a multa ao percentual de 20%. Vencida a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, que dava provimento parcial em maior extensão para limitar a multa ao percentual de 20%. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 10830.011993/200891 Acórdão n.º 2401004.792 S2C4T1 Fl. 1.380 3 Relatório Tratase de Auto de Infração AI (Debcad 37.140.4460) lavrado contra a empresa em epígrafe, referente à contribuição social previdenciária correspondente à contribuição da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidente sobre valores pagos a segurados empregados, no período de 11/03 a 12/06, não informada em GFIP. Foi lançada também a diferença de 1% referente à GILRAT recolhida a menor no estabelecimento 01.192.333/000203 (levantamento RAT). De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 203/237), são fatos geradores das contribuições lançadas os valores pagos aos empregados a título de: convênio médico (levantamento MED) e participação nos lucros e resultados (levantamento PLR). Consta do referido relatório que a Honda fornecia plano de assistência médica para todos seus empregados, sendo que para os da matriz em Sumaré era oferecido o plano da UNIMED Campinas Cooperativa de Trabalho Médico e para os da filial de São Paulo o plano da Sul América Seguro Saúde S/A. A Fiscalização informa que todos os segurados tinham acesso a um plano básico, com cobertura padrão, sem custo, incluindo seus dependentes, sendo permitida, porém, a opção por um plano superior (acomodação em quarto privativo) mediante pagamento da diferença de custo. A Fiscalização constatou, também, que os empregados com cargos de gerência e diretoria recebiam o beneficio do plano executivo de assistência médica da Sul América, com custo exclusivo da empresa de R$ 511,67 (em 07/06) por segurado, demonstrando um tratamento diferenciado em função do cargo, plano esse não disponibilizado aos demais segurados empregados. Apurouse, ainda, que empregados da unidade de Sumaré vinculados ao plano de assistência médica da Sul América, bem como empregados com plano superior (acomodação em quarto privativo) auferiam o beneficio sem a respectiva contribuição da diferença. Assim, entendeu a fiscalização que por ser o plano de assistência médica diferenciado em razão do cargo ou salário, este benefício foi considerado salário in natura, e, consequentemente, fato gerador de contribuições sociais. Quanto à PLR, a Fiscalização apurou que até o acordo coletivo de 2005 não existia o estabelecimento de metas e, após esse período, não foram apresentados documentos probatórios que demonstrassem os critérios de avaliação para a consecução dos objetivos. Segundo a fiscalização: Fl. 1381DF CARF MF 4 · O Acordo Coletivo de Trabalho assinado em 11 de agosto de 2003 estabelece, na cláusula primeira, que a empresa pagará aos trabalhadores abrangidos pelo acordo, a titulo de Participação nos Lucros e Resultados relativa ao período de 01/01/2003 a 31/12/2003, o valor de R$ 1.600,00, sendo R$ 900,00 em 15/8/03 e R$ 700,00 em 31/1/04. Não há qualquer menção ao estabelecimento de metas a serem alcançadas, o que foi observado, também, na Ata de Assembléia Geral Extraordinária do sindicato, realizada no mesmo dia, autorizando a diretoria a firmar o acordo coletivo com a empresa, discutindose apenas os valores monetários e o cronograma de pagamento. · A Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 24 de junho de 2005 autoriza a diretoria do sindicato a firmar o acordo coletivo com a empresa referente ao pagamento do PLR do período de 1/1/05 a 31/12/05 no valor de R$ 2.700,00, sendo R$ 2.000,00 após cinco dias da assinatura do acordo e R$ 700,00 após seis meses do pagamento da antecipação, não havendo a apresentação e discussão de metas. · A Cláusula 2ª do Acordo Coletivo de Trabalho de 27 de junho de 2005 estabelece que as bases para o pagamento do PLR são: "as metas estabelecidas pela empresa para o período de 01 de Janeiro a 31 de Dezembro de 2005, relativas ao Plano de Produção, indices de Qualidade e Produtividade, divulgadas internamente para todos os Departamentos, que são acompanhados e revisados mensalmente com acompanhamento dos resultados obtidos comparandose as Metas com os Resultados Reais". · O Acordo Coletivo de Trabalho de 26 de Junho de 2006 estabelece que a empresa pagará, a titulo de PLR relativa ao período de 01/01/06 a 31/12/06, o valor de R$ 3.280,00, sendo 2.100,00 em até três dias da assinatura do acordo e R$ 1.180,00 em 15/12/2006. A Cláusula 2 possui a mesma redação que o acordo coletivo anterior quanto às metas estabelecidas. Constatouse, ainda, que tais verbas foram pagas por mais de duas vezes durante o ano civil, em desacordo com a Lei 10.101/2000, art. 2º, § 3°. Consta também do Relatório Fiscal que a diferença de GILRAT do estabelecimento 01.192.333/000203, devese à utilização incorreta do percentual de 1%, correspondente ao CNAE 82.11300 Serviços combinados de escritório e apoio administrativo, quando o correto seria a alíquota de 2%, correspondente ao CNAE 29.10701 Fabricação de automóveis, camionetas e utilitários, como a matriz. O enquadramento no correspondente grau de risco deve ser de acordo com a sua atividade econômica preponderante, assim entendida como a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, sendo proferido o Acórdão 0524.907 9ª turma da DRJ/CPS, fls. 1.258/1.276, com a seguinte ementa e resultado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 10830.011993/200891 Acórdão n.º 2401004.792 S2C4T1 Fl. 1.381 5 Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2006 PREVIDENCIARIO. MULTA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CONVÊNIO MÉDICO. CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS. CORESPONSABILIDADE. TERCEIROS. Incide multa de mora sobre a contribuição social incluída em lançamento de oficio, na forma da Lei. As verbas pagas a titulo de "Participação nos Lucros e Resultados" e "Convênio Médico" em desacordo com a legislação própria, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial. É viável a fixação do percentual de incidência para fins de definição da alíquota referente ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho com base na atividade preponderante praticada pela empresa. A relação de coresponsáveis anexadas pela Fiscalização não tem como escopo incluir os sócios e/ou diretores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim, listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em divida ativa Lançamento Procedente Cientificado do Acórdão em 23/3/09 (Aviso de Recebimento AR de fl. 1.280), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/4/09, fls. 1.286/1.350, que contém, basicamente, os mesmos argumentos da impugnação, em síntese: Alega que deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela MP nº 449/08, no percentual de 20%, em razão da retroatividade benigna. Diz que com relação a planos médicos a única condição imposta pela legislação é que o plano de saúde seja estendido a todos os empregados, condição que foi plenamente atendida pela recorrente. Afirma que a lei não se refere a critério equânime, ou que a cobertura seja igual para todos os funcionários. Entende que a PLR foi paga em perfeito acordo com a Lei 10.101/2000. Afirma que apresentou o acordo coletivo no qual se pautou o pagamento, estabelecendo datas e valores que seriam distribuídos aos funcionários a título de PLR. Diz que o PLR da recorrente não está baseado em metas individualizadas, mas em metas voltadas a índices de qualidade e produtividade aplicáveis a toda a produção de veículos, portanto, com base na Lei 8.212/91, art. 2º, § 1º, inciso I, e não no inciso II. Alega que para demonstrar o critério de qualidade e produtividade, apresenta Laudo Técnico do Supervisor de Produção e Relatórios de Inspeção do Departamento de Qualidade dos anos de 2003 a 2006, que demonstram existir parâmetros que informam os Fl. 1383DF CARF MF 6 procedimentos adotados pela recorrente, que se dividem em fase anterior e posterior à entrega do veículo. Quanto à diferença de GILRAT, explica que a fiscalização exige a contribuição previdenciária fundada na pretensão de aplicar ao estabelecimento filial, CNPJ 01.192.333/000203, exclusivamente administrativo, o tratamento legal relativo ao estabelecimento matriz, tipicamente fabril. Aduz que a Súmula 351 do STJ determina que o enquadramento deve ser por CNPJ do estabelecimento quando existente mais de um, exatamente como é o caso da recorrente. Portanto, nada é devido, pois aplicouse corretamente a alíquota de 1% para o estabelecimento filial. Cita o Parecer PGFN/CRJ nº 2195/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, ressaltando o dever da administração de acatar as decisões pacíficas do Judiciário. Cita jurisprudência e decisão do CARF. Questiona a inclusão dos sócios como coresponsáveis pelo débito. Afirma que o auto de infração é nulo por incluir na base de cálculo valores que não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. Requer a declaração de nulidade do Auto de Infração, a reforma do acórdão recorrido e o reconhecimento do direito creditório correspondente às contribuições previdenciárias. É o relatório. Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 10830.011993/200891 Acórdão n.º 2401004.792 S2C4T1 Fl. 1.382 7 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PRELIMINAR NULIDADE O argumento do contribuinte de que o auto de infração é nulo por incluir valores que não integram a base de cálculo das contribuições sociais não tem como prosperar. Para o segurado do RGPS, qualquer parcela destinada a retribuir o seu trabalho integra o salário de contribuição, conforme Lei 8.212/1991, artigo 28, inciso I: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Entretanto, a Lei 8.212/91, no art. 28, § 9º, exclui algumas rubricas da base de incidência das contribuições previdenciárias, contudo para que tais rubricas sejam excluídas, elas devem estar previstas no citado dispositivo legal e devem ser pagas dentro dos ditames da lei. De fato, o art. 28, § 9º, prevê hipóteses de não incidência de contribuições sociais sobre participação nos lucros e resultados e o valor despendido pelas empresas relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico: Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] Fl. 1385DF CARF MF 8 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (grifo nosso) [...] q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; [...](grifo nosso) Vêse, portanto, que tais hipóteses de renúncia fiscal não são absolutas, mas sim condicionadas pelo próprio dispositivo legal que as prevê. No caso da PLR, a isenção apenas acontece se os pagamentos forem efetuados de acordo com a lei específica, no caso, a Lei 10.101/2000. De acordo com a fiscalização a empresa não observou referida lei, sujeitando então, os valores pagos a esse título, à incidência da contribuição social previdenciária e destinada a terceiros. No caso dos planos de saúde, para se subsumir à hipótese de isenção legal é indispensável que a cobertura do plano oferecido pela empresa abranja a totalidade dos seus empregados e dirigentes, condição esta não adimplida pela empresa, razão pela qual os valores pagos a esse título foram incluídos na base de cálculo da contribuição social previdenciária e destinada a terceiros. Sendo assim, inexiste qualquer nulidade do procedimento conduzido pela fiscalização, uma vez que, ao não atenderem às condições essenciais previstas na lei, as rubricas em questão permanecem regidas pela regra geral de tributação. MÉRITO PLANO DE SAÚDE Nos termos da Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea 'q', acima citado, para que o plano de assistência médica ou odontológica não integre o salário de contribuição, a cobertura deve ser oferecida a todos os empregados e dirigentes da empresa. Conforme relatado, a Honda fornecia plano de assistência médica para todos seus empregados, sendo que para os da matriz em Sumaré era oferecido o plano da UNIMED Campinas Cooperativa de Trabalho Médico e para os da filial de São Paulo o plano da Sul América Seguro Saúde S/A. Todos os segurados tinham acesso a um plano básico, com cobertura padrão, sem custo, incluindo seus dependentes, sendo permitida, porém, a opção por um plano superior (acomodação em quarto privativo) mediante pagamento da diferença de custo. Apurouse que os empregados com cargos de gerência e diretoria recebiam o beneficio do plano executivo de assistência médica da Sul América, com custo exclusivo da empresa de R$ 511,67 (em 07/06) por segurado, demonstrando um tratamento diferenciado em função do cargo, pois esse plano não foi disponibilizado aos demais segurados empregados. Fl. 1386DF CARF MF Processo nº 10830.011993/200891 Acórdão n.º 2401004.792 S2C4T1 Fl. 1.383 9 Além disso, apurouse que empregados com plano superior (acomodação em quarto privativo) auferiam o beneficio sem a respectiva contribuição da diferença. Vêse que a controvérsia dos autos está na interpretação conferida à Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea ‘q’. De um lado a fiscalização entendeu que para o gozo da isenção prevista no dispositivo legal citado, o plano de saúde ofertado pela empresa deve ser idêntico para todos os empregados. Já o sujeito passivo entende que basta ter cobertura a todos, não havendo impedimento em diferenciar a qualidade ou abrangência do plano em virtude do cargo ocupado pelo segurado. A cobertura é a garantia de proteção contra o risco de determinado evento. Já o risco é um evento futuro, incerto e que independe da vontade das partes. Para o custeio de um plano, cada risco deve ser considerado isoladamente, devendo o prêmio ou contribuição a ser pago pelo segurado (ou pela empresa, ou por ambos) ser calculado conforme os riscos contratados. Assim, dependendo dos riscos acobertados, temse o montante devido pelo participante do plano para caso haja o sinistro (acontecimento do evento de risco previsto no plano), possa usufruir os benefícios propostos pelo plano contratado. No caso dos planos de saúde, além dos riscos acobertados, também são oferecidas comodidades, como planos enfermaria ou apartamento, com ou sem reembolso de despesas médicas, reembolso de medicamentos etc. Tais comodidades também integram o cálculo do prêmio ou contribuição. Logo, os riscos acobertados e as comodidades do plano importam no valor a ser pago pelo participante ou por ele e a patrocinadora (empresa que oferece o plano a seus empregados), ou somente pela patrocinadora. Portanto, dizer que a cobertura deve abranger a todos os empregados e dirigentes não significa, necessariamente, que os riscos acobertados e as comodidades tenham que ser iguais para todos. Aliás, caso assim o fosse, seria uma forma de burlar o dispositivo previsto em lei, acima transcrito, pois se o plano é também custeado pelo trabalhador e a empresa oferecesse somente um plano que cobrisse vários riscos e com muitas comodidades (mais caro), poderia incorrer na grande probabilidade dos segurados com menores salários não aderirem ao plano, podendose inferir que o plano, apesar de “oferecido para todos”, somente visaria a acobertar os trabalhadores com maiores salários. Desta forma, para os planos coparticipativos, em que trabalhador e empresa participam do custeio, não existe vedação legal à oferta de planos diferenciados para determinados trabalhadores (por exemplo, um plano para empregados e outro para dirigentes). Basta que sejam oferecidos a todos. Fl. 1387DF CARF MF 10 A condição estipulada pelo legislador na Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea “q” restaria atendida pelo fato de haver cobertura de assistência médica e/ou plano de saúde a todos os empregados e dirigentes da empresa, ainda que os riscos acobertados sejam diferentes entre si. Assim, não é necessário que a cobertura disponibilizada pela empresa seja a mesma para todos os grupos de colaboradores, basta que haja cobertura e que ela abranja a todos os empregados e dirigentes para que seja determinada a não inclusão dos valores correspondentes à assistência médica ou ao plano de saúde no cômputo do saláriode contribuição e a consequente não incidência de contribuições previdenciárias. Exigir que haja cobertura a todos os empregados e dirigentes da empresa é diferente de exigir que haja a mesma cobertura a todos estes funcionários. A condição imposta pelo legislador para a não incidência da contribuição previdenciária é, simplesmente, a existência de cobertura que abranja a todos os empregados e dirigentes. A condição assim delineada está em acordo com a finalidade da norma de não incidência condicionada, que é a de garantir a isonomia entre todos os empregados e dirigentes. Assim, para planos custeados por empregado e empresa, não há problema em se oferecer planos diferenciados aos empregados e dirigentes, desde que os funcionários possam optar pelo plano que desejarem. Esta seria a melhor forma de atingir o propósito legal, oferecendo planos diferenciados, mas que todos os trabalhadores pudessem aderir a eles, garantindo a cobertura a todos os empregados e dirigentes. Por outro lado, se a empresa assume a totalidade do custo com o plano, a oferta de planos diferenciados, em função do cargo ou salário, com acesso exclusivo, apresenta evidente discriminação, desvirtuando o propósito legal. No presente caso, a oferta de planos de diferentes seguradoras aos funcionários da matriz em Sumaré e da filial de São Paulo não descaracteriza a condição de abrangência geral, pois a cobertura, além de similar, abrange a totalidade de trabalhadores. Não exige a norma que tal assistência seja prestada por uma única pessoa jurídica. No caso em análise, em que o plano foi custeado totalmente pela empresa, não há óbice em oferecer planos diferenciados para seus empregados e dirigentes, mas desde que os mesmos possam optar pelo plano que desejarem. Assim, qualquer valor recebido pelos segurados a título de assistência médica, em dissonância com o plano básico oferecido pela empresa, que foi disponibilizado à totalidade de empregados e dirigentes, são entendidos como remuneração e integram o salário de contribuição, pois assim não está garantida a isonomia entre todos os empregados e dirigentes. No caso em apreço, estão em dissonância com os planos básicos, os valores pagos para o plano executivo da Sul América (restrito a dirigentes) e as diferenças pagas pela empresa relativas ao plano superior (acomodação em quarto privativo) para os quais não ocorreu o pagamento pelo trabalhador da respectiva diferença. Logo, estes valores são entendidos como remuneração, integram o salário de contribuição, e devem ser mantidos no lançamento. Assim, devem ser excluídos do lançamento os valores relativos aos planos básicos da Unimed e Sul América, disponibilizados à totalidade de empregados e dirigentes. Fl. 1388DF CARF MF Processo nº 10830.011993/200891 Acórdão n.º 2401004.792 S2C4T1 Fl. 1.384 11 PLR O lançamento em litígio teve por base o disposto na Lei 8.212/91, artigo 28, inciso I, já transcrito acima. O conceito de remuneração, descrito nos artigos 457 e 458 da CLT, deve ser analisado em sua acepção mais ampla, ou seja, correspondendo ao gênero, do qual são espécies principais os termos salários, ordenados, vencimentos etc. A princípio, tudo o que o segurado ganha é remuneração, contudo, conforme dispõe a Lei 8.212/91, artigo 28, §9o, algumas verbas são excluídas do saláriodecontribuição, mas, para que referidas verbas não integrem a base de cálculo da contribuição ora lançada, precisam ser pagas exatamente como determina a lei, caso contrário, são sim remuneração. No caso da PLR, a Constituição Federal de 1.988, art. 7o, XI, dispõe que: Art. 7o São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. (grifo nosso) A Lei 8.212/91, no art. 28, § 9º, alínea ‘j’, condiciona a exclusão da parcela de participação nos lucros do saláriodecontribuição dos segurados empregados se houver a estrita observância da lei regulamentadora do dispositivo constitucional. A Lei 10.101/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade. O artigo 2o desta lei, na redação vigente à época do fato gerador, dispõe que: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (grifo nosso) II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: [...] (grifo nosso) Fl. 1389DF CARF MF 12 Da análise do caso concreto, concluise que a verba distribuída a título de PLR pautouse integralmente nos Acordos Coletivos de Trabalho. Portanto, os Acordos Coletivos de Trabalho acostados pela recorrente, fls. 444 e seguintes, deveriam contemplar, cumulativamente, todos os requisitos essenciais previstos na Lei 10.101/2000, o que, de fato, não foi observado no caso em debate. No caso em apreço, os Acordos Coletivos de Trabalho pactuados entre a Recorrente e o Sindicato dos trabalhadores nas indústrias metalúrgicas, mecânicas e de material elétrico de Campinas e Região, não continham em seu bojo a especificação de qualquer fim extraordinário a exigir o esforço adicional dos trabalhadores, tampouco continham os critérios de aferição para se verificar o quanto já se houve por cumprido do acordado. O ACT de 2003 não veicula qualquer regramento para o pagamento da PLR indicado na sua cláusula primeira. Basta trabalhar na empresa para receber a rubrica. Logo, tratase de remuneração e, consequentemente, salário de contribuição. O ACT de 2004 (fl. 1.166), na cláusula primeira, estabelece: Conforme os termos da Lei 10.101 de 19 de dezembro de 2000, a Empresa pagará trabalhadores abrangidos por este Acordo, a titulo de Participação nos Lucros e resultados relativa ao período de 01/01/2004 a 31/12/2004, o valor de R$ 1.825,00 (Hum mil e oitocentos e vinte e cinco reais), sendo R$ 1.500,00 (Hum mil e quinhentos reais) a titulo de antecipação, pago em 10/08/2004 e o saldo restante de R$ 325,00 (trezentos e vinte e cinco reais) pago em 10/02/2005: A cláusula segunda do ACT de 2004 estatui que “Os objetivos que balizam o pagamento prescrito neste Acordo são aqueles definidos pela Empresa em seu plano anual relativos a produção, qualidade e produtividade e divulgados internamente, para o período compreendido por este Acordo Coletivo”. A cláusula segunda dos ACT de 2005 a 2006 (fl. 450 e seguintes) dispõe que “A base para o pagamento prescrito neste acordo são as metas estabelecidas pela empresa para cada exercício, relativas ao Plano de Produção, índices de Qualidade e Produtividade, divulgados internamente para todos os Departamentos, que são acompanhados e revisados mensalmente com acompanhamento dos resultados obtidos comparandose as Metas com os Resultados Reais”. Tais acordos coletivos não contêm regras claras e objetivas a respeito dos direitos substantivos dos trabalhadores, não estabelecendo qualquer correspondência entre o montante a que cada operário teria direito e o grau de atingimento das metas estipuladas. A única regra existente que vincula a quota que cada um irá receber tem relação direta com a fração do ano que cada trabalhador esteve vinculado à empresa. Se trabalhou o ano inteiro, recebe o valor integral. Caso contrário, recebe de forma proporcional. Não trazem, igualmente, tais ACT, os direitos substantivos dos trabalhadores de nível de supervisão e acima, cujos pagamentos seriam efetuados “de acordo com os valores a serem definidos pela empresa”. O “Plano de Produção, índices de Qualidade e Produtividade” referido nos ACT não foi acostado aos autos. Fl. 1390DF CARF MF Processo nº 10830.011993/200891 Acórdão n.º 2401004.792 S2C4T1 Fl. 1.385 13 O Laudo Técnico a que se refere a recorrente foi emitido ao final do período fiscalizatório e não à época dos fatos geradores. Os demais documentos juntados se referem a procedimentos adotados pela empresa para análise de seu produto final e não relativos ao pagamento da PLR. Acrescentese que consta de tais documentos que na maioria dos meses dos anos de 2003 a 2006 as metas não foram atingidas em relação à produção do "FIT" e do "CIVIC". Portanto, se esse fosse o instrumento de apuração dos indicadores de produtividade e qualidade para fins de pagamento de PLR, esta não deveria ter sido paga. Sendo assim, os valores pagos sob o título de PLR, mesmo que previsto em ACT, mas sem constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, PLR não são! Tratamse de prêmio ou gratificação. Portanto, são valores que integram a remuneração e, consequentemente, o salário de contribuição, não se aplicando o disposto na Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea 'j'. Verificase, no caso, que o direito ao recebimento da verba em questão dependia, tão somente, do empenho ordinário, usual e cotidiano do empregado, decorrente diretamente do contrato de trabalho comum, inexistindo nos ACT celebrados pela Autuada qualquer viés de incentivo à produtividade que justificasse a participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, nas circunstâncias descritas na Lei 10.101/2000. Cabe ainda mencionar que os ACT analisados foram celebrados quando já havia transcorrido, em média, a metade de cada período de apuração. Além disso, a Fiscalização apurou a efetiva ocorrência de pagamentos a título de PLR nas competências 11 e 12/2003; 01, 08, 09, 10, 11 e 12/2004; 01, 02, 06, 07, 08, 10, 11 e 12/2005; 06, 07, 08, 09, 10, 11 e 12/2006, fato não contestado pelo recorrente. DIFERENÇA DE GILRAT Nos termos do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, art. 202, §3º, “considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos”. O entendimento administrativo, desde a publicação do Decreto 2.173/97, para identificação da atividade preponderante, era a atividade que ocupava o maior número de segurados da empresa como um todo. Contudo, em virtude de reiteradas decisões do STJ, a partir do Parecer PGFN/CRJ/nº 2120/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda, DOU de 15/12/11, a alíquota de contribuição para a GILRAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Sendo assim, assiste razão ao contribuinte ao questionar o lançamento da diferença de alíquota GILRAT. Logo, deve ser excluído do lançamento o levantamento RAT Diferença de RAT. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS Quanto ao questionamento sobre a inclusão dos sócios da empresa como corresponsáveis pelo débito, cumpre esclarecer que não houve a atribuição de qualquer responsabilidade solidária dos sócios no presente caso. Fl. 1391DF CARF MF 14 Cabe à fiscalização, de acordo com o período da autuação, arrolar todos os representantes legais da empresa autuada, conforme "Relatório de Representantes Legais REPLEG" e "Relação de Vínculos Vínculos". Tais documentos possuem apenas caráter informativo e tais informações prestamse como mero subsídio à Procuradoria, caso haja a necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, após a preclusão do contencioso administrativo, nas estritas hipóteses em que vingue configurada a responsabilidade pessoal de terceiros pelos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos estatuídos no inciso III do art. 135 do CTN. Assim dispõe a Súmula CARF nº 88: A “Relação de CoResponsáveis – CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – REPLEG” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Portanto, por não comportar discussão no âmbito administrativo, descabido qualquer argumento nesse sentido. MULTA A multa aplicada não é a de mora, pois não houve o recolhimento espontâneo por parte do sujeito passivo de contribuições em atraso, mas sim o lançamento de ofício de contribuições devidas, o que determina a aplicação da multa de ofício nos termos do artigo 44 da Lei 9.430/96. A regra vigente à época dos fatos geradores e do lançamento era a prevista no artigo 35 da Lei 8.212/91, que estabelecia que o percentual de multa a ser cobrado era de 24%. Com a publicação da MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09, a multa para o lançamento de ofício passou a ser de 75%, nos termos do artigo 35A da Lei 8.212/91 c/c o artigo 44 da Lei 9.430/96. Logo, a multa mais benéfica é a da redação da lei vigente à época dos fatos geradores, no percentual de 24%. A multa cobrada no presente AI possui o devido respaldo legal e é de caráter irrelevável, não cabendo à autoridade administrativa, plenamente vinculada, reduzir seu percentual, como quer o contribuinte. Por ocasião do pagamento pelo contribuinte, deverá ser calculada a multa mais benéfica, considerando os autos de infração conexos, em razão da alteração na legislação previdenciária promovida pela Lei 11.941/09, nos termos da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4/12/09. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso e rejeitar a preliminar de nulidade No mérito, darlhe provimento parcial, para: a) excluir da base de cálculo do levantamento MED os valores correspondentes aos planos básicos de assistência médica oferecidos pela empresa; b) Fl. 1392DF CARF MF Processo nº 10830.011993/200891 Acórdão n.º 2401004.792 S2C4T1 Fl. 1.386 15 para os levantamentos MED e PLR lançados no estabelecimento 01.192.333/000203, reduzir a alíquota GILRAT de 2% para 1%; e c) excluir o levantamento RAT. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 1393DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.901114/2012-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.419
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente PARIZOTTO & CIA. LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social (PIS/Cofins), sendo que a DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 11 14 /2 01 2- 54 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10940.901114/201254 Acórdão n.º 3302004.419 S3C3T2 Fl. 3 2 pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando, em síntese: "Inicialmente, contextualiza a existência de seu direito creditório nos seguintes termos: 01. DOS FATOS ... A contribuinte é tributada pelo imposto de renda com base no lucro presumido. Por isso, permanece sujeita à sistemática cumulativa de tributação do PIS e da COFINS estabelecida na Lei n° 9.718/1998, mesmo com entrada em vigor, respectivamente, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que introduziram modificações na legislação das referidas contribuições (sistemática nãocumulativa). A Recorrente é uma sociedade empresária limitada, cujo objeto social se resume no comércio de gêneros alimentícios naturais e industrializados, artigos de vestuário, utilidades domésticas e eletrodomésticas, bebidas, refrigerantes, produtos de limpeza, higiene pessoal, carnes e derivados, conforme comprova a inclusa cópia do seu contrato social (Doc. 02). Dentre os produtos comercializados em seu estabelecimento, há alguns que estão sujeitos a incidência do PIS/COFINS à alíquota zero, como por exemplo: a) Farinha de trigo: Lei n° 10.925/2004, art. I o , XIV; b) Leite fluido pasteurizado ou industrializado: Lei n° 10.925/2004, art. I, XI; c) Feijão comum, arroz e farinhas, sêmolas e pós de sagu ou das raízes ou tubérculos: Lei n° 10.925/2004, art. I, V; d) Farinha, grumos e sêmolas, grãos esmagados ou em flocos, de milho: Lei n° 10.925/2004, art. 1º, IX; e) Produtos hortícolas, frutas e ovos: Lei n° 10.865/2004, art. 8° , § 12, X e art. 28, III; f) Gás natural liqüefeito: Lei n° 10.865/2004, art. 8º , § 12, IX e XVI; g) Água, refrigerante, cerveja sem álcool e cerveja de malte: Lei n° 10.833/2003, art. 50, I; h) Produtos farmacêuticos e produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal: Lei n° 10.147/2000, Art. 2°. A Contribuinte tributou indevidamente PIS e COFINS nas saídas dos produtos acima listados, majorando a base de incidência das contribuições e aumentando o valor a ser recolhido mensalmente. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10940.901114/201254 Acórdão n.º 3302004.419 S3C3T2 Fl. 4 3 Alega ter retificado as informações prestadas em Dacon e DCTF anteriormente à formalização do pedido de restituição e implementação da compensação. Cita legislação que ampara seu direito de restituição e compensação. Cita ainda jurisprudência administrativa que vêm entendendo ser necessária a reforma da decisão para desconsiderar a alocação de valores maiores do que os efetivamente utilizados. Prossegue: Ficou evidente que a Contribuinte efetuou pagamento a maior e detém o crédito solicitado. Ao que tudo indica, ocorreu apenas equívoco no momento do processamento das informações na Receita Federal. Por certo, a DCTF e a DACON retificadoras não foram processadas juntamente com a PER/DCOMP, apontando assim divergências, que motivaram o Despacho Decisório expedido eletronicamente, indeferindo a pretensão da Contribuinte. Todas as informações prestadas pelo contribuinte devem ser analisadas e processadas pelo Fisco antes de se efetuar o lançamento de eventuais débitos. No caso vertente, é imperativo que a autoridade administrativa de primeira instância analise previamente o direito creditório declarado para só depois proferir decisão, propiciando adequado contraditório. A própria Receita Federal reconhece que pode ser exigida a apresentação de elementos que comprovem o direito creditório do contribuinte, em normas expedidas pelo órgão, como é o caso da Instrução Normativa n° 900/2008, pelo seu art. 65, vejamos: ... Diante dos fatos acima expostos, percebese que a Recorrente faz juz ao crédito decorrente de pagamento a maior de COFINS [...] Para demonstrar o seu direito, junta em anexo (Doc. 11) os demonstrativos dos produtos excluídos da base de cálculo de incidência da COFINS [...], em face da tributação à alíquota zero. Desta forma, requer a Contribuinte que o Despacho Decisório [...] seja cancelado, por ter suprimido a análise em primeira instância do direito creditório declarado. Requer também que, a declaração de compensação [...] seja homologada, tendo em vista que a Recorrente é detentora do crédito utilizado para amparála. Requer ainda que, o crédito declarado e compensado seja analisado com base nos documentos probatórios juntados a presente manifestação de inconformidade. Caso a Delegacia de Julgamento entenda não serem suficientes para efetuar a análise, que o processo seja baixado em diligência à origem, na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa PR, para que a Contribuinte seja intimada a apresentar novos documentos que se façam necessários, de acordo com o art. 65 da IN 900/2008. Requer, por fim, que quaisquer intimações relativos a atos e termos do presente processo recaiam na pessoa do subscritor da presente Manifestação de Inconformidade, mandatário da Contribuinte, devidamente habilitado nos autos, pessoalmente, ou pela via postal, no endereço constante do mandato, a fim de que não haja prejuízo para a Contribuinte. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10940.901114/201254 Acórdão n.º 3302004.419 S3C3T2 Fl. 5 4 A DRJ julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, por entender que o contribuinte não comprovou documentalmente a origem dos créditos que alegou possuir, nos termos do Acórdão 14 052.232. Intimada de decisão piso, a Recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando, em síntese: (i) nulidade da decisão recorrida, por alteração do critério jurídico; e (ii) a falta de retificação de outras declarações não são hábeis a fazer com que o crédito deixe de existir. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.411, de 29 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10940.901106/201216, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.411): "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 01.09.2014 (fls.127) e protocolou Recurso Voluntário em 16.09.2014 (fls. 131141), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Nulidade da decisão recorrido mudança de critério jurídico Segundo a Recorrente houve mudança de critério jurídico por parte da Turma Julgadora "a quo", na medida em que Despacho Decisório não homologou as compensações apresentadas pela Recorrente pelo fato de que todos os DARF’s haviam sido integralmente utilizados para extinguir débitos (não havia saldo “em aberto”), ao passo que a decisão recorrida motivou a glosa pelo fato de não haver apoio legal (produtos que são tributados) e nem documental (ausência de apresentação de documentos). Sobre mudança de critério jurídico, vale transcrever os ensinamentos do i. professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe seu entendimento sobre o tema: 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10940.901114/201254 Acórdão n.º 3302004.419 S3C3T2 Fl. 6 5 Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado (Hugo de Brito Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p 123) No presente caso, entendo que não houve mudança de critério jurídico, na medida em que tanto a autoridade julgadora quanto a fiscalização analisaram a origem do crédito com base nos fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente. Com efeito, a fiscalização indeferiu o pedido formulado pela Recorrente baseada nos dados informados na DCTF e DACON originariamente apresentadas, sendo que, naquela oportunidade foi constatada a ausência de saldo em aberto. Tanto é que própria Recorrente, após ser cientificada do despacho decisório e reconhecer o equivoco cometido, procedeu a retificação de suas declarações e pleiteou o reconhecimento do crédito em sede de manifestação de inconformidade. Nesse contexto, coube à autoridade julgador analisar o direito da Recorrente com base nos novos fatos e fundamentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, justificando, assim, a alteração dos fundamentos para manter o indeferimento do pedido de compensação, sem que isso acarrete em mudança de critério jurídico. Assim, afasto a preliminar de nulidade suscita pela Recorrente. III Mérito Neste ponto, sustenta a Recorrente (i) que com a retificação das declarações restaram sanados os motivos da glosa fiscal, com o que só por esta razão devem ser homologadas as declarações de compensação; (ii) que o direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não do preenchimento do pedido pelo qual se requer a compensação ou pela retificação de outras declarações; (iii) que a retificação de declarações da empresa não é condição para homologação ou não das compensações, pois o direito creditório da Recorrente existe; e (iv) que autoridade julgadora deve sempre e obrigatoriamente verificar aquilo que é realmente verdadeiro para desvelar o direito da Recorrente, devendo proferir decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, isso em atenção ao princípio da verdade real. Inicialmente, é imperioso destacar que a decisão recorrida não desconsiderou as retificações realizados pela Recorrente para manter o indeferimento do pedido de compensação, sendo que o fundamento utilizado pela fiscalização foi apenas a ausência de comprovação documental da origem do crédito. Sobre isso, destaco trecho da decisão de piso: Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10940.901114/201254 Acórdão n.º 3302004.419 S3C3T2 Fl. 7 6 Oportuno ainda esclarecer que a simples retificação dessas declarações não é hábil à comprovação do crédito pretendido, devendo estar acompanhada dos documentos fiscais e contábeis pertinentes. Assim, a questão envolvendo a retificação da DCTF, não foi o fundamento utilizado pela autoridade julgadora para afastar o direito ao crédito, sendo que ela própria (autoridade julgadora), admitiu que tal procedimento pode ser superado com a apresentação de provas capazes de comprovar a existência de erro na apuração contábil/fiscal e consequentemente do pagamento indevido ou a maior alegado pelo contribuinte. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito apresentado no PER/DCOMP nº 21879.54431.120609.1.3.042690, alegando, pura e simplesmente que o citado pedido referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão de ter considerado equivocadamente na base de cálculo das contribuições receitas sujeitas à alíquota zero. Com efeito, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10940.901114/201254 Acórdão n.º 3302004.419 S3C3T2 Fl. 8 7 serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. IV Conclusão Diante do exposto, considerando que a Recorrente não comprovou a origem do crédito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e a Recorrente não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.904306/2009-44
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE.
Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano-calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de outubro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.
Numero da decisão: 9101-002.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano-calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de outubro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de outubro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 43 06 /2 00 9- 44 Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10166.904306/200944 Acórdão n.º 9101002.916 CSRFT1 Fl. 3 2 negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial em relação a duas matérias: a) possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido; e b) ser possível a formação de indébito de saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2004, quando na Dcomp apresentada constou direito creditório decorrente de pagamento indevido ou maior que o devido da estimativa mensal de CSLL. A decisão recorrida deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte, para fins de afastar o fundamento que tinha motivado a negativa da compensação na etapa anterior (o fato de o crédito indicado decorrer de pagamento de estimativa mensal de CSLL), e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que ela se pronunciasse sobre o valor do direito creditório pleiteado e sobre os pedidos de compensação dos débitos. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas e aponta paradigmas para as duas matérias. Quanto à primeira matéria, examinando os acórdãos paradigmas em seu inteiro teor verificase que os mesmos trazem o entendimento de que após o encerramento do Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10166.904306/200944 Acórdão n.º 9101002.916 CSRFT1 Fl. 4 3 anocalendário não é possível pleitear a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de IRPJ/CSLL, mas tão somente o de saldo negativo do tributo, se existente. De outra parte, o acórdão recorrido diverge desta interpretação ao admitir a possibilidade de restituição/compensação pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de CSLL, uma vez comprovado o indébito. Quanto à segunda matéria, examinando o primeiro acórdão paradigma, verificase que o mesmo traz o entendimento de que não é admissível a retificação da Dcomp depois de proferida a decisão administrativa. O acórdão recorrido, por sua vez, admite indiretamente tal situação na medida em que reconhece a possibilidade de apuração de indébito de saldo negativo de CSLL com base em Dcomp cujo direito creditório indicado é o de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de CSLL. A contribuinte apresentou tempestivamente contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.903, de 08/06/2017, proferido no julgamento do processo 10166.901000/200936, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.903): A PGFN pretende reverter a decisão recorrida, sustentando que a lei não permite a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal (primeira divergência); e também que, após a Delegacia de origem ter indeferido o Per/Dcomp, não seria mais possível alterar o direito creditório, de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal para saldo negativo de IRPJ (segunda divergência). A matéria tratada na primeira divergência está atualmente pacificada, inclusive com edição de súmula pelo CARF: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o art. 5º da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, o exame de admissibilidade dos recursos especiais deverá observar o nela disposto, o que alcança inclusive os recursos que já haviam sido apresentados antes dela. Essa mesma portaria estabelece no § 3º do art. 67 de seu Anexo II que: Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10166.904306/200944 Acórdão n.º 9101002.916 CSRFT1 Fl. 5 4 Art. 67 [...] [...] § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assim, tratandose de matéria já sumulada pelo CARF, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal. Quanto à segunda divergência, o recurso merece mesmo ser conhecido, conforme o despacho de admissibilidade exarado, e adoto as suas razões de decidir. Em primeiro lugar, cabe registrar que as estimativas mensais "normalmente" não configuram mesmo objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa, via de regra, é o saldo negativo, a menos que o recolhimento da própria estimativa se caracterize, desde aquele primeiro momento, como um pagamento indevido ou a maior que o devido, levando em conta o valor que seria devido a título da própria estimativa, conforme o regime adotado pelo contribuinte para o seu cálculo (receita bruta ou balancete de suspensão/redução). Essa questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Contudo, conforme mencionado acima, a matéria foi definitivamente solucionada pelo CARF, nos termos da Súmula CARF nº 84. Mas a questão que deve ser agora analisada é se o acórdão recorrido realmente admitiu uma inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, caracterizadora de ilegalidade. Conforme o despacho de admissibilidade do recurso, contrariamente ao acórdão paradigma, o acórdão recorrido admitiu indiretamente tal situação na medida em que reconheceu a possibilidade de apuração de indébito de saldo negativo da IRPJ com base em Dcomp cujo direito creditório indicado foi pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ. Para o exame da alegada divergência, vale observar que não é incomum a ocorrência de processos em que pedidos de restituição/compensação de IR/fonte ou IRPJ/estimativa são examinados (inclusive pelas DRF e DRJ da Receita Federal) na ótica de sua repercussão no resultado final do período, como elementos que contribuem para a formação de saldo negativo. Isto porque tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10166.904306/200944 Acórdão n.º 9101002.916 CSRFT1 Fl. 6 5 pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado (ainda que somente a partir do ajuste). Também é importante destacar que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e que embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a perceber que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. O que houve no presente caso não foi mudança de direito creditório, mas sim indicação da parte, e não do todo, o que não pode prejudicar a caracterização do indébito, porque mesmo no caso de se verificar direito creditório decorrente da estimativa em si (parte), caberia examinar aspectos da apuração do ajuste anual (todo). É que mesmo havendo excesso mensal no pagamento de uma determinada estimativa, esse excedente pode ser necessário para a quitação de ajuste, e isso resulta na sua indisponibilidade para fins de restituição/compensação. Uma estimativa e o saldo negativo formado por ela guardam relação de parte e todo, com elementos constitutivos comuns. Como mencionado, a questão sobre a possibilidade de restituição/ compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia, até a edição da Súmula CARF nº 84. Inicialmente, a linha de interpretação da Receita Federal, e que foi adotada nestes autos, era de que a lei não permitia a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativas mensais, mas apenas do saldo negativo formado por elas. Em vista disso, os contribuintes, também como ocorreu nestes autos, procuravam demonstrar que as estimativas (com seus excedentes) eram suficientes para a formação de saldo negativo. Para o indeferimento do pleito, então, buscavase outro fundamento, que era a impossibilidade de modificar o direito creditório. Ocorre que essa modificação era motivada justamente porque a Receita Federal se recusava a Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10166.904306/200944 Acórdão n.º 9101002.916 CSRFT1 Fl. 7 6 restituir/compensar pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa, o que restou afastado pela referida Súmula CARF nº 84. É diante de todo esse contexto que o acórdão recorrido, corretamente, admitiu a possibilidade de formação de indébito, passível de restituição/compensação, pelo pagamento indevido ou a maior a título da estimativa mensal referente ao mês de dezembro/2004, ao mesmo tempo em que também reconheceu a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo neste mesmo ano, e determinou o retorno dos autos à unidade de origem para que ela se pronunciasse sobre o valor do direito creditório pleiteado e sobre os pedidos de compensação dos débitos. Se a Delegacia de origem constatar que houve pagamento indevido ou a maior, seja como excedente mensal disponível (estimativa), seja como excedente anual que engloba a estimativa (saldo negativo), a compensação deverá ser homologada, no limite do crédito que assim for reconhecido. Assim, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal, e de NEGAR PROVIMENTO ao recurso quanto à segunda divergência, relativa à questão da inovação/ mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, mantendo o que restou decidido no acórdão recorrido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, negolhe provimento para manter o que foi decidido no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 362DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.901060/2013-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2007 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 60 /2 01 3- 43 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901060/201343 Acórdão n.º 1302002.214 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901060/201343 Acórdão n.º 1302002.214 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901060/201343 Acórdão n.º 1302002.214 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 10140.902305/2011-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.824
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente COMERCIAL FAYAD LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 90 23 05 /2 01 1- 78 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10140.902305/201178 Acórdão n.º 3302003.824 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06052.255. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10140.902305/201178 Acórdão n.º 3302003.824 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10140.902305/201178 Acórdão n.º 3302003.824 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10140.902305/201178 Acórdão n.º 3302003.824 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10140.902305/201178 Acórdão n.º 3302003.824 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 99DF CARF MF
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Numero do processo: 16004.001261/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/07/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
Incide em descumprimento de obrigação acessória, a empresa deixar de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, fatos geradores de contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 2201-003.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que davam provimento.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: Relator
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Incide em descumprimento de obrigação acessória, a empresa deixar de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, fatos geradores de contribuições previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que davam provimento. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 12 61 /2 00 8- 11 Fl. 397DF CARF MF Processo nº 16004.001261/200811 Acórdão n.º 2201003.609 S2C2T1 Fl. 398 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 1426.604 8ª Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o seguinte lançamento: Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória no valor de R$ 37.646,31 (trinta e sete mil, seiscentos e quarenta e seis reais e trinta e um centavos), lavrado porque a empresa acima identificada deixou de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, fatos geradores de contribuições previdenciárias, violando assim o disposto no artigo 32, II da Lei n° 8.212/91, combinado com o artigo 225, II e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. A lavratura se deu em 28/10/2008. O Relatório Fiscal informa que durante a fiscalização do sujeito passivo foram encontrados recibos de pagamentos emitidos por contribuintes individuais que lhe prestaram serviços de fretes que não foram lançados em títulos próprios da contabilidade. (fls. 57 a 62 e 68 a 268). A penalidade aplicada está prevista nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e artigos 283, II, “a” e 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, com atualização dada pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 77, de ll de março de 2008. Tendo a fiscalização entendido que ocorreu a circunstância agravante prevista no artigo 290, II do RPS, a multa mínima foi elevada em três vezes, conforme prevê o artigo 292, II, também do RPS. Segundo informado, o contribuinte não é reincidente. Na mesma ação fiscal foram lançados os seguintes documentos de débitos: Auto de Infração 35.172.4783 Obrigações principais. Contribuições patronais. Auto de Infração 35.172.4759 Obrigações acessórias. Deixou de contabilizar todos os fatos geradores das obrigações previdenciárias. Auto de Infração 35.172.4767 Obrigação Acessória. Apresentou folha de pagamento a autônomos em desacordo com as normas estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. Auto de Infração 35.172.4805 Obrigação Acessória. Deixou de informar mensalmente através das GFIP’s todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interessa da RFB. Auto de Infração 35.172.4821 Obrigação Acessória. Apresentou GFIP’s com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 16004.001261/200811 Acórdão n.º 2201003.609 S2C2T1 Fl. 399 3 Auto de Infração 35.172.4830 Obrigação Acessória. Entregou Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP em desconformidade com o Manual de Orientação Auto de Infração 35.172.4775 Contribuições descontadas dos contribuintes individuais. Apropriação Indébita. Auto de Infração 35.172.4791 Contribuições destinadas aos Terceiros SEST e SENAT Auto de Infração 35.172.4740 Deixou de declarar em GFIP’s os fatos geradores das obrigações previdenciárias até inicio da ação fiscal. A interessada apresentou impugnação às fls. 70/81, julgada improcedente pela DRJ, nos termos da seguinte ementa: MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa deixar de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, fatos geradores de contribuições previdenciárias. ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS. REJEIÇÃO. A impugnação deve trazer provas que fundamentem as alegações apresentadas, não podendo estas serem aceitas sem aquelas. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. AFERIÇÃO OBJETIVA. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária é da empresa e independe da intenção, da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. AGRAVAMENTO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE PROVA. Não se presume dolo, fraude ou simulação, e sem a prova de sua ocorrência não é possível a aplicação da respectiva agravante. Cientificada do inteiro teor do acórdão da DRJ em 04/03/2010, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, tempestivamente, em 24/03/2010, alegando, em síntese, que: Por conta do elevado volume de trabalho, a Recorrente não estava conseguindo atender a toda demanda de trabalho e, diante desta situação celebrou contrato de terceirização de serviço com a empresa MARLON S. BALIEIROME., para que pudesse atender a toda demanda de trabalho. Ora, se existia empresa terceirizada para prestação de serviço, não há de se falar em recolhimento de verbas fundiárias aos funcionários por ela contratados, pois não há relação jurídica que fundamente o recolhimento cobrado da Recorrente, eis que ausente a relação de emprego entre os funcionários da empresa MARLON S. BALIEIROME e a Recorrente. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 16004.001261/200811 Acórdão n.º 2201003.609 S2C2T1 Fl. 400 4 Se existiram lançamentos contábeis que espelhassem situação diversa da estabelecida entre a Recorrente e a empresa terceirizada MARLON S. BALIEIROME, tal responsabilidade deve ser imputada ao Contador da Recorrente, pois a Recorrente não tinha conhecimento de tais fatos, não havendo concorrido com a infração tributária objeto do presente processo. Não existiam sequer contratos de prestação de serviço autônomo entre a Recorrente e os funcionários da empresa terceirizada. Nos autos não existem provas da responsabilidade da Recorrente, na medida que sequer conhece as pessoas físicas (terceiros) mencionados no Auto de Infração. Na legislação tributária brasileira, prevalece o princípio da verdade material, desta forma, todos os fatos considerados favoráveis ao contribuinte devem ser levados a efeito, sob pena de lesão ao princípio do contraditório e da ampla defesa. Nos autos, a Recorrida não conseguiu comprovar a responsabilidade da Recorrente, que limitouse apenas a imputar a responsabilidade da infração à Recorrente, com base na teoria objetiva que, certamente não se aplica ao caso em tela. Por fim, requer seja acolhido o presente recurso administrativo, determinando a reforma do v. acórdão, por ser medida de Direito e Justiça. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Do Mérito A recorrente centra seu inconformismo na alegativa de que a Fiscalização não comprovou a responsabilidade sobre os pagamentos realizados a título de frete. Argumenta que terceirizou os serviços através da contratação de uma empresa de transportes. Não obstante a recorrente não ter contabilizado os pagamentos de frete regularmente, a Auditoria Fiscal se valeu de vários Recibos de Pagamentos a Autônomos (RPA) para identificar a fato gerador da contribuição previdenciária. A existência dos referidos documentos não foi refutada pela recorrente. O art. 22, II, da Lei nº 8.212/91 dispõe sobre a contribuição patronal das empresas que contratam serviços de segurados contribuintes individuais, nos seguintes termos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: Fl. 400DF CARF MF Processo nº 16004.001261/200811 Acórdão n.º 2201003.609 S2C2T1 Fl. 401 5 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Vide Lei nº 13.189, de 2015) Regulamentando a Lei nº 8.212/91, o Decreto nº 3.048/99 fixou regras específicas para a contribuição previdenciária sobre a remuneração de transportadores autônomos: Art. 200 [...] § 4º A remuneração paga ou creditada a transportador autônomo, a que se referem os incisos I e II do § 15 do art. 9º, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros realizado por conta própria corresponderá ao valor resultante da aplicação de um dos percentuais estabelecidos pelo Ministério da Previdência e Assistência Social sobre o valor bruto do frete, carreto ou transporte de passageiros, para determinação do valor mínimo da remuneração. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) [...] Art. 267. Até que o Ministério da Previdência e Assistência Social estabeleça os percentuais de que trata o § 4º do art. 201, será utilizada a alíquota de onze vírgula setenta e um por cento sobre o valor bruto do frete, carreto ou transporte de passageiros. O Ministro do Estado da Previdência e Assistência Social editou a Portaria nº 1.135/01, que dispõe em seu art. 1º: Art. 1º Considerase remuneração paga ou creditada ao condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei nº 6.094, de 30 de agosto de 1974, de que tratam, respectivamente os incisos I e II do § 15 do art. 9º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros, vinte por cento do rendimento bruto. (g.n.) De acordo com esses dispositivos legais vigentes à época dos fatos geradores, a contribuição previdenciária devida sobre a remuneração de transportadores autônomos é calculada à alíquota de 20% incidente sobre 20% do valor bruto do frete, carreto ou transporte de passageiros. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 16004.001261/200811 Acórdão n.º 2201003.609 S2C2T1 Fl. 402 6 Cumpre salientar que essa matéria recebeu novos contornos legais, uma vez que a Lei nº 11.202/2015, incluiu o § 15 ao Art. 22 da Lei nº 8.212/91, abaixo transcrito: (...) § 15. Na contratação de serviços de transporte rodoviário de carga ou de passageiro, de serviços prestados com a utilização de trator, máquina de terraplenagem, colheitadeira e assemelhados, a base de cálculo da contribuição da empresa corresponde a 20% (vinte por cento) do valor da nota fiscal, fatura ou recibo, quando esses serviços forem prestados por condutor autônomo de veículo rodoviário, auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, bem como por operador de máquinas.” De outra banda, temse que a recorrente alega que tomou serviços de transportes, exclusivamente, de empresas terceirizadas, mas não carreou aos autos qualquer prova nesse sentido. O Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao PAF, contém expressa previsão acerca da distribuição do ônus probatório: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. É imprescindível que o contribuinte demonstre, por meio da linguagem de provas, as afirmações que alega, em especial a existência de valores não sujeitos à incidência da contribuição previdenciária. Dessa forma, a recorrente atrai para si o ônus da prova, quanto aos fatos impeditivos, constitutivos e extintivos do direito de a Fazenda Pública lançar o crédito tributário. Não havendo produção alguma de prova, tendo a recorrente se limitado a solicitar diligência para analise de suas alegações, deve arcar com as consequências de sua conduta, que, ao fim, culmina na procedência do lançamento. Cabe, ainda, verificar se o presente lançamento foi confeccionado em consonância com o art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. De fato, se o fisco não se Fl. 402DF CARF MF Processo nº 16004.001261/200811 Acórdão n.º 2201003.609 S2C2T1 Fl. 403 7 desincumbir do ônus de demonstrar que efetivamente a hipótese de incidência tributária se concretizou no mundo fático, o lançamento é imprestável. Todavia, não é essa situação que os autos revelam. O relato da auditoria aponta que os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais transportadores autônomos que foram identificados através de documentos apresentados à Fiscalização pela própria recorrente. A comprovação do pagamento das referidas parcelas foi obtida com esteio na documentação fornecida pela notificada no decorrer da auditoria, mormente Recibos de Pagamento a Autônomos (RPA), não guardando pertinência lógica a alegação recursal de que desconhecia as pessoas físicas que lhe prestaram serviços. O fato de, eventualmente, a recorrente ter se utilizado de pessoa jurídica para efetuar serviços de transporte não tem o condão de afastar os fatos geradores que ensejaram o presente lançamento. Desse modo, tinha o sujeito passivo o dever instrumental de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, fatos geradores de contribuições previdenciárias. Deixando de fazêlo em relação aos segurados transportadores autônomos, incorreu no descumprimento da mencionada obrigação acessória, violando, assim, o disposto no artigo 32, II da Lei n° 8.212/91, combinado com o artigo 225, II e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. A decisão de primeira instância, de maneira acertada, já excluiu a agravante da multa efetuada pela autoridade fiscal. Desse modo, referida decisão não merece nenhum reparo. Conclusão Diante de todo o exposto, voto conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 403DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.721969/2013-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, conforme proposto no voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Sustentou pela recorrente o Dr. Douglas Guidini Odorizzi, OAB/SP nº 202.538.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, conforme proposto no voto do Relator. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Sustentou pela recorrente o Dr. Douglas Guidini Odorizzi, OAB/SP nº 202.538. Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 5.75/5.082) opostos pela VOLKSWAGEN DO BRASIL INDÚSTRIA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES LTDA., em 25/07/2016 (fl. 5.085), ao amparo dos arts. 64, I e 65, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, em face da ciência, em 19/07/2016 (fl. 5.072), do teor do Acórdão nº RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .7 21 96 9/ 20 13 -7 8 Fl. 5104DF CARF MF Processo nº 13819.721969/201378 Resolução nº 3402001.008 S3C4T2 Fl. 5.105 2 3402003.015, de 26/04/2016, que deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008 AUTOMOTIVO. SUSPENSÃO. PEÇAS E COMPONENTES DESTINADOS À INDÚSTRIA DE AUTOPROPULSADOS. É vedado ao estabelecimento industrial apropriarse de créditos de IPI decorrentes da aquisição de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 8432, 8433, 8701 a 8706 e 8711 da TIPI, que deveriam ter saído do estabelecimento fornecedor com a suspensão do imposto. IPI. CRÉDITO. DEVOLUÇÕES E RETORNOS DE PRODUTOS. FALTA DA ESCRITURAÇÃO DAS NF NO LIVRO REGISTRO DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE OU SISTEMA EQUIVALENTE. IMPOSSIBILIDADE O aproveitamento de créditos de IPI relativos a devoluções e retornos de produtos tributados está condicionado à comprovação de escrituração do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou de sistema de controle equivalente. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete (art. 56 da MP nº 2.15835/ 2001), está condicionado à comprovação de que esse foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos. IPI. CANCELAMENTO DE NOTAS FISCAIS. ESTORNO DE DÉBITOS O Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque ou equivalente, há que conter os requisitos necessários para o acompanhamento da movimentação dos estoques. Caso contrário, impossível concluir se os produtos, objeto das notas fiscais canceladas, saíram ou não do estabelecimento, informação essencial para avalizar o direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado O respectivo auto de infração foi lavrado porque a fiscalização entendeu que: (i) é vedado ao estabelecimento industrial apropriarse de créditos de IPI decorrentes da aquisição de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11 da TIPI, que deveriam ter saído do estabelecimento fornecedor com a suspensão do imposto; (ii) o aproveitamento de créditos de IPI relativos a devoluções e retornos de produtos tributados está condicionado à comprovação de escrituração do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou de sistema de controle equivalente; (iii) que a autuada não fazia jus ao crédito presumido de IPI previsto no art. 56 da MP nº 2.15835, de 2001, uma vez que não teria comprovado que o frete foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos, e (iv) recolhimento do imposto a menor em decorrência da escrituração e utilização de estornos de débitos indevidos relativos a cancelamentos de notas fiscais, para os quais a contribuinte não cumpriu o estabelecido nos artigos 178 e 330, do RIPI/2002. Por outro lado, no acórdão embargado, o Colegiado entendeu em síntese que: (i) quanto aos créditos básicos indevidos as aquisições de produtos classificados nas NCM Fl. 5105DF CARF MF Processo nº 13819.721969/201378 Resolução nº 3402001.008 S3C4T2 Fl. 5.106 3 39.26, 72.25, 84.15, 87.08 e 94.01, deve ser mantida a glosa efetuada pelo Fisco, por se tratarem de operações sujeitas obrigatoriamente ao regime de suspensão do IPI, não podendo a adquirente se creditar do imposto indevidamente destacado na operação; (ii) quanto aos créditos (IPI) relativos a devoluções e retornos de produtos tributados, a Recorrente não cumpriu a condição de comprovação nos autos de escrituração do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou de sistema de controle equivalente; (iii) crédito presumido do IPI sobre o frete (CIF) não restou comprovado nos autos o computo do frete no preço de venda dos seus produtos; e (iv) quanto aos estorno de débitos, cancelamento de notas fiscais a Recorrente não ter cumprido as exigências dos arts. 178 e 330 do RIPI/02 (registro dos créditos de IPI em operações canceladas antes das saídas), com base no argumento de que os motivos de cancelamento das operações seriam desconhecidos, bem como também analisou o fato de que a Recorrente não conseguiu comprovar ao Fisco que cumpriu o estabelecido no art. 178, I, do RIPI/2002, justamente no ponto em que as mercadorias constantes das notas fiscais não saíram do estabelecimento antes de seu cancelamento. Cientificado do referido Acórdão, a interessada apresentou os Embargos de declaração, alegando que houve omissão e obscuridade em pontos do referido julgado, elencando, resumidamente, as seguintes razões: Da alegada omissão e obscuridade ponto 1 Argumenta que as devoluções e subsequentes saídas fictas, objeto do Decreto nº 6.687, de 2008, não se subsumem às regras gerais do art. art. 388 do RIPI/02. O ato que reduziu a alíquota instituiu regime próprio de escrituração, o qual não foi analisado pelo Acórdão embargado. "(...) No caso específico do Decreto 6.687/08 a apropriação do crédito não está condicionada a obrigatoriedade de registro das notas fiscais no Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque (ou em sistema equivalente), ponto que serviu fundamento para a decisão consubstanciada no acórdão 3402003.015. Por se tratar de regime especial, os deveres instrumentais veiculados no Decreto 6.687/08 são diversos. Sequer se faz remissão às regras gerais do RIPI/02". Desta forma, argumenta que o acórdão embargado, assim, incidiu em omissão ao deixar de ter apreciado a argumentação específica, no sentido de que, para as devoluções e saídas fictas do Decreto nº 6.687/08, para as quais houve o estabelecimento de sistema próprio de registro, seriam aplicáveis as disposições do art. 388 do RIPI/02. Por extensão, o acórdão 3402003.015, acabou por incorrer em obscuridade ao referendar a glosa do crédito registrado com base no Decreto nº 6.687/08, a partir da alegação do descumprimento de determinações impostas pelo art. 388 do RIPI/02. Da alegada omissão e obscuridade ponto 2 Argumenta que o fundamento para a glosa do crédito relativo às notas canceladas não foi a ausência de registro no Livro de Controle de Produção e Estoque, mas a suposta ausência de identificação do motivo para o desfazimento da operação. Desta forma, o fundamento do lançamento, no ponto, foi outro, diverso do apontando no acórdão embargado. "(...) O acórdão 3402003.315, ao deixar de avaliar a acusação fiscal e contestação da Embargante, concluiu, a partir de argumento diverso, dissociado do alegado pela Fiscalização, que teria havido o descumprimento da legislação por motivo outro". Fl. 5106DF CARF MF Processo nº 13819.721969/201378 Resolução nº 3402001.008 S3C4T2 Fl. 5.107 4 Nesse contexto, conclui que a decisão embargada omitiuse de decidir a questão que lhe foi posta para o julgamento e foi obscura, posto que, ao adotar razões outras, não dirimiu o conflito fruto da acusação e da defesa que a contraditou. Aduz que, por tais motivos, justificase também a integração do acórdão 3402 003.315 também nesse ponto, com consequente efeito infringente para fins de cancelamento da glosa do crédito. É o relatório. VOTO / RESOLUÇÃO Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser opostos, mediante petição fundamentada, no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão. Nesse aspecto, ressaltase que, quando da análise do exame de admissibilidade dos referidos arestos, o Presidente desta 2ª Turma Ordinária, conforme Despacho de fls. 5.088/5.090, admitiu (parcialmente) os aclaratórios interpostos, tão somente quanto aos créditos por devolução ficta ocorridos a partir do dia 12 de dezembro/2008, tendo em vista a edição do Decreto n° 6.687, de 11 de dezembro de 2008. Registrese que para evitar qualquer prejuízo ao contraditório e à ampla defesa neste processo e em conformidade com o art. 1.023 do Código de Processo Civil (CPC), aprovado pela Lei n.º 13.105/2015, aplicado de forma supletiva ao presente PAF na forma do art. 15 daquela mesma Lei, foi concedido o prazo de 5 (cinco) dias para a Procuradoria da Fazenda Nacional, se manifestasse sobre os aclaratórios, em especial quanto aos créditos por devolução ficta ocorridos a partir do dia 12/12/2008, acobertados pela edição do Decreto n° 6.687, de 2008. Em 07/02/2017, a Fazenda Nacional, manifestouse, conforme documento de fls. 5.093/5.094. Veja trecho abaixo reproduzido: "(...) Outrossim, salientase que não obstante a Turma não tenha se manifestado sobre mencionada legislação, restou claramente demonstrado que a funcionalidade do “sistema interno” da contribuinte de controle não atendeu à hipótese prevista no artigo 388 do RIPI, pois não foi capaz de permitir a perfeita apuração do estoque permanente e a identificação individualizada das operações a sistemática da contabilidade empresarial e da contabilidade de custos, com seus registros relatórios. Assim, pelos fundamentos expostos, requer sejam rejeitados os embargos de declaração, mantendose o acórdão embargado". Como é consabido, entendese por omissão o vício resultante da falta de alguma declaração que a decisão deveria conter. Nesse caso, os embargos têm por fim provocar a declaração do ponto omitido, a fim de se completar a decisão. Já, a obscuridade que autoriza o cabimento de embargos de declaração diz respeito à clareza do posicionamento do voto do julgador no Acórdão. Então, vamos aos tópicos e análise dos vícios apontados pela embargante. Fl. 5107DF CARF MF Processo nº 13819.721969/201378 Resolução nº 3402001.008 S3C4T2 Fl. 5.108 5 1. Dos créditos provenientes de DEVOLUÇÕES de mercadorias e das obrigações acessórias Consta dos autos que o Fisco glosou créditos relativos a devoluções e retornos de produtos em razão de, embora intimada várias vezes, a Embargante não ter comprovado a escrituração das movimentações no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema de controle equivalente. Em sede de Embargos, a Recorrente aduz que no acórdão embargado, incorreu em omissão ao deixar de ter apreciado a argumentação específica, no sentido de que, para as devoluções e saídas fictas, definidas pelo Decreto nº 6.687, de 2008, para as quais houve o estabelecimento de sistema próprio de registro, seriam inaplicáveis as disposições do art. 388 do RIPI, de 2002. Por extensão, o Acórdão 3402003.015, acabou por incorrer em obscuridade ao referendar a glosa do crédito registrado com base no Decreto nº 6.687/08, a partir da alegação do descumprimento de determinações impostas pelo art. 388 do RIPI/02. Argumenta que as devoluções e subsequentes saídas fictas, regulamentadas pelo Decreto nº 6.687/08, não se subsumem às regras gerais do art. art. 388 do RIPI/02. O ato que reduziu a alíquota do IPI instituiu regime próprio de escrituração, o qual não foi analisado pelo Acórdão embargado. De fato, neste ponto, assiste razão a Embargante. Carecem de manifestação deste Colegiado com referência aos créditos por devolução ficta ocorridos a partir do dia 12 de dezembro/2008, acobertados pela edição do Decreto n° 6.687, de 11 de dezembro de 2008, uma vez que nada foi dito sobre isto no Acórdão embargado. Vejamos o que prescreve o referido Decreto, na parte que interessa ao deslinde dos autos (grifei): Art.3º. As distribuidoras de que trata a Lei n° 6.729, de 28 de novembro de 1979, poderão efetuar a devolução ficta ao produtor dos veículos novos de que trata este Decreto, existentes em seu estoque e ainda não negociados até 12 de dezembro de 2008, mediante emissão de nota fiscal de devolução. §1º. Da nota fiscal de devolução deverá constar a expressão ‘Nota Fiscal emitida nos termos do art. 3º do Decreto n° 6.687, de 11 de dezembro de 2008’. §2º. O produtor deverá registrar a devolução do veículo em seu estoque, efetuando os devidos registros fiscais e contábeis, e promover saída ficta para a mesma concessionária com a utilização da alíquota vigente no momento da emissão da nota fiscal. §3º. A devolução ficta de que trata o caput enseja para o produtor direito ao crédito relativo ao IPI que incidiu na saída efetiva do veículo para a concessionária §4º. O produtor fará constar da nota fiscal do novo faturamento a expressão ‘Nota Fiscal emitida nos termos do art. 3° do Decreto n° 6.687, de 11 de dezembro de 2008, referente à Nota Fiscal de Devolução n° ....’. Art. 3ºA. Na hipótese de venda direta a consumidor final dos produtos de que trata os Anexos I e II deste Decreto, efetuada em data anterior à da sua publicação e ainda não recebida pelo adquirente, o produtor poderá reintegrar em seu estoque, de forma ficta, os veículos novos Fl. 5108DF CARF MF Processo nº 13819.721969/201378 Resolução nº 3402001.008 S3C4T2 Fl. 5.109 6 por ele produzidos, mediante emissão de nota fiscal de entrada. (Incluído pelo Decreto nº 6.723, de 2008). §1º. O disposto no caput somente se aplica na impossibilidade de cancelamento da nota fiscal de saída, nos termos da legislação aplicável. (Incluído pelo Decreto nº 6.723, de 2008). §2º. O produtor somente poderá emitir a nota fiscal de entrada de que trata o caput quando estiver de posse da nota fiscal comprovando o não recebimento do veículo novo pelo adquirente.(Incluído pelo Decreto nº 6.723, de 2008). §3º. Da nota fiscal de entrada deverá constar a expressão: ‘Nota Fiscal emitida nos termos do art. 3ºA do Decreto nº 6.687, de 11 de dezembro de 2008.’ (Incluído pelo Decreto nº 6.723, de 2008). §4º. O produtor deverá registrar a entrada do veículo em seu estoque, efetuando os devidos registros fiscais e contábeis, e promover saída ficta para o mesmo consumidor final com a utilização da alíquota vigente no momento da emissão da nota fiscal. (Incluído pelo Decreto nº 6.723, de 2008). §5º. A reintegração ao estoque de que trata o caput enseja para o produtor direito ao crédito relativo ao IPI que incidiu na saída efetiva do veículo para o consumidor final. (Incluído pelo Decreto nº 6.723, de 2008). §6º. O produtor fará constar da nota fiscal do novo faturamento a expressão ‘Nota Fiscal emitida nos termos do art. 3ºA do Decreto n° 6.687, de 11 de dezembro de 2008, referente à Nota Fiscal de Entrada n° .....’ (Incluído pelo Decreto nº 6.723, de 2008).” (grifouse). Como se vê, o referido Decreto foi publicado em meados de dezembro/2008 e verificase em seu art. 4º que produzirá efeitos a partir de 12 de dezembro de 2008. Notese que o período tratado nestes autos é de 01/07/2008 a 31/12/2008. A embargante alega que com a edição do Decreto nº 6.687/08, a apropriação do crédito não está condicionada a obrigatoriedade de registro das notas fiscais no Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente (ponto que serviu fundamento para a decisão consubstanciada no acórdão embargado), ou seja NÃO se subsume às regras gerias (art. 388 do RIPI/2002). 1.1 Dos créditos relativos à devolução e retorno de produtos. Preliminarmente, no concerne ao recolhimento a menor do IPI em função da utilização de créditos relativos à devolução e retorno de produtos, após analisar todos os documentos que instruem os autos, com exceção das devoluções fictas, que passarei a analisar no tópico seguinte, não consigo concluir diferentemente do decido no Acórdão embargado. No acórdão embargado, verificase que foi seguido todas as orientações da Recorrente, conforme constam da impugnação e do seu recurso voluntário, e não se consegue alcançar a qualidade das informações prometidas. Não foi possível lograr êxito que o conjunto de documentos apensados aos autos demonstrem que os produtos retornados foram efetivamente recebidos no estabelecimento em devolução, que entraram realmente nos Fl. 5109DF CARF MF Processo nº 13819.721969/201378 Resolução nº 3402001.008 S3C4T2 Fl. 5.110 7 estoques da Volkswagen e, em consequência, se for o caso, que ocorreu o ressarcimento àquele que devolveu o produto. É fato que a sistemática da contabilidade (empresarial e de custos), com seus registros e relatórios próprios, quando corretamente efetivada, consegue proporcionar as informações desejadas pelo Fisco e tornar evidente cada uma das operações de devolução e suas implicações tributárias, integrando os processos, as operações e os registros de interesse gerencial e os de cunho fiscal. Um dos controles indispensáveis é o que permite a apuração dos estoques, de sua movimentação, saldos e de cada uma das operações de entrada e saída, conhecendo sua motivação e correlação com as outras operações da empresa. No entanto, no caso sob exame, não conseguimos vislumbrar esse resultado com o conjunto de documentos e informações oferecidas pela Embargante. É permitido ao estabelecimento industrial creditarse do IPI relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, desde que mantenha escrituração e controles que lhe permitam comprovar sua condição de detentor de tal direito. Ou seja, os sistemas informatizados de controle interno da Embargante, não parece estar atendendo à hipótese prevista no artigo 388 do RIPI/2002, pois ele deve ser capaz de permitir a perfeita apuração do estoque permanente e da identificação individualizada de cada operação realizada. 1.2. Quanto às Devoluções FICTAS Objeto do embargos admitidos Entendo que, de fato, o mesmo tratamento não pode ser aplicado com relação às devoluções fictas, nos termos previstos pelos art. 3º e 3A do Decreto n. 6.687, de 2008. Este Decreto (texto acima reproduzido), publicado em 11 de dezembro daquele ano, autorizou aos distribuidores, para os veículos não vendidos até 12 de dezembro, devoluções fictas de veículos aos produtores. Vejase: Art. 3ºA. Na hipótese de venda direta a consumidor final dos produtos de que trata os Anexos I e II deste Decreto, efetuada em data anterior à da sua publicação e ainda não recebida pelo adquirente, o produtor poderá reintegrar em seu estoque, de forma ficta, os veículos novos por ele produzidos, mediante emissão de nota fiscal de entrada. (Incluído pelo Decreto nº 6.723, de 2008). (...). §5º. A reintegração ao estoque de que trata o caput enseja para o produtor direito ao crédito relativo ao IPI que incidiu na saída efetiva do veículo para o consumidor final. (Incluído pelo Decreto nº 6.723, de 2008). Tal dispositivo legal, reduziu alíquotas do IPI como forma de incentivo e para lhe dar efetividade, foi determinada a realização de devolução e saídas fictas dos produtos que eram de propriedades das concessionárias e ainda não havia sido comercializados, possibilitando que a aliquota reduzida fosse aplicada também aos veículos que já eram de propriedade das revendedoras. Fl. 5110DF CARF MF Processo nº 13819.721969/201378 Resolução nº 3402001.008 S3C4T2 Fl. 5.111 8 Verificase que a venda direta a consumidor final dos produtos de que trata o Decreto nº 6.687, de 2008, efetuada em data anterior à da sua publicação e ainda não recebida pelo adquirente, o produtor poderá reintegrar em seu estoque, de forma ficta, os veículos novos por ele produzidos, mediante emissão de nota fiscal de entrada e de devolução. Ou seja, as notas fiscais emitidas compõem prova da ocorrência do direito, como dispõe o caput do artigos e 3º e 3A, do referido Decreto. Ressaltase que foi curto o prazo para que distribuidoras e produtores tomassem as providências, por isso, pareceme justificável a concentração de notas fiscais e devoluções naquele período de dezembro/2008. Aqui, ocorre o contrário do afirmado pela autoridade fiscal, de que meses se passaram sem que a devolução fosse processada. Neste caso, a fiscalização assentou a ausência de demonstração da reintegração das mercadorias ao estoque. A embargante aduz que, especificamente as operações de dezembro/2008, envolvendo devoluções e saídas subsequentes fictas a concessionários realizadas com base no Decreto mencionado, decorrentes da redução incentivada do IPI, estabeleceuse regime próprio de comprovação de ingresso e retorno que não se subssume às regras gerais do RIPI, e portanto não está condicionada a obrigatoriedade de registro das notas fiscais no Livro de Registro de controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente, como definido pelo artigo 388, do RIPI/2002. Como se vê, estamos a nos referir a devoluções que se deram apenas documentalmente (de forma ficta), e que tinham prazo estreito para cumprimento. O conjunto de documentos anexos à impugnação me proporciona informações de que foram observadas as prescrições do art. 3º do Decreto nº 6.687, de 2008. A recorrente insiste que os seus registros (contábeis e fiscais) estão em condições de atender à prescrição da legislação a respeito. Explica que o conjunto de documentos resulta de um sistema informatizado, e que ele pretende estar consoante o disposto do art. 3º do Decreto nº 6.687, de 2008. Tenho como premissa que a observação das formalidades prescritas, em linhas gerais, não podem se sobrepor à verdade material, à justiça e aos princípios que orientam os atos administrativos. Nesse sentido, ressalto a importância da contabilidade e dos registros fiscais, valorizados pela ordem jurídica; e a expectativa que os avanços tecnológicos e as funcionalidades e benefícios dos sistemas informatizados atendam às normas que disciplinam as práticas contábeis e as referentes aos registros fiscais. Neste passo, considerando os dados e informações registrados nos documentos anexo aos autos, visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pela Recorrente e, portanto, não foram analisados pelo agente fazendário da origem do processo, e que esses documentos podem esclarecer ou demonstrar, à solução do litígio, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no PAF consiste em uma providência que resulta na melhor aplicação do Direito e da Justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Com base nessas considerações, devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento nos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF) e com fulcro nos art. 35, 36 e 37, do Decreto nº 7.574, de 2011, voto pela conversão do julgamento em Diligência, devendo os autos retornarem à DRF em São Fl. 5111DF CARF MF Processo nº 13819.721969/201378 Resolução nº 3402001.008 S3C4T2 Fl. 5.112 9 Bernardo do Campo SP (Unidade de jurisdição da Embargante), para que proceda à análise da documentação apresentada, bem como intime a interessada para apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos que entenda necessários, a critério da fiscalização, com vistas a esclarecer e comprovar suas razões, especificamente quanto às devoluções fictas: (i). que seja verificada a conformidade e a correção dos registros efetuados nos Livros Contábeis e Fiscais, no que concerne somente quanto às devoluções fictas realizadas no período tratado nestes autos (item 1.2 desta Resolução), que foram abarcadas a partir da edição do Decreto nº 6.687, de 2008; (ii). a confirmação, pelos meios de demonstração realizado, que os produtos tributados foram recebidos em devolução, ingressaram no estoque da Recorrente; e (iii). ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal da DRF/São Bernardo do Campo (SP), deverá elaborar o demonstrativo e o Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência das razões alegadas pela Recorrente. Encerrada a Diligência, a Interessada deverá ser intimada do resultado para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo a este CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto a presente Resolução. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 5112DF CARF MF
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