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Numero do processo: 15374.900040/2008-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
PER/DCOMP. DCTF. RETIFICAÇÃO E TRANSMISSÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. MULTA DE MORA.
A DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) retificada após despacho decisório que homologou parcialmente a compensação declarada, afasta o instituto da denúncia espontânea previsto pelo artigo 138 do Código Tributário Nacional. Aplicação da Súmula 360 do Superior Tribunal de Justiça. Incidência de multa moratória.
Numero da decisão: 3402-005.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, substituída pelo Suplente convocado.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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MULTA DE MORA Recorrente FUNDAÇÃO PETROBRÁS DE SEGURIDADE SOCIAL PETROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 PER/DCOMP. DCTF. RETIFICAÇÃO E TRANSMISSÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. A DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) retificada após despacho decisório que homologou parcialmente a compensação declarada, afasta o instituto da denúncia espontânea previsto pelo artigo 138 do Código Tributário Nacional. Aplicação da Súmula 360 do Superior Tribunal de Justiça. Incidência de multa moratória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 00 40 /2 00 8- 48 Fl. 576DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, substituída pelo Suplente convocado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário que tem por objeto a análise de Pedido de Compensação realizado através da PER/DCOMP nº 33002.20512.061103.1.7.043406, transmitida em data de 06/11/2003, pela qual a Contribuinte FUNDAÇÃO PETROBRÁS DE SEGURIDADE SOCIAL – PETROS, pretendia utilizar crédito originado de pagamento indevido de COFINS realizado em 15/02/2002, para compensar com débito de COFINS, referente ao período de apuração de fevereiro de 2002. Consta em PER/DCOMP as seguintes informações: Valor Original do Crédito Inicial: 22.233,18 Crédito Original na Data da Transmissão: 22.233,18 Selic Acumulada: 32,69 Crédito Atualizado: 29.501,21 Total dos Débitos desta DCOMP: 29.501,21 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: 22.233,18 Saldo do Crédito Original: Período de Apuração: 31/01/2002 Código da Receita: 7987 Data de Vencimento: 15/02/2002 Data de Arrecadação: 26/02/2002 Valor do Principal: 99.337,12 Valor da Multa: 0,00 Valor dos Juros: 993,37 Valor Total do DARF: 100.330,49 Conforme Despacho Decisório (Rastreamento nº 745553785) proferido pela DEINF/Rio de Janeiro (fls. 7), o pedido de compensação foi homologado parcialmente, em razão da utilização de parte do crédito para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível insuficiente para compensar com os débitos informados no PER/DCOMP e, por consequência, na cobrança de valor remanescente Fl. 577DF CARF MF Processo nº 15374.900040/200848 Acórdão n.º 3402005.605 S3C4T2 Fl. 577 3 principal de R$ 21.594,07 (vinte e um mil, quinhentos e novena e quatro reais e sete centavos), para pagamento até 29/02/2008, acrescido de multa e juros. Cientificada da decisão em data de 27/02/2008, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em data de 28/03/2008 (fls. 05 a 69), arguindo que os créditos não foram integralmente utilizados para quitação de débitos anteriores, sendo que a compensação fora efetuada sem que tivesse realizada a devida retificação da DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do 1º Trimestre de 2002, relativa ao crédito original da PER/DCOMP, o que foi regularizado através de retificação para comprovar a existência de crédito para compensação dos respectivos débitos. Inicialmente, constatando informações divergentes registradas nos sistemas de informações da RFB, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro proferiu decisão de fls. 8385, pela qual propôs o encaminhamento do processo à Diort/Deinf/RJO, para as seguintes providências: Intimar a Contribuinte a comprovar a existência do crédito objeto da presente lide, apresentando, para isso, o demonstrativo de apuração do PIS e da Cofins referentes ao meses relacionados, acompanhado da documentação contábil (cópia autenticada) que ratifique as informações nele fornecidas; Atendida a intimação citada no subitem anterior, com base na documentação apresentada pela Contribuinte, informar: Qual é o valor devido do PIS e da Cofins para os meses em referência; Se o valor recolhido por meio dos Darf informados nos PER/DCOMP é maior que o devido; No caso de o valor recolhido ser maior que o devido, qual seria o valor do crédito da Contribuinte, e se esse seria suficiente para quitar o débito declarado nos PER/DCOMP; No caso do crédito não ser suficiente para quitar o débito informado, qual seria o saldo devedor do débito; e Dar ciência à Interessada do resultado da diligência solicitada, podendo esta, no prazo de 30 (trinta) dias contado da data da ciência, apresentar aditamento à manifestação de inconformidade, em relação a fatos novos que venham a ocorrer em decorrência da diligência solicitada. A contribuinte foi intimada através do Termo de Intimação nº 064/2009, para apresentar o demonstrativo de apuração da COFINS e do PIS referente aos meses relacionados às fls. 8687, acompanhado da documentação contábil que ratifique as informações nele contidas, bem como apresentar quaisquer outros esclarecimentos/documentos que entender necessário para comprovar a existência do crédito objeto da lide. Às fls. 95 a Contribuinte atendeu ao Termo de Intimação, encaminhando demonstrativo de apuração do PIS/COFINS e balancetes referentes ao respectivo período, bem como acórdão transitado em julgado, proferido pela 3ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região que reconheceu o direito da recolher o PIS e a COFINS apenas sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, bem como o direito à compensação dos valores pagos indevidamente a partir de Fl. 578DF CARF MF 4 08/02/2002. Foi requerido o cancelamento do PIS exigido no despacho decisório recorrido, uma vez calculado sobre receitas outras que não decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços. O resultado da diligência foi consignado na decisão recorrida nos seguintes termos: O resultado da diligência consta do despacho de folhas 446 a 453. Transcrevo a seguir as respostas aos quesitos formulados na diligência: Qual valor devido da contribuição? O valor devido da COFINS, código 7987, para o período de Janeiro de 2002,vencimento de 15 de fevereiro de 2002, corresponde a R$ 78.081,76 conformedemonstrado no quadro elaborado às fls. 270 deste processo e discriminado emDCTF retificadora (fls. 259). O valor recolhido por meio do Darf informado no PER/DCOMP é maiorque o devido? O valor recolhido em 26 de fevereiro de 2012, no montante de R$ 100.330,49 (fls.261), é maior que o tributo COFINS, período de Janeiro de 2002, comvencimento em 15 de fevereiro de 2002, correspondente a R$ 78.081,76,demonstrado no quadro elaborado às fls. 270. No caso de o valor recolhido ser maior que o devido, qual seria o valor do crédito da Contribuinte? Esse crédito é suficiente para quitar o débito declarado no PER/DCOMP? Com o propósito de atender à indagação acima, foi providenciada a utilizaçãodos dados básicos em aplicativo interno da RFB (fls. 271/273 vide também fls.255), considerando o débito devido em 15 de fevereiro de 2002, no valor de R$ 78.081,76 e o crédito de R$ 100.330,49, recolhido em 26 de fevereiro de 2002 (fls. 271/272), resultando na apuração de saldo remanescente de R$ 19.929,70 (fls. 273). Referido valor, entretanto, não se mostra suficiente para quitar o débito declarado no PER/DCOMP (fls. 262/266) e discriminado em DCTF rctificadora (fls. 260). No caso do crédito não ser suficiente para quitar o débito informado, qual seria o saldo devedor do débito. Mediante utilização de idêntico aplicativo e tomando por base o saldo remanescente, no valor de R$ 19.929,70, recolhido em 26 de fevereiro de 2002 (fls. 273), a data do PER/DCOMP retifícado (41921.15259.311003.1.3.042140 vide fls. 262) e o debito relativo ao tributo COFINS, código 7987, período de fevereiro/2002, vencimento de 15 de março de 2002, valor do principal de R$ 22.465,13 (fls. 266), temse a confirmação de saldo devedor correspondente a R$ 4.989,11, conforme Demonstrativo Analítico de Compensação às fls. 275. Cientificada, a interessada apresentou a petição de folhas 472 a 482, na qual manifesta sua discordância quanto ao resultado apurado. Alega que, diferentemente do apurado, o crédito é suficiente para quitar o débito declarado na Dcomp. 7. Com efeito, a origem do crédito é evidente, uma vez que ao se examinar a DCTF retificadora, à fl. 262, identificase como devido para o período de apuração de fevereiro de 2002, com vencimento em 15/02/2002, o valor de R$ 78.081,76 (setenta e oito mil, oitenta e um reais e setenta e seis Fl. 579DF CARF MF Processo nº 15374.900040/200848 Acórdão n.º 3402005.605 S3C4T2 Fl. 578 5 centavos) a título de COFINS e, no entanto, o valor efetivamente recolhido para este período foi de R$ 100.330,49 (cem mil, trezentos e trinta reais e quarenta e nove centavos), conforme se verifica através da fls. 271/272 dos autos, apurandose inquestionável crédito. 11. In casu, a Requerente mostrou as corretas informações fiscais pela DCTF retificadora, fundamentada nas informações de seus Livros Contábeis e Fiscais, devendo as mesmas serem levadas em consideração no julgamento da Manifestação de Inconformidade. 12. Portanto, ainda que a Requerente tenha cometido erro ao prestar suas informações iniciais, tal vício não desnatura o seu direito ao crédito, uma vez que o princípio da verdade material obriga a Autoridade Fiscal a agir com diligência na apuração dos fatos durante a fiscalização. Com isso, a 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ) julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, reconhecendo o crédito decorrente de pagamento a maior no montante de R$ 18.936,33 (dezoito mil, novecentos e trinta e seis reais e trinta e três centavos), o que resultou na homologação parcial das compensações declaradas, com a manutenção do débito vencido em data de 15/03/2002, no valor de R$ 4.989,11 (quatro mil, novecentos e oitenta e nove reais e onze centavos) O Acórdão sob o nº 1276.742 (fls. 522/526) foi proferido por unanimidade nos termos do voto do Relator com a seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA Incide multa de mora na compensação efetuada após o vencimento do débito compensado. Impugnação Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A Contribuinte teve ciência da decisão através do Termo de Intimação Fiscal nº 076/2017 (fls 538), recebido via postal em data de 02/02/2017 (fls. 540/541), com interposição de Recurso Voluntário de fls. 558 a 566 em data de 03/03/2017 (fls. 557), conforme informações de fls. 575, alegando, em síntese, que: Que o artigo 28 da Instrução Normativa SRF nº 210/2002 e artigo 61 da Lei nº 9.430/96 condicionam o acréscimo de juros e multa de mora ao pagamento em atraso, o que, no presente caso, foi devidamente contabilizado pela Recorrente, a título de juros, conforme se vê na PER/DCOMP de fls. 527/531; Fl. 580DF CARF MF 6 Que o valor atinente à multa consta zerado tendo em vista se tratar de uma denúncia espontânea: in cau, tratase de um fato gerador de fevereiro de 2002, com data de vencimento em 15/03/2003, e com relação ao qual não havia qualquer procedimento de fiscalização até a apresentação da PER/DCOMP em voga, em 31/10/2003. Aplicase o artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional; Embora a recorrente estivesse em mora no que tange ao pagamento do tributo em questão, tendo feito denúncia espontânea à Receita Federal, não caberia a cobrança de multa moratória prevista no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. Para fundamentar a tese de defesa, foi invocado Acórdão proferido em rito de recursos repetitivos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1149022/SP, bem como o acórdão nº 9900000.915, proferido pela CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, além de Parecer PGFN/CRJ/Nº 2113/2011, objeto do Ato declaratório PGFN nº 4/2011 (fls. 568). É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado, nos termos do artigo 4º, inciso I e artigo 7, parágrafo 1º cumulado com artigo 23B, parágrafo 2º, todos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Mérito Versa o Recurso Voluntário sobre alegada não incidência de multa moratória em razão da denúncia espontânea prevista pelo artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, resultando em saldo suficiente e proporcional aos créditos informados através da DCTF retificada, o que afastaria a cobrança do valor remanescente apontado em decisão recorrida. Não assiste razão à Recorrente. Em impugnação foi informado sobre a retificação da DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) com as seguintes alegações de fls. 6: “3.3. Ocorre que tal compensação fora efetuada sem que tivesse sido realizada a devida retificação da DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do 1º (primeiro) trimestre de 2002, relativamente ao crédito original da PERDCOMP, acima. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 15374.900040/200848 Acórdão n.º 3402005.605 S3C4T2 Fl. 579 7 3.4. A DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) já foi devidamente retificada para regularização da questão, conforme demonstrado no Anexo III, comprovando a existência do crédito e por conseguinte, sua correta utilização, a época, para compensação dos débitos”. Por sua vez, em recurso voluntário argui a Recorrente que contabilizou juros na PER/DCOMP de fls. 527/531, sendo que não incluiu o valor a título de multa por considerar a incidência de denúncia espontânea, uma vez o fato gerador ter ocorrido em fevereiro de 2002, com vencimento de 15/03/2003, sendo que a apresentação da PER/DCOMP, em 31/10/2003, ocorreu antes de iniciado o procedimento de fiscalização. Ao contrário da tese de defesa, os fatos demonstram que não está caracterizado o instituto da denúncia espontânea. Vejamos: Da análise da DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) em referência (fls. 11), constatase que, não obstante a data de apresentação da PER/DCOMP, a compensação pretendida apenas foi possível com os créditos indicados pela contribuinte em retificação, declarada e transmitida em 27/03/2008, ou seja, após a ciência do despacho decisório impugnado, ocorrida em data de 27/02/2008. Importante registrar que não se configura, neste caso, o instituto da denúncia espontânea, tampouco a aplicação do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça através do Recurso Especial 1.149.022/SP colacionado em defesa. O julgado em referência trata da hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário acompanhado do respectivo pagamento integral, retificao antes de qualquer procedimento administrativo. Da mesma forma, não se aplica o entendimento esposado no Acórdão nº 9900000.915 deste tribunal administrativo igualmente invocado pela Recorrente, tendo em vista que aquele caso se refere a Pedido de Restituição de multa de mora paga quando da quitação de parcelas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, em 17/11/1999, com apresentação de Declaração de IRPJ Retificadora em 18/11/1999, ou seja, anterior a qualquer ato administrativo. Registro, ainda, que o ATO DECLARATÓRIO PGFN nº 04/2011 apresentado em defesa, versa sobre exclusão da multa moratória quando da configuração da denúncia espontânea, o que não é o caso do processo administrativo fiscal em análise. Com isso, afasto a fundamentação da Recorrente. Com relação a análise sobre a configuração do instituto da denúncia espontânea, colacionase o Acórdão nº 1401001.716, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, julgado por unanimidade nos termos do voto do Relator Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. HIPÓTESE CONFIGURADORA. Conforme decidido no REsp nº 1.149.022/SP, na sistemática dos recursos repetitivos, (i) quando o contribuinte declara o tributo e Fl. 582DF CARF MF 8 não efetua o pagamento no vencimento, mas o faz (acompanhado dos juros de mora) antes de iniciado o procedimento fiscal, não se trata de denúncia espontânea, sendo exigível, portanto, a multa de mora (cf. Súmula nº 360 do STJ); e (ii) quando o contribuinte declara o tributo de forma parcial e subsequentemente (antes de iniciado o procedimento fiscal) retifica a declaração, noticiando e quitando concomitantemente a diferença informada (acompanhada dos juros de mora), configurase a denúncia espontânea em relação à correspondente infração, sendo, portanto, descabível a exigência de qualquer multa (de mora ou de ofício). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. QUITAÇÃO. Para efeitos do que foi decidido no REsp nº 1.149.022/SP, na sistemática dos recursos repetitivos, caracterizase a quitação, que dá ensejo à denúncia espontânea, nos casos de compensação declarada até a apresentação da correspondente declaração retificadora. Recurso Voluntário Provido em Parte Outrossim, atendendo à previsão do artigo 62, inciso II, alínea "a" do Anexo II do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, deve ser aplicada no presente caso a SÚMULA Nº 360 do Superior Tribunal de Justiça, que assim prevê: “O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. A compensação somente se configura efetivamente como hipótese de extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso III do Código Tributário Nacional e previsão do artigo 74, parágrafo 2º da Lei nº 9.430/96, se for aplicada corretamente a proporcionalidade entre crédito/débito, incluindo os acréscimos legais, com pagamento integral de eventual saldo remanescente, o que não ocorreu. Como bem observado na decisão proferida pela DRJ/RJ, a Recorrente havia recolhido o saldo remanescente no dia 26/02/2002, no valor de R$ 100.330,49, ou seja, após o vencimento do débito de R$ 78.081,76, cujo prazo fatal era a data de 15/02/2002. Neste caso, deveria a Contribuinte considerar os juros de mora e a multa moratória sobre o valor do débito, aplicando o artigo 28 da Instrução Normativa da SRF nº 210/2002 cumulada com artigo 61 da lei nº 6.430/96, o que não fez. Portanto, uma vez que a retificação da DCTF ocorreu somente após a intimação do despacho decisório e com informações insuficientes para respectiva compensação, deve ser integralmente mantida a decisão recorrida. Fl. 583DF CARF MF Processo nº 15374.900040/200848 Acórdão n.º 3402005.605 S3C4T2 Fl. 580 9 Dispositivo Ante o exposto, conheço e nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 584DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.904967/2012-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2006
COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.
A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO.
É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.902
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que não conhecia do recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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EFEITOS Recorrente MOINHO CANUELAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2006 COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que não conhecia do recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 49 67 /2 01 2- 80 Fl. 246DF CARF MF 2 convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Declaração de Compensação para o aproveitamento de crédito de COFINS decorrente de pagamento indevido ou a maior. Em razão da aparente inexistência do crédito, vez que o DARF não foi localizado no sistema, foi transmitido Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação declarada. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade intempestiva, com prequestionamento de tempestividade. Através do Acórdão nº 02061.853, a DRJ não conheceu da defesa por intempestiva. Cientificada desta decisão, a empresa apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, tempestivamente, sustentando a existência do direito creditório e a necessidade de aplicação ao presente processo do princípio da verdade real e material. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.886, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.904939/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.886): "Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas negolhe provimento, pelas razões a seguir expostas. Pela análise do presente processo, trazida no relatório acima, depreendese que o contencioso no presente processo não foi regularmente instaurado, vez que intempestiva a Manifestação de Inconformidade apresentada pela empresa em 18/12/2012, mais de 30 (trinta) dias após sua regular intimação do Despacho Decisório Eletrônico, ocorrida em 14/11/2012 (e fl. 69). O art. 74, § 9º da Lei n.º 9.430/96, na redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, prevê defesa própria a ser apresentada pelo sujeito passivo na hipótese de não homologação de pedido de compensação: a Manifestação de Inconformidade. Esta defesa deve ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias contados da Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10882.904967/201280 Acórdão n.º 3402005.902 S3C4T2 Fl. 3 3 ciência do despacho denegatório, previsto no §7º daquele mesmo dispositivo legal: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)" (grifei) No presente caso, a intempestividade é patente, vez que, intimado em 14/11/2012 (quartafeira), o prazo fatal para a apresentação da Manifestação de Inconformidade encerrouse em 14/12/2012 (sextafeira). Essa questão já foi analisada em distintas oportunidades por este CARF1, inclusive em processos semelhantes do mesmo sujeito passivo, nos Acórdãos 3202003.041, 3202003.042, 3202003.043, 3202003.044 3802003.046, 3802003.047 e 3802003.048 publicados em 27/08/2014. Naqueles julgados, os Recursos Voluntários apresentados pela empresa não foram providos pelo Relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira em razão da mesma mácula no procedimento (intempestividade da Manifestação de Inconformidade originária): "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2000 Ementa: Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos 1 Vide ainda: Processo n.º 15374.902473/200919 Data da Sessão 08/12/2015 Relator Frederico Augusto Gomes de Alencar Acórdão n.º 1402001.974 Fl. 248DF CARF MF 4 A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado." (grifei) Ora, todas as questões passíveis de análise nesta seara administrativa seriam pormenorizadas quando do julgamento da primeira Manifestação de Inconformidade. Não tendo sido conhecida esta defesa por patente intempestividade, evidente a preclusão do direito processual da Recorrente, cujas razões trazidas no Recurso Voluntário não merecem análise e provimento. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas por negarlhe provimento em razão da preclusão, face a intempestividade da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório Eletrônico." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma (houve apresentação intempestiva da Manifestação de Inconformidade), de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas por negarlhe provimento em razão da preclusão, face a intempestividade da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório Eletrônico. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 249DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.721168/2014-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
(Súmula Carf nº 103)
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ASSINATURA DO ACORDO COLETIVO DE TRABALHO APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE AFERIÇÃO. DESCONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101, DE 2000.
É da essência do instituto da participação nos lucros ou resultados que a assinatura do termo de ajuste preceda aos fatos que se propõe a regular, incentivando, desse modo, o alcance dos objetivos pactuados previamente. Nada obstante, a prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, é prática limitada pelo mundo real, o que impõe certa flexibilidade na análise dos fatos, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto. A possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração a que se referem os lucros ou resultados.
No caso dos autos, o instrumento foi assinado após o encerramento do período de aferição dos resultados. O estabelecimento de parâmetros já sabidamente atingidos, ou mesmo em estágio avançado de apuração, desnatura o programa de participação nos lucros ou resultados, configurando-se, na verdade, em parcela de natureza salarial a título de gratificação ou prêmio pago por liberalidade da empresa.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. NECESSIDADE DE ESTIPULAÇÃO DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS NO ACORDO COLETIVO DE TRABALHO.
Por exigência da lei específica, as regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições do recebimento da participação nos lucros ou resultados possam ser passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. Está em desconformidade com a legislação o instrumento de negociação que não contém os resultados objeto de avaliação, nem indica as metas que deverão ser atingidas para o recebimento da participação nos lucros ou resultados.
GANHO EVENTUAL. HABITUALIDADE ANUAL DOS PAGAMENTOS.
Não é eventual o pagamento efetuado pela empresa quando caracterizada a habitualidade anual nos pagamentos aos trabalhadores, na forma prevista em acordo coletivo de trabalho.
Numero da decisão: 2401-005.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora) e Rayd Santana Ferreira, que davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. (Súmula Carf nº 103) PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ASSINATURA DO ACORDO COLETIVO DE TRABALHO APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE AFERIÇÃO. DESCONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101, DE 2000. É da essência do instituto da participação nos lucros ou resultados que a assinatura do termo de ajuste preceda aos fatos que se propõe a regular, incentivando, desse modo, o alcance dos objetivos pactuados previamente. Nada obstante, a prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, é prática limitada pelo mundo real, o que impõe certa flexibilidade na análise dos fatos, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto. A possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração a que se referem os lucros ou resultados. No caso dos autos, o instrumento foi assinado após o encerramento do período de aferição dos resultados. O estabelecimento de parâmetros já sabidamente atingidos, ou mesmo em estágio avançado de apuração, desnatura o programa de participação nos lucros ou resultados, configurando-se, na verdade, em parcela de natureza salarial a título de gratificação ou prêmio pago por liberalidade da empresa. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. NECESSIDADE DE ESTIPULAÇÃO DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS NO ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. Por exigência da lei específica, as regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições do recebimento da participação nos lucros ou resultados possam ser passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. Está em desconformidade com a legislação o instrumento de negociação que não contém os resultados objeto de avaliação, nem indica as metas que deverão ser atingidas para o recebimento da participação nos lucros ou resultados. GANHO EVENTUAL. HABITUALIDADE ANUAL DOS PAGAMENTOS. Não é eventual o pagamento efetuado pela empresa quando caracterizada a habitualidade anual nos pagamentos aos trabalhadores, na forma prevista em acordo coletivo de trabalho.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora) e Rayd Santana Ferreira, que davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Redator Designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2075; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.721168/201462 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2401005.734 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de setembro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrentes FIAT DO BRASIL S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. (Súmula Carf nº 103) PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ASSINATURA DO ACORDO COLETIVO DE TRABALHO APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE AFERIÇÃO. DESCONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101, DE 2000. É da essência do instituto da participação nos lucros ou resultados que a assinatura do termo de ajuste preceda aos fatos que se propõe a regular, incentivando, desse modo, o alcance dos objetivos pactuados previamente. Nada obstante, a prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, é prática limitada pelo mundo real, o que impõe certa flexibilidade na análise dos fatos, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto. A possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração a que se referem os lucros ou resultados. No caso dos autos, o instrumento foi assinado após o encerramento do período de aferição dos resultados. O estabelecimento de parâmetros já sabidamente atingidos, ou mesmo em estágio avançado de apuração, desnatura o programa de participação nos lucros ou resultados, configurando se, na verdade, em parcela de natureza salarial a título de gratificação ou prêmio pago por liberalidade da empresa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 11 68 /2 01 4- 62 Fl. 868DF CARF MF Processo nº 15504.721168/201462 Acórdão n.º 2401005.734 S2C4T1 Fl. 3 2 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. NECESSIDADE DE ESTIPULAÇÃO DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS NO ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. Por exigência da lei específica, as regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições do recebimento da participação nos lucros ou resultados possam ser passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. Está em desconformidade com a legislação o instrumento de negociação que não contém os resultados objeto de avaliação, nem indica as metas que deverão ser atingidas para o recebimento da participação nos lucros ou resultados. GANHO EVENTUAL. HABITUALIDADE ANUAL DOS PAGAMENTOS. Não é eventual o pagamento efetuado pela empresa quando caracterizada a habitualidade anual nos pagamentos aos trabalhadores, na forma prevista em acordo coletivo de trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora) e Rayd Santana Ferreira, que davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Fl. 869DF CARF MF Processo nº 15504.721168/201462 Acórdão n.º 2401005.734 S2C4T1 Fl. 4 3 Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário em face da decisão da 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro RJ (DRJ/RJO) que julgou procedente em parte os Autos de Infração DEBCAD nº 51.034.3473, cujo valor remanescente é de R$ 1.009.204,63, e respectivos acréscimos legais, e DEBCAD 51.034.3481, cujo valor remanescente é de R$ 258.415,14, e respectivos acréscimos legais, conforme ementa do Acórdão nº 12081.632 (fls. 804/824): Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 VEÍCULO DE PROPRIEDADE DA EMPRESA E COMBUSTÍVEL UTILIZADO NO MESMO. NATUREZA JURÍDICA. EXCLUSÃO. Não se caracteriza remuneração indireta a disponibilização de veículo ao segurado empregado para o desempenho das funções inerentes às suas atividades laborais, o mesmo ocorrendo com as despesas de combustível referentes ao mesmo veículo. VENDA DE VEÍCULOS POR PREÇOS SUPOSTAMENTE SUBSIDIADOS Não é possível desconsiderar um negócio jurídico (compra e venda) para fazer incidir sobre o suposto ganho decorrente do negócio contribuições previdenciárias, sem demonstrar a falta de propósito negocial na realização da compra e venda. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. As parcelas pagas a título de participação nos lucros e resultados da empresa em desacordo com a lei 10.101/2000 integram o saláriodecontribuição, para fins de incidência de contribuição previdenciária, na inteligência do art. 28, § 9º, alínea “j” da Lei nº 8.212/1991. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Desta decisão, o Presidente da 14ª Turma de Julgamento da DRJ/RJO recorreu de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, nos termos do inciso I do artigo 34 do Decreto 70.235/1972. O presente processo é composto por dois Autos de Infração: Fl. 870DF CARF MF Processo nº 15504.721168/201462 Acórdão n.º 2401005.734 S2C4T1 Fl. 5 4 1. DEBCAD nº 51.034.3473 (fls. 03/34), referente a Contribuição da empresa destinada à Seguridade Social, incidente sobre os valores das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título pela autuada aos segurados empregados, por serviços por eles prestados à autuada, no valor de R$ 1.652.138,38, acrescido de R$ 641.266,23 referentes aos Juros e de R$ 1.239.103,90 referentes à Multa de Ofício, dando um valor total de R$ 3.532.508,51; 2. DEBCAD nº 51.034.3481 (fls. 35/64), referente a Contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos {FNDE (2,5%), SENAC (1,0%), SESC (1,5%), SEBRAE (0,6%) e INCRA (0,2%)}, incidentes sobre os valores das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título pela autuada aos segurados empregados, por serviços por eles prestados à autuada, no valor de R$ 432.763,60, acrescido de R$ 169.005,26 referentes aos Juros e de R$ 324.572,81 referentes à Multa de Ofício, dando um valor total de R$ 926.341,67. No Relatório do Auto de Infração (fls. 67/86) a Fiscalização informou que diante da legislação aplicável e das informações entregues pelo Contribuinte foram encontrados os fatos geradores de contribuições previdenciárias não consideradas pelo Contribuinte: 1. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS: Pagamentos realizados a título de PLR respaldados em acordos que apresentam falhas evidentes restando comprovados que não foram atendidas as exigências dos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.101, desvirtuando o objetivo primeiro mencionado no artigo inicial da mencionada Lei, qual seja, de “integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição”; 2. SALÁRIO IN NATURA VEÍCULOS E COMBUSTÍVEIS: Disponibilização pela Contribuinte de um ou dois veículos para o funcionário, arcando com os custos de combustível. Posteriormente é realizada a venda destes mesmos veículos a outros funcionários a preços subsidiados. Em 14/02/2014 o Contribuinte tomou ciência dos Autos de Infração, via Correio (AR – fl. 484), e tempestivamente, em 18/03/2014, apresentou sua Impugnação de fls. 487 a 546, instruída com os documentos nas fls. 547 a 721. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/RJO para julgamento, onde, através do Acórdão nº 12081.632, em 20/05/2016 a 14ª Turma, votou no sentido de excluir dos lançamentos DEBCAD 51.034.3473 e DEBCAD 51.034.3481 os levantamentos “CO – COMBUSTÍVEL USO VEIC PARTICULAR”, “VE – DISPON VEICULO USO PARTICULAR” e “VV – VENDA VEÍCULOS SUBSID”. Em relação ao saldo remanescente do crédito apurado manteve o levantamento “PL – PARTICP LUCROS RESULTADOS” constante dos lançamentos DEBCAD 51.034.3473 e DEBCAD 51.034.348 1, com exceção da competência 01/2009, atingida pela decadência. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão, através da abertura da mensagem enviada para sua caixa postal (fl. 839) em 20/06/2016. Fl. 871DF CARF MF Processo nº 15504.721168/201462 Acórdão n.º 2401005.734 S2C4T1 Fl. 6 5 Em 20/07/2016, tempestivamente, foi protocolado Recurso Voluntário de fls. 841 a 864, onde o Recorrente faz um breve resumo dos fatos (fls. 842/844) para em seguida alegar o seguinte: 1. A não incidência de Contribuição Previdenciária sobre PLR – Levantamento: PL – participação lucros resultados (fls. 844/862); 2. Que a natureza da verba paga a título de PLR tem nítido caráter não salarial/remuneratório por total ausência dos elementos configuradores da remuneração (fls. 862/864). 3. Finaliza seu Recurso Voluntário requerendo a reforma do Acórdão combatido, julgando procedente os pedidos apresentados para: “cancelar a presente autuação no que diz respeito à incidência de contribuições previdenciárias e contribuições destinadas a outras entidades e fundos sobre os valores creditados aos empregados a título de PLR (Levantamento: PL – particip lucros resultados), tendo em vista o cumprimento dos requisitos materiais, quais sejam, a existência de regras claras e objetivas a respeito do direito e da extensão do pagamento a ser feito a título de PLR e, consequentemente, o cumprimento de TODOS os requisitos previstos na Lei nº 10.101/2000; ou, ainda, pela inexistência das características da habitualidade e contraprestabilidade, já que os referidos valores não estão previstos nos contratos de trabalhos firmados entre a Recorrente e o seus funcionários”. Destaco ainda que foi juntado ao eprocesso memoriais reiterando os argumentos contidos no Recurso Voluntário apresentado, colacionando ainda jurisprudência do CARF no sentido de que a legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, sendo que a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente ao advento do lucro obtido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade Recurso de Ofício Em 10 de fevereiro de 2017 foi publicada a Portaria MF nº 63 que alterou o valor limite para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vejamos: Portaria MF nº 63/07 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de Fl. 872DF CARF MF Processo nº 15504.721168/201462 Acórdão n.º 2401005.734 S2C4T1 Fl. 7 6 ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Destarte, a verificação do "limite de alçada", em face de decisão de primeira instância favorável ao contribuinte ocorre em dois momentos: primeiro na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, no momento da prolação de decisão favorável ao contribuinte, observandose a legislação da época, e segundo no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para fins de conhecimento do Recurso de Ofício, quando da apreciação do recurso, em Preliminar de Admissibilidade, aplicandose o limite de alçada então vigente, conforme sedimentado pela Súmula Carf nº 103, assim ementada: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, depreendese que o limite de alçada a ser definitivamente considerado será aquele vigente no momento da apreciação, pelo Conselho, do respectivo Recurso de Ofício. No presente caso, tendo em vista que o montante de crédito Tributário exonerado foi abaixo do limite de alçada (fl.805), não conheço do Recurso de Ofício. Recurso Voluntário O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Conforme se verifica dos autos, a controvérsia recorrida cingese à exigência de contribuições sobre Pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados – PLR decorrentes dos Acordos Coletivos de Trabalho de 2008, 2009 e 2010. No entender da autoridade fiscal o pagamento de PLR está em desacordo com os critérios estabelecidos nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.101/2000 da Lei nº 10.101/2000, em razão da ausência total de metas a serem cumpridas pelos empregados da empresa autuada. Afirma ainda que as datas das assinaturas dos acordos não permitiriam o cumprimento das metas, caso tivessem sido fixadas, uma vez que celebrados quando já findos os exercícios a que se referiam. A Recorrente afirma que atendeu a todos os requisitos expostos na legislação aplicável e que a fiscalização não pode exigir o cumprimento de pressupostos que nela não constam. Inicialmente, importante se faz destacar que o pagamento de PLR e suas repercussões tributárias encontramse previstos na Constituição Federal, art. 7º, inciso XI, Lei Fl. 873DF CARF MF Processo nº 15504.721168/201462 Acórdão n.º 2401005.734 S2C4T1 Fl. 8 7 nº 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea “j” e Lei nº 10.101/00, fruto da conversão da Medida Provisória nº 1.97277/2000 (originária MPV 794, de 29/11/94). A Constituição da República assegurou, em seu artigo 7º, dentre outros, o direito a Participação nos Lucros e Resultados: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; A Lei nº 8.212/91, assim determina acerca do salário de contribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) [...] j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Como se vê, a PLR desvinculada da remuneração é um direito social previsto na carta política e condicionado à observância dos requisitos da legislação infraconstitucional. Assim, na medida em que trata de preceito de eficácia limitada, devem ser observados os ditames da lei específica que disciplina a matéria, qual seja, a Lei nº 10.101/2000: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo Fl. 874DF CARF MF Processo nº 15504.721168/201462 Acórdão n.º 2401005.734 S2C4T1 Fl. 9 8 ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. [...] Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. Tendo como base a leitura das normas de regência, passamos à análise dos motivos ensejadores do lançamento que descaracterizou os pagamentos efetuados à título de PLR. Delimitação da motivação do lançamento A exigência recorrida trata do Levantamento PL, relativa ao Período de Apuração 01/2009 a 12/2010 e Período do Débito de 02/2009 a 07/2010, após a declaração de decadência pela DRJ. A acusação fiscal considerou que os pagamentos realizados a título de PLR não estariam em conformidade com a legislação de regência, haja vista que: (i) não foram fixadas metas a serem atingidas; (ii) os pagamentos foram realizados após a apuração do faturamento da empresa, não havendo evento futuro e incerto. Ausência de metas a serem cumpridas pelos empregados Inicialmente, dando ênfase às regras a serem obedecidas, vale enfatizar que de acordo com a determinação do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, os instrumentos de Fl. 875DF CARF MF Processo nº 15504.721168/201462 Acórdão n.º 2401005.734 S2C4T1 Fl. 10 9 negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, justamente para que o trabalhador tenha conhecimento dos critérios estabelecidos para que possa imprimir os esforços pessoais necessários à obtenção do direito à participação nos lucros de modo que se cumpram os objetivos legais e constitucionais de incentivo à produtividade com a integração entre o capital e o trabalho. Destaquese que para a finalidade da fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, poderão ser considerados, dentre outros, os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, bem como os programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Ou seja, a lei não determinou quais regras deveriam constar do Programa de Participação dos Lucros, mas tão somente exigiu que referidas regras fossem claras e objetivas. Da leitura do § 1º do artigo 2º da Lei nº 10.101/00, anteriormente reproduzida, verificase que são enumerados, de forma exemplificativa, os critérios para a aferição dos direitos de participação dos empregados nos resultados da empresa. (§ 1º do artigo 2º, da Lei nº 10.101/2000). As partes tem liberdade para fixar os elementos e condições objetivando a fruição da PLR, sendo válida a escolha de qualquer resultado que interesse à empresa, principalmente em virtude das especificidades que devem ser sopesadas diante do caso concreto e do setor produtivo correspondente, para que a adoção de determinado critério não inviabilize a Participação de Lucros e Resultados dos empregados. Compulsando os autos, destacamse dos seguintes documentos: ACT PLR 2008 (fls. 394/396), com a lista de manifestação dos empregados adunada às fls. 673/686; ACT 2009 (fls. 397/399), com a lista de manifestação dos empregados adunada às fls. 400/412; ACT PLR 2010 (fls. 413/415), com a lista de manifestação dos empregados adunada às fls. 416/431. A PLR existente em anos anteriores (fls. 657/665); Declaração do Sindicato às fls. 672. As metas estão vinculadas ao seu nível de faturamento. Vejamos se os instrumentos fixaram metas a serem atingidas: ACORDO COLETIVO DE TRABALHO – PLR 2008 CLÁUSULA SEGUNDA – OBJETO O presente Acordo Coletivo de Trabalho tem a finalidade de quitar a importância relativa à Participação dos Trabalhadores nos Lucros e ou Resultados – PLR do ano de 2008, bem como de estabelecer o valor da segunda parcela da referida verba, a qual será paga aos empregados da FIAT DO BRASIL S/A, a partir de avaliação de resultados apurados com base nas metas anuais apuradas pela empresa. Parágrafo único – Fica ajustado que a segunda parcela da PLR, relativa ao ano de 2008, tendo em vista as metas alcançadas pela empresa, será paga aos empregados, da Fiat do Brasil, observandose o seguinte: a. Para os empregados em atividade durante o ano de 2010, será pago o valor equivalente a 80% (oitenta por cento) sobre o respectivo salário base percebido no mês de janeiro de 2011, Fl. 876DF CARF MF Processo nº 15504.721168/201462 Acórdão n.º 2401005.734 S2C4T1 Fl. 11 10 observandose o valor mínimo de R$ 2.600,00 (dois mil e seiscentos reais) e o máximo de R$ 2.900,00 (dois mil e novecentos reais); b. Será deduzido da parcela acima prevista o valor de R$ 1.300,00 (Hum mil e trezentos reais), relativo à primeira parcela paga no mês de julho de 2010;” Destacouse. [...]. ACORDO COLETIVO DE TRABALHO – PLR 2009 CLÁUSULA SEGUNDA – OBJETO O presente Acordo Coletivo de Trabalho tem a finalidade de quitar a importância relativa à Participação dos Trabalhadores nos Lucros e ou Resultados – PLR do ano de 2009, bem como de estabelecer o valor da segunda parcela da referida verba, a qual será paga aos empregados da FIAT DO BRASIL S/A, a partir de avaliação de resultados apurados com base nas metas anuais apuradas pela empresa. Parágrafo único – Fica ajustado que a segunda parcela da PLR, relativa ao ano de 2009, tendo em vista as metas alcançadas pela empresa, será paga aos empregados, da Fiat do Brasil, observandose o seguinte: [...]. ACORDO COLETIVO DE TRABALHO – PLR 2010 CLÁUSULA SEGUNDA – OBJETO O presente Acordo Coletivo de Trabalho tem a finalidade de quitar a importância relativa à Participação dos Trabalhadores nos Lucros e ou Resultados – PLR do ano de 2010, bem como de estabelecer o valor da segunda parcela da referida verba, a qual será paga aos empregados da FIAT DO BRASIL S/A, a partir de avaliação de resultados apurados com base nas metas anuais apuradas pela empresa. Parágrafo único – Fica ajustado que a segunda parcela da PLR, relativa ao ano de 2010, tendo em vista as metas alcançadas pela empresa, será paga aos empregados, da Fiat do Brasil, observandose o seguinte: [...]. Destarte, a documentação acostada aos autos permite verificar que, diferente do afirmado pelo Fiscal, não ocorreu “ausência total de metas a serem cumpridas por seus empregados”. A cláusula segunda dos ACTs e suas alíneas determina que a PLR seja paga aos empregados da FIAT DO BRASIL S/A, a partir de avaliação de resultados apurados com base nas metas anuais aferidas pela empresa. No parágrafo único especifica os critérios de aferição, a definição do valor a ser pago, as regras para pagamento, bem como a determinação de dedução de parcela adiantada. Fl. 877DF CARF MF Processo nº 15504.721168/201462 Acórdão n.º 2401005.734 S2C4T1 Fl. 12 11 Os Acordos Coletivos de PLR firmados trazem em seu bojo a regra objetiva para o pagamento da PLR, qual seja, a avaliação de resultados a partir de metas alcançadas pela empresa. Ou seja, depende do nível de faturamento alcançado. Conforme bem aduziu a Recorrente, os balanços contábeis da empresa são regularmente publicados em órgãos da imprensa de grande circulação e podem ser analisados a qualquer tempo e por qualquer um de seus funcionários e pelo Sindicato. Dessa forma, considero que existe critério objetivo estipulado para o pagamento da PLR e com conhecimento dos funcionários que participaram de todo o processo de elaboração, conforme lista de manifestação dos empregados anexada aos autos. Dessa forma não prospera o fundamento da acusação fiscal de inexistência de metas a serem cumpridas. Data da assinatura dos acordos Com relação a data da assinatura dos acordos, o Relatório do Auto de Infração traz no item 5.1 (fls. 79 e seguintes), o resumo da situação dos pagamentos efetuados aos empregados da Recorrente, relacionados aos Acordos Coletivos de Trabalho PLR assinados entre a empresa e o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Assessoramento, Perícia e Informações do Estado de Minas Gerais SINTAPPI, conforme abaixo discriminados: · ACORDO COLETIVO DE TRABALHO – PLR 2008 assinado em 15/01/2009 para pagamento da primeira parcela da PLR em julho de 2008 e da segunda parcela até o dia 30 de janeiro de 2009; · · ACORDO COLETIVO DE TRABALHO – PLR 2009 assinado em 06/01/2010 para pagamento da primeira parcela da PLR em julho de 2009 e da segunda parcela até o dia 29 de janeiro de 2010; · · ACORDO COLETIVO DE TRABALHO – PLR 2010 assinado em 03/01/2011 para pagamento da primeira parcela da PLR em julho de 2010 e da segunda parcela até o dia 31 de janeiro de 2011. Nesse ponto, cabe esclarecer que a Lei não fala de forma explícita de prazos de formalização do plano e efetivo pagamento aos trabalhadores da participação a que tem direito em virtude da sua atuação na empresa. A razão da não fixação de datas na lei que regulamenta a matéria deve ser vista como forma de preservar o instituto do PLR desonerandoas das contribuições, conforme disposto constitucionalmente, em virtude das peculiaridades que devem ser observadas em cada caso concreto. Dessa forma, alguns fatores devem ser observados quanto à análise do que se configura a prévia pactuação do plano. No caso de já existir uma política dentro da empresa de divulgação de tipo de metas ou resultados esperados, e, em decorrência disso, uma expectativa do trabalhador no recebimento da PLR como forma de incentivo ao resultado do esforço imprimido, esses fatores devem ser levados em consideração na verificação da anterioridade da pactuação. Fl. 878DF CARF MF Processo nº 15504.721168/201462 Acórdão n.º 2401005.734 S2C4T1 Fl. 13 12 Com efeito, não se pode olvidar que a finalidade da lei reside do conhecimento prévio, por parte do trabalhador, da existência de critérios para aferição de metas ou resultados, o que muitas vezes acontece no processo de negociação do acordo, ou mesmo tal conhecimento já faz parte da pactuação de PLR em anos anteriores com características semelhantes. Conforme visto anteriormente, foram juntados aos autos, além dos Acordos Coletivos, a lista de manifestação dos empregados, a declaração do sindicato informando que ocorreram metas objetivas de prévio conhecimento, o que demonstra a sua participação no plano com envolvimento na discussão durante todo o processo até a sua assinatura final, sem que as regras do acordo representassem surpresa para os funcionários. O sindicato representativo dos empregados participou dos acordos desde a sua origem. Diante dessas premissas, o simples argumento de que as datas de assinatura dos acordos ocorreram posteriormente, a meu ver, não descaracteriza a natureza da verba paga a título de PLR. As especificidades devem ser sopesadas diante do caso concreto, o que não foi objeto de verificação aprofundada pelo fiscal autuante que apenas procedeu à análise objetiva das datas das assinaturas dos acordos. Ademais, a Lei nº 10.101/2000 não define o momento exato ou prazo mínimo para a assinatura do acordo, razão pela qual, a cada caso concreto, devese buscar a melhor interpretação, objetivando que seja aferida a real intenção da norma do inciso XI, do art. 7º da Constituição Federal, bem como do legislador infraconstitucional. Assim, entendo que a data da assinatura dos acordos, por si só, não descaracteriza a PLR paga aos funcionários. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e DOULHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia à I. Relatora para discordar do seu voto referente ao exame do recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Fl. 879DF CARF MF Processo nº 15504.721168/201462 Acórdão n.º 2401005.734 S2C4T1 Fl. 14 13 Com relação ao recurso voluntário, a matéria controvertida em segunda instância cingese aos pagamentos realizados a título de Participação nos Lucros ou Resultados aos segurados empregados, respaldados nos Acordos Coletivos de Trabalho de 2008, 2009 e 2010 (fls. 394/396, 397/412 e 413/431). O Relatório Fiscal está juntado às fls. 67/86. Segundo a autoridade lançadora, os instrumentos de ajuste estão em desacordo com o estabelecido na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, tendo em vista que: (i) há ausência de metas a serem cumpridas; e (ii) as datas de assinatura inviabilizam o cumprimento de metas, caso houvesse. Embora já transcrito pela I. Relatora, reproduzo a Cláusula Segunda dos respectivos Acordos Coletivo de Trabalho: ACORDO COLETIVO DE TRABALHO – PLR 2008 CLÁUSULA SEGUNDA – OBJETO O presente Acordo Coletivo de Trabalho tem a finalidade de quitar a importância relativa à Participação dos Trabalhadores nos Lucros e ou Resultados – PLR do ano de 2008, bem como de estabelecer o valor da segunda parcela da referida verba, a qual será paga aos empregados da FIAT DO BRASIL S/A, a partir de avaliação de resultados apurados com base nas metas anuais apuradas pela empresa. Parágrafo único – Fica ajustado que a segunda parcela da PLR, relativa ao ano de 2008, tendo em vista as metas alcançadas pela empresa, será paga aos empregados, da Fiat do Brasil, observandose o seguinte: (...) ACORDO COLETIVO DE TRABALHO – PLR 2009 CLÁUSULA SEGUNDA – OBJETO O presente Acordo Coletivo de Trabalho tem a finalidade de quitar a importância relativa à Participação dos Trabalhadores nos Lucros e ou Resultados – PLR do ano de 2009, bem como de estabelecer o valor da segunda parcela da referida verba, a qual será paga aos empregados da FIAT DO BRASIL S/A, a partir de avaliação de resultados apurados com base nas metas anuais apuradas pela empresa. Parágrafo único – Fica ajustado que a segunda parcela da PLR, relativa ao ano de 2009, tendo em vista as metas alcançadas pela empresa, será paga aos empregados, da Fiat do Brasil, observandose o seguinte: (...). ACORDO COLETIVO DE TRABALHO – PLR 2010 CLÁUSULA SEGUNDA – OBJETO Fl. 880DF CARF MF Processo nº 15504.721168/201462 Acórdão n.º 2401005.734 S2C4T1 Fl. 15 14 O presente Acordo Coletivo de Trabalho tem a finalidade de quitar a importância relativa à Participação dos Trabalhadores nos Lucros e ou Resultados – PLR do ano de 2010, bem como de estabelecer o valor da segunda parcela da referida verba, a qual será paga aos empregados da FIAT DO BRASIL S/A, a partir de avaliação de resultados apurados com base nas metas anuais apuradas pela empresa. Parágrafo único – Fica ajustado que a segunda parcela da PLR, relativa ao ano de 2010, tendo em vista as metas alcançadas pela empresa, será paga aos empregados, da Fiat do Brasil, observandose o seguinte: (...) a) Existência de metas no acordo coletivo Por exigência da lei específica, as regras da participação nos lucros ou resultados devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições do recebimento possam ser passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. Eis a redação do art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.101, de 2000: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...) § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (...) Como se observa da legislação, os critérios e as condições têm que estar expressamente consignados no instrumento de negociação, ainda que se admita a possibilidade do seu detalhamento em documentação apartada, como mecanismo para viabilizar a operacionalização, desde que mantida a harmonia com as regras gerais. Fl. 881DF CARF MF Processo nº 15504.721168/201462 Acórdão n.º 2401005.734 S2C4T1 Fl. 16 15 Nada obstante, a cláusula segunda dos instrumentos de negociação coletiva, acima reproduzida, não estipula quais resultados são objeto de avaliação, tampouco indica as metas que devem ser atingidas. O acordo referese de forma vaga e imprecisa à "avaliação de resultados apurados com base nas metas anuais apuradas pela empresa" e às "metas alcançadas pelas empresa". O direito à fruição não está atrelado a qualquer evento devidamente discriminado no documento, não havendo clareza a respeito do programa de metas ou resultados para fins de possibilitar a aferição do cumprimento do pactuado. A recorrente afirmou que o critério para pagamento foi a manutenção do nível do faturamento anual da companhia, em comparação com os anos imediatamente anteriores, cujos funcionários tinham notório conhecimento. Há também declaração do sindicato, no mesmo sentido. Todavia, para fins tributários, nenhum efeito produz, porque o critério deixou de ser estipulado no instrumento de negociação, ficando caracterizado o descumprimento da legislação de regência. b) Data de assinatura dos acordos coletivos de trabalho Com relação à data de assinatura dos instrumentos de negociação, assim se pode resumir os fatos: ACORDO COLETIVO DE TRABALHO – PLR 2008 assinado em 15/01/2009 para pagamento da primeira parcela da PLR em julho de 2008 e da segunda parcela até o dia 30 de janeiro de 2009; ACORDO COLETIVO DE TRABALHO – PLR 2009 assinado em 06/01/2010 para pagamento da primeira parcela da PLR em julho de 2009 e da segunda parcela até o dia 29 de janeiro de 2010; ACORDO COLETIVO DE TRABALHO – PLR 2010 assinado em 03/01/2011 para pagamento da primeira parcela da PLR em julho de 2010 e da segunda parcela até o dia 31 de janeiro de 2011. Pois bem. Como cediço, a participação nos lucros ou resultados é um instrumento de integração entre o capital e o trabalho, constituindose em ferramenta à disposição da empresa para motivar e integrar o trabalhador no objeto empresarial, com vistas ao alcance de uma meta ou resultado futuro. O acordo entre as partes deve incentivar, via de regra, o alcance de resultados pactuados previamente, com regras claras e objetivas a respeito da contribuição dos empregados, delimitadas individual ou coletivamente, com mecanismos de aferição do acordado, requisitos os quais, se cumpridos, darão direito à retribuição financeira ao trabalhador. Fl. 882DF CARF MF Processo nº 15504.721168/201462 Acórdão n.º 2401005.734 S2C4T1 Fl. 17 16 Da essência do instituto que a assinatura do termo de ajuste preceda aos fatos que se propõe a regular, extraído da própria interpretação sistemática do ordenamento jurídico, a partir do inciso XI do art. 7º da Constituição da República de 1988, que instituiu a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, em conjunto com a regulamentação dada à matéria pela via da Lei nº 10.101, de 2000. É verdade que a lei não impõe de modo expresso qualquer momento para a assinatura do instrumento de negociação. Porém, tal característica da legislação não tem o condão de levar o intérprete à conclusão extrema de que é suficiente tão somente a formalização do acordo, devido ao término das negociações, não suceder ao pagamento da parcela da participação nos lucros ou resultados. A exigência de formalização do instrumento antes do pagamento é até mesmo óbvia, porquanto devese garantir ao trabalhador a possibilidade de examinar se o montante recebido está conforme as metas e critérios préestabelecidos entre as partes para o respectivo pagamento. A prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, para autorizar a fruição do benefício fiscal é uma situação ideal para a garantia dos direitos dos trabalhadores e o incentivo ao aumento de produtividade. Nada obstante, é limitada pelo mundo real brasileiro, dadas as dificuldades práticas de negociação e conclusão a tempo da sua formalização por escrito. Daí porque é inevitável certa flexibilidade, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto que visa à melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Essa possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração. É possível aceitar a assinatura depois de iniciado o período de aferição, sem que implique um desvirtuamento integral em face da legislação de regência, desde que evidenciada, considerando o tipo de metas e/ou resultados estabelecidos, a negociação em curso e o amplo conhecimento pelos empregados das regras discutidas, de maneira que os trabalhadores pudessem desde já adotar medidas práticas para atingir as metas ou os resultados que adiante restarão acordados entre as partes. Contudo, no caso em apreço penso inviável legitimar, tendo em conta as finalidades da Lei nº 10.101, de 2000, a situação identificada pela fiscalização nos autos, mesmo que adotada a flexibilidade de prazo para assinatura do ajuste a que fiz menção há pouco. Em todos os instrumentos de negociação, a assinatura do acordo se deu após o respectivo encerramento do período de apuração dos resultados (ano 2008: 15/01/2009, ano 2009: 06/01/2010 e ano 2010: 03/01/2011). Não há como incentivar e aferir o resultado que já ocorreu. Do mesmo modo, o estabelecimento de parâmetros já sabidamente atingidos, ou mesmo em estágio avançado de apuração, igualmente desnaturam o programa de participação nos lucros ou resultados, Fl. 883DF CARF MF Processo nº 15504.721168/201462 Acórdão n.º 2401005.734 S2C4T1 Fl. 18 17 configurandose, na verdade, em parcela de natureza salarial, a título de gratificação ou prêmio pago por liberalidade da empresa. A certeza do alcance dos resultados para fins do direito ao pagamento da participação trás como consequência que os sindicatos, representando os trabalhadores, não criam obstáculos à assinatura do acordo em data próxima, ou mesmo posterior, ao término do período de apuração a que se refere. Por sua vez, a eventual similitude com os acordos firmados ao longo de anos anteriores ao da fiscalização não possui, no caso sob exame, a importância que pretende dar a recorrente a tal fato. É verdade que a existência de ajuste anterior, com características semelhantes, pode gerar expectativa do trabalhador, de sorte a contribuir para o incentivo da sua produtividade. Todavia, a pactuação do instrumento após o período de aferição dos resultado, como ora se cuida, extrapola qualquer flexibilidade possível, sendo flagrantemente contrária ao próprio sentido de incentivo à produtividade perseguido pelo legislador. Não pode, tampouco deve, o aplicador do direito acatála como estando em harmonia com o ordenamento jurídico. Caso contrário, se estaria admitindo uma presunção indevida, em desfavor do interesse do trabalhador protegido pela lei, consistente na possibilidade de definição das regras para aquisição do direito de receber a participação por meio dos costumes ou verbalmente, em detrimento da sua implementação mediante instrumentos normativos escritos previamente negociados para o período de avaliação, que não deixem margem à discricionariedade do empregador, conforme prescrito na Lei nº 10.101, de 2000. Apenas quando da efetivação da assinatura do termo de acordo, com a participação do respectivo sindicato, concretizase a negociação entre as partes e o ato consensual está apto a produzir efeitos jurídicos que lhe são próprios para o respectivo período a que se refere. c) Natureza dos pagamentos No recurso voluntário, o sujeito passivo ainda pondera que os pagamentos a seus empregados a título de participação nos resultados não preenchem os requisitos de habitualidade e natureza contraprestacional essenciais à sua caracterização como remuneração pelo trabalho. Sem razão. Como reconhecido pela recorrente, o pagamento de tais verbas, com a mesma natureza, também se efetivou em acordos trabalhistas firmados em outros exercícios ao período fiscalizado. Não é eventual o pagamento efetuado pela empresa quando caracterizada a habitualidade anual nos pagamentos, pela recorrência da situação ao longo do tempo sem interrupção. Além disso, a parcela que se destina a retribuir o trabalho prestado, como se constata dos acordos coletivos, possui natureza remuneratória, independentemente da sua periodicidade de pagamento (arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991). Fl. 884DF CARF MF Processo nº 15504.721168/201462 Acórdão n.º 2401005.734 S2C4T1 Fl. 19 18 A exigência de habitualidade das parcelas recebidas pelo segurado empregado restringese somente aos ganhos sob a forma de utilidades, denominados "in natura". É que a legislação tributária não faz menção ao requisito da habitualidade para os ganhos em pecúnia, de tal modo que estão incluídos no campo de incidência das contribuições previdenciárias, nos termos da Lei nº 8.212, de 1991, todos os pagamentos em dinheiro destinados a retribuir o trabalho, quer sejam habituais ou não. De mais a mais, a impossibilidade de tributação dos pagamentos recebidos a título de ganho eventual, dada a exclusão expressa pelo item 7 da alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, não comporta a interpretação pretendida pela recorrente no recurso voluntário. Eis o dispositivo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (...) O ganho eventual a que alude o item 7 da alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, deve estar expressamente desvinculado do salário por força de lei, para só então não integrar a remuneração do segurado empregado. Com efeito, por meio da alínea "j" do inciso V do § 9º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social (RPS), veiculado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, o Poder Executivo não repetiu a redação original da Lei nº 8.212, de 1991. Além de suprimir o artigo "os" que antecede "abonos", explicitou que a desvinculação do salário deverá decorrer da lei: "ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei". Segundo a redação da Lei nº 8.212, de 1991, o legislador não separou os ganhos eventuais e os abonos em alíneas distintas. Com mais evidência, o regulamento também não o quis fazer, porquanto poderiam, ambos os diplomas, dar tratamento distinto a cada uma das espécies, como se infere do rol de parcelas não integrantes do saláriodecontribuição detalhado no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, e no § 9º do art. 214 do RPS. Quanto ao termo "expressamente", a contribuição previdenciária é espécie de tributo. Desse modo, mais que razoável que as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração estejam definidas em lei, assim como as respectivas situações e condições, por inconcebível deixar a exclusão da tributação ao alvedrio do sujeito passivo. Fl. 885DF CARF MF Processo nº 15504.721168/201462 Acórdão n.º 2401005.734 S2C4T1 Fl. 20 19 Em suma, os pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados não cumprem os requisitos previstos na Lei nº 10.101, de 2000, caracterizando a habitualidade e contraprestação pelo trabalho, com incidência de contribuição previdenciária e contribuições reflexas devidas a terceiros. Não merece reforma, portanto, o acórdão de primeira instância. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 886DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721028/2014-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NOVO PRONUNCIAMENTO PARA SUPRIR OMISSÕES.
Constatado que há omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para sanar tal vício.
DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA.
Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura.
O art. 113, § 1º, do CTN aduz que A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente.
Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advém dos registros contábeis.
Ressalte-se o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.
O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN.
MATÉRIAS NÃO ANALISADAS NA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ACÓRDÃO COMPLEMENTAR.
Reformada a decisão de primeira instância, e constatado que há matérias acessórias não apreciadas no acórdão reformado, a fim de se evitar ocorrência de supressão de instância, devem-se os autos ser remetidos à turma julgadora a quo a fim de que seja proferida decisão complementar a respeito das questões acessórias.
Numero da decisão: 1402-003.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente dos embargos, em menor extensão do que o despacho prévio de admissão afastando a omissão quanto à matéria da CSLL; na parte conhecida, acolher os embargos de declaração para sanar omissões no acórdão 1402-002.250, rejeitando a argüição de decadência e determinando o retorno dos autos à DRJ a fim de que a turma julgadora profira acórdão complementar enfrentando os temas incidência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas e juros de mora sobre a multa de ofício. Ausentes, momentaneamente os conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados).
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Marco Rogerio Borges e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NOVO PRONUNCIAMENTO PARA SUPRIR OMISSÕES. Constatado que há omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para sanar tal vício. DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. O art. 113, § 1º, do CTN aduz que A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advém dos registros contábeis. Ressalte-se o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. MATÉRIAS NÃO ANALISADAS NA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ACÓRDÃO COMPLEMENTAR. Reformada a decisão de primeira instância, e constatado que há matérias acessórias não apreciadas no acórdão reformado, a fim de se evitar ocorrência de supressão de instância, devem-se os autos ser remetidos à turma julgadora a quo a fim de que seja proferida decisão complementar a respeito das questões acessórias.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NOVO PRONUNCIAMENTO PARA SUPRIR OMISSÕES. Constatado que há omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para sanar tal vício. DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. O art. 113, § 1º, do CTN aduz que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador” e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advém dos registros contábeis. Ressaltese o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento “também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.” O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 10 28 /2 01 4- 45 Fl. 5345DF CARF MF Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402003.399 S1C4T2 Fl. 5.346 2 MATÉRIAS NÃO ANALISADAS NA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ACÓRDÃO COMPLEMENTAR. Reformada a decisão de primeira instância, e constatado que há matérias acessórias não apreciadas no acórdão reformado, a fim de se evitar ocorrência de supressão de instância, devemse os autos ser remetidos à turma julgadora a quo a fim de que seja proferida decisão complementar a respeito das questões acessórias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente dos embargos, em menor extensão do que o despacho prévio de admissão afastando a omissão quanto à matéria da CSLL; na parte conhecida, acolher os embargos de declaração para sanar omissões no acórdão 1402002.250, rejeitando a argüição de decadência e determinando o retorno dos autos à DRJ a fim de que a turma julgadora profira acórdão complementar enfrentando os temas incidência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas e juros de mora sobre a multa de ofício. Ausentes, momentaneamente os conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados). (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Marco Rogerio Borges e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 5346DF CARF MF Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402003.399 S1C4T2 Fl. 5.347 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos por BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. Transcrevo excertos da informação em embargos prestadas pelo Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto e acatadas pelo Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento quando da admissão parcial dos embargos: Tratase de embargos de declaração opostos em 11 de novembro de 2016 por BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. (fls. 5.2735.291) em face do acórdão nº 1402002.250 julgado na sessão de 06 de julho de 2016. A lide tratada nos autos diz respeito, em resumo, da exclusão indevida de aproveitamento de ágio amortizado contabilmente em momento anterior à incorporação de pessoa jurídica, face à falta de expressa previsão legal desse ajuste no lucro real e na base de cálculo da CSLL e, em decorrência dessa infração, de multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas de IRPJ e de CSLL no período de junho a outubro de 2009. Apresentada impugnação, a turma julgadora de primeira instância consideroua procedente, exonerando a totalidade do crédito tributário exigido de ofício. Houve interposição de recurso de ofício. Este colegiado, por meio do acórdão nº 1402002.250 entendeu por bem prover o recurso de ofício, restabelecendo integralmente a exigência, cabendo a mim a redação do voto condutor do aresto. A decisão embargada possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2009 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO APÓS INCORPORAÇÃO, FUSÃO OU CISÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO, POR MEIO EXTRACONTÁBIL, DE PARCELAS JÁ AMORTIZADAS CONTABILMENTE. A partir da ocorrência do evento de fusão, incorporação ou cisão, a amortização do ágio ou deságio anteriormente pago deve ser registrada contabilmente, na escrituração comercial da pessoa jurídica, sem a necessidade de ajustes, por adição ou exclusão ao lucro líquido, para fins fiscais. A amortização contábil do ágio ou deságio, a partir da ocorrência do evento que determinou a extinção da participação societária, produz efeitos fiscais. Não é possível aproveitar, para fins exclusivamente fiscais, as parcelas do ágio ou deságio já amortizado contabilmente em períodos anteriores. Recurso de Ofício Provido. O Embargante tomou ciência do acórdão em 09 de novembro de 2016 (fls. 5.271 5.272), apresentando tempestivamente embargos dois dias após sua ciência (11 de novembro de 2016 fls. 5.2735.291). Fl. 5347DF CARF MF Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402003.399 S1C4T2 Fl. 5.348 4 Alega que o acórdão proferido contém omissões, contradição e obscuridade, nos seguintes termos: I) Omissão quanto à análise de matérias discutidas no presente processo administrativo: em sua impugnação, fora questionado não só o mérito da exigência, mas também questões ligadas a preclusão e decadência, bem como a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício e a cominação de penalidade isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas de IRPJ e de CSLL. A decisão de primeira instância analisou a preliminar de preclusão/decadência e a matéria principal de mérito (dedutibilidade fiscal do ágio), mas, como cancelou a exigência principal, deixou de analisar a exigência de multa isolada em concomitância com multa de ofício bem como a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. De igual modo, também não se debruçou sobre os argumentos de defesa específicos em relação à exigência de CSLL (inexistência de previsão legal para adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio – item II.6 da impugnação), uma vez que, exonerada a infração referente ao IRPJ, considerou a exigência de CSLL mero reflexo da infração principal. Aduz que no acórdão embargado, analisouse tão somente a questão central de mérito discutida nos autos (dedutibilidade fiscal do ágio amortizado antes da incorporação), não analisando as questões referentes à preclusão do direito do Fisco de questionar o ágio, as multas isoladas e a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Argumenta ainda que, se reconhecida a omissão, ao invés de analisar cada um dos pontos objeto de omissão, os autos sejam encaminhados à DRJ para que sejam analisados os argumentos contidos na impugnação, sob pena de supressão de instância, o que acarretaria a nulidade da decisão por cerceamento de direito de defesa; [...] É o relatório. Passo à análise do preenchimento dos pressupostos para sua admissibilidade. DOS PRESSUPOSTOS PARA ADMISSIBILIDADE DOS EMBARGOS Pois bem, assim dispõe o art. 65 do Anexo II do RICARF/2015: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: [...] Conforme já relatado, os embargos são tempestivos. Analiso os argumentos da Embargante sob o ponto de vista de vícios que poderiam ensejar nova manifestação do colegiado: I) OMISSÃO QUANTO À ANÁLISE DE MATÉRIAS DISCUTIDAS NO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO Nesse ponto, assiste razão parcial à Embargante. A decisão de primeira instância somente abordou questões preliminares (preclusão/decadência) e o mérito da exigência quanto à exclusão do ágio já amortizado contabilmente antes do evento de incorporação. Tratandose de recurso de ofício, as questões preliminares, Fl. 5348DF CARF MF Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402003.399 S1C4T2 Fl. 5.349 5 julgadas desfavoravelmente ao contribuinte, não necessitavam ser abordadas no acórdão. Contudo, como o acórdão embargado adentrou somente no mérito da exigência, há omissão quanto aos argumentos subsidiários relativos à CSLL (inexistência de previsão legal para adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio), à exigência da multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas de IRPJ e de CSLL e, por fim, da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Desse modo, em relação a tais pontos, entendo que o colegiado deva se pronunciar, manifestando, inclusive, o entendimento se tais pontos devem ter seu mérito analisado nesse momento, ou se os autos devem retornar à DRJ para que se pronuncie a respeito do tema. [...] PROPOSTA Desse modo, constatada a ocorrência de omissão, mas não de contradição e obscuridade apontadas pela Embargante, entendo que os embargos devam ser PARCIALMENTE ADMITIDOS, uma vez que as alegações da Embargante mostramse procedentes em parte. Isso posto, proponho ao Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF que os embargos opostos por BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. sejam PARCIALMENTE ADMITIDOS, devendo o colegiado suprir a omissão apontada manifestandose única e exclusivamente quanto: (i) aos argumentos subsidiários relativos à exigência de CSLL (inexistência de previsão legal para adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio); (ii) à exigência da multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas de IRPJ e de CSLL e; (iii) à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Acatada a proposta, o M.D. Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF devolveu os autos para relato e inclusão em pauta de julgamentos. É o relatório. Fl. 5349DF CARF MF Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402003.399 S1C4T2 Fl. 5.350 6 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE Os embargos já foram parcialmente admitidos pelo Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção. 2 DAS OMISSÕES Conforme já relatado, a lide diz respeito, em resumo, à exclusão indevida de aproveitamento de ágio amortizado contabilmente em momento anterior à incorporação de pessoa jurídica, face à falta de expressa previsão legal desse ajuste no lucro real e na base de cálculo da CSLL e, em decorrência dessa infração, de multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas de IRPJ e de CSLL no período de junho a outubro de 2009. Em resumo, são esses os argumentos do voto condutor do aresto que negou provimento ao recurso voluntário: Não há nenhum comando na lei que autorize ou determine o aproveitamento do ágio ou deságio já amortizado contabilmente, nem que possa dar a entender que as amortizações registradas contabilmente a partir do evento devam ser “revertidas” (por adição ou exclusão ao lucro líquido) para fins fiscais. Os lançamentos referidos na lei dizem respeito tão somente à escrituração comercial da pessoa jurídica. Assim, conquanto tenha a Lei no 9.532/97 alterado profundamente a forma como deve ser feita a amortização do ágio ou deságio em caso de extinção de participação societária em decorrência de fusão, incorporação ou cisão, não modificou o aspecto de que, nesses casos, não deve ser levado em consideração o ágio ou deságio que já havia sido amortizado contabilmente, nos mesmos moldes em que já o fazia o art. 34 do DecretoLei no 1.598/77, parcialmente derrogado. [...] Em relação à CSLL, frisese, não há qualquer norma que autorize a dedução ou exclusão do ágio já amortizado contabilmente antes do evento de evento de incorporação, fusão ou cisão. Opostos embargos, os mesmos foram parcialmente admitidos para que o colegiado possa suprimir omissões quanto: (i) aos argumentos subsidiários relativos à exigência de CSLL (inexistência de previsão legal para adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio); (ii) à exigência da multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas de IRPJ e de CSLL e; (iii) à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Além disso, deve o colegiado avaliar se desde já o mérito deva ser analisado, Fl. 5350DF CARF MF Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402003.399 S1C4T2 Fl. 5.351 7 ou se os autos devem retornar à DRJ para que se pronuncie a respeito do tema, uma vez que o colegiado a quo havia julgado procedente a impugnação em seu mérito, deixando de se pronunciar, por consequência, a respeito das exigências acessórias (multa isolada e incidência de juros de mora sobre a multa de ofício). A fim de evitar nova alegação de omissão, entendo que também deva ser analisada matéria preliminar a respeito de suposta preclusão/decadência na possibilidade de o Fisco questionar a origem do ágio formado em períodos já alcançados pela decadência, matéria que não foi alvo de análise tanto no voto vencido quanto no voto vencedor. O tema é não é novo no CARF e está longe de configurar matéria alvo de dúvidas quanto à sua melhor interpretação. Entendese que, para início da contagem do prazo decadencial, devese ater à data de ocorrência dos fatos geradores, e não à data de contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. Até mesmo porque o art. 113, § 1º, do CTN aduz que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador” e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Portanto, o lançamento, dado seu caráter constitutivo do crédito tributário, mas declaratório da obrigação, somente pode ser realizado após a ocorrência do fato gerador e, consequentemente, o surgimento da obrigação tributária. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advêm dos registros contábeis. Ressaltese o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento “também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.” Se por hipótese, o contribuinte não tivesse efetuado a exclusão do ágio já amortizado não teria ocorrido o fato gerador, e, na ausência de infração à legislação tributária, não haveria que se falar em lançamento, pois mesmo nos casos em que do lançamento não resulte exigência de crédito tributário, a constatação de infração à legislação tributária é condição sine qua non para formalização do lançamento. Com efeito, o prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Considerandose que a exigência diz respeito a fatos geradores no ano calendário de 2009, e a ciência do lançamento se deu em 22 de outubro de 2014, portanto, em período inferior a cinco anos contados a partir da data da ocorrência do fato gerador, não há que se falar em decadência, tampouco em preclusão. Logo, voto por rejeitar a arguição de decadência/preclusão cuja tese implicaria contagem do prazo decadencial a partir da formação dos ágios, e não de sua efetiva exclusão para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Fl. 5351DF CARF MF Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402003.399 S1C4T2 Fl. 5.352 8 A respeito da primeira suposta omissão, qual seja, ausência de análise dos argumentos subsidiários relativos à exigência de CSLL (inexistência de previsão legal para adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio), reanalisando o voto condutor do aresto, creio que o mais adequado seria a rejeição liminar dos embargos nesse ponto, uma vez que se falar em análise sobre inexistência de previsão legal para adição da amortização do ágio na base de cálculo da CSLL quando o voto condutor do aresto fundamenta as razões de decidir na inexistência de qualquer norma que autorize a dedução ou exclusão do ágio já amortizado contabilmente antes do evento de evento de incorporação, fusão ou cisão. No que diz respeito à exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativa, em concomitância com a multa de ofício por falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL, e à incidência de juros sobre a multa de ofício, tendo em vista que a decisão de origem, em razão de julgado procedente a impugnação, deixou de analisar tais pontos, a fim de se evitar a supressão de instância, entendo que os autos devam retornar à DRJ para que a turma julgador a quo profira acórdão complementar analisando tais pontos. Após a nova decisão da instância a quo, o contribuinte deverá ser cientificado para que, querendo, apresente recurso voluntário exclusivamente sobre tais pontos. 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por conhecer parcialmente dos embargos, em menor extensão do que o despacho prévio de admissão afastando a omissão quanto à matéria da CSLL; na parte conhecida, acolher os embargos de declaração para sanar omissões no acórdão 1402002.250, rejeitando a argüição de decadência e determinando o retorno dos autos à DRJ a fim de que a turma julgadora profira acórdão complementar enfrentando os temas incidência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas e juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Fl. 5352DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.906491/2015-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/08/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 64 91 /2 01 5- 31 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.906491/201531 Acórdão n.º 3301005.238 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06057.198. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10680.906491/201531 Acórdão n.º 3301005.238 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10680.906491/201531 Acórdão n.º 3301005.238 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10680.906491/201531 Acórdão n.º 3301005.238 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.906491/201531 Acórdão n.º 3301005.238 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.906491/201531 Acórdão n.º 3301005.238 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901133/2015-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados DCTF retificada após a ciência da decisão denegando o pedido. Não se presta como prova planilha elaborada pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida.
Numero da decisão: 1302-003.186
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.901127/2015-46, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados DCTF retificada após a ciência da decisão denegando o pedido. Não se presta como prova planilha elaborada pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida.
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PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente A.A.DE MELO & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados DCTF retificada após a ciência da decisão denegando o pedido. Não se presta como prova planilha elaborada pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.901127/201546, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 11 33 /2 01 5- 01 Fl. 129DF CARF MF 2 Trata de recurso voluntário apresentado em face ao Acórdão da decisão de primeira instância, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da recorrente, com a seguinte ementa: DCOMP. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a liquidez e a certeza do crédito informado em declaração de compensação, não se homologam as compensações vinculadas. A recorrente apresentou Declaração de Compensação na qual pretende compensar pagamento indevido/a maior de IRPJ. A declaração não foi homologada pela DRF/Piracicaba, pois o pagamento estava integralmente utilizado para quitação de débito da recorrente, não restando crédito disponível para compensação de débitos informados na DCOMP. A decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pois não foram apresentados os motivos de fato e de direito, os pontos de discordância e sequer provas, de forma a demonstrar que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida. Após ciência da decisão, foi apresentado recurso voluntário com as seguintes alegações: constataram erro na apuração dos impostos devidos em 2012, onde foram efetuados pagamentos a maior de IRPJ, sendo a diferença utilizada para compensar débitos de IRPJ e CSLL do ano de 2013. deixaram de apresentar as DCTF retificadoras, tendo como conseqüência que todos os pedidos foram indeferidos. afirma que possui o direito de compensar nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, aduzindo que as divergências foram corrigidas, motivo pelo qual requer o reconhecimento do direito creditório. É o relatório. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13888.901133/201501 Acórdão n.º 1302003.186 S1C3T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.180, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.901127/2015 46, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.180): "O recurso é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. A recorrente reprisa suas alegações no recurso voluntário, afirmando que teria constatado erro no cálculo dos tributos devidos, mas que teria deixado de retificar as DCTF, fato que deu origem ao indeferimento do pedido. Para comprovar o seu direito creditório, apresentou planilha de cálculo e DCTF retificadora. Esta mesma defesa foi trazida na impugnação, analisada pela decisão recorrida, que não acatou as razões apresentadas pela ausência da demonstração do erro cometido, assim como falta de apresentação de provas. De fato, não basta alegar que pagou tributo a maior. Para comprovação do erro, seria necessário demonstrar como foi feita a primeira apuração, o que estaria incorreto, as retificações necessárias, com a nova apuração do tributo devido. A apresentação de DCTF retificadora, após a ciência da decisão negando o pedido, não se presta para comprovação do erro cometido e que teria efetuado recolhimento a maior. A recorrente chegou a elaborar planilha de cálculo onde informa a receita bruta, o tributo que seria devido, o valor pago e a diferença a maior. Mas a planilha, desacompanhada de qualquer elemento probatório que comprove os valores nela constantes, principalmente no que concerne à receita bruta, também não é suficiente para demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, requisitos necessários previstos no artigo 170 do CTN. É importante salientar que a decisão recorrida apontou a insuficiência de provas trazidas aos autos, principalmente no que concerne os documentos contábeis e fiscais que respaldem a diferença existente entre o valor supostamente devido e do DARF recolhido." Fl. 131DF CARF MF 4 Pelo exposto, como não foi comprovada a certeza e liquidez do crédito que pleiteia, cujo ônus é da recorrente, voto por não dar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.903897/2013-21
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1003-000.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nº 16706.93402.181108.1.2.034407 em 18.11.2018, efls. 0222, utilizandose do saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor original de R$40.496,88 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real do 3º trimestre do anocalendário de 2008, para compensação dos débitos ali confessados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 38 97 /2 01 3- 21 Fl. 558DF CARF MF Processo nº 11080.903897/201321 Acórdão n.º 1003000.301 S1C0T3 Fl. 559 2 Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, efl. 27, cientificado a Recorrente em 15.07.2013, efl. 35, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento parcial do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CREDITO [...] RETENÇÕES FONTE [...] SOMA PARC. CRED. PER/DCOMP [...] 58.605,12 [...] 58.605,12 CONFIRMADAS [...] 40.584,93 [...] 40.584,93 [...] Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6° e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º da IN SRF 900, de 2008. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1145.195, de 27.02.2014, efls. 520528: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. É reconhecido o direito creditório até o limite das retenções comprovadas. Carece de certeza e liquidez a parcela do crédito pleiteado utilizada para compor o saldo negativo da CSLL que não teve sua retenção na fonte comprovada. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. A contribuição retida na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensada se o contribuinte possuir comprovante hábil da retenção em seu nome. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte [...] Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, para reconhecer, adicionalmente ao despacho, o direito creditório no montante de R$ 2.348,48. Notificada em 02.09.2014, efl. 531, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 01.10.2014, efls. 533555, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos expõe que: Fl. 559DF CARF MF Processo nº 11080.903897/201321 Acórdão n.º 1003000.301 S1C0T3 Fl. 560 3 DO MÉRITO A controvérsia cingese em torno dos comprovantes de retenção na fonte e demais documentos anexados na manifestação de inconformidade (Comprovantes de rendimentos, Notas fiscais e Livro Razão). A fundamentação invocada pelo Fisco para as glosas consistiu na não confirmação da retenção na fonte de várias das parcelas de composição do crédito informadas pela recorrente nas PER/DCOMP. O Fisco, no Acórdão que julgou a manifestação de inconformidade, opõese à possibilidade de comprovação das retenções na fonte por meio de documentação outra, que não comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados, conforme modelo colacionado no acórdão. [...] A recorrente juntou na manifestação de inconformidade 20 comprovantes anuais de rendimentos e 440 notas fiscais, relativos aos tomadores de serviços e ao trimestre em apreço. [...] Vale destacar que se trata de Contribuição Social sobre o lucro liquido retido na fonte pela tomadora do serviço, para posterior restituição/ressarcimento e/ou compensação na forma da lei. [...] Outro ainda, se dá pelo desencontro das informações praticadas pela prestadora de serviço (requerente) e a tomadora de serviços (cliente), ou seja, enquanto a requerente contabiliza e informa através da PER/DCOMP os valores retidos na fonte, com base na data da emissão das faturas REGIME DE COMPETÊNCIA, o tomador do serviço o faz na data do resgate da fatura, com base na data do pagamento das faturas, ou seja, pelo REGIME DE CAIXA. É fato também, que alguns comprovantes de rendimentos possuem inexatidões. E, estas são as principais razões pelas quais, a análise das parcelas de crédito, são parcialmente confirmadas e não confirmadas, a teor do que consta na tabela já juntada a estes autos. QUANTO AS INEXATIDÕES A falta de fornecimento do comprovante ou inexatidão no seu preenchimento é de inteira responsabilidade do tomador de serviços. In casu, depreendese das inúmeras notas fiscais juntadas, que a recorrente sofreu as devidas retenções na fonte, inclusive CSLL. Por outro lado, em alguns dos comprovantes de rendimentos pagos e/ou creditados e de retenção de imposto de renda na fonte, depreendese que a tomadora de serviços informou com inexatidão o imposto/contribuição devido. E, a Instrução Normativa número 119/2000 da RFB, determina que: a pessoa, jurídica que deixar de fornecer às pessoas jurídicas beneficiárias, até o último dia útil do mês de fevereiro do ano calendário subseqüente, ou fornecer com inexatidão o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados a Pessoa Jurídica e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte ficara sujeita ao pagamento da multa de R$ 41,43 por documento. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 11080.903897/201321 Acórdão n.º 1003000.301 S1C0T3 Fl. 561 4 Por isto que se afirma que não é justo penalizar a prestadora de serviços (recorrente), que apenas cumpriu a lei, lançando o valor na per/dcomp, nos exatos parâmetros das retenções constantes nas notas ficais anexadas, de onde se extrai o imposto a ser retido na fonte e que deveria ter constado nos comprovantes de rendimentos. Desta forma, tratandose da CSLL retida na fonte antecipadamente pela tomadora do serviço, calculado sobre o valor das Notas de Prestação de Serviço, para ser restituído ou compensado com débitos posteriores, correta são os constantes nas notas fiscais anexadas. Ademais, fazendose um cotejamento percuciente entre as notas fiscais anexadas e alguns comprovantes: anuais de rendimentos pagos ou creditados, restam evidentes as inexatidões constantes nestes últimos documentos. [...] Das notas .fiscais anexadas, referente a esta empresa tomadora de serviços, extraise o valor retido na fonte de R$ 333,50. Logo, evidente a inexatidão contida no documento apontado. E isto, ínclitos Julgadores, ocorre inúmeras vezes, basta fazer esta análise comparativa. Por isto, afirmasse que cabe somente a peticionaria (recorrente), utilizar os créditos, pois já laborou, sofreu retenções, cumprindo com todos seus deveres como contribuinte perante o fisco. Não pode a manifestante que sofre o desconto do imposto ou contribuição desde a emissão da nota fiscal, ficar condicionada a obrigação, das tomadoras de serviços, para que realize a restituição/ressarcimento ou compensação, que muitas vezes emitem com inexatidão o documento hábil e muitas vezes, sequer emitem. Importante esclarecer que cabe ao Fisco o poder de fiscalizar e de exigir do tomador de serviços o cumprimento da lei que instituiu a obrigatoriedade de emissão das Cartas de Rendimentos Pagos ou Creditados, nos seus exatos termos, inclusive com a aplicação das penalidades cabíveis. Portanto, evidenciado que muitas parcelas parcialmente confirmadas e não confirmadas advêm das inexatidões das informações prestadas pelos tomadores de serviços, estes são os que devem sofrer os efeitos das penalidades cabíveis e não a ora recorrente. Também devem sofrer as penalidades, os tomadores de serviços, que sequer fornecem os comprovantes de rendimentos. Em suma, seja qual for a razão da inexatidão (Regime de Compensação ou Regime de Caixa; o fato de faturas emitidas em um dos três meses do trimestre e liquidadas em um dos três meses do trimestre seguinte; o erro na confecção e consignação dos comprovantes de rendimentos), o certo é que não pode a prestadora dos serviços ser prejudicada por culpa de terceiro. Por estas razões, a recorrente fez a juntada das notas fiscais, de onde se extrai a devida retenção da CSLL e que deveriam ter constado nos comprovantes anuais de rendimentos. E, é através das notas fiscais e demais documentos contábeis (livro razão, etc), que restam comprovadas as totalidades das retenções incluídas nas per/dcomp's. [...] Fl. 561DF CARF MF Processo nº 11080.903897/201321 Acórdão n.º 1003000.301 S1C0T3 Fl. 562 5 Em diversas demandas que espelham situação idêntica a presente, ou seja, pedido de compensação de CSLL e admissibilidade dos registros contábeis do prestador de serviços/recorrente, como meio de prova das retenções, têmse dado acolhimento à pretensão na via judicial. [...] Portanto, a exigência de que a empresa recorrente prove, a retenção exclusivamente por meio de um documento, cuja produção cabe ao terceiro (comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados) é no mínimo teratológica, contrária aos princípios mais elementares, norteadores da nossa Carta Maior. Evidente assim, tratarse de previsão não sistemática, porque proíbe a compensação do imposto/contribuição, legalmente hábil a compensar. Insofismável que o critério utilizado pelo Fisco revelase, não só, ato de intransigência, de medida extrema, como também, implica tratamento muito mais rigoroso para as empresas cumpridoras de suas obrigações ficais e tributárias, como a ora recorrente, prejudicadas por uma gama imensa de outras empresas que, pôr inúmeras razões, não logram uma administração fiscal bem sucedida e regular perante o Fisco. [...] Portanto, pelo retro asseverado, deve o Fisco, ante aos atuais posicionamentos jurisprudenciais, bem como pelo já declinado na manifestação de inconformidade, não limitar à utilização de outros documentos ou provas que não o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados, e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte. E, com o devido acolhimento dos demais documentos (Notas fiscais e Livro Razão, etc), fazendose uma análise percuciente, bem como, com o cotejamento destes com a tabela elaborada, trazidos na manifestação de inconformidade, Vossas Excelências verão que o saldo deverá também ser reconhecido como direito creditório. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: Ante ao todo exposto, a recorrente requer dignese Preclaro Julgador em julgar procedente o Recurso Voluntário para que seja reconhecido o direito creditório postulado, comprovado através de outros documentos que não exclusivamente o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 562DF CARF MF Processo nº 11080.903897/201321 Acórdão n.º 1003000.301 S1C0T3 Fl. 563 6 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. O Per/DComp e revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. Sobre a matéria, cabe indicar o entendimento emanado em algumas oportunidade pelo Supremo Tribunal Federal1: Não há falar em negativa de prestação jurisdicional quando, como ocorre na espécie vertente, "a parte teve acesso aos recursos cabíveis na espécie e a jurisdição foi prestada (...) mediante decisão suficientemente motivada, não obstante contrária à pretensão do recorrente" (AI 650.375 AgR, rel. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 1082007), e "o órgão judicante não é obrigado a se manifestar sobre todas as teses apresentadas pela defesa, bastando que aponte fundamentadamente as razões de seu convencimento" (AI 690.504 AgR, rel. min. Joaquim Barbosa, DJE de 2352008).[AI 747.611 AgR, rel. min. Cármen Lúcia, j. 13102009,1ª T, DJE de 13112009.] =AI 811.144 AgR, rel. min. Rosa Weber, j. 2822012, 1ª T, DJE de 1532012 = AI 791.149 ED, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 1782010, 1ª T, DJE de 2492010 (grifos do original) As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas2. O de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em 1 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. A constituição e o supremo do art. 93. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/artigoBd.asp#visualizar>. Acesso em: 30 mai. 2018. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, art 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 563DF CARF MF Processo nº 11080.903897/201321 Acórdão n.º 1003000.301 S1C0T3 Fl. 564 7 nulidade dos atos em litígio. A proposição afirmada na peça recursal, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente suscita que o direito creditório deve ser reconhecido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 3. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais4. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados 3 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 4 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 11080.903897/201321 Acórdão n.º 1003000.301 S1C0T3 Fl. 565 8 em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal5. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como a CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza6. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no Per/DComp podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Em relação à dedução do valor de tributo retido na fonte, a legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente7. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de CSLL no encerramento do período8. A legislação expressamente permite a dedução dos valores de retenção conjunta da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de 5 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 6 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 7 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. 8 Fundamentação Legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 11080.903897/201321 Acórdão n.º 1003000.301 S1C0T3 Fl. 566 9 mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, e pela remuneração de serviços profissionais referentes ao código de arrecadação nº 5952 a título de remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica (art. 30, art. 31, art. 32, art. 35 e art. 36 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, Instrução Normativa SRF nº 459, de 18 de outubro de 2004). O valor da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, código ser determinado mediante a aplicação, sobre o montante a ser pago, do percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), correspondente à soma das seguintes alíquotas: a) 1% (um por cento), a título de CSLL; b) 3% (três por cento), a título de Cofins; e c) 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), a título de PIS/Pasep. Os valores retidos devem ser considerados como antecipação do que for devido pelo sujeito passivo que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições. Os valores retidos podem ser deduzidos, pelo sujeito passivo, das contribuições devidas de mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Ademais, na apuração da CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir da CSLL devida o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Sobre a alegação de que os débitos foram alcançados pela homologação tácita, temse que a Recorrente formalizou o Per/DComp nº 16706.93402.181108.1.2.034407 em 18.11.2018, efls. 0222 e foi cientificada do Despacho Decisório Eletrônico, efl. 27, em 15.07.2013, efl. 35, com as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento parcial do pedido. Logo não se verifica o interregno no cinco anos entre a apresentação do Per/DComp e a notificação do Despacho Decisório. O código 5952 está regulamentado pela Instrução Normativa SRF nº 459, de 17 de outubro de 2004, e versa sobre os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos à retenção na fonte da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep (art. 30 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). Neste caso, o regime de tributação previsto é no sentido de que os valores retidos serão considerados como antecipação do que for devido pela pessoa jurídica que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições em separado, bem como podem ser Fl. 566DF CARF MF Processo nº 11080.903897/201321 Acórdão n.º 1003000.301 S1C0T3 Fl. 567 10 deduzidos das contribuições devidas de mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção (art. 7º da Instrução Normativa SRF nº 459, de 17 de outubro de 2004). Assim, o Per/DComp previsto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deve ter como direito creditório a identificação discriminada de cada contribuição (CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep), no caso em que a antecipação superar o valor devido. Na Análise das Parcelas de Crédito Contribuição Social Retida na Fonte, e fls. 290296, estão discriminadas as parcelas confirmadas, confirmadas parcialmente e não confirmadas em conformidade com as informações constantes nos registros internos da RFB apresentadas pelas fontes pagadoras. A Recorrente procura demonstrar a tese de defesa apresentando planilha de lançamentos contábeis, Notas Fiscais e os Informes de Rendimentos efls. 36196. Estes documentos foram correta e devidamente considerados pela autoridade julgadora de primeira instância, que na apreciação dessas provas formou livremente sua convicção, conforme o regime de tributação previsto (art. 7º da Instrução Normativa SRF nº 459, de 17 de outubro de 2004 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Assim, as alegadas diferenças apontadas pela Recorrente na peça recursal não foram demonstradas de modo que os fundamentos de fato e direito constantes no Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1145.195, de 27.02.2014, efls. 520528, são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Nos termos do art. 170 do CTN, para que o sujeito passivo postule a restituição/compensação de tributos é necessário que seu direito seja líquido e certo. Assim é que, em se tratando de restituição ou compensação, é dever da Administração investigar a certeza e liquidez do crédito suplicado, independentemente de estar ele consignado em declaração apresentada pelo contribuinte. Assim, compete ao interessado na restituição/compensação, como se apresenta o presente pleito, fazer prova da efetiva apuração de saldo negativo do tributo, mediante comprovação de todas as parcelas que lhe deram origem, além de evidenciar sua efetiva disponibilidade para a aspirada utilização. No caso concreto, conforme se relatou, o saldo negativo da CSLL informado no PER/DCOMP foi formado em sua totalidade por retenções na fonte desse tributo, no código 5952, num montante de R$ 58.605,12, tendo sido confirmado, no procedimento eletrônico de investigação dos atributos do crédito, apenas, um total de R$ 40.584,93, razão pela qual não se reconheceu, relativamente à parcela de R$ 18.020,19, a certeza e liquidez necessárias à pretendida compensação. Nesse procedimento eletrônico de reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação, a Receita Federal, através de uma seqüência contínua de operações, cruza dados dos diversos sistemas da RFB, informações prestadas através das diversas declarações do contribuinte ou de terceiros (DCOMP, DIPJ, DCTF, DIRF etc.), além das próprias retenções (Sistemas Sinal 04, 1RPE e SIEF Pagamentos), procedimento cuja participação da postulante é primordial, materializandose através da correção dos valores informados no PER/DCOMP e nos diversos sistemas envolvidos, além do atendimento às intimações, quando necessárias, no intuito de comprovar o pretendido direito. De acordo com a manifestante, a desconsideração da parcela acima não pode prosperar por se tratar de CSLL retida na fonte pelas tomadoras do serviço, consoante comprovação nos autos através de Cartas de Rendimentos Pagos e/ou Fl. 567DF CARF MF Processo nº 11080.903897/201321 Acórdão n.º 1003000.301 S1C0T3 Fl. 568 11 creditados (Comprovante de Rendimentos), Notas Fiscais e Livro Razão, cabendo a si utilizar os referidos créditos, pois já laborou, sofreu retenções e cumpriu com todos os seus deveres. Quanto à prova das retenções, há de observar legislação própria, [...]. Vêse, portanto, que a compensação do imposto/contribuição na fonte está condicionada à existência do respectivo comprovante de retenção, cujo modelo é aprovado mediante ato normativo baixado pela Administração Tributária. [...] Ademais, no que concerne à legislação dos elementos envolvidos na presente análise: Comprovantes de retenção, DIRF e DIPJ, de acordo com a Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, que instituiu a Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e estabeleceu normas para a sua apresentação, A partir do anocalendário de 1999, todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar a DIPJ, centralizada pela matriz. (Art. 2º), entendimento este seguido pela IN RFB nº 1.028, de 30 de abril de 2010, que revogou a primeira. Nesse mesmo diapasão, dispõe a legislação sobre a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, desde sua criação (IN SRF nº 3, de 2 de janeiro de 2001): [...] Quanto ao comprovante de retenção, a Instrução Normativa SRF n.º 119, de 28 de dezembro de 2000, ao aprovar o modelo de Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, relativo a rendimentos pagos ou creditados por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas, sujeitas à retenção na fonte, assim determinou: [...] Dessa forma, verificase que, no comprovante de retenção, deve constar, entre elementos, as informações relativas ao nome empresarial e ao Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) do estabelecimento matriz, tanto da fonte pagadora quanto da que prestou o serviço. [...]. De acordo com a planilha de cálculo elaborada pelo próprio contribuinte, anexada a seguir, foram observadas, apenas, nas situações a seguir transcritas8, retenções de CSLL na fonte de fontes pagadoras informadas no PER/DCOMP que não foram consideradas no procedimento de análise do crédito do despacho decisório em litígio: [...] CNPJ EMPRESA VALOR NO PER/DCOMP VALOR CONFIRMADO CARTA DE RENDIMENTO DIFERENÇA A SER CONSIDERADA 02.329.713/000200 Timac Agro Ind Com. Fl.70 309,87 0,00 341,97 309,87 05.650.682/000100 Cond. Edif. Capitão fl.73 200,00 199,99 200,00 0,01 07.211.747/000138 Quip SA fl. 75 2.903,32 2.654,97 2.654,97 0,00 07.359.641/000267 Gerdau fl. 76 333,50 0,00 221,00 221,00 30.259.220/001843 Maersk fl.77 249,09 0,00 166,05 166,05 86.552.809/001628 IEA fl.79 194,58 0,00 282,66 194,58 87.951.448/000683 Transcontinental fl. 80 322,09 321,86 322,07 0,23 91.235.549/000706 Vonpar fl.82 1.456,74 0,00 1.556,36 0,23 TOTAL 2.348,48 Fl. 568DF CARF MF Processo nº 11080.903897/201321 Acórdão n.º 1003000.301 S1C0T3 Fl. 569 12 Quanto à não apresentação de documentos comprovadores destaco, em função do Princípio da Verdade Material, regulador do Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235/72), além dos próprios comandos ali existentes, dos quais destaco o art. 16, que a manifestação de inconformidade deverá vir acompanhada com os elementos de prova que possuir, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. [...] O dispositivo acima, é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Esta formulação foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída tanto ao autor do procedimento, a autoridade fiscal, quanto ao contribuinte que contesta. Prevalecendo, sempre, no processo administrativotributário, a máxima ônus probandi incumbit ei qui dicit. Portanto, aquele que argúi direito em seu favor deverá demonstrar e provar esse direito, seja ele o sujeito ativo ou o sujeito passivo da relação jurídicotributária. Esclarecese, por fim, quanto à alegada prescrição dos débitos, que não é da competência dos órgãos da RFB ligados ao julgamento (DRJ e CARF) qualquer referência ao débito relativamente a sua cobrança – fase posterior ao julgamento. É da competência dos órgãos ligados ao julgamento apenas investigar os atributos do direito creditório (certeza e liquidez). Quanto à exigibilidade do débito cuja compensação não foi homologada, ela permanecerá suspensa no curso da discussão administrativa, à vista do que prescreve o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, incluído pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Logo, carecendo de certeza e liquidez a maior parcela do crédito pleiteado utilizada para compor o saldo negativo da CSLL cuja retenção na fonte não ficou comprovada, não há como postular a sua restituição, em função do que dispõe o art. 170 do CTN. Ante o exposto, voto no sentido de julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, para reconhecer, adicionalmente ao despacho, o direito creditório no montante de R$ 2.348,48. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 11080.903897/201321 Acórdão n.º 1003000.301 S1C0T3 Fl. 570 13 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 570DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.004938/2010-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Data do fato gerador: 15/10/2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECUPERAÇÃO E VULCANIZAÇÃO DE PNEUS. SIMPLES NACIONAL. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS.
Correto o indeferimento de pedido de restituição se os alegados recolhimentos a maior não se confirmam porque não está provado que a atividade exercida foi de industrialização.
Numero da decisão: 1001-000.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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E RECAPAGENS DE PNEUS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 15/10/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECUPERAÇÃO E VULCANIZAÇÃO DE PNEUS. SIMPLES NACIONAL. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS. Correto o indeferimento de pedido de restituição se os alegados recolhimentos a maior não se confirmam porque não está provado que a atividade exercida foi de industrialização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 49 38 /2 01 0- 91 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10935.004938/201091 Acórdão n.º 1001000.835 S1C0T1 Fl. 199 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba (PR), mediante o Acórdão nº 0640.191, de 11/04/2013 (efls. 134/141). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo, com a finalidade de privilegiar o princípio da celeridade processual: (grifos não constam do original) Trata o processo de Pedido de RestituiçãoPer de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, no total de R$5.914,96, protocolizado em 30/07/2010, págs. 3/7, relativo a Pagamento Indevido ou a Maior, código 3333 SIMPLES NACIONAL, Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte instituído pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, recolhido em 15/10/2007 no DASN de valor total R$18.893,26. 2. A DRF em Cascavel/PR, por meio do Despacho Decisório de págs. 94/100, indeferiu o pedido porque constatou que o contribuinte desenvolveu atividades de prestação de serviços, cujas alíquotas do Simples Nacional devido são calculados pela tabela do Anexo III – Serviços, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro 2006, não tendo sido confirmada a pretensão do contribuinte de que sua atividade seria indústria, a qual recai na tabela do Anexo II Indústria, o que resultaria nos valores que o contribuinte entende ter recolhido a maior. 3. Cientificado em 19/11/2012, págs. 101/102, o interessado apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de págs. 103/106, por meio de seu representante legal, págs. 107/109. 4. Assevera que a atividade da empresa é “recapagem e recauchutagem de pneus”, CNAEF 22.12.900, em que 22.1 é indústria de produtos de borracha, portanto se trata de operação industrial de recondicionamento de pneus usados. 5. Questiona a conclusão fiscal de nos itens 24 e 25, de que o Decreto N° 7.212, de 15 de junho de 2010 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI) classifica a atividade de recauchutagem de pneus como borracharia que utiliza força motriz, não se enquadrando como indústria; diz que “No item 21. do despacho decisório, o auditor relata que fez uma consulta e empresa tem 19 funcionários, portanto a sua conclusão o item 26, já está equivocada conforme descrito no item 25.”, porque o art. 7º, para efeitos do art. 5º, II, nos casos dos incisos IV e V, define que oficina é estabelecimento que empregar, no máximo, 5 (cinco) operários e, quando utilizar força motriz, não exceder a potência de 5 (cinco) quilowatts; e o trabalho preponderante é de 60% de mãodeobra, no mínimo. 6. Transcreve o art. 4º, V do RIPI, que define industrialização como qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto ou o aperfeiçoe para consumo, tal como aquela exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado e que renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento); transcreve Ato Declaratório Normativo – ADN Cosit nº 21, de 21 de agosto de 1996, referente a industrialização, e processos de consulta diversos no mesmo sentido, em apoio à sua tese. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10935.004938/201091 Acórdão n.º 1001000.835 S1C0T1 Fl. 200 3 O r. acórdão conclui pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, cujo excerto do voto vencedor transcrevo a seguir: 7. O contrato social, págs. 38/44, registrado em 03/08/1995, define o objeto social da empresa como: Comércio de pneus, câmaras de ar, acessórios e artefatos de borracha para veículos, e serviços de recuperação, vulcanização, balanceamento e alinhamento de pneus. (Grifouse.) 8. Este objeto social foi mantido e acrescido da atividade de representação comercial na 2º alteração contratual de 19/06/2008, págs. 45/55. 9. O contribuinte advoga que os “serviços de recuperação e vulcanização de pneus” tratamse de atividade industrial, portanto, em vez de ter apurado os valores do Simples Nacional segundo a tabela do Anexo III – Serviços, da LC nº 123, de 2006, deveria ter apurado pela tabela do Anexo III – Indústria e por isso, recolheu a maior. 10. A seguir, em exemplo do entendimento da RFB: Solução de Consulta nº 242, de 18 de Dezembro de 2007 ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: RECONDICIONAMENTO DE PNEUS. INDUSTRIALIZAÇÃO. INCIDÊNCIA DO IPI. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA. POSSIBILIDADE DE CONCOMITÂNCIA. As atividades de recapagem, recauchutagem e recondicionamento de pneus usados configuram, como regra, operações de industrialização, sujeitandose à incidência do IPI, sendo irrelevante haver também, ou não, incidência do ISS, da competência dos municípios. Na hipótese de a recapagem, recauchutagem e recondicionamento de pneus usados ser realizada por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional, a operação não é considerada industrialização. Para esse efeito, oficina é definida como “o estabelecimento que empregar, no máximo, cinco operários e, caso utilize força motriz, não dispuser de potência superior a cinco quilowatts” e trabalho preponderante é considerado aquele “que contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor, a título de mãodeobra, no mínimo com sessenta por cento”. DISPOSITIVOS LEGAIS: Decreto nº 4.544, de 2002, arts. 4º, 5º, inciso V, e 7º, inciso II, alíneas “a” e “b”; Pareceres Normativos CST nº 253, de 1970, nº 127, de 1971, e nº 83, de 1977. 11. Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI (Decreto nº 4.544, de 2002), vigente em 2007, define: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10935.004938/201091 Acórdão n.º 1001000.835 S1C0T1 Fl. 201 4 I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Exclusões Art. 5º Não se considera industrialização: (...) V o preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional; (...) Art. 7º Para os efeitos do art. 5º: (...) II nos casos dos seus incisos IV e V: a) oficina é o estabelecimento que empregar, no máximo, cinco operários e, caso utilize força motriz, não dispuser de potência superior a cinco quilowatts; e b) trabalho preponderante é o que contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor, a título de mãodeobra, no mínimo com sessenta por cento. (Grifouse.) 12. O contribuinte apresentou a Declaração Anual do Simples Nacional – DASN: RecarTrevo DASN Receita Bruta jul/07 130.949,90 ago/07 144.071,01 set/07 131.152,00 out/07 150.875,86 nov/07 120.200,00 dez/07 104.488,00 Total 781.736,77 100% Estoque inicial 593.196,14 Compras 610.025,26 Estoque Final 892.041,35 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10935.004938/201091 Acórdão n.º 1001000.835 S1C0T1 Fl. 202 5 Consumo 311.180,05 43% 40% Despesas 415.845,80 57% 53% Total Consumo +Despesas 727.025,85 100% 93% 13. Não apresentou balancete para o período de 01/07/2007 a 31/12/2007, somente o do anocalendário 2007, o qual não guarda coerência com a DASN: Balancete contábil ac 2007 págs. 57/59 Receita Bruta de Serviços 1.886.843,07 100% Custo dos serviços 1.349.096,52 72% Despesas operacionais 323.362,58 17% .despesas adm e gerais 204.184,42 .despesas financeiras 119.178,16 Total Custo + Depesas Op 1.672.4590,10 89% 14. As cópias de notas fiscais que apresentou, praticamente ilegíveis, evidenciam vendas a pessoas físicas, constando os CPF dos clientes, págs. 72/ e a de pessoas jurídicas, uma cooperativa agroindustrial, uma transportadora, uma atacadista de legumes e cereais, tratase de encomendas para consumo próprio, já que os objetos destas não é comercialização de pneus, págs. 70/71, 73/74 e 133; também o Razão, confirma tais clientes. 15. Às págs. 80/81 a GFIP de 12/2007 informa os trabalhadores: GFIP CBO Alexandre de Paula 09113 Ajustador de máquinas de embalagem/aprendiz de mecânica de manutenção/líder de manutenção mecânica/mecânico de equipamentos diversos Carlos Aparecido Castilho 07842 Alimentador de esteiras/linha de produção/máquina automática Claudino Francisco da Rocha Jr 09113 Ajustador (...) Dorvalino da Paz Felizardo 07250 Ajustador mecânico de diversos equipamentos ou aprendiz de / Centralizador de rodas Etelvino Jospe Locatelli Cavalli 01231 Diretor Admin Fin (tratase do sócio admin da empresa) Everton Castro Felix 04141 Operador de balança/de movimentação e armazenagem de cargas/ de pesagem/pesador/sileiro/almoxarife/ aux de almoxarifado/ balanceiro/ conferente/encarr de estoque/de expedição/de pesagem Fabiana Primon 04110 Agente, assistente ou auxiliar administrativo Geneci Nicacio 09113 Ajustador (...) José Jandir Farias 07250 Ajustador mecânico de diversos equipamentos ou aprendiz / Centralizador de rodas José Vanderlei de Oliveira 03541 Contato publicitário/promotor de vendas/representante/vendedor Josias Xavier 07250 Ajustador mecânico de diversos equipamentos ou aprendiz de / Centralizador de rodas Lizeu Braga de Freitas 07842 Alimentador de esteiras/linha de produção/máquina automática Neri Leopoldo Fell 03541 Promotor de vendas/propagandista/representante/vendedor Paulo Catuzzo 03541 Contato publicitário/promotor de Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10935.004938/201091 Acórdão n.º 1001000.835 S1C0T1 Fl. 203 6 vendas/representante/vendedor Pedro Agenor Demetrio 09113 Ajustador (...) Salete Aparecida Martins Monteiro 08414 Trabalhador ind de alimentos Classificação Brasileira de Ocupações CBO, instituída por Portaria Ministerial nº. 397, de 9 de outubro de 2002 16. Isto é : 9 (nove) trabalhadores na oficina, dos quais 3 (três) centralizadores de roda– alinhamento de pneus; 1 (um) almoxarife; 3 (três) vendedores; 1 (um) diretor administrativo/financeiro – sócio da empresa; 1 (um) auxiliar administrativo; 1 (um) cozinheira/copeira, totalizando os 16 empregados informados no final do 2º semestre 2007, tendo informado 19 no início do período, na DASN. 17. Quanto à atividade de vulcanização, temse uma descrição do processo no sítio: http://www.gruporgpneus.com.br/reformasprocesso.php: O Processo de Reconstrução A reconstrução de pneus é um processo que envolve várias etapas, começando pela raspagem do pneu e terminando na vulcanização onde o pneu tem a sua vida útil prolongada. 1 Limpeza O processo de reforma dos pneus começa com a limpeza do pneu. Uma máquina preparada para esta função com o auxilio de uma escova faz a limpeza da lateral do pneu, retirando todos os resíduos que poderiam comprometer a reconstrução. 2 Exame inicial Após a limpeza, o pneu passa por uma verificação inicial. Neste processo visual, o profissional avalia as reais condições do pneu a ser recuperado. Cinco partes fundamentais do pneu são analisadas: a parte interna, o flanco ou lateral, o ombro, a banda de rodagem e o talão. Esta etapa do processo é muito importante, pois este exame define se o pneu poderá ou não ser reconstruído 3 Raspagem Após o exame inicial, o pneu passa à máquina de raspagem, onde a banda de rodagem será desgastada. Neste processo, identificase o raio do pneu em que está sendo realizada a raspagem, bem como o perímetro da banda que será aplicada. De posse destas indicações, o raspador encaminha uma ficha com os dados do pneu para a área de seleção da banda, que será preparada enquanto o pneu passa pelas fases seguintes. 4 Escareação Nesta etapa tratamse os pequenos cortes encontrados no piso da carcaça. Tal qual uma "obturação de dentes", é preciso que cada ponto "careado" seja corrigido individualmente. Caso os cortes tenham atingido o pacote de cintas, o pneu receberá um conserto especial, capaz de restituir a resistência da carcaça. 5 Aplicação de conserto Para que a integridade da carcaça seja garantida, não basta "tapar o furo": é preciso reconstituir a estrutura de cada ponto danificado. Depois de escariado, se o pneu demandar consertos irá seguir para esta etapa. A carcaça é preparada internamente para a aplicação do reparo, que varia de acordo com o tamanho do dano e segue as determinações técnicas. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10935.004938/201091 Acórdão n.º 1001000.835 S1C0T1 Fl. 204 7 6 Aplicação de cola Depois de todo o preparo inicial, começa a fase de remontagem do pneu. Nesta operação, uma máquina aplica cola sobre a carcaça tratada e depois retira seu excesso. 7 Enchimento Nesta etapa, uma borracha especial é aplicada para tampar todos os orifícios escariados do pneu. Depois disso, o pneu está pronto para a aplicação da nova banda. 8 Aplicação da banda de rodagem Nesta etapa a banda é cortada, depois recebe uma borracha de ligação, responsável pela adesão da banda à carcaça durante o processo de vulcanização. Quando o pneu chega à máquina de aplicação, a banda já está pronta para a montagem, pois foi preparada previamente. A seguir é a vez do processo de roletamento, que irá retirar o ar que pode ter restado entre a banda e o piso da carcaça. Para complementar esta operação, aplicase uma etiqueta de identificação na lateral do pneu. A etiqueta informa o número e a data das reconstruções já aplicadas nele. 9 Envelopamento Aqui o pneu recebe um envelope de borracha na parte externa, que vai ser succionada durante o processo de vulcanização, causando uma pressão de fora para dentro sobre o pneu 10 Montagem O processo de montagem é diferente para pneus tubeless (sem câmara) e pneus tube type (com câmara). Os pneus sem câmara utilizam um envelope interno e externo. Já os pneus com câmara, utilizamse roda, saco de ar e protetor. 11 Vulcanização O pneu é então colocado na autoclave, equipamento que utiliza temperatura, pressão e tempo para vulcanizar a nova banda sobre a carcaça. Durante este processo, é fundamental utilizar recursos eletrônicos para controlar o tempo, a temperatura e os níveis de pressão que serão aplicados ao pneu. Só assim é possível garantir a segurança e qualidade da operação. 12 Inspeção final Após a vulcanização, o pneu é desmontado e encaminhado para a inspeção final. Nesta fase, verificase a parte interna, a parte externa, a nova banda e a integridade da carcaça. O pneu esta disponível para ser entregue ao cliente. 18. O sítio da empresa, consultado nesta data: http://www.cavallipneus.com/, nada informa sobre os serviços, produtos, instalações ou equipe. 19. Intimado a informar se adquiriu carcaças de pneus e a apresentar as notas fiscais de compra; e a informar se fez reforma de pneus usados para consumidor final e, no caso, quem forneceu as carcaças de pneus; e a informar se fez reforma de pneus usados para comerciantes que revendem pneus usados e, no caso, quem forneceu as carcaças de pneus, respondeu às págs. 89/92: Item 06.1 Neste período de 07 a 12 de 2007, não foi efetuado aquisição de carcaças de pneus. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10935.004938/201091 Acórdão n.º 1001000.835 S1C0T1 Fl. 205 8 Item 06.2 A recauchutagem de pneus foi realizada a partir do fornecimento do pneu usados/danificado pelo consumidor final. O pneu recauchutado é do consumidor final. Item 06.3 A Empresa não fez reforma de pneus usados para comerciantes que revendem pneus reformados. 20. Concluise que o contribuinte, apesar de constar do objeto social a atividade de comércio de pneus e assemelhados, não auferiu receitas de vendas, mas de serviços de recuperação e vulcanização de pneus; conta com 6 (seis) operários nesta atividade; sua clientela contrata esses serviços para consumo próprio e não para comercialização; não há dados suficientes para se apurar se prevalece o custo de mãodeobra na proporção de 60%, pois os dados contábeis são discrepantes dos da DASN; tampouco não forneceu informação sobre qual processo de vulcanização executa, se a quente, se a frio, que tipo de equipamentos e qual a potência instalada. 21. Em síntese, o contribuinte não apresentou elementos comprobatórios da sua pretensão de que sua atividade se caracterize como industrialização. Conclusão. À vista do exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Ciente da decisão em 23/04/2013, conforme Aviso de Recebimento à efl. 144, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 23/05/2013 (efls. 146/149), conforme carimbo aposto à fls. 146. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No seu recurso voluntário a recorrente reitera os argumentos apresentados em sede de primeira instância, ou seja, em suma, que "as indústria de recapagem de pneus utiliza máquinas automatizada de última geração, que facilita a redução de mão de obra, por outro ângulo, está máquinas consome muita energia elétrica que supera a potência de 5 ( cinco ) quilowatts" e transcreve artigos do Regulamento do IPI. Aduz a recorrente que no p. recurso que não constam quesitos que seriam importantes para diferenciar um indústria de uma oficina, tais como "Qual é processo de vulcanização? Qual tipo de máquinas utilizadas para recauchutagem? Qual é potência em quilowatts? Qual é consumos de energia elétrica de cada máquina? Qual é tipos de insumos utilizados?" Anexa as contas de energia elétrica e fotos das máquinas. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10935.004938/201091 Acórdão n.º 1001000.835 S1C0T1 Fl. 206 9 Quanto aos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e reiterado no presente recuso, estes foram fundamentadamente afastados em sede de primeira instância, conforme voto condutor do acórdão recorrido transcrito no relatório, pelo que peço vênia para adotar como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999. Quanto aos novos argumentos apresentados, em nada acrescenta à lide, mesmo porque o relator já se debruçou sobre o assunto, de forma precisa. Entendo que os fundamentos esposados pela turma a quo, não deixa dúvida que se trata de prestação de serviço, não havendo, in casu, qualquer margem para a hipótese de industrialização como alega a recorrente. Não há o que acrescentar, a fundamentação é abrangente e escorreita. Neste sentido, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose in totum a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 206DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.721995/2011-79
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO OU DA EFETIVA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
Numero da decisão: 2002-000.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA. Recorrente RICARDO GARIBA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO OU DA EFETIVA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 19 95 /2 01 1- 79 Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10840.721995/201179 Acórdão n.º 2002000.395 S2C0T2 Fl. 188 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 17/22), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2008. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$3.594,84 para saldo de imposto a pagar de R$9.316,71. A notificação noticia a dedução indevida de despesas médicas no valor de R$20.806,81, consignando que parte da glosa decorre do fato da despesa ter sido efetuada com não dependentes e outra parte pela falta de comprovação da efetiva utilização do serviço/efetivo pagamento (fls.19/20). Impugnação Cientificada ao contribuinte em 26/7/2011, a NL foi objeto de impugnação, em 10/8/2011, às fls. 2/27 dos autos, sintetizada pela autoridade a quo nos seguintes termos: a) a autoridade lançadora “adotou postura de autêntico intérprete e julgador ao atribuir a qualidade da documentação apresentada pelo Impugnante com ausente das qualidades de HÁBIL E IDÔNEA”; b) não cabe ao agente fiscal interpretações e julgamentos, conforme determina os arts. 107 a 112, do Código Tributário Nacional – CTN; c) a comprovação da utilização de serviços profissionais ocorre com a apresentação dos recibos emitidos pelos profissionais, o que foi feito. A exigência de apresentação de exames, fichas de atendimento, etc., constituise em expediente não previsto em lei; d) não há como comprovar o efetivo pagamento quando feito em espécie. Cita jurisprudência administrativa nesse sentido. Ressalta que apresentou a movimentação bancária relacionada aos pagamentos das despesas em questão; e) não cabe ao Fisco exigir a comprovação de pagamento das despesas médicas por meio de outro documento, que não seja o recibo emitido pelo prestador de serviço, conforme entendimento dos tribunais administrativos; f) o ônus de provar que as despesas não foram realizadas é do Fisco; g) não foi aplicado, ao caso, o princípio constitucional da presunção de inocência; Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10840.721995/201179 Acórdão n.º 2002000.395 S2C0T2 Fl. 189 3 h) a glosa das despesas realizadas com sua mãe, Saida Gariba Silva, não deve subsistir, pois, do ponto de vista fático, ela é sua dependente, haja vista que necessita de amparo familiar. Cita jurisprudência administrativa que seria favorável a sua tese. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, julgoua impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 159/164): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. São admitidas como dedução da base de cálculo as despesas médicas pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. As deduções restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, para fins tributários. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. Todas as despesas médicas estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetiva realização dos serviços. Nessa hipótese, somente recibos e extratos bancários são insuficientes para comprovar o direito à dedução pleiteada. PROVA. APRECIAÇÃO. Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. VINCULAÇÃO. JULGAMENTO. INEXISTÊNCIA. Decisões administrativas não vinculam os julgamentos Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÃO. APRECIAÇÃO. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento não são competentes para se pronunciar sobre alegações de inconstitucionalidades de leis e de ofensas a princípios constitucionais. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10840.721995/201179 Acórdão n.º 2002000.395 S2C0T2 Fl. 190 4 Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 17/6/2016 (fl. 183), o contribuinte, em 21/6/2016 (fl. 169), apresentou recurso voluntário, às fls. 169/181, no qual alega, em apertado resumo, que: a autuação não poderia subsistir uma vez que teria partido de premissas falsas e apresentaria pontos inconsistentes. a presunção de inocência teria sido ignorada pela autoridade autuante. o auditor fiscal teria adotado postura de autêntico intérprete e julgador ao considerar que a documentação apresentada para comprovação das despesas não seria hábil e idônea. intimado a comprovar as deduções declaradas, teria apresentado a documentação que lhe garante o benefício da dedução, quais sejam, os recibos. a comprovação da utilização dos serviços, exigida pela autoridade fiscal, se daria mediante apresentação dos recibos emitidos pelos profissionais. não haveria qualquer impedimento para pagamento em espécie, citando diversos julgados do Conselho de Contribuintes sobre o tema. seria indevida a exigência de qualquer outro elemento, sendo o recibo suficiente a atestar a prestação do serviço. teria demonstrado os fatos constitutivos do seu direito, ao apresentar os recibos, cabendo ao Fisco o ônus de combater a comprovação trazida, na forma do Código de Processo Civil, no seu artigo 333, tendo sido indevida a exigência de outros elementos. a autoridade fiscal estaria empenhada em impor multa ao contribuinte, sem, no entanto, comprovar alguma conduta lesiva aos cofres públicos. teriam sido cometidos excessos na ação fiscal, que não podem ser convalidados. todos os meios de prova seriam admitidos em Direito e a autoridade fiscal não poderia ter desconsiderado os recibos apresentados. ao final, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10840.721995/201179 Acórdão n.º 2002000.395 S2C0T2 Fl. 191 5 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Delimitação de lide Na autuação, além da glosa pela falta de comprovação da efetiva prestação do serviço, com os profissionais Alcides e Marcelo, foram glosadas despesas efetuadas com não dependentes em favor da Unimed de Ribeirão Preto, no valor de R$806,81 (fls.19/20). No seu recurso, o recorrente não apresenta qualquer alegação em relação à glosa da despesa com Unimed. Dessa feita, não cabe manifestação deste Colegiado acerca dessa dedução. Mérito Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa e da prestação do serviço. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10840.721995/201179 Acórdão n.º 2002000.395 S2C0T2 Fl. 192 6 § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10840.721995/201179 Acórdão n.º 2002000.395 S2C0T2 Fl. 193 7 Em seu recurso, o contribuinte defende que os recibos são os documentos hábeis a fazer a prova exigida, quanto à prestação dos serviços. Como exposto acima, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento, como forma de cumprir sua atribuição legal de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. O ônus probatório é do contribuinte e ele não pode se eximir desse ônus com a afirmação de que o recibo de pagamento seria suficiente por si só para fazer a prova exigida. É preciso registrar que no presente lançamento o interessado não está sendo acusado de ter agido com dolo, fraude o simulação, situação em que exigiria aplicação de multa qualificada de 150%, conforme estabelecido no § 1o, art. 44, da Lei nº 9.430/96, e, portanto, a exigência fiscal não conflita com a presunção de boafé do contribuinte. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado, repisese, compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) O Código Civil também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10840.721995/201179 Acórdão n.º 2002000.395 S2C0T2 Fl. 194 8 ... Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” (destaques acrescidos) No caso concreto desses autos, ainda que intimado a apresentar comprovação da efetiva prestação do serviço (fl.33), por meio da apresentação, por exemplo, de orçamentos, pedidos de exames/tratamentos, radiografias e prescrição de receitas, só foram juntados os recibos de fls. 44/72. Percebese nitidamente que o recorrente não se esforçou para trazer a prova exigida, sendo certo que tratamentos dentários, como é o caso das duas despesas glosadas, são acompanhados da realização de radiografias ao longo dos procedimentos realizados. Assim, na ausência da comprovação exigida, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 194DF CARF MF
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Numero do processo: 10814.020634/2008-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 10/12/2007
DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA. IMPROCEDÊNCIA.
A denúncia espontânea exclui a aplicação de multas de natureza tributária ou administrativa, em decorrência do descumprimento de regras do controle aduaneiro exceto nas hipóteses de pena de perdimento (§ 2º do inciso II do art. 683 do RA - Decreto nº 6.759/2010).
Numero da decisão: 3401-005.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA. IMPROCEDÊNCIA. A denúncia espontânea exclui a aplicação de multas de natureza tributária ou administrativa, em decorrência do descumprimento de regras do controle aduaneiro exceto nas hipóteses de pena de perdimento (§ 2º do inciso II do art. 683 do RA Decreto nº 6.759/2010). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 02 06 34 /2 00 8- 23 Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10814.020634/200823 Acórdão n.º 3401005.379 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de AUTO DE INFRAÇÃO – Imposto Importação (efls.2 a 17), com lançamento de II no valor de R$ 6,47; juros de mora de R$ 0,62; multa proporcional de R$ 4,85; multa regulamentar de R$ 1.000,00 (por “incorreção na classificação da mercadoria” e por “descrição incompleta da mercadoria”); totalizando R$ 1.011,94. O presente lançamento teve o seguinte desenrolar fático: 1.1 na data de 21/07/2008 através do Processo Administrativo Fiscal nº 10814.012438/200885 (efls.18/19), visando o atendimento ao disposto na IN SRF 476/2004, Ato Declaratório Coana 06/2005 (Linha Azul) e IN 680/2006, art. 45, inciso II, a Contribuinte requereu a retificação da DI 07/17179278 de 10/12/2007, Adição 009, para alterar o Código NCM de: 8536.5090 para 9026.1029, com majoração do tributo I.I. de: R$ 51,76 para R$ 58,23 cuja diferença (R$ 6,47) é inferior a R$ 10,00 (valor mínimo do DARF); 1.2 da análise do pedido de retificação da DI, que se mostrou procedente, resultou a Intimação GRED nº 506/2008 (efls.70), concedendo prazo de 15 (quinze) dias para providencia do recolhimento de créditos tributários que discrimina (diferença de I.I. acrescido de multa e juros), além da correspondente multa regulamentar, sob pena de lançamento através de auto de infração. 1.3 quanto a multa Regulamentar o fisco assim se posicionou: “Apresentar DARF com o recolhimento da multa de acordo com o art. 69, parágrafos 1° e 2°, inciso III da Lei n° 10.833 de 29/1 2/2003 e art. 84, inciso 1, e parágrafo 1° da Medida Provisória n° 215835 de 24/08/2001, no valor de R$ 1.000,00 código do DARF 2185, tendo em vista pedido de alteração da NCM, e devido à descrição incompleta da mercadoria”. 1.4 em atendimento a intimação GRED nº 506/2008, a intimada apresentou manifestação (efls.72) discordando de seus termos pelas razões assim expostas: a) que o Termo de Intimação não é meio hábil para a cobrança de tributos, cabendo à Administração realizar o lançamento através de auto de infração, nos termos do art. 142 do CTN; b) que a multa regulamentar por classificação tarifária incorreta é de 1% com fundamento no art. 84 da MP 2.15835/2001 e art. 69 da Lei 10.833/2003, porém, a presente retificação teve início por manifestação voluntária e espontânea pelo contribuinte, configurando “denúncia espontânea” nos termos do art. 138 do CTN; c) diz que possui consulta formulada à Receita Federal do Brasil e enquanto não solucionada fica o interessado resguardado da aplicação de qualquer penalidade; 2. Diante da resposta à intimação GRED nº 506/2008, foi lavrado o Auto de Infração, o qual foi impugnado (efls.82) com os seguintes fundamentos: 2.1 que a Habilitação à Linha Azul (Despacho Aduaneiro Expresso), nos termos da IN nº 476/2004, estabelece em seu art. 3º a apresentação de "relatório de auditoria avalizando que seus controles internos garantem o cumprimento regular de suas obrigações cadastrais, documentais, tributárias e aduaneiras", sendo orientado pela Auditoria Externa proceder a regularização da DI 07/17179278; 2.2 que a diferença relativa ao imposto de importação foi recolhida com as reduções permitidas, conforme DARF que anexa; Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10814.020634/200823 Acórdão n.º 3401005.379 S3C4T1 Fl. 4 3 2.3 que é ilegítima a cobrança de multa por “incorreção na classificação da mercadoria” e por “descrição incompleta da mercadoria”, pois a fundamentação legal indicada pelo fisco não faz essa referência de serem multas distintas. 2.4 no presente caso ocorreu apenas a retificação de classificação (NCM) e somente por esse motivo poderia ser aplicada a multa prevista no art. 84, I da MP 2.15835/01, mas, mesmo assim, inaplicável diante do contexto no qual foi requerida a retificação da DI; 2.5 requer ao final o cancelamento das multas por dois motivos: i) a alteração requerida foi efetuada para dar cumprimento aos requisitos exigidos pela própria SRFB para fins de habilitação à Linha Azul; ii) porque não pode sofrer autuação enquanto estiver pendente de apreciação a consulta formulada à SRFB. 3. Sobreveio decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/FNS, em sessão de 29/05/2017, acórdão 0739.818, que por maioria de votos julgou improcedente a impugnação. 3.1 a parte convergente, com decisão unânime de seus pares, alcançam os seguintes pontos: a) é incontroversa a questão do imposto exigido, inclusive pago conforme DARF apresentado nos autos; b) que a consulta informada pela impugnante, não foi localizada nos autos, mas em pesquisa nos sistemas da SRFB foi encontrado processo de consulta nº 10611.002586/200878, protocolado em 07/08/2008 na Superintendência Regional da Receita Federal de Belo Horizonte, concluído pelo seu arquivamento em 23/05/2011 por inércia do próprio consulente, em negativa de atendimento a despacho para saneamento do mesmo; c) que a alegação da Impugnante, a seu favor, do Ato Declaratório Interpretativo 13/2002, não se aplica por se referir a penalidade diversa (art.44 da Lei nº 9.430/96) da que foi aplicada neste processo (art. 69 da Lei nº 10.833/2003); 3.2 – quanto a parte divergente, denúncia espontânea, ficou assim assentada: 3.2.1 – no voto vencido, do Relator, foi feita as transcrições dos artigos 138 do CTN e 612 do Regulamento Aduaneiro e destaca o fato da denuncia espontânea excluir somente as penalidades de natureza tributária, da forma como considerado pela autoridade fiscal, mas por ser um tema não pacificado, atribui melhor análise. Faz referência aos artigos 96 e 113 do CTN; que não há dúvida em relação ao fato de que tanto a Lei 10.833/2003 quanto o DecretoLei nº 37/1966, são normas que dão substrato legal à penalidade aplicada e conclui: Isto posto, entendese que as prestações estabelecidas nessas normas no interesse imediato ou mediato da arrecadação ou da fiscalização de tributos se incluem no conceito de obrigação tributária e tem natureza tributária ou administrativotributária. Nesse sentido, as normas prescritas no Código Tributário Nacional (diploma legal que tem aptidão para estabelecer regras gerais em matéria tributária), especialmente aquelas ligadas à denúncia espontânea, objeto deste processo, devem ser observadas pela Administração Tributária. Assim, pois, deve ser afastada a penalidade aplicada em face do benefício da denúncia espontânea a que tem pleno direito o contribuinte. Ainda, com relação ao entendimento adotado pelo fisco, chama atenção para o seguinte ponto, § 2º do art. 683 do Regulamento Aduaneiro: § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de multas de natureza tributária ou administrativa, com exceção das aplicáveis na hipótese Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10814.020634/200823 Acórdão n.º 3401005.379 S3C4T1 Fl. 5 4 de mercadoria sujeita a pena de perdimento (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 2º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 40). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013). Assim, pela nova redação do dispositivo acima transcrito, passouse a admitir a aplicação do instituto da denúncia espontânea também às penalidades de natureza administrativa, por força do disposto no art. 106 do CTN; 3.2.2 – já o voto da maioria foi pela manutenção do crédito tributário lançado, sob o fundamento de que mesmo com as considerações da possibilidade de ocorrer a denúncia espontânea sobre multas de natureza administrativa, é improcedente a impugnação porque veio desacompanhada do recolhimento integral dos tributos acrescidos dos juros de mora quando houver, conforme prescrito no art. 138 do CTN. 4. Em grau de Recurso Voluntário a recorrente repisa os fatos e argumentos até então apresentados, destacando o ponto que diz respeito a dupla penalidade aplicada, que sequer foi objeto de análise pela decisão recorrida. Insiste, ambas são incabíveis em virtude do contexto no qual foi requerida a retificação da Declaração de Importação nº 07/17179278. 5. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O litígio versa sobre Auto de Infração lavrado pela existência de erro de classificação fiscal de mercadoria, relacionado à Adição 09 da Declaração de Importação nº 07/17179278. O erro foi constatado pela contribuinte que requereu através do Processo Administrativo nº 10814.012438/200885, formalizado nos termos do disposto pelos art. 45 e 46 da IN SRF nº 680/06, a retificação da NCM 8536.5090 para 9026.1029, com consequência na alteração de alíquotas e seus respectivos valores devidos. Justifica a Requerente, que essa iniciativa de retificação da DI visava atender sua habilitação no programa “Linha Azul” (Despacho Aduaneiro Expresso), cuja falha foi levanta por auditoria externa que avalizou seus controles internos, em atendimento ao que estabelecia a IN nº 476/2004. Nesse contesto entende ser incabível a multa regulamentar lançada e requer sua extinção. Em termos de matéria de fato o próprio fisco atesta no Auto de Infração (e fls.5) que o pedido de retificação da DI “mostrouse procedente”. O caso então se volta para a falta de recolhimento da diferença do Imposto de Importação (R$ 6,47) e as multas administrativas. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10814.020634/200823 Acórdão n.º 3401005.379 S3C4T1 Fl. 6 5 O valor do tributo que veio a ser pago no transcorrer do processo (vide DARF de efls.90), mostrouse ser de valor inferior a R$ 10,00 o qual estava dispensado de seu recolhimento conforme previsto na IN SRF nº 82/1996, “verbis”: Art. 1º. Fica vedada a utilização de Documento de Arrecadação de Receitas Federais para pagamento de tributos e contribuições de valor inferior a R$ 10,00 (dez reais). Art. 2º. Quando da apuração de qualquer tributo ou contribuição, administrados pela Secretaria da Receita Federal, resultar valor a recolher inferior ao limite mínimo mencionado no artigo 1º, este deverá ser adicionado ao valor correspondente ao mesmo código de receita, referente ao período de apuração subsequente, quando, então, será pago ou recolhido no prazo estabelecido na legislação para este último período de apuração. Art. 3º. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro de 1997. Com relação as multas administrativas, objeto principal do Auto de Infração ora em discussão, há colocações da Recorrente que sequer foram analisadas pela decisão de piso. A IN SRF 680/06 que orientou a Contribuinte em seu pedido de retificação da DI, ditava em seu art. 45: Art. 45. A retificação da declaração após o desembaraço aduaneiro, qualquer que tenha sido o canal de conferência aduaneira ou o regime tributário pleiteado, será realizada: I de ofício, na unidade da SRF onde for apurada, em ato de procedimento fiscal, a incorreção; II mediante solicitação do importador, formalizada em processo e instruída com provas de suas alegações e, se for o caso, do pagamento dos tributos, direitos comerciais, acréscimos moratórios e multas, inclusive as relativas a infrações administrativas ao controle das importações, devidos, e do atendimento de eventuais controles específicos sobre a mercadoria, de competência de outros órgãos ou agências da administração pública federal. O fisco ao fazer a exigência da multa administrativa atribuiu a seguinte fundamentação legal (Art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 215835/01 combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei n°10.833/03)”verbis”: Medida Provisória nº 2.15835/01, Art. 84, I: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou § 1o O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10814.020634/200823 Acórdão n.º 3401005.379 S3C4T1 Fl. 7 6 Lei nº 10.833/03, Art. 69 e 81, IV: Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. Art. 81. A redução da multa de lançamento de ofício prevista no art. 6o da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991, não se aplica: IV às multas previstas nos arts. 67 e 84 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001; Para definição do valor da multa administrativa temos, portanto, dois parâmetros: primeiro, com relação ao cálculo de 1% do valor aduaneiro da mercadoria (art. 84 da MP2.15835/01). O demonstrativo de apuração da multa regulamentar (efls.9) indica o valor aduaneiro de R$ 323,52 para a mercadoria que teve sua nomenclatura retificada, resultando num valor calculado de R$ 3,23; segundo, o valor da multa não poderá ser superior a 10% do valor total das mercadorias constantes da DI (art.69 da Lei 10.833/03). Como não constou do auto de infração esse valor, foi necessário apelar para os comprovantes de importação juntados ao processo (efls.21), de onde se tem que o valor total das mercadorias importadas foi de R$ 10.532,31 resultando num valor calculado de R$ 1.053,23; Diante dos dois parâmetros identificados no parágrafo anterior, podemos agora estabelecer o valor da multa a ser aplicada, que é o valor mínimo previsto no §1º, inciso I do art. 84 da MP 2.15835/03 de R$ 500,00. Não existe base legal para atribuir duas multas para o mesmo fato, o mesmo pedido, como pretendido pelo fisco: uma multa de R$ 500,00 por incorreção na classificação da mercadoria e outra multa de R$ 500,00 por descrição incompleta da mercadoria. Quanto a descrição da mercadoria sequer o fisco atribuiu outra descrição para figurar na DI retificada. É totalmente improcedente a dupla penalidade aplicada no auto de infração, por ausência de fundamentação legal. O pedido de retificação é por Declaração de Importação e a multa administrativa prevista para a época dos fatos é aquela contemplada nos dispositivos legais acima transcritos. Denuncia Espontânea A decisão de piso, por unanimidade de seus julgadores, reconheceram que a iniciativa da Recorrente de retificar a Declaração de Importação, afasta a penalidade aplicada em face do benefício da denuncia espontânea, porém, por maioria, julgaram que só seria aplicável se acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Sendo o valor do tributo devido com os acréscimos de juros, como antes demonstrado, de valor inferior a R$ 10,00 e nesse caso vedada a utilização de DARF para o seu pagamento por determinação da IN SRF nº 82/1996, lhe retiraria o benefício da denúncia espontânea? É evidente que não, seria um contra censo e até mesmo despiciendo entender de forma contrária. Inaplicável, também, ao presente caso, a Súmula CARF nº 126 no sentido de que: “A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10814.020634/200823 Acórdão n.º 3401005.379 S3C4T1 Fl. 8 7 Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010”. Outro fato de relevância, atinente ao caso, está voltado a própria IN nº 680/2006 que através de sucessivas alterações, contempla atualmente a seguinte redação: Art. 45. A retificação da declaração após o desembaraço aduaneiro, qualquer que tenha sido o canal de conferência aduaneira ou o regime tributário pleiteado, será realizada: II pelo importador, que registrará diretamente no Siscomex as alterações necessárias, e efetuará o recolhimento dos tributos apurados na retificação, calculados pelo próprio Sistema, por meio de débito automático em conta ou Darf. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1813, de 13 de julho de 2018) Não se fala mais em multa relativa a infração administrativa. Por iniciativa do contribuinte a retificação de DI é feita diretamente no Siscomex sem a necessidade de ingressar com processo administrativo e efetuará o recolhimento dos tributos que serão disponibilizados pelo sistema. Excluiuse da norma tipificação de conduta passível de punição. A boa fé do contribuinte será preservada, sua espontaneidade reconhecida e desnecessária eventual punição por essa atitude voluntária do contribuinte. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, extinguindose a multa administrativa em face do benefício da denúncia espontânea a que tem direito a Contribuinte. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 223DF CARF MF
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