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Numero do processo: 15521.000018/2005-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luís Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luís Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 21 .0 00 01 8/ 20 05 -1 2 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15521.000018/200512 Resolução nº 1301000.297 S1C3T1 Fl. 427 2 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao ano calendário de 2000. Sirvome de fragmentos do relatório constante na decisão de primeira instância para descrever os fatos apurados e as razões de defesa trazidas em sede de impugnação. [...] No Termo de Verificação Fiscal de fls. 228 a 249, a fiscalização esclarece, em síntese: a interessada contabilizou, como suas, despesas e custos que contratualmente pertenciam a sua controladora estrangeira, ocasionando prejuízo; a interessada recebeu da sua controladora que está no exterior valores classificados na contabilidade como reembolsos, quando na realidade representaram faturamento (observase que tal constatação gerou autos de infração de PIS e Cofins, não tratados aqui); a empresa estrangeira Diamond Offshore, controladora da interessada, que celebrou contrato de afretamento diretamente com a Petrobrás, não possui autorização para, funcionar no Brasil nos termos dos arts. 64 e 65 do Decretolei n° 2.627/40; os procedimentos adotados em relação à fiscalizada (item 2.1, fls. 230 a 233); os procedimentos em relação a terceiros (item 2.2, fls. 233 a 236); visando à exploração de petróleo na Bacia de Campos, a Petrobrás firmou uma série de contratos com empresas estrangeiras do Grupo Diamond Offshore e com a interessada; lista as empresas estrangeiras do Grupo Diamond Offshore contratadas da Petrobrás à fl. 237; a interessada é contratada da Petrobrás e constituída no Brasil, e assim brasileira, nos termos do art. 11 da LICC; de acordo com a 82ª e 92ª alteração do contrato social (anexo XIII), a interessada tem como quotistas e únicos sócios as empresas estrangeiras do grupo Diamond Offshore: (a) Diamond Offshore (USA) Inc., com 74,75% de participação no capital social e (b) Diamond Offshore Drilling Services Inc., com 25,25% de participação no capital social; apurou a existência de seis contratos internacionais nos quais a interessada figura como interveniente. Nestes a Petrobrás contrata a utilização de seis plataformas de exploração de petróleo às empresas estrangeiras do Grupo Diamond Offshore e, assim, temse a Petrobrás como contratante, as empresas estrangeiras como contratadas e a interessada como interveniente; Fl. 434DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15521.000018/200512 Resolução nº 1301000.297 S1C3T1 Fl. 428 3 os contratos recebem a denominação de contratos de afretamento. Pelo objeto de cada contrato, a estrangeira contratada assume dois compromissos perante a Petrobrás, que podem ser assim resumidos: entregar a plataforma para uso nas atividades petrolíferas e executar as demais operações necessárias às atividades; os contratos estão listados na tabela à fl. 238 e integram os anexos II, IV, V, VII, IX e X; além dos seis contratos internacionais de "afretamento" entre a Petrobrás e as empresas estrangeiras do grupo Diamond Offshore, outros seis contratos foram estabelecidos, figurando a interessada como contratada e tendo as empresas estrangeiras como intervenientes; estes contratos de prestação de serviços estão listados na tabela à fl. 239 e integram os Anexos I, III, V, VI, VIII e X; a receita resultante da prestação de serviços pela interessada no ano calendário de 2000 somou R$ 25.752.595,20, de acordo com as informações de sua DIPJ; enquanto a Petrobrás remeteu para o exterior, no mesmo período, a título de faturamento, 150 milhões de dólares (cerca de 375 milhões de reais), para a interessada, empresa no Brasil, a Petrobrás pagou 26 milhões de reais, com o agravante que a interessada suportou todos os custos e despesas das empresas Diamond, gerando prejuízos consecutivos e, conseqüentemente, evitando a ocorrência do fato gerador do IRPJ e CSLL; assim, o que a Diamond recebe da Petrobrás é lucro líquido, que retornou para o Brasil, para a interessada, como aumento do capital social (em 2000 foram cerca de 25 milhões de reais), sendo esses recursos destinados ao pagamento de todos os custos e despesas; pela comparação das tabelas de fls. 238 e 239 observase que há um par de contratos para cada plataforma, sendo um de prestação de serviços e outro de "afretamento". Os pares de contratos são assinados na mesma data e têm idêntica vigência. Nos contratos de prestação de serviços, o objeto consiste na utilização de mãodeobra da fiscalizada na prestação de serviços relativos à atividade petrolífera, por meio da respectiva plataforma, conforme exemplificado à fl. 240; pela comparação dos dispêndios suportados pela interessada e o previsto nos contratos é possível constatar que a interessada contabilizou como seus os dispêndios que eram de obrigação de suas controladoras no exterior; os custos de reparos, substituições de equipamentos e outros serviços especializados de terceiros são despesas previstas tanto nos contratos de prestação de serviço, nos quais a interessada é contratada, como nos contratos internacionais de "afretamento", nos quais as obrigações são assumidas pelas empresas estrangeiras do grupo Diamond Offshore; há, no entanto, uma diferença entre os contratos: nos contratos internacionais as despesas com materiais, equipamentos etc são obrigações da empresa estrangeira e correm por conta desta; nos contratos nacionais, a interessada está livre deste ônus, pois a Petrobrás garante o ressarcimento dos eventuais desembolsos nesta rubrica; conforme exemplifica às fls. 241/242, de acordo com as cláusulas contratuais ali reproduzidas, cabe à empresa estrangeira e não à interessada arcar com os custos relativos à compra de materiais necessários ao funcionamento das plataformas; Fl. 435DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15521.000018/200512 Resolução nº 1301000.297 S1C3T1 Fl. 429 4 no entanto, a análise dos lançamentos contábeis da interessada mostra que ela escriturou tais custos, a despeito de contratualmente pertencentes à sociedade estrangeira; a tabela 3.3 (fl. 242) apresenta as contas nas quais foram contabilizadas os desembolsos com materiais e serviços de terceiros, que totalizam R$ 18.065.104,39. Os respectivos registros contábeis estão listados nos anexos XIV e XV. A fiscalização esclarece a que se referem cada uma das contas (fls. 242/243). Estes valores devem ser excluídos da apuração de resultado da empresa Brasdril, uma vez que são obrigações contratuais da empresa estrangeira; foram excluídos da apuração os custos de inspeções diversas, referentes a exames, limpeza e inspeção, certificação de sistemas e demais inspeções nas plataformas. Tais custos estão previstos nos contratos de "afretamento", conforme, itens 3.3 e 3.4 do contrato da plataforma Ocean Alliance (anexo II) e itens equivalentes nos demais contratos internacionais, e são, portanto, custos pertencentes à empresa estrangeira e não à Brasdril. Os valores somam R$ 826.481,25 e estão demonstrados na tabela 3.4 (fl. 243). Os registros objetos de glosa são apresentados às fls. 115 a 118 do anexo XIV. As fls. 63 a 67 do anexo XVII apresentam alguns documentos contabilizados nestas rubricas; foram glosadas as despesas escrituradas descritas como comissões sobre faturamento, pagas à empresa Petroserv, que totalizam R$ 612.165,94. De acordo com o art. 304 do RIR199 tais importâncias não são dedutíveis se não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante não individualizar o beneficiário do rendimento. Os registros objeto de glosa são apresentados às fls. 125/126 do anexo XIV. As fls. 79 a 81 do anexo XVII apresentam alguns documentos contabilizados nestas rubricas; foram glosadas as despesas escrituradas referentes a gastos com as residências dos funcionários estrangeiros da interessada. Os gastos estão demonstrados na tabela 3.5 (fl. 245) e totalizam R$ 646.859,58. Tais despesas não são necessárias para a manutenção da fonte produtora nem para a execução da atividade da interessada, nos termos do art. 299 do RIR199. Os registros objeto de glosa são apresentados às fls. 127 a 159 do anexo XIV. As fls. 82 a 93 do anexo XVII apresentam alguns documentos contabilizados nestas rubricas; a interessada recebeu da sua controladora estrangeira valores classificados na contabilidade como reembolsos, quando na realidade representam faturamento, os quais foram lançados com a nomenclatura de repasses/reembolsos com o fim de evadirse do pagamento do PIS e da Cofins (observase que tal infração, descrita no item 3.4.5. do Termo de Verificação Fiscal fundamentou os autos de infração de PIS e Cofins, tratados por outros processos distintos do presente); em decorrência das glosas efetuadas, foi elaborado o demonstrativo de fls. 250 e 251, com a apuração de nova base de cálculo para o IRPJ e a CSLL; assim, obteve a transformação de um prejuízo fiscal de R$ 16.261.032,11 em um lucro real de R$ 3.889.579,05, valor utilizado como base de cálculo nos autos de infração de IRPJ e da CSLL. Cientificada dos autos de infração em 15/12/2005, a interessada apresentou, em 12/01/2006, as impugnações de fls. 268 a 278 (CSLL) e fls. 279 a 295 (IRPJ), nas quais alega, em síntese: Fl. 436DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15521.000018/200512 Resolução nº 1301000.297 S1C3T1 Fl. 430 5 procura esclarecer o funcionamento da atividade petrolífera e das empresas offshore que atuam principalmente na Bacia de Campos; é sociedade brasileira que opera no mar territorial do país a mais de vinte anos, tendo como objeto social a prestação de serviços à indústria petrolífera; a Petrobras vem adotando uma estrutura bipartida na contratação dos equipamentos e serviços necessários à realização de tais atividades; a locação de equipamentos é realizada através do afretamento de navios sondas ou plataformas de perfuração e seus pertences. Tais embarcações são geralmente afretados de empresas estrangeiras, pelo que a Petrobrás se obriga a efetuar o pagamento de uma taxa diária pelo tempo em que a embarcação e seus pertences permanecer à disposição da Petrobrás, ficando então a Petrobrás autorizada a utilizálos diretamente nos serviços de perfuração ou colocálos à disposição de terceiros com quem contrate os serviços; os serviços de perfuração dos poços são ajustados com empresas brasileiras, com ou sem a contratação paralela de serviços de assistência técnica a serem prestados por empresas estrangeiras especializadas às empresas nacionais para realizar os serviços de perfuração; são criadas relações contratuais distintas, mas complementares, entre as interessadas (Petrobrás e empresa proprietária das embarcações e equipamentos, de um lado; Petrobrás e empresas perfuradoras, de outro); dois contratos são firmados: o de afretamento, que visa a permitir à Petrobrás dispor dos equipamentos necessários aos serviços de perfuração, e o de serviços, que permite à Petrobrás dispor do pessoal e das técnicas necessárias à realização das perfurações; a estrutura contratual bipartida adotada pela Petrobrás possibilita a divisão de encargos e atribuições entre a empresa afretadora dos equipamentos (que deve mantê los à disposição da Petrobrás em condições de realizar a perfuração dentro das características indicadas no contrato) e a empresa prestadora dos serviços de perfuração (que deve operar os equipamentos afretados mantendoos em condições de funcionamento); a Petrobrás tem firmado contratos de afretamento de embarcações com empresas estrangeiras, como por exemplo o contrato 101.2.117.97.2 referente à unidade semisubmersível Ocean Whittington com a empresa Diamond Offshore Drilling (Overseas) Inc., e o contrato de prestação de serviços com empresas brasileiras, como por exemplo o contrato 101.2.118.97.5, referente à mesma unidade semisubmersível, com a empresa Brasdril Sociedade de Perfuração Ltda; constituem obrigações da contratante, no caso a Petrobrás, os pagamentos mensais referentes ao afretamento e aos serviços prestados, respectivamente em favor das empresas estrangeira e brasileira (exemplo cláusula 4.2 do contrato de afretamento e 4.1 do contrato de prestação de serviços); ainda nos termos dos referidos contratos, cada uma das contratadas fica responsável pelas despesas correspondentes às suas atividades, as quais somente serão reembolsadas quando a Petrobrás assim as requisitar (cláusulas 3.3, 3.4 e 3.5 do contrato de prestação de serviços e 3.8 e 3.10 do contrato de afretamento); desta forma, das receitas operacionais auferidas tanto pela empresa estrangeira, como pela empresa brasileira, são deduzidas as despesas operacionais respectivas, Fl. 437DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15521.000018/200512 Resolução nº 1301000.297 S1C3T1 Fl. 431 6 resultando para o primeiro caso, na remessa do saldo apurado para o beneficiário no exterior e no segundo caso, na apuração do lucro operacional para fins de tributação, de acordo com as leis brasileiras; faz considerações sobre o conceito de empresa brasileira; teriam sido encontradas pela fiscalização três irregularidades que, ao que tudo indica, ensejaram a lavratura do auto de infração: a empresa nacional contabilizou como suas despesas e custos que contratualmente pertenciam a sua controladora estrangeira; a empresa nacional recebeu de sua controladora que está no exterior valores classificados na contabilidade como reembolsos, quando na realidade são faturamento; a empresa controladora da fiscalizada, que celebrou contrato de afretamento diretamente com a Petrobrás, não possui autorização para funcionar no Brasil nos termos dos arts. 64 e 65 do Decretolei 2.627/40; é evidente que as despesas atreladas ao contrato de prestação de serviços foram lançados em conta de resultado como despesas operacionais em contrapartida às receitas operacionais oriundas também dos contratos de serviços firmados com a Petrobrás; estão sendo juntados comprovantes de lançamento das três remessas efetuadas pela Diamond Offshore citadas pelo autuante; examinandose os esclarecimentos prestados pelo autuante nos item 1.1 e 1.2 do Termo de Verificação Fiscal observase flagrante contradição no que diz respeito à interpretação do funcionamento dos contratos; enquanto no item 1.1 o autuante informa que a impugnante teria contabilizado como suas despesas e custos que contratualmente pertenceriam a sua controladora estrangeira, no item 1.2 indica que os repasses/reembolsos efetuados pela controladora referente a despesas de responsabilidade desta última seriam, na verdade, faturamento; para que a empresa contratante, no caso a Petrobrás, possa providenciar a remessa das receitas oriundas do contrato de afretamento para a beneficiária no exterior são deduzidas as despesas efetuadas, a qual somente é feita após a aprovação do Banco Central do Brasil; quanto à irregularidade apontada no item 1.3, a empresa estrangeira Diamond Offshore não está obrigada a obter autorização para funcionar no país, de vez que ela aqui não possui filial, sucursal ou agência; em relação aos supostos ressarcimentos de desembolsos efetuados pela impugnante a título de reparos, substituições de equipamentos e outros serviços especializados de terceiro, que foram objeto de glosa, o autuante faz transcrição das cláusulas 3.3 e 3.4 dos contratos de prestação de serviço, remetendoos a cláusula 4.2, para demonstrar que as despesas com "fornecimento de materiais" e "serviços de terceiros" seriam desembolsados pela Petrobrás; cumpre registrar a existência, nas duas cláusulas, da seguinte observação: "... de outros materiais necessários a prestação de serviços... e ... outros serviços especializados..., a serem reembolsados pela Petrobrás na forma da cláusula 4.2"; diligência levada a efeito pelo próprio autuante junto a Petrobrás resultou na informação de que no período fiscalizado (ano de 2000) foi reembolsado à Brasdril o valor total de R$ 10.159,40, apresentando os respectivos comprovantes (fl. 8 do Termo de Verificação Fiscal); Fl. 438DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15521.000018/200512 Resolução nº 1301000.297 S1C3T1 Fl. 432 7 apesar de as cláusulas 3.3 e 3.4 estabelecerem que a Petrobrás fará o reembolso dos custos decorrente em relação "a outros materiais e a outros serviços", o Anexo V dos contratos que trata das obrigações mútuas relaciona as despesas suportadas, respectivamente, pela Petrobrás e pela contratada; assim, as despesas glosadas pelo autuante conforme relação à página 16 do Termo de Verificação Fiscal não foram objeto de reembolso por parte da Petrobrás, tendo sido suportados pela impugnante, nos precisos termos do que estabelece o Anexo V dos contratos de prestação de serviços; a tabela 3.3 que se refere a desembolsos com materiais e serviços de terceiros aponta um total de R$ 18.065.104,39, sendo ali incluídas as despesas incorridas com o pessoal nacional que soma R$ 375.598,58, as quais não pode ser apropriadas como despesas operacionais inerentes ao contrato de afretamento; o mesmo acontece em relação às despesas glosadas no total de R$ 612.165,94 que consta da Tabela 3.4.3, as quais se referem à comissões pagas pela intermediação dos contratos à empresa Petroserv; as despesas glosadas no valor total de R$ 646.859,58 que estão inseridas na Tabela 3.44 e 4.5 referemse à manutenção dos administradores e técnicos estrangeiros no País e que constituem condições para que estes possam exercer suas funções fora de seu país de origem; considerando a hipótese remota de que tais despesas deveriam ser suportadas pela empresa estrangeira fretadora das plataformas, as quais totalizam R$ 20.150.611,16, no ano de 2000, o montante glosado deveria ter sido objeto de compensação com o prejuízo acumulado de R$ 42.398.196,26 em dezembro de 2000. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, apreciando as razões trazidas pela defesa, decidiu, por meio do acórdão nº 12 20.775 de 29 de agosto de 2008, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. As despesas para serem dedutíveis, além de documentalmente comprovadas, devem guardar estrita correlação com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita. Mantémse a glosa de gastos cuja responsabilidade não é da autuada. PREJUÍZOS FISCAIS. CONSIDERAÇÃO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL PELA FISCALIZAÇÃO. A fiscalização ao elaborar o auto de infração está recalculando a base de cálculo do IRPJ declarada. Nesta condição deve considerar o prejuízo fiscal do ano e saldos anteriores, por ser um direito de dedução do contribuinte. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Inexistindo fatos ou argumentos novos, aplicase ao lançamento reflexo de CSLL o decidido em relação ao lançamento de IRPJ, como conseqüência da relação de causa e efeito que os unem. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15521.000018/200512 Resolução nº 1301000.297 S1C3T1 Fl. 433 8 Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 325/350, em que renova argumentos expendidos na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15521.000018/200512 Resolução nº 1301000.297 S1C3T1 Fl. 434 9 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao ano calendário de 2000, formalizadas em razão da imputação das seguintes infrações: i) GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS relativas a reparos, substituições de equipamentos e outros serviços especializados, no montante de R$ 18.065.104,39. Os fundamentos que serviram de lastro para a referida glosa, nos termos do que restou registrado no Termo de Verificação Fiscal, foram os seguintes: a) referidas despesas estão previstas tanto nos contratos de prestação de serviços dos quais a autuada figura como contratada, como nos contratos internacionais de afretamento, em que as obrigações são assumidas por empresas estrangeiras integrantes do denominado Grupo Diamond Offshore, porém, com a seguinte diferença: nos contratos internacionais, as despesas correm por conta das contratadas (empresas estrangeiras), enquanto nos contratos nacionais, a contratada está livre de qualquer ônus, eis que, nesse caso, a contratante (PETROBRÁS) garante o ressarcimento dos eventuais desembolsos; b) a título ilustrativo, a Fiscalização, fazendo referência ao que denominou "par de contratos" relacionados à PLATAFORMA OCEAN ALLIANCE (CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 101.2.024.004 e CONTRATO DE AFRETAMENTO 101.2.023.001), transcreve as cláusulas 3.3 e 3.4 do primeiro e 3.8 e 3.8.1 do segundo para concluir que "cabe à empresa estrangeira contratada, e não à BRASDRIL, arcar com os custos relativos à compra de materiais necessários ao funcionamento das plataformas" Alega a Recorrente que as despesas operacionais que foram objeto de glosa por parte da Fiscalização são pertinentes à atividade de perfuração (contrato de prestação de serviços) e como tal deve ser apropriada na escrita contábil e fiscal. Argumenta que, por força do contrato com a PETROBRÁS, está obrigada a assumir gastos com a manutenção dos equipamentos empregados na prestação de serviços; ii) GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS relativas a inspeções diversas, no montante de R$ 826.481,25. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, os dispêndios glosados referemse a exames, limpeza, inspeção, certificações de sistemas e demais inspeções, que representam custos que só são previstos nos CONTRATOS DE AFRETAMENTO, inexistindo, pois, dispositivos equivalentes nos CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS; iii) GLOSA DE OUTRAS DESPESAS, descritas nos registros contábeis da fiscalizada como COMISSÕES SOBRE FATURAMENTO pagas à empresa PETROSERV, no montante de R$ 612.165,94. Assinala o Termo de Verificação Fiscal que, por força das disposições do art. 304 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), as importâncias relacionadas a este item "não são dedutíveis se não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante não individualizar o beneficiário do rendimento"; Fl. 441DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15521.000018/200512 Resolução nº 1301000.297 S1C3T1 Fl. 435 10 iv) GLOSA DE DESPESAS GERAIS ADMINISTRATIVAS, no montante de R$ 646.859,58. Registra o Termo de Verificação Fiscal que, no caso, as despesas glosadas dizem respeito a gastos com residências de funcionários estrangeiros da autuada, tais como: aluguéis; contas de água, luz e telefone; compra de eletrodomésticos; pagamento de seguranças e de empregadas domésticas. Para a autoridade fiscal, tais despesas não são necessárias à manutenção da fonte produtora e à execução da atividade da pessoa jurídica autuada, nos termos do art. 299 do RIR/99. Promovida a recomposição do resultado fiscal, a Fiscalização converteu o prejuízo fiscal e a base negativa declarados de R$ 16.261.032,11 para um resultado positivo de R$ 3.889.579,05. Cumpre registrar que o Termo de Verificação Fiscal discorre ainda sobre infração que, pelo que concluiu a autoridade autuante, só gerou repercussão na apuração das bases de cálculo do PIS e da COFINS. De acordo com informação constante na decisão de primeira instância, as exigências correspondentes às referidas contribuições foram objeto dos processos administrativos nºs 15521.00031/2005 e 15521.00030/200527. A Turma Julgadora de primeiro grau, apreciando os argumentos trazidos pela autuada por meio de peça impugnatória, manteve as infrações imputadas pela Fiscalização, porém, identificando que na recomposição do resultado fiscal não foram consideradas compensações de saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de períodos anteriores, reduziu os montantes das exigências formalizadas. Cabe ressaltar que as reduções das exigências promovidas em primeira instância não ultrapassaram o limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008, motivo pelo qual não houve interposição de recurso de ofício. Analisando os elementos reunidos ao processo, observo que: A o Termo de Verificação Fiscal de fls. 228/249, ao indicar o que denominou "partes constituidoras do presente processo" faz referência expressa a ANEXOS, nos quais teriam sido juntados, entre outros, os seguintes documentos: contratos; despesas e custos glosados; e notas fiscais de despesas/custos glosados; B na impugnação interposta, a contribuinte apresenta relação dos documentos que alegou anexar, entre os quais o que denominou CÓPIA DAS OBRIGAÇÕES MÚTUAS NOS CONTRATOS (item 6, fls. 295); C a peça recursal apresentada pela fiscalizada, por sua vez, traz considerações acerca da existência de cláusulas específicas nos contratos tratando das regras relacionadas às despesas de contratante e contratada; inclusão de notas fiscais em relação elaborada pelo agente fiscal fls. 20/37; anexo E do contrato de serviços; D no que diz respeito à "relação de fls. 20/37", acima mencionada, a informação constante do recurso é de que ela, a relação, encontrase anexada ao auto de infração, fato que não se verifica. Perscrutando, pois, as peças processuais disponibilizadas para julgamento, constato que a documentação referenciada nas letras A, B, C e D acima não foram juntadas ao processo. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15521.000018/200512 Resolução nº 1301000.297 S1C3T1 Fl. 436 11 Registro que o detalhamento trazido por meio da peça recursal a respeito das glosas efetuadas pela Fiscalização não consta da impugnação interposta. Contudo, penso que, em homenagem ao princípio da verdade material, ele deve ser objeto de apreciação. Por todo o exposto e diante da ausência de anexação aos autos de documentos que, a meu juízo, revelamse essenciais à solução da lide, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que sejam adotadas as seguintes providências: 1. anexação ao processo, por parte da unidade administrativa de origem, dos seguintes anexos: I a IX; XIV; XV; e XVII; 2. anexação ao processo, por parte da unidade administrativa de origem, do documento denominado CÓPIA DAS OBRIGAÇÕES MÚTUAS NOS CONTRATOS, referenciado na impugnação interposta pela fiscalizada (item 6, fls. 295); e 3. pronunciamento da autoridade autuante acerca da suposta desconsideração, no juízo acerca da titularidade dos gastos relacionados às imputações descritas nos itens "i" e "ii" acima (GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS relativas a reparos, substituições de equipamentos e outros serviços especializados e GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS relativas a inspeções diversas), dos seguintes documentos: ANEXO IV do contrato nº 101.2.011.983 (fls. 352/356); ANEXO IV do contrato nº 101.2.024.004 (fls. 357/363); ANEXO IV do contrato nº 101.2.038.991 (fls. 364/370); ANEXO IV do contrato nº 101.2.118.975 (fls. 371/375); ANEXO IV do contrato nº 101.2.006.991 (fls. 376/380); e ANEXO B do contrato nº 101.2.050.966 (fls. 381/385). "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 443DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 19515.000784/2010-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES.
Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa.
DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ALCANCE.
Correta a autuação, visto que a decisão transitada em julgado deferiu o pleito da Apelante no sentido de que esta pudesse se utilizar do saldo de prejuízo fiscal apurado em 31/12/1994, sem, no entanto, abarcar a possibilidade de utilização dos prejuízos fiscais verificados após tal data.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-002.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer da arguição de postergação, por preclusão. Vencido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei que votou por analisar o pleito. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que votou por dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva Gonzalez, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ALCANCE. Correta a autuação, visto que a decisão transitada em julgado deferiu o pleito da Apelante no sentido de que esta pudesse se utilizar do saldo de prejuízo fiscal apurado em 31/12/1994, sem, no entanto, abarcar a possibilidade de utilização dos prejuízos fiscais verificados após tal data. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer da arguição de postergação, por preclusão. Vencido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei que votou por analisar o pleito. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que votou por darlhe provimento. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 84 /2 01 0- 84 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000784/201084 Acórdão n.º 1402002.067 S1C4T2 Fl. 446 2 Gonzalez, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000784/201084 Acórdão n.º 1402002.067 S1C4T2 Fl. 447 3 Relatório SANTHER FÁBRICA DE PAPEL SANTA THEREZINHA S.A. recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1640.548 que julgou improcedente a impugnação apresentada. Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Trata o presente feito de auto de infração de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2006 (fls. 151/153). De acordo com o Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 143/148), foi constatado o excesso de compensação de prejuízo fiscal na apuração do lucro real da empresa no anocalendário de 2006. As disposições legais que embasaram o lançamento encontramse descritas no Auto de Infração e no Termo de Verificação e Constatação Fiscal. Em 01/04/2010, a interessada tomou ciência dos autos de infração (fl. 155) e, em 03/05/2010, apresentou defesa (fls. 157/192), alegando, em síntese, que: Impõese o reconhecimento da nulidade do auto de infração, posto que, na descrição de fatos e enquadramento legal, a autoridade fiscalizadora deixou de apontar, entre as hipóteses tipificadas no artigo 44, I, da Lei 9.430/1996, qual delas teria dado ensejo à imputação da multa de 75%. Essa autoridade somente indicou que houve compensação supostamente indevida, sem mencionar se houve falta de pagamento ou falta de declaração ou declaração inexata. Consta do Termo de Verificação e Constatação Fiscal, como fundamento para a autuação, os artigos 250, III, e 510 do RIR/1999. Porém, no auto de infração, além dos artigos mencionados, foram apontados os artigos 247 e 251, parágrafo único. Dada a incompatibilidade entre os fundamentos normativos desses atos, o lançamento deve ser cancelado, ante o cerceamento ao direito de defesa da contribuinte. Incorreto o entendimento da fiscalização de que a decisão judicial teria afastado a limitação de compensação prevista na Lei 8.981/1995 somente em relação aos prejuízos fiscais apurados até 31/12/1994. Se houvesse restado alguma dúvida pela União quanto à extensão temporal do acórdão em comento, caberia à ela ter ofertado embargos Fl. 447DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000784/201084 Acórdão n.º 1402002.067 S1C4T2 Fl. 448 4 de declaração, com o escopo de obter o saneamento de eventual omissão ou obscuridade, o que não foi feito. Ainda que não bastasse a proteção constitucional à coisa julgada, também a legislação federal, por meio da Lei de Introdução ao Código Civil (artigo 6º, caput e 3º) e do Código de Processo Civil (artigos 467 a 475) assegura sua inviolabilidade. Ao não se permitir a compensação de prejuízo, houve, na verdade, a instituição de um novo imposto sobre o patrimônio, além do ITR e IPTU, desrespeitando as regras do artigo 154, I, da Constituição Federal. A limitação da compensação é também ilegítima em face do disposto no artigo 110 do CTN, que proíbe ao legislador alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos, dos conceitos e das formas de direito privado usados expressa ou implicitamente pelas normas superiores para definir ou limitar a competência tributária. Nos termos do artigo 189 da Lei 6.404/1976, somente existe a disponibilidade jurídica ou econômica, se do resultado for deduzido os prejuízos fiscais. Sendo a compensação realizada pela impugnante válida, a autuação deve ser julgada improcedente e o imposto, a multa e os juros devem ser cancelados. Requerse, sob pena de nulidade, que todas as intimações sejam enviadas para a empresa e para os seus representantes legais que assinam a presente impugnação. Analisando a impugnação apresentada, a 6ª Turma da DRJ/SP1 julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão em 22 de setembro de 2010, uma quartafeira (fl. 381), apresentando em 22 de outubro de 2010 o recurso voluntário de fls. 385 422. O recorrente reforça os argumentos apresentados em sua impugnação, nos seguintes termos: preliminarmente: alega nulidade do auto de infração (i) teria sido atribuída multa sem indicação da hipótese correspondente à sua incidência; (ii) alega que o lançamento seria nulo também por haver divergência no enquadramento legal entre o Termo de Verificação e Constatação Fiscal e o Auto de Infração; no mérito, novamente reforça seus argumentos a respeito do teor da decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 95.00312840; Fl. 448DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000784/201084 Acórdão n.º 1402002.067 S1C4T2 Fl. 449 5 o lançamento ofenderia o trânsito em julgado da decisão; a decisão transitada em julgado protegeria seu direito de compensar os prejuízos fiscais na apuração do lucro real sem qualquer limitação, independentemente do período; a Impetração do Mandado não teria se dado somente em função da apuração do lucro fiscal do anobase 1995, com a compensação dos prejuízos apurados até o ano anterior (31 de dezembro de 1994). O que teria se pleiteado era o direito de não se submeter aos limites do artigo 15 da Lei n°. 9.065/95 (art. 42 e 58 da Lei n°. 8.981/95), desde o momento da impetração para o futuro sem qualquer restrição, com prejuízos fiscais de 1994 e seguintes; embora tenha optado pela via judicial, caso se opte por reexaminar o mérito do direito à compensação de prejuízos sem qualquer limitação, os dispositivos legais em questão seriam inconstitucionais; por fim, questiona a incidência de multa de 75% e juros, uma vez que a própria exigência do tributo não poderia prosperar. É o relatório. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000784/201084 Acórdão n.º 1402002.067 S1C4T2 Fl. 450 6 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE Conforme relatado, o contribuinte foi cientificado da decisão em 22 de setembro de 2010, uma quartafeira (fl. 381). Considerandose que o art. 33 do Decreto nº 70.235/72 estabelece que o prazo para interposição de recurso voluntário é de 30 dias, e tendo o contribuinte apresentado sua irresignação em 22 de outubro de 2010 (fls. 385422), o recurso voluntário é tempestivo. Preenchidos os demais pressupostos para sua admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. 2 PRELIMINARES DE NULIDADE Alega a recorrente que o lançamento seria nulo, uma vez que teria sido atribuída multa sem indicação da hipótese correspondente à sua incidência. Aduz ainda que o lançamento seria nulo também por haver divergência no enquadramento legal entre o Termo de Verificação e Constatação Fiscal e o Auto de Infração. Discordo de tal entendimento. Os pressupostos legais para a validade do auto de infração são determinados pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal, a seguir transcrito: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A respeito da nulidade, o mesmo diploma legal assim dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 450DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000784/201084 Acórdão n.º 1402002.067 S1C4T2 Fl. 451 7 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Compulsando os autos, constatase que os autos de infração lavrados preenchem os requisitos elencados pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Além disso, no caso concreto, não há qualquer dúvida que no auto de infração lavrado consta o enquadramento legal quanto à multa aplicada (fl. 152 art. 44, inciso I, da lei nº 9.430/96). No que tange à pretensa divergência de enquadramento legal entre Termo de Verificação e Auto de Infração, outra sorte não lhe assiste. Vejase excerto da decisão recorrida quanto à matéria, que muito bem analisa a inconsistência do argumento da recorrente: No Termo de Verificação e Constatação Fiscal, a autoridade lançadora transcreveu os artigos 250 e 510 do RIR/1999, para dar fundamento à infração apontada, concernente à não observância do limite de 30% para compensar o lucro apurado no anocalendário de 2006 com prejuízos fiscais acumulados. Em seguida, essa autoridade intimou a empresa a proceder os ajustes necessários no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), bem como mencionou a capitulação legal para a formalização da exigência tributária (fl. 147): Em virtude do que foi acima mencionado, a exigência tributária está embasada nos artigos 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, e 510 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3000/99, de 26/03/99 (RIR). Tais dispositivos legais são exatamente os mesmos indicados no Enquadramento Legal constante do Auto de Infração [...] Fl. 451DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000784/201084 Acórdão n.º 1402002.067 S1C4T2 Fl. 452 8 Ademais, resta evidente inexistir qualquer prejuízo ao contribuinte, tanto que, já em sede de impugnação defendeuse plenamente, despendendo com clareza e qualidade, todos os argumentos necessários ao pleno exercício de sua defesa. Nesse aspecto, frisese que a possibilidade de defesa foi amplamente viabilizada pelos detalhes da descrição dos fatos realizada pela autoridade fiscal e enquadramento legal utilizado no Termo de Verificação Fiscal, que compõe o auto de infração, no qual se apontou com minúcias os fatos constatados, qualificandoos e subsumindoos com perfeição aos dispositivos legais apontados no próprio relatório em questão e também no corpo do próprio auto de infração. Portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa. Isso porque, não se constata qualquer prejuízo ao pleno exercício do contraditório e da ampla defesa por parte da Recorrente, aliás, prejuízo esse primordial à caracterização de nulidade, conforme apregoa o art. 60 do Decreto nº 70.235/72: “As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo”. Assim sendo, sob os aspectos formais, não há qualquer mácula no auto de infração lavrado. No mais, o agir da autoridade fiscal se deu no desempenho das funções estatais, de acordo com as normas legais e com respeito a todas as garantias constitucionais e legais dirigidas aos contribuintes. Portanto, deve ser afastada as arguições de nulidade do lançamento. 3 MÉRITO Em resumo, que a autuação se deu em razão de a autoridade fiscal, ao analisar a DIPJ AC 2006, ter constatado que o contribuinte compensou integralmente (sem a observância do limite legal de 30%) o Lucro Líquido ajustado (Lucro Real), no valor R$26.993.827,63, com o saldo dos Prejuízos Fiscais de anos anteriores, em face de decisão judicial transitada em julgado. No entanto, entendeu que a sentença se limitava aos prejuízos acumulados até 31/12/1994, inexistentes no anocalendário de 2006 por ter sido completamente compensado em períodos anteriores. Irresignado, o contribuinte alega que a decisão judicial proferida não se limitou a afastar a limitação prevista (30%) somente em relação aos prejuízos fiscais apurados até 31.12.1994, conforme interpretação indevida da Fiscalização, a quem não cabe a tarefa de interpretar os efeitos da decisão judicial proferida, mas somente observála, assegurandose o seu fiel cumprimento. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000784/201084 Acórdão n.º 1402002.067 S1C4T2 Fl. 453 9 Aduz que a decisão transitada em julgada, que lhe assegura o direito de não observar a limitação de 30% na compensação dos prejuízos fiscais apurados em todos os exercícios, e não somente em relação aos apurados até 31.12.1994. Conforme se verifica, o presente litígio se resume a definir qual a amplitude da decisão judicial que transitou em julgado e, por conseguinte, se a recorrente, no anocalendário de 2006, poderia compensar somente 30% do lucro líquido ajustado, ou se estava autorizado a não obedecer tal limite. Passase à análise dos fatos e documentos constantes nos autos a fim de definir qual o alcance da decisão judicial transitada em julgado. Destaco os seguintes excertos: Inicial do Mandado de Segurança com pedido de Liminar (fls. 4757 ) DOS FATOS: [...] por dispositivo, inconstitucional, contido na Lei n° 8.981, de 200195, resultante de conversão da Medida Provisória n° 812/94, a compensação de prejuízos acumulados ficou limitada a 30 % do lucro a partir do exercício de 1995. Está, assim, a impetrante, ameaçada de sofrer graves sanções por parte da autoridade impetrada se, descumprindo a norma ilegítima, compensar no exercício de 1.995, os prejuízos acumulados. [grifos nossos] PEDIDO: [...] Finalmente requer: (...) b) seja ouvido o Ministério Público para, afinal, ser concedida, em definitivo, a segurança, confirmando a concessão da liminar, para ser garantido à impetrante o direito de compensar do Imposto sobre a Renda apurado neste exercício e em exercícios futuros os prejuízos acumulados sem qualquer limitação. [grifos nossos] Exame do pedido de liminar (fl. 59) Tratase de mandado de segurança, com pedido de liminar, visando a impetrante a compensação dos prejuízos fiscais do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, ocorridos até 31.12.1994, afastandose as disposições do art. 42 da Lei nº 8.981/95. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000784/201084 Acórdão n.º 1402002.067 S1C4T2 Fl. 454 10 Parecer Ministério Público (fl. 62) Alega a Impte. que em decorrência de suas atividades empresariais acumulou prejuízos fiscais em exercícios passados, os quais podia compensar com lucros futuros na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ [...] de conformidade com a legislação vigente até 31 de dezembro de 1994. [...] [grifos nossos] Sentença (fl. 69) FÁBRICA DE PAPEL SANTA TEREZINHA S/A, [...] impetra mandado de segurança contra ato do DELEGADO DA RECEITA FEDERAL , [...] aduzindo que, em síntese, que em razão da recessão acumulou prejuízo, até o fim do exercício de 1994, tendo adquirido o direito de compensálo com lucros futuros, na forma da lei. Em razão da superveniência da Lei nº 8.981, de 20.01.95, resultando da conversão da MP 812/94, a compensação de prejuízos acumulados restrita ficou ao percentual de 30% do lucro, a partir do anocalendário de 1995, obstando estando [sic] o direito à compensação em seu largo espectro.Deuse, pois, ofensa a direito adquirido, posto que a legislação antiga permitia a compensação integral de prejuízos, no interstício de 4 anos, sendo que a MP só se tornou pública aos 31 de dezembro de 1994 (data da publicação na imprensa oficial) tendo sido divulgada em 02.01.95, quando o direito à compensação, no modelo antigo, já havia ingressado no patrimônio do contribuinteimpetrante, direito que se reivindica, ao menos até novembro daquele ano, nos termos da Lei nº 8.383, de 30.12.91, quando a periodicidade de apuração dos lucros e compensação de prejuízos era mensal, adquirindo o contribuinte, findo o mês, o direito à compensação, pelo que os prejuízos acumulados até dezembro de 1994 são passíveis de compensação nesses moldes. [...] [grifos nossos] Fl. 454DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000784/201084 Acórdão n.º 1402002.067 S1C4T2 Fl. 455 11 Apelação (fl. 85) “Por todo o exposto, requer de V. Exas., que deste conhecendo, dêem lhe provimento para, reformando a r. decisão ora apelada, conceder a segurança, garantindo à apelante o direito de deduzir da base de cálculo do Imposto sobre a Renda os prejuízos acumulados, sem a limitação imposta pelo artigo 58, da Lei 8.981/94 por inconstitucional.”. Acórdão TRF 3ª RF (fl.92) RELATÓRIO Na presente ação, objetiva a impetrante a concessão de segurança, a fim de eximirse da limitação imposta pelo art. 42 da Lei n° 8.981 de 20 de janeiro de 1995, à compensação, a partir do exercício de 1995, dos prejuízos fiscais apurados em seu balanço contábil acumulados até 31 de dezembro de 1994. Processado o feito com liminar, a sentença a final denegou a segurança e revogou a liminar concedida. Inconformada, em recurso de apelação, a autora aduz preliminar de nulidade, sob o argumento de que a decisão não teria analisado todos os argumentos dispendidos [sic] na inicial; no mérito, pugna pela inaplicabilidade dos artigos 42 e 58 do referido diploma legal. Regularmente processados; subiram os autosa esta Corte: O ilustre representante do Ministério Público Federal opina pela manutenção da sentença. É o relatório. VOTO (...) E isto porque o percentual de 30%, limitador do exercício dum direito de crédito do contribuinte, inviabilizando parcialmente o exercício do direito que este já adquiriu quando da verificação dos prejuízos fiscais e bases negativas, outra coisa não faz senão instituir ilegal esquema de moratória no direito tributário modalidade de moratória ‘pro fisco’, não autorizada pelo Código Tributário Nacional exatamente o reverso da medalha da suspensão de exigibilidade que, exclusivamente em favor do contribuinte, vem disciplinada no art. 151, inc. I, daquela codificação. Isto posto, por meu voto, se dá provimento à apelação. [grifos nossos] Fl. 455DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000784/201084 Acórdão n.º 1402002.067 S1C4T2 Fl. 456 12 CERTIDÃO DE OBJETO E PÉ – STJ (fl. 140) CERTIFICA ... deles verificou constar o seguinte: 1 tratase, originariamente, de Mandado de Segurança com pedido de liminar, impetrado pela recorrida (...) contra ato do Sr. Delegado da Receita Federal em São PauloLeste, objetivando a concessão de segurança a fim de eximirse da limitação imposta pelo art. 42 da Lei número 8.981/95, à compensação, a partir do exercício de 1995, dos prejuízos fiscais apurados em seu balanço contábil acumulados até 31 de dezembro de 1994; 2 às fls. 99/102, sentença denegando a segurança, reformada pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região ao dar provimento à Apelação em Mandado de Segurança interposta pela empresa (...), ensejando à Fazenda Nacional a interposição de Recursos Especial e Extraordinário, inadmitido este e admitido aquele, o Especial, conforme decisões às fls. 171 e 172. Certifica, finalmente, que no Superior Tribunal de Justiça, a Primeira Turma, à unanimidade de votos, não conheceu do recurso, nos termos do voto do Relator, Exmo. Sr. Ministro Milton Luiz Pereira, conforme acórdão de fls. 190/199, publicado no D.J.U. de 28.05.2001, que transitou em julgado. É O QUE FOI PEDIDO PARA CERTIFICAR, DO QUE DÁ FE. Dada e passada aos vinte e nove dias do mês de junho do ano dois mil e um (29.06.2001), nesta cidade de Brasília – DF”. [grifos nossos] Convém transcrever o disposto no art. 42 e da Lei nº 8.981/95: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000784/201084 Acórdão n.º 1402002.067 S1C4T2 Fl. 457 13 Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. Pois bem, analisamse agora os excertos das peças processuais e decisões transcritas alhures: Inicial do Mandado de Segurança: resta evidente que o contribuinte irresignouse contra o art. 42 da Lei nº 8.981/95, tachandoo de inconstitucional. Já em seu pedido pleiteouse que do IRPJ apurado (Lucro Real) no AC 1995 e nos seguintes, fosse possível a compensação dos prejuízos acumulados sem qualquer limitação, ou seja, sem limitação temporal (de quatro anos, conforme legislação anterior), ou quantitativa (de 30%, conforme lei sob exame). É importante ressaltar que o pedido do contribuinte foi no sentido de que o estoque de prejuízo fiscal que possuía (em 31/12/1994) pudesse ser utilizado em exercícios futuros, sem qualquer limitação. Entendo que não se pleiteou que os prejuízos fiscais que viessem a ser gerados pudessem também ser compensados sem limitações, o que poderia ter feito. Considerandose que a tutela jurisdicional é adstrita ao pedido formulado, depreendese do Mandado de Segurança proposto que esse almejou tão somente o amparo judicial para que seu estoque de prejuízo fiscal apurado em 31/12/1994 pudesse ser utilizado nos exercícios futuros, sem qualquer limitação, aliás, entendimento esse que se extrai também nos exames do pedido de liminar, no Parecer do Ministério Público Federal, na sentença, no acórdão transitado em julgado e até mesmo na Certidão de Objeto e Pé emitida pelo STJ, conforme se analisará a seguir. Exame do pedido de liminar Tratase de mandado de segurança, com pedido de liminar, visando a impetrante a compensação dos prejuízos fiscais do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, ocorridos até 31.12.1994, afastandose as disposições do art. 42 da Lei nº 8.981/95. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000784/201084 Acórdão n.º 1402002.067 S1C4T2 Fl. 458 14 Corroborando o entendimento já firmado a partir do pedido, o magistrado deixou claro o limite da lide: a compensação de prejuízos fiscais de IRPJ acumulados até 31/12/1994, sem as restrições impostas pelo art. 42 da Lei nº 8.981/95. Parecer Ministério Público Alega a Impte. que em decorrência de suas atividades empresariais acumulou prejuízos fiscais em exercícios passados, os quais podia compensar com lucros futuros na apuração da base de caçulo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ [...] de conformidade com a legislação vigente até 31 de dezembro de 1994. [...] [grifos nossos] Também o Ministério Público Federal, em seu parecer, delimita os contornos da lide: a então impetrante questionava o direito de compensar os prejuízos fiscais em exercícios passados em conformidade com a legislação vigente até 31 de dezembro de 1994. Sentença FÁBRICA DE PAPEL SANTA TEREZINHA S/A, [...] impetra mandado de segurança contra ato do DELEGADO DA RECEITA FEDERAL , [...] aduzindo que, em síntese, que em razão da recessão acumulou prejuízo, até o fim do exercício de 1994, tendo adquirido o direito de compensálo com lucros futuros, na forma da lei. Em razão da superveniência da Lei nº 8.981, de 20.01.95, resultando da conversão da MP 812/94, a compensação de prejuízos acumulados restrita ficou ao percentual de 30% do lucro, a partir do anocalendário de 1995, obstando estando [sic] o direito à compensação em seu largo espectro.Deuse, pois, ofensa a direito adquirido, posto que a legislação antiga permitia a compensação integral de prejuízos, no interstício de 4 anos, sendo que a MP só se tornou pública aos 31 de dezembro de 1994 (data da publicação na imprensa oficial) tendo sido divulgada em 02.01.95, quando o direito à compensação, no modelo antigo, já havia ingressado no patrimônio do contribuinteimpetrante, direito que se reivindica, ao menos até novembro daquele ano, nos termos da Lei nº Fl. 458DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000784/201084 Acórdão n.º 1402002.067 S1C4T2 Fl. 459 15 8.383, de 30.12.91, quando a periodicidade de apuração dos lucros e compensação de prejuízos era mensal, adquirindo o contribuinte, findo o mês, o direito à compensação, pelo que os prejuízos acumulados até dezembro de 1994 são passíveis de compensação nesses moldes. [...] [grifos nossos] Na sentença exarada, mais uma vez o magistrado deixa claro que a discussão envolvida o direito à compensação de prejuízos acumulados até dezembro de 1994 sem as limitações trazidas pelo art. 42 da lei nº 8.981/95. Apelação “Por todo o exposto, requer de V. Exas., que deste conhecendo, dêem lhe provimento para, reformando a r. decisão ora apelada, conceder a segurança, garantindo à apelante o direito de deduzir da base de cálculo do Imposto sobre a Renda os prejuízos acumulados, sem a limitação imposta pelo artigo 58, da Lei 8.981/94 [sic] por inconstitucional.”. Em suas razões de apelação, a própria recorrente repete o seu pedido para compensar os prejuízos acumulados (frisese, a demanda foi proposta em abril de 1995), não fazendo qualquer menção a prejuízos futuros que viessem a ser auferidos. Acórdão TRF 3ª RF O ilustre desembargador relator, assim fez constar: “Na presente ação, objetiva a impetrante a concessão de segurança, a fim de eximirse da limitação imposta pelo art. 42 da Lei n° 8.981 de 20 de janeiro de 1995, à compensação, a partir do exercício de 1995, dos prejuízos fiscais apurados em seu balanço contábil acumulados até 31 de dezembro de 1994”. Compulsando o Acórdão prolatado, constatase que o relator nada trouxe a respeito da possibilidade da então apelante, ora recorrente, poder se utilizar dos prejuízos fiscais apurados após 31/12/1994, até mesmo porque não houve qualquer pedido do autor a esse respeito. Por fim, após discorrer sobre os fundamentos que afastaram a aplicação dos Fl. 459DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000784/201084 Acórdão n.º 1402002.067 S1C4T2 Fl. 460 16 artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95, assim concluiu: “Isto posto, por meu voto, se dá provimento à apelação”. É oportuno esclarecer que, não tendo o voto condutor do aresto se referido à possibilidade de utilização dos prejuízos fiscais apurados após 31/12/94 poderia, a apelante, ter oposto embargos declaratórios a fim de sanar eventual omissão em tal voto, o que, com base nos elementos trazidos aos autos, não ocorreu. Ainda a respeito da fundamentação de tal acórdão consta que: “... o percentual de 30%, limitador do exercício dum direito de crédito do contribuinte, inviabilizando parcialmente o exercício do direito que este já adquiriu quando da verificação dos prejuízos fiscais e bases negativas, outra coisa não faz senão instituir ilegal esquema de moratória no direito tributário...” [grifos nosso]. Ora, resta evidente que o relator entendeu que a lei não poderia limitar a utilização de um direito adquirido antes de sua entrada em vigor. CERTIDÃO DE OBJETO E PÉ – STJ Tal documento serve tão somente para ratificar o até aqui exposto: “... objetivando a concessão de segurança a fim de eximirse da limitação imposta pelo art. 42 da Lei número 8.981/95, à compensação, a partir do exercício de 1995, dos prejuízos fiscais apurados em seu balanço contábil acumulados até 31 de dezembro de 1994; ...”. Correta, portanto, a decisão recorrida ao afirmar que a decisão judicial em comento não se aplica ao caso concreto, uma vez que o prejuízo fiscal acumulado até o ano calendário de 1994 já houvera sido compensado em períodos anteriores ao anocalendário de 2006 (conforme planilha de fl. 144 fato incontroverso), aplicandose, assim, o limite de 30% para compensação do lucro real apurado no período com prejuízos fiscais de períodos anteriores. 3 CONSIDERAÇÕES ADICIONAIS Há de se esclarecer ainda que o Mandado de Segurança impetrado trata da inconstitucionalidade somente do art. 42 da Lei nº 8.981/95, conforme salientado nos excertos das peças processuais e decisões judiciais retroanalisadas. Contudo, a partir de 1º de janeiro de 1996 novo dispositivo legal passou a reger a matéria: os arts. 12 e 15 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, transcritos a seguir: Fl. 460DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000784/201084 Acórdão n.º 1402002.067 S1C4T2 Fl. 461 17 Art. 12. O disposto nos arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981, de 1995, vigorará até 31 de dezembro de 1995. [...] Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Portanto, ainda que válidos o entendimento da recorrente, o que se admite apenas para fins de argumentação, tal decisão judicial não protegeria a apuração do lucro real a partir do anocalendário de 1996 (exceto em relação aos prejuízos fiscais acumulados até 31/12/1994, e, em especial, os prejuízos fiscais apurados a partir daí, uma vez que não há nos autos qualquer decisão judicial que imponha a não aplicação do art. 15 da Lei nº 9.065/95. E o auto de infração lavrado apoiase em tal dispositivo legal. Reproduzse, a seguir, excerto da fl. 148 dos autos onde consta a citação dos arts. 250, inciso III, e 510, ambos do Decreto nº 3.000/99, cuja base legal é justamente o art. 15 da Lei nº 9.065/99 (com os destaques ora aposto): E à fl. 155, novamente, citase tal dispositivo: Fl. 461DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000784/201084 Acórdão n.º 1402002.067 S1C4T2 Fl. 462 18 Tal entendimento não é inédito. Vejase, por exemplo, o decido, por unanimidade, pela então 1ª Câmara do extinto Conselho de Contribuintes (Acórdão nº 101 93.856): No mérito, a recorrente rebela contra o disposto nos arts. 42 e 58 da MP 812/94, convertida na Lei 8,981/95 que proíbem a compensação de prejuízos fiscais acumulados além de 30% do Lucro Líquido, para apuração do IRPJ e CSLL, pelas razões que aponta e descritas no relatório A decisão recorrida assevera que a matéria tratada neste feito fiscal não está sendo alcançada pelo Mandado de Segurança, e, assim sendo, não se encontra subjudice a glosa de compensação de prejuízos não cabendo, por consequência, a suspensão do processo até a final decisão do judiciário, devendo ser apreciadas integralmente as exigências sobre as infrações apuradas em 1997 e 1998. Em consequência, não acolheu a preliminar e, no mérito manteve o lançamento. De fato o Mandado de Segurança somente foi impetrado contra a regra contida no art., 42 da Lei nº 8.981/95, que vigorou até 31.12.95, não abrangendo a limitação de compensação de prejuízos aplicáveis aos anoscalendários de 1997 e 1998, prevista no art. 15 da Lei nr, 9.065/95. Nesse passo não pode o Colegiado se furtar de apreciar as infrações capituladas nos anoscalendário de 1997 e 1998, eis que as matérias tratadas estão fundadas em leis diferentes, como asseverou com acerto a decisão recorrida. Eis mais um motivo para a manutenção da decisão recorrida. No mais, as questões atinentes a inconstitucionalidades de leis não podem ser analisadas por este colegiado, a teor do que dispõe a Súmula CARF nº 2, assim vazada “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Quanto à multa de ofício e juros moratórios, ante aos argumentos da recorrente de que não poderiam prosperar em razão da cobrança indevida do IRPJ, mantida a exigência do imposto, mantémse a cobrança da penalidade e juros de mora. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000784/201084 Acórdão n.º 1402002.067 S1C4T2 Fl. 463 19 4 DA ARGUIÇÃO DE POSTERGAÇÃO Nos memoriais apresentados pela recorrente, bem como na sustentação oral realizada por seu patrono, alegouse que o lançamento deveria ter levado em conta a ocorrência de postergação, já que em períodos posteriores ao da ocorrência do fato gerador a que se refere a presente exigência, e antes da realização do lançamento, a recorrente teria apresentado lucro real positivo e não havia compensado prejuízos fiscais de períodos anteriores por justamente já os ter exaurido no anocalendário de 2006. Embora o argumento levantado possa factível, tal matéria não foi abordada em recurso voluntário, tendo chegado ao conhecimento deste relator, e dos demais membros deste colegiado, somente por ocasião do recebimento dos memoriais (apresentados após publicação da pauta de julgamentos) e em sede de sustentação oral. Desse modo, considero a matéria preclusa e, portanto, insuscetível de apreciação por esta turma. 5 CONCLUSÃO Isso posto, voto por não conhecer da arguição de postergação por preclusão, rejeitar as arguições de nulidade do lançamento, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 463DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720790/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2009
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO.
Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar eventual omissão verificada no Acórdão.
JUROS DE MORA. MATÉRIA NÃO ENFRENTADA PELA DRJ. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Deve ser devolvida para manifestação da autoridade julgadora de Primeira Instância, matéria suscitada em sede de Impugnação, porém não enfrentada pela instância a quo, para que não sobrevenha supressão de instância.
Numero da decisão: 2201-002.705
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, acolher parcialmente os Embargos, com efeitos infringentes, para, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2201-002.370, de 15/04/2014, complementar o final do voto condutor, bem como a parte dispositiva da decisão original, no sentido de "dar provimento ao Recurso de Ofício, devendo o processo retornar à DRJ, para manifestação acerca dos juros de mora". Vencidos os Conselheiros CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ e MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), que votaram pelo acolhimento parcial para complementar a parte final do voto condutor e a parte dispositiva do Acórdão no sentido de "dar provimento ao Recurso de Ofício, declarando-se a incidência dos juros de mora sobre o crédito lançado".
Realizou sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Filippe Leal Leite Néas, OAB/DF 32.944.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH Relator
Assinado Digitalmente
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos declaratórios para sanar eventual omissão verificada no Acórdão. JUROS DE MORA. MATÉRIA NÃO ENFRENTADA PELA DRJ. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Deve ser devolvida para manifestação da autoridade julgadora de Primeira Instância, matéria suscitada em sede de Impugnação, porém não enfrentada pela instância a quo, para que não sobrevenha supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, acolher parcialmente os Embargos, com efeitos infringentes, para, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2201002.370, de 15/04/2014, complementar o final do voto condutor, bem como a parte dispositiva da decisão original, no sentido de "dar provimento ao Recurso de Ofício, devendo o processo retornar à DRJ, para manifestação acerca dos juros de mora". Vencidos os Conselheiros CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ e MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), que votaram pelo acolhimento parcial para complementar a parte final do voto condutor e a parte dispositiva do Acórdão no sentido de "dar provimento ao Recurso de Ofício, declarandose a incidência dos juros de mora sobre o crédito lançado". AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 07 90 /2 01 1- 12 Fl. 431DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Realizou sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Filippe Leal Leite Néas, OAB/DF 32.944. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator Assinado Digitalmente HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentado pela Contribuinte contra Acórdão do Recurso de Ofício nº 2201002.370, de 15 de abril de 2014. Contra a Embargante foi lavrado Auto de Infração de fls. 226/231, pelo qual se exige o crédito tributário no montante de R$ 74.597.928,90, a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). De pronto, cumpre transcrever o resumo do procedimento fiscal (fl. 311): Termo de Verificação Fiscal (fls. 219/225), em 18/09/2009, a Rio Tinto Brasil (empresa domiciliada no Brasil), até então detida pelas empresas nãoresidentes Rio Tinto Brazilian Holdings Ltd. e Rio Tinto Brazilian Investments Ltd. foi alienada à Autuada pelo valor de US$ 434.333.318,55. As vendedoras (Rio Tinto Brazilian Holdings Ltd. e Rio Tinto Brazilian Investments Ltd.) ingressaram como Mandado de Segurança a fim de impedir o recolhimento de IRRF sobre o ganho de capital apurado, bem como para considerar como custo de aquisição do investimento os valores realmente despendidos quando da aquisição da empresa Rio Tinto Brasil e não apenas o valor de investimento registrado no Registro Declaratório Eletrônico – Investimento Externo Direto (RDEIED) do Banco Central do Brasil. O Mandado de Segurança (nº 0029.0015710/2009 da 29ª Vara Federal do RJ) foi denegado, tendo ocorrido apelação com efeito devolutivo. No curso do processo a Autuada depositou judicialmente o valor de R$ 62.740.057,95, em razão de decisão judicial (fls. 267). A fiscalização ao auditar o cálculo do IRRF devido sobre o ganho de capital apurado com a venda, concluiu que o depósito judicial que a Autuada efetuou encontrase correto, sendo que efetuou o lançamento do imposto com exigibilidade suspensa, com vistas a prevenir a decadência. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16682.720790/201112 Acórdão n.º 2201002.705 S2C2T1 Fl. 3 3 Em sua Impugnação, fls. 235/249, alegou a Contribuinte, essencialmente, ilegitimidade passiva e ilegitimidade da cobrança dos juros de mora. Por sua vez, a 8ª Turma da DRJ/RJ1 deu provimento à Impugnação por entender que houve erro de identificação do sujeito passivo, posto que o lançamento deveria ser endereçado aos contribuintes do IRRF. Transcrevese ementa: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DECISÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. BENEFICIÁRIA DO RENDIMENTO. LANÇAMENTO. Estando a fonte pagadora impossibilitada de efetuar o recolhimento do imposto em virtude de decisão judicial, a responsabilidade deslocase, tanto na incidência exclusivamente na fonte quanto na antecipação, para o contribuinte, beneficiário do rendimento, efetuandose o lançamento, no caso de procedimento de oficio, em nome deste. Em razão do resultado do julgamento, houve recurso necessário, conforme art. 1º da Portaria MF nº 03/08. A Fazenda Nacional apresentou razões ao Recurso de Ofício em 16/11/2012 (fls. 288/296), alegando, em síntese, a legitimidade passiva da Autuada. Em sessão plenária de 15 de abril de 2014, a 1ª Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao Recurso de Ofício, já que reconheceu a legitimidade passiva da Autuada, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão nº 2201002.370, assim ementado: IRRF. PAGAMENTO A NÃORESIDENTE. EXCLUSIVO DE FONTE. DECISÃO JUDICIAL. DEPÓSITO JUDICIAL. SUJEITO PASSIVO. LEGITIMIDADE. Não resta afastada a responsabilidade tributária da fonte pagadora, ainda que, compelida, em razão de decisão judicial, de efetuar depósito judicial de IRRF (exclusivo de fonte) em nome de contribuinte nãoresidente. Resta legítima a constituição de crédito tributário em face da fonte pagadora. Cientificada do Acórdão de Recurso de Ofício nº 2201002.370, em 12/09/2014, portal eCAC fl. 399, e opôs, em 19/09/2014, fl. 422, os Embargos de Declaração de fls. 403/407. Em seu instrumento de Embargos, alega a Contribuinte que o Acórdão de Recurso de Ofício nº 2201002.370, de 15/04/2014 incorre, em síntese, nas seguintes omissões, verbis: a – “É que, uma vez reconhecida a legitimidade da constituição do crédito tributário para fins de prevenir a decadência contra a Embargante, responsável tributária pela retenção do IRRF, careceria avaliar a incidência de juros de mora no presente caso, no qual, antes da autuação fiscal, o sujeito passivo, com amparo em decisão judicial, realizou o depósito do montante integral do crédito tributário...” Fl. 433DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 b – “... em que pese tenha sido consignado no votocondutor que "o valor do depósito judicial, ainda que efetuado em benefício dos contribuintes nãoresidentes, deve aproveitar a Autuada (Vale SA) no tocante ao presente processo administrativo, pois referese ao mesmo crédito tributário" esta i. Turma julgadora não pontificou expressamente sobre a manutenção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, incorrendo em nova omissão, data vênia”. Por sua vez, a presidente da 1ª Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho de Admissibilidade de Embargos de fls. 429/430, rejeitou o item “b”, em razão da ausência do vício apontado, e acolheu o item “a”, determinando a inclusão do processo em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator Os embargos são tempestivos e reúnem os requisitos de admissibilidade. Como se pode verificar da leitura do relatório, a 8ª Turma da DRJ/RJ1 deu provimento à Impugnação por entender que houve erro de identificação do sujeito passivo. Entretanto, como o provimento foi integral, não houve manifestação acerca do cabimento da cobrança de juros de mora, vez que foi exonerada a totalidade do crédito tributário lançado. Não obstante o restabelecimento da legitimidade passiva da Contribuinte pela Segunda Instância, a matéria atinente aos juros de mora suscitada pela Embargante em sua Impugnação, não foi enfrentada pelo CARF, sobretudo em razão da omissão da primeira instância. Na verdade, não se verificou omissão no acórdão embargado, já que é vedada a manifestação acerca de matéria suscitada em sede de Impugnação e não enfrentada pela Primeira Instância. Entretanto, restaurada a legitimidade passiva da Contribuinte, ao final do voto condutor, bem como na parte dispositiva do acórdão embargado, deveria efetivamente ter constado à necessidade de retorno à DRJ, para pronunciamento acerca dos juros de mora, sob pena de supressão de instância. Assim sendo, devese acolher os Embargos para que ao final do voto condutor, bem como na parte dispositiva do julgado, seja acrescentado “... devendo o processo retornar à DRJ, para manifestação acerca dos juros de mora”. Diante do exposto, voto para que sejam acolhidos parcialmente os Embargos para, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2201002.370, de 15/04/2014, complementar o final do voto condutor, bem como a parte dispositiva da decisão original, no sentido de “dar provimento ao Recurso de Ofício, devendo o processo retornar à DRJ, para manifestação acerca dos juros de mora”. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 434DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16682.720790/201112 Acórdão n.º 2201002.705 S2C2T1 Fl. 4 5 Fl. 435DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 18471.000786/2006-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2001, 2002, 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO. RECURSO INTEMPESTIVO
Não se conhece do recurso interposto após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, previsto no artigo 33 do Decreto n° 70.235/72.:
Numero da decisão: 1401-000.791
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO
CONHECER do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes de Mattos
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Recorrida Fazenda Naacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO. RECURSO INTEMPESTIVO Não se conhece do recurso interposto após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, previsto no artigo 33 do Decreto n° 70.235/72.: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra o acórdão recorrido, fls. 759: Versa este processo sobre os Autos de Infração de fls. 646/687 (que têm como parte integrante o Termo de Constatação de Infração Fiscal), lavrados pela DEFIS/RJO, corn ciência em 15/08/2006, para exigência de créditos tributários de IRPJ, no valor de R$745.390,98, de PIS, no valor de R$248.641,20, de CSLL, no valor de R$413.126,91, e de Cofins, no valor de R$1.147.574,98, com multa de 75% e juros de mora. 0 crédito tributário total lançado monta a R$6.084.715,68 (fl. 2). Houve lançamento em face de, em ação fiscal, ter sido apurada omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários sem a comprovação da origem, conforme descrito no Termo de Constatação de Infração Fiscal. O enquadramento legal se encontra nos Autos de Infração. O interessado apresentou, em 12/09/2006, a impugnação de fls. 698/705. Em sua defesa, alega, em síntese, que: o lançamento, levado a efeito por amostragem, afronta as normas do Direito Tributário; em face do § 4° do art. 150 do CTN, ocorreu a decadência em relação ao 1° e ao 2° trimestre de 2001; não cabe a recusa dos contratos de mútuo, perfeitos do ponto de vista legal e jurídico, conforme jurisprudência; a fiscalização não fundamentou a recusa dos contratos, violando o principio da ampla defesa; nos lançamentos decorrentes, devem ser consideradas as mesmas razões. À fl. 739, houve conversão do julgamento em diligência, com os seguintes quesitos: 1 esclareça o motivo da não aceitação dos contratos de mútuo; 2 intime o interessado a apresentar os documentos que considera hábeis para a comprovação da origem dos depósitos bancários; 3 manifestese, de forma fundamentada, sobre os documentos que vierem a ser apresentados, informando se estes elidem a presunção de omissão de receita. A autoridade lançadora apresentou o Relatório de fl. 753. Cientificado (fl. 755), o interessado não apresentou aditamento à impugnação, conforme informção à fl. 756. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 18471.000786/200688 Acórdão n.º 140100.791 S1C4T1 Fl. 790 3 A 1ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, pelo voto de qualidade, julgou improcedente a impugnação e manteve todas as exigências, por meio do Acórdão de fls. 757 762, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com a legislação. DECADÊNCIA. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS OU DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada autoriza a presunção de omissão de receitas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2001, 2002, 2003 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do referido Acórdão em 21/12/2010 (fls. 760, verso), a contribuinte apresentou em 25/01/2011 o recurso voluntário de fls. 764777. Às fls. 788 consta despacho da unidade de origem, com o seguinte teor: Trata o presente processo de Auto de Infração de IRPJ e Reflexos, com decisão de 1ª instância às fls. 757/762 e ciência ao contribuinte em 21/12/2010. O interessado apresentou a documentaçao para Recurso Voluntário às fls. 764 a 782 fora do prazo legal no CAC/IPA. Desta forma, proponho o envio deste processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. É o relatório. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Cumpre, inicialmente, analisar questão prejudicial ao julgamento da lide, qual seja, a tempestividade do Recurso apresentado pela Recorrente. Pela análise dos autos verificase que a intimação do contribuinte acerca do Acórdão recorrido efetivamente se deu em 21/12/2010, conforme Aviso de Recebimento de fls. 760, verso). O recorrente nada alegou acerca da tempestividade de sua peça recursal. Sobre o tema, dispõe o art. 33 do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A contagem do referido prazo deve ser realizada nos termos do art. 52 do mesmo diploma legal, verbis: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na .sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o proceSso ou deva ser praticado o ato. Com base nestas disposições legais, a autoridade competente da unidade de origem informou, às fls. 788, que o recurso em apreço foi apresentado a destempo. Analisando os elementos contantes dos autos, é forçoso reconhecer que a apresentação do presente recurso voluntário ocorreu fora do seu prazo legal, o que enseja a sua intempestividade, de acordo com o determinado pelo art. 33 do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972. Pelo exposto, voto pelo não conhecimento do recurso, em razão de sua perempção. É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 817DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 18471.000786/200688 Acórdão n.º 140100.791 S1C4T1 Fl. 791 5 Fl. 818DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.015332/2010-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1101-000.056
Decisão:
RESOLUÇÃO N.° 1101-000.056
Vistos, relatados e discutidos os autos do processo, resolvem os membros da 1ª Turma, da 1ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, CONVERTER EM DILIGÊNCIA O JULGAMENTO, nos termos do relatório e voto que integram a presente resolução.
À Delegacia da Receita Federal jurisdicionante, para as providências de sua alçada.
Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização da Resolução.
Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado redator ad hoc responsável pela formalização do voto e da presente Resolução, o que se deu na data de 17 de setembro de 2015.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente para formalização do acórdão
(documento assinado digitalmente)
PAULO MATEUS CICCONE
Redator "ad hoc" designado para formalização do voto e resolução
Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma).
Relatório
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA TAGA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2162; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 1.469 1 1.468 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.015332/201050 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1101000.056 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 08 de agosto de 2012 Assunto IRPJ e Reflexos Recorrente UNIMED CAMPINAS COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLUÇÃO N.° 1101000.056 Vistos, relatados e discutidos os autos do processo, resolvem os membros da 1ª Turma, da 1ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, CONVERTER EM DILIGÊNCIA O JULGAMENTO, nos termos do relatório e voto que integram a presente resolução. À Delegacia da Receita Federal jurisdicionante, para as providências de sua alçada. Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização da Resolução. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado redator ad hoc responsável pela formalização do voto e da presente Resolução, o que se deu na data de 17 de setembro de 2015. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 15 33 2/ 20 10 -5 0 Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.015332/201050 Resolução nº 1101000.056 S1C1T1 Fl. 1.470 2 (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente para formalização do acórdão (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE Redator "ad hoc" designado para formalização do voto e resolução Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vicepresidente), Nara Cristina Takeda Taga e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.015332/201050 Resolução nº 1101000.056 S1C1T1 Fl. 1.471 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão exarado pela DRJ em Campinas que manteve o entendimento quanto à exigibilidade dos tributos e multas oriundos de infrações à legislação do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), decorrentes de exclusões indevidas na apuração do Lucro Real Anual, refletindo nas apurações de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL). Em 30/11/10, foi lavrado o Auto de Infração (proc. fls. 546 a 573) por meio do qual a autoridade fazendária procedeu à glosa de valores excluídos na apuração do Lucro Real Anual, ante a constatação das seguintes infrações: 01. Exclusão indevida do Lucro Real – Resultado não tributável decorrente de atos cooperativos auxiliares. A contribuinte comercializa planos de saúde por meio do qual se compromete a fornecer ampla gama de serviços médicos, hospitalares, e relacionados à manutenção da saúde. Ocorre que, para o atendimento de tais serviços, a Unimed Campinas contrata um grande número de serviços de terceiros não cooperados, tais como: exames laboratoriais, exames complementares de diagnóstico, diárias hospitalares etc. A receita proveniente destes serviços é denominada pela contribuinte como atos auxiliares e, “por considerar que o trabalho do cooperado necessita desses atos para poder se realizar em sua plenitude, deixa de efetuar sua tributação pelo IRPJ e pala CSLL, alegando que seriam decorrentes de atos cooperativos” (grifos no original) 02. Exclusão indevida do Lucro Real – Resultados de atos principais não demonstrados. Verificouse que em quase todos os meses do período fiscalizado, os valores excluídos em LALUR referentes aos resultados de atos principais não demonstrados correspondem ao valor efetivamente apurado na Demonstração das Sobras e Perdas mensal. 03. Exclusão indevida do Lucro Real – Resultado decorrente de atos principais – Pessoa Jurídica Cooperada. Constatouse que a fiscalizada, contrariando a legislação de regência das Cooperativas de Trabalho, admitiu empresas como cooperadas. Os resultados decorrentes de atos praticados entre a cooperativa e Pessoas Jurídicas Cooperadas, especializadas na elaboração de exames e serviços congêneres foram considerados como decorrentes de atos não cooperativos, sendo regularmente alcançados pela tributação do IRPJ e da CSLL. 04. Exclusão indevida do Lucro Real – Resultado decorrente de atos principais – Serviço Próprio. Os resultados decorrentes de prestação de serviços mediante a manutenção de clínica própria enquadramse como atos não cooperativos, e são regularmente alcançados pela tributação do IRPJ e da CSLL. Segundo entendeu da autoridade fiscalizadora, “a legislação de regência não contempla com as isenções concedidas aos Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.015332/201050 Resolução nº 1101000.056 S1C1T1 Fl. 1.472 4 atos cooperativos a manutenção de clínicas de serviços próprias das cooperativas” (grifos no original). 05. Multa isolada – Falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL apurados por meio de balancetes de suspensão/redução. A título de esclarecimento, vale mencionar que a fiscalizada subdividiu suas receitas em três partes: atos principais, atos auxiliares e atos não cooperativos. Entendeu a contribuinte que os atos principais correspondem a atos cooperativos, e os atos auxiliares são os necessários à consecução dos atos principais, não incidindo IRPJ e CSLL sobre ambos. Em vista da autuação, em 29/12/2010, foi apresentada pela interessada Impugnação por meio da qual requereu a improcedência da ação fiscal (proc. fls. 611 a 631). De início alegou que “quando celebra contratos com pessoas físicas e jurídicas disponibilizando os serviços dos médicos cooperados, na forma de Planos de Assistência à Saúde, se encontra, em verdade, prestando serviços àqueles e não aos usuários contratantes de tais planos”. Desta forma, relatou que sua fonte de receita, de acordo com seu próprio regimento, são os contratos que formaliza em favor dos médicos cooperados para atuação destes, ao lado das demais receitas não operacionais, como a receita financeira. Esclareceu que toda a receita que aufere “advém dos atos cooperativos próprios, porque decorrentes da prática de atos que ensejaram o nascimento da própria Cooperativa, esta a contabiliza segundo a proporção dos custos havidos na sua atividade, em estrita observância ao que dispõe o artigo 80, da Lei nº 5.764/71”. Concluiu que “não há a prática de um ato auxiliar ou acessório, mas há a reserva de valores advindos da receita dos atos cooperativos para o enfrentamento de tais despesas, consideradas auxiliares ou acessórias posto que no cumprimento do dever de conceder condições para que os médicos cooperados possam realizar a prestação do serviço médico contratado”. No tocante aos atos auxiliares, a Impugnante afirmou que tais atos são os relativos à prática de credenciamento de hospitais, laboratórios de análises clínicas, clínicas radiológicas, todos voltados para que o médico, seu cooperado, possa exercer por completo sua atividade junto ao usuário, adquirente dos planos de saúde que disponibiliza. Alegou que o referido credenciamento de terceiros é feito dentro dos exatos termos previstos no seu objetivo social, qual seja, o de promover condições para o exercício de suas atividades e aprimoramento do serviço de assistência médica. A contribuinte alertou que toda receita que aufere é decorrente da celebração de Planos de Assistência à Saúde. “Dessa receita, classificada contabilmente como receita de atos cooperativos auxiliares, a Recorrente segrega, ainda em sua contabilidade, parte destinada ao pagamento das despesas havidas com o credenciamento de laboratórios, hospitais e clínicas. Essa segregação contábil não desqualifica o fato de que toda a receita derivou da prática de atos cooperativos próprios.” Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.015332/201050 Resolução nº 1101000.056 S1C1T1 Fl. 1.473 5 Assim, asseverou que os atos cooperativos auxiliares representam uma despesa para a cooperativa e não uma receita como quis fazer crer a fiscalização. Portanto, como não são classificados como renda, não se há de falar em fato jurídico tributável pelo IRPJ. Manifestouse contra a classificação do agente fazendário que entendeu que a prestação de serviços por terceiros é ato não cooperativo. A Impugnante relatou que não vende exames laboratoriais ou internações, mas os coloca à disposição do médico, portanto, entendeu que efetivamente tratase de ato cooperativo. Ante a constatação, no relatório fiscal, de que teria excluído no LALUR a título de resultado de atos cooperativos principais um valor superior ao apresentado em Demonstrações das Sobras e Perdas mensal, relativamente aos anos 2005 a 2008, a interessada alegou ter aferido prejuízo fiscal no anocalendário 2005, e quanto aos anoscalendário de 2006 a 2008, efetivamente teria ocorrido erro na prestação das informações ao Auditor Fiscal, pelo que trouxe novas planilhas para correção de tais equívocos. Juntou planilhas com a correção dos erros. Relativamente ao lançamento decorrente de atos principais praticados com pessoas jurídicas cooperadas, a Impugnante afirmou que tal contratação encontrase albergada pelo art. 6º, I da Lei nº 5.764/71. Narrou que desde a sua constituição em 17/12/1970, possui exatas 22 pessoas jurídicas, frente ao universo de mais de 2.500 pessoas físicas. Além disso, todas as pessoas jurídicas que integram o quadro social da Impugnante possuem o mesmo objeto ou atividade correlata das demais pessoas físicas cooperadas, todas prestam serviços médicos. Por fim, a Impugnante alegou que a aplicação da multa isolada por falta de pagamento de estimativas mensais somente se justificaria quando operada no curso do próprio anocalendário, uma vez que, findo o ano, passa a prevalecer a exigência dos tributos devidamente apurados, com base no lucro real anual. Em sessão de 25/02/11, a DRJ em Campinas exarou Acórdão (proc. fls. 748 a 771, verso) julgando procedente em parte a Impugnação, e mantendo parcialmente o crédito tributário formalizado. No mérito, a Turma Julgadora, esclarecendo a natureza das operações praticadas pela contribuinte, com base no capítulo de “Objetivos” de seu Estatuto Social, conclui que “em relação aos resultados apurados, a não incidência do imposto de renda atribuída às sociedades cooperativas alcança, tãosomente, os resultados advindos dos chamados atos cooperativos, assim entendidos aqueles praticados entre a cooperativa e seus associados, ou entre as cooperativas entre si. Desse modo, apenas esses resultados gozam da não incidência do IRPJ e da CSLL”. Citando o Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber (Acórdão CSRF/0101.972, de 08/07/1996), ressaltou o Colegiado que “a legislação das cooperativas admitiu, exaustivamente, apenas três situações possíveis de realização de atos não cooperados, sem que a cooperativa fosse desclassificada como tal, quais sejam aqueles negócios previstos nos artigos 85, 86 e 88 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, os quais se constituem em exceções, justamente, para possibilitar à cooperativa a consecução de seus objetivos sociais, visando completar lotes de produtos e cumprir determinados contratos, ainda assim definiu, Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.015332/201050 Resolução nº 1101000.056 S1C1T1 Fl. 1.474 6 expressamente, como tributáveis os resultados dessas operações, excepcionalmente praticadas com não cooperados, a teor das disposições do artigo 111 da Lei nº 5.764, de 1971”. Partindo da premissa de que a cooperativa de serviços médicos tem como objetivo único a prestação de serviços médicos pelos seus associados, o órgão julgador afirmou que os argumentos esposados pela Impugnante em sentido contrário não podem ser aceitos, pois levariam à confusão entre ato de intermediação e ato cooperativo. O Colegiado entendeu que “a prestação de serviços médicos é aquela exercida pelo médico no seu trabalho pessoal, na clínica médica ou na cirurgia. As demais atividades assumidas pela cooperativa não constituem atos cooperativos para fins de não incidência tributária” e que a previsão de prestação de serviços hospitalares ou laboratoriais por terceiros não cooperados, não é suficiente para conferirlhe tal atributo. Concernente à alegação da Impugnante de que esta não aufere quaisquer receitas na prática dos atos por ela denominados como “auxiliares” (pagamento dos serviços prestados por terceiros – clínicas, laboratórios e hospitais não cooperados), a Turma enfatizou que “embora os valores auferidos com os pagamentos mensais dos planos de saúde sejam utilizados para fazer frente às despesas, inclusive as incorridas com terceiros, tais receitas não são auferidas pelos hospitais, laboratórios ou clínicas, pois, conforme já enfatizado pela autoridade fiscal, a razão jurídica do pagamento do plano de saúde é diversa do pagamento dos serviços prestados. Na primeira hipótese, a razão é um contrato entre a cooperativa e o cliente usuário do plano de saúde. Na segunda, é pelo serviço prestado ao paciente, que a cooperativa paga a terceiros. Assim, é claro e evidente que há receitas de natureza diversas: uma auferida pela cooperativa, em face do contrato de plano de saúde; e outra auferida pelo terceiro que presta o serviço, o que justifica, inclusive, o oferecimento à tributação das receitas auferidas por estes terceiros, na qualidade de sujeitos passivos de obrigação tributária, diversa da obrigação tributária da qual a cooperativa é titular”. No que tange à infração “Resultados de Atos Principais Não Demonstrados”, decide a Turma: 1) Anocalendário 2005: “os prejuízos a que se referem a contribuinte foram adequadamente considerados pela autoridade fiscal não havendo qualquer reparo a ser feito nos cálculos e demonstrativos presentes nos autos”; 2) Anoscalendário 2006 e 2007: quanto às novas planilhas apresentadas junto à Impugnação, “tais alterações não podem ser aceita, em vista da divergência do total das exclusões pretendidas, em confronto com a exclusão efetuada no LALUR pela contribuinte, bem como na ausência de quaisquer esclarecimentos ou justificativas para tais alterações. Também não houve a apresentação da escrituração contábil e fiscal que pudesse justificálas”; e. 3) Anocalendário 2008: a pretendida alteração dos dados inicialmente oferecidos à autoridade fiscal, em virtude de modificação significativa nos valores correspondentes ao mês de outubro de 2008, mostrouse parcialmente aceitável, em obediência ao disposto no artigo 112, inciso II, do CTN, o que representou uma diminuição de R$ 819.940,17 na base de cálculo da Infração 002, originalmente Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.015332/201050 Resolução nº 1101000.056 S1C1T1 Fl. 1.475 7 considerada pela autoridade fiscal como sendo de R$ 1.084.482,73, que passa a corresponder a R$ 264.542,56. Tal entendimento aplica se na apuração da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, pelas mesmas razões expostas nas reconstituições das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quanto ao pedido de exclusão dos resultados decorrentes de atos praticados entre a cooperativa e pessoas jurídicas cooperadas, foi mantido o entendimento de que “as receitas necessárias para o custeio de tais atividades, desenvolvidas por pessoas jurídicas, não podem ser excluídas da tributação”, já que as atividades que tais sociedades desenvolvem não caracterizam as atividades praticadas pelos integrantes pessoas físicas da profissão médica, portanto, não são atos cooperativos. No tocante aos resultados excluídos do lucro real, vinculados ao exercício de serviços próprios, notadamente aqueles oferecidos pelo Centro de Quimioterapia mantido pela interessada, entendeuse que, como não há a atuação direta do profissional que presta os serviços médicos relativamente ao paciente que recebe a prestação desses serviços, não se vislumbra a caracterização de ato cooperativo, justificandose a glosa da exclusão das receitas vinculadas a tal atividade. Por fim, acerca da aplicação da multa isolada pelas diferenças apuradas a título de estimativas, o Colegiado entendeu pela correta aplicação do disposto no artigo 2º da Lei nº 9.430/1996, que versa sobre penalidade isolada, destacandose, segundo a lei, que o contribuinte sujeito à tributação pelo lucro real anual deve realizar os recolhimentos por estimativa, mesmo que ao final do período apure prejuízo fiscal com base negativa da CSLL. Desta forma, “o fato gerador da penalidade é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, qual seja, a falta de pagamento do imposto e da contribuição por estimativa, no prazo legal estabelecido, e ocorre exatamente no momento em que inadimplida referida prestação”, portanto, “correta a imposição da multa isolada sobre as diferenças de estimativas não recolhidas”. Apenas foi ressalvado que ”diante da apreciação quanto à Infração 002, são excluídas parcialmente as multas isoladas referentes a alguns meses do anocalendário 2008, tanto no que refere ao IRPJ como à CSLL”. Em conclusão, a DRJ entendeu pelo parcial provimento à Impugnação, com a manutenção parcial dos lançamentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, bem como pela manutenção da multa isolada relativamente a todos os períodos apurados. Foi interposto Recurso Voluntário em 27/04/2011. Em suas razões, a interessada reitera seu pedido de improcedência do lançamento tributário e, para tanto, volta a suscitar os mesmo argumentos já esposados na Impugnação. A Recorrente afirmou que, segundo o art. 4º, da Lei nº 5.764, de 1971, bem como os arts. 5º, 6º e 7º de seu Estatuto Social, quando a Cooperativa celebra contratos com pessoas físicas e jurídicas, disponibilizando serviços médicos cooperados, na forma de Planos de Assistência à Saúde, realiza, em verdade, serviços aos cooperados e não aos usuários contratantes de tais planos. Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.015332/201050 Resolução nº 1101000.056 S1C1T1 Fl. 1.476 8 Diante desta característica, seria incabível qualquer incidência tributária sobre a receita destas atividades, pois tratarseia de receita dos cooperados. Acerca do que convencionou chamar de “atos cooperativos auxiliares”, a Postulante afirmou que sob essa rubrica encontrase a contabilização da receita destinada ao enfrentamento de uma despesa, em ato de gestão, e que, ao celebrar convênios e credenciamentos de hospitais ou laboratórios, estaria realizando ato voltado aos seus associados, o que estaria autorizado em lei. Face ao erro a que induziu o auditor fiscal ao prestar insuficientemente as informações correspondentes aos anoscalendário 2006 e 2007 para apuração, tendo sido acolhidas apenas as alterações referentes ao anocalendário 2008, pugnou pela aceitação das retificações aos anos 2006 e 2007. Mais uma vez, alegou que a exclusão do resultado decorrente de atos principais praticados com pessoas jurídicas cooperadas encontraria guarida na exceção contida no artigo 6º, inciso I, da Lei nº 5.764/71. Assim, não há que se falar em tributação destes atos. Por fim, requereu o afastamento da multa isolada, pois sua aplicabilidade só seria possível na fluência do anocalendário da infração em questão. Ao referido recurso, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (1431 a 1457), por meio da qual defende a manutenção da autuação. De início, alegou a ocorrência de preclusão quanto à apuração do IRPJ e CSLL com base nos custos projetados sobre as receitas decorrentes da comercialização de Planos de Saúde, visto que a matéria litigiosa está restrita à qualificação jurídica dos atos denominados contabilmente pela contribuinte como cooperados. No que concerne ao resultado dos atos principais não demonstrados, a contribuinte requereu a aceitação das retificações referentes aos anoscalendário 2006 e 2007, no entanto, a Fazenda Nacional alegou que o ônus de provar o erro da fiscalização para afastar a glosa efetuada é da contribuinte, que assim não procedeu. Argumentou o Fisco que os atos denominados pela contribuinte como auxiliares, principais – pessoa jurídica cooperada e principais – serviços próprios, não configuram atos cooperativos vez que não fazem parte do trabalho médico profissional prestado pela cooperativa de serviços médicos. Portanto, tais atos devem ser tributados. Por fim, a Procuradoria da Fazenda Nacional entendeu correta a aplicação cumulativa das multas de ofício e isolada, pois caracterizam infrações diferentes com bases de cálculo diversas. É o relatório. Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.015332/201050 Resolução nº 1101000.056 S1C1T1 Fl. 1.477 9 Voto PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Considerando que a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, este Conselheiro, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado ad hoc para a formalização da presente Resolução. Nesta condição de Redator designado, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pela Conselheira durante a sessão de julgamento, apenas com os devidos ajustes de redação para fins da conversão em diligência do julgamento, conforme decidido pela I. Turma Julgadora (ata da sessão de 08 de agosto de 2012). Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção daquela relatora na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado, no caso aqui tratado: i) ao relato dos fatos apresentado; ii) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e, iii) a quaisquer das conclusões da decisão, incluindose a parte dispositiva e a ementa, com as quais posso ou não concordar em situações concretas . Passo, a seguir, à transcrição do voto. Conselheira Relatora Nara Cristina Takeda Taga Recurso Voluntário O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A Recorrente é uma cooperativa de trabalhos médicos, sendo que o objeto da discussão presente nestes autos consiste na conceituação de “ato cooperado” para fins da incidência de IRPJ e CSLL, bem como para a aplicação conjunta de multa de ofício e isolada. No mérito, é importante mencionar que se considera sociedade cooperativa, segundo prevê o art. 4º da Lei nº 5.764/71, que versa sobre a Política Nacional de Cooperativismo, “as sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, constituídas para prestar serviços aos associados (...)”. Assim, é importante desde já ter em mente que a finalidade da sociedade cooperativa está atrelada à atividade própria do associado. O artigo 79, deste mesmo diploma, conceitua atos cooperativos como “os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais”. Importante mencionar que o parágrafo único deste mesmo dispositivo afasta os atos de mercancia do âmbito do ato cooperativo, in verbis: “Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.015332/201050 Resolução nº 1101000.056 S1C1T1 Fl. 1.478 10 Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria.” Ocorre que o ordenamento jurídico pátrio possibilita às sociedades cooperativas o desempenho de atividades classificadas como não cooperativas desde que atendidos os objetivos sociais e em conformidade com o previsto em lei. Estes atos estão sujeitos à escrituração em separado e à tributação regular dos resultados obtidos. Exemplos dessas possibilidades estão presentes nos artigos 85, 86, 87 e 111 da Lei nº 5.764/71, abaixo transcritos: Art. 85. As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir a capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos art. 85 e 86, serão levados à conta do “Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social” e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. (nossos grifos) Art. 111. São considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. No que diz respeito às Cooperativas de Médicos, o Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação – CST nº 38/80 ao classificar os atos não cooperativos, diversos dos legalmente permitidos, assim dispõe: “Se conjuntamente com os serviços dos sócios a cooperativa contrata com a clientela, a preço global não discriminativo, ainda o fornecimento, a esta, de bens ou serviços de terceiros e/ou cobertura de despesas com (a) diárias e serviços hospitalares, (b) serviços laboratoriais, (c) serviços odontológicos, (d) medicamentos e (e) outros serviços, especializados ou não, por não associados, pessoas físicas ou jurídicas, é evidente que estas operações não se compreendem nem entre os atos cooperativos nem entre os excepcionalmente facultados pela lei, resultando, portanto, em modalidade contratual com traços de seguro saúde”. Portanto, as sociedades cooperativas podem praticar três atos distintos: (i) os atos cooperativos, (ii) os atos não cooperativos permitidos; e (iii) os atos não cooperativos. No que toca à tributação das sociedades cooperativas, o RIR/99 prevê em seus artigos 182 e 183 a não incidência do IRPJ sobre as atividades econômicas sem proveito de Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.015332/201050 Resolução nº 1101000.056 S1C1T1 Fl. 1.479 11 lucro (atos cooperativos), e a tributação dos resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade (atos não cooperativos), conforme abaixo: Não incidência Art. 182. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica não terão incidência do imposto sobre suas atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro (Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, art. 3º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 69). § 1º É vedado às cooperativas distribuírem qualquer espécie de benefício às quotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de doze por cento ao ano atribuídos ao capital integralizado (Lei nº 5.764, de 1971, art. 24, § 3º). § 2º A inobservância do disposto no parágrafo anterior importará tributação dos resultados, na forma prevista neste Decreto. Incidência Art. 183. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica pagarão o imposto calculado sobre os resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade, tais como (Lei nº 5.764, de 1971, arts. 85, 86, 88 e 111, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 2º): I de comercialização ou industrialização, pelas cooperativas agropecuárias ou de pesca, de produtos adquiridos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalações industriais; II de fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais; III de participação em sociedades não cooperativas, públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares.” No caso em análise, a contribuinte classifica a prestação dos seus serviços em três categorias próprias: (i) atos principais, (ii) atos auxiliares, e (iii) atos não cooperados. Os primeiros se subdividem em “principais – pessoa física cooperada”, “principais – pessoa jurídica cooperada” e “principais serviços próprios”. Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.015332/201050 Resolução nº 1101000.056 S1C1T1 Fl. 1.480 12 Os atos auxiliares são aqueles realizados por terceiros voltados à atividade do médico. São prestados em clínicas, hospitais e laboratórios não cooperados e constituemse em exames laboratoriais, exames complementares de diagnóstico, diárias de hospitais etc. A contribuinte alegou que como tais atos estão diretamente relacionados à atividade do médico, esses podem ser considerados atos cooperados. No entanto, a autoridade fazendária os classificou como não cooperativos, sendo, portanto, passíveis de incidência tributária. Assim, também entendeu a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional em suas contrarrazões ao recurso interposto. Entendo que assiste razão à Administração Fazendária, pois os atos auxiliares têm natureza diversa dos atos cooperativos. É este também o entendimento já pacificado no Superior Tribunal de Justiça, vide: Com efeito, este Tribunal Superior pacificou o entendimento de que o fornecimento de serviços a terceiros não cooperados, ou de serviços de terreiros não associados – como é o caso de serviços de laboratórios ou de hospitais, de cobertura de despesas com diárias, serviços médicos etc. – não constitui ato cooperativo, razão pela qual incide normalmente a tributação. (Ag Rg no recurso especial nº 380.324/RS, Min Herman Benjamin, DJe 04/02/2011) Assim, tendo em vista o pronunciamento do STJ, entendo devida a tributação dos denominados atos auxiliares. Já no que diz respeito à exclusão em valores superiores ao devido a título de atos cooperativos principais, a contribuinte apresentou novas planilhas quando da Impugnação, com o intuito de corrigir as informações erradas que havia apresentado ao Auditor Fiscal. Segundo relatou a contribuinte, no anocalendário de 2005, houve apuração de prejuízo fiscal. Desta forma, apenas houve redução do prejuízo fiscal apurado, sem o condão de tornar positivo o resultado. Relativamente ao anocalendário de 2006, a interessada apresentou planilha com o valor que entende correto. No tocante aos anoscalendário de 2007 e 2008, relatou que erro na linha reservada à receita patrimonial, acarretando suposto valor deduzido a maior a título de atos cooperativos próprios. Ocorre que a DRJ, ao analisar estes novos documentos, verificou que apenas no anocalendário de 2008 houve alteração efetiva na autuação. Desta forma, procedeu à devida correção dos valores, sendo o montante de R$ 819.940,17 abatido do lançamento. Confirase: · Anocalendário 2005: a Turma afirmou que o prejuízo a que se refere a contribuinte foi devidamente considerado pela autoridade fiscal. A fiscalizada adicionou o valor de R$ 2.237.361,29 na apuração do lucro real, sob a alegação de que apresentou prejuízo em Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.015332/201050 Resolução nº 1101000.056 S1C1T1 Fl. 1.481 13 atos auxiliares. Ocorre que a fiscalização reverteu este montante como redução no lançamento do resultado “ato principal pessoa jurídica cooperada”. Desta forma, embora tendo identificado um montante de exclusões não permitidas de R$ 2.917.542,64 referente a “ato principal pessoa jurídica cooperada”, a fiscalização lançou apenas a importância de R$ 680.181,35. · Anocalendário 2006: a DRJ asseverou que não houve apresentação de demonstrativos ou planilhas referentes a este ano. · Anocalendário 2007: A fiscalizada apenas apresentou Demonstrativo de Resultados/Abertura dos Atos Principais (refeita), relativas ao mês de dezembro de 2007. A Turma afirmou que as alterações pretendidas não poderiam ser aceitas em vista da divergência do total das exclusões pretendidas, em confronto com a exclusão no LALUR pela contribuinte. Ademais, a fiscalizada além de não ter apresentado nenhuma justificativa ou esclarecimento para tais alterações, e não juntou escrituração contábil e fiscal que pudesse justificála. · Anocalendário 2008: o órgão julgador ressalvou que apesar de a fiscalizada não ter apresentado a escrituração contábil/fiscal de forma a respaldar as alterações pretendidas, não há alterações significativas no montante do LALUR a título de exclusões. Assim, com fundamento no art. 112, II do CTN, diminuiu da base de cálculo de “atos principais – pessoa física” o montante de R$ 819.940,17. A fiscalizada alega que é inaceitável a retificação para determinado período e não para os demais, vez que todas as justificativas foram apresentadas da mesma forma. Juntou aos autos os Livros de Apuração do Lucro Real referentes aos anoscalendário de 2005 a 2009, as DIPJs 2006/2005 a 2010/2009, e as DCTF IRPJ e CSLL períodos 01/2005 a 12/2009 (proc. fls. 895 a 1396). Por sua vez, a Fazenda Nacional, em contrarrazões, alegou que cabe à contribuinte o ônus de provar o erro da fiscalização. Entendo que assiste razão à contribuinte. É sabido que o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 limita à Impugnação o momento para apresentação de provas: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.015332/201050 Resolução nº 1101000.056 S1C1T1 Fl. 1.482 14 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)” (...) No entanto, este rigor tem sido atenuado frente ao fato de que o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração do crédito tributário, e para tanto deve se valer de tudo quanto for juntado aos autos até o momento do julgamento. E este tem sido o entendimento deste colegiado, vide: “Pela aplicação do Princípio da Verdade Material ao processo administrativo, este Conselho vem aceitando, corretamente, a realização de prova a favor do contribuinte em qualquer fase do processo”. (4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária, acórdão nº 140200.381, julgado em 26/01/2011) “PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL. O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal.” (Segundo Conselho de Contribuintes, 6ª Câmara, Turma Ordinária, acórdão nº 20601460, julgado em 09/10/2008) Assim, frente aos novos documentos apresentados pela contribuinte, entendo que os autos devem ser baixados em diligência para análise desse ponto específico, com base na documentação apresentada pela interessada. No tocante à tributação de resultados decorrentes de atos praticados entre a cooperativa e Pessoas Jurídicas Cooperadas, a contribuinte limitouse a afirmar que há a possibilidade de tal contratação ante ao disposto no art. 6º, I da Lei nº 5.764/71, bem como a dizer que é formada desde a sua constituição por 22 pessoas jurídicas. O dispositivo em questão faz menção à regra de exceção aplicável à admissão de pessoas jurídicas na constituição de uma sociedade cooperativa desde que “tenham por objeto Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.015332/201050 Resolução nº 1101000.056 S1C1T1 Fl. 1.483 15 as mesmas ou correlatas atividades econômicas das pessoas físicas ou, ainda, aquelas sem fins lucrativos”. Ocorre que a tributação não se deu pelo simples fato de a cooperativa possuir pessoa jurídica como cooperada, mas sim porque tais pessoas jurídicas cooperadas praticavam atos referentes à elaboração de exames e serviços congêneres, ou seja, distinto da finalidade própria de médico. Assim, entendo cabível a tributação pelo mesmo fundamento referente aos atos auxiliares. Igualmente, foram considerados como atos não cooperativos aqueles destinados à manutenção de clínicas de serviços próprios das cooperativas. Tal situação descaracteriza por completo o próprio conceito de cooperativa visto que não se verifica nestes atos a atuação dos cooperados, mas da própria cooperativa. Portanto, entendo que a decisão da DRJ não merece repreendas, sendo correta a tributação dos respectivos valores. Por fim, relativamente à aplicação concomitante das multas de ofício e isolada, entendo que a aplicação conjunta destas penalidades vai contra os pilares do ordenamento jurídico pátrio que repudia a dupla penalização. A violação ao dever de pagar em definitivo implica na sanção pecuniária prevista no inciso I do art. 44, multa de ofício no percentual de 75%. Já a multa isolada, cominada no inciso II, tem cabimento quando do descumprimento do dever de recolher antecipadamente. Em conformidade ao Princípio da absorção ou consunção, o contribuinte não pode ser penalizado pela violação do dever de antecipar, e ainda sancionado pelo dever de recolher em definitivo. Desta forma, deve a contribuinte ser penalizada apenas pela sanção prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, multa de ofício no percentual de 75%. Este é o entendimento recorrente neste Conselho, confirase: FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ E CSLL POR ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. A multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ ou CSLL sobre base de cálculo mensal estimada no pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96, sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. (CARF, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, acórdão nº 110200.389, julgado em 28/01/2011) Nesta linha, entendo que deve ser afastada a aplicação da multa isolada. Entretanto, como antes alertado, tendo em conta a juntada, pela recorrente, de novos documentos, tornase imprescindível a sua análise pela unidade de origem, pelo que voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA e retornem Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.015332/201050 Resolução nº 1101000.056 S1C1T1 Fl. 1.484 16 os autos à DRF para que o autuante ou quem lhe faça a vez, sobre eles se manifeste conclusivamente. Finda a diligência, emitir relatório circunstanciado e conclusivo do procedimento, do qual a contribuinte deverá ser cientificada, dele recebendo uma via, abrindo selhe prazo de 30 (trinta) dias para apresentar manifestação versando EXCLUSIVAMENTE a respeito do teor do mencionado relatório, sendo desconsideradas quaisquer aduções de outra espécie. Transcorrido o prazo de trinta dias da ciência da autuada, com ou sem nova intervenção da contribuinte, o presente processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento de seu julgamento. Brasília (DF), Sala das Sessões, em 08 de agosto de 2012. Nara Cristina Takeda Taga – Relatora. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10510.720319/2012-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1102-000.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o sobrestamento do julgamento do recurso, à luz do art. 62-A do Anexo II, do RICARF, e do parágrafo único do art. 1º da Portaria CARF nº 1. de 03.01.2012.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Redator ad hoc designado.
Participaram do julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), Antonio Carlos Guidoni Filho, Silvana Rescigno Guerra Barretto (relatora original), João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o sobrestamento do julgamento do recurso, à luz do art. 62A do Anexo II, do RICARF, e do parágrafo único do art. 1º da Portaria CARF nº 1. de 03.01.2012. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Redator ad hoc designado. Participaram do julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), Antonio Carlos Guidoni Filho, Silvana Rescigno Guerra Barretto (relatora original), João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .7 20 31 9/ 20 12 -0 9 Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10510.720319/201209 Resolução nº 1102000.147 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão da 1ª Turma da DRJ de Salvador que julgou parcialmente procedentes os autos de infração lavrados com o fito de exigir IRPJ e CSLL, referentes ao período de apuração de janeiro de 2006 a junho de 2007 e janeiro a dezembro de 2009, acrescidos de multa qualificada. Consoante acusação fiscal, houve arbitramento do lucro, em decorrência da ausência de apresentação de livros fiscais e de comprovação da origem de depósitos bancários, conhecidos pela Fiscalização por força de RMF’s (Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras), além de não submetidas a tributação receitas conhecidas através de notas fiscais emitidas. A qualificação da multa foi fundamentada na entrega de declarações zeradas. Cientificado do lançamento, o Contribuinte apresentou, tempestivamente, Impugnação aduzindo, em apertada síntese: (i) a nulidade do procedimento em virtude de o processo ter se iniciado sem que fosse instruído com documentos que comprovassem os argumentos constantes do Termo de Verificação Fiscal e do Auto de Infração, vício sanado quando já fluido metade do prazo de impugnação; (ii) a decadência em relação ao ano calendário de 2006, com espeque no art. 150, §4º, CTN; (iii) a improcedência do lançamento, sob o argumento de que grande parte dos seus clientes seriam órgãos e empresas públicas que pagariam faturas juntas e em atraso, o que justificaria a efetivação de depósitos após o vencimento das notas fiscais e em valores distintos daqueles individualmente expressos nas notas fiscais; (iv) a minoração da multa de 150% para 75% em virtude de as irregularidades terem sido cometidas não por fraude, mas por inexatidão decorrente problemas com a contabilidade. Os fundamentos da DRJ podem ser assim resumidos: (i) o sujeito passivo fora devidamente cientificado de todos os procedimentos adotados na ação fiscal e teve acesso a todos os documentos que fundamentaram o lançamento, o que afastaria a preliminar de nulidade suscitada; (ii) reconhecida a decadência do direito de lançar créditos referentes aos 1º, 2º e 3º trimestres de 2006, consoante disciplina do art. 173, I, CTN, e não do art. 150, §4º, como pretendia o Contribuinte, pois não constatado qualquer pagamento por ele efetuado; (iii) a análise da tabela apresentada pelo contribuinte para comprovar a origem do depósito realizado no dia 08/09/06 restou prejudicada diante da exclusão da tributação referente aos três primeiros trimestres daquele ano; (iv) mantida a multa qualificada de 150%, em razão da apresentação de declarações zeradas que evidenciariam o Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10510.720319/201209 Resolução nº 1102000.147 S1C1T2 Fl. 4 3 intuito de impedir ou retardar dolosamente o conhecimento do crédito tributário pela autoridade administrativa; Ainda inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário aduzindo, preliminarmente, que nulo o procedimento administrativo por entender teria havido preterição do seu direito de defesa e, em seguida, defendeu a decadência para o 4º trimestre do ano calendário de 2006 e o afastamento da multa qualificada. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tratase de Autos de Infração lavrados com base em informações obtidas pela Fiscalização decorrentes de RMF’s (Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras), acostadas nas fls. 237/242, consoante Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.025/1.032, no qual a autoridade autuante afirma ter obtido informações bancárias diretamente perante instituições financeiras e ter entregue extratos bancários obtidos por essa via ao contribuinte para manifestação e explicação da origem dos respectivos lançamentos. A matéria em análise já foi submetida ao presente Colegiado que, por maioria de votos, decidiu sobrestar o andamento dos feitos sobre o tema, com espeque no art. 62A, do Regimento Interno do CARF, consoante decisão proferida nos autos do processo n.º 10630.720364/200721 (Resolução n. 110200.088), verbis: “Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086 em 10052011. Ementa SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10510.720319/201209 Resolução nº 1102000.147 S1C1T2 Fl. 5 4 Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pelo que apurei em pesquisa realizada em 28/01/2012, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. A questão relacionada à alegação de impossibilidade de acesso aos dados bancários também está em pauta no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. O tratamento a ser dispensado aos processos com repercussão geral encontrase no artigo 543B, do CPC, o qual transcrevo: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10510.720319/201209 Resolução nº 1102000.147 S1C1T2 Fl. 6 5 § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Observo que reconhecida a repercussão geral, à luz do parágrafo único do artigo 543B, do CPC, cabe ao tribunal de origem, isto é, aos tribunais “a quo”, sobrestar os demais processos. O fato dos tribunais estaduais ou regionais poderem remeter ao STF um ou mais processo representativo da situação de repercussão geral não quer dizer que em relação aos demais exista necessidade de ato específico para que sejam sobrestados. O sobrestamento decorre da lei. Não se pode confundir o ato de selecionar processos representativos da controvérsia, para que o STF tenha pleno conhecimento da matéria, com o ato de sobrestamento dos demais processos. São duas situações distintas tratadas no parágrafo único do artigo 543B. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais decorre da lei, isto é, no caso do STF, do artigo 543B, parágrafo único e, no caso do STJ, do art. 543C, parágrafo único, do CPC. Conforme observado anteriormente, cabe aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos especiais ou extraordinários quando versarem sobre matéria com repercussão geral reconhecida. Porém, não adotada tal providência, o relator poderá determinar formalmente que se a observe. Isto que está previsto no § 2o. do artigo 543C, que se refere ao STJ, mas igualmente adotado pelo STF que já expediu atos neste sentido. Do Regimento Interno do STF Quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existia pendente de julgamento no STF e no STJ processos já admitidos pelos tribunais de origem. Em relação a estes processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10510.720319/201209 Resolução nº 1102000.147 S1C1T2 Fl. 7 6 Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). Quando do reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não identifiquei pronunciamento do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário. Quanto ao sobrestamento, na origem, dos processos com a mesma matéria, esta decorre do disposto na segunda parte do § 1o., do artigo 543B, CPC, que ao se reportar aos tribunais de origem usa as expressões “sobrestando os demais processos até o pronunciamento definitivo da corte.” (grifei). Há que se perceber a diferença entre: a) sobrestar os demais processos na origem (art. 543B, parágrafo único, do CPC) e; b) determinar a devolução dos demais aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil (art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF). O sobrestamento na origem diz respeito aos processos que ainda não foram remetidos ao STF. A devolução de que trata o Regimento Interno do STF dáse quando os processos já estiverem no STF e este entender que eles devam ser devolvidos à origem até decisão daquele em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral. Importante observar que o sobrestamento é para os processos ainda não remetidos ao STF. Quanto aos processos que se encontram no STF podem ocorrer duas situações: devolução à origem ou julgamento pela Corte. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, que inobstante tratar sobre matéria para a qual já havia sido reconhecido repercussão geral (RE 601.314/MG), foi julgado pela em 15122010. Ainda sobre o tema, o Ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo acerca do sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral, em 19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, proferiu decisão com o seguinte conteúdo: “Tratase de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10510.720319/201209 Resolução nº 1102000.147 S1C1T2 Fl. 8 7 quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10510.720319/201209 Resolução nº 1102000.147 S1C1T2 Fl. 9 8 RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. Quanto ao processamento e julgamento junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62A. ( ...) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. No caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficasse sobrestado, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314 RG/SP. No momento em que o Ministrorelator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com repercussão geral, no A.I. 765.714/SP determinou o retorno dos autos à origem para observarse o disposto no artigo 543B, do CPC, a conclusão a que chego é que tal procedimento corresponde ao sobrestamento previsto no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf.” Em razão dos fundamentos acima expostos, e na esteira do entendimento deste Colegiado acerca desta questão, proponho a conversão do julgamento em diligência para que seja sobrestado o andamento desta lide até que transite em julgado a decisão a ser proferida pelo STF nos termos do art. 543B, do CPC, a respeito do acesso, pela autoridade fiscal, aos dados bancários dos contribuintes, sem ordem judicial. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc designado Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 15578.720095/2013-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães Presidente
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães – Presidente (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 78 .7 20 09 5/ 20 13 -4 7 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 15578.720095/201347 Resolução nº 1301000.311 S1C3T1 Fl. 304 2 RELATÓRIO ADM DO BRASIL LTDA, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 8a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que, por unanimidade de votos, negou provimento à impugnação, e julgar procedentes as multas isoladas lançadas, no montante de R$ 6.469.639,68, acrescidas de juros de mora conforme legislação vigente. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo de auto de infração de multa isolada (fls. 81/88), contra o interessado acima identificado, no valor de R$ 6.469.639,68, lavrado em razão da não homologação das DCOMPs nos termos do Despacho Decisório exarado no processo 15578.720083/201312. O lançamento da multa isolada está fundamentado no §º 17 do art. 74 da Lei nº 9.430 de 27 de dezembro de 1996, introduzido pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010. Inconformado, o interessado apresentou, em 18/03/2014, impugnação (fls. 94/114), alegando, em síntese, o seguinte: que a impugnação é tempestiva, já que foi intimada em 17.02.2014 (segunda feira), por meio da abertura de arquivos no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte Portal eCAC, sendo que o termo inicial para contagem do prazo se deu em 18.02.2014 (terçafeira), findandose em 9.03.2014 (quartafeira). que a Lei n° 12.249/10, que alterou a Lei n° 9.430/96, institui nova modalidade de multa isolada, de 50% sobre o valor da compensação não homologada, ainda que não decorrente de declaração falsa; que, portanto, o §º 17, do art. 74 da Lei 9.430/96, é inconstitucional, na medida em que a multa isolada por ele instituída apoiase em uma despropositada "presunção de fraude" cometida pelo contribuinte. que a possibilidade de aplicação da multa de 50 % sobre o valor da compensação não homologada, que pode se dar por mera divergência de entendimentos quanto aos valores objeto da compensação, implica violação ao direito de petição do contribuinte, assegurado pelo art. 5º, inciso XXXIV, alínea ´a`, da CF/88, uma vez que inibe de forma considerável, a busca de seus créditos por meio do procedimento de compensação. que a ampliação do campo de aplicação da multa isolada implica apenar duas vezes o contribuinte, por uma única conduta, o que torna ainda mais grave e indevido, tendo em vista que em manifesta ofensa à sistemática prevista para o instituto da compensação. que a não homologação total ou parcial das compensações já submete o contribuinte a encargos gravosos, como a cobrança imediata dos débitos não compensados, sob pena de inscrição no CADIN; a inscrição do débito em dívida ativa e a aplicação de multa de mora de 20% sobre o valor não homologado, acrescido de juros SELIC. que pretende a Administração Tributária, que já possui para a cobrança de seus créditos o célere rito da Lei 6.830/80, é instituir mecanismos de indução forçada ao pagamento, e cobrança velada de tributo, violando frontalmente os princípios constitucionais do livre exercício de qualquer trabalho ou profissão (art. 5º, XIII, da Fl. 304DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 15578.720095/201347 Resolução nº 1301000.311 S1C3T1 Fl. 305 3 CF/88), e da livre atividade econômica (art. 170, CF/88), da proporcionalidade e do direito de petição; cita decisão do TRF da 4ª Região. que a multa imposta deve ser reduzida, tendo em vista o seu nítido caráter confiscatório, o que é vedado pelo inciso IV, art. 150, da CF/88. A DRJ/RJ1, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela recorrente, sendo o respectivo acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 18/06/2010, 25/06/2010, 05/07/2010, 15/07/2010, 30/07/2010, 04/08/2010, 28/10/2010, 03/11/2010, 07/07/2011, 15/07/2011, 29/07/2011 DILIGÊNCIA. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferida a diligência que, além de não preencher os requisitos formais previstos no art. 16, inciso IV, e § 1º, do Decreto 70.235/1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/1993, já que não foram formulados os quesitos referentes aos exames desejados, também é desnecessária, uma vez que a documentação contida nos autos é suficiente para formar a convicção da autoridade julgadora. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. DETERMINAÇÃO LEGAL A lei expressamente autoriza e determina a aplicação de multa isolada, no percentual de 50% sobre o crédito indeferido ou quando a compensação não for homologada. INCONSTITUCIONALIDADE.AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. FALTA DE COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas, incluídas as que julgam litígios fiscais, não têm competência para decidir sobre argüição de inconstitucionalidade, já que tal competência está adstrita à esfera judicial. VIOLAÇÃO AO DIREITO DE PETIÇÃO. INEXISTÊNCIA. O direito fundamental de petição foi exercido plenamente pela contribuinte ao protocolizar o seu pedido de ressarcimento em formulário, que, tendo sido considerado indevido, ensejou a aplicação da multa determinada no §17, do art. 74, da Lei n° 9.430/96. MULTA. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringe se ao valor do tributo, conforme previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. A exigência de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), prevista na legislação vigente, não é confisco, e deve ser aplicada. Nos termos do "Termo de Ciência por Decurso de Prazo" (fls. 187), foi dada ciência, ao Contribuinte, em 31/05/2014, do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, por Fl. 305DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 15578.720095/201347 Resolução nº 1301000.311 S1C3T1 Fl. 306 4 decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Em 18/06/2014, portanto, dentro do prazo legal de 30 (trinta) dias, o contribuinte protocoliza Recurso Voluntário a este tribunal, onde, além de argumento quanto à tempestividade da Manifestação de Inconformidade, repisa os mesmos argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 15578.720095/201347 Resolução nº 1301000.311 S1C3T1 Fl. 307 5 VOTO Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. Tratase, na origem, de Auto de Infração lavrado pela Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, com vistas a exigir da interessada multa isolada de 50% sobre o valor total do débito decorrente das declarações de compensação não homologadas pelo despacho decisório expedido com base no Parecer SEORT nº 1.271/2013, nos autos do PTA nº 15578.720083/201312. Com base no disposto acima, 14 (quatorze) Declarações de Compensações foram não homologadas num valor total de direitos creditórios não reconhecidos da ordem de R$ 12.939.279,35. Assim, foi lavrado auto de infração para cobrar a multa isolada de 50% sobre este valor no total de R$ 6.469.639,68. Referida multa isolada foi instituída pela Lei nº 12.249/10, que acrescentou ao art. 74 da Lei nº 9.430/96 os parágrafos 15 a 18. verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)(Vide Decreto nº 7.212, de 2010)(Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.(Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 307DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 15578.720095/201347 Resolução nº 1301000.311 S1C3T1 Fl. 308 6 Percebese da leitura do parágrafo 18 do acima transcrito artigo 74, que a interposição de recurso contra a não homologação das compensação, terá como conseqüência a suspensão da exigibilidade da multa isolada. O processo a este conexo (PTA nº 15578.720083/201312), de minha relatoria, foi julgado em 21/01/2016, onde esta 1ª Turma Ordinária, por unanimidade de votos, entendeu por anular a decisão de primeira instância proferida naquele processo, devendo aqueles autos retornarem à DRJ competente para que seja proferida nova decisão, desta feita conhecendo o mérito da inconformidade apresentado pela interessada. Assim, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, este processo deverá ser baixado em diligência, para que aguarde a decisão final no processo de nº 15578.720083/201312, pois incontroverso que o resultado verificado naquele processo repercutirá diretamente no julgamento a ser aqui procedido. Assim, voto para converter o julgamento em diligência, para que: a) seja o presente movimentado à unidade de jurisdição do contribuinte; e b) vinculação dos autos ao processo principal art. 6 parágrafo 4 do RICARF Anexo II Concluída a diligência, deve ser dada ciência à recorrente do relatório conclusivo, concedendolhe prazo adequado para se manifestar nos autos, caso assim deseje. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do feito. Sala de Sessões, 02 de março de 2016. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Relator Fl. 308DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES
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Numero do processo: 13971.005184/2010-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
EXCESSO DE RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DE OFÍCIO.
Será excluída de ofício do Simples Federal a Microempresa (ME) ou a Empresa de Pequeno Porte (EPP), a partir do primeiro dia do ano-calendário subsequente, que ultrapassar o limite legalmente estabelecido para opção pelo referido sistema.
EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO E CESSÃO DE MÃO DE OBRA.
A pessoa jurídica que se dedica à cessão de mão de obra ou de locação de mão de obra está impedida de exercer a opção pelo Simples Federal.
PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
A prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela omissão de receitas e o excesso de receita bruta são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional.
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. EFEITO SUSPENSIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
A interposição de manifestação de inconformidade contra o ato declaratório de exclusão não possui efeito suspensivo, por ausência de previsão legal.
Numero da decisão: 1201-001.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Presidente acompanhou o Relator por suas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO Presidente
(documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e João Otavio Oppermann Thome.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 EXCESSO DE RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. Será excluída de ofício do Simples Federal a Microempresa (ME) ou a Empresa de Pequeno Porte (EPP), a partir do primeiro dia do ano-calendário subsequente, que ultrapassar o limite legalmente estabelecido para opção pelo referido sistema. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO E CESSÃO DE MÃO DE OBRA. A pessoa jurídica que se dedica à cessão de mão de obra ou de locação de mão de obra está impedida de exercer a opção pelo Simples Federal. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela omissão de receitas e o excesso de receita bruta são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. EFEITO SUSPENSIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A interposição de manifestação de inconformidade contra o ato declaratório de exclusão não possui efeito suspensivo, por ausência de previsão legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Presidente acompanhou o Relator por suas conclusões. (documento assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e João Otavio Oppermann Thome.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 EXCESSO DE RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. Será excluída de ofício do Simples Federal a Microempresa (ME) ou a Empresa de Pequeno Porte (EPP), a partir do primeiro dia do anocalendário subsequente, que ultrapassar o limite legalmente estabelecido para opção pelo referido sistema. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO E CESSÃO DE MÃO DE OBRA. A pessoa jurídica que se dedica à cessão de mão de obra ou de locação de mão de obra está impedida de exercer a opção pelo Simples Federal. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela omissão de receitas e o excesso de receita bruta são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. EFEITO SUSPENSIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A interposição de manifestação de inconformidade contra o ato declaratório de exclusão não possui efeito suspensivo, por ausência de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Presidente acompanhou o Relator por suas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 51 84 /2 01 0- 49 Fl. 584DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005184/201049 Acórdão n.º 1201001.383 S1C2T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO – Presidente (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e João Otavio Oppermann Thome. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão que julgou parcialmente improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, em razão de sua exclusão da sistemática do Simples Federal. Pela clareza e completude na descrição dos fatos, reproduzimos a seguir excertos do relatório da decisão recorrida, que bem demonstra as questões debatidas nos autos: I. DO ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL Tratase de manifestação de inconformidade da empresa Madeiras Goede Ltda. contra exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Federal, mediante o Ato Declaratório Executivo nº 93, de 29 novembro de 2010, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau (SC), de fls. 303. Referido ato teve por base os fatos apurados na Representação Fiscal de fls. 02/12, e encontrase fundamentado nas seguintes infrações: I realização de locação de mão de obra (art. 9°, inciso XII, letra "f' da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e art. 20, inciso XI, letra "e" da IN SRF 608/06); e II formação de grupo econômico, DE FATO, com a empresa GOEDE EXPORTADORA LTDA. (CNPJ: 05.196.672/000138), consequentemente incidindo na vedação imposta pelo artigos 9°, incisos II, IX e X e 14, inciso V da Lei 9.317/96 e artigos 20, incisos II, IX e X e 23, inciso V da IN SRF 608/06; III incorrer, no ano de 2006, na hipótese legal de omissão de receitas prevista no art. 40 da Lei n° 9.430/96 e Art. 281, inciso I Fl. 585DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005184/201049 Acórdão n.º 1201001.383 S1C2T1 Fl. 4 3 do RIR/99, cujo valor, somado à receita declarada ultrapassou o valor de R$ 2.400.000,00, estabelecido pelo art. 2°, inciso II da Lei n.° 9.317, de 05 de dezembro de 1996. Os efeitos da exclusão, de acordo com o art. 2º do citado ADE, operaramse retroativamente ao período de 01/01/2005 a 30/06/2007, nos termos do art. 15, inciso II, IV e V da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e dos incisos II, VI e VII do art. 24 da IN SRF nº 608/2006. Consoante a Representação Administrativa que ampara o ato de exclusão, foram investigadas as empresas Madeiras Goede Ltda. e Goede Exportadora Ltda., restando apurado, ao término do procedimento fiscal, a existência das infrações antes descritas, motivadas, em síntese, nos seguintes termos: 1. Caracterizase, portanto, locação permanente de mão de obra da empresa MADEIRAS GOEDE LTDA. para a empresa GOEDE EXPORTADORA LTDA., prática vedada pela Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 9°, inciso XII, letra "f'. Há que se distinguir, pois, a terceirização legal, referente à prestação de serviços, da ilegal, referente à locação permanente de mão de obra. 2. Entendese por locação irregular de mão de obra aquela que se faz fora das hipóteses de trabalho temporário, cujo limite é de 3 meses (Lei 6.019/74); e do trabalho de vigilante (Lei 7.102/83), conforme ficou assentado pelo TST ao editar a Súmula n° 256, em 22.09.86, cujo teor é o seguinte: “Salvo os casos de trabalho temporário e de serviço de vigilância, previstos nas Leis n. 6.019, de 03.01.74, e 7.102, de 20.06.83, é ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formandose o vínculo empregatício diretamente com o tomador dos serviços”; 3. A empresa MADEIRAS GOEDE LTDA., conforme lançamentos contábeis apresentados, incorreu, nos anos de 2006 e 2007, na hipótese legal de omissão de receitas nos valores de R$ 1.476.075,25 e de R$ 508.877,67, respectivamente. 4. Sendo que a receita omitida em 2006, somada com sua receita bruta declarada de R$ 1.509.300,00 neste ano, ultrapassa o limite de faturamento (para optante do SIMPLES) de R$ 2.400.000,00 estabelecido pelo art. 2°, inciso II da Lei n. 9.317/96; 5. As empresas MADEIRAS GOEDE LTDA. e GOEDE EXPORTADORA LTDA. constituemse em um Grupo Econômico DE FATO, sendo que a existência de duas empresas com personalidades jurídicas distintas, mas com interesse comum e sob o comando e direção da família Goede, objetivava dividir o faturamento, a fim de evitar ultrapassar o limite de exclusão e, com isso, manter, INDEVIDAMENTE, os benefícios da opção pelo SIMPLES, pela empresa MADEIRAS GOEDE LTDA. II. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 586DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005184/201049 Acórdão n.º 1201001.383 S1C2T1 Fl. 5 4 Cientificada do Ato de Exclusão do Simples, a empresa Madeiras Goede Ltda. apresentou manifestação de inconformidade, anexa às folhas 307/324, expondo suas razões de fato e de direito, a seguir resumidas: 1. Após a exposição fática do ato administrativo de exclusão, diz que, contrariamente à representação de autoridade fiscal, a empresa faz jus ao regime de tributação simplificado, não podendo prosperar o ato de exclusão. 2. No item “II – Não há grupo econômico – o ato de exclusão está focado em meros indícios e presunções”, destaca que a autoridade fiscal não comprovou o suposto poder de direção, inerente a caracterização do grupo econômico, preocupandose somente em levantar indícios e presunções que não se sustentam. 3. Assevera que as empresas são pessoas jurídicas autônomas, distintas e independentes uma das outras, estando todas elas em plena atividade, cada qual possuindo contrato, quadro social e faturamento, registro nos órgãos competentes, inclusive INSS e Secretaria da Receita Federal, e arcando em dia e em nome próprio, com todas as obrigações comerciais, fiscais e trabalhistas assumidas, razões pela qual as conclusões emanadas do processo não passam de meros indícios e presunções. 4. Invoca o princípio da entidade conforme estabelecido no Código Civil Brasileiro, de acordo com o qual é reconhecida a autonomia patrimonial da pessoa jurídica e a desvinculação de seus atos e conseqüentes responsabilidades, dos atos dos administradores. 5. Aduz que diversamente ao apontado pela fiscalização, a Madeiras Goede Ltda. opera com outras empresas, sendo que no ano de 2010, como exemplo, vendeu um total de R$ 312.253,37 em mercadorias para pessoas jurídicas diversas (doc. n. 2), pelo que cai por terra a falsa premissa da fiscalização, no sentido de que a Goede Madeiras atenderia exclusivamente à Goede Exportadora. 6. Questiona que o simples fato de as empresas investigadas terem sócios com relação de parentesco entre si e de ocuparem o mesmo endereço não podem ser considerados, por si só, como elementos aptos e suficientes a caracterizar grupo econômico e justifica que o parentesco entre os sócios da empresa se explica facilmente, dado que a Madeiras Goede Ltda. se dedica à produção de portas de madeira, com foco no mercado interno, e que no ano de 2002, os filhos dos seus sócios fundaram a empresa Goede Exportadora, com o objetivo de alcançar o mercado externo. 7. Diz que a constituição de uma outra pessoa jurídica (Goede Exportadora), por outros sócios, com o fim de atender a novos clientes, não é hábil a indicar grupo econômico, e que a livre iniciativa é fundamento do modelo capitalista, pelo que nada Fl. 587DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005184/201049 Acórdão n.º 1201001.383 S1C2T1 Fl. 6 5 impede que uma geração da família abra novos rumos comerciais. 8. Defende que o fato de a Goede Exportadora adquirir produtos da Madeiras Goede é natural, pois as relações familiares trazem segurança ao negócio e não seria normal comprar produtos da concorrência dos próprios pais. 9. Pelo mesmo motivo, a relação de parentesco e a inerente relação de confiança, justificamse as procurações aos sócios da Madeiras Goede Ltda. e os cheques por estes emitidos me nome da Goede Exportadora Ltda. 10. Alude que a relação existente entre salários e receita bruta não ajuda a pretensão fazendária, pois em 2002, p. ex., quando somente a Madeiras Goede operava, a mesma auferiu prejuízo, sendo este um dos motivos, aliás, que levou os filhos ao novo e independente empreendimento. 11. Tocante ao fato de inexistirem funcionários na Goede Exportadora, entende que é justificado porque sendo uma empresa exportadora, o foco está na venda de mercadorias em grande quantidade, o que pode ser realizado apenas na pessoa dos sócios, em uma simples sala, tal como aquela onde está sediada. Refere que no ano de 2010 foram efetuadas 137 vendas, com média de 11 por mês, todas de responsabilidade de Fredi Goede, sócio da Goede Exportadora, conforme provam os documentos nº 5. 12. De outra parte, diz que a compra de insumos pela Goede Exportadora, remetidos à Madeiras Goede para industrialização por encomenda (doc nº 6), e o pagamento de despesas, pode se dar apenas na pessoa dos sócios. 13. Esses mesmos motivos justificam o fato de que os sócios da Goede Exportadora Ltda. acumularem emprego na Madeiras Goede Ltda., onde, aliás, está estabelecida a empresa deles, não sendo esses elementos que juridicamente irão vincular as duas pessoas jurídicas. 14. Quanto ao fato de o seguro de vida dos funcionários da Madeiras Goede ser pago através da conta bancária da Goede Exportadora Ltda., tratase, única e tão somente, de um acordo comercial, pois as operações existentes entre as empresas implicam em crédito a favor daquela, parcialmente compensado com esta despesa. 15. Quanto à energia elétrica e aos combustíveis/lubrificantes, cumpre lembrar que a empresa faz industrialização por encomenda (doc. n° 6), e nesse sentido é plenamente válido o fornecimento destes insumos pelo encomendante. 16. Acerca da ação trabalhista apontada no ato de exclusão, destaca que na exordial da referida ação há apenas menção a suposto grupo econômico, mas que a ação foi somente contra a Madeiras Goede, porque inexistiam elementos hábeis a Fl. 588DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005184/201049 Acórdão n.º 1201001.383 S1C2T1 Fl. 7 6 comprovar a incorreta inclusão, e, na sentença correspondente, não foi tratado sobre o tema. 17. Aduz, também, que o maquinário e veículos de Goede Exportadora Ltda. estão cedidos mediante comodato a Madeiras Goede, na forma da lei civil (art. 579 e seguintes do CC), contrato este que pode ser verbal, ou seja, em operação plenamente lícita, e, por tal motivo, quem arca com os custos da manutenção do maquinário cedido é a própria impugnante (documento 7). 18. No item subseqüente, “III – Não houve omissão de receitas”, assevera que os pretensos saldos credores de conta caixa na verdade não existem, e a conclusão da autoridade lançadora decorre de equívocos incorridos pela empresa em sua escrituração contábil. 19. Relata que deixou de escriturar receitas recebidas no ano de 2006, relativas a vendas ocorridas e tributadas no exercício 20005, e que quando sanado tal equívoco, automaticamente desaparece o saldo credor, inclusive em relação ao exercício 2007. 20. Tais correções não foram efetuadas até o presente momento porque o ato de exclusão foi exarado no final do não de 2010, com conseqüentes dificuldades para ajustes de última hora, em virtude das festas de final de ano. 21. Justifica os equívocos da contabilidade pelo fato de ser empresa de pequeno porte, com carência de recursos materiais e pessoal para corrigir equívocos ocorridos há quatro anos, mas que está trabalhando para resolver essa questão. 22. A seguir, no item “IV – Não houve locação de mão de obra”, defende que para fins tributários a operação realizada pela impugnante com a Goede Exportadora não pode ser considerada uma locação de mão de obra (= prestação de serviços), por não se tratar de obrigação de fazer, sobrelevando a obrigação de dar. 23. Aduz, ainda, que atende a outras empresas, não havendo que se falar na pretensa exclusividade que no pensar da fiscalização indicaria locação de mão de obra, e, ainda, não se verifica a hipótese prevista no art. 31, § 3°, da Lei n° 8.212/91, ou seja, “a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos”, pois como destacado pela própria fiscalização, a industrialização por encomenda se deu nas próprias dependências do manifestante, mediante a direção de seus sócios/funcionários. 24. Defende que a atividade desenvolvida pela Madeiras Goede Ltda., na verdade, foi industrializar mercadorias mediante encomendas, e não a locação de mão de obra, pois os empregados desta continuaram sob o comando, a subordinação Fl. 589DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005184/201049 Acórdão n.º 1201001.383 S1C2T1 Fl. 8 7 e a responsabilidade da mesma, e não de terceiros, anotando que remessa de mercadorias se deu nesta modalidade (doc nº 6). A manifestação foi instruída com diversos documentos, de fls. 325 e seguintes. Em sessão realizada em 11 de julho de 2013, a 5a Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal de Florianópolis julgou, por unanimidade, parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, para afastar as infrações discriminadas nos incisos IX e X do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, mantendo, todavia, as demais infrações trazidas no artigo 1º Ato de Declaratório Executivo n° 93, de 29 de novembro de 2010, bem como os efeitos da exclusão fixados no seu artigo 2º. Intimada da decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repete, basicamente, os mesmos argumentos aduzidos na 1a instância. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. A Recorrente funda seus argumentos de defesa em quatro pilares, que serão analisados individualmente neste voto, conforme tópicos a seguir. 1. Do efeito suspensivo para o Ato Declaratório de exclusão no Simples Quanto a este tópico, não há fundamento legal que suporte a pretensão da Recorrente. Ao contrário, o artigo 15 da Lei n. 9.317/96 estabelece a vigência e a eficácia dos Atos Declaratórios de Exclusão do Simples, de competência da Receita Federal. Conquanto a decisão recorrida tenha afastado as hipóteses de exclusão previstas nos incisos IX e X do artigo 9o da referida Lei (IX – (empresa) cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2° e X – (empresa) de cujo capital participe, como sócio, outra pessoa jurídica), as demais infrações remanescem, sendo de rigor a aplicação dos efeitos e prazos previstos no artigo 15, II e IV. Também não prospera a alegação de que deva ser aplicada a suspensão prevista no artigo 151, III, do Código Tributário Nacional, posto que o dispositivo cuida de suspensão da exigibilidade do crédito tributário e não da exclusão de regimes de tributação. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005184/201049 Acórdão n.º 1201001.383 S1C2T1 Fl. 9 8 2. Formação de grupo econômico de fato Conquanto seja lícito e louvável que os empresários possam constituir sociedades como bem entenderem, tanto no que respeita ao quadro societário como à determinação das atividades de cada empreendimento, as normas trabalhistas e tributárias estabelecem consequências para tal decisão, notadamente no sentido de conferir responsabilidade solidária às entidades, quando houver identidade entre as partes. Nesse sentido, tanto a doutrina como a jurisprudência concordam que cabe ao Fisco demonstrar a existência do chamado grupo econômico de fato. É o que já decidiu o STJ, no Recurso Especial 1144884/SC, publicado em 03/02/2011 e relatado pelo Ministro Mauro Campbell Marques, de cuja ementa reproduzimos, a seguir, o trecho mais relevante: 3. O Tribunal de origem declarou que “é fato incontroverso nos autos que as três embargantes compartilham instalações, funcionários e veículos. Além disso, a fiscalização previdenciária relatou diversos negócios entre as empresas como empréstimos sem o pagamento de juros e cessão gratuita de bens, que denotam que elas fazem parte de um mesmo grupo econômico . O sóciogerente da [...], Sr. [...] tem um procuração que o autoriza a praticar atos de gerência em relação às outras empresas, sendo irmão do sóciogerente delas. Ou seja, no plano fático não há separação entre as empresas, o que comprova a existência de um grupo econômico e justifica o reconhecimento da solidariedade entre as executadas /embargantes". 4. Incide a regra do art. 124, inc. II, do CTN c/c art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212/91, nos casos em que configurada, no plano fático, a existência de grupo econômico entre empresas formalmente distintas mas que atuam sob comando único e compartilhando funcionários, justificando a responsabilidade solidária das recorrentes pelo pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores a serviço de todas elas indistintamente. No caso dos autos, são inúmeras as circunstâncias que demonstram a configuração de grupo econômico de fato, todas narradas na Representação Fiscal que deu origem ao Ato Declaratório de exclusão do Simples. Tratase de conjunto robusto de provas (e não de meros indícios, como alega a Recorrente), que foram reconhecidos pela decisão recorrida: I – A Goede Exportadora Ltda. foi constituída em 08/07/2002, pelos sócios Srs. Thomas Goede (99%) e Frederik Goede (1%), filhos dos sócios da empresa Madeiras Goede Ltda., Sr. Irineu Goede e Sra. Loriana Sell Goede e é optante pelo Lucro Presumido; II – As empresas estão localizadas no mesmo endereço, sendo que a Exportadora Goede está instalada numa sala no interior Fl. 591DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005184/201049 Acórdão n.º 1201001.383 S1C2T1 Fl. 10 9 do prédio administrativo da Madeiras Goede (vide fotos de fls. 23 e 24); III – No comparativo entre a receita bruta e o número de empregados, verificouse que nos anos de 2000 a 2009, houve grande disparidade na relação entre o número de empregados e a receita auferida pelas duas sociedades empresárias: IV – a interligação administrativa e econômica das duas empresas é evidenciada pelos seguintes indícios (item 5.2 do REFISC): Procurações outorgadas pela empresa GOEDE EXPORTADORA LTDA, em 19/10/2005 e 11/01/2006, para os sócios (Sr. Irineu Goede e Sra. Loriana Sell Goede, respectivamente) da empresa MADEIRAS GOEDE LTDA, conferindolhes plenos poderes para administrála (documento 3 anexado à Representação Fiscal); Os sócios (Srs. Thomas Goede e Frederik Goede) da empresa GOEDE EXPORTADORA LTDA, constam como empregados da empresa MADEIRAS GOEDE LTDA, desde 04/01/2005 e 01/09/2005, respectivamente (documento 4 anexado à Representação Fiscal); Verificadas cópias, por amostragem, de cheques da empresa GOEDE EXPORTADORA LTDA assinados pelo Sr. Irineu Goede, sócio da empresa MADEIRAS GOEDE LTDA (documento 5 anexado à Representação Fiscal); O seguro de vida em grupo dos empregados e da sócia da empresa MADEIRAS GOEDE LTDA é pago pela empresa GOEDE EXPORTADORA LTDA, através de débito automático na conta desta (documento 6 anexado à Representação Fiscal); A relação de bens (documento 7 integrante da Representação Fiscal) da GOEDE EXPORTADORA LTDA demonstra que possui várias máquinas, equipamentos e veículos, porém não possui empregados, bem como, em análise contábil, não consta nenhum lançamento referente à receita de aluguel de tais bens, ou a despesas com pagamentos a terceiros para operálos. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005184/201049 Acórdão n.º 1201001.383 S1C2T1 Fl. 11 10 Diante de tal circunstância, a Fiscalização aponta que os referidos bens eram utilizados pelos empregados da Madeiras Goede Ltda. A despesa com energia elétrica, a partir de 10/2006, foi transferida da Madeiras Goede Ltda, para a Goede Exportadora Ltda.; As despesas com combustíveis e lubrificantes são pagas, em sua maior parte, pela Goede Exportadora Ltda. Verificadas, por amostragem, notas fiscais da empresa Goede Exportadora Ltda. (documento 10 anexo à Representação Fiscal), restou evidenciado que esta compra as matériasprimas (toras de pinos, entre outras) e remete para empresa MADEIRAS GOEDE LTDA (optante pelo SIMPLES), que por sua vez realiza os serviços de industrialização e retorna o produto acabado (portas) para ser comercializado por aquela; A interligação administrativa é corroborada pela constatação de que a empresa GOEDE EXPORTADORA LTDA não possui empregados e sua sede resumese a uma sala dentro do prédio administrativo da empresa MADEIRAS GOEDE LTDA, e considerandose que o faturamento (Receita Bruta) desta é resultante de serviços de industrialização prestados, exclusivamente, para aquela. V – a existência de reclamatória trabalhista (nº 00440/07), onde o Sr, Cláudio Moura dos Santos, exempregado as Madeiras Goede Ltda. afiram que recebeu verbas rescisórias através de cheque da referida empresa e de outro da Goede Exportadora Ltda., nos quais constavam a mesma assinatura, onde alega que referidas empresas integram grupo econômico. Entendo que as provas são fortes e incontroversas e que as explicações trazidas pela Recorrente apenas corroboram a evidente interconexão e a dependência entre as empresas, o que, por certo, não é proibido, mas justifica a exclusão do Simples, ante o fato de terem as sociedades extrapolado, a partir do 3o trimestre de 2003, o limite de receita bruta anual previsto para o regime. 3. Locação de mão de obra Outra circunstância que enseja a exclusão do Simples, nos termos do que dispõe no artigo 9º, inciso XII, letra “f”, da Lei nº 9.317/96, é a locação de mão de obra, que deve ser entendida como a contratação indireta de mão de obra por intermédio de empresa interposta. Nos autos, a fiscalização demonstrou que a Recorrente disponibiliza mão de obra em caráter permanente e exclusivo, que fica à disposição do contratante, em suas dependências e realiza serviços de forma contínua, todos relacionados com a atividadefim da empresa, nos termos do art. 31, parágrafo 3° da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.711/98, vigente à época dos fatos. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005184/201049 Acórdão n.º 1201001.383 S1C2T1 Fl. 12 11 Tal conduta caracteriza prestação de serviço de locação de mão de obra e é expressamente vedada pelo citado artigo 9º, inciso XII, letra “f”, da Lei nº 9.317/96. Neste ponto, não podem prosperar os argumentos trazidos pela Recorrente, pois restou evidenciado que a contratação da Madeiras Goede Ltda. pela Goede Exportadora Ltda. tinha como principal objeto o fornecimento da mão de obra necessária para a industrialização das matérias primas fornecidas pela própria Goede Exportadora Ltda. Ademais, ressaltese que a mão de obra disponibilizada atuava sob o mesmo controle e sujeitavase às ordens do chamado grupo econômico de fato, que operava no mesmo recinto e tinha, como vimos, sócios e interesses comuns. Não se trata, portanto, de industrialização por encomenda, como quer a Recorrente, mas de verdadeira confusão, no sentido jurídico, entre as duas entidades, em função de atividade econômica comum, pois a exportadora apenas atuava como extensão da fabricante. 4. Omissão de Receitas A fiscalização constatou pagamentos efetuados com recursos não contabilizados, o que configura omissão de receitas nos termos do artigo 40 da Lei n. 9.430/96: Omissão de Receita Falta de Escrituração de Pagamentos Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. A fiscalização demonstrou que a escrituração contábil da empresa, entregue por conta dos termos de intimação, demonstrou períodos com saldo credor na conta caixa (de R$ 1.476.075,26 para o ano de 2006 e de R$ 508.877,67 para o ano de 2007), de tal sorte que esses saldos não foram presumidos, mas constatados em razão da própria contabilidade apresentada pela interessada. Sob o tema, a própria Recorrente admite as infrações, dado que são suas as seguintes palavras, em resposta às intimações, verbis: 1. (Deixou de) escriturar receitas recebidas no ano de 2006, relativas a vendas ocorridas e tributadas no exercício 2005, e que quando sanado tal equívoco, automaticamente desaparece o saldo credor, inclusive em relação ao exercício 2007. 2. Tais correções não foram efetuadas até o presente momento porque o ato de exclusão foi exarado no final do ano de 2010, com consequentes dificuldades para ajustes de última hora, em virtude das festas de final de ano. 3. Justifica os equívocos da contabilidade pelo fato de ser empresa de pequeno porte, com carência de recursos materiais e Fl. 594DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005184/201049 Acórdão n.º 1201001.383 S1C2T1 Fl. 13 12 pessoal para corrigir equívocos ocorridos há quatro anos, mas que está trabalhando para resolver essa questão. Portanto, apurada e reconhecida, pela própria interessada, a materialidade dos saldos credores de caixa, que, em nosso sentir, não foram decorrentes de meros erros de escrituração, conforme demonstrado nas tabelas elaboradas pela autoridade lançadora, entendo que não merece reparos, neste ponto, a decisão recorrida. Por fim, a Recorrente aduz que não houve práticas reiteradas de infração à legislação tributária, argumento que cai por terra em razão de todos os fatos descritos e analisados nos tópicos anteriores, que, em conjunto e ao longo dos períodos fiscalizados, justificam a exclusão do Simples, quer pela omissão de receitas constatada, quer pelo excesso de receita bruta das atividades combinadas do grupo econômico. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGO LHE PROVIMENTO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 595DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 13702.000802/2001-43
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. ATIVIDADE MISTA.
Na vigência da Lei Complementar n° 7, de 1970, as empresas com preponderância da receita de venda de mercadorias sobre a receita de prestação de serviços contribuem para o PIS com base no faturamento. Nos casos de empresa com atividades mistas, a prestação de serviços é considerada preponderante, para os fins previstos no Regulamento da Contribuição para o Programa de Integração Social, se a receita correspondente for superior a 90% da receita total apurada.
Numero da decisão: 3803-000.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima (Relator), Daniel Maurício Fedato e Rangel Perrucci Fiorin.
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. ATIVIDADE MISTA. Na vigência da Lei Complementar n° 7, de 1970, as empresas com preponderância da receita de venda de mercadorias sobre a receita de prestação de serviços contribuem para o PIS com base no faturamento. Nos casos de empresa com atividades mistas, a prestação de serviços é considerada preponderante, para os fins previstos no Regulamento da Contribuição para o Programa de Integração Social, se a receita correspondente for superior a 90% da receita total apurada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima (Relator), Daniel Maurício Fedato e Rangel Perrucci Fiorin.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. ATIVIDADE MISTA. Na vigência da Lei Complementar n° 7, de 1970, as empresas com preponderância da receita de venda de mercadorias sobre a receita de prestação de serviços contribuem para o PIS com base no faturamento. Nos casos de empresa com atividades mistas, a prestação de serviços é considerada preponderante, para os fins previstos no Regulamento da Contribuição para o Programa de Integração Social, se a receita correspondente for superior a 90% da receita total apurada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima (Relator), Daniel Maurício Fedato e Rangel Perrucci Fiorin. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 2. 00 08 02 /2 00 1- 43 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13702.000802/200143 Acórdão n.º 3803000.334 S3TE03 Fl. 213 2 Na condição de relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pela DRJ Rio de Janeiro II/RJ, que muito bem descreve os fatos controvertidos nos autos: Tratase de pedido de compensação (fl. 01), oriundo de recolhimento de tributo a titulo de contribuição ao PIS, no período de julho de 1988 a setembro de 1995, para fins de compensação com débitos de Cofins (cód. 2172) e PIS (cód. 8109) listados as fls. 01/02, com fundamento em decisão judicial favorável, transitada em julgado, proferida nos autos da Ação Ordinária n° 98.00172670, iniciada perante a 20a Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro. A autoridade fiscal indeferiu o pedido (fl. 160), com base no Parecer Conclusivo n° 177/06, as fls. 158/159, sob o fundamento de que: "foi efetuada a comparação entre os Valores efetivamente pagos pela interessada, relativamente aos períodos de apuração de julho/88 a setembro/95, e aqueles devidos a titulo de PIS no mesmo período, donde se concluiu que os valores pagos não foram suficientes sequer para a liquidação do PIS devido, tendo restado saldos devedores em alguns períodos de apuração (outubro/91 a setembro/95) e não crédito a compensar".(gn) Cientificada da decisão em 12/12/2006 (fl. 164), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 08/01/2007 (fl. 176), alegando, em síntese que: 1. nos anoscalendários de 92, 93 e 94 recolheu o PIS em valores muito superiores aos devidos, em razão do enquadramento como contribuinte do PISfaturamento, quando deveria ter sido como contribuinte do PISDedução, pois a receita de serviços correspondia a 90% do total de suas receitas; 2. mesmo não possuindo crédito suficiente para quitar todo o débito compensado, o saldo devedor já estaria prescrito. Em apoio às alegações expendidas, a impugnante cita jurisprudência, pede, ao final, reforma do despacho decisório da Delegacia da Receita Federal, para o fim de homologar a declaração de compensação, ou, declare extinto o crédito tributário por prescrição. A decisão da DRJ Rio de Janeiro II/RJ que indeferiu a solicitação restou ementada da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 Ementa: PIS. Atividade Mista Na vigência da Lei Complementar n° 07/1970, as empresas, cuja receita de venda de mercadorias é preponderante sobre a receita Fl. 213DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13702.000802/200143 Acórdão n.º 3803000.334 S3TE03 Fl. 214 3 de prestação de serviços, contribuem para o PIS com base no faturamento. PIS. Atividade Mista Nos casos de empresa com atividades mistas, a prestação de serviços é considerada preponderante para os fins previstos no Regulamento da Contribuição para o Programa de Integração Social, se a receita correspondente for superior a 90% (noventa por cento) da receita total apurada. Solicitação Indeferida Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o deferimento da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomase conhecimento. Considerando o teor da decisão constante da ata de julgamento, encaminho o presente voto, na condição de relator ad hoc, no mesmo sentido da DRJ Rio de Janeiro II/RJ, dispensandose a reprodução, neste voto, do inteiro teor do voto condutor do acórdão recorrido presente às fls. 185 a 187. Dessa forma, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 214DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13971.003946/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 28/02/2008
OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO. Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
EXCLUSÃO DO REGIME TRIBUTÁRIO DO SIMPLES. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETROAÇÃO A DATA DO DA EXCLUSÃO. RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. São devidas pelas empresas excluídas do SIMPLES as contribuições para a Seguridade Social a partir da data em que a exclusão começou a produzir seus efeitos, sendo obrigatório ainda a retificação das informações prestadas com base na opção pelo regime simplificado.
MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. Ao contrário do que afirmou o sujeito passivo, a multa não foi imposta no patamar de 150% da exigência fiscal. A penalidade, aplicada em 100% da contribuição não declarada, foi reduzida no julgamento de primeira instância, por aplicação de legislação mais benéfica editada após a ocorrência dos fatos geradores.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Natanael Vieira dos Santos que dava provimento parcial ao recurso para recalcular a multa com base no art. 32-A da Lei 8.212/1991, caso seja mais benéfica ao contribuinte.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 28/02/2008 OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO. Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. EXCLUSÃO DO REGIME TRIBUTÁRIO DO SIMPLES. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETROAÇÃO A DATA DO DA EXCLUSÃO. RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. São devidas pelas empresas excluídas do SIMPLES as contribuições para a Seguridade Social a partir da data em que a exclusão começou a produzir seus efeitos, sendo obrigatório ainda a retificação das informações prestadas com base na opção pelo regime simplificado. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. Ao contrário do que afirmou o sujeito passivo, a multa não foi imposta no patamar de 150% da exigência fiscal. A penalidade, aplicada em 100% da contribuição não declarada, foi reduzida no julgamento de primeira instância, por aplicação de legislação mais benéfica editada após a ocorrência dos fatos geradores. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado.
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INFRAÇÃO. Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. EXCLUSÃO DO REGIME TRIBUTÁRIO DO SIMPLES. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETROAÇÃO A DATA DO DA EXCLUSÃO. RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. São devidas pelas empresas excluídas do SIMPLES as contribuições para a Seguridade Social a partir da data em que a exclusão começou a produzir seus efeitos, sendo obrigatório ainda a retificação das informações prestadas com base na opção pelo regime simplificado. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. Ao contrário do que afirmou o sujeito passivo, a multa não foi imposta no patamar de 150% da exigência fiscal. A penalidade, aplicada em 100% da contribuição não declarada, foi reduzida no julgamento de primeira instância, por aplicação de legislação mais benéfica editada após a ocorrência dos fatos geradores. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 39 46 /2 00 8- 58 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Natanael Vieira dos Santos que dava provimento parcial ao recurso para recalcular a multa com base no art. 32A da Lei 8.212/1991, caso seja mais benéfica ao contribuinte. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13971.003946/200858 Acórdão n.º 2402004.842 S2C4T2 Fl. 443 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 07 16.806 de lavra da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Florianópolis (SC), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.191.1150. O lançamento em questão referese à aplicação de multa em razão da conduta da empresa de haver deixado de informar em GFIP remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 10/2005 a 06/2006, além de haver informado incorretamente o campo referente à opção pelo SIMPLES, no período de 06/2003 a 02/2008, do que resultou declaração a menor de contribuições previdenciárias. Afirma a autoridade lançadora que os motivos e elementos de prova para exclusão do Simples estão apresentados nos Processos n°.13971.003976/200864 e n.° 13971.003977/200817. A DRJ afastou a decadência requerida, efetuando a contagem do prazo decadencial pela regra do inciso I do art. 173 do CTN. Foi ainda afastada a tese de inconstitucionalidade da taxa de juros Selic e da multa. A alegação da inexistência de grupo econômico foi considerada inadequada, haja vista que no polo passivo do lançamentos consta apenas a autuada. A exclusão da empresa do Simples, que o sujeito passivo afirmou ainda está em discussão, foi confirmada pela DRJ, que ressaltou que os processos que tratam deste assunto já haviam transitado em julgado, com resultado em desfavor da empresa. Por fim, o órgão recorrido determinou a aplicação da multa mais benéfica, tendo em conta as alterações legislativas promovidas pela MP n. 449/2008, posteriormente convertida na Lei n. 11.941/2009. A autuada apresentou recurso, fls. 380 e segs., no qual, em apertada síntese, alegou que: a) a multa aplicada no patamar de 150% do tributo devido tem efeito confiscatório, afrontando, assim a Constituição Federal, além de ser flagrantemente desproporcional; b) a multa nesse percentual, imposta com base inciso II do art. 44 da Lei n.º 9.430/1996, é de aplicação restrita aos casos de dolo ou fraude, o que não ocorreu na espécie; c) é inconstitucional e ilegal a utilização da taxa Selic para fins tributários; Fl. 444DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 d) a tributação reflexa para o PIS e COFINS decorrente de apuração do IRPJ lançado com base no lucro arbitrado entra em choque com o entendimento exarado em Pareceres da COSIT; e) o AI atropela a legislação do SIMPLES, tanto quanto a sua improcedência, quanto aos efeitos retroativos dos exclusão; f) a representação que culminou com a exclusão do SIMPLES de todas as empresas citadas no Relatório Fiscal não deve prevalecer, uma vez que não restou configurada a fraude apontada pelo fisco; g) o Sr. Ari Salésio Brasil apontado pela Autoridade Fiscal como responsável pela unicidade de comando “grupo econômico" não pode ser tratado como pessoa interposta, posto que o mesmo era apenas procurador da recorrente, possuindo mandato público para exercer tal mister; h) A exclusão do SIMPLES foi contestada pela ora recorrente através da impugnação contra os Atos Declaratórios Executivos n°s 43 e 47/2008, protocolizados tempestivamente na Delegacia da Receita Federal de Blumenau/SC, portanto, estando sub judice, não é definitiva, dependendo de evento futuro e incerto para o fisco, até que haja o trânsito em julgado. i) devese declarar a prescrição quinquenal das contribuições lançadas. Ao final, pede a nulidade da lavratura, a decretação de prescrição e o reconhecimento da inexistência de grupo econômico. Mediante a Resolução n.º 2401000.391, de 18/07/2014, esta turma resolveu converter o julgamento em diligência para que o órgão preparador apresentasse a comprovação de que os processos relativos às exclusões da recorrente do Simples Federal e do Simples Nacional teriam transitado em julgado. A resposta à mencionada diligência foi juntada às fls. 427/428, onde se afirma que a empresa apresentou manifestações de inconformidade fora do prazo legal para os ADE n.º 43/2008 (PA 13971.003976/200864) e n.º 47/2008 (PA n.º 13971.003977/200817), portanto, os processos de exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional já teriam tido trânsito em julgado administrativo. O processo retornou ao CARF sem ciência dos recorrentes acerca do resultado da diligência e por isso os autos novamente retornaram ao órgão da RFB para adoção dessa providência, a qual foi levada a efeito, conforme despacho de fl. 440. A recorrente não voltou a se manifestar. É o relatório. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13971.003946/200858 Acórdão n.º 2402004.842 S2C4T2 Fl. 444 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade A ciência da decisão da DRJ ocorreu em 08/07/2009, fl. 378, e o recurso foi apresentado pelo sujeito passivo em 29/07/2009, fl. 380, portanto, dentro do prazo legal. Assim, a peça merece conhecimento, posto que atende aos requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n.º 973.733/SC, julgado na sistemática do art. 543C do CPC) tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. No caso sob apreciação, por se tratar de exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória, o prazo decadencial deve ser contado pela regra do inciso I do art. 173 do CTN. Considerandose que a ciência do lançamento ocorreu em 28/10/2008, não existe decadência a ser reconhecida em AI cuja abrangência é de 06/2003 a 02/2008. Vejase que a competência mais remota somente estaria fulminada pela decadência em 31/12/2008, que representa o lapso de cinco anos depois do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Da exclusão da empresa do Simples A recorrente foi excluída do Simples Federal mediante o Ato Declaratório Executivo n.º 43/2008 (PA 13971.003976/200864), tendo sido apresentada impugnação intempestiva, conforme comprovam os documentos acostados em sede de diligência. Portanto, comprovado o trânsito em julgado do processo administrativo de exclusão, é descabida a alegação recursal de que a sua exclusão do Simples ainda estaria sendo discutida, fato que interferiria na lide que ora se analisa. A mesma conclusão se pode chegar quanto à exclusão da empresa do Simples Nacional, haja vista que a impugnação contra o Ato Declaratório Executivo n.º 47/2008 (PA n.º 13971.003977/200817) também foi apresentada fora do prazo, conforme demonstram os documentos colacionados. Assim, não cabe a essa Turma de Julgamento rediscutir a matéria relativa às exclusões da empresa dos sistemas de pagamento simplificado de tributos, posto que tal oportunidade a recorrente já teve quando da tramitação dos processos específicos consubstanciados nos Atos Declaratórios Executivos de n.º 43/2008 e de n.º 47/2008, os quais já ganharam caráter de definitividade, tendo sido determinadas as exclusões com efeitos retroativos a 01/12/2002 (Simples Federal) e 01/07/2007 (Simples Nacional). Nesse sentido não nos cabe apreciar as questões que levaram a lavratura das Representações Administrativas que redundou nas exclusões dos sistemas simplificados de pagamento de tributos, tais como: a interligação entre as empresas, a interposição de pessoas, o controle do suposto grupo econômico, a distribuição de faturamento, a confusão entre os patrimônios e atividades das empresas envolvidas, etc. Multa Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação de pagar o tributo é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13971.003946/200858 Acórdão n.º 2402004.842 S2C4T2 Fl. 445 7 Ao contrário do que afirma a recorrente a multa não foi aplicada no 150%. Tendo sido inicialmente calculada em 100% da contribuição não declarada (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991), foi recalculada pela DRJ em razão de, no momento do julgamento à quo, está em vigor legislação mais benéfica (art. 35A da Lei n.º 8.212/1991), conforme demonstrado em tópico específico da decisão recorrida. A procedência da autuação Uma vez comprovado que a empresa foi excluída do Simples Federal e do Simples Nacional por decisão administrativa transitada em julgado com efeitos retroativos à data da opção, são de declaração obrigatória as contribuições patronais, além de que a empresa deixou de informar remunerações de segurados a seu serviço na GFIP. Por isso é cabível a imposição da multa sob discussão, posto que claramente configurouse a conduta infracional apresentada no AI. Ressaltese que não consta dos autos qualquer elemento que comprove que a empresa retificou as GFIP, para adequar a guia a seu novo regime tributário após a exclusão retroativa do Simples. Por fim, a discussão sobre a existência de grupo econômico é irrelevante, uma vez que não houve inclusão de outras pessoas no polo passivo do lançamento. Não cabendo também o inconformismo da recorrente quanto à tributação de PIS e COFINS, posto ser matéria que não faz parte da presente lide. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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