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Numero do processo: 10680.902611/2015-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/02/2012
DCTF. PREENCHIMENTO.
Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.902600/2015-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 29/02/2012 DCTF. PREENCHIMENTO. Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo.
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PREENCHIMENTO. Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.902600/201541, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 26 11 /2 01 5- 21 Fl. 250DF CARF MF 2 Relatório EMPRESA DE ASSISTENCIA TECNICA E EXTENSAO RURAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMATERMG recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 6ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 165 do Código Tributário Nacional e no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte pretendeu extinguir débitos próprios com suposto crédito decorrente de pagamento a maior oriundo de DARF de Código de Receita 2362, recolhido em 29/02/2012, no valor de R$ 591.219,08. A DRF/Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando o feito sob o fundamento de que o DARF indicado como fonte do valor pago a maior estava integralmente utilizado para quitação de outro débito confessado pelo contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alega, em síntese, que a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ evidencia a inexistência de IRPJ a pagar, que houve o recolhimento do DARF indevido demonstrado em DCTF e, assim, mediante as evidências da DIPJ, concluise pela existência de crédito tributário por pagamento indevido a maior, passível de compensação de débitos tributários. A autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, por meio do acórdão cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/02/2012 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10680.902611/201521 Acórdão n.º 1301003.535 S1C3T1 Fl. 3 3 O principal argumento das autoridades fiscais foi no sentido de que "a contribuinte indicou na DIPJ apuração anual do Lucro Real e Base de cálculo da CSLL registrados no LALUR, contudo, não apresentou a escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a existência dos seus débitos, indicados na DIPJ." Cientificado da decisão de primeira instancia em 05/06/2017, o contribuinte apresentou, em 29/06/2017, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade e apresentando uma vasta documentação contábil e fiscal visando, enfim, sua linha de argumentação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.523, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.902600/2015 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.523): "O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Conforme acima relatado, a EMATERMG, optante pelo lucro real, realizou a apuração do IRPJ e CSLL conforme a Lei n°8.981 de 20 de janeiro de 1995, ou seja, lucro real anual com base no balancete mensal de suspensão redução. Alega o contribuinte que os valores apurados dos impostos abaixo descritos, foram liquidados com utilização dos créditos provenientes das retenções na fonte de notas fiscais emitidas e recebidas e também de aplicações financeiras. Após estes ajustes teriam sido realizados pagamentos em espécie através de DARF, que o ocasionaram um pagamento a maior ao final do exercício apresentado. Conforme demonstrado na tabela de cálculo abaixo. Fl. 252DF CARF MF 4 Descrição Valor Anexo para Consulta IRPJ 1.878.907,15 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício () IR Retido na Fonte de Orgãos Publicos 396.434,37 Anexo II Razão Contábil conta 110.211.0015 () IR retido na Fonte 1.067.820,00 Anexo III Razão Contábil conta 110.211.0004 Valor a Recolher 414.652,78 () Pagamento em 29/02/2012 591.219,08 Anexo IV DARF Recolhida em 29/02/2012 cod 2362 () Pagamento em 29/04/2012 55.721,60 Anexo V DARF Recolhida em 29/04/2013 cod 2430 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 232.287,90 Descrição Valor Anexo para Consulta CSLL 1.104.476,29 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício ()CSLL Retido na Fonte de Orgãos Publicos74.016,43 Anexo VI Razão Contábil conta 110.211.0016 () CSLL Retido na Fonte 837,41 Anexo VII Razão Contábil conta 110.211.0012 Valor a Recolher 1.029.622,45 () PERD/DCOMP 17/08/2012 139.413,59 Anexo VIII Declar. 42685.42010.170812.1.3.040857 () PERD/DCOMP 04/09/2012 11.431,75 Anexo IX Declar. 37686.72607.040912.1.3.040923 () Pagamento em 29/02/2012 236.273,46 Anexo X DARF recolhida em 29/02/2012 cod 2484 () Pagamento em 29/04/2012 682.915,50 Anexo XI DARF recolhida em 29/04/2013 cod 6773 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 40.411,85 No entanto, de acordo com o contribuinte, foram identificadas informações indevidas no preenchimento da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012, relativas a identificação do crédito de IRPJ e CSLL, decorrentes de pagamento a maior destes tributos. Teriam sido efetuadas, então, as retificações da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012 com o objetivo de evidenciar e comprovar o crédito tributário utilizado pela EMATERMG. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10680.902611/201521 Acórdão n.º 1301003.535 S1C3T1 Fl. 4 5 apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, prosseguindose assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por . dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722443/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO - FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA DESCONSIDERAÇÃO DE TESE TRAZIDA COMO ADITAMENTO À RECURSO VOLUNTÁRIO.
A falta de declinação dos motivos de fato e direito encerra o acolhimento de embargos de declaração a fim de se construir a respectiva fundamentação e assim sanar a omissão apontada.
PROCESSUAL - PRECLUSÃO CONSUMATIVA - INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR APÓS A INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FORA DAS HIPÓTESES DO ART. 16, § 4º, DO DECRETO 70.235 - IMPOSSIBILIDADE.
O pedido deve ser compreendido, e limitado, pela causa de pedir efetivamente deduzida pelo contribuinte na primeira oportunidade legalmente prevista, conforme previsão contida no art. 17 do Decreto 70.235, somente se autorizando a inovar dentro das situações expressamente autorizadas pelo art. 16 do mesmo diploma processual administrativo.
Numero da decisão: 1302-003.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, vencidos os conselheiros Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa e Flávio Machado Vilhena Dias que emprestavam efeitos infringentes à decisão.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 OMISSÃO - FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA DESCONSIDERAÇÃO DE TESE TRAZIDA COMO ADITAMENTO À RECURSO VOLUNTÁRIO. A falta de declinação dos motivos de fato e direito encerra o acolhimento de embargos de declaração a fim de se construir a respectiva fundamentação e assim sanar a omissão apontada. PROCESSUAL - PRECLUSÃO CONSUMATIVA - INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR APÓS A INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FORA DAS HIPÓTESES DO ART. 16, § 4º, DO DECRETO 70.235 - IMPOSSIBILIDADE. O pedido deve ser compreendido, e limitado, pela causa de pedir efetivamente deduzida pelo contribuinte na primeira oportunidade legalmente prevista, conforme previsão contida no art. 17 do Decreto 70.235, somente se autorizando a inovar dentro das situações expressamente autorizadas pelo art. 16 do mesmo diploma processual administrativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, vencidos os conselheiros Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa e Flávio Machado Vilhena Dias que emprestavam efeitos infringentes à decisão. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA DESCONSIDERAÇÃO DE TESE TRAZIDA COMO ADITAMENTO À RECURSO VOLUNTÁRIO. A falta de declinação dos motivos de fato e direito encerra o acolhimento de embargos de declaração a fim de se construir a respectiva fundamentação e assim sanar a omissão apontada. PROCESSUAL PRECLUSÃO CONSUMATIVA INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR APÓS A INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FORA DAS HIPÓTESES DO ART. 16, § 4º, DO DECRETO 70.235 IMPOSSIBILIDADE. O pedido deve ser compreendido, e limitado, pela causa de pedir efetivamente deduzida pelo contribuinte na primeira oportunidade legalmente prevista, conforme previsão contida no art. 17 do Decreto 70.235, somente se autorizando a inovar dentro das situações expressamente autorizadas pelo art. 16 do mesmo diploma processual administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos embargos e acolhêlos, sem efeitos infringentes, vencidos os conselheiros Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa e Flávio Machado Vilhena Dias que emprestavam efeitos infringentes à decisão. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 24 43 /2 01 1- 71 Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 10280.722443/201171 Acórdão n.º 1302003.356 S1C3T2 Fl. 1.007 2 (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuidase de recurso de embargos de declaração opostos pelo contribuinte, White Martins Gases Industriais do Norte Ltda., em face de acórdão de minha relatoria, proferido em 11 de abril do ano de 2018. Naquela ocasião, este Colegiado decidiu por me acompanhar integralmente e, assim, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário então manejado, a fim de cancelar a exigência fiscal concernente ao IRPJ e à CSLL, calculados sobre receitas de subvenções concedidas pelo Estado do Amazonas, na forma de benefícios fiscais unilaterais (aplicandose, para tanto, os preceitos da Lei Complementar 160/17). Todavia, foram mantidos os lançamentos relativos à contribuição para o PIS e a COFINS, notadamente, como destacado no voto vencedor, porque, tanto em suas razões de impugnação, como em seu apelo, o contribuinte limitara a discussão quanto a estas duas exações à natureza das subvenções (se para investimento ou custeio), sem trazer qualquer outro argumento para poder ilidir a exigência em pauta. Apenas por ocasião do protocolo da petição de efl. 963 e ss, a empresa insurgente deduz novo argumento, desta feita, para, além de trazer alguns arestos do STJ para dar suporte a sua tese, sustentar que a decisão proferida pelo STF nos autos do RE 574.706, sob rito da repercussão geral, que teria afastado a incidência das duas contribuições sobre o valor do ICMS, afetaria diretamente o lançamento em pauta, invocando, inclusive, o art. 62 do RICARF e, em seu entendimento, a vinculação imposta por este preceptivo aos membros deste Conselho. Sobre esta petição, o acórdão embargado tratou expressamente à efls 976 e 977, conhecendo, então, de seu conteúdo e documentos, conforme trecho a seguir transcrito: I Dos documentos juntados posteriormente à interposição do RV. Como dito, é de se submeter ao crivo deste colegiado a juntada, a "destempo", da petição de efls. 963. Particularmente, deferi a juntada do petitório notadamente por dois fatos: a) a citada petição trata, apenas, de questões de direito, não trazendo documentos comprobatórios novos; b) lado outro, as notícias ali trazidas são temporalmente posteriores à data da interposição do recurso voluntário, pelo que, entendo, estão satisfeitos os pressupostos do art. 16, §§4º e 5º do Decreto 70.235/72. Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 10280.722443/201171 Acórdão n.º 1302003.356 S1C3T2 Fl. 1.008 3 Não vejo, pois, motivos para não conhecer desta manifestação e a considerarei para a formação de meu convencimento. Pois bem. Os declaratórios opostos tem por objeto, justamente, o fato da decisão embargada ter deferido a juntada da petição acima, e não obstante tomar "conhecimento" de seu conteúdo, não ter considerado os argumentos ali despendidos quanto as contribuições supra mencionadas, alegandose, neste particular, a ocorrência de uma omissão. À efls. 1.001/1.004 foi proferido despacho de admissibilidade, conhecendo parcialmente deste remédio apenas quanto a predita omissão, deixandose de receber ao recurso quanto a uma preliminar aventada pelo contribuinte (em que se postulava a apreciação dos declaratórios independentemente de sua admissibilidade). Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator I Da confirmação do cabimento e da análise dos declaratórios. Os embargos em testilha foram tempestivamente opostos e, outrossim, admitidos pela D. Presidência desta Turma, cujas razões são inatacáveis. De fato, até pelo trecho transcrito anteriormente, retirado do acórdão embargado, faltou ao aresto, quando menos, uma melhor fundamentação a fim de se aclarar os motivos pelos quais não se levou em conta, para a solução da lide, em relação a contribuição para o PIS e a COFINS: a) o direito de fundo tratado pelas decisões judiciais colacionadas que, em tese, afetariam o lançamento em questão; b) o motivo pelo qual se deixou de aplicar a decisão proferida pelo STF, nos autos do RE de nº 574.706, em que se reconheceu repercussão geral da matéria lá analisada e que, portanto, .potencialmente, poderia vincular esta turma na forma do art. 62 do RICARF. Destaco que, em princípio, não vejo omissão propriamente quanto ao pedido aposto pelo contribuinte na petição de efls. 967, mas, quando muito, uma obscuridade; deixou se, tão só, e sobre isso melhor esclarecei a seguir, de se justificar, de forma mais clara, as razões pelas quais, a despeito de conhecida a petição retro, e deferida a sua juntada, os argumentos ali assentados relativos às contribuições previdenciárias não foram suficientes para modificar o convencimento deste relator, tal como colocado no acórdão recorrido. Neste passo, é de se conhecer dos preditos embargos e, ato contínuo, dárse lhes provimento a fim de sanar o vício de fundamentação supra, o que passo a fazer no tópico abaixo. Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 10280.722443/201171 Acórdão n.º 1302003.356 S1C3T2 Fl. 1.009 4 II Da exposição dos motivos jurídicoprocessuais que levaram este julgador a não considerar os argumentos deduzidos pela embargante na petição de efls. 967 e ss, quanto a exigência do PIS e da COFINS Ainda que estejamos tratando, aqui, do processo administrativo, é inegável que os princípios e, mais importante, os conceitos advindos da teoria geral do processo também sejam, aqui, invocáveis, até porque as normas de processo civil incidem sobre este feito, ainda que de forma subsidiária, por força de disposição expressa de lei (art. 15 do Código de Processo Civil). Nesta esteira, vale lembrar que o "mérito" da demanda nada mais seria que a própria lide que, por sua vez, aproveitandonos dos ensinamentos de Celso Agrícola Barbi, ao invocar as definições propostas por Carnelutti, definea pelo conflito intersubjetivo qualificado por uma pretensão resistida ou, como precisava Liebman, também lembrado pelo processualista mineiro, pela contraposição de pedidos deduzidos pelas partes1. O pedido, pois, delimita o próprio mérito da causa, e isto, digase, não desafia maiores questionamentos. O problema é que o pedido não pode ser compreendido, em toda a sua extensão, sem se considerar a própria causa de pedir, pena de se fugir ao conhecimento de seus próprios limites. A propósito, chamo a atenção aos dizeres de Nelson Nery Jr., abaixo citados: (...) por pedido deve ser entendido o conjunto formulado pela causa (ou causae petendi) e o pedido em sentido estrito. A decisão do juiz fica vinculada à causa de pedir e ao pedido2. Daí as conclusões de Arruda Alvim, segundo o qual será extra petita a decisão "conquanto atendendo o pedido, tal ocorra por outra causa de pedir (...)"3. Aliás este autor complementa e justifica esta última assertiva com os seguintes argumentos: Isto porque, conforme tivemos oportunidade de salientar, embora a causa petendi não integre o pedido, ela o identifica. Assim, se o autor faz o pedido x baseado na causa de pedir x1, e se o juiz conceder o 'mesmo' pedido x pela causa de pedir y, não estará, na verdade, concedendo o mesmo pedido. Assim ten entendido nossa jurisprudência maciçamente. 4 Em linhas gerais, o pedido é qualificado, delimitado e compreendido a partir da causa de pedir; como consentâneo lógico, a causa de pedir compõe, também, a lide, enquanto elemento, justamente, de compreensão dos limites das pretensões porventura deduzidas. Daí concluirse que a sentença, ou decisão de primeiro grau, que decidir a lide "fora das causas de pedir deduzidas", como salientado por Arruda Alvim, também incorre em nulidade por extrapolamento dos contornos da lide. Agora, considerandose, neste passo, o próprio princípio da duplicidade de jurisdição, encartado, ainda que implicitamente, no art. 5º, LV, da Constituição da República Federativa do Brasil CRFB , a causa de pedir deduzida em primeira instância, fora os casos 1 BARBI, Ceslo Agrícola. Comentários ao Código de Processo Civil, v. I, 9ª ed., Belo Horizonte: Forense, 1994, p. 319 2 JR., Nelso Nery. Código de Processo Civil e Legislação Processual Civil Extravaganteem Vigor. 5ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 583, nota 2 ao art. 128. 3 ALVIM, Arruda. Manual de Direito Processual Civil, 7ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 658. 4 ALVIM, Arruda. Op. loc. cit. Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 10280.722443/201171 Acórdão n.º 1302003.356 S1C3T2 Fl. 1.010 5 explicitamente previstos em lei, limita, também, o objeto dos próprios recursos a serem manejados no feito, até porque, a falta de exposição de toda a matéria de defesa no primeiro momento processualmente determinado, opera, no caso, preclusão consumativa, E, no processo tributário administrativo, a teor dos preceitos do art. 17 do Decreto 70.235/72, o momento processualmente correto para se deduzir os pedidos e, por tudo o que foi dito, as causas de pedir que os qualificam e delimitam, é a impugnação administrativa: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Ou seja, se não deduzida na sua integralidade a pretensão do contribuinte no curso de sua impugnação, fechase às demais instâncias a possibilidade de se conhecer de matéria não tempestiva e oportunamente proposta. II.1 O caso concreto. Na espécie, e como já afirmado no relatório que precede este voto, o embargante deduziu, tanto em sua impugnação, como em seu recurso voluntário, pedido de cancelamento da exigência concernente à contribuição para o PIS e a COFINS, qualificandoo (o pedido), contudo, a partir exclusivamente da natureza das subvenções, isto é, se para investimento ou custeio. Em momento algum, até a petição de efls. 967 e ss, a parte sustentou, como causa de pedir, o direito de fundo abarcado pelas decisões do STJ trazidas na aludida petição ou pelo acórdão do STF proferido nos autos do RE 574.706, qual seja: se os valores relativos ao ICMS não recolhidos por força benefício fiscal seriam, ou não, qualificáveis como receita (fato signo presuntivo, tido como núcleo material típico das exações em testilha). Para além de dúvidas razoáveis, o pedido em questão não revolvia a matéria tratada pelas decisões supra, de sorte que, sobre ela, operouse, na forma do citado art. 17 do Decreto 70.235, preclusão consumativa, fechandose, a esta Turma, a possibilidade de analisá la nesta instância. De acordo com o despacho de admissão do embargos, a D. Presidência deste Colegiado asseverou que "a decisão embargada conheceu do referido aditamento do recurso voluntário e acatou o seu pedido relativo aos lançamentos de IRPJ e CSLL, no sentido de considerar o incentivo do ICMS como subvenção para investimento". E concluiu: Todavia, a decisão embargada não se manifestou sobre o segundo pedido, contido no mesmo aditamento, para que fosse excluído dos lançamentos de PIS e COFINS o valor relativo ao ICMS. Entendo que o argumento do contribuinte é capaz de, em tese, infirmar a conclusão adotada na decisão de primeira instância, de forma que é de manifestação obrigatória por parte da turma julgadora. De fato, quanto aos efeitos da LC 160, e aos documentos acostados pelo recorrente à manifestação de efls. 967 e ss, este relator admitiu o "aditamento" do recurso voluntário, dado que este argumento (e respectivos documentos) se subsume, à perfeição, aos ditames do art. 16, § 4º, "b" do já mencionado Decreto 70.235/72. Ou seja, o reconhecimento das subvenções tratadas neste processo como sendo para investimento conforma "fato ou a Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 10280.722443/201171 Acórdão n.º 1302003.356 S1C3T2 Fl. 1.011 6 direito superveniente", de sorte que o seu conhecimento, e análise, era/é medida que se impunha. Já a noviça causa de pedir relativa às contribuições, calcada nas decisões do STJ e do STF, não tipifica "fato ou direito superveniente", nem tampouco se amolda as demais hipóteses versadas pelo art. 16 supra referido, de sorte que a sua admissão, e análise, nesta fase processual representaria, inclusive, supressão de instância, fora dos casos expressamente autorizados por lei. Insistase: o pedido, tal como deduzido pelo recorrente por ocasião da oposição de sua impugnação, e efetiva e concretamente decidido pela Turma Julgadora, fora limitado por sua causa de pedir, qual seja, a natureza das subvenções. Qualquer outra razão que não esta, para justificar o seu acatamento, restou preclusa. II.2 A decisão proferida pelo STF não tem caráter vinculante em relação à matéria ora analisada. É inegável que, caso o objeto do RE 574.706 se identificasse com a matéria em análise (incidência do PIS e da COFINS sobre receitas concernentes à isenções, reduções de base de cálculo ou créditos presumidos de ICMS), os preceitos do art. 62, § 1º, "b", do RICARF imporiam a apreciação, e acolhimento, dos novos argumentos trazidos pelo recorrente5, afeiçoandose, inclusive, à situação prevista pelo já mencionado art. 16, § 4º, "b", do Decreto 70.235. Todavia, o pedido analisado pelo Supremo Tribunal Federal, naquele feito, cinge ao reconhecimento da inconstitucionalidade da legislação de regência ao autorizar a inclusão (ou não permitir a exclusão), na base de cálculo das contribuições em comento, dos valores destacados nos documentos a título de ICMS. Não se discutiu, e nem se decidiu ali, se os benefícios fiscais concedidos pelos Estados da Federação, enquanto hipóteses de "exclusão do crédito tributário" (expressão utilizada pelo Código Tributário Nacional6), deveriam, ou não compor, a base imponível das mencionadas exações. Que o direito de fundo, lá estampado, se aplica ao caso, para este relator, não há dúvidas... entendo, particularmente, com a devida vênia às posições antinômicas, que se o próprio ICMS não compõe a base de cálculo do PIS e da COFINS, menos ainda as isenções e demais benefícios afeitos ao tributo estadual poderiam compor o seu aspecto quantitativo. Por certo, entretanto, ainda que a tese utilizada pelo Supremo tenha reflexos diretos sobre o caso em análise, como dito, o objeto daquele julgado não se confunde com a matéria lançada neste feito o pedido, qualificado pela causa de pedir lá deduzida, não guarda relação direta com o pedido e causa de pedir aqui apreciados. E, por isso mesmo a decisão proferida nos autos do RE 574.706 não vincula este julgamento, afastandose, pois, a aplicação da regra encartada no art. 62 do RICARF. E, conquanto concordar com a tese aposta na petição de efls 967 e ss, relativa, insistase, à exigência do PIS e da COFINS, dela não podia, e não posso, conhecer nesta fase processual, pelas razões já expostas nos tópicos anteriores. 5 Sob as penas preconizadas pelo aludido diploma normativo regimental. 6 Com todas as críticas técnicocientíficas que esta expressão merece. Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 10280.722443/201171 Acórdão n.º 1302003.356 S1C3T2 Fl. 1.012 7 III Conclusão. Por todo o exposto, voto por acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para, sanandose o vício apontado, justificar e motivar a desconsideração da tese encartada nos julgados do STJ e, principalmente, no RE 574.706, da lavra do STF. (assinado digitalmente). Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 1012DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.900670/2016-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010
AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. PAGAMENTO INTEMPESTIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A Administração deve observar os efeitos da sentença transitada em julgado, favorável ao contribuinte, e acatar que ocorreu a denúncia espontânea para os pagamentos efetuados após o vencimento e sem multa de mora. Nestes termos, os valores recolhidos devem ser considerados, na sua totalidade, na composição do crédito do saldo negativo.
ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CONSIDERAÇÃO NA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO.
As estimativas objeto de declaração de compensação integram o saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido.
Numero da decisão: 1302-003.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta da relatora de sobrestamento do julgamento, e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Maria Lúcia Miceli (relatora) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos César Candal Moreira Filho.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lucia Miceli - Relatora.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2010 AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. PAGAMENTO INTEMPESTIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A Administração deve observar os efeitos da sentença transitada em julgado, favorável ao contribuinte, e acatar que ocorreu a denúncia espontânea para os pagamentos efetuados após o vencimento e sem multa de mora. Nestes termos, os valores recolhidos devem ser considerados, na sua totalidade, na composição do crédito do saldo negativo. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CONSIDERAÇÃO NA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. As estimativas objeto de declaração de compensação integram o saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. PAGAMENTO INTEMPESTIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A Administração deve observar os efeitos da sentença transitada em julgado, favorável ao contribuinte, e acatar que ocorreu a denúncia espontânea para os pagamentos efetuados após o vencimento e sem multa de mora. Nestes termos, os valores recolhidos devem ser considerados, na sua totalidade, na composição do crédito do saldo negativo. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CONSIDERAÇÃO NA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. As estimativas objeto de declaração de compensação integram o saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta da relatora de sobrestamento do julgamento, e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Maria Lúcia Miceli (relatora) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos César Candal Moreira Filho. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 06 70 /2 01 6- 10 Fl. 541DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Trata de recurso voluntário apresentado em face ao Acórdão nº 0657.649,da 1ª Turma da DRJ/CTA, que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da recorrente, na sessão de 06 de março de 2017, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 SALDO NEGATIVO DE CSLL. PARCELAS CONFIRMADAS. INSUFICIÊNCIA PARA QUITAR IRPJ DEVIDO. INEXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO Parcelas que compõem o direito creditório informado na DCOMP, quando confirmadas em valor inferior à CSLL devida, impedem a formação de saldo negativo ESTIMATIVAS NÃO COMPENSADAS. IMPOSSIBILIDADE DE COMPOSIÇÃO DE SALDO NEGATIVO. Enquanto vigorar a decisão no processo anterior, atestando a inexistência ou insuficiência do crédito de estimativa, faltarão os atributos de certeza e liquidez exigidos pela legislação tributária para a parcela do saldo negativo formado por estimativas não pagas ou compensadas (inteligência da SCI nº 16/2012 e do art 170 do CTN ). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE PELA VIA JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não se toma conhecimento da impugnação administrativa, no tocante a matéria submetida à apreciação do poder judiciário, seja o auto de infração lavrado antes ou após a interessada ter ingressado com ação judicial. PROCESSO ADMINISTRATIVO. RECURSO VOLUNTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE EFEITO SUSPENSIVO. AUSÊNCIA DE PREJUDICIALIDADE. À falta de previsão específica no Decreto 70.235/72, aplicase ao processo administrativo tributário o art. 61 da Lei 9.784/99, segundo o qual, salvo disposição legal em contrário, o recurso administrativo não tem efeito suspensivo. Inexistindo, assim, razão para se estabelecer relação de prejudicialidade decorrente da ausência de manifestação do CARF quanto às demais declarações vinculadas à cadeia de formação de créditos, pois caso a instância julgadora referida decida em favor do Fl. 542DF CARF MF Processo nº 16682.900670/201610 Acórdão n.º 1302003.245 S1C3T2 Fl. 542 3 contribuinte, no processos anteriores, relacionados à controvérsia atual, no julgamento do recurso voluntário referente ao presente feito poderá alegar em seu favor fato superveniente, nos termos do 16, §4º, alínea “b” Decreto 70.235/72, suficiente para afastar os efeitos da decisão deste contencioso. A recorrente apresentou Declaração de Compensação na qual pretende utilizar crédito de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2010, no valor de R$ 14.378.107,99. Após análise, a DEMAC/RJ não reconheceu o direito creditório, pois, de acordo com decisão, parte das parcelas que compõem o crédito não foram confirmadas, conforme quadro a seguir: De acordo com a DIPJ/2011, foi apurada CSLL a pagar de R$ 48.625.095,57, valor superior ao montante confirmado a título de estimativas, de R$ 22.517.086,76, motivo pelo qual não foi reconhecido o direito creditório. Consta ainda, na decisão, que o saldo negativo de CSLL apurado na DIPJ/2011 seria de R$ 5.751.638,23. As parcelas da composição do crédito que não foram confirmadas estão discriminadas a seguir: PAGAMENTOS Para os pagamentos discriminados a seguir, como foram recolhidos a destempo e sem a multa de mora, o sistema recalculou o valor principal efetivamente quitado, o que justifica a observação de "parcela quitada parcialmente pelo DARF informado." Código de Receita Período de Apuração Valor do Principal Valor da Multa Valor dos Juros Valor Total do DARF Valor Confirmado Valor Não Confirmado 2484 31/01/2010 11.067,18 0,00 1.392,25 12.459,43 9.397,67 1.669,51 2484 28/02/2010 11.067,18 0,00 1.308,14 12.375,32 9.388,04 1.679,14 2484 31/03/2010 88.820,50 0,00 9.903,48 98.723,98 75.275,62 13.544,88 2484 30/04/2010 214.004,82 0,00 22.256,50 236.261,32 181.181,98 32.820,84 2484 31/07/2010 135.262,09 0,00 10.631,60 145.893,69 114.104,24 21.157,85 2484 31/08/2010 129.592,67 0,00 9.084,44 138.677,11 109.185,97 20.406,70 2484 31/10/2010 210.504,43 0,00 11.346,18 221.850,61 176.928,46 33.575,97 2484 30/11/2010 98.208,86 0,00 4.380,11 102.588,97 82.427,26 15.781,60 2484 30/06/2010 68,33 0,00 5,97 74,30 57,71 10,62 ESTIMATIVAS COMPENSADAS As estimativas de CSLL abaixo discriminadas não foram confirmadas, pois seriam quitadas por compensações que não foram homologadas. Período de apuração da estimativa N° do Processo/N0 da DCOMP Valor da estimativa compensada PER/DCOMP Valor confirmado Valor não confirmado Justificativa Fl. 543DF CARF MF 4 compensada JAN/2010 36676.95514.010310.1.7.114669 8.408.543,16 0,00 8.408.543,16 DCOMP não homologada FEV/2010 11268.56268.310310.1.7.113426 4.124.534,65 0,00 4.124.534,65 DCOMP não homologada MAR/2010 30920.49646.280410.1.3.109134 512.750,09 0,00 512.750,09 DCOMP não homologada MAR/2010 30213.39763.280410.1.3.106926 436.766,18 0,00 436.766,18 DCOMP não homologada ABR/2010 27333.57292.010610.1.7.113390 8.528.793,76 0,00 8.528.793,76 DCOMP não homologada NOV/2010 06608.88896.301210.1.3.016854 2.852.199,82 0,00 2.852.199,82 DCOMP não homologada NOV/2010 36698.97151.240111.1.7.017006 3.449.063,50 0,00 3.449.063,50 DCOMP não homologada NOV/2010 07112.41092.301210.1.3.016040 3.406.346,76 0,00 3.406.346,76 DCOMP não homologada Total 31.718.997,92 0,00 31.718.997,92 A decisão recorrida julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, para somente acatar no que tange à retificação da DIPJ/2011, apresentada antes da emissão do Despacho Decisório, a qual reduziu a CSLL devida de R$ 48.625.095,57 para R$ 40.342.108,3, alterando do saldo negativo da CSLL de R$ 5.751.638,23 para R$ 14.034.625,41, conforme pleiteado na DCOMP. Quanto ao direito creditório, este não foi reconhecido pelos seguintes motivos: a) com relação aos pagamentos a destempo sem o recolhimento da multa de mora, sob o fundamento da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, houve a renúncia da lide na esfera administrativa, pois a contribuinte ajuizou ação ordinária nº 2011.51.01.510956 9; assim, a autoridade julgadora não conheceu da matéria, sendo definitiva a parte da decisão referente às estimativas pagas sem o recolhimento da multa de mora. b) não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento até a decisão definitiva dos processos administrativos que tratam das estimativas cujas compensações não foram homologadas. c) como as compensações não foram homologadas, parte das estimativas encontramse não quitadas, deixando o crédito relativo a esses valores de ser líquido e certo, o que contraria a condição imposta no artigo 170 do CTN, devendo ser mantida a glosa na formação do saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2010. d) o Parecer da PGFN nº 88/2014 adotou o entendimento de que a espécie de débito em questão (estimativa) não pode ser inscrita em Dívida Ativa, tornando sua execução inviável, o que afasta a alegação de que a estimativa seria quitada independente do resultado do julgamento quanto à homologação ou não da compensação. A ciência da decisão ocorreu em 19/04/2017, conforme atesta o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, fls. 498. O recurso voluntário foi apresentado em 18/05/2017, fls. 502/537, com as seguintes alegações: com relação à glosa das estimativas, objeto de pagamento, se deu pela desconsideração da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN; a decisão recorrida deixou de conhecer da matéria em função de a recorrente ter renunciado à esfera administrativa ao submeter a discussão ao judiciário, nos autos da ação ordinária nº 2011.51.01.5109569. na referida ação ordinária, houve provimento em 1ª e 2ª instância pelo afastamento da multa moratória, e hoje já restou transitada em julgado, na medida em que o Recurso Especial interposto pela Fazenda não abordou a referida questão, mas outros aspectos processuais. Fl. 544DF CARF MF Processo nº 16682.900670/201610 Acórdão n.º 1302003.245 S1C3T2 Fl. 543 5 a matéria submetida discussão judicial é diversa daquela que ora se tem sob enfoque na via administrativa, pois a primeira trata da inexigibilidade da cobrança da multa moratória nos casos em que houver recolhimento de tributo em atraso, enquanto na segunda se debate a composição do saldo negativo reconhecimento de direito creditório, acaso não haja a imposição da multa moratória. são temas diversos, interligados, mas distintos entre si, pois enquanto o primeiro tem relação com suposta exigibilidade de crédito tributário em favor da União, o segundo trata da subsistência de pedido de compensação formalizado pela RECORRENTE com o direito creditório referente ao saldo negativo de CSLL. a recorrente busca que o órgão administrativo aplique a decisão judicial já transitada em julgado que reconhece a aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea, para posterior reconhecimento da composição do saldo negativo referentes a estimativas pagas. no Recurso Especial, a PGFN se limita a discutir a extensão do provimento para fins de extinção da execução fiscal que exige o pagamento da multa de mora; ou seja, a ocorrência da denúncia espontânea sobre as estimativas de CSLL já está definitivamente decidida e transitada em julgado, não cabendo ao órgão administrativo ponderar a sua aplicabilidade, sob pena de violação ao referido art. 503 do Código de Processo Civil. pelo exposto, não há que se falar no princípio da unidade de jurisdição para afastar a revisão da decisão recorrida, sendo forçoso o reconhecimento integral das estimativas pagas na apuração do saldo negativo. com relação às estimativas cuja compensação não foi homologada, o entendimento da decisão recorrida é equivocado, pois todas foram declaradas por meio de DCOMP, que detém natureza de confissão de dívida, devendo ser adimplidas de todo modo pela recorrente, ainda que venham a ser definitivamente não homologadas no futuro. fato incontroverso é que a correspondente estimativa deverá fazer parte do saldo negativo, pois: a) a compensação extingue o crédito tributário, equivalendo a pagamento para fins de composição de saldo negativo; o deslinde da análise acerca da compensação é irrelevante, e somente poderá que questionada nos autos dos processos administrativos que discutem as Declarações de Compensação das estimativas em questão; b) em caso de não homologação, há a possibilidade do contencioso administrativo, de modo que todos os efeitos ficam suspensos até que sobrevenha decisão final na esfera administrativa. c) caso a compensação seja definitivamente julgada não homologada, a Fazenda exigirá o débito, de modo que será adimplido, ou a cobrança poderá ser considerada indevida pelo judiciário por considerar que a compensação deveria ter sido homologada; em qualquer das hipóteses, os débitos de estimativa objeto de compensação devem ser considerados na formação do saldo negativo; d) por fim, o entendimento do Fisco acarreta dupla cobrança do mesmo débito, uma vez que de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da Fl. 545DF CARF MF 6 estimativa de CSLL não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem. quando se está a tratar de saldo negativo cuja composição se dá por estimativas compensadas, a liquidez e certeza é atestada com a mera confissão de dívida da estimativa em DCOMP ou DCTF, sendo a homologação da compensação irrelevante para se atestar a higidez do direito creditório; os Pareceres da PGFN querem dizer é que não cabe ao fisco exigir o recolhimento da estimativa, ainda que compensada, antes do ajuste anual do IRPJ (quando resta constituído o IR do período), contudo, tendo sido concluído o ajuste, com o recolhimento do tributo devido ou apuração de saldo negativo, nada impede que a RFB ou PGFN, sendo o caso, sigam com a cobrança da estimativa, devidamente já convalidada em tributo. esse entendimento está em linha com a Nota Cosit nº 31/2013 e Solução de Consulta Interna COSIT nº 18, de 13 de outubro de 2006; a jurisprudência do CARF é uníssona a considerar que as estimativas pagas ou parceladas, ainda que tardiamente, estão aptas a compor o saldo negativo; a DRJ defende a tese de que as estimativas não podem ser exigidas, o não reflete a realidade, devendo ser desconsiderada por completo, acarretando o provimento ao recurso voluntário, para que as estimativas de CSLL compensadas sejam consideradas na apuração do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2010, ainda que as compensações não tenham sido homologadas, visto que tais valores serão exigidos pelo fisco de qualquer maneira. caso superadas as razões até expostas, é necessário o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário até que seja proferida decisão final nos autos dos processos administrativos abaixo discriminados, uma vez que a glosa do saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2010 teve como fundamento a suposta ausência de quitação dessas estimativas por meio da compensação anteriormente formalizada. PA N° do Processo/N0 da DCOMP Valor Compensado Processo Administrativo Prejudicial JAN/2010 36676.95514.010310.1.7.114669 8.408.543,16 16682.720.390/201298 FEV/2010 11268.56268.310310.1.7.113426 4.124.534,65 16682.720.390/201298 MAR/2010 30920.49646.280410.1.3.109134 512.750,09 16682.720385/201285 MAR/2010 30213.39763.280410.1.3.106926 436.766,18 16682.720389/201263 ABR/2010 27333.57292.010610.1.7.113390 8.528.793,76 16682.720.390/201298 NOV/2010 06608.88896.301210.1.3.016854 2.852.199,82 16682.902.795/201161 NOV/2010 36698.97151.240111.1.7.017006 3.449.063,50 16682.902.799/201140 NOV/2010 07112.41092.301210.1.3.016040 3.406.346,76 16682.902.797/201151 Total 31.718.997,92 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Lucia Miceli Relatora O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. Tratase de Declaração de Compensação utilizando crédito decorrente de saldo negativo de CSLL, do anocalendário de 2010, no valor de R$ 14.378.107,99. O direito creditório não foi reconhecido em função de duas constatações: Fl. 546DF CARF MF Processo nº 16682.900670/201610 Acórdão n.º 1302003.245 S1C3T2 Fl. 544 7 1) Estimativas pagas: foram recolhidas após o vencimento, sem a multa de mora, amparada na denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN. Foi realizada uma imputação proporcional do valor total pago ao principal, multa e juros de mora da estimativa devida, o que acarretou uma glosa na parcela do crédito do saldo negativo de R$ 140.647,11. A recorrente informou que discutiu a cobrança da multa de mora em ação ordinária judicial, nº 2011.51.01.5109569, obtendo decisão favorável. 2) Estimativas compensadas: foram glosadas, na formação do saldo negativo, as estimativas quitadas por compensação que não foi homologada, ou homologada parcialmente, no montante de R$ 31.718.997,92. A recorrente afirma, em apertada síntese, que não cabe a glosa dessa parcela pois as estimativas serão pagas, seja qual for o resultado do julgamento administrativo das compensações. A seguir, discrimino as estimativas não compensadas, e o resultado do julgamento de 1ª instância. Esclareço que, atualmente, todos os processos estão pendentes de julgamento do recurso voluntário: PA N° do Processo/N0 da DCOMP Valor Compensado Processo Administrativo Prejudicial situação DRJ JAN/2010 36676.95514.010310.1.7.114669 8.408.543,16 16682.720.390/201298 Não reconheceu direito creditório FEV/2010 11268.56268.310310.1.7.113426 4.124.534,65 16682.720.390/201298 Não reconheceu direito creditório MAR/2010 30920.49646.280410.1.3.109134 512.750,09 16682.720385/201285 Reconhecimento parcial do direito creditório R$ 548.538,95 MAR/2010 30213.39763.280410.1.3.106926 436.766,18 16682.720389/201263 Reconhecimento parcial do direito creditório R$ 648.394,39 ABR/2010 27333.57292.010610.1.7.113390 8.528.793,76 16682.720.390/201298 Não reconheceu direito creditório NOV/2010 06608.88896.301210.1.3.016854 2.852.199,82 16682.902.795/201161 Não reconheceu direito creditório NOV/2010 36698.97151.240111.1.7.017006 3.449.063,50 16682.902.799/201140 Não reconheceu direito creditório NOV/2010 07112.41092.301210.1.3.016040 3.406.346,76 16682.902.797/201151 Não reconheceu direito creditório Estabelecida a lide, passo a julgar. Pedido de sobrestamento do julgamento A legislação que rege o pedido de restituição é o artigo 170 do CTN que determina que o direito creditório só pode ser reconhecido quando presentes dois requisitos: a certeza e a liquidez do crédito pleiteado. Nestes termos, entendo que o reconhecimento do direito creditório está condicionado à comprovação da quitação das estimativas discriminadas na tabela supra, que depende, neste momento processual, da decisão definitiva na esfera administrativa quanto à homologação ou não das compensações. Logo, para que a análise da presente lide não traga qualquer prejuízo tanto para a Fazenda quanto para a recorrente, voto no sentido de sobrestar o presente julgamento até que ocorra a decisão definitiva, por parte deste CARF, dos processos que tratam das compensações das estimativas que compõem o saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2010, quais sejam: 16682.720.390/201298, 16682.720385/201285, 16682.720389/201263, 16682.902.795/201161, 16682.902.799/201140, 16682.902.797/201151 Entretanto, caso vencida nesta prejudicial, passo a análise do mérito. Do mérito pagamentos extemporâneos sem a multa de mora artigo 138 do CTN Fl. 547DF CARF MF 8 Inicio a análise da glosa relativa aos pagamentos que foram feitos a destempo, sem a multa de mora, no valor de R$ 140.647,11, e os efeitos da ação judicial ordinária nº 2011.51.01.5109569. Consta nos autos, às fls. 70/89, a peça inicial da ação judicial, na qual a recorrente, como autora, pede a anulação de débito fiscal, relativo à multa de mora dos pagamentos efetuados após a data de vencimento, em razão do disposto no artigo 138 do CTN. É possível aferir que se trata dos mesmos valores, objeto de glosa na composição do saldo negativo de CSLL de 2010, conforme relatório Análise do Crédito. Código de Receita Período de Apuração Valor do Principal Valor da Multa Valor dos Juros Valor Total do DARF Valor Confirmado Valor Não Confirmado 2484 31/01/2010 11.067,18 0,00 1.392,25 12.459,43 9.397,67 1.669,51 2484 28/02/2010 11.067,18 0,00 1.308,14 12.375,32 9.388,04 1.679,14 2484 31/03/2010 88.820,50 0,00 9.903,48 98.723,98 75.275,62 13.544,88 2484 30/04/2010 214.004,82 0,00 22.256,50 236.261,32 181.181,98 32.820,84 2484 31/07/2010 135.262,09 0,00 10.631,60 145.893,69 114.104,24 21.157,85 2484 31/08/2010 129.592,67 0,00 9.084,44 138.677,11 109.185,97 20.406,70 2484 31/10/2010 210.504,43 0,00 11.346,18 221.850,61 176.928,46 33.575,97 2484 30/11/2010 98.208,86 0,00 4.380,11 102.588,97 82.427,26 15.781,60 2484 30/06/2010 68,33 0,00 5,97 74,30 57,71 10,62 Assim, a decisão recorrida deixou de conhecer as alegações acerca desta matéria, uma vez que a opção pela via judicial acarreta em desistência na esfera administrativa. Em sua defesa, a recorrente afirma que não se trata do mesmo objeto, já que a ação judicial discute a cobrança dos débitos, enquanto que na esfera administrativa a lide é quanto ao valor do saldo negativo. Quanto a esta matéria, importa verificar que já houve o trânsito em julgado, em 06/12/2017, favorável à recorrente, conforme tela a seguir: Fl. 548DF CARF MF Processo nº 16682.900670/201610 Acórdão n.º 1302003.245 S1C3T2 Fl. 545 9 Neste termos, deixo de analisar as alegações de defesa quanto à existência de concomitância ou não, já que, neste momento processual, cabe à Administração observar quais os reflexos desta decisão judicial no processo administrativo. Portanto, é forçoso concluir que os pagamentos após o vencimento estavam amparados pela denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, motivo pelo qual a parcela glosada, no valor de R$ 140.647,11, deve compor o saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2010. Do mérito Estimativas cuja compensação não foi homologada ou homologada parcialmente Passo a análise da parcela referente às estimativas cuja compensação não foi homologada, ou homologada parcialmente, dando origem a uma glosa na composição do saldo negativo de R$ 31.718.997,92. A recorrente alega que toda estimativa compensada foi declarada por meio de DCOMP, equivalendo a pagamento para fins de composição de saldo negativo, e que o deslinde da questão acerca da compensação é irrelevante, pois esta é matéria a ser tratada no outro processo administrativo que trata da DCOMP em questão. Entendo que não assiste razão à recorrente quando afirma que estimativa compensada equivale a pagamento, uma vez que a legislação prevê uma condição resolutória nesta modalidade de extinção de débito. O §2º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 determina que a Declaração de Compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória de ulterior homologação. Ou seja, a estimativa será considerada extinta por compensação até que haja manifestação da Administração Fazendária, que pode ocorrer tacitamente. Mas, uma vez decidido que a compensação não foi homologada, a estimativa encontrase inadimplida. Por ser uma condição resolutória, os efeitos são ex tunc, de modo que a estimativa é considerada inadimplida desde a data de seu vencimento. Nestes termos, esta estimativa, cuja compensação não foi homologada, não pode fazer parte da composição do crédito do saldo negativo da CSLL. Quanto à alegação de que a compensação da estimativa é matéria a ser tratada em outro processo, esta também não merece prosperar. Como a própria recorrente afirmou, o Fl. 549DF CARF MF 10 objeto de análise deste processo é compensação de débitos utilizando crédito no valor de R$ 14.378.107,99. Tratase de um encontro de contas entre titulares (Fazenda Pública e contribuinte) recíprocos de débitos e créditos, simultaneamente, de modo que as respectivas obrigações extinguemse até o limite da equivalência destes valores. Neste sentido, é obrigação da Administração apurar, corretamente, o crédito que a recorrente alega possuir, que passa obrigatoriamente, no caso de crédito de saldo negativo de IRPJ/CSLL, da verificação da quitação das estimativas. Logo, se a compensação da estimativa não foi homologada, este valor não foi quitado, e não poderá compor o crédito do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2010. Naqueles processos, que tratam das Declarações de Compensação das estimativas em comento, será analisado o encontro de contas entre o crédito ali tratado e os débitos que se pretende compensar. É lógico que existe uma prejudicialidade, já que a decisão proferida naqueles processos reflete na análise deste, mas é questão já ultrapassada. O fato é que a apresentação da Declaração da Compensação para quitar uma estimativa não impede que a Administração faça a análise necessária para apuração do crédito do saldo negativo, objeto do presente pleito. Ademais, é preciso ter em mente que, para seja reconhecido o direito creditório, o artigo 170 do CTN determina que deverão estar presentes dois requisitos: a certeza e liquidez do crédito. A Administração deve aferir a existência do crédito, bem como qual o valor que será utilizado no encontro de contas. Se a estimativa não está quitada, a certeza é afastada de imediato, motivo pelo qual é correta a sua glosa. Outra linha de defesa da recorrente seria que as estimativas seriam adimplidas, independente da decisão administrativa quanto à homologação da compensação. Afirma que a certeza e liquidez é atestada pela confissão de dívida da DCOMP e DCTF. Alega que os Pareceres da PGFN garantem a cobrança das estimativas de IRPJ/CSLL, após ocorrido o ajuste anual do IRPJ/CSLL. Esse entendimento estaria de acordo com a Solução de Consulta Interna COSIT nº 18/2006 e a Nota Cosit nº 31/2013. Ademais, este vem sendo o entendimento do CARF. Passo a julgar. Inicio esclarecendo que a Administração não adotou a Solução de Consulta Interna COSIT nº 18/2006, tanto que o presente litígio foi instaurado em função da glosa das parcelas cujas estimativas tiveram a compensação não homologada, ou parcialmente homologada. Ademais, cumpre observar a citada Solução de Consulta Interna não tem efeito vinculante, pois foi editada antes da Instrução Normativa nº 1.396, de 16 de setembro de 2013, cujo artigo 9º determina que devem ser observadas as orientações emanadas pelas soluções de consulta e divergência, no âmbito da RFB. O mesmo vale para a Nota Cosit nº 31/2013, que trata de consulta formulada para a PGFN, não revelando, nestes termos, qualquer entendimento oficial da Receita Federal. Além disso, da leitura da Nota Cosit nº 31/2013, concluise que a Solução de Consulta Interna nº 18/2006 teve seu entendimento suplantado pelo Parecer PGFN/CAT nº 1.658, de 2011, ratificado pelo Parecer PGFN/CAT nº 193, de 2013, cuja ementa é a que segue: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líqüido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Impossibilidade de inscrição das estimativas em Dívida Ativa da União. Inexistência de crédito tributário. Ausência de certeza e liquidez. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 16682.900670/201610 Acórdão n.º 1302003.245 S1C3T2 Fl. 546 11 Por certo que houve novo questionamento por parte da Receita Federal, por meio da já citada Nota Técnica COSIT nº 31, de 2013, pois os mencionados Pareceres não teriam considerado que as estimativas, cuja compensação não tivesse sido homologada, teriam sido computadas no ajuste anual do tributo, momento em que a referida estimativa assumiria a natureza de imposto de renda ou de contribuição social sobre o lucro líquido. Confira o item 9 da Nota Técnica COSIT: 9. Considerando que as conclusões do Parecer PGFN/CAT nº 1.658, de 2011, ratificadas pelo Parecer PGFN/CAT nº 193, de 2013, têm grandes implicações nos procedimentos de cobrança e análises de compensação e restituição de IRPJ e CSLL, esta Cosit reuniuse com a PGFN, quando se firmou compromisso de nova consulta ser elaborada com maiores esclarecimentos sobre o “débito de estimativa cuja compensação não tenha sido homologada”, no sentido de verificar se, após o ajuste anual, referida estimativa assume a natureza de imposto de renda ou de contribuição social sobre o lucro líquido.(grifei) A preocupação da Administração, dentre outras, seria no sentido de que, caso não fossem cobradas as estimativas que reduziram, ou quitaram o tributo devido, poderia ocorrer a impossibilidade de cobrança do crédito tributário (IRPJ/CSLL) devido no final do período. Em resposta, veio o Parecer PGFN nº 88, de 2014, que, segundo a recorrente, respaldaria sua alegação de que as estimativas seriam objeto de cobrança, após ocorrido o ajuste anual do IRPJ/CSLL, mas já convalidada em tributo. Ocorre que, da leitura deste parecer, e da Nota Cosit nº 31/2013, esta conselheira não chega a mesma conclusão, pois entende que, após o encerramento do ano calendário, seria objeto de cobrança apenas o montante das estimativas suficientes para quitar o tributo devido apurado no ajuste. Somente nestas condições é que ocorreria a substituição da estimativa pelo imposto de renda ou pela contribuição social sobre o lucro líquido. Transcrevo os mesmos itens da Nota Cosit nº 31/2013 que a recorrente citou: 21.2. Ora, enquanto não homologada a compensação, extinto está o débito declarado a título de estimativa e, portanto, corretamente deduzido do total do imposto devido no ano e demonstrado na DIPJ. Essa extinção, entretanto, não é definitiva, mas se submete a condição resolutória de a RFB homologála ou não no prazo de cinco anos. 21.3. Assim, ao compor o imposto de renda apurado e devido ao final do anocalendário, e ser declarado como extinto por meio de estimativa, temse que esse valor informado na DIPJ como compensado já não é mais estimativa, mas imposto sobre a renda, crédito tributário definitivamente constituído por apuração e confissão do sujeito passivo. Tal caráter de confissão tanto se encontra assentado na informação do valor estimado e compensado prestada na DCTF, como na DComp. O item acima expressamente se refere ao compor o imposto de renda apurado e devido. Só se pode falar em crédito tributário definitivamente constituído os Fl. 551DF CARF MF 12 valores apurados e devidos de IRPJ e CSLL no final do período, quando então se faz o confronto com todos os recolhimentos a título de antecipação deste tributo (as estimativas de IRPJ/CSLL e os valores retidos pelas fontes pagadores). Logo, só seriam objeto de cobrança as estimativas até o valor limite ao montante utilizado para quitação do crédito tributário constituído, pois teria ocorrido o que a recorrente e a Procuradoria chama de substituição. Neste sentido, assim se manifesta o Parecer PGFN nº 88/2014: 15. O IRPJ e a CSLL substituem as estimativas, contudo, é possível que os valores relativos à estimativa tenham sido compensados e computados como pagamento no momento do ajuste anual, contudo, essa compensação pode não ser homologada, ocorrendo a decisão após a apuração do lucro real. Assim, tratarseiam de valores referentes a tributo consolidados com o ajuste anual, não mais de mera estimativa do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro. (grifei) Esta conselheira entende que as estimativas que compõem o saldo negativo do IRPJ/CSLL, por terem natureza de indébito (valores a restituir ao contribuinte), não podem ser substituídas pelo crédito tributário constituído apurado no final do período. Os valores possuem natureza distinta, não havendo que se falar em substituição da parcela das estimativas que excederam ao tributo devido pelo próprio tributo excedido. O primeiro é valor a restituir enquanto que o segundo é valor a cobrar. Cumpre registrar que o Parecer PGFN nº 88/2014 consignou claramente que os Pareceres anteriores continuam válidos, conforme se depreende do trecho a seguir: 5. Desse modo, a consulta realizada em nada se assemelha as anteriores, em que foram tratadas as estimativas, ou seja, valores não consolidados no ajuste anual. Tanto o Parecer PGFN/CAT n.° 1.658/2011, quanto no Parecer PGFN/CAT n.° 193/2013 abordam os valores relativos a estimativa, não analisando a mudança de natureza que ocorre após o ajuste anual, portanto, não vislumbramos nenhuma razão para alteração dos pareceres anteriores, aos quais remetemos para questão das estimativas. Concluo, portanto, que a tese de que as estimativas não compensadas serão cobradas em dívida ativa não prospera. E, ainda que fosse adotada a tese da recorrente, é preciso registrar que toda a defesa passa ao largo da discussão necessária para o reconhecimento do direito creditório: os requisitos de certeza e liquidez do crédito, nos termos do artigo 170 do CTN. Registro que estes requisitos devem ser aferidos na data da apresentação da Declaração de Compensação, por se tratar, como já dito, de um encontro de contas entre titulares (Fazenda Pública e contribuinte) recíprocos de débitos e créditos, simultaneamente. Assim, partindo da premissa de que toda estimativa não compensada será cobrada, passo a analisar as demais alegações. A recorrente afirma que toda estimativa será adimplida seja qual for o resultado do julgamento administrativo quanto à compensação, já que:(1) será homologada ou (2) será cobrada, com inscrição em dívida ativa. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 16682.900670/201610 Acórdão n.º 1302003.245 S1C3T2 Fl. 547 13 Não concordo com esta afirmação. A certeza de que a estimativa estaria quitada ocorre apenas se a compensação fosse homologada. Do contrário, a estimativa será objeto de cobrança por meio de inscrição em dívida ativa, fato que não confere ao crédito as qualidades de certeza e liquidez exigidas pelo artigo 170 do CTN. Como dito anteriormente, reconhecimento do direito creditório de saldo negativo depende da comprovação da efetiva quitação da estimativa. Ora, a certeza da cobrança da estimativa não é garantia de seu pagamento. Não há como conferir certeza e liquidez a um crédito sob o fundamento de que as estimativas serão cobradas pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Reconhecer o direito creditório nestas condições seria o mesmo que restituir algo que não foi pago. Se não foi pago, não há que se falar em indébito tributário a favor do contribuinte. Repito que a compensação pressupõe um encontro de contas, onde deve haver fungibilidade entre os valores do crédito e do débito. Nestes termos, caso homologada a compensação, não seria em função de reconhecimento de direito creditório (por ser inexistente), mas sim um empréstimo a ser pago no futuro. Friso que do ponto de vista processual, não há provas nos autos de que a recorrente possui direito ao crédito de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2010. A certeza e liquidez do crédito não restaram demonstradas, lembrando que é ônus daquele que pleiteia, nos por força do artigo 373 do CPC ( Lei nº 13.105/2015). Uma decisão favorável neste julgamento se valeria de uma prova que seria eventualmente constituída no futuro, ou seja, quando, e se, da quitação da estimativa cuja compensação não foi homologada. Repito: cobrança não é garantia de quitação do débito. Ainda do ponto de vista processual, o reconhecimento do direito creditório baseado na possibilidade de um futuro pagamento da estimativa representaria uma inovação na causa de pedir. Isto porque o contribuinte informou na DCOMP que seu crédito de saldo negativo, existente na data da transmissão da DCOMP, seria formado por estimativas quitadas por compensação em outros processos administrativos. Se, ao final, as estimativas forem cobradas, significa que houve decisão definitiva administrativa da não homologação da compensação nos citados processos. A despeito desta decisão definitiva de que as estimativas não estão extintas por compensação, um eventual reconhecimento de direito creditório, baseado em pagamento futuro em sede de cobrança, seja pela RFB ou PGFN, estará totalmente dissociado da causa de pedir original. Vale reprisar que a compensação é um encontro de contas entre crédito e débito, e que devem ser contemporâneos. O instituto da compensação não tem cabimento quando o crédito é constituído em data posterior (data do pagamento da estimativa quando inscrita em dívida ativa da União) à data da compensação do débito. Esta questão foi analisada em situação semelhante, em sede de Recurso Especial do contribuinte, no qual era contestada a glosa das estimativas cujas compensações não foram homologadas. O contribuinte teria desistido do contencioso administrativo para aderir ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009, com a inclusão destas estimativas não quitadas. Naquele recurso, o contribuinte alegava que deveriam ser consideradas as parcelas já pagas na formação do saldo negativo. No entanto, foi negado provimento, por voto de qualidade, ao Recurso Especial, por meio do Acórdão 9101003.708, da lavra o i. Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, na sessão de 09 de agosto de 2018, no qual se manifestou o entendimento de o contribuinte poderia pedir restituição à medida em que os recolhimentos fossem ocorrendo. Abaixo, transcrevo os principais trechos do citado Acórdão, bem como a sua ementa: Fl. 553DF CARF MF 14 A outra divergência a ser examinada diz respeito à formação de saldo negativo a partir de estimativas que foram quitadas por compensação em outro Per/Dcomp, nos casos em que não houve homologação dessa compensação, levandose ainda em conta que essas estimativas estariam sendo (ou teriam sido) quitadas posteriormente em processo de parcelamento. Essa questão não é muito simples. (...) Mas por outro lado, também é importante lembrar que para um contribuinte postular restituição ou compensação de tributo, é necessário, de acordo com o Código Tributário Nacional CTN, que seu direito seja líquido e certo, ou seja, que decorra de pagamento comprovadamente realizado em montante indevido ou a maior que o devido. Sabese muito bem que a compensação, na forma em que vem sendo realizada desde a Lei 10.637/2002, implica em um aproveitamento imediato do reivindicado indébito, sob condição resolutória. Sendo assim, o acolhimento do pleito da contribuinte implicaria em admitir a possibilidade de restituição/compensação de algo que ainda nem mesmo foi pago, o que afronta não só o sistema jurídico, mas a própria lógica das coisas, porque só se restitui (devolve) o que foi anteriormente dado (pago). Não há como admitir essa ideia, de a contribuinte primeiro receber a restituição, para depois pagar o tributo que daria ensejo àquela restituição.(grifei) No caso, ainda haveria um agravante, porque a restituição/compensação do saldo negativo seria pelo seu valor cheio, com todos os acréscimos legais, enquanto que o pagamento parcelado das estimativas se daria com benefícios de anistia, previstos na Lei n° 11.941/2009 (inclusive com redução dos juros de mora). Mas mesmo que não houvesse essa questão, mesmo que o pagamento futuro da estimativa (seja pela via da execução do Per/Dcomp que contém o débito de estimativa, seja pela via de um parcelamento normal) se desse com todos os acréscimos, ainda remanesceria um problema. É que o momento para o encontro de contas continuaria sendo a data de envio do Per/Dcomp, e nós estaríamos autorizando a restituição/compensação de crédito que ainda não existia naquela data. Não há dúvida de que as estimativas pagas posteriormente devem repercutir no ajuste anual. Seria contraditório, por exemplo, exigir da contribuinte a quitação das estimativas (via execução de Per/Dcomp ou parcelamento) e também exigir o tributo no ajuste em razão da ausência destas mesmas estimativas. Fl. 554DF CARF MF Processo nº 16682.900670/201610 Acórdão n.º 1302003.245 S1C3T2 Fl. 548 15 O fato é que o pagamento das estimativas, mesmo extemporâneo, supre o imposto no ajuste, ao mesmo tempo em que afasta o fundamento para a sua cobrança (cobrança do tributo no ajuste). Mas a restituição/compensação dessas estimativas na forma de saldo negativo implica em questões adicionais, porque elas somente se tornam aptas a embasar restituição ou compensação na medida que forem pagas, e também na medida que o montante pago supere o valor do tributo devido, quando passam a convalidar o saldo negativo a ser restituído/ compensado. Por isso, o procedimento correto é que a contribuinte apresente Per/Dcomp à medida que o saldo negativo vai se formando pelo pagamento das estimativas parceladas. Neste processo, só se poderia admitir a compensação do saldo negativo formado (existente) até a data do envio do Per/Dcomp objeto destes autos, ou seja do saldo negativo formado pelas estimativas pagas até aquela data. Ocorre que o Per/Dcomp foi apresentado em 11/01/2005, e o alegado parcelamento para quitação das estimativas foi feito muito depois disso, porque pautouse pela Lei n° 11.941/2009. A alegadas quitações de estimativas no processo de parcelamento, portanto, não dão base para utilização do alegado saldo negativo em 11/01/2005 (data do encontro de contas). Abaixo, a ementa deste Acórdão abordando essa matéria: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO FORMADO POR ESTIMATIVAS PAGAS DEPOIS DO ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO ANUAL. Para que um contribuinte postule restituição ou compensação de tributo, é necessário que seu direito seja líquido e certo, ou seja, que decorra de pagamento comprovadamente realizado em montante indevido ou a maior que o devido. A restituição/compensação de saldo negativo formado por estimativas só é admissível na medida em que essas estimativas estejam quitadas, e também na medida que o montante pago supere o valor do tributo devido, quando elas passam a convalidar o saldo negativo a ser restituído/ compensado. Se a contribuinte realiza pagamento de estimativa depois do encerramento do período de apuração anual (por execução de Per/Dcomp com débito de estimativa que não foi homologado, ou por processo de parcelamento), o procedimento correto é que a contribuinte apresente Per/Dcomp à medida que o saldo negativo vai sendo formado pelos referidos pagamentos de estimativas. Não há como admitir a ideia de a contribuinte primeiro receber a restituição (ainda que na forma de compensação), para depois pagar o tributo que daria ensejo àquela restituição. (Acórdão nº 9101003.708, da sessão de 09 Fl. 555DF CARF MF 16 de agosto de 2018, da lavra do i. Conselheiro Rafael Vidal de Araújo) A recorrente ainda alega que ocorreria duplicidade na cobrança do mesmo débito: (a) mediante a redução do saldo negativo e (b) pela via de execução fiscal (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada). Esta alegação também não prospera, pois são débitos distintos, não havendo que se falar em duplicidade. Se não houve quitação da estimativa por compensação, deve ocorrer a redução do crédito do saldo negativo (ou o não reconhecimento do direito creditório), com a conseqüente cobrança do débito cuja compensação, por ventura, não for homologada. É o resultado final de um processo administrativo que tratou de uma declaração de compensação, cujo direito ao crédito de saldo negativo não foi reconhecido, ou reconhecido parcialmente. No entanto, a cobrança destes débitos não se confunde com a cobrança daquela estimativa que originou a redução do crédito do saldo negativo. São fatos geradores distintos, cobranças distintas. E, caso esta estimativa venha a ser paga no futuro, como consignado na ementa supra, o procedimento correto é que o contribuinte apresente Per/Dcomp à medida que o saldo negativo for sendo formado. Analisadas todas as alegações trazidas no recurso voluntário, cumpre observar que o julgamento de 1ª instância reformou alguns Despachos Decisórios dos processos que não homologaram as compensações. De acordo com o quadro supra, o valor total dos direitos creditórios reconhecidos nos processos que tratam das compensações das estimativas é de R$ 1.196.933,34. Entretanto, ainda que a totalidade desse crédito reconhecido fosse utilizado para compensar as estimativas de CSLL do anocalendário de 2010, e ainda que adicionada a parcela de R$ 140.647,11 (relativa aos pagamentos sem o recolhimento da multa de mora), o montante apurado seria insuficiente para reverter a decisão neste processo, considerando que a CSLL devida é de R$ 40.342.108,38, e as estimativas confirmadas no Despacho Decisório é de R$ 22.517.086,76. Por todo acima exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Maria Lucia Miceli Relatora Voto Vencedor Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator Designado Coube a mim a difícil tarefa de apresentar contraposição às sempre muito bem fundamentadas razões da ilustre colega e relatora. É que minha conhecida posição é a de considerar que a estimativa compensada deve integrar o saldo negativo do imposto de renda, pelos motivos que já externei em vários votos e que reproduzo abaixo: No mérito, estamos tratando de uma sistemática de compensação e cobrança que vinha sendo entabulada normalmente nos procedimentos da RFB: a compensação das estimativas mensais e seu aproveitamento na composição da base negativa independentemente do resultado da DComp, uma vez que a cobrança seria realizada no processo de compensação. Ocorre que a natureza jurídica das estimativas não é de tributo, mas de antecipação deste, o que motivou a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) a emitir Pareceres que impediam a inscrição em dívida ativa dos débitos dessa natureza. Assim, todo o sistema que estava acertado deixou de ser saudável, na Fl. 556DF CARF MF Processo nº 16682.900670/201610 Acórdão n.º 1302003.245 S1C3T2 Fl. 549 17 medida em que quebrouse a possibilidade de cobrança dos valores compensados a título de estimativa. Prevalecendo este entendimento só seria aceitável a utilização das estimativas compensadas na composição da base negativa após a homologação da compensação. Registrese, contudo, que no anocalendário de 2009 a polêmica ainda não tinha sido estabelecida, pois foi com a edição do Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 que a inscrição em dívida ativa dos débitos declarados em DComp relativos às estimativas foi vedada. Naquele ano ainda vigorava o aproveitamento, na formação do saldo negativo de CSLL , das estimativas compensadas, cobráveis que eram no próprio processo de compensação. Em 2014 foi emitido o Parecer PGFN/CAT nº 88 que assim concluiu sobre a possibilidade de cobrança dos valores de estimativas compensadas: Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. Desta forma, a cobrança das estimativas compensadas foi viabilizada no Parecer, já que, nas circunstância nele descritas, os créditos tributário inadimplidos seriam inscritos em dívida ativa. A 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já se manifestou a respeito em julgado posterior ao referido Parecer 18, Acórdão 9101002.493 de 23 de novembro de 2016, da relatoria do I. Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP.DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Importa salientar que das soluções possíveis, portanto, para as declarações de compensação cujos débitos de estimativa integram o saldo negativo, não há, em nenhuma delas, prejuízo para o Erário, pois: (i) se homologada a compensação o crédito relativo à estimativa é extinto; (ii) se não for homologada a compensação os valores serão cobrados no próprio processo de compensação. Fl. 557DF CARF MF 18 Por outro lado, na ótica do contribuinte, o mesmo não ocorre, haja vista que na eventual exclusão da estimativa compensada do saldo negativo ele poderá ser alvo de dupla cobrança: no processo de compensação da estimativa (não homologada) e no processo de compensação do saldo negativo que a incluía. O viés que apresento implica rejeição da proposta de sobrestamento invocada pela I. Relatora. Feitas estas considerações, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator Designado Fl. 558DF CARF MF
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Numero do processo: 10240.003408/2008-20
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
MULTA QUALIFICADA NO PERCENTUAL DE 150%. DOLO.
Justifica-se a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, em conduta reiterada e uniforme, estando presentes os elementos cognitivo e volitivo, visando se esquivar do pagamento de tributos.
Numero da decisão: 9101-003.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Demetrius Nichele Macei, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1481; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2.352 1 2.351 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10240.003408/200820 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.928 – 1ª Turma Sessão de 04 de dezembro de 2018 Matéria IRPJ QUALIFICAÇÃO DE MULTA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CATARINENSE COMERCIO DE MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 MULTA QUALIFICADA NO PERCENTUAL DE 150%. DOLO. Justificase a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, em conduta reiterada e uniforme, estando presentes os elementos cognitivo e volitivo, visando se esquivar do pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Demetrius Nichele Macei, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 34 08 /2 00 8- 20 Fl. 2352DF CARF MF Processo nº 10240.003408/200820 Acórdão n.º 9101003.928 CSRFT1 Fl. 2.353 2 (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano. Relatório Tratase de processo originado por Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, quanto a 2003 e 2004, sendo aplicada multa de 150% quanto a três infrações descritas em Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal (fls. 36 e 85, volume 1). Destacase trecho do TVF a respeito de infrações e multa qualificada imposta (fls. 107): 45.Com base em todos os termos, livros e documentos apresentados ou obtidos até a presente data, foi feita a seguinte análise com relação à fiscalização dos anos calendários de 2003 e 2004. 46. A Tabela 01 mostra os valores consolidados por banco/agência/conta em totais mensais dos depósitos/créditos em contas correntes do contribuinte, contidos nos Anexos I e II do Termo de Intimação Fiscal n° 0015. A solicitação para comprovação desses valores de depósitos/créditos em conta corrente foi objeto do Termo de Intimação Fiscal n° 0015, de 25/06/2008, não sendo comprovados pelo contribuinte por documentação hábil e idônea. (...) INFRAÇÃO: DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS ANO CALENDÁRIO 2003 (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). 51. .Não havendo apresentação de documentos por parte do contribuinte que pudessem identificar e comprovar a origem dos recursos, e que pudessem comprovar a correta escrituração dos valores dos lançamentos submetidos a sua comprovação, foram lançados os valores de lucro/receita/faturamento constantes nas Fl. 2353DF CARF MF Processo nº 10240.003408/200820 Acórdão n.º 9101003.928 CSRFT1 Fl. 2.354 3 Tabelas 01 como OMISSÃO DE RECEITA — DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS (...) INFRAÇÃO: RECEITAS DA ATIVIDADE ANOCALENDÁRIO 2004 (...) 67. Pela consulta à DIPJ do exercício 2005, ano calendário 2004, verificamos que o contribuinte optou pela forma de tributação pelo lucro presumido. 68. Em consulta aos sistemas da RFB foi verificada a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF relativa ao ano calendário 2004, e o contribuinte declarou valores mensais devidos de IRPJ no anoalendário 2004, havendo créditos/pagamentos vinculados aos valores declarados. 69. Compulsando os livros fiscais do contribuinte elaboramos a Tabela 05, contendo o cálculo do faturamento no 1 ano calendário 2004 72. Os valores das diferenças encontradas entre o valor do imposto calculado com base no faturamento, levantado segundo a Planilha de Cálculo do Faturamento, e o valor de débito do imposto declarado em DCTF, foram lançados como Receitas da Atividade. (...) 4. MULTAS (...) 101.No anocalendário 2002 o contribuinte teve seu lucro arbitrado, pois não apresentou livros fiscais e foi autuado com base na infração de Depósitos bancários de origem não comprovada, Sendo constituído o processo de n° 10240.002355/200749 (Auto de Infração — IRPJ). 102. Nos anoscalendário 2003 e 2004 o contribuinte foi autuado com base nas infrações Depósitos bancários Não Contabilizados e Depósitos bancários de origem não comprovada, respectivamente, sendo constituído o processo n° 110240.003408/200820. Além disso, salientase que os próprios registros contábeis do contribuinte, onde foi omitida grande parte de sua movimentação financeira, já apresentavam um faturamento maior do que o declarado ao fisco. Ainda, intimado a apresentar nova DIPJ, o contribuinte argumentou que não havia necessidade, pois já havia sido apresentada a DIPJ, que por sua vez apresentava valores zerados. 103. No período fiscalizado, conforme descrição minudente constante deste relatório fiscal, restou configurado que, indubitavelmente, o contribuinte tinha plena consciência do montante exato das bases de cálculo das obrigações tributárias, espelhadas em seus próprios registros contábeis, exibidos ao fisco após intimação, e, continuadamente, vinha prestando declarações inverídicas, com o escopo de eximirse totalmente/parcialmente do pagamento do valor real devido. A apresentação de tais registros não descaracteriza ou atenua a Fl. 2354DF CARF MF Processo nº 10240.003408/200820 Acórdão n.º 9101003.928 CSRFT1 Fl. 2.355 4 conduta ilícita da fiscalizada: ao contrário, os mencionados assentamentos são provas documentais de que o fato deliberado existiu, subsumindose à tipificação prevista no art. 1°. da Lei n°. 8.137, de 1990. 104. É cabível a multa qualificada, pois o contribuinte através da prática de infrações tributárias conseguiu o objetivo de, reiteradamente, além de omitir a informação em suas declarações de rendimentos, deixar de recolher os tributos devidos. A prática de reduzir indevidamente a receita oferecida à tributação indica a ocorrência de prática que resultou na imposição da multa qualificada de 150%. 105. Ante a conduta do contribuinte de apresentar reiteradamente declarações com valores irreais, apurando débitos fiscais aquém dos efetivamente devidos, foi aplicada a multa qualificada de 150% prevista no art. 44, inciso II, da Lei n°. 9.430, de 1996. De outra parte, por configurar a prática da fiscalizada, em tese, crime contra a ordem tributária capitulado no art. 1°., da Lei n°. 8.137, de 1990, foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais perante o Delegado da Receita Federal do Brasil em Porto Velho/RO, sendo formalizado o processo etiquetado sob (5 n°. 10240.003409/200874, consoante o art. 1° da Portaria SRF n° 665/08. O contribuinte apresentou Impugnação Administrativa (fls. 769, pdf. 121, volume IV) decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém pela manutenção do lançamento (fls. 811, pdf. 170, volume IV): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE FISCALIZATÓRIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do lançamento, haja vista que, no decurso da ação fiscal, inexiste litígio ou contraditório, por força do artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972. PRELIMINAR DE NULIDADE POR VICIO FORMAL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Sendo o mandado de procedimento fiscal norma de natureza procedimental, servindo de instrumento, na essência, de afirmação da validade da ação fiscal e, portanto, com efeitos preponderantemente "intra corporis", não há por que se acatar os argumentos de nulidade. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL: Fl. 2355DF CARF MF Processo nº 10240.003408/200820 Acórdão n.º 9101003.928 CSRFT1 Fl. 2.356 5 Definidas em Lei, as atribuições do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal são legitimas e, inexistindo quaisquer determinações acerca de formação especifica e/ou registro em Conselho Regional para fins de regular exercício profissional, não subsiste qualquer alegação de nulidade dos lançamentos formalizados pelos agentes fiscais, no regular exercício de sua competência funcional. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, no implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o. sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de oficio. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. COFINS. PIS. BASE DE CALCULO. INCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS. 0 ICMS Compõe o preço das mercadorias e serviços sobre os quais incide e, conseqüentemente, o faturamento. Sendo um imposto sobre as vendas, deve compor a receita bruta para efeito de base de cálculo do PIS e da COFINS. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Correta a aplicação da multa de oficio qualificada de 150% quando restar evidenciado nos autos o intuito de fraude. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes Fl. 2356DF CARF MF Processo nº 10240.003408/200820 Acórdão n.º 9101003.928 CSRFT1 Fl. 2.357 6 atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, do Código Tributário Nacional. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a intima relação de causa e efeito que os une. Lançamento Procedente O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 840, pdf. 198, volume IV), ao qual foi dado parcial provimento pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho para reduzir a multa ao percentual de 75% sobre valores escriturados, conforme acórdão do qual se extrai a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 NULIDADE. INOCORRÉNCIA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Os preceitos estabelecidos no Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) e no Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235, de 1972) sobrepõemse às recomendações insertas na Portaria que criou o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), que se consubstancia mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais alterações nele inseridas, ou até mesmo a inexistência deste instrumento, não caracterizam vícios insanáveis. ASSUNTO: NORMAS GERMS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ONUS DA PROVA. Por presunção legal contida no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, os depósitos efetuados em conta bancária cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pela contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe os lançamentos que tenham sido formalizados em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele (CSLL) ou que define o evento comum, no caso a apuração de receita auferida pela pessoa jurídica, como fato gerador das contribuições incidentes sobre o faturamento (COFINS e PIS). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Fl. 2357DF CARF MF Processo nº 10240.003408/200820 Acórdão n.º 9101003.928 CSRFT1 Fl. 2.358 7 A prática de não registrar na contabilidade conta corrente bancária e sua movimentação evidencia o intuito doloso de ocultar a obrigação tributária principal, o que implica na qualificação da multa de oficio. OMISSÃO DE RECEITA. RECEITA ESCRITURADA E NÃO DECLARADA. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. Incabível a exigência da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, § 10, da Lei no 9.430/96, afeta às condutas de sonegação, fraude e conluio, quando a receita tomada em conta pelo procedimento fiscal para o lançamento dos tributos foi colhida em livros contábeis da própria contribuinte, aflorando a hipótese de declaração inexata, igualmente prevista no mesmo comando legal e cuja penalidade pecuniária é aquela prevista em seu inciso I, qual seja, multa de 75%. Os autos foram remetidos à Procuradoria, conforme RM emitida em 23/07/2012 (fls. 880), com recebimento pela PGFN em 24/07/2012. A Procuradoria interpôs recurso especial em 03/09/2012 (fls. 881). O recurso especial está fundado em divergência na interpretação da lei tributária a respeito da multa qualificada, quanto a dois pontos: (i) tratando da omissão significativa de rendimentos, indicou o acórdão paradigma nº 20309.098, no qual se decidiu que "a omissão de expressiva e vultosa quantia de rendimentos não oferecidos à tributação demonstra a manifesta intenção dolosa do agente, tipificando a infração tributária como sonegação fiscal."; e (ii) quanto à reiteração de conduta, indicando como acórdão paradigmas os de nº: (ii.a) 10196.446, do qual se extrai: "A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente fraude” e (ii.b) 10517034, verbis: “A prática reiterada da infração demonstra de forma inequívoca o dolo do agente” O recurso especial foi admitido pelo então Presidente da 1ª Câmara da Primeira Seção do CARF (fls. 2.264), destacandose trecho da decisão a seguir: Para comprovar a divergência, a recorrente apresentou três paradigmas. Entretanto, consoante mandamento do artigo 67, § 7º, do RICARF, somente os dois primeiros indicados serão considerados, “descartandose os demais”. Naquilo que interessa, são estas suas ementas: Acórdão n° 20309.098, da 3ª Câmara, do 2º Conselho de Contribuintes (...) Acórdão n° 10196.446, da 1ª Câmara, do 1º Conselho de Contribuintes (...) De outro lado, o cotejo das razões de decidir do Acórdão recorrido e dos dois paradigmas mostra o dissenso proclamado pela recorrente. (...) Fl. 2358DF CARF MF Processo nº 10240.003408/200820 Acórdão n.º 9101003.928 CSRFT1 Fl. 2.359 8 Como retratado, as situações fáticas têm o mesmo contorno, ou seja, tratase de lançamentos realizados em razão de movimentação financeira incompatível, com supedâneo no artigo 42, da Lei nº 9.430/1996. Todavia, em relação à qualificação da multa, diante de um cenário fático semelhante, digase, receitas que foram devidamente escrituradas em livros contábeis (Diário) ou fiscais (Registro de Apuração de ICMS) mas informadas a menor em DIPJ ou DCTF, afetando o cálculo dos tributos da União, as conclusões interpretativas do Acórdão recorrido e dos dois paradigmas foram claramente divergentes no que tange à definição da multa, ou seja, se deveria ser qualificada ou não, pelo que o descompasso interpretativo restou estampado. (...) Atendidos os pressupostos de tempestividade e legitimidade (arts. 67 e 68 do RICARF), e tendo a recorrente comprovado as divergências jurisprudenciais arguidas, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Nesse contexto, a unidade de origem publicou Edital nº 43/2015 no qual consta: a intimação do contribuinte "para pagar o débito referente ao processo abaixo no prazo de 30 (trinta) dias contado do 16º (décimo sexto) dia da data da publicação deste. Não obstante isso, não constou do edital a intimação do contribuinte quanto ao acórdão nº 1102 00359, possibilitandolhe eventuais recursos, como tampouco para a apresentação de contrarrazões ao recurso especial da Procuradoria, admitido pelo Presidente de Câmara. Diante disso, o processo foi encaminhado à unidade de origem para regular intimação do contribuinte, possibilitando a apresentação de contrarrazões ao recurso especial no prazo legal. O contribuinte, assim, foi intimado, sem que tenha apresentado contrarrazões, ou recurso. Nos autos ainda consta informação de transferência de débitos para o processo nº 10.240721.838/201556 (fls. 2.281). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora. Conheço o recurso especial, adotando as razões do Presidente de Câmara. Passo, assim, à análise do mérito. Relembro que a fiscalização entendeu pela qualificação da multa pelos fundamentos extraídos do Relatório de Atividade Fiscal que acompanha o auto de infração (TVF, fls. 107, volume 1): Fl. 2359DF CARF MF Processo nº 10240.003408/200820 Acórdão n.º 9101003.928 CSRFT1 Fl. 2.360 9 102. Nos anoscalendário 2003 e 2004 o contribuinte foi autuado com base nas infrações Depósitos bancários Não Contabilizados e Depósitos bancários de origem não comprovada, respectivamente, sendo constituído o processo n° 110240.003408/200820. Além disso, salientase que os próprios registros contábeis do contribuinte, onde foi omitida grande parte de sua movimentação financeira, já apresentavam um faturamento maior do que o declarado ao fisco. Ainda, intimado a apresentar nova DIPJ, o contribuinte argumentou que não havia necessidade, pois já havia sido apresentada a DIPJ, que por sua vez apresentava valores zerados. 103. No período fiscalizado, conforme descrição minudente constante deste relatório fiscal, restou configurado que, indubitavelmente, o contribuinte tinha plena consciência do montante exato das bases de cálculo das obrigações tributárias, espelhadas em seus próprios registros contábeis, exibidos ao fisco após intimação, e, continuadamente, vinha prestando declarações inverídicas, com o escopo de eximirse totalmente/parcialmente do pagamento do valor real devido. A apresentação de tais registros não descaracteriza ou atenua a conduta ilícita da fiscalizada: ao contrário, os mencionados assentamentos são provas documentais de que o fato deliberado existiu, subsumindose à tipificação prevista no art. 1°. da Lei n°. 8.137, de 1990. 104. É cabível a multa qualificada, pois o contribuinte através da prática de infrações tributárias conseguiu o objetivo de, reiteradamente, além de omitir a informação em suas declarações de rendimentos, deixar de recolher os tributos devidos. A prática de reduzir indevidamente a receita oferecida à tributação indica a ocorrência de prática que resultou na imposição da multa qualificada de 150%. 105. Ante a conduta do contribuinte de apresentar reiteradamente declarações com valores irreais, apurando débitos fiscais aquém dos efetivamente devidos, foi aplicada a multa qualificada de 150% prevista no art. 44, inciso II, da Lei n°. 9.430, de 1996. De outra parte, por configurar a prática da fiscalizada, em tese, crime contra a ordem tributária capitulado no art. 1°., da Lei n°. 8.137, de 1990, foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais perante o Delegado da Receita Federal do Brasil em Porto Velho/RO, sendo formalizado o processo etiquetado sob (5 n°. 10240.003409/200874, consoante o art. 1° da Portaria SRF n° 665/08. Assim, notase a referência à omissão substancial e reiteração da conduta com relação a todas as infrações do lançamento. Esclareço que as receitas omitidas em todo o período fiscalizado (2003 e 2004) são realmente substanciais se comparadas com o valor declarado pelo contribuinte. A título de exemplo, no primeiro trimestre de 2003, apurouse omissão de R$ 3.184.186,29 (identificado no TVF como “valor base para lançamento”) e na DRE do contribuinte a fiscalização verificou receita bruta no valor de R$ 1.035.402,33. Nos demais Fl. 2360DF CARF MF Processo nº 10240.003408/200820 Acórdão n.º 9101003.928 CSRFT1 Fl. 2.361 10 trimestres de 2003 a diferença é similar, isto é, tendo sido declarado pelo contribuinte menos de 25% do valor apurado pela fiscalização. Em 2004, notamos a mesma diferença, com a apuração pela fiscalização. Portanto, analisando os dados do processo, verificase a substancial omissão de receita. Quanto à reiteração de conduta, além de tratarmos do ano de 2003 e 2004 no presente processo, é importante também mencionar que o TVF menciona infração ocorrida em 2002, apurada no processo administrativo nº 10240.002355/200749. Segundo informações do sítio do CARF, o processo relativo ao período de 2002 foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara (acórdão 110200.334), sendo interposto recurso especial pelo contribuinte, ainda não apreciado. Acrescento que o contribuinte apresentou DIPJ e DCTF zeradas quanto ao PIS e COFINS quanto ao ano de 2003, segundo informação do TVF (itens 79, 80, 89 e 90 do TVF). De toda forma, a única infração na qual houve desqualificação de multa de ofício, pelo acórdão recorrido, é a de valores escriturados pelo contribuinte em 2004. Nesse caso, o auditor fiscal confrontou valores de DCTF em 2004 (cerca de R$ 4.700,00) e valores escriturados (no valor aproximado de R$ 4.400.000,00). O tema foi julgado da forma seguinte pela Turma Ordinária, conforme voto condutor do exConselheiro José Sérgio Gomes, Relator do acórdão recorrido: No que toca à multa qualificada de l50°/ (cento e cinqüenta por cento) tenho que em se tratando de pessoa jurídica e tendose em mente a sistemática de lançamento por homologação adotada pela legislação em vigor, bem como, o fato da receita auferida exprimirse na base de calculo ou integrar a conceituação do fato gerador do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e CSP, cumpre à contribuinte emitir a nota fiscal de venda ou documento equivalente, escriturar a operação, efetuar o pagamento do tributo e entregar declaração ao Fisco, estes dois últimos não necessariamente nesta ordem. Assim, a conduta fraudulenta só se caracteriza com a omissão das duas primeiras ou, se praticadas, tenham sido com falsidade, já que a declaração ao Fisco, seja com cunho de confissão de tributo ou de noticiar os fatos econômicos que o geraram, caracteriza um posterius à toda a operação ínsista ao lançamento por homologação. No caso dos autos foi apurada a existência de depósitos bancários não levados a registro nos livros contábeis, caracterizando, dessa forma, a conduta fraudulenta. Contudo, entendo que cabe a redução da multa na parte da autuação condizente à receita registrada na contabilidade e cujos tributos decorrentes não foram integralmente declarados em DCTF. É que a sonegação, assim definida no artigo 71 da Lei n° 4.502, de 1964, impede a apuração da obrigação tributária principal diante da ocultação de bens ou de fatos jurídicos a incidência Fl. 2361DF CARF MF Processo nº 10240.003408/200820 Acórdão n.º 9101003.928 CSRFT1 Fl. 2.362 11 fiscal, incólume, portanto, o fato gerador, enquanto na figura da fraude (artigo 72) a ação ou omissão está direcionada ao obscurecimento da própria ocorrência do fato gerador. No caso dos autos, reprisase, viuse o Fisco e a respeitável decisão recorrida também adotarem a tese de sonegação quanto à receita da atividade escriturada e não t declarada em vista da DCTF não ter apresentado o quantum dos tributos em estreita correlação ao verdadeiro faturamento nos períodos fiscalizados, impedindo ou retardando, assim, o conhecimento da ocorrência do fato gerador. Ocorre, todavia, que dita declaração não se presta ao lançamento fiscal a que alude o artigo 147 do Código Tributário NacionalCTN (lançamento por declaração), segundo o qual o sujeito passivo ou terceiro prestam informações sobre matéria de fato indispensáveis sua efetivação. A DCTF constitui, isso sim, autêntica confissão de divida, instituto estranho ao direito tributário, mas introduzida para adequar a administração dos tributos cobrados pela Receita Federal porque a legislação atualmente vigente adotou a modalidade de lançamento conhecida por homologação (impropriamente chamado autolançamento), pela qual o próprio sujeito passivo recolhe antecipadamente ou periodicamente o quantum do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. (...) Diante dessa circunstância, não nos parece que possa prosperar o entendimento de que se pretendeu ocultar os fatos geradores, mas sim que existe inexatidão entre a escrituração da contribuinte e as cifras declaradas ao Fisco. E a prática da declaração inexata também fora textualmente qualificada pelo legislador como reprovável, de forma que apenada, em pecúnia, a razão de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do tributo que deixou de ser pago. Uma vez prevista no ordenamento, não há como o intérprete dela desconhecer. Essa ordem de juízos aplicase aos lançamentos reflexos, mesmo porque não houve resistência de cunho especial a eles direcionados. Com tais razões, VOTO pelo parcial provimento do recurso para reduzir a multa de oficio afeta à parcela das receitas declaradas ao patamar de 75% (setenta e cinco por cento). Lembro que os Autos de Infração identificam como fundamento para a imposição de multa qualificada o disposto no artigo 44, II, da Lei nº 9430/1996, que tinha a seguinte redação ao tempo dos fatos em discussão nos presentes autos: Art. 44. (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades Fl. 2362DF CARF MF Processo nº 10240.003408/200820 Acórdão n.º 9101003.928 CSRFT1 Fl. 2.363 12 administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) É também pertinente lembrar o inciso I, do artigo 44, textualmente mencionado pelo acórdão recorrido: Art. 44. (...) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Não compartilho o entendimento da Turma Ordinária de que a mera escrituração – sem declaração à Receita Federal – seja suficiente para afastar o dolo do contribuinte. Ademais, diferentemente do entendimento da Turma Ordinária, entendo que o caso dos autos (omissão de rendimentos que constam de sua escrituração fiscal) não restringe a multa ao patamar de 75%, a despeito da redação do inciso I, in fine, acima reproduzido. Com efeito, nos casos de sonegação, fraude ou conluio, como expressamente menciona o inciso II, do mesmo artigo 44, está autorizada a qualificação da multa de ofício. Não obstante isso, os Autos de Infração, a despeito de mencionarem o artigo 44, II acima reproduzido , não identificam se a hipótese é de sonegação, fraude ou conluio, para ajustar a conduta infracional aos artigos 71, 72, ou 73, da Lei nº 4.506/1964. Com efeito, a conduta infracional deve ser devidamente descrita no lançamento tributário para demonstrar a subsunção dos fatos à hipótese legal, em respeito ao artigo 142, do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (grifo nosso) A falta de precisão quanto à conduta, para tipificála em qualquer das hipóteses dos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, acarreta a improcedência do lançamento da multa qualificada. Esclareço que proferi votos manifestandome sobre a necessária identificação da conduta infracional para aplicação da penalidade, como nos acórdãos 9101002.826 (processo nº 10120.008793/200272) e 9101003.365 (processo nº 16561720172/201220). Diante disso, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria. Fl. 2363DF CARF MF Processo nº 10240.003408/200820 Acórdão n.º 9101003.928 CSRFT1 Fl. 2.364 13 Conclusão Por tais razões, voto por conhecer do recurso especial da Procuradoria. No mérito, voto por negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante o substancioso voto da I. relatora, a quem rendo todas as homenagens, peço vênia para divergir no exame do mérito, que diz respeito à qualificação da multa de ofício (150%). A justificativa para multa qualificada foi assim descrita pela autoridade fiscal: 102. Nos anoscalendário 2003 e 2004 o contribuinte foi autuado com base nas infrações Depósitos bancários Não Contabilizados e Depósitos bancários de origem não comprovada, respectivamente, sendo constituído o processo n° 110240.003408/200820. Além disso, salientase que os próprios registros contábeis do contribuinte, onde foi omitida grande parte de sua movimentação financeira, já apresentavam um faturamento maior do que o declarado ao fisco. Ainda, intimado a apresentar nova DIPJ, o contribuinte argumentou que não havia necessidade, pois já havia sido apresentada a DIPJ, que por sua vez apresentava valores zerados. 103. No período fiscalizado, conforme descrição minudente constante deste relatório fiscal, restou configurado que, indubitavelmente, o contribuinte tinha plena consciência do montante exato das bases de cálculo das obrigações tributárias, espelhadas em seus próprios registros contábeis, exibidos ao fisco após intimação, e, continuadamente, vinha prestando declarações inverídicas, com o escopo de eximirse totalmente/parcialmente do pagamento do valor real devido. A apresentação de tais registros não descaracteriza ou atenua a conduta ilícita da fiscalizada: ao contrário, os mencionados assentamentos são provas documentais de que o fato deliberado existiu, subsumindose à tipificação prevista no art. 1°. da Lei n°. 8.137, de 1990. 104. É cabível a multa qualificada, pois o contribuinte através da prática de infrações tributárias conseguiu o objetivo de, reiteradamente, além de omitir a informação em suas Fl. 2364DF CARF MF Processo nº 10240.003408/200820 Acórdão n.º 9101003.928 CSRFT1 Fl. 2.365 14 declarações de rendimentos, deixar de recolher os tributos devidos. A prática de reduzir indevidamente a receita oferecida à tributação indica a ocorrência de prática que resultou na imposição da multa qualificada de 150%. 105. Ante a conduta do contribuinte de apresentar reiteradamente declarações com valores irreais, apurando débitos fiscais aquém dos efetivamente devidos, foi aplicada a multa qualificada de 150% prevista no art. 44, inciso II, da Lei n°. 9.430, de 1996. De outra parte, por configurar a prática da fiscalizada, em tese, crime contra a ordem tributária capitulado no art. 1°., da Lei n°. 8.137, de 1990, foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais perante o Delegado da Receita Federal do Brasil em Porto Velho/RO, sendo formalizado o processo etiquetado sob (5 n°. 10240.003409/200874, consoante o art. 1° da Portaria SRF n° 665/08. (Grifei) Observase no caso concreto uma série de elementos que evidenciam a conduta dolosa: entrega de DIPJ com valores zerados, ao mesmo tempo em que as receitas auferidas constavam nos livros contábeis; reiteração da conduta, não obstante as intimações da autoridade fiscal; significativa omissão de valores, como exemplo, para o anocalendário de 2004, enquanto na DCTF foi confessado valor de R$4.700,00, os registros contábeis apontavam montante de R$4.400.000,00. A conduta em tela não se restringe ao tipo tributário delineado pela infração tributária. Não se trata de uma mera omissão de receitas. No caso, o plus na conduta é evidente, ultrapassando o tipo objetivo da norma tributária. Resta evidente a execução de uma série de condutas concatenadas com o intuito deliberado de se esquivar a obrigação de pagar tributos. Verificase a presença dos elementos cognitivo e volitivo, consumandose o intuito doloso, cuja definição é apresentada com clareza por CEZAR ROBERTO BITENCOURT1: O dolo, elemento essencial da ação final, compõe o tipo subjetivo. Pela sua definição, constatase que o dolo é constituído por dois elementos: um cognitivo, que é o conhecimento do fato constitutivo da ação típica; e um volitivo, que é a vontade de realizála. O primeiro elemento, o conhecimento, é pressuposto do segundo, a vontade, que não pode existir sem aquele. Sobre o elemento cognitivo, BITENCOURT 2 discorre com didática: Para a configuração do dolo exigese a consciência daquilo que esse pretende praticar. Essa consciência deve ser atual, isto é, deve estar presente no momento da ação, quando ela está sendo realizada Sobre o elemento volitivo, são claros os ensinamentos 3: 1 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal : parte geral, volume 1, 11ª ed. São Paulo : Saraiva, 2007, p. 267. 2 BITENCOURT, 2007, p. 269. 3 BITENCOURT, 2007, p. 269. Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 10240.003408/200820 Acórdão n.º 9101003.928 CSRFT1 Fl. 2.366 15 A vontade, incondicionada, deve abranger a ação ou omissão (conduta), o resultado e o nexo causal. A vontade pressupõe a previsão, isto é, a representação, na medida em que é impossível querer algo conscientemente senão aquilo que se previu ou representou na nossa mente, pelo menos, parcialmente. Cabe, portanto, ser restabelecida a qualificação da multa, tendo sido demonstrado a ocorrência do dolo, elemento presente nas condutas previstas pelos artigos 71, 72, ou 73, da Lei nº 4.506/1964, cuja remissão é feita no art. 44, inciso II da Lei nº 9.430, de 1996, com a seguinte redação na época dos fatos: Art. 44. (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Grifei) Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 2366DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.907571/2012-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.361
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 07 57 1/ 20 12 -7 6 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 16327.907571/201276 Resolução nº 3201001.361 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera do recolhimento indevido da Contribuição calculada nos termos da Lei nº 9.718/1998, dado o reconhecimento da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do seu art. 3º, que pretendeu estender a base de cálculo da contribuição para além do faturamento, ou seja, para além do resultado da venda de mercadorias e/ou de serviços. Arguiu o então Manifestante que seu pedido não deveria ter sido indeferido de plano, sem intimação para apresentar documentos e prestar os esclarecimentos necessários, sob pena de cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Segundo ele, a controvérsia sobre a inclusão das receitas financeiras na receita bruta (conceito de faturamento) das instituições financeiras encontravase pendente de decisão do Supremo Tribunal Federal e que, independentemente disso, não podiam integrar a base de cálculo das contribuições as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e/ou de terceiros em hipóteses que não envolvessem intermediação financeira. Alegou também que, além de auferir receitas decorrentes do exercício de suas atividades sociais típicas, ele realizava também operações no seu próprio interesse, auferindo receitas financeiras em relação à aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias. A Delegacia de Julgamento (DRJ) considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcançava as receitas típicas das instituições financeiras (faturamento), dentre elas as receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras), como os juros sobre capital próprio decorrentes da participação no patrimônio líquido de outras sociedades e o depósito compulsório rentável. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 16327.907571/201276 Resolução nº 3201001.361 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.345, de 25/07/2018, proferida no julgamento do processo nº 16327.904269/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.345): Tratase de demanda que discute acerca da base de cálculo das contribuições para realizar o PER/DCOMP para instituições financeiras. Sobre o tema já se posicionou a Terceira Turma Câmara Superior no Acórdão 9303 005.051, sendo o Relator Designado o Conselheiro Charles Mayer, vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA.EFEITO SUBSTITUTIVO. Matéria que foi objeto de Recurso de 1º Grau, prevalece a decisão de segundo grau em substituição da decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento promovida pela Lei nº 9.718/98. Não se incluem no conceito de receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiro Em recente julgado essa Turma adotou posicionamento de converter o feito em diligência nos autos 16327.720228/201481, por entender que é necessário apresentar de modo detalhado o que são operações financeiras próprias. Em que pese, ter decisão judicial com trânsito em julgado, vejo a necessidade de adotar o mesmo posicionamento do mencionado autos 16327.720228/201481, devendo o feito ser convertido em diligência (...): (...) para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias.(Processo 16327.720228/201481) Fl. 136DF CARF MF Processo nº 16327.907571/201276 Resolução nº 3201001.361 S3C2T1 Fl. 5 4 Diante de tal, a prorrogação pode ser prorrogada por igual prazo em favor do Contribuinte. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual prazo. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.913742/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 19/12/2001
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. MULTA MORATÓRIA.
A denúncia espontânea resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados regularmente pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, desde que anterior a qualquer procedimento da administração fiscal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-005.519
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/12/2001 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. MULTA MORATÓRIA. A denúncia espontânea resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados regularmente pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, desde que anterior a qualquer procedimento da administração fiscal. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 37 42 /2 01 1- 71 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13888.913742/201171 Acórdão n.º 3301005.519 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Restituição (PER) de parcelas pagas a maior da Contribuição (PIS/Cofins), ante à constatação de que o indébito não oferecia saldo disponível para compensação, uma vez que já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, arguindo a nulidade do despacho decisório por não oferecer detalhamento e fundamentação da análise do crédito informado, dificultando sobremaneira o exercício pleno do direito de defesa. Arguiu o então Manifestante que o pedido de restituição decorria de crédito fiscal oriundo de multa de mora paga indevidamente, em razão da aplicação do instituto da denúncia espontânea, dado o recolhimento do tributo em atraso, devidamente acrescido dos juros de mora, anteriormente à entrega da respectiva DCTF e de qualquer procedimento fiscalizatório, nos exatos termos do art. 138 do CTN e de decisões judiciais. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14040.464, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo a caracterização da denúncia espontânea. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13888.913742/201171 Acórdão n.º 3301005.519 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.510, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 13888.913719/201187, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.510): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1440.415 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A decisão recorrida tem a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/12/1999 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DE PRÉVIA DECLARAÇÃO ORIGINAL. DÉBITO DECLARADO REGULARMENTE E PAGO FORA DO PRAZO DE VENCIMENTO. MULTA DE MORA. EXIGÊNCIA. A denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, declarados regularmente pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na decisão proferida entendeuse que não caracteriza a denúncia espontânea, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se o Contribuinte declarar e recolher o tributo fora do prazo de vencimento, mesmo que anterior a qualquer procedimento da administração fiscal. Assim explicitou o entendimento: No caso dos autos, o débito em questão venceu no dia 15/12/1999 e o pagamento intempestivo se deu no dia 16/12/1999, ou seja, antes do prazo regulamentar para apresentação da DCTForiginal, que ocorreu exatamente no dia 15/02/2000, dentro do prazo fixado no § 2º, do art. 2º da IN SRF nº 126/98. Nesta hipótese, não há que se falar em ocorrência de denuncia espontânea de débito pago após o vencimento, mas antes do prazo regulamentar para apresentação da DCTForiginal, pois não houve inovação da atividade do contribuinte passível de denúncia espontânea. (...) Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13888.913742/201171 Acórdão n.º 3301005.519 S3C3T1 Fl. 5 4 Portanto, do que restou examinado até agora e partindose do fato in concreto de que o contribuinte recolheu o tributo a destempo e, posteriormente, declarou, dentro do prazo regulamentar da DCTForiginal, o seu débito, constituindo o crédito tributário em favor do Fisco, a conclusão é da incidência da multa de mora. Diante de todo o exposto, Voto pela improcedência da manifestação de inconformidade. No presente processo o Contribuinte efetuou o pagamento em 16/12/1999 de DARF no valor de R$ 1.364.824,54 referente à COFINS, apurada em 30/11/1999 e que tinha vencimento em 15/12/1999. O referido débito foi declarado em DCTF e transmitida em 15/02/2000. O Valor recolhido de R$ 1.364.824,54 compõese de valor principal no montante de R$ 1.360.335,44 e de multa de mora no valor de R$ 4.489,10. O Contribuinte, por entender que ocorreu a denúncia espontânea por estes atos praticados, requereu por intermédio de PER/DCOMP, ora em análise, a restituição do valor da multa de mora, ou seja, o valor de R$ 4.489,10. Este é o objeto da presente lide. O instituto da denúncia espontânea está previsto no Código Tributário Nacional da seguinte forma: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Salientase também a Nota Técnica 01 COSIT, de 18 de janeiro de 2012, que reconhece o benefício da denúncia espontânea e assim prevê: 4.2 Entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração ou antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Se o sujeito passivo, espontaneamente e antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração, denuncia a infração cometida, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora ou procedendo ao depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o valor do tributo dependa de apuração, ficará excluído da responsabilidade pela infração à legislação tributária (aplicação de multa de mora ou de ofício). 4.3 O exercício da denúncia espontânea pressupõe, portanto, a prática de dois atos distintos por parte do sujeito passivo: a) a notícia da infração; e b) o pagamento do tributo devido e dos encargos da demora, se for o caso, ou o depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Entendo que assiste razão ao Contribuinte pela caracterização da denúncia espontânea, portanto, com direito ao crédito pleiteado. Neste sentido, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13888.913742/201171 Acórdão n.º 3301005.519 S3C3T1 Fl. 6 5 Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao recurso, reconhecendo o direito ao crédito pleiteado, em razão da caracterização da denúncia espontânea. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.005533/2008-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2006
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA
Os produtos agropecuários adquiridos pela agroindústria de pessoas físicas e jurídicas são passíveis de crédito presumido conforme art. 8º, § 3º da Lei 10.925/2004. Não existe ato da fiscalização passível de revisão por parte do colegiado, pois a fiscalização não glosou o crédito presumido, já que as alíquotas de crédito presumido pretendidas pela defesa só entraram em vigor após os fatos tratados neste processo.
Numero da decisão: 3301-005.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para conceder efeitos infringentes, reformando o acórdão recorrido para negar provimento ao Recurso Voluntário.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antônio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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AGROINDÚSTRIA Os produtos agropecuários adquiridos pela agroindústria de pessoas físicas e jurídicas são passíveis de crédito presumido conforme art. 8º, § 3º da Lei 10.925/2004. Não existe ato da fiscalização passível de revisão por parte do colegiado, pois a fiscalização não glosou o crédito presumido, já que as alíquotas de crédito presumido pretendidas pela defesa só entraram em vigor após os fatos tratados neste processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para conceder efeitos infringentes, reformando o acórdão recorrido para negar provimento ao Recurso Voluntário. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antônio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 55 33 /2 00 8- 68 Fl. 411DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 401405) opostos pela Fazenda Nacional, por sua Procuradoria, em face de obscuridade no acórdão 3301004.895 proferido por esta Turma Ordinária, no qual foi relator este mesmo conselheiro. Segue a ementa do acórdão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. DECLARAÇÃO EM DCTF MENOR DO QUE A REPRESENTADA NA ESCRITA FISCAL E CONTÁBIL A diferença a maior constatada entre o montante de tributo reconhecido e escriturado na escrita contábil e fiscal e o montante de tributo declarado em DCTF e pago pelo contribuinte, deve ser objeto de lançamento de ofício por parte da autoridade administrativa nos termos do art. 149 do CTN. O auto de infração foi lavrado para constituição do crédito tributário não declarado em DCTF e não por glosas de créditos decorrentes da não cumulatividade das contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA Os produtos agropecuários adquiridos pela agroindústria de pessoas físicas e jurídicas são passíveis de crédito presumido conforme art. 8º, § 3º da Lei 10.925/2004. O percentual de crédito presumido aplicável é aquele previsto na época dos fatos geradores de acordo com cada classificação fiscal. Afirma a Embargante que há uma obscuridade no dispositivo do voto, pois, não é possível saber se houve provimento do recurso e em qual medida. Isso porque, na parte dispositiva do voto, afirmase que a pretensão do contribuinte não merece prosperar, todavia, na conclusão do dispositivo, é dado provimento ao recurso para o cálculo do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, com aplicação do percentual vigente na época dos fatos. O lançamento foi lavrado para constituir o crédito tributário sobre a diferença entre o montante apurado pelas demonstrações contábeis e fiscais e o montante declarado pela contribuinte em DCTF. Não houve, portanto, glosas de crédito. Nesse contexto, considerando que: 1) a autuação decorre das próprias informações prestadas pelo contribuinte, inexistindo glosa fiscal; 2) não restou registrado no voto qual foi o equívoco cometido pela autoridade fiscal, isto é, qual parte da autuação que merece ser reformada; fazse mister que o Colegiado se manifeste para esclarecer qual foi o resultado do julgado, explicitando suas razões de decidir. No despacho de admissibilidade dos embargos (fls. 408410), o recurso foi acolhido pelo nobre Presidente da turma reconhecendo a obscuridade apontada. É a síntese do necessário Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10950.005533/200868 Acórdão n.º 3301005.598 S3C3T1 Fl. 412 3 Voto Conselheiro Relator Salvador Cândido Brandão Junior Assiste razão à Embargante e houve um equívoco na conclusão do voto, entrando em contradição com o exposto nos parágrafos anteriores. Para ilustrar o problema, assim como feito pela Embargante, transcrevo abaixo o trecho do voto objeto de obscuridade: Quanto ao crédito presumido instituído pelo art. 8º da lei 10.925/2004, verifico que nas planilhas de fls. 24/71 consta o crédito presumido calculado pela alíquota de 35% para milho e soja aplicada nos termos da redação do inciso II do § 3º do art. 8º da citada lei, vigente na época dos fatos geradores, bem como 60% para Frango Vivo, conforme inciso I do mesmo parágrafo: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. A Recorrente afirma em sua defesa que o crédito presumido para a soja deve ser calculado pela alíquota de 50%, nos termos do art. 8º, II, da Lei 10.925/2004, que prevê este percentual de crédito presumido para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI. No entanto, faço notar que não assiste razão a Recorrente, pois esta alíquota de 50% somente entrou em vigor após a publicação da Lei nº 11.488/2007, mas na época dos fatos (2005 e 2006) a alíquota de crédito presumido vigente era de 35% conforme transcrição do inciso II acima. Diante disso, como a aplicação das alíquotas decorre de lei, é de rigor a verificação para a aplicação dos percentuais de crédito presumido em vigor nas respectivas datas dos fatos geradores compreendidos nesta autuação, de acordo com cada classificação fiscal. Portanto, portanto, quanto ao crédito presumido, se faz necessário o provimento do recurso voluntário para realização do cálculo do crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/04, com a aplicação do percentual vigente na época dos fatos, a ser aplicado sobre as alíquotas do PIS e da COFINS previstas nos artigos 2° das Leis n° 10.637/ 2002 e 10.833/ 2003, de acordo com a classificação na TIPI do produto em questão. Fl. 413DF CARF MF 4 Assim, resta claro que o objetivo era negar provimento ao recurso voluntário. Nos parágrafos que antecedem este trecho acima transcrito, fundamentei e concluí que o contribuinte não tinha razão porque o auto de infração foi lavrado para constituir crédito tributário sobre diferenças de tributo não declaradas, e não para glosar créditos. Desta feita, como a fiscalização apontou que os cálculos efetuados na planilha de fls. 25/72 estão corretos e que estes cálculos foram feitos pelo próprio contribuinte, não existe ato da fiscalização passível de revisão por parte do colegiado, pois a fiscalização não glosou o crédito presumido, já que as alíquotas pretendidas pela defesa só entraram em vigor após os fatos tratados neste processo. Diante do exposto, acolho os embargos de declaração para conceder efeitos infringentes, reformando o acórdão recorrido neste ponto do crédito presumido da soja, para negar provimento ao Recurso Voluntário. SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator Fl. 414DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000023/2010-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
IRPF. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE.
Para fins de dedução na Declaração do Imposto de Renda, no caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
IRPF. DESPESAS COM INSTRUÇÃO DE ALIMENTANDO. NECESSIDADE DE PREVISÃO EM DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE.
As despesas de educação dos alimentandos somente podem ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda quando realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, respeitando os limites previstos em lei.
É dever do contribuinte apresentar a decisão judicial ou o acordo homologado judicialmente determinado que ele ficou responsável pelas despesas de educação dos alimentandos.
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais.
Numero da decisão: 2201-004.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama,, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 IRPF. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE. Para fins de dedução na Declaração do Imposto de Renda, no caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. IRPF. DESPESAS COM INSTRUÇÃO DE ALIMENTANDO. NECESSIDADE DE PREVISÃO EM DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. As despesas de educação dos alimentandos somente podem ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda quando realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, respeitando os limites previstos em lei. É dever do contribuinte apresentar a decisão judicial ou o acordo homologado judicialmente determinado que ele ficou responsável pelas despesas de educação dos alimentandos. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama,, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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GLOSA DE DEDUÇÕES Recorrente ORLANDO NELSON LACERDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 IRPF. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE. Para fins de dedução na Declaração do Imposto de Renda, no caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. IRPF. DESPESAS COM INSTRUÇÃO DE ALIMENTANDO. NECESSIDADE DE PREVISÃO EM DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. As despesas de educação dos alimentandos somente podem ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda quando realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, respeitando os limites previstos em lei. É dever do contribuinte apresentar a decisão judicial ou o acordo homologado judicialmente determinado que ele ficou responsável pelas despesas de educação dos alimentandos. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 00 23 /2 01 0- 83 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11543.000023/201083 Acórdão n.º 2201004.823 S2C2T1 Fl. 58 2 (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama,, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 48/51 interposto contra decisão da DRJ em Brasília/DF, de fls. 34/41 a qual julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 4/11, lavrado em 30/11/2009, relativo ao anocalendário de 2007, com ciência do RECORRENTE em 9/12/2009, conforme AR de fls. 24. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, o crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado por: dedução indevida com dois dependentes (no valor de R$ 3.169,20). Foram glosadas as dependências de LUIS GUSTAVO NASCIMENTO LACERDA e de ULISSES NELSON NASCIMENTO LACERDA, por serem beneficiários de pensão alimentícia judicial e o contribuinte não apresentou Decisão Judicial ou Acordo Homologado judicialmente, no qual determina que o mesmo detém a guarda judicial (fl. 06); dedução indevida com despesas de instrução (no valor de R$ 4.416,00) por falta de amparo legal, haja vista que relativas a “dependentes” que são beneficiários de pensão alimentícia e o contribuinte não apresentou Decisão Judicial ou Acordo Homologado judicialmente, no qual determina que o mesmo é responsável pela despesa com instrução (fl. 07); dedução indevida com despesas médicas pagas ao IPSM (no valor de R$ 8.892,39), por falta de comprovação (fls. 08/09). Em razão do exposto, o crédito tributário apurado foi no valor histórico de R$ 448,58, já acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora (até o lançamento). Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de efls. 2 em 6/1/2010, na qual, em síntese, afirma: Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11543.000023/201083 Acórdão n.º 2201004.823 S2C2T1 Fl. 59 3 Quanto à dedução indevida com dependentes, no valor de R$ 3.169,20, a glosa é indevida pois os dependentes são filhos do contribuinte com até 21 anos de idade; Quanto à dedução indevida com despesa de instrução, no valor de R$ 4.416,00, esta se refere as despesas com instrução dos seus filhos e que a sentença judicial não determina qual dos cônjuges é responsável pela educação, sendo que isto é responsabilidade de pai e mãe; e Quanto à dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 8.892,39, este referese a despesas médicas do próprio contribuinte e de seus filhos pagas pelo IPSM/PMMG, sendo que o que paga à Previdência Oficial é o mesmo das despesas médicas, sendo que nunca foi indeferido ou glosado. Da Decisão da DRJ Quando da apreciação do caso, a DRJ em Brasília/DF julgou procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 34/41): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE. BENEFICIÁRIO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. REQUISITOS LEGAIS. São consideradas dependentes, para fins de dedução na Declaração do Imposto de Renda, somente as pessoas enquadradas na legislação como tal; No caso de dependente alimentando, somente é permitida a dedução dos filhos que estiverem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. ALIMENTANDO. DESCABIMENTO. Somente são dedutíveis na declaração de ajuste anual do alimentante as despesas com educação de alimentandos, desde que realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública. DEDUÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Mantémse a glosa efetuada quando os valores deduzidos na Declaração de Ajuste Anual não são comprovados por documentação hábil e idônea. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11543.000023/201083 Acórdão n.º 2201004.823 S2C2T1 Fl. 60 4 O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 12/8/2013, conforme AR de fls.46, apresentou o recurso voluntário de fls. 48/51 em 28/8/2013. Em suas razões, reiterou os argumentos da Impugnação, aduzindo, em síntese, que apresentou documentos aptos para comprovar que as deduções foram devidas. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. MÉRITO 1. Da glosa das despesas com dependentes. O RECORRENTE deduziu o valor de R$ 3.169,20 relativo a despesas com seus filhos Luís Gustavo Nascimento Lacerda e Ulisses Nelson Nascimento Lacerda. A fiscalização, por sua vez, entendeu que a dedução foi indevida, pois não foi comprovado que a guarda judicial dos menores ficou a cargo do RECORRENTE (fl. 6). A dedução com dependentes é prevista no art. 35 da Lei nº 9.250/1995, nos seguintes termos: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes:[...] III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; [...] § 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. § 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte. No mesmo sentido, dispõe o Decreto nº 3000/1999 (RIR/1999), em seu art. 77 do RIR/1999: Fl. 60DF CARF MF Processo nº 11543.000023/201083 Acórdão n.º 2201004.823 S2C2T1 Fl. 61 5 Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35):[...] III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho;[...] § 3º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 2º). § 4º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 3º). § 5º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 4º). Observase que embora tenha sido juntado aos autos a certidão de nascimento dos menores (fls. 12/13) não foi comprovado pelo RECORRENTE que ele possui a guarda dos filhos, conforme exigido pela §3º do artigo 35 da Lei nº 9.250/1995, acima transcrito. O CARF possui entendimento consolidado acerca da necessidade de comprovação da guarda dos filhos de pais separados para poder usufruir da dedução prevista no art. 77 do RIR/1999. Neste sentido: DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Acórdão nº 2202003.997. Sessão de 8 de junho de 2017, relatora Júnia Roberta Gouveia Sampaio) Portanto, considerando que a certidão de fls. 16 atesta a ocorrência da separação judicial, inclusive com pagamento de pensão alimentícia para os menores, o RECORRENTE deveria ter comprovado que ficou com a guarda dos filhos menores. Isso para evitar que o pai e a mãe se beneficiem da dedução com os dependentes concomitantemente, o que é vedado pelo art. 35, §4º, da Lei nº 9.250/1995. Ante a ausência desta comprovação, deverá ser mantida a glosa nesse ponto. 2. Da glosa das despesas com instrução dos dependentes. O RECORRENTE deduziu o valor de R$ 4.416,00 relativo a despesas com instrução dos seus filhos Luís Gustavo Nascimento Lacerda e Ulisses Nelson Nascimento Fl. 61DF CARF MF Processo nº 11543.000023/201083 Acórdão n.º 2201004.823 S2C2T1 Fl. 62 6 Lacerda. A fiscalização, por sua vez, entendeu que a dedução foi indevida, pois não foi comprovado que as despesas com instrução dos filhos ficaram a cargo do RECORRENTE por força de decisão judicial ou acordo homologado (fl. 7). A dedução com instrução dos dependentes é prevista no art. 81 do RIR/1999, nos seguintes termos: Art. 81. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b"). § 1º O limite previsto neste artigo corresponderá ao valor de um mil e setecentos reais, multiplicado pelo número de pessoas com quem foram efetivamente realizadas as despesas, vedada a transferência do excesso individual para outra pessoa (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b"). § 2º Não serão dedutíveis as despesas com educação de menor pobre que o contribuinte apenas eduque (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, inciso IV). § 3º As despesas de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo, observados os limites previstos neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). § 4º Poderão ser deduzidos como despesa com educação os pagamentos efetuados a creches (Medida Provisória nº 1.74937, de 1999, art. 7º). Em razão da separação consensual, caberia ao RECORRENTE ter apresentado a decisão judicial ou o acordo homologado judicialmente determinado que ele ficou responsável pela guarda dos filhos (dependentes legais) ou que, ao menos, apesar de não ter ficado com a guarda, ter ficado responsável pelas despesas de educação dos alimentandos. Não constam nos autos nenhum documento que comprove que as despesas com instrução dos dependentes foram realizadas em cumprimento a decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, conforme determina o §3º do art. 81 do RIR/99. O RECORRENTE precisa ter em mente que a apresentação das mencionadas documentações é imprescindível no presente caso, a fim de evitar que o pai e mãe se beneficiem de deduções do imposto de renda de forma concomitante sobre os mesmos fatos. Desta feita, correta a manutenção da glosa pela DRJ. 3. Da glosa das despesas médicas Fl. 62DF CARF MF Processo nº 11543.000023/201083 Acórdão n.º 2201004.823 S2C2T1 Fl. 63 7 O RECORRENTE deduziu o valor de R$ 8.892,39 relativo a despesas médicas. A fiscalização, por sua vez, entendeu que não houve comprovação das despesas (fls. 8/9). A dedução de despesas médicas é autorizada pelo art. 80 do RIR/1999, nos seguintes termos: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza;[...] III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Por sua vez, o art. 73 do Decreto nº 3.000, de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, dispõe: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Inferese, nos termos da legislação, que a despesa médica depende de comprovação, mediante documentação hábil e idônea. Neste mesmo sentido entende o CARF: DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais. (Acórdão nº 2401004.240. Relator Carlos Alexandre Tortato. Sessão 12 de abril de 2016 ) Fl. 63DF CARF MF Processo nº 11543.000023/201083 Acórdão n.º 2201004.823 S2C2T1 Fl. 64 8 No presente caso, o RECORRENTE aduz que as despesas médicas foram pagamentos realizados junto a Polícia Militar de Minas Gerais – CNPJ 16.695.025/000197, no valor de R$8.892,39. Não constam nos autos nenhum documento que comprove tal despesa. Em verdade, como bem percebeu a DRJ, “o único documento anexado aos autos pelo interessado com o CNPJ 16.695.025/000197, da Polícia Militar de Minas Gerais, foi um Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte do ano calendário 2007 (fl. 15), onde consta o valor de R$ 8.892,39 como relativo à Contribuição Previdência Oficial.” Ademais, destacase que a contribuição para previdência oficial foi regularmente deduzida pelo RECORRENTE, e tal despesa não foi glosada, conforme demonstrado pela DAA do RECORRENTE (fl. 32) Nesta toada, ante a ausência de comprovação documental da despesa médica, deve ser mantida a glosa de R$ 8.892,39. Desta feita, correta a manutenção da glosa pela DRJ. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO do Recurso Voluntário, nos termos do voto em epígrafe. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.011665/2006-94
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1999 a 31/01/2004
NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA DE RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS.
Não se conhece de matéria trazida em Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigmas são distintos da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1999 a 31/01/2004
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO. NÃO INCIDÊNCIA
Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS/Pasep sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Numero da decisão: 9303-007.839
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto às receitas de cessão de crédito de ICMS e, no mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1999 a 31/01/2004 NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA DE RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS. Não se conhece de matéria trazida em Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigmas são distintos da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1999 a 31/01/2004 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS/Pasep sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
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DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS. Não se conhece de matéria trazida em Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigmas são distintos da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1999 a 31/01/2004 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS/Pasep sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 16 65 /2 00 6- 94 Fl. 1364DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto às receitas de cessão de crédito de ICMS e, no mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão nº 20181.712, da 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, (i) negou provimento ao Recurso de Ofício; (ii) deu provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a. Pelo voto de qualidade, para reconhecer a decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos até 30/11/2000; b. Por maioria de votos, para excluir da base de cálculo do PIS o valor das transferências de créditos do ICMS, incluído nas demais receitas tributadas pelo PIS, conforme demonstrativo do voto. Vencido o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, que apresentou declaração de voto e deu provimento parcial, também, para, no período da cumulatividade, excluir as receitas de variações cambiais, mantendo a adição das despesas de variação cambial excluídas, afastar a concomitância com o Judiciário e excluir da base de cálculo as receitas portuárias; e c. Por unanimidade de votos, para excluir as receitas do MÃE, em razão da Lei 9.718/98. Fl. 1365DF CARF MF Processo nº 10680.011665/200694 Acórdão n.º 9303007.839 CSRFT3 Fl. 1.359 3 O Colegiado, assim, consignou a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1999 a 31/01/2004 PIS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. Nos termos do art. 175, I, do CTN, decai em 5 (cinco) anos o direito de a Fazenda Nacional constituir, pelo lançamento, crédito tributário do PIS. Súmula Vinculante n 8, do STF. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. O faturamento (venda de mercadorias e serviços), base de cálculo do PIS definida na Lei nº 9.715, de 1998, corresponde ao produto da atividade econômica do contribuinte, não sendo necessário que a receita seja oriunda de atividade expressamente definida no instrumento constitutivo da pessoa jurídica. BASE DE CÁLCULO. RECEITA. REALIZAÇÃO DE CRÉDITO DO ICMS. A realização dos créditos do ICMS, por qualquer uma das formas permitidas na legislação do imposto, não se constitui receita e, portanto, o seu valor não integra a base de cálculo do PIS. CONTRATO EM MOEDA ESTRANGEIRA. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. RECEITA FINANCEIRA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 10.637/2002. Por determinação legal (Leis nºs 9.718/98 e 10.637/2002), e para fins de apuração da PIS, considerase receita financeira à variação cambial ativa apurada na data da liquidação do contrato. No PIS nãocumulativo, a variação cambial passiva equiparase a despesa financeira. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Fl. 1366DF CARF MF 4 A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de oficio, nos moldes da legislação que a instituiu. ” Irresignada, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração contra o r. acórdão, alegando contradição/omissão e requerendo que o vício seja sanado para declarar o não provimento do recurso voluntário quanto à incidência do PIS sobre as vendas de energia elétrica. Em Despacho às fls. 901 a 902, foi dado seguimento aos Embargos de Declaração. Os Embargos de Declaração foram apreciados pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, sendo acolhidos para rerratificar o acórdão embargado, conforme acórdão nº 330200.318. Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo o restabelecimento da exigência tributária sobre a parte não impugnada, bem como sobre os valores decorrentes da transferência de créditos de ICMS. Em Despacho à fl. 960, foi dado seguimento ao recurso. Insatisfeito também, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, requerendo: · Preliminarmente, o cancelamento definitivo dos créditos tributários lançados nos presentes autos sobre valores que não se enquadram como receitas decorrentes da venda de mercadorias ou da prestação de serviços (depositados ou não nos autos da ação judicial), tendo em vista o trânsito em julgado favorável da Ação Judicial nº 1999.38.00.0395045, na qual foi reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, no período de vigência da Lei 9.718/98; · No mérito, o provimento do recurso, para que, reformandose parcialmente o acórdão recorrido, prevaleça o entendimento manifestado nos acórdãos paradigmas e seja reconhecido a Fl. 1367DF CARF MF Processo nº 10680.011665/200694 Acórdão n.º 9303007.839 CSRFT3 Fl. 1.360 5 decadência do crédito relativo ao período de novembro/00 a setembro/01; que as receitas obtidas com o “Programa Portas Abertas” não tem qualquer vinculação com o objeto social da recorrente, não se enquadrando, portanto, no conceito de faturamento, devendo ser excluídas da base de cálculo do PIS ou da Cofins; as receitas de variação cambial/monetária atreladas a operações de exportação são imunes ao PIS, nos termos do art. 149 da CF/88. E, caso assim não se entenda, as receitas de variação cambial devem ser computadas na base de cálculo do PIS, em face da inconstitucionalidade do art. 3º da Lei 9.718/98 declarada pelo STF. Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foram apresentadas pelo sujeito passivo, trazendo, entre outros, que: · O recurso não deve ser conhecido pois os pressupostos fáticos dos paradigmas apresentados pela Fazenda Nacional em relação a cada um dos dois pontos arguidos são distintos das matérias fáticas apreciadas no caso dos autos; · Quanto ao cancelamento de ofício das exigências relativas aos meses de janeiro, junho e novembro de 2003, o entendimento adotado pela DRJ e pelo Colegiado a quo para cancelar a exigência fiscal de valores manifestamente indevidos, conforme constatação feita pela própria administração tributária, no exercício da sua competência e dever funcional de revisão dos atos de lançamento, sendo que a pretensão fazendária de reestabelecimento da exigência, além de contrariar a própria função de controle de legalidade da administração tributária, atenta contra os princípios de moralidade e vedação ao locupletamento, que devem reger toda a administração pública; · Em relação à não incidência do PIS sobre os valores das transferências e realizações do saldo credor acumulado de ICMS, os créditos transferidos pela recorrida não se caracterizam como receitas novas, mas como mera recuperação dos créditos já escriturados em sua contabilidade, que não afetam o patrimônio líquido da empresa e Fl. 1368DF CARF MF 6 equivalem a uma permuta contábil, que modifica apenas a composição dos bens e direito integrados ao patrimônio. Em Despacho às fls. 1246 a 1249, foi negado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Em Despacho à fl. 1308, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais em exercício à época decidiu por manter, na íntegra, o despacho do Presidente da Câmara. Pedido de Revisão de Lançamento foi juntado pelo sujeito passivo para que, considerando, entre outros, a decisão transitada em julgado, a Delegacia observe a correta liquidação do acórdão. Em Comunicado eletrônico 1.237/15, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em BH/MG (Grifos meus): “Em atendimento ao pedido de desmembramento de crédito tributário pleiteado por vossa senhoria nos autos do processo em referência, informamos que efetuamos a análise e adotamos as providências necessárias nos sistemas de controle da RFB, resultando na formalização do processo 10680.722312/201512 e na transferência dos débitos que se encontram sob litígio judicial. Pela presente, fica o interessado cientificado dos demonstrativos de cálculo juntados ao processo que retratam a situação atual de todo o crédito tributário originalmente constituído. O saldo devedor que já possui decisão definitiva na esfera administrativa ficará aguardando a consolidação do parcelamento especial instituído pela Lei 11.941/2009 (data de adesão prorrogada pela Lei 12.865/2013). Finalmente, informo que o processo retornará ao CARF para julgamento do recurso especial da Fazenda Nacional que ainda se encontra pendente de apreciação pela CSRF.” É o relatório. Fl. 1369DF CARF MF Processo nº 10680.011665/200694 Acórdão n.º 9303007.839 CSRFT3 Fl. 1.361 7 Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que quanto à primeira matéria trazida em recurso – qual seja, “restabelecimento da exigência tributária sobre a parte não impugnada”, entendo que não devo conhecer essa matéria, vez que não comprovada a divergência jurisprudencial. Recordo que para a exoneração da exigência relativa aos meses de janeiro, junho e novembro de 2003, houve revisão de lançamento pela própria DRJ em razão de erro material, e não inovação de matéria de defesa no momento da interposição do recurso voluntário. Eis o voto do acórdão da DRJ (Destaques meus): “Dessa forma, não tendo a Administração interesse subjetivo, tornase legítimo o cancelamento da exigência fundada em elementos não espontaneamente contestados pelo sujeito passivo, mas analisados no processo por iniciativa de ofício da autoridade. Assim, embora não tenha sido alegado pelo impugnante, verificase, após a análise dos DACON apresentados para o 1° ao 4° trimestres de 2003 (fls. 606/625), que a fiscalização não indicou na planilha à fl. 589 os créditos aproveitados para os meses de janeiro (R$ 151.892,00), junho (R$ 388.384,74) e novembro (R$ 373.561,09) de 2003. Nos demais meses, os créditos indicados na planilha conferem com os DACON apresentados. De todo exposto, concluise que devem ser exonerados os valores lançados para os períodos de janeiro, junho e novembro de 2003, uma vez que a fiscalização ressalta que os créditos de PIS considerados na apuração foram os informados no DACON como utilizados nos períodos de janeiro de 2003 a janeiro de 2004." Fl. 1370DF CARF MF 8 Tanto é assim que em nenhum momento foi suscitada a preclusão de matéria não impugnada pelo sujeito passivo, vez que se tratava apenas de iniciativa de análise de ofício por autoridade administrativa. O acórdão indicado como paradigma, por sua vez, tratou de preclusão de matéria não impugnada no prazo. Eis a ementa: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2002 a 31/03/2005 CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURACÃO DO CONTENCIOSO. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva.[...]” Vêse que no acórdão indicado como paradigma consta do voto que a “notificada apresentou recurso tempestivo, onde efetua repetição das alegações de defesa e traz as seguintes inovações.[...]” O caso é diferente do tratado no acórdão recorrido, pois não há que se falar em preclusão de matéria nova trazida em recurso voluntário, mas sim de revisão feita pela própria DRJ dos créditos tributários lançados. Em vista do exposto, voto por não conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em relação a essa primeira matéria. Quanto à segunda matéria – qual seja, incidência das contribuições sobres os valores recebidos na transferência de crédito de ICMS, entendo que o recurso deva ser conhecido. O que concordo com o exame de admissibilidade do recurso nessa parte. Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 10680.011665/200694 Acórdão n.º 9303007.839 CSRFT3 Fl. 1.362 9 Ventiladas tais considerações, quanto à incidência das contribuições sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS, antecipo meu entendimento por negar provimento ao recurso da Fazenda. Vêse que tal discussão não é nova nesse Colegiado. Para tanto, cito o acórdão 9303006.890, que consignou a seguinte ementa: “CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.” Ora, já houve decisão proferida no Recurso Extraordinário n° 606.107/RS que restou assim ementado (Grifos meus): “IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. Fl. 1372DF CARF MF 10 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos, imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 10680.011665/200694 Acórdão n.º 9303007.839 CSRFT3 Fl. 1.363 11 exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificam se como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Constatase que a decisão proferida no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, deve ser aplicada de acordo com o disposto no RICARF: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Em vista de todo o exposto, voto por conhecer parcialmente o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, na parte conhecida, negar provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1374DF CARF MF 12 Fl. 1375DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.728046/2009-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL.
Tratando-se de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, não há dúvida de que as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA.
Como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros.
Numero da decisão: 9202-007.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento integral, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.720964/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL. Tratando-se de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, não há dúvida de que as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA. Como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros.
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NATUREZA SALARIAL. Tratandose de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, não há dúvida de que as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA. Como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento integral, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10580.720964/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 80 46 /2 00 9- 11 Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10580.728046/200911 Acórdão n.º 9202007.062 CSRFT2 Fl. 286 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo sujeito passivo contra decisão proferida pela turma a quo que concluiu pela incidência do imposto de renda sobre verbas recebidas a título de "Valores Indenizatórios de URV". No entendimento daquele colegiado, em que pese a classificação dada pela respectiva lei estadual, as verbas em questão possuem natureza remuneratória, pois visavam corrigir diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão das moedas Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV em 1994. Na mesma decisão também foi mantido o lançamento do imposto sobre os valores correspondentes aos juros de mora. Na peça recursal o sujeito passivo argui serem as verbas indenizatórias, nos exatos termos em que fixado pela lei estadual, e cita como exemplo o entendimento sedimentado pelo STF quando da promulgação da sua Resolução nº 245, a qual reconheceu que o abono conferido aos magistrados da União em razão das diferenças de URV possui natureza jurídica indenizatória. Subsidiariamente, defende a não incidência do IRPF sobre os juros de mora, pois referidos valores não representariam acréscimo patrimonial. Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, pugnando pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202007.054, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10580.720964/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos proferidos naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9202007.054): Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e portanto deve ser conhecido. Permitome trazer a colação o constante do acórdão 9202 006.361, de 06 de abril de 2018, da lavra da ilustre Conselheira Rita Elisa REis da Costa Bacchieri, por irrepreensíveis: Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10580.728046/200911 Acórdão n.º 9202007.062 CSRFT2 Fl. 287 3 Conforme relatório, discutese nos autos a incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos pelo Recorrente em razão de lei estadual que previa pagamento de diferenças decorrentes de erro na conversão da moeda Cruzeiro Real para URV Unidade Real de Valor. Insatisfeito com a decisão a quo, o Contribuinte interpôs Recurso Especial objetivando o cancelamento do lançamento sob o fundamento de que citada verba tem caráter indenizatório. Subsidiariamente, caso seja negado provimento ao recurso neste aspecto, requer a exclusão dos juros moratórios da base de cálculo utilizada. Segundo argumentos apontados no Recurso, a verba em questão possui a mesma natureza do abono variável pago aos membros da Magistratura Federal e ao Ministério Público Federal. Segundo a Resolução nº 245/2002 as verbas recebidas teriam natureza indenizatória e como tal estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Desta forma, aplicando o princípio da isonomia, a interpretação dada à legislação estadual deve ser igual aquela adotada para as leis federais nº 10.474/2002 e 10.477/2002. Pertinentes as considerações do Recorrente. Ao contrário do apontado no acórdão recorrido e do alegado em sede de contrarrazões não se pode afastar a aplicação do citado entendimento apenas pelo fato de a Resolução nº 245/2002 versar sobre valores recebidos por profissionais da União, afinal interpretandose sistematicamente as normas pertinentes, percebemos que o problema central da discussão natureza jurídica das verbas decorrentes de diferenças de URV também é tratado tanto na resolução quanto nas normas federais acima citadas. O jurista Marco Aurélio Greco ao se manifestar sobre a questão emitiu parecer didático, demonstrando que apesar de as normas federais regularem a forma de pagamento de "abono variável", esse é composto por valores de URV e como tal, adotandose a posição do STF, devem ser classificados como verbas indenizatórias. O professor ainda traçou um histórico demonstrando que toda a legislação estadual teve como pano de fundo o tratamento dado ao pagamento efetuado na esfera federal. Merece transcrição parte do parecer, haja vista a clareza na exposição dos fatos (grifos nossos): Em 2002, foi editada a Lei federal n. 10.474 cujo artigo 1° fixa o subsídio de Ministro do Supremo Tribunal Federal e cujo artigo 2° estabelece que o "abono variável" concedido pela Lei n. 9.655/98" passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo Magistrado, vigente à data daquela lei e a decorrente desta lei" (caput), "descontados todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados a qualquer título" (§ 1°). Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10580.728046/200911 Acórdão n.º 9202007.062 CSRFT2 Fl. 288 4 Ou seja, a diferença entre o que cada Magistrado recebia em 1998 e o que foi fixado pela Lei n. 10.474/2002. Aqui está o ponto! Fixouse o subsídio do Ministro do S.T.F. e a diferença entre este e a remuneração individualmente percebida, no lapso temporal previsto na lei, seria pago a título de abono variável. Meses após esta Lei, é editada pelo Supremo Tribunal Federal a Resolução n. 245/2002 cujo artigo 1° é explícito ao prever: "Artigo 1º É de natureza indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da lei 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal." Diante da clareza dessa previsão, encerrase a discussão quanto à natureza jurídica do abono variável: tem natureza indenizatória. Portanto; não está sujeito à incidência do imposto sobre a renda e o que foi retido deveria ser devolvido ao magistrado. (É o que estabelece a respeito o art. 3°, II da REs. N. 245/2002). A questão que remanesceu em aberto era no sentido de saber se o montante desse abono variável englobava ou não a "diferença de URV". Para os agentes públicos que já estavam recebendo essa diferença, por força de decisão judicial ou administrativa, obviamente que o abono não a englobava, pois era expressamente excluída de sua base de cálculo (§ 1° do art 2° da Lei n. 10.474/2002 e inciso I, do art. 2° da Resolução n. 245/2002 do S.T. F) Para os demais, a resposta a esta pergunta é simples: se a "diferença de URV" foi considerada quando da fixação do subsídio do Ministro do S.T.F. (art. 1° da Lei n. 10.474/2002), então, ela (dif. URV) está abrangida pelo valor do abono, pois este corresponde à diferença entre o subsídio e a remuneração individual. Em números: se o subsídio foi fixado em R$ 100,00 computandose a diferença de URV de R$ 10,00 e a remuneração individual era de R$ 70,00 então o abono (de R$ 30,00) englobava a diferença de URV, pois esta estava dentro dos R$100,00 que serviram de patamar para cálculo do abono. Mas, como saber se o subsídio fixado pela Lei n. 10.474/2002 levava em conta a" diferença de URV"? A resposta não está no texto da lei, mas na estrutura da remuneração de Ministro do S.T.F então vigente. À época da Mensagem enviada pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal com o projeto que se transformou na Lei n. 10.474/2002 vigorava a Resolução STF n. 195/2000 cujo artigo 1° previa: Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10580.728046/200911 Acórdão n.º 9202007.062 CSRFT2 Fl. 289 5 "Artigo 1° A remuneração do Ministro do Supremo Tribunal Federal será integrada das parcelas: R$ 454,53 (Lei 8.880/94) + R$ 1.008,83 (DL n. 2.371/87) + R$ 9.536,74 (Lei 8.448/92), num total de R$ 11.000,00." Ora, a "parcela da Lei n. 8.880/94" é exatamente a "diferença de URV"!! Portanto, ao se fixar na Lei n. 10.474/2002 o subsídio do Ministro que serviu de parâmetro para cálculo do abono variável, englobouse a "diferença de URV" extinguindo, com isto, eventuais pretensões neste sentido que ainda subsistissem. Aliás, isto foi expressamente apontado na Mensagem que encaminhou o projeto de lei que se transformou na Lei n. 10.474/2002: "A remuneração total da magistratura da União remanescerá composta unicamente de três parcelas (vencimento básico, gratificação e adicional de tempo de serviço). Não haverá possibilidade de incidir sobre esses valores quaisquer outros percentuais, tal como hoje está a correr, por exemplo, com os 11,98% relacionados com a conversão da URV." Podese concluir que, na fixação do subsídio e, portanto, na dimensão do abono variável, foi levada em conta a diferença de URV. Daí duas consequências: 1 quem recebeu o abono variável da Lei n. 10.474/2002 e não havia ganho por decisão administrativa ou judicial a diferença de URV estava a recebêla naquele momento embutida no abono. 2 Ao dizer que o abono da Lei n. 10.474/2002 tinha natureza jurídica indenizatória não sujeita a imposto sobre a renda, o Supremo Tribunal Federal estava a dizer que a "diferença de URV" até então não recebida e que veio a ser embutida no abono tem natureza indenizatória. A natureza indenizatória do abono variável da Lei n. 10.474/2002 e a intributabilidade dessa verba pelo imposto sobre a renda veio a ser reconhecida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no Parecer n. 529/2003 e estendida também ao abono previsto pela Lei federal n. 10.477/2002 aplicável aos Procuradores da República pelo Parecer PGFN n. 923/2003 (ambos referidos na Nota COSIT n. 177/2008). No âmbito dos agentes públicos estaduais, a PGFN entendeu que a natureza da verba era remuneratória (e, portanto, tributada pelo I.R.), salvo no caso do Rio de Janeiro, pois havia lei estadual determinando a aplicação aos Procuradores do Estado do abono previsto na Lei n. 10.477/2002. Em suma, como reconhecido pela própria PGFN os abonos variáveis previstos nas Leis n. 10.474/2002 e n. 10.477/2002 não Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10580.728046/200911 Acórdão n.º 9202007.062 CSRFT2 Fl. 290 6 são alcançados pela norma de incidência do imposto sobre a renda. E acrescenta: A Lei Complementar n. 20/2003 e a Lei n. 8.730/2003 do Estado da Bahia prevêem expressamente que os pagamentos nelas previstos dizem respeito às diferenças pela conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Notese que estas Leis: 1) São de setembro de 2003, portanto, depois da Lei federal n. 10.474/2002 que instituiu o abono que englobava a diferença de URV e da Resolução n. 245/2002 do Supremo Tribunal Federal que afirmou o caráter indenizatório desse abono; 2) Aplicamse aos que não haviam até então recebido a "diferença de URV" os quais, se estivessem no âmbito federal ou no Estado do Rio de Janeiro, a estariam recebendo embutida no abono e como verba de natureza indenizatória. O quadro aqui exposto mostra que os dispositivos das referidas leis do Estado da Bahia, ao preverem que as 36 parcelas em que foi dividido o pagamento da diferença de URV tinham natureza indenizatória, não veiculam preceitos despropositados à vista do contexto jurídico da época. Mais ainda, se em relação a idênticas funções exercidas no âmbito federal e do Estado do Rio de Janeiro admitiuse o caráter indenizatório por existir lei expressa determinando o pagamento de verba que englobe a URV, cumpre ser assegurado o mesmo tratamento ao Estado da Bahia, sob pena de violação ao artigo 150, II da CF/88. (GRECO, Marco Aurélio. Imposto Sobre a Renda: Valores Pagos a Agente Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV. Falta de Fundamento Jurídico Para a União Cobrar o Imposto. Revista Eletrônica de Direito do Estado (REDE), Salvador, Instituto Brasileiro de Direito Público, nº. 30, abril/maio/junho de 2012. Disponível na Internet: <http://www.direitodoestado.com/revista/REDE30ABRIL2012 MARCOAURELIOGRECO.pdf>. Acesso em: 06 de junho de 2016) Portanto, se o entendimento adotado pelo STF, e também pela Procuradoria da Fazenda Nacional em seus pareceres, é no sentido de o abono variável recebido pelos magistrados federais e Ministério Público Federal ser verba indenizatória, e se tal abono também é composto por verba paga em razão da conversão da moeda da época em URV, forçoso concluir que essa mesma verba quando prevista pelas leis estaduais deve receber o mesmo tratamento. Entendimento diverso violaria o princípio constitucional da isonomia e a segurança jurídica. Para o professor Roque Antônio Carrazza para garantir a segurança jurídica na relação Fisco/contribuinte é mister que "a lei que descreve a açãotipo tributária valha para todos igualmente, isto é, seja aplicada a seus destinatários (quer pelo Judiciário, quer pela Administração Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10580.728046/200911 Acórdão n.º 9202007.062 CSRFT2 Fl. 291 7 Fazendária) de acordo com o princípio da igualdade (art. 5º, I da CF)." Destaco ainda que o lançamento e acórdão recorrido ao afastarem o caráter indenizatório das verbas, sob o argumento de que essas serviram para repor "a atualização monetária dos salários do período considerado", reforçaram a tese de que os valores ora discutidos não podem ser tributados pelo imposto de renda. Isso porque é passível na doutrina e na jurisprudência dos tribunais que a correção monetária não representa acréscimo patrimonial, é na verdade mecanismo de recomposição da efetiva desvalorização da moeda, seu objetivo é preservar o poder aquisitivo original em relação à inflação, inflação essa que motivou toda a sistemática de aplicação da própria URV. O Ministro Marco Aurélio, relator do Recurso Extraordinário nº 565.089, onde se discute (em sede de Repercussão Geral) a indenização por falta de revisão anual em vencimentos dos servidores públicos de São Paulo, externa em seu voto o seguinte entendimento: O Supremo já assentou que “a correção monetária não se constitui em um plus, não é uma penalidade, mas mera reposição do valor real da moeda corroída pela inflação” – Agravo Regimental na Ação Cível Originária nº 404, da relatoria do Ministro Maurício Corrêa. Nos termos do art. 43 do CTN não se discute que o fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou de ambos) ou proventos de qualquer natureza, entretanto o conceito de renda é limitado e não abrange valores que não representem acréscimo ao patrimônio do contribuinte, como é o caso dos autos. Portanto, sob todos os prismas analisados, não vejo como possível afastar a natureza indenizatória das verbas recebidas pelo Recorrente à titulo de "diferenças de URV", seja pela aplicação da Resolução nº 245 do STF, seja pelo fato de tal medida ter sido adotada no intuito de recompor seu patrimônio pela perda experimentada pela quando da conversação das moedas. Diante do exposto, dou provimento do Recurso Especial do Contribuinte. Do pedido subsidiário: Vencida quanto ao mérito haja vista decisão da maioria do Colegiado neste julgamento, manifestome acerca do pedido subsidiário formulado pelo Recorrente, por meio do qual defende a não incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de juros. Segundo o entendimento do Recorrente, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10580.728046/200911 Acórdão n.º 9202007.062 CSRFT2 Fl. 292 8 a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Tratase de entendimento compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Ora, os valores recebidos a título de juros moratórios não estariam sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos propostos pela Constituição Federal exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um determinado período de tempo, o que conforme anteriormente exposto não ocorre no presente caso concreto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora Designada 1. Das diferenças de URV Argumenta a Recorrente a não incidência do imposto de renda sobre a diferença de URV, considerando que tais parcelas não Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10580.728046/200911 Acórdão n.º 9202007.062 CSRFT2 Fl. 293 9 representam qualquer acréscimo patrimonial, produto do capital ou trabalho, mas constituem ressarcimento pelo erro no cálculo da remuneração, na oportunidade da conversão de cruzeiro real para URV e, conseqüentemente, reposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado, na tentativa de reparar prejuízos. Desse modo, a verba sob análise é indenização e não salário. Além disso, sustenta a Contribuinte que, com o advento da Resolução n.º 245 do Supremo Tribunal Federal, foi dado tratamento definitivo à controvérsia, deixando claro que se cuida de verba indenizatória os abonos conferidos aos magistrados federais em razão das diferenças de URV e, por esse motivo, isentos da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Reafirmando o exposto, salienta a recorrente a edição da Lei Complementar LEI ESTADUAL nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, determinando a natureza indenizatória das parcelas referentes às diferenças de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor. Assim, a primeira apreciação a ser feita referese à natureza das verbas sob análise. E o segundo ponto a ser examinado é sobre a existência ou não de isenção relativa à URV. Ao meu ver, embora seja pouco relevante, para fins de incidência do imposto de renda, a natureza indenizatória da verba, entendo que os valores recebidos pela Contribuinte decorrem da compensação pela falta de correção no valor nominal do salário, oportunamente, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Não obstante o meu entendimento anteriormente destacado acerca da natureza salarial da diferença de URV, cabe ressaltar que, no caso do Magistratura, há, de fato a Lei 8.730/2003, que dispôs de modo diverso, tratando a verba como indenização. Tendo em vista que o imposto de renda é regido por legislação federal, tal dispositivo não possui efeito tributário para a análise do tributo em questão. Assim, estando a mencionada lei em plena vigência, prestase apenas ao fim por ela almejado, qual seja o pagamento de precatório, de forma especial. Cabe destacar que a inaplicabilidade da referida lei não decorre de um juízo de inconstitucionalidade, mas sim de uma interpretação sistemática das normas, em observância do princípio da legalidade, tendo em vista a ausência de lei isentiva, no presente caso. Observase que a Constituição Federal exige a edição de lei específica para a concessão de isenção, conforme abaixo transcrito: Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10580.728046/200911 Acórdão n.º 9202007.062 CSRFT2 Fl. 294 10 “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6º. Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.” (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) O Código Tributário Nacional, em consonância com a exigência constitucional, destaca, em seu art. 97, que: somente a lei pode estabelecer (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Como é sabido, a isenção é uma das hipóteses de exclusão do crédito tributário, portanto, fazse necessária a edição de lei para a instituição de isenção. Acrescentase que o caput do art. 43 do Decreto 3.000/99 (RIR) e do art. 16 da Lei n. 4.506/64 deixam claras as regras da tributação sobre as remunerações por trabalho prestado no exercício de cargo público, hipótese dos autos, como se extrai dos trechos abaixo colacionados: “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...). “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Além disso, o art. 3º da Lei 7.713/88 evidencia a determinação da incidência do IRPF sobre o rendimento bruto, pouco importando a denominação da parcela tributada, nos seguintes termos: “Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) (...) Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10580.728046/200911 Acórdão n.º 9202007.062 CSRFT2 Fl. 295 11 § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.” Ora, tratandose de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, não há dúvida de que as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda. Sobre a aplicação da Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) 245/2002 pugnada pela Recorrente, notase que foi conferida natureza jurídica indenizatória ao abono variável concedido à Magistratura Federal e ao Ministério Público da União, não se confundindo com as diferenças decorrentes de URV, ora analisadas. Desse modo, reiterese, deve ser considerada a natureza salarial das diferenças sob apreciação. E, ainda que fosse considerada a natureza indenizatória da verba sob análise, ressaltase que a incidência do imposto de renda independe da denominação do rendimento, pois as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica concessiva de isenção. Havendo, notadamente, acréscimo patrimonial, sob a forma de diferenças de vencimentos recebidos a destempo, resta evidente da incidência do imposto de renda. 2. Dos juros de mora No que se referem aos juros de mora, aplico o posicionamento da Primeira Seção do STJ, no Recurso Repetitivo n.º 1.227.133/RS, no sentido da incidência do imposto de renda sobre tais juros, em regra, não incidindo, excepcionalmente, quando decorrentes da rescisão do contrato de trabalho ou quando a verba principal for isenta ou fora do campo de incidência do IR. Portanto, como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros. Reafirmando o exposto, temos que as verbas pagas a título de juros de mora seguem a mesma natureza das verbas principais a que se referem. Tal situação está expressamente prevista no art. 55, inciso XIV, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/99): “Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10580.728046/200911 Acórdão n.º 9202007.062 CSRFT2 Fl. 296 12 (...) XIV. os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis;” (Grifamos) Convém lembrar que os juros de mora relativos ao recebimento em atraso de verbas de natureza salarial são tributáveis, nos termos do art. 43, §3º do Decreto 3.000/99 (RIR) e do art. 16, parágrafo único, da Lei n.º 4.506/64: “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único).” “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo.” (Grifamos) No presente caso os juros moratórios em questão são acessórios de verbas de natureza salarial. Assim, por óbvio, também têm natureza salarial, e, sendo assim, configuram acréscimo patrimonial sujeito à tributação por parte do Imposto de Renda. 3. Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10580.728046/200911 Acórdão n.º 9202007.062 CSRFT2 Fl. 297 13 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 297DF CARF MF
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