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Numero do processo: 10980.934349/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005
INTEMPESTIVIDADE.
É intempestiva a impugnação/manifestação de inconformidade apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração/despacho decisório, não instaurando a fase litigiosa do procedimento nem comportando julgamento de primeira instância, exceto no tocante a arguição preliminar de tempestividade, acaso suscitada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-004.591
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Vencida a Conselheira Lenisa Prado, que declarava a nulidade da decisão recorrida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 INTEMPESTIVIDADE. É intempestiva a impugnação/manifestação de inconformidade apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração/despacho decisório, não instaurando a fase litigiosa do procedimento nem comportando julgamento de primeira instância, exceto no tocante a arguição preliminar de tempestividade, acaso suscitada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Vencida a Conselheira Lenisa Prado, que declarava a nulidade da decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 43 49 /2 00 9- 51 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10980.934349/200951 Acórdão n.º 3302004.591 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório A questão tem início em Declaração de Compensação em que se objetivava quitar débitos tributários utilizandose de créditos de COFINS. A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação foi que: "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em decorrência da não homologação, as autoridades competentes formalizaram a cobrança dos valores indicados na DCOMP, acrescidos ainda de multa e juros. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, oportunidade na qual alega que a decretação de inexistência do crédito se deu porque não foram apresentadas as retificadoras das DCTFs, DIPJs e DACONs, que se prestariam a notificar as autoridades sobre o recolhimento à maior realizado. Na manifestação de inconformidade a contribuinte informa que ao solicitar a Certidão Negativa de Débitos foi surpreendida com a informação sobre a existência de um novo processo administrativo fiscal, onde foi lavrada a exigência do exato valor que constava no despacho decisório, e que teria como documento de origem a mesma DCOMP motivadora do processo cuja cobrança acreditava que tivesse sido baixada. A contribuinte esclareceu, ainda, que apresentou manifestação de inconformidade naqueles autos, requerendo que os processos fossem unificados, posto que tratam sobre os mesmos fatos, e que fossem apreciadas as razões que fundamentam a existência de seu direito ao crédito, que é, essencialmente, a inconstitucionalidade da inclusão do valor do ICMS na base de cálculo da COFINS. Noticia, também, que procedeu à retificação dos DCTF, DACON e DIPJ relativamente ao período de apuração em debate, indicando o valor do ICMS que deveria ser destacado da base de cálculo da COFINS, o que geraria o saldo credor a seu favor a ser utilizado na compensação declarada. A instância de origem julgou improcedente a manifestação de inconformidade acima descrita, nos termos do Acórdão 06037.278. O fundamento adotado, em síntese, foi a intempestividade da impugnação/manifestação de inconformidade apresentada. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10980.934349/200951 Acórdão n.º 3302004.591 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.583, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.932718/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.583) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Com efeito, a decisão de piso deixou de apreciar os argumentos apresentados pela Recorrente em sede de manifestação de inconformidade por considerar: i) intempestiva a impugnação/manifestação de inconformidade apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração, não instaurando a fase litigiosa do procedimento nem comportando julgamento de primeira instância, exceto no tocante a arguição preliminar de tempestividade, acaso suscitada pelo sujeito passivo, nos termos do artigo 15, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19722 c/c §2º, do artigo 56, da Lei nº. 7574/20113; e ii) que a decisão proferido no Mandado de Segurança n. 5005529 63.2010.404.7000, em trâmite perante a 5ª Vara Federal de Curitiba/PR, não superou a questão concernente a intempestividade da manifestação de inconformidade ofertada pela Recorrente, limitouse somente a determinar a suspensão da exigibilidade dos débitos tributários objeto das PER/DCOMP´s até a decisão final administrativa a ser proferida, seja na revisão de ofício, seja em ulterior recurso voluntário eventualmente interposto pela impetrante. Neste contexto, entendo inexistir omissão no julgamento de primeira instância e desrespeito aos princípios do contraditório e ampla da defesa, posto que diante da apresentação de defesa fora do prazo previsto nas normas 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. 2 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. 3 Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) § 2o Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10980.934349/200951 Acórdão n.º 3302004.591 S3C3T2 Fl. 5 4 anteriormente citada, não houve instauração de fase litigiosa, afastando, assim, o dever/obrigação da autoridade julgadora analisar os argumentos suscitados pelo contribuinte. Não bastasse isso, e ao contrário do que restou defendido neste processo, a decisão proferido no Mandado de Segurança n. 5005529 63.2010.404.7000, em trâmite perante a 5ª Vara Federal de Curitiba/PR, não superou a questão concernente a intempestividade da manifestação de inconformidade, limitouse somente a determinar a suspensão da exigibilidade dos débitos tributários objeto das PER/DCOMP´s até a decisão final administrativa a ser proferida. Portanto, entendo não ser o caso de nulidade do julgamento de primeira instância, considerando que o julgadores aplicaram ao presente caso as determinações contidas no Decreto 70.235/72 e na Lei nº 7.574/2011. Diante do exposto, considerando que não houve instauração da fase litigiosa do procedimento administrativo, por intempestividade da manifestação de inconformidade, voto por não conhecer do recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a decisão de piso deixou de apreciar os argumentos apresentados pela Recorrente, em sede de manifestação de inconformidade, em razão de sua intempestividade. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.101417/2008-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.338
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente CALCADOS MALU LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 14 17 /2 00 8- 16 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11065.101417/200816 Acórdão n.º 9303005.338 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão 330101.375, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que, no período de apuração destes autos, a cessão onerosa de créditos do ICMS deve compor a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. O contribuinte requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão de créditos onerosa de créditos de ICMS não tem natureza jurídica de receita, tratando se de mera mutação patrimonial, não podendo, assim, compor a base de cálculo da contribuição, mesmo antes da eficácia da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. A Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 11065.101417/200816 Acórdão n.º 9303005.338 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11065.101417/200816 Acórdão n.º 9303005.338 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11065.101417/200816 Acórdão n.º 9303005.338 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 238DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.908051/2011-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.945
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 08 05 1/ 20 11 -0 3 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10183.908051/201103 Resolução nº 3201000.945 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10183.908051/201103 Resolução nº 3201000.945 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10183.908051/201103 Resolução nº 3201000.945 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10183.908051/201103 Resolução nº 3201000.945 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.903807/2011-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Winderley Morais Pereira - Presidente
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Winderley Morais Pereira - Presidente Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila.
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Winderley Morais Pereira Presidente Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila. Relatório. Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 9774263, emitido eletronicamente em 01/11/2011, referente ao PER/DCOMP nº 33549.51121.300704.1.2.040469. O pedido de restituição, gerado pelo programa PER/DCOMP, foi transmitido com o objetivo de ver reconhecido direito creditório correspondente a(o) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 03 80 7/ 20 11 -2 2 Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 10530.903807/201122 Resolução nº 3201001.004 S3C2T1 Fl. 3 2 PIS/PASEP (Código de Receita 8109) no valor original na data de transmissão de R$ 662,82, representado por Darf recolhido em 15/03/2000, no montante total de R$ 14.110,54. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência do crédito, o pedido de restituição foi indeferido. Como enquadramento legal citouse: art. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Cientificada do Despacho Decisório em 25/11/2011(fl.06) a Interessada apresenta, em 23/12/2011, manifestação de inconformidade alegando o que se segue: • Preliminarmente requer, em face do princípio da economia processual e da conexão, a reunião dos processos administrativos nº 10530.903807/201122, 10530.903808/2011 77, 10530.903809/2011 11, 10530.903810/201146, 10530.903811/201191, 10530.903812/201135, 10530.903813/201180, 10530.903814/2011 24, 10530.903815/201179, 10530.903816/201113, 10530.904216/201172 e 10530.904215/201128, uma vez que possuem o mesmo objeto, qual seja, a restituição de crédito decorrente do recolhimento indevido da Cofins ou do Pis, pautado na inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. • Aduz não ter sido intimada a prestar esclarecimentos acerca da higidez do crédito, em desrespeito ao art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 990, de 30/12/2008. • Nos termos do art. 142 do CTN, é dever da fiscalização ir a fundo no exame da situação concreta, a fim de que o lançamento e também as demais glosas fiscais, sejam baseados na correta aplicação da lei aos fatos efetivamente ocorridos e a ela subsumidos. • No caso, a fiscalização sequer tomou conhecimento das razões que justificam o pedido de restituição, fato que impõe a reforma do despacho decisório, justamente por contrariar o ordenamento jurídico vigente. • O parágrafo 1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98 ampliou significativamente as bases de cálculo das contribuições para o PIS e da Cofins, ao prescrever que nelas fossem consideradas todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente o seu faturamento. • Ao assim proceder, o legislador ordinário ofendeu frontalmente o inc. I do art. 195 da Constituição Federal, bem como o art. 110 do CTN, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados expressa ou implicitamente pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 10530.903807/201122 Resolução nº 3201001.004 S3C2T1 Fl. 4 3 Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir as competências tributárias. • A discussão quanto à constitucionalidade do parágrafo 1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98 encontrase superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade daquele dispositivo, por ocasião do julgamento do RE nº 390.840/MG, em 09/11/2005. • A matéria já foi considerada pelo Supremo Tribunal Federal STF como de repercussão geral e será objeto de Súmula Vinculante, conforme Voto proferido pelo Min. Cezar Peluso no RE nº 585.235, de 10/09/2008. • Esse entendimento está de tal forma pacificado no seio da jurisprudência que a Lei nº 11.941, de 27/05/2009, revogou expressamente o malsinado parágrafo 1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98. • A jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação, pelo Fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98, em razão de terem sido proferidas em sessão plenária do STF. Cita jurisprudência. • O inc. I do parágrafo 6º, do art. 26A, incluído no Decreto nº 70.235/1972 pela Lei nº 11.941/2009 determina que, nos casos de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF, os órgãos de julgamento da administração fiscal federal devem afastar sua aplicação. • Norma de igual teor foi também prevista no Decreto nº 7.574, de 29 de novembro de 2011, que determinou, no inciso I do parágrafo único de seu artigo 59, a aplicação, pelos órgãos de julgamento da administração federal, do entendimento exarado pelo Plenário da Corte Suprema, nos casos de lei declarada inconstitucional. • O caput do art. 62A, do RICARF (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, vincula o CARF a adotar as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, sob o regime de repercussão geral (art. 543B do CPC), tal como ocorreu no julgamento do RE nº 585.235. • Tal dispositivo regimental reforça a demonstração de que o entendimento do STF a propósito da inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98 deve, necessariamente, ser aplicado ao caso dos autos. • Não há dúvidas de que o entendimento esposado pelo STF deve ser aplicado pelas autoridades fazendárias em suas decisões. Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 10530.903807/201122 Resolução nº 3201001.004 S3C2T1 Fl. 5 4 • Nas bases de cálculo das contribuições para o Pis e da Cofins deveriam ter sido incluídos, somente, os valores correspondentes ao faturamento, ou seja, os ingressos correspondentes às receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. • O direito creditório discutido nos autos se refere a recolhimentos sobre receitas que não integram o faturamento e, por conseguinte, não são alcançadas pela hipótese de incidência das contribuições para o Pis e Cofins. • E para que não restem quaisquer dúvidas, são acostados documentos hábeis a comprovar a existência e a higidez do crédito pleiteado. • Por fim, pede o acolhimento da manifestação de inconformidade, com o reconhecimento à plena restituição das contribuições recolhidas sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98, declarada pelo Supremo Tribunal Federal e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. • Informa, ainda, que a matéria objeto da manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial e protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos." A decisão recorrida, apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2000 a 29/02/2000 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. RESTITUIÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, há que se indeferir o pedido de restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, tese de que (i) a DCTF não é único meio de prova da existência do crédito passível de restituição; (ii) que a exigência de retificação de declarações como condição à restituição do indébito tributário é descabida; (iii) que o acórdão recorrido está em desconformidade com o princípio da verdade material; (iv) que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido; (v) que estando a Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 10530.903807/201122 Resolução nº 3201001.004 S3C2T1 Fl. 6 5 contabilidade lastreada em documentação idônea há prova em favor do contribuinte; (vi) que o conjunto probatório dos autos faz prova de seu direito e que o valor informado no campo "Receita da Revenda de Mercadorias" da Ficha 06A "Demonstração do Resultado" da DIPJ, está considerando o valor da faturamento com vendas de veículos usados, ao passo que o valor informado no campo "Faturamento/Receita Bruta" das Fichas que demonstram o cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS considera somente o valor do lucro na venda de veículos usados, conforme determina o art. 5° da Lei n. 9.716, de 26.11.1998. Essa alegação se comprova pela planilha de cálculo juntada ao presente recurso, a qual esclarece a apuração da contribuição, bem como o valor do crédito devido; (vii) que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1°, do art. 3° da Lei 9718/98; (viii) que a matéria já foi decidida em sede de repercussão geral pela Suprema Corte através do RE 585235; (ix) que a Lei 11941/2009 revogou o parágrafo 1°, do art. 3° da Lei 9718/98; (x) defende a aplicação do art. 26A do Decreto 70235/72 e art. 62A do RICARF e (xi) cita jurisprudência em seu favor. Pugna a recorrente ao final, o provimento do recurso voluntário interposto para que seja reconhecido o seu direito à plena restituição do PIS calculado sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do parágrafo 1°, do art. 3° da Lei 9718/98. É o relatório. O presente processo tramita na condição de paradigma, sendo aplicável o contido no art. 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015: "Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para defini lo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento." A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 10530.903807/201122 Resolução nº 3201001.004 S3C2T1 Fl. 7 6 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. 62 do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2000 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. Inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS e do aumento deste de 2% para 3%, instituídos pela Lei 9.718/98. Acolhimento do resultado da diligência e reconhecimento da atualização dos valores com fundamento no artigo 39, § 4° da Lei 9.430/96 (Taxa Selic). Aplicação desde a data da protocolização do pedido." (Processo 13839.001097/200580; Acórdão 3401003.778; Relator Conselheiro ANDRÉ HENRIQUE LEMOS, Sessão de 23/05/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 10530.903807/201122 Resolução nº 3201001.004 S3C2T1 Fl. 8 7 Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 10530.903807/201122 Resolução nº 3201001.004 S3C2T1 Fl. 9 8 Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/201189; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 10530.903807/201122 Resolução nº 3201001.004 S3C2T1 Fl. 10 9 Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. É como voto. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 1173DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.904967/2012-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considera-se intempestivo o recurso.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-003.898
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1799; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.904967/201244 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301003.898 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de junho de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO. PIS/COFINS. Recorrente DISTRIBUIDORA AMARAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considerase intempestivo o recurso. Recurso Voluntário não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 02045.473, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar a compensação em litígio. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 49 67 /2 01 2- 44 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10665.904967/201244 Acórdão n.º 3301003.898 S3C3T1 Fl. 3 2 fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, tempestivamente, conforme relatado na decisão recorrida, alegando, em síntese, o seguinte: verificase pelos documentos anexos, que foi realizada a apuração pelo regime não cumulativo no que atine ao mês em questão por meio do Dacon, porém segundo se apurou no Dacon retificador o valor do débito nãocumulativo devido seria inferior ao efetivamente recolhido, resultando um saldo a ser compensado no PerDcomp; deve ser esclarecido que, na época própria, o contribuinte realizou a devida retificação em anexo, porém, em virtude de alteração ocorrida na própria legislação que resultou na mudança de versões, tanto do Dacon quanto na DCTF, a retificação foi transmitida, gerando assim o débito constante do Despacho Decisório; contudo, a falha no sistema em deixar de transmitir a devida retificação não pode conduzir a que seja violado o princípio constitucional da nãocumulatividade, ainda que posteriormente demonstrada, de forma cabal e inequívoca, a existência do crédito que se pretende compensar; Requerendo, ainda, o acolhimento da manifestação de inconformidade para o fim de determinar o cancelamento do débito constante do presente processo. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.883, de 29 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10665.900851/201236, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.883): "O Recurso Voluntário, de 22 de agosto de 2013, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0245.458, de Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10665.904967/201244 Acórdão n.º 3301003.898 S3C3T1 Fl. 4 3 25 de junho de 2013, é intempestivo, logo não atende um pressuposto legal de admissibilidade, motivo pelo qual não deve ser conhecido. O prazo para que seja interposto o Recurso Voluntário contra as decisões das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento é de 30 dias a partir da ciência da referida decisão. Observase no presente processo que a Decisão recorrida foi proferida em 25 de junho de 2013 e o Contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 09 de julho de 2013 como se depreende da leitura do Termo de Abertura de Documento (fls. 95): TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO O Contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo, na data 09/07/2013 8:14h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Acórdão de Manifestação de Inconformidade Contribuinte: 21.759.758/000188 DISTRIBUIDORA AMARAL LTDA (ou seu Representante Legal) DATA DE EMISSÃO : 09/07/2013 Já às fls. 96 apurase no Termo de Ciência por Decurso de Prazo que essa ciência por decurso de prazo ocorreu em 19 de julho de 2013: TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 04/07/2013 Data da ciência por decurso de prazo: 19/07/2013 Acórdão de Manifestação de Inconformidade DATA DE EMISSÃO : 20/07/2013 Constatase assim que Contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 09 de julho de 2013 como se depreende da leitura do Termo de Abertura de Documento e pelo Termo de Ciência por Decurso de Prazo que essa ciência ocorreu em 19 de julho de 2013. Assim, no melhor dos quadros, o prazo final para interpor o recurso seria em 20 de agosto de 2013, e que só ocorreu em 22 de agosto de 2013. Para bem ilustrar o ocorrido cito abaixo imagem do Recurso Voluntário do Contribuinte com o devido protocolo da Analista Tributário Glêucia Felipe Santiago, matrícula 012.91476 (fls. 107): Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10665.904967/201244 Acórdão n.º 3301003.898 S3C3T1 Fl. 5 4 Portanto, de acordo com a legislação vigente e os autos do processo, voto em não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário foi apresentado em 22/08/2013, e a data da ciência da decisão da DRJ, por decurso de prazo, também ocorreu em 19/07/2013. Comprovado está que também nestes autos o recurso voluntário foi apresentado após o prazo de 30 dias, portanto, intempestivamente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.904842/2011-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.957
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do pedido de restituição. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 84 2/ 20 11 -6 9 Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 10530.904842/201169 Resolução nº 3201000.957 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de apresentação da prova do indébito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo seu integral deferimento, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 10530.904842/201169 Resolução nº 3201000.957 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 10530.904842/201169 Resolução nº 3201000.957 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 10530.904842/201169 Resolução nº 3201000.957 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1234DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.001578/2007-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA
Demonstrada a motivação do Despacho Decisório quanto ao direito creditório pleiteado, escudado no parecer fiscal que o precedeu, torna-se incabível a nulidade arguida.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Tendo a lei especificado que a compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, esta dar-se-á no prazo de cinco anos contado da data da entrega da mencionada declaração e não do fato gerador dos débitos confessados.
ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. AUTORIDADE PREPARADORA. COMPETÊNCIA.
Reconhecido em diligência, o indébito das contribuições de PIS e Cofins, nos valores originais pleiteados, em face da inconstitucionalidade declarada pelo STF quanto ao §1º do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, a matéria inicialmente litigiosa perdeu o objeto, no entanto restando demonstrado que os valores devidos de PIS e Cofins foram pagos com atraso, a reapuração do valores com os acréscimos moratórios devidos é matéria afeta à autoridade preparadora, inexistindo quanto a esse aspecto, matéria litigiosa a ser apreciada em sede de contencioso administrativo de segunda instância.
Numero da decisão: 3302-004.656
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário e na parte conhecida, rejeitar as preliminares arguidas e no mérito, dar-lhe provimento.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário e na parte conhecida, rejeitar as preliminares arguidas e no mérito, dar-lhe provimento. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Recorrente TNL PCS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA Demonstrada a motivação do Despacho Decisório quanto ao direito creditório pleiteado, escudado no parecer fiscal que o precedeu, tornase incabível a nulidade arguida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Tendo a lei especificado que a compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, esta darseá no prazo de cinco anos contado da data da entrega da mencionada declaração e não do fato gerador dos débitos confessados. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. AUTORIDADE PREPARADORA. COMPETÊNCIA. Reconhecido em diligência, o indébito das contribuições de PIS e Cofins, nos valores originais pleiteados, em face da inconstitucionalidade declarada pelo STF quanto ao §1º do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, a matéria inicialmente litigiosa perdeu o objeto, no entanto restando demonstrado que os valores devidos de PIS e Cofins foram pagos com atraso, a reapuração do valores com os acréscimos moratórios devidos é matéria afeta à autoridade preparadora, inexistindo quanto a esse aspecto, matéria litigiosa a ser apreciada em sede de contencioso administrativo de segunda instância. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 15 78 /2 00 7- 97 Fl. 973DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário e na parte conhecida, rejeitar as preliminares arguidas e no mérito, darlhe provimento. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto parcialmente o relatório da r. Resolução Carf, conforme a seguir transcrito: Versam os autos de Pedido de Restituição de créditos de PIS, COFINS e IRRF s/ rendimentos do trabalho, cumulados com pedidos de compensação formalizados pelo sujeito passivo, no valor total de R$8.506.028,60 (oito milhões, quinhentos e seis mil, vinte e oito reais e sessenta centavos). Os supostos créditos decorrem de pagamentos indevidos dos referidos tributos, realizados pelo contribuinte, e posteriormente formalizados através de declarações retificadoras de sua escrita fiscal. O relatório conclusivo da diligência, de fls. 281 (numeração eletrônica) reporta que em relação ao pagamento realizado sob o código 0473 a título de IRRF s/ rendimentos do trabalho, não foi detectada uma contrapartida em rubrica que pudesse acobertar o pagamento de rendimentos desta natureza e que relativamente à base de cálculo do PIS e da COFINS, além das receitas ordinárias que se incluem na base de cálculo destas contribuições, havia também (para o período em questão) receitas financeiras relacionadas às operações de swap cambial, finalizando ainda que a opção do contribuinte, relativamente ao anocalendário de 2002, foi pelo regime de competência, afirmando também que após recomposição das bases de cálculo tributáveis, o PIS e a COFINS devidos pela empresa para o período de junho/2002 eram, respectivamente, de R$1.611.041,93 e R$7.435.578,14. Diante destas conclusões, propôs a homologação da DCOMP relativa ao crédito de IRRF, bem como a não homologação das demais (créditos de PIS e COFINS), determinando ainda a revisão de ofício em processo apartado, com identidade de crédito, para a sua não homologação. Fl. 974DF CARF MF Processo nº 15374.001578/200797 Acórdão n.º 3302004.656 S3C3T2 Fl. 971 3 DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado da decisão proferida em 23/09/2009, o sujeito passivo apresentou, em 22/10/2009 a competente Manifestação de Inconformidade, aduzindo, em síntese, que possuía o direito à homologação tácita das DCOMPS, em face ao decurso do prazo de 5 anos a contar do fato gerador dos débitos compensados; impossibilidade de reapuração, em Maio de 2009, dos resultados dos anoscalendário de 2002, dada a preclusão do direito de reapurar a base de períodos já decaídos; é nulo o despacho decisório por ausência de motivação do ato administrativo, em face de não haver nos autos a exposição do porquê a Autoridade Administrativa entendeu que havia ficado comprovada a opção da tributação pelo regime de competência; a Requerente de fato optou pelo regime de caixa para tributação, conforme autoriza a MP 2.15835/ 01, sendo que a alegação em contrário deve ser comprovada pelo Fisco, o que não aconteceu no caso vertente; a documentação fiscal apresentada confirma a existência de pagamento a maior apto a gerar os créditos compensados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇAO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO OCORRÊNCIA. Não decorridos cinco anos após a formalização perante a RFB do PER/DCOMP, não há que se falar em homologação por decurso de prazo, podendo o fisco indeferir expressamente o pedido de compensação. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA. Uma vez atendidos os requisitos de agente capaz, forma prescrita em lei e motivação, não se deve anular o ato administrativo consubstanciado em despacho decisório. O parecer conclusivo preparado por setor especializado tem por finalidade justamente atender ao requisito de motivação. A encampação de parecer administrativo elaborado por setor especializado por chefe de unidade para exarar despacho decisório constitui praxe administrativa que não inquina a decisão final de nulidade;ao contrário, tornaa técnica e impessoal. INSTITUTOS DA DECADÊNCIA E DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Fl. 975DF CARF MF 4 Muito embora pautados pelo mesmo fundamento, a segurança jurídica consubstanciada na vedação a que as obrigações tributárias se eternizem tratase de conceitos distintos, com termos iniciais distintos, previstos, por sua vez, em normas distintas. Não é possível utilizar o termo inicial da decadência para efeito de homologação tácita, preconizandose a analogia dos institutos, já que há norma expressa a respeito do dies a quo. OPÇÃO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA EM RELAÇÃO AOS LANÇAMENTOS DE CONTAS VINCULADAS À FLUTUAÇÃO CAMBIAL. POSSIBILIDADE CONDICIONADA A TODO O ANO. O direito de alterar o regime de lançamento destas constas existe em situações muito específicas previstas na legislação de regência não contempladas na espécie. ÔNUS DA PROVA NO ÂMBITO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS DOUTRINA MAJORITÁRIA. Os atos administrativos presumemse legítimos corolário natural do atributo geral da presunção de legalidade de tais atos, prevista no texto constitucional, na parte que rege a Administração Pública. O ato administrativo presumese compatível com a lei e com os princípios jurídicos. Tal presunção revelase relativa e pode ser infirmada por provas trazidas pelo contribuinte o que, todavia, não ocorreu nos autos do presente processo administrativo. ÔNUS DA PROVA NO ÂMBITO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS DOUTRINA MINORITÁRIA. Ainda que se filie à corrente minoritária que preconiza que não se estende ao campo probatório os efeitos da presunção de legitimidade, fazse necessário ajustar, com paridade de armas, as provas trazidas, de um lado pela Administração e, de outro, pelo contribuinte. Esta teoria não tem por condão conferir ao contribuinte um impedimento genérico e absoluto para o procedimento administrativo de apuração de crédito tributário. No caso dos autos, ficaram fundamentadas e comprovadas as razões do despacho decisório de indeferimento, ainda que se adote a perspectiva de igualdade formal na qualificação das alegações das partes. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Não se deve deferir pedido de perícia simplesmente por suposta dificuldade do processo, sobretudo quando já foi realizada diligência e, ainda, as provas que instruem o processo são consideradas suficientes para o convencimento, sob pena de afrontar o princípio constitucionalmente garantido da duração razoável do processo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Fl. 976DF CARF MF Processo nº 15374.001578/200797 Acórdão n.º 3302004.656 S3C3T2 Fl. 972 5 Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO OCORRÊNCIA. Não decorridos cinco anos após a formalização perante a RFB do PER/DCOMP, não há que se falar em homologação por decurso de prazo, podendo o fisco indeferir expressamente o pedido de compensação. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA. Uma vez atendidos os requisitos de agente capaz, forma prescrita em lei e motivação, não se deve anular o ato administrativo consubstanciado em despacho decisório. O parecer conclusivo preparado por setor especializado tem por finalidade justamente atender ao requisito de motivação. A encampação de parecer administrativo elaborado por setor especializado por chefe de unidade para exarar despacho decisório constitui praxe administrativa que não inquina a decisão final de nulidade; ao contrário, tornaa técnica e impessoal. INSTITUTOS DA DECADÊNCIA E DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Muito embora pautados pelo mesmo fundamento, a segurança jurídica consubstanciada na vedação a que as obrigações tributárias se eternizem tratase de conceitos distintos, com termos iniciais distintos, previstos, por sua vez, em normas distintas. Não é possível utilizar o termo inicial da decadência para efeito de homologação tácita, preconizandose a analogia dos institutos, já que há norma expressa a respeito do dies a quo. OPÇÃO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA EM RELAÇÃO AOS LANÇAMENTOS DE CONTAS VINCULADAS À FLUTUAÇÃO CAMBIAL. POSSIBILIDADE CONDICIONADA A TODO O ANO. O direito de alterar o regime de lançamento destas constas existe em situações muito específicas previstas na legislação de regência não contempladas na espécie. ÔNUS DA PROVA NO ÂMBITO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS DOUTRINA MAJORITÁRIA. Os atos administrativos presumemse legítimos corolário natural do atributo geral da presunção de legalidade de tais atos, prevista no texto constitucional, na parte que rege a Administração Pública. O ato administrativo presumese compatível com a lei e com os princípios jurídicos. Tal presunção revelase relativa e pode ser infirmada por provas trazidas pelo contribuinte o que, todavia, não ocorreu nos autos do presente processo administrativo. Fl. 977DF CARF MF 6 ÔNUS DA PROVA NO ÂMBITO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS DOUTRINA MINORITÁRIA. Ainda que se filie à corrente minoritária que preconiza que não se estende ao campo probatório os efeitos da presunção de legitimidade, fazse necessário ajustar, com paridade de armas, as provas trazidas, de um lado pela Administração e, de outro, pelo contribuinte. Esta teoria não tem por condão conferir ao contribuinte um impedimento genérico e absoluto para o procedimento administrativo de apuração de crédito tributário. No caso dos autos, ficaram fundamentadas e comprovadas as razões do despacho decisório de indeferimento, ainda que se adote a perspectiva de igualdade formal na qualificação das alegações das partes. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Não se deve deferir pedido de perícia simplesmente por suposta dificuldade do processo, sobretudo quando já foi realizada diligência e, ainda, as provas que instruem o processo são consideradas suficientes para o convencimento, sob pena de afrontar o princípio constitucionalmente garantido da duração razoável do processo. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 29/06/2011, através do AR de fls. 658 (numeração eletrônica) o contribuinte foi cientificado da decisão em primeira instância, apresentando, em 27/07/2011 seu recurso voluntário, no qual basicamente reprisou os argumentos já elencados na manifestação de inconformidade, frisando que a documentação fiscal e contábil juntada aos autos suportam a existência do crédito e a opção da empresa pela apuração pelo regime de caixa para a tributação das variações cambiais. Às fls 861 (numeração eletrônica) verificase petição do contribuinte com intuito de ver excluído destes autos os valores relativos à PER/DCOMP nº. 13706.67619.240904.1.3.048478, uma vez que tal compensação é objeto, segundo afirma, de outro PAF, qual seja, 15374.720039/200912 (novo numero do PAF 15374.930039/200848). Por fim, às fls. 18 dos autos, antes mesmo da capa do processo, foi juntada uma petição de complemento das razões recursais do sujeito passivo, no qual, o mesmo aduz, em síntese, que ainda que restem ultrapassados os argumentos do recurso voluntário, não merece prosperar o indeferimento discutido, uma vez que os débitos da COFINS ditos como devidos pela empresa através do parecer conclusivo da diligência aqui já relatado, foram apurados com base na interpretação do §1º, do art. 3º, da Lei n° 9.718/98, tendo tal dispositivo sido considerado inconstitucional, o que invalida a interpretação do Fisco. Em face das questões postas em lide, através da Resolução CARF nº 3402 000.588, de 25/09/2013, fls. 887/891, o julgamento foi convertido em diligência nos termos do voto do relator: Conforme relatório acima, o objeto desse processo é a não homologação de pedido de ressarcimento realizado pela Fl. 978DF CARF MF Processo nº 15374.001578/200797 Acórdão n.º 3302004.656 S3C3T2 Fl. 973 7 Recorrente em virtude da autoridade fazendária concluir que a requerente teria optado pelo regime de competência para tributação das variações cambiais no anocalendário discutido, de modo que não seria possível a reapuração pelo regime de caixa, não havendo o que se falar em pagamento indevido ou a maior. A DRJ/RJ2 entendeu por não considerar a DCTF retificadora onde a Recorrente declarou a mudança de regime caixa, mantendo o entendimento de que o regime empregado foi o de competência, nos mesmos termos do entendimento exarado no Despacho Decisório. Em seu recurso voluntário, a Recorrente sustenta que referido direito decorre do fato de que referidas “variações cambiais” em função da taxa de câmbio, na verdade revestemse de natureza de “receita financeira” decorrente de variação cambial, redundando no direito de as excluir da base imponível, reduzindo as contribuições a pagar e materializando o pagamento a maior do que o anteriormente declarado/pago, em face da inconstitucionalidade do art. 3°, §1°, da Lei n° 9.718/98 (“alargamento da base de cálculo” das contribuições ao PIS e à COFINS). Tenho que a Recorrente trouxe aos autos informações suficientes para respaldar a plausibilidade de que o valor por ela apurado (e devido), em face da inclusão de variações cambiais pelo regime de competência, realmente poderia significar um valor menor do que efetivamente pago. Isso porque, independentemente do fato de ter ou não o contribuinte exercido a opção expressa pelo regime de competência ou regime de caixa, conforme se discutiu longamente nos autos, o fato é que mostrase suficiente ao deslinde da causa o reconhecimento de que o dispositivo no qual consubstanciouse a Autoridade Fiscal para reconhecer uma base de cálculo mais ampla do que a utilizada pelo contribuinte, foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, podendo referida questão ter impacto direto no valor da contribuição efetivamente devida pelo sujeito passivo e como conseqüência, no crédito (indébito) por ele alegado. As operações de swap não refletem receitas decorrentes de faturamento (receitas de vendas, prestação de serviço etc.), sendo, enquanto “receitas financeiras” decorrentes de variação cambial, conforme dicção do art. 9º, da Lei nº 9.718/98, e como tal devem ser entendidas como sendo “outras receitas”, não tributáveis à luz do cenário legislativo/jurisprudencial pacífico atualmente, para aquele período de apuração.(grifei) Sendo assim, entendo que o processo não se encontra em condições de receber um julgamento justo, pelo que voto no sentido de converter o julgamento em diligência para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, para que a autoridade preparadora adote as seguintes providências: Fl. 979DF CARF MF 8 a) verificar a efetiva existência, suficiência e montante dos créditos, à luz da interpretação determinada pelo STF ao §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, b) verificar se o sujeito passivo possui demanda idêntica a esta (administrativa ou judicial), focalizando o tratamento quanto a restituição dos valores, com espeque na inconstitucionalidade do art. 3°, §1°, da Lei n° 9.718/98, que contemple o objeto de análise deste PAF (leiase: período de apuração de Junho/2002, relativamente a receitas financeiras provenientes de variação cambial por operações de “swap”); c) após, emitir “Relatório Conclusivo” sobre o resultado da diligência, dando vistas ao sujeito passivo, para que, querendo, se manifeste em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, retornando os autos para reinclusão em pauta de julgamento neste Conselho É como voto. Após o cumprimento da diligência, foi emitida a INFORMAÇÃO FISCAL Nº 221/2015/DIORT/DRF/BSB de fls.912/918, nos seguintes termos: De acordo com as providências solicitadas, a existência, montante e suficiência dos créditos pleiteados foram verificados conforme se segue. 3.1Apuração da existência do direito creditório: As tabelas 1 e 2 abaixo demonstram os valores devidos de PIS e Cofins considerandose a efetiva validade do art. 3°, § 1°, da Lei 9.718/98 (tabela 1) e considerandose a declaração de sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal (tabela 2). Fl. 980DF CARF MF Processo nº 15374.001578/200797 Acórdão n.º 3302004.656 S3C3T2 Fl. 974 9 Para se calcular o valor devido das contribuições na tabela 2, o conceito de faturamento utilizado foi restrito à receita bruta de venda de mercadorias e serviços. Desta forma, a receita financeira (decorrente de operações com contratos de “swap” cambial) declarada em DCTF original foi desconsiderada sobre a base de cálculo destes tributos. Nesta declaração original, a contribuinte informou o crédito tributário devido na tabela 1 acima. Através de Darf's e compensação com saldo negativo de CSLL (86.971,46) pagou esses valores em 15 de julho de 2002. Como os valores apurados na tabela 2 são menores do que os apurados (e pagos) na tabela 1, resta configurada a existência de pagamento a maior de PIS e Cofins no período de apuração em questão. 3.2 Apuração do montante do direito creditório: Conforme a tabela 3 abaixo, o montante do direito creditório foi apurado através de simples subtração dos valores pagos com os valores devidos (considerandose a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/98). Foi verificado que a contribuinte tem direito a créditos originais (sem atualização) para o período de apuração de junho de 2002 de R$ 1.478.146,74 para PIS e de R$ 6.822.215,69 para Cofins. 3.3 Apuração da suficiência do direito creditório: Conforme as tabelas 4 e 5 abaixo, a contribuinte apresentou 8 declarações de compensação para aproveitar os créditos apurados. Através delas, extinguiu créditos tributários de PIS e Cofins referentes a agosto a novembro de 2002 sob condição resolutória de ulterior homologação pela autoridade fiscal. Fl. 981DF CARF MF 10 Ao se analisar as DCOMP'S, foi notado que os créditos e débitos (créditos tributários) foram atualizados somente até a data dos vencimentos elencados nas tabelas acima. Entretanto, o efetivo pagamento destes tributos aconteceu apenas em 24 de setembro de 2004, data da transmissão das declarações de compensação à Receita Federal. Quer dizer, os valores devidos de PIS e Cofins mostrados nas tabelas acima foram pagos com atraso, mas sem atualização de juros e multa de mora. Desta forma, para a correta apuração do encontro de contas, créditos e débitos compensados devem ser atualizados até setembro de 2004. Para isto, foi utilizado o Sistema de Apoio Operacional (fls. 904 a 911), o qual concluiu, conforme tabelas 6 e 7 a seguir, que os créditos não foram suficientes para quitar todos os débitos declarados nas DCOMP's: Fl. 982DF CARF MF Processo nº 15374.001578/200797 Acórdão n.º 3302004.656 S3C3T2 Fl. 975 11 Fl. 983DF CARF MF 12 Tabela 7 Através da análise das tabelas acima, foi constatado que há débitos de PIS e de Cofins referentes aos períodos de apuração de outubro e novembro de 2002 que ultrapassaram o valor total dos créditos declarados em Dcomp. A tabela 8 a seguir mostra esses débitos em seus valores originais e atualizados até março de 2015. A atualização foi feita de acordo com o que determina o artigo 61, da Lei n° 9430/96. Fl. 984DF CARF MF Processo nº 15374.001578/200797 Acórdão n.º 3302004.656 S3C3T2 Fl. 976 13 Somandose todos os débitos não compensados, atualizados até março de 2015, foi encontrado o valor devido e não pago de R$ 3.244.007,15, conforme tabela 9 abaixo. 4.Quanto ao item “b” da Resolução n° 3402000.588 do Carf, houve as seguintes conclusões: 4.1Existência de outros processos administrativos com o mesmo objeto: Em pesquisa nos sistemas Comprot e Sief/Perdcomp, não foram encontrados nesta Diort outros processos Fl. 985DF CARF MF 14 administrativos com o mesmo objeto analisado neste processo. 4.2Existência de outros processos judiciais com o mesmo objeto: Foi acessado o site da Justiça Federal, onde se verificou que há processos judiciais da contribuinte em que se pleiteia repetição de indébito junto à Fazenda Nacional. Entretanto, não é possível saber o assunto específico de cada processo, pois o acesso aos documentos processuais é restrito e controlado por senha. Desta forma, não há meios nesta Diort para se proceder a pesquisa solicitada. Por questões de competência regimental, acreditase que a Procuradoria da Fazenda Nacional tenha arquivos de controle sobre processos judiciais contra a Fazenda. Assim, aquele órgão poderia ter a resposta a este item “4.2” em seus arquivos 5. Por fim, esclareçase que esta informação fiscal cumpre o estabelecido no item “c” da Resolução do Carf citada acima. A interessada após ter ciência do citado relatório de diligência em 25/03/2015 às 14:26h, conforme Termo de Abertura de Documento de fl.920, através da abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações, apresentou manifestação de inconformidade de fls. 923/933 e documentos de fls.934/965, em 24/04/2015 16:05:29, conforme Termo de Solicitação de Juntada fl. 922, nos termos a seguir resumidos: Após recompor a situação fática dos autos e reproduzir as tabelas objeto do relatório de diligência destaca sua discordância quanto às seguintes questões: i)Para exigir valor não declarados pelos contribuintes(inclusive os encargos moratórios), é imprescindível o lançamento de ofício, nos termos da jurisprudência do STJ, o que não ocorreu no presente caso; e (sic); Como visto acima, a Receita Federal está a exigir da Apelante a multa moratória (travestida de principal) incidente sobre o suposto pagamento em atraso de PIS e COFINS em junho/2002. Diante de uma declaração de compensação, o Fisco deverá adotar uma das seguintes posições1: (i) homologar, o que irá significar a extinção definitiva do crédito tributário; (ii) não homologar, o que trará como conseqüência a exigência dos débitos anteriormente quitados por meio de compensação; (iii) homologar parcialmente, oportunidade em que serão exigidos os débitos declarados mas não compensados em razão da insuficiência de crédito. Notese que, em todas as hipóteses mencionadas, não há discussão acerca dos débitos. O motivo é singelo: estes são sempre informados pelo contribuinte, que declara, também, quais são os créditos por meio dos quais pretende quitar tais 1 Fora as hipóteses acima, há ainda a possibilidade da compensação ser considerada não declarada, na forma do § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Fl. 986DF CARF MF Processo nº 15374.001578/200797 Acórdão n.º 3302004.656 S3C3T2 Fl. 977 15 débitos. Ao Fisco compete apenas cobrar, na forma da lei, o que, eventualmente, ainda seja devido, por força da não homologação ou homologação parcial da compensação. Ora, em um processo de compensação, a atividade do Fisco deve aterse à verificação da existência dos créditos utilizados para quitação do débito compensado. Em relação ao débito apontado para compensação pelo contribuinte, por sua vez, nada poderá ser modificado, pois, repitase, a indicação daquilo que está sendo pago é de competência exclusiva do devedor. Afinal, repitase, é o devedor que escolhe aquilo que irá pagar, e aquilo que irá deixar em aberto (por discordar da cobrança, por exemplo). ii)Ainda que se entenda dispensável a constituição dos encargos moratórios via lançamento de ofício, é imprescindível que a imputação proporcional seja realizada no âmbito do despacho decisório (possibilitando a interposição de recurso quanto a este ponto), o que também não foi observado. E ainda que se entenda dispensável o lançamento de ofício para exigência dos encargos moratórios, fato é que no âmbito de um processo de compensação essa pretensão fiscal deveria constar expressamente do despacho decisório. Como visto, a única razão apontada pelo despacho decisório para o indeferimento da compensação realizada no presente caso foi a inexistência de pagamento a maior de PIS e COFINS no período. Ou seja, o despacho decisório analisou unicamente a existência do crédito, nada tendo dito acerca da ausência de imputação dos encargos moratórios aos débitos compensados. Consequentemente, não poderia a DRF em sede de diligência, incluir novo fundamento no despacho decisório de modo a apontar causa causa diversa para manter a não homologação da compensação (ainda que parcial). Nesse sentido, o Fisco federal deveria ter indicado por ocasião do despacho decisório a falta de inclusão dos encargos moratórios sobre os débitos compensados, concedendo ao contribuinte o direito de contestar este ponto em sede de manifestação de inconformidade e/ou recurso voluntário Exatamente para evitar os desmandos da autoridade fiscal e proteger a boafé do contribuinte, o art. 146 do Código Tributário Nacional traz dispositivo que veda a retroatividade da modificação de critério jurídico para alcançar os atos já praticados pela Administração. É o relatório. Fl. 987DF CARF MF 16 Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata parcialmente de matéria da competência deste Colegiado, portanto, deve ser conhecido, em parte. Da não Homologação Tácita Os PER/DCOMPs, a seguir identificados, objeto da presente lide, para os quais suscita o Recorrente a homologação tácita, se referem a créditos de PIS e Cofins correspondente a apuração de junho de 2002, com débitos referentes a agosto de 2002, foram transmitidos em 24/09/2004: 1 13706.67619.240904.1.3.048478, fl.135; 2 0050660794.240904.1.3.048880, fl.139; 3 32721.99746.240904.1.3.040700, fl.144; 4 01932.87743.240904.1.3.040747, fl.149; 5 18071.00386.240904.1.3.049304, fl.154; 6 20795.87736.240904.1.3.047850, fl.159; 7 19648.10489.240904.1.3.040047,fl.164; 8 22890.95240.240904.1.3.047720, fl.169. Os demais PER/DCOMPs se referem ao IRRF e não foram impugnados, de modo que não fazem parte da lide que ora se examina. De início, cabe ressaltar que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, para que seja efetivada a compensação, deve ser líquido e certo, segundo dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN), a seguir reproduzido: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” (grifei) Prescreve o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)(grifei) § 3o(...); Fl. 988DF CARF MF Processo nº 15374.001578/200797 Acórdão n.º 3302004.656 S3C3T2 Fl. 978 17 § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)(grifei)) §§ 6o a 12 (...); Da interpretação das regras acima colacionadas é oportuno destacarse que a premissa para que se opere a compensação pleiteada é que haja crédito apurado pelo sujeito passivo relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição. Ocorre que tendo a lei especificado que a compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, esta darse á no prazo de cinco anos contado da data da entrega da mencionada declaração e não a contar do fato gerador dos débitos confessados como pleiteia a defesa. Nesse mister, antes porém da análise da questão meritória do pedido cabe perquirir acerca da sucessão cronológica dos autos: ATOS DO PROCESSO DATA Fl.eprocesso PEDIDO DE COMPENSAÇÃO 24/09/2004 135169 CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO 23/09/2009 337 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 22/10/2009 405421 Verificase pelas datas acima elencadas, analisadas sob o crivo do § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que os débitos objetos das referidas DCOMPs, não foram tacitamente homologados. Da inexistência de Decadência Quanto à suposta decadência do direito de o Fisco refazer a apuração do PIS e da COFINS de junho/2002, ressalta o recorrente. Conforme já foi dito, as compensações discutidas nos autos foram feitas com créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS e COFINS de junho de 2002. Tais créditos, digase, estão devidamente registrados na declaração fiscal (DCTF) apresentada pela Requerente, que aponta a existência dos créditos utilizados nas compensações. Entretanto, apesar de se tratar de período já atingido pela decadência, a autoridade fiscal, sob a justificativa de verificar a existência do crédito compensado, reapurou, em 2009, os resultados de junho de 2002. Fl. 989DF CARF MF 18 Nesse tópico tomo de empréstimo a fundamentação da decisão de piso, que de forma escorreita assim analisou: Outra falácia que apresenta a manifestação de inconformidade é, após traçar um plano analógico entre a homologação tácita e a decadência, deixar transparecer que o que está sendo cobrado pelo fisco consiste nas obrigações tributárias relativas a junho de 2002, que já estariam abrangidas pela decadência. Realmente tais obrigações estão abrangidas pela decadência quando não lançadas. Ocorre que o fisco não está a cobrar tais obrigações, mas simplesmente as obrigações tributárias confessadas pelos PER/DCOMPs que não foram efetivamente compensadas pelos supostos créditos que a Fazenda verificou inexistirem.(grifei) Observese ainda que a jurisprudência colacionada não lhe socorre, visto que a DIPJ não é confissão de dívida. Rejeitase assim a decadência arguida, conforme fundamentos acima expostos. Da inexistência de nulidade Argui o recorrente que a autoridade fiscal não esclareceu por quais razões entendeu que haveria ficado comprovada a opção da tributação da variação cambial pelo regime de competência, sendo esse o motivo da alegação de "nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação. Verificase que o Parecer 238/2009, assim se manifesta: Relativamente à base de cálculo do PIS e da COFINS informa o relatório que, além das receitas ordinárias que se incluem na base de cálculo destas contribuições, havia também, para o período em questão, receitas financeiras relacionadas a operações de swap cambial. No que diz respeito a receitas dessa natureza, a legislação regente permite que as mesmas sejam consideradas pelo regime de caixa (no momento da liquidação da operação) para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS e da COFINS. À opção da pessoa jurídica podese utilizar o regime de competência. É o disposto no artigo 30 da Medida Provisória n° 2.1583512001, abaixo transcrito: (...) A interessada afirma, na petição de fls.1891190, que se encontrava em fase préoperacional até junho de 2002 e que, apesar disso, recolheu PIS e COFINS nas devidas competências, como se as receitas tivessem sido contabilizadas por competência. Informa também que a empresa optou pela tributação com base no regime de caixa no ano de 2002, para os resultados de swap cambial. Entretanto, a diligência fiscal conclui de forma diversa daquela alegada pelo contribuinte, afirmando, no relatório que: "a opção Fl. 990DF CARF MF Processo nº 15374.001578/200797 Acórdão n.º 3302004.656 S3C3T2 Fl. 979 19 pelo regime no anocalendário 2002 foi o de competência, inclusive no que tange às operações financeiras objeto desta análise" (grifei). Diante disso, a diligência refez a base de cálculo das contribuições ora analisadas • incluindo as receitas financeiras provenientes de operações de swap cambial, chegando ao valor de R$ 247.852.604,95 como base de cálculo das contribuições para o PIS e para o financiamento da seguridade social (COFINS) no período de apuração de junho de 2002, o que nos leva a valores de PIS e COFINS a pagar de R$ 1.611.041,93 e R$ 7.435.578,14, respectivamente. Isto posto, considerando que os pagamentos de PIS e COFINS correspondem aos valores devidos ( no caso da COFINS o pagamento é ainda menor que o valor devido), não há que se falar em pagamento indevido ou a maior. O parecer escudouse no Termo de Encerramento de Diligência Fiscal,fls.279/285 que assim concluiu: Há que se destacar categoricamente, com base na análise de todos os lançamentos contábeis trazidos a lume, a opção pelo regime no anocalendário de 2002 foi o de competência, inclusive no que tange às operações financeiras objeto desta análise. Diante do exposto, constatamos que a base de cálculo para o Pis e a Cofins, no período de junho de 2002, teve por base de cálculo o seguinte teor: Abstraindose o mérito da questão, inferese que o citado parecer discorre fundamentadamente sobre a matéria apreciada, não se vislumbrando qualquer mácula no referido parecer, segundo as hipóteses do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Da não Exclusão da PER/DCOMP Cumpre esclarecer que não há que se excluir a PER/DCOMP nº.13706.67619.240904.1.3.048478 como pleiteia o contribuinte pois os processos 15374.720039/200912 (novo numero do PAF 15374.930039/200848) estão apensados ao principal ora relatado. Ultrapassadas as preliminares já analisadas, cumpre então referenciar o resultado da diligência Do resultado da diligência Como relatado, tratandose os autos de Pedido de Restituição de créditos de PIS e COFINS, constatase do teor da Informação Fiscal, fls.912/918, que reconhecida a inconstitucionalidade declarada pelo STF quanto ao §1º do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, constatou a fiscalização que os valores apurados na tabela 2 são menores do que os apurados (e pagos) na tabela 1, restando assim configurada a existência de pagamento a maior de PIS e Fl. 991DF CARF MF 20 Cofins no período de apuração em questão, logo esgotouse o objeto principal do litígio, remanescendo na manifestação de inconformidade apresentada, questionamento quanto aos acréscimos legais relativos aos débitos, os quais não fazem parte do presente processo. Conforme esclarece a Informação Fiscal, fls.912/918, a fiscalização reconheceu que a contribuinte tem direito a créditos originais (sem atualização) para o período de apuração de junho de 2002 de R$ 1.478.146,74 para PIS e de R$ 6.822.215,69 para Cofins, no entanto constatou que os créditos e débitos foram atualizados somente até a data dos vencimentos (13/09/2002; 15/10/2002; 14/11/2002 e 13/12/2002), elencados nas tabelas 4 (PIS) e 5 (COFINS) e que o efetivo pagamento das citadas contribuições somente ocorreu em 24 de setembro de 2004, data da transmissão das declarações de compensação à Receita Federal, sem os respectivos acréscimos moratórios devidos. Ressaltese que desde a manifestação de inconformidade pugna o recorrente pelo reconhecimento da opção da empresa pelo regime de caixa para a tributação das variações cambiais (contas n° 33210100 receita de intermediação swap LP cambial e n° 33210200 receita de intermediação swap CP — cambial), arguindo que de fato, pelos documentos contábeis apurou pelo regime de competência, porém pelos documentos fiscais demonstrou que fez a opção pelo regime de caixa, conforme §2º do art. 30 da MP 2158/2001. Ocorre que uma vez reconhecida a inconstitucionalidade declarada pelo STF quanto ao §1º do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, conforme já assinalado, a matéria inicialmente litigiosa perdeu o objeto, haja vista que é despiciendo neste momento processual, após a realização da diligência, que deu efetividade à matéria pugnada pelo recorrente, reconhecendo o indébito reclamado, apreciar a correção do regime adotado, pela ineficácia quanto ao resultado para o reconhecimento do indébito, questão já exaurida pelo resultado da referida diligência. Com efeito, destaca a mencionada informação fiscal que os valores devidos de PIS e Cofins demonstrados nas referidas tabelas foram pagos com atraso, sem atualização de juros e multa de mora. De forma que embora reconhecido o indébito das respectivas contribuições, a reapuração dos valores considerando a data do efetivo pagamento, ensejou a existência de débitos de PIS e de Cofins referentes aos períodos de apuração de outubro e novembro de 2002 que ultrapassaram o valor total dos créditos declarados em Dcomp, conforme apurado na já referida informação fiscal. Constatase que, em face da superveniência da Resolução Carf, restando constatado o pagamento indevido das referidas contribuições, fezse mister por dever de ofício, quando da execução da diligência a reapuração pela fiscalização dos saldos, ensejando a informação fiscal já destacada, da qual teve ciência a recorrente com reabertura de prazo para manifestação, o que lhe oportunizou o exercício do contraditório e ampla defesa, quanto às questões que remanesceram da reapuração dos saldos, inexistindo qualquer cerceamento do direito de defesa. No entanto, a questão que remanesce é de encontro de contas e envolve a incidência de acréscimos moratórios, cuja apuração, nos termos da legislação de regência, está afeta à execução do acórdão pela autoridade preparadora, competente para tal, conforme as disposições do artigo 245 do Decreto nº 70.235, de 1972. 2 Art. 45. No caso de decisão definitiva favorável ao sujeito passivo, cumpre à autoridade preparadora exonerálo, de ofício, dos gravames decorrentes do litígio. Fl. 992DF CARF MF Processo nº 15374.001578/200797 Acórdão n.º 3302004.656 S3C3T2 Fl. 980 21 Ante o exposto, VOTO POR NÃO CONHECER as matérias referentes aos acréscimos moratórios, por ser estranha à lide, de competência da autoridade preparadora; e quanto ao regime de apuração das variações cambial, pela perda de objeto, e NA PARTE CONHECIDA, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório, no valor original pleiteado, conforme demonstrado na Informação Fiscal, fls.912/918, ficando os acréscimos moratórios, a cargo da autoridade preparadora, a quem compete a execução do acórdão. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 993DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.728400/2009-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES RECEBIDOS DE ACORDO EM AÇÃO TRABALHISTA. DISCRIMINAÇÃO DAS VERBAS
O ônus da prova de discriminar a natureza das verbas (se indenizatórias ou remuneratórias com caráter salarial) em ação trabalhista é do contribuinte. Havendo prova quanto a discriminação das verbas e sua homologação judicial, deve ser excluído do lançamento o valor das verbas de caráter indenizatório.
RENDIMENTOS ISENTOS MOLÉSTIA GRAVE.
A decisão da DRJ considerou como comprovada a isenção do rendimento e por lapso não considerou na decisão de piso. Reconhecido esse fato em sede recursal a fim de se evitar percalços ao contribuinte quando da execução da decisão pela unidade preparadora.
Numero da decisão: 2201-003.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores de R$ 31.348,68 e R$ 10.875,70.
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
assinado digitalmente
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 07/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES RECEBIDOS DE ACORDO EM AÇÃO TRABALHISTA. DISCRIMINAÇÃO DAS VERBAS O ônus da prova de discriminar a natureza das verbas (se indenizatórias ou remuneratórias com caráter salarial) em ação trabalhista é do contribuinte. Havendo prova quanto a discriminação das verbas e sua homologação judicial, deve ser excluído do lançamento o valor das verbas de caráter indenizatório. RENDIMENTOS ISENTOS MOLÉSTIA GRAVE. A decisão da DRJ considerou como comprovada a isenção do rendimento e por lapso não considerou na decisão de piso. Reconhecido esse fato em sede recursal a fim de se evitar percalços ao contribuinte quando da execução da decisão pela unidade preparadora.
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VALORES RECEBIDOS DE ACORDO EM AÇÃO TRABALHISTA. DISCRIMINAÇÃO DAS VERBAS O ônus da prova de discriminar a natureza das verbas (se indenizatórias ou remuneratórias com caráter salarial) em ação trabalhista é do contribuinte. Havendo prova quanto a discriminação das verbas e sua homologação judicial, deve ser excluído do lançamento o valor das verbas de caráter indenizatório. RENDIMENTOS ISENTOS MOLÉSTIA GRAVE. A decisão da DRJ considerou como comprovada a isenção do rendimento e por lapso não considerou na decisão de piso. Reconhecido esse fato em sede recursal a fim de se evitar percalços ao contribuinte quando da execução da decisão pela unidade preparadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores de R$ 31.348,68 e R$ 10.875,70. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 84 00 /2 00 9- 08 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10580.728400/200908 Acórdão n.º 2201003.842 S2C2T1 Fl. 143 2 assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 07/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório 1 Tratase de Recurso de Voluntário (fls.81/85) interposto pelo contribuinte em face da decisão da DRJ/SDR. 2 – Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 74/76) por sua precisão: “O interessado impugna lançamento do anocalendário 2007, onde foram incluídos rendimentos pagos pela Secretaria de Saúde (R$ 31.348,68) e pelo Monte Tabor, Centro Ítalo Brasileiro de Promoção Sanitária (Hospital São Rafael, R$ 68.303,49). Argumenta, em síntese, que são de aposentadoria os proventos pagos pela Secretaria de Saúde, e que seriam isentos do imposto de renda por ser portador de moléstia prevista em lei de isenção. Seriam também isentos os rendimentos da Monte Tabor (Hospital São Rafael), porque seriam verbas rescisórias. Apresenta termo de rescisão de contrato de trabalho com parcelas isentas de “Indenização de FGTS não Recolhido” (R$ 62.492,33), “Multa de FGTS 40%” (R$ 24.996,93), e “Aviso Prévio” (R$ 2.707,18).” 3 A decisão da DRJ/SDR (fls. 74/76) julgou improcedente a Impugnação do contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10580.728400/200908 Acórdão n.º 2201003.842 S2C2T1 Fl. 144 3 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 RENDIMENTOS. TRABALHO SEM VÍNCULO. Não se beneficiam de isenção por moléstia grave os rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. CONVENÇÕES PARTICULARES. As convenções particulares não podem determinar a natureza isenta dos rendimentos convencionados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 4 Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, às fls. 79, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 81/85, onde reitera e reforça os mesmos argumentos da impugnação. 5 Na sessão de 20/01/2015 a extinta 1ª turma especial desse E. Sodalício através do Resolução 2801000.336 às fls. 110/112 converteu o julgamento em diligência fundamentando nesse sentido: “O Recorrente alega que, ao contrário do entendeu a decisão recorrida, os rendimento recebidos da Monte Tabor (Hospital São Rafael) são decorrentes de uma conciliação proposta pela M.M Juíza e aceita pelas partes na Reclamação Trabalhista ajuizada por ele (Proc. n° 00997200703505009 RT), portanto, de natureza conflituosa e litigiosa, quando, na ocasião, comprovado o preenchimento dos requisitos legais, Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10580.728400/200908 Acórdão n.º 2201003.842 S2C2T1 Fl. 145 4 pleiteou e obteve o reconhecimento do vínculo laboral com o Monte Tabor (Hospital São Rafael), razões mais que suficientes para que se excluam da tributação em pauta as parcelas trabalhistas e rescisórias de ordem indenizatória, em especial, conforme estabelece a legislação pertinente à matéria, o Aviso Prévio Indenizado e os depósitos relativos ao FGTS. Neste sentido, consta anexado aos autos (fls. 89/92) o acordo homologado judicialmente em 20/08/2007, porém com valores divergentes daqueles informados no Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho (fl. 130), nos Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte (fls. 55/58), e nas DIRF (fls. 69/70). Em face do acima exposto e com vistas a formar convicção acerca da lide, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a fonte pagadora MONTE TABOR CENTRO ÍTALO BRASILEIRO DE PROM SANITÁRIA, CNPJ 13.926.639/000144, seja intimada a esclarecer as divergência entre os valores consignados nos documentos indicados acima e informar a natureza de todos os rendimentos pagos ao Contribuinte no anocalendário de 2007, incluindo os rendimentos pagos em decorrência do acordo homologado judicialmente – Processo 00997200703505009RT. Ao final, com vistas a garantir o contraditório e o amplo direito de defesa, cientificar o Recorrente acerca desta diligência e dos resultados dela decorrentes, assegurandolhe prazo para sua manifestação.” 6 – Às fls. 115 intimação à fonte pagadora e às fls. 118/137 resposta com os esclarecimentos necessários, havendo a notificação ao contribuinte do resultado da diligência às fls. 139 com o retorno dos autos a esse E. Sodalício para julgamento. 7 – Redistribuído os autos a esse Relator. É o relatório do necessário. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10580.728400/200908 Acórdão n.º 2201003.842 S2C2T1 Fl. 146 5 Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 08 – Conheço do recurso. Diz a autuação fls. 16: 09 O contribuinte questiona a natureza dos rendimentos que a autoridade lançadora entende que teriam sido omitidos e que houve reclassificação em sua DIRPF. 10 – A DRJ diz em seu voto, apesar de ter julgado improcedente a impugnação quando o correto era procedente em parte: 11 – Logo, devem ser excluídos do lançamento os valores no valor de R$ 31.348,68 relativos à Secretaria de Saúde, apenas confirmando a decisão da DRJ nesse sentido e que por um lapso não ficou consignado, dando provimento ao recurso nesse sentido, pois tal rendimento foi considerado no lançamento às fls. 16 dos autos. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10580.728400/200908 Acórdão n.º 2201003.842 S2C2T1 Fl. 147 6 12 – Quanto a parte do rendimento da Monte Mor indicado no lançamento no valor total de R$ 68.303,49 a DRJ decidiu pela manutenção do lançamento pelo seguinte fundamento: “O contribuinte jamais recebera rendimentos de trabalho com vínculo empregatício da Monte Tabor (Hospital São Rafael). Como se verifica pelos extratos das DIRF dos anos anteriores (fls. 71/73), sempre recebera rendimentos pela prestação de serviço, na qualidade de autônomo. Desta forma o “Termo de rescisão de contrato de trabalho” às fls. 13 não é mais que uma convenção particular, e como tal não pode estabelecer a natureza isenta das parcelas convencionadas como se fossem verbas rescisórias do trabalho com vínculo empregatício. Nesta ocasião, em 05/06/2007, o contribuinte recebera o total de R$ 96.360,58, que deve ser considerado integralmente como rendimento tributável. Além deste pagamento, em junho, recebera desta fonte nos demais meses os seguintes rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, de acordo com os extratos da DIRF às fls. 69/70:” 13 – O valor de R$ 68.303,49 é a somatória dos valores encontrados no sistema DIRF de fls. 69 e 70 dos autos. 14 – Às fls. 115 intimação à fonte pagadora em cumprimento à resolução que converteu o julgamento em diligência indica: Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10580.728400/200908 Acórdão n.º 2201003.842 S2C2T1 Fl. 148 7 15 – A fonte pagadora às fls. 118/120 esclarece de início que: 16 – De fato às fls. 58 existe o informe de rendimento datado de 25/03/2008 constando – rendimentos decorrentes de decisão da Justiça do Trabalho. 17 – Esclarece ainda que: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10580.728400/200908 Acórdão n.º 2201003.842 S2C2T1 Fl. 149 8 18 – E por último a fonte pagadora apenas esclarece que a diferença de nomenclatura dos títulos do informe de rendimentos de fls. 56 e 57, datados de 28/02/2008, foram por erro lançados em seu sistema. 19 – Pela análise dos informes de fls. 56 e 57, são diversos do que consta no sistema DIRF de fls. 69/70 não auxiliando em nada na resolução do assunto e são diversos dos valores lançados e declarados na DIRPF retificadora de fls. 25/29 de nº 05/37.289.304. 20 – Pela análise do documento de fls. 93/98 verificamos tratase da inicial da reclamação trabalhista proposta pelo contribuinte a fim de reconhecer o vínculo empregatício para com a fonte pagadora denominada Monte Tabor – Centro Ítalo Brasileiro de Promoção Sanitária (Hospital São Rafael) sendo que o contribuinte alega que foi dispensado dos serviços da fonte pagadora em 01/06/2007. 21 – Informa inclusive que houve um depósito no valor de R$ 96.360,58 em sua conta corrente em 11/06/2007 (mesmo valor indicado no TRCT de fls. 13 dos autos e esclarecido pela fonte pagadora como mero documento para mensurar o valor do risco trabalhista). 22 – Às fls. 89/92 há a petição de acordo homologado judicialmente em 20/08/2007 pela MM. Juíza do Trabalho da 35ª Vara do Trabalho de Salvador nos autos da reclamação trabalhista entre contribuinte e a fonte pagadora Monte Tabor indicando o reconhecimento de vínculo de emprego de 01/09/1985 a 31/05/2007 e o pagamento do valor líquido de R$ 144.000,00 ao contribuinte em 12 parcelas iguais assim discriminados pelas partes: Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10580.728400/200908 Acórdão n.º 2201003.842 S2C2T1 Fl. 150 9 23 – Das parcelas discriminadas acima, as únicas que contem natureza remuneratória e no caso incidiriam o IRPF seriam as parcelas de letras “e” e “f”, ou seja, correção monetária e horas extras. 24 – Constatase que os valores relativos a esse acordo entabulado entre as partes foi homologado judicialmente com a discriminação das verbas e apenas começou a ser pago ao reclamante a partir de Agosto de 2007 conforme indicado no item 02 de fls. 89. 25 – Portanto, em vista do Informe de Rendimento de fls. 58 e o Sistema DIRF de fls. 69 indicar como os valores de R$ 21.875,70 como rendimentos recebidos decorrentes de decisão da justiça do trabalho e os valores pagos indicados serem a partir de Agosto de 2008, combinado com a análise do termo de acordo em que a maior parte dos valores discriminados não terem incidência de IRPF, entendo que deve ser excluído do rendimento tais valores no lançamento menos o valor dos itens "e" e "f " (R$ 11.000,00) do acordo trabalhista por ter caráter salarial e de incidência do IRPF. 26 – Com base nos valores do sistema DIRF de fls. 70 indicando rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício em sua informação, é de esperar tal nomenclatura, na Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10580.728400/200908 Acórdão n.º 2201003.842 S2C2T1 Fl. 151 10 medida em que não havia reconhecimento de vínculo pela Justiça do Trabalho antes da homologação dos valores pagos posteriormente ao contribuinte a partir de Agosto de 2008. 27 Como esses valores indicados às fls. 70 foram pagos antes do acordo judicial discriminando as verbas do reconhecimento do vínculo, esses devem ser considerados para fins de lançamento por estarem fora do acordo entabulado entre as partes e serem de natureza de proventos oriundos do trabalho e, portanto há a incidência do IRPF sobre eles. Conclusão 28 Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e dar provimento parcial para excluir do lançamento os valores de R$ 31.348,68 da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia e o valor de R$ 10.875,70 provenientes do pagamento do acordo trabalhista de 2007 conforme fundamentado no voto. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Fl. 151DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.720117/2013-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
Ementa:
IRPJ. CSLL. LUCRO PRESUMIDO. FATO GERADOR TRIMESTRAL. DECADÊNCIA.
O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário, relativamente ao imposto de renda, sujeito ao lançamento por homologação, extingue-se em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional - CTN; já na hipótese da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial do imposto rege-se pela regra do art. 173, inciso I, do CTN, segundo o qual a contagem do prazo de cinco anos inicia-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lançamentos efetuados cientificados antes destas datas não são alcançados pela decadência.
OMISSÃO DE RECEITA - SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO.
Para que seja reputado real, impõe-se a prova hábil e idônea da efetiva entrega e origem do numerário suprido, coincidentes em datas e valores, sendo irrelevante a capacidade econômica e financeira do supridor.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA.
Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
Numero da decisão: 1402-002.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 Ementa: IRPJ. CSLL. LUCRO PRESUMIDO. FATO GERADOR TRIMESTRAL. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário, relativamente ao imposto de renda, sujeito ao lançamento por homologação, extingue-se em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional - CTN; já na hipótese da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial do imposto rege-se pela regra do art. 173, inciso I, do CTN, segundo o qual a contagem do prazo de cinco anos inicia-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lançamentos efetuados cientificados antes destas datas não são alcançados pela decadência. OMISSÃO DE RECEITA - SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Para que seja reputado real, impõe-se a prova hábil e idônea da efetiva entrega e origem do numerário suprido, coincidentes em datas e valores, sendo irrelevante a capacidade econômica e financeira do supridor. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
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Recorrente EMBRAED EMPRESA BRASILEIRA DE EDIFICAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 Ementa: IRPJ. CSLL. LUCRO PRESUMIDO. FATO GERADOR TRIMESTRAL. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário, relativamente ao imposto de renda, sujeito ao lançamento por homologação, extinguese em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN; já na hipótese da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial do imposto regese pela regra do art. 173, inciso I, do CTN, segundo o qual a contagem do prazo de cinco anos iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lançamentos efetuados cientificados antes destas datas não são alcançados pela decadência. OMISSÃO DE RECEITA SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Para que seja reputado real, impõese a prova hábil e idônea da efetiva entrega e origem do numerário suprido, coincidentes em datas e valores, sendo irrelevante a capacidade econômica e financeira do supridor. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 01 17 /2 01 3- 42 Fl. 1055DF CARF MF 2 provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 11516.720117/201342 Acórdão n.º 1402002.677 S1C4T2 Fl. 1.112 3 Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela DRJ de Florianópolis/Santa Catarina que reconheceu em parte o pleito da ora Recorrente EMBRAED EMPRESA BRASILEIRA DE EDIFICAÇÕES LTDA, ante a lavratura de auto de infração por omissão de receitas decorrentes da identificação de suprimento de caixa por sócio e/ou administradores e depósitos bancários bancários de origem não comprovada no anocalendário 2008. Adoto como ponto de partida o relatório da r. DRJ, complementandoo com aquilo que julgar necessário. Trata o presente processo de impugnação a exigência de créditos tributários constituídos em autos de infração, – por meio dos quais a contribuinte é compelida a recolher à Fazenda Nacional a importância de R$ 333.125,54 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, R$ 119.925,20 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, R$ 124.922,07 a título de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins e R$ 27.066,46 a título de Contribuição para o PIS/Pasep, exações acrescidas de multa de ofício de 75% e juros moratórios devidos à época do pagamento. Estas exigências referemse a fatos geradores ocorridos no decorrer do anocalendário de 2008, período em que a contribuinte apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, onde apurou resultados com base no lucro presumido. As irregularidades apontadas pela Fiscalização no lançamento foram: Falta de escrituração de pagamentos efetuados – intimada a apresentar documentação relativa a pagamento em 2008, a empresa não comprova três pagamentos; suprimento de caixa por sócios e administradores – intimada a comprovar a efetividade de empréstimos efetuados pelo administrador ao caixa da empresa, a Fiscalizada não obtém êxito; depósitos bancários de origem não comprovada – intimada a comprovar a origem de créditos bancários a empresa não consegue fazêlo em relação a nove depósitos; a apuração dos valores destes itens anteriores constituíram omissão de receita e assim foram levados a tributação do IRPJ com reflexos na órbita da CSLL, Cofins e PIS/Pasep. Irresignada a Interessada apresenta, tempestivamente, sua impugnação onde alega: Preliminarmente a ocorrência de decadência em relação a valores considerados omissão de receita e cujos fatos geradores teriam ocorrido até 2412008 e que, portanto, teriam sido alcançados pela decadência, tomando por base jurisprudência do STJ, que traz com a impugnação; com relação ao tópico suprimento de caixa por sócios e administradores a impugnante entende que apresentou sim à autoridade fiscal documentos hábeis e idôneos que comprovam “com enorme folga” a origem e a efetividade da Fl. 1057DF CARF MF 4 entrega dos respectivos numerários entregues pelos sócios, discordando, portanto, do lançamento fiscal; quanto ao tópico comprovação da origem dos depósitos a impugnante discorda da autuação e afirma que a “empresa cumpriu a sua responsabilidade de comprovar a origem dos créditos e demonstrar que recolheu os tributos deles decorrentes. Se houve algum equívoco no preenchimento dos lançamentos contábeis, caberia ao Agente Fiscal apontar eventuais diferenças entre os valores contabilizados e os créditos bancários [...]” Ao final, requer o cancelamento da exigência fiscal pelos seguintes motivos: “1) Decadência dos eventos ocorridos anteriormente ao dia 25/01/2008/ 2) Ausência de fundamentos que justifiquem a desconsideração dos elementos probatórios hábeis e idôneos que foram apresentados pela CONTRIBUINTE contra a presunção de omissão de receitas decorrente do suprimento de caixa por sócios e administradores; 3) Ausência de fundamentos que justifique a desconsideração dos elementos probatórios hábeis e idôneos que foram apresentados pela CONTRIBUINTE contra a presunção de depósitos bancários de origem não comprovada.” Prossegue a Impugnante: “A CONTRIBUINTE registra que, nesta defesa, não foram impugnados os valores de R$ 11.248,70 do dia 06/05/2008 e de R$ 25.302,45 do dia 17/06/2008, apontados pelo Auditor Fiscal como pagamentos efetuados e não contabilizados, e que, sobre esses valores, já fez a apuração e o recolhimento dos respectivos tributos, nos termos da lei, conforme as cópias dos DARFs que seguem como ANEXO V desta petição.” Estes valores, portanto, não fazem parte do litígio. Em sessão realizada em 14 de agosto de 2014, a Terceira Turma de Julgamento houve por bem transformar o julgamento deste processo em diligência, para que fossem colhidas cópias [frente e verso] dos cheques de R$ 100.000,00; R$ 300.000,00 e R$ 200.000,00 na busca da identificação das características dos cheques para se chegar à origem dos recursos. Como já relatado a autoridade fiscal considerou estes valores omissão de receita por ausência de provas de origem destes recursos. A impugnante por seu turno afirma de onde teriam provindo tais recursos mas não traz provas de sua alegação. Cópias autênticas [frente e verso] de tais cheques elucidariam de vez a questão, uma vez que esclareceriam a associação – ou não – aos contratos apresentados pela fiscalizada. Em 22122014 a interessada foi cientificada do Termo de Intimação Fiscal, onde a autoridade preparadora solicita cópias [frente e versos] dos cheques acima referidos. Em 2212015 a empresa apresenta sua resposta. Apresentada impugnação a DRJ acolheu em parte os argumentos da ora recorrente restando, ainda, por presente acusação fiscal de suprimento de caixa por sócio ante a inaptidão e inidoneidade dos documentos acostados para afastar omissão de receita nos termos da Súmula CARF n.95 e a subsistência de depósitos bancários de origem não comprovada no valor de R$1.120.405,39. Ao final a decisão restou assim ementada: Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 11516.720117/201342 Acórdão n.º 1402002.677 S1C4T2 Fl. 1.113 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 IRPJ. CSLL. LUCRO PRESUMIDO. FATO GERADOR TRIMESTRAL. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário, relativamente ao imposto de renda, sujeito ao lançamento por homologação, extinguese em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN; já na hipótese da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial do imposto regese pela regra do art. 173, inciso I, do CTN, segundo o qual a contagem do prazo de cinco anos iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lançamentos efetuados cientificados antes destas datas não são alcançados pela decadência. OMISSÃO DE RECEITA SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Para que seja reputado real, impõese a prova hábil e idônea da efetiva entrega e origem do numerário suprido, coincidentes em datas e valores, sendo irrelevante a capacidade econômica e financeira do supridor. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. PIS. COFINS. CSLL. LANÇAMENTOS DECORRENTES. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevaleceram na apreciação destes, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada com a decisão proferida pela r. DRJ, a Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário em que sustenta preliminarmente a decadência dos fatos geradores anteriores à 25/01/2008, e no mérito (1) que a r. DRJ ao aplicar a súmula 95 do CARF, não analisou adequadamente os documentos probatórios apresentados pelo contribuinte; e (2) demonstrou detalhada exaustivamente a origem dos recursos, o que teria sido injustificadamente desconsiderados pelo auditor fiscal e pela r. DRJ em suas análises. É o breve relatório. Fl. 1059DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso Voluntário é tempestivo e assinado por patrono competente. 2. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: Suscitou a Recorrente a decadência dos fatos geradores anteriores a 21 de janeiro de 2008. O que foi acatado em sede de DRJ, não havendo controvérsias quanto a isso. Neste ponto a única controvérsia diz respeito ao que se considera fato gerador dos tributos em análise (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Escorreita a decisão proferida pela r. DRJ neste ponto ao que peço vênia aos colegas conselheiros para adotála como razões de decidir: Daí seu entendimento de que os fatos geradores anteriores a 2512013 e apontados no quadro acima teriam sido alcançados pela decadência. Desde há muito que o lançamento de imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ) se reveste da modalidade de lançamento por homologação e, como tal, sujeito ao prazo decadencial do art.150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador do tributo e/ou sujeito ao prazo do inciso I do art.173, também do CTN. Assim também se revestem as contribuições sociais ora lançadas, PISPASEP, CSLL e COFINS. No caso em questão, o fato gerador do IRPJ e da CSLL relativo ao ano calendário de 2008, ocorre no término de cada trimestre do ano, pois, no caso, o lucro foi apurado sob as regras do Lucro Presumido e o período de apuração do IRPJ/CSLL nesta modalidade de tributação é trimestral. Para as contribuições PIS–PASEP e COFINS, o fato gerador é mensal. Quanto à questão do prazo decadencial, em função da Súmula Vinculante nº 8 do STF (DOU de 20/06/2008), de se trazer excertos do Parecer PGFN/CAT Nº 1617/2008, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda em Despacho de 18 de agosto de 2008, que trata da forma de contagem de prazos decadenciais relativos à contribuições previdenciárias, mas aplicáveis também às contribuição para o PIS/PASEP, CSLL e à COFINS, afinal todas são contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social: 49. [...] a) A Súmula Vinculante nº 8 não admite leitura que suscite interpretação restritiva, no sentido de não se aplicar – efetivamente – o prazo de decadência Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 11516.720117/201342 Acórdão n.º 1402002.677 S1C4T2 Fl. 1.114 7 previsto no Código Tributário Nacional; é o regime de prazos do CTN que deve prevalecer, em desfavor de quaisquer outras orientações normativas, a exemplo das regras fulminadas; [...] d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art.173, inc.I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art.150 do CTN; f) para fins de cômputo do prazo de decadência, todas as vezes que comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação devese aplicar o modelo do inciso I, do art.173, do CTN; [...] Esta posição consolidada no parecer supra veio ratificar o entendimento de que os lançamentos por homologação – PIS/PASEP, COFINS, CSLL e IRPJ – seguem a contagem do prazo decadencial estabelecida no artigo 150 e/ou do inciso I do art. 173, ambos do CTN. O lançamento correspondente ao IRPJ e CSLL do 1º trimestre de 2008 [o mais antigo] teria decaído em 3132013. Cabe a lei definir o aspecto temporal do tributo, em relação ao Imposto sobre a renda, o período de apuração, segundo a Lei n. 9430/1996, é trimestral (31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário) ou anual (31 de dezembro). Em relação ao PIS e a COFINS, o prazo é 25 de cada mês segundo o que dispõe o art. 11 da Lei. 10.833/2003. Tentativa de alterar o método ou data de alteração dos tributos em espécie significariam afastar lei eficaz e vigente. Portanto, embora devesse ser reconhecida decadência dos fatos geradores anteriores a 21/01/2008, o lançamento em análise não os contempla, pelo que afasto a preliminar suscitada e passo a análise do mérito. 3. MÉRITO 3.1 SUPRIMENTO DE CAIXA POR SÓCIOS E ADMINISTRADORES Afirma a Recorrente que a r. DRJ desconsiderou in totum as provas apresentadas quanto a origem e, principalmente, quanto a entrega do numerário, mencionando a Súmula CARF 95: Súmula CARF nº 95: A presunção de omissão de receitas caracterizada pelo fornecimento de recursos de caixa à sociedade por administradores, sócios de sociedades de pessoas, ou pelo administrador da companhia, somente é elidida com a demonstração cumulativa da origem e da efetividade da entrega dos recursos. Fl. 1061DF CARF MF 8 A mera menção a Súmula 95 não é suficiente para caracterizar a omissão de receitas, deve ser verificado no caso concreto se as provas apresentadas pelo Contribuinte são suficientes e adequadas para ilidir a presunção. Vejamos o quanto disposto no Acórdão da r. DRF: (...) A alegação da contribuinte não apresenta as características solicitadas no texto acima, não existe a comprovação da efetiva entrega do numerário. Sem a comprovação não se pode aceitar simplesmente a alegação de que obteve lucros e poderia fazer empréstimos para a empresa fiscalizada. Também não pode ser aceita a alegação de que o sócio tinha rendimentos em suas declarações de pessoa física suficientes para o empréstimo, pois é imprescindível para a comprovação que a empresa prove com documentos a efetiva entrega do numerário. (...) A análise empreendida pela r. DRJ é correta, não se pode afirmar a origem sem que se confirme a efetiva entrega do numerário. A mera disponibilidade de recursos pelo sócio, não é suficiente para caracterizar a origem da receita quando não se prova a entrega! Os dois elementos são indissociáveis. Não posso afirmar que pelo conjunto probatório restaria comprovada origem dos recursos (Senhor Rogério Rosa), se não consigo afirmar que o dinheiro que ingressou no caixa da empresa é aquele. Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 11516.720117/201342 Acórdão n.º 1402002.677 S1C4T2 Fl. 1.115 9 Data máxima vênia ao entendimento do r Procurador da Recorrente, a demonstração de desembolsos não comprova a entrega de numerário, exatamente porque não há como realizar uma ligação direta entre esses pagamentos e aquela receita! Se fosse o suficiente a comprovação de disponibilidade de numerário pelo sócio e desembolsos, a Súmula Carf 95 não exigiria a comprovação da origem e da efetiva entrega. A recorrente questiona então como comprovar a efetiva entrega. A meu ver, a prova é bastante simples. De se imaginar que valores tão altos transitaram em algum momento pela conta das partes envolvidas, sócio e recorrente. 3.2. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Por fim, afirma a Recorrente que demonstrou de forma detalhada e exaustiva que os depósitos bancários eram oriundos do recebimento de receitas devidamente oferecidas a tributação. Em procedimento de fiscalização a autoridade fiscal constatou ter a autuada movimentado valores em contas por ela mantidas em instituições financeiras e para as quais, devidamente intimada e reintimada, não teria conseguido comprovar as origens, levando ao surgimento da presunção expressa no artigo 42, da Lei nº 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em sede de Impugnação, bem como do Recurso Voluntário, a recorrente discorreu longamente sobre o tema, no entanto, faltou o principal: a comprovação das origens dos recursos que permitiram fossem carreados às suas contas bancárias, mantidas junto a instituições financeiras e os valores apontados pelo Fisco. Os lançamentos relativos aos anoscalendário de 2008 tiveram sustentáculo na movimentação bancária da autuada que apresentou substanciais valores lançados a crédito das contas por ela mantidas em diversas instituições financeiras e para os quais, devidamente intimada a comprovar suas origens, na forma prevista na legislação vigente (artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996), não logrou êxito. Durante o procedimento fiscalizatório a fiscalizada teve sucessivas oportunidades para que justificasse os créditos ocorridos em suas contas bancárias, ou seja, as origens de tais recursos, não logrando êxito em sua comprovação. Em voto irretocável, acerca da presunção que vigora nos casos de omissão de receia por depósito bancário de origem não comprovada o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone leciona que: (...) a presunção que permite ao Fisco inverter o ônus da prova, passandoa ao fiscalizado, se consolidou, posto que, com o surgimento no mundo jurídico do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, abriuse a possibilidade de se presumir a existência de omissão de receita ou rendimento quando o contribuinte, devidamente intimado, não conseguir justificar a origem dos valores lançados a crédito de suas contas em instituições financeiras. Fl. 1063DF CARF MF 10 Tratase, pois, de uma presunção legal que só se valida com a rigorosa oferta ao fiscalizado da possibilidade de comprovar a origem dos recursos. (...) Vale exprimir, não é o depósito bancário em si que se converte em omissão de renda ou receita e se transforma em fato gerador de tributos, mas os recursos que deram origem a tal depósito e que não foram comprovados pelo fiscalizado, mesmo que devidamente intimado a demonstrar tais origens. De outra parte, prestigiese o trabalho fiscal que, em momento algum, resvalou por caminhos ilegais ou exorbitou de suas funções. Ao revés, sempre permitiu a manifestação da autuada de forma a encontrar a verdade dos fatos. Neste campo, ao receber as informações financeiras, cruzálas com as da própria fiscalizada e com o banco de dados da Receita Federal e intimar a contribuinte a justificar as divergências, sem que tenha recebido qualquer resposta sustentável, só restava ao Fisco lançar mão da presunção legal que define como omissão de receitas valores que ingressaram nas contas bancárias do sujeito passivo e não foram devidamente justificados. Temse, dessa forma, como ensina Maria Rita Ferragut (in Presunções no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001), uma prova indireta condutora da mesma ‘probabilidade fática’ da prova direta, in verbis: “Assim, tem a Administração Pública o deverpoder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção homini de forma alguma significa que a tributação ocorrerá em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível.” Em seu trabalho ‘Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação’ (in Revista Dialética de Direito Tributário n.º 67, Dialética, São Paulo), a mesma autora acrescenta: “As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 11516.720117/201342 Acórdão n.º 1402002.677 S1C4T2 Fl. 1.116 11 forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa”. Em suma, as presunções legais de omissão de receitas, no caso – por força cogente do artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, são tidas pela doutrina como uma das espécies de “prova indireta” e podem ser absolutas (jure et de jure) e relativas (jures tantum), inadmitindo as primeiras que haja prova em contrário ao fato presumido e as segundas (relativas) admitindoa. Neste eito, reputamse verdadeiros os fatos presumidos até que a parte interessada prove o contrário (a nominada “inversão do ônus da prova”), cabendo ao contribuinte, demonstrar que o Fisco está equivocado, sendo pacífico que a falta de adequada comprovação impede o acolhimento do pleito (Código de Processo Civil de 1973, art. 333, II – CPC atual artigo 373, II). No presente caso, o procedimento fiscal avançou por vários meses, tempo mais que suficiente para que a fiscalizada promovesse a entrega do que foi requisitado pelo Fisco (documentos que comprovassem as origens dos recursos que permitiram a movimentação bancária estampada), o que não ocorreu. E, destaquese, seriam documentos que lhe aproveitariam, posto que poderiam vir a justificar as origens dos recursos do numerário carreado às suas contas bancárias, destruindo a presunção do Fisco. Não o fez. Nem no curso do procedimento fiscal menos ainda na fase contenciosa, limitandose a questionar aspectos jurídicos presentes nos lançamentos (acesso do Fisco às contas bancárias, nulidade, utilização dos extratos bancários na consecução dos lançamentos, etc.). Mais ainda, não se perca o entendimento de que a chamada prova indiciária é pacificamente admitida em nosso direito como ferramenta necessária para apurar eventos que não se mostram explícitos, como já decidido pelo CARF: Primeira Turma/Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento Data da Sessão 25/01/2011 Relator(a) ANTONIO BEZERRA NETO Nº Acórdão 1401000.405 ASSUNTO: PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em uma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes. Cumpre ao Fisco, em tais circunstâncias, tão só provar o indício, como, de fato, foi feito. A relação de causalidade, entre ele e a infração imputada, é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a consequente exigência atribuída Fl. 1065DF CARF MF 12 ao contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas, mantidas à margem da escrituração regular ou em poder dos sócios. A prova contrária à presunção legal, como dito, não foi fornecida pela autuada, como já enfatizado anteriormente. Assim, concretizada a hipótese abstrata prevista na lei, o Fisco pode lançar mão da figura da presunção legal, como no caso em análise, quando se presume a ocorrência de omissão de receitas se o fiscalizado, devidamente intimado, não consegue comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Portanto, a materialidade do fato gerador restou comprovada, de modo que fica mantido o lançamento neste aspecto, por sua absoluta correção. Adicionalmente, a invocação da Súmula nº 182 do antigo TFR em nada socorre a recorrente, posto que suplantada pela legislação superveniente e atual jurisprudência. Mantenho, pois a imputação de omissão de receitas fincada no artigo 42, da Lei nº 9.430/1996. 4. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto. É como voto. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Fl. 1066DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.901590/2012-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.939
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2006 PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 15 90 /2 01 2- 86 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13116.901590/201286 Acórdão n.º 3201002.939 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.571, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901590/201286 Acórdão n.º 3201002.939 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901590/201286 Acórdão n.º 3201002.939 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901590/201286 Acórdão n.º 3201002.939 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901590/201286 Acórdão n.º 3201002.939 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901590/201286 Acórdão n.º 3201002.939 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901590/201286 Acórdão n.º 3201002.939 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901590/201286 Acórdão n.º 3201002.939 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.901590/201286 Acórdão n.º 3201002.939 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 88DF CARF MF
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