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Numero do processo: 10711.004181/2003-31
Data da sessão: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 17/09/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA.
Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação, judicial, hipótese em que a autoridade
administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3101-000.314
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
tomar conhecimento do recurso por opção pela via judicial.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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CONCOMITÂNCIA. Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação , judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso por opção pela via judicial. Va•-ve --" -deir d) ele..9 Henrique Pinheiro Ton. - Presidente esZAlbiiquerque Valente Relatora Zz EDITADO EM: 03/02/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tardsio Campelo Borges, Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente e Valdete Aparecida Marinheiro. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela Contribuinte contra o Acórdão no 07-8.640, de 29 de setembro de 2006, prolatado pela la Turma da DRJ - Florianópolis/SC, cuja ementa foi a seguinte: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/09/1998 PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVA. INADMISSIBILIDADE. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do art. 16, 5S 4 0 do Decreto n° 70.235/1972, não poderá ser acatado o pedido genérico pela produção posterior de prova. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 17/09/1998 ADMISSÃO TEMPORÁRIA. Sao devidos os impostos incidentes na importação de bem admitido temporariamente, como também as multas de lançamento de oficio e os juros de mora correspondentes, quando inexiste comprovação hábil de que foram tomadas providências tendentes a regular extinção do regime especial. Cabíveis, igualmente, as multas por falta de GI ou documento equivalente e pelo descumprirnento do prazo estabelecido para a reexportação do bem, prevista no inciso Ido art. 56 da MP n° 135/2003, no caso menos severa que a multa estabelecida na alínea "b "do inciso II do art. 106 do Decreto n° 37/1966. Lançamento Procedente em Parte." Ciente do inteiro teor do acórdão da DRJ Florianópolis (SC), a Interessada, . apresentou tempestivo Recurso Voluntário, em 22/11/2006. Nesta petição, as razões iniciais são reiteradas, para aduzir, em síntese, que: (i) Comprovou a reexportação do bem através da juntada de documento emitido pela Capitania dos Portos; (it) Em matéria tributária a ocorrência do fato gerador deve ser efetivamente comprovada pelo ente tributante, não havendo espaço para presunções em prejuízo do contribuinte; (iii) 0 documento emitido pela Capitania dos Portos possui fé pública, • merecendo ser considerado seu conteúdo para efeito de prova da reexporta cão do bem. Requer, ao final, seja acolhido o presente recurso, e, por conseguinte, cancelado o débito fiscal reclamado. Processo n° 10711.004181/2003-31 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.314 Fl. 226 Instrui o Recurso Voluntário, dentre outros documentos, relação de bens e direitos para arrolamento (fls.111/112). Às fls.115 dos autos, Memorando no 735/2006-Derat/RJO/Gabin, endereçado ao Sr. Inspetor da Alfândega do Porto do Rio de Janeiro, no qual solicita-se a análise do processo administrativo n° 10711.004181/2003-31, visando dar cumprimento A determinação judicial expedida pelo douto Juizo da 1 la Vara Federal/RJ nos autos do Mandado de Segurança n°2006.51.01.021726-5. As fls. 116, Cópia do Mandado de Intimação n° MAN.0011.001610-0/2006, Justiça Federal. Às fls. 123, Memorando ALF/RJO/EQJUD N° 151/2006, ao Delegado da Derat-RJ, prestando esclarecimento: "Cabe ainda esclarecer que esta Aduana não teve ciência de nenhuma decisão judicial proferida pelo Juizo da 80 Vara de Execução Fiscal concernente aos aludidos créditos os quais, como se viu, ainda se encontram em fase de discussão na esfera administrativa, devendo ser ressaltado que a aludida FEDERAÇÃO sequer identificou a alegada Ação Judicial cuja decisão assegura lhe ter sido favorável." A Recorrente, As fls. 127, atravessa petição aos autos requerendo a juntada do Instrumento de Procuração. A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou ao Terceiro Conselho de Contribuintes. 0 processo foi a julgamento na Sessão de 11 de novembro de 2008, com Relato de autoria dessa Conselheira, que decidiram através da Resolução N° 303-01.500, converter o julgamento em Diligência, nos termos do voto da relatora, As fls.152/153: Neste diapasão, em respeito ao principio da verdade material, e para que não se prolate uma decisão que se mostre injusta qualquer das partes envolvidas na lide, voto pela conversão do julgamento do recurso voluntário em DILIGÊNCIA a repartição de origem para que a autoridade competente intime o Interessado a trazer aos autos: Registro de Exportação (RE) ou outros documentos que comprovem a reexportação do veleiro em tela. Certidão de Objeto e Pé, referente ao processo de n° 2006.51.01.021726-5, 11 ° Vara Federal/RJ, bem como, referente ao processo objeto de decisão judicial terminativa proferida pela 80 Vara Federal/RJ, conforme consta its fls. 115 dos autos. Posteriormente, retorne o Processo para apreciação e julgamento por parte desse Conselho de Contribuintes." Devidamente intimada, a Recorrente, anexa aos autos extrato de acompanhamento processual da Execução Fiscal n° 2006.51.01.526510-0 e respectiva sentença (fis.158/167). Anexa, ainda, o documento "Parte de Saida" a fim de comprovar a reexportação do bem "veleiro OMEN" para a França(fis. 168). Em 17 de fevereiro de 2009, a Recorrente, mais uma vez, manifesta-se nos autos, desta vez, requerendo a juntada das Certidões de Objeto e Pé de es 033/09 e 034/09 (fls. 222/223). Cumprida a Diligencia, o presente processo foi encaminhado ao Terceiro Conselho de Contribuintes para prosseguimento. o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, Relatora Conforme se constata do relatório, recorre a Contribuinte da decisão proferida pela DRJ de origem que, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento, por entender que não ficou devidamente comprovada a saída do território aduaneiro da embarcação a Vela, Classe Veleiro de Oceano, denominada "OMEN", com 40 pés de comprimento, registro Ca 40004C595, destinada a competições esportivas. Em sede de Recurso Voluntário, alega a Recorrente que comprovou a reexportação do bem importado através da juntada de documento emitido pela Capitania dos Portos; que referido documento emitido pela Capitania dos Portos possui fé pública, merecendo ser considerado o seu conteúdo para efeito de prova. Através da Resolução N° 303-01.500, decidiram os membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, pela conversão do julgamento em Diligência, para que fosse intimada a Interessada a trazer aos autos: "Registro de Exportação (RE) ou outros documentos que comprovassem a reexporta cão do veleiro em tela. Certidão de Objeto e Pé, referente ao processo de n° 2006.51.01.021726-5, 11" Vara Federal/RI, bem como, referente ao processo objeto de decisão judicial terminativa proferida pela 80 Vara Federal/RJ, conforme consta as fls. 115 dos autos." Finda a Diligência, retornaram os autos para julgamento. Em primeiro plano, cumpre observar, a existência de ação judicial com objeto que abrange a importação da embarcação em tela efetuada sob o regime aduaneiro especial de admissão temporária, Processo n° 2006.51.01.526510-9, na 5a Vara Federal de Execução Fiscal do Rio de Janeiro, onde se discute inclusive a comprovação de sua reexportação. Com efeito, por ocasião da Diligência, supra-citada, a Recorrente anexou aos autos extrato da Execução Fiscal n° 2006.51.01.526510-9 e respectiva sentença, em que são partes "FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE VELA E MOTOR" e "FAZENDA NACIONAL". Processo n° 10711.004181/2003-31 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.314 Fl. 227 Para ilustrar este voto e dar os devidos subsídios aos meus pares, transcrevo a Sentença proferida pelo douto Juiz da 5a Vara Federal de Execução Fiscal do Rio de Janeiro, fls.158/165, no mencionado Processo Judicial: SENTENÇA(A). 01 — FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE VELA E MOTOR opõe embargos de devedor em Face da FAZENDA NACIONAL, impugnando os termos da Execução Fiscal 2004.5101515985-4, com as seguintes alegações: a) Há duplicidade de cobrança da execução ora impugnada em relação ao executivo de número 2004.5101515325-6, possuindo ambas as CDAS idênticos elementos. b) Em resposta ao auto de infração 146/03, a parte embargante ofereceu impugnação nos autos do processo administrativo 10711004181/2003-31, tendo sido, todavia, surpreendida, cinco meses após, com a execução ora impugnada, que não aguardou sequer o encerramento do feito administrativo, o que constitui exigência legal de validade da inscrição. c) Sobre o processo administrativo 10711005777/99-48, mencionado nas peças de informação da referida intimação, a parte embargante jamais dele teve conhecimento. Ainda que a confusão de informações decorra de erro da embargada, a nulidade deve ser proclamada, pelo fato de a defesa ter sido montada em torno do primeiro dos processos administrativos mencionados. d) Em 17.09.98, a embargada promoveu a importação de veleiro de origem francesa para participação em competições esportivas, sob regime de admissão temporária, até o prazo estendido de 29.09.2000. 0 barco deixou o Brasil em 01.07.2000, o que, todavia, foi desconsiderado pela autoridade fiscal, que passou a impor a exigência tributária â embargante. e) Tendo a exportação do barco sido tempestiva, não poderia ter sido aplicado o disposto no art. 676, do Decreto 4.543/02. fi Ademais, não foram cumpridos os requisitos estabelecidos no art. 677, do referido Decreto (intimação do responsável para justificar o não cumprimento das exigências e revisão do processo de regime temporário). 02 — Intimada, a parte embargada oferece os seguintes rebates: a) Não há a alegada litispendencia, pois as execuções tidas como repetidas na verade cobram, respectivamente, IPI e Imposto de Importação decorrentes do mesmo fato e processo administrativo ( 107110055777/99-48). b) No âmbito deste processo administrativo, houve impugnação da embargante, mas, ao ser novamente intimada para apresentar provas de sua alegação de reexportação tempestiva, calou-se, dando causa a inscrição do crédito em divida ativa. c) Já o processo 10711004181/2002-31 foi instaurado por desdobramento do primeiro processo exclusivamente para a cobrança de multas, encontrando-se atualmente perante o 3° Conselho de Contribuintes. 03- Juntada copia integral do feito administrativo gerador do crédito e apresentada réplica, vieram os autos, sem mais provas, para sentença. É O RELATÓRIO. PASSO A DECIDIR. 04 — Partes capazes, legitimas e bem representadas. Juizo devidamente investido e competente para conhecer da questão, não havendo causas de suspeição ou impedimento a serem levantadas. Pedido juridicamente possível e inédito, tendo sido deduzido na forma processual adequada e estando conforme a causa de pedir. 0 provimento jurisdicional é, em tese, adequado e necessário ao atendimento da pretensão do embargante. 05 — Sobre a alegada duplicidade de cobrança existente entre a execução ora impugnada e a de número 2004.5101515325-6, a mesma não ocorre, eis que, pelo teor de fls. 92 e 94 o fundamento legal do Impostos cobrados em cada uma das inscrições é distinto, o que dá conta da distinção da cobrança. 06 — Na verdade, trata-se apenas da tributação reflexa por Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, decorrente do mesmo fato gerador ( suposta ausência de reexportação tempestiva do regime e admissão temporária), o que delineia a possibilidade de coexistência das cobranças executivas. 07- Sobre a alegação de que a cobrança deriva de processo administrativo não encerrado, tem-se que a cobrança ora impugnada decorre do processo administrativo 10711005777/99-98, cuja cópia integral junta-se as fls. 48 ss. 08 — Já o processo 10711004181/2003-31 foi instaurado por desdobramento do processo mencionado, para o fim de cobrança de penalidades pecuniárias (Jls. 85). 09 — Com isso, explica-se facilmente porque, cinco meses após defender-se administrativamente deste último processo, a parte embargante foi citada numa das execuções fundadas no primeiro deles. 0 fato de as peças de informação trazerem o número do processo ora tratado decorre apenas do desdobramento efetuado na gerando, em absoluto, qualquer tipo de nulidade. 10 — Sobre a alegação de que a parte embargante não foi cientificada a respeito do processo originário, a mesma não procede, pois as intimações postais foram enviadas e recebidas no endereço ora declarado pelo embargante como de sua sede (fls. 69v e 75v). 11 — Quanto ao alegado descumprimento dos requisitos previstos no art. 677, do Regulamento Aduaneiro, vê-se que houve a intimação prévia do contribuinte para justificativa antes de se executar o Termo de responsabilidade (fls. 69, frente e verso), sem qualquer resposta por parte da embargante. 6 Processo n° 10711.004181/2003-31 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00314 Fl. 228 12 - A alegação de saída tempestiva do barco do território nacional somente foi apresentada, em sede administrativa, após a intimação para recolhimento dos tributos (fls.77 ss). Todavia, não tendo . apresentado qualquer documentação, a autoridade fiscal intimou-a novamente' a faze-1o, sem que tivesse havido resposta. 13 — Assim ,o rito administrativo próprio (intimação prévia para justificativa; intimação para recolhimento do tributo e intimação para apresentar prova de sua alegação de defesa) foi rigorosamente seguido pela autoridade fiscal, sem que, no entanto, tivesse havido resposta eficaz da parte embargante na via administrativa, afim de sustar a cobrança. 14 — No que se refere à alegação de fundo, a saída tempestiva do território nacional do barco OMEN, de 40 pés, em relação ao qual foi deferido o regime de admissão temporária (fls. 56) é comprovada suficientemente pelo documento e fls. 38, expedido pela Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil. 15 — A autoridade fiscal de julgamento rejeitou o documento como prova, com base nas seguintes razões (fis. 102): "Cumpre observar que a 'parte de saída' apresentada não permite verificar, com a consistência e a segurança necessárias, do ponto de vista fiscal, se a embarcação nele consignada corresponde de fato ao veleiro importado pela interessada. Ademais, ainda que se admitisse que tal documento evidencia a saída da embarcação do território aduaneiro, ele não faz prova da reexportação do veleiro em tela, como pretende a impugnante. "Somente o Registro de Exportação (RE), devidamente averbado, constituiria documento hábil para comprovar a mencionada reexporta cão." 16 — Todavia, os fundamentos adotados pela autoridade administrativa não são consistentes, concessa vênia, pois o Registro de Exportação, tal como o Registro de Importação, tem importância preponderante no campo do controle administrativo das operações de comércio exterior. Desse modo, não interferem na base material e na fattispecie normativa de • incidência dos tributos devidos em tais operações a não ser para definir seu aspecto temporal, de modo a fixar a legislação aplicável a cada operação. 17— Essa inegável importância do registro do comércio exterior não pode levar a conclusão de os reais fatos geradores ou extintores de direitos e obrigações no campo da tributação aduaneira ... nil° podem acontecer a margem desse registro. Não há, com efeito, como imaginar-se a entrada e saída informais de mercadorias do território aduaneiro como fatos insuscetíveis de gerar efeitos tributários pelos simples fato de tais operações não terem sido "registradas ". )1 18 — De fato, a seguir-se a linha de raciocínio da autoridade administrativa, as mercadorias apreendidas em flagrante• descaminho jamais teriam aptidão para gerar a cobrança de impostos diante da falta de registro, mas unicamente a aplicação das sanções administrativas e criminais pertinentes. 19 — Nesse contexto se é permitido comprovar importação ou exportação por outros meios que não o registro formal, para fins de estabelecer a tributação, a mesma (in) formalidade deve ser exigida para o fim de estabelecer a extinção do regime tributário especial de admissão temporária. 20 — Quanto ao documento em si, ele não traz dúvidas a respeito da identidade entre o bem levado it admissão temporária e a embarcação cuja saída foi registrada, sendo mencionado inclusive o número de registro da embarcação (comparem-se, a respeito, fls. 38 e 56). Alin: disso, trata-se de documento expedido pela Marinha do Brasil, autoridade responsável pelo controle administrativo da movimentação de embarcações em mar territorial brasileiro, não havendo porque negar-se fé ?is informações ali contidas. 21 — Com isso, tenho que foi cumprido oportunamente o objeto da importação temporária, vindo a desaparecer o fundamento das imposições fiscais pela tempestiva reexportação, sem prejuízo das sanções aplicáveis ao embargante pelo descumprimento das formalidades atinentes a aludia reexporta cão. 22 — Todavia, tendo em vista a omissão reiterada do embargante no processo administrativo que gerou o presente débito e a apresentação e análise da documentação de exoneração apenas no processo administrativo gerado por desdobramento, tenho, com base no principio da causalidade, que a embargada não deve ser condenada em honorários de sucumbência. Por todo o exposto, decido, em RESOLUÇÃO DE MÉRITO, ACOLHER o pedido da embargante, para declarar extinto o crédito tributário objeto da inscrição 70303000328-70, tendo em vista a regular e oportuna reexportação dos bens sujeitos ao regime especial de admissão temporária. Sem custas, dada a isenção legal. Sem honorários, diante do item 22 acima e da súmula 168, do TRF." (g.n) Com efeito, da leitura da sentença acima transcrita, pode-se verificar que no processo judicial de no 2006.51.01.526510-9 discute-se a comprovação da saída tempestiva do território nacional da embarcação a vela, denominada "OMEN", de 40 pes de comprimento, destinada a competições esportivas, objeto de importação temporária. Ocorre que, no processo administrativo sub examen, encontra-se em discussão a regular reexportação do veleiro, supra-mencionado, admitido no regime aduaneiro especial de admissão temporária,. Nesse diapasão, vislumbro claramente a existência de concomitância entre os processos judicial e administrativo, uma vez que na esfera judiciária, a Recorrente, discute a comprovação da reexportação do bem em tela, tendo, inclusive, obtido sentença nesse sentido. ) Processo n° 10711.004181/2003-31 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.314 Fl. 229 Como é cediço, nos termos da Súmula n° 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): "Importa renúncia as instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a. apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". In casu, hi, pois, concomitância de objetos entre o pedido administrativo e o pedido veiculado no processo judicial. Portanto, nada resta a fazer no âmbito deste processo. Ante o exposto, voto para NÃO CONHECER do Recurso Voluntário interposto, em face da concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial. anessa lbuquerque a ente 9
score : 1.0
Numero do processo: 12269.000043/2008-99
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização.
LIVRO DIÁRIO. EXIGÊNCIA DA ESCRITURAÇÃO.
O Livro Diário é exigido pela Fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias.
RELEVAÇÃO OU ATENUAÇÃO DA MULTA.
Não se pode relevar ou atenuar falta que não foi corrigida dentro do prazo legal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-000.990
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração, punível na forma da Lei, a falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização. LIVRO DIÁRIO. EXIGÊNCIA DA ESCRITURAÇÃO. O Livro Diário é exigido pela Fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias. RELEVAÇÃO OU ATENUAÇÃO DA MULTA. Não se pode relevar ou atenuar falta que não foi corrigida dentro do prazo legal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/ 08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.000043/200899 Acórdão n.º 280300.990 S2TE03 Fl. 422 2 Relatório DO LANÇAMENTO O contribuinte foi autuado por não haver apresentado o Livro Diário relativo ao período de 01/01/2007 a 30/06/2007, violando o previsto no art. 33, parágrafos 2o e 3o da Lei nº 8.212/91, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme se depreende do Relatório Fiscal da Infração (fl. 21). Foi aplicada a multa conforme previsto nos artigos 92 e 102 da Lei n° 8.212/91, combinados com o artigo 283, inciso II, alínea "j" do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, atualizada pela Portaria MPS n° 142, de 11 de abril de 2007, publicada no D.O.U. de 12.04.2007. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 22) informa a inexistência de circunstâncias agravantes e atenuantes. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO A ciência da autuação fiscal se deu em 28/12/2007, fl. 01, inconformado o contribuinte apresentou impugnação, fls. 28/35, acompanhada de anexos. A decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal deu provimento à autuação, fls. 239/242. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte tomou ciência da decisão, inconformado interpôs recurso voluntário em 19/12/2008, fl. 247/259, alegando em síntese: a multa aplicada deve ser afastada, tendo em vista que o recorrente cumpriu todas as requisições apresentadas pela Fiscalização, sendo vedada a aplicação da multa quando inexiste a conduta de descumprimento de obrigação acessória antecedente, pois não há multa imposta, por conseqüência, a subsunção do fato à norma, devendo ser desconstituído o crédito tributário objeto do processo administrativo em epígrafe; ou, subsidiariamente, a multa aplicada deve ser reduzida, por ser manifestamente desproporcional e irrazoável; a situação retratada é manifestamente distinta da prevista nessa hipótese legal. Isso porque não diz respeito à não entrega voluntária de documentação pelo recorrente, mas da impossibilidade de cumprimento da exigência da Fiscalização, por parte do recorrente, que foi conseqüência de um problema involuntário no sistema da empresa que inviabilizou a impressão do referido livro fiscal em tempo menor do que o efetivamente verificado (força maior). O recorrente apresentou todos os documentos e disponibilizou acesso a toda sua contabilidade. Em momento algum se identificou qualquer intenção de omissão ou fraude por parte do Recorrente; apresenta cópia do Livro Diário do período de 1°/01/2007 a 30/06/2007, anexa aos autos (doc. 1). Dessa forma, desde já, pede seja considerada a atenuante de eventual penalidade a ser aplicada, nos termos do artigo 291 e 292, inc. V, do Decreto n° 3.048/99; Fl. 479DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/ 08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.000043/200899 Acórdão n.º 280300.990 S2TE03 Fl. 423 3 a aplicação de penas não pode ser baseada em interpretações ampliativas ou extensivas, seja em virtude do Princípio da Tipicidade Cerrada, seja' em face da determinação contida no art. 112, do CTN (em caso de dúvida, interpretação mais favorável ao contribuinte); a multa aplicada é desproporcional e irrazoável. A Administração está adstrita aos Princípios da Proporcionalidade e da Razoabilidade, conforme prevê o artigo 2°, da Lei n° 9.784/99; caso entenda a Administração Fazendária pela necessidade de aplicação de alguma penalidade, que seja utilizada a penalidade prevista no artigo 283, §3°, do Decreto n° 3.048/99; por fim, requer a nulidade da autuação por ter agido de boa fé, disponibilizando e apresentando a integralidade de seus documentos contábeis à fiscalização, e caso não seja declarada a nulidade, que seja atenuada a multa aplicada. O recorrente requer às folhas 378/379 a juntada da cópia do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CCEAS0341/2007 (fls. 381), anexando decisão do STJ sobre a inexigibilidade de crédito tributário com efeito ex tunc em razão da isenção de contribuição previdenciária de entidade filantrópica, alegando efeitos retroativo do Certificado de filantropia, reiterando a extinção da autuação. Anexa, também, cópia do Atestado de Registro do Conselho Nacional de assistência Social – CNAS R0358/2007, Certificado Municipal de Utilidade Pública, Certificado Estadual de Utilidade Pública, Certificado Federal de Utilidade Pública, fls. 411/415. Não houve contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisálo. Os argumentos trazidos no recurso voluntário são praticamente os mesmos da impugnação e já analisados pela decisão de Delegada da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ Porto Alegra (RS). A não apresentação do Livro Diário dentro das formalidades que a legislação requer, período 01/2007 a 06/2007, pelo contribuinte, enseja em aplicação de multa pecuniária em razão do descumprimento do art. 33, parágrafos 2o e 3o da Lei nº 8.212/91. Tal legislação determina que a empresa é obrigada a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias, inclusive o Livro Diário. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/ 08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.000043/200899 Acórdão n.º 280300.990 S2TE03 Fl. 424 4 Para efeito da legislação previdenciária, nos termos do art. 15, parágrafo único, da Lei nº 8.212/91, considerase empresa a sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não. E equiparase a empresa a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade. Assim, a Associação Beneficente de Assistência Educacional do Rio Grande do Sul – ACIRS se não for considerada empresa, se equipara, estando sujeita às obrigações acessórias previdenciárias, como a registrada na autuação em comento. Destarte, é irrelevante se o contribuinte é entidade filantrópica ou não. Todas as empresas ou equiparadas são responsáveis pela falta que originou o descumprimento da obrigação acessória previdenciárias. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 115, todos do CTN, com a descrição da infração e dispositivo legal infringido, o valor da multa aplicada e sua fundamentação legal, período apurado, relatório fiscal da infração e da aplicação da multa, Instrução para o Contribuinte – IPC; identificação do contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante, e demais informações constantes das folhas 01 a 25, bem como, lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o artigo 33 da Lei n° 8.212/91. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para a autuação. A penalidade aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais citados e foi corretamente aplicada pela autoridade fiscal, encontrandose livre de vícios. O contribuinte apresenta em grau de recurso cópia do Livro Diário nº 16, com termo de abertura registrado no 1o Títulos e Documentos Pessoas Jurídicas, registro sob nº 156991, de 14/05/2008, contendo o período da atuação 01/2007 a 06/2007. Dispõe o Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406/2002) que as associações são pessoas jurídicas de direito privado, aplicandose subsidiariamente as regras das sociedades empresárias (art. 44, § 2o, cc). A existência legal da pessoa jurídica de direito privado começa com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, bem como, a averbação de todas as alterações posteriores para ter força probante(art. 45 e art. 221, cc). Assim sendo, é indubitável a obrigatoriedade da escrituração do Livro Diário que devem ser autenticados no Registro competente para que tenha validade perante terceiros (art. 1.180 e art. 1.181, cc). São os termos do Código Civil: Código Civil – Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; (...) § 2oAs disposições concernentes às associações aplicamse subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código.(Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou Fl. 481DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/ 08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.000043/200899 Acórdão n.º 280300.990 S2TE03 Fl. 425 5 aprovação do Poder Executivo, averbandose no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. (...) Da Prova Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. (...) Do Livro II – Parte Especial – Capítulo IV – Da Escrituração Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. (...) Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. (...) Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis. Parágrafo único. A autenticação não se fará sem que esteja inscrito o empresário, ou a sociedade empresária, que poderá fazer autenticar livros não obrigatórios. Como se pode observar, o Livro Diário com suas formalidades exigidas por lei, como o registro no órgão competente, objeto da autuação fiscal, só deu em 14/05/2008 (fl. 262). O contribuinte foi cientificado do auto de infração em 28/12/2007 (fl. 01), apresentando impugnação em 28/01/2008 (fl. 28). Assim, a correção da falta se deu muito além do prazo legal para reparar o erro que vai até o termo final do prazo para impugnação, nos termos dos art. 291 do RPS (Decreto nº 3.048/99), não sendo possível a relevação nem a atenuação da multa aplicada. Ressaltase que o prazo para escrituração do livro Diário encontrase estabelecido no parágrafo 13 do artigo 225 do RPS, cuja exigência pela fiscalização é de 90 (noventa) dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias. A multa prevista no artigo 283, parágrafo 3°, do Decreto n° 3.048/99, referida pelo recorrente, não pode ser aplicada, pois se refere a caso em que não há penalidade expressamente cominada para a infração. A não apresentação do Livro Diário infringiu o disposto no art. 33, parágrafos 2o e 3o da Lei nº 8.212/91, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99 e a multa foi aplicada conforme artigos 92 e 102 da Lei n° 8.212/91, combinados Fl. 482DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/ 08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.000043/200899 Acórdão n.º 280300.990 S2TE03 Fl. 426 6 com o artigo 283, inciso II, alínea "j" do RPS, atualizada pela Portaria MPS n° 142, de 11 de abril de 2007, publicada no D.O.U. de 12.04.2007. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, nos termos do art. 136 do CTN. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 483DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/ 08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13942.720186/2017-85
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO PRINCIPAL.RETROATIVIDADE BENIGNA.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119).
Numero da decisão: 9202-008.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL.RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2302-003.064, proferido pela 2ªTurma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 94 2. 72 01 86 /2 01 7- 85 Fl. 261DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-008.868 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13942.720186/2017-85 do CARF, em 19 de março de 2014, no qual restou consignado o seguinte trecho da ementa, fls. 211: MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte No que se refere ao Recurso Especial, fls. 225 e seguintes, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 237 e seguintes, para rediscutir a aplicação cesta de multas. Em seu recurso, aduz a Procuradoria, em síntese, que: a) o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata); b) deve-se privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, tem-se que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212/91 ocorrerá quando houver tão-somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas; c) toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35-A da Lei nº 8.212/91; d) a autoridade fiscal deve aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte considerando os seguintes parâmetros: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35-A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009.; e) deve ser aplicado o disposto no inciso I, do art. 4º da citada instrução normativa, que determina a comparação entre os seguintes valores para aferição da multa mais benéfica ao sujeito passivo: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e multa aplicada de ofício nos termos do art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Intimada, a Contribuinte não apresentou Contrarrazões, verifica-se do Despacho de fls. 246. Foi anexada aos autos a Informação de fls. 259 e seguintes, na qual consta que a comparação entre multas pleiteada pela Procuradoria já foi feita no momento do lançamento, conforme comparativo de multas de fls. 70 e, portanto, o Auto de Infração foi lavrado de acordo com o estabelecido na Súmula CARF n.º 119. É o relatório. Fl. 262DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-008.868 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13942.720186/2017-85 Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, Relatora. Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os demais pressupostos de admissibilidade. Da presente ação fiscal, foram lavrados os seguintes autos, fls. 68: AI 37.246.899-3 AI 37.246.900-0 AI 37.246.902-7 Conforme consta do Relatório Fiscal, a presente autuação tem por finalidade apurar e constituir crédito relativo a contribuições da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — Gilrat, arrecadadas pela Receita Federal do Brasil e destinadas à seguridade social, não recolhidas pela empresa e incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços nas competências de janeiro de 2006 a dezembro de 2007 , perfazendo um total de R$130.078,55. A empresa declarou as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP's como Entidade Beneficente de Assistência Social (FPAS 639), não sendo portador do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CEBAS) nem possuindo o Ato Declaratório de Isenção Previdenciária emitido pela Receita Federal do Brasil, motivo pelo qual não faz jus à isenção da parcela patronal da contribuição previdenciária, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho —GILRAT. Posto o contexto fático, cabe reiterar que a matéria admitida para rediscussão pelo Colegiado, conforme narrado, refere-se à aplicação da cesta de multas (retroatividade benigna). Sobre o tema, o CARF sedimentou o entendimento esposado no âmbito do Enunciado de Súmula CARF n.º 119, como segue: Súmula CARF nº 119 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Pela leitura da Súmula mencionada, verifica-se que assiste razão à Recorrente, em seus argumentos, pois pleiteia a comparação entre as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35-A da Lei 8.212/91, nos termos da IN n.º 1.027/2010, de 2009. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria e, no mérito, dar-lhe provimento. Fl. 263DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-008.868 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13942.720186/2017-85 (documento assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 264DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 36692.000970/2005-24
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 26/09/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE RELATÓRIO ANUAL. ENTIDADE
BENEFICENTE FILANTRÓPICA. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DAS NORMAS, IMPOSSIBILIDADE. PEDIDO DE RELEVAÇÃO. REQUISITOS
NORMATIVOS PRESENTES. POSSIBILIDADE.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-000.666
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/09/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE RELATÓRIO ANUAL. ENTIDADE BENEFICENTE FILANTRÓPICA. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DAS NORMAS, IMPOSSIBILIDADE. PEDIDO DE RELEVAÇÃO. REQUISITOS NORMATIVOS PRESENTES. POSSIBILIDADE. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. –Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Correa, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 06/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA 2 Relatório O presente Auto de Infração – AI – DEBCAD 35.082.0686, CFL.35, decorre do contribuinte deixar de prestar ao INSS, todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo e na forma por este estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários. O período de apuração é de 01/1995 a 08/2005, conforme Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, de fls. 10, tal auto objetiva a aplicação de penalidade por infração a dever instrumental, determinado por lei. Inicialmente, devese esclarecer que os presentes autos está constituído de dois volumes. O primeiro representado pelo protocolo 36692.000970/200524, que contém o auto de Infração DEBCAD 35.082.0686, propriamente dito. O segundo volume ou anexo ao primeiro volume está constituído de dois protocolos distintos. O primeiro 35027.000220/2005 32 cuida especificamente do Relatório Anual de Atividades exercício 2001. O segundo protocolo 36692.001103/200697 cuida do Recurso Voluntário ao Auto de Infração 35.082.0686. A situação, acima narrada, do ponto de vista da formalização e da tramitação processual encontrase completamente equivocada e deve ser regularizada pela DRF – origem, tão logo possível. Entretanto, entendo que tal situação não causa prejuízo ao julgamento do recurso, pois é possível chegarse a compreensão dos fatos, maior prejuízo seria deixar de prestar a “jurisdição” administrativa pleiteada. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 15/10/2005, nos termos do artigo 33, § 3°, inciso II, da Portaria MPS N° 520/2004, conforme, AR, de fls. 38. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, em 21/10/2005, as fls. 41, conforme envelope de remessa postal. A impugnação foi juntada aos autos, as fls. 43, a qual foi acompanhada dos documentos, de fls. 44 a 62. A defesa foi considerada tempestiva, despacho, de fls. 66. O órgão julgador de primeiro grau emitiu a DecisãoNotificação – DN N° 04.423.4/0031/2006, fls. 72 a 77, em 10/03/2006. Na qual a autuação foi considerada procedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 13/04/2006, Carta 18/2006, fls. 78. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário , fls. 03 a 15, do protocolo 36692.001103/200697, datado de 15/05/2006, onde alega o que segue. Prejudicial de Mérito em resumidíssima síntese. • Que as normas instituidoras e aplicadoras da multa são inconstitucionais, passando pela natureza jurídica da multa, trazendo lições doutrinárias, chamando ao feito princípios tais como proporcionalidade, razoabilidade, não confisco, doutrina e jurisprudência alienígena e pátria. Neste ponto retoma a tese do reconhecimento pelos tribunais administrativos de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 06/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 36692.000970/200524 Acórdão n.º 280300.666 S2TE03 Fl. 91 3 inconstitucionalidades, citando juristas, congressos, tribunais, o próprio Conselho de Contribuintes e outros • Mérito – • Que o Estado cobra multas desproporcionais a lesão causada, o que afeta a saúde financeira das empresas, fazendo os empresários desistirem de atuar; • Que a entidade não tem fins lucrativos e exercendo atividade social que será prejudica pela redução dos recursos aplicados; • Que não houve descumprimento do dever instrumental de entregar o relatório anual de 2001, mas apenas equivoco na sua remessa, pois remetido ao CNAS e não ao INSS; • Que a forma não pode ser maior que a substância; • Que a multa não deve subsistir, pois desproporcional a lesão e porque o relatório foi entregue ao Estado ainda que por meio de outro agente, cabendo a aplicação da equidade para afastar a injustiça; • Finaliza pedindo: a) que o CRPS negue aplicação as normas instituidoras da multa, decretando a nulidade do auto de infração; b) em pedido sucessivo, pede a relevação da multa com fulcro na equidade. O recurso foi acompanhado dos documentos, de fls. 17 a 32. O recurso foi considerado tempestivo, fls. 33, bem como foi realizado o depósito recursal, estando a GPS juntada, as fls. 32. A Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social – SRP/MPS, as fls. 80 a 84, nos autos 36692.000970/200524, apresentou contrarrazões Os autos subiram à Câmara de Julgamento do CRPS, fls. 84. No entanto, ex vi, da Lei 11.457/2007 e da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, a competência para julgamento restou atribuída ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda – CARF/MF. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 06/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira, Relator. O recurso foi interposto tempestivamente, em 15/05/2006, conforme, fls. 02; 33 e 34, do protocolo 36692.001103/000139, uma vez que o contribuinte foi cientificado da decisão de primeiro grau, em 13/04/2006, AR, fls 78, do protocolo 36692.000970/200524. No que tange ao depósito recursal a empresa o realizou, conforme Guia da Previdência Social – GPS, de fls. 32, do protocolo 36692.001103/000139. Primeiramente, devese esclarecer que esta instância administrativa está impedida de analisar questões que vão além de sua esfera de competência, tal como inconstitucionalidade das normas. Aliás, outro não é o comando e o pensamento deste órgão julgador ad quem basta ver o artigo 62, caput, da Portaria MF/GM 256/2009 – Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e o teor de sua Súmula 02 deste colegiado. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O Decreto 2.346/97 nos artigos 1°, §§ 1°, 2° e 3°, bem como o artigo 4°, parágrafo único deixam claro que tal competência é exclusiva da autoridade superior do executivo. Art. 1º As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto. § 1º Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial. § 2º O disposto no parágrafo anterior aplicase, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal. § 3º O Presidente da República, mediante proposta de Ministro de Estado, dirigente de órgão integrante da Presidência da República ou do AdvogadoGeral da União, poderá autorizar a extensão dos efeitos jurídicos de decisão proferida em caso concreto Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 06/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 36692.000970/200524 Acórdão n.º 280300.666 S2TE03 Fl. 92 5 artigo 4° ...omissis... Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Não bastasse o que dito acima outro não poderia ser o nosso entendimento, pois os tribunais administrativos estão dentro da estrutura do Poder Executivo e este é organizado por hierarquia como seria se um servidor menor pudesse se desfazer de um ato presumidamente constitucional e legal de um servidor superior. E assim penso, na Administração Pública o poder de sanção a projeto de lei é conferido exclusivamente ao Senhor Presidente da República, artigo 66 c/c o artigo 84, IV, ambos, da CF/88, sendo este o autoridade superior máxima da estrutura do Poder Executivo Federal, artigo 84, II, da CF/88, como um subordinado seu na Administração Púbica, atuando no mais longínquo rincão deste país no exercício da competência de julgamento poderia desfazer da lei, votada no Congresso Nacional, após trâmite e discussão no legislativo, com aval das comissões é órgãos de controle, além da constitucional exigência de sanção presidencial, ora certamente não é esse o desejo do ordenamento jurídico pátrio. Além do que, a Constituição Federal é clara no artigo 102, I, “a”, em dizer que tal mister é competência exclusiva do STF. Assim todas as assertivas da prejudicial de mérito não merecem acolhida, razão pela qual fizemos um brevíssimo resumo. No que se refere ao mérito verificase que não compete ao fisco fazer juízo de valor em relação ao quantum da pena, pois tal prerrogativa é do poder legislativo que valorou a conduta e estipulou a pena, conforme nossos tribunais já decidiram. TRIBUTÁRIO. ILÍCITO. NÃOEMISSÃO DE NOTA FISCAL. MULTA. INEXISTÊNCIA DE LACUNA LEGISLATIVA, DÚVIDA, EXAGERO OU TERATOLOGIA. REDUÇÃO PELO JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Hipótese em que os fatos e a norma local são incontroversos: a contribuinte deixou de emitir nota fiscal, mesmo tendo vendido e entregue a mercadoria a seu cliente. Só emitiu o documento após o início da fiscalização. A multa prevista na legislação local é de 30% sobre o valor do bem. 2. O Tribunal de origem reconheceu o ilícito e a aplicabilidade da multa, razão pela qual deu parcial provimento à Apelação do Estado, reformando a sentença que afastara a exigência. No entanto, entendeu inexistir máfé da contribuinte ou dano ao Erário, de modo que reduziu a multa de 30% para 5% do valor da mercadoria. 3. "Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (art. 136 do CTN). 4. Na hipótese dos autos, a emissão da nota fiscal somente ocorreu após o início da fiscalização, o que afasta a presunção de boafé, não havendo falar no benefício do art. 138, parágrafo único, do CTN. Ainda que assim não fosse, é pacífico o entendimento de que as sanções por infrações formais (entrega de declarações, emissão de documentos fiscais) não são Fl. 5DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 06/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA 6 afastadas pela denúncia espontânea. Precedentes do STJ. 5. A reprovabilidade da conduta é avaliada pelo legislador ao quantificar a penalidade prevista na lei. É por essa razão que às situações que envolvam fraude ou máfé são fixadas, não raro, multas muito mais gravosas que os 30% previstos pela legislação local. 6. Recurso Especial provido. (RESP 200901791123, HERMAN BENJAMIN, STJ SEGUNDA TURMA, 16/09/2010. (grifo meu). Nesta seara apenas cabe ao fisco aplicar a sanção estipulada na norma legal, em obediência ao artigo 37, caput, da CF/88 c/c o artigo 142, da lei 5.172/66. Cabe aos empresários decidirem o rumo de seus negócios. Não pode querer culpar a lei pelos seus dissabores na condução das atividades especialmente quando descumprem a lei. A inexistência de fins lucrativos da entidade e sua isenção de cota patronal não são justificativas para que esta descumpra a lei e atue da forma que bem entender, pois a isenção não a dispensa de cumprir as obrigações acessórias, deveres instrumentais. O entendimento de que não houve descumprimento da obrigação acessória, mas mero equivoco não condiz com a realidade dos fatos. Entregar o relatório anual de atividades a um órgão da Administração e mais a uma pessoa jurídica distinta, não pode ser considerado cumprimento da obrigação, pois o órgão recebedor nada teria para fazer com o relatório e a entidade que deveria ter recebido muito teria o que fazer com o relatório. Ademais como dito acima o relatório foi entregue ao CNAS órgão desprovido de personalidade jurídica e dentro da estrutura de uma órgão maior da União Federal, enquanto que o real interessado INSS autarquia federal com personalidade jurídica própria e competências definidas em lei, nada recebeu. A recorrente entende que nada tem demais tal circunstância, então, apenas para constar, poderia e pediria a recorrente a seu patrono ao intentar uma ação judicial ou se defenderem de uma, que apresentase a petição inicial ou a contestação, talvez, quem sabe na polícia federal no Acre ou no Ibama do Amazonas, afinal de consta o judiciário federal faz parte da União Federal, pois não tem personalidade jurídica própria e pelo pensamento do contribuinte não tem problema tal situação, pois o que importa é o órgão ou entidade faz parte do Estado lato sensu. Cada órgão e entidade têm suas competências e suas atribuições legais e seria um verdadeiro “samba do crioulo doido”, se fosse possível entregar no Ministério da Saúde, documento do Ministério das Minas e Tecnologia; no Ministério do Planejamento documento do Ministério do MeioAmbiente e assim por diante, cada qual em sua casa. Além do que, o artigo 209 do Regulamento da Previdência Social – RPS, apenso ao Decreto 3.048/99, determina o prazo, o local e o ente para a entrega do relatório. A forma não está suplantando a substância, pois remeter os documentos ao órgão correto e justamente parte da substância do ato, pois este órgão é o detentor da competência e não o outro. A equidade não é forma de afastamento da cobrança de tributos. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 06/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 36692.000970/200524 Acórdão n.º 280300.666 S2TE03 Fl. 93 7 Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Aliás nossos tribunais superiores, também, perfilham este entendimento. NA TRANSFERENCIA DA PROPRIEDADE DE IMÓVEIS, RESULTANTE DE CISAO PARCIAL, INCIDE O IMPOSTO DE TRANSMISSAO 'INTERVIVOS', SEGUNDO DECIDIU O ARESTO RECORRIDO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO QUE NÃO MERECE CONHECIMENTO, PORQUANTO O PARAGRAFO 3. , DO ART. 23, DA CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA, TIDO POR VIOLADO, NÃO FOI OBJETO DE APRECIAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA (SÚMULA 282 E 356). OUTROSSIM, O ARESTO BASEOUSE NA LEGISLAÇÃO ESTADUAL E, POR OUTRO LADO, FEZ REFERENCIA AO PARAGRAFO 2., DO ART. 108 DO CTN, SEGUNDO O QUAL NÃO SE PODE INVOCAR A EQUIDADE PARA AFASTAR A EXIGÊNCIA DO TRIBUTO DEVIDO. RAZOAVEL INTELIGENCIA DA LEI FEDERAL (SÚMULA 400). POR FIM, NÃO SE CONFIGURA DISSIDIO JURISPRUDENCIAL (SÚMULA 291). RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO CONHECIDO. (RE 111027, DJACI FALCAO, STF) TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ARREMATAÇÃO DE BEM PENHORADO PELO PODER JUDICIÁRIO. VALOR ADUANEIRO. ART. 20, III, DO CTN (VALOR DA ARREMATAÇÃO). INAPLICABILIDADE. 1. Recurso especial pelo qual a contribuinte busca recolher o imposto de importação com base no preço de arrematação (R$ 750.000, 00) e não no valor aduaneiro (R$ 1.679.448,40). No caso concreto o leilão foi promovido pelo Poder Judiciário para alienar bens penhorados em ação de execução, até então não nacionalizados, porquanto armazenados em regime de entreposto aduaneiro. 2. Regra geral, nos casos em que a alíquota for ad valorem (art. 20, II, do CTN, art. 2º, II, do DL 37/66, alterado pelo Decreto 2.472/88, e 89, II, do Regulamento Aduaneiro) a base de cálculo do imposto de importação corresponde ao preço real da mercadoria, que deve ser apurado pela autoridade aduaneira em conformidade com o art. VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (GATT). 3. A utilização do preço da arrematação como base de cálculo do imposto de importação restringese aos leilões promovidos pela autoridade aduaneira nos quais são alienados os bens abandonados e aqueles que sofrem apreensão liminar para posterior imposição de pena de perdimento (art. 20, III, do CTN e art. 63 do DecretoLei 37/66). 4. A situação apresentada pela recorrente em nada se assemelha, para fins de analogia, com a hipótese contemplada na lei tributária a que se busca equiparação, pois: a) não se trata de leilão realizado pela autoridade aduaneira, mas pelo Poder Judiciário; e b) não se cuida de mercadoria abandonada ou objeto de pena de perdimento, mas de mercadoria penhorada em ação de execução. 5. No caso dos autos não se verifica o proibido emprego de analogia pelo Fisco para cobrança de tributo a maior (art. 108, § 1º, do CTN), haja vista que a base de cálculo utilizada na hipótese dos autos (valor aduaneiro) encontra respaldo na legislação de regência. 6. O argumento da recorrente para justificar a equiparação da penhora à apreensão regulada pela lei tributária em comento, de que não é possível a utilização do valor aduaneiro, uma Fl. 7DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 06/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA 8 vez que ela é "mera arrematante de mercadoria em hasta pública", "totalmente alheia à transação comercial efetuada entre importador e exportador", encerra, em verdade, pedido de interpretação da lei tributária mediante juízo de equidade, o que é vedado para fins de dispensa (ou redução) do imposto devido, nos termos do art. 108, § 2º, do CTN. 7. Recurso especial não provido. (RESP 200802051614, BENEDITO GONÇALVES, STJ PRIMEIRA TURMA, 02/02/2010) (grifos meus) Desta forma, com os esclarecimentos acima não há razão jurídica para atender ao pedido de negativa de aplicação da norma, subtraindolhe a existência, validade e eficácia. Assim rejeito o pedido. Contudo, depreendese dos autos, as fls. 11 e 12, do protocolo 35027.000220/200532, Relatório de Atividade Anual de 2001, entregue em 2005, consta um AR, com data de postagem, em 30/04/2001, onde na declaração de conteúdo temse – DOCUMENTOS , tal AR é endereçado ao INSS – Setor de Arrecadação/Fiscalização, sendo recebido por Maria Cacilda Souza dos Santos mat. 0533626, com data de 02/05/2001. Ainda, neste protocolo, mas, as fls. 142, no despacho da lavra da Analista Previdenciária – Silvana Abreu Sampaio – item 2 ela diz: “ao caso presente, aplicase o art. 309 da IN 03 de 14/07/2005, que fixa data limite (até 30 de abril de cada ano) para a entrega do Relatório Anual relativo ao exercício anterior. Além disso, segundo o art. 311 da mesma IN, a falta de apresentação do Relatório Anual constitui infração à obrigação acessória.”, (grifo meu). Embora a entidade tenha sustentado que remeteu o relatório ao órgão incorreto por mero equivoco de postagem, tal assertiva não parece consentânea com os elementos do processo. Porém é verdade que não se sabe ao certo o que tal AR remeteu ao INSS, pois a expressão documentos e muito vaga. Mas milita a favor do ente a data de postagem 30/04 – último dia do prazo legal para a postagem do relatório, bem como o setor destinatário da remessa, ou seja, Setor de Arrecadação/Fiscalização e não outro qualquer do INSS e que são vários. Apesar disso tudo não há elementos suficientes para declarar o crédito improcedente, pois falta certeza quanto ao conteúdo da remessa, haja vista que comparandoo com o AR, de fls. 44, do protocolo 36692.000970/200524 remetido ao CNAS o conteúdo declarado é Relatório 2001, por que não seria o mesmo conteúdo para o INSS. No entanto o pedido sucessivo de relevação da multa merece um olhar diferenciado em razão de detalhes nos autos que chamam a atenção. Observase, ainda, mas desta feita no protocolo 36692.000970/200524, que contém o Auto de Infração 35.082.0686 em especial no Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 06 a 08, bem como da DN, de fls. 72 a 77, e, ainda, das contrarrazões, de fls. 80 a 84, a inexistência de menção quanto a não primariedade da recorrente e da ocorrência de agravantes. A entrega do Relatório de Atividades Anual de 2001, em 2005, pelo protocolo 35027.000220/200532, em 19/10/2005, conforme item 1, de fls. 142, deste protocolo antes da prolação da DN que se deu, em 10/03/2006, fls. 72 a 77, do protocolo 36692.000970/200524, nos termos do parágrafo 1°, e do, caput, do artigo 291, do Regulamento da Previdência Social – RPS, apenso ao Decreto 3.048/99, constituise em correção da falta. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 06/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 36692.000970/200524 Acórdão n.º 280300.666 S2TE03 Fl. 94 9 Assim sendo, embora não se tenha certeza se os documentos remetidos via AR seja o Relatório de Atividades de 2001. Não há dúvidas de que a empresa é primária, de que não houve agravante durante a ação fiscal, uma vez que não há no Auto de Infração informações em contrário. Ficou, também, comprovado que a entidade corrigiu a falta, pois entregou o relatório em 2005, protocolo 36692.000970/200524, antes da decisão da autoridade julgadora. A empresa, também, fez pedido de relevação, ainda, que implícito, pois este não precisa ser expresso, como abaixo transcrito. Quando o autuado não solicita expressamente a relevação da multa, mas utiliza pedidos genéricos, como, isenção da multa, cancelamento do auto de infração, deve a autoridade julgadora reconhecêlos como pedido de relevação, pois, em face do princípio da informalidade, não se deve exigir precisão técnica nas petições, porquanto, no processo administrativo, é dispensada a representação por intermédio de advogado. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por CONHECER DO RECURSO, porém afastando as prejudiciais de mérito suscitadas, para no mérito DARLHE PROVIMENTO, tendo em vista que estão presentes as condições para conceder a relevação da multa, nos termos do parágrafo 1°, do artigo 291, do RPS, em vigor à época da autuação e do recurso. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 06/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900543/2010-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 3302-001.428
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos em sobrestar o julgamento do processo na unidade de origem até a definitividade do processo nº 10865.002201/2010-13, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos em sobrestar o julgamento do processo na unidade de origem até a definitividade do processo nº 10865.002201/2010-13, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 00 54 3/ 20 10 -9 2 Fl. 194DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3302-001.428 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.900543/2010-92 Relatório Adoto e transcrevo relatório da decisão de primeira instância: Trata-se de Manifestação de Inconformidade em Pedido de Ressarcimento do IPI cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), com deferimento parcial. A parte indeferida deve-se à utilização incorreta da suspensão do Imposto, em saídas de produtos industrializados para empresa cujas atividades não estão dentre as que gozam do benefício. Segundo a Informação Fiscal que deu origem ao indeferimento parcial, ficou constatado que as vendas da empresa são feitas quase que na totalidade para as indústrias de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças destinadas para industrialização de produtos autopropulsados, com direito à suspensão do IPI, que tem previsão legal no artigo 5º da Lei nº 9.826, de 23/08/1999, e no art. 29 da Lei 10.637, de 30/12/2002, disciplinado pela IN RFB nº 948, de 15/06/2009. Todavia, a empresa efetuou algumas vendas para empresas das posições 9418 e 9402 cujas atividades não estão dentre as que gozam da suspensão citada. Em relação a estas vendas foi elaborada a planilha denominada VENDAS COM IPI, que contém o número das notas fiscais, bases de cálculos e os valores devidos mensalmente, de acordo com a tabela TIPI do mês da ocorrência do fato gerador, tendo sido utilizada a alíquota de 5% para os produtos que tem a TIPI 7326.9090, 8431.4929, 8432.2900, 8432.9000, 9402.1000 e 9402.9090, e de 8% para a classificação TIPI 9018.4999, tudo conforme a referida Informação, que também noticia a existência de Auto de Infração para os débitos apurados em face da suspensão indevida (referência ao processo nº 10865.002201/2010-13). Na Manifestação de Inconformidade, tempestiva, a contribuinte alega preliminarmente a nulidade do Despacho Decisório, “posto não restar devidamente motivado, impedindo o exercício pleno do direito da Requerente ao Devido Processo Legal e Contraditório”. Reportando-se à doutrina de Miguel S. Marienhoff, Lúcia Vale Figueiredo, Eduardo Domingos Bottallo, Celso Antonio Bandeira de Melo e Vicente Raó, Pinto Ferreira, J. J. Gomes Canotilho e Jorge Miranda e, dentre outros, menciona os art. 5º, LIV e LV da Constituição e afirma ter havido cerceamento do direito de defesa, “uma vez que o despacho decisório foi proferido sem qualquer explicitação e detalhamento acerca do não reconhecimento dos créditos, impossibilitando, de fato e de direito, o pleno exercício do direito de defesa da requerente.”. E continua (negritos no original): Isto porque, caberia à fiscalização, além do encaminhamento do despacho decisório lavrado, também apresentar ao contribuinte o que, normalmente, denomina-se de termo de verificação fiscal, documento onde se relata a fiscalização realizada, os motivos fáticos e jurídicos que deram azo ao lançamento, bem como planilhas com os valores a serem lançados, explicitando-se, claramente, o porquê da desconsideração do crédito do contribuinte, bem como documentos e esclarecimentos prestados. Transcreve, então, ementa e parte do voto do Acórdão nº 106-14388, ementa de um segundo acórdão (nº 102-22.237, citado indiretamente, apud obra de Alberto XAVIER) e ainda de um terceiro julgado (sem o número do aresto), reiterando ter havido cerceamento de defesa e violação ao devido processo legal, “uma vez que o lançamento não descreve claramente as razões fáticas e jurídicas da exigência de suposta diferença de tributo, principalmente, ao desconsiderar repentinamente a declaração do contribuinte.” No mais, a Impugnante contesta a aplicação da taxa Selic, tida como ilegal e inconstitucional quando adotada como “supostos juros ‘moratórios’”. Fl. 195DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3302-001.428 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.900543/2010-92 Requer, ao final, seja homologada inteiramente “as compensações efetuadas no limite dos créditos da Requerente através da PER/DCOMP em referência.” Em 29/01/2014, a DRJ/REC julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 SUSPENSÃO. SAÍDAS PARA ADQUIRENTES QUE NÃO ATENDEM ÀS CONDIÇÕES DO BENEFÍCIO. COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO PARCIAL. A saída de mercadorias com suspensão do IPI para adquirentes que não atendem às condições do incentivo importa na exigência do Imposto ao remetente, pelo que se indefere a parcela correspondente do ressarcimento cujo saldo credor foi apurado pelo contribuinte levando em conta tal suspensão, não se homologando a compensação na mesma proporção. JUROS DE MORA. SELIC. LEGALIDADE. Nos termos do art. 161, § 1º, do CTN, apenas se a lei não dispuser de modo diverso os juros serão calculados à taxa de 1% ao mês, sendo legítimo o emprego da taxa SELIC, nos termos da legislação vigente. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. Argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade constituem matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, não sendo utilizadas como fundamento em decisões deste Processo Administrativo Fiscal. DESPACHO DECISÓRIO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA E ENQUADRAMENTO LEGAL CORRELATO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE NÃO CARACTERIZADA. Não resta caracterizado qualquer vício a suscitar a nulidade da decisão administrativa contestada, quando esta contém motivação regular, sem qualquer omissão ou contradição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado da decisão, em 01/04/2014, consoante Aviso de Recebimento constante dos autos, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, tempestivo, em 17/04/2014, consoante carimbo aposto na folha de rosto do recurso, no qual criticou as razões de decidir do acórdão guerreado, e reprisa as alegações da manifestação de inconformidade – nulidade do despacho decisório, por cerceamento do direito de defesa, e irresignação com a taxa de juros Selic. Por fim, requer a procedência do recurso voluntário e anulação do lançamento tributário (sic). Posteriormente, o expediente foi encaminhado a esta Turma ordinária para julgamento. É o relatório. Fl. 196DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3302-001.428 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.900543/2010-92 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Ab initio, vale apontar que o Auto de Infração para os débitos apurados em face da suspensão indevida (processo nº 10865.002201/2010-13) também se encontra para julgamento na mesma sessão dos processos referentes às compensações não homologadas (processos nº 10865.900541/2010-01, 10865.900544/2010-37, 10865.900542/2010-48, 10865.900540/2010-59 e 10865.900543/2010-92), e por conta da relação de prejudicialidade daquele ante os demais, deve ser julgado previamente. Bem por isso, o julgamento dos aludidos processos das compensações não homologadas deve ser sobrestado até a definitividade do processo nº 10865.002201/2010-13. Como em sede de recurso voluntário nada de novo veio aos autos, os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade foram esgrimidos mais uma vez: nulidade do despacho decisório, por cerceamento do direito de defesa, e irresignação com a taxa de juros Selic. Cumpre apenas enfrentar a preliminar de nulidade do despacho decisório, o que pode ser feito com a reprodução da decisão recorrida, que adoto, por escorreita, nos termos do art. 50, § 1º da Lei 9.784 e art. 57, § 3º do RICARF : Tal nulidade deve ser rejeitada, contudo, porque ao contrário do defendido na Manifestação de Inconformidade a fundamentação do Despacho Decisório não contém mácula. Embora sucinto, informa na sua fundamentação o valor do crédito de IPI solicitado e o do reconhecido, este inferior àquele, e explica que a redução do saldo credor passível de ressarcimento resulta de débitos apurados em procedimento fiscal. A Informação Fiscal com base na qual foi prolatado o Despacho Decisório, por sua vez, descreve claramente as razões fáticas e jurídicas do indeferimento parcial em questão, contemplando o seguinte b) Durante a fiscalização para averiguação da origem do direito aos créditos do IPI, pela entrada de insumos e real valor dos débitos nas saídas dos produtos, examinei as notas fiscais de entradas com direitos ao crédito e as notas fiscais de saídas, onde ficou constatado que as suas vendas são feitas quase que na totalidade para as indústrias de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças destinadas para industrialização de produtos autopropulsados, com direito à suspensão do IPI,que tem previsão legal no artigo 5º da Lei nº 9.826, de 23/08/1999, e o art. 29 da Lei 10.637, de 30/12/2002, disciplinado pela INRFB nº 948, de 15/06/2009, propiciando assim saldos credores nos finais dos períodos de apurações. c) Ficou constatado também que a empresa efetuou algumas vendas para empresas das posições 9418 e 9402, cujas atividades não estão dentre as que gozam da suspensão acima citada. Para essas vendas apurei na planilha do excel que será anexada a esta Informação Fiscal, denominada “ VENDAS COM IPI” que contem o número das notas fiscais, bases de cálculos e o valores devidos mensalmente, de acordo com a tabela TIPI do mês da ocorrência do fato gerador. Foi utilizada a alíquota de 5% para os produtos que tem a TIPI 7326.9090, 8431.4929, 8432.2900, 8432.9000, 9402.1000 e 9402.9090; e 8% para a TIPI 9018.4999. Na planilha VENDA COM IPI constam as atividades dos seis clientes cujas vendas não são passíveis de suspensão. Observe-se: (...) Fl. 197DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3302-001.428 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.900543/2010-92 Nessa mesma planilha constam ainda, ao lado do CNPJ e nome de cada um dos seis adquirentes da contribuinte, as notas fiscais de venda da contribuinte, com respectivas datas e valor, sobre o qual aplicou a alíquota de 5% ou 8% (a depender da classificação fiscal dos produtos) para obter o IPI devido que a contribuinte, indevidamente, suspendeu. Vê-se, então, que a Informação Fiscal, em conjunto com a planilha VENDAS COM IPI (fls. 16/21), não deixam dúvida quanto à motivação do indeferimento parcial. E ambos integram o Despacho Decisório, sendo que todos são conhecidos pela contribuinte, que, além do mais, podia requerer vista dos autos a qualquer momento, caso julgasse necessário ou conveniente à elaboração da sua Inconformidade. Além do mais, podia realizar consultas na internet, como esclarecido no Despacho Decisório, que informa: Para informações sobre a análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada e identificação dos PER/DCOMP objeto da análise, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Quanto aos Acórdãos citados na Manifestação de Inconformidade, não socorrem a contribuinte. O primeiro, de nº 106-14388, cuida da ausência de ciência do termo de verificação fiscal, como a própria ementa indica e o voto destaca (inteiro teor disponível em http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenc iaCarf. jsf, consulta em 22/01/2014), enquanto os outros dois falam da necessidade de o contribuinte conhecer a motivação dos lançamentos de ofício, todos tratando de hipóteses diversas da situação destes autos porque aqui, como já demonstrado acima, inexiste dúvida quanto ao fundamento do Despacho Decisório. Diante da motivação assentada no Despacho Decisório não merece acolhida a arguição de cerceamento do direito de defesa, pelo que rejeito a preliminar de nulidade. (...) Quanto à questão do sobrestamento do presente processo de compensação, quando depender de decisão definitiva de outro processo (prejudicial - Auto de Infração para os débitos apurados em face da suspensão indevida), como é o caso dos autos, penso que a necessidade para tanto já foi devidamente fundamentada anteriormente. Nessa moldura, voto pelo sobrestamento deste expediente, na unidade de origem, até a definitividade do processo nº 10865.002201/2010-13, momento em que deverá ser elaborado Relatório Fiscal que contemple o reflexo do desfecho daquele processo no que se refere aos créditos discutidos no presente processo, ou seja, que se apure a existência, ou não, de saldo credor suficiente para a compensação encetada, e em que medida. Ato seguido, deve ser facultado à recorrente, no prazo de trinta dias, oportunidade para se pronunciar sobre o Relatório Fiscal, em prestígio do contraditório e ampla defesa, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Ao final do prazo, com ou sem pronunciamento, retornem os autos ao CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 198DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 14474.000030/2007-39
Data da sessão: Tue Mar 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Mar 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do Fato Gerador: 13/12/2006
ARTIGO 32, II DA LEI N.° 8.212/1991 C/C ARTIGO 283 II, "a" DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.° 3.048/99. CONTABILIZAÇÃO EM
TÍTULOS PRÓPRIOS.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 32, II da Lei n.° 8.212/91 c/c artigo 225, II, e parágrafos do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-000.011
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente VISIONNAIRE INFORMÁTICA S/A Recorrida DELEGACIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA EM CURITIBA-PR. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 13/12/2006 ARTIGO 32, II DA LEI N.° 8.212/1991 C/C ARTIGO 283 II, "a" DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.° 3.048/99. CONTABILIZAÇÃO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, II da Lei n.° 8.212/91 c/c artigo 225, II, e parágrafos do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). HELTON • L • S DE LIMA — Presidente OLIVEIRA - Relator /I 1 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Oséas Coimbra Júnior,Vera Kempers de Moraes Abreu (Suplente), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas (Suplente) e Helton Carlos Praia de Lima (Presidente) Relatório O presente Auto de Infração - AI tem por objeto o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória prevista em lei. Irresignada com a autuação, a empresa apresentou impugnação, fls. 25 a 34. O lançamento da multa foi confirmado pela Decisão Notificação, de fls. 110 a 118. Não concordando novamente o sujeito passivo com a decisão do órgão previdenciário, aquele interpôs recurso voluntário, como consta, as fls. 128, com Razões Recursais, as fls. 130 a 142. A empresa não realizou o depósito prévio, solicitando sua substituição por Arrolamento de Bens, fls. 140, negado pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba, fls. 149 a 152. Desta forma a empresa impetrou o MS n° 2007.70.00.021156-1 PR, no qual obteve liminar, fls 155 e 156, para o processamento do recurso sem o depósito recursal. É o Relatório. Voto Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme AR, de fls. 122, e envelope de correspondência, de fls. 127. Não havendo questões preliminares ou prejudiciais, passo para o exame do mérito. O ponto controverso reside na incidência ou não de contribuições sobre os valores pagos aos segurados, por meio da utilização da sociedade empresária Incentive House S.A, o qual foi objeto de análise na NFLD lavrada no âmbito da mesma ação fiscal. No nosso entendimento não houve equivoco por parte da autoridade lançadora nem por parte da autoridade julgadora de primeiro grau, pois para o deslinde da questão ambas observaram e realizaram a imprescindível análise do campo de incidência das contribuições previdenciárias. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entende-se como salário de contribuição, o que a seguir é demonstrado e que foi objeto do processo principal. Entende- se por salário-de-contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a foinia de utilidades e para os contribuintes individuais entende-se por salário-de-contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, nestas palavras: Art.28. Entende-se por salário-de-contribuição: 1- para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos 2$ Processo n° 14474.000030/2007-39 82-TE03 Acórdão n.° 2803-00.011 Fl. 2 pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10/12/97). - omissis. III- para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o ,sÇ (Redação dada pela Lei n° 9.876, de 1999). PARECER/CJ N° 2.952 ASSUNTO: Fato Gerador da Contribuição Previdenciária.Aprovo. Publique-se.Em, 16 de janeiro de 2003. RICARDO BERZOINI. EMENTA: SEGURIDADE SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DA EMPRESA E CONTRIBUIÇÃO DO EMPREGADO. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA COM A EFETIVA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. O fato gerador da contribuição previdenciária da empresa incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos e contribuição do empregado sobrevém com a efetiva prestação do serviço, quando surge para a empresa o dever de remunerar o trabalhador. Inteligência dos artigos 22, inciso I, 28 e 30, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. (destaques nosso) Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Cabe destacar nesse ponto, que os conceitos de salário e de remuneração não se confundem. Enquanto o primeiro é restrito à contraprestação do serviço devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, em virtude da relação de emprego; a remuneração é mais ampla, abrangendo o salário, com todos os componentes, e as gorjetas, pagas por terceiros. Nesse sentido é a lição de Alice Monteiro de Barros, na obra Curso de Direito do Trabalho, Editora LTR, 3' edição, página 730. O salário pode ser pago em dinheiro, bem como em utilidades, como alimentação, vestuário, habitação, ou outras prestações in natura. Logo, a verba paga no presente caso não se enquadra no conceito utilidade, como alega a recorrente, pois dinheiro não se subsume ao conceito de utilidade para fins do que seja considerado salário. Desse modo, a questão da habitualidade para fins de incidência de contribuições previdenciárias somente é relevante quando a parcela paga não for em dinheiro. il- 3 O dinheiro é a ferramenta de troca universal, e logicamente por meio de tal recurso, o beneficiário conseguirá satisfazer as suas necessidades básicas; conforme a disponibilidade financeira escolherá o bem que lhe convier. O pagamento para o trabalho não acarreta um rendimento para o trabalhador, um ganho ou uma vantagem para o mesmo. São valores despendidos pelo empregador e utilizados pelo trabalhador como imprescindíveis para a realização do trabalho. Não há provas nos autos de que os valores tenham sido pagos para que o trabalho fosse possível. Pelo contrário, há provas de que os segurados receberam os valores, obtendo assim um ganho econômico, uma vantagem financeira, em função de serviços que foram prestados à recorrente. Portanto, foram valores pagos pelo trabalho realizado, sendo uma retribuição pelos mesmos. O pagamento é atrelado ao cumprimento de certas metas e condições imposta pela recorrente. O critério que a sociedade empresária utilizou para pagar a verba a seus segurados é irrelevante para o deslinde da questão. Os prêmios se caracterizam por atendimento a determinadas condições impostas pelo empregador, possuindo natureza remuneratória, integrando o salário-de- contribuição.Caso a empresa tenha pago os valores sem observar as condições estabelecidas, tais verbas não deixam de ter natureza remuneratória, para passarem a ter natureza indenizatória. Como já analisado a empresa não demonstrou que as verbas foram pagas para o trabalho e não pelo trabalho. Além do mais, o nome dado à verba é irrelevante, o que interessa é saber se a mesma remunerou ou não o trabalho realizado. No presente caso, não resta dúvidas que este era o papel do sistema de prêmios, a partir das provas colacionadas, de que a verba foi paga pelo trabalho em retribuição ao trabalho ou serviço prestado. No presente caso, é inconteste de que houve prestação de trabalho e serviço à sociedade empresária pelos segurados empregados e contribuintes individuais, e os valores pagos estão no campo de incidência tributária, por remunerarem as atividades citadas. Uma vez que a notificada remunerou segurados, deveria efetuar o recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. O fato de os valores serem repassados por uma interposta empresa, no caso a Incentive House S.A., não desnatura o fato gerador de contribuições previdenciárias em relação à recorrente. O encargo financeiro foi suportado pela recorrente, conforme demonstram as notas fiscais juntadas pela fiscalização; a Incentive House simplesmente cumpria as determinações da recorrente, que informava os valores que deveriam ser disponibilizados aos segurados, bem como a relação nominal dos mesmos. Os valores percebidos pelos segurados surgiram em função do vínculo com a recorrente e não de vinculação com a Incentive House. Também os tribunais pátrios entendem que a pagamento de prêmios são base de cálculo da contribuição previdenciária, senão vejamos: TRF2 AC199751010175528 AC - APELAÇÃO CIVEL - 341935 TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. CINCO ANOS A PARTIR DO FATO GERADOR. ART. 150, §4 0, CTN. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE SIMULAÇÃO, DOLO OU FRAUDE. PRECEDENTES. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁ RIAS. BASE DE CÁLCULO. AJUDA DE CUSTO ALUGUEL. AUXÍLIO CRECHE/BABÁ. PRÊMIO DE PRODUÇÃO. PARTICIPAÇÃO DE LUCROS. 1() 4 Processo n° 14474.000030/2007-39 82-TE03 Acórdão n.° 2803-00.011 Fl. 3 3. O prêmio desempenho faz parte da remuneração paga a seus empregados, devendo incidir contribuição previdenciária sobre essa rubrica. (grifo do relator) Diferentemente do que diz o recorrente não há deficiência de fundamentação na decisão de primeiro grau que não reconheceu a relevação da multa, haja vista que a própria legislação era clara ao . estabelecer os quatro requisitos necessários a concessão da relevação, ou seja, a) pedido dentro do prazo de defesa; b) correção da falta; c) primariedade; d) não ocorrência de circunstâncias agravante. A autoridade julgadora de primeiro grau deixou claro que não concedeu a relevação, pois não ocorreu a correção da falta, o que é fundamentação suficiente, uma vez que a correção da falta no caso concreto só poderia ocorrer com a apresentação de nova contabilidade com o devido lançamento em títulos próprios. No que tange ao valor da multa novamente andou bem a autoridade lançadora e a julgadora de primeira instância, uma vez que de acordo com a legislação aplica-se o valor da multa devidamente reajustado pelos mesmos índices e nas mesmas datas dos beneficios da previdência social, o que no ano de 2006 se deu pela MP 316/2006 convertida na Lei 11.430/2006, o que atende a exigência legal. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO. É o voto. Sala das Sessões, em 23 de março de 2010. lãè11dIDO E-GEWETICA=Rêtator.- 5 de R 0- CO • 47'• Foka MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVOADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO — TERCEIRA CÂMARA SCS — QD. 01 — BL. "J" — ED. ALVORADA — 12° ANDAR — CEP 70396-900 — BRASÍLIA — DF Home Page: https://carf. fazenda.gov.br TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no artigo 11, inciso VII, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, a tomar ciência do presente Acórdão às fls. Brasília, 25 de março de 2010 Patricia Vieida Proença e Silva Chefe da Secretaria 3' Camara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Sem Recurso [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 36048.000018/2006-14
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/1999 a 28/02/2005
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para. a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato
gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento.
SAT. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTA REFERENTE AO GRAU DE RISCO DE ACIDENTE DO TRABALHO PREPONDERANTE DA EMPRESA, NÃO PELO ESTABELECIMENTO.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-000.305
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1999 a 28/02/2005 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para. a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. SAT. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTA REFERENTE AO GRAU DE RISCO DE ACIDENTE DO TRABALHO PREPONDERANTE DA EMPRESA, NÃO PELO ESTABELECIMENTO. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para. a constituição dos créditos previdencidrios é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. SAT. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTA REFERENTE AO GRAU DE RISCO DE ACIDENTE DO TRABALHO PREPONDERANTE DA EMPRESA, NÃO PELO ESTABELECIMENTO. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). DE LIMA - Presidente. GUS 0 VETTORATO - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). Relatório 0 presente Recurso Voluntário apreciado busca a reforma da decisão proferida em primeira instância de julgamento administrativo (fls. 224-232), que julgou como totalmente procedente o lançamento constituído pela NFLD Debcad n. 35.754.949-3 (fls. 01- 189). A retro indicada NFLD constituiu créditos tributários oriundos da incidência das contribuições securitárias (previdencidrias - SAT e Contribuintes Individuais - e à terceiras entidades (SEBRAI)) sobre verbas pagas pela Recorrente aos seus empregados, contribuintes individuais(autônomos) e cooperativas. Os créditos lançados referem-se às competências de 08/1999 a 02/2005, apurados em ação fiscal do período de apuração de 08/1999 A. 02/2005, e tomou por fonte de dados Folhas de Salário, GRPS,GFIP, CNIS, e outros, conforme Relatório Fiscal e demais demonstrativos constantes nos autos(fls. 185-189). A cientificação da NFLD foi em 16.12.2005 (fls. 1) Em face da supra indicada NFLD, a Recorrente apresentou sua peça de impugnação apresentando as seguintes alegações em sua defesa: inconstitucionalidades do prazo para defesa, decadência qüinqüenal, que a aliquota do SAT deve ser apurada por estabelecimento, e requereu prova pericial. Os autos seguiram para julgamento de primeiro grau administrativo, originando a decisão recorrida que negou provimento à impugnação, mantendo totalmente o lançamento. Resumidamente a decisão a quo entendeu: o prazo de defesa é determinado por lei, que o prazo de decadência é decenal, não sendo necessário perícia bem como não houve motivos e quesitos da mesma, e por final que a aliquota do SAT é determinada pela atividade preponderante da empresa.. Ao tomar ciência da decisão (fls. 237), a Recorrente apresentou Recurso Voluntário tempestivamente (fls. 242-270), em que repetiu as razões da impugnação em petição avulsa informou sobre a Súmula 08 do STF, quanto A aplicação do prazo quinquenal de decadência (fls.304). 0 processo foi remetido h. presente 3a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento do Conselho de Recursos Administrativos Fiscais do Ministério da Fazenda — CARF/MF, para apreciação e julgamento. Este é o relatório. 2 Processo n°36048.000018/2006-14 82-TE03 Acórdão n.° 2803-00.305 Fl , 346 Voto Conselheiro GUSTAVO VETTORATO, Relator 0 recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. 1. Primeira questão preliminar, quanto A. irrazoabilidade e inconstitucionalidade do prazo de apresentação de defesa de 15(quinze) dias, estabelecido no art. 37, §1 0, da Lei n. 8.212/1991, vigente h. época do lançamento, não merece acolhimento. Isso em razão de tal prazo estar em consonância ao principio da legalidade, bem como pela impossibilidade do CARF poder afastar aplicação de lei ou decreto sob a alegação de inconstitucionalidade, nos casos especificados no art. 62, do seu Regimento Interno. 2. Quanto à segunda questão preliminar, em face 5. análise do Recurso e dos autos do processo, atenta-se â. extinção dos créditos constituídos em razão da ocorrência de decadência, contudo por outros motivos, indiferente de futuros vícios ou nulidades que venham ser apontadas. 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado e obrigatório à administração pública, emitiu a Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, que pacificou o entendimento da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplica-la. Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderd, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e c'z administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Observe-se a NFLD é referente às fatos geradores não declarados em instrumentos próprios nos períodos de 08/1999 a 02/2005. Neste caso, apesar da natureza das contribuições tendentes ao lançamento por homologação, mas que os créditos foram levantados por meio de arbitramento, apuração em outros documentos, em face da não localização dos mesmos, o que torna-o em lançamento por oficio (art. 150, §4°, e 149, CF/1998), devendo-se 3 Lí GT.'S VETTO T e -) seguir o disposto no art. 173, I, c/c art. 156, inciso V, do CTN, contando o prazo de 5(cinco) anos do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Atente-se ao fato que o dia de ciência da NFLD foi 16.12.2005, assim estarão extintos os créditos oriundos da incidência da norma tributária sobre fatos geradores anteriores 1°/01/2000, ou seja, a decadência operou em todos os créditos constituídos nas competências anteriores à 11/1999, incluindo essa e a 13/1999. 3. Quanto ao pedido de perícia, a decisão a quo acertadamente demonstrou os motivos de seu indeferimento, pois os elementos probatórios estavam bem demonstrados nos autos, especialmente na NFLD combatida. A perícia tem a função de esclarecer fatos que não são possíveis de se observarem caso não houve-se a sua clara verificação com os elementos trazidos. (art. 18, do Decreto n. 70.235/1972) Acresce-se aos seus argumentos da decisão a quo, que conforme o art. 16, IV,§1°, do Decreto n. 70.235/1972, é claro em determinar que para a perícia ser deferida o seu pedido dever ser feito na peça de impugnação ou defesa, acompanhado de justificação, indicação dos quesitos, e identificação do perito que a Impugnante pretende indicar. 0 que não ser verificou nos autos. Dessa forma, não prospera o inconformismo da recorrente. 4. No mérito, quanto à aplicação das aliquotas do Seguro de Acidente do Trabalho — SAT, conforme o art. 22, II, da Lei n. 8.212/1991, a Recorrente alega que as aliquotas deveriam ser determinadas individualmente por estabelecimento. A decisão recorrida fundamentou a negativa a tal alegação devido ao texto da lei deixar expresso que a determinação da aliquota da contribuição por grau de risco ir á considerar a atividade preponderante da empresa, e não pela atividade preponderante de cada um de seus estabelecimentos. Apesar de parte da jurisprudência dos tribunais brasileiros entenderem como aplicável a interpretação da Recorrente, a mesma não pode ser aplicada pelo CARF, por força do art. 62, do seu Regimento Interno do CARF, devido a impossibilidade de afastar a aplicação de lei ou decreto sob a alegação de inconstitucionalidade. Atenta-se que o art. 22, II, a, b, c, da Lei n. 8.212/1991 e o art. 202, do Decreto n. 3048/1999, são expressos em estabelecer que a determinação das aliquotas relativas ao grau de risco levará em consideração a empresa como um todo, não cada estabelecimento individualmente, observando o número de seus funcionários em cada atividade, prevalecendo aquela atividade que tem o maior número de funcionários. Esse entendimento atende ao principio da legalidade tributária, conforme a jurisprudência do CARF e do Poder Judiciário (Acórdão n. 205-00.445, Rel. Cons. Marcelo Oliveira, 5a Cam. do 2° Cons. de Contribuintes, julg. 14.03.2008) 5. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso do notificado, para no mérito CONCEDER-LHE PARCIAL PROVIMENTO, reformando a decisão recorrida e a NFLD apenas para reconhecer a decadência dos créditos tributários constituídos com base na competências de 11/1999, incluindo a competência de 13/1999, e anteriores. Sala das Sessões, em .18 dé outubró de 2010 4
score : 1.0
Numero do processo: 10540.000046/2003-26
Turma: Segunda Turma Especial
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2008
Ementa: mposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1998
PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
No exercício de 1998, a exclusão das áreas declaradas como preservação permanente e de utilização limitada, para efeito de apuração do ITR, não estava condicionada ao reconhecimento dessas áreas pelo Ibama ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), e/ou comprovação de protocolo de requerimento desse ato junto àqueles órgãos, por falta de previsão legal.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO.
A área de utilização limitada (reserva legal) que se encontra devidamente comprovada nos autos por meio de averbação no registro da matrícula do imóvel, mesmo sendo esta efetuada após a data da ocorrência do fato gerador, deve ser excluída da área tributável para efeito de cálculo do ITR.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 392-00.043
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS - Relator ad hoc
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ementa_s : mposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1998 PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. No exercício de 1998, a exclusão das áreas declaradas como preservação permanente e de utilização limitada, para efeito de apuração do ITR, não estava condicionada ao reconhecimento dessas áreas pelo Ibama ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), e/ou comprovação de protocolo de requerimento desse ato junto àqueles órgãos, por falta de previsão legal. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. A área de utilização limitada (reserva legal) que se encontra devidamente comprovada nos autos por meio de averbação no registro da matrícula do imóvel, mesmo sendo esta efetuada após a data da ocorrência do fato gerador, deve ser excluída da área tributável para efeito de cálculo do ITR. Recurso Voluntário Provido.
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ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. No exercício de 1998, a exclusão das áreas declaradas como preservação permanente e de utilização limitada, para efeito de apuração do ITR, não estava condicionada ao reconhecimento dessas áreas pelo Ibama ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), e/ou comprovação de protocolo de requerimento desse ato junto àqueles órgãos, por falta de previsão legal. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. A área de utilização limitada (reserva legal) que se encontra devidamente comprovada nos autos por meio de averbação no registro da matrícula do imóvel, mesmo sendo esta efetuada após a data da ocorrência do fato gerador, deve ser excluída da área tributável para efeito de cálculo do ITR. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. assinado digitalmente Hélcio Lafetá Reis - Redator ad hoc. Fl. 126DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0117.16025.6KTN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10540.000046/2003-26 Acórdão n.º 392-000.043 S3-TE02 Fl. 127 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando (Presidente), Luiz Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado (Relator), Maria de Fátima Oliveira Silva e Francisco Eduardo Orcioli Pires e Albuquerque Pizzolante. Relatório O contribuinte Izidoro Jacir interpôs Recurso Voluntário contra o Acórdão n° 16.005, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que julgou procedente o lançamento efetuado. Por bem explicitar os fatos ocorridos até o momento da análise da Impugnação, adota-se o relatório da autoridade julgadora de primeira instância: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, exercício 1998, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Santa Luzia", localizado no município de Cocos - BA, com área total de 15.669,0 ha, cadastrado na SRF sob o n° 1.089.197-8, no valor de R$ 5.036,26, acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 22/12/2002, perfazendo um crédito tributário total de R$12.520,64. Ciência do lançamento em 14/01/2003, conforme AR de fl. 40. Informa sobre os termos da Intimação Fiscal. Concorda com a exigência dos documentos relativos à averbação da reserva legal. Não considera cabível a exigência do ADA do Ibama para comprovar a área de preservação permanente, vez que a lei não exige. Alega que o Ibama não emite ato declaratório com essa finalidade. O auto de infração contrariou o disposto no artigo 10 da Lei n° 9.393, de 19/12/96, ao não considerar as áreas de reserva legal e de preservação permanente para fins do cálculo do ITR. Nessa situação o Valor da Terra Nua Tributável foi considerado idêntico ao Valor da Terra Nua, originando imposto suplementar. Os documentos comprobatórios do levantamento e da averbação da reserva legal somente foram apresentados à Fiscalização em 19/12/2002, por esse motivo não foram considerados na lavratura do auto de infração. Mesmo assim não concorda com o valor do imposto lançado. Requer que se recalcule o tributo. Informa que a averbação solicitada da área de reserva legal foi providenciada. Apresenta Relatório Técnico referente ao detalhamento das Áreas de Preservação Permanente. Requer a retificação do valor do crédito tributário apurado relativo ao ITR/1998, de modo a adequar seu valor à verdade dos fatos e às disposições legais." Fl. 127DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0117.16025.6KTN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10540.000046/2003-26 Acórdão n.º 392-000.043 S3-TE02 Fl. 128 3 Tempestivamente oferecida a impugnação, esta não restou acolhida, nos termos do Acórdão DRJ/REC nº 16.005, fls. 64 a 72 (do processo digital), que possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício. 1998 Ementa: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A exclusão de área como de preservação permanente da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento dela pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), ou à comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento delas pelo Ibama ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), ou à comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A exclusão da área de reserva legal da tributação pelo ITR depende de sua averbação à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador. Lançamento Procedente Cientificado da decisão de primeira instância, o sujeito passivo interpôs o Recurso Voluntário ora em análise. O principal argumento de defesa do Recorrente é o de que a inclusão, pelo Fisco, das áreas de preservação permanente e de utilização limitada na base de cálculo do ITR foi indevida, pois fundamentada na falta de apresentação do ADA (expedido pelo Ibama), exigência que não encontra amparo legal, e na averbação da reserva legal após a ocorrência do fato gerador, o que não justifica a tributação da área isenta. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fl. 122, nos termos do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, incumbiu-me o Presidente Substituto da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF a formalizar o presente acórdão, dado que o relator original, Luiz Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado, não apresentou seu voto e não mais integra nenhum dos Colegiados do CARF. O presente voto foi elaborado com base no resultado constante da ata de julgamento, tendo-se em conta a jurisprudência do então 3º Conselho de Contribuintes. Fl. 128DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0117.16025.6KTN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10540.000046/2003-26 Acórdão n.º 392-000.043 S3-TE02 Fl. 129 4 O recurso foi tempestivo e atendeu aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele se tomou conhecimento. Quanto à exigência de Ato Declaratório Ambiental (ADA), até a entrada em vigor da Lei n° 10.165/2000, a isenção do ITR em decorrência da existência de áreas de preservação permanente e de reserva legal estava vinculada às exigências contidas na legislação então vigente, que não especificava o ADA como documento indispensável à fruição da isenção. Na data de ocorrência do fato gerador, no presente feito, eram as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que impunham ao contribuinte a apresentação do ADA, e estabeleciam o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA. Em respeito ao princípio da legalidade, torna-se inexigível o ADA no exercício de 1998, antes, portanto, da vigência da Lei n° 10.165/2000, como condição para reconhecimento da existência de áreas de preservação permanente e de reserva legal. No que diz respeito à averbação da área de reserva legal, importa esclarecer que o contribuinte apresentou a averbação solicitada pelo Fisco (fl. 38/40). Contudo, como a averbação foi efetuada em 17/12/2002, ou seja, posteriormente à ocorrência do fato gerador (01/01/1998), tal averbação não foi acatada pela fiscalização. Há inúmeros precedentes no CARF que adotam o entendimento de que a comprovação da existência da área de utilização limitada (reserva legal) não está condicionada à sua averbação no registro de matrícula do imóvel, podendo ser comprovada a sua existência por meio de outras provas idôneas, tal como a apresentação de Laudo Técnico revestido de formalidades que lhe atribua valor probatório inconteste, bem como por meio de ADA, mesmo tendo sido este protocolizado em data posterior à prevista no art. 10, III, e § 4º da IN SRF n° 43/1997, com a redação dada pela IN SRF n° 67/1997. Assim, razão assiste ao contribuinte nestes autos, que apresentou documento idôneo de comprovação da existência da área de reserva legal, qual seja, a averbação no registro imobiliário e ART (fls. 38/45), mas que foi desconsiderada pelo Fisco e pela autoridade julgadora tão somente em função da data em que foi efetuada a referida averbação. Cabe salientar que a área de utilização limitada não passou a existir somente a partir da data em que foi averbada, antes pelo contrário, tal formalidade serviu apenas para declarar uma situação fática preexistente, razão pela qual não cabe atrelá-la à data de seu registro no cartório. Como exemplos que corroboram esse entendimento, merecem transcrição as ementas das seguintes decisões: Acórdão 303-31.657 ITR/97. AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. A fiscalização deu-se por satisfeita quanto à comprovação da área de preservação permanente, mas curiosamente, não utilizou o mesmo critério em relação à área de reserva legal. Não o fez porque duvidasse da sua efetiva existência na data do fato gerador do ITR/97 ou mesmo antes dessa data, mas simplesmente porque tal área não se encontrava averbada no Cartório de Registro de Imóveis na data da ocorrência do fato gerador do tributo. Não há sustentação legal para exigir averbação Fl. 129DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0117.16025.6KTN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10540.000046/2003-26 Acórdão n.º 392-000.043 S3-TE02 Fl. 130 5 das áreas de reserva legal como condição ao reconhecimento dessas áreas isentas de tributação pelo ITR. Não se admite sustentação legal no Código Florestal para exigir averbação das áreas como condição ou seu reconhecimento como isentas de tributação pelo ITR. Esse tipo de infração ao Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a essas áreas se elas forem de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal, conforme definidas na Lei 4.771/65 (Código Florestal). O reconhecimento de isenção quanto ao ITR independe de averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis. No caso concreto foi demonstrada a existência da área de reserva legal por meio de laudo técnico e outras provas documentais, inclusive a averbação à margem da matricula do imóvel procedida em 21/07/2000. (grifos acrescidos) Acórdão 301-31.556 ÁREA DE RESERVA LEGAL. Não há sustentação legal para exigir averbação das áreas de reserva legal como condição ao reconhecimento dessas áreas isentas de tributação pelo ITR. O reconhecimento de isenção quanto ao ITR independe de averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis, se ficar comprovada a existência dessa área por meio de laudo técnico e outras provas documentais, inclusive a averbação à margem da matricula do imóvel procedida após a ocorrência do fato gerador. (grifos acrescidos) No caso, o contribuinte comprovou a existência da área de reserva legal por meio de documentação hábil (documentos de fls. 35, 38/45 e 59/61), inclusive sua averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel (fls. 38/45). Assim, deve esta área ser excluída integralmente da base de cálculo do ITR para fins de apuração do imposto devido, conforme previsto na lei. Com base nestes fundamentos, o relator original deu provimento ao recurso voluntário, para afastar a tributação do ITR sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal), sendo acompanhado pelos demais integrantes do Colegiado. assinado digitalmente Hélcio Lafetá Reis - redator ad hoc Fl. 130DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0117.16025.6KTN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por HELCIO LAFETA REIS em 10/01/2017 16:49:00. Documento autenticado digitalmente por HELCIO LAFETA REIS em 10/01/2017. Documento assinado digitalmente por: RODRIGO DA COSTA POSSAS em 11/01/2017 e HELCIO LAFETA REIS em 10/01/2017. Esta cópia / impressão foi realizada por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO em 19/01/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP19.0117.16025.6KTN Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10540.000046/2003-26. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13520.000277/99-91
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 1996
Ementa: ITR. VTN. Nos termos da Súmula n° 3 do 3°CC. A autoridade administrativa pode rever o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) que vier a ser questionado pelo contribuinte do imposto sobre a
propriedade territorial rural (ITR) relativo aos exercícios de 1994 a 1996, mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado, que se reporte à época do fato gerador e demonstre, de forma
inequívoca, a legitimidade da alteração pretendida, inclusive com a indicação das fontes pesquisadas.
Numero da decisão: 303-34.318
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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VTN. Nos termos da Súmula n° 3 do 3°CC. A autoridade administrativa pode rever o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) que vier a ser questionado pelo contribuinte do imposto sobre a • propriedade territorial rural (ITR) relativo aos exercícios de 1994 a 1996, mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel, emitido por • entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado, que se reporte à época do fato gerador e demonstre, de forma inequívoca, a legitimidade da alteração pretendida, inclusive com a indicação das fontes pesquisadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. n • , Processo n.° 13520.000277/99-91 CCO3/CO3 Acórdão ri.° 303-34.318 Fls. 148 ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. -4 4P nr#, ANELI:E DAUDT PRIETO Presidente • Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Marciel Eder Costa, Tarásio Campelo Borges, Luis Marcelo Guerra de Castro e Zenaldo Loibman. • Processo n.° 13520.000277/99-91 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.318 Fls. 149 Relatório Tornam os autos a julgamento por esta Eg. Câmara, tendo em vista cumprimento da diligência formulada na Resolução n° 303-01.246, juntada às fls. 121/128. Com o intuito de ilustrar o presente e recordar aos pares a matéria, adoto o relatório de fls. 122/124. Em atendimento à diligência proposta, o contribuinte informa às fls. 134/135 que "o Laudo Técnico já consta dos autos" (fls. 51/59), possuindo todos os requisitos pleiteados, razão pela qual junta cópia do referido documento. Destaca que o Recorrente que, apesar de estar o Laudo datado de 23.01.2001, faz referência ao VTN de 31.12.1995, conforme se vê às fls. 140. 111 Tornam os autos à este Conselheiro com numeração até às fls. 146, última. É o Relatório. • • • Processo n.° 13520.000277/99-91 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.318 Fls. 150 Voto Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator Ultrapassada a fase processual de análise dos requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dou seguimento ao presente e passo à análise do mérito da questão. Retornam os presentes autos para julgamento, após a diligência determinada pela Resolução n°303-01.246 de fls. 121/128. Insta recordar que o cerne da questão cinge-se na Impugnação ao Lançamento do ITR/1996 (Notificação de fls. 02), visto que o contribuinte alega que o VTN tributado não faz referência à realidade fática do imóvel, bem como não fora aplicado corretamente o grau de utilização do imóvel. Assim, a diligência realizada teve como objetivo dirimir dúvidas acerca do VTN • e do OU, razão pela qual se propôs a apresentação de um novo Laudo Técnico, também elaborado por engenheiro e devidamente acompanhado de ART, através do qual, portanto, a Recorrente teria a oportunidade de rechaçar inequivocamente o VTN tributado. Neste sentido, gize-se a Súmula n°3 do 3° Conselho de Contribuintes: "A autoridade administrativa pode rever o Valor da Terra Nua mínimo (VINm) que vier a ser questionado pelo contribuinte do imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR) relativo aos exercícios de 1994 a 1996, mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado, que se reporte à época do fato gerador e demonstre, de forma inequívoca, a legitimidade da alteração pretendida, inclusive com a indicação das fontes pesquisadas." Contudo, in casu, a Recorrente se limitou a apresentar o mesmo Laudo Técnico constante às fls. 51/59, alterando-se tão somente a data que faz referência ao ano do fato 110 gerador, bem como os valores apontados nos itens 7 e 8, respectivamente, "RESULTADO DA AVALIAÇÃO DA TERRA NUA" e "CONCLUSÃO. Note-se, inclusive, que o laudo ora apresentado está acompanhado da cópia da mesma ART de fls. 61, logo, trata-se do mesmo laudo relativo ao exercício de 1994, como reconhece a Recorrente às fls. 134 quando afirma que "o Laudo Técnico já consta nos autos às fls. 47-57", que, por sua vez, não reporta-se à data do fato gerador do lançamento em apreço, como anteriormente destacado. Desta forma, entendo que o Laudo apresentado se mostra insuficiente para a pretensão da Recorrente tanto quanto ao V1N quanto ao GU, seja porque a Recorrente deixou de apresentar novo Laudo Técnico de Avaliação que se reportasse à data do fato gerador e por ter apresentando o mesmo Laudo Técnico de outro exercício, com a cópia da mesma ART do Laudo anterior, seja porque não consta do referido laudo a indicação das fontes pesquisadas quando de sua elaboração. . t • .91 Processo n.° 13520.000277/99-91 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.318 Fls. 151 Diante de todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. , Sala das Sessões, em 23 de maio de 2007 ---_-7.------) NPON LU ARTOLI elator7R , • e ,, , , , , , Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1
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Numero do processo: 13896.000549/2007-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, e desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, por considerar, que, nestes casos, configura-se a denúncia espontânea do art. 138 do CTN, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental.
Numero da decisão: 3302-008.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
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PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, e desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, por considerar, que, nestes casos, configura-se a denúncia espontânea do art. 138 do CTN, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 05 49 /2 00 7- 93 Fl. 154DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-008.899 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13896.000549/2007-93 Relatório Por bem esclareccr a lide, adoto o relato da decisão recorrida: Trata-se de Auto de Infração eletrônico decorrente da revisão interna da DCTF/04 e relativo à exigência de multa de mora à conta de recolhimentos de tributos/contribuições fora de prazo e sem o acréscimo dessa verba. Impugnando a exigência, o contribuinte, por seus advogados, alega, em síntese, a “denúncia espontânea”. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP) julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA DCTF. REV1SAO INTERNA. DÉB1TOS DECLARADOS. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÁNEA. SÚMULA N° 360 - Superior Tribunal de Justiça (STJ): “O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. Rel. Min. Eliana Calmon, em 27/08/08. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão em 28/10/2009, consoante documento dos Correios constante dos autos, fl. 126, a Recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente em 19/11/2009, conforme carimbo aposto na folha de rosto do recurso, no qual reproduz as alegações oferecidas na impugnação. Ao final, pede, o provimento do recurso, para o fim de reconhecer a denúncia espontânea e o cancelamento do auto de infração. E as intimações no endereço profissional dos procuradores. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado e conhecido. Fl. 155DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-008.899 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13896.000549/2007-93 A questão controversa - denúncia espontânea e juros de mora - já está consolidada no âmbito do Poder Judiciário, notadamente no STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do artigo 543-C da Lei nº 5.869/73, antigo Código de Processo Civil, no julgamento do Resp nº 1.149.022/SP, acórdão de relatoria do Ministro Luiz Fux, publicado em 24/06/2010 e cujo trânsito em julgado se deu em 30/08/2010, e bem por isso não comporta mais discussão no CARF (art. 62, § 2º do RICARF): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção ...). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira ...). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. (...) 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A título ilustrativo, traz-se acórdão da egrégia CSRF (nº 9303-008.423, de 15/04/2019) se posicionando de acordo com o Repetitivo declinado supra: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Fl. 156DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-008.899 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13896.000549/2007-93 Havendo decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, por considerar, que, nestes casos, configura-se a denúncia espontânea do art. 138 do CTN, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental. Trazendo essas lições para o caso vertente, tem-se que todos os pagamentos foram efetuados antes da apresentação das declarações retificadoras. Pagamentos em 30/12/2004 (1º trimestre 2004), (2º trimestre 2004) e (3º trimestre 2004); e respectivas DCTF retificadoras: 23/11/2006, 29/11/2006 e 28/08/2006. Assim é que, de fato, relativamente aos 1º, 2º e 3º trimestres de 2004, ocorreu a denúncia espontânea considerada nos moldes explicitados anteriormente e a recorrente tem direito à extinção dos débitos lançados. No que diz com o pedido para que as intimações sejam feitas no endereço profissional dos procuradores da recorrente, não se pode deferir, porquanto a legislação é peremptória no sentido de que as intimações sejam feitas no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (art. 23, II e III, do Decreto nº 70.235/72) Posto isso, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o auto de infração. (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 157DF CARF MF Documento nato-digital
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