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Numero do processo: 16682.901040/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ANÁLISE DE DOCUMENTOS. IRRF. COMPROVAÇÃO.
Acolhem-se parcialmente os embargos de declaração para reconhecer direito creditório complementar demonstrado por documentação idônea anteriormente não examinada.
Numero da decisão: 1402-002.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial aos embargos de declaração e reconhecer o direito ao crédito adicional no montante de R$ 467.229,02 (R$ 219.460,48 + R$ 247.768,54); homologando-se até esse limite as compensações ainda pendentes. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ANÁLISE DE DOCUMENTOS. IRRF. COMPROVAÇÃO. Acolhemse parcialmente os embargos de declaração para reconhecer direito creditório complementar demonstrado por documentação idônea anteriormente não examinada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial aos embargos de declaração e reconhecer o direito ao crédito adicional no montante de R$ 467.229,02 (R$ 219.460,48 + R$ 247.768,54); homologandose até esse limite as compensações ainda pendentes. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 10 40 /2 01 2- 21 Fl. 1684DF CARF MF 2 Relatório Conforme despacho de admissibilidade, tratase de exame de admissibilidade dos embargos declaratórios opostos pelo sujeito passivo. Afirma a embargante que a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, ao prolatar o acórdão 1402002.370, incorreu em omissão e contradição. No primeiro caso, por que "depois de protocolado o seu recurso voluntário, requereu a juntada de novos documentos (fls. 1221/1335), os quais foram devidamente discriminados e correlacionados à formação do crédito, conforme petição de fls. 1223/1226". Em seu entendimento "sem analisar a documentação comprobatória juntada pela embargante, negou provimento ao recurso voluntário, sob o entendimento contraditório de que não teriam sido produzidas provas no processo". Por decorrência, fala também em contradição do Acórdão ao compreender que "ao decidir que a embargante não fez prova de seu crédito sem, contudo, analisar a documentação juntada e sem lhe oportunizar a produção de mais provas". Nesse sentido, "verificase a contradição do julgado, na medida em que considera que a embargante não lograra produzir provas em seu favor, porém, sem analisar a prova que fora devidamente juntada aos autos. Os embargos de declaração foram admitidos mediante despacho regimental. É o relatório. Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 16682.901040/201221 Acórdão n.º 1402002.737 S1C4T2 Fl. 1.685 3 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Conforme ressaltado no despacho de admissibilidade dos embargos de declaração, mediante análise dos documentos encartados no processo, foram aceitos tão somente aqueles que faziam prova hábil à demonstrado do direito alegado. No que se refere especificamente aos documentos juntados de fls. 1221/1335, o fato de não ter havido menção expressa a eles na decisão recorrida, não é suficiente para se deduzir que não teriam sido examinados quando do julgamento. Constatei na ocasião que os documentos não seriam hábeis a demonstrar o valor do crédito não acatado daí porque, a princípio, não haveria qualquer omissão na decisão. Mantenho esse entendimento em relação aos denominados "DOC_PROBATÓRIO" numerados a partir do número 009, pois tratamse de cópias de PER/Dcomps, e o que está sob discussão é a prova de retenção do IRRF. Também inaceitáveis como prova os "DOC_PROBATÓRIO" numerados de 001 a 004 pois são cópias da Ficha 54 da DIPJ de diversos anoscalendário, no intuito de demonstrar que rendimentos recebidos em anos anteriores que geraram IRRF compensável, só teriam sido contabilizados em 2007. Além da ausência do informe de rendimentos, mesmo que fosse demonstrada a apropriação nos moldes suscitados pela defesa o que, salientese, não ocorreu peca contra a interessada o fato de não ter sido justificada o que seria a desobediência ao regime de competência, ou seja, a apropriação do resultado e aproveitamento do IRRF em anos posteriores. O fato de se referir a anocalendário diverso daquele referente ao saldo negativo pleiteado também afeta a força probante dos "DOC_PROBATÓRIO" 005 a 007, relativos ao anocalendário de 2004. Ratificase que mesmo demonstrada a apropriação nos moldes suscitados pela defesa o que, salientese, não ocorreu peca contra a interessada o fato de não ter sido justificada o que seria a desobediência ao regime de competência. Em relação ao "DOC_PROBATÓRIO" 008, representam dois informes de rendimentos emitidos pela fonte pagadora 31.516.198/000194 (Banco Itaú BBA S/A) referentes ao anocalendário sob exame. Verificase que não foram apresentados na peça impugnatória e, sendo assim, não foram considerados na apuração feita pela decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Portanto, é correto que os valores correspondentes sejam considerados na apuração do saldo negativo. Conduzo o voto no sentido de dar provimento aos embargos de declaração para reconhecer o crédito adicional de R$ 467.229,02 (R$ 219.460,48 + R$ 247.768,54), homologandose até esse limite as compensações ainda pendentes. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 1686DF CARF MF 4 Fl. 1687DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.003849/98-01
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2005
Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS.
Em caso de dúvida quanto as circunstâncias materiais do fato, o
artigo 112 do Código Tributário Nacional prescreve que a
interpretação da lei tributária deve ser dirigida a favor do
contribuinte.
Recurso provido.
Numero da decisão: 303-32.457
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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Em caso de dúvida quanto as circunstâncias materiais do fato, o artigo 112 do Código Tributário Nacional prescreve que a interpretação da lei tributária deve ser dirigida a favor do contribuinte. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. f ANELISE D A 6 PRIETO Presidente NII7ON Relator ARTOL Formalizado em: 02 FEV 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Zenaldo Loibman, Nanci Gama, Sérgio de Castro Neves, Silvio Marcos Barcelos Fillza, Marciel Eder Costa e Tardsio Campelo Borges. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional Rubens Carlos Vieira Processo n° Acórdão no : 11128.003849/98-01 : 303-32.457 RELATÓRIO Trata o presente processo de exigência de oficio de Imposto de Importação, juros de mora e multa, objeto do Auto de Infração de fls. 01/05, decorrentes de ato de ação fiscal levada a efeito no contribuinte, relativo à Declaração de Importação- DI no 97/0850382-7, por meio das quais constatou-se incorreta classificação fiscal da mercadoria descrita, procedendo-se ao reenquadramento tarifário, donde apurou-se diferença a recolher relativa ao imposto, punível corn multa. Consta do item "Descrição dos Fatos" (fls. 02), em resumo, que: (i) o importador submeteu a despacho de importação o produto TI PURE R 902 DD, pigmento a base de Dióxido de Titânio e, quando do desembaraço em canal vermelho, no sistema SISCOMEX, o AFTN solicitou exame LABOR e desembaraçou a mercadoria mediante a assinatura de Termo de Responsabilidade de que trata a I.N. 14/85; (ii) emitido o Laudo de Análises no 0276/98, foi revisada a declaração de importação constatando-se que o produto despachado no código NCM 3206.11.11, corno um pigmento tipo rutilo de granulometria superior ou igual a 0,6 micrometros, com adição de modificadores, e, de acordo com esse laudo, uma preparação cuja classificação correta e, um pigmento inorgânico a base de Dióxido de Titânio, tipo rutilo, contendo modificadores , com tamanho de partícula de 0,5 micrometros, não se enquadrando naquele subitem, mas, conforme a primeira regra das "Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado", no código NCM 3206.11.19. Por todo o exposto, lavrou-se o Auto de Infração para a constituição do crédito tributário devido, em função de o importador ter classificado as mercadorias de forma incorreta, ocorrendo a falta de recolhimento de parte dos tributos incidentes nas operações de importação em questão. Fundamenta-se a exigência no inciso II do art. 87; I do art. 89; II do art. 99; arts. 111 e 449 do RA, aprovado pelo Decreto 91.030/85. Constam documentos anexados ao Auto de Infração as fls. 06/38, entre os quais, o Termo de Responsabilidade de fls. 27. Ciente do lançamento (fls. 39/40), a interessada manifestou-se contrária à exigência, apresentando tempestivamente Impugnação (fls. 41/70), alegando, em suma, que: • O Processo no Acórdão n° : 11128.003849/98-01 : 303-32.457 (i) baseando-se exclusivamente em resultado de exame laboratorial do Ministério da Fazenda, o Agente Fiscalizador, ao revisar a Declaração de Importação de dióxido de titânio, inferiu que a Impugnante utilizou, para fins de importação, uma aliquota imprópria, obrigando a Impugnante a recolher diferenças entre os tributos para a nacionalização, além de multa e acréscimos legais;; (ii) a TEC (tarifa Comum Externa) apresenta, para a classificação de pigmentos e preparações à base de Dióxido de Tithio, de pigmentos tipo rutilo, como in casu, a penas duas alternativas: (a) "Código 3206.11.11 para os de granulometria superior ou igual a 0,6 microns, com adição de modificadores; ou; (b) Código 3206.11.19 para outros."; (iii) entendeu a Impugnante que se tratava de importação de pigmentos a base de di6xigo de titânio, pigmentos tipo rutilo, de distribuição ganulométrica superior ou igual a 0,6 micra, com adição de modificadores, contudo, pelo resultado do Laudo, o qual se comprovará impreciso e inconclusivo, correta seria a utilização do código 3206.11.19, aplicável à granulometria de 0,5 micra; (iv) a possibilidade de inscrição no Cadastro de Devedores Inadimplentes CADIN, a restrição à Certidão Negativa de Débito, além de outras limitações nos direitos, que são impostas com a severidade do Auto de Infração, não prejudicam mais a Impugnante do que a proibição estabelecida no item 2.1 da IN 14/85, que impede o uso da IN 14/85 aos importadores que não honrarem corn o Termo de Responsabilidade; (v) a referida proibição é manifestamente ilegal e contra os ditames legais, a ampla defesa e o devido processo legal; (vi) nos termos do item 6.3.1.2 da Comunicação de Serviço GAB no 002, de 22.01.96, oferecera fiança bancária, garantidora da exigência fiscal, cujo valor é compatível com o montante exigido, requerendo a imediata permissão para continuar a efetuar seus desembaraços de produtos quimicos com uso da IN 14/85; (vii) o pigmento de di6xido de tianio é matéria-prima para fabricação de tintas e tern composição química molecular formada com elementos de titânio e oxigênio e, a união dos átomos de titânio corn oxigênio formam as moléculas de dióxido de titânio; (viii) as partículas primárias de TiO2 existem em diversas formas de agrupamento, pois uma molécula pode naturalmente unir-se a outras, no entanto, o número de moléculas juntas num grupo, está intimamente ligado ao tamanho deste aglomerado de moléculas e, quanto maior a quantidade de moléculas juntas, obviamente maior ser á o grupo, o aglomerado; 3 Processo n° Acórdão n° : 11128.003849/98-01 : 303-32.457 (ix) poderão existir muitas partículas primárias agrupadas formando um grão, que na realidade parece urn só elemento, mas visto de aparelhos próprios, constata-se que este grão é formado por várias partículas sobrepostas e/ou juntas; (x) do mesmo modo, pode existir, após o processo de micronização deste grão, quando ocorre a quebra do agrupamento destas partículas, grãos com tamanho minim, quase idêntico ao tamanho da partícula primária Ti02; (xi) o Auto de Infração não merece prosperar, em razão das impropriedades do Laudo de Análise, a saber: a) o perito não fez exame de granulometria, e sim examinou o tamanho da partícula; b) no exame utilizou-se o microscópio eletrônico, quando o método apropriado seria o espalhamento de luz "laser"; e c) as conclusões do Laudo não são justificadas, e cientificamente não têm validade, pois impedem a produção de contra-prova, restringindo a ampla defesa; d) a importação se deu em 1997, entretanto, o exame laboratorial foi realizado em 98, ora, a claridade, a oxidação, entre outros, aceleram o processo de desaglomeração dos grãos de dióxido de titânio, implicando ser o produto diverso daquele importado em 1997; (xii) a TEC estabeleceu como critério diferenciador destes produtos, não a composição de seus elementos químicos, pois ambos, conforme mencionado, são detentores dos mesmos elementos naturais (Ti02); (xiii) a diferença entre ambas as posições de da exclusivamente pelo grau de aglomeração das suas partículas, isto 6, dependendo da quantidade de partículas primárias aglomeradas, haverá diferentes tamanhos de seus grabs (unido de partículas), logo, estes produtos, cuja natureza química elementar é igual, são diferenciados pelo tamanho de seus grãos, pela granulometria; (xix) a impugnante importa este produto em grãos com granulometria superior a 0,6 micra, logo, utiliza corretamente a classificação fiscal na TEC, ocorre que este produto tern tamanho de partícula inferior a 0,6 micra; (xx) verificando o resultado do Laudo de Análise, constata-se que não foi feito exame de granulometria, mas sim do tamanho da partícula ("particulometria"): "Tamanho de Partícula (Microscopia Eletrônica) diâmetro médio de: 0,5 microns"; (xxi) medida do tamanho de partícula é método inadequado para diferenciar os produtos, que tern tratamentos tributários diferentes, a final, o tamanho ) de partícula é o mesmo, independentemente do estado de aglomeração das partículas, ) do tamanho dos grãos; 4 Processo n° Acórdão n° : 11128.003849/98-01 : 303-32.457 (xxii) se válida fosse a conclusão do aditamento ao Laudo, não seriam necessárias duas classificações na TEC, mas somente uma, a de pigmento de dióxido de titânio; (xxiii) a existência de duas posições na TEC explica-se porque se procurou impor maior carga tributária ao pigmento de dióxido de titânio "acabado", que tem grãos menores que 0,6 micra, ou seja micronizados, pois caso, os grãos forem maiores que 0,6 micra, em estágio "semi-acabado", este produto sera inapto para suas funções que se consistem no seu uso como material básico na fabricação de tintas; (xxi) um microscópio eletrônico, que nada mais é que um microscópio semelhante ao utilizado por secundaristas, mas com maior grau de precisão, é instrumento excelente, p. ex., para observação de células vivas, mas se empregado sobre o material inorgânico, estudará com precisão as partículas de que é constituído, dai se explica que o perito afirma, com certeza, ser o tamanho das partículas (diâmetro médio) de 0,5 microns"; (xxii) in casu, não se trata de tamanho de partículas, pois o que foi questionado foi o tamanho dos grãos, a granulometria, e para tal medição que envolve grandezas maiores que as partículas, impõem-se outro método, mais adequado para tal fim; (xxiii) para tais casos, utiliza-se a luz "laser" que, dirigindo fachos de luz sobre o material, é capaz de "enxergar" os grãos de que se compõe; (xxiv) valendo-se do método "laser", procedeu a Impugnante análise de TiO2 importado na forma "semi-acabada", chegando no resultado que a granulometria do produto é de 1.126 micra, portanto, superior a 0,6 micra; (xxv) quanto à forma de preparo, não se pode simplesmente retirar certa quantia de material e coloca-lo "cru" para o exame, pois para a miseroscopia eletrônica, deve-se preparar a lamina com o pigmento de Ti02, implicando sua modificação e, não raro, desagrupação; (xxvi) no método "laser" não se faz necessário preparo tão sofisticado, basta o exame do próprio pigmento, sendo este método o que menos quebra grãos, menos destrói a unido das partículas, possibilitando, então, um resultado mais perto da realidade do produto anteriormente importado; (xxv) a partícula de dióxido de titânio apresenta forma irregular, não raro, aproximando-se de um bastonete, assim, dependendo da posição desta partícula o examinador poderá chegar em diferentes resultados, logo, o Laudo de Analise deveria conter, como informação básica e inicial, a posição em que foi examinada a partícula para se apurar seu tamanho, já que, p.ex., a medida longitudinal, latitudinal ou transversal da partícula não esférica pode ser muito diversa; 5 Processo n° Acórdão n° : 11128.003849/98-01 : 303-32.457 (xxvi) por ser imcompleto e inconclusivo, o Laudo de Análise impede a Impugnante de oferecer defesa, uma vez que a falta de documentos, fotos e métodos de preparo da amostra, temperatura do local do exame, quantidade do matéria analisado, entre outros, são inúmeros fatores que levam a conclusão de que "estes Laudos, data vênia, são frutos do desinteresse do perito fazenddrio, em responder os quesitos formulados pelo órgão fiscalizador; (xxvii) o perito ateve-se apenas em responder de modo evasivo, deixando de se manifestar sobre o mais importante, que são as justificativas, o que faz o contribuinte questionar se realmente foram analisadas cienti ficamente as amostras, ou se estes resultados são meras presunções; (xxviii) patente a inconstitucionalidade da cobrança baseada em incompleto Laudo de Análise, à luz do devido processo legal; (x)dx) a impossibilidade de vista ao processo administrativo na fase de Exame Laboratorial, impedindo o contribuinte de apresentar quesitos aos peritos fazenddrios, além de atingir a ampla defesa e contraditório, comprometem o devido processo legal; (xxx) omitindo-se quanto à juntada dos necessários comprovantes de alegações do perito fazendário, a fiscalização não deixou só de preencher os requisitos necessários para a validade do auto, mas também impediu que a Impugnante se defendesse adequadamente, cerceando, assim seu direito de defesa, constitucionalmente assegurado (inciso LV do artigo 5° da Constituição Federal de 1988); (xxxi) a jurisprudência tem se manifestado de maneira unânime no sentido de garantir o direito dos contribuintes que, a exemplo da Impugnante, restaram impossibilitados de exercerem seu direito constitucionalmente previsto, logo, não há como se negar a nulidade do Auto de Infração; (xxxii) é plenamente possível que um grão, importado com diâmetro médio superior a 0,6 microns, sofra micronização em virtude da passagem do tempo, principalmente se o grão for exposto a fatores externos e conforme o tempo transcorrido, logo, não hi como se afastar a possibilidade de que tal fenômeno tenha ocorrido sobre o material examinado, principalmente tendo em vista que a importação se deu em 1997 e o Laudo ora atacado, datado de 1998, tempo suficiente para que não mais se possa assegurar a inviolabilidade de material que, como o dióxido de titânio, é deteriorável; (xxxiii) improcedente a autuação, posto que não baseada em prova i). cabal, mas em Laudo que sequer fornece certeza quanto A qualidade da amostra coletada. 6 Processo n° Acórdão n° : 11128.003849/98-01 : 303-32.457 Pelo exposto, requer seja julgada procedente a impugnação, declarando insubsistente o Auto de Infração. Requer produção de prova pericial, utilizando-se o método de luz "laser". Anexa os documentos de fls. 71/101, entre os quais o Parecer Técnico- Cientifico de fls. 97/101. Diante da complexidade da matéria e as considerações técnicas suscitadas pelo parecer apresentado pela contribuinte, a DRJ/SP converteu o julgamento em diligencia, para a solução dos quesitos apresentados As fls. 104/105. Em atendimento à solicitação, o setor técnico responsável apresentou a Informação Técnica if 124/2000 de fls. 115/120. A empresa-contribuinte apresentou o Relatório de fls. 160/167 e, após ser intimada a manifestar-se, apresentou a manifestação de fls. 216/238 alegando, em resumo, que a Informação Técnica não traz argumentos que sejam aptos a afastar a sua defesa. Para corroborar seus argumentos, anexou os documentos de fls. 239/318, entre os quais, Relatório Técnico n° 252/2000 do Instituto de Pesquisas Tecnológicas- IPT, Parecer Técnico Cientifico (elaborado por professor titular da UNICAMP) e cartas de dois fabricantes de equipamentos de medição de granulometria. Remetidos os autos A. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo-SP, a autoridade julgadora de primeira instância, entendeu pela procedência do lançamento (fls.320/347), consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: "Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 18/09/1997 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL Pigmento A base de Dióxido de Titanic), Tipo Rutilo, de granulometria inferior a 0,6 micrometros (microns), com adição de modificadores classifica-se no código NCM 3206.11.19. Multa de Oficio — considerada não impugnada, por não ter sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532/97) Lançamento Procedente" Ciente da decisão a contribuinte interpôs tempestivo Recurso Voluntário (fls. 350/372), pleiteando pela reforma da decisão de Primeira Instancia 7 Processo no Acórdão n° : 11128.003849/98-01 : 303-32.457 reiterando os fundamentos, argumentos e pedidos apresentados na Peça Impugnatória e, acrescentando, em suma, que: (i)Segundo indicado pelo IPT, nos diversos resultados de granulometria que podem ser auferidos, não se pode dizer que algum deles seja verdadeiro no sentido de incontestável, pois todos eles são precisos (ou não) na medida em que seus procedimentos e métodos de aplicação tenham sido corretamente aplicados; (ii)0 parecer apresentado pelo IPT e utilizado nas razões da Impugnação comparou os métodos e procedimentos utilizados pela Recorrente com os métodos e procedimentos utilizados pelo IPT; (iii)Fácil de se notar pelo inicio do parecer do Professor Santana que granulometria não representa o uso de uma fita métrica e que, muito pelo contrário, representa a aplicação de métodos, aparelhos, sistemas e equações matemáticas desenvolvidas durante anos e aplicáveis segundo os melhores conhecimentos, tudo isso somado para gerar um resultado nem sempre exato (já que não ha resultados absolutamente exatos), mas na medida do possível sempre preciso; (iv)levando-se em conta que o tamanho da partícula de di6xido de titânio semi-acabado e, mais do que isso, a sua massa especifica ou a sua densidade, é de extrema probabilidade que estas moléculas sofram a influência da aceleração gravitacional; (v)como o método de medição por espalhamento dinâmico de luz laser assume todas as variações de posições como decorrentes do movimento Brownian° e classifica com tamanhos menores as partículas menores, que se movem mais rapidamente, tem-se a absoluta inaplicabilidade do método ao caso presente, já que as posições variaram não pelo índice assumido pelo correl ator instalado no aparelho de medição (movimento Browniano), mas sim pela influência da aceleração gravitacional; (vi)em nenhum momento o Laudo trazido pela fiscalização indica precisamente quais os equipamentos, os métodos, indices de refração, formato da molécula de TiO2 e a forma de preparação de amostra, elementos indispensáveis para que a Recorrente possa validamente se defender; (vii)utilizando equipamentos (um Malvern) que atuam sob o espalhamento estático de luz laser segundo seus próprios padrões, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas — IPT alcançou os seguintes diâmetros médios de granulometria do produto semi-acabado 8 : 11128.003849/98-01 : 303-32.457 importado pela Recorrente: D [4,3]? 1,48 pm (Relatórios de Ensaios já anexados aos autos); (viii)Resultado muito superior àqueles auferidos pelos laudos LABANA e muitos superiores àqueles auferidos pela própria Recorrente, mas ambos certamente superiores aos limites indicados na TEC de 0,6 pm; (ix)A Recorrente cerceou-se de equipamentos comercializados em escala internacional, o Horiba (com métodos de análise também utilizados pela Malvern qual seja o espalhamento de luz estático), equipamentos estes o mais adequado ao uso industrial, na medida em que asseguram reprodutividade de resultados e não requerem pessoas ou condições excepcionalmente diferenciadas para os manusear além da aptidão a outorgarem resultado os mais próximos possíveis da exatidão; (x)A própria fabricante do Horiba reconhece, em carta apresentada â empresa coligada da Recorrente, a validade dos métodos e parâmetros da mesma; (xi)Neste equipamento (Horiba), conforme atestam a UN1CAMP e o IPT (dois dos melhores, mais reconhecidos e mais importantes institutos de pesquisa brasileiros), encontram-se os resultados de granulometria superiores a 0,6 pm, demonstrando acertada a classificação tributária da Recorrente que garantem os diferenciais químicos dos produtos semi-acabado e acabado; (xii)Destaque-se a opinião do Instituto Nacional de Tecnologia (que deverá ser adotada segundo o preceito do art. 30 do Dec. 70.235/72 que também chegou A conclusão de tamanho de partículas maiores que 0,6 microns; (xiii)Mesmo que se tenha dúvidas sobre a razoabilidade dos métodos e aparelhos utilizados pela Recorrente, não se pode suplantar o Código Tributário Nacional, que determina a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto A natureza ou As circunstâncias materiais do fato (art. 112,11, do C'TN); (xiv)0 recente parecer expedido pela Coordenadoria-Geral do Sistema Aduaneiro, na forma de Informação n° 10 COANA/COTAC/DINOM, juntado aos autos, apresenta de forma sucinta as várias metodologias existentes para a medição da Processo n° Acórdão n° 9 Processo n° Acórdão n° : 11128.003849/98-01 : 303-32.457 granulometria e, finalmente recomendando o método de espalhamento estático de luz, para a classificação do Dióxido de Titanic), execrando o método de microscopia eletrônica utilizado pelo Labana; (xv)Seguindo a própria orientação da Coordenadoria-Geral do Sistema Aduaneiro, não se poderá admitir e conferir procedência a um Auto de Infração baseado em Laudo Técnico que não utilizou a metodologia recomendada, devendo ser impreterivelmente deferida diligência para a análise da contra —prova com o uso da metodologia adequada (espalhamento estático de luz), sob pena de conseqüente improvimento do próprio Auto de Infração e da multa punitiva; (xvi)Esta é a interpretação que já vem sendo adotada pela Egrégia Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes ao julgar três recursos análogos ao presente (Acórdão n° 302-35.047, Acórdão n° 302-35.048 e Acórdão n° 302-35.377). Por todo o exposto, requer seja a insubsistência do Auto de Infração, cancelando-se o suposto crédito tributário da Unido. Anexa os documentos de fls. 377/382. De acordo com a informação de fls. 384, por já existir garantia na forma de fiança bancária, apresentada em 29/07/98, através do Termo de Responsabilidade de fls. 27, não exigiu-se do contribuinte o arrolamento de bens de que trata a IN 264/2002. Tendo em vista o disposto na Portaria MF no 314, de 25/08/1999, deixam os autos de serem encaminhados para ciência da Procuradoria da Fazenda Nacional, quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro, constando numeração até As fls.385, Anima. E o relatório. 10 Processo n° Acórdão n° : 11128.003849/98-01 : 303-32.457 VOTO Conselheiro Nilton Luiz Bart° li, Relator 1. Trata o presente processo de exigência de oficio de Imposto de Importação e respectivos acréscimos legais, supostamente devidos em decorrência de adoção de classificação fiscal equivocada da mercadoria importada, segundo a descrição dos fatos levada a cabo na autuação originária. 2. Pelo compulsar dos autos observo que a mercadoria importada, de denominação comercial TI-PURE R-902 DD W 50, é um "pigmento tipo rutilo à base de dióxido de titânio". 3. A divergência pontual travada entre as partes reside especificamente na "granulometria", ou diâmetro da partícula/grão do produto. 4. A Recorrente defende que a granulometria do TI-PURE R-902 DD W 50 importado é superior ou igual a 0,6 microns, o que enquadraria este produto na posição 3206.11.11 da TEC. Por seu turno a fiscalização, com base em Laudo elaborado pelo LABANA de fls. 20/21 defende que a g-ranulometria média do produto é de 0,5 microns, o que levaria ao enquadramento na posição 3206.11.19 da TEC, vide: 5. "Código 3206.11.11: para os de granulometria superior ou igual a 0,6 microns, com adição de modificadores; 6. Código 3206.11.19: para os outros." 7. Parte substancial da tese defendida pela Recorrente está na alegação de que o Laudo do LABANA que embasou a autuação não se valeu do método apropriado para a realização da medida "granulométrica". A Recorrente rechaça o método utilizado pelo LABANA, que se valeu de um microscópio eletrônico para verificar o diâmetro médio da partícula de dióxido de titânio. Aduz a Recorrente que o método à Laser é o mais apropriado para esta sorte de medição. 8. Entendo que a questão controversa, eminentemente técnica, deve ser resolvida a partir das provas periciais carreadas aos autos, estas laboradas por profissionais especializados na matéria. 11 Processo n° Acórdão no : 11128.003849/98-01 : 303-32.457 9. Com efeito, em casos como o presente tenho me posicionado no sentido de que a busca pela Verdade Material, supedâneo do processo administrativo, na esteira do ordenamento constitucional vigente, somente é possível a partir da produção de prova técnica, esta que fornece ao julgador os elementos necessários para a melhor solução da lide. 10. Outrossim, o fato 6 que as provas periciais em casos como o presente possuem credibilidade atestada pelo art. 30 do Decreto n° 70.235/72: 11." Art. 30 — Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congéneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência ( .. )" 12. De qualquer maneira, reputo pertinente transcrever desde logo as considerações feitas sobre o tema aqui em debate As fls. 305 dos presentes autos, considerações estas da lavra do Dr. César Santana, professor titular da cadeira de Engenharia Química da Universidade Estadual de Campinas: 13. " Tamanho de partícula não é uma propriedade única de uma dada partícula, mas depende do método da medida. Diâmetros são somente equivalentes para partículas esféricas e homogêneas. ( ) Erros aparecem em qualquer técnica na qual as partículas são contadas a menos que o número de partículas seja grande." ( grifei) 14. Das explicações do expert posso alcançar em principio duas conclusões: 1° - O tamanho da partícula pode não ser aferido com exatidão inconteste. 2° - Qualquer método utilizado pode, eventualmente, não representar exatamente o tamanho da partícula. 15. No caso presente a tese de acusação, albergada pela decisão recorrida, tem seu balaústre no Laudo do LABANA que As fls. 21 aduz que o produto em cotejo: 16. "Trata-se de pigmento inorgânico a base de dicixido de titcinio, tipo rutilo, contendo modificadores, com tamanho de partículas diâmetro médio) de 0,5 microns ". ( grifei) 17. Uma leitura atenta A conclusão alcançada pelo Laudo adotado como lastro fiscal me leva a crer que, como 0,5 microns é o diâmetro médio observado na perícia, é de dedução lógica que o próprio LABANA atesta, mesmo que indiretamente, que no produto importado existem partículas 12 Processo n° Acórdão no : 11128.003849/98-01 : 303-32.457 de tamanho igual ou superior a 0,6 microns. Isto porque, urna vez que 0,5 microns é urna "média", pressupõe-se a existência de diâmetros de partículas superiores e inferiores a este número. 18. Por outro lado, em contrapartida ao Laudo do LABANA a Recorrente carreou aos autos Laudo realizado pelo Instituto Nacional de Tecnologia — INT, que As fls. 257 dos presentes autos conclui: 19." Embora tenham ocorrido as discrepâncias cotadas, os valores de diâmetro médio de partículas obtidos para as 05 ( cinco ) amostras analisadas de dióxido de titânio tanto empregando-se o procedimento experimental DuPont, quanto empregando-se o procedimento experimental INT forma maiores do que 0,6 microns" 20. Ou seja, tem-se no caso presente resultados de Laudos conflitantes, mesmo que, a meu ver, ambos possibilitam uma interpretação a favor da Recorrente. 21. Resta então eleger, em principio, à luz das provas já trazidas aos autos, qual o método de aferição da "granulometria" seria o mais confidvel. 22. Até mesmo porque, como a própria Recorrente afirma em sua Impugnação A fls. 47/48, a realização de outra prova pericial, neste momento, se demonstra inviável vide: 23." d) a importação se deu em 1997, entretanto, o exame laboratorial foi realizado em 98 ora, a claridade, a oxidação, entre outros, aceleram o processo de desaglomeração dos grãos de dióxido de titânio, implicando ser o produto diverso daquele importado em 1997" 24. 25. Desta feita, passando a analisar o método adotado para realizar a medida das partículas de dióxido de titánio, primeiramente, observo que a Recorrente trouxe aos autos parecer técnico do Instituto de Pesquisas Tecnológicas — IPT, que As fls. 272/273 esclarece: 26. "Com base nas considerações apresentadas no item 4, pode-se afirmar que o método de medição é adequado, pois as partículas encontram-se dentro dos limites de medição do aparelho; a metodologia de ensaio da Du Pont é adequada ( )" ( grifei ) 13 Processo n° Acórdão n° : 11128.003849/98-01 : 303-32.457 27. Outrossim, é fato que a Coordenadoria Geral do Sistema Aduaneiro, pela Informação n° 10 CO ANA / COTAC / DINOM elege corno ideal urn método de aferição de granulometria distinto do adotado pelo Laudo que embasou a autuação fiscal, vide: 28." A técnica analítica de espalhamento estático de luz é a mais adequada para a determinação do tamanho médio das partículas dos pigmentos contendo, ern peso, 80% ou mais de dióxido de titânio, calculado sobre matéria seca, do tipo rutilo" 29. Entendo, ante todo o exposto, que restou evidenciado que o critério adotado pelo LABANA para aferir a granulometria do produto em questão ( rnicroscopia eletrônica ) 6, no mínimo, questionável. 30. Paralelamente a Recorrente, como dito, trouxe aos autos laudo do Instituto Nacional de Tecnologia — INT que sustenta suas alegações, motivo pelo qual reputo que se deva acolher o postulado no Recurso Voluntário em julgamento. 31. Deveras, existe forte evidencia, trazida por conclusão expressa de Laudo do INT, de que a granulometria do produto denominado comercialmente de TI- PURE R-902 DD W 50 é superior ou igual a 0,6 microns, o que toma correta a classificação fiscal adotada pela Recorrente. 32. Por seu turno, no mínimo a dúvida sobre a procedência do critério que fundamentou a prova pericial produzida pelo LABANA, esta que deu suporte ao auto de infração inicial, ficou cabalmente demonstrada. 33. Tenho decidido que em casos de dúvida quanto as circunstâncias materiais do fato, o art. 112 do Código Tributário Nacional prescreve que a favor do contribuinte deve ser dirigida a interpretação da lei tributária: 34." Art. 112 — A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado em caso de dúvida quanto: 35. ( ) 36. II — A natureza ou As circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou a extensão dos seus efeitos" 37. 14 • Processo n° Acórdão no : 11128.003849/98-01 : 303-32.457 38. Este principio de exegese, tomado emprestado do "in dubio pro reo" adotado no Direito Penal, já foi inclusive sufragado pela Camara Superior de Recursos Fiscais, em recente julgamento, proferido A unanimidade de votos, na sessão de 17/05/05, consubstanciado do Acórdão CSRF n° 03-04.393, assim ementado: 39. CERTIFICADO DE ORIGEM. VALIDADE - A omissão, na fatura comercial, da data de sua emissão, tornaria impossível afirmar se foi emitida antes ou depois do certificado de origem, mas a indicação expressa no certificado do número da fatura leva à conclusão que, quando da emissão deste, já existia a fatura. Aplicação do art. 112 do CTIV, em caso de dúvida quanta à natureza ou as circunstancias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos (in dúbio pro reo). Recurso especial negado. "(grifei) 40. Ante o exposto, e o que mais dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para cancelar a exigência fiscal inicial em sua integralidade. Sala das Sessões, em 19 de outubro de 2005. '1- NIkTON LU ARTO I - Relator 15
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Numero do processo: 19515.001501/2007-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONHECIDO E PROVIDO.
Verificada omissão da decisão recorrida em matéria objeto do recurso especial, devem ser acolhidos os embargos de declaração e sanada a omissão em questão.
DECADÊNCIA. QUALIFICAÇÃO. SÚMULA CARF 72.
Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN.
Numero da decisão: 9101-003.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9101-002.831, de 11/05/2017, com efeitos infringentes, sanar a omissão apontada, para afastar a decadência declarada.
(assinatura digital)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONHECIDO E PROVIDO. Verificada omissão da decisão recorrida em matéria objeto do recurso especial, devem ser acolhidos os embargos de declaração e sanada a omissão em questão. DECADÊNCIA. QUALIFICAÇÃO. SÚMULA CARF 72. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9101-002.831, de 11/05/2017, com efeitos infringentes, sanar a omissão apontada, para afastar a decadência declarada. (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (assinatura digital) Luís Flávio Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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Embargante Conselheiro Luís Flávio Neto Interessado NACIONAL MERCANTIL COMPUTADORES E SUPRIMENTOS DE INFORMATICA LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONHECIDO E PROVIDO. Verificada omissão da decisão recorrida em matéria objeto do recurso especial, devem ser acolhidos os embargos de declaração e sanada a omissão em questão. DECADÊNCIA. QUALIFICAÇÃO. SÚMULA CARF 72. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, reratificando o Acórdão nº 9101002.831, de 11/05/2017, com efeitos infringentes, sanar a omissão apontada, para afastar a decadência declarada. (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 01 /2 00 7- 16 Fl. 4889DF CARF MF 2 Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório A PFN interpôs recurso especial em face do acórdão n. 1402001.616, proferido pela 2a Turma Ordinária da 4a Câmara desta 1a Seção. O referido recurso especial versou sobre a possibilidade de aplicação da multa de ofício qualificada, então prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96, pela prática reiterada do contribuinte declarar rendimento inferiores aos efetivamente obtidos na empresa, bem como a aplicação da regra decadencial do art. 173 do CTN. O referido recurso foi integralmente admitido por despacho (efls. 4829 e seg.). Na sessão de maio de 2017, o aludido recurso foi julgado por esta Turma, em que foi proferida decisão assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Os requisitos para a qualificação da multa de ofício estão presentes na hipótese do contribuinte omitir conscientemente percentuais elevados de suas receitas de maneira reiterada. No entanto, na qualidade de relator, ao formalizar a aludida decisão, verifiquei que não houve deliberação do Colegiado quanto ao tema da regra para a contagem do prazo decadencial, presente no recurso especial interposto, razão pela qual apresentei embargos de declaração para sanar a aludida omissão. Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. Compreendo que os requisitos para a oposição dos embargos de declaração previstos no RICARF foram cumpridos, razão pela qual devem ser conhecidos. No caso, a omissão do acórdão embargo consiste no pedido formulado pela PFN, em sede de recurso especial, para que a contagem do prazo decadencial seja regida pela regra do art. 173 do CTN, tendo em vista a presença de atos dolosos praticados pelo contribuinte para evasão de tributos. De início, compreendo que a PFN demonstrou a divergência jurisprudencial quanto à questão, bem como cumpriu os demais requisitos regimentais para a interposição do recurso especial, não merecendo reparos o despacho de admissibilidade. Quanto ao mérito, tendo em vista que o restabelecimento da multa qualificada por este Colegiado no acórdão embargado, por considerarse presente a ocorrência de ação dolosa para a evasão de tributos, deve ser aplicada a Súmula CARF n. 72: Fl. 4890DF CARF MF Processo nº 19515.001501/200716 Acórdão n.º 9101003.037 CSRFT1 Fl. 4.873 3 Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Voto, portanto, pelo conhecimento e provimento dos embargos de declaração, a fim de reconhecer a contagem do prazo decadencial com fulcro no art. 173 do CTN e afastar a decadência declarada pela Turma Ordinária. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Fl. 4891DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.910044/2011-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.579
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2002 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente AMCOR PACKAGING DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de PIS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 91 00 44 /2 01 1- 38 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13819.910044/201138 Acórdão n.º 3302004.579 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 02051.213. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13819.910044/201138 Acórdão n.º 3302004.579 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13819.910044/201138 Acórdão n.º 3302004.579 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13819.910044/201138 Acórdão n.º 3302004.579 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13819.910044/201138 Acórdão n.º 3302004.579 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13819.910044/201138 Acórdão n.º 3302004.579 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 115DF CARF MF
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Numero do processo: 13890.000282/2003-61
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de Apuração: 31/12/2003 Ementa: IRPJ. EVENTUAL EXCESSO DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Eventual excesso nos recolhimentos por estimativa, após 31 de dezembro do ano calendário, momento do fato gerador do IRPJ, comprovado pagamento a maior ou indevido mediante Balancete de Suspensão/Redução, poderá ser restituído ou compensado como pagamento a maior apurado, desde que o contribuinte não o utilize na dedução do IRPJ devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período. ACRÉSCIMOS LEGAIS – JUROS E MULTA DE MORA – COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Os juros e a multa de mora incidentes sobre o tributo que deixou de ser adimplido em face da não homologação da compensação resultam da aplicação do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, sem possibilidade, portanto, de qualquer afastamento.
Numero da decisão: 1802-001.240
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, AFASTARAM a nulidade suscitada e, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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(SUCESSORA) Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de Apuração: 31/12/2003 Ementa: IRPJ. EVENTUAL EXCESSO DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Eventual excesso nos recolhimentos por estimativa, após 31 de dezembro do ano calendário, momento do fato gerador do IRPJ, comprovado pagamento a maior ou indevido mediante Balancete de Suspensão/Redução, poderá ser restituído ou compensado como pagamento a maior apurado, desde que o contribuinte não o utilize na dedução do IRPJ devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período. ACRÉSCIMOS LEGAIS – JUROS E MULTA DE MORA – COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Os juros e a multa de mora incidentes sobre o tributo que deixou de ser adimplido em face da não homologação da compensação resultam da aplicação do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, sem possibilidade, portanto, de qualquer afastamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, AFASTARAM a nulidade suscitada e, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Fl. 358DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (flS.249/250) que a seguir transcrevo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/02, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 2362) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ — código de receita: 2362). Por intermédio do despacho decisório de fls. 87/90, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para compor o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, não podendo, portanto, ser objeto de restituição como pagamento indevido ou a maior. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.95/111, acompanhada dos documentos de fls. 112/243, na qual alega, em síntese, que: a) a contribuinte efetuou o recolhimento indevido ou a maior do imposto de renda estimativa mensal, no valor de R$ 47.054,86, referente ao mês de dezembro de 2002; b) ao demonstrar a composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, restará demonstrado que o contribuinte recolheu indevidamente ou a maior o valor de R$ 47.054,86, referente ao IRPJ do mês de dezembro de 2002; c) a recorrente demonstrou que possuía um saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 494.209,91 e que este saldo foi utilizado para liquidar os débitos de imposto de renda devido dos meses de agosto, outubro, novembro e dezembro de 2002; d) após essas compensações, ainda restou um saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 54.857,08, o que deixa claro que o valor de R$ 47.054,86, referente ao IRPJ do mês de dezembro de 2002, informado inclusive em DCTF, foi um pagamento indevido ou a maior, a partir de 01/01/2003; e) a Receita Federal já considerou como correto o saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 260.670,30, porém não considerou o valor do IRRF, do anocalendário de 1999, sobre aplicações financeiras, no valor de R$ 233.539,61, Fl. 359DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13890.000282/200361 Acórdão n.º 1802001.240 S1TE02 Fl. 359 3 resultando na atuação da contribuinte em R$ 118.922,26, que decorre da glosa de referido valor; f) a liquidez do referido crédito depende necessariamente da compreensão do processo n° 13890.000281/200316 e uma vez demonstrado a legitimidade do saldo negativo do IRPJ, restará derrubado o referido Auto de Infração, tornandose, por conseguinte, legítimo o crédito utilizado no processo administrativo n° 13890.000281/200316, assim como o crédito utilizado no presente, pois, em face da desconsideração de parte do saldo negativo do IRPJ, do anocalendário de 2002, foi utilizado, pela Receita Federal, o recolhimento do IRPJ do mês de dezembro para quitar parte do imposto devido naquele mês; g) o valor do imposto de renda na fonte do anocalendário de 1999, no valor de R$ 233.539,61, decorre de rendimentos de aplicação financeira e estava depositado à ordem judicial nos autos do mandado de segurança n° 1999.61.05.001093 9, tramitado na 2ª Vara Federal da Seção Judiciária de Campinas, o qual foi convertido em renda da União no ano de 2000 quando desistiu da ação, do que surge seu direito líquido e certo de utilizálo na compensação adotada, sem autorização prévia da Receita Federal, consoante autorizado pelo Ato Declaratório SRF n° 03, de 07 de janeiro de 2000 e Ato Declaratório Cosit n° 14/98; h) discorre sobre o princípio da verdade material; i) requer o cancelamento da guia de cobrança, assim entendido o Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), que se fez acompanhar a intimação do despacho decisório, bem como, os juros e multa nele inseridos; j) na conclusão, reforça que os valores ora cobrados foram decorrentes do não reconhecimento do saldo negativo do imposto de renda de aplicação financeira oriundo do ano calendário de 1999, referente à conversão em renda de depósito judicial de contrato de "swap" com cobertura "hedge". Conseqüentemente, havendo o reconhecimento do presente saldo negativo, restarseá legítima a presente declaração de compensação. Ao final, requer que seja reformado o despacho decisório DRF/PCA n° 0101, de 17/01/2008, protestando pela apresentação de documentos e realização de diligências, em especial perícia técnica. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Ribeirão Preto/SP) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no venerando Acórdão nº 1425.272, de 17 de julho de 2009 (fls.248/245). A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.326): Assunto:Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 360DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Data do fato gerador: 31/01/2003 Ementa:DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez. e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2003 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da manifestação de inconformidade é o marco para apresentação de provas e alegações com o condão de modificar, impedir ou extinguir a pretensão fiscal, consideradas as exceções previstas no estatuto processual tributário. Solicitação Indeferida Consta à fl.339, despacho da AGÊNCIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM RIO CLARO/SP com o seguinte teor: Foram feitas várias tentativas junto ao Correio local para se localizar o "AR"; na ausência do mesmo, considerouse a ciência do interessado 15 dias após a postagem ocorrida em 14/11/2009. A interessada interpôs recurso voluntário ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 14/12/2009, fls.261/287, alegando, preliminarmente que, embora, tenha apresentado todo o fundamento fático e jurídico no que tange ao seu crédito, dando ao Fisco todos os elementos necessários para recompor os valores, juntando inclusive os documentos necessários, observa que a DRJ não apreciou os fundamentos jurídicos apresentados, não se manifestando expressamente sobre os fundamentos e documentos apresentados pela Recorrente. Diz que esse fato, cerceia flagrantemente o direito de defesa da empresa Recorrente, na medida em que a Recorrente é obrigada a levar sua causa à Superior Instância Administrativa, sem que o feito tenha sido devidamente examinado pela 1ª instância administrativa, em prejuízo do direito pleiteado pela Recorrente. Sobre o mérito, a recorrente alega os mesmos argumentos expendidos na impugnação, relatados acima, que, em suma, pretendem justificar a existência de saldo negativo e por isto o recolhimento da estimativa de dezembro de 2002 resultaria em pagamento a maior ou indevido. Em síntese são os seguintes: o presente recurso tem como objetivo demonstrar a regularidade e a legitimidade do saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 233.539,61 decorrente de Imposto de Renda de aplicação financeira oriundo do anocalendário de 1999, referente à conversão em renda de depósito judicial de contrato de "swap" com cobertura "hedge", ocorrido nos autos do mandado de segurança, proc.n.° 1999.61.05.0010939, impondo desta forma a procedência da compensação efetivada, com todas as implicações legais daí decorrentes; Fl. 361DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13890.000282/200361 Acórdão n.º 1802001.240 S1TE02 Fl. 360 5 que comprovado que o referido valor compreende o saldo negativo de IRPJ da Recorrente, deverá este Colendo Conselho reconhecer que o DARF recolhido por estimativa em dezembro de 2002 configura pagamento indevido ou a maior, já que o contribuinte possui saldo negativo suficiente para compensar todo o seu IRPJ devido no referido anocalendário, restando, inclusive, um saldo negativo remanescente; que, a Recorrente verificou o recolhimento indevido ou a maior do imposto de renda estimativa mensal (código de receita 2362), no valor de R$ 47.054,86, comprovando o pagamento a maior, referente ao mês de dezembro de 2002, utilizandoo, por conseguinte, na presente Declaração de Compensação, que por sua vez não foi homologada pela Delegacia da Receita Federal, que entendeu não haver indébito passível de utilização; que, o Processo Administrativo n.° 13890.000281/200316 no qual contém o Auto de Infração — MPF n.° 812500/00251/2007está relacionado com a composição do saldo negativo do IRPJ do exercício 2003, anocalendário 2002; que, feita a análise do referido processos administrativo, poderá se concluir que o crédito utilizado na presente declaração de compensação revestese de liquidez e certeza, uma vez que o saldo negativo de IRPJ era suficiente para liquidar os referidos débitos de IRPJ (estimativas do anocalendário de 2002), restando ainda um crédito no valor R$ 54.857,08, que por sua vez foi utilizado no Processo Administrativo acima referido (13890.000281/200316 —Declaração de Compensação). Logo, se após a liquidação do IRPJ devido no ano de 2002 ainda restou um saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 54.857,08, fica evidente que pagou indevidamente ou a maior o valor de R$ 47.054,86, a título de estimativa, referente ao mês de dezembro de 2002, já que o valor devido do respectivo período foi inteiramente compensado pela utilização do saldo negativo do IRPJ. Contestando o Auto de Infração e reportandose ao outro Processo Administrativo n.° 13890.000281/200316, a Recorrente discorre às fls.268/283. Em relação ao valor questionado nos presentes autos, R$ 47.054,86, a Recorrente alega que embora o referido valor esteja informado na DCTF, a verdade é que este valor foi devidamente compensado pela utilização do saldo negativo de IRPJ o qual está devidamente demonstrado no razão contábil da empresa (Doc. 20), restando, portanto, legitimo o referido crédito objeto da presente Declaração de Compensação. A Recorrente também se insurge contra a cobrança dos juros selic e da multa de mora. Aduz que, também a Delegacia de Julgamento não apreciou os fundamentos jurídicos apresentados pela Recorrente no que tange a aplicação da multa. E que esse fato, viola o direito da Recorrente na medida que não teve seu direito devidamente apreciado pela 1ª instância administrativa, fazendose medida de direito, portanto que esse Conselho analise os fundamentos ora apresentados. Sobre o assunto alega que, como todos os débitos fiscais reclamados pela autoridade fiscal foram regularmente satisfeitos, conforme os documentos ora juntados, não se pode imputar à empresa a cobrança do imposto, bem como a incidência de quaisquer juros moratórios ou multa. Isto porque, foram efetuados todos os pagamentos reclamados pela autoridade fiscal, por meio de compensação. A conclusão da Recorrente é que: Fl. 362DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Conforme ficou demonstrado e comprovado pelos documentos ora acostados, notase que os valores ora cobrados foram decorrentes do não reconhecimento do saldo negativo do Imposto de Renda de aplicação financeira oriundo do ano calendário de 1999, referente à conversão em renda de depósito judicial de contrato de "swap" com cobertura “hege”. Conseqüentemente, havendo o reconhecimento do presente saldo negativo, restarseá legítima a presente declaração de compensação, uma vez que a conclusão a que chegará esta Ilustre Delegacia da Receita Federal é de que o valor recolhido de R$ 47.054,86, a título de IRPJ estimativa mensal do mês de dezembro de 2002, foi realmente um valor recolhido indevidamente ou a maior. Daí restará liquido o presente crédito, impondose, homologação da presente compensação,ainda que a DCTF e DIPJ do contribuinte não tenham sido preenchidas corretamente a época da ocorrência dos respectivos fatos geradores. Finalmente, requer seja dado provimento ao Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13890.000282/200361 Acórdão n.º 1802001.240 S1TE02 Fl. 361 7 Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. O presente processo tem origem na Declaração de Compensação (fls.01/02), protocolizada em 15/05/2003, em que a contribuinte pretende compensar débito de R$ 47.054,86, código 23621, estimativa IRPJ – período de apuração: Fevereiro/2003, com a utilização de crédito do mesmo valor, decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior do IRPJ de 31/12/2002 (DARF: código – 23621 – Estimativa Período de Apuração: dezembro/2002; Vencimento: 30/01/2003, Valor: R$ 47.054,86) fl.03. Por intermédio do DESPACHO DECISÓRIO DRF/PCA n° 0101 de 17/01/2008 (fls. 87/90), em que se analisou o pleito acima, constatase que não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada, sob os seguintes fundamentos: Por ocasião da análise do pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ, objeto do processo nº 13890.000281/200316, foi verificada a incompatibilidade dos valores declarados em DCTF, quando confrontados com os dados constantes da DIPJ. Dentro desse procedimento, concluise pela necessidade de lançamento complementar do IRPJ, além da utilização dos pagamentos do imposto vinculados a esse período. Dentre os valores de pagamento aproveitados, constatase que o DARF, ora pleiteado como indevido, foi admitido como pagamento por estimativa referente a dez/02, tendo, inclusive, sido utilizado como antecipação do resultado anual. Juntaramse aos autos cópia do DESPACHO DECISÓRIO DRF/PCA n° 1750, de 04/12/2007, relativo ao mencionado processo nº 13890.000281/200316 (fls.80/85) no qual restou consignado que computado o valor de R$ 47.054,86 (DARF: estimativa de dezembro de 2002) mesmo assim ainda resultaria em saldo de IRPJ a pagar. Da análise do processo nº 13890.000281/200316, a conclusão do aludido despacho é a seguinte: Diante do exposto, proponho a NÃO HOMOLOGAÇÃO da Declaração de Compensação e lançamento das multas referentes aos débitos remanescentes de estimativas de IRPJ (competências de novembro de 2002 e dezembro de 2002) e lançamento do saldo positivo de IRPJ apurado. A recorrente alega que o presente recurso tem como objetivo demonstrar a regularidade e a legitimidade do saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 233.539,61 decorrente de Imposto de Renda de aplicação financeira oriundo do anocalendário de 1999, referente à conversão em Fl. 364DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 renda de depósito judicial de contrato de "swap" com cobertura "hedge", ocorrido nos autos do mandado de segurança, proc.n.° 1999.61.05.0010939, impondo desta forma a procedência da compensação efetivada, com todas as implicações legais daí decorrentes. Que comprovado que o referido valor compreende o saldo negativo de IRPJ da Recorrente, deverá este Colendo Conselho reconhecer que o DARF recolhido por estimativa em dezembro de 2002 configura pagamento indevido ou a maior, já que o contribuinte possui saldo negativo suficiente para compensar todo o seu IRPJ devido no referido anocalendário, restando, inclusive, um saldo negativo remanescente. Por oportuno trazse à baila a alegação da recorrente de que houve cerceamento do direito de defesa na medida em que a DRJ não apreciou os fundamentos jurídicos apresentados, não se manifestando expressamente sobre os fundamentos e documentos apresentados pela Recorrente. A alegação é genérica e não condiz com a decisão recorrida que enfrentou a situação tratada nos autos relativa à Declaração de Compensação (fl.01) e finalmente concluiu o seguinte (fl.332): Desta forma, sendo manifesto que o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 já foi objeto de indeferimento no processo nº 13890.000281/200316 bem como que o indébito aqui pleiteado (R$ 47.054,86) foi utilizado pela autoridade fiscal para compor à apuração do IRPJ do anocalendário de 2002, consoante o processo administrativo nº 13890.000282/200361 (fls.130/152), não pode este ser objeto de compensação como pagamento indevido ou a maior. A recorrente diz que a DRJ não se pronunciou sobre a verdade material alegada. Apesar da interessada discorrer sobre o princípio da verdade material não concluiu que fato específico e provas continham a “verdade material”. Como visto na alegação em que a recorrente pretende justificar o saldo do ano calendário de 2002 para vincular ao suposto indébito da estimativa de dezembro de 2002, a interessada pretende sejam discutidas nos presentes autos as questões a serem decididas no âmbito do Processo nº 13890.000281/200316, atinentes ao saldo negativo do ano calendário de 2002. Por óbvio, a decisão recorrida não pode tratar do mérito de tal matéria a ser analisada em procedimento distinto atinente ao aludido processo. Pois, qualquer inferência no sentido de antecipar o resultado do litígio daquele processo redunda em julgamento prévio, portanto inadequado aos presentes autos. Como se vê, a Recorrente pretende justificar a existência de saldo negativo e por isto o recolhimento da estimativa de dezembro de 2002 resultaria em pagamento a maior ou indevido. A argumentação acima, em nada comprova que o valor de R$ 47.054,86 (DARF estimativa de dezembro de 2002) representa pagamento indevido ou a maior, pois, não havendo a recorrente trazido aos autos o conjunto probatório do crédito alegado não há falar em excesso de estimativa relativo ao mês de dezembro de 2002. Sabese que o reconhecimento do direito creditório relativo a pagamento a maior, por estimativa, reclama que referido pagamento não tenha sido utilizado como dedução do IRPJ a pagar ou na composição do saldo negativo de 31/12/2002. Portanto, a mera alegação de saldo negativo suficiente para compensar todo o seu IRPJ devido no referido anocalendário de 2002 por si só não caracteriza o pagamento a maior pleiteado pela interessada. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13890.000282/200361 Acórdão n.º 1802001.240 S1TE02 Fl. 362 9 A recorrente repisa que o Processo Administrativo n.° 13890.000281/200316 no qual contém o Auto de Infração — MPF n.° 812500/00251/2007está relacionado com a composição do saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2002. E que, feita a análise do referido processo administrativo, poderá se concluir que o crédito utilizado na presente declaração de compensação revestese de liquidez e certeza, uma vez que o saldo negativo de IRPJ era suficiente para liquidar os referidos débitos de IRPJ (estimativas do anocalendário de 2002), restando ainda um crédito no valor de R$ 54.857,08, que por sua vez foi utilizado no Processo Administrativo acima referido (13890.000281/200316 —Declaração de Compensação). Logo, se após a liquidação do IRPJ devido no ano de 2002 ainda restou um saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 54.857,08, fica evidente que pagou indevidamente ou a maior o valor de R$ 47.054,86, a título de estimativa, referente ao mês de dezembro de 2002, já que o valor devido do respectivo período foi inteiramente compensado pela utilização do saldo negativo do IRPJ. Aduz a Recorrente que verificou o recolhimento indevido ou a maior do imposto de renda estimativa mensal (código de receita 2362), no valor de R$ 47.054,86, comprovando o pagamento a maior, referente ao mês de dezembro de 2002. É incontroverso o DARF relativo ao IRPJ mensal (código de receita 2362), no valor de R$ 47.054,86, referente ao mês de dezembro de 2002, no entanto, não consta dos autos a prova irrefutável de que o alegado pagamento recolhido à titulo de estimativa do mês de dezembro/2002, foi indevido ou a maior. A alusão feita pela recorrente ao processo nº 13890.000281/200316 em nada ajuda a comprovar a liquidez e certeza do alegado pagamento indevido ou a maior do valor de R$ 47.054,86 a título de estimativa, referente ao mês de dezembro de 2002, pois, a conclusão a que se chegou tanto no Despacho Decisório (fls. 87/90) quanto no acórdão recorrido, é que, ainda que computado o mencionado valor na dedução do IRPJ devido foi o mesmo insuficiente para quitar o IRPJ a pagar apurado em 31/12/2002, cujo saldo positivo de IRPJ apurado pela autoridade fiscal, no valor de R$ 118.992,26, foi efetuado o lançamento tributário de ofício, conforme documentos de fls.141/152. Em relação ao valor questionado nos presentes autos, R$ 47.054,86, a Recorrente alega que embora o referido valor esteja informado na DCTF, a verdade é que este valor foi devidamente compensado pela utilização do saldo negativo de IRPJ o qual está devidamente demonstrado no razão contábil da empresa (Doc. 20), restando, portanto, legitimo o referido crédito objeto da presente Declaração de Compensação. O fundamento para a não homologação da DCOMP consubstanciada no despacho decisório (fls.87/90) é que o valor do pagamento realizado pela Contribuinte foi utilizado para quitação do débito por estimativa, confessado em DCTF, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP (fls.01/02). Portanto, não há pagamento indevido ou a maior no referido período já que o contribuinte sequer comprova erro no cálculo da estimativa apurada em dezembro de 2002, e, pagamento a maior ou indevido mediante Balancete de Suspensão/Redução. A interessada, desde a impugnação em sede de primeira instância, argúi que o reconhecimento do direito creditório nos autos depende necessariamente da compreensão do processo n° 13890.000281/200316 e uma vez demonstrado a legitimidade do saldo negativo do IRPJ, será legítimo o crédito informado na declaração de compensação de fl. 01. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Como se vê, toda a defesa da interessada está atrelada ao saldo negativo do IRPJ em 31/12/2002. Ocorre que o crédito constante da Declaração de Compensação tratada nos presentes autos é de pagamento a maior ou indevido da estimativa de dezembro/2002. O eventual excesso nos recolhimentos por estimativa, após 31 de dezembro do ano calendário, momento do fato gerador do IRPJ, poderá ser restituído ou compensado como pagamento a maior apurado, desde que o contribuinte não o utilize na dedução do IRPJ devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período, e, comprovado pagamento a maior ou indevido mediante Balancete de Suspensão/Redução. A recorrente nada trouxe aos autos para comprovar o excesso no recolhimento à titulo de estimativa. Ao contrário, vincula seu pleito ao saldo negativo do IRPJ em 31/12/2002. Assim, descaracterizado o indébito do pagamento de estimativa, em virtude da não apresentação de Balancete de Suspensão/Redução, restaria a análise do pedido formulado, na forma de saldo negativo, desde que presentes as seguintes condições: (i) o requerente não utilizou o alegado pagamento indevido de estimativa no ajuste anual do imposto; e, (ii) o sujeito passivo declarou saldo negativo. Ocorre que, sendo o objeto do Processo Administrativo n.° 13890.000281/200316 no qual contém o Auto de Infração — MPF n.° 812500/00251/2007 relacionado com a composição do saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2002, no qual está contido o valor de R$ 47.054,86 recolhido à título de estimativa de dezembro de 2002, não pode o mesmo também ser tratado como pagamento indevido ou a maior nos presentes autos para fins de compensação com o débito indicado na DCOMP (fl.01). A Recorrente também se insurge contra a cobrança dos juros selic e da multa de mora. Aduz que, também a Delegacia de Julgamento não apreciou os fundamentos jurídicos apresentados pela Recorrente no que tange a aplicação da multa. E que esse fato, viola o direito da Recorrente na medida que não teve seu direito devidamente apreciado pela 1ª instância administrativa, fazendose medida de direito, portanto que esse Conselho analise os fundamentos ora apresentados. Também aqui não procede a alegada omissão na decisão recorrida, pois, adotando as mesmas razões de decidir expressas no Acórdão nº1419.836, transcritas à fl.329, assim a DRJ firmou sua posição: Quanto aos juros e a multa de mora incidentes sobre o tributo que deixou de ser adimplido em face da não homologação da compensação de observar que ditas acréscimos são impostos pelo artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, sem possibilidade, portanto, de qualquer afastamento. Nesse particular, não divirjo da decisão recorrida por entender que os acréscimos moratórios em relação ao débito é conseqüência da nãohomologação da compensação e sua exigência deverá seguir à legislação aplicável. Diante do exposto, voto no sentido de afastar o alegado cerceamento ao direito de defesa e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13890.000282/200361 Acórdão n.º 1802001.240 S1TE02 Fl. 363 11 Fl. 368DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10830.900269/2013-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.694
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 69 /2 01 3- 00 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.900269/201300 Acórdão n.º 3301003.694 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.728, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.900269/201300 Acórdão n.º 3301003.694 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.900269/201300 Acórdão n.º 3301003.694 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.900269/201300 Acórdão n.º 3301003.694 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10830.900269/201300 Acórdão n.º 3301003.694 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10830.900269/201300 Acórdão n.º 3301003.694 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10830.900269/201300 Acórdão n.º 3301003.694 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10830.900269/201300 Acórdão n.º 3301003.694 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 203DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.722908/2013-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
A omissão nos documentos de lançamento do número do processo no sistema Comprot não se enquadra em nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72.
A relação de todos os lançamentos que compõem o crédito tributário no Termo de Verificação Fiscal permitiram o exercício do contraditório e da ampla defesa, conforme comprova o extenso e detalhado recurso apresentado pela recorrente.
RECUSA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Deve ser indeferido o pedido de diligência quando o contribuinte, em procedimento de diligência anteriormente solicitada pelo órgão julgador a quo, se recusa a trazer aos autos documentos hábeis à comprovação das despesas e custos glosados, sob a alegação de ausência de obrigação legal de guarda dos documentos.
GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. DEVER DE GUARDA.
A documentação comprobatória dos custos e despesas computados na apuração do lucro real deve ser conservada até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. A falta de apresentação dessa documentação enseja a manutenção das glosas efetuadas pela fiscalização.
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO.
Aplica-se a mesma solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão do lançamento estar apoiado nos mesmos elementos de convicção.
Numero da decisão: 1301-002.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e o pedido de diligência. No mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. A omissão nos documentos de lançamento do número do processo no sistema Comprot não se enquadra em nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. A relação de todos os lançamentos que compõem o crédito tributário no Termo de Verificação Fiscal permitiram o exercício do contraditório e da ampla defesa, conforme comprova o extenso e detalhado recurso apresentado pela recorrente. RECUSA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de diligência quando o contribuinte, em procedimento de diligência anteriormente solicitada pelo órgão julgador a quo, se recusa a trazer aos autos documentos hábeis à comprovação das despesas e custos glosados, sob a alegação de ausência de obrigação legal de guarda dos documentos. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. DEVER DE GUARDA. A documentação comprobatória dos custos e despesas computados na apuração do lucro real deve ser conservada até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. A falta de apresentação dessa documentação enseja a manutenção das glosas efetuadas pela fiscalização. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplica-se a mesma solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão do lançamento estar apoiado nos mesmos elementos de convicção.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. A omissão nos documentos de lançamento do número do processo no sistema Comprot não se enquadra em nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. A relação de todos os lançamentos que compõem o crédito tributário no Termo de Verificação Fiscal permitiram o exercício do contraditório e da ampla defesa, conforme comprova o extenso e detalhado recurso apresentado pela recorrente. RECUSA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de diligência quando o contribuinte, em procedimento de diligência anteriormente solicitada pelo órgão julgador a quo, se recusa a trazer aos autos documentos hábeis à comprovação das despesas e custos glosados, sob a alegação de ausência de obrigação legal de guarda dos documentos. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. DEVER DE GUARDA. A documentação comprobatória dos custos e despesas computados na apuração do lucro real deve ser conservada até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. A falta de apresentação dessa documentação enseja a manutenção das glosas efetuadas pela fiscalização. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase a mesma solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão do lançamento estar apoiado nos mesmos elementos de convicção. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 29 08 /2 01 3- 29 Fl. 923DF CARF MF Processo nº 19515.722908/201329 Acórdão n.º 1301002.542 S1C3T1 Fl. 924 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e o pedido de diligência. No mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior. Relatório Tratase o presente processo de recurso voluntário, interposto contra o Acórdão nº 1671.847 5ª Turma da DRJ/SPO, que considerou parcialmente procedente a impugnação da contribuinte para reduzir as glosas de despesas não comprovadas, de R$ 48.334.569,07 para R$ 47.425.849,63. Em consequência dos ajustes no julgamento, o saldo de prejuízos fiscais prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL apurados pela recorrente no anocalendário de 2009 foram reduzidos para R$ 2.774.008,11 e R$ 2.806.409,99, respectivamente. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo órgão julgador a quo, complementandoo ao final: "DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 441/480, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, relativa ao anocalendário de 2009, constatouse a existência de valores contabilizados como custos e/ou despesas operacionais que não foram devidamente comprovados. DOS FATOS Para que um valor contabilizado nas rubricas despesas e/ou custos seja dedutível, há de estar embasado em documentação hábil e idônea, bem como a clareza dos serviços prestados ou executados deverá estar implícita em documentos que motivaram seus registros contábeis. Tendo sido o representante legal da empresa intimado (em 26/04/2013 e 28/06/2013 e 19/09/2013) e reintimado (em 30/10/2013 e 11/11/2013), a comprovar os custos e despesas mencionados a seguir, com todos os documentos que embasaram a contabilidade, não o fez totalmente. Valores contabilizados nas contas: Gratificações/Bônus, Serviços Prestados com Marketing, Gastos Com Aeronave, Aluguel de Equipamento, Cursos e Treinamentos, Fl. 924DF CARF MF Processo nº 19515.722908/201329 Acórdão n.º 1301002.542 S1C3T1 Fl. 925 3 Condução, Brindes e Confraternizações, Combustíveis e Lubrificantes, Despesas Com Cartórios, Viagens/Estadias/Passagens, Lanches e Refeições, Material de informática, Propaganda e Publicidade, Reforma de Imóveis, Seguro de Vida e Serviços Prestados por Pessoa Jurídica, precisam estar acompanhados obrigatoriamente de todos os documentos que lastrearam seus registros contábeis, tais como: Contratos de Prestação de Serviços, pagamento, Nota Fiscal, relatórios conclusivos e planilhas, evidenciando a quantidade de horas e pessoas envolvidas e outros controles internos que possam elucidar a veracidade dos serviços realmente concretizados. No que tange aos gastos com Aeronaves, é necessário que se apresente, além de Notas Fiscais, relatórios dos serviços utilizados, comprovantes de pagamentos e prova da necessidade deste tipo de custo/despesa; caso contrário tornase uma despesa desnecessária para as atividades da empresa. Quanto aos Brindes e Confraternizações e Despesas com Combustíveis, foram adicionados no LALUR, para a apuração do lucro real. Quanto às Viagens/Estadias/Passagens e Condução, necessário se faz ainda apresentar voucher, bilhetes de passagens aéreas e finalidades. Conforme determinação da legislação do imposto de renda em regência, Notas Fiscais com históricos genéricos não são suficientes para comprovação dos custos e despesas efetuados, conforme decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. n°01 01.549/93). Ainda em conformidade com o entendimento do 1° Conselho de Contribuintes, para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutível, não basta somente comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É indispensável, principalmente, comprovar que o dispêndio efetuado corresponde à contrapartida de algo recebido e por isso mesmo, torna o pagamento devido (Ac. n°s 1053.715 e 3.719 a 3.721/89). A empresa fiscalizada foi intimada e reintimada a apresentar todos os documentos necessários a comprovar valores contabilizados nas contas abaixo, nos grupos CUSTOS e DESPESAS, mas deixou de apresentar, para maioria dos casos, qualquer documentação, apresentando, para pouquíssimos casos, somente Nota Fiscal, como no caso da rubrica Serviços Prestados por Pessoa Jurídica, para a qual apresentou somente Notas Fiscais e nenhum contrato, prejudicando, portanto, a analise integral dos lançamentos e valores detalhados a seguir. Gratificações/Bônus Foi solicitado à contribuinte apresentar documentação detalhando de como são pagos os Bônus e Gratificações, relação dos empregados, percentual, comprovantes de pagamentos e outros documentos, para elucidar as operações contábeis que comprovassem a necessidade da despesa para a atividade da empresa. A contribuinte deixou de comprovar os valores abaixo: [...] Serviços Prestados com Marketing Foi solicitada a documentação (Notas Fiscais de serviços, contratos, faturas, recibos, relatórios de conclusão, pagamentos e finalidade) relativa às despesas em questão. Nada foi apresentado. [...] Fl. 925DF CARF MF Processo nº 19515.722908/201329 Acórdão n.º 1301002.542 S1C3T1 Fl. 926 4 Gastos Com Aeronave Foi solicitada cópia de contratos e aditivos, Notas Fiscais de serviços, faturas, relatórios dos serviços prestados e finalidades. Não houve apresentação de documentos. [...] Aluguel de Equipamento Foram solicitados documentos (cópia de contratos e aditivos, Notas Fiscais de serviços, faturas, relatórios dos serviços prestados, finalidades). Nada foi apresentado. [...] Cursos e Treinamentos Foram solicitados documentos (cópia de contratos e aditivos, Notas Fiscais de serviços, faturas, relatórios dos serviços prestados, finalidades). A contribuinte não logrou apresentar a referida documentação. [...] Condução Foram solicitados documentos (Notas Fiscais de serviços, faturas, relatórios dos serviços prestados, comprovantes de pagamentos, finalidades), os quais não foram apresentados. [...] Despesas Com Cartórios Foram solicitados documentos (Notas Fiscais de serviços, faturas, comprovação de pagamentos, finalidades), os quais não foram apresentados. [...] Viagens/Estadias/Passagens Foram solicitados documentos (Notas Fiscais de hotéis, faturas, recibos, passagens aéreas, relatórios, finalidade das viagens. A dedução de despesas com viagens requer a prova de sua realização, finalidade e necessidade para atividade da empresa. Assim sendo, as despesas não comprovadas com toda a documentação necessária não são dedutíveis. [...] Lanches e Refeições Foram solicitados documentos (Notas Fiscais de serviços, faturas, comprovação de pagamentos, finalidades, etc.). A contribuinte não logrou apresentar a referida documentação. [...] Material de informática Foram solicitados documentos (Notas Fiscais de serviços, faturas, comprovação de pagamentos, finalidades), os quais não foram apresentados. Fl. 926DF CARF MF Processo nº 19515.722908/201329 Acórdão n.º 1301002.542 S1C3T1 Fl. 927 5 [...] Propaganda e Publicidade Foram solicitadas Notas Fiscais de serviços, contratos, faturas, recibos, relatórios de conclusão, pagamentos e finalidade. Não foram apresentados contratos, relatórios de conclusão dos serviços efetuados e finalidade que comprovam a necessidade da despesa para a atividade da empresa. A falta de comprovação de despesa com toda a documentação solicitada e exigida pela legislação do imposto de renda a torna indedutível. [...] Reforma de Imóveis Foram solicitados documentos (cópia de contratos e aditivos, Notas Fiscais de serviços, faturas, relatórios dos serviços prestados, finalidade, comprovantes de pagamentos), os quais não foram apresentados. [...] Seguro de Vida Foram solicitados documentos,(cópia de contratos e aditivos, Notas Fiscais de serviços, faturas, apólice, finalidade, relação dos beneficiados, comprovantes de pagamentos). A contribuinte não logrou apresentar a referida documentação. [...] Serviços Prestados por Pessoa Jurídica Para todos os casos não foram apresentados contratos, comprovantes de pagamentos e relatórios de conclusão dos serviços em questão. Para pouquíssimos casos foram apresentados somente Notas Fiscais, insuficientes para comprovação de despesas/custos. [...] Total de despesas glosadas pela fiscalização Sintetizase, a seguir, as despesas acima relacionadas, glosadas pela fiscalização, que as considerou indedutíveis. Mês Valor (R$) jan/09 1.287.059,63 fev/09 228.789,83 mar/09 736.311,37 abr/09 662.581,27 mai/09 311.006,28 jun/09 361.863,07 jul/09 424.627,74 ago/09 334.270,32 set/09 3.948.494,22 out/09 922.234,12 nov/09 654.564,72 dez/09 946.401,14 Total 10.818.203,71 Custos de Imóveis Vendidos Fl. 927DF CARF MF Processo nº 19515.722908/201329 Acórdão n.º 1301002.542 S1C3T1 Fl. 928 6 Foram solicitadas para esta rubrica Notas Fiscais, faturas, recibos, comprovantes de pagamentos mapas auxiliares e mapas de apuração do lucro imobiliário, para verificar a integral realização dos custos realizados e a geração da receita operacional. A contribuinte apresentou algumas Notas Fiscais. Para a maioria dos casos não apresentou nenhum documento e não esclareceu a relação dos custos com a geração da receita operacional. [...] Custos utilizados para apuração de créditos em decorrência da não cumulatividade das contribuições ao PIS e à COFINS Referidos custos foram utilizados para apropriação dos créditos do PIS e da COFINS, em decorrência da não cumulatividade, não tendo sido devidamente comprovados. Além do Auto de Infração do PIS e da COFINS, deve ser lavrado Auto de Infração de IRPJ e CSLL, por custos não comprovados. Estes custos não estão inseridos na planilha de custos acima. [...] Total de despesas/custos glosados pela fiscalização Mês Despesas (R$) Custos (R$) PIS (R$) Total (R$) jan/09 1.287.059,63 228.376,79 1.906.276,05 3.421.712,47 fev/09 228.789,83 2.102.418,80 1.887.160,86 4.218.369,49 mar/09 736.311,37 5.554.356,93 2.420.444,74 8.711.113,04 abr/09 662.581,27 3.045.062,27 1.065.100,54 4.772.744,08 mai/09 311.006,28 1.518.788,22 1.097.205,37 2.926.999,87 jun/09 361.863,07 6.488.459,79 727.481,83 7.577.804,69 jul/09 424.627,74 1.290.701,27 952.683,74 2.668.012,75 ago/09 334.270,32 1.195.328,04 708.773,20 2.238.371,56 set/09 3.948.494,22 2.125.081,54 108.019,66 6.181.595,42 out/09 922.234,12 15.440,00 937.674,12 nov/09 654.564,72 2.586.988,31 112.296,48 3.353.849,51 dez/09 946.401,14 118.117,40 261.803,53 1.326.322,07 Total 10.818.203,71 26.253.679,36 11.262.686,00 48.334.569,07 DO DIREITO O Conselho Federal de Contabilidade emitiu, em 28/10/83, a Resolução n° 563, que aprovou a Norma N.B.C.T.2.1, que trata das formalidades da escrituração contábil. Em complemento, publicou, em 14/06/85, a Resolução n° 597, que aprovou a N.B.C.T.2.2, tratando da documentação contábil, onde podese ler: "2.2.1 A documentação contábil compreende todos os documentos, livros, papéis, registros e outras peças, que apóiam ou compõem a escrituração contábil. 2.2.11 Documento contábil, estritosenso, é aquele que comprova os atos e fatos que originaram lançamento(s) na escrituração contábil da entidade. 2.2.2. A documentação contábil é hábil, quando revestida das características intrínsecas ou extrínsecas essenciais, definidas na legislação, na técnica contábil ou aceitas pelos usos e costumes". A escrituração contábil, que se destina ao registro ordenado dos fatos administrativos ocorridos na empresa, não constitui prova por si mesma, a favor do Fl. 928DF CARF MF Processo nº 19515.722908/201329 Acórdão n.º 1301002.542 S1C3T1 Fl. 929 7 contribuinte, mas somente quando lastreada em documentação hábil e idônea que comprove, de forma irretorquível, os fatos registrados. É o que preceitua o artigo 2° do Decreto n° 64.567/69, que regulamentou o Decretolei n° 486/69, segundo o qual o lançamento deve conter, como elemento integrante, a consignação expressa das características principais dos documentos ou papéis que derem origem a própria escrituração; documentos esses que a empresa é obrigada a conservar em ordem até a prescrição pertinente aos atos mercantis, de acordo como disposto no artigo 5o. do referido Decreto. É o que prescreve igualmente o § 1o do artigo 9° do Decreto n° 1598/77, que dispõe que "A escrituração mantida com observância das disposições legais, faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo, sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais". Por outro lado, a autoridade tributária tem a faculdade legal de verificar o lucro real determinado pelo contribuinte, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração ou de terceiros, conforme preceitua o artigo 276 do RIR/99. Claramente depreendese que a pura e simples escrituração dos fatos nos livros comerciais e fiscais não faz prova a favor do contribuinte. É importante que os fatos sejam comprovados por documentos hábeis e idôneos, no sentido estritamente jurídico do termo. Em apoio a este entendimento, a fiscalização relaciona, às fls. 477/479, alguns acórdãos. DOS LANÇAMENTOS Em face do acima exposto, foram efetuados lançamentos de IRPJ e CSLL, relativos ao anocalendário de 2009, os quais apenas promoveram a redução, no montante de R$ 48.334.569,07, do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL do período. Os Autos de Infração, com os cálculos e fundamentos legais, encontramse às fls. 494/505. A contribuinte foi notificada a proceder aos ajustes no LALUR, em decorrência da fiscalização realizada. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 05/12/2013, a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos, apresentou, em 06/01/2014, a impugnação de fls. 558/567, alegando, em síntese, o seguinte: AUSÊNCIA DE N° NO AUTO DE INFRAÇÃO REQUISITOS FORMAIS O Auto de Infração foi entregue sem sequer a numeração que lhe é característica. É provável, como sugere a praxe, que haja numeração específica para o Auto de Infração. Todavia, tais informações não constam de nenhum documento entregue à contribuinte. Além disso, é de se notar a confusa redação dada ao Termo de Verificação Fiscal, com contas desordenadas e que tornam difícil o entendimento dos métodos utilizados para se chegar ao valor considerado como tributável pelo Auditor Fiscal. Fl. 929DF CARF MF Processo nº 19515.722908/201329 Acórdão n.º 1301002.542 S1C3T1 Fl. 930 8 Não obstante, apesar do questionável cerceamento de defesa imposto à impugnante, visando cumprir com seus deveres de lealdade processual e boafé objetiva, não se furtará a impugnar, ponto a ponto, os injustos motivos apresentados quando da lavratura do Auto de Infração. DOS CUSTOS E DESPESAS INDEVIDAMENTE GLOSADOS O Auditor Fiscal, ao lavrar o Auto de Infração, alega ser insuficiente a documentação apresentada para comprovar a realização das despesas e custos considerados nas deduções do IRPJ e da CSLL. Sua argumentação assentase, basicamente, na premissa de não ser suficiente a apresentação das Notas Fiscais, devendo ser trazidos à baila mais documentos que comprovem o efetivo custo/despesa deduzido. Tal requisito é absurdo e não deve condizer com a atuação da RFB. A Nota Fiscal é documento idôneo e hábil a comprovar a realização de serviço. A legislação citada pela fiscalização (artigos 2° e 5° do Decreto n° 64.567/69) regulamenta a necessidade de comprovação da escrituração contábil mediante consignação expressa das características principais dos documentos que lhe deram origem, bem como a guarda e manutenção destes documentos pelo prazo prescricional. Os documentos que deram origem à escrituração contábil são, por óbvio, as Notas Fiscais. Seria completamente desarrazoado requerer que a empresa, a fim de poder deduzir seus custos e despesas, realizasse contratos formais de toda sorte nas suas relações. Nos ramos da incorporação imobiliária e construção civil, há um valor determinado para "corte", sendo formalizados contratos apenas acima deste patamar. Pensar em contrário seria obrigar a manutenção de pilhas e mais pilhas de contratos demonstrando todo e qualquer gasto, ainda que compreendesse poucos centavos. Para cada lote de parafusos ou pregos haveria um contrato, o que, evidentemente, não seria razoável. Ao se fazer compras de materiais em fornecedores, a impugnante simplesmente retira a Nota Fiscal, com a discriminação do material comprado, o seu valor, os tributos incidentes e demais aspectos da NF. Toda a jurisprudência juntada pelo Auditor Fiscal, conforme quadro de fl. 562, diz respeito a (i) Notas Fiscais que não guardem relação com as atividades da empresa ou da respectiva fonte produtora; (ii) Notas Fiscais que não tenham especificados os serviços prestados ou materiais vendidos; ou (iii) ausência de documentação fiscal. Não há qualquer relação entre os fatos que compõem as decisões citadas pela fiscalização com a situação presente. No caso em exame, o Auditor Fiscal simplesmente resolveu desconsiderar as Notas Fiscais apresentadas em uma inaceitável "presunção de inidoneidade" dos documentos, o que não se admite. A menos que houvesse qualquer indício de não prestação do serviço ou não aquisição do insumo é que tal exercício poderia substistir. Do contrário, as Notas Fiscais apresentadas são suficientes para comprovar a realização do serviço ou entrega do insumo adquirido pela impugnante. Fl. 930DF CARF MF Processo nº 19515.722908/201329 Acórdão n.º 1301002.542 S1C3T1 Fl. 931 9 O próprio "site" da RFB, no seu "Perguntas e Respostas" (doc. 03), enfrenta o tema de maneira idêntica às aduções da impugnante: "294. Com relação às despesas, quais os documentos necessários à sua comprovação'? As despesas, cujos pagamentos sejam efetuados à pessoa jurídica, deverão ser comprovadas por Nota Fiscal ou Cupom emitidos por equipamentos ECF Emissor de Cupom Fiscal, observados os seguintes requisitos, em relação à pessoa jurídica compradora: sua identificação, mediante indicação de seu CNPJ; descrição dos bens ou serviços, objeto da operação; a data e o valor da operação (Lei n° 9.53 2/1997, art. 61, § 1o e 81, II). Qualquer outro meio de emissão de Nota Fiscal, inclusive o manual, depende de autorização da Secretaria de Estado da Fazenda, com jurisdição sobre o domicílio fiscal da empresa interessada" (destaques da impugnante). A Secretaria de Estado da Fazenda de São Paulo possui um guia, destinado ao contribuinte, onde elenca os indícios de irregularidade em documentos fiscais (doc. 04), relacionados às fls. 563/564. A documentação fiscal juntada não contempla nenhuma das situações, donde se denota a ausência de fundamento para questionar a idoneidade das notas. Em suma, a impugnante apresentou documentação fiscal suficiente à comprovação da efetividade dos custos e despesas. Não é admissível que se glosem os créditos delas decorrentes por simples desinteresse na aceitação de tais documentos como documentos fiscais suficientes, como comprova a jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes (ementa à fl. 564). Desta forma, temse a insubsistência do Auto de Infração, razão pela qual merece ser imediatamente cancelado. DA DOCUMENTAÇÃO JÁ DISPONIBILIZADA AO AUDITOR FISCAL A documentação necessária à discussão do assunto contido nestes autos foi providenciada pela impugnante durante o procedimento de fiscalização levado a efeito pelo Auditor Fiscal. Prescreve o artigo 37 da Lei n°9.784/99 que: "Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias". Assim, de acordo com a legislação federal atinente ao tema, a impugnante espera e requer seja aproveitada pela Autoridade Julgadora toda a documentação apresentada durante o procedimento fiscalizatório ao Auditor Fiscal. DO AJUSTE NO LALUR Em face da existência de prejuízo fiscal imensamente superior ao valor de despesas e custos não comprovados, não houve qualquer base tributável após o ajuste realizado pelo Auditor Fiscal, restando apenas a obrigação acessória de ajuste do LALUR pela impugnante, para constar a redução do prejuízo fiscal. Fl. 931DF CARF MF Processo nº 19515.722908/201329 Acórdão n.º 1301002.542 S1C3T1 Fl. 932 10 Caso não seja aceita a argumentação acima esposada, requer a impugnante, alternativamente, prazo de 30 dias para proceder à retificação, apresentando, em momento posterior, nos autos deste mesmo processo, a comprovação do cumprimento da obrigação acessória. CONCLUSÕES E PEDIDOS Ante todo o exposto, observase que não há razão para glosa dos custos/despesas apurados, o que foi equivocadamente constatado no Auto de Infração ora impugnado, sendo ele totalmente improcedente. Caso entendase de forma diversa, a impugnante requer, alternativamente, que seja concedido o prazo de 30 dias para retificação do LALUR. Diante disso, a impugnante espera e requer que seja a presente impugnação integralmente acolhida, cancelandose as obrigações acessórias impostas por meio do Auto de Infração ora impugnado. Protesta provar o alegado por todos os meios admitidos legalmente. Por fim, requer que todas as intimações decorrentes deste processo sejam feitas em nome de seu advogado, sob pena de nulidade. DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Conforme relatado, a contribuinte, intimada e reintimada a apresentar os documentos necessários a comprovar valores contabilizados nas contas dos grupos CUSTOS e DESPESAS, deixou de apresentar, para a "maioria dos casos', qualquer documentação, apresentando, para "pouquíssimos" casos, somente Nota Fiscal, como no caso da rubrica Serviços Prestados por Pessoa Jurídica, para a qual apresentou somente Notas Fiscais e nenhum contrato. Considerando que a fiscalização utilizou termos genéricos ("maioria", "pouquíssimos") para justificar as glosas de despesas/custos, os quais, no entanto, não são, por si só, suficientes para validar o lançamento tributário, "atividade administrativa plenamente vinculada", nos termos do artigo 3° do CTN, o presente processo foi encaminhado à DEFIS/SÃO PAULO, para o Auditor Fiscal autuante (fls. 665/673): • Informar, para cada rubrica glosada, quais os documentos apresentados pela contribuinte e o motivo de sua não aceitação, indicando a sua localização nos autos. Caso esses documentos não tenham sido juntados aos autos (verificouse apenas a juntada de Notas Fiscais, sem qualquer demonstrativo relacionandoas aos valores glosados), providenciar a sua juntada, conforme solicitado pela contribuinte. DO RELATÓRIO DA AUTORIDADE FISCAL Em atendimento ao solicitado por esta Delegacia de Julgamento, o Auditor Fiscal autuante elaborou o Relatório Fiscal de fls. 840/842, expondo, em síntese, o seguinte: Foram apresentadas documentações (Notas Fiscais) somente para a rubrica Serviços Prestados por Pessoa Jurídica (neste processo especifico), em um número ínfimo dado a quantidade de valores que compõe a referida conta. Para 306 casos solicitados, houve a apresentação de Notas Fiscais para 79 casos, perfazendo um percentual de 25,82%. Daí a razão desta fiscalização ter usado a expressão "na maioria dos casos não apresentou qualquer documentação e para pouquíssimos casos apresentou somente a nota fiscal.' Fl. 932DF CARF MF Processo nº 19515.722908/201329 Acórdão n.º 1301002.542 S1C3T1 Fl. 933 11 Para atender a DRJ, a fiscalização intimou a empresa a apresentar as. documentações já solicitadas anteriormente. Em resposta, a contribuinte alegou o seguinte (fls. 788/789): 1. A peticionaria recebeu Termo de Diligência e Reintimação Fiscal na data de 16/03/2015 ("TIF"). 2. Insta ressaltar que o Termo de Diligência e Reintimação não foi precedido por um Termo de Diligência e Intimação Fiscal. Não obstante, a peticionaria vem apresentar os esclarecimentos seguintes. 3. Por meio do TIF, foi requerida a apresentação de extensa lista de documentos referentes a despesas operacionais da ora peticionaria, relacionadas ao período de 01/2009 a 12/2009. 4. Todavia, tal período já sofreu fiscalização pela Receita Federal do Brasil, conforme consta do Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.90.00201202277, já encerrado (Doc.02). Na ocasião, foram lavrados Autos de infração, os quais compõem os processos COMPROT n° 19515.722910/201306 e 19515.722908/201329, devidamente impugnados (Doc.03). 5. Eventual reabertura de fiscalização do período só seria possível com base em alguma das hipóteses de revisão fiscal previstas no artigo 149 do Código Tributário Nacional. 6. Todavia, nenhum dos incisos do artigo 149 foi sinalizado como motivo da reabertura. E nem poderia, posto que o período em questão, janeiro a dezembro de 2009, já se encontra coberto pelo véu da decadência, de cinco anos da ocorrência do fato gerador, nos termos dos artigos 150, § 4°, do Código Tributário Nacional; 7. Com a decadência de todo o período, aliás, a peticionaria sequer tem o dever legal de guarda da documentação fiscal, nos termos do artigo 195, p.u., do CTN. 8. Destarte, seja em razão do encerramento de fiscalização do mesmo período, seja pela decadência, a peticionaria vem requerer a V. Sa. o encerramento do TIF sem a apresentação dos documentos requeridos, por ausência de obrigação legal. A peticionaria fica à disposição para prestar maiores esclarecimentos, caso se façam necessários, e subscreve, por meio de seus advogados, renovando seus protestos da mais elevada estima e consideração. Conforme determina a legislação em regência, para se comprovar Serviços Prestados por Pessoa Jurídica, é necessário que além das notas fiscais, sejam apresentados contratos, relatórios, planilhas e pagamentos, para se consumar a efetiva prestação dos serviços. O Contrato principalmente é imprescindível para a determinação do valor efetivamente a pagar, prazo estipulado para sua concretização e condições para a realização dos trabalhos. Conforme acima, a empresa apresentou somente nota fiscal, ainda assim para uma pequena parte do que foi solicitado. Os valores para os quais foram apresentadas Notas Fiscais estão devidamente identificados na cópia do Termo de Verificação Fiscal (fls. 747/786), anexado a este trabalho de Diligência, com as letras NF (fls. 764/773). No mês de setembro de 2009 na referida rubrica Serviços Prestados por Pessoa Jurídica, constam alguns valores em duplicidade, também evidenciado na supracitada cópia do Termo de Verificação Fiscal (fl. 769), em virtude da empresa ter contabilizado Fl. 933DF CARF MF Processo nº 19515.722908/201329 Acórdão n.º 1301002.542 S1C3T1 Fl. 934 12 estes lançamentos em duplicidade, (conforme contabilidade digital através do "CD" anexado). Por fim, reitera a fiscalização que, embora intimada, a empresa fiscalizada não apresentou as documentações solicitadas, tanto no ato da fiscalização, quanto na diligência fiscal. DA MANIFESTAÇÃO DA CONTRIBUINTE Intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência (fls. 838/839), a contribuinte se absteve de fazêlo." No julgamento realizado em 12 de abril de 2016, a 5ª Turma da DRJ/SPO julgou parcialmente procedente a impugnação, por meio do acórdão nº 1671.847, assim ementado: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. NOTAS FISCAIS. Notas fiscais devidamente emitidas e preenchidas são documentos hábeis para comprovar a prestação de serviços, exceto se houver investigação fiscal junto ao prestador dos serviços que descaracterize os documentos fiscais emitidos. Exigência exonerada em parte. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase, mutatis mutandis, à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Procedente em Parte Sem Crédito em Litígio" Devidamente cientificado em 15/06/2016 (fls. 881), o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, em 15/07/2016 (fls. 883) , o recurso voluntário de fls. 884 a 894, assinado digitalmente por seu procurador, argumentando, em síntese os itens a seguir relacionados, os quais serão melhor detalhados por ocasião do voto: O acórdão recorrido padece de patente nulidade por inobservância aos requisitos formais estabelecidos pelo art. 10, do Decreto nº 70.235/72, visto que a autuação foi entregue à recorrente sem numeração específica para o auto de infração ou número de processo no Comprot. Acrescenta que a redação do Termo de Verificação Fiscal é confusa, dificultando o entendimento dos métodos utilizados para apuração do valor tributável, e incorrendo em cerceamento do direito de defesa e desobediência ao princípio do contraditório, ampla defesa e devido processo legal administrativo; No mérito afirma que as despesas e custos foram glosados indevidamente, e que o acórdão incorreu em erro ao entender que a recorrente não teria apresentado documentação suficiente para comprovar a realização das despesas e custos. Alega que sempre esteve à disposição da fiscalização e da DRJ, entretanto a fiscalização desconsiderou os documentos apresentados sob o enfoque que as notas fiscais, recibos ou faturas não seriam documentos hábeis à comprovação das despesas e custos. Esse raciocínio levou o acórdão a interpretar a situação como se a recorrente não tivesse apresentado ou disponibilizado os documentos solicitados; Fl. 934DF CARF MF Processo nº 19515.722908/201329 Acórdão n.º 1301002.542 S1C3T1 Fl. 935 13 Alega que a nota fiscal é documento idôneo e hábil à comprovação da realização de serviços, e que teria disponibilizado todas as notas que possuía ao auditorfiscal, entretanto, elas foram por ele desconsideradas em uma inaceitável "presunção de inidoneidade" dos documentos; Reitera que as despesas relativas a pagamentos efetuados à pessoa jurídica foram comprovadas pela recorrente por nota fiscal ou cupom emitidos por equipamentos ECF, contudo foram totalmente desconsideradas pela autoridade fiscal e DRJ, de modo que, em consecução ao princípio da verdade material, é imperioso que o CARF apure o ocorrido, a fim de comprovar o alegado pela recorrente, com a anulação da autuação; Tece considerações acerca dos princípios da verdade material e da legalidade e afirma que a atividade administrativa, por força e obediência ao princípio da legalidade, deve buscar a verdade material. Transcreve ementas de acórdãos do CARF no sentido de que a autoridade julgadora tem de afastar o formalismo em prol da busca da verdade material, e requer, alternativamente ao cancelamento da autuação, que seja o julgamento convertido em diligência para averiguação e constatação das provas que foram desconsideradas até então pela autoridade fiscal e pelo acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e dele conheço. DA PRELIMINAR DE NULIDADE O recorrente alega que o acórdão recorrido padece de patente nulidade por inobservância aos requisitos formais estabelecidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e, em seguida, afirma que a autuação foi entregue à recorrente sem numeração específica para o auto de infração ou número de processo no Comprot. O art. 10 da Decreto nº 70.235/72, ao estabelecer os requisitos formais do auto de infração, assim dispõe: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 935DF CARF MF Processo nº 19515.722908/201329 Acórdão n.º 1301002.542 S1C3T1 Fl. 936 14 Verificase, portanto, que todos os requisitos elencados no dispositivo legal acima transcrito constam dos autos de infração lavrados contra a recorrente e não foram por ela questionados no recurso apresentado. Com relação à alegada falta de numeração específica para o auto de infração, vale ressaltar que os documentos de lançamento lavrados pela Receita Federal do Brasil são identificados pelo número do Mandado de Procedimento Fiscal que instauraram os procedimentos de fiscalização e não possuem numeração específica. O Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.90.002012 022771, que deu origem ao procedimento fiscal na recorrente, foi corretamente informado nos autos de infração constantes do presente processo. A omissão nos documentos de lançamento do número do processo no sistema Comprot, além de não se enquadrar em nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não ocasionou qualquer prejuízo à recorrente, visto que suas impugnações e recursos foram devidamente anexados ao processo. A recorrente alega ainda que a redação do Termo de Verificação Fiscal é confusa e com contas desordenadas, dificultando o entendimento dos métodos utilizados para apuração do valor tributável, e incorrendo em cerceamento do direito de defesa e desobediência ao princípio do contraditório, ampla defesa e devido processo legal administrativo. Diversamente do alegado pela recorrente, a redação do Termo de Verificação Fiscal não é confusa e nele foram relacionados todos os lançamentos não comprovados que compõem o valor tributado. Ademais, o extenso e detalhado recurso apresentado pela recorrente comprovam o exercício do contraditório e da ampla defesa, motivo pelo qual voto por negar provimento à nulidade por cerceamento do direito de defesa. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA A recorrente faz um paralelo entre os princípios da verdade material e da legalidade e afirma que a atividade administrativa, por força e obediência ao princípio da legalidade, deve buscar a verdade material. Ao final requer a conversão do julgamento em diligência para averiguação e constatação das provas que foram desconsideradas pela autoridade fiscal e pelo acórdão recorrido. Foi exatamente em busca da realidade fática e de documentos comprobatórios que o julgador a quo determinou a realização de diligência, nos seguintes termos: " Informe, para cada rubrica glosada, quais os documentos apresentados pela contribuinte e o motivo de sua não aceitação, indicando a sua localização nos autos. Caso esses documentos não tenham sido juntados aos autos (verificouse apenas a juntada de Notas Fiscais, sem qualquer demonstrativo relacionandoas aos valores glosados), providenciar a sua juntada, conforme solicitado pela contribuinte." Em cumprimento ao pedido de diligência foi emitido pela fiscalização o Termo de Diligência e Intimação, por meio do qual a contribuinte foi intimada a apresentar para reanálise as documentações solicitadas para as rubricas: Gratificações/Bônus: Conta nº 31020102015, Serviços Prestados com Marketing Conta nº 31020201002, Gastos com Aeronave Conta nº 31020101009 Aluguel de Equipamento Conta nº 31020103034, Cursos e Treinamentos Conta nº 31020102013, Condução Conta nº 31020103020, Despesas com Cartórios Conta nº 310201032015, Gastos com Fl. 936DF CARF MF Processo nº 19515.722908/201329 Acórdão n.º 1301002.542 S1C3T1 Fl. 937 15 Viagens/Estadia/Passagens Conta nº 31020103022, Lanches e Refeições Conta nº 31020103018, Material de Informática Conta nº 31020103013, Propaganda e Publicidade Conta nº 31020201001, Reforma de Imóveis Conta nº 31020203035, Seguro de Vida Conta nº 31020202012 e Serviços Prestados por Pessoa Jurídica Conta nº 31020101005. Neste termo foi também intimada a esclarecer a relação destas despesas operacionais com as receitas declaradas. Foi também emitido Termo de Diligência e Intimação Fiscal solicitando a apresentação de documentação comprobatória dos registros contábeis efetuados no grupo de custos dos serviços vendidos (custos das unidades imobiliárias vendidas). Na resposta apresentada a recorrente alegou que a reabertura da fiscalização não foi sinalizada por nenhum dos motivos previstos no art. 149 do CTN, e nem poderia posto que o período em questão, janeiro a dezembro de 2009, encontravase alcançado pelo instituto da decadência, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Por este motivo, afirmou que sequer teria o dever legal de guardar a documentação fiscal de acordo com o disposto no parágrafo único do art. 195, do CTN e requereu o encerramento do Termo de Intimação Fiscal sem a apresentação dos documentos requeridos, nos seguintes termos: "8 Destarte, seja em razão do encerramento de fiscalização do mesmo período, seja pela decadência, a peticionária vem requerer a V.Sa. o encerramento do TIF sem a apresentação dos documentos requeridos, por ausência de obrigação legal." Verificase portanto, que a recorrente requer a realização de diligência, para averiguação e constatação das provas que foram desconsideradas pela fiscalização, entretanto, quando intimada a apresentar a documentação em procedimento de diligência anterior se recusou a trazêlas aos autos. Com relação à documentação apresentada no curso da ação fiscal e anexada ao processo às fls. 192 a 439, tratamse de notas fiscais comprobatórias dos lançamentos efetuados na conta nº 31020101005 Serviços Prestados por Pessoa Jurídica e dos registros contábeis realizados no grupo de custos utilizados para apuração de créditos de COFINS/PIS e no grupo de custos dos imóveis vendidos. As notas fiscais comprobatórias dos custos utilizados na apuração de créditos da COFINS/PIS e dos custos dos imóveis vendidos foram consideradas pela fiscalização por ocasião da lavratura do auto de infração e as notas fiscais comprobatórias dos serviços prestados por pessoas jurídicas foram consideradas pelo acórdão recorrido que as excluiu do total de glosas efetuadas pela fiscalização. Diante de todo o exposto, e considerando que os documentos anexados aos autos já foram analisadas pela fiscalização e pelo acórdão recorrido, bem assim, que o contribuinte se recusou a trazer aos autos demais documentos hábeis à comprovação das despesas e custos glosados, por ocasião de procedimento de diligência solicitado pelo órgão julgador a quo, indefiro o pedido de diligência requerido pela recorrente. DO MÉRITO A recorrente alega que o acórdão recorrido teria incorrido em erro ao entender que não foram apresentados documentos suficientes à comprovação das despesas e dos custos considerados na apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL. Afirma que sempre esteve à disposição da fiscalização e da DRJ, e disponibilizou toda documentação solicitada em relação ao exercício de 2009, entretanto, a fiscalização desconsiderou os documentos apresentados, sob o enfoque que as notas fiscais, recibos ou faturas não seriam documentos hábeis à comprovação das Fl. 937DF CARF MF Processo nº 19515.722908/201329 Acórdão n.º 1301002.542 S1C3T1 Fl. 938 16 despesas e custos. Esse raciocínio levou o acórdão, equivocadamente, a interpretar a situação como se a recorrente não tivesse apresentado ou disponibilizado os documentos solicitados na verificação fiscal, levando a crer que os documentos não existiam ou que a recorrente tivesse se recusado a apresentálos. Diversamente do alegado pela recorrente, não constam dos autos que teriam sido apresentados todos os documentos hábeis à comprovação das despesas e custos. No curso da ação fiscal, em atendimento à intimações para comprovação das despesas e custos, emitidas pela fiscalização em 26/04/2013, 28/06/2013, 19/09/2013, e reintimações de 30/10/2013 e 11/11/2013 (fls. 35 a 183), foram apresentados pela recorrente as notas fiscais anexadas às fls. 192 a 439, as quais foram consideradas pela fiscalização como hábeis à comprovação de parte dos custos utilizados na apuração de créditos da COFINS/PIS e parte dos custos dos imóveis vendidos. Todas as notas fiscais apresentadas foram consideradas pela fiscalização por ocasião do lavratura dos autos de infração, exceto as notas fiscais comprobatórias das despesas com serviços prestados por pessoas jurídicas, contabilizados na conta nº 31020101005 Serviços Prestados por Pessoas Jurídicas, as quais foram desconsideradas pela fiscalização, sob o fundamento de que os lançamentos contábeis não teriam sido comprovados por documentos hábeis e idôneos à comprovação dessas despesas. Apesar de afirmar que teria entregue toda documentação comprobatória ainda no curso da ação fiscal, não constam dos autos comprovantes de que referida documentação teria sido efetivamente entregue à fiscalização. Ademais, em procedimento de diligência, destinado a obtêla, a recorrente alegou, dentre outros fatos, que estaria desobrigada de apresentar quaisquer documentos relativos ao anocalendário de 2009, pois tal ano teria sido alcançado pelo instituto da decadência. Equivocase a recorrente, de acordo com o disposto no parágrafo único do art. 195, do CTN, os comprovantes dos lançamentos devem ser conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Dessa forma, ao deixar de apresentar a documentação comprobatória dos custos e despesas que está obrigada a conservar, devem ser mantidas as glosas efetuadas pela fiscalização. Alega ainda a recorrente, que o erro de análise do acórdão se dá justamente pelas informações incorretas do auditorfiscal, quando da verificação em fiscalização e em sede de diligência para apuração dos fatos. Acrescenta que a nota fiscal é documento idôneo e hábil à comprovação da realização de serviços, e que teria disponibilizado todas as notas que possuía ao auditorfiscal, entretanto, elas foram por ele desconsideradas em uma inaceitável "presunção de inidoneidade" dos documentos. Reitera que as despesas relativas a pagamentos efetuados à pessoa jurídica foram comprovadas pela recorrente por nota fiscal ou cupom emitidos por equipamentos ECF, contudo foram totalmente desconsideradas pela autoridade fiscal e DRJ, de modo que, em consecução ao princípio da verdade material, é imperioso que o CARF apure o ocorrido, a fim de comprovar o alegado pela recorrente, com a anulação da autuação. Fl. 938DF CARF MF Processo nº 19515.722908/201329 Acórdão n.º 1301002.542 S1C3T1 Fl. 939 17 De fato, assiste razão à recorrente quando afirma que as despesas cujos pagamentos são efetuados a pessoas jurídicas podem ser comprovadas por notas fiscais revestidas dos requisitos formais. Ressalvados os casos em que o Fisco, em investigação fiscal, demonstrar que as notas apresentadas são inábeis ou inidôneas à comprovação das despesas, as notas fiscais regular e formalmente emitidas gozam de presunção de legitimidade. Aliás, este foi também o entendimento do acórdão recorrido, que deu parcial provimento à impugnação da recorrente, para considerar as notas fiscais das despesas com serviços prestados por pessoas jurídicas, anexadas às fls. 192 a 439 do processo, hábeis à comprovação das despesas contabilizados na conta nº 31020101005 Serviços Prestados por Pessoas Jurídicas: "Como se vê, para se considerar os serviços não prestados e conseqüentemente as respectivas despesas indedutíveis, seria necessário que a fiscalização provasse que as Notas Fiscais de serviços apresentadas são documentos inábeis ou ineficazes tributariamente. Notas fiscais regular e formalmente emitidas gozam de presunção de legitimidade e veracidade. Por isto, não cabe ao contribuinte provar a idoneidade do documento fiscal com estas características, mas sim ao Fisco desqualificar o documento com provas e descrição precisa de suas deficiências probatórias. Não se pode presumir que o documento fiscal é, a princípio, inidôneo. Se assim fosse, não haveria motivo para se exigir a emissão e apresentação de notas fiscais. Notas fiscais devidamente emitidas e preenchidas são documentos hábeis para comprovar a prestação de serviços, exceto se houver investigação fiscal junto ao prestador dos serviços que descaracterize os documentos fiscais emitidos, o que não ocorreu. Alias, como bem observa a impugnante, o próprio "site" da RFB, no seu "Perguntas e Respostas", confirma a força probante das Notas Fiscais regulamente emitidas: "Com relação às despesas, quais os documentos necessários à sua comprovação'? As despesas, cujos pagamentos sejam efetuados à pessoa jurídica, deverão ser comprovadas por Nota Fiscal ou Cupom emitidos por equipamentos ECF Emissor de Cupom Fiscal, observados os seguintes requisitos, em relação à serviços, objeto da operação; a data e o valor da operação. Qualquer outro meio de emissão de Nota Fiscal, inclusive o manual, depende de autorização da Secretaria de Estado da Fazenda, com jurisdição sobre o domicílio fiscal da empresa interessada" (grifei) Discordamos, assim, do entendimento da fiscalização, de que, para se comprovar as despesas de prestação de serviços, seria necessário que além das notas fiscais, fossem apresentados contratos, relatórios, planilhas e pagamentos." Diante de todo o exposto, e considerando que todos os documentos fiscais anexados ao processo foram considerados pela fiscalização ou pelo acórdão recorrido, bem assim, que as glosas subsistentes referemse à falta de apresentação de documentação comprobatória pela recorrente, entendo que não merecem reparos ao acórdão recorrido. CONCLUSÃO Em face de todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 939DF CARF MF Processo nº 19515.722908/201329 Acórdão n.º 1301002.542 S1C3T1 Fl. 940 18 Milene de Araújo Macedo Relatora Fl. 940DF CARF MF Processo nº 19515.722908/201329 Acórdão n.º 1301002.542 S1C3T1 Fl. 941 19 Fl. 941DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.720683/2016-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 11/02/2015 a 25/02/2015
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.226
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 11/02/2015 a 25/02/2015 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1565; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.720683/201611 Recurso nº 2 De Ofício Acórdão nº 3402004.226 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de junho de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente CAPITAL TRADE IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 11/02/2015 a 25/02/2015 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 06 83 /2 01 6- 11 Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10909.720683/201611 Acórdão n.º 3402004.226 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do Acórdão 07039.116, que ao julgar a impugnação cancelou a exação objeto dos autos em montante que, à época da decisão, ultrapassou o limite de alçada. O valor exonerado (principal + multa de ofício), contudo, é inferior ao limite atualmente vigente, estabelecido pela Portaria MF nº 63, de 09/02/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.199, de 26 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10410.720607/201445, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.199): "Como relatado, o valor exonerado objeto do recurso de ofício foi inferior à R$ 2.500.000,00. A Portaria MF nº 63, de 09/02/2017 (DOU 10/02/2017), estabeleceu que: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Por seu turno, a Súmula CARF, abaixo transcrita, explicita o direito intertemporal para aplicação do teor da transcrita Portaria Ministerial, consoante o brocardo que é princípio do direito adjetivo, qual seja, tempus regit actum. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10909.720683/201611 Acórdão n.º 3402004.226 S3C4T2 Fl. 4 3 Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Com efeito, sendo o valor de alçada nesta data inferior à R$ 2.500.000,00, o presente recurso não pode ser conhecido. Diante do exposto, não conheço do recurso de ofício". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 404DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.732557/2011-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Não caracteriza cerceamento de direito de defesa, o indeferimento de pedido de perícia, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. A prova pericial é prescindível quando não há nos autos elementos que demandem o conhecimento técnico especializado de profissional com habilidade e experiência que esclareçam certas dúvidas.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA A PRAZO. APURAÇÃO INCORRETA. CUSTO DE AQUISIÇÃO.
Para efeitos de apuração do ganho de capital na alienação a prazo de participação societária, considera-se custo de aquisição, nos termos da legislação, o valor avaliado de acordo com o período de aquisição de cada participação.
Por força de decisão judicial, que reconheceu a isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital na alienação de ações adquiridas até 31/12/1983, o custo de aquisição das adquiridas a partir de 01/01/1984 é apurado proporcional a participação dessas no total da ações.
O ganho de capital nas alienações a prazo de participação societária deverá ser apurado como venda à vista, sendo o imposto pago na medida em que as parcelas forem recebidas. O percentual de ganho aplicado sobre cada parcela recebida é determinado pela relação entre o ganho de capital e o preço efetivo da alienação.
Numero da decisão: 2401-005.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Não caracteriza cerceamento de direito de defesa, o indeferimento de pedido de perícia, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. A prova pericial é prescindível quando não há nos autos elementos que demandem o conhecimento técnico especializado de profissional com habilidade e experiência que esclareçam certas dúvidas. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA A PRAZO. APURAÇÃO INCORRETA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Para efeitos de apuração do ganho de capital na alienação a prazo de participação societária, considerase custo de aquisição, nos termos da legislação, o valor avaliado de acordo com o período de aquisição de cada participação. Por força de decisão judicial, que reconheceu a isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital na alienação de ações adquiridas até 31/12/1983, o custo de aquisição das adquiridas a partir de 01/01/1984 é apurado proporcional a participação dessas no total da ações. O ganho de capital nas alienações a prazo de participação societária deverá ser apurado como venda à vista, sendo o imposto pago na medida em que as parcelas forem recebidas. O percentual de ganho aplicado sobre cada parcela recebida é determinado pela relação entre o ganho de capital e o preço efetivo da alienação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 25 57 /2 01 1- 48 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11080.732557/201148 Acórdão n.º 2401005.042 S2C4T1 Fl. 157 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11080.732557/201148 Acórdão n.º 2401005.042 S2C4T1 Fl. 158 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão 1052.638 (fls. 135/139) da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Não há o que se contestar quando a fiscalização toma como custo de aquisição os valores declarados pelo contribuinte na Declaração de Ajuste Anual do IRPF. As deduções e diferimentos adotados pelo contribuinte, na determinação do ganho de capital, além de demonstrados e comprovados devem ser justificados através da legislação pertinente. DIVERGÊNCIAS NA APURAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL. Cabe ao contribuinte demonstrar documentalmente que a origem nas divergências não são aquelas apontadas pela fiscalização no Auto de Infração, visto que justificadas pelo enquadramento legal. PERÍCIA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferida a solicitação de perícia acerca de matéria que não demande conhecimento técnico especializado e que não exija conhecimentos incomuns ao ofício do auditor fiscal e do julgador administrativo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O procedimento fiscal teve início em 25/07/2011 (fls. 3/4), no qual foi o sujeito passivo intimado a prestar informações e apresentar documentos relativos à alienação de participação societária na empresa Expresso Mercúrio S.A. Atendendo ao termo de intimação, juntou cópia do Contrato de Compra e Venda de ações da empresa citada, bem como demonstrativos de apuração do custo de aquisição, quantidade de ações e valores relativos ao imposto de renda incidente sobre o ganho de capital (fls. 6/27). O sujeito passivo foi novamente intimado a apresentar informações e documentos, nos termos das intimações fiscais de fls 90/96. Acostou aos autos os documentos e esclarecimentos constantes de fls. 97/104. Em decorrência da ação fiscal, o Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre lavrou o Auto de Infração (fls. 112/118), no qual Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11080.732557/201148 Acórdão n.º 2401005.042 S2C4T1 Fl. 159 4 consta o lançamento de ofício de crédito tributário de imposto de renda pessoa física no montante de R$ 623.492,98 (seiscentos e vinte e três mil, quatrocentos e noventa e dois reais e noventa e oito centavos), correspondente a apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa de valores, fato gerador 09/01/2007. O relatório fiscal (fls. 119/124) detalha, de forma pormenorizada, o procedimento administrativo, do qual foi reproduzido, abaixo, parte. [...] 4.MANDADO DE SEGURANÇA O Sr. Hermenegildo e outros impetraram o MS nº 2007.71.0058505 pretendo que fosse declarado o direito à isenção do Imposto de Renda de Pessoa Física sobre eventuais ganhos de capital apurados na venda de ações da Expresso Mercúrio, adquiridas até 31/12/1983. [...] O STJ negou provimento ao recurso especial, em decisão monocrática. O Agravo regimental interposto pela autora foi admitido, reconsiderando a decisão agravada, dando provimento ao recurso especial. O agravo regimental da União contra a decisão no agravo regimental teve seu provimento negado. Os embargos de declaração foram rejeitados. O acórdão transitou em julgado em 30/11/2011. 5. DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS [...] 5.2 Do contrato de Compra de Ações A seguir apresentamos um resumo do referido contrato: a) Objeto do contrato: Venda de 100% das ações pelos acionistas da empresa Expresso Mercúrio S.A. à empresa TNT Brasil Participações Two Ltda., CNPJ nº 08.278.666/000118; b) Preço de Venda; Conforme estabelecida na cláusula 2.1 a compradora pagou aos vendedores a quantia de R$ 434.686.495,00 (quatrocentos e trinta e quatro milhões, seiscentos e oitenta e seis mil, quatrocentos e noventa e cinco reais) sendo o preço de aquisição alocado pro rata, de acordo com as participações acionárias dos vendedores, correspondendo ao Sr. Hermenegildo o valor de R$ 82.313.590 (fls. 109) c) [...] d) Forma de pagamento: O fiscalizado recebeu em duas parcelas, sendo: I Primeira parcela, recebida em 09/01/2007 constituída do preço de venda (R$ 82.313.590,00) e menos a parcela retida para contrato de fiança (R$ 5.747.171,00) item 7.7 do contrato, (demonstrativo fls. 109) Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11080.732557/201148 Acórdão n.º 2401005.042 S2C4T1 Fl. 160 5 II Segunda parcela, recebida em 07/05/2007 constituída do valor de ajuste, no valor de R$ 2.561.190,15 item 2.3 do contrato, (demonstrativo fls. 103); [...] 6. DAS INFRAÇÕES APURADAS 6.1 Ganho de Capital [...] Uma vez que a isenção de Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital apurado na venda de ações adquiridas antes de 31/12/1983 e das ações bonificadas posteriormente a esta data, mas delas decorrentes, encontramse sub judice (Processo nº 2007.71.00.0058505), existindo depósito judicial do tributo questionado, esta fiscalização procedeu a verificação da correta apuração e recolhimento do tributo devido apenas pela venda de ações adquiridas posteriormente a 31/12/1983. [...] O valor do custo da ações corresponde ao valor informado pelo contribuinte a esta fiscalização, em resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, no quadro nº 01 Resumo da Movimentação e Tributação das Ações Vendidas (fls. 8 e 9). Este valor do custo corresponde ao informado na Declaração de Ajuste Anual, anocalendário 2007, do contribuinte. Importante ressaltar que no referido quadro 01, o contribuinte separa as ações possuídas até 31/12/1983 mais as bonificações a elas atribuídas e as ações adquiridas a partir de 01/01/1984; apura o valor do ganho de capital e recolhe o IR sobre o ganho na alienação das ações adquiridas a partir de 1984 e deposita judicialmente o IR sobre o ganho das ações possuídas até 1983. [...] Entre o demonstrativo elaborado pela fiscalização (fls. 108) e o quadro nº 01 do contribuinte (fls. 8 e 9) identificase as divergências que justificam as diferenças no resultado final do imposto, como sendo: a) o fiscalizado deixou de incluir no valor da alienação, que é determinante para apurar o percentual do ganho que incidirá sobre cada parcela recebida, os valores de ajuste (item 2.3 do contrato) e b) atribuiu integralmente às ações adquiridas a partir de 1984, sobre as quais houve o recolhimento do IR, o diferimento sobre a parcela não recebida decorrente da retenção para fiança bancária. Intimado (fls.90) a justificar por que tal diferimento foi integralmente atribuído à alienação das ações adquiridas a partir de 1984 e suas bonificações, o contribuinte respondeu (item 1 da fls. 97) "que a parcela retida foi integralmente atribuída às ações tributáveis, na medida em que o diferimento Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11080.732557/201148 Acórdão n.º 2401005.042 S2C4T1 Fl. 161 6 do imposto se dá sobre o valor não recebido da transação, ou seja, em face do regime de caixa; não é certo o recebimento de tais valores, de modo que, na hipótese do efetivo recebimento serão devidamente tributados". [...] O Recorrente tomou ciência, por Aviso de Recebimento AR, do Auto de Infração em 22/12/2011 ( fls. 125) e impugnou a exigência fiscal em 23/01/2012 (fls.127/131). Discorda na impugnação da autuação por entender que as divergências apuradas pela Fiscalização têm origem, basicamente, no critério adotado para apuração do custo das ações alienadas e, consequentemente, para elaboração do cálculo do ganho de capital. Informa que a fiscalização ao estabelecer o percentual de 34,19% para as ações adquiridas a partir de 1984, acabou por, indiscriminada e equivocadamente, aplicar esses mesmos percentuais para ratear o custo em relação aos dois grupos de ações. Pugnou pela realização de perícia contábil para esclarecer a controvérsia instaurada. Ao final, requer o deferimento do pedido de realização de perícia contábil e o cancelamento do Auto de Infração. Intimado, por AR, da decisão do colegiado de primeira instância em 25/11/2014 (fls. 143), por meio de procurador constituído nos autos, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 22/12/2014 (fls. 145/152). Em resumo, apresento os principais argumentos do seu recurso: a) informa que, pela leitura do relatório fiscal, o Auto de Infração foi lavrado, resumidamente, pela apuração incorreta de imposto de renda sobre o ganho de capital, na venda de ações da empresa Expresso Mercúrio S. A. b) Como fez na impugnação, pugna pela realização de prova pericial. Aduz que o colegiado de primeira instância, ao decidir pela improcedência do pedido, restringiu seu direito de defesa, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Apresenta os seguintes quesitos: 1) apure a perícia, de acordo com o custo de aquisição apresentado pelo Recorrente em suas planilhas e com base nas informações existentes na data da assinatura do contrato de compra e venda (09.01.2007), o ganho de capital e o respectivo imposto de renda incidente; 2) diga a perícia se a apuração do custo das ações alienadas através da simples utilização percentual de quantidade de ações adquiridas até 31.12.1983 e às posteriores, permite apurar corretamente o ganho de capital existente. c) Quanto a alegada incorreção da apuração do ganho de capital, aponta o recorrente que, como o fez na impugnação, a fiscalização acabou por, indiscriminada e equivocadamente, aplicar os percentuais, informados pelo recorrente, de 65,81% para as ações adquiridas até 31.12.1983 e de 34,19,% para às posteriores. Entende que o custo considerado pela Fiscalização de R$ 6.164.711,57, para as ações adquiridas até 31.12.1983, distorce o resultado tributável, quando o correto seria o custo de R$ 6.372.794,00. Afirma que a parcela recebida apenas em maio de 2007 (cláusula 2.3.1) era desconhecido à época de apuração do ganho de capital e que não era possível apurar o ganho sobre um valor incerto. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11080.732557/201148 Acórdão n.º 2401005.042 S2C4T1 Fl. 162 7 d) Ao final, requer o conhecimento do presente Recurso Voluntário, para reformar o r. Acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/POA, sendo que, em preliminares, seja declarado nulo o julgado e permitida a realização de prova pericial, e que na hipótese de não acolhimento das preliminares arguidas seja provido o recurso para cancelar o lançamento e extinção do crédito tributário. É o relatório. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11080.732557/201148 Acórdão n.º 2401005.042 S2C4T1 Fl. 163 8 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Antes de adentrar nas questões preliminares e de mérito, cabe ressaltar que, por força de decisão do Superior Tribunal de Justiça (Processo originário nº 2007.71.00.0058505 Mandado de Segurança), que reconheceu a isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital na alienação de ações adquiridas antes de 31/12/1983, o procedimento administrativo da fiscalização restringiuse a apuração do ganho de capital de participações societárias de ações adquiridas a partir de 01/01/1984, nos termos exposto no relatório fiscal. Preliminares Da necessidade de prova pericial e nulidade do acórdão recorrido por cerceamento defesa Insurgese o Recorrente contra a decisão de primeira instância que, nos termos dos seus fundamentos, indeferiu a prova pericial por tratarse da comprovação do custo de aquisição, cujo ônus é do sujeito passivo, que deveria ser feita com a apresentação de documentos hábeis (fls. 137). A prova pericial, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, mostrase necessário quando há nos autos elementos que demandem o conhecimento técnico especializado de profissional com habilidade e experiência que esclareçam certas dúvidas, que fogem ao alcance da compreensão do julgador. Desta forma, a prova pericial é imprescindível para a formação de sua convicção e a segurança no julgamento do feito. Neste sentido, é o teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis”. Também, são essas as disposições do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2001, que regula, entre outras matérias, o processo de determinação e de exigência de crédito tributário, in verbis: Seção IV Das Diligências e das Perícias Art. 35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1o). Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11080.732557/201148 Acórdão n.º 2401005.042 S2C4T1 Fl. 164 9 Parágrafo único. O sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização de diligências e perícias, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese na qual deverá ser concedido prazo de trinta dias para manifestação (Lei no 9.784, de 1999, art. 28). Na mesma linha, é o Código de Processo Civil, Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015: "Art. 156. O juiz será assistido por perito quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico". Fundamentando seu pedido de perícia, o recorrente apresenta os seguintes quesitos: 1) apure a perícia, de acordo com o custo de aquisição apresentado pelo Recorrente em suas planilhas e com base nas informações existentes na data da assinatura do contrato de compra e venda (09.01.2007), o ganho de capital e o respectivo imposto de renda incidente; e 2) diga a perícia se apuração do custo das ações alienadas através da simples utilização percentual de quantidade de ações adquiridas até 31.12.1983 e às posteriores, permite apurar corretamente o ganho de capital existente". Como se observa das indagações do recorrente, o pedido de perícia tem na sua essência relação com matéria de prova, comprovação do custo de aquisição. Veja que, em resumo, o sujeito passivo solicita que a perícia apure, de acordo com o custo de aquisição por ele apresentado em suas planilhas, o ganho de capital, e se, o ganho apurado com base nos percentuais de distribuição das ações está correto. Neste sentido, considero desnecessária a realização de perícia para esclarecer questões que não dependem de conhecimento técnico especializado, mas, sim, de comprovação do custo de aquisição. No caso, o custo de aquisição comprovado foi o informado pelo recorrente na sua DIRPF/2008 (fls. 74). Quanto a nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa, entendo que o indeferimento do pedido de perícia, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70. 235, de 1972, quando devidamente motivado, que está presente no acórdão recorrido, não caracteriza cerceamento do direito de defesa, pois ao julgador compete avaliar a necessidade da prova pericial. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade do acórdão recorrido, pelo fato de que não houve cerceamento do direito de defesa, e de necessidade da prova pericial. Mérito Apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de participação societária. Do r. acórdão recorrido, retirase a seguinte conclusão: ... a diferença entre os valores informados pelo contribuinte e aqueles apurados pela fiscalização, não decorrem da apuração do custo de aquisição mas na não inclusão de valores que integram o preço de alienação das ações (item 2.3 do Contrato Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11080.732557/201148 Acórdão n.º 2401005.042 S2C4T1 Fl. 165 10 de Compra de Ações) e por não observar a proporção entre as quantidades de ações adquiridas antes e posterior a 31/12/1983 no recolhimento do IR sobre a parcela retida para fiança bancária, não justificando as diferenças apontadas pela fiscalização.(grifouse) Por outro lado, o recorrente, do mesmo modo que defendeu na sua impugnação, insiste em proclamar que as divergências apuradas pela fiscalização têm origem, basicamente, no critério adotado para apuração do custo de aquisição das ações alienadas e, consequentemente, para elaboração do cálculo do ganho de capital. Desta forma, início meu voto fazendo um breve retrospecto dos fatos. Com base no relatório fiscal, o recorrente, Sr. Hermenegildo Fração, alienou a prazo, em 02 (duas) parcelas, recebidas nos dias 09/01/2007, data do fechamento do negócio, e 07/05/2007, 100% de sua participação societária na empresa Expresso Mercúrio S/A para a empresa TNT Brasil Participações Two Ltda. A participação societária correspondia a 9.683.661 (nove milhões seiscentos e oitenta e três mil e seiscentos e sessenta e uma) Ações Ordinárias adquiridas ao longo de diversos anos, sendo o primeiro lote da década de 70. O custo de aquisição das ações informado na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2008 (fls. 74), é de R$ 9.367.473,20 (nove milhões trezentos e sessenta e sete mil quatrocentos e setenta e três reais e vinte centavos). Por decisão do Superior Tribunal de Justiça (Processo originário nº 2007.71.00.0058505 Mandado de Segurança), com fundamento no art. 4º do Decreto Lei nº 1.571, de 1976, os lucros auferidos pelo recorrente na venda de ações adquiridas até 31/12/1983 estão isentos de apuração de ganho de capital. Neste contexto, considerando que o procedimento fiscal abrangeu apenas as ações adquiridas a partir de 01/01/1984 (fls. 122), temse que um critério devia ser estabelecido para se segregar ações adquiridas antes e depois desta data. O adotado pela fiscalização foi o de considerar os percentuais de participações informado pelo sujeito passivo, de acordo com os documentos de fls. 6/27. Podese extrair dos demonstrativos que as ações adquiridas até 31/12/1983 e as bonificações representavam 65,81% (6.372.794 Ações Ordinárias) e as adquiridas a partir de 01/01/1984, 34,19% (3.310.867 Ações Ordinárias). Assim, a fiscalização rateou os valores de alienação, custo de aquisição e ganho a partir de referidos percentuais (fls. 108). A meu ver, esse entendimento adotado pela fiscalização, de ratear o custo de aquisição pelos referidos percentuais, nos parece o mais razoável, ou seja, a participação percentual de cada grupo das ações, adquiridas antes e depois de 31/12/1983. Entendo que este critério está em consonância com o disposto nos §§ 3º e 4º do art. 16 da Instrução Normativa SRF nº 84, de 11 de outubro de 2001, senão vejamos: PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS Art. 16. [...] § 3o Para efeito de apuração de ganho de capital na alienação de participações societárias, o custo de aquisição das ações ou quotas é apurado pela média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses títulos. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11080.732557/201148 Acórdão n.º 2401005.042 S2C4T1 Fl. 166 11 § 4o O custo médio ponderado de cada ação ou quota: I é igual ao resultado da divisão do valor total de aquisição das ações ou quotas em estoque pela quantidade total de ações ou quotas em estoque, inclusive bonificadas; II multiplicado pela quantidade de ações ou quotas alienadas, constitui o custo de aquisição para efeito da apuração do ganho de capital; III multiplicado pelo número de ações ou quotas remanescente, constitui o valor do estoque desses títulos. § 5o A cada aquisição ou baixa devem ser ajustadas as quantidades em estoque e os custos total e médio ponderado, por espécie, das ações ou quotas.(grifouse) Pois bem. Entende o recorrente que, do mesmo modo que defendeu na sua impugnação, a fiscalização acabou por, indiscriminada e equivocadamente, aplicar esses mesmos percentuais para ratear o custo. Argumenta que para as ações adquiridas até 31/12/1983 o custo de aquisição deveria ser de R$ 6.372.794,00, e não o valor encontrado pela fiscalização de R$ 6.164.711,57. Veja que o art. 138 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), é claro no sentido de atribuir ao custo de aquisição, para efeitos de apuração do ganho de capital, o valor avaliado nos termos dos artigos 125 a 137. Seção IV Custo de Aquisição Subseção I Bens ou Direitos Adquiridos até 31 de dezembro de 1991 Art. 125. Considerase custo de aquisição dos bens ou direitos, adquiridos até 31 de dezembro de 1991, o valor de mercado, nessa data, de cada bem ou direito individualmente avaliado, constante da declaração de bens relativa ao exercício de 1992 (Lei nº 8.383, de 1991, art. 96 e §§ 5º e 9º). [...] Bens ou Direitos Adquiridos no Período de 1º de janeiro de 1992 até 31 de dezembro de 1995 Art. 128. O custo dos bens ou direitos adquiridos, a partir de 1º de janeiro de 1992 até 31 de dezembro de 1995, será o valor de aquisição (Lei nº 8.383, de 1991, art. 96, § 4º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 22, inciso I). [...] Bens Adquiridos após 31 de dezembro de 1995 Art. 131. Não será atribuída qualquer atualização monetária ao custo dos bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 17, inciso II). [...] Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11080.732557/201148 Acórdão n.º 2401005.042 S2C4T1 Fl. 167 12 Seção V Apuração do Ganho de Capital Art. 138. O ganho de capital será determinado pela diferença positiva, entre o valor de alienação e o custo de aquisição, apurado nos termos dos arts. 123 a 137 (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 2º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 2º, § 7º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 17). Parágrafo único. [...](grifouse) Desse modo, entendo que não assiste razão ao recorrente em atribuir outro custo de aquisição diferente do informado na sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2008 (fls. 74). O valor do custo de aquisição declarado de R$ 9.367.473,20, a ser rateado entre o grupo das ações, corresponde, nos termos dos dispositivos acima, ao custo avaliado de acordo com cada período de aquisição de participação societária. Outra questão levantada pelo recorrente referese ao valor da parcela, recebida em maio de 2007 (cláusula 2.3.1 do contrato). Alega que era um valor desconhecido à época de apuração do ganho de capital, entendendo que não era possível atribuir custo a essa parcela. Referida cláusula, que trata do ajuste do preço de aquisição, está assim estabelecida: 2.3.1 De acordo com as disposições desta Cláusula 2.4, o Preço de Aquisição estará sujeito a aumento (se o Valor de Ajuste for positivo) ou redução (o Valor de Ajuste for negativo) após o Fechamento, no montante igual ao Valor de Ajuste. O "Valor de Ajuste" será a quantia positiva ou negativa em Reais equivalente à soma de: (a) o montante do Patrimônio Líquido estabelecido nas Demonstrações Financeiras do Fechamento ("Patrimônio Líquido do Fechamento") menos o Patrimônio Líquido conforme o Balanço Base PróForma, mais (b) o montante da correção monetária da Primeira Parcela do Preço de Aquisição baseado na Correção Monetária do período entre 31 de outubro de 2006 e o dia anterior à Data do Fechamento, conforme o cálculo próforma demonstrado no Anexo 2.3.1 (b) Constatase que a parcela do valor de ajuste é equivalente a variação do patrimônio líquido do ano 2006 em relação ao ano de 2005, e a correção monetária da primeira parcela do período de 31/10/2006 e o dia anterior à data de fechamento do negócio (fls. 110). Ora, como alegou o sujeito passivo, não havia como se determinar, precisamente, em jan de 2007 o valor de ajuste. Veja que o lançamento de ofício, fato gerador 09/01/2007, relativo as ações adquiridas a partir de 01/01/1984, corresponde ao preço de alienação (item 2.1 do Contrato) menos as parcelas retidas de transição e da fiança bancária (demonstrativo de fls. 108), portanto, não inclui o valor do ajuste (item 2.3.1). De fato, a parcela do ajuste (item 2.3.1) somente foi tributada em maio/2007 (demonstrativo, fls. 108, e DIRPF/2008, fls. 88). O fato gerador do imposto de renda ocorreu apenas em maio/2007, aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, o art. 43 do Código Tributário Nacional, nesse momento é que o imposto é devido. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11080.732557/201148 Acórdão n.º 2401005.042 S2C4T1 Fl. 168 13 Por oportuno, transcrevo entendimento do CARF no Acórdão nº 2201 002657 2ª Seção/2ª Câmara/1ª TO, de que nas alienações sem valor determinado a apuração do imposto ocorre no momento de recebimento das parcelas: IRPF. GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. APURAÇÃO MENSAL. ALIENAÇÃO SEM PREÇO DETERMINADO. PAGAMENTO CONDICIONADO A EVENTOS INCERTOS. APURAÇÃO DO IMPOSTO NO MOMENTO DO PAGAMENTO DAS PARCELAS. O Ganho de Capital se dá pela alienação do bem, materializada pelo efetivo recebimento do preço da operação e pela variação patrimonial ocorrida. Entretanto, na impossibilidade de determinação do preço total de alienação de participação societária no momento da realização da operação, face condições contratualmente acordadas do preço a eventos futuros e incertos, o imposto deve ser apurado na medida em que o preço for determinado e as parcelas forem pagas. (Acórdão nº 2201002.657 22 de janeiro de 2015) A inclusão da parcela de maio/2007 em janeiro/2007 teve reflexo apenas no cálculo do percentual de diferimento do ganho de capital aplicável sobre cada parcela. Repito, sobre o imposto pago relativo a parcela recebida em janeiro não houve a inclusão do preço de ajuste (parcela recebida em maio/2007). O entendimento exposto pode ser compreendido pela aplicação do art. 123, 138 e 140 do Regulamento do Imposto de Renda, in verbis: Seção III Valor de Alienação Art. 123. Considerase valor de alienação (Lei nº 7.713, de 1988, art. 19 e parágrafo único): I o preço efetivo da operação, nos termos do § 4º do art. 117; II [...] Seção V Apuração do Ganho de Capital Art. 138. O ganho de capital será determinado pela diferença positiva, entre o valor de alienação e o custo de aquisição, apurado nos termos dos arts. 123 a 137 (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 2º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 2º, § 7º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 17). [...] Art. 140. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei nº 7.713, de 1988, art. 21). § 1º Para efeito do disposto no caput, deverá ser calculada a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que será aplicada sobre cada parcela recebida. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11080.732557/201148 Acórdão n.º 2401005.042 S2C4T1 Fl. 169 14 § 2º O valor pago a título de corretagem poderá ser deduzido do valor da parcela recebida no mês do seu pagamento.(grifouse) Ademais, referente ao pagamento efetuado pelo sujeito passivo em 28/06/2007, parcela de maio/2007 (fls. 88), cabe esclarecer que o valor de R$ 267.328,17, recolhido a maior (fls. 108), foi compensado com o imposto devido na primeira parcela no valor de R$ 215.552,48 (demonstrativo de imputação de pagamento fls. 111). Desse modo, entendo que essa compensação reforça ainda mais o efetivo crédito tributário que está sendo cobrado. Em relação a parcela retida da Garantia Bancária (cláusula 7.7 do contrato), não recebida, impende esclarecer que faz parte do preço de alienação. No mesmo entendimento do preço de ajuste, esse valor foi incluído no preço efetivo da operação para, tão somente, neste momento, compor o percentual de ganho aplicável sobre cada parcela, de acordo com o demonstrativo de apuração do ganho de capital (fls. 108). Pelo exposto acima, voto no sentido de manter o crédito tributário, confirmado pelo acórdão recorrido, pela apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de participação societária. Conclusão Voto no sentido de CONHECER o Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinatura digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.011692/2002-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2402-000.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
RELATÓRIO
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 11 69 2/ 20 02 -6 5 Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11080.011692/200265 Resolução nº 2402000.607 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Conforme relatório da decisão recorrida, o processo de auto de infração, fls. 73/77 que se originou da revisão da declaração de ajuste do ano calendário 1998, onde se detectou omissão de rendimentos tributáveis recebidos em decorrentes de acordo trabalhista, processo JCJ n° 00952.019/981 e de rendimentos tributáveis informados em Dirf pela Fundação Corsan, sendo que a comprovação de moléstia grave está datada de 26/03/1999, ou seja, é posterior à percepção dos rendimentos do anocalendário 1998; alteraramse os rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica para R$ 1.778,43, a dedução para previdência oficial para R$ 726,84, o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF para R$ 8.944,96 e os rendimentos isentos ou não tributáveis para zero; indeferiuse a restituição pleiteada de R$ 8.633,95 e exigese R$ 7.924,22 de IRPF suplementar com multa de ofício do art. 44, I da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e juros de mora; base legal às fls. 75/76. 2. Tempestivamente, fl. 79, o interessado apresentou impugnação de fls. 1/9, por meio de seu representante legal, fl. 30, e os documentos de fls. 10/32. 3. Confirma que a divergência se refere a rendimento recebido em dissídio individual interposto pelo autuado, processos n° 00952019/981 e 00467.019/98 (apensado), contra a Cia Rio Grandense de Saneamento — Corsan, encerrado com um acordo homologado conforme Ata de Audiência de 17/12/1998, que anexa, resultando em promessa de pagamento ao reclamante de R$ 75.000.00; destes, R$ 30.000,00 recebidos em 1998 foram considerados isentos por se tratar de indenização . e R$ 42.253,63, tributados na fonte pelo empregador com IRRF de R$ 8.633,95 (R$ 8.944,96, segundo o fisco), foram considerados isentos, haja vista estar o contribuinte acometido de moléstia grave (anexo 11); recebeu ainda R$ 1.754,92 de aposentadoria do INSS. 4. Contesta a autuação integralmente porque: a. indenização por tempo de serviço recebida na rescisão de trabalho não entra no cômputo do bruto tributável; cita IN n° 124, de 1980, e jurisprudência; b. em relação a essa mesma indenização, a fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido; referenciase a jurisprudência e ao art. 792 do RIR de 1994, repetido no art. 718 do RIR de 1999, e acórdão administrativo; c. afirma que incluiu indevidamente os R$ 1.754,92 recebidos de aposentadoria do INSS, porque são isentos do IR os proventos de aposentadoria por doença grave, conforme o art. 39, XXXIII do RIR de 1999; que, embora o fisco alegue que a comprovação da doença grave data de 1999, fica comprovado que a moléstia é anterior, dado que o contribuinte foi submetido a cirurgia cardíaca em 08/08/1997; portanto, tal valor deve ser excluído. 5. Protesta contra a cobrança dos juros de mora apurados pela taxa referencial do Sistema de Liquidação c Custódia para títulos federais — Selic, por afrontarem o art. 192, § 30 da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988, por se tratarem de juros extorsivos. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11080.011692/200265 Resolução nº 2402000.607 S2C4T2 Fl. 4 3 6. Pugna ainda contra a multa de oficio, afirmando que, mesmo que a parcela de R$ 30.000,00 fosse tributável, o cliente foi induzido por erro de informação da fonte pagadora e transcreve jurisprudência nesse sentido. 7. Às fls. 85/86 consta pedido de diligência da DRJ/POA, relativo ao ano calendário 2001, mas não o resultado da diligência. 8. O processo foi transferido para a competência da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR mediante a Portaria SRF n° 80 de 16 de janeiro de 2006, DOU de 18/01/2006. 9. Esta DRJ/CTA solicitou a diligência de fls. 91/92, cumprida às fls. 93/108. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou improcedente a impugnação, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 AÇÃO RECLAMATÓRIA TRABALHISTA.DOENÇA GRAVE. Rendimentos recebidos em ação trabalhista não se inserem na previsão de isenção do imposto de renda sobre proventos de aposentadoria percebidos por portador de doença grave. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AÇÃO RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. Somente podem ser excluídas da tributação as parcelas identificadas como isentas e as tributadas exclusivamente na fonte, das verbas recebidas em decorrência da ação trabalhista. AÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos referentes a diferenças ou atualizações de salários, proventos ou pensões, inclusive juros e correção monetária, recebidos acumuladamente por força de decisão judicial, estão sujeitos à incidência do imposto de renda quando do seu recebimento, devendo ser declarados como tributáveis na declaração de ajuste anual, inobstante a falta de retenção ou retenção a menor pela fonte pagadora. FONTE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Tratandose de imposto em que a incidência na fonte se dá por antecipação daquele a ser apurado na declaração de ajuste anual, inexiste responsabilidade tributária concentrada exclusivamente na pessoa da fonte pagadora, sendo correta a autuação do beneficiário, com capitulação legal de omissão de rendimentos, quando este não ofereceu à tributação, na declaração de ajuste anual, os rendimentos tributáveis recebidos em virtude de ação trabalhista e sujeitos ao ajuste anual. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11080.011692/200265 Resolução nº 2402000.607 S2C4T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 1998 JUROS DE MORA. SELIC. Os juros de mora apurados pela Selic são devidos no lançamento de oficio, por expressa previsão legal. MULTA DE OFÍCIO. Aplicase a multa de oficio, na exigência de oficio, por expressa previsão legal. Lançamento Procedente Cientificado da decisão de primeira instancia em 19/08/2008, o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 146 e segs., em 17/09/2008, o recurso voluntário aduzindo, em síntese que: 1. Pugna pela suspensão da exigibilidade do débito referido no auto de infração; 2. Protesta pela desnecessidade do arrolamento de bens; 3. Alerta que o Recorrente é portador de moléstia grave desde 08/08/1997, dado que o contribuinte foi submetido a cirurgia cardíaca em tal data, embora o fisco alegue que a comprovação da doença grave data de 1999; 4. Discorre sobre a função do Conselho de Recursos para afastar do lançamento do tributo as leis instituidores de exações que são inconstitucionais ou que não válidas; 5. Em relação a isenção por moléstia grave, cita que o Superior Tribunal de Justiça, já apreciou a referida controvérsia e proferiu entendimento no sentido de que a aludida isenção deve ser reconhecida diante da prova da existência da moléstia grave, ainda que a comprovação não esteja fundada exclusivamente em laudo médico oficial; 6. Que ao valor de R$ 30.000,00, recebida através do acordo trabalhista, se trata de indenização trabalhista, sendo, portanto isento do imposto de renda, nos termos do inciso XX, art. 39 do RIR/99 e IN 124/80; 7. Em relação a essa mesma indenização, a fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido; referenciase a jurisprudência e ao art. 792 do RIR de 1994, repetido no art. 718 do RIR de 1999, e acórdão administrativo; 8. Pugna ainda contra a multa de oficio, afirmando que, mesmo que a parcela de R$ 30.000,00 fosse tributável, o cliente foi induzido por erro de informação da fonte pagadora e transcreve jurisprudência nesse sentido. 9. Protesta contra a cobrança dos juros de mora apurados pela taxa referencial do Sistema de Liquidação c Custódia para títulos federais — Selic, por afrontarem o art. 192, § 30 da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988, por se tratarem de juros extorsivos. É o relatório. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11080.011692/200265 Resolução nº 2402000.607 S2C4T2 Fl. 6 5 VOTO Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 19/08/2008, interpôs recurso voluntário no dia 17/09/2008, atendendo também às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO. Em síntese, o Recorrente alega, em relação aos R$ 30.000,00 do acordo trabalhista, que se trata de indenização por tempo de serviço, portanto, isenta; em relação aos R$ 42.253,63, que estaria isento haja vista ter sido cometido de moléstia grave, anteriormente ao anocalendário 1998; e, em relação aos R$ 1.754,92 que declarou como tributáveis, requer retificação para isentos, ao mesmo argumento. Argumenta o Recorrente que ao valor de R$ 30.000,00, recebida através do acordo trabalhista, se trata de indenização por tempo de serviço, sendo, portanto isento do imposto de renda, nos termos do inciso XX, art. 39 do RIR/99 e IN 124/80. Consta a fl. 17, comprovante de rendimentos pagos ao Recorrente pela empresa Cia Rio Grandense de Saneamento — Corsan em que incluise rendimentos de natureza salarial no valor de R$ 42.253,63, respectivo IRRF de R$ 8.633,95, Reclamatória trabalhista no valor de R$ 30 mil e décimo terceiro salário no valor de R$ 3.533,83. Consta as fls. 116 e segs, copia do acordo de homologação, realizada em Porto Alegre em 15 de dezembro de 1998 pela 19a Junta de Conciliação e Julgamento em que é acordado que a empresa Corsan, reclamada, pagará ao Recorrente, reclamante, a quantia de R$ 75 mil, a titulo indenizatório, dividido em três parcelas, sendo a primeira com vencimento m 21/12/98 no valor de R$ 30 mil e as demais no ano de 1999. Tal acordo foi homologado pela Justiça do Trabalho, conforme documento de fl. 118. Em 27/11/00, a empresa Corsan declarou (fl. 16) que o Recorrente "Percebeu ainda a titulo indenizatório em processo trabalhista rendimentos não sujeitos a tributação de R$ 30.000,00 (Trinta mil reais)". Apesar da documentação acima mencionada, as autoridades fiscais de primeira instancia entenderam que, como o valor recebido de R$ 30.000,00 não foi detalhado quanto à sua composição, deveriase concluir que se trata de verba salarial trabalhista. Tendo em vista os argumentos acima expostos e que não há como garantir inequivocamente se o valor pago se trata de indenização isenta nos termos da legislação tributaria art. 39, inciso XX do RIR/99, com base nos documentos acostados aos autos, entendo que deve ser o julgamento do presente processo ser convertido em diligencia para que seja juntado aos autos copia do processo judicial que motivou o acordo trabalhista acima mencionado. Aproveitase para solicitar esclarecimentos a fonte pagadora Cia Rio Grandense de Saneamento — Corsan em relação a natureza do pagamento do valor de R$ 42.253,63, confirmando tratarse de aposentadoria e em relação a composição do valor pago de R$ 30.000 Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11080.011692/200265 Resolução nº 2402000.607 S2C4T2 Fl. 7 6 para fins de confirmação de que se trata de valor isento para fins de incidência do imposto de renda pessoa física, com base no art. 39, inciso XX do RIR/99. CONCLUSÃO Diante do exposto, encaminho por converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem junte cópia integral do autos do processo judicial N° 00952.019/981 e 00467.019/983 (apensado) e intime a Cia Rio Grandense de Saneamento — Corsan em relação a: (i) natureza do pagamento do valor de R$ 42.253,63, confirmando tratarse de aposentadoria e (ii) a composição do valor pago de R$ 30.000 para fins de confirmação de que se trata de valor isento para fins de incidência do imposto de renda pessoa física, com base no art. 39, inciso XX do RIR/99. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 207DF CARF MF
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