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Numero do processo: 16327.914467/2009-32
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3801-000.351
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/07/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.914467/200932 Despacho n.º 380100.351 S3TE01 Fl. 2 2 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte alegou que o direito ao crédito decorrente do pagamento a maior não pode ser contestado por argumentos de índole formal, visto que o despacho decisório baseouse em informações desencontradas, erroneamente prestadas pela contribuinte. Entende que a não homologação da compensação teve como motivo a entrega da DCTF original com informações equivocadas. Informa que apresentou DCTF retificadora que já apresentaria o crédito em disputa. Uma vez corrigido o lapso que levou os sistemas de cruzamento da Administração Tributária a não admitir o aproveitamento do direito de crédito argumenta que deve ser homologada a compensação. Pleiteia a conjugação entre a realidade material e a realidade formal vertida na declaração de compensação, invoca direito constitucional ao aproveitamento do valor pago indevidamente e conclui, ao fim, pela necessidade de reforma do despacho decisório. A DRJ em Campinas (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: Direito Creditório. Prova. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Direito de Crédito. Regime de Retenção. Ônus Financeiro. Comprovação. Tratandose de crédito envolvendo tributo retido pela instituição financeira na qualidade de responsável, cabe a esta a comprovação de que alegado pagamento a maior foi por ela suportado. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/07/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.914467/200932 Despacho n.º 380100.351 S3TE01 Fl. 3 3 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos. Menciona que o crédito em questão decorre de valor recolhido indevidamente, em face de que na qualidade de substituto tributário efetuou a retenção da CPMF, por equívoco, sobre operações não tributadas, seja em razão da imunidade do cliente correntista, seja em razão da não incidência da contribuição por ser o cliente órgão público. Esclarece que os extratos das contas correntes dos respectivos clientes evidenciam os valores indevidamente retidos a título de CPMF, bem como os estornos correspondentes. Destaca que procedeu aos estornos dos valores relativos à CPMF indevida, e assim passou a suportar o ônus tributário. Outrossim, em observância ao princípio da verdade material, as provas trazidas aos autos devem ser acolhidas, pois demonstram o recolhimento a maior, a assunção do encargo financeiro. Colaciona doutrina e jurisprudências administrativa e judicial. Por fim, requer a reforma da decisão proferida, com a consequente homologação da compensação pretendida. É o relatório. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/07/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.914467/200932 Despacho n.º 380100.351 S3TE01 Fl. 4 4 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de valor recolhido indevidamente, em face de que na qualidade de substituto tributário efetuou a retenção da CPMF, por equívoco, sobre operações não tributadas, seja em razão da imunidade do cliente correntista, seja em razão da não incidência da contribuição por ser o cliente órgão público. Do exame do despacho decisório que indeferiu a compensação, verificase que essa matéria não foi apreciada. A autoridade fiscal, em síntese, apenas considerou os dados apresentados na DCTF original. Registrese, por oportuno, que a DCTF retificadora foi apresentada antes da ciência do despacho decisório. Assim, a interessada não foi intimada a justificar a origem de seu crédito, o que de fato lhe trouxe prejuízo. Convém ressaltar que o simples erro de preenchimento da DCTF não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Ademais, não há óbice legal para a apresentação de DCTF retificadora antes da emissão do despacho decisório. De sorte que o mero erro de fato no preenchimento da DCTF não é elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente. Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente. Neste sentido, os dados da DCTF retificadora e os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da contribuição CPMF referente ao período de apuração em discussão. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) apure a legitimidade do crédito pleiteado com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de 10/03/2006, inclusive verifique se, de fato, o ônus financeiro recaiu sobre a instituição financeira; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 68DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/07/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000048/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO.
Verificada contradição e omissão no acórdão embargado, cumpre acolher os embargos com efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3301-011.349
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para anular o acórdão embargado e proferir nova decisão, para negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.347, de 27 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 16349.000040/2009-05, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Adao Vitorino de Morais, Semiramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jucileia de Souza Lima, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausentes o conselheiro Ari Vendramini e o conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes.
Nome do relator: Liziane Angelotti Meira
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CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO. Verificada contradição e omissão no acórdão embargado, cumpre acolher os embargos com efeitos infringentes. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para anular o acórdão embargado e proferir nova decisão, para negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.347, de 27 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 16349.000040/2009-05, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Adao Vitorino de Morais, Semiramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jucileia de Souza Lima, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausentes o conselheiro Ari Vendramini e o conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 00 48 /2 00 9- 63 Fl. 436DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.349 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000048/2009-63 A embargante sustenta que o acórdão padece de obscuridade pelo fato de o relatório ter se referido à Acórdão divergente do constante dos autos, além de as ementas tratarem de assuntos distintos. Os embargos de declaração estão previstos no artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF - aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Segundo Luiz Guilherme Marinoni: Obscuridade significa falta de clareza, no desenvolvimento das ideias que norteiam a fundamentação da decisão. Representa ela hipótese em que a concatenação do raciocínio, a fluidez das idéias, vem comprometida, ou porque exposta de maneira confusa ou porque lacônica, ou ainda porque a redação foi mal feita, com erros gramaticais, de sintaxe, concordância, etc. capazes de prejudicar a interpretação da motivação. A contradição, à semelhança do que ocorre com a obscuridade, também gera dúvida quanto ao raciocínio do magistrado. Mas essa falta de clareza não decorre da inadequada expressão da ideia, e sim da justaposição de fundamentos antagônicos, seja com outros fundamentos, seja com a conclusão, seja com o relatório (quando houver, no caso de sentença ou acórdão), seja ainda, no caso de julgamentos de tribunais, com a ementa da decisão. Representa incongruência lógica, entre os distintos elementos da decisão judicial, que impedem o hermeneuta de aprender adequadamente a fundamentação dada pelo juiz ou tribunal." Com razão, a embargante. O Acórdão de primeira instância constante dos autos versou sobre o enquadramento do contribuinte na condição de produtora, de modo a fazer jus ao crédito presumido do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, conforme ementa abaixo: CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CAFÉ. BENEFICIAMENTO POR TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. Não se enquadra na condição de produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal, para fins de fruição do crédito presumido da agroindústria, a pessoa jurídica que adquire café in natura de pessoas físicas e remete-o para beneficiamento em armazém geral, mediante contrato de prestação de serviços. Portanto, os embargos foram admitidos para que o colegiado aprecie os embargos da Procuradoria da Fazenda Nacional. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Tendo em conta que realmente houve problemas na decisão anterior, proponho anulá-la e passo à análise do caso de modo completo, em substituição ao relatório e voto do acordão anterior. Fl. 437DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.349 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000048/2009-63 RELATÓRIO Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no 14-66.134 - 4ª Turma da DRJ/RPO (fls 487 e seguintes): Trata o presente processo de Pedidos de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), cujo crédito provém do saldo credor da Cofins, relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência nãocumulativa, referente ao 4º trimestre de 2005. A Derat/SP, por meio do despacho decisório de fls. 292/311, reconheceu parcialmente o direito creditório. De acordo com o despacho decisório, o crédito foi deferido parcialmente, em resumo, devido a ajustes feito pela fiscalização na aplicação dos coeficientes de proporcionalidade sobre os créditos referentes ao mercado externo. Também foi constatado que, apesar de a manifestante ter utilizado crédito presumido da agroindústria, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, a quase totalidade das aquisições de pessoa física foram de bens para revenda, que não geram direito ao referido crédito presumido. A fiscalização ainda verificou que a contribuinte não se enquadra como produtor de café, como determina a lei, pois adquire o café em coco de pessoa física e jurídica, que é remetido para armazéns gerais para beneficiamento e re-beneficiamento, e do café que retorna dos armazéns parte é destinada à comercialização e parte à industrialização para transformação em café solúvel, também por terceiros. Assim, os créditos presumidos relativos a bens utilizados como insumo adquiridos de pessoa física foram glosados. Os créditos presumidos relativos à aquisição de pessoas jurídicas com suspensão das contribuições também foram desconsiderados porquanto a suspensão prevista no art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, estava condicionada à regulamentação pela Receita Federal, conforme Lei nº 11.051, de 2004, o que ocorreu somente com a edição da Instrução Normativa (IN) SRF nº 636, de 2006, em 24/03/2006. Cientificada do despacho decisório e inconformada com o deferimento parcial de seu pedido, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, às fls. 314/317, alegando, em Fl. 438DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.349 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000048/2009-63 resumo, que o auditor-fiscal autuante criou restrição não prevista em lei, pois a Lei nº 10.925, de 2004, não prevê que a industrialização/produção seja efetuada pela própria pessoa jurídica, mas sim que ela produza as mercadorias, o que ela fez, mediante encomenda, contratando serviços de terceiros. Aduz que tal matéria encontra-se pacificada no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) em julgamento sobre crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), do qual transcreve ementa. Assim, entende que faz jus ao crédito presumido referente às aquisições de pessoas físicas de mercadorias constantes no capítulo 9 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2005 CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CAFÉ. BENEFICIAMENTO POR TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. Não se enquadra na condição de produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal, para fins de fruição do crédito presumido da agroindústria, a pessoa jurídica que adquire café in natura de pessoas físicas e remete-o para beneficiamento em armazém geral, mediante contrato de prestação de serviços. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 496 e seguintes), o qual será analisado do voto que segue. É o relatório. VOTO A Recorrente apresentou Recurso Voluntário tempestivo. A alegação se concentrou na questão de que a Recorrente faz jus ao crédito presumido referente às aquisições de pessoas físicas em relação Fl. 439DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.349 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000048/2009-63 às mercadorias produzidas e cita jurisprudência deste CARF relativa ao IPI. Note-se que se trata do mesmo argumento apresentado à Delegacia de Julgamento e não vejo nenhuma razão para alterar a decisão de piso, a qual mantenho integralmente. Assim, em vista do disposto no § 3º do artigo 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, reproduzo os fundamentos da decisão de primeira instância e os faço minha razão de decidir: Em sua manifestação a contribuinte alega que o fato de beneficiar o café por encomenda, por meio de terceiros, não elidiria o direito de utilizar o crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, uma vez que não há essa vedação de forma expressa na Lei. O art. 8º da Lei nº 10.925, de 2008, assim dispõe: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: I - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; I - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 Fl. 440DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.349 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000048/2009-63 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) (grifei) Essa questão foi colocada pela própria manifestante, sob a forma de consulta à Disit da 8ª Região Fiscal, conforme documentos dos autos. A conclusão da referida consulta foi a seguinte: Diante do exposto, soluciona a presente consulta, respondendo a interessada que a pessoa jurídica que adquire café in natura de pessoas físicas residentes no Pais e o remete para beneficiamento em armazém geral, mediante contrato de prestação de serviços, recebendo café não torrado em grão classificado no código 0901.11.10 da NCM, destinado comercialização e à industrialização de café solúvel classificado no código 2101.11.10 da , NCM, não faziam jus aos créditos presumidos de que tratavam os §§ 10 e 11 do art. 3° da Lei' n° 10.637, de 2002 (incluídos pela Lei n° 10.684, de 2003) e os §§ 5° e 6° da Lei n° 10.833, de 2003, nem tampouco faz jus ao crédito presumido na forma prescrita no art. 8° da Lei 10.925, de 2004, uma vez que não se enquadra na condição de pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal. (realcei) Portanto, o entendimento da Administração sobre a questão foi expresso, especificamente para a situação da requerente, no sentido de que nos casos em que o contribuinte produz mercadoria constante no capítulo 9 da NCM, no caso o café, mas o beneficiamento é feito por terceiros, mediante contrato de prestação de serviços, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria. Sendo assim, não poderia ter agido de forma diferente a autoridade a quo ao glosar tais créditos utilizados pela contribuinte, uma vez que a consulta, de acordo com o sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na internet, é o instrumento que o contribuinte possui para esclarecer dúvidas quanto à interpretação de determinado dispositivo da legislação tributária e aduaneira relativo aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e sobre classificação de serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio. Quanto ao acórdão do CARF citado na manifestação de inconformidade, vale esclarecer que este trata do IPI, que tem legislação diversa da das contribuições sociais e, mesmo em caso contrário, somente produz efeitos entre as partes, não vinculando os demais Fl. 441DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.349 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000048/2009-63 contribuintes, tampouco esta Delegacia de Julgamento. Diante do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório postulado. Diante do exposto, voto por acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para anular o acórdão embargado e proferir nova decisão, para negar provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para anular o acórdão embargado e proferir nova decisão, para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 442DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 15504.003588/2009-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n°. 04 do
CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.034
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n°. 04 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/10/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por NUCLEO EDUCACIONAL CULTURAL N SRA DE FÁTIMA, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.206.4566, lavrado para a cobrança de contribuições parte da empresa incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, declaradas em GFIP e não recolhidas em época própria. O lançamento compreende o período de 12/2005 e 13/2005, tendo sido o contribuinte cientificado em 04/03/2009 (fls. 01). Intimada do julgamento em primeira instância (fls.66/72), a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: a ilegalidade da SELIC; que a multa aplicada é confiscatória e desproporcional; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/10/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.003588/200904 Acórdão n.º 2402003.034 S2C4T2 Fl. 98 3 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO As alegações recursais veiculadas no Recurso voluntário já são de amplo conhecimento desta turma. No que se refere as argumentações recursais sobre o caráter confiscatório da multa, bem com de sua desproporcionalidade, a irresignação não pode ser analisada por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Por fim, a insurgência quanto a aplicação da taxa SELIC também não merece amparo. A sua aplicação, enquanto juros moratórios e multa aplicadas sobre as contribuições objeto do lançamento, foi efetivada com supedâneo em previsão legal consubstanciada no art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo reestabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/10/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Tal discussão, inclusive, já tendo sido objeto de várias deliberações neste Conselho, resultou no enunciado da Súmula n°. 04 do CARF, confirase: ”Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ” Ante todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. E como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 107DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/10/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720095/2007-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3801-000.303
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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SENHORA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, converteuse o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 22/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sergio Celani, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10680.720095/200716 Resolução n.º 3801000.303 S3TE01 Fl. 348 2 Relatório O presente Recurso Voluntário referese a pedidos de compensação não homologados pela DRF de origem (fls. 266/270) sob o argumento da inexistência dos créditos informados em PER/DCOMP. O acórdão ora recorrido da DRJ de origem é minucioso quanto ao relato do conteúdo dos presentes autos, razão pela qual o adoto, in verbis: “A contribuinte aqui qualificada pleiteia neste processo compensação de crédito de Cofins relativa ao período de fev/2000 a jan/2003, Dcomp's de fls. 27/221, sob alegação de estar isenta de seu recolhimento. Foi anexado ao presente processo cópia de Termo de Verificação Fiscal (TVF), fls. 18/23, no qual consta que a fiscalizada declarou e recolheu a Cofins incidente sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços educacionais e de aplicações financeiras e outras que não aquelas derivadas das atividades próprias, no período compreendido entre janeiro de 2000 a janeiro de 2003. Consta, ainda, do TVF, que a partir dessa data (jan/2003), a contribuinte deixou de declarar e recolher a referida contribuição entendendo não ser sujeito passivo em relação à mesma, tendo, inclusive, solicitado que os valores recolhidos a esse titulo fossem utilizados para compensação de débitos declarados de IRFonte e PIS Folha de pagamento. Consta, por fim, do TVF, que lavrouse contra a contribuinte o Auto de Infração cópia de fls. 02/17, no âmbito do processo n° 10680.014116/200671, relativo à Cofins, totalizando um crédito tributário de R$1.885.066,70, compreendendo as insuficiências de recolhimento entre jan/2000 e fev/2003, além do crédito integral da mesma contribuição referente ao período posterior a janeiro de 2003 até dezembro de 2004. A DRF/Belo Horizonte procedeu A análise das compensações por intermédio do Despacho Decisório de fls. 266/270, não homologando as em face de que nos termos da autuação precitada a entidade foi considerada contribuinte da Cofins. Irresignada com o indeferimento de seu pedido, do qual teve ciência em 09/02/2007 (fl. 275), a interessada apresenta, em 27/02/2007, a manifestação de inconformidade As fls. 288/297, com as argumentações abaixo sintetizadas: Ab initio, cumpre esclarecer que não compete a fiscalização da Receita Federal indagar se a impugnante — instituição educacional sem fins lucrativos — pode ou não ser considerada entidade beneficente de assistência social. A definição de entidade beneficente de assistência social está prevista no artigo 2° do Decreto n° 2.536/98. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10680.720095/200716 Resolução n.º 3801000.303 S3TE01 Fl. 349 3 O Decreto citado tem como finalidade, nos termos de seu preambulo, dispor "sobre a concessão do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (atualmente denominado Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social) a que se refere o inciso IV do art. 18 da Lei n°8.742, de 7 de dezembro de 1993". O artigo 18 da lei n° 8.742/93, também conhecida por Lei Orgânica da Assistência Social — LOAS, atribui ao Conselho Nacional de Assistência Social competência privativa para averiguar quais entidades podem ser consideradas beneficentes de assistência social, mediante a concessão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — CEAS. O STF já esclareceu, por ocasião do julgamento da liminar das Ações Diretas de Inconstitucionalidade — ADIN's n° 2028 e 2036, publicada no DJU do dia 16.06.2000, que se inserem na assistência social a educação e a saúde. Destarte, não cabe à fiscalização da Receita Federal questionar se o fato de a impugnante ser entidade educacional a desqualifica como entidade beneficente de assistência social, haja vista que tal averiguação somente pode ser realizada pelo Conselho Nacional de Assistência Social — CNAS e somente no caso de descumprimento de quaisquer dos requisitos do artigo 55, da Lei n° 8.212/91. A impugnante cumpre regularmente todos os requisitos que a permitem se qualificar como entidade beneficente de assistência social. A propósito, os requisitos qualificadores de uma entidade como beneficente de assistência social são os do artigo 55 da Lei n° 8.212/91. Mister informar que a redação do inciso III do artigo 55 da Lei 8212/91 dada pela Lei 9.732/98, que acrescentou a expressão "em caráter exclusivo" está suspensa em virtude da liminar concedida nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade n° 20285 e 20366 em curso perante o STF. Cumpre, então, averiguar se a impugnante preenche todos os requisitos. Vejamos: 1. A impugnante é declarada de Utilidade Pública Federal, Estadual. 2. A impugnante é registrada no CNAS. 3. A impugnante promove assistência educacional, com gratuidade, conforme determina a legislação pátria (certidão expedida pelo Conselho Municipal de Assistência Social de BH, bem como o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, expedido pelo CNAS). 4. A impugnante não remunera os membros de sua Diretoria pelo exercício especifico de suas funções e não distribui lucros, vantagens ou bonificações a dirigentes, associados ou mantenedores, conforme disposto no seu Estatuto Social e atestado por certidão expedida pela CMAS de BH. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10680.720095/200716 Resolução n.º 3801000.303 S3TE01 Fl. 350 4 5. A impugnante aplica integralmente no Pais, e especificamente na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, seus eventuais resultados operacionais, conforme disposto no seu Estatuto Social, comprovado pelos balanços patrimoniais em anexo. 6. Resta, portanto, comprovado que a impugnante é entidade beneficente de assistência social e como tal faz jus A imunidade prevista no artigo 195, § 7°, da Constituição federal de 1988. Ultrapassada a descabida indagação da fiscalização de ser ou não a impugnante entidade beneficente de assistência social, em virtude de sua finalidade educacional, e comprovado o cumprimento dos requisitos do artigo 55 da Lei 8212/91, resta comprovado o seu direito A isenção prevista no art. 195, § 7°, da Constituição Federal de 1988; Portanto, para a fruição da imunidade instituída no comando constitucional(artigo 195, § 7°, da Carta Magna), deve se ater aos termos da Lei 8.212/91, especificamente do artigo 55. Requer a interessada, lastreandose no despacho decisório de fls. 266/270, seja reunido o presente processo ao de autuação (processo n° 10680.014116/200671) para decisão simultânea. Com base neste relatório, o referido acórdão da DRJ restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2000 a 31/01/2003 COMPENSAÇÃO. Somente são passíveis de compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza na data da apresentação/transmissão da Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Insurgese o contribuinte contra o não reconhecimento do direito creditório através do presente recurso voluntário (fls. 339/344), o qual pautado, em síntese, nas seguintes razões: “I — A Constituição Federal dá isenção/imunidade da COFINS às entidades beneficentes de assistência social (artigo 195, § 7°, da CF), desde que sejam atendidos os requisitos de Lei (IC 7011991, c/c o artigo 17 da MP 2.15835, c/c o artigo 55, da Lei 8.212/1991); II — A ASSEDINS é entidade beneficente de assistência social e cumpre todas as exigências do artigo 55 da Lei 8.212/1991, conforme documentos juntados aos autos; III — Não compete à Administração Pública questionar as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em Ação Direta de Inconstitucionalidade. Pelo contrário, tais decisões são vinculantes Fl. 484DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10680.720095/200716 Resolução n.º 3801000.303 S3TE01 Fl. 351 5 para a Administração Pública (artigo 102, § 2°, da Constituição Federal). Ou seja: a ASSEDINS NÃO É CONTRIBUINTE DA COFINS, sendo o direito à compensação uma mera decorrência do reconhecimento de sua condição "Entidade Beneficente de Assistência Social'.” Requer, a final, seja dado provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10680.720095/200716 Resolução n.º 3801000.303 S3TE01 Fl. 352 6 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Antes de entrar na discussão do mérito no presente recurso é preciso asseverar que nos autos do processo nº 10680.014116/200671 que se encontra em curso nesse conselho, as partes estão discutindo auto de infração pelo qual lançouse contra a contribuinte as insuficiências de recolhimento entre jan/2000 e fev/2003, além do crédito integral da mesma contribuição referente ao período posterior a janeiro de 2003 até dezembro de 2004, sendo esse primeiro período o mesmo discutido nesses autos. Correspondendo aquele a parte dos valores em discussão nesse processo, não há como essa turma julgar o mérito do presente processo sem o exame do disposto no processo supra mencionado. Assim, proponho a conversão desse julgamento em resolução para que seja o processo encaminhando à DRF de origem para aguardar a decisão definitiva do processo nº 10680.014116/200671, juntando cópia do seu resultado final ao presente e retornando, após, para julgamento no CARF. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 486DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL
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Numero do processo: 10510.904225/2009-87
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3801-000.292
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora EDITADO EM: 18/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Andrea Medrado Darze. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.904225/200987 Resolução n.º 3801000.292 S3TE01 Fl. 2 2 RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJSalvador/BA (fl. 22v), abaixo transcrito: A interessada transmitiu em 19/12/2007 o PERDCOMP eletrônico 02476.40636.191207.1.3.049274 visando utilizar parte do DARF relativo ao tributo de código de receita 8109, período de apuração referente a outubro/2003, no valor total de R$19.714,99, na compensação de débitos declarados, totalizando R$23.883,42. A DRF/Aracaju emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl.05) não homologando a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a compensação. Irresignada, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade (fls.07/08) alegando que o débito correto do tributo recolhido indevidamente era R$1.052,88. Contudo, alega que deveria ter feito à época a DCTF retificadora para indicar o valor correto do débito do PIS, tendo efetuado a retificação da DIPJ Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica do ano calendário de 2003, entregue em 05/06/2007. E, assim, considerandose o recolhimento efetuado no vencimento, há um crédito no valor de R$19.714,99, sendo passível de utilização no PER/DCOMP, ora em litígio, o valor de R$14.963,61, devendose homologar as compensações declaradas.” Analisando o litígio, a DRJSalvador/BA entendeu por bem indeferir a Manifestação de Inconformidade e não homologar a compensação declarada (fls. 22), conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/11/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Acórdão Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Às fls. 35 a 48 consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as seguintes alegações, em síntese: Fl. 53DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.904225/200987 Resolução n.º 3801000.292 S3TE01 Fl. 3 3 • Decadência do direito do fisco de cobrar os débitos objeto do pedido de compensação; • O erro de preenchimento da DCTF, que foi posteriormente retificada, não pode ensejar na ausência de reconhecimento do pagamento indevido ou maior realizado pelo contribuinte; É o relatório. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.904225/200987 Resolução n.º 3801000.292 S3TE01 Fl. 4 4 VOTO O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Sem maiores delongas, de pronto, devese afastar o pedido de perícia apresentado no Recurso de Voluntário, uma vez que o Recorrente deixou de apresentar quesitos e a qualificação do assistente técnico, nos termos do artigo 16, inciso IV do Decreto 70.235/72. Confirase a redação do referido artigo: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Por outro lado, corrobora com o indeferimento do pedido de perícia o fato de o Recorrente não ter formulado tal pedido quando apresentou sua Manifestação de Inconformidade junto à Delegacia da Receita Federal de Aracajú, nos termos do citado artigo do Decreto que rege o procedimento administrativo fiscal. Com relação à preliminar de decadência argüida no Recurso Voluntário, também não assiste razão ao Recorrente. Explicase. O Recorrente, ao apresentar declaração de compensação junto à Receita Federal, pretendia pagar débitos de “IRPJ PJ optantes pelo lucro real/Estimativa mensal” (código 599301) e de “CSLL Demais PJ que apuram o IRPJ com base em estimativa mensal” (código 248401), cujos fatos geradores se deram em Novembro de 2007, com créditos de “PISFaturamento” (código 8109), que foram, ao argumento do Recorrente, indevidamente recolhidos em 14/11/2003. Como se denota dos autos, a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Aracajú, que não homologou a compensação apresentada pelo Recorrente, foi emitida em 07/10/2009, sendo este cientificado em 27/10/2009 (fls. 05 a 11). Sem adentrar no mérito da aplicação, in casu, do artigo 150, § 4º ou do artigo 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional, não há que se falar em decadência do direito de a Fazenda cobrar, em 07/2009, supostos débitos, cujos fatos geradores se deram, repitase, em Novembro de 2007. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.904225/200987 Resolução n.º 3801000.292 S3TE01 Fl. 5 5 Não se pode admitir qualquer argumentação no sentido de que o que se discute na compensação é a existência ou não de créditos, já que a decisão combatida pelo Recorrente cobra débitos que, ao entender da fiscalização, não foram pagos por ausência de créditos passíveis de serem compensados. Por tal motivo, fica claro a inocorrência do instituto da decadência no presente caso. Com relação ao mérito, conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador (BA), sob o argumento de que “ (...)a DCTF não constitui uma mera formalidade. É na DCTF que a contribuinte declara seus débitos e faz as devidas vinculações a pagamentos e possíveis compensações, sendo que a DCTF possui caráter de confissão de dívida, conforme entendimento já pacificado nas esferas administrativa e judicial. Portanto, ao manter o recolhimento integralmente vinculado a um débito declarado em DCTF, a própria contribuinte afasta a possibilidade de se caracterizar parte desse recolhimento como pagamento indevido ou a maior..” (fl. 29). Ocorre, contudo, que o Recorrente, como demonstrado tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso Voluntário ora analisado, retificou a sua DIPJ/2004, para ali constar que não era devido o PIS e que, por isso, os valores recolhidos seriam indevidos, sendo, assim, passíveis de compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Portanto, a princípio, o Recorrente faria jus aos créditos utilizados na compensação não homologada pela Douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Aracajú. No julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Salvador (BA) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: Fl. 56DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.904225/200987 Resolução n.º 3801000.292 S3TE01 Fl. 6 6 A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ................................................................................................................... ....... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, Fl. 57DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.904225/200987 Resolução n.º 3801000.292 S3TE01 Fl. 7 7 diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão Fl. 58DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.904225/200987 Resolução n.º 3801000.292 S3TE01 Fl. 8 8 CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 302 39947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser consideradas, in casu, as Declarações retificadas pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstram créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Aracajú, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados na compensação não foram utilizados para o pagamento de outros tributos e, em conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que constam anexados aos Autos, a DIPJ retificada (fl. 15 e 16), bem como o comprovante de pagamento do DARF, cujo crédito foi utilizado pelo Recorrente. Tal documentação, contudo, não foi considerada pela DRJ/SalvadorBA, sob a alegação de ter sido elaborada posteriormente ao indeferimento da compensação, além de ter sido apresentada sem outros documentos comprobatórios do direito do Recorrente. Desta forma, indeferindo o pedido de perícia formulado, bem como a preliminar de decadência; tendo em vista o acima exposto e o fato de não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/AracajúSE para: 1. Apurar se os valores dos créditos indicados pelo Recorrente em sua compensação não foram utilizados para o pagamento de outros tributos; 2. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 3. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Fl. 59DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.904225/200987 Resolução n.º 3801000.292 S3TE01 Fl. 9 9 Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 60DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11065.722012/2019-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jan 31 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2015 a 31/01/2017
ALTERAÇÃO DE DÉBITOS. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROCEDIMENTO FISCAL.
A retificação de DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto a alteração de débitos de impostos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado de início de procedimento fiscal.
AÇÃO FISCAL. PAGAMENTO. PRAZO.
O benefício previsto no art. 47 da Lei nº 9.430, de 1996, trata-se de prazo para pagamento dos valores declarados, não abrangendo pagamentos de tributos não declarados ou pedido de parcelamento.
Numero da decisão: 3301-011.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jose Adao Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Marcelo Costa Marques D Oliveira (suplente convocado), Liziane Angelotti Meira (Presidente)
Nome do relator: Liziane Angelotti Meira
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RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROCEDIMENTO FISCAL. A retificação de DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto a alteração de débitos de impostos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado de início de procedimento fiscal. AÇÃO FISCAL. PAGAMENTO. PRAZO. O benefício previsto no art. 47 da Lei nº 9.430, de 1996, trata-se de prazo para pagamento dos valores declarados, não abrangendo pagamentos de tributos não declarados ou pedido de parcelamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jose Adao Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Marcelo Costa Marques D Oliveira (suplente convocado), Liziane Angelotti Meira (Presidente) Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no 06-66.998 - 3ª Turma da DRJ/CTA (fls 197/206): AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 20 12 /2 01 9- 79 Fl. 255DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.588 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.722012/2019-79 Lavrou-se, em face da contribuinte identificada em epígrafe, Autos de Infração, relativos à Cofins, no montante de R$ 16.069.488,62 e à contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$ 3.481.699,41 – somados o principal, multa de ofício e juros de mora, referente a fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2015 a janeiro de 2017. A autuação ocorreu devido à insuficiência de recolhimento das contribuições, em razão de a interessada haver apurado créditos da contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins em valores maiores do que o previsto na legislação quando da aquisição de produtos da Zona Franca de Manaus. Em 26/03/2019 a interessada teve ciência dos autos de infração e, tempestivamente, ingressou com a impugnação de fls. 132/153, a seguir sintetizada. Na impugnação, a interessada, inicialmente, trata da tempestividade da defesa apresentada. No tópico seguinte - DOS FATOS, narra os fatos que culminaram com a lavratura dos Autos de Infração e explica que ao rever a sua apuração identificou equívocos em relação ao montante dos créditos apropriados a título de PIS e Cofins decorrentes das aquisições de produtos da Zona Franca de Manaus. Em vista disso e com fundamento no art. 47 da Lei nº 9.430, de 1996, promoveu, dentro do prazo de vinte dias após a data de recebimento do termo de início de fiscalização, a retificação de suas DCTF bem como efetuou o pagamento parcelado dos débitos oriundos das retificações, devidamente corrigido pela Selic e multa de 20%. A seguir, ainda no mesmo tópico, explica que informou à autoridade autuante o seu procedimento, esclarecendo que por uma impossibilidade sistêmica, uma vez que os débitos decorrentes das retificações das DCTF ainda não estavam no sistema e-CAC para adesão ao parcelamento, emitiu os DARF de R$ 181.359,31 e R$ 39.287,94 para pagamento referente à primeira parcela (de um total de sessenta) do montante total do débito a ser quitado via SICALC. Contudo, a autoridade fiscal desconsiderou os procedimentos adotados e orientou-a a aguardar a lavratura do auto de infração para formalização do parcelamento, haja vista que foi equivocadamente entendido que estava buscando valer-se do instituto da denúncia espontânea. Prosseguindo, no tópico III - DO DIREITO, frisa a improcedência dos autos de infração uma vez que fundamentados em premissa equivocada, tornando o lançamento precário ao desrespeitar o inciso III do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Diz que ao contrário do que sustentado pela fiscalização, não se trata de denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, mas de pagamento espontâneo nos termos do art. 47 da Lei nº 9.430, de 1996. Insurge-se a interessada em relação à fiscalização: É importante notar que, primeiramente, a autoridade fiscal não se preocupou em auxiliar a Impugnante a regularizar a situação que, em momento algum, traria prejuízo ao fisco. Pelo contrário, a Impugnante estava disposta a realizar o pagamento espontâneo, mas mesmo assim a autoridade fiscal por ter entendido que a Impugnante tentou se beneficiar do instituto da denúncia espontânea (previsto no art. 138 do CTN), optou por lavrar autos de infração para exigir supostas multas de ofício devidas de 75% sobre os montantes dos supostos créditos tributários lançados. Porém, ao proceder dessa forma, acabou por retardar o recebimento dos valores devidos por meio da instauração desnecessária de um contencioso administrativo fiscal. Enfatiza que o procedimento adotado tem amparo legal expresso no art. 47 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual dispõe que a pessoa jurídica submetida a procedimento fiscal poderá pagar de forma espontânea (com multa e juros) desde que o faça dentro do prazo de vinte dias a contar do recebimento do termo de início de fiscalização. Afirma que o pagamento foi efetuado de forma espontânea e, dessa forma, não poderia a autoridade fiscal ter lavrado os autos de infração: Pois foi exatamente o que a Impugnante fez. Tomou ciência do Termo de Início de Fiscalização em 28/02/2019 e dentro do prazo de vinte dias, ou seja, até a data limite de 20/03/2019 a Impugnante procedeu com a retificação de suas DCTFs dos períodos de 2015 e 2016, e tendo em vista que não conseguiu emitir as guias para pagamento de Fl. 256DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.588 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.722012/2019-79 forma parcelada1 pelo e-CAC gerou os DARFs via SICALC relativos a primeira parcela de sessenta parcelas, do montante total do débito apurado (R$ 13.238.834,50), devidamente corrigido com juros SELIC e multa de mora de 20%. Uma vez realizado o procedimento de pagamento espontâneo previsto no art. 47 da Lei nº 9.430/96, a Impugnante declarou e confessou seus débitos por meio do procedimento de retificação de suas DCTFs dos anos-calendários 2015 e 2016. Sendo assim, não poderia a autoridade fiscal ter lavrado autos de infração para lançar de ofício aquilo que a própria Impugnante havia declarado, confessado e pago mediante parcelamento ordinário. Diz que caberia à autoridade fiscal viabilizar a retificação das DCTF e do pagamento realizado a fim de que restasse consolidado no sistema do e-CAC da Receita Federal. Argumenta que as DCTF retificadoras podem ser processadas a qualquer momento sendo gerados débitos em duplicidade em sua conta corrente fiscal, motivo pelo qual não merecem prosperar os autos de infração. Argumenta, subsidiariamente, caso se entenda pela manutenção dos autos de infração no tocante aos valores principais, não deve prevalecer a multa de ofício, uma vez que a referida multa deve ser reservada à hipótese em que o débito não está confessado. Protesta pela nulidade dos Autos de Infração lavrados em razão da ausência de motivação, uma vez que confirmou as constatações apontadas pelo agente fiscal e, dentro do prazo de vinte dias após a ciência do termo de início de fiscalização, com fundamento no art. 47 da Lei nº 9.430, de 1996, confessou os débitos. Destaca que a regra que impossibilita a retificação da DCTF durante o procedimento de fiscalização conforme dispõe o art. 9º, § 2º, inciso II da Instrução Normativa RFB nº 1.599, de 2015, está flexibilizada pela Lei nº 9.430, de 1996, aplicando-se à situação o prazo legal de vinte dias contados a partir do início do procedimento fiscal para a transmissão das DCTF retificadoras. Por último, no caso de serem mantidos os autos de infração, pugna pela ilegalidade da aplicação de juros sobre a multa de ofício. Requer que se dê provimento à impugnação apresentada, da seguinte forma: (i) para que sejam julgados improcedentes os autos de infração constantes no presente processo administrativo uma vez que os mesmos resultaram de trabalho fiscal no qual considerou o pagamento espontâneo (art. 47 da Lei nº 9.430/96) realizado pela Impugnante como uma tentativa de procedimento de denúncia espontânea (art. 138 do CTN), inocorrendo a subsunção do fato praticado pela Impugnante com a norma evocada pela autoridade fiscal como fundamento das autuações; (ii) para caso não seja dado provimento ao pedido anterior, que seja reconhecida a nulidade dos autos de infração em razão da sua ausência de motivação, uma vez que a autoridade fiscal para não aceitar a confissão dos débitos em exame e o pagamento espontâneo feito pela Impugnante nos termos do artigo 47 da Lei n° 9.430/96, fundamentou a cobrança na ausência cumprimento do disposto no parágrafo único do artigo 138 do CTN, o que não guarda qualquer congruência entre o fato ocorrido e a suposta motivação utilizada, sendo nulo o ato administrativo por ofensa ao disposto no parágrafo 1º do artigo 50 da Lei n° 9.784/99; (iii) para caso não sejam acolhidos os pedidos acima expostos, ou ainda que o sejam parcialmente acolhidos, que seja dado provimento para a presente Impugnação a fim de que não sejam mantidos os valores exigidos a título de principal, uma vez que tais valores já constam nas DCTFs retificadoras transmitidas pela Impugnante (fls. 57/74) em relação aos períodos de 2015 e 2016 dentro do prazo de 20 dias estabelecido no art. 47 da Lei nº 9.430/96, sendo que a manutenção de tais valores nos presentes autos implicaria na cobrança em duplicidade de débitos já declarados; (iv) para caso não sejam acolhidos os pedidos acima expostos, ou ainda que o sejam parcialmente acolhidos, que seja dado provimento para a presente Impugnação a fim de que seja cancelada a multa de ofício de 75%, uma vez que esta só é cabível em casos de Fl. 257DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.588 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.722012/2019-79 débitos não confessados, sendo cabível no máximo a cobrança de multa de mora de 20% tendo em vista a prática de pagamento espontâneo por parte da Impugnante; (v) para caso não sejam acolhidos os pedidos acima expostos, ou ainda que o sejam parcialmente acolhidos, que seja dado provimento para a presente Impugnação, a fim de que caso não sejam reconhecidas as DCTFs retificadoras dos períodos de 2015 e 2016 para fins de redução do montante principal das autuações em questão, que tais declarações retificadoras sejam consideradas sem efeitos para fins de futuras cobranças além daquelas mantidas no presente processo administrativo; (vi) para caso não sejam acolhidos os pedidos acima expostos, ou ainda que o sejam parcialmente acolhidos, que seja dado provimento para a presente Impugnação a fim de que sejam considerados os valores pagos por meio de guias DARF geradas pelo SICALC nos montantes de R$ 39.287,94 (PIS) (fls. 82) e R$ 181.359,31 (COFINS) (fls. 81), sendo estes valores imputados ao presente processo, para redução do montante total da presente demanda; (vii) para caso não sejam acolhidos os pedidos acima expostos, ou ainda que o sejam parcialmente acolhidos, que seja dado provimento para a presente Impugnação sendo reconhecida a não incidência dos juros de mora, calculados com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício lançada nos autos de infração ora refutados, por absoluta ausência de previsão legal. A Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2015 a 31/01/2017 ALTERAÇÃO DE DÉBITOS. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROCEDIMENTO FISCAL. A retificação de DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto a alteração de débitos de impostos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado de início de procedimento fiscal. AÇÃO FISCAL. PAGAMENTO. PRAZO. O benefício previsto no art. 47 da Lei nº 9.430, de 1996, trata-se de prazo para pagamento dos valores declarados, não abrangendo pagamentos de tributos não declarados ou pedido de parcelamento. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício na forma prevista na legislação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2015 a 31/01/2017 ALTERAÇÃO DE DÉBITOS. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROCEDIMENTO FISCAL. A retificação de DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto a alteração de débitos de impostos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado de início de procedimento fiscal. AÇÃO FISCAL. PAGAMENTO.PRAZO. Fl. 258DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.588 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.722012/2019-79 O benefício previsto no art. 47 da Lei nº 9.430, de 1996, trata-se de prazo para pagamento dos valores declarados, não abrangendo pagamentos de tributos não declarados ou pedido de parcelamento. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício na forma prevista na legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 224/252), no qual a Recorrente repisa os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira - Relatora O recurso voluntário foi tempestivo e atendeu aos demais pressupostos legais de admissibilidade e- deve ser conhecido. No Recurso Voluntário, a Recorrente apresenta como suas razões nos seguintes itens: PRELIMINAR 1 – DA INDEVIDA INOVAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO PELA TURMA JULGADORA MÉRITO 1 – DA TOTAL IMPROCEDÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO EM VIRTUDE DO ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DO FATO PRATICADO PELA RECORRENTE À NORMA EVOCADA PELA AUTORIDADE FISCAL (ART. 138, § ÚNICO DO CTN). 2 – DA NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS EM RAZÃO DA SUA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO 25 3 – DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Passamos à análise das razões da Recorrente. PRELIMINAR 1 – DA INDEVIDA INOVAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO PELA TURMA JULGADORA MÉRITO Fl. 259DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.588 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.722012/2019-79 A Recorrente alega que a decisão a quo é nula porque se manifestou sobre a inaplicabilidade da denúncia espontânea ao presente caso, inovando quanto ao fundamentos do Auto de Infração. Na decisão de piso, na verdade, comentou-se a referência ao artigo 138 do CTN constante do Relatório Fiscal, e tão somente se comenta o conteúdo desse artigo, que realmente determina que não há espontaneidade quando já iniciada a ação fiscal, vejamos: Relevante assentar que a citação do art. 138, parágrafo único do CTN no Relatório de Ação Fiscal, faz referência à impossibilidade de processamento das informações da DCTF retificadora, cuja apresentação não se considera espontânea em virtude da existência de ação fiscal em andamento, não tendo ocorrido erro de fundamentação nos lançamentos conforme postula a contribuinte. Não se apresenta nenhuma inovação, nada além do que está nos autos e na lei. Portanto, não assiste razão à Recorrente neste ponto. 1 – DA TOTAL IMPROCEDÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO EM VIRTUDE DO ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DO FATO PRATICADO PELA RECORRENTE À NORMA EVOCADA PELA AUTORIDADE FISCAL (ART. 138, § ÚNICO DO CTN). Neste ponto, a Recorrente sustenta o argumento de que efetuara pagamento espontâneo nos termos do art. 47 da Lei no. 9.430/1996. Trazemos o artigo mencionado: Art. 47. A pessoa física ou jurídica submetida a ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. A Recorrente alterou suas declarações, depois de iniciado o procedimento fiscal, para incluir valores e tributos não declarados. Colacionamos os termos da decisão de piso: O artigo acima citado dispõe que, apenas para os valores já declarados o contribuinte tem vinte dias para pagar somente com os acréscimos previstos para o procedimento espontâneo, após iniciado o procedimento fiscal. Assim, tal regra não se aplica ao caso presente, pois aqui foram lançados os valores não declarados, uma vez que a transmissão das DCTF retificadoras confessando os valores que foram lançados nos autos de infração foram transmitidas após iniciado o procedimento fiscal, o que excluiu a espontaneidade da contribuinte para a retificação dos valores anteriormente declarados em DCTF. Há que se considerar, ainda, que a Lei menciona o vocábulo "pagar" o que de plano pressupõe o pagamento em seu montante integral, haja vista que nada menciona a Lei sobre parcelamento. Dessa forma, mesmo que a contribuinte houvesse efetuado o parcelamento, ainda assim este não configuraria o pagamento espontâneo, como postula a contribuinte. Isto porque o parcelamento não se constitui em cumprimento da obrigação, a qual só será cumprida quando satisfeito integralmente o crédito. E, conforme já se pronunciou o STJ no REsp 516337/RJ, "o parcelamento, pois, não é pagamento, e a este não substitui, mesmo porque não há a presunção de que, pagas algumas parcelas, as demais serão igualmente adimplidas". Portanto, a despeito dos argumentos da requerente, não se aplica ao caso o artigo mencionado. Fl. 260DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.588 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.722012/2019-79 2 – DA NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS EM RAZÃO DA SUA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO Com base no argumento de que utilizou o instituto do “pagamento espontâneo”, a Recorrente alega que não teria havido motivação para sua autuação, tendo em conta que pretendia pagar espontaneamente, sem nenhum prejuízo ao Fisco. Tendo em conta que se entende que não se aplica ao caso o art. 47 da Lei n o 9.430/1996, permanecem incólumes os fundamentos da autuação. Ou seja, houve autuação porque, no momento do início do procedimento fiscal, havia tributos devidos não declarados e não pagos. 3 – DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Em relação ao questionamento da incidência de juros sobre a multa especificamente, cumpre informar que se aplica, de modo vinculado, a esta questão a Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. CONCLUSÃO Diante do exposto, proponho negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 261DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10510.904221/2009-07
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3801-000.288
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora EDITADO EM: 18/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Andrea Medrado Darze. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.904221/200907 Resolução n.º 3801000.288 S3TE01 Fl. 2 2 RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJSalvador/BA (fl. 22v), abaixo transcrito: A interessada transmitiu em 20/092007 o PERDCOMP eletrônico 26300.49035.200907.1.3.046397 visando utilizar parte do DARF relativo ao tributo de código de receita 8109, período de apuração referente a junho/2003, no valor total de R$24.301,67, na compensação de débitos declarados, totalizando R$6.943,18. A DRF/Aracaju emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl.05) não homologando a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a compensação. Irresignada, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade (fls.07/08) alegando que o débito correto do tributo recolhido indevidamente era R$5.033,09. Contudo, alega que deveria ter feito à época a DCTF retificadora para indicar o valor correto do débito do PIS, tendo efetuado a retificação da DIPJ Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica do ano calendário de 2003, entregue em 05/06/2007. E, assim, considerandose o recolhimento efetuado no vencimento, há um crédito no valor de R$24.301,67, sendo passível de utilização no PER/DCOMP, ora em litígio, o valor de R$4.247,37, devendose homologar as compensações declaradas.” Analisando o litígio, a DRJSalvador/BA entendeu por bem indeferir a Manifestação de Inconformidade e não homologar a compensação declarada (fls. 22), conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Datado fato gerador: 15/07/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Acórdão Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Às fls. 34 a 47 consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as seguintes alegações, em síntese: • Decadência do direito do fisco de cobrar os débitos objeto do pedido de compensação; Fl. 52DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.904221/200907 Resolução n.º 3801000.288 S3TE01 Fl. 3 3 • O erro de preenchimento da DCTF, que foi posteriormente retificada, não pode ensejar na ausência de reconhecimento do pagamento indevido ou maior realizado pelo contribuinte; É o relatório. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.904221/200907 Resolução n.º 3801000.288 S3TE01 Fl. 4 4 VOTO O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Sem maiores delongas, de pronto, devese afastar o pedido de perícia apresentado no Recurso de Voluntário, uma vez que o Recorrente deixou de apresentar quesitos e a qualificação do assistente técnico, nos termos do artigo 16, inciso IV do Decreto 70.235/72. Confirase a redação do referido artigo: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Por outro lado, corrobora com o indeferimento do pedido de perícia o fato de o Recorrente não ter formulado tal pedido quando apresentou sua Manifestação de Inconformidade junto à Delegacia da Receita Federal de Aracajú, nos termos do citado artigo do Decreto que rege o procedimento administrativo fiscal. Com relação à preliminar de decadência argüida no Recurso Voluntário, também não assiste razão ao Recorrente. Explicase. O Recorrente, ao apresentar declaração de compensação junto à Receita Federal, pretendia pagar débitos de “COFINS” (código 585601), cujos fatos geradores se deram em Agosto de 2007, com créditos de “PISFaturamento” (código 8109), que foram, ao argumento do Recorrente, indevidamente recolhidos em 15/07/2003. Como se denota dos autos, a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Aracajú, que não homologou a compensação apresentada pelo Recorrente, foi emitida em 07/10/2009, sendo este cientificado em 27/10/2009 (fls. 05 a 11). Sem adentrar no mérito da aplicação, in casu, do artigo 150, § 4º ou do artigo 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional, não há que se falar em decadência do direito de a Fazenda cobrar, em 07/2009, supostos débitos, cujos fatos geradores se deram, repitase, em Agosto de 2007. Não se pode admitir qualquer argumentação no sentido de que o que se discute na compensação é a existência ou não de créditos, já que a decisão combatida pelo Recorrente cobra débitos que, ao entender da fiscalização, não foram pagos por ausência de créditos passíveis de serem compensados. Por tal motivo, fica claro a inocorrência do instituto da decadência no presente caso. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.904221/200907 Resolução n.º 3801000.288 S3TE01 Fl. 5 5 Com relação ao mérito, conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador (BA), sob o argumento de que “ (...)a DCTF não constitui uma mera formalidade. É na DCTF que a contribuinte declara seus débitos e faz as devidas vinculações a pagamentos e possíveis compensações, sendo que a DCTF possui caráter de confissão de dívida, conforme entendimento já pacificado nas esferas administrativa e judicial. Portanto, ao manter o recolhimento integralmente vinculado a um débito declarado em DCTF, a própria contribuinte afasta a possibilidade de se caracterizar parte desse recolhimento como pagamento indevido ou a maior..” (fl. 29). Ocorre, contudo, que o Recorrente, como demonstrado tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso Voluntário ora analisado, retificou a sua DIPJ/2003, para ali constar que não era devido o PIS e que, por isso, os valores recolhidos seriam indevidos, sendo, assim, passíveis de compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Portanto, a princípio, o Recorrente faria jus aos créditos utilizados na compensação não homologada pela Douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Aracajú. No julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Salvador (BA) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Fl. 55DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.904221/200907 Resolução n.º 3801000.288 S3TE01 Fl. 6 6 Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) .......................................................................................................................... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) Fl. 56DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.904221/200907 Resolução n.º 3801000.288 S3TE01 Fl. 7 7 No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 302 39947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo Fl. 57DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.904221/200907 Resolução n.º 3801000.288 S3TE01 Fl. 8 8 negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser consideradas, in casu, as Declarações retificadas pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstram créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Aracajú, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados na compensação não foram utilizados para o pagamento de outros tributos e, em conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que constam anexados aos Autos, a DIPJ retificada (fl. 15 e 16), bem como o comprovante de pagamento do DARF, cujo crédito foi utilizado pelo Recorrente. Tal documentação, contudo, não foi considerada pela DRJ/SalvadorBA, sob a alegação de ter sido elaborada posteriormente ao indeferimento da compensação, além de ter sido apresentada sem outros documentos comprobatórios do direito do Recorrente. Desta forma, indeferindo o pedido de perícia formulado, bem como a preliminar de decadência; tendo em vista o acima exposto e o fato de não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/AracajúSE para: 1. Apurar se os valores dos créditos indicados pelo Recorrente em sua compensação não foram utilizados para o pagamento de outros tributos; 2. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 3. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 58DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11610.005721/2003-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2001
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN.
Desincumbindo-se a recorrente, mediante provas robustas, do ônus de comprovar o direito creditório alegado e confirmadas suas alegações pela diligência realizada, cabe o provimento do recurso voluntário.
Direito creditório que se reconhece.
Numero da decisão: 1402-006.026
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório remanescente discutido de R$ 4.326.080,21, homologando as compensações até o limite aqui reconhecido.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Jandir José Dalle Lucca e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente o Conselheiro Evandro Correa Dias.
Nome do relator: Paulo Mateus Ciccone
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Desincumbindo-se a recorrente, mediante provas robustas, do ônus de comprovar o direito creditório alegado e confirmadas suas alegações pela diligência realizada, cabe o provimento do recurso voluntário. Direito creditório que se reconhece. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório remanescente discutido de R$ 4.326.080,21, homologando as compensações até o limite aqui reconhecido. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Jandir José Dalle Lucca e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente o Conselheiro Evandro Correa Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 57 21 /2 00 3- 03 Fl. 1893DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-006.026 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.005721/2003-03 Relatório Retorna o processo supra à apreciação do Colegiado depois de cumprida a diligência determinada pela Resolução nº 1402-000.556 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária de 22 de fevereiro de 2018 (fls. 1817/1826). Como já relatado na ocasião, está-se diante de recurso voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ/SP1 em sessão de 14 de abril de 2010 (fls. 182/188) 1 que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada (fls. 145/148) e manteve o deferimento apenas parcial do Pedido de Restituição (fls. 2), nos termos do r. Despacho Decisório da DIORT/EQPIR/DERAT/SP (fls. 134 a 142). Decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 RESTITUIÇÃO - IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS Somente tem direito ao aproveitamento do IRRF de aplicações financeiras, se os rendimentos correspondentes ao IRF compuserem a base de calculo do IRPJ na apresentação da DIPJ relativa ao ano de auferimento desses rendimentos. REGIME DE COMPETÊNCIA Não basta a contribuinte alegar que ofereceu à tributação, em anos- anteriores, pelo regime de competência, rendimentos financeiros, cujo IRRF foi utilizado nas DIPJ de anos posteriores, sendo necessário a apresentação de comprovação desse oferecimento através de documentação idônea. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente acostou recurso voluntário (fls. 191/203) rebatendo a decisão recorrida no que lhe foi desfavorável e, no mais, repisou os argumentos antes expendidos Subindo os autos à apreciação desta 2ª Turma 4ª Câmara 1ª Sejul, decidiu-se pela conversão do julgamento em diligência, conforme excertos do voto condutor (Resolução nº 1402-000.556 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária de 22 de fevereiro de 2018 - fls. 1817/1826). Cumprida a diligência, os autos voltam a julgamento com o Relatório de Diligência Fiscal elaborado pela Autoridade Tributária que presidiu o procedimento (fls. 1855/1880), manifestação da interessada acerca da mesma (fls. 1886/1889) e documentos acostados (fls. 1832/1854). É relatório do essencial, em apertada síntese. 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 1894DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-006.026 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.005721/2003-03 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone - Relator Já foi atestada antes a tempestividade do RV e os demais pressupostos para sua admissibilidade. A discussão versa sobre o Pedido de Restituição na monta de R$ 11.952.805,07, direta e exclusivamente originário de suposto salto negativo de IRPJ apurado no ano-calendário 2001, do período de 01/01/2001 até 16/08/2001, quando houve cisão parcial da empresa. Mais especificamente, o saldo negativo que formou o crédito estampado no PER em questão é composto de retenções de IRRF e estimativas mensais, sendo o pedido parcialmente deferido por não ter a Contribuinte demonstrado o oferecimento à tributação de montante compatível com o rendimento bruto declarado pelas fontes pagadoras nas DIRF, especificamente em relação às receitas de aplicações financeiras: Nas suas peças recursais a recorrente insiste haver regularidade nos procedimentos de reconhecimento de receita de aplicações financeiras, explicando sua dinâmica e a correspondente orientação fazendária a respeito do tema, prosseguindo com a demonstração detalhada, individualizada por período de registro, da oferta a tributação de todos os rendimentos sujeitos ao IRRF. Em acréscimo, ratifica que os valores retidos pelo Banco Bradesco S/A montam R$ 16.325.673,83 e acosta centenas de documentos, dentre eles DIPJ, os registros em Livros Razão dos períodos correspondentes e planilhas explicativas. Ainda, antes da remessa dos autos a este E. CARF e sorteio para relatar, foram apresentadas petições complementares (fls. 413 a 1816), cópias de Livros Razão e Diários, Balancetes, comprovantes de rendimentos, comprovantes de retenção de IRRF e planilhas. Pois bem, em resumo, do pleito original de R$ 11.952.805,07, foi deferido pela DERAT/SP (DD – fls. 137/142) o montante de R$ 7.626.724,86, restando em debate o valor remanescente de R$ 4.326.080,21. Como visto, portanto, o único tema controverso dos autos é a regular oferta a tributação dos rendimentos objeto do IRRF, como declarado na DIPJ especial/cisão 2001 da contribuinte, que formou o saldo negativo que deu ensejo ao crédito pleiteado, sendo a ausência de sua comprovação a efetiva justificativa material do r. Despacho Decisório para apenas homologar parcialmente o pleito de restituição, lembrando que as demais reduções do valor total do crédito pretendido foram meras subtrações de compensações já efetuadas antes da apresentação do PER, inclusive esclarecidas pela recorrente. Igualmente, a contribuinte alega que o valor de retenções efetuadas pelo Bradesco S/A foi maior do que considerado no r. Despacho Decisório. Fl. 1895DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-006.026 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.005721/2003-03 Posto isso, não existem debates ou divergências de Direito nos autos, dependendo sua resolução de pura questão probante, motivo da conversão do julgamento em diligência, conforme fragmentos do voto condutor (Resolução - fls. 1824/1826): “O caso em tela tem como única finalidade a homologação, a confirmação, da existência (e sua precisa quantificação) de um suposto direito já informado ao Fisco, diferente da relação litigiosa dos debates, muitas vezes de cunho jurídico, empreendidos sobre as exações lançadas por Auto de Infração. Até o interesse recursal da Fazenda Nacional é distinto em casos de restituição e compensação. Também, como já mencionado, em relação às petições complementares ao Recurso Voluntário, em não havendo a preclusão recursal e, principalmente, por não ter sido praticado qualquer outro ato processual entre a oposição desse apelo e a juntada desses documentos, não se justifica distinção com aqueles acostados na própria peça. Frise-se, por fim, que esta C. 2ª Turma Ordinária vem, há muito, em sua jurisprudência, aceitando a juntada, posterior à defesa inaugural, de novas provas, procedendo ao seu conhecimento quando pertinentes ao convencimento de seus Julgadores. Dessa forma, aceita-se a documentação acostada aos autos, após a Manifestação de Inconformidade, devendo dela se conhecer. Contudo, diante da tamanha extensão probatória do feito, superando um milhar de documentos, que ainda não foram devidamente processados ou analisados, mostra-se razoável e prudente o envio dos autos à Unidade Local, para o processamento de tais informações e provas, antes da derradeira apreciação das razões recursais. Em assim se procedendo, o conteúdo técnico e probatório de tais registros seriam submetido o crivo analítico técnico da mesma Unidade Fiscal que procedeu à não homologação da parcela litigiosa do crédito em questão. E especialmente no que tange à alegação da Contribuinte de que os registros contábeis dos rendimentos sujeitos ao IRRF que formou seu saldo negativo e a sua inclusão em declarações tributárias deu- se em períodos diversos, anteriores a 2001, tal arguição é plenamente plausível e se justifica pelo reflexo da dinâmica financeira de diversos investimentos, sua modalidade de remuneração e resgate, em comunhão com a metodologia do regime Fl. 1896DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-006.026 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.005721/2003-03 contábil de competência, como já verificado em inúmeros outros processo de mesma matéria. Posto isso, deve ser confirmada a integral oferta ou não de tais valores a tributação, como alega-se estar expresso no conjunto probatório trazido aos autos. Diante de todo o exposto, resolve-se por determinar a realização de diligência (...)”. Baixados à Unidade da RFB, os autos voltaram devidamente instruídos pela Autoridade Tributária condutora do procedimento, com o Relatório de Diligência Fiscal pertinente (fls. 1855/1880), manifestação da interessada acerca da mesma (fls. 1886/1889) e documentos acostados (fls. 1832/1854). Pela clareza e profundidade das pesquisas e informações presentes no referido Relatório, reproduzo os fragmentos mais relevantes que suprem as dúvidas levantadas quando do julgamento inicial e que culminou com a conversão em diligência (fls. 1855/1880): “Conforme determinado no item 1.3 acima, as verificações serão organizadas por ano- calendário, iniciando-se por 1998, que, de acordo com o cadastro do contribuinte no sistema CNPJ, trata-se do ano de abertura da empresa. ANO-CALENDÁRIO 1998 Em consulta ao sistema CNPJ, observa-se que o contribuinte Alfastar Participações Ltda., CNPJ 02.809.496/0001-74 tem como data de abertura 15/10/1998. Ou seja, constata-se que as cópias apresentadas do Livro-Razão e Livro Diário abrangem todo o período desde o início das atividades até a data da cisão parcial ocorrida em 16/08/2001, que marca o encerramento do período de apuração do crédito pleiteado neste processo. Às Fls. 420 a 428, o contribuinte anexou planilha de composição contábil das receitas declaradas nas DIPJ 1999 (AC 1998) a 2001. As partes que se referem ao AC 1998 são as que seguem: (...) Como pode se verificar, as datas, valores de aplicação e a renda mensal considerando o regime de competência então coerentes com as informações constantes dos livros diário (fls. 438 a 488) e razão analítico (fls. 268 a 270), cujos trechos correspondentes são os que seguem: (...) Verifica-se que as planilhas de composição contábil das receitas declaradas em DIPJ anexadas pelo requerente também estão coerentes com os lançamentos no livro diário relativos aos rendimentos de aplicações financeiras transferidos para o encerramento do exercício (fl. 471), Demonstrativo de Resultados (fl. 482) e livros razão (fls. 268 a 270): Fl. 1897DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-006.026 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.005721/2003-03 (...) Por fim, observa-se que o total dos rendimentos de aplicações financeiras considerando o regime de competência (R$ 565.446,76 + R$ 27.259.863,37 + 19.174.430,37 + 6.334.805,12 = 53.334.545,62), constantes das planilhas e livros contábeis apresentados, é igual ao informado na DIPJ ex. 1999 (AC 1998) (fl. 235), sinalizando que foram devidamente oferecidos à tributação: ANO-CALENDÁRIO 1999 Como já explicado, às Fls. 420 a 428 o contribuinte anexou planilha de composição contábil das receitas declaradas nas DIPJ 1999 (AC 1998) a 2001. As partes que se referem ao AC 1999 são as que seguem: (...) Assim como ocorrido em relação ao ano-calendário 1998, as datas, valores de aplicação e a renda mensal considerando o regime de competência estão coerentes com as informações constantes dos livros diário (fls. 489 a 688) e razão analítico (fls. 313 a 320). Seguem excertos do Livro Diário referentes aos valores transferidos para o encerramento do exercício (fls. 667 a 668): (...) Às fls. 313 a 320 foram acostadas cópias do Livro Razão relativas às contas de aplicações financeiras em comento. Pode-se lá verificar também que os valores lançados são coerentes com os do Livro Diário e da planilha apresentada pelo contribuinte. Por fim, observa-se que o total dos rendimentos de aplicações financeiras considerando o regime de competência (R$ 5.265.596,31 + 118.281.907,21 + 140.759.519,96 + 11.452.424,76 + 83.489.238,79 = 359.248.687,03), constantes das Fl. 1898DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-006.026 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.005721/2003-03 planilhas e livros contábeis apresentados, é inferior em R$ 43.685,70 ao informado na DIPJ ex. 2000 (AC 1999) (fl. 275). Segundo explicação à fl. 17, essa diferença é relativa Variações Monetárias Ativas, também tributadas na “linha 24 – Outras Receitas Financeiras” na DIPJ. Ante o exposto, constata-se pela documentação acostada ao processo que os rendimentos das aplicações financeiras foram devidamente oferecidos à tributação no ano-calendário 1999. ANO-CALENDÁRIO 2000 Seguem planilhas de composição contábil das receitas declaradas nas DIPJ 2001 (AC 2000) apresentadas pelo contribuinte e anexadas às fls. 420 a 428: (...) Assim como nos anos anteriores, as datas, valores de aplicação e a renda mensal considerando o regime de competência estão coerentes com as informações constantes dos livros diário (fls. 689 a 875) e razão analítico (fls. 360 a 367). Segue telas extraídas do Livro Diário referente aos valores transferidos para o encerramento do exercício (fls. 867 a 868): (...) Às fls. 360 a 367 foram anexadas cópias do Livro Razão relativas às contas de aplicações financeiras em comento. Como no ano anterior, pode-se verificar também que os valores lançados são coerentes com os do Livro Diário e da planilha apresentada pelo contribuinte. Por fim, observa-se que o total dos rendimentos de aplicações financeiras considerando o regime de competência (R$ 5.466.638,53 + 60.728.553,33 + 49.561.812,29 + 969.624,73 = 116.726.628,88), constantes das planilhas e livros contábeis apresentados, é inferior em R$ 6.801.114,61 ao informado na DIPJ ex. 2001 (AC 2000) (fl. 325). Segundo explicação à fl. 418, essa diferença é relativa a Juros Fl. 1899DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1402-006.026 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.005721/2003-03 Sobre Empréstimos (11.793,85) e Variações Monetárias Ativas (6.789.323,76), também tributadas na “linha 24 – Outras Receitas Financeiras” na DIPJ. Isto posto, pelos elementos anexados ao processo, constata-se que os rendimentos das aplicações financeiras foram devidamente oferecidos à tributação no ano-calendário 2000. ANO-CALENDÁRIO 2001 – Cisão Parcial - 01/01/2001 a 16/08/2001 Trata-se do período relativo ao Saldo Negativo pleiteado no presente processo. Seguem planilhas de composição contábil das receitas declaradas nas DIPJ 2001 (01/01/2001 a 16/08/2001 – Cisão Parcial) apresentadas pelo contribuinte e anexadas às fls. 420 a 428: (...) Novamente as datas, valores de aplicação e a renda mensal considerando o regime de competência então coerentes com as informações constantes dos livros diário (fls. 816 a 1117) e razão analítico (fls. 401 a 407). Segue telas extraídas do Livro Diário referente aos valores transferidos para o encerramento do exercício (fl. 1020): (...) Às fls. 401 a 407 foram anexadas cópias do Livro Razão relativas às contas de aplicações financeiras em comento. Como nos anos anteriores, pode-se verificar que os valores lançados são coerentes com os do Livro Diário e da planilha apresentada pelo contribuinte. Por fim, observa-se que o total dos rendimentos de aplicações financeiras considerando o regime de competência (2.927.324,20 + 21.944.030,76 + 30.927.516,98 + 3.950.913,35 = 59.749.785,29), constantes das planilhas e livros contábeis apresentados, é inferior em R$ 3.912.795,66 ao informado na DIPJ ex. 2001 (01/01/2001 a 16/08/2001 – Cisão Parcial) (fl. 372). Segundo explicação à fl. 418, essa diferença é relativa a Variações Monetárias Ativas, também tributadas na “linha 24 – Outras Receitas Financeiras” na DIPJ. Fl. 1900DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1402-006.026 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.005721/2003-03 Ante o exposto, e pelos elementos anexados ao processo, constata-se que os rendimentos das aplicações financeiras foram devidamente oferecidos à tributação no ano-calendário 2001. DO VALOR RETIDO PELO BANCO BRADESCO S/A (CNPJ 60.746.948/0001- 12) Em consulta ao sistema DIRF, cujos extratos foram anexados às fls. 1832 a 1854, constata-se que os valores retidos e declarados pelo Banco Bradesco S/A em 2001 são idênticos aos dos comprovantes de retenção apresentados pelo contribuinte (fls. 435 a 437), conforme planilhas abaixo: (...) Como a cisão parcial se deu em 16/08/2001, é incontroverso que as retenções na fonte ocorridas até julho/2001 podem ser aproveitadas na dedução do imposto e/ou composição do saldo negativo de IRPJ no período abrangido pelo presente Pedido de Restituição. Quanto aos valores retidos em agosto/2001, o contribuinte apresentou a seguinte planilha indicativa da divisão à fl. 175: (...) Como pode se observar, do total retido pelo Bradesco em agosto/2001, R$ 98.198,23 foram utilizados no período anterior à cisão parcial, e o restante, no montante de R$ 394.762,68, foram atribuídos ao período posterior. Nesse sentido, utilizando esta divisão, o contribuinte apresentou outra planilha demonstrativa de todas as retenções do ano-calendário 2001 (fl. 174): (...) Em consulta às cópias do Livro Diário referentes ao mês de agosto/2001, do período de 01/08/2001 a 16/08/2001, anexadas às fls. 1011 a 1022, foram localizados diversos lançamentos a débito na conta “IRF s/ Aplicações Financeiras”, totalizando o valor de Fl. 1901DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1402-006.026 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.005721/2003-03 R$ 98.198,23, o que explica a divisão efetuada pelo contribuinte e constante das planilhas acima, conforme segue: (...) Ante o exposto, face as informações prestadas em DIRF e pela documentação anexada pelo contribuinte, entende-se que deve ser considerado a título de retenção na fonte de IR pelo Banco Bradesco S/A o total de R$ 16.325.673,83, que corresponde ao valor de R$ 16.227.475,60 referente à soma das retenções ocorridas entre janeiro/01 e julho/01, somado a R$ 98.198,23 correspondentes às retenções ocorridas em agosto/2001 até o dia 16/08, data da cisão parcial e final do período de apuração do crédito ora pleiteado. CONSIDERAÇÕES FINAIS Comparando o total dos rendimentos tributáveis provenientes de aplicações financeiras informados em DIRF por fontes pagadoras com os valores oferecidos à tributação pelo contribuinte em DIPJ desde a abertura do CNPJ (outubro/1998) até a data da cisão parcial ocorrida em 16/08/2001, constata-se congruência entre as informações prestadas nas declarações, conforme segue: Os valores acima consideram apenas os rendimentos provenientes de aplicações financeiras. Do total de “Outras Receitas Financeiras” informadas em DIPJ, foram subtraídos os valores relativos a Variações Monetárias Ativas, conforme planilhas anexadas pelo contribuinte às fls. 417 e 418. Ainda assim, os valores oferecidos à tributação foram um pouco superiores aos declarados em DIRF por fontes pagadoras, o que sugere a inexistência de rendimentos oriundos de investimentos financeiros à margem da contabilidade. Ante o exposto, e diante de toda a documentação anexada ao processo e considerando as análises efetuadas e estampadas neste relatório, confirma-se a realização das retenções provenientes de aplicações financeiras aproveitadas pelo contribuinte na composição do Saldo Negativo pleiteado no presente processo, e conclui-se que há elementos indicativos suficientes de que os rendimentos tributáveis correspondentes foram devidamente oferecidos à tributação”. (negritado). Cientificada da conclusão da diligência e do teor do Relatório conclusivo, a recorrente acostou petição (fls. 1886/1889) concordando com o trabalho fiscal (“Pelo exposto, reiterando a sua expressa concordância com o relatório de diligência fiscal, a Recorrente reitera o pedido de recebimento e total provimento do seu recurso voluntário no âmbito do CARF, reformando-se a decisão proferida pela DRJ, para os fins de reconhecer o direito creditório referente ao saldo negativo Fl. 1902DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1402-006.026 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.005721/2003-03 de IRPJ de 2001, tendo em vista a demonstração analítica e exaustiva do oferecimento à tributação de todas as receitas financeiras auferidas pela Recorrente”). Portanto, pela profundidade da diligência fiscal realizada e sem necessidade de maiores digressões, restou atestado que as alegações da recorrente tinham fundamento, merecendo seja provido seu RV. CONCLUSÃO Pelo exposto, pelo que consta nos autos e à vista da diligência realizada, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório remanescente discutido de R$ 4.326.080,21, homologando as compensações até o limite aqui reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 1903DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10880.930078/2013-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.076
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, sobrestar o processo até o julgamento final no CARF do processo administrativo n° 19311.720077/2014-28. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira e Winderley Morais Pereira, que votaram pelo prosseguimento do julgamento.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira e Winderley Morais Pereira, que votaram pelo prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Despacho Decisório (Eletrônico), que não reconheceu o direito de crédito relativo pleiteado através de PER/DCOMP, e não homologou as compensações vinculadas. O crédito pleiteado foi apurado pelo estabelecimento filial, inscrito no CNPJ sob nº 61.186.888/006558. Os motivos do indeferimento foram a constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado, a ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal e a redução do saldo credor do trimestre, passível de ressarcimento, resultante de débitos apurados em procedimento fiscal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 30 07 8/ 20 13 -7 9 Fl. 6480DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0222.10279.0JTD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10880.930078/201379 Resolução nº 3301001.076 S3C3T1 Fl. 3 2 Foi lavrado auto de infração objeto do processo administrativo 19311.720077/201428, para exigir diferenças de imposto não recolhidos em função do aproveitamento dos referidos créditos. Foi apresentada manifestação de inconformidade tempestiva, na qual consta a alegação inicial de que diante da relação direta entre os objetos do presente processo administrativo e do processo 19311.720077/201428, o exame das compensações deve aguardar a decisão definitiva a respeito do mérito deste último. Entende a impugnante que o imediato indeferimento das compensações importaria enriquecimento sem causa do Fisco, com cerceamento de defesa e supressão de instância de discussão na esfera administrativa. Por outro lado, o sobrestamento não causaria prejuízo à Fazenda Pública, porque o crédito tributário relativo aos débitos declarados já foi constituído, nos termos do art. 74, § 6º da Lei nº 9.430/1996, estando com a exigibilidade suspensa até julgamento final deste processo administrativo, conforme §§ 7º a 11 do mesmo dispositivo legal. Defende ainda, no mérito, o direito ao crédito pleiteado. O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do Acórdão nº :10051.729. Em recurso voluntário, a empresa requer o afastamento da aplicação do art. 25 da IN n° 1300/2012; o sobrestamento deste processo ou o julgamento em conjunto deste processo com o de n° 19311.720077/201428. Reitera os termos de sua manifestação de inconformidade quanto à legitimidade do direito creditório, para, ao final, requerer o provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3301001.074, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.930077/201324, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação da questão do sobrestamento dos autos. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301001.074): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A empresa requer o sobrestamento do presente processo até o julgamento final do processo n° 19311.720077/201428 ou o julgamento em conjunto. Fl. 6481DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0222.10279.0JTD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10880.930078/201379 Resolução nº 3301001.076 S3C3T1 Fl. 4 3 Como já relatado, o auto de infração constituiu IPI oriundo das glosas do crédito considerados como indevidos. Assim, se o lançamento no processo n° 19311.720077/201428 fosse julgado improcedente, os créditos seriam restabelecidos para análise da compensação, porquanto o saldo credor de IPI é o objeto do PER/DCOMP. Dispõe o art. 6° do RICARF que: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; (...) § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Ocorre que a não homologação das declarações de compensação decorreu das conclusões da ação fiscal que auditou os créditos pleiteados. Com a glosa dos créditos, a reconstituição da escrita fiscal resultou na apuração de diferenças de IPI, que foram lançadas em auto de infração que é objeto do processo administrativo n° 19311.720077/201428. O auto de infração teve a seguinte descrição da infração: “O estabelecimento industrial não efetuou o recolhimento do imposto (IPI), de janeiro de 2009 a setembro de 2010, por se utilizar de créditos do IPI, como se devido fosse, na aquisição de insumos de estabelecimentos na Amazônia Ocidental, conforme Termo de Verificação Fiscal.” Por conseguinte, a ausência do direito creditório, o que gerou a lavratura de auto de infração, é objeto do processo n° 19311.720077/201428. Logo, a sorte do presente processo depende do deslinde do processo do auto de infração. Em consulta ao sítio do CARF, “andamento processual”, verificase que o processo n° 19311.720077/201428 já foi julgado em sede de Recurso Especial, embora ainda não tenha transitado em julgado: Fl. 6482DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0222.10279.0JTD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10880.930078/201379 Resolução nº 3301001.076 S3C3T1 Fl. 5 4 Desse modo, voto pela conversão do julgamento em diligência para que o presente processo seja sobrestado e aguarde na 3ª Câmara o encerramento do processo n° 19311.720077/201428. Após, os autos devem ser serem devolvidos a esta Relatora para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência para que o presente processo seja sobrestado e aguarde na 3ª Câmara o encerramento do processo nº 19311.720077/201428. Após, os autos deverão ser devolvidos a este Relator para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 6483DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0222.10279.0JTD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por EVA RIBEIRO BARROS em 16/05/2019 14:26:00. Documento autenticado digitalmente por EVA RIBEIRO BARROS em 16/05/2019. Documento assinado digitalmente por: WINDERLEY MORAIS PEREIRA em 27/05/2019. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 04/02/2022. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP04.0222.10279.0JTD Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: B4D6BE79B24FB9D469336F14A1C448D1168C731CABBADB2E166E5D21162A962C Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10880.930078/2013-79. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11080.928655/2009-64
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3801-000.296
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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(assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 01/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Ausente justificadamente a conselheira Daniela Ribeiro de Gusmão. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.928655/200964 Resolução n.º 000.296 S3C1T1 Fl. 188 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: “A empresa acima identificada transmitiu declaração de compensação (Per/Dcomp) nº 39988.69337.190808.1.3.048758, em 19/08/2008, informando como crédito valor de pagamento indevido ou a maior de Cofins no montante de R$ 33.736,86. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre (DRF/POA) emitiu Despacho Decisório eletrônico que não reconheceu o direito credit6rio pleiteado e não homologou a compensação declarada, em razão do DARF indicado como pagamento indevido ou a maior ter seu valor integralmente aproveitado na quitação de débito declarado pela empresa em DCTF, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no Per/Decomp. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que houve erro nos valores informados nas declarações fiscais e informa que apresentou DCTF retificadora em 17/11/2009, na qual constaria o valor correto da Cofins apurada. Desta forma, conclui que estaria demonstrada a origem do crédito fiscal do período em questão. Anexa cópias das declarações fiscais (DCTF original e retificadora, DACON e Per/Decomp) além do Comprovante de Arrecadação referente ao recolhimento original que alega ter sido a maior e gerado, assim, o crédito fiscal em questão. Ao final, requer o cancelamento do Despacho Decisório combatido, pois entende que teria atendido todas as formalidade legais previstas. A DRF de origem atesta a tempestividade da Manifestação protocolada e encaminha para apreciação da DRJ”. A Delegacia de Julgamento em Porto Alegre (RS) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada ã comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.928655/200964 Resolução n.º 000.296 S3C1T1 Fl. 189 3 Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 122 a 126, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, acrescentando, em síntese: 1. O valor informado na DCTF originária e posteriormente retificada deu se por erro na base de cálculo dos créditos de COFINS sobre as aquisições no mercado interno de bens destinados a revenda, a qual (base de cálculo) foi ajustada posteriormente em sua contabilidade, ensejando no aumento do seu crédito e, conseqüentemente, a diminuição do recolhimento do tributo pago anteriormente. 2. Que tão logo notificada da não homologação das compensações, a Recorrente procedeu à imediata retificação da referida DCTF. Tal procedimento é autorizado pela IN RFB 974/2009, cujo art. 9º prevê a possibilidade de retificação até o momento em que os débitos tenham sido encaminhados à PGFN para inscrição em divida ativa, o que é o caso presente. 3. Que a retificação do valor da COFINS, apurada na competência de outubro de 2006, decorreu exclusivamente do ajuste da base de cálculo dos créditos de COFINS apurados pela Recorrente neste período. Especificamente, os lançamentos contábeis (doc. 01), o registro de apuração do ICMS (doc. 02), bem como o demonstrativo auxiliar de apuração do tributo (doc. 03) que seguem em anexo, demonstram a correta base de cálculo e o crédito apurado. 4. Que, identificando uma diferença de R$ 37.736,86, procedeu a compensação de tal crédito. Para tanto, apresentou PER/DCOMP recebida e processada sob o n°. 39988.69337190808.1.3.048758. REQUER: • O provimento deste Recurso Voluntário para o efeito de que, reformandose a decisão atacada, seja homologada a declaração de compensação nº 39988.69337190808.1.3.048758. • Reitera, ao final, o pedido de que o presente processo seja baixado em diligência no caso em que subsistam dúvidas em relação aos créditos apurados pela Recorrente, tudo em homenagem ao principio da verdade material que rege o processo administrativo tributário, evitandose, igualmente, o ajuizamento de uma discussão judicial. É o relatório. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.928655/200964 Resolução n.º 000.296 S3C1T1 Fl. 190 4 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator Conforme se depreende dos autos, a interessada apresentou o PER/DCOMP nº 39988.69337.190808.1.3.048758, em 19/08/2008, por meio do qual informa um pagamento indevido ou a maior de Cofins – Não Cumulativa, referente ao período de apuração 10/2006, recolhido em 14/11/2006, no valor original de R$ 33.736,86. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre não homologou a compensação pretendida, sob o fundamento de que não restou crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01 a 02. A DRJ/POA, através do acórdão nº 1028.818, da 2ª Turma, manteve o Despacho Decisório emitido pela Delegacia de origem. Em seu recurso voluntário, contrapondo um dos fundamentos utilizados pelo órgão julgador de primeira instância para não homologar a compensação, qual seja, “[...] a empresa não indica a origem do erro na apuração ou mesmo junta qualquer prova que confirme o novo valor indicado. Não é possível reconhecer o direito creditório se o contribuinte não traz nenhum dado fidedigno apto a provar o direito alegado[...]”, a recorrente junta ao processo cópias dos seguintes documentos: 1. Razão Contábil, fls. 143/175. 2. Registro de Apuração do ICMS, fls. 177/182. 3. Demonstrativo Auxiliar de Apuração do Tributo, fls. 184/185. Desse modo, levandose em consideração os documentos apresentados pela recorrente, encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência à DRF de origem, a fim de: 1. apurar, à luz dos documentos acostados aos autos e da escrita contábil e fiscal, o valor devido a título de contribuição para a COFINS Não Cumulativa, referente ao período de apuração 10/2006; 2. cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; 3. retornar o processo a este CARF para julgamento. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.928655/200964 Resolução n.º 000.296 S3C1T1 Fl. 191 5 É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 194DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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