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Numero do processo: 10830.908903/2012-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Numero da decisão: 3401-003.558
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge dOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PAGAMENTO INDEVIDO OUA MAIOR COFINS Recorrente GRG COMERCIO IMPORTADORA E EXPORTADORA DE EQUIPAMENTOS REPROGRAFICOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 89 03 /2 01 2- 63 Fl. 82DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge d’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP, cujo crédito teria origem em recolhimento da Cofins efetuado a maior. Conforme despacho decisório, a compensação declarada não foi homologada, pelos seguintes motivos: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Ou seja, como a contribuinte declarou dever o exato montante do valor do DARF pago, o despacho decisório não identificou qualquer pagamento a maior ou indevido a justificar o direito de crédito alegado, indeferindo o pedido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte ("DRJ"), por decisão que possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo”. Intimada dessa decisão, a ora Recorrente apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão recorrida, pois estaria impondo condições ao direito de compensar da Recorrente e por utilizar fundamento para nãohomologação que não encontraria amparo na Lei; (ii) haveria falta de amparo legal e regulamentar no fundamento utilizado para a nãohomologação da compensação, pois não haveria obrigação de retificar a DCTF do período em que se verificou o crédito; (iii) não haveria como se reconhecer válida a emissão de despacho decisório eletrônico; (iv) o crédito seria legítimo; e (v) não teria ocorrido preclusão na produção de provas. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10830.908903/201263 Acórdão n.º 3401003.558 S3C4T1 Fl. 3 3 Em seguida, os autos foram remetidos à Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.542, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.902391/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3401003.542): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401 003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. Fl. 84DF CARF MF 4 Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. O fundamento para a negativa do pedido foi a não retificação da DCTF pela Recorrente, o que implicou uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de COFINS. Assim, não identificou a Administração Tributária qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente alega apenas o seguinte: A Impugnante, ao calcular o quantum debeatur da exação, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlo. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10830.908903/201263 Acórdão n.º 3401003.558 S3C4T1 Fl. 4 5 aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Como se verifica, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Muito embora não tenha citado qualquer fundamento legal ou os precedentes nos quais teriam sido apreciadas a tese jurídica que ampararia o seu direito de crédito, a Recorrente parece estar se referindo à declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, pelo Supremo Tribunal Federal (“STF”), que depois reconheceu a repercussão geral da questão constitucional nos RE nº 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG. Sem adentrar na ausência de exposição pela Recorrente do fundamento legal e regulamentar que autorizaria a aplicação de tal entendimento ao seu caso concreto, a possibilitar a apresentação de sua declaração de compensação, haja vista que nem toda declaração de inconstitucionalidade pelo STF permitirá a compensação tributária (artigo 43, parágrafo 3º, alínea f, da Instrução Normativa nº 900/2008), percebese que a Recorrente não se preocupa em conferir liquidez e certeza ao direito de crédito alegado. Ainda que se admita que o fundamento do direito de crédito seja a inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998 e que tal fundamento seja aplicável à Recorrente, essa alegação, por si só, não justifica o direito de crédito. A Recorrente deveria demonstrar que efetivamente realizou o recolhimento de COFINS a maior, sobre uma receita que não poderia se sujeitar à tributação, pela apresentação de demonstrativo das receitas apuradas naquele mês, identificação das receitas que foram incluídas indevidamente, com o suporte contábil e documentação fiscal correspondente. Contudo, nada disso foi apresentado, nem o valor que foi pago a maior e outros elementos, ainda que incompletos, que pudessem servir de princípio de prova. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente procura desenvolver aquilo que havia afirmado na Manifestação de Inconformidade, dessa vez, citando o dispositivo declarado inconstitucional e identificando os precedentes, e inova, em contrariedade ao que antes havia informado sobre a origem do crédito. O direito de crédito não mais seria em razão da inconstitucionalidade de dispositivo da Lei nº 9.718/1998, mas também em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, argumento que já nem poderia ser conhecido, em razão dos efeitos da preclusão (artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972). Fl. 86DF CARF MF 6 De qualquer maneira, novamente, a Recorrente se limita a indicar a tese jurídica de forma geral, sem expor, no seu caso concreto, a origem do crédito, que operações realizou, em que valor, o que foi indevidamente incluído na base de cálculo, e também não apresenta qualquer documentação que pudesse dar suporte ao direito de crédito alegado. Portanto, a declaração de compensação apresentada pela Recorrente, sem qualquer prova da origem do crédito, não pode prosperar, estando correta a decisão recorrida na manutenção da nãohomologação, em perfeita harmonia com o disposto nos artigos 170 do CTN, e 74 da Lei nº 9.430/1996, que prevêem como requisito para a compensação tributária a existência de crédito líquido e certo. Por fim, quanto à questão prejudicial levantada pela Recorrente, de nulidade do despacho decisório, penso que deve ser rejeitada. A Recorrente alega que sua fundamentação não seria adequada e não permitiria conhecer os motivos da não homologação. Porém, apesar de o despacho ser objetivo, o mesmo permite a compreensão dos motivos para a não homologação, não se verificando qualquer prejuízo à defesa da Recorrente. Assim, considerando válido o despacho decisório que gerou o presente processo, devidamente enfrentada a questão essencial para o julgamento da lide, quanto à prova do direito de crédito, e não sendo as demais alegações levantadas pela Recorrente capazes de superar a ausência de prova do direito de crédito e a afastar a decisão que manteve a nãohomologação da compensação, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente. Rosaldo Trevisan Relator Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.904983/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 20/07/2007
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.539
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 20/07/2007 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 20/07/2007 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 83 /2 01 2- 81 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10865.904983/201281 Acórdão n.º 3301003.539 S3C3T1 Fl. 3 2 utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06043.995. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10865.904983/201281 Acórdão n.º 3301003.539 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10865.904983/201281 Acórdão n.º 3301003.539 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10865.904983/201281 Acórdão n.º 3301003.539 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10865.904983/201281 Acórdão n.º 3301003.539 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10865.904983/201281 Acórdão n.º 3301003.539 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.720547/2011-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
NULIDADE. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO NA AUTUAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CONFIGURAÇÃO.
Os argumentos e fundamentos utilizados no Relatório Fiscal servem, tão somente, para fundamentar o motivo que levou a fiscalização a lavratura do auto de infração. Assim, não há que se falar em cerceamento ao direito de ampla defesa e ao contraditório do contribuinte, pois é justamente através desta fundamentação apresentada que lhe foi permitido e garantido usufruir de tal direito com máxima eficiência.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. ÁGIO INTERNO CONFIGURADO. INDEDUTIBILIDADE.
Quando restar comprovado nos autos o não preenchimento dos requisitos autorizadores da amortização do ágio, ou seja, ter sido toda a operação realizada dentro do mesmo grupo econômico, não ter havido circulação de recurso financeiros, nem ter havido participação de partes independentes, além de não ter sido gerada riqueza nova, deve subsistir a glosa fiscal.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150% quando demonstrado o evidente intuito de fraudar o fisco.
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. PRECEDENTE DO STJ NO RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC.
Constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial deve se dar com base no disposto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, ou seja, a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ no Recurso Especial n° 973.733/SC julgado nos termos do art. 543-C do CPC/1973 o que implica, em razão do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, vinculação dos membros deste Colegiado à tese vencedora no âmbito do STJ.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
O crédito tributário referente a tributo ou a penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento.
Numero da decisão: 1402-002.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Caio Cesar Nader Quintella que votaram por dar provimento parcial ao recurso para acolher a decadência em relação ao ano-calendário 2005 e reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. Designado Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 NULIDADE. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO NA AUTUAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CONFIGURAÇÃO. Os argumentos e fundamentos utilizados no Relatório Fiscal servem, tão somente, para fundamentar o motivo que levou a fiscalização a lavratura do auto de infração. Assim, não há que se falar em cerceamento ao direito de ampla defesa e ao contraditório do contribuinte, pois é justamente através desta fundamentação apresentada que lhe foi permitido e garantido usufruir de tal direito com máxima eficiência. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. ÁGIO INTERNO CONFIGURADO. INDEDUTIBILIDADE. Quando restar comprovado nos autos o não preenchimento dos requisitos autorizadores da amortização do ágio, ou seja, ter sido toda a operação realizada dentro do mesmo grupo econômico, não ter havido circulação de recurso financeiros, nem ter havido participação de partes independentes, além de não ter sido gerada riqueza nova, deve subsistir a glosa fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150% quando demonstrado o evidente intuito de fraudar o fisco. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. PRECEDENTE DO STJ NO RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC. Constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial deve se dar com base no disposto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, ou seja, a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ no Recurso Especial n° 973.733/SC julgado nos termos do art. 543-C do CPC/1973 o que implica, em razão do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, vinculação dos membros deste Colegiado à tese vencedora no âmbito do STJ. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. O crédito tributário referente a tributo ou a penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-05-16T21:18:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-05-16T21:18:30Z; Last-Modified: 2017-05-16T21:18:30Z; dcterms:modified: 2017-05-16T21:18:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:c62ba4a4-ab9b-495f-b56c-993a451ffe60; Last-Save-Date: 2017-05-16T21:18:30Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-05-16T21:18:30Z; meta:save-date: 2017-05-16T21:18:30Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-05-16T21:18:30Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-05-16T21:18:30Z; created: 2017-05-16T21:18:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; Creation-Date: 2017-05-16T21:18:30Z; pdf:charsPerPage: 2040; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-05-16T21:18:30Z | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 4.061 1 4.060 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13005.720547/201198 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.427 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de março de 2017 Matéria IRPJ ÁGIO INTERNO Recorrente COMERCIAL BUFFON COMBUSTÍVEIS E TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 NULIDADE. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO NA AUTUAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CONFIGURAÇÃO. Os argumentos e fundamentos utilizados no Relatório Fiscal servem, tão somente, para fundamentar o motivo que levou a fiscalização a lavratura do auto de infração. Assim, não há que se falar em cerceamento ao direito de ampla defesa e ao contraditório do contribuinte, pois é justamente através desta fundamentação apresentada que lhe foi permitido e garantido usufruir de tal direito com máxima eficiência. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. ÁGIO INTERNO CONFIGURADO. INDEDUTIBILIDADE. Quando restar comprovado nos autos o não preenchimento dos requisitos autorizadores da amortização do ágio, ou seja, ter sido toda a operação realizada dentro do mesmo grupo econômico, não ter havido circulação de recurso financeiros, nem ter havido participação de partes independentes, além de não ter sido gerada riqueza nova, deve subsistir a glosa fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150% quando demonstrado o evidente intuito de fraudar o fisco. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. PRECEDENTE DO STJ NO RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC. Constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial deve se dar com base no disposto no art. 173, I, do Código AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 05 47 /2 01 1- 98 Fl. 4061DF CARF MF Processo nº 13005.720547/201198 Acórdão n.º 1402002.427 S1C4T2 Fl. 4.062 2 Tributário Nacional, ou seja, a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ no Recurso Especial n° 973.733/SC julgado nos termos do art. 543C do CPC/1973 o que implica, em razão do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, vinculação dos membros deste Colegiado à tese vencedora no âmbito do STJ. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. O crédito tributário referente a tributo ou a penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Caio Cesar Nader Quintella que votaram por dar provimento parcial ao recurso para acolher a decadência em relação ao anocalendário 2005 e reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. Designado Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Fl. 4062DF CARF MF Processo nº 13005.720547/201198 Acórdão n.º 1402002.427 S1C4T2 Fl. 4.063 3 Relatório Adoto o relatório da DRJ em Porto Alegre (RS), com inserções e esclarecimentos adicionais pertinentes. Contra a pessoa jurídica acima identificada, foram lavrados os Autos de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), e o Relatório de Ação Fiscal Tributária de fls. 365 a 401. O Auto de Infração do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), às fls. 13 a 16, com os demonstrativos de fls. 17 a 24, exige o recolhimento do valor de R$ 2.863.845,04 de imposto, anoscalendário de 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, acrescido da multa de 150%, prevista no art. 44, inciso I, e § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 2007, e dos juros de mora, em razão da geração de despesas inexistentes, amortizadas indevidamente, geradas dentro do grupo econômico que o Contribuinte integra (Grupo Buffon), denominadas pela Fiscalização de ÁGIO INEXISTENTE GERADO EM SI MESMO ÁGIO INTERNO ILEGAL. Segundo a Fiscalização, tratase de ágio ilícito, criado de forma fraudulenta através de diversas operações societárias arquitetadas e estruturadas para obter benefício fiscal, ou seja, para reduzir o pagamento de IRPJ e de CSLL durante o período de dezembro de 2005 a novembro de 2010. Enquadramento legal: arts. 247, parágrafo 1°, 248, 249, inciso I, 251, 299, 324, parágrafo 2°, 385, 386, 391 e 426 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) e art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964, combinado com o art. 44, inciso I, e § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996. O Auto de Infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), às fls. 25 a 28, com os demonstrativos de fls. 29 a 36, decorrente do lançamento do IRPJ, exige o recolhimento do valor de R$ 1.039.624,21 de contribuição, anoscalendário de 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, acrescido da multa de 150%, prevista no art. 44, inciso I, e § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 2007, e dos juros de mora. O grupo econômico (Grupo Buffon) era formado pelas seguintes pessoas jurídicas: Nome da pessoa jurídica CNPJ Denominação dada pela Fiscalização Comercial Buffon Combus tíveis e Transportes Ltda. 93.489.243/0001 16 OPERACIONAL Nessa pessoa jurídica foram realizadas a maioria das transações comerciais do grupo. Buffon Participação Acionária e Administrativa Ltda. 04.957.394/0001 21 INCORPORADA Foi absorvida integralmente pela Comercial Buffon. (*Veículo) Escritório Buffon S/A 07.360.434/0001 41 HOLDING PATRIMONIAL pessoa jurídica que aumentou capital da Buffon Participação com a reavaliação da Comercial Buffon. *Consiste em "empresa veículo" aquela pessoa jurídica utilizada para servir como canal de passagem de um patrimônio, sem que exista outra motivação para a existência daquela pessoa jurídica. Fl. 4063DF CARF MF Processo nº 13005.720547/201198 Acórdão n.º 1402002.427 S1C4T2 Fl. 4.064 4 A partir desse momento, a denominação da Comercial Buffon Combustíveis e Transportes Ltda. será Comercial Buffon; da Buffon Participação Acionária e Administrativa Ltda. será Buffon Participação e do Escritório Buffon S/A será Escritório Buffon. Resumo dos fatos e procedimentos em ordem cronológica: Em 31/12/2004 Os sócios da Comercial Buffon (autuada) eram as pessoas físicas Jair Buffon, Rosélio Buffon, Loreno Buffon e Lauro Buffon. Os sócios da Buffon Participação eram também as pessoas físicas Jair Buffon, Rosélio Buffon, Loreno Buffon e Lauro Buffon. Em 06/04/2005 Foi criada a pessoa jurídica Escritório Buffon S/A, sendo constituída, também, pelas mesmas pessoas físicas da Comercial Buffon (Jair Buffon, Rosélio Buffon, Loreno Buffon e Lauro Buffon). Em 18/07/2005 Nessa data, os sócios da Comercial Buffon cedem e transferem gratuitamente para a pessoa jurídica Escritório Buffon quase a totalidade das cotas de capital. Escritório Buffon ficou com 99,60% do capital social da Comercial Buffon. A transferência ocorreu de forma meramente escritural, sem movimentar recurso financeiro algum, sem observância de regras societárias e contábeis. Nessa data a pessoa jurídica Escritório Buffon passa a controlar a Comercial Buffon. Segundo a Fiscalização, com essa operação, o Grupo Buffon preparou o passo intermediário das operações de criação ilegal de ágio interno, ou seja, habilitou o Escritório Buffon a reconhecer o ágio inexistente. Em 01/08 e 26/08/2005 Admitidos dois novos acionista (Luminar e Solyda) na pessoa jurídica Escritório Buffon. Sócios participação societária em Reais Pessoa jurídica Jair Buffon Rosélio Buffon Loreno Buffon Lauro Buffon Escritorio Buffon Luminar e Solyda Total em R$ Comercial Buffon 100,00 100,00 100,00 100,00 99.600,00 100.000,00 Buffon Participação 5.000,00 3.000,00 1.000,00 1.000,0 0 10.000,00 Escritório Buffon S/A 2.000,00 3.100,00 1.000,00 800,00 99.600,00 102.700,00 209.200,00 Em 31/10/2005 Emitido um Laudo de Avaliação da Comercial Buffon, denominado Avaliação Econômicofinanceira 2005 (fls. 259 a 287), cujo "valor da empresa" foi de R$ 17.000.000,00 (fls. 259 a 288). O laudo foi fundamentado em expectativa de resultados futuros. Em 07/11/2005 e 08/11/2005 Fl. 4064DF CARF MF Processo nº 13005.720547/201198 Acórdão n.º 1402002.427 S1C4T2 Fl. 4.065 5 Em 07/11/2005, a pessoa jurídica Escritório Buffon registra um suposto ágio de R$ 11.551.381,00 em sua contabilidade, decorrente da reavaliação de seu investimento na Comercial Buffon. Na mesma data, os sócios do Escritório Buffon decidem transferir as quotas mantidas na Comercial Buffon para a Buffon Participação (Ata de 07/11/2005 fl. 10). Em 08/11/2005, o Escritório Buffon integraliza capital social na Buffon Participação mediante a cessão de seu investimento na Comercial Buffon (fls. 336 e 328), reavaliado, com ágio. A participação no capital social da Buffon Participação, com a inclusão, ainda, do sócio Ildo Buffon, e integralização de capital pelos demais sócios, passou a ser a seguinte: Sócios Capital social em R$ Quotas Participação societária Ildo Buffon 13.608,00 13.608 0,08% Jair Buffon 13.608,00 13.608 0,08% Rosélio Buffon 13.608,00 13.608 0,08% Loreno Buffon 13.608,00 13.608 0,08% Lauro Buffon 13.608,00 13.608 0,08% Escritório Buffon 16.941.960,00 16.941.960 99,60% Total 17.010.000,00 17.010.000,00 100% Em razão dos registros da operação na conta capital social, foram efetuados na Buffon Participação os seguintes registros contábeis: a) 9.4 Comercial Buffon Comb. Transp. Ltda. (R$ 5.281.019,00 de reconhecimento da equivalência patrimonial fl. 323); b) 10.8 Ágio Invest. Coml. Buffon (R$ 11.551.381,00 pelo reconhecimento do ágio fl. 323); c) 5.1 Caixa (R$ 68.000,00 referente à integralização dos sócios). Em 20/11/2005 Efetuada a incorporação da Buffon Participação pela Comercial Buffon. A Buffon Participação é extinta. Em função desse procedimento, a partir de dezembro de 2005, o ágio gerado pelas operações anteriores, no valor de R$ 11.551.381,00, começa a ser amortizado pela Comercial Buffon à razão de 1/60 mensais. Resumo das operações: Fl. 4065DF CARF MF Processo nº 13005.720547/201198 Acórdão n.º 1402002.427 S1C4T2 Fl. 4.066 6 Operações meramente escriturais, sem fluxo algum de recursos financeiros, realizada sempre com OS mesmos controladores/proprietários, sem independência alguma entre as partes, objetivando a criação de um ÁGIO INEXISTENTE GERADO EM SI MESMO – ÁGIO INTERNO A Fiscalização, entendendo que as operações são meramente escriturais, sem fluxo algum de recursos financeiros, realizadas com os mesmos controladores/proprietários, sem independência alguma entre as partes, objetivando a criação de um ágio inexistente gerado em si mesmo (ágio interno), desconsiderou as amortizações efetuadas a título de ágio na Comercial Buffon, nos anoscalendário de 2005 a 2010 (fls. 81, 90, 100, 110), e exigiu o IRPJ e a CSLL correspondente, com o acréscimo da multa no percentual de 150% e dos juros de mora. A multa foi elevada de 75% para 150% em razão da ocorrência de lesão ao Fisco, através de fraude (art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964), praticado por meio de um conjunto de atos arquitetados e planejados com o único intuito de geração de benefício fiscal indevido. Foi formalizado o processo de Representação Fiscal para Fins Penais, processo n° 13005.720692/201179. Discordando dos lançamentos, o Contribuinte apresenta a impugnação de fls. 424 a 447, com os documentos de fls. 448 a 481, apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: Os negócios foram realizados de acordo com a legislação vigente, de forma clara e regular, sem caráter lesivo ao Fisco. Se houve benefício tributário, essa situação não foi planejada, mas sim, decorrente das atividades normais desenvolvidas pelo Grupo Buffon. O Auto de Infração não traz qualquer prova apta a ensejar a sua lavratura, se baseando em apenas suposições e aspectos subjetivos. A própria Fiscalização admite a existência de atos formais para dar suporte legal à incorporação. Podese perceber que a Fiscalização criou um "Grupo Econômico" de uma empresa só, onde apenas os atos praticados foram considerados ilícitos e fraudulentos, enquanto que os atos e negócios praticados pelas diversas pessoas físicas fiscalizadas foram considerados lícitos. Com base no art. 5°, inciso II, da Constituição Federal e do art. 150, inciso I, do Código Tributário Nacional (ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma senão Fl. 4066DF CARF MF Processo nº 13005.720547/201198 Acórdão n.º 1402002.427 S1C4T2 Fl. 4.067 7 em virtude de lei e que é vedado exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça), afirma que o princípio da legalidade não é dirigido somente ao legislador, mas também ao administrador público, ao juiz e aos aplicadores do direito. Sobre o assunto, cita trechos de Sacha Calmon Navarro Coelho e Renato Prates. A reestruturação societária e patrimonial implementada originase do ingresso de um dos irmãos da família Buffon Sr. Ildo Buffon necessitando um planejamento com maior amplitude, centralizando o controle societário das empresas operacionais. Em nenhum momento foi indicado pelo Fiscal o dispositivo legal supostamente infringido que justifique a lavratura do Auto de Infração. O próprio Fiscal não compreendeu adequadamente os fatos, como por exemplo que o Escritório Buffon S/A seria a empresa veículo, quando na verdade é uma holding do grupo e está em plena atividade, possuindo um patrimônio superior a 55 milhões de reais. A incorporação foi realizada ao abrigo das disposições contidas no art. 36 da Lei n° 10.637, de 2002, vigente à época das operações. A pessoa jurídica Escritório Buffon S/A transferiu para a Buffon Participação Acionária e Administrativa Ltda. a participação societária que a mesma detinha na Comercial Buffon Combustíveis e Transportes Ltda. ao preço de mercado, devidamente comprovado pelo laudo de avaliação. Em decorrência dessa operação, a Comercial Buffon Combustíveis e Transportes Ltda. passou a ser controlada pela Buffon Participação Acionária e Administrativa Ltda., que por sua vez, registrou o investimento na sociedade controlada, separando em contas próprias o valor do patrimônio líquido, tudo em conformidade com o art. 385 do RIR/1999. Por sua vez, o laudo de avaliação está fundamentado no valor de rentabilidade da controlada, com base em previsão dos resultados de exercícios futuros, conforme determina o § 2°, inciso II, do art. 385 do RIR/1999. A reestruturação não gerou nenhum reflexo tributário. A incorporação efetuada é denominada no meio jurídico como "incorporação inversa", posto que é a controlada que incorpora a controladora, sendo plenamente legítima, tendo sido admitida pela Comissão de Valores Mobiliários (CMV0, por intermédio da Instrução n° 319/99, art. 6°, vigente à época da operação. Sobre o assunto, cita trechos de obras de Modesto Carvalhosa e Nelson Eizirik. O OfícioCircular CMV/SNC/SEP 1, de fevereiro de 2007, que não reconhece o ágio interno, e que foi aplicado pela Fiscalização para fundamentar a glosa do ágio, foi emitido quase dois anos após o ato de incorporação, se aplicando o disposto no art. 5°, inciso XXXVI, da Constituição Federal, que determina que "a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico e a coisa julgada". Decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais reconhece a legalidade da incorporação inversa, bem como os efeitos tributários decorrentes dessa operação, tendo respaldo legal no art. 224 da Lei das Sociedades Anônimas e na Instrução n° 319/99 da CVM. Em decorrência da incorporação, restou extinta a Buffon Participação Acionária e Administrativa Ltda., sucedida pela incorporadora Comercial Buffon Combustíveis e Transportes Ltda. É evidente que essa operação deve ser reconhecida contabilmente nas duas pessoas jurídicas, conforme determina o art. 386 do RIR/1999. A reestruturação societária e patrimonial implementada pelo grupo Buffon, decorrente do ingresso do executivo Ildo Buffon na sociedade, gerou desenvolvimento e crescimento nas empresas, conforme comprovações trazidas na impugnação. Fl. 4067DF CARF MF Processo nº 13005.720547/201198 Acórdão n.º 1402002.427 S1C4T2 Fl. 4.068 8 O ágio é a diferença entre o valor de aquisição do investimento e o do patrimônio líquido à época da operação. Assim, de acordo com o art. 110 do CTN, não cabe ao aplicador do direito dar outro significado, como pretende o Agente Fiscal. Cita ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho, Alfredo Augusto Becker e Ives Gandra da Silva Martins. O percentual de multa aplicada beira a verdadeira extorsão confiscatória. Não há qualquer comprovação de fraude apta a ensejar a aplicação de penalidade no percentual de 150%. Se mantido o lançamento dos valores amortizados, a conclusão lógica é de que ocorreu mero erro ao interpretar equivocadamente a legislação, não havendo como prosperar o enquadramento legal relacionado à multa aplicada, eis que se trata de típico erro de proibição. A interpretação errada da legislação não é capaz de induzir a conclusão de que tenha agido com intuito de fraude. O erro de proibição é causa de extinção da punibilidade quando o agente pratica uma conduta contrária a lei, pensando estar de acordo com ela, logo, não se pode punir alguém com multa qualificada por praticar ato sequer vedado pelo ordenamento. Esse procedimento é adotado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), vigorando o princípio de que o conceito de evidente intuito de fraude não se presume. De acordo com decisões do CARF, deve ocorrer inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa de modo a deixar evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio. No caso de haver dúvida razoável sobre o fato punido, deve ocorrer interpretação mais favorável ao acusado, nos termo do art. 112, do CTN. Não basta o Fisco entender que houve fraude, deve esta robustamente comprovada, o que não é o caso dos autos, não podendo subsistir a aplicação da multa qualificada. No caso dos autos, verificase que a amortização do ágio não presta para impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, assim como também, a exclusão ou modificação dolosa das características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto devido. Não há conduta apta a omitir a disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, conforme art. 43 do CTN. A amortização do ágio não é capaz de excluir ou modificar nenhuma dessas características, vez que a aquisição da disponibilidade da renda ou dos proventos em nada se alteram. Finalizando, requer: Declare a insubsistência do auto de infração ora impugnado, em razão da legalidade dos atos praticados pela empresa, eis que de acordo com as disposições legais vigentes e aplicáveis na época, nos termos da fundamentação e dos documentos apresentados; Anulando, assim, o lançamento realizado pela fiscalização, de modo a deixar de constituir o crédito tributário, eis que ausentes os requisitos autorizadores do ato e seus corolários, tais como multa qualificada e representação para fins penais; Do contrário, caso não seja este o entendimento deste órgão Julgador, o que ora se admite apenas em prol da ampla articulação do pedido, seja descaracterizada a multa qualificada, em virtude da inadequação de sua aplicação, por tratarse de caso típico de erro de proibição, além da conduta praticada ela ora impugnante não se enquadrar nas hipóteses descritas no art. 72, da Lei 4.502/64, conforme exposto no item III, inexistindo causa apta a ensejar a representação para fins penais. Fl. 4068DF CARF MF Processo nº 13005.720547/201198 Acórdão n.º 1402002.427 S1C4T2 Fl. 4.069 9 Passo, agora, a complementar o relatório da DRJ em Porto Alegre (RS), cuja decisão restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO Demonstrado que os Autos de Infração foram formalizados de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação das disposições dos artigos 10 e 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se acatar o pedido de nulidade dos lançamentos formalizados por meio dos Autos de Infração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 GERAÇÃO ARTIFICIAL DE ÁGIO. ÁGIO FORMADO DE TRANSAÇÕES EFETUADAS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. AMORTIZAÇÃO INDEVIDA DO ÁGIO O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. A geração de ágio de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, originado de operações efetuadas pelos mesmos detentores e controladores das participações societárias, sem a movimentação de recurso financeiro e sem efeito econômico, constitui prova da artificialidade do ágio. Eventuais amortizações efetuadas em função de ágio efetuado nessas condições, devem ser glosados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 Lançamento Decorrente Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplicase ao lançamento decorrente a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Sujeitase à multa qualificado no percentual de 150%, quando demonstrada a realização de operações dentro mesmo grupo econômico, pelos mesmos detentores e controladores das participações societárias, sem Fl. 4069DF CARF MF Processo nº 13005.720547/201198 Acórdão n.º 1402002.427 S1C4T2 Fl. 4.070 10 fundamentação econômica, com o único objetivo de gerar um benefício fiscal indevido (ágio interno inexistente). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Requerente interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, reiterando o que foi pedido em sua impugnação. Não há Recurso de Ofício, nem contrarrazões por parte da PGFN. É o relatório. Fl. 4070DF CARF MF Processo nº 13005.720547/201198 Acórdão n.º 1402002.427 S1C4T2 Fl. 4.071 11 Voto Vencido Conselheiro Demetrius NIchele Macei, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Seguindo, na ordem, os argumentos dispostos pela Recorrente, passo à sua análise, nos tópicos que adiante seguem. 1. Da nulidade do auto de lançamento Ainda que a fiscalização, na confecção do “Relatório de Ação Fiscal Tributária” tenha cometido alguns equívocos, como o apontado pelo contribuinte, uma vez que, de fato, o Escritório Buffon S/A não foi a empresa veículo utilizada no planejamento tributário, pois, em verdade, a empresa veículo foi a Buffon Participação Acionária e Administrativa Ltda., incorporada pela Comercial Buffon Combustíveis e Transportes Ltda., com o intuito de, à vista do disposto nos arts. 385 e 386 do RIR/99, amortizar o ágio existente na empresa veículo como despesa dedutível pela empresa operacional, a Recorrente pode, de forma bastante ampla e objetiva, defenderse regularmente, seja em primeira instância, seja através do Recurso Voluntário ora em julgamento, razão pela qual afasto a existência de qualquer nulidade a macular a autuação nesse aspecto. Ademais, ainda que não se discuta a idoneidade do Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira que embasou a mais valia das quotas da Recorrente, por ocasião da integralização de capital social pelo Escritório Buffon S/A na Buffon Participação Acionária e Administrativa Ltda., fato é que a mais valia gerada intragrupo, sem a presença de partes independentes e sem a circulação econômica efetiva de valores, é considerado Ágio Interno, o qual, de acordo com as reiteradas decisões deste Conselho, não se presta a justificar sua dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Por fim, ao contrário do defendido pela Recorrente, o art. 57, da Lei 8.981/95, perfeitamente aplicável ao caso concreto, determina, de forma expressa, que “aplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ” e, no caso, se estamos diante de uma despesa de ágio indedutível, como restará abaixo demonstrado, essa despesa não pode alterar a base de cálculo da CSLL, reduzindoa indevidamente. 2. Da nulidade do auto de lançamento DECADÊNCIA Por ser uma matéria de ordem pública, ainda que os argumentos da Recorrente não sejam coerentes, uma vez que trata, inicialmente, dos “fatos geradores” do ágio e conclui pela decadência do crédito tributário formalizado pela fiscalização em 31.12.2005, fato é que, a partir do momento em que a Recorrente iniciou a amortização de despesas com ágio, em dezembro/2005, reduzindo o valor a pagar de IRPJ e CSLL, objeto da fiscalização, fixada foi a ocorrência do fato gerador, passível de controle do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário por parte da fiscalização. Fl. 4071DF CARF MF Processo nº 13005.720547/201198 Acórdão n.º 1402002.427 S1C4T2 Fl. 4.072 12 Assim, para o fato gerador de 31.12.2005, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01.01.2006 (art. 173, I, do CTN). Como a Recorrente tomou ciência da autuação em 18.04.2011, conforme se constata pela data lançada na ciência de ambas as autuações, o crédito tributário lançado, referente à competência de dezembro/05, a título de IRPJ e CSLL, deve ser extinto, pela decadência, nos termos do art. 156, V, do CTN, com a consequente redução, ainda, dos valores apurados a título de multa sobre essa competência. 3. Mérito – Cumprimento das normas contidos nos arts. 385 e 386 do RIR/99 Sob o ponto de vista estritamente formal, este Julgador não tem dúvidas de que a Recorrente seguiu à risca o disposto na legislação que trata da possibilidade de amortização de ágio na apuração do lucro real, no período posterior à incorporação da Buffon Participação Acionária e Administrativa Ltda., à razão de um sessenta avos. Não há que se discutir, ainda, que a opção de reavaliar as quotas da Comercial Buffon, ora Recorrente, para adequar seu valor ao valor de mercado, com fundamento na expectativa de rentabilidade futura da empresa (Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira), seja uma estratégia empresarial válida para melhorar o cadastro perante instituições financeiras e outros players do mercado, de tal forma a alavancar o crescimento da empresa, fato apontado no Recurso Voluntário em julgamento. No entanto, equivocase a Recorrente ao afirmar que “no que tange a questão pagamento para a geração de ágio, este não houve porque contabilmente o efeito é nulo, se considerado uma incorporação entre empresas do mesmo grupo econômico, sobretudo se coligadas ou subsidiárias” (sublinhado no original). Tanto o efeito não foi nulo, no caso concreto, que a Recorrente teve, por sessenta meses, uma redução significativa nos tributos a pagar, incidentes sobre o lucro. Por outro lado, justamente em razão de toda a operação terse realizado dentro do mesmo grupo econômico, e, consequentemente, não ter havido a circulação de recursos financeiros, nem ter havido a participação de partes independentes, já que não houve alteração nas participações societárias, verificase o caso clássico de Ágio Interno, gerado em operações intragrupo, sem a efetiva geração de riqueza nova, por ausência de dispêndio. Importa ressaltar que, no que se refere à amortização de ágio, a regra é a indedutibilidade dos valores. Somente em casos específicos é permitida a dedutibilidade (art. 7º, da Lei 9.532/97), que visa beneficiar aquele que efetivamente incorreu em ônus, ou seja, desembolsou valores/patrimônio para a aquisição de uma participação societária com ágio. Esse entendimento está em linha com a definição de “Custo de Aquisição” trazida pelo Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações elaborado pela FIPECAFI (item 10.3.2.a, da 7ª ed., 2008). Vejase: “a) CUSTO DE AQUISIÇÃO O custo de aquisição é o valor efetivamente despendido na transação por subscrição relativa a aumento de capital, ou Fl. 4072DF CARF MF Processo nº 13005.720547/201198 Acórdão n.º 1402002.427 S1C4T2 Fl. 4.073 13 ainda pela compra de ações de terceiros, quando a base do custo é o preço total pago. Vale lembrar que esse valor pago é reduzido dos valores recebidos a título de distribuição de lucros (dividendos), dentro do período de seis meses após a aquisição das cotas ou ações da investida. (sublinhei) Ou seja, os valores a serem registrados como custo de aquisição, como preço pago, deve corresponder ao valor despendido, pago, nas transações com agentes externos, para a aquisição do investimento. Em versão mais recente do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações elaborado pela FIPECAFI (item 24.7.1, edição 2010, p. 443/444), traz os seguintes esclarecimentos acerca de operações similares àquela realizada pela Recorrente: “Todavia, não tardou a aparecer outra modalidade de incorporação reversa praticada no mercado, a qual fez surgir um fenômeno extremamente sui generis: o ágio gerado internamente. (...) Considerando que na época não havia uma normatização contábil similar ao CPC 15, a consequência direta da prática desse tipo de incorporação (reversa) era a geração de um benefício fiscal bem como o reconhecimento contábil de um ágio gerado internamente (contra o qual, nós, os autores deste Manual, sempre nos insurgimos). Dessa forma, era fortemente criticada a racionalidade econômica do art. 36 da Lei nº 10.637/02, que permitia que grupos econômicos, em operações de combinação de negócios (sob controle comum) criassem artificialmente ágios internamente por intermédio da constituição de “sociedades veículo”, que surgem e são extintas em curto lapso de tempo, ou pela utilização de sociedades de participação denominadas “casca”, com finalidade meramente elisiva. (...). Além disso, o ágio fundamentado em rentabilidade futura (goodwill) proveniente de combinações entre entidades sob controle comum era eliminado nas demonstrações consolidadas da controladora final, tornando inconsistente o reconhecimento desse tipo de ágio gerado internamente (na ótica do grupo econômico não houve geração de riqueza). Atualmente, o art. 36 da Lei nº 10.637/02 foi revogado pela Lei nº 11.196/05 (art. 133, inciso III), bem como com a entrada em vigor do CPC 15, para fins de publicação de demonstrações contábeis, não mais será possível reconhecer contabilmente um ágio gerado internamente em combinações de negócio envolvendo entidades sob controle comum.” Por todo o exposto, voto no sentido de manter a indedutibilidade do ágio amortizado pela Recorrente a partir de janeiro/2006, e, consequentemente, o crédito tributário constituído desde a referida competência. 4. Inexistência de fraude e/ou simulação Fl. 4073DF CARF MF Processo nº 13005.720547/201198 Acórdão n.º 1402002.427 S1C4T2 Fl. 4.074 14 Compulsando os autos, notadamente o Relatório de Ação Fiscal Tributária, constatei que a fiscalização, em nenhum momento, individualizou a conduta dolosa dos dirigentes da Recorrente no sentido de determinar, conscientemente, a realização dos atos societários que redundaram na contabilização de ágio gerado intragrupo e sua amortização como despesa dedutível, reduzindo o IRPJ e CSLL a pagar. Por outro lado, todos os atos societários praticados foram devidamente registrados na Junta Comercial competente, dando publicidade dos mesmos para terceiros e, ademais, todas as declarações e obrigações acessórias foram entregues ao fisco, com as informações dos atos praticados pela Recorrente. Por fim, todos os atos praticados, individualmente observados, são lícitos e não demonstram o evidente intuito de fraude. Assim, a multa qualificada deve ser afastada por entender não restar caracterizado o dolo que justifique a qualificação da penalidade. 5. Não incidência da Taxa Selic sobre a multa de ofício A respeito do tema, curvome ao entendimento mais recente, consagrado pela Câmara Superior de Recursos Ficais deste Conselho, e refletido no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner, in verbis: O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. Fl. 4074DF CARF MF Processo nº 13005.720547/201198 Acórdão n.º 1402002.427 S1C4T2 Fl. 4.075 15 O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses Fl. 4075DF CARF MF Processo nº 13005.720547/201198 Acórdão n.º 1402002.427 S1C4T2 Fl. 4.076 16 tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. Fl. 4076DF CARF MF Processo nº 13005.720547/201198 Acórdão n.º 1402002.427 S1C4T2 Fl. 4.077 17 No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07). No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No mesmo sentido, aliás, tem decidido o Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa abaixo reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. Por esta razão, afasto a alegação da recorrente de que não haveria incidência de juros sobre a multa de ofício, ressaltando que tal fato não decorre da autuação, mas decorrerá do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa. Fl. 4077DF CARF MF Processo nº 13005.720547/201198 Acórdão n.º 1402002.427 S1C4T2 Fl. 4.078 18 Por todo o exposto, dou provimento parcial do Recurso Voluntário, para: a) reconhecer a decadência do direito da fiscalização de constituir o crédito tributário referente à competência de dezembro/05, e; b) afastar a multa qualificada de 150%, reduzindoa ao patamar de 75%, restando íntegro o crédito tributário constituído quanto aos demais aspectos. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius NIchele Macei Fl. 4078DF CARF MF Processo nº 13005.720547/201198 Acórdão n.º 1402002.427 S1C4T2 Fl. 4.079 19 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Redator Designado. Em que pese o excelente voto do i. Conselheiro Relator, ouso discordar de seu entendimento quanto à multa qualificada. A discussão cingese à procedência ou não da imposição de multa de ofício qualificada em 150% à infração de dedução de despesas com amortização de ágio gerado a partir de reorganização societária entre empresas sob controle comum (ágio interno). Em situação idêntica, este mesmo colegiado, por meio do acórdão 1402 002.180, por unanimidade de votos manteve cominação da multa qualificada (sessão de 03 de maio de 2016). Em relação ao desenho das operações realizadas pela autuada, não se pode olvidar que o contribuinte tem o direito de estruturar o seu negócio de maneira que melhor lhe convém, com vistas à redução de custos e despesas, inclusive à redução dos tributos, sem que isso implique, necessariamente, qualquer ilegalidade. Entretanto, o que não se admite atualmente é que os atos e negócios praticados se baseiem numa aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial, para disfarçar o real objetivo da operação, quando unicamente almeje reduzir o pagamento de tributos, ainda mais na forma como foi engendrada a operação em questão. Tal qual discorrido em tal precedente, não estamos aqui sequer diante de caso de planejamento tributário abusivo, mas sim de evidente caso de evasão fiscal, baseada em atos dolosos e não condizentes com a realidade a fim de minorar a carga tributária da autuada. No caso concreto, ressaltam aos olhos o posicionamento artificial e fraudulento da autuada. Esse mesmo entendimento vem sendo firmado no âmbito da Câmara Superior, como, por exemplo, nos acórdãos 9101002300 (sessão de 7 de abril de 2016) e 9101002.503, julgado na sessão de 12 de dezembro de 2016, de relatoria da I. Conselheira Adriana Gomes Rego. Esse último julgado recebeu a seguinte ementa: MULTA QUALIFICADA. ÁGIO INTERNO. ÁGIO DE SI MESMO. OCORRÊNCIA DE FRAUDE E CONLUIO. A consecução de atos que culminaram com a supressão ilícita de tributos, obtida com a dedução da amortização de ágio, ágio esse que, surgido da reavaliação de participação na empresa autuada, em operação intragrupo, foi por ela mesma contabilizado e deduzido, de forma artificial e sem qualquer dispêndio, evidencia conduta dolosa tendente a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ("fraude", na inteligência do art. 72 Fl. 4079DF CARF MF Processo nº 13005.720547/201198 Acórdão n.º 1402002.427 S1C4T2 Fl. 4.080 20 da Lei n° 4.502, de 1964) e ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas visando os efeitos em questão ("conluio", conforme art. 73 da mesma Lei). Impõese, assim, a qualificação da multa de ofício. Por esses motivos, além de entender que deva ser mantida a glosa da despesa, entendo restar caracterizada a fraude a que alude o art. 72 da Lei nº 4.502/64, o que, a teor do que dispõe o art. 44 da Lei nº 9.430/96, justifica a exasperação da penalidade. Em relação à contagem do prazo decadencial, não se pode ignorar que o STJ entendeu em caráter definitivo (julgamento de recurso representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC/1973) que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, a questão do pagamento antecipado é relevante para definição do prazo, assim como a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme se observa na ementa do REsp 973.733/SC, 1ª Seção, Dje 18/09/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre,sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em Fl. 4080DF CARF MF Processo nº 13005.720547/201198 Acórdão n.º 1402002.427 S1C4T2 Fl. 4.081 21 que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, antea configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii)a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No caso concreto, tendo sido mantida a multa qualificada, resta caracterizada a ocorrência de dolo e fraude, impondose que o início da contagem do prazo decadencial deve se dar com base no disposto no art. 173, I, do CTN, uma vez que, nesses casos, o início da contagem do prazo decadencial deve ser postergada para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido realizado. Assim, para o fato gerador mais longínquo (31/12/2005), o lançamento somente poderia ser realizado no ano seguinte (2006), e o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/2007 (art. 173, I, do CTN), tendo como data fatal para ciência do lançamento o dia 31/12/2011. Como a Recorrente tomou ciência da autuação em 18/04/2011, não há que se falar em decadência. Fl. 4081DF CARF MF Processo nº 13005.720547/201198 Acórdão n.º 1402002.427 S1C4T2 Fl. 4.082 22 CONCLUSÃO Isso posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 4082DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.905952/2014-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .9 05 95 2/ 20 14 -5 5 Fl. 1884DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Trata o processo de manifestação de inconformidade de fls. 62 e seguintes, contra o despacho decisório n° 087876796, de 04/07/2014, fls. 97 e seguintes, que não reconheceu a totalidade do direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do exercício de 2004. A fiscalização houve por bem apenas homologar parcialmente a declaração de compensação nº 11613.99792.230104.1.7.021059 e não homologar nenhuma das outras declarações de compensação, bem como indeferiu o Pedido de Restituição/Ressarcimento nº 32146.39532.191208.1.2.020469. Detectaramse inconsistências entre os valores do saldo negativo informados em PER/DCOMP (R$ 65.894.026,03) com os valores constantes em DIPJ (R$ 79.056.171,04). Entendeu a fiscalização que quando houver divergência entre o valor do saldo negativo informado por meio destas declarações, o reconhecimento do direito creditório estaria limitado ao menor valor informado. Desta feita, a autoridade administrativa reputou o valor constante em PER/DCOMP para apurar que da totalidade informada, apenas R$ 36.408.287,78 fora confirmado através de consulta aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) ou pela apresentação de documentos comprobatórios pelo sujeito passivo. Parte se referia ao IRRF (R$ 31.001.348,67 + R$ 3.893.562,24) e parte às estimativas compensadas (R$ 1.513.336,87). Deste montante, fora reduzido o valor do IRPJ devido (R$ 4.073.213,24), para atingirse um saldo negativo disponível de R$ 32.335.074,54. Manifestação de Inconformidade A ciência do despacho decisório se deu em 18/07/2014 e a manifestação de inconformidade foi protocolizada em 18/08/2014, com os seguintes pontos relevantes para a solução da lide: i. Homologação tácita das compensações, nos termos do art. 74, § 5°, da Lei 9.430/96; ii. Glosa indevida das estimativas mensais cuja compensação não foi homologada; iii. Comprovação do imposto de renda retido na fonte; iv. Impossibilidade do Fisco reapurar saldo negativo em período já atingido pela decadência. A interessada ainda apresentou adendo à manifestação de inconformidade, fls. 1373 e seguintes, com juntada de documentos que entende aptos a comprovar as retenções na fonte não reconhecidas no despacho decisório. Fl. 1885DF CARF MF Processo nº 12448.905952/201455 Resolução nº 1201000.250 S1C2T1 Fl. 4 3 Acórdão nº 0438.332 2ª Turma da DRJ/CGE Estimativas Compensadas Contatouse, inicialmente, que o Despacho Decisório não reconheceu as parcelas de crédito relativas às estimativas compensadas em razão destas terem sido objeto de despacho decisório que não as homologou, encontrandose em fase de discussão administrativa. Quanto a este ponto, entendeuse que as estimativas deveriam ser consideradas como crédito na apreciação da presente PER/DCOMP, pois, se não houver sua homologação, as estimativas declaradas como compensadas serão objeto de cobrança, ao teor do Parecer PGFN/CAT/n° 88/2014. Entretanto, com relação ao processo 13708.000627/200304, verificouse que não há compensação de estimativa de imposto de renda (extrato constante às fls. 102 a 104 daqueles autos eletrônicos), razão pela qual não haveria cobrança da estimativa e, portanto, não haveria razão para reconhecimento do valor postulado. Diante do exposto, reconheceuse o valor de R$ 13.719.616,34 a título de estimativas compensadas. Imposto de Renda Retido na Fonte A impugnante alega que o Fisco equivocadamente deixou de reconhecer o imposto retido sob o código de receita 5273. Entretanto, reputouse que o erro foi por ela cometido, ao declarar todo o imposto retido sob o código 3426. A impugnante também reconhece ter errado a discriminação do imposto retido pelo Banco Safra. Com referência à fonte pagadora com CNPJ 31.516.198/000194, verificouse, mediante a ficha 53 da DIPJ, fls. 1105 e seguintes, que os rendimentos a que corresponderiam as retenções feitas por esta fonte pagadora não foram declarados, razão pela qual firmouse pela impossibilidade de compensação a retenção, conforme inc. III, art. 231 do Regulamento do Imposto de Renda. Quanto ao reconhecimento do imposto retido pelas fontes pagadoras Cotia Trading e Telemar Norte Leste, não declarados na PER/DCOMP nem na DIPJ, e aos valores do imposto retido em valor maior que o pleiteado pelas fontes pagadoras Banco do Brasil e Citibank, verificouse, mediante a ficha 53 da DIPJ, fls. 1105 e seguintes, que os rendimentos a que corresponderiam as retenções feitas pelas fontes pagadoras Cotia Trading e Telemar Norte Leste não foram declarados, e que os rendimentos que correspondem aos valores de retenção das fontes pagadoras Banco do Brasil e Citibank foram declarados na proporção do imposto originalmente pleiteado. Fl. 1886DF CARF MF Processo nº 12448.905952/201455 Resolução nº 1201000.250 S1C2T1 Fl. 5 4 Reconheceuse, então, o imposto de renda retido na fonte de R$ 2.128.882,61, diferença entre o valor reconhecido no quadro retificado e o quadro original de apuração de imposto na fonte, página 2 do despacho decisório, fl. 101 dos autos. Retenções de Imposto na Fonte pela Cia Hering Com referência ao não reconhecimento do imposto retido na fonte pela Cia. Hering, verificouse que isso se deu por não constar a retenção na DIRF apresentada pela companhia. Reputouse que as folhas da cópia juntada pela interessada são incompletas, visto que o seu terço inferior encontrase apagado. Em consulta ao mesmo termo, no processo 18471.004307/200864, revelouse, em procedimento de fiscalização junto ao Banco Modal, a ocorrência de operações de cessão de títulos de renda fixa e swaps, por meio de contratos particulares, entre a impugnante e a Cia. Hering, e que essas cessões foram simuladas para suprimir a incidência de imposto de renda sobre rendimentos de título de renda fixa e swap, através da atribuição de valor majorado às operações de cessão e de transferência indevida da responsabilidade pela retenção do imposto, sendo o ganho da operação – o não recolhimento do imposto – repartido entre as partes. Diante dos fatos, concluiuse pelo não reconhecimento da alegada retenção na composição do direito creditório postulado. Juros sobre Capital Próprio A impugnante pleiteia como parcela componente de seu direito creditório o imposto retido que incidiu no recebimento de juros sobre capital próprio, no valor de R$ 36.219.289,03, referente ao período de apuração outubro de 2003, juntando comprovante de rendimentos e retenção na fonte, o qual é corroborado por DIRF apresentada pela fonte pagadora. Quanto aos pagamentos, verificouse que consta um único pagamento relativos ao tributo com código de receita 5706 (Imposto retido sobre juros de capital próprio), com período de apuração em outubro de 2003, pelo contribuinte TELEMAR NORTE LESTE S/A, CNPJ 33.000.118/000179, no valor de R$ 2.921.522,82. Esclareceuse que nos casos em que o imposto retido na fonte não se sujeita ao regime da tributação definitiva, o contribuinte, pessoa física ou jurídica, aproveitase do quantum antecipado quando da declaração de rendimentos, independentemente do adimplemento junto aos cofres públicos por quem reteve o tributo. No entanto, entendeuse que outros são os contornos quando se defronta com o fato da pessoa jurídica encarregada do procedimento de retenção não ser um terceiro, mas sim possuir vínculos com a pessoa jurídica retida, em razão de pertencerem ao um mesmo grupo gestor, isto é, encontraremse sob a mesma administração, ou então quando uma administra outra. Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 12448.905952/201455 Resolução nº 1201000.250 S1C2T1 Fl. 6 5 Recorrendo à analogia autorizada pelo artigo 108 do CTN, recordouse os preceitos do artigo 340, § 6º, do RIR/99, que ao dispor sobre a dedução do lucro real de parcelas inerentes a perdas no recebimento de créditos vedou aquelas relacionadas com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem assim com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até terceiro grau dessas pessoas físicas. Como há vários outros beneficiários do rendimento em questão, gerando a corresponde obrigação de retenção e recolhimento do imposto, entendeuse que mesmo o recolhimento a menor não pode ser reconhecido como direito creditório para a interessada, pois as circunstâncias apontadas não conferem à parcela do direito creditório que lhe seria decorrente a certeza e liquidez necessárias para tanto. Decadência do Direito da Fazenda Nacional analisar o Crédito Pleiteado À tese de decadência do direito da Fazenda Nacional questionar o direito creditório pleiteado adotouse os fundamentos e conclusões da Nota Técnica Cosit nº 05, de 2013, cujos excertos pertinentes seguem: “(...) 24.3. considerandose cabível e necessária a verificação da liquidez e certeza do crédito postulado por ocasião da análise de direito creditório em pedido de restituição ou em compensação declarada pelo contribuinte, é possível efetuar alteração da base de cálculo ou da alíquota aplicável por meio de despacho decisório, desde que essa alteração implique tãosomente a redução ou mesmo a anulação do crédito postulado pelo sujeito passivo. Isto porque, até esse limite – em que o crédito é anulado , há pagamento antecipado de IRPJ ou CSLL. 24.4. defender a tese da indispensabilidade do lançamento de ofício para fins de redução ou anulação do crédito informado, por ocasião da apuração do indébito tributário, seria admitir o “lançamento de valor pago”, o que não é concebível quando o tributo é sujeito ao lançamento por homologação. 24.5. quando a alteração da base de cálculo ou da alíquota enseja a apuração de valor devido superior ao que foi declarado, não havendo pagamento antecipado de IRPJ ou CSLL (quer por recolhimentos em Darf, retenções ou compensações destinados à quitação de estimativas) em valor suficiente para cobrir esse montante maior, fazse necessário efetuar o lançamento de ofício da diferença. 24.6. neste caso, em que a Administração pretende exigir tributo que extrapola o conjunto de antecipações realizadas pelo sujeito passivo, fazendose necessário constituir um crédito tributário superior ao que havia sido declarado, e o período correspondente à infração apurada já tiver sido atingido pela decadência ao tempo da análise (art. 150, § 4º, do CTN), é possível negar a restituição ou não homologar a compensação mediante despacho decisório, mas sem efetuar o lançamento de ofício. Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 12448.905952/201455 Resolução nº 1201000.250 S1C2T1 Fl. 7 6 24.7. quanto ao prazo a ser observado pela Administração Fazendária para a realização das alterações por despacho decisório, tratase de prazo preclusivo de 5 (cinco) anos, contados a partir da entrega da DComp, sob pena de se operar a homologação tácita da compensação (§ 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996), abstraídas ou descontadas as ocorrências de suspensão ou interrupção do prazo prescricional neste intervalo, consoante ensina o Parecer PGFN/CAT nº 2.093, de 2011. (...)” Assim, elucidouse que o entendimento exposto acima é no sentido de que, enquanto não transcorridos os cinco anos contados da transmissão do pedido de restituição, ressarcimento ou declaração de compensação, a autoridade fiscal competente para apreciação do direito creditório pode verificar não só os valores deduzidos do tributo devido no ajuste, tais como estimativas pagas, tributo retido na fonte, etc., mas também a correta determinação da base de cálculo do tributo, sempre que entender cabível e necessário para a confirmação da liquidez e certeza do crédito postulado. Conforme desenvolvido na nota, a consequência dessa apreciação não poderia ser a lavratura de auto de infração caso se apurasse saldo de tributo a pagar após o prazo de cinco anos estabelecidos nos art. 150 e 173 do CTN, mas, mesmo após este prazo, entendeuse que poderia ser o reconhecimento parcial ou o não reconhecimento do direito creditório pretendido, vez que a restituição e/ou compensação somente ocorreria se o crédito é líquido e certo nos termos do art. 170 do CTN. Direito Creditório Reconhecido Pela análise procedida no voto, concluiuse que o direito creditório em litígio é de R$ 25.955.297,07. Conclusão Decidiuse que competiria à unidade local da Receita Federal realizar os procedimentos estabelecidos, com observância das normas que lhe sejam aplicáveis, para: i. Compensar os débitos declarados pela impugnante, até o limite do direito creditório reconhecido; ii. Caso o direito creditório seja insuficiente para as compensações, reconhecer a homologação tácita nos casos em que isso for cabível; iii. Caso reste direito creditório após as compensações dos débitos, e, inexistindo outros óbices, proceder à restituição do direito creditório porventura remanescente, limitado ao valor requerido no Pedido de Restituição n° 32146.39532.191208.1.2.020469, com a limitação constante do § 3°, art 32, da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 e § 3°, art. 40, da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 12448.905952/201455 Resolução nº 1201000.250 S1C2T1 Fl. 8 7 Acórdão nº 0438.634 2ª Turma da DRJ/CGE – Revisão do Acórdão nº 04 38.332 Embargos de Declaração A unidade executora do Acórdão proferiu despacho de fls. 1565 e seguintes apontando, em síntese, omissão quanto ao reconhecimento da homologação tácita das compensações. Constatouse que deve aquele ser integrado para suprir a referida omissão. Homologação Tácita De acordo com as prescrições da legislação, o prazo é contado a partir da data de protocolo das declarações de compensação, razão pela qual entendeuse que as compensações declaradas nas DCOMPs indicadas no quadro “DCOMPS TRANSMITIDAS ATÉ 18/07/2009” deveriam ter sua homologação tácita reconhecida. Conclusão Ante a todo o exposto, votouse por admitir os embargos de declaração, conhecer da manifestação de inconformidade e, no mérito, darlhe provimento parcial, para: i. Reconhecer o direito creditório no valor de R$ 15.848.498,95 (quinze milhões, oitocentos e quarenta e oito mil, quatrocentos e noventa e oito reais e noventa e cinco centavos); ii. Reconhecer a homologação tácita das compensações declaradas nas DCOMPs nºs: 11613.99792.230104.1.7.021059, 24887.04337.260906.1.7.024492 11193.75621.260906.1.7.028972 07911.02197.260906.1.7.025936 36406.02103.260906.1.7.027105 02354.01639.260906.1.7.024031 02172.15616.100204.1.3.026561 Reputouse que caso houvesse direito creditório remanescente após sua utilização nas compensações declaradas, o valor a restituir ao contribuinte estaria limitado ao Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 12448.905952/201455 Resolução nº 1201000.250 S1C2T1 Fl. 9 8 valor requerido no Pedido de Restituição n° 32146.39532.191208.1.2.020469, observadas as restrições legais e normativas aplicáveis. Recurso Voluntário Da estimativa mensal compensada em março/2003 Contatou o ora recorrente que apesar da DRJ acatar a impossibilidade de glosa de estimativas compensadas na composição do saldo negativo, o acórdão recorrido manteve a glosa da estimativa compensada em março/2003 no âmbito do PTA nº 13708.000627/200304 ao argumento de que naqueles autos não há compensação de débito de IRPJestimativa. Segundo o recorrente restaria comprovada a cobrança autônoma para a estimativa mensal de IRPJ de março/2003 através da análise do extrato de débitos às fls. 384 do PTA 08.000627/200304 e ainda nos termos da Solução de Consulta (Cosit) nº 18/2006 e também do Parecer PGFN nº 088/2014. Do IRRF sobre aplicações financeiras A recorrente afirma que tem como provar que, embora algumas das receitas que geraram o IRRF não tenham sido indicadas na ficha 53 da DIPJ, as mesmas foram regularmente oferecidas à tributação. Nesse sentido a recorrente junta aos autos os razões contábeis das contas de receita nº 33200000 (juros) e a conta nº 33201000 (prêmios sobre operações bancárias), nas quais estariam registradas as receitas auferidas com as aplicações financeiras. Caso assim não entenda, pugna a ora recorrente pela determinação da baixa dos autos em diligência. Do IRRF relativo à fonte pagadora Cia Hering Reputouse, de início, que essa retenção tem origem em aplicações financeiras realizadas pela Recorrente em 2003. Tais aplicações consistiam em certificados de depósitos bancários (CDB) e contratos de swap cambial custodiados pelo Banco Modal S/A, ambos resgatáveis a longo prazo. Entretanto, antes da data prevista para liquidação destes contratos junto ao Banco Modal, a Recorrente cedeu a posição contratual para a Cia Hering. O recorrente reitera que comprovou: I) No momento da cessão dos contratos de CDB a Recorrente recebeu os ganhos decorrentes líquidos de impostos; Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 12448.905952/201455 Resolução nº 1201000.250 S1C2T1 Fl. 10 9 II) As receitas que geraram as retenções foram oferecidas à tributação nos termos da Súmula 80 do CARF; e III) A parcela correspondente ao IRRF no valor de R$ 8.210.875,31 deve ser reconhecida na composição do saldo negativo. Uma vez comprovado, alega que é totalmente irrelevante o efetivo recolhimento do imposto retido ou a sua declaração em DIRF por parte da fonte pagadora. Conclui que tal ponto não fora esclarecido pelo acórdão recorrido, que tampouco analisou a documentação contábil apresentada pela empresa para comprovar o oferecimento das respectivas receitas à tributação. Do IRRF incidente sobre JSCP Para comprovar a existência do crédito, o ora Recorrente trouxe aos autos o informe de rendimentos que retrata a retenção sofrida em outubro/2003. Também apresentou o balancete da empresa no período, registrando o recebimento dos juros sobre capital próprio no período. Portanto pugna que restaria comprovada a retenção na fonte no valor de R$36.219.289,03, de modo que tal valor deveria ser adicionado ao saldo negativo reconhecido e restituído à Recorrente, nos termos do PER nº 32146.39532.191208.1.2.02.0469. Alega que caso o Fisco entenda que o IRRF deveria ter sido recolhido, deve exigir tais valores diretamente da fonte pagadora, não podendo impor tal ônus a pessoa jurídica distinta ainda que ambas pertençam ao mesmo grupo econômico. Pugna pelo uso análogo do §6º do art. 340 do RIR, atribuindo a necessidade de menção expressa à responsabilidade pelo pagamento do tributo de outrem, nos termos do art. 124, inciso II do CTN. Da decadência Quanto a este ponto foram ratificadas ipsis litteris as alegações trazidas em sede de manifestação de inconformidade, em suma, reputando que não poderia o Fisco, em 2014 (quando proferido o despacho decisório), pretender reapurar o saldo negativo do ano de 2003, questionando a veracidade das informações descritas. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 12448.905952/201455 Resolução nº 1201000.250 S1C2T1 Fl. 11 10 Admissibilidade O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. Decadência Quanto a alegação de decadência peço vênia para ratificar o prefeito entendimento adotado em Nota Técnica Cosit nº 05, de 2013, reproduzido no v. acórdão recorrido: “(...) 24.2. quando da análise da compensação declarada ou do pedido de restituição, muitas vezes a autoridade fiscal precisa verificar os elementos da obrigação tributária, incluídas a base de cálculo e a alíquota aplicável. 24.3. considerandose cabível e necessária a verificação da liquidez e certeza do crédito postulado por ocasião da análise de direito creditório em pedido de restituição ou em compensação declarada pelo contribuinte, é possível efetuar alteração da base de cálculo ou da alíquota aplicável por meio de despacho decisório, desde que essa alteração implique tãosomente a redução ou mesmo a anulação do crédito postulado pelo sujeito passivo. Isto porque, até esse limite – em que o crédito é anulado , há pagamento antecipado de IRPJ ou CSLL. (...) 24.7. quanto ao prazo a ser observado pela Administração Fazendária para a realização das alterações por despacho decisório, tratase de prazo preclusivo de 5 (cinco) anos, contados a partir da entrega da DComp, sob pena de se operar a homologação tácita da compensação (§ 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996), abstraídas ou descontadas as ocorrências de suspensão ou interrupção do prazo prescricional neste intervalo, consoante ensina o Parecer PGFN/CAT nº 2.093, de 2011. (...)” Conforme entendimento já externado pelo presente julgador em outras oportunidades, essencial que a fiscalização retroaja a origem da base de cálculo, pois somente desta forma será possível atingir a validade do saldo negativo, formando assim o campo material ideal para a decisão quanto à homologação ou não das compensações. Não há que se cogitar que, neste contexto, houve a constituição definitiva do crédito tributário e que daí seria necessário o lançamento de ofício. Ora, o processo de imersão nas origens do crédito é essencial para a identificação de sua suficiência, certeza e liquidez. O resgate destas informações basilares prestase tão somente a compor o conjunto probatório que irá respaldar a deliberação referente à homologação. Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 12448.905952/201455 Resolução nº 1201000.250 S1C2T1 Fl. 12 11 Daí se conclui que o prazo para homologação das compensações tem como dies a quo a formalização do pedido de compensação ou restituição e, sob nenhuma hipótese, os fatos geradores ocorridos no exercício de 2003. Conclusão irretorquível é a de que, no presente caso, não se consumara o prazo decadencial. De modo que este instituto não deve ser um óbice para a análise que se pleiteia. Mérito Da estimativa mensal compensada em março/2003 Devese ressaltar, de início, que o racional adotado pelo ora recorrente, e ratificado pela DRJ/CGE, acerca da impossibilidade de glosa de estimativas cujo pagamento está pendente de homologação, encontrase em total alinho com uma interpretação lógica da sistemática que norteia a compensação de tributos. Ora, é certo que a declaração de compensação atesta a confissão da dívida. Uma vez que o contribuinte reconhece o pagamento das estimativas, para fins de ajuste anual e consequente apuração do saldo negativo, não há como se cogitar que a iminente decisão quanto ao modo de pagamento destas (compensação, parcelamento, pagamento) seja um empecilho para a mensuração e realização do direito creditório. As estimativas já são alvo de discussão em outros processos administrativos, de modo que cada qual exerce a função coercitiva de cobrança de maneira finalística, individualmente, independente da forma como será realizado o pagamento. A intenção originária externada pelo contribuinte é a compensação, mas caso esta não prospere, outros meios serão adotados para que se determine o cumprimento da obrigação tributária e a consequente extinção da exigibilidade do crédito tributário. A glosa destes valores alvo de compensação outrora, cujos os efeitos repercutem na apuração do saldo negativo agora, enseja a duplicidade da cobrança, o que é vedado pelo pátrio ordenamento jurídico, sob ofensa aos princípios da capacidade contributiva, da vedação ao confisco e da igualdade. De fato, seriam cobrados no presente instrumento, valores que já estão sendo devidamente cobrados em processos administrativos específicos, voltados diretamente para o pagamento das estimativas. Cobrálas aqui, como consequência a suposta apuração indevida do saldo negativo do IRPJ, não parece lógico, pois devese partir do pressuposto de que os valores à título de estimativas se tornaram imutáveis e irretocáveis, uma vez confessados, e que, assim, em nada devem interferir/alterar a apuração do direito creditório do contribuinte. O processo administrativo tributário surge no momento em que há resistência por parte do contribuinte contra a pretensão do Estado na cobrança do crédito que julga lhe ser devido. Desta definição, deve restar cristalino que os processos que discutem a compensação das estimativas representam a resistência do contribuinte no pagamento das próprias estimativas. Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 12448.905952/201455 Resolução nº 1201000.250 S1C2T1 Fl. 13 12 Do mesmo modo, o presente processo visa a compensação de outros débitos, através do direito creditório advindo do saldo negativo de IRPJ do exercício de 2004, razão pela qual a resistência manifestada neste instrumento não está atrelada ao pagamento das estimativas, mas tão somente a estes débitos alvos da compensação. O surgimento de cada processo administrativo respeita uma pretensão específica do contribuinte, de forma que o desvio desta pode exorbitar o seu alcance e limite e atingir outras pretensões, causando a desarmonia e incontrole do sistema processual criado. O efeito material deste evento pode culminar na duplicidade da cobrança, que é exatamente o que ocorre no presente caso. Portanto, perfeitamente delineado este ponto no v. acordão recorrido para validar as estimativas, cujo o pagamento está pendente de decisão administrativa, para fins de apuração dos créditos de IRPJ pleiteados em PER/DCOMP. Apesar do entendimento adotado pela autoridade administrativa, e aqui compartilhado pelo presente julgador, esta verificou que o processo nº 13708.000627/200304 não tinha como objeto a compensação de estimativa de IRPJ do anocalendário de 2003. Assim, a DRJ/CGE não reconheceu o valor concernente ao referido processo para determinação do direito creditório do recorrente. Ocorre que a análise deste ponto revela total unilateralidade das provas trazidas aos autos e, assim, total incerteza quanto ao direito do ora recorrente. A DEMACRJ proferiu despacho decisório nº 087876796 na data de 04/07/2014, não homologando ou homologando parcialmente os pedidos de compensação. Na apreciação pormenorizada das parcelas do crédito, a fiscalização destacou a não homologação da DCOMP referente ao processo nº 13708.000627/200304, a qual tinha como objeto devedor a estimativa mensal de março/2003 (fls. 102). Para sustentar tal decisão juntou documentação complementar, na qual constava tela do SIEFRFB evidenciando, quanto ao processo em epígrafe, a informação de que o débito de estimativa não se encontrava cadastrado (fls.116). O contribuinte não enfrentou de maneira direta as informações constantes do sistema e tampouco apresentou qualquer prova em sentido contrário por meio de sua manifestação de inconformidade. A DRJ/CGE, em alinho à posição da fiscalização, entendeu que não havia de fato compensação de estimativas de imposto de renda nos autos do processo nº 13708.000627/200304. No entanto baseiase na análise do extrato constante às fls. 102 a 104 daqueles autos. Não juntou a estes autos, no entanto, referido extrato. Finalmente, em sede de Recurso Voluntário, o ora recorrente alega que bastaria a observância do extrato de débitos do PTA nº 13708.000627/200304, juntados aos presentes autos em fls. 387, para se concluir que a estimativa mensal de março/2003 está pendente de compensação: Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 12448.905952/201455 Resolução nº 1201000.250 S1C2T1 Fl. 14 13 O ora recorrente ainda traz algumas telas do SIEF, mas, ressaltese, nenhuma referente ao processo nº 13708.000627/200304, muito menos evidenciando a estimativa e a situação desta. Ora, as provas trazidas aos autos são antagônicas, caminham em sentidos iguais finalisticamente, mas atingem sentidos opostos ideologicamente. De um lado, a fiscalização traz só as telas do SIEF, sem fazer qualquer referência à extratos do processo ou qualquer outra prova que pudesse remeter a inexistência de compensação. De outro, a autoridade julgadora faz menção ao extrato referente ao processo nº 13708.000627/200304, mas não faz qualquer outra referência à inexistência de compensação das estimativas de março/2003, seja pelo SIEF ou qualquer outro meio probante. Por fim, o ora recorrente, traz tanto as telas do SIEF quanto o extrato do processo, mas quanto à primeira não há qualquer rastro da identificação da compensação da estimativa de março de 2003. Também não junta qualquer outra prova. Veja, o SIEF (Sistema Integrado de Informações Econômico Fiscais) é um programa que consiste na reinformatização global da RFB. Funciona de forma descentralizada e é acessado pelas Delegacias e Unidades Administrativas da RFB. Neste sistema são controlados os créditos tributários que têm origem nas informações prestadas pelo contribuinte por meio das declarações DCTF, PER/DCOMP, DIPJ, DIRF, DASN e PGDASD, entre outras. Portanto é um dos meios possíveis para verificar a legitimidade e validade do crédito pleiteado. As telas do referido sistema juntadas revelam inequivocamente que o débito de estimativa de março de 2003 não está cadastrado no processo nº 13708.000627/200304. Já o extrato do processo revela um histórico dos eventos e componentes a este relacionados. Elenca os débitos do processo, individualizandoos e classificandoos de acordo com informações específicas, como valor, eventual multa e juros, período, vencimento e, o que nos importa para o caso presente, o seu status/situação. No caso do extrato juntado pelo ora recorrente, o débito relativo à estimativa de março de 2003 ali disposto aponta para a existência de componentes pendentes de compensação e o crédito correspondente pendente de julgamento de recurso. Veja, ambos são sistemas que exprimem informações internas da Receita Federal do Brasil, fornecidas pelo próprio contribuinte ou obtidas mediante atividade fiscalizatória. Os dois, portanto, são eivados de legalidade e notoriedade perante à Administração Tributária, mas estão em integral desconsonância e divergência. Cada um apresentando uma verdade diametralmente oposta da outra. O conjunto probatório coloca em xeque a atuação do presente julgador, que se vê em uma posição de ter que decidir entre qual dos sistemas é o mais confiável, qual estaria Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 12448.905952/201455 Resolução nº 1201000.250 S1C2T1 Fl. 15 14 mais atualizado, qual das provas representaria informações reais e verdadeiras e qual seria falsa e sem concretude. Não parece correto e sagaz quaisquer das deliberações expostas: o julgador deve se lançar sobre as provas com imparcialidade, lançando um olhar crítico e racional, porém cético. Quaisquer das resoluções dos questionamentos supostos culminaria em uma presunção. Conforme se adentra no campo da presunção cada vez mais afastase da busca por uma verdade absoluta. Quanto mais as provas revelam incertezas, mais presunções partirão do julgador e quanto mais presunções do julgador, mais incertezas circundam a verdade. Ademais, a ponderação entre provas de mesma força, advindas da mesma fonte criadora e propagadora, a RFB (unilaterais, portanto), apontando para lados distintos, não é possível. Não soa cabível a prevalência de alguma delas de forma conclusiva e exaustiva. Tratase, como visto, de provas de origem comum, mas cujos efeitos finais de divulgação, ao menos nos autos, se mostraram totalmente divergentes. Ressaltese que não há um conjunto de indícios veementes apontando para o direito do recorrente ou para a posição sustentada pela Administração Tributária. Há, de fato, uma defasagem das provas, que instala completa insegurança jurídica nos autos. É de notório saber que o direito deve buscar como ultma ratio a justiça, mas até atingila devese ter superado a busca pela verdade ou exaurido todos os meios possíveis para aproximála de sua concretização plena. Não é o que se vê nos autos: há total imprecisão quanto a verdade exprimida pelo conjunto probatório. O CARF não deve alicerçar o atingimento da justiça por instabilidades ideológicas. Deste modo este julgador deve absterse de tais divagações, presunções e incertezas para afirmar a necessidade de conversão do julgamento em diligência, no afã de identificar a real situação/status dos débitos relativos às estimativas de março de 2003, especificamente elucidando se estes são alvo de compensação ou não. O que se busca, primeiramente, é a harmonia dos sistemas internos da RFB, de modo que estes possam exprimir informações comuns e equivalentes. Com isso, será possível atingir a verdade quanto a intenção do contribuinte em compensar os débitos nos autos do processo nº 13708.000627/200304. E somente desta forma será viável firmar um entendimento quanto à análise do direito creditório do contribuinte, considerando ou não a estimativa de março de 2003 para fins de determinação do saldo negativo de IRPJ deste período. IRRF sobre aplicações financeiras A divergência que norteia este tópico restringese à ausência de declaração, especificamente em ficha 53 da DIPJ, dos rendimentos a que corresponderiam certas retenções feitas pelas respectivas fontes pagadoras. Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 12448.905952/201455 Resolução nº 1201000.250 S1C2T1 Fl. 16 15 O recorrente de fato assume que tais receitas que geraram o IRRF não foram indicadas em ficha 53 da DIPJ, mas que tais valores foram oferecidos à tributação. Para tanto, apresenta de maneira inédita algumas contas contábeis de 2003 que de alguma forma fizessem referência às aplicações financeiras da entidade (fls. 1784 a 1880): a Conta do Razão nº 11190000 (Aplicações Financeiras), representando um saldo anual de R$ 1.981.292.701,72; a Conta do Razão 11320000 (IRRF sobre Aplicações Financeiras), na monta anual de R$ 31.683.349,93; a Conta do Razão 11320005 (IRRF sobre Aplicações Financeiras), com sado anual negativo de R$ 29.821.300,17; e, por fim, a Conta do Razão 33200000 (Juros sobre Aplicações Financeiras), no total anual de R$ 269.570.295,14, já disposta nos autos e nesta oportunidade reiterada. Vale ressaltar que a autoridade julgadora decidiu no sentido de que os rendimentos não foram incluídos no resultado, diante das provas presentes nos autos (DIPJ), e que, desta forma, o correspondente IRRF não poderia ser compensado na apuração do saldo negativo de IRPJ. No entanto, conforme delineado, o ora recorrente trouxe aos autos provas contundentes de sua contabilidade apontando para o trânsito dos rendimentos pelo resultado e, assim, para a consequente tributação destas verbas. Reiterase que a autoridade julgadora de primeira instância não reconhecera o crédito total de IRRF no valor de R$ 4.405.839,02, sob questão meramente formal de não identificação dos valores em Ficha específica da DIPJ. Ainda devese lembrar que tais retenções feitas pelas fontes pagadoras foram comprovadas pelo Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, através dos respectivos informes de rendimento e extratos emitidos pelo próprio sistema da RFB. Desta forma, diante das novas provas apresentadas, que apontam para o direito creditório do recorrente, relativizando a aplicação do inciso III do art. 231 do RIR/99, é essencial, também neste ponto, a conversão do julgamento em diligência, para que se confronte pormenorizadamente as informações presentes nas contas contábeis apresentados pelo recorrente (em fls. 1784 a 1880), com os informes de rendimento (fls. 131 a 142) e também com os valores informados em DIPJ (fls.1045 a 1109). Devese demonstrar que a contabilização do IRRF está em total alinho ou não com os valores constantes dos informes de rendimento, no mesmo passo em que se reputa necessário comprovar se os juros (receitas) auferidos com as aplicações financeiras foram devidamente alocados em conta de resultado e se estas receitas foram de fato tributadas ou não. A busca, novamente, é pela aplicação ferrenha do princípio da verdade material, a fim de que se atinja um conjunto probatório robusto e cujo o efeito seja exauriente na elucidação do que de fato ocorreu, concretamente. Do IRRF relativo à fonte pagadora Cia Hering e Do IRRF incidente sobre JSCP Fl. 1898DF CARF MF Processo nº 12448.905952/201455 Resolução nº 1201000.250 S1C2T1 Fl. 17 16 Quanto a estes dois pontos, entendo que não cabe qualquer nova produção de provas, de modo que os autos exprimem a suficiência de informações quanto à realidade dos fatos. Frisese que a questão a ser resolvida nestes pontos é exclusivamente de direito, dependendo da melhor interpretação do aplicador, levandose em conta o pátrio ordenamento jurídico, bem como a jurisprudência, administrativa e judicial, e a doutrina que delibera sobre o tema. A concretude, ao ver deste julgador, está perfeitamente representada pelo conjunto probatório construído nos autos, exprimindo a integral verdade dos fatos. Cabe a este Conselho apenas proferir um juízo de valor sobre tais provas. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para determinar a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a delegacia de origem informe o seguinte em relação ao período autuado: i) através do SIEF (Sistema Integrado de Informações Econômico Fiscais) ou do extrato do processo, ou por qualquer outro meio disponível è Delegacia de origem, se o processo administrativo nº 13708.000627/200304 abarca a compensação do débito relativo à estimativa mensal de março de 2003, no valor de R$ 2.285.316,20. ii) através do confronto das informações constantes das contas contábeis apresentados pelo recorrente (em fls. 1784 a 1880), com os informes de rendimento (fls. 131 a 142) e também com os valores informados em DIPJ (fls.1045 a 1109), se há compatibilidade entre a contabilização do IRRF com os valores constantes dos informes de rendimento, se os juros (receitas) auferidos com as aplicações financeiras foram devidamente alocados em conta de resultado, e, por fim, se estas receitas foram de fato tributadas ou não. Após, intimese a Recorrente para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias e retornem os autos para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 1899DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.003584/2004-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 17/05/2006
HEDGE. CRÉDITO SOBRE PERDA. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. DILIGÊNCIA FISCAL.
Reconhece-se o direito creditório, quando a autoridade lançadora, na fase de defesa e diligência, manifesta-se fundamentadamente pela retificação do lançamento fiscal em razão da constatação de direito do contribuinte e da existência de fatos que não caracterizam infração.
COMERCIAL EXPORTADORA. DESPESAS DE FRETE E ARMAZENAGEM. CRÉDITO. Por expressa vedação legal, a empresa comercial exportadora não pode calcular créditos sobre despesas de frete e armazenagem para fins de apuração da Cofins não-cumulativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3302-004.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter a glosa dos créditos presumidos de Hedge, parcialmente vencida a Conselheira Lenisa Prado que também reconhecia o direito ao crédito nas despesas com frete e armazenagem.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 10/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 17/05/2006 HEDGE. CRÉDITO SOBRE PERDA. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. DILIGÊNCIA FISCAL. Reconhece-se o direito creditório, quando a autoridade lançadora, na fase de defesa e diligência, manifesta-se fundamentadamente pela retificação do lançamento fiscal em razão da constatação de direito do contribuinte e da existência de fatos que não caracterizam infração. COMERCIAL EXPORTADORA. DESPESAS DE FRETE E ARMAZENAGEM. CRÉDITO. Por expressa vedação legal, a empresa comercial exportadora não pode calcular créditos sobre despesas de frete e armazenagem para fins de apuração da Cofins não-cumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 17/05/2006 HEDGE. CRÉDITO SOBRE PERDA. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. DILIGÊNCIA FISCAL. Reconhecese o direito creditório, quando a autoridade lançadora, na fase de defesa e diligência, manifestase fundamentadamente pela retificação do lançamento fiscal em razão da constatação de direito do contribuinte e da existência de fatos que não caracterizam infração. COMERCIAL EXPORTADORA. DESPESAS DE FRETE E ARMAZENAGEM. CRÉDITO. Por expressa vedação legal, a empresa comercial exportadora não pode calcular créditos sobre despesas de frete e armazenagem para fins de apuração da Cofins nãocumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter a glosa dos créditos presumidos de Hedge, parcialmente vencida a Conselheira Lenisa Prado que também reconhecia o direito ao crédito nas despesas com frete e armazenagem. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 35 84 /2 00 4- 79 Fl. 334DF CARF MF 2 Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 10/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário proposto pela Recorrente, CRYSTALSEV COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA, em face da decisão proferida pela douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que entendeu por bem manter a decisão da Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto que não homologou a compensação apresentada pela Recorrente por insuficiência de créditos passíveis de compensação. Pelo o que se depreende dos autos, a Recorrente apresentou, perante a Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto (SP), declaração de compensação, indicando créditos de COFINS relativos a pagamentos com fretes e armazenagem e sobre operações de Hedge. Ocorre que, em procedimento administrativo fiscal anterior à análise do presente pedido de compensação, foi constado que a Recorrente, ao invés de possuir créditos da referida contribuição, em verdade, possuía débitos passíveis de pagamento, o que ensejou a lavratura de Auto de Infração de nº 15956.000314/200856 para constituição e cobrança do crédito tributário. Neste sentido, foi o relato do acórdão recorrido. Confirase: “Na informação fiscal (fls. 116/118), que acompanha o despacho denegatorio, foi relatado, em breve resumo, que do cálculo do crédito da Cofins demonstrado na ficha 06 do DACON, referentes do 1º ao 4º trimestre de 2004, foram glosados valores relativos a pagamentos com fretes e armazenagem anexo IV e glosa do excesso de crédito presumido calculado sobre operações de Hedge anexo III. Igualmente, efetuou ajustes na ficha 07 do DACON, referente a receitas que não podem ser consideradas como de exportação, resultando num novo valor de Cofins devida, apurada após esgotados os créditos já ajustados, resultando no saldo devedor, no mês, de R$ 516.070,66. Assim, no mês de junho de 2004, inexistia valor de créditos de Cofins a serem compensados.”. (fls. 238 e seguintes) O referido Auto de Infração encontrase pendente de julgamento nesta Turma de Julgamento, também de relatoria deste Relator. A DRJ/Ribeirão Preto/SP entendeu por bem não homologar a compensação declarada (fls. 247263), conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/05/2006 Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10840.003584/200479 Acórdão n.º 3302004.102 S3C3T2 Fl. 3 3 RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. COMPLEMENTO DE PREÇO. SISCOMEX. As receitas vinculadas a exportação, para que sejam reconhecidas para fins de gozo de benefício fiscal, obrigatoriamente deverão ser referenciadas à nota fiscal de exportação original e registradas no Siscomex. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS. RECEITAS FINANCEIRAS. As variações monetárias ativas em função da taxa de câmbio constituemse em receitas financeiras, incluindose na base de cálculo da contribuição. CRÉDITO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA A aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação por empresas comerciais exportadoras goza do benefício da nãoincidência, que, por conseqüência natural do regime da nãocumulatividade da contribuição, resulta na inexistência do direito à apuração de crédito pela empresa comercial exportadora adquirente das mercadorias. COMERCIAL EXPORTADORA. DESPESAS DE FRETE EARMAZENAGEM. CRÉDITO. Por expressa vedação legal, a empresa comercial exportadora não pode calcular créditos sobre despesas de frete e armazenagem para fins de apuração da Cofins nãocumulativa. HEDGE. CRÉDITOS SOBRE PERDAS. O crédito presumido relativo a perdas com hedge verificase quando, em determinado período de apuração mensal, as perdas superam os ganhos totais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/05/2006 DECORRÊNCIA. REVISÃO DE CRÉDITO DA COFINS. Tendo a apuração do crédito da Cofins sido objeto de análise e revisão em procedimento fiscal anterior, a decisão ali adotada, deve ser igualmente aplicada neste processo, pois foi baseada nas mesmas razões de direito e nos mesmos elementos de prova. Às fls. 274300, consta recurso voluntário apresentado tempestivamente pela Recorrente que, após fazer relato dos fatos, traz as seguintes alegações, em resumo: Que faz jus aos créditos de PIS e COFINS oriundos de gastos com frete e armazenagem, mesmo sendo uma empresa comercial exportadora, uma vez que, caso não lhe seja concedido este direito de creditamento, restará violado o princípio da nãocumulatividade das referidas contribuições. · Que a fiscalização se equivocou ao não reconhecer os créditos presumidos calculados sobre as perdas financeiras nas operações de HEDGE e que a sistemática de apuração dos referidos créditos, que foi adotada pela Recorrente, é a prevista na legislação em vigor à época da ocorrência dos fatos geradores. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator Fl. 336DF CARF MF 4 I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 05.05.2011 (fls.265) e protocolou Recurso Voluntário em 06.06.2011 (fls. 274300) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito Do que se extraí dos autos, trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins nãocumulativa de junho de 2004, no valor de R$ 103.327,97, com débito de responsabilidade da Recorrente, sendo que os créditos utilizados pelo contribuinte relativos a pagamentos com fretes e armazenagem e sobre operações de Hedge estão vinculados ao lançamento de ofício objeto do processo nº 15956.000314/200856. Os fundamentos fáticos e jurídicos defendidos pela Recorrente correspondem aos mesmos fundamentos fáticos e jurídicos julgados no referido processo, cujo resultado deve ser refletido no julgamento deste processo administrativo. No processo nº 15956.000314/200856 de relatoria deste Relator, restou decidido no Acórdão de nº 3302004.107: (i) pela manutenção das glosas relativas aos créditos de Cofins apurados pela Recorrente sobre as despesas de frete e armazenagem, com fundamento no artigo 6º, §4º, da Lei nº 10.833/2003; e (ii) pela reversão da glosa atinente aos créditos oriundos de operações de Hedge, conforme se verifica no trecho abaixo: III.1 Créditos sobre despesas de frete e armazenagem na exportação Segundo a fiscalização, há expressa vedação legal à apuração de créditos vinculados à receita de exportação, conforme artigo 6º, §4º, da Lei nº 10.833/2003, sendo que a empresa comercial exportadora não pode apurar créditos vinculados à aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação, tampouco referente a quaisquer encargos e despesas atinentes a tal exportação, a saber: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10840.003584/200479 Acórdão n.º 3302004.102 S3C3T2 Fl. 4 5 Já a Recorrente, alegou que mais do que comercial exportadora, é pessoa jurídica exportadora, o que lhe assegura o crédito nas aquisições vinculadas às suas receitas de exportação, conforme o art. 6º da Lei nº 10.833, notadamente os previstos no art. 3º, IX. Que os “serviços acessórios contratados pelo contribuinte no desempenho de suas atividades não estão abarcados pela isenção ou nãoincidência do imposto, ou seja, os respectivos prestadores são contribuinte da COFINS, motivo pelo qual, é assegurado o direito de tomada de crédito relativo a estas despesas”, sendo que obstar tal crédito seria uma afronta à sistemática nãocumulativa. Alegou, ainda, que o § 4º do art. 6º da Lei nº 10.833, no qual teria se baseado a autoridade fiscal para negar o direito ao crédito, vedou a apropriação de créditos nas aquisições de mercadorias não sujeitas ao pagamento das contribuições, ratificando o disposto no art. 3º, § 2º, II da mesma lei, “não se aplicando aos demais bens e serviços adquiridos com o pagamento de tais contribuições, os quais, ainda que ‘vinculados à receita de exportação’, não se confundem com a operação incentivada das comercias exportadoras de ‘venda com fim específico de exportação”. Pois bem. Em que pese os argumentos tecidos pela Recorrente, não há como deixar de aplicar ao presente caso, ainda que sua consequência acarrete na quebra da não cumulatividade, a vedação expressa contida no artigo 6º, §4º, da Lei nº 10.833/2003, que impede a utilização de créditos vinculados à receita de exportação. Isto porque, o §4º, do artigo 6º, da referida Lei, ao remeter seus efeitos ao §1º, daquele artigo, que por sua vez, o vincula ao artigo 3º, da citada norma, estendeu os efeitos da vedação, destinada a empresa comercial exportadora, a todas hipóteses de creditamento previstas nos incisos desse último artigo. Além disso, pela própria dicção do §4º, verificase que a intenção do legislação foi de restringir o direito ao crédito do PIS e da COFINS a todas despesas vinculadas à receita de exportação e, não apenas em relação as mercadorias não sujeitas ao pagamento das contribuições. Neste sentido, transcrevo as ementas extraídas dos processos consulta nºs 354/09 e 69/12, da Superintendência Regional da Receita Federal SRRF, 8ª e 4ª Região Fiscal, no sentido de vedar a apuração de créditos na forma do artigo 3º, da Lei nº 10.833/2003 sobre despesas vinculadas à exportação, a saber: EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. É vedado à empresa comercial exportadora apurar créditos da Cofins, na forma do disposto no art.3º, da Lei nº 10.833, de 2003, relativamente a despesas de frete, armazenagem, aluguel, energia elétrica, depreciação de maquinários, despesas com água e outras assemelhadas, por expressa disposição legal contida no art. 6º, §4º, do mesmo diploma. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ARMAZENAGEM. Poderá ser descontado crédito relativo à Cofins calculado sobre a despesa com armazenagem de mercadoria a ser exportada, desde que não se trate de empresa comercial exportadora, que adquire mercadoria com o fim específico de exportação, e atendidos os demais requisitos normativos e legais pertinentes. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.833, de 2003, com alterações, arts.3º, IX, e 6º, §1º. Fl. 338DF CARF MF 6 No presente caso, a Recorrente, na qualidade de empresa comercial exportadora, adquiriu mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando, assim, por total imposição normativa, vedado o aproveitamento de crédito. Portanto, independentemente do fato de incidir a COFINS sobre as despesas de frete e armazenagem, fato é que a legislação veda a tomada de créditos quando referidas despesas estão vinculadas à exportação. Assim, entendo correto o procedimento adotado pela fiscalização que glosou os créditos apurados pela Recorrente com fundamento no artigo 6º, §4º, da Lei nº 10.833/2003. III.2 Crédito Presumido: Operação de Hedge O relatório de diligência fiscal assim se pronunciou sobre o tema: "38. Quanto a segunda questão, verificar se a base de cálculo adotada pela interessada em relação às receitas financeiras foi o valor das variações ativas (utilizando como crédito as variações passivas) ou o resultado (diferença entre as variações ativas e passivas). 39. Analisando as planilhas ANEXO II e III doc. pág. (202 e 203) do processo 15956.000314/200856 a fiscalização utilizou como base a diferença entre a variação do ganho e da perda do hedge. Em decorrência dessa apuração, a fiscalização realizou glosas em decorrência dessa apuração sobre o valor líquido apurado. 40. E, conforme rege a legislação na época dos fatos fev/04 a dez/04 o artigo 84 da Lei 10.833/03, em sua redação original, permitiu às pessoas jurídicas não financeiras o desconto de créditos da COFINS calculados sobre as perdas apuradas nas operações de hedge, conforme transcrição abaixo: Art. 84. A pessoa jurídica nãofinanceira, sujeita à incidência não cumulativa da COFINS, que realizar operações de hedge em bolsa de valores, de mercadorias e de futuros ou no mercado de balcão, poderá apurar crédito calculado sobre o valor das perdas verificadas no mês, nessas operações, à alíquota de até 4,6% (quatro inteiros e seis décimos por cento). (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Para efeito do disposto no caput, consideramse hedge as operações destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preço ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado: (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) I estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; e (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) II destinarse à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O crédito presumido a que se refere o caput, no caso das operações de hedge realizadas no mercado de balcão, somente será admitido quando referidas operações forem registradas nos termos da legislação vigente. (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) § 3o O disposto neste artigo fica limitado às operações que atendam às normas e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, que poderá observar, na caracterização das operações de hedge, critérios Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10840.003584/200479 Acórdão n.º 3302004.102 S3C3T2 Fl. 5 7 estabelecidos pela Comissão de Valores Mobiliários.(Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) 41. Cabe, conforme §2º, do art.84 da Lei 10.833/03, a retificação dos valores glosados e acatar o valor do crédito presumido de hegde conforme planilha elaborada pela impugnante doc. pág. (1.1661.170) do processo 15956.000314/200856, especificamente a linha 22Outros Créditos a Descontar Crédito Presumido de Hedge. Por sua vez, a Recorrente concordou com a conclusão do relatório de diligência, conforme se verifica na manifestação carreada às fls. fls.2.1692.201, tornandose, assim, incontroverso o direito do contribuinte apurar e utilizar os créditos relativos as operações de Hedge, cujo montante apurado perfaz a quantia de R$ 273.082,03 (vide planilha carreada às fls. 1.171). Deste modo, a glosa atinente aos créditos oriundos de operações de Hedge deve ser totalmente revertida. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 340DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.003711/97-02
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2001
Ementa: Vistos,relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 303-00.807
Decisão: RESOLVEM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes,por unanimidade de votos,converter o julgamento em diligência ao INT,na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: CARLO FERNANDO FIGUEIREDO BARROS
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Numero do processo: 19515.720523/2013-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
INTEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO REGULAR POR MEIO ELETRÔNICO. RECURSO NÃO CONHECIDO.
Uma vez intimado o contribuinte, por meio eletrônico, do Acórdão proferido pela DRJ, inicia-se o prazo de 30 dias para a interposição do Recurso Voluntário, nos termos do Decreto nº 70.235/72.
Superado largamente o prazo antes da interposição de recurso e não havendo razões do contribuinte contrárias à constatação de intempestividade, é certa a preclusão temporal.
Numero da decisão: 1402-002.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. O Conselheiro Demetrius Nichele Macei apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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INTIMAÇÃO REGULAR POR MEIO ELETRÔNICO. RECURSO NÃO CONHECIDO. Uma vez intimado o contribuinte, por meio eletrônico, do Acórdão proferido pela DRJ, iniciase o prazo de 30 dias para a interposição do Recurso Voluntário, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Superado largamente o prazo antes da interposição de recurso e não havendo razões do contribuinte contrárias à constatação de intempestividade, é certa a preclusão temporal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. O Conselheiro Demetrius Nichele Macei apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 05 23 /2 01 3- 27 Fl. 694DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Fl. 695DF CARF MF Processo nº 19515.720523/201327 Acórdão n.º 1402002.512 S1C4T2 Fl. 320 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 669 a 691) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador/BA (fls. 639 a 655) que negou provimento à Impugnação apresentada, mantendo integralmente as Autuações sofridas pela Recorrente (fls. 511 a 542). No presente processo são exigidos do Contribuinte créditos de IRPJ, CSLL e IRRF, sendo as duas primeiras exações referentes a glosa de despesas consideradas inexistentes e a última incidente sobre pagamentos sem causa, com a aplicação de multa qualificada na monta de 150%, diante da constatação de simulação e fraude na criação de despesas. A acusação fiscal que sustenta as Autuações se resume à constatação da ausência de prova da prestação de inúmeros serviços (assessoria, organização empresarial, consultoria e limpeza), cujas as despesas foram reduzidas das bases tributáveis do IRPJ e CSLL, inclusive por empresas de titularidade dos mesmos sócios da Recorrente e seus familiares, possuindo estas como clientes apenas o Contribuinte e suas controladas. Grande parte da documentação solicitada à Empresa autuada não foi entregue ao Fisco. As empresas prestadoras de serviços também não possuíam funcionários registrados e algumas não apresentaram suas declarações tributárias federais por longo período. Os pagamentos efetuados a tais companhias foram considerados sem causa, servindo também como base para a exigência de IRRF. Tais condutas foram tratadas como simuladas e fraudulentas, ensejando a qualificação da multa aplicável. Notificada dos lançamentos, a ora Recorrente ofereceu Impugnação (fls. 547 a 595), alegando em breve petitório que o lançamento teria si dado por mera presunção, não tendo feito a Autoridade Fiscal prova robusta o bastante para afastar a validade dos contratos assinados com os prestadores de serviços, os quais são atos jurídicos perfeitos, extrapolando a Fiscalização seus poderes Não são acostadas quaisquer provas, somente documentos de representação e cópias das Autuações e do TVF. Processada sua Defesa, foi proferido pela DRJ de Salvador o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, entendendo ser válido o procedimento da Fiscalização e o lançamento procedido: Fl. 696DF CARF MF 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 SIMULAÇÃO. CONJUNTO PROBATÓRIO. Se o conjunto probatório evidencia que os atos formais praticados divergiam da real intenção subjacente, caracterizase a simulação, cujo elemento principal não é a ocultação do objetivo real, mas sim a existência de objetivo diverso daquele configurado pelos atos praticados, seja ele claro ou oculto. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Incabível o pedido quando a sua intenção for a produção de provas que deveriam ter sido produzidas no momento da impugnação, e quando as informações existentes no PAF forem suficientes para a realização do julgamento da lide. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONTESTAÇÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 CUSTOS E DESPESAS. EXISTÊNCIA. Incabível a dedução na apuração do lucro real de despesa se não comprovada sua existência. AUTOS DECORRENTES CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento, no que for pertinente, ao relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, em razão da relação de causa advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes. Fl. 697DF CARF MF Processo nº 19515.720523/201327 Acórdão n.º 1402002.512 S1C4T2 Fl. 321 5 ASSUNTO: IMPOSTO RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 PAGAMENTO SEM CAUSA. EFETIVA OCORRÊNCIA DA OPERAÇÃO OU CAUSA. Cabível a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os pagamentos efetuados ou sobre os recursos entregues a terceiros, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, por expressa determinação legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Diante de tal revés, foi oposto o Recurso Voluntário (fls. 300 a 310), alegando cerceamento de defesa, pois o v. Acórdão consignou a impossibilidade de juntada de provas após a defesa inaugural, bem como a improcedência do lançamento, diante da validade jurídica dos contratos firmados, alegando ao final a monta confiscatória da multa qualificada. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 698DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, constatase que tal apelo é intempestivo. Como se observa às fls. 622, o Contribuinte foi intimado em sua caixa eletrônica dia 05/03/2015. Não obstante, as fls. 663 atestam a ciência por abertura de mensagem em 17/03/2015. Tendo em vista que 17/03/2015 foi uma terçafeira, o prazo iniciouse 18/03/2015, findando os 30 dias da janela para a interposição de recurso em 17/04/2015, uma sextafeira. Por sua vez, o Recurso Voluntário foi apenas protocolado dia 14/07/2015, como comprova carimbo oficial da repartição da RFB, preenchido e assinado por Agente Fiscal, na primeira folha das suas razões. Inclusive, o apelo está datado no mesmo dia (fls. 669). Assim, constatase que o prazo recursal foi extrapolado quase 3 vezes antes da apresentação das razões de apelo, restando clara a sua intempestividade. Esse é o entendimento pacífico deste E. CARF sobre o tema, como aqui ilustra o Acórdão nº 2401004.698, de relatoria da I. Conselheiro Rayd Santana Ferreira, recentemente publicado em 03/05/2017: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 NORMAS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO 30 (TRINTA) DIAS. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos artigos 5° e 33, do Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito do Ministério da Fazenda, o prazo para recorrer da decisão administrativa de primeira instância é de 30 (trinta) dias, contados a partir da data em que a contribuinte foi devidamente Fl. 699DF CARF MF Processo nº 19515.720523/201327 Acórdão n.º 1402002.512 S1C4T2 Fl. 322 7 cientificado da decisão, não sendo conhecido o recurso interposto fora do trintídio legal. Nas razões recursais, não há tópico, nem qualquer comentário ou alegação sobre a sua tempestividade. Desse modo, não resta dúvida sobre a preclusão temporal do direito de recorrer, inclusive diante da ausência de argumentos do Contribuinte em sentido contrário, que poderiam, eventualmente, elidir tal constatação, não merecendo o presente apelo conhecimento. Pelo exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário, mantendo integralmente as Autuações em tela. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 700DF CARF MF 8 Declaração de Voto Tratase de Recurso Voluntário interposto por SIDERURGIA J L ALIPERTI S/A contra Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador/BA que negou provimento à Impugnação apresentada, mantendo integralmente as Autuações sofridas pela Recorrente. O i. relator concluiu, acertadamente, pela intempestividade do Recurso Voluntário, propondo o não conhecimento do mesmo. Contudo, a despeito dos argumentos trazidos pelo recorrente e mesmo não os conhecendo, entendo que este Colegiado tem sim elementos suficientes para examinar o processo no seu mérito, mesmo tendo ocorrido a preclusão em relação ao contribuinte, alicerçado num dos especiais objetivos deste órgão julgador: a busca da Verdade Material. A busca da Verdade Material no recurso administrativo Habitualmente, em todos os ordenamentos que possuem em sua estrutura de Estado um Poder Judiciário, está a ideia de que o processo busca estabelecer se os fatos realmente ocorreram ou não. A Verdade dos fatos no processo é tema altamente problemático e produz inúmeras incertezas ao tentarse definir o papel da prova nesse contexto. A Verdade formal seria estabelecida no processo por meio das provas e dos procedimentos probatórios admitidos pela lei. De outra banda, a Verdade material é aquela ocorrida no mundo dos fatos reais, ou melhor, em setores de experiência distintos do processo, obtido mediante instrumentos cognitivos distintos das provas judiciais. Nesse contexto, não é difícil definir o que vem a ser a Verdade formal, pois é aquela obtida – repitase – mediante o uso dos meios probatórios admitidos em lei. O problema é conceituar a Verdade material, pois inicialmente chegamos ao seu conceito por mera exclusão. Qualquer outra “Verdade” que não a formal, é a material. A Verdade material, nesse sentido, admite outros meios de comprovação e cognição não admissíveis no âmbito do processo. Obedecidas as regras do ônus da prova e decorrida a fase instrutória da ação, cumpre ao juiz ter a reconstrução histórica promovida no processo como completa, considerando o resultado obtido como Verdade — mesmo que saiba que tal produto está longe de representar a Verdade sobre o caso em exame. Com efeito, as diversas regras existentes no Código de Processo Civil tendentes a disciplinar formalidades para a colheita das provas, as inúmeras presunções concebidas a priori pelo legislador e o sempre presente temor de que o objeto reconstruído no processo não se identifique plenamente com os acontecimentos verificados in concreto induzem a doutrina a buscar satisfazerse com outra “categoria de Verdade”, menos exigente que a Verdade material. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 19515.720523/201327 Acórdão n.º 1402002.512 S1C4T2 Fl. 323 9 É por isso que, ao admitir a adoção da Verdade material como Princípio regente do processo, os conceitos extraprocessuais tornamse importantes, sobretudo os filosóficos, epistemológicos, que buscam definir como podemos conhecer a Verdade. Mas não é só isso. A doutrina moderna tem reconhecido o chamado Princípio da Busca da Verdade Material, tornandoo relevante também para o Direito Processual, na medida em que algumas modalidades de processo supostamente admitem sua aplicação de forma ampla. Partese da premissa de que o processo civil, por lidar supostamente com bens menos relevantes que o processo penal, por exemplo, pode contentarse com menor grau de segurança, satisfazendose com um grau de certeza menor. Seguindo esta tendência, a doutrina do processo civil passou a dar mais relevo à observância de certos requisitos legais da pesquisa probatória (através da qual a comprovação do fato era obtida), do que ao conteúdo do material de prova. Passou a interessar mais a forma que representava a Verdade do fato do que se este produto final efetivamente representava a Verdade. Mas ainda assim, reconheciase a possibilidade de obtenção de algo que representasse a Verdade, apenas ressalvavase que o processo civil não estava disposto a pagar o alto custo desta obtenção, bastando, portanto, algo que fosse considerado juridicamente verdadeiro. Era uma questão de relação custobenefício entre a necessidade de decidir rapidamente e decidir com segurança; a doutrina do processo civil optou pela preponderância da primeira1. Nessa medida, a expressão “Verdade material”, ou outras expressões sinônimas (Verdade real, empírica etc.) são etiquetas sem significado se não estiverem vinculadas ao problema geral da Verdade. A doutrina moderna do direito processual vem sistematicamente rechaçando esta diferenciação2, corretamente considerando que os interesses, objeto da relação jurídica processual penal, por exemplo, não têm particularidade nenhuma que autorize a inferência de que se deva aplicar a estes métodos de reconstrução dos fatos diverso daquele adotado pelo processo civil. Se o processo penal lida com a liberdade do indivíduo, não se pode esquecer que o processo civil labora também com interesses fundamentais da pessoa humana pelo que totalmente despropositada a distinção da cognição entre as áreas. Na doutrina brasileira não faltam críticas para a adoção da Verdade formal, especialmente no processo civil. Boa parte dos juristas desse movimento, entende que desde o final do século XIX não é mais possível ver o juiz como mero expectador da batalha judicial, em razão de sua colocação eminentemente publicista no processo (processo civil inserido no direito público), conhecendo de ofício circunstâncias que até então dependia da alegação das partes, dialogando com elas e reprimindo condutas irregulares.3 Outro aspecto que dificulta ainda mais uma solução para o problema é o fato de que a única Verdade que interessa é aquela ditada pelo juiz na sentença, já que fora do processo não há Verdade que interesse ao Estado, à Administração ou às partes. A Verdade no seu conteúdo mais amplo é excluída dos objetivos do processo, em particular do processo civil. José Manoel de Arruda Alvim Netto aponta que o Juiz sempre deve buscar a Verdade, mas o legislador não a pôs como um fim absoluto no Processo civil. O que é 1 Vejase: Sergio Cruz Arenhart e Luiz Guilherme Marinoni (Comentários… Op. Cit. p. 56.) 2 TARUFFO, Michele. La prova dei fatti giuridice. Milão: Giufrè, 1992. p.56 3 Neste sentido Antonio Carlos de Araújo Cintra, Ada Pelegrini Grinover e Candido Rangel Dinamarco. (Teoria Geral do Processo. 26 ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 70). Fl. 702DF CARF MF 10 suficiente para a validade da eficácia da sentença passa ser a verossimilhança dos fatos4. O jurista reconhece a Verdade formal no processo civil, mas salienta que quando a demanda tratar de bens indisponíveis, “...procurase, de forma mais acentuada, fazer com que, o quanto possível, o resultado obtido no processo (Verdade formal) seja o mais aproximado da Verdade material...” Diante do reconhecimento de tal diferenciação (Verdade material versus Verdade formal), ao mesmo tempo se reconhece que, em determinadas áreas do processo, a Verdade material é almejada com mais afinco que em outras. Naquelas áreas em que se considera a Verdade material essencial para a solução da controvérsia, se diz que o Princípio da Verdade Material rege a causa. O Princípio da Verdade Formal, por outro lado, rege o Processo em que não se considera essencial a busca da Verdade real, contentandose portanto com a verossimilhança ou a probabilidade. Dejalma de Campos, afirma que pelo Princípio da Verdade Material, o magistrado deve descobrir a Verdade objetiva dos fatos, independentemente do alegado e provado pelas partes, e pelo Princípio da Verdade formal, o juiz deve dar por autênticos ou certos, todos os fatos que não forem controvertidos.5 A predominância da busca da Verdade material no âmbito do direito administrativo fica evidenciada nas palavras de Celso Antonio Bandeira de Mello, quando afirma: Nada importa, pois, que a parte aceite como verdadeiro algo que não o é ou que negue a veracidade do que é, pois no procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte ou pelas partes, a administração deve sempre buscar a Verdade substancial.6 Paulo Celso Bergston Bonilha ressalta que o julgador administrativo não está adstrito as provas e a Verdade Formal constante no processo e das provas apresentadas pelo contribuinte. Segundo ele, outras provas e elementos de conhecimento público ou que estejam de posse da Administração podem ser levados em conta para a descoberta da Verdade.7 Ainda no âmbito do direito administrativo, há aplicação ampla do Princípio da Verdade material, mesmo que com outras denominações. Hely Lopes Meirelles chama de Princípio da Liberdade de Prova aquele em que a administração tem o poderdever de conhecer de toda a prova de que tenha conhecimento, mesmo que não apresentada pelas partes litigantes. Hely Lopes salienta que no processo judicial o juiz cingese às provas indicadas, e no tempo apropriado, enquanto que no processo administrativo a autoridade processante pode conhecer das provas, ainda que produzidas fora do processo, desde que sejam descobertas e trazidas para este, antes do julgamento final8. 4 Manual de Processo Civil. 14 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011. p. 932. 5 Lições do processo civil voltado para o Direito Tributário. In O processo na constituição. Coord . Ives Gandra da Silva Martins e Eduardo Jobim. São Paulo: Quartier Latin, 2008. p. 691. 6 Curso de Direito administrativo. 26 ed. rev. ampl. São Paulo: Malheiros, 2009. p. 497. O autor se socorre da definição de Hector Jorge Escola, para quem o Princípio da Verdade Material consiste na busca daquilo que é realmente a Verdade independentemente do que as partes hajam alegado ou provado. 7 BONILHA. Paulo Celso Bergstrom. Da prova no processo administrativo tributário. 2 ed. São Paulo: Dialética, 1997. p. 76. 8 Direito Administrativo Brasileiro. 14 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1989. p. 584. Em outra passagem da obra, o autor classifica o processo administrativo com base em duas espécies: o disciplinar e o tributário. Segundo ele, ambos, mesmo que usualmente tratados pela doutrina separadamente, possuem o mesmo núcleo de Princípios. Hely Lopes Meirelles faleceu Agosto de 1990. Sua obra passou a ser atualizada por outras pessoas e Fl. 703DF CARF MF Processo nº 19515.720523/201327 Acórdão n.º 1402002.512 S1C4T2 Fl. 324 11 Constatase dessa exposição inicial que temos dois extremos, no que tange a aplicação concreta do principio da busca da verdade material: de um lado a liberdade de prova (já admitida em outros julgados por este Colegiado); de outro lado a ausência de Preclusão. Entendo que, se o que caracteriza a busca da verdade material é a possibilidade de o julgador (administrativo, no caso), a qualquer tempo, buscar elementos – de fato e de direito – que o convençam para julgar corretamente, independentemente do que foi trazido pelas partes no curso do processo, então mais razão para que qualquer das partes também traga ao processo, elementos de fato e de direito, em qualquer momento processual. Neste exato sentido, já me manifestei anteriormente em trabalho acadêmico publicado. (Verdade Material no Direito Tributário. São Paulo: Ed. Malheiros, 2013) É bom lembrar que a preclusão, enquanto modalidade de decadência lato senso, isto é, perda de um direito pelo decurso do tempo (direito de manifestarse no processo) é regra meramente processual, infraconstitucional. Com isso quero dizer que não se pode, por exemplo, mitigar institutos constitucionais, tais como a decadência (stricto senso), a prescrição, a coisa julgada, o ato jurídico perfeito etc. Mas, em se tratando de normas de nível de lei ordinária, deve prevalecer, como o próprio nome já diz: o PRINCÍPIO (da verdade material, no caso). Ademais, a Lei Geral do Processo Administrativo Federal LGPAF (Lei Federal 9.784/99), reconhece implicitamente o principio em mais de uma passagem de seu texto, das quais destaco uma, particularmente aplicável ao caso concreto: “Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: I fora do prazo; II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. § 1o Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. § 2o O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. ” Destaco o parágrafo segundo acima. Vejase que por “preclusão administrativa” deve ser entendido como a chamada “coisa julgada administrativa”, i. e., exceção aplicável apenas no caso do inciso IV, posto que, se não há mais processo, a autoridade julgadora não tem mais competência para tratar o tema. Vejase que o parágrafo primeiro dá outra solução também ao inciso II, privilegiando outro principio, conhecido por fungibilidade e informalismo. encontrase na sua 33ª edição. Sem qualquer demérito a estes juristas, procuramos aqui refletir a opinião autêntica do autor, mediante consulta a edição imediatamente anterior a sua morte (julho de 1989), sobre um tema de cunho Princípiológico que, aliás, ultrapassa as barreiras da legislação alterada posteriormente. Fl. 704DF CARF MF 12 Se, por uma hipótese, o parágrafo não fosse aplicável nos casos de perda de prazo processual, restaria apenas o “exame de oficio” para o caso de parte ilegítima (inciso III) o que faria o parágrafo perder completamente seu sentido. Há uma clara antinomia em relação ao disposto no artigo 17 do decretolei 70.235|72, posto que no artigo 63 acima não consta a falta de inclusão na impugnação como causa de preclusão contra o contribuinte. Na minha opinião, a LGPAF deveria ser aplicável, em razão da sua novidade, mas mesmo para aqueles que entendem que prevalece o “Decreto” por ser norma especial, não há antinomia em relação ao parágrafo segundo. Com isso quero dizer que, mesmo admitindo que o recurso pudesse ser não conhecido, este conselho de forma alguma está impedido de analisar livremente o tema, coincidente ou não com o argumento trazido no recurso. Finalmente, outra passagem da LGPAF deixa evidente o alcance do principio da busca da verdade material, seja para a instrução probatória, seja para elementos de interpretação da lei vigente, verbis: “Art. 65. Os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada.” Este dispositivo é aplicável a favor do administrado, pois não poderá tal revisão resultar em agravamento da sanção, bem como deve respeitar os institutos constitucionais de decadência, prescrição etc., mas evidencia sem duvida a busca da verdade material. Ora, se este Conselho pode, por iniciativa própria, acolher a outros aspectos de fato ou de direito, não necessariamente trazidos ao processo pelas partes, perguntase por que então as partes (fisco ou contribuinte) também não podem, se o objetivo desta esfera de julgamento é um só para todos: a verdade!! Em conclusão, entendo que o julgador, uma vez não conhecendo do recurso, não tem obrigação de analisar todos os itens de defesa manejados no recurso, mas tem obrigação de verificar a legalidade do lançamento por sua livre averiguação, evitando a supressão de instancia, considerados os limites da matéria posta em julgamento. Diante do exposto, ilustres conselheiros, mesmo não conhecendo do Recurso Voluntário, na forma do Voto do colega relator, ainda assim, voto pela verificação da legalidade do lançamento que constitui o presente processo, inclusive com eventual resolução para a realização de diligencias nesse sentido, se fosse o caso, realizando assim o competente controle de legalidade do lançamento, em atendimento ao principio da busca da Verdade Material. É a declaração de voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 705DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.901131/2009-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/12/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.659
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 11 31 /2 00 9- 06 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13558.901131/200906 Acórdão n.º 3201002.659 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.466. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13558.901131/200906 Acórdão n.º 3201002.659 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13558.901131/200906 Acórdão n.º 3201002.659 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720262/2014-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009,2010
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXERCÍCIO. DEDUTIBILIDADE.
A faculdade para pagamento ou crédito de JCP deve ser exercida no ano-calendário de apuração do lucro real, estando a dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes restrita aos juros relativos ao ano da referida apuração, sem incluir encargos de períodos anteriores por força do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência, que no plano da contabilidade fiscal caracteriza-se como regime de competência.
INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. DESCONTOS CONCEDIDOS PARA O RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. CONTRATOS DE CESSÃO.
As perdas registradas pela Instituição Financeira oriundas de descontos acordados no âmbito do seu esforço para o recebimento dos créditos, caracteriza estas operações como decorrentes da sua atividade principal. A concessão dos descontos como forma de recuperação dos seus ativos financeiros representa prática empresarial normal e usual de mercado. Tais dispêndios reúnem as condições para dedução como despesas operacionais na determinação do lucro real.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009,2010
LANÇAMENTO REFLEXO.
Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estende-se ao lançamento reflexo o decidido no lançamento matriz
Numero da decisão: 1402-002.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário: i) por maioria de votos para cancelar integralmente a exigência referente à glosa de despesas com perdas na cessão de créditos. Vencido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone que votou por manter a exigência. Designado o Conselheiro Demetrius Nichele Macei para redigir o voto vencedor nessa matéria; e: ii) por unanimidade de votos, para reduzir o valor tributável em relação à glosa despesas com juros sobre capital próprio no ano-calendário de 2009 ao montante de R$ 1.278.831,02; e cancelar integralmente essa mesma exigência referente ao ano-calendário de 2010.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009,2010 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXERCÍCIO. DEDUTIBILIDADE. A faculdade para pagamento ou crédito de JCP deve ser exercida no ano-calendário de apuração do lucro real, estando a dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes restrita aos juros relativos ao ano da referida apuração, sem incluir encargos de períodos anteriores por força do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência, que no plano da contabilidade fiscal caracteriza-se como regime de competência. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. DESCONTOS CONCEDIDOS PARA O RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. CONTRATOS DE CESSÃO. As perdas registradas pela Instituição Financeira oriundas de descontos acordados no âmbito do seu esforço para o recebimento dos créditos, caracteriza estas operações como decorrentes da sua atividade principal. A concessão dos descontos como forma de recuperação dos seus ativos financeiros representa prática empresarial normal e usual de mercado. Tais dispêndios reúnem as condições para dedução como despesas operacionais na determinação do lucro real. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009,2010 LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estende-se ao lançamento reflexo o decidido no lançamento matriz
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FACULDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXERCÍCIO. DEDUTIBILIDADE. A faculdade para pagamento ou crédito de JCP deve ser exercida no ano calendário de apuração do lucro real, estando a dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes restrita aos juros relativos ao ano da referida apuração, sem incluir encargos de períodos anteriores por força do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência, que no plano da contabilidade fiscal caracterizase como regime de competência. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. DESCONTOS CONCEDIDOS PARA O RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. CONTRATOS DE CESSÃO. As perdas registradas pela Instituição Financeira oriundas de descontos acordados no âmbito do seu esforço para o recebimento dos créditos, caracteriza estas operações como decorrentes da sua atividade principal. A concessão dos descontos como forma de recuperação dos seus ativos financeiros representa prática empresarial normal e usual de mercado. Tais dispêndios reúnem as condições para dedução como despesas operacionais na determinação do lucro real. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009,2010 LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendese ao lançamento reflexo o decidido no lançamento matriz Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 02 62 /2 01 4- 55 Fl. 820DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 821 2 Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário: i) por maioria de votos para cancelar integralmente a exigência referente à glosa de despesas com perdas na cessão de créditos. Vencido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone que votou por manter a exigência. Designado o Conselheiro Demetrius Nichele Macei para redigir o voto vencedor nessa matéria; e: ii) por unanimidade de votos, para reduzir o valor tributável em relação à glosa despesas com juros sobre capital próprio no anocalendário de 2009 ao montante de R$ 1.278.831,02; e cancelar integralmente essa mesma exigência referente ao ano calendário de 2010. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (presidente). Fl. 821DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 822 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 10ª Turma da DRJ/SPO, em sessão de 21 de maio de 2015 (fls. 499/530)1, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada perante aquela Turma Julgadora e de Recurso de Ofício manejado pela mesma Turma em razão do crédito tributário exonerado suplantar o limite de alçada previsto na legislação, em Acórdão assim ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 PERDAS COM CESSÃO DE CRÉDITOS. DESCARACTERIZAÇÃO DO TRATAMENTO DE DESPESAS OPERACIONAIS. O disciplinamento estabelecido pela Lei nº 9.430/96 assume um caráter de norma especial em relação às normas gerais de dedução de despesas existentes no Direito Tributário, de sorte que às perdas em cessão de crédito são aplicáveis as normas específicas dos arts. 9º a 12 da Lei nº 9.430/96. PREJUÍZO FISCAL. LIMITE LEGAL DE 30% NA COMPENSAÇÃO. REDUÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL. OPÇÃO EM DIPJ. O Lucro Real pode ser compensado em até 30%, comprovada a existência de prejuízo fiscal que suporte tal redução, à opção da contribuinte na DIPJ. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. BASE DE CÁLCULO. LIMITES LEGAIS DE DEDUÇÃO. LEGISLAÇÃO FISCAL. O montante de juros sobre capital próprio, bem como os limites legais de dedução, devem ser apurados de acordo com a lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010 DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao IRPJ aplicase à CSLL dele decorrente. BASE NEGATIVA DE CSLL. LIMITE LEGAL DE 30% NA COMPENSAÇÃO. REDUÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL. OPÇÃO EM DIPJ. A base de cálculo da CSLL pode ser compensada em até 30%, comprovada a existência de base negativa que suporte tal redução, à opção da contribuinte na DIPJ ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 822DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 823 4 AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, válidos são os autos de infração. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, exceto se a impugnante demonstrar, via requerimento à autoridade julgadora, a ocorrência das condições previstas na legislação para apresentação de provas em momento posterior. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte DA ACUSAÇÃO FISCAL Conforme TVF de fls. 218/235, resumido pela decisão recorrida, foram estas as imputações feitas pelo Fisco à ora recorrente: “I) DESPESAS INDEDUTÍVEIS: PREJUÍZO NA CESSÃO DE CRÉDITO Em análise da documentação apresentada pela contribuinte relativa à despesa de operações de crédito – conta 8.1.9.50.0000.30002 do grupo Outras Despesas Operacionais, a fiscalização verificou que a contribuinte contabilizou, no ano calendário 2009, prejuízo em cessão de crédito no montante de R$19.208.528,43, o qual foi levado ao resultado do exercício em 31/12/2009, conforme dados do razão da referida conta, a seguir: Em vista disso, a contribuinte foi intimada a apresentar a documentação relativa aos lançamentos a seguir: Em resposta, a contribuinte apresentou demonstrativo contendo dados referentes às operações de cessão de créditos, cujo resumo transcrevese a seguir: Fl. 823DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 824 5 Os créditos cedidos que a contribuinte possuía em seu ativo eram contratos de financiamento cujo devedor era a VDL Siderurgia Ltda (VDL) e estão listados a seguir: A VDL firmou com a contribuinte contrato de financiamento com repasse de recursos externos na forma do Decreto nº 6.306/2007, comprometendose a aplicar os recursos obtidos na exportação e/ou produção de bens para exportação, conforme contrato de financiamento mediante repasse de recursos externos em moeda estrangeira (fls. 5162). Tais empréstimos contraídos junto à contribuinte pela VDL vinculavamse a operações de exportação de seus produtos siderúrgicos. Intimada a comprovar os recebimentos dos valores em tela, a VDL apresentou extratos contendo a contabilização dos empréstimos liberados pela contribuinte, cujos lançamentos foram efetuados a crédito da conta corrente 653500. Todavia, a VDL não apresentou nenhum comprovante de liquidação desses empréstimos. Posteriormente, referidos créditos foram cedidos pela contribuinte, a título oneroso, ao Banco Rural S/A, conforme contratos de cessão de créditos nº 2090109 e 2090209 (fls.4550). Conforme a contribuinte informou às fls.126, os referidos créditos cedidos à VDL não foram protestados nem executados. Nesse passo, a contribuinte apurou um prejuízo da ordem de R$19.208.528,43 na operação de cessão de crédito ao Banco Rural, e deduziu esse valor na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2009. Porém, o art.299 do RIR/99 e o art.13 da Lei nº 9.249/95 estabelecem que uma despesa, para ser dedutível, deve ser necessária, usual e comprovada. Analisandose a operação de cessão de créditos com apuração de prejuízo realizada pela contribuinte junto ao Banco Rural, verificase que não é uma operação normal nem usual da uma instituição financeira, pois foi a única operação desse tipo registrada no ano em suas demonstrações financeiras. Também não é uma operação necessária, pois a cessão de crédito envolveu 2% do valor de face do título de crédito cedido. Por sua vez, as perdas em operações de crédito são reguladas pela Lei nº 9.430/96, arts.9º e 10º, que estabelecem condições de tempo, valor e ações de cobrança para que as despesas sejam dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Repitase Fl. 824DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 825 6 que não houve ação de cobrança administrativa ou judicial junto à VDL para recebimento do crédito, como determina a legislação tributária. Concluise que tal prejuízo não apresenta os requisitos legais previstos em lei para dedução na apuração do IRPJ e da CSLL, devendo ser constituído o crédito tributário pela glosa de despesas de cessão de crédito. II) EXCESSO DE JUROS PAGOS A TÍTULO DE REMUNERAÇÃO DO CAPITAL PRÓPRIO Em 21/09/12 a contribuinte enviou demonstrativo relativo ao cálculo do pagamento da TJLP referente ao 4º trimestre de 2009, alterando demonstrativo encaminhado anteriormente à fiscalização. O novo demonstrativo consta a seguir: (...) Nesse novo demonstrativo foi incluído indevidamente o valor de R$31.070.080,50, a título de Lucros ou Prejuízos do 1º semestre de 2009, o que aumentou indevidamente a base de cálculo do JCP para o 4º trimestre de 2009. Tal procedimento não encontra amparo na legislação, conforme o art.9º da Lei nº 9.249/95; o art.178, §2º, “d”, da Lei nº 6.404/76; Parecer Normativo CST nº 20/87 e Processo de Consulta nº 95/2000. Além disso, conforme as Notas Explicativas às Demonstrações Financeiras dos Exercícios findos em 31/12/2009 e 31/12/2010 (fls.217) a instituição alterou o critério de registro dos benefícios relativos a participação nos lucros e resultados, resultando em ajustes a débito no patrimônio líquido, sendo R$11.278.000,00 relativos a períodos anteriores a 2009. Todavia, tal valor não foi considerado no demonstrativo enviado pela contribuinte, linha “Lucros ou Prejuízos Anteriores Encerrados”. A seguir, foi elaborado um novo Demonstrativo de cálculo do pagamento da TJLP referente ao 4º trimestre de 2009, considerando os referidos ajustes: (...) Assim, considerando que o valor de JCP lançado no anocalendário 2009 como despesa dedutível (conta 8.1.9.55.0000.10002) foi de R$51.284.168,16 (linha 53 da ficha 06B da DIPJ do período), houve um excesso de dedução de JCP no valor de R$1.969.585,96. O mesmo ocorreu no anocalendário 2010, em razão dos ajustes de exercícios anteriores mencionados nas referidas notas explicativas às demonstrações financeiras dos exercícios de 2009 e 2010, que alteraram os limites de dedução para o cálculo dos JCP no período. A seguir, transcrevese o demonstrativo da contribuinte para o cálculo do pagamento da TJLP relativo ao 2º trimestre de 2010: (...) Considerando os ajustes feitos pela contribuinte em suas demonstrações financeiras, a fiscalização efetuou os cálculos e elaborou os demonstrativos a seguir: (...) Fl. 825DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 826 7 Considerandose o maior dos limites calculados acima, de R$13.852.368,46, e os JCP pagos/creditados em 2010, no valor de R$22.246.757,76, conforme a linha 55 da ficha 06B da respectiva DIPJ e a conta 8.1.9.55.0000.10002 – Despesas de Juros ao CapitalTJLP, concluise que houve um excesso de dedução de JCP, reduzindo a base de cálculo do IRPJ e da CSLL em R$8.394.389,30 no anocalendário 2010. Pelo exposto, não foram respeitados os limites de dedução impostos pelo art.9º, §1º, da Lei nº 9.249/95, havendo excesso de pagamento/crédito de JCP nos anoscalendário 2009 e 2010, razão pela qual será constituído o crédito tributário sobre os valores a seguir: excesso de JCP pagos/creditados em 2009: R$1.969.585,96 excesso de JCP pagos/creditados em 2010: R$8.394.389,30 Os autos de infração constam às fls. 236255”. DA IMPUGNAÇÃO Segundo relatório da decisão recorrida (DRJ/SPO), a autuada apresentou peça impugnatória de fls. 263/298, e em essência alegou: a) em relação ao item 1 do auto de infração (glosa de perdas na cessão de créditos), não se trataria de dedução de perdas em operação de crédito (perdas presumidas), mas sim, de cessão de crédito realizada com deságio, prática comum e usual entre instituições financeiras, razão pela qual não deve prosperar a autuação; b) que é uma instituição financeira que tem por objeto a prática de operações ativas, passivas e acessórias e a prestação de serviços permitidos aos bancos múltiplos e inerentes às respectivas carteiras autorizadas (comercial, investimento e de crédito, financiamento e investimento, inclusive câmbio e administração de carteiras de títulos e valores mobiliários), conforme ata da Assembleia Geral Extraordinária de fls. 307308. Portanto, a negociação de créditos está contida em suas atividades normais e usuais. c) que as despesas dedutíveis são as operacionais, usuais, normais e necessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora, conforme o art.47 da Lei nº 4.506/64, reproduzido no art.299 do RIR/99, e Parecer Normativo (PN) nº 32/81; d) que a fiscalização analisou as operações sob a ótica do art.9º da Lei nº 9.430/96, quando, na verdade, as perdas se referem a prejuízos apurados pela impugnante na cessão de créditos a terceiros e que, no anocalendário 2009, a impugnante concedeu empréstimos à VDL, consoante Fl. 826DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 827 8 contratos firmados entre as partes e lançamentos do razão (fls. 369412 e 414–421); posteriormente, no exercício de suas atividades financeiras, a impugnante cedeu tais créditos ao Banco Rural por R$4.570.529,52, consoante contratos firmados em 25/11/2009 (fls.350 356), com os valores a seguir: e) que a alienação de seus direitos creditórios foi feita por valor inferior àquele registrado em seus livros contábeis, porque se tratava de créditos inadimplidos, cuja recuperação era incerta, razão pela qual seu valor de mercado era inferior ao montante nominal das dívidas; f) que, desta forma, a despesa deduzida de R$19.208.528,43 (principal mais juros e mora) não tem relação com perdas em operações de crédito previstas no art.9º da Lei nº 9.430/96, pois se trata de prejuízo apurado na alienação de créditos, conforme os lançamentos contábeis do livro Razão (fls.423430); g) perdas em cessão de créditos são normais e usuais no tipo de atividade da impugnante. Inclusive, a impugnante obteve prejuízos em cessões de créditos realizadas em anos anteriores. Por exemplo, em 2007 foi apurado prejuízo de R$10.467.644,28 em operação similar (fls.423430); h) Concluise que o valor de R$19.208.528,43 referese a perdas em cessão de créditos a terceiros, sendo despesas normais e necessárias da impugnante, eis que decorrente do exercício usual de suas atividades, e portanto, dedutíveis na forma do art.299 do RIR/99. i) Sobre o item 2 do auto de infração: (glosa de despesas com JCP), sustenta que a fiscalização glosou parte da despesa com JCP contabilizada pela impugnante nos anoscalendário 2009 e 2010 sob o argumento de que as bases de cálculo dos JCP creditados e pagos pela impugnante, bem como os respectivos limites para dedutibilidade, teriam sido impactados por ajustes realizados no patrimônio líquido em 2010; Fl. 827DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 828 9 j) que, no anocalendário 2009 a impugnante deliberou pelo pagamento de JCP a seus acionistas, apurandoo conforme o art.9º da Lei nº 9.249/95, com base em balanço patrimonial de 31/12/2009 e no resultado do 1º semestre de 2010; k) assim, a despesa de JCP deduzida nesse ano de 2009 foi de R$51.284.168,10, calculada de acordo com o patrimônio líquido de 31/12/2008, enquanto que no 1º semestre de 2010 foi aproveitada uma despesa com JCP no valor de R$22.246.757,76 apurada com base no patrimônio líquido de 31/12/2009; l) que, após a distribuição dos JCP apurados no anocalendário 2009 e no 1º semestre de 2010, a impugnante revisou os critérios de precificação e marcação a mercado de certos ativos e alterou o critério de registro dos benefícios relativos a participação nos lucros e resultados. m) tais acertos resultaram em ajustes realizados a débito no patrimônio líquido em 2010, não impactando as demonstrações financeiras utilizadas como base para os referidos pagamentos de JCP em 2009 e 2010. Entretanto, a fiscalização entendeu que os referidos ajustes contábeis teriam alterado as bases de cálculo e os limites de dedução dos JCP, e lavrou os autos de infração em descompasso com a legislação de regência, razão pela qual devem ser cancelados, como se demonstrará a seguir. Do Regime jurídico dos JCP; n) a dedução dos JCP consta do art.9º da Lei nº 9.249/95 e art.88 da Lei nº 9.430/96, tornando possível às empresas deduzirem da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores correspondentes à remuneração do capital disponibilizado pelos seus acionistas, mediante a aplicação da TJLP sobre contas do patrimônio líquido; o) JCP constituem modalidade de distribuição de resultados aos sócios ou acionistas, diferenciandose dos lucros e dividendos apenas pelo regime tributário especial que faculta sua dedução como despesa na apuração do IRPJ e da CSLL, observados certos limites; p) a própria legislação tributária admite que os JCP sejam imputados ao valor dos dividendos obrigatórios, corroborando o entendimento de que aqueles possuem natureza próxima a estes; q) assim, os JCP não têm natureza de juros propriamente ditos, pois seu pagamento não decorre de operação de crédito, e seu Fl. 828DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 829 10 cálculo não é sobre contas do passivo exigível, mas sim sobre o patrimônio líquido, reforçando sua natureza de distribuição de resultados; r) a circunstância de os JCP serem calculados com base na TJLP não altera sua natureza. A TJLP é aplicada sobre as contas do patrimônio líquido, funcionando como um limitador do valor máximo distribuído de JCP cuja dedutibilidade é admitida. Da apuração e pagamento dos JCP: dedutibilidade para fins de IRPJ e de CSLL s) JCP são calculados com base no patrimônio líquido, excetuandose as contas de reserva de reavaliação de bens e direitos, reserva de reavaliação capitalizada e ajustes de avaliação patrimonial; t) definida a base de cálculo dos JCP, a taxa utilizada para remunerar o capital deve se limitar à variação, pro rata dia, da TJLP, para fins de dedutibilidade no cálculo do IRPJ e da CSLL; u) por fim, o pagamento ou crédito dos JCP fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos próprios JCP, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor do dobro dos JCP a serem pagos/distribuídos. Das despesas com JCP apuradas no anocalendário de 2009 v) a fiscalização também reduziu, indevidamente, os limites de dedutibilidade para o cálculo dos JCP apurados no 1º semestre de 2010; todavia, a dedução da despesa de JCP de R$22.246.757,76 respeitou os limites legais. Com base nas informações do demonstrativo de cálculo dos JCP de 2010 (fls.462), elaborouse as planilhas a seguir: w) (...) x) a despesa de JCP contabilizada pela impugnante no anocalendário 2009 foi de R$51.284.168,16 (fls.436447), dentro dos limites legais e, portanto, dedutível da apuração do IRPJ e da CSLL; y) após a distribuição dos JCP, a empresa revisou os registros de alguns ativos que foram reconhecidos a maior em 2009 e 2010, realizando ajustes contábeis nesses períodos, conforme Notas Explicativas às Demonstrações Financeiras, Fl. 829DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 830 11 Exercícios Findos em 31/12/2008, 31/12/2009 e 31/12/2010 (fls. 449453); z) a fim de ajustar a contabilidade, a impugnante creditou a conta “Ativo Realizável a Longo Prazo – Instrumentos Financeiros derivativos” contra a conta de patrimônio líquido relativa a “Ajustes de Exercícios Anteriores”,sem republicação de suas demonstrações financeiras; aa) destaquese que a correção ocorreu a título de “Ajustes de Exercícios Anteriores”, não havendo impacto no resultado de 2008; todavia, a fiscalização entendeu que tal ajuste reduziu em R$11.278.000,00 a base de cálculo dos JCP calculados com base no patrimônio líquido apurado no balanço de 31/12/2008; bb) entretanto, conforme o art.186, § 1º, da Lei nº 6.404/76, são contabilizados como ajustes de exercícios anteriores aqueles realizados em razão dos efeitos de mudança de critério contábil ou para retificar erro imputável a exercício anterior; tais ajustes de exercícios anteriores devem, pelo art.186, § 1º, da Lei nº 6.404/76, ser realizados na conta de Resultados Acumulados, não impactando o resultado do exercício a que se referem; cc) nessa linha o procedimento da impugnante de, alterados os critérios de precificação e marcação a mercado de alguns ativos, efetuar o lançamento na conta de patrimônio líquido, sem modificação do resultado e do balanço do ano de 2008; dd) portanto, o patrimônio líquido de 2008, utilizado no cálculo dos JCP a distribuir em 2009, não sofreu modificação, embora tenha havido a posterior mudança de critérios contábeis; se tal mudança demandasse a reabertura dos lançamentos de 2008, a parcela de JCP distribuída em 2009 não seria dedutível integralmente; no entanto, a própria Lei nº 6.404/76 estabelece que os resultados de períodos anteriores não são impactados por modificações de critérios contábeis ou correção de erro a eles imputáveis, na medida em que os ajustes devem se dar diretamente à conta de patrimônio líquido; ee) vêse, portanto, a dedutibilidade dos JCP de 2009 calculados conforme o resultado apurado, que se manteve inalterado, pois os ajustes contábeis feitos em 2010 não modificaram o montante de JCP dedutíveis; ff) assim, a redução do valor do patrimônio líquido de 2008 no valor de R$11.278.000,00 perpetrada pela fiscalização é descabida, pois o ajuste contábil ocorreu após a Fl. 830DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 831 12 distribuição dos JCP (consoante a Lei nº 6.404/76) e a despesa foi determinada com base nas Demonstrações Financeiras à época da apuração dos JCP; gg) a fiscalização alega ainda que a impugnante incluiu indevidamente no cálculo dos JCP o valor de R$31.070.080,50 a título de Lucros ou Prejuízos do 1º semestre de 2009; hh) todavia, o art.9º da Lei nº 9.249/95 não veda a inclusão do lucro auferido no período na base de cálculo dos JCP. Notese que o estatuto da impugnante estabelece balanços semestrais, admitindo a distribuição de lucros intercalares, com base nessas demonstrações contábeis; ii) do exposto, o lucro apurado com base em levantamento de balanço intermediário compõe o patrimônio líquido da sociedade, inclusive para apuração do JCP a ser distribuído. Das despesas com JCP apuradas no anocalendário de 2010 jj) com base nas informações do demonstrativo de cálculo dos JCP de 2010 (fls.434), elaborouse as planilhas a seguir: kk) (...) ll) conforme o demonstrativo, a despesa de JCP de R$22.246.757,76 está dentro do limite de 50% do saldo de lucros acumulados e reservas de lucros de R$42.318.687,72; mm) ocorre que a fiscalização imputou os ajustes no patrimônio líquido realizados no balanço de 2010, no valor de R$87.607.968,64, no resultado do anocalendário 2009. Com isso, o saldo de lucros acumulados em 2009 (R$43.667.874,86) foi desconsiderado, pois após os ajustes realizados pela fiscalização a conta apresentou saldo devedor, havendo um prejuízo acumulado de R$24.552.940,00; por conseguinte, a parcela dos JCP referentes ao 1º semestre de 2010 se tornou indedutível, conforme o quadro a seguir (R$): nn) todavia, em razão de a correção ter se dado a título de “Ajustes de Exercícios Anteriores”, não houve qualquer impacto no Fl. 831DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 832 13 resultado do ano de 2009, pois o balanço patrimonial de 31/12/2009 restou intacto. O lucro de 2009, utilizado no cálculo dos JCP a distribuir em junho de 2010, não sofreu modificação, embora tenha havido a mudança de critérios contábeis; oo) ressaltese que o balancete de maio apresentava resultado suficiente para a dedutibilidade dos JCP, eis que a retificação do resultado se realizara posteriormente; pp) por outro lado, se o “Ajuste de Exercícios Anteriores” realizado em 2010 impactasse o resultado do anocalendário de 2009, restaria à impugnante o direito de pleitear os valores recolhidos a maior a título de IRPJ e de CSLL, no total de R$15.331.394,51 conforme quadros de fls. 293294; qq) ademais, em virtude da redução do Lucro Real antes da Compensação, ocasionando menor compensação de prejuízo na DIPJ (quadro de fls. 294), o estoque de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL deveriam ser recompostos no montante de R$26.282.390,59 para utilização em períodos posteriores; rr) assim, não procede a glosa referente ao excesso de JCP, ou, pelo mesmo motivo, a autoridade administrativa deveria reconhecer de ofício os referidos créditos de IRPJ e de CSLL. Da incorreta apuração do IRPJ e da CSLL ss) a fiscalização deduziu valores de prejuízo na cessão de créditos e do suposto excesso de JCP do Lucro Real, quando deveria têlo deduzido do lucro líquido. Assim, a base do lançamento está incorreta, o que implica sua nulidade; tt) conforme quadros de fls.296, a fiscalização computou, no anocalendário 2009, a parcela glosada de R$21.178.114,39 no Lucro Real, ocasionando uma diferença de IRPJ de R$5.294.528,59. Porém, ao adicionar aquela parcela ao lucro líquido, a diferença de IRPJ cairia para R$3.706.170,01; uu) deste modo, o lançamento foi equivocadamente constituído, pois o montante lançado, se devido fosse, não corresponderia ao efetivamente devido. Por conta disso, é nulo o lançamento por vício material no cálculo do montante do tributo, na forma do art.142 do CTN. Do pedido vv) requer o cancelamento dos autos de infração ou, ao menos, se aceita a tese da fiscalização quanto aos efeitos dos ajustes no Fl. 832DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 833 14 patrimônio líquido, que se reconheçam os créditos de IRPJ e de CSLL. DA DECISÃO RECORRIDA Analisando o litígio, a 10ª Turma da DRJ/SPO, depois de afastar as preliminares de nulidade, decidiu prover a impugnação na parte em que suscitou o reconhecimento da compensação de prejuízos e bases negativas acumuladas, assentando que, “considerando que consta saldo de prejuízo fiscal/base negativa de CSLL a compensar no sistema eletrônico da RFB Sapli (fls. 474483), deve ser deferida a compensação de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL pretendida pela defendente. Ressalvese, porém, que as bases tributáveis apuradas pela fiscalização nos autos de infração em tela estão corretas; o que se faz, neste voto, é aproveitar o saldo de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL que a empresa detém”. Essa parte da decisão foi, inclusive, o que produziu o recurso de ofício que se apreciará adiante. Quanto às infrações apontadas pelo Fisco, a DRJ fundamentou assim sua decisão: “Das despesas com prejuízo na cessão de crédito A impugnante alega que não se trataria de dedução de perdas em operação de crédito, mas sim, de cessão de crédito realizada com deságio, o que seria prática comum em instituições financeiras, e estaria contida em suas atividades normais e usuais, inclusive já tendo sido apurado prejuízo em operação similar no ano de 2007. Segundo a impugnante, a fiscalização teria analisado as operações aplicando o art.9º da Lei nº 9.430/96, mas as perdas se refeririam a prejuízos apurados na cessão de crédito a terceiros. A respeito dessas alegações, deve ser observado que as despesas passíveis de dedução são as operacionais, assim definidas pelo art. 299 do RIR, a seguir: (...) Deve ser notado que a impugnante não promoveu protestos/execução contra o devedor (VDL Siderurgia) para os contratos de financiamento em comento (fls.126), aceitando, por liberalidade, a inadimplência para os referidos contratos. Posteriormente, aceitou receber pelos mesmos créditos – vencidos e não pagos, conforme contratos de fls. 4550 – uma quantia inferior ao valor original dos financiamentos. Ora, não se pode aceitar como usual e necessário que uma empresa, por liberalidade, deixe de promover todos os meios de que dispõe, inclusive o protesto/execução judicial da dívida, para a cobrança de créditos inadimplidos. O fato de abdicar do direito de exigir o cumprimento total de uma obrigação é um ato de vontade própria da impugnante, porém cuja correspondente perda financeira não é prevista pela legislação como despesa operacional dedutível. Fl. 833DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 834 15 Tampouco se pode concordar que seja necessário à manutenção da empresa conceder financiamentos para depois ceder os créditos a terceiros por um valor inferior ao valor original de financiamento. (...) Assim, a cessão de créditos, por si só, não configura hipótese legal de exclusão do Lucro Real de perdas no recebimento de créditos. Por sua vez, a dedutibilidade desses créditos como despesa operacional, para fins fiscais, deve obedecer a normatização específica da matéria, constante dos arts. 9º a 12 da Lei n° 9.430/96, dos quais transcrevese a seguir parte dos arts. 9º e 10: (...) Ressaltese que inexistem outras regras no quadro normativo fiscal vigente que disciplinem a dedutibilidade de perdas no recebimento de créditos de forma mais específica e caracterizada como as contidas nos artigos da Lei 9.430/96. As demais, ou são normas de caráter geral, como a do artigo 299 do RIR/99, que define as despesas operacionais como aquelas usuais, normais e necessárias à atividade da empresa, e, assim, dedutíveis, ou são normas que regulam a dedução de despesas diferentes daquelas aqui discutidas. A propósito de a impugnante alegar impossibilidade de aplicação dos dispositivos da Lei nº 9.430/96 ao caso, a doutrina aponta os critérios para dirimir a questão, dentre os quais se destaca o critério da especialidade, conforme os ensinamentos de Luiz Regis Prado (in Curso de Direito Penal Brasileiro, São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005, p.231): (...) Assim, no caso concreto, o disciplinamento estabelecido pelos artigos 9º a 12, da Lei nº 9.430/96 assume um caráter de norma especial, em relação às normas gerais de dedução de despesas existentes no Direito Tributário. As normas específicas, contidas nos mencionados artigos 9º ao 12 da Lei 9.430/96, de dedução de despesas com perdas no recebimento de crédito, aplicadas pela autoridade lançadora, estão harmonizadas com o comando do artigo 299 do RIR/99, de caráter geral, que as considera despesas operacionais da empresa. (...) Ora, a situação em exame referese a descontos concedidos pelo autuado em operações de renegociação de crédito, para viabilizar o recebimento de dívidas vencidas (conforme contratos de cessão de crédito acostados aos autos), tendo sido reconhecido tais descontos como perdas, e lançados como despesa no resultado do anocalendário 2009. Tal hipótese corresponde com exatidão à hipótese legal prevista na Lei 9.430/96, isto é, perda no recebimento de créditos. Impõese, então, que Fl. 834DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 835 16 a dedutibilidade das despesas correspondentes às perdas seja regulada pelos referidos artigos da Lei 9.430/96, o que não foi observado pelo autuado. Portanto, equivocada a posição da impugnante em defender que as normas contidas nos artigos 9º ao 12 da Lei 9.430/96 não teriam aplicação ao caso em exame. Sendo assim, restam corretos os lançamentos atacados. Das despesas de juros sobre o capital próprio (JCP) A impugnante afirma que a dedução de despesas a título de JCP estaria dentro dos limites legais, alegando, para a dedução ocorrida no ano calendário 2009, que o ajuste de R$11.278.000,00 se referiria a exercícios anteriores, sem impacto no resultado do exercício, a teor do art.186, § 1º, da Lei nº 6.404/76, e teria sido feito após a distribuição dos JCP, os quais teriam sido determinados com base em demonstrações financeiras da época de apuração. Além disso, alega que o art.9º da Lei nº 9.249/95 não vedaria a inclusão dos Lucros ou Prejuízos do 1º semestre de 2009, no valor de R$31.070.080,50, na base de cálculo dos JCP. A respeito dessas alegações, frisese que para o cálculo dos JCP são consideradas exclusivamente as contas do patrimônio líquido a seguir, conforme o art.9º, § 8º, da Lei nº 9.249/95: I capital social; II reservas de capital; III reservas de lucros; IV ações em tesouraria; e V prejuízos acumulados. Notese que o lucro do próprio períodobase não é computado como integrante do patrimônio líquido desse período, haja vista que o objetivo dos juros sobre o capital próprio é remunerar o capital pelo tempo em que este ficou à disposição da empresa. O Parecer Normativo CST nº 20/87 aponta que o lucro líquido que servirá de base para determinação do lucro real de cada períodobase deve ser apurado segundo os procedimentos usuais da contabilidade, inclusive com o encerramento das contas de resultado. Consoante esse Parecer, tal apuração exige a transferência dos saldos das contas de receitas, custos e despesas para uma conta única de resultado, passando a integrar o patrimônio líquido com o encerramento do períodobase, mediante lançamentos para contas de reservas e de lucros ou prejuízos acumulados. Assim, no que diz respeito ao resultado do próprio período de apuração, este somente será computado no patrimônio líquido que servirá de base de cálculo dos juros sobre o capital próprio após a sua transferência para as contas de reservas ou de lucros ou prejuízos acumulados, observandose ainda o contido no mencionado art.9º, § 8º, da Lei nº 9.249/95. Nesse sentido conclui a Decisão Disit da 10ª RF nº 95/2000, cuja ementa é transcrita a seguir: Fl. 835DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 836 17 (...) Portanto, correta a exclusão, perpetrada pela fiscalização, do valor de R$31.070.0880,50 da base de cálculo dos JCP apurados para 2009. Em relação ao ajuste de R$11.278.000,00, conforme as notas explicativas às demonstrações financeiras dos exercícios findos em 31/12/2009 e 31/12/2010 (fls.217), tratase de valor que foi debitado do patrimônio líquido, referente a exercícios anteriores a 2009. Portanto, a teor do citado art.9º, § 8º, da Lei nº 9.249/95, tal valor inclui se na base de cálculo dos JCP calculados para 2009. Ressaltese que a impugnante não está autorizada a deixar de obedecer a legislação fiscal em detrimento de outras normas. Aliás, a própria Lei nº 6.404/76, em seu art.177, §2º, prevê que a pessoa jurídica deve observar as disposições da lei tributária sobre a atividade que constitui seu objeto e que prescrevam métodos ou critérios contábeis diferentes ou determinem registros, ajustes ou a elaboração de outras demonstrações financeiras. Em relação à dedução de JCP ocorrida no anocalendário 2010, alega a impugnante que o ajuste de R$87.607.968,64, que ocasionou o saldo devedor de R$24.552.840,00 na conta de lucros acumulados em 2009, também se referiria a exercícios anteriores, e não haveria impacto no resultado desse exercício, pois o balanço patrimonial e o lucro de 2009 não seriam modificados. Alega ainda que, se houvesse impacto no resultado de 2009, haveria o direito de a impugnante pleitear os valores recolhidos a maior a título de IRPJ e de CSLL, conforme quadros de fls.293294, além da recomposição do prejuízo fiscal e base negativa da CSLL no montante de R$26.282.390,59, em virtude da redução do Lucro Real antes da compensação, ocasionando menor compensação de prejuízo na DIPJ (quadro de fls.294). Pede o reconhecimento de ofício dos créditos. De início, é de se frisar que a impugnação ao auto de infração não é o meio adequado para se pleitear restituição de valores que a impugnante entende indevidos, devendo tal pedido de restituição observar a legislação pertinente ao assunto, observados os prazos legais para tanto. O mesmo vale para o pedido de recomposição de prejuízo fiscal/base negativa de CSLL. Quanto aos JCP apurados para 2010, a controvérsia reside na apuração do segundo limite de dedução dos JCP (50% do saldo de lucros acumulados e das reservas de lucros), eis que a fiscalização manteve o valor apurado pela contribuinte para o primeiro limite de dedução (50% do saldo do lucro do exercício). A apuração dos limites de dedução dos JCP é dada pelo art.347 do RIR/99, a seguir: (...) Fl. 836DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 837 18 Repitase que a impugnante não pode deixar de aplicar a legislação tributária para apuração dos tributos devidos, devendo considerar as alterações havidas em sua contabilidade para apuração dos referidos limites de dedução de JCP. Nesse passo, o valor do segundo limite (50% dos lucros acumulados e reservas de lucros), deve ser calculado considerando os valores constantes das notas explicativas às demonstrações financeiras dos exercícios findos em 31/12/2009 e 31/12/2010 (fls.216217), estando, pois, correto o cálculo da fiscalização. Assim, nenhum reparo há a fazer nos lançamentos. Conclusão Pelo exposto, VOTO PELA PROCEDÊNCIA PARCIAL DA IMPUGNAÇÃO, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado, em razão de redução do saldo de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL, de acordo com os formulários de alteração do prejuízo fiscal e da base negativa, e respectivos demonstrativos às fls.484498, e demonstrativos a seguir (valores em R$)” DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada do R. decisum em 26/05/2015 (fls. 535/536), a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 25/06/2015 (fls. 538/572), basicamente repisando os argumentos expendidos na impugnação e combatendo, pontualmente, aspectos presentes na decisão recorrida naquilo que lhe foi desfavorável. Reproduz jurisprudência que entende pertinente à sua tese e requer o provimento do Recurso Voluntário. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 837DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 838 19 Voto Vencido Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Relator Tratase de analisar dois recursos, o voluntário, interposto pela recorrente, e o de ofício pela Tuma a quo. Principio pelo Recurso Voluntário, que é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Não há preliminares a enfrentar, passo à análise do mérito. Há dois temas infracionais em discussão e ambos reportamse a “adições não computadas na apuração do lucro real” (e na base da CSLL), a saber: No primeiro deles, os lançamentos perpetrados basearamse no tratamento dado pela recorrente à cessão de crédito que realizou no período, entendida pela Fiscalização esta cessão como não possuidora dos requisitos exigidos pelo artigo 9º, da Lei nº 9.430, de 1996, para que fossem deduzidos das bases imponíveis de IRPJ e CSLL os valores pertinentes; de outro lado, a recorrente bate ser usual este procedimento nas atividades das instituições financeiras e tais despesas enquadramse nos conceitos previstos no artigo 299, do RIR/1999, por isso, dedutíveis. Fl. 838DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 839 20 Para melhor compreensão, há que se circular pelos conceitos doutrinários, normativos e jurisprudências que cercam o tema “despesa” (ou custo). A respeito de dedutibilidade das despesas (tanto para fins de IRPJ quanto de CSLL), expressam os artigos 299 e 300, do RIR/1999 (com base legal na Lei 4.506/1964): Custos, Despesas Operacionais e Encargos Subseção I Disposições Gerais Despesas Necessárias Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Art. 300. Aplicamse aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 2º). Doutrinariamente, “todas as despesas relacionadas às atividades da empresa ou à manutenção de sua fonte produtora têm vocação para serem deduzidas da base de cálculo do IRPJ, somente se cuidando de acrescer a ela as despesas para as quais algum dispositivo legal imponha uma exceção à regra de dedutibilidade das despesas”2. (sublinhado pela Relatoria) Já sobre necessidade e normalidade, professa Edmar Oliveira Andrade Filho3: “Ao eleger o critério da necessidade, a lei requer a demonstração, em cada caso, de um vínculo de inerência entre os bens e serviços adquiridos e a atividade explorada pela pessoa jurídica e que constitui a fonte produtora dos rendimentos (...). (...) (...) O requisito da normalidade pode ser encarado sob pelo menos dois aspectos: qualitativo e quantitativo. Sob o primeiro aspecto, gasto normal é aquele que tem intrínseca relação com as atividades da pessoa jurídica. A normalidade, por outro lado, pode dizer respeito à razoabilidade quantitativa do valor dos bens ou serviços recebidos; logo, salvo em casos excepcionais justificados pelas circunstâncias, o valor pago ou empenhado 2 Ricardo Mariz de Oliveira – Fundamentos do Imposto de Renda – São Paulo – Ed. Quartier Latin – 2008 – pg. 691 3 in Imposto de Renda das Empresas – 10ª Edição – Atlas – São Paulo – 2013 – pgs. 277/281. Fl. 839DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 840 21 deveria corresponder a uma justa retribuição pelos bens e serviços adquiridos ...” Administrativamente, no âmbito da Receita Federal, o Parecer Normativo nº 32, de 1981, conceituou que um gasto é necessário “quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras dos rendimentos”, e que uma despesa normal é “aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária”. Gramaticalmente definindo os três termos4: Ø usual: Do lat. usuale.] Adjetivo de dois gêneros. 1. Que se usa habitualmente; comum, frequente, habitual, usado. [Antôn.: inusitado.] Ø costumeiro: [De costume1 + eiro.] Adjetivo. 1.Usual, habitual, costumário. Ø ordinário: [Do lat. ordinariu.] Adjetivo 1.Que está na ordem usual das coisas; habitual, useiro, comum: 2.Regular, periódico, costumado, frequente: Portanto, as despesas são “normais” quando frequentes, habituais, regulares e periódicas. Definidas em termos gerais as despesas de uma entidade empresarial, impõe se observar sua vinculação ao que aqui se discute, ou seja, sua dedutibilidade perante a legislação fiscal, especificamente IRPJ e CSLL. Acerca do tema “despesas” e “dedutibilidade”, o Regulamento do Imposto de Renda vigente dedica vários de seus artigos, assim como o faz a legislação que trata da CSLL. Da leitura agregada dos dispositivos legais exsurge a constatação de que, i) quaisquer estipêndios da pessoa jurídica, que não tenham como objeto a aquisição de ativos ou a paga de passivos, ou, consoante Resolução nº 750/1993, do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), quando deixar de existir o correspondente valor ativo, por transferência de sua propriedade para terceiro; quando ocorrer a diminuição ou extinção do valor econômico do ativo ou quando surgir um passivo, sem o correspondente ativo, devem ser tidos – contabilmente – como despesas e assim registrados; ii) de outro lado, por determinação expressa da legislação fiscal que exige sejam feitos ajustes na escrituração das empresas para fins de apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL (artigo 6º, Decretolei nº 1.598/1977), nem todas as despesas podem ser consideradas “dedutíveis”, cabendo verificar se elas cumprem estruturalmente os seguintes requisitos para sua dedutibilidade: a) serem necessárias à atividade da empresa; 4 Novo Dicionário Aurélio – Digital Fl. 840DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 841 22 b) serem necessárias para a manutenção da fonte produtora; c) serem necessárias para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade exercida pela empresa; d) serem usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades desempenhadas pela empresa. Posta a situação, de se concluir que todos os dispêndios incorridos (ainda que sem o desencaixe financeiro) e que não tenham como fim a aquisição de bens e direitos ou a liquidação de passivos, ou, como normatizado pelo Conselho Federal de Contabilidade, quando deixar de existir o correspondente valor ativo, por transferência de sua propriedade para terceiro; quando ocorrer a diminuição ou extinção do valor econômico do ativo ou quando surgir um passivo, sem o correspondente ativo, são efetivas despesas de uma entidade empresarial. Todavia, por força da norma cogente que manda sejam efetuados os necessários ajustes na escrituração comercial para fins fiscais, nem todas as despesas – embora contabilmente sejam despesas têm a possibilidade de reduzir as bases imponíveis do IRPJ e CSLL, posto que tidas, pela lei, como INDEDUTÍVEIS. Neste espaço, determinante sejam averiguadas se foram cumpridas as normas que ensejam a dedutibilidade pretendida pela autuada ou, ao revés, se a condição imposta pelo Fisco para exigir a adição de tais despesas ao Lucro Real e à Base de Cálculo da CSLL encontra guarida. Certamente a linha que separa a condição de uma “despesa”, para fins contábeis e gerenciais, de uma “despesa dedutível”, para atendimento da legislação fiscal, é deveras tênue, exigindo do aplicador, do executor e do julgador, a leitura de todos os fatos que cercaram o nascimento da indigitada despesa para elevála à condição de dedutível ou não. No entender de Sérgio de Iudícibus, José Carlos Marion e Elias Pereira, na obra DICIONÁRIO DE TERMOS DE CONTABILIDADE (Ed. Atlas, 2ª Edição) definemse DESPESAS OPERACIONAIS como sendo: “Despesas necessárias para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Contas de resultado que representam todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa.” De outro lado, a leitura de textos doutrinários mostrase relevante, até porque as dificuldades de conceituação na contabilidade transpassam a barreira apenas do ativo e passivo, alcançando a ideia das despesas, conceito relativamente homogêneo na literatura. Por exemplo, para Hendriksen e Breda, despesa é: “o uso ou consumo de mercadorias ou serviços no processo de obter receitas. Elas são as expirações dos fatores de serviços relacionados diretamente ou indiretamente na produção e vendas de produtos das empresas”. 5 Em claras palavras, as despesas são a contrapartida das receitas, participando da concepção de lucro. 5 HENDRIKSEN, Eldon S., BREDA, Michael F. Van. Teoria da Contabilidade. Tradução de Antônio Zoratto Sanvicente. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2007. Fl. 841DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 842 23 Confirmando esta concepção, Kam (1986) sustenta que “despesas são reduções no valor dos ativos ou aumento no valor das exigibilidades, devido à utilização de bens e serviços das operações principais ou centrais da entidade”. 6 Já o professor Sérgio de Iudícibus, com a cátedra que lhe é peculiar afirma que a despesa “representa a utilização ou o consumo de bens e serviços no processo de produzir receitas podendo referirse a gastos efetuados no passado, no presente ou que serão realizados no futuro”. 7 Em síntese, inexistem dúvidas de que a despesa é a concretização do esforço, em termos monetários, para a geração da receita, reduzindo o patrimônio da empresa, com a perspectiva, com uma promessa latente de geração futura ou imediata de receita que deve, por definição, suplantar as despesas e assim gerar a parcela do lucro. Vale exprimir, o fluxo de geração do lucro sofre intensa participação da despesa e, consequentemente, devese cercar de todos os mesmos cuidados voltados à receita para caracterizar as despesas, diante de sua importância. O fato gerador do nascimento da despesa é, pois, o esforço continuado para produzir receita, já que tanto despesa é consequência da receita, como a receita pode derivar da despesa, ou seja, a receita futura só se concretiza e pode ser facilitada graças a gastos passados, correntes ou futuros e inerentes à atividade produtiva ou laboral da entidade. Em suma, despesas estão voltadas à geração de receitas, por essa razão deverão ser com elas confrontadas, de tal modo que, ainda que não se desconheçam as dificuldades em se identificar "despesa necessária" (o que vem a possibilitar a formação de litígios sobre sua definição fática, como no caso presente), a verdade é que ela não pode estar dissociada da atividade empresarial, vale exprimir, só pode ser entendida como necessária – e assim é claramente dedutível – quando se traduz em vertente de sustentação para consecução dos objetivos sociais da entidade. Em outra dicção, sua necessidade está intrínseca e extrinsecamente vinculada ao desenvolvimento da atividade empresarial, à busca de seu objeto, à sua vida perene. Neste sentido a jurisprudência administrativa, reproduzida naquilo que interessa ao caso: Acórdão 10195212 RECURSO VOLUNTÁRIO IRPJ – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS – DEDUTIBILIDADE – As quantias apropriadas à conta de custos ou despesas operacionais, para efeito de determinação do lucro real, devem satisfazer às condições de necessidade, normalidade e usualidade, bem como ter comprovado o efetivo fornecimento dos bens ou serviços contratados. A eventual prova do desembolso dos recursos, por si só, não é bastante para tornar dedutível o gasto suportado. LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL Em se tratando de exigência fundamentada na irregularidade apurada em procedimento fiscal realizado na área do IRPJ, o decidido naquele lançamento é aplicável, no 6 KAM, Vernon. Accounting theory. New York, John Wiley & Sons, 1986 7 IUDÍCIBUS, Sergio de. Teoria da Contabilidade. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2009. Fl. 842DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 843 24 que couber, aos lançamentos conseqüentes na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Assim, somente são dedutíveis, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, as despesas que sejam necessárias à consecução das atividades da pessoa jurídica, que sejam usuais e normais, ou seja, tenham caráter de rotina no contexto empresarial em que se inserem e não se revistam de desconectividade em relação às mesmas atividades. Neste patamar, indiscutível que qualquer despesa, tomado o termo nas concepções antes focadas, compõe o resultado da entidade, de forma negativa, reduzindo o patrimônio. Quanto a isso, inexistem dúvidas. A controvérsia instalase a partir do momento em que determinada despesa, que despesa é sob os ângulos contábil, patrimonial, comercial, econômico e societário, extrapola os limites destas ciências e se põe ao alcance do raio de ação da legislação fiscal, especialmente a do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. Neste momento, o que é incontroverso passa a se submeter ao crivo de outra legislação, de outros conceitos, de outra estrutura. Dizendo de modo diverso, se determinados estipêndios são “despesas” sob quaisquer dos enfoques antes vistos e afetam o resultado comercial da entidade, tais gastos, ainda que despesas sejam, PODEM NÃO SER DEDUTÍVEIS das bases imponíveis de IRPJ (e da CSLL, quando for o caso), simplesmente porque o legislador tributário assim o determinou. Estáse, assim, diante de uma regra excepcional trazida pela lei que, mesmo tendo tomado a contabilidade como ponto de partida para determinação e apuração do IRPJ, em determinado instante faz nela um “corte” e elimina (para fins exclusivamente fiscais), uma despesa que afetou o resultado apurado e a acresce a este mesmo resultado, encontrando uma base imponível diferente daquela que será definida para os propósitos comerciais e societários. É o parâmetro fixado pelo RIR/1999, artigos 247, § 1º e 249, I: Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1º). Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; Neste ponto, chegase ao caso concreto e sobre o qual repousa o litígio: Fl. 843DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 844 25 → as “despesas” (ou perdas) com cessões de créditos realizadas pela recorrente estão ao abrigo do artigo 299, por serem usuais, normais, necessárias e participantes da geração de lucro da entidade? Para a recorrente, tais despesas revestemse das características exigidas pelo artigo 299, uma vez que as cessões de crédito de difícil ou quase impossível recebimento seriam rotineiras no segmento empresarial em que atua (instituição financeira) e, assim, dedutíveis. Para o Fisco, ao revés, cessão de crédito, para ser dedutível, exige atendimento aos requisitos inseridos no artigo 9º, da Lei nº 9.430, de 1996 e não no art. 299 do RIR. Penso que a razão está com o Fisco. Explico. Como visto antes, “despesa” é componente essencial na geração do lucro (objetivo máximo de qualquer empresa em regime capitalista) e desta geração participa como elemento redutor em contraposição às receitas. Ou seja, é desta equação algébrica que nasce o resultado, i) negativo se as despesas foram superiores; ii) positivo no caso de as receitas as suplantarem. Em outro dizer, é impossível que se gere receita (e, no fim, se chegue ao “lucro”), sem que exista sacrifício econômico, financeiro ou patrimonial da entidade para que isso ocorra. Isto se chama “despesa”. Deste modo, despesas normais, usuais e necessárias são conceitos que levam a um entendimento único: participam do cotidiano da entidade (em um primeiro momento sangrando seu patrimônio), para, em seguida, permitir a geração da receita correspondente e atingirse o objetivo final (lucro). Conforme o vetusto, mas sempre atual Parecer Normativo (CST) nº 32/81, despesa normal é “aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária”. Neste trilhar, despesas normais, usuais e necessárias, sem maiores dificuldades conceituais, são salários, energia elétrica, material de expediente, tributos, combustíveis, manutenção, material de limpeza, depreciação, etc., enquadrandose estes dispêndios nos requisitos do artigo 299, do RIR/1999. De outro lado, gastos, perdas ou despesas eventuais devem ser tratadas exatamente como são: eventuais – e, por isso, sujeitas à verificação de sua necessidade, usualidade e normalidade. Se comprovados tais requisitos, dedutíveis. Se não, indedutíveis. Na normatização baixada pelo órgão regulador contábil, Conselho Federal de Contabilidade – CFC, através de “Pronunciamentos” emitidos pelo CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis), encontramos a clara distinção entre “despesas” e “perdas”: Fl. 844DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 845 26 De acordo com o CPC 00, preâmbulo (Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis): Objetivo e alcance 1 O objetivo do Pronunciamento Conceitual Básico – “Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis” é o de servir como fonte dos conceitos básicos e fundamentais a serem utilizados na elaboração e na interpretação dos Pronunciamentos Técnicos, bem como na preparação e utilização das Demonstrações Contábeis das entidades comerciais, industriais e outras de negócios. (...) 21 Despesas são decréscimos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de saída ou redução de ativos ou incrementos em passivos, que resultam em decréscimo do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de distribuição de resultado ou de capital aos proprietários da entidade. 22 Essas definições são bastante amplas e não distinguem as receitas propriamente ditas dos ganhos e nem as despesas propriamente ditas das perdas. Essa divisão não é dada como vital pelo Pronunciamento, apesar de ele reconhecer que os ganhos e as perdas se referem a baixas não comuns de ativos destinados ao uso, ou derivam de fatores exógenos à entidade ou possuem outras especificidades. (...) 78 A definição de despesas abrange perdas assim como as despesas que surgem no curso das atividades ordinárias da entidade. As despesas que surgem no curso das atividades ordinárias da entidade incluem, por exemplo, o custo das vendas, salários e depreciação. Geralmente, tomam a forma de um desembolso ou redução de ativos como caixa e equivalentes de caixa, estoques e ativo imobilizado. 79 Perdas representam outros itens que se enquadram na definição de despesas e podem ou não surgir no curso das atividades ordinárias da entidade, representando decréscimos nos benefícios econômicos e, como tal, não são de natureza diferente das demais despesas (...). Portanto, “despesas” têm cunho de normalidade, participam do cotidiano empresarial, são fontes de sacrifício para a geração de riqueza (receita e, depois lucro). Perdas têm caráter eventual, fortuito, fora do comum, extrarotina, anormal. A primeira é prevista pela entidade e faz parte de seu organograma e fluxograma empresarial e participa do seu cotidiano na busca incessante e natural da obtenção do lucro (receita – despesa), minando o patrimônio no instante primeiro e o recompondo, com lucro, no segundo. A outra esvazia o patrimônio sem nenhuma contrapartida ou retorno, e nasce em razão de eventos aleatórios, não desejáveis e não planejados pela companhia. Até porque, convenhamos, não teria qualquer sentido tratar como “despesa necessária” uma perda de um ativo (título creditício) que foi gestado anteriormente e na forma Fl. 845DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 846 27 descrita neste voto, ou seja, foram sacrificadas antes despesas que permitiram atingir uma receita, que originou a cártula creditícia. Querer – como que a recorrente – que, no futuro, a “perda” pela cessão de crédito, entendido este como ato de inteira liberalidade da empresa, se converta em “despesa operacional, usual e necessária, com caráter de normalidade é ofender a toda estrutura que cerca o tema, consoante antes discorrido. É querer transformar em “normal” o que é “anormal” no cotidiano empresarial, já que, em nenhuma empresa, desfazerse de ativos é padrão de normalidade; é pretender seja “usual”, o que é “inusual”, “eventual” e “esporádico”; e é tentar dar conotação de “necessária” àquilo é “desnecessário”, afinal, se despesa é ““o uso ou consumo de mercadorias ou serviços no processo de obter receitas. Elas são as expirações dos fatores de serviços relacionados diretamente ou indiretamente na produção e vendas de produtos das empresas”8, cabem as perguntas óbvias: 1. em que estas perdas com cessão de crédito foram “expirações na produção de receitas”? 2. em que contribuíram, como contrapartidas das receitas, na geração de lucros? 3. em que representaram “a utilização ou o consumo de bens e serviços no processo de produzir receitas podendo referirse a gastos efetuados no passado, no presente ou que serão realizados no futuro”9 ? A resposta é igualmente óbvia: em nada. Ao contrário, como citado, são ativos provenientes de receitas obtidas com o sacrifício de despesas incorridas anteriormente. Neste segundo estágio, a perda patrimonial não é mais despesa. Antes, é “perda” e assim deve ser tratada. É exatamente em razão desta disparidade conceitual que a própria legislação trata os temas de forma diferente, em dispositivos diferentes: a) se despesa, “normal, usual e necessária”, aos ditames do artigo 299, do RIR/1999; b) se perda, “anormal”, “eventual”, “inesperada”, em diversos artigos, por exemplo, 226, 236, 249, IV, 249, X, 291, 377, 418, etc. No primeiro caso, DEDUTÍVEIS, como regra geral. No segundo, SÓ DEDUTÍVEIS se cumpridos os requisitos que a legislação ESPECIFICAMENTE impôs. 8 HENDRIKSEN, Eldon S., BREDA, Michael F. Van. Teoria da Contabilidade. Tradução de Antônio Zoratto Sanvicente. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2007. 9 IUDÍCIBUS, Sergio de. Teoria da Contabilidade. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2009. Fl. 846DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 847 28 Naquilo que interessa as cessões de crédito, que a recorrente entendeu como “despesas” (normais, usuais e necessárias) e que, por isso, estariam ao abrigo do artigo 299, do RIR/1999, na verdade têm clara conotação de “PERDAS”, não apenas sob o ângulo conceitual (como antes visto), mas por norma legal específica e especial (artigo 9º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996) consolidada no Regulamento do Imposto de Renda nos artigos 340 a 343. Assim, para sua dedutibilidade, imperioso que se analisem se os requisitos delineados pela norma substantiva foram cumpridos (redação à época dos fatos geradores 2009 e 2010): Art. 9º As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. § 1º Poderão ser registrados como perda os créditos: I em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário; II sem garantia, de valor: a) até R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; b) acima de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) até R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; c) superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; III com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias; IV contra devedor declarado falido ou pessoa jurídica declarada concordatária, relativamente à parcela que exceder o valor que esta tenha se comprometido a pagar, observado o disposto no § 5º. § 2º No caso de contrato de crédito em que o não pagamento de uma ou mais parcelas implique o vencimento automático de todas as demais parcelas vincendas, os limites a que se referem as alíneas a e b do inciso II do parágrafo anterior serão considerados em relação ao total dos créditos, por operação, com o mesmo devedor. § 3º Para os fins desta Lei, considerase crédito garantido o proveniente de vendas com reserva de domínio, de alienação fiduciária em garantia ou de operações com outras garantias reais. § 4º No caso de crédito com empresa em processo falimentar ou de concordata, a dedução da perda será admitida a partir da data da decretação da falência ou da concessão da concordata, desde que a credora tenha adotado os procedimentos judiciais necessários para o recebimento do crédito. § 5º A parcela do crédito cujo compromisso de pagar não houver sido honrado pela empresa concordatária poderá, também, ser deduzida como perda, observadas as condições previstas neste artigo. § 6º Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja Fl. 847DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 848 29 acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas. Descumpridos tais requisitos, como descumpridos foram, a mera liberalidade da contribuinte em ceder tais créditos não atende aos contornos impostos pela legislação. Estáse diante de norma especial, o que leva à aplicação do que dispõe o art. 2º, § 2º, da Lei de Introdução ao Código Civil, digase, a lei especial prevalece sobre a lei geral. No caso, a norma geral para a dedutibilidade de uma despesa é a do artigo 299, do RIR/1999 (base legal, Lei nº 4.506/1964). Já para o caso de “perdas no recebimento de créditos”, a especificidade da norma legal é de imperiosa observância, no caso, o artigo 9º, da Lei nº 9.430/1996, antes reproduzido. O tema foi muito bem analisado pela decisão recorrida: Deve ser notado que a impugnante não promoveu protestos/execução contra o devedor (VDL Siderurgia) para os contratos de financiamento em comento (fls.126), aceitando, por liberalidade, a inadimplência para os referidos contratos. Posteriormente, aceitou receber pelos mesmos créditos – vencidos e não pagos, conforme contratos de fls. 4550 – uma quantia inferior ao valor original dos financiamentos. Ora, não se pode aceitar como usual e necessário que uma empresa, por liberalidade, deixe de promover todos os meios de que dispõe, inclusive o protesto/execução judicial da dívida, para a cobrança de créditos inadimplidos. O fato de abdicar do direito de exigir o cumprimento total de uma obrigação é um ato de vontade própria da impugnante, porém cuja correspondente perda financeira não é prevista pela legislação como despesa operacional dedutível. Tampouco se pode concordar que seja necessário à manutenção da empresa conceder financiamentos para depois ceder os créditos a terceiros por um valor inferior ao valor original de financiamento. Assim, a cessão de créditos, por si só, não configura hipótese legal de exclusão do Lucro Real de perdas no recebimento de créditos. Por sua vez, a dedutibilidade desses créditos como despesa operacional, para fins fiscais, deve obedecer a normatização específica da matéria, constante dos arts. 9º a 12 da Lei n° 9.430/96, dos quais transcrevese a seguir parte dos arts. 9º e 10: (...) Ressaltese que inexistem outras regras no quadro normativo fiscal vigente que disciplinem a dedutibilidade de perdas no recebimento de créditos de forma mais específica e caracterizada como as contidas nos artigos da Lei 9.430/96. As demais, ou são normas de caráter geral, como a do artigo 299 do RIR/99, que define as despesas operacionais como aquelas usuais, normais e necessárias à atividade da empresa, e, Fl. 848DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 849 30 assim, dedutíveis, ou são normas que regulam a dedução de despesas diferentes daquelas aqui discutidas. A propósito de a impugnante alegar impossibilidade de aplicação dos dispositivos da Lei nº 9.430/96 ao caso, a doutrina aponta os critérios para dirimir a questão, dentre os quais se destaca o critério da especialidade, conforme os ensinamentos de Luiz Regis Prado (in Curso de Direito Penal Brasileiro, São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005, p.231): (...) Assim, no caso concreto, o disciplinamento estabelecido pelos artigos 9º a 12, da Lei nº 9.430/96 assume um caráter de norma especial, em relação às normas gerais de dedução de despesas existentes no Direito Tributário. Em síntese, não acolho os argumentos da recorrente de que as perdas monetárias com cessões de crédito sejam “despesas” no sentido delineado pelo artigo 299, do RIR/1999, e, sim, “perdas” no conceito legal do artigo 9º, da Lei nº 9.430/1996, que, para sua dedutibilidade das bases do IRPJ e da CSLL, impõe o atendimento aos requisitos ali estampados. Descumprido, sua indedutibilidade é flagrante. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário em relação às perdas com cessão de crédito (item 0001 do auto de infração). Acerca da segunda infração (dedutibilidade dos valores de JCP apurados em desconformidade com a legislação fiscal), há que se analisar se os montantes suplantaram os limites legais como afirma o Fisco, ou, se estariam corretos, após os ajustes feitos pela recorrente e explanados em suas peças de defesa. A matéria tem previsão no artigo 9º, da Lei nº 9.249, de 26/12/1996, naquilo que interessa ao caso: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) (Produção de efeito) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; (...) Fl. 849DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 850 31 § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do Decreto Lei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. Segundo a recorrente, teriam ocorrido, em 2009, ajustes de exercícios anteriores, sem impacto no resultado do período, no valor de R$ 11.278.000,00 (feitos após a distribuição dos JCP) e que não haveria vedação a que fossem incluídos os Lucros ou Prejuízos do 1º semestre de 2009 na base de cálculo dos JCP; quanto ao anocalendário de 2010, a recorrente discorre que o ajuste de R$ 87.607.968,64, que ocasionou o saldo devedor de R$ 24.552.840,00 na conta de lucros acumulados em 2009, também se referiria a exercícios anteriores, e não haveria impacto no resultado desse exercício, pois o balanço patrimonial e o lucro de 2009 não seriam modificados. Com estas colocações, entende a recorrente, estariam justificados os valores aproveitados como despesas a titulo de Juros sobre o Capital Próprio. Já o Fisco pensa diferentemente, concluindo ter havido excesso de dedução de R$ 1.969.585,96 em 2009 e R$ 8.394.389,30 (TVF – fls. 224 e 226). A matéria, além dos temas de direito, é de cunho essencialmente fático, impondose saber se foram obedecidos os limites de dedutibilidade que a legislação impõe para os JCP. Resumidamente, para fins de cálculo dos JCP, devem ser tomadas as contas do grupo do PL (Patrimônio Líquido), com exclusões de algumas rubricas, e sobre seu saldo, aplicarse a taxa TJLP para o período de apuração. Apontado o valor (que equivalerá à “remuneração” do capital investido pelos sócios, acionistas, proprietário da empresa) este será cotejado – exclusivamente para fins de dedutibilidade fiscal perante o IRPJ e a CSLL – com dois limites, a saber (art. 9º, da Lei nº 9.249/1995, com redação do artigo 78, da Lei nº 9.430/1996): 1. 50% do lucro líquido do período, antes da provisão para IR e da dedução dos próprios juros; 2. 50% da soma dos lucros acumulados e reservas de lucros. No caso concreto, as diferenças apontadas pelo Fisco e contestadas pela recorrente dizem respeito a dois pontos centrais: i) alteração nas contas do PL da recorrente ocorrida em momento posterior à apuração e pagamento/crédito dos JCP, o que a defesa Fl. 850DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 851 32 nominou de “ajuste de exercícios anteriores”; e, ii) exclusão, pelo Fisco, do lucro do próprio períodobase de apuração. Segundo a melhor doutrina10, “Ajustes de Exercícios Anteriores” significam que “o lucro líquido do ano não deve estar influenciado por efeitos que, na verdade, não pertencem ao exercício, para que o resultado do ano reflita um valor que possa ser comparado com o de outros anos em bases similares. Daí decorre a importância da consistência na aplicação dos critérios contábeis. Dessa forma, os valores relativos a ajustes de exercícios anteriores serão lançados diretamente na conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados, sem afetar as receitas ou despesas do ano”. E prosseguem os autores: “(...) a Lei das Sociedades por Ações (...) determina que sejam tratados como ajustes de exercícios anteriores somente os casos de: ● efeitos de mudança de critério contábil; ● retificação de erro. (...) a escrituração deve ser mantida observandose métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo, ou seja, se adotarmos um critério de avaliação de determinado ativo ou de registro de passivo em determinado ano, tal critério deve também ser observado nos demais anos seguintes. Logicamente, isso não significa que não se possa alterálo em determinado exercício. Toda vez que essa alteração for para um critério que melhor reflita a situação da empresa, deve ser posta em prática: todavia, no exercício em que houver tal modificação, deveremos apurar seu efeito em moeda e indicálo em nota explicativa. Alterações de critérios contábeis podem gerar efeitos diversos, influenciando ou não a apuração do lucro. Quando a alteração afetar a apuração dos resultados, tal efeito deverá ser lançado diretamente na conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados e aparecerá em sua Demonstração. Como, por exemplo, no caso de alteração do método de avaliação dos estoques (do custeio direto para o custeio por absorção ou do FIFO para o preço médio, etc), (...) na mudança de método de avaliação dos investimentos (do método de custo para o da equivalência patrimonial)”. A possibilidade de “alteração em critério contábil”, tratada no texto acima, tornouse ainda mais frequente depois que o Brasil aderiu aos padrões internacionais de contabilidade (IFRS)11, momento que marcou a linha divisória entre a contabilidade como ciência que registra, mensura e avalia o patrimônio aziendal e a “contabilidade” então praticada nestas plagas e que visavam, em quase todas as circunstâncias, meramente atender ao Fisco, de modo especial, o Fisco Federal, em razão da sua estreita vinculação com a legislação do IRPJ. 10 Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke in Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações (Aplicável às demais Sociedades) – 6ª Ed. SP – Atlas – pgs. 369/370 (destaques acrescentados). 11 IFRS – em língua inglesa, International Financial Reporting Standards, traduzidas para o português como "Normas Internacionais de Relatório Financeiro, formam um conjunto de pronunciamentos internacionais de contabilidade, publicados e revisados pelo International Accounting Standards Board (IASB). Fl. 851DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 852 33 A partir deste momento, primeiramente com a Lei nº 11.638, de 2007 e depois com a Lei nº 11.941/2009, a contabilidade, para gáudio dos profissionais da área, dos professores e de todos os que, de uma forma ou outra, vivenciam o diaadia empresarial, deixou de ser apenas um apêndice para apuração de imposto e passou a ser ferramenta essencial para o melhor gerenciamento de entidades, de cunho lucrativo ou social. Assim, com a introdução das normas legais, foram baixados diversos atos normativos por parte de entidades ligadas à área (CVM, CPC, CFC) e da própria Fiscalização Federal, de modo a definir a linha divisória que separa a contabilidade como ciência e a sua adoção pelo Fisco como suporte para a apuração de tributos de sua esfera de influência, especialmente o IRPJ e a CSLL que têm o lucro (conceito eminentemente contábil) como ponto inicial. Neste eixo, no caso aqui tratado, a recorrente clama que os lançamentos feitos pelo Fisco e classificados como “excesso de despesas com JCP” teriam surgido, unicamente, em razão de “ajustes de exercícios anteriores” que realizou em contas patrimoniais, sem interferência nos resultados dos anoscalendário sob apreciação, 2009 e 2010. De fato, há documentos comprobatórios nos autos (fls. 7, 451, 452, dentre outras) que atestam que a recorrente procedeu aos ajustes (correções) em contas patrimoniais, revisando critérios contábeis, ou seja, fez revisão nos métodos, procedimentos e valoração de ativos, passivos e patrimônio, conforme mostra o texto abaixo (fls. 452): Atentese, de outro lado, que tais “ajustes” foram feitos depois que os JCP já haviam sido calculados e utilizados como despesas nos anoscalendário de 2009 e 2010, digase, as bases, tanto para medir o valor (PL X TJLP) como seus limites 50% dos lucros do período ou do saldo de lucros acumulados , ERAM DIFERENTES daquelas posteriormente “ajustadas”. Pois bem, que este “ajuste” é previsto e que deve ser feito, nem há discussão. Porém, e aí reside o centro da questão, depois que as novas normas contábeis passaram a viger, Fl. 852DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 853 34 a separação entre contabilidade enquanto ciência e “contabilidade fiscal” é imperativa, tanto que, durante a fase de transição e adaptação, foi instituído o chamado RTT (Regime Tributário de Transição). Com isso, o que se visou foi, simplesmente, i) manter a separação entre a contabilidade mercantil e a “contabilidade” para fins fiscais; e, ii) impor a NEUTRALIDADE nos ajustes que viessem a ocorrer, significando, em última análise, que AJUSTES havidos com fulcro na nova legislação não poderiam afetar a apuração de tributos e que AJUSTES com fins tributários deveriam ser feitos em registros auxiliares, sem afetar a escrituração. Em outro dizer, quando “ajustes” não venham a afetar base de apuração de tributos, sua influência tributária é neutra, digase, é zero! Porém, quando “ajustes de exercícios anteriores” imiscuemse em base apurativas de tributos, a neutralidade, neste aspecto, não pode prevalecer, sob pena de desvirtuamento da norma e ofensa à legislação tributária. E, neste caso, os “ajustes” devem ser feitos em registros auxiliares, evitandose alterações nos livros da contabilidade mercantil que visem atender meramente ao Fisco, como foi praxe por dezenas de anos. Postas estas considerações, passase ao caso fático exposto nos autos. Começando pelo anocalendário de 2009. Conforme apurado pelo Fisco, teria havido excesso de JCP no valor de R$ 1.969.585,96, resultado de “ajustes” assim reproduzidos: a) Inclusão indevida de “lucros” no montante de R$ 31.070.080,50 apurados no 1º semestre de 2009, na base de cálculo dos JCP; b) Não exclusão, no cálculo, do valor de R$ 11.278.000,00 relativo a “ajustes de exercícios anteriores” – 2008. A recorrente contesta o procedimento alegando que seus estatutos prevêem balanços semestrais e que os lucros, assim apurados, fariam parte da base de cálculo dos JCP; já sobre os “ajustes”, alega que não afetaram o resultado. Para melhor visualização, vejase a comparação entre a equação preparada pela recorrente e os ajustes procedidos pelo Fisco: Ø PERÍODO 2009 Demonstrativo da recorrente – Base de Cálculo (fls. 184): Fl. 853DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 854 35 Demonstrativo da recorrente – Limites – Apuração JCP (fls. 184): A partir dos números informados pela recorrente e demais documentos acostados aos autos, o Fisco recompôs a base de cálculo (contas do PL) e os limites de dedução (TVF – fls. 218/227). O trabalho fiscal está resumido na planilha abaixo, da lavra deste Relator, destacandose que o limite aplicado foi o de 50% sobre os lucros acumulados (aliás, adotado pela recorrente): CÁLCULO DOS JCP (PL x TJLP) 2009 Fl. 854DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 855 36 Patrimônio Líquido em 31/12/2008 757.816.735,58 () Reservas de Reavaliação 480.573,76 Ajustes Marcação a Mercado 59.104.165,11 () Ajustes Exercícios Anteriores Adoção Novo Critérios Contábeis 11.278.000,00 (=) BASE DE CÁLCULO 805.162.326,93 (X) TJLP DO PERÍODO 6,12% (=) JCP APURADO NO PERÍODO 49.314.582,20 O valor apropriado pela recorrente como despesa (R$ 51.284.168,16) está retratado na DIPJ – Ficha 06B – Linha 53 (fls. 207): E chegase, portanto, à diferença lançada de ofício em 2009: R$ 49.314.582,20 () R$ 51.284.168,16 = R$ 1.969.585,96. A comparação entre as duas planilhas mostra que: 1. o PL apurado (R$ 757.816.735,58), assim como as Reservas de Reavaliação (R$ 480.573,76) e os Ajustes de Marcação a Mercado (R$ 59.104.165,11) são simétricos nas duas formulações; 2. a divergência ocorre em relação a dois tópicos, a saber: 2.1 – o valor de R$ 31.070.080,50 (Lucro do 1º Semestre de 2009) que a recorrente computou na apuração de sua base de cálculo e que o Fisco ignorou; 2.2 – o valor de R$ 11.278.000,00 (Ajustes de Avaliação Patrimonial) que a recorrente desconsiderou e que a Autoridade Fiscal excluiu da base apurável. Assim: a) Valor assumido pela recorrente como BC – R$ 847.510.407,43 b) Valor ajustado pelo Fisco R$ 805.162.326,93 c) Diferença R$ 42.348.080,50 Conferindo: R$ 31.070.080,50 (+) R$ 11.278.000,00 (=) R$ 42.348.080,50 Recompostos os valores, resta verificar os motivos que teriam levado o Fisco ao ajustes realizados. Em primeiro lugar, sobre o valor de R$ 31.070.080,50 (Lucros do 1º Semestre de 2009). Assegura a recorrente que seus Estatutos Sociais prevêem o levantamento de Balanços Semestrais (30/06 e 31/12) e que “o lucro apurado com base em (...) balanço intermediário compõe o patrimônio líquido da Sociedade” (RV – fls. 568). Fl. 855DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 856 37 Para o Fisco, em contraposição, tais lucros apurados intermediariamente não podem compor a base de cálculo dos JCP do mesmo anocalendário. Na posição de Hiromi Higuchi, Fábio H. Higuchi e Celso H. Higuchi, “a pessoa jurídica que apura o lucro real anual não poderá incluir, na base de cálculo dos juros sobre o capital próprio, o lucro apurado no balanço ou balancete de redução ou suspensão de pagamento e nem o lucro apurado no encerramento do próprio períodobase. O lucro apurado em um períodobase passa a compor a base de cálculo a partir do anocalendário seguinte se não for distribuído a qualquer título” (Imposto de Renda das Empresas – Interpretação e Prática – IR Publicações Ltda. – SP – 35ª Ed. – pg. 112). Vejase que os autores tomam literalmente o termo “anocalendário” para as hipóteses em que os contribuintes adotem o regime do “lucro real anual” (exatamente o caso dos autos – cf. DIPJ – fls. 207/215), quando a formação do fato gerador do IRPJ e da CSLL dá se ao longo de um período de 12 meses (como regra) e que se fecha no levantamento das Demonstrações Financeiras do final deste intervalo. Neste caso, como sabido, há a exigência legal de recolhimentos “estimados” mensais, que podem ser calculados sobre a receita bruta ou sobre balanços ou balancetes de redução ou suspensão (art. 230 – RIR/1999). Neste contexto, tanto “anocalendário” quanto “balanços ou balancetes de redução ou suspensão”, são conceitos de cunho estritamente fiscal e devem ser vistos dentro do arcabouço tributário vigente. Já Demonstrações Financeiras semestrais, trimestrais, bimestrais ou mesmo mensais, com previsão estatutária no âmbito das empresas denotam manifestação de vontade dos acionistas, sócios, empreendedores e visam, estritamente, relações de natureza privada. Em resumo, cada situação deve ser tomada dentro de seus contornos aplicações e reflexos, tributários ou empresariais. Assim, os lucros de um “anocalendário” (em regra, período temporal de 12 meses e que, no caso dos autos, foi de 1º de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2009) só podem interferir, para fins de apuração de JCP, no “anocalendário [fiscal] subsequente”, ou seja, 2010, mesmo que tais “lucros” tenham sido apurados, para fins exclusivamente societários e estatutários da recorrente, em 30/06 e 31/12. A propósito, a cátedra incisiva de Nilton Latorraca, em sua clássica obra “Direito Tributário – Imposto de Renda das Empresas – Atlas – SP – 12ª Ed. – pág. 109” (com destaques acrescidos): “O períodobase de 12 meses abrange o ciclo completo de incidência da norma jurídica: 1º de janeiro a 31 de dezembro. Esse períodobase normal aplicase a todas as pessoas jurídicas, que não se encontrarem em uma das situações excepcionais (...). Em princípio, portanto, TODAS as pessoas jurídicas estão obrigadas a observar o períodobase de 12 meses, que se inicia no dia 1º de janeiro e termina a 31 de dezembro, NÃO IMPORTANTO, para esse efeito, a DATA DE ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO SOCIAL da pessoa jurídica. Seja qual for o seu exercício social, a pessoa jurídica está obrigada, para efeitos fiscais, a levantar balanços no dia Fl. 856DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 857 38 31 de dezembro e apurar o resultado do período de 12 meses, findo nessa data”. E o texto acima, atualíssimo e inteiramente aplicável ao caso apreciado – sustentase no artigo 16, da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, plenamente vigente: Art 16 Para efeito de apuração do imposto de renda das pessoas jurídicas, o períodobase de incidência será de 1º de Janeiro a 31 de dezembro, ressalvado o disposto no art. 17 desta lei. Portanto, como observado pela Fiscalização, os lucros (ou prejuízos) apurados em Balanços intermediários, ainda que estatutariamente previstos, não podem servir de componente positivo ou negativo para fins de cálculo de JCP do mesmo “anocalendário”, impondo sua exclusão, no valor de R$ 31.070.080,50, como realizado. Já o ajuste de R$ 11.278.000,00 tem origem em informação da própria recorrente de se tratar de “Ajustes de Exercícios Anteriores”, assunto já tratado neste voto. Veja que a recorrente assim o reconheceu em notas explicativas e na formação de seu Patrimônio Líquido do anocalendário anterior (2008), conforme fls. 451/452: Conferindo (em milhares de reais): PL informado – R$ 746.538 PL ajustado – R$ 757.816 Diferença R$ 11.278 Fl. 857DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 858 39 Pelo teor das “notas explicativas”, concluise que o PL da recorrente teria recebido, em anos anteriores, valores que, após a “revisão” havida em 30/06/2010, demonstraramse indevidos ou superavaliados, exigindo sua ajustagem ao montante efetivo, até porque, como se sabe, tais contas trazem evidentes reflexos não só na área tributária como na societária, pois apontam os investimentos dos acionistas na empresa. Embora devessem ter vindo aos autos, por parte da recorrente, mais detalhes sobre tal procedimento, inclusive qual foi a conta do PL que sofreu a redução, é possível entender que contas do “Ativo não Circulante – Realizável a Longo Prazo”, que controlariam instrumentos financeiros – derivativos da empresa, estivessem avaliados em valores superiores aos efetivamente possíveis de realização e, por isso, sofreram redução, em contrapartida ao PL (RV – fls. 565). Se isso é possível e deve ser resolvido através a utilização dos invocados (pela defesa) “Ajustes de Exercícios Anteriores”, fruto de mudança em critérios contábeis, não é menos certo que, consoante lição de Iudícibus e outros, já trazida neste voto, “os valores relativos a ajustes de exercícios anteriores serão lançados diretamente na conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados, sem afetar as receitas ou despesas do ano”. Com isso, evitase a reabertura da escrituração e ajustase o patrimônio. Quanto a isso, induvidoso e unânime. A partir daí é que as divergências entre Fisco e contribuinte se estampam, aquele entendendo que tal ajuste afetou a base de cálculo dos JCP e a segunda arguindo ser “imperioso atentar desde já que, em razão de a correção acima ter se dado a título de “Ajustes de Exercícios Anteriores”, não houve qualquer impacto no resultado do ano de 2008, sendo que o balanço patrimonial levantado em 31 de dezembro de 2008 restou intacto” (RV fls. 565). Entendo ter razão a recorrente. De fato, ajustes são legalmente previstos pela Lei societária e seus efeitos refletemse na relação privada da empresa, seus acionistas e o mercado. Quanto à seara tributária, justamente por se tratarem de períodos anteriores quando os JCP já tinham sido apurados, não têm efeitos tributários, exatamente pela neutralidade já antes tratada neste voto. Deste modo, em relação a este ajuste de R$ 11.278.000,00, excluoo da tributação efetuada pela Fiscalização. Sintetizando, em relação ao anocalendário de 2009, voto por manter os lançamentos de glosa de JCP no montante de R$ 1.278.831,02, conforme cálculo abaixo: 1. Valor assumido pela recorrente como BC – R$ 847.510.407,43 2. () Valor ajustado pelo Fisco Lucros 1º Semestre 2009 R$ 31.070.080,50 3. (=) Base de Cálculo ajustada (1 – 2) R$ 816.440.326,93 4. TJLP do período 6,12% 5. JCP ajustado (3 X 4) – R$ 49.966.148,00 6. Valor apurado pela recorrente (DIPJ – Ficha 06B) R$ 51.284.168,16 7. Diferença (6 – 5) – R$ 1.318.020,16 8. () Ajuste em função dos limites legais(*) – R$ 39.189,14 9. (=) Vlr. tributável lançamento mantido (7 – 8) – R$ 1.278.831,02 Fl. 858DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 859 40 (*) os limites legais previstos no art. 9º, da Lei nº 9.249/1995, com redação do artigo 78, da Lei nº 9.430/1996, são: > 50% do lucro líquido do período, antes da provisão para IR e da dedução dos próprios juros; > 50% da soma dos lucros acumulados e reservas de lucros. Ø PERÍODO 2010 Demonstrativo da recorrente (fls. 462): A partir dos números informados pela recorrente e demais documentos acostados aos autos, o Fisco recompôs a base de cálculo (contas do PL) e os limites de dedução Fl. 859DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 860 41 (TVF – fls. 218/227). O trabalho fiscal está resumido na planilha abaixo, da lavra deste Relator: CÁLCULO DOS JCP (PL x TJLP) 2010 Patrimônio Líquido em 31/12/2009 696.062.150,00 () Reservas de Reavaliação 480.573,76 Ajustes Marcação a Mercado 31.648.257,99 (=) BASE DE CÁLCULO 727.229.834,23 (X) TJLP DO PERÍODO 3,00% (=) JCP APURADO NO PERÍODO 21.816.895,03 A comparação entre as duas planilhas mostra que a diferença é irrelevante, em torno de 23 mil reais (R$ 727.206.471,79 – planilha da recorrente – 2ª coluna) e R$ 727.229.834,23 apontados pelo Fisco, pelo que é desprezada, aceitandose a base de cálculo como correta. Com relação aos “limites” é que se estampa a divergência, a recorrente entendendo que o maior limite é o da soma dos Lucros Acumulados e Reserva de Lucros (50% de R$ 42.318.687,72) e o Fisco expurgando, com base nos mesmos conceitos assumidos para o anocalendário de 2009, os “ajustes de exercícios anteriores”, conforme informações e documentos entregues pela contribuinte: ● limite em função dos lucros acumulados (+) reservas de lucros: Reserva de Lucros R$ 40.969.500,58 () Lucros (Prejuízos Acumulados) (R$ 24.552.940,00) Saldo R$ 16.416.560,58 Vejase (TVF – fls. 226): A diferença surge em relação à rubrica “lucros acumulados”, a recorrente partindo de R$ 43.667.874,86 e o Fisco adotando prejuízo de R$ 24.552.940,00. Este segundo número, prejuízo de R$ 24.552.940,00, com arredondamento em milhares de reais, consta de informação produzida pela própria recorrente, conforme Balanço publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo de 19/03/2011 (fls. 7 dos autos): Fl. 860DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 861 42 Destacando: Em suma, os “lucros acumulados”, em razão da adoção das novas regras contábeis (assunto já tratado exaustivamente neste voto), se converteram em “prejuízos”, pelo que entendeu o Fisco que depois dos “ajustes”, o cálculo do limite em função desta conta e da referente à reserva de lucros deveria sofrer recálculo (ou, para usar o vocábulo da recorrente, deve sofrer “revisão”), de forma a ajustálo à nova realidade estampada. Com isso, o limite – sempre na visão fiscal passou a ser de R$ 8.208.280,29 (50% dos lucros acumulados (+) reservas de lucros = R$ 16.416.560,58), o que levou ao condutor do feito a desconsiderar tal limite (por ser menor) e assumir o relativo ao “lucro do Fl. 861DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 862 43 exercício”, antes do cálculo do IR e dos próprios JCP, como abaixo demonstrado (dados do TVF): Neste novo cenário, ainda no pensamento da Autoridade Fiscal, se o limite seria de R$ 13.852.368,46 (50% do lucro do período antes do IR e do JCP) e as despesas com JCP teriam atingido R$ 22.246.757,76, haveria um excesso (indedutível), de R$ 8.394.389,30, como abaixo demonstrado pelo Fisco (TVF – fls. 226): Discordo do procedimento fiscal. Como já antes aduzido e retornando ao princípio do voto neste tópico, a possibilidade de “alteração em critério contábil”, para que possa obter o beneplácito da neutralidade assumida pelas Leis nº 11.638/2007 e 11.941/2009 não pode, jamais, servir de anteparo a cálculos indevidos de tributos. Concretamente, os “ajustes de exercício anteriores” (especificamente na conta de “Lucros Acumulados”) levados a efeito pela recorrente visaram exclusivamente recompor informações de modo a trazêlas à uma nova realidade sob o ponto de vista societário e empresarial, visando basicamente atender destinatários específicos, no caso, seus acionistas, os investidores, seus parceiros de negócios, em última análise, o mercado, até como forma de publicidade e transparência, tanto que presentes em notas explicativas anexas às suas Demonstrações Financeiras do período e publicadas na imprensa. Exprimase, em razão de uma nova realidade empresarial e de mercado a recorrente assumiu novos valores relativos à rubrica contábil “Lucros (Prejuízos) Acumulados”, entendendo exclusivamente para fins societários, não tributários que os valores originalmente presentes em tal conta não refletiam a posição correta e com isso, ajustouos: Fl. 862DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 863 44 Ocorre que, ao invés do entendimento fiscal, tal postura teve cunho meramente societário, mantendose incólume a rubrica contábil para fins fiscais, cujos valores, inclusive por pertencerem a períodos anteriores (2009) já tendo servido de base para cálculo dos JCP. Em outro dizer, se societariamente a conta de Lucros Acumulados foi ajustada para menos, sob o ponto de vista fiscal tal rubrica, em função da neutralidade imposta pela adoção do RTT, restou inalterada, de modo que os cálculos de JCP feitos à época não se modificaram, até porque, como alertado pela recorrente, (RV fls. 568), “a redução do valor do patrimônio líquido (...) levada a cabo pela fiscalização para efeito da apuração do excesso de JCP, se mostra descabida, eis que o ajuste contábil em comento se verificou após a distribuição dos JCP (consoante determina a LSA) e a aludida despesa foi determinada com base em Demonstrações Financeiras fidedignas existentes à época da apuração dos JCP”. (grifouse). Por todo o exposto, em relação ao anocalendário de 2010, encaminho meu voto para cancelar os lançamentos. Resumindo, neste tópico, VOTO por DAR PROVIMENTO PARCIAL para reduzir o montante tributável a R$ 1.278.831,02 exclusivamente em relação ao ano calendário/2009, cancelando os lançamentos de 2010. No que tange ao recurso de oficio manejado pela Turma Julgadora a quo, a decisão de 1º Grua assentou: “No caso em tela, a impugnante alega que a base tributável estaria incorreta, uma vez que a fiscalização teria deduzido as glosas do lucro real, e não do lucro líquido, o que teria resultado em aumento dos tributos cobrados. A impugnante pretende, com isso, o aproveitamento de seu estoque de prejuízo fiscal/base negativa da CSLL. (...) A legislação dispõe de forma clara que o lucro real poderá ser objeto de compensação opcional de prejuízos fiscais acumulados em períodosbase anteriores, não havendo obrigatoriedade de se proceder à referida compensação com vistas à determinação do Fl. 863DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 864 45 aludido lucro, base de cálculo do imposto de renda, sobretudo quando a apuração deste lucro real é feita mediante procedimento de ofício pela autoridade administrativa. Por conseguinte, não sendo a autoridade fiscal que efetuou o lançamento a destinatária da norma que faculta ao contribuinte compensar tais prejuízos, não está obrigada a adotar o aludido procedimento. Por outro lado, em que pese a natureza facultativa da compensação em apreço, no caso presente a contribuinte efetuou nas respectivas DIPJ a opção por compensar seu saldo de prejuízos fiscais e de base negativa da CSLL (fls.208 e 213). Do mesmo modo, consta na parte final da impugnação pedido da contribuinte para que se reconheçam os créditos de IRPJ e CSLL(fls.298). Assim, e considerando que consta saldo de prejuízo fiscal/base negativa de CSLL a compensar no sistema eletrônico da RFB Sapli (fls. 474483), deve ser deferida a compensação de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL pretendida pela defendente. Ressalvese, porém, que as bases tributáveis apuradas pela fiscalização nos autos de infração em tela estão corretas; o que se faz, neste voto, é aproveitar o saldo de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL que a empresa detém. Em relação à compensação de prejuízos, de acordo com informações do referido sistema Sapli, no anocalendário 2009 a impugnante possuía um saldo de prejuízo fiscal de R$164.144.756,69 (após compensação do parcelamento da Lei nº 11.941/2009), suficiente para a compensação de 30% das bases de cálculo apuradas nesta autuação para os anoscalendário de 2009 (R$21.178.114,36) e de 2010 (R$8.394.389,30), conforme demonstrativo de apuração do IRPJ e respectiva multa de ofício a seguir (valores em R$) (...) O mesmo se aplica à compensação de base negativa de CSLL. Conforme consta no sistema Sapli, no anocalendário 2009 a impugnante possuía um saldo de base de cálculo negativa de R$74.004.244,25, suficiente para a compensação de 30% das bases de cálculo apuradas nesta autuação para os anoscalendário de 2009 (R$21.178.114,36) e de 2010 (R$8.394.389,30), conforme demonstrativo de apuração da CSLL e respectiva multa de ofício a seguir (valores em R$) (...) Pela correta apreciação dada à matéria, a decisão recorrida não merece reparos e deve ser mantida, pelo que VOTO por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício interposto pela 10ª Turma da DRJ/SPO. Sintetizando, i) DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário exclusivamente em relação à glosa das despesas com juros sobre o capital próprio, cancelando os lançamentos relativos ao anocalendário de 2010 e reduzindo os pertinentes ao período de 2009 ao montante a R$ 1.278.831,02; ii) NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário no que Fl. 864DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 865 46 tange à glosa de despesas com perdas na cessão de crédito, mantendo integralmente os lançamentos; e, iii) NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício. É como voto. Brasília (DF), em 24 de janeiro de 2017. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 865DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 866 47 Voto Vencedor Conselheiro Demetrius Nichele Macei – Redator designado. Peço vênia para discordar da conclusão atingida pelo douto relator, exclusivamente quanto às perdas com cessão de créditos. Retomando uma breve exposição dos fatos, temos que: Segundo a fiscalização, as despesas passíveis de dedução são as operacionais que, nos termos do art. 299 do RIR, são aquelas necessárias, usuais ou normais às atividades da empresa, não se enquadrando como tal a perda contabilizada. Afirma ainda a Recorrente não teria esgotado todos os meios de cobrança da dívida, abdicando de seu direito de exigir o cumprimento da obrigação por vontade própria e, portanto, não se poderia aceitar como usual e necessária tal despesa. Alega a autoridade autuante que não existiriam outros atos normativos vigentes que disciplinem a dedutibilidade de perdas no recebimento de créditos de forma mais específica, prevalecendo, pois, a disciplina dos arts. 9o ao 12 da Lei n° 9.430/96 em razão do princípio da especialidade. Aduz que tais dispositivos estariam em sintonia com o art. 299 do RIR, que, por seu turno, seria norma de caráter geral. Conclui, assim, que a Recorrente teria concedido descontos em operações de renegociação de crédito para viabilizar o recebimento, situação que se enquadra à hipótese de perdas prevista na Lei 9.430/96. Assim, o procedimento adotado pela Recorrente deveria respeitar as condições previstas nos arts. 9 a 12 da Lei 9.430/96 para efeito da dedutibilidade desses créditos e, uma vez que a Recorrente não teria cumprido tais requisitos, não faria jus a dedução das perdas como despesa operacional. No anocalendário de 2009, a Recorrente concedeu empréstimos à empresa VDL Siderurgia Ltda., nos valores de USD 786.575,78 (REE637908), R$ 4.200.000,00 (CCE652308), R$ 8.988.678,17 (CCE275209) e R$ 9.412.324,92 (NCE275409), consoante atestam os contratos firmados entre as partes e os lançamentos do Livro Razão Ocorreu que a Recorrente cedeu esses créditos ao Banco Rural S/A, a título oneroso, nos termos dos Contratos de Cessão de Créditos de n°s 2090109 e CS 2090209, firmados em 25/11/2009 Nessa operação, a Recorrente apurou prejuízo conforme mencionado pelo próprio fiscal às fls. 6 do TVF no importe de R$ 19.208.528,43, incluindo principal e juros, deduzindo referido prejuízo da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL do ano calendário de 2009. Nesse ponto, vale lembrar que a Recorrente é instituição financeira privada e, como tal, possui a negociação de créditos dentre suas atividades normais e usuais, conforme atestam seus atos constitutivos. Fl. 866DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 867 48 Conforme bem salientado pela Recorrente, dentre os ajustes permitidos pela legislação fiscal, para se obter a correta determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda, encontramse as deduções de determinados gastos assumidos pela pessoa jurídica, no emprego de valores ou contratação de dívidas para o pagamento de encargos necessários para a produção da renda já utilizados ou consumidos, isto é, que não remanesçam no seu ativo, cuja dedução, neste caso, se verifica, ordinariamente, via dedução de custos ou despesas incorridos, inclusive mediante depreciação, amortização, exaustão de bens de natureza permanente ou, ainda, pela sua alienação ou baixa. As despesas de possível dedução são as chamadas operacionais, assim definidas como aquelas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora, como prescrito pelo artigo 47 da Lei n° 4.506/64, reproduzido pelo artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99: "São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n 4.506, de 1964, art. 47). § 1 São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei 4.506, de 1964, art. 47, § 12). § 2 As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei 4.506, de 1964, art. 47, § 2% (...)". Segundo a redação desse dispositivo, além de não serem computadas como custos, para que sejam dedutíveis, as despesas devem ser pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações requeridas pela atividade da empresa, de modo normal e usual. Assim, as despesas poderão ser deduzidas na determinação do lucro real da pessoa jurídica, desde que sejam necessárias, usuais e normais em suas operações ou transações. Necessárias, portanto, são aquelas despesas relacionadas às atividades da empresa ou à manutenção de sua fonte produtora. Como também reconhecido pela Coordenadoria do Sistema de Tributação, já no Parecer Normativo n° 32/81, "o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos". Na linha desenvolvida, remetese aqui a todas as despesas relativas às atividades da empresa, assim entendidas "em oposição a gastos absolutamente estranhos à sociedade e às suas atividades, ou que caracterizem mera liberalidade". Não se quer com isso afirmar que despesas alheias às atividades da pessoa jurídica não sejam necessárias, mas, sim, apenas que os atos de completa liberalidade não são necessários para a obtenção da renda. A normalidade das despesas, por sua vez, referese, em síntese, aos gastos comuns no ramo de atividade em que atua a companhia ou no tipo de Fl. 867DF CARF MF Processo nº 16327.720262/201455 Acórdão n.º 1402002.358 S1C4T2 Fl. 868 49 operação envolvida, enquanto usuais seriam aqueles caracterizados pela habitualidade, pela frequência com que são incorridos. Ainda no socorro das palavras da Recorrente, os gastos incorridos por dada pessoa jurídica para se configurarem como despesas operacionais e ser passíveis de dedutibilidade fiscal devem ser necessários à fonte produtora, isto é, ao desenvolvimento das atividades sociais da empresa. A Recorrente, salientese, alienou seus direitos creditórios a terceiros por valor inferior àquele registrado em seus livros contábeis, porque se tratava de créditos inadimplidos, cuja recuperação era incerta, razão pela qual o seu valor de mercado certamente era inferior ao montante nominal das dívidas. As perdas registradas pela contribuinte têm efetivamente a natureza de descontos acordados no âmbito do seu esforço para o recebimento dos créditos, o que, tratandose de instituição financeira, como no caso, caracteriza estas operações como decorrentes da sua atividade principal. A concessão dos descontos como forma de recuperação dos seus ativos financeiros representa prática empresarial normal e usual de mercado. Tais dispêndios reúnem as condições para dedução como despesas operacionais na determinação do lucro real. Isto posto, no caso sob análise, os fatos que motivaram o lançamento não se enquadram na norma legal que o fundamentou, pois o valor deduzido a título de perda, refere se exclusivamente a perda pela cessão dos créditos não se enquadram aos requisitos estabelecidos pelo dispositivo legal indicado pela fiscalização como infringido (art. 9° da Lei n° 9.430/96), pois a citada perda decorreu da transação pela cessão, e não pelo não recebimento dos créditos. Tratase de créditos alienados, os quais não mais pertencem ao recorrente e, tendo em vista que da alienação resultou perda, é de se considerar dedutível o resultado. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, a fim de reconhecer a dedutibilidade das despesas decorrentes das cessões de créditos efetivamente comprovadas pela Recorrente nos presentes autos. É o meu voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 868DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.900363/2014-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 23/12/2011
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 23/12/2011 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 63 /2 01 4- 64 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.900363/201464 Acórdão n.º 3401003.732 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 23/12/2011 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900363/201464 Acórdão n.º 3401003.732 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900363/201464 Acórdão n.º 3401003.732 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 65DF CARF MF
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